Pró-Reitoria Acadêmica
Curso de Comunicação Social
Trabalho de Conclusão de Curso
Redes de convergência e sociabilização:
Estudo do Facebook
Autora: Monalisa Pereira Santos
Orientador: Prof. Dr. Joadir Antônio Foresti
L
Orientador: (Nome do orientador com titulação)
Brasília - DF
2013
MONALISA PEREIRA SANTOS
REDES DE CONVERGÊNCIA E SOCIALIZAÇÃO:
ESTUDO DO FACEBOOK
Monografia apresentada ao curso de
Graduação em Comunicação Social da
Universidade Católica de Brasília, como
requisito parcial para obtenção do Título de
Bacharel em Jornalismo.
Orientador: Prof. Dr. Joadir Antônio Foresti
Brasília
2013
Monografia de autoria de Monalisa Pereira Santos, intitulada “Redes de Convergência e
Socialização- Estudo do Facebook”, apresentada como requisito parcial para obtenção do grau
de Bacharel em Comunicação Social /Jornalismo da Universidade Católica de Brasília, em
04/12/13 , defendida e aprovada pela banca examinadora abaixo assinada:
_____________________________________________________________
Profº Dr. Joadir Antônio Foresti
Orientador
Jornalismo- UCB
________________________________________________________________
Profª MsC Fernanda Vasques Ferreira
Avaliador 1
Jornalismo- UCB
________________________________________________________________
Profª MsC Carlos Alberto Marques
Avaliador 2
Jornalismo- UCB
3
Em primeiro lugar dedico essa
obra a Deus, o único que é
onisciente. Em segundo lugar à
minha mãe Maria Isabel, pois, sem
ela, minha formação acadêmica
não seria possível, a todos os
professores que fizeram parte de
toda a minha trajetória na
universidade e aos que serão
futuros leitores deste trabalho,
tendo-o como referência ou
simples fonte de pesquisa.
4
AGRADECIMENTO
Agradeço a Deus, o detentor de toda inteligência e conhecimento, Aquele que me direcionou
e iluminou para que este sonho, hoje, se tornasse realidade. Depois à minha mãe que
acreditando no meu potencial, custeou toda a minha graduação e com muita compreensão e
atenção, procurou me ajudar de alguma forma para que eu não perdesse o ânimo, mas
continuasse sempre me esforçando, buscando crescer em conhecimento. Ao meu irmão, Ary,
e, em destaque, meu pai, Sidney, que sempre sonhou em me ver concluindo o Ensino
Superior.
Em especial, ao Joadir Foresti, que há 3 ou 4 semestres vem acompanhando meu
amadurecimento nesta pesquisa. Por me fazer olhar além das salas de aula e buscar alcançar
lugares mais altos, descobrindo a área da pesquisa em comunicação; por acreditar no meu
potencial e me ajudar na produção do artigo que extraí dessa monografia e foi apresentado no
SBPjor 2013, minha primeira apresentação em um congresso de comunicação. Fica aqui o
meu muitíssimo obrigado por me inspirar com sua competência, comprometimento e amor
pelo que faz e com os quais exerce seu trabalho na Universidade Católica de Brasília.
Ao grupo de Iniciação Científica, todos os professores e alunos que fizeram parte desse grupo
que contribuiu de forma significativa para o meu crescimento como iniciante no mundo da
pesquisa em comunicação e amadurecimento neste trabalho. Principalmente aos docentes
Karina Barbosa, Alberto Marques que fizeram parte, tanto do grupo de pesquisa quanto da
minha banca de qualificação e com seus apontamentos, sempre muito relevantes, contribuíram
grandemente para que a pesquisa amadurecesse e chegasse até aqui.
À minha amiga Letícia Pires, que me disponibilizou um pouco do seu tempo para me ajudar
na pesquisa de campo, por me ajudar nos momentos de aperto, por estar comigo no Intercom
Nacional e por sempre me inspirar com suas atitudes, demonstrando ser um grande exemplo
de muita garra e força de vontade em vencer na vida!
Ao meu namorado Rodrigo Escovedo, que apareceu na minha vida no momento em que eu
estava entrando na segunda parte da pesquisa e sempre se demonstrou muito compreensivo e
preocupado com o desenvolvimento do meu trabalho. Muito obrigada por me incentivar, por
“puxar minha orelha” quando me dava preguiça e se esforçar em me ajudar a manter o foco
para que tudo fosse feito com excelência.
5
Aos meus pastores e amigos mais próximos por compreenderem minhas ausências, me
incentivarem nos estudos e estarem sempre ao meu lado.
A todos vocês, meu muito obrigada por tudo!!!
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RESUMO
Referência: SANTOS, Monalisa Pereira. Redes de convergência e sociabilização: Estudo do
Facebook - 2013. 68 páginas. Trabalho de Conclusão de Curso. Universidade Católica de
Brasília, 2013.
Em uma época em que as redes de contato e convivência superam barreiras geográficas e
cronológicas faz-se necessário pensar sobre elas e trazer elementos que ajudem a entender não
só o fenômeno liderado pelo Facebook, mas aqueles que envolvem grupos de pessoas e
estabelecem redes sociais. Elas nascem para melhor resolver os problemas enfrentados pelas
sociedade pós-moderna que, já não se satisfaz com as formas cotidianas de relacionamentos e
cria, mesmo com pouca ou nenhuma reflexão, estruturas, rizomas e gerenciamentos virtuais
que desafiam os pesquisadores mais atentos. Segundo Castells (1999), a lógica da sociedade,
aquela do mercado, da oferta e da procura, também é posta em questão, quando se
estabelecem novas formas de conexão. As plataformas que sustentam convergências digitais
estão presentes nas diferentes camadas da sociedade e oferecem, da diversão, até pesquisas
mais elaboradas. Pensar o que este fenômeno significa para esta e para as novas gerações e o
que aprender dele está no princípio deste trabalho. Apoiado também na experiência da
construção do portal-laboratório do Curso de Comunicação Social da UCB, esta proposta
monográfica cria paralelos reflexivos em parceria com as propostas de Iniciação Científica de
um Grupo de Pesquisa e contribui com a parte de um objeto fascinante e ao mesmo tempo
desafiador, o Facebook, para e, por meio dele, desvendar estratégias que levem os indivíduos
a se verem melhor perante uma sociedade em permanente mutação.
PALAVRAS-CHAVE: Mídias Sociais; Facebook; Convergência Digital; Socialização;
Individualização
7
ABSTRACT
In an era in which networks of contact and acquaintanceship overcome geographical and
chronological barriers it is necessary to think about them and bring elements that help to
understand not only the phenomenon led by Facebook , but those that involve groups of
people and establish social networks . They are born to better solve the problems faced by
postmodern society that is no longer satisfied with the everyday forms of relationships and
creates even with some or no reflection, structures, rhizomes and virtual management that
challenge even the more aware researchers. According to Castells (1999), the logic of society,
the one of the market, supply and demand, is also called into question when establishing new
forms of connection. Platforms that support digital convergence are present in all layers of
society and offer from fun to more elaborate research. To think what this phenomenon means
for this and future generations and what to learn, it is at the beginning of this work. Also
based on the experience of building the Laboratory portal of Social Communication course of
UCB, this monographic proposal creates reflective parallels in partnership with the proposals
of Scientific Initiation of a research group and contributes to a part of a fascinating object
while challenging, the Facebook, for and also through it, revealing strategies that lead
individuals to see themselves better before a permanently evolving society.
Keywords: Social Media, Facebook, Digital Convergence; Socialization; Individualization.
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LISTA DE ILUSTRAÇÕES
IMAGEM 2- Fonte: Revista Veja ( Fevereiro 2012)
65
IMAGEM 3- fonte: Revista Veja (Fevereiro 2012)
66
IMAGEM 4- Fonte: Revista Veja 2012
66
IMAGEM 4- Fonte: Revista Veja 2012
67
IMAGEM 4- Fonte: Revista Época 2012
67
IMAGEM 4- Fonte: Revista Época 2012
68
9
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1- Universidades Pesquisadas
39
Gráfico 2- Convergência Digital
40
Gráfico 3- Alimenta amizade pelo Facebook
40
Gráfico 4- Alimenta amizades pessoalmente
40
Gráfico 5- Facebook aproxima as pessoas
42
Gráfico 6- Facebook estreita relações interpessoais
42
Gráfico 7- Facebook contribui para isolamento
43
Gráfico 8- Facebook digitaliza relacionamentos
43
10
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO............................................................................................................................................. 12
2. METODOLOGIA .......................................................................................................................................... 17
3. REDES DE CONTATO, REDES SOCIAIS E MÍDIAS SOCIAIS ............................................................ 19
3.1 Redes de contato ao longo da história .............................................................................................................. 19
3.2 Redes Sociais .................................................................................................................................................................. 20
3.3. Mídias Sociais................................................................................................................................................................ 22
4 . OS ESPAÇOS E SISTEMAS DE CONVERGÊNCIA ................................................................................ 23
4.1 Os meios de comunicação e os relacionamentos interpessoais ............................................................. 25
4.2 Multimídia como Sistema de Comunicação .................................................................................................... 28
5. A SOCIEDADE E AS TRIBOS .................................................................................................................... 30
6. O FACEBOOK .............................................................................................................................................. 35
7. PESQUISA DE CAMPO ............................................................................................................................... 39
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................................................................... 45
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................................. 47
9. APÊNDICES .................................................................................................................................................. 50
10. ANEXOS ...................................................................................................................................................... 65
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1. INTRODUÇÃO
A necessidade do ser humano de estar “ligado um ao outro", de estar se socializando com o
próximo, segundo o físico e teórico em sistemas Fritjof Capra (2002), está presente entre os
indivíduos desde a formação dos órgãos e tecidos do corpo humano, ao que se chama
comunicação celular. Da mesma forma, pode-se dizer que acontece com o cérebro humano,
na formação das sinapses nervosas que nada mais são do que a comunicação entre um
neurônio e outro, para que aconteça o processamento das informações.
Junto com a Revolução Industrial ocorreu um avanço significativo na tecnologia. A partir daí
outras inovações surgiram com o passar dos anos e sites para os mais variados fins foram
criados com objetivo de facilitar a vida dos cidadãos no que diz respeito à pesquisa, compras,
entretenimento e até mesmo relacionamentos interpessoais, através da criação de sites de
relacionamentos como Orkut e Facebook, por exemplo.
As tecnologias da informação e da comunicação estão transformando nossa
sociedade e criando hábitos e atitudes que começam a definir nossa época. Os
avanços da tecnologia permitiram que a milenar prática de socializar, formar grupos
e trocar informações ocorresse em escala e velocidade antes inimagináveis.
(RAMALHO, 2010, p. 46)
A rede social Facebook, assim como várias outras, é usada como uma forma de divulgar
eventos, trabalhos pessoais ou, simplesmente, como uma maneira de autopromoção. Esse
instrumento é bastante utilizado como diário, onde são postadas fotos pessoais, vídeos,
ilustrações e links para páginas que julga interessantes na web. De modo geral é uma
ferramenta utilizada para contar aos amigos o que foi feito durante o dia, e expressar a opinião
pessoal com relação a determinado assunto, por exemplo.
Brincar na rua, mandar carta, ligar pra saber como a pessoa está, etc. São alguns exemplos de
práticas que tem sido esquecidas com o passar do tempo, pois, o uso de redes sociais como o
Facebook, de certa forma, tem tomado o lugar disso. "As pessoas se isolam e se tornam
dependentes de um mundo de faz de conta, em que só se sentem a vontade para interagir com
outros protegidos pelo véu da impessoalidade." (SAKATE e SBARAI, 2012, p. 96).
Por meio de conversas informais com amigos, notícias em sites de jornais on-line, notícias em
jornais televisivos e matérias de revistas, foi possível perceber que este é um problema que
envolve diversos seres humanos.
Foi por meio de um teste piloto (pré-teste)- diferente da pesquisa que será realizada
posteriormente com UCB e UnB- realizada com 52 usuários do Facebook, residentes no
Distrito Federal, com idades que variam entre 14 e 47 anos, que se percebeu que, 32 usuários
não acreditam que a partir do momento que começaram a utilizar as redes sociais seus
relacionamentos se tornaram mais virtuais, já 20 usuários, acreditam que sim.
Nessa perspectiva, este trabalho acadêmico irá tratar dos recursos de convergência digital e
como eles têm contribuído para a socialização e individualização dos indivíduos. Mas antes
de alcançar essa compreensão, serão abordados alguns conceitos importantes como: o
desenvolvimento das redes de contato ao longo da história, a diferenciação entre redes e
mídias sociais, os espaços e sistemas de convergência, os meios de comunicação e os
relacionamentos interpessoais, multimídia como sistema de comunicação, e, finalmente, a
história do Facebook, dados estatísticos no Brasil e no momento sobre o uso dessa rede social
e a relação desses dados com os relacionamentos interpessoais. Como trabalho de campo
propõe-se uma pesquisa qualitativa a ser concretizado por meio de questionários, conforme
detalhamento específico da metodologia.
Os tópicos que seguem procuram sinalizar o caminho realizado para o aprofundamento no
tema da convergência, mais especificamente trazendo a problematização, os objetivos e as
justificativas do trabalho.
Como problematização, propõe-se trazer à tona a seguinte realidade: os indivíduos da
sociedade moderna e pós-moderna estão cada vez mais utilizando recursos mediados por
tecnologias digitais para estabelecer contato, fazer negócio e até encontrar o amor de sua vida.
Existem empresas que se utilizam dessas redes para observar o perfil de um pretendente a
uma vaga de trabalho, outros se utilizam dessas redes para procurar emprego, divulgar seu
negócio ou somente para ver as notícias dos jornais digitais. É por meio dessa rede, que os
colegas da classe combinam a balada do fim de semana, paqueram e indicam músicas aos
amigos. É com elas que os avós acompanham o crescimento dos netos mesmo a distância, não
raro em outros países. (VEJA, 2012)
Diante desse cenário, os próprios usuários, e mesmo aqueles que passam ao largo do uso
destas ferramentas, se perguntam sobre as vantagens de se utilizar as redes de relacionamento
mediadas por tecnologias. Trata-se se um sentimento legítimo do ser humano que, ao utilizar
novas ferramentas, se pergunta se os objetivos de sua vida continuam sendo contemplados.
13
Neste sentido, introduzem-se dois pontos de partida para pensar o uso das redes sociais,
especialmente o Facebook: Até que ponto, elas contribuem para aproximar ou para afastar as
pessoas? E o que dizer do aspecto da socialização e da individualização que eles podem
provocar?
As redes sociais têm contribuído para uma melhora de relacionamentos, mas por outro lado,
vem causando o efeito inverso, ou seja, aumentando o distanciamento e esfriamentos de
determinados relacionamentos. O que é mais fácil: abrir o computador conectar-se à rede, e
digitar: -”Oi fulano, como vai você?” ou sair do conforto de sua casa para ir até ele fazer uma
visita?
Nota-se que a internet possibilitou conhecer um mundo novo. Sua amplitude fascina
e, cada vez mais, cativa jovens a navegarem na rede e fazerem parte desse mundo
virtual que permite ter o mundo sem sair de casa, da escola ou do trabalho. Porém,
todo esse deslumbramento faz com que os jovens dediquem horas em frente ao
computador, abstendo-se da própria vida em função de algumas horas de
entretenimento. Esta diversão, no entanto, tem como característica uma relação
distante com o outro indivíduo, o qual está submetido a uma necessidade de conexão
virtual. (PIROLO, FIRTES, DALMAS, 2009, p.4)
Olhando por outro ângulo, no caso de pessoas que moram a uma distância significativa umas
da outras, como em uma cidade ou país diferente, a rede social atua como um agente
facilitador.
Resta saber se todo este envolvimento é espontâneo, ou se há componentes culturais e
econômicos presentes nas socializações propostas por estas diferentes redes, como nos
questiona Castells (1999). Uma experiência feita nos anos 60, comprovou estimativas de que
um indivíduo está distante de qualquer outra pessoa do planeta, em média, por apenas 6 graus.
Dentro do universo fechado do Facebook, essa distância é ainda menor (4,7 graus de
separação, em média) e tem se reduzido á medida que mais pessoas ingressam na rede.
(VEJA, 2012)
O Facebook é uma das redes sociais que é muito utilizada pelas pessoas hoje em dia, mas nem
sempre esta rede de convergência ajuda somente na aproximação entre as pessoas, por outro
lado, ela pode também possibilitar o afastamento entre os indivíduos que moram mais
próximos uns dos outros.
O mundo tornou-se totalmente anti-social. As pessoas estão cada vez mais solitárias,
mesmo com tantos "amigos" em seus perfis. Não nos preocupamos mais em nos
conhecer, criar laços afetivos, nos relacionar (pessoalmente).Os novos
relacionamentos sociais são virtuais, são frios, são irreais, são vazios Fomos
contaminados por uma frieza hipócrita, de amigos inatingíveis. Só curtimos alguma
coisa se ela for escrita no Facebook, ou no Twitter. O mundo está se tornando vazio,
14
não é mais um mundo real. A rede "anti-social" está afastando as pessoas, está
destruindo os relacionamentos, as famílias, as amizades (SCHULENBURG, 2013).
“Virou lugar comum pensar que a versão virtual das relações é inferior ao correspondente
real, escreveu o filósofo holandês Johnny Hartz Soraker” (ÉPOCA, 2012). Dentro dessa linha
de pensamento, há quem pense que é preciso, portanto, investir mais nas amizades reais ao
invés de criar amizades virtuais, pois, essa percepção aliada à ideia de que os relacionamentos
virtuais substituem os presenciais, nos leva à conclusão de que devemos concentrar esforços
nas amizades reais em vez de procurar substitutas virtuais. Essa visão, diz Soraker, professor
da universidade de Twente, não é inteiramente verdadeira. “É preciso considerar a
possibilidade de as amizades virtuais suscitarem confiança e espalharem felicidade.”
(ÉPOCA, 2012).
É partindo desses pensamentos, que este trabalho monográfico será conduzindo, ou seja,
buscando compreender até que ponto as redes sociais, principalmente o Facebook, tem
contribuído para o estreitamento das relações interpessoais e/ou afastamento dos indivíduos.
Analisando de uma forma mais evidente, os objetivos da pesquisa se concentram em analisar
como as redes sociais, especialmente o Facebook, têm contribuído na socialização de novas
redes de contato e/ou, ao mesmo tempo, gerado afastamento entre os usuários das redes já
estabelecidas ao longo da vida dos mesmos. Além de descrever como eram estabelecidas as
redes de contato antes do surgimento das redes de relacionamento digitais; analisar o uso ou
migração de redes analógicas para as redes digitais, em especial, o Facebook; e, identificar
possíveis elementos que contribuem para o aprimoramento das atuais redes de convergência.
Para viabilizar e tornar pertinente os estudos desse trabalho, a justificativa dessa pesquisa
parte da premissa de que o uso da internet e das redes sociais digitais, como Facebook, e
Twitter é algo cada vez mais comum na sociedade atual. Muitas pessoas já fazem uso desses
mecanismos para trabalho, pesquisa, ou tão somente para se relacionar, digamos que, de
forma mais rápida com seus colegas. “Assim como sabemos que a comida feita em casa é
mais nutritiva, escolhemos o fast- food porque é mais rápido e conveniente”, relata a filósofa
americana Shannon Vallor, que estuda as implicações éticas das novas tecnologias na
Universidade Santa Clara.
A questão da individualização e socialização no Facebook é um tema que tem sido alvo de
pautas em reportagens de jornais, revistas de grande circulação como Época e Veja, de artigos
acadêmicos, rodas de debates em congressos universitários e até mesmo nas próprias redes
15
sociais digitais. A Revista Super Interessante (1994) também tratou dessa questão, mostrando
alguns contrapontos. “Os críticos falam em isolamento nas casas e no fim da vida
comunitária. Os otimistas contra-atacam. Para eles, redes como a internet, que une 20 milhões
de pessoas ao redor do mundo em conversas pelo computador doméstico, não significam
isolamento”.
Além de pessoas que são especializadas academicamente em redes e mídias e que se dedicam
a estudar questões voltadas para relacionamentos nesse meio, como Anderson Alves que é
consultor em mídias sociais e negócios digitais e tratou um pouco do assunto em uma das
palestras que ministrou na Semana da Comunicação de 2013 na Universidade Católica de
Brasília. E não somente a área da comunicação trata do assunto, mas também a sociologia e a
filosofia se preocupam com os impactos que as redes sociais digitais podem trazer à
sociedade.
Nesse sentido, uma análise conceitual sobre redes sociais, mídias sociais e redes de contato,
servirá de introdução para começar a pesquisa. Nesse ponto, José Antônio Ramalho (2010),
foi essencial para trazer-nos o entendimento de mídias sociais, assim, como Raquel Recuero
para dar mais clareza ao que vem a ser redes sociais e termos correlatos a este, como será
abordado mais à frente.
A vontade de pesquisar este tema surgiu de uma experiência própria da autora desse trabalho
monográfico com o tema, ou seja, a partir do momento em que ela começou a fazer uso de
redes sociais, principalmente Orkut e depois Facebook, percebeu que os seus relacionamentos
“cara a cara” haviam diminuído gradativamente; observou também que algumas amizades em
que antes ela possuía um contato presencial, com o tempo foram se tornando amizades
somente virtuais. Atualmente a autora, fica conectada no Facebook cerca de 3 ou 4 horas por
dia, sem contar outras redes de relacionamento, como o Instagram, que ela também utiliza.
Diante disso, a autora percebeu que estava comungando com as ideias de Mocellin (2007),
quando tratava da ascensão e popularização da internet.
Desde a última década temos assistido a ascensão e a popularização do computador,
assim como da internet mais especificamente, como meio de comunicação. Cada vez
mais pessoas lidam cotidianamente com a Internet, realizando negócios, conhecendo
pessoas, adquirindo conhecimentos, marcando compromissos, consumindo bens.
Não é algo novo que um meio de comunicação traga com ele mudanças, mas a
Internet trás um espaço de interação diferente dos anteriores, um espaço
desterritorializado, uma comunicação em tempo quase que instantâneo, e que
16
permite a interação de um grande número de pessoas a grandes distâncias uma das
outras. (MOCELLIN, 2007, p.1)
A escolha por aplicação de questionários foi escolhida para que se entenda de forma mais
prática como se dá essa questão dos relacionamentos interpessoais em uma época de grande
adesão das redes sociais, como Facebook.
Pesquisar um tema como este é importante para a sociedade para que ela compreenda com
mais clareza o que vem a ser realmente as redes sociais, mais especificamente, o Facebook,
assim como os impactos que este pode causar nos relacionamentos interpessoais. É importante
principalmente para o público jovem, que tem se envolvido mais com redes sociais e
dispensam mais tempo de seus dias conectados na internet em sites de relacionamentos. Este é
um assunto atual, que tem sido alvo até de questões de provas avaliativas de cunho nacional,
como é o caso do ENEM- Exame Nacional do Ensino Médio, realizado nos dias 26 e 27 de
outubro de 2013 em todo o Brasil. (ver imagem1- em Anexos)
2. METODOLOGIA
O trabalho proposto tem uma natureza teórica e empírica. A parte teórica consiste na revisão
bibliográfica, estudos de livros, artigos digitais, matérias de jornais e revistas sobre temas
inerentes ao objeto de pesquisa. A rede, expressa no Facebook, um conceito que será
abordado mais à frente com base no sociólogo Manuel Castells (1999), é pano de fundo deste
estudo e servirá de amostra para analisar algumas formas de socialização e convergência dos
indivíduos.
Quanto às classificações da metodologia deste trabalho, levando em consideração o e-book
Metodologia do Trabalho Acadêmico: Métodos e Técnicas da Pesquisa e do Trabalho
Acadêmico (PRODANOV, FREITAS, 2013), é possível classificá-lo da seguinte maneira:
Quanto à natureza, é uma pesquisa aplicada por produzir um novo conhecimento para
aplicação prática que se dirigem à solução de problemas específicos.
Quanto ao método científico, segue o padrão fenomenológico, pois, busca entender como o
fenômeno do Facebook se apresenta na realidade, sem argumentar ou buscar explicações,
baseando-se apenas em seu estudo, querendo saber como ele é observado na realidade.
Quanto aos objetivos do estudo, esse trabalho segue o modelo descritivo, pois, esse método se
17
baseia em expor as características de determinada população ou fenômeno, utilizando-se de
técnicas padronizadas de coleta de dados.
Quanto ao procedimento técnico, segue o modelo bibliográfico e de levantamento (survey),
por ter sua base em materiais já publicados e propor a interrogação direta de pessoas através
de uma pesquisa de campo com questionários.
A parte de coleta de opiniões foi realizada título de justificativa e problematização em
disciplinas ao longo da graduação em jornalismo. Para um estudo bibliográfico e empírico,
procura-se atender o conselho de Mazzotti (2002), ao descrever alguns detalhes da pesquisa
qualitativa:
Nas pesquisas qualitativas as exigências sobre o que deve ser antecipado no projeto,
tanto no que se refere ao problema/questões de estudo, como na descrição do quadro
teórico e nos procedimentos metodológicos, são menores que nas pesquisas
tradicionais, uma vez que o foco da pesquisa vai sendo ajustado ao longo do
processo (MAZZOTTI, GEWANDSZNAJER ,2002, p.150).
Com relação aos métodos a serem utilizados, para que haja um melhor desenvolvimento do
tema desse trabalho, serão seguidos alguns passos, como descrito a seguir. A parte empírica
contará inicialmente com a experiência pessoal da pesquisadora em IC, como usuária do
Facebook, bem como a coleta de opiniões e informações de usuários dessa rede. Dando
sequência, a pesquisa permite que dados quantitativos colaborem para uma melhor
compreensão dos processos estabelecidos na construção da rede e socialização.
Nesse sentido, o método quantitativo/qualitativo (ou quali-quanti) seguirá o modelo de
pesquisa bibliográfica, pois recupera o conhecimento científico acumulado sobre o tema e
busca uma maior familiaridade com o problema através do uso e técnicas de estatística
procurando traduzir em números os resultados obtidos por meio da pesquisa de campo, que
por sua vez, busca medir a transparência das informações com questões que não buscam saber
os porquês, mas somente afirmações ou negações quanto às perguntas propostas (sim ou não).
Segundo Santaella (2010), a maior pesquisa não é aquela que se aproxima dos métodos das
ciências naturais, mas sim aquela cujo método é mais adaptado ao seu objetivo
(SANTAELLA, 2010, p.186).
Com base na pesquisa bibliográfica, foram montados questionários com perguntas seguidas
de opções quantitativas e qualitativas, que foram aplicados a 300 estudantes da Universidade
Católica de Brasília, com idades entre 18 e 30 anos, dentro de um universo de 14000
18
universitários aproximadamente, com margem de erro máxima de 5,6 e nível de confiança de
95%.
Anterior à aplicação dos questionários, foi realizado um teste piloto (pré- teste) com 20 alunos
da Universidade Católica de Brasília, com idades que variam entre 18 e 35 anos, sendo estes
prioritariamente do curso de Comunicação Social, com objetivo de aperfeiçoar para a
pesquisadora a determinação de unidades de análise, métodos de coleta/ análise de dados.
A construção de referenciais e/ou categorias que ajudem na análise do material coletado será
submetido em seminários de estudo do grupo de pesquisa e sistematizados em artigos e outros
matérias do grupo de pesquisa.
3. REDES DE CONTATO, REDES SOCIAIS E MÍDIAS SOCIAIS
A palavra rede apresenta diversos significados, entre eles um que diz respeito ao fato de estar
entrelaçado, interação com uma pessoa ou grupo social e, ainda, diz respeito a “laço sociais
como elementos de conexão” (RECUERO, 2009). Os termos mídias sociais e redes sociais
por vezes são utilizados com um mesmo enfoque, como se tivessem o mesmo significado.
Mas será que há alguma diferença? É o que vamos estudar a seguir.
3.1 Redes de contato ao longo da história
Antes de iniciar os estudos sobre a rede social, Facebook, é preciso tratar de conceitos
importantes relacionados a ele e que trarão uma melhor compreensão a respeito, que são a
diferenciação entre mídias e redes sociais.
Conversar na praça, em rodas de amigos, fazer visita, enviar cartas ou simplesmente fazer um
telefonema para um amigo, foram as primeiras formas que os seres humanos utilizavam e,
ainda utilizam atualmente, para suprir a necessidade de todos os seres humanos para se
socializarem. Essas foram as primeiras redes sociais existentes na história da humanidade.
Para tornar mais claro, o conceito de rede social diz respeito, à integração de diversos
indivíduos em um grupo, que compartilham interesses comuns ou divergentes em
determinados pontos.
19
Com o passar dos anos, principalmente com a Revolução Industrial e com ela o surgimento da
Internet, apareceram as chamadas mídias sociais, que são Facebook, Twitter, e-mails, etc.,
plataformas online utilizadas para comunicação entre os indivíduos. O estudo sobre os termos
redes e mídias sociais serão mais aprofundados a seguir.
3.2 Redes Sociais
Muitas pessoas, quando pensam em redes sociais, logo relacionam o termo à Internet,
porém, um termo não está ligado ao outro necessariamente, pois, as redes sociais já existiam
antes do surgimento da web propriamente dita. Rede social diz respeito à interação, pessoas,
trocas sociais, relacionamento entre indivíduos.
As redes sociais funcionam em muitos níveis, que vão desde as famílias até as
nações, e desempenham um papel importante na determinação da forma como os
problemas são resolvidos, como as organizações são administradas, bem como no
grau de sucesso que os indivíduos conseguem atingir. (RAMALHO,2010)
Como exemplo disso, tem-se os clubes de futebol, igrejas, salas de aula, empresas,
etc. Por isso, falar de rede social, traz à memória, de alguma maneira, relacionamentos que já
eram vistos desde o início da história da civilização, como o fato de se reunir ao redor de uma
fogueira para compartilhar gostos e interesses ou sentar em na frente ao portão de casa para
trocar informações do dia-dia.
Somos um animal social. Buscamos nos agrupar desde a antiguidade para aumentar
nossas chances de sobrevivência, incluindo aí as necessidades de se proteger, de
obter alimentos e de expandir os laços pessoais/afetivos e, por consequência, as
chances de procriação. (RAMALHO, 2010)
O contato que os indivíduos estabelecem uns com os outros e mantém ao longo de suas vidas
é que faz com que eles se insiram na sociedade, pois, a relação com o próximo faz parte da
natureza do ser humano e é essa relação que faz com que as pessoas estejam ligadas umas às
outras.
As pessoas estão inseridas na sociedade por meio das relações que desenvolvem
durante toda sua vida, primeiro no âmbito familiar, em seguida na escola, na
comunidade em que vivem e no trabalho; enfim, as relações que as pessoas
desenvolvem e mantêm é que fortalecem a esfera social. A própria natureza humana
nos liga a outras pessoas e estrutura a sociedade em rede. (AgenciaRS,2013)
20
Cada componente da rede social possui sua identidade, que conforme vai sendo compartilhada
com o próximo vai formando um conjunto maior de pessoas que é o que os alguns autores
chamam de rede, como pode ser visto a seguir.
Nas redes sociais, cada indivíduo tem sua função e identidade cultural. Sua relação
com outros indivíduos vai formando um todo coeso que representa a rede. De acordo
com a temática da organização da rede, é possível a formação de configurações
diferenciadas e mutantes. ( AgenciaRS, 2013)
O termo “rede” remete a idéia de grupo, coletividade, ajuntamento de pessoas que
possibilitam vários tipos de relações, podendo ser elas de amizade, de namoro, de trabalho,
etc, que possibilitam o alcance de determinado objetivo.
Redes sempre pressupõem agrupamentos, são fenômenos coletivos, sua dinâmica
implica relacionamento de grupos, pessoas, organizações ou comunidades,
denominados atores. Possibilitam diversos tipos de relações – de trabalho, de estudo,
de amizade, entre outras –, apesar de quase sempre passarem despercebidas. (...)a
rede social constitui importante recurso profissional e pessoal. Estar em contato com
pessoas que conheçam uma pessoa-alvo – em razão de um interesse específico –, ou
alguém que a conheça, já é um passo além para a conquista de um objetivo.
(TOMAÉL, ALCANTARA, CHIARA, 2013)
Essas redes sociais com o passar dos anos tomaram dimensões maiores, o que fez com que
elas alcançassem outros espaços e aumentasse ainda mais seus adeptos com objetivo de
ajuntar pessoas que possuem interesses em comum, como explicam os autores seguir.
As redes sociais ultrapassaram o âmbito acadêmico/ científico, conquistando e
ganhando espaço em outras esferas. E podemos observar esse movimento chegando à
Internet e conquistando cada vez mais adeptos, aglutinando pessoas com objetivos
específicos, ou apenas pelo prazer de trazer à tona ou desenvolver uma rede de
relacionamentos*. Isso é possibilitado por um software social que, com uma interface
amigável, integra recursos além dos da tecnologia da informação. O uso desses
recursos gera uma rede em que os membros convidam seus amigos, conhecidos,
sócios, clientes, fornecedores e outras pessoas de seus contatos para participar de sua
rede, desenvolvendo uma rede de contatos profissional e pessoal, que certamente terá
pontos de contatos com outras redes. Enfim, são ambientes que possibilitam a
formação de grupos de interesses que interagem por meio de relacionamentos comuns.
(TOMAÉL, ALCANTARA, CHIARA, 2013)
Raquel Recuero (2009) estuda a questão das redes sociais na Internet, e faz uma distinção
entre os termos: redes sociais e site de redes sociais. Como pode ser observado a seguir.
Outro elemento importante para o estudo das redes sociais é compreender em que
medida se diferenciam dos sites de redes sociais. Sites de redes sociais são os
espaços utilizados para a expressão das redes sociais na Internet. Os sites de redes
sociais seriam uma categoria de softwares sociais, que seriam softwares com
aplicação direta para a comunicação mediada por computador. (RECUERO, 2009,
p.102)
21
Outros estudiosos, como Boyd e Ellison, também assinalados por Recuero (2009), possuem
um entendimento diferente a respeito dos sites de redes sociais.
Sites de redes sociais foram definidos por Boyd & Ellison como aqueles sistemas
que permitem: i) a construção de uma persona através de um perfil ou página
pessoal; ii) a interação através de comentários; e iii) a exposição pública da rede
social de cada autor. (BOYD & ELLISON apud RECUERO, 2009)
A grande diferença entre os sites de redes sociais e outras formas de comunicação mediada
pelo computador é a forma como são articuladas essas relações e a maneira como são
cuidadas as relações sociais que são estabelecidas no off-line (RECUERO, 2009). Segundo a
autora, sites como Flirck, Fotolog, weblog, Twitter, Orkut e Facebook, poderiam se enquadrar
em todas as categorias elencadas pelas autoras Boyd e Ellison na citação acima, pois,
possuem características que lembram a individualização. “Personalização, construção do eu,
etc. Mostram as redes sociais de cada autor de forma pública e possibilitam que os mesmos
construam interações nesses sistemas (RECUERO,2009, p.103).
3.3. Mídias Sociais
José Antônio Ramalho, escritor, jornalista, estudioso de tecnologias e assuntos correlatos,
entende as mídias sociais nas antigas civilizações da seguinte maneira:
A fogueira era a mídia que atraía os membros de uma tribo para compartilharem os
acontecimentos do dia. A missa de domingo era, na Idade Média, praticamente a
única forma das pessoas de uma vila se socializarem. A pracinha do bairro ou da
cidadezinha era aonde nossos avôs iam para conhecer novas pessoas e
possivelmente onde se conheceram. (RAMALHO,2010, p.11)
Já na Sociedade Moderna, ele relata que o entendimento que se tem com relação a esse termo
nos dias de hoje, como pode ser visto a seguir.
O que entendemos como mídias sociais nada mais é do que uma forma de praticar
uma das maiores necessidades do ser humano: a socialização. Nessa complexa teia,
temos amigos com quem nos relacionamos em razão de um interesse comum, mas
que, por sua vez, relacionam-se com outras pessoas cujos interesses são
completamente diferentes dos nossos. (RAMALHO, 2010, p.12)
Além de se socializar, as mídias sociais permitem que os indivíduos realizem diversas outras
tarefas, principalmente no que diz respeito ao mercado de trabalho, como elenca Antônio
Ramalho. Através dessas mídias é possível descobrir com mais facilidade os gostos e áreas de
maior interesse dos consumidores, além de possibilitar também relacionamento com o cliente
(CRM) e um suporte de assistência ao cliente (SAC). “O Twitter tem sido uma fonte constante
22
de postagem de reclamações dos consumidores sobre empresas e produtos.” (RAMALHO,
2010, p.13).
Com isso é importante que a empresa trate os feedbacks com mais cuidado, é preciso ver as
opiniões negativas a respeito da empresa como uma forma de melhorar a imagem do
empreendimento. Antônio Ramalho informa que, um fator importante a ser observado pelas
empresas é o uso correto das mídias sociais. Segundo ele, não basta criar um perfil no
Facebook, outro no Twitter e colocar informações aleatórias sobre a empresa, é preciso saber
utilizar essas ferramentas e traçar objetivos, saber aonde se quer chegar através do uso dessas
mídias.
4 . OS ESPAÇOS E SISTEMAS DE CONVERGÊNCIA
Ao se tratar de questões relacionadas a mídias e redes sociais, mas principalmente da relação
desses termos com a tecnologia, é necessário abordar um conceito que surgiu nesse meio
tecnológico e, que influenciou e tem influenciado boa parte da sociedade, a convergência
digital.
Por convergência refiro-me ao fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas
de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento
migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte
em busca das experiências de entretenimento que desejam. (JENKINS, 2009, p.29)
Percebe-se que Jenkins, escritor do livro Cultura da Convergência, entende o termo
convergência como um sistema que envolve a disseminação de diversos conteúdos através de
plataformas variadas, e estes influenciam o comportamento dos públicos que estão rodeados
por essa convergência.
A convergência não ocorre apenas por meio de aparelhos, por mais sofisticados que
venham a ser. A convergência ocorre dentro dos cérebros de consumidores
individuais e em suas interações sociais com outros. Cada um de nós constrói a
própria mitologia pessoal, a partir de pedaços e fragmentos de informações extraídos
do fluxo midiático e transformados em recursos através dos quais compreendemos
nossa vida cotidiana. (JENKINS, 2009, p. 30)
Para Jenkins, essa convergência é um termo que envolve não somente mudanças no âmbito
tecnológico, mas também em outras esferas da sociedade, e isso se afirma quando ele diz que
a convergência “consegue definir transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e
23
sociais, dependendo de quem está falando e do que imaginam estar falando” (JENKINS,
2009, p.30).
Jenkins aponta ainda, para a importância da participação ativa dos consumidores de conteúdos
em diversas plataformas, argumentando contra a premissa que diz que a convergência, deve
ser vista simplesmente como um sistema que envolve as mais variadas funções consumidas
por meio de um único aparelho. Ele completa seu pensamento ressaltando que “a
convergência representa uma transformação cultural, à medida que consumidores são
incentivados a procurar novas informações e fazer conexões em meio a conteúdos de mídia
dispersos” (JENKINS, 2009, p.30).
Nos anos 2000, começou uma discussão na área comunicacional sobre certos impactos que o
surgimento da Internet e com ela novas tecnologias, poderiam trazer sobre a indústria dos
jornais impressos, por exemplo. Discutia-se e, ainda hoje, se discute se com o surgimento dos
jornais online, os impressos perderiam seu lugar no mercado, correndo o risco de até mesmo
desaparecer. Sobre esse assunto, Henry Jenkins diz que o advento da convergência, veio para
trazer uma nova possibilidade, como transparece na descrição abaixo:
Se o paradigma da revolução digital presumia que as novas mídias substituiriam as
antigas, o emergente paradigma da convergência presume que novas e antigas
mídias irão interagir de forma cada vez mais complexas. O paradigma da revolução
digital alegava que os novos meios de comunicação digital mudariam tudo. [...]
Como muitas outras coisas no atual ambiente de mídia, a verdade está no meio
termo. Cada vez mais, líderes de indústrias midiáticas estão retornando à
convergência como uma forma de encontrar sentido, num momento de confusas
transformações. A convergência é, nesse sentido, um conceito antigo assumindo
novos significados. (JENKINS, 2009, p.32)
Sobre o tema enfocado aqui, convergência, Heny Jenkins define o cientista político, Ithiel de
Sola Pool, como “o profeta da convergência dos meios de comunicação”, (termo utilizado
pelo autor). E sobre esse assunto Jenkins relata que “algumas pessoas, hoje, falam em
divergência, ao invés de convergência, mas Pool compreendeu que eram dois lados de um
mesmo fenômeno” (JENKINS, 2009, p. 37).
Jenkins aponta o pensamento de Pool no livro Technologies of Freedom (1983), que foi,
provavelmente, o primeiro em que ele (Pool) publicou com a ideia de convergência, como
algo que traria uma mudança para as indústrias midiáticas.
Um processo chamado “convergência de modos” está tornando imprecisas as
fronteiras entre os meios de comunicação, mesmo entre as comunicações ponto a
24
ponto, tais como o correio, o telefone, o telégrafo, e as comunicações de massa,
como a imprensa o rádio e a televisão. Um único meio físico- sejam fios, cabos ou
ondas- pode transportar serviços que no passado eram oferecidos separadamente. De
modo inverso, um serviço que era oferecido por um único meio- seja a radiodifusão,
a impressa ou a telefonia- agora pode ser oferecido de várias formas físicas
diferentes. Assim, a relação um a um que existia entre um meio de comunicação e
seu uso está se corroendo. (POOL, 1983, p.23 apud JENKINS, 2009, p.37)
Dentro dessa perspectiva de convergência, seguiremos os estudos sobre meios de
comunicação e os relacionamentos interpessoais para trazer uma melhor compreensão sobre a
o sistema multimídia e a rede social, Facebook, mais à frente.
4.1 Os meios de comunicação e os relacionamentos interpessoais
Manuel Castells (1999), em seu livro a Sociedade em Rede, aborda uma das vertentes da
“Cultura da Virtualidade Real” que é a Sociedade Interativa. Nessa perspectiva da sociedade,
o autor traz a lume termos que também são objeto de estudo desse trabalho acadêmico, ou
seja, procurar entender se a internet ajuda a criar e/ou cultivar círculos de amizade,
comunidades virtuais, termo utilizado pelo autor (CASTELLS, 1999, p. 444) ou está levando
à individualização. Segundo uma análise feita por pesquisadores em psicologia da Carnegie
Mellon University, “o uso mais intenso da Internet foi associado ao declínio da comunicação
dos participantes com os membros da família no lar e um declínio no tamanho do seu círculo
social.” (CASTELLS, 1999, p. 444).
Segundo Castells (idem, p.41), “nossa sociedade está cada vez mais instrumentada em uma
posição bipolar entre a Rede e o Ser”, o que nos leva entender a “Rede” como sendo o social
interesse comum de um grupo de indivíduos – e o “Ser”, o individual – algo íntimo, de uma
única pessoa; que seja peculiar.
Já no que diz respeito à sociabilização, o autor traz a este termo o mesmo entendimento do
que é o social, ou seja, aquilo que pressupõe relações ou que diz respeito a interações
humanas significativas para os sujeitos. Em contrapartida a individualização ele entende que
está ligada ao fato de as pessoas não desenvolverem laços tão profundos de amizade,
adquirindo assim, “laços fracos múltiplos”, termo que ele utiliza para descrever laços de
amizade que enfraqueceram por causa da comunicação baseada em e-mail, redes sociais, etc.
(CASTELLS, 1999, p. 445).
25
Para melhor entendimento, Castells (1999, p. 444) traz o olhar de outros estudiosos com
relação ao impacto da rede no relacionamento entre os indivíduos, sendo que ele afirma ainda
não ter claro o grau de sociabilidade trazido por essas redes, apesar do grande número de
pesquisadores sobre o assunto.
Wellman demonstrou num fluxo de descobertas coerentes no decorrer dos anos que
surgiu nas sociedades avançadas é o que eles denominam “comunidades pessoais”: a
rede social dos indivíduos de laços interpessoais informais, que vão de meia dúzia
de amigos íntimos a centena de laços mais fracos. (CASTELLS, 1999, p. 444)
Ou seja, a internet, segundo o autor (CASTELLS, 1999, p. 445), tem criado entre os
indivíduos, laços de amizades baseados no que o autor chama de informalidade, onde o
contato pessoal fica de lado e a superficialidade começa a tomar conta dos relacionamentos.
As conversas cara-a-cara começam a perder a força e os níveis de amizade começam a se
definir de uma maneira mais concreta, no sentido de saber quais são as pessoas cujo contato é
mais constate ou não, sendo que o critério para tal definição está baseado unicamente no fato
de enviar mais ou menos recado via internet.
Douglas Kellner, autor que trata do poder de influência dos meios de comunicação na vida
dos indivíduos, acredita que este poder é tão grande que é capaz de influenciar pensamentos,
comportamentos e escolhas dos interlocutores, ou seja, se uma pessoa decide vestir
determinada roupa ou tem uma opinião com relação a um assunto, é por causa de certas
influências advindas da mídia (KELLNER, 1999, p. 297) . Como pode ser observado abaixo.
Nas sociedades de consumo, e de predomínio da mídia surgidas depois da Segunda
Guerra Mundial, a identidade tem sido cada vez mais vinculada ao modo de ser, à
produção de uma imagem, à aparência pessoal. É como se cada um tivesse de ter um
jeito, um estilo e uma imagem particulares para ter identidade, embora,
paradoxalmente, muitos dos modelos de estilo e aparência provenham da cultura de
consumo; portanto, na sociedade de consumo atual, a criação da individualidade
passa por grande mediação. (KELLNER, 2001, p. 297)
Numa cultura dos meios de comunicação de massa, segundo (KELLNER, 2001, p.82), são as
representações que ajudam a construir a visão de mundo do indivíduo, o senso de identidade e
sexo, consumando estilos e modos de vida, bem como pensamentos e ações sócio-políticas.
Houve um tempo em que identidade era aquilo que se era, aquilo que se fazia, o tipo
de gente que se era: constituía-se de compromissos, escolhas morais, políticas
existenciais. Hoje em dia, ela é aquilo que se aparenta, a imagem o estilo e o jeito
como a pessoa se aparenta. E é a cultura da mídia que cada vez mais fornece
material e recursos para a constituição das identidades. (KELLNER, 2001, p. 333)
26
E atualmente não é difícil ver isto acontecer. A moda, por exemplo, é algo que está sempre
influenciando a grande maioria da sociedade. Basta lembrar a época em que foi lançado o
tênis com a marca de um dos cantores mais famosos da música para o público adolescente,
Restart, que se tornou “febre” entre as crianças e adolescentes o que fez com que muitos
adolescentes andassem com aquela marca de tênis.
Em contrapartida, estudos críticos relacionados à Teoria da Cultura da Mídia, apontam que:
Quando as pessoas aprendem a perceber o modo como a cultura da mídia transmite
representações opressivas de classe, raça, sexo, sexualidade, etc. capazes de
influenciar pensamentos e comportamentos, são capazes de manter uma distância
crítica em relação às obras da cultura da mídia e assim adquirir poder sobre a cultura
em que vivem. (KELLNER, 2001, p.83)
Retomando a análise de Castells (1999, p.444) com relação ao “impacto da comunicação via
internet sobre a intimidade física” (CASTELLS, 1999, p. 444), o maior pesquisador empírico
em Sociologia da Internet, Barry Wellman, acredita que, “comunidades virtuais não precisam
opor-se às comunidades físicas: são formas diferentes de comunidade, com leis e dinâmicas
específicas, que interagem com outras formas de comunidade” (CASTELLS, 1999, p. 444).
O surgimento da internet, e com ela as novas formas de comunicação (e-mail, redes sociais,
etc.), “trouxe às pessoas uma forma alternativa de relacionamento baseada em um contato
online, onde tudo é feito a partir da tela de um computador, sendo que sentimentos como
sinceridade e verdade no que é dito se destacam, pois, a comunicação, em sua grande maioria,
se torna mais desinibida”. (CASTELLS, 1999, p. 445).
Outros autores citados por Castells também tratam deste assunto, como pode ser visto abaixo:
Wellman e Gulia demonstram que, assim como nas redes físicas pessoais, a maioria
dos vínculos das comunidades virtuais são especializados e diversificados, conforme
as pessoas vão criando seus próprios “portifólios pessoais”. Os usuários da Internet
ingressam em redes ou grupos on-line com base em interesses em comum, e valores,
e já que tem interesses multidimensionais, também os terão suas aflições on-line.
(CASTELLS, 1999, p. 444).
Diante de tudo que foi exposto anteriormente, é possível concluir que o uso constante da
internet e com ela as redes de relacionamento virtuais como, facebook, e-mail, twitter, etc,
tem causado uma diminuição nos relacionamentos presenciais e que essas redes também tem
criado laços fracos de amizade, relações mais informais, ou seja, sem muita profundidade.
Pode-se extrair também que, a mídia tem um grande poder de influência sobre as decisões,
comportamentos e escolhas dos indivíduos, principalmente se estes não tiverem senso crítico.
27
4.2 Multimídia como Sistema de Comunicação
Para Castells, existe um novo sistema de comunicação baseado na integração de veículos de
comunicação distintos e seu potencial interativo, que é o chamado Sistema Multimídia. Ele
começou a ser formado na segunda metade da década de 1990. “Esse sistema estende a
comunicação para várias atividades da vida, ou seja, de casa a trabalho, de escolas a hospitais,
de entretenimento a viagens” (CASTELLS, 1999, p. 450).
No prefácio do livro “Mídias Sociais na prática”, José Antônio Ramalho (2010) trata do
impacto que esse sistema multimídia trouxe à sociedade, que é a rapidez que as pessoas tem
hoje de compartilhar fatos, documentos e outras coisas, através de diversos meios para
pessoas que estão distantes. “E num piscar de olhos lá estamos nós, compartilhando, em
tempo real, nossos vídeos, fotos e textos que escrevemos com pessoas que podem estar em
qualquer lugar do mundo. Centenas. Milhares. Milhões, até” (RAMALHO, 2010).
Com o surgimento desse novo advento, empresas de todo o mundo começaram a se adaptar
para entrar em um novo mercado, que no início do século XXI, poderia ter um grande
crescimento e se tornar um mercado bastante lucrativo, como pode ser observado abaixo.
[...] como o formato tecnológico real do sistema é incerto, quem quer que
controlasse seus primeiros estágios, poderia ter influência decisiva sobre sua futura
evolução, assim conquistando vantagem estrutural competitiva. Em razão da
convergência tecnológica entre computadores, telecomunicações e grande mídia em
todas as suas modalidades consórcios regionais/ globais foram formados e
dissolvidos em grade escala. (CASTELLS, 1999, p.451)
Na época do surgimento do Sistema Multimídia, os provedores de serviços ligados à internet
tentaram conectar à rede outros meios de comunicação de massa, a fim de que houvesse uma
convergência entre eles, por meio de várias tecnologias, e com uma gama enorme de
conteúdos.
Em fins da década de 1990, enquanto a transmissão de sinais de TV via Internet,
embora tecnologicamente possível, parecia ser possibilidade de concretização em
longo prazo em razão da capacidade enorme de transmissão que seria necessário
para garantir vídeos de qualidade normal, surgiam outras formas de integração
tecnológica: Webtv, na qual a televisão fica ligada tanto ao computador, quanto à
linha telefônica, permitindo recepção, na mesma tela, dos sinais da TV e dos
serviços da Internet. (CASTELLS, 1999, p.451)
28
O autor trata do desenvolvimento desse sistema de comunicação multimídia de forma
integrada. No século XXI observou-se então, que a preocupação não seria somente com um
grande investimento em infraestrutura que se fazia necessário, mas também observar
minunciosamente o que a população realmente queria de cada meio de comunicação de
massa.
A questão não é se um sistema multimídia será desenvolvido, (ele será), mas
quando, como e sob quais condições nos diferentes países, porque o significado
cultural do sistema será profundamente modificado pelas características do
momento e pela forma da trajetória tecnológica. (CASTELLS, 1999, p. 453)
Nessa linha, é importante ressaltar que atualmente já existem projetos que visam incorporar
essas novas tecnologias às salas de aula a fim de adequar a educação às novas tecnologias,
como é o caso do Tablet nas salas de aula.
No segmento educacional, abre-se um leque de possibilidades. Apesar disto, são
poucas as iniciativas, e estas visam, principalmente, ao uso do iPad como
instrumento de leitura dos tradicionais materiais didáticos. Nosso foco é o uso do
iPad como instrumento de transformação dos tradicionais materiais didáticos em
conteúdo multimídia interativo, buscando a inovação das práticas escolares, tanto no
aspecto tecnológico quanto no curricular. (GALDIN, 2013)
Toda essa evolução tecnológica aliada ao sistema multimídia tem suas consequências. Elas
afetam os indivíduos e suas famílias, que, segundo Castells (1999, p.456), “essa casa
eletrônica”, enfatiza duas características cruciais do novo estilo de vida: “centralidade na casa
e individualismo”. Na Europa, a introdução de equipamentos eletrônicos nos lares, aumentou
o tempo dos membros da família em casa, tornando possível que cada um organize seu
próprio tempo e espaço no lar.
Por um lado o acréscimo de equipamentos eletrônicos nos lares da Europa aumentou
o conforto e a autossuficiência, capacitando as pessoas a se conectarem com o
mundo inteiro a partir da segurança das casas. Na verdade, o tempo passado em casa
aumentou no início da década de 1990. Por outro, a nova casa eletrônica, e os
aparelhos portáteis de comunicação, aumentam as possibilidades de cada membro da
família organizar o próprio tempo e espaço. (Castells,1999, p.456)
Com isso, pode ser observado que o surgimento do sistema multimídia, que aumentou ainda
mais a interatividade entre veículos distintos, fez com que houvesse uma convergência entre
os mais variados meios de comunicação de massa. O que por um lado beneficiou os
internautas, ao disponibilizar um leque cada vez maior de informações, mas que por outro
lado fez com que isso afetasse os indivíduos e suas famílias no que diz respeito à própria
organização do tempo e espaço.
29
5. A SOCIEDADE E AS TRIBOS
Com relação aos relacionamentos e as mudanças dos vínculos sociais, o sociólogo Michel
Maffesoli (2006), autor do livro O Tempo das Tribos, trata do conceito de tribalismo
mostrando como ele tem se desenvolvido na sociedade atual. Para o Maffesoli, essa é uma
“realidade a que não é possível escapar, e que não é limitada a uma área geográfica particular”
(MAFFESOLI, 2006, p.4).
Segundo o autor, a partir do momento em que o indivíduo está inserido em determinado
grupo social, ele é pertencente a uma tribo, onde têm pessoas que repartem de interesses
comuns. “O tribalismo lembra, empiricamente, a importância do sentimento de
pertencimento, a um lugar, a um grupo, como fundamento essencial de toda vida social.”
(Idem, 2006, p.4).
E sobre essa questão de tribos onde se valoriza o estar junto, o sentimento de pertencimento a
um grupo, às trocas de informações e/ou compartilhamento de experiências, Manuel Castells,
chama de socialização, sendo que esta pode ocorrer também virtualmente. E nesse sentido,
Castells diz que, “os usuários da Internet ingressam em redes ou grupos on-line com base em
interesses em comum, e valores, e já que tem interesses multidimensionais, também os terão
suas aflições on-line. (CASTELLS, 1999, p. 444).
Dentro desse conceito de tribalismo, Michel Mafessoli trata das tribos urbanas e da urgência
que esta tem no compartilhamento de sentimentos, como pode ser observado a seguir.
Em face da anemia existencial suscitada por um social racionalizado demais, as tribos
urbanas salientam a urgência de uma socialidade empática: partilha de emoções,
partilha dos afetos. Lembro que o “comércio”, fundamentado de todo estar junto não
é, simplesmente, a troca de bens; ele é também “comércio das ideias”, “comércio
amoroso”. (MAFFESOLI, 2006, p.11)
Maffesoli relata alguns exemplos desse tribalismo dentro de algumas instituições ou grupos
onde os seres humanos estão inseridos no dia a dia, onde esse tribalismo aparece mais
fortemente.
30
O mundo universitário é um exemplo cabal disso à media que é constituído de um
conjunto de clãs, cada um se reunindo em torno de um herói epônimo. Clãs
manipulando à vontade o exclusivo, a exclusão, o desprezo ou a estigmação. E aquele
que não tem o cheiro da matilha, é infalivelmente, rejeitado. (...) Universidade,
imprensa, política sindicato, poder-se-ia continuar a lista: administração, clubes,
formação, assistência social, patronato, igrejas, etc. O processo tribal tem
contaminado o conjunto das instituições sociais. (Idem, p.12-14)
Nesse sentido, Maffesoli relata ainda que “a socialidade é somente uma concentração de
pequenas tribos que se dedicam, de qualquer modo, a se ajustar, se adaptar, se acomodar entre
si.” (IDEM, 2006, p.14). E essas tribos são formadas a partir de gostos, relações de amizade,
preferências, entre outros fatores. Essa premissa é sustentada quando Maffesoli diz que “é em
função de gostos sexuais, das relações de amizade, das preferências filosóficas ou religiosas
que vão se constituir as redes de influência, a camaradagem e outras formas de ajuda mútua,
das quais se tratou, que constituem o tecido social.” (Idem, 2006, p.14)
Sobre essa busca de estar dentro em um grupo onde existam pessoas com pensamentos e/ou
gostos semelhantes, Maffesoli diz que isso faz com que as pessoas acabem perdendo a noção
da individualidade, ou seja, de ter sua própria identidade, próprios pensamentos , digamos
assim, pois, acabam se amoldando tanto à tribo a qual está inserido que acabam perdendo sua
própria identidade ou tendo a sua antiga identidade influenciada pela da sua tribo. Essa ideia é
sustentada pelo pensamento do autor, quando ele relata a seguinte premissa:
Tanto no que diz respeito ao conformismo das gerações mais jovens, à paixão pela
semelhança nos grupos ou “tribos” aos fenômenos da moda, à cultura padronizada, até
e inclusive ao que se pode chamar de unissexualização da aparência, tudo nos leva a
dizer que assistimos ao desgaste da ideia de indivíduo dentro de uma massa bem mais
indistinta. Essa massa não sabe o que fazer da noção de identidade (individual,
nacional, sexual) (...).(Idem, 2006, p.117)
Nessa perspectiva, o sociólogo, continua dizendo que “o tribalismo utiliza um processo
complexo feito de participações mágicas, de interações múltiplas, de harmonia com as
pessoas e as coisas” (Idem, 2006, p.14). Para deixar mais claro o conceito de “tribos”, o autor
descreve que elas são o que ele considera como “o vaivém constante que se estabelece entre a
massificação crescente e o desenvolvimento dos microgrupos. (Idem, 2006, p.31)
Maffesoli compara o comportamento dos indivíduos nos diferentes grupos que se integram no
dia-dia a uma peça de teatro, onde uma mesma pessoa (ator) tem a capacidade de representar
31
personagens diferenciados. Ele diz que “A teatralidade instaura e reafirma a comunidade. O
culto do corpo, os jogos da aparência só valem porque se inscrevem em uma cena ampla onde
cada um é, ao mesmo tempo, ator e espectador. (Idem, 2006, p.134)
Em cada lugar que os indivíduos frequentam elas participam de grupos ou tribos diferentes e
por isso desempenham papéis variados, tendo que ter, portanto, um comportamento diferente
em cada grupo. Segundo o autor, as tribos dão conta de um processo que ele mesmo chama de
desindividualização, como será melhor esclarecido a seguir.
A metáfora da tribo, por sua vez permite dar conta do processo de
desindividualização, da saturação da função que lhe é inerente, e da valorização do
papel que cada pessoa (persona) é chamada a representar dentro dela. Está claro que,
como as massas em permanente agitação, as tribos que nela se cristalizam tampouco
são estáveis. As pessoas que compõem essas tribos podem evoluir de uma para a
outra. (Idem, 2006, p.31)
Ou seja, com base nas palavras descritas acima, as tribos têm a função de valorizar mais o
papel de cada indivíduo pertencentes a essas tribos do que de ressaltar o valor de cada tribo
propriamente dita. E essas tribos que se formam dentro da sociedade não são estáveis mas
podem sofrer mudanças com o passar do tempo. E uma dessas mudanças está relacionada a
uma nova maneira de se relacionar baseada, por exemplo, no contato mediado pela web, que
segundo Manuel Castells é “a rede social dos indivíduos de laços interpessoais informais, que
vão de meia dúzia de amigos íntimos a centena de laços mais fracos. (CASTELLS, 1999, p.
444)
Além dos conceitos de tribo e tribalismo, Maffesoli faz-nos pensar também a respeito do
neotribalismo, que segundo ele, está baseado no “princípio de individuação, de separação,
estes, pelo contrário, são dominados pela indiferenciação, pelo “perder-se” em um sujeito
coletivo” (MAFFESOLI, 2006, p.38). O autor, também chama a atenção para a importância
que o termo inglês feeling (sentimento), tem nas relações interpessoais, destacando que:
(...) a utilização constante do termo inglês feeling nas relações interpessoais merece
atenção. Servirá de critério para medir a qualidade de trocas, para medir sobre o seu
prosseguimento ou sobre o seu grau de aprofundamento. Ora, se nos referimos a um
modelo de organização racional, o que existe de mais instável do que o sentimento?
(Idem, 2006, p.39)
32
Nessa mesma linha de pensamento, Michel Maffesoli continua refletindo a cerca dos
reagrupamentos sociais relatando que segundo a análise sócio-histórica de M. Weber, existem
“grandes características atribuídas a essas comunidades emocionais que são: o aspecto
efêmero, a composição cambiante (indecisa, insegura), a inscrição local, a ausência de uma
organização” e estrutura quotidiana” (MAFFESOLI apud Weber, 2006, p.40).
Ainda dentro do assunto de grupos sociais, Maffesoli, destaca o pensamento de A. Berque
sobre o termo grupismo, ressaltando que o termo (...) “tem o mérito de sublinhar a força desse
processo de identificação, que possibilita o devotamento graças ao qual se reforça aquilo que
é comum a todos” (Idem, 2006, p.46). Por outro lado, Antônio Ramalho relata que “nessa
complexa teia, temos amigos com quem nos relacionamos em razão de um interesse comum,
mas que, por sua vez, relacionam-se com outras pessoas cujos interesses são completamente
diferentes dos nossos.” (RAMALHO, 2010, p.12)
Nessa perspectiva Maffesoli, trata dos grupos religiosos destacando que eles são a expressão
da socialidade, pois, “mais que a pureza da doutrina, é o viver e o sobreviver juntos que
preocupa as comunidades de base. (...) Nesse sentido a religião popular é realmente um
conjunto simbólico que permite e fortalece a manutenção do laço social” (Idem, 2006, p.109).
Michel Maffesoli traz características diferentes para os termos “socialidade” e “social”, como
pode ser observado a seguir.
Característica da socialidade: a pessoa (persona) representa papéis, tanto dentro de
uma atividade profissional quanto no seio das diversas tribos de que participa.
Mudando o seu figurino, ela vai de acordo com seus gostos (sexuais, culturais,
religiosos, amicais) assumir o seu lugar a cada dia, nas diversas peças do theatrum
mundi.
Características do social: o indivíduo podia ter uma função na sociedade, e funcionar
no âmbito de um partido, de uma associação, de um grupo estável. (Idem, 2006,
p.133)
Continuando as reflexões, o autor agora traz um esclarecimento maior quanto a diferença
entre comunalização e sociação, termos que neste trabalho acadêmico são tratados como
socialização e individualização respectivamente, dizendo que a comunalização está mais
voltada questões subjetivas, ou seja, paixões em comum, já o que diz respeito à sociação é
mais voltado para o lado racional. Michel Maffesoli, cita um texto de M. Weber que é mais
esclarecedor quanto a estas questões, onde ele diz que: “(...) toda sociação que ultrapassa o
33
lado da associação com fim determinado...pode fazer nascer valores sentimentais que
ultrapassam o fim estabelecido pela livre vontade” (Idem, 2006, p.110).
[...] uma comunidade pode se orientar por uma certa racionalidade ou finalidade.
Dessa maneira, às vezes, um grupo familiar é como uma comunidade, e por outro
lado, explorador, sentido como uma “sociação” pelos seus membros. Desse modo
pode haver uma evolução e reversão de uma forma à outra. (Idem, 2006, p.110)
A respeito da questão do estar junto por interesses ou finalidades comuns, Weber continua seu
pensamento dizendo que “segundo as situações e a ênfase em tal ou tal valor, a situação
consigo mesmo, a relação com o outro, ou a relação com o meio ambiente podem ser
modificadas” (Idem, 2006, p.117), ou seja, a identidade de uma pessoa vai variar de acordo
com o grupo o qual ela pertence. “O que nos parece ser uma opinião individual é, de fato, a
opinião de tal ou tal grupo ao qual pertencemos. (Idem, 2006, p.132)
O caldo da cultura é fervilhante, monstruoso, desagregado mas ao mesmo tempo rico
em possibilidades futuras. Podemos nos servir dessa imagem para dizer que a massa
se basta a si mesma, ela não se projeta, não se completa, não se “politiza”. Ela vive o
turbilhão dos seus afetos e das múltiplas experiências. Isso porque ela é causa e
consequência da perda do sujeito. (Idem,
2006, p.118)
Sobre a questão de identidades, Maffesoli ressalta que, as pessoas buscam tanto ter uma
semelhança com o grupo a qual pertencem que acabam por perder sua própria identidade,
pois, começam a deixar de lado alguns de seus pensamentos pessoais para se adequar aos da
nova tribo a qual pertencem. Isso se confirma quando Michel Maffesoli diz que (...)assistimos
ao desgaste da ideia de individuo dentro de uma massa bem mais indistinta. Essa massa não
sabe o que fazer da noção de identidade (individual, nacional, sexual) (...)”(Idem, 2006,
p.117).
Através do que foi exposto aqui, é possível perceber que a reflexão que já viemos fazendo
anteriormente sobre socialização e individualização também são tratados por Maffesoli, mas
com outros termos, ou seja, o que ele chama de comunalização, é a socialização e a
individualização é o que ele chama de individuação. Assim como o conceito de tribos que nos
faz compreender melhor como as pessoas se relacionam e os diversos grupos a que
pertencem.
O conceito de fundo sobre tribos, tratado por Maffesoli, também foi enfocado pelos autores já
citados neste trabalho, porém, cada um traz um nome diferente. Enquanto Michel Maffesoli
diz que as pessoas trocam experiências diárias dentro de diferentes tribos, Antônio Ramalho
diz que em tempos atrás as mídias sociais eram a fogueira em que as pessoas se reuniam ao
34
redor para trocar ideias e conversar e compartilhar suas experiências do dia. Já Manuel
Castells trata dos relacionamentos interpessoais trazendo o conceito de redes de
relacionamento.
6. O FACEBOOK
O Facebook, que primeiramente foi denominado “TheFacebook”, foi criado pelo americano
Mark Zuckerberg em 2004, quando ainda era estudante da Universidade Havard e tinha
apenas 19 anos de idade. O TheFacebook, segundo Bem Mezrick, escritor do livro Bilionários
por acaso, que conta a história do Facebook, era um diretório online que conectava pessoas
através de redes sociais em universidades, que poderia ser usado para procurar pessoas na
faculdade, descobrir quem fazia as mesmas aulas, conhecer amigos de amigos e visualizar a
própria rede social (MEZRICK, 2010). Mas que, no fundo, também tinha um apelo sexual,
como pode ser visto a seguir:
O que moveria essa rede social seria a mesma coisa que move a vida social na
universidade – sexo. Mesmo em Havard, a escola mais exclusiva do mundo, tudo
girava em torno de sexo. (...) Era por isso que as pessoas se associavam aos Clubes
Finais. Era por isso que eles escolhiam algumas aulas em detrimento de outras; o
motivo por que se sentavam em determinados lugares nos refeitórios. Tudo era sexo.
E, no fundo, no fundo, era disso que o TheFacebook tratava. Tinha um apelo
subliminar para sexo (MEZRICK, 2010, p.89).
Com o passar do tempo, a rede social tomou grandes proporções, sendo assunto de um filme
chamado A Rede Social.
A trajetória de Mark Zuckerburg e do Facebook foi contada recentemente no filme
A Rede Social e foi indicado a oito premiações do Oscar: melhor filme, melhor
diretor (David Fincher), melhor ator (Jesse Eisenberg), melhor fotografia, melhor
montagem, melhor trilha sonora (Trent Reznor e Atticus Ross), melhor mixagem de
som e melhor roteiro adaptado. (BOARETTO, 2013)
Já era o assunto mais comentado entre os alunos da Universidade de Havard e, por isso, em
pouco tempo, foi aderido por mais da metade dos alunos do campus, que já haviam
dispensado o “the” e passaram a chamar o site apenas de “Facebook”.
As pessoas tinham dispensado o “the” e estavam chamando o site apenas de
Facebook por todo o campus. E mesmo que só houvesse algumas semanas desde que
colocaram o site no ar, parecia que todo mundo já estava nele – bem, por que, na
verdade, todo mundo em Havard estava mesmo nele. De acordo com Mark, eles
agora tinham cinco mil integrantes. O que significava que cerca de 85% dos alunos
da graduação tinham se registrado no Facebook. (MEZRICK, 2010, p. 101)
35
Inicialmente, o Facebook abrangia somente a Universidade de Havard, mas, com o tempo, se
tornou conhecido por muitos outros universitários e, por isso, também se estendeu para outros
campus universitários. Porém, nessa época outros sites de relacionamento estavam surgindo,
na tentativa de concorrer com o Facebook, mas foram frustrados.
E enquanto isso, o ConectU praticamente estagnara na saída. Além do fato de o site
ter muito mais recursos, e ter sido lançado em várias universidades ao mesmo
tempo, ele não podia competir com a natureza viral do thefacebook. Não importava
se era a tal da vantagem daquele que sai na frente ou se as pessoas gostavam mais do
thefacebook – o ConectU era insignificante no radar das redes sociais. O thefacebok,
era um monstro em comparação. Um Godzilla, destruindo tudo pelo caminho.
(MEZRICK, 2010, p.170)
No início, Mark Zuckerber não tinha objetivo de ganhar dinheiro com o site, mas com o
grande crescimento que ele alcançou foi necessário contratar mais pessoas para trabalhar na
plataforma, além de buscar pessoas interessadas em investir algum capital no site a fim de
programar mais melhorias para ele. E com o grande número de adesão e acessos que o site
alcançou com o passar do tempo, Zuckerberg começou a ganhar dinheiro com isso, e hoje é
considerado um jovem bilionário, que, segundo a revista (VEJA, 2012), tem uma fortuna que
pode superar os 28 bilhões de dólares.
A matéria divulgada na Revista Veja em fevereiro de 2012, relata que a cada minuto o
Facebook recebe 451 novos adeptos. Hoje já são 845 milhões de usuários em todos os
continentes (na China o governo bloqueou o site). Em agosto, será um bilhão de assinantesou uma em cada sete pessoas da população mundial. Nos Estados Unidos e na Índia, mais de
80% das pessoas que utilizam a internet tem uma conta ativa no Facebook. No Brasil, o site
triplicou de tamanho nos último ano e acaba de subir ao posto de rede de relacionamentos,
mais popular, superando o Orkut. A cada cem brasileiros conectados à internet, 75 estão no
Facebook e seguem uma tendência mundial. Mais da metade delas navega no site todos os
dias, em uma teia de relacionamentos de 100 bilhões de amizades, um número próximo ao de
neurônios do cérebro humano. (VEJA, 2012)
Segundo artigo publicado no site AgenciaRS, em dois meses, o Facebook se expandiu a
diversas universidades e um ano depois mais universidades foram adicionadas, como pode ser
visto a seguir.
No espaço de dois meses o Facebook foi expandido ao Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (MIT), à Universidade de Boston, ao Boston College e a todas as
escolas Ivy League. Um ano depois mais universidades foram sendo adicionadas até
chegarmos aos 800 milhões (julho de 2012) de hoje, a maior rede social do mundo.No
36
final de 2011, a rede social de Zuckerberg ultrapassou o Orkut – até então maior rede
do social do Brasil. E a cada dia cresce mais com campanhas como o “Halls da fama”.
(BOARETTO, 2013).
Ainda segundo o mesmo site, em 2011 o Facebook ultrapassou o orkut, rede social que até
então, era a maior no Brasil e a cada cresce mais no “Hall da Fama”. (ver imagem 02Anexos)
A revista Meio&Mensagem (2012, No. 1556, versão eletrônica), relata que “o Facebook
alcançou 67 milhões de brasileiros conforme contando hoje com mais de um bilhão de
pessoas conectadas.” Uma pesquisa publicada na Revista Época 2012, mostra a grande
quantidade de publicações, usuários cadastrados e quanto clicam o botão “curtir” ou fazem
comentários em menos de um minuto no Facebook. (ver imagem 3- em Anexos)
A rede social Facebook é utilizada para os mais variados fins. Segundo artigo publicado no
site da Revista Carta Maior (2013), “As motivações que levam ao uso da rede e seus
conteúdos, o exibicionismo da intimidade, a vaidade e o egocentrismo são prioritários em
redes como Facebook em detrimento do interesse de formar-se cultural ou intelectualmente”.
Atualmente, a rede social conta com alguns investidores, conforme indica Pascual Serrano,
que traz uma discussão a cerca das redes sociais no site Carta Maior, como descrito a seguir.
Quanto ao Facebook, sabemos que colheu cerca de 18 bilhões de dólares com a
abertura de seu capital na bolsa, operação esta gerida pelo banco Morgan Stanley, ao
lado de Goldman Sachs e JP Morgan. Seu fundador, Mark Zuckerberg, possui
18,4% da companhia. Entre os principais acionistas e dirigentes, se encontra
Goldman Sachs, um banco que, como recordamos bem, esteve envolvido na crise
financeira dos EUA em 2008. Também esteve na origem da crise financeira da
Grécia de 2010-2011, visto que ajudou a esconder o déficit das contas gregas do
governo conservador. Outro acionista do Facebook é Erskine Bowles (também
membro do grupo diretor), que ocupava alto cargo na administração Clinton e agora,
na gestão Obama, é como presidente da Comissão Nacional de Responsabilidade
Fiscal e Reforma. Além disso, é membro do grupo que administra a General Motors,
Morgan Stanley e Norfolk Southern Corporation. Também temos a Sheryl Sandberg,
que trabalhou para Google e para o Banco Mundial. Foi chefe de gabinete no
Departamento do Tesouro na gestão Clinton. Pertence ao corpo da direção de
empresas como Walt Disney e Starbucks. Além desses, Reed Hastings, diretor
executivo da NetFlix (um provedor de internet estadunidense), e membro do
conselho administrativo da Microsoft, sem contar do Facebook (Carta Maior, 2013).
Segundo a matéria publicada na Revista Época 2012, “estima-se que o Facebook, quando suas
ações forem negociadas em bolsa, terá um valor total de 100 bilhões de dólares. Conheça
alguns dos principais acionistas e quanto valem suas participações. (ver imagem 4- em
Anexos)
37
Uma pesquisa realizada pelo psicólogo britânico Dunbar, psicólogo da Universidade de
Oxford, e pela antropóloga italiana Stefana Broadbent que estuda a comunidade virtual há 20
anos, mostra que “o usuário de uma rede social pode ter centenas de amigos, mas conversa de
forma regular com um grupo que varia de quatro a seis pessoas semelhante às amizades mais
complexas que as pessoas mantém na vida real” (ÉPOCA,2012) .
Questões relacionadas à quantidade de amigos reais e virtuais, assim como de outras questões
relacionadas, foi publicada na Revista Época 2012, e mostra bem como isso acontece na
sociedade ( ver imagem 5- em Anexos). “Receber afagos e condolências pelo Facebook não é
o mesmo que ter um amigo para acompanha-lo para o hospital” (ÉPOCA, 2012).
O Facebook é uma rede social que com o passar do tempo “engoliu o mundo” e além de ser
uma crescente rede de relacionamentos também tem outras funções, como organizar
informações. Segundo artigo publicado na Revista Época (2012), há anos os especialistas
dizem que, para uma rede social ser realmente bem sucedida, ela precisaria engolir o mundo.
Se dois amigos fizessem parte exclusivamente de redes diferentes, seria como se eles tivessem
telefones de operadoras concorrentes que, hipoteticamente não conseguissem estabelecer
comunicação, ou seja, por meio dos quais não se conseguiria conversar. Apenas não se sabia,
até recentemente, qual seria o site que predominaria. Agora ficou claro. É o Facebook, pelo
menos até que surja um novo e revolucionário rival. Para os seus usuários ele não é apenas
uma extensa e crescente rede de relacionamentos. O site contribuiu para organizar
informações e seus relacionamentos. (ÉPOCA, 2012)
Diante das informações expostas até aqui, pode-se perceber que o Facebook é uma rede social
surgida a partir da ideia de um universitário juntamente com alguns amigos, o que fez surgir o
que hoje é uma das redes sociais mais acessadas no mundo. Através das informações já
dispostas aqui seguiremos as reflexões sobre o Facebook, trazendo um aprofundamento maior
a respeito da história, com dados relacionados ao número de usuários, acessos e outros
assuntos relacionados que ajudarão a compreender até que ponto o Facebook pode influenciar
na socialização ou individualização dos indivíduos.
38
7. PESQUISA DE CAMPO
A pesquisa de campo foi realizada através da aplicação de questionários em duas
universidades do Distrito Federal, sendo 154 aplicados na Universidade Católica de BrasíliaUCB e 146 na Universidade de Brasília-UnB, somando um total de 300 questionários
respondidos, conforme dados descritos no gráfico abaixo. (ver gráfico 1)
Gráfico 1- Universidades Pesquisadas
Os respondentes são estudantes com idades a partir de 17 anos ou mais sendo que 53% do
sexo feminino e de 45 cursos, sendo eles: Arquitetura e Urbanismo, Artes Cênicas,
Comunicação Social, Ciência da Computação, Engenharia, Biologia, Educação Física,
Ciências Sociais, Ciências Biológicas, Direito, Engenharia Civil, Mecatrônica, Direito,
Nutrição, Química, Psicologia, Engenharia da Computação, Administração, Farmácia,
Música, Sociologia, Artes Plásticas, Segurança da Informação, Enfermagem, Fisioterapia,
Ciências Políticas, Gestão Pública, Áudio Visual, Relações Internacionais, Biotecnologia,
Economia, Física, Design, Artes Visuais, Ciências Econômicas, Serviço Social, Ciências
Contábeis, Biomedicina, História, Logística, Antropologia, Matemática, Pedagogia, Medicina
e Odontologia. Com 20% (59 respondentes) do total, cursando o quarto semestre.
Os questionários foram entregues e respondidos na presença da pesquisadora para sanar
eventuais dúvidas quanto às perguntas, caso houvessem.
Com relação às perguntas de opinião, 80% dos entrevistados que não fazem parte do curso de
Comunicação Social, tiveram dúvidas quanto ao que vem a ser a convergência digital e só
conseguiram responder às questões relacionadas ao tema, após receberem uma explicação a
39
respeito. Entre os que responderam a questão relacionada à convergência, 47% concordam
parcialmente que a convergência ocorre nas interações sociais entre as pessoas. (ver Gráfico
2)
Gráfico 2- Convergência Digital
Com relação aos que usam o Facebook diariamente, os que marcaram a opção “passa o dia
conectado”, justificaram que ficam com a rede social aberta mas só olham quando veem que
tem uma nova notificação.
Sobre as questões 17 e 18 do questionário que dizem respeito a alimentar mais as amizades
pessoalmente do que no Facebook e vice-versa, 56% dos entrevistados discordam plenamente
que passa mais tempo alimentando suas amizades no Facebook do que pessoalmente; já 51%
concorda plenamente que passa mais tempo alimentando suas amizades pessoalmente do que
no Facebook. (ver gráfico 3 e 4)
Gráfico 3- Alimenta amizade pelo Facebook
Gráfico 4- Alimenta amizades pessoalmente
40
25% dos entrevistados discorda plenamente que as amizades que ele mantém através das
redes sociais são alimentadas com a mesma intensidade que suas amizades presenciais, sendo
que 22% do total de entrevistados concorda parcialmente com essa premissa.
Sobre a questão da individualização, assunto tratado na questão 20, 43% dos entrevistados, ou
seja, a maioria concorda parcialmente que o uso das redes sociais, especialmente o Facebook,
contribui para que as pessoas se isolem umas das outras. De igual modo, a mesma
porcentagem acredita que, o uso das redes sociais torna os relacionamentos mais digitais que
presenciais.
Com relação à socialização, 48% dos que responderam ao questionário concordam
parcialmente que o uso de redes sociais, especialmente o Facebook, contribui para que as
pessoas estejam mais próximas umas das outras, ou seja, ajuda na socialização dos indivíduos,
enquanto 7% discordam plenamente do assunto.
CRUZAMENTO DE DADOS
47% concordam parcialmente que a convergência ocorre nas interações sociais entre as
pessoas.
A mesma porcentagem de entrevistados que concorda parcialmente que as novas mídias estão
substituindo as antigas (40%), é a mesma que concorda parcialmente que utiliza o Facebook
para se manter informado.
Com relação aos que usam o Facebook diariamente, os que marcaram a opção “passa o dia
conectado”, justificaram que ficam com a rede social aberta o dia todo, mas só olham quando
percebe que tem uma nova notificação.
Os dados já descritos acima sobre a individualização, confirmam o pensamento do autor de
Schullemberg quando ele diz que: “os novos relacionamentos sociais são virtuais.
Pode-se dizer que as informações relacionadas à socialização obtidas por meio da pesquisa de
campo, confirmam o pensamento de Antônio Ramalho, quando ele diz que “o que
entendemos como mídia social nada mais é do que uma forma de praticar uma das maiores
necessidades do ser humano: a socialização”.
41
Sobre as questões 21 e 23, voltadas para a socialização, confirmou uma diferença bem
pequena entre o número de respondentes (2%), onde 48% concorda parcialmente que as redes
sociais, especialmente o Facebook, contribuem para que as pessoas estejam mais próximas
umas das outras e 46% acreditam que elas ajudam no estreitamento das relações interpessoais.
(ver gráfico 5 e 6)
Gráfico 5- Facebook aproxima as pessoas
Gráfico 6- Facebook estreita relações interpessoais
APROXIMAÇÕES COM OS AUTORES E TEMAS TRATADOS NO TRABALHO
Sobre as questões 21 e 23, voltadas para a socialização, mostrou uma diferença bem pequena
entre o número de respondentes (2%), onde 48% concorda parcialmente que as redes sociais,
especialmente o Facebook, contribuem para que as pessoas estejam mais próximas umas das
outras e 46% acreditam que elas ajudam no estreitamento das relações interpessoais. Esses
respondentes comungam com as ideias de Michel Mafesolli, autor citado no referencial
teórico desse trabalho, quando ele trata da socialidade, dizendo que “mais que a pureza da
doutrina, é o viver e o sobreviver juntos que preocupa as comunidades de base” (...)
(MAFFESOLI, 2006, p.109).
Sobre a questão da individualização, assunto tratado na questão 20, 43% dos entrevistados, ou
seja, a maioria concorda parcialmente que o uso das redes sociais, especialmente o Facebook,
contribui para que as pessoas se isolem da sociedade. De igual modo, a mesma porcentagem
acredita que, o uso das redes sociais torna os relacionamentos mais digitais que presenciais.
Isso confirma o pensamento do autor de Schullemberg quando ele diz que: “os novos
relacionamentos sociais são virtuais. (ver gráfico 7 e 8)
42
Gráfico 7- Facebook contribui para isolamento
Gráfico 8- Facebook digitaliza relacionamentos
47% concordam parcialmente que a convergência ocorre nas interações sociais entre as
pessoas, o que confirma o pensamento de Henry Jenkins exposto no referencial teórico deste
trabalho acadêmico, pois, Jenkins acredita que a convergência também ocorre nas interações
sociais.
Uma observação a ser destacada é que durante a aplicação dos questionários, três
entrevistados justificaram o porquê de não utilizar o Facebook, um justificou dizendo que o
uso da rede social atrapalha o andamento de suas atividades diárias, o segundo disse que o
Facebook toma muito tempo de quem utiliza; o terceiro disse que não utiliza, pois, tem seus
estudos como prioridade e utilizando o Facebook não consegue se concentrar para estudar;
uma última resposta, de um estudante da UCB com mais de 30 anos, foi por acreditar que,
principalmente os jovens atualmente, têm muito conhecimento, mas grande parte dele é
superficial, pois, segundo o respondente, o fato de os jovens estarem conectados em várias
redes sociais ao mesmo tempo os atrapalha de fazer suas atividades com excelência.
A realização da pesquisa de campo, além de mostrar como os assuntos descritos no referencial
teórico eram vistos na prática, serviu também para confirmar o pensamento inicial da
pesquisadora com relação a contribuir na individualização e tornar os relacionamentos mais
43
digitais do que presenciais, e por outro lado, demonstrou que o entendimento inicial da
pesquisadora sobre o Facebook contribuir para que as pessoas estejam mais próximas umas
das outras não estava correto, segundo a pesquisa de campo.
A observação feita pelos respondentes que não utilizam o Facebook, justificada pelo fato de
atrapalhar nos estudos e no andamento das atividades diárias, também se assemelha com o
pensamento da pesquisadora, pois, apesar dela ser usuária do Facebook, concorda com essa
premissa e observa isso acontecer em suas atividades diárias.
44
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a realização desse trabalho acadêmico foi possível analisar e observar os impactos que
as redes sociais, especialmente o Facebook, pôde trazer às relações interpessoais e como as
formas de se relacionar com o próximo foram sofrendo alterações com o passar dos anos.
Estar em sociedade, mantendo contato com o próximo, ou seja, socializar-se, sempre foi uma
das maiores necessidades do ser humano e que acontece naturalmente no dia-dia, mas que
sofreu algumas modificações com o tempo, principalmente, com o surgimento da internet.
Para estudar com mais profundidade o Facebook, principal objeto de estudo desse trabalho
acadêmico, foi preciso compreender primeiramente, outros conceitos, como o de redes e
mídias sociais, para saber a qual dessas duas classes ele pertence, se é que há diferenças entre
esses termos. No decorrer da pesquisa, foi possível observar que o entendimento do termo
“rede social” deriva da “relação com os indivíduos que vai formando um todo coeso que
representa a rede” ( BOARETTO, 2009).
E sobre o termo “mídia social”, Antônio Ramalho (2010) relata que,” nada mais é do que
uma forma de praticar uma das maiores necessidades do ser humano: a socialização”. E nessa
perspectiva, Twitter, Facebook, Orkut, etc, podem ser considerados tanto como redes sociais
como mídias sociais. Por outro lado, para Recuero (2009), estes são classificados como sites
de redes sociais, pois, são “softwares com aplicação direta para a comunicação mediada por
computador”. (RECUERO, 2009)
A partir da realização desse trabalho, foi possível observar que a criação de sites de
relacionamento, como Orkut, Twitter, etc, e principalmente, o Facebook, que foi objeto de
estudo desse trabalho acadêmico, de certa forma, transformou a maneira de ser relacionar dos
indivíduos.
Como foi possível observar por meio do referencial teórico, alguns autores acreditam que
esses sites de relacionamento, ajudaram na socialização, ou seja, tornou mais fácil a
comunicação entre as pessoas, em contrapartida, outros já acreditam que as redes sociais,
criaram amizades baseadas na superficialidade, no qual não há um conhecimento verdadeiro
sobre o próximo, e, portanto, ajudaram na individualização, no isolamento das pessoas, que
por sua vez, criaram tribos, ideia sustentada por Michel Maffesoli.
45
A problematização proposta por essa pesquisa baseava-se em duas possibilidades: a primeira
era de analisar até que ponto, as redes sociais contribuem para aproximar ou para afastar as
pessoas, e a segunda era voltada para observar a socialização e a individualização que eles
podem provocar.
Uma das conclusões a que podemos chegar por meio da pesquisa bibliográfica e da pesquisa
de campo, é que as redes sociais, como Facebook, não estão necessariamente tornando os
indivíduos mais sociáveis ou mais isolados uns dos outros, mas que trouxe uma nova maneira
de relacionamento via web, ou ainda, que, “a internet possibilitou conhecer um mundo novo
(...) sem sair de casa, da escola ou do trabalho.” (PIROLO, FIRTES, DALMAS, 2009)
Para quem tem amigos ou parentes que moram em locais mais distantes, teve a possibilidade
de se socializar com mais facilidade e, nesse ponto Manuel Castells (1999), veio questionar se
há alguma influência cultural ou econômica presente nas socializações propostas por estas
diferentes redes. Por outro lado, pode-se pensar que o Facebook, tem feito com que as pessoas
que moram mais próximas umas das outras não se preocupem mais em se conhecer
verdadeiramente, criar laços afetivos, se relacionar (pessoalmente), fazendo com que os
“relacionamentos sociais se tornassem mais virtuais”, como acredita Schulemburg (2013).
Pode-se pensar ainda, baseando-se nas ideias de Mocelin (2007), que a internet, assim como,
as redes sociais, simplesmente trouxeram uma facilidade para as pessoas com “um espaço de
interação diferente dos anteriores (...), uma comunicação em tempo quase que instantâneo”.
Por fim, nos comunicamos e relacionamos de diversas maneiras e por meio de diversos
mecanismos, pois, somos seres mutáveis, que se transformam e são influenciados pelas
modificações que ocorrem a cada dia. Contudo, a necessidade de se comunicar só deixará
mais evidente a necessidade que o ser humano tem de viver. Viver comunicando e se
comunicando.
46
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Natanael.
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Summus 2009.
48
SOUSA, Diogo Araújo de; SANTOS, Helder Cerqueira. Redes sociais e relacionamentos de
amizade
ao
longo
do
ciclo
vital. Disponível
em:
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-84862011000100006>.
Acesso em: 23 maio 2013.
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TOMAÉL, Maria Inês; ALCARÁ, Adriana Rosecler; CHIARA, Ivone Guerreiro Di. Das
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VEJA. O facebook engole o mundo: 100 bilhões de dólares. Curtiu?. São Paulo: Veja, n. 6, 22
abr. 2012. Semanal.
49
9. APÊNDICES
APÊNDICE A- Gráficos obtidos através das respostas da Pesquisa de Campo
Universidade
UCB
154
51%
UnB
146
49%
Idade
até 17
6
2%
18 a 25
256
86%
26 a 30
23
8%
mais de 30
14
5%
50
Sexo
OBS: Ao total 44 cursos, sendo que a maior parte dos respondentes (69) está cursando
Comunicação Social.
Semestre
1º
23
8%
2º
46
15%
3º
40
13%
4º
59
20%
5º
37
12%
6º
31
10%
7º
26
9%
8º
27
9%
9º
7
2%
10º
4
1%
51
Estagia
Sim
88
30%
Não
210
70%
Contratado
Sim
51
17%
Não
248
83%
Tem Facebook
Sim
280
94%
52
Não
10
3%
Já teve
8
3%
Pretende ter
0
0%
Tempo de uso do Facebook
menos de um ano
8
3%
um a dois anos
55
20%
dois a quatro anos
157
56%
mais de quatro anos
58
21%
Usa com que frequência?
de 1 a 3 vezes por semana
63
22%
Diariamente
218
78%
Tempo Semanal
53
até uma hora
44
54%
até duas horas
20
25%
até três horas
9
11%
quatro horas ou mais
8
10%
Tempo diário
até uma hora
66
30%
até duas horas
40
18%
até três horas
28
13%
quatro horas ou mais
25
11%
passa o dia conectado
63
28%
11. Você julga que os amigos do Facebook se equiparam com os que você se encontra
pessoalmente?
54
Disc. plenamente
62
22%
Disc. parcialmente
78
28%
Indiferente
59
21%
Conc. parcialmente
72
26%
Conc. plenamente
10
4%
12. A convergência digital é promovida por meio de aparelhos.
Disc. plenamente
5
2%
Disc. parcialmente
18
7%
Indiferente
48
17%
Conc. parcialmente
125
45%
Conc. plenamente
80
29%
55
13. A convergência ocorre nas interações sociais entre as pessoas.
Disc. plenamente
7
3%
Disc. parcialmente
21
8%
Indiferente
64
23%
Conc. parcialmente
132
47%
Conc. plenamente
55
20%
14. Você acredita que as novas mídias estão substituindo as antigas?
Disc. plenamente
11
4%
Disc. parcialmente
32
12%
Indiferente
12
4%
Conc. parcialmente
110
40%
56
Conc. plenamente
111
40%
15. Você utiliza as redes sociais, especialmente, o Facebook, para se manter informado?
Disc. plenamente
21
8%
Disc. parcialmente
33
12%
Indiferente
30
11%
Conc. parcialmente
111
40%
Conc. plenamente
82
30%
16. Você acredita que o Facebook pode substituir outros meios de informação?
Disc. plenamente
59
21%
Disc. parcialmente
77
27%
Indiferente
36
13%
57
Conc. parcialmente
79
28%
Conc. plenamente
30
11%
17. Você dedica mais tempo alimentando suas amizades no Facebook do que pessoalmente?
Disc. plenamente
158
56%
Disc. parcialmente
63
22%
Indiferente
30
11%
Conc. parcialmente
22
8%
Conc. plenamente
8
3%
18. Você dedica mais tempo alimentando suas amizades pessoalmente do que Facebook?
58
Disc. plenamente
17
6%
Disc. parcialmente
18
6%
Indiferente
33
12%
Conc. parcialmente
71
25%
Conc. plenamente
143
51%
19. As redes sociais, especialmente o Facebook, tornam os relacionamentos mais digitais do
que presenciais?
Disc. plenamente
19
7%
Disc. parcialmente
42
15%
Indiferente
41
15%
Conc. parcialmente
120
43%
Conc. plenamente
57
20%
59
20. O uso das redes sociais, especialmente do Facebook, contribuem para que as pessoas se
isolem da sociedade.
Disc. plenamente
16
6%
Disc. parcialmente
63
22%
Indiferente
36
13%
Conc. parcialmente
122
43%
Conc. plenamente
45
16%
21. O uso das redes sociais, especialmente o Facebook, contribuem para que as pessoas
estejam mais próximas umas das outras.
Disc. plenamente
20
7%
Disc. parcialmente
59
21%
Indiferente
47
17%
60
Conc. parcialmente
135
48%
Conc. plenamente
21
7%
22. As amizades que você mantém através de redes sociais são alimentadas com a mesma
intensidade que suas amizades presenciais.
Disc. plenamente
70
25%
Disc. parcialmente
86
31%
Indiferente
47
17%
Conc. parcialmente
63
22%
Conc. plenamente
15
5%
23. Você acredita que o Facebook colabora para o estreitamento das relações interpessoais?
15
5%
61
Disc. plenamente
Disc. parcialmente
43
15%
Indiferente
51
18%
Conc. parcialmente
131
46%
Conc. plenamente
42
15%
62
APÊNDICE B- Questionário utilizado na Pesquisa de Campo
Pesquisa Acadêmica
Pesquisa para Trabalho e Conclusão de Curso em Comunicação Social – Jornalismo, da UCB,
desenvolvida pela acadêmica Monalisa Pereira Santos, sob orientação do prof. Dr. Joadir
Foresti. (out/nov. 2013)
PERFIL
1. Idade: [ ] até 17, [ ] 18 a 25, [ ] 26 a30, [ ] mais de 30
]F
2. Sexo: [ ] M, [
3. Curso/ Semestre: ________________________________________________________
4. Estagia: [ ] Sim, [ ] Não;
] Sim, [ ] Não
5. Está contratado (trabalhando efetivamente): [
FAMILIARIDADE COM O TEMA
6. Tem Facebook?
[ ] sim; [ ] não; [ ] já teve, [ ] pretende ter
(se não utiliza facebook ou outra mídia social, encerre aqui o
questionário)
7. Há quanto tempo você usa Facebook?
[ ] menos de um ano;
[ ] dois a quatro anos;
8. Usa com que frequência?
[ ] um a dois anos;
[ ] mais de quatro anos
[ ] de 1 a 3 vezes por semana (Semanalmente);
[ ] Diariamente
(Se você marcou a opção “Diariamente” na questão anterior, responda
somente a questão nº10
Se você marcou a opção “Semanalmente”, na questão anterior,
responda somente a questão nº 9.)
9. Quanto tempo, se semanalmente:
[ ] até uma hora;
[ ] até três horas;
[ ] até duas horas;
[ ] quatro horas ou mais.
10. Quanto tempo, se diariamente: [ ] até uma hora; [ ] até duas horas;
[ ] quatro horas ou mais; [ ] passa o dia conectado
[ ] até três horas;
63
Concordo
plenamente
Concordo
parcialmente
Indiferente
Discordo
parcialmente
Questão
Discordo
plenamente
OPINIÃO
11. Você julga que os amigos do Facebook se equiparam com os que você
se encontra pessoalmente?
12. A convergência digital é promovida por meio de aparelhos.
13. A convergência ocorre nas interações sociais entre as pessoas.
14. Você acredita que as novas mídias estão substituindo as antigas?
15. Você utiliza as redes sociais, especialmente, o Facebook, para se
manter informado?
16. Você acredita que o Facebook pode substituir outros meios de
informação?
17. Você dedica mais tempo alimentando suas amizades no Facebook do
que pessoalmente
18. Você dedica mais tempo alimentando suas amizades pessoalmente do
que no Facebook.
19. As redes sociais, especialmente o Facebook, tornam os
relacionamentos mais digitais do que presenciais?
20. O uso das redes sociais, especialmente do Facebook, contribuem para
que as pessoas se isolem da sociedade.
21. O uso das redes sociais, especialmente o Facebook, contribuem para
que as pessoas estejam mais próximas umas das outras.
22. As amizades que você mantém através de redes sociais são
alimentadas com a mesma intensidade que suas amizades presenciais.
23. Você acredita que o Facebook colabora para o estreitamento das
relações interpessoais?
64
10. ANEXOS
IMAGEM 1 – Exame Nacional Ensino Médio- ENEM 2013
IMAGEM 2- Fonte: Revista Veja ( Fevereiro 2012)
65
IMAGEM 3- fonte: Revista Veja (Fevereiro 2012)
IMAGEM 4- Fonte: Revista Veja 2012
66
IMAGEM 4- Fonte: Revista Veja 2012
IMAGEM 4- Fonte: Revista Época 2012
67
IMAGEM 4- Fonte: Revista Época 2012
68
69
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Monalisa Pereira Santos - Universidade Católica de Brasília