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e Historiografia Religiosa no Brasil
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DIFUSÃO DO FUNDAMENTALISMO PROTESTANTE NO
INTERIOR DOS ESTADOS DO SUDESTE – SÉCULO XX
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Marcelo Silva dos Santos
Graduando em História na Universidade Católica de Petrópolis
[email protected]
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Sem dúvidas o século XIX foi um período de grandes mudanças, tendo a frente, como motor propulsor, a filosofia e as ciências naturais. Estas mudanças espargiram
seus efeitos ao longo de todo o ocidente “civilizado”, e provocaram reações e releituras em todas as áreas da humanidade. A religiosidade não ficou imune a estas
mudanças, pelo contrário, talvez esta tenha sido a área mais atingida pela avalanche de novas concepções e visões de mundo. O mundo ocidental iniciou o processo de ruptura com os paradigmas religiosos que se perpetuavam a partir da Europa
desde a Idade Média. Entre duas opções era necessário aos movimentos religiosos
optarem: ou se adaptavam e se conformavam às ondas de mudanças, relendo sua
ortodoxia de forma a adaptá-la aos novos tempos, ou se fechava em si mesmo,
intensificando e solidificado seus próprios dogmas, e dando respostas às descobertas seculares segundo sua própria doutrina. Deste processo surgem vários movimentos religiosos que podemos entender como sendo as origens do fundamentalismo
protestante moderno que irá irromper no século XX, especialmente nos Estados Unidos. A publicação da obra The Fundamentals: A Testimony to the Truth (Os Fundamentos: O Testemunho da Verdade)1 em 1917 é um exemplo claro desta batalha
que se trava entre os grupos religiosos que se mantêm presos à ortodoxia clássica e
os bastiões da teologia moderna e liberal2. Seguindo, portanto, esta linha de raciocínio, podemos concordar também com Hobsbawm em sua obra intitulada a invenção das tradições na qual ele afirma que
durante os últimos duzentos anos, tem havido transformações
especialmente importantes, sendo razoável esperar que estas
formalizações imediatas de novas tradições se agrupem neste
1
Obra editada por A. C. Dixon e R. A. Torrey é um conjunto de noventa artigos em doze volumes
coletados entre 1909 e 1915 publicados pelo Instituto Bíblico de Loas Angeles.
2
Cf. GALINDO, Florêncio. O fenômeno das seitas fundamentalistas. Petrópolis: Vozes, 1995. p.
168.
período. A propósito, isto implica, ao contrário da concepção
veiculada pelo liberalismo do século XIX e a teoria da “modernização”, que é mais recente, a idéia de que tais formalizações não se cingem às chamadas sociedades “tradicionais”, mas que também ocorrem, sob as mais diversas formas, nas sociedades “modernas”.3
E, desta consolidação de tradições que estruturam a antiga (nova) ortodoxia,
se respalda a luta contra a modernidade, pois
é preciso que se evite pensar que formas mais antigas de estruturas de comunidade e autoridade e, conseqüentemente,
as tradições a elas associadas, eram rígidas e se tornaram
rapidamente obsoletas; e também que as “novas” tradições
surgiram simplesmente, por causa da incapacidade de utilizar
ou adaptar as tradições velhas.4
Uma das sementes do fundamentalismo moderno é o movimento iniciado
em Dublin na Irlanda conhecido como o “Movimento dos Irmãos”. As origens deste
movimento são um tanto controversas, dependendo do referencial de cada um dos
grupos originados a partir da cisão que se deu em 1847. Contudo, alguns nomes
são lugar-comum entre as diversas teses acerca dos princípios deste movimento.
Anthony Norris Groves nasceu em Lymington, Hampshire, Inglaterra em 1795. Aos
dezenove anos tornasse dentista, profissão que herdou de seu tio, em Plymouth. Aos
vinte e um anos de idade, casa-se com sua prima Mary Bethia Thompson e muda-se
para Exeter. Nesta cidade passa a se dedicar a leitura quase exclusiva da Bíblia e a
partir deste estudo, gradualmente passa a destinar parte de sua renda mensal aos
necessitados até chegar a cem por cento desta. Também começa a nutrir o desejo
de se lançar como missionário no Oriente, desejo que inicialmente foi contido pela
esposa. Em 1825, Groves publica um livreto próprio denominado Devoção Cristã,
no qual ele afirmava que segundo seu entendimento as posses materiais dos cristãos seriam apenas um meio de prestar um serviço devocional. Para ele, os bens
podem tornar-se um perigo para seu possuidor e para os dependentes destes. Ele
considerava o acúmulo de riquezas um empecilho à piedade pessoal, considerando
ser um claro dever gastá-las no “serviço de Deus”. Ele escreveu “o lema do cristão
deve ser trabalhar muito, gastar pouco, dar muito e dedicar-se inteiramente à Cristo”. A publicação deste livreto não foi bem recebida, visto que divergia amplamente
da ideologia calvinista que sustenta, segundo Weber, o espírito capitalista5.
Em julho de 1825, ele foi aceito pela Sociedade Missionária como candidato
para ir para Bagdá. Para aprimorar seus estudos, matricula-se no curso de teologia
do Trinity College, em Dublin, Irlanda. Nesta cidade trava amizade com um advogado irlandês chamado John Grifford Bellet. Durante os períodos em que passava
3
HOBSBAWM, Eric. A invenção das tradições. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2006. p. 13.
IBID.
5
WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Editora Martin Claret,
2005.
4
2
em Dublin, Groves passa a se encontrar constantemente com um grupo de cristãos
que costumavam se reunir para orações e trocas de pontos de vista, entre os quais
se encontrava John Nelson Darby, que viria a se tornar o principal nome entre os
“irmãos”. Destas reuniões foram surgindo gradualmente os pontos doutrinários que
se consolidariam como a ortodoxia do movimento dos irmãos. Segundo Groves,
“em minha compreensão do estudo das Escrituras, crentes reunindo-se como discípulos de Cristo, estão livres para partir o pão juntos; e, em qualquer dia da semana, como os apóstolos fizeram, relembrarem a morte do Senhor, obedecendo a Seu
mandato”. Assim sendo, em 1827, pela primeira vez o grupo decidiu ministrar entre eles a eucaristia sem a presença de um sacerdote ordenado para a consagração
dos elementos da ceia. Este é o primeiro ponto de ruptura com a ortodoxia do período medieval e moderno. Seguiram-se a este, outros pontos serviram de base para
a construção do entendimento dos “irmãos”, entre eles estão considerações acerca
da unidade da Igreja, do não-denominacionalismo, batismo adulto, abolição da
hierarquia clerical, autonomia das congregações e outros.
O movimento se consolidou na cidade de Plymouth sob a liderança de
Darby, assim teve inicio um trabalho que, por seus participantes não concordarem
com o uso de qualquer nome para diferenciá-los de outros grupos protestantes,
preferiam tratar-se apenas como “irmãos”, por ser um nome aplicável a todos os
“discípulos de Jesus”, e disto sucedeu que o movimento foi sendo designado pelo
nome de “Movimento dos irmãos” ou o movimento dos “Irmãos de Plymouth”, pelo
fato desta cidade ter sua maior notoriedade devido à congregação desta cidade
inglesa. A este propósito F. Roy Coad escreveu que a palavra “movimento” ficou
sendo usada para designar esta corrente de irmãos que não desejam usar um nome
denominacional, e Coad acrescenta que isto resulta da idéia “quixotesca” (embora
bem intencionada) de permanecerem no anonimato, inclusive muitos deles condenam até o uso de qualquer indicação no edifício em que se reúnem, inclusive a
cruz6.
Para entender a difusão deste movimento no interior da região Sudeste do
Brasil se faz necessário encadear este processo com um dos primeiros movimentos
protestantes que permaneceram. Neste caso, o relacionamento se dá com a instituição da Igreja Evangélica Fluminense na cidade do Rio de Janeiro. Neste processo,
dois nomes são fundamentais, Richard Holden (1828-1886) e Robert Reid Kalley
(1809-1888).
O pastor presbiteriano Robert R. Kalley e sua esposa deixaram a Inglaterra e
em 10 de maio de 1855 desembarcam no porto do Rio de Janeiro. Por não se adaptarem ao clima e devido ao fato de residirem em Petrópolis um grande número
de colonos alemães luteranos, decidiram que talvez fosse mais fácil iniciar o processo de proselitismo a partir desta cidade, optaram por mudar-se para esta localidade. Morando em uma chácara denominada Gernheim (Lar muito amado), perto da
Rua do Imperador, no bairro Suíço. Em 19 de agosto de 1855, D. Sarah (esposa de
Kalley) instalou a primeira classe dominical, com cinco alunos7. Ela contou a histó6
COAD, F. Roy. A history of the brethren movement. Exeter: The Paternoster Press, 1976.
A propósito da primeira classe dominical no Brasil é importante salientar que o rev. Kidder registrou
em seu livro “Sketches of residence and travel in Brazil”, que quando chegou ao Brasil em 1837 foi
7
3
ria de Jonas. Em outubro de 1855, o jardineiro Manuel se converteu, entretanto,
logo adoeceu de cólera e veio a falecer. Tradicionalmente o velho Manuel é considerado o primeiro convertido ao protestantismo no Brasil. Em 10 de outubro de
1856 foi celebrada a “Ceia do Senhor”, pela primeira vez. Em 11 de julho de 1858
é fundada então a primeira igreja evangélica do Brasil. Porém, com a fundação da
primeira igreja presbiteriana no Rio de Janeiro em 1863, Kalley decide chamar a
igreja que ele havia fundão de Igreja Evangélica Fluminense, de confissão congregacionalista.
No ano de 1862, Dr. Kalley sofre um grave acidente de cavalo que o força a
viajar até a Inglaterra para o tratamento. No seu retorno ao Brasil, quando o vapor
no qual ele se encontrava aportou à Bahia, Richard Holden vai a seu encontro. Após algum tempo, Dr. Kalley convida Holden para auxiliá-lo junto a Igreja Fluminense. Holden muda-se para o Rio de Janeiro em 1865. Além de auxiliar na Igreja
Fluminense, ele representava a Sociedade Bíblica Britânica, com jurisdição em todo
o território nacional, além do Uruguai e Argentina.
Kalley e Holden permanecem juntos à frente da Igreja Fluminense até meados de 1871, quando Holden parte para a Inglaterra. No fim de setembro, vai até
Dusseldorf, Alemanha, e nesta oportunidade participa de reunião em uma assembléia dos “irmãos”. Logo em seguida decide deixar o Brasil e a liderança da Igreja
Fluminense através de carta com seguinte conteúdo:
As razões positivas que impedem a minha volta à Igreja Evangélica Fluminense são:
1. Que eu não estou de tal maneira convencido de que o sistema eclesiástico, adotado pela Igreja Evangélica Fluminense,
esteja de acordo com a vontade de Deus, que justifique a
minha resolução de aceitá-lo e permanecer nele definitivamente.
2. Não há entre mim e o Dr. Kalley uma tão perfeita UNIDADE DE VISTAS, no modo de entender as doutrinas do Cristianismo, que justifique o seu propósito de dirigir-me, ou a minha disposição de trabalhar sob o seu controle.
3. Não é licito esperar benção alguma de um ministério que
não esteja baseado NA FÉ; e eu não poderia presentemente
voltar ao Rio, na fé firme de que estava sendo conduzido àquele posto por Deus mesmo e de que era da Sua vontade
que eu reassumisse as responsabilidades daí decorrentes.
EM VISTAS DESTAS CONSIDERAÇÕES – decidi esta noite,
DIANTE DE DEUS, RESIGNAR MEU PASTORADO na Igreja
Evangélica Fluminense e, AO MESMO TEMPO, o serviço na
Sociedade Bíblica Britânica no Brasil; e queira Deus manifesauxiliar seu colega o rev. Spaulding, metodista, que tinha uma escola diurna e aos domingos uma
florescente escola dominical, na Rua do Catete. Contudo, o rev. Spaulding regressou aos Estados
Unidos em 1842 e este trabalho foi descontinuado. Portanto, a escola iniciada pela Sra. Kalley foi a
primeira no Brasil que teve continuidade até nossos dias.
4
tar-me, quando Lhe aprouver, o que ELE tenha, depois, para
eu fazer!”8.
Desta ruptura seguiram-se várias dissidências entre os membros da Igreja
Fluminense que optaram por seguir o doutrinamento de Holden. O trabalho dos
“irmãos” no Brasil teve inicio em 1878, provavelmente pela primeira vez em 7 de
julho de 1878 na residência de João Antonio de Menezes, à Rua da América, numero 4, na cidade do Rio de Janeiro. Em torno de vinte e seis membros da Igreja
Fluminense enviam cartas solicitando seu desligamento do Rol de Membros e passam a se reunir com os “irmãos”.
Holden que se mudara da Inglaterra para Portugal e neste país instaura assembléia dos “irmãos”, veio em visita ao Rio de Janeiro em 1879. Nesta ocasião
faz visita à “Sala dos Darbistas”9.
Os “irmãos” que saíram da Igreja Fluminense em 1878 já estavam bem imbuídos do espírito evangelístico missionário. A princípio eles saíram para a região
Serrana do Estado do Rio de Janeiro, pelas localidades de Paracambi, Mendes, Pati
do Alferes, Vassouras. Subiram também para Petrópolis, São José do Rio Preto e
Teresópolis. Assim, foram formando assembléias, como no Sertão dos Coentros, Rio
Pardo, Vera Cruz, Maravilha, Arcozelo, etc. O trabalho em Petrópolis não prosperou muito, mas em torno de São José do Rio Preto muitas assembléias foram se
formando. Em Teresópolis, Santa Rita e Pessegueiros outros núcleos dos “irmãos”
foram instaurados. José Ferreira da Silva, que se desligara da Igreja Evangélica
Fluminense e uniu-se aos “irmãos” em setembro de 1879, foi o iniciador do trabalho em Vera Cruz, Fazenda Maravilha, Fazenda dos Cuentros, Batatal, Arcozelo e
outras, tendo batizado em torno de oitocentas pessoas.
Pela evangelização em São José do Rio Preto, por João Quintino e Daniel
Faria, em 1898, em Bemposta, converteram-se na Fazenda do Sr. Joaquim Cabiúna, D. Maria Tavares Belo e sua irmã Adelaide Tavares Belo. Também se converteu
nesta localidade o espanhol Augusto Pinho, que veio a se tornar pregador.
Na cidade do Rio de Janeiro reunia-se com os “irmãos” um jovem chamado
Guilherme Douglin, oriundo da ilha de Barbados que falava bem o inglês, mas muito mal o português. Este muda-se para o interior de São Paulo, levando as doutrinas
dos “irmãos”. Deste modo foram instauradas várias assembléias em Santa Bárbara
do Oeste, Piracicaba e entorno.
Um obreiro que militou pelos “irmãos” no Brasil por volta de meio século foi
o inglês Stuart Edmund Mac Nair. Em 1891 foi da Inglaterra para Lisboa a serviço
de uma companhia, como desenhista mecânico. Em Lisboa ficou hospedado em
casa de D. Catarina Holden, então viúva de Richard Holden, quando teve contato
com as doutrinas do movimento dos “irmãos”. Em maio de 1896, Mac Nair chega
ao Brasil e passa a residir em uma casa na Ladeira Barroso, no Morro do Livramen8
ROCHA, João Gomes. Lembranças do Passado. Rio de Janeiro: Centro Brasileiro de Publicidade,
1941. p. 229-230.
9
Referência dada pelos demais grupos evangélicos ao grupo dos “irmãos” em virtude da proeminência de Darby na direção do movimento.
5
to, Rio de Janeiro. O obreiro residiu nesta casa até 1913, quando mudou-se para
Carangola em Minas Gerais. Em Princípios de 1914, foi inaugurada em Ribeirão da
Conceição (Conceição-Carangola) a primeira casa de oração construída em terreno doado por Leonardo Barcelos. Nesta ocasião Mac Nair viajava largamente a
cavalo, visitando congregações da região de Carangola, e a cada ano fazia uma
viagem à região do Rio Doce até o Baixo Guandu. Nos lugares em que residia,
Mac Nair organizava Escolas Bíblicas, para a instrução de jovens crentes visando a
preparação de obreiros mais preparados, com cursos de curta duração (em torno
de um a cinco meses) para evitar que os jovens se afastassem do meio no qual tinham o seu sustento para se preparar.
Mac Nair mudou-se em 1921 vendeu sua casa em Carangola e entrou mais
para o sertão, para Portões, próximo a Mutum, onde construiu uma casa e passou a
residir com sua irmã, D. Carlota. De Portões, Mac Nair muda-se para a localidade
de Divisa (hoje Dores do Rio Preto) no Espírito Santo, onde construiu uma casa e
também manteve uma Escola Bíblica. Ali permaneceu de 1925 a 1927.
De Divisa mudou-se, em 1927, para Barreiro, no município de Itaperuna –
RJ, onde havia um próspero trabalho evangelístico. Ali também construiu uma residência e casa para o Instituto Bíblico.
Sempre as igrejas da região promoveram reuniões especiais em diferentes
localidades, com o fim de troca de idéias entre os crentes, sobre o trabalho evangélico. Em Barreiros em 1927, foi proposta e aprovada a publicação de um periódico
chamado Boletim Evangélico para difundir os ideais dos “irmãos” e Mac Nair tornou-se o editor. Este trabalho prosperou até 1941, quando divergências internas
forçaram a interrupção da obra que foi substituída pela publicação Biblioteca Evangélica, também dirigida por Mac Nair.
Posteriormente, Mac Nair mudou-se para Divisório em Muriaé – MG, onde
havia uma florescente assembléia de “irmãos”. Juntamente com sua irmã, manteve
uma escola noturna, onde dava aulas de leitura, gramática, aritmética, além do
ensino bíblico e alguns minutos de ensaio de hinos.
Naquela época as viagens eram quase sempre feitas a cavalo e pela idade,
para Mac Nair estas viagens se tornavam muito penosas. Portanto, em 1933 ele
decide mudar para Teresópolis – RJ, onde montou uma editora à qual dedicava
todo o seu tempo.
Deste trabalho surgiram diversas assembléias que seguiam a ortodoxia dos
“irmãos”. A partir da zona de Carangola e do Rio Doce, mais tarde, foram mudando para Vitória, Vale do Aço, Belo Horizonte e o trabalho dos “irmãos” foi se estendendo por Vitória e adjacências, Norte do Espírito Santo, Sul da Bahia, e outros.
Também as assembléias da Baixada Fluminense, nos arredores do Rio de Janeiro,
foram em grande parte formadas a partir de crentes oriundos da região de Carangola, Rio Doce e Pati do Alferes. Depois as famílias destas regiões transferiram-se
para os arredores de São Paulo e Norte do Paraná. Mais recentemente com a transferência de crentes para o Mato Grosso e Rondônia. Foram abertos também trabalhos no Nordeste do Brasil.
6
O movimento dos “irmãos” no Brasil nunca foi um movimento de massas, o
número de adeptos é deveras reduzido se comparado ao fenômeno de outras manifestações de cunho protestante ou evangélicas. Entretanto, em virtude do seu caráter
fundamentalista e extremamente ortodoxo, consegue capilaridade significativa especialmente em cidades do interior e no campo. Por não manter nenhuma entidade
central institucionalizada, é impossível saber onde se encontram todas as assembléias e quantos adeptos existem. Mas existem, e são muito difusos. Portanto, o caráter
conservador e intransigente do movimento é justamente a base de sustentação dos
grupos. São estas características que mantêm vivos os ideais difundidos pelos pais
do movimento dos “irmãos” na Inglaterra.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
GALINDO, Florêncio. O fenômeno das seitas fundamentalistas. Petrópolis: Vozes,
1995.
HOBSBAWM, Eric. A invenção das tradições. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2006.
WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: Editora
Martin Claret, 2005.
COAD, F. Roy. A history of the brethren movement. Exeter: The Paternoster Press,
1976.
ROCHA, João Gomes. Lembranças do Passado. Rio de Janeiro: Centro Brasileiro
de Publicidade, 1941.
FILGUEIRAS, Silas G. Os “irmãos”. Petrópolis: Publicação Particular. 1991.
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Difusão do fundamentalismo protestante no interior dos estados do