Diretora do PN fala dos desafios para o combate à aids no Brasil Saber Viver UMA REVISTA PARA QUEM VIVE COM O VÍRUS DA AIDS ANO 6 Nº 35 – JAN/FEV/MAR 2006 – DISTRIBUIÇÃO GRATUITA DADO MEN RECO IDS n Saúde T/A Mi a rio d isté D Pro l de grama Naciona S Aids na terceira idade Os desafios de descobrir o HIV nesta faixa etária Fazer ginástica, entrar em um grupo de apoio: mude sua rotina Saber Viver muitos planos para 2006 Uma publicação trimestral gratuita destinada a pessoas que vivem com o vírus da aids Correspondências à redação: Caixa Postal 15.088 - Rio de Janeiro (RJ) - Cep 20.031-971 [email protected] Coordenação, edição e reportagem: Adriana Gomez e Silvia Chalub Secretária de redação: Alessandra Lírio Reportagem: Ana Letícia Leal e Ludmila Froes Consultoria lingüística: Leonor Werneck Ilustrações: Ana Vine Foto: Alex Ferro, agência Pedra Viva Conselho editorial deste número: Estevão Portela (infectologista), Marlete P. da Silva (nutricionista) Colaboraram nesta edição: Marlene Zornitta (psicóloga) Valéria Ribeiro Filho (infectologista) Editoração eletrônica: A 4 Mãos Comunicação e Design ([email protected]) Impressão: Gráfica MCE oje, pertencer ao grupo da Terceira Idade significa, na maioria das vezes, entrar em uma nova fase de vida, na qual planos e prazer combinam perfeitamente. Apesar de a sociedade não querer enxergar, muitas pessoas com mais de 60 anos mantêm uma vida sexual ativa. Entre 1993 a 2003, o número de homens que descobriram a infecção pelo HIV depois dos 50 anos subiu 130% e as mulheres, 396%. Esta edição da Saber Viver dá voz e vez às pessoas da “melhor idade”, infectadas pelo HIV, tornando visível uma face da epidemia presente em vários serviços de saúde do Brasil. Nesta primeira edição do ano, tratamos também de planos para o futuro. Para começar o ano com o pé direito, muitas pessoas procuram atividades novas e planejam voltar a estudar, fazer ginástica etc. Corremos atrás de uma série de opções para ajudar você a dar uma reviravolta em sua vida. Confira a entrevista exclusiva da diretora adjunta do Programa Nacional de DST/Aids, Mariângela Simão, na qual ela responde a todas as perguntas relacionadas à garantia do seu tratamento neste ano. Nesta edição, estréia a coluna Direito de Todos, com o advogado Marcelo Brito Guimarães, com novidades sobre leis e direitos das pessoas vivendo com HIV/aids. Bom proveito e ótimos planos para você. H Tiragem: 90.000 exemplares Agradecimentos especiais: A todas as pessoas que colaboraram dando seus depoimentos para as matérias PATROCÍNIO: APOIO: Sumário O que fazer com aquela vontade de comer doce? 3 Entrevista com Mariângela Simão, diretora do Programa Nacional de DST/Aids 4/5 Lamivudina + abacavir + atazanavir + ritonavir 6/7 A Aids na 3ª Idade 8/9 Coluna Direito para Todos 10 Sua História 11 Novas atividades em sua rotina 12/13 Cartas e Namoro ou amizade 14/15 Área Útil 16 Visite a Saber Viver na Internet Governo do Estado de São Paulo • Histórico • Edições Especiais • Serviços 2 • Edições Anterirores • Eventos • Notícias www.saberviver.org.br CONECTE-SE, PARTICIPE E APROVEITE quando dá aquela vontade de comer e repente, bate aquela vontade irresistível de devorar um doce. Essa sensação não surge do nada e deve ser tratada com atenção. O açúcar é muito perigoso para pessoas que têm altos índices de triglicerídeos no sangue, que é o caso de alguns soropositivos. Por outro lado, fazer dieta freqüentemente, sem orientação de um nutricionista, pode deixar o organismo “sedento” por um docinho. Especialista em atendimento a soropositivos, a nutricionista Marlete Pereira, do Hospital Clementino Fraga Filho (UFRJ), explica que essa vontade de comer doce pode estar associada também à falta do mineral boro, considerado uma fonte de energia física e fundamental para o desenvolvimento dos ossos. O boro pode ser encontrado em leguminosas (feijões, soja, ervilhas etc) e em frutas como maçã, pêra, figo e uva. D Maneiras de saciar esse desejo Uma maneira de saciar o desejo por um “docinho”, sugerida pela nutricionista, é consumir frutas secas, que também são capazes de nutrir o organismo: “Além de doces e gostosas, essas frutas fornecem vitaminas e minerais, repondo a energia do organismo rapidamente. Sugiro ameixa e damasco, para quem não estiver com diarréia, e passas, banana passa e figo. Elas são práticas até no DOCE armazenamento, dispensando refrigeração, e ainda fazem muito bem à saúde, evitando o envelhecimento precoce. Mas nunca deixe essas frutas guardadas na bolsa por mais de um dia. Elas podem dar fungos”, aconselha a especialista. SV alimentação O que fazer Receita Leite condensado light Ingredientes: 1 copo de 150 ml (de geléia) de leite desnatado em pó 1 copo de 150 ml (de geléia) de adoçante em pó que possa ir ao fogo (ver no rótulo do produto). Prefira o stévia Meio copo de 150 ml de água filtrada ou mineral 1 colher de sobremesa de margarina light Modo de fazer: Bata tudo no liquidificador até ter certeza que os ingredientes estão bem misturados. Coloque na geladeira, em um pote fechado, por 24 horas. Ele pode ser utilizado para fazer pudim, brigadeiro, coberturas ou servir de calda para salada de frutas. PARA UNIDADES DE SAÚDE E ONGS Confirmem o recebimento da Saber Viver. Essa informação é muito importante para o aperfeiçoamento de nosso trabalho. Contamos com vocês. Escreva para [email protected] ano 6 n 35 mar 2006 Saber Viver 3 entrevista Não falta dinheiro para a compra dos ARV no Brasil Porém, há risco de faltar de medicamentos contra a aids porque a fabricação mundial dos ARV é mais baixa que a demanda mundial diretora-adjunta do Programa Nacional de DST/Aids (PN), Mariângela Simão, em entrevista exclusiva, diz que corremos o risco da falta de medicamentos por problemas mundiais, mas dá uma boa notícia: respondendo a várias denúncias, inclusive da Saber Viver, o PN implantará os testes rápidos nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) das capitais do país, agilizando o diagnóstico de muitas pessoas que chegam a aguardar meses para ter o resultado do exame. A SV – Existe a possibilidade de faltar antiretroviral (ARV) em 2006, como aconteceu em 2005? PN – Infelizmente, isso pode voltar a acontecer. O problema é mundial e está relacionado à falta de matéria prima de boa qualidade para a fabricação dos ARV. Hoje, mais pessoas estão tendo acesso ao tratamento, mas a indústria para fabricação de medicamentos genéricos e de matéria prima não está crescendo para atender a esta demanda no mundo. SV – O que o PN está fazendo para evitar o desabastecimento de ARV? PN – Estamos controlando os nossos estoques. Alguns medicamentos ainda precisam de controle na distribuição porque três laboratórios nacionais tiveram problemas com a matéria prima que será utilizada na fabricação de ARV este ano. Mas a articulação entre as diversas áreas do Ministério da Saúde melhorou bastante. Isso é bom, porque o Programa de Aids é responsável pela estimativa e programação de compra dos ARV, mas a compra é 4 realizada por outros setores do Ministério. SV – O problema não é falta de dinheiro? PN – No Brasil, o problema não tem sido orçamentário nem financeiro. Está relacionado à produção de matéria prima em nível mundial. A determinação do Governo é que não falte dinheiro para medicamento contra aids. O orçamento do PN para a compra de ARV neste ano é de R$ 960 milhões. Com a introdução de novos medicamentos no Consenso, é fundamental que haja aumento da capacidade de produção nacional, assim como a redução de preços dos medicamentos no mercado internacional. SV – O acordo com o laboratório Abbott para a compra do Kaletra foi vantajoso? PN – Para este ano, haverá uma redução de preços significativa. Mas, a longo prazo, infelizmente o acordo não nos dá a chance de ampliar a nossa capacidade de produção de medicamentos de 2ª linha, como é o caso do Kaletra. SV – E o que vem sendo feito para melhorar a capacidade de produção de ARV? PN – Estamos negociando com outra multinacional, a Merck, a licença voluntária para o Brasil do efavirenz, um dos medicamentos que impacta bastante o orçamento. A longo prazo, o Brasil coordena a Rede de Cooperação Tecnológica em HIV/Aids que pretende melhorar a capacidade de produção dos países participantes em ARV, laboratório, vacinas e preservativos. Fazem parte da Rede Argentina, Brasil, Cuba, China, Nigéria, Rússia, Tailândia e Ucrânia. Todos possuem algum capital tecnológico na indústria farmacêutica de Saber Viver ano 6 n 35 mar 2006 SV – Vai faltar camisinha nas unidades de saúde este ano? PN – Faltou ano passado porque, de 2004 para 2005, tivemos um problema seríssimo com a qualidade do preservativo. No Brasil, o processo de licitação privilegia o menor preço. Quando o preservativo vem de fora do país, passa por um processo de controle de qualidade. Uma empresa internacional que ganhou a licitação no ano passado teve 60% do lote reprovado nos teste de qualidade e, infelizmente, o processo de reposição é lento. Os preservativos ainda estão chegando. Neste ano, vamos comprar 1 bilhão de preservativos. 150 milhões já foram adquiridos através do Fundo de Populações das Nações Unidas, que possui um sistema próprio de pré-qualificação. Assim, apesar de eles passarem por um processo de certificação no Brasil, sabemos que estamos comprando um produto de boa qualidade. SV – E a fábrica de camisinhas que o Governo do Acre está construindo, com o apoio do Governo Federal? PN – A produção, que deve começar no início do ano que vem, prevê a fabricação de 100 milhões de preservativos por ano, o que não torna o Brasil auto-sustentável, até porque trabalhamos com seringal nativo. Mas trata-se de um projeto de desenvolvimento sustentável inédito no mundo. Os seringueiros já foram treinados para realizar a extração do látex com melhor qualidade. Isso é fundamental para fabricarmos uma camisinha de boa qualidade e ainda proporcionar a melhoria da qualidade de vida dos seringueiros. SV – O número de pessoas infectadas pelo HIV aumentou, mas os serviços de saúde não aumentaram na mesma proporção. Como o Programa pretende resolver este impasse? PN – Uma das estratégias é ampliar a cobertura da atenção. Ou seja, uma pessoa soropositiva sadia, com CD4 monitorado, não precisa necessariamente estar em um serviço especializado. Ela pode ser acompanhada em uma ano 6 n 35 mar 2006 Saber Viver unidade básica de saúde. A idéia é fazer com que ela tenha um tratamento adequado ao nível de complexidade que ela realmente precisa. Existe vontade política de estados e municípios para que o diagnóstico seja precoce e que as pessoas tenham acesso ao tratamento de forma adequada. entrevista medicamentos ou em laboratórios. SV – Mas, infelizmente, o diagnóstico tardio ainda é um grande problema. PN – Por isso, vamos implantar os testes rápidos também nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA). Nos CTAs existem algumas distorções. Gestantes procuram diagnóstico nos CTAs, enquanto deveriam fazê-lo na rede básica, junto ao pré-natal. O CTA deve atender populações vulneráveis que precisam de um diagnóstico rápido. SV – Mas o teste rápido é confirmatório? PN – Sim. O Ministério da Saúde fez uma pesquisa a respeito e estabeleceu um sistema [algoritmo] que permite confirmar se uma pessoa é soropositiva fazendo dois tipos de testes rápidos. Se os resultados forem diferentes, isto é, se um é positivo e outro é negativo, faz-se um terceiro teste para confirmação de diagnóstico. SV – Diante de tantos obstáculos, porque somos consideramos o melhor programa de combate à aids do mundo? PN – Porque temos um Sistema Único de Saúde (SUS) que nos oferece uma estrutura de serviço de saúde. Em vários países, isso não existe e torna-se o maior entrave para o acesso ao tratamento. Funcionando bem ou mal, nós temos os conselhos estaduais e municipais de saúde, instituições legalmente constituídas que permitem que exijamos o nosso direito e tenhamos formas legais de acionar o Ministério Público ou a Defesa do Consumidor quando necessário. Logo, a luta pelo orçamento do Sistema Público de Saúde é uma luta também do movimento contra a aids. A participação da sociedade civil ligada aos movimentos de aids é muito forte no Brasil e tem influ- 5 passo a passo lamivudina + abacavir + atazanavir + ritonavir Esse esquema é indicado para início de tratamento anti-retroviral em situações específicas m geral, os pacientes iniciam a terapia anti-retroviral tomando a combinação de lamivudina com zidovudina, mais um inibidor da protease. O problema é que existem pessoas que não toleram a zidovudina por causa da anemia, por vezes grave, que este medicamento pode causar. Principalmente quando já há uma tendência à anemia. Nesses casos, a combinação da lamivudina com o abacavir pode ser utilizada. Além de não provocar esse efeito adverso, o abacavir tem a conveniência de ser tomado apenas uma vez ao dia, junto com os outros anti-retrovirais do esquema. E Vantagens deste esquema lamivudina não causa lipodistrofia”, diz ele. Outro benefício é a inclusão do ritonavir na combinação, pois ele potencializa a ação do atazanavir. “Apesar do ritonavir não ser imprescindível quando se combina o abacavir com o atazanavir, seu uso vai auxiliar a manutenção de um nível constante de atazanavir no sangue. Isso é muito importante para que não surja resistência do HIV ao medicamento”, afirma Portela. De acordo com o médico, o ritonavir também ajuda a superar alguns problemas de interação medicamentosa que o atazanavir tem, principalmente com os remédios usados para diminuir a acidez do estômago. abacavir 2 comprimidos ao dia Desvantagens Poder ingerir toOs remédios usalamivudina dos os medicamentos dos para gastrite inter2 comprimidos ao dia juntos e só uma vez ferem na ação do ao dia já facilita muito atazanavir, e por isso atazanavir (150 mg) a vida. Mas ainda devem ser evitados. 2 cápsulas ao dia existem outras vanSegundo Portela, uma (junto com alimentos) tagens neste esquegastrite leve, que não ritonavir ma. Segundo o inrequer o uso de remé1 cápsula ao dia fectologista Estevão dios rotineiramente, Portela, os anti-retroOBS: todos os medicamentos são tomanão tem problema virais que o compõem dos uma vez ao dia, sempre no mesmo homaior. E, dependendo causam menos liporário. Para não correr o risco de esquecer da intensidade da distrofia. “Em comalgum, é melhor tomar todos juntos. gastrite, também poparação aos demais de ser possível adenucleosídeos, o abacavir quar o horário de uma é, juntamente com o tenofovir, o que menos medicação com o da outra. “Qualquer pessoa predispõe ao aparecimento da lipodistrofia. O que tenha gastrite e use o atazanavir deve atazanavir, por sua vez, entre os inibidores da conversar com seu médico”, recomenda. protease, é o que oferece menor risco de Outro problema do atazanavir é que ele pode surgimento deste efeito colateral. E a causar icterícia (que deixa os olhos amarelos). 6 Saber Viver ano 6 n 35 mar 2006 Maior atenção com o abacavir A partir da primeira semana até o segundo mês depois de iniciado o uso do abacavir, pode ocorrer um paraefeito poten- cialmente bastante grave, cujo principais sintomas são febre e dores no corpo, com ausência de problemas respiratórios. Nesse caso, o médico deve ser procurado o mais rápido possível para que possa avaliar se é preciso interromper a medicação. “Mesmo com a melhora dos sintomas depois da interrupção, o paciente não deve voltar a tomar a medicação em hipótese alguma”, alerta Estevão Portela. “A indicação, nesses casos, é parar a medicação definitivamente, pois esses sintomas podem evoluir para um quadro grave. O ideal é que o paciente seja atendido pelo seu médico o mais breve possível, para que ele veja se é uma reação de hipersensibilidade ao abacavir”. SV passo a passo O ritonavir, embora esteja em dose baixa no esquema, pode causar alguns efeitos gastro-intestinais (como enjôo, náusea e diarréia). Em geral esse mal-estar é maior nos primeiros dias. Outra desvantagem do ritonavir é não poder ficar por mais de dois meses fora da geladeira. Como na dose de uma cápsula por dia o frasco dura por mais de dois meses, ele deve ser guardado na geladeira. “É uma complicação, mas é fácil de resolver”, diz Portela. 8h da manhã O café da manhã do Marcelo é sagrado. Ele aproveita para fazer uma alimentação bem reforçada todos os dias e reunir a família no final de semana. É nessa hora que ele toma seus remédios, todos juntos, para não correr o risco de esquecer algum. Os medicamentos precisam ser tomados diariamente no mesmo horário. Nunca esqueceremos do amigo Valente ão é necessário dizer o quanto Octávio Valente, presidente do Grupo Pela Vidda Rio desde 2000, era corajoso. Ele não tinha este nome à toa. Vivendo com HIV/aids desde 1992, o nosso “Valente” transformou a sua luta individual para conviver com HIV numa batalha coletiva por respeito, dignidade e fraternidade para todos que vivem com HIV/aids. Com muita honra, ele participou da primeira edição da Saber Viver em uma entrevista que dizia o quanto os efeitos colaterais dos medicamentos são um desafio para as pessoas infectadas pelo HIV. A entrevista está disponível no site da revista (www.saberviver.org.br). Nosso amigo faleceu no dia 22 de março, mas a sua coragem continuará sendo um exemplo para todos nós. N ano 6 n 35 mar 2006 Saber Viver 7 Comportamento Aids e Terceira Idade Epidemia cresce nesta população (cada vez mais) sexualmente ativa a sociedade ocidental, existem muitos mitos em relação ao envelhecimento. Pessoas mais velhas geralmente são vistas como improdutivas e assexuadas, tabus que aos poucos vão caindo por terra. Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em 2002, revelou que 39% das pessoas acima de 60 anos – fase em que se inicia a terceira idade, segundo a Organização Mundial de Saúde – são sexualmente ativas. Paralelo a isso, a cada ano cresce o número de soropositivos nesta faixa etária. A médica Valéria Ribeiro Filho, do Departa- N Grupo de apoio ajuda a transformar a vida o Rio Grande do Sul, Judite Lopes Xavier, de 60 anos, trabalhava em uma creche como cozinheira quando descobriu ser soropositiva. Casada quatro vezes, Judite tem oito filhos e vários netos. “Quando minha filha mais nova soube que eu vivia com HIV, entrou em pânico. Eu consegui acalmá-la, explicando que iria viver a partir dali da melhor maneira possível”. Assim, Judite obteve total apoio familiar. Com a saúde estabilizada, ela entrou para um grupo de apoio, o Com Vida. “Quando entrei no grupo, me senti ainda mais apoiada. Hoje, consegui me transformar em outra pessoa”, afirma com orgulho. N 8 mento de Doenças Infecto Contagiosas e Parasitárias do Hospital Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), acredita que o prolongamento da atividade sexual seja o fator determinante para a evolução da epidemia na terceira idade. Entretanto, ela acha que ainda é cedo para associar o aumento de casos de aids entre esse grupo à utilização de drogas para disfunção erétil: “a partir dos quarentas anos já se percebe o interesse cada vez maior por esses medicamentos. Entretanto, não existem dados concretos que reforcem a teoria que o aumento dos casos de aids nesta faixa etária está relacionado a essas drogas. Como a notificação demora a ser feita, só daqui a alguns anos poderemos fazer essa avaliação”. A psicóloga Marlene Zornetta, também do hospital da UFRJ, acrescenta outro aspecto importante: “Pessoas com mais de 60 anos não foram criadas com a cultura do uso da camisinha. Normal para jovens de vinte e poucos anos, o preservativo não faz parte da rotina das pessoas mais velhas”. Número de mulheres infectadas com mais de 50 anos sobe 396% Apesar do número de casos confirmados de aids, entre 1993 a 2003, ter subido 130% entre os homens e 396% entre as mulheres Saber Viver ano 6 n 35 mar 2006 Comportamento com mais de 50 anos, até hoje não foram a pneumonias e gripes, tanto que tomam vacriadas campanhas publicitárias específicas cinas para se prevenir. Doenças como a osteopara esse público. Na Câmara de Deputados porose, por exemplo, costumam se intensificar em Brasília, está em tramitação um Projeto com o uso de anti-retrovirais, o que torna necessário um reforço de Lei, do deputado de cálcio para esses Carlos Nader (PL-RJ), “Quando minha filha mais propondo uma campanova soube que eu vivia com pacientes”. No caso das mulheres, observanha permanente e obriHIV, entrou em pânico.” se que a menopausa é gatória de prevenção à Judite Lopes mais precoce, mas a aids para pessoas da médica do hospital da terceira idade, circulando, no mínimo, duas vezes por ano na UFRJ ressalta que faltam pesquisas para conmídia impressa e eletrônica, incluindo sites firmar cientificamente essa hipótese. A psicóloga Marlene Zornetta, que está na internet. A proposta sugere que as mensagens publicitárias tenham como enfoque a estudando o comportamento de pacientes da Terceira Idade infectados pelo HIV, observa prevenção, como o uso de preservativos. que essas pessoas, em alguns momentos, Doenças podem se agravar com o apresentam características semelhantes aos uso dos anti-retrovirais adolescentes: “Eles são preconceituosos e Embora os procedimentos para o temerosos em revelar sua condição de soropotratamento de pessoas vivendo com aids com sitivos para o HIV, dificultando o trabalho mais de 60 anos sejam os mesmos previstos psicológico em grupo”. Quanto à adesão ao no Consenso Brasileiro do Ministério da tratamento, tanto Marlene quanto Valéria Saúde para adultos, percebe-se que algumas afirmam que a disciplina com os anti-retrovidoenças comuns à Terceira Idade podem se rais é uma característica pessoal e não varia tornar mais graves com o uso freqüente dos conforme a faixa etária: “A adesão ao trataanti-retrovirais. A médica Valéria Ribeiro Filho mento está relacionada a diversos fatores indiexplica que há uma tendência de maior viduais, e não à faixa etária. Essa atitude posifragilidade do sistema imunológico nesta faixa tiva ao tratamento é uma decisão de cada etária. Segundo ela, “são pessoas mais sujeitas paciente”, destaca a psicóloga. SV Receio de expor a família eresa*, 61 anos, sabe que tem o vírus há sete anos e nunca contou para as filhas. Ela trabalha como empregada doméstica e seu patrão também é soropositivo. Teresa foi quem aconselhou o rapaz a fazer o teste e cuidou dele depois que veio o diagnóstico positivo. Contudo, nunca contou para ele que também é soropositiva. No corredor do Hospital da UFRJ, histórias como a de Teresa se repetem. Ana* está perto dos sessenta e apenas seus filhos conhecem seu diagnóstico: “tenho medo do preconceito, de ser apontada na rua”, revela. Sentado ao seu lado, um homem bem humorado de 67 anos diz que os seus seis filhos sempre o apoiaram. Entretanto, José* não pretende contar a mais ninguém porque também não quer expor a sua família a algum tipo de discriminação. Evangélico e aposentado, hoje ele se dedica a inúmeros trabalhos comunitários: “a aids fez com que eu pensasse um pouco mais em mim. Passei a viver mais intensamente”. Em vários serviços de saúde do Brasil é possível encontrar pessoas como Judite, Teresa*, José* e Ana*. Suas histórias mostram que a epidemia de aids é uma realidade entre esta faixa etária. Só não vê quem não quer. Na seção Área Útil (página 16), dicas para o pessoal da Terceira Idade ano 6 n 35 mar 2006 Saber Viver * Nomes fictícios T 9 Notas DIRE IT O Novidades no tratamento contra a aids de todos Conferência reúne profissionais de saúde e professores da universidade Johns Hopkins VII Conferência Brasil Johns Hopkins University em HIV/Aids reuniu centenas de profissionais de saúde no Rio de Janeiro no período de 22 a 24 de março. Este evento é uma referência em atualização e aprendizado para a área da saúde. Apesar de ser muito técnica, a conferência divulgou informações importantes para os pacientes: Marcelo Brito Guimarães* A HPV entre população masculina – Pesquisadores alertaram que o HPV (papiloma vírus humano), vírus que pode acarretar câncer de ânus e colo de útero, deve ser investigado em mulheres e homens soropositivos. O risco de câncer anal em soropositivos para o HIV é duas vezes maior do que em pessoas sem o HIV. O papanicolau (inclusive anal) deve fazer parte da avaliação inicial do paciente. O exame detecta lesões que podem se transformar em câncer. Portanto, se você ainda não realizou este exame, converse com o seu médico e previne-se usando camisinha. Tuberculose – A tuberculose é responsável por um grande número de óbitos entre soropositivos. Geralmente, ela se torna visível quando o estado de saúde do indivíduo já está muito comprometido, dificultando o tratamento. A tuberculose também acelera a progressão do HIV no organismo. Os cientistas asseguram que a melhor forma de evitar a tuberculose é realizar o tratamento contra a aids de forma correta. Lipodistrofia – Na conferência, foram citados estudos com alguns anti-retrovirais capazes de reverter a falta de gordura no organismo. O futuro promete! Tratamento contra a aids – Em quase todas as palestras, os cientistas afirmaram que o tratamento com os anti-retrovirais deve ser iniciado o mais cedo. Segundo estudos, começar o tratamento com CD4 elevado ajuda a resposta do organismo à terapia. 10 HIV: Discriminação é crime época do surgimento da aids, a falta de conhecimento sobre as formas de transmissão do vírus HIV proporcionou, principalmente, o surgimento da discriminação dos soropositivos. Essa discriminação se deu, e se dá, em vários campos: no familiar, no trabalho, no relacionamento amoroso e no social em geral. À Existem várias formas de combater uma atitude discriminatória. Uma delas é classificar determinadas condutas como crime. Em nossa legislação, a determinação de o que deve ser considerado crime é feita por lei aprovada exclusivamente pela União. Desta forma, um fato, quando é considerado crime, é considerado em todo território nacional. Atualmente, não há lei que considere crime a discriminação contra o portador do HIV ou o doente de aids. No momento, tramita na Câmara dos Deputados, em Brasília, o projeto de lei nº 6.124/2005, já aprovado pelo Senado Federal, e enviado para a Deputada Juíza Denise Frossard (PPS-RJ), que elaborou parecer pela sua aprovação. Se o projeto for aprovado, serão considerados crimes – puníveis com pena de reclusão de um a quatro anos e com multa –, atitudes discriminatórias contra uma pessoa portadora do HIV ou doente de aids, como não contratála em emprego ou trabalho, ou se recusar a prestar-lhe atendimento de saúde. A conduta discriminatória contra o portador de HIV ainda não é considerada crime no Brasil, porém isso não significa que uma pessoa que cometa atos discriminatórios esteja isenta de punição em outras áreas. Ela poderá ser obrigada a indenizar financeiramente o portador do HIV ou doente de aids pelo dano que causou com a discriminação. *advogado em São Paulo, é consultor jurídico em HIV/aids Saber Viver ano 6 n 35 mar 2006 de A história de Marisia é muito parecida com a de várias mulheres soropositivas. Diante de uma relação violenta, Marisia se separa e, logo depois, descobre que é soropositiva. Com 3 filhos, ela consegue reconstruir a vida. Hoje, está casada, teve mais dois filhos e freqüenta um grupo de mulheres em Rio Grande (RS), cidade onde mora. sua história viver Vontade “M das crianças faleceu em eu nome é 1992. Resolvi me dar Marisia, tenho uma nova chance e, 33 anos, cinco depois de algum tempo filhos e um marido marae muito sofrimento, vilhoso. Gostaria de contar apaixonei-me por um minha vida para vocês. rapaz que, quando souConheci um rapaz com 15 be que eu era soropoanos. Apaixonei-me. Cositiva, me aceitou com mo sempre, no inicio tudo muito carinho. Hoje, era uma beleza, mas, com vivemos juntos. Tive o passar do tempo, desVou cum prir mais dois filhos deste cobri que ele era viciado a promessa que fiz a em maconha e cocaína. minha família de viver relacionamento (soronegativos) e o meu Aos 18 anos, eu já tinha 2 muito bem. marido continua sorofilhos. Quando fiz 20, tive negativo. Ou seja, tenho 5 uma nova gravidez, que foi bem difícil, porque eu apanhava dia- filhos e um maridão. Participo do grupo riamente do meu marido. Finalmente, tive Renascer, formado por mulheres vivendo coragem de me separar e fui morar com com HIV/aids, onde recebo muito apoio minha mãe, que me recebeu de braços moral e força para continuar vivendo. Conabertos, mesmo eu estando grávida e com 2 vivo com o vírus há 13 anos e até hoje não filhos pequenos. Um dia, soube pela precisei fazer o tratamento contra a aids. minha ex-sogra que seu filho estava muito Não falto às minhas consultas e me alidoente e que eu e as crianças tínhamos que mento muito bem. Vou cumprir a promessa fazer um exame anti-HIV. Os 20 dias que que fiz a minha família de viver muito bem. precederam a entrega do resultado foram os Leio sempre a Saber Viver e, para mim, é mais difíceis de minha vida. Quando fui uma honra poder dividir um pouco da pegá-los, para minha surpresa, descobri minha vida com outros leitores da revista. que os meus 3 filhos não eram sorore- Um grande abraço a todos.” agentes para o HIV. Mas eu estava infecMarisia Martins (conhecida como tada. O mundo desabou sobre minha Trumbico) - Rio Grande/RS (por e-mail) cabeça, mas juntei forças para viver. O pai ano 6 n 35 mar 2006 Saber Viver 11 comportamento As águas de março deixam o verão Comece a planejar um ano realmente novo em sua vida Valéria planeja fazer pós-graduação em Gestão de Saúde amílcar José Cappatto, 39 anos, essas pessoas”, planeja. Para Valéria Francisca entrou 2006 com o pé direito: “Virei de Paula, 40, este ano também não será como outra pessoa”, avalia. Em janeiro, o que passou. Formada em administração depois de um desemprego de sete meses, ele hospitalar, ela deve ingressar numa pósnão só virou atendente de lanchonete, como graduação em gestão de saúde: “Estou em rompeu uma solidão de anos: “Estou me busca de ferramentas que me ajudem no trabalho de militânempolgando por causa cia”, explica. Valéda Abia (Associação “Estou pensando em fazer ria refere-se ao traBrasileira Interdiscium curso de informática, balho voluntário no plinar de Aids, no Rio de de preferência com outros Grupo Pela Vidda/ Janeiro). Antes, eu não RJ. Além de coortinha contato com soropositivos; quero me nenhum outro portador enturmar com essas pessoas.” denar, há quatro anos, o Grupo de do HIV”, conta. Ao Hamílcar José Cappatto Mulheres, ela está mesmo tempo em que engajada na luta começou a trabalhar, Hamílcar ligou para a Abia atrás de pela melhoria de políticas públicas de saúde, informações sobre o curso de expressão chegando a representar a instituição junto ao corporal. Desde então, freqüenta as aulas Ministério da Saúde. Além de “militante”, semanais e aproveita para compartilhar Valéria é funcionária do Hospital de Cardioexperiências: “No dia seguinte, trabalho com logia de Laranjeiras, onde atua, há onze anos, mais disposição”, comenta ele, que ainda quer na área de recursos humanos: “Quando desmais novidades: “Estou pensando em fazer cobri o HIV, há oito anos, o médico disse que um curso de informática, de preferência com eu poderia me aposentar, mas quis continuar outros soropositivos; quero me enturmar com sendo útil”, lembra. H 12 Saber Viver ano 6 n 35 mar 2006 comportamento Atualmente estudando web desing, Cazu Barroz, de 33 anos, já mudou de rumo profissional duas vezes: “Era administrador de empresas, mas por conta do HIV fui afastado do trabalho, então me tornei ator”, explica. “Acabei deixando de atuar, porque tive dificuldade em me adaptar à medicação”, lamenta. Ele deve concluir o curso em julho, mas já trabalha na nova área: “Junto aos Bandeirantes, desenvolvi um curso à distância de prevenção ao vírus da aids, no ar desde 2003 (www.bandeirantes.org.br)”, conta. Ele anuncia que, em 2006, o mesmo curso será disponibilizado na língua espanhola. Hamílcar mexe o corpo, Valéria busca mais conhecimentos, Cazu não pára de trabalhar. Se você também quer agitar neste ano, mas ainda não sabe como, dê uma olhada nas dicas da seção Área Útil (última página). A Saber Viver dá idéias para que seu 2006 também seja diferente. SV Hamílcar frequenta a Oficina de Expressão Corporal da Abia Feijoada no Rio reúne sambistas, artistas e PNDST/Aids Pedro Chequer, diretor do PNDST/Aids, no centro (de óculos) da foto com alguns convidados ilustres como Ivo Meireles, Vanderléia, Netinho, Adriana Bombom, Carlinhos de Jesus, Emílio Santiago, Rosemary, Isabel Filardis e Izabelita dos Patins, entre outros. “Camisinha: não saia sem ela”. Este foi o slogan da campanha do Ministério da Saúde para o Carnaval 2006. No dia 12 de fevereiro, o Programa Nacional de DST/Aids participou do evento “Vista-se”, promovido pelo projeto “Só a Alegria Vai Contagiar”, no Centro Cultural Cartola, ao lado da sede da Escola de Samba carioca Mangueira. Vários artistas e personalidades de diversas áreas compareceram à feijoada às vésperas do Carnaval. Apesar da mobilização pelo uso da camisinha, em vários locais do país, a distribuição de preservativos ainda não havia sido regularizada durante o Carnaval. Em 2005, o Programa Nacional de DST/Aids comprou um lote do exterior que teve 60% das camisinhas reprovadas na análise de qualidade no Brasil. Este fato desencadeou um desabastecimento nacional. 13 cartas Contatos imediatos SABER VIVER – CAIXA POSTAL 15.088 – RIO DE JANEIRO – RJ 20.031-971 e-mail: [email protected] As cartas para esta seção devem conter endereço completo e xerox do documento de identidade. A Saber Viver manterá esses dados sob sigilo. A ABIA agradece a divulgação de suas ações pela Revista Saber Viver em seu número 33 e expressa o seu contentamento pela demanda gerada na população na cidade do Rio de Janeiro baseada na procura de cursos e oficinas (grupos de apoio). Tal procura ajudou na captação de novos participantes para o nosso grupo de apoio, denominado Grupo Consciência do Movimento. E, por isso, gostaríamos de compartilhar nossa alegria e estabelecermos votos de estreitamento de nossas relações solidárias. Coordenadora Geral da Abia – Cristina Pimenta comunidade médica, para agradecer por vocês estarem nos ajudando a encontrar uma maneira melhor de viver. Graças a vocês, que me deram uma força divulgando meus poemas e minha carta procurando uma parceira, minha vida está bem melhor. Estou namorando uma ótima mulher, levando um relacionamento sério com possível casamento em breve. Obrigado por terem divulgado, também, o meu Grupo Heteromanos, para homens soropositivos. Continuem sempre na luta. Nós, soropositivos, agradecemos, e o povo consciente do nosso Brasil também. Laerte Vicente - [email protected] EMOÇÃO COM DEPOIMENTO SEXO ORAL TRANSMITE HIV? No dia 9 de janeiro, eu estava aguardando a minha consulta no HMRPS/Hospital Dia, e pude ler a revista Saber Viver 34 e me emocionar com o depoimento da página 12, que dizia "Somos soropositivos para o HIV(+)” . Este depoimento expressou exatamente tudo que vivi naquela época. Resolvi levantar a cabeça e seguir em frente. Amo minha vida, minha família, meus amigos e até mesmo aqueles que não são meus amigos. Um abraço a todos da Saber Viver. Cristina – por e-mail Gostaria de saber se através do sexo oral eu posso transmitir o HIV para outra pessoa. Mateus – por e-mail Saber Viver – O HIV é transmitido através do sangue, fluidos genitais e leite materno de pessoas infectadas pelo vírus da aids. Ou seja, se uma pessoa praticar sexo oral em outra infectada pelo HIV, ela corre o risco de se infectar. O risco é maior quando há ejaculação na boca, quando existem feridas ou processo inflamatório bucal, sangue misturado às secreções genitais (no caso de menstruação) e quando há alguma ferida causada por uma doença sexualmente transmissível (DST). Os médicos sugerem, então, que o preservativo seja utilizado durante o sexo oral. AGRADECIMENTO DA ABIA POESIA PARA VIDA Escrevo para vocês que produzem essa maravilhosa revista que presta serviços a nós, soropositivos, e à Namoro ou Amizade Desejo conhecer homens sem vícios, de preferência evangélicos, que morem no RJ, de 40 a 50 anos. Sou morena, 42 anos e 1,54m. R. Rigoleto, 129 casa 1, Posse. Nova Iguaçu /RJ CEP 26020-680. Bill de Madureira: você que me escreveu em 2004. Eu te respondi, mas a caixa postal estava cancelada. Escreva-me! Marli. 14 Carente, romântico e sincero. Gostaria de conhecer mulheres entre 20 e 35 anos, de preferência do RS, para amizade ou relacionamento. Mandarei fotos. Av. João Pessoa 347/09, Centro. Porto Alegre /RS CEP 90040-000. Tel. (51) 3221-2833 Alexandre. Quero generosidade. Sou moreno, discreto, carinhoso, gostosíssimo. Tenho olhos e cabelos castanhos. [email protected]. Yushio. Solitário procura mulheres que queiram relacionamento verdadeiro e eterno. Estr. General Emílio Mourel Filho, 900, Bangu. Rio de Janeiro /RJ CEP 21854-010 (Privado de liberdade em regime semi-aberto) Cláudio. Quero me corresponder para amizade, independentemente de cor e sexo. Tenho 30 anos, 1,72m, 60 kg. R. Frei Caneca, 463, Estácio de Sá. Rio de Janeiro /RJ CEP 20211-020 Renato. Saber Viver ano 6 n 35 mar 2006 Quero me corresponder com mulheres de qualquer parte do Brasil. Tenho 35 anos, 1,80m, olhos castanhos e cabelos pretos. Av. 58, 1031, Parque Universitário. Rio Claro /SP CEP 13504-430 Eliezer. Desejo me corresponder com pessoas de todo o país para conquistar verdadeiras amizades. Sou mulata, 1.60m e 85 kg. Estr. São Bento, 2069, Jardim Moraes. Itaquaquecetuba /SP CEP 08597-690. Sibélis. Gostaria de me corresponder com homens de 20 a 30 anos para amizade ou compromisso. Sou branco, 28 anos, 1,65m, 55 kg, cabelos e olhos castanhos, ativo / passivo e independente. Tel. (21) 9455-8699. Marcio. Simpático e sem vícios ou preconceitos. Desejo me corresponder com mulheres para aliviar minha solidão. Sou presidiário, moreno claro, 1,65m, 70 kg, cabelos negros e olhos castanhos. Av. Dr. Antônio Souza Neto, 100 PV I P II Cela 9, Aparecinha. Sorocaba /SP CEP 18087-360 - CX Postal 417 - Ronaldo Alves. Gostaria de fazer novas amizades ou algo mais. Sou soropositivo e espero ainda encontrar a pessoa certa. Sou loiro, olhos azuis, 27 anos, 1,75m e 78 kg. Também quero me corresponder com soronegativos. R. Bom Pastor, 93. Piracicaba /SP CEP 13401-440 André Luís. Gostaria de conhecer rapazes ou pessoas de meia idade para relacionamento. Se possível, mande foto. Sou moreno, 25 anos, 1,68m, 65 kg e olhos castanhos. R. Felipe Camarão, 310, Retiro. Petrópolis /RJ CEP 27717-010 André Luís. Virginiana solitária. Quero amizade sincera ou compromisso sério. Sou morena, 1,62m e cabelos compridos pretos. Tel. (18) 3652-7862. Cristina. Moreno de 28 anos, 1,65m e 56 kg procura homem soropositivo de 20 a 40 anos que goste de curtir a vida. Tel. (21) 3157-2587. Márcio. ano 6 n 35 mar 2006 Saber Viver Homem soropositivo, 39 anos, saudável, bonito, inteligente, excelente nível deseja conhecer mulheres bonitas e inteligentes até 38 anos, soropositivas ou não, de preferência do RJ. [email protected] José Gostaria de me corresponder com mulheres de 20 a 35 anos para amizade ou namoro. Sou moreno, 1,90m, sem vícios, gosto da natureza e de praticar esportes. Favor mandar foto e telefone. R. Gentil Carrara, 220, Jd Aboeté. Sorocaba /SP CEP 18087-260 Joel. Morena clara, 1,69m, 63 kg, 32 anos, bonita, carinhosa, sem filhos, independente, de bem com a vida, bom nível cultural, procura homens sinceros e românticos de todo o Brasil para relacionamento [email protected]. Paula. SUGERIMOS QUE OS LEITORES QUE QUEIRAM SE CORRESPONDER ALUGUEM UMA CAIXA POSTAL NA AGÊNCIA DOS CORREIOS. RECOMENDAMOS TAMBÉM QUE, AO MARCAR UM ENCONTRO, PREFIRAM LOCAIS PÚBLICOS E AVISEM A UM AMIGO. Evangélico de Salvador, 21 anos, em busca de amizades e de sua amada, que tenha entre 19 e 23 anos, de qualquer lugar do Brasil. Tel. (71) 8886-4181 [email protected] William. Cubana de 26 anos, honesta e fiel, procura homem de qualquer idade com bons sentimentos para amizade ou relacionamento. Calle Cristino Barreda 78% 413, Buena Vista Lãs Tunas. Cuba CEP 75200. Mariuslha. Carta-resposta à Simone Querida, espero o seu retorno. Sei que está só e deprimida e gostaria de conhecê-la. Sou branco, 36 anos, 1,80m, 58 kg. Sincero, carinhoso e romântico, gostaria de fazê-la feliz. R.Bartolomeu de Gusmão, 1100, São Cristóvão. Rio de Janeiro /RJ CEP 20941-160 Fernando. Soropositivo desde 1996 deseja se corresponder com mulheres positivas acima de 45 anos para amizade ou algo mais. Grisalho, 49 anos, 1,72m e 58 kg. Tel. (11) 6498-8143 / 73721597. Walter. Soropositiva casada e mãe, desejo receber cartas e telefonemas de pessoas alegres e sinceras de todo o Brasil. Rua A, 19, Conjunto Albano Franco. Moita-Bonita /SE CEP 49560-000 Tel. (79) 3453-1443 / 91925581 Maria José. cartas Sou sincero, carinhoso, tenho 1,84 m, 80 kg e sou negro. Estou privado de liberdade mas em vias de reconquistá-la. Gostaria de me corresponder com mulheres de todo o país. R. Dois, 623. Distrito Industrial Itirapina /SP CEP 13530-000 Rodnei. Desejo me corresponder e conhecer outros portadores do HIV. Quadra 71, Conjunto A, Lote 15 ST 9. Águas Lindas de Goiás /GO CEP 72910-000 Tel. (61) 3354-2883 / 6181-1212 / 8463-4009 Mauro. Procuro mulheres com situação financeira estabilizada, de preferência do RJ, e com mais de 45 anos para compromisso sério. Tenho 35 anos, 1,70m e 75 kg. Tel. (21) 2783-2580 / 9934-0811 Valdir. Aquariano negro, 35 anos, 1,65m, não-afeminado, simples e honesto. Busco relacionamento com homens ativos de até 50 anos. R. Nepomuceno, 315, 102 fundos. Realengo /RJ CEP 21715-080 Tel. (21) 3839-9763. Adauto Pedro Tenho 39 anos, 1.70m, loiro de olhos verdes, ativo/passivo, não afeminado. Procuro rapaz de SP ou ABC para relacionamento sério. R. 24 de Maio, 670, Vila América. Santo André /SP CEP: 09.110-150 Tel. (11) 4474-0661 / 9264-3001 Marcelo. Tenho 38 anos, 1.82m, moreno. Procuro mulher de 35 a 40 anos, de preferência de SP, para relacionamento. R. Mário Martins, 22, São Mateus. São Paulo /SP CEP: 08.370-230 Rubens. Gaúcho, 42 anos, professor, discreto, 1.80m. Procuro ativo que esteja de bem com a vida para amizade ou algo mais. Caixa Postal 19.801. Porto Alegre /RS CEP: 90.010-971 Jairo. Gostaria de me corresponder com mulher simples, carinhosa, responsável e que queira viver o presente e o futuro. Tenho 45 anos, moreno, boa aparência, sem vícios, 1.74m, 75kg. Sou de Guarujá. Tel. (13) 3382-6436 / 9201-1143 Luiz. Carinhoso, 51 anos, moreno, 1.70m, 63kg, cabelos grisalhos, divorciado e de bem com a vida. Procuro mulher carinhosa entre 40 e 50 anos para relacionamento ou amizade verdadeira. Cx Postal 24.169. Rio de Janeiro /RJ CEP: 20.522-970 Paulo. 15 DICAS PARA A TERCEIRA IDADE Universidade da Terceira Idade (UERJ/RJ) Desenvolve uma série de atividades específicas para essa faixa etária. Os serviços estão organizados a partir de duas unidades ambulatoriais: o Núcleo de Atenção ao Idoso e o Serviço de Cuidado Integral à Pessoa Idosa. Telefone para informações: (21) 2587-7236 / 2587-7121. Universidade Aberta da Terceira Idade (Unifesp/SP) Oferece vários cursos. Telefone para informações: (11) 5082-3588. Rede Compromisso com a Vida (RS) Esta ONG, com sede em Porto Alegre, faz um trabalho de auto-ajuda especial para a Terceira Idade. Telefone para informações: (51) 3341-6333 ramal 2125. DICAS PARA MUDAR A ROTINA RIO DE JANEIRO Comunidade Novo Ar Esta instituição, com sede em Alcântara, oferece cursos de informática e pré-vestibular, com mensalidades bem acessíveis. Informações com Márcia ou Célia: (21) 2701-4146 ou 3712-0163. R$ 20. Grupo de Apoio Consciência do Movimento Este grupo, que funciona na sede da Associação interdisciplinar de Aids (Abia), oferece curso gratuito de expressão corporal. As vagas são limitadas. Todas as terças-feiras, das 18h às 20h. Inscrição com Marclei: (21) 2223-1040 (das 14h às 18h). Grátis. Banco de emprego O Centro de Referência Contra Violência e Discriminação Homossexual (Cerconvidh), através de parceria com a Setrab (Secretaria de Trabalho e Renda do Rio de Janeiro), encaminha moradores do município - independentemente da sexualidade - para empregos. Falar com Waldemiro Carvalho: (21) 3399-1304 / 3399-1303 (das 10h às 17h). Grátis. Culinária funcional O curso, ministrado pelo nutrólogo João Curvo, dura 14 semanas e capacita a população de baixa renda na produção de receitas saudáveis. Os cursos acontecem na ONG O SOL, no bairro do Jardim Botânico. Inscrições: (21) 2512-0728. Grátis. Tai Chi Chuan A Prefeitura do Rio de Janeiro oferece prática de tai chi chuan em várias praças da cidade. Informações: (21) 2283-4866. Grátis. Pré-vestibular comunitário Projeto Tô Dentro Pré-vestibular comunitário, no bairro de Santa Teresa, aceita professores voluntários e alunos carentes. De segunda a sexta-feira, das 18h às 22:20h e aos sábados das 18h às 13:20h. Aos sábados, a partir das 14h, aulas de reforço escolar e de informática. As inscrições podem ser feitas em qualquer data. Informações: 2224-9963 / 3852-3853 e www.convivendoeaprendendo.org.br Matrícula: R$10 e mensalidade: R$ 35. SÃO PAULO Cursos de idiomas, teatro, informática e pré-vestibular O Movimento Humanista Internacional oferece os seguintes cursos, todos gratuitos: preparatório para concursos públicos de nível médio, cursinho pré-vestibular, inglês, espanhol, teatro, informática, redes e montagem de micros. Diversos locais, diversos horários. Seja voluntário deste projeto - O projeto necessita de voluntários para lecionar nos seguintes bairros: Tatuapé, Artur Alvin, Barra Funda, Marechal Deodoro, Praça da Árvore, Santa Cruz, Jabaquara, Bom Retiro, Luz. Os candidatos a professores não precisam ter experiência. Informações: 5585-9668, [email protected] ou www.humanistas.siteonline.com.br. Grátis. EM TODOS OS ESTADOS DO BRASIL Cursos nas áreas de beleza, cultura, comunicação, saúde, entre outros O Senac oferece cursos nas áreas de beleza, cultura e comunicação, design, saúde e meio ambiente, educação para o trabalho e a cidadania, idiomas, informática, telecomunicações, moda, tecnologia e gestão educacional, turismo e hotelaria. Em Salvador-BA, por exemplo, o Senac prepara o aluno para lucrar já nesta Páscoa: aprender a fazer bombons e trufas está custando R$ 70. Verifique a lista de cursos a preços populares no site www.senac.br. Cursos de idiomas, informática, moda e saúde, entre outros O Sesc oferece cursos nas áreas de artes, comércio, comunicação, conservação e zeladoria, design, gastronomia, gestão, idiomas, imagem pessoal, informática, moda, saúde, turismo e hospitalidade, além de ginásticas, em diversos estados do país. Há também pré-vestibulares em 12 estados. Em Vitória-ES, por exemplo, é oferecido o treinamento para porteiro de edifício a R$45. Verifique a lista de cursos a preços populares no site www.sesc.com.br. Capacitação em Monitoria Ambiental O Clube da Árvore Projetos Ambientais oferece cursos de capacitação em Monitoria Ambiental. Maiores informações: www.clubedaarvore.com.br Grátis. Informática O Comitê para Democratização da Informática (CDI) tem 965 escolas espalhadas por todo o Brasil e o exterior. Somente no município do Rio de Janeiro, são 105 locais de ensino. Além de alunos, voluntários são bem-vindos. Informações: www.cdi.org.br R$10. Apoio prático e emocional a pessoas vivendo com HIV/aids Prestar apoio prático e emocional regular e gratuito aos portadores do HIV é o que fazem os voluntários do Projeto Buddy. Para ingressar nesta equipe, acesse www.buddybrasil.net ou escreva para [email protected]. ENCONTRO ROMÂNTICO NA INTERNET Grupo HIV Heterobrasil Este grupo facilita encontros românticos na Web. Trata-se de um espaço dedicado aos heterossexuais positivos para facilitar a procura de um companheiro(a) na mesma situação. Oferece links para outros endereços similares no mundo. Para participar ou obter maiores informações, escreva para [email protected] http://groups.msn.com/HIVHETEROBRASIL. TROCA DE INFORMAÇÕES E AMIZADE Grupo Apoio Soropositivos (G.A.S.) Este grupo formado na rede troca informações sobre HIV/aids, chats e ainda promove encontros para um animado bate-papo. Para participar ou obter maiores informações, visite o site http://br.groups.yahoo.com/group/apoioso ropositivos/. Encontro com casais sorodiscordantes para o HIV Se você é soropositivo para o HIV e se relaciona com alguém soronegativo, venha participar do grupo que a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) promove em sua sede, no Rio de Janeiro. Neste espaço, o casal troca informações e mantém contato com outros casais sorodiscordantes. Informe-se com Ivia Maksud, na Abia, (21) 2223-1040 16 A S ABER V IVER É DISTRIBUÍDA GRATUITAMENTE