Diretora do PN fala dos desafios para o combate à aids no Brasil
Saber Viver
UMA REVISTA PARA QUEM VIVE COM O VÍRUS DA AIDS
ANO 6 Nº 35 – JAN/FEV/MAR 2006 – DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
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Saúde
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grama Naciona
S
Aids
na terceira idade
Os desafios de descobrir o HIV nesta faixa etária
Fazer ginástica, entrar em um grupo de apoio: mude sua rotina
Saber Viver muitos
planos para 2006
Uma publicação trimestral gratuita
destinada a pessoas que vivem com
o vírus da aids
Correspondências à redação:
Caixa Postal 15.088 - Rio de Janeiro
(RJ) - Cep 20.031-971
[email protected]
Coordenação, edição e reportagem:
Adriana Gomez e Silvia Chalub
Secretária de redação: Alessandra Lírio
Reportagem: Ana Letícia Leal e
Ludmila Froes
Consultoria lingüística: Leonor Werneck
Ilustrações: Ana Vine
Foto: Alex Ferro, agência Pedra Viva
Conselho editorial deste número:
Estevão Portela (infectologista),
Marlete P. da Silva (nutricionista)
Colaboraram nesta edição:
Marlene Zornitta (psicóloga)
Valéria Ribeiro Filho (infectologista)
Editoração eletrônica:
A 4 Mãos Comunicação e Design
([email protected])
Impressão: Gráfica MCE
oje, pertencer ao grupo da Terceira Idade significa, na
maioria das vezes, entrar em uma nova fase de vida, na
qual planos e prazer combinam perfeitamente. Apesar de a
sociedade não querer enxergar, muitas pessoas com mais de 60
anos mantêm uma vida sexual ativa. Entre 1993 a 2003, o
número de homens que descobriram a infecção pelo HIV
depois dos 50 anos subiu 130% e as mulheres, 396%. Esta
edição da Saber Viver dá voz e vez às pessoas da “melhor
idade”, infectadas pelo HIV, tornando visível uma face da
epidemia presente em vários serviços de saúde do Brasil.
Nesta primeira edição do ano, tratamos também de planos
para o futuro. Para começar o ano com o pé direito, muitas
pessoas procuram atividades novas e planejam voltar a estudar,
fazer ginástica etc. Corremos atrás de uma série de opções
para ajudar você a dar uma reviravolta em sua vida.
Confira a entrevista exclusiva da diretora adjunta do
Programa Nacional de DST/Aids, Mariângela Simão, na qual
ela responde a todas as perguntas relacionadas à garantia do
seu tratamento neste ano.
Nesta edição, estréia a coluna Direito de Todos, com o
advogado Marcelo Brito Guimarães, com novidades sobre leis
e direitos das pessoas vivendo com HIV/aids.
Bom proveito e ótimos planos para você.
H
Tiragem: 90.000 exemplares
Agradecimentos especiais: A todas as
pessoas que colaboraram dando seus
depoimentos para as matérias
PATROCÍNIO:
APOIO:
Sumário
O que fazer com aquela vontade de comer doce?
3
Entrevista com Mariângela Simão,
diretora do Programa Nacional de DST/Aids
4/5
Lamivudina + abacavir + atazanavir + ritonavir
6/7
A Aids na 3ª Idade
8/9
Coluna Direito para Todos
10
Sua História
11
Novas atividades em sua rotina
12/13
Cartas e Namoro ou amizade
14/15
Área Útil
16
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quando dá
aquela vontade
de comer
e repente, bate aquela vontade
irresistível de devorar um doce.
Essa sensação não surge do nada e
deve ser tratada com atenção. O açúcar é
muito perigoso para pessoas que têm altos
índices de triglicerídeos no sangue, que é o
caso de alguns soropositivos. Por outro lado,
fazer dieta freqüentemente, sem orientação
de um nutricionista, pode deixar o organismo “sedento” por um docinho.
Especialista em atendimento a soropositivos, a nutricionista Marlete Pereira, do
Hospital Clementino Fraga Filho (UFRJ),
explica que essa vontade de comer doce pode estar associada também à falta do mineral boro, considerado uma fonte de energia
física e fundamental para o desenvolvimento dos ossos. O boro pode ser encontrado
em leguminosas (feijões, soja, ervilhas etc) e
em frutas como maçã, pêra, figo e uva.
D
Maneiras de saciar esse desejo
Uma maneira de saciar o desejo por um
“docinho”, sugerida pela nutricionista, é
consumir frutas secas, que também são capazes de nutrir o organismo: “Além de doces
e gostosas, essas frutas fornecem vitaminas
e minerais, repondo a energia do organismo
rapidamente. Sugiro ameixa e damasco, para quem não estiver com diarréia, e passas,
banana passa e figo. Elas são práticas até no
DOCE
armazenamento, dispensando refrigeração,
e ainda fazem muito bem à saúde, evitando
o envelhecimento precoce. Mas nunca deixe essas frutas guardadas na bolsa por mais
de um dia. Elas podem dar fungos”, aconselha a especialista. SV
alimentação
O que fazer
Receita
Leite condensado
light
Ingredientes:
1 copo de 150 ml
(de geléia) de leite
desnatado em pó
1 copo de 150 ml (de
geléia) de adoçante em
pó que possa ir ao fogo (ver
no rótulo do produto). Prefira
o stévia
Meio copo de 150 ml de água
filtrada ou mineral
1 colher de sobremesa de
margarina light
Modo de fazer:
Bata tudo no liquidificador até
ter certeza que os ingredientes
estão bem misturados. Coloque na geladeira, em um
pote fechado, por 24 horas.
Ele pode ser utilizado para fazer
pudim, brigadeiro, coberturas ou servir
de calda para salada de frutas.
PARA UNIDADES DE SAÚDE E ONGS
Confirmem o recebimento da Saber Viver. Essa informação é muito importante para o
aperfeiçoamento de nosso trabalho. Contamos com vocês.
Escreva para [email protected]
ano 6 n 35 mar 2006 Saber Viver
3
entrevista
Não falta dinheiro para a
compra dos ARV no Brasil
Porém, há risco de faltar de medicamentos contra a
aids porque a fabricação mundial dos ARV é mais
baixa que a demanda mundial
diretora-adjunta do Programa Nacional de DST/Aids (PN), Mariângela
Simão, em entrevista exclusiva, diz
que corremos o risco da falta de medicamentos
por problemas mundiais, mas dá uma boa
notícia: respondendo a várias denúncias, inclusive da Saber Viver, o PN implantará os testes rápidos nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) das capitais do país, agilizando o diagnóstico de muitas pessoas que chegam a aguardar meses para ter o resultado do
exame.
A
SV – Existe a possibilidade de faltar antiretroviral (ARV) em 2006, como aconteceu
em 2005?
PN – Infelizmente, isso pode voltar a acontecer.
O problema é mundial e está relacionado à falta
de matéria prima de boa qualidade para a
fabricação dos ARV. Hoje, mais pessoas estão
tendo acesso ao tratamento, mas a indústria para fabricação de medicamentos genéricos e de
matéria prima não está crescendo para atender
a esta demanda no mundo.
SV – O que o PN está fazendo para evitar o
desabastecimento de ARV?
PN – Estamos controlando os nossos estoques.
Alguns medicamentos ainda precisam de
controle na distribuição porque três laboratórios nacionais tiveram problemas com a
matéria prima que será utilizada na fabricação
de ARV este ano. Mas a articulação entre as
diversas áreas do Ministério da Saúde melhorou bastante. Isso é bom, porque o Programa
de Aids é responsável pela estimativa e programação de compra dos ARV, mas a compra é
4
realizada por outros setores do Ministério.
SV – O problema não é falta de dinheiro?
PN – No Brasil, o problema não tem sido orçamentário nem financeiro. Está relacionado à
produção de matéria prima em nível mundial.
A determinação do Governo é que não falte
dinheiro para medicamento contra aids. O
orçamento do PN para a compra de ARV neste
ano é de R$ 960 milhões. Com a introdução
de novos medicamentos no Consenso, é
fundamental que haja aumento da capacidade
de produção nacional, assim como a redução
de preços dos medicamentos no mercado
internacional.
SV – O acordo com o laboratório Abbott
para a compra do Kaletra foi vantajoso?
PN – Para este ano, haverá uma redução de
preços significativa. Mas, a longo prazo, infelizmente o acordo não nos dá a chance de ampliar
a nossa capacidade de produção de medicamentos de 2ª linha, como é o caso do Kaletra.
SV – E o que vem sendo feito para melhorar
a capacidade de produção de ARV?
PN – Estamos negociando com outra multinacional, a Merck, a licença voluntária para o
Brasil do efavirenz, um dos medicamentos
que impacta bastante o orçamento. A longo
prazo, o Brasil coordena a Rede de Cooperação Tecnológica em HIV/Aids que pretende
melhorar a capacidade de produção dos países
participantes em ARV, laboratório, vacinas e
preservativos. Fazem parte da Rede Argentina,
Brasil, Cuba, China, Nigéria, Rússia, Tailândia e Ucrânia. Todos possuem algum capital
tecnológico na indústria farmacêutica de
Saber Viver ano 6 n 35 mar 2006
SV – Vai faltar camisinha nas unidades de
saúde este ano?
PN – Faltou ano passado porque, de 2004 para
2005, tivemos um problema seríssimo com a
qualidade do preservativo. No Brasil, o processo de licitação privilegia o menor preço.
Quando o preservativo vem de fora do país,
passa por um processo de controle de qualidade. Uma empresa internacional que ganhou a
licitação no ano passado teve 60% do lote reprovado nos teste de qualidade e, infelizmente, o processo de reposição é lento. Os preservativos ainda estão chegando. Neste ano, vamos comprar 1 bilhão de preservativos. 150
milhões já foram adquiridos através do Fundo
de Populações das Nações Unidas, que possui
um sistema próprio de pré-qualificação. Assim,
apesar de eles passarem por um processo de
certificação no Brasil, sabemos que estamos
comprando um produto de boa qualidade.
SV – E a fábrica de camisinhas que o
Governo do Acre está construindo, com o
apoio do Governo Federal?
PN – A produção, que deve começar no início
do ano que vem, prevê a fabricação de 100
milhões de preservativos por ano, o que não
torna o Brasil auto-sustentável, até porque
trabalhamos com seringal nativo. Mas trata-se
de um projeto de desenvolvimento sustentável
inédito no mundo. Os seringueiros já foram
treinados para realizar a extração do látex com
melhor qualidade. Isso é fundamental para
fabricarmos uma camisinha de boa qualidade
e ainda proporcionar a melhoria da qualidade
de vida dos seringueiros.
SV – O número de pessoas infectadas pelo
HIV aumentou, mas os serviços de saúde não
aumentaram na mesma proporção. Como o
Programa pretende resolver este impasse?
PN – Uma das estratégias é ampliar a cobertura da atenção. Ou seja, uma pessoa soropositiva sadia, com CD4 monitorado, não precisa necessariamente estar em um serviço especializado. Ela pode ser acompanhada em uma
ano 6 n 35 mar 2006 Saber Viver
unidade básica de saúde. A idéia é fazer com
que ela tenha um tratamento adequado ao
nível de complexidade que ela realmente precisa. Existe vontade política de estados e municípios para que o diagnóstico seja precoce e
que as pessoas tenham acesso ao tratamento
de forma adequada.
entrevista
medicamentos ou em laboratórios.
SV – Mas, infelizmente, o diagnóstico tardio
ainda é um grande problema.
PN – Por isso, vamos implantar os testes
rápidos também nos Centros de Testagem e
Aconselhamento (CTA). Nos CTAs existem
algumas distorções. Gestantes procuram
diagnóstico nos CTAs, enquanto deveriam
fazê-lo na rede básica, junto ao pré-natal. O
CTA deve atender populações vulneráveis que
precisam de um diagnóstico rápido.
SV – Mas o teste rápido é confirmatório?
PN – Sim. O Ministério da Saúde fez uma
pesquisa a respeito e estabeleceu um sistema
[algoritmo] que permite confirmar se uma
pessoa é soropositiva fazendo dois tipos de
testes rápidos. Se os resultados forem diferentes, isto é, se um é positivo e outro é negativo, faz-se um terceiro teste para confirmação
de diagnóstico.
SV – Diante de tantos obstáculos, porque
somos consideramos o melhor programa
de combate à aids do mundo?
PN – Porque temos um Sistema Único de
Saúde (SUS) que nos oferece uma estrutura
de serviço de saúde. Em vários países, isso não
existe e torna-se o maior entrave para o acesso
ao tratamento. Funcionando bem ou mal, nós
temos os conselhos estaduais e municipais de
saúde, instituições legalmente constituídas
que permitem que exijamos o nosso direito e
tenhamos formas legais de acionar o Ministério Público ou a Defesa do Consumidor
quando necessário. Logo, a luta pelo orçamento do Sistema Público de Saúde é uma luta
também do movimento contra a aids. A participação da sociedade civil ligada aos movimentos de aids é muito forte no Brasil e tem influ-
5
passo a passo
lamivudina + abacavir +
atazanavir + ritonavir
Esse esquema é indicado para início
de tratamento anti-retroviral em situações específicas
m geral, os pacientes iniciam a terapia
anti-retroviral tomando a combinação
de lamivudina com zidovudina, mais
um inibidor da protease. O problema é que
existem pessoas que não toleram a zidovudina
por causa da anemia, por vezes grave, que este
medicamento pode causar. Principalmente
quando já há uma tendência à anemia. Nesses
casos, a combinação da lamivudina com o
abacavir pode ser utilizada. Além de não
provocar esse efeito adverso, o abacavir tem a
conveniência de ser tomado apenas uma vez
ao dia, junto com os outros anti-retrovirais do
esquema.
E
Vantagens deste
esquema
lamivudina não causa lipodistrofia”, diz ele.
Outro benefício é a inclusão do ritonavir
na combinação, pois ele potencializa a ação do
atazanavir. “Apesar do ritonavir não ser
imprescindível quando se combina o abacavir
com o atazanavir, seu uso vai auxiliar a
manutenção de um nível constante de
atazanavir no sangue. Isso é muito importante
para que não surja resistência do HIV ao
medicamento”, afirma Portela. De acordo com
o médico, o ritonavir também ajuda a superar
alguns problemas de interação medicamentosa que o atazanavir tem, principalmente
com os remédios usados para diminuir a
acidez do estômago.
abacavir
2 comprimidos ao dia
Desvantagens
Poder ingerir toOs remédios usalamivudina
dos os medicamentos
dos para gastrite inter2 comprimidos ao dia
juntos e só uma vez
ferem na ação do
ao dia já facilita muito
atazanavir, e por isso
atazanavir (150 mg)
a vida. Mas ainda
devem ser evitados.
2 cápsulas ao dia
existem outras vanSegundo Portela, uma
(junto com alimentos)
tagens neste esquegastrite leve, que não
ritonavir
ma. Segundo o inrequer o uso de remé1 cápsula ao dia
fectologista Estevão
dios rotineiramente,
Portela, os anti-retroOBS: todos os medicamentos são tomanão tem problema
virais que o compõem
dos uma vez ao dia, sempre no mesmo homaior. E, dependendo
causam menos liporário. Para não correr o risco de esquecer
da intensidade da
distrofia. “Em comalgum, é melhor tomar todos juntos.
gastrite, também poparação aos demais
de ser possível adenucleosídeos, o abacavir
quar o horário de uma
é, juntamente com o tenofovir, o que menos medicação com o da outra. “Qualquer pessoa
predispõe ao aparecimento da lipodistrofia. O que tenha gastrite e use o atazanavir deve
atazanavir, por sua vez, entre os inibidores da conversar com seu médico”, recomenda.
protease, é o que oferece menor risco de Outro problema do atazanavir é que ele pode
surgimento deste efeito colateral. E a causar icterícia (que deixa os olhos amarelos).
6
Saber Viver ano 6 n 35 mar 2006
Maior atenção com o abacavir
A partir da primeira semana até o
segundo mês depois de iniciado o uso do
abacavir, pode ocorrer um paraefeito poten-
cialmente bastante grave, cujo principais
sintomas são febre e dores no corpo, com
ausência de problemas respiratórios. Nesse
caso, o médico deve ser procurado o mais
rápido possível para que possa avaliar se é
preciso interromper a medicação. “Mesmo
com a melhora dos sintomas depois da
interrupção, o paciente não deve voltar a
tomar a medicação em hipótese alguma”,
alerta Estevão Portela. “A indicação, nesses
casos, é parar a medicação definitivamente,
pois esses sintomas podem evoluir para um
quadro grave. O ideal é que o paciente seja
atendido pelo seu médico o mais breve
possível, para que ele veja se é uma reação
de hipersensibilidade ao abacavir”. SV
passo a passo
O ritonavir, embora esteja em dose baixa
no esquema, pode causar alguns efeitos
gastro-intestinais (como enjôo, náusea e
diarréia). Em geral esse mal-estar é maior
nos primeiros dias. Outra desvantagem do
ritonavir é não poder ficar por mais de dois
meses fora da geladeira. Como na dose de
uma cápsula por dia o frasco dura por mais
de dois meses, ele deve ser guardado na
geladeira. “É uma complicação, mas é fácil
de resolver”, diz Portela.
8h da manhã
O café da manhã do Marcelo é
sagrado. Ele aproveita para fazer
uma alimentação bem reforçada
todos os dias e reunir a família no
final de semana. É nessa hora que
ele toma seus remédios, todos
juntos, para não correr o risco de
esquecer algum.
Os medicamentos precisam ser
tomados diariamente no mesmo
horário.
Nunca esqueceremos do amigo Valente
ão é necessário dizer o quanto Octávio Valente, presidente do Grupo Pela Vidda
Rio desde 2000, era corajoso. Ele não tinha este nome à toa. Vivendo com
HIV/aids desde 1992, o nosso “Valente” transformou a sua luta individual para
conviver com HIV numa batalha coletiva por respeito, dignidade e fraternidade para
todos que vivem com HIV/aids. Com muita honra, ele participou da primeira edição
da Saber Viver em uma entrevista que dizia o quanto os efeitos colaterais dos
medicamentos são um desafio para as pessoas infectadas pelo HIV. A entrevista
está disponível no site da revista (www.saberviver.org.br).
Nosso amigo faleceu no dia 22 de março, mas a sua coragem continuará sendo
um exemplo para todos nós.
N
ano 6 n 35 mar 2006 Saber Viver
7
Comportamento
Aids e
Terceira
Idade
Epidemia cresce nesta
população (cada vez mais)
sexualmente ativa
a sociedade ocidental, existem muitos mitos em relação ao envelhecimento. Pessoas mais velhas geralmente são vistas como improdutivas e
assexuadas, tabus que aos poucos vão caindo
por terra. Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, em 2002, revelou que 39%
das pessoas acima de 60 anos – fase em que
se inicia a terceira idade, segundo a Organização Mundial de Saúde – são sexualmente
ativas. Paralelo a isso, a cada ano cresce o
número de soropositivos nesta faixa etária. A
médica Valéria Ribeiro Filho, do Departa-
N
Grupo de apoio
ajuda a transformar a vida
o Rio Grande do Sul, Judite Lopes Xavier,
de 60 anos, trabalhava em uma creche
como cozinheira quando descobriu ser
soropositiva. Casada quatro vezes, Judite
tem oito filhos e vários netos. “Quando
minha filha mais nova soube que eu vivia
com HIV, entrou em pânico. Eu consegui
acalmá-la, explicando que iria viver a partir
dali da melhor maneira possível”. Assim,
Judite obteve total apoio familiar. Com a
saúde estabilizada, ela entrou para um
grupo de apoio, o Com Vida. “Quando entrei
no grupo, me senti ainda mais apoiada. Hoje,
consegui me transformar em outra pessoa”,
afirma com orgulho.
N
8
mento de Doenças Infecto Contagiosas e
Parasitárias do Hospital Clementino Fraga
Filho, da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ), acredita que o prolongamento
da atividade sexual seja o fator determinante
para a evolução da epidemia na terceira idade.
Entretanto, ela acha que ainda é cedo para
associar o aumento de casos de aids entre esse
grupo à utilização de drogas para disfunção
erétil: “a partir dos quarentas anos já se
percebe o interesse cada vez maior por esses
medicamentos. Entretanto, não existem dados
concretos que reforcem a teoria que o aumento dos casos de aids nesta faixa etária está
relacionado a essas drogas. Como a notificação demora a ser feita, só daqui a alguns anos
poderemos fazer essa avaliação”. A psicóloga
Marlene Zornetta, também do hospital da
UFRJ, acrescenta outro aspecto importante:
“Pessoas com mais de 60 anos não foram
criadas com a cultura do uso da camisinha.
Normal para jovens de vinte e poucos anos, o
preservativo não faz parte da rotina das
pessoas mais velhas”.
Número de mulheres infectadas
com mais de 50 anos sobe 396%
Apesar do número de casos confirmados
de aids, entre 1993 a 2003, ter subido 130%
entre os homens e 396% entre as mulheres
Saber Viver ano 6 n 35 mar 2006
Comportamento
com mais de 50 anos, até hoje não foram a pneumonias e gripes, tanto que tomam vacriadas campanhas publicitárias específicas cinas para se prevenir. Doenças como a osteopara esse público. Na Câmara de Deputados porose, por exemplo, costumam se intensificar
em Brasília, está em tramitação um Projeto com o uso de anti-retrovirais, o que torna
necessário um reforço
de Lei, do deputado
de cálcio para esses
Carlos Nader (PL-RJ),
“Quando minha filha mais
propondo uma campanova soube que eu vivia com pacientes”. No caso
das mulheres, observanha permanente e obriHIV, entrou em pânico.”
se que a menopausa é
gatória de prevenção à
Judite Lopes
mais precoce, mas a
aids para pessoas da
médica do hospital da
terceira idade, circulando, no mínimo, duas vezes por ano na UFRJ ressalta que faltam pesquisas para conmídia impressa e eletrônica, incluindo sites firmar cientificamente essa hipótese.
A psicóloga Marlene Zornetta, que está
na internet. A proposta sugere que as mensagens publicitárias tenham como enfoque a estudando o comportamento de pacientes da
Terceira Idade infectados pelo HIV, observa
prevenção, como o uso de preservativos.
que essas pessoas, em alguns momentos,
Doenças podem se agravar com o
apresentam características semelhantes aos
uso dos anti-retrovirais
adolescentes: “Eles são preconceituosos e
Embora os procedimentos para o temerosos em revelar sua condição de soropotratamento de pessoas vivendo com aids com sitivos para o HIV, dificultando o trabalho
mais de 60 anos sejam os mesmos previstos psicológico em grupo”. Quanto à adesão ao
no Consenso Brasileiro do Ministério da tratamento, tanto Marlene quanto Valéria
Saúde para adultos, percebe-se que algumas afirmam que a disciplina com os anti-retrovidoenças comuns à Terceira Idade podem se rais é uma característica pessoal e não varia
tornar mais graves com o uso freqüente dos conforme a faixa etária: “A adesão ao trataanti-retrovirais. A médica Valéria Ribeiro Filho mento está relacionada a diversos fatores indiexplica que há uma tendência de maior viduais, e não à faixa etária. Essa atitude posifragilidade do sistema imunológico nesta faixa tiva ao tratamento é uma decisão de cada
etária. Segundo ela, “são pessoas mais sujeitas paciente”, destaca a psicóloga. SV
Receio de expor a família
eresa*, 61 anos, sabe que tem o vírus há sete anos e nunca
contou para as filhas. Ela trabalha como empregada
doméstica e seu patrão também é soropositivo. Teresa foi quem
aconselhou o rapaz a fazer o teste e cuidou dele depois que veio
o diagnóstico positivo. Contudo, nunca contou para ele que
também é soropositiva. No corredor do Hospital da UFRJ,
histórias como a de Teresa se repetem. Ana* está perto dos
sessenta e apenas seus filhos conhecem seu diagnóstico: “tenho
medo do preconceito, de ser apontada na rua”, revela. Sentado ao seu lado, um homem
bem humorado de 67 anos diz que os seus seis filhos sempre o apoiaram. Entretanto, José*
não pretende contar a mais ninguém porque também não quer expor a sua família a algum
tipo de discriminação. Evangélico e aposentado, hoje ele se dedica a inúmeros trabalhos
comunitários: “a aids fez com que eu pensasse um pouco mais em mim. Passei a viver mais
intensamente”. Em vários serviços de saúde do Brasil é possível encontrar pessoas como
Judite, Teresa*, José* e Ana*. Suas histórias mostram que a epidemia de aids é uma
realidade entre esta faixa etária. Só não vê quem não quer.
Na seção Área Útil (página 16), dicas para o pessoal da Terceira Idade
ano 6 n 35 mar 2006 Saber Viver
* Nomes fictícios
T
9
Notas
DIRE IT O
Novidades no tratamento
contra a aids
de todos
Conferência reúne profissionais de saúde e
professores da universidade Johns Hopkins
VII Conferência Brasil Johns Hopkins
University em HIV/Aids reuniu centenas
de profissionais de saúde no Rio de Janeiro no
período de 22 a 24 de março. Este evento é
uma referência em atualização e aprendizado
para a área da saúde. Apesar de ser muito
técnica, a conferência divulgou informações
importantes para os pacientes:
Marcelo Brito Guimarães*
A
HPV entre população masculina – Pesquisadores alertaram que o HPV (papiloma
vírus humano), vírus que pode acarretar câncer
de ânus e colo de útero, deve ser investigado
em mulheres e homens soropositivos. O risco
de câncer anal em soropositivos para o HIV é
duas vezes maior do que em pessoas sem o
HIV. O papanicolau (inclusive anal) deve fazer
parte da avaliação inicial do paciente. O exame
detecta lesões que podem se transformar em
câncer. Portanto, se você ainda não realizou
este exame, converse com o seu médico e
previne-se usando camisinha.
Tuberculose – A tuberculose é responsável por
um grande número de óbitos entre soropositivos. Geralmente, ela se torna visível quando
o estado de saúde do indivíduo já está muito
comprometido, dificultando o tratamento. A
tuberculose também acelera a progressão do
HIV no organismo. Os cientistas asseguram que
a melhor forma de evitar a tuberculose é realizar
o tratamento contra a aids de forma correta.
Lipodistrofia – Na conferência, foram citados
estudos com alguns anti-retrovirais capazes de
reverter a falta de gordura no organismo. O
futuro promete!
Tratamento contra a aids – Em quase todas
as palestras, os cientistas afirmaram que o
tratamento com os anti-retrovirais deve ser
iniciado o mais cedo. Segundo estudos,
começar o tratamento com CD4 elevado ajuda
a resposta do organismo à terapia.
10
HIV: Discriminação é crime
época do surgimento da aids, a falta de
conhecimento sobre as formas de transmissão do vírus HIV proporcionou, principalmente, o surgimento da discriminação dos
soropositivos. Essa discriminação se deu, e
se dá, em vários campos: no familiar, no
trabalho, no relacionamento amoroso e no
social em geral.
À
Existem várias formas de combater uma
atitude discriminatória. Uma delas é classificar
determinadas condutas como crime. Em nossa
legislação, a determinação de o que deve ser
considerado crime é feita por lei aprovada
exclusivamente pela União. Desta forma, um
fato, quando é considerado crime, é considerado em todo território nacional.
Atualmente, não há lei que considere crime
a discriminação contra o portador do HIV ou o
doente de aids. No momento, tramita na
Câmara dos Deputados, em Brasília, o projeto
de lei nº 6.124/2005, já aprovado pelo Senado
Federal, e enviado para a Deputada Juíza
Denise Frossard (PPS-RJ), que elaborou
parecer pela sua aprovação.
Se o projeto for aprovado, serão considerados crimes – puníveis com pena de reclusão
de um a quatro anos e com multa –, atitudes
discriminatórias contra uma pessoa portadora
do HIV ou doente de aids, como não contratála em emprego ou trabalho, ou se recusar a
prestar-lhe atendimento de saúde.
A conduta discriminatória contra o
portador de HIV ainda não é considerada crime
no Brasil, porém isso não significa que uma
pessoa que cometa atos discriminatórios esteja
isenta de punição em outras áreas. Ela poderá
ser obrigada a indenizar financeiramente o
portador do HIV ou doente de aids pelo dano
que causou com a discriminação.
*advogado em São Paulo,
é consultor jurídico em HIV/aids
Saber Viver ano 6 n 35 mar 2006
de
A história de Marisia é muito parecida com a de várias mulheres
soropositivas. Diante de uma relação violenta, Marisia se separa e,
logo depois, descobre que é soropositiva. Com 3 filhos, ela consegue
reconstruir a vida. Hoje, está casada, teve mais dois filhos e freqüenta
um grupo de mulheres em Rio Grande (RS), cidade onde mora.
sua história
viver
Vontade
“M
das crianças faleceu em
eu nome é
1992. Resolvi me dar
Marisia, tenho
uma nova chance e,
33 anos, cinco
depois de algum tempo
filhos e um marido marae muito sofrimento,
vilhoso. Gostaria de contar
apaixonei-me por um
minha vida para vocês.
rapaz que, quando souConheci um rapaz com 15
be que eu era soropoanos. Apaixonei-me. Cositiva, me aceitou com
mo sempre, no inicio tudo
muito carinho. Hoje,
era uma beleza, mas, com
vivemos juntos. Tive
o passar do tempo, desVou cum prir
mais dois filhos deste
cobri que ele era viciado
a promessa que fiz a
em maconha e cocaína.
minha família de viver relacionamento (soronegativos) e o meu
Aos 18 anos, eu já tinha 2
muito bem.
marido continua sorofilhos. Quando fiz 20, tive
negativo. Ou seja, tenho 5
uma nova gravidez, que foi
bem difícil, porque eu apanhava dia- filhos e um maridão. Participo do grupo
riamente do meu marido. Finalmente, tive Renascer, formado por mulheres vivendo
coragem de me separar e fui morar com com HIV/aids, onde recebo muito apoio
minha mãe, que me recebeu de braços moral e força para continuar vivendo. Conabertos, mesmo eu estando grávida e com 2 vivo com o vírus há 13 anos e até hoje não
filhos pequenos. Um dia, soube pela precisei fazer o tratamento contra a aids.
minha ex-sogra que seu filho estava muito Não falto às minhas consultas e me alidoente e que eu e as crianças tínhamos que mento muito bem. Vou cumprir a promessa
fazer um exame anti-HIV. Os 20 dias que que fiz a minha família de viver muito bem.
precederam a entrega do resultado foram os Leio sempre a Saber Viver e, para mim, é
mais difíceis de minha vida. Quando fui uma honra poder dividir um pouco da
pegá-los, para minha surpresa, descobri minha vida com outros leitores da revista.
que os meus 3 filhos não eram sorore- Um grande abraço a todos.”
agentes para o HIV. Mas eu estava infecMarisia Martins (conhecida como
tada. O mundo desabou sobre minha
Trumbico) - Rio Grande/RS (por e-mail)
cabeça, mas juntei forças para viver. O pai
ano 6 n 35 mar 2006 Saber Viver
11
comportamento
As águas de março
deixam
o verão
Comece a planejar um ano
realmente novo em sua vida
Valéria planeja fazer pós-graduação em Gestão de Saúde
amílcar José Cappatto, 39 anos, essas pessoas”, planeja. Para Valéria Francisca
entrou 2006 com o pé direito: “Virei de Paula, 40, este ano também não será como
outra pessoa”, avalia. Em janeiro, o que passou. Formada em administração
depois de um desemprego de sete meses, ele hospitalar, ela deve ingressar numa pósnão só virou atendente de lanchonete, como graduação em gestão de saúde: “Estou em
rompeu uma solidão de anos: “Estou me busca de ferramentas que me ajudem no
trabalho de militânempolgando por causa
cia”, explica. Valéda Abia (Associação
“Estou pensando em fazer
ria refere-se ao traBrasileira Interdiscium curso de informática,
balho voluntário no
plinar de Aids, no Rio de
de preferência com outros
Grupo Pela Vidda/
Janeiro). Antes, eu não
RJ. Além de coortinha contato com
soropositivos; quero me
nenhum outro portador
enturmar com essas pessoas.” denar, há quatro
anos, o Grupo de
do HIV”, conta. Ao
Hamílcar José Cappatto
Mulheres, ela está
mesmo tempo em que
engajada na luta
começou a trabalhar,
Hamílcar ligou para a Abia atrás de pela melhoria de políticas públicas de saúde,
informações sobre o curso de expressão chegando a representar a instituição junto ao
corporal. Desde então, freqüenta as aulas Ministério da Saúde. Além de “militante”,
semanais e aproveita para compartilhar Valéria é funcionária do Hospital de Cardioexperiências: “No dia seguinte, trabalho com logia de Laranjeiras, onde atua, há onze anos,
mais disposição”, comenta ele, que ainda quer na área de recursos humanos: “Quando desmais novidades: “Estou pensando em fazer cobri o HIV, há oito anos, o médico disse que
um curso de informática, de preferência com eu poderia me aposentar, mas quis continuar
outros soropositivos; quero me enturmar com sendo útil”, lembra.
H
12
Saber Viver ano 6 n 35 mar 2006
comportamento
Atualmente estudando web desing, Cazu
Barroz, de 33 anos, já mudou de rumo profissional duas vezes: “Era administrador de empresas, mas por conta do HIV fui afastado do
trabalho, então me tornei ator”, explica. “Acabei deixando de atuar, porque tive dificuldade
em me adaptar à medicação”, lamenta. Ele
deve concluir o curso em julho, mas já trabalha na nova área: “Junto aos Bandeirantes,
desenvolvi um curso à distância de prevenção
ao vírus da aids, no ar desde 2003
(www.bandeirantes.org.br)”, conta. Ele anuncia que, em 2006, o mesmo curso será
disponibilizado na língua espanhola.
Hamílcar mexe o corpo, Valéria busca
mais conhecimentos, Cazu não pára de
trabalhar. Se você também quer agitar neste
ano, mas ainda não sabe como, dê uma
olhada nas dicas da seção Área Útil (última
página). A Saber Viver dá idéias para que seu
2006 também seja diferente. SV
Hamílcar frequenta a Oficina de Expressão
Corporal da Abia
Feijoada no Rio reúne sambistas, artistas e PNDST/Aids
Pedro Chequer, diretor do PNDST/Aids, no centro (de óculos) da foto com alguns convidados ilustres como Ivo
Meireles, Vanderléia, Netinho, Adriana Bombom, Carlinhos de Jesus, Emílio Santiago, Rosemary, Isabel Filardis e
Izabelita dos Patins, entre outros.
“Camisinha: não saia sem ela”. Este foi o slogan da campanha do Ministério da Saúde para o
Carnaval 2006. No dia 12 de fevereiro, o Programa Nacional de DST/Aids participou do evento
“Vista-se”, promovido pelo projeto “Só a Alegria Vai Contagiar”, no Centro Cultural Cartola, ao
lado da sede da Escola de Samba carioca Mangueira. Vários artistas e personalidades de
diversas áreas compareceram à feijoada às vésperas do Carnaval. Apesar da mobilização
pelo uso da camisinha, em vários locais do país, a distribuição de preservativos ainda não
havia sido regularizada durante o Carnaval. Em 2005, o Programa Nacional de DST/Aids
comprou um lote do exterior que teve 60% das camisinhas reprovadas na análise de qualidade
no Brasil. Este fato desencadeou um desabastecimento nacional.
13
cartas
Contatos imediatos
SABER VIVER – CAIXA POSTAL 15.088 – RIO DE JANEIRO – RJ 20.031-971
e-mail: [email protected]
As cartas para esta seção devem conter endereço completo e xerox do
documento de identidade. A Saber Viver manterá esses dados sob sigilo.
A ABIA agradece a divulgação de suas ações pela
Revista Saber Viver em seu número 33 e expressa
o seu contentamento pela demanda gerada na
população na cidade do Rio de Janeiro baseada na
procura de cursos e oficinas (grupos de apoio). Tal
procura ajudou na captação de novos participantes
para o nosso grupo de apoio, denominado Grupo
Consciência do Movimento. E, por isso, gostaríamos de compartilhar nossa alegria e estabelecermos
votos de estreitamento de nossas relações solidárias.
Coordenadora Geral da Abia – Cristina Pimenta
comunidade médica, para agradecer por vocês estarem nos ajudando a encontrar uma maneira melhor
de viver. Graças a vocês, que me deram uma força
divulgando meus poemas e minha carta procurando
uma parceira, minha vida está bem melhor. Estou
namorando uma ótima mulher, levando um relacionamento sério com possível casamento em breve.
Obrigado por terem divulgado, também, o meu Grupo Heteromanos, para homens soropositivos. Continuem sempre na luta. Nós, soropositivos, agradecemos, e o povo consciente do nosso Brasil também.
Laerte Vicente - [email protected]
EMOÇÃO COM DEPOIMENTO
SEXO ORAL TRANSMITE HIV?
No dia 9 de janeiro, eu estava aguardando a minha
consulta no HMRPS/Hospital Dia, e pude ler a revista Saber Viver 34 e me emocionar com o
depoimento da página 12, que dizia "Somos soropositivos para o HIV(+)” . Este depoimento expressou
exatamente tudo que vivi naquela época. Resolvi
levantar a cabeça e seguir em frente. Amo minha
vida, minha família, meus amigos e até mesmo
aqueles que não são meus amigos.
Um abraço a todos da Saber Viver.
Cristina – por e-mail
Gostaria de saber se através do sexo oral eu posso
transmitir o HIV para outra pessoa.
Mateus – por e-mail
Saber Viver – O HIV é transmitido através do
sangue, fluidos genitais e leite materno de pessoas
infectadas pelo vírus da aids. Ou seja, se uma
pessoa praticar sexo oral em outra infectada pelo
HIV, ela corre o risco de se infectar. O risco é maior
quando há ejaculação na boca, quando existem
feridas ou processo inflamatório bucal, sangue
misturado às secreções genitais (no caso de menstruação) e quando há alguma ferida causada por
uma doença sexualmente transmissível (DST). Os
médicos sugerem, então, que o preservativo seja
utilizado durante o sexo oral.
AGRADECIMENTO DA ABIA
POESIA PARA VIDA
Escrevo para vocês que produzem essa maravilhosa
revista que presta serviços a nós, soropositivos, e à
Namoro ou Amizade
Desejo conhecer homens sem vícios,
de preferência evangélicos, que morem
no RJ, de 40 a 50 anos. Sou morena,
42 anos e 1,54m. R. Rigoleto, 129
casa 1, Posse. Nova Iguaçu /RJ CEP
26020-680. Bill de Madureira: você
que me escreveu em 2004. Eu te
respondi, mas a caixa postal estava
cancelada. Escreva-me! Marli.
14
Carente, romântico e sincero. Gostaria de conhecer mulheres entre 20 e 35
anos, de preferência do RS, para amizade ou relacionamento. Mandarei fotos. Av. João Pessoa 347/09, Centro.
Porto Alegre /RS CEP 90040-000.
Tel. (51) 3221-2833 Alexandre.
Quero generosidade. Sou moreno,
discreto, carinhoso, gostosíssimo.
Tenho olhos e cabelos castanhos.
[email protected]. Yushio.
Solitário procura mulheres que queiram relacionamento verdadeiro e eterno. Estr. General Emílio Mourel Filho,
900, Bangu. Rio de Janeiro /RJ CEP
21854-010 (Privado de liberdade em
regime semi-aberto) Cláudio.
Quero me corresponder para amizade, independentemente de cor e sexo.
Tenho 30 anos, 1,72m, 60 kg. R. Frei
Caneca, 463, Estácio de Sá. Rio de
Janeiro /RJ CEP 20211-020 Renato.
Saber Viver ano 6 n 35 mar 2006
Quero me corresponder com mulheres de qualquer parte do Brasil. Tenho
35 anos, 1,80m, olhos castanhos e
cabelos pretos. Av. 58, 1031, Parque
Universitário. Rio Claro /SP CEP
13504-430 Eliezer.
Desejo me corresponder com pessoas de todo o país para conquistar
verdadeiras amizades. Sou mulata,
1.60m e 85 kg. Estr. São Bento, 2069,
Jardim Moraes. Itaquaquecetuba
/SP CEP 08597-690. Sibélis.
Gostaria de me corresponder com
homens de 20 a 30 anos para amizade
ou compromisso. Sou branco, 28
anos, 1,65m, 55 kg, cabelos e olhos
castanhos, ativo / passivo e independente. Tel. (21) 9455-8699. Marcio.
Simpático e sem vícios ou preconceitos. Desejo me corresponder com
mulheres para aliviar minha solidão.
Sou presidiário, moreno claro, 1,65m,
70 kg, cabelos negros e olhos castanhos. Av. Dr. Antônio Souza Neto,
100 PV I P II Cela 9, Aparecinha.
Sorocaba /SP CEP 18087-360 - CX
Postal 417 - Ronaldo Alves.
Gostaria de fazer novas amizades ou
algo mais. Sou soropositivo e espero
ainda encontrar a pessoa certa. Sou
loiro, olhos azuis, 27 anos, 1,75m e 78
kg. Também quero me corresponder
com soronegativos. R. Bom Pastor,
93. Piracicaba /SP CEP 13401-440
André Luís.
Gostaria de conhecer rapazes ou
pessoas de meia idade para relacionamento. Se possível, mande foto.
Sou moreno, 25 anos, 1,68m, 65 kg e
olhos castanhos. R. Felipe Camarão,
310, Retiro. Petrópolis /RJ CEP
27717-010 André Luís.
Virginiana solitária. Quero amizade
sincera ou compromisso sério. Sou
morena, 1,62m e cabelos compridos
pretos. Tel. (18) 3652-7862. Cristina.
Moreno de 28 anos, 1,65m e 56 kg
procura homem soropositivo de 20 a
40 anos que goste de curtir a vida. Tel.
(21) 3157-2587. Márcio.
ano 6 n 35 mar 2006 Saber Viver
Homem soropositivo, 39 anos, saudável, bonito, inteligente, excelente
nível deseja conhecer mulheres bonitas e inteligentes até 38 anos, soropositivas ou não, de preferência do RJ.
[email protected] José
Gostaria de me corresponder com
mulheres de 20 a 35 anos para
amizade ou namoro. Sou moreno,
1,90m, sem vícios, gosto da natureza e
de praticar esportes. Favor mandar
foto e telefone. R. Gentil Carrara, 220,
Jd Aboeté. Sorocaba /SP CEP
18087-260 Joel.
Morena clara, 1,69m, 63 kg, 32 anos,
bonita, carinhosa, sem filhos, independente, de bem com a vida, bom nível
cultural, procura homens sinceros e
românticos de todo o Brasil para
relacionamento [email protected].
Paula.
SUGERIMOS QUE OS LEITORES QUE
QUEIRAM SE CORRESPONDER ALUGUEM UMA CAIXA POSTAL NA AGÊNCIA DOS CORREIOS. RECOMENDAMOS TAMBÉM QUE, AO MARCAR UM
ENCONTRO, PREFIRAM LOCAIS PÚBLICOS E AVISEM A UM AMIGO.
Evangélico de Salvador, 21 anos, em
busca de amizades e de sua amada,
que tenha entre 19 e 23 anos, de qualquer lugar do Brasil. Tel. (71) 8886-4181
[email protected]
William.
Cubana de 26 anos, honesta e fiel,
procura homem de qualquer idade
com bons sentimentos para amizade
ou relacionamento. Calle Cristino
Barreda 78% 413, Buena Vista Lãs
Tunas. Cuba CEP 75200. Mariuslha.
Carta-resposta à Simone Querida,
espero o seu retorno. Sei que está só
e deprimida e gostaria de conhecê-la.
Sou branco, 36 anos, 1,80m, 58 kg.
Sincero, carinhoso e romântico,
gostaria de fazê-la feliz. R.Bartolomeu
de Gusmão, 1100, São Cristóvão.
Rio de Janeiro /RJ CEP 20941-160
Fernando.
Soropositivo desde 1996 deseja se
corresponder com mulheres positivas
acima de 45 anos para amizade ou
algo mais. Grisalho, 49 anos, 1,72m e
58 kg. Tel. (11) 6498-8143 / 73721597. Walter.
Soropositiva casada e mãe, desejo
receber cartas e telefonemas de
pessoas alegres e sinceras de todo o
Brasil. Rua A, 19, Conjunto Albano
Franco. Moita-Bonita /SE CEP
49560-000 Tel. (79) 3453-1443 / 91925581 Maria José.
cartas
Sou sincero, carinhoso, tenho 1,84
m, 80 kg e sou negro. Estou privado
de liberdade mas em vias de reconquistá-la. Gostaria de me corresponder com mulheres de todo o país. R.
Dois, 623. Distrito Industrial Itirapina
/SP CEP 13530-000 Rodnei.
Desejo me corresponder e conhecer
outros portadores do HIV. Quadra 71,
Conjunto A, Lote 15 ST 9. Águas
Lindas de Goiás /GO CEP 72910-000
Tel. (61) 3354-2883 / 6181-1212 /
8463-4009 Mauro.
Procuro mulheres com situação
financeira estabilizada, de preferência
do RJ, e com mais de 45 anos para
compromisso sério. Tenho 35 anos,
1,70m e 75 kg. Tel. (21) 2783-2580 /
9934-0811 Valdir.
Aquariano negro, 35 anos, 1,65m,
não-afeminado, simples e honesto.
Busco relacionamento com homens ativos de até 50 anos. R. Nepomuceno,
315, 102 fundos. Realengo /RJ CEP
21715-080 Tel. (21) 3839-9763.
Adauto Pedro
Tenho 39 anos, 1.70m, loiro de olhos
verdes, ativo/passivo, não afeminado.
Procuro rapaz de SP ou ABC para
relacionamento sério. R. 24 de Maio,
670, Vila América. Santo André /SP
CEP: 09.110-150 Tel. (11) 4474-0661
/ 9264-3001 Marcelo.
Tenho 38 anos, 1.82m, moreno. Procuro mulher de 35 a 40 anos, de preferência de SP, para relacionamento. R.
Mário Martins, 22, São Mateus. São
Paulo /SP CEP: 08.370-230 Rubens.
Gaúcho, 42 anos, professor, discreto,
1.80m. Procuro ativo que esteja de
bem com a vida para amizade ou algo
mais. Caixa Postal 19.801. Porto
Alegre /RS CEP: 90.010-971 Jairo.
Gostaria de me corresponder com
mulher simples, carinhosa, responsável e que queira viver o presente e o
futuro. Tenho 45 anos, moreno, boa
aparência, sem vícios, 1.74m, 75kg.
Sou de Guarujá. Tel. (13) 3382-6436 /
9201-1143 Luiz.
Carinhoso, 51 anos, moreno, 1.70m,
63kg, cabelos grisalhos, divorciado e
de bem com a vida. Procuro mulher
carinhosa entre 40 e 50 anos para
relacionamento ou amizade verdadeira. Cx Postal 24.169. Rio de Janeiro
/RJ CEP: 20.522-970 Paulo.
15
DICAS PARA A TERCEIRA IDADE
Universidade da Terceira Idade
(UERJ/RJ)
Desenvolve uma série de atividades específicas para essa faixa etária. Os serviços
estão organizados a partir de duas unidades ambulatoriais: o Núcleo de Atenção
ao Idoso e o Serviço de Cuidado Integral à
Pessoa Idosa. Telefone para informações:
(21) 2587-7236 / 2587-7121.
Universidade Aberta da Terceira Idade
(Unifesp/SP)
Oferece vários cursos. Telefone para
informações: (11) 5082-3588.
Rede Compromisso com a Vida (RS)
Esta ONG, com sede em Porto Alegre, faz
um trabalho de auto-ajuda especial para
a Terceira Idade. Telefone para informações: (51) 3341-6333 ramal 2125.
DICAS PARA MUDAR A ROTINA
RIO DE JANEIRO
Comunidade Novo Ar
Esta instituição, com sede em Alcântara,
oferece cursos de informática e pré-vestibular, com mensalidades bem acessíveis. Informações com Márcia ou Célia:
(21) 2701-4146 ou 3712-0163. R$ 20.
Grupo de Apoio Consciência
do Movimento
Este grupo, que funciona na sede
da Associação interdisciplinar de
Aids (Abia), oferece curso gratuito de
expressão corporal. As vagas são
limitadas. Todas as terças-feiras, das 18h
às 20h. Inscrição com Marclei:
(21) 2223-1040 (das 14h às 18h). Grátis.
Banco de emprego
O Centro de Referência Contra Violência e
Discriminação Homossexual (Cerconvidh),
através de parceria com a Setrab
(Secretaria de Trabalho e Renda do Rio
de Janeiro), encaminha moradores do
município - independentemente da
sexualidade - para empregos. Falar com
Waldemiro Carvalho: (21) 3399-1304 /
3399-1303 (das 10h às 17h). Grátis.
Culinária funcional
O curso, ministrado pelo nutrólogo João
Curvo, dura 14 semanas e capacita a população de baixa renda na produção de
receitas saudáveis. Os cursos acontecem
na ONG O SOL, no bairro do Jardim Botânico. Inscrições: (21) 2512-0728. Grátis.
Tai Chi Chuan
A Prefeitura do Rio de Janeiro oferece
prática de tai chi chuan em várias praças
da cidade. Informações: (21) 2283-4866.
Grátis.
Pré-vestibular comunitário
Projeto Tô Dentro
Pré-vestibular comunitário, no bairro de
Santa Teresa, aceita professores
voluntários e alunos carentes. De segunda
a sexta-feira, das 18h às 22:20h e aos
sábados das 18h às 13:20h. Aos sábados,
a partir das 14h, aulas de reforço escolar
e de informática. As inscrições podem ser
feitas em qualquer data. Informações:
2224-9963 / 3852-3853 e
www.convivendoeaprendendo.org.br
Matrícula: R$10 e mensalidade: R$ 35.
SÃO PAULO
Cursos de idiomas, teatro, informática
e pré-vestibular
O Movimento Humanista Internacional
oferece os seguintes cursos, todos
gratuitos: preparatório para concursos
públicos de nível médio, cursinho
pré-vestibular, inglês, espanhol, teatro,
informática, redes e montagem de micros.
Diversos locais, diversos horários. Seja
voluntário deste projeto - O projeto
necessita de voluntários para lecionar
nos seguintes bairros: Tatuapé, Artur Alvin,
Barra Funda, Marechal Deodoro, Praça
da Árvore, Santa Cruz, Jabaquara,
Bom Retiro, Luz. Os candidatos a
professores não precisam ter
experiência. Informações: 5585-9668,
[email protected] ou
www.humanistas.siteonline.com.br.
Grátis.
EM TODOS OS ESTADOS DO BRASIL
Cursos nas áreas de beleza, cultura,
comunicação, saúde, entre outros
O Senac oferece cursos nas áreas de beleza, cultura e comunicação, design, saúde
e meio ambiente, educação para o trabalho
e a cidadania, idiomas, informática,
telecomunicações, moda, tecnologia e
gestão educacional, turismo e hotelaria. Em
Salvador-BA, por exemplo, o Senac prepara
o aluno para lucrar já nesta Páscoa:
aprender a fazer bombons e trufas está
custando R$ 70. Verifique a lista de cursos
a preços populares no site www.senac.br.
Cursos de idiomas, informática, moda
e saúde, entre outros
O Sesc oferece cursos nas áreas de
artes, comércio, comunicação,
conservação e zeladoria, design,
gastronomia, gestão, idiomas, imagem
pessoal, informática, moda, saúde,
turismo e hospitalidade, além de
ginásticas, em diversos estados do país.
Há também pré-vestibulares em 12 estados. Em Vitória-ES, por exemplo, é
oferecido o treinamento para porteiro de
edifício a R$45. Verifique a lista de
cursos a preços populares no site
www.sesc.com.br.
Capacitação em Monitoria Ambiental
O Clube da Árvore Projetos Ambientais
oferece cursos de capacitação em
Monitoria Ambiental. Maiores
informações: www.clubedaarvore.com.br
Grátis.
Informática
O Comitê para Democratização da
Informática (CDI) tem 965 escolas
espalhadas por todo o Brasil e o exterior.
Somente no município do Rio de Janeiro,
são 105 locais de ensino. Além de alunos,
voluntários são bem-vindos. Informações:
www.cdi.org.br R$10.
Apoio prático e emocional a pessoas
vivendo com HIV/aids
Prestar apoio prático e emocional
regular e gratuito aos portadores
do HIV é o que fazem os voluntários do
Projeto Buddy. Para ingressar nesta
equipe, acesse www.buddybrasil.net
ou escreva para
[email protected].
ENCONTRO ROMÂNTICO NA INTERNET
Grupo HIV Heterobrasil
Este grupo facilita encontros românticos
na Web. Trata-se de um espaço dedicado
aos heterossexuais positivos para facilitar
a procura de um companheiro(a) na
mesma situação. Oferece links para
outros endereços similares no mundo.
Para participar ou obter maiores
informações, escreva para
[email protected]
http://groups.msn.com/HIVHETEROBRASIL.
TROCA DE INFORMAÇÕES E AMIZADE
Grupo Apoio Soropositivos (G.A.S.)
Este grupo formado na rede troca
informações sobre HIV/aids, chats e ainda
promove encontros para um animado
bate-papo. Para participar ou obter
maiores informações, visite o site
http://br.groups.yahoo.com/group/apoioso
ropositivos/.
Encontro com casais sorodiscordantes para o HIV
Se você é soropositivo para o HIV e se relaciona com alguém soronegativo, venha participar do grupo que a
Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) promove em sua sede, no Rio de Janeiro. Neste espaço,
o casal troca informações e mantém contato com outros casais sorodiscordantes.
Informe-se com Ivia Maksud, na Abia, (21) 2223-1040
16
A
S ABER V IVER
É DISTRIBUÍDA GRATUITAMENTE
Download

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