1 Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Ciências da Saúde Departamento de Educação Física Curso de Educação Física DANDARA QUEIROGA DE OLIVEIRA SOUSA ESPORTE ORIENTAÇÃO NO ENSINO MÉDIO: Possibilidades pedagógicas na Educação Física escolar Natal 2013 2 DANDARA QUEIROGA DE OLIVEIRA SOUSA ESPORTE ORIENTAÇÃO NO ENSINO MÉDIO: Possibilidades pedagógicas na Educação Física escolar Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de graduação em Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para obtenção do título de licenciada em Educação Física. Orientadora: Profª. Drª. Maria Aparecida Dias Natal 2013 3 DANDARA QUEIROGA DE OLIVEIRA SOUSA ESPORTE ORIENTAÇÃO NO ENSINO MÉDIO: Possibilidades pedagógicas na Educação Física escolar Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial conclusão de curso, sob a orientação da Profª. Drª. Maria Aparecida Dias. BANCA EXAMINADORA ___________________________________________ Profª Drª. Maria Aparecida Dias Presidente da Comissão Examinadora Universidade Federal do Rio Grande do Norte ____________________________________________ Prof. Dr. Antônio de Pádua dos Santos Universidade Federal do Rio Grande do Norte ____________________________________________ Prof. Dr. Allyson Carvalho de Araújo. Universidade Federal do Rio Grande do Norte Aprovada em ____/____/______. NATAL/RN 4 Dedico esta, que talvez tenha sido até hoje a coisa mais preciosa que consegui produzir com minhas mãos, a Jalon, meu grande incentivador, a vovó Nizinha (in memorian), a todas e todos que eu consiga agradecer e a todos e todas que farão uso e propagarão os conhecimentos aqui trazidos. 5 AGRADECIMENTOS A Deus, pela vida! A minha família, Genise, Felipe e Vitória, pela força e alegria que eles são na minha vida. Ao meu digníssimo “namorido”, Jalon, por ser meu alicerce, meu exemplo. Aos meus familiares (de minha família e de Jalon), por serem presentes em minha vida. A todas as pessoas que foram professores em minha vida, com e sem titulação. Aos que com maestria ensinam. Em especial, minha orientadora, Maria Aparecida Dias pela confiança, compreensão e todos os ensinamentos. Ao curso de Educação Física licenciatura, que foi um divisor de águas em minha vida. Ao PIBID Educação Física da UFRN, que me faz ter a certeza de que escolhi a coisa certa a se fazer na vida, aprender na escola. Aos estudantes, professor e diretores do IFRN, campus Parnamirim, que aceitaram de braços abertos esta proposta e ao Clube de Orientação Potiguar, por todo o auxílio que me foi dado e por compartilhar desta tão rica experiência. A todos os meus amigos e amigas, que dividiram suas glórias e tragédias ao longo do caminho. Em especial, a toda turma de 2010.1, que é sem dúvidas, inspiradora! E mais em especial ainda, ao Bataclã (Ana Luiza Silva, Bruna Lopes, Joyce Barros, Mayara Maia, Paula Nunes, Rafaela Pinheiro e Raíza Braun), pois sem elas esta não teria sido uma missão cumprida de forma tão feliz! 6 À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permita navegar através dele. (DELORS et al., 1996) 7 ESPORTE ORIENTAÇÃO NO ENSINO MÉDIO: POSSIBILIDADES PEDAGÓGICAS NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR RESUMO A mudança de paradigmas educacionais trouxe inúmeras responsabilidades e possibilidades no âmbito da Educação Física escolar. Assim, pensar pedagogicamente conteúdos que favoreçam a ampliação da cultura de movimento vem sendo um trabalho recorrente nesta área. Nesse sentido, o objetivo desta pesquisa é compreender o Esporte Orientação, enquanto possibilidade pedagógica de ampliação da cultura de movimento em estudantes do ensino médio. Corroborando com o objetivo geral, nossos objetivos específicos foram: avaliar se conhecimento é pedagogicamente relevante fazendo parte dos conteúdos indicados para o nível de ensino e verificar a plausibilidade da inserção desta temática em contextos escolares discrepantes. A escolha desta temática justifica-se por ser a prática esportiva da autora; por haver escassos trabalhos científicos neste sentido, embora já se conheça ações correlatas de sucesso. Utilizou-se da pesquisa-ação como metodologia qualitativa de pesquisa, realizandose o levantamento e diagnóstico do campo de pesquisa; planejado, intervindo e promovendo mudanças no campo de pesquisa e atores sociais. As intervenções foram realizadas no IFRNCampus Parnamirim, com uma turma do 2º ano do ensino médio integrado, no período de setembro a outubro de 2013. Considerando os principais aspectos pontuados pelos atores sociais envolvidos no processo de construção do referido conhecimento considerou-se fatores que: facilitam o aprendizado dos estudantes (a inserção de um novo esporte no contexto escolar; escolha de recursos metodológicos diversos; o planejamento e organização das aulas); demonstram aplicabilidade e coerência da temática com a realidade escolar, pontuadas pelo professor da turma; estreitam a ligação entre as entidades esportivas e o contexto escolar (mediando relações entre atletas e estudantes). Para além de uma experiência enriquecedora e desafiadora, esta foi uma constatação de mais uma possibilidade pedagógica no contexto da Educação Física escolar, onde se constroem conhecimentos, o que precisa ser revista são as formas como se tem estimulado esta construção. PALAVRAS-CHAVE: Educação Física escolar; Ensino médio; Esporte Orientação. 8 ORIENTEERING ON HIGH SCHOOL: EDUCATIONAL POSSIBILITIES ON SCHOOL PHYSICAL EDUCATION ABSTRACT The changing educational paradigms brought numerous responsibilities and opportunities within the school Physical Education . So, think pedagogically content favoring the expansion of body culture movement has been a recurring job in this area. In this sense the objective of this research is to understand the Orienteering, while pedagogical possibility for expansion of culture of movement in high school students. Corroborating the overall goal our specific objectives were to evaluate if knowledge is pedagogically relevant part of the contents suitable for the level of education and verify the plausibility of the inclusion of this theme in differing school contexts. The choice of this topic is justified for being the author of sports practice, because there is scant scientific work in this direction although already know related actions for success. We used action research and qualitative research methodology carrying out the survey and diagnosis of field research, planning, intervening and promoting changes in the field of search and social actors. Interventions were performed at IFRN - Campus Parnamirim with a class of 2nd year of high school built in the period from September to October 2013. Whereas the main points scored by the social actors involved in the process of constructing the knowledge considered factors: facilitate student learning (the insertion of a new sport at the school context , choice of several methodological resources, planning and organization of lessons) demonstrate applicability and consistency of theme with the school reality, punctuated by the class teacher, narrowing the connection between sports organizations and school context (mediating relations between athletes and students). In addition to a rewarding and challenging experience , this was a finding another teaching opportunity in the context of school physical education , where knowledge is constructed , which needs to be reviewed are the ways this has spurred construction. KEYWORDS: Physical Education, Secondary Education, Orienteering. 9 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 1 - Representação de como se dá a prática do Esporte Orientação ........................ 20 Ilustração 2 - Representação do mapa de Orientação e suas especificidades ......................... 21 Ilustração 3 - Prisma ............................................................................................................... 22 Ilustração 4 - Picotador ........................................................................................................... 22 Ilustração 5 - Chip e base eletrônicos ..................................................................................... 22 Ilustração 6 - Bússola Silva ou Cartográfica ........................................................................... 23 Ilustração 7 - Bússola de dedo ................................................................................................ 23 Ilustração 8: Especificação Internacional para Mapas de Orientação - ISOM 2000 .............. 25 Organograma1 - Planejamento macro e micro realizado nesta pesquisa-ação ....................... 39 Ilustração 9 - Representação da planificação de terreno em mapa realizada por um dos estudantes ................................................................................................................................ 44 Ilustração 10 - Mapas da pista de Orientação na quadra e seu respectivo gabarito ................ 48 Ilustração 11 - Mapa de Orientação rudimentar utilizado na aula 3 no IFRN – Campus Parnamirim .............................................................................................................................. 51 Ilustração 12 – Especificidades do mapa confeccionado para o I Orienta IFRN .................... 54 Ilustração 13 - Gráfico das notas consideradas pelo professor da turma em sua avaliação da unidade didática referente ao tema Esporte Orientação .......................................................... 56 Ilustração 14 - Questionário aplicado com os atores sociais .................................................. 59 Ilustração 15 - Gráfico de respostas mais freqüentes ao quesito 1 do questionário (pontos positivos) ................................................................................................................................. 61 Ilustração 16 - Gráfico de respostas mais freqüentes ao quesito 2 do questionário (pontos negativos) ................................................................................................................................ 62 10 Ilustração 17 - Gráfico de respostas mais freqüentes ao quesito 3 do questionário ................ 63 Quadro 1: Diferenças entre as pedagogias do esporte, tradicional e inovadora ...................... 64 11 LISTA DE FOTOS Foto 1 - Referente ao vídeo 1 ...................................................................................................43 Foto 2 - Referente ao vídeo 2 .................................................................................................. 43 Foto 3 - Referente ao vídeo 3 .................................................................................................. 43 Foto 4 - Aferição do passo-duplo (estudante da direita – caminhando; e o da esquerda correndo) ................................................................................................................................. 47 Foto 5 - Montagem dos prismas .............................................................................................. 48 Foto 6 - Prisma posto na quadra (deitado) .............................................................................. 48 Foto 7 - Estudantes na pista de Orientação na quadra do Instituto ......................................... 49 Foto 8 - Preparativos e corrida do Esporte Orientação ........................................................... 52 Foto 9 - Distribuição de alguns prismas no terreno do IFRN Parnamirim ............................. 54 Foto 10 - I Orienta IFRN – Parnamirim .................................................................................. 55 Foto 11 - Os atores sociais da pesquisa-ação, exceto o Prof. Alison Batista .......................... 58 12 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS AFA Atividades Física de Aventura ............................................................................. 30 CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior ........................ 16 CBO Confederação Brasileira de Orientação ................................................................ 24 COP Clube de Orientação Potiguar .............................................................................. 15 IFRN Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RN ............................... 17 IOF International Orienteering Federation ................................................................ 24 ISOM Especificação Internacional para Mapas de Orientação ....................................... 24 LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ................................................. 14 PCN Parâmetros Curriculares Nacionais ...................................................................... 14 PIBID Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência ................................. 15 UFRN Universidade Federal do Rio Grande do Norte .................................................... 59 13 SUMÁRIO Iniciando o passeio Orientado ...................................... Erro! Indicador não definido. 1. Os percursos realizados pela orientação ..................... Erro! Indicador não definido. 1.1. Esporte Orientação: Especificidades Desta Prática Corporal Esportiva .............. Erro! Indicador não definido. O Mapa De Orientação ................................................ Erro! Indicador não definido. A Bússola .................................................................... Erro! Indicador não definido. Fardamento .................................................................. Erro! Indicador não definido. Regulamentação .......................................................... Erro! Indicador não definido. Técnicas Básicas Do Esporte Orientação .................... Erro! Indicador não definido. 2. Esporte Orientação no contexto escolar: dialogando com o ensino médio .... Erro! Indicador não definido. 2.1. Esporte Orientação Na Escola E Suas Possibilidades . Erro! Indicador não definido. 3. A intervenção em Orient(ação) .................................... Erro! Indicador não definido. 3.1. Identificação do campo de pesquisa-ação ................... Erro! Indicador não definido. 3.2. Elaboração do diagnóstico........................................... Erro! Indicador não definido. Os atores sociais .......................................................... Erro! Indicador não definido. Contexto, onde e quando ............................................. Erro! Indicador não definido. 3.3 O planejamento das ações de pesquisa-ação ............... Erro! Indicador não definido. 3.4. Relato das intervenções ............................................... Erro! Indicador não definido. Encontro 1 (Aulas 1 e 2 – Apêndice - A) .................... Erro! Indicador não definido. Encontro 2 (Aulas 3 e 4 – Apêndice B)....................... Erro! Indicador não definido. Encontro 3 (Aulas 5 e 6 – Apêndice C)....................... Erro! Indicador não definido. Encontro 4 (Aulas 7 e 8 – Apêndice D) ...................... Erro! Indicador não definido. 3.5. Resultados parciais e discussões ................................. Erro! Indicador não definido. 4. Fim da pista de Orientação........................................... Erro! Indicador não definido. Referencial Bibliográfico .............................................. Erro! Indicador não definido. Apêndices ....................................................................... Erro! Indicador não definido. 14 INICIANDO O PASSEIO ORIENTADO 15 Para compreender as possibilidades pedagógicas de ensino da Educação Física escolar nos dias atuais, faz-se necessário remontar o contexto educacional nacional à época em que a 16 Educação Física passa a ser componente curricular. Essa remontagem é fundamental para que possamos entender os novos rumos e a importância da diversidade e inclusão de novas temáticas na Educação Física escolar, pois é a partir da legalização deste componente curricular que os professores passam a ter maior responsabilidade ao selecionar os conhecimentos que serão ensinados e ainda refletir sobre quais conteúdos são pedagogicamente relevantes. Na década de 1990 o cenário da educação mundial sofreu mudanças significativas de paradigmas, evoluindo do ideário de uma educação voltada para o crescimento e desenvolvimento do país, para uma educação que visa prioritariamente a qualidade. Esta mudança de paradigmas educacionais foi percebida na educação escolarizada brasileira e ainda na Educação Física escolar, principalmente ao final dos anos 90, com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB (BRASIL, 1996). A legalização da Educação Física concomitante a promulgação da LDB, acarretou ao longo dos últimos 17 anos, severas e significativas transformações que abrangeram os aspectos legais, cotidiano escolar, práticas pedagógicas, as formas de se conceber a educação física escolar, os esportes, etc. No que concerne a legislação vigente, a Educação Física passa a ser regulamentada pela LDB, que a torna um componente curricular obrigatório para todo o ensino básico, compreendendo a educação infantil, ensinos fundamental e médio. Com esta regulamentação a educação física deixa de ser uma atividade opcional na escola e agora deve ser obrigatoriamente ofertada. Para contribuir e balizar a prática pedagógica, não só na Educação Física, são propostos e concretizados os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN, que corroboraram com a quebra da prática pedagógica da Educação Física voltada apenas para a recreação ou preparação de atletas, por exemplo, seguindo a mudança de paradigmas que permeava o cenário educacional mundial. Assim, a Educação Física deixa de visar o crescimento e desenvolvimento dos atletas nacionais passando a priorizar a inclusão1 dos estudantes, objetivando a qualidade da educação, sendo esta qualidade aqui entendida como maior abrangência/participação do público a que se destina a Educação Física escolar, os estudantes; e não na qualidade, antes almejada, de formação de um atleta dentro de uma turma 1 A inclusão é aqui entendida como um processo não só de participação de estudantes com deficiência, como comumente o termo é utilizado. Entenda-se, portanto, inclusão, como um processo, inclusive, de incluir aqueles estudantes que estejam marginais às práticas corporais por sub-julgamentos diversos. 17 de 50 estudantes, onde todos os outros eram no mínimo afastados dos processos pedagógicos de apropriação da cultura de movimento. Para efetivar estas mudanças considera-se a partir de então, que a educação física escolar deve abranger a cultura de movimento, ou seja, contemplar práticas corporais que sejam inerentes a determinadas culturas e possibilitem vivências corporais significativas e diversificadas para os aprendentes, não só no sentido de apreensão de gestos técnicos, mas pela significância cultural e pela variedade motora que se pode oferecer aos estudantes. Esta preocupação em incluir novos conteúdos e conhecimentos na Educação Física escolar amplia a possibilidade de prática pedagógica escolar em Educação Física. A vivência de novas práticas corporais pode possibilitar a ampliação da cultura de movimento bem como aproximar os estudantes da educação física escolar, antes tão excludente. O trabalho em Educação Física escolar deve sempre visar esta inclusão, de estudantes e de novos temas. Justificamos a escolha desta temática tão peculiar, por que no decorrer do processo de licenciamento em Educação Física, tive como prática esportiva, corporal, de lazer, de atividade física, de aventura, o esporte orientação. Tomando por base a sua principal disciplina, a Orientação Pedestre. Dentre outros questionamentos, sempre me perguntei por que esta prática tão abrangente e significativa de conteúdos e competências da Educação Física escolar não estava inserida no contexto e cotidiano escolar e nem no âmbito das discussões e práticas acadêmicas. Então, desde que iniciei esta prática corporal e assim que pude, tentei introduzi-la no contexto acadêmico não só meu, mas também dos futuros professores que são também, assim como eu, do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência -PIBID. Assim, realizei atividades tematizando o Esporte Orientação durante o estágio obrigatório IV e junto ao Clube de Orientação Potiguar – COP, tivemos oficinas ministrados aos pibidianos. Muitas outras experiências foram importantes para formação enquanto profissional e acadêmica. A participação em projetos de extensão Grupo de Pesquisa e Promoção do Desenvolvimento Infantil – PPEDI), coordenado pela PhD Margareth Monteiro, que me proporcionou as primeiras vivências enquanto professora e me fazendo planejar aulas com todo cuidado e atenção por se tratar do atendimento de crianças com distúrbios ou deficiências. Outra experiência bastante significativa, principalmente no tocante ao âmbito da pós-graduação, tive 18 com a Profª. Drª. Isabel Mendes, coordenadora do projeto de pesquisa Corpo, Cultura e Cuidado de si: Reflexões e ações em estratégias de saúde da família, que me proporcionou uma nova visão de Educação Física, saúde e cenários educativos, proporcionando novas leituras e uma ampliação de horizontes. Por fim, a vivência no PIBID me auxiliou de forma fundamental na organização, sistematização, planejamento e aplicação das intervenções desta pesquisa, visto que nossos estudos em grupo corroboram com esta prática. Dessa forma, começamos a reestruturar o pensamento do esporte partindo da competição para o esporte educação, baseados principalmente nas leituras pedagógicas que viemos realizando no PIBID a fim de inserir o Esporte Orientação no contexto escolar e acadêmico. Para além de não estar no pensamento acadêmico, destacamos que a produção acadêmico-científica também é escassa, ao considerarmos um dos principais Portais que reúnem os mais diversos periódicos, nas mais diversas áreas de conhecimento, o Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES. Para além de considerar as justificativas pessoais e acadêmicas, não menos importante se faz, considerar a aplicabilidade e a relevância de se propor novas vivências motoras nas escolas, nas aulas de Educação Física em específico. Além das justificativas apresentadas, a principal problemática motivadora desta pesquisa é a expectativa de mudança no atual paradigma da Educação Física escolar que prioritiza o ensino de esportes midiaticamente divulgados, tais quais o futebol, futsal, vôlei, etc. a fim de superar apenas os temas esportivos comumente abordados é que propomos essa pesquisa. Nesse sentido, o objetivo geral desta pesquisa é compreender o Esporte orientação, enquanto possibilidade pedagógica de ampliação da cultura de movimento em estudantes do ensino médio. Corroborando com o objetivo geral, nossos objetivos específicos foram: avaliar o se conhecimento é pedagogicamente relevante fazendo parte dos conteúdos indicados para o nível de ensino e verificar a plausibilidade da inserção desta temática em contextos escolares discrepantes. A população escolhida foi o ensino médio e nossas ações foram realizadas com a turma do 2º ano “A” do curso de Mecatrônica do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia – IFRN, Campus Parnamirim. A fim de responder a todas essas possibilidades e 19 “se”s realizamos esta pesquisa, que foi teve início com o levantamento do campo de pesquisa e seu diagnóstico, seguiu-se propondo, planejando e realizando intervenções e por fim avaliando se estas possibilidades são passíveis de serem fazíveis. Para abarcar as intervenções e tamanha mudança no contexto escolar a que nos propusemos, a metodologia de pesquisa adotada foi a pesquisa-ação (THIOLLENT, 2011), uma metodologia qualitativa que considera os atores sociais envolvidos na pesquisa não só como partícipes e sim como sujeitos da pesquisa estando envolvidos de forma cooperativa e participativa. Algumas ações correlatas a nossa proposta são conhecidas e podem dar norte as nossas intervenções pedagógicas, porém os resultados e a forma como serão conduzidas as ações serão específicas e considerando o contexto em questão, portanto não seguirão modelos prédeterminados em sua completude. Nesse sentido, o que propomos não é tão algo inédito, mas com certeza único, pois cada experiência vivida é única. Nossa proposta está estruturada da seguinte maneira, uma breve introdução a temática, nossos objetivos, método e justificativa. Em seguida, dividimos nossa pesquisa didaticamente para melhor compreensão e leitura. Assim, o capítulo 1, intitulado “Os percursos realizados pela Orientação”, compreende o item Esporte Orientação: Especificidades desta prática corporal esportiva, que abrange características inerentes a prática esportiva de Orientação, como regras gerais, equipamentos e algumas técnicas, ainda sem adaptações pedagógicas. O capítulo 2. “Esporte Orientação no contexto escolar: Dialogando com o ensino médio”, traz o esporte orientação na escola e suas possibilidades. Finalizando os capítulos desta pesquisa, o capítulo 3, intitulado “A intervenção em Orienta(ação)”, foi dividido em 5 momentos, 3.1. A identificação do campo de pesquisa; 3.2. Elaboração de diagnóstico; 3.3. Planejamento da das ações de pesquisa-ação; 3.4. Relato das intervenções e 3.5. Resultados parciais e por fim, as considerações finais, aqui intituladas de “Fim da pista de Orientação”, foram discutidas e apontadas ações baseadas nas experiências vividas a partir da intervenção e possíveis desdobramentos suscitados pela nossa pesquisa. OS PERCURSOS REALIZADOS PELA ORIENTAÇÃO 20 Esporte Orientação: Especificidades desta prática corporal esportiva 21 Este capítulo é dedicado aos esclarecimentos sobre o Esporte Orientação, enquanto prática esportiva competitiva. Conheceremos um pouco de como se dá a prática do Esporte Orientação, suas especificidades de materiais e espaços de práticas, por exemplo, sem considerar, ainda, o contexto escolar. Entendemos que este momento seja necessário, por esta introdução facilitar consideravelmente o entendimento do leitor, que ocasionalmente não conhecerá o tema e ao ter este conhecimento básico entender melhor as ações propostas e realizadas nesta pesquisa. Portanto, iniciaremos trazendo algumas regras básicas de como se dá prática do esporte orientação: Ao iniciar a corrida o participante recebe um mapa referente ao seu percurso; O participante deve passar por todos os pontos de controle, encontrando prismas ao longo do caminho, marcar corretamente o cartão de controle, que comprovará a passagem em todos os pontos e na ordem correta; Preservar a natureza, não só no momento da corrida, como sendo um valor a ser levado para vida. Ao longo de toda corrida o participante deve manter seu mapa orientado, sabendo o orientista onde está e para onde vai, facilitando assim o desenvolvimento e a conclusão da prova. Ao final da corrida todos os participantes ganham medalhas; É realizada a apuração dos tempos da etapa em questão, em geral por equipamentos eletrônicos, classificando do menor para o maior tempo e de acordo com a categoria; Não há premiação ou pódio por etapa e sim por circuito. Após todas as etapas do circuito, quem tiver melhor aproveitamento durante todo ano de competições será premiado. Nesse sistema de premiação, é mais importante a regularidade de participação nas etapas, objetivando claro boas colocações, não necessariamente sempre o primeiro lugar. Trazemos a seguir uma imagem (Ilustração 1) que pretende facilitar o entendimento de como se dá a prática do Esporte Orientação. Ilustração 1 - Representação de como se dá a prática do Esporte Orientação. 22 Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Antoniela Marinho O Esporte Orientação é composto por diversas modalidades que variam de acordo com o ambiente ou equipamento adicionais com que se pratica, por exemplo, utilizando mountain bike. MTB-O, se o participante é cadeirante a modalidade equivalente é a Orientação de Precisão, etc. Nessa pesquisa, trazemos a modalidade Orientação Terrestre, a qual, [...] poderemos definir [...] como uma corrida individual, contra-relógio, em terreno desconhecido e variado, geralmente de floresta ou montanha, num percurso materializado no terreno por postos de controle que o orientista deve descobrir numa ordem imposta. Para o fazer, ele escolhe os seus próprios itinerários, utilizando um mapa e, eventualmente, uma bússola (CLUBE DE ORIENTAÇÃO POTIGUAR, 2013a). Sobre esta definição é necessário esclarecer alguns termos, a saber, o orientista, citado no texto acima é o nome dado ao participante do Esporte Orientação2 e embora haja a terminologia “corrida”, esta prática não exige necessariamente que o praticante seja exímio corredor ou que os melhores orientistas sejam aqueles que correm mais ou melhor, é importante sim, que o praticante consiga se orientar bem. Aquele que consegue visitar todos os pontos que constam no seu mapa, na sequência correta e no menor tempo, se dará bem nesta prática, assim, não há relação linear direta de que aquele que corre melhor será sempre o melhor orientista. Esclarecidas algumas regras básicas do Esporte Orientação e modalidade que será abordada em nossas ações, faz-se necessário especificar alguns materiais ou equipamentos inerentes a prática esportiva. 2 O Esporte Orientação é por vezes chamado apenas de Orientação e ainda, por se tratar de uma modalidade contra-relógio e por sua intitulação anterior ser chamada de Corrida de Orientação, muitos ainda a conhecem ou a denominam de Corrida de Orientação. Nesse texto, por vezes aparecerá o termo corrida, que diz respeito na verdade ao fato de, por vezes o orientista utilizar-se deste recurso, desde que esteja certo de sua orientação. 23 O mapa de orientação Primeiramente especificaremos o mapa de orientação. Trata-se da representação fiel do terreno no qual será realizada a prática esportiva e no qual estará plotado o percurso o qual o orientista terá de seguir durante sua prova. Segundo o Clube de Orientação Potiguar – COP (2013ª, p.1), “O mapa de orientação é um mapa topográfico detalhado, onde é traçado o percurso que o atleta tem que percorrer e são locados precisamente todos os detalhes da vegetação, relevo, hidrografia, rochas e construções feitas pelo homem etc.”. É a observação e leitura detalhada destes minuciosos pontos do terreno que são representados no mapa, que serão determinantes na hora de fazer um bom ou mau percurso ou pista, como são chamados os trajetos realizados. Na ocasião da corrida, o orientista tem acesso ao mapa referente a sua categoria apenas na ocasião da largada, naquele momento ele terá acesso a informações importantes como a distância média do seu percurso, a escala em que o mapa foi construído (1:5000 ou 1:7500, onde 1cm de mapa representa 50m ou 75m, respectivamente), informações sobre os pontos que ele deverá visitar, etc. Abaixo trazemos uma imagem (Ilustração 2) que especifica alguns detalhes presentes no mapa de Orientação facilitando essa compreensão. Ilustração 2 - Representação do mapa de Orientação e suas especificidades. Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa Atento a estes detalhes, o orientista deve agora focar no seu percurso de orientação, que será melhor explicitado a seguir. Há uma definição do percurso de orientação trazida pelo Clube de Orientação Potiguar (2013a, p.1), que consideramos bem completa. 24 O percurso de orientação é constituído de triângulo de partida [ou ponto zero], pontos de controle e chegada. Entre estes pontos, que são locados precisamente no terreno e equivalentemente no mapa, estão as pernadas do percurso, nas quais o competidor deverá orientar-se. Estes são materializados no terreno pelos "prismas" (baliza de cores laranja e branca) que têm de ser visitados na ordem indicada. Podemos observar na imagem acima como são representados os pontos de largada, de controle e de chegada. A ordem que devem ser seguidos é determinada pela linha rosa, denominada pernada na definição acima, que liga um ponto ao outro e pela numeração crescente dos pontos. Em cada ponto de controle representado no mapa, pelo triângulo (início), círculo e círculo duplo (chegada), terá um prisma (Ilustração 3) referente no terreno que conta com equipamento ou de perfuração, o picotador (Ilustração 4), ou base eletrônica (Ilustração 5) para registro da passagem ou visita do atleta aquele determinado ponto de controle que consta no seu mapa de orientação e no seu percurso. Ilustração 3 - Prisma. Ilustração 4 – Picotador. Ilustração 5 - Chip e base eletrônicos. Fonte da Ilustrações 3, 4 e 5: www.google.com.br/search? Para que o maior número possível de pessoas participe do Esporte, são construídos inúmeros percursos que variam de acordo com o sexo do participante, a idade, grau de dificuldade do percurso, que são determinantes também, de qual categoria o orientista fará parte. Para se ter uma noção do quão abrangente são as categorias do esporte orientação, estas variam dos 10 ao 90 anos, para corrida individual e ainda mais cedo para corrida em duplas, há ainda categorias para orientação de precisão, para cadeirantes e categorias para surdos. Percebemos que há grande valorização da participação efetiva de orientistas e o intuito de democratizar o acesso ao esporte, dadas as iniciativas supracitadas. Esta é uma preocupação das organizações esportivas a nível mundial. A bússola 25 A bússola é um equipamento utilizado, em conjunto com o mapa de orientação, para checar qual a direção em que o atleta deve progredir. Para utilizá-la é necessário ter domínio de certas técnicas de orientação por bússola, tais quais a orientação do mapa por bússola e azimute. Em geral são utilizadas dois tipos de bússolas nas corridas: Ilustração 6 - Bússola Silva ou Cartográfica Ilustração 7 - Bússola de dedo Fonte das ilustrações 6 e 7: www.lojagps.com/br/product. A bússola Silva ou cartográfica (Ilustração 6) é em geral mais utilizada por atletas novatos e a bússola de dedo (Ilustração 7) por atletas mais experientes, a escolha se dá pelo custo e pela praticidade, de modo geral. Como nosso enfoque, nas intervenções de pesquisa ação não foi o manuseio deste equipamento, preferimos apenas discorrer um pouco sobre sua função, dada a importância no Esporte. Na categoria denominada novato, (categoria mais baixa no que diz respeito ao grau de dificuldade dos percursos de orientação), por vezes não se faz necessário o uso da bússola em nenhum momento da prova. Fardamento Os atletas que participam de competições oficiais, organizadas por clubes ou federações são obrigados a correr com fardamento completo, indicado inclusive para segurança do atleta. Em linhas gerais, o fardamento é composto pela camisa do clube ao qual o atleta é filiado, de mangas longas obrigatoriamente, calças compridas e tênis. Exige-se que o atleta cumpra com essas especificações de mangas longas e tênis dado o ambiente desconhecido no qual é praticado o esporte orientação. Quanto mais coberto estiver o corpo e quanto mais adaptado a terrenos instáveis for o tênis, menor o risco de acidentes ou processos alérgicos por contato indesejado, mas por vezes inevitável com plantas urticárias, por exemplo, ou para diminuir lesões causadas pela exposição demasiada aos raios solares, por este mesmo motivo, recomenda-se o uso adicional de óculos escuros. 26 Para finalizar esta breve explanação sobre as especificidades da prática do Esporte Orientação, traremos algumas informações sobre a regulamentação e algumas técnicas básicas do esporte. Regulamentação A regulamentação da Orientação se dá basicamente em três níveis: internacional, nacional, estadual e local. A instituição responsável a nível internacional é a International Orienteering Federation – IOF, a nível nacional os orientistas são representados pela Confederação Brasileira de Orientação – CBO, a nível estadual são reunidos os diversos clubes, associações, etc. que representem a orientação no formato de federação, na Paraíba por exemplo há a Federação de Orientação da Paraíba - FOP. No caso do Rio Grande do Norte, por termos apenas um Clube, dirigente de Orientação, não há federação, temos apenas a representação local, do Clube de Orientação Potiguar – COP. Estas instituições seguem uma hierarquia de controle e elaboração de regulamentos, de modo que a IOF é o órgão maior. Nas competições locais, os regulamentos em geral, seguem as orientações gerais do regulamento anual da CBO e dá algumas providências que são específicas de cada localidade, ou de cada prova em específico. Esta regulamentação se faz necessária, não só pela padronização das regras do esporte, mas também por contribuir para que as provas de orientação que são realizadas aqui em Natal e as que são realizadas na Suécia, berço da orientação, sejam minimamente semelhantes, diminuindo as dificuldades encontradas pelos praticantes da modalidade. Isso é especialmente sentido na confecção de mapas de orientação, que por seguirem a Especificação Internacional Para Mapas De Orientação – ISOM2000, faz com que os orientistas tenham acesso as mesmas representações de terreno nos mais diferentes locais do mundo. Para cada especificidade do terreno a ISOM 2000, confeccionada pela IOF, determina uma cor, um tracejado, um pontilhado diferente. A ilustração 8, representa essa variedade. Ilustração 8: Especificação Internacional para Mapas de Orientação - ISOM 2000. 27 Fonte: www.cop.org.br/?pg=41&pg_o=9 Dadas a linhas gerais de regulamentação do esporte, encerramos este momento trazendo algumas técnicas básicas de orientação, utilizadas no esporte e que também foram ensinadas na ocasião da pesquisa-ação. Técnicas básicas do Esporte Orientação Na orientação o elemento mais importante na prática é o mapa, a única forma de navegar, compreender o mapa e seguir no percurso correto, de forma eficiente é manter o mapa fixo de forma que a configuração o mapa coincida sempre com a imagem que vejo no terreno real. A esta técnica primordial de orientação, no esporte, dá-se comumente o nome de “orientar o mapa” ou “ter o mapa orientado”. A partir desta, outras técnicas podem ser postas em prática. Citarei aqui apenas, algumas que foram utilizadas nas ações, para não alongar demasiadamente e sem necessidade. Os conceitos são baseados em informações do Clube de Orientação Potiguar (2013b). - Ponto característico: É uma marca no terreno de fácil identificação e que serve de referência, ou que será o ponto a ser visitado; 28 - Leitura do mapa com auxílio do dedo: Seguir deslocando o dedo polegar, todo o caminho que está sendo percorrido durante a prova, facilitando a exata localização do terreno no mapa; - Orientação mapa-terreno: Verificar no mapa a semelhança com o terreno, de maneira que as referências coincidam e o mapa esteja “orientado” de acordo com o terreno. - Passo duplo: Aferição da quantidade de passos necessários para percorrer, caminhando e correndo dada distância (em geral a distância de 100 metros). Salienta-se que conta-se um passo a cada repetição da mesma perna que toca o chão, ou seja, cada vez que perna direita toca o chão conta-se um passo (independente da perna esquerda ter tocado o chão antes). O esporte orientação, mesmo enquanto esporte de competição ou rendimento, já demonstra em suas regras um esforço em incluir o máximo de participantes possíveis, como já discutimos anteriormente, além de outras estratégias que pensamos democratizar o esporte (por exemplo, as diversas categorias, a diferenciação de dificuldade dos percursos, a premiação ser concedida a todos que participam, o pódium ser realizado apenas ao final de um circuito completo, etc.). Mas para além de democratizar tem de se pensar no esporte e suas adaptações ao meio escolar. Para os objetivos desta pesquisa-ação não se faz necessário maior aprofundamento nas técnicas ou regras do Esporte. Faz-se imprescindível nesse momento, pensar como pode ser construído o conhecimento sobre esta temática no contexto da Educação Física escolar, no nosso caso no ensino médio. 29 ESPORTE ORIENTAÇÃO NO CONTEXTO ESCOLAR: DIALOGANDO COM O ENSINO MÉDIO 30 Esporte Orientação na escola e suas possibilidades Dentre outros questionamentos, me perguntei por que esta prática tão abrangente e significativa de conteúdos e competências da educação física escolar não estava inserida no contexto e cotidiano escolar e nem no âmbito das discussões e pensamentos acadêmicos. Embora questionasse, para mim, as respostas estavam evidentes, a saber: em nosso estado, quando comparamos a outros estados vizinhos, temos poucos praticantes dessa modalidade esportiva; se considerarmos o número de praticantes que estão inseridos no contexto escolar, ou acadêmico, a redução é mais drástica ainda; como não há disciplinas enfocadas na área de conhecimento de atividades física de aventura na natureza, na graduação, dificilmente os licenciados conseguem ter segurança ao abordar essa temática no contexto escolar; etc. Então, no processo de graduação, tive a oportunidade de ministrar aulas sobre o Esporte Orientação e verificar a possibilidade de abordar esta temática na Educação Física escolar baseando-se numa proposta de intervenção sistematizada. Segundo Ferreira (1999) o Esporte Orientação possui 3 vertentes distintas: modalidade desportiva, atividade lúdica e atividade educativa. No primeiro momento deste capítulo, tratamos da modalidade desportiva e neste momento traremos sua vertente educativa, como atividade lúdica o Esporte Orientação não será enfocado nesta ocasião. Fazendo um breve retorno a história desta modalidade esportiva e da Educação Física, percebemos mais em comum do que podemos imaginar, por hora o enfoque que pretendemos dar nesta relação histórica está ligada a influência militar em ambos os conhecimentos, até se chegar a esta vertente educativa que temos pensado mais recentemente. A ideia de orientação, antes mesmo de ser um esporte, surgiu e foi sendo ressignificada, aprimorada, adaptada, essencialmente no meio militar (CLUBE DE ORIENTAÇÃO POTIGUAR, 2013c; FERREIRA, 1999) e apenas com o passar dos tempos, por volta dos anos 80 no Brasil, é que foi incorporada ao meio civil. Da mesma forma os caminhos da Educação Física perpassam o contexto militar. Segundo Melo (2007, p.114), “desde meados do século XIX pôde-se observar nas escolas militares brasileiras a preocupação com a sistematização e o ensino de práticas ligadas ao exercício físico.”. Para além das escolas militares, “no meio civil, tal influência se estendeu a nosso sistema escolar 31 da época por conta da atuação direta dos instrutores, em grande parte militares.” (MELO, 2007, p. 115). Didática e metodologias de ensino a parte, ambos os conhecimentos percorreram o caminho extremamente militarista, com o passar dos anos tornando-se demasiadamente esportivista e em dias mais recentes preocupando-se um pouco mais cuidadosamente com a educação (DARIDO, 2003). Talvez por estes caminhos históricos, por hora tão similares, hoje tenhamos essa visão de vertentes, e possamos considerar o esporte não como forma de seleção e sim de inclusão, sendo esta uma das grande funções da educação. Analisando a educação física escolar, seu objetivo primordial deixa de ser voltado a descoberta e supervalorização de atletas nacionais e passa a buscar a participação efetiva de estudantes nas aulas, além de propor uma ampliação de conteúdos e vivências que a educação física deve contemplar na escola. Estabelece-se então a cultura de movimento, as práticas corporais passam a ser intimamente relacionadas com a cultura de determinada população e por a cultura não ser um conceito estagnado, que sofre influências e contribuições diversas, segue modificando-se ao longo dos tempos. No contexto de nossa pesquisa, a manifestação de cultura de movimento em questão é o esporte. Conforme relatado acima, a Educação Física escolar passa a incorporar outra visão dos conteúdos a serem abordados no intuito de romper com a prática reducionista que explorava apenas os esportes mais populares, como futebol e vôlei, por exemplo. Refletindo sobre a importância da mudança nestas práticas esportivas escolares, o PCN traz que: Segundo o Art. 27, Inciso IV da LDB, “Os conteúdos curriculares da Educação Básica observarão, ainda, as seguintes diretrizes: promoção do desporto educacional e apoio às práticas desportivas não-formais.” [...] O esporte, de preferência nãoformal e de cunho educativo deve encontrar-se presente na escola. O que significa que os momentos dessa prática devem atender a todos os alunos, respeitando suas diferenças e estimulando-os ao maior conhecimento de si e de suas potencialidades. (BRASIL, 2000, p. 37) Com esta diretriz do principal Parâmetro balizador da prática pedagógica nacional, deixa clara a necessidade de inclusão. Neste caso, dos próprios estudantes que se viam marginalizados do processo de ensino e aprendizagem em educação física escolar, por não se sentirem aptos às aulas. Para que o esporte deixe de ter um cunho meramente técnico e passe a se caracterizar com uma prática esportiva que visa inclusão social dos estudantes, como idealizado, é necessário considerar que algumas adaptações devem ser pensadas no intuito de oferecer conhecimentos e práticas corporais que sigam as dimensões humanas atingidas nas categorias 32 de conteúdo procedimental (o que se deve saber fazer?), conceitual (o que se deve saber?) e atitudinal (como se deve ser?) (DARIDO; OLIVEIRA, 2009). Estas questões serão exemplificadas no capítulo 3 desta pesquisa. Melhor dizendo, não se trata apenas de se conhecer novas técnicas ou conceitos do esporte, trata-se de cuidar pedagogicamente do esporte. Corroboramos então, a ideia de Kunz, quando define que o objeto de ensino da educação física é: [...] não apenas o desenvolvimento das ações do esporte, mas propiciar a compreensão crítica das diferentes formas da encenação esportiva, os seus interesses e os seus problemas vinculados ao contexto sociopolítico. É, na prática, permitir apenas o desenvolvimento de formas de encenação do esporte que são pedagogicamente relevantes. (KUNZ, 2004, p. 73) A nosso ver, para que ocorra a transformação didático pedagógica do esporte, proposta por Kunz (2004), é importante refletir e problematizar os aspectos que obstacularizam esta aproximação e quais propostas pedagógicas poderiam ser efetivadas com intuito de criar de fato um diálogo do esporte no contexto escolar. Convido então o esporte orientação para ser tema deste novo diálogo. Pois se o intuito é estabelecer um novo diálogo, nada melhor e mais estimulante do que uma nova pauta. Considerando e contextualizando a realidade nordestina do esporte orientação na educação física escolarizada, percebemos esforços consideráveis e pontuais para inserção desta temática no cotidiano escolar. Algumas particularidades podem ser consideradas neste sentido, por exemplo, o esporte orientação ganhou formas no âmbito militar e por esta razão as escolas militares de todos Brasil são grandes impulsionadoras na formação de orientistas, como são chamados os praticantes do esporte; existem também esforços de professores que ministram outras disciplinas que não a educação física e por meio de projetos interdisciplinares tematizam o esporte orientação no contexto escolar e dessa forma cooperam para uma nova relação de ensino aprendizagem no ensino médio, concordando pois, com um dos principais objetivos propostos pelo PCN, para o ensino de Educação Física no Ensino Médio, que é “aproximar o aluno do Ensino Médio novamente à Educação Física, de forma lúdica, educativa e contributiva para o processo de aprofundamento dos conhecimentos” (BRASIL, 2000, p. 33). Observamos que o atual cenário é favorável a iniciativas criativas e que contribuam para a formação dos estudantes, no nosso caso do ensino médio. Em geral, as atividades que envolvem contato com a natureza e risco, possuem diversas nomenclaturas. Respeitamos os termos utilizados pelos autores, mas para evitar confusão, definiremos neste momento que o Esporte Orientação está para nós, mais 33 aproximado do que Franco (2011, p.268) denominou de Atividades Físicas de Aventura representada pela sigla AFA e são consideradas pelo autor, como: Práticas corporais que aliam o prazer e atributos da Cultura Corporal De Movimento a uma outra visão, um outro estilo de vida fora do cotidiano, que integra homem, e sua tecnologia, ao meio natural e urbano, utilizando o universo do jogo e suas concepções no contexto do lazer, na competição e no lúdico, com atividades de risco controlado, e à conscientização da necessidade de preservação ambiental, utilizando, principalmente , as energias da natureza como obstáculos a serem vencidos. Sobre as AFA, deve-se considerar um aspecto importante, a imprevisibilidade da natureza. Independente da modalidade que esteja sendo praticada, os participantes estão todos sujeitos as intempéries do clima, etc. Nesse sentido Le Boulch (2007, p.316) afirma que, “Assim, o movimento padronizado, mecanizado, não é capaz de substituir a plasticidade de automatismos e de condutas, que devem se ajustar permanentemente às condições apresentadas pelo meio natural”, e ainda: “Essa descoberta vivida na natureza, os esforços que ela exige, e o prazer proporcionado, prolongar-se-ão por meio de preocupação de preservá-la e respeitá-la.” Sendo a meu ver, esta uma experiência prática muito significativa ao desenvolvimento do ser. Nesse sentido, ao abordar estas temáticas, Le Boulch (2007, p.315) relata o seguinte objetivo, “[...] é deixar de enfatizar a tendência competitiva em benefício de um melhor conhecimento de si que essa atividade pode oferecer ao sujeito, por meio da experiência de sua própria eficiência.” E para que estas vivências ocorram de maneira significativa é interessante que se tenha bastante tempo disponível. Alguns, ainda escassos, estudos da Pedagogia da aventura proposta por Pereira e Armbrust (2010), vem demonstrando a importância e possibilidades de se contemplar os esportes de aventura, nomenclatura utilizada pelos autores, no contexto escolar, dentre eles o Esporte Orientação, para todos os níveis de ensino. Um dos objetivos dessas intervenções segundo Pereira e Armbrust (2010, p.150) é “Ampliar a abrangência dos conteúdos das aulas apresentando aos alunos elementos que possibilitem compreender e praticar com segurança atividades de aventura”, além de, dessa forma os estudantes conhecerem uma nova manifestação da cultura de movimento. Agora que conhecemos um pouco sobre as AFA, os objetivos de propor aulas com esta temática, que o professor de Educação Física tem autonomia de propor novas experiências motoras é importante pensar como essas aulas deveriam seguir, algumas estratégias de ensino etc. 34 Concordamos com Pereira e Armbrust (2010, p.44) com as formas de se dar aulas de atividade de aventura propostas, que se baseiam em três momentos que eles denominam de: momento de experimentação (baseado no que os estudantes já conhecem, eles se familiarizam com os equipamentos ou técnicas), momento de resolução de problemas (quando o professor baseado nas dificuldades e limitações observadas no grupo promove situações desafiadoras, para que o grupo resolva) e o momento de organização (fase de aprofundamento das vivências e conhecimentos do movimentos envolvidos na ação). Acreditamos que seguindo esta organização das aulas os estudantes podem assimilar os conhecimentos da prática esportiva de forma muito mais eficiente e fluída. Franco (2011) sugere como estratégias metodológicas, para o ensino do Esporte Orientação na escola, a pesquisa dos diferentes tipos de mapas e equipamentos, a exposição de vídeos relacionados ao esporte, etc. já para os momentos de práticas esportivas há a sugestão, que evoluam de forma gradativa, adaptando os estudantes aos croquis e mapas cartográficos específicos de orientação, bem como trabalhar em equipes e individualmente, dentre outras sugestões. Por se tratar de um material fundamental (o mapa) e que realmente exige uma adaptação as suas especificidades, concordamos que as aulas evoluam no sentido de perpassar por croquis (desenhos) de determinados espaços, dando ideia da localização de objetos no espaço, evoluam para mapas simples de orientação e se possível for, por ultimo explorar espaços baseando-se em mapas de orientação que seguem as especificações internacionais, enriquecendo ainda mais estas vivências. Para Darido e Rangel (2008, p. 184), “as experiências com o esporte de aventura, podem contribuir para um entendimento diferenciado do esporte na escola”. No intuito de buscar outros referenciais teóricos que contemplem relatos de experiência pedagógica da modalidade Esporte Orientação na escola, realizamos uma busca avançada no Portal de Periódicos da CAPES, no dia 16 de outubro de 2013, pelos descritores: “esporte” e “ensino médio”. A princípio, sem restrição de tempo e de tipo de documento. Também não foi delimitado idioma específico. A respeito do descritor “esporte”, há recomendações de que as pesquisas por modalidades esportivas em específico sigam o protocolo de pesquisar apenas pelo termo esporte, pois assim os periódicos vinculados ao portal tem chances maiores de sucesso na busca. A busca inicial trouxe 111 documentos e ao filtrar a busca para o idioma português, tivemos 43 arquivos, dos quais nenhum tematizava o Esporte Orientação. Constatamos que a 35 produção científica referente ao Esporte Orientação, especialmente, no contexto escolar é insignificante, para este portal. Embora a produção bibliográfica seja ainda escassa, o material ao qual tivemos acesso, já demonstra a possibilidade de contemplar, o conteúdo esporte tematizando o Esporte Orientação. Encontramos dados que apontam que em 1998, o Esporte de Orientação foi incluído nos currículos das escolas municipais de Cachoeira do Sul - RS, e na atualidade encontra-se incluído como disciplina em algumas escolas e Universidades, inclusive ao nível de pós-graduação na Universidade do Paraná. (OLIVEIRA; BARROSO; COSTA JUNIOR, 2008, p.1) Como podemos perceber o Esporte Orientação já vem sendo praticado e inserido no contexto escolar em outros lugares e realidades distintas da nossa, o que nos estimula ainda mais a buscar esta inserção também em nosso contexto escolar. Então, o sentido que os pensamentos, esforços e ações devem seguir, são o sentido de materializar o esporte-educação, aqui entendido como “focalizado na escola, tem por finalidade democratizar e gerar cultura pelo movimento e expressão do indivíduo em ação como manifestação social e de exercício crítico da cidadania, evitando a exclusão e a competitividade exacerbada.” (DARIDO; RANGEL, 2008, p. 180). É dessa forma que entendemos que o Esporte Orientação, enquanto Atividade Física de Aventura, pode ser vislumbrado no contexto escolar, enquanto esporte-educação e tendo como principal objetivo a ampliação da cultura de movimento dos estudantes, em especial no ensino médio por ser um espaço de aprofundamento e diversificação dos conteúdos. 36 A INTERVENÇÃO EM ORIENT(AÇÃO) 37 Denominamos este capítulo de Intervenção em Orient(ação) para enfatizar a dupla possibilidade interpretação: a intervenção em orientação, referindo-se ao Esporte Orientação; 38 e a intervenção em ação, aludindo as ações pedagógicas postas em prática e relatadas neste momento. A título de esclarecimento da organização dos planos de aulas, salientamos que cada plano de aulas, abrange dois horários de aulas, consecutivas, por exemplo, o plano de aulas 1 refere-se as aulas 1 e 2. Nesse sentido, tivemos a aplicação de 8 aulas presenciais, sendo distribuídas em 4 planos de aulas e um momento final de avaliação, não presencial, sobre os conhecimentos apreendidos após as vivências. 3.1. IDENTIFICAÇÃO DO CAMPO DE PESQUISA-AÇÃO Consideramos importante a contextualização do campo em que a pesquisa será realizada por entender que assim teremos um melhor diagnóstico da localidade e facilitará o planejamento. Nosso campo de ação foi o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte - IFRN que conta com 15 campi, distribuídos em 13 cidades e municípios distintos, sendo 3 deles situados em Natal, capital do RN (RIO GRANDE DO . NORTE, 2013) Para as intervenções, caracterizadas nesta pesquisa como aulas práticas, escolheu-se o IFRN, campus de Parnamirim, situado a Rua Antônia de Lima Paiva, bairro Nova Esperança, as margens da BR 101. A escolha da escola se deu concomitantemente com a empatia pela prática pedagógica do professor, que já vinha realizando um trabalho em Educação Física escolar diferenciado com os estudantes em sua dissertação de mestrado e sua prática pedagógica, incluindo novos esportes no contexto escolar, mas nem um praticado ao ar livre. 3.2. ELABORAÇÃO DO DIAGNÓSTICO A elaboração do diagnóstico é pautada na observação e identificação do campo de pesquisa como um todo, considerando espaços, materiais, atores, etc. de toda infra-estrutura do local a ser realizada a ação e nos seus arredores. Como o IFRN Parnamirim está a margem da BR 101 e tem muitos terrenos com plantações nos arredores este diagnóstico não foi 39 realizado. O diagnóstico realizado considerou o contexto da própria escola e está aqui descrito. Para Oliveira et al. (2009, p.245), A elaboração do diagnóstico é contínua, considerando que a realidade deve e precisa sofrer alterações, em função da nossa intervenção pedagógica (diagnóstico continuado), e responder às seguintes questões: a) Quem são os atores? b) Em que contexto, onde e quando? c) Por que há necessidade? d) Diagnosticar e delimitar o contexto e prover recursos possíveis. Segue então, nosso diagnóstico no qual as questões de quem são os atores e em que contexto estão respondidas neste mesmo item. Já o porque da necessidade e diagnosticar e delimitar o contexto e prover recursos possíveis, estão contemplados na sequência deste mesmo capítulo. Os atores sociais O projeto de pesquisa-ação foi apresentado primeiramente ao professor de Educação Física da escola, Alison Batista, que por sua vez apresentou a ideia aos estudantes e diretores, acadêmico e geral, do Instituto. A turma atendida pelas aulas foi a turma “A” do segundo ano do ensino médio integrado do curso de Mecatrônica, que foi escolhida mediante a compatibilidade de horários meus e do professor e é composta por 33 estudantes com matrícula ativa, sendo 6 meninas e 27 meninos. Os atores sociais envolvidos diretamente na pesquisa-ação foram: O professor Alison Batista do componente curricular Educação Física que auxiliou de forma fundamental, desde a apresentação do projeto à escola, perpassando pelo planejamento, montagem da pista de orientação, avaliação das aulas, etc; A pesquisadora em questão, Dandara Sousa, que apresentou esta proposta aos atores; Os estudantes que foram muito participativos, tiraram dúvidas, deram suas contribuições. Contamos ainda com o apoio do Clube de Orientação Potiguar – COP, para realização da última aula, que foi a mais aproximada da modalidade esportiva de fato. Para fechar com “chave de ouro”, a equipe de comunicação social do campus divulgou uma notícia produzida pelo professor Alison Batista a respeito desta distinta iniciativa, ao final de nossa intervenção. Contexto, onde e quando Para as intervenções em Esporte orientação não se faz necessário estrutura material e física cara ou específica do esporte. Quanto mais espaço disponível houver para que o Esporte orientação seja realizado, melhor. Vale salientar que, o pouco espaço não impossibilita a realização de aulas nesta temática. Nesse sentido, o IFRN Parnamirim é incrível. A escola, recém-construída, conta com um terreno consideravelmente grande e poucas construções, um 40 pequeno terreno pavimentado, áreas abertas e com vegetação espaçada, o que varia e enriquece a vivência do esporte orientação. É fato notório que o IFRN é sem dúvida uma das escolas que possui melhor estrutura física para aulas de Educação Física escolar atualmente em nosso estado, contando com os mais diversos espaços para aulas de prática corporais, tais quais ginásio poliesportivos, piscinas semi olímpicas, etc. Além da estrutura física também há ampla disponibilidade de materiais para estas práticas, os quais não necessitam citação neste momento pois para as aulas de Esporte orientação, no contexto específico, não se faz necessário disponibilidade de materiais dos esportes convencionais, nenhum deles. Utilizamos apenas um espaço esportivo convencional, a quadra poliesportiva da escola. Porém para aulas teóricas, como foi o caso da primeira aula, que será melhor explicitada mais adiante, o IFRN possui um diferencial significativo para a introdução necessária ao tema, um equipamento de mídia excelente, disponível na própria sala de aula. Esta é uma rara exceção no contexto escolar. Foi necessário no planejamento sistematizado das aulas a utilização de vídeos, imagens e apresentações dinâmicas que são favorecidas, quando a escola dispõe de datashow, caixas de som e salas de aula que proporcionem algum conforto para que os estudantes estejam envolvidos na aula, mesmo passando dois horários consecutivos em uma mesma aula. Tudo isso foi possível e plenamente alcançado, muito também por eles já estarem adaptados a estes recursos e metodologias de ensino em suas aulas, inclusive de Educação Física, fruto do trabalhado realizado pelo professor Alison Batista com a turma. Respondendo ao “quando”, temos que as aulas foram realizadas sempre as sextas-feiras, iniciando dia 20.09.13 e com fim dia 11.10.13. As ações abrangeram o intervalo de tempo das 13:00h às 14:30h. 3.3 O PLANEJAMENTO DAS AÇÕES DE PESQUISA-AÇÃO A nosso ver, um dos passos mais importantes ao se pensar em ministrar qualquer aula que seja, é o planejamento das aulas. Gostaríamos de dar uma pequena ênfase, ao modo como foi realizado o planejamento das aulas. Embora o conteúdo e a temática, esportes e esporte orientação, respectivamente, já estivessem pré-determinados, o planejamento das aulas se deu de forma participativa, aqui entendido como, 41 são as intenções/ações que o grupo de pessoas envolvidas nesse processo (coordenadores, professores, monitores, alunos, comunidade, agentes comunitários, dentre outros) deve desenvolver e efetivar (OLIVEIRA et al.,2009, p. 241) Desta maneira, o planejamento inicial se deu de forma participativa com o professor da turma e a seguir o planejamento foi realizado conjuntamente entre os atores sociais envolvidos no processo de ensino a que se propõe esta pesquisa. Realizar o planejamento participativo com o professor da turma foi de suma importância, não só por nos trazer um pouco de sua experiência com a turma atendida, mas também por nos colocar a par de toda estrutura física, material e pessoal que teríamos disponível nas nossas ações. Além do conteúdo e temática, estava também bem estabelecido o objetivo geral que tínhamos ao aplicar estas aulas, que foi o de ampliar a cultura de movimento dos estudantes, por meio de possibilidades pedagógicas de inserção de novas temáticas no contexto da educação física escolar, em específico o ensino médio. A partir deste objetivo geral bem definido, passamos a considerar os outros aspectos do planejar. Corroboramos a idéia de Darido e Oliveira (2009, p.207), quando diz que, É importante ressaltar que só é possível refletir sobre como o professor deve ensinar se estiverem muito claras quais são as metas, aonde se quer chegar com o aluno e com o programa esportivo. Por isso, discutir “questões metodológicas” implica reconhecer o que move o professor a agir em sua prática [...]. Seguimos então, definindo questões de como iríamos ensinar. Quais materiais utilizar, de quais recursos lançar mão, planejando de maneira ainda mais cuidadosa as aulas essencialmente teóricas, como foi a primeira aula. Assim, o seguinte procedimento pedagógico foi o de planejar cada aula, apenas após aplicação da última. Ou seja, aplicamos a aula 1 e então sentamos para planejar a aula 2. Dessa forma conseguíamos avaliar o aprendizado da aula anterior e propor vivências para aula seguinte que estivessem mais niveladas a como a turma se desenvolveu durante a aula anterior, baseados num processo de ação-reflexão-ação. Sobre este modo específico de planejar, Schon (2000 apud OLIVEIRA et al., 2009, p. 238) traz que “o planejamento deve ser elaborado e analisado a partir da reflexão na ação, da reflexão sobre a ação e da reflexão sobre a reflexão da ação.” Esta forma de reflexiva de planejar as aulas pode ser mais precisa e atender melhor as necessidades dos envolvidos do que elaborar um planejamento geral, que será necessário ser reelaborado a cada nova aula. Isso não quer dizer que não seja necessário um planejamento geral, de unidade didática, que identifique os objetivos e conteúdos gerais que se pretende 42 trabalhar nas aulas, como os que já estavam definidos desde o princípio de nossas ações e já foram aqui expostos. A seguir propomos um organograma (Organograma 1), que baseia-se na proposta de planejamento para o Programa Segundo Tempo, proposto por Oliveira et al. (2009, p. 242) e como podemos visualizar há dois passos que são indicativos para a reelaboração do planejamento, a elaboração de objetivos e a avaliação, neste caso referentes ao plano micro, ou seja, objetivos e avaliações de cada aula em específico, baseados nestes dois aspectos é que planejamos a aulas posteriores às aplicadas e por conseqüência, estabelecíamos neste mesmo momento a seleção de recursos. Desse modo não se fazia necessário reelaborar o planejamento e não fugíamos de nosso objetivo geral e do conteúdo, ou conhecimento que nos propomos atender. Dessa forma entendemos que nosso planejamento perpassou as seguintes etapas: Organograma1 - Planejamento macro e micro realizado nesta pesquisa-ação. Identificação do campo de pesquisa-ação (Realizada no item 3.1 deste capítulo) Elaboração do diagnóstico (Realizada no item 3.2 deste capítulo) Elaboração da fundamentação teórica (Realizada no capítulo 2) Elaboração de objetivos Indicativos para o processo de reelaboração do planejamento Seleção e organização dos conteúdos Práticas, metodologias e procedimentos no planejamento das aulas Seleção de recursos Avaliação Salientamos nesse momento do texto os quatro últimos itens, por serem mais específicos do planejamento micro, ou seja, de cada plano de aula, mas entendemos e sinalizamos que o planejamento macro, de objetivos e conteúdos gerais bem como os 3 primeiros itens deste organograma já foram contemplados em momentos anteriores. Entendemos pois, que os processos de identificação do campo de pesquisa, a elaboração de fundamentação teórica e a realização do diagnóstico, são constituintes indispensáveis para que seja possível concretizar o planejamento micro, das aulas. 43 Para corroborar com a importância dada ao planejamento e a relação entre o planejamento macro e micro, trazemos a fala de Oliveira et al. (2009, p.243). O planejamento [...] deve apresentar uma articulação plena entre todas as etapas apresentadas, para manter a ação educativa coerente e interativa. Vale destacar que especificamente os aspectos diagnóstico – objetivo – procedimentos metodológicos – avaliação têm um papel importante para o processo de articulação e efetividade da ação de planejar. A articulação entre essas etapas de planejamento deve ser realizada de modo sistematizado, organizado, afim de que não só o planejar seja efetivo como principalmente o aprender. O planejamento de nossas aulas baseou-se na compreensão de sistematização de conteúdos em Educação Física que segundo os autores Kawashima, Souza e Ferreira (2009, p.458), “sistematizar os conteúdos da Educação Física escolar nada mais é do que organizálos de modo coerente com cada nível de ensino” e ainda, “embora orientada pela relação de um determinado contexto e da literatura sobre o assunto, pode ser adaptada pelo professor de acordo com a metodologia escolhida e as propostas ligadas aos temas característicos [...].” (KAWASHIMA; SOUZA; FERREIRA, 2009, p. 467). Assim, não apenas os conteúdos e objetivos foram planejados de maneira sistematizada, pois compreendemos que para que ocorra a sistematização se faz necessário um planejamento embasado por elementos didático-pedagógicos, objetivando a aprendizagem dos estudantes. A didática da educação física consiste em organizar e direcionar o processo de ensinoaprendizagem, a partir dos seus elementos: conteúdos, objetivos, estratégias metodológicas, recursos e avaliação. Assim, o professor terá condição de observar a evolução dos estudantes de maneira progressiva. (SENA et al., 2013, p. 2). Dessa forma, nossa intenção ao planejar as aulas, foi não apenas contemplar conteúdos adequados para determinado nível de ensino. Entendemos, portanto, que em se tratando da Educação Física escolar o trato dos elementos pedagógico são fundamentais para o sucesso de qualquer proposta de ensino, sendo inclusive fator determinante para a aprendizagem. Considerada a importância dada ao planejamento das ações pedagógicas da pesquisa como um todo, visto que a mesma foi realizada em contexto escolar, seguimos com o relato das aulas que foram ministradas e que fazem parte do planejamento de ações a nível micro como já foi posto. 44 3.4. RELATO DAS INTERVENÇÕES Encontro 1 (Aulas 1 e 2 – Apêndice - A) Este primeiro encontro foi realizado em 20 de Setembro de 2013 e para estas duas primeiras aulas planejou-se momentos pedagógicos, baseados nos seguintes objetivos: Aula 1: Conhecer o conceito de “Esporte orientação” enquanto prática esportiva. Aula2: Apropriar-se das especificidades do mapa de Orientação. Baseados nestes objetivos decorreram todas as escolhas subsequentes, da mesma forma com que planejamos os elementos no plano macro, seguimos planejando no micro. Um fator relevante para a escolha das estratégias metodológicas de ensino, foi a disponibilidade de recursos didáticos audiovisuais disponíveis na própria sala de aula da turma. Esta primeira aula foi realizada em sala de aula, visto que para abordagem do tema escolhido faz-se necessária uma familiarização com as peculiaridades do esporte. E por incrível que pareça, essas peculiaridades não dizem respeito exclusivamente aos conceitos e histórico do esporte, como comumente se inicia as aulas sobre uma nova temática. Por se tratar de uma turma de ensino médio, madura como a turma em questão, podese contemplar um aprofundamento maior da categoria de conteúdo conceitual, visto que já há maior maturidade no entendimento de certos conceitos e há, por vezes, a necessidade de aprofundamento de determinadas temáticas, para evitar a repetição dos conhecimentos, ao longo dos anos de escolarização, sendo esta uma característica inclusive do processo de sistematização que se deseja alcançar neste processo de planejamento e de pesquisa-ação. Iniciou-se o diálogo com o estudantes com um questionamento simples e bem objetivo: “Quem aqui conhece alguma coisa, qualquer coisa, sobre o Esporte orientação?”. Fez-se o mais absoluto silêncio, demonstrando não só a timidez do contato inicial da turma como a falta de segurança e conhecimento para tratar de tal temática. Então, alguns questionamentos secundários foram postos afim de estreitar o diálogo. “Quem já ouviu falar em trekking, montanhismo, corrida de aventura?”. “Quem já praticou alguma daquelas corridas que se faz de carro em que o passageiro vai ‘lendo’ um mapa?”. Estava feita a roda inicial. Sobre o trabalho em rodas Darido e Oliveira (2009, p. 217) recomendam, 45 iniciar e finalizar as aulas em roda. Na roda inicial,todos os alunos se posicionam lembrando o que foi realizado na última aula e trazendo informações sobre algum fato ou observação do cotidiano esportivo, ou simplesmente é apresentado o que será aprendido naquela aula. Na roda final, podem-se discutir os erros, os acertos, o que foi aprendido, o que faltou para ser complementado, o que será trabalhado no próximo encontro, além de outros aspectos que o professor e os alunos julgarem importantes. Na roda não há início nem fim; há um sentido de igualdade e união, na qual todos falam e são ouvidos, enfim, um espaço coletivo. Superamos o silêncio absoluto inicial e grande parte da turma dizia não conhecer o esporte orientação mas que já havia feito caminhadas no “meio do mato”, como eles relataram. Nenhum deles praticou corrida de aventura ou nenhuma das outras modalidades correlatas3 questionadas, mas muitos conheciam algo sobre a corrida de aventura e sobre os passeios noturnos de carros 4x4 e relataram ter conhecidos que praticaram ou que já assistiram reportagens ou documentários de atletas destas modalidades. Utilizamos da contextualização “recurso de que o professor deve lançar mão para retirar o aluno da condição de espectador passivo do processo de conhecimento” (DARIDO; OLIVEIRA, 2009, p. 216) e conseguimos estreitar o diálogo por meio de temas que os estudantes possuíam algum conhecimento prévio e que poderíamos estabelecer semelhanças a fim de facilitar a compreensão. Em seguida, exibimos uma seleção de três vídeos editados especificamente para esta aula, seguindo uma sequência crescente do que é mais básico ao mais complexo no entendimento do esporte. A escolha destes vídeos e a proposital exibição em determinada sequência corroboram a ideia de sistematização dos conhecimentos. Observamos e objetivamos que a sistematização das aulas estivesse presente nos objetivos gerais, nas estratégias metodológicas, na avaliação, ou seja, em toda prática pedagógica que permeia nossas ações. Por este motivo, há uma evolução dos cenários e conhecimentos transmitidos nos vídeos, que inicia já no vídeo 1 (Foto 1), no ambiente real, inclusive com a descrição de momentos reais de uma prática esportiva do esporte orientação. O segundo vídeo (Foto 2) demonstra a transição onde há dois momentos sendo enfocado um, a corrida real e outro que já há uma representação do mapa de orientação, auxiliando os estudantes a visualizarem de forma clarificada a representação cartográfica do mapa de orientação além de compreender a técnica de planificação dos terrenos utilizadas nos mapas de orientação. O terceiro vídeo 3 Entenda-se por modalidades correlatas, esportes ou práticas corporais que tenham características em comum com o Esporte Orientação que, por exemplo, utilizem-se de bússolas, mapas, ou sejam praticados em ambiente natural, em contato direto com a natureza. 46 (Foto 3) demonstra a imagem exclusiva do mapa relativo a categoria que está competindo e os pontos coloridos representam os atletas e seus erros e acertos durante a prova. Foto 1 - Referente ao vídeo 1. Foto 2 - Referente ao vídeo 2. Foto 3 - Referente ao vídeo 3. Fonte das fotos 1, 2 e 3: Arquivo pessoal da autora. Créditos: Dandara Sousa. Utilizando como estratégia metodológica os vídeos supracitados foi possível, mostrar de forma sistematizada e o conhecimento sobre o esporte orientação e a técnica de planificação de terrenos, do mapa de orientação, que nada mais é, do que transformar o terreno real em 3 dimensões em um mapa específico de orientação em duas dimensões. Dessa forma, atingimos os objetivos definidos para este encontro e que foram inicialmente descritos. Para complementar a conceituação do esporte, utilizamos o prezi4. Nesta apresentação, trouxemos o conceito básico, de dicionário inclusive, de esporte e de orientação, técnicas de orientação (pelo sol, pela bússola, pelo terreno), e além disso, as especificidades do Esporte como um todo, que já foram abordados no capítulo 2, item 2.1, deste trabalho. Alguns estudantes não conheciam o prezi e gostaram dos movimentos a mais na apresentação. Trago um trecho do relato produzido por uma das estudantes da turma para exemplificar, como a escolha de estratégias metodológicas adequadas podem colaborar para que a aula não se torne tão maçante, mesmo sendo em sala de aula. Ela disse, Em um primeiro momento a aula foi em sala, mais para conhecimento do que era o esporte, sua história, como consistia as regras, como funcionava como todo. Mas o divertido, não foi uma aula monótona, nós perguntávamos e tudo mais, e foi tudo bem esclarecido pela professora, ela soube explicar tudo de uma forma simples, clara e divertida. Dessa forma, tivemos uma aula quase completamente em forma de roda, onde os estudantes e o professor Alison Batista, participaram ativamente e em grande quantidade das discussões, tirando dúvidas, gerando possibilidades e em simultâneo com esses momentos íamos mediando os conhecimentos do esporte Orientação, que por vezes sanavam algum 4 Recurso midiático semelhante a apresentação de slides. Este realiza apresentações mais dinâmicas no computador, podendo ser produzido e editado na internet (prezi.com) e depois realizar download, para que não seja necessária conexão de internet para exibi-lo 47 questionamento que estava por vir, ou geravam um novo. Talvez, por esta mediação, a estudante relate que foi um momento divertido, onde poderia só haver monotonia. Para encerrar a aula, a avaliação proposta foi que os estudantes desenhassem a de planificação de um terreno imaginário e localizassem onde estavam seus pontos cardeais no desenho, baseado nas orientações dadas. As orientações lidas por mim em sala e repetidas conforme solicitação dos mesmos para relembrar alguns detalhes, foram: “Desenhar de forma planificada (baseados no ISOM 2000) um lago a direita (leste), uma estrada a frente (norte), uma árvore distinta atrás (sul) e uma montanha (rochosa ou arenosa) a esquerda (oeste).” As palavras entre parênteses, pontos cardeais, não foram citados, eles que deveriam localizar no próprio desenho de acordo com o conhecimento adquirido sobre orientação e perspectivas. A exemplo do desenho a seguir (Ilustração 9), realizado por um dos estudantes. Ilustração 9 - Representação da planificação de terreno em mapa realizada por um dos estudantes. Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa Desta aula, participaram 27 estudantes as planificações foram muito boas. Uma pequena parcela da turma esqueceu de localizar os pontos cardeais no desenho, outros poucos não se desenharam em perspectiva (representando frente e trás de seu próprio corpo) nem localizaram os pontos cardeais o que dificulta a orientação dos mesmos, só conseguimos inferir que a localização dos acidentes do terreno estão corretos, pois os mesmos não se confundem. Um dos desenhos me chamou atenção, um dos estudantes não se desenhou como figura humana, se representou enquanto ponto de largada, ou seja, como triângulo, ele demonstra a planificação inclusive dele mesmo, demonstrando-se como se fizesse parte do próprio mapa, esse detalhe foi bem interessante. E por mais que não houvesse perspectiva de frente e trás do corpo, uma das quinas do triângulo, apontava para frente, o que indicava ser o 48 norte. Por ser um volume muito grande de avaliações, não traremos de forma mais detalhada, ou com ilustrações, todos os casos avaliados. Ainda sobre a avaliação, mas não um método avaliativo específico como no caso do desenho, em todas as aulas foram avaliados se, tanto o planejamento das aulas quanto se os estudantes haviam apreendido as dimensões de conteúdos que, consiste em ensinar esporte, [...] em seus fundamentos e técnicas (dimensão procedimental). Inclui também os seus valores subjacentes, ou seja, quais atitudes os alunos devem ter nas e para as atividades corporais (dimensão atitudinal). Finalmente, consiste em buscar garantir o direito do aluno de saber o porquê de estar realizando este ou aquele movimento, isto é, quais conceitos estão ligados àqueles procedimentos (dimensão conceitual) (DARIDO; OLIVEIRA. 2009, p. 214) Desta maneira, não foi verificado apenas se os estudantes aprenderam o conceito do esporte orientação (dimensão conceitual), ou a fazer a planificação do terreno (dimensão procedimental), como posto nos objetivos das aulas, verificou-se também se participação foi efetiva, se o diálogo foi pertinente, se houve respeito entre os que participaram da aula (dimensão atitudinal). Vale salientar que por vezes como Darido e Oliveira (2009, p. 213) frisam, “que na prática docente, não há como dividir os conteúdos na dimensão conceitual, atitudinal e procedimental, embora possa haver ênfases em determinadas dimensões.” Dessa forma, percebemos que se os estudantes puderam ser avaliados de acordo com as dimensões de conteúdos é porque também houve a contemplação dessas dimensões desde o planejamento das aulas, numa tentativa de não esquecer ou dimensionar de forma desigual uma das dimensões em detrimento da outra. Encontro 2 (Aulas 3 e 4 – Apêndice B) Nosso segundo encontro se deu no dia 27 de setembro de 2013 e nesta ocasião nos dirigimos direto para o ginásio poliesportivo do Instituto, onde tivemos nossa roda inicial. Momento no qual foi questionado aos estudantes se eles haviam pesquisado algo sobre o Esporte Orientação e se eles lembravam de algumas das técnicas de orientação que haviam sido tratadas na aula passada, mas que não eram técnicas exatamente utilizadas no Esporte Orientação. A pesquisa não foi solicitada na aula anterior, gostaria de sondar apenas, até onde iria a curiosidade dos estudantes. Sobre as formas de se orientar, lembravam de todas que foram abordadas (pelo sol, por carta-terreno, etc.). 49 Dada a contextualização das formas de orientação da aula passada em roda inicial, começamos a introduzir o novo conhecimento, sobre técnicas esportivas utilizadas no Esporte Orientação, para além das técnicas de orientação básicas que já haviam sido ensinadas na aula passada e que eles tão bem lembravam. Nesse sentido, o objetivo destas duas aulas, foi conhecer e vivenciar algumas técnicas do Esporte Orientação. As técnicas que abordamos nesta aula são algumas técnicas básicas, que inclusive já foram descritas no capítulo 2, onde tratamos das especificidades do esporte orientação. As 3 primeiras técnicas relatadas abaixo, foram explicadas ainda em nossa roda inicial, para facilitar a visualização pelos estudantes, por se tratar técnicas de motricidade fina (relacionada a habilidades das mãos e dedos) e habilidades óculo-manual (de manipulação e observação detalhada do mapa de orientação). - Ponto característico: É uma marca no terreno de fácil identificação e que serve de referência, ou que será o ponto a ser visitado; - Leitura do mapa com auxílio do dedo: Seguir deslocando o dedo polegar, todo o caminho que está sendo percorrido durante a prova, facilitando a exata localização do terreno no mapa; - Orientação mapa-terreno: Verificar no mapa a semelhança com o terreno, de maneira que as referências coincidam e o mapa esteja “orientado” de acordo com o terreno. Compreendida esta primeira parte, nos dirigimos a quadra para realização de nossa primeira prática relacionada ao Esporte Orientação, a técnica do passo-duplo, fundamental para noção espacial e de distância percorrida durante uma pernada, por exemplo. - Passo duplo (Foto 4): Aferição da quantidade de passos necessários para percorrer, caminhando e correndo dada distância, que no nosso caso foi a distância da reta de corta transversalmente a quadra. Na ocasião, calculamos a hipotenusa (que é a reta que corta transversalmente a quadra) e concluímos que a distância a percorrer era de 45m. 50 Foto 4 - Aferição do passo-duplo (estudante da direita – caminhando; e o da esquerda - correndo). Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa Tentamos explorar os dois sentidos da quadra para evitar filas, mas infelizmente ainda ficaram muitos estudantes esperando enquanto os outros aferiam suas medidas, nesse sentido Darido e Oliveira (2009, p. 225) recomendam, “em casos especiais, procurem organizar uma situação que, mesmo em situação de espera, os participantes tenham uma função relacionada, pois dessa forma se sentirão envolvidos e atuantes.”. Assim, os que terminavam de aferir, me auxiliavam a anotar a aferição de passos dos que estavam na prática, mas ainda assim havia espera. Finalizada a aferição do passo-duplo, discutimos sobre algumas observações importantes, que inclusive foram pontuados no início da prática. A diferença de passos entre a caminhada e a corrida era em geral de 7 a 9 passos, só que alguns estudantes tiveram uma diferença de 12 a 13 passos. A respeito disso, discutimos dois pontos: - Provavelmente, quem teve essa discrepância entre as passadas, ou caminhou muito lentamente ou correu tão apressadamente, o que certamente não iria condizer com o ritmo de caminhada ou corrida que o estudante provavelmente teria em uma prova de Orientação; - A individualidade biológica, a diferença dos que são mais altos, mais baixos, que tem maior amplitude de movimento na abertura das pernas, etc. Em ambos os casos, o que há de comum é que com esta prática o estudante aprende a conhecer seu próprio corpo e seus próprios limites afim de melhorar sua prática esportiva e a ter autonomia ao realizar a prática. Para finalizar as práticas deste segundo encontro, fizemos um pequeno percurso de Orientação na própria quadra da escola, distribuindo prismas, confeccionado artesanalmente por mim, por todo espaço da quadra, todos ajudaram nessa distribuição. 51 Foto 5 - Montagem dos prismas. Foto 6 - Prisma posto na quadra (deitado). Fonte das fotos 5 e 6: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa Em seguida, distribuímos mapas que traziam a localização de todos os prismas, mas com percursos diferentes marcados e cada um com gabarito específico. As imagens a seguir demonstram 2 exemplos de percursos (Ilustração 10), melhor detalhados no apêndice E, que conta com a distribuição geral dos prismas e gabaritos. Para esta aula foram elaborados seis percursos diferentes. Cada grupo tinha um percurso diferente e largava 1 estudante de cada grupo por vez, de modo que os estudantes que estava na pista, não possuíam o mesmo percurso. Ilustração 10 - Mapas da pista de Orientação na quadra e seu respectivo gabarito. Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa Nas imagens acima, percebemos que em cada prisma há um número e uma letra correspondente. No mapa dos estudantes há apenas os números dos prismas e sequência em que devem ser visitados, estipuladas pela linha rosa que liga os pontos. Ao chegar em cada ponto o estudante deveria anotar a letra correspondente em seu mapa. A checagem dos mapas produzidos pelos estudantes nos fez concluir que todos compreenderam bem a orientação. Vários deles inclusive, tivemos a certeza de que o mapa estava sempre orientado, pelo simples fato de que as letras estavam escritas no mapa no exato sentido em que o estudante corria, 52 algumas letras de cabeça para baixo, por exemplo, quando o mapa fazia uma subida, descida no percurso. Um pouco deste momento está registrado na foto 7. Foto 7 - Estudantes na pista de Orientação na quadra do Instituto. Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa Para finalizar discutimos na roda final, quais técnicas eles conseguiram identificar nas práticas que realizamos. Muitos identificaram o ponto característico, outros a leitura do mapa com o auxílio do dedo. A técnica de mapa-terreno ou carta-terreno, ainda é pouco provável de ser vista, pois não há variações no terreno a serem observadas e o passo-duplo, muitos relataram não ter nem lembrado. Nesse sentido dialogamos com a ideia de técnica esportiva trazida por Darido e Oliveira (2009, p.226) que a entende como, um patrimônio a ser transmitido aos alunos, pois são movimentos construídos historicamente, são produtos de uma dinâmica cultural que podem ser preservados. É preciso reconhecer que a técnica, enquanto um dos elementos da cultura corporal, poderá possibilitar aos praticantes a prática autônoma do lazer e a crítica do espetáculo esportivo desde que assuma o papel de meio e não de fim em si mesmo. Como se vê, não se trata de negar o espaço da técnica, mas, sim, de repensar o seu espaço e tempo. Compreendemos que com as práticas contextualizadas das técnicas esportivas, do modo como realizamos estamos incluindo os conhecimentos sobre o esporte e não apenas repetindo os movimentos técnicos de dado esporte. Nesse sentido, verificamos quase que indistintamente as dimensões de conteúdos sendo contempladas, pois em uma aula em que o conceito e o procedimento estão intimamente ligados e em que há compreensão e respeito as técnicas foram tocadas as dimensões de conteúdo. Encontro 3 (aulas 5 e 6 – Apêndice C) Ao avaliar mais detalhadamente os mapas da aula anterior, verificamos que os estudantes já compreendiam muito bem as técnicas que eram cabíveis até aquele momento. Então conversei com o professor e com alguns atletas e diretores do Clube de Orientação 53 Potiguar, no sentido de nos planejarmos para uma aula mais aprofundada do Esporte Orientação, mas que ainda não fosse a prática esportiva em si. Decidimos que a última aula seria dedicada a este momento, o mais próximo possível de uma corrida do Esporte Orientação. Resolvemos então, para esta terceira aula, realizada dia 04 de outubro de 2013, um maior aprofundamento de como se dá a rotina do atleta do Esporte. Assim, o objetivo deste encontro era vivenciar uma pista de orientação. Esta foi a aula mais difícil de efetivar. O principal motivo da dificuldade foi a confecção do mapa de orientação do Instituto, baseado na ISOM 2000 (especificações para mapas de orientação) visto que para confeccionar estes mapas é necessário domínio mínimo do programa que é utilizado nessa construção, o OCad. Programa este que eu tive acesso algumas semanas antes das aulas ministradas e que apenas com o auxílio de mapeadores do Clube de Orientação Potiguar – COP, consegui dar meus primeiros passos, que resultou no mapa utilizado nesta aula. Outra dificuldade encontrada é que, para construção do mapa de orientação é necessário um mapa base, ou seja, uma imagem aérea do terreno que se deseja mapear para que as proporções e escalas sejam corretas. É interessante que esta imagem do mapa base seja atual, para evitar desencontros do mapa de orientação com o terreno. O fato é que a imagem mais atual do terreno, ainda não contava com muitas construções que já estavam presentes no terreno. Nesse sentido, a estratégia que encontrei foi, localizar essas construções (por serem mais notórias, do que regiões que tinham vegetação e não tem mais, por exemplo) e informar na roda inicial da aula para que os estudantes corrigissem seus mapas e evitassem confusão. Dificuldades superadas, iniciamos nossa roda de conversa na sala de aula, tratando alguns assuntos mais específicos de uma prova de Orientação em si, o que chamamos na corrida de brieffing5. Abordamos as especificidades do mapa daquela aula (tratando das correções que seriam necessárias), que eles estivessem atentos a legenda dos mapas, que preenchessem seus dados corretamente, verificando sua categoria (assunto tratado também nesta roda de 5 É uma espécie de palestra onde os organizadores do evento expõe alguns esclarecimentos a respeito da pista que será percorrida, no caso do Esporte Orientação, e outros informes da prova. 54 conversa) e principalmente se haviam traçado o seu percurso da maneira correta. Este último quesito era fundamental nesta aula, mas por quê? Em geral, os mapas de Orientação vem com o percurso já traçado no mapa, de modo que os orientistas devem apenas seguir aquele trajeto. Como nossa proposta é de evoluir gradativamente a dificuldade dos conteúdos utilizamos duas estratégias que introduziriam a prática esportiva. A primeira estratégia foi simplificar os pontos que os estudantes deveriam visitar, não havia muitas trilhas, vegetação, pontos mais escondidos. A segunda, foi informar apenas no final desta roda inicial a sequência que cada percurso deveria fazer, ou seja, para determinado percurso, eram escolhidos dez pontos, de forma não aleatória, para que os estudantes seguissem na ordem em que foram estabelecidos. Ilustração 11 - Mapa de Orientação rudimentar utilizado na aula 3 no IFRN – Campus Parnamirim. Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa Como podemos reparar na ilustração 11, estão marcados todos os pontos que possuem prismas no terreno e ao lado do mapa há um retângulo em branco, no qual os estudantes deveriam anotar quais pontos visitar de acordo com o seu percurso, verifiquem que este retângulo possui apenas o número do percurso. Para verificar dois exemplos deste mapa mais detalhados, consultar o apêndice F. 55 Além de anotar os números dos pontos, os estudantes deveriam traçar a sua rota no seu mapa. Corroborando ainda com a ideia de sempre estar com o mapa orientado e seguir sempre localizado pelo polegar deslizando no mapa. Assim como na aula anterior, ao chegar a seu ponto de visita o estudante deveria anotar a letra referente, afim de, comprovar sua passagem naquele ponto. O correto preenchimento de todos os pontos com a respectiva letra, indicaria que o estudante está bem preparado para realizar uma prática esportiva mais específica e detalhada que será proposta para próxima e última aula. Desta terceira aula, participaram 30 estudantes, dos quais 4 não fecharam o percurso, ou seja, não acertaram todos os pontos. Desses quatro, dois não organizaram o espaço em branco disponível para anotar as letras e acabaram por confundir o local de anotar as letras e outros dois tiveram pontos que as letras não estavam legíveis. Nesta aula não foram cobradas especificidades do Esporte Orientação, como o menor tempo, percursos mais fáceis e mais difíceis, equipamentos oficiais, fardamento, etc. e entendemos que mesmo assim, os conhecimentos sobre o Esporte Orientação foram compreendidos pelos estudantes. Estes momentos estão representados na foto 8. Foto 8 - Preparativos e corrida do Esporte Orientação. Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa A colocação de Franco (2011, p.269) retrata bem toda situação vivida até este momento final do terceiro encontro e sexta aula, Pela dificuldade de acesso aos equipamentos ou aos locais de prática, utilizam-se fotos, filmes, gravuras, etc. para completar os conceitos sobre algumas AFA [Atividades Físicas de Aventura], mas nada melhor do que vivenciar, mesmo adaptando rusticamente o ambiente escolar. Quanto mais modalidades o professor puder adaptar a estrutura de sua escola; quanto mais vivências puder proporcionar aos alunos, mesmo fora da escola, dentro das três dimensões dos conteúdos, mais amplo será o conhecimento sobre a cultura corporal de movimento. Lembrando que o simples fato de serem atividades diferentes daquelas a que os adolescentes estão acostumados em seu dia a dia já bastaria para a construção de novas possibilidades 56 motoras, desenvolvimento cognitivo e aumento da cultura corporal. Mas, além disso, são atividades que, normalmente, atraem bastante os jovens hoje em dia. Dessa forma, pensamos estar contribuindo de forma significativa para ampliação da cultura de movimento dos estudantes envolvidos nesta pesquisa-ação, utilizando de adaptações metodológicas do esporte, afim de, estreitar o diálogo entre os estudantes e uma nova prática corporal. Encontro 4 (aulas 7 e 8 – Apêndice D) No dia 11 de outubro foi realizado o nosso último encontro. Nesta ocasião estavam presentes e trabalhando juntos todos os atores sociais que tinham envolvimento com esta parte prática, de campo, desta pesquisa-ação. Estavam presentes, eu, o professor Alison Batista, os atletas do Clube de Orientação Potiguar – COP, Antoniela Marinho (diretora de meio ambiente do COP), Oscar Moritz (diretor de divulgação do COP), Jonathas Souza, Rodrigo Câmara e Gabi Câmara e para abrilhantar este último encontro compareceram 30 estudantes da turma. O objetivo deste encontro foi que os estudantes tivessem a vivência mais aproximada possível de uma competição do Esporte Orientação. Nesse sentido, foi fundamental a participação e auxílio dos atletas/diretores do Clube, desde a ajuda na confecção dos mapas mais detalhados, perpassando a montagem da pista e o empréstimos de prismas e perfuradores, para que a aula mais parecesse um evento de Orientação. Para entrar no clima da prova de Orientação, intitulamos esta última aula de “I Orienta IFRN”, elaboramos mapas mais detalhados, foram plotados pontos mais difíceis ou mais distantes uns dos outros, tivemos 6 opções diferentes de percurso que foi inclusive mais longo, houve a aferição do tempo de corrida de cada estudante, a largada foi feita de 3 em 3 minutos assim como em competições oficiais, foi acrescentado ao mapa da corrida espaços para que os estudantes perfurassem o mapa quando visitassem o ponto sinalizado no percurso (substituindo o ato de anotar a letra). Assim como na aula anterior e seguindo o clima de prova de Orientação, reunimos os estudantes na quadra do Instituto e fizemos as explanações iniciais, o brieffing da prova dando algumas orientações sobre aquele momento, mencionamos todas características citadas no parágrafo anterior, lembramos ainda que nesta corrida os estudantes deveriam encontrar os 57 prismas referentes ao seu percurso, só que não teriam que anotar as letras e sim perfurar o espaço destinado no mapa (demonstramos o espaço) e caso perfurassem fraco, ou no lugar errado, ou de forma que ficasse ilegível, eles teriam espaço disponível para corrigir o erro. Foi enfatizado que todos os percursos passavam próximos a pontos de água, relembramos qual simbologia utilizada que representa água (“x” ou “o” na cor azul). A imagem do mapa da ilustração 12 descreve melhor estas observações e no apêndice G, pode-se verificar dois exemplos de percursos diferentes e o mapa na íntegra. Ilustração 12 – Especificidades do mapa confeccionado para o I Orienta IFRN. Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa Realizado o brieffing do I Orienta IFRN, aguardamos que os prismas fossem distribuídos no terreno (Foto 9), trabalho realizado pelo COP. Apresentamos os representantes do Clube que estavam ali envolvidos voluntariamente naquela ação no intuito de divulgar o esporte e proporcionar uma vivência mais próxima do real de uma prova de Orientação. Foto 9 - Distribuição de alguns prismas no terreno do IFRN Parnamirim. Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa 58 Organizamos então 6 grupos, com 5 participantes cada. Cada grupo correspondia a um percurso diferente, ou seja, no grupo 1, todos os orientistas teriam o mapa com o percurso 1, no grupo 2, todos os orientistas com o percurso 2 e assim por diante. A largada foi realizada da seguinte maneira, no tempo 0 (zero): Largava 1 orientista de cada grupo. De forma que no tempo 0, largaram 6 orientistas, cada um com um percurso diferente. As largadas ocorriam a cada 3 minutos, então, no tempo 3, partiram mais 6 orientistas, no tempo 6, mais 6 orientistas largaram e assim por diante até esgotar-se os orientistas. Este intervalo de tempo é dado para que não haja o que chamamos de “encarneiramento” onde atletas que possuem o mesmo mapa tirem proveito em situações de estar perdido e se basear no percurso que o outro realiza e tira vantagem. A seguir trazemos algumas imagens (Foto 10) dos orientistas percorrendo suas pistas e picotando seus pontos. Foto 10 - I Orienta IFRN – Parnamirim. Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa, Antoniela Marinho e Alison Batista. Finalizamos esta aula recolhendo os mapas dos novos orientistas para verificar os quesitos que seriam avaliados pelo professor Alison Batista. A pedido do professor esta última aula foi utilizada como avaliação e somou-se a nota bimestral dos estudantes, no caso, segundo bimestre. Para que a avaliação não se baseassem apenas em critérios do esporte rendimento, tal qual o menor tempo de corrida, por exemplo, analisamos juntos quais estratégias e adaptações poderiam ser feitas para que a pontuação fosse atribuída de modo justo. Avaliamos a realização do percurso de diferentes formas, a saber: 59 - Critério de tempo geral: Aqueles que ultrapassassem 30 minutos de tempo de prova teriam o decréscimo de 0,5 pontos da nota inicial (todos iniciavam com nota 10,0). Então, fizemos uma tabela com a classificação geral do estudantes (independente de categoria, sexo, percurso, etc); e outra com a classificação de acordo com o sexo. - Critério de tempo por percurso realizado: Tínhamos 6 percursos diferentes uns mais longos, pouca coisa, mas já que havia essa diferença, consideramos a classificação de acordo com cada percurso. Este não foi bem um critério de avaliação a ser pontuado pelo professor, mas que foi solicitado para que os estudantes tivessem um parâmetro de comparação entre si, de quem realizou o mesmo percurso e discutir onde cometerem erros. - Critério de erro no picote: Independente do motivo do erro no picote, como havia sido explicado que havia espaços para correção, cada erro (que não foi corrigido no espaço destinado para tal) ou picote ilegível, foi subtraído 0,4 pontos da nota inicial, como já dissemos era 10,0 pontos. Em uma prova oficial, por exemplo, os erros do picote, acarretariam a desclassificação do orientista, nesse sentido, limitamos o momento da vivência do esporte ao cunho esporte rendimento no entanto a avaliação realizada baseada nos resultados da prova, tiveram trato pedagógico significativo. Avaliados os critérios supracitados verificamos que nenhum estudante ultrapassou o tempo pré-determinado (estabelecido primeiramente, para que os mesmos não estivessem expostos demasiadamente ao sol). O menor tempo foi de 11 minutos e 17 segundos e o maior tempo foi 23 minutos e 42 segundos. Seguindo a avaliação, considerando agora os erros de picote tivemos sim alguns erros, mas que não foram suficientes para diminuir drasticamente a nota inicial de nenhum dos estudantes. A variação das notas está representada na ilustração 13 e foram as seguintes: Ilustração 13 - Gráfico das notas da turma da avaliação da unidade didática referente ao tema Esporte Orientação Título do Gráfico Notas 10 Notas 9,6 Notas 9,2 Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa 60 Ao propor as ações pedagógicas ao professor não imaginei que estas poderiam fazer parte de sua avaliação, atribuindo notas e considerando como avaliação de uma unidade didática mensal. Esta participação na avaliação do professor já pode inclusive ser considerada como um resultado desta pesquisa-ação. A inserção deste novo conhecimento foi considerada válida pelo professor, a ponto de inserir em sua avaliação as notas atribuídas a esta última vivência esportiva que refletiu o que foi aprendido ao longo do mês que estivemos juntos. Consideramos, por fim, sobre as avaliações das aulas, de uma forma geral, que elas atenderam as três funções avaliativas propostas por Libâneo (1991 apud Souza; Scaglia, 2004), pedagógico-didática (permite ao aluno assimilar o que existe de essencial no conteúdo ensinado); a diagnóstica (permite ao professor saber o nível inicial do aluno e, acompanhar sua evolução); e a de controle (controla quantitativamente o avanço do aluno, ou seja, a nota). As avaliações também foram realizadas de forma individual. Para cada encontro dispusemos de uma forma de avaliação distinta, no primeiro encontro o desenho para avaliar a planificação do terreno, nos segundo e terceiro encontro mapas que evoluem do espaço fechado para o aberto e no último os mapas perfurados e com os tempos. Consideramos que as funções da avaliação foram atendidas ao considerar, que o primeiro desenho foi uma avaliação diagnóstica, o segundo e terceiro mapas temos a função didático-pedagógica e por fim, a avaliação de controle que atribuiu notas aos estudantes. Esta imagem (Foto 11) é posta pois representa o final de nosso último encontro presencial e o fim das ações de pesquisa-ação no campo de atuação. Nesse momento, foi solicitado aos estudantes que produzissem um material relatando os pontos positivos, pontos negativos e suas sugestões de melhorias para futuras ações que tematizassem o Esporte Orientação no contexto escolar. Esta avaliação final se trata da avaliação das ações pedagógicas que foram realizadas com os estudantes, para que pudéssemos considerar suas vozes em nosso processo avaliativo da pesquisa-ação. 61 Foto 11 - Os atores sociais da pesquisa-ação, exceto o Prof. Alison Batista. Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Alison Batista. 3.5. RESULTADOS PARCIAIS E DISCUSSÕES Para além de avaliar as aulas ministradas, que fazem parte esta ação, mas não são fontes exclusivas dos resultados desta pesquisa, seguimos para reta final deste trabalho trazendo a tona as considerações dos atores sociais envolvidos nesta pesquisa-ação, afim de avaliar, sob diferentes óticas, como se deu a inserção do Esporte Orientação no ensino médio ao término de nossas intervenções. Os resultados parciais, por hora obtidos desta pesquisa-ação são advindos da análise das considerações trazidas pelos atores sociais envolvidos na pesquisa-ação, por meio de questionários semi-estruturados (Ilustração 14). Segundo Zanella (2009, p.110) “questionário é um instrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de perguntas”, em nosso caso foram feitas perguntas abertas, que deveriam ter resposta escrita. Optamos por este recurso por duas vantagens, que foram determinantes para conseguirmos fechar as avaliações desta pesquisa: não haver a necessidade sine qua non de o pesquisador estar presente no momento da coleta e pelo anonimato dos colaboradores. Os envolvidos tiveram a oportunidade de preencher os questionários em horários distintos e depois de refletir sobre as ações realizadas. Como imediatamente após a última aula não conseguimos aplicar o questionário com os estudantes, pois tinham prova, e as duas 62 semanas seguintes foram de recesso acadêmico foi difícil conseguir que os estudantes avaliassem as ações, mas o professor Alison Batista conseguiu aplicar os questionários e a posteriori me passar. Recomendamos desde já, que as avaliações sejam realizadas imediatamente após as aulas, principalmente se não for mais haver encontros presenciais. Ilustração 14 - Questionário aplicado com os atores sociais. Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa Os atores envolvidos na pesquisa-ação de forma direta foram: - Concluinte da licenciatura em Educação Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN (Dandara Sousa, autora deste trabalho). - Professor de educação física do IFRN e mestrando em educação pela UFRN (Alison Batista) - Diretores do Clube de Orientação Potiguar - COP (Antoniela Marinho e Oscar Moritz) - Atletas do COP (Jonathas Souza) - Estudantes do curso de mecatrônica, 2º ano “A” do IFRN Campus Parnamirim (uma média de 30 estudantes por aula e 32 responderam ao questionário). 63 A análise será realizada, em um primeiro momento, considerando as falas comuns entre todos os atores envolvidos juntos e em seguida, a fim de avaliar como se deu a inserção do conhecimento sob diferentes perspectivas (graduanda, professor titular, atleta, diretores e estudantes) traremos alguns trechos de suas falas que foram consideradas relevantes neste processo. Traremos como apêndice (Apêndice H) desta pesquisa, as respostas completas aos questionários para possíveis consultas. Para iniciar a análise dos questionários, consideraremos os dez pontos positivos (Ilustração 15) mais citados no decorrer dos textos de resposta a questão 1 (Quais pontos positivos você destaca nas ações pedagógicas que trataram do conhecimento do Esporte Orientação realizadas em sua turma?). Notamos claramente ao observar o gráfico que o fato de o tem Esporte Orientação, ser um tema novo para os estudantes foi o ponto considerado positivo pela maioria dos que responderam ao questionário, depois da novidade, percebemos que esta experiência ter sido considerada tão positiva em muito se deve aos outros pontos positivos descritos, ligados a prática pedagógica, tais quais, o planejamento coerente, as estratégias metodológicas escolhidas, a forma como foi realizada a avaliação. Outro ponto que se mostrou bastante significativo para os estudantes foi o fato de a prática esportiva ter tido o momento de competição de orientação, o I Orienta IFRN, o que se mostra adequado para tal nível de ensino. O que poucos deles sabem é que mesmo tudo parecendo uma competição esportiva, inclusive pela participação do Clube na organização da pista, é que a avaliação que foi feita ao final, não foi excludente como a de uma competição de fato seria. 64 Ilustração 15 - Gráfico de respostas mais freqüentes ao quesito 1 do questionário (pontos positivos). Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa Seguimos com os resultados trazendo agora as resposta mais freqüentes ao quesito 2 que trata dos aspectos negativos, representado na ilustração 16, (Quais pontos negativos você destaca nas ações pedagógicas que trataram do conhecimento do Esporte Orientação realizadas em sua turma?). Para este quesito tivemos apenas 8 respostas mais recorrentes. Não foram consideradas as respostas de quem não viu nenhum aspecto negativo. Neste quesito algumas respostas necessitam alguns esclarecimentos. - O horário em que a aula foi realizada: foi horário regular de aulas da turma (das 13:00h as 14:30h) e embora sempre fizéssemos uma roda inicial antes das práticas também no intuito de não expor os estudantes ao sol tão intenso, ainda assim os estudantes pegaram sol forte. - Sobre as aulas corridas: pelo contexto em que foram postas, entendemos de duas formas, ou as aulas foram consideradas apressadas no sentido de ter um volume de conhecimentos grande para o tempo, ou 8 aulas em 4 encontros, foi considerado pouco pelos envolvidos. No primeiro caso, reconhecemos que pelo menos uma das aulas poderia ter sido mais dinâmica de modo a não ter que apressar o andamento da aula. Já no segundo caso, por causa do calendário escolar do próprio IFRN e por o professor não puder dispor de muito mais tempo, inclusive por causa do recesso acadêmico, não seria realmente possível. 65 - Estudantes que não se identificaram com o esporte: não entendemos o porque considerar um aspecto negativo, mas eles consideraram. Nem todos gostam do que todos gostam, justamente por isso propusemos essa temática tão peculiar, para dar oportunidade de gostar ou não. - Falta de espaço adequado: Acreditamos que eles se referiam a praticar orientação em um espaço com menos incidência solar, pois terreno o IFRN tem de sobra para diversificar e muito as vivências. - Imagens de satélite desatualizadas: Esta foi uma preocupação dos estudantes pois o mapa de uma da aula 3 ficou um pouco comprometido por causa disso. Não trazia tanto detalhes do terreno. Para minimizar este problema, realizamos um mapeamento detalhado do terreno, após a aula e corrigimos as principais falhas detectadas e acrescentamos mais detalhes. - Pontos muito próximos e conhecer o terreno no IFRN: podem ser considerados pontos correlatos pois o fato de já conhecer o terreno pode ter dado essa impressão de pontos muito próximos. Ilustração 16 - Gráfico de respostas mais freqüentes ao quesito 2 do questionário (pontos negativos). Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa Para finalizar o questionário, queríamos saber as sugestões dos envolvidos nesta pesquisa-ação, no quesito 3 (Quais sugestões você daria para melhorar as ações pedagógicas realizadas?). Esse quesito pode ser o mais importante desta avaliação questionada, pois a partir dele surgirão propostas, sugestões, de ações que modifique o campo de pesquisa no qual esta pesquisa-ação esteve inserida, portanto serão consideradas todas as respostas dadas. Estas sugestões estão representadas pela ilustração 17. 66 Ilustração 17 - Gráfico de respostas mais freqüentes ao quesito 3 do questionário. Fonte: Arquivo pessoal da autora Créditos: Dandara Sousa As sugestões, de forma geral, giram em torno de um eixo central, mais vivência do Esporte Orientação, seja com aulas mais longas, mudando os horários de aula, levando mais atletas e equipamentos, aprofundando os conhecimentos, ou nem que seja levando os estudantes para competições, o que fica evidente na fala desses atores é a ampliação das possibilidades de vivenciar mais e melhor este esporte, que por sinal foi muito bem aceito. Tamanha aceitação muito provavelmente se dá pelo fato de o conhecimento trazido pelo esporte Orientação ter feito sentido para os estudantes, ter proporcionado momentos de diversão e que estas práticas tiveram significados para eles. Nesse sentido a própria Confederação Brasileira de Orientação (2013, p.1) traz que, o Esporte de Orientação cresce no universo escolar por sua capacidade de unir, sobretudo aspectos físicos e cognitivos, o que amplia a possibilidade de participação dos estudantes em condições de igualdade, por sua necessidade de se conhecer a leitura precisa de mapas, avaliação e escolha da rota, uso da bússola, concentração sob tensão, tomada rápida de decisão, entre outras. É esse o intuito de ações como a que foi aqui proposta, enriquecer e ampliar a cultura de movimento por meio de vivências que façam sentido e que tenham conteúdo a ser ensinado aos estudantes e não apenas a repetição exaustiva de gestos técnicos. Conforme, dito no capítulo 2, o nosso intuito é o de pensar o esporte-educação e não apenas repetir o esporte na sua forma crua. 67 O quadro esquemático abaixo (Quadro 1) tem por objetivo demonstrar algumas das diferenças metodológicas, ideológicas de causa e consequências, observáveis entre duas maneiras de se ensinar o esporte, que são completamente opostas. Quadro 1: Diferenças entre as pedagogias do esporte, tradicional e inovadora. Pedagogia do esporte TRADICIONAL Centrada na técnica (ensina com atividades/treinos) Busca reproduzir modelos (padrões; a técnica perfeita) Repetir movimentos para automação Busca mecanizar o gesto (jogadores como robôs préprogramados) Produz pobre acervo de possibilidades de respostas Descarta a solução eficaz; parte ingenuamente da eficiente Necessita de pré-requisitos Seletivo Pobre em tomada de decisões Gera DEPENDÊNCIA Pedagogia do esporte “INOVADORAS” Centrada na lógica-tática (ensino por meio de jogos) Busca criar (estimula processos criativos) Explora movimentos p/ enriquecer acervo de soluções, gerando condutas motoras Busca humanizar o gesto (cada jogador cria a sua técnica – conduta motora) Produz rico acervo de possibilidades (motoras/cognitivas/afetivas/sociais/ morais/éticas...) de respostas Parte da solução eficaz para transformá-la em eficiente Não necessita de pré-requisitos (aprende a partir do que já sabe) Aberto a todos Rico em tomada de decisões (tomada de consciência de suas ações em todos os níveis) Possibilita AUTONOMIA Fonte: Souza e Scaglia (2004, p.46) Dessa forma, aproximando nossas ações pedagógicas do entendimento da pedagogia do esporte inovador, entendemos que estamos no caminho certo para inclusão de uma nova temática esportiva no contexto escolar, conforme proposta por Souza e Scaglia (2004, p.46) no quadro acima. Esta primeira avaliação trouxe resultados e discussões voltadas para as respostas aos questionários e demonstram a plausibilidade de inserção do tema Esporte Orientação no contexto da Educação Física escolar no ensino médio. Verificamos nas respostas que os atores sociais corroboraram a ideia comum de efetivação das aulas, baseadas no planejamento coerente e organizado, perpassando por estratégias metodológicas escolhidas que os estudantes e o professor, principalmente, reconheceram como facilitadoras do processo de aprendizado e por fim uma avaliação diferenciada que os estimulou. Não vamos nos deter 68 demasiadamente a análise destas ações pedagógicas, pois a sua fundamentação e importância foi trazida no início deste capítulo e ainda no capítulo 2, quando tratamos das adaptações pedagógicas necessárias a inserção desta nova temática no contexto escolar. Trazemos por fim, algumas falas que corroboram o quão possível e fazível foi esta experiência de pesquisa-ação. Trazemos um trecho da fala do professor Alison Batista (professor titular da turma) em sua análise a respeito das ações pedagógicas desenvolvidas. Atreladas a essas questões de domínio profissional, estão as questões relacionadas a relevância e a contemporaneidade do conteúdo trabalhado pela mesma, pois os alunos e alunas tiveram acesso a discussão de questões importantes que permitiram o conhecimento de mais uma manifestação da cultura de movimento, para além, dos conteúdos hegemônicos da Educação Física (futsal, voleibol, queimada, basquete), corroborando com as discussões que estamos desenvolvendo no âmbito do IFRN. Além disso, os alunos passaram por um processo pedagógico que permitiu que os mesmos aplicassem os conhecimentos adquiridos ao longo das aulas em uma situação bem próxima da realidade (prova prática) em que foram envolvidas todas as dimensões dos conteúdos. Corroborando com a fala do professor Alison, refletimos que como sugere Darido e Rangel (2008, p.190), o esporte, [...] pode ser compreendido como um campo de ação que, em vez de trabalhar no sentido convergente – estimulando somente a massificação das modalidades conhecidas e reconhecidas socialmente -, pode assumir uma orientação no sentido divergente – buscando valorizar a diversificação das práticas e estimulando a criação de novas vivências a partir das conhecidas, privilegiando diferentes experiências, concepções e interesses dos indivíduos envolvidos. De acordo com a fala do professor e trazendo ainda os dados advindos dos questionários em que os pontos positivos destacados, percebemos que nossas ações foram significativas, muito pela novidade que representou a tematização deste esporte naquele contexto, mas também pelos aspectos pedagógicos destacados como relevantes e positivos nas ações. É muito provável que este novo diálogo tenha sido tão bem aceito, devido ao trato pedagógico que foi dado ao mesmo e reconhecido pelos atores sociais envolvidos. Ainda para Darido e Rangel (2008, p. 190), “estas ações contribuem muito mais do que atrapalham na compreensão do que venha a ser o esporte”. Refletimos baseados nesta afirmação, que desta maneira a própria forma de apresentar o esporte, feita pelo Clube de Orientação pôde ser revista, repensando o público em questão. Para os atores do Clube de Orientação Potiguar, o misto de considerações trouxeram que foi uma experiência extremamente positiva (só não por completo, pois pontuaram que o horário em que as atividades foram realizadas foram prejudiciais) alegando a importância de: 69 “Apresentar um novo esporte aos alunos, que pode ser praticado por todos e não só pelos melhores, como nos esportes tradicionais, estimulando a prática esportiva atendendo a várias idades e níveis técnicos e físicos”. Outro ponto importante destacado foi o fato de “Proporcionar a vivência do esporte Orientação a pessoas na faixa etária mais propícia para o aprendizado” demonstrando o entendimento por parte do Clube, portanto, de aspectos de sistematização que já foram trazido no texto, no qual a vivência deve ser adaptada ao desenvolvimento dos estudantes e aos conteúdos que são recomendados. Nesse sentido, já discutimos um pouco sobre os objetivos para o ensino médio e entendemos que dessa maneira podemos estreitar o diálogo com este nível de ensino. Um ponto que pessoalmente me chamou a atenção de ter sido destacado é que o fato de realizar um prova de orientação em um espaço já conhecido pelo estudantes, passa a ser reconhecido pelo atleta de orientação como um ponto positivo, visto que a grande atração do esporte orientação se dá pelo que há de desconhecido na prática, justamente o terreno onde será realizada. Nesse sentido ao pontuar que “O local escolhido para a prática ser a própria escola deles favoreceu o sucesso do primeiro contato com a Orientação, uma vez que amenizou o possível ‘medo do desconhecido’”, demonstrou que nem sempre os clubes esportivos são completamente alheios ou contrários as possibilidades de adaptação inerentes ao esporte, muito embora esta adaptação possa parecer um descumprimento as regras do esporte. Nesse sentido, Darido e Rangel (2008, p. 190), pontuam que, Os mais rigorosos podem entender que qualquer modificação na estrutura, que diz respeito às regras ou ao espaço físico no qual acontece a vivência, pode ser considerada uma descaracterização da prática esportiva. Porém, no ambiente escolar, ou mesmo nas escolas de esporte que trabalham ao nível da iniciação, inúmeras adaptações são feitas com o objetivo de adequação às características da clientela. Nesse sentido, percebemos que esta vivência auxiliou inclusive ao COP, a reformular suas compreensões no entendimento ao seguimento às regras esportivas, pois este poderia ter sido destacado com um aspecto negativo. Assim, Tendo em vista as diversas possibilidades de adaptação, os alunos devem compreender, através da vivência e também da construção e desconstrução das regras, que o esporte caracteriza-se como campo de ação aberto, e a atribuição de sentidos e significados pode ser orientada a objetivos tais como a satisfação de um prazer intrínseco, uma atividade com fins sociais, uma vivência voltada à aquisição e manutenção da saúde, entre outras possibilidades (DARIDO; RANGEL, 2008, p.190). 70 Para finalizar nossa discussão a respeito da inserção do tema Esporte Orientação no contexto escolar, na educação física do ensino médio, destacamos as considerações de Darido e Rangel (2008, p.191), ao tratar especificamente da Orientação, quando abordam o tema do esporte como algo a ser repensado. Elas trazem, A corrida/caminhada orientada, por exemplo, pode ser um desafio interessante para os alunos. Essa atividade configura-se em uma adaptação das provas de rali, que exige dos participantes competências relacionadas à leitura de mapas, da capacidade de orientação espacial; dependendo da intensidade proposta, irá também exigir um nível de condicionamento físico, do controle da intensidade em função do tempo estipulado para cada etapa do trajeto. Explorar o espaço físico da escola, promover a integração entre alunos de diferentes idades e estimular uma prática de atividade física são exemplos de objetivos que podem ser atingidos durante essa atividade. A reprodução ou a recriação dessa vivência pode ser uma experiência concreta da transformação de uma atividade, como também serve de estímulo a ações de protagonismo. Com este pensamento final, entendemos ter proposto uma ação protagonista não só para educação física escolar, mas também para o repensar do esporte na escola e no âmbito esportivo. A partir dessas ações já surgiram desdobramentos e por isso consideramos estes resultados aqui expostos, como resultados parciais e as discussões estão longe de serem determinantes e finalizadas. Seguimos para o fim desta pista de orientação com a plena certeza, constatada após esta intervenção de pesquisa-ação ocorrida no contexto escolar, que nossas intervenções foram válidas e verificamos a plena possibilidade de inserção do Esporte Orientação no contexto da Educação Física escolar no ensino médio, o que não implica dizer que esta possa ser uma ação exclusiva ao ensino médio. Dadas as considerações trazidas, esta se torna apenas uma das possibilidades pedagógicas dentro da educação física escolar. 71 FIM DA PISTA DE ORIENTAÇÃO 72 Esta pesquisa-ação teve início no segundo semestre de 2013, ao se cogitar a possibilidade de inserção do tema Esporte Orientação, dentro do conteúdo Esporte tão comum na prática pedagógica da Educação Física escolar, na realidade escolar potiguar. Nossa opção pelo ensino médio, sendo esta nossa população, se justificou por este ser um nível de ensino propício, principalmente por interesse dos estudantes, para o desenvolvimento de atividades mais aprofundadas e diversificadas a respeito dos esportes, por exemplo. Nesse sentido, avaliamos escolas que tivessem o ideário de inclusão de novas temáticas esportivas no contexto escolar, assim chegando a nossa amostra, IFRN – Campus Parnamirim, onde pesquisamos esta possibilidade na turma do 2º ano “A” do curso de Mecatrônica. Esta pesquisa foi extremamente desafiadora para mim, pois no decorrer deste ano mudei a temática que havia proposto inicialmente para a pesquisa, que seria a escalada esportiva. E ainda, por a instituição escolhida ter sido em uma instituição a qual tenho extremo respeito e admiração e por isso, que desafiei a fazer sempre o melhor que pude. Ousaria ainda dizer que estas ações foram desafiadoras para o professor, por ser um assunto que ele desconhecia (o que contribuiu para sua formação permanente), para os estudantes que nunca praticaram nenhuma modalidade nem correlata e que não conheciam as especificidades do esporte e para o COP por ser um local nada habitual de “prova de orientação”. Desafio posto e atores sociais estabelecidos, iniciamos nossos planejamentos que se deram de forma participativa, escolhendo estratégias metodológicas, recursos materiais, formas de avaliação plausíveis para aquela realidade escolar e constatamos, talvez, um dos melhores contextos onde nossa pesquisa poderia ser desenvolvida. Uma escola extremamente comprometida com a educação dos estudantes, professor que investe em sua formação permanente (estando este período de conclusão do mestrado em Educação pela UFRN), estudantes colaborativos, interessados e críticos e aceite e cooperação do Clube de Orientação Potiguar em nossas ações. Conforme pudemos verificar nos dados trazidos pela análise dos questionários desenvolvidos com os atores sociais, o Esporte orientação, enquanto possibilidade pedagógica de ampliação da cultura de movimento em estudantes do ensino médio, é perfeitamente aplicável ao contexto posto e dadas as falas dos atores sociais, não só é aplicável como se adequa as discussões contemporâneas da Educação Física escolar, principalmente no sentido de desmistificar a compreensão de que os únicos esportes que podem ser abordados no 73 contexto escolar são os tradicionalmente postos. Para além de quebrar com este paradigma, verificamos que a inserção das AFA no contexto escolar, no nosso caso em específico o Esporte Orientação, pode suscitar pensamentos e atitudes para além da prática esportiva, bem como o cuidado e consciência ambiental, além do conhecimento sobre o próprio corpo, mediante situações de imprevisibilidade climática, que são controláveis em atividades in door, ou quadra, por exemplo. Constatamos que há a possibilidade de inserção da temática Esporte Orientação no contexto escolar, não só como uma prática esportiva crua, sem trato pedagógico, mas que a aceitação e o sucesso desta empreitada em muito se deve a preocupação e planejamentos detalhados de cada ação pedagógica que compôs a intervenção como um todo. Então, para além da inserção do Esporte competição, almejamos e concretizamos o esporte-educação, dadas as transformações didático-pedagógicas realizadas, considerando a metodologia inovadora de ensino dos esportes no contexto escolar. Vale salientar que antes, durante e depois de rever o esporte, para o contexto escolar, é necessário avaliar o se conhecimento é pedagogicamente relevante fazendo parte dos conteúdos indicados para o nível de ensino, como proposto em um de nossos três objetivos específicos. Para tanto, pesquisamos e encontramos, embora não em formato de arquivos acadêmico-científicos disponíveis em banco de dados, e sim em forma de livros, algumas ações correlatas ao que pretendíamos. Realizamos todo o processo de repensar o esporte, considerando tudo que havia disponível para nossas ações e temos que as intervenções realizadas foram relevantes para os envolvidos, por ter despertado interesse, participação de toda turma, por estarmos amparados na literatura especializada, e escassa, que traz a importância de se propor novas vivências corporais no ensino, demonstrando portanto adequação do conhecimento ao nível de ensino e ao julgar pela facilidade com que os estudantes se apropriaram do novo conteúdo, entendemos que se tratou de uma aprendizagem significativa e relevante para os mesmos. Sempre pensando de forma que fosse possível realizar um bom trabalho sem gastos demasiados, visto que este é fator consideravelmente obstacularizador da inserção de novas temáticas na Educação Física escolar, efetivamos ações sistematizadas no campo de atuação e dados os materiais que foram necessários as aulas verificamos um ponto importante que vem corroborar com mais um de nossos objetivos específicos, que é verificar a plausibilidade da 74 inserção desta temática em contextos escolares discrepantes. É fato, inclusive já posto, que contamos com ótima estrutura física e material para esta ação e este pode ter sido um dos fatores determinantes do sucesso destas ações, mas o fato também constatado é que se não houvesse mídias digitais (como datashow, caixa de som, etc.) as estratégias metodológicas poderiam ser alteradas e o plano de ensino mantido, de forma que os objetivos específicos de cada aula pudessem também ser atingidos. Após tão rica experiência, tão detalhadamente posta nesta pesquisa esperamos que este trabalho venha colaborar e enriquecer o diálogo do Esporte Orientação no contexto da Educação Física Escolar. Nesse sentido, disponibilizaremos em apêndices a este trabalho, os planos de aulas, modelos de mapas que podem contribuir para futuras ações semelhantes. Entendemos que foi um árduo trabalho romper com os paradigmas do ensino do esporte tradicional e avaliamos que o trabalho pedagógico orientado e embasado por práticas pedagógicas inovadoras podem contribuir para a inserção de novas temáticas no contexto esportivo, ampliando a cultura de movimento dos envolvidos e as possibilidades pedagógicas de ensino para professores da rede básica de ensino. Consideramos ainda, que repetir o que já está posto e já vem sendo feito sempre da mesma forma é castrador e injusto com todos os que fazem a Educação Física escolar desta forma, dos professores consigo mesmos e com os estudantes que não terão nem a oportunidade de serem críticos ou terem o direito de escolha ou preferências entre as tão ricas possibilidades de manifestações da cultura de movimento. Verificamos por fim, que muitas vezes as possibilidades pedagógicas são inibidas muito mais pela falta de disposiçãodos professores, do que necessariamente falta de recursos. Sugerimos então, criatividade, estudo e parcerias, como fizemos para concretizar esta pesquisa-ação. As ações desta pesquisa bem como a conclusão do curso, trouxeram novas perspectivas pessoais e acadêmicas, como a aprovação no mestrado em Educação Física na linha de Estudos Pedagógicos sobre o Corpo e o Movimento Humano e ainda a possibilidade de ampliação dessas ações em outras escolas, corroborando com todos os trabalhos e pesquisas realizadas nos últimos anos. Esperamos por fim com estas ações, propor novos caminhos e conquistar novos caminhantes para a Educação Física escolar. 75 REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO BRASIL. Lei nº 9.394 de 20 de Dezembro de 1996 estabelece Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Publicada no DOU de 23 de dezembro de 1996. BRASIL, Resolução nº 03, de 01 de junho de 98 estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para o ensino médio. Brasília: MEC/SEF, 2000, vol. 2. CLUBE DE ORIENTAÇÃO POTIGUAR (Natal) (Comp.). Sobre orientação: O que é orientação. Disponível em: <cop.org.br>. Acesso em: 11 nov. 2013a. 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Brasilia: Capes: Uab, 2009. 77 APÊNDICES 78 APÊNDICE A – PLANOS DE AULAS DO 1º ENCONTRO Universidade Federal do Rio Grande do Norte Departamento de Educação Física Curso de Educação Física Trabalho de Conclusão de Curso II Esporte Orientação nas aulas de Educação Física Escolar Campo de pesquisa: Instituto Federal do RN – Campus Parnamirim. Professor Supervisor: Alison Batista. Turma: 2º ano “A” – Mecatrônica. Conteúdo de ensino: Esporte. Tema: Atividade Física de Aventura – Esporte orientação. Pesquisadora: Dandara Queiroga de Oliveira Sousa. ENCONTRO – 1 AULA 1 Objetivo: Conhecer o conceito de “Esporte orientação” enquanto prática esportiva. Momentos Estratégia metodológica Descrição da atividade Material necessário Apresentar-me aos estudantes. Roda Inicial Diálogo Apresentar a proposta de pesquisa-ação do TCC II. Dialogar sobre o que se conhece sobre esporte orientação naquela turma. Exibição de vídeos Demonstrar imageticamente o Esporte orientação. Conversa inicial Diálogo Discutir o que lhes é familiar ou estranho em cada vídeo. Reconhecer atividades correlatas praticadas pelos estudantes. Atividade 2 Apresentação dinâmica no Apresentação sobre o conceito de esporte orientação, suas vertentes, equipamentos e Atividade 1 Data show, caixa de som, PC. PC (prezi) 79 computador formas de orientar-se. AULA 2 Objetivo: Apropriar-se das especificidades do mapa de orientação. Momentos Estratégia metodológica Atividade 3 Imagens impressas e na apresentação Descrição da atividade Material necessário Verificar as estratégias de representação Mapas de de determinada terreno por meio da orientação e vistas planificação dos terrenos em mapas de aéreas (Google orientação. maps). Atividade 4 Reconhecer o mapa de orientação e suas especificidades. PC (prezi), miniISOM 2000. Atividade 5 Desenhar de forma planificada (baseados no ISOM 2000) um lago a direita (leste), uma estrada a frente (norte), uma árvore distinta atrás (sul) e uma montanha (rochosa ou arenosa) a esquerda (oeste) Papel A4 e coleções coloridas. Roda final Impressões sobre a aula e a nova temática inserida no conteúdo esporte Atitudinal: Participação em geral nas aulas 1 e 2; Reação a duas aulas teóricas seguidas. Conceitual: Avaliação Entendimento dos conceitos: esporte, orientação, vertentes deste esporte; Diferenciação de modalidades correlatas. Procedimental: Planificação do mapa e localização espacial por meio de desenho. 80 APÊNDICE B – PLANOS DE AULAS DO 2º ENCONTRO ENCONTRO – 2 AULA 3 Objetivo: Vivenciar algumas técnicas próprias do esporte orientação. Momentos Roda Inicial Estratégia metodológica Descrição da atividade Material necessário Diálogo Dialogar um pouco sobre as técnicas de orientação (Automatização do gesto, percorrer o mapa com o auxílio do polegar, ponto carcterístico, localização e orientação permanente do mapa, etc.) Noções de espaço e de escalas: técnica do passo-duplo. Atividade 1 Tomar nota Medir e calcular a quantidade de passos (caminhando e correndo) necessárias para cumprir determinada distância – AULA 4 Objetivo: Vivenciar simultaneamente técnicas próprias do esporte orientação. Estratégia metodológica Descrição da atividade Atividade 2 Aula prática Realizar uma pequena corrida passando novamente pelos pontos só que prestando bastante atenção para que o mapa esteja sempre orientado; Roda final Diálogo Impressões sobre a aula e a nova temática inserida no conteúdo esporte Momentos Material necessário Mapa da distribuição dos prismas na quadra, prismas. Atitudinal: Inibir a competitividade demasiada; Participação em atividades dialogadas e práticas. Avaliação Conceitual e Procedimental:Para que servem / como utilizar as técnicas de orientação no momento de corrida. 81 APÊNDICE C – PLANOS DE AULAS DO 3º ENCONTRO ENCONTRO – 3 AULA 5 Objetivo: Conhecer um pouco da “rotina do atleta” – recomendações antes do treino. Momentos Estratégia metodológica Material necessário Descrição da atividade Explicar aos estudantes algumas especificidades do mapa que será utilizado: Roda Inicial Diálogo - Detalhes da legenda; - Algum erro que contenha no mapa; - Pontos de hidratação; Distribuição dos percursos; - Explicação sobre as categorias; - Traçar as rotas no mapa distribuído (que não conta com o trajeto e tem todos os pontos de controle representados). AULA 6 Objetivo: Vivência do esporte orientação no terreno da escola Momentos Estratégia metodológica Descrição da atividade Material necessário Vivenciar um pequeno percurso de orientação, com auxílio de mapa rudimentar do terreno da escola. Atividade 1 Aula prática Roda final Diálogo Mapa rudimentar de orientação do Os estudantes deveriam visitar dez pontos sinalizados no inicio da aula e que terreno da escola variavam de acordo com o percurso Impressões sobre a aula e a nova temática inserida no conteúdo esporte Atitudinal: Inibir a competitividade demasiada; Participação em atividades dialogadas e práticas e ajuda para desmontar a pista de Orientação. Avaliação Conceitual e Procedimental: Para que servem / como utilizar as técnicas de orientação no momento de corrida auxiliada por mapa do terreno da escola. 82 APÊNDICE D – PLANOS DE AULAS DO 4º ENCONTRO ENCONTRO – 4 AULA 7 Objetivo: Vivenciar a prática competitiva do Esporte Orientação. Momentos Estratégia metodológica Material necessário Descrição da atividade Explicar aos estudantes algumas especificidades do mapa que será utilizado: Roda Inicial - Distribuição dos grupos por percurso; Diálogo - Explicação sobre as categorias; - Apresentação do COP; Mapas detalhados do terreno, cronometro, prismas, picotadores. - O tempo será cronometrado com precisão; AULA 8 Objetivo: Vivenciar a prática competitiva do Esporte Orientação. Momentos Atividade 1 Roda final Estratégia metodológica Descrição da atividade Aula prática Realizar o percurso de orientação, com 15 pontos a serem visitados, independente do percurso. Diálogo Solicitada avaliação sobre a temática aos estudantes. Material necessário Questionário. (questionário avaliado nesta pesquisa). Atitudinal: Seguir as regras do esporte (ordem certa de picote, horário de largada, etc.); Respeitar o tempo que o outro colega leva para realizar sua prova; Ajuda durante o percurso a outros colegas. Avaliação Conceitual: Pontos positivos, negativos e sugestões que os estudantes tenham sobre esta prática, baseados nos conhecimentos adquiridos. Procedimental: Realizar um percurso de orientação, com o auxílio do mapa, seguindo o percurso, no menor tempo possível. 83 APÊNDICE E – MAPAS E GABARITOS UTILIZADOS NO 2º ENCONTRO Trabalho de Conclusão de Curso II Conteúdo de ensino: Esporte Tema: Esporte Orientação. Estagiária: Dandara Queiroga de Oliveira Sousa. DISTRIBUIÇÃO DOS PRISMAS NA QUADRA 84 Trabalho de Conclusão de Curso II Conteúdo de ensino: Esporte Tema: Esporte Orientação. Estagiária: Dandara Queiroga de Oliveira Sousa. GABARITO DAS PISTAS Percurso 1 0- Percurso 2 Percurso 3 0- 0- 6–O 3–L 3–L 8–R 8–R 5–X 15 – I 19 – F 11 – G 24 – E 20 – U 20 – U 12 – Q 13 – K 13 – K 14 – S 18 – D 18 – D 26 – A 21 – B 26 – A Percurso 4 25 – C Percurso 5 25 – C Percurso 6 25 – C 0- 0- 0- 4–N 5–X 5–X 10 – Y 14 – S 13 – K 11 – G 3–L 7–P 15 – I 12 – Q 15 – I 13 – K 11 – G 23 – M 17 – T 20 – U 17 – T 24 – E 13 – K 26 – A 25 – C 25 – C 25 – C 85 Pista escola – IFRN Parnamirim Atleta: _____________________________________________________________________ Categoria: __________N Data da prova: ____/____/_________ PERCURSO – 01 86 Pista escola – IFRN Parnamirim Atleta: ____________________________________________________________________ Categoria: __________N Data da prova: ____/____/_________ PERCURSO – 05 87 APÊNDICE F – MAPAS UTILIZADOS NO 3º ENCONTRO IFRN – Campus Parnamirim Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Ciências da Saúde Departamento de Educação Física Coordenação de TCC em Educação Física – Licenciatura Atleta: _____________________________________________ Categoria: _____ Idade: ____ Série:___ Turma: __________ Professor supervisor: Alison Batista Estagiária: Dandara Q. de O. Sousa PERCURSO 1 Mapa de orientação simplificadodo IFRN Campus Parnamirim. Elaborado exclusivamente para estágio IV – Outubro/2013. 88 APÊNDICE G – MAPAS UTILIZADOS NO 4º ENCONTRO 89 90 APÊNDICE H – QUESTIONÁRIOS TRANSCRITOS Universidade Federal do Rio Grande do Norte Centro de Ciências da Saúde Departamento de Educação Física Curso de Licenciatura de Educação Física QUESTIONÁRIO SEMI-ESTRUTURADO AVALIAÇÃO DE ENSINO-APRENDIZADO SOBRE O ESPORTE ORIENTAÇÃO 1. Quais pontos positivos você destaca nas ações pedagógicas 6 que trataram do conhecimento do Esporte Orientação realizadas em sua turma? 2. Quais pontos negativos você destaca nas ações pedagógicas que trataram do conhecimento do Esporte Orientação realizadas em sua turma? 3. Quais sugestões você daria para melhorar as ações pedagógicas realizadas? Agradeço por sua significativa contribuição para a pesquisa, Dandara Sousa. 6 Entendam por ações pedagógicas o planejamento das aulas, as formas como as aulas foram dadas (se em sala, se na quadra, se com datashow, vídeos, etc), as formas de avaliação das aulas (realizadas por Alison e a forma que eu havia solicitado). 91 TRNSCRIÇÃO DAS RESPOSTAS DADAS AO QUESTIONÁRIO7 Considerações à respeito da intervenção pedagógica realizada no ensino médio do IFRN em Parnamirim sobre Esporte Orientação. O trabalho desenvolvido pela estagiária de Educação Física Dandara Queiroga, foi de excelente qualidade, pois a mesma demonstrou planejamento, organização e segurança em todas as ações desenvolvidas durante a intervenção pedagógica. Atreladas a essas questões de domínio profissional, estão as questões relacionadas a relevância e a contemporaneidade do conteúdo trabalhado pela mesma, pois os alunos e alunas tiveram acesso a discussão de questões importantes que permitiram o conhecimento de mais uma manifestação da cultura de movimento, para além, dos conteúdos hegemônicos da Educação Física (futsal, voleibol, queimada, basquete), corroborando com as discussões que estamos desenvolvendo no âmbito do IFRN. Além disso, os alunos passaram por um processo pedagógico que permitiu que os mesmos aplicassem os conhecimentos adquiridos ao longo das aulas em uma situação bem próxima da realidade (prova prática) em que foram envolvidas todas as dimensões dos conteúdos. Além dos conteúdos vivenciados, consideramos a participação do clube potiguar de orientação como um elemento que veio abrilhantar a intervenção pedagógica. Nesse sentido, não conseguimos perceber aspectos negativos na intervenção pedagógica que viessem a diminuir ou prejudicar o referido estágio. Pontos positivos: - Apresentar um novo esporte aos alunos, que pode ser praticado por todos e não só pelos melhores, como nos esportes tradicionais, estimulando a prática esportiva. - Proporcionar a vivência do esporte Orientação a pessoas na faixa etária mais propícia para o aprendizado; - O fato de o local escolhido para a prática ser a própria escola deles favoreceu o sucesso do primeiro contato com a Orientação, uma vez que amenizou o possível “medo do desconhecido”; - Estimular o desenvolvimento pessoal dos alunos, por meio da conquista pessoal do sucesso, da superação dos limites físico e psicológico, aumentando a motivação, auto estima e a auto confiança. Pontos negativos: - O horário de realização da prática foi prejudicial à saúde e ao rendimento dos alunos na atividade, devido ao sol forte que eles tiveram que enfrentar. 7 As respostas dadas aos questionamentos foram transcritas da forma mais fiel possível, incluindo trechos rachurados, erros ortográficos, e o formato do texto escrito. 92 Pontos positivos: - Os alunos aprenderam em um determinado espaço limitado por um mapa a se localizar e encontrar pontos locados em vários lugares usando a leitura de escala/distância no mapa. - Prática de corrida pedestre exercitando a parte física - Raciocínio e cálculo rápido de distâncias e direções. ( na largada até o final do percurso na chegada). -Conhecimento direto e indireto dos relevos e acidentes encontrados no terreno na área do mapa. - Atendeu a várias idades e níveis técnicos e físicos. -Disciplina e respeito. ( Todos prestaram atenção nas explicações tanto da professora como dos colaboradores do COP). Pontos Observados para melhorias: - Horário da aplicação da disciplina. (sempre que possível em horários que o sol não esteja tão forte. - Trajes dos alunos. (poderia organizar dependendo do local e horário, que os alunos participem com trajes mais leves). 1. Todo conhecimento adquirido durante as aulas foi de grande importância para mim, a forma como as aulas foram abordadas foi excelente, tanto em sala de aula quanto na quadra, a parte prática para mim foi a melhor, essa ideia (dela) de trazer a vivência prática do esporte o orientação foi ótima, vivenciamos algo novo e técnicas para poder se orientar melhor tanto neste esporte como também com outras atividades. 2. Não observei nenhum ponto negativo, para mim as aulas foram todas excelentes, não tenho do que reclamar. 3. Minhas sugestões seria para que se pode-se* continuava com as atividades do esporte e orientação aqui na escola, e desenvolendos* novos trabalhos e até quem sabe incentivando os alunos que gostaram e se interessaram a prática deste esporte. Que este trabalho não se resuma apenas nessas aulas, que ele possa ter continuidade. 93 1. O planejamento das aulas se deram de forma coerente, a princípio foi orientado sobre as formas de localizar pelo mapa e em seguida uma prática bastante proveitosa para saber como funciona o esporte. Toda aula tinha uma vivência sobre o esporte de orientação o que a deixava mais interativa e era mais fácil assimilar o conhecimento necessário para praticá-lo. 2. As aulas foram um pouco corridas. 3. Que as aulas continuem assim e tenham mais práticas. 1. Todas as aulas foram bem objetivas e centradas no conteúdo da apresentação do esporte, junto as aulas práticas a execução e explicações das atividades ajudaram bastante no dia-a-dia. E ensinando a se orientar. 2. As aulas eram muito cedo e poucos estavam dispostos e os pontos estavam muito perto e muito fácil de se executar o que deixou monótona a aula. 3. Aula boa, apenas deixe a aula mais dinâmica, mais divertida e traga os equipamentos para os alunos terem uma vivência maior. 1. As aulas foram bem feitas e foi possível entender o assunto. 2. Acho que nenhum, a explicação foi muito boa porém não gostei do esporte. 3. Acho que não precisa melhorar nada. O esporte foi bem mostrado. As aulas sobre esporte orientação, realizadas na turma de mecatrônica A, forma muito boas, pois conhecemos um esporte novo, aprendemos mais sobre a sua pratica, regras, a vivência do esporte e até mesmo as confederações. AApesar do horário da corrida e do preparo físico de alguns alunos, não houve pontos negativos a serem apresentados. A prática foi ótima, aconselho a quando puder, apresente esse esporte a várias outras pessoas em outras escolas e lugares, pois há uma grande possibilidade de muitas outras pessoas participantes também gostarem. Parabéns pelo seu trabalho. 1. Os pontos positivos são muitos, mas vou destacar apenas alguns que chamaram a minha atenção. - O esporte: nunca tinha ouvido falar sobre este esporte, nosso primeiro contato eu me identifiquei muito do esporte. Já que tenho facilidade de me orientar. - O conteúdo: sobre o conteúdo, foi o principal incentivador para identificação com o esporte. 94 Também gostei dos exemplos dados, e como o esporte é praticado. 2. Os pontos negativos são pouquíssimos. A questão do tempo, o horário que não ajudou muito, também o local que era pequeno, e também a falta de informação sobre o local, já que as imagens de satélite estavam desatualizadas. 3. Sugestões tenho poucas, mas se tivéssemos mais encontro seria muito bom, e dessa vez em um horário mais confortável para todos. 1. De acordo com as aulas ministradas, os pontos positivos foram: - Aprendizado sobre a orientação. - Práticas vivenciadas. 2. Pontos negativos foram, o espaço que era muito complexo e na produção do mapa no papel, a planta da escola era antiga então tinha locais não mostrados no mapa. 3. De acordo com meu conceito creio que está bom. Pelo menos nas suas aulas ministradas. 1. Vários pontos, dentre eles o fato de até pouco tempo atrás eu não tinha nenhuma noção do que seria esporte orientação e agora eu já tenho capacidade de fazer uma boa corrida. 2. Foi até certo ponto bem fácil as práticas já que eu conhecia o terreno do campus. 3. Diretide* para todo mundo ia ser bom. 1. Divertimento e aprendizado, e de até não saber do que se tratava esporte orientação. Acho que me situo bem nesse esporte gostaria de me aprofundar mais, e ir para competições. 2. Nenhum. 3. Assim pra ficar melhor, tentando nos levar para eventos ou competições fazendo com que desperte mais a curiosidade de quem pratica. 1. O aprendizado no que envolve a orientação, por exemplo, em ambientes de florestas, mata alta e etc. a interação entre o ambiente e o atleta, a forma de montar todo um projeto organizado. 2. Não destaco nenhum ponto negativo. 3. Promoveria mais encontros e faria valer mais a prática do que a teoria. 95 1. As aulas ministradas pela estagiária Dandara Sousa, aparentavam ser bem planejadas, pois a mesma utilizave* de diversos recursos para que a aula fosse proveitosa, entre estes estão: o datashow- onde fomos informados de os históricos do esporte, o funcionamento, regras, entre outros; a interação com o esporte, a partir dos mapas apresentados em aula, as práticas, e etc. 2. Em relação aos pontos negativos, o tempo foi “o vilão” da estória, logo que, quando conhecemos o esporte, já tivemos que nos despedir do mesmo. ps: o tempo deveria ter sido maior, tanto no tamanho das aulas, quanto a quantidade. 1. Bom, nestas atividades pude desenvolver minhas habilidades em “se orientar” se achar no espaço, foram diversos pontos positivos que observei decorrentes das atividades, a organização, instruções, que contribuíram para o meu desenvolvimento de agilidade, concentração, etc. Não pude perceber nenhum ponto negativo ao decorrer de tudo. 1. Dentre os pontos positivos abordados nos diversos ambientes em que estivemos trabalhando o esporte orientação, podemos citar as várias formas utilizadas pelos professores Alison e Dandara para transferirem conhecimento através das aulas, de forma dinâmica e interativa. 2. Impossível falar de algo que não existe, então só tenho a parabenizar toda equipe, em especial a professora Dandara. 3. Sugiro que não mudem a metodologia do ensino, continuem desta forma. 1. Nossa turma teve uma ótima preparação para o prático do esporte orientação. Tivemos aulas teóricas, nas quais, achei de suma importância para o entendimento; depois fomos fazer uma prática, para nos familiarizar mais com o esporte e na outra aula tivemos a prova prática. Adorei a preparação que Dandara teve para as aulas, e também sua organização com a turma. 2. O único ponto negativo, que não dá* parte de Dandara, foi a realização das práticas em um horário que o sol estava a pico e isso facilitou a fadiga. 3. Nenhuma sugestão a propor, pois as aulas foi* perfeitamente elaboradas e agradáveis. Parabéns! 96 1. A didática foi boa pois apresentou a turma um esporte novo o qual grande maioria não conhecia. 2. Não houve muito interesse da minha parte pelo esporte, pois não gostei muito da sua modalidade. 3. Falta um pouco mais de experiência em sala de aula da professora para saber como lidar com a turma. 1. O fato das aulas não terem sido ministrada apenas na sala. E também a questão das aulas apresentadas na sala serem mais do que aquele exposição da matéria, havendo espaço da interação com os alunos. 2. Nada. 3. Acho que a aula foi muito boa, não tenho sugestões. 1. Os pontos positivos foram muitos, como o domínio do conteúdo pela professora (atleta), a metodologia aplicada com variedade de objetos (mapa, imagens, vídeos), e principalmente a vivência em quadra que nos proporcionaram momentos marcantes e até mesmo engraçados no esporte orientação. 2. Apesar das aulas serem muito proveitosas, tivemos poucas aulas e pouco tempo. 3. Aumentar o tempo e o número de aulas sobre esporte orientação e se possível, aumentar o percurso. 1. Os positivos foram o uso de materiais próprio de esporte orientação, as aulas foram bem feitas e foi possível compreender a matéria. 2. Não houve pontos negativos. 3. Não é preciso melhorar, já foi bom. 1. Aprender um esporte novo, no qual nem sabia de sua existência. Realizamos práticas do esporte. Aprendemos novas técnicas, foi muito legal. 2. Acho que pelo fato das aulas serem os primeiros horários talvez isso tenha sido o ponto negativo. 3. Mudar horário. 97 1. É de extrema importância parabenizar a professora e o professor por todo planejamento das aulas, toda aula era uma vivência diferente e algo a mais para se aprender. A forma de avaliação também é de se parabenizar, pois eu nunca tinha vivido algo do tipo. Obs.: Gostei muito do esporte. 2. Não percebi aspectos negativos, pelo contrário gostei de tudo que foi passado e vivido. 3. Maior quantidade de tempo nas aulas, confesso que foi algo um pouco corrido devido a pouca quantidade de tempo. *Parabéns Dandara e ao professor Alison. *Pontos positivos: - Introdução ao esporte; - Explicação sobre como é o esporte no país e região; - Vivência prática do esporte. *Pontos negativos: - Não percebi aspectos negativos. *Sugestões: O esporte deveria ser mais divulgado por parte dos professores de Educação Física. 1. Positivos- bem diversificada a aula, aulas práticas. 2. Falta de um espaço mais adequado para a prática. 3. Mais práticas e divulgação desse esporte. 1. No esporte orientação um dos primeiro pontos positivos, foi o fato de conhecermos um esporte pouco visto no dia-a-dia, um esporte que além do condicionamento físico exige raciocínio rápido. As aulas foram muito proveitosas e muito bem administrada. 2. Não houve na minha opnião*. 3. Ter mais aulas, pois tivemos apenas três aulas práticas. 98 1. A maneira com que as aulas foram conduzidas e a atividade diferenciada do esporte de orientação, onde foi utilizada uma atividade prática como avaliação bimestral. 2. O horário em que foram conduzidas as atividades (sol forte). 3. Mudança para um horário mais ameno. 1. Além de conhecermos um esporte novo (para nós), aprendemos a reproduzir mapas de determinados locais e e* nos orientar através de um mapa ou de uma bússola. 2. Na minha opinião não existiu pontos negativos. 3. Recebermos a visita de outros atletas e visitarmos lugares que são realizados competições em nosso estado. 1. Os conceitos e as práticas que foram aplicadas tanto em sala de aula como fora, todos foram ímpares para nossas vidas. Pois as aplicações na área do esporte e orientação tornaram as aulas diferenciadas que normalmente temos. 2. Tempo e espaço. 3. -------- 1. A facilidade de assimilar os conteúdos. 2. Um pouco de monotonia. 3. Aulas mais descontraídas. 1. A facilidade de entender o assunto, quando íamos para a prática tudo foi ensinado passo a passo facilitando a compreensão. 2. Nenhum. 3. A única sugestão é que procurar escolher um horário melhor. Pontos positivos: conhecimento adquirido, pois não conhecia o esporte orientação, poder vivencia* um pouco desse esporte. Pontos negativos: Acho que (a única coisa) não houve pontos negativos pois tudo foi bem planejado. Sugestão: Ter mais aulas em outro espaço, como a UFRN, etc. 99 1. Descobrimos muitas coisas sobre o esporte orientação. Para começar, eu nem sabia que existia tal modalidade esportiva. Vimos também que há muitas regras e seriedade para praticar tal esporte e que é necessário muita atenção para se orientar, não é apenas seguir o mapa. 2. Falta de um espaço mais adequado para a prática. 3. Tentar realizar a prática em um lugar mais adequado e o aprofundamento das aulas sobre orientação. 1. – Aulas teóricas dinâmicas; - Bem apresentadas; - Conteúdo simples de entender; 2. – Poucas práticas; - Pouco tempo; - Horário das aulas práticas. 3. – Mais práticas; - Mais tempo para realizar as atividades; - Lugares diferentes para realização de corridas; 1. As aulas de esporte orientação foi ótima em termos de conhecimentos que foram passados para os alunos, e pelo planejamento delas. 2. A prática não foi um “desafio”. 3. Planejamento da prática em locais diferentes.