Alternativas Econômicas
Sustentáveis
para Agricultura Familiar
Rede BR163+Xingu
Alternativas Econômicas Sustentáveis para Agricultura Familiar
Coordenador: Nilfo Wandscheer
Associados:
Associação dos Parceleiros do Projeto de Assentamento Califórnia
Associação dos Produtores rurais da Gleba Entre Rios
Cooperagrepa - Cooperativa de Produtores Ecológicos do Portal da Amazônia
EcoCachimbo - Instituto de Ecologia e Pesquiza do Complexo Serra do Cachimbo
Gapa - Grupo Agroflorestal e Proteção Ambiental
Instituto Centro de Vida
Instituto Ouro Verde
Instituto Socioambiental
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lucas do Rio Verde
Esta Rede faz parte da Campanha Y Ikatu Xingu
www.yikatuxingu.org.br
Ficha técnica
Alternativas Econômicas Sustentáveis para Agricultura Familiar
Pesquisa e redação
Adriana Gomes Nascimento
Coordenação editorial
Gisele Souza Neuls
ÍNDICE
Apresentação
07
Diagnóstico Participativo:
ferramenta de mobilização e organização comunitária
09
Carlinda semeia projetos e colhe sustentabilidade
11
Intercâmbio – Troca de experiências que favorece a todos
14
Recuperação de pastagens – alternativa necessária
16
Nova Guarita recupera seu futuro
18
Apicultura: uma doce possibilidade
20
Em Vera o fogo sai para entrarem as flores
25
Viveiros e sementes: o começo da recuperação floresta
27
Cláudia – mata ciliar cultivada em viveiro
32
Sistemas Agroflorestais:
produção de alimentos e restauração florestal
35
Água Boa: entre o novo e o tradicional na floresta
39
Projeto gráfico e Editoração eletrônica
Elenor Cecon Júnior - EGM Editora
Fotos
As publicadas nas páginas 12, 14, 16, 18 e 19 foram cedidas pelo fotógrafo Rafael Castanheira. As demais
fotos utilizadas nessa publicação foram cedidas pelos associados da Rede BR163+Xingu.
Apoio
Subprograma de Projetos Demonstrativos do Ministério do Meio Ambiente
Edição
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lucas do Rio Verde
Rua Girua, 1196e - Cidade Nova
Lucas do Rio Verde – MT – CEP 78.455-000
http://strlrv.blogspot.com
[email protected]
(65) 3549 1819
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
07
Apresentação
Um modelo de agricultura: inclusivo, que respeita o
ambiente e as populações e gera renda para as comunidades
A Rede BR163 + Xingu tem proporcionado aos agricultores e técnicos da região oportunidades de
experiências muito ricas visando a produção da agricultura familiar casada com a conscientização
e educação ambiental dessas pessoas. Tudo isso é possível graças ao trabalho de anos de
estruturação e fortalecimento de entidades através da formação de representantes e lideranças. A
articulação dessas entidades resultou na Rede BR163+Xingu, e a Rede também resultou em mais
articulação.
O nome da Rede vem do debate que já existe há anos, entre as entidades do movimento social, sobre
a participação social nas obras de infra-estrutura que devem acompanhar a pavimentação da BR163 no trecho Cuiabá – Santarém. Esse envolvimento se somou à Campanha Y Ikatu Xingu,
abraçada por agricultores familiares, indígenas, poder público, organizações sociais e fazendeiros
em direção ao objetivo comum que é a preservação das águas na bacia do Rio Xingu.
Com isso aconteceram intercâmbios de conhecimentos em manejo racional de pastagens,
apicultura e restauração florestal. Todos estavam visitando experiências semelhantes às das suas
comunidades, assim, de forma indireta estavam aprendendo sobre organização social e gestão
participativa. O conhecimento, as metodologias, as técnicas foram construídas de forma
participativa e, esta experiência serve de modelo para várias comunidades da região e até do
Estado.
É importante que o Estado e financiadores olhem para esta experiência com carinho e usem este
aprendizado no momento de construir o modelo de desenvolvimento que queremos. O STR, com
esta cartilha pretende contribuir com um novo modelo de
agricultura, inclusivo, respeitando o ambiente, as populações e
gerando renda para as comunidades.
Acreditamos ter atingido nosso objetivo, mas o trabalho continua,
há comunidades que não foram beneficiadas e as já contempladas
serão inseridas num processo de fortalecimento da comercialização solidária envolvendo mais parceiros, setor público, terceiro
setor e comércio.
Boa leitura!
Nilfo Wandscheer - presidente do Sindicato dos
Trabalhadores Rurais de Lucas do Rio Verde
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
08
Mudança Cultural: objetivo maior dos
projetos piloto da Campanha Y Ikatu Xingu
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
09
Diagnóstico participativo:
ferramenta de mobilização e organização comunitária
Aos nove projetos piloto da Rede BR-163 + Xingu, financiados pelo PDA-PADEQ, somam-se outros
tantos, apoiados por outras fontes de financiamento, distribuídos por diversos municípios da
A mobilização e organização comunitária é a chave para mudar a tradição de soluções mágicas
região das cabeceiras do Rio Xingu e adjacências. Todos eles incluem componentes para a proteção
para as dificuldades da agricultura familiar que vêm de cima pra baixo. Uma comunidade bem
e recuperação de nascentes e matas ciliares, e somam esforços para a concretização dos objetivos
organizada, que sabe o que quer e onde quer chegar, não será facilmente enganada por projetos
da Campanha Y Ikatu Xingu.
milagrosos que resultam e grandes elefantes brancos.
Esses projetos, por si só, são insuficientes para promover a recuperação de toda extensão de matas
Mas como se dá esse processo? Antes de pensar em como mudar uma realidade é preciso conhecer a
ciliares já degradadas na região. Porém, eles vêm desempenhando funções essenciais. Antes de
comunidade, e mais: que a comunidade se conheça profundamente. Para isso, o diagnóstico parti-
mais nada, eles estão trazendo um aporte de mais de cinco milhões de reais, em três anos, para o
cipativo é uma das primeiras ferramentas de trabalho, tanto para técnicos quanto para as próprias
conjunto desses municípios, aos cuidados das diversas organizações locais que são suas
lideranças das comunidades.
executoras.
Os primeiros passos são visitas e entrevistas de campo, em que no contato com cada morador da
Além disso, os projetos estão possibilitando a formação e fixação, na região, de técnicos
comunidade abre caminho para compreender a dinâmica da comunidade. Nessas visitas é impor-
especializados, que ajudam a desenvolver técnicas de baixo custo para restauração florestal, que
tante apresentar a proposta de trabalho, ouvir as pessoas envolvidas, perguntar o que elas preci-
permitirão aos produtores e administradores públicos interessados desenvolver tantas outras
sam e o que querem mudar na sua comunidade. O Diagnóstico Participativo, que vamos abreviar
experiências similares que sejam necessárias e possíveis. Ajudam a agrupar importantes
como DP, deve envolver as pessoas da comunidade em todas as etapas do processo, desde a elabora-
instituições locais em ações conjuntas, que podem compartilhar as suas experiências e enfrentar
ção dos questionários ou roteiros de diagnósticos, até as entrevistas e análises dos dados. Este DP
as suas dificuldades comuns. Por exemplo, já vêm possibilitando a constituição de um incipiente
vai permitir saber
mercado local de sementes de espécies nativas, que eram antes consideradas inúteis, mas que
com mais fidelidade e
agora estão sendo valorizadas, inclusive como um fator de geração de renda para os seus coletores.
amplitude o que toda
ou quase toda a
Considerando que os projetos piloto, como é da sua essência, estão abertos à visitação e à
comunidade anseia,
aprendizagem de todos os interessados, inclusive o público escolar, e que os seus resultados,
ou seja, qual seu
mesmo iniciais, vêm sendo divulgados e compartilhados amplamente, eles estão se
problema em comum.
transformando num verdadeiro elemento de transformação
cultural para toda a população. E assim, a região vai encontrando
Para poderem aplicar
o seu caminho e o seu lugar nesses tempos em que milhões de
esse DP, os pesquisa-
pessoas, em todo o mundo, buscam enfrentar os desafios que estão
dores comunitários
diante da nossa civilização, em busca da sustentabilidade e de um
passam por oficinas
futuro melhor e mais sadio para as futuras gerações.
que os ajudam a
entender e manejar
Márcio Santilli - Coordenador da Campanha Y Ikatu Xingu
esse recurso, abordando aspectos como
Liderança Comunitária; Comunicação e Técnicas de coletas de dados. Após a capacitação, os participantes apontam
quais serão as pessoas que comporão um grupo que percorrerá a região coletando dados e problemas da comunidade para que se estabeleçam prioridades e se pense em soluções coletivas.
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
10
A partir desses dados coletados, a comunidade traça um mapa dos próprios problemas e começa a
dos resultados encontrados. É
listar propostas de soluções. Nessa fase de discriminação de tarefas é importante não esquecer a
importante que o roteiro
questão de gênero para garantir que todos os aspectos de um mesmo problema possam ser lembra-
aplicado seja o mesmo para
dos e avaliados de forma geral.
todos, pois isso facilita agru-
11
par as respostas e fazer
Com a elaboração e análise do seu diagnóstico, a comunidade começa a ver problemas comuns e
análises comparativas.
possibilidades de soluções coletivas – o que sem dúvida fortalece os laços comunitários. O objetivo
do DP, além de funcionar como uma fotografia da comunidade, é fortalecer o grupo de tal forma
* De posse dessa aná-
que, a partir do conhecimento das ferramentas de organização e diagnóstico que aprenderam, no
lise, a comunidade deve
futuro encontrem seus próprios meios de, em conjunto, chegar a soluções viáveis para os proble-
estabelecer um cronograma
mas comuns a todos.
de reuniões para priorizar os
problemas que devem ser
É comum que entidades como sindicatos e organizações não-governamentais darem a partida
enfrentados e debater quais as
nesse processo, levando para a comunidade escolhida para determinado projeto o auxílio de
melhores formas de fazer isso
técnicos e especialistas. E o papel dessas entidades deve ser facilitar o processo de organização e
coletivamente.
fortalecimento das comunidades Porém, o DP é uma ferramenta simples que a própria comunidade pode organizar e implementar.
* A cada etapa cumprida a comunidade deve se reunir para avaliar acertos e dificuldades. A
avaliação constante e participativa permite corrigir rumos, acertar detalhes e fortalece a
iniciativa.
Passo-a-passo do Diagnóstico Participativo
Organizar um grupo gestor, um comitê que vai ser responsável por fazer o DP funcionar. O ideal é
que esse comitê seja composto metade por homens e metade por mulheres, incluindo jovens.
Oferecer ou buscar capacitações para a comunidade compreender o que é o DP e quais suas vantagens e possibilidades de utilização.
* Montar o roteiro do diagnóstico, com as questões que se quer identificar na comunidade
(ex.: número de famílias, grau de escolaridade, renda e produção familiar, principais dificuldades
enfrentadas etc). É importante que esse roteiro seja montado em uma reunião com a comunidade,
para que contenha o maior número de questões que a comunidade ache importante de serem
trabalhados.
* Escolher um grupo de pessoas da comunidade que será encarregado de fazer o diagnóstico conforme o método escolhido. Pode-se deixar questionários para as famílias responderem,
fazer entrevistas individuais, entrevistas com grupos familiares, enfim, de várias formas. A
escolha do método depende do tamanho da comunidade e sua capacidade de levar o diagnóstico
adiante.
* Depois de todas as entrevistas feitas, o próprio grupo de pesquisadores ou um grupo
maior deve se encarregar de analisar os dados e fazer o relatório do diagnóstico, com a descrição
Por fim, é importante saber que esse não é um processo rápido e cada comunidade tem um ritmo
que deve ser respeitado. O tempo pode variar de dois meses até mesmo um ano. Devemos lembrar
que o que importa é obter resultados consistentes, além do amadurecimento e fortalecimento da
comunidade – coisas que não acontecem do dia para a noite.
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
“
Carlinda semeia projetos e colhe sustentabilidade
Seis comunidades do município de Carlinda,
região e da falta de estudo de mercado para
distante 762 km de Cuiabá, já colhem frutos da
comercializar o que se produzisse.
13
Gerenciamento certo - Na discussão sobre
“
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
12
Participar de uma experiência
Conselho Gestor resolveu investir em
como esta, em algumas
1.400 quilos de fungo (Metarhizium
palavras, é 'show de
anisopliae) para o controle biológico da
bola'. É muito
gratificante ver
as coisas decolarem
sua forte mobilização e organização comunitá-
gerência dos recursos do projeto, o
cigarrinha. Das mais de 70 propriedades
que passaram a controlar a cigarrinha,
foram selecionadas nove para monitoramento dos resultados. Assim, três monitores, que foram escolhidos pelas seis
rias. Mas chegar ao nível em que se encontra
Em 2005, quando o projeto Gestar Portal da
hoje não foi fácil. Embora estejam só começan-
Amazônia chegou em Carlinda através do IOV ,
do, muita coisa já mudou. As comunidades
em parceria com o ICV , as comunidades Monte
vinham de um histórico de programas falhos
Sinai, Nazaré, Rio Jordão e Palestina começa-
que diversas instituições e governos tentaram
ram um processo de mobilização e organização
implantar na região com idéias prontas que
que se tornou referência na região. A comuni-
Comunitário de Gestão Ambiental Integrada,
outras nove propriedades que não aplicaram o
não eram preparadas ao calor do que a comu-
dade se fortaleceu, percebeu que unida poderia
local que representa fisicamente as comunida-
agente biocontrolador para poder comparar os
nidade queria e necessitava.
resolver de forma um pouco mais fácil seus
des. Desde sua criação o local funciona como
efeitos. E os resultados não poderiam ser
problemas em comum e hoje administra um
um concentrador de idéias e informações
melhores. O número de cigarrinhas tem dimi-
Até 2004, contam os moradores, era a lei do
resfriador coletivo de leite, entre outras inicia-
ambientais e presta assessoria aos moradores
nuído até nos pastos que não foram pulveriza-
'cada um por si e por seus problemas' já que
tivas comunitárias. A união resultou inclusive
nas mais diversas dúvidas. duas outras comu-
dos. Isso acontece porque as cigarrinhas
estavam sem paciência para mais projetos
na aprovação do projeto junto ao PDA/Padeq –
nidades foram incorporadas ao trabalho,
parasitadas de uma propriedade levam o fungo
'milagrosos'. Segundo eles, volta e meia apare-
projeto escrito em conjunto pela comunidade e
envolvendo assim todo um setor dentro do
para outros locais, ajudando na sua dissemina-
ciam projetos de plantações
IOV.
município de Carlinda.
ção.
Ao todo o PDA/Padeq tem
A eficiência é tanta que o Centro pode ser
Isso demonstra que há um ganho ambiental
dois anos para ser realiza-
considerado uma referência ambiental, tama-
mesmo para os proprietários que ainda não
do. No primeiro ano foram
nha é a procura por seus serviços. A média de
acordaram esta solução ecológica. O que dá
realizadas visitas a todos
atendimentos é de 100 pessoas/mês não só do
muita satisfação, conforme os monitores, é ver
os moradores e a oferta de
universo de 200 famílias que com
que, junto com o meio ambiente a mentalidade
oficinas de liderança e
PDA/Padeq de Carlinda,
comunicação, controle bio-
mas também de quem não
lógico, manejo de pasta-
participa do projeto. E a
gens e recuperação de
tendência de procura pelo
matas ciliares. Um grupo
Centro é de crescimento.
da própria comunidade
Hoje, só não atendem mais
elaborou o Diagnóstico
porque o número de moni-
Participativo, que identifi-
tores ainda é reduzido
cou os problemas das
frente as atividades desen-
comunidades e a busca de
volvidas na região - são
salvação da lavoura', e assim por diante. Mas o
soluções comuns como: Manejo de Pastagem e o
quatro monitores, sendo
resultado era sempre o mesmo: o fracasso,
Controle Biológico da Cigarrinha. Também
dois homens e duas mulhe-
resultado da inadequação dos projetos para a
houve a estruturação física do Centro
res.
dias, estas propriedades para verificar a
eficiência do fungo em relação à cigarrinha. Além disso também são visitadas
põem o
“
Trabalhar em Rede é muito bom! Isso porque se
“
que seriam 'a
comunidades percorrem, a cada quinze
Antonio Francimar,
representante da
comunidade Nazaré.
aprende mais com as reuniões e intercâmbios e as
idéias surgem, com mais facilidade. Não se
fica isolado. Um ensina o outro
ao mesmo tempo em que se aprende
com todos. Acho que esta é a grande
sacada dessa experiência
Alexandre Olival,
coordenador do Instituto Ouro Verde.
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
dos proprietários também começa a mudar.
atividades. Assim outros projetos extras que
“Antes tinha um proprietário que dizia que
não estavam prevists no PDA/Padeq puderam
cigarrinha só se combatia com fogo. Agora ele é
acontecer neste primeiro ano paralelamente
um dos que procuram pulverizar o fungo”, diz
aos previstos. São eles: o cultivo, em pequena
o monitor Antonio Francimar. Em agosto de
escala de NIM (Azadirachta indica) – uma
2007, quando começa o segundo ano do proje-
planta de origemasiática utilizada como repe-
to, serão implantadas 20 unidades demonstra-
lente; a criação de Horta Agroecológica, cujos
tivas que vão receber piquetes para o manejo
recursos de venda é darão suporte à sustentabi-
ecológico de pastagem.
lidade do Centro Comunitário de Gestão
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
“
15
A troca de experiências semelhantes é muito positiva, realizada de projeto para projeto
de organização pra organização, de produtor pra produtor. Amplia-se a quantidade de
“
14
informações relacionadas, bem como outras complementares aos projetos. Em
alguns casos, é possível uma cooperação entre projetos diminuindo custos.
E a socialização das informações e dos resultados dos projetos
é muito enriquecedora, e permite um melhor desenvolvimento
das ações, onde podemos errar menos, ou seja aprender também com
os erros dos outros. Nestes casos sempre amplia as oportunidades
Ambiental Integrada e a elaboração do jornal “A
Frutos colhidos - Mas vale frisar que nada
Semente”, criado pelos participantes do projeto
disso aconteceria em Carlinda se o Conselho
como forma de disseminar informações às
Gestor não optasse por trabalhar desde o
comunidades para fomentar a participação
princípio com contrapartidas das comunida-
coletiva nesta empreitada e a recuperação de 25
os projetos da Rede. A primeira é de que juntan-
envolvidas em diferentes projetos visitam-se
des beneficiadas. Com o bom gerenciamento
nascentes consideradas prioritárias para todo o
do recursos e pessoas se faz mais e melhor do
uns aos outros para verem o desenvolvimento
dos recursos e a constribuição dos moradores
setor.
que cada iniciativa em separado. A segunda é a
de atividades por diferentes ângulos.
houve sobra de recursos desde o início das
Jean Carlo Corrêa Figueira, ICV.
idéia de que agricultor ensina agricultor de
Intercâmbio – Troca de experiências que favorece a todos
uma forma muito mais completa e eficiente.
As visitas de intercâmbio, visitas técnicas,
Assim, ao longo do primeiro ano de atividades
reuniões e dias de campo são as ferramentas
da Rede BR163+Xingu, foram realizados
que oferecem a oportunidade de ver em campo
intercâmbios e seminários técnicos reunindo
o desenvolvimento de iniciativas similares a
todos os projetos para aprenderem e comparti-
que se está desenvolvendo, perceber diferentes
A troca, embora seja uma das práticas mais
BR163+Xingu, a troca de conhecimentos e
lharem aquilo que eles têm em comum, concen-
momentos do processo de desenvolvimento dos
antigas do ser humano, foi, com o incremento
saberes tem sido uma prática constante.
trando os esforços e ampliando os horizontes do
projetos e das comunidades, além de aprender
do capitalismo, sendo esquecida. E a maior
Intercambiar conhecimento começa com o
aprendizado.
com as dificuldades e acertos dos outros, pois
perda não foi a da troca de produtos conhecida
levantamento das necessidades de uma comu-
como escambo, mas a de saberes entre as
nidade em termos de informações e técnicas,
Há três formas básicas de intercâmbio: aquela
pessoas. Mas nas comunidades da Rede
para em seguida localizar pessoas e iniciativas
que reúne pessoas envolvidas em diferentes
que possam contribuir com a
projetos em um mesmo local para aprender e
comunidade levando seus
trocar idéias sobre uma
conhecimentos.
técnica específica, como
permite observar como diferentes comunida-
Duas chaves são importantes
apicultura, por exemplo;
para compreender as ativi-
a que reúne as pessoas e
dades de intercâmbio entre
as leva para conhecerem
um projeto ou iniciativa
que está dando certo,
para ver de perto a
Atividades de intercâmbio
levam agricultores para
ver a aplicação de
conceitos e técnicas
em campo
mesma experiência em
um nível mais avançado
de desenvolvimento; e
aquela em que pessoas
“
Esta é uma experiência que nunca vou esquecer. A mudança
“
manejo de pastagens e
des lidam com os mesmos problemas.
é visível. O pasto está muito melhor. Bem diferente do que
quando eu usava o fogo. Se tiver condições
eu vou estar sempre atrás de novas
técnicas. Mas se vier um projeto que
dê continuidade a este ou vá nesta
direção, será bem vindo
Vilmar, agricultor que participa do projeto em
Nova Guarita com seu pai, Sr. Olívio
16
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
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alimento de qualidade para o gado. A técnica consiste, resumidamente, em:
- Divisão das pastagens em piquetes. O número de piquetes e tamanho dos mesmos depende
do tamanho da propriedade e do rebanho. O ideal é que o gado leve 30 dias para voltar
Recuperação de pastagens – alternativa necessária
- Diversificação das pastagens (gramíneas e leguminosas), que melhoram a alimentação do
gado;
- Arborização das pastagens, de preferência com espécies nativas – elas oferecem sombra e
O pastoreio contínuo, sistema em que o gado fica sobre uma mesma área de pastagem um período
conforto para o gado;
prolongado de tempo ou permanentemente, é o grande inimigo da qualidade dos pastos. Isso
- Abandono do uso de adubos químicos, herbicidas, roçadas sistemáticas e fogo.
porque o gado, mantido sem troca de pasto por um tempo indefinido, após alguns dias de perma-
- Orienta-se adotar a cerca elétrica para manejo dos piquetes, pois diminui os custos com
nência passa a consumir o capim antes que ele complete o seu desenvolvimento. Isso acaba impe-
madeira e arame.
dindo que as plantas refaçam suas reservas energéticas.
Desse modo, a pastagem fica fraca, pouco nutritiva, o que diminui progressivamente a produtividade e vigor do gado. Além disso, o pastoreio contínuo tem reflexos também na cobertura do solo,
que fica desprotegido e, conseqüentemente, mais suscetível aos efeitos da erosão. Com a continuidade deste sistema, em alguns anos a pastagem se degrada. Assim, é preciso uma reforma para que
ela recupere sua capacidade produtiva e o problema seja revertido.
A redução da produtividade das pastagens pela degradação acaba aumentando a demanda por
novas áreas de pasto. Assim, ocorrem novos desmatamentos que seriam desnecessários se os
devidos cuidados e precauções fossem tomados para manter os pastos saudáveis e nutritivos.
Manejo Ecológico de Pastagens
A pastagem ecológica, como o engenheiro-agrônomo e especialista no
tema Jurandir Melado chama a
técnica, pode ser obtida em poucos
anos, a partir de uma pastagem
qualquer já formada. A aplicação
criteriosa do Sistema de Pastoreio
Racional Voisin, um sistema proposto pelo francês André Voisin em 1957,
permite um equilíbrio positivo de três
fatores: Solo, Pasto e Gado, com cada
fator tendo um efeito positivo sobre
os outros dois.
Neste sistema, a utilização da pastagem é feita através de uma rotação racional, que proporciona o
melhor aproveitamento possível das forrageiras, resultando num nível de produtividade que
chega a três vezes a alcançada pelo sistema extensivo, na mesma pastagem. Na prática, quando
mais tempo o gado leva para voltar a um piquete, mais o pasto tem condição de crescer e fornecer
* A Europa tem a atual tendência de adquirir apenas carne rastreada e produzida à pasto, não necessariamente orgânica, mas que
não contenha resíduos de anabolizantes, determinados vermífugos e antibióticos, que não utilize herbicidas, que respeite os
animais (reses, cavalos, etc.) e que utilize níveis decrescentes de uréia no sal.
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Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
Nova Guarita recupera seu futuro
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
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Quando soube do projeto que iria ser desenvol-
atrás de capacitação para expandir sempre e
vido pelo ICV, Schneider resolveu fazer parte,
dar exemplo a outros agricultores. “Com todo o
mesmo que um pouco receoso. Como a intenção
trabalho que implantamos vemos que destruir
principal era a melhoria do pasto, ele começou
é fácil, reconstruir é que é difícil, e leva tempo.
aumentando o número de piquetes de cinco
Mas o bom é que tem jeito”, disse.
Nova Guarita, cidade localizada a 697 km de
pouco alimento natural para os animais.
Já seu Olívio dos Santos, além
Cuiabá, é uma das duas cidades onde o ICV
Muitos já desmataram mais de 50% da proprie-
de ter implantado piquetes,
desenvolve o projeto intitulado Apoio à práti-
dade, não tendo mais como ampliar a produção
também ajuda na recuperação da
cas alternativas à agricultura familiar, em
ou melhorar a produtividade dos pastos exis-
terra e, consequentemente, na
parceria com duas cooperativas locais:
tentes.
alimentação do gado e qualidade
do leite e carne, com a plantação
Coopernova e Cooperagrepa. O projeto busca
atender as necessidades de um grupo de 20
Dos 18 sócios da Associação dos Pequenos
em seu pasto de leguminosas,
agricultores de Nova Guarita e de Terra Nova
Produtores da Comunidade União, de Nova
frutíferas e outras árvores
do Norte, associados das duas cooperativas,
Guarita, dez estão no projeto. Isso porque a
nativas – as duas primeiras para
com a troca do pastoreio contínuo pelo manejo
maioria não quer mais a derrubada de floresta e
alimento e as nativas para
busca caminhos sustentáveis
sombreamento, o que também
para permanecer na terra. Hoje
ajuda no aumento da produção
os participantes não só já pen-
de leite.
sam em novos rumos como
Associação – O presidente da
copiam e buscam modelos de
sustentabilidade numa clara
para 24 e implantando a cerca elétrica. Assim,
Associação, Valmor Antônio Verdana, explica
demonstração de que sua visão
logo no primeiro ano do projeto, conseguiu
que ainda há uma cisma de alguns produtres
está mudada.
aumentar a capacidade de produção de seu
que não entenderam a importância do projeto.
gado leiteiro em 20%. Com o recurso, conta
Por isso nem todos os associados aderiram.
Nélson Rodolfo Schneider é um
orgulhoso, conseguiu não só aumentar a casa,
Segundo ele, se por um lado, o projeto chegou
dos produtores que participam.
mas também ganhou conhecimento e experiên-
tarde, pois não se tinha mais o que preservar,
Tem 26 alqueires e sempre
cias que nem sonhava que existiam.
por outro, veio em boa hora para socorrer quem
já desistia da terra. “Quando a gente precisa,
pensou em recuperar a pastagem, mas nunca tinha feito por
A boa experiência e resultados positivos é o que
acha que tudo é demorado. Mas os resultados,
de pastagens através do piqueteamento e a
não contar com a assistência técnica. Ele conta
fazem o agricultor Schneider pensar no futuro.
mesmo que ocorrendo devagar, agradam, com
implantação de cercas elétricas.
que, logo que chegou a Nova Guarita para
Quando este projeto terminar, ele diz que não
certeza, a todos”, revela Verdana, animado com
tomar posse de sua terra a ordem era derrubar
vai esperar que outro caia em suas mãos, vai
os resultados.
O coordenador do projeto pelo ICV, Jean Carlo
para ganhar o local que tivesse 'tomado posse'.
Correa Figueira, conta que no início o cenário
Após a derrubada, queimou para criar seu
encontrado era de uma comunidade de peque-
pasto. No entanto, hoje sabe o quanto de nutri-
nos produtores rurais, com um bom nível de
entes o solo perdeu com essa prática. Com o
organização, mas com pastos já muito degra-
tempo a terra foi mostrando cansaço e logo
dados, em alguns com cerca de 20 anos de uso.
começou a faltar um bom capim. Isso gerou
Por isso, estavam com um baixo rendimento
baixa produtividade no leite e pouca qualidade
dos pastos, que já estavam degradados e
na carne do gado.
sentindo drasticamente o período da seca, com
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
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para Agricultura Familiar
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passem a introduzir no mel o princípio ativo desses tipos de plantas. Esta característica pode ser
um diferencial do produto oferecido.
Apicultura: uma doce possibilidade
Captura de colméia e manutenção do apiário:
* Devidamente paramentado, com a roupa adequada (macacão com proteção de rosto, luvas
Para quem pensa nessa possibilidade de trabalho, é preciso saber que são necessários certos
e botas) localizar a colméia, que pode estar pendurada ou no oco de alguma árvore.
cuidados na hora de produzir um bom mel. Um exemplo destas medidas é não implantar o apiário
* Fazer fumaça com o fumegador com fogo sempre de material orgânico como sabugo de
próximo a plantações que usem inseticidas, pois isso comprometerá a pureza do produto final. E
milho, capim limão ou serragem. A fumaça nunca pode ser produzida por materiais que irritam ou
também planejar variar seu pasto apícola (conjunto de espécies de plantas que dão flores próximas
molestem as abelhas, como óleo de qualquer natureza, querosene, gasolina e produtos que des-
ao apiário para que as abelhas tenham ingredientes para produzir o mel) para garantir o produto
prendam odor forte ou mau cheiro. Nunca direcionada diretamente a colméia e não muito intensa,
durante todo o ano.
para que as abelhas apenas se afastem e não fujam.
* Quando a colméia está no oco é necessário abrí-la com machado. Feito isto, é preciso
Uma vantagem de se constituir um apiário é que não há restrições a ninguém para se trabalhar
capturar a rainha – cuja característica principal é ser maior do que as demais e ter sempre, atrás de
com apicultura. As únicas recomendações é que não tenha medo nem alergia de abelhas, e seja
si, um grande número de abelhas. A rainha fica localizada sempre no centro da colméia.
paciente no trato com elas. O trabalho, da captura à comercialização, é relativamente simples e
não exige dedicação em tempo integral.
* Colocar a abelha-rainha numa caixa-isca próxima, com melgueiras (quadros de madeira,
que acondicionam os favos da colméia) com cera alveolada nova (cuja característica é a cor branca), devidamente preparada com a proteção contra animais e insetos (ver preparação da caixa).
Um ano em média, dependendo da região, é o tempo que demora para se produzir a primeira leva
* Deixar a caixa no local de captura a 1,50 m ou 2 m da colméia, e a cerca de um metro de
de mel. A média nacional de produção é de 20 quilos de mel por caixa. Para um melhor planejamen-
altura, sem mexer, por dois ou três dias, até que as abelhas sigam naturalmente a rainha e entrem
to, no entanto, é interessante que se faça desde o princípio o mapeamento da florada de seu pasto
na caixa. A altura da caixa nos cavaletes (1 m) é para que a colméia não seja atacada por outros
apícola, ou seja, se tenha anotado e organizado a época em que cada espécie de planta do apiário dá
animais e insetos e facilitar a manutenção.
suas flores. Dessa forma é possível identificar os meses de cada uma, o que facilita o manejo na
hora da previsão da produção.
* Ocorrida a entrada de todas as abelhas na caixa, leva-se esta para o apiário. No início
quinzenalmente e com o tempo, mensalmente, com a roupa adequada, deve-se olhar se a rainha
colocou ovos. Isso significa que o
Características, cuidados e manutenção de pasto apícola
trabalho começou na colméia-caixa.
Com o tempo, essa inspeção periódi-
Deve ser:
ca também serve para saber se é
* Em local de reflorestamento ou de capoeira com diversidade de plantas
preciso fornecer alimento nos
* Distância mínima de 500 metros da estrada e distante de cavalos, porque odores fortes
períodos de carência, verificar a
espantam as abelhas
* Longe de crianças, para que não ocorram acidentes
* Em local que possua certo sombreamento, mas não seja muito fechado
conformação dos favos e a posturas
da rainha, etc.
* Este trabalho de revisão deve
* Direcionado para o sol nascente
ser feito pelo apicultor devidamente
* Próximo de um curso d'água
trajado, em dias quentes e ensolara-
* Localizado onde bata menos vento
dos e, preferencialmente, com a
* Com a caixas-isca colocadas em cima de cavaletes. Estes cavaletes devem estar prote-
ajuda de alguém. Neste tipo de
gidos por metades de garrafas plásticas para evitar ataque de formigas (veja fotos)
atividade, o uso do fumegador é
obrigatório e o trabalho deve ser
Deve ter:
feito de forma rápida, em movimen-
* Floradas variadas para garantir mel durante todo o ano
tos tranqüilos, delicados, porém
* Plantas medicinais, caso a intenção seja incrementar a produção. Isso para que as abelhas
decididos. Gestos ou ações bruscas
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podem provocar a irada reação das abelhas.
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Equipamento necessário
* Para realizar o trabalho de inspeção ou revisão, aproxime-se sempre pelo lado de trás da
caixa. Nunca interrompa, com o corpo, a linha de vôo das abelhas, que entram e saem da caixa em
* Caixa
busca de alimentos.
* Macacão: deve ser constituído de
* Quando o apiário estiver estabelecido a cera deve ser trocada de tempos em tempos. O
ideal é usar um quadro de cera alveolada por mês até que a própria abelha produza sua cera.
uma única peça e largo, folgado o suficiente
para não criar resistência junto ao corpo, o que
* Favos escuros, retorcidos ou danificados devem ser substituídos por favos com cera nova
permitiria a ferroada da abelha, de tecido
alveolada. Os favos, principalmente os do centro do ninho onde se desenvolve a família na col-
resistente para defender o corpo de ferroadas.
méia, devem ser examinados para constatar a presença de larvas e ovos. É uma operação delicada
Caso seja feito pelo próprio produtor uma dica
e que requer atenção visual, pois os ovos são pequenos. A ocorrência de favos com pequeno núme-
é o brim, que é bastante utilizado e oferece
ro de crias ou de ovos depositados é sinal de que a rainha está fraca e deve ser substituída.
uma boa proteção.
* Se os favos da caixa estão todos ocupados, com crias ou com alimento - mel e pólen –, o
* Máscara: o melhor tipo é o de pano,
apicultor deve providenciar mais espaço para a família, ou seja, uma caixa extra. Um indício de
com visor de tela metálica, pintada com tinta
que a caixa está superpovoada é a formação daquilo que os apicultores denominam de "barba" de
preta e fosca, que permite melhor visibilidade.
abelhas: quando nos dias quentes
* Luvas: devem ser finas o suficiente para que o apicultor não perca totalmente o tato –
um grande numero de abelhas
fator de grande importância na manipulação das abelhas. As luvas de couro fino, brancas, são as
ficam na entrada das colméia, em
mais indicadas, as de plástico nem sempre são resistentes às ferroadas, além de suarem muito, o
forma de cacho.
que dificulta os trabalhos e cujo odor pode irritar as abelhas.
* Verificar se há presença
* Formão (pá): ferramenta utilizada para abrir o teto da colméia, que normalmente é
de larvas mortas nos favos e de
soldado à caixa pelas abelhas com a própolis. Serve também para separar a desgrudar as peças da
abelhas mortas no assoalho da
colméia.
caixa. Isto é indício de ocorrência
de doença na família. Uma colméia
sadia é sempre limpa e higiênica.
* Na entressafra, ou seja,
nos períodos em que não há
florada, principalmente durante o
inverno ou nas estações de muita
chuva, verifique se a família tem
alimento suficiente. Caso contrário, você deve fornecer alimentação artificial à colônia (mel e não açúcar).
* Para evitar que parte da colônia enxameie, ou seja, que abandone a colméia, verifique se a
família está formando realeiras nos favos. As realeiras (cápsulas destinadas à criação de rainhas),
são formadas normalmente, nas extremidades dos quadros, apresentando a forma de um casulo
* Fumegador: serve para defender o apicultor das ferroadas. Sua fumaça diminui a agressividade das abelhas.
* Botas: as melhores são as de borracha branca, de cano médio ou longo, sobre o qual é
ajustada a bainha do macacão.
* Espanador: empregado para remover as abelhas dos quadros da colméia sem ferí-las.
Normalmente, é feito de crina animal. Alguns apicultores utilizam penas de aves como espanador.
* Facas e garfos desoperculadores: são instrumentos utilizados para destampar os alvéolos
dos favos, liberando, assim, o mel armazenado.
* Centrífuga: equipamento destinado à extração de mel que não provoca danos aos favos,
permitindo reaproveitá-los.
* Decantador
* Cera alveolada: com o tempo ela é feita pela própria abelha na nova casa da rainha. No
entanto, no início, para acelerar a produção de mel, a compra da cera é recomendada.
parecido com uma casca de amendoim. Elimine, se for o caso, estas cápsulas para não perder a
colônia.
É Importante que itens que ficam em contato direto com o mel, como o formão e a centrífuga,
sejam de inox para que o mel não pegue cheiro de plástico.
Como identificar a idade da rainha?
As abelhas são sensíveis às tonalidades escuras, especialmente ao preto e ao marrom. Elas têm
A longevidade da colméia-caixa pode ser medida pela idade da rainha. Mas como identificar?
verdadeira aversão a estas cores, que provocam seu ataque. Por isso, toda a indumentária do
Fácil! A rainha nova tem como característica colocar ovos (pontinhos de cerca de 2 mm e brancos)
apicultor deve ser de cor clara. As mais indicadas são o branco, o amarelo e o azul- claro.
um ao lado do outro. Já a rainha velha coloca ovos em qualquer lugar da colméia.
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A quantidade de caixas de cada
apiário varia de acordo com a
quantidade de florada e de abelhas
Em Vera o fogo sai para entrarem as flores!
que se tem na propriedade. Mas um
número superior a 20 não é recomendado.
Um doce futuro é o que esperam os
Como fazer a retirada do
agricultores do Projeto de Assentamen-
mel das caixas:
to Califórnia, da cidade de Vera, distante 480 km de Cuiabá. Lá o Projeto de
apoio ao desenvolvimento de alternati-
* Pegar uma melgueira da
vas econômicas e recuperação ambien-
colméia
tal, realizado pela Associação dos
* Desopercular. Opercular é
Parceleiros do Projeto de Assentamento
o trabalho de vedação dos favos
lam, isto é, "fecham" os favos com
da Fazenda Califórnia, começa a ser
Pasto Apícola no PA Califórnia
mel maduro ou cria (larvas) madura. Na retirada do mel quebra-se este opérculo.
* Deixar escorrer o mel na centrífuga
* Centrifugar o mel de acordo com a capacidade da máquina
* Peneirar no decantador
* Deixar no decantador de 2 a 3 dias para que as impurezas subam e o mel puro possa ser
separado para a venda.
construído com a implantação da
apicultura.
Ironi Antonio Zanati, secretário da
Diretoria da Associação do PA
Califórnia conta que as coisas não
foram para frente em seu sítio ainda porque,
ra. Depois conseguiu as terras no P.A., onde não
desde que foi para lá, não teve quase nenhuma
encontrou nenhuma estrutura nem avançou. A
orientação de órgãos federais. Ele conta que
vantagem que vê agora com o projeto é poder
nasceu e se criou na roça e sabia o que o pai
reavivar a experiência que teve com o pai num
sabia, ou seja, plantar e colher com técnicas
curso que fez em 1979. Zanati diz que renovou
antigas. Um tempo depois foi para a zona
este aprendizado com a aula prática de campo
urbana, onde trabalhou dez anos em madeirei-
dada pelo consultor Wemerson Ballester. Para
ele a vinda da apicultura ao local trará grandes
“
benefícios, principalmente porque vem agre-
“
pelas abelhas. As abelhas opercu-
Trabalhar em Rede é a saída.
Quem é pequeno agricultor
e está fora está
gada com a fruticultura e o interesse em
reflorestar.
“O projeto nos traz benefícios porque pesquisa
perdendo uma
mercado e a qualidade do mel que será consoli-
oportunidade
dada com a abertura da Casa do Mel”, comenta.
de mercado
A expectativa é que no final de três anos a
Nélson Ganzer,
agricultor PA Califórnia
comunidade já esteja coletando e comercializando cinco mil quilos de mel. Ao todo participam 18 famílias neste projeto num total de 76
pessoas envolvidas.
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O coordenador do projeto e presidente da
Meus planos agora são evitar o fogo e plantar
Associação, Argeu Medeiros, está satisfeito
flores”.
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com a nova empreitada. Vivendo há oito anos
no assentamento, ele plantou arroz até 2005
João Boaventura de 55 anos trabalhou até os 15
mas parou porque não tinha rentabilidade. Na
com o pai na roça. Depois com madeireira até
Associação ele conta que queria encontrar
2002.
parceria para implantar novas alternativas ao
Viveiros e sementes: o começo da recuperação florestal
Dizem que temos três obrigações ao passar pela vida: ter um filho, escrever um livro e plantar uma
fogo, muito utilizado na região para preparar o
Com desemprego na região e baixa nos cortes de
árvore. Se repararmos, todas estas ações têm a intenção de fazer com que o ser humano deixe uma
solo. Encontrou esta parceira com o Sindicato
madeira, conseguiu o sítio no Califórnia e foi
contribuição para o planeta. Destas três 'obrigações', talvez plantar uma árvore seja a que mais é
dos Trabalhadores Rurais
plantar ao invés de cortar árvores. Plantou
deixada em segundo plano: parece que tem sido mais fácil cortar do que plantar.
de Lucas do Rio
Verde, com o qual se envolveu desde o
projeto.
“
A ocupação das terras no Brasil carac-
“
Projeto Proteger até chegar ao atual
terizou-se pela falta de planejamento e
Trabalhar em Rede é gratificante.
Ele também já tinha noção de apicultura, mas nunca tinha trabalhado com a
atividade. Com o projeto de apicultura
sendo implantado, Medeiros conta que
aprendeu o que é organização para um
trabalho, a busca de parceria e, numa
A gente se integra com
ser influenciadas pela sociedade.
naturais, particularmente das flores-
outra instituição e
tas. Neste panorama, as matas de beira
aprende e repassa
de rios, córregos e nascentes não
escaparam da destruição, um triste
o que se sabe numa
cenário comum em toda a região da BR-
troca constante
ampliação de horizonte, o que são
políticas públicas e como elas podem
conseqüente destruição dos recursos
Argeu Medeiros, coordenador do Padeq
em Vera e presidente da Associação dos
Parceleiros do Projeto de Assentamento
da Fazenda Califórnia
Outro que adentra a apicultura é o
163 e Bacia do Xingu.
Mas recuperar essas áreas não é difícil
nem mesmo impossível. É preciso um
bom planejamento e um pouco de orientação. Tudo pode começar com a coleta de sementes e o
planejamento de um viveiro de mudas.
agricultor Nélson Ganzer. Natural da
região Sul ele veio para Mato Grosso em 1999
arroz e milho, mas o investimento não rendeu e
O processo de degradação das matas ciliares, além de desrespeitar a legislação, que torna obriga-
em busca de terra, mas como não conseguiu,
ele quebrou. Agora quer ser apicultor, trabalho
tória a preservação das mesmas, resulta em vários problemas ambientais. As matas ciliares
foi trabalhar em Lucas do Rio Verde na cons-
que nunca fez, mas começou a se interessar
funcionam como filtros, retendo parte dos agrotóxicos, poluentes e sedimentos que seriam trans-
trução civil. Só dois anos depois foi para o
porque a venda é garantida e a perda é
portados para os cursos d'água, afetando diretamente a quantidade e a qualidade da água e conse-
assentamento. Ganzer confessa que este é o
perto de 0%.
qüentemente o número de peixes e a população humana. São importantes também como corredo-
primeiro projeto do qual participa onde pode
res ecológicos, ligando fragmentos florestais e, portanto, facilitam o deslocamento da fauna e o
ter renda. “É uma experiência nova e fácil pois
Para o futuro só quer, assim como Deus promete
fluxo de espécies entre as populações animais e vegetais. Em outras regiões não planas, exercem a
trabalhamos conforme orientações de técnicos
na Bíblia, uma vida de leite e mel. Para isso tem
proteção do solo contra a erosão – processo que precisa ser revertido sempre. A implantação de
especializados”, diz. Com a orientação ele
a intenção de buscar novos financiamentos e
viveiros para recuperação de matas ciliares é o começo dessa conversa: além de servir para repro-
aprendeu todo o manejo da abelha, captura e
orientações de outras fontes. “Sei que tenho que
dução de espécies nativas que serão usadas na restauração das matas de beira de rio e nascentes,
alimentação e ganhou poucas ferroadas, para
tentar várias coisas porque a lavoura sem
ainda serve para produção de mudas de valor econômico.
sua surpresa. Depois do projeto, ele pensa na
maquinário como os grandes latifundiários,
fruticultura e no reflorestamento como ações
não rende. Por isso aposto agora na abelhas e
que vão ser aliadas e complementos da apicul-
mais tarde na fruticultura e no reflorestamen-
tura que vai implantar. “Tudo o que conseguir
to, atividades que darão suporte a apicultura”,
de forma ambientalmente correta, eu quero!
acrescenta.
A Coleta de Sementes
A escolha das sementes que serão reproduzidas para a restauração das matas ciliares e nascentes
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segue três critérios: qualidade das sementes, variedade das espécies e preferência por espécies
germinam. Quando se começa é necessário realizar testes ou se informar com quem já organizou
existentes na região.
viveiros, sobre o processo de germinação de cada espécie.
Transferência para saquinhos: quando as mudas chegam ao tamanho adequado para transporte
Antes de mais nada, é importante escolher uma boa matriz, que é a árvore-mãe da qual se coletam
e plantio para local definitivo, são liberadas do viveiro. É legal fazer a muda passar por um proces-
as sementes: deve ser uma planta sadia, bonita e produtiva. Logo após a coleta, as sementes devem
so de rustificação quando ela estiver pronta para ir pro campo. Esse processo consiste em colocá-
passar por um beneficiamento, que consiste em: limpeza, retirada da polpa, seleção e exclusão de
las no sol e diminuir as regas, pois no campo elas não terão mais os cuidados do viveiro e sofrerão
sementes inviáveis.
menos se forem preparadas para essas condições.
Existem diferentes tipos de espécies e sementes, e portanto diferentes modos de coleta também.
O local do viveiro deve ser:
Para sementes miúdas que caem e são difíceis de coletar no chão, uma lona em baixo do pé ajuda.
- Plano;
Outras como Ipê, que são sementes dispersadas pelo vento exigem a coleta na árvore, subindo nela
- Aberto, sem sombreamento;
antes de abrirem.
- Com fácil acesso à água;
- Com boa drenagem do solo;
Quebra de dormência
Para que as sementes germinem, a maior parte delas precisa ter sua dormência quebrada. Na
natureza isso acontece quando os animais comem as frutas e regurgitam ou defecam as sementes.
Os métodos de quebra de dormência tentam imitar essas condições
- Raspagem: é o método mais usado nas
sementes mais duras. Consiste em raspar a
semente em uma superfície áspera ou com
facão antes de plantar, mas cuide para não
atingir o miolo dela. É adequado para
sementes como jatobá e pinho cuiabano.
-Choque de temperatura: neste caso as
sementes sofrem a alternância de temperaturas, de aproximadamente 20ºC, em
períodos de 8 a 12 horas. Consiste em dar
banhos em água morna e em segui da
banhos de água fria nas sementes. O
método é bom para sementes mais sensíveis.
- Ter um quebra-vento na direção dos ventos
mais fortes;
-De fácil acesso de pessoas e veículos.
Infraestrutura:
- Um galpão, para guardar os equipamentos e
insumos, e executar tarefas como o encher
saquinhos;
- Reservatório de água na parte mais alta do terreno (facilita as regas);
- Espaço aberto e sombreado, especial para estocar terra, areia e fertilizantes orgânicos.
O berçário
Uma sementeira, ou berçário, é essencial para a maior parte das espécies, especialmente as de
sementes pequenas. Facilita muito o trabalho e economiza recursos, pois somente será preciso
transferir para os saquinhos as plantas que nascerem. Para a maior parte do ano, basta construir
uma sementeira (ou berçário) coberta com tela plástica ou sombrite, para proteger contra sol forte
e do ataque de insetos. Esta proteção será desnecessária se os saquinhos ficarem sob a sombra
natural de árvores.
Com poucos recursos
O Viveiro
- Delimitar uma área de 10m x 1m com tábuas ou tijolos;
- Preencher o fundo da área com uma camada de brita grossa e, sobre ela, outra de brita fina (garan-
Fases da semente no viveiro
te boa drenagem)
Semeadura: no caso das sementes miúdas, é usual semeá-las em berçários, isto é, grandes caixas
- Preencher com substrato composto por areia (90%) e húmus (10%).
cheias de areia misturada com composto orgânico. Para sementes maiores, o plantio é feito diretamente em saquinhos. Mas cada espécie pode exigir um cuidado específico, valendo à pena consul-
Canteiros
tar alguém que já conheça o manejo das espécies que se deseja plantar.
O ideal é que cada canteiro (espaço delimitado para abrigar os saquinhos com mudas) tenha um
Germinação: algumas espécies germinam em poucos dias, mas outras demoram meses. Algumas
metro de largura por dez metros de comprimento. Mas tudo depende da área que se tem disponível
necessitam de sombra para se desenvolver, outras de muito sol. Nem sempre todas sementes
para este fim. Para delimitá-lo, coloque em cada canto uma pequena estaca de madeira e ligue estas
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estacas com um barbante, formando um retângulo. Deixe sempre corredores de aproximadamen-
ser feito de forma a obter um ângulo de uns 45º com o solo, isso permite que a seiva e os hormônios
te um metro de largura entre os canteiros, para facilitar as atividades rotineiras. Uma dica é
que estimularão o enraizamento tenham uma maior superfície de contato com a terra.
construí-los no sentido leste-oeste o que garante melhor insolação.
Cuidados nos canteiros
Como transferir do berçário para os saquinhos
A rotina de trabalho, para que as mudas se desenvolvam adequadamente, deve ser:
Quando as mudas atingem de 10 a 12 cm, deve ocorrer a repicagem, ou seja, a transferência para
- irrigar diariamente;
saquinhos, com cuidado especial, para a raiz manter-se reta, pois se enrolar a ponta, a planta pode
- trocar os saquinhos de lugar, quando as raízes começam a pegar na terra;
não se desenvolver.
- proteger as mudas do sol, usando tela ou equivalente logo após a repicagem (até a muda firmar),
1- Preparo dos saquinhos: escolha os de um ou dois litros (pode-se reaproveitar sacos de leite,
ou permanentemente para determinadas espécies, como a peroba;
desde que eles tenham sido muito bem lavados, para que não haja fungos prejudiciais), enchendo-
- trocar de saquinhos, quando estes começam a rachar.
os até quase a borda com substrato (60% de terra, 20% de esterco curtido e 20% de bagaço de cana
curtido – Preparo: Misturar bem e passar por uma peneira de tela grossa (vãos de 2 cm de diâme-
O Plantio
tro, aproximadamente) para eliminar torrões.
As mudas produzidas neste processo
2 – Transferência para os saquinhos: repita o procedimento com cada mudinha, sem esquecer de
estão prontas quando atingem 70 cm
molhar bem a sementeira antes, para ficar fácil tirá-las: no saquinho, faça com o dedo um buraco
de altura.
no substrato de mais ou menos 1 cm de diâmetro, onde a mudinha será colocada. Arranque com
muito cuidado uma mudinha do berçário, para a raiz não quebrar. Coloque a muda no saquinho,
Cuidados necessários
com atenção para para que a raiz entre reta.
- O local de plantio deve ser adequado
Complete o espaço vazio com o substrato.
para a planta.
- A cova pode ser feita com tamanho
Estacas aos invés de sementes
entre 40 e 60 centímetros de diâmetro e
Para algumas espécies, como amora e pata de
igual profundidade.
vaca, é possível usar estacas em vez de semen-
- Para preparar a terra é preciso mistu-
tes para fazer mudas. Assim, elas podem ser
rar a terra que se retirou ao fazer a
plantadas diretamente no local, sem precisar
cova na medida de duas partes de terra
passar pelo viveiro.
para uma parte de composto orgânico.
Reservar.
A coleta destas estacas pode ser feita de duas
- Para o plantio da muda rasgue o saquinho onde ela está (caso contrário, a raiz não se desenvolve).
formas: com uma tesoura de poda, utilizando
- Retire-a com o torrão de terra, sem quebrar o torrão.
galhos de 20 a 25 cm de comprimento; ou com
facão, com galhos de 50 cm. As estacas devem ser coletadas preferencialmente no início da manhã,
Preparo da cova
quando sua seiva está subindo (assim ela terá mais reservas e hormônios). Verifique com um
- Coloque metade da mistura de terra e composto de volta na cova.
viveirista que tipo de ramo se transforma numa boa estaca, pois isso varia de espécie para espécie.
- Para plantar, introduza a muda com o torrão na cova e preencha o resto do buraco com a mesma
Há quem recomende fazer este processo na Lua Nova, para garantir o enraizamento e brotação.
mistura. Deve-se ter cuidado para o torrão não ficar acima no nível do solo (seca as raízes), nem
muito embaixo (pode apodrecer a base da muda).
Para o plantio dessas mudas, coloque uma estaca por saquinho, já com o substrato. Inicialmente,
- Para finalizar, pressione um pouco o chão do local plantado para deixar a muda firme, mas não
deixe os saquinhos à meia sombra (cobertos com tela plástica, ou na sombra de uma árvore) para
aperte muito para não compactar o solo. No local da cova, o terreno deve ficar uns dois centímetros
impedir o sol direto. Após a formação da raiz e brotação, os saquinhos com mudas podem ser
abaixo do nível do solo. Isso facilita regas. A primeira rega, já pode ocorrer logo após o plantio.
colocados a pleno sol, recebendo os mesmos cuidados que as outras mudas, até atingirem o tamanho ideal para a transferência para o local definitivo.
Cuidados finais
- Cobrir o solo com folhas secas, o que ajuda a manter a umidade da terra.
No caso de se plantar a muda já no seu local definitivo em vez do viveiro, o plantio da estaca deve
- Quando não chove, deve-se regar de uma a duas vezes ao dia, no início da manhã ou fim de tarde.
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O plantio das mudas do viveiro é
um
Cláudia – mata ciliar cultivada em viveiro
dos modos dos produtores
recuperarem a mata ciliar. Alem da
mata ciliar será implantado em
cada propriedade uma pequena
área de sistema agroflorestal –
Em Cláudia, a 606 km de Cuiabá, o Projeto
Hoje tudo se desencadeia num só ritmo em prol
SAF's. O método escolhido também
Loreta: proteção de matas ciliares na
do bem comum. O pó de serragem transforma-
vem dando ânimo aos agricultores
Amazônia Mato-grossense, implantado pelo
do em adubo orgânico é utilizado na produção
numa forma de não precisar
Gapa - Grupo Agroflorestal e Proteção
das mudas do viveiro para os 15 km de matas
explorar ao máximo sua área até a
Ambiental, está em fase final de estruturação,
ciliares que conservarão o córrego Loreta.
beira dos rios e córregos. Com o
33
“
Se não fosse o trabalho em Rede eu
estava no zero. Acredito que o assunto
'meio ambiente' é muito importante
atualmente e interessante
“
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que seja acessado por
quem lida com a terra,
porque mexer nela,
mexe com o clima e,
preparando seu viveiro para produzir 50 mil
sistema eles podem, não só conse-
conseqüentemente,
mudas, em três anos, de espécies
guir frutas diversificadas para seu
com nosso futuro
florestais e frutíferas.
O projeto dá
consumo com também para seu
continuidade ao trabalho que o Gapa já
sustento. O maracujá, a graviola, o
desenvolvia na região com a recupera-
cupuaçu e abacaxi são algumas das
ção do córrego Loreta, que começou a
alternativas dadas agora pelo projeto a quem
Participante do projeto, ela diz que já pode
ser recuperado em 1999. A nascente
participa. Isso porque só gado e a lavoura não
comprovar a olhos vistos a melhoria em sua
quase foi perdida com o fogo que
sustentam mais as propriedades.
terra. “Antes a gente sofria com as enxurradas,
Luiz Lazarin, agricultor
erosões e muito pó de serra se espalhando ao
assolava a região e o Gapa trabalhou
por sua recuperação e preservação
A proprietária rural Maria Salete Perinotto não
longo do córrego. Toda vida fazia força para
com ajuda do poder público municipal
nega sua participação no processo de degrada-
meu marido ir à prefeitura para reclamar, mas
e a população local.
ção e conta que passou pelos problemas ambi-
ninguém dava bola, só prometiam. Minha
entais causados pela destruição da mata ciliar.
vontade era de ir embora daqui. Quando
Cláudia já perdeu sete nascentes antes
compramos a terra não víamos a
do Córrego Leda ser salvo com a
hora de derrubar a mata ciliar para
reserva municipal que o
o gado beber água e aí, vimos que a
protege.
qualidade não estava boa porque
“
nossa parte do córrego ficava entre
duas propriedades que não respei-
Acho importante trabalhar com intercambio porque assim conhecemos
tavam a mata ciliar. Fui a favor do
outros locais, como estão indo e o que estão fazendo e os
projeto de recuperação porque nos
“
convencemos de que estamos
resultados obtidos ajudam poupar tempo quando
plantando para o futuro e teremos
aplicarmos métodos semelhantes em nossa região.
árvores e água de qualidade daqui
A troca de conhecimentos obtida com os intercâmbios
a cinco ou dez anos. Agora a vonta-
que a Rede proporciona tem sido muito
de de vender a terra passou”,
importante para o Projeto Loreta
argumenta.
Com a orientação do
Brigitte Frick, coordenadora
do Gapa para o Padeq Loreta
Gapa ela
conta que plantou em sua proprieArmin Beh mostra em franca recuperação
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dade mudas de mescla, cedro-rosa, ipê-
córrego. Como providências tiraram o gado de
amarelo, ingá, maracujá, cedrinho, seringa,
perto do córrego e, em dois anos, a água voltou a
jatobá, pequi e cacau. As frutas, além de
correr.
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Sistemas Agroflorestais:
alimentarem a família, servem para os passa-
produção de alimentos e restauração florestal
rinhos alegrarem o dia e ajudarem a reflorestar
“Tinha bastante coisa que sabíamos que pode-
a área. Ao todo ela já plantou 250 mudas e não
ríamos deixar para depois, mas vimos que
pensa em parar.
Também colocou cerca em
precisávamos preservar agora para não ver
volta do rio para que os bezerros não cheguem
mais degradação, como a nascente que deixei
Recuperar florestas pode ser tão simples quanto o processo criado pela própria natureza, sem no
mais lá.
secar”, lamenta. Em 1986 sua propriedade
entanto significar perda de renda dos agricultores e agricultoras. Uma técnica que permite isso é o
queimou toda por causa de fogo causado por
Sistema Agroflorestal (SAF), que nos leva a observar como a natureza se recupera sozinha e como
Sérgio Dalmaso Pereira, também proprietário
vizinhos. Por isso ele acha importante trabalhar
podemos dar uma ajuda neste processo incluindo espécies que nos interessam economicamente.
de terra onde o Loreta passa diz que a água
em conjunto para juntar esforços e recursos.
chegou a secar na nascente da propriedade,
Dessa forma aprende-se mais e repassa-se mais
O método mais simples consiste em misturar as mais diferentes sementes – de hortaliças a árvores
forçando a família a pegar água de outro
em sua opinião.
– e semear diretamente no solo, numa mesma cova. Nesse processo, deve ser levado em conta os
ciclos de vida das plantas e a quantidade de sementes por espécie a ser colocada no coquetel. As
O Luiz Lazarin e seu filho
sementes não devem ser enterradas em profundidade e devem ser homogeneamente distribuídas.
Leomar, outros proprietá-
Uma boa recomendação é que se misture terra e água no coquetel – isso torna a mistura mais
rios rurais participantes
homogênea e evita que as sementes
do projeto, contam que
pequenas fiquem no fundo do reci-
sua água e a produção
piente.
estavam prejudicadas por
causa do desmatamento.
O método, além de simples é econômi-
Agora, com a preservação,
co, cabendo perfeitamente no bolso do
só melhoram a renda.
pequeno agricultor. Isso porque a
agrofloresta reúne as culturas agrícolas e florestais, usando a dinâmica de
sucessão de espécies nativas, colocando lado a lado as espécies que agregam
benefícios para o solo e aquelas que
Viveiro do projeto do Gapa,
em Cláudia
oferecem produtos para o agricultor.
O segredo é consorciar espécies de
diferentes estágios da sucessão
natural, assim elas se complementam ajudando umas as outras até formar uma floresta madura.
Os SAFs são a reprodução no espaço e no tempo da sucessão ecológica verificada naturalmente na
colonização de áreas novas ou deterioradas. Não é a reconstrução da mata original porque inclui
plantas de interesse econômico desde as primeiras fases, permitindo colheitas sucessivas de
produtos diferentes ao longo do tempo. O plantio conjunto de espécies pode ser em linhas ou ainda
melhor, nas mesmas covas.
Há que se observar no entanto, nesta técnica, que algumas sementes nascem rápido como a do ingá
e do cacau falso. Como a mata precisa, em geral, de 20 anos para se recuperar, nesse tempo o
Alternativas Econômicas Sustentáveis
para Agricultura Familiar
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agricultor pode aproveitar sua agrofloresta para colher frutas para sua subsistência ou geração de
duzir novas plantas mais exigentes,
renda.
imitando a sucessão natural, que
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existe na natureza.
Aos poucos as plantas dão os frutos que nutrirão o agricultor. Enquanto isso, as árvores ajudam a
A observar
formar a agrofloresta.
- Na mistura deve-se conhecer as
espécies que se desenvolvem melhor
Manejo do sistema
quando plantadas juntas. É o caso do
Capina seletiva: apenas as plantas pioneiras nativas ou plantadas são cortadas ou arrancadas
milho e feijão, que os índios já reuni-
quando maduras. Isso poupa as que têm uma posição mais avançada na sucessão, ou seja, aquelas
am em suas roças.
que ainda estão crescendo. Desta forma o manejo dá dinamismo ao processo acelerando seu
- Já o café gosta de sombra. É amigo
desenvolvimento. Este manejo, sempre que possível deve ser realizado no período das chuvas. A
de árvores como a manga, tamburiu,
hora da colheita também é propícia ao manejo. Isso porque pode-se espalhar matéria orgânica pelo
samaúma, jequitibá. Com a bananeira
solo e introduzir novas sementes onde há falhas.
só conviverá bem por poucos meses.
Poda: importante porque concede a entrada da luz para as plantas que estão abaixo das maiores.
- Onde há bananal, pode-se introduzir
Para saber qual indivíduo podar, basta observar se o mesmo apresenta ataque de doenças ou
o abacate, que tem ciclo de vida mais
pragas, se a planta está em condições de estresse relacionadas ao solo e à luminosidade. Também
longo e, no extrato mais baixo, plantar taioba.
pode ser feito a pode para induzir a floração (como no caso do café e do abacaxi).
- A mandioca é um tipo de 'viveiro' natural, pois cresce mais rápido e acaba por dar sombra às
No PA Jaraguá, o aprendizado sobre
os SAF's uniu a comunidade
outras espécies que estão plantadas na mesma cova e que demoram mais a brotar. Neste caso as
-O mix de sementes deve ter vegetais de três grupos: de ciclo de vida curto, como feijão; médios,
raízes devem ser direcionadas para o lado oposto ao da muda.
como guandu, mandioca e maracujá, e de ciclo longo, como as árvores que levam anos para crescer
- O milho plantado neste sistema também é importante porque, por nascer rápido, serve como
e dar frutos, tipo acácia negra, pau pereira, ingazeira, tamburiu.
referencial das covas.
- Podem ser plantadas até dez espécies na mesma cova e cabem cerca de quatro covas em um metro
-Um jeito de plantar é fazer linhas na terra, de metro em
quadrado. No entanto, não há limite de junção de sementes na mesma cova. O próprio sistema
metro, onde ficarão as covas com misturas de semente.
selecionara os indivíduos mais fortes e o agricultor deve observar e selecionar os indivíduos que
No meio disto, pode-se cultivar uma única variedade que
ficarão no sistema.
forneça mais biomassa (matéria orgânica) ao sistema.
- Neste processo a natureza escolhe as melhores sementes, que brotam mais vigorosas, e o agricul-
Em áreas degradadas, podem ser usados feijão de porco,
tor pode, então, fazer sua seleção para as próximas covas.
planta que ajuda a fixar o nitrogênio no solo. Após a
- Nas covas aonde tem muitas sementes de frutas (que precisam de sol e matéria orgânica para se
colheita do feijão, as plantas serão cortadas, mas não
desenvolver), é importante a poda nas plantas que fazem sombra a estas.
retiradas, tornando-se matéria orgânica para enriquecer
- Como são muitas sementes juntas a cova deve ter entre 10 e 15 cm de profundidade. Também se
o solo. Para completar, de oito em oito metros, dá para
pode fazer linhas rasas ou círculos rasos, colocar pouca terra sobre elas e completar com mais
incluir uma fila de árvores maiores, que fornecerão
cobertura vegetal (folhas secas, etc).
sombra e frutos no futuro, como é o caso do abacate e da
- O solo tem que ficar sempre coberto de matéria orgânica para evitar que o sol esquente muito e a
manga.
chuva compacte o solo.
Como começar
Restauração florestal
- Faz-se um diagnóstico da área. Acidez (pH), disponibili-
Crianças do PA Jaraguá se
divertem em meio às plantações
dade de fósforo e nitrogênio do solo são elementos
Outro processo de recuperação florestal é mais tradicional. Nele são plantadas somente árvores de
fundamentais para a escolha das espécies certas para o
climax (espécies que fecham a mata no final da sucessão natural) que normalmente são usadas
local.
para cortar depois como a seringueira, o cedro, a itaúba, o angelim saia, a mescla e a peroba. E com
- À medida em que o ecossistema vai melhorando, intro-
distância de três metros para cada cova. No entanto, como essas arvores são quase todas da mesma
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para Agricultura Familiar
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altura, faltam as árvores no meio e em baixo desta floresta recriada. Para crescer mais rápido é
interessante que sejam plantadas espécies como a embaúba, que não serve para corte, mas para
mobilizar o fósforo no solo e ajudar as outras plantas a crescerem, pois oferecem sombra. Outras
espécies como a mangueira e a jaqueira também podem ajudar as outras árvores com a sombra e
Água Boa: entre o novo e o tradicional na floresta
nutrientes no solo.
Em Água Boa, projeto Agricultura e
se isola uma área que já tem fontes de sementes e passarinhos. Se não existem estes itens naturais,
Conservação da Mata Ciliar traba-
pode-se contribuir com o processo ao jogar sementes nesta área isolada para enriquecer o lugar.
lha com 30 famílias do Assenta-
Para atrair passarinhos – que são semeadores da natureza – podem ser construídos poleiros
mento Jaraguá, que serão os
artificiais, como tocos altos no meio do plantio.
multiplicadores do processo de
recuperação das beiras de rios,
Numa floresta nativa percebe-se uma mistura, de árvores maiores e menores. Nela há três grandes
córregos e nascentes na região,
grupos: pioneiras, as secundárias e as de clímax, que constituem o esquema de sucessão. Por isso,
numa iniciativa coordenada pelo
um bom projeto de reflorestamento com árvores nativas deve misturar árvores dos três grupos, na
ISA - Instituto Socioambiental.
proporção correta.
“
“
Além da ajuda do homem uma recuperação florestal pode ser feita somente pela natureza quando
Com esta experiência tenho certeza de que,
Marlene Machado Souza e Seu
quando o projeto acabar,
nós já crescemos
o suficiente para
buscar o caminho
da sustentabilidade
Luzia Dias, agricultora
Como são:
Dorly Lima dos Santos fazem parte
- Pioneiras são as que nascem primeiro. Têm como característica o rápido crescimento, mas não
desse grupo. Eles estão há oito anos
vivem tanto tempo, nem ficam muito grandes. Fazem sombra, dando condições para outras
na terra e contam que não tinham orientação
para seguir naquilo que já estavam fazendo:
espécies nascerem e se desenvolverem melhor.
nenhuma para manejar uma área já sem muitos
recuperar a floresta em sua propriedade.
- Secundárias crescem mais lentamente, porém ficam maiores.
recursos naturais intocados. Para reverter a
- Clímax, em geral, crescem apenas na sombra e levam mais tempo para se desenvolver. A madeira
situação resolveram plantar árvores e tenta-
“Com a experiência crescemos muito. Antes a
é bem dura e o porte é maior. São as chamadas árvores de madeira de lei.
ram preservar a nascente existente em seu lote.
gente plantava banana e a galinha comia tudo.
Quando o projeto chegou ao assentamento, eles
Então resolvemos implantar a técnica do
se engajaram e aumentaram seu conhecimento
Ernest já com inovação própria”, disseram.
A escolha das espécies
- Para o reflorestamento de uso sustentado (aproveitamento econômico, sem destruir a floresta
como um todo) deve haver um planejamento de que árvores serão plantadas para a futura exploração.
- Já para a regeneração de ecossistemas deve-se procurar espécies típicas do ecossistema a ser
regenerado. Na recomposição de matas ciliares (matas que beiram e preservam os rios) - as espécies devem ser adaptadas a ambientes mais úmidos.
Regeneração Natural:
Através da regeneração natural, as florestas apresentam capacidade de se recuperarem de distúrbios provocados pela ação do homem. A sucessão secundária depende de uma série de fatores
como a presença de vegetação remanescente, o banco de sementes no solo, a rebrota de espécies
arbustivo-arbóreas, a proximidade de fontes de sementes e a intensidade e a duração do distúrbio.
Assim, cada área degradada apresentará uma dinâmica de sucessão específica. Em áreas onde a
degradação não foi intensa, e o banco de sementes próximas, a regeneração natural pode ser
suficiente para a restauração florestal. Nestes casos, torna-se imprescindível eliminar o fator de
degradação, ou seja, isolar a área e não praticar qualquer atividade de cultivo.
Quando Ricardo entrou
no seu lote, não havia
uma árvore sequer,
ele começou a plantar
assim que entrou e hoje,
com o conhecimento
de SAF, melhorou
ainda mais a
riqueza de seu sítio
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Assim, rodearam as covas
que ficam perto da casa com
abacaxis para que as
galinhas não comam,
mostrando intimidade com
as técnicas e princípios
ensinados pelo agricultor e
pesquisador Ernst Götsch.
Aldenor de Souza Machado,
“
“
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É a primeira vez que trabalho em Rede
e estou achando importante
conhecer outras atividades
econômicas num
mesmo projeto
que também faz parte do
Osvaldo Luís de Souza,
técnico do ISA no projeto
grupo, conta que ocupou
seu lote no assentamento
em 1999, já completamente
desmatado. Neste ano viu o córrego secar e
virou agente social e ouviu reclamações de
pensou em fechar uma parte para recupera-
muitos agricultores acerca de problemas
ção. Ele e sua família conseguiram reverter a
ambientais como a falta de água e a necessidade
situação com a renovação do córrego na época
de reflorestar a região, mas não sabia nem como
das chuvas, quando cercaram as margens para
começar. Com o projeto, tudo mudou. Dias
recuperar a mata ciliar. Agora o volume de
relata que aprendeu a recuperar as matas
água está maior e o apoio técnico do projeto o
ciliares, com a orientação o projeto. Hoje,
ajuda a melhorar ainda mais a iniciativa.
comemora os frutos desta empreitada: antes
vivia só da venda da farinha produzida pelo
Outro casal que comprova as benesses da
casal, agora tem a opção de oferecer ao mercado
recuperação florestal é Ricardo e Luzia Dias
o pequi, para o qual não tem faltado comprador.
Batista. Ele conta que ouve falar de refloresta-
A intenção agora é plantar a seringa e o caju,
mento, desde que era presidente do Sindicato
com esperança de um futuro mais verde.
dos Trabalhadores Rurais de Água Boa. Depois
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Cartilha BR 163 - Ministério do Meio Ambiente