Câmbio (R$)
Dólar / BC Compra
Venda
Paralelo
1,79
1,97
Comercial
1,85
1,852
Turismo
1,75
1,927
Euro / BC
2,508
2,511
Ouro (R$)
Grama
Variação
96,100
+ 0,1%
Blue Chips
BMF Bovespa
Bradesco
Gerdau
Itaú Unibanco
Petrobras
Sid Nacional
Vale
ON
PN
PN
PN
PN
PN
PNA
%
- 0,23
+ 1,08
- 1,51
+ 0,69
+ 0,26
+ 0,47
- 1,18
Economia
O Parlamento alemão
aprovou ontem, por ampla
maioria, a legislação
para ampliar o alcance
e o volume do fundo de
resgate da zona do euro,
a Linha de Estabilidade
Financeira Europeia (EFSF,
na sigla em inglês). O
ministro Guido Mantega
comemorou. | PÁGINA 5 |
2ª FASE
ANO II
EDIÇÃO Nº 446
1ª FASE
1875 A 1942
WWW.JGN.COM.BR
SEXTA-FEIRA, 30 DE SETEMBRO DE 2011
CONTAS PÚBLICAS
*RYHUQRFHQWUDOUHJLVWUD
SLRUVXSHUiYLWHPDQRV
Redução de R$ 17 bi nas receitas líquidas contribuiu para o resultado de R$ 2,49 bi em agosto
Elza Fiuza / ABr
País
A tentativa de parlamentares
defensores da punição de
torturadores de rever a
Lei da Anistia sofreu um
revés na Câmara dos
Deputados. A Comissão
de Relações Exteriores da
Casa rejeitou ontem dois
projetos que tratam do
tema. A proposta segue em
tramitação. | PÁGINA 6 |
Justiça
O Supremo Tribunal
Federal (STF) anunciou
ontem a abertura de
processo criminal contra
o deputado federal e exprefeito Paulo Maluf (PPSP), a mulher dele, Sylvia,
quatro filhos do casal e
mais dois parentes por
suspeita de lavagem
de dinheiro. | PÁGINA 7 |
Arno Augustin: “Estamos bastante tranquilos quanto ao cumprimento da meta no ano”
Monica Gusmão
%&UHODWyULR
Questão
de Justiça VLQDOL]DPDLV
FRUWHGHMXURV
É certo que a maioria
esmagadora das
sociedades opta pela
adoção do tipo limitada.
Algum benefício deve
existir para que os
sócios renunciem à
segurança ofertada
pela lei e optem por
um modelo radical.
| PÁGINA 7 |
R$ 1,00
Após dois meses seguidos com resultados
acima de R$ 10 bilhões, o governo central
(Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) obteve superávit primário de R$
2,49 bilhões em agosto. O número do mês
passado só não foi pior que o de agosto de
2003, quando a economia para o pagamento
de juros da dívida atingiu R$ 2,48 bilhões.
No acumulado do ano, o superávit primário soma R$ 69,84 bilhões (2,64% do PIB),
enquanto a meta para o período de janeiro a
agosto é de R$ 40 bilhões. O resultado obtido
este ano é também R$ 40,1 bilhões superior
ao dos oito primeiros meses de 2010.
Segundo o Tesouro, a queda em agosto
ocorreu porque houve diminuição de R$ 17
bilhões nas receitas líquidas do governo, em
relação a julho. Por outro lado, a redução nas
despesas foi de apenas R$ 8,2 bilhões.
O governo central precisa atingir superávit de R$ 91,8 bilhões em 2011. “Estamos
bastante tranquilos quanto ao cumprimento
da meta de superávit primário no ano”, disse
o secretário do Tesouro, Arno Augustin. Para
ele, os resultados mensais precisam ser relativizados. “O superávit, para agosto, foi excelente”, garantiu.
O bom desempenho das contas públicas
neste ano está relacionado, principalmente,
ao resultado da arrecadação de tributos federais, que bate recordes sucessivos, em função do bom desempenho da economia e de
receitas extraordinárias. Além disso, o governo tem tido dificuldade para gastar. Os desembolsos para investimentos, de R$ 28,02 bilhões
até agosto, estão apenas 0,2% maiores que no
ano passado, o que é um resultado considerado
insatisfatório. | PÁGINA 2 |
Antonio Cruz / ABr
Um mês após surpreender o mercado
com o corte na taxa básica de juros, hoje em
12% ao ano, o Banco Central sinalizou que
vai continuar cortando a Selic neste ano ao
enfatizar, no Relatório Trimestral de Inflação, que a crise financeira internacional terá
“viés desinflacionário”.
O BC afirma esperar mais inflação e menos crescimento em 2011, principalmente
devido à queda na atividade industrial e à
moderação nas vendas no varejo. A projeção
de IPCA subiu de 5,8% para 6,4%, próximo
ao teto da meta (6,5%).Já a previsão de alta
do PIB caiu de 4% para 3,5%. | PÁGINA 3 |
Fernando Pimentel: “Neste momento não estamos pensando em fazer nenhuma mudança”
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FRUULJHDOXJXHO
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HPPHVHV
| PÁGINA 3 |
3LPHQWHOQmRPXGDUHJUDV
“Neste momento nós não estamos pensando em fazer nenhuma mudança”, afirmou
o ministro do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior, Fernando Pimentel, sobre os índices de nacionalização que passaram a ser exigidos dos carros importados.
Recentemente, o governo anunciou aumento de 30 pontos percentuais no IPI dos
automóveis e caminhões que não cumprirem
um conjunto de exigências, como utilizar, na
média da empresa, 65% de peças fabricadas
no Mercosul. Pimentel disse que algumas
empresas que querem se estabelecer no Brasil têm sugerido alteração no índice de nacionalização das empresas entrantes. “Nós estamos abertos a propostas e sugestões. Mas
neste momento não estamos pensando em
fazer nenhuma mudança”, frisou. | PÁGINA 4 |
2
Sexta-feira, 30 de setembro de 2011
ECONOMIA
&217$63Ò%/,&$6
*RYHUQRFHQWUDOWHPR
SLRUDJRVWRHPDQRV
Tesouro, Previdência e Banco Central economizaram apenas R$ 2,49 bilhões
Elza Fiuza / ABr
Renata Veríssimo
Da Agência Estado
Apesar da promessa do ministro da Fazenda, Guido Mantega,
de divulgar uma surpresa fiscal
a cada mês para ajudar o Brasil
a enfrentar a crise mundial, o
resultado das contas do governo
central em agosto foi o menor
para o mês em oito anos. Tesouro,
Previdência Social e Banco Central economizaram apenas R$
2,49 bilhões, depois de dois meses seguidos com resultados acima de R$ 10 bilhões. Isso ocorreu
porque houve redução de R$ 17
bilhões nas receitas líquidas do
governo, em relação a julho. Por
outro lado, a queda nas despesas
foi de apenas R$ 8,2 bilhões.
Apesar do resultado de agosto, o governo tem conseguido
cumprir com folga as metas de
superávit primário (o saldo positivo entre receitas e despesas, exceto os gastos com juros, utilizado para abater a dívida pública)
estabelecidas por quadrimestre.
No acumulado do ano, a economia acumulada é de R$ 69,84 bilhões, o que corresponde a 2,64%
do Produto Interno Bruto (PIB),
enquanto a meta para o período
de janeiro a agosto é de R$ 40 bilhões. O resultado obtido este ano
é também R$ 40,1 bilhões superior ao superávit obtido nos oito
primeiros meses de 2010.
O governo central precisa
Arno Augustin: “Superávit em agosto foi excelente”
atingir um superávit de R$ 91,8
bilhões este ano. “Estamos bastante tranquilos quanto ao cumprimento da meta de superávit
primário no ano”, disse o secretário do Tesouro, Arno Augustin.
Para ele, os resultados mensais
precisam ser relativizados. “O
superávit, para agosto, foi excelente”, afirmou.
O bom desempenho das contas públicas neste ano está relacionado, principalmente, com o
resultado da arrecadação de tributos federais, que bate recordes
sucessivos em 2011, em função do
bom desempenho da economia e
de receitas extraordinárias.
Além disso, o governo tem
tido dificuldade para gastar. Os
desembolsos para investimentos,
de R$ 28,02 bilhões até agosto,
estão apenas 0,2% maiores que
no ano passado, o que é um resultado considerado insatisfatório.
“Melhorou um pouquinho em
agosto, mas ainda é muito baixo”, afirmou Augustin. Segundo
ele, além da base de comparação
(2010) ser alta, o nível de execução das obras não está dentro do
esperado, atrasando os desembolsos. “O governo quer reverter esta
circunstância e manter a tendência de crescimento todos os anos.
Há um empenho do governo para
acelerar as obras”, disse.
Ele acredita que a troca de
equipes em alguns ministérios
pode ter atrasado as obras. Augustin disse que o governo continua trabalhando para que o cres-
cimento dos investimentos este
ano seja maior que a alta nominal do PIB. “Ter um crescimento
bom é prioridade do governo.
Estamos trabalhando com estas
perspectivas, mas os resultados
exigem atenção total”, afirmou.
“Isso vai melhorar vai até o final
do ano, mas não vou fazer estimativa”, completou.
Mudança contábil - O baixo
desempenho dos investimentos
levou o Tesouro a analisar a possibilidade de fazer uma mudança
contábil nos gastos com o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Por serem considerados
subsídios, são contabilizados como
despesas de custeio. O governo
quer que eles sejam considerados
investimentos. O Tesouro desembolsou R$ 4,52 bilhões para o programa nos oito primeiros meses
do ano. Em igual período de 2010,
foram apenas R$ 100 milhões.
Augustin destacou que o aumento dos gastos com custeio da
máquina pública cai de 11,8%
para 6,4% se excluídos os recursos destinados para o programa.
“O custeio, salvo o Minha Casa,
Minha Vida, está caindo bastante
em relação ao PIB nominal”, afirmou o secretário. Os gastos com o
programa têm impulsionado a estatística de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que somam R$ 16,7
bilhões até agosto e registram alta
de 40,3% em relação a 2010.
µ5HFHLWDVYLHUDPPXLWRDEDL[RGRHVSHUDGR¶
Denise Abarca
Da Agência Estado
O que mais chamou a atenção
nos dados do Governo Central
em agosto, divulgados ontem
pelo Tesouro, foi a queda no ritmo de crescimento das receitas,
avaliou o economista da Tendências Consultoria, Felipe Salto.
“As receitas vieram muito abaixo do esperado”, afirmou, acrescentando que isso também teve
impacto sobre a despesas.
De acordo com o economista,
as receitas registraram expansão
de apenas 5% na comparação a
igual mês de 2010, bastante abaixo do crescimento de 15,1% apurado em maio, na mesma base de
comparação. Salto cita maio como
a melhor comparação, dado que
tanto em junho quanto em julho
as receitas estiveram distorcidas
por fatores atípicos, relacionados
ao Refis da Crise e a recolhimentos extraordinários de Contribuição Sobre o Lucro Líquido (CSLL).
A queda das receitas líquidas totais está relacionada aos
dividendos, que, segundo ele,
em agosto do ano passado totalizaram R$ 6,8 bilhões e, em
agosto deste ano, apenas R$
932 milhões. Na sua avaliação,
as receitas devem mostrar alguma recuperação nos próximos
meses, mas ainda assim o ritmo
de aumento das despesas deve
ser maior, o que é normal por
causa da sazonalidade do período. “E isso vai comer o espaço
que existe entre o desempenho
no acumulado do ano e a meta
de superávit de 2,15%”, disse.
No ano até agosto, o superávit do Governo Central atinge
2,64% do PIB.
O governo central em agosto
teve saldo positivo de R$ 2,490
bilhões, valor bastante aquém
dos R$ 11,184 bilhões apurados
em julho. A expectativa da Tendências era de um superávit de
R$ 4 bilhões. A instituição manteve, no entanto, sua previsão
de R$ 7 bilhões para o resultado primário do setor público em
agosto, a ser divulgado hoje pelo
Banco Central.
$%(&6
3HVTXLVDUHYHODTXHGD
SRSXODomRWrPDOJXPFDUWmR
Altamiro Silva Júnior
Da Agência Estado
O número de brasileiros que
possuem um meio eletrônico
de pagamento aumentou nos
últimos anos. Nada menos que
72,4% da população contam
com algum tipo de cartão, seja
de crédito, de débito ou aqueles
emitidos por lojas e supermercados. Em 2008, esse percentual
era de 68%. Os números fazem
parte da quarta edição da pesquisa nacional de uso de meios
eletrônicos, realizada pelo Instituto Datafolha a pedido da Associação Brasileira das Empresas
de Cartões e Serviços (Abecs).
O cartão de débito é o meio
eletrônico de pagamento mais
popular. A pesquisa mostra que
60% dos brasileiros têm um cartão assim, ante 53% em 2008.
Nos cartões de crédito, o índice
de posse é menor, de 53%. Já nos
cartões emitidos por lojas, redes
www.jgn.com.br
de varejo e supermercados, o
percentual é de 28%.
Renda - As pessoas de maior
renda são as que mais têm cartões. Nas classes A e B, um total
de 88% das pessoas possuem
algum cartão. Na classe C, o
total é bem menor, de 47%. O
presidente da Abecs, Cláudio
Yamaguti, destaca que é entre
as pessoas das classes menos endinheiradas que o mercado de
cartões mais cresce, por conta
do aumento das taxas de emprego e da renda da população. Em
2008, o porcentual de pessoas da
classe C que tinha um cartão era
de 38%, nove pontos porcentuais
abaixo do índice deste ano.
Entre as capitais pesquisadas
pelo Datafolha, Brasília é a cidade em que as pessoas mais têm
cartões, com 85% da população.
Já os menores percentuais estão
em Belém (68%), Manaus (65%)
e Recife (63%).
A pesquisa foi feita em 11 ca-
pitais e ouviu 4 mil pessoas, entre os meses de junho e agosto.
O levantamento foi apresentado
na tarde de ontem no “6º CMEP Congresso de Meios Eletrônicos
de Pagamentos”, realizado pela
Federação Brasileira de Bancos
(Febraban) e pela Abecs. O evento termina hoje em São Paulo.
Compras - Apesar do crescimento dos cartões, o dinheiro
continua sendo o principal meio
de pagamento para transações
de pequeno valor. Nas compras
de valores entre R$ 20 a R$ 50, o
dinheiro é responsável por 61%
dos pagamentos, ante 39% dos
cartões. Entre R$ 10 e R$ 20, o dinheiro chega a 83% e abaixo de
R$ 10, a 91%, segundo a pesquisa.
Para valores acima de R$ 50,
a relação se inverte e o cartão
ganha espaço. Para pagamentos
de valores, por exemplo, acima
de R$ 500, 84% das operações
são pagas com cartões. Nos valores entre R$ 50 e R$ 100, o per-
centual é de 63% para os meios
eletrônicos.
“O papel moeda permanece
como principal concorrente dos
cartões”, disse o presidente da
Abecs, Claudio Yamaguti. Nos últimos anos, os cartões conseguiram roubar espaço dos cheques
O desafio agora, é tomar o lugar
do dinheiro, disse o executivo.
Entre os produtos mais comprados com cartões estão roupas e
calçados (68%), passagens (64%),
material para construção (61%),
combustível (57%) e produtos alimentícios (54%). Em compras de
jornais, revistas e livros, prevalece o pagamento em dinheiro, com
83% das operações.
Internet - Os brasileiros estão perdendo o medo de usar o
cartão para compras na internet.
A pesquisa da Abecs mostra que
o número de pessoas que costumam pagar compras com cartão
de crédito na web subiu de 9%
em 2010 para 15% este ano.
),(63
$WLYLGDGHGD
LQG~VWULDVREH
HPDJRVWR
Anne Warth
Da Agência Estado
O Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria paulista
subiu 0,8% em agosto ante julho,
com ajuste sazonal, de acordo com
dados divulgados ontem pela Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (Fiesp). No cálculo
sem ajuste sazonal, o INA subiu
6,1% no mesmo período, no melhor resultado para meses de agosto desde 2005, quando o indicador
teve alta de 6,5%. Na comparação
com agosto de 2010, o INA registrou crescimento de 3% e, no acumulado de 2011 até o mês passado,
a elevação é de 2,6%.
Já o nível de utilização da capacidade instalada (Nuci) subiu
para 84,1% em agosto, sem ajuste
sazonal, ante 83% em julho. Com
ajuste sazonal, o Nuci manteve-se
em 82,6%, no mesmo período.
A Fiesp revisou os dados do
INA de correspondentes ao mês
de julho. Com ajuste sazonal, a
alta em relação a junho, que era
',$'$6&5,$1d$6
6KRSSLQJVYHQGDV
GHYHPFUHVFHU
As vendas nos shopping centers do País para o Dia da Criança devem crescer nominalmente 9% este ano em comparação
com o verificado na mesma data
em 2010, segundo estimativa da
Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop). No
ano passado, as vendas no período que antecede a data subiram
14% comparada a 2009.
“O decréscimo esperado para
este ano não é negativo, tendo em
%1'(6OLEHUD
5ELj/RJXP
Glauber Gonçalves
Da Agência Estado
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES) aprovou um empréstimo-ponte de R$ 1,7 bilhão à Logum Logística. Criada em março
deste ano, a empresa de logística
para transporte de etanol é uma
parceria da Petrobras com Copersucar, Cosan, OTP (Odebrecht),
Uniduto e Camargo Corrêa.
Em nota, o BNDES informou
que os recursos lib erados para
a Logum Logística serão utilizados na implantação de um
duto para o transporte de etanol e na instalação de centros
coletores do produto.
Transporte de etanol - Segundo o banco de fomento, o sistema logístico de transporte de
etanol a ser implantado faz parte do Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC) e contempla 1.330 km de dutos, com capacidade de transporte de 20,8
milhões de metros cúbicos por
ano e dez terminais de armazenamento de etanol.
O sistema vai interligar as
principais regiões produtoras de
etanol (São Paulo, Goiás, Triân-
Comercial: PABX (21) 3553-5353
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Impressão:
Gráfica Monitor Mercantil
Rua Marcílio Dias, 26 - Centro - RJ
Diagramação:
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e Administração
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Rodrigo Gurski
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Redação:
(21) 2233-5823
[email protected]
Subeditora:
Rafaela Pereira
[email protected]
Projeto Gráfico:dtiriba design gráfico
vista que a base econômica de cálculo de 2010 foi extremamente forte”, avaliou a Alshop por meio de
uma nota divulgada à imprensa.
Ainda segundo a Associação,
os brinquedos deverão, mais
uma vez, liderar as vendas em
2011, desde os mais simples até
os mais sofisticados, como os eletrônicos. Também estão na lista
dos produtos que deverão ser
mais procurados aqueles que
possuem apelo tecnológico.
/2*Ë67,&$
Publicação da empresa
JGN Editora Ltda.
Diretora Geral
Elizabeth Campos Roitman
[email protected]
de 0,3%, passou para 0,6%. Sem
ajuste, o crescimento, que era de
0,6%, passou para 1%.
Sensor - A confiança dos empresários paulistas manteve-se
estável no mês de setembro. O
Sensor, indicador da Fiesp, ficou
em 48,9 pontos, ante 48,5 pontos
em agosto, um resultado que a entidade avaliou como estabilidade.
Dos itens que compõem o
Sensor, o referente ao mercado
aumentou de 50,3 pontos para
54,5 pontos; e o de vendas subiu
de 46,4 pontos, para 49,4 pontos,
em base mensal. O item investimento manteve-se estável, ao
passar de 52,5 pontos em agosto,
para 52,4 pontos em setembro.
O item emprego caiu de 50,6
pontos, para 47 pontos. Já o pior
resultado ficou com o indicador
de estoque, que passou de 42,9
pontos, para 38,1 pontos em setembro, no pior nível desde abril
de 2009, quando ficou em 34,7
pontos. O item indica uma elevação considerável dos estoques
da indústria paulista.
Artigos & Colunas:
[email protected]
Filiado à
gulo Mineiro, sul e sudeste de
Mato Grosso do Sul e norte do
Paraná) aos centros consumidores da Grande São Paulo e do
Rio de Janeiro, e aos terminais
marítimos de Ilha D’Água (RJ) e
Caraguatatuba (SP), para exportação e/ou cabotagem do etanol
para os demais centros consumidores do País.
Financiamentos - De acordo
com as informações do BNDES,
o empréstimo-ponte financiará a
primeira etapa do projeto - que
abrange os trechos de Ribeirão
Preto-Paulínia, Uberaba-Ribeirão Preto e Anhembi-Paulínia - e
os terminais de Ribeirão Preto,
Uberaba, Anhembi e Araçatuba.
O objetivo do investimento
é proporcionar um transporte
mais rápido e confiável, de menor custo e menos poluente que
o modal rodoviário.
Além disso, de acordo com
a nota do BNDES, a otimização
de fluxo e de armazenagem do
produto em regiões mais próximas aos centros consumidores
contribuirá para reduzir a volatilidade do mercado, ao proporcionar maior regularidade
de oferta e estabilidade de
preços, diz o comunicado.
Preços de Assinatura
Trimestral ..................R$ 60,00
Semestral ................R$ 110,00
Anual ........................R$ 210,00
[email protected]
Serviço Noticioso
Agências Brasil e Estado
As matérias e artigos são de
responsabilidade dos autores e não
representam, necessariamente,
a opinião deste jornal
ECONOMIA
Sexta-feira, 30 de setembro de 2011
3
5(/$7Ï5,275,0(675$/
%&VLQDOL]DPDLVFRUWHGHMXURV
Projeção de inflação neste ano aumenta de 5,8% para 6,4% e expectativa para alta do PIB cai a 3,5%, de 4% anteriormente
Arquivo
Iuri Dantas
Da Agência Estado
Um mês depois de surpreender o mercado com um corte
de 0,5 ponto percentual na taxa
básica de juros (Selic), para 12%
ao ano, o Banco Central informou no Relatório Trimestral de
Inflação, divulgado ontem, que
espera mais inflação e menos
crescimento econômico neste
ano, principalmente devido à
queda na atividade industrial e
à moderação nas vendas no varejo. O BC elevou a projeção de
inflação neste ano de 5,8% para
6,4%, muito próximo do limite
máximo estabelecido para este
ano, de 6,5%. E cortou a previsão
de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4% para 3,5%.
A autoridade monetária alertou, ainda, que aumentos reais
de salário e a indexação da economia representam riscos para
o controle da inflação, que pode
estourar o teto. Esse risco, disse
o diretor de Política Econômica,
Carlos Hamilton Araújo, “sempre existe”.
“Viés desinflacionário” - Ao
enfatizar que a crise financeira
internacional terá “viés desinflacionário”, o BC sinalizou que
vai continuar cortando os juros
neste ano, segundo analistas de
mercado. “O BC mostra-se tranquilo e entende que a crise internacional irá fazer o ‘trabalho
sujo’ da Selic num horizonte
próximo,” disse Andre Perfeito,
economista-chefe da Gradual
Carlos Hamilton Araújo: “Nosso julgamento é que a inflação vai convergir para a meta em 2012”
Investimentos.
“Acreditamos que haverá
mais três cortes consecutivos de
0,50 ponto porcentual na taxa
Selic,” avaliou Luciano Rostagno, estrategista-chefe da CM Capital Markets.
Pesou na interpretação dos analistas a afirmação do BC de que
“ajustes moderados no nível da
taxa básica são consistentes com o
cenário de convergência da inflação para a meta” no ano que vem.
Apesar de entenderem o cenário descrito pelo BC, analistas discordam da previsão de que a inflação vai terminar 2012 no centro da
meta de 4,5%. “O Banco Central
vai continuar com dificuldades de
reconquistar a confiança do mercado e trazer as expectativas inflacionárias nos próximos anos para
perto do centro da meta”, disse o
sócio-gestor da Leme Investimentos Paulo Petrassi.
Cenários - Nos dois principais cenários usados pelo BC, o
índice oficial de preços (IPCA)
só atinge o centro da meta de inflação em 2013. Entretanto, Carlos Hamilton disse que as projeções, assim como a inflação, são
mutáveis. “Nosso julgamento é
que a inflação vai convergir para
a meta em 2012 e neste sentido
é que vamos trabalhar.”
No cenário de mercado, em
que o BC absorve a expectativa
do mercado para o câmbio e expectativa de novos cortes na taxa
de juros, a inflação fecharia 2011
situada em 6,4%, caindo para 5%
no final do ano que vem.
A inflação maior, entretanto,
é um mal temporário: segundo
o BC, os índices de preços começam a recuar no terceiro trimestre de 2011. O salto da inflação
neste ano, que acumula 7,2%
nos 12 meses encerrados em
agosto, foi causado pelos preços
de alimentos e forte demanda
por serviços nos últimos meses.
Crescimento - A economia
brasileira já cresce a ritmo bem
menor do que no ano passado,
quando se expandiu 7,5%, influenciada pelo aumento da taxa
básica de juros e medidas para
conter o crédito, avaliou o BC.
Este processo “tende a ser potencializado pela fragilidade da economia global”, escreveram os diretores da instituição no relatório.
O Comitê de Política Monetária (Copom) avaliou, ainda, que
aumentos salariais acima da inflação são “um risco importante
para a dinâmica dos preços ao
consumidor”. Isso significa, segundo Carlos Hamilton Araújo,
que empresas devem evitar reajustes superiores a 2% acima
da inflação. “Aumento de salário
que não é amparado por aumento de produtividade se traduz,
mais cedo ou mais tarde, em
inflação,” disse o diretor do BC.
(Colaborou Patrícia Lara)
'LUHWRUD¿UPDTXHDXPHQWRGRFUpGLWRHVWiPRGHUDGR
Fernando Nakagawa e
Adriana Fernandes
Da Agência Estado
O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC),
Carlos Hamilton Araújo, disse
que a instituição pode agir no
mercado de crédito se avaliar
necessário. “Se for necessário,
se a gente identificar algum
segmento do mercado de crédito que cresce acima do considerado razoável do ponto de vista
da sustentabilidade do sistema,
vamos agir”, disse ele, durante
entrevista sobre o Relatório Trimestral de Inflação.
Segundo o diretor, já houve
moderação no crédito nos últimos meses. Ele argumenta que o
mercado previa, no início do ano,
6(5$6$
medidas macroprudenciais e o
aperto monetário realizado no
primeiro semestre.
Política fiscal - Carlos Hamilton Araújo avaliou que houve uma melhora da percepção do
mercado financeiro em relação à
política fiscal em 2011. “Parece
que o ceticismo desapareceu”,
disse, numa referência às desconfianças do mercado em rela-
ção à capacidade do governo de
implementar o corte de gastos
anunciado no início do ano.
Ele destacou que a ação de
política monetária teve três
frentes no início do ano. A primeira delas foram as medidas
para a contenção do crédito, que
segundo o diretor se mostraram
eficazes. A segunda frente foi o
aumento da Selic (taxa básica
de juros). A terceira frente foi
justamente o reforço da política
fiscal para a contenção da expansão do gasto público.
O diretor lembrou que, no
primeiro momento, alguns analistas acreditavam que o governo
não faria essa redução dos gastos. Questionado, ele negou que
o BC tenha perdida o “timing”
para aumentar os juros.
,*30
,QDGLPSOrQFLDGH
HPSUHVDVGLPLQXL
A inadimplência das companhias brasileiras desacelerou em
agosto em razão do aumento da
atividade provocado pelo Dia
dos Pais, que gerou receitas necessárias para honrar parte dos
financiamentos atrasados, informou ontem a Serasa Experian.
Na comparação com julho, a
inadimplência aumentou 1,9%,
nível bem inferior aos 4,5% registrados em julho ante junho.
Na variação anual do Indicador de Inadimplência das Empresas calculado pela Serasa houve
crescimento de 23,5% sobre agosto de 2010. No acumulado do ano,
a alta foi de 14,8% em relação aos
crescer próximo de 30%. “Hoje,
porém, as instituições reconhecem que suas carteiras vão se expandir 15% ou 17% e até 13%.
Acho que isso mostra que, de
fato, o mercado tem moderado”.
Para Carlos Hamilton Araújo, essa moderação acontece especialmente graças às medidas
adotadas pela equipe econômica no fim do ano passado, como
oito primeiros meses de 2010.
De janeiro a agosto, o valor
médio das dívidas não bancárias, que incluem cartões de
crédito, financeiras, lojas em
geral e prestadoras de serviços, foi de R$ 739,45, cifra 1,6%
maior em relação aos oito primeiros meses de 2010. O valor
médio das dívidas com bancos
teve um crescimento maior, de
9,1%, e alcançou R$ 5.165,06.
O valor médio dos títulos protestados subiu para R$ 1.760,16, alta
de 7,6% no acumulado de janeiro a
agosto. Já os cheques sem fundos tiveram valor médio de R$ 2.065,11,
com crescimento de 1,5%.
,*30XVDGRSDUDUHDMXVWDU
DOXJXHOVREHHPPHVHV
Glauber Gonçalves e
Maria Regina Silva
Da Agência Estado
O Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) subiu pelo
segundo mês consecutivo em
setembro, com avanço de 0,65%,
ante a alta de 0,44% em agosto,
informou hoje a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Até setembro,
o indicador acumula taxas de
inflação de 4,15% no ano e de
7,46% em 12 meses.
A taxa acumulada do IGP-M é
bastante usada no cálculo de reajustes de aluguel. Os dados uti-
lizados para cálculo do IGP-M de
setembro foram coletados entre
21 de agosto e 20 de setembro
Componentes - Entre os três
subindicadores que compõem o
IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo - Mercado (IPA-M)
subiu 0,74% em setembro, após
registrar elevação de 0,57% em
agosto. O Índice de Preços ao
Consumidor - Mercado (IPC-M)
teve alta de 0,59% este mês, ante
uma elevação de 0,21% no mês
passado. Já no Índice Nacional
de Custos da Construção (INCCM), a variação positiva foi de
0,14% este mês, em comparação
com a alta de 0,16% em agosto.
Já os preços dos produtos
agropecuários subiram 1,57% em
setembro, em comparação com
a elevação de 1,47% de agosto,
no âmbito do IGP-M. De acordo
com a FGV, a variação de preços
dos produtos industriais foi de
0,45%, ante 0,25% em agosto.
Estimativa - O economista
da FGV André Braz estima que o
IGP-M deve manter-se em 0,65%
em outubro. “Pode ficar um pouco abaixo ou acima dessa taxa.
Isso depende de algumas questões que ainda não estão definidas, como a cambial”, disse,
durante entrevista coletiva. No
fechamento do ano, ele espera
que a taxa fique em até 6,5%.
O economista afirmou que a
probabilidade de os índices que
compõem o IGP-M registrarem
taxas acima de 1% em 2011 é
pouco provável. Ele exemplificou que o Índice de Preços ao
Produtor Amplo (IPA) desacelerou de uma alta de 1,60% em
setembro do ano passado para
uma valorização de 0,74% este
mês. “De jeito nenhum projetamos uma taxa nesse patamar
em outubro”, estimou o economista da FGV.
Obrigado por tudo isso!
Homenagem do JGN ao Dia da Secretária
jgn.com.br
4
Sexta-feira, 30 de setembro de 2011
ECONOMIA
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GRFRQVXPLGRU
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Alta da alíquota do IPI teve como objetivo incentivar a produção nacional
Antonio Cruz / ABr
Edna Simão
Da Agência Estado
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior,
Fernando Pimentel, afirmou ontem que “neste momento” não
está pensando em fazer mudanças nos índices de nacionalização
exigidos dos carros importados.
Recentemente, o governo anunciou aumento de 30 pontos percentuais no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos
automóveis e caminhões que não
cumprirem um conjunto de exigências como utilizar, na média
da empresa, 65% de peças fabricadas no Mercosul.
“Neste momento nós não estamos pensando em fazer nenhuma mudança”, afirmou Pimentel, que participou de reunião do
Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial.
O ministro disse que mudanças não estão sendo discutidas,
porém, algumas empresas que
querem se estabelecer no Brasil
têm procurado o governo e sugerido alteração no índice de nacionalização das empresas entrantes.
“Nós estamos abertos a propostas
e sugestões. Mas neste momento
nós não estamos pensando em fazer nenhuma mudança”, frisou.
Pimentel fez questão de frisar
que o Brasil respeita os acordos
internacionais assinados. “Nós
Pimentel: “Estamos abertos a propostas e sugestões”
temos acordos automotivos com a
Argentina, México e Uruguai. Nós
temos que respeitar os acordos”,
destacou o ministro. “Os índices
de nacionalização que estão sendo
exigidos contemplam também os
carros produzidos dentro do acordo automotivo da Argentina, México e Uruguai. Não vejo nenhum
prejuízo para indústria brasileira
)LDWGDUiIpULDVDGHVHXVIXQFLRQiULRV
Aline Reskalla
Especial para a Agência Estado
A paralisação, a segunda em menos de um mês,
Fiat vai dar férias coletivas
para 20% de seus funcionários
para tentar reduzir os estoques. A
paralisação, que começa no dia 10
de outubro e vai durar dez dias, é
a segunda em menos de um mês
e deve atingir cerca de 2000 trabalhadores. No feriado da Independência, dia 7 de setembro, a
montadora deu três dias de folga
para os funcionários.
A paralisação de outubro
não foi confirmada pela montadora, mas os metalúrgicos de
Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, já foram
comunicados oficialmente no
início desta semana, segundo o
começa no dia 10 de outubro e vai durar dez dias.
Medida deve atingir 200 trabalhadores
presidente do sindicato da categoria em Betim, João Alves da
Silva. Vão parar o terceiro turno
de produção e a linha 3, onde
são montados veículos considerados médios.
Ontem, a Fiat foi procurada
pela reportagem, mas não retornou às ligações. No feriado de
7 de setembro, a empresa havia
informado que a parada de três
dias se devia a “adaptação da
fábrica para início de produção
de novo mix”. A Fiat admitiu, no
entanto, que ela favorecia um
“ajuste nos estoques”.
Estoques - Informações do
sindicato dão conta de que a
montadora tem mais do que 30
dias de produção em veículos
parados nos seus pátios. O último levantamento da Associação
Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), di-
vulgado na primeira metade de
setembro, informava um estoque
médio equivalente a 37 dias de
produção nos pátios das montadoras. Esse é o maior patamar
desde novembro 2008, quando o
número atingiu 56 dias.
O esfriamento do mercado
automotivo atinge todas as montadoras do país. Em agosto, foram vendidos 236,9 mil automóveis, 0,4% menos que no mesmo
mês de 2010, segundo a Anfavea.
No último dia 15, o governo federal elevou o Imposto sobre Produto Industrializados (IPI) para
carros importados na tentativa
de proteger a indústria nacional.
No ano, a Fiat lidera as vendas,
com 22,4% do mercado, seguida
pela Volks, com 20,66%.
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2SHUDo}HVGHFkPELRPDQXDO
SDVVDPDWHUWDULIDVSDGURQL]DGDV
Célia Froufe e
Eduardo Rodrigues
Da Agência Estado
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou resolução
que disciplina e padroniza as tarifas passíveis de cobrança pela
prestação de serviços vinculados
a operações de câmbio manual
para compra ou venda de moeda
estrangeira relacionada a viagens
internacionais. “Por enquanto a
medida vale apenas para câmbio
manual para viagens internacionais”, disse o gerente-executivo
de normatização de câmbio e capitais estrangeiros do Banco Central, Magela Siqueira.
A medida altera uma resolução anterior, de novembro do
ano passado, que dispunha da
cobrança de tarifas pela prestação de serviços por parte das
instituições autorizadas a funcionar pelo BC. Foram incluídos na
tabela padronizada de serviços
prioritários, de acordo com o voto
do CMN, os serviços referentes à
operação de câmbio manual com
a definição de nomeclatura padronizada, da sigla a ser utilizada
nos extratos e do fator gerador da
cobrança da tarifa.
“Estamos padronizando as tarifas de câmbio manual, aplicadas
7-/3pPDQWLGDHPQR
TXDUWRWULPHVWUHGH
Eduardo Rodrigues e
Célia Froufe
Da Agência Estado
O Conselho Monetário Nacional (CMN) manteve em 6%
ao ano a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para o quarto
trimestre de 2011. Com isso, o
período de outubro a dezembro será o 10º trimestre consecutivo com a taxa nesse patamar. A taxa está em 6% ao ano
desde julho de 2009 e é usada
nos financiamentos concedidos a empresas pelo BNDES.
A decisão do CMN visa manter o custo do investimento no
País tendo como referência as
atuais condições da economia
brasileira. A afirmação é do se-
pelos bancos nas operações de compra e venda de moeda estrangeira
em espécie, cheque e carga e recarga de cartões”, afirmou Magela Siqueira. “Não estamos interferindo
no preço que o banco vai cobrar,
cretário executivo adjunto do
Ministério da Fazenda, Dyogo
Oliveira. “O entendimento do
voto é o de que o momento não
exige nem aumento nem redução, de modo a não comprometer o custo dos investimentos
necessários para o crescimento
do País”, considerou.
Indagado por jornalistas
a respeito da redução da diferença entre a taxa básica
de juros (Selic), atualmente
em 12% ao ano, e a TJLP, o
secretário salientou que não
há “essa rigidez” em relação
à Selic. “Não existe uma fórmula de cálculo. (A TJLP) É
baseada nas expectativas de
longo prazo para o risco Brasil
e a inflação”, acrescentou.
mas padronizando a nomenclatura
das tarifas, que só poderão ser reajustadas com aviso prévio de pelo
menos 30 dias”, explicou.
VET - A descrição da tarifas
deve conter a forma específica
Francisco Carlos de Assis
Da Agência Estado
porque esses carros são produzidos com autopeças fabricadas no
Brasil”, frisou o ministro.
Segundo Pimentel, a medida
adotada pelo governo federal
teve como objetivo incentivar
a produção nacional. “Significa
que nós queremos atrair mais
empresas para o Brasil. Não estamos proibindo ninguém de vir,
pelo contrário, queremos que
venham produzir aqui. O que estamos fazendo é tendo cuidado
com nosso mercado interno para
que ele não seja ocupado apenas
pela produção externa. Queremos que seja ocupado pela produção interna”, afirmou.
Têxtil - Para estimular a indústria têxtil nacional, Pimentel
informou ontem que o governo vai
publicar, no dia 4 de outubro, um
decreto para assegurar o direito
de preferência à indústria nacional de têxtil e confecções e calçados nas compras governamentais.
“Será o primeiro decreto que regulamenta a lei das preferências e
compras do setor público para um
setor específico”, disse o ministro.
A margem de preferência será
de até 8%. Ou seja, se os produtos
desses setores forem até 8% mais
caros do que importados, ainda
assim terão a preferência do governo federal. Segundo o ministro,
os próximos que terão direito de
preferência serão as indústrias do
setor de Saúde e da Defesa.
da entrega da moeda: compra ou
venda em espécie, em cheque de
viagem ou em cartão pré-pago. A
medida também institui a obrigatoriedade de informação do Valor
Efetivo Total (VET) previamente à
contratação de operações da espécie. Essa medida, segundo o CMN,
dará mais transparência e reduzirá a assimetria de informação.
“Para dar condições de os clientes
compararem preços, instituições
terão que informar aos clientes o
Valor Efetivo Total da operação
antes do fechamento”, afirmou.
O VET da operação deve ser
expresso em reais por unidade de
moeda estrangeira, considerando
a taxa de câmbio, os tributos e as
tarifas eventualmente cobradas.
De acordo com o voto, com o novo
procedimento os custos dessas
operações poderá ser sintetizados
em uma só taxa, facilitando a comparação entre as ofertas disponíveis no mercado. As instituições
terão até dia 2 de janeiro de 2012
para se adaptarem às medidas.
Segundo o gerente-executivo
de normatização de câmbio e capitais estrangeiros do BC, “série
de medidas pontuais deve facilitar
a vida de turistas brasileiros que
viajam pra fora, mas também para
estrangeiros que virão ao País para
a Copa do Mundo de 2014”.
A confiança do consumidor
fechou praticamente estável em
setembro ante agosto, com ligeiro crescimento de 0,4%, segundo
o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado ontem pela Confederação
Nacional da Indústria (CNI).
Na comparação com setembro do ano passado, o índice
mostra uma queda de 5%. Mas
mesmo com esta queda, segundo a CNI, o indicador está 1,5%
acima da média histórica para o
mês de setembro.
A estabilidade da confiança do consumidor em setembro
mostra que consumidor brasileiro não vê grandes riscos de
a crise econômica internacional
afetar a economia brasileira.
O Inec obedece uma escala
que varia de zero a 200 pontos,
sendo que a marca de 100 pontos
é a linha que divide os sentimentos de otimismo e pessimismo.
O Inec encerrou setembro com
102,9 pontos ante 101,4 pontos
em agosto e 124,2 pontos em setembro de 2010, o que confirma
variações de 0,4% de alta na
margem e queda de 5% na leitura interanual. Na pesquisa de setembro, a CNI ouviu 2002 pessoas
entre os dias 16 e 20 de setembro.
Dos seis componentes do
Inec, somente os índices de expectativa de inflação, renda pessoal e compras de bens de maior
valor registraram melhora em
setembro ante agosto. As expectativas em relação ao endividamento se mantiveram estáveis
enquanto as expectativas em
relação à situação financeira e
desemprego pioraram.
A expectativa em relação
inflação cresceu 1,5% em setem
bro sobre agosto, saindo de 101,
pontos em agosto para 102,9 pon
tos em setembro. Na comparaçã
com o igual mês do ano passad
quando o Inec para a inflação re
gistrou 124,2 pontos, houve um
queda de 17,2%.
“Apesar da alta de 1,5% em
setembro frente a agosto, o ind
cador de inflação é o único qu
está abaixo da média históric
Para se ter uma ideia, na compa
ração com setembro do ano pa
sado, o indicador registra um
queda de 17,2%”, diz Marcel
Azevedo, economista da CNI.
Desemprego - A expectativ
em relação ao desemprego cai
1,5% na comparação com ago
to e despencou 6,7% em relaçã
a setembro do ano passado N
que se refere à renda pessoal,
expectativa cresceu 0,8% sobr
agosto e recuou 1,3% no confron
to com setembro do ano passado
Em relação à situação fi
nanceira, as expectativas do
consumidores caíram nas dua
leituras: 1,3% no confronto com
agosto e 5,3% em relação a se
tembro de 2010. No tocante a
endividamento, na variaçã
mensal as expectativas mant
veram-se estáveis, mas caíram
4,4% na comparação com setem
bro do ano passado.
O indicador de compras d
bens de maior valor cresce
2,1% em setembro sobre ago
to e caiu 0,3% na comparaçã
com setembro do ano passad
“Esse indicador está 6% acim
da média histórica para os me
ses de setembro. Isso pode se
explicado pela maior facilidad
de acesso ao crédito hoje que n
passado”, avalia Azevedo.
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6HWRUGHPDWHULDLV
PDQWpPRRWLPLVPR
Rodrigo Petry
Da Agência Estado
O setor de materiais de construção manteve o otimismo em
setembro, quando 64% das empresas afirmaram estar otimistas em
relação ao desempenho do setor
neste mês. Segundo o Termômetro
da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção
(Abramat), para outubro o indicador cresce, com 74% das empresas
avaliando o mercado interno como
bom e muito bom. O patamar de
setembro de otimismo é idêntico
ao observado em agosto (64%).
A parcela das empresas que
se consideram pessimistas com
o desempenho do mercado interno recuou para menos de 1% em
setembro, percentual idêntico ao
previsto para outubro. Em agosto, o pessimismo em relação ao
mercado interno atingia 7% das
empresas. Já o grupo de empresas que classificam o mercado interno como regular ficou em 36%
para setembro, frente a 29% em
agosto e 26% para outubro.
“Apesar das ações do governo
para conter a inflação e da nova
crise mundial, há uma expectativa positiva do setor em função
da segunda etapa do programa
do governo Federal Minha Casa
Minha Vida e das obras para
C
U
a Copa do Mundo”, afirmou
Abramat, em nota à imprensa.
Mercado externo - Em rel
ção ao mercado externo, o levan
tamento da Abramat apontou em
setembro que 40% das empresa
estão otimistas, 30% pessimista
e 30% regulares. Esses porcentu
ais se mantém idênticos quand
se referem ao mês de outubro. Em
agosto, 43% das empresas estavam
otimistas com o mercado extern
35% pessimistas e 22% regulares
Questionadas sobre as açõe
do governo Federal para o seto
nos próximos 12 meses, 54% da
empresas se dizem otimistas em
setembro, ante 38% de agosto. A
empresas que se manifestaram
como indiferentes às ações do g
verno recuaram de 54% em agost
para 41% em setembro. Já as pe
simistas ficaram em 5% no mês d
setembro, frente a 8% em agosto
Cerca de 77% das empresa
informaram em setembro que pr
tendem investir nos próximos 1
meses, ante 69% em agosto. Em
setembro de 2010, 78% das em
presas manifestaram a intençã
de investir no prazo de um ano.
Em setembro, o patamar de util
zação da capacidade instalada est
em 86%, o mesmo porcentual ob
servado em agosto e em julho. Em
setembro de 2010, a utilização d
capacidade instalada somava 88%
R
T
A
Robério Silva é eleito
diretor-executivo da OIC
O diretor do Departamento de Café do Ministério da Agricultura,
Robério Silva, foi eleito ontem diretor-executivo da Organização
Internacional do Café (OIC), durante a reunião do conselho da
entidade, em Londres. Silva concorreu com o candidato mexicano
Rodolfo Taubert. A informação foi confirmada pelo Ministério da
Agricultura. O Brasil retoma o comando da OIC, posição que ocupou
durante 40 anos, até 2002, quando assumiu o cargo o colombiano Nesto
Osório. No ano passado Osório pediu afastamento para representar
seu país na Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Atualmente, o brasileiro José Sette é o diretor- executivo interino.
ECONOMIA
&5,6(1$(8523$
Sexta-feira, 30 de setembro de 2011
5
0(5&$'2
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DSURYDPXGDQoDHPIXQGR HVREH
Lei amplia o alcance e o volume de recursos para ajuda à zona do euro
O Parlamento alemão aprovou
ontem, por ampla maioria, a legislação para ampliar o alcance e
o volume do fundo de resgate da
zona do euro, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF,
na sigla em inglês). Os legisladores
aprovaram a reforma com 523 votos
favoráveis, enquanto 85 vetaram a
mudança e três se abstiveram.
O ministro da Economia da
Alemanha comemorou a aprovação como uma indicação da solidez da coalizão do governo e do
euro. “Temos uma forte maioria
para o resgate do euro”, disse
Philipp Roesler. “Demos início
à segunda metade do período
legislativo com clara vitória da
coalizão”, Acrescentou.
Um total de 315 legisladores
da coalizão do governo da chance-
ler Angela Merkel formado pela
União Democrata Cristã (CDU),
União Social Cristã (CSU) e pelo
Partido Liberal Democrata (FDP)
votaram à favor da legislação,
enquanto 13 votaram contra. O
resultado mostra que a coalizão
de Merkel obteria a aprovação da
legislação mesmo sem a ajuda dos
partidos de oposição.
A legislação inclui uma exigência de aprovação pelo Parlamento
de todas as decisões importantes
sobre futuros programas de ajuda
à zona do euro. “No futuro, nada
poderá ser feito na Europa sem
o Bundestag (Câmara baixa alemã)”, disse Roesler. O governo irá
agora trabalhar para que os países europeus adotem emendas
equilibradas de orçamento em
suas constituições nacionais.
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LPSRUWkQFLDGDGHFLVmR
Renata Veríssimo
Da Agência Estado
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que a
aprovação do reforço da Linha
de Estabilidade Financeira
Europeia (EFSF) pelo Parlamento da Alemanha é uma notícia muito boa, porque o instrumento dará mais condições
de atuação à Europa para enfrentar a crise. “Espero que os
outros Parlamentos também
aprovem a medida o mais rápi-
do possível”, afirmou.
Na quarta-feira, a Parlamento da Finlândia também
aprovou a modificação na linha. Os outros membros da
zona do euro que já aprovaram a expansão da EFSF são:
Bélgica, Eslovênia, França,
Grécia, Itália, Irlanda, Luxemburgo, Portugal e Espanha. Na
semana que vem, o plano deve
ser votado pelo Parlamento
do Chipre. Já Estônia, Malta,
Holanda e Eslováquia devem
apreciar o projeto em outubro.
6DUNR]\H0HUNHOSHGHPPDLRUUDSLGH]
O presidente Nicolas Sarkozy,
da França, e a chanceler Angela
Merkel, da Alemanha, conclamaram ontem os demais países da
zona do euro a agirem com mais
rapidez na aprovação de um segundo pacote de resgate para a
Grécia e de alterações no mecanismo de socorro financeiro do
bloco, uma vez que ambas as medidas são consideradas essenciais
para que a região supere um prolongado período de turbulência.
Os comentários de Sarkozy e
Merkel vieram à tona depois de
a câmara baixa do Parlamento da
Alemanha ter aprovado um projeto de lei para expandir e reformar
a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF) e a liberação
de um segundo pacote de resgate
financeiro à Grécia.
Sarkozy qualificou a votação
alemã como um “passo importante” para assegurar a estabilidade da zona do euro.
Acordo - Em 21 de julho, chefes
de Estado dos países que integram
a zona do euro chegaram a um acordo sobre um segundo pacote de
socorro à Grécia e também sobre
alterações na EFSF. Assim que o
acordo for ratificado pelos Parlamentos dos países do bloco monetário, a EFSF será capaz de comprar
bônus no mercado secundário, emprestar para países antes que seja
preciso resgatá-los e recapitalizar
bancos da região em dificuldade.
“O presidente da República e a
chanceler reiteram que a resoluta
implementação das decisões tomadas na cúpula de 21 de julho permitirão que as atuais dificuldades enfrentadas pela zona do euro sejam
superadas”, informou a assessoria
de imprensa de Sarkozy por meio
de nota depois de uma conversa entre ele e Merkel por telefone.
Os dois pediram aos demais
países da zona do euro que sigam
adiante na busca pela ratificação
das reformas pelos Parlamentos
nacionais o mais rápido possível.
A assessoria de imprensa de
Sarkozy também confirmou que
ele se reunirá com o primeiroministro da Grécia, George
Papandreou, hoje ao meio-dia
(hora de Brasília) em Paris.
&RQYHUVDFRPWURLFDIRLSRVLWLYDGL]IRQWH
A Grécia concluiu ontem a
primeira rodada de reuniões presenciais com a troica de inspetores internacionais que avalia as
medidas adotadas pelo país para
reduzir o déficit orçamentário.
Segundo uma autoridade do Ministério das Finanças, as conversas foram “positivas”.
“Nós estamos satisfeitos, porque as conversas foram realizadas
em um ambiente positivo e criativo, após as difíceis decisões que
foram tomadas e os sacrifícios
feitos pelo povo da Grécia”, comentou a fonte do ministério, que
pediu para não ser identificada.
Os representantes da troica formada por Comissão Europeia,
Fundo Monetário Internacional
(FMI) e Banco Central Europeu
(BCE) - devem continuar suas
reuniões com o ministro de Finanças, Evangelos Venizelos, e
outras autoridades do governo
grego nos próximos dias, disse
a fonte ouvida pela Dow Jones,
sem dar mais detalhes.
AVIAÇÃO
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YHQGHPDLV
FLQFRMDWRVj
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A Embraer e a Deutsche Lufthansa AG assinaram contrato ontem para a compra de mais cinco
jatos Embraer 195 (E195). As aeronaves serão operadas pela empresa italiana Air Dolomiti, com
sede na cidade de Verona, empresa parceira da Lufthansa. O valor
do negócio, referido a preço de
lista, é de US$ 226 milhões. O início das entregas está programado
para o segundo semestre de 2012.
A Air Dolomiti opera atualmente cinco E195. As aeronaves
adicionais dobrarão a frota de EJets da Air Dolomiti. Atendendo
à crescente demanda na Europa,
os novos aviões serão utilizados
para adicionar voos em rotas domésticas e aumentar a frequência de voos entre Verona e o centro de operações da Lufthansa
em Munique, na Alemanha.
Os E195 serão configurados
com o assento ergonômico Slim
Seat Plus, que,oferece o mesmo
nível de conforto, mas tem menor peso, ajudando na redução do
consumo de combustível. A encomenda adicional garantirá o desenvolvimento da frota de médio
alcance, segundo o vice-presidente executivo de Gerenciamento de
Frotas do Grupo Lufthansa, Nico
Buchholz. “Este é o próximo passo
em nossa estratégia de modernização da frota no sentido de reduzir
consumo de combustível, custos
operacionais, ruído e emissão de
poluentes”, disse.
Altos representantes da troica voltaram ontem para Atenas,
após um intervalo de quatro semanas, para avaliar se o país poderá receber a próxima parcela
do primeiro pacote internacional de resgate. Recentemente
o governo grego anunciou uma
série de medidas de austeridade, incluindo demissões no setor
público, novos impostos sobre os
contribuintes que ganham menos e cortes adicionais nas aposentadorias. Sem a nova tranche,
a Grécia ficará sem dinheiro
para pagar suas obrigações em
meados de outubro.
Após se encontrar ontem
com a chanceler alemã, Angela
Merkel, o primeiro-ministro da
Grécia, George Papandreou, foi
para Varsóvia (Polônia), onde
se reunirá com o presidente
do Conselho Europeu, Herman
Von Rompuy hoje. Depois o líder grego vai a Paris, para um
encontro com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.
Claudia Violante, Alessandra Taraborelli e Márcio Rodrigues
Da Agência Estado
A Bolsa de Valores de São
Paulo (Bovespa) garantiu pequena alta no final da sessão, depois
de um dia bastante volátil. Pela
manhã, operou em alta e, à tarde, mudou o comportamento e
ameaçou fechar nos 52 mil pontos
pela primeira vez em setembro.
Foi a forte recuperação das bolsas
norte-americanas que levou os investidores a se reposicionarem na
compra e, assim, garantir o terceiro pregão no azul nesta semana.
O Ibovespa terminou a sessão
em alta de 0,21%, aos 53.384,67
pontos. Na mínima, registrou
52.849 pontos (-0,79%) e, na máxima, os 54.207 pontos (+1,76%).
No mês acumula perda de 5,51%
e, no ano, de 22,97%. O giro financeiro totalizou R$ 5,283 bilhões.
Na avaliação do gestor da Yield
Capital, Hersz Ferman, a Bovespa
tem acompanhado o mercado externo, onde as incertezas têm sido
o fio condutor dos negócios. “E lá
fora o mercado está operando em
cima de boataria política. Nada é
conclusivo e o mercado fica muito
volátil”, comentou.
A Bovespa sentiu ontem o peso
de Vale, que sofreu os efeitos da notícia de que as siderúrgicas chinesas
ameaçam reduzir importação de minério. Vale ON terminou em queda
de 0,61%, e a PNA, de 1,18%.
No geral, o mercado foi favorecido pela aprovação, por parte
do Parlamento Alemão, das mudanças na Linha de Estabilidade
Financeira Europeia (EFSF, em
inglês), além de bons indicadores na Europa e também nos
EUA. Os parlamentos do Chipre
e da Estônia também aprovaram
mudanças na EFSF.
O índice pan-europeu Stoxx
600 subiu 0,66%, para fechar em
228,90 pontos. Ajudado pelos
bancos, o índice DAX 30 subiu
1,1% na Bolsa de Frankfurt, fechando em 5.639,58 pontos. Na
Bolsa de Paris, o CAC 40 avançou 1,07%, para 3.027,65 pontos.
Já o FTSE 100, da Bolsa de Londres, fechou em queda de 0,40%,
em 5.196,84 pontos. As ações
de mineradoras caíram: Xstrata
caiu 3,9%, Fresnillo recuou 4,5%
e Rio Tinto cedeu 3%.
Nos EUA, as bolsas passaram o
dia num movimento de vaivém. O
Dow Jones acabou fechando com
ganho de 1,30%, aos 11.153,98
pontos, o S&P avançou 0,81%, aos
1.160,40 pontos, e o Nasdaq caiu
0,43%, aos 2.480,76 pontos. Os indicadores conhecidos foram positivos,
entre eles a alta acima do previsto
do PIB do segundo trimestre (+1,3%
ante previsão de +1,2%) e o número
de pedidos de auxílio-desemprego
(queda de 37 mil ante previsão de -3
mil) na última semana.
Na Nymex, o contrato do petróleo para novembro subiu 1,14%, a
US$ 82,14 o barril. No Brasil, Petrobras ON fechou em baixa de
0,47% e a PN subiu 0,26%.
Câmbio - O dólar balcão fechou em alta ontem a R$ 1,8520,
com ganho de 1,2% - esta é a
maior cotação desde 22 de setembro, quando a moeda atingiu
a máxima do ano e o BC voltou a
atuar no mercado de câmbio via
swap cambial. Na mínima, a divisa atingiu R$ 1,8250 e, na máxima
R$ 1,8540. Com a valorização de
ontem, a moeda dos EUA acumula ganho de 16,19% no mês e de
11,3% no ano e é, de longe, o melhor investimento nos períodos.
Na BM&F, o dólar pronto fechou na máxima, a R$ 1,8489
(+1,30%). A mínima foi de R$
1,8265. O giro total à vista até
16h44 na clearing de câmbio era
de US$ 2,889 bilhões, dos quais
US$ 2,133 bilhões em D+2.
No mercado futuro, no mesmo
horário, o dólar outubro de 2011
avançava 0,60%, a R$ 1,851, com
giro financeiro de US$ 18,633 bilhões, de um total de US$ 19,853
bilhões, com quatro vencimentos negociados todos em alta.
Juros - Ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro
de 2012 (278.380 contratos) estava em 11,18%, nivelado ao ajuste. O DI janeiro de 2013 marcava
10,47%, de 10,41% na véspera,
com giro de 476.340 contratos.
O DI janeiro de 2014 (98.870
contratos) subia a 10,88%, de
10,82% no ajuste. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (30.050
contratos) indicava 11,33%, ante
11,34%, e o janeiro 2021 (1.490
contratos) permanecia nivelado
ao ajuste, em 11,35%.
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A Dell lançará hoje, na China,
na véspera do feriado prolongado
(o Golden Week), seu mais novo
notebook, o XPS 14z. O computador tem tela de 14 polegadas, é
bastante fino e revestido por uma
camada de alumínio. A duração da
bateria é de cerca de sete horas.
Segundo a Dow Jones, o que
deve chamar a atenção dos consumidores é a similaridade com
a linha de laptops MacBook Pro,
da Apple. A Dell disse que não
busca seguir os modelos da Apple ou criar o tão falado “ultrabook”, desenvolvido pela Intel.
O ultrabook é uma definição da
Intel para uma categoria de notebooks leves e finos.
A Dell afirmou que procura
oferecer o que chama de “o mais
fino laptop do mundo com todas
as funções”, primeiro visando ao
rápido crescimento do mercado
de PCs na China e atraindo consumidores mais sofisticados.
“Esta é uma máquina de alta
performance que pode fazer coisas que produtos do tipo ultrabook sofreriam para realizar”,
disse Ed Boyd, vice-presidente de
design de produtos de consumo
na Dell. “Quando você compara
este (laptop) com outros produ-
tos que estão no mercado, não há
nada neste tamanho com essa capacidade de desempenho.”
O novo laptop tem recursos sofisticados e processadores gráficos
da Intel e Nvidia. Além disso, possui um drive ótico, não incluso em
muitos outros laptops finos.
A companhia não falou em preço, mas a configuração mais básica
provavelmente vai custar acima de
US$ 999. Após o lançamento na China, o laptop estará disponível para o
resto do mundo. A escolha da China
se dá, segundo a Dell, porque o país
é o maior mercado do mundo para
laptops com tela de 14 polegadas.
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A agência de classificação
de risco Standard & Poor’s elevou ontem o rating da General
Motors em dois graus, para BB+,
apenas um nível abaixo do grau
de investimento. A perspectiva é
estável. Paralelamente, a agência colocou outra montadora
norte-americana, a Ford, em revisão para possível elevação.
Segundo a S&P, o rating da
GM foi beneficiado por um novo
acordo de quatro anos com o
sindicato United Auto Workers
(UAW), ratificado ontem. “O
acordo vai permitir uma contínua rentabilidade e geração de
caixa na América do Norte”, diz
a agência por meio de um comunicado. A montadora deve manter o bom desempenho mesmo
se o mercado nos Estados Unidos não se recuperar significativamente, acrescenta.
Para a Ford, a S&P disse que
o rating BB- pode ser elevado
para BB+. Segundo a agência, a
melhora no rating se concretizará se a montadora conseguir
resolver as negociações trabalhistas de uma maneira que não
a coloque em desvantagem em
relação à GM. A S&P lembra que
a Ford registra lucro e geração
de fluxo de caixa positivo há dois
anos nas suas operações globais.
Sabrina Valle
Da Agência Estado
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) negou acordo com
quatro acusados por uso de informações privilegiada em operações com ações da Sadia em
2008. As transações supostamente ilegais precederam a divulgação do fato relevante em que a
companhia admitia perdas milionárias em arriscadas apostas
com derivativos cambiais. Teria
havido vazamento de informações para um grupo de antigos
administradores da companhia.
Os acusados apresentaram propostas de termo de compromisso
entre R$ 2 mil e R$ 56 mil para
encerrar o processo sem presunção
de culpa, mas o colegiado da CVM
entendeu que o caso merece julgamento. O rombo com derivativos
chegou a R$ 2,5 bilhões. Num
processo em separado ligado às
mesmas operações, a CVM condenou no ano passado dez ex-administradores da Sadia a pagar
entre R$ 200 mil e R$ 400 mil à
autarquia, ou à inabilitação. Eles
foram responsabilizados pelas
operações que botaram a sobrevi-
vência da empresa em risco.
A acusação em questão agora
é outra. A CVM apura se 11 investidores, alguns com passagem nos
quadros da empresa, operaram no
mercado de posse de informação
privilegiada. A suspeita é que estas pessoas sabiam do rombo que
estava por vir e foram ao mercado
para se beneficiar da informação.
As operações investigadas envolveram o anúncio formal, em 28
de setembro de 2008, em que a Sadia admitia em fato relevante um
rombo inicial de R$ 760 milhões. A
companhia reconheceu na ocasião
que realizou operações ligadas a variação do dólar acima do que a empresa precisava para se proteger.
Foram acusados Alberto
Stringhini, Alberto Zuzzi, Clube
PrimoInvests de Investimentos,
Daniel Antunes de Azevedo, Élvio de Oliveira Flores, Family
Trust Clube de Investimentos,
Hugo Saito, Juliano Zandonai,
Naci Lucia Panzera Forner, Octaviano Zandonai e Octaviano
Zandonai & Cia Ltda.
Tiveram proposta Daniel Antunes de Azevedo, Family Trust Clube
de Investimentos, Clube Primoinvests de Investimentos e Hugo Saito.
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Sexta-feira, 30 de setembro de 2011
PAÍS
PROJETO
Anistia sofre revés na Câmara
Comissão de Relações Exteriores da Casa rejeita dois projetos. Proposta segue tramitando e vai à CCJ e ao plenário
Eduardo Bresciani
Da Agência Estado
A tentativa de parlamentares
defensores da punição de torturadores de rever a Lei da Anistia sofreu um revés na Câmara
dos Deputados. A Comissão de
Relações Exteriores da Casa rejeitou ontem dois projetos que
tratam do tema. A proposta segue tramitando e irá ainda à Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ) e ao plenário, mas o parecer contrário torna mais difícil
transformar a ideia em lei.
As propostas foram apresentadas ao Congresso neste ano
pelos deputados Luiza Erundina (PSB-SP) e Chico Alencar
(PSOL-RJ). Eles desejam editar
uma norma legal determinando
que crimes cometidos por agentes públicos contra pessoas que
combateram a ditadura militar
não estão não se incluem no conceito de “crimes conexos” dispostos na Lei da Anistia.
O tema foi debatido no ano
passado pelo Supremo Tribunal
Federal (STF) e o resultado foi
de que os crimes praticados por
agentes públicos estão anistiado pela lei. Para Erundina, porém, o julgamento não encerra o
debate e o Congresso teria o po-
APOIO
PSD recusa convite
de Vaccarezza
Eugênia Lopes e
Denise Madueño
Da Agência Estado
Ainda sem quinhão na Esplanada, o apoio do PSD ao governo
Dilma Rousseff não será automático. Convidado a participar
da reunião semanal de partidos
aliados na Câmara, o líder do
novo partido, deputado Guilherme Campos (SP), fez questão
de declarar que a sigla “nasce
independente”. A expectativa
do PSD é formar uma bancada
entre 55 e 60 deputados, dois
senadores e lançar candidatos
a vereador em todos os municípios nas eleições de 2012.
“A simbologia de estar participando de uma reunião da base
destrói qualquer discurso”, argumentou hoje Campos, ao recusar o convite do líder do líder do
governo na Câmara, deputado
Cândido Vaccarezza (PT-SP). Segundo o petista, o governo avaliou positivamente a criação do
PSD. “A maioria que formou o
PSD votou favorável ao governo
em boa parte dos temas propostos. A minha expectativa é que o
partido venha a compor a base
do governo”, disse Vaccarezza.
O partido do prefeito Gilberto
Kassab ainda não fez uma projeção do número de candidatos a
prefeito que deverá disputar as
eleições municipais, segundo informou Campos. “Qualquer número neste momento é chute. A
procura pelo partido cresceu muito nos últimos dois dias”, afirmou
o líder da nova sigla. Na terça-feira, a Justiça Eleitoral deu o aval
para a criação formal do PSD.
Com a concessão do registro, o PSD se transformou em
um pólo de atração grande para
políticos que estão insatisfeitos com seus partidos e podem
mudar de legenda sem correr
o risco de perder o mandato.
Quem quiser ser candidato em
2012 precisa se filiar até 7 de
outubro. Mas os detentores de
mandato que não concorrerão
têm 30 dias para aderir ao novo
partido sem risco de cassação.
“O PSD foi mais do que uma
janela para quem quer trocar
de partido; foi uma porta”, resumiu o líder do PMDB, deputado
Henrique Eduardo Alves (RN).
Ele defendeu que a reforma política abra uma brecha e permita
a troca de partido sem punição.
A ideia é que a mudança de legenda possa ser feita nos quatro meses anteriores à eleição.
“Não podemos obrigar ninguém
a ficar eternamente em um partido”, justificou o peemedebista.
O PT é, no entanto, contrário
à chamada “janela da infidelidade” Relator da reforma política, o deputado Henrique Fontana (PT-RS) garantiu que não
vai abrir brechas para permitir
a troca de partido. “Não coloco
essa janela no meu relatório. Há
180 dias que se fala nisso, mas
não coloco”, garantiu. “O PT não
está de acordo com essa janela”,
completou o líder do partido na
Câmara, Paulo Teixeira (SP).
IMPOSTO DA SAÚDE
‘Não queremos
fazer demagogia’
Carolina Pimentel
Da Agência Brasil
Não é o momento para criar
um imposto para financiar a saúde pública, disse ontem o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto
Carvalho. Segundo ele, o lema
do governo federal é desonerar,
estimular o crescimento da economia e controlar a inflação.
“A presidente Dilma não
quer pressa nessa história”,
disse Carvalho, após a abertura
do 1º Fórum da Sociedade Civil
da Comunidade dos Países de
Língua Portuguesa (CPLP), no
Palácio do Planalto. “Ela quer
que toda medida seja tomada
com maturidade. Não é o momento de falarmos em novos
impostos, dada situação que o
país se encontra, delicada, no
contexto internacional. Estamos indo bem, estamos confiantes, mas não brincaremos.”
Segundo Carvalho, o governo não terá condições de “dar
conta”, caso os senadores decidam resgatar o projeto original
de regulamentação da Emenda
29, que trata dos recursos para
a saúde. Aprovado em 2008, o
texto original, do então senador
Tião Viana (PT-AC), prevê que a
União deve destinar 10% das receitas correntes brutas ao financiamento da saúde pública.
“O governo, naturalmente, espera que o Senado tenha responsabilidade. Agora, para o País,
seria péssimo. Não temos condições de dar conta e não queremos fazer demagogia. Temos que
agir com responsabilidade. Estamos fazendo a nossa parte, otimizando ao máximo os recursos
da saúde”, assinalou o ministro.
O projeto aprovado na Câmara dos Deputados, que agora tramita no Senado, mudou o
repasse obrigatório da União
para um valor equivalente ao
previsto no Orçamento do ano
anterior para a saúde mais a
variação do Produto Interno
Bruto (PIB) daquele ano.
O ministro criticou a oposição por causa da extinção da
Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).“A saúde do Brasil
hoje estaria bem melhor e não
teríamos os problemas que tivemos ao longo dos anos.”
der para mudar a legislação. Ela
destaca que o País já foi condenado pela Corte Interamericana
de Direitos Humanos por não
ter punido torturadores.
O relator, Hugo Napoleão
(DEM-PI), porém, argumentou
em seu voto ter havido um pacto entre as forças políticas na
época em favor de uma “anistia
ampla, geral e irrestrita”. Ele
ressaltou ainda não ser possível
produzir uma lei nova para punir crimes do passado.
A votação dos projetos aconteceu de forma simbólica e depois de o governo evitar o debate
em reuniões anteriores para que
não existisse contaminação na
votação da Comissão da Verdade,
aprovada pela Câmara semana
passada. Os governistas, que evitaram a possibilidade de votação
nominal, foram fundamentais
para a rejeição do projeto.
Para o deputado Chico Alencar o resultado retrata a dificuldade para mudar a legislação
sobre o tema. “Acho que significou que do ponto de vista do Legislativo a interpretação do Supremo que os torturadores são
inimputáveis foi referendada.
Foi um sinal que as condições
de aprovação deste projeto na
Câmara são precárias”, afirmou
o deputado, descrente com as
perspectivas do próprio projeto.
Durante a sessão, os parlamentares governistas procuraram enfatizar que o governo já
está tratando da questão dos
crimes cometidos durante o regime militar por meio da Comissão
da Verdade, que vai investigar
violações aos direitos humanas
acontecidas entre 1946 e 1988.
O vice-líder do PT, Jilmar Tatto
(SP), leu, na sessão, um texto destacando já haver manifestação
do Supremo sobre o tema e observando que a Comissão da Verdade já é uma medida efetiva sobre o período do regime militar.
Chico Alencar atribui o fato
de o PT e deputados que combateram o regime terem ficado contrários à revisão da Lei da Anistia mostra a um possível “medo”
em relação aos militares. Jair
Bolsonaro (PP-RJ), parlamentar
ligado às Forças Armadas, no entanto, acredita que os governistas
agiram apenas com estratégia ao
derrubar o projeto. Para ele, a intenção da Comissão da Verdade é
justamente abrir uma porta para
punir militares no futuro. “Daria
muito na cara o governo aprovar
este projeto da Erundina agora
porque ia entregar que a Comissão da Verdade é para retaliar”.
REGRAS ESPECIAIS
Dilma assina MP para
desonerar indústria da defesa
José Cruz / ABr
Tânia Monteiro
Da Agência Estado
A presidente Dilma Rousseff
assinou Medida provisória estabelecendo regras especiais para
compra e contratação de produtos e sistemas de defesa do País,
além de criar regime especial
de tributação para empresas do
setor, reduzindo delas impostos
como IPI, PIS/Pasep e Cofins.
Para ter direito à desoneração
dos tributos, as empresas estratégicas de defesa e as que participam da cadeia produtiva dos chamados produtos estratégicos de
defesa terão de obter um registro
no Ministério da Defesa. Segundo
a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército,
186 empresas estão capacitadas
para se beneficiar do novo regime.
O Palácio do Planalto, no entanto, não distribuiu o texto da
Medida Provisória ou explicou
de quanto será a desoneração
dos impostos para as indústrias
de defesa. Um dos textos distribuídos pelo governo informa
apenas que as isenções tributárias serão concedidas por cinco
anos aos projetos submetidos
e aprovados pelo Ministério da
Defesa. Diz ainda que, para se
candidatarem ao regime tributário especial, as empresas
deverão preencher requisitos
Dilma: “pilar” para a Estratégia Nacional de Defesa
previstos na norma, tais como
terem sua sede ou unidade industrial no Brasil. Dentro de
pelo menos 30 dias, será publicada ainda uma regulamentação para o credenciamento das
empresas estratégicas se candidatarem ao benefício.
O presidente da Associação
Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança
(Abimde), Orlando José Ferreira Neto, com o fortalecimento
desta indústria, no prazo de pelo
menos 12 anos, o Brasil poderá
passar a exportar US$ 10 bilhões por ano. Hoje, a exportação do setor é da ordem de US$
1 bilhão. A Abimde estima ainda
que as novas regras poderão le-
var à geração de 23 mil empregos diretos e 90 mil indiretos.
Pilar - Em cerimônia no Palácio do Planalto, após assinar a
Medida Provisória, a presidente
Dilma disse que essa proposta se
tornará um “pilar” para a Estratégia Nacional de Defesa. “Sem
esta política, o plano não fica de
pé”, afirmou Dilma, acrescentando que “não tem dúvida de que
o poder de compra do Estado vai
agir como elemento propulsor
desta indústria”. Segundo ela,
“nas compras públicas, poderá ser
dada preferência a bens e serviços
nacionais”, trazendo benefícios
não só às Forças Armadas, mas
para diversos outros setores como
o Plano Nacional de Banda Larga.
A presidente anunciou também que este projeto é importante
porque além de servir para incentivar e firmar a indústria nacional
de defesa, ela vai servir para que o
País obtenha uma balança comercial mais equilibrada nesta área.
Após se referir ao discurso do presidente da Abimde que comentou
que o Brasil quer deixar de ter o
papel de quem busca offset quando compra produtos, para passar a
ser um “pagador de offset”, a presidente Dilma lembrou que não se
pode mais ficar comprando sem
transferência de tecnologia.
O ministro da Defesa, Celso
Amorim, por sua vez, disse em seu
discurso que o benefício que está
sendo concedido com a redução
de impostos “não irá onerar o contribuinte” porque estará sendo
oferecido um preço menor pelo
produto. Segundo Amorim, o incentivo permitirá um maior apoio
à inovação e à tecnologia. “Hoje
é um dia histórico para a área de
indústria estratégica de defesa”,
afirmou o ministro. Mais cedo, em
audiência no Senado, o ministro
Amorim declarou que, embora a
medida não trate especificamente
da indústria têxtil, ela permitirá,
pela regra da preferência de compras de produtos nacionais, que
o Exército volte a comprar seus
uniformes no Brasil e não mais na
China.
Amorim: compra de caças é fundamental
A compra de caças para a Força Aérea Brasileira (FAB) é considerada fundamental e urgente
pelo ministro da Defesa, Celso
Amorim, mas ainda não foi discutida “em profundidade” com a
presidenta Dilma Rousseff.
Amorim, que participou ontem de audiência na Comissão de
Relações Exteriores do Senado,
destacou a relevância do assunto
devido ao estado dos caças Mirage que país detém e do tempo que
as empresas que produzem os aviões levam para entregá-los.
“Até o final de 2013, nenhum
dos 12 Mirages que estão em
Anápolis estará em condição
de atuar plenamente. É algo realmente muito urgente, muito
importante. A necessidade de
defesa da Amazônia, das fron-
teiras, impõe que nós tenhamos
uma aviação de caças adequada”, afirmou Amorim.
Apesar disso, o ministro disse que falou apenas superficialmente sobre o assunto com a
presidenta. Amorim ressaltou
ainda que os aviões não serão escolhidos apenas pelo preço, por
considerar que “em defesa, o
barato sai caro”. A transferência
de tecnologia, já colocada como
requisito na escolha dos caças,
será fator determinante.
“Há atenção prioritária à
transferência de tecnologia.
Não apenas a promessas de
transferências de tecnologia,
mas a questões contratuais e à
presença de empresas brasileiras no processo de transferência”, explicou o ministro.
Satélite deve ser lançado em 2014
Eduardo Rodrigues
Da Agência Estado
A presidente Dilma Rousseff aprovou o cronograma para o
lançamento do satélite geoestacionário do governo em 2014,
informou o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.
Segundo ele, o próximo passo
será decidir entre a compra no
exterior do satélite finalizado ou a montagem do equipa-
mento no Brasil. O orçamento
disponível até a data do lançamento é de R$ 716 milhões.
Segundo Bernardo, porém, o
prazo curto para que o satélite
seja colocado em órbita pode dificultar a sua montagem no País.
Se o Brasil não lançar o equipamento até o fim de 2014, corre o
risco de perder a posição orbital
que lhe foi reservada pela União
Internacional de Telecomunicações (UIT). “Se necessários, po-
C
U
R
demos até tentar negociar uma
prorrogação, mas em tese teríamos que voltar para o fim da
fila”, completou o ministro.
Esse primeiro satélite geoestacionário será voltado principalmente para a área de telecomunicações, participando do Plano
Nacional de Banda Larga (PNBL).
Mas parte dele - entre 15% e 20%
da capacidade total - será direcionado para uma frequência a ser
operada pelas Forças Armadas.
T
A
Outro satélite geoestacionário,
que também será voltado para pesquisas meteorológicas, está previsto para ser lançado em 2018 “Nós
vamos fazer uma prospecção no
mercado para saber se é possível
fazer algumas etapas aqui, como
a montagem. Para isso poderemos
inclusive nos associar com empresas privadas que tenham condição
de nos ajudar. A ideia é desenvolver no Brasil capacidade montar os
satélites”, acrescentou o ministro.
S
Lula doa prêmio Lech Walesa
de US$ 100 mil a país africano
Casa do delator do mensalão do
DEM-DF é arrematada por R$ 3,5 mi
Ao receber ontem o prêmio Lech Walesa, na Polônia, o ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que decidiu doar os US$ 100 mil
a um país africano. O país que receberá o valor será escolhido pelos
diretores do Instituto Lula e pelos membros da fundação criada por
Walesa. Lula também se encontrou em Gdansk com o sindicalista
e ex-presidente polonês. Walesa, que recebeu o Prêmio Nobel da
Paz, lembrou que quando conheceu Lula, em 1980, acreditou que
estavam em caminhos diferentes.
Por R$ 3,5 milhões, a construtora Dharma, de Minas Gerais, arrematou
ontem, em leilão público, determinado pela 5ª Vara Criminal de
Brasília, a mansão do ex-secretário de Relações Institucionais do
governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, delator do esquema de
corrupção, batizado de mensalão do DEM, desmantelado em 2009
pela Operação Caixa de Pandora. O valor corresponde a menos de
1% dos R$ 540 milhões que o esquema teria desviado em dez anos,
segundo cálculo preliminar do Ministério Público.
JUSTIÇA
Mônica Gusmão
Questão
de Justiça
[email protected]
Sociedades em nome
coletivo: as Bahamas
não são no Brasil!
s sociedades em nome coletivo, chamadas de tipos
societários menores, foram recepcionadas pelo
atual Código Civil. Mais uma vez não tenho fingir
que está tudo certo. Sinto-me obrigada a, no mínimo, provocar o debate para reflexão.
O art. 1.030 do Código Civil dispõe que nas sociedades em nome coletivo, os sócios só podem ser pessoas
físicas e assumem expressamente responsabilidade ilimitada. Pergunta que não quer calar: por que motivos os
sócios optariam por assumir responsabilidade ilimitada
e colocar em risco todo o seu patrimônio pessoal, no caso
de a sociedade não cumprir suas obrigações? Não há utopia nem altruísmo que expliquem.
É certo que a maioria esmagadora das sociedades
opta pela adoção do tipo limitada. Algum benefício deve
existir para que os sócios renunciem à segurança ofertada pela lei e optem por um modelo radical. Talvez, quem
sabe, não viveram toda a fase de infância e adolescência
e queiram sofrer fortes emoções como sócios de sociedade em nome coletivo. Quem sabe?
A
O art. 1.043 do Código Civil dispõe que:
Art. 1.043. O credor particular de sócio não pode, antes de dissolver-se a sociedade, pretender a liquidação
da quota do devedor.
Parágrafo único. Poderá fazê-lo quando:
I - a sociedade houver sido prorrogada tacitamente;
II - tendo ocorrido
prorrogação contratual,
As Bahamas
for acolhida judicialmente oposição do credor,
decididamente não
levantada no prazo de noventa dias, contado da puficam aqui, pois os
blicação do ato dilatório.
honestos lutarão
A partir da leitura do
artigo citado, fica mais
fácil entender o motivo
da confusão do local geisto não aconteça.
ográfico das Bahamas. A
lei permite o verdadeiro
Deixemos onde está
calote legal. A sociedade em nome coletivo
para garantirmos
não pode ser obrigada
a liquidar as quotas de
nossas férias
seu sócio, por obrigação
particular contraída com
determinado credor. Explico melhor: uma sociedade em nome coletivo que tenha
no contrato social um prazo determinado, não pode ser compelida por credor particular de sócio a ter que liquidar suas
quotas para satisfação do crédito. Sé o patrimônio pessoal
do sócio-devedor for unicamente integrado pelas quotas
que detém na sociedade, o credor terá que esperar a dissolução da sociedade para tentar satisfazer o seu crédito.
Tem pior: sócios “decidem constituir” uma sociedade
em nome coletivo, transferem todo o seu patrimônio para
esta sociedade, e em seguida, constituem uma sociedade
limita. O requinte vem agora: quando a sociedade limitada sofrer ação proposta por credor em razão do descumprimento de obrigação social, o autor da pretensão ficará
sem satisfazê-la, pois a sociedade não terá patrimônio que
suporte a execução. Algum leitor deve estar pensando
que não é bem assim, pois a teoria da desconsideração
da personalidade jurídica poderia ser invocada. Perfeito!
Pergunto: se aplicada onde está o patrimônio do sócio? Na
sociedade em nome coletivo! É a blindagem patrimonial
autorizada pela lei. É a festa dos caloteiros!
Não pode ser assim! Todo o glamour da fase de drogas,
sexo e rock and rol já passou. O direito não pode jamais acobertar situações antijurídicas. Entendo que o credor pode
pedir a aplicação da teoria invertida para buscar os bens
que foram transferidos indevidamente para a sociedade em
nome coletivo com o único propósito de fraudar credores.
Concordo que esta regra nos faz repensar sobre a posição
geográfica das Bahamas, mas jamais poderemos consentir
que a lei seja acobertadora de situações antijurídicas.
Em resumo: as Bahamas decididamente não ficam aqui,
pois os honestos lutarão até o final para que isto não aconteça. Deixemos onde está para garantirmos nossas férias.
até o final para que
Mônica de Cavalcanti Gusmão é doutoranda em Direito Civil (Portugal),
pós graduada em Direito Empresarial, professora de MBA da FGV e IBMEC,
coordenadora do Ensino à Distância da ESAJ – Escola de Administração
Judiciária do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, autora de
diversos livros, pareceres e artigos.
C
U
R
T
A
Parentes das vítimas do acidente
da Gol se queixam da impunidade
O acidente na Amazônia entre um avião da Gol e um jato Legacy,
fabricado pela Embraer, que resultou na morte de 154 pessoas,
completou ontem cinco anos. Parentes e amigos das vítimas
ainda sofrem com a tragédia. Para a diretora da Associação
dos Familiares das Vítimas do Voo Gol 1907 Rosane Gutjahr, é
revoltante ver que os pilotos estão impunes. No dia 29 de setembro
de 2006, o jato Legacy, pilotado pelos americanos Joseph Lepore
e Jan Paul Paladino, se chocou com o avião Boeing, da Gol. Os
destroços do avião foram encontrados no dia seguinte, na Serra do
Cachimbo, na divisa do Pará com Mato Grosso.
Sexta-feira, 30 de setembro de 2011
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DECISÃO
STF abre processo
contra Maluf e família
Ministério Público aponta envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro
Mariângela Gallucci
Da Agência Estado
O Supremo Tribunal Federal
(STF) abriu ontem um processo
criminal contra o deputado federal e ex-prefeito Paulo Maluf
(PP-SP), a mulher dele, Sylvia,
quatro filhos do casal e mais dois
parentes por suspeita de lavagem
de dinheiro. O Ministério Público
Federal sustentou que a família
se envolveu num esquema de lavagem de recursos desviados de
obras públicas da época em que
Maluf administrou a capital.
Como consequência da decisão,
Maluf e os parentes passarão da
condição de investigados para a de
réus. O ex-prefeito e a mulher ficaram livres da acusação de formação de quadrilha porque, segundo
os ministros, em razão da idade
deles já ocorreu a prescrição. Mas
os outros também responderão por
formação de quadrilha.
Relator do processo, o ministro Ricardo Lewandowski destacou os valores “astronômicos”
dos supostos desvios. Ele citou
que o prejuízo ao erário foi de
cerca de US$ 1 bilhão. Também
disse que há informações de que
a família Maluf teria movimentado no exterior cerca de US$
900 milhões, valor superior ao
Produto Interno Bruto (PIB) de
muitos países, como Timor Leste, Guiné Bissau e Granada.
Águas Espraiadas - O ministro destacou que o total de
recursos consumidos com a obra
da avenida Águas Espraiadas
foi de R$ 800 milhões. Mas que
as suspeitas são de que cerca
de US$ 1 bilhão teriam sido lavados. Além dos valores altíssimos, o ministro mostrou ter ficado surpreso com o fato de o caso
envolver mais de uma dezena
de empresas off shore.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusou
membros da família Maluf de
envolvimento com crimes de lavagem de dinheiro e formação de
quadrilha. De acordo com ele, a
maioria dos recursos foi desviada
da construção da avenida, que,
segundo o procurador, consumiu
a quantia “absurda” de R$ 796
milhões. Na época das obras Maluf era prefeito de São Paulo.
“O que está provado nos autos,
fartamente, é que integrantes da
família Maluf uniram-se em torno do objetivo comum de ocultar
e dissimular a origem de valores
provenientes de crimes contra a
Administração Pública praticados
por Paulo Maluf enquanto exerceu o mandato de prefeito de São
Paulo”, disse o procurador.
Gurgel tentou convencer os ministros do STF de que o crime de
lavagem de dinheiro é permanente e continuado. “Na verdade, os
acusados foram denunciados por
fatos que ocorreram entre 1993 e
2002. Sabemos que a lavagem de
dinheiro é definida como crime
permanente, cuja consumação
prolonga-se no tempo enquanto os
bens, valores e direitos estiveram
dissimulados e ocultos”, disse. As
defesas alegavam que não poderia
ter ocorrido a acusação por lavagem de dinheiro já que a lei é de
1998, ou seja, anterior aos fatos.
O procurador afirmou que
a investigação não foi feita diretamente pelo Ministério Público Federal. “As provas foram
obtidas em inquérito policial e
por intermédio de cooperação
internacional”, disse.
Gurgel disse que ocorreram três
fases no processo de lavagem de
dinheiro. A primeira foi a de captação ou ocultação mediante o recebimento de recursos provenientes
especialmente da construção da
avenida, que foi concluída em 2000.
A segunda envolveu a entrega
dos valores supostamente ilícitos a um doleiro, que fez remessas para uma conta bancária em
Nova York. De lá o dinheiro foi remetido para contas de fundos de
investimento na ilha Jersey.
A terceira fase foi a de integração, de acordo com o procurador.
Ela ocorreu quando os fundos de
investimento constituídos na ilha
Jersey usaram os recursos para
adquirir debêntures e ações da
empresa Eucatex, de propriedade da família Maluf. Dessa forma,
o dinheiro foi lavado e retornou
ao Brasil, segundo o procurador.
FICHA LIMPA
Organizações ainda cobram
constitucionalidade da lei
No dia em que se completa
um ano da Lei da Ficha Limpa,
parlamentares da Frente Contra
a Corrupção e organizações em
favor do voto limpo se reuniram
na Casa para cobrar do Supremo Tribunal Federal (STF) uma
decisão final sobre a constitucionalidade da matéria.
A Lei da Ficha Limpa proíbe a
candidatura de políticos com condenações na Justiça. No início do
ano, o STF decidiu que a lei não
poderia valer para as eleições gerais de 2010, o que permitiu que
diversos candidatos que haviam
sido eleitos, mas foram barrados
pela nova lei, pudessem assumir
seus mandatos. Agora, o STF deverá decidir se a lei é constitucional e se valerá para as eleições
municipais do ano que vem.
“Temos visto um belo movimento na sociedade, mas a lei
ainda corre risco. Nossa reivindicação aqui é para que a constitucionalidade dela seja declarada
o mais rápido possível”, disse o
presidente da Frente Parlamentar de Combate à Corrupção,
Francisco Praciano (PT-AM).
O deputado Chico Alencar
(PSOL-RJ) considerou “um ab-
CAMPOS
ANTT
Priscilla Mazenotti
Da Agência Brasil
Rosinha faz
vigília na
prefeitura
Ex-governadora do Rio
(2003-2006), Rosinha Garotinho
passou o dia de ontem em vigília na prefeitura de Campos,
protestando contra a decisão da
Justiça que cassou seu mandato
de prefeita da cidade por suposto abuso de poder econômico
nas eleições de 2008.
Até o início da noite de ontem,
aguardava decisão do desembargador federal Sérgio Schwaitzer,
do Tribunal Regional Eleitoral do
Rio (TRE-RJ), relator do mandado de segurança, com pedido de
liminar, ajuizado na véspera para
suspender os efeitos da sentença
da juíza da 100ª Zona Eleitoral de
Campos, Gracia Cristina Moreira
do Rosário, que lhe tirou o cargo.
A magistrada determinou que Rosinha e o marido, ex-governador e
deputado federal Anthony Garotinho (PR), estão inelegíveis por
três anos, a contar de 2008.
Na prefeitura, foi improvisado um acampamento com barracas por seus partidários - alguns
com fitas cor-de-rosa nos braços.
Ela atribuiu a decisão à “perseguição política” e negou as acusações Além de Rosinha e Garotinho, foram condenados com
inelegibilidade o vice-prefeito,
Francisco Oliveira, e os radialistas Fábio Paes, Linda Mara
Silva e Patrícia Cordeiro. No
lugar de Rosinha, assumiria um
aliado, o presidente da Câmara
Municipal, Nelson Nahim - seu
cunhado e irmão de Garotinho.
surdo” pedir ficha limpa para
candidatos. “Se ele se dispõe
a representar a sociedade, tem
de ter alguns requisitos. E os
partidos deveriam ter esse zelo
e não têm. Os corruptos se sentem à vontade em quase todos
os partidos”, disse.
O líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP), disse esperar que
o STF decida favoravelmente à
questão. “Espero que a Lei da
Ficha Limpa possa ser uma baliza para a sociedade civil e objeto
de respeito para os partidos.”
Enquanto o Supremo não
decide a constitucionalidade
da matéria, a Frente Parlamen-
tar se movimenta para cobrar
dos deputados a aprovação de
matérias contra a corrupção.
São 160 projetos que tramitam na casa tratando de temas
como o combate à lavagem de
dinheiro, o fortalecimento da
estrutura de órgãos de fiscalização e a criação de varas para
investigar crimes de corrupção.
A frente pretende, ainda,
propor a criação de uma espécie de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de
Combate à Corrupção. A ideia
é unir Executivo, Legislativo e
Judiciário no enfrentamento a
esse tipo de crime.
MPF no DF suspende
leilão do trem-bala
Sabrina Craide
Da Agência Brasil
A Justiça Federal determinou
a suspensão imediata de qualquer procedimento vinculado à
licitação do trem de alta velocidade (TAV), conhecido como
trem-bala, entre Campinas e Rio
de Janeiro, até a completa regularização do serviço de transporte interestadual de passageiros
em todo o País. A decisão é da
Seção Judiciária do Distrito Federal e acolhe um pedido do Ministério Público Federal no DF.
Segundo a decisão judicial, a
Agência Nacional de Transportes
Terrestres (ANTT) está obrigada
a publicar, até o mês que vem, os
editais de licitação para concessão
de todas as linhas de transporte
rodoviário interestadual e internacional de passageiros com percurso
superior a 75 quilômetros (km). O
prazo está previsto no cronograma
apresentado pela agência à Justiça.
Depois disso, serão necessárias mais três etapas até a completa regularização do serviço,
que deve ser concluída em setembro de 2012. Caso descum-
pra o prazo de qualquer uma das
etapas, a agência terá de pagar
multa diária de R$ 5 mil.
A ANTT informou que irá recorrer. “Enquanto isso, a decisão
judicial será devidamente cumprida”, garantiu a agência reguladora por meio da assessoria.
A decisão da Justiça também
condiciona a liberação do leilão do
trem-bala à apresentação de projeto básico que permita a completa
caracterização da obra. Enquanto
isso, a União fica proibida de repassar recursos para implantação,
concessão ou exploração do TAV.
SANTA TERESA
Reformas nos bondes
deve durar 4 meses
A Justiça determinou que o
Governo do Rio e a Companhia
Estadual de Engenharia de Transporte e Logística (Central) cumpram, no prazo de 120 dias, as
obras de recuperação de trilhos,
reforma de estações e restauração
dos bondes de Santa Teresa.
De acordo com a decisão,
dada pela 3ª Vara de Fazenda
Pública da Comarca da Capital,
entre outras providências, os ór-
gãos deverão executar as obras
previstas no Programa Estadual
de Transportes (PET) para o funcionamento seguro dos bondes.
Deverão também restaurar, no
prazo de 60 dias, os bondes pendentes de reforma e, no prazo de
120 dias, a oficina dos bondes, os
cabos de energia suspensos, a via
permanente de trilhos e o gradil
sobre os Arcos da Lapa; reformar
as estações da Carioca e Curvelo
e remover intervenções irregulares nos trilhos e pavimentos.
A medida foi requerida através
do titular da 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa
do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural, promotor de Justiça
Marcus Leal, após descumprimento do Programa Estadual de
Transportes (PET) e de medidas
judiciais determinadas em Ação
Civil Pública (ACP) de 2008.
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Sexta-feira, 30 de setembro de 2011
RIO
FIRJAN
Exportações aumentam 67%
Alta foi no acumulado dos oito primeiros meses do ano, representando o dobro da média nacional, que ficou em 32%
Alana Gandra
Da Agência Brasil
As exportações fluminenses
cresceram 67% no acumulado
dos oito primeiros meses deste
ano, o dobro da média nacional,
que foi 32%. De acordo com o
boletim Rio Exporta, divulgado
ontem pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro
(Firjan), as vendas fluminenses
para o mercado externo atingiram US$ 20,1 bilhões, igualando
as exportações do ano passado.
“Ou seja, com quatro meses de antecedência, nós já
superamos o ano passado. E
isso abre caminho para o Rio
de Janeiro bater novo recorde
em termos de exportação, em
2011”, disse à Agência Brasil
o gerente de Estudos Econômicos da Firjan, Guilherme
Mercês. Não foram feitas, contudo, projeções para a balança
comercial fluminense no ano
devido ao cenário internacional, que se mantém ainda nebuloso, explicou o economista.
Quatro indústrias contribuíram para o resultado do comércio exterior do estado do Rio no
período analisado. Uma delas é
a indústria metalúrgica, cujas
exportações evoluíram mais de
320%, entre janeiro e agosto,
em função da nova siderúrgica
instalada na capital (a Companhia Siderúrgica do Atlântico),
cuja produção é 100% exportada, principalmente para atender a demanda dos Estados
Unidos e da Alemanha.
Outros destaques são a indústria de material de transporte, relacionada às grandes
embarcações e plataformas de
petróleo, “que vem à esteira da
retomada da indústria naval no
estado”; a indústria metalme-
cânica, que tem dado suporte à
indústria naval “e, sem dúvida,
vai ser um dos grandes propulsores do crescimento do Rio
nos próximos anos”; e o refino
de combustíveis, “que praticamente dobrou as suas exportações em relação ao ano passado”, disse Mercês.
O saldo comercial fluminense
registrou o patamar recorde de
US$ 7,6 bilhões entre janeiro
e agosto. O aumento foi quatro
vezes maior que o de 2010. Com
isso, o Rio de Janeiro passou da
quinta para a terceira posição
entre as maiores contribuições
REDE PÚBLICA
Poupança para alunos
com bom desempenho escolar
Flávia Villela
Da Agência Brasil
O governo do estado do Rio de
Janeiro vai premiar os alunos com
bom desempenho e que sejam
assíduos com uma poupança por
ano letivo concluído. Foi lançado
ontem o Renda Melhor Jovem, programa destinado aos estudantes do
ensino médio das escolas públicas.
O Renda Melhor Jovem pode
chegar a até R$ 4,3 mil ao fim dos
quatro anos de estudo (caso do ensino médio técnico). Mas o aluno
que cumprir as metas pode retirar
o equivalente a 30% do valor depo-
sitado, sempre no fim do ano letivo, se não for reprovado. O Rio está
no penúltimo lugar no ranking do
Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb). O último
lugar é ocupado pelo Piauí.
Na primeira fase do projeto,
serão contemplados com o auxílio
4 mil alunos das cidades de São
Gonçalo, Belford Roxo e Japeri,
municípios do estado com o menor Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH). As famílias dos
estudantes beneficiados já fazem
parte do programa Renda Melhor
e recebem auxílio entre R$ 30 e R$
300 para sair da linha da miséria.
De acordo com o governador
do Rio, Sérgio Cabral, o projeto
ainda vai chegar a mais 20 municípios da região metropolitana,
onde residem cerca de 75% dos
mais de 16 milhões de fluminenses. “Nós temos 1 milhão de estudantes no Rio de Janeiro e esperamos que a maioria se aproveite
desses benefícios. O programa
vai ajudar cerca de 300 mil famílias até o final de 2013”, disse a
uma plateia repleta de estudantes no lançamento do programa,
no Teatro João Caetano.
A poupança será R$ 700 para
aprovados no 1º ano, R$ 900 no
MARINA DA GLÓRIA
Custos do sorteio da
Copa geram polêmica
Tiago Rogero
Da Agência Estado
O sorteio preliminar dos grupos das Eliminatórias da Copa
do Mundo de 2014, realizado
na Marina da Glória, no Rio de
Janeiro, em 30 de julho, custou
à prefeitura só em gastos com
pessoal R$ 2,267 milhões. O “supervisor de chegadas e partidas”
recebeu R$ 4 mil. O assistente
geral, R$ 6 mil; e o motorista,
R$ 3,5 mil. Pouco, comparado ao
que ganhou o “diretor de TV/imprensa/jurídico”: R$ 162 mil.
Os valores estão incluídos na
cota de patrocínio (R$ 15 milhões)
paga pela prefeitura à Geo Eventos, empresa das Organizações
Globo e Grupo RBS. A forma como
o dinheiro foi investido foi definida pela empresa, que organizou o
evento. Outros R$ 15 milhões foram pagos pelo governo estadual.
Na descrição dos gastos com
a verba cedida pela prefeitura,
o maior valor é o da locação da
Marina da Glória: R$ 3,747 mi-
lhões O pagamento de cachê a
artistas e apresentadores custou R$ 415,9 mil; e a cenografia, R$ 2,246 milhões.
A locação de cada uma das 70
“cadeiras com braço” alugadas
custou R$ 204. Para o transporte
terrestre de artistas foram pagos
R$ 112,8 mil; e com “produção”,
R$ 1,716 milhão. Entre os gastos
com pessoal, R$ 54 mil para a
“diretora de atendimento”, R$
11 mil para o “assistente de atendimento” e R$ 22,5 mil para “arquiteta Jr”, entre outras funções.
A cota de patrocínio foi destinada sem licitação à Geo Eventos, escolhida pelo Comitê Organizador da Copa - comandado
pelo presidente da CBF, Ricardo
Teixeira. No documento em que
justifica a inexigibilidade de licitação, a prefeitura afirma tratarse “de projeto único e exclusivo”, que “recebe grande atenção
da mídia internacional”.
“Além da mídia que a cidade
receberá por sediar o ‘Preliminary Draw’, o Rio de Janeiro será
contemplado com a veiculação
de um vídeo, produzido pela
Fifa, com informações sobre a cidade, durante o início da transmissão televisiva do evento”,
informou o documento.
Por meio de nota, a Geo Eventos informou que “os valores do
serviço foram estabelecidos na
proposta, que previu uma remuneração padrão, dentro de preços
de mercado, e foram correspondentes ao prazo e complexidade
das operações de produção. A
apresentação de documentação e
prestação de contas ocorreu dentro do modelo dos eventos patrocinados pela Prefeitura e Governo do Estado do Rio de Janeiro”.
Para a vereadora Andrea Gouvea (PSDB), os gastos são absurdos. “A transmissão de um sorteio
de Copa do Mundo tem de ter interessados privados para financiála. Não faz sentido o poder público pegar os impostos das pessoas
para pagar esse tipo de evento.
Nada justifica porque haveria sorteio de qualquer maneira”, disse.
SUBSTITUIÇÃO
Polícia Militar tem
novo comandante
Bruno Boghossian
Da Agência Estado
O novo comandante da Polícia Militar do Estado do Rio de
Janeiro é o coronel Erir Ribeiro da Costa Filho. Ele foi anunciado como chefe da corporação na tarde de ontem, um dia
após a exoneração do coronel
Mário Sérgio Duarte.
Duarte pediu para deixar o
cargo após a prisão do tenentecoronel Cláudio Luiz de Oliveira,
acusado pela Polícia Civil de ser o
mandante do assassinato da juíza
Patrícia Acioli, em 11 de agosto.
Costa Filho era o atual superintendente de comando e
controle da Secretaria Estadual
de Segurança do Rio. Ele já comandou quatro batalhões da PM
fluminense e o 2º Comando de
Policiamento de Área (CPA).
Também foram anunciados o
novo chefe do Estado-Maior operacional, coronel Alberto Pinheiro Neto, e a nova chefe de gabinete do comando geral, coronel
Katia Boaventura.
O secretario de Segurança,
José Mariano Beltrame, atribuiu a troca de comando da PM
à crise provocada pela prisão do
tenente-coronel. Conforme o secretário, Mário Sérgio Duarte foi
responsável pela nomeação de
Oliveira, apesar de o nome dele
ser contraindicado pelo setor de
inteligência da própria PM.
“As informações foram passadas
ao Mário Sérgio, que fez sua opção.
Obviamente, na medida em que
você dá autonomia ao comandante,
essa pessoa deve ter responsabilidade pela escolha”, afirmou Beltrame.
A cúpula da PM também será
parcialmente substituída. O coronel Costa Filho já adiantou que o
corregedor da corporação, coronel
Ronaldo Menezes, será substituído.
2º e R$ 1 mil no 3º ano. Os alunos do ensino médio técnico,
que cursarem o 4º ano, poderão
receber mais R$ 1,2 mil. Os alunos do 3º ano que obtiverem bom
desempenho no Exame Nacional
do Ensino Médio (Enem) ainda
têm direito a retirar da conta
mais R$ 500 de bônus.
A aluna Jéssica Mathias, de 16
anos, moradora de Belford Roxo,
na Baixada Fluminense, disse
que, com o benefício, pretende ingressar em uma faculdade voltada
para o setor de petróleo. “Agora
sim, vai dar para concretizar um
sonho”, declarou a adolescente.
ESPECIALISTAS
Formas de
prevenção
ao vírus HPV
Thais Leitão
Da Agência Brasil
Embora boa parte da população brasileira desconheça o papilomavírus humano (HPV), ele provoca uma das doenças sexualmente
transmissíveis (DST) mais comuns
no mundo. Estima-se que uma em
cada cinco mulheres seja portadora do vírus. No Brasil, o Ministério
da Saúde registra aproximadamente 137 mil novos casos a cada ano.
Para discutir as formas de prevenção e o tratamento da doença, especialistas de diversos estados se
reunem desde ontem, durante o
HPV in Rio 2011 – 3º Simpósio Brasileiro de Papilomavirose Humana.
De acordo com o professor
Mauro Romero, coordenador do
Centro de Referência em Doenças Sexualmente Transmissíveis
da Universidade Federal Fluminense (UFF) e organizador do
evento, os números são alarmantes e revelam que é preciso intensificar as ações de conscientização da população sobre como
evitar o contato com vírus. Segundo Romero, a infecção por HPV é
responsável por 90% dos casos
de câncer de colo de útero e pelo
surgimento de outras doenças.
“Esse vírus causa uma série de
patologias tanto no homem como
na mulher, como câncer de colo do
útero, na vulva, na vagina, no ânus,
no pênis. São registrados no Brasil
a cada ano mil casos de amputação de pênis por causa da doença.
É preciso que haja uma mobilização maior para que a população,
os profissionais de saúde e de educação saibam mais sobre a doença,
façam a profilaxia corretamente
e procurem um serviço de saúde
quando surgirem os sintomas.”
Segundo ele, entre as formas
mais eficientes de prevenção estão
o uso de preservativo e a vacinação,
que, atualmente, só está disponível
no Brasil na rede privada, ao custo
de cerca de R$ 300 por dose. Romero destacou que a realização de
exames ginecológicos preventivos,
como o papanicolau, pode identificar a doença em estágio precoce e
aumentar a eficácia do tratamento.
para a balança comercial brasileira. “Com esse crescimento
muito forte das exportações, o
Rio de Janeiro tem contribuído
de forma significativa para o saldo comercial do país”. O estado
ocupa agora o terceiro lugar em
termos de saldo comercial, depois de Minas Gerais e Pará, na
frente inclusive de São Paulo.
Em relação às importações,
também houve incremento de
22% nos oito primeiros meses
de 2011, com cerca de US$ 12,5
bilhões em valor. “Isso está
muito ligado à demanda por
matérias-primas. A indústria
do estado do Rio de Janeiro
cresceu o triplo da indústria
nacional. Isso tem demandado
bastantes insumos para a produção industrial local”.
Em agosto, as exportações
fluminenses somaram US$ 3,1 bilhões. Isso equivaleu ao dobro da
receita de igual mês do ano passado. A liderança foi exercida pela
indústria do petróleo, que correspondeu a 70% do total embarcado. Em relação às importações, o
boletim da Firjan registra recorde
no mês de US$ 2 bilhões, com destaque para a indústria extrativa
mineral (US$ 479 milhões).
SOCIOEDUCATIVO
Sistema pode
virar referência
Carolina Gonçalves
Da Agência Brasil
O Rio de Janeiro pode se tornar uma referência em sistema
socioeducativo para adolescentes,
segundo o coordenador do Programa Justiça ao Jovem, do Conselho
Nacional de Justiça (CNJ), Reinaldo Cintra. O juiz entregou ontem, um relatório sobre as visitas
feitas às seis unidades de internação em funcionamento na região
ao Tribunal de Justiça do estado e
ao Departamento-Geral de Ações
Socioeducativas (Degase).
“O Rio de Janeiro está acima
da média e com uma proposta de
trabalho muito interessante. Se
houver uma política de estado, e
não de governo, na manutenção
dessas propostas, em pouco tempo, o Rio pode passar a ser uma
referência neste assunto. O importante é não quebrar essa sequência de conquistas”, disse Cintra.
Considerando o resultado das
vistorias, que ocorreram entre 9 e
13 de maio deste ano, o magistrado declarou que o Rio de Janeiro
está deixando para trás a imagem
de violência que acompanhou o
sistema estadual durante anos.
Segundo ele, as equipes do CNJ,
formadas por um juiz, dois técnicos (assistente social e psicólogo)
e dois funcionários de cartório,
informaram não ter recebido denúncias de violência institucional por parte dos jovens.
Os grupos ainda apontaram
avanços, como os programas
educacionais criados para estas
unidades de internação. “Um
ponto que chamou atenção foi a
integração do Degase à Secretaria de Estado de Educação com
enfoque muito profissional na
escolarização dos jovens. Normalmente são adolescentes que
não frequentam mais escolas e
dentro dessa nova perspectiva
estão recebendo ensino formal e
profissionalizante”, disse o juiz.
Apesar dos aspectos positivos,
que, segundo Cintra, vem sendo
conquistados há pouco mais de
três anos, o relatório do Programa
Justiça ao Jovem relaciona falhas
que o magistrado considerou “pontuais” e “em fase de resolução”.
Uma delas foi a superlotação na
unidade Padre Severino, na Ilha do
Governador, de internação provisória. “É uma unidade antiga que
precisa ter esse problema solucionado. Primeiro, com um número
menor de adolescentes. Segundo,
com adequação arquitetônica”.
Outra questão que ganhou
destaque no relatório foi a distribuição de unidades socioeducativas. “A concentração de unidades
na capital não é aconselhável,
mas é um problema que está quase resolvido, porque estão sendo
construídas unidades em Campos (norte do estado) e em Volta
Redonda (sul fluminense), fazendo com que os adolescentes possam permanecer mais próximos
de suas famílias e em unidades
menores com atendimento mais
adequado”, declarou o magistrado. Segundo ele, representantes
do Degase informaram que a unidade de Campos deve entrar em
funcionamento até o final do ano.
RIO+20
Rio+20: avanço à
sustentabilidade
O presidente da Câmara de
Desenvolvimento Sustentável
da prefeitura do Rio de Janeiro,
o economista Sergio Besserman,
quer estimular a mobilização e
participação da cidade, principalmente dos jovens, na Conferência das Nações Unidas sobre
Sustentabilidade (Rio+20), que
ocorrerá em junho de 2012, na
capital fluminense.
Para ele, é importante que o
Rio “não só acolha, como cidade
anfitriã, mas participe com toda
a sua vida política, cultural e social da discussão do tema do desenvolvimento sustentável”.
C
U
O presidente do Instituto
Ethos, Jorge Abrahão, confirmou
à Agência Brasil que não há ainda no País cidades que possam
ser definidas como sustentáveis.
Segundo ele, São Paulo e o Rio
de Janeiro estão entre as cidades
brasileiras que se mostram mais
interessadas em ter processos que
avancem rumo à sustentabilidade.
O projeto define o que são cidades desejáveis sob diversos temas
considerados fundamentais, como
mobilidade, educação, saúde, meio
ambiente, bem-estar da população,
biodiversidade e poluição. Além
disso, estabelece indicadores.
R
T
A
Decretada prisão de mais um
Policial Militar por morte de juíza
O soldado da Polícia Militar Handerson Lents Henriques da Silva,
acusado de participar do assassinato da juíza Patrícia Acioli, teve
sua prisão temporária decretada ontem. A decisão é do juiz Petersen
Barroso Simão, da 3ª Vara Criminal de Niterói, e vale pelo prazo de
15 dias. De acordo com o pedido de prisão feito pelo delegado titular
da Divisão de Homicídios, Felipe Ettore, e reiterado pelo Ministério
Público, o soldado Lents teria indicado o endereço da juíza aos
assassinos no mês de julho, um mês antes do crime.
MUNDO
VENEZUELA
Chávez reitera
candidatura à
reeleição em 2012
O presidente da Venezuela,
Hugo Chávez, reiterou sua intenção de candidatar-se à reeleição
em 2012 e afirmou ontem que os
resultados de seus mais recentes
exames indicam que a quimioterapia a que se submeteu para tratar um câncer foi “um sucesso”
e que não precisará mais desse
tipo de tratamento por enquanto.
“Os resultados são muito positivos”, declarou Chávez em
entrevista coletiva concedida
ontem em Caracas. O presidente
venezuelano, no entanto, negou
que tivesse um câncer no cólon e
mais uma vez recusou-se a revelar a natureza do tumor
Antes de responder às perguntas dos jornalistas, Chávez
jogou um pouco de softbol com
alguns de seus ministros, numa
aparente tentativa de silenciar
especulações segundo as quais
sua saúde teria se deteriorado
depois do último ciclo de quimioterapia ao qual se submeteu.
Mais cedo, o presidente de 57
anos de idade desmentiu um artigo publicado na imprensa segundo o qual ele teria sido levado às
pressas a um hospital militar com
suspeita de falência renal.
“Isto é grotesco, desumano”,
declarou Chávez, que a partir de
junho submeteu-se a um tratamento contra um câncer, sobre o artigo
publicado ontem pelo jornal El
Nuevo Herald, editado em Miami.
“É uma insanidade”, prosseguiu
Chávez, que depois leu o artigo em
voz alta ironizando seu teor.
Chávez retornou na semana passada da última etapa do
tratamento contra o câncer em
Cuba e já havia manifestado a
expectativa em que o ciclo quimioterápico tenha sido o último.
Choque de trens deixa
1 morto e 30 feridos
Dois trens de passageiros colidiram ontem nas proximidades
de Caracas, matando pelo menos
uma pessoa e deixando 30 feridas,
disseram autoridades. Três trens
se envolveram no acidente, dois
dos quais se chocaram, informou
o ministro dos Transportes Francisco Garces à televisão estatal.
O acidente ocorreu num túnel entre Caracas e a cidade de
Los Valles del Tuy. Um engenheiro ferroviário morreu em
decorrência dos ferimentos, informou o vice-ministro da Justiça Nestor Reverol. Anteriormente, Garces havia declarado
que o engenheiro, que estava
na frente do trem, estava em
“estado delicado”. Por outro
lado, a maioria dos ferimentos
sofridos pelos passageiros parece ser leve, informou Graces.
Um trem freou repentinamente, aparentemente por causa de um defeito, e outro trem
bateu em sua traseira, disse Graces. O trem da frente descarrilou ao ser atingido e outro trem,
que vinha na direção contrária,
freou para evitar uma colisão.
Muitos dos feridos foram levados primeiro para a estação
Charallavetrain, perto do túnel.
Um helicóptero ajudou a levar
os feridos para o hospital.
LÍBIA
Interpol emite
alertas vermelhos
A Interpol incluiu ontem outro filho de Muamar Kadafi, AlSaadi Kadafi, sua lista dos mais
procurados pressionando o governo do Níger a entregar o homem
acusado de ser responsável pela
sangrenta repressão na Líbia.
Um porta-voz da presidência do Níger disse que Al-Saadi está em prisão domiciliar na
capital do país, Niamey, depois
de ter fugido da Líbia no início
do mês pelo deserto que separa os dois países.
A Interpol já emitiu alertas
vermelhos para Muamar Kadafi e para seu filho Seif al-Islam
Kadafi, tendo como base um pedido do Tribunal Penal Internacional. Os dois são acusados de
crimes contra a humanidade.
A agência internacional de polícia disse em comunicado que havia
emitido um alerta vermelho para
Al-Saadi Kadafi, baseado no pedido do Conselho Nacional de Transição da Líbia. Trata-se da primeira
vez que a Interpol emite um alerta
a pedido do novo governo líbio.
Segundo a Interpol, o alerta
teve como base a acusação de
que Al-Saadi Kadafi, de 38 anos,
apropriou-se indevidamente de
propriedades e participou de “intimidação armada” quando liderou a Federação Líbia de Futebol.
Ele também foi comandante
das forças especiais e está sujeito
a sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) por comandar
unidades militares envolvidas na
repressão aos manifestantes.
MICHAEL JACKSON
Testemunha fala
de ânimo do astro
O astro do pop Michael Jackson, falecido em 2009, estava
de bom ânimo em um ensaio na
noite antes de morrer, afirmou
ontem um guarda-costas. “Ele
estava muito feliz”, testemunhou
Alberto Alvarez. “Eu lembro que
ele estava com um ânimo ótimo”.
Alvarez foi a primeira pessoa
a entrar no quarto do astro após
o médico de Jackson, Conrad
Murray, pedir ajuda urgente no
dia 25 de junho de 2009. Alvarez
disse em um depoimento que
Murray lhe pediu que escondesse frascos do anestésico propofol
antes de telefonar para o número de emergências. “Ele disse:
‘aqui, coloque esses aqui (remédios) na bolsa’”, disse Alvarez.
“Eu acreditava que o dr. Murray
tinha as melhores intenções para
Michael”, disse Alvarez. “Eu não
questionei a autoridade dele”,
disse o guarda-costas, afirmando que guardou os frascos dos
anestésicos em uma bolsa como
o médico pediu.
Alvarez testemunhou que
Murray apenas lhe disse, naquele
dia, que Michael havia tido uma
má reação aos anestésicos. Os
advogados de defesa do dr. Murray afirmam que Michael tomou
escondido os anestésicos, quando
o médico foi ao banheiro.
Murray declarou-se inocente
do homicídio culposo de Jackson.
Os promotores agora convocam
todas as testemunhas que estavam com o astro e também com
Murray no último dia de vida do
cantor, numa tentativa de convencer os jurados de que Murray demorou para chamar as autoridades no dia em que o astro faleceu.
Sexta-feira, 30 de setembro de 2011
9
ADESÃO
Palestinos dizem ter
oito votos no CS da ONU
EUA já afirmaram que usarão seu poder de veto para bloquear a requisição
Os palestinos já garantiram oito
votos no Conselho de Segurança
das Nações Unidas, em seu pedido para tornarem-se membros do
organismo internacional, um a menos que os nove necessários, disse
ontem o ministro das Relações Exteriores palestino, Riyad al-Malki.
Um deles é do Brasil, afirmou.
Também ontem, o secretáriogeral da Organização para a
libertação da Palestina (OLP),
Abed Rabbo, disse que os palestinos insistirão no pedido de
adesão, o que significa que os
pedidos feitos pelos mediadores
para a retomada das negociações
com Israel foram rechaçados.
Falando a repórteres em Ramallah, Riyad al-Malki disse ter
recebido garantias de mais dois
países - Nigéria e Gabão - de que
eles serão favoráveis ao pedido
dos palestinos para tornarem-se
membros plenos da ONU. “Temos oito votos pela Palestina no
Conselho de Segurança”, disse
ele. “Estamos trabalhando duro
por um nono e um décimo votos.”
Malki disse que os palestinos
têm garantias de votos “sim”
de Líbano, Rússia, China, Índia,
África do Sul e Brasil, além das
novas confirmações de Nigéria
e Gabão. “Nós estamos trabalhando com Bósnia, Colômbia e
ACIDENTE
ESPAÇO
Avião cai
no Oeste da
Indonésia
Um pequeno avião que fazia um voo local no oeste da
Indonésia caiu ontem numa
área montanhosa. Acredita-se
que todas as 18 pessoas a bordo tenham morrido, disseram
autoridades. O terreno acidentado e as chuvas dificultam as
ações das equipes de resgate,
que tentam chegar aos escombros da aeronave.
O avião modelo CASA C-212
estava na metade de seu voo de
30 minutos entre as províncias
de Sumatra do Norte e Aceh,
quando perdeu contato com o
controle aéreo, disse o portavoz do Ministério dos Transportes, Bambang Ervan.
Minutos mais tarde, o bimotor turbo hélice enviou um
sinal de socorro e em seguida
desapareceu do radar, disse o
marechal da Força Aérea Bonar
Hutagaol à TVOne.
“Eu vi algo estranho”, disse
Agus, uma testemunha que usa
apenas um nome, à emissora.
“Um avião soltando fumaça voando muito baixo antes de desaparecer a minha visão.”
O avião, avistado durante
uma busca aérea perto da vila
montanhosa de Bahorok, parece estar praticamente intacto e
as asas estão presas ao restante
da aeronave, disse Ervan. Não
havia sinais dos 14 passageiros
e 4 tripulantes, disse ele.
Supri Sinaga, diretor do grupo local de resgate, disse que
vai levar horas até que as equipes consigam chegar ao local
em razão das chuvas torrenciais
e do terreno acidentado.
A aeronave, fabricada na
Indonésia em 1989, passou por
uma inspeção pela última vez
em 22 de setembro, disse Robur Rizallianto, funcionário
da PT Nusantara Buana Air,
proprietária do avião. As condições do avião eram boas e a
checagem antes da decolagem
nesta quinta-feira também não
mostrou problemas.
A Indonésia, um país formado por milhares de ilha com
240 milhões de habitantes, tem
registrado vários acidentes em
seu sistema de transporte nos
últimos anos, tanto nos setores
aéreo, ferroviário e naval. Muitos responsabilizam a superlotação e os baixos padrões de
segurança pelos acidentes.
Portugal”, acrescentou. O ministro pretende visitar a Bósnia em
breve, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, fará escalas em
Colômbia, Portugal, Honduras e
República Dominicana durante
um giro em outubro. Abbas também falará em Estrasburgo em 6
de outubro, segundo o ministro.
Os palestinos precisam de
pelo menos nove votos no Conselho de Segurança a favor de
sua campanha para o Estado palestino tornar-se membro pleno
da Assembleia Geral da ONU.
Mesmo com esses votos, porém,
os Estados Unidos já afirmaram
que usarão seu poder de veto
para bloquear a requisição. De
qualquer maneira, os palestinos
buscam a vitória diplomática de
assegurar a maioria no CS.
Abbas entregou a solicitação
na sexta-feira passada, pouco
após discursar na Assembleia
Geral. O CS enviou o pedido para
um comitê que deve se reunir na
sexta-feira. A medida foi criticada por Washington e dividiu os
membros da União Europeia.
Os EUA e Israel defendem
que o Estado palestino seja
formado apenas através de negociações com os israelenses,
que estão paralisadas.
China lança módulo
para estação espacial
A China lançou ontem um módulo experimental de base para
uma futura estação espacial,
ressaltando suas ambições de se
tornar uma potência espacial. O
módulo Tiangong-1, do tamanho
de um carro, foi lançado ao espaço do centro de lançamento Jiuquan, que fica nas proximidades
do deserto de Gobi, a bordo do
foguete Longa Marcha 2FT1.
Após este passo, a China planeja lançar a nave espacial não
tripulada Shenzhou 8 e realizar
manobras de acoplagem com o
módulo, o que deve acontecer
nas próximas semanas. Outras
duas missões, sendo que pelo
menos uma deve ser tripulada,
devem ser realizadas no próximo
ano, quando astronautas devem
ficar em órbita por até um mês.
O módulo de 8,5 toneladas,
cuja tradução do nome é “palácio
celestial-1” deve ficar em órbita
por dois anos. Após este período,
outros dois módulos experimentais
devem ser lançados para mais testes antes de a estação ser lançada
em três partes entre 2020 e 2022.
“Este é um teste significativo.
Nunca fizemos isso antes”, disse
Lu Jinrong, engenheiro chefe do
centro de lançamento, segundo a
agência de notícias estatal Xinhua.
A estação espacial, que ainda
não recebeu um nome, é o mais
ambicioso projeto chinês de exploração do espaço, que também
quer chegar à Lua, possivelmente com astronautas.
A China lançou seu primeiro
voo espacial tripulado em 2003,
unindo-se ao grupo formado pelos Estados Unidos e a Rússia
como os únicos países a enviarem
humanos para a órbita terrestre.
Segundo alguns especialistas,
o lançamento do módulo significa que a China chegou ao mesmo
ponto em que estavam os Estados
Unidos durante a corrida espacial na década de 1960, quando
Washington lançou as missões
Gemini. Embora planeje uma
quantidade menor de lançamentos, o programa espacial chinês
caminha mais rápido que os
norte-americanos e soviéticos há
mais de 40 anos. “A China tem a
vantagem, 40 anos depois, de não
começar do zero em seu programa
espacial”, disse Joan JohnsonFreese, especialista em viagens
espaciais na Faculdade de Guerra
Naval dos EUA, em Rhode Island.
Embora os especialistas não vejam uma função militar para a estação espacial chinesa, outros projetos militares espaciais da China
causaram preocupação, como a
destruição de um satélite chinês
defunto em 2007 por um foguete
longa marcha. “Basicamente, eles
alcançarão o que quiserem, não
importa quanto tempo leve para
o Estado autoritário cumprir suas
metas”, disse Charles Vick, especialista em programa espacial chinês na Globalsecurity.org. Segundo ele, Pequim seguirá em frente
com seu programa espacial, não
importam as dificuldades, uma
vez que isso resulta em prestígio
interno e externo, avanço tecnológico e crescimento econômico.
Mas o sigilo do programa espacial chinês e suas fortes ligações
com os militares inibiu a cooperação com os programas espaciais de
outros países, dentre eles o projeto da Estação Espacial Internacional (ISS, pela sigla em inglês).
A estação espacial chinesa deve
ter cerca de 60 toneladas quando
concluída, mas ainda assim será
menor do que a ISS, que tem participação de 16 países e deve permanecer em funcionamento até 2028.
JAPÃO
Corpo encontrado é
mesmo de brasileira
Renata Giraldi
Da Agência Brasil
O Ministério das Relações Exteriores confirmou ontem que foi
localizado o corpo da brasileira
Erika Simey de Alencar Inomata que desapareceu há oito dias
nas proximidades da cidade de
Fuji, na província de Shizuoka –
no Centro do Japão. A brasileira
desapareceu enquanto caminhava sobre a ponte do Rio Fujikawa e os ventos do Tufão Rocke a
empurraram para a água. Erika
deixa dois filhos, ainda crianças,
que estavam de férias no Brasil.
O corpo da brasileira foi localizado pelos bombeiros na terçafeira, mas a confirmação da iden-
C
U
R
tidade só ocorreu hoje depois
de exames de DNA. A causa da
morte de de Eirka Inomata foi
afogamento. Parentes, amigos e
colegas de trabalho dela estão
tomando as providências para o
a cerimônia de cremação do corpo, que deverá ocorrer em Yamanashi, de acordo com diplomatas.
O tufão, que causou a morte
de Erika, atingiu o Japão na semana passada. Erika Imomata,
de 34 anos, ia para o trabalho
acompanhada pelo amigo, também brasileiro, Marcos Kanematsu, de 32 anos, quando os ventos
fortes arrastaram os dois na direção da água do Rio Hayakawa
– que se encontra com o Rio Fujikawa. Marcos sobreviveu.
T
A
De acordo com autoridades,
pelo menos dez pessoas morreram
e cinco desapareceram no Japão
na passagem do Tufão Rocke pelo
país. Os registros indicam ainda
314 feridos em 22 províncias afetadas pelos ventos e pela chuva.
O tufão causou ainda o cancelamento de 624 voos, dos serviços
ferroviários e até das atividades
do trem de alta velocidade. Pelo
menos 120 mil pessoas tiveram dificuldades de locomoção no Japão.
O Tufão Rocke provocou ventos
de 126 quilômetros por hora na direção do Nordeste do Japão. A passagem do Rocke ocorreu duas semanas depois de o país enfrentar o
Tufão Talas, que gerou destruição
e morte em vários municípios.
S
Manifestantes e médicos xiitas são
condenados por tribunal no Bahrein
Comitê de peritos investigará
acidentes nucleares de Fukushima
Um tribunal especial do Bahrein sentenciou ontem à morte um
manifestante, enquanto um segundo pegou prisão perpétua. Os dois
foram condenados pelo envolvimento na morte de um policial, informou
a agência estatal BNA. A mesma corte sentenciou 20 médicos xiitas
a entre cinco e 15 anos de prisão, por participação nos protestos por
reformas políticas liderados por xiitas reprimidos por autoridades nos
últimos meses. Um advogado, Mohsen al-Alawi, disse que os funcionários
do setor de saúde foram condenados por tratar de feridos durante os
protestos no país. Eles foram acusados de agir contra o estado.
A Câmara Baixa do Japão (o equivalente à Câmara dos Deputados
no Brasil) aprovou ontem a criação de um comitê de investigação dos
acidentes radioativos na Usina de Fukushima Daiichi, no Nordeste
do país. Em 11 de março deste ano, quando o Japão foi atingido
por um terremoto seguido por tsunami a usina sofreu abalos que
geraram vazamentos e explosões. Por unanimidade, os parlamentares
aprovaram a criação do comitê de investigação. O objetivo é que dez
especialistas independentes, sem vínculo com o governo japonês,
façam o trabalho de análise e apuração na usina.
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Sexta-feira, 30 de setembro de 2011
ARTES
TV BRASILEIRA
João Marcos Cavalcanti
Produções independentes
precisam de mais espaço
Debate aconteceu em seminário no 44º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Elza Fiúza / ABr
Paula Laboissière
Da Agência Brasil
Cineastas pediram ontem
maior participação de produções independentes na grade
da TV brasileira. O tema foi
discutido durante o seminário
Novas Perspectivas do Cinema
e do Audiovisual brasileiro, no
44º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
O produtor executivo da
Conspiração Filmes, Luis Antônio Silveira, avaliou que os canais brasileiros têm qualidade
e competência para produção
in house, mas que o aumento da
participação de produções independentes nas grades é inevitável. “É, inclusive, mais barato
para as emissoras”, explicou.
Para o presidente da Associação Brasileira de Emissoras
Públicas (Abepec), Pola Ribeiro, é preciso aumentar a diversidade das grades dos canais
de televisão brasileiros por
meio da inclusão do cinema,
mas com o desafio de sustentar
uma boa audiência.
O cineasta e diretor do Canal
Brasil, Paulo Mendonça, lembrou
que a emissora é um exemplo de
veículo que se sustenta com produções independentes e que, por
meio dessa estratégia, já atingiu
um certo nível de visibilidade.
Ele citou, entretanto, dificuldades de sobrevivência em meio
aos demais canais. “Me surpreende que um conteúdo rico como o
Tereza Cruvinel: parceria da TV pública com o cinema brasileiro como estratégia
brasileiro não tenha encontrado
espaço de distribuição”.
A diretora-presidente da Empresa Brasil de Comunicação
(EBC), Tereza Cruvinel, avaliou a
parceria da TV pública com o cinema brasileiro como estratégica
e destacou que a TV Brasil deve
bater a marca de 40% da grade
com produção independente.
O diretor-geral de Produção
da TV Brasil, Rogério Brandão,
referiu-se ao cinema brasileiro
como um forte conteúdo de entretenimento e informação, mas ainda pouco utilizado por veículos
televisivos no país. “A TV Brasil
vai completar quatro anos. Consolidou-se, tem crescido e feito o
seu papel institucional como parceira da produção independente.
Percebemos um amadurecimento
do produtor para se adaptar às
necessidades da televisão e ao
seu público”, disse. “O futuro da
TV Brasil é promissor, mas depen-
de da parceria com a produção independente”, concluiu.
Durante o debate, o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, defendeu uma relação mais
forte com o cinema brasileiro.
“Não há volta para as mudanças
que começaram no Brasil, mas
elas precisam chegar mais rápido à cultura e ao cinema”, ressaltou. “O Plano de Aceleração
do Crescimento precisa chegar
no cinema e na cultura.”
MPB & outras
histórias
João Marcos Cavalcanti de Albuquerque é
advogado formado pela PUC, ex-secretário chefe
do gabinete de Cesar Maia, escritor bissexto e estudioso da MPB. [email protected]
Menino grande
Q
uando conheci Antônio
Maria eu devia ter uns
20 anos e ele aproximadamente 35. Fomos apresentados por Paulinho Soledade,
de quem eu era fiel escudeiro. Em uma noite de inverno,
fazia muito frio, lá estava ele,
sentado em uma cadeira na
calçada do Le Rond Point,
saboreando uma sopa de cebola. Esse é meu primo, disse
Paulinho. Maria, sem levantar
os olhos do prato, disse, muito prazer. A principio pensei
que ali estava mais um chato
com 1.90 de altura e 90kg,
que pouco iria acrescentar
em minha vida boemia.
Enganei-me, pois quando
começou a falar com o Soledade, mas me ignorando completamente, senti que ali estava
uma pessoa amável, sensível,
inteligente e sedutora.
Não posso dizer que dali
em diante nos tornamos
grandes amigos, mas todas
as vezes que nos encontrávamos, ele dedicava-me alguns
minutos de atenção e logo
partia para as mulheres. Essas sim, eram seu fraco e ao
mesmo tempo seu forte, pois
embora fosse grandalhão,
desajeitado e gordo, quando
abria a boca ganhava qualquer uma que ele quisesse.
Lembro-me bem que uma
noite estávamos todos em
uma boate, quando Maria
entrou e Soledade aconselhou: quem está com mulher
que se cuide, pois se o “Gordo” sentar ao lado e conversar ele ganha.
Além de boêmio, jornalista, locutor, compositor e
cronista maior era um eterno apaixonado. Nao só pelas
mulheres como também pela
vida. Se for falar tudo que
vivenciei junto a esse gênio,
que morreu aos 42 anos, teria material para coluna do
ano inteiro. Compôs músicas imortais como Valsa de
uma Cidade, Ninguém me
ama, Samba do Orfeu, Se eu
morresse amanhã de manhã,
Suas mãos e Menino grande.
Mas hoje eu quero enfatizar o seu lado de cronista e
dividir com vocês um trecho
de uma de suas crônicas que
eu daria tudo para ter escrito.
Que inveja Maria, inveja boa.
“Vem, vem se quiseres.
Se crês numa alma oculta em minha rudez. Se não
professas a abominável esperança do amor eterno. Se
acreditas,lucidamente,
no
“amor até quando”. Se não te
amas e se me amas, vem, vem
que aqui te esperam séculos
de sede ou de dor, sem um
momento de paz verdadeira,
a não ser aquele, de lassidão, quando depois de ter-te,
amar-te-ei mais ainda”. Dorme menino grande. Até mais.
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Governo central registra pior superávit em 8 anos