Informativo Mensal • Ano II • Nº 10 • dezembro de 2006 Frase da RNP+ projetada nas torres do Congresso Nacional: pela primeira vez, campanha do Dia Mundial de Luta contra a Aids foi protagonizada por soropositivos Editorial Chegamos ao fim de 2006. Neste ano, a lei 9.313, que garante o acesso universal ao tratamento com medicamentos anti-retrovirais, completou dez anos. No início, eram 36 mil pessoas atendidas. Hoje, são 175 mil, que recebem 17 medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Somente em 2006, o tratamento dos pacientes representou para o governo federal um investimento de R$ 960 milhões, reafirmando o compromisso de buscar melhorar a qualidade de vida dos infectados pelo HIV. Essa política não é de governo. Ela independe de partido político. É uma política de Estado, do povo brasileiro. Neste ano, também aconteceram dois grandes congressos, o de DST, em setembro, em Santos (SP); e o de Prevenção, em novembro, em Belo Horizonte (MG). Nesses eventos, que tiveram participação de cientistas, acadêmicos e representantes de governos e da sociedade civil, discutiram-se os rumos da política nacional de prevenção das DST e da aids. Outro ponto para celebrar foi a campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, que pela primeira vez foi protagonizada por soropositivos. A advogada Beatriz Pacheco e o ator Cazu Barroz foram a síntese do slogan “A vida é mais forte que a aids”. Beatriz tem 58 anos e vive com aids há nove; Cazu tem 34 anos e vive com a doença desde os 17. Com a campanha, o governo começou a trabalhar o conceito de prevenção posithiva, estratégia que visa DIMINUIR o estigma e a discriminação em relação às pessoas que vivem com HIV e aids e desmistificar a doença para a sociedade. Com a prevenção posithiva, fortalecemos o conceito – já existente e aplicado – de uma política transversal e intersetorial. Essa estratégia diz respeito não apenas às pessoas que vivem com o vírus, mas se estende aos profissionais de saúde, aos gestores da saúde pública e à população geral. Nesse conceito, o soropositivo é reconhecido como um cidadão com direito não apenas a um tratamento adequado; mas também um ser humano com direitos sexuais e reprodutivos e com responsabilidade de proteger a si mesmo e ao seu parceiro ou parceira; os profissionais de saúde falam sobre a adesão ao tratamento e os efeitos adversos dos medicamentos; e os gestores aplicam recursos e conduzem políticas públicas de maneira mais integrada. E a população em geral passa a entender que é possível viver com aids e ter qualidade de vida; mas é melhor viver sem a doença. Apesar dos avanços, reconhecemos que há desafios, sobretudo no abastecimento contínuo de medicamentos, insumos de laboratório e preservativos; na melhoria dos serviços de saúde; no fortalecimento e ampliação da produção nacional de anti-retrovirais; e na redução da transmissão vertical do HIV e na eliminação da sífilis congênita. Outro desafio, por conta da descentralização de recursos para organizações da sociedade civil, é reforçar, junto com aos governos dos estados e dos municípios, as ações voltadas para populações mais vulneráveis ao HIV, como gays e outros homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e usuários de drogas injetáveis. Nesse contexto, reafirmamos o compromisso de enfrentar a epidemia, buscando prevenir novas infecções e melhorar a qualidade de vida dos portadores do HIV, promovendo o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e a insumos de prevenção. Tudo isso pautado pelo respeito à diversidade e, sobretudo, aos direitos humanos, contribuindo para acabar com o estigma e o preconceito, e para combater a homofobia. Boas festas e um excelente 2007 para todos. Mariângela Simão Diretora do Programa Nacional de DST e Aids Aos leitores Depois de alguns meses sem ser divulgado, o informativo Notas Posithivas está de volta. Desde agosto, diversas publicações do governo federal tiveram sua distribuição interrompida por conta das eleições. A legislação impede a divulgação de materiais gráficos feitos pelo governo no período eleitoral para não serem confundidos com propaganda política. Agora, voltamos com o resumo dos principais assuntos de 2006. E informamos que, a partir de janeiro, o Notas voltará a ser divulgado normalmente. Boa leitura e feliz ano novo! Notas Positivas é uma publicação da Assessoria de Comunicação do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde Dúvidas, sugestões, críticas e pedidos de cadastramento podem ser enviados para [email protected] Aids preocupa empresas dia 13 - O Fórum Econômico Mundial divulgou pesquisa com mais de 11 mil executivos de 117 países mostrando a crescente preocupação das empresas com o impacto da aids em seus negócios. De 2004 para 2005, subiu de 37% para 46% o número de companhias que prevêem que o HIV irá afetar seus negócios nos próximos cinco anos. Mas, apesar da preocupação, políticas internas relacionadas à aids ainda são pouco disseminadas no ambiente corporativo. Globalmente, só 6% das empresas têm regras por escrito e apenas 14%, programas informais. E, das empresas que possuem políticas próprias, só 53% oferecem programas de prevenção. Segundo o relatório, o setor privado só tem a ganhar com programas voltados para a prevenção, porque eles prolongam a vida útil dos empregados. O relatório aponta como desafio converter a preocupação em programas que reduzam o impacto da doença sobre suas operações. Os estudos anteriores já haviam constatado que a maior prevalência do HIV entre os jovens pode ser um sério problema para os empregadores. Margens de lucro podem ser afetadas em companhias que dependem de mão-de-obra intensiva. O relatório aconselha empresas a quantificar os riscos relacionados ao HIV e a implementar políticas para impedir discriminação e garantir direitos dos portadores do HIV. Além de ações nestas áreas, o Fórum sugere que as empresas ajudem os empregados a terem acesso a anti-retrovirais, em vez de trabalhar somente a prevenção. Países da América Latina e do Caribe buscam acesso universal dia 15 - Representantes de 18 países da América Latina e Caribe espanhol apresentaram, em Brasília, estratégias para garantir o acesso universal a insumos de prevenção, assistência e tratamento do HIV e aids até 2010. O anúncio concluiu as atividades da “Consulta regional: em direção ao acesso universal à prevenção, tratamento e assistência do HIV e aids na América Latina e Caribe”. Os problemas comuns apontados pelos países foram desde escassez de recursos humanos capacitados para atuar na área de HIV e aids até o pouco envolvimento governamental e da sociedade civil. Alguns países ainda enfrentam outras dificuldades, como a interferência da Igreja Católica para o acesso ao preservativo; falta de recursos para a aquisição de insumos; o preconceito e estigma que atingem as pessoas que vivem com HIV e aids. Como recomendações para garantir o acesso universal à prevenção e à assistência e ao tratamento na América Latina e Caribe espanhol, os participantes citaram a criação de indicadores para avaliar o acesso nas duas regiões, além da busca de aliados internacionais para corrigir problemas de acordos econômicos e políticos que impedem adquirir medicamentos por melhores preços. No âmbito nacional, foram sugeridas a intensificação das ações de prevenção e a melhora da capacitação de profissionais que trabalham com HIV e aids, o reforço de políticas públicas para prevenir a discriminação, a realização de consultas nacionais sobre acesso universal e o fortalecimento da sociedade civil. Janeiro 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Fevereiro Feijoada do Vista-se Folia com duplo sentido dia 12 - E o “Vista-se” caiu no samba. Foi em uma feijoada no Centro Cultural Cartola, ao lado da quadra da Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro. Em reduto verde-e-rosa, o samba ficou por conta da bateria azule-branco da Unidos de Vila Isabel, que duas semanas depois conquistou o título de campeã do carnaval 2006. Mais de 300 pessoas comeram a típica feijoada carioca e cantaram clássicos do samba. Entre eles, um time de famosos: Isabel Filardis, Taís Araújo, Zezé Motta, Carlinhos de Jesus, Adriana Bombom, Rosemary, Terezinha Sodré, Emílio Santiago, Antônio Pitanga, Rocco Pitanga, Netinho e a transformista Isabelita dos Patins. A promoção foi do Ministério da Saúde, em parceria com o projeto “Só alegria vai contagiar neste carnaval”, que desde 1992 trabalha com prevenção das DST e da aids no mundo do samba do Rio. As ações acontecem nos barracões das escolas de samba, no Terreirão do Samba e no Sambódromo. “Nosso papel é preservar a vida”, diz o professor Márcio Tadeu, coordenador do projeto. dia 19 - O ator Luis Fernando Guimarães foi a estrela da campanha para o carnaval de 2006. Com o slogan “Camisinha, não saia sem ela”, a campanha mostrou Luis Fernando dizendo frases de duplo sentido para dar o recado ao folião: usar a camisinha durante a festa. Os vídeos e spots de rádio com 30 segundos de duração foram veiculados de 19 a 28 de fevereiro. Nas capitais, foram montados banners para pontos de ônibus e outdoors. Também foram produzidos 1 milhão de folhetos e 50 mil cartazes para bares. Os folhetos serviram de apoio para a distribuição do preservativo e tinham orientações sobre o jeito correto de usar a camisinha e informações sobre as formas de infecção pelo HIV e outras DST. Todos os materiais foram impressos com a marca “Vista-se”, que virou o “carimbo” das ações de promoção do uso do preservativo. A produção da campanha teve a participação do grupo de trabalho de comunicação, formado por representantes de organismos internacionais, dos governos federal, estaduais e municipais e da sociedade civil. Taxa de passagem origina Unitaid USAID e abstinência no Brasil Consulta sobre acesso universal a ARV dia 1 - Em encontro de representantes de 95 países, ocorrido em Paris, por iniciativa dos presidentes do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, e da França, Jacques Chirac, promoveu-se a discussão sobre formas inovadoras de financiar o desenvolvimento dos povos, lutar contra doenças como a aids e a malária e promover a solidariedade entre países do Norte e do Sul. Na reunião, foi lançada a idéia de adotar uma “taxa solidária” sobre passagens de avião e, com o dinheiro, criar um fundo para comprar medicamentos. A idéia foi aprovada por Brasil, França, Chile e Noruega. A idéia serviu, mais tarde, de base para criar a Central Internacional de Compras de Medicamentos (para aids, malária e tuberculose), a chamada Unitaid. Ao contrário de outras iniciativas do gênero, a Unitaid terá fontes sustentáveis de financiamento (as tarifas aéreas e outras fontes inovadoras). “Sem financiamento de longo prazo, os países não podem ampliar o acesso ao tratamento da aids ou modificar o tratamento para malária”, disse o economista Michel Lotrowska, da ONG Médicos Sem Fronteiras no Brasil, em artigo publicado em outubro, no jornal O Globo. Segundo Lotrowska, a particularidade da Unitaid vem do seu objetivo de interferir diretamente no mercado de medicamentos, estimulando a concorrência e negociando diretamente com os produtores para garantir preços baixos. “As reduções voluntárias de preços e os preços diferenciais praticados pelas multinacionais não são suficientes, ameaçando os programas de acesso a medicamentos nos países em desenvolvimento”. dia 10 - Por meio de ofício, Programa Nacional convidou a Agência Norte-Americana para Desenvolvimento Internacional (Usaid) a prestar esclarecimentos na reunião da Comissão Nacional de Aids (CNAIDS). Um projeto piloto da Usaid previa duas ações que se baseavam na abstinência e na fidelidade como métodos de prevenir a aids. Uma das ações, direcionada para trabalhadores, pregava a abstinência e a fidelidade. A outra, recomendava a abstinência como melhor forma para evitar a doença entre a população jovem. Abstinência e fidelidade são a base da chamada política ABC, que prega, além desses dois elementos, o uso do preservativo somente em último caso como formas de evitar a infecção pelo HIV. O Brasil é totalmente contra essa estratégia, pois tem sua política de prevenção centrada na promoção do uso do preservativo para pessoas com vida sexual ativa. Em 2005, o Brasil não aceitou manter o acordo de cooperação com a Usaid porque a agência americana passou a exigir que as ONG que receberiam recursos declarassem ser contrárias à prostituição. Um acordo firmado em 2003 previa investimentos de US$ 48 milhões, até 2008. Com o episódio, o governo federal realocou recursos próprios para continuar os trabalhos com os profissionais do sexo. A decisão de recusar o financiamento da Usaid teve apoio da CNAIDS e de diversas organizações da sociedade civil que trabalham a prevenção das DST e da aids entre profissionais do sexo. dia 22 - Terminou, em Brasília, a Consulta Nacional para o Acesso Universal. O documento serviu de subsídio para o posicionamento que o Brasil apresentou na Sessão Especial para Aids, que ocorreu na Assembléia das Nações Unidas, em Nova York, em maio. A consulta resultou em documento com recomendações para superar obstáculos regionais para efetivação da política brasileira de acesso universal. Foram discutidos avanços e obstáculos de quatro grandes temas: a organização da rede de serviços e gestão do sistema (infra-estrutura, recursos humanos), o acesso aos insumos de prevenção, diagnóstico, assistência e tratamento do HIV e aids; a atenção e enfrentamento do estigma e preconceito aos grupos sociais mais vulneráveis, como profissionais do sexo, população GLBT, população negra e usuários de drogas e a descentralização dos recursos financeiros. Março 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 Abril Sai Chequer, entra Mariângela Teste rápido em Curitiba Camisinha de cara nova dia 4 - O sanitarista Pedro Chequer deixou a direção do Programa Nacional, depois de quase dois anos. Em seu lugar, assumiu a sanitarista Mariângela Simão, que desde junho de 2005 era diretora-adjunta. Chequer, que já havia dirigido o Programa Nacional de 1996 a 2000, estava licenciado do Programa das Nações Unidas para Aids (Unaids), reassumiu suas funções na organização; primeiro, no Panamá; depois, na Argentina. dia 7 - Um dia destinado à testagem para o HIV com uso do teste rápido. Foi essa a estratégia que Curitiba utilizou para sensibilizar a população sobre a importância do teste de aids. Ao todo, 26 unidades de saúde da cidade atenderam os interessados em fazer os exames. “O teste é grátis, indolor, preciso. O resultado é sigiloso e sai rapidinho”, anunciava a cantora Daniela Mercury, na campanha publicitária que foi veiculada em rádios, tevês e jornais, convocando os curitibanos para o Dia de Mobilização contra a Aids. O governo federal pretende aumentar o uso do teste rápido na rede pública. Estima-se que, das 160 mil pessoas que fizeram teste de HIV em 2005, 30% não voltaram para buscar o resultado. O teste rápido já é usado em alguns serviços de saúde, como maternidades, e em regiões de difícil acesso. A meta é treinar profissionais e utilizar o teste rápido em todos os CTA das capitais até o fim de 2007. Em 2006, foram treinadas 400 pessoas em 17 estados para utilizar o teste rápido como diagnóstico. dia 14 - As camisinhas distribuídas pelo Ministério da Saúde ganharam nova embalagem, com a marca Vista-se, símbolo das ações de promoção do uso do preservativo como forma de prevenir a aids e outras DST. A marca vem sendo usada desde o carnaval de 2005. O principal motivo da mudança foi facilitar a identificação de que o preservativo é um produto gratuito. As novas embalagens são roxas, com o slogan da campanha escrito em amarelo. Pesquisa de comportamento sexual encomendada pelo Ministério da Saúde mostrou que o uso da camisinha na primeira relação sexual entre a população de 16 a 19 anos passou de 48%, em 1998, para 66%, em 2005. Em 1986, um estudo semelhante revelou que somente 9% da população brasileira disseram ter usado preservativo na primeira relação. Acordo reduz em 50% preço do anti-retroviral tenofovir dia 10 - Acordo do Ministério da Saúde com a empresa Gilead Science reduziu em 50,52% o preço do tenofovir, um dos medicamentos do coquetel para tratamento de pacientes com aids. Com isso, o custo do comprimido caiu de US$ 7,68 para US$ 3,80 (R$ 15,82 para R$ 7,83). A negociação permitirá reinvestimentos no próprio programa de US$ 31,4 milhões por ano. O remédio é distribuído pelo governo federal para 11 mil pacientes. Para Mariângela Simão, diretora do Programa Nacional de DST e Aids, com o acordo será possível expandir em até 50% a distribuição gratuita do medicamento até o final do ano. “O tenofovir passa a ser um medicamento de escolha de primeira linha. Ao reduzir o custo, isso possibilita o aumento do número de pacientes atendidos. Devemos fechar o ano com 15 mil ou 16 mil pessoas atendidas”, afirmou. O remédio, segundo ela, tem vantagens pela eficácia terapêutica, pela dosagem única no dia e pela redução de sintomas colaterais. Segundo Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde na época do acordo, “exceto pelos programas humanitários, o Brasil tem agora o melhor preço para o medicamento em toda a América Latina”. O acordo já vale para a aquisição de 8,1 milhões de cápsulas neste ano pelo governo brasileiro. Com a negociação, fica garantido o abastecimento do remédio. Jarbas Barbosa disse ainda que, assim como no caso do Kaletra, o novo preço do tenofovir não obriga o Brasil a comprar uma quantidade fixa do produto. Variará conforme a necessidade dos pacientes. O governo brasileiro ainda continua negociando o preço de um terceiro medicamento anti-retroviral -o efavirenz, da Merck. Lançado novo Consenso Terapêutico dia 23 - Ministério da Saúde lançou a publicação “Recomendações para terapia anti-retroviral em adultos e adolescentes infectados pelo HIV 2006”, voltada para médicos que atuam na área. Os objetivos são definir condutas terapêuticas seguras, descartando as combinações não aceitáveis de medicamentos e facilitar a logística de programação, aquisição, distribuição e controle de antiretrovirais. A primeira edição do documento foi publicada em 1994. Uma das novidades desta edição são indicações e restrições sobre vacinas para pessoas que vivem com HIV e aids. A publicação explica, por exemplo, que adolescentes e adultos sem alterações imunológicas devem receber todas as doses disponíveis e recomendadas no calendário nacional de vacinas. Entre os pacientes que apresentam debilidade no sistema imunológico sugere-se a avaliação individual entre os riscos e os benefícios das vacinas com agentes vivos ou atenuados, como febre amarela, poliomelite, sarampo e varicela. No caso dos soropositivos com o sistema imunológico gravemente comprometido, não se recomenda esse tipo de imunização. Pela primeira vez também estão disponíveis os preços unitários dos anti-retrovirais distribuídos no País. Além disso, a publicação mostra a interação dos anti-retrovirais com alimentos, efeitos colaterais da medicação e orienta o que deve ser feito em caso de exposição acidental ou por meio de violência ao vírus da aids. Maio 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 UNGASS: relatório conservador Lançada cartilha para lésbicas dia 3 - A Conferência das Nações Unidas sobre HIV e Aids (UNGASS) terminou com a elaboração de um documento que servirá de base para governos, ativistas e grupos privados atuarem no enfrentamento da epidemia no mundo. A declaração estabelece que será necessário mais do que o dobro de verba para fundos internacionais de combate à aids. Em vez dos atuais US$ 8,3 milhões, US$ 23 milhões. E também que o acesso à prevenção e ao tratamento seja universal até 2010. Se houve avanços quanto ao aumento de recursos, a reunião da UNGASS não foi tão produtiva no que diz respeito à prevenção. O documento aprovado promove um comportamento sexual “responsável”, o que inclui a fidelidade e a abstinência, além do uso de preservativos. O Brasil e outros países mais progressistas, além de representantes da sociedade civil, não conseguiram incluir na declaração uma menção explícita às necessidades dos usuários de drogas injetáveis, homens que fazem sexo com homens e profissionais do sexo. Em vez disso, a declaração inclui um compromisso para ajudar e não discriminar as populações vulneráveis. dia 15 - A cartilha com dicas de saúde para lésbicas e mulheres bissexuais foi lançada pelo Ministério da Saúde durante as atividades da 10ª Parada do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo, nos dias 15 a 17. A iniciativa foi motivada pela baixa procura, por parte dessa população, por consultas ginecológicas e serviços do Sistema Único de Saúde. Depois de uma série de encontros com grupos de lésbicas de várias regiões do país, constatou-se que os profissionais de saúde abordam de maneira inadequada a sexualidade de mulheres lésbicas e bissexuais. Uma das queixas é a de que os profissionais de saúde, muitas vezes, perguntam apenas se a mulher é casada. Se for solteira, não perguntam se tem vida sexual ativa. A cartilha Chegou a Hora de Cuidar da Saúde traz dicas e aconselha: “Quando procurar um profissional de saúde, não tenha medo de falar sobre seus desejos e práticas sexuais”. A publicação foi elaborada pela Área Técnica da Saúde da Mulher, pelos Programas Nacionais de Hepatites Virais e de DST/Aids, e por especialistas e representantes de movimentos sociais. Junho Encontro reúne redutores de danos em serviços de saúde dia 26 - O fortalecimento das ações de saúde entre usuários de drogas injetáveis foi o tema central do primeiro Encontro Nacional de Redução de Danos em Serviços de Saúde. Estiveram reunidos em Santo André (SP) gestores, redutores de danos e profissionais que atuam nas áreas de doenças sexualmente transmissíveis e aids, saúde mental e hepatites. No encontro, foram discutidos temas como a formação de redutores de danos, o intercâmbio de experiências inovadoras entre os vários programas e práticas de redução de danos no Brasil e o debate sobre as questões relativas ao consumo de substâncias psicotrópicas. Seminário discute aids e religião dias 6 e 7 - O reconhecimento da necessidade de um amplo debate das questões da aids dentro das diferentes instituições religiosas brasileiras foi um dos consensos do Seminário Aids e Religião, realizado nos dias 6 e 7, em Brasília, por iniciativa da Comissão Nacional de Aids. O objetivo do encontro foi entender as diversas religiões brasileiras e suas implicações no campo da saúde, em especial em relação à aids e ao HIV. Carlos Passarelli, diretor-adjunto do PN-DST/AIDS, lembrou que o evento foi fruto do reconhecimento da necessidade de trabalhar a questão da aids e da religião com o respaldo das instituições que estão mais diretamente envolvidas no tema, como ONG e instituições religiosas. Também foi discutida a necessidade da produção de material educativo que contemple as especificidades religiosas brasileiras na questão da aids e religiosidade, assim como a formação de um comitê aids e religião ligado ao Programa Nacional, formado por diferentes matrizes religiosas e representações de grupos mais vulneráveis na questão da aids. Outra sugestão foi que o seminário se estenda em nível regional para ampliação da discussão. Para Tânia Mara Vieira Sampaio, do Conselho das Organizações de Igrejas Cristãs (Conic), é necessário num primeiro momento, “uma compreensão geral, ou pelo menos uma perspectiva de como essa complexidade acaba interferindo ou refletindo nas questões de HIV e aids no processo de prevenção, de cuidado, de assistência e da adesão aos tratamentos”. Rio de Janeiro sedia consulta global sobre aids e profissionais do sexo dia 12 - O Rio de Janeiro foi sede da primeira consulta técnica global sobre a relação entre a epidemia de aids e o sexo comercial. Oitenta representantes de governos e da sociedade civil de diversos países estiveram reunidos, entre os dias 12 e 14, para discutir os direitos humanos de profissionais do sexo, a vulnerabilidade dessa população ao HIV e o acesso universal a serviços sociais e de saúde. No encontro, Mariângela Simão, diretora do PNDST/AIDS, afirmou que um dos desafios é tornar a rotina do profissional do sexo mais segura, em relação ao risco de infecção pelo HIV. “Isso envolve também questões como segurança do ambiente de trabalho, estigma, discriminação e violência física e psicológica”. Alguns participantes mencionaram a abstinência e a fidelidade como formas de prevenir a aids (base da política ABC, defendida pelos Estados Unidos) e criticaram, de forma discreta, países que não consideram a prostituição crime, como o Brasil. Aqui, quem se prostitui não comete crime, mas quem explora a prostituição, sim. No Brasil, ações de prevenção das DST e da aids com os profissionais do sexo existem desde o início da epidemia, nos anos 80. Em nosso país, os trabalhadores sexuais têm acesso a direitos básicos, como o recolhimento de contribuição previdenciária e o reconhecimento de sua atividade profissional pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A consulta global foi organizada por entidades das Nações Unidas (UNAIDS e UNFPA) e pelo Ministério da Saúde. Sistema avalia serviços dia 17 -Lançado o Qualiaids, sistema de avaliação da qualidade dos serviços públicos de atenção aos portadores de HIV e doentes de aids no Sistema Único de Saúde (SUS). Desenvolvido pelo Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo (USP), em parceria entre o PN-DST/AIDS, o sistema permite que as Coordenações Estaduais e Municipais de DST e Aids, gerentes, equipes de assistência ambulatorial e pessoas vivendo com HIV e aids avaliem e monitorem a qualidade dos serviços de atendimento. O monitoramento é feito por meio de questionário eletrônico, com itens que avaliam a organização da assistência local. Ao final das respostas, o programa emite um relatório que classifica os indicadores da qualidade da assistência em três níveis. As informações podem ser acessadas no site www.aids.gov.br/qualiaids. Julho 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Agosto Mundo discute aids em Toronto Ironman promove preservativos dia 13 - A XVI Conferência Internacional de Aids reuniu entre os dias 13 a 18, em Toronto, Canadá, cerca de 25 mil representantes da sociedade civil, de universidades e da comunidade científica de todo o mundo para a discussão do tema da aids. O governo brasileiro foi representado pelos diretores do Programa Nacional de DST e Aids, Mariângela Simão e Carlos Passarelli. Os assuntos apresentados pelo Brasil durante a conferência foram desde pesquisas de vacinas anti-HIV e outras tecnologias de prevenção e de medicamentos, o acesso universal a anti-retrovirais de primeira e segunda linhas até a participação da sociedade civil e a integração entre prevenção e tratamento. Os representantes do Programa Nacional também participaram de discussões sobre propriedade intelectual, planejamento, gestão e desafios locais e globais para enfrentar a epidemia. Durante os cinco dias do encontro, o estande do Governo Brasileiro distribuiu nove mil peças, entre camisetas, pins, CD-ROM e revistas sobre experiências de enfrentamento da epidemia no Brasil. Na Conferência, os técnicos do Programa Nacional tiveram 20 pôsteres aprovados. De acordo com Mariângela Simão, os participantes do evento tiveram a oportunidade de conhecer o que dia 20 - O Ironman Brasil Telecom 70.3, única prova de triatlo da América Latina classificatória para o Campeonato Mundial Ford Ironman 70.3, foi disputado, pela primeira vez, em Brasília. O Ministério da Saúde apoiou a iniciativa, que promoveu o incentivo ao uso do preservativo com a divulgação da marca Vista-se. O campeonato foi aberto para atletas amadores e profissionais. Fernanda Keller, recordista sul-americana do campeonato mundial de Ironman, e Oscar Galindez, hexacampeão sul-americano de triatlo, participaram da prova. Os participantes da prova ganharam kits compostos por preservativos, toalhas e camisetas com a marca Vista-se. O trajeto tem a metade da distância de um Ironman tradicional, em milhas. São 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21 km de corrida. O Campeonato Mundial Ford Ironman 70.3 foi realizado no dia 11 de novembro de 2006, na Flórida (EUA). Foram classificados 100 atletas para essa competição. está acontecendo de novo no mundo e como os países estão construindo as suas respostas, havendo uma oportunidade para intercâmbio de experiências. Em relação o acesso universal aos medicamentos para aids, Mariângela expressou uma preocupação. “Saio da Conferência com a convicção de que muitos países terão dificuldade de acessar os anti-retrovirais de segunda linha e ainda não perceberam isso, porque iniciaram muito recentemente a terapia com esses medicamentos”. A diretora do Programa Nacional de DST e Aids também defendeu que os países precisam ter mais atenção nas questões referentes à propriedade intelectual e medicamentos, à negociação dos acordos bilaterais e aos financiamentos das agências internacionais. Saúde e Prevenção nas Escolas começa capacitação de jovens dia 8 - O Programa Saúde e Prevenção nas Escolas iniciou a formação de jovens pra trabalharem como disseminadores do tema. As primeiras oficinas regionais acontecem em Maceió, Alagoas e Florianópolis, Santa Catarina. Os 10 jovens dessa primeira etapa forma indicados pelo Grupo Gestor Estadual e serão referências para a disseminação da atividade nas escolas, principalmente as que já desenvolvem o Programa. Os participantes têm entre 14 e 24 anos e atuam em movimentos sociais, escolas, associações comunitárias e serviços de saúde. A primeira etapa foi em setembro, em Brasília, com a reunião de 36 jovens das cinco regiões do Brasil para avaliar e validar o Guia do Jovem Formador. A publicação traz informações sobre sexualidade, gravidez na adolescência, uso abusivo de drogas, participação juvenil com foco na prevenção à aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. O material foi apresentado para que o público-alvo da obra possa fazer sugestões e críticas sobre os temas e a linguagem apresentados. O intuito é que o guia sirva de base para a formação de jovens multiplicadores na área. Desde 1995 os ministérios da Saúde e da Educação reúnem esforços para que os temas em saúde sexual e saúde reprodutiva sejam trabalhados nas escolas. Lançado em 2003, o Saúde e Prevenção nas Escolas foi reformulado em 2005. Além da oferta de preservativos, da integração entre escolas e unidades básicas de saúde e da participação comunitária, foram incorporadas novas estratégias como o monitoramento das escolas, a execução de diretrizes para atingir alunos a partir das primeiras séries do ensino fundamental, o apoio a estados e municípios na constituição de grupos gestores intersetoriais, participação juvenil, a realização de oficinas macrorregionais, o apoio a eventos regionais, além da produção, impressão e distribuição de materiais educativos. A meta é que em 2007 toda a rede de ensino de educação básica trabalhe com promoção à saúde sexual e saúde reprodutiva. Santos sedia congressos de DST e aids dia 17 - Santos foi a sede do VI Congresso Brasileiro da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis e do II Congresso Brasileiro de Aids. O evento teve a participação de cerca de 3 mil pessoas, entre cientistas, representantes de organizações não-governamentais, gestores, estudantes e profissionais de saúde. Eles discutiram as doenças sexualmente transmissíveis de forma interdisciplinar, envolvendo as áreas de biologia, comportamento e pedagogia. A ênfase foi na atenção ao paciente portador de DST, desde a informação e o atendimento na rede básica de saúde até a relação com os agravos mais complexos ligados a essas doenças. O encontro serviu também para anunciar a data escolhida para o Dia Nacional de Combate à Sífilis, que passa a ser lembrada em todo o país no terceiro sábado de outubro (leia mais abaixo). No Brasil, estima-se que existem 10 milhões de novos casos de DST doenças sexualmente transmissíveis por ano – excluindo-se os casos de HIV. A maior incidência é de tricomoníase (4,3 milhões de casos), seguida da clamídia (1,9 milhão), da gonorréia (1,5 milhão), da sífilis (937 mil), do HPV (685 mil) e da herpes genital (640 mil). Quanto à sífilis congênita, estimam-se 48 mil casos por ano, mas apenas 5,7 mil foram notificados em 2005. Entre as prioridades do PN-DST/AIDS estão reduzir a transmissão vertical (de mãe para filho) do HIV e eliminar a sífilis congênita até 2007 (1 caso para 1000 nascidos vivos). Setembro 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Outubro ONU reitera compromisso com a aids Mobilização nacional contra a sífilis dia 13 - Em seu primeiro discurso como secretário-geral eleito da Organização das Nações Unidas, o sul-coreano Ban Kimoon, de 61 anos, listou os desafios que a ONU tem pela frente para atingir as Metas do Milênio. Entre eles, estão expandir as operações de paz, enfrentar o terrorismo, a proliferação das armas de destruição em massa, a aids, a degradação do meio ambiente e garantir os direitos humanos. O atual ministro do Exterior da Coréia do Sul assumirá o posto em 31 de dezembro, quando termina o mandato do ganês Kofi Annan. Mas os tempos já começaram a mudar. Dono de um estilo extremamente diplomático e chamado de “escorregadio”, Ki-moon mostrou que imprimirá à ONU estilo diferente daquele dos últimos dez anos. Com Annan, a ONU criou polêmica ao denunciar países que violaram leis internacionais, o que, para o bem ou para o mal, levou a ONU para o centro da política internacional. dia 21 - No Dia Nacional de Combate à Sífilis, os estados de Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul realizaram atividades de prevenção e combate à doença. Na programação, houve palestras, simpósios, seminários, distribuição de folhetos e atividades educativas. Alguns estados também intensificaram a realização do teste anti-sífilis em gestantes. Este ano, a data teve como foco a eliminação da sífilis congênita, transmitida da mãe para o bebê. A meta do Ministério da Saúde é erradicar a sífilis congênita até 2007. O tema da primeira edição foi “Caminhando para a eliminação da sífilis congênita”. A sífilis pode ser transmitida por meio de relações sexuais sem preservativos, transfusão de sangue contaminado e da mãe para o bebê, durante a gestação e o parto. A Organização Mundial de Saúde considera que a doença é eliminada quando existe a ocorrência de menos de um caso para cada mil nascidos vivos. No Brasil, a taxa atualmente é de 1,6. Em adultos, estima-se que ocorra quase 1 milhão de novos casos sintomáticos por ano. Tramita no Congresso Nacional o projeto de lei 7477/06, que institui no calendário de datas oficiais do Brasil o Dia Nacional de Combate à Sífilis Congênita. Se for aprovado, o projeto reforçará as ações de conscientização da população, aumentando a testagem entre as gestantes. Troca de experiências no “Vivendo” dia 13 - Mais de 700 pessoas participaram, no Rio de Janeiro, do XIII Encontro Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/ Aids, o Vivendo, encontro que contou com a presença de portadores de HIV/aids de todo o Brasil, de ativistas, profissionais de saúde, pesquisadores e representantes dos Estados Unidos e de Angola. Idealizado pelo Grupo Pela Vidda, em 1989, o evento tem por objetivo a ruptura do isolamento e a garantia da dignidade dos doentes de aids. Considerado a maior reunião comunitária sobre aids realizada na América Latina, o “Vivendo” tem por finalidade “ajudar as pessoas a perceberem que não estão sozinhas. E que tenham idéia do tamanho de todos os problemas para, assim, aprenderem, umas com as outras, e se fortalecerem politicamente”, explicou o vice-presidente do Grupo Pela Vidda, George Gouvêa. VI Congresso de Prevenção reúne 3 mil participantes em Belo Horizonte de 4 a 7 - O VI Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids reuniu cerca de três pessoas em mais de 132 atividades, em Belo Horizonte (MG). O tema central foi “Promoção da saúde e eqüidade - desafios da prevenção e assistência das DST e Aids no SUS”. A ampla programação cultural, com shows, apresentações teatrais e mostra de filmes, foi um dos destaques do evento. Entre as atrações, teve as apresentações do Coral das Lavadeiras do Jequitinhonha e da cantora Ceumar, na abertura; e o desfile da grife Daspu, no encerramento do Congresso. “A arte é uma importante ferramenta de prevenção, porque aborda, de maneira leve e criativa, assuntos sérios, como o respeito às diferenças e o enfrentamento da epidemia”, disse Mariângela Simão, diretora do Programa Nacional de DST e Aids. Durante o Fórum Mulheres, Diversidade e Respostas à Epidemia, foi lançado um plano nacional de ações e metas para enfrentar o crescimento da epidemia de aids entre as mulheres para o próximo dois anos. O lançamento contou com presença da ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres da Presidência da República, e de representantes do PN-DST/AIDS e das áreas técnicas da Saúde da Mulher e da Atenção Básica do Ministério da Saúde. Entre as estratégias do plano, estão diminuir a taxa de incidência da sífilis congênita, implantar novas redes de atenção às pessoas em situação de violência doméstica e sexual, ampliar a realização de testes de HIV e exames ginecológicos e aumentar divulgação de informações sobre prevenção, inclusive nas escolas de ensino médio da rede pública que disponibilizam preservativos. Também foi lançado no Congresso o Prêmio Inovação Tecnológica em Prevenção das DST e Aids. A iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação premiará os melhores projetos de máquinas dispensadoras de preservativos desenvolvidos por escolas técnicas federais. O prêmio é voltado aos Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefet) e pretende incentivar a participação de estudantes e professores, que serão os elaboradores do projeto de máquinas dispensadoras de preservativos. Outro destaque do Congresso foi a participação de jovens do Programa Brasil AfroAtitude, voltado para apoiar estudantes negros bolsistas de dez universidades do país. Dos 500 participantes do programa, 383 foram ao Congresso. Eles fizeram manifestações contra o racismo e pediram a manutenção do AfroAtitude. O Relatório Final provisório e outros documentos referentes ao VI Congresso Brasileiro de Prevenção das DST e Aids já estão disponíveis no site www.aids.gov. br/congressoprev2006. Além do relatório, podem ser acessados na página as cartas e moções apresentados durante o evento e fazer download do material das conferências, fóruns, simpósios e mesas redondas apresentados durante os quatro dias do congresso. Novembro 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 Dezembro Acesso universal completa dez anos Novos números da epidemia dia 13 - Neste dia, completou dez anos a lei 9.313, que garante o acesso universal ao tratamento com medicamentos anti-retrovirais. Em uma década, o número de mortes por conta da aids caiu de 15.017 óbitos, em 1996, para 11.026, em 2005. Nesse período, estima-se uma redução de 80% no total de hospitalizações relacionadas à aids. Isso significa aproximadamente 635 mil internações evitadas. Hoje, 175 mil pessoas recebem o tratamento anti-aids pelo Sistema Único de Saúde. São distribuídas 17 drogas – oito nacionais e nove importadas. dia 21 - Boletim Epidemiológico 2006 aponta queda de 51,5% nos casos de transmissão vertical, quando o HIV é passado da mãe para o filho, durante a gestação, o parto ou a amamentação. Em 1996, foram registrados 1.091 casos. Em 2005, foram 530. O boletim também indicou tendência de crescimento da epidemia entre pessoas com mais de 50 anos e entre negros e pardos, diminuição entre homossexuais e aumento entre bissexuais e heterossexuais. Nas mulheres, a epidemia avança em praticamente todas as faixas etárias. De 1980 a junho de 2006, o número de casos de aids acumulados é de 433.067. Hoje, estima-se que 600 mil pessoas vivem com HIV e aids no Brasil, número que permanece estável desde 2000. No mesmo dia, o UNAIDS, programa da ONU sobre HIV e aids, divulgou relatório sobre a epidemia no mundo. A doença está atingindo mais os jovens de 15 a 24 anos, responsáveis por 40% dos 4,3 milhões de novas infecções pelo vírus em 2006. Atualmente, existem 39,5 milhões de pessoas com HIV e aids no mundo. Do total, 17,7 milhões são mulheres e 2,3 milhões, crianças com menos de 15 anos. A África subsaariana é a região mais afetada pela epidemia: concentra 63% dos infectados do mundo. Na América Latina, a epidemia se mantém estável, com 1,7 milhão de infectados. Em 2005, houve 2,9 milhões de mortes em decorrência da doença, sendo 380 mil em crianças. Homofobia vira crime dia 23 - Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que tipifica os crimes de discriminação por orientação sexual. O projeto prevê pena de um a três anos de prisão para quem, por exemplo, tentar proibir o ingresso ou a permanência de homossexuais, bissexuais e transgêneros em locais abertos ao público. Para entrar em vigor, o texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado. De autoria da deputada Iara Bernardi (PT-SP), que não se reelegeu em 2006, o projeto modifica a chamada “Lei do Racismo”, que trata de discriminação por raça, cor e etnia. Também altera o Código Penal e a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). A aprovação do projeto de lei foi bastante comemorada por ativistas. dia 1º - “Lutem contra o HIV, não contra quem tem o vírus”. A frase da advogada gaúcha Beatriz Pacheco foi a síntese do Dia Mundial de Luta Contra a Aids no Brasil (veja fotos na última página). Aos 58 anos, ela vive com aids há nove. O ator carioca Cazu Barroz, 34 anos, tem aids desde os 17. Os dois foram os protagonistas da campanha do Ministério da Saúde para a data deste ano, que teve o foco nas pessoas que vivem com aids. Os depoimentos de impacto da dupla surtiram efeito: foi uma das campanhas de maior repercussão no Brasil. Em Brasília, foram lançadas metas para reduzir a transmissão vertical do HIV e eliminar a sífilis congênita. Teve também o lançamento do “Caderno das Coisas Importantes”, voltado para alunos de escolas públicas, e a instalação artística “Contatos”, da artista Bia Lessa.A obra ocupou 24 mil m² do gramado central da Esplanada dos Ministérios. A instalação foi composta por 12.090 estacas de madeira pintadas de branco e decoradas com fitas vermelhas e com o nome e a idade de mil pessoas, que tinham ou não o HIV. A obra também tinha a inscrição “Eu me escondia para morrer, hoje me mostro para viver”, pintada no gramado; quatro laços vermelhos gigantes feitos com balões de gás; e projeções de frases em raio laser nas torres do Congresso Nacional. Nos vemos em 2007... EDIÇÃO E REDAÇÃO: Daniela Brito, Nara Anchises, Nivaldo Coelho e Rodrigo Hilário PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO: Isabela Faria JORNALISTA RESPONSÁVEL: Alexandre Magno MTb 9797/2001 Acesse o nosso site: www.aids.gov.br