Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa Lato Sensu em Gestão Educacional Trabalho de Conclusão de Curso O PROUNI E A INSERÇÃO DE ESTUDANTES NAS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUPERIOR Autora: Adriana Pereira dos Santos Silva Orientador (a): MSc. Cristian de Oliveira Lobo Campos Brasília - DF 2013 ADRIANA PEREIRA DOS SANTOS SILVA O PROUNI E A INSERÇÃO DE ESTUDANTES NAS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUPERIOR Artigo apresentado ao curso de especialização em Gestão Educacional da Universidade Católica de Brasília, como requisito parcial para obtenção do Título de Especialista em Gestão Educacional. Orientador (a): MSc. Cristian de Oliveira Lobo Campos Brasília 2013 RESUMO A Educação Superior, ao longo dos anos, vem se expandindo de forma significativa, apresentando-se como base de melhoria de vida e conquista de sonhos. O Governo Federal disponibiliza a sociedade Políticas Públicas que ofertam oportunidades de acesso ao Ensino Superior, principalmente a classe menos favorecida economicamente, democratizando o acesso a este ensino. Partindo desse pressuposto, este trabalho apresenta o programa PROUNI como política pública relevante para a expansão da Educação Superior, além de apoio para estudantes que não possuem condições de ingressarem em uma instituição superior. Tendo como foco a oferta de bolsas em instituições de ensino superior privadas, pode-se constatar de forma clara, através dos dados estatísticos levantados, a ampliação de matrículas nesta categoria, assim como o aumento no número de instituições, dentre outros fatores contribuidores para a Educação Superior. Em termos sociais, é notável a participação do Programa, favorecendo a população de baixa renda e promovendo o acesso através das Ações Afirmativas, além de preocupar-se com o fornecimento de um ensino de qualidade e a permanência do aluno neste ensino. A relação estabelecida entre o Programa e as Instituições de Educação Superior mobiliza práticas educativas que garantem aspectos sociais, culturais e econômicos, promovendo mudanças significativas em médio e longo prazo sendo socialmente justas, culturalmente aceitas e economicamente possíveis. Com base nesta parceria, o Prouni se torna uma questão estratégica e sustentável para as Instituições de Ensino Superior no Brasil. Palavras-chave: PROUNI. Educação Superior. Expansão. Democratização. Acesso. AGRADECIMENTO Primeiramente a Deus, pela sua presença constante em minha vida em todos os momentos e sempre me encaminhar para o caminho do bem. A minha orientadora, Professora Cristian, pelos importantes ensinamentos e direcionamentos nesse caminhar. Aos meus pais, Elba e Gerson, por todo amor, carinho e apoio incondicionais. Ao meu namorado André, pelo apoio durante toda a minha trajetória durante o curso. Enfim, a todos que contribuíram direta ou indiretamente para o desenvolvimento do trabalho. INTRODUÇÃO A união de Políticas Públicas Educacionais com a Educação Superior tem proporcionado a esta um desenvolvimento econômico e social, adquirindo assim contornos mais amplos. Nesse contexto, a parceria entre uma Instituição de Ensino Superior com uma Política Pública capaz de unir os elementos necessários para proporcionar o desenvolvimento nestes campos, é fundamental para que se alcance o objetivo esperado. Com o passar dos anos, Políticas Públicas Educacionais são criadas para proporcionar e facilitar o acesso ao Ensino Superior, visando atender as demandas da sociedade. Perante essas criações, as Instituições de Educação Superior aderem de forma significativa a essas Políticas, ampliando o acesso a este ensino e desenvolvendo-se economicamente e socialmente. O segmento privado do Ensino Superior busca, junto ao Estado e a sociedade, seu fortalecimento econômico e social. Concomitantemente, atua junto à sociedade civil na tentativa de angariar uma imagem positiva de seu sistema de educação superior, apresentando-o como mais democrático, mais eficaz, mais desenvolvido e capaz de acompanhar as transformações da sociedade global. Nesta compreensão, duas características marcam o desenvolvimento do Ensino Superior no Brasil, a social e a econômica. Para que o desenvolvimento da Educação Superior seja constante e a sua atuação eficaz, se faz necessário promover processos educativos que possibilitem mudanças e o alcance de novos desdobramentos, associando ensino de qualidade, visão social e econômica. Deste modo, a associação a uma Política Pública Educacional que reúna todos estes aspectos, pode dispor de resultados positivos. Tendo em vista a motivação pessoal aliada com a atuação profissional na Secretaria de Educação Superior – SESU, atendendo demandas de estudantes e comunidades acadêmicas referentes aos programas Prouni, Sisu e demais assuntos da Educação Superior, houve o interesse em abordar o PROUNI – Programa Universidade para Todos, devido a sua abrangência, a importância para os menos favorecidos, os impactos na Educação Superior e demais particularidades. Partindo do princípio que o Programa impacta de forma positiva, pois contribui para a expansão do acesso à Educação Superior, além de favorecer em termos sociais. Sendo assim, este trabalho visa articular todos os elementos que compõem o PROUNI e coligá-los com o cenário atual que a Educação Superior se apresenta, compreendendo os vários sentidos que ambos se comportam e as dimensões amplas e integradoras que se tem alcançado, direcionando para um desenvolvimento sustentável. Criado pelo Governo Federal em 2004, o Prouni, na sua essência, é mais que um projeto de curso, ele é parte de um projeto de educação, que reflete um projeto de sociedade e que se transformou em compromisso coletivo, consolidando-se como importante política pública de acesso ao ensino superior. As reflexões e os dados levantados para o enriquecimento deste artigo traduzem um esforço em direção ao estabelecimento de um diálogo amplo sobre as práticas que se desenvolvem no âmbito do Prouni e o impacto deste sobre a concretização de compromissos educacionais e a sustentabilidade da Educação Superior em todas as esferas. As análises utilizadas no artigo permitiram configurar ideias e valores sobre a importância atribuída à Educação Superior, além disso, a análise mais atenta das Sinopses Estatísticas da Educação Superior divulgadas pelo INEP e os Dados Estatísticos divulgados pelo Prouni, permitiram notar informações minuciosas e analisar de forma completa, relacionando todas as situações envolvidas. No que tange a correlação Prouni e Educação Superior, explana-se o impacto do primeiro como base sustentável deste último, relacionando aspectos sociais e econômicos, todavia ambos com a mesma missão, formar cidadãos através de um ensino de qualidade. Entende-se que o esforço da Educação Superior, principalmente para àqueles menos favorecidos, deve incidir na formação cidadã de seus atores, para além do foco na competência profissional. Diante das possibilidades e potencialidades favoráveis da relação Prouni e IES, ocorrem avanços para formação dos sujeitos participantes deste Programa para a vida em sociedade, por meio do aprofundamento e fortalecimento da autonomia pessoal, a partir da relação com o conhecimento, a crítica, a reflexão e o exercício político da participação social, além da construção de uma história profissional. Esses bolsistas que jamais imaginaram que um dia poderiam cursar um Ensino Superior se deparam com uma nova realidade, tendo novas experiências e desenvolvendo competências, modificando assim, significativamente, a sua realidade até então vivida. As IES têm sua importância pela formação de capital humano e relevância social, além do dinamismo da economia e a elevação da qualidade do ensino. O capital humano gerado pelo ensino superior se materializa na transformação e melhor utilização dos meios e formas de produção, o que consequentemente melhora a condição de vida daqueles que se educam. A estimulação do crescimento econômico das IES é explicada pelos recursos atraídos por estas, além de outros fatores como a probabilidade de expansão das IES que traz uma série de benefícios para a localidade e sua população. A elevação na qualidade do ensino além de beneficiar o estudante, traz credibilidade para a IES. 1. PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS Em 2005 foi institucionalizado pela Lei 11.096, de 13 de janeiro, sob o decreto nº 5.493 de 18 de julho de 2005, o Programa Universidade para Todos – Prouni, que tem como finalidade a concessão de bolsas de estudo integrais e parciais em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições de ensino superior privadas. Criado pelo Governo Federal em 2004 oferece, em contrapartida, isenção de tributos àquelas instituições que aderem ao programa. O Prouni promove o acesso à educação superior rompendo a limitação imposta pela condição econômica, dirigido aos brasileiros com renda per capita familiar máxima de três salários mínimos, sem diploma de curso superior, além de egressos do ensino médio da rede pública ou da rede particular na condição de bolsistas integrais e professores da rede pública de ensino no efetivo exercício do magistério da educação básica para os cursos de licenciatura. Tais condições visam à diminuição das desigualdades sociais com a inclusão ao ensino superior, evidenciando o papel social democrático que o programa desempenha, possibilitando a continuidade dos estudos aos menos favorecidos. O MEC pretendia instituir o Prouni por meio de Medida Provisória. No entanto, a decisão do governo foi encaminhar Projeto de Lei (PL) ao Congresso em maio de 2004. Inicialmente, o PL previa apenas bolsas de estudo integrais concedidas a “brasileiros não portadores de diploma de curso superior e cuja renda familiar não exceda a um salário mínimo per capita” (BRASIL. MEC, 2004, Art. 1º, § 1º) [...]”. (CATANI, 2006, p.127) O programa Prouni oferta bolsas de acordo com o resultado do cálculo da renda familiar por pessoa, somando-se a renda bruta dos componentes do grupo familiar e dividindo-se pelo número de pessoas que formam esse grupo familiar. Diante disso, se o resultado for até um salário mínimo e meio, o estudante poderá concorrer a uma bolsa integral, caso seja maior que um salário mínimo e meio e menor ou igual a três salários mínimos, o estudante poderá concorrer a uma bolsa parcial de 50%. Devido à renda exigida, verifica-se que se trata de candidatos com perfil socioeconômico baixo, sendo assim entendese a inviabilidade de arcar com as despesas educacionais, impedindo-os de serem portadores de diploma de ensino superior. Por isso, uma das condições de participação do Programa, é não ser portador de diploma de ensino superior, pois, uma vez portador, caracteriza que o candidato pode arcar com as suas despesas educacionais, não sendo necessário ser beneficiado com a bolsa de estudo. Um determinado percentual de bolsas deve ser destinado às políticas afirmativas, reservando o acesso aos candidatos com deficiência e os candidatos que se autodeclararem pretos, pardos ou indígenas. Ao estabelecer as referidas cotas, o Programa trata a educação como uma das alternativas para vencer as desigualdades sociais. No Plano Nacional de Educação decretado pelo Congresso Nacional observa-se, no que tange ao financiamento e Gestão da Educação Superior, a identificação na educação básica, por parte das instituições de ensino superior, de estudantes com altas habilidades intelectuais nos estratos de renda mais baixa, com o intuito de oferecer bolsas de estudo e apoio ao prosseguimento dos estudos. Partindo desse pressuposto, um dos pré-requisitos para a apropriação da bolsa do Prouni é a realização do Exame Nacional do Ensino médio – ENEM que através do alcance da média exigida pelo programa, o candidato poderá ser préselecionado para o recebimento da bolsa, encaixando-se também ao perfil de baixa renda, além dos demais critérios exigidos pelo programa. Lembrando que o PNE para o decênio 2011-2020 consta no item 3.3, a utilização do exame nacional do ensino médio como critério de acesso á educação superior. As bolsas de estudo ofertadas pelo Programa Universidade para Todos abrem oportunidades para que os estudantes ingressem cada vez mais em uma instituição de ensino superior, além de ser um instrumento de democratização da educação superior no Brasil, garantindo a todos o ingresso, a participação e a aprendizagem nos diferentes níveis e modalidades de ensino. Ressaltando o desenvolvimento de ações afirmativas no âmbito do Ensino Superior, sustentando o pilar de uma educação para todos. Acreditamos que, como política de acesso ao Ensino Superior, o Prouni tem atingido seu público alvo: estudantes de baixa renda, com poucas chances de acesso ao Ensino Superior e que dificilmente seriam atendidos pelas IES públicas. No entanto, é preciso estar atento aos números, às estatísticas de atendimento, ao acompanhamento dessa política e, principalmente, aos egressos do Programa de modo que possam ser efetivadas mudanças, alterações e propostos novos rumos para o Programa na tentativa de tornar o Ensino Superior menos excludente, mais inclusivo e que seja possível ampliar a chegada de mais pessoas a esse nível de ensino sem perda de qualidade e sem desvio de recursos. (AMARAL, 2011, p.886) Nessa perspectiva, reforça-se a importância da transparência do Programa, investigando continuamente todas as extremidades que o cerca, garantindo a eficácia do mesmo, em busca de uma política integradora e inclusiva. Ampliando assim as oportunidades no ensino superior, gerando maior acessibilidade da população carente a esse nível de ensino. As universidades têm um importante papel na inclusão, promoção da participação e da independência das pessoas com necessidades educacionais especiais e demais grupos minoritários, possibilitando uma distribuição igualitária desse direito. (SARAIVA, 2011, p.943) Em resposta, as instituições de ensino superior não devem apenas pensar em seu próprio benefício, mas priorizar a democratização do acesso ao ensino superior, promovendo a inclusão social e a permanência do estudante, participando ativamente de todo o processo que envolve as pessoas. No entanto não basta apenas democratizar o ensino, é preciso promover inclusão social com qualidade, por isso um dos critérios para a manutenção da bolsa do Prouni é o rendimento acadêmico do estudante, sendo o mesmo tendo que ser aprovado em, no mínimo, 75% do total das disciplinas cursadas em cada período letivo, garantindo o seu bom desempenho, caso contrário poderá ter a sua bolsa encerrada. Como acontece na implementação de grande parte das políticas de inclusão na área da educação, foram levantados questionamentos relativos a uma possível queda na qualidade do ensino nos cursos superiores, devido à entrada dos bolsistas do ProUni. Esses questionamentos estavam baseados no pressuposto de que os bolsistas do ProUni seriam academicamente mais fracos que os alunos pagantes e comprometeriam o nível das turmas. Do outro lado, os responsáveis pelo Programa afirmavam que a exigência de que o candidato tire uma nota mínima no Enem, aliada aos demais critérios, teria justamente a intenção de conjugar a inclusão à qualidade e ao mérito dos estudantes com melhores desempenhos acadêmicos. (MEC, 2009, p.15) A qualidade não é somente comprovada no rendimento acadêmico dos estudantes, porém, também, no desempenho do mesmo no Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, onde tiveram que obter as melhores notas. Os critérios iniciais para selecionar os beneficiários no Prouni continuaram sendo a nota (mínimo 45 pontos) e a condição socioeconômica declarada no Enem. Em 2003, 1,9 milhão se inscreveram no Enem e, em 2004, mais de 1,5 milhão. Em 2005, foram quase três milhões, dos quais 25% não compareceram e 900 mil concorreram às bolsas do Prouni. A explosão da procura em 2005 foi creditada à obrigatoriedade do exame para se inscrever no Prouni. A primeira seleção ocorreu em fins de 2004 e só aceitou candidatos que fizeram o Enem em 2004 [...]. (CATANI, 2006, p.133) 1.1 ITENS DE GESTÃO DO PROGRAMA A gestão do programa é realizada pelo Ministério da Educação na qualidade de agente supervisor, responsável pelas políticas educacionais norteadoras no Programa. Conforme o Manual do Bolsista, toda instituição deverá ter um coordenador e até cinco representantes do Prouni em cada campus. A coordenação do Prouni na instituição é o local ao qual os bolsistas do Programa devem dirigir-se para tratar dos procedimentos de rotina com relação a sua bolsa, obter informações e solucionar dúvidas importantes para o seu dia-a-dia acadêmico. Tanto as instituições quanto os alunos têm os seus direitos e deveres frente ao Programa. As IES, assim como a Coordenação do Prouni na instituição, têm os seus direitos e atribuições claras no Termo de Adesão e nas normas que regulamentam o Prouni. Já os bolsistas têm o manual do bolsista como fonte de orientações referentes aos seus direitos e deveres. Desde a sua criação, constatou-se o aumento no número de adesões ao Programa, tanto de alunos quanto das instituições, tornando o maior programa para o acesso à educação superior, no qual cada envolvido tem as suas responsabilidades. A adesão das instituições ao Programa é facultativa, sendo que, uma vez participante do Programa, as instituições são beneficiadas por isenções fiscais e foi estabelecido que as mesmas disponibilizassem bolsas de estudos na proporção dos alunos pagantes por curso e turno, sem exceção. Vale lembrar que todos os alunos, inclusive os bolsistas do Prouni, são igualmente regidos pelas mesmas normas e regulamentos internos da instituição. [...] Este programa social oferece renúncias fiscais às instituições de ensino superior privadas e, em contrapartida, exige que a isenção seja revertida em bolsas totais ou parciais para estudantes com renda per capita entre 1 e 3 salários mínimos, oriundos do ensino médio público, priorizando negros e indígenas. (SARAIVA e NUNES, 2011, p.947). De acordo com os últimos dados estatísticos disponibilizados, percebe-se que desde a criação do Programa, em 2005, até o primeiro processo seletivo referente ao ano vigente, 2013, os inscritos por processo cresceu para 1.032.873, sendo o maior número de bolsistas da região Sudeste. A elevação ocorreu também nas bolsas ofertadas por ano, envolvendo integrais e parciais, de 112.275 em 2005, para 284.622 em 2012. A portaria normativa nº 10, de 17 de maio de 2013, dispõe sobre os procedimentos para a adesão de mantenedoras de instituições de ensino superior ao processo seletivo do Programa Universidade para Todos – Prouni, referente ao segundo semestre de 2013, último processo realizado. Na referida portaria notam-se exigências extremamente relevantes que as instituições devem atender e se enquadrar para a lisura do processo de adesão. Catani afirma que, apesar dos números crescentes sugerirem efeito democratizante, o problema maior do Programa é a permanência do estudante até a conclusão do curso. No entanto o Prouni possui ações conjuntas de incentivo à permanência dos estudantes nas instituições. A bolsa é um benefício concedido pelo Governo Federal que, após a conclusão do curso, o bolsista não fica devendo nada aos cofres públicos, o que favorece ainda mais a sua permanência. Em contrapartida há outras circunstâncias ou limitações que podem afetar o estudante em vulnerabilidade social, favorecendo assim a evasão. O Programa instituiu uma bolsa permanência com o objetivo de auxiliar no custeio das despesas educacionais dos beneficiários de bolsa integral do Programa Universidade para Todos - Prouni. Há outros incentivos à permanência como o Fies – Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior, que possibilita ao bolsista parcial financiar a parcela da mensalidade não coberta pela bolsa do programa, o convênio do estágio MEC/CAIXA Estágio da Caixa Econômica Federal que visa dar prioridade aos bolsistas do Prouni em vagas de estágios oferecidas pela instituição e o convênio MEC/FEBRABAN - no qual as instituições bancárias vinculadas à entidade destinarão 10% de suas vagas em programas de estágio para os estudantes bolsistas do Prouni. Apesar das dificuldades que o estudante possa se deparar, é inegável que a oportunidade de cursar o Ensino Superior através do Prouni pode contribuir para incluir uma população sem perspectiva de ingressar em uma faculdade, elevando a sua autoestima e proporcionando as chances do aumento do capital social. 2. AMPLIAÇÃO DO ACESSO À EDUCAÇÃO SUPERIOR Com a criação do Programa Universidade para Todos - PROUNI, o sistema de educação superior no país ficou marcado pela hegemonia do setor privado, consolidando a oferta de vagas nesse setor e consequentemente ampliando o acesso ao ensino superior. “Por meio do ProUni, o Governo Federal busca ampliar o acesso ao ensino superior no País e contribuir para o cumprimento de uma das metas do Plano Nacional de Educação, o qual prevê o atendimento em educação superior até 2010 para, pelo menos, 30% dos jovens de 18 a 24 anos.”. (MEC, 2009, p.15). Através das condições do Programa, nota-se a busca na ampliação do acesso à Educação Superior, uma vez que são ofertadas possibilidades que atestam a relevância da inclusão de uma parcela de jovens, principalmente os que não tinham acesso ao ensino superior, tendo um percentual de bolsas de estudo destinado à implementação de políticas afirmativas de acesso ao ensino superior de portadores de deficiência ou de auto declarados indígenas e negros, o que tem favorecido o avanço do acesso a esse nível de ensino. A Educação Superior é fundamental para ampliar as oportunidades sociais e econômicas dos setores de baixa renda, o que fortalece o intuito do Programa de possibilitar e incentivar o estudo e o acesso a esse ensino a brasileiros de baixa renda, egressos de escolas públicas ou de bolsistas de escolas particulares. O Prouni foi proposto pelo Governo com o objetivo de ampliar o acesso ao Ensino Superior, ofertando bolsas de estudo, sendo menos excludente e mais inclusivo, aliando-se a outras políticas públicas, como por exemplo, o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior – Fies. Segundo o MEC, integrando as políticas de acesso dos jovens brasileiros à educação superior, o Prouni e o FIES juntos já possibilitaram a inclusão de mais de 800 mil estudantes. Assim como o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais – REUNI, a Universidade Aberta do Brasil e a expansão da rede federal de educação profissional e tecnológica, somados com o Prouni, ampliam significativamente o número de vagas e o acesso à educação superior. Diante da necessidade de desenvolvimento de programas sociais e criação de parcerias, procurando respeitar os parâmetros de qualidade estabelecidos pelos sistemas de ensino, da premência de maior oferta no ensino superior, e, consequentemente, de gerar a inclusão, promovendo a igualdade de acesso, o governo criou um programa social governamental de ampliação do acesso à educação superior que vem provocando intensos debates: O Programa Universidade para Todos (ProUni). [...]. (SARAIVA e NUNES, 2001, p.947) Vale lembrar que, diante das necessidades apresentadas, é importante a ampliação no número de cursos e instituições no setor privado, no entanto a participação das instituições e a oferta de bolsas através do Prouni é voluntária, e em contrapartida, o governo oferece isenção de alguns tributos às IES que aderirem ao Programa, o que é um incentivo para essa ampliação. 2.1 PROJEÇÃO DO PROUNI COMO POLÍTICA PÚBLICA As políticas públicas educacionais dizem respeito às decisões do governo, que têm incidência no sistema educacional, e à educação, que é passível de delimitação por um sistema que é fruto de políticas públicas. Assim como o Prouni, o sistema educacional mantém outras políticas públicas que facilitam o acesso a Educação Superior e que incidem sobre a melhoria do acesso e da qualidade de ensino e favorecem a superação das restrições decorrentes das clivagens sociais que se manifestam no interior de todo o sistema educacional, pertencendo assim ao grupo de políticas públicas sociais. Pode-se constatar a influência de demais políticas do governo em sua atuação, como as parcerias entre PROUNI-ENEM e PROUNI-FIES, acarretando na popularização do programa, capacitando o mesmo como projeto de sociedade. O Prouni se consolidou como importante Política Pública Educacional de acesso ao ensino superior, tendo dimensões vinculadas às instituições e as dimensões diretamente ligadas aos alunos contemplados, uma vez que visa o acesso ao Ensino Superior como suporte às IES, contribuindo na evolução e demandas no ensino superior, e tem a sua concepção voltada para a inclusão social, enquanto política pública de democratização do acesso ao ensino superior. A consolidação do Programa não se restringe apenas como política de inclusão, mas também como oportunidade de gozar de um ensino de qualidade, do qual as instituições tem a responsabilidade de ofertar, preocupando-se com a eficácia dos cursos oferecidos. Segundo Amaral, é preciso estar atento, em termos de investimento de uma política pública como o Prouni, para que não tenhamos alunos com nível superior, porém de baixa qualidade e com poucas chances de uma inserção de sucesso no mundo do trabalho em sua área de formação. No entanto, baseando-se na referida colocação, há uma preocupação em ofertar um ensino de qualidade por parte do Programa, uma vez que exigi-se a suficiência do curso oferecido que deverá ser comprovada. Conforme o § 4o do artigo 7º, o Ministério da Educação desvinculará do Prouni o curso considerado insuficiente, sem prejuízo do estudante já matriculado, segundo critérios de desempenho do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - SINAES, por duas avaliações consecutivas, o que exige e reforça a importância de uma Educação Superior de qualidade, e consequentemente o Programa se configura como uma política pública que, além de promover a ampliação do acesso ao ensino superior dos menos favorecidos economicamente, fornece o ensino com qualidade. No projeto de lei 8.035 de 2010 que aprova o PNE consta como uma das suas metas a ampliação às políticas de inclusão, e ser uma política pública de inclusão é uma das características marcantes do Programa, uma vez que proporciona o acesso à Educação Superior dos estudantes de baixa renda que não possuem condições para arcar com os seus estudos, além de ofertar vagas reservadas para cotistas com deficiência e para os candidatos que se autodeclararem pretos, pardos ou indígenas. Conforme o parágrafo 1º do art. 7º da Lei nº. 11.096, de 2005, o percentual de vagas destinadas às pessoas com deficiência, afrodescendentes e indígenas é igual àquele de cidadãos autodeclarados pretos, pardos ou índios, por Unidade da Federação, segundo o último censo do IBGE. Podemos considerar o Prouni uma política de ação afirmativa entendida como uma política pública voltada para reverter às tendências históricas que conferiram às minorias. Observa-se na lei que institui o Programa Universidade para Todos, o favorecimento à Educação Superior através da ampliação de vagas, o que pode proporcionar também a ampliação no número de Instituições de Ensino Superior. É exposto no artigo 7º, § 3o, da lei 11.096, que as instituições de ensino superior que não gozam de autonomia ficam autorizadas a ampliar, a partir da assinatura do termo de adesão, o número de vagas em seus cursos, no limite da proporção de bolsas integrais oferecidas por curso e turno, na forma do regulamento. É clara a participação do Prouni no processo de ampliação de vagas para a Educação Superior e, consequentemente, no crescimento desta Educação no país, pois através das oportunidades oferecidas para o ingresso neste ensino, formam-se diplomados nas diferentes áreas de conhecimento visando ao desenvolvimento da sociedade brasileira. Ressaltando que no artigo 53 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, no que tange à Educação Superior, é assegurada às universidades no exercício de sua autonomia, a ampliação e diminuição de vagas. 3. CONSIDERAÇÕES À RESPEITO DO PROUNI Num país como o Brasil, em que milhões vivem em situação socioeconômica precária, a busca de escolaridade constitui um primeiro passo substancial na construção da esperança de dias melhores e, um diploma de nível superior, tem sido historicamente associado à melhoria de condições de vida e a necessidade de encaminhamento profissional. O Programa Universidade para Todos desde a sua criação, proporciona a inserção de uma geração que nunca teve acesso ao nível superior na faculdade, ajudando a modificar a realidade excludente do ensino superior no Brasil, através da concessão de bolsas de estudo (integrais e parciais) em IES privadas. Como política pública, trata-se de um instrumento importante para a expansão do ensino superior no Brasil, à curto prazo, assim como oportunidade de acesso à este ensino. Ao contrário, tratando-se das instituições federais, que o governo levaria muito tempo para oferecer o número de vagas que já foram preenchidas no programa. Há uma oferta grande de concessão de bolsas desde a implementação do Programa em 2005, embora apresente algumas variações significativas entre os períodos, ou seja, em cada semestre que ocorre o processo seletivo. Assim como a adesão ao Programa por parte das instituições de ensino superior, que é efetuada a cada semestre, ou seja, o número de instituições participantes no 1º semestre e no 2º semestre de um mesmo ano pode variar. A variação da adesão por parte das instituições pode ser conferida no quadro demonstrativo a seguir: Ano Semestre IES com oferta 2005 1º 1.132 2006 1º 1.150 2006 2º 791 2007 1º 1.206 2007 2º 877 2008 1º 1.227 2008 2º 1.001 2009 1º 1.249 2009 2º 993 2010 1º 1.302 2010 2º 971 2011 1º 1.273 2011 2º 1.035 2012 1º 1.319 2012 2º 1.041 2013 1º 1.078 2013 2º 919 Fonte: MEC. Serviço de Informação ao Cidadão – e-SIC. (11/2013) Como pode ser observado no quadro acima, o número de instituições que aderiram ao programa é considerável, atingindo o maior número de adesões em 2012. Consequentemente ocorre o aumento de oportunidades de acesso ao ensino superior, contribuindo assim para a expansão da educação superior e proporcionando de forma significativa o desenvolvimento econômico e social deste setor. Os impactos da expansão da Educação Superior também podem ser observados pelos resultados do Censo da Educação Superior (Censo) operacionalizado pelo INEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. De acordo com o decreto nº 6.425, de 04 de abril de 2008, artigo 3º, o censo da educação superior será realizado anualmente em regime de colaboração entre a União, os Estados e o Distrito Federal, em caráter declaratório e mediante coleta de dados descentralizada, englobando todos os estabelecimentos públicos e privados de educação superior e adotando alunos, docentes e instituições como unidades de informação. O levantamento dos dados referentes à Educação Superior, reuni informações sobre as instituições de ensino superior, seus cursos de graduação presencial ou à distância, cursos sequenciais, vagas oferecidas, inscrições, matrículas, ingressantes e concluintes, além de informações sobre docentes, nas diferentes formas de organização acadêmica e categoria administrativa, conferindo uma organização dual, de um lado o setor público e gratuito e, do outro, o setor de natureza jurídica privada. A configuração do setor privado e a do público são hoje muito diferentes do que já foi um dia no passado e estão em constante movimento. Tendo o Prouni como facilitador de acesso à Educação Superior, se faz necessária uma análise dos dados levantados pelo Censo com o intuito de verificarmos o verdadeiro impacto que esse Programa atinge no ensino superior privado e na Educação Superior em sua totalidade. Lembrando que devido ao número de adesões de instituições e os milhões de estudantes que se candidatam ao Programa semestralmente, pode ocorrer o aumento no número de instituições privadas no país, assim como o aumento de cursos, matrículas, ingressantes e concluintes no ensino superior privado. O relativo equilíbrio que caracterizava a relação público e privado na educação superior no Brasil, em termos de número de instituições e de matrículas, rompeu-se em decorrência da natureza da expansão do sistema, liderada pela iniciativa privada, possuindo um contingente cada vez maior da população. Analisando as sinopses estatísticas dos últimos dois anos, 2011 e 2012, observa-se o aumento no número de instituições privadas no país, entre Universidades, Centros Universitários e Faculdades, nas capitais e cidades do interior, subindo de 2.081 para 2.112, sendo a região Sudeste detentora do maior número de instituições, 1.030. O crescimento do setor privado no Ensino Superior apresenta uma singularidade no Brasil, remetendo-se a particularidades políticas, econômicas, sociais e culturais, aliado com a adesão de seus atores diante das alternativas de modelos disponíveis para atender à demanda do ensino superior. Partindo desse pressuposto, o Prouni é o modelo disponível no atual cenário brasileiro que disponibiliza todos esses aspectos, pois configura uma base capaz de atender a todas essas particularidades, além de preocupar-se com em fornecer um Ensino Superior de qualidade através de sua política, concebendo credibilidade à Educação Superior. Consequentemente, diante do aumento no número de instituições, aumenta-se o número de cursos, matrículas, concluintes, vagas oferecidas, candidatos inscritos e o total de ingressantes na categoria privada em todo o país, podendo ser conferido no quadro demonstrativo a seguir: Número de Cursos Matrículas Concluintes Vagas Oferecidas Candidatos Inscritos Ingressos - Total 2011 20.587 2012 20.961 2011 4.966.374 2012 5.140.312 2011 798.348 2012 812.867 2011 3.921.942 2012 4.043.096 2011 4.705.865 2012 5.218.937 2011 1.856.015 2012 2.199.192 Fonte: INEP. Sinopses Estatísticas da Educação Superior – Graduação. É notável o cenário evolutivo em todos os quesitos, principalmente o progresso no número de matrículas. No país, o total de matrículas em 2012, foi 7.037.688, sendo 5.140.312 da rede privada e 1.897.376 da rede pública. Do total de matrículas na categoria privada em 2012, 2.622.194 pertencem à região Sudeste. Vale lembrar que no país, no ano de 2011, o número de matrículas foi 6.739.689 na totalidade, sendo 4.966.374 pertencentes à rede privada. O número de candidatos inscritos no Prouni, somando os anos de 2011 e 2012, foi 3.655.415, o que manifesta a contribuição do Programa no que concerne à busca de público no Ensino Superior, fortalecendo a intenção da Educação Superior em atender a demanda deste setor, de forma social e econômica, além disso, favorecer a efetivação de matrículas. Vale ressaltar que em 2013 o Programa registrou 1.469.814 inscritos. Referente ao número total de concluintes em curso de Graduação Presenciais e a Distância no país o total apresentado em 2011 foi de 1.016.713, elevando-se em 2012 para 1.050.413. Em ambos os anos, a categoria privada liderou no número de concluintes, de 798.348 para 812.867. Diferentemente da categoria pública que no ano, de 2011 apresentou 218.365 e em 2012 237.546. Analisando o número de concluintes por região, em ambos os anos por categorias, a região Sudeste apresentou o maior número de concluintes, 500.459 em 2011, 70.614 na rede pública e 429.845 na rede privada. Progredindo em 2012, com 518.448 concluintes, 74.575 na rede pública e 443.873 na rede privada. A permanência dos alunos no Ensino Superior é um dos focos do Programa, pois faz com que esses alunos concluam a graduação. Visando essa permanência, o Programa disponibiliza ao aluno o ensino gratuito ou parcialmente gratuito, com qualidade, e ajuda de custo, através da Bolsa Permanência, para alunos que atendem determinadas condições. Consequentemente, a permanência dos bolsistas nas IES gera a contribuição no número de concluintes na Educação Superior, além de favorecer economicamente, pois as IES que aderem ao Programa ficam isentas de alguns impostos. Devido à oportunidade de acesso ao ensino superior privado que o Programa oferece, a probabilidade de aumento no número de ingressantes tende a elevar-se neste ensino. No Censo de 2011 e 2012, o número total de ingressos por processo seletivo e outras formas nos cursos de Graduação Presenciais e a Distância na rede privada foi de 1.856.015, de 2.346.695 em todo o país, incluindo privadas e públicas, para 2.199.192, de 2.747.089 em todo o país, incluindo privadas e públicas, respectivamente. Neste cenário, a região Sudeste lidera no número de ingressantes, sendo 950.500 em 2011 e 1.154.153 em 2012. A oferta de um ensino gratuito de qualidade para o público menos favorecido promove o aumento no número de ingressantes no Ensino Superior, pois este último será gratuito e de qualidade voltado para um percentual significativo da população. Vale lembrar que, de acordo com as representações gráficas disponibilizadas pelo Prouni, tendo como fonte o sistema SISPROUNI de 06/11/2013, o número de bolsistas por região, destacando a região Sudeste, é 649.286, superando as demais regiões, sendo a região Norte com o menor número, 70.334 bolsistas. As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior podem ser conferidas no termo de adesão ao Prouni, no qual deve constar, como uma das cláusulas, um percentual de bolsas de estudo destinado à implementação de políticas afirmativas de acesso ao ensino superior de portadores de deficiência ou de auto declarados indígenas e negros. No Censo da Educação Superior podem ser conferidos os números de matrículas de alunos Portadores de Necessidades Especiais nos cursos de Graduação Presenciais e a Distância, assim como por Cor e Raça. Como já citado, o Prouni oferta um percentual de bolsas através das Ações Afirmativas, o que alimenta ainda mais essa forma de acesso no Ensino Superior, assim como fortalece essa política na Educação Superior de forma geral. De acordo com o Censo da Educação Superior dos anos de 2011 e 2012, no que se refere a Alunos Portadores de Necessidades Especiais, é possível observar que a rede privada apresenta o número de matrículas superior ao da rede pública nos referidos anos. O que reforça a oportunidade de acesso ao ensino superior que a categoria privada oferece para alunos com deficiência. A superioridade da Rede Privada pode ser conferida no quadro demonstrativo abaixo: MATRÍCULAS Alunos Portadores de Necessidades Especiais Total - em todo o país Rede Pública e Privada Pertencentes a Rede Pública Pertencentes a Rede Privada 2011 23.250 2012 27.143 2011 6.531 2012 8.201 2011 16.719 2012 18.942 Fonte: INEP. Sinopses Estatísticas da Educação Superior – Graduação. De acordo com as representações gráficas disponibilizadas pelo Prouni, baseadas nos dados da Ficha de Inscrição do candidato ao Prouni, fonte sistema SISPROUNI de 06/11/2013, o número de bolsistas – pessoas com deficiência é 8.568. Além dos candidatos com deficiência, podem se candidatar às vagas do Prouni os candidatos que se autodeclararem pretos, pardos ou indígenas. Vale lembrar que conforme a lei nº. 11.096, de 2005, o percentual de vagas destinadas às pessoas com deficiência, afrodescendentes e indígenas é igual àquele de cidadãos autodeclarados pretos, pardos ou índios. A política de Ações Afirmativas vem sendo adotada pelas Instituições de Ensino Superior de forma frequente, o que sustenta o anseio social da Educação Superior. Tendo o Prouni como aliado, as instituições de Ensino Superior privadas podem promover o acesso para esse público, além de ampliá-lo. Conforme o Censo da Educação Superior, em todo o país, o número de matrículas por Cor/Raça em 2011, reunindo categoria privada e pública, foi 6.739.689, elevando-se para 7.037.688 em 2012. Detalhando as informações, é perceptível a evolução no número de matrículas por Cor/Raça na categoria privada: MATRÍCULAS Por Cor/Raça Total - em todo o país Rede Pública e Privada Pertencentes a Rede Pública Pertencentes a Rede Privada 2011 6.739.689 2012 7.037.688 2011 1.773.315 2012 1.897.376 2011 4.966.374 2012 5.140.312 Fonte: INEP. Sinopses Estatísticas da Educação Superior – Graduação. A Rede Privada é superior à Rede Pública, no número de matrículas por Cor/Raça nos anos de 2011 e 2012. Nos referidos anos, a região Sudeste lidera no número de matrículas na Rede Privada, tendo 2.538.805 em 2011 e 2.622.194 em 2012. MATRÍCULAS Por Cor/Raça Categoria Privada Ano - 2011 Branca 1.040.060 Preta 88.411 Parda 429.493 Amarela 41.802 Indígena 6.216 Ano - 2012 Branca 1.176.694 Preta 105.524 Parda 503.312 Amarela 43.532 Indígena 6.156 Fonte: INEP. Sinopses Estatísticas da Educação Superior – Graduação. Diante das informações expostas, nota-se regressão, no ano de 2012, no número de matrículas na raça Indígena. Nas demais raças, ocorreram progressões no número de matrículas. Revela-se, nas representações gráficas disponibilizadas pelo Prouni, tendo como fonte o sistema SISPROUNI de 06/11/2013, o número de bolsistas por raça, que pode ser conferido abaixo: Bolsistas por Raça Branca 593.027 Preta 159.053 Parda 473.976 Amarela 22.716 Indígena 1.706 Fonte: PROUNI. Dados e Estatísticas. (11/2013) A raça branca é a detentora do maior número de bolsas, 593.027. Baseando-se na análise realizada, nota-se a relevância e a participação do Prouni no cumprimento da missão de uma Instituição de Ensino Superior, em termos sociais e econômicos, além da união no alcance de objetivos. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS O Prouni certamente busca ser um instrumento de democratização da Educação Superior, universalizando o acesso ao Ensino Superior e estimulando a expansão das instituições de Ensino Superior. Com a atuação do Programa, o MEC estatiza a disponibilidade de vagas aos cuidados das instituições particulares, permitindo condições de acesso aos grupos menos favorecidos, tornando-o uma conquista e privilégio para muitos. Como Política Pública na educação, o Programa se destaca frente ao exercício de equidade social, articulando-se fortemente como proposta de ação afirmativa, uma vez que busca, de forma pontual, privilegiar os grupos menos favorecidos. Nesta perspectiva, como política pública afirmativa, sugere-se um levantamento, acreditando ser importante para o fortalecimento de ações afirmativas já existentes e criação de outras, através de dados coletados e registros estatísticos necessários para uma análise profunda, se constate, por Região e Município, a relevância do Programa como acesso ao ensino superior de grupos menos favorecidos economicamente, por Cor/Raça e procedência do aluno, escola pública ou privada. Deste modo, seria verificada, com mais riqueza de detalhes, a eficácia do Programa como caminho de acessibilidade e benefício a todos. Tal estudo fundamentaria a implementação de outras políticas públicas afirmativas em todos os níveis da educação brasileira, assim como permaneceria com mais vigor as já existentes. Além do estudo proposto, recomenda-se a divulgação para a sociedade das irregularidades apresentadas no Programa por Processo Seletivo, tanto por parte dos candidatos como por parte das instituições. Por exemplo, explanando irregularidades na comprovação de informações por parte dos candidatos, dentre outras. Por parte das IES, por exemplo, a concessão indevida de bolsas para alunos que não atendem aos critérios do Programa, dentre outras irregularidades. A divulgação do aproveitamento acadêmico dos bolsistas do Prouni, por Processo Seletivo, também é de grande valia para a sociedade, uma vez que poderá informar a qualidade do ensino ofertado, assim como a sua evolução, aos alunos beneficiados com o Programa. A Educação Superior se caracteriza, enquanto Política Pública, como alavanca para uma formação sólida, visando profissionais competentes e sujeitos responsáveis com questões sociais, econômicas e culturais, além de contribuir para desencadear processos mais globais de crescimento do país. Há uma necessidade de incremento à formação de sua população, se fazendo necessário o desenvolvimento e a expansão da Educação Superior, em razão de demandas econômicas e sociais. Pensando em sustentabilidade das Instituições de Educação Superior, a participação do Prouni neste processo se torna relevante e imprescindível para o desenvolvimento destas e na busca de demais conquistas, tendo sempre como foco principal o fortalecimento da Educação Superior. O Ensino Superior pode contribuir para o desenvolvimento sustentável de um país como melhorias para a sociedade como um todo, educando e qualificando mão de obra, nas diferentes áreas de conhecimento, capazes de atender as necessidades em todos os aspectos da atividade humana. A transformação do sonho do Ensino Superior em realidade, para os bolsistas do Prouni, significa por parte de todos os envolvidos, uma revisão de conceitos e de posturas. A aceitação desse perfil de aluno no Ensino Superior requer uma mudança no sistema de valores e crenças de cada participante da organização e dos serviços. Não há como pensar na possibilidade de inclusão dessas pessoas no Ensino Superior, sem uma profunda reflexão acerca do conceito de inclusão. O Prouni, por meio da oferta de bolsas de estudo, visa criar condições de acesso ao ensino superior privado para estudantes oriundos, em sua maioria, das camadas populares. Desde o seu advento, a Educação Superior no país esteve voltada para os favorecidos economicamente e com a criação do Prouni essa realidade se transformou democratizando o acesso ao Ensino Superior, inclusive beneficiando deficientes e diferentes etnias. Assim, o Prouni se consolida como uma importante política inclusiva. O Programa produz mudanças tanto para a IES como para os alunos bolsistas. Tendo como foco de atuação um segmento expressivo de jovens das camadas populares, permite a esses a oportunidade de melhora de vida, através do ensino gratuito e de qualidade. Constroem-se pontes que aproximam esses jovens bolsistas para outra realidade, que até então era vista como impossível, impulsionando bases de igualdade. Para esses jovens é dada a oportunidade de ingresso ao mercado de trabalho, onde podem melhorar a condição de vida, além de receberem apoio financeiro para continuarem estudando, o que faz com que permaneçam na Educação Superior. A minimização das diferenças sociais é evidenciada, modificando a realidade do excludente, o qual irá se deparar com pessoas, valores, crenças, opiniões e vivências diferentes. Sua formação acadêmica e as relações interpessoais com pessoas que não fazem parte da sua realidade irá guiá-lo para um futuro promissor no qual terá discernimento para enfrentar as diferentes situações. Eis alguns depoimentos de bolsistas que tiveram a sua realidade modificada: “Sou o filho mais velho de uma família de “O Prouni abriu as portas para o ensino quatro irmãos. Não foi fácil, mas aqui estou na superior. Eu já havia ingressado duas vezes na faculdade, fazendo um curso que adoro. Não faculdade, mas tive que desistir porque penso na Engenharia como uma forma de priorizei o sustento da minha família. Eu ganhar dinheiro, mas como uma forma de acredito que esse Programa está mudando o melhorar a vida das pessoas. Esse é o meu perfil da educação do povo brasileiro, objetivo como homem e cidadão. Só tenho a incluindo uma camada social de baixa renda agradecer ao Prouni. Estou feliz de estar que, até então, estava fadada a se conformar participando de um programa que realmente com o ensino médio”. funciona e que mudou a minha vida para Rodrigo Lima melhor”. Direito Tiago Wilson Escola Superior de Administração, Direito e Engenharia de Produção Mecânica Economia/RS Universidade do Grande ABC/SP Fonte: Revista Prouni. Ed. 01/2008. p.38 Fonte: Revista Prouni. Ed. 01/2008. p.38 Concernente as IES, com a expansão da Educação Superior e a probabilidade de criação de novas IES, devido à demanda social que busca o Prouni e os benefícios financeiros que irão recebe através deste Programa, essas podem contribuir em diversos fatores como desenvolvimento econômico, desenvolvimento do local onde estão instaladas, capital humano, geração de emprego, formação de uma sociedade justa e democrática, aumento da educação para o desenvolvimento e a elevação da qualidade do Ensino Superior. Devido à participação do Programa, as IES atraem recursos de outras esferas governamentais, como o Fies. As IES possuem características de setor impulsionador de crescimento local, pois atraem recursos e é um setor que está em sintonia com as políticas das esferas governamentais superiores. Outro ponto a ser destacado é a adesão das IES ao Programa, que proporciona a ampliação de vagas para a Educação Superior, tendo como foco a inserção da classe menos favorecida, deficientes, negros e indígenas. Ou seja, ocasionando à universalização do acesso e solucionando o problema de escassez de vagas no Ensino Superior. Vale lembrar que com a ampliação de vagas, o número de diplomados no país tende a aumentar. A credibilidade das IES e da Educação Superior aumenta devido ao fortalecimento da intenção social e o ensino fornecido com qualidade, e o Prouni é o apoio em diversos aspectos. A relação Prouni e as IES é positiva para o alcance de objetivos que a Educação Superior de modo geral almeja. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL, Daniela Patti do; OLIVEIRA, Fátima Bayma de. O Prouni e a conclusão do ensino superior: novas trajetórias pessoais e profissionais dos egressos. Ensaio: aval.pol.públ.Educ., Rio de Janeiro, v. 19, n. 73, de dezembro de 2011. p.861-890. 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