CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA DO PARANÁ UNIDADE DE CURITIBA DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE MECÂNICA PROJETO FINAL DE CURSO II AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO TÉRMICO DO AQUECEDOR DE AR DO PROJETO FIAT PALIO RESTYLE 2 CURITIBA AGOSTO - 2005 LUCIANO SILVEIRA FARAGO VICTOR KOITI SHIGUEOKA AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO TÉRMICO DO AQUECEDOR DE AR DO PROJETO FIAT PALIO RESTYLE 2 Monografia apresentada à disciplina de Projeto de Final de Curso II, como requisito de aprovação. Orientador: Prof. Cezar Otaviano Ribeiro Negrão, PhD. CURITIBA AGOSTO - 2005 3 ENCAMINHAMENTO Venho, por meio deste termo, encaminhar para defesa a monografia de Projeto Final intitulada “AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO TÉRMICO DO AQUECEDOR DE AR DO PROJETO FIAT PALIO RE-STYLE 2”, realizada pelos alunos Luciano Silveira Farago e Victor Koiti Shigueoka como requisito parcial para aprovação na disciplina Projeto Final II. Orientador: Prof. Cezar Otaviano Ribeiro Negrão, PhD. LACIT, CEFET-PR - CURITIBA Curitiba, 08 de agosto de 2005. 4 TERMO DE APROVAÇÃO Por meio deste termo, aprovamos a monografia de Projeto Final intitulada “AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO TÉRMICO DO AQUECEDOR DE AR DO PROJETO FIAT PALIO RE-STYLE 2”, realizada pelos alunos Luciano Silveira Farago e Victor Koiti Shigueoka como requisito parcial para aprovação na disciplina Projeto Final II. Banca: Prof. Cezar Otaviano Ribeiro Negrão, PhD. LACIT, CEFET-PR - CURITIBA Prof. Silvio Luiz de Mello Junqueira, Dr. LACIT, CEFET-PR - CURITIBA Prof. Raul Henrique Erthal, MSc. LACIT, CEFET-PR - CURITIBA Curitiba, 08 de agosto de 2005. 5 AGRADECIMENTOS Inicialmente, agradecemos a Deus que nos concedeu capacidades físicas, mentais e emocionais que permitiram a realização deste trabalho final de curso. Agradecemos, sensibilizados, ao nosso orientador Prof. PhD Cezar Otaviano Ribeiro Negrão, do Laboratório de Ciências Térmicas ligado ao Departamento de Mecânica, pelos ensinamentos, pela amizade e pelo seu comprometimento com o nosso crescimento técnico-científico. Ao Prof. Dr. Silvio Luiz de Mello Junqueira, do Departamento de Mecânica, pela participação em nossa banca e pelos ensinamentos técnicocientíficos ministrados nas aulas, que foram de grande valia na elaboração do projeto. Ao Prof. MSc. Raul Henrique Erthal, do Departamento de Mecânica, pela participação em nossa banca. Ao Prof. Marco Aurélio de Carvalho, do Departamento de Mecânica, pela orientação da metodologia no trabalho final de curso. Ao Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná, por todos os ensinamentos e oportunidades que surgiram a partir da nossa formação. À Denso do Brasil, pela disponibilidade que a empresa teve em ceder a sua estrutura, seus conhecimentos e seus funcionários, para que pudéssemos melhor elabora o nosso projeto final de curso. 6 RESUMO O presente trabalho tem por objetivo avaliar e propor modificações para melhorar o desempenho do aquecedor de ar, desenvolvido pela Denso do Brasil Ltda, para ser utilizado no Fiat Palio Re-style 2. Para a realização do estudo, duas etapas foram definidas. A primeira consiste de uma análise teórica do desempenho térmico do aquecedor, utilizando um software específico da Denso do Brasil S.A.. Utilizou-se estes resultados em conjunto com a curva do ventilador para verificar a desempenho do sistema. As soluções de melhor desempenho foram então construídas como protótipos. A segunda etapa consiste numa avaliação experimental, das soluções escolhidas na primeira etapa. Testes comparativos foram realizados, discutindo-se os resultados obtidos. No final do trabalho, apresenta-se um parecer sobre a melhora ou não do desempenho do componente em avaliação. Palavras-chave Sistema de aquecimento, avaliação de desempenho, ar condicionado automotivo. 7 SUMÁRIO AGRADECIMENTOS RESUMO SUMÁRIO 1 2 3 INTRODUÇÃO 9 1.1 Contexto 9 1.2 Objetivos 10 1.3 Justificativa 11 1.4 Conteúdo do trabalho 11 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 12 2.1 Tipos de Trocadores de Calor 12 2.2 Coeficiente Global de Transferência de Calor 14 2.3 Trocadores de Calor com Correntes Cruzadas e Passes Múltiplos 15 2.4 Efetividade de um Trocador de Calor 16 2.5. Considerações Hidrodinâmicas dos Escoamentos em Tubos 17 2.6. Intensificação da transferência de Calor 18 METODOLOGIA 20 3.1 Descrição do problema 20 3.2 Descrição da metodologia 22 3.3 Justificativa da metodologia 22 3.4 Etapas do Projeto 23 3.5 Cronograma 24 3.6 Orçamento comprometido 27 3.7 Riscos previstos 28 4 DESENVOLVIMENTO TEÓRICO 5 RESULTADOS TEÓRICOS 6 DESENVOLVIMENTO EXPERIMENTAL 7 RESULTADOS EXPERIMENTAIS 8 ADIMENSIONALIZAÇÃO 9 CONCLUSÕES REFERÊNCIAS APÊNDICE A – CÁLCULO DO DESEMPENHO PARA PASSOS DE ALETAS FABRICADOS APÊNDICE B – CURVA DO VENTILADOR APÊNDICE C – CÁLCULO DO DESEMPENHO NA VAZÃO DE OPERAÇÃO APÊNDICE D – CÁLCULO DO DESEMPENHO PARA OUTROS PASSOS DE ALETAS APÊNDICE E – CÁLCULO DE DESEMPENHO DE TODOS OS PASSOS DE ALETAS APÊNDICE F – CURVAS DE DESEMPENHO 30 33 41 46 52 57 59 60 61 62 63 64 65 8 APÊNDICE G – PERDA DE CARGA E TROCA TÉRMICA ANEXO A – VISUALIZAÇÃO DO SOFTWARE SEKKEI PARA DIFERENTES PASSOS DE ALETAS PASSO 0,83mm PASSO 1,00 mm PASSO 1,11mm ANEXO B – PARÂMETROS ADIMENSIONAIS DO VENTILADOR 66 67 67 67 68 69 9 1 INTRODUÇÃO 1.1 Contexto A busca por segurança e conforto vem sendo cada vez mais destacada nos dias atuais. Esse fato pode ser evidenciado pelo crescente temor a assaltos relâmpagos e seqüestros nas grandes cidades, os motoristas procuram manter os vidros fechados, evitando a ventilação natural. Essas situações, inerentes à vida contemporânea, geram um desafio à indústria automobilística, exigindo que os carros fabricados apresentem um sistema eficiente de ventilação, aquecimento e resfriamento artificial. Nesse contexto, o Fiat Palio modelo Re-style 2 (Figura 1) é equipado com caixas de ventilação, aquecimento e resfriamento do ar fornecidas pela Denso Sistemas Térmicos (DTBR) de Betim (MG), onde são montadas as caixas do Fiat Palio. O trocador de calor (Figura 2) responsável pelo aquecimento do ar desses módulos de condicionamento de ar (heater core) é produzido pela Denso Manufacturing Argentina S.A. (DNAR). As dimensões características deste trocador são: altura de 250mm, largura de 140mm e espessura de 42mm, com passo de aletas de 0,83mm. Figura 1 – Fiat Palio Re-style 2 (/1/ FIAT) Essa peça atende o mercado interno brasileiro e Mercosul de forma satisfatória. Porém, existem perspectivas de exportação para outros países, com inverno rigoroso, por exemplo, a Polônia. Tendo em vista os requisitos da Fiat 10 Automóveis S.A. para atender as condições daqueles países, a Denso do Brasil está trabalhando para conquistar mais uma fatia do mercado. Figura 2 – Trocador de calor tipo “U” (heater core) O papel da Denso do Brasil (DNBR), em Curitiba, é empregar sua infraestrutura e conceber um sistema de aquecimento de ar que atenda as condições exigidas. 1.2 Objetivos O presente projeto tem por objetivo avaliar o desempenho do atual modelo de aquecedor de ar e propor modificações que aumente a sua capacidade de aquecimento, visando atender as exigências do mercado europeu. O trabalho consiste em duas etapas: a primeira teórica e a segunda experimental. Na etapa teórica, foi conduzida a avaliação do atual aquecedor utilizando um programa computacional de simulação e curvas de ventilador. A partir dos resultados obtidos, escolheram-se algumas soluções do projeto que foram confeccionadas como protótipos. Na segunda etapa, os protótipos foram testados nos laboratórios da Denso do Brasil. A etapa I foi conduzida no projeto final I e a etapa II no projeto final II. 11 1.3 Justificativa O credenciamento da DNBR por parte da Fiat Automóveis S.A. para exportação é de extrema importância. Dessa forma, serão abertas novas frentes de negócio para a fabricante de autopeças, trazendo mais divisas e ocupando a capacidade produtiva instalada. Com a realização do presente estudo, a DNBR passará a contar com um novo banco de dados sobre a adequação de sistemas de aquecedor de ar. Isso permitirá maior rapidez nos trabalhos da empresa e no enfrentamento de problemas em projetos que utilizem peças da mesma família. Também é importante destacar que a Fiat, enquanto cliente, será beneficiada, pois não necessitará selecionar novo fornecedor exclusivamente para atender o mercado europeu. 1.4 Conteúdo do trabalho O capítulo 1 apresenta o contexto, os objetivos e a justificativa do presente trabalho. No capítulo 2, discute-se a revisão da teoria necessária para o estudo do desempenho do aquecedor de ar. O capítulo 3 descreve a metodologia aplicada ao trabalho de forma geral, enquanto que no capítulo 4 ocupa-se com a metodologia mais detalhada. No capítulo 5, são discutidos os resultados teóricos. O capítulo 6 compreende a conclusão do trabalho. 12 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Segundo Incropera & DeWitt (2003), o processo de troca de calor entre dois fluidos, que estão em diferentes temperaturas e separados por uma parede sólida, ocorre em muitas aplicações em engenharia. O dispositivo utilizado para implementar essa troca é denominado trocador de calor, e as aplicações específicas podem ser encontradas no condicionamento de ambientes, produção de potência, na recuperação de calor e no processamento químico. A revisão será realizada para introduzir conceitos que permitam avaliar a eficácia e projetar um trocador de calor, além de possibilitar e prever o desempenho da operação de um trocador de calor já existente em condições especificadas. 2.1 Tipos de Trocadores de Calor Os trocadores de calor são classificados de acordo com o arranjo do escoamento e o tipo de construção. O trocador de calor mais simples é aquele onde fluidos quente e frio se movem na mesma sentido ou em sentidos opostos, em uma construção de tubo concêntrico. No arranjo de correntes paralelas (Figura 3), os fluidos quente e frio entram na mesma extremidade. No arranjo contracorrente (Figura 4), os fluidos entram em extremidades opostas, escoam em sentidos opostos e saem em extremidades opostas. Figura 3 – Trocador de Calor de Tubo Concêntrico de Correntes Paralelas 13 Figura 4 – Trocador de Calor de Tubo Concêntrico de Contra-Corrente Os fluidos podem se mover em correntes cruzadas (uma perpendicular a outra), conforme mostrados pelos trocadores de calor tubo aletados e não-aletados (Figura 5). As duas configurações são tipicamente diferenciadas por uma idealização que trata o movimento do fluido sobre os tubos como não-misturado e misturado. Na Figura 5a, o fluido é dito não-misturado porque as aletas inibem o movimento na direção Y que é transversal à direção do escoamento principal em X. Nesse caso, a temperatura do fluido varia com X e Y. Ao contrário, para o feixe de tubos nãoaletados (Figura 5b), o movimento do fluido, portanto misturado, na direção transversal é possível, e as variações de temperatura são essencialmente na direção do escoamento principal. Uma vez que o escoamento do tubo é não-misturado, ambos os fluidos são não-misturados no trocador aletado, enquanto um fluido é misturado e o outro não-misturado no trocador não-aletado. A natureza da condição da mistura pode influenciar significativamente o desempenho do trocador de calor. Figura 5 – Trocador de Calor de Fluxo Cruzado (a) Aletado com os dois fluidos nãomisturados. (b) Aletado com um fluido misturado e o outro não-misturado. 14 2.2 Coeficiente Global de Transferência de Calor Para a análise de qualquer trocador, é necessária a determinação do coeficiente global de transferência de calor. Esse coeficiente é definido a partir da resistência térmica total de transferência de calor entre os fluidos, levando-se em conta as resistências térmicas condutivas e convectivas. Para um melhor rendimento do sistema, adiciona-se aletas que ficam expostas a um ou a ambos fluidos. O aumento da área de transferência de calor reduz a resistência térmica. Desta forma, o coeficiente global de transferência de calor pode ser calculado por: 1 1 1 1 1 Rf , c Rf , h = = = + + (Rw ) + + (η 0 A) h (η 0 hA) h UA UcAc UhAh (ηohA)c (η 0 A)c Eq. 1 Onde c e h referem-se aos fluidos frio e quente, respectivamente. U é o coeficiente global de transferência de calor, A é a área, Uc é o coeficiente global de transferência de calor do lado frio, Ac é a área de transferência de calor do lado frio, Uh é o coeficiente global de transferência de calor do lado quente, Ah é a área de transferência de calor do lado quente, η0 é a eficiência global do conjunto de aletas, h é o coeficiente de transferência de calor por convecção, Rf,c é o fator de incrustação do lado frio, Rf,h é o fator de incrustação do lado quente e Rw é a resistência condutiva. Observe que o cálculo do produto UA, independe da corrente do fluido (UcAc=UhAh). Entretanto, o cálculo do coeficiente global de transferência de calor depende se este é baseado na área da superfície do lado frio ou quente, uma vez que Uc é diferente de Uh, assim como Ac é diferente de Ah. A resistência condutiva Rw para uma parede plana é dada por: Rw = Rt , cond = Ts ,1 − Ts , 2 L = qx kA Eq. 2 e para uma parede cilíndrica, Rw = Rt , cond = ln(r 2 / r1) 2πLk Eq. 3 onde, Ts,1 é a temperatura na superfície 1, Ts,2 é a temperatura na superfície 2, qx é a taxa de transferência de calor, L é o comprimento característico, k é a condutividade térmica, r2 é o raio da superfície 2, r1 é o raio da superfície 1. 15 Outra grandeza de grande importância é a eficiência de aleta, η. Como η é a razão entre o calor efetivamente trocado pela aleta e o calor trocado pela aleta, caso esta estivesse na temperatura da sua base. A taxa de transferência de calor pela aleta pode então ser definida como, q = η .h. A.(Tb − T∞ ) Eq. 4 onde Tb é a temperatura da superfície e T∞ é a temperatura ambiente. A eficiência da superfície aletada pode ser calculada por, η0 = 1− Af (1 − η ) A Eq. 5 onde Af é a área total das superfícies das aletas, A é a área total e η é a eficiência de uma única aleta. Para uma aleta plana com extremidade adiabática, a eficiência de aleta é dada por, η= tanh(mL) mL Eq. 6 onde m=(2h/kt)1/2e t é a espessura da aleta. O termo de condução apresentado na Equação 1 é freqüentemente desprezado, uma vez que uma parede fina de alta condutividade térmica é geralmente utilizada. Além disso, um dos coeficientes de convecção é geralmente muito menor do que o outro. 2.3 Trocadores de Calor com Correntes Cruzadas e Passes Múltiplos Esta condição de estudo é a que está sendo analisada no presente trabalho. Para este tipo de trocadores de múltiplos passes e correntes cruzadas, pode-se utilizar a equação abaixo: q. = fUAΔΤlm Eq. 7 onde ΔTlm é a diferença de temperatura média logarítmica entre as correntes e, f é um fator de correção para ΔTlm, que é definida para trocadores contra-corrente. 16 Expressões algébricas para o fator de correção F foram desenvolvidas para várias configurações de trocadores de calor tipo casco-tubo e correntes cruzadas. Valores de f para trocadores são apresentados na Figura 6. Figura 6 – Fator de Correção para um trocador de calor de passe único com correntes cruzadas e dois fluidos não-misturados. 2.4 Efetividade de um Trocador de Calor A máxima taxa de transferência de calor (qmáx) é definida por: q. = qmáx.ε Eq. 8 A efetividade de um trocador de calor, ε, é definida como a razão entre a taxa real de transferência de calor para um trocador de calor e a taxa máxima de transferência de calor possível para um trocador de calor contracorrente. Desta forma, a taxa real de transferência de calor pode ser escrita como: q max = (m .cp ) min .(Th , e − Tc , e) Eq. 9 17 onde ( m .cp)min é o menor produto vazão mássica por calor especifico entre as duas correntes. Th,e e Tc,e são, respectivamente, as temperaturas de entrada das correntes quente e fria. 2.5. Considerações Hidrodinâmicas dos Escoamentos em Tubos Considerando um escoamento laminar em um tubo circular com raio r0, onde o fluido entra no tubo com velocidade uniforme. Quando o fluido entra em contato com a superfície, efeitos viscosos se tornam importantes, e uma camada limite se desenvolve com o crescimento na direção x indicada na Figura 7. Esse desenvolvimento ocorre à custa do encolhimento da região de escoamento invíscido e termina com a mistura da camada limite na linha de centro. Após essa mistura, os efeitos viscosos se estendem sobre toda a seção transversal e o perfil de velocidade não varia mais com o crescimento de x. Diz-se então que o escoamento é plenamente desenvolvido, e a distancia da entrada na qual essa condição é alcançada é denominada comprimento de entrada hidrodinâmico, xfd,h. Conforme mostrado na Figura 7, o perfil de velocidade plenamente desenvolvido é parabólico para escoamento laminar em tubo circular. Para escoamento turbulento, o perfil é plano devido à mistura turbulenta na direção radial. Figura 7 – Desenvolvimento da camada limite hidrodinâmica para escoamento laminar em um tubo circular. Ao considerar escoamentos internos, é importante ter conhecimento da extensão da região de entrada, que depende se o escoamento é laminar ou 18 turbulento. O número de Reynolds para escoamento em tubo circular é definido pela Equação 10. Re D = ρ .μm.D μ Eq. 10 onde um é a velocidade média do fluído sobre a seção transversal do tubo e D é o diâmetro do tubo. Em um escoamento plenamente desenvolvido, o número crítico de Reynolds, corresponde ao surgimento da turbulência, é, ReD,C=2300. Embora números de Reynolds muito maiores (ReD,C≈10000) sejam necessários para se alcançar condições plenas de turbulência. A transição para a turbulência tende a ocorrer no desenvolvimento da camada limite na região de entrada. Para escoamento laminar (ReD,C≈2300), o comprimento hidrodinâmico de entrada pode ser obtido a partir da Equação 11. ⎛ Xfd , h ⎞ ⎟lam. = 0,05. Re D ⎜ ⎝ D ⎠ Eq. 11 A Equação 11 é baseada na hipótese de que o fluído entra no tubo a partir de um bocal convergente arredondado, e assim é caracterizado por um perfil de velocidade aproximadamente uniforme na entrada. 2.6. Intensificação da transferência de Calor A insificação pode ser alcançada pelo aumento do coeficiente de convecção e/ou pelo aumento da área da superfície de convecção. O coeficiente de convecção pode ser aumentado pela indução de um movimento circular através da inserção de uma fita enrolada (Figura 8). A inserção consiste em uma fita que periodicamente torcida em 3600. Figura 8 – Esquema do turbuladores. 19 A introdução das aletas favorece a transferência de calor da água para o ar. A condutividade térmica do material da aleta possui um forte efeito na distribuição de temperatura ao longo da aleta e, consequentemente, influencia no grau em que a transferência de calor é aumentada. Teoricamente o material deve apresentar uma alta condutividade térmica para minimizar as variações de temperatura a partir de sua base até sua extremidade. 20 3 METODOLOGIA 3.1 Descrição do problema O sistema de climatização de um veículo pode ser dividido em três partes: a ventilação, o aquecimento e o resfriamento do ar, montado em uma caixa de material plástico posicionada abaixo do painel do veículo, o restante do sistema fica localizado próximo ao motor. Em veículos que possuem apenas o sistema de ventilação, o ar é insuflado para o interior do veículo através de um ventilador acionado por um motor elétrico, sendo que a origem do ar pode ser interna ao veículo ou externa. Já nos veículos que possuem a função aquecimento (Figura 9) (DENSO,2003), o ar é insuflado de forma análoga ao veículo com ventilação, porém existe um controle da temperatura do ar, que varia do valor da temperatura ambiente a um valor superior. O sistema funciona da seguinte forma: a água sai do radiador por uma bomba de água e é levada para o interior do motor retirando calor. Em seguida, a água aquecida é encaminhada para um trocador de calor que fica localizado no interior da cabine do veículo, onde cede calor ao ar que passa através dele. Este ar é então direcionado para a cabine do veículo aumentando a sua temperatura. A água é encaminhada de volta ao radiador, localizado na frente do veículo, onde é resfriada pelo ar frontal. 21 Figura 9 – Sistema de Aquecimento de Ar O trocador de calor responsável pelo aquecimento de ar, que flui para o interior da cabine de passageiros do veículo, é composto por sete tubos de alumínio em forma de “U”, pelos quais flui água quente proveniente do sistema de arrefecimento do veículo. Estes tubos têm sua área de troca térmica aumentada, para a área de passagem do ar, através da instalação de aletas planas retangulares de alumínio com espessura pequena. Tais aletas são montadas ortogonalmente aos tubos. Na extremidade dos tubos é fixado um tanque, o qual pode ser plástico ou metálico. Esta peça tem como função unir e homogeneizar o fluxo entre os tubos, distribuindo a água proveniente de uma mangueira, e coletando o fluido que escoa pela saída dos tubos, conduzindo-o à mangueira para que faça o retorno ao sistema de arrefecimento. Pode-se observar, então, que se trata de um trocador com correntes cruzadas, fluidos não misturados e dois passes no circuito de água. 22 3.2 Descrição da metodologia O foco de estudo do presente trabalho foi a determinação de qual aquecedor de ar pode atender melhor aos requisitos do projeto Fiat Palio Re-style 2. Foram empregadas duas etapas principais: i) cálculo de desempenho do trocador de calor e ii) análise experimental de protótipos. O Projeto Final 1 compreende à parte de cálculos e o Projeto Final 2 será destinado aos testes. Os resultados do Projeto Final I servirão de base para a seleção e confecção dos protótipos que foram testados no Projeto Final II. Para a primeira etapa, foram realizadas atividades de revisão de literatura, levantamento de restrições ao projeto, determinação das condições de teste e cálculos utilizando o software SEKKEI, desenvolvido pela matriz da empresa, a Denso Corporation. Todas as atividades foram desenvolvidas em cooperação com a Denso do Brasil Ltda e a Denso Manufacturing Argentina S.A.. Na segunda etapa, foram realizados testes de desempenho térmico dos aquecedores de ar no Laboratório de Performace de A/C da Denso do Brasil Ltda. Neste local, foram realizados os testes de capacidade de aquecimento do aquecedor de ar e de perda de pressão da água e do ar, ao passarem pelo trocador de calor. Cada peça consumiu cerca de 3 (três) dias úteis para ser testada. 3.3 Justificativa da metodologia Existem, entretanto, restrições na sua linha de produção da DNAR (Denso Manufacturing Argentina S. A.), que implicam em restrições ao projeto do produto. Uma nova proposta para o aquecedor deve estar limitada a tais restrições de fabricação. Dentre as possibilidades existentes, foram realizados cálculos que demonstraram quais as combinações de peças que fornecem o melhor desempenho térmico do equipamento. A partir dos cálculos realizados, foram selecionados e produzidos os protótipos referentes ao melhores resultados teóricos. Com a vinda destas peças para o Brasil, foram feitos os testes de capacidade de aquecimento, perda de carga do ar e perda 23 de carga da água. O teste de capacidade de aquecimento serviu para encontrar a solução que supre as necessidades de aquecimento. E os testes de perda de carga do ar e perda de carga da água deram indicativos de que o trocador de calor selecionado não diminuiu a vazão de ar em direção à cabine de passageiros e não afetou o sistema de arrefecimento do motor. Após obtidas todas essas informações, formou-se uma base sólida de dados para a determinação de qual protótipo seria o mais indicado para ser produzido. 3.4 Etapas do Projeto Neste item as atividades foram separadas pela seqüência em que foram desenvolvidas. As etapas são: 1. Identificação do objeto de estudo. Dados sobre o trocador de calor (tipo, dimensões, dados de testes anteriores, históricos), foram coletados e estudados; 2. Determinação dos parâmetros e variáveis e as condições de contorno (dimensões, tipo de aquecimento de ar, passos de aleta que podem ser produzidos pela Denso, número e tipo de turbuladores que podem ser instalados, tipo de tanque, espessura de tubo); 3. Estudo bibliográfico. Obtenção de subsídios para o cálculo de desempenho; 4. Levantamento da curva do ventilador através de testes realizados na DNBR; 5. Cálculo da troca térmica e perda de pressão para os vários passos de aletas usando o SEKKEI RE0511, versão 2.03; 6. Traçagem das curvas do ventilador e das curvas dos aquecedores. Determinação do ponto de operação no cruzamento das curvas do ventilador e dos aquecedores (vazão e perda de carga); 7. Cálculo da toca térmica dos aquecedores no ponto de operação (vazão de operação); 24 8. Traçagem do gráfico de troca térmica no ponto de operação em função dos passos de aletas; 9. Determinação do passo de aleta que apresenta melhor desempenho com o atual ventilador; 10. Cálculo da efetividade para verificar se podem ser feitas melhorias quanto ao desempenho; 11. Adimensionalização da vazão mássica de ar e da perda de pressão do ventilador; 12. Traçagem da curva do ventilador na nova condição proposta (novo diâmetro do rotor do ventilador); 13. Repetição dos itens 7 a 10 para o novo ventilador; 14. Análise dos resultados para determinar quais peças devem ser prototipadas; 15. Produção de protótipos (DNAR); 16. Teste dos protótipos (teste de capacidade de aquecimento, perda de carga do ar e da água); 17. Análise dos resultados experimentais. Verificar se os cálculos estão condizentes com os valores calculados; 18. Verificação das possibilidades de melhorias dentro das restrições impostas; 19. Finalização da monografia. 3.5 Cronograma O cronograma apresentado representa as tarefas que foram desenvolvidas em cada quinzena, sendo que as expectativas foram confirmadas. Os campos que foram marcados com a cor azul destacam que estas tarefas foram cumpridas no prazo, já os campos em vermelho indicam as tarefas que sofreram atraso na execução, e nos campos em branco estão às tarefas ainda não executadas. 25 Tabela 1 - Cronograma do Projeto Ano 2004 Quinzena N D D J J F F M M A A M M J J J J A A 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 Apresentação e instruções da disciplina X Acerto da parceria junto a Denso do Brasil X Definição do Tema e Orientador X Reunião com o professor Orientador X Coletar informações do produto X Determinação das variáveis do problema e X 2005 condições de contorno Análise junto com o professor Orientador X Elaboração da proposta X X Vistas do professor Orientador X Entrega da proposta (*) X Elaboração da apresentação da proposta (*) X X Vistas do professor Orientador X Defesa da proposta X Revisão da proposta (*) X X Re-entrega da proposta (*) X Elaboração da monografia (*) X X X X X X X X X X X X Acompanhamento do professor Orientador X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Análise dos resultados (*) X X X X X X X X X Discussão dos resultados com o professor Orientador X X X X X X X X X Determinação dos protótipos a serem X X X X X X X X X X X X X Estudo Bibliográfico (*) Elaboração dos cálculos usando software X X Construídos (*) Reunião de avaliação do andamento do projeto junto com o professor Orientador Emitir ordem para construção dos X Protótipos Análise da escolha dos protótipos junto com o professor Orientador Produção de protótipos X X Elaboração da apresentação da monografia X X X Parcial (*) Entrega da monografia parcial (*) X Vistas dos professor Orientador X Defesa da monografia parcial (**) X Revisão da monografia parcial (*) X X Vistas da monografia parcial pelo professor Orientador X Análise da monografia pela banca X Entrega final da monografia parcial(*) X Vistas do professor Orientador X Teste de protótipos X 26 Ano 2004 2005 Quinzena N D D J J F F M M A A M M J J J J A A 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 X X 2 1 2 1 Apresentação dos resultados para o professor Orientador X X Atualização de cronograma (*) X Apresentação do cronograma atualizado para o professor Orientador X Análise dos resultados experimentais X Entrega do cronograma atualizado X Elaboração de apresentação do andamento X X X X do projeto e da monografia (*) Apresentação do item acima para o professor Orientador X Reunião de Avaliação e Apresentação de X X X X andamento do projeto (***) Revisão final da monografia (*) Vistas da monografia final pelo professor Orientador X Entrega da monografia final X Reunião de avaliação do trabalho junto com o professor Orientador X Elaboração da apresentação da monografia X X Final (*) Vistas da apresentação com o professor Orientador Defesa da monografia final (**) X X Entrega final X Confecção de cópias da monografia X Entrega de cópias da monografia e Cd’s X (*) Reuniões semanais com o professor orientador, incluindo apresentação do referido material, para sua análise; (**) Banca de avaliação da monografia a ser definida futuramente; (***) Avaliação do desempenho da equipe feita pelo orientador. Para o cronograma apresentado, ocorreram alguns atrasos no início do ano de 2005. Estes foram motivados pelas férias coletivas da Denso do Brasil. No entanto, o adiamento das atividades previstas para este período não afetou o desenvolvimento global do trabalho. Da observação do cronograma conclui-se que ao final de março de 2005 todas as atividades, previstas em cronograma, estavam ocorrendo em seu período normal. Além destas ocorrências, houve a extensão de alguns prazos para adequação destes ao nível de dificuldade encontrado em algumas etapas do trabalho. Porém, este ajuste não teve implicação nos compromissos para a entrega e apresentação do trabalho. 27 3.6 Orçamento comprometido O orçamento está dividido entre a Tabela 2 e a Tabela 3. A Tabela 2 apresenta o orçamento inicial do projeto, usando valores aproximados de consumo de materiais de escritório. Na Tabela 3, tem-se os valores atuais de dinheiro já consumido, sendo que houve uma correção de valores e de quantidades para que o projeto pudesse ser finalizado. Tabela 2 – Orçamento do Projeto Item Quantidade Unidade Custo unitário (R$) 10,00 Custo total (R$) Funcionário (**) 258 H 2.580,00 Estagiário (**) 258 H 4,65 1.199,70 Máquinas/Câmara (**) 10 Dias 750,00 7.500,00 Peças protótipos (**) 3 Pç 7.000,00 21.000,00 Material impresso (*) 1.000 pág. 0,15 150,00 Encadernação (*) 3 Pç 50,00 150,00 Cd (*) 3 Pç 3,00 9,00 Combustível (*) 75 L 2,30 172,50 Orientação do Professor (***) 50 H 30,00 1500,00 Total 34.261,20 Total a ser financiado pelo aluno ou equipe 481,50 (*) Custos assumidos pela equipe. (**) Custos assumidos pela Denso do Brasil. (***) Custos de referência apenas para constar na proposta. Tabela 3 – Consumo Atual Item Quantidade Unidade Custo unitário Funcionário (**) 185 H 10,00 1850,00 Estagiário (**) 185 H 4,65 860,25 Máquinas/Câmara (**) 9 Dias 750,00 6.750,00 Peças protótipos (**) 6 Pç 4.250,00 25.500,00 Material impresso (*) 782 pág. 0,15 117,30 Encadernação Capa Dura (*) 3 Pç 50,00 150,00 Cd (*) 2 Pç 2,00 4,00 Combustível (*) 68 L 2,40 163,20 Orientação do Professor (***) 15 H 30,00 450,00 Encadernação das Propostas e Monografia (*) 9 Pç 2,10 18,90 (R$) Custo total (R$) Total 35.863,65 Total a ser financiado pelo aluno ou equipe 453,40 (*) Custos assumidos pela equipe.(**) Custos assumidos pela Denso do Brasil. (***) Custos de referência apenas para constar na proposta. 28 Da comparação dos custos dos protótipos nas Tabelas 2 e 3, observa-se que houve um aumento do gasto, isto se deve ao reajuste dos preços e aos volumes de materiais que foram necessários para a finalização do trabalho. 3.7 Riscos previstos Na Tabela 4, é apresentado o mapeamento de riscos. Para os itens com risco considerado alto foram previstas algumas medidas de contingência, sendo que na Tabela 4 é necessário preencher uma medida de contingência quando a gravidade ou a probabilidade de ocorrência for maior ou igual a cinco, ou quando o índice de risco superar o valor de 30. Tabela 4 – Mapeamento dos Riscos do Projeto Risco Gravidade (G) (1 a 10) Probabilidade de ocorrência (O) Índice de risco (IR = G x O) Medida de contingência (para G ou O maior ou igual a 5 e para G x O maior ou igual a 30) (1 a 10) Aluno ou equipe sem acesso a informações 10 3 30 Negociação com a Denso do Brasil para liberação de informações 8 1 8 O componente que restar deve assumir o trabalho, e o cronograma deve ser alterado Importantes para realizar o trabalho Um ou mais componentes da equipe não se Dedica, ou desiste do projeto Conflito entre componentes da equipe 2 1 2 Atraso dos testes 6 2 12 Alteração de cronograma Risco Gravidade (G) Probabilidade de ocorrência (O) Índice de risco (IR = G x O) Medida de contingência (para G ou O maior ou igual a 5 e para G x O maior ou igual a 30) O projeto passa a ser a execução de software próprio (1 a 10) (1 a 10) O parceiro externo desiste de colaborar com o 10 2 20 Problema formulado não pode ser resolvido 3 1 3 Financiamento é cancelado 10 0 0 Financiamento já liberado. Orientador abandona o projeto 10 1 10 Negociar com outro professor da área. Orientador não orienta 7 1 7 Negociar com outro professor da área. Atraso na produção dos protótipos 4 2 8 Alterar cronograma, já que há um grande prazo entre a janela de testes, e a entrega final do trabalho Dificuldade de encontrar bibliografia 5 5 25 Buscar em sites internacionais, ou em bibliotecas de outras universidades. Dificuldade de apresentar os protótipos na 10 4 40 Mostrar fotos das peças Projeto. defesa do projeto 29 Risco Gravidade (G) (1 a 10) Probabilida de de ocorrência (O) Índice de risco (IR = G x O) Medida de contingência (para G ou O maior ou igual a 5 e para G x O maior ou igual a 30) (1 a 10) Dificuldade para retirar desenhos 10 5 50 Fazer desenhos representativos sem o logotipo da Denso Imprevistos de natureza não controlada pelos 10 1 10 Negociar prazos com o professor orientador, e alterar o cronograma. Participantes do projeto (incêndios, doenças, etc) 30 4 DESENVOLVIMENTO TEÓRICO Com a finalidade de melhor fundamentar este projeto, foi feita uma revisão da literatura. Baseado nesta pesquisa, foi possível compreender uma série de conceitos necessários para a execução dos cálculos de desempenho de aquecedores. As principais fontes de consulta foram justamente aquelas as quais abordam o tema de análise térmica de trocadores de calor de corrente cruzada com fluidos não misturados, como pode ser visto no item 2.1 (INCROPERA, 2003 e KAYS & CRAWFORD, 1993). Também foram importantes, neste estudo, as normas internas e instruções de trabalho da DENSO (DENSO, 2003), para que fossem conhecidas as restrições e orientações impostas pela empresa, bem como as necessidades do cliente FIAT. Além disso, foi preciso consultar o manual de instruções do software de cálculos de performace de “heater core” SEKKEI RE0511, versão 2.03, para que fossem realizados os cálculos de maneira correta e, também, para se entender os resultados gerados pelo programa. Terminado o estudo bibliográfico, procedeu-se o levantamento dos dados e das restrições do projeto do aquecedor de ar. Isto possibilitou uma melhor orientação dos esforços em busca da solução do problema identificado. Percebeu-se, então, que as restrições do processo produtivo da Denso Argentina eram muito grandes, inviabilizando modificações mais significativas na configuração dos tubos e aletas do trocador de calor. Concluiu-se que apenas uma configuração de tubos era possível (sete tubos em “U”), e que somente três passos de aletas poderiam ser fabricados (0,83; 1,00; 1,11mm). Foi sugerido então modificar outro parâmetro construtivo, a inserção de turbuladores, que promoveriam um aumento da troca térmica do líquido através dos tubos pelo aumento do número de Reynolds. Porém, somente poderiam ser verificados em quatro configurações (sem turbuladores, sete turbuladores com um em cada tubo da entrada, sete turbuladores em cada tubo da saída ou quatorze turbuladores sendo sete nos tubos de entrada de líquido e sete nos tubos de saída). A presença destes turbuladores poderia influenciar positivamente na troca térmica, porém ela não poderia ser calculada pelo Software SEKKEI. Decidiu-se, então, que os turbuladores seriam avaliados somente 31 na fase experimental do projeto, caso os aquecedores de ar não alcançassem o desempenho desejado, ou para que fosse uma alternativa para melhorar ainda mais o desempenho, sem alterar as dimensões do trocador de calor. Ainda na fase inicial, iniciou-se os cálculos de desempenho para os três passos de aletas possíveis de serem fabricados. Foram utilizadas, então, as condições impostas pela Fiat para esse tipo de equipamento (Tabela 5). Tabela 5 – Condições de contorno para cálculo de aquecedores de ar Temperatura de entrada do ar -10 0C Temperatura de entrada da água 88 0C Vazão de água 3,3 e 8,4 l/min Também foram mantidas as dimensões do trocador de calor atual (altura 250mm x largura 140mm x espessura 42mm), já que a empresa, alegou que uma mudança nas dimensões do aquecedor de ar implicaria na modificação dos moldes de injeção das carcaças. Esta modificação geraria um custo muito elevado que tanto o cliente quanto o fornecedor não estariam dispostos a pagar, devido ao fato de o volume de veículos exportados ser relativamente baixo. Para proceder os cálculos, com todas as restrições citadas, variou-se a vazão de ar, sendo que o primeiro resultado de interesse foi a perda de pressão do aquecedor de ar em função da vazão de ar. Traçou-se, então, um gráfico com estes valores para cada passo de aleta. Para tanto, foi utilizado o Software Microsoft Excel. No gráfico gerado foi ajustado um polinômio de segundo grau como curvas de tendência. Isto foi possível devido ao conhecimento da variação da perda de pressão do ar em função da vazão de ar. O polinômio gerado é de segunda ordem, conforme a relação entre velocidade e perda de carga. Para que houvesse uma conclusão acerca dos dados de perda de pressão, fez-se necessário cruzá-los com a curva do ventilador do sistema de climatização do veículo. Como os cálculos de projeto deste componente são realizados pelo fornecedor, não foi possível ter acesso a este dado. Então, foi proposto utilizar os dados de um teste realizado no laboratório da Denso do Brasil. Com a curva do 32 ventilador levantada, foram traçadas as curvas de perda de pressão dos aquecedores (com os três passos de aletas), e a curva do ventilador em um mesmo gráfico. Para determinar a vazão de operação para cada passo de aleta, igualou-se o polinômio aproximador de segunda ordem do ventilador com a curva de perda de carga dos aquecedores de ar. Determinada a vazão de operação, foi calculada a troca térmica para cada passo de aleta em sua respectiva condição de operação (Eq. 7) e, assim pode-se determinar e classificar os aquecedores de ar quanto ao seu desempenho. Terminando o estudo com os passes de aletas que podem ser fabricados pela Denso Argentina, questionou-se se estes passos estavam próximos do passo “ótimo”, que seria a melhor relação vazão x troca térmica. Para sanar essa dúvida, foram repetidos os cálculos para outros passos de aletas, e novamente foi utilizado o Software SEKKEI RE0511, versão 2.03, para obter as perdas de pressão para os diferentes passos de aletas. Então, traçou-se o gráfico de perda de pressão em função da vazão volumétrica para cada passo. Cruzou-se a curva de perda de pressão dos aquecedores com a curva do ventilador. Desta maneira obteve-se as vazões de operação para os diversos passos de aletas. Por fim, foi calculada a troca térmica para cada aquecedor de ar em sua vazão de operação. Da união destes dados com os dados dos passos de aletas que podem ser fabricados, gerou-se um gráfico que mostra a relação entre a taxa de transferência de calor e o passo de aleta. Neste gráfico foi possível observar qual era o passo de aleta que proporcionaria a maior troca térmica e, também, se os passos que podem ser fabricados estavam próximos deste “ponto ótimo”. Após este estudo, foram escolhidos os protótipos a serem fabricados, e foram emitidas as requisições de fabricação de protótipos. 33 5 RESULTADOS TEÓRICOS Para que fossem realizados os cálculos conforme descrito no Capítulo 4, foi necessário fazer um levantamento dos dados de projeto do aquecedor. As restrições de dimensões do trocador de calor são mostradas na Tabela 6, e as condições de contorno para o cálculo de aquecedores são apresentadas na Tabela 5. Tabela 6 – Restrições das dimensões para Aquecedor de Ar Dimensão Tamanho (mm) Altura (H) 250 Largura (W) 140 Profundidade (D) 42 Passos de Aleta (Fin Pitch) 0,83 ; 1,00 ; 1,11 Diâmetro interno dos Tubos do Aquecedor de Ar 7 Outra restrição dimensional importante é a configuração dos tubos, os quais devem ser em número de sete, em forma de “U”, paralelos e igualmente espaçados. Todas as restrições dimensionais foram impostas pela Denso do Brasil devido ao elevado custo de sua alteração. Isto se deve ao fato de ser necessário modificar os moldes de injeção das partes plásticas e gabaritos dos aquecedores. Esta modificação não se justifica uma vez que a melhora no desempenho do aquecedor é necessária apenas para exportação, implicando um volume pequeno de produção. Quanto às restrições operacionais, estas foram requeridas pela Fiat Automóveis S. A. Como não foi especificado nenhum valor de vazão de ar, para os cálculos iniciais de desempenho dos aquecedores, utilizou-se os valores de vazão volumétrica especificados na DDS 1111 (Denso Design Standard) (DENSO, 2003), como pode ser observado na Tabela 7. 34 Tabela 7 – Vazões volumétrica de ar segundo a DDS 1111 (DENSO, 2003) Vazão volumétrica de Ar [ m3 / h] 200 250 300 350 400 450 De posse desses dados, procedeu-se o cálculo do desempenho para os passos de aletas que poderiam ser fabricados, conforme as figuras apresentadas no Anexo A. Simultaneamente foi levantada a curva do ventilador atualmente utilizado para insuflar ar na unidade de climatização. Este gráfico pode ser observado no apêndice B. Os dados desta curva foram obtidos em teste realizado no Laboratório de Performace de A/C da Denso do Brasil, e as condições de teste foram determinadas através da Tabela 8 . Tabela 8 – Condições de teste do ventilador do Palio Re-style 2 Grandeza Valor [ unidade ] Temperatura ambiente 20 [0C] Umidade relativa do ar 50 [%] Volume específico do ar 0,938 [ m3 / h] Tensão elétrica do motor 12 [Volts] A tensão de 12V corresponde à máxima velocidade que o usuário pode acionar no painel de comando do veículo. O motor elétrico do ventilador e seu motor são produzidos pela Denso Sistemas Térmicos em Betim-MG. O cruzamento da curva do ventilador com a curva de perda de carga indica o ponto de operação do sistema trocador de calor-ventilador. A Figura 10 mostra a curva de perda de carga para os três passos de aleta possíveis. 35 CURVA DO VENTILADOR x CURVA DE SISTEMA 1200 1000 Passos de aletas 0,83mm 800 Δp [Pa] 1,00mm 1,11mm 600 Ventilador 400 200 0 100 200 300 400 500 600 700 VAZÃO VOLUMÉTRICA DE AR (m³/h) Figura 10 – Perda de pressão do ar x vazão volumétrica de ar As funções apresentadas são polinômios de segunda ordem, os quais aproximam os pontos de forma satisfatória. Do cruzamento destes polinômios obteve-se a vazão de operação para os três passos de aletas, estes dados estão na Tabela 9. Tabela 9 – Vazão volumétrica de ar na condição de operação dos aquecedores Passo de aleta [mm] Vazão de operação [ m3/h] 0,83 376,4 1,00 397,8 1,11 413,3 Com estas vazões foi realizado um novo cálculo de desempenho, para que fossem avaliados os aquecedores em sua condição de operação. Os resultados desses cálculos de desempenho podem ser consultados no apêndice C. Na Tabela 10, são apresentados as taxas de transferência de calor para os passes de aletas, que podem ser produzidos em suas respectivas vazões volumétricas de ar de operação à vazão volumétrica de 8,4l/min. 36 Tabela 10 – Taxa de transferência de calor na vazão de operação para a vazão volumétrica de água de 8,4 l/min. Passo de aleta [mm] Vazão de operação [ m3/h] Taxa de transferência de calor [KW] 0,83 376,4 12,166 1,00 397,8 12,423 1,11 413,3 12,627 Baseado nos dados apresentados na Tabela 10, pode-se concluir que o aquecedor com passo de aleta de 1,11mm tem desempenho superior aos demais. Porém, esta diferença é pequena, cerca de 3,8% maior que o fabricado atualmente (passo de aleta de 0,83mm). Ao chegar a esta conclusão, decidiu-se examinar se não haveria um passo de aleta diferente que pudesse proporcionar um aumento significativo da taxa de transferência de calor. Assim, foi calculado o desempenho para outros passes de aletas (Tabela 11), nas mesmas condições anteriores, resultando nas tabelas do apêndice D. Tabela 11 – Outros passes de aletas utilizados para o cálculo de desempenho do aquecedor de ar. Passo de aleta [mm] 0,70 1,20 1,30 1,40 1,50 2,00 3,01 3,97 5,00 Não foi possível calcular para os passos 3,00 e 4,00mm, pois o número de aletas não seria um número natural. 37 Para a determinação da condição de operação para cada passo de aleta, novamente traçou-se as curvas de perda de pressão dos aquecedores sobrepostas à curva do ventilador (Figura 11). CURVA DO VENTILADOR x CURVA DE SISTEMA Passos de aletas 1200 0,70mm 0,83mm 1000 1,00mm 1,11mm 800 1,20mm Δp [Pa] 1,30mm 600 1,40mm 1,50mm 400 2,00mm 3,01mm 3,97mm 200 5,00mm 0 100 Ventilador 200 300 400 500 600 700 VAZÃO VOLUMÉTRICA DE AR (m³/h) Figura 11 – Perda de pressão do ar x vazão volumétrica de ar para outros passes de aletas Com base na Figura 11, determinou-se a vazão volumétrica de ar de operação para cada passo de aleta conforme pode ser observado na Tabela 12. 38 Tabela 12 – Vazão volumétrica de ar na condição de operação dos aquecedores para vários passes de aletas Passo de aleta [mm] Vazão de operação [ m3/h] 0,70 352,6 0,83 376,4 1,00 397,8 1,11 413,3 1,20 425,7 1,30 428,0 1,40 433,6 1,50 444,9 2,00 463,2 3,01 488,1 3,97 495,5 5,00 508,4 Determinadas as vazões volumétricas de ar de operação, mais uma vez calculou-se os desempenhos dos aquecedores com as vazões obtidas. Resultando, assim, nos valores encontrados no apêndice E. Para comparar os resultados do apêndice E, foi mantida a vazão volumétrica de água em 8,4 l/min. Comparou-se então, a taxa de transferência de calor, para a vazão volumétrica de ar na condição de operação, para os diversos passos de aletas. Assim, foi possível elaborar a Tabela 13. 39 Tabela 13 – Taxa de transferência de calor na vazão de operação para a vazão volumétrica de água de 8,4 l/min e para outros passos de aletas . Passo de aleta [mm] Vazão de operação [ m3/h] Taxa de transferência de calor [KW] 0,70 352,6 11,723 0,83 376,4 12,166 1,00 397,8 12,423 1,11 413,3 12,627 1,20 425,7 12,781 1,30 428,0 12,658 1,40 433,6 12,639 1,50 444,9 12,551 2,00 463,2 12,524 3,01 488,1 12,277 3,97 495,5 12,104 5,00 508,4 11,882 A partir dos resultados da Tabela 13, pode-se observar que a maior taxa de transferência de calor ocorre com o passo de aleta de 1,20mm. Este passo é bastante próximo ao passo de 1,11mm. Inclusive a taxa de transferência de calor tem um acréscimo de apenas 1,2%. Aproveitando-se, ainda, os dados do apêndice E, traçou-se a Figura 12. 40 TROCA TÉRMICA 14 12 10 Q (kW) 8 Calor (Vw = 3,3 l/min) Calor (Vw = 6,0 l/min) Calor (Vw = 8,4 l/min) 6 4 2 0 0 1 2 3 4 5 6 FIN PITCH (mm) Figura 12 – Taxa de transferência de calor x passo da aleta. Observa-se na Figura 12 que os passos de aleta que poderiam ser produzidos pela Denso Argentina, estão muito próximos do “valor ótimo” (1,20mm). Sendo que o passo de 1,11mm foi o que mais se aproximou. Após reuniões entre a equipe, a gerência da Denso do Brasil e o professor orientador determinou-se a produção de seis protótipos para a avaliação experimental. Também foi concluído que a influência dos turbuladores deveria ser experimentada. Assim gerou-se a lista de protótipos que deveriam ser construídos (Tabela 14). Tabela 14 – Protótipos fabricados. Passo de aleta [mm] Turbuladores 0,83 Nenhum 0,83 14 (7 entrada + 7 saída) 1,00 Nenhum 1,00 14 (7 entrada + 7 saída) 1,11 Nenhum 1,11 14 (7 entrada + 7 saída) Ainda assim os resultados ficaram aquém do esperado. Uma vez que o projeto já é bastante otimizado, houve pouco ganho em desempenho. 41 6 DESENVOLVIMENTO EXPERIMENTAL Com a finalidade de confirmar os resultados calculados, foram conduzidos testes com protótipos nas dependências do laboratório de Performace de A/C da Denso do Brasil. Este laboratório foi construído e equipado para que fosse possível realizar testes em protótipos e nas primeiras peças fabricadas, antes que estes estejam disponíveis no mercado. Para tanto, a Denso conta com duas câmaras climáticas, uma voltada para baixas temperaturas, controle de temperatura e capacidade de aquecimento, e a outra para teste do sistema completo com temperatura e umidade controlada. Para os propósitos deste projeto, foi utilizado a primeira, a qual conta com um alcance de temperatura do ar entre –200C e +250C com vazão de ar controlada. Além deste controle, pode-se condicionar a temperatura da água (entre temperatura ambiente e +900C) e sua vazão. O sistema de fornecimento de água permite, ainda, a adição de aditivo (monoetilenoglicol), o qual não será utilizado nos testes requeridos pela Fiat. Para a realização dos testes de capacidade de aquecimento foram utilizadas as condições em que se basearam os cálculos (Tabela 5). Enquanto que para os testes de perda de carga do ar e perda de carga da água foram utilizadas as condições das Tabelas 15 e 16 respectivamente. Tabela 15 – Condições de teste de perda de carga do ar Temperatura do ar 20 ± 1 [0C] Umidade relativa do ar 50 ± 5 % 200 ± 20 Vazão de ar [m3/h] 300 ± 20 400 ± 20 42 Tabela 16 – Condições de teste de perda de carga do água 20 ±1 [0C] Temperatura do água Vazão volumétrica de água [l/min] 3,3 ± 0,1 8,4 ± 0,1 Determinadas as condições dos testes, procedeu-se a preparação do mesmo com a instalação de um duto, cuja área da seção transversal é igual à área aletada do aquecedor, com comprimento total de 1,20 metros. Em uma de suas extremidades está a câmara de vazão, devidamente vedada, a qual está instalada no interior da câmara climática. A 0,90m da câmara de vazão, está localizado o trocador de calor, instalado de forma que as aletas estejam paralelas às superfícies interior e superior do duto e os tubos estejam ortogonais às mesmas. Após o aquecedor restam 0,30m de duto para a continuação do fluxo, sem que hajam perturbações além das causadas pelo trocador de calor. Finalizada a preparação do sistema de controle da vazão de ar, procedeu-se a instalação das linhas de mangueira de agua entre o fornecedor de água quente e o trocador de calor. Com o fornecimento de água e ar prontos, foram instalados os sensores conforme a Tabela 17. Tabela 17 – Sensores e posições usadas Sensor Local Quantidade Termopar tipo T Temperatura de entrada do ar 03 Termopar tipo T Temperatura de saída do ar 02 Termopar tipo T Temperatura de entrada da água 01 Termopar tipo T Temperatura de saída da água 01 Manômetro de coluna Pressão dinâmica e estática da d´água câmara de vazão Manômetro de mercúrio Pressão de entrada e saída da água Rotâmetro Vazão volumétrica na saída da bomba de água 01 01 01 43 Todos os termopares foram conectados ao sistema de aquisição de dados Fluke Hidra. Este por sua vez foi ligado ao notebook Toshiba Satellite, no qual foi observado o comportamento dos dados de temperatura. Após a preparação de todos os equipamentos, iniciou-se o teste de capacidade de aquecimento. Para este teste foram medidas as temperaturas, segundo a Tabela 17, após a estabilização destas em regime permanente. Estas temperaturas foram registradas para cada vazão de ar (Tabela 18) e vazão de água (Tabela 19). Tabela 18 – Vazões de ar usadas para teste Vazões volumétricas de ar [m3/h] 200 ± 20 300 ± 20 400 ± 20 Tabela 19 – Vazões de água usadas para o teste Vazões volumétricas de água [l/min] 3,3 ± 0,1 8,4 ± 0,1 Com as temperaturas de entrada e saída da água, foi calculada a taxa de transferência de calor pela equação 9. q max = (m.cp ) min .(Th , e − Tc , e) Eq. 9 Com o objetivo de completar a avaliação dos aquecedores procederam-se os testes de perda de pressão do ar e da água. Para o primeiro foi aplicada uma vazão de ar (Tabela 18) conhecida, com temperatura e umidade controladas (Tabela 15), na câmara de vazão. O trocador de calor permaneceu instalado no duto utilizado para o teste de capacidade de aquecimento, de forma que o fluxo de ar fosse direcionado e uniforme. Mediu-se então a pressão relativa da câmara de vazão em relação a pressão atmosférica. Posteriomente traçou-se um gráfico relacionando a perda de pressão do ar e suas vazões volumétricas para cada trocador. 44 Já o teste de perda de pressão da água, foi mantido o aquecedor na posição dos outros testes, e foram instaladas tomadas de pressão na mangueira de água na entrada e na saída do trocador de calor. Estas tomadas foram ligadas a um manômetro de mercúrio, no qual foram mantidas as diferenças de pressões entre a entrada e saída para as vazões de água anteriormente determinadas (Tabela 19). A água utilizada para o teste estava sem aditivo e a temperatura de 20 ±10C (Tabela 16). Ao final traçou-se um gráfico relacionando a perda de pressão da água e suas vazões volumétricas para cada trocador. Foram tiradas algumas fotos dos aquecedores de ar (Figuras 13, 14, 15 e 16). Figura 13 – Aquecedor de Ar (vista frontal) passo 0,83mm. Figura 14 – Aquecedor de Ar (Tubos da base). 45 Figura 15 – Aquecedor de Ar (Vista interna). Figura 16 – Aquecedor de Ar mostando os turbuladores. 46 7 RESULTADOS EXPERIMENTAIS Para os testes foi construído um duto de papelão com a seção transversal igual à area aletada do aquecedor. Uma de suas extremidades foi ligada à câmara de vazão, a qual está localizada no interior da câmara climática, enquanto que na outra foi instalado o aquecedor com as aletas paralelas ao escoamento. Nos locais em que foram feitas estas ligações, uma vedação criteriosa foi implantada a fim de evitar fuga do ar frio proveniente da câmara de vazão. Um esquema dos termopares é apresentado no anexo G. Também foi importante isolar o ar frio da câmara climática do ambiente, com a finalidade de não influenciar nos resultados (Figura 17). Figura 17 – Bancada de teste de capacidade de aquecimento. Após posicionado o aquecedor foram instaladas as mangueiras de água, uma proveniente do gerador de água quente e outras de retorno para este. Estas mangueiras estão equipadas com conectores para tomada de pressão e temperatura próximas ao trocador de calor. Com o fornecimento de água e ar devidamente instalados procedeu-se a instrumentação do sistema. No bocal de venturi da câmara de vazão e em duas de suas paredes foram instaladas tomadas de pressão, sendo a primeira, para pressão dinâmica (Dp), e as outras para pressão estática (Dpa). Estas pressões foram ligas utilizando um manômetro de colunas de água. Enquanto que as pressões de entrada e saída de água do aquecedor foram medidas utilizando um manômetro de mercúrio. 47 Foram instalados termopares tipo T nas mangueiras de entrada e saída da águas próximas ao aquecedor. Também foram instalados três termopares na saída da câmara de vazão, para controlar a temperatura de entrada do ar no trocador de calor e dois termopares após o trocador de calor para medir as temperaturas de saída e verificar se não havia diferenças significativas entre elas. As temperaturas foram lidas através de um sistema de aquisição de dados Fluke Hidra II e um notebook Toshiba Satélite. Para iniciar o teste foi acionada a câmara de vazão, a qual possui quatro ventiladores de 24 Volts similares aos utilizados em ar-condicionado para ônibus. Esta câmara deve ser acionada primeira para que os motores dos ventiladores estejam quentes antes que a temperatura esteja abaixo de 00C. Com isto evita-se a formação de gelo nas pistas de contato elétrico, o que poderia danificar o motor no momento do acionamento. Em seguida, foi ligada a câmara climática, cuja programação foi fixada em -100C (Figura 18). Esta câmara climática foi adquirida pela Denso do Brasil em 1998, antes mesmo da construção do laboratório, para que no ano seguinte após a inauguração do prédio do laboratório ela já estivesse em operação. A câmara TC, como é designada na Denso, possui quatro saídas, podendo operar simultâneamente três testes, com alcançe de temperatura entre –200C e +250C. Nela, além dos testes realizados neste projeto, é possivel a realização de teste de controle de temperatura e de umidade do ar do sistema de ar condicionado. 48 Figura 18 – Painel de controle da câmara climática. Para fornecer água, o gerador de água quente foi acionado com temperatura fixada em 880C. Este gerador entrou em funcionamento juntamente com a câmara climática. Ele é capaz de aquecer água ou água com aditivo (monoetilenoglicol) desde a temperatura ambiente do laboratório (200C) até 1000C. Para tanto são utilizadas dois resistores elétricos. Sua bomba pode fornecer água a uma vazão de até 20 l/min. O sistema de aquisição de dados foi conectado ao computador. Seu programa exibe na tela o comportamento das temperaturas ao longo do tempo, sendo possível armazenarem estes dados. Com todos os equipamentos em funcionamento foi aguardada a estabilização das temperaturas para início do teste com a primeira amostra, que era o modelo atual com passo de aleta de 0,83mm e 14 turbuladores. Após ser atingido o estado de regime permanente, aguardou-se mais cinco minutos, como prevê a instrução de trabalho para este teste, para então iniciar a aquisição dos dados de temperatura durante cinco minutos. Finalizado este período foi feita a média das temperaturas. As temperaturas médias foram então utilizadas para o cálculo da troca térmica. Mudou-se então a vazão de ar para um novo teste. Depois de percorridas todas as vazões de ar para a mesma vazão de água, mudou-se a vazão de água para que novamente fossem feitas as medições em todas as vazões de ar. Desta 49 forma, foram testadas todas as combinações de vazões de ar e de água seguindo a norma da Denso. O cruzamento da curva do ventilador com a curva de perda de carga indica o ponto de operação do sistema trocador de calor-ventilador. A Figura 19 mostra a curva de perda de carga para os três passos de aleta possíveis. PERDA DE CARGA DO AR [Pa] 1200 1000 Passo de aletas 800 DPa [Pa}] 0,83 mm sem turbulador 0,83 mm com turbulador 1,00 mm sem turbulador 1,00 mm com turbulador 1,11 mm sem turbulador 1,11 mm com turbulador 600 Ventilador 400 200 0 0 100 200 300 400 500 600 700 VAZÃO VOLUMÉTRICA DO AR [m³/h] Figura 19 – Perda de pressão do ar x vazão volumétrica de ar As funções apresentadas são polinômios de segunda ordem, os quais aproximam os pontos de forma satisfatória. Do cruzamento destes polinômios obteve-se a vazão de operação para os três passos de aletas, estes dados estão na Tabela 20. Tabela 20 – Vazão volumétrica de ar na condição de operação dos aquecedores Passo de aleta [mm] Vazão de operação [ m3/h] 0,83 459 1,00 510 1,11 544 Com estas vazões foi determiando nas Figuras 20 e 21 a troca térmica, para que os aquecedores fossem avaliados em sua condição de operação. 50 TROCA TÉRMICA X VAZÃO DE AR VAZÃO VOLUMÉTRICA DE ÁGUA 3,3 [l/min] (DADOS EXPERIMENTAIS) TAXA DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR [kW] 12,0 10,0 8,0 0,83 sem turbulador 1,00 sem turbulador 1,11 sem turbulador 6,0 0,83 com 14 turbuladores 1,00 com 14 turbuladores 1,11 com 14 turbuladores 4,0 2,0 0,0 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 VAZÃO VOLUMÉTRICA DE AR [m³/h] Figura 20 – Troca térmica para vazão volumétrica de água de 3,3 l/min. TROCA TÉRMICA X VAZÃO DE AR VAZÃO VOLUMÉTRICA DE ÁGUA 8,4 [l/min] (DADOS EXPERIMENTAIS) 16,0 TAXA DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR [kW] 14,0 12,0 0,83 sem turbulador 10,0 1,00 sem turbulador 1,11 sem turbulador 0,83 com 14 turbuladores 8,0 1,00 com 14 turbuladores 1,11 com 14 turbuladores 6,0 4,0 2,0 0,0 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 VAZÃO VOLUMÉTRICA DE AR [m³/h] Figura 21 – Troca térmica para vazão volumétrica de água de 8,4 l/min. 51 Nas Tabelas 21 e 22, são apresentadas as taxas de transferência de calor para os passes de aletas, que podem ser produzidos em suas respectivas vazões volumétricas de ar de operação, respectivamente, 3,3 e 8,4l/min. Tabela 21 – Taxa de transferência de calor na vazão de operação para a vazão volumétrica de água de 3,3 l/min. Passo de aleta [mm] Vazão de operação [m3/h] 0,83 459 Taxa de transferência de calor [KW] sem turbulador 8,144 Taxa de transferência de calor [KW] com turbulador 9,352 1,00 510 8,135 9,474 1,11 544 8,485 9,699 Tabela 22 – Taxa de transferência de calor na vazão de operação para a vazão volumétrica de água de 8,4 l/min. Passo de aleta [mm] Vazão de operação [m3/h] 0,83 459 Taxa de transferência de calor [KW] sem turbulador 11,568 Taxa de transferência de calor [KW] com turbulador 12,154 1,00 510 11,585 12,667 1,11 544 11,669 13,077 Baseado nos dados apresentados nas Tabelas 21 e 22, pode-se concluir que o aquecedor com passo de aleta de 1,11 mm com turbulador apresenta desempenho superior aos demais. Porém, esta diferença é pequena, cerca de 7,5% maior que o passo de aleta 0,83mm, confirmando as expectativas. Com base nos resultados a gerência de projeto da Denso do Brasil decidiu implantar os turbuladores, pois a presença deles resultou num aumento significativo da taxa de transferencia de calor, sendo que esse aumento foi maior do que aquele obtido com a mudança do passo de aleta. 52 8 ADIMENSIONALIZAÇÃO Devidos aos resultados calculados e obtidos nos testes experimentais ainda não tenham atingidos a expectativa do cliente, foi decidido estudar o aumento de vazão do ventilador para se obter a troca térmica desejada. Uma vez que o aquecedor com passo de aleta 1,11mm apresentou um resultado mais próximo do esperado, ele foi selecionado para os cálculos de aumento da vazão através da adimensionalização. Para o projeto, a FIAT solicitou uma especificação de 13kW para taxa de transferência de calor. Para alcançar esse objetivo foi estudado o redimensionamento do diâmetro do ventilador, mantendo a mesma curvatura das pás. Com os dados resultantes do SEKKEI para 1,11mm (apêndice A) foi traçada a Figura 22. TROCA TÉRMICA 16 TAXA DE TRANSFERÊNCIA DE CALOR [kW] 14 13 12 10 8 Taxa de transferência de calor [kW] 6 4 2 0 150 200 250 300 350 400 426,086 450 500 VAZÃO VOLUMÉTRICA DE AR [m³/h] Figura 22 – Troca térmica passo de aleta 1,11mm. Para a especificação desejada pela Fiat Automóveis (13 kW de taxa de transferência de calor), foi analisada a Figura 22, na qual se partiu da taxa de 53 transferência de calor em uma reta paralela ao eixo das abscissas, até interceptar a curva que relaciona a taxa de transferência de calor e a vazão volumétrica de ar. Então se traçou uma reta paralela ao eixo das ordenadas para encontrar a vazão volumétrica de ar necessária para a taxa de 13 kW, a qual é de 426,086 m3/h. Na Figura 10, partiu-se desta vazão, com uma reta paralela ao eixo das ordenadas até interceptar a curva de perda de pressão para o aquecedor com passo de aleta 1,11 mm. Então se traçou uma reta paralela ao eixo das abscissas para obter-se a perda de pressão necessária para o ventilador, a qual é de 369,85 Pa. Foi então traçada a Figura 23 com os parâmetros adimensionais para perda de pressão (Equação 12) e vazão mássica (Equação 13). π = Δp D ².N ².ρ Eq. 12 π = m D ³.N .ρ Eq. 13 1 3 onde Δp é a perda de pressão, D é o diâmetro do ventilador, N é a rotação do ventilador, ρ é a massa específica do ar e m é a vazão mássica de ar. O método para a obtenção dos parâmetros π1 e π2 está descritos no Anexo B. De posse dos parâmetros adimensionais das Equações 12 e 13, foi traçada a Figura 23 para as perdas de pressão e vazões mássicas de ar do ventilador atualmente utilizado no projeto Fiat Palio Re-style 2. 54 CURVA DE VAZÃO ADIMENSIONAL DO VENTILADOR 0,14 PERDA DE PRESSÃO ADIMENSIONAL 0,12 0,10 2 y = -30,017x - 0,1982x + 0,1225 0,08 0,06 0,04 0,02 0,00 0,00 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 VAZÃO DE AR ADIMENSIONAL Figura 23 – Curva de vazão adimensional do ventilador Com o polinômio aproximador de segunda ordem do fenômeno, foi calculado o diâmetro necessário para atender à condição de perda de pressão de 369,85 Pa e vazão volumétrica de ar de 426,086 m³/h simultaneamente. Os cálculos realizados no software MuPad Light 2.5.3 indicaram um diâmetro de 182,61 mm, o qual é adequado. Porém por questões estratégicas da gerência esta melhoria não será implementada neste momento. Apesar de não ser aplicada, esta sugestão serve para facilitar desenvolvimentos de futuros projetos de sistemas de aquecimento e condicionamento de ar. Na Figura 24, pode-se observar a intersecção entre os parâmetros adimensionais calculados para as condições especificadas acima (182,61 mm de diâmetro do ventilador, vazão volumétrica de ar de 426,086 m³/h e perda de pressão de 369,85 Pa) e a curva de vazão adimensional. 55 CURVA DE VAZÃO ADIMENSIONAL DO VENTILADOR 0,14 PERDA DE PRESSÃO ADIMENSIONAL 0,12 0,10 y = - 30,017x² - 0,1982x + 0,1225 0,08 0,06 0,04 0,02 0,00 0,00 0,01 0,02 0,03 0,04 0,05 0,06 0,07 VAZÃO DE AR ADIMENSIONAL Figura 24 – Ponto de operação do ventilador com diâmetro 182,61 mm adimensionalizado traçado sobre a curva de vazão adimensional do ventilador Já na Figura 25 conclui-se que a diferença de vazão necessária para atingir o requisito de 13 kW é pequena. A curva de vazão para o novo ventilador de diâmetro 182,61mm é muito próxima daquela apresentada pelo ventilador atual de 180 mm. No entanto esta diferença de vazão é necessária para que a taxa de transferência de calor desejada seja alcançada, uma vez que somente a mudança do passo de aleta do aquecedor não se mostrou eficaz para resolver o problema. 56 CURVAS DE VAZÃO DO VENTILADOR 1200 PERDA DE PRESSÃO [Pa] 1000 800 2 y = -0,002x - 0,8371x + 1125 Ventilador Ø182,61mm Ventilador Ø180,00mm Aquecedor Passo de Aleta 1,11mm 600 2 y = -0,002x - 0,8098x + 1092,7 400 200 2 y = 0,0003x + 0,7393x - 35,496 0 0 100 200 300 400 500 600 700 VAZÃO VOLUMÉTRICA DE AR [m³/h] Figura 25 – Curvas de vazão dos ventiladores e do aquecedor com passo de aleta 1,11 mm. 57 9 CONCLUSÕES A metodologia inicialmente proposta sofreu algumas pequenas modificações, agregando alguns cálculos, para que fossem melhores entendidas as possibilidades que se poderia explorar na melhoria do desempenho. Foram incluídos itens relacionados ao ventilador usado pelo sistema de aquecimento, e também foram incluídos itens de cálculos com passos não padronizados, para que se pudesse encontrar, para o ventilador, o passo que apresentasse melhor desempenho. Com relação ao cronograma, ele foi cumprido, salvo algumas tarefas que foram realizadas com atraso e alguns prazos que foram estendidos. Quanto ao orçamento, ele sofreu algumas alterações nas quantidades de protótipos e em seus custos, o que acresceu R$ 3.500,00, devido ao aumento da quantidade de peças, porém o preço de cada protótipo foi renegociado. No item relacionado aos riscos, o que apresentou mais problemas foi o acesso a informações importantes, por a empresa não permitir dedicação exclusiva ao projeto e restringir o acesso a documentos do projeto. Os resultados encontrados na parte teórica indicaram que o aquecedor com um passo de aleta de 1,2mm, apresenta o melhor desempenho térmico, porém o aquecedor que pode ser fabricado com passo de aleta mais próximo é o de 1,11mm. Infelizmente na análise teórica não foi possível mensurar a influência dos turbuladores no desempenho dos aquecedores. No entanto, mesmo o aquecedor de melhor desempenho não atingiu o requisito de 13 kW de taxa de transferência de calor exigido pela Fiat. Para que fossem satisfeitos os anseios do cliente, foi conduzido um estudo da mudança do diâmetro do ventilador. Tal estudo envolveu recursos matemáticos como a adimensionalização de parâmetros como vazão de ar e perda de pressão. Ao final desta pesquisa concluiu-se que o aumento do diâmetro para 182,61 mm seria suficiente para atender às especificações do cliente para este produto ser qualificado para exportação. Para os protótipos foram solicitadas 6 configurações diferentes, como mostradas na Tabela 14. E com os resultados dos testes avaliaram-se diferentes passos de aletas, bem como a presença dos turbuladores na entrada e na saída dos tubos, ou a ausência destes. Durante a condução dos testes foram avaliados os parâmetros calculados durante a etapa teórica deste projeto. A análise dos dados 58 obtidos de forma experimental nos permite concluir que as mudanças propostas após os cálculos estão adequadas. E que de fato a mudança do passo de aleta de 0,83 mm para 1,11 mm surti resultados positivos, acrescendo em 7,5% a taxa de transferência de calor proporcionada pelo aquecedor. Também é importante enaltecer a redução de custo gerada pelo maior espaçamento entre as aletas do aquecedor, o que se traduz em menos aletas instaladas por aquecedor. Os resultados conquistados por este projeto não satisfizeram totalmente o cliente, porém atendeu satisfatoriamente aos seus requisitos, gerando além do cumprimento parcial das especificações técnicas, algum benefício financeiro. Para a Denso do Brasil, o projeto representou uma nova visão da análise dos sistemas de troca de calor, agregando conhecimento ao seu corpo técnico. novos projetos poderão se desenvolvimento deste projeto. basear na experiência Desta maneira, adquirida durante o 59 REFERÊNCIAS /1/ FIAT AUTOMÓVEIS S.A.. Disponível em: <http://www.novopalio.com.br > Acesso em: 09 dezembro de 2004. /2/ INCROPERA, Frank P.; DeWITT, David P.,Transferência de Calor e de Massa, Rio de Janeiro: UERJ; 2003. /3/KAYS, W. M.; CRAWFORD, M. E., Convective heat and mass transfer, Highstown: McGraw-Hill; 1993. /4/DENSO Corporation; Sekkei RE 0511, version 2.03. Kariya:Denso; 2001. /5/ DENSO do Brasil Ltda. Curso Básico de A/C. Curitiba: Denso, 2003. /6/ DENSO do Brasil Ltda. DDS 1111(Denso Design Standard). Curitiba: Denso, 2003. /7/ FRANCO, Admilson T.,Notas de aula de Mecânica dos Fluídos I, Curitiba; 2003. 60 APÊNDICE A – CÁLCULO DO DESEMPENHO PARA PASSOS DE ALETAS FABRICADOS 61 APÊNDICE B – CURVA DO VENTILADOR 62 APÊNDICE C – CÁLCULO DO DESEMPENHO NA VAZÃO DE OPERAÇÃO 63 APÊNDICE D – CÁLCULO DO DESEMPENHO PARA OUTROS PASSOS DE ALETAS 64 APÊNDICE E – CÁLCULO DE DESEMPENHO DE TODOS OS PASSOS DE ALETAS 65 APÊNDICE F – CURVAS DE DESEMPENHO 66 APÊNDICE G – PERDA DE CARGA E TROCA TÉRMICA 67 ANEXO A – VISUALIZAÇÃO DO SOFTWARE SEKKEI PARA DIFERENTES PASSOS DE ALETAS PASSO 0,83mm PASSO 1,00 mm 68 PASSO 1,11mm 69 ANEXO B – PARÂMETROS ADIMENSIONAIS DO VENTILADOR Para a obtenção dos parâmetros adimensionais é necessária a função característica (Equação B.1). , w) Δp = f (D, N , ρ , m Eq. B.1 Utilizando F (força), L (comprimento) e T (tempo) como dimensões básicas tem-se; Δp = F .L−2 Eq. B.2 D=L Eq. B.3 N = T −1 Eq. B.4 ρ = F .L−4 .T 2 Eq. B.5 m = F .L−1T Eq. B.6 w = F .T −1 L Eq. B.7 Calculou-se então o número de termos π necessário (Equação B.8): q = (n − k ) = (6 − 3) = 3 Eq. B.8 Onde q é a quantidade de termos π necessários, n é o número de variáveis do problema e k é o número de dimensões básicas necessárias para descrever as variáveis. Construiu-se, então, termos π com variáveis dimensionalmente independentes. π 1 = D a .N b .ρ c .Δp Eq. B.9 π 2 = D d .N e .ρ f .w Eq. B.10 π 3 = D g .N h .ρ i .m Eq. B.11 Como estas combinações devem ser adimensionais, segue que para π1: F 0 L0T 0 = (L ) (T −1 ) (FL−4T 2 ) (FL−2 ) a b c Eq. B.12 70 Então, determinado os expoentes a,b e c: c +1 = 0 Eq. B.13 a − 4c −2 = 0 Eq. B.14 − b + 2c = 0 Eq. B.15 Portanto, c=-1, b=-2 e a=-2, e o termo π1 pode ser descrito pela Equação B.16: Δp D .N 2 .ρ π1 = Eq. B.16 2 Da mesma forma para obtermos o termo π2, tem-se: F 0 L0T 0 = (L ) (T −1 ) (FL−4T 2 ) (FLT −1 ) e d f Eq. B.17 Então, determinado os expoentes d,e e f: f +1 = 0 Eq. B.18 d − 4 f +1 = 0 Eq. B.19 − e + 2 f −1 = 0 Eq. B.20 Portanto, f=-1, e=-3 e d=-5, e o termo π2 pode ser descrito pela Equação B.21: π2= w D .N 3 .ρ Eq. B.22 5 E, seguindo o mesmo método para π3, tem-se: F 0 L0T 0 = (L ) (T −1 ) (FL−4T 2 ) (FTL−1 ) h g i Eq. B.23 Então, determinado os expoentes g,h e i: i +1 = 0 Eq. B.24 g − 4i − 1 = 0 Eq. B.25 − h + 2i + 1 = 0 Eq. B.26 Portanto, i=-1, h=-1 e g=-3, e o termo π3 pode ser descrito pela Equação B.27: π3 = m D .N .ρ 3 Eq. B.27