Reunião Reasa - SAPO
Reunião Reasa - SAPO
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: ... De Minas
Gerias, da Coordenadoria de Inclusão e Mobilização Sociais.
A gente gostaria de iniciar a nossa reunião, e, antes de começar,
né? A gente sempre convida as pessoas das diversas comunidades que
estejam presentes, para sentar na roda, aqui, com a gente, e... Que a
gente se aproximar mais, quem está mais aí no fundo, vamos chegar
mais perto. A gente... Lá na Cimos, a gente sempre insiste que a roda
funciona bem demais para as coisas. Então, não precisa reinventar a
roda, não. Ela é muito boa.
Então, representantes aí, das comunidades que estão presentes,
da Água Quente, aqui do Sapo, associações, quem quiser discutir mais...
Mais... Mais perto com a gente, aqui, para a gente passar a palavra. Por
favor, vamos sentando aqui. Parece que hoje a gente tem pessoal de
Dom Joaquim também, né? Então, por favor, pode ficar mais perto da
roda aqui, para a gente passar a palavra e ficar fácil.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: [ininteligível 00:01:33] Eu
comentei com o Fernando da nossa reunião itinerante de PPA(F), e ele é
da associação de lá. Ele até acho que é presidente, atualmente.
[falas sobrepostas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE
cumprimentar no final da reunião [ininteligível].
OLIVEIRA:
Vamos
Para começar, nós estamos um pouco atrasados por vários
motivos. Mas um deles é que o Dr. Marcelo, que é o promotor aqui da
comarca de Conceição, que é o, digamos, meu chefe aqui, ele está lá
agarrado no Fórum, numa audiência que não terminou. Um júri, lá. Essas
coisas lá da Justiça, que ele não pode sair nesse momento. Então, eu
liberei-lhe um motorista. Está lá na porta, esperando acabar a audiência.
Na hora que acabar a audiência, ele entra no carro e vem correndo para
cá. Mas, nesse momento, ele está lá. Então... Né? Se vocês... Eu falei
com ele que a gente começaria. Eu acho que tem vários pontos para ser
tratados e se a gente... Vocês acharem que a gente deve começar sem
ele, a gente começa. O que vocês acham?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Acho que sim. A gente pode...
né?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu acho melhor ir adiantando,
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SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Vamos
adiantando. Eu acho que tem muita coisa na pauta, né? E a primeira
coisa que eu vou aproveitar que o Dr. Marcelo... Não está aqui. É sobre...
Antes. A gente... Em relação a filmagens, né? Toda reunião a gente pede
autorização antes para a comunidade em relação a filmagens.
Então, hoje tem uma pessoa que quer filmar, né? E, a gente vai
perguntar a vocês, né? Se a pessoa quiser vir cá se explicar, quem que é,
para que é que ele está filmando. Aí vocês é que autorizam ele filmar ou
não, está certo? É Bernardo, né? Pode... Você quer falar, Bernardo?
SR. BERNARDO: Boa noite, pessoal. Meu nome é Bernardo. A
gente veio hoje conhecer o trabalho aqui. A gente está fazendo um
documentário, sobre a questão da importância da água, aqui, em toda a
nossa região, quadrilátero ferrífero. E, principalmente relacionado aos
projetos de mineração que estão ocorrendo.
Então, a gente está conhecendo como que isso está acontecendo e
para construir um filme sobre isso. E aí, a gente... Nós trouxemos um
equipamento que está ali, que, se vocês autorizarem, a gente... Não
vamos conseguir filmar tudo, mas algumas falas, de algumas pessoas,
que depois a gente conversa pessoalmente, a gente gostaria de ter essa
oportunidade. Esse filme é para nós mesmos. É para a gente mesmo
poder conscientizar o que é que está acontecendo.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu vou complementar o que o
Bernardo falou. Eu e ele estamos nesse projeto. Essa reunião de hoje a
gente ficou sabendo pela Patrícia. E, na verdade, é... A nossa ideia inicial
nesse filme era falar sobre a Serra do Gandarela, que é uma serra, ali,
perto de Belo Horizonte, que a Vale quer fazer uma mineração gigante. E
aí, a gente queria fazer um filme, que a gente pensou assim: “Vamos
falar da Serra, mas vamos pegar lugares que já começou os projetos, e
que a desgraça já começou para mostrar para as pessoas de lá que,
assim, olha, é isso que vai acontecer”. Então, a gente, na verdade, a
gente pensou em filmar um outro local. Conversando muito com a
Patrícia, as informações que a gente tinha aqui de Conceição, a gente
pensava assim, olha: “Conceição é muito dramático. É, assim, nem
começou de fato, assim, a extração, e os problemas relacionados à água
são dramáticos, para agricultura, para o abastecimento, etc., etc., para o
lazer das pessoas”. Então, a gente ficou pensando em pegar o caso de
Conceição para ser nosso... Um exemplo máximo, assim, de como que a
mineração de ferro pode afetar negativamente a vida das pessoas, e só
para dizer que, assim, a gente está querendo dizer pra que e para quem
é que está sendo feito isso, assim. A nossa premissa é que, com certeza,
essa riqueza não está ficando para quem mora aqui na região.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, aí, o
pessoal da comunidade é que decide, aí, se eles podem filmar. O que é
que o pessoal acha?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eles são do Movimento pelo
movimento pelo [ininteligível].
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É só apresentar o pessoal, né?
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Não tem problema nenhum.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: O pessoal aí tem
problema? Pode... Se alguém tiver problema, se manifesta.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, eu acho até bom, para
estar registrando isso. Agora, tinha que pegar também os pontos das
águas, ali dos rios que está sendo afetado. A cachoeira, que pediu
autorização para filmar lá, a cachoeira, a água do Pereira, as águas que
estão sendo afetadas, aí, para incluir nesse documentário.
SR. BERNARDO: É a primeira vez que a gente vem e a gente vem
para saber mesmo. Então, a gente tem disponibilidade de voltar aqui
outras vezes. Estamos abertos a conversar.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Principalmente retornar com...
SR. BERNARDO: Com os trabalhos...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu só vou fazer
uma pergunta com relação ao seguinte: a utilização da imagem disso
aqui... A utilização da imagem vai ser... Como vai ser? Vai ser utilização
pública ou se vai ser uma coisa mais restrita. Você falou assim: “Ah, isso
aqui é para a gente mesmo”. Mas é ‘a gente mesmo’ como instituição ou
‘a gente mesmo’ como um órgão que está por trás disso aí tudo?
SR. BERNARDO: Não. ‘A gente mesmo’...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Para mobilizar.
SR. BERNARDO: ‘A gente mesmo’ população, classe trabalhadora.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. Mas...
SR. BERNARDO: ‘A gente mesmo’ que eu estou falando não é um
material que vai ser comercializado. É um vídeo que está sendo... É um
vídeo que tem um apoio de algumas organizações para ser... Ele é
público na internet.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, as
pessoas que estão autorizando, elas têm que saber o seguinte: que eles
vão estar... A partir da autorização que vocês estão dando aqui, eles vão
estar usando essa imagem via internet. De repente, tem gente que não
quer isso. Abrir ali o computador, vamos dizer assim, e, de repente, ele
está ali, com a fala dele sendo exposta, com a imagem dele sendo
exposta, e ele autorizou isso. Então, a gente... Eu não tenho problema
nenhum com isso. Eu só estou falando porque tem pessoas aqui, que eu
tenho certeza que não entenderam essa situação de isso aí vir a público.
Porque é isso que eu estou querendo saber. Então, vai a público, né?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É, essa questão que ele está
colocando é delicada mesmo. Só que eu acho que as pessoas que estão
aqui, podem também, pedir uma exibição antes, né, de ser divulgado.
Uma exibição para essa comunidade que está aqui, hoje...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ou, então, a pessoa que não
quer publicidade, chegar... Se todas as outras não tiverem nenhum
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problema, quem tiver pode chegar e manifestar, ou individualmente ou
publicamente... E fala assim: “Olha, eu não estou...”.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: A gente pode passar os nossos
contatos.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Quem achar que tem problema,
né, que não gostaria de ver seu rosto no filme, tudo, pode falar assim:
“Eu não quero”. Na hora que for editar o filme, tira, né? O rosto dessa
pessoa, ou a fala dela e tal. Então, talvez uma exibição antes, para essas
pessoas presentes aqui fosse interessante.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Acho que está...
Podemos seguir, então? Se alguém não quiser, quando for falar, fala:
“Não quero”, e aí a gente... Vocês registram. Então, está certo.
Então, pessoal do [ininteligível 00:09:03] aqui, sempre grava para
a gente com o gravador. Está gravando, né?
Bom, então, a primeira parte que eu vou propor aqui são
esclarecimentos... Eu recebi a proposta de Ata de vocês, e... É uma
proposta... Eu estou achando ela muito longa. Eu ia propor duas coisas
aqui, para vocês pensarem. A primeira é a gente botar um teto para a
reunião. Porque senão a gente vai sair daqui duas da manhã.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E, hoje não tem lanche.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: E hoje não tem
lanche, né? Então, vamos botar um teto para a reunião? Que aí eu vou
controlando... Eu vou tentando controlar aqui, tá? Nós estamos
começando seis e meia, né? No máximo, até nove e meia a gente parte
para encaminhamentos. Mas nove horas eu vou chamar a atenção para
isso. Está muito? Está pouco?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tá bom.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Bota dez horas.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, nove horas
eu vou chamar para os encaminhamentos. Tá.
[falas sobrepostas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, está
certo. Agora, primeiro, esclarecimentos que foram solicitados via e-mail.
Que eu acho que é a primeira coisa que a gente precisa de esclarecer
para começar a reunião. O nosso blog está com vários problemas. Quem
acompanha pela internet deve ter percebido que várias funcionalidades
não estão rodando certinhas, né? Eu recebi alguns e-mails perguntando,
né? Fui respondendo na medida do tempo que eu tive para respondê-los,
né? Afinal, a gente tem vários outros trabalhos além de Conceição. E
ontem eu fiz... Eu respondi um último e-mail sobre este problema. No email, eu até digo que ia esclarecer na reunião. Vou fazer isso de uma
vez, pode ser? Eu vou... Eu vou... Bom, não vou ler, não, porque é muito
chato, né? Quem quiser tem aqui, mas basicamente é o seguinte: o
nosso... Recentemente, o portal do Ministério Público, que é lá na
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internet, onde que todo mundo acessa, mudou de domínio. O que
significa isso? Ele tinha um endereço, mudou para outro endereço.
Quando essa... Quando acontece essa mudança, normalmente é um
trabalho enorme que dá isso, né? Aí, quando aconteceu essa mudança,
tiveram muitos transtornos por conta do pessoal de Tecnologia da
Informação, lá, que não conseguiu fazer essa mudança da maneira mais
adequada. E, ao mesmo tempo, nesse mesmo período de mudança do
domínio do portal inteiro do Ministério Público, que armazena todas as
informações do Ministério Público no estado inteiro, não é só aqui para
Conceição, no caso aqui, o nosso blog teve que mudar. É um blog onde
que ficam as atas da Reasa, onde que divulga a pauta... Teve que mudar
de domínio. Concomitante a isso, os servidores do Ministério Público de
Minas Gerais estão em greve, está certo? Então, quem domina de
Tecnologia da Informação, quem domina de internet, que põe o blog no
ar, que resolve os problemas, está em greve. Logo, nós não conseguimos
resolver esses problemas, tá? Então, quer dizer, temos os dados, né?
Estão lá no backup, mas a maneira de colocar isso no ar a gente... Nós,
da Cimos, não temos domínio nenhum sobre isso, né? Então, esse
conteúdo, né? No dia 6 de agosto, o Rafael que acompanhou, que é um
pesquisador que acompanhou aqui, mandou e-mail para a gente, a
gente... Que ia tentar solucionar, né? Outras pessoas mandaram e-mail,
o Irineu, o Estanislau(F) e o Élcio, que a gente respondeu ontem à noite.
Então, quer dizer, o blog está fora do ar, nós estamos com dificuldade
para colocar ele no ar, por enquanto, por esses dois motivos: greve de
servidores e junto com essa troca de endereço lá do site. A greve,
inclusive, afeta no meu trabalho aqui. Eu, por exemplo, estou furando
greve. Meus colegas de sindicato devem estar bravos comigo, porque eu
estou furando greve para vim fazer reunião com a comunidade. Então,
está havendo greve, né? Hoje eu não consegui, para vocês terem ideia,
trazer ninguém do apoio logístico. Porque quem monta isso aqui, o
Zezinho, que vocês já conhecem. Se não fosse o João Vitor aqui, eu
estava dentro d’água. Porque ele que... Ele que me deu uma aula aqui
como é que monta som, a altura certa de colocar, o canal certo. Esse
menino aqui é o “bicho”.
Então, soma-se a isso que hoje é feriado em Belo Horizonte.
Então, vocês imaginam o meu trabalho para convencer um servidor a
trabalhar de greve e no feriado. Se alguém tiver esse poder de persuasão
é o “cara”. Bom, está esclarecido em relação às atas?
Qual que é o encaminhamento que eu proponho? Eu não sei,
sinceramente, quando a gente consegue botar tudo no ar, tá? Depende
da greve acabar primeiro. O máximo que a gente conseguiu ontem à
noite foi eu ligar para uma servidora, de noite, e falar com ela: “Por
favor, põe uma mensagem aí para mim”. Aí ela pessoalmente se dispôs a
colocar uma mensagem lá, de novo. “Desculpe os transtornos. Temos
problemas na mudança de domínio”.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O senhor devia desmarcar a
reunião para um outro dia, então, porque ficou muito mau... Tudo aqui
envolvido e está tudo parado, parece. Eu acho que...
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SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É. Mas a reunião
já estava marcada, né? Quem marca reunião é a comunidade, não somos
nós do Ministério Público, entendeu? Então, assim, o que está parado é o
quê? É a internet lá. Mas a vida funciona fora da internet, né? Então...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Bastante.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Na verdade, ela
funciona é fora. Lá é só um canal para falar como é que ela funciona aqui
fora. Tá ok? Algum esclarecimento a mais do que isso? Pode perguntar à
vontade. Então, está certo.
Então, em relação às atas que estavam lá para ser aprovadas, nós
descumprimos a regra que nós mesmos combinamos com a comunidade.
Qual que é? Que dez dias antes da reunião vai estar no ar a Ata para
todo mundo ler e dizer se é aquilo mesmo que falou, tá? Então, esse é o
primeiro problema do primeiro ponto de pauta.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Mas essas atas vão ficar
suspensas até a gente ter... A disponibilidade disso, e eles fazerem a
aprovação quando for possível.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso. Aí, como é
que a gente aprova? Precisa de ter outra reunião ou a gente consegue...
Quando estiver disponível, eu faço um comunicado, peço às pessoas
para... Isso que eu queria saber de vocês. Para ser mais rápido. Ou deixa
mesmo para a próxima reunião?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Deixa para a próxima.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Deixa para a
próxima?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. Então,
alguém anota para mim, então, que o primeiro encaminhamento é esse:
as atas ficam... Aprovação das atas anteriores fica para a próxima
reunião. Tá.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Tem quantos suspensos já com
eles?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Desde novembro.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Então, não é só por conta da
internet nem da greve?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, não. Por nossa conta agora.
Agora, você pode explicar a outra parte?
SRA. PATRÍCIA: Antes disso, a gente tinha feito alguma
solicitação
de
modificação
da
ata,
porque
tinha
algumas
complementações que a gente entendia que eram necessárias. E,
posteriormente a gente pediu para que fosse mantida a íntegra de
algumas falas que a gente entendia que era indispensável para uma
compreensão do todo, assim, do conflito como um todo. Então, a gente
solicitou ao Ministério Público, e acho que a gente... Formalmente a gente
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não teve uma resposta, mas eu acho que isso está significando que vai
ser possível, né, Luiza? Assim, a transcrição na... De maior parte, né? Ou
da essência do que for indispensável das falas da comunidade, enfim, de
todos, não é isso?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sim. Daquelas
atas que não foram aprovadas, né? Das atas aprovadas, infelizmente,
não tem como fazer mais nada, tá? Agora, as atas não aprovadas...
Agora, eu gostaria que vocês apontassem os trechos, já me ajudando a
transcrever. Porque eu continuo com esse problema de servidores em
greve lá, né? Então, para agilizar o processo, eu não tenho condições de
bater o escanteio e cabecear para o gol. Então, se você identificou lá,
naquela parte: “Olha. Está esse trecho”, e você teve que ouvir o áudio
para poder transcrever a reunião, põe lá. Manda com o trechinho já
colocado, pode ser? Quem que está... Na verdade, você já mandou né,
Patrícia? Eu estou falando aqui, mas você já fez isso, né?
SRA. PATRÍCIA: Algumas, né?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Algumas, tá?
Então, assim, o trecho que você achar relevante já manda transcrito lá
que a gente altera, tá? Bom, nós estamos em uma discussão muito
fechada por enquanto. Em relação a isso, podemos avançar?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Podemos.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. A
comunidade, então, propôs esse... Essa pauta aqui, não é isso? Então,
seria fala breve sobre os últimos acontecimentos mensais, após a reunião
de março, e encaminhamentos de cada. Então, quem quiser falar fique à
vontade.
SRA. JOANA: Eu vou começar a falar, e quem esteve nessas
apresentações também, por favor, complementa, né? Alguma coisa que
eu deixar de falar.
Bom, a última reunião nossa, da Reasa, foi em março. Em abril,
nós não fizemos reunião da Reasa, mas fizemos uma reunião em
Diamantina, e aí, em Diamantina, foi a discussão da apresentação do
relatório da Diversus, que não foi apresentado aos conselheiros, né? E a
gente foi lá justamente discutir essa questão. Então, por isso não houve
reunião em abril, mas a comunidade se encontrou na reunião de
Diamantina, do dia 18.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Nós fizemos uma reunião da
Reasa uma na manhã da reunião...
SRA. JOANA: É. Na manhã da reunião em Diamantina, a gente fez
um encontro, lá em Diamantina mesmo. Mas não foi, assim, na
comunidade local, como a gente tem hábito de fazer. Não foi feito. Mas
foi feito lá em Diamantina. Antes da reunião no Copam, foi feito uma
reunião lá, com elementos da Supram, também, para discutir questões
da comunidade, questão do relatório da Diversus que não tinha sido
apresentado aos conselheiros. E essa ata também tem que ser
disponibilizada. Nós estamos tentando, a duras penas, ouvir o áudio
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todo, transcrever tudo. Outra coisa: nessa reunião de Diamantina, a
gente falou o quê? Que ia apresentar a reunião e os encaminhamentos.
Ficou tirado que a Supram faria uma visita técnica às comunidades, que
seriam avaliadas as condicionantes não cumpridas e... Qual foi o terceiro,
Júnior? Ah, o relatório da Diversus seria apresentado, seria feito um novo
estudo para ser apresentado às comunidades, que complementaria o
relatório da Diversus. Foi falado isso, né?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Há ciência que eles estavam
esperando.
SRA. JOANA: É. Eles estavam esperando esse estudo que
completaria o relatório da Diversus. Isso foram os três encaminhamentos
de abril. Bom, em maio, também, nós não fizemos reunião da Reasa. Por
quê? Em maio nós tivemos, dia 6 de maio, a Audiência Pública em Belo
Horizonte. Vocês lembram que nós fomos para a rua, de apito, todo
mundo animadão, de faixa, né? Foi muito legal, e tinha muita gente,
graças a Deus, né? Foi um movimento muito bom que a gente fez. Então,
o movimento de maio foi esse. Também em maio teve uma outra
questão relacionada aos atingidos e a situação de Conceição. Que foi a
assinatura do TAC pelo MP. Porque a reunião nossa de maio foi dia 6, e
essa assinatura do TAC foi dia 16. Depois a gente vai conversar mais um
pouco sobre essa questão, né?
Em junho nós também não tivemos reunião. Por quê? Em junho,
nós tivemos, dia 5, a Audiência Pública em Conceição do Mato Dentro.
Vocês lembram também, né? Eu não fui nessa, mas todo mundo aqui
estava lá, pelo que eu vi nos vídeos, né?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Julho.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Julho.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Julho.
SRA. JOANA: Julho?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É.
SRA. JOANA: Julho. Junho não teve, não.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Em junho nós fizemos o
encontro...
SRA. JOANA: Não. Cinco de junho teve audiência em Conceição;
12 de julho teve reunião em Diamantina também.
ORADOR
apresentou...
NÃO
IDENTIFICADO:
O
Ministério
Público
SRA. JOANA: É.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A Ana Cláudia apresentou...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Teve um intercâmbio...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É. Teve um intercâmbio...
SRA. JOANA: Teve um intercâmbio de Açu.
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ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Na semana seguinte.
SRA. JOANA: Também na semana seguinte. E 12 de julho nós
tivemos outra reunião em Diamantina, onde seria apresentado o relatório
da Diversus, junto com o relatório que a Anglo encomendou, que chama
Ferreira Rocha, e o parecer da Supram sobre os dois. E, que a gente foi
justamente para evitar que fosse apresentado os dois juntos, já que a
gente não conhecia a origem do relatório feito pela Anglo. Quem pediu?
De onde surgiu, né? Qual a origem dele. E aí ficou... Nessa reunião de 12
de julho, o relatório não foi apresentado aos conselheiros. Nem o da
Diversus, nem o da Ferreira Rocha. Porque a gente pediu para não
apresentar o da Ferreira Rocha. Eles não apresentaram nem o da
Diversus nem o da Ferreira Rocha, que era a empresa que a Anglo
encomendou para fazer o estudo. E esse estudo seria um estudo para
dizer do cadastro socioeconômico, né? De quem realmente são os
atingidos. Que eles disseram que, no relatório da Diversus, isso estava
inconcluso, estava incompleto, que precisaria complementar, né? E aí,
pela nossa leitura, pelo nosso entendimento, além de não ter concluído
nada, ele também... A gente não sabia a origem dele. Ele foi aprovado
por quem? Recomendado por que órgão ambiental? Quando que foi
decidido que estava legítimo esse estudo que a Anglo fez? Então, não
aconteceu a apresentação desse relatório do dia 12 de julho. Então,
todos os meses nós tivemos ações, e, agora, em agosto, a gente retoma
com as reuniões da Reasa.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu só queria complementar a
Joana(F), falando... Joana(F), se eu não estou enganada, a Audiência
Pública foi em julho, foi dia 5 de julho. Porque na semana seguinte que a
gente foi para Diamantina. Mas...
SRA. JOANA: Ah, foi... Cinco de julho.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Falar que tiveram outras
Audiências Públicas Em Conceição também que alguns que participaram
né? Para tratar de anel rodoviário e também uma reunião do Copam que
teve depois para tratar do cadastro dos atingidos...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Condicionante 105.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É, para tratar da Condicionante
105, né? Que é uma outra deliberação que, no órgão ambiental, também,
lá, surgiu e que a maior parte dos atingidos também tiveram presentes e
destacar a confraternização, né? A comitiva de Açu que teve aqui, que
também foi um outro momento. Então, nós estamos, com isso, falando
que, embora as reuniões da Reasa não tenham acontecido, nós nos
encontramos várias... Nós todos aqui, nos encontramos várias vezes ao
longo desses meses e que, né, que tivemos várias agendas, vários
compromissos e vários compromissos que tiveram, inclusive, alguns
resultados, né? Então, estou só querendo fazer essa... Dar essa ênfase.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Quando a gente fala que a
reunião não aconteceu, não significa que o grupo esteja parado. A gente
está dizendo que a reunião para cada um falar de como que está a
situação do seu local, como que está a sua vida hoje. Nós ficamos quatro
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meses sem conversar entre nós sobre as nossas questões, os nossos
processos, como é que está o movimento na minha comunidade, na
minha roça, na minha moradia. Nós paramos de conversar sobre isso.
Mas a gente está movimentando sobre os encaminhamentos em relação
ao empreendimento, tá? Porque a Reasa, ela tem essa função que é da
gente colocar o que nós estamos vivendo, o que nós estamos sofrendo, o
que está melhorando, o que está piorando. Uma das funções dela é a
gente se ouvir. Saber do problema do outro, o outro saber do nosso
problema. E, isso a gente não tem feito, e isso é que a gente está
querendo retomar a partir de hoje, tá bom?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sobre isso mais
alguém quer falar? Sobre esse percurso aí. Então, vou... Então, vamos
prosseguir né, pessoal? O ponto dois, que eu acho que a sua fala
terminou nesse sentido. “Falar dos representantes de cada comunidade
sobre a situação atual de relação...”. Desculpa. “Falar dos representantes
de cada comunidade sobre a situação atual de relação e ação da empresa
e os impactos atuais e a situação geral da comunidade”.
Então, vamos começar por cada uma delas.
Então, vamos lá. Aqui pelo Sapo. Já podíamos começar pelo Sapo.
Tem alguém aí da comunidade do Sapo?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu. Tem mais pessoas lá atrás.
SR. GILSON: Boa noite. Meu nome é Gilson. Eu sou nascido aqui
em São Sebastião do Bom Sucesso. Eu moro em Belo Horizonte, mas
toda reunião eu tento estar presente. Até mesmo para estar
acompanhando de perto o que está acontecendo. E, dentro do que eu
vejo a comunidade do Sapo, aqui, era uma das produtoras de farinha da
região aqui, que fornecia farinha para Conceição do Mato Dentro. Hoje,
se você caçar um pé de mandioca aqui na região, você não consegue.
Então, hoje, eu fico triste de chegar aqui, numa casa de família, até eu
mesmo, trazendo farinha de Belo Horizonte, comprando farinha no
Seasa. Então, esse é um dos fatos que tem acontecido aqui na
comunidade do Sapo. Aqui, antigamente, nem luz elétrica tinha e era
uma comunidade alegre, era uma comunidade festiva, unida. E, hoje, a
comunidade, aqui presente, mesmo, na reunião aqui, são meia dúzia de
pessoas. Então, eu fico triste de saber que a minha comunidade aqui,
está se acabando por nós mesmos. Porque a gente tem que unir e ver
que realmente é uma comunidade boa, uma comunidade de pessoas que
querem o melhor...
Aqui embaixo tem um ribeirão que eu brincava nele. Hoje, se você
ver a qualidade dessa água, o estado que está esse ribeirão, você
consegue atravessar ele com um passo, e a qualidade da água é
péssima. Um outro sinal. Aqui, no Sapo, que eu cheguei aqui ontem, aqui
não tinha água para beber. Então, nem a Anglo e nem a própria
prefeitura está preocupada com a situação do Sapo. Então, eu chego aqui
em pleno meio-dia; em nenhuma residência aqui tinha uma gota de
água.
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ORADOR
microfone]
NÃO
IDENTIFICADO:
[pronunciamento
fora
do
SR. GILSON: Então, isso que está acontecendo no Sapo... Você
poderia até vir aqui e passar isso aí. Porque é uma região bacana, de
povo bom, de pessoas humildes, que produziam muito, e hoje está aí à
deriva, sem saber. Pode falar, Jair. Pode...
SR. JAIR: Olha, quando você... Boa noite, pessoal. Meu nome é
Jair. Eu sou residente, eu sou morador aqui do Sapo. Não sou morador...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Você fala só o
seu nome antes. A gente esqueceu de contar isso. Nas varias reuniões,
para quem está vindo a primeira... Quem é a primeira reunião que vem?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Aqui é minha primeira... A
primeira reunião que eu venho.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Ah, tá. Então.
Para na hora que a pessoa for digitar o que a gente falou... Quem que
falou isso? Aí a gente tem o costume de falar assim: “Eu sou fulano, meu
nome é tal, da comunidade tal”. Só isso. Meu nome é Luiz, da
Comunidade lá de Pé da Serra, lá em [ininteligível 00:30:31] mesmo.
SR. JAIR: Meu nome é Jair, da comunidade de São Sebastião do
Bom Sucesso. É o seguinte: eu, atualmente, [ininteligível]. E, pegando
um gancho do nosso amigo Gilson, ele falou da questão da produção de
farinha. Só para não querer entrar nesse assunto, a minha mãe é
produtora de farinha. Hoje ela é aposentada, mas ela é produtora de
farinha. E eu... Eu posso garantir para vocês que aqui, é difícil ter alguém
para competir com a farinha da minha mãe. Tem varias pessoas que
conhecem. Dejanira, você é compradora de farinha da minha mãe.
SRA. DEJANIRA: Eu sou com certeza, de farinha [ininteligível].
SR. JAIR: Ótimo. Então, gente, o que acontece? Bom, agora, na
questão de atingido. Eu sou atingido ali na minha propriedade à direita,
nos eucaliptos, indo na estrada definitiva. Vão passar com mineroduto
dentro da minha propriedade, mas querem pagar... A mandioca que eu
tenho lá, na verdade... A cultura que eu tenho lá... Eu tenho o eucalipto.
Mixaria, gente. Coisa que eu batalho... Tipo assim: batalhei para
conseguir fazer aquilo, entendeu? Eu acho que é muito mais valioso do
que qualquer outra coisa.
Nessa localidade, há um mês e meio, aconteceu o seguinte fato: a
empresa foi seguindo com o mineroduto e chegou à minha cerca de
divisa. Entrou dentro da minha propriedade, tirou os arames tudo, 150
metros de cerca. Eu registrei tudo. Tudo beleza. Ótimo. Mas aí
resolveram colocar o arame lá. Certo. Mas aí criação já tinha depredado
tudo, já tinha comido bastante... Gado adora mandioca, não é verdade,
gente?
Então... Outra coisa. Então, eu sou atingido ali por essa causa
também. Outra coisa, porque eu não fiz o meu... Eu leciono no Cerro, eu
estudei, fiz até o Fundamental aqui em São Sebastião do Bom Sucesso,
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e, assim, cresci aqui mesmo, viu, gente? Eu sou pirralho daqui. E tive o
prazer de estar... Trabalhei cinco anos em Itapanhoacanga,
e, hoje estou trabalhando em Cerro, que consegui a remoção para
lá, graças a Deus, por estar mais próximo de mim. Porque o sofrimento é
grande de pegar essa estrada. Porque a gente volta... Eu tenho colegas,
professores, que perdeu a perna nessa... Aqui, vindo para... Para poder
lecionar em Mato Grosso. Ficou sem a perna. Então, é um outro fato, é
um outro fato. Então, quer dizer, eu sou daqui, eu moro aqui, eu vivo o
problema daqui e eu estou vendo o problema daqui também. Bom, outro
problema. Então, enfrentei tudo isso.
Agora, outra coisa que eu fico, tipo assim, indignado com a
situação. Eu sempre apoiei a sociedade, a população, os alunos, os
meninos jovens, a praticar o futebol. Sempre. Eu sou professor de
educação física. Bom, até dei uma força para eles. Mas eu vejo que, por
exemplo, como é que eu vou conseguir deixar... Fazer com que eles
tenham essa prática se nosso campo virou estacionamento? Lá não tem
nada mais. Gente, pelo amor de Deus. Um lazer de fim de semana. Você
não tem o prazer... Ô, gente, onde que nós vamos jogar futebol aqui em
São Sebastião do Bom Sucesso? Há 10 anos, 20 anos atrás, a gente
jogava lá no campo. Lá existe aquele campo lá, pessoal?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não.
SR. JAIR: Não existe. Então, o empreendimento passou no meio
do nosso campo. Ótimo. O daqui debaixo, o estacionamento tomou
contra. Ótimo. Aí, o que acontece? O desmazelo com as ruas é enorme,
gente. Eu chego aqui e vejo uma pessoa, duas pessoas que eu conheço e
fico satisfeito de ver. “Pô, encontrei fulano lá no Sapo”. Beleza. E fico
triste de, ao mesmo tempo, chegar aqui... Eu só vejo gente desconhecida
aqui. Pessoas que não te falam “bom dia, como vai”? Que não sabe dos
seus problemas. Que está aí, de repente, no bar, bebendo uma
cervejinha, entendeu, tomando uma cachaçinha. Até mesmo para
relaxar, porque todo mundo é ser humano, não é verdade? E, para viver
numa situação desta, para sair lá das regiões deles também para vim
trabalhar num lugar totalmente estranho, eu acredito que eles sofrem, e
a família deles sofrem mais ainda, não é verdade?
Então... Bom, eu não vou render muito mais. Mas eu sou nessa
questão de falar que a população, gente, não está sendo atendida e que
não tem atingido e que está muito brando, gente... Agora, beleza, falei
da comunidade. Agora, só para finalizar, e até mesmo eu não resolveu
nada comigo. Eu estou ali. Eu não posso construir, eu não posso fazer...
Plantar mais eucalipto, eu não posso plantar... Minha mãe não pode
plantar mais mandiocal, se ela quiser. Pelo menos, por um lazer dela,
entendeu? Pelo menos por um lazer. Ela não pode. Está impedida. O
vizinho já vendeu para a empresa. Também não tem. Então, bom, eu
tenho aquilo, eu preciso... Cultivo ali também. Então, [ininteligível
00:36:13] que resolva comigo também a situação e que, não só eu,
como várias pessoas aqui, têm os seus problemas, e eu só quis colocar
esse ponto aí, e também não deixar que não está acontecendo nada em
São Sebastião do Bom Sucesso, gente. Temos que valorizar mais a
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questão dos moradores daqui, e que não deixem depredar, deixar virar
terra de povo estranho, tá, gente? Muito obrigado.
Desculpa aí.
[palmas]
SR. GILSON: Ô, Jair, só mais um ponto, Jair. Coloca aí já que... A
questão é o seguinte: a incerteza do povo de Sapo. Porque...
ORADOR
microfone]
NÃO
IDENTIFICADO:
[pronunciamento
fora
do
SR. GILSON: Meu nome é Gilson. Eu só queria colocar para vocês
porque o Sapo, hoje, vive numa incerteza. Hoje nós não temos data de
nada. Igual à questão dos plantadores, que tinham as suas produções,
hoje, não têm mais, porque não têm certeza do que vai acontecer na
comunidade do Sapo. Um chega, fala que o Sapo vai acabar; outro
chega, fala que a mineração vai chegar e vai invadir o Sapo. E, até
então, ninguém nunca chegou aqui para a comunidade e propôs essa
reunião para dar uma certeza do que vai acontecer na comunidade do
Sapo. Então, essa questão da produção de farinha, todos pararam de
produzir porque não têm certeza do futuro, do amanhã. Isso é péssimo
para uma comunidade. Então, é isso que a gente está cobrando na
questão da resposta: uma resposta exata para você saber o que você vai
programar para o seu futuro, para o futuro do seu filho, e não ficar só à
espera dessa mineração. Porque essa mineração chega daqui a 10 anos,
20 anos, 30 anos, vai embora. Nossa história aqui no Sapo continua.
Então, nós temos que ter uma certeza de informações mais precisas,
mais exatas para a gente poder caminhar para frente, independente da
mineração. Continuando plantando a sua mandioca, como o Jair falou
que a mãe dele gosta de fazer isso também como lazer, e também os
produtores da região para fazer igual faziam antigamente. Produziam
durante a semana e, aos sábados, levavam ao Mercado Municipal de
Conceição do Mato Dentro. Então, é isso que a gente está querendo: uma
certeza do amanhã. E isso a Anglo América não tem colocado para a
comunidade do Sapo. Todos nós vivemos em uma incerteza do que vai
ser o nosso amanhã.
[palmas]
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu pedi, Luiz, aqui para falar...
Vai ser rapidinho mesmo, assim. Porque nós temos discutido isso várias
vezes: como que o processo está sendo feito, como que eles fizeram lá
na Água Quente, na Mumbuca, e como que eles estão planejando. E a
gente tem feito esse alerta todas as vezes que a gente podia. Eu vou
aproveitar aqui o Jair, que veio pela primeira vez, O Gilson e as pessoas
do Sapo. Gente, vocês têm que tomar cuidado com esse... A gente fala
desse gás letal que a empresa está aplicando em todos nós. É
exatamente isso que eles querem. É exatamente povoar nossas mentes
com a incerteza, com a insegurança. E, se a gente não reagir contra isso,
daqui a pouco... Eu vou falar só de uma questão. Além da história que
será interrompida, esse vazio que fica na nossa alma, no nosso coração,
nos nossos pés, nas nossas produções, a nossa historia de vida
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completamente, o nosso modo de viver... Eu vou dar um outro exemplo,
que é o que a empresa quer também. No momento que, se ela fizer o
seu cadastro patrimonial, ela vai chegar e vai falar assim: “Olha, a terra
é improdutiva. Há muitos anos já não se pratica mais lá”.
Então, Jair, olha, daqui a pouco, quando a Anglo resolver que vai
fazer... Se ela resolver que vai considerar você atingido, ela vai falar que
a sua terra é improdutiva porque não produzia mandioca, porque não
tinha mais nada. E é exatamente isso que é a questão... Além da
fragilidade que isso causa em todos nós, essas inseguranças que... Eu
estou falando para você, além disso tudo, tem a questão ainda
monetária, de falar, de descrever a nossa comunidade como comunidade
que não produz, que não tem... Não sabe... Não tem nenhum valor. Não
tem nenhuma atividade, certo? Então, fica de novo esse alerta. A gente
já tem falado isso várias vezes, mas eu estou falando principalmente
pelas pessoas que têm vindo pela primeira vez. Tome cuidado com esse
gás letal aí, com esse gás paralisante, tá bom?
SR. JAIR: Com certeza é paralisante mesmo. Porque eles fazem e
acontecem, e você, que precisa de saber primeiramente, porque é na sua
propriedade, você sabe depois ou por acaso. Mais um agravante.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Podemos passar
para a próxima comunidade? Quem mais? Alguém já se...
SRA. DEJANIRA: Boa noite, gente. Eu fico muito feliz quando
estou aqui nesse lugar.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O nome da senhora.
SRA. DEJANIRA: Meu nome é Dejanira. Eu sou nascida e criada
aqui. Esse lugar é o lugar onde eu fui alfabetizada, aonde eu fiz tudo,
quase tudo da minha vida. Aonde eu trabalhei, ganhei os primeiros
centavos do estado, aonde eu trabalhei durante bastante tempo, vinte e
tantos anos, até aposentar no Colégio São Joaquim, em Conceição do
Mato Dentro. Minha mãe era professora. Eu sigo a vocação dela. Minha
mãe... Já tem 40 anos que ela morreu. Ela deixou aqui essa escola
construída. E até na prefeitura tem o nome dela lá, tem toda a relação,
tem tudo, tudo, tudo com o nome dela. E um dia eu vim deparar com o
nome de outra pessoa, assim, na porta. Isso dói muito na gente, muito. E
eu fico vendo como a alegria que minha mãe reunia o pessoal para fazer
tudo. Tudo e tudo. E nada ficava sem fazer. Minha mãe chamava
Toedolinda.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Qual o nome dela?
SRA. DEJANIRA: Teodolinda. Isto. E, hoje, gente, eu vejo que o
Sapo, sem gente, sem nada, o Sapo não atrai ninguém para nada. Atraiu
vocês para a reunião. Mas cadê o povo daqui? Além de pouco, o povo
aqui não quer mostrar a cara. Eles estão querendo... Acho que com
medo, talvez, de alguma coisa acontecer, de encontrar alguma coisa
contra eles. Alguma coisa. Estão indiferentes. Além de ser poucos,
indiferentes. Então, a gente aqui não sente mais tendo uma família. Eu
tinha uma irmã aqui que, por causa dessa confusão de mineradora, ela
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adoeceu com uma depressão fortíssima, acho que de tanta gente
estranha, tanto vai e vem. A casa está toda coisa de carro passar na
frente. E ela saiu e não voltou mais. Ela ficou doente. Eu acho que, se eu
morasse aqui... Eu moro em Conceição. Se eu morasse aqui, eu estaria
doente também. Mas eu não vou ficar porque eu não quero ficar doente.
Então, eu venho aqui toda vez que precisa de mim. Eu venho aqui para
dar curso de crisma para as crianças, venho para dar... Qualquer
encontro aqui, eu sempre estou aqui, no meio... Nessa coisa. E
principalmente, uma última coisa que eu fiz aqui foi um salão, que eu fico
usando em cima. Eu fiz. Fiz com ajuda de muitos amigos, muitas pessoas
de boa vontade. E fizemos aquele salão pelo seguinte: eu estava dando
curso de crisma aqui e, então, não tinha... Estava sem lugar. Na hora de
aula, as professoras ainda pediam licença e eu saía com os meninos.
Então, não tinha lugar. Eu falei: “Eu vou fazer um salão aqui para a gente
trabalhar”. E fiz um salão lá com a ajuda de muita gente. Muita gente
mesmo que ajudou. Principalmente o Gilson. Fez lá campanha em Belo
Horizonte para ajudar financeiramente. Porque, na época, o prefeito
ofereceu para ajudar e não pôde, não quis. O padre também falou que ia
ajudar e não ajudou. Mas eu falei: “Vai sair. Vai mesmo”. Então, eu
consegui fazer, graças a Deus. E, hoje eu tive a decepção de pedir essa
chave para a gente fazer lá uma reunião, que ele foi feito com o objetivo
de reunir pessoas. E eu pedi a chave emprestada para a gente fazer uma
reunião e recebi um não na cara. Aí, eu fiquei muito triste. Então, eu fico
vendo como que está andando o Sapo. Já não tem nada, e o que tem
desse jeito, né? Então, a gente está muito triste. O Sapo está decadente.
Já foram falar das coisas, aí, né? O Jair e Gilson, que é meu genro,
falando sobre a produção agrícola, sobre as decepções, né? Decepção.
Vende o terreno. Compra o terreno... Eles invadem o terreno. Faz um
salão, eles invadem o salão. E o que a gente vem fazer aqui? Aqui,
agora, virou do povo de fora, e nós não somos de fora, não. Nós estamos
usando aqui. Eu estou falando, assim, no objetivo de transmitir para
vocês que eu sou a mais velha entre vocês todos... Né, Flor? Menos a
Flor, ali. Eu sou a mais velha daqui. O resto tudo pode ser meus filhos,
meus netos, né? Mas gente da minha família. E cadê o povo da minha
família? Cadê o povo daqui? Eles... Se eles estiverem aqui, eles estão
dentro de casa. Por quê? Por quê? Será que eles perderam a esperança?
A gente não pode perder a esperança, não. A gente pode lutar, pode ter
coisa. Mas esperança a gente não perde, não. A gente trabalha por
trabalhar. Mas sem perder a esperança, e sempre confiar que Deus está
sempre na frente da gente. O que a gente deseja é o bem de todos,
principalmente o bem da comunidade de São Sebastião do Bom Sucesso,
porque eu acho que merece ser feliz. Boa noite e muito obrigado, gente.
[palmas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Obrigado à
senhora, D. Dejanira. Então, nós falamos do Sapo né? Vou sugerir a
comunidade, então. Água Quente. Sr. José Bicudo, o senhor quer falar
para nós da Água Quente, como é que está a situação? A gente soube
que fecharam a barragem, como é que está lá?
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SR. JOSÉ BICUDO: Não, a Darcília.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tarsila. Quem
mais da Água Quente estiver aí. Vamos... A gente tem muito tempo que
não faz a reunião. Então, aconteceram algumas coisas. Ver como é que
está hoje. A água...
SR. JOSÉ BICUDO: Deixa para falar depois.
SRA. DARCÍLIA: Boa noite. Meu nome é Darcília. Sou moradeira
do Passa Sete, próximo à Água Quente. É igual o Gilson disse aí, para a
gente. Verdade. Hoje a gente não tem um lazer mais por quê? As águas
virou uma grande porqueira. A gente não tem... Os filhos da gente não
tomam banho hoje. Hoje eu moro abaixo de um empreendimento que foi
feito para cima da casa da gente. Fazem reunião na [ininteligível
00:48:47] e eles falam: “Vocês não são atingidos”. Será que a gente... Ir
com um rejeito para cima de uma morada da gente, a gente não é
atingido? Sim. A gente é atingido, sim. Imagina um empreendimento
estourar em um lugar. Não vai levar todo mundo que mora, os
moradores? São muitos moradores. Quase chegar em Dom Joaquim. E,
antes eles falavam: “Não. Não existia moradores”. Existe, sim. Que
existia só família acima do empreendimento, igual a... Aonde é o
empreendimento era o meu lugar da minha terra natal, onde eu nasci,
me cresci, me casei e lá morou os meus pais. O meu pai morreu com 63
anos. Morou nesse empreendimento, e, hoje, a gente não tem direito
nem de esperar um carro no ponto porque... Por causa de quê? O
empreendimento é muito. É homem por todo lado. Apesar... Eu vou falar
uma coisa. Nunca, assim, mexeu com a gente. Mas a responsabilidade, o
medo que a gente tem de estar num ponto esperando um carro,
esperando... Levar um filho para a escola fora de horário. A gente...
Tenho medo hoje. Qualquer coisinha a gente é roubado ou é assaltado,
ou carro passa por cima. Eu levava criança para a escola. Hoje eu não
levo mais, gente, para participar de uma missa por quê? O carro... É
muito carro. A gente vê a hora que passa em cima de umas crianças. Não
tem jeito. Acabou nosso lazer. Meu filho tem 15 anos. Ele tomou banho
no rio, ele estava mais ou menos com sete anos a oito. Por quê? O carro
começou a água sujar. Eles começaram a vim. Falaram que depois ia
plantar eucalipto, depois falou que a gente ia ter muito trabalho. Até as
crianças ficaram alegre: “A gente vai aguar uma planta. Vamos ganhar
um dinheirinho”. Hoje está lá a situação que está. A gente não tem água,
o empreendimento para cima da gente, fala que a gente não é atingido.
Eu sou moradora... Era moradora de um lugar lá. Arruma as coisas para
a gente. Toma e não entrega de novo, igual o meu terreno que o meu pai
tinha. A gente fez o papel. Mostrou a gente o lugar, levou a gente para
poder conhecer aonde. Levou no escritório para assinar, como a gente
gostou da terra. E aí, não coube. Coube só um irmão meu. Hoje a gente
está jogado. Eles nem aparecem na casa da gente para falar assim: “Nós
vamos dar à senhora um dinheiro. Vamos dar à senhora outra terra”. Não
tem isso, gente. A gente está vivendo uma vida, igual o Gilson disse:
presa, presa, gente. Presa e com a empresa em cima da gente. A gente,
hoje, não tem o jeito nem de dormir. Eu digo para vocês: eu abaixo de
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um empreendimento. Tem noite que eu perco até meu sono, porque,
além de tudo, nem água nós vamos ter no final de agosto, porque minha
água tocava até [ininteligível 00:51:45], podia tocar o [ininteligível].
Hoje ela não dá nem cano de água. E eu acho que a gente vai ficar sem
água, e os filhos da gente... Acabou lazer. Igual o meu filho fala: “Mãe,
que vontade de tomar banho no rio”. Tomar como? Nem há água hoje.
Nem dá bica, porque não dá mais para tomar banho, que vai ter que ficar
escolhendo ela numa vasilha para o menino entrar e estar virando com
um canecão. Eu acho isso um absurdo. Foi um desinquieto a empresa
para a gente. Para mim, principalmente.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Fala sobre a cachoeira, que você
foi criada dentro daquela cachoeira do Passa Sete.
SRA. DARCÍLIA: É. Tinha uma cachoeira linda, maravilhosa
mesmo. Hoje eu tenho um sentimento da gente não ter tirado uma foto
dela, quando ela era bonita. Hoje o empreendimento está lá. A gente...
Se brincar, não pode passar nem perto lá do Passa Sete para ver o
empreendimento que está lá. Só vê barro rio abaixo.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Explodiram a cachoeira.
SRA. DARCÍLIA: Explodiram a cachoeira e arrasou. Porque
encheu de água. Hoje, aonde era a morada do meu pai, dos meus
irmãos, tudo é água, gente. É água. Imagina... E nós moramos, nós,
Córrego Quente, uma vizinha minha... Eu sou a primeira que vou rolar
pela empresa e pelo empreendimento deles. Porque, se arrebentar lá, até
minha casa vai tudo embora. Córrego Quente não vai ficar ninguém,
gente. E, eu acho que eles devem olhar... Poderia, sim, estar
trabalhando, mas olhasse os direitos da gente que mora dentro do lugar
para não ficar prejudicado. Eles não gostam de ficar prejudicados, não.
Que, se a gente entrar lá dentro, eles não aceitam, não. Mas entrar
dentro do que é da gente, eles entram. A minha tristeza é mais dirigida
para água, porque, hoje, um filho da gente não pode apanhar um peixe.
Não existe. Eu achei peixe morto, gente, com a parte onde sai a aguinha
cheia de bactéria. O peixe inchado. Era a maior tristeza que eu tinha.
Hoje os filhos olham a água: “Ô, mãe, que vontade de tomar um banho”.
Tomar de que jeito? Tomar no barro? Não tem como. E, quando a gente
fala, “Não, não precisa se preocupar. Barragem não vai matar vocês. Nós
fizemos com bastante precaução. Não tem perigo”. Mas eu duvido isto.
Não tem um homem que faz as coisas maior de tudo do que Deus.
Obrigada e boa noite para vocês.
[palmas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sr. José. Não
precisa nem passar por mim, não. Pode...
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Boa noite a
todos. Boa noite a todos.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO [00:54:35]: Boa noite! Seu José.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É o seguinte:
meu nome é José Adilson de Miranda Gonçalves, José Pepino. Fui nascido
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e criado aqui na região, Conceição do Mato Dentro. Nós vamos gravar ali
essa passagem de hoje, porque eu vou falar aqui, o que eu já falei há
seis anos atrás. Eu não vou dizer nada porque já está gravado pelo
Ministério Público. Todos os cabelos da cabeça já caíram de tanto falar.
Então, eu vou falar só o que está passando de certos dias para cá. Então,
São Sebastião do Bom Sucesso acabou. Eu trabalho no Mercado
Municipal em Conceição do Mato Dentro. Não entra farinha, nada mais de
Conceição do Mato Dentro. A lotação está pifando. Não faz comida mais
no sábado, para o mercado. Acabou.
Então, é o seguinte: eu tenho a minha propriedade abaixo da
Nascente do Ferrugem, Água Santa, aonde foi construído a barragem. De
um lado da Água Quente, o Ribeirão Passa Sete fecha a minha
propriedade, divisão com a Dejanira. E eu tenho a água do Pereira, que
ela vai... Ela sai da Nascente da Ferrugem e vai na minha casa, divisando
com o Romero. Fazenda da Emboeira. Até a minha porta. Tem uma água
que desce da ARG, aonde existe a merda. Aonde existe a merda. Eu sou
evangélico. Eu não uso falar palavras, certos tipos de palavras, porque eu
converti na Bíblia Sagrada, na Palavra do Senhor, que é só ela que
existe. Não existe mais nada aqui nesta Terra. Mas é o seguinte: é uma
desgraça que entrou em Conceição do Mato Dentro e há mais de seis
anos atrás. É uma desgraça que veio. Deus me perdoa. Eu ajoelho, abro
a Bíblia e oro e peço: “Senhor, perdão da minha palavra”. Mas é a maior
desgraça. Muitas coisas foram boas. Porque não existe carne sem osso.
Muitas coisas foram boas, foram bacanas para muitos. Mas, para muitos,
foi uma desgraça. Muitos já falaram que a primeira denúncia no
Ministério Público foi do Zé Pepino. Está lá na capa, lá no Ministério
Público. E há seis anos atrás. Ninguém mais falava aonde estava aí
caçando terra para criar cavalo, criar égua, e todo mundo alegre. Queria
entrar no ouro. Ia pegar o ouro. O ouro está aí. Mais eu orava a Deus, e
o Senhor me falava que ia vim guerra na região, ia vim problema, ia vim
atropelamento, ia vim grande desgraça na região. Eu orava a Deus, e
Deus me falava, e eu lutando. Porque uma água que eu uso na nascente
do Pereira, ela vai dali, vai na minha porta. Na porta ela deságua com a
água aonde está a merda da ARG. Está a merda da ARG. A merda você
sabe, não precisa de falar, é as fezes. É o atropelamento que vem lá de
fora. Quem nunca teve isso na região aqui? Está descendo lá na minha
porta, encontrando com a água que desce dali da Ferrugem. Ela sai dali,
vai na minha porta e topa com a ARG, passa na fazenda do Romero,
encontra com a Passa Sete e vai embora para São José do Jassém, cai no
Rio do Peixe, atropelando as propriedades. Muitas pessoas já me
falaram... Já falaram de mim, pessoas já falaram que o Zé Pepino está
errado. “Zé Pepino não está atingido. Ele não está sofrendo
consequências com a Anglo América”. Eu sei se eu estou ou não. A Anglo
América já falou em fazenda, e até vem fazendo há poucos dias... E
falaram: “Não. O Zé Pepino fica falando em toda reunião. Ele não está
atingido, não. Não está atingido, não”. Todo mundo que... Alguém falar
de mim lá no outro lado do mundo, eu fico sabendo. E eu vejo a cara na
frente. Eu fico sabendo. Aonde eu ando, eu vejo. Então, a água do Passa
Sete, determinado tempo para cá, ela clareou um pouco por cima, por
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cima. Ela está clara hoje. Eu já estive nela hoje, olhando. Ela está um
pouco clara por cima. Mas um animal que entra, é uma lama, é uma
lama, a do Passa Sete. Ela está passando um pouco por cima. Pouca
água e, por baixo, lama. Uma criação que entra é um atoleiro,
[ininteligível 00:59:56] tudo. Vários dias eu estou vendo caminhão
pegando a merda. Eu não vou falar o que é a merda, vocês sabem.
Pegando a merda na represa do [ininteligível]. É mesa, [ininteligível],
que é aonde foi queimado. O caminhão da merda. Estava vindo o... Vindo
o problema. O trabalho deles até no pé de manguita(F), aonde está
passando a água do Ribeirão Folheta, vindo de Dom Joaquim. Ali o
caminhão jogando a merda para a estrada afora, molhando, apagando a
poeira. Estrado do Beco. Estrada aonde que eu fui criado com meus pais.
Estrado do Beco, Quati-Beco. Até no [ininteligível], apagando a poeira.
Eu vi várias vezes o caminhão saindo das caixas da merda, das caixas da
merda de um atropelamento que vem do inferno. Quem doer se doer. Eu
não me importo, não. Eu falo o que é correto. O pessoal... Se eu falar
uma coisa atropelando as pessoas, eu estou errado Então, o caminhão
pegando as merdas das caixas e jogando lá dentro da represa. É minha
estrada da minha casa. A represa está toda verde e um mingau dessa
miséria. Vem já desde fora, que nunca existiu isso aqui na região. Aqui
era saudável. Conceição do Mato Dentro era saudável. Esta água desta
represa, ela cai na água da Ferrugem. Ela está descendo lá na minha
porta, na minha propriedade. Ela está passando lá no meu terreiro, onde
que eu uso 53 anos. Então, semana retrasada, eu fui lá no Ministério
Público, eu falei até com o Júnior. Eu falei: “Ô, Júnior, vamos lá no
Ministério Público? Vamos conversar com o Dr. Marcelo porque está sem
condições lá na minha porta. Eles estão com uma máquina lá,
arrebentando tudo lá em cima na Ferrugem. Está difícil”. Aí falei: “Dr.
Marcelo, está desta maneira. Está assim, assim e assim. Agora, os meus
documentos estão aqui, meu CPF está aqui, minha identidade. O Júnior
está aí, não deixa mentir. Se você quiser... Se o senhor quiser ficar com
ele aí, gravar aí meus coisas. Pode pegar a policia, me entregar”. Por
quê? A Anglo América falou de determinado lugar, que as poeiras do
carro é que estava sujando a água. A água da minha porta, a sujeira, a
poeira dos carros que estavam passando na [ininteligível 01:03:07].
Poucos dias agora, eu fiquei sabendo, falou em uma fazenda: a poeira
estava sujando a água. Aí eu falei: “Pois é”. Aí eu dei meus documentos
para o Dr. Marcelo lá na sala do Ministério Público. A polícia podia me
pegar, que eu ia levar eles lá dentro da Anglo, lá, que a máquina estava
dentro do ribeirão fazendo as lamas. Ela está lá. Ela está lá dentro. Eu fui
na entrada de Alvorada levar uma madeira. Está fazendo uma ponte para
lá da entrada de Itapoacanga. A água cristalina. A água do grupo de
[ininteligível] cristalina. Desce lá do retiro da...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Lá no Arruda.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: No Arruda.
Cristalina. A água do Passa Sete clara por cima da lama. Não limpa, não.
Não voltou ao normal, não. Ela é minha também, lá na minha
propriedade. Voltou ao normal, não... Mas clareou um pouco por cima da
lama. Não vou mentir, falar que tem um barro lá, igual. [ininteligível].
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Agora, a de cá, no dia que eu pedi o Dr. Marcelo para mandar a
[ininteligível] lá. Pedi eles para cooperar um pouco para ver se ao menos
o gado tomava água lá embaixo, porque não estava tomando. O
empregado do Romero mandou o irmão dele tocar a criação para outro
lado para tomar água. Agnaldo, o empregado do Romero, fazenda da
Poeira(F), meu vizinho lá. Nós dividimos. Ele falou: “Vou dizer, meu gado
não quis tomar água, não”. Eu falei: “Pois é. Mas vocês estão tudo
quieto. Vocês não têm coragem de ir lá e pedir para tirar a máquina de lá
e limpar um pouco. Tem que pedir, falar, uai! Tem que gritar, uai! Quem
está doente tem que tomar remédio”. Aí fui lá. Fui e conversei. Aí a água
melhorou. Dois dias, a água melhorou para o gado. Melhorou para o
gado, não para o ser humano. Voltou um pouquinho a coloração. Dali
dois dias voltou de novo e está lá. Hoje, hoje, eu levantei a minha calça
para cima. Hoje eu levantei a calça para cima e falei: “Vou entrar lá na
minha passagem, na minha porta”. Aí eu entrei. A água está um tantinho
assim. A lama. Era bom se vocês fossem para ver. A água está um
tantinho assim. O rio da Ferrugem está secando. A água está secando,
lama pura. Hoje estava igual sangue. Lama pura e pouquinha água. Se,
continuar essa seca aí mais 90 dias, a água lá vai caber numa borracha.
Ribeirão da Ferrugem vai caber numa borracha.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA
Ferrugem é o Passa Sete ou o Pereira?
DE
OLIVEIRA:
Sr.
Zé...
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Não, não. O
Pereira.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: O Pereira.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: O Pereira. O de
lá é represa. Passa Sete é da Água Quente, é da represa. Porque o carro
que eles estão cavando aqui está arrebentando tudo. Lá está espírito de
miséria que... Aqui, olha. Eles não estão respeitando lei, não estão
respeitando reunião em Diamantina, não estão respeitando deputado. Eu
estou entrando lá em mente e levo vocês lá. Eu estou orando a Deus, eu
entro lá dentro, e, quando eu entrei lá com os guardas, muitas vezes,
eles não me viram e ajeitei lá em visão. Eles não estão respeitando
deputado, não estão respeitando Reasa, eles não estão respeitando nada.
A Ferrugem está em petição de miséria... Vocês ficam sabendo. E se
vocês quiserem entrar lá, reunir umas 100 pessoas, 200 pessoas, e nós
entrar lá para vocês verem e registrar, vocês vão saber quem que sou eu
que estou falando aqui. A região da Ferrugem está em petição de
miséria, e eles não estão respeitando nada. Vou aguardar. Boa noite.
[palmas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Para a gente
entender, aonde é que está esse... Essas coisas que o senhor falou, o
senhor falou para o Dr. Marcelo, lá, já na Promotoria?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: A merda?
[risos]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É.
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SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: As merdas?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É, não.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: O senhor sabe
o que é merda?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sei. É o esgoto
das costas dos alojamentos, é isso?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Mas tudo, né?
Quando é uma pessoa só, às vezes, aquilo vai embora, né? Quatro mil
homens, dez mil homens que está aí, é montoeira, né?
[risos]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Hoje eu passei
na promotoria, antes de vir, e peguei o relatório de todos os inquéritos
que tem lá, apurando... Porque, às vezes, as pessoas chegam aqui, Sr.
José, aí o senhor fala, aí a gente não... Parece que não está fazendo
nada. Então, eu fiz questão de passar na Promotoria e pegar todos os
inquéritos. Então, tudo que a gente está falando, eu estou tentando
achar aqui em qual inquérito que está sendo apurado. Depois, se vocês
quiserem, eu até explico um pouquinho como é que funciona isso que o
Ministério Público... Para as pessoas entenderem, porque eu acho que é
importante esse processo. Mas eu não identifiquei aqui essa última
questão que o senhor está falando, de... Aonde que tem máquinas dentro
de uma lagoa? O senhor explica só qual que é a lagoa, qual o córrego. E
se isso o senhor já falou para o Dr. Marcelo.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Esta represa,
ela é ilesa aqui, olha, entrando para o Beco, entrando para o Beco. É uma
nascente que sai do acampamento aonde queimou o acampamento da
Monte [ininteligível 01:09:33]. É uma nascente que desce da... É uma
nascente pertinho lá. Ela nasce lá dentro da área mesmo.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Pois é, eles pegam a água da...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Explica melhor
como é que é.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eles pegam a água do esgoto,
lá das costas e leva...
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É. E joga tudo
lá. Estava jogando tudo lá dentro.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Lá dento da represa?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Dentro da
represa.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: E essa represa...
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É que lá tem
duas represas. Então, a represa sai do terreno da guerra... Tem um
terreno... Tem uma água que sai... Tem uma represa que a água nasce
no terreno da guerra. Eles atravessaram os canos da água que vem da
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Dom Joaquim... Essa está beleza. Agora, a outra de cá é que nasce na
direção das caixas... Eles tiram a miséria da caixa e joga lá dentro.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Na represa?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Na represa.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: E jogar...
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: E lá tinha
várias bombas, lá, trabalhando o dia todo, jogando a miséria fora, e não
conseguiu. O dia inteirinho jogando essa miséria lá.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Jogando aonde? Para cima,
assim?
[risos]
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Isto está...
Isto... Isso está velho, meu filho. Isso é velho. Isso é velho.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas hoje está
acontecendo isso, agora, nessas semanas, nos últimos dois meses?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Que dois
meses? Semana passada a merda estava lá. Cheio de coisa lá bombando
para ver se conseguia, entendeu?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Alguém sabe o
que que é isso? Porque essa informação é nova.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Isso aqui é aonde estava tendo
uns acampamentos aqui em cima.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. Mas essa
represa aqui.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É no fundo do acampamento,
que sai essa água, que ela corre lá no córrego do Pereira.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Ela corre no
terreno do [ininteligível].
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas tem uma
lagoa mesmo?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É, é uma lagoa. É uma lagoa
pequena que já tinha... Tem a nascente lá.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É a... Nasce
assim na cabeceira da represa, assim.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É. E... Indo
para o Beco, ali.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas o caminhão
pega... Pega a...
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Pega nas
caixas e joga a imundice lá.
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SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Joga dentro da
represa?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: E quando não
joga lá, estavam jogando na estrada. Estava um poeirão que estava
dessa altura. Eles jogando na minha frente a imundice.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Mas isso também dá relato. As
pessoas descrevem um cheiro, descrevem tudo isso.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Mas isso é grave. Isso aí é caso
de saúde pública.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. Mas...
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Pois é...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Essa represa... É
a primeira vez que aparece esse lugar onde que o...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não. Essa represa já existia.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: A represa
existia. Eles construíam lá perto da represa e estão aproveitando ela
para... Porque não tem lugar para jogar a merda e joga lá dentro. Joga
essas imundices lá.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É uma lagoa, um rio?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É uma
lagoinha. É uma lagoinha que tem lá, Luiz, do boi... do boi tomar água, e
ele está aproveitando e jogando lá dentro. Então, isso aí é difícil. Esses...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: A água do
Pereira entra dentro dessa lagoa...
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Não. Não entra
lá, não. Ela nasce... Desce a represa, desce a merda e cai na outra lá e
vai embora lá para a minha porta. Sai lá no Romero e toca para a outra
lá e vai embora. Cai no rio, entendeu? Deixa a...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sim. Eu acho...
Porque, assim... Não adianta, às vezes, eu me explicar agora porque a
gente está no meio da reunião. Mas, se é um fato novo, é importante
tentar registrar, documentar e levar na Promotoria, tá? Agora, a resposta
vai ser amanha? Infelizmente, não. Se eu chegar na Promotoria... Posso
explicar isso? É importante agora ou não?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Pode. Explica.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá? Assim, se
você chegar na Promotoria de Justiça e falar assim: “Ô, Dr. Marcelo, o
Júnior me bateu, me deu um soco, me deu pancada. Prende ele, viu? O
Júnior bateu, me deu...”. O Dr. Marcelo pode pedir ao juiz para prender o
Júnior por causa que eu falei lá? Não. Infelizmente, não. A gente tem que
produzir o que a gente chama de prova. Tem que chamar alguém que
fale assim: “Olha, você viu alguém batendo no Júnior?”. “Ah, você viu?
Que hora que foi? Por que bateu? Ah, foi legítima defesa? Não foi? Foi
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porque o Júnior deu uma... Uma má resposta? Foi por quê?” E isso,
infelizmente, né? Isso demora um tempo que não é o mesmo tempo da
comunidade. Então, a gente, às vezes, fica angustiado, querendo que a
resposta chegue logo, né? Depois, quem quiser, a gente tem várias... A
lista de todos os inquéritos aqui que estão lá na Promotoria. Então, isso é
um tempo que demora. Tem que fazer laudo técnico. Infelizmente, né?
Tem que fazer o laudo, e aí vai.
Agora, quando aparece um fato novo, é importante levar lá, tá?
Então, pode levar a pessoa para prestar depoimento. Se quiser escrever,
já levar escrito, com maior número de detalhes: “Olha, em tal lugar, em
tal represa. Assim, assim, assado. Na fazenda tal, aconteceu isso, dia tal.
Está acontecendo”.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Dr. Marcelo ia mandar uma
diligência lá.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, ele já está
sabendo já?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Já está sabendo.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, está bem.
Então, ele já ia mandar. Então, está certo. E o que a gente pode fazer
como Ministério Público é isso. Quem decide né? Se vai mandar parar ou
não é o Juiz. O Ministério Público tem o trabalho de ir lá, certificar, juntar
a prova, construir argumentação técnica também, que é importante,
pedir um engenheiro para ir lá. E aí, às vezes, não é o tempo que a
comunidade precisa. Essa é a arma do Ministério Público. A comunidade
também tem as suas armas, e uma delas é a organização.
Mas vamos passar para a frente. Era só para saber se foi
registrado lá.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: E, por que...
Igual eu entrei lá na água para... Antes de eu tomar banho para vim para
aqui para a reunião, eu entrei lá para ver. Então, eu arregacei a calça e
entrei, e a lama subindo. Piorando, piorando, porque está dessa fundura
de lama. E as bolhas de óleo está... Onde que eu pisar, as borbulhas de
óleo levantando e arrebentando, para a água afora por todo lado. Toda a
lama do rio. Então, o promotor não pode parar aquela miséria deles ali,
não. O promotor... O prefeito de Conceição de Mato Dentro, o promotor,
o juiz de Conceição não pode parar ali até resolver o problema das
famílias, não, Luiz?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O que ele quer saber é se o
promotor não pode ir na hora.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: O promotor
não pode ir lá... O promotor não pode pegar o Juiz, a polícia, ir lá e pedir
para parar? O prefeito não pode... Ele não manda na região de Conceição
de Mato Dentro? Mas, na hora dos votos, o prefeito está andando por
todo lado. O promotor não pode ir lá? Vai lá na minha porta para você
ver que miséria que está lá. O que eu vou viver lá na minha porta? Eu
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andando, as borbulhas de óleo. Quem quer ir lá para ver? Você quer ir,
Gilson? E para registrar, para mostrar na outra reunião?
Eu vou tirar o sapato e vou entrar lá para ver o que está
acontecendo. Então, é difícil, uai.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tem que parar aquilo ali, uai!
[palmas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Deixa eu explicar
para o senhor. Pode?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Assim, aqui... A
água sai dali, a água nasce ali, ela vai na minha porta da minha casa
uma água, uma água. Ela não deságua em canto nenhum, não. A água
do Passa Sete, ela topa com a água dali. Você já conhece tudo, Luiz. A
água do Passa Sete, ela topa lá.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA:
explicar. Posso explicar de uma vez?
Deixa eu
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É, mas essa
água que nasce ali, ela vai na boca dos meus bois, ela vai na minha casa,
no meu... No meu lazer. Tudo, tudo. Vai em tudo. Mofa lá tudo,
entendeu? Ela está ali, eles estão com máquinas, tudo com coisa ali e na
minha porta é óleo puro, e ela está secando e lama pura. Vai no
promotor, o promotor manda polícia. Vou saber se mandou, porque ele
não me falou e nem eu voltei lá. Mas é provável que tenha mandado.
Então, lá... Pura água, passando rasteira, lama pura. Lama pura. Estão
com a máquina ali dentro. Por que o juiz e o promotor não manda eles
pararem ali a nascente, ali, até resolver os problemas? Agora, nós vamos
ficar um ano, dois, três, quatro, cinco falando, falando. Eu acho que
tem... Eles têm que dar uma solução, não têm?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O mais grave, Luiz, dentro disso,
é que a Supram sabe dessa denúncia...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Do fundo do
córrego, né? Tem um inquérito na Promotoria. Já foi feito algumas
perícias, eu já fui na casa do senhor com o Henrique, o senhor lembra?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Agora é que a
desgrama atrapalhou lá. Foi agora. Eles estão fazendo tudo ali, uai.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas isto em
Passa Sete ou Pereira?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Pereira.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: O Pereira.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, o Pereira
não é o fundo do rio?
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SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Hã? Pereira é
tudo. A água está acabando, está dessa altura de... Mingau. Mingau de
lama, vermelho...Borra de óleo puro. Eu entrei lá antes...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso é o Pereira.
Não é o Passa Sete?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: O Pereira.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não. Passa Sete
já tem... Eu estou tentando achar aqui.
[falas sobrepostas]
SR. FELIPE: Eu mesmo sou prova disso. Quantas vezes eu
cheguei na sua casa...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, pois é,
Felipe. Então, isso aqui já está sendo...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Aqui, olha. Aqui. Aqui, olha.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Eu já olhei, eu
vou a Belo Horizonte. Eu vou buscar uma bomba, eu vou comprar uma
tela. Eu estou olhando o lugar da horta. Eu vou fazer uma horta grande
aonde que eu plantava a minha horta há seus anos atrás, e vou em
Conceição. Eu vou pedir o promotor, o Juiz e o chefe da Anglo. E vou
falar para ele: “Eu vou fechar minha horta. Eu [ininteligível] de novo”.
Que eu quero ter a minha horta lá. Eu tenho três filhos. O meu mais
velho está com 23 anos. Foi criado com verdura lá na minha porta, com a
água daquela miséria ali. Com aquela água dali, que está sendo essa
miséria hoje ali. Esse atropelamento. Quando eu estou falando de mim,
eu estou falando das propriedades. Não precisa falar que o José Mané(F)
está atingido, Pedro, Joaquim. Então, eu... Tem seis anos que eu não
tenho verdura, não tenho nada. Eu já olhei o lugar. Eu vou em Belo
Horizonte, vou buscar a bomba. Vou comprar as telas tudo em Belo
Horizonte, vou comprar os materiais e vou chamar o chefe da Anglo para
comprar verdura. O juiz vai registrar lá no Fórum.
[palmas]
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Ele vai comprar
verdura, o chefe da Anglo, para manter o povo dele aí. Para a água lá do
pé dali.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Com a água limpinha que ele
pôs para o senhor.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Você pode
registrar aí. Pode registrar que eu vou pedir o promotor, o Juiz e chamar
os chefes da Anglo. E vou chamar meus... Meus três rapaz. Que eu tenho
três rapaz. Eu vou chamar os três rapaz, que eu criei eles com verdura,
com tudo. Meu pés já acabaram. Estou numa miséria. E, muitas pessoas
falam lá fora: “Ah, ele não está atingido, não. Ele não está sofrendo
consequência, não”. Mas não sabe da vida do outro. Eles não vai na
cozinha do outro. Então, tem de... De primeiro, para casar em uma casa,
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o sogro tinha... O pai da menina tinha de saber se o rapaz... Tinha de
comer uma saca de sal. A palavra era saca. Saca de sal para ver se
aguentava o casamento. Então... Então, é o seguinte... Come nem uma
colher.
[risos]
[palmas]
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Então, vai ficar
registrado. Eu vou comprar bomba. É minha água, dentro da minha
cozinha. O Gilson, aqui, tomou café na minha cozinha. Eu buscava o
balde lá no rio. Ali aonde está aquela miséria ali. Então, vou comprar o
material, a Kombi, e vou pedir ao juiz para chamar o chefe da Anglo.
Pode ser quem for. Qualquer capeta lá do inferno que vier.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Nossa!
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É. Qualquer
demônio lá do inferno. Nós lutamos é com ele mesmo. Nós lutamos é
com o demônio. Minha esposa é missionária, e eu sou evangelista.
Infelizmente, eu estou nessa tragédia desse inferno aí. Mas vamos até no
inferno ou no trono. Nós vamos até no trono ou no inferno, seja aonde
for.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: E essa empresa é do inferno
mesmo, seu Zé Pepino.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Nós vamos no
inferno ou no trono. Porque quem fez tudo aqui, quem fez tudo aqui
nessa Terra foi o papai da glória. Não foi demônio, não. Porque demônio
não tem poder de fazer nada, não. Ele faz sujeira só onde que ele acha
entrada. Comigo ele ganha é fogo. É serio, gente! Nós não estamos
brincando, não. Nós estamos... Está uma tragédia, está um problema
sério que está aí. Muitos estão correndo. Muitas pessoas estão
escondendo, com medo, cismado. Antes de ajudar a resolver os
problemas, está escondendo, com medo. Uns começam a negociar, fica
quietinho dentro de casa. Leva ferro lá depois, leva bomba. Tem muitos
levados. Então, vai ficar registrado: eu vou comprar o material, a bomba,
eu vou jogar lama na horta. Vou falar com o promotor, vou falar com o
Juiz. Vou jogar a lama lá na horta. E, o chefe da Anglo vai lá com a
caminhonete buscar para a Anglo comer e para eles comerem. Porque eu
não vou comer caatinga de fedor dos infernos que vem para a minha
casa, para me atrapalhar as minhas coisas, não.
[palmas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Agora, Sr. Zé, a
água do Passa Sete diminuiu depois que fechou a barragem de Rejeito?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Muito não. Eu
não senti... Eu não senti, pela época da... Que agora é seca, eu não senti
muita diminuição na água do Passa Sete, não. Ela diminuiu...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Diminuiu bastante.
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ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Diminuiu.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Muito. Tanto é que nós não
passávamos de carro, nós estamos passando de carro. Tá dando é
poeira.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Olha, eu não
sou mentiroso. Meu nome é José Adilson de Miranda Gonçalves. Meus
dados estão lá em Conceição do Mato Dentro, CPF e identidade. Tenho
uma casa em Conceição, na [ininteligível 01:24:21], e tenho uma
propriedade.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, mas a
gente... A gente sabe que o senhor só fala verdade. Não tem problema,
não.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Então, o meu
nome... Eu sou conhecido nessa região toda aqui. A água do Passa Sete
diminuiu dentro da minha propriedade, talvez lá mais nas cabeceiras,
diminuiu mais.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Porque fez fechamento.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Para baixo tem
algumas outras nascentes pequena. Às vezes, lá não diminuiu tanto... Em
[ininteligível], lá, diminuiu mais, está entendendo, gente? Eles estão
muito mais alto. Às vezes lá fechou e diminuiu. Mas para baixo tem
alguma nascente pequena. Ela, na minha propriedade, ela diminuiu
pouco, tá bom?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Está certíssimo.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Está certo.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Então, eu não
vou... Eu não posso mentir.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Claro.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Falar que ela
secou lá, aí é tapa na cara. Agora, ela clareou um pouco depois, ela
clareou um pouco por cima, depois que fechou a represa. Mas, por baixo,
pura porqueira. E tem também, e tem também a merda [ininteligível
01:25:23] também. [ininteligível], não, que eu sei que tem a merda lá
também. Está indo muita merda para lá, viu? Vocês ficam sabendo. Tem
muita merda caindo nela lá, descendo. Agora, a da Ferrugem está
secando.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: A Ferrugem que o senhor fala é
os Pereiras?
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Pereira. Pereira
está secando. A água do Pereira está secando. Para fazer... Está tudo
imundo lá.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Ela não está nem um terço.
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SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É. A água do
Pereira... E muito. Está secando. Essa semana diminuiu mais de um
palmo. E um pinguinho.
[falas sobrepostas]
SR. JOSÉ
Ferrugem?
ADILSON
DE
MIRANDA
GONÇALVES:
A
do
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A barragem do Passa Sete.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: A Passa Sete
nós... Lá vai mais tranquilo, mas a de cá, ela vai a zero.
[falas sobrepostas]
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES:
Ferrugem aqui não tem barragem, não? Tem? Ferrugem.
Mas
a
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Agora...
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Pereira tem
barragem, não?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O rio lá nosso também deu uma
baixada boa. Os carros está passando dentro dele.
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Pois é.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E lá não tinha condição disso.
[falas sobrepostas]
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Como que nós
vamos fazer com o Ribeirão do Pereira secando e lama pura, mingau?
Secando e mingau.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E não tem uma nascente que
não está atingida...
SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: A nascente... E
as nascentes... Todas as nascentes, todas as nascentes a ARG está
descendo merda na água das valas. Eu mais o Romero é que estamos
bebendo as belezas lá para baixo. É. Romero está quietinho para lá, mas
nós estamos... Eu mais um empregado dele é que estamos vendo as
merdas descendo lá. É. A merda da ARG está descendo. Já foi falado. O
Ministério Público já olhou e tal. Mas não adianta. Agora, todo o ribeirão
que está descendo, está descendo as merdas. Não sei. A água que está
secando é dali, do Pereira. A água do Pereira está secando, não está?
[palmas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tem mais
alguém da Água Quente?
SR. JOSÉ CESÁRIO: Eu vou falar. Gente, uma boa-noite para
todos. Meu nome é José Elvécio(F) Cesário, morador de para baixo de
Passa Sete e para cima de Água Quente, ali. Lá em casa é o seguinte:
minha mãe, ontem, fez aniversario, 92 anos. Eu sou nascido e criado ali.
Eu tenho 54 anos. A minha água lá em casa acabou. Minha mãe é
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acamada, que ela sofreu um problema lá. Ela é acamada. E minha água
acabou. Eu fiz uns poços lá para manter a água. Agora não está nem
tendo como mais manter a água. Marlene vai para lavar roupa em casa,
nós pusemos a mangueira. À noite nós tampamos o cano da água. De
dia, na hora que vai lavar a roupa, aí vai lavar a roupa. A mangueira
pega e para de correr. Não corre a água. Ela está aí que não deixa eu
mentir. Ontem mesmo ela lavou roupa o dia inteiro lá por quê? Não tem
água. A água acabou.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É água que é
distribuída do poço artesiano?
SR. JOSÉ CESÁRIO: Nada. A minha água... Toda a vida a minha
água é corrente lá em casa. Toda vida foi.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sempre lavou...
SR. JOSÉ CESÁRIO: Sempre lavou, sempre lavou lá. E... Lá em
Água Quente, eles falam que estão abastecendo água. De fato, está
mesmo. Eles puseram até redução nos canos lá para o pessoal gastar
‘menos’ água porque água não está dando. Puseram a redução lá nos
canos lá de Água Quente, para o povo diminuir na água. Disse que está
gastando água... Nós, toda a vida, nunca tivemos miséria de água.
Nunca. Minha mãe está lá, olha, que não deixa eu mentir. Ela está na
cama, mas ela sabe tudo que está passando.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: A sua água é de
qual córrego?
SR. JOSÉ CESÁRIO: A minha água nasce no fundo do quintal, lá
no meu terreno mesmo, divisando. Ali para cima de Água Quente, ali,
divisando com D. Suzana(F).
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É afluente do
Passa Sete.
SR. JOSÉ CESÁRIO: Afluente do Passa Sete. Isso mesmo.
Meu menino foi tomar um banho no rio, outro dia, ele só entrou na
água. No outro dia ele teve que ir para o médico. Por quê? A água está
contaminada, né? Saiu umas manchas, umas lepras no corpo dele. Se ele
não vai para o médico, ia ficar pior. E outra, eles falou: “Logo quando
tiver...”. Aí foram lá em casa. “Ah, eu vou olhar a sua água, eu vou
mexer. Eu vou voltar aqui. Você não vai ficar assim, não”. Sumiu. Até
ontem, não voltou lá mais. Enganou os bobos bastante que ia olhar,
olhar. Não olhou foi nada. Não voltou lá até ontem. Sempre passam lá,
olham. Cada passo é direto na estrada. Nem em casa chega, não.
Perguntar nem se eu estou vivo, nem se eu estou morto. E minha água lá
é assim: estou tomando água parada do poço. Porque eu fiz uns poços lá,
implantei a água, pus na mangueira. Eu tampo ela de noite. No outro dia,
o poço vai encher. É... Estou usando a água. Minha água acabou mesmo.
Totalmente. Acabou mesmo. Não tem água mais, não. Marlene está ali
que não deixa eu mentir. Você vai falar Marlene? A horta. Nós temos a
horta lá em casa. Que ela gosta... Toda a vida gostou da sua hortinha
dela. Você pode ir lá, que vocês vê lá. Ela está quase largando a horta
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porque não tem como usar por conta da água. Estou em falta da água.
Só isso. Obrigado pela oportunidade.
[palmas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mais alguém da
Água Quente? Tem uma pessoa que falou aí, e eu não vi quem foi. Tem
alguém, morador lá da Água Quente, para saber como é que está lá?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eles não consideram como eu
sou atingido em casa também, não. Falam que não é, não. A Água
Quente diz que não é atingido. Fala que não, não, não tem ninguém
atingido, não.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É que eu queria
saber como é que está o fornecimento da água de Água Quente. Tem
alguém de lá que tem informação recente de como é que está?
Principalmente porque a gente está na seca.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Maria.
SRA. MARIA DA CONSOLAÇÃO SILVA: Boa noite a todos. Eu
sou Maria da Consolação Silva. Moro para baixo de Passa Sete. E o que
eu quero falar é isso, que eu moro para baixo do Passa Sete, para baixo
da barragem, né? E agora eles fecharam a barragem já. A barragem tem
cheiro. O meu medo que eu tenho é que o rapaz falou comigo... No dia
que foi fechar a barragem, eles esteve lá em casa, e falou comigo assim,
comigo e o meu filho: “Ah, não tem problema, não. Não tem perigo, não.
Que a barragem não romba(F), não”. Vocês podem ficar tranquilos,
podem deitar as suas cabeças no travesseiro e ficar tranquilo porque
não... Elas não rombam(F). Aí, eu e mais o meu filho falamos com ele
assim: “Não. Mas o que o homem fez Deus pode destruir num minuto. E
barragem é uma coisa muito perigosa. E muitas que tem feito têm
arrombado(F)”, e nós estamos poucos quilômetros para baixo da
barragem, né? Eu e mais os vizinhos aí. São seis casas pertinho do rio.
Eu moro pertinho do rio. Não tem 20 metros. E aí... E tem outra também,
que a água agora está bem pouca. Não é como era. Ela diminuiu, ela está
limpa assim, como o irmão falou, só por cima. Por baixo, assim, é lama
pura, que os bois [ininteligível] não estavam bebendo água. Agora é que
eles estão conseguindo beber, porque agora está um pouquinho mais
clara, né, por cima. Está dando para beber. Mas, se passar, pisar, vira
lama.
Outra coisa que eu ia falar é isso, que eles falou para mim que não
vai... “Ah, não vamos reassentar ninguém. Aqui, todo mundo vai ficar
aqui nos lugares que estão”. Não é possível que eles vão deixar nós
debaixo da barragem, debaixo do perigo. Não só eu, minha família,
meus... Que tem mais três casas para baixo da minha ainda, que é dos
meus filhos. E para cima também têm os outros morador e tudo debaixo
da barragem. E eles falou assim: “Não...”. Porque tem... Não. Que não
vai reassentar ninguém, que nós vamos continuar lá. E o meu medo é
esse, que eles... Tomar uma providência para nós. E, agradeço a minha
oportunidade.
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[palmas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tem mais
alguém que recebe a água encanada lá da Água Quente, que vem dos
poços artesianos? Não tem, não? Bom, depois, se o pessoal puder
atualizar a informação, que a última informação que a gente tem é que
foi uma vez que faltou. Dr. Marcelo estava num outro inquérito. Ele
mesmo foi lá certificar que tinha falta d’água. A empresa respondeu que
houve problemas, mas que não voltaria a faltar.
[falas sobrepostas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Está certo,
gente. Vamos... Tem outra comunidade? Podemos passar da Água
Quente, então? Se chegar alguém lá das águas encanadas é importante
falar como é que está a situação lá, principalmente porque a gente está
numa época seca e agora que a gente vê que falta água, tá?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E outra coisa... Não sou só eu
que houve falta da água, não. Minha sobrinha está sem água...
[ininteligível 01:35:32] secou. [ininteligível] secou. Está todo mundo sem
água na região. Não é só eu, não. Tem muita gente. A água que está ali
está só pingando. Não tem água também. Acabou.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA:
comunidade, além da Água Quente? Vamos... Gondó.
Outra
[falas sobrepostas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Olha, perdeu a
vez. Vamos passar para a próxima.
[risos]
SRA. JOANA D'ARC: Pessoal do Gondó deve estar batendo papo
lá fora. Eu também nasci aqui, né, na comunidade do Gondó. E moro em
Belo Horizonte há uns 25 anos. O meu nome é Joana D'Arc. O meu pai, a
vida inteira também, como as pessoas disseram, meu pai viveu aqui,
construiu e constituiu sua família nesse lugar, e, ontem, ao chegar...
Não. Hoje, né, que eu cheguei. Que eu fui para... Eu tenho uma
propriedade lá. Meus irmãos também têm. E aí, hoje, quando eu cheguei,
que a gente abriu a casa e tal, aí eu falei assim: “Gente, parece que está
chegando um caminhão, está chegando um carro e não chega. O barulho
está chegando e não chega ninguém aqui. O que é que é isso que está
acontecendo?”. Aí, meu irmão falou assim, meu irmão que veio com um
amigo de Belo Horizonte, ele falou assim: “Isso já deve ser o barulho das
máquinas”. E Gondó não é atingida, não, tá, gente? Legalmente, não é
atingido, não. Aí meu irmão falou assim: “Deve ser o barulho das
máquinas”. Eu falei: “Mas já está dando para ouvir aqui em casa?”. Aí,
beleza. Fiz o que eu tinha que fazer lá. Mexi [ininteligível01:37:30] a
água secou. Secou por outros motivos. Mas, pelo empreendimento, ela já
deu uma redução muito grande, muito grande. Mas, hoje, lá na minha
casa, não tinha água. Ela já vem porque o meu irmão mora acima, na
serra. Quem já foi na reunião da Reasa, lá no Gondó, sabe né? O Irineu
mora lá em cima, e a água dele vem abastecendo os irmãos e chega até
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mim. E a água está interrompida em algum lugar, né? Não sei se é pela
seca ou se pela diminuição natural, pelo movimento do empreendimento,
ou se tem algum rompimento no meio do caminho. Não sei, porque não
teve tempo de averiguar. Amanhã que eu vou procurar uma pessoa para
resolver a questão da água lá. Mas o barulho, quando eu subi para ir
para a casa do Irineu, vocês sabem como é que é para chegar lá, né?
Parece que a gente está indo para o céu. Aí, quando eu estava subindo, o
Teteu(F), meu irmão, falou assim: “Olha lá”. Parecia... Porque a
paisagem de lá, gente... Quem conhece o Gondó sabe: a Serra da
Ferrugem, ela tem o desenho muito bonito. Da fazenda onde a gente
nasceu, a gente via, e nós sabíamos desenhar isso, assim, de cabeça. Só
de fechar os olhos a gente lembra, porque, da nossa varanda, o dia
inteiro, a gente via essa serra. Então, o desenho dela é assim: é uma
ponta, uma ondinha como se fosse um ‘n’, um outro arredondo no final,
que termina ali no seu Zé Tomé. Aí a gente achou que essa imagem,
além de gravada na memória, ia ficar ali, né? A máquina já está, assim,
no limite. Está em cima da serra. Indo para a casa do Irineu a gente já
vê a máquina fazendo assim, pegando e jogando no caminhão. E um
barulho. Hoje não se dorme com silêncio no Gondó. Na minha casa, não
se dorme mais com silêncio. Na casa de Irineu, não se dorme mais com
silêncio. Na casa do Lalau(F), meu irmão, é um barulho e uma poeira que
vocês não imaginam como está. Hoje foi o primeiro dia que eu vi isso. Eu
fiquei chocada na hora que eu vi. Nós conseguimos, da casa do Irineu,
tirar foto da máquina trabalhando, e essa linha que a gente sempre viu
na serra, ela já está sendo modificada. A paisagem, o quadro natural que
Deus fez e colocou lá, ele já está sendo mudado. Se a gente voltar lá
daqui a uma semana, umas duas semanas, pode ser que ali já esteja
plano. Pode ser. A gente já não vê mais aquela linha sinuosa da serra. Eu
até proponho que a gente mostre... Faça a próxima reunião da Reasa lá
no Irineu, se o Irineu concordar, para vocês verem o que está
acontecendo. E não é atingido. Eu não sei se barulho, poluição, poeira,
né? Não é incômodo para ninguém, mas isso está acontecendo. E outras
questões. O milho que nós plantamos. Você sabe que o João Pedro(F),
que morava lá com a gente, faleceu, e eu e ele plantamos milho. O milho
que nós plantamos foi roubado. Quando eu cheguei, na época de colher...
Não fiz BO ainda, não. Quando eu cheguei lá... Eu colhi umas vezes, fiz
mingau e tal. Mas, quando eu cheguei lá para o milho seco, não tinha
mais milho nenhum. Não tinha milho nenhum no lugar, não. Nós
pusemos uma porteira na passagem que ia lá para o Taboão, onde que já
foi negociado, que é parte do Gondó. O cadeado da porteira foi
arrombado duas vezes. Nós colocamos outro. Colocamos outro. Agora, eu
falei: “Não. não vamos colocar cadeado mais, não”. A partir de hoje, nós
já tiramos o cadeado, né? Não está adiantando. Porque, no deles, tem
propriedade da Anglo América, acesso restrito. Não estou dizendo que
foram eles que entraram, mas eles entravam lá antes para poder medir a
água lá no [ininteligível]. E, quando a gente pôs a porteira, parou de ir. E
o cadeado foi arrombado duas vezes.
Então, assim, lá no Gondó, não tinha essa questão de roubo, de
invasão de domicílio. O portão do banheiro... Do quartinho que o Irineu
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guarda ferramenta foi arrombado. No Gondó, a gente não tinha disso. Ali
só mora parente, só mora gente conhecida. Há anos que faz história
naquele lugar. Mais alguém do Gondó quiser complementar.
[palmas]
SRA. JOANA D'ARC: Falar, Irineu? Irineu está sem palavras hoje.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Ô, Joana, já fez
Boletim de Ocorrência do barulho?
SRA. JOANA D'ARC: Eu ouvi hoje.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. Então, a
gente orienta que...
SRA. JOANA D'ARC: Filmei e tirei foto. Está aqui.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso. Aí, para
produzir informação da maneira que ela pode ser melhor tratada
depois... Então, faz o Boletim de Ocorrência lá na Polícia Militar, né? Se a
pessoa quiser levar já escrito, pode. Se tiver essa possibilidade. Se não,
faz na Polícia Militar, leva na Promotoria. Entrega na... Onde mais? Faz
na Polícia Militar, entrega lá e leva uma cópia para você e uma na
Promotoria.
SRA. JOANA D'ARC: Eu queria pedir... Ô, Irineu, eu queria que
você contasse para a gente como é que foi dormir lá essa noite, que você
dormiu lá. Não quer, não, né?
SR. IRINEU: Eu não dormi.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Patrícia ou Luiz, eu queria pedir
de novo permissão... Não é para falar nenhuma coisa, mas para a gente
fazer aqui uma reflexão coletiva do que é que está acontecendo. Nós
temos, hoje, o Estatuto do Idoso, né? E, a gente, ao longo desse
processo, a gente, numa das conversas por e-mail, a gente estava
fazendo essa reflexão: ao longo desse processo, quantas pessoas que já
tombaram e que, assim, que, por um motivo ou outro, seja por
depressão, seja por essa angústia que nós todos vivemos, seja por
abandono... Quanto que é que os idosos e que as... Enfim, quanto de
tudo se tem perdido, né? E aí a gente estava vendo, assim... O primeiro
nome que me vem à mente é o S. Adão, irmão da Januária e da
Laurentina e do João, que era uma pessoa que morava em um lugar e
que tinha, que era... Que tinha aquele lugar como provavelmente,
assim... Uma pessoa que pouco saía de casa, enfim... Que era... Quanto
difícil deve ter sido para ele saber que tinha 20 dias ou tinha um prazo
exíguo para sair de casa e que foi a primeira pessoa que faleceu. E
quantas, depois dessas, assim, S. Orlando, João Preto. As outras pessoas
que... O S. Augusto Arruando(F), a Dona... A mãe da Rita, que hoje não
está aqui, mas que é outra pessoa que faleceu. Então, quanto de
descaso. E a gente sabe. O Pedrinho Surdo, que é uma pessoa que eu
convivi com ele anos e anos, e que hoje está lá no Gondó, num
isolamento, fora das suas relações, longe das pessoas que compunham a
sua relação social. E a gente, hoje, sabe que ele está doente. Parece que
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está lá, né? Lamentando por estar longe das pessoas. E, a esposa dele
também doente, em Belo Horizonte, internada, pelo que a gente tomou
conhecimento.
Então, o descaso da empresa, e, quanto que é preciso a gente
buscar uma solução para essas situações e principalmente para os
idosos, que é difícil entender e aceitar esse processo, que é, além de
duro, além de cansativo, penoso, ele é violento também.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mais alguma
comunidade?
SR. GILSON: Gilson, aqui da comunidade do Sapo e também
frequento muito a comunidade da Água Quente. Então, eu tenho
acompanhado, realmente, o sofrimento desse povo. Água Quente, como
todos sabem, ele... A única água que eles utilizavam é aquela água do
rio, que é o rio que o Zé Pepino já falou. O Elvécio já falou. Então, a água
que eles usavam para tudo: para tomar banho, para fazer comida... Para
tudo. E, hoje, eles não têm condição de nada mais. Mas uma coisa que
veio aqui na minha cabeça é sobre essa questão da comunidade do Sapo.
No tratamento de esgoto, aqui, se isso está na anuência da Anglo a
questão da ETE aqui do Sapo. Porque, hoje, não tem tratamento algum
no esgoto aqui da comunidade do Sapo. E esse esgoto é jogado aqui no
ribeirão. Que é o ribeirão que eu citei no início da conversa, que é um
ribeirão que eu nadei nele muito, [ininteligível] do Jair, também, né, Jair?
Todos que nasceram aqui brincou muito dentro dessa água. Eu acredito
que hoje essa água você não pode nem pisar.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Qual que é o ribeirão?
SR. GILSON: É o ribeirão... É um córrego que tem.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Rua das flores, no final dela, né?
SR. GILSON: É, descendo a Rua das Flores, aqui, é um córrego
que passa aqui, que vem da Serra da Ferrugem. Era uma água cristalina,
que a gente brincava, pegando areia, brincando com o pó de minério que
descia na água. Então, é uma que a gente até bebia dela. Era uma água
que você podia beber. E até tem as bicas, que tinha a bica aqui... Como
que chamava aquela bica aqui, da... Tinha uma bica, aqui, na Lavrinha,
no final da rua, e a bica aqui embaixo, onde minha avó também buscava
água para beber todo dia e que acabou.
Então, eu vejo que esse esgoto está sendo jogado todo nesse
ribeirão aí, e esse ribeirão é que fornece a água aqui para a comunidade
do turco, que muitos utilizavam essa água lá embaixo.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Gilson, ali onde é que é
escritório, hoje, ali era uma fábrica de farinha.
SR. GILSON: É, aonde é o próprio escritório da Anglo era uma
fábrica de farinha, e hoje não existe mais. Então, sobre essa questão do
tratamento de esgoto, eu não sei se está fazendo parte da anuência aí,
da Anglo. Não sei se é bem esse o termo na questão da ETE, porque aqui
têm vários alojamentos internos aqui dentro da comunidade. Então, não
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sei qual o compromisso da Anglo e da prefeitura também sobre isso. Se
tem alguém da prefeitura aí que possa falar sobre isso.
Até mesmo, gente, porque, se vocês quiserem beber água aqui,
hoje, eu não sei se tem, não, viu? Porque ontem eu passei aqui no Sapo,
não tinha uma gota de água.
SR. SANDRO LAGE: Boa noite. Eu sou Sandro, secretário de Meio
Ambiente. Com relação a esgoto, isso foi um tema já debatido aqui, em
alguma reunião da Reasa, você estava presente, né? E a Anglo, naquele
momento, fez um compromisso de entregar os projetos, projeto, tá,
gente, de esgoto e cumpriu o compromisso. Com esse projeto a gente
submeteu ele agora à Funasa, tá? Então, além daqui do Sapo, nós temos
Itacolomi, Santo Antônio do Norte, Santo Antônio do Cruzeiro com
projetos de esgoto que envolve as redes, lavatórios e Córregos também.
Envolve... Em Córregos também foi objeto... Foi um tema discutido lá na
reunião de Reasa de Córregos também, né? Então, eles entregaram os
projetos de Córregos e de Sapo. Nós, da prefeitura, complementamos
com os outros, os demais projetos dos outros distritos e encaminhamos à
Copasa. Estamos totalizando aí cerca de 10 milhões...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: [ininteligível 01:4934] Copasa.
SR. SANDRO LAGE: Desculpe. É porque a Copasa também enviou
para a sede. Então, Copasa e prefeitura, dois deles com projetos da
Anglo. Então, totalizando aí, cerca de 16 milhões de investimento em
saneamento, tá? Esse recurso está ainda em fase de submissão, né?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Vocês encaminharam para
onde mesmo?
SR. SANDRO LAGE: Funasa.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Funasa? O que é Funasa, hein?
SR. SANDRO LAGE: PAC, PAC. É o PAC de Saneamento.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Esse projeto é de
quando?
SR. SANDRO LAGE: Esse projeto, ele foi entregue no início do
ano, agora.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. A empresa
chegou a quanto...
SR. SANDRO LAGE: Outubro de 2012.
SR. LUIZ TARCIZIO
empresa chegou aqui quando?
GONZAGA
DE
OLIVEIRA:
Tá.
Essa
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Dois mil e seis.
SR. SANDRO LAGE: Seis foi a LP, né?
SR. GILSON: Já chegou com vários alojamentos aqui, dentro do
Sapo. Vários alojamentos aqui dentro do Sapo, com casas alugadas aqui.
Então, isso faz aproximadamente quase sete anos. E isso eles estão
pensando agora.
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ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É igual o posto de saúde que só
tem...
SR. GILSON: Ah, outra coisa, gente... Só...
SR. SANDRO LAGE: Só complementar aqui, é rapidinho.
SR. GILSON: Não, é só porque a própria comunidade eu acho que
não está sabendo. Foi reinaugurado... Desculpa, viu, Sandro? A
comunidade, aqui, teve a inauguração do posto de saúde. Reinauguração
do posto de saúde. Eu vejo que a própria comunidade não foi convidada
a participar dessa inauguração aí, reinauguração do posto de saúde. Pelo
que eu fiquei sabendo, o prefeito e a Anglo fez essa inauguração do posto
de saúde. A comunidade não participou. Posso estar até enganado.
Então, esse posto de saúde aqui, ele foi para quem? Para atender à Anglo
ou à comunidade do Sapo? Foi investido quase... Não sei se foi quase
500 mil reais, meio milhão de reais, nesse posto de saúde. Para quem, se
não tem um médico aqui para atender? Cadê a Anglo convidar a
comunidade do Sapo para essa reinauguração?
Então, pelo que eu fiquei sabendo, eu estava em Belo Horizonte,
veio o prefeito no meio de semana, em uma tarde. Fizeram um coquetel
lá para fazer essa reinauguração. Posso estar enganado, porque eu não
estava aqui. Eu fiquei sabendo. Mas a comunidade, pessoas que eu
conheço. Que está morando aqui dentro da comunidade, não foi
convidada para essa reinauguração. Então, eu vejo que a comunidade
mesmo não está participando. A Anglo e a prefeitura... Porque eu não
estou aqui para isentar a prefeitura, nem isentar a Anglo, não. Eu estou
aqui é para cobrar da Anglo e cobrar da prefeitura. Porque os moradores
aqui estão sendo atingidos. Aqui é a boca da mina da Anglo. Então, se
tem que fazer algum benefício para a comunidade, tem que buscar
conversar com a comunidade. Não é o poder político, não é o poder da
Anglo, com os investimentos aqui, mas para quem? Então, é só para a
comunidade ficar sabendo o que está acontecendo, porque ninguém fala.
Parece que o povo tem medo.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ô, Gilson, tem um fato novo
que está acontecendo. Eu não vou falar porque eu... Falei [ininteligível].
Tem um fato novo, que ninguém está sabendo, que está acontecendo
aqui no Sapo, é o estacionamento que está sendo feito dentro da rua do
Sapo, que o pessoal tomaram conta. Eles estão estacionando os carros
agora nas ruas do Sapo, que está ficando sem passagem. A rua virou
estacionamento. Então, isso eu quero que registre...
SR. GILSON: Talvez, gente, isso é uma questão que está
acontecendo que talvez ninguém fale. Então, eu estou aproveitando esse
momento que está todo mundo reunido para estar passando essa
informação, tá? Porque eu chego aqui, eu mostro a minha cara. Eu quero
ver essa comunidade aqui funcionando. Por isso eu estou aqui. Então,
isso que está acontecendo do estacionamento, do Sapo virar um
estacionamento aqui de funcionário da empresa, isso é um fato muito
sério. Se você chegar aqui dependendo de um horário, aqui, final de
semana, ou à tarde, em uma sexta-feira, o pessoal chega aqui, deixa o
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carro aqui de fora a fora no Sapo, aqui, parece que eles vêm de carro
para ir embora para onde eles têm que ir. Então, isso aqui fica
intransitável. Hoje eu peguei um trânsito para chegar aqui. Eu estou
vindo... Estava vindo lá de cima da entrada do Jassem. Eu peguei um
trânsito de lá a aqui, à entrada do Sapo. Eu gastei uns 30 minutos.
Então, para vocês verem a condição que nós estamos vivendo aqui no
Sapo. Então, você desculpa, Sandro, eu ter tomado a palavra. Mas eu
tenho que colocar isso para o povo. Porque, se eu não chegar aqui e
falar, eu acredito que outros não vão falar. Então, é o momento da
comunidade acordar através dessa informação, tá? Obrigado, gente.
SR. SANDRO LAGE: Só complementar aqui, a questão da
informação. Falei de esgoto. Parece que... Inclusive, eu queria ter
também um feedback da comunidade aqui com relação a ETA, que é
Estação de Tratamento de Água, que foi inaugurada aqui. Parece que nós
temos alguns problemas iniciais de... A Anglo precisa passar a operação
para a gente. Ainda estamos ajustando isso. Mas se alguém puder falar
como que está o andamento aí. Você já comentou que teve falta de água,
tal. Mas como foi entregue agora, ela está num momento de passar a
operação para a prefeitura, e nós também temos os nossos gargalos,
alguns problemas podem estar acontecendo. Depois, se alguém da
comunidade... Você já apontou um problema. E tiverem mais problemas,
é só encaminhar, que a gente leva para a prefeitura. E eu acho
importante, Gilson, tudo isso que você colocou, e, tenho acompanhado a
Reasa, nós já estamos no segundo ano da Reasa, aí eu, como
testemunha aqui, eu posso relatar, e eu acho que os outros possam
endossar aí, que nós... Depois da Reasa, eu acho que as vozes
começaram a aparecer, né gente? Eu acho que aqui mesmo já é a
segunda ou a terceira, acho que foi inaugurada a Reasa aqui no Sapo, e
essa comunidade tem soltado a voz, sim, graças a Deus, porque eu falo
que eu... Tem pouco tempo que eu cheguei. Eu cheguei tem dois anos e
meio, e, quando eu cheguei, eu senti um silêncio incomodante. Era
incômodo o silêncio que pairava nesse ar e o sofrimento que estava
contido, e a Reasa, ela trouxe... Pelo menos, se os problemas estão
difíceis de resolver, pelo menos, falta de fala, eu acho que esse problema
a gente já sanou, tá? E estamos aí abertos. Eu acho que talvez nenhum
Fórum, hoje, em Conceição, qualquer um que levante a mão, venha aqui
e fala, e isso é importante. E, já vou até agradecer aqui o Luiz, que tem
papel fundamental nisso. É um ótimo mediador.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ô, Sandro, deixa eu só te fazer
uma pergunta. Como você está representando a prefeitura, e, as demais
situações do Sapo, quais as providências que a prefeitura está tomando
em parceria com a Anglo? Vocês têm uma parceria boa com a Anglo, né?
SR. SANDRO LAGE: Não, a relação não é tão boa, não. A relação
não é tão boa, não. Temos aqui até amigos também de outros
municípios, de Dom Joaquim... Alvorada eu não sei se está aí. Mas a
relação ainda não é uma relação, vamos dizer, de parceria, não. Hoje é
uma relação de muita tensão, de muito conflito, assim como a relação
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com vocês. Mas nós, como Poder Público, a gente tem que mediar esses
conflitos, né?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sim, e o que você pode estar
falando para a comunidade do Sapo em relação... Até em relação à
situação de ruas, de... Das tradições do Sapo que estão tudo parado? O
que você pode estar passando para nós, assim, para a gente estar
esperando alguma coisa da prefeitura de melhoria aí para nós?
SR. SANDRO LAGE: Bom, a minha pasta é Meio Ambiente.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA:
representando a prefeitura.
Mas
você
que
está
SR. SANDRO LAGE: Não, tudo bem. É por isso. Eu só estou
explicando. A minha pasta é Meio Ambiente, e quem detém informação
dos programas de governo... Seria mais apropriado o secretário de
Planejamento, que também está aí, o Ricardo. Aí, depois, eu passo para
ele. Mas eu posso te adiantar. Aqui já houve uma primeira reunião de... É
o que a gente chama de reunião itinerante. Elas estão ocorrendo nos
municípios. A própria comunidade levanta... Não sei se você esteve
presente na última. A própria comunidade, ela levanta as prioridades da
comunidade. Então, tudo isso está sendo sistematizado lá, na prefeitura,
todas essas informações estão sendo coletadas. Onde a gente já retornou
com a reunião, a gente está tendo uma resposta muito boa, com relação
ao atendimento daquilo que a comunidade colocou como prioridade.
Lembrando que por que a comunidade tem que estabelecer prioridades?
Porque os problemas são infinitos. Então, dentro disso, a gente está com
uma resposta... Pelas condições que nós temos ainda hoje... Nós ainda
estamos com os quadros de profissionais ainda bem precários, o
concurso atrasou um pouquinho e tal, mas, dentro das nossas condições,
nós estamos tendo uma resposta boa em atendimento do que é pedido
nos distritos. Mas somos 11 distritos, contando com o distrito-sede. Você
deve perceber que todos os problemas que você está tendo aqui, eles
não são restritos a você. Então, nós temos... Eles estão atingindo os
pobres, os ricos, os médios, na cidade e em outros distritos também.
Então, esse problema, ele está generalizado, com todas as localidades
que estão recebendo o fluxo de pessoas do empreendimento, estão
sofrendo muito esse tipo de degradação. Então, rua, lixo...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Está vindo há sete anos que a
gente vem fazendo os pedidos e falando muita coisa, e a prefeitura não
manifesta em nada. Então, eu quero que, já que o rapaz aqui vai falar
para nós, eu quero que ele aponte o que a prefeitura fez e o que ainda
vai fazer, para a gente estar cobrando isso e estar em cima disso, porque
a gente tem que lutar e correr atrás do que, no Sapo, foi prejudicado.
Então, eu gostaria que ele passasse para nós isso.
SR. SANDRO LAGE: Antes de eu passar para o Cadinho(F), só
deixar muito claro, aqui, gente, que eu sempre faço isso. Esse processo,
ele é composto de três entes, e o ente estado é um dos entes que
colocou a gente nessa situação. Nós temos como governo, durante...
Você falou muito bem, durante sete anos, nós tivemos uma fase eu acho
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que terrível para a história de Conceição, acarretou. Nós temos nossa
parcela de culpa, sim, mas nós temos um ente que pouco é citado, né?
Quando fala assim: “A culpa é Anglo e prefeitura, Anglo e Prefeitura”, e
esse ente é um dos principais atores desse processo, que é o estado de
Minas Gerais. Então, vamos corresponsabilizar todos, né? Assumo a
minha. Assumo a minha, mas vamos repartir essa responsabilidade, que
é muito grande, né?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Né, Sandro? Hoje é importante
que se ouça [ininteligível] que agora está tudo tranquilo, estabilizou.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: De jeito nenhum, de jeito
nenhum. Se tiver tudo bem, aí é porque está ruim.
SR. LUIZ TARCIZIO
instantinho, gente.
GONZAGA
DE
OLIVEIRA:
Só
um
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Posso ir falando no escuro,
enquanto isso?
[falas sobrepostas]
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Boa noite. Ricardo, secretário
de Planejamento de Conceição do Mato Dentro. Vou responder primeiro
das manifestações culturais. A Câmara Municipal aprovou, há dois meses,
uma lei de incentivo a entidades, inclusive manifestações culturais, que é
uma lei de subvenção, que permite à prefeitura dar auxílio financeiro a
essas entidades. Foi uma falha nossa não ter identificado, mas eu tenho
certeza que, se a gente conseguir identificar e mandar um projeto para a
Câmara, a Câmara, que está aqui presente, vai ter toda a boa vontade de
analisar, e a gente conseguir dar esse apoio, aqui, também, como a
gente está fazendo com as bandas de Córregos, Tapera, Costa Sena,
Marujada, Folias de Reis de Capitão Felizardo. Então, em relação às
manifestações, eu acho que o apoio que a gente tem dado aí para essas
bandas, para essas comunidades, a gente pode replicar para cá. Vai ser
com muita satisfação.
Agora, em relação às demandas que a gente teve, eu não vim
preparado para isso. Então, a gente tem registrado... O que eu lembro de
cabeça, que a gente conversou naquela reunião, foi o asfalto, que está
pronto. O que a gente não conseguiu incluir foi essa rua que desce até o
córrego lá embaixo, essa que corta aqui. Tem uma outra alça ali na
frente que a gente conseguiu incluir na obra, e essa parte aqui debaixo
não conseguimos, porque realmente o orçamento não permitia, e aí a
gente ia prejudicar toda uma obra para fazer mais uma parte. Podia
piorar a qualidade de tudo. Também não sei como é que... Se está
atendendo hoje. A gente não veio depois fazer uma vistoria muito tempo
depois, só quando a obra ficou pronta. Lembro do posto de saúde do
Beco, reforma da escola do Beco, professor... Está certo isso, gente? Foi
isso que? É que eu estou lembrando de cabeça, tá?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O professor foi...
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: A professora.
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ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Vocês estão equivocados. O
Beco não tem... O Beco não existe posto de saúde.
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Não, estou lembrando das
solicitações.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Das solicitações que foram
feitas.
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Gente, eu acho que a gente
tem que ser... Assim, eu vou ser bem realista. A gente não pode
prometer aqui, e ser desonesto de falar assim: “Vamos cumprir tudo que
a comunidade pediu em três meses”. É impossível fazer isso. Tudo está
registrado e vai ser feito dentro da possibilidade, e, a gente vai voltar
aqui para dar uma satisfação do que está acontecendo. Realmente a
gente não veio preparado, para fazer isso nesse Fórum, mas o que eu
estou lembrando de cabeça aqui eu posso falar. O posto de saúde já tem
projeto. A reforma da escola nós estamos fechando nessa semana uma
empresa para fazer esses projetos, e a gente conseguir contratar, que,
hoje, sem projeto, a gente não contrata. Não adianta a gente querer
contratar de qualquer jeito. É impossível. Então, assim, as coisas estão
andando realmente... Como o Sandro falou, são muitos distritos, a gente
tem tentado dar atenção de maneira igual para todos. Então, pode ser
que às vezes a resposta demore um pouco, mas a resposta vem.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Essa rede esgoto vai demorar
muito?
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Outro assunto é a rede de
esgoto. O que é o processo? Como que é esse processo? A Funasa,
através desse Programa de Aceleração do Crescimento, ela abriu um
edital para a gente entrar com uma proposta. Nós entramos com uma
proposta de esgoto para cinco distritos e uma proposta de água para a
sede, que é administrado pela Copasa.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sim, aí, depois que recapeou o
asfalto do Sapo, aí vocês voltam, quebram e resolvem a situação do
esgoto.
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Foi. A gente definiu isso na
reunião, que era melhor.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Primeiro asfalta tudo direitinho
e, depois, volta a quebrar.
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Isso foi um acordo que a
gente fez na reunião.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: A comunidade?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A comunidade.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não existe um projeto para não
haver gastos desnecessários, para estar fazendo primeiro rede de esgoto,
rede de água e depois recapear bonitinho...
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: É o ideal.
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STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Foi o que vocês, a comunidade
presente... Espera aí, espera aí. Vocês estão querendo jogar a
responsabilidade para a comunidade?
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Não.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Foram vocês que escolheram o
errado. Eu acho que está errado.
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Não é isso, não, gente.
Calma. Foi a estratégia que a gente definiu. Ou vai esperar o asfalto, vai
esperar o esgoto, ou a gente faz o asfalto agora e, quando o esgoto
chegar...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas isso aí foi questionado com
a comunidade?
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Foi, que, nessa reunião, nós
decidimos fazer isso.
[falas sobrepostas].
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Foi uma decisão tomada em
conjunto.
SRA. SANDRA: Boa noite, meu nome é Sandra, eu sou nascida e
criada aqui no Sapo. Eu acho que aí, a prefeitura está jogando dinheiro
fora. Olha como que não tem administração, gente.
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Isso foi debatido.
SRA. SANDRA: Pois isso está na cara de qualquer cego. Se eu
preciso fazer uma rede de esgoto, eu preciso fazer uma canalização de
água, que isso aqui já é projeto antigo, primeiro eu vou recapear um
asfalto para depois quebrar de novo? A comunidade pediu isso? Não,
gente... Eu acho que isso parte da administração falar a verdade com a
população, com a comunidade, e explicar: “Gente, vocês querem assim?
Mas deixa eu falar com vocês, não é assim. A prefeitura vai jogar
dinheiro fora. Primeiro vão arrumar o esgoto, vão arrumar a água. Depois
nós vamos recapear”.
SR. SANDRO LAGE: Foi falado isso.
SRA. SANDRA: Foi falado, mas, então, fizeram tudo errado. Me
desculpem. Me desculpem.
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Posso responder? Foi feito
dessa forma. Na reunião, quem... Não sei quem estava aqui na reunião,
pode ser testemunha. A gente colocou as duas opções. O correto... É
claro que a gente sabe que o correto é primeiro, fazer o esgoto e, depois,
o asfalto. O esgoto não chegou até hoje. Quer dizer, não teria asfalto até
hoje. Esse esgoto...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, mas o asfalto já existia. Foi
degradado de acordo com esse movimento.
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Gente, eu acho que fugiu da
pauta aí, né?
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SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu vou pedir
licença...
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Só o esgoto, o último
esclarecimento sobre o esgoto. Então, terminando...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Vamos deixar ele
falar. Só para garantir a fala dele, senão a gente não dialoga.
SRA. SANDRA: Não, mas isso também eu acho que não é para
hoje. Isso é um problema da Associação Comunitária, que eu acho que...
Eu estive realmente ausente da comunidade por motivos pessoais para
mim resolver minha vida. Agora estou de volta e vou retomar a minha...
O meu lugar aqui na comunidade. Que eu fiquei afastada, mas estou
retornando, e isso a gente vai olhar no decorrer do tempo que eu vou
estar aqui, agora.
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Gente, só para finalizar.
Então, eu estava falando do projeto de água e projeto de esgoto, que a
gente pediu, totalizando R$ 8 milhões. Há um mês atrás... E o processo,
ele realmente é demorado, são várias fases. Nós já passamos por cinco
fases. A sexta é agora, é a última, que é a visita. Se a gente passar, a
gente consegue o recurso. E, na última fase, o prefeito teve que decidir
entre a água da sede ou o esgoto para ser financiado. Não quer dizer que
não vá fazer, mas para receber o recurso. E ele nem... Ele não teve
nenhuma dúvida em decidir pelo esgoto. Então, a decisão dele foi
priorizar o esgoto dos distritos. E foi uma decisão que todo mundo
concordou. Então, já fizemos essa decisão. O prazo para finalizar essa
última fase é amanhã. Espero que a gente realmente consiga esse
recurso. Não é garantido, mas, se sair, quer dizer, a gente vai ter essa
melhoria aqui, esse sistema de tratamento de esgoto, coleta e
tratamento.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Cadinho(F),
obrigado. Ô, Sandra, obrigado, viu? Júnior.
SR. JÚNIOR: Queria aproveitar a participação, aqui, da prefeitura.
Teve uma reunião aqui, no Sapo, em que foi falado pela... Cobrado pela
comunidade e falado pelo empreendedor que aproximadamente, do dia
que começar a extração do mineiro, aproximadamente em dez anos, iria
chegar aqui a casa, perto... A 600 metros da comunidade do Sapo. Eu
queria saber, apesar de vocês provavelmente não estarem mais à frente
da administração... Possivelmente sim, possivelmente não. Mas qual é a
visão, dentro desse quadro que foi falado pela empresa, em relação à
água, em relação a que a população vai sofrer em relação ao barulho, em
relação à poeira? Como que a administração, sendo o Sapo um distrito de
Conceição do Mato Dentro, como que, hoje, a administração está vendo
essa posição? E mesmo para dar um norte para a comunidade, para ela
se... Poder se programar, o que ela pode esperar, ver o futuro que está
esperando?
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Gente, eu vou deixar essa
respostas para o Sandro, porque ele já conversou esse assunto naquela
mesma reunião, e, assim, a minha opinião é a mesma que a dele.
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SR. SANDRO LAGE: Bom, gente, muito antes da reunião, a
gente... Desde 2011, a gente vem trazendo... A Secretaria de Meio
Ambiente vem trazendo em algumas oportunidades, aí, informações do
empreendimento. Em pelo menos duas ocasiões nós fizemos uma espécie
de seminário, apresentando as informações de mapas, de como que o
Sapo seria afetado, e, na última reunião, eu coloquei uma informação
pessoal, até falou: “Sandro, você é meio doido”. Mas a minha posição,
ela é bem tranquila, e eu falo ela com muita tranquilidade por ser
itabirano, e talvez o Sapo seja a situação mais parecida com a situação
de Itabira, que é de onde eu venho. Então, o que eu posso relatar como
pessoa, e relatei na última reunião, é que vocês vão sofrer com alguns
terremotos, com hora marcada, sim. É inerente à mineração. Vocês vão
sofrer com a poeira, sim. Vocês vão sofrer com o barulho, com o tremor,
a casa de vocês vão, sim, ter rachaduras, vão trincar. Quando... Eu até
questionei: “Olha, vocês estão pedindo equipamentos públicos, vocês
estão pedindo postos de saúde, vocês estão pedindo algumas coisas.
Vocês já pensaram na possibilidade de pedir um reassentamento
coletivo?”. Porque vão pedir hospital, vão pedir uma coisa, e, depois,
esse hospital vai começar a trincar, depois eu vou ter que mudar esse
hospital de lugar. Bem, enfim, eu, pessoalmente, como estudioso, eu sou
geógrafo da área ambiental, como pessoa, como itabirano, que já sofri na
pele todos esses impactos... Eu relatei, na época, que eu estava
estudando na sala de aula, e o prédio tremia, mas era um terremoto
mesmo, mas isso é normal. Isso é corriqueiro. A gente vai pagar uma
conta no banco lá em e Itabira, e você volta brilhando para casa de
minério, porque realmente é uma situação única no mundo onde
mineração e cidade disputam o mesmo espaço.
Aqui o impacto talvez é menor porque a Vila do Sapo, ela é menor
também. Então, não é que o impacto é menor. As pessoas impactadas
estão em menor quantidade, diferente de Itabira, que eu tenho 100 mil
pessoas ali convivendo com a mineração lado a lado. Então, a quantidade
de pessoas impactadas é maior. Mas, enfim, quando a gente debruça
sobre os estudos de atingidos, de impactos, aí, diretamente atingidos,
área de influência indireta, tal, a gente percebe que, tecnicamente, eles
conseguiram tirar o Sapo inteiro de uma área diretamente atingida, e a
gente entende que toda essa cabeceira, ela vai ser minerada, gente.
Esses impactos são inerentes. Então, eu vou usar uma frase de um
grande vilão aí da nossa história, o Viguete, ele falava: “Olha, para se
fazer um suco de maracujá, é preciso espremê-los”. Então, vocês podem
ter certeza que o Sapo vai sofrer muito.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA:
comunidade e não o empreendimento?
[ininteligível
02:14:59]
a
SR. SANDRO LAGE: Oi?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Existe uma inversão aí.
SR. SANDRO LAGE: Não, não, a comunidade... Não, a
comunidade deve decidir. De forma alguma, nós podemos decidir pela
comunidade. O que eu coloco para vocês é que vocês comecem... Tem
dois anos que eu tenho falado isso, que a comunidade comece a se
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organizar e discutir: “Olha, gente, se eu for...”. Vamos ter uma posição.
Ou nós vamos ficar e cobrar medidas mitigadoras, né, de controle
ambiental, cada vez mais com a Anglo, e essa luta é infindada. Ou seja, o
resto da vida, tem 40 anos, e podem ser prorrogados. Vocês vão ter que
ter uma luta contínua, não pode dormir. Você tem que ficar vigiando o
tempo todo. Essa é a convivência. Esse é um vizinho que nós vamos ter
que ficar vigiando. Ou, então, gente, a comunidade se organizar e exigir
e reivindicar uma nova negociação, pensando um reassentamento
coletivo para evitar esses transtornos. Vocês vão ter um vizinho muito
incômodo convivendo nos próximos, pelo menos, 50 anos, gente.
Então, isso é uma coisa que eu tenho que falar com vocês, porque
eu estou... É a informação, é inerente ao processo.
SR. LUCAS HENRIQUE: Desculpa de interromper, mas só uma
coisinha.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Microfone
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Espera aí, microfone. Como é
que você se chama?
SR. LUCAS HENRIQUE: Meu nome é Lucas Henrique, lá de Dom
Joaquim. Só uma coisinha que você falou: você disse que, em vez da
comunidade pedir um posto de saúde, uma escola, alguma coisa assim,
eles devem pensar num reassentamento, né? Mas, pelo que você falou,
isso deve partir apenas deles, né? Um exemplo: se a comunidade vem e
pede à prefeitura para pintar isso aqui, e você sabe que, daqui dois anos,
isso vai estar trincando e cair sobre eles, por que essa ideia de um
reassentamento não pode partir da prefeitura? Por que você vai deixar
isso aqui cair em cima deles daqui dois anos, sendo que eles não
querem... Sendo que essa ideia não parte deles?
SR. SANDRO LAGE: Se vocês me derem um aval, eu começo a
brigar amanhã por isso. Eu preciso do aval de vocês.
SR. LUCAS HENRIQUE: Não, não precisa estar participando
diretamente da comunidade.
SR. SANDRO LAGE: Eu não posso brigar por uma coisa que vocês
não querem.
SR. LUCAS HENRIQUE: Isso pode estar partindo mesmo da
prefeitura, como uma ideia para a comunidade.
SR. SANDRO LAGE: Não, aí não. Se vocês falarem assim:
“Sandro, pode brigar lá, que eu...”.
SR. LUCAS HENRIQUE: Não, eu não estou falando que a
prefeitura tem que ir lá brigar por reassentamento. Eu estou falando que
isso pode partir da ideia de implantar na cabeça deles...
SR. SANDRO LAGE: Eu estou lançando a ideia aqui.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ah, ele está falando que a
prefeitura é responsável pelos administrados. Que a prefeitura tem que
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enquadrar a empresa. É isso que ele está querendo falar. E não
enquadrar a comunidade. Eu acho que é isso que ele...
[falas sobrepostas]
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Por que a prefeitura não
defende a paralisação da obra, então, ao invés de falar de
reassentamento coletivo? Ao invés de tirar o povo, por que a gente não
briga junto para paralisar a obra e resolver esse problema?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Isto!
[palmas]
SR. SANDRO LAGE: Bom, eu gosto do... Parece que são
perguntas de novatos, né? Eu acho que são os novatos que chegaram,
porque tem dois anos que a gente defende essa posição, pelo menos
como Secretaria de Meio Ambiente. Quem acompanha o nosso trabalho
já viu isso em várias ocasiões. Nós defendemos, sim, em muitas
ocasiões. Só que essa paralisação, por mais que ela aconteça, e que é
difícil de acontecer... Está aí... O Judiciário está aí, para dizer o quanto é
difícil uma paralisação desse nível, mas ela também não é duradoura,
porque aqui nós temos a rigidez vocacional. O minério que gera o PIB
desse país, o minério... Isto. Ele está aqui, e ela não tem como escolher.
Ela não pode escolher ir para outro município.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O município está ganhando
muito, né?
SR. SANDRO LAGE: Oi? Quem dera. Vocês me desculpem, mas
tem que debruçar um pouquinho mais no processo. Enfim... Bem, temos
essa defesa. O que nós estamos colocando é o seguinte: se a
comunidade decidir o que ela quer... O próprio Ministério Público teve
uma reunião com o município e falou: “Olha, o município tem que saber o
que quer”. A gente não consegue brigar por alguém se a gente não sabe
o que a pessoa quer. Como que nós vamos ser vozes, o próprio
Legislativo está aqui, o Executivo está aqui. Como que nós vamos
representar uma voz que ainda não decidiu qual que é o caminho que vai
ser tomado? O que a gente coloca... Na verdade, a ideia está lançada
nesse sentido. “Olha, gente, se for ficar, temos que criar essas medidas
compensatórias”. Agora, a paralisação, se ocorrer, ela vai ser
momentânea. O projeto de mineração, gente, na região, não é em
Conceição, não, na região, e a nova fronteira mineral do país está na
nossa região, e nós só temos como minimizar isso. Isso está muito acima
da gente conter isso, a não ser que a gente faça uma reforma no país,
acredito...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sandro, eu vou [ininteligível
02:20:21].
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sandro, obrigado
pela sua... Eu acho que a gente está discutindo...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Senão a gente fica aqui num
fato consumado, assim, né?
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SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é, eu acho
assim... Eu acho que o... Eu só queria... Não, eu vou... Deixa eu falar
uma frase também? Eu vou deixar você falar uma frase. Eu só queria...
Bom, pode falar.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu aprendi com o pessoal do
Gandarela, gente, que nós podemos dizer não. Não a esse
empreendimento, não à destruição!
[palmas]
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: [ininteligível] vai minerar no
Japão, no raio dos infernos, onde eles quiserem, gente. Nós temos o
direito de falar não. Se a gente não quiser a mineração, e o povo todo se
unir, essa mineração sai daqui. Mas só com a união, união mesmo do
povo. Sem brincadeira.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Poder para o povo.
SR. SANDRO LAGE: Só complementando: 82% desse povo
escolheram a mineração.
[falas sobrepostas].
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sandro, ninguém perguntou
para mim. Como é que você está falando que é 82?
[falas sobrepostas].
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Gente é o
seguinte... Espera aí. Eu acho que vocês estão... Vocês estão
confundindo as coisas. O Sandro deu a opinião dele, agora vamos
avançar. Ele é Poder Público, mas quem acompanha aqui, a Reasa, sabe
das posições dele. O direito de falar não vocês têm; O direito da
comunidade também, todo mundo tem. Agora, se a gente começar a
bater boca de um tema que está fora da pauta, que está fora do que a
gente quer...
SR. SANDRO LAGE: Fora das nossas mãos de resolver.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: A comunidade
tem a sua força. A comunidade pode ir lá pressionar o prefeito, né,
Sandro? Pode ir lá no gabinete. Mas eu acho que a gente está perdendo
muito tempo. O que vocês acham? Então, a gente fica batendo boca aqui
e não avança. Nós paramos aqui no Sapo, está certo? Né? Então, está
certo.
Sandro, obrigado, viu? Obrigado, viu, gente? Mas vamos avançar.
Agora, o pessoal pode, sim, ir lá cobrar o prefeito. Isso aí... São as
[ininteligível] da comunidade, que ela é soberana para decidir, né? Então
está certo.
A gente falou dentro da pauta... Então, assim... Está encerrado o
Sapo? Todo mundo do Sapo falou, já colocou os problemas, e o Sandro
lançou uma pergunta que é interessante. Quer dizer, tem muita gente
pedindo serviço público para o Sapo. Isso, de fato, a comunidade do
Sapo... Já em várias reuniões. E, ao mesmo tempo, tem essa questão de
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como é que vai ser o futuro do Sapo. É uma pergunta que eu acho que é
para vocês pensarem. Não vamos responder agora.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Se está enfiando goela abaixo da
gente, a gente está querendo o retorno disso. Porque é o seguinte: a
única coisa que eu estou vendo aqui é que a gente também está
querendo uma posição do Poder Público Municipal aí sobre uma posição
da Anglo, porque está cedendo tudo para Anglo. Então, é isso que o povo
está querendo, que ele tome uma posição e larga de ser covarde. É isso
que o o povo está querendo.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, sabe o que eu acho que a
gente podia também fazer como encaminhamento? Às vezes, a gente
fazer... A gente já faz algumas... Por exemplo, eu posso falar aqui para
[ininteligível02:24:01]?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Encaminha, que
eu acho que é mais proveitoso.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu acho que a gente já tem
adotado o critério de fazer algumas denúncias na polícia ambiental,
Ministério Público. Eu acho que nós temos que incluir agora e dar ciência
à prefeitura municipal, também, para a gente poder cobrar formalmente
isso também. Então, eu acho que o encaminhamento que a gente pode
fazer aqui, já que a gente tem tanta demanda com a prefeitura e que a
gente está achando que ela precisa estar mais próxima desses... É a
gente formalizar essas denúncias ou esses requerimentos, seja através
da Reasa, seja individualmente, para a prefeitura municipal também, né?
Eu acho que é um encaminhamento que a gente pode tirar dessa
discussão, desse debate que teve aqui. Não é isso?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Aí eu já... Com a
minha estrada aí, eu já tomo a liberdade para aconselhar:
individualmente não é bom, né? Se vocês vão unidos na prefeitura,
depois de ter debater o tema, aí, sim, vocês têm... Se empoderam para
discutir a coisa. Então, podemos passar o Sapo. Córregos
SR. LUIZ FERNANDO: Boa noite a todos. Luiz Fernando, de
córregos. Bom, em relação a essa questão que acabou de ser discutida, é
com certeza. Para nós, atingidos... Lógico que Sapo é atingido. Eu acho
que, em vez da proposta de... Eu acho que tem que reivindicar mesmo
melhores condições, posto de saúde, escola, porque é uma comunidade
tradicional e deve ser mantida, e, se a mina vai chegar aqui a dez
quilômetros ou a cinco quilômetros, eu acho que a comunidade tem que
se organizar para que ela chegue a uma distância segura, que
proporcione... A 600 metros, né? Que proporcione uma vida razoável,
tranquila, dentro da comunidade. Não... “Ah, vamos mudar a comunidade
de lugar”. Eu acho que deve permanecer.
[palmas].
SR. LUIZ FERNANDO: E não a mineração invadir o seu espaço.
Então, deve se fazer estudos para que... Qual que é distância segura de
uma comunidade e de um empreendimento desse tamanho, e aí limitar,
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e não ao contrário. Vão tirar o Sapo daqui porque a mina está com 600
metros, né?
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Vou te pedir licença. Bom, é
isso que a gente está propondo. O que a gente está dizendo é que quem
está de fora, a gente que não mora aqui não pode tomar essa decisão.
Quem tem que decidir é quem está aqui dentro. É isso que a gente está
colocando.
[falas sobrepostas]
SR. LUIZ FERNANDO: É, eu acho que nós temos que antecipar o
futuro. Então, se existe esse risco de 600 metros da mina, nós temos que
cuidar para que se afaste.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Em 600 metros de mina, gente,
não há mitigação que vai resolver a...
SR. LUIZ FERNANDO: Exatamente. Então, eu acho que a nossa
luta... Eu acho que nós temos que antecipar esses problemas, e prevenir
para que eles não aconteçam. Eu acho que esse é o sentido desse grupo.
Eu acho que muita coisa vem goela abaixo, como já disse aqui, mas eu
acho que agora a gente tem que conseguir segurar o que for possível,
né? E não simplesmente uma proposta de não buscar recursos ou etc.
Bom, em relação a essa questão de Córregos. Córregos talvez seja
menos atingido do que Sapo, do que Água Quente, pela distância do
empreendimento, mas nós continuamos assombrados aí, com a
possibilidade de a empresa alojar trabalhadores, e essa conversa já
voltou lá em Córregos, esse último mês. Então, assim, não aconteceu,
mas se falou, houve movimento na rua, não tem trabalhador alojado.
Mas tem a conversa de que vai haver trabalhador levado para lá. Não
aconteceu ainda. Mas temos que prevenir e lembrar aqui, dos
compromissos assumidos pela empresa de preservar Córregos, que tem o
seu núcleo histórico tombado. E a gente vê aqui o que aconteceu com
Sapo, o que aconteceu com outros distritos, Conceição do Mato Dentro, e
a gente não quer que isso aconteça em Córregos. Pelo menos parte da
comunidade não quer que isso aconteça. E a empresa assumiu vários
compromissos aí de não tornar Córregos alojamento de trabalhador.
Outra questão também, Córregos é atingido no sentido... No
momento em que as comunidades em volta do distrito estão sendo
desfeitas. Caminhos são obstruídos. É lembrar isso, porque, assim, essa
questão de venda de terra, de ocupação, de reassentamento das
comunidades,
os
distritos,
as
comunidades
que
viviam
se
intercomunicando, vivendo do comércio etc., isso está acabando. Vários
caminhos que traziam Córregos já foram obstruídos. Hoje a gente tem
que dar uma volta grande para chegar aqui. Antigamente tinham
caminhos, que era estrada real, inclusive, caminhos tradicionais que hoje
são obstruídos. São questões antigas que a gente já tem discutido isso
há muitos anos, mas o que tem acontecido é que, cada vez mais, as
comunidades estão sendo desfeitas, em torno, aqui, do empreendimento,
as terras são vendidas, e as comunidades... E uma forma de convivência,
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STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR
de preservação da cultura é justamente essa inter-relação entre as
diversas comunidades aqui em volta.
Outra questão que nos preocupa bastante e que também tem a ver
com o futuro é a questão da água. Hoje, até hoje, a gente não tem essa
garantia. Vai faltar água nessa região, para Córregos, né? Que tem...
Hoje tem um problema grave de abastecimento de água. A água é
coletada dentro do distrito, em nascentes dentro do distrito. Então, a
gente já tem há muito tempo discutido isso com a prefeitura, com a
comunidade. A Copasa já chegou a fazer um projeto para alterar essa
captação de água, que não foi bem aceito pela comunidade. Então,
quando o Sandro falou aqui, hoje, do projeto de esgoto que foi feito para
Córregos, por que não discutir isso com a comunidade, antes de
implantar isso lá, assim como a questão da água? Para não correr o risco
de não ter aceitação da comunidade. A gente fica muitas vezes distante
dessas decisões. A Anglo fez um projeto e não apresentou para a
comunidade. Isso já foi objeto de captação de recurso no governo
federal. E isso vai chegar lá de uma forma impositiva, sem poder a
comunidade discutir.
Eu acho que isso pode ser... Pode ter problemas aí que a
comunidade conhece e que poderia ser evitados na sua implantação.
Então, são essas aí as questões de Córregos, é a questão do esgoto, que
é grave, da água, que ainda continua muito precária, né? Não temos
tratamento de água, apesar de serem nascentes. São nascentes que
estão correndo risco de serem contaminadas, porque estão dentro da
comunidade. Mas a gente queria também que fosse uma solução para a
água, uma solução que preservasse as nossas nascentes dentro da
comunidade, e, ao mesmo tempo, que fosse uma água boa, tratada, de
boa qualidade, coisa que a gente tem dúvida se hoje é assim a água lá
coletada na nossa comunidade. É isso. Obrigado.
[palmas].
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Luiz Fernando,
então, em relação à atualmente, a gente pode dizer que aquela reunião
da Reasa lá em Córregos foi proveitosa, em relação aos alojamentos
daquela discussão toda, né?
SR. LUIZ FERNANDO: Até hoje não se alojou, mas voltou-se a
falar recentemente que tem empresas querendo alojar trabalhadores.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: E aí, assim, a
gente trabalha nessa perspectiva lá na Cimos de empoderamento da
comunidade. O Ministério Público não pode estar todo dia lá em Córregos,
e a comunidade tem que ser autônoma para... Então, assim, vocês que
estão na Associação de Córregos, que é organizada, é muito claro um
trecho lá no EIA/Rima, que diz que não pode ter alojamento em
Córregos. Está bem descrito. Então, ela está descumprindo uma regra
ambiental.
SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Luiz, eu vou pedir favor...
Principalmente Córregos [ininteligível 02:32:25], a gente tem fiscalizado
essa parte de alojamento, a Secretaria de Meio Ambiente, e a gente
50
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acaba chegando atrasado por falta de informações. Então, se tiver
qualquer movimentação, por favor, direcionar à prefeitura, que, no
mesmo dia, nós vamos lá e... É só manter a gente informado, que a
informação rápida é a principal arma que a gente vai ter nos próximos
dias.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, podemos
deixar como encaminhamento, então? Já é uma boa questão.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ah, eu também quero falar de
Dom Joaquim.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Claro, eu vou
passar para o pessoal de Dom Joaquim, que está aí, que é visitante, né,
que tem horário. Vocês se importam? É a primeira vez que eles estão
vindo aqui.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, pode falar.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Sapo(F) de Fora, mas com a
convivência de... Parece que nós estamos distantes.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Fala o seu nome
e...
SR. CLAUDINEI ALVARENGA: Meu nome é Claudinei Alvarenga.
Eu sou secretário de Meio Ambiente e morador de Dom Joaquim. Nasci,
morei e moro... Já morei fora, mas sou residente e pretendo continuar
vivendo lá por muito tempo. Aparentemente nós estamos longe dos
problemas, mas eu costumo dizer que Dom Joaquim é um impacto mais
direto da região, porque uma população de 5 mil habitantes, 3 mil
habitantes urbanos, com 1500 colaboradores inseridos dentro desse
contexto, são 50% a mais de transtorno de tudo. De todas as
demandas... Colaboradores. A gente trata humanamente as pessoas,
porque eles também são seres humanos que estão buscando seu
sustento, estão inseridos dentro desse processo, ha uma mão de obra, às
vezes, barata, do ponto de vista econômico, mas uma mão de obra que
dá um transtorno muito grande para a nossa comunidade. Na área de
segurança, nós temos dois policiais... Imagina bem, que já... Quando a
comunidade tinha 3 mil habitantes, nós tínhamos seis policiais e os
problemas eram muitos. Imagine agora que o tráfico de droga, droga
pesada, crack, invadiu a cidade, prostituição infantil, infanto...
adolescente. Na área de segurança... A gente não pode fazer uma festa
junina nas escolas. Por quê? A disparidade entre homem e mulher é
terrível. Imagina bem. Essa disparidade está... A associação... A vida
social da cidade ficou muito ruim pela própria comunidade. Nós temos a
barragem, que é o nosso atrativo turístico... A cidade estava
desenvolvendo o turismo, estava caminhando a passos largos no turismo,
tinham uma demanda... Éramos uma cidade referência do turismo na
região. Hoje, praticamente não existe, porque nós não temos segurança,
nós não temos espaço físico, para alojar as pessoas e criou uma febre do
ouro nas pessoas, que a gente não consegue mobilizar as pessoas para
lutarem contra o empreendimento. Muito pelo contrário. Se a gente
tentar falar, a gente é reacionário, para a gente agir, a gente tem que
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agir com toda a segurança e politicamente dentro dos melindres, porque
a gente é visto como contra um sistema de coisas progressista. A gente
tem uma visão mais técnica da coisa. A gente está sofrendo com
assoreamento do nosso cartão postal e todos os recursos hídricos, porque
Dom Joaquim está a cinco quilômetros, para se dizer, do nosso berço das
águas, uma [ininteligível02:35:59], a [ininteligível] mineira, que é uma
área de preservação ambiental, que está sendo destruída a cada dia,
numa velocidade incrível, por quê? O assoreamento da Água Quente, do
Passa Sete, a barragem de rejeito. Tudo está fluindo para a gente,
diretamente para a gente. A gente tem uma população itinerante
flutuante de 1500 pessoas, uma população que chega. Que invade os
nossos espaços sociais, que a gente não pode usar uma área pública, que
são os nossos atrativos. Por quê? Nós não temos segurança para isso. Se
a gente levar os nossos familiares, eles estão correndo risco. E a gente
foi inserido sem uma Audiência Pública que conclamasse à população,
que explicasse os dois lados da moeda. Só se mostrou o lado bom,
aquela febre de crescimento econômico, e a gente está vendo uma
população... Economicamente cresceu o IDH, mas a felicidade não
acompanhou. Infelizmente a gente vê isso. É uma cidade que não tem
lazer, as pessoas já não se cumprimentam, como disse um amigo nosso.
Já não tem aquela euforia de falar, bater no peito: “Eu sou DomJoaquinense. Eu moro e gosto desse lugar”. Infelizmente está sendo
destruído a olhos vistos. Nossas ruas... Que era uma cidade bonita.
Totalmente destruída. As matas... Supressão vegetal. Invasão e APP.
Com conivência da Supram de Diamantina, que nem jurisdição tem,
porque nós pertencemos à estrutura Leste de Valadares. Então, eles
liberam licenças genéricas: “Construam isso, façam isso. [ininteligível]
bota fora”, mas não vai ninguém fiscalizar. Infelizmente nós ficamos... A
gente relata, o promotor... Já fizemos as notificações. O Ministério
Público tem nos acompanhado, tem nos dado o suporte, essa esperança
dessa luta, que a gente consiga brecar com essa adutora, que está
passando dentro da nossa barragem, o nosso atrativo maior, que é o
cartão postal, e um bem tombado culturalmente. Nem isso eles
respeitaram. Tem várias promessas de milhões de investimentos que se
colocam mil obstáculos, para a gente conseguir chegar ao objetivo do
recurso financeiro. E a comunidade fica ansiosa, o gestor que você
disse... “Ah, o prefeito não tem coragem de barrar”. O nosso teve
coragem de barrar e sofreu por isso.
[palmas]
SR. CLAUDINEI ALVARENGA: A população sofreu por isso,
porque ele viu a própria população de Dom Joaquim invadir a prefeitura
para quebrar... Pegar o prefeito e bater nele, porque tomou essa decisão.
Imagine bem. Os nossos comerciantes, meia dúzia de oportunistas, que
só olham para o próprio umbigo, que não têm respeito pelas crianças,
pelos idosos, que sofrem, cinco, seis horas da tarde, congestionamento,
parecendo cidade grande. Dois, três quilômetros de carro, para tudo.
Eu moro na rua, a mais sofrida, a Rua Benedito Valadares. Quase
cinco horas da manhã eu tenho que acordar, eu acordo junto com os
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colaboradores. Por quê? Eu não consigo dormir. O cara passa, parece que
está passando debaixo da minha cama. Eu acordo... Chego nervoso.
Como secretário do Meio Ambiente, você quer ver as coisas funcionarem,
e somos cobrados por isso. E essa ansiedade, essa angústia de não ter
força para resolver, isso nos coloca, assim, nos apequena diante dos
problemas, e eu gostaria que a minha cidade tivesse isso aqui, olha.
Pessoas reunidas, conversando, debatendo sobre um problema que é de
todos, embora meia dúzia estão tirando proveito. O aluguel de uma casa,
que custava... Uma mansão, que era um salário mínimo, hoje, cinco mil,
seis mil, quinze mil. No supermercado, que se fazia uma compra da
semana com 100 reais, hoje é 300 reais, e a qualidade é lá embaixo. Por
quê? Generalizou, nivelou por baixo. Infelizmente, nós estamos vivendo
isso, e a tendência é piorar cada vez mais, porque a degradação
ambiental da nossa cidade... São José da Ilha, para quem conhece,
pertinho, aqui, eles estão fatiando as montanhas. Fatiando. É intervenção
em Mata Atlântica, é mata ciliar recortando tudo, aquele assoreamento,
que está previsto... Nas primeiras chuvas que virão, Dom Joaquim vai ser
inundada pelo mar de lama. Inundada por um mar de lama. Infelizmente,
nós estamos prevendo isso, e não podemos negar para a população que
nós seremos atingidos, já estamos sendo e vamos ser atingidos
drasticamente nas próximas chuvas. E a população que, às vezes, recebe
informação não consegue nem digerir essa informação, porque a massa
crítica está dominada. Quem tem o poder de levar a informação correta
está deturpando, manipulando a informação em prol de recursos que às
vezes escusos, que a gente não sabe. Que vários acordos que foram
fechados para abrir a porteira, para esse empreendimento foram feitos
entre quatro paredes, em pequenas salas, com ar-condicionado, e a
população ficou alijada de decidir, de interferir... Isso que vocês estão
fazendo aqui é um exercício da democracia, né? Vocês estão lutando por
um direito que nós não tivemos esse direito.
É isso que eu queria falar, que nós somos solidários com os
problemas de vocês, porque nós estamos sentindo junto com vocês esses
problemas e sabemos muito bem o que é ser invadido como na época do
Brasil Colônia. As naus portuguesas chegaram, “os deuses estão
chegando”. Troca-se um espelhinho pelas matas, pelo ouro, aos deuses.
Nós vamos doar o mais precioso, que é a água. Eu troco toneladas de
montanhas de minério pelas nossas águas. Nós vamos doar, que nem
preço tem. Porque o minério ainda tem a Cefem, a compensação dos
royalties. E a água? A taxa condominial, os royalties da água, ele está
sendo discutido, [ininteligível 02:42:38] para a Bacia do Rio Doce, que
tem um órgão gestor... O Sandro pode nos falar melhor, que é a Ibio...
Nem se fosse ICMBio, do Chico Mendes. Mas é um “Bio” que a gente nem
sabe quem é o diretor.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É o pai do Eike Batista.
SR. CLAUDINEI ALVARENGA: É o pai? Então, nós estamos bem.
É isso que eu queria pontuar, relatar para vocês. Nós somos solidários e
gostaríamos também de ter uma reunião, de conclamar a comunidade,
para poder estar levando também para Dom Joaquim essa reunião, uma
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dessas reuniões, porque nós somos seres humanos e somos uma
comunidade para dizer irmãs. Geopoliticamente não pertencemos à
mesma cidade, mas somos muito próximos. Até os nossos sofrimentos
são iguais. Muito obrigado;
[palmas]
SR. LUCAS HENRIQUE: Boa noite a todos. Eu só lá da
comunidade de Dom Joaquim, comunidade Córrego da Cachoeira. Meu
comércio não é atingido...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Seu nome?
SR. LUCAS HENRIQUE: Lucas Henrique.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Sua comunidade.
SR. LUCAS HENRIQUE: Minha comunidade...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A sua comunidade vai ser
atingida através da barragem de Rejeito, que até o quilombola, né?
SR. LUCAS HENRIQUE: É, faço parte da comunidade quilombola.
Comunidade [ininteligível].
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível] vai atingir sua
comunidade lá, de quilombolas...
SR. LUCAS HENRIQUE: Exatamente. Hoje eu vim aqui na frente
para chamar atenção para uma coisa. Na hora que entrou, eu comentei
com a minha amiga ali, que eu contei basicamente umas 54 pessoas, e
eu... Pensando comigo, assim... Nem comentei com ela isso aí, não.
Olhando assim... Você me desculpa, Gilson, você é mais velho aqui. Não
estou chamando os senhores de velho, não. Não. Mas, quando vocês
tinham a minha idade... Eu estou com 18 anos. Vocês tinham planos,
sonhos, lutavam por esses sonhos e, hoje, estão aqui nessas reuniões
para tentar apenas viver o sonho que vocês construíram quando tinham a
minha idade. Agora, será que será preciso que vocês aí dessa idade
tentem... Além de lutar para viver o sonho que vocês construíram,
tenham de construir o sonho dos jovens da nossa região, como eu?
[palmas]
SR. LUCAS HENRIQUE: A Patrícia me convidou para vir na
reunião, eu... Eu estou morando em Conceição. Assim que eu saí do
Senai, eu fui para casa. Eu esqueci da reunião, né, Patrícia? Na hora que
ela chegou, eu estava com a bicicleta assim, no portão, para ir no banco.
“Patrícia, você espera só eu ir lá dentro?”. Fui lá, peguei minha blusa,
fechei o portão e vim. Poderia estar lá agora no Facebook, já tinha
jantado, tudo mais, tinha ido no banco. Tudo. Poderia estar lá, deitado na
cama lá, com o computador na frente. Ou, então, que simplesmente...
Estar atualizado e saber o que está acontecendo. Os nossos jovens, na
minha idade, não sabem nem que tem essa reunião. Se eles tivessem
aqui, poderiam estar lá no cantinho, mas pelo menos se tivesse aqui,
seria [ininteligível] muito mais. Por isso eu queria chamar atenção se
tivesse... Eu tento chamar mais a juventude, como eu, mas se pudessem
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também estar fazendo... Mais frequentes para eles saberem que isso está
acontecendo, saber o real motivo, para que eles não... Porque a
juventude como eu, a gente tem a mente um pouco, assim, fraca.
Exatamente. Sim.
[risos]
moço!
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Você não tem mente fraca não
SR. LUCAS HENRIQUE: Sim, exatamente, a mente fraca,
podendo acabar cedendo ao medo e à chantagem. O que acontece?
Mesmo que alguns saibam o que está acontecendo, ele pode não vir por
medo de chantagem, medo de alguma coisa, mas, se ele souber o real
motivo, saber que isso aqui não é luta de braço, saber que isso aqui é só
apenas um debate, ele vai vir, sim. Muitos não vêm pensando que é uma
guerra, que é uma luta de braço. Não, não sabe o que é um debate como
esse aqui, público, que todo mundo pode vim e se expressar. Isso aí que
eu queria chamar atenção. Muito obrigado.
[palmas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu queria
agradecer aos visitantes de Dom Joaquim e destacar: o secretário,
quando ele começou falando dos operários das obras, a gente que
trabalha com muitas questões difíceis, às vezes, tenta ver o outro como
inimigo, mas o operário que está lá... Eu sempre faço esse exercício de
entender ele numa perspectiva de direitos humanos. Ele também é
humano, ele é fruto de um processo. Não adianta ficar bravo com ele
porque ele não decide nada. Ele não decide nada.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Mas ele é a instância mais
próxima da gente.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sim.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Mas colaborador, ele tem de
ser de alguém, né?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Claro, claro.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Colabora não é com a gente.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não,
naturalmente, mas... A gente que trabalha nessa perspectiva de Direitos
Humanos... Assim, o outro também tem que ser levado a sério. Se
endemonizar(F) ele é a última coisa que a gente vai fazer. Isso é não
entender como é que o processo funciona, e eu fiquei muito
impressionado... O pessoal está lendo o processo politicamente. Então, o
caminho é por aí.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É esse apoio que a comunidade
está querendo do Poder Público nosso, aqui, municipal. A coragem que o
prefeito de Dom Joaquim teve. Essa coragem.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É, mas você viu
o que aconteceu com ele também?
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ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, mas só que ele teve
coragem. Ele agiu.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Gente, agora,
vamos... Tentar ficar atento à pauta, aqui. O João Vitor, meu grande
amigo, aqui, hoje, falou que já são nove horas. Me cobrou aqui: “Luiz,
você falou que nove horas era partir para os encaminhamentos”. Me
perguntando aqui que horas são.
Então, vamos tentar cumprir o que a gente se propôs, que é cada
comunidade, que a gente já registrou muitas coisas, dizer o que
atualmente aconteceu das últimas reuniões para cá. Muita coisa todo
mundo já conhece, quem acompanha as reuniões já conhecem.
SR. ROBERTO: Boa noite. Meu nome é Roberto. Eu sou, assim, da
comunidade do Beco, mas também do Quatis. O que é... Eu falo
comunidade do Beco e Quatis. Eu tive uma certa até confusão com
relação a isso, porque o Beco, ele é uma parte do Quatis. Então, eu sou
coerdeiro de uma parte do Quatis, que a gente ficou lá... A gente é
chamado [ininteligível] do Beco. Então, eu estou ali no Beco, mas eu
tenho, assim, um forte apreço mesmo ao Quatis. Eu tenho acompanhado
as reuniões, e, na última reunião que teve em Conceição, eu fiquei um
pouco assim até estarrecido em ver a tranquilidade dos... Vamos dizer
assim, dos diretores que estavam lá da empresa. Por que eu fiquei
estarrecido com relação a isso? Muitas coisas foram ditas, e eles se
colocaram em uma posição de tranquilidade, ficaram tranquilos. E as
perguntas eram feitas para eles, e eles respondiam simplesmente com:
“Não estamos fazendo nada errado”. Eu estava ali prestando atenção, e
eles falando: “Não estamos fazendo nada errado”. Para eles, as
documentações estão em dias; para eles, as orientações estão em dias.
Todos os órgãos... Eu já falei isso na primeira reunião. Todos os órgãos
que são responsáveis por emitir para eles as licenças estão trabalhando
dentro da lei. Estão trabalhando corretamente. Então, para eles, eles
estão tranquilos. E, quando eu levei para eles lá na reunião uma
demonstração que a empresa já está com uma parcela bem alta dos seus
projetos implantados, até o próprio dirigente da palestra disse: “Não,
todo mundo está sabendo disso”. Eu contestei essa fala dele, que todo
mundo está sabendo disso. Quando eu cheguei lá com a relação disso, eu
estava indo com uma relação de 65% de realização da obra deles. Ou
seja, a empresa, ela está com 65%... Hoje eu não vou precisar isso, mas,
naquele dia, era uma notícia nova. Eles estavam com 65% de
implantação do sistema deles. Ou seja, eu me senti um tanto quanto
inválido, impróprio para poder pedir o que eu ouvi aqui, hoje: a
paralisação da obra. Não que isso não possa acontecer, mas, como
também o Sandro disse aqui, a gente pautando um pouco em cima dos
conhecimentos das leis, das normas, eu posso externar para vocês que é
uma coisa quase que impossível, paralisar. Pode, sim, vamos dizer assim,
fechar o portão por um dia, uma semana, um mês, mas essa obra... Eu
tenho comigo que essa obra não será paralisada por tempo maior que o
necessário para que algum órgão libere esta obra novamente. Então, eu
vi aqui a cobrança da prefeitura, a cobrança do secretário, a cobrança de
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quase todos aqueles ligados aqui... Vamos dizer, até mais próximos aqui.
Mas, de novo, eu tenho que ressaltar que nós, Brasil, temos uma
legislação forte na questão ambiental. Nós temos uma Constituição.
Como eu disse da primeira vez, quiçá é o único país do mundo que tem
em sua Constituição um artigo que fala diretamente sobre meio
ambiente. Por que está falando sobre meio ambiente? Todo mundo pensa
que meio ambiente é simplesmente a água... Eu estou falando
“simplesmente água” não é para colocar a água como pejorativo, não. É
um fator principal. Mas a gente pensa sobre meio ambiente, a gente
pensa sobre a água, sobre o ar, sobre as montanhas, sobre as florestas,
mas a gente esquece o ser humano, que é o principal disso aí tudo,
porque isso aí tudo é que vai fazer com que seja... Que tenha a
existência disso aqui, olha, do ser humano. Do que adiantaria água,
montanhas, rios, árvores, peixes, pássaros, se não estivesse à existência
do ser humano? Aí, a gente fala hoje uma palavra comum,
“sustentabilidade”. Bonita a palavra “sustentabilidade”. O que é
sustentabilidade? Ah, é usar sem que a geração futura tenha necessidade
ou fique escassa daquilo. Tá, mas o que é escassez disso? Escassez disso
é a escassez que está acontecendo hoje, escassez de água. Porque,
quando a gente usa água, a gente paga um preço caro por isso. Então,
por exemplo, eu estou lá em Belo Horizonte, aí eu estou sendo afetado
pela mineradora aqui. Será? Será que eu não estou sendo afetado lá?
“Ah, não, mas quem está sendo afetado é quem mora aqui no Sapo”.
Vamos começar assim, gente: eu cheguei hoje de Belo Horizonte... Eu
vou rapidinho.
A entrada em Conceição, hoje, foi triunfal. Nunca vi tanto carro em
cidadezinha tão pequena. Parecia piada. Então, quer dizer, o que eu
estou querendo dizer com isso? O que eu estou querendo dizer com isso
é que nós estamos brigando pelo Sapo, pelo Beco, pela Mombaça, mas
Conceição também está ruim. Está tudo ruim. Então, o que eu quero
dizer com isso? Não é questão simplesmente de prefeitura. Tem outros
órgãos. Cadê o Ibama? Eu, até hoje, em reunião nenhuma, eu vi um
representante do Ibama. Eu falo: eu não vi um representante do Ibama,
gente. Não estou falando que o Ibama é totalmente responsável por isso,
mas cadê um representante do Ibama? “Ah, o Ministério Público está
aqui”. Ótimo! Eu falei isso com a Dra. Silmara, que veio. Eu perguntei
para ela: “Cadê um representante do Ibama, do IEF, do Igam, da ANA?”.
São os órgãos responsáveis pelos, vamos dizer assim, atributos... Vamos
dizer assim, os nossos atributos minerais, vegetais, e por isso eu falo:
“Cadê eles, que não aparecem?”. Assim, não estou falando que eles vão
chegar e vão resolver o problema, mas eles deveriam dar uma explicação
para a população por que tal licença foi feita. Eu perguntei sobre a
avaliação de impactos ambientais. Bom, a população foi perguntada
sobre isso. “O que vocês vão ser afetados, o que isso aqui vai trazer de
benefício, o que isso aqui vai prejudicar vocês?”. A população não foi
perguntada dessa forma. Passaram lá... Vou... Passaram lá na casa da
minha tia, 92 anos, passaram na casa do meu outro, 70. Querem a
empresa... “Como é que vocês estão?”... Isso, isso, isso. Eles... Para
eles, era simplesmente, gente, uma coisa comum e pronto.
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Agora, vamos para os [ininteligível 02:56:08], né? Hoje.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu queria,
assim... Nós tínhamos proposto na pauta para as comunidades atualizar
o que está acontecendo.
SR. ROBERTO: Vou para agora. Comunidade do Beco. Foi falado
aqui sobre os dejetos que são lançados nas estradas para poder molhar
as ruas. Isso aí aconteceu realmente no beco. Estavam tirando ali os
dejetos das fossas, e era para ser levado para determinados locais, e os
funcionários, segundo o que me informaram, os funcionários, às vezes
até sem... Não estou defendendo a firma. Sem o conhecimento e sem o
policiamento, a vigília da empresa. Estavam fazendo a colocação desses
dejetos nas estradas, ou seja, molhando as estradas com esses dejetos.
Inclusive isso foi visto pelos moradores e foi paralisado isso, por questão
de estar sendo jogado esse dejeto lá. Fato real, fato verídico, que foi feito
essa paralisação mesmo. Hoje... O grande problema do Beco, hoje, é a
falácia sobre a implantação de um alojamento na região ali do Beco. A
empresa comprou um terreno abaixo, pouco abaixo, assim, da casa da
gente, do terreno da gente, comprou isso lá. Na realidade, o intuito dessa
compra era para colocar alguns moradores que iriam ser retirados de
outras áreas, só que, agora, eles estão com a ideia e a, vamos dizer
assim, implantação desse alojamento lá. É o que está assustando a
população. Já é uma população mais idosa, vamos dizer assim, e, vai
mudar totalmente a rotina, como já vem mudando. Até o fato de terem
consertado estrada lá, coisa rara de acontecer, do jeito que foi. Não que
não consertassem a estrada, mas, do jeito que foi. A estrada está
“cascalhada”. Isso está levando para eles um tremendo medo, porque
está se falando justamente que essa estrada foi consertada com a
finalidade de se implantar esse alojamento nesse local. Então, hoje, nós
estamos aqui relatando a necessidade de verificação da veracidade da
implantação desse alojamento nesse local.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA:
Roberto
Obrigado,
SR. SANDRO LAGE: Deixa eu só perguntar: a umectação... A
umectação você tem certeza... Porque tem um... Realmente, o... A água
tratada... Depois que ela passa no tratamento da ETE, ela pode ser usada
para umectação de vias. Aí, tem que conferir se a água é está daí, que aí
ela tem aí cerca de 92% de eficiência e tal. Depois que ela é tratada pela
ETE, aí ela pode ser usada em umectação de vias. Tá? Só isso.
SR. ROBERTO: Sandro, eu questionei esse fator...
SR. SANDRO LAGE: Mas eu não tenho informação se é ou não.
SR. ROBERTO: Eu questionei esse fator. Eu falei assim: “Não, a
água, depois que ela é passada por um processo de purificação, eles
tiram certa quantidade, e isso aí pode ser jogado tranquilamente”. Se eu
falar assim, “Não, não era”. Por que não era? Porque nós chegamos lá,
eles barraram o caminhão. Inclusive eu fiquei sabendo que os
funcionários que estavam levando... Eu fiquei sabendo que os
funcionários que estavam fazendo essa liberação desses dejetos na
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estrada, lá, eles estavam sem autorização da firma para isso. A firma
pagava eles para levar o dejeto para outro lugar, e eles, com aquela
situação de economizar o combustível, o tempo, essas coisas todas... Era
um trabalho, assim, escuso da firma. Então, tanto que eu fiquei sabendo
que foram, inclusive, inclusive, demitidos. Foi o que eu fiquei sabendo,
que foram demitidos por esse motivo.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sandro, só
dentro disso, de tratamento de esgoto, tem determinação da Supram de
se fazer a análise do esgoto, antes de ser tratado, e logicamente depois
para ver essa eficiência. Tem como, no caso, a Secretaria de Meio
Ambiente estar acompanhando isso? Pelo que a empresa e a Supram
fala, está tudo dentro da normalidade; pelo que a comunidade fala, não
está. E de, além de fazer essa análise do que está sendo apresentado
pela Supram Anglo...
[risos]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tem como,
talvez, a Secretaria, ou, às vezes junto até com o Ministério Público de
fazer essa averiguação, entendeu, não só acreditando nos resultados que
foram apresentados, porque a comunidade, “a voz do povo é a voz de
Deus”, não vê esse tratamento dessa maneira.
SR. SANDRO LAGE: Com relação a... Parece que eles têm que
periodicamente informar mesmo esses resultados. Eles são informações,
até então, ditas pela Supram como públicas. Qualquer um pode
requisitar. Talvez a Secretaria de Meio Ambiente tenha mais... Não
acredito a de Conceição de Mato Dentro, mas tenha mais facilidade de
fazer esse pedido para a Supram. Encaminha para a gente, que a gente
pede para eles. Mas a sensação que eu tenho pessoalmente... Aí eu estou
falando pessoalmente. A sensação que eu tenho com relação a Supram
Jequitinhonha, que é a que eu relaciono, é de muita má vontade com a
gente. Eles acham que eles estão fazendo o maior favor do mundo e que
já fizeram demais por Conceição e que realmente... Essa é a sensação
que eu tenho, tá, gente? E eu acredito que vocês compartilham ela
também.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sr. Antonio
Pimenta, da Ferrugem.
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Boa noite a todos. Meu
nome é Antonio da Silva Pimenta. Eu gostaria de fazer uma pergunta
aqui, para o Sandro. É a respeito de uma denúncia que o Lúcio, meu
irmão, fez a respeito da água, dessa água que o Zé Pepino falou, que é a
cabeceira do Pereira, e ficaram de dar uma decisão hoje, e, eu aguardei
lá o dia inteiro e não apareceram. Se apareceu, foi na parte da tarde, que
eu saí. Eu gostaria que o Sandro me explicasse por que a água continua
suja, a mesma coisa.
SR. SANDRO LAGE: Sr. Antônio... Não, Sr. Antônio é seu irmão?
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Lúcio.
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SR. SANDRO LAGE: Lúcio. Sr. Antonio, nós chegamos de lá vindo
de lá. Às cinco horas a gente estava lá, e, de lá, nós viemos para cá, para
a reunião. Eles fizeram... Na verdade, a denúncia deles é com relação a
um dique que tem em cima da propriedade, a montante da propriedade
deles, e realmente há uma movimentação grande de terra. O dique é
como se fosse a barragem.
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: De rejeito...
SR. SANDRO LAGE: Menor, né? E, guardadas as proporções,
como se fosse a barragem. E aí muita movimentação de terra, muitos
[ininteligível 03:03:41]. Tivemos lá na semana passada. Constatamos
que, acima das obras, a água estava cristalina, em uma situação de
qualidade boa, e que abaixo da... A jusante dessas obras realmente
estava na situação que o senhor comentou. Voltamos lá hoje, a situação
melhorou um pouco, porque o tempo... Em uma semana é muito pouco
tempo para se fazer essa limpeza, mas a parte de cima, onde que está
ocorrendo a obra.
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Que obra?
SR. SANDRO LAGE: É uma obra do dique. Inclusive tem uma
acondicionante, é uma das primeiras que eles estão correndo, loucos
para terminar. Então, é a do dique, de contenção de fina(F). O objetivo
do dique é justamente segurar os finos mesmo para melhorar.
2009.
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: E era para estar pronta em
SR. SANDRO LAGE: Sim, sim.
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Foi pedido em 2009, diga-se
de passagem.
SR. SANDRO LAGE: Então, essa movimentação toda de terra, eu
falo que eles pecam por uns detalhes assim, cara, que... Eu não sei se
isso é pensamento de grande, gente... Eles são tão grandes que eles
pecam nuns detalhes bobos. Então, aí foi feito uma paliçadas com uma
contenção, que eles chamam de [ininteligível03:04:55]. É como se fosse
um pano. Faz um papel de um filtro. Foram feitos três paliçadas. Que,
pontualmente, ali, deu uma amenizada na situação. Aí eu desci lá
naquela água que você me mostrou. Desci lá. Essa água, ela não está no
aspecto que estava na semana passada ainda, mas o fundo dela está do
mesmo jeito. A senhora falou aqui. Por cima, ela está um pouquinho
melhor. Por cima ela está um pouquinho melhor, mas o sedimento, que
está todo no fundo, ele vai demorar ainda um pouco para limpar, porque
tudo isso que desceu... Com as primeiras chuvas que vai dar uma lavada
nisso.
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Vai estourar mais. A terra
que está [ininteligível] lá dentro.
SR. SANDRO LAGE: É muito difícil porque...
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Se for mais 90 dias, não vai
ter água no Pereira.
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SR. SANDRO LAGE: É muito difícil porque a condição que ele
tinha, ele não vai ter...
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Desde a reunião de
Diamantina, já tem quase um mês que está fazendo lama, lama.
ORADOR NÃO
esclarecer...
IDENTIFICADO:
Sandro,
só
para
a
gente
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: A hora que a chuva começar
é que vai atolar. Ferrugem.
SR. SANDRO LAGE: Essa água está acima da divisa dele com a
Anglo. Ele faz uma divisa com a Anglo. Então, ele está... Ali, qual que é
aquele córrego? É afluente do Pereira, isso.
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: É lá mesmo. Lá não tem
recuo, não. Lá é só Deus.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu gostaria de ter um pouquinho
de esperança dessa empresa, ou de meio ambiente, mas, sinceramente,
eu não acredito em mais nada disso.
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Lá já era, Sandro. É só Deus
[ininteligível03:06:25]. É só Deus.
SR. SANDRO LAGE: Realmente a condição ainda vai demorar. A
condição que ele tinha antes vai demorar. Agora, não detectamos a
questão de óleo. Tá? O que foi...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A hora que o minério for
embora, aí...
SR. SANDRO LAGE: Não, detectamos muito minério lá embaixo e
muito sedimento.
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Na outra geração, Sandro.
Na outra geração. Eu mudo meu nome. Na outra geração.
SR. SANDRO LAGE: Fui eu, o Ricardo, nós chamamos o pessoal
do Meio Ambiente deles para acompanhar a gente. No primeiro dia, a
gente até entrou sem EPI, sem nada, fomos seguindo o rastro da sujeira
e acabamos entrando na obra deles. Causou um tumulto lá um
pouquinho. Hoje nós voltamos lá, acompanhado do pessoal do Meio
Ambiente. Hoje estava o Leonardo... Leonardo Mitre. Dimitri é ótimo. E o
pessoal... A equipe de Meio Ambiente deles acompanhando. E eles têm a
relação... O pessoal da implantação. É fiscalizado pelo pessoal do Meio
Ambiente. Então, é bom, a gente junta todo mundo, que aí eles se
resolvem lá.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Vocês vão fazer alguma coisa?
SR. SANDRO LAGE: Oi?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Vocês vão fazer um laudo,
alguma coisa?
SR. SANDRO LAGE: Bom, tem um relatório que a gente faz, mas
é fotográfico, tal, e a gente pode passar para vocês.
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ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Foi lá hoje, Sandro?
SR. SANDRO LAGE: Eu estou é sem foto aqui, que eu podia
mostrar.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Você foi lá hoje?
SR. SANDRO LAGE: Estive lá hoje. Eu cheguei de lá.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Foi de botina ou tênis?
[falas sobrepostas]
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Sandro, vai a turma descer
no Ribeirão para ver o que as propriedades...
SR. SANDRO LAGE: Descendo ali e eu chego em você?
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Chega, chega, se não
atolar.
SR. SANDRO LAGE: Que eu quero chegar em você, eu quero
chegar em você.
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Você tem que ir lá ver e
levar eles. E levar o chefe da Anglo [ininteligível].
SR. SANDRO LAGE: Não, vamos marcar, que agora...
[falas sobrepostas]
SR. SANDRO LAGE: Agora eu estou com equipe.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, podemos
colocar como encaminhamento, que você vai mandar o relatório para o
Dr. Marcelo dessa vistoria lá. Beleza. Me ajuda, a anotando aí, o
encaminhamento? Tá? Ô, Antonio, fala um pouco mais da Ferrugem para
nós. A gente queria saber por comunidade como é que está.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Mais problemas ou soluções.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tem o problema
da água, que o senhor pode passar...
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: O problema da Ferrugem,
ele começou desde o princípio, continua a mesma coisa. Eu sempre falo
que essa empresa começou e continua. Ela mata um leão por dia. Cada
dia que ela tira um morador enfraquece o grupo. E ela continua a mesma
coisa, e eu vejo pouca coisa assim... Eu vejo até que às vezes muito é
feito, mas eu não vejo quase nenhum... De nada.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: O senhor está
sozinho lá, como é que está? Quem saiu, quem está lá?
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: É, tem uma turma que já
estava começando a negociação deles. Eles estão falando que agora,
nesse mês e pouco, vai retirar essas pessoas. Lá na Ferrugem está
ficando eu e a Ana, no caso, sem negociação.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Ana, sua irmã?
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SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Minha irmã está
negociando. Não, eu falo... Tem um pessoal que está lá ainda, que é o
[ininteligível 03:09:36]. Mas, na Ferrugem, no meu grupinho... Assim, na
minha... Porque eles estão... É divida a Ferrugem. No caso, é dividida.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é, mas o
senhor está lá?
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Eu estou lá.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Foi procurado,
como é que é?
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Eu fui procurado. Eles
fizeram o meu cadastro. Mas, por fazer cadastro só, eu não sento, fico
acomodado, não. Eu continuo cobrando os meus direitos.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Claro, por favor.
SR. JOÃO DA SILVA PIMENTA: Meu nome é João da Silva
Pimenta. Também sou da Ferrugem e também da Água Santa, que eu fui
criado e nascido. Em Água Santa, criado. Mas aí o problema da água é o
seguinte: eu também estou sem água. Não tem água, estou comprando
água para beber. Não estou tendo água para os meus animais. Inclusive,
essa água lá é a única que nós estávamos tendo para salvar o problema.
Agora, já virou outro problema. Que as nossas nascentes estão todas
atingidas, porque tem acampamento em cima, alojamento em cima de
todas as nascentes e tem muita coisa lá, que eles falam que não pode
fazer as coisas no mato, mas faz. Tudo...
SR. LUIZ
Ferrugem?
TARCIZIO
GONZAGA
DE
OLIVEIRA:
Isso
na
SR. JOÃO DA SILVA PIMENTA: Isso faz parte da Ferrugem. Tem
alojamento. Eu moro também na beiradinha da estrada, onde que está o
acampamento daquela modelo, aí passa beirando, na porta lá de casa, e
tem muita poeira. Agora eles estão jogando uma aguinha despistada lá,
mas não está apagando a poeira, não. Nós já pediu várias vezes e está
muito prejudicado, não tem água. Muito tempo que não tem água para
beber. Estou contando... Água, agora, nem para os animais não está
tendo. Eu já perdi muita criação(F), já tive muito prejuízo. Eles já foram
lá olhar a nossa água, mas não resolveram nada. A água está lá... Para
pegar, não serve. Nem os animais não estão querendo beber ela mais.
SR. SANDRO LAGE: Fica perto do senhor, lá?
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: É perto do Lúcio.
SR. JOÃO DA SILVA PIMENTA: Que lá nós tinha uma nascente,
dentro do nosso terreno. Está tudo poluído na nascente. E, quando
chove, a terra dos alojamentos desce tudo para dentro dessa barragem.
Não tem água mais.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível] dique de proteção
de fino, Sandro?
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SR. SANDRO LAGE: É a mesma água do dique, né? É a mesma
água do senhor lá?
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: É a mesma.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E a do [ininteligível] que é suja
pela estrada, pelo DR, porque aumentou o fluxo.
SR. JOÃO DA SILVA PIMENTA: É, o DR e os alojamentos. Desce
tudo dentro da nascente, nossa água. Nós não temos nascente de água
mais. Acabou. E já tem tempo que eu estou pedindo e estou reclamando.
Aí não aguenta mais, não. Tem que comprar água. Eu estou comprando
água para beber ha muito tempo.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Deve ser por isso. Um dos
conselheiros que defende bem a Anglo lá no [ininteligível] é do DR.
SR. JOÃO DA SILVA PIMENTA: Eu queria que o Meio Ambiente
olhasse o tomasse uma decisão séria com isso, porque eu não tenho
água mais. Eu e minha família e todo mundo que mora lá.
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Já teve denúncia ambiental,
e na polícia ambiental, também, foram lá, tirar foto, só que até hoje...
SR. SANDRO LAGE: O senhor está próximo do Zé Pepino
também?
SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Não, eu estou na cabeceira,
eu estou na cabeceira da... Eu estou na Ferrugem. Eu estou acima do
Pereira. Eu estou acima do Pereira, uma casinha que tem na beirada da
descida, que vai lá para o rio que você foi... Ali na [ininteligível
03:12:36], descendo para [ininteligível], eu estou na beiradinha da
estrada.
[falas sobrepostas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sandro, Dr.
Marcelo, eu estou pensando em um encaminhamento aqui dessas... Esse
dique de contenção de finos e essas águas que estão faltando. Será que a
prefeitura não faz um laudo para nós, uma diligência de campo, de ver...
Dos usos tradicionais da água por ali. Agora, quem está faltando água...
Isso que eles estão relatando aqui.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: A prefeitura esteve lá também.
Está por dentro de tudo. A prefeitura e o meio ambiente junto.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Você acha que é
possível?
SR. SANDRO LAGE: Eu não tenho como fazer algo muito
complexo, muito... Mais um levantamento dos usos do pessoal ali,
descendo aquele córrego, então. Seria descendo esse córrego ali, a gente
faz o percurso e cadastra todos os usos, seria isso?
[falas sobrepostas]
SR. SANDRO LAGE: Tá. Eu, de bate, pronto, assim, eu estou com
dificuldade, porque, agora, eu estou com uma equipe, eu acho que a
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gente consegue, sim, fazer esse trabalho, mas eu estou com dificuldade
de marcar uma data agora. Mas isso eu quer...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: O trabalho já é
conhecido, né? Só tem que agir, porque conhecido já é.
SR. SANDRO LAGE: Não, a situação é. Mas agora é o seguinte: é
gerar o documento, né? A gente tentar gerar um relatório... O que você
falou... É um relatório.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Fazer um
levantamento das condições.
SR. SANDRO LAGE: Isso, um levantamento. Agora a gente tem
mais gás. Antes eu estava sozinho; agora eu estou com uma equipe. Vou
até apresentar ali, o Bernardo está ali atrás, nosso analista ambiental.
Então, ele tem dado... Tá, gente? E agora a gente está com essa
disponibilidade. Estamos com um veículo também que chegou. O pessoal
bateu muito. Não é doação, é pagamento de dívida com dois anos de
atraso né? Que é...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É o que saiu o retratinho?
SR. SANDRO LAGE: Oi?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É o que saiu com retratinho?
SR. SANDRO LAGE: É, esse retrato deu um problema.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, tá certo.
É...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Só levantar a mão, gente.
SR. LÚCIO GUERRA JÚNIOR: Boa noite. Lúcio Guerra Júnior.
Comunidade Passa Sete, viu, Flávio? Não falou ainda, não. Aproveitando
a fala de todos aqui e relembrando uma reunião que teve nesse mesmo
ambiente, aqui... Eu creio que seja em 2009. De lá para cá, os problemas
relatados naquela oportunidade, e hoje relatados aqui são os mesmos. A
invasão de propriedade. Naquela época, foi falado daqui... Era recente o
caso da prisão do Antônio. A família dele está impedida. A invasão de
propriedade aqui está junto com o direito de ir e vir. Tem a fala da D.
Rita também na reunião, já reclamando em relação à negociação, ao
enfrentamento da família dela com a Anglo, de venda ou não, que até
hoje persiste de se resolver. Tem a questão que eu fiz a pergunta, aqui,
para o Sandro, para o Ricardinho, que foi bastante debatida naquela
reunião que... Em relação ao Sapo. Foi até uma transparência que o
Maurício Martins, na época, chegou a colocar aqui: e o Sapo fica ou não?
Ele falou que, a princípio, não. O que seria esse “a princípio”? Que seria
uma coisa que vai, de certa forma, ao encontro ao que o Sandro falou.
Que seria a partir de uma conversa da comunidade, de um entendimento
da comunidade, da comunidade espernear, brigar, para querer acontecer
isso, porque, se depender deles, eles vão infernizar a vida de cada um
aqui, até o último, até o último grão de suspiro de vida, igual tem feito o
resto das pessoas aí atingidas. Mas o Sapo está num futuro próspero.
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SR. SANDRO LAGE: Isso é modus operandi. Toda mineração.
SR. LÚCIO GUERRA JÚNIOR: Pois é, Sandro, mas, de certa
forma, a sociedade está clamando por mudanças, em todos os aspectos.
Aspectos econômicos, aspectos morais, de condutas de políticos. Então,
esse fato consumado, dessa maneira, eu acho que a gente não pode
aceitar. Ou eles fazem... Que se façam como eles fazem a propaganda
deles, que estão fazendo tudo direito, ou então não façam, viram as
costas e vão embora porque eles não têm capacidade para fazer. E isso é
uma fala até do Dr. André. Uma empresa que não teve a capacidade de
recuperar uns pequenos... Umas pequenas estradas para fazer
sondagem, na época, lá em 2008, vai ter capacidade para fazer recuperar
um dano bem maior que vem no futuro?
Então doutor inclusive aqui. Também vou deixar esse CD com o
senhor. Eu já tinha comentado em relação a ele. Está aqui essa reunião,
e que os problemas que estão... Que a gente está assistindo aqui são os
mesmos que estão apontados aqui, em 2009. Então, a comunidade
continua com todos os seus problemas sem resolver. Resolvendo à conta
gota. Está lá o pessoal... O pessoal da Ferrugem é emergencial, ainda
tem gente lá sem ser reassentado, e o senhor sabe muito bem que quem
está sendo reassentado, quem está ficando livre, querendo ver o negócio
pelas costas, ainda está levando muito problema para frente. Então, é
isso que a gente não quer, não deseja. Viu Sandro? A comunidade do
Sapo ainda não pediu, não deu o aval para a prefeitura, para o ente
municipal tomar as dores e começar a pleitear essa mudança. E isso vai
depender, viu Sandro... Vocês estavam nessa reunião e realmente você
falou: “Gente, a comunidade aqui que vai ter que falar. Nós queremos
saber. Nós vamos pôr esse pessoal na parede. Queremos saber qual vai
ser a solução do Sapo”. Quem é atingido e quem não é, viu Ricardo?
Naquela reunião, a gente não tinha essa determinação e que se continua
até hoje. Mas, de certa forma, Sandro, nós acabamos de dar o aval aqui,
Sr. Zé Pepino, o Antônio, eu estou te dando o aval para que se faça uma
correção do que está acontecendo com os rios, com a população que está
lá. Ainda no Sapo ainda não chegou. No Sapo, ainda não chegou o dano
que vai vir. Então, eles... Viu, Sandro, você que falou que está
retomando. Então, que retome a consciência do que a comunidade vai
querer fazer, do que ela vai querer para o futuro dela e da vida dela,
porque, se depender de empresa, não vai acontecer nada. Vocês vão
ficar aqui, enterrados na poeira e no barulho. Porque a empresa não tem
respostas. Eu lembro... Está no vídeo, doutor. A Ludmila pergunta para o
Maurício.
SR. SANDRO LAGE: Eu acho que ela tem resposta, ela não quer é
falar a resposta dela.
SR. LÚCIO GUERRA JÚNIOR: Pois é, está ali, Sandro.
SR. SANDRO LAGE: Não, mas a respostas dela está divulgada,
gente, no estudo, no EIA/Rima. Ela teve coragem de colocar alguns
buffers(F), que a gente chama de buffers(F). Então, ela simplesmente,
ela conseguiu tirar o Sapo da área de influência direta dela. Então, é uma
técnica computacional que eles conseguiram fazer e coloca a gente a 600
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metros, aqui, de uma lata de milho que tecnicamente passou, mas, de
fato, esse impacto vai existir ou não? Isso aí é uma coisa que é
questionável. Não é nem uma situação ainda que os técnicos, hoje,
olhem e falem assim: “Olha, vai ter impacto”. Essa é a situação que tem.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, mas o impacto já tem
desde quando eles chegaram.
SR. SANDRO LAGE: Não, é porque tem uma diferença do direto,
do indireto, de uma influência direta, influência... Então, vocês aqui não
estão como... Impactados diretamente.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu estava aqui quando o Eike
Batista chegou aqui em cima de um platô, para fazer um belo coquetel
rodeado de pessoas e desceu aqui a serra, montado em várias
caminhonetes blindadas. Era um carro com um francês, um carro com
segurança; um carro com japonês, outro com segurança. Eu estava aqui
no Sapo. Eu me senti um índio lá no meio da África, e eles fazendo safári.
Então, ali já começou o impacto em cima do povo aqui do Sapo, porque
eles montaram um bufê lá em cima. Não sei se algum de vocês tem esse
conhecimento, de um platô que tem lá em cima, bem grande. Trouxeram
uma estrutura de Belo Horizonte, ou de São Paulo, ou do Rio, montaram
tudo. Desceram vários helicópteros lá e fizeram uma bela festa, e,
depois, apresentou aqui embaixo como uma aldeia qualquer, aí, falando
que a gente era índios, né? Eu me senti um índio lá no meio da África,
um sei lá o quê, e o pessoal fazendo safári ali perto de mim. Aquilo ali,
para mim, já foi um impacto terrível. Eu me senti impactado ali, naquele
momento, porque eu já sabia que... De tudo que estava acontecendo.
Porque, quando eles fizeram a primeira reunião aqui no Sapo e falaram
que talvez chegaria um processo de mineração, eu falei para um dos
diretores da Anglo que... Da Anglo não; da MMX. Que já seria um
processo grande, que já estaria certo de chegar aqui. Então, esse já é um
impacto total que nós já estamos tendo aqui. Ok?
SR. LÚCIO GUERRA JÚNIOR: E é justamente isso que a Sandra,
na reunião, chegou e falou, que o Maurício estava falando: “Não, mas
isso é daqui a dez anos”. “Uai, mas nós já estamos sofrendo com o
impacto, já estamos com a poeira, com a água suja”, entendeu? “Ah,
não, mas nós estamos começando a discutir agora”. Aquela ensebação
que o Maurício ganha; para fazer isso, e faz, né? De certa forma, muito
bem. Não sei até quando que essa empresa vai conseguir enganar as
pessoas da maneira. E, só para encerrar, porque inclusive foi falado aqui,
também... O Gilson, né? Da incerteza que persiste na vida de cada um.
Então, da comunidade do Sapo, da comunidade do Beco, da comunidade
da Ferrugem, de todas as comunidades, e é isso que é o mais cruel,
talvez, que eles sabem do que está para acontecer e a magnitude do que
vai acontecer, mas a crueldade é tanto que não é transmitido para as
pessoas, porque, senão, haveria uma revolução, e a gente pede que cada
um que está aqui, que pense, realmente, o que cada um pode fazer para,
sabe, mudar essa história, e a gente saí sempre contando aí com o apoio
do Ministério Público nessa questão.
Obrigado.
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[palmas]
vou...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pessoal, eu
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu queria saber o seguinte: em
Água Quente, por que só o Matu(F), diz que é só ele que é atingido lá? O
Matuzinho(F). Ele está no meio da Água Quente, no meio de todo mundo.
Outra... Outra coisa que eu estou querendo saber. O João Moreira é meu
vizinho lá em casa. Por que só ele que foi atingido também? Ele é meu
vizinho. Mora pertinho lá de casa. E nós... Diz que nós não somos
atingidos. É só isso, muito obrigado.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Como é que chama seu
vizinho?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Hã?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Como é que chama seu
vizinho?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, é Sr. João e dona...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Sr. João e a Olindina(F), ali.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Aqui, olha, gente, ele queria até
falar aqui.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sr. João, pode...
Assim, se o senhor quiser falar, fique à vontade.
SR. JOÃO: Não, é porque [ininteligível 03:26:38] lá.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Como é que ele chama, Gilson?
SR. GILSON: Qual é o nome do senhor?
SR. JOÃO: João Martins(F).
SR. GILSON: Eles colocaram o senhor onde?
SR. JOÃO: Lá na...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Lá em [ininteligível].
SR. JOÃO:
[ininteligível].
Lá
perto
do
rio.
Trinta
quilômetros.
Fazenda
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O senhor está gostando de lá,
Sr. João?
SR. JOÃO: Eu estou gostando, mas queria voltar para cá. Lá a
gente planta as coisas, não dá. Não está dando [ininteligível] de coisa
nada.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Lá é Pedra Pura(F), né?
SR. JOÃO: Pedra Pura(F), eu conheço lá.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É a terra do senhor que o
senhor plantava?
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SR. JOÃO: A terra era boa, tem feijão lá. [ininteligível] comer, né?
Está lá [ininteligível]. Eu levei daqui para lá.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Vendia de tudo lá na roça.
arroz.
SR. JOÃO: Eu não entendi. Tinha café que eu levei daí, tinha
SR. GILSON: Qual o tamanho do terreno do senhor, lá?
SR. JOÃO: Hã?
SR. GILSON: Qual é o tamanho do terreno?
SR. JOÃO: Eles deram 25 hectares.
SR. GILSON: Deram ao senhor documento?
SR. JOÃO: Não, documento não. O terreno lá é 38, mas
[ininteligível] é só 25.
SR. GILSON: E a casa é boa?
SR. JOÃO: Não, a casa era de um menino, aí reformaram tudo.
[ininteligível] mora na casa.
SR. GILSON: E tem água lá?
SR. JOÃO: Tem nada. A água é de poço. Lá eles querem matar a
gente de... Acabou [ininteligível].
SR. GILSON: Mas quem assinou a documentação para o senhor
foi o senhor mesmo?
SR. JOÃO: Hã?
SR. GILSON: Quem assinou a documentação foi o senhor mesmo?
SR. JOÃO: Não, eles lá que arrumou lá, foi...
SR. GILSON: Quem?
SR. JOÃO: Eles fizeram negócio com meu irmão que morreu. Não
foi comigo, não.
SR. GILSON: Ué, o seu irmão estava morto e eles fizeram negócio
com ele?
SR. JOÃO: Não. Antes de ele morrer. Antes de ele morrer, fizeram
o negócio. Ele nem participou [ininteligível]. Estava lá em casa e não
participou em nada. [ininteligível] estive na casa do...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: A situação do Sr. João eu
acompanhei porque fui eu que cuidei do Sapo.
SR. JOÃO: Aí eles não mandou avisar, não me avisaram lá, não.
SR. GILSON: Foi a Tereza que ficou montada em cima?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Morreu de paixão(F).
SR. JOÃO: É mistério, aqueles negócios todos.
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SR. SANDRO LAGE: É, a situação dele realmente é uma coisa
que...
[falas sobrepostas]
SR. GILSON: Gente, a gente conhece...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, deixa eu só falar um
pouquinho sobre isso porque eu nunca tive a oportunidade de falar sobre
a situação dessa família.
Quando eles fizeram negociação, eles tiraram o Sr. Adão lá da casa
deles e trouxeram aqui para uma casinha do meu irmão, aqui embaixo, e
colocaram ele aqui mais Olendina(F). Ele ficou jogado. Eu era enfermeira
aqui no Sapo, eu que passei a cuidar do Sr. Adão, porque eu tive dó de
Sr. Adão, até ele morrer, porque ele morreu de paixão. E a negociação foi
feita com o Sr. Adão, que eu fiquei com os documentos um tempo,
depois eu passei para Rominho, que apareceu, que era um filho do Sr.
João, que foi criado fora, depois ele apareceu. Sr. Adão fez a negociação
e tudo no dedo. Todos são analfabetos. Então, fez a negociação, Sr. Adão
morreu, ficou João e Olendina. A parte do Sr. Adão, que morreu, eu acho
que seria dos irmãos, né? Sr. Adão... Eles não pagaram a parte de Sr.
Adão. Eles falaram que, como Sr. Adão tinha morrido, que os irmãos não
tinham direito na parte de Sr. Adão. Então, foi uma negociação mal feita,
que eu não sei o que o Rominho arrumou com eles. Que eu até me
dispus a acompanhar, né, Rominho? Ajudar nessa negociação... No
desfecho desse negócio mal feito que fizeram com eles.
Então, a situação que eu acho que até o Ministério Público poderia
ajudar Rominho a estar olhando essa situação do Sr. Adão. Olhar com
carinho porque eles foram lesados demais. É uma situação, doutor, que...
Pois é, tem que olhar.
SR. JÚNIOR: Só aproveitando, dentro disso que ela falou, em
relação, aí, de certa forma... Já envolvendo o lado econômico, porque o
emocional já ficou com a morte da pessoa. E no caso do Sr. Adão que
está acontecendo isso, de... Não tem herdeiro. Fiquei sabendo hoje de
uma outra família também. Acho que Leandro...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Zé Leandro.
SR. JÚNIOR: Zé Leandro. Também a Anglo falou: “Não, ele não
tem herdeiro”. Quer dizer, a Anglo enfiando a mão no bolso. Mas o
pessoal do Sr. Augusto Juscelino(F) também...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Como assim? Explica melhor,
Júnior. Explica melhor.
SR. JÚNIOR: As pessoas estão morrendo.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Estão no cadastro.
SR. JÚNIOR: Estão no cadastro. Ela... Esse Sr. Augusto... Esse Sr.
Augusto...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas não tem herdeiro?
SR. JÚNIOR: Tem herdeiro.
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ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Lógico que tem.
SR. JÚNIOR: Tem herdeiro. Para Anglo que não tem herdeiro,
entendeu?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: A Anglo não tem mãe, nem pai
SR. JÚNIOR: Não... Mãe não tem mesmo. Principalmente mãe.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Esses assuntos relacionados à
regularização, a gente fez aquele movimento lá com a Defensoria Pública,
para receber os casos. Teve também uma comissão criada pela própria
Supram. Nada disso andou, né? Porque eu vejo hoje todo mundo
voltando de novo lá no meu gabinete. Já recebi ele... Recebo todo mundo
lá, todo dia, reclamando. Até quem gastou o dinheiro e acha que tem que
ganhar mais. Eu estou cobrando da Anglo, eles estão mandando as
justificativas. Tem os contratos... São os casos mais corriqueiros e alguns
nossos também. Mas as propostas que foram feitas e que saíram aqui de
dentro, de criar esse... Com um atendimento lá de três dias, a gente
mobilizou a Defensoria Pública, mobilizou as pessoas, a rádio, a própria
empresa fez, mas eu estava nas férias, teve também não teve? Uma
comissão que foi criada pela Supram para reunir os casos também que já
estavam... Pelo menos os reconhecidos. E nada disso andou?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Doutor, essa reunião, nessa
comissão, foi criada para resolver, só que, na primeira reunião que teve
aqui, junto com a comunidade, ela veio totalmente distorcida.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O Felipe não veio?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Veio, veio.
SR. SANDRO LAGE: Eu fui também, mas quem conduziu foi o
órgão ambiental.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Então o Luiz sabe contar como
que foi, que foi feito. Mas eu queria só... Passar a palavra para o Luiz,
chamar a atenção disso para o senhor, que a Anglo não está
reconhecendo os herdeiros, entendeu? Herdeiros de modo geral e os
solicitos. Atentar para isso.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É... Bom...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Anota os dois casos aí na ata.
dois?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É. Quem são os
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O caso do Adão, né?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: O Sr. Adão.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O José Leandro.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: José Leandro.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: José Leandro.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É, e Augusto Juscelino(F).
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SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: E Augusto
Juscelino(F), está certo.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: São reconhecidos.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É, reconhecidos. O Sr. Augusto
Juscelino(F) inclusive fez casa lá para ele, aquela casa... Acho que
chegou, até ainda em vida, tipo assim, receber, saber que era dele,
morreu. Aí puseram outra pessoa lá e certamente dali para frente, os
herdeiros mesmos dele não vão...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Os herdeiros
foram... Mas o TAC de lá até garante que os herdeiros sejam
reconhecidos, mas a herança...
[falas sobrepostas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Entendi. Ah, tá.
A pessoa faleceu, e o que era dele não foi transferido.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É.
A questão assim de sucessão mesmo.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Entendi. Então...
Olha só, gente. Eu acho que a gente precisa... Tem um ponto de pauta
aqui, agora. Vamos anotar nos encaminhamentos, tá?
Tem um ponto de pauta aqui. Agora, assim, tem mais alguma
comunidade...
SRA. SANDRA: Eu gostaria... Tem uma coisa importante que eu
lembrei, mas que eu preciso...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Vou te dar um
minuto, pode?
SRA. SANDRA: Eu não sei se em um minuto...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Dois.
SRA. SANDRA. Não sei. Vamos lá. Gente, eu sou atingida, fiz
minha negociação. Eu sou muito transparente em tudo meu. Continuo
brigando. Tive ausente porque estava organizando a minha vida. Então, a
Anglo, quando fala assim: não dá documento, não sei por quê. Eu fiz
minha negociação, tenho a minha documentação da minha fazenda,
recebi 50% da minha negociação. Então, eu quero deixar isso claro e
gravado, porque todo mundo reclama que não tem documento e que a
Anglo não dá documento. Não sei o por quê. Então, eu quero deixar
registrado, porque eu recebi meu documento, recebi 50%, estou
dependendo de um resto só de dinheiro para receber. Então, eu gostaria
também que vocês apertassem a Anglo quanto à documentação das
pessoas que já foram transferidas para outros lugares e dizem não
receber documentos. Então, por que eu...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Você tem escritura?
SRA. SANDRA: Eu tenho escritura da minha fazenda.
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ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Registrada em cartório?
SRA. SANDRA: Registrada no cartório.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Como você conseguiu, gente?
SRA. SANDRA: Eu consegui porque, gente, eu brigo. Eu brigo
muito. Não sei por que, mas eu tenho... Eu posso estar trazendo na
próxima reunião para vocês, para estar registrando. E gostaria que
ficasse bem registrado para todo mundo também adquirir suas
escrituras, porque quem não tem escritura não é dono. Não adianta eu
ser posseira. Eu não quero ser posseira. Então, eu tenho a minha
escritura da minha fazenda. Viu? Então, tem que olhar isso, por que me
deram e não deram para outros.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Por que o Sr. Adão foi atingido,
por que a dona...
SRA. SANDRA: Sim, isso, isso. E por isso que eu estou falando
que eu estou de volta. Porque eu era atingida, tive que tirar um tempo,
lógico, que eu tenho que cuidar da minha vida, dos meus filhos, e agora
estou de volta porque eu sou nascida e criada no Sapo, e agora vou
brigar aqui pelo Sapo. Então, eu quero deixar isso registrado. Vou trazer
para vocês para tudo certificar, por que eu recebi e outros não.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sandra,
obrigado. A minha insistência em querer segurar a pauta não é porque eu
estou fazendo assim, não. É porque, em reuniões anteriores da Reasa,
isso já foi discutido com a comunidade e me pediram: “Luiz, você tem
que ter uma hora que você tem que começar a encaminhar”. Não é eu
que estou tomando isso por minha liberalidade não, viu, gente? Isso tudo
é um histórico de quantas reuniões?
Então, tudo isso que está acontecendo aqui... Quem é a primeira
reunião... Tudo que eu faço é porque a comunidade já decidiu que eu
tenho que fazer. Eu sou... Isso já foi resolvido.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Hoje eu tenho que te dar os
parabéns, viu, Luiz?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Ok. Mas, olha só,
todas as questões que são colocadas... A gente insistiu nas questões
novas. A gente já tenta dar o encaminhamento na medida do nosso
possível, todas elas. Todas já foram debatidas exaustivamente. O ponto
de pauta que tem aqui, próximo... São dez horas. E, tem uma proposta
que é assim: proposta de novo formato das reuniões. Eu gostaria de
saber de vocês se vocês vão discutir esse ponto de pauta.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, eu acho que nós temos
que pedir encaminhamento, senão a gente não esgota os trens todos.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá, porque eu
acho que isso era encaminhamento importante.
ORADOR
microfone].
NÃO
IDENTIFICADO:
[pronunciamento
fora
do
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SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é, você pode
falar bem resumido o que é?
SR. RAIMUNDO NONATO SIMÕES REIS: Meu nome é Raimundo
Nonato Simões Reis. Sou natural de Alvorada de Minas, Itapanhoacanga,
nascido na Fazenda Miranda, e, hoje, eu resido em Belo Horizonte. Sou,
juntamente com a minha família, com meu pai e com minha mãe, sou
proprietário da Fazenda Miranda, e sou também proprietário conjunto
com dois irmãos de parte da Fazenda Campinas. Já fiz alguns
encaminhamentos por escrito, em algumas reuniões da Reasa e também
na Audiência Pública que teve em Belo Horizonte, em maio, se não me
engano, no dia 6. E o meu irmão, Augusto de Afonso Reis, que é também
proprietário da Fazenda Campinas junto comigo... E meu irmão também,
proprietário na Fazenda Miranda, ele deu entrada na documentação, ele e
meu pai, na reunião que teve da Reasa na Mambuca, e aí... Foi lá uma
reunião que aconteceu em outubro do ano passado. Aí a Reasa, por
pertencer à comarca de Cerro, a Reasa encaminhou essa documentação
para a Promotoria do Cerro, e, né?
Tentando ser rápido, aí, o que é
que, de novo, aconteceu? Em julho agora, tanto a Anglo procurou a
Fazenda Miranda quanto essas denúncias apontadas nesse relatório, e foi
passado para mim xerox tanto da resposta da Anglo, que ela pediu a
visita para ver os danos, tal. Então, o que acontece? Uma das principais
denúncias que a gente faz é o seguinte: trata-se da Poligonal de
Itapanhoacanga. Essa Poligonal, ela é de 2004. Ela... A Anglo teria que
entregar o relatório final em maio de 2007. Entretanto, como, digamos, a
parte na fazenda, fora da Fazenda Campinas, acredito, autorizava eles a
fazer diversas sondagens, e, na Fazenda Campinas, não houve essa
autorização, aí ela entrou com o pedido de tutela antecipada e entrou
judicialmente, através de um alvará judicial. Só que esse pedido ocorreu
em 2007, janeiro de 2007, só que tem que... Antes, no próprio mapa, no
próprio processo, ela já confessa que ela entrou em 2006, ela invadiu a
Fazenda Campinas e fez furos de sondagem em 2006, e outra... Uma vez
que ela foi expulsa por outros proprietários dessa Fazenda Campinas,
para que ela tenha resultado, ela saiu fora dessa Poligonal e foi...
Adentrou na Fazenda Miranda, que é a fazenda do meu pai, de forma
clandestina e contrariando até o Código Mineral. Por quê? Ela saiu fora de
uma Poligonal, no ano de 2006, sendo que ela... Hoje, essa Poligonal é
dela, mas ela teve autorização em 2007. Então, está registrado, está
fotografado, está no mapa que ela apresenta, que ela invadiu, ela saiu
fora da Poligonal dela, para fazer pesquisas. Aí, na resposta que ela dá,
ela nega, como o rapaz ali diz, ela nega tudo. Nós temos fotos, tal.
Então, essa é uma questão.
A outra questão é que, dentro da Fazenda Campinas, tem a
Cachoeira das Campinas, que é um patrimônio, um dos quatro
patrimônios naturais de Alvorada de Minas. Aí, o que acontece? Tem um
caminho de cavaleiro antigo, aí ela abriu essa estrada em 2006 para
fazer sondagens. E, não recuperou igual o Junior disse... Ela não
consegue nem recuperar as estradas para sondagem que ela fez. Aí, o
que acontece? Aí, agora, ela está se defendendo. O que ela diz na defesa
dela? Que, devido ao excesso de chuvas que deu de 2006 a 2008,
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provocou uma mega erosão, que carretas... Carretas nessa erosão que
está acabando com a nascente da sede da Fazenda Campinas e do
[ininteligível 03:43:13], que pertence à Fazenda Miranda e outras
propriedades. Então, a nossa água vai estar... A nascente, uma delas
está secando, devido a essa cratera. Aí ela diz que, embora ela entenda
que não seja culpa dela, desse excesso de chuva, que é mentira pura, ela
se propõe a fazer um plano, um projeto, digamos assim, para recuperar
tal. Só isso que ela se propõe. E outra denúncia também é o seguinte: no
[ininteligível], que é do meu irmão, pertence à Fazenda Miranda, a Sane
Engenharia, depois que ela estressou, quase expulsou meu irmão lá de
Poeira, que era um lugar de lazer, era um bar, tal, meu irmão saiu de
Belo Horizonte, investiu lá, onde que, no carnaval, é onde que mais as
pessoas de Alvorada de Minas tinham o seu lazer, e ela acabou com
[ininteligível]. Ele, estressado, alugou para Sane Engenharia, uma
empresa que trabalhou para a Anglo América. Aí, o que acontece? Essa
empresa deu o calote no meu irmão, Valmir(F) Simões Reis, e ela alugou
para alojamento. Entretanto, o que eu vi alojado lá foi vigilante. Eu não
vi funcionários alojados. Eu vi extensão do canteiro de obras dela. Eu vi
montagem de ferragens, ela com obra aqui no Sapo, nesse
empreendimento. Ela montando armação de ferragem, armadura de
ferragem. Transportando em caminhão, tal, e ela nega. Então, quer
dizer, conforme consta no relatório da Diversus, os atingidos, eles são
muito mais do que a Anglo alega. Mas, também, conforme a Diversus diz,
ele pode se aumentar a cada dia. Então, o que acontece? A Fazenda
Miranda não está nessa lista de atingidos, mas só que, após... Tem no
relatório. Muito, muito, de se alijar, que a Diversus fez, com muita
competência e dedicação, mas ela deixa essa abertura. Isso, no decorrer
do tempo, os atingidos podem ser aumentados. Então, o que acontece? E
ela nega que ela... A Anglo América diz que ela não tem a ver com o
contrato entre a Sane e o meu irmão. A Sane Engenharia e o meu irmão,
porque trata-se de alojamento, mas não há contrato de extensão de
canteiro de obras para fazer atividades de engenharia para servir ao
empreendimento dela. Então, o que acontece? Aí, nesse relatório, a única
coisa que ela diz é que vai reflorestar, vai recuperar essa área. Então, eu
pediria, na medida do possível, uma presença para acompanhar essa
recuperação dessa cratera, imensa cratera, que é no caminho, dentro da
Fazenda Campinas, que vai da MG-010, no KM 197, até a Cachoeira das
Campinas, onde que ela não... Não recuperou o meio ambiente e, agora,
ela se propõe, mas exclusivamente isso, tirar essa carga.
E outra coisa que aconteceu também. Junto a essa megacratera
que existe, ela fez dois poços para jogar lama de sondagem... De
sondagens que ela fez após 2007 na região. Aí, o que acontece? Aí ela
alega, ela diz que não há atividade. A atividade dela está aqui, nessa
região, que tanto foi dito hoje. Que, naquela região, não há. Mas há
placas. Em 2011, ela fez sondagem na região. Em 2012... Está lá a placa,
aquele selo da empresa de... 2011, 2012. E aí, eles traziam essa lama e
jogavam nessas... Que está aproximadamente 200 metros da nossa
nascente e que hoje está secando.
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SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Quando o senhor
fala que a Anglo justifica, a Anglo se propõe, isso é... Essa discussão é
feita aonde?
SR. RAIMUNDO NONATO SIMÕES REIS: Não, não. Quando eu
digo... Só esclarecendo. Embora eu tenha encaminhado alguns
questionamentos à Reasa por escrito, eu não tenho conhecimento do
andamento. Agora, o meu irmão, Ergúcio(F) de Afonso Reis, com o meu
pai, José Pinto Reis, fez essa... Também por escrito numa reunião que
ocorreu em outubro do ano passado. Aí, eles... O Ministério Público do
Cerro encaminhou, para a Anglo, a Anglo América, e a Anglo América se
defende, através de um relatório entregue à Promotoria do Cerro.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Aí, você teve
acesso a esse relatório?
SR. RAIMUNDO NONATO SIMÕES REIS: É. O promotor me
passou esse xerox. Não é um encaminhamento; é uma resposta à
Promotoria do Cerro. Obrigado.
[palmas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Para lhe
esclarecer, né, a gente recebeu uma reunião da Reasa, né? A proposta
das reuniões da Reasa é ser um espaço para as comunidades
conversarem, encaminhar. Não é um espaço do Ministério Público. A
gente está aqui, apoia a comuni... Né? Mas é um espaço das
comunidades. O que a gente fez? Fez o que deve ser feito: pegou o
relatório, né, e encaminhou para o promotor do Cerro, porque é ele que
vai fazer lá naquele processo que eu falei no início. Ele vai mandar um
ofício para a Anglo, cobrar ela dessa maneira. E, assim, dar detalhes do
processo não tem como. A gente não tem nem condições, viu, Dr.
Marcelo? Porque não sabemos. Mas o nosso encaminhamento era esse
mesmo, de pegar aqui e encaminhar para o promotor do Cerro. O
Ministério Público vai poder exigir que a... Do contrato entre uma
empresa e o seu irmão? Infelizmente, não. O Ministério Público não pode
defender contrato entre particulares. O senhor precisa daí, de acionar um
advogado. A recuperação do dano, o Ministério Público pode exigir, sim.
Então, se a Anglo está se propondo, o caminho é esse. O dano que foi
feito lá ambiental. Não é, Dr. Marcelo? Se eu estiver errado, o senhor me
corrija.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não. Mas a responsabilidade
por um dano ambiental, ele está falando é que, por exemplo, que a lama
está sendo jogada no rio.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Essa lama...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Que houve uma degradação...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Essa lama é de 2007, né?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Isso é uma nova denúncia?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso é uma nova
denúncia ou isso aconteceu em 2007?
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SR. RAIMUNDO NONATO SIMÕES REIS: A minha denúncia, ela
já existe e foi repassada para vocês nesse instante.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso. Aí ela foi
encaminhada.
SR. RAIMUNDO NONATO SIMÕES REIS: A minha dúvida, né,
que ficou... Digamos que a minha dúvida de hoje é o seguinte: são
diversos pontos, por exemplo, dentro da Fazenda Campinas onde que a
nascente está assoreada. E, o fato de ela ir apenas na estrada, onde que
ela não recuperou, não reflorestou e gerou aquela megaerosão não vai
resolver a questão da nascente, que já está assoreada, entendeu? Então,
quer dizer, eu acho que o que ela se propõe...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu não tenho
condições de me...
SRA. PATRÍCIA: Porque a Anglo falou que a responsabilidade dela
não é... Ela não tem responsabilidade sob terceirizados, que é uma
mentira, porque ela tem responsabilidade...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. Eu não
vou saber discutir com vocês juridicamente a questão, entendeu? Teria
que olhar lá no processo, lá no...
SRA. PATRÍCIA: O parecer único fala que a Anglo é responsável
por qualquer dano causado pela terceirizada, que ela não pode se omitir
e nem pode alegar descompromisso ou ausência de responsabilidade, em
caso de dano provocado por terceirizado... Isso é claro. No parecer único
de 2008, tem isso claramente.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. Mas
contrato entre...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não.
aí...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Uma coisa é isso
SR. MARCELO: Não. A inadimplência do aluguel, da propriedade,
não tem nada a ver, infelizmente, com o Ministério Público. Agora, se o
dano ambiental, o dano ambiental causado na nascente ou os reflexos
do... Né, na propriedade, esse, sim, pode ser acionado a Anglo. E aí não
é só através dessa recomposição, né? Através lá dum plano de
recuperação da área degrada. Talvez tenha também que cobrar da Anglo
um dano... Uma compensação financeira, um dano moral ou outras
coisas. Talvez o que o Luiz esteja colocando é que ele não pode te dar
maiores informações, assim, do seu caso concreto, até mesmo porque a
gente teria que ver o inquérito ou algum procedimento lá na Promotoria
do Cerro.
Com relação a locar propriedade para fazer alojamento ou para
fazer outra obra de construção civil também, isso pode ser verificado lá
pelo Ministério Público do Cerro, ou através, se for mais fácil, vim aqui na
de Conceição, eu posso receber aqui, pegar essa declaração e enviar para
o colega lá do Cerro também.
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SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas, se for o
caso, se for mais fácil, você ir ao Cerro, acho que você pode ver o
processo, falar com o promotor de lá o que está acontecendo. Porque a
gente não tem informação, assim, detalhada. A gente fez isso: pegou,
mandou para o promotor lá, né?
SR. MARCELO: Ah, isso que a Patrícia... Só acabar de concluir.
Isso que a Patrícia colocou... Isso que a Patrícia colocou é verdade, a
responsabilidade da Anglo é solidária com as empresas que ela contrata.
Nesse ponto, a gente pode exigir da Anglo, e ela não pode se eximir da
responsabilidade sob esse argumento que foi uma terceirizada que fez, e
não foi a própria empresa. Até mesmo porque a maioria das obras são
feitas por terceirizados.
SRA. PATRÍCIA: E a licença ambiental é dada à Anglo, não à
terceirizada. Então, a responsabilidade...
SR. MARCELO: Claro.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Agora, se for
empresa que está construindo na estrada, aí, eu não sei como é que é...
Aí tem que ver o caso, né? Não dá para responder, assim.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É o seguinte, gente: o
licenciamento é do empreendimento Minas-Rio, e todo conjunto de
empresas. Agora, a empresa responsável pelo empreendimento é a Anglo
América. Ela meio que entra no... Então, qualquer empresa que estiver
envolvida no projeto Minas-Rio, ela está sobre a guarda do licenciamento.
Então... Enfim. A Anglo é responsável por ela, sim.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Vamos...
Vamos... Vamos... Vou sugerir como encaminhamento a gente poder
enviar um ofício para o promotor do Cerro informando disso, né, mas que
não exime o senhor de comparecer lá e dar mais detalhes quanto ao
dano ambiental. Agora, quanto, né? Aí eu acho que o senhor precisava
ver até com o advogado se é mesmo do Ministério Público... Eu acho que
não é, a princípio. Cobrar lá o contrato entre a pessoa que alugou o
imóvel e o seu irmão, entendeu?
Bom, a proposta aqui, agora, eu acho que é o último ponto de
pauta, e eu acho que tudo que aconteceu hoje é importante para a gente
encaminhar esse ponto de pauta, que é novo formato das reuniões.
Vocês não vão discutir isso, não?
Pois é. Porque, assim, uma coisa que, para nós, é importante...
Assim, é a minha leitura pessoal dessa caminhada nossa. É uma
caminhada que é importante para as comunidades se articularem. Porque
a gente sabe do que havia antes. O papel do Ministério Público, enquanto
Ministério Público, aí quem pode falar é o Dr. Marcelo, é de fazer a parte
que ele pode fazer. Mandar ofício, entrar com ação. Mas isso não
acontece no tempo que é... Né? Ás vezes não é o tempo que a
comunidade precisa. O papel de mobilizar, de organizar ação
comunitária, a gente propõe essas reuniões para vocês para dar uma
força, mas é importante que a comunidade assuma ele também. O que
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eu acho que não é produtivo é a gente fazer reuniões para repetir as
mesmas histórias, que... Como é? Produzir mais informação. Produzir
informação, produzir informação, produzir informação. Aí como é que a
gente transforma essa informação em ação? Que tudo que foi colocado
aqui, hoje, já havia discutido. Já foi discutido aqui. Então, assim, me
incomoda muito a gente fazer as pessoas repetirem as suas dores e
parecer que a gente não está fazendo nada, sabe? Isso me incomoda.
Não é que a gente não está fazendo nada. Só que às vezes o tempo que
o Ministério Público precisa que, o processo judicial demanda é outro.
Não é o da comunidade. Agora, ação política da comunidade é muito
importante. E aí, essa questão de pensar o formato da reunião é
importante, porque o que acrescenta a gente vir aqui e repetir as
mesmas coisas, enquanto... Quem tem um papel de atuação lá? O que,
para nós, no nosso tempo que a gente tem, com os nossos recursos que
a gente tem, a gente precisa de tempo para processar a informação e
entender como é que encaminha ela coletivamente. Não tem como eu
falar assim: “Eu vou resolver só o problema do senhor, Sr. Adão”, né?
“Vou resolver o problema dele”, se eu não entender esse problema
coletivamente. “Olha, é uma condicionante, que é número tal, que
precisa de fazer uma auditoria nessa condicionante toda. Não pode ser só
na dele”. Ainda que a gente pegue o ofício e mande para a Anglo
cobrando.
Então, é isso que eu gostaria de colocar para vocês. É importante
essa coisa da comunidade? É. Agora, a hora que a comunidade pode
reunir será que a hora que o Ministério Público pode vir? Será que a
gente está fazendo bem atrelando isso? A gente continua vindo às
reuniões, mas, assim, é muito ruim essa sensação de impotência que fica
para a gente , inclusive. Apesar de todos os... Né? Eu... De todas essas
coisas, de uma certa maneira, a gente tem tentado tratar. E nós
precisamos de mais, inclusive, de objetividade. Escolher algumas coisas e
falar assim: “Nós vamos atacar nisso aqui”. E aí é isso que eu sugiro de
refletir. Será que é... O que é que acrescenta, né? Fica muito ruim essa
coisa... Parece que é uma Audiência Pública. Só que sempre Audiência
Pública? Quer dizer, produzir informação, produzir informação, produzir
informação. Tudo bem. Mas repetir. Quanto tempo a gente está gastando
com isso? Quanta energia a gente está gastando com isso?
SRA. PATRÍCIA: Tá bom, Luiz. Qual que é a sua sugestão, para a
gente poder ser mais claro?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não sei. Vocês
precisam de discutir. É isso que eu esperava de conseguir discutir hoje.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tá bom. Então, olha...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas dez horas eu acho difícil a
gente conseguir...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. Então,
assim, a gente repetiu muitos pontos. Eu não vou, né, impedir ninguém
de falar. A gente sabe de vários problemas. A gente tentou, tentou saber
dos problemas novos.
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SRA. PATRÍCIA: Mas, às vezes, vocês ficam também... Assim,
você, às vezes, cobram muito da gente, né?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, Patrícia. Eu
não estou cobrando vocês, não. Eu estou expondo as nossas dificuldades.
SRA. PATRÍCIA: Então, deixa eu te relatar o que a comunidade,
assim. Porque vocês... Tem uma hora que o negócio fica... O peso fica
sempre na... Das decisões, tudo. Mas, olha, vamos falar. A comunidade,
numa das reuniões da Reasa, deliberou que ia tentar fazer Audiência
Pública, assembleia, fazer isso acontecer... Fazer outras... Fazer esse
debate em outras instâncias, tanto políticas quanto instâncias... Outros
locais também. Nós fizemos isso. Conseguimos... Não podemos deixar
de, também, de ver que, assim, que nós estamos nos empenhando. Nós
estamos fazendo o máximo. Nós estamos tentando trazer sempre mais
pessoas. Você está vendo aqui novas pessoas que nós, comunidade,
estamos trazendo para esse movimento. Então, nós estamos fazendo o
nosso papel também, entendeu?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, claro.
SRA. PATRÍCIA: Eu sei... Assim, mas existe... Essa relação
também é de parceria. Nós também estamos esperando que o Ministério
Público... Também, entendeu? Porque, senão, você fica assim, colocando
como se nós estivéssemos numa situação onde nós não tivéssemos
caminhando junto com a proposta que nós fizemos juntos, entendeu?
Nós fizemos audiência, lembra? Isso é uma coisa que a gente nem estava
imaginando que ia sair com tanta pressa. Conseguimos fazer? Sim.
Conseguimos fazer duas, com bons resultados. Foi um ótimo momento,
foi um momento de... Né? Então, nós... Porque, senão, olha já está tão
difícil para nós e, se a gente sempre ficar colocando peso na gente, sem
celebrar o que é que está dando certo, sem conseguir também entender
que nós, comunidades, que não temos nenhuma vivência de luta,
estamos fazendo... Nós estamos tentando, pelo menos, fazer o papel. Eu
vou... Se eu... Se você me desafiar e eu começar a perguntar, assim. O
que a gente propôs fazer a gente fez, entendeu? Nós estamos
conseguindo fazer, nós estamos conseguindo articular, articular com
outras pessoas, buscar outras pessoas, trazer. Hoje eu estou vendo...
Outras pessoas de fora. Aqui tem Dom Joaquim. Isso também é fruto da
mobilização que nós estamos fazendo, entendeu?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não. Patrícia,
você está coberta de razão, você está coberta de razão.
SRA. PATRÍCIA: Fica pesado, fica pesado.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu sei.
SRA. PATRÍCIA: Sempre fica assim: “Vocês não estão fazendo,
vocês não estão fazendo”.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, não. Eu não
quis dizer que vocês não estão fazendo. Não é isso. Eu estou dizendo que
ás vezes a gente tem papéis diferentes. Aqui, na Reasa, a gente está
fazendo o papel de apoio comunitário. Estamos fazendo. Agora, a luta,
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digamos... O que eu quero dizer, Patrícia, é que, por exemplo, às vezes,
tem uma dificuldade para marcar uma reunião, e será que está sendo
produtivo, na reunião, a gente ficar reprisando coisas que já foram
faladas ou a gente tentar processar a informação? É isso que eu estou
perguntando.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu posso fazer uma colocação?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu estou só
perguntando.
SRA. PATRÍCIA: O que é que nós, comunidade...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Por exemplo,
hoje, a gente não pôde nem... Não teve nem tempo para dizer das coisas
que foram feitas nesse tempo.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu posso fazer uma colocação?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Claro, doutor.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Em um momento dessas
reuniões que nós... Nessa caminhada, uma vez nós discutimos... Foi
discutido trabalhar a respeito da água. Foi trabalhada, digamos, umas
quatro ou cinco reuniões. Eu gostaria de saber qual o resultado.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. É isso que
nos incomoda também. Isso que nos incomoda.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Pois é, mas nós continuamos
fazendo Boletins de Ocorrência...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Três coisas práticas...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu não sei se é
hora para esse debate aqui, agora.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É, eu também acho que não.
Eu acho que nós precisamos...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu estou dizendo
só que...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Pois é, Luiz, mas, agora, já que
está com esse assunto, eu, pelo menos, vou só colocar a minha...
Justamente.
De quem que é o direito de solucionar o problema dos atingidos
que já foram negociados? Já tiveram lá com a anuência do Ministério
Público, da CPT e da Fetaemg.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Defensoria.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Defensoria. De
quem que é o dever de solucionar esse problema de uma vez por todas?
De quem que é o dever? Porque está mal resolvido. Vocês sabem, e não
é de hoje, e reunião após reunião, vocês sabem que está mal resolvido.
De quem que é o dever de colocar como atingido direto as pessoas que
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estão com os nomes de servidão pública [ininteligível]?De quem que é
esse dever?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Do órgão
ambiental.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: De quem que é o dever de fazer
a água voltar ao que era antes, igual, para lá, pedir umas
condicionantes? De rever o assoreamento que foi feito? De voltar os usos
tradicionais? A comunidade precisa de fazer mais o que para isso ser
visto e corrigido?
é isso.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas, assim, não
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu sei, eu sei. Mas essa
discussão...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não é que eu
estou cobrando a comunidade, não. Eu estou dizendo o que é mais
efetivo.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas eu estou cobrando, então,
de alguém.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não. Tem que
cobrar de um monte de gente, inclusive de nós, Ministério Público,
inclusive do órgão ambiental, do governo do estado, da prefeitura
municipal. Todo mundo tem a sua parte para contribuir.
SRA. PATRÍCIA: Está faltando essa coordenação, porque eu acho
que a gente, hoje, por exemplo, encaminhou...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Posso dar só um... Boa noite.
Assim, como sugestão de encaminhamento, não sei se pode virar, mas
pelo menos uma sugestão. Que a Reasa comece hoje um movimento
mais forte. Talvez o único que a gente tem em Conceição, que olha a
mineração. Isso já é reconhecido pela prefeitura, é reconhecido pelo
Ministério Público e está começando a ser reconhecido pelo estado.
SRA. PATRÍCIA: Está sendo minado(F) pela empresa com a
criação de notáveis enfim, enfim...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tudo bem.
SRA. PATRÍCIA: Na prefeitura também.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Bom, aí são opiniões. Agora, se
a gente tem algum... Consegue enxergar algum ponto positivo nisso, e a
gente puder usar, sugiro que a gente comece com o Reasa, provocar
Poder Público, prefeitura, estado... Provocar com documento, com ofício,
com processo, com ação. Que a gente comece a usar isso aí, porque,
mesmo que a gente não consiga um resultado agora, a gente tem que ter
a visão de que tem o melhor aí pela frente. E, se a gente consegue pelo
menos sensibilizar o estado para que esse processo seja conduzido de
forma mais... Não sei nem qual que é a palavra. Mas, assim, temos que
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STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR
fazer essa pressão. Então, eu acho que a gente tem que começar a
provocar mais o sistema.
SRA. PATRÍCIA: Não, eu acho que um bom encaminhamento
hoje é a gente começar a ver os mesmos papéis e fazer... Aquele
encaminhamento que nós tiramos aqui de encaminhar para a prefeitura
municipal. Entendeu?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Isso.
SRA. PATRÍCIA: Porque órgãos ambientais e estado.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E estado.
SRA. PATRÍCIA: Mas estado a gente entende que é órgão
ambiental, não é isso?
[falas sobrepostas]
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Gente, Secretaria de Meio
Ambiente, quem a gente tiver acesso, e a gente pode usar alguns.
SRA. PATRÍCIA: É, mas Secretaria de Meio Ambiente... A gente
tem feito no Ibama. A gente... Quando a gente faz um protocolo de
documento, a gente faz no Ibama, no Ministério Público Federal, muitas
vezes Ministério Público Estadual. A gente bombardeia todos, só que a
gente não estava fazendo pela prefeitura, que eu acho que, assim, foi
errado. Porque a gente deve...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tem que provocar também.
SRA. PATRÍCIA: É, então.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas provocar oficialmente.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu vou propor
encaminhamento. Eu acho que não é... Bom, não sei. Eu vou pensar.
SR. FÁBIO: Não, só falar rapidinho. Meu nome é Fábio, eu
trabalho na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, na presidência
da comissão.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Como é que é seu nome?
SR. FÁBIO: Fábio. Só tem uma coisa que eu queria lembrar. Que
eu perguntei... Até perguntei para ele, ali, agora. Se a comunidade, ela
se reúne em separado da participação dos órgãos públicos das
instituições do estado.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Você é da assembleia da onde?
SR. FÁBIO: Da Assembleia Legislativa de Minas. Do...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Lá em Belo Horizonte?
SR. FÁBIO: É, lá em Belo Horizonte. Gabinete de [ininteligível
04:06:36]. Porque uma das coisas que é direito da comunidade, é a
comunidade se organizar para traçar as suas próprias estratégias,
independente da prefeitura, independente do governo do estado,
independente... Porque, como você já percebeu, toda essa luta, ela é um
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STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR
cabo de guerra. Existem diversos poderes que puxam para um lado,
diversos poderes que puxam para o outro. A comunidade está puxando
para um lado, e diversas... E uma rede de poder puxando para outro
lado. Certo? Em que vocês buscando inclusive assessoria fora, com
outros movimentos sociais, podem, inclusive, estar clareando a visão de
vocês, as estratégias de vocês, certo, sem ser uma coisa de só
apresentar demanda, apresentar demanda, apresentar demanda para o
Poder Público, mas traçar outras estratégias além de Audiência Pública,
outras estratégias que são legítimas, além de apresentar denúncia para o
Ministério Público, que são estratégias de luta legítimas, como
mobilizações, manifestações, enfim. Então, só essa proposta do... Que o
Luiz falou aqui se eu queria falar ou não, então, enfim, que é essa
proposta de a comunidade estar se reunindo em separado desses entes
públicos e fazendo a sua auto-organização também, para traçar as suas
próprias estratégias. Só isso.
SR. MARCELO: Seu nome qual mesmo? Fábio. O Fábio foi muito
feliz aqui. Que eu acho que ele leu um pouco aqui do pensamento do
Luiz, que, na verdade, pelo menos o que eu entendi em parte, é que o
Luiz quis dizer, assim, quando ele ficou preocupado ali, com a demanda
do dia, da forma de organizar, que, de uma certa forma, a Reasa sempre
andou muito, assim, a reboque um pouco do Ministério Público ou
aguardando esse start do Ministério Público, essa organização do
Ministério Público, e a cobrança que o Luiz faz eu acho que é um pouco
injusta porque vocês conseguiram muitas coisas. Essa cobrança que você
sente aí, o seu peso nas costas, Patrícia, e aí, quando a gente vai ver
esse retrospecto aqui dos últimos acontecimentos, vocês conseguiram
fazer essa mobilização, talvez, que a gente esperava um pouco de vocês,
que, desde o início, a gente vinha discursando: “Não, a Reasa tem que
tomar corpo e ter vida própria”. Eu acho que vocês conseguiram isso,
porque foi, duas audiências públicas. Acessibilidade dos meios de
imprensa e as coisas caminharam. Não sei se foi o ideal, não sei se foi do
jeito que todo mundo queria, mas estão caminhando de alguma forma.
Tem muita responsabilidade em jogo. A gente mira muito lá na Supram.
Realmente, a Supram, ela deixa a desejar em quase tudo. A gente vê
mesmo, quem teve acesso à resposta, lá, do sub prefeito da Rocha, que
ridículo que é aquilo, né? E eu vou te falar: só foi porque eu mandei.
Porque chegou... Aquele dia lá, eu cobrei. Naquela sexta-feira, eu tinha
cobrado, por isso que ela mandou. Senão eu acho que ela nem mandaria.
Porque eu mandei... Eu falei: “Olha, manda de novo por fax, lá, para
ela”, e aí, meia hora depois, chegou o e-mail.
Então, a gente tem papel importante, sim, nesse processo,
Ministério Público. Ministério Público é o fiscal do licenciamento. Se ele
não está funcionando por parte do órgão ambiental, o Ministério Público
vai cobrar deles. A gente... Em hora nenhuma, a gente foi omisso. A
gente tenta cobrar muita coisa. Mas a gente também, às vezes, não
consegue encontrar o respaldo que a gente gostaria. É difícil, o trabalho é
árduo mesmo. O processo é muito complexo. Nós estamos tentando
reativar as questões com a Diversus para tentar ter uma visão mais
atualizada das pessoas que foram reassentadas, das pessoas que estão lá
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e têm que ser reassentadas, as pessoas que merecem ser reassentadas
ou que merecem ter seus impactos minimizadas.
Eu gostei muito da fala daquele jovem ali. Eu também sou jovem.
Porque eu acho assim, que precisa ser trabalhada melhor essa
informação das reuniões. Acho que essa mobilização com o jovem. Eu
não sei indicar o caminho das pedras, não, mas eu acho que agregar
mais pessoas, porque eu também sou atingido, gente, eu também sou
impactado. Eu moro em Conceição do Mato Dentro. Então, eu convivo
com toda essa realidade. Então, tem a realidade que é da área urbana. E,
hoje, foi interessante também que o secretário de Meio Ambiente de Dom
Joaquim veio, assim, até para trazer para a gente, assim, uma visão
diferente. Eles também estão sofrendo lá. Quem tem passado em Dom
Joaquim percebe muito claramente que a área urbana está muito
destruída mesmo, e Conceição não é diferente. Eu acho que tem muita
gente lá que está acomodado, assim, que não... Ou porque tem interesse
talvez em conseguir emprego na firma ou porque é acomodado mesmo, é
um jovem acomodado. Mas eu acho que muito disso é culpa da falta de
informação, da falta de esclarecimento, eu acho que tem que
desmistificar um pouco que a Reasa seria as pessoas interessadas em
serem incluídas no Plano de Negociação Fundiária, porque isso não é
verdade. A gente sabe muito bem o que está acontecendo. Então, eu
acho que um encaminhamento... Não é nem uma forma concreta de
encaminhamento. É uma forma de a gente pensar também em trazer
essas pessoas que estão lá também, nas suas casas, agora, e que podem
se juntar ao nosso movimento, aqui, de alguma forma, para ganhar
corpo. A questão da água me parece que é a mais tormentosa de todas,
sem dúvida, assim... Me tira o sono. E eu espero sinceramente dar uma
resposta, no momento... Não sei qual momento. Ainda não consegui
concretizar as ações que... O encaminhamento que eu queria dar mesmo
assim de... Se não é trazer a água ao que ela era antes, mas pelo menos
responsabilizar a empresa de uma forma muito contundente mesmo,
assim, para falar: “Olha, você não fez. Você prejudicou a qualidade das
águas, mas esse passivo financeiro você vai levar e vai carregar ele de
alguma forma aí, por todos esses anos que você vai ficar aqui”. Eu não
estou para justificar aqui a fala de ninguém, não, mas eu entendo um
pouco o Sandro, quando ele fala que tem muita gente que está satisfeita
com essa mineração. Isso me entristece, assim, porque eu não sou
partidário desse raciocínio. Mas eu vejo. Tem gente que está satisfeito de
alguma forma, ou porque é...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, mas 80% estão.
SR. MARCELO: Eu não sei se é 80% ou porque é individualista e
só pensa nele mesmo, ou porque não tem essa percepção que esse
jovem tem aqui de trazer para a gente essa realidade. Porque ele é um
alienado, mas tem gente que gosta ou, pelo menos, que, para ele, é
indiferente. Isso é triste porque a gente vê que é um reflexo de gerações
aí que estão com uma consciência muito fraca. Cidadania. Falta cidadania
para elas. Eu acho que a gente tem que trabalhar um pouco dessas
pessoas também, aí, e acho que saber divulgar melhor, vender nosso
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peixe, assim, sabe? Eu acho que a juventude deu esse exemplo recente,
aqui, de cidadania para a gente. E realmente, talvez, está faltando um
pouco desses jovens aí.
SRA. PATRÍCIA: É o jornal que eu falei para o senhor. É a forma
de comunicação ou é os minutos que tem que solicitar lá como informe
público.
SR. MARCELO: Eu acho que é abrir...
SRA. PATRÍCIA: Um canal.
SR. MARCELO: Um canal de comunicação melhor, pensar isso. Dia
a dia é difícil, todo mundo sabe.
SRA. PATRÍCIA: A única coisa que a gente concorda com o
parecer único, agora, é que um dos grandes problemas é a falta de
comunicação, porque eles relataram lá que não existe atingido, que está
tudo... E, que o grande problema é a falta de comunicação. Então, de
novo... É verdade, o grande problema é a falta de comunicação e a
ausência de informação clara.
SR. MARCELO: E, dentro dessa fala do representante, aqui, da
Assembleia, é uma tentativa, também, de vocês se reunirem e... Eu acho
que o caminho disso é tentar fortalecer as associações comunitárias. Sei
que Conceição... As questões, infelizmente, também, acabam esbarrando
na politicagem. Sabe? Sempre tem um interessado. Ah, o cara quer fazer
alguma coisa pela comunidade, o cara quer ser vereador, e aí a família
dele... Todo mundo aqui tem um candidato a vereador na família, e
começa... Um rame-rame, e as coisas não vão para frente por causa
dessa politicagem. Tentar despir um pouco dessa vaidade, fortalecer as
associações, que é um bom caminho também. Tem muita coisa que a
gente cobra da Anglo, mas é dever do Poder Público do município. O
município tem muita responsabilidade. E, se a Anglo não tivesse aqui,
teria as mesmas responsabilidades. Teria responsabilidade pelo
saneamento básico, teria responsabilidade pela destinação dos resíduos
sólidos, pela pavimentação das ruas, mas, como a Anglo está aqui, esse
número de pessoas incrível que despencou aqui, acaba que isso atinge
muito mais tudo isso, né? Mas eu acho que a Reasa não pode perder
força. Eu acho que a Reasa tem que continuar na luta. Eu acho que a luta
é difícil mesmo, mas ela continua. Eu acho que a gente não pode perder
a esperança, por mais desanimado que às vezes a gente fique. Tem que
continuar batalhando aí, cada um nas suas atribuições, interagindo,
integrando, movimentando, porque, se vocês perderem a esperança, aí
nós vamos sair derrotados, e... Eu não sei dizer isso, assim, de uma
forma muito clara, mas eu... É tudo que eles querem né? É tudo que eles
querem.
É isso.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O que aconteceu na nossa região
é que a juventude da sua idade sofreu muito nesse lugar e, hoje, tendo a
oportunidade de trabalhar perto de casa, eles, assim, esquecem o resto
da vida. Aí... Que, sempre que você tem oportunidade de trabalhar perto
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de casa, igual para a Anglo aqui, eles acham que... Eles têm muito medo
da repressão. Eles acham que, se eles tiverem um movimento desses, ou
ele tem medo de lá na frente falar, ou ele tem vergonha. Ou é vergonha
ou, então, tem medo de repressão. Uma das duas coisas. Não é mais
nada além disso. Ou é repressão ou é vergonha. Falta informação.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Assim, Patrícia,
eu não quis fazer uma crítica, não, viu? É só uma... A gente tem que
sempre estar refletindo. É só isso. Não é uma crítica, não é uma...
Porque, por exemplo, vou te dar um exemplo muito prático... É uma
suposição, suposição. Se a gente não viesse para fazer Reasa, a gente
Ministério Público, o que ia acontecer?
SRA. PATRÍCIA: Hoje?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, não. Vocês
se reuniriam nas comunidades, se a gente não tivesse vindo?
Não precisa me responder, não. Não precisa me responder. É só
para vocês pensarem. Eu acho que, assim, a gente tem que fazer isso
aqui, lugares de reflexão. A gente fez práticas legais. Eu estava pensando
na vinda, da reunião lá em Itapanhoacanga, que a empresa queria falar.
E aí vocês demoraram uma hora e meia para decidir. Isso foi ótimo.
Assim, de vários processos que eu conheço... A gente se autonomiza na
hora que a gente diz... A gente decide como é que a gente decide. Aquilo
foi muito bacana isso. Vocês decidiram como que a empresa ia falar. Não
é se ela vai falar ou não. É a possibilidade de aprofundar e aprofundar
coletivamente entendeu? Eu lembro que nessa reunião, primeiro queria
votar, um concorda, outro concorda, a gente falou assim: “Não, espera
lá. Antes do voto, por que vocês não conversam?”. Aí vocês conversaram
entre vocês. E aí um que tinha uma opinião mudou de opinião. No final,
todo mundo chegou numa construção coletiva. Eu enquanto... E aqui,
assim, minha... Nós estamos aqui... Tem várias pessoas que já se
conhecem e de outros processos que eu conheço. A única maneira de a
gente se colocar contra processos que são fragmentadores, que são...
Por sua própria natureza, desunem, fragmentam, é fazer uma coisa
muito simples, que é coletivizar sempre. A decisão, a fala... Tudo que
vocês puderem imaginar. Então, assim, é para a gente pensar. Eu
pessoalmente me disponho a, um dia, a gente sentar e fazer uma roda,
igual a gente já fez outras vezes. Não enquanto Ministério Público.
Ministério Público não vem aqui fazer nada. Não, eu me disponho
pessoalmente... Igual hoje, a minha disposição para vir foi pessoal,
porque é feriado em Belo Horizonte, e os servidores do Ministério Público
estão de greve. Eu tive que peitar a minha namorada e o sindicato para
estar aqui, tá?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Está de greve?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, mas... Quer
dizer, tive que furar a greve e o feriado, né, mas o Sindicato está de
greve.
Então, assim... E o sindicato ligou: “A Cimos não está de greve, a
Cimos, que trabalha movimentos sociais, não está de greve? O que
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acontece?”. Aí, ô, Eduardo, infelizmente, nossos compromissos, às vezes,
é muito mais com certos processos que estão caminhando em outros
lugares e aqui do que com... Que a luta nossa aí é importante e por aí
vai. Então, voltando ao que eu queria dizer, eu me proponho
pessoalmente à gente fazer uma roda de conversa de um... Estou
montando ela tem um tempo. Que eu não dei nome para ela ainda, não.
Mas chama Organização Comunitária e Efetivação de Direitos. Se vocês
quiserem...
[falas sobrepostas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Nós vamos
trabalhando ela com o tempo. Chama Mobilização Comunitária e
Efetivação de Direitos. Nome provisório é esse, mas é um nome em
construção também. Está certo? Então, se vocês entenderem... Aí me
disponho pessoalmente a fazer isso. A gente sentar com as pessoas que
estão acompanhando o processo. Nós fizemos duas... Umas três oficinas
na casa do Antônio, que não era para saber. Primeiro, não é para decidir
o que vai fazer amanhã, não. É só para se pensar enquanto coletivo.
Todas as coletividades. Não é, Antônio? Não era bom, Antônio?
SR. ANTÔNIO: Foi ótimo, ótimo!
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Foi bom? Não é?
De lá... A Reasa nasceu dessas oficinas na casa do Antônio, que o Júnior
ia, o Carlos, que estava aqui até há pouco, ia. Agora, é uma oficina que
eu dou pessoalmente, não é para chamar ninguém de órgão público. Não
é para chamar ninguém do Ministério Público. Não é para chamar
ninguém... Ninguém de ninguém. São as pessoas que estão no processo
do movimento. Se vocês quiserem, eu me disponho a fazer isso. Tá? É
pensar processos coletivos. Aí, eu compartilho de experiências de outros
processos coletivos que eu conheço, de como é que funciona. Como é
que a gente decide como é que vai decidir? Isso precisa ser decidido.
SR. ANTÔNIO: Se quiser sofrer, pode ser lá em casa primeiro.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Você topa fazer
lá?
SR. ANTÔNIO: Se quiser sofrer, pode ser lá em casa.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Você topa? Então
está certo.
SRA. PATRÍCIA: Então, tá. Então, tem duas outras coisas que
estão... Eu não sei se vai dar tempo. Tem duas coisas que a gente queria
propor. Eu acho que não vai dar tempo, assim. Primeiro que a gente
tomou conhecimento que a empresa fez um programa, uma parceria com
a Emater, e a gente queria ter conhecimento de como que é que foi
esse... Então, a gente queria solicitar...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Vai sair do papel esse negócio,
porque-SRA. PATRÍCIA: Parece que sim. Porque pelo menos foi noticiado
oficialmente, saiu no site da empresa... Não, eu esqueci de mandar para
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os senhores. Eu fiz circular entre nós. Mas já finalizou, o convênio com a
Emater já foi finalizado já por dois anos, mas não fala, por exemplo...
Não fala como que será essa reestruturação. A gente queria que fosse
oficiado ou Emater ou empresa... A gente queria ter cópia desse
convênio, assim, para ver o que é que efetivamente está proposto.
Então, a gente queria solicitar como encaminhamento que o Ministério
Público requeresse a informação desse convênio com a Emater.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E eu acho que podia pedir da
Sinergy também.
SRA. PATRÍCIA: Ah, porque aí a Emater parece que firmou um
convênio com a Sinergy. O que a gente sabe é que a Sinergy está
contratando mais trinta e tantas pessoas para trabalhar. Então, aí é um
bloqueio. E aí, quer dizer...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Porque o que estava ruim era o
serviço da Sinergy.
SRA. PATRÍCIA: O que exatamente a comunidade...A gente não
está sabendo, a gente não está entendendo, mas foi exatamente essa
notícia que nos fez, então, acender a luz vermelha, em relação... No
mínimo laranja em relação a esse convênio. Por que é que a Sinergy está
contratando tantas pessoas para trabalhar nesse programa, se o
convênio foi firmado com a Emater? Entendeu? Então, essa é uma
solicitação como encaminhamento. E o outro? E o outro?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Deixa eu dar
uma sugestão?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Deixa ela falar o outro.
SRA. PATRÍCIA: E o outro é em relação a uma... À questão,
também, assim, de... Eu não sei. Até o pessoal da Diversus está aqui. A
proposta que vocês fizeram de reestabelecer ou de refazer... Eu não sei
como é que está sendo feito isso. Se a Diversus já foi contratada, se já
finalizou aquele processo que vocês descreveram como urgente, se
urgentíssimo, urgentíssimo. Se isso já foi finalizado, se isso já está
concretizado, que também nós não... Isso é uma coisa que talvez nos
alivia um pouco, assim, no sentido de...
ORADOR
microfone]
NÃO
IDENTIFICADO:
[pronunciamento
fora
do
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso eu vou
responder agora. Eu vou responder que eu não tenho informação sobre.
A única... Aconteceu uma reunião, mas eu não sei como é que se
desdobrou. Eu estava em outros processos, vim para cá. A primeira coisa
que eu fiz aqui quando eu cheguei foi perguntar aos dois: “E aí, como é
que encaminhou?”. Talvez o Dr. Marcelo saiba. Mas está em processo.
SR. MARCELO: Eu sei até um certo ponto aqui. Após, eu corro o
risco aqui do Ricardo ter uma informação até mais atualizada, mas o
Ricardo encaminhou a proposta. A proposta foi encaminhada. Eu acho...
A proposta foi encaminhada. A gente analisou. Eu não sei se, na
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metodologia, teve alguma mudança, mas eu acredito que não. Nós
fechamos. O Luiz mandou um e-mail, com um detalhe assim, mas coisa,
assim, pontual, que não... Do Luiz chegou?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não.
SR. MARCELO: Não? O Luiz mandou um e-mail, não mandou?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mandei. Mandei
para o Dr. Carlos Eduardo...
SR. MARCELO: Foi para ele?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Foi.
SR. MARCELO: Depois que se conversou os valores, teve mais
alguma coisa? Não.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, só o que o Carlos Eduardo
falou, semana passada, que essa semana provavelmente ele daria 100%
de certeza.
SR. MARCELO: É, eu acho que, na verdade, é questão
burocrática... Não é nem burocrática, não. É questão do tempo mesmo.
Mas já chegou a proposta, a gente ficou bastante satisfeito. Ela é
bastante abrangente. Envolve até um pouco mais do que só a situação
das pessoas que estão aí, reassentadas ou que estão... É uma releitura
das condicionantes socioambientais, bem trabalhada, uma questão aí, um
trabalho aí de uns cinco meses mais ou menos, dentro da previsão do
cronograma, e que eu acredito que o Carlos Eduardo só não deu
andamento essa semana deve ser por outras questões. Mas aí, também,
eu me comprometo amanhã a dar uma cobrada dele para ver se a gente
já fecha isso aí o mais tardar na semana que vem. Afinal de contas, o
recurso, ele está mais ou menos carimbado para isso. E até questiono
eles se não teria que apresentar antes, mas, assim, não sei se é um...
Mas vocês podem ficar tranquilo que o escopo é bastante abrangente, a
Diversus também. Então, a gente está bastante confiante aí, no resultado
desse trabalho aí.
SRA. PATRÍCIA: E esse tempo é para antes da próxima... Assim,
não... O que se imagina...
SR. MARCELO: Não, a ideia... O trabalho, o trabalho... Porque, na
verdade, também, eu não sei o que aconteceu... O que saiu de pauta?
SRA. PATRÍCIA: Dessa vez?
SR. MARCELO: Quem tirou? Porque, olha só, teve aquela
dificuldade... Porque eu não sei se vocês discutiram isso antes de eu
chegar.
SRA. PATRÍCIA: Não, nós começamos a perguntar, a exigir por
que tinha voltado em pauta, sendo que não tinha... Aí, em seguida, eu
não me lembro como que foi... Nós começamos a questionar que o fato,
a condição suspensiva não tinha ocorrido e que nós estávamos esperando
uma resposta, e aí, nesse intervalo, tiraram de pauta.
SR. MARCELO: É, porque...
90
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SRA. PATRÍCIA: A gente conversou... Pela Reasa, a gente fez
um...
SR. MARCELO: Foi, foi.
SRA. PATRÍCIA: Foi pela Reasa? Nós encaminhamos um...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É, nós ficamos
em dúvida.
SR. MARCELO: Não, porque o que aconteceu, assim...
SRA. PATRÍCIA: Mas, pela Reasa, nós encaminhamos um ofício à
Eliane.
SR. MARCELO: Sim, sim, eu vi.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE
encaminhou, e o Ministério Público enviou...
OLIVEIRA:
O
Reasa
SR. MARCELO: Foi. Porque teve aquele pressuposto da reunião da
apresentação, que seria uma justificativa de por que foi feito isso tudo.
Então, a gente não organizou da forma que tinha mais ou menos sido
combinada naquele dia lá da reunião, que a gente daria lá um formato. Aí
vocês falaram: “Não, nós queremos saber primeiro por que teve estudo
antes de qualquer formato para apresentação”. Beleza, eu repassei essa
informação para a empresa, e eles falaram, no primeiro momento, que
faria uma reunião aqui no sábado.
SRA. PATRÍCIA: Eles marcaram.
SR. MARCELO: Mas chegaram até marcar?
SRA. PATRÍCIA: A empresa marcou no sábado a reunião. Mas aí
a gente falou que ela não podia marcar. Que quem tinha que marcar era
a comunidade.
SR. MARCELO: Mas “chegou a marcar”, que você fala, é o quê?
SRA. PATRÍCIA: A empresa divulgou...
SR. MARCELO: Divulgou e tudo.
SRA. PATRÍCIA: Que teria uma apresentação da Ferreira Rocha
no sábado.
SR. MARCELO: Não...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Anunciou, não disse.
SR. MARCELO: “Anunciou”, que vocês falam, é o quê? No rádio?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, anunciou...
SR. MARCELO: A boca a boca?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É, acho que a Supram veio
junto, mas a...
SR. MARCELO: É, porque ficou a reunião para fazer, mas não
teve, não é? Aí... Ia ser na terça-feira, me parece. Eles falaram: “Ah,
então, nós vamos fazer terça-feira. Mas aí não teve. E aí, saiu de pauta,
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e aí ficou um negócio meio no limbo, como está até no limbo agora. E
eles não renovaram a carga, lá, comigo, para falar: “Olha, e aí, vamos
fazer a reunião, não vamos”.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Aí tem que fechar a boca do
Sapo para ninguém vir na reunião.
SR. MARCELO: É, que boca de sapo não tem dente, não. Então, e
aí ficou no limbo. É tanta coisa que... Os problemas vão atropelando e
você vai esquecendo dos velhos. Mas aí, eu não sei como é que ficou
isso, afinal de contas. Aí, a Eliane deu aquela resposta, mas o meu ofício
lá é maior do que aquela pergunta simplesmente da cópia do que ela
mandou. Eu quero saber. Até porque aquilo lá... Você viu? O negócio eu
acho que é de agosto de 2012, e pediu um relatório em 15 dias. O
relatório chegou lá uns dez meses depois, um ano.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, sendo que... Sem falar
que o relatório da Diversus tinha sido entregue... Quando?
SR. MARCELO: Dois mil e...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Dois mil e onze.
SR. MARCELO: É.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Sem assinatura.
SR. MARCELO: Sem assinatura, sem carimbo. Realmente ficou
um ofício, assim... Tirado da manga, assim. Quer dizer, mas ela tem que
responder formalmente. Porque ela responder... Ela não respondeu
formalmente ainda, para o Ministério Público. Ela mandou o e-mail.
Porque, no nosso ofício, a gente cobra uma... Fundamento legal,
metodologia, a justificativa do ato administrativo, por que ela pediu, e
isso não veio ainda.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: E aquela respostinha que...
SR. MARCELO: Não, o que ela mandou foi a cópia, lá, do que ela
teria enviado. Então, ficou meio... Bem assim, né? Aí eu não sei se eles
vão voltar a [ininteligível 04:31:45], porque a Patrícia perguntou...
Agora, por que a gente está falando disso? Porque você perguntou se
isso seria até a próxima pauta do estudo da Ferreira Rocha e da
Diversus. A gente não tem esse tempo na nossa mão, né, Patrícia? A
gente quer fechar esse trabalho o mais rápido possível, porque é um
trabalho que também não é simples, que vai durar cinco meses. No
mínimo, né? Porque trabalho também demanda lá de eles programarem,
contratarem... Ou se organizarem, que não é simples. Então, quanto
antes a gente der o aval, também, mais fácil vai ser. Então, a gente não
vai ter esse tempo, né? Se a gente está... Se a Diversus está em campo,
fazendo trabalho, ou já está no escritório, preparando, e sai lá a pauta, a
gente não vai ter esse tempo, infelizmente.
SRA. PATRÍCIA: Mas o Ministério Público, com esse novo trabalho
da Diversus contratado, pode pedir para [ininteligível]
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SR. MARCELO: Eu, sinceramente, sinceramente, como estratégia,
eu até... Eu não gostaria que o estudo fosse homologado lá, antes, lá,
porque isso enfraqueceria uma tese jurídica de uma discussão, se isso
fosse votado lá, porque o resultado me parece que já quase, que já está
escrito. Né? Infelizmente é a tônica do que a gente tem visto lá no órgão
ambiental. Então, eu preferia que o estudo da Diversus ficasse pronto
antes de qualquer julgamento, mas eu, particularmente, não gostaria de
levar o estudo da Diversus para o licenciamento ambiental, esse novo
estudo. Eu preferia trabalhar ele diretamente com a empresa. Cartas na
mesa, olha. “Estudo está aqui. As propostas estão aqui, vocês vão fazer;
não vão, vão para a Justiça”. Porque, se a gente levar ele para o
licenciamento ambiental, a gente corre o mesmo risco que já correu nos
outros estudos.
SRA. PATRÍCIA: Mas, então, não tem um jeito de chamar a
empresa, cartas na mesa, e falar assim: “Olha, vamos manter fora de
pauta lá na Supram, e a empresa faz o pedido”?
SR. MARCELO: É uma tentativa.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: [ininteligível
04:33:43] não. Entendeu?
[falas sobrepostas]
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Depende do grito. Depende do
grito, da força do grito.
[falas sobrepostas]
SR. MARCELO: Não, não, o estudo foi feito. As conclusões estão lá
apostas. Veio outro estudo para rebater, e a tendência é se homologar da
forma daquele parecer, lá, que foi feito lá pela Anglo. Quer dizer, pela
Eliane e pela Supram, né?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: [ininteligível] Dr. Marcelo.
SR. MARCELO: Desculpa. E aí, quer dizer, correu o mesmo risco,
sabe, Júnior, de juntar esse complemento lá e também vier um outro
parecer, e aí... Quer dizer... Então, nós vamos tentar tratar, não como...
Dentro do licenciamento. Nós vamos tentar tratar no procedimento
administrativo, que foi instaurado inquérito só para isso, entendeu? E aí
vamos falar: “Olha, está aqui as medidas”. Não está, não está, então o
caminho é a judicialização. A gente está entendendo que é um caminho
de a gente não correr esse risco, que é a homologação pelo estudo. Opa,
striptease nesse horário...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Ninguém está filmando.
SR. LUIZ TARCIZIO
podemos encerrar?
GONZAGA
DE
OLIVEIRA:
Pessoal,
SRA. PATRÍCIA: Solicitar a compra do canteiro(F) da Emater.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Agora, assim, a
sugestão que eu ia dar, que eu achei a coisa mais legal que vocês
fizeram como Reasa. Assim, eu fiquei muito feliz daquele oficinho de
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vocês, cobrando a Supram a resposta em relação à apresentação do
relatório da Ferreira Rocha. Na oficina que eu dou, eu falo um negócio...
Tem um negócio que é importantíssimo, que chama Lei de Acesso à
Informação. Isso tem um poder que vocês não imaginam. Se você digitar
na internet... Petição, Lei de Acesso à Informação. Ela está pronta, lá.
ORADOR
microfone]
NÃO
IDENTIFICADO:
[pronunciamento
fora
do
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. Então,
vocês podem... Vocês, comunidade, podem cutucar Emater também. Dá
muito trabalho? Não, gente, não dá. Não estou querendo dar mais
trabalho para vocês, não. Não é isso, quando eu falei, não é dar mais
trabalho. É porque, às vezes, a gente está gastando um tempão,
descrevendo um negócio enorme que vocês estão fazendo aqui, e pode...
Assim, estratégia de cidadania mesmo. Cidadania é o quê? Você
diretamente pode cobrar o Poder Público. Pode cobrar o Ministério
Público, pode cobrar quem quiser.
SRA. PATRÍCIA: É, outro dia, a gente estava Escaneando uma
ação civil pública do Dr. Francisco para mandar para alguém [ininteligível
04:36:24l] que precisava. Aí eu estava lá com a ação cívica, tentando
escanear uma por uma, aquela dificuldade. A Flávia falou assim: “Dr.
Francisco, será que você poderia mandar...”.
SRA. FLÁVIA: [ininteligível] Dr. Marcelo ou Dr. Felipe... Alguém
deve ter?
SRA. PATRÍCIA: Aí ele mandou na hora. Eu falei: “Poxa vida. Eu
estava escaneando...”.
SR. LUIZ
escaneado?
TARCIZIO
GONZAGA
DE
OLIVEIRA:
Mandou
SRA. PATRÍCIA: Não, eu estava escaneando folha por folha, e ele
mandou...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mandou o arquivo digital.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mandou arquivo
digital, ué. Então, uma sugestão só. O Ministério Público pode cobrar lá a
Emater? Pode, vai cobrar. Mas eu achei fantástico o que vocês fizeram...
Puseram o número do requerimento da Reasa. Então, põe lá:
“Requerimento da Reasa número tal, tal. Considerando a Lei de Acesso à
Informação, pedimos informação à Emater sobre eventuais convênios
com a Anglo América. Enviar cópia para o endereço tal”. Ou endereço
eletrônico ou endereço físico.
ORADOR
também.
NÃO
IDENTIFICADO:
Manda
para
a
prefeitura
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Né? Olha, é de
uma folha. Vocês fizeram um modelinho, vocês vão ver como isso é
muito importante. Isso faz parte lá da minha oficina, que eu estou
adiantando aqui.
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SR. SANDRO LAGE: Um tempo atrás, aí, eu saí do... Até
extrapolei o meu papel de secretário, cheguei até a propor barricada,
algumas coisas assim. Mas extrapolei um pouquinho o meu papel. Eu não
posso, não posso.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas você não retira o que você
disse?
SR. SANDRO LAGE: Não, não retiro, não. Mas não posso ficar
levantando bandeira, não. Tenho minhas limitações como secretário, mas
fui... Alguma coisa me provocou a novamente propor para vocês aí que
pensem... Eu não sei aí, promotor. Aí é uma consulta. Ação civil popular.
Ação popular. Não sei. Ou seja, gente, vocês têm um poder de
mobilização, hoje, grande. Vocês já têm uma... Duas pontas aí que já se
uniram aqui em Conceição, desde o porto, aqui. Então, eixo Rio... Eixo
Minas-Rio eu acho que dá para mobilizar muita gente. Eu não sei com
relação a números de quantas assinaturas precisam. Uma...
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Ação popular é.
SR. SANDRO LAGE: Nossa, gente! Então, a dica está aí.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sandro, você combinou isso
com o Luiz ou com o Dr. Marcelo?
SR. SANDRO LAGE: Por quê?
[fala sobrepostas]
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Estou falando: você combinou
isso com o Luiz ou com o Dr. Marcelo?
SR. SANDRO LAGE: Não, gente, porque a gente fica... Eu acho
que a ideia aqui de... É ótimo, mas essa repetição... Hoje eu senti um
certo retrocesso. Eu senti um retrocesso. Eu até brinquei aqui: “Poxa,
gente, mas tem muito novato aqui hoje”. Mas nada contra os novatos. Os
novatos estão chegando, mas, se a gente ficar aqui, repetindo... Toda
vez que um novo chegar, a gente ter que ficar repetindo aqui. Tem dois
anos que a gente está repetindo a mesma coisa. Então, gente, vamos
partir para a ação, tá?
Bem, eu tenho tentado via governo, mas via governo é muito difícil
eu desempenhar uma ação civil pública.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Qual que é a sugestão?
SR. SANDRO LAGE: Olha, tem quanto tempo que você está
munido com bala aí... Tem quanto tempo? Então, gente, as coisas... A
gente vai produzindo... Eu não consigo via prefeitura, mas vocês são
livres. Não é?
ORADOR
inclusive...
NÃO
IDENTIFICADO:
Hein,
Sandro?
Ele
pode
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Vocês podem se
arriscar mais, é isso. Ou ser mais inconsequentes.
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ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Hein, Sandro? Hoje ele é
público?
SR. SANDRO LAGE: Oi?
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O parecer, hoje, é público?
SR. SANDRO LAGE: Uai, se não for, meu filho... Está na sua mão,
aí, o dono do dinheiro... Ele foi pago com dinheiro público. Ele não tem
[ininteligível 04:40:05].
[falas sobrepostas]
SR. MARCELO: Teve um... A Cris até comentou aqui... Aquele
Conselho Consultivo de Desenvolvimento, que foi criado e apelidado de
Conselhos Notáveis. Semana passada eu participei até com o Ricardo e
com o Sandro de uma reunião lá. Eles estavam lá com uma pauta de
exigências para a Anglo. E a gente falou que era interessante eles, de
alguma forma, conhecerem a Reasa. Eu não sei. Eu não sou daqui, e as
pessoas estão aqui, mas não moram daqui. Então, sempre tem aquela...
A história por trás de tudo, né? Mas, de alguma forma, trocando em
miúdos, assim, eu achei que eles estavam interessados em...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Monetarizar...
SR. MARCELO: Não, não é monetarizar; é cobrar da empresa a
responsabilidade. Eu não sei de que forma. Talvez monetarizando ou...
Isso não ficou claro, mas eles estão também no papel de cobrar as
contrapartidas da Anglo.
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E nós temos... Tem um cara lá
que eu ia sugerir depois da reunião, mas posso sugerir agora. Chamar,
pelo menos, se não for todos os Conselhos, o Chico Maia(F) para vir aqui
e trazer a [ininteligível 04:41:09]. Acho que... Nós não vamos perder
nada.
SR. MARCELO: É, me parece que o papel do Chico Maia é mais ou
menos de ser o... Como é que chamo o... Porta-voz ou assessor de
comunicação daquele...
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Chico Maia é jornalista, né?
SR. MARCELO: É, jornalista. Daquele Conselho. Eventualmente
ele pode também encampar algumas reivindicações que seriam mais da
Reasa.
SR. SANDRO LAGE: Historicamente, as elites locais muito mais
representam os de fora do que os de dentro. Isso... As oligarquias, tal...
E o Conselho talvez represente muito isso, mas será que, da mesma
forma que eles são elite, tal, eles têm acesso a pessoas que estão lá em
cima, que podem interferir ou influenciar no processo?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Olha, nós conseguimos
pescar(F) os e-mails dos [ininteligível], aí a gente resolveu que a gente ia
mandar tudo para os [ininteligível]. Então, a gente está mandando tudo
para os [ininteligível]. Se eles estão falando que são alheios a tudo que
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está acontecendo, é mentira, porque nós já pescamos os e-mails deles, e
a gente já está mandando. Uma forma... A gente não...
SR. SANDRO LAGE: Eu posso te falar que eles já conhecem muito
bem a Reasa e que eles têm muito interesse inclusive em participar, em
ouvir...
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É, e lá... Lá...
Essa reunião foi no Ministério Público... O tempo todo foi dito que era
necessário eles conhecerem. O Paulo César(F) insistiu muito nisso, a
gente também. Eu só estou mencionando assim porque eu não... Não sei
o que é que está por trás, talvez. Eu sei que tem gente lá que está
interessada em mudar. Eles têm uma visão mais urbana do problema.
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É, pois é, mas é preciso
mesclar mesmo, porque talvez a gente não consiga...
[falas sobrepostas]
ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Oi?
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Depois de Conceição, 20
quilômetros para frente, vocês nunca foram.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas é importante
ter alguém que está brigando pelas coisas lá de Conceição também,
gente. Assim, é uma estratégia que é importante...
[falas sobrepostas]
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, mas, assim,
se tem alguém fazendo esse papel.
SR. SANDRO LAGE: Eu... Tem dois anos que eu estou falando
que nós não podemos nos dar o luxo de deixar de lado um possível
companheiro, mesmo que... Eu não posso [ininteligível].
SRA. PATRÍCIA: Ô, Luiz, então, eu te passo os encaminhamentos
depois. Posso só ler aqui para você?
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Vamos ler os
encaminhamentos?
Assim, por exemplo...
SRA. PATRÍCIA: [ininteligível] Ministério Público, solicitando
informação dos procedimentos e investigação realizados na propriedade
da Fazenda Miranda e [ininteligível].
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. Agora,
assim, eu faço várias dinâmicas, que eu acho que todo mundo tem que
pegar responsabilidade. Você também se compromete, de lá, a procurar,
porque, assim, cidadania é [ininteligível], ir no órgão público, entendeu?
SRA. PATRÍCIA: Aqui está solicitado cópia do convênio com a
Emater.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, aí quem
vai fazer? Porque dizer... Quem vai fazer? Reasa? Vocês querem fazer só
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vocês ou Ministério Público também, ou não? Tá. Então, a gente vai fazer
e vocês. Não, faz, encaminha.
SRA. PATRÍCIA: A gente faz pela Reasa, encaminha para o
Ministério Público.
SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não precisa, não.
Não gasta.
SR. MARCELO: Eu faço para Emater e eu faço para a ANA(F).
SRA. PATRÍCIA: A gente replica para o MP.
SR. MARCELO: Não, eu faço na Emater, que aí você pode usar o
acesso à informação, esse exercício de cidadania, e eu faço para a
ANA(F).
SRA. PATRÍCIA: Isso, mas aí a gente põe com cópia para o MP.
[falas sobrepostas]
ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Qualquer coisa... O Dr. Marcelo
está escutando.
SR. MARCELO: Você tem direito. Não precisa o Ministério Público
[ininteligível]. Você tem direito de pedir informações também. Tem
direito de fazer isso. Exerça...
[falas sobrepostas]
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São Sebastião do Bonsucesso ( Sapo)