Reunião Reasa - SAPO Reunião Reasa - SAPO SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: ... De Minas Gerias, da Coordenadoria de Inclusão e Mobilização Sociais. A gente gostaria de iniciar a nossa reunião, e, antes de começar, né? A gente sempre convida as pessoas das diversas comunidades que estejam presentes, para sentar na roda, aqui, com a gente, e... Que a gente se aproximar mais, quem está mais aí no fundo, vamos chegar mais perto. A gente... Lá na Cimos, a gente sempre insiste que a roda funciona bem demais para as coisas. Então, não precisa reinventar a roda, não. Ela é muito boa. Então, representantes aí, das comunidades que estão presentes, da Água Quente, aqui do Sapo, associações, quem quiser discutir mais... Mais... Mais perto com a gente, aqui, para a gente passar a palavra. Por favor, vamos sentando aqui. Parece que hoje a gente tem pessoal de Dom Joaquim também, né? Então, por favor, pode ficar mais perto da roda aqui, para a gente passar a palavra e ficar fácil. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: [ininteligível 00:01:33] Eu comentei com o Fernando da nossa reunião itinerante de PPA(F), e ele é da associação de lá. Ele até acho que é presidente, atualmente. [falas sobrepostas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE cumprimentar no final da reunião [ininteligível]. OLIVEIRA: Vamos Para começar, nós estamos um pouco atrasados por vários motivos. Mas um deles é que o Dr. Marcelo, que é o promotor aqui da comarca de Conceição, que é o, digamos, meu chefe aqui, ele está lá agarrado no Fórum, numa audiência que não terminou. Um júri, lá. Essas coisas lá da Justiça, que ele não pode sair nesse momento. Então, eu liberei-lhe um motorista. Está lá na porta, esperando acabar a audiência. Na hora que acabar a audiência, ele entra no carro e vem correndo para cá. Mas, nesse momento, ele está lá. Então... Né? Se vocês... Eu falei com ele que a gente começaria. Eu acho que tem vários pontos para ser tratados e se a gente... Vocês acharem que a gente deve começar sem ele, a gente começa. O que vocês acham? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Acho que sim. A gente pode... né? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu acho melhor ir adiantando, STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Vamos adiantando. Eu acho que tem muita coisa na pauta, né? E a primeira coisa que eu vou aproveitar que o Dr. Marcelo... Não está aqui. É sobre... Antes. A gente... Em relação a filmagens, né? Toda reunião a gente pede autorização antes para a comunidade em relação a filmagens. Então, hoje tem uma pessoa que quer filmar, né? E, a gente vai perguntar a vocês, né? Se a pessoa quiser vir cá se explicar, quem que é, para que é que ele está filmando. Aí vocês é que autorizam ele filmar ou não, está certo? É Bernardo, né? Pode... Você quer falar, Bernardo? SR. BERNARDO: Boa noite, pessoal. Meu nome é Bernardo. A gente veio hoje conhecer o trabalho aqui. A gente está fazendo um documentário, sobre a questão da importância da água, aqui, em toda a nossa região, quadrilátero ferrífero. E, principalmente relacionado aos projetos de mineração que estão ocorrendo. Então, a gente está conhecendo como que isso está acontecendo e para construir um filme sobre isso. E aí, a gente... Nós trouxemos um equipamento que está ali, que, se vocês autorizarem, a gente... Não vamos conseguir filmar tudo, mas algumas falas, de algumas pessoas, que depois a gente conversa pessoalmente, a gente gostaria de ter essa oportunidade. Esse filme é para nós mesmos. É para a gente mesmo poder conscientizar o que é que está acontecendo. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu vou complementar o que o Bernardo falou. Eu e ele estamos nesse projeto. Essa reunião de hoje a gente ficou sabendo pela Patrícia. E, na verdade, é... A nossa ideia inicial nesse filme era falar sobre a Serra do Gandarela, que é uma serra, ali, perto de Belo Horizonte, que a Vale quer fazer uma mineração gigante. E aí, a gente queria fazer um filme, que a gente pensou assim: “Vamos falar da Serra, mas vamos pegar lugares que já começou os projetos, e que a desgraça já começou para mostrar para as pessoas de lá que, assim, olha, é isso que vai acontecer”. Então, a gente, na verdade, a gente pensou em filmar um outro local. Conversando muito com a Patrícia, as informações que a gente tinha aqui de Conceição, a gente pensava assim, olha: “Conceição é muito dramático. É, assim, nem começou de fato, assim, a extração, e os problemas relacionados à água são dramáticos, para agricultura, para o abastecimento, etc., etc., para o lazer das pessoas”. Então, a gente ficou pensando em pegar o caso de Conceição para ser nosso... Um exemplo máximo, assim, de como que a mineração de ferro pode afetar negativamente a vida das pessoas, e só para dizer que, assim, a gente está querendo dizer pra que e para quem é que está sendo feito isso, assim. A nossa premissa é que, com certeza, essa riqueza não está ficando para quem mora aqui na região. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, aí, o pessoal da comunidade é que decide, aí, se eles podem filmar. O que é que o pessoal acha? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eles são do Movimento pelo movimento pelo [ininteligível]. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É só apresentar o pessoal, né? 2 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR Não tem problema nenhum. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: O pessoal aí tem problema? Pode... Se alguém tiver problema, se manifesta. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, eu acho até bom, para estar registrando isso. Agora, tinha que pegar também os pontos das águas, ali dos rios que está sendo afetado. A cachoeira, que pediu autorização para filmar lá, a cachoeira, a água do Pereira, as águas que estão sendo afetadas, aí, para incluir nesse documentário. SR. BERNARDO: É a primeira vez que a gente vem e a gente vem para saber mesmo. Então, a gente tem disponibilidade de voltar aqui outras vezes. Estamos abertos a conversar. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Principalmente retornar com... SR. BERNARDO: Com os trabalhos... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu só vou fazer uma pergunta com relação ao seguinte: a utilização da imagem disso aqui... A utilização da imagem vai ser... Como vai ser? Vai ser utilização pública ou se vai ser uma coisa mais restrita. Você falou assim: “Ah, isso aqui é para a gente mesmo”. Mas é ‘a gente mesmo’ como instituição ou ‘a gente mesmo’ como um órgão que está por trás disso aí tudo? SR. BERNARDO: Não. ‘A gente mesmo’... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Para mobilizar. SR. BERNARDO: ‘A gente mesmo’ população, classe trabalhadora. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. Mas... SR. BERNARDO: ‘A gente mesmo’ que eu estou falando não é um material que vai ser comercializado. É um vídeo que está sendo... É um vídeo que tem um apoio de algumas organizações para ser... Ele é público na internet. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, as pessoas que estão autorizando, elas têm que saber o seguinte: que eles vão estar... A partir da autorização que vocês estão dando aqui, eles vão estar usando essa imagem via internet. De repente, tem gente que não quer isso. Abrir ali o computador, vamos dizer assim, e, de repente, ele está ali, com a fala dele sendo exposta, com a imagem dele sendo exposta, e ele autorizou isso. Então, a gente... Eu não tenho problema nenhum com isso. Eu só estou falando porque tem pessoas aqui, que eu tenho certeza que não entenderam essa situação de isso aí vir a público. Porque é isso que eu estou querendo saber. Então, vai a público, né? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É, essa questão que ele está colocando é delicada mesmo. Só que eu acho que as pessoas que estão aqui, podem também, pedir uma exibição antes, né, de ser divulgado. Uma exibição para essa comunidade que está aqui, hoje... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ou, então, a pessoa que não quer publicidade, chegar... Se todas as outras não tiverem nenhum 3 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR problema, quem tiver pode chegar e manifestar, ou individualmente ou publicamente... E fala assim: “Olha, eu não estou...”. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: A gente pode passar os nossos contatos. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Quem achar que tem problema, né, que não gostaria de ver seu rosto no filme, tudo, pode falar assim: “Eu não quero”. Na hora que for editar o filme, tira, né? O rosto dessa pessoa, ou a fala dela e tal. Então, talvez uma exibição antes, para essas pessoas presentes aqui fosse interessante. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Acho que está... Podemos seguir, então? Se alguém não quiser, quando for falar, fala: “Não quero”, e aí a gente... Vocês registram. Então, está certo. Então, pessoal do [ininteligível 00:09:03] aqui, sempre grava para a gente com o gravador. Está gravando, né? Bom, então, a primeira parte que eu vou propor aqui são esclarecimentos... Eu recebi a proposta de Ata de vocês, e... É uma proposta... Eu estou achando ela muito longa. Eu ia propor duas coisas aqui, para vocês pensarem. A primeira é a gente botar um teto para a reunião. Porque senão a gente vai sair daqui duas da manhã. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E, hoje não tem lanche. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: E hoje não tem lanche, né? Então, vamos botar um teto para a reunião? Que aí eu vou controlando... Eu vou tentando controlar aqui, tá? Nós estamos começando seis e meia, né? No máximo, até nove e meia a gente parte para encaminhamentos. Mas nove horas eu vou chamar a atenção para isso. Está muito? Está pouco? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tá bom. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Bota dez horas. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, nove horas eu vou chamar para os encaminhamentos. Tá. [falas sobrepostas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, está certo. Agora, primeiro, esclarecimentos que foram solicitados via e-mail. Que eu acho que é a primeira coisa que a gente precisa de esclarecer para começar a reunião. O nosso blog está com vários problemas. Quem acompanha pela internet deve ter percebido que várias funcionalidades não estão rodando certinhas, né? Eu recebi alguns e-mails perguntando, né? Fui respondendo na medida do tempo que eu tive para respondê-los, né? Afinal, a gente tem vários outros trabalhos além de Conceição. E ontem eu fiz... Eu respondi um último e-mail sobre este problema. No email, eu até digo que ia esclarecer na reunião. Vou fazer isso de uma vez, pode ser? Eu vou... Eu vou... Bom, não vou ler, não, porque é muito chato, né? Quem quiser tem aqui, mas basicamente é o seguinte: o nosso... Recentemente, o portal do Ministério Público, que é lá na 4 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR internet, onde que todo mundo acessa, mudou de domínio. O que significa isso? Ele tinha um endereço, mudou para outro endereço. Quando essa... Quando acontece essa mudança, normalmente é um trabalho enorme que dá isso, né? Aí, quando aconteceu essa mudança, tiveram muitos transtornos por conta do pessoal de Tecnologia da Informação, lá, que não conseguiu fazer essa mudança da maneira mais adequada. E, ao mesmo tempo, nesse mesmo período de mudança do domínio do portal inteiro do Ministério Público, que armazena todas as informações do Ministério Público no estado inteiro, não é só aqui para Conceição, no caso aqui, o nosso blog teve que mudar. É um blog onde que ficam as atas da Reasa, onde que divulga a pauta... Teve que mudar de domínio. Concomitante a isso, os servidores do Ministério Público de Minas Gerais estão em greve, está certo? Então, quem domina de Tecnologia da Informação, quem domina de internet, que põe o blog no ar, que resolve os problemas, está em greve. Logo, nós não conseguimos resolver esses problemas, tá? Então, quer dizer, temos os dados, né? Estão lá no backup, mas a maneira de colocar isso no ar a gente... Nós, da Cimos, não temos domínio nenhum sobre isso, né? Então, esse conteúdo, né? No dia 6 de agosto, o Rafael que acompanhou, que é um pesquisador que acompanhou aqui, mandou e-mail para a gente, a gente... Que ia tentar solucionar, né? Outras pessoas mandaram e-mail, o Irineu, o Estanislau(F) e o Élcio, que a gente respondeu ontem à noite. Então, quer dizer, o blog está fora do ar, nós estamos com dificuldade para colocar ele no ar, por enquanto, por esses dois motivos: greve de servidores e junto com essa troca de endereço lá do site. A greve, inclusive, afeta no meu trabalho aqui. Eu, por exemplo, estou furando greve. Meus colegas de sindicato devem estar bravos comigo, porque eu estou furando greve para vim fazer reunião com a comunidade. Então, está havendo greve, né? Hoje eu não consegui, para vocês terem ideia, trazer ninguém do apoio logístico. Porque quem monta isso aqui, o Zezinho, que vocês já conhecem. Se não fosse o João Vitor aqui, eu estava dentro d’água. Porque ele que... Ele que me deu uma aula aqui como é que monta som, a altura certa de colocar, o canal certo. Esse menino aqui é o “bicho”. Então, soma-se a isso que hoje é feriado em Belo Horizonte. Então, vocês imaginam o meu trabalho para convencer um servidor a trabalhar de greve e no feriado. Se alguém tiver esse poder de persuasão é o “cara”. Bom, está esclarecido em relação às atas? Qual que é o encaminhamento que eu proponho? Eu não sei, sinceramente, quando a gente consegue botar tudo no ar, tá? Depende da greve acabar primeiro. O máximo que a gente conseguiu ontem à noite foi eu ligar para uma servidora, de noite, e falar com ela: “Por favor, põe uma mensagem aí para mim”. Aí ela pessoalmente se dispôs a colocar uma mensagem lá, de novo. “Desculpe os transtornos. Temos problemas na mudança de domínio”. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O senhor devia desmarcar a reunião para um outro dia, então, porque ficou muito mau... Tudo aqui envolvido e está tudo parado, parece. Eu acho que... 5 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É. Mas a reunião já estava marcada, né? Quem marca reunião é a comunidade, não somos nós do Ministério Público, entendeu? Então, assim, o que está parado é o quê? É a internet lá. Mas a vida funciona fora da internet, né? Então... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Bastante. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Na verdade, ela funciona é fora. Lá é só um canal para falar como é que ela funciona aqui fora. Tá ok? Algum esclarecimento a mais do que isso? Pode perguntar à vontade. Então, está certo. Então, em relação às atas que estavam lá para ser aprovadas, nós descumprimos a regra que nós mesmos combinamos com a comunidade. Qual que é? Que dez dias antes da reunião vai estar no ar a Ata para todo mundo ler e dizer se é aquilo mesmo que falou, tá? Então, esse é o primeiro problema do primeiro ponto de pauta. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Mas essas atas vão ficar suspensas até a gente ter... A disponibilidade disso, e eles fazerem a aprovação quando for possível. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso. Aí, como é que a gente aprova? Precisa de ter outra reunião ou a gente consegue... Quando estiver disponível, eu faço um comunicado, peço às pessoas para... Isso que eu queria saber de vocês. Para ser mais rápido. Ou deixa mesmo para a próxima reunião? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Deixa para a próxima. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Deixa para a próxima? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. Então, alguém anota para mim, então, que o primeiro encaminhamento é esse: as atas ficam... Aprovação das atas anteriores fica para a próxima reunião. Tá. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Tem quantos suspensos já com eles? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Desde novembro. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Então, não é só por conta da internet nem da greve? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, não. Por nossa conta agora. Agora, você pode explicar a outra parte? SRA. PATRÍCIA: Antes disso, a gente tinha feito alguma solicitação de modificação da ata, porque tinha algumas complementações que a gente entendia que eram necessárias. E, posteriormente a gente pediu para que fosse mantida a íntegra de algumas falas que a gente entendia que era indispensável para uma compreensão do todo, assim, do conflito como um todo. Então, a gente solicitou ao Ministério Público, e acho que a gente... Formalmente a gente 6 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR não teve uma resposta, mas eu acho que isso está significando que vai ser possível, né, Luiza? Assim, a transcrição na... De maior parte, né? Ou da essência do que for indispensável das falas da comunidade, enfim, de todos, não é isso? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sim. Daquelas atas que não foram aprovadas, né? Das atas aprovadas, infelizmente, não tem como fazer mais nada, tá? Agora, as atas não aprovadas... Agora, eu gostaria que vocês apontassem os trechos, já me ajudando a transcrever. Porque eu continuo com esse problema de servidores em greve lá, né? Então, para agilizar o processo, eu não tenho condições de bater o escanteio e cabecear para o gol. Então, se você identificou lá, naquela parte: “Olha. Está esse trecho”, e você teve que ouvir o áudio para poder transcrever a reunião, põe lá. Manda com o trechinho já colocado, pode ser? Quem que está... Na verdade, você já mandou né, Patrícia? Eu estou falando aqui, mas você já fez isso, né? SRA. PATRÍCIA: Algumas, né? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Algumas, tá? Então, assim, o trecho que você achar relevante já manda transcrito lá que a gente altera, tá? Bom, nós estamos em uma discussão muito fechada por enquanto. Em relação a isso, podemos avançar? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Podemos. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. A comunidade, então, propôs esse... Essa pauta aqui, não é isso? Então, seria fala breve sobre os últimos acontecimentos mensais, após a reunião de março, e encaminhamentos de cada. Então, quem quiser falar fique à vontade. SRA. JOANA: Eu vou começar a falar, e quem esteve nessas apresentações também, por favor, complementa, né? Alguma coisa que eu deixar de falar. Bom, a última reunião nossa, da Reasa, foi em março. Em abril, nós não fizemos reunião da Reasa, mas fizemos uma reunião em Diamantina, e aí, em Diamantina, foi a discussão da apresentação do relatório da Diversus, que não foi apresentado aos conselheiros, né? E a gente foi lá justamente discutir essa questão. Então, por isso não houve reunião em abril, mas a comunidade se encontrou na reunião de Diamantina, do dia 18. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Nós fizemos uma reunião da Reasa uma na manhã da reunião... SRA. JOANA: É. Na manhã da reunião em Diamantina, a gente fez um encontro, lá em Diamantina mesmo. Mas não foi, assim, na comunidade local, como a gente tem hábito de fazer. Não foi feito. Mas foi feito lá em Diamantina. Antes da reunião no Copam, foi feito uma reunião lá, com elementos da Supram, também, para discutir questões da comunidade, questão do relatório da Diversus que não tinha sido apresentado aos conselheiros. E essa ata também tem que ser disponibilizada. Nós estamos tentando, a duras penas, ouvir o áudio 7 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR todo, transcrever tudo. Outra coisa: nessa reunião de Diamantina, a gente falou o quê? Que ia apresentar a reunião e os encaminhamentos. Ficou tirado que a Supram faria uma visita técnica às comunidades, que seriam avaliadas as condicionantes não cumpridas e... Qual foi o terceiro, Júnior? Ah, o relatório da Diversus seria apresentado, seria feito um novo estudo para ser apresentado às comunidades, que complementaria o relatório da Diversus. Foi falado isso, né? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Há ciência que eles estavam esperando. SRA. JOANA: É. Eles estavam esperando esse estudo que completaria o relatório da Diversus. Isso foram os três encaminhamentos de abril. Bom, em maio, também, nós não fizemos reunião da Reasa. Por quê? Em maio nós tivemos, dia 6 de maio, a Audiência Pública em Belo Horizonte. Vocês lembram que nós fomos para a rua, de apito, todo mundo animadão, de faixa, né? Foi muito legal, e tinha muita gente, graças a Deus, né? Foi um movimento muito bom que a gente fez. Então, o movimento de maio foi esse. Também em maio teve uma outra questão relacionada aos atingidos e a situação de Conceição. Que foi a assinatura do TAC pelo MP. Porque a reunião nossa de maio foi dia 6, e essa assinatura do TAC foi dia 16. Depois a gente vai conversar mais um pouco sobre essa questão, né? Em junho nós também não tivemos reunião. Por quê? Em junho, nós tivemos, dia 5, a Audiência Pública em Conceição do Mato Dentro. Vocês lembram também, né? Eu não fui nessa, mas todo mundo aqui estava lá, pelo que eu vi nos vídeos, né? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Julho. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Julho. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Julho. SRA. JOANA: Julho? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É. SRA. JOANA: Julho. Junho não teve, não. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Em junho nós fizemos o encontro... SRA. JOANA: Não. Cinco de junho teve audiência em Conceição; 12 de julho teve reunião em Diamantina também. ORADOR apresentou... NÃO IDENTIFICADO: O Ministério Público SRA. JOANA: É. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A Ana Cláudia apresentou... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Teve um intercâmbio... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É. Teve um intercâmbio... SRA. JOANA: Teve um intercâmbio de Açu. 8 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Na semana seguinte. SRA. JOANA: Também na semana seguinte. E 12 de julho nós tivemos outra reunião em Diamantina, onde seria apresentado o relatório da Diversus, junto com o relatório que a Anglo encomendou, que chama Ferreira Rocha, e o parecer da Supram sobre os dois. E, que a gente foi justamente para evitar que fosse apresentado os dois juntos, já que a gente não conhecia a origem do relatório feito pela Anglo. Quem pediu? De onde surgiu, né? Qual a origem dele. E aí ficou... Nessa reunião de 12 de julho, o relatório não foi apresentado aos conselheiros. Nem o da Diversus, nem o da Ferreira Rocha. Porque a gente pediu para não apresentar o da Ferreira Rocha. Eles não apresentaram nem o da Diversus nem o da Ferreira Rocha, que era a empresa que a Anglo encomendou para fazer o estudo. E esse estudo seria um estudo para dizer do cadastro socioeconômico, né? De quem realmente são os atingidos. Que eles disseram que, no relatório da Diversus, isso estava inconcluso, estava incompleto, que precisaria complementar, né? E aí, pela nossa leitura, pelo nosso entendimento, além de não ter concluído nada, ele também... A gente não sabia a origem dele. Ele foi aprovado por quem? Recomendado por que órgão ambiental? Quando que foi decidido que estava legítimo esse estudo que a Anglo fez? Então, não aconteceu a apresentação desse relatório do dia 12 de julho. Então, todos os meses nós tivemos ações, e, agora, em agosto, a gente retoma com as reuniões da Reasa. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu só queria complementar a Joana(F), falando... Joana(F), se eu não estou enganada, a Audiência Pública foi em julho, foi dia 5 de julho. Porque na semana seguinte que a gente foi para Diamantina. Mas... SRA. JOANA: Ah, foi... Cinco de julho. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Falar que tiveram outras Audiências Públicas Em Conceição também que alguns que participaram né? Para tratar de anel rodoviário e também uma reunião do Copam que teve depois para tratar do cadastro dos atingidos... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Condicionante 105. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É, para tratar da Condicionante 105, né? Que é uma outra deliberação que, no órgão ambiental, também, lá, surgiu e que a maior parte dos atingidos também tiveram presentes e destacar a confraternização, né? A comitiva de Açu que teve aqui, que também foi um outro momento. Então, nós estamos, com isso, falando que, embora as reuniões da Reasa não tenham acontecido, nós nos encontramos várias... Nós todos aqui, nos encontramos várias vezes ao longo desses meses e que, né, que tivemos várias agendas, vários compromissos e vários compromissos que tiveram, inclusive, alguns resultados, né? Então, estou só querendo fazer essa... Dar essa ênfase. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Quando a gente fala que a reunião não aconteceu, não significa que o grupo esteja parado. A gente está dizendo que a reunião para cada um falar de como que está a situação do seu local, como que está a sua vida hoje. Nós ficamos quatro 9 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR meses sem conversar entre nós sobre as nossas questões, os nossos processos, como é que está o movimento na minha comunidade, na minha roça, na minha moradia. Nós paramos de conversar sobre isso. Mas a gente está movimentando sobre os encaminhamentos em relação ao empreendimento, tá? Porque a Reasa, ela tem essa função que é da gente colocar o que nós estamos vivendo, o que nós estamos sofrendo, o que está melhorando, o que está piorando. Uma das funções dela é a gente se ouvir. Saber do problema do outro, o outro saber do nosso problema. E, isso a gente não tem feito, e isso é que a gente está querendo retomar a partir de hoje, tá bom? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sobre isso mais alguém quer falar? Sobre esse percurso aí. Então, vou... Então, vamos prosseguir né, pessoal? O ponto dois, que eu acho que a sua fala terminou nesse sentido. “Falar dos representantes de cada comunidade sobre a situação atual de relação...”. Desculpa. “Falar dos representantes de cada comunidade sobre a situação atual de relação e ação da empresa e os impactos atuais e a situação geral da comunidade”. Então, vamos começar por cada uma delas. Então, vamos lá. Aqui pelo Sapo. Já podíamos começar pelo Sapo. Tem alguém aí da comunidade do Sapo? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu. Tem mais pessoas lá atrás. SR. GILSON: Boa noite. Meu nome é Gilson. Eu sou nascido aqui em São Sebastião do Bom Sucesso. Eu moro em Belo Horizonte, mas toda reunião eu tento estar presente. Até mesmo para estar acompanhando de perto o que está acontecendo. E, dentro do que eu vejo a comunidade do Sapo, aqui, era uma das produtoras de farinha da região aqui, que fornecia farinha para Conceição do Mato Dentro. Hoje, se você caçar um pé de mandioca aqui na região, você não consegue. Então, hoje, eu fico triste de chegar aqui, numa casa de família, até eu mesmo, trazendo farinha de Belo Horizonte, comprando farinha no Seasa. Então, esse é um dos fatos que tem acontecido aqui na comunidade do Sapo. Aqui, antigamente, nem luz elétrica tinha e era uma comunidade alegre, era uma comunidade festiva, unida. E, hoje, a comunidade, aqui presente, mesmo, na reunião aqui, são meia dúzia de pessoas. Então, eu fico triste de saber que a minha comunidade aqui, está se acabando por nós mesmos. Porque a gente tem que unir e ver que realmente é uma comunidade boa, uma comunidade de pessoas que querem o melhor... Aqui embaixo tem um ribeirão que eu brincava nele. Hoje, se você ver a qualidade dessa água, o estado que está esse ribeirão, você consegue atravessar ele com um passo, e a qualidade da água é péssima. Um outro sinal. Aqui, no Sapo, que eu cheguei aqui ontem, aqui não tinha água para beber. Então, nem a Anglo e nem a própria prefeitura está preocupada com a situação do Sapo. Então, eu chego aqui em pleno meio-dia; em nenhuma residência aqui tinha uma gota de água. 10 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR ORADOR microfone] NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do SR. GILSON: Então, isso que está acontecendo no Sapo... Você poderia até vir aqui e passar isso aí. Porque é uma região bacana, de povo bom, de pessoas humildes, que produziam muito, e hoje está aí à deriva, sem saber. Pode falar, Jair. Pode... SR. JAIR: Olha, quando você... Boa noite, pessoal. Meu nome é Jair. Eu sou residente, eu sou morador aqui do Sapo. Não sou morador... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Você fala só o seu nome antes. A gente esqueceu de contar isso. Nas varias reuniões, para quem está vindo a primeira... Quem é a primeira reunião que vem? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Aqui é minha primeira... A primeira reunião que eu venho. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Ah, tá. Então. Para na hora que a pessoa for digitar o que a gente falou... Quem que falou isso? Aí a gente tem o costume de falar assim: “Eu sou fulano, meu nome é tal, da comunidade tal”. Só isso. Meu nome é Luiz, da Comunidade lá de Pé da Serra, lá em [ininteligível 00:30:31] mesmo. SR. JAIR: Meu nome é Jair, da comunidade de São Sebastião do Bom Sucesso. É o seguinte: eu, atualmente, [ininteligível]. E, pegando um gancho do nosso amigo Gilson, ele falou da questão da produção de farinha. Só para não querer entrar nesse assunto, a minha mãe é produtora de farinha. Hoje ela é aposentada, mas ela é produtora de farinha. E eu... Eu posso garantir para vocês que aqui, é difícil ter alguém para competir com a farinha da minha mãe. Tem varias pessoas que conhecem. Dejanira, você é compradora de farinha da minha mãe. SRA. DEJANIRA: Eu sou com certeza, de farinha [ininteligível]. SR. JAIR: Ótimo. Então, gente, o que acontece? Bom, agora, na questão de atingido. Eu sou atingido ali na minha propriedade à direita, nos eucaliptos, indo na estrada definitiva. Vão passar com mineroduto dentro da minha propriedade, mas querem pagar... A mandioca que eu tenho lá, na verdade... A cultura que eu tenho lá... Eu tenho o eucalipto. Mixaria, gente. Coisa que eu batalho... Tipo assim: batalhei para conseguir fazer aquilo, entendeu? Eu acho que é muito mais valioso do que qualquer outra coisa. Nessa localidade, há um mês e meio, aconteceu o seguinte fato: a empresa foi seguindo com o mineroduto e chegou à minha cerca de divisa. Entrou dentro da minha propriedade, tirou os arames tudo, 150 metros de cerca. Eu registrei tudo. Tudo beleza. Ótimo. Mas aí resolveram colocar o arame lá. Certo. Mas aí criação já tinha depredado tudo, já tinha comido bastante... Gado adora mandioca, não é verdade, gente? Então... Outra coisa. Então, eu sou atingido ali por essa causa também. Outra coisa, porque eu não fiz o meu... Eu leciono no Cerro, eu estudei, fiz até o Fundamental aqui em São Sebastião do Bom Sucesso, 11 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR e, assim, cresci aqui mesmo, viu, gente? Eu sou pirralho daqui. E tive o prazer de estar... Trabalhei cinco anos em Itapanhoacanga, e, hoje estou trabalhando em Cerro, que consegui a remoção para lá, graças a Deus, por estar mais próximo de mim. Porque o sofrimento é grande de pegar essa estrada. Porque a gente volta... Eu tenho colegas, professores, que perdeu a perna nessa... Aqui, vindo para... Para poder lecionar em Mato Grosso. Ficou sem a perna. Então, é um outro fato, é um outro fato. Então, quer dizer, eu sou daqui, eu moro aqui, eu vivo o problema daqui e eu estou vendo o problema daqui também. Bom, outro problema. Então, enfrentei tudo isso. Agora, outra coisa que eu fico, tipo assim, indignado com a situação. Eu sempre apoiei a sociedade, a população, os alunos, os meninos jovens, a praticar o futebol. Sempre. Eu sou professor de educação física. Bom, até dei uma força para eles. Mas eu vejo que, por exemplo, como é que eu vou conseguir deixar... Fazer com que eles tenham essa prática se nosso campo virou estacionamento? Lá não tem nada mais. Gente, pelo amor de Deus. Um lazer de fim de semana. Você não tem o prazer... Ô, gente, onde que nós vamos jogar futebol aqui em São Sebastião do Bom Sucesso? Há 10 anos, 20 anos atrás, a gente jogava lá no campo. Lá existe aquele campo lá, pessoal? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não. SR. JAIR: Não existe. Então, o empreendimento passou no meio do nosso campo. Ótimo. O daqui debaixo, o estacionamento tomou contra. Ótimo. Aí, o que acontece? O desmazelo com as ruas é enorme, gente. Eu chego aqui e vejo uma pessoa, duas pessoas que eu conheço e fico satisfeito de ver. “Pô, encontrei fulano lá no Sapo”. Beleza. E fico triste de, ao mesmo tempo, chegar aqui... Eu só vejo gente desconhecida aqui. Pessoas que não te falam “bom dia, como vai”? Que não sabe dos seus problemas. Que está aí, de repente, no bar, bebendo uma cervejinha, entendeu, tomando uma cachaçinha. Até mesmo para relaxar, porque todo mundo é ser humano, não é verdade? E, para viver numa situação desta, para sair lá das regiões deles também para vim trabalhar num lugar totalmente estranho, eu acredito que eles sofrem, e a família deles sofrem mais ainda, não é verdade? Então... Bom, eu não vou render muito mais. Mas eu sou nessa questão de falar que a população, gente, não está sendo atendida e que não tem atingido e que está muito brando, gente... Agora, beleza, falei da comunidade. Agora, só para finalizar, e até mesmo eu não resolveu nada comigo. Eu estou ali. Eu não posso construir, eu não posso fazer... Plantar mais eucalipto, eu não posso plantar... Minha mãe não pode plantar mais mandiocal, se ela quiser. Pelo menos, por um lazer dela, entendeu? Pelo menos por um lazer. Ela não pode. Está impedida. O vizinho já vendeu para a empresa. Também não tem. Então, bom, eu tenho aquilo, eu preciso... Cultivo ali também. Então, [ininteligível 00:36:13] que resolva comigo também a situação e que, não só eu, como várias pessoas aqui, têm os seus problemas, e eu só quis colocar esse ponto aí, e também não deixar que não está acontecendo nada em São Sebastião do Bom Sucesso, gente. Temos que valorizar mais a 12 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR questão dos moradores daqui, e que não deixem depredar, deixar virar terra de povo estranho, tá, gente? Muito obrigado. Desculpa aí. [palmas] SR. GILSON: Ô, Jair, só mais um ponto, Jair. Coloca aí já que... A questão é o seguinte: a incerteza do povo de Sapo. Porque... ORADOR microfone] NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do SR. GILSON: Meu nome é Gilson. Eu só queria colocar para vocês porque o Sapo, hoje, vive numa incerteza. Hoje nós não temos data de nada. Igual à questão dos plantadores, que tinham as suas produções, hoje, não têm mais, porque não têm certeza do que vai acontecer na comunidade do Sapo. Um chega, fala que o Sapo vai acabar; outro chega, fala que a mineração vai chegar e vai invadir o Sapo. E, até então, ninguém nunca chegou aqui para a comunidade e propôs essa reunião para dar uma certeza do que vai acontecer na comunidade do Sapo. Então, essa questão da produção de farinha, todos pararam de produzir porque não têm certeza do futuro, do amanhã. Isso é péssimo para uma comunidade. Então, é isso que a gente está cobrando na questão da resposta: uma resposta exata para você saber o que você vai programar para o seu futuro, para o futuro do seu filho, e não ficar só à espera dessa mineração. Porque essa mineração chega daqui a 10 anos, 20 anos, 30 anos, vai embora. Nossa história aqui no Sapo continua. Então, nós temos que ter uma certeza de informações mais precisas, mais exatas para a gente poder caminhar para frente, independente da mineração. Continuando plantando a sua mandioca, como o Jair falou que a mãe dele gosta de fazer isso também como lazer, e também os produtores da região para fazer igual faziam antigamente. Produziam durante a semana e, aos sábados, levavam ao Mercado Municipal de Conceição do Mato Dentro. Então, é isso que a gente está querendo: uma certeza do amanhã. E isso a Anglo América não tem colocado para a comunidade do Sapo. Todos nós vivemos em uma incerteza do que vai ser o nosso amanhã. [palmas] ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu pedi, Luiz, aqui para falar... Vai ser rapidinho mesmo, assim. Porque nós temos discutido isso várias vezes: como que o processo está sendo feito, como que eles fizeram lá na Água Quente, na Mumbuca, e como que eles estão planejando. E a gente tem feito esse alerta todas as vezes que a gente podia. Eu vou aproveitar aqui o Jair, que veio pela primeira vez, O Gilson e as pessoas do Sapo. Gente, vocês têm que tomar cuidado com esse... A gente fala desse gás letal que a empresa está aplicando em todos nós. É exatamente isso que eles querem. É exatamente povoar nossas mentes com a incerteza, com a insegurança. E, se a gente não reagir contra isso, daqui a pouco... Eu vou falar só de uma questão. Além da história que será interrompida, esse vazio que fica na nossa alma, no nosso coração, nos nossos pés, nas nossas produções, a nossa historia de vida 13 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR completamente, o nosso modo de viver... Eu vou dar um outro exemplo, que é o que a empresa quer também. No momento que, se ela fizer o seu cadastro patrimonial, ela vai chegar e vai falar assim: “Olha, a terra é improdutiva. Há muitos anos já não se pratica mais lá”. Então, Jair, olha, daqui a pouco, quando a Anglo resolver que vai fazer... Se ela resolver que vai considerar você atingido, ela vai falar que a sua terra é improdutiva porque não produzia mandioca, porque não tinha mais nada. E é exatamente isso que é a questão... Além da fragilidade que isso causa em todos nós, essas inseguranças que... Eu estou falando para você, além disso tudo, tem a questão ainda monetária, de falar, de descrever a nossa comunidade como comunidade que não produz, que não tem... Não sabe... Não tem nenhum valor. Não tem nenhuma atividade, certo? Então, fica de novo esse alerta. A gente já tem falado isso várias vezes, mas eu estou falando principalmente pelas pessoas que têm vindo pela primeira vez. Tome cuidado com esse gás letal aí, com esse gás paralisante, tá bom? SR. JAIR: Com certeza é paralisante mesmo. Porque eles fazem e acontecem, e você, que precisa de saber primeiramente, porque é na sua propriedade, você sabe depois ou por acaso. Mais um agravante. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Podemos passar para a próxima comunidade? Quem mais? Alguém já se... SRA. DEJANIRA: Boa noite, gente. Eu fico muito feliz quando estou aqui nesse lugar. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O nome da senhora. SRA. DEJANIRA: Meu nome é Dejanira. Eu sou nascida e criada aqui. Esse lugar é o lugar onde eu fui alfabetizada, aonde eu fiz tudo, quase tudo da minha vida. Aonde eu trabalhei, ganhei os primeiros centavos do estado, aonde eu trabalhei durante bastante tempo, vinte e tantos anos, até aposentar no Colégio São Joaquim, em Conceição do Mato Dentro. Minha mãe era professora. Eu sigo a vocação dela. Minha mãe... Já tem 40 anos que ela morreu. Ela deixou aqui essa escola construída. E até na prefeitura tem o nome dela lá, tem toda a relação, tem tudo, tudo, tudo com o nome dela. E um dia eu vim deparar com o nome de outra pessoa, assim, na porta. Isso dói muito na gente, muito. E eu fico vendo como a alegria que minha mãe reunia o pessoal para fazer tudo. Tudo e tudo. E nada ficava sem fazer. Minha mãe chamava Toedolinda. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Qual o nome dela? SRA. DEJANIRA: Teodolinda. Isto. E, hoje, gente, eu vejo que o Sapo, sem gente, sem nada, o Sapo não atrai ninguém para nada. Atraiu vocês para a reunião. Mas cadê o povo daqui? Além de pouco, o povo aqui não quer mostrar a cara. Eles estão querendo... Acho que com medo, talvez, de alguma coisa acontecer, de encontrar alguma coisa contra eles. Alguma coisa. Estão indiferentes. Além de ser poucos, indiferentes. Então, a gente aqui não sente mais tendo uma família. Eu tinha uma irmã aqui que, por causa dessa confusão de mineradora, ela 14 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR adoeceu com uma depressão fortíssima, acho que de tanta gente estranha, tanto vai e vem. A casa está toda coisa de carro passar na frente. E ela saiu e não voltou mais. Ela ficou doente. Eu acho que, se eu morasse aqui... Eu moro em Conceição. Se eu morasse aqui, eu estaria doente também. Mas eu não vou ficar porque eu não quero ficar doente. Então, eu venho aqui toda vez que precisa de mim. Eu venho aqui para dar curso de crisma para as crianças, venho para dar... Qualquer encontro aqui, eu sempre estou aqui, no meio... Nessa coisa. E principalmente, uma última coisa que eu fiz aqui foi um salão, que eu fico usando em cima. Eu fiz. Fiz com ajuda de muitos amigos, muitas pessoas de boa vontade. E fizemos aquele salão pelo seguinte: eu estava dando curso de crisma aqui e, então, não tinha... Estava sem lugar. Na hora de aula, as professoras ainda pediam licença e eu saía com os meninos. Então, não tinha lugar. Eu falei: “Eu vou fazer um salão aqui para a gente trabalhar”. E fiz um salão lá com a ajuda de muita gente. Muita gente mesmo que ajudou. Principalmente o Gilson. Fez lá campanha em Belo Horizonte para ajudar financeiramente. Porque, na época, o prefeito ofereceu para ajudar e não pôde, não quis. O padre também falou que ia ajudar e não ajudou. Mas eu falei: “Vai sair. Vai mesmo”. Então, eu consegui fazer, graças a Deus. E, hoje eu tive a decepção de pedir essa chave para a gente fazer lá uma reunião, que ele foi feito com o objetivo de reunir pessoas. E eu pedi a chave emprestada para a gente fazer uma reunião e recebi um não na cara. Aí, eu fiquei muito triste. Então, eu fico vendo como que está andando o Sapo. Já não tem nada, e o que tem desse jeito, né? Então, a gente está muito triste. O Sapo está decadente. Já foram falar das coisas, aí, né? O Jair e Gilson, que é meu genro, falando sobre a produção agrícola, sobre as decepções, né? Decepção. Vende o terreno. Compra o terreno... Eles invadem o terreno. Faz um salão, eles invadem o salão. E o que a gente vem fazer aqui? Aqui, agora, virou do povo de fora, e nós não somos de fora, não. Nós estamos usando aqui. Eu estou falando, assim, no objetivo de transmitir para vocês que eu sou a mais velha entre vocês todos... Né, Flor? Menos a Flor, ali. Eu sou a mais velha daqui. O resto tudo pode ser meus filhos, meus netos, né? Mas gente da minha família. E cadê o povo da minha família? Cadê o povo daqui? Eles... Se eles estiverem aqui, eles estão dentro de casa. Por quê? Por quê? Será que eles perderam a esperança? A gente não pode perder a esperança, não. A gente pode lutar, pode ter coisa. Mas esperança a gente não perde, não. A gente trabalha por trabalhar. Mas sem perder a esperança, e sempre confiar que Deus está sempre na frente da gente. O que a gente deseja é o bem de todos, principalmente o bem da comunidade de São Sebastião do Bom Sucesso, porque eu acho que merece ser feliz. Boa noite e muito obrigado, gente. [palmas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Obrigado à senhora, D. Dejanira. Então, nós falamos do Sapo né? Vou sugerir a comunidade, então. Água Quente. Sr. José Bicudo, o senhor quer falar para nós da Água Quente, como é que está a situação? A gente soube que fecharam a barragem, como é que está lá? 15 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. JOSÉ BICUDO: Não, a Darcília. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tarsila. Quem mais da Água Quente estiver aí. Vamos... A gente tem muito tempo que não faz a reunião. Então, aconteceram algumas coisas. Ver como é que está hoje. A água... SR. JOSÉ BICUDO: Deixa para falar depois. SRA. DARCÍLIA: Boa noite. Meu nome é Darcília. Sou moradeira do Passa Sete, próximo à Água Quente. É igual o Gilson disse aí, para a gente. Verdade. Hoje a gente não tem um lazer mais por quê? As águas virou uma grande porqueira. A gente não tem... Os filhos da gente não tomam banho hoje. Hoje eu moro abaixo de um empreendimento que foi feito para cima da casa da gente. Fazem reunião na [ininteligível 00:48:47] e eles falam: “Vocês não são atingidos”. Será que a gente... Ir com um rejeito para cima de uma morada da gente, a gente não é atingido? Sim. A gente é atingido, sim. Imagina um empreendimento estourar em um lugar. Não vai levar todo mundo que mora, os moradores? São muitos moradores. Quase chegar em Dom Joaquim. E, antes eles falavam: “Não. Não existia moradores”. Existe, sim. Que existia só família acima do empreendimento, igual a... Aonde é o empreendimento era o meu lugar da minha terra natal, onde eu nasci, me cresci, me casei e lá morou os meus pais. O meu pai morreu com 63 anos. Morou nesse empreendimento, e, hoje, a gente não tem direito nem de esperar um carro no ponto porque... Por causa de quê? O empreendimento é muito. É homem por todo lado. Apesar... Eu vou falar uma coisa. Nunca, assim, mexeu com a gente. Mas a responsabilidade, o medo que a gente tem de estar num ponto esperando um carro, esperando... Levar um filho para a escola fora de horário. A gente... Tenho medo hoje. Qualquer coisinha a gente é roubado ou é assaltado, ou carro passa por cima. Eu levava criança para a escola. Hoje eu não levo mais, gente, para participar de uma missa por quê? O carro... É muito carro. A gente vê a hora que passa em cima de umas crianças. Não tem jeito. Acabou nosso lazer. Meu filho tem 15 anos. Ele tomou banho no rio, ele estava mais ou menos com sete anos a oito. Por quê? O carro começou a água sujar. Eles começaram a vim. Falaram que depois ia plantar eucalipto, depois falou que a gente ia ter muito trabalho. Até as crianças ficaram alegre: “A gente vai aguar uma planta. Vamos ganhar um dinheirinho”. Hoje está lá a situação que está. A gente não tem água, o empreendimento para cima da gente, fala que a gente não é atingido. Eu sou moradora... Era moradora de um lugar lá. Arruma as coisas para a gente. Toma e não entrega de novo, igual o meu terreno que o meu pai tinha. A gente fez o papel. Mostrou a gente o lugar, levou a gente para poder conhecer aonde. Levou no escritório para assinar, como a gente gostou da terra. E aí, não coube. Coube só um irmão meu. Hoje a gente está jogado. Eles nem aparecem na casa da gente para falar assim: “Nós vamos dar à senhora um dinheiro. Vamos dar à senhora outra terra”. Não tem isso, gente. A gente está vivendo uma vida, igual o Gilson disse: presa, presa, gente. Presa e com a empresa em cima da gente. A gente, hoje, não tem o jeito nem de dormir. Eu digo para vocês: eu abaixo de 16 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR um empreendimento. Tem noite que eu perco até meu sono, porque, além de tudo, nem água nós vamos ter no final de agosto, porque minha água tocava até [ininteligível 00:51:45], podia tocar o [ininteligível]. Hoje ela não dá nem cano de água. E eu acho que a gente vai ficar sem água, e os filhos da gente... Acabou lazer. Igual o meu filho fala: “Mãe, que vontade de tomar banho no rio”. Tomar como? Nem há água hoje. Nem dá bica, porque não dá mais para tomar banho, que vai ter que ficar escolhendo ela numa vasilha para o menino entrar e estar virando com um canecão. Eu acho isso um absurdo. Foi um desinquieto a empresa para a gente. Para mim, principalmente. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Fala sobre a cachoeira, que você foi criada dentro daquela cachoeira do Passa Sete. SRA. DARCÍLIA: É. Tinha uma cachoeira linda, maravilhosa mesmo. Hoje eu tenho um sentimento da gente não ter tirado uma foto dela, quando ela era bonita. Hoje o empreendimento está lá. A gente... Se brincar, não pode passar nem perto lá do Passa Sete para ver o empreendimento que está lá. Só vê barro rio abaixo. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Explodiram a cachoeira. SRA. DARCÍLIA: Explodiram a cachoeira e arrasou. Porque encheu de água. Hoje, aonde era a morada do meu pai, dos meus irmãos, tudo é água, gente. É água. Imagina... E nós moramos, nós, Córrego Quente, uma vizinha minha... Eu sou a primeira que vou rolar pela empresa e pelo empreendimento deles. Porque, se arrebentar lá, até minha casa vai tudo embora. Córrego Quente não vai ficar ninguém, gente. E, eu acho que eles devem olhar... Poderia, sim, estar trabalhando, mas olhasse os direitos da gente que mora dentro do lugar para não ficar prejudicado. Eles não gostam de ficar prejudicados, não. Que, se a gente entrar lá dentro, eles não aceitam, não. Mas entrar dentro do que é da gente, eles entram. A minha tristeza é mais dirigida para água, porque, hoje, um filho da gente não pode apanhar um peixe. Não existe. Eu achei peixe morto, gente, com a parte onde sai a aguinha cheia de bactéria. O peixe inchado. Era a maior tristeza que eu tinha. Hoje os filhos olham a água: “Ô, mãe, que vontade de tomar um banho”. Tomar de que jeito? Tomar no barro? Não tem como. E, quando a gente fala, “Não, não precisa se preocupar. Barragem não vai matar vocês. Nós fizemos com bastante precaução. Não tem perigo”. Mas eu duvido isto. Não tem um homem que faz as coisas maior de tudo do que Deus. Obrigada e boa noite para vocês. [palmas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sr. José. Não precisa nem passar por mim, não. Pode... SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Boa noite a todos. Boa noite a todos. ORADOR NÃO IDENTIFICADO [00:54:35]: Boa noite! Seu José. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É o seguinte: meu nome é José Adilson de Miranda Gonçalves, José Pepino. Fui nascido 17 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR e criado aqui na região, Conceição do Mato Dentro. Nós vamos gravar ali essa passagem de hoje, porque eu vou falar aqui, o que eu já falei há seis anos atrás. Eu não vou dizer nada porque já está gravado pelo Ministério Público. Todos os cabelos da cabeça já caíram de tanto falar. Então, eu vou falar só o que está passando de certos dias para cá. Então, São Sebastião do Bom Sucesso acabou. Eu trabalho no Mercado Municipal em Conceição do Mato Dentro. Não entra farinha, nada mais de Conceição do Mato Dentro. A lotação está pifando. Não faz comida mais no sábado, para o mercado. Acabou. Então, é o seguinte: eu tenho a minha propriedade abaixo da Nascente do Ferrugem, Água Santa, aonde foi construído a barragem. De um lado da Água Quente, o Ribeirão Passa Sete fecha a minha propriedade, divisão com a Dejanira. E eu tenho a água do Pereira, que ela vai... Ela sai da Nascente da Ferrugem e vai na minha casa, divisando com o Romero. Fazenda da Emboeira. Até a minha porta. Tem uma água que desce da ARG, aonde existe a merda. Aonde existe a merda. Eu sou evangélico. Eu não uso falar palavras, certos tipos de palavras, porque eu converti na Bíblia Sagrada, na Palavra do Senhor, que é só ela que existe. Não existe mais nada aqui nesta Terra. Mas é o seguinte: é uma desgraça que entrou em Conceição do Mato Dentro e há mais de seis anos atrás. É uma desgraça que veio. Deus me perdoa. Eu ajoelho, abro a Bíblia e oro e peço: “Senhor, perdão da minha palavra”. Mas é a maior desgraça. Muitas coisas foram boas. Porque não existe carne sem osso. Muitas coisas foram boas, foram bacanas para muitos. Mas, para muitos, foi uma desgraça. Muitos já falaram que a primeira denúncia no Ministério Público foi do Zé Pepino. Está lá na capa, lá no Ministério Público. E há seis anos atrás. Ninguém mais falava aonde estava aí caçando terra para criar cavalo, criar égua, e todo mundo alegre. Queria entrar no ouro. Ia pegar o ouro. O ouro está aí. Mais eu orava a Deus, e o Senhor me falava que ia vim guerra na região, ia vim problema, ia vim atropelamento, ia vim grande desgraça na região. Eu orava a Deus, e Deus me falava, e eu lutando. Porque uma água que eu uso na nascente do Pereira, ela vai dali, vai na minha porta. Na porta ela deságua com a água aonde está a merda da ARG. Está a merda da ARG. A merda você sabe, não precisa de falar, é as fezes. É o atropelamento que vem lá de fora. Quem nunca teve isso na região aqui? Está descendo lá na minha porta, encontrando com a água que desce dali da Ferrugem. Ela sai dali, vai na minha porta e topa com a ARG, passa na fazenda do Romero, encontra com a Passa Sete e vai embora para São José do Jassém, cai no Rio do Peixe, atropelando as propriedades. Muitas pessoas já me falaram... Já falaram de mim, pessoas já falaram que o Zé Pepino está errado. “Zé Pepino não está atingido. Ele não está sofrendo consequências com a Anglo América”. Eu sei se eu estou ou não. A Anglo América já falou em fazenda, e até vem fazendo há poucos dias... E falaram: “Não. O Zé Pepino fica falando em toda reunião. Ele não está atingido, não. Não está atingido, não”. Todo mundo que... Alguém falar de mim lá no outro lado do mundo, eu fico sabendo. E eu vejo a cara na frente. Eu fico sabendo. Aonde eu ando, eu vejo. Então, a água do Passa Sete, determinado tempo para cá, ela clareou um pouco por cima, por 18 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR cima. Ela está clara hoje. Eu já estive nela hoje, olhando. Ela está um pouco clara por cima. Mas um animal que entra, é uma lama, é uma lama, a do Passa Sete. Ela está passando um pouco por cima. Pouca água e, por baixo, lama. Uma criação que entra é um atoleiro, [ininteligível 00:59:56] tudo. Vários dias eu estou vendo caminhão pegando a merda. Eu não vou falar o que é a merda, vocês sabem. Pegando a merda na represa do [ininteligível]. É mesa, [ininteligível], que é aonde foi queimado. O caminhão da merda. Estava vindo o... Vindo o problema. O trabalho deles até no pé de manguita(F), aonde está passando a água do Ribeirão Folheta, vindo de Dom Joaquim. Ali o caminhão jogando a merda para a estrada afora, molhando, apagando a poeira. Estrado do Beco. Estrada aonde que eu fui criado com meus pais. Estrado do Beco, Quati-Beco. Até no [ininteligível], apagando a poeira. Eu vi várias vezes o caminhão saindo das caixas da merda, das caixas da merda de um atropelamento que vem do inferno. Quem doer se doer. Eu não me importo, não. Eu falo o que é correto. O pessoal... Se eu falar uma coisa atropelando as pessoas, eu estou errado Então, o caminhão pegando as merdas das caixas e jogando lá dentro da represa. É minha estrada da minha casa. A represa está toda verde e um mingau dessa miséria. Vem já desde fora, que nunca existiu isso aqui na região. Aqui era saudável. Conceição do Mato Dentro era saudável. Esta água desta represa, ela cai na água da Ferrugem. Ela está descendo lá na minha porta, na minha propriedade. Ela está passando lá no meu terreiro, onde que eu uso 53 anos. Então, semana retrasada, eu fui lá no Ministério Público, eu falei até com o Júnior. Eu falei: “Ô, Júnior, vamos lá no Ministério Público? Vamos conversar com o Dr. Marcelo porque está sem condições lá na minha porta. Eles estão com uma máquina lá, arrebentando tudo lá em cima na Ferrugem. Está difícil”. Aí falei: “Dr. Marcelo, está desta maneira. Está assim, assim e assim. Agora, os meus documentos estão aqui, meu CPF está aqui, minha identidade. O Júnior está aí, não deixa mentir. Se você quiser... Se o senhor quiser ficar com ele aí, gravar aí meus coisas. Pode pegar a policia, me entregar”. Por quê? A Anglo América falou de determinado lugar, que as poeiras do carro é que estava sujando a água. A água da minha porta, a sujeira, a poeira dos carros que estavam passando na [ininteligível 01:03:07]. Poucos dias agora, eu fiquei sabendo, falou em uma fazenda: a poeira estava sujando a água. Aí eu falei: “Pois é”. Aí eu dei meus documentos para o Dr. Marcelo lá na sala do Ministério Público. A polícia podia me pegar, que eu ia levar eles lá dentro da Anglo, lá, que a máquina estava dentro do ribeirão fazendo as lamas. Ela está lá. Ela está lá dentro. Eu fui na entrada de Alvorada levar uma madeira. Está fazendo uma ponte para lá da entrada de Itapoacanga. A água cristalina. A água do grupo de [ininteligível] cristalina. Desce lá do retiro da... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Lá no Arruda. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: No Arruda. Cristalina. A água do Passa Sete clara por cima da lama. Não limpa, não. Não voltou ao normal, não. Ela é minha também, lá na minha propriedade. Voltou ao normal, não... Mas clareou um pouco por cima da lama. Não vou mentir, falar que tem um barro lá, igual. [ininteligível]. 19 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR Agora, a de cá, no dia que eu pedi o Dr. Marcelo para mandar a [ininteligível] lá. Pedi eles para cooperar um pouco para ver se ao menos o gado tomava água lá embaixo, porque não estava tomando. O empregado do Romero mandou o irmão dele tocar a criação para outro lado para tomar água. Agnaldo, o empregado do Romero, fazenda da Poeira(F), meu vizinho lá. Nós dividimos. Ele falou: “Vou dizer, meu gado não quis tomar água, não”. Eu falei: “Pois é. Mas vocês estão tudo quieto. Vocês não têm coragem de ir lá e pedir para tirar a máquina de lá e limpar um pouco. Tem que pedir, falar, uai! Tem que gritar, uai! Quem está doente tem que tomar remédio”. Aí fui lá. Fui e conversei. Aí a água melhorou. Dois dias, a água melhorou para o gado. Melhorou para o gado, não para o ser humano. Voltou um pouquinho a coloração. Dali dois dias voltou de novo e está lá. Hoje, hoje, eu levantei a minha calça para cima. Hoje eu levantei a calça para cima e falei: “Vou entrar lá na minha passagem, na minha porta”. Aí eu entrei. A água está um tantinho assim. A lama. Era bom se vocês fossem para ver. A água está um tantinho assim. O rio da Ferrugem está secando. A água está secando, lama pura. Hoje estava igual sangue. Lama pura e pouquinha água. Se, continuar essa seca aí mais 90 dias, a água lá vai caber numa borracha. Ribeirão da Ferrugem vai caber numa borracha. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA Ferrugem é o Passa Sete ou o Pereira? DE OLIVEIRA: Sr. Zé... SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Não, não. O Pereira. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: O Pereira. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: O Pereira. O de lá é represa. Passa Sete é da Água Quente, é da represa. Porque o carro que eles estão cavando aqui está arrebentando tudo. Lá está espírito de miséria que... Aqui, olha. Eles não estão respeitando lei, não estão respeitando reunião em Diamantina, não estão respeitando deputado. Eu estou entrando lá em mente e levo vocês lá. Eu estou orando a Deus, eu entro lá dentro, e, quando eu entrei lá com os guardas, muitas vezes, eles não me viram e ajeitei lá em visão. Eles não estão respeitando deputado, não estão respeitando Reasa, eles não estão respeitando nada. A Ferrugem está em petição de miséria... Vocês ficam sabendo. E se vocês quiserem entrar lá, reunir umas 100 pessoas, 200 pessoas, e nós entrar lá para vocês verem e registrar, vocês vão saber quem que sou eu que estou falando aqui. A região da Ferrugem está em petição de miséria, e eles não estão respeitando nada. Vou aguardar. Boa noite. [palmas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Para a gente entender, aonde é que está esse... Essas coisas que o senhor falou, o senhor falou para o Dr. Marcelo, lá, já na Promotoria? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: A merda? [risos] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É. 20 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: As merdas? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É, não. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: O senhor sabe o que é merda? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sei. É o esgoto das costas dos alojamentos, é isso? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Mas tudo, né? Quando é uma pessoa só, às vezes, aquilo vai embora, né? Quatro mil homens, dez mil homens que está aí, é montoeira, né? [risos] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Hoje eu passei na promotoria, antes de vir, e peguei o relatório de todos os inquéritos que tem lá, apurando... Porque, às vezes, as pessoas chegam aqui, Sr. José, aí o senhor fala, aí a gente não... Parece que não está fazendo nada. Então, eu fiz questão de passar na Promotoria e pegar todos os inquéritos. Então, tudo que a gente está falando, eu estou tentando achar aqui em qual inquérito que está sendo apurado. Depois, se vocês quiserem, eu até explico um pouquinho como é que funciona isso que o Ministério Público... Para as pessoas entenderem, porque eu acho que é importante esse processo. Mas eu não identifiquei aqui essa última questão que o senhor está falando, de... Aonde que tem máquinas dentro de uma lagoa? O senhor explica só qual que é a lagoa, qual o córrego. E se isso o senhor já falou para o Dr. Marcelo. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Esta represa, ela é ilesa aqui, olha, entrando para o Beco, entrando para o Beco. É uma nascente que sai do acampamento aonde queimou o acampamento da Monte [ininteligível 01:09:33]. É uma nascente que desce da... É uma nascente pertinho lá. Ela nasce lá dentro da área mesmo. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Pois é, eles pegam a água da... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Explica melhor como é que é. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eles pegam a água do esgoto, lá das costas e leva... SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É. E joga tudo lá. Estava jogando tudo lá dentro. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Lá dento da represa? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Dentro da represa. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: E essa represa... SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É que lá tem duas represas. Então, a represa sai do terreno da guerra... Tem um terreno... Tem uma água que sai... Tem uma represa que a água nasce no terreno da guerra. Eles atravessaram os canos da água que vem da 21 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR Dom Joaquim... Essa está beleza. Agora, a outra de cá é que nasce na direção das caixas... Eles tiram a miséria da caixa e joga lá dentro. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Na represa? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Na represa. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: E jogar... SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: E lá tinha várias bombas, lá, trabalhando o dia todo, jogando a miséria fora, e não conseguiu. O dia inteirinho jogando essa miséria lá. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Jogando aonde? Para cima, assim? [risos] SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Isto está... Isto... Isso está velho, meu filho. Isso é velho. Isso é velho. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas hoje está acontecendo isso, agora, nessas semanas, nos últimos dois meses? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Que dois meses? Semana passada a merda estava lá. Cheio de coisa lá bombando para ver se conseguia, entendeu? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Alguém sabe o que que é isso? Porque essa informação é nova. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Isso aqui é aonde estava tendo uns acampamentos aqui em cima. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. Mas essa represa aqui. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É no fundo do acampamento, que sai essa água, que ela corre lá no córrego do Pereira. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Ela corre no terreno do [ininteligível]. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas tem uma lagoa mesmo? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É, é uma lagoa. É uma lagoa pequena que já tinha... Tem a nascente lá. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É a... Nasce assim na cabeceira da represa, assim. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É. E... Indo para o Beco, ali. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas o caminhão pega... Pega a... SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Pega nas caixas e joga a imundice lá. 22 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Joga dentro da represa? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: E quando não joga lá, estavam jogando na estrada. Estava um poeirão que estava dessa altura. Eles jogando na minha frente a imundice. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Mas isso também dá relato. As pessoas descrevem um cheiro, descrevem tudo isso. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Mas isso é grave. Isso aí é caso de saúde pública. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. Mas... SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Pois é... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Essa represa... É a primeira vez que aparece esse lugar onde que o... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não. Essa represa já existia. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: A represa existia. Eles construíam lá perto da represa e estão aproveitando ela para... Porque não tem lugar para jogar a merda e joga lá dentro. Joga essas imundices lá. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É uma lagoa, um rio? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É uma lagoinha. É uma lagoinha que tem lá, Luiz, do boi... do boi tomar água, e ele está aproveitando e jogando lá dentro. Então, isso aí é difícil. Esses... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: A água do Pereira entra dentro dessa lagoa... SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Não. Não entra lá, não. Ela nasce... Desce a represa, desce a merda e cai na outra lá e vai embora lá para a minha porta. Sai lá no Romero e toca para a outra lá e vai embora. Cai no rio, entendeu? Deixa a... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sim. Eu acho... Porque, assim... Não adianta, às vezes, eu me explicar agora porque a gente está no meio da reunião. Mas, se é um fato novo, é importante tentar registrar, documentar e levar na Promotoria, tá? Agora, a resposta vai ser amanha? Infelizmente, não. Se eu chegar na Promotoria... Posso explicar isso? É importante agora ou não? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Pode. Explica. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá? Assim, se você chegar na Promotoria de Justiça e falar assim: “Ô, Dr. Marcelo, o Júnior me bateu, me deu um soco, me deu pancada. Prende ele, viu? O Júnior bateu, me deu...”. O Dr. Marcelo pode pedir ao juiz para prender o Júnior por causa que eu falei lá? Não. Infelizmente, não. A gente tem que produzir o que a gente chama de prova. Tem que chamar alguém que fale assim: “Olha, você viu alguém batendo no Júnior?”. “Ah, você viu? Que hora que foi? Por que bateu? Ah, foi legítima defesa? Não foi? Foi 23 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR porque o Júnior deu uma... Uma má resposta? Foi por quê?” E isso, infelizmente, né? Isso demora um tempo que não é o mesmo tempo da comunidade. Então, a gente, às vezes, fica angustiado, querendo que a resposta chegue logo, né? Depois, quem quiser, a gente tem várias... A lista de todos os inquéritos aqui que estão lá na Promotoria. Então, isso é um tempo que demora. Tem que fazer laudo técnico. Infelizmente, né? Tem que fazer o laudo, e aí vai. Agora, quando aparece um fato novo, é importante levar lá, tá? Então, pode levar a pessoa para prestar depoimento. Se quiser escrever, já levar escrito, com maior número de detalhes: “Olha, em tal lugar, em tal represa. Assim, assim, assado. Na fazenda tal, aconteceu isso, dia tal. Está acontecendo”. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Dr. Marcelo ia mandar uma diligência lá. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, ele já está sabendo já? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Já está sabendo. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, está bem. Então, ele já ia mandar. Então, está certo. E o que a gente pode fazer como Ministério Público é isso. Quem decide né? Se vai mandar parar ou não é o Juiz. O Ministério Público tem o trabalho de ir lá, certificar, juntar a prova, construir argumentação técnica também, que é importante, pedir um engenheiro para ir lá. E aí, às vezes, não é o tempo que a comunidade precisa. Essa é a arma do Ministério Público. A comunidade também tem as suas armas, e uma delas é a organização. Mas vamos passar para a frente. Era só para saber se foi registrado lá. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: E, por que... Igual eu entrei lá na água para... Antes de eu tomar banho para vim para aqui para a reunião, eu entrei lá para ver. Então, eu arregacei a calça e entrei, e a lama subindo. Piorando, piorando, porque está dessa fundura de lama. E as bolhas de óleo está... Onde que eu pisar, as borbulhas de óleo levantando e arrebentando, para a água afora por todo lado. Toda a lama do rio. Então, o promotor não pode parar aquela miséria deles ali, não. O promotor... O prefeito de Conceição de Mato Dentro, o promotor, o juiz de Conceição não pode parar ali até resolver o problema das famílias, não, Luiz? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O que ele quer saber é se o promotor não pode ir na hora. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: O promotor não pode ir lá... O promotor não pode pegar o Juiz, a polícia, ir lá e pedir para parar? O prefeito não pode... Ele não manda na região de Conceição de Mato Dentro? Mas, na hora dos votos, o prefeito está andando por todo lado. O promotor não pode ir lá? Vai lá na minha porta para você ver que miséria que está lá. O que eu vou viver lá na minha porta? Eu 24 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR andando, as borbulhas de óleo. Quem quer ir lá para ver? Você quer ir, Gilson? E para registrar, para mostrar na outra reunião? Eu vou tirar o sapato e vou entrar lá para ver o que está acontecendo. Então, é difícil, uai. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tem que parar aquilo ali, uai! [palmas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Deixa eu explicar para o senhor. Pode? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Assim, aqui... A água sai dali, a água nasce ali, ela vai na minha porta da minha casa uma água, uma água. Ela não deságua em canto nenhum, não. A água do Passa Sete, ela topa com a água dali. Você já conhece tudo, Luiz. A água do Passa Sete, ela topa lá. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: explicar. Posso explicar de uma vez? Deixa eu SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É, mas essa água que nasce ali, ela vai na boca dos meus bois, ela vai na minha casa, no meu... No meu lazer. Tudo, tudo. Vai em tudo. Mofa lá tudo, entendeu? Ela está ali, eles estão com máquinas, tudo com coisa ali e na minha porta é óleo puro, e ela está secando e lama pura. Vai no promotor, o promotor manda polícia. Vou saber se mandou, porque ele não me falou e nem eu voltei lá. Mas é provável que tenha mandado. Então, lá... Pura água, passando rasteira, lama pura. Lama pura. Estão com a máquina ali dentro. Por que o juiz e o promotor não manda eles pararem ali a nascente, ali, até resolver os problemas? Agora, nós vamos ficar um ano, dois, três, quatro, cinco falando, falando. Eu acho que tem... Eles têm que dar uma solução, não têm? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O mais grave, Luiz, dentro disso, é que a Supram sabe dessa denúncia... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Do fundo do córrego, né? Tem um inquérito na Promotoria. Já foi feito algumas perícias, eu já fui na casa do senhor com o Henrique, o senhor lembra? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Agora é que a desgrama atrapalhou lá. Foi agora. Eles estão fazendo tudo ali, uai. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas isto em Passa Sete ou Pereira? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Pereira. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: O Pereira. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, o Pereira não é o fundo do rio? 25 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Hã? Pereira é tudo. A água está acabando, está dessa altura de... Mingau. Mingau de lama, vermelho...Borra de óleo puro. Eu entrei lá antes... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso é o Pereira. Não é o Passa Sete? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: O Pereira. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não. Passa Sete já tem... Eu estou tentando achar aqui. [falas sobrepostas] SR. FELIPE: Eu mesmo sou prova disso. Quantas vezes eu cheguei na sua casa... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, pois é, Felipe. Então, isso aqui já está sendo... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Aqui, olha. Aqui. Aqui, olha. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Eu já olhei, eu vou a Belo Horizonte. Eu vou buscar uma bomba, eu vou comprar uma tela. Eu estou olhando o lugar da horta. Eu vou fazer uma horta grande aonde que eu plantava a minha horta há seus anos atrás, e vou em Conceição. Eu vou pedir o promotor, o Juiz e o chefe da Anglo. E vou falar para ele: “Eu vou fechar minha horta. Eu [ininteligível] de novo”. Que eu quero ter a minha horta lá. Eu tenho três filhos. O meu mais velho está com 23 anos. Foi criado com verdura lá na minha porta, com a água daquela miséria ali. Com aquela água dali, que está sendo essa miséria hoje ali. Esse atropelamento. Quando eu estou falando de mim, eu estou falando das propriedades. Não precisa falar que o José Mané(F) está atingido, Pedro, Joaquim. Então, eu... Tem seis anos que eu não tenho verdura, não tenho nada. Eu já olhei o lugar. Eu vou em Belo Horizonte, vou buscar a bomba. Vou comprar as telas tudo em Belo Horizonte, vou comprar os materiais e vou chamar o chefe da Anglo para comprar verdura. O juiz vai registrar lá no Fórum. [palmas] SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Ele vai comprar verdura, o chefe da Anglo, para manter o povo dele aí. Para a água lá do pé dali. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Com a água limpinha que ele pôs para o senhor. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Você pode registrar aí. Pode registrar que eu vou pedir o promotor, o Juiz e chamar os chefes da Anglo. E vou chamar meus... Meus três rapaz. Que eu tenho três rapaz. Eu vou chamar os três rapaz, que eu criei eles com verdura, com tudo. Meu pés já acabaram. Estou numa miséria. E, muitas pessoas falam lá fora: “Ah, ele não está atingido, não. Ele não está sofrendo consequência, não”. Mas não sabe da vida do outro. Eles não vai na cozinha do outro. Então, tem de... De primeiro, para casar em uma casa, 26 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR o sogro tinha... O pai da menina tinha de saber se o rapaz... Tinha de comer uma saca de sal. A palavra era saca. Saca de sal para ver se aguentava o casamento. Então... Então, é o seguinte... Come nem uma colher. [risos] [palmas] SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Então, vai ficar registrado. Eu vou comprar bomba. É minha água, dentro da minha cozinha. O Gilson, aqui, tomou café na minha cozinha. Eu buscava o balde lá no rio. Ali aonde está aquela miséria ali. Então, vou comprar o material, a Kombi, e vou pedir ao juiz para chamar o chefe da Anglo. Pode ser quem for. Qualquer capeta lá do inferno que vier. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Nossa! SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É. Qualquer demônio lá do inferno. Nós lutamos é com ele mesmo. Nós lutamos é com o demônio. Minha esposa é missionária, e eu sou evangelista. Infelizmente, eu estou nessa tragédia desse inferno aí. Mas vamos até no inferno ou no trono. Nós vamos até no trono ou no inferno, seja aonde for. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: E essa empresa é do inferno mesmo, seu Zé Pepino. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Nós vamos no inferno ou no trono. Porque quem fez tudo aqui, quem fez tudo aqui nessa Terra foi o papai da glória. Não foi demônio, não. Porque demônio não tem poder de fazer nada, não. Ele faz sujeira só onde que ele acha entrada. Comigo ele ganha é fogo. É serio, gente! Nós não estamos brincando, não. Nós estamos... Está uma tragédia, está um problema sério que está aí. Muitos estão correndo. Muitas pessoas estão escondendo, com medo, cismado. Antes de ajudar a resolver os problemas, está escondendo, com medo. Uns começam a negociar, fica quietinho dentro de casa. Leva ferro lá depois, leva bomba. Tem muitos levados. Então, vai ficar registrado: eu vou comprar o material, a bomba, eu vou jogar lama na horta. Vou falar com o promotor, vou falar com o Juiz. Vou jogar a lama lá na horta. E, o chefe da Anglo vai lá com a caminhonete buscar para a Anglo comer e para eles comerem. Porque eu não vou comer caatinga de fedor dos infernos que vem para a minha casa, para me atrapalhar as minhas coisas, não. [palmas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Agora, Sr. Zé, a água do Passa Sete diminuiu depois que fechou a barragem de Rejeito? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Muito não. Eu não senti... Eu não senti, pela época da... Que agora é seca, eu não senti muita diminuição na água do Passa Sete, não. Ela diminuiu... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Diminuiu bastante. 27 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Diminuiu. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Muito. Tanto é que nós não passávamos de carro, nós estamos passando de carro. Tá dando é poeira. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Olha, eu não sou mentiroso. Meu nome é José Adilson de Miranda Gonçalves. Meus dados estão lá em Conceição do Mato Dentro, CPF e identidade. Tenho uma casa em Conceição, na [ininteligível 01:24:21], e tenho uma propriedade. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, mas a gente... A gente sabe que o senhor só fala verdade. Não tem problema, não. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Então, o meu nome... Eu sou conhecido nessa região toda aqui. A água do Passa Sete diminuiu dentro da minha propriedade, talvez lá mais nas cabeceiras, diminuiu mais. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Porque fez fechamento. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Para baixo tem algumas outras nascentes pequena. Às vezes, lá não diminuiu tanto... Em [ininteligível], lá, diminuiu mais, está entendendo, gente? Eles estão muito mais alto. Às vezes lá fechou e diminuiu. Mas para baixo tem alguma nascente pequena. Ela, na minha propriedade, ela diminuiu pouco, tá bom? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Está certíssimo. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Está certo. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Então, eu não vou... Eu não posso mentir. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Claro. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Falar que ela secou lá, aí é tapa na cara. Agora, ela clareou um pouco depois, ela clareou um pouco por cima, depois que fechou a represa. Mas, por baixo, pura porqueira. E tem também, e tem também a merda [ininteligível 01:25:23] também. [ininteligível], não, que eu sei que tem a merda lá também. Está indo muita merda para lá, viu? Vocês ficam sabendo. Tem muita merda caindo nela lá, descendo. Agora, a da Ferrugem está secando. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: A Ferrugem que o senhor fala é os Pereiras? SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Pereira. Pereira está secando. A água do Pereira está secando. Para fazer... Está tudo imundo lá. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Ela não está nem um terço. 28 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: É. A água do Pereira... E muito. Está secando. Essa semana diminuiu mais de um palmo. E um pinguinho. [falas sobrepostas] SR. JOSÉ Ferrugem? ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: A do ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A barragem do Passa Sete. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: A Passa Sete nós... Lá vai mais tranquilo, mas a de cá, ela vai a zero. [falas sobrepostas] SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Ferrugem aqui não tem barragem, não? Tem? Ferrugem. Mas a ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Agora... SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Pereira tem barragem, não? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O rio lá nosso também deu uma baixada boa. Os carros está passando dentro dele. SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Pois é. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E lá não tinha condição disso. [falas sobrepostas] SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: Como que nós vamos fazer com o Ribeirão do Pereira secando e lama pura, mingau? Secando e mingau. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E não tem uma nascente que não está atingida... SR. JOSÉ ADILSON DE MIRANDA GONÇALVES: A nascente... E as nascentes... Todas as nascentes, todas as nascentes a ARG está descendo merda na água das valas. Eu mais o Romero é que estamos bebendo as belezas lá para baixo. É. Romero está quietinho para lá, mas nós estamos... Eu mais um empregado dele é que estamos vendo as merdas descendo lá. É. A merda da ARG está descendo. Já foi falado. O Ministério Público já olhou e tal. Mas não adianta. Agora, todo o ribeirão que está descendo, está descendo as merdas. Não sei. A água que está secando é dali, do Pereira. A água do Pereira está secando, não está? [palmas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tem mais alguém da Água Quente? SR. JOSÉ CESÁRIO: Eu vou falar. Gente, uma boa-noite para todos. Meu nome é José Elvécio(F) Cesário, morador de para baixo de Passa Sete e para cima de Água Quente, ali. Lá em casa é o seguinte: minha mãe, ontem, fez aniversario, 92 anos. Eu sou nascido e criado ali. Eu tenho 54 anos. A minha água lá em casa acabou. Minha mãe é 29 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR acamada, que ela sofreu um problema lá. Ela é acamada. E minha água acabou. Eu fiz uns poços lá para manter a água. Agora não está nem tendo como mais manter a água. Marlene vai para lavar roupa em casa, nós pusemos a mangueira. À noite nós tampamos o cano da água. De dia, na hora que vai lavar a roupa, aí vai lavar a roupa. A mangueira pega e para de correr. Não corre a água. Ela está aí que não deixa eu mentir. Ontem mesmo ela lavou roupa o dia inteiro lá por quê? Não tem água. A água acabou. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É água que é distribuída do poço artesiano? SR. JOSÉ CESÁRIO: Nada. A minha água... Toda a vida a minha água é corrente lá em casa. Toda vida foi. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sempre lavou... SR. JOSÉ CESÁRIO: Sempre lavou, sempre lavou lá. E... Lá em Água Quente, eles falam que estão abastecendo água. De fato, está mesmo. Eles puseram até redução nos canos lá para o pessoal gastar ‘menos’ água porque água não está dando. Puseram a redução lá nos canos lá de Água Quente, para o povo diminuir na água. Disse que está gastando água... Nós, toda a vida, nunca tivemos miséria de água. Nunca. Minha mãe está lá, olha, que não deixa eu mentir. Ela está na cama, mas ela sabe tudo que está passando. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: A sua água é de qual córrego? SR. JOSÉ CESÁRIO: A minha água nasce no fundo do quintal, lá no meu terreno mesmo, divisando. Ali para cima de Água Quente, ali, divisando com D. Suzana(F). SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É afluente do Passa Sete. SR. JOSÉ CESÁRIO: Afluente do Passa Sete. Isso mesmo. Meu menino foi tomar um banho no rio, outro dia, ele só entrou na água. No outro dia ele teve que ir para o médico. Por quê? A água está contaminada, né? Saiu umas manchas, umas lepras no corpo dele. Se ele não vai para o médico, ia ficar pior. E outra, eles falou: “Logo quando tiver...”. Aí foram lá em casa. “Ah, eu vou olhar a sua água, eu vou mexer. Eu vou voltar aqui. Você não vai ficar assim, não”. Sumiu. Até ontem, não voltou lá mais. Enganou os bobos bastante que ia olhar, olhar. Não olhou foi nada. Não voltou lá até ontem. Sempre passam lá, olham. Cada passo é direto na estrada. Nem em casa chega, não. Perguntar nem se eu estou vivo, nem se eu estou morto. E minha água lá é assim: estou tomando água parada do poço. Porque eu fiz uns poços lá, implantei a água, pus na mangueira. Eu tampo ela de noite. No outro dia, o poço vai encher. É... Estou usando a água. Minha água acabou mesmo. Totalmente. Acabou mesmo. Não tem água mais, não. Marlene está ali que não deixa eu mentir. Você vai falar Marlene? A horta. Nós temos a horta lá em casa. Que ela gosta... Toda a vida gostou da sua hortinha dela. Você pode ir lá, que vocês vê lá. Ela está quase largando a horta 30 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR porque não tem como usar por conta da água. Estou em falta da água. Só isso. Obrigado pela oportunidade. [palmas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mais alguém da Água Quente? Tem uma pessoa que falou aí, e eu não vi quem foi. Tem alguém, morador lá da Água Quente, para saber como é que está lá? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eles não consideram como eu sou atingido em casa também, não. Falam que não é, não. A Água Quente diz que não é atingido. Fala que não, não, não tem ninguém atingido, não. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É que eu queria saber como é que está o fornecimento da água de Água Quente. Tem alguém de lá que tem informação recente de como é que está? Principalmente porque a gente está na seca. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Maria. SRA. MARIA DA CONSOLAÇÃO SILVA: Boa noite a todos. Eu sou Maria da Consolação Silva. Moro para baixo de Passa Sete. E o que eu quero falar é isso, que eu moro para baixo do Passa Sete, para baixo da barragem, né? E agora eles fecharam a barragem já. A barragem tem cheiro. O meu medo que eu tenho é que o rapaz falou comigo... No dia que foi fechar a barragem, eles esteve lá em casa, e falou comigo assim, comigo e o meu filho: “Ah, não tem problema, não. Não tem perigo, não. Que a barragem não romba(F), não”. Vocês podem ficar tranquilos, podem deitar as suas cabeças no travesseiro e ficar tranquilo porque não... Elas não rombam(F). Aí, eu e mais o meu filho falamos com ele assim: “Não. Mas o que o homem fez Deus pode destruir num minuto. E barragem é uma coisa muito perigosa. E muitas que tem feito têm arrombado(F)”, e nós estamos poucos quilômetros para baixo da barragem, né? Eu e mais os vizinhos aí. São seis casas pertinho do rio. Eu moro pertinho do rio. Não tem 20 metros. E aí... E tem outra também, que a água agora está bem pouca. Não é como era. Ela diminuiu, ela está limpa assim, como o irmão falou, só por cima. Por baixo, assim, é lama pura, que os bois [ininteligível] não estavam bebendo água. Agora é que eles estão conseguindo beber, porque agora está um pouquinho mais clara, né, por cima. Está dando para beber. Mas, se passar, pisar, vira lama. Outra coisa que eu ia falar é isso, que eles falou para mim que não vai... “Ah, não vamos reassentar ninguém. Aqui, todo mundo vai ficar aqui nos lugares que estão”. Não é possível que eles vão deixar nós debaixo da barragem, debaixo do perigo. Não só eu, minha família, meus... Que tem mais três casas para baixo da minha ainda, que é dos meus filhos. E para cima também têm os outros morador e tudo debaixo da barragem. E eles falou assim: “Não...”. Porque tem... Não. Que não vai reassentar ninguém, que nós vamos continuar lá. E o meu medo é esse, que eles... Tomar uma providência para nós. E, agradeço a minha oportunidade. 31 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR [palmas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tem mais alguém que recebe a água encanada lá da Água Quente, que vem dos poços artesianos? Não tem, não? Bom, depois, se o pessoal puder atualizar a informação, que a última informação que a gente tem é que foi uma vez que faltou. Dr. Marcelo estava num outro inquérito. Ele mesmo foi lá certificar que tinha falta d’água. A empresa respondeu que houve problemas, mas que não voltaria a faltar. [falas sobrepostas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Está certo, gente. Vamos... Tem outra comunidade? Podemos passar da Água Quente, então? Se chegar alguém lá das águas encanadas é importante falar como é que está a situação lá, principalmente porque a gente está numa época seca e agora que a gente vê que falta água, tá? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E outra coisa... Não sou só eu que houve falta da água, não. Minha sobrinha está sem água... [ininteligível 01:35:32] secou. [ininteligível] secou. Está todo mundo sem água na região. Não é só eu, não. Tem muita gente. A água que está ali está só pingando. Não tem água também. Acabou. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: comunidade, além da Água Quente? Vamos... Gondó. Outra [falas sobrepostas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Olha, perdeu a vez. Vamos passar para a próxima. [risos] SRA. JOANA D'ARC: Pessoal do Gondó deve estar batendo papo lá fora. Eu também nasci aqui, né, na comunidade do Gondó. E moro em Belo Horizonte há uns 25 anos. O meu nome é Joana D'Arc. O meu pai, a vida inteira também, como as pessoas disseram, meu pai viveu aqui, construiu e constituiu sua família nesse lugar, e, ontem, ao chegar... Não. Hoje, né, que eu cheguei. Que eu fui para... Eu tenho uma propriedade lá. Meus irmãos também têm. E aí, hoje, quando eu cheguei, que a gente abriu a casa e tal, aí eu falei assim: “Gente, parece que está chegando um caminhão, está chegando um carro e não chega. O barulho está chegando e não chega ninguém aqui. O que é que é isso que está acontecendo?”. Aí, meu irmão falou assim, meu irmão que veio com um amigo de Belo Horizonte, ele falou assim: “Isso já deve ser o barulho das máquinas”. E Gondó não é atingida, não, tá, gente? Legalmente, não é atingido, não. Aí meu irmão falou assim: “Deve ser o barulho das máquinas”. Eu falei: “Mas já está dando para ouvir aqui em casa?”. Aí, beleza. Fiz o que eu tinha que fazer lá. Mexi [ininteligível01:37:30] a água secou. Secou por outros motivos. Mas, pelo empreendimento, ela já deu uma redução muito grande, muito grande. Mas, hoje, lá na minha casa, não tinha água. Ela já vem porque o meu irmão mora acima, na serra. Quem já foi na reunião da Reasa, lá no Gondó, sabe né? O Irineu mora lá em cima, e a água dele vem abastecendo os irmãos e chega até 32 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR mim. E a água está interrompida em algum lugar, né? Não sei se é pela seca ou se pela diminuição natural, pelo movimento do empreendimento, ou se tem algum rompimento no meio do caminho. Não sei, porque não teve tempo de averiguar. Amanhã que eu vou procurar uma pessoa para resolver a questão da água lá. Mas o barulho, quando eu subi para ir para a casa do Irineu, vocês sabem como é que é para chegar lá, né? Parece que a gente está indo para o céu. Aí, quando eu estava subindo, o Teteu(F), meu irmão, falou assim: “Olha lá”. Parecia... Porque a paisagem de lá, gente... Quem conhece o Gondó sabe: a Serra da Ferrugem, ela tem o desenho muito bonito. Da fazenda onde a gente nasceu, a gente via, e nós sabíamos desenhar isso, assim, de cabeça. Só de fechar os olhos a gente lembra, porque, da nossa varanda, o dia inteiro, a gente via essa serra. Então, o desenho dela é assim: é uma ponta, uma ondinha como se fosse um ‘n’, um outro arredondo no final, que termina ali no seu Zé Tomé. Aí a gente achou que essa imagem, além de gravada na memória, ia ficar ali, né? A máquina já está, assim, no limite. Está em cima da serra. Indo para a casa do Irineu a gente já vê a máquina fazendo assim, pegando e jogando no caminhão. E um barulho. Hoje não se dorme com silêncio no Gondó. Na minha casa, não se dorme mais com silêncio. Na casa de Irineu, não se dorme mais com silêncio. Na casa do Lalau(F), meu irmão, é um barulho e uma poeira que vocês não imaginam como está. Hoje foi o primeiro dia que eu vi isso. Eu fiquei chocada na hora que eu vi. Nós conseguimos, da casa do Irineu, tirar foto da máquina trabalhando, e essa linha que a gente sempre viu na serra, ela já está sendo modificada. A paisagem, o quadro natural que Deus fez e colocou lá, ele já está sendo mudado. Se a gente voltar lá daqui a uma semana, umas duas semanas, pode ser que ali já esteja plano. Pode ser. A gente já não vê mais aquela linha sinuosa da serra. Eu até proponho que a gente mostre... Faça a próxima reunião da Reasa lá no Irineu, se o Irineu concordar, para vocês verem o que está acontecendo. E não é atingido. Eu não sei se barulho, poluição, poeira, né? Não é incômodo para ninguém, mas isso está acontecendo. E outras questões. O milho que nós plantamos. Você sabe que o João Pedro(F), que morava lá com a gente, faleceu, e eu e ele plantamos milho. O milho que nós plantamos foi roubado. Quando eu cheguei, na época de colher... Não fiz BO ainda, não. Quando eu cheguei lá... Eu colhi umas vezes, fiz mingau e tal. Mas, quando eu cheguei lá para o milho seco, não tinha mais milho nenhum. Não tinha milho nenhum no lugar, não. Nós pusemos uma porteira na passagem que ia lá para o Taboão, onde que já foi negociado, que é parte do Gondó. O cadeado da porteira foi arrombado duas vezes. Nós colocamos outro. Colocamos outro. Agora, eu falei: “Não. não vamos colocar cadeado mais, não”. A partir de hoje, nós já tiramos o cadeado, né? Não está adiantando. Porque, no deles, tem propriedade da Anglo América, acesso restrito. Não estou dizendo que foram eles que entraram, mas eles entravam lá antes para poder medir a água lá no [ininteligível]. E, quando a gente pôs a porteira, parou de ir. E o cadeado foi arrombado duas vezes. Então, assim, lá no Gondó, não tinha essa questão de roubo, de invasão de domicílio. O portão do banheiro... Do quartinho que o Irineu 33 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR guarda ferramenta foi arrombado. No Gondó, a gente não tinha disso. Ali só mora parente, só mora gente conhecida. Há anos que faz história naquele lugar. Mais alguém do Gondó quiser complementar. [palmas] SRA. JOANA D'ARC: Falar, Irineu? Irineu está sem palavras hoje. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Ô, Joana, já fez Boletim de Ocorrência do barulho? SRA. JOANA D'ARC: Eu ouvi hoje. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. Então, a gente orienta que... SRA. JOANA D'ARC: Filmei e tirei foto. Está aqui. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso. Aí, para produzir informação da maneira que ela pode ser melhor tratada depois... Então, faz o Boletim de Ocorrência lá na Polícia Militar, né? Se a pessoa quiser levar já escrito, pode. Se tiver essa possibilidade. Se não, faz na Polícia Militar, leva na Promotoria. Entrega na... Onde mais? Faz na Polícia Militar, entrega lá e leva uma cópia para você e uma na Promotoria. SRA. JOANA D'ARC: Eu queria pedir... Ô, Irineu, eu queria que você contasse para a gente como é que foi dormir lá essa noite, que você dormiu lá. Não quer, não, né? SR. IRINEU: Eu não dormi. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Patrícia ou Luiz, eu queria pedir de novo permissão... Não é para falar nenhuma coisa, mas para a gente fazer aqui uma reflexão coletiva do que é que está acontecendo. Nós temos, hoje, o Estatuto do Idoso, né? E, a gente, ao longo desse processo, a gente, numa das conversas por e-mail, a gente estava fazendo essa reflexão: ao longo desse processo, quantas pessoas que já tombaram e que, assim, que, por um motivo ou outro, seja por depressão, seja por essa angústia que nós todos vivemos, seja por abandono... Quanto que é que os idosos e que as... Enfim, quanto de tudo se tem perdido, né? E aí a gente estava vendo, assim... O primeiro nome que me vem à mente é o S. Adão, irmão da Januária e da Laurentina e do João, que era uma pessoa que morava em um lugar e que tinha, que era... Que tinha aquele lugar como provavelmente, assim... Uma pessoa que pouco saía de casa, enfim... Que era... Quanto difícil deve ter sido para ele saber que tinha 20 dias ou tinha um prazo exíguo para sair de casa e que foi a primeira pessoa que faleceu. E quantas, depois dessas, assim, S. Orlando, João Preto. As outras pessoas que... O S. Augusto Arruando(F), a Dona... A mãe da Rita, que hoje não está aqui, mas que é outra pessoa que faleceu. Então, quanto de descaso. E a gente sabe. O Pedrinho Surdo, que é uma pessoa que eu convivi com ele anos e anos, e que hoje está lá no Gondó, num isolamento, fora das suas relações, longe das pessoas que compunham a sua relação social. E a gente, hoje, sabe que ele está doente. Parece que 34 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR está lá, né? Lamentando por estar longe das pessoas. E, a esposa dele também doente, em Belo Horizonte, internada, pelo que a gente tomou conhecimento. Então, o descaso da empresa, e, quanto que é preciso a gente buscar uma solução para essas situações e principalmente para os idosos, que é difícil entender e aceitar esse processo, que é, além de duro, além de cansativo, penoso, ele é violento também. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mais alguma comunidade? SR. GILSON: Gilson, aqui da comunidade do Sapo e também frequento muito a comunidade da Água Quente. Então, eu tenho acompanhado, realmente, o sofrimento desse povo. Água Quente, como todos sabem, ele... A única água que eles utilizavam é aquela água do rio, que é o rio que o Zé Pepino já falou. O Elvécio já falou. Então, a água que eles usavam para tudo: para tomar banho, para fazer comida... Para tudo. E, hoje, eles não têm condição de nada mais. Mas uma coisa que veio aqui na minha cabeça é sobre essa questão da comunidade do Sapo. No tratamento de esgoto, aqui, se isso está na anuência da Anglo a questão da ETE aqui do Sapo. Porque, hoje, não tem tratamento algum no esgoto aqui da comunidade do Sapo. E esse esgoto é jogado aqui no ribeirão. Que é o ribeirão que eu citei no início da conversa, que é um ribeirão que eu nadei nele muito, [ininteligível] do Jair, também, né, Jair? Todos que nasceram aqui brincou muito dentro dessa água. Eu acredito que hoje essa água você não pode nem pisar. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Qual que é o ribeirão? SR. GILSON: É o ribeirão... É um córrego que tem. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Rua das flores, no final dela, né? SR. GILSON: É, descendo a Rua das Flores, aqui, é um córrego que passa aqui, que vem da Serra da Ferrugem. Era uma água cristalina, que a gente brincava, pegando areia, brincando com o pó de minério que descia na água. Então, é uma que a gente até bebia dela. Era uma água que você podia beber. E até tem as bicas, que tinha a bica aqui... Como que chamava aquela bica aqui, da... Tinha uma bica, aqui, na Lavrinha, no final da rua, e a bica aqui embaixo, onde minha avó também buscava água para beber todo dia e que acabou. Então, eu vejo que esse esgoto está sendo jogado todo nesse ribeirão aí, e esse ribeirão é que fornece a água aqui para a comunidade do turco, que muitos utilizavam essa água lá embaixo. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Gilson, ali onde é que é escritório, hoje, ali era uma fábrica de farinha. SR. GILSON: É, aonde é o próprio escritório da Anglo era uma fábrica de farinha, e hoje não existe mais. Então, sobre essa questão do tratamento de esgoto, eu não sei se está fazendo parte da anuência aí, da Anglo. Não sei se é bem esse o termo na questão da ETE, porque aqui têm vários alojamentos internos aqui dentro da comunidade. Então, não 35 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR sei qual o compromisso da Anglo e da prefeitura também sobre isso. Se tem alguém da prefeitura aí que possa falar sobre isso. Até mesmo, gente, porque, se vocês quiserem beber água aqui, hoje, eu não sei se tem, não, viu? Porque ontem eu passei aqui no Sapo, não tinha uma gota de água. SR. SANDRO LAGE: Boa noite. Eu sou Sandro, secretário de Meio Ambiente. Com relação a esgoto, isso foi um tema já debatido aqui, em alguma reunião da Reasa, você estava presente, né? E a Anglo, naquele momento, fez um compromisso de entregar os projetos, projeto, tá, gente, de esgoto e cumpriu o compromisso. Com esse projeto a gente submeteu ele agora à Funasa, tá? Então, além daqui do Sapo, nós temos Itacolomi, Santo Antônio do Norte, Santo Antônio do Cruzeiro com projetos de esgoto que envolve as redes, lavatórios e Córregos também. Envolve... Em Córregos também foi objeto... Foi um tema discutido lá na reunião de Reasa de Córregos também, né? Então, eles entregaram os projetos de Córregos e de Sapo. Nós, da prefeitura, complementamos com os outros, os demais projetos dos outros distritos e encaminhamos à Copasa. Estamos totalizando aí cerca de 10 milhões... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: [ininteligível 01:4934] Copasa. SR. SANDRO LAGE: Desculpe. É porque a Copasa também enviou para a sede. Então, Copasa e prefeitura, dois deles com projetos da Anglo. Então, totalizando aí, cerca de 16 milhões de investimento em saneamento, tá? Esse recurso está ainda em fase de submissão, né? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Vocês encaminharam para onde mesmo? SR. SANDRO LAGE: Funasa. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Funasa? O que é Funasa, hein? SR. SANDRO LAGE: PAC, PAC. É o PAC de Saneamento. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Esse projeto é de quando? SR. SANDRO LAGE: Esse projeto, ele foi entregue no início do ano, agora. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. A empresa chegou a quanto... SR. SANDRO LAGE: Outubro de 2012. SR. LUIZ TARCIZIO empresa chegou aqui quando? GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. Essa ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Dois mil e seis. SR. SANDRO LAGE: Seis foi a LP, né? SR. GILSON: Já chegou com vários alojamentos aqui, dentro do Sapo. Vários alojamentos aqui dentro do Sapo, com casas alugadas aqui. Então, isso faz aproximadamente quase sete anos. E isso eles estão pensando agora. 36 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É igual o posto de saúde que só tem... SR. GILSON: Ah, outra coisa, gente... Só... SR. SANDRO LAGE: Só complementar aqui, é rapidinho. SR. GILSON: Não, é só porque a própria comunidade eu acho que não está sabendo. Foi reinaugurado... Desculpa, viu, Sandro? A comunidade, aqui, teve a inauguração do posto de saúde. Reinauguração do posto de saúde. Eu vejo que a própria comunidade não foi convidada a participar dessa inauguração aí, reinauguração do posto de saúde. Pelo que eu fiquei sabendo, o prefeito e a Anglo fez essa inauguração do posto de saúde. A comunidade não participou. Posso estar até enganado. Então, esse posto de saúde aqui, ele foi para quem? Para atender à Anglo ou à comunidade do Sapo? Foi investido quase... Não sei se foi quase 500 mil reais, meio milhão de reais, nesse posto de saúde. Para quem, se não tem um médico aqui para atender? Cadê a Anglo convidar a comunidade do Sapo para essa reinauguração? Então, pelo que eu fiquei sabendo, eu estava em Belo Horizonte, veio o prefeito no meio de semana, em uma tarde. Fizeram um coquetel lá para fazer essa reinauguração. Posso estar enganado, porque eu não estava aqui. Eu fiquei sabendo. Mas a comunidade, pessoas que eu conheço. Que está morando aqui dentro da comunidade, não foi convidada para essa reinauguração. Então, eu vejo que a comunidade mesmo não está participando. A Anglo e a prefeitura... Porque eu não estou aqui para isentar a prefeitura, nem isentar a Anglo, não. Eu estou aqui é para cobrar da Anglo e cobrar da prefeitura. Porque os moradores aqui estão sendo atingidos. Aqui é a boca da mina da Anglo. Então, se tem que fazer algum benefício para a comunidade, tem que buscar conversar com a comunidade. Não é o poder político, não é o poder da Anglo, com os investimentos aqui, mas para quem? Então, é só para a comunidade ficar sabendo o que está acontecendo, porque ninguém fala. Parece que o povo tem medo. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ô, Gilson, tem um fato novo que está acontecendo. Eu não vou falar porque eu... Falei [ininteligível]. Tem um fato novo, que ninguém está sabendo, que está acontecendo aqui no Sapo, é o estacionamento que está sendo feito dentro da rua do Sapo, que o pessoal tomaram conta. Eles estão estacionando os carros agora nas ruas do Sapo, que está ficando sem passagem. A rua virou estacionamento. Então, isso eu quero que registre... SR. GILSON: Talvez, gente, isso é uma questão que está acontecendo que talvez ninguém fale. Então, eu estou aproveitando esse momento que está todo mundo reunido para estar passando essa informação, tá? Porque eu chego aqui, eu mostro a minha cara. Eu quero ver essa comunidade aqui funcionando. Por isso eu estou aqui. Então, isso que está acontecendo do estacionamento, do Sapo virar um estacionamento aqui de funcionário da empresa, isso é um fato muito sério. Se você chegar aqui dependendo de um horário, aqui, final de semana, ou à tarde, em uma sexta-feira, o pessoal chega aqui, deixa o 37 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR carro aqui de fora a fora no Sapo, aqui, parece que eles vêm de carro para ir embora para onde eles têm que ir. Então, isso aqui fica intransitável. Hoje eu peguei um trânsito para chegar aqui. Eu estou vindo... Estava vindo lá de cima da entrada do Jassem. Eu peguei um trânsito de lá a aqui, à entrada do Sapo. Eu gastei uns 30 minutos. Então, para vocês verem a condição que nós estamos vivendo aqui no Sapo. Então, você desculpa, Sandro, eu ter tomado a palavra. Mas eu tenho que colocar isso para o povo. Porque, se eu não chegar aqui e falar, eu acredito que outros não vão falar. Então, é o momento da comunidade acordar através dessa informação, tá? Obrigado, gente. SR. SANDRO LAGE: Só complementar aqui, a questão da informação. Falei de esgoto. Parece que... Inclusive, eu queria ter também um feedback da comunidade aqui com relação a ETA, que é Estação de Tratamento de Água, que foi inaugurada aqui. Parece que nós temos alguns problemas iniciais de... A Anglo precisa passar a operação para a gente. Ainda estamos ajustando isso. Mas se alguém puder falar como que está o andamento aí. Você já comentou que teve falta de água, tal. Mas como foi entregue agora, ela está num momento de passar a operação para a prefeitura, e nós também temos os nossos gargalos, alguns problemas podem estar acontecendo. Depois, se alguém da comunidade... Você já apontou um problema. E tiverem mais problemas, é só encaminhar, que a gente leva para a prefeitura. E eu acho importante, Gilson, tudo isso que você colocou, e, tenho acompanhado a Reasa, nós já estamos no segundo ano da Reasa, aí eu, como testemunha aqui, eu posso relatar, e eu acho que os outros possam endossar aí, que nós... Depois da Reasa, eu acho que as vozes começaram a aparecer, né gente? Eu acho que aqui mesmo já é a segunda ou a terceira, acho que foi inaugurada a Reasa aqui no Sapo, e essa comunidade tem soltado a voz, sim, graças a Deus, porque eu falo que eu... Tem pouco tempo que eu cheguei. Eu cheguei tem dois anos e meio, e, quando eu cheguei, eu senti um silêncio incomodante. Era incômodo o silêncio que pairava nesse ar e o sofrimento que estava contido, e a Reasa, ela trouxe... Pelo menos, se os problemas estão difíceis de resolver, pelo menos, falta de fala, eu acho que esse problema a gente já sanou, tá? E estamos aí abertos. Eu acho que talvez nenhum Fórum, hoje, em Conceição, qualquer um que levante a mão, venha aqui e fala, e isso é importante. E, já vou até agradecer aqui o Luiz, que tem papel fundamental nisso. É um ótimo mediador. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ô, Sandro, deixa eu só te fazer uma pergunta. Como você está representando a prefeitura, e, as demais situações do Sapo, quais as providências que a prefeitura está tomando em parceria com a Anglo? Vocês têm uma parceria boa com a Anglo, né? SR. SANDRO LAGE: Não, a relação não é tão boa, não. A relação não é tão boa, não. Temos aqui até amigos também de outros municípios, de Dom Joaquim... Alvorada eu não sei se está aí. Mas a relação ainda não é uma relação, vamos dizer, de parceria, não. Hoje é uma relação de muita tensão, de muito conflito, assim como a relação 38 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR com vocês. Mas nós, como Poder Público, a gente tem que mediar esses conflitos, né? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sim, e o que você pode estar falando para a comunidade do Sapo em relação... Até em relação à situação de ruas, de... Das tradições do Sapo que estão tudo parado? O que você pode estar passando para nós, assim, para a gente estar esperando alguma coisa da prefeitura de melhoria aí para nós? SR. SANDRO LAGE: Bom, a minha pasta é Meio Ambiente. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: representando a prefeitura. Mas você que está SR. SANDRO LAGE: Não, tudo bem. É por isso. Eu só estou explicando. A minha pasta é Meio Ambiente, e quem detém informação dos programas de governo... Seria mais apropriado o secretário de Planejamento, que também está aí, o Ricardo. Aí, depois, eu passo para ele. Mas eu posso te adiantar. Aqui já houve uma primeira reunião de... É o que a gente chama de reunião itinerante. Elas estão ocorrendo nos municípios. A própria comunidade levanta... Não sei se você esteve presente na última. A própria comunidade, ela levanta as prioridades da comunidade. Então, tudo isso está sendo sistematizado lá, na prefeitura, todas essas informações estão sendo coletadas. Onde a gente já retornou com a reunião, a gente está tendo uma resposta muito boa, com relação ao atendimento daquilo que a comunidade colocou como prioridade. Lembrando que por que a comunidade tem que estabelecer prioridades? Porque os problemas são infinitos. Então, dentro disso, a gente está com uma resposta... Pelas condições que nós temos ainda hoje... Nós ainda estamos com os quadros de profissionais ainda bem precários, o concurso atrasou um pouquinho e tal, mas, dentro das nossas condições, nós estamos tendo uma resposta boa em atendimento do que é pedido nos distritos. Mas somos 11 distritos, contando com o distrito-sede. Você deve perceber que todos os problemas que você está tendo aqui, eles não são restritos a você. Então, nós temos... Eles estão atingindo os pobres, os ricos, os médios, na cidade e em outros distritos também. Então, esse problema, ele está generalizado, com todas as localidades que estão recebendo o fluxo de pessoas do empreendimento, estão sofrendo muito esse tipo de degradação. Então, rua, lixo... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Está vindo há sete anos que a gente vem fazendo os pedidos e falando muita coisa, e a prefeitura não manifesta em nada. Então, eu quero que, já que o rapaz aqui vai falar para nós, eu quero que ele aponte o que a prefeitura fez e o que ainda vai fazer, para a gente estar cobrando isso e estar em cima disso, porque a gente tem que lutar e correr atrás do que, no Sapo, foi prejudicado. Então, eu gostaria que ele passasse para nós isso. SR. SANDRO LAGE: Antes de eu passar para o Cadinho(F), só deixar muito claro, aqui, gente, que eu sempre faço isso. Esse processo, ele é composto de três entes, e o ente estado é um dos entes que colocou a gente nessa situação. Nós temos como governo, durante... Você falou muito bem, durante sete anos, nós tivemos uma fase eu acho 39 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR que terrível para a história de Conceição, acarretou. Nós temos nossa parcela de culpa, sim, mas nós temos um ente que pouco é citado, né? Quando fala assim: “A culpa é Anglo e prefeitura, Anglo e Prefeitura”, e esse ente é um dos principais atores desse processo, que é o estado de Minas Gerais. Então, vamos corresponsabilizar todos, né? Assumo a minha. Assumo a minha, mas vamos repartir essa responsabilidade, que é muito grande, né? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Né, Sandro? Hoje é importante que se ouça [ininteligível] que agora está tudo tranquilo, estabilizou. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: De jeito nenhum, de jeito nenhum. Se tiver tudo bem, aí é porque está ruim. SR. LUIZ TARCIZIO instantinho, gente. GONZAGA DE OLIVEIRA: Só um SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Posso ir falando no escuro, enquanto isso? [falas sobrepostas] SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Boa noite. Ricardo, secretário de Planejamento de Conceição do Mato Dentro. Vou responder primeiro das manifestações culturais. A Câmara Municipal aprovou, há dois meses, uma lei de incentivo a entidades, inclusive manifestações culturais, que é uma lei de subvenção, que permite à prefeitura dar auxílio financeiro a essas entidades. Foi uma falha nossa não ter identificado, mas eu tenho certeza que, se a gente conseguir identificar e mandar um projeto para a Câmara, a Câmara, que está aqui presente, vai ter toda a boa vontade de analisar, e a gente conseguir dar esse apoio, aqui, também, como a gente está fazendo com as bandas de Córregos, Tapera, Costa Sena, Marujada, Folias de Reis de Capitão Felizardo. Então, em relação às manifestações, eu acho que o apoio que a gente tem dado aí para essas bandas, para essas comunidades, a gente pode replicar para cá. Vai ser com muita satisfação. Agora, em relação às demandas que a gente teve, eu não vim preparado para isso. Então, a gente tem registrado... O que eu lembro de cabeça, que a gente conversou naquela reunião, foi o asfalto, que está pronto. O que a gente não conseguiu incluir foi essa rua que desce até o córrego lá embaixo, essa que corta aqui. Tem uma outra alça ali na frente que a gente conseguiu incluir na obra, e essa parte aqui debaixo não conseguimos, porque realmente o orçamento não permitia, e aí a gente ia prejudicar toda uma obra para fazer mais uma parte. Podia piorar a qualidade de tudo. Também não sei como é que... Se está atendendo hoje. A gente não veio depois fazer uma vistoria muito tempo depois, só quando a obra ficou pronta. Lembro do posto de saúde do Beco, reforma da escola do Beco, professor... Está certo isso, gente? Foi isso que? É que eu estou lembrando de cabeça, tá? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O professor foi... SR. RICARDO GUERRA FURTADO: A professora. 40 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Vocês estão equivocados. O Beco não tem... O Beco não existe posto de saúde. SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Não, estou lembrando das solicitações. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Das solicitações que foram feitas. SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Gente, eu acho que a gente tem que ser... Assim, eu vou ser bem realista. A gente não pode prometer aqui, e ser desonesto de falar assim: “Vamos cumprir tudo que a comunidade pediu em três meses”. É impossível fazer isso. Tudo está registrado e vai ser feito dentro da possibilidade, e, a gente vai voltar aqui para dar uma satisfação do que está acontecendo. Realmente a gente não veio preparado, para fazer isso nesse Fórum, mas o que eu estou lembrando de cabeça aqui eu posso falar. O posto de saúde já tem projeto. A reforma da escola nós estamos fechando nessa semana uma empresa para fazer esses projetos, e a gente conseguir contratar, que, hoje, sem projeto, a gente não contrata. Não adianta a gente querer contratar de qualquer jeito. É impossível. Então, assim, as coisas estão andando realmente... Como o Sandro falou, são muitos distritos, a gente tem tentado dar atenção de maneira igual para todos. Então, pode ser que às vezes a resposta demore um pouco, mas a resposta vem. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Essa rede esgoto vai demorar muito? SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Outro assunto é a rede de esgoto. O que é o processo? Como que é esse processo? A Funasa, através desse Programa de Aceleração do Crescimento, ela abriu um edital para a gente entrar com uma proposta. Nós entramos com uma proposta de esgoto para cinco distritos e uma proposta de água para a sede, que é administrado pela Copasa. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sim, aí, depois que recapeou o asfalto do Sapo, aí vocês voltam, quebram e resolvem a situação do esgoto. SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Foi. A gente definiu isso na reunião, que era melhor. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Primeiro asfalta tudo direitinho e, depois, volta a quebrar. SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Isso foi um acordo que a gente fez na reunião. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: A comunidade? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A comunidade. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não existe um projeto para não haver gastos desnecessários, para estar fazendo primeiro rede de esgoto, rede de água e depois recapear bonitinho... SR. RICARDO GUERRA FURTADO: É o ideal. 41 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Foi o que vocês, a comunidade presente... Espera aí, espera aí. Vocês estão querendo jogar a responsabilidade para a comunidade? SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Não. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Foram vocês que escolheram o errado. Eu acho que está errado. SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Não é isso, não, gente. Calma. Foi a estratégia que a gente definiu. Ou vai esperar o asfalto, vai esperar o esgoto, ou a gente faz o asfalto agora e, quando o esgoto chegar... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas isso aí foi questionado com a comunidade? SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Foi, que, nessa reunião, nós decidimos fazer isso. [falas sobrepostas]. SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Foi uma decisão tomada em conjunto. SRA. SANDRA: Boa noite, meu nome é Sandra, eu sou nascida e criada aqui no Sapo. Eu acho que aí, a prefeitura está jogando dinheiro fora. Olha como que não tem administração, gente. SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Isso foi debatido. SRA. SANDRA: Pois isso está na cara de qualquer cego. Se eu preciso fazer uma rede de esgoto, eu preciso fazer uma canalização de água, que isso aqui já é projeto antigo, primeiro eu vou recapear um asfalto para depois quebrar de novo? A comunidade pediu isso? Não, gente... Eu acho que isso parte da administração falar a verdade com a população, com a comunidade, e explicar: “Gente, vocês querem assim? Mas deixa eu falar com vocês, não é assim. A prefeitura vai jogar dinheiro fora. Primeiro vão arrumar o esgoto, vão arrumar a água. Depois nós vamos recapear”. SR. SANDRO LAGE: Foi falado isso. SRA. SANDRA: Foi falado, mas, então, fizeram tudo errado. Me desculpem. Me desculpem. SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Posso responder? Foi feito dessa forma. Na reunião, quem... Não sei quem estava aqui na reunião, pode ser testemunha. A gente colocou as duas opções. O correto... É claro que a gente sabe que o correto é primeiro, fazer o esgoto e, depois, o asfalto. O esgoto não chegou até hoje. Quer dizer, não teria asfalto até hoje. Esse esgoto... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, mas o asfalto já existia. Foi degradado de acordo com esse movimento. SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Gente, eu acho que fugiu da pauta aí, né? 42 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu vou pedir licença... SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Só o esgoto, o último esclarecimento sobre o esgoto. Então, terminando... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Vamos deixar ele falar. Só para garantir a fala dele, senão a gente não dialoga. SRA. SANDRA: Não, mas isso também eu acho que não é para hoje. Isso é um problema da Associação Comunitária, que eu acho que... Eu estive realmente ausente da comunidade por motivos pessoais para mim resolver minha vida. Agora estou de volta e vou retomar a minha... O meu lugar aqui na comunidade. Que eu fiquei afastada, mas estou retornando, e isso a gente vai olhar no decorrer do tempo que eu vou estar aqui, agora. SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Gente, só para finalizar. Então, eu estava falando do projeto de água e projeto de esgoto, que a gente pediu, totalizando R$ 8 milhões. Há um mês atrás... E o processo, ele realmente é demorado, são várias fases. Nós já passamos por cinco fases. A sexta é agora, é a última, que é a visita. Se a gente passar, a gente consegue o recurso. E, na última fase, o prefeito teve que decidir entre a água da sede ou o esgoto para ser financiado. Não quer dizer que não vá fazer, mas para receber o recurso. E ele nem... Ele não teve nenhuma dúvida em decidir pelo esgoto. Então, a decisão dele foi priorizar o esgoto dos distritos. E foi uma decisão que todo mundo concordou. Então, já fizemos essa decisão. O prazo para finalizar essa última fase é amanhã. Espero que a gente realmente consiga esse recurso. Não é garantido, mas, se sair, quer dizer, a gente vai ter essa melhoria aqui, esse sistema de tratamento de esgoto, coleta e tratamento. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Cadinho(F), obrigado. Ô, Sandra, obrigado, viu? Júnior. SR. JÚNIOR: Queria aproveitar a participação, aqui, da prefeitura. Teve uma reunião aqui, no Sapo, em que foi falado pela... Cobrado pela comunidade e falado pelo empreendedor que aproximadamente, do dia que começar a extração do mineiro, aproximadamente em dez anos, iria chegar aqui a casa, perto... A 600 metros da comunidade do Sapo. Eu queria saber, apesar de vocês provavelmente não estarem mais à frente da administração... Possivelmente sim, possivelmente não. Mas qual é a visão, dentro desse quadro que foi falado pela empresa, em relação à água, em relação a que a população vai sofrer em relação ao barulho, em relação à poeira? Como que a administração, sendo o Sapo um distrito de Conceição do Mato Dentro, como que, hoje, a administração está vendo essa posição? E mesmo para dar um norte para a comunidade, para ela se... Poder se programar, o que ela pode esperar, ver o futuro que está esperando? SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Gente, eu vou deixar essa respostas para o Sandro, porque ele já conversou esse assunto naquela mesma reunião, e, assim, a minha opinião é a mesma que a dele. 43 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. SANDRO LAGE: Bom, gente, muito antes da reunião, a gente... Desde 2011, a gente vem trazendo... A Secretaria de Meio Ambiente vem trazendo em algumas oportunidades, aí, informações do empreendimento. Em pelo menos duas ocasiões nós fizemos uma espécie de seminário, apresentando as informações de mapas, de como que o Sapo seria afetado, e, na última reunião, eu coloquei uma informação pessoal, até falou: “Sandro, você é meio doido”. Mas a minha posição, ela é bem tranquila, e eu falo ela com muita tranquilidade por ser itabirano, e talvez o Sapo seja a situação mais parecida com a situação de Itabira, que é de onde eu venho. Então, o que eu posso relatar como pessoa, e relatei na última reunião, é que vocês vão sofrer com alguns terremotos, com hora marcada, sim. É inerente à mineração. Vocês vão sofrer com a poeira, sim. Vocês vão sofrer com o barulho, com o tremor, a casa de vocês vão, sim, ter rachaduras, vão trincar. Quando... Eu até questionei: “Olha, vocês estão pedindo equipamentos públicos, vocês estão pedindo postos de saúde, vocês estão pedindo algumas coisas. Vocês já pensaram na possibilidade de pedir um reassentamento coletivo?”. Porque vão pedir hospital, vão pedir uma coisa, e, depois, esse hospital vai começar a trincar, depois eu vou ter que mudar esse hospital de lugar. Bem, enfim, eu, pessoalmente, como estudioso, eu sou geógrafo da área ambiental, como pessoa, como itabirano, que já sofri na pele todos esses impactos... Eu relatei, na época, que eu estava estudando na sala de aula, e o prédio tremia, mas era um terremoto mesmo, mas isso é normal. Isso é corriqueiro. A gente vai pagar uma conta no banco lá em e Itabira, e você volta brilhando para casa de minério, porque realmente é uma situação única no mundo onde mineração e cidade disputam o mesmo espaço. Aqui o impacto talvez é menor porque a Vila do Sapo, ela é menor também. Então, não é que o impacto é menor. As pessoas impactadas estão em menor quantidade, diferente de Itabira, que eu tenho 100 mil pessoas ali convivendo com a mineração lado a lado. Então, a quantidade de pessoas impactadas é maior. Mas, enfim, quando a gente debruça sobre os estudos de atingidos, de impactos, aí, diretamente atingidos, área de influência indireta, tal, a gente percebe que, tecnicamente, eles conseguiram tirar o Sapo inteiro de uma área diretamente atingida, e a gente entende que toda essa cabeceira, ela vai ser minerada, gente. Esses impactos são inerentes. Então, eu vou usar uma frase de um grande vilão aí da nossa história, o Viguete, ele falava: “Olha, para se fazer um suco de maracujá, é preciso espremê-los”. Então, vocês podem ter certeza que o Sapo vai sofrer muito. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: comunidade e não o empreendimento? [ininteligível 02:14:59] a SR. SANDRO LAGE: Oi? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Existe uma inversão aí. SR. SANDRO LAGE: Não, não, a comunidade... Não, a comunidade deve decidir. De forma alguma, nós podemos decidir pela comunidade. O que eu coloco para vocês é que vocês comecem... Tem dois anos que eu tenho falado isso, que a comunidade comece a se 44 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR organizar e discutir: “Olha, gente, se eu for...”. Vamos ter uma posição. Ou nós vamos ficar e cobrar medidas mitigadoras, né, de controle ambiental, cada vez mais com a Anglo, e essa luta é infindada. Ou seja, o resto da vida, tem 40 anos, e podem ser prorrogados. Vocês vão ter que ter uma luta contínua, não pode dormir. Você tem que ficar vigiando o tempo todo. Essa é a convivência. Esse é um vizinho que nós vamos ter que ficar vigiando. Ou, então, gente, a comunidade se organizar e exigir e reivindicar uma nova negociação, pensando um reassentamento coletivo para evitar esses transtornos. Vocês vão ter um vizinho muito incômodo convivendo nos próximos, pelo menos, 50 anos, gente. Então, isso é uma coisa que eu tenho que falar com vocês, porque eu estou... É a informação, é inerente ao processo. SR. LUCAS HENRIQUE: Desculpa de interromper, mas só uma coisinha. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Microfone ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Espera aí, microfone. Como é que você se chama? SR. LUCAS HENRIQUE: Meu nome é Lucas Henrique, lá de Dom Joaquim. Só uma coisinha que você falou: você disse que, em vez da comunidade pedir um posto de saúde, uma escola, alguma coisa assim, eles devem pensar num reassentamento, né? Mas, pelo que você falou, isso deve partir apenas deles, né? Um exemplo: se a comunidade vem e pede à prefeitura para pintar isso aqui, e você sabe que, daqui dois anos, isso vai estar trincando e cair sobre eles, por que essa ideia de um reassentamento não pode partir da prefeitura? Por que você vai deixar isso aqui cair em cima deles daqui dois anos, sendo que eles não querem... Sendo que essa ideia não parte deles? SR. SANDRO LAGE: Se vocês me derem um aval, eu começo a brigar amanhã por isso. Eu preciso do aval de vocês. SR. LUCAS HENRIQUE: Não, não precisa estar participando diretamente da comunidade. SR. SANDRO LAGE: Eu não posso brigar por uma coisa que vocês não querem. SR. LUCAS HENRIQUE: Isso pode estar partindo mesmo da prefeitura, como uma ideia para a comunidade. SR. SANDRO LAGE: Não, aí não. Se vocês falarem assim: “Sandro, pode brigar lá, que eu...”. SR. LUCAS HENRIQUE: Não, eu não estou falando que a prefeitura tem que ir lá brigar por reassentamento. Eu estou falando que isso pode partir da ideia de implantar na cabeça deles... SR. SANDRO LAGE: Eu estou lançando a ideia aqui. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ah, ele está falando que a prefeitura é responsável pelos administrados. Que a prefeitura tem que 45 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR enquadrar a empresa. É isso que ele está querendo falar. E não enquadrar a comunidade. Eu acho que é isso que ele... [falas sobrepostas] ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Por que a prefeitura não defende a paralisação da obra, então, ao invés de falar de reassentamento coletivo? Ao invés de tirar o povo, por que a gente não briga junto para paralisar a obra e resolver esse problema? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Isto! [palmas] SR. SANDRO LAGE: Bom, eu gosto do... Parece que são perguntas de novatos, né? Eu acho que são os novatos que chegaram, porque tem dois anos que a gente defende essa posição, pelo menos como Secretaria de Meio Ambiente. Quem acompanha o nosso trabalho já viu isso em várias ocasiões. Nós defendemos, sim, em muitas ocasiões. Só que essa paralisação, por mais que ela aconteça, e que é difícil de acontecer... Está aí... O Judiciário está aí, para dizer o quanto é difícil uma paralisação desse nível, mas ela também não é duradoura, porque aqui nós temos a rigidez vocacional. O minério que gera o PIB desse país, o minério... Isto. Ele está aqui, e ela não tem como escolher. Ela não pode escolher ir para outro município. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O município está ganhando muito, né? SR. SANDRO LAGE: Oi? Quem dera. Vocês me desculpem, mas tem que debruçar um pouquinho mais no processo. Enfim... Bem, temos essa defesa. O que nós estamos colocando é o seguinte: se a comunidade decidir o que ela quer... O próprio Ministério Público teve uma reunião com o município e falou: “Olha, o município tem que saber o que quer”. A gente não consegue brigar por alguém se a gente não sabe o que a pessoa quer. Como que nós vamos ser vozes, o próprio Legislativo está aqui, o Executivo está aqui. Como que nós vamos representar uma voz que ainda não decidiu qual que é o caminho que vai ser tomado? O que a gente coloca... Na verdade, a ideia está lançada nesse sentido. “Olha, gente, se for ficar, temos que criar essas medidas compensatórias”. Agora, a paralisação, se ocorrer, ela vai ser momentânea. O projeto de mineração, gente, na região, não é em Conceição, não, na região, e a nova fronteira mineral do país está na nossa região, e nós só temos como minimizar isso. Isso está muito acima da gente conter isso, a não ser que a gente faça uma reforma no país, acredito... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sandro, eu vou [ininteligível 02:20:21]. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sandro, obrigado pela sua... Eu acho que a gente está discutindo... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Senão a gente fica aqui num fato consumado, assim, né? 46 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é, eu acho assim... Eu acho que o... Eu só queria... Não, eu vou... Deixa eu falar uma frase também? Eu vou deixar você falar uma frase. Eu só queria... Bom, pode falar. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu aprendi com o pessoal do Gandarela, gente, que nós podemos dizer não. Não a esse empreendimento, não à destruição! [palmas] ORADORA NÃO IDENTIFICADA: [ininteligível] vai minerar no Japão, no raio dos infernos, onde eles quiserem, gente. Nós temos o direito de falar não. Se a gente não quiser a mineração, e o povo todo se unir, essa mineração sai daqui. Mas só com a união, união mesmo do povo. Sem brincadeira. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Poder para o povo. SR. SANDRO LAGE: Só complementando: 82% desse povo escolheram a mineração. [falas sobrepostas]. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sandro, ninguém perguntou para mim. Como é que você está falando que é 82? [falas sobrepostas]. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Gente é o seguinte... Espera aí. Eu acho que vocês estão... Vocês estão confundindo as coisas. O Sandro deu a opinião dele, agora vamos avançar. Ele é Poder Público, mas quem acompanha aqui, a Reasa, sabe das posições dele. O direito de falar não vocês têm; O direito da comunidade também, todo mundo tem. Agora, se a gente começar a bater boca de um tema que está fora da pauta, que está fora do que a gente quer... SR. SANDRO LAGE: Fora das nossas mãos de resolver. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: A comunidade tem a sua força. A comunidade pode ir lá pressionar o prefeito, né, Sandro? Pode ir lá no gabinete. Mas eu acho que a gente está perdendo muito tempo. O que vocês acham? Então, a gente fica batendo boca aqui e não avança. Nós paramos aqui no Sapo, está certo? Né? Então, está certo. Sandro, obrigado, viu? Obrigado, viu, gente? Mas vamos avançar. Agora, o pessoal pode, sim, ir lá cobrar o prefeito. Isso aí... São as [ininteligível] da comunidade, que ela é soberana para decidir, né? Então está certo. A gente falou dentro da pauta... Então, assim... Está encerrado o Sapo? Todo mundo do Sapo falou, já colocou os problemas, e o Sandro lançou uma pergunta que é interessante. Quer dizer, tem muita gente pedindo serviço público para o Sapo. Isso, de fato, a comunidade do Sapo... Já em várias reuniões. E, ao mesmo tempo, tem essa questão de 47 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR como é que vai ser o futuro do Sapo. É uma pergunta que eu acho que é para vocês pensarem. Não vamos responder agora. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Se está enfiando goela abaixo da gente, a gente está querendo o retorno disso. Porque é o seguinte: a única coisa que eu estou vendo aqui é que a gente também está querendo uma posição do Poder Público Municipal aí sobre uma posição da Anglo, porque está cedendo tudo para Anglo. Então, é isso que o povo está querendo, que ele tome uma posição e larga de ser covarde. É isso que o o povo está querendo. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, sabe o que eu acho que a gente podia também fazer como encaminhamento? Às vezes, a gente fazer... A gente já faz algumas... Por exemplo, eu posso falar aqui para [ininteligível02:24:01]? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Encaminha, que eu acho que é mais proveitoso. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu acho que a gente já tem adotado o critério de fazer algumas denúncias na polícia ambiental, Ministério Público. Eu acho que nós temos que incluir agora e dar ciência à prefeitura municipal, também, para a gente poder cobrar formalmente isso também. Então, eu acho que o encaminhamento que a gente pode fazer aqui, já que a gente tem tanta demanda com a prefeitura e que a gente está achando que ela precisa estar mais próxima desses... É a gente formalizar essas denúncias ou esses requerimentos, seja através da Reasa, seja individualmente, para a prefeitura municipal também, né? Eu acho que é um encaminhamento que a gente pode tirar dessa discussão, desse debate que teve aqui. Não é isso? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Aí eu já... Com a minha estrada aí, eu já tomo a liberdade para aconselhar: individualmente não é bom, né? Se vocês vão unidos na prefeitura, depois de ter debater o tema, aí, sim, vocês têm... Se empoderam para discutir a coisa. Então, podemos passar o Sapo. Córregos SR. LUIZ FERNANDO: Boa noite a todos. Luiz Fernando, de córregos. Bom, em relação a essa questão que acabou de ser discutida, é com certeza. Para nós, atingidos... Lógico que Sapo é atingido. Eu acho que, em vez da proposta de... Eu acho que tem que reivindicar mesmo melhores condições, posto de saúde, escola, porque é uma comunidade tradicional e deve ser mantida, e, se a mina vai chegar aqui a dez quilômetros ou a cinco quilômetros, eu acho que a comunidade tem que se organizar para que ela chegue a uma distância segura, que proporcione... A 600 metros, né? Que proporcione uma vida razoável, tranquila, dentro da comunidade. Não... “Ah, vamos mudar a comunidade de lugar”. Eu acho que deve permanecer. [palmas]. SR. LUIZ FERNANDO: E não a mineração invadir o seu espaço. Então, deve se fazer estudos para que... Qual que é distância segura de uma comunidade e de um empreendimento desse tamanho, e aí limitar, 48 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR e não ao contrário. Vão tirar o Sapo daqui porque a mina está com 600 metros, né? SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Vou te pedir licença. Bom, é isso que a gente está propondo. O que a gente está dizendo é que quem está de fora, a gente que não mora aqui não pode tomar essa decisão. Quem tem que decidir é quem está aqui dentro. É isso que a gente está colocando. [falas sobrepostas] SR. LUIZ FERNANDO: É, eu acho que nós temos que antecipar o futuro. Então, se existe esse risco de 600 metros da mina, nós temos que cuidar para que se afaste. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Em 600 metros de mina, gente, não há mitigação que vai resolver a... SR. LUIZ FERNANDO: Exatamente. Então, eu acho que a nossa luta... Eu acho que nós temos que antecipar esses problemas, e prevenir para que eles não aconteçam. Eu acho que esse é o sentido desse grupo. Eu acho que muita coisa vem goela abaixo, como já disse aqui, mas eu acho que agora a gente tem que conseguir segurar o que for possível, né? E não simplesmente uma proposta de não buscar recursos ou etc. Bom, em relação a essa questão de Córregos. Córregos talvez seja menos atingido do que Sapo, do que Água Quente, pela distância do empreendimento, mas nós continuamos assombrados aí, com a possibilidade de a empresa alojar trabalhadores, e essa conversa já voltou lá em Córregos, esse último mês. Então, assim, não aconteceu, mas se falou, houve movimento na rua, não tem trabalhador alojado. Mas tem a conversa de que vai haver trabalhador levado para lá. Não aconteceu ainda. Mas temos que prevenir e lembrar aqui, dos compromissos assumidos pela empresa de preservar Córregos, que tem o seu núcleo histórico tombado. E a gente vê aqui o que aconteceu com Sapo, o que aconteceu com outros distritos, Conceição do Mato Dentro, e a gente não quer que isso aconteça em Córregos. Pelo menos parte da comunidade não quer que isso aconteça. E a empresa assumiu vários compromissos aí de não tornar Córregos alojamento de trabalhador. Outra questão também, Córregos é atingido no sentido... No momento em que as comunidades em volta do distrito estão sendo desfeitas. Caminhos são obstruídos. É lembrar isso, porque, assim, essa questão de venda de terra, de ocupação, de reassentamento das comunidades, os distritos, as comunidades que viviam se intercomunicando, vivendo do comércio etc., isso está acabando. Vários caminhos que traziam Córregos já foram obstruídos. Hoje a gente tem que dar uma volta grande para chegar aqui. Antigamente tinham caminhos, que era estrada real, inclusive, caminhos tradicionais que hoje são obstruídos. São questões antigas que a gente já tem discutido isso há muitos anos, mas o que tem acontecido é que, cada vez mais, as comunidades estão sendo desfeitas, em torno, aqui, do empreendimento, as terras são vendidas, e as comunidades... E uma forma de convivência, 49 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR de preservação da cultura é justamente essa inter-relação entre as diversas comunidades aqui em volta. Outra questão que nos preocupa bastante e que também tem a ver com o futuro é a questão da água. Hoje, até hoje, a gente não tem essa garantia. Vai faltar água nessa região, para Córregos, né? Que tem... Hoje tem um problema grave de abastecimento de água. A água é coletada dentro do distrito, em nascentes dentro do distrito. Então, a gente já tem há muito tempo discutido isso com a prefeitura, com a comunidade. A Copasa já chegou a fazer um projeto para alterar essa captação de água, que não foi bem aceito pela comunidade. Então, quando o Sandro falou aqui, hoje, do projeto de esgoto que foi feito para Córregos, por que não discutir isso com a comunidade, antes de implantar isso lá, assim como a questão da água? Para não correr o risco de não ter aceitação da comunidade. A gente fica muitas vezes distante dessas decisões. A Anglo fez um projeto e não apresentou para a comunidade. Isso já foi objeto de captação de recurso no governo federal. E isso vai chegar lá de uma forma impositiva, sem poder a comunidade discutir. Eu acho que isso pode ser... Pode ter problemas aí que a comunidade conhece e que poderia ser evitados na sua implantação. Então, são essas aí as questões de Córregos, é a questão do esgoto, que é grave, da água, que ainda continua muito precária, né? Não temos tratamento de água, apesar de serem nascentes. São nascentes que estão correndo risco de serem contaminadas, porque estão dentro da comunidade. Mas a gente queria também que fosse uma solução para a água, uma solução que preservasse as nossas nascentes dentro da comunidade, e, ao mesmo tempo, que fosse uma água boa, tratada, de boa qualidade, coisa que a gente tem dúvida se hoje é assim a água lá coletada na nossa comunidade. É isso. Obrigado. [palmas]. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Luiz Fernando, então, em relação à atualmente, a gente pode dizer que aquela reunião da Reasa lá em Córregos foi proveitosa, em relação aos alojamentos daquela discussão toda, né? SR. LUIZ FERNANDO: Até hoje não se alojou, mas voltou-se a falar recentemente que tem empresas querendo alojar trabalhadores. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: E aí, assim, a gente trabalha nessa perspectiva lá na Cimos de empoderamento da comunidade. O Ministério Público não pode estar todo dia lá em Córregos, e a comunidade tem que ser autônoma para... Então, assim, vocês que estão na Associação de Córregos, que é organizada, é muito claro um trecho lá no EIA/Rima, que diz que não pode ter alojamento em Córregos. Está bem descrito. Então, ela está descumprindo uma regra ambiental. SR. RICARDO GUERRA FURTADO: Luiz, eu vou pedir favor... Principalmente Córregos [ininteligível 02:32:25], a gente tem fiscalizado essa parte de alojamento, a Secretaria de Meio Ambiente, e a gente 50 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR acaba chegando atrasado por falta de informações. Então, se tiver qualquer movimentação, por favor, direcionar à prefeitura, que, no mesmo dia, nós vamos lá e... É só manter a gente informado, que a informação rápida é a principal arma que a gente vai ter nos próximos dias. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, podemos deixar como encaminhamento, então? Já é uma boa questão. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Ah, eu também quero falar de Dom Joaquim. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Claro, eu vou passar para o pessoal de Dom Joaquim, que está aí, que é visitante, né, que tem horário. Vocês se importam? É a primeira vez que eles estão vindo aqui. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, pode falar. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Sapo(F) de Fora, mas com a convivência de... Parece que nós estamos distantes. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Fala o seu nome e... SR. CLAUDINEI ALVARENGA: Meu nome é Claudinei Alvarenga. Eu sou secretário de Meio Ambiente e morador de Dom Joaquim. Nasci, morei e moro... Já morei fora, mas sou residente e pretendo continuar vivendo lá por muito tempo. Aparentemente nós estamos longe dos problemas, mas eu costumo dizer que Dom Joaquim é um impacto mais direto da região, porque uma população de 5 mil habitantes, 3 mil habitantes urbanos, com 1500 colaboradores inseridos dentro desse contexto, são 50% a mais de transtorno de tudo. De todas as demandas... Colaboradores. A gente trata humanamente as pessoas, porque eles também são seres humanos que estão buscando seu sustento, estão inseridos dentro desse processo, ha uma mão de obra, às vezes, barata, do ponto de vista econômico, mas uma mão de obra que dá um transtorno muito grande para a nossa comunidade. Na área de segurança, nós temos dois policiais... Imagina bem, que já... Quando a comunidade tinha 3 mil habitantes, nós tínhamos seis policiais e os problemas eram muitos. Imagine agora que o tráfico de droga, droga pesada, crack, invadiu a cidade, prostituição infantil, infanto... adolescente. Na área de segurança... A gente não pode fazer uma festa junina nas escolas. Por quê? A disparidade entre homem e mulher é terrível. Imagina bem. Essa disparidade está... A associação... A vida social da cidade ficou muito ruim pela própria comunidade. Nós temos a barragem, que é o nosso atrativo turístico... A cidade estava desenvolvendo o turismo, estava caminhando a passos largos no turismo, tinham uma demanda... Éramos uma cidade referência do turismo na região. Hoje, praticamente não existe, porque nós não temos segurança, nós não temos espaço físico, para alojar as pessoas e criou uma febre do ouro nas pessoas, que a gente não consegue mobilizar as pessoas para lutarem contra o empreendimento. Muito pelo contrário. Se a gente tentar falar, a gente é reacionário, para a gente agir, a gente tem que 51 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR agir com toda a segurança e politicamente dentro dos melindres, porque a gente é visto como contra um sistema de coisas progressista. A gente tem uma visão mais técnica da coisa. A gente está sofrendo com assoreamento do nosso cartão postal e todos os recursos hídricos, porque Dom Joaquim está a cinco quilômetros, para se dizer, do nosso berço das águas, uma [ininteligível02:35:59], a [ininteligível] mineira, que é uma área de preservação ambiental, que está sendo destruída a cada dia, numa velocidade incrível, por quê? O assoreamento da Água Quente, do Passa Sete, a barragem de rejeito. Tudo está fluindo para a gente, diretamente para a gente. A gente tem uma população itinerante flutuante de 1500 pessoas, uma população que chega. Que invade os nossos espaços sociais, que a gente não pode usar uma área pública, que são os nossos atrativos. Por quê? Nós não temos segurança para isso. Se a gente levar os nossos familiares, eles estão correndo risco. E a gente foi inserido sem uma Audiência Pública que conclamasse à população, que explicasse os dois lados da moeda. Só se mostrou o lado bom, aquela febre de crescimento econômico, e a gente está vendo uma população... Economicamente cresceu o IDH, mas a felicidade não acompanhou. Infelizmente a gente vê isso. É uma cidade que não tem lazer, as pessoas já não se cumprimentam, como disse um amigo nosso. Já não tem aquela euforia de falar, bater no peito: “Eu sou DomJoaquinense. Eu moro e gosto desse lugar”. Infelizmente está sendo destruído a olhos vistos. Nossas ruas... Que era uma cidade bonita. Totalmente destruída. As matas... Supressão vegetal. Invasão e APP. Com conivência da Supram de Diamantina, que nem jurisdição tem, porque nós pertencemos à estrutura Leste de Valadares. Então, eles liberam licenças genéricas: “Construam isso, façam isso. [ininteligível] bota fora”, mas não vai ninguém fiscalizar. Infelizmente nós ficamos... A gente relata, o promotor... Já fizemos as notificações. O Ministério Público tem nos acompanhado, tem nos dado o suporte, essa esperança dessa luta, que a gente consiga brecar com essa adutora, que está passando dentro da nossa barragem, o nosso atrativo maior, que é o cartão postal, e um bem tombado culturalmente. Nem isso eles respeitaram. Tem várias promessas de milhões de investimentos que se colocam mil obstáculos, para a gente conseguir chegar ao objetivo do recurso financeiro. E a comunidade fica ansiosa, o gestor que você disse... “Ah, o prefeito não tem coragem de barrar”. O nosso teve coragem de barrar e sofreu por isso. [palmas] SR. CLAUDINEI ALVARENGA: A população sofreu por isso, porque ele viu a própria população de Dom Joaquim invadir a prefeitura para quebrar... Pegar o prefeito e bater nele, porque tomou essa decisão. Imagine bem. Os nossos comerciantes, meia dúzia de oportunistas, que só olham para o próprio umbigo, que não têm respeito pelas crianças, pelos idosos, que sofrem, cinco, seis horas da tarde, congestionamento, parecendo cidade grande. Dois, três quilômetros de carro, para tudo. Eu moro na rua, a mais sofrida, a Rua Benedito Valadares. Quase cinco horas da manhã eu tenho que acordar, eu acordo junto com os 52 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR colaboradores. Por quê? Eu não consigo dormir. O cara passa, parece que está passando debaixo da minha cama. Eu acordo... Chego nervoso. Como secretário do Meio Ambiente, você quer ver as coisas funcionarem, e somos cobrados por isso. E essa ansiedade, essa angústia de não ter força para resolver, isso nos coloca, assim, nos apequena diante dos problemas, e eu gostaria que a minha cidade tivesse isso aqui, olha. Pessoas reunidas, conversando, debatendo sobre um problema que é de todos, embora meia dúzia estão tirando proveito. O aluguel de uma casa, que custava... Uma mansão, que era um salário mínimo, hoje, cinco mil, seis mil, quinze mil. No supermercado, que se fazia uma compra da semana com 100 reais, hoje é 300 reais, e a qualidade é lá embaixo. Por quê? Generalizou, nivelou por baixo. Infelizmente, nós estamos vivendo isso, e a tendência é piorar cada vez mais, porque a degradação ambiental da nossa cidade... São José da Ilha, para quem conhece, pertinho, aqui, eles estão fatiando as montanhas. Fatiando. É intervenção em Mata Atlântica, é mata ciliar recortando tudo, aquele assoreamento, que está previsto... Nas primeiras chuvas que virão, Dom Joaquim vai ser inundada pelo mar de lama. Inundada por um mar de lama. Infelizmente, nós estamos prevendo isso, e não podemos negar para a população que nós seremos atingidos, já estamos sendo e vamos ser atingidos drasticamente nas próximas chuvas. E a população que, às vezes, recebe informação não consegue nem digerir essa informação, porque a massa crítica está dominada. Quem tem o poder de levar a informação correta está deturpando, manipulando a informação em prol de recursos que às vezes escusos, que a gente não sabe. Que vários acordos que foram fechados para abrir a porteira, para esse empreendimento foram feitos entre quatro paredes, em pequenas salas, com ar-condicionado, e a população ficou alijada de decidir, de interferir... Isso que vocês estão fazendo aqui é um exercício da democracia, né? Vocês estão lutando por um direito que nós não tivemos esse direito. É isso que eu queria falar, que nós somos solidários com os problemas de vocês, porque nós estamos sentindo junto com vocês esses problemas e sabemos muito bem o que é ser invadido como na época do Brasil Colônia. As naus portuguesas chegaram, “os deuses estão chegando”. Troca-se um espelhinho pelas matas, pelo ouro, aos deuses. Nós vamos doar o mais precioso, que é a água. Eu troco toneladas de montanhas de minério pelas nossas águas. Nós vamos doar, que nem preço tem. Porque o minério ainda tem a Cefem, a compensação dos royalties. E a água? A taxa condominial, os royalties da água, ele está sendo discutido, [ininteligível 02:42:38] para a Bacia do Rio Doce, que tem um órgão gestor... O Sandro pode nos falar melhor, que é a Ibio... Nem se fosse ICMBio, do Chico Mendes. Mas é um “Bio” que a gente nem sabe quem é o diretor. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É o pai do Eike Batista. SR. CLAUDINEI ALVARENGA: É o pai? Então, nós estamos bem. É isso que eu queria pontuar, relatar para vocês. Nós somos solidários e gostaríamos também de ter uma reunião, de conclamar a comunidade, para poder estar levando também para Dom Joaquim essa reunião, uma 53 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR dessas reuniões, porque nós somos seres humanos e somos uma comunidade para dizer irmãs. Geopoliticamente não pertencemos à mesma cidade, mas somos muito próximos. Até os nossos sofrimentos são iguais. Muito obrigado; [palmas] SR. LUCAS HENRIQUE: Boa noite a todos. Eu só lá da comunidade de Dom Joaquim, comunidade Córrego da Cachoeira. Meu comércio não é atingido... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Seu nome? SR. LUCAS HENRIQUE: Lucas Henrique. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Sua comunidade. SR. LUCAS HENRIQUE: Minha comunidade... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A sua comunidade vai ser atingida através da barragem de Rejeito, que até o quilombola, né? SR. LUCAS HENRIQUE: É, faço parte da comunidade quilombola. Comunidade [ininteligível]. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível] vai atingir sua comunidade lá, de quilombolas... SR. LUCAS HENRIQUE: Exatamente. Hoje eu vim aqui na frente para chamar atenção para uma coisa. Na hora que entrou, eu comentei com a minha amiga ali, que eu contei basicamente umas 54 pessoas, e eu... Pensando comigo, assim... Nem comentei com ela isso aí, não. Olhando assim... Você me desculpa, Gilson, você é mais velho aqui. Não estou chamando os senhores de velho, não. Não. Mas, quando vocês tinham a minha idade... Eu estou com 18 anos. Vocês tinham planos, sonhos, lutavam por esses sonhos e, hoje, estão aqui nessas reuniões para tentar apenas viver o sonho que vocês construíram quando tinham a minha idade. Agora, será que será preciso que vocês aí dessa idade tentem... Além de lutar para viver o sonho que vocês construíram, tenham de construir o sonho dos jovens da nossa região, como eu? [palmas] SR. LUCAS HENRIQUE: A Patrícia me convidou para vir na reunião, eu... Eu estou morando em Conceição. Assim que eu saí do Senai, eu fui para casa. Eu esqueci da reunião, né, Patrícia? Na hora que ela chegou, eu estava com a bicicleta assim, no portão, para ir no banco. “Patrícia, você espera só eu ir lá dentro?”. Fui lá, peguei minha blusa, fechei o portão e vim. Poderia estar lá agora no Facebook, já tinha jantado, tudo mais, tinha ido no banco. Tudo. Poderia estar lá, deitado na cama lá, com o computador na frente. Ou, então, que simplesmente... Estar atualizado e saber o que está acontecendo. Os nossos jovens, na minha idade, não sabem nem que tem essa reunião. Se eles tivessem aqui, poderiam estar lá no cantinho, mas pelo menos se tivesse aqui, seria [ininteligível] muito mais. Por isso eu queria chamar atenção se tivesse... Eu tento chamar mais a juventude, como eu, mas se pudessem 54 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR também estar fazendo... Mais frequentes para eles saberem que isso está acontecendo, saber o real motivo, para que eles não... Porque a juventude como eu, a gente tem a mente um pouco, assim, fraca. Exatamente. Sim. [risos] moço! ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Você não tem mente fraca não SR. LUCAS HENRIQUE: Sim, exatamente, a mente fraca, podendo acabar cedendo ao medo e à chantagem. O que acontece? Mesmo que alguns saibam o que está acontecendo, ele pode não vir por medo de chantagem, medo de alguma coisa, mas, se ele souber o real motivo, saber que isso aqui não é luta de braço, saber que isso aqui é só apenas um debate, ele vai vir, sim. Muitos não vêm pensando que é uma guerra, que é uma luta de braço. Não, não sabe o que é um debate como esse aqui, público, que todo mundo pode vim e se expressar. Isso aí que eu queria chamar atenção. Muito obrigado. [palmas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu queria agradecer aos visitantes de Dom Joaquim e destacar: o secretário, quando ele começou falando dos operários das obras, a gente que trabalha com muitas questões difíceis, às vezes, tenta ver o outro como inimigo, mas o operário que está lá... Eu sempre faço esse exercício de entender ele numa perspectiva de direitos humanos. Ele também é humano, ele é fruto de um processo. Não adianta ficar bravo com ele porque ele não decide nada. Ele não decide nada. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Mas ele é a instância mais próxima da gente. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sim. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Mas colaborador, ele tem de ser de alguém, né? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Claro, claro. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Colabora não é com a gente. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, naturalmente, mas... A gente que trabalha nessa perspectiva de Direitos Humanos... Assim, o outro também tem que ser levado a sério. Se endemonizar(F) ele é a última coisa que a gente vai fazer. Isso é não entender como é que o processo funciona, e eu fiquei muito impressionado... O pessoal está lendo o processo politicamente. Então, o caminho é por aí. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É esse apoio que a comunidade está querendo do Poder Público nosso, aqui, municipal. A coragem que o prefeito de Dom Joaquim teve. Essa coragem. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É, mas você viu o que aconteceu com ele também? 55 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, mas só que ele teve coragem. Ele agiu. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Gente, agora, vamos... Tentar ficar atento à pauta, aqui. O João Vitor, meu grande amigo, aqui, hoje, falou que já são nove horas. Me cobrou aqui: “Luiz, você falou que nove horas era partir para os encaminhamentos”. Me perguntando aqui que horas são. Então, vamos tentar cumprir o que a gente se propôs, que é cada comunidade, que a gente já registrou muitas coisas, dizer o que atualmente aconteceu das últimas reuniões para cá. Muita coisa todo mundo já conhece, quem acompanha as reuniões já conhecem. SR. ROBERTO: Boa noite. Meu nome é Roberto. Eu sou, assim, da comunidade do Beco, mas também do Quatis. O que é... Eu falo comunidade do Beco e Quatis. Eu tive uma certa até confusão com relação a isso, porque o Beco, ele é uma parte do Quatis. Então, eu sou coerdeiro de uma parte do Quatis, que a gente ficou lá... A gente é chamado [ininteligível] do Beco. Então, eu estou ali no Beco, mas eu tenho, assim, um forte apreço mesmo ao Quatis. Eu tenho acompanhado as reuniões, e, na última reunião que teve em Conceição, eu fiquei um pouco assim até estarrecido em ver a tranquilidade dos... Vamos dizer assim, dos diretores que estavam lá da empresa. Por que eu fiquei estarrecido com relação a isso? Muitas coisas foram ditas, e eles se colocaram em uma posição de tranquilidade, ficaram tranquilos. E as perguntas eram feitas para eles, e eles respondiam simplesmente com: “Não estamos fazendo nada errado”. Eu estava ali prestando atenção, e eles falando: “Não estamos fazendo nada errado”. Para eles, as documentações estão em dias; para eles, as orientações estão em dias. Todos os órgãos... Eu já falei isso na primeira reunião. Todos os órgãos que são responsáveis por emitir para eles as licenças estão trabalhando dentro da lei. Estão trabalhando corretamente. Então, para eles, eles estão tranquilos. E, quando eu levei para eles lá na reunião uma demonstração que a empresa já está com uma parcela bem alta dos seus projetos implantados, até o próprio dirigente da palestra disse: “Não, todo mundo está sabendo disso”. Eu contestei essa fala dele, que todo mundo está sabendo disso. Quando eu cheguei lá com a relação disso, eu estava indo com uma relação de 65% de realização da obra deles. Ou seja, a empresa, ela está com 65%... Hoje eu não vou precisar isso, mas, naquele dia, era uma notícia nova. Eles estavam com 65% de implantação do sistema deles. Ou seja, eu me senti um tanto quanto inválido, impróprio para poder pedir o que eu ouvi aqui, hoje: a paralisação da obra. Não que isso não possa acontecer, mas, como também o Sandro disse aqui, a gente pautando um pouco em cima dos conhecimentos das leis, das normas, eu posso externar para vocês que é uma coisa quase que impossível, paralisar. Pode, sim, vamos dizer assim, fechar o portão por um dia, uma semana, um mês, mas essa obra... Eu tenho comigo que essa obra não será paralisada por tempo maior que o necessário para que algum órgão libere esta obra novamente. Então, eu vi aqui a cobrança da prefeitura, a cobrança do secretário, a cobrança de 56 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR quase todos aqueles ligados aqui... Vamos dizer, até mais próximos aqui. Mas, de novo, eu tenho que ressaltar que nós, Brasil, temos uma legislação forte na questão ambiental. Nós temos uma Constituição. Como eu disse da primeira vez, quiçá é o único país do mundo que tem em sua Constituição um artigo que fala diretamente sobre meio ambiente. Por que está falando sobre meio ambiente? Todo mundo pensa que meio ambiente é simplesmente a água... Eu estou falando “simplesmente água” não é para colocar a água como pejorativo, não. É um fator principal. Mas a gente pensa sobre meio ambiente, a gente pensa sobre a água, sobre o ar, sobre as montanhas, sobre as florestas, mas a gente esquece o ser humano, que é o principal disso aí tudo, porque isso aí tudo é que vai fazer com que seja... Que tenha a existência disso aqui, olha, do ser humano. Do que adiantaria água, montanhas, rios, árvores, peixes, pássaros, se não estivesse à existência do ser humano? Aí, a gente fala hoje uma palavra comum, “sustentabilidade”. Bonita a palavra “sustentabilidade”. O que é sustentabilidade? Ah, é usar sem que a geração futura tenha necessidade ou fique escassa daquilo. Tá, mas o que é escassez disso? Escassez disso é a escassez que está acontecendo hoje, escassez de água. Porque, quando a gente usa água, a gente paga um preço caro por isso. Então, por exemplo, eu estou lá em Belo Horizonte, aí eu estou sendo afetado pela mineradora aqui. Será? Será que eu não estou sendo afetado lá? “Ah, não, mas quem está sendo afetado é quem mora aqui no Sapo”. Vamos começar assim, gente: eu cheguei hoje de Belo Horizonte... Eu vou rapidinho. A entrada em Conceição, hoje, foi triunfal. Nunca vi tanto carro em cidadezinha tão pequena. Parecia piada. Então, quer dizer, o que eu estou querendo dizer com isso? O que eu estou querendo dizer com isso é que nós estamos brigando pelo Sapo, pelo Beco, pela Mombaça, mas Conceição também está ruim. Está tudo ruim. Então, o que eu quero dizer com isso? Não é questão simplesmente de prefeitura. Tem outros órgãos. Cadê o Ibama? Eu, até hoje, em reunião nenhuma, eu vi um representante do Ibama. Eu falo: eu não vi um representante do Ibama, gente. Não estou falando que o Ibama é totalmente responsável por isso, mas cadê um representante do Ibama? “Ah, o Ministério Público está aqui”. Ótimo! Eu falei isso com a Dra. Silmara, que veio. Eu perguntei para ela: “Cadê um representante do Ibama, do IEF, do Igam, da ANA?”. São os órgãos responsáveis pelos, vamos dizer assim, atributos... Vamos dizer assim, os nossos atributos minerais, vegetais, e por isso eu falo: “Cadê eles, que não aparecem?”. Assim, não estou falando que eles vão chegar e vão resolver o problema, mas eles deveriam dar uma explicação para a população por que tal licença foi feita. Eu perguntei sobre a avaliação de impactos ambientais. Bom, a população foi perguntada sobre isso. “O que vocês vão ser afetados, o que isso aqui vai trazer de benefício, o que isso aqui vai prejudicar vocês?”. A população não foi perguntada dessa forma. Passaram lá... Vou... Passaram lá na casa da minha tia, 92 anos, passaram na casa do meu outro, 70. Querem a empresa... “Como é que vocês estão?”... Isso, isso, isso. Eles... Para eles, era simplesmente, gente, uma coisa comum e pronto. 57 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR Agora, vamos para os [ininteligível 02:56:08], né? Hoje. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu queria, assim... Nós tínhamos proposto na pauta para as comunidades atualizar o que está acontecendo. SR. ROBERTO: Vou para agora. Comunidade do Beco. Foi falado aqui sobre os dejetos que são lançados nas estradas para poder molhar as ruas. Isso aí aconteceu realmente no beco. Estavam tirando ali os dejetos das fossas, e era para ser levado para determinados locais, e os funcionários, segundo o que me informaram, os funcionários, às vezes até sem... Não estou defendendo a firma. Sem o conhecimento e sem o policiamento, a vigília da empresa. Estavam fazendo a colocação desses dejetos nas estradas, ou seja, molhando as estradas com esses dejetos. Inclusive isso foi visto pelos moradores e foi paralisado isso, por questão de estar sendo jogado esse dejeto lá. Fato real, fato verídico, que foi feito essa paralisação mesmo. Hoje... O grande problema do Beco, hoje, é a falácia sobre a implantação de um alojamento na região ali do Beco. A empresa comprou um terreno abaixo, pouco abaixo, assim, da casa da gente, do terreno da gente, comprou isso lá. Na realidade, o intuito dessa compra era para colocar alguns moradores que iriam ser retirados de outras áreas, só que, agora, eles estão com a ideia e a, vamos dizer assim, implantação desse alojamento lá. É o que está assustando a população. Já é uma população mais idosa, vamos dizer assim, e, vai mudar totalmente a rotina, como já vem mudando. Até o fato de terem consertado estrada lá, coisa rara de acontecer, do jeito que foi. Não que não consertassem a estrada, mas, do jeito que foi. A estrada está “cascalhada”. Isso está levando para eles um tremendo medo, porque está se falando justamente que essa estrada foi consertada com a finalidade de se implantar esse alojamento nesse local. Então, hoje, nós estamos aqui relatando a necessidade de verificação da veracidade da implantação desse alojamento nesse local. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Roberto Obrigado, SR. SANDRO LAGE: Deixa eu só perguntar: a umectação... A umectação você tem certeza... Porque tem um... Realmente, o... A água tratada... Depois que ela passa no tratamento da ETE, ela pode ser usada para umectação de vias. Aí, tem que conferir se a água é está daí, que aí ela tem aí cerca de 92% de eficiência e tal. Depois que ela é tratada pela ETE, aí ela pode ser usada em umectação de vias. Tá? Só isso. SR. ROBERTO: Sandro, eu questionei esse fator... SR. SANDRO LAGE: Mas eu não tenho informação se é ou não. SR. ROBERTO: Eu questionei esse fator. Eu falei assim: “Não, a água, depois que ela é passada por um processo de purificação, eles tiram certa quantidade, e isso aí pode ser jogado tranquilamente”. Se eu falar assim, “Não, não era”. Por que não era? Porque nós chegamos lá, eles barraram o caminhão. Inclusive eu fiquei sabendo que os funcionários que estavam levando... Eu fiquei sabendo que os funcionários que estavam fazendo essa liberação desses dejetos na 58 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR estrada, lá, eles estavam sem autorização da firma para isso. A firma pagava eles para levar o dejeto para outro lugar, e eles, com aquela situação de economizar o combustível, o tempo, essas coisas todas... Era um trabalho, assim, escuso da firma. Então, tanto que eu fiquei sabendo que foram, inclusive, inclusive, demitidos. Foi o que eu fiquei sabendo, que foram demitidos por esse motivo. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sandro, só dentro disso, de tratamento de esgoto, tem determinação da Supram de se fazer a análise do esgoto, antes de ser tratado, e logicamente depois para ver essa eficiência. Tem como, no caso, a Secretaria de Meio Ambiente estar acompanhando isso? Pelo que a empresa e a Supram fala, está tudo dentro da normalidade; pelo que a comunidade fala, não está. E de, além de fazer essa análise do que está sendo apresentado pela Supram Anglo... [risos] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tem como, talvez, a Secretaria, ou, às vezes junto até com o Ministério Público de fazer essa averiguação, entendeu, não só acreditando nos resultados que foram apresentados, porque a comunidade, “a voz do povo é a voz de Deus”, não vê esse tratamento dessa maneira. SR. SANDRO LAGE: Com relação a... Parece que eles têm que periodicamente informar mesmo esses resultados. Eles são informações, até então, ditas pela Supram como públicas. Qualquer um pode requisitar. Talvez a Secretaria de Meio Ambiente tenha mais... Não acredito a de Conceição de Mato Dentro, mas tenha mais facilidade de fazer esse pedido para a Supram. Encaminha para a gente, que a gente pede para eles. Mas a sensação que eu tenho pessoalmente... Aí eu estou falando pessoalmente. A sensação que eu tenho com relação a Supram Jequitinhonha, que é a que eu relaciono, é de muita má vontade com a gente. Eles acham que eles estão fazendo o maior favor do mundo e que já fizeram demais por Conceição e que realmente... Essa é a sensação que eu tenho, tá, gente? E eu acredito que vocês compartilham ela também. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sr. Antonio Pimenta, da Ferrugem. SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Boa noite a todos. Meu nome é Antonio da Silva Pimenta. Eu gostaria de fazer uma pergunta aqui, para o Sandro. É a respeito de uma denúncia que o Lúcio, meu irmão, fez a respeito da água, dessa água que o Zé Pepino falou, que é a cabeceira do Pereira, e ficaram de dar uma decisão hoje, e, eu aguardei lá o dia inteiro e não apareceram. Se apareceu, foi na parte da tarde, que eu saí. Eu gostaria que o Sandro me explicasse por que a água continua suja, a mesma coisa. SR. SANDRO LAGE: Sr. Antônio... Não, Sr. Antônio é seu irmão? SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Lúcio. 59 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. SANDRO LAGE: Lúcio. Sr. Antonio, nós chegamos de lá vindo de lá. Às cinco horas a gente estava lá, e, de lá, nós viemos para cá, para a reunião. Eles fizeram... Na verdade, a denúncia deles é com relação a um dique que tem em cima da propriedade, a montante da propriedade deles, e realmente há uma movimentação grande de terra. O dique é como se fosse a barragem. SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: De rejeito... SR. SANDRO LAGE: Menor, né? E, guardadas as proporções, como se fosse a barragem. E aí muita movimentação de terra, muitos [ininteligível 03:03:41]. Tivemos lá na semana passada. Constatamos que, acima das obras, a água estava cristalina, em uma situação de qualidade boa, e que abaixo da... A jusante dessas obras realmente estava na situação que o senhor comentou. Voltamos lá hoje, a situação melhorou um pouco, porque o tempo... Em uma semana é muito pouco tempo para se fazer essa limpeza, mas a parte de cima, onde que está ocorrendo a obra. SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Que obra? SR. SANDRO LAGE: É uma obra do dique. Inclusive tem uma acondicionante, é uma das primeiras que eles estão correndo, loucos para terminar. Então, é a do dique, de contenção de fina(F). O objetivo do dique é justamente segurar os finos mesmo para melhorar. 2009. SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: E era para estar pronta em SR. SANDRO LAGE: Sim, sim. SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Foi pedido em 2009, diga-se de passagem. SR. SANDRO LAGE: Então, essa movimentação toda de terra, eu falo que eles pecam por uns detalhes assim, cara, que... Eu não sei se isso é pensamento de grande, gente... Eles são tão grandes que eles pecam nuns detalhes bobos. Então, aí foi feito uma paliçadas com uma contenção, que eles chamam de [ininteligível03:04:55]. É como se fosse um pano. Faz um papel de um filtro. Foram feitos três paliçadas. Que, pontualmente, ali, deu uma amenizada na situação. Aí eu desci lá naquela água que você me mostrou. Desci lá. Essa água, ela não está no aspecto que estava na semana passada ainda, mas o fundo dela está do mesmo jeito. A senhora falou aqui. Por cima, ela está um pouquinho melhor. Por cima ela está um pouquinho melhor, mas o sedimento, que está todo no fundo, ele vai demorar ainda um pouco para limpar, porque tudo isso que desceu... Com as primeiras chuvas que vai dar uma lavada nisso. SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Vai estourar mais. A terra que está [ininteligível] lá dentro. SR. SANDRO LAGE: É muito difícil porque... SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Se for mais 90 dias, não vai ter água no Pereira. 60 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. SANDRO LAGE: É muito difícil porque a condição que ele tinha, ele não vai ter... SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Desde a reunião de Diamantina, já tem quase um mês que está fazendo lama, lama. ORADOR NÃO esclarecer... IDENTIFICADO: Sandro, só para a gente SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: A hora que a chuva começar é que vai atolar. Ferrugem. SR. SANDRO LAGE: Essa água está acima da divisa dele com a Anglo. Ele faz uma divisa com a Anglo. Então, ele está... Ali, qual que é aquele córrego? É afluente do Pereira, isso. SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: É lá mesmo. Lá não tem recuo, não. Lá é só Deus. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu gostaria de ter um pouquinho de esperança dessa empresa, ou de meio ambiente, mas, sinceramente, eu não acredito em mais nada disso. SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Lá já era, Sandro. É só Deus [ininteligível03:06:25]. É só Deus. SR. SANDRO LAGE: Realmente a condição ainda vai demorar. A condição que ele tinha antes vai demorar. Agora, não detectamos a questão de óleo. Tá? O que foi... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: A hora que o minério for embora, aí... SR. SANDRO LAGE: Não, detectamos muito minério lá embaixo e muito sedimento. SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Na outra geração, Sandro. Na outra geração. Eu mudo meu nome. Na outra geração. SR. SANDRO LAGE: Fui eu, o Ricardo, nós chamamos o pessoal do Meio Ambiente deles para acompanhar a gente. No primeiro dia, a gente até entrou sem EPI, sem nada, fomos seguindo o rastro da sujeira e acabamos entrando na obra deles. Causou um tumulto lá um pouquinho. Hoje nós voltamos lá, acompanhado do pessoal do Meio Ambiente. Hoje estava o Leonardo... Leonardo Mitre. Dimitri é ótimo. E o pessoal... A equipe de Meio Ambiente deles acompanhando. E eles têm a relação... O pessoal da implantação. É fiscalizado pelo pessoal do Meio Ambiente. Então, é bom, a gente junta todo mundo, que aí eles se resolvem lá. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Vocês vão fazer alguma coisa? SR. SANDRO LAGE: Oi? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Vocês vão fazer um laudo, alguma coisa? SR. SANDRO LAGE: Bom, tem um relatório que a gente faz, mas é fotográfico, tal, e a gente pode passar para vocês. 61 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Foi lá hoje, Sandro? SR. SANDRO LAGE: Eu estou é sem foto aqui, que eu podia mostrar. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Você foi lá hoje? SR. SANDRO LAGE: Estive lá hoje. Eu cheguei de lá. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Foi de botina ou tênis? [falas sobrepostas] SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Sandro, vai a turma descer no Ribeirão para ver o que as propriedades... SR. SANDRO LAGE: Descendo ali e eu chego em você? SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Chega, chega, se não atolar. SR. SANDRO LAGE: Que eu quero chegar em você, eu quero chegar em você. SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Você tem que ir lá ver e levar eles. E levar o chefe da Anglo [ininteligível]. SR. SANDRO LAGE: Não, vamos marcar, que agora... [falas sobrepostas] SR. SANDRO LAGE: Agora eu estou com equipe. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, podemos colocar como encaminhamento, que você vai mandar o relatório para o Dr. Marcelo dessa vistoria lá. Beleza. Me ajuda, a anotando aí, o encaminhamento? Tá? Ô, Antonio, fala um pouco mais da Ferrugem para nós. A gente queria saber por comunidade como é que está. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Mais problemas ou soluções. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tem o problema da água, que o senhor pode passar... SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: O problema da Ferrugem, ele começou desde o princípio, continua a mesma coisa. Eu sempre falo que essa empresa começou e continua. Ela mata um leão por dia. Cada dia que ela tira um morador enfraquece o grupo. E ela continua a mesma coisa, e eu vejo pouca coisa assim... Eu vejo até que às vezes muito é feito, mas eu não vejo quase nenhum... De nada. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: O senhor está sozinho lá, como é que está? Quem saiu, quem está lá? SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: É, tem uma turma que já estava começando a negociação deles. Eles estão falando que agora, nesse mês e pouco, vai retirar essas pessoas. Lá na Ferrugem está ficando eu e a Ana, no caso, sem negociação. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Ana, sua irmã? 62 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Minha irmã está negociando. Não, eu falo... Tem um pessoal que está lá ainda, que é o [ininteligível 03:09:36]. Mas, na Ferrugem, no meu grupinho... Assim, na minha... Porque eles estão... É divida a Ferrugem. No caso, é dividida. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é, mas o senhor está lá? SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Eu estou lá. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Foi procurado, como é que é? SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Eu fui procurado. Eles fizeram o meu cadastro. Mas, por fazer cadastro só, eu não sento, fico acomodado, não. Eu continuo cobrando os meus direitos. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Claro, por favor. SR. JOÃO DA SILVA PIMENTA: Meu nome é João da Silva Pimenta. Também sou da Ferrugem e também da Água Santa, que eu fui criado e nascido. Em Água Santa, criado. Mas aí o problema da água é o seguinte: eu também estou sem água. Não tem água, estou comprando água para beber. Não estou tendo água para os meus animais. Inclusive, essa água lá é a única que nós estávamos tendo para salvar o problema. Agora, já virou outro problema. Que as nossas nascentes estão todas atingidas, porque tem acampamento em cima, alojamento em cima de todas as nascentes e tem muita coisa lá, que eles falam que não pode fazer as coisas no mato, mas faz. Tudo... SR. LUIZ Ferrugem? TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso na SR. JOÃO DA SILVA PIMENTA: Isso faz parte da Ferrugem. Tem alojamento. Eu moro também na beiradinha da estrada, onde que está o acampamento daquela modelo, aí passa beirando, na porta lá de casa, e tem muita poeira. Agora eles estão jogando uma aguinha despistada lá, mas não está apagando a poeira, não. Nós já pediu várias vezes e está muito prejudicado, não tem água. Muito tempo que não tem água para beber. Estou contando... Água, agora, nem para os animais não está tendo. Eu já perdi muita criação(F), já tive muito prejuízo. Eles já foram lá olhar a nossa água, mas não resolveram nada. A água está lá... Para pegar, não serve. Nem os animais não estão querendo beber ela mais. SR. SANDRO LAGE: Fica perto do senhor, lá? SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: É perto do Lúcio. SR. JOÃO DA SILVA PIMENTA: Que lá nós tinha uma nascente, dentro do nosso terreno. Está tudo poluído na nascente. E, quando chove, a terra dos alojamentos desce tudo para dentro dessa barragem. Não tem água mais. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: [ininteligível] dique de proteção de fino, Sandro? 63 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. SANDRO LAGE: É a mesma água do dique, né? É a mesma água do senhor lá? SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: É a mesma. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E a do [ininteligível] que é suja pela estrada, pelo DR, porque aumentou o fluxo. SR. JOÃO DA SILVA PIMENTA: É, o DR e os alojamentos. Desce tudo dentro da nascente, nossa água. Nós não temos nascente de água mais. Acabou. E já tem tempo que eu estou pedindo e estou reclamando. Aí não aguenta mais, não. Tem que comprar água. Eu estou comprando água para beber ha muito tempo. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Deve ser por isso. Um dos conselheiros que defende bem a Anglo lá no [ininteligível] é do DR. SR. JOÃO DA SILVA PIMENTA: Eu queria que o Meio Ambiente olhasse o tomasse uma decisão séria com isso, porque eu não tenho água mais. Eu e minha família e todo mundo que mora lá. SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Já teve denúncia ambiental, e na polícia ambiental, também, foram lá, tirar foto, só que até hoje... SR. SANDRO LAGE: O senhor está próximo do Zé Pepino também? SR. ANTONIO DA SILVA PIMENTA: Não, eu estou na cabeceira, eu estou na cabeceira da... Eu estou na Ferrugem. Eu estou acima do Pereira. Eu estou acima do Pereira, uma casinha que tem na beirada da descida, que vai lá para o rio que você foi... Ali na [ininteligível 03:12:36], descendo para [ininteligível], eu estou na beiradinha da estrada. [falas sobrepostas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sandro, Dr. Marcelo, eu estou pensando em um encaminhamento aqui dessas... Esse dique de contenção de finos e essas águas que estão faltando. Será que a prefeitura não faz um laudo para nós, uma diligência de campo, de ver... Dos usos tradicionais da água por ali. Agora, quem está faltando água... Isso que eles estão relatando aqui. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: A prefeitura esteve lá também. Está por dentro de tudo. A prefeitura e o meio ambiente junto. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Você acha que é possível? SR. SANDRO LAGE: Eu não tenho como fazer algo muito complexo, muito... Mais um levantamento dos usos do pessoal ali, descendo aquele córrego, então. Seria descendo esse córrego ali, a gente faz o percurso e cadastra todos os usos, seria isso? [falas sobrepostas] SR. SANDRO LAGE: Tá. Eu, de bate, pronto, assim, eu estou com dificuldade, porque, agora, eu estou com uma equipe, eu acho que a 64 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR gente consegue, sim, fazer esse trabalho, mas eu estou com dificuldade de marcar uma data agora. Mas isso eu quer... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: O trabalho já é conhecido, né? Só tem que agir, porque conhecido já é. SR. SANDRO LAGE: Não, a situação é. Mas agora é o seguinte: é gerar o documento, né? A gente tentar gerar um relatório... O que você falou... É um relatório. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Fazer um levantamento das condições. SR. SANDRO LAGE: Isso, um levantamento. Agora a gente tem mais gás. Antes eu estava sozinho; agora eu estou com uma equipe. Vou até apresentar ali, o Bernardo está ali atrás, nosso analista ambiental. Então, ele tem dado... Tá, gente? E agora a gente está com essa disponibilidade. Estamos com um veículo também que chegou. O pessoal bateu muito. Não é doação, é pagamento de dívida com dois anos de atraso né? Que é... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É o que saiu o retratinho? SR. SANDRO LAGE: Oi? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É o que saiu com retratinho? SR. SANDRO LAGE: É, esse retrato deu um problema. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, tá certo. É... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Só levantar a mão, gente. SR. LÚCIO GUERRA JÚNIOR: Boa noite. Lúcio Guerra Júnior. Comunidade Passa Sete, viu, Flávio? Não falou ainda, não. Aproveitando a fala de todos aqui e relembrando uma reunião que teve nesse mesmo ambiente, aqui... Eu creio que seja em 2009. De lá para cá, os problemas relatados naquela oportunidade, e hoje relatados aqui são os mesmos. A invasão de propriedade. Naquela época, foi falado daqui... Era recente o caso da prisão do Antônio. A família dele está impedida. A invasão de propriedade aqui está junto com o direito de ir e vir. Tem a fala da D. Rita também na reunião, já reclamando em relação à negociação, ao enfrentamento da família dela com a Anglo, de venda ou não, que até hoje persiste de se resolver. Tem a questão que eu fiz a pergunta, aqui, para o Sandro, para o Ricardinho, que foi bastante debatida naquela reunião que... Em relação ao Sapo. Foi até uma transparência que o Maurício Martins, na época, chegou a colocar aqui: e o Sapo fica ou não? Ele falou que, a princípio, não. O que seria esse “a princípio”? Que seria uma coisa que vai, de certa forma, ao encontro ao que o Sandro falou. Que seria a partir de uma conversa da comunidade, de um entendimento da comunidade, da comunidade espernear, brigar, para querer acontecer isso, porque, se depender deles, eles vão infernizar a vida de cada um aqui, até o último, até o último grão de suspiro de vida, igual tem feito o resto das pessoas aí atingidas. Mas o Sapo está num futuro próspero. 65 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. SANDRO LAGE: Isso é modus operandi. Toda mineração. SR. LÚCIO GUERRA JÚNIOR: Pois é, Sandro, mas, de certa forma, a sociedade está clamando por mudanças, em todos os aspectos. Aspectos econômicos, aspectos morais, de condutas de políticos. Então, esse fato consumado, dessa maneira, eu acho que a gente não pode aceitar. Ou eles fazem... Que se façam como eles fazem a propaganda deles, que estão fazendo tudo direito, ou então não façam, viram as costas e vão embora porque eles não têm capacidade para fazer. E isso é uma fala até do Dr. André. Uma empresa que não teve a capacidade de recuperar uns pequenos... Umas pequenas estradas para fazer sondagem, na época, lá em 2008, vai ter capacidade para fazer recuperar um dano bem maior que vem no futuro? Então doutor inclusive aqui. Também vou deixar esse CD com o senhor. Eu já tinha comentado em relação a ele. Está aqui essa reunião, e que os problemas que estão... Que a gente está assistindo aqui são os mesmos que estão apontados aqui, em 2009. Então, a comunidade continua com todos os seus problemas sem resolver. Resolvendo à conta gota. Está lá o pessoal... O pessoal da Ferrugem é emergencial, ainda tem gente lá sem ser reassentado, e o senhor sabe muito bem que quem está sendo reassentado, quem está ficando livre, querendo ver o negócio pelas costas, ainda está levando muito problema para frente. Então, é isso que a gente não quer, não deseja. Viu Sandro? A comunidade do Sapo ainda não pediu, não deu o aval para a prefeitura, para o ente municipal tomar as dores e começar a pleitear essa mudança. E isso vai depender, viu Sandro... Vocês estavam nessa reunião e realmente você falou: “Gente, a comunidade aqui que vai ter que falar. Nós queremos saber. Nós vamos pôr esse pessoal na parede. Queremos saber qual vai ser a solução do Sapo”. Quem é atingido e quem não é, viu Ricardo? Naquela reunião, a gente não tinha essa determinação e que se continua até hoje. Mas, de certa forma, Sandro, nós acabamos de dar o aval aqui, Sr. Zé Pepino, o Antônio, eu estou te dando o aval para que se faça uma correção do que está acontecendo com os rios, com a população que está lá. Ainda no Sapo ainda não chegou. No Sapo, ainda não chegou o dano que vai vir. Então, eles... Viu, Sandro, você que falou que está retomando. Então, que retome a consciência do que a comunidade vai querer fazer, do que ela vai querer para o futuro dela e da vida dela, porque, se depender de empresa, não vai acontecer nada. Vocês vão ficar aqui, enterrados na poeira e no barulho. Porque a empresa não tem respostas. Eu lembro... Está no vídeo, doutor. A Ludmila pergunta para o Maurício. SR. SANDRO LAGE: Eu acho que ela tem resposta, ela não quer é falar a resposta dela. SR. LÚCIO GUERRA JÚNIOR: Pois é, está ali, Sandro. SR. SANDRO LAGE: Não, mas a respostas dela está divulgada, gente, no estudo, no EIA/Rima. Ela teve coragem de colocar alguns buffers(F), que a gente chama de buffers(F). Então, ela simplesmente, ela conseguiu tirar o Sapo da área de influência direta dela. Então, é uma técnica computacional que eles conseguiram fazer e coloca a gente a 600 66 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR metros, aqui, de uma lata de milho que tecnicamente passou, mas, de fato, esse impacto vai existir ou não? Isso aí é uma coisa que é questionável. Não é nem uma situação ainda que os técnicos, hoje, olhem e falem assim: “Olha, vai ter impacto”. Essa é a situação que tem. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, mas o impacto já tem desde quando eles chegaram. SR. SANDRO LAGE: Não, é porque tem uma diferença do direto, do indireto, de uma influência direta, influência... Então, vocês aqui não estão como... Impactados diretamente. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu estava aqui quando o Eike Batista chegou aqui em cima de um platô, para fazer um belo coquetel rodeado de pessoas e desceu aqui a serra, montado em várias caminhonetes blindadas. Era um carro com um francês, um carro com segurança; um carro com japonês, outro com segurança. Eu estava aqui no Sapo. Eu me senti um índio lá no meio da África, e eles fazendo safári. Então, ali já começou o impacto em cima do povo aqui do Sapo, porque eles montaram um bufê lá em cima. Não sei se algum de vocês tem esse conhecimento, de um platô que tem lá em cima, bem grande. Trouxeram uma estrutura de Belo Horizonte, ou de São Paulo, ou do Rio, montaram tudo. Desceram vários helicópteros lá e fizeram uma bela festa, e, depois, apresentou aqui embaixo como uma aldeia qualquer, aí, falando que a gente era índios, né? Eu me senti um índio lá no meio da África, um sei lá o quê, e o pessoal fazendo safári ali perto de mim. Aquilo ali, para mim, já foi um impacto terrível. Eu me senti impactado ali, naquele momento, porque eu já sabia que... De tudo que estava acontecendo. Porque, quando eles fizeram a primeira reunião aqui no Sapo e falaram que talvez chegaria um processo de mineração, eu falei para um dos diretores da Anglo que... Da Anglo não; da MMX. Que já seria um processo grande, que já estaria certo de chegar aqui. Então, esse já é um impacto total que nós já estamos tendo aqui. Ok? SR. LÚCIO GUERRA JÚNIOR: E é justamente isso que a Sandra, na reunião, chegou e falou, que o Maurício estava falando: “Não, mas isso é daqui a dez anos”. “Uai, mas nós já estamos sofrendo com o impacto, já estamos com a poeira, com a água suja”, entendeu? “Ah, não, mas nós estamos começando a discutir agora”. Aquela ensebação que o Maurício ganha; para fazer isso, e faz, né? De certa forma, muito bem. Não sei até quando que essa empresa vai conseguir enganar as pessoas da maneira. E, só para encerrar, porque inclusive foi falado aqui, também... O Gilson, né? Da incerteza que persiste na vida de cada um. Então, da comunidade do Sapo, da comunidade do Beco, da comunidade da Ferrugem, de todas as comunidades, e é isso que é o mais cruel, talvez, que eles sabem do que está para acontecer e a magnitude do que vai acontecer, mas a crueldade é tanto que não é transmitido para as pessoas, porque, senão, haveria uma revolução, e a gente pede que cada um que está aqui, que pense, realmente, o que cada um pode fazer para, sabe, mudar essa história, e a gente saí sempre contando aí com o apoio do Ministério Público nessa questão. Obrigado. 67 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR [palmas] vou... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pessoal, eu ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu queria saber o seguinte: em Água Quente, por que só o Matu(F), diz que é só ele que é atingido lá? O Matuzinho(F). Ele está no meio da Água Quente, no meio de todo mundo. Outra... Outra coisa que eu estou querendo saber. O João Moreira é meu vizinho lá em casa. Por que só ele que foi atingido também? Ele é meu vizinho. Mora pertinho lá de casa. E nós... Diz que nós não somos atingidos. É só isso, muito obrigado. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Como é que chama seu vizinho? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Hã? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Como é que chama seu vizinho? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, é Sr. João e dona... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Sr. João e a Olindina(F), ali. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Aqui, olha, gente, ele queria até falar aqui. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sr. João, pode... Assim, se o senhor quiser falar, fique à vontade. SR. JOÃO: Não, é porque [ininteligível 03:26:38] lá. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Como é que ele chama, Gilson? SR. GILSON: Qual é o nome do senhor? SR. JOÃO: João Martins(F). SR. GILSON: Eles colocaram o senhor onde? SR. JOÃO: Lá na... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Lá em [ininteligível]. SR. JOÃO: [ininteligível]. Lá perto do rio. Trinta quilômetros. Fazenda ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O senhor está gostando de lá, Sr. João? SR. JOÃO: Eu estou gostando, mas queria voltar para cá. Lá a gente planta as coisas, não dá. Não está dando [ininteligível] de coisa nada. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Lá é Pedra Pura(F), né? SR. JOÃO: Pedra Pura(F), eu conheço lá. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É a terra do senhor que o senhor plantava? 68 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. JOÃO: A terra era boa, tem feijão lá. [ininteligível] comer, né? Está lá [ininteligível]. Eu levei daqui para lá. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Vendia de tudo lá na roça. arroz. SR. JOÃO: Eu não entendi. Tinha café que eu levei daí, tinha SR. GILSON: Qual o tamanho do terreno do senhor, lá? SR. JOÃO: Hã? SR. GILSON: Qual é o tamanho do terreno? SR. JOÃO: Eles deram 25 hectares. SR. GILSON: Deram ao senhor documento? SR. JOÃO: Não, documento não. O terreno lá é 38, mas [ininteligível] é só 25. SR. GILSON: E a casa é boa? SR. JOÃO: Não, a casa era de um menino, aí reformaram tudo. [ininteligível] mora na casa. SR. GILSON: E tem água lá? SR. JOÃO: Tem nada. A água é de poço. Lá eles querem matar a gente de... Acabou [ininteligível]. SR. GILSON: Mas quem assinou a documentação para o senhor foi o senhor mesmo? SR. JOÃO: Hã? SR. GILSON: Quem assinou a documentação foi o senhor mesmo? SR. JOÃO: Não, eles lá que arrumou lá, foi... SR. GILSON: Quem? SR. JOÃO: Eles fizeram negócio com meu irmão que morreu. Não foi comigo, não. SR. GILSON: Ué, o seu irmão estava morto e eles fizeram negócio com ele? SR. JOÃO: Não. Antes de ele morrer. Antes de ele morrer, fizeram o negócio. Ele nem participou [ininteligível]. Estava lá em casa e não participou em nada. [ininteligível] estive na casa do... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: A situação do Sr. João eu acompanhei porque fui eu que cuidei do Sapo. SR. JOÃO: Aí eles não mandou avisar, não me avisaram lá, não. SR. GILSON: Foi a Tereza que ficou montada em cima? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Morreu de paixão(F). SR. JOÃO: É mistério, aqueles negócios todos. 69 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. SANDRO LAGE: É, a situação dele realmente é uma coisa que... [falas sobrepostas] SR. GILSON: Gente, a gente conhece... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, deixa eu só falar um pouquinho sobre isso porque eu nunca tive a oportunidade de falar sobre a situação dessa família. Quando eles fizeram negociação, eles tiraram o Sr. Adão lá da casa deles e trouxeram aqui para uma casinha do meu irmão, aqui embaixo, e colocaram ele aqui mais Olendina(F). Ele ficou jogado. Eu era enfermeira aqui no Sapo, eu que passei a cuidar do Sr. Adão, porque eu tive dó de Sr. Adão, até ele morrer, porque ele morreu de paixão. E a negociação foi feita com o Sr. Adão, que eu fiquei com os documentos um tempo, depois eu passei para Rominho, que apareceu, que era um filho do Sr. João, que foi criado fora, depois ele apareceu. Sr. Adão fez a negociação e tudo no dedo. Todos são analfabetos. Então, fez a negociação, Sr. Adão morreu, ficou João e Olendina. A parte do Sr. Adão, que morreu, eu acho que seria dos irmãos, né? Sr. Adão... Eles não pagaram a parte de Sr. Adão. Eles falaram que, como Sr. Adão tinha morrido, que os irmãos não tinham direito na parte de Sr. Adão. Então, foi uma negociação mal feita, que eu não sei o que o Rominho arrumou com eles. Que eu até me dispus a acompanhar, né, Rominho? Ajudar nessa negociação... No desfecho desse negócio mal feito que fizeram com eles. Então, a situação que eu acho que até o Ministério Público poderia ajudar Rominho a estar olhando essa situação do Sr. Adão. Olhar com carinho porque eles foram lesados demais. É uma situação, doutor, que... Pois é, tem que olhar. SR. JÚNIOR: Só aproveitando, dentro disso que ela falou, em relação, aí, de certa forma... Já envolvendo o lado econômico, porque o emocional já ficou com a morte da pessoa. E no caso do Sr. Adão que está acontecendo isso, de... Não tem herdeiro. Fiquei sabendo hoje de uma outra família também. Acho que Leandro... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Zé Leandro. SR. JÚNIOR: Zé Leandro. Também a Anglo falou: “Não, ele não tem herdeiro”. Quer dizer, a Anglo enfiando a mão no bolso. Mas o pessoal do Sr. Augusto Juscelino(F) também... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Como assim? Explica melhor, Júnior. Explica melhor. SR. JÚNIOR: As pessoas estão morrendo. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Estão no cadastro. SR. JÚNIOR: Estão no cadastro. Ela... Esse Sr. Augusto... Esse Sr. Augusto... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas não tem herdeiro? SR. JÚNIOR: Tem herdeiro. 70 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Lógico que tem. SR. JÚNIOR: Tem herdeiro. Para Anglo que não tem herdeiro, entendeu? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: A Anglo não tem mãe, nem pai SR. JÚNIOR: Não... Mãe não tem mesmo. Principalmente mãe. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Esses assuntos relacionados à regularização, a gente fez aquele movimento lá com a Defensoria Pública, para receber os casos. Teve também uma comissão criada pela própria Supram. Nada disso andou, né? Porque eu vejo hoje todo mundo voltando de novo lá no meu gabinete. Já recebi ele... Recebo todo mundo lá, todo dia, reclamando. Até quem gastou o dinheiro e acha que tem que ganhar mais. Eu estou cobrando da Anglo, eles estão mandando as justificativas. Tem os contratos... São os casos mais corriqueiros e alguns nossos também. Mas as propostas que foram feitas e que saíram aqui de dentro, de criar esse... Com um atendimento lá de três dias, a gente mobilizou a Defensoria Pública, mobilizou as pessoas, a rádio, a própria empresa fez, mas eu estava nas férias, teve também não teve? Uma comissão que foi criada pela Supram para reunir os casos também que já estavam... Pelo menos os reconhecidos. E nada disso andou? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Doutor, essa reunião, nessa comissão, foi criada para resolver, só que, na primeira reunião que teve aqui, junto com a comunidade, ela veio totalmente distorcida. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O Felipe não veio? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Veio, veio. SR. SANDRO LAGE: Eu fui também, mas quem conduziu foi o órgão ambiental. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Então o Luiz sabe contar como que foi, que foi feito. Mas eu queria só... Passar a palavra para o Luiz, chamar a atenção disso para o senhor, que a Anglo não está reconhecendo os herdeiros, entendeu? Herdeiros de modo geral e os solicitos. Atentar para isso. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É... Bom... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Anota os dois casos aí na ata. dois? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É. Quem são os ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O caso do Adão, né? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: O Sr. Adão. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: O José Leandro. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: José Leandro. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: José Leandro. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É, e Augusto Juscelino(F). 71 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: E Augusto Juscelino(F), está certo. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: São reconhecidos. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É, reconhecidos. O Sr. Augusto Juscelino(F) inclusive fez casa lá para ele, aquela casa... Acho que chegou, até ainda em vida, tipo assim, receber, saber que era dele, morreu. Aí puseram outra pessoa lá e certamente dali para frente, os herdeiros mesmos dele não vão... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Os herdeiros foram... Mas o TAC de lá até garante que os herdeiros sejam reconhecidos, mas a herança... [falas sobrepostas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Entendi. Ah, tá. A pessoa faleceu, e o que era dele não foi transferido. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É. A questão assim de sucessão mesmo. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Entendi. Então... Olha só, gente. Eu acho que a gente precisa... Tem um ponto de pauta aqui, agora. Vamos anotar nos encaminhamentos, tá? Tem um ponto de pauta aqui. Agora, assim, tem mais alguma comunidade... SRA. SANDRA: Eu gostaria... Tem uma coisa importante que eu lembrei, mas que eu preciso... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Vou te dar um minuto, pode? SRA. SANDRA: Eu não sei se em um minuto... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Dois. SRA. SANDRA. Não sei. Vamos lá. Gente, eu sou atingida, fiz minha negociação. Eu sou muito transparente em tudo meu. Continuo brigando. Tive ausente porque estava organizando a minha vida. Então, a Anglo, quando fala assim: não dá documento, não sei por quê. Eu fiz minha negociação, tenho a minha documentação da minha fazenda, recebi 50% da minha negociação. Então, eu quero deixar isso claro e gravado, porque todo mundo reclama que não tem documento e que a Anglo não dá documento. Não sei o por quê. Então, eu quero deixar registrado, porque eu recebi meu documento, recebi 50%, estou dependendo de um resto só de dinheiro para receber. Então, eu gostaria também que vocês apertassem a Anglo quanto à documentação das pessoas que já foram transferidas para outros lugares e dizem não receber documentos. Então, por que eu... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Você tem escritura? SRA. SANDRA: Eu tenho escritura da minha fazenda. 72 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Registrada em cartório? SRA. SANDRA: Registrada no cartório. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Como você conseguiu, gente? SRA. SANDRA: Eu consegui porque, gente, eu brigo. Eu brigo muito. Não sei por que, mas eu tenho... Eu posso estar trazendo na próxima reunião para vocês, para estar registrando. E gostaria que ficasse bem registrado para todo mundo também adquirir suas escrituras, porque quem não tem escritura não é dono. Não adianta eu ser posseira. Eu não quero ser posseira. Então, eu tenho a minha escritura da minha fazenda. Viu? Então, tem que olhar isso, por que me deram e não deram para outros. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Por que o Sr. Adão foi atingido, por que a dona... SRA. SANDRA: Sim, isso, isso. E por isso que eu estou falando que eu estou de volta. Porque eu era atingida, tive que tirar um tempo, lógico, que eu tenho que cuidar da minha vida, dos meus filhos, e agora estou de volta porque eu sou nascida e criada no Sapo, e agora vou brigar aqui pelo Sapo. Então, eu quero deixar isso registrado. Vou trazer para vocês para tudo certificar, por que eu recebi e outros não. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Sandra, obrigado. A minha insistência em querer segurar a pauta não é porque eu estou fazendo assim, não. É porque, em reuniões anteriores da Reasa, isso já foi discutido com a comunidade e me pediram: “Luiz, você tem que ter uma hora que você tem que começar a encaminhar”. Não é eu que estou tomando isso por minha liberalidade não, viu, gente? Isso tudo é um histórico de quantas reuniões? Então, tudo isso que está acontecendo aqui... Quem é a primeira reunião... Tudo que eu faço é porque a comunidade já decidiu que eu tenho que fazer. Eu sou... Isso já foi resolvido. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Hoje eu tenho que te dar os parabéns, viu, Luiz? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Ok. Mas, olha só, todas as questões que são colocadas... A gente insistiu nas questões novas. A gente já tenta dar o encaminhamento na medida do nosso possível, todas elas. Todas já foram debatidas exaustivamente. O ponto de pauta que tem aqui, próximo... São dez horas. E, tem uma proposta que é assim: proposta de novo formato das reuniões. Eu gostaria de saber de vocês se vocês vão discutir esse ponto de pauta. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, eu acho que nós temos que pedir encaminhamento, senão a gente não esgota os trens todos. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá, porque eu acho que isso era encaminhamento importante. ORADOR microfone]. NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do 73 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é, você pode falar bem resumido o que é? SR. RAIMUNDO NONATO SIMÕES REIS: Meu nome é Raimundo Nonato Simões Reis. Sou natural de Alvorada de Minas, Itapanhoacanga, nascido na Fazenda Miranda, e, hoje, eu resido em Belo Horizonte. Sou, juntamente com a minha família, com meu pai e com minha mãe, sou proprietário da Fazenda Miranda, e sou também proprietário conjunto com dois irmãos de parte da Fazenda Campinas. Já fiz alguns encaminhamentos por escrito, em algumas reuniões da Reasa e também na Audiência Pública que teve em Belo Horizonte, em maio, se não me engano, no dia 6. E o meu irmão, Augusto de Afonso Reis, que é também proprietário da Fazenda Campinas junto comigo... E meu irmão também, proprietário na Fazenda Miranda, ele deu entrada na documentação, ele e meu pai, na reunião que teve da Reasa na Mambuca, e aí... Foi lá uma reunião que aconteceu em outubro do ano passado. Aí a Reasa, por pertencer à comarca de Cerro, a Reasa encaminhou essa documentação para a Promotoria do Cerro, e, né? Tentando ser rápido, aí, o que é que, de novo, aconteceu? Em julho agora, tanto a Anglo procurou a Fazenda Miranda quanto essas denúncias apontadas nesse relatório, e foi passado para mim xerox tanto da resposta da Anglo, que ela pediu a visita para ver os danos, tal. Então, o que acontece? Uma das principais denúncias que a gente faz é o seguinte: trata-se da Poligonal de Itapanhoacanga. Essa Poligonal, ela é de 2004. Ela... A Anglo teria que entregar o relatório final em maio de 2007. Entretanto, como, digamos, a parte na fazenda, fora da Fazenda Campinas, acredito, autorizava eles a fazer diversas sondagens, e, na Fazenda Campinas, não houve essa autorização, aí ela entrou com o pedido de tutela antecipada e entrou judicialmente, através de um alvará judicial. Só que esse pedido ocorreu em 2007, janeiro de 2007, só que tem que... Antes, no próprio mapa, no próprio processo, ela já confessa que ela entrou em 2006, ela invadiu a Fazenda Campinas e fez furos de sondagem em 2006, e outra... Uma vez que ela foi expulsa por outros proprietários dessa Fazenda Campinas, para que ela tenha resultado, ela saiu fora dessa Poligonal e foi... Adentrou na Fazenda Miranda, que é a fazenda do meu pai, de forma clandestina e contrariando até o Código Mineral. Por quê? Ela saiu fora de uma Poligonal, no ano de 2006, sendo que ela... Hoje, essa Poligonal é dela, mas ela teve autorização em 2007. Então, está registrado, está fotografado, está no mapa que ela apresenta, que ela invadiu, ela saiu fora da Poligonal dela, para fazer pesquisas. Aí, na resposta que ela dá, ela nega, como o rapaz ali diz, ela nega tudo. Nós temos fotos, tal. Então, essa é uma questão. A outra questão é que, dentro da Fazenda Campinas, tem a Cachoeira das Campinas, que é um patrimônio, um dos quatro patrimônios naturais de Alvorada de Minas. Aí, o que acontece? Tem um caminho de cavaleiro antigo, aí ela abriu essa estrada em 2006 para fazer sondagens. E, não recuperou igual o Junior disse... Ela não consegue nem recuperar as estradas para sondagem que ela fez. Aí, o que acontece? Aí, agora, ela está se defendendo. O que ela diz na defesa dela? Que, devido ao excesso de chuvas que deu de 2006 a 2008, 74 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR provocou uma mega erosão, que carretas... Carretas nessa erosão que está acabando com a nascente da sede da Fazenda Campinas e do [ininteligível 03:43:13], que pertence à Fazenda Miranda e outras propriedades. Então, a nossa água vai estar... A nascente, uma delas está secando, devido a essa cratera. Aí ela diz que, embora ela entenda que não seja culpa dela, desse excesso de chuva, que é mentira pura, ela se propõe a fazer um plano, um projeto, digamos assim, para recuperar tal. Só isso que ela se propõe. E outra denúncia também é o seguinte: no [ininteligível], que é do meu irmão, pertence à Fazenda Miranda, a Sane Engenharia, depois que ela estressou, quase expulsou meu irmão lá de Poeira, que era um lugar de lazer, era um bar, tal, meu irmão saiu de Belo Horizonte, investiu lá, onde que, no carnaval, é onde que mais as pessoas de Alvorada de Minas tinham o seu lazer, e ela acabou com [ininteligível]. Ele, estressado, alugou para Sane Engenharia, uma empresa que trabalhou para a Anglo América. Aí, o que acontece? Essa empresa deu o calote no meu irmão, Valmir(F) Simões Reis, e ela alugou para alojamento. Entretanto, o que eu vi alojado lá foi vigilante. Eu não vi funcionários alojados. Eu vi extensão do canteiro de obras dela. Eu vi montagem de ferragens, ela com obra aqui no Sapo, nesse empreendimento. Ela montando armação de ferragem, armadura de ferragem. Transportando em caminhão, tal, e ela nega. Então, quer dizer, conforme consta no relatório da Diversus, os atingidos, eles são muito mais do que a Anglo alega. Mas, também, conforme a Diversus diz, ele pode se aumentar a cada dia. Então, o que acontece? A Fazenda Miranda não está nessa lista de atingidos, mas só que, após... Tem no relatório. Muito, muito, de se alijar, que a Diversus fez, com muita competência e dedicação, mas ela deixa essa abertura. Isso, no decorrer do tempo, os atingidos podem ser aumentados. Então, o que acontece? E ela nega que ela... A Anglo América diz que ela não tem a ver com o contrato entre a Sane e o meu irmão. A Sane Engenharia e o meu irmão, porque trata-se de alojamento, mas não há contrato de extensão de canteiro de obras para fazer atividades de engenharia para servir ao empreendimento dela. Então, o que acontece? Aí, nesse relatório, a única coisa que ela diz é que vai reflorestar, vai recuperar essa área. Então, eu pediria, na medida do possível, uma presença para acompanhar essa recuperação dessa cratera, imensa cratera, que é no caminho, dentro da Fazenda Campinas, que vai da MG-010, no KM 197, até a Cachoeira das Campinas, onde que ela não... Não recuperou o meio ambiente e, agora, ela se propõe, mas exclusivamente isso, tirar essa carga. E outra coisa que aconteceu também. Junto a essa megacratera que existe, ela fez dois poços para jogar lama de sondagem... De sondagens que ela fez após 2007 na região. Aí, o que acontece? Aí ela alega, ela diz que não há atividade. A atividade dela está aqui, nessa região, que tanto foi dito hoje. Que, naquela região, não há. Mas há placas. Em 2011, ela fez sondagem na região. Em 2012... Está lá a placa, aquele selo da empresa de... 2011, 2012. E aí, eles traziam essa lama e jogavam nessas... Que está aproximadamente 200 metros da nossa nascente e que hoje está secando. 75 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Quando o senhor fala que a Anglo justifica, a Anglo se propõe, isso é... Essa discussão é feita aonde? SR. RAIMUNDO NONATO SIMÕES REIS: Não, não. Quando eu digo... Só esclarecendo. Embora eu tenha encaminhado alguns questionamentos à Reasa por escrito, eu não tenho conhecimento do andamento. Agora, o meu irmão, Ergúcio(F) de Afonso Reis, com o meu pai, José Pinto Reis, fez essa... Também por escrito numa reunião que ocorreu em outubro do ano passado. Aí, eles... O Ministério Público do Cerro encaminhou, para a Anglo, a Anglo América, e a Anglo América se defende, através de um relatório entregue à Promotoria do Cerro. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Aí, você teve acesso a esse relatório? SR. RAIMUNDO NONATO SIMÕES REIS: É. O promotor me passou esse xerox. Não é um encaminhamento; é uma resposta à Promotoria do Cerro. Obrigado. [palmas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Para lhe esclarecer, né, a gente recebeu uma reunião da Reasa, né? A proposta das reuniões da Reasa é ser um espaço para as comunidades conversarem, encaminhar. Não é um espaço do Ministério Público. A gente está aqui, apoia a comuni... Né? Mas é um espaço das comunidades. O que a gente fez? Fez o que deve ser feito: pegou o relatório, né, e encaminhou para o promotor do Cerro, porque é ele que vai fazer lá naquele processo que eu falei no início. Ele vai mandar um ofício para a Anglo, cobrar ela dessa maneira. E, assim, dar detalhes do processo não tem como. A gente não tem nem condições, viu, Dr. Marcelo? Porque não sabemos. Mas o nosso encaminhamento era esse mesmo, de pegar aqui e encaminhar para o promotor do Cerro. O Ministério Público vai poder exigir que a... Do contrato entre uma empresa e o seu irmão? Infelizmente, não. O Ministério Público não pode defender contrato entre particulares. O senhor precisa daí, de acionar um advogado. A recuperação do dano, o Ministério Público pode exigir, sim. Então, se a Anglo está se propondo, o caminho é esse. O dano que foi feito lá ambiental. Não é, Dr. Marcelo? Se eu estiver errado, o senhor me corrija. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não. Mas a responsabilidade por um dano ambiental, ele está falando é que, por exemplo, que a lama está sendo jogada no rio. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Essa lama... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Que houve uma degradação... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Essa lama é de 2007, né? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Isso é uma nova denúncia? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso é uma nova denúncia ou isso aconteceu em 2007? 76 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. RAIMUNDO NONATO SIMÕES REIS: A minha denúncia, ela já existe e foi repassada para vocês nesse instante. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso. Aí ela foi encaminhada. SR. RAIMUNDO NONATO SIMÕES REIS: A minha dúvida, né, que ficou... Digamos que a minha dúvida de hoje é o seguinte: são diversos pontos, por exemplo, dentro da Fazenda Campinas onde que a nascente está assoreada. E, o fato de ela ir apenas na estrada, onde que ela não recuperou, não reflorestou e gerou aquela megaerosão não vai resolver a questão da nascente, que já está assoreada, entendeu? Então, quer dizer, eu acho que o que ela se propõe... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu não tenho condições de me... SRA. PATRÍCIA: Porque a Anglo falou que a responsabilidade dela não é... Ela não tem responsabilidade sob terceirizados, que é uma mentira, porque ela tem responsabilidade... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. Eu não vou saber discutir com vocês juridicamente a questão, entendeu? Teria que olhar lá no processo, lá no... SRA. PATRÍCIA: O parecer único fala que a Anglo é responsável por qualquer dano causado pela terceirizada, que ela não pode se omitir e nem pode alegar descompromisso ou ausência de responsabilidade, em caso de dano provocado por terceirizado... Isso é claro. No parecer único de 2008, tem isso claramente. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. Mas contrato entre... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não. aí... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Uma coisa é isso SR. MARCELO: Não. A inadimplência do aluguel, da propriedade, não tem nada a ver, infelizmente, com o Ministério Público. Agora, se o dano ambiental, o dano ambiental causado na nascente ou os reflexos do... Né, na propriedade, esse, sim, pode ser acionado a Anglo. E aí não é só através dessa recomposição, né? Através lá dum plano de recuperação da área degrada. Talvez tenha também que cobrar da Anglo um dano... Uma compensação financeira, um dano moral ou outras coisas. Talvez o que o Luiz esteja colocando é que ele não pode te dar maiores informações, assim, do seu caso concreto, até mesmo porque a gente teria que ver o inquérito ou algum procedimento lá na Promotoria do Cerro. Com relação a locar propriedade para fazer alojamento ou para fazer outra obra de construção civil também, isso pode ser verificado lá pelo Ministério Público do Cerro, ou através, se for mais fácil, vim aqui na de Conceição, eu posso receber aqui, pegar essa declaração e enviar para o colega lá do Cerro também. 77 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas, se for o caso, se for mais fácil, você ir ao Cerro, acho que você pode ver o processo, falar com o promotor de lá o que está acontecendo. Porque a gente não tem informação, assim, detalhada. A gente fez isso: pegou, mandou para o promotor lá, né? SR. MARCELO: Ah, isso que a Patrícia... Só acabar de concluir. Isso que a Patrícia colocou... Isso que a Patrícia colocou é verdade, a responsabilidade da Anglo é solidária com as empresas que ela contrata. Nesse ponto, a gente pode exigir da Anglo, e ela não pode se eximir da responsabilidade sob esse argumento que foi uma terceirizada que fez, e não foi a própria empresa. Até mesmo porque a maioria das obras são feitas por terceirizados. SRA. PATRÍCIA: E a licença ambiental é dada à Anglo, não à terceirizada. Então, a responsabilidade... SR. MARCELO: Claro. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Agora, se for empresa que está construindo na estrada, aí, eu não sei como é que é... Aí tem que ver o caso, né? Não dá para responder, assim. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É o seguinte, gente: o licenciamento é do empreendimento Minas-Rio, e todo conjunto de empresas. Agora, a empresa responsável pelo empreendimento é a Anglo América. Ela meio que entra no... Então, qualquer empresa que estiver envolvida no projeto Minas-Rio, ela está sobre a guarda do licenciamento. Então... Enfim. A Anglo é responsável por ela, sim. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Vamos... Vamos... Vamos... Vou sugerir como encaminhamento a gente poder enviar um ofício para o promotor do Cerro informando disso, né, mas que não exime o senhor de comparecer lá e dar mais detalhes quanto ao dano ambiental. Agora, quanto, né? Aí eu acho que o senhor precisava ver até com o advogado se é mesmo do Ministério Público... Eu acho que não é, a princípio. Cobrar lá o contrato entre a pessoa que alugou o imóvel e o seu irmão, entendeu? Bom, a proposta aqui, agora, eu acho que é o último ponto de pauta, e eu acho que tudo que aconteceu hoje é importante para a gente encaminhar esse ponto de pauta, que é novo formato das reuniões. Vocês não vão discutir isso, não? Pois é. Porque, assim, uma coisa que, para nós, é importante... Assim, é a minha leitura pessoal dessa caminhada nossa. É uma caminhada que é importante para as comunidades se articularem. Porque a gente sabe do que havia antes. O papel do Ministério Público, enquanto Ministério Público, aí quem pode falar é o Dr. Marcelo, é de fazer a parte que ele pode fazer. Mandar ofício, entrar com ação. Mas isso não acontece no tempo que é... Né? Ás vezes não é o tempo que a comunidade precisa. O papel de mobilizar, de organizar ação comunitária, a gente propõe essas reuniões para vocês para dar uma força, mas é importante que a comunidade assuma ele também. O que 78 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR eu acho que não é produtivo é a gente fazer reuniões para repetir as mesmas histórias, que... Como é? Produzir mais informação. Produzir informação, produzir informação, produzir informação. Aí como é que a gente transforma essa informação em ação? Que tudo que foi colocado aqui, hoje, já havia discutido. Já foi discutido aqui. Então, assim, me incomoda muito a gente fazer as pessoas repetirem as suas dores e parecer que a gente não está fazendo nada, sabe? Isso me incomoda. Não é que a gente não está fazendo nada. Só que às vezes o tempo que o Ministério Público precisa que, o processo judicial demanda é outro. Não é o da comunidade. Agora, ação política da comunidade é muito importante. E aí, essa questão de pensar o formato da reunião é importante, porque o que acrescenta a gente vir aqui e repetir as mesmas coisas, enquanto... Quem tem um papel de atuação lá? O que, para nós, no nosso tempo que a gente tem, com os nossos recursos que a gente tem, a gente precisa de tempo para processar a informação e entender como é que encaminha ela coletivamente. Não tem como eu falar assim: “Eu vou resolver só o problema do senhor, Sr. Adão”, né? “Vou resolver o problema dele”, se eu não entender esse problema coletivamente. “Olha, é uma condicionante, que é número tal, que precisa de fazer uma auditoria nessa condicionante toda. Não pode ser só na dele”. Ainda que a gente pegue o ofício e mande para a Anglo cobrando. Então, é isso que eu gostaria de colocar para vocês. É importante essa coisa da comunidade? É. Agora, a hora que a comunidade pode reunir será que a hora que o Ministério Público pode vir? Será que a gente está fazendo bem atrelando isso? A gente continua vindo às reuniões, mas, assim, é muito ruim essa sensação de impotência que fica para a gente , inclusive. Apesar de todos os... Né? Eu... De todas essas coisas, de uma certa maneira, a gente tem tentado tratar. E nós precisamos de mais, inclusive, de objetividade. Escolher algumas coisas e falar assim: “Nós vamos atacar nisso aqui”. E aí é isso que eu sugiro de refletir. Será que é... O que é que acrescenta, né? Fica muito ruim essa coisa... Parece que é uma Audiência Pública. Só que sempre Audiência Pública? Quer dizer, produzir informação, produzir informação, produzir informação. Tudo bem. Mas repetir. Quanto tempo a gente está gastando com isso? Quanta energia a gente está gastando com isso? SRA. PATRÍCIA: Tá bom, Luiz. Qual que é a sua sugestão, para a gente poder ser mais claro? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não sei. Vocês precisam de discutir. É isso que eu esperava de conseguir discutir hoje. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tá bom. Então, olha... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas dez horas eu acho difícil a gente conseguir... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. Então, assim, a gente repetiu muitos pontos. Eu não vou, né, impedir ninguém de falar. A gente sabe de vários problemas. A gente tentou, tentou saber dos problemas novos. 79 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SRA. PATRÍCIA: Mas, às vezes, vocês ficam também... Assim, você, às vezes, cobram muito da gente, né? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, Patrícia. Eu não estou cobrando vocês, não. Eu estou expondo as nossas dificuldades. SRA. PATRÍCIA: Então, deixa eu te relatar o que a comunidade, assim. Porque vocês... Tem uma hora que o negócio fica... O peso fica sempre na... Das decisões, tudo. Mas, olha, vamos falar. A comunidade, numa das reuniões da Reasa, deliberou que ia tentar fazer Audiência Pública, assembleia, fazer isso acontecer... Fazer outras... Fazer esse debate em outras instâncias, tanto políticas quanto instâncias... Outros locais também. Nós fizemos isso. Conseguimos... Não podemos deixar de, também, de ver que, assim, que nós estamos nos empenhando. Nós estamos fazendo o máximo. Nós estamos tentando trazer sempre mais pessoas. Você está vendo aqui novas pessoas que nós, comunidade, estamos trazendo para esse movimento. Então, nós estamos fazendo o nosso papel também, entendeu? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, claro. SRA. PATRÍCIA: Eu sei... Assim, mas existe... Essa relação também é de parceria. Nós também estamos esperando que o Ministério Público... Também, entendeu? Porque, senão, você fica assim, colocando como se nós estivéssemos numa situação onde nós não tivéssemos caminhando junto com a proposta que nós fizemos juntos, entendeu? Nós fizemos audiência, lembra? Isso é uma coisa que a gente nem estava imaginando que ia sair com tanta pressa. Conseguimos fazer? Sim. Conseguimos fazer duas, com bons resultados. Foi um ótimo momento, foi um momento de... Né? Então, nós... Porque, senão, olha já está tão difícil para nós e, se a gente sempre ficar colocando peso na gente, sem celebrar o que é que está dando certo, sem conseguir também entender que nós, comunidades, que não temos nenhuma vivência de luta, estamos fazendo... Nós estamos tentando, pelo menos, fazer o papel. Eu vou... Se eu... Se você me desafiar e eu começar a perguntar, assim. O que a gente propôs fazer a gente fez, entendeu? Nós estamos conseguindo fazer, nós estamos conseguindo articular, articular com outras pessoas, buscar outras pessoas, trazer. Hoje eu estou vendo... Outras pessoas de fora. Aqui tem Dom Joaquim. Isso também é fruto da mobilização que nós estamos fazendo, entendeu? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não. Patrícia, você está coberta de razão, você está coberta de razão. SRA. PATRÍCIA: Fica pesado, fica pesado. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu sei. SRA. PATRÍCIA: Sempre fica assim: “Vocês não estão fazendo, vocês não estão fazendo”. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, não. Eu não quis dizer que vocês não estão fazendo. Não é isso. Eu estou dizendo que ás vezes a gente tem papéis diferentes. Aqui, na Reasa, a gente está fazendo o papel de apoio comunitário. Estamos fazendo. Agora, a luta, 80 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR digamos... O que eu quero dizer, Patrícia, é que, por exemplo, às vezes, tem uma dificuldade para marcar uma reunião, e será que está sendo produtivo, na reunião, a gente ficar reprisando coisas que já foram faladas ou a gente tentar processar a informação? É isso que eu estou perguntando. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu posso fazer uma colocação? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu estou só perguntando. SRA. PATRÍCIA: O que é que nós, comunidade... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Por exemplo, hoje, a gente não pôde nem... Não teve nem tempo para dizer das coisas que foram feitas nesse tempo. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Eu posso fazer uma colocação? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Claro, doutor. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Em um momento dessas reuniões que nós... Nessa caminhada, uma vez nós discutimos... Foi discutido trabalhar a respeito da água. Foi trabalhada, digamos, umas quatro ou cinco reuniões. Eu gostaria de saber qual o resultado. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. É isso que nos incomoda também. Isso que nos incomoda. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Pois é, mas nós continuamos fazendo Boletins de Ocorrência... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Três coisas práticas... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu não sei se é hora para esse debate aqui, agora. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É, eu também acho que não. Eu acho que nós precisamos... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu estou dizendo só que... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Pois é, Luiz, mas, agora, já que está com esse assunto, eu, pelo menos, vou só colocar a minha... Justamente. De quem que é o direito de solucionar o problema dos atingidos que já foram negociados? Já tiveram lá com a anuência do Ministério Público, da CPT e da Fetaemg. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Defensoria. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Defensoria. De quem que é o dever de solucionar esse problema de uma vez por todas? De quem que é o dever? Porque está mal resolvido. Vocês sabem, e não é de hoje, e reunião após reunião, vocês sabem que está mal resolvido. De quem que é o dever de colocar como atingido direto as pessoas que 81 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR estão com os nomes de servidão pública [ininteligível]?De quem que é esse dever? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Do órgão ambiental. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: De quem que é o dever de fazer a água voltar ao que era antes, igual, para lá, pedir umas condicionantes? De rever o assoreamento que foi feito? De voltar os usos tradicionais? A comunidade precisa de fazer mais o que para isso ser visto e corrigido? é isso. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas, assim, não ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Eu sei, eu sei. Mas essa discussão... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não é que eu estou cobrando a comunidade, não. Eu estou dizendo o que é mais efetivo. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas eu estou cobrando, então, de alguém. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não. Tem que cobrar de um monte de gente, inclusive de nós, Ministério Público, inclusive do órgão ambiental, do governo do estado, da prefeitura municipal. Todo mundo tem a sua parte para contribuir. SRA. PATRÍCIA: Está faltando essa coordenação, porque eu acho que a gente, hoje, por exemplo, encaminhou... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Posso dar só um... Boa noite. Assim, como sugestão de encaminhamento, não sei se pode virar, mas pelo menos uma sugestão. Que a Reasa comece hoje um movimento mais forte. Talvez o único que a gente tem em Conceição, que olha a mineração. Isso já é reconhecido pela prefeitura, é reconhecido pelo Ministério Público e está começando a ser reconhecido pelo estado. SRA. PATRÍCIA: Está sendo minado(F) pela empresa com a criação de notáveis enfim, enfim... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tudo bem. SRA. PATRÍCIA: Na prefeitura também. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Bom, aí são opiniões. Agora, se a gente tem algum... Consegue enxergar algum ponto positivo nisso, e a gente puder usar, sugiro que a gente comece com o Reasa, provocar Poder Público, prefeitura, estado... Provocar com documento, com ofício, com processo, com ação. Que a gente comece a usar isso aí, porque, mesmo que a gente não consiga um resultado agora, a gente tem que ter a visão de que tem o melhor aí pela frente. E, se a gente consegue pelo menos sensibilizar o estado para que esse processo seja conduzido de forma mais... Não sei nem qual que é a palavra. Mas, assim, temos que 82 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR fazer essa pressão. Então, eu acho que a gente tem que começar a provocar mais o sistema. SRA. PATRÍCIA: Não, eu acho que um bom encaminhamento hoje é a gente começar a ver os mesmos papéis e fazer... Aquele encaminhamento que nós tiramos aqui de encaminhar para a prefeitura municipal. Entendeu? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Isso. SRA. PATRÍCIA: Porque órgãos ambientais e estado. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E estado. SRA. PATRÍCIA: Mas estado a gente entende que é órgão ambiental, não é isso? [falas sobrepostas] ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Gente, Secretaria de Meio Ambiente, quem a gente tiver acesso, e a gente pode usar alguns. SRA. PATRÍCIA: É, mas Secretaria de Meio Ambiente... A gente tem feito no Ibama. A gente... Quando a gente faz um protocolo de documento, a gente faz no Ibama, no Ministério Público Federal, muitas vezes Ministério Público Estadual. A gente bombardeia todos, só que a gente não estava fazendo pela prefeitura, que eu acho que, assim, foi errado. Porque a gente deve... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Tem que provocar também. SRA. PATRÍCIA: É, então. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas provocar oficialmente. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Eu vou propor encaminhamento. Eu acho que não é... Bom, não sei. Eu vou pensar. SR. FÁBIO: Não, só falar rapidinho. Meu nome é Fábio, eu trabalho na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, na presidência da comissão. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Como é que é seu nome? SR. FÁBIO: Fábio. Só tem uma coisa que eu queria lembrar. Que eu perguntei... Até perguntei para ele, ali, agora. Se a comunidade, ela se reúne em separado da participação dos órgãos públicos das instituições do estado. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Você é da assembleia da onde? SR. FÁBIO: Da Assembleia Legislativa de Minas. Do... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Lá em Belo Horizonte? SR. FÁBIO: É, lá em Belo Horizonte. Gabinete de [ininteligível 04:06:36]. Porque uma das coisas que é direito da comunidade, é a comunidade se organizar para traçar as suas próprias estratégias, independente da prefeitura, independente do governo do estado, independente... Porque, como você já percebeu, toda essa luta, ela é um 83 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR cabo de guerra. Existem diversos poderes que puxam para um lado, diversos poderes que puxam para o outro. A comunidade está puxando para um lado, e diversas... E uma rede de poder puxando para outro lado. Certo? Em que vocês buscando inclusive assessoria fora, com outros movimentos sociais, podem, inclusive, estar clareando a visão de vocês, as estratégias de vocês, certo, sem ser uma coisa de só apresentar demanda, apresentar demanda, apresentar demanda para o Poder Público, mas traçar outras estratégias além de Audiência Pública, outras estratégias que são legítimas, além de apresentar denúncia para o Ministério Público, que são estratégias de luta legítimas, como mobilizações, manifestações, enfim. Então, só essa proposta do... Que o Luiz falou aqui se eu queria falar ou não, então, enfim, que é essa proposta de a comunidade estar se reunindo em separado desses entes públicos e fazendo a sua auto-organização também, para traçar as suas próprias estratégias. Só isso. SR. MARCELO: Seu nome qual mesmo? Fábio. O Fábio foi muito feliz aqui. Que eu acho que ele leu um pouco aqui do pensamento do Luiz, que, na verdade, pelo menos o que eu entendi em parte, é que o Luiz quis dizer, assim, quando ele ficou preocupado ali, com a demanda do dia, da forma de organizar, que, de uma certa forma, a Reasa sempre andou muito, assim, a reboque um pouco do Ministério Público ou aguardando esse start do Ministério Público, essa organização do Ministério Público, e a cobrança que o Luiz faz eu acho que é um pouco injusta porque vocês conseguiram muitas coisas. Essa cobrança que você sente aí, o seu peso nas costas, Patrícia, e aí, quando a gente vai ver esse retrospecto aqui dos últimos acontecimentos, vocês conseguiram fazer essa mobilização, talvez, que a gente esperava um pouco de vocês, que, desde o início, a gente vinha discursando: “Não, a Reasa tem que tomar corpo e ter vida própria”. Eu acho que vocês conseguiram isso, porque foi, duas audiências públicas. Acessibilidade dos meios de imprensa e as coisas caminharam. Não sei se foi o ideal, não sei se foi do jeito que todo mundo queria, mas estão caminhando de alguma forma. Tem muita responsabilidade em jogo. A gente mira muito lá na Supram. Realmente, a Supram, ela deixa a desejar em quase tudo. A gente vê mesmo, quem teve acesso à resposta, lá, do sub prefeito da Rocha, que ridículo que é aquilo, né? E eu vou te falar: só foi porque eu mandei. Porque chegou... Aquele dia lá, eu cobrei. Naquela sexta-feira, eu tinha cobrado, por isso que ela mandou. Senão eu acho que ela nem mandaria. Porque eu mandei... Eu falei: “Olha, manda de novo por fax, lá, para ela”, e aí, meia hora depois, chegou o e-mail. Então, a gente tem papel importante, sim, nesse processo, Ministério Público. Ministério Público é o fiscal do licenciamento. Se ele não está funcionando por parte do órgão ambiental, o Ministério Público vai cobrar deles. A gente... Em hora nenhuma, a gente foi omisso. A gente tenta cobrar muita coisa. Mas a gente também, às vezes, não consegue encontrar o respaldo que a gente gostaria. É difícil, o trabalho é árduo mesmo. O processo é muito complexo. Nós estamos tentando reativar as questões com a Diversus para tentar ter uma visão mais atualizada das pessoas que foram reassentadas, das pessoas que estão lá 84 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR e têm que ser reassentadas, as pessoas que merecem ser reassentadas ou que merecem ter seus impactos minimizadas. Eu gostei muito da fala daquele jovem ali. Eu também sou jovem. Porque eu acho assim, que precisa ser trabalhada melhor essa informação das reuniões. Acho que essa mobilização com o jovem. Eu não sei indicar o caminho das pedras, não, mas eu acho que agregar mais pessoas, porque eu também sou atingido, gente, eu também sou impactado. Eu moro em Conceição do Mato Dentro. Então, eu convivo com toda essa realidade. Então, tem a realidade que é da área urbana. E, hoje, foi interessante também que o secretário de Meio Ambiente de Dom Joaquim veio, assim, até para trazer para a gente, assim, uma visão diferente. Eles também estão sofrendo lá. Quem tem passado em Dom Joaquim percebe muito claramente que a área urbana está muito destruída mesmo, e Conceição não é diferente. Eu acho que tem muita gente lá que está acomodado, assim, que não... Ou porque tem interesse talvez em conseguir emprego na firma ou porque é acomodado mesmo, é um jovem acomodado. Mas eu acho que muito disso é culpa da falta de informação, da falta de esclarecimento, eu acho que tem que desmistificar um pouco que a Reasa seria as pessoas interessadas em serem incluídas no Plano de Negociação Fundiária, porque isso não é verdade. A gente sabe muito bem o que está acontecendo. Então, eu acho que um encaminhamento... Não é nem uma forma concreta de encaminhamento. É uma forma de a gente pensar também em trazer essas pessoas que estão lá também, nas suas casas, agora, e que podem se juntar ao nosso movimento, aqui, de alguma forma, para ganhar corpo. A questão da água me parece que é a mais tormentosa de todas, sem dúvida, assim... Me tira o sono. E eu espero sinceramente dar uma resposta, no momento... Não sei qual momento. Ainda não consegui concretizar as ações que... O encaminhamento que eu queria dar mesmo assim de... Se não é trazer a água ao que ela era antes, mas pelo menos responsabilizar a empresa de uma forma muito contundente mesmo, assim, para falar: “Olha, você não fez. Você prejudicou a qualidade das águas, mas esse passivo financeiro você vai levar e vai carregar ele de alguma forma aí, por todos esses anos que você vai ficar aqui”. Eu não estou para justificar aqui a fala de ninguém, não, mas eu entendo um pouco o Sandro, quando ele fala que tem muita gente que está satisfeita com essa mineração. Isso me entristece, assim, porque eu não sou partidário desse raciocínio. Mas eu vejo. Tem gente que está satisfeito de alguma forma, ou porque é... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, mas 80% estão. SR. MARCELO: Eu não sei se é 80% ou porque é individualista e só pensa nele mesmo, ou porque não tem essa percepção que esse jovem tem aqui de trazer para a gente essa realidade. Porque ele é um alienado, mas tem gente que gosta ou, pelo menos, que, para ele, é indiferente. Isso é triste porque a gente vê que é um reflexo de gerações aí que estão com uma consciência muito fraca. Cidadania. Falta cidadania para elas. Eu acho que a gente tem que trabalhar um pouco dessas pessoas também, aí, e acho que saber divulgar melhor, vender nosso 85 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR peixe, assim, sabe? Eu acho que a juventude deu esse exemplo recente, aqui, de cidadania para a gente. E realmente, talvez, está faltando um pouco desses jovens aí. SRA. PATRÍCIA: É o jornal que eu falei para o senhor. É a forma de comunicação ou é os minutos que tem que solicitar lá como informe público. SR. MARCELO: Eu acho que é abrir... SRA. PATRÍCIA: Um canal. SR. MARCELO: Um canal de comunicação melhor, pensar isso. Dia a dia é difícil, todo mundo sabe. SRA. PATRÍCIA: A única coisa que a gente concorda com o parecer único, agora, é que um dos grandes problemas é a falta de comunicação, porque eles relataram lá que não existe atingido, que está tudo... E, que o grande problema é a falta de comunicação. Então, de novo... É verdade, o grande problema é a falta de comunicação e a ausência de informação clara. SR. MARCELO: E, dentro dessa fala do representante, aqui, da Assembleia, é uma tentativa, também, de vocês se reunirem e... Eu acho que o caminho disso é tentar fortalecer as associações comunitárias. Sei que Conceição... As questões, infelizmente, também, acabam esbarrando na politicagem. Sabe? Sempre tem um interessado. Ah, o cara quer fazer alguma coisa pela comunidade, o cara quer ser vereador, e aí a família dele... Todo mundo aqui tem um candidato a vereador na família, e começa... Um rame-rame, e as coisas não vão para frente por causa dessa politicagem. Tentar despir um pouco dessa vaidade, fortalecer as associações, que é um bom caminho também. Tem muita coisa que a gente cobra da Anglo, mas é dever do Poder Público do município. O município tem muita responsabilidade. E, se a Anglo não tivesse aqui, teria as mesmas responsabilidades. Teria responsabilidade pelo saneamento básico, teria responsabilidade pela destinação dos resíduos sólidos, pela pavimentação das ruas, mas, como a Anglo está aqui, esse número de pessoas incrível que despencou aqui, acaba que isso atinge muito mais tudo isso, né? Mas eu acho que a Reasa não pode perder força. Eu acho que a Reasa tem que continuar na luta. Eu acho que a luta é difícil mesmo, mas ela continua. Eu acho que a gente não pode perder a esperança, por mais desanimado que às vezes a gente fique. Tem que continuar batalhando aí, cada um nas suas atribuições, interagindo, integrando, movimentando, porque, se vocês perderem a esperança, aí nós vamos sair derrotados, e... Eu não sei dizer isso, assim, de uma forma muito clara, mas eu... É tudo que eles querem né? É tudo que eles querem. É isso. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O que aconteceu na nossa região é que a juventude da sua idade sofreu muito nesse lugar e, hoje, tendo a oportunidade de trabalhar perto de casa, eles, assim, esquecem o resto da vida. Aí... Que, sempre que você tem oportunidade de trabalhar perto 86 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR de casa, igual para a Anglo aqui, eles acham que... Eles têm muito medo da repressão. Eles acham que, se eles tiverem um movimento desses, ou ele tem medo de lá na frente falar, ou ele tem vergonha. Ou é vergonha ou, então, tem medo de repressão. Uma das duas coisas. Não é mais nada além disso. Ou é repressão ou é vergonha. Falta informação. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Assim, Patrícia, eu não quis fazer uma crítica, não, viu? É só uma... A gente tem que sempre estar refletindo. É só isso. Não é uma crítica, não é uma... Porque, por exemplo, vou te dar um exemplo muito prático... É uma suposição, suposição. Se a gente não viesse para fazer Reasa, a gente Ministério Público, o que ia acontecer? SRA. PATRÍCIA: Hoje? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, não. Vocês se reuniriam nas comunidades, se a gente não tivesse vindo? Não precisa me responder, não. Não precisa me responder. É só para vocês pensarem. Eu acho que, assim, a gente tem que fazer isso aqui, lugares de reflexão. A gente fez práticas legais. Eu estava pensando na vinda, da reunião lá em Itapanhoacanga, que a empresa queria falar. E aí vocês demoraram uma hora e meia para decidir. Isso foi ótimo. Assim, de vários processos que eu conheço... A gente se autonomiza na hora que a gente diz... A gente decide como é que a gente decide. Aquilo foi muito bacana isso. Vocês decidiram como que a empresa ia falar. Não é se ela vai falar ou não. É a possibilidade de aprofundar e aprofundar coletivamente entendeu? Eu lembro que nessa reunião, primeiro queria votar, um concorda, outro concorda, a gente falou assim: “Não, espera lá. Antes do voto, por que vocês não conversam?”. Aí vocês conversaram entre vocês. E aí um que tinha uma opinião mudou de opinião. No final, todo mundo chegou numa construção coletiva. Eu enquanto... E aqui, assim, minha... Nós estamos aqui... Tem várias pessoas que já se conhecem e de outros processos que eu conheço. A única maneira de a gente se colocar contra processos que são fragmentadores, que são... Por sua própria natureza, desunem, fragmentam, é fazer uma coisa muito simples, que é coletivizar sempre. A decisão, a fala... Tudo que vocês puderem imaginar. Então, assim, é para a gente pensar. Eu pessoalmente me disponho a, um dia, a gente sentar e fazer uma roda, igual a gente já fez outras vezes. Não enquanto Ministério Público. Ministério Público não vem aqui fazer nada. Não, eu me disponho pessoalmente... Igual hoje, a minha disposição para vir foi pessoal, porque é feriado em Belo Horizonte, e os servidores do Ministério Público estão de greve. Eu tive que peitar a minha namorada e o sindicato para estar aqui, tá? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Está de greve? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, mas... Quer dizer, tive que furar a greve e o feriado, né, mas o Sindicato está de greve. Então, assim... E o sindicato ligou: “A Cimos não está de greve, a Cimos, que trabalha movimentos sociais, não está de greve? O que 87 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR acontece?”. Aí, ô, Eduardo, infelizmente, nossos compromissos, às vezes, é muito mais com certos processos que estão caminhando em outros lugares e aqui do que com... Que a luta nossa aí é importante e por aí vai. Então, voltando ao que eu queria dizer, eu me proponho pessoalmente à gente fazer uma roda de conversa de um... Estou montando ela tem um tempo. Que eu não dei nome para ela ainda, não. Mas chama Organização Comunitária e Efetivação de Direitos. Se vocês quiserem... [falas sobrepostas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Nós vamos trabalhando ela com o tempo. Chama Mobilização Comunitária e Efetivação de Direitos. Nome provisório é esse, mas é um nome em construção também. Está certo? Então, se vocês entenderem... Aí me disponho pessoalmente a fazer isso. A gente sentar com as pessoas que estão acompanhando o processo. Nós fizemos duas... Umas três oficinas na casa do Antônio, que não era para saber. Primeiro, não é para decidir o que vai fazer amanhã, não. É só para se pensar enquanto coletivo. Todas as coletividades. Não é, Antônio? Não era bom, Antônio? SR. ANTÔNIO: Foi ótimo, ótimo! SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Foi bom? Não é? De lá... A Reasa nasceu dessas oficinas na casa do Antônio, que o Júnior ia, o Carlos, que estava aqui até há pouco, ia. Agora, é uma oficina que eu dou pessoalmente, não é para chamar ninguém de órgão público. Não é para chamar ninguém do Ministério Público. Não é para chamar ninguém... Ninguém de ninguém. São as pessoas que estão no processo do movimento. Se vocês quiserem, eu me disponho a fazer isso. Tá? É pensar processos coletivos. Aí, eu compartilho de experiências de outros processos coletivos que eu conheço, de como é que funciona. Como é que a gente decide como é que vai decidir? Isso precisa ser decidido. SR. ANTÔNIO: Se quiser sofrer, pode ser lá em casa primeiro. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Você topa fazer lá? SR. ANTÔNIO: Se quiser sofrer, pode ser lá em casa. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Você topa? Então está certo. SRA. PATRÍCIA: Então, tá. Então, tem duas outras coisas que estão... Eu não sei se vai dar tempo. Tem duas coisas que a gente queria propor. Eu acho que não vai dar tempo, assim. Primeiro que a gente tomou conhecimento que a empresa fez um programa, uma parceria com a Emater, e a gente queria ter conhecimento de como que é que foi esse... Então, a gente queria solicitar... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Vai sair do papel esse negócio, porque-SRA. PATRÍCIA: Parece que sim. Porque pelo menos foi noticiado oficialmente, saiu no site da empresa... Não, eu esqueci de mandar para 88 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR os senhores. Eu fiz circular entre nós. Mas já finalizou, o convênio com a Emater já foi finalizado já por dois anos, mas não fala, por exemplo... Não fala como que será essa reestruturação. A gente queria que fosse oficiado ou Emater ou empresa... A gente queria ter cópia desse convênio, assim, para ver o que é que efetivamente está proposto. Então, a gente queria solicitar como encaminhamento que o Ministério Público requeresse a informação desse convênio com a Emater. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E eu acho que podia pedir da Sinergy também. SRA. PATRÍCIA: Ah, porque aí a Emater parece que firmou um convênio com a Sinergy. O que a gente sabe é que a Sinergy está contratando mais trinta e tantas pessoas para trabalhar. Então, aí é um bloqueio. E aí, quer dizer... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Porque o que estava ruim era o serviço da Sinergy. SRA. PATRÍCIA: O que exatamente a comunidade...A gente não está sabendo, a gente não está entendendo, mas foi exatamente essa notícia que nos fez, então, acender a luz vermelha, em relação... No mínimo laranja em relação a esse convênio. Por que é que a Sinergy está contratando tantas pessoas para trabalhar nesse programa, se o convênio foi firmado com a Emater? Entendeu? Então, essa é uma solicitação como encaminhamento. E o outro? E o outro? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Deixa eu dar uma sugestão? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Deixa ela falar o outro. SRA. PATRÍCIA: E o outro é em relação a uma... À questão, também, assim, de... Eu não sei. Até o pessoal da Diversus está aqui. A proposta que vocês fizeram de reestabelecer ou de refazer... Eu não sei como é que está sendo feito isso. Se a Diversus já foi contratada, se já finalizou aquele processo que vocês descreveram como urgente, se urgentíssimo, urgentíssimo. Se isso já foi finalizado, se isso já está concretizado, que também nós não... Isso é uma coisa que talvez nos alivia um pouco, assim, no sentido de... ORADOR microfone] NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Isso eu vou responder agora. Eu vou responder que eu não tenho informação sobre. A única... Aconteceu uma reunião, mas eu não sei como é que se desdobrou. Eu estava em outros processos, vim para cá. A primeira coisa que eu fiz aqui quando eu cheguei foi perguntar aos dois: “E aí, como é que encaminhou?”. Talvez o Dr. Marcelo saiba. Mas está em processo. SR. MARCELO: Eu sei até um certo ponto aqui. Após, eu corro o risco aqui do Ricardo ter uma informação até mais atualizada, mas o Ricardo encaminhou a proposta. A proposta foi encaminhada. Eu acho... A proposta foi encaminhada. A gente analisou. Eu não sei se, na 89 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR metodologia, teve alguma mudança, mas eu acredito que não. Nós fechamos. O Luiz mandou um e-mail, com um detalhe assim, mas coisa, assim, pontual, que não... Do Luiz chegou? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não. SR. MARCELO: Não? O Luiz mandou um e-mail, não mandou? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mandei. Mandei para o Dr. Carlos Eduardo... SR. MARCELO: Foi para ele? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Foi. SR. MARCELO: Depois que se conversou os valores, teve mais alguma coisa? Não. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, só o que o Carlos Eduardo falou, semana passada, que essa semana provavelmente ele daria 100% de certeza. SR. MARCELO: É, eu acho que, na verdade, é questão burocrática... Não é nem burocrática, não. É questão do tempo mesmo. Mas já chegou a proposta, a gente ficou bastante satisfeito. Ela é bastante abrangente. Envolve até um pouco mais do que só a situação das pessoas que estão aí, reassentadas ou que estão... É uma releitura das condicionantes socioambientais, bem trabalhada, uma questão aí, um trabalho aí de uns cinco meses mais ou menos, dentro da previsão do cronograma, e que eu acredito que o Carlos Eduardo só não deu andamento essa semana deve ser por outras questões. Mas aí, também, eu me comprometo amanhã a dar uma cobrada dele para ver se a gente já fecha isso aí o mais tardar na semana que vem. Afinal de contas, o recurso, ele está mais ou menos carimbado para isso. E até questiono eles se não teria que apresentar antes, mas, assim, não sei se é um... Mas vocês podem ficar tranquilo que o escopo é bastante abrangente, a Diversus também. Então, a gente está bastante confiante aí, no resultado desse trabalho aí. SRA. PATRÍCIA: E esse tempo é para antes da próxima... Assim, não... O que se imagina... SR. MARCELO: Não, a ideia... O trabalho, o trabalho... Porque, na verdade, também, eu não sei o que aconteceu... O que saiu de pauta? SRA. PATRÍCIA: Dessa vez? SR. MARCELO: Quem tirou? Porque, olha só, teve aquela dificuldade... Porque eu não sei se vocês discutiram isso antes de eu chegar. SRA. PATRÍCIA: Não, nós começamos a perguntar, a exigir por que tinha voltado em pauta, sendo que não tinha... Aí, em seguida, eu não me lembro como que foi... Nós começamos a questionar que o fato, a condição suspensiva não tinha ocorrido e que nós estávamos esperando uma resposta, e aí, nesse intervalo, tiraram de pauta. SR. MARCELO: É, porque... 90 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SRA. PATRÍCIA: A gente conversou... Pela Reasa, a gente fez um... SR. MARCELO: Foi, foi. SRA. PATRÍCIA: Foi pela Reasa? Nós encaminhamos um... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É, nós ficamos em dúvida. SR. MARCELO: Não, porque o que aconteceu, assim... SRA. PATRÍCIA: Mas, pela Reasa, nós encaminhamos um ofício à Eliane. SR. MARCELO: Sim, sim, eu vi. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE encaminhou, e o Ministério Público enviou... OLIVEIRA: O Reasa SR. MARCELO: Foi. Porque teve aquele pressuposto da reunião da apresentação, que seria uma justificativa de por que foi feito isso tudo. Então, a gente não organizou da forma que tinha mais ou menos sido combinada naquele dia lá da reunião, que a gente daria lá um formato. Aí vocês falaram: “Não, nós queremos saber primeiro por que teve estudo antes de qualquer formato para apresentação”. Beleza, eu repassei essa informação para a empresa, e eles falaram, no primeiro momento, que faria uma reunião aqui no sábado. SRA. PATRÍCIA: Eles marcaram. SR. MARCELO: Mas chegaram até marcar? SRA. PATRÍCIA: A empresa marcou no sábado a reunião. Mas aí a gente falou que ela não podia marcar. Que quem tinha que marcar era a comunidade. SR. MARCELO: Mas “chegou a marcar”, que você fala, é o quê? SRA. PATRÍCIA: A empresa divulgou... SR. MARCELO: Divulgou e tudo. SRA. PATRÍCIA: Que teria uma apresentação da Ferreira Rocha no sábado. SR. MARCELO: Não... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Anunciou, não disse. SR. MARCELO: “Anunciou”, que vocês falam, é o quê? No rádio? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Não, anunciou... SR. MARCELO: A boca a boca? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: É, acho que a Supram veio junto, mas a... SR. MARCELO: É, porque ficou a reunião para fazer, mas não teve, não é? Aí... Ia ser na terça-feira, me parece. Eles falaram: “Ah, então, nós vamos fazer terça-feira. Mas aí não teve. E aí, saiu de pauta, 91 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR e aí ficou um negócio meio no limbo, como está até no limbo agora. E eles não renovaram a carga, lá, comigo, para falar: “Olha, e aí, vamos fazer a reunião, não vamos”. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Aí tem que fechar a boca do Sapo para ninguém vir na reunião. SR. MARCELO: É, que boca de sapo não tem dente, não. Então, e aí ficou no limbo. É tanta coisa que... Os problemas vão atropelando e você vai esquecendo dos velhos. Mas aí, eu não sei como é que ficou isso, afinal de contas. Aí, a Eliane deu aquela resposta, mas o meu ofício lá é maior do que aquela pergunta simplesmente da cópia do que ela mandou. Eu quero saber. Até porque aquilo lá... Você viu? O negócio eu acho que é de agosto de 2012, e pediu um relatório em 15 dias. O relatório chegou lá uns dez meses depois, um ano. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Não, sendo que... Sem falar que o relatório da Diversus tinha sido entregue... Quando? SR. MARCELO: Dois mil e... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Dois mil e onze. SR. MARCELO: É. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Sem assinatura. SR. MARCELO: Sem assinatura, sem carimbo. Realmente ficou um ofício, assim... Tirado da manga, assim. Quer dizer, mas ela tem que responder formalmente. Porque ela responder... Ela não respondeu formalmente ainda, para o Ministério Público. Ela mandou o e-mail. Porque, no nosso ofício, a gente cobra uma... Fundamento legal, metodologia, a justificativa do ato administrativo, por que ela pediu, e isso não veio ainda. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: E aquela respostinha que... SR. MARCELO: Não, o que ela mandou foi a cópia, lá, do que ela teria enviado. Então, ficou meio... Bem assim, né? Aí eu não sei se eles vão voltar a [ininteligível 04:31:45], porque a Patrícia perguntou... Agora, por que a gente está falando disso? Porque você perguntou se isso seria até a próxima pauta do estudo da Ferreira Rocha e da Diversus. A gente não tem esse tempo na nossa mão, né, Patrícia? A gente quer fechar esse trabalho o mais rápido possível, porque é um trabalho que também não é simples, que vai durar cinco meses. No mínimo, né? Porque trabalho também demanda lá de eles programarem, contratarem... Ou se organizarem, que não é simples. Então, quanto antes a gente der o aval, também, mais fácil vai ser. Então, a gente não vai ter esse tempo, né? Se a gente está... Se a Diversus está em campo, fazendo trabalho, ou já está no escritório, preparando, e sai lá a pauta, a gente não vai ter esse tempo, infelizmente. SRA. PATRÍCIA: Mas o Ministério Público, com esse novo trabalho da Diversus contratado, pode pedir para [ininteligível] 92 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. MARCELO: Eu, sinceramente, sinceramente, como estratégia, eu até... Eu não gostaria que o estudo fosse homologado lá, antes, lá, porque isso enfraqueceria uma tese jurídica de uma discussão, se isso fosse votado lá, porque o resultado me parece que já quase, que já está escrito. Né? Infelizmente é a tônica do que a gente tem visto lá no órgão ambiental. Então, eu preferia que o estudo da Diversus ficasse pronto antes de qualquer julgamento, mas eu, particularmente, não gostaria de levar o estudo da Diversus para o licenciamento ambiental, esse novo estudo. Eu preferia trabalhar ele diretamente com a empresa. Cartas na mesa, olha. “Estudo está aqui. As propostas estão aqui, vocês vão fazer; não vão, vão para a Justiça”. Porque, se a gente levar ele para o licenciamento ambiental, a gente corre o mesmo risco que já correu nos outros estudos. SRA. PATRÍCIA: Mas, então, não tem um jeito de chamar a empresa, cartas na mesa, e falar assim: “Olha, vamos manter fora de pauta lá na Supram, e a empresa faz o pedido”? SR. MARCELO: É uma tentativa. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: [ininteligível 04:33:43] não. Entendeu? [falas sobrepostas] ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Depende do grito. Depende do grito, da força do grito. [falas sobrepostas] SR. MARCELO: Não, não, o estudo foi feito. As conclusões estão lá apostas. Veio outro estudo para rebater, e a tendência é se homologar da forma daquele parecer, lá, que foi feito lá pela Anglo. Quer dizer, pela Eliane e pela Supram, né? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: [ininteligível] Dr. Marcelo. SR. MARCELO: Desculpa. E aí, quer dizer, correu o mesmo risco, sabe, Júnior, de juntar esse complemento lá e também vier um outro parecer, e aí... Quer dizer... Então, nós vamos tentar tratar, não como... Dentro do licenciamento. Nós vamos tentar tratar no procedimento administrativo, que foi instaurado inquérito só para isso, entendeu? E aí vamos falar: “Olha, está aqui as medidas”. Não está, não está, então o caminho é a judicialização. A gente está entendendo que é um caminho de a gente não correr esse risco, que é a homologação pelo estudo. Opa, striptease nesse horário... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Ninguém está filmando. SR. LUIZ TARCIZIO podemos encerrar? GONZAGA DE OLIVEIRA: Pessoal, SRA. PATRÍCIA: Solicitar a compra do canteiro(F) da Emater. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Agora, assim, a sugestão que eu ia dar, que eu achei a coisa mais legal que vocês fizeram como Reasa. Assim, eu fiquei muito feliz daquele oficinho de 93 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR vocês, cobrando a Supram a resposta em relação à apresentação do relatório da Ferreira Rocha. Na oficina que eu dou, eu falo um negócio... Tem um negócio que é importantíssimo, que chama Lei de Acesso à Informação. Isso tem um poder que vocês não imaginam. Se você digitar na internet... Petição, Lei de Acesso à Informação. Ela está pronta, lá. ORADOR microfone] NÃO IDENTIFICADO: [pronunciamento fora do SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Pois é. Então, vocês podem... Vocês, comunidade, podem cutucar Emater também. Dá muito trabalho? Não, gente, não dá. Não estou querendo dar mais trabalho para vocês, não. Não é isso, quando eu falei, não é dar mais trabalho. É porque, às vezes, a gente está gastando um tempão, descrevendo um negócio enorme que vocês estão fazendo aqui, e pode... Assim, estratégia de cidadania mesmo. Cidadania é o quê? Você diretamente pode cobrar o Poder Público. Pode cobrar o Ministério Público, pode cobrar quem quiser. SRA. PATRÍCIA: É, outro dia, a gente estava Escaneando uma ação civil pública do Dr. Francisco para mandar para alguém [ininteligível 04:36:24l] que precisava. Aí eu estava lá com a ação cívica, tentando escanear uma por uma, aquela dificuldade. A Flávia falou assim: “Dr. Francisco, será que você poderia mandar...”. SRA. FLÁVIA: [ininteligível] Dr. Marcelo ou Dr. Felipe... Alguém deve ter? SRA. PATRÍCIA: Aí ele mandou na hora. Eu falei: “Poxa vida. Eu estava escaneando...”. SR. LUIZ escaneado? TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mandou SRA. PATRÍCIA: Não, eu estava escaneando folha por folha, e ele mandou... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mandou o arquivo digital. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mandou arquivo digital, ué. Então, uma sugestão só. O Ministério Público pode cobrar lá a Emater? Pode, vai cobrar. Mas eu achei fantástico o que vocês fizeram... Puseram o número do requerimento da Reasa. Então, põe lá: “Requerimento da Reasa número tal, tal. Considerando a Lei de Acesso à Informação, pedimos informação à Emater sobre eventuais convênios com a Anglo América. Enviar cópia para o endereço tal”. Ou endereço eletrônico ou endereço físico. ORADOR também. NÃO IDENTIFICADO: Manda para a prefeitura SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Né? Olha, é de uma folha. Vocês fizeram um modelinho, vocês vão ver como isso é muito importante. Isso faz parte lá da minha oficina, que eu estou adiantando aqui. 94 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR SR. SANDRO LAGE: Um tempo atrás, aí, eu saí do... Até extrapolei o meu papel de secretário, cheguei até a propor barricada, algumas coisas assim. Mas extrapolei um pouquinho o meu papel. Eu não posso, não posso. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Mas você não retira o que você disse? SR. SANDRO LAGE: Não, não retiro, não. Mas não posso ficar levantando bandeira, não. Tenho minhas limitações como secretário, mas fui... Alguma coisa me provocou a novamente propor para vocês aí que pensem... Eu não sei aí, promotor. Aí é uma consulta. Ação civil popular. Ação popular. Não sei. Ou seja, gente, vocês têm um poder de mobilização, hoje, grande. Vocês já têm uma... Duas pontas aí que já se uniram aqui em Conceição, desde o porto, aqui. Então, eixo Rio... Eixo Minas-Rio eu acho que dá para mobilizar muita gente. Eu não sei com relação a números de quantas assinaturas precisam. Uma... ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Ação popular é. SR. SANDRO LAGE: Nossa, gente! Então, a dica está aí. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Sandro, você combinou isso com o Luiz ou com o Dr. Marcelo? SR. SANDRO LAGE: Por quê? [fala sobrepostas] ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Estou falando: você combinou isso com o Luiz ou com o Dr. Marcelo? SR. SANDRO LAGE: Não, gente, porque a gente fica... Eu acho que a ideia aqui de... É ótimo, mas essa repetição... Hoje eu senti um certo retrocesso. Eu senti um retrocesso. Eu até brinquei aqui: “Poxa, gente, mas tem muito novato aqui hoje”. Mas nada contra os novatos. Os novatos estão chegando, mas, se a gente ficar aqui, repetindo... Toda vez que um novo chegar, a gente ter que ficar repetindo aqui. Tem dois anos que a gente está repetindo a mesma coisa. Então, gente, vamos partir para a ação, tá? Bem, eu tenho tentado via governo, mas via governo é muito difícil eu desempenhar uma ação civil pública. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Qual que é a sugestão? SR. SANDRO LAGE: Olha, tem quanto tempo que você está munido com bala aí... Tem quanto tempo? Então, gente, as coisas... A gente vai produzindo... Eu não consigo via prefeitura, mas vocês são livres. Não é? ORADOR inclusive... NÃO IDENTIFICADO: Hein, Sandro? Ele pode SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Vocês podem se arriscar mais, é isso. Ou ser mais inconsequentes. 95 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Hein, Sandro? Hoje ele é público? SR. SANDRO LAGE: Oi? ORADOR NÃO IDENTIFICADO: O parecer, hoje, é público? SR. SANDRO LAGE: Uai, se não for, meu filho... Está na sua mão, aí, o dono do dinheiro... Ele foi pago com dinheiro público. Ele não tem [ininteligível 04:40:05]. [falas sobrepostas] SR. MARCELO: Teve um... A Cris até comentou aqui... Aquele Conselho Consultivo de Desenvolvimento, que foi criado e apelidado de Conselhos Notáveis. Semana passada eu participei até com o Ricardo e com o Sandro de uma reunião lá. Eles estavam lá com uma pauta de exigências para a Anglo. E a gente falou que era interessante eles, de alguma forma, conhecerem a Reasa. Eu não sei. Eu não sou daqui, e as pessoas estão aqui, mas não moram daqui. Então, sempre tem aquela... A história por trás de tudo, né? Mas, de alguma forma, trocando em miúdos, assim, eu achei que eles estavam interessados em... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Monetarizar... SR. MARCELO: Não, não é monetarizar; é cobrar da empresa a responsabilidade. Eu não sei de que forma. Talvez monetarizando ou... Isso não ficou claro, mas eles estão também no papel de cobrar as contrapartidas da Anglo. ORADOR NÃO IDENTIFICADO: E nós temos... Tem um cara lá que eu ia sugerir depois da reunião, mas posso sugerir agora. Chamar, pelo menos, se não for todos os Conselhos, o Chico Maia(F) para vir aqui e trazer a [ininteligível 04:41:09]. Acho que... Nós não vamos perder nada. SR. MARCELO: É, me parece que o papel do Chico Maia é mais ou menos de ser o... Como é que chamo o... Porta-voz ou assessor de comunicação daquele... ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Chico Maia é jornalista, né? SR. MARCELO: É, jornalista. Daquele Conselho. Eventualmente ele pode também encampar algumas reivindicações que seriam mais da Reasa. SR. SANDRO LAGE: Historicamente, as elites locais muito mais representam os de fora do que os de dentro. Isso... As oligarquias, tal... E o Conselho talvez represente muito isso, mas será que, da mesma forma que eles são elite, tal, eles têm acesso a pessoas que estão lá em cima, que podem interferir ou influenciar no processo? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Olha, nós conseguimos pescar(F) os e-mails dos [ininteligível], aí a gente resolveu que a gente ia mandar tudo para os [ininteligível]. Então, a gente está mandando tudo para os [ininteligível]. Se eles estão falando que são alheios a tudo que 96 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR está acontecendo, é mentira, porque nós já pescamos os e-mails deles, e a gente já está mandando. Uma forma... A gente não... SR. SANDRO LAGE: Eu posso te falar que eles já conhecem muito bem a Reasa e que eles têm muito interesse inclusive em participar, em ouvir... SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: É, e lá... Lá... Essa reunião foi no Ministério Público... O tempo todo foi dito que era necessário eles conhecerem. O Paulo César(F) insistiu muito nisso, a gente também. Eu só estou mencionando assim porque eu não... Não sei o que é que está por trás, talvez. Eu sei que tem gente lá que está interessada em mudar. Eles têm uma visão mais urbana do problema. ORADORA NÃO IDENTIFICADA: É, pois é, mas é preciso mesclar mesmo, porque talvez a gente não consiga... [falas sobrepostas] ORADOR NÃO IDENTIFICADO: Oi? ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Depois de Conceição, 20 quilômetros para frente, vocês nunca foram. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Mas é importante ter alguém que está brigando pelas coisas lá de Conceição também, gente. Assim, é uma estratégia que é importante... [falas sobrepostas] SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não, mas, assim, se tem alguém fazendo esse papel. SR. SANDRO LAGE: Eu... Tem dois anos que eu estou falando que nós não podemos nos dar o luxo de deixar de lado um possível companheiro, mesmo que... Eu não posso [ininteligível]. SRA. PATRÍCIA: Ô, Luiz, então, eu te passo os encaminhamentos depois. Posso só ler aqui para você? SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Vamos ler os encaminhamentos? Assim, por exemplo... SRA. PATRÍCIA: [ininteligível] Ministério Público, solicitando informação dos procedimentos e investigação realizados na propriedade da Fazenda Miranda e [ininteligível]. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Tá. Agora, assim, eu faço várias dinâmicas, que eu acho que todo mundo tem que pegar responsabilidade. Você também se compromete, de lá, a procurar, porque, assim, cidadania é [ininteligível], ir no órgão público, entendeu? SRA. PATRÍCIA: Aqui está solicitado cópia do convênio com a Emater. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Então, aí quem vai fazer? Porque dizer... Quem vai fazer? Reasa? Vocês querem fazer só 97 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR vocês ou Ministério Público também, ou não? Tá. Então, a gente vai fazer e vocês. Não, faz, encaminha. SRA. PATRÍCIA: A gente faz pela Reasa, encaminha para o Ministério Público. SR. LUIZ TARCIZIO GONZAGA DE OLIVEIRA: Não precisa, não. Não gasta. SR. MARCELO: Eu faço para Emater e eu faço para a ANA(F). SRA. PATRÍCIA: A gente replica para o MP. SR. MARCELO: Não, eu faço na Emater, que aí você pode usar o acesso à informação, esse exercício de cidadania, e eu faço para a ANA(F). SRA. PATRÍCIA: Isso, mas aí a gente põe com cópia para o MP. [falas sobrepostas] ORADORA NÃO IDENTIFICADA: Qualquer coisa... O Dr. Marcelo está escutando. SR. MARCELO: Você tem direito. Não precisa o Ministério Público [ininteligível]. Você tem direito de pedir informações também. Tem direito de fazer isso. Exerça... [falas sobrepostas] 98 STENO DO BRASIL – WWW.STENO.COM.BR