FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS NA ÁREA DA SAÚDE: CAMINHOS PARA A IMPLANTAÇÃO DE METODOLOGIAS DE ENSINO NO ÂMBITO DA FORMAÇÃO DO TÉCNICO EM ENFERMAGEM OLIVEIRA, Vanessa Bertoglio Comassetto Antunes [email protected] RAULI, Patricia Maria Forte – PUCPR [email protected] Eixo Temático: Formação de Professores e Profissionalização Docente Agência Financiadora: Não contou com financiadora. Resumo Este artigo apresenta os resultados obtidos pelo projeto de pesquisa Avaliação do conhecimento dos alunos recém-formados em um curso técnico em enfermagem a cerca de cuidados em neonatologia, desenvolvido em curso de especialização na modalidade lato sensu. Atualmente o mercado de trabalho tem exigido dos profissionais de saúde uma prática profissional que reúna qualidade técnica, científica e humana. A capacidade de resolução de problemas, bem como a interação com o novo aparato tecnológico também consiste no atual desafio dos profissionais técnicos em saúde. No contexto da enfermagem, a formação profissional acompanha as preocupações presentes em todas as áreas de ensino no sentido de buscar metodologias e práticas inovadoras para que possam responder a essas novas exigências do mercado profissional. A partir destas considerações, o presente estudo propôs uma investigação a respeito da adequação da formação técnica na área de enfermagem, focalizando como situação problema o universo do cuidado neonatal. Foi realizada uma pesquisa quantitativa com abordagem crítico-reflexiva, fazendo uso de dois questionários aplicados a 50 alunos recém formados em um curso técnico de enfermagem no município de Curitiba. O primeiro abordava questões especificas do conteúdo de enfermagem neonatal, o segundo referia questões as quais investigavam as metodologias e didáticas utilizadas pelos docentes. Para fins de análise, as questões foram agrupadas em três categorias: questões de caráter conceitual (as quais exigiam do aluno a capacidade de formulação de conceitos teóricos), questões de caráter interpretativo (exigindo interpretação e tomada de decisão) e questões de caráter técnico (avaliando o conhecimento de habilidades técnicas). A análise dos dados obtidos pela investigação permite observar a importância de metodologias adequadas, que contemplem a complexidade da formação para a área da saúde. Palavras-chave: educação; formação técnica; metodologias de ensino; enfermagem; neonatologia. 11258 Introdução A entrada no novo milênio impõe aos profissionais da área da saúde o desafio de desenvolver uma prática profissional que reúna qualidade técnica, científica e humana. O intenso aparato tecnológico, aliado ao volume de conhecimento acumulado nas últimas décadas, amplia a responsabilidade das instituições formadoras no sentido de capacitarem profissionais para que se tornem aptos a utilizar as novas tecnologias, aprender a selecionar informações e conhecimentos, bem como para que se tornem capazes de propor soluções aos inúmeros problemas que cercam a área. No contexto da enfermagem a formação profissional acompanha as preocupações presentes em todas as áreas de ensino no sentido de buscar metodologias e práticas inovadoras para que possam responder as exigências das novas necessidades de atuação. No universo da formação de nível técnico os desafios se intensificam, pois além da urgente necessidade de modificações nas metodologias e práticas de ensino e aprendizagem, as instituições de formação precisam ajustar o conteúdo curricular a uma reduzida carga horária. A partir destas considerações o presente estudo propôs uma investigação a respeito da adequação da formação técnica na área de enfermagem, focalizando como situação-problema o universo do cuidado ao neonatal. Cabe ressaltar que a enfermagem da unidade de neonatologia assiste a uma clientela com características e peculiaridades especiais, num momento de grande vulnerabilidade, que exige conhecimentos específicos e profissionais altamente capacitados para dar-lhes a devida assistência. (PIZZATO e POIAN, 1988, p.55). No que se refere ao processo de formação, a busca por processos pedagógicos transformadores vem apontando para uma revisão do ensino tradicional em direção a aprendizagens significativas em que a simples transmissão de conhecimento seja substituída por processos de construção, interação e integração. “A aprendizagem passa a ter foco na visão complexa do universo e na educação para vida” (BEHRENS, 2006, p.14). A busca de uma atuação profissional reflexiva, crítica e inovadora para o técnico em enfermagem, neste momento tão especial da vida humana, motivaram o pesquisador à realização do estudo, que teve como objetivo avaliar o nível de conhecimento teórico a respeito dos Cuidados de Enfermagem em Neonatologia de alunos recém formados de um curso técnico de Enfermagem do município de Curitiba. 11259 Partindo das considerações acima, justificou-se a implementação desta pesquisa, visando contribuir para a excelência da formação profissional técnica no universo da assistência ao neonatal, tendo como foco a seguinte problemática: Qual o nível de conhecimento dos alunos recém-formados em um curso técnico em enfermagem a respeito dos cuidados prestados ao recém-nascido a termo? O estudo estabeleceu como objetivos específicos três aspectos: identificar o nível de qualificação dos discentes no que diz respeito aos conhecimentos na disciplina de Cuidados técnicos de Enfermagem Neonatológica; identificar os assuntos da disciplina considerados como de maior dificuldade pelos alunos; investigar quais as metodologias de ensino e avaliação utilizadas durante o processo de aprendizagem da amostra pesquisada. A análise da formação do técnico em enfermagem no âmbito do cuidado ao neonatal, exige a compreensão tanto dos aspectos que envolvem esta etapa do desenvolvimento humano, quanto das metodologias de ensino apropriadas, de forma a equilibrar os aspectos teórico, práticos e humanos envolvidos na educação em saúde. Quando se fala em formação do técnico em Enfermagem, profissão cujo caráter educacional é incontestável, verifica-se que muitas de suas ações envolvem situações de ensino-aprendizagem. O ensino informal permeia toda atividade de assistência e pode envolver ações de aconselhamento em situações especiais, ensino de medidas de higiene, ensino de cuidados terapêuticos, orientações às famílias, entre outros. Já o ensino formal é a educação em enfermagem, visando à habilitação de pessoal para o exercício da profissão. O ensino formal é ministrado no 2º e 3º graus, correspondendo à formação do técnico de enfermagem e ao enfermeiro, respectivamente. O ensino da enfermagem passou a ser regularizado a partir da Lei nº 775 de 06 de agosto de 1949, que dispõe sobre o ensino de enfermagem no Brasil, estabelecendo as condições mínimas para a preparação de enfermeiros e sua equipe. De acordo com a primeira legislação, o curso de auxiliar de enfermagem era um curso essencialmente profissionalizante e dirigido à assistência curativa, conforme consta no artigo 2º do Decreto nº 2.7426/49 que aprova o Regulamento básico para o curso de Auxiliar de enfermagem na época. Quanto ao histórico da formação do técnico de enfermagem, sabe-se que o primeiro curso foi criado em 1966 nas escolas Ana Néri e Luiza de Marillac pelos pareceres do CFE nº 11260 171/66 e nº 224/66, respectivamente. Somente com a lei nº 5.692/71, o curso técnico de enfermagem passa a integrar-se no Sistema Educacional Brasileiro, no nível de ensino médio. Analisando retrospectivamente a educação profissional de nível técnico, Kobayashi e Leite (2004, p. 2) afirmam que desde as suas origens em 1809, a mesma foi reservada às classes menos favorecidas, estabelecendo “nítida distinção entre aqueles que detinham o saber e aqueles que executavam as tarefas manuais”. Entretanto, no contexto atual, a formação profissional tem exigido um nível de conhecimentos e competências que ultrapassam a mera execução de tarefas. A esse respeito as autoras (idem, p.3) afirmam que as empresas passaram a exigir trabalhadores cada vez mais qualificados, agregando a destreza manual às competências de “inovação, criatividade, trabalho em equipe e autonomia nas tomadas de decisões, mediadas por novas tecnologias de informação”. Além destas competências, passou-se a exigir profissionais com níveis de educação mais elevados, com perfil capaz de atender as mudanças a no sistema produtivo por meio de permanente atualização das qualificações e habilitações existentes. Além do domínio operacional, a educação profissional passou a exigir a compreensão global do processo produtivo, aliada a “apreensão do saber tecnológico, a valorização da cultura do trabalho e a mobilização dos valores necessários à tomada de decisões”. (KOBAYASHI e LEITE apud Diretrizes Curriculares para Educação Profissional de Nível Técnico,1999, p. 111). Referindo-se à educação de forma generalizada, Paulo Freire (1979, p. 141), destaca a função do educador como sendo de ordem política, pois “a educação é um ato político tanto quanto um ato político é educativo”. Nesta perspectiva a educação ultrapassa aspectos de caráter técnico, ampliando sua função para uma compreensão muito mais ampla, que envolve dimensões sociais, políticas e humanas, entre outras. A respeito da educação em saúde, Behrens e Gisi (2006) afirmam que a formação voltou-se a uma abordagem técnica, enfatizando, a partir da década de 70, a absorção de recursos tecnológicos e a concepção de profissionais que atendessem às exigências do sistema produtivo, em detrimento de uma formação focada na dimensão humana. Nesse contexto as autoras alertam para a necessidade de uma revisão do papel dos professores no sentido de implementar metodologias que desloquem a ação docente do processo de reprodução para o de produção de conhecimento. 11261 Bodernave e Pereira (1995, p.101) complementam afirmando que a variação nas técnicas no decorrer do conteúdo certamente aumentará o índice de absorção do conhecimento por parte dos discentes, afirmando que tal atitude consiste num forte elemento de atuação sobre a motivação tanto dos discentes quanto dos docentes. Segundo os autores, a variação na maneira de dar as aulas traz vantagens como tornar a disciplina mais dinâmica e desafiadora, exigindo dos docentes a busca de inovação, flexibilidade e criatividade. Outro aspecto a ser observado no processo de ensino-aprendizagem, segundo Bezerra (1996), é a seleção de conteúdos significativos para a disciplina. Para tanto, este autor revela que é absolutamente necessário que o conteúdo da disciplina reúna, com base em todo o conhecimento disponível, os conhecimentos e as informações que são necessários e pertinentes para a formação profissional. Bezerra (1996) ressalta a importância do planejamento do conteúdo didático. Para o autor, [...] planejar o conteúdo permite que ele seja um dos elementos fundamentais para o desenvolvimento do conhecimento dos alunos. Passar o conhecimento deixa de ser o objetivo primeiro e único dos docentes, para que a luta pela aprendizagem do aluno ocupe o lugar que ele cabe na função profissional dos nossos jovens (BEZERRA, 1996, p.58). No que se refere à assistência prestada ao neonato, sabe-se que grande parte da responsabilidade no cuidado do recém nascido cabe exclusivamente à equipe de Enfermagem, cuja ação está condicionada à existência de uma estrutura com profissionais altamente qualificados. Desta forma a assistência está diretamente ligada à qualidade do ensino oferecida a estes profissionais dentro das instituições formadoras. A equipe de saúde, dentre a mesma os técnicos em enfermagem, tem por objetivo diminuir as taxas de morbi-mortalidade neonatal e para isso é imprescindível um atendimento de forma articulada, iniciando desde o pré-natal, parto e nascimento, estendendo-se aos cuidados no alojamento conjunto com qualidade e organização dos serviços de atendimento ao recém-nascido, bem como a eficiência no sistema de referência e contra-referência com os diversos níveis de atenção à saúde. Neste contexto, considera-se imprescindível que a formação do técnico em enfermagem contemple os conceitos básicos em neonatologia, domine aspectos relacionados 11262 aos cuidados imediatos e mediatos a ser prestados aos clientes, assim como habilite à realização do exame físico no neonato. Partindo das considerações acima, a pesquisa buscou investigar a adequação das metodologias de ensino utilizadas na formação do aluno no nível técnico, conforme descrito a seguir. Desenvolvimento De acordo com Marconi e Lakatos (2006), a escolha dos métodos e técnicas a serem utilizados numa pesquisa está relacionada ao problema a ser estudado e depende da natureza dos fenômenos, do objeto da pesquisa, dos recursos financeiros, da equipe humana e de outros elementos que possam surgir no campo da investigação. A presente pesquisa utilizou a Metodologia Quantitativa, com abordagem críticoreflexiva da realidade investigada, utilizando para tanto o método exploratório. O contexto do estudo foi uma instituição de ensino técnico, localizada na cidade de Curitiba, com cursos de formação para a área da saúde. O critério de seleção dos sujeitos consistiu no fato destes serem alunos recém formados do curso técnico em enfermagem. O tamanho da amostra selecionada foi de 50 alunos. A coleta de dados foi implementada através da utilização de um questionário composto por 10 questões de múltipla escolha abrangendo os conteúdos teóricos da disciplina de pediatria, mais especificamente das aulas de neonatologia e um segundo questionário composto por 6 questões relacionadas às estratégias de ensino, aprendizagem e avaliação utilizadas pelos professores e alunos. As questões do primeiro questionário foram agrupadas em cuidados imediatos, cuidados mediatos, conceitos em neonatologia, escala de Apgar, classificação dos RecémNascidos e exame físico em neonatologia de acordo com Segre & Marino (1991), Viegas e Monetti (1889) e Vaz et al. (1989). Para efetivar a pesquisa o projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética da instituição envolvida, bem como foram considerados os preceitos éticos da Resolução 196/96 que trata de pesquisa com seres humanos (BRASIL, 1996). Os dados foram coletados por meio de dois questionários aplicados a 50 alunos recémformados no curso técnico em Enfermagem de uma escola no município de Curitiba. Estes questionários são compostos por questões fechadas e com no máximo quatro alternativas. 11263 No primeiro questionário foram abordados temas teóricos de enfermagem neonatal com o objetivo de averiguar o nível de absorção do conhecimento deste conteúdo no decorrer do curso. Este questionário era composto por questões de caráter conceitual (que exigiam a formulação de conceitos teóricos), interpretativo (exigiam a interpretação e tomada de decisão) e técnico (que exigiam o conhecimento de habilidades técnicas). No segundo questionário foram formuladas perguntas com a finalidade de investigar a metodologia aplicada pelos docentes durante as aulas, abordando aspectos relacionados às metodologias e estratégias de ensino e avaliação (utilização de aulas orais, expositivas, dialogadas, recursos tecnológicos, materiais de apoio). Considera-se fundamental que o técnico em enfermagem domine os conceitos técnicos da sua área, para isso utilizou-se 4 questões as quais exigiam do aluno o conhecimento de termos técnicos básicos nesta especialidade da Enfermagem. Dos conceitos existentes na Enfermagem Neonatal, optou-se por trabalhar com quatro deles. A primeira questão exigiu do aluno o conceito de Período Neonatal. Sabe-se que se trata do intervalo de tempo entre o nascimento e o 28º dia de vida completo A questão 2 mencionou o conceito de Recém-Nascido. A clientela da enfermagem neonatal é exclusivamente composta por recém-nascidos, assim sendo é fundamental que se saiba que até a criança completar 28 dias de vida ela é considerada RN. A questão 3 exigia a correta definição de nascido vivo. Sabe-se que ainda que a enfermagem convive com situações de óbitos em crianças recém-nascidas, ou que faleceram ainda no ventre da mãe. Para fins de investigação da causa mortis torna-se necessário que o profissional técnico em enfermagem conheça o conceito e saiba classificar o óbito do cliente. Baseando-se neste fato, questionou-se na pergunta 4 o conceito de óbito perinatal, que é aquele que ocorre entre a 28 semana de gestação até os sete primeiros dias de vida após o nascimento. Os resultados da aplicação do questionário demonstraram que a média de acertos nas questões conceituais foi de 63% . Desta forma acredita-se que a metodologia aplicada durante as aulas cujo conteúdo é de ordem teórica e conceitual pode ser considerada apropriada. Com a análise do questionário 2, evidencia-se que as metodologias empregadas- aula oral-expositiva-dialogada (assinalada por 74% dos alunos como o recurso de ensino mais utilizado pelos professores), juntamente com as estratégias expositivas de ensino (quadro de giz e equipamentos multimídia), utilização de seminários e atividades de pesquisa- 11264 favoreceram positivamente a absorção do conhecimento conceitual em enfermagem neonatológica. Sugere-se neste quesito, que as estratégias utilizadas para a explicação de conceitos em enfermagem se mantenham, uma vez que o resultado apresentado foi satisfatório. Com relação à questão de ordem interpretativa, o questionário sugeriu apenas uma pergunta, a qual exigia do aluno a capacidade de assimilar mais de um conteúdo e mobilizar seu domínio na tomada de decisão. Os resultados dessa pergunta demonstram que apenas trinta e oito por cento (38%) dos alunos indicaram a resposta correta. A enfermagem tem sofrido várias criticas quando se aborda o assunto “pensar”. Para muitos profissionais da área e fora dela, a equipe de enfermagem é exclusivamente capaz de exercer atividades técnicas, práticas, sem necessidade do uso da reflexão. Atualmente, um dos desafios das escolas técnicas é desmistificar esta tese, formando alunos pensantes e questionadores. Entretanto, sabe-se que este é um ponto de grande dificuldade para a profissão. Os resultados obtidos nesta questão evidenciam ainda mais esta crítica. Assim sendo, devem ser estabelecidas novas estratégias de ensino para conteúdos de ordem interpretativa, pois os alunos não estão desenvolvendo adequadamente esta competência. Sugere-se, para tanto, que o professor utilize outros recursos didáticos, com ênfase nas metodologias problematizadoras, que exigem um nível de aprofundamento crítico-reflexivo. Além disso, as avaliações de ordem dissertativa podem se tornar um fator positivo para o aumento da absorção deste conteúdo. Certamente desta forma o “por quê” estará mais presente na rotina de aula do curso técnico em enfermagem. Deve-se sempre levar em consideração que “o ensino deve sempre convergir para o desenvolvimento, no aluno, das capacidades de observação, reflexão, criação, discriminação de valores, julgamento, comunicação, convívio, cooperação, decisão, ação, encaradas como objetivo geral do processo educativo.” (KOBAYASHI e LEITE, 2004, p. 123). Neste sentido importa ressaltar, conforme apontado por Behrens (2006), a necessidade uma revisão do ensino tradicional em direção a aprendizagens significativas em que a simples 11265 transmissão de conhecimento seja substituída por processos de construção/ interação/ integração do conhecimento. Além dos aspectos relacionados à apreensão de conceitos, interpretação e tomada de decisões, o profissional precisa adquirir ao longo de sua formação a competência técnica adequada ao cuidado humano. A fim de garantir ao bebê adaptação satisfatória à vida extra-uterina, torna-se necessária por parte da equipe de enfermagem, uma observação cuidadosa que compreende: avaliação inicial realizada através do Índice de Apgar; avaliação transicional durante o período da reatividade avaliação periódica efetiva por meio do exame físico sistemático, ações de enfermagem nos cuidados mediatos e imediatos ao bebê e classificações dos recémnascidos de acordo com sua idade gestacional e peso. Para a realização dessas atividades, é necessário que os profissionais tenham conhecimento “dos dados normais esperados em cada fase do período pós-natal, para que possa reconhecer qualquer intercorrência e intervir, adequadamente, para que o neonato tenha desenvolvimento satisfatório”(VIEGAS e MONETTI, 1989, pg. 12). Com o objetivo de avaliar estes conhecimentos, foram elaboradas 5 perguntas abordando temas técnicos do cuidado de enfermagem em neonatologia. Os temas foram: classificação dos RN de acordo com peso e idade gestacional, avaliação dos bebês através da escala de Apgar, cuidados mediatos e imediatos ao RN e exame físico especifico à criança. Esses procedimentos técnicos são considerados básicos e fundamentais para a rotina do exercício da enfermagem em neonatologia. Observando os resultados obtidos, constata-se que a média de acertos nas cinco questões é de apenas 46,4%, ou seja, menos da metade dos alunos pesquisados dominam os cuidados básicos de enfermagem neonatológica. De forma geral, os resultados da pesquisa apontam um índice de acerto de 52,2%, concluindo-se haver ainda um déficit no conhecimento dos alunos assim que estes concluem o curso. Considerando que a responsabilidade envolvida no cuidado à vida humana, bem como as exigências do mercado de trabalho, exigem que o profissional técnico tenha um diferencial em relação ao seu conhecimento, é relevante que se investiguem novas propostas de ensino para as aulas cujo conteúdo envolva procedimentos técnicos. Sugere-se que haja maior integração entre as aulas teóricas - as quais também deverão abordar conteúdos técnicos- e as aulas práticas - as quais devem repetir o conteúdo teórico, 11266 porém demonstrando e simulando os padrões exigidos no campo de trabalho. A apresentação de seminários também pode ser considerada uma estratégia para que se atinjam bons resultados, uma vez que exige do aluno uma atitude investigadora, além do compartilhamento dos conhecimentos e descobertas com os colegas de turma. Estas reflexões reiteram as afirmações de Bezerra (1996, p. 58) quando afirma que o planejamento do conteúdo se torna um dos elementos fundamentais para o desenvolvimento do conhecimento dos alunos. “Passar o conhecimento deixa de ser o objetivo primeiro e único dos docentes, para que a luta pela aprendizagem do aluno ocupe o lugar que lhe cabe na função profissional dos nossos jovens”. Considerações Finais A análise dos resultados obtidos pela investigação, objetivando avaliar o conhecimento sobre neonatologia dos alunos recém-formados em curso técnico, permite concluir a importância da articulação docente-assistencial no contexto da enfermagem. Sabese que o curso técnico em enfermagem tem por objetivo possibilitar ao aluno o cuidado à vida humana, bem como o ingresso no mercado de trabalho. Para tanto o mesmo precisa garantir a aprendizagem de conhecimentos que permitam ao futuro profissional atuar na assistência, nas áreas de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação à saúde, envolvendo todas as etapas do viver. Tendo em vista esta abrangência, aliada a constatação de que a enfermagem lida com a relação estreita entre a vida e a morte, é preocupante a constatação de que o ensino ainda apresenta defasagens em relação ao desempenho das técnicas e habilidades que constituem o diferencial no cuidado. Neste sentido o estudo aponta para a necessidade de revisão e implementação de novas metodologias de ensino, que garantam uma maior apreensão dos conteúdos curriculares, essenciais ao desempenho das atividades profissionais no contexto do cuidado ao neonatal. Durante a investigação o pesquisador verificou a escassez de pesquisas relacionadas à formação do técnico em enfermagem, principalmente no que se refere ao cuidado neonatal. Desta forma, aponta-se para a necessidade de realização de novos estudos que contemplem esta temática, abordando questões relacionadas à metodologia de ensino, currículo, planejamento, carga horária, avaliação, entre outras. 11267 Conclui-se, portanto, que a realização de pesquisas que tenham por objetivo elucidar a formação e a prática profissional da enfermagem neste momento tão especial da vida dos seres humanos será de fundamental importância tanto para a assistência qualificada quanto para o próprio aperfeiçoamento da docência. REFERÊNCIAS BEHRENS, Marilda Aparecida. Paradigma da complexidade: metodologia de projetos, contratos didáticos e portfólios. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006. BEHRENS, Marilda Aparecida; GISI, Maria de Lourdes (Orgs.). Educação em Enfermagem: novos olhares sobre o processo de formação. Curitiba: Champagnat, 2006. BEZERRA, D.B. Implicações pedagógicas da comunicacao interativa. 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