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Miguel Figueira de FARIA
com João Gomes, é confirmada por Gonzaga Pereira, espécie de Cyrillo da Casa da
Moeda, que nos oferece outro interessante testemunho evocando o próprio artista
como fonte da informação:
“Foi seu Discipulo [de João Gomes] em Dezenho no Rio de Janeiro, o Benemérito Dezenhador,
e Professor Regio da Aulla de Gravura Historica, Joaquim Carneiro da Silva. Isto que aqui
escrevemos, nos afirmou o mesmo Senhor Joaquim Carneiro em sua vida, de cujo foi Discipulo
em Dezenho na academia (ós Caetanos) o author destas memorias.”5
A validar a comunicação da Colecção de Memórias…Carneiro da Silva teria chegado
ao Rio de Janeiro em 1739 apenas regressando a Lisboa em 1756. Um longo período
brasílico que se encontra ainda por inventariar. Seria breve a passagem pela Capital,
visto ter partido para Roma em 1757, onde frequentou a escola de Ludovico Sterni,
seguindo para Florença em 17606. Depois desta estadia nas cidades italianas terá,
ainda, passado por Paris7, última escala conhecida antes de se fixar definitivamente
em Lisboa, “por 1762”8, onde terminaria os seus dias a 28 de Outubro de 1818, com
a respeitável idade de 91 anos.
Neste longo itinerário Porto, Rio de Janeiro, Lisboa, Roma, Florença, Paris, Lisboa,
o seu período de actividade documentada circunscreve-se à capital portuguesa.
Fechando o ciclo atlântico, a sua produção gráfica encontraria eco na pintura mineira
através das gravuras dos missais, editados na Régia Oficina Tipográfica, enviados para
o Brasil no último quartel do século XVIII9.
O exame mais atento sobre a actividade de Carneiro da Silva revela uma personalidade de múltiplas competências e com um campo de acção muito diversificado10.
Desenhador, gravador, inventor – “maquinista” na linguagem da época – ensaísta,
tradutor, amante da música e da poesia, artista de regime e próximo da Real Mesa
Censória, é a sua actuação no âmbito do ensino das Belas Artes que merece uma
atenção particular neste registo de ampla polivalência.
Neste domínio vemo-lo sucessivamente como mestre e fundador da Aula de
Gravura da Imprensa Régia (1769 -1788), professor de desenho no Colégio dos Nobres
(1773 – 1807/12), inspector e substituto da Aula Pública de Desenho (1780-1811),
professor da efémera Academia do Nu nas suas primeira (1780) e terceira (1787)
versões, mestre da Aula de Gravura da Casa Literária do Arco do Cego (1799-1800)
e, finalmente, regente da Aula Pública de Desenho (1811-1815), derradeiro cargo
5
Cf. PEREIRA, Luiz Gonzaga – Collecção de Memorias Relativas Os Gravadores de Cunhos, e Medalhas Nacionaes e
Estrangeiros [A] O Serviço da C. da Moeda de Lisboa desde 1551 com o resumo das suas Obras e Serviços feitos á Nação
Portugueza, Lisboa, 1857, p. 56.
6 Cf. MACHADO, Cyrillo V. – op. cit., p. 283.
7 Cf. RACZINSKY, A. – Dictionnaire Histórico-Artistique du Portugal, Paris, Jules Renouard Et Cª Libraires-Éditeurs,
1847, p. 41.
8 Cf. MACHADO, Cyrillo V. – op. cit. p. 285.
9 Informação transmitida por Camila Santiago a partir da investigação preparatória da sua tese de doutoramento a
apresentar na Universidade Federal de Minas Gerais. Recorde-se que a imprensa era proibida no Brasil, obrigando
à importação de todas as edições da metrópole, situação apenas alterada após a chegada da corte portuguesa em
1808.
10 Cf. FARIA, Miguel Figueira de – A Imagem Impressa… pp. 55-121.
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