UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
FACULDADE DE ECONOMIA
MESTRADO EM AGRONEGÓCIOS E DESENVOLVIMENTO REGIONAL
ANÁLISE
DA
EFICIÊNCIA
TÉCNICA
DA
PRODUÇÃO
LEITEIRA
DOS
AGRICULTORES FAMILIARES NOS NÚCLEOS RURAIS DE RONDONÓPOLISMT
MESTRANDO: LUIZ ANTÔNIO SILVIO PEREIRA
CUIABÁ
2011
1
LUIZ ANTÔNIO SILVIO PEREIRA
ANÁLISE
DA
EFICIÊNCIA
TÉCNICA
DE
PRODUÇÃO
LEITEIRA
DOS
AGRICULTORES FAMILIARES NOS NÚCLEOS RURAIS DE RONDONÓPOLISMT
ORIENTADOR: PROF. DR. ADRIANO MARCOS RODRIGUES FIGUEIREDO
Dissertação apresentada à Universidade
Federal de Mato Grosso, como requisito
para obtenção do título de Mestre em
Economia no Programa de PósGraduação
em
Agronegócios
e
Desenvolvimento Regional.
CUIABÁ
2011
2
Pereira, Luiz Antônio Silvio
Análise da eficiência técnica de produção leiteira dos agricultores familiares
nos núcleos rurais de Rondonópolis-MT.
Cuiabá, 2011.
Dissertação apresentada à Universidade Federal de Mato Grosso, como
requisito para obtenção do título de Mestre em Economia no Programa de PósGraduação em Agronegócios e Desenvolvimento Regional.
Orientador: Prof. Dr. Adriano Marcos Rodrigues Figueiredo
1. Agricultores Familiares; 2. Eficiência Técnica; 3. Fronteira Estocástica
3
FOLHA DE APROVAÇÃO
Luiz Antonio Silvio Pereira
Análise da Eficiência Técnica de Produção Leiteira dos Agricultores Familiares nos Núcleos
Rurais de Rondonópolis-MT
Dissertação apresentada à Universidade Federal de Mato
Grosso, como requisito para obtenção do título de
Mestre em Economia no Programa de Pós-Graduação
em Agronegócios e Desenvolvimento Regional.
Área de Concentração: Economia Aplicada.
Aprovado em: __________________________
BANCA EXAMINADORA
Prof. Dr.: Adriano Marcos Rodrigues Figueiredo
Orientador (UFMT)
Prof. Dra.: Sofia Inês Niveiros
Examinadora Interna (UFMT)
Prof. Dr. Alexandre Lopes Gomes
Examinador Externo (UFSC)
4
DEDICATÓRIA
Agradecimento ao meu bom Deus, que me ajudou a enfrentar
com coragem, dedicação e com saúde a esta longa caminhada.
Aos meus pais Luiz Cristino Pereira (in memorian) e Terezinha
de Moraes Pereira, pelas orações e afeto no dia a dia.
Aos meus colegas de mestrado Antonino, Rogério, Regina,
Izabel e todos aqueles que diretamente ou indiretamente me
ajudaram e a trilhar este curso.
À minha família, principalmente ao meu filho Luderson que
com sua paciência e competência soube formatar e me ajudar
nos trabalhos realizados.
Agradecimento especial ao meu orientador e atual amigo, Dr.
Adriano Marcos Rodrigues Figueiredo, o qual sem a sua
participação seria praticamente impossível a realização do
presente trabalho.
5
RESUMO
PEREIRA, Luiz Antônio Silvio. Análise da eficiência técnica de produção leiteira dos
agricultores familiares nos núcleos rurais de Rondonópolis-MT. 2011. Dissertação
(Mestrado) – Faculdade de Economia – FE. Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT,
Cuiabá, 2011.
Dados apontados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em dezembro de
2010, indicam que houve um aumento na produção leiteira no Brasil, para esse ano em
relação ao mesmo período de 2009. De acordo com esse instituto, a produção leiteira saiu da
casa dos 1.880.098 em 2009 para 1.967.227 mil litros em 2010, o que equivale a um aumento
de 4,64%. Segundo essa mesma entidade, em Mato Grosso o aumento foi de 9,43%, para o
mesmo período. O diagnóstico apontado para esse crescimento de acordo com o IBGE referese à existência de vantagens comparativas nesse Estado em relação às demais regiões do
Brasil. Diante disso, acredita-se que se houver uma implantação de políticas públicas
destinadas ao atendimento das necessidades dos agricultores familiares que labutam nessa
área, tal fato poderia gerar um aumento significativo na produtividade agropecuária, o que
viabilizaria uma distribuição de renda mais equilibrada, o que, por conseguinte, promoveria
uma condição de vida mais digna para essa faixa populacional. Nesse aspecto, o presente
trabalho teve como objetivo principal avaliar a eficiência técnica por intermédio da análise
dos indicadores de desempenho econômico dos agricultores familiares voltados à produção de
leite nos núcleos rurais de Rondonópolis-MT. Os dados utilizados foram coletados através de
questionários no período de 2010 junto a 82 agricultores familiares do referido município.
Foram determinadas medidas de eficiência técnica para o grupo de agricultores familiares
citados, utilizando a técnica paramétrica de fronteira estocástica de produção. Os resultados
demonstram que os parâmetros associados aos gastos com benfeitorias, pastagens e rações,
medicamentos, energia elétrica e combustível foram todos significativos a 90% de confiança,
demonstrando eficiência técnica da utilização destas variáveis observadas. Com relação ao
termo de ineficiência, as variáveis explicativas foram significativas a 95% de confiança, ou
seja, o número de vacas em lactação, escolaridade do produtor, uso de concentrados e o
número de ordenhas diárias, contribuíram para uma maior eficiência técnica, entre os
agricultores familiares. Os indicadores de desempenho econômico do grupo dos agricultores
eficientes apontam um ganho de R$ 0,77 para remunerar os demais fatores de produção, após
o pagamento dos custos operacionais totais, cuja taxa de retorno sobre o capital investido, sem
considerar os investimentos em animal é de 21% ao ano, superior aos investimentos obtidos
no mercado. A fundamentação teórica do presente estudo é centralizada na relação econômica
que se dá entre a produção e a eficiência técnica, tendo como instrumental norteador dos
debates o Modelo de Fronteira Estocástica, o que viabiliza o diagnóstico do quadro da
produção leiteira em Rondonópolis bem como o estabelecimento das propostas originais deste
trabalho.
Palavras-Chave: Agricultores Familiares. Eficiência Técnica. Fronteira Estocástica.
6
ABSTRACT
PEREIRA, Silvio Luiz Antonio. Analysis of technical efficiency of dairy farmers in the rural
enclaves Rondonópolis-MT. 2011.Thesis (MA) - School of Economics - FE. Federal
University of Mato Grosso - UFMT, Cuiabá, 2011.
Data pointed to by the Brazilian Institute of Geography and Statistics - IBGE, in December
2010, indicate that there was an increase in milk production in Brazil, this year over the same
period in 2009. According to this institute, the milk production of 1,880,098 out of the house
in 2009 to 1,967,227,000 liters in 2010, equivalent to an increase of 4.64%. According to the
same entity, in Mato Grosso, the increase was 9.43% for the same period. The diagnosis
pointed to this growth according to the IBGE refers to the existence of comparative
advantages in that State in relation to other regions of Brazil. Therefore, it is believed that if
there is an implementation of public policies aimed at meeting the needs of small farmers who
toil in this area, this fact could generate a significant increase in agricultural productivity,
which would make possible a more balanced income distribution, which therefore promote a
more decent living conditions for this age population. In this aspect, the present study aimed
to evaluate the technical efficiency through the analysis of economic performance indicators
of family farmers focused on milk production in rural enclaves Rondonópolis-MT. The data
were collected through questionnaires in the period from 2010 to 82 farmers of that
county. Were measures of technical efficiency for the group of farmers cited using the
technique of parametric stochastic production frontier. The results show that the parameters
associated with spending on improvements, pastures and feed, medicines, electricity and fuel
were all significant at 90% confidence, demonstrating technical efficiency of using these
variables observed. With the expiry of inefficiency, the explanatory variables were significant
at 95% confidence, ie, the number of dairy cows, producer education, use of concentrated and
the number of milkings, contributed to greater technical efficiency among family
farmers. Indicators of economic performance of the group of farmers an effective link gain of
R$ 0.77 to remunerate other factors of production, after payment of the total operating costs,
the rate of return on invested capital, excluding investments in animal is 21% per year, higher
than the investments made in the market. The theoretical basis of this study is centered on
the economic relationship that exists between the production and technical efficiency, having
as instrumental guiding the discussions of theStochastic Frontier Model, which enables the diagnosis
of milk production in the framework of Rondonopolis and the establishment of original proposals
for this work.
Keywords: Family Farmers. Technical Efficiency. Stochastic Frontier.
7
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 –
Principais bacias leiteiras no estado de Mato Grosso.....................................
Figura 2 –
Mapa de localização dos núcleos rurais de Rondonópolis, Mato Grosso,
segundo as vias de acesso rodoviário..............................................................
25
40
8
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 - Produção brasileira de leite (em milhões de litros)/2006................................. 20
Gráfico 2
Gráfico 3
Número de produtores rurais de leite em Mato Grosso segundo as
regiões..............................................................................................................
26
Produção de leite diária in natura em Mato Grosso segundo as regiões.........
27
Gráfico 4 - Comparativo da Distribuição Populacional no Brasil, Estado de Mato
Grosso e município de Rondonópolis..............................................................
35
Gráfico 5 - Produção da agricultura familiar em Rondonópolis-MT.................................
36
Gráfico 6 - Eficiência Econômica com a orientação de insumo e de produto.................... 56
Gráfico 7 - Fronteira de produção estimada por Mínimos Quadrados Ordinários (OLS)
e Mínimos Quadrados Corrigidos (COLS)......................................................
60
Gráfico 8- Histograma, intervalos de confiança e estatísticas descritivas da eficiência
técnica..............................................................................................................
75
9
LISTA DE TABELAS
Tabela 01 -
Estrutura fundiária no Brasil e número de estabelecimentos rurais por área
(Ha)..............................................................................................................
Tabela 02 -
14
Indicadores econômicos de alternativas de alimentação na pecuária de
leite................................................................................................................
22
Tabela 03 -
Brasil: extrato por área dos estabelecimentos rurais....................................
28
Tabela 04 -
População de Rondonópolis-MT segundo sexo e a situação do domicílio...
33
Tabela 05 -
Comparativo da Distribuição Percentual da População, Rondonópolis,
Mato Grosso e Brasil, segundo a situação do domicílio..............................
34
Tabela 06 -
Efetivo do Rebanho no município de Rondonópolis-MT.............................
37
Tabela 07 -
Produtos de Origem Animal no município de Rondonópolis-MT................ 38
Tabela 08 -
Quantidade de famílias e atividades agropecuária desenvolvidas no
Núcleo Rural Região Carimã: Rondonópolis/MT......................................... 41
Tabela 09 -
Quantidade de famílias e atividades agropecuária desenvolvidas no
Núcleo Rural Região Boa Vista: Rondonópolis/MT..................................... 42
Tabela 10 -
Quantidade de famílias e atividades agropecuária desenvolvidas no
Núcleo Rural Região Cascata: Rondonópolis/MT........................................
Tabela 11 -
43
Quantidade de famílias e atividades agropecuária desenvolvidas no
Núcleo Rural Região Aldeinha: Rondonópolis/MT...................................... 44
Tabela 12 -
Faixa Etária dos Produtores familiares e tempo de permanência na
atividade leiteira em Rondonópolis/MT........................................................ 45
Tabela 13 -
Bonificação do leite conforme Contagem Bacteriana Total (CBT) e
Contagem Cédulas Somáticas (CCS)............................................................ 49
Tabela 14 -
Distribuição da amostra da produção de leite nos núcleos rurais de
Rondonópolis-MT........................................................................................
52
Tabela 15 -
Estratificação da amostra por produtividade (litros/vaca em lactação/dia)..
52
Tabela 16 -
Quantidade de famílias nos núcleos rurais e com atividade exclusiva na
produção leiteira de Rondonópolis-MT........................................................
65
Tabela 17 -
Estatística descritiva de variáveis utilizadas no modelo elaborado na pesquisa
71
Tabela 18 -
Resultados da estimação da fronteira estocástica pelo modelo log log .......
73
Tabela 19 -
Resultados da estimação da fronteira estocástica – indicadores de
10
eficiência técnica...........................................................................................
74
Tabela 20 -
Amostra dos mais eficientes - (25% superiores)........................................... 75
Tabela 21 -
Amostra das menos eficientes - (25% inferiores).........................................
Tabela 22 -
Indicadores de desempenho dos produtores de leite mais e menos
76
eficientes nos núcleos rurais do município de Rondonópolis-MT................ 77
11
LISTA DE SIGLAS
AIC
Akaike Information Criterion
ANUALPEC
Anuário da Agricultura e Pecuária
BIC
Bayesian Information Criteria
CBT
Contagem Bacteriana Total
CCS
Contagem de Células Somáticas
COE
Custo Operacional Efetivo
COLS
Mínimos Quadrados Corrigidos
COMAJUL
Cooperativa de Jucimeira
COT
Custo Operacional Total
DEA
Data Envelopment Analysis
EA
Eficiência Alocativa
EMBRAPA
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
EMPAER
Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural
ESALQ
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
ET
Eficiência Técnica
HÁ
Hectare
IAC
Instituto Agronômico de Campinas
IBGE
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IEA
Instituto de Economia Agrícola
INCRA
Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
INTERMAT
Instituto de Terras de Mato Grosso
Kg MO
Quilograma mão de obra
PENSA
Pesquisa Econômica
PIB
Produto Interno Bruto
PRONAF
Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar
SIDRA
Sistema IBGE de Recuperação Automática
SINDILAT
Sindicato dos Laticínios
SUREG
Superintendência Regional
TE
Termo de Eficiência
V/V
Volume Volume
12
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO………………………………………………………………………...
13
2 PROBLEMA…………………………………………………………………………..
18
2.1
Hipótese………………………………………………………………………… 18
2.2
Objetivos………………………………………………………………………..
18
2.2.1
Objetivo geral…………………………………………………………
18
2.2.2
Objetivos específicos………………………………………………..... 18
3 A SITUAÇÃO DO SEGMENTO DA PECUÁRIA LEITEIRA NO BRASIL ………..
19
3.1
Alguns dados da produção leiteira em Mato Grosso…………………………… 24
3.2
Comparativo da agricultura familiar no âmbito nacional, estadual e municipal.. 27
3.3
Caracterização do município de Rondonópolis/MT…………………………..... 33
3.3.1
População……………………………………………………………..
3.3.2
Produção agrícola, efetivo pecuário e produtos de origem animal na
33
agricultura familiar em Rondonópolis /MT…………………………... 35
3.3.3
Caracterização dos núcleos rurais na região de Rondonópolis/MT…..
38
3.3.3.1 Aspectos qualitativos………………………………………..
45
3.3.3.2 Aspectos quantitativos………………………………………
51
4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA……………………………………………………..
54
4.1
A produção e a eficiência……………………………………………………….
54
5 METOLOGIA DA PESQUISA………………………………………………………..
57
5.1
Modelo analítico………………………………………………………………... 57
5.2
O modelo com fronteira estocástica…………………………………………….
58
5.3
Fatores que afetam a fronteria de produção e a eficiência……………………...
62
5.4
Dados e variáveis da pesquisa…………………………………………………..
65
6 RESULTADOS E DISCUSSÃO………………………………………………………. 70
6.1
Resultados da estimação de fronteira…………………………………………...
72
6.2
Análise das variáveis de desempenho…………………………………………..
76
7 CONCLUSÃO………………………………………………………………………….
79
8 REFERÊNCIAS………………………………………………………………………... 81
13
1 INTRODUÇÃO
Nos anos de 1960 o Brasil era essencialmente rural. A instabilidade política que
reinava naqueles tempos resultou no Golpe Militar de 1964. Foi justamente no primeiro
governo militar que se aprovou o Estatuto da Terra – Lei Federal n° 4.504/1964 – marco que
foi considerado avançado pelos defensores da reforma agrária da época.
Em seu artigo 4º para os efeitos da Lei, definem-se:
I - "Imóvel Rural", o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua
localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou
agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de
iniciativa privada;
II - "Propriedade Familiar", o imóvel rural que, direta e pessoalmente explorado pelo
agricultor e sua família, lhes absorva toda a força de trabalho, garantindo-lhes a
subsistência e o progresso social e econômico, com área máxima fixada para cada
região e tipo de exploração, e eventualmente trabalho com a ajuda de terceiros;
III - "Módulo Rural", a área fixada nos termos do inciso anterior;
IV - "Minifúndio", o imóvel rural de área e possibilidades inferiores às da
propriedade familiar;
V - "Latifúndio", o imóvel rural que:
a) exceda a dimensão máxima fixada na forma do artigo 46, § 1°, alínea b, desta Lei,
tendo-se em vista as condições ecológicas, sistemas agrícolas regionais e o fim a que
se destine;
b) não excedendo o limite referido na alínea anterior, e tendo área igual ou superior
à dimensão do módulo de propriedade rural, seja mantido inexplorado em relação às
possibilidades físicas, econômicas e sociais do meio, com fins especulativos, ou
seja, deficiente ou inadequadamente explorado, de modo a vedar-lhe a inclusão no
conceito de empresa rural.
O Estatuto da Terra é enfático em afirmar no seu artigo 16º o objetivo de realizar uma
distribuição mais justa da propriedade da terra, promovendo o progresso e o bem-estar do
trabalhador rural e o desenvolvimento econômico do país, com a gradual extinção do
minifúndio e do latifúndio. Ao estabelecer parâmetros para definir o que é pequena e média
propriedade e definir o latifúndio por extensão e exploração, a legislação vincula o direito de
propriedade à sua função social.
A agricultura familiar no Brasil se formalizava sob a imagem da precariedade jurídica,
econômica e social do controle dos meios de trabalho e de produção - pobreza da população
engajada nestas atividades, como demonstra a grande mobilidade e a dependência ante a grande
propriedade (Lamarche, 1993).
A Tabela 1 demonstra que no período de 1960 a 2006, não foi afetado o caráter concentrador
da estrutura fundiária.
14
Tabela1 - Estrutura fundiária no Brasil e número de estabelecimentos rurais por área
(Ha)
1960
2006
Classes de área
Estabelecimentos
Área
Estabelecimentos
Área
(%)
(%)
(%)
(%)
Menos de 10
44,8
2,2
47,9
2,4
10 a menos de 100
44,7
19,0
38,1
19,1
100 a menos de 1.000
9,4
34,4
8,2
34,2
Mais de 1.000
1,0
44,1
0,9
44,4
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE/2006
Para a primeira década do século XXI verificou-se que a estrutura fundiária brasileira
permaneceu altamente concentrada - seu índice de Gini1 no ano de 2006 foi de 0,854 e pouco
se alterou em relação a 1960 que foi de 0,842, enquanto que a população rural apresentou uma
queda significativa nesse mesmo período, saindo da casa dos 55,33% da população total em
1960, para 16,25% em 2006.
No que tange ao conjunto de estabelecimentos rurais menores de 10 hectares esses,
apresentavam em 2006 o percentual de 47,9% do número total de estabelecimentos e apenas
2,4% da área total. Entretanto, os estabelecimentos rurais com área superior a mil hectares
permanecem na faixa de 1% do número total, mas ocupam 44,4% de toda a área.
Lamarche (1993) define que a exploração familiar corresponde a uma unidade de
produção agrícola onde a propriedade e trabalho, estão intimamente ligados à família.
Complementa, dizendo que existe uma diversidade de situações: em alguns lugares, a
exploração familiar é a ponta de lança do desenvolvimento da agricultura e de sua integração
na economia de mercado; em outros, permanece arcaica e fundada essencialmente sobre a
economia de subsistência; em alguns lugares, ela é mantida, reconhecida, como a única forma
social de produção capaz de satisfazer as necessidades essenciais da sociedade como um todo;
em outros, ao contrário, é excluída de todo desenvolvimento, sendo desacreditada quando não
chegou a ser totalmente eliminada.
1
Índice de Gini: mede o grau de desigualdade existente na distribuição de indivíduos segundo a renda
domiciliar per capita. Seu valor varia de 0 (zero), quando não há desigualdade (a renda de todos os indivíduos
tem o mesmo valor), a 1 (um), quando a desigualdade é máxima (apenas um indivíduo detém, toda a renda da
sociedade e a renda de todos os outros indivíduos são nulas).
15
Nesse contexto, a agricultura familiar, ou a base fundiária de pequeno porte, ficou por
muito tempo sob a concorrência dos grandes produtores, sem ter à sua disposição políticas
públicas que lhe garantissem competitividade, ou mesmo condições de manutenção.
Com o estabelecimento do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar (PRONAF) em 1996, e a Lei Federal n° 11.326 de 24 de junho de 2006, a
importância e o papel da agricultura familiar no desenvolvimento brasileiro se consolidou. Os
critérios estabelecidos para a classificação do produtor rural como agricultor familiar foram:
Art. 3o Para os efeitos desta Lei, considera-se agricultor familiar e empreendedor
familiar rural aquele que pratica atividades no meio rural, atendendo,
simultaneamente, aos seguintes requisitos:
I - não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais2;
II - utilize predominantemente mão de obra da própria família nas atividades
econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento;
III - tenha renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas
vinculadas ao próprio estabelecimento ou empreendimento;
IV - dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família.
Existe no Brasil uma agricultura heterogênea, que pode ser subdividida em dois
grandes grupos amplos e heterogêneos. Trata-se de um setor conhecido como “agricultura
comercial ou patronal”, com produção voltada para as exportações, que coexiste com um
segmento de agricultura de pequeno porte, produzindo basicamente para o mercado interno,
denominada “agricultura familiar”. Esta última categoria inclui famílias com diferentes níveis
de renda, muitas no nível de subsistência e semi-subsistência. (Lamera, 2008).
O último censo agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE/2006) levantou que a agricultura familiar está presente em 84,40% dos
estabelecimentos agrícolas, ocupando 24,32% da área total, ou seja, uma área de 80,25
milhões de hectares. A área média dos estabelecimentos familiares era de 18,37 hectares e o
de não familiares, de 309,8 hectares. Sua força econômica é traduzida por representar 37,80%
do Valor Bruto da Produção Nacional, sendo responsável pela produção de 87% da produção
nacional de mandioca; 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 58% do
leite, composta por 58% do leite de vaca e 67% do leite de cabra, possuíam 59% do plantel de
suínos, 50% do plantel de aves, 30% dos bovinos e produziam 21% do trigo. A cultura com
menor participação da agricultura familiar foi a da soja (16%), um dos principais produtos da
pauta da exportação brasileira (Relatório de Gestão da SUREG-MT) (CONAB, 2007).
2
Módulo fiscal: é uma unidade de medida expressa em hectares, fixada para cada município brasileiro.
No Centro-Oeste a propriedade deve possuir no máximo 769,5 ha. A divisão em Mato Grosso corresponde a 141
municípios sendo, 01 município: 30 hectares; 22 municípios: 60 hectares; 02 municípios: 70 hectares; 56
municípios: 80 hectares; 20 municípios: 90 hectares; 40 municípios: 100 hectares.
16
O conceito de agricultura familiar estabelecida no Censo Agropecuário de 2006 está
relacionada à unidade familiar, enquanto o estabelecimento está relacionado à unidade
produtiva. A situação mais freqüente é que uma família está associada a apenas um
estabelecimento, porém, existem casos de famílias com mais de um estabelecimento
agropecuário com um percentual de 0,8% (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios)
(IBGE, 2007).
Para se estabelecer a delimitação do público alvo da agricultura familiar, no Censo
Agropecuário de 2006, não foram considerados como agricultores familiares os seguintes
parâmetros:
•
O estabelecimento agropecuário não foi considerado de agricultura familiar se a área
total do estabelecimento fosse maior que quatro módulos fiscais;
•
Se o estabelecimento pertencia a produtores comunitários, mas estes detinham frações
por produtor maiores que quatro módulos fiscais;
•
Se a unidade de trabalho familiar for menor que a unidade de trabalho contratado;
•
Se em 2006 o rendimento total do empreendimento foi menor que o quantitativo dos
salários obtidos em atividade fora do estabelecimento;
•
Se quem dirigia o estabelecimento em 2006 era um administrador, uma sociedade
anônima, uma instituição de utilidade pública, governo, seja municipal, estadual ou
federal;
•
Se a direção do estabelecimento em 2006 era feita por um produtor através de um
capataz, ou pessoa com laços de parentesco, e contasse com empregados
(permanentes, temporários ou parceiros) de 14 anos ou mais de idade;
•
Se a condição legal do agricultor fosse registrada como cooperativa, sociedade
anônima ou instituição de utilidade pública ou governo;
•
Se a classe de atividades econômica desenvolvida no estabelecimento agropecuário foi
a aqüicultura e área de tanques, lagos e açudes do estabelecimento era maior que 2
hectares;
•
Caso tenha ocorrido venda de produtos da extração vegetal em 2006 e que tenha sido
maior que a metade do total da receita da atividade agropecuária;
•
Se no estabelecimento houvesse colheitadeiras ou houve contratação de mão de obra
para colheita ou através de empreiteiro foi maior que 30 dias;
•
Se houve empregado contratado para colheita e o número de diárias pagas foi maior
que 30 dias.
17
No período marcado pelo tabelamento de preços houve uma estagnação tecnológica na
produção leiteira no Brasil. A partir do momento que se estabeleceu a livre concorrência no
setor surgiu à necessidade de uma maior profissionalização no mercado de leite. O aumento
no nível de produtividade está condicionado a vários fatores, tais como, melhoramento
genético no rebanho, tipo de pastagens, tecnologia utilizada, alimentação do rebanho, controle
na qualidade do leite e prevenção de doenças, dentre outros.
No segmento leiteiro a agricultura familiar possui 2.673.176 estabelecimentos
agropecuários, com um total de 51.991.528 cabeças de bovino, representando 30,29% do total
de bovinos no país. A quantidade de leite de vaca produzida no Brasil foi de 20.157.681.528
litros, sendo que a agricultura familiar responde por 11.721.356.256 de litros correspondendo
a 58,14% da produção nacional (IBGE, 2007).
Neves e Zylbersztajn (2005, p. 129-130), citam alguns pontos fracos que prejudicam a
eficiência técnica da atividade leiteira: falta de investimento em gerência bovina, controle e
prevenção de doenças, infra-estrutura básica precária, escassez de crédito e juros elevados
para as linhas de financiamentos existentes e falta de diferenciação do leite por uso. Portanto,
apesar da evolução das formas de produção da produção leiteira, a atividade ainda apresenta
muitas limitações e precisa ser urgentemente trabalhada, para que o produtor rural possa ter o
retorno desejado.
Avaliar a eficiência em que unidades produtivas operam é importante para fins
estratégicos, como o de melhorar o desempenho, analisando a distância entre a situação atual
e potencial conforme apontam (Gomes, Mangabeira e Mello, 2004) é que passa a ser o
objetivo principal do presente trabalho.
Para atender ao objetivo proposto, o trabalho está organizado em sete capítulos. No
capítulo um é apresento a introdução, no capítulo dois, são apresentados o problema, a
hipótese, e os objetivos gerais e específicos da pesquisa. Já no capítulo três é feito uma breve
análise sobre o comportamento do segmento da pecuária leiteira no Brasil, Mato Grosso e
Rondonópolis. No capítulo quatro aparece a fundamentação teórica e no capítulo cinco, a
metodologia da pesquisa, seguido do capítulo seis onde são apresentados: o resultado e a
discussão. O trabalho é finalizado com o capítulo sete onde é destacada a conclusão final. .
18
2 PROBLEMA
Diante de tais considerações, chega-se ao problema que se caracteriza por investigar:
O que determina a eficiência técnica de produção leiteira dos agricultores familiares nos
núcleos rurais de Rondonópolis-MT?
2.1 Hipótese
Diante do atual quadro da agropecuária familiar, existem variáveis associadas à
tecnologia as quais proporcionam maior eficiência técnica na produção leiteira, aos
agricultores familiares para os núcleos rurais de Rondonópolis – MT.
2.2 Objetivos
2.2.1 Objetivo geral
Fazer a identificação e a análise das variáveis mais importantes que determinam a
eficiência técnica de produção leiteira dos agricultores familiares nos núcleos rurais de
Rondonópolis-MT.
2.2.2 Objetivos específicos
a) Comparar os indicadores da agricultura familiar no Brasil, com os de Mato
Grosso e de Rondonópolis-MT, com base no Censo Agropecuário de 2006;
b) Fazer uma descrição histórica dos núcleos rurais de Rondonópolis-MT, com
base nos últimos dados oficiais disponíveis;
c) Caracterizar
os
aspectos
socioeconômicos
dos
núcleos
rurais
em
Rondonópolis-MT;
d) Estimar e identificar os determinantes da eficiência técnica dos produtores de
leite através de uma função fronteira estocástica de produção; e,
e) Analisar os indicadores de desempenho econômico para uma análise específica
dos grupos de produtores mais eficientes e dos menos eficientes:
19
3 A SITUAÇÃO DO SEGMENTO DA PECUÁRIA LEITEIRA NO BRASIL.
Faria (1988: p.1) cita que a história da pecuária leiteira precede ao período A.C:
A produção de leite era conhecida na Europa cerca de 2.000 anos antes de Cristo,
havendo predominância da atividade na região dos Alpes. Nas épocas medievais, o
gado era criado principalmente para o trabalho, em segundo lugar para a produção
de carne e, finalmente para leite, já que o consumo do produto se limitava à fazenda.
Além desses aspectos, a disponibilidade de leite era tipicamente estacional e a
produção de primavera e verão transformada em queijo e manteiga. As principais
bacias leiteiras europeias, por volta dos séculos XIV e XV, estavam localizadas em
regiões de solos impróprios para a agricultura, como as várzeas mal drenadas, os
solos muito pesados ou pobres e nas regiões montanhosas. [....] Historiadores
admitem que, na Inglaterra medieval, a vaca leiteira produzia de três a quatro litros
por cabeça por dia, dando um total de 600 a 800 litros por lactação de seis a sete
meses. [....] Outro problema é quando chegava o inverno muitos animais morriam de
fome devido a localização em lugares impróprios e a contaminação era constante.
Denota-se que além do gado ser criado em lugares impróprios, como os Alpes, não era
prioridade na época a produção leiteira, sendo o animal usado mais para trabalhos de tração
animal. Considerando o período de 210 dias de lactações a média de três e quatro litros por
cabeça dia, e atualmente, no Brasil de 5,3 litros/cabeça/dia ocorre uma defasagem de 32,50%.
(ANUALPEC, 2010: p. 211).
Foi somente a partir de 1850 que a pecuária leiteira passou por mudanças estruturais
bastante sérias, tanto nos Estados Unidos, como na Europa, pois o leite passou a ser
considerado um dos produtos mais importantes da fazenda. Assim, houve condições para o
estabelecimento de propriedades especializadas. Esse fato pode ser atribuído à Revolução
Industrial, que facilitou o estabelecimento dos grandes centros urbanos, com a elevação da
renda per capita e o desenvolvimento de ferrovias e refrigeração (Faria, 1988). Atualmente os
países detentores da maior produção leiteira no mundo são, respectivamente: a União
Européia com 137.815, a Índia com 109.200, os Estados Unidos com 85.820, a Rússia com
32.500, a China com 35.450 e somente após vem o Brasil com 28.795 mil toneladas
(ANUALPEC, 2010: p.216).
Zylbersztajn (2005: p. 05) cita que durante o transcorrer dos anos a atividade leiteira
vem apresentando alguns pontos fortes que são:
Pontos Fortes do setor:
Facilidade de aproveitamento da propriedade rural para diferentes usos [...]: aumenta
a rentabilidade da atividade;
Baixo custo de produção: clima favorável, disponibilidade de terras e preços
competitivos, de insumos a baixo custo e rebanho geneticamente adaptado;
Diversidade de sistemas produtivos eficientes;
Concorrência e idoneidade dos compradores de leite;
Forte parque industrial de alimentos distribuído pelo Brasil, aliado à facilidade de
ingresso na atividade industrial;
20
Grande mercado consumidor interno;
Facilidade de obtenção de informações e tecnologia pela presença de grupos de
pesquisa: Embrapa, Esalq, IEA, IAC e Pensa.
O Brasil vem se destacando como um dos maiores celeiros do mundo. Possui posição
de destaque na produção e exportação de vários produtos agropecuários, entre os quais as
carnes, soja, café, suco de laranja, açúcar e álcool. Com o leite a história tende a se repetir,
quando se considera a produção leiteira ao longo dos últimos anos. No gráfico 1 pode-se
observar um apreciável crescimento de 1980 a 2006 de 73,82% na produção de milhões/litros
de leite de vaca.
25.000.000
Milhões de litros
20.000.000
15.000.000
10.000.000
5.000.000
0
1980
1985
1995
2006
Ano
Gráfico 1 – Produção brasileira de leite (em milhões de litros)/2006
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE/2006
Outro ponto a considerar é o fato de que a produção leiteira é diretamente influenciada
pelas pastagens e pelo clima. Uma correta alimentação faz com que aumentem a produção
diária de leite. Para dar maior consistência à essa assertiva, Corsi (1985, p.1):
[...] estabeleceu três insumos como responsáveis pela alteração no nível de
produtividade de leite na propriedade, ou seja: a produção anual de forragem, a
lotação animal por hectare e a quantidade de alimento adquirido fora da propriedade.
Dependendo da intensificação do uso de cada um desses fatores de produção e da
capacidade de manejo do criador observam-se alterações significativas no potencial
do sistema de produção.
Um cuidado especial que se deve ter com a produção leiteira ocorre na época da seca.
Para isso é necessário um estoque de forragens para garantir uma alimentação adequada ao
gado leiteiro, para não prejudicar a produção de leite tanto em quantidade como em qualidade.
Já no verão, na época das chuvas, o gado tem tendência a engordar, visto que as plantas
21
forrageiras têm um crescimento acelerado, o que permite uma alimentação melhor e em maior
quantidade.
Uma ferramenta importante na redução do custo de alimentação é a substituição dos
ingredientes tradicionais do concentrado (grãos de cereais) por produtos alternativos,
procedentes do processamento industrial de produtos agrícolas da própria região. Os resíduos
da agroindústria, chamados de co-produtos, apresentam, de modo geral, disponibilidade e
preços inferiores aos dos ingredientes tradicionais, além de suas características nutritivas.
Outro aspecto de suma importância é o manejo das pastagens. Corsi (1985: p. 30)
esclarece:
Basicamente, o manejo das pastagens consiste em oferecer às plantas forrageiras
condições que permitam à rebrota rápida e vigorosa após a desfolhação. Em outras
palavras, a habilidade do manejador de pastagens está em reduzir ao máximo o
tempo que a planta forrageira permanece na curva de crescimento, onde os
acréscimos diários de produção são muito reduzidos.
Este cuidado com o manejo das pastagens faz com que as plantas de forragens tenham
uma rebrota rápida para continuar a alimentação do gado, isto também contando com um
clima favorável. Uma má distribuição na quantidade de gado por hectare, ou seja, num espaço
reduzido pode causar má alimentação afetando a produção leiteira.
Outro fator determinante na produção de leite é o clima, pois, afeta o gado de forma
que dificulta desde sua respiração até sua alimentação. Faria (1988 p.145) cita que:
Alguns fatos, interpretados com cuidado, parecem indicar que o calor tem sido
superestimado em nosso meio. A primeira evidência pode ser obtida pela verificação
de que as vacas leiteiras são gordas, bonitas, sadias e produtivas justamente no
verão, quando há temperatura e umidades elevadas. Por outro lado, durante o
inverno, quando o clima é ameno e se aproxima do ideal, ocorre queda acentuada na
produção de leite, ficando os animais feios, magros, sem reprodução regular.
A Tabela 2 apresenta uma comparação do uso de concentrado tradicional, à base de
milho e farelo de soja, em relação a um concentrado utilizando outros ingredientes, tais como,
polpa cítrica, farelo de glúten de milho e farelo de algodão. Apesar de um aumento no Kg
MO/ concentrado/vaca/dia de 14,28% houve uma redução no custo vaca/dia de 10,76%. A
economia anual para um lote de 100 vacas é de R$ 17.755,79.
22
Tabela 2 – Indicadores econômicos de alternativas de alimentação na pecuária de leite.
Concentrado
Concentrado
Tradicional
Alternativo
20
20
Pasto (Kg MO/vaca/dia)
49,75
49,75
Milho moído (Kg MO/vaca/dia)
3,75
-
Farelo de soja (Kg MO/vaca/dia)
1,68
-
Polpa cítrica (Kg MO/vaca/dia)
-
3,15
Farelo glúten de milho (Kg MO/vaca/dia)
-
1,12
Farelo de algodão (Kg MO/vaca/dia)
-
1,99
Núcleo mineral (Kg MO)
0,38
0,38
Concentrado (Kg MO /vaca/dia)
5,81
6,64
Receita Bruta (R$/vaca/dia)
14,22
14,22
Custo por vaca/dia (R$)
4,55
4,06
Custo por Kg de leite (R$)
0,227
0,203
Receita menos o custo por alimentação (R$)
9,67
10,16
Ingrediente
Produção (Kg leite/vaca/dia)
Economia* por vaca (R$)
0,49
Economia* por ano (R$)
17.755,79
Fonte: ANUALPEC, 2010.
(*) Receita menos custo de alimentação para lote de 100 vacas em lactação, suplementadas
com concentrados diferentes.
Por intermédio da Instrução Normativa n° 51 de 18 de setembro de 2002 do Ministério
Agricultura, Pecuária e Abastecimento ficaram estipulados à descrição, a composição, a
qualidade, a higiene e o transporte do produto leiteiro.
Na descrição do produto, entende-se por leite cru o produto oriundo da ordenha
completa, ininterrupta, em condições de higiene, originadas de vacas sadias, bem alimentadas
e descansadas, refrigerado e mantido nas temperaturas de 7°C na propriedade rural e 10°C no
estabelecimento processador. Este leite deve ser transportado em carro-tanque isotérmico da
propriedade rural para um posto de refrigeração e depois ser processado por estabelecimento
industrial.
De acordo com a vigilância sanitária o leite cru para estar em bom estado de
conservação e qualidades nutricionais deve se apresentar na forma branca opalescente e
23
homogênea, além de ser isento de sabores e odores estranhos. Para essa mesma entidade, de
acordo com suas qualidades nutricionais, são requisitos gerais para o seu bom estado de
conservação, nutrição e higiene:
•
Ausência de neutralizantes da acidez e reconstituintes de densidade;
•
Ausência de resíduos de antibióticos e de outros agentes inibidores do crescimento
microbiano;
•
Deve ter requisitos físico-químicos, microbiológicos, e contagem de células
somáticas;
•
No aspecto da higiene deve ser observado:
•
Localização e adequação dos currais à finalidade proposta;
•
Nas edificações deve constar área coberta, piso e paredes para a prevenção de
contaminações;
•
Controle de pragas;
•
Água de abastecimento;
•
Eliminação de resíduos orgânicos;
•
Acondicionamento, refrigeração, estocagem e transporte;
•
As tetas do animal a ser ordenhado devem sofrer prévia lavagem com água corrente,
seguindo-se secagem com toalhas descartáveis e inicio imediato da ordenha, com
descarte dos jatos iniciais em caneca de fundo escuro ou outro recipiente específico
para essa finalidade;
•
Observando a alta prevalência de mamite causada por microrganismos do ambiente,
pode-se adotar o sistema de desinfecção das tetas antes da ordenha, mediante técnica e
produtos desinfetantes apropriados, adotando-se cuidados para evitar a transferência
de resíduos desses produtos para o leite, secando criteriosamente as tetas antes da
ordenha;
•
Após a ordenha desinfetar imediatamente as tetas com produtos apropriados, sendo
que os animais devem ser mantidos em pé pelo tempo necessário para que esfíncter da
teta volte a se fechar. Para isso, recomenda-se oferecer alimentação no cocho após a
ordenha;
•
O leite deve ser coado em recipiente apropriado de aço inoxidável, náilon, alumínio ou
plástico atóxico e refrigerado em até 3 horas.
•
Para a limpeza do equipamento de ordenha e de refrigeração deve ser utilizado
material e utensílios adequados, bem como, detergentes inodoros e incolores;
24
Além de tudo, é necessário que se tenha um controle diário de qualidade do leite cru
em relação à temperatura, efetuar o teste do álcool na concentração mínima de 72% v/v
(setenta e dois por cento volume/volume), acidez titulável, índice crioscópico, densidade
relativa a 15/15°C e teor de gordura.
O transporte do leite da propriedade rural pode ser efetuado em latões ou tarros e em
temperatura ambiente, desde que seja entregue no máximo até duas horas após a conclusão da
ordenha.
Apesar das exigências nas normas citadas anteriormente, a pecuária se for
eficientemente explorada, pode oferecer aos produtores melhor qualidade de vida no campo,
especialmente as pequenas propriedades, devido à flexibilidade da atividade, por não exigir
grandes extensões de terra. Existe um grande potencial de crescimento da atividade leiteira
fora e dentro do país. Nesse aspecto, a competitividade do setor dependerá da capacidade de
se obter ganhos quando a situação estiver favorável e procurar evitar perdas quando a mesma
se encontrar em situação adversa. Para isso, a eficiência na produção e a redução de custos
tornam-se ferramentas fundamentais para garantir a lucratividade da operação.
O mercado de leite bruto se caracteriza por uma situação de oligopsônio, onde há
conflitos de interesse entre os demandantes e os fornecedores do mesmo. De um lado os
produtores reclamam dos baixos preços pagos pelos compradores, que por sua vez alegam que
os altos custos de transporte e beneficiamento oneram o preço do produto. Em virtude dessa
situação, os demandantes alegam que não poderiam pagar mais pelo produto, e que, se isso
fosse feito, acabaria por inviabilizar o negócio.
3.1 Alguns dados da produção leiteira em Mato Grosso
As principais bacias leiteiras no Estado de Mato Grosso estão distribuídas, conforme a
Figura 1.
25
Figura 1 – Principais bacias leiteiras no estado de Mato Grosso.
Fonte: Sindilat-MT/2007
Dados da EMPAER de abril/2009 indicam que existem 140.201 famílias de
agricultores familiares em Mato Grosso, sendo dividido em: comunidades tradicionais 50.155
famílias, assentamentos do INCRA-MT 73.247 famílias, assentamentos do INTERMAT
10.912 famílias, assentamentos do crédito fundiário 5.887 famílias. Estima-se que 30% dos
agricultores familiares do Estado exerçam a pecuária de leite como atividade econômica, ou
seja, 42.060 agricultores com um total de 1.050.000 vacas de leite. Com uma média de 25
vacas/produtor e uma produção diária de 70 litros nas águas e 40 litros na seca.
O número de produtores rurais de leite em Mato Grosso está dividido nas regiões
conforme a Gráfico 2.
26
Gráfico 2 – Número de produtores rurais de leite em Mato Grosso segundo as regiões.
Fonte: Sindilat-MT/2007
A região Sul é formada por 24 municípios, sendo Campo Verde, Primavera do Leste,
General Carneiro, Barra do Garças, Araguaiana, Pontal do Araguaia, Torixóreu,
Ribeirãozinho, Ponte Branca, Araguainha, Alto Araguaia, Alto Taquari, Alto Garças, Itiquira,
Pedra Preta, São José do Povo, Guiratinga, Tesouro, Poxoréo, Rondonópolis, Juscimeira, São
Pedro da Cipa, Dom Aquino e Jaciara possuindo apenas 12,10% dos produtores rurais de leite
do Estado.
A produção média diária de leite em Mato Grosso no período das chuvas (novembro,
dezembro, janeiro e fevereiro) totaliza 1.669.300 mil litros e no período da estiagem
1.027.420 mil litros (junho, julho, agosto e setembro) por região (Gráfico 03) o que dá uma
diferença de 38%. Fazendo uma comparação com a capacidade instalada da indústria de
lácteos que é de 2.759.000 mil litros origina um déficit de 39,50% na produção de leite. Na
estiagem, o déficit chega a 62,76% caso toda a capacidade instalada nas indústrias fosse
totalmente ocupada (SINDILAT-MT, 2008).
27
Gráfico 3 – Produção de leite diária in natura em Mato Grosso segundo as regiões.
Fonte: Sindilat-MT, 2008
A produção de leite em Mato Grosso é destinada a: queijo tipo mussarela (80%), leite
fluido pasteurizado tipo C e UHT (10%), leite em pó (5%), queijos (3%) e outros (2%). Entre
2007 e 2009 o incremento da produção diária de leite foi de 21,7% cuja produção total de
2009 totalizou 714.671.240 mil litros em 2009 (SINDILAT-MT, 2010).
3.2 Comparativo da agricultura familiar no âmbito nacional, estadual e municipal3
Em termos comparativos da agricultura familiar em nível nacional, estadual e
municipal com a região de Rondonópolis, utilizando-se os dados fornecidos pelo sistema de
microdados apresentados pelo Censo Agropecuário de 2006 realizado pelo IBGE7, pode-se
fazer as seguintes observações.
Em 2006, existia no Brasil um total de 5.175.489 estabelecimentos agropecuários,
sendo que desse total, 807.587 propriedades é da agricultura não familiar, que possuem uma
área equivalente a 249.690.940 hectares enquanto que 4.367.902 (ou 84,32% do total)
3
Os dados desta seção estão baseados em informações do Censo Agropecuário 2006 do IBGE e Pesquisa
Pecuária Municipal 2009, e podem ser obtidos junto ao autor – [email protected]
28
pertencente a agricultura familiar com uma área de 80.250.453 hectares. Esses valores em
termos percentuais equivalem a respectivamente, 75,68% e 24,32%, do total. Comparando
com o censo agropecuário de 95/96 houve um aumento de 6,49% de estabelecimentos rurais,
contudo, uma diminuição da área dos agricultores familiares de 30,49% para 24,32% o que
evidencia que áreas foram incorporadas pelos agricultores de grande porte da agricultura
familiar.
A Tabela 3 identifica que existe uma forte concentração de terras no país, pois,
44,41% das mesmas estão nas mãos de 46.911 proprietários rurais.
Tabela 3 – Brasil: extrato por área dos estabelecimentos rurais
Área estratificada
(Ha)
Número de
estabelecimentos rurais
Área total
(Ha)
Área média por
estabelecimento rural
(Ha)
Menos de 10
2.477.071
7.798.607
3,15
De 10 a menos de 100
1.971.577
62.893.091
31,89
De 100 a menos de 1.000
424.906
112.696.478
265,23
Igual ou mais de 1.000
46.911
146.553.218
3.124,00
Fonte: IBGE- Censo Agropecuário/2006
Comparativamente aos outros 26 Estados e 01 Distrito Federal, Mato Grosso ocupa a
16ª posição em número de estabelecimentos rurais da agricultura familiar. Porém, em termos
de área da agricultura familiar, o Estado possui 4.884.212 hectares, ocupando a 5ª colocação
somente perdendo para os Estados do Pará, Bahia, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Analisando em termos de concentração de terras nas mãos dos agricultores não familiares
Mato Grosso ocupa o primeiro lugar entre os estados com 89,78% e a agricultura familiar
com apenas 10,22%.
A agricultura familiar foi responsável por 37,80% do valor bruto da produção bruta no
ano da pesquisa e empregou 10.135.724 pessoas, correspondendo a 85,95% do pessoal
ocupado na agricultura do país. Em relação ao censo agropecuário 95/96 houve uma
diminuição de 3.644.477 de pessoas que provavelmente se deslocaram para os centros
urbanos.
A área média da agricultura familiar em Mato Grosso em 2006 era de 56,68 hectares
por estabelecimento rural, sendo superior aos demais estados e a média nacional que era de
18,37 hectares. Comparando com o censo agropecuário 95/96 houve uma redução de 49,43%
29
na área média da agricultura familiar em Mato Grosso o que indica que houve a apropriação
de terras pela agricultura não familiar. De terras degradadas, com erosão, desertificação e
outros 67.705 mil hectares e terras inaproveitáveis, tais como, pântanos, areais, pedreiras e
outros 570.932 mil hectares, incluindo a agricultura familiar e não familiar.
Enquanto no Brasil 74,7% dos agricultores familiares são proprietários de sua terra,
em Mato Grosso este índice é de 75,77%. Contudo, em Rondonópolis este índice é menor que
60,47%. Os assentados sem titulação definitiva em Rondonópolis representam 34,29%. Esse
índice por outro lado é superior ao verificado em Mato Grosso que é de 17,50%. No Brasil
esse mesmo índice é de apenas 3,90%.
Os produtores sem área em Rondonópolis
representam menos de 1% dos agricultores familiares. Portanto, a adoção de políticas públicas
que visem à entrega de posse de títulos definitivos das terras em Mato Grosso e Rondonópolis
é de extrema urgência.
Quanto à forma de obtenção das terras em Mato Grosso, verifica-se que de um total de
105.634 estabelecimentos agropecuários, 76,09% são donos de seus estabelecimentos na
agricultura familiar, sendo que em sua maioria 93,8% foram adquiridos via reforma agrária,
programa de reassentamento ou está aguardando a titulação das terras.
Em Rondonópolis-MT a situação é diferente, de um total de um total de 5.870
estabelecimentos agropecuários, 73,32% são donos de seus estabelecimentos na agricultura
familiar, porém, apenas 34,40% desses foram adquiridos por intermédio da reforma agrária,
obtido pelo programa de reassentamento ou está aguardando a titulação das terras. A maioria
das terras foi adquirida através de compra de particular, correspondendo a 48,28%. Isto
demonstra que as políticas públicas para a região de Rondonópolis-MT não se aplica com a
mesma intensidade como em outras regiões de Mato Grosso.
Em relação ao sexo, no Brasil, 72,79% dos trabalhadores que labutam na agricultura
familiar são homens enquanto que em Mato Grosso, esse percentual caí para 68,38%.
Entrementes, em Rondonópolis o índice está abaixo do estadual ficando em 65,71% desse
estrato populacional. A maioria dos agricultores familiares, estimado em 26,83% são pessoas
experientes com 10 ou mais tempo na condução da atividade produtiva da agricultura familiar
em Rondonópolis-MT. Em Mato Grosso os estabelecimentos dirigidos por pessoas com
menos de 5 anos de experiência representam 21,28% e em Rondonópolis representam apenas
9,38%.
Dos 4,88 milhões de hectares em Mato Grosso da agricultura familiar, 62,54% eram
destinadas a pastagens, superior ao verificado no Brasil de 45%. A área das matas destinadas
30
à preservação permanente ou reserva legal é 17,84% nos estabelecimentos familiares. Apesar
das críticas do desmatamento em Mato Grosso, pelo menos em relação à agricultura familiar,
a área de preservação é superior ao verificado no Brasil de 10%. Com uma área de 49.927
hectares em Rondonópolis as pastagens naturais ocupam apenas 71,78% da área da
agricultura familiar e a área destinada à preservação permanente ou reserva legal é de 13,74%.
Apesar de cultivar uma área menor com lavouras e pastagens, a agricultura familiar é
responsável por garantir boa parte do abastecimento de alimentos no País, se destacando
como importante fornecedora de alimentos para o mercado interno.
Os dados do censo agropecuário indicam a quantidade de pessoas ocupadas por sexo e
acima de 14 anos no Estado de Mato Grosso e em Rondonópolis na agricultura familiar. Em
Mato Grosso o número de pessoas ocupadas nos estabelecimentos agropecuários é de
358.321. A agricultura familiar participa com 60,03% do total. Os homens representam
65,25% e as mulheres 34,75% do total de pessoas ocupadas na agricultura familiar. Neste
universo 38,81% são do sexo masculino e 19,43% do sexo feminino, contando a partir de 14
anos ou mais de idade. Em Rondonópolis-MT existem 6.260 estabelecimentos agropecuários,
sendo que agricultura familiar corresponde a 64,36%. Os homens representam 62,97% e as
mulheres 37,03%.
O pessoal ocupado corresponde a 3.826 de pessoas na agricultura familiar, assim
distribuídos: com laços de parentesco entre os produtores, que residem no estabelecimento
rural o percentual é de 84,84%, do tal dessas pessoas 83,69% saber ler e escrever, 1,77%
desses recebem salários, 4,07% possuem qualificação profissional e 2,30% trabalham em
atividade não agropecuária em Rondonópolis-MT.
Apesar de a qualificação profissional estar num nível baixo no município, ainda é
melhor do que a média de Mato Grosso que é de 1,65% e no Brasil de 1,54%. Das pessoas
ocupadas na agricultura familiar mais de 90% tinham laços de parentesco com o produtor, o
que evidencia a união de esforços como uma característica importante da agricultura familiar.
Existe um grande desafio a ser enfrentado, pois, mais de quatro milhões de pessoas
declararam não saber ler e escrever na agricultura familiar no Brasil.
De um total de 491 estabelecimentos agropecuários da agricultura familiar em
Rondonópolis-MT, 21,87% tinham atividade apenas na agropecuária, 45,68% na não
agropecuária e 0,84% na agropecuária e não agropecuária. Entretanto, 18,60% dos
estabelecimentos rurais declararam que não tinham seu produtor com dedicação exclusiva.
Isto demonstra que pode estar havendo uma migração das pessoas que residem nos
31
estabelecimentos agropecuários familiares para atividades fora da agropecuária, talvez, devido
à renda auferida serem insuficiente para toda a família.
A agricultura familiar respondia por 1/3 das receitas dos estabelecimentos
agropecuários brasileiros em 2006. A receita com produtos vegetais representam a principal
fonte com 67,48% e em segundo lugar aparece a venda de animais e seus derivados com
21,04%. Somente com a venda de produtos vegetais os estabelecimentos rurais tinham uma
receita média de R$ 14,15 mil. Diferentemente da tendência nacional, em Rondonópolis
aparece em primeiro lugar, como principal receita, a venda de animais e seus derivados com
66,71% e em segundo lugar os produtos vegetais com 26,13%. Com a venda de animais e
seus produtos os estabelecimentos possuem uma receita média de R$ 7,75 mil. Em Mato
Grosso os produtos vegetais ficam em primeiro lugar com 52,07% e em segundo a venda de
animais e seus produtos em 40,36%. A receita média com a venda de produtos vegetais
ultrapassa a do Brasil, com R$ 26,10 mil e a renda média com a venda de animais e seus
produtos estavam em torno de R$ 6,28 mil.
No Brasil, especificamente na atividade leiteira os estabelecimentos rurais da
agricultura familiar possuem uma renda média anual de R$ 4.567,25. Mato Grosso, por sua
vez, tem uma renda média superior de R$ 5.490,27 e Rondonópolis com R$ 7.717,81.
Os recursos de aposentadorias ou pensões ficam em primeiro entre as receitas obtidas
por ano na agricultura familiar e em seguida vêm os salários recebidos pelo produtor com
atividade fora do estabelecimento rural, 65,23% e 24,19%, respectivamente. O valor médio
anual dos recursos recebidos com aposentadorias ou pensões foi de R$ 5,70 mil por
estabelecimento, o que equivale a um valor médio mensal de R$ 475,00, em nível nacional.
Em Mato Grosso e Rondonópolis esta relação é invertida. Em Mato Grosso os salários
recebidos pelo produtor com atividade fora do estabelecimento rural são de 49,76% e em
Rondonópolis é maior ainda de 63,45%. Já os recursos de aposentadorias e pensões é de
40,87% e 31,36%, respectivamente, em Mato Grosso e Rondonópolis. O valor médio dos
recursos recebidos com salário recebidos pelo produtor com atividade fora do estabelecimento
rural é de R$ 8,27 mil por estabelecimento em Mato Grosso, o que equivale a um valo médio
mensal de R$ 725,00. Já em Rondonópolis a receita com salários recebidos pelo produtor com
atividade fora do estabelecimento foi de R$ 11,95 mil, o que equivale a um valor médio
mensal de R$ 991,00. Isto implica dizer que os agricultores familiares procuram outras fontes
de rendas fora de seu estabelecimento rural por este não proporcionar renda suficiente para
sobreviver.
32
A agricultura familiar no Brasil foi responsável por 37,80% do valor total da produção
dos estabelecimentos rurais. A produção vegetal representa a principal produção da
agricultura familiar com 71,57%, sendo representada pelas lavouras temporárias com 58,45%
e permanentes com 26,88%, Em segundo lugar no valor da produção ficou a atividade animal
com 25,03%, especialmente com animais de grande porte (56,23%).
Em Mato Grosso a agricultura familiar responde apenas por 11,66% do valor total da
produção dos estabelecimentos rurais, sendo que em Rondonópolis este índice é próximo com
13,12%. Prevalece também em Mato Grosso a produção vegetal com 68,33% e logo em
seguida a animal com 30,65%, sendo representada pelas lavouras temporárias com 88,05% e
animais de grande porte com 69,25%, respectivamente. Já em Rondonópolis existe um empate
técnico entre o valor da produção animal e vegetal, com 48,51% e 49,65%, para cada um
respectivamente. Prevalece na atividade animal o valor da produção com animais de grande
porte (80,57%) e lavouras temporárias com 76,76%.
No Brasil o valor médio da produção anual da agricultura familiar foi de R$ 13,99 mil,
tendo a criação de aves o menor valor médio (R$ 1,56 mil), e a floricultura o maior valor
médio (R$ 17,56 mil). Em Mato Grosso o valor médio da produção anual foi superior com R$
17,37 mil, sendo que as lavouras temporárias tiveram o maior valor médio com R$ 34,14 mil
e o menor valor médio foi a horticultura (R$ 1,48). Em Rondonópolis o valor médio da
produção anual foi de R$ 14,04 mil, sendo o maior valor médio foram os pequenos animais
(R$ 14,80 mil) e o menor valor médio foi o da silvicultura (R$ 0,06) (tabela 24). Comparando
a produção da agricultura familiar com a não familiar, somente nas seguintes atividades o
valor da produção da agricultura familiar foi maior: animal de grande porte (56,05%),
horticultura (63%), extração vegetal (80%) e agroindústria (57%).
Foram observados os motivos que os estabelecimentos rurais da agricultura familiar
não obtiveram financiamento rural. Em nível nacional, 42,23% responderam que não
precisaram, 18,42% tiveram medo de contrair dívidas e 10,87% por outro motivo (não
especificado). No âmbito regional, 36,22% declaram que não precisaram, 13,67% devido a
burocracia existente para a concessão de financiamento e 12,02% por outro motivo (não
especificado). Em Rondonópolis, 28,99% declararam que não precisaram, 20,69% por outro
motivo (não especificado), 12,23% ficaram com medo de contrair dividas e 11,58% devido a
burocracia existente para contraírem dívidas.
Em contrapartida, foram elencados o número de estabelecimentos agropecuários de
agricultores familiares que obtiveram financiamento e qual foi a finalidade. Cerca de 780 mil
33
estabelecimentos rurais obtiveram financiamento junto às instituições financeiras ou outros
órgãos de fomento. Tanto a nível nacional, como estadual e municipal a tendência é a mesma,
ou seja, em primeiro lugar foi para custeio das atividades agropecuárias, em segundo lugar
para investimentos e em terceiro para manutenção do estabelecimento.
3.3 Caracterização do município de Rondonópolis - MT
Localizada na região Sul do Estado de Mato Grosso, Essa cidade recebeu o nome de
Rondonópolis em março de 1919, em homenagem ao Marechal Cândido Mariano da Silva
Rondon, porém, a criação do município somente ocorreu através da Lei n° 666 de 10 de
dezembro de 1953 (Ferreira, 2001).
3.3.1 População
O Censo Demográfico de 2010 constatou que Rondonópolis possui um total de 195.550 mil
habitantes, sendo 50,23% do sexo masculino e 49,77% do sexo feminino (Tabela 4). Desde a
década de 70 a população rural de Rondonópolis-MT vem diminuindo substancialmente,
ocorrendo um decréscimo de 79,89% nos últimos 40 anos.
Tabela 4 – População de Rondonópolis-MT segundo sexo e a situação do domicílio.
Total
Ano
Habitantes
1970
1980
1991
1996
2000
2010
62.086
81.375
126.627
142.524
150.227
195.550
Situação do domicílio
Sexo
Homens
Mulheres
Urbana
Rural
32.506
41.915
63.701
71.623
75.287
98.217
29.580
39.460
62.926
70.901
74.940
97.333
25.126
64.983
113.032
129.894
141.838
188.119
36.960
16.392
13.595
12.630
8.389
7.431
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – Censo Demográfico 2010
Rondonópolis possui atualmente 96,1% de sua população na zona urbana (188.119
habitantes) e apenas 3,8% na zona rural (7.431 habitantes), enquanto que em Mato Grosso
este índice é de 81,8% e na zona rural de 18,1%. Do ponto de vista social, a redução do
espaço rural provoca uma migração para o espaço urbano, o que gera, por conseguinte, uma
demanda adicional de emprego e de infraestrutura nas áreas urbanas, apesar do município nos
últimos anos ter passado por um intenso processo de industrialização (Tabela 5 e Gráfico 4).
34
Portanto, existe a necessidade de se adotar políticas públicas no município no sentido de se
buscar fixar o homem na zona rural, principalmente no segmento das pequenas e médias
propriedades.
Existem no município 5.170 empresas atuantes, empregando um total de 35.513
pessoas. A remuneração média mensal no município corresponde a 2,7 salários mínimos de
2010. O valor adicionado bruto da agropecuária a preços correntes de 2008 corresponde a R$
183.839,00 (cento e oitenta e três mil oitocentos e trinta reais e nove reais). O PIB a preços
correntes no mesmo ano corresponde a R$ 4.355.081,00, ocupando a 6ª posição na Região
Centro-Oeste e a segunda do Estado de Mato Grosso ficando atrás somente da capital Cuiabá.
Porém, em relação ao PIB per capita a preços correntes está na 24ª colocação em Mato Grosso
(IBGE, 2010). Tais dados aparecem de forma bem resumida na Tabela 04 e no Gráfico 02, na
forma como é apresentada a seguir.
Tabela 5 – Comparativo da Distribuição Percentual da População, Rondonópolis,
Mato Grosso e Brasil, segundo a situação do domicílio.
Censo Populacional
Rondonópolis
Mato Grosso
Brasil
(em %)
Urbana
Rural
Urbana
Rural
Urbana
Rural
1970
40,5
59,5
42,8
57,2
55,9
44,1
1980
79,9
20,1
57,5
42,5
67,6
32,4
1991
89,3
10,7
73,3
26,7
75,6
24,4
1996
91,1
8,9
75,8
24,2
78,4
21,6
2000
94,4
5,6
79,4
20,6
81,3
18,8
2010
96,1
3,9
81,8
18,2
84,3
15,7
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – Censo Demográfico/2010
35
2010
120,00%
100,00%
80,00%
60,00%
40,00%
2010
20,00%
0,00%
Urbana
Rural
Urbana
Rondonópolis
Rural
Mato Grosso
Urbana
Rural
Brasil
Gráfico 4 – Comparativo da Distribuição Populacional no Brasil, Estado de Mato
Grosso e município de Rondonópolis.
Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE- Censo Demográfico 2010
3.3.2 Produção agrícola, efetivo pecuário e produtos de origem animal na agricultura
familiar em Rondonópolis - MT
A produção da agricultura familiar em Rondonópolis é diversificada, como
representada no Gráfico 5, destacando-se a atividade leiteira (23%), o cultivo da mandioca
(14%), a criação de aves (11%), produção de milho (9%) e da cana de açúcar (8%) como os
principais produtos da agricultura familiar em Rondonópolis-MT. Aproximadamente 45% da
produção são destinadas à comercialização, 42% ao consumo próprio e 13% destinada ao
consumo animal na propriedade (dados da Prefeitura Municipal de Rondonópolis-MT).
36
Não resposta
3%
3%
3%
Leite
2%
3% 2% 1% 2%
Mandioca
Galinha/Frango
23%
4%
Milho
Cana
5%
Gado
6%
14%
Porco
Banana
8%
9%
11%
Queijo
Ovos
Abóbora
Feijão
Horta
Maracujá
Carneiro
Gráfico 5 – Produção da agricultura familiar em Rondonópolis-MT
Rondonópolis MT
Fonte: Prefeitura Municipal de Rondonópolis/2010.
Rondonópolis
Em 2009, conforme a Tabela 6,
6, o efetivo do rebanho bovino era de 303.872 cabeças
contra 274.791 cabeças em 1997, o que representou um aumento de 10,58% no período,
ficando na penúltima colocação em crescimento. Apesar do baixo crescimento
crescimen o rebanho
bovino representa 52,71% do total do rebanho existente no município de Rondonópolis-MT.
Rondonópolis
O efetivo rebanho que mais cresceu foi a criação de codornas e de galinhas.
37
Tabela 6 – Efetivo do Rebanho no município de Rondonópolis-MT
1997
2009
Evolução (%)
no Período
1997/2009
Bovino
274.791
303.872
10,58
Galinhas
59.241
109.475
84,79
Suíno
36.665
59.918
63,42
Galos, Frangas, Frangos e Pintos
35.863
41.120
14,66
Codornas
1.610
5.618
248,94
Equino
5.316
5.510
3,65
Ovino
4.254
5.474
28,68
Bubalino
1.084
1.765
62,82
Muar
455
603
32,53
Caprino
324
459
41,66
Asinino
33
51
54,55
Total
419.636
535.871
27,69
Ano
Tipo de rebanho (em cabeças)
Fonte: IBGE – Pesquisa Pecuária Municipal/2010
Para o período considerado houve um aumento expressivo na produção de Mel de
Abelha, seguido de Ovos de Codorna e de Galinha. Entrementes, em termos comparativos aos
demais tipos de atividades agropecuárias, a produção de leite foi a que menos cresceu. Em
termos específicos, de 1997 a 2009 embora a produção leiteira tenha crescido apenas 42,19%,
mesmo assim foi maior que o aumento da quantidade de vacas ordenhadas no período o que
correspondeu a 30,75%. Isso demonstra, portanto, um aumento de produtividade no período
como é apontado na Tabela 7, apresentada abaixo.
38
Tabela 7 – Produtos de Origem Animal no município de Rondonópolis-MT
1997
2009
Evolução (%)
no Período
1997/2009
Leite (Mil litros)
13.398
19.051
42,19
Mel de Abelha (Quilograma)
398
11.255
2.727,90
Ovos de Galinha (Mil dúzias)
324
1.552
379,00
Ovos de Codorna (Mil dúzias)
27
146
461,50
Vacas ordenhadas
10.991
14.371
30,75
Produtividade das vacas (litros)
1,22
1,32
Ano
Produtos de Origem Animal
Fonte: IBGE - Pesquisa Pecuária Municipal/2010
3.3.3 Caracterização dos núcleos rurais na região de Rondonópolis-MT
Este estudo foi desenvolvido no município de Rondonópolis, com localização no sul
do Estado de Mato Grosso. Neste tópico apresentam-se os resultados das coletas de dados dos
82 produtores que se dedicam à atividade leiteira nos núcleos rurais de Rondonópolis-MT,
bem como, dados da formação dos núcleos rurais fornecidos pela Prefeitura Municipal de
Rondonópolis-MT.
O levantamento dos dados primários ocorreu entre outubro e dezembro de 2010 por
intermédio da utilização de questionários estruturados e referindo-se ao mesmo período do
ano produtivo. Foram analisados através das pesquisas, os recursos produtivos da
propriedade, a mão de obra familiar e a contratada, se existe manejo do rebanho, qualidade do
leite produzido na propriedade, adoção de tecnologia, produção e produtividade e indicadores
de eficiência técnica da produção leiteira. A seleção dos produtores rurais ocorreu de forma
aleatória, sendo a principal exigência que se enquadrassem na forma da Lei Federal n° 11.326
de 24 de junho de 2006 e que tivessem como atividade principal a produção leiteira.
A estruturação e organização dos núcleos rurais se deram com o objetivo principal foi
para que nenhum trabalhador rural ficasse sem acompanhamento técnico (engenheiro
agrônomo, veterinário, técnico agrícola, etc), além de fixar o homem no campo e evitar que
essas pessoas venham para os centros urbanos provocando maior índice de pobreza e
desemprego.
39
Em cada núcleo rural existem várias comunidades ou assentamentos, cada uma com
eleição para presidente. Este presidente procura resolver os problemas internamente, quando
possível. Não resolvendo, leva o problema até o núcleo onde existe um técnico agrícola à
disposição cedido pela Prefeitura Municipal de Rondonópolis.
Atualmente existe um técnico agrícola para dar assistência para cada núcleo. Durante
toda a semana esses técnicos fazem o percurso da Prefeitura Municipal de Rondonópolis até
os seus respectivos núcleos, ficando normalmente na sede de cada associação dos
produtores/moradores ou escolas municipais designadas para tal finalidade. Quando a solução
do problema não está ao alcance do técnico, este elabora um relatório e alerta a Secretaria de
Agricultura do município.
Existem nos núcleos vários projetos sociais, tais como, alfabetização de adulto, préescola, reciclagem de lixo, corte e costura, bordados e pinturas em artesanatos. Na maioria
dos núcleos tem ensino fundamental, com algumas exceções que vai até o nível médio.
Entre 1996 e 1997 as propriedades foram divididas em 04 (quatro) grandes regiões que
foram chamadas de núcleos rurais, sendo: 1- Núcleo Rural Região Carimã 2-Núcleo Rural
Região Boa Vista 3-Núcleo Rural Região Cascata e 4-Núcleo Rural Região Aldeinha. Os
núcleos rurais são formados por comunidades e a Figura 9, evidenciando seus acessos
rodoviários.
40
Aldeinha – 35 Km
Boa Vista – 30 Km
Cascata – 43 Km
Carimã – 55 Km
Figura 2– Mapa de localização dos núcleos rurais de Rondonópolis, Mato Grosso, segundo as vias de acesso rodoviário.
Fonte: elaboração própria/2010
41
O núcleo rural da região do Carimã é composto de 295 famílias, sendo que 200
famílias têm como a atividade principal na produção a pecuária correspondendo a 67,80%,
logo em seguida vem à avicultura com 19,28%. Dentro da pecuária 50% trabalham somente
com a atividade leiteira, 32,50% atividade leiteira e de corte e 17,50% somente de corte
(Tabela 8).
Tabela 8 - Quantidade de famílias e atividades agropecuárias desenvolvidas no Núcleo
Rural Região Carimã: Rondonópolis/MT
Comunidades
Atividades
Banco da
Terra Vale
Encantado
Comunidade
Marajá
Assentamento
Santa Luzia
Pecuária Leiteira e de Corte
25
20
20
Avicultura
10
Fruticultura
05
Assentamento
Carimã
10
Piscicultura
01
Horticultura e AviculturaCorte/Postura
19
Suinocultura e Horticultura
03
Seringa
02
20
Pecuária Leiteira
100
Pecuária de Corte e
Eucalipto
35
Avicultura de corte/postura
25
Total de famílias
40
40
25
190
Fonte: Prefeitura Municipal de Rondonópolis-MT/2010
O núcleo rural da região Boa Vista é composto de 695 famílias, representando uma
maior diversidade na produção. Em primeiro lugar vem à atividade da avicultura
correspondendo a 28,06% e depois a pecuária com 26,19%. As outras atividades produtivas
são piscicultura com 13,38%, hortaliças 13,09%, fruticultura 9,49% e suinocultura com
9,35%. Dessas 695 famílias, 182 trabalham com a pecuária leiteira e de corte,
simultaneamente (Tabela 09).
42
Tabela 09 – Quantidade de famílias e atividades agropecuárias desenvolvidas no Núcleo
Rural Região Boa Vista: Rondonópolis/MT
Comunidades
Gleba Rio
Vermelho
Várzea
de
Ouro
Boa
Vista
Água
Fria
Selva
de
Pedra
São
João
Terra
Alvorada
Pinguela
Campo
Limpo
Pecuária
Leiteira e de
Corte
100
06
15
11
15
01
04
20
10
Suinocultura
30
03
05
02
05
05
05
05
05
Avicultura
110
05
10
05
17
15
07
15
11
Hortaliças
50
02
05
01
07
10
05
06
05
Fruticultura
20
03
04
06
08
08
06
04
07
Piscicultura
10
02
51
05
04
02
01
14
04
56
41
28
64
42
Atividades
Extraticultura
01
Apicultura
Total de
Famílias
02
320
21
91
32
Fonte: Prefeitura Municipal de Rondonópolis-MT
O núcleo rural da região Aldeinha é composto de 345 famílias. As atividades
produtivas principais representam 52,17% pecuária, hortaliças 23,19%, avicultura 13,91% e
mandioca 4,92%. Dentro da pecuária, 61,11% produzem leite e atividade de corte
simultaneamente, 25% produzem somente leite e 13,89% trabalham somente com a atividade
de produção de corte. Apesar de produção de mandioca ser representada por apenas 4,92%
dos agricultores familiares, representa no computo geral da produção da agricultura familiar
14%, somente ficando atrás da produção leiteira com 23% (Tabela 10).
43
Tabela 3 -
Quantidade de famílias e atividades agropecuárias desenvolvidas no Núcleo
Rural Região Cascata: Rondonópolis/MT
Comunidades
Atividades
Primavera
Assent.
São
Francisco
Banco
Terra Boa
Esperança
Gleba
União
Pecuária
25
35
100
Leiteira
Pec. Corte
09
10
30
Suinocultura
05
Banana
03
Hortaliças
01
Derivados
02
10
Cana
Piscicultura
01
Pecuária
Leiteira e
05
Hortaliças
Derivados
04
Mandioca
Avicultura
08
Pecuária
15
Leite e Corte
Total de
45
50
152
16
Famílias
Fonte: Prefeitura Municipal de Rondonópolis-MT/2010
Com.
Bajará
Com.
Nova
Galileia
Gleba
Dom
Bosco
Cascata
Assent.
Água da
Serra
16
30
08
60
10
50
05
10
01
20
02
140
18
50
02
02
02
10
04
06
02
24
84
24
Já o núcleo rural da região Cascata é composto de 553 famílias. A pecuária
corresponde a 82,82% da produção, seguida da avicultura com 5,79% e hortaliças com 5,60%.
Dentro da pecuária, 62% produzem somente leite, 34,72% somente trabalham com pecuária
de corte e apenas 3,28% trabalham com a atividade leiteira e de corte simultaneamente
(Tabela 11).
44
Tabela 4 –
Quantidade de famílias e atividades agropecuárias desenvolvidas no Núcleo Rural Região
Aldeinha: Rondonópolis/MT
Comunidades
Atividades
Assent. Assent.
Dom
Olga
Oscar Benário
Com.
Com.
Bananal Aldeinha
Pec. Leite
10
Avicultura
05
05
05
05
Hortaliças
05
05
05
05
Pec. Corte
10
Pec.Leite e
Mandioca
Chico
Dom
Mendes Osório
10
10
Com.
Com.
Grota
Cabeceira
Seca
do Café
Com.
Naborei-ro
Com.
Com.
Vila
Mata
Bueno
Grande
10
Banco Globo
Terra Recreio
15
10
03
05
05
10
05
10
05
20
15
10
Corte
Assent. Assent.
20
10
10
10
15
30
10
05
07
Banana
03
Melancia
02
Ovinocultura
05
Avic. e
05
Hort.
Hortaliças e
10
Suinocultura
Total
30
30
30
20
30
30
Fonte: Prefeitura Municipal de Rondonópolis-MT/2010.
18
17
45
20
10
35
30
45
Nos quatro núcleos das 1888 famílias, 54,03% tem como atividade principal a produção
pecuária. Os agricultores familiares que tem como atividade principal a produção de leite
correspondem a 42,06%, os que produzem leite e corte correspondem a 36,96% e apenas corte
a 20,98%.
3.3.3.1 Aspectos qualitativos
Nos três núcleos rurais observados dentro da amostra a faixa etária dos agricultores
familiares está na faixa de 50 a 60 anos com 35,37% e 32,93% na faixa de 40 a 50 anos. A
maioria 54,88% possui até o curso primário incompleto, sendo que a maior parte dos
produtores analfabetos encontra-se na faixa etária dos 60 a 70 anos. O tempo médio maior que
o produtor familiar trabalha na atividade leiteira está na faixa de 60 a 70 anos conforme
Tabela 12, talvez seja, porque esta atividade vem passando de geração em geração, com os
filhos assumindo as pequenas propriedades e dando seqüência a produção leiteira. Prova
disso, é que perguntado sobre a sucessão do gado na propriedade familiar 69,52% acreditam
que os filhos continuarão com a atividade leiteira em sua propriedade. Apenas 19,51% acham
que os filhos venderão a propriedade após a morte do proprietário rural.
Tabela 12 – Faixa Etária dos Produtores familiares e tempo de permanência na atividade
leiteira em Rondonópolis/MT
Faixa Etária
% da
Tempo de permanência na atividade leiteira
Freqüência
(anos)
classe
(anos/média)
30 a 40
14
17,07
7,5
40 a 50
27
32,93
10,63
50 a 60
29
35,37
13,21
60 a 70
09
10,97
17,22
70 a 80
03
3,66
11
Total
82
100
12
Fonte: Elaboração própria/2010
A pesquisa realizada nos núcleos sobre a administração da propriedade rural confirma
que 68,29% são do sexo masculino, próximo ao índice observado na pesquisa do IBGE para
Mato Grosso. Destes, 99,9%, declararam que passam mais de 70% do tempo em sua
propriedade rural.
46
Foi indagado aos agricultores familiares se realizavam controle de custos na
propriedade, 30% responderam que faziam em cadernos de rascunhos, 20% outros tipos de
controle, principalmente de memória e 15% praticavam controle através de fichas de controle.
Quando perguntado ao agricultor familiar se ele realizava controles escritos ou
anotações em relação ao gado leiteiro, 85,36% responderam que realizam controle sanitário
dos animais. Já para 59,76% anotam a data de cobertura da vaca, ou seja, a do cruzamento
com o touro. Apenas 40,24% anotam a data da parição e da secagem das vacas.
Em relação à mão de obra utilizada na produção de leite na propriedade, 93,9%
ocupam apenas o proprietário para executar tal tipo de serviço, caracterizando que a unidade
de trabalho familiar é superior a unidade de trabalho contratada. Enquanto 17,07% ocupam
eventualmente a mulher neste tipo de atividade. Apenas 12,19% ocuparam eventualmente
mão de obra contratada masculino, sendo paga através de recibos e 50% dos entrevistados
acham esta mão de obra contratada é boa e os outros regulares.
Perguntado se alguma pessoa da família participou de algum curso de capacitação, tais
como, treinamentos, palestras ou outros, 60,98% disseram que sim e que todos estes cursos
foram promovidos pela Cooperativa, sendo que 68,96% consideram boa a qualidade dos
cursos. Nota-se que falta iniciativa pública dos órgãos municipais, estaduais e federais para
promoverem tais capacitações profissionais.
As fontes de informações que recebem sobre a produção de leite em sua maioria
advêm do técnico da indústria de laticínios (60,97%), já que a maioria dos agricultores
familiares entrega a produção de leite nos laticínios. As trocas de informações entre vizinhos
acontecem para 12,19% e apenas 7,32% informaram que não recebem nenhum tipo de
informação sobre a produção de leite. Para 29,26% o tema mais abordado nas informações
que recebem é como administrar a propriedade. Em segundo lugar a qualidade do leite
aparece com 18,29%. Essas informações são consideradas de boa qualidade para 82,93% e
servem para melhorar a eficiência do segmento leiteiro.
Porém, as informações que são ministradas aos agricultores familiares não condizem
com as necessidades dos mesmos. Para 34,15% o que mais eles necessitam saber é sobre a
alimentação do gado. Somente em segundo lugar com 23,17% acham importante saber como
a administrar a propriedade. A qualidade do leite aparece apenas com 6,09%, talvez seja
porque já recebem inúmeras informações advindas dos laticínios.
47
Segundo os agricultores familiares se houvesse maior capacitação, principalmente da
mão de obra familiar, serviria para aumentar a produtividade do rebanho (litros/vaca), bem
como, a rentabilidade da produção de leite.
A assistência técnica aos agricultores familiares é precária, sendo que para 80,49% a
propriedade não é atendida pelo técnico agrícola ou outro profissional do ramo. Para os
agricultores familiares a presença do veterinário seria o mais solicitado e em segundo lugar
com 42,68% se contentam com o técnico agrícola.
A maior parte (31,70%) da assistência técnica provém dos Laticínios/Cooperativa,
provavelmente são técnicos que verificam as condições sanitárias dos estabelecimentos. Em
segundo lugar vêm os técnicos agrícolas da Prefeitura Municipal de Rondonópolis, em
número de quatro, sendo um para cada núcleo agrícola, sendo que conseguem atender apenas
24,39% dos agricultores familiares, ou seja, praticam no ano apenas uma ou duas visitas a
propriedade rural. Para aqueles que são atendidos pela assistência técnica dizem que não há
grandes problemas com os mesmos.
Do total de agricultores familiares entrevistados 78,05% fazem parte da Associação de
Produtores, porém, apenas 31,43% participam com intensidade nas reuniões, palestras, etc. O
restante participa com pouca intensidade (28,57%) e muito pouco intensivamente (28,57%).
Observa-se ainda que 22% ainda é resistente aos tipos de cooperação existentes. É um fato
preocupante, pois, via de regra, a melhoria do desempenho do setor leiteiro depende da
associação. Em relação à qualidade dos serviços prestados pela associação de produtores,
34,15% acham os serviços regulares, porém, 28,05% acham muito boa e 19,51% acham ruim
a qualidade dos serviços.
Um dos fatores que influenciam a produção de leite é a rotação de pastagens, porém,
nos núcleos rurais entrevistados apenas 12,19% dos agricultores familiares utilizam de tal
artifício, provavelmente devido à pequena área de terra disponível, fato confirmado conforme
o Censo Agropecuário do IBGE de apenas 1,95% de pastagens naturais na agricultura
familiar.
No período da seca 93,90% utilizam com freqüência o uso de concentrado para as
vacas em lactação, sendo que 86,58% declaram que o concentrado é distribuído de acordo
com a produção da vaca. Como alimentação volumosa suplementar para vaca em lactação
51,22% utilizam a cana-de-açúcar como ingrediente nutritivo num período em média de seis
meses. A principal vantagem desta cultura está na resistência e adequação ao clima local,
sobretudo à época da seca. Os resíduos de soja, algodão, cevada, dentre outros ocupa a
48
segunda colocação, prova de que os produtores de leite têm aproveitado a época das principais
colheitas do município para realizar a complementação e melhorar a produção da entressafra.
A produção média do leite no período das águas é de 98,04 litros/dia, sendo que no período da
seca a produção leiteira nos núcleos rurais cai para 64,05 litros/dia.
No aspecto da vacinação 100% dos entrevistados afirmaram que utilizam as vacinas
para aftosa e brucelose em todos os animais do rebanho e o mesmo percentual para bezerros e
vacas pelo menos duas vezes ao ano.
A maioria das ordenhas (84,15%) é realizada apenas uma vez ao dia, sendo que
99,99% são manuais o que demonstra a falta de investimentos no setor do gado leiteiro e
políticas públicas voltadas para implementação de tecnologia. A adoção de ordenha
mecanizada reduziria o tempo na atividade leiteira e melhoria a qualidade do leite, além do
que com a redução de mão de obra, diminuiria os encargos sociais e salários, aumentando o
retorno da atividade leiteira.
O sistema de reprodução adotada entre os agricultores familiares em sua grande
maioria é a natural não controlada. Para a cobertura das vacas 50% não tem um critério
definido, ou seja, não sabem o tempo exato para o cruzamento, entretanto, 18,29% utilizam
como critério a idade o peso das novilhas como parâmetro. Normalmente a idade média das
novilhas para o primeiro parto é de 2,5 a 3 anos. A genética do gado leiteiro em 67,07% não
tem padrão definido ou não souberam responder. As outras raças estão definidas como purozebu nelore e mestiço e outras raças européias versus holandês.
Na comercialização os agricultores familiares possuem pouca alternativa. Em sua
maioria vendem o leite para o laticínio/cooperativa em média 60,25 litros/dia. Para 67,07% é
porque conhecem e confiam no laticínio/cooperativa e apenas 19,51% acham que há melhores
condições de preços nos mesmos.
Em relação ao sistema de pagamento do leite diferenciado em leite-cota e leiteexcesso, 42,68% concordam com o sistema afirmando que isto aumenta a renda do produtor.
Por outro lado 21,95% não concordam porque acham que isto só vem a favorecer a indústria.
Quando o sistema de pagamento é preço-base do leite mais a bonificação por volume, 39,02%
disseram que o sistema funciona desta maneira e destes 93,75% estão satisfeitos e 26,83%
disseram que não funcionam neste sistema. Em contato com o laticínio, um dos maiores
receptores de leite dos núcleos rurais de Rondonópolis, confirmou que o sistema existe, sendo
adicionado ao preço-base do leite mais R$ 0,06 por volume. A bonificação do leite por
49
qualidade está vinculada a contagem bacteriana total (CBT) e a contagem células somáticas
(CCS), conforme Tabela 13.
Tabela 53 – Bonificação do leite conforme Contagem Bacteriana Total (CBT) e Contagem
Cédulas Somáticas (CCS).
CBT
R$/Litro
0 - 25
0,03
26 - 50
0,025
51-100
0,02
101-200
0,015
201 - 300
0,01
301 - 400
0,005
401 - 500
0,00
501 acima
(-0,02)
CCS
R$/Litro
0 – 100 mil
0,0125
101 mil – 200 mil
0,0100
201 mil – 300 mil
0,0075
301 mil – 400 mil
0,0050
401 mil – 500 mil
0,0025
501 mil – 700 mil
0,0
701 acima
(- 0,01)
Fonte: COMAJUL – valores de 11/2008.
A pesquisa constatou que 72,84% estão conscientes que a bonificação do leite se faz
pela qualidade e 27,16% disseram que não. Dos que sabem 79,66% concordam que a
bonificação seja desta maneira. No computo geral 70,37% concordam que a bonificação por
qualidade é mais importante que a bonificação pelo volume. Numa pesquisa junto aos
compradores de leite afirmaram que os aspectos de qualidade e de sanidade são de extrema
importância. Prova disso, é que 89,02% utilizam caneca telada ou fundo preto para identificar
50
se há ou não mastite na qualidade do leite. Porém, outros cuidados devem ser tomados como
evitar que o animal deite após a ordenha, presença de barro e fezes, entre outros.
A maioria dos agricultores afirma que recebem relatório sobre a avaliação da
qualidade de leite de sua propriedade. Não se teve acesso a esses relatórios visito que os
laticínios/cooperativas não quiseram disponibilizá-los para a pesquisa.
No aspecto da qualidade a maioria respondeu que o leite produzido na propriedade
rural é resfriado. Aqueles que responderam que não é porque o tempo gasto entre o final da
ordenha e o leite a ser resfriado é de uma hora com deslocamento até o tanque de expansão
coletiva colocado estrategicamente em locais pré-determinados nos núcleos rurais. Os 60,98%
dos agricultores familiares entregam o leite todos os dias ao laticínio/cooperativa e aqueles
que não entregam diariamente, somente de dois em dois dias, provavelmente deixam
resfriando em geladeiras já que todos os estabelecimentos rurais possuem energia elétrica.
Os dois fatores mais essenciais para melhorar a qualidade do leite nas propriedades
rurais são a assistência técnica e o acesso ao crédito rural segundo os entrevistados, sendo que
as áreas que mais precisam melhorar são as pastagens e as instalações das propriedades rurais.
Em relação às estradas que são utilizadas para o transporte do leite para 51,22% dos
agricultores familiares afirmam que o ano todo elas são transitáveis, ou seja, permite o acesso
dos caminhões com o tanque do leite. Tal afirmativa foi confirmada junto ao
laticínio/cooperativa que recolhe o leite nos núcleos rurais de Rondonópolis-MT.
Todos os agricultores familiares foram unânimes em responder que o frete cobrado
pelo transporte do leite até o laticínio/cooperativa estava em torno de 1 a 3%, porém, tomando
por base o preço-base do leite em R$ 0,59 (COMAJUL/novembro/2010) e o frete em R$ 0,03
por litro de leite, o percentual descontado de frete está em torno de 5,08% maior do que eles
imaginam.
Ao serem indagado se possuíam contrato formal com o laticínio/cooperativa todos
afirmaram que não existia e apenas 28,46% achavam que não era importante a formalização
de contratos.
Foi indagado aos agricultores familiares o que influenciariam neles a mudança da
atividade leiteira. Para 74,39% o fator terra, ou seja, a área da propriedade mudaria para a
agricultura para plantar outro tipo de produto. Uma das maiores dificuldades apontada pelos
agricultores para a entrada na atividade leiteira é a aquisição de obter animais puros e em
segundo lugar em obter mais terras disponíveis, sendo a principal barreira é o acesso aos
fornecedores de crédito.
51
Para 96,34% a principal dificuldade encontrada nos fornecedores de insumos é custo
alto do produto. Para 71,95% a grande dos fornecedores de insumos é que possuem estoques
na cidade e a principal desvantagem e o preço alto praticado.
Em sua maioria os agricultores familiares declararam que os principais fatores de
concorrência é a falta de acesso aos canais de distribuição do leite e em segundo lugar vem a
tecnologia na produção leiteira. A pesquisa constatou que 99,99% vendem para o
laticínio/cooperativa não existindo outros canais de distribuição que possam favorecê-los e o
mesmo percentual detecta que as ordenhas são manuais, ou seja, falta crédito para
investimentos em ordenhas mecânicas. Nas 43,90% das propriedades rurais nos dois últimos
anos não houve qualquer tipo de mudanças. O que ocorreu foi a roçagem de pastagens e
pequenas benfeitorias, como conserto de cercas e outros.
Indagado ao agricultor familiar porque produz leite, 42,68% disseram que é um
negócio lucrativo e 39,02% disseram porque tem renda mensal. Destes 42,68% pretendem
continuar como estão e 40,24% pretendem aumentar a produção com a aquisição de novas
tecnologias. Alegam que a falta de crédito rural com juros subsidiados é o maior problema
que enfrentam na produção de leite. Como sugestões apresentadas para melhorar o
desempenho do setor citam o investimento em tecnologia, o incentivo ao melhoramento
genético e uma maior assistência técnica aos produtores rurais.
3.3.3.2 Aspectos quantitativos
As 82 propriedades rurais totalizaram 3.101 hectares o que equivale a uma média de
37,81/ha por agricultor familiar, destes, 56,30% da área são reservadas para a produção
leiteira. A produção de leite é de 6.919 litros/dia, perfazendo uma média de 84,38 litros/dia
por produtor rural. O preço médio recebido por cada produtor foi de R$ 0,60 litros/dias.
A Tabela 14 evidencia que o maior número de produtores que produzem leite/dia está
na faixa de 25 a 50 litros/dias. Os dados do censo agropecuário 2006 indicam que a média da
produção é de 34,69 litros/dia.
52
Tabela 14 – Distribuição da amostra da produção de leite nos núcleos rurais de
Rondonópolis-MT
Estratos de produção de leite
Número de produtores
Percentual (%)
06
7,3
25 até 50
30
36,7
50 a 100
27
32,9
100 a 200
19
23,1
82
100
(litros/produtor/dia)
Até 25
Total
Fonte: dados da pesquisa/2010
A estratificação pela produtividade (litros/vaca em lactação/dia), segundo dados da
Tabela 15 indicam que 30% dos produtores apresentaram média de produtividade abaixo de 3
litros por vaca. Esta amostra de produtores apresentou uma média de produção de 47,16
litros/dia, representando 17,04% do total produzido pelos entrevistados.
Tabela 6 – Estratificação da amostra por produtividade (litros/vaca em lactação/dia):
Estratos de produtividade
Especificação
Litros/vaca em lactação/dia
Até 3 litros
3
a 6 litros
> 6 litros
Produtores (número)
25
35
22
Produção (litros/dia)
47,16
72,08
146,18
Produção (%)
17,04
36,47
46,49
Total
82
100
Fonte: dados da pesquisa/2010
Os custos para formação de pastagem em um hectare correspondem a: sementes 500
kg = R$ 500,00; mudas 2800 kg e calcário 2,5 toneladas = R$ 2.000,00; horas máquinas de
serviços contratados = R$ 120,00 e herbicida litros = R$ 150,00; mão de obra familiar
dias/hora = R$ 200,00. O valor total da formação de pastagens nas regiões pesquisadas está
em torno de R$ 2.970,00/hectare. Já os custos para formação de cana-de-açúcar em um
hectare correspondem a: mão de obra familiar dias/horas = R$ 200,00; mudas a tonelada a R$
800,00; adubo químico quilogramas = R$ 80,00; serviços mecânicos contratados horasmáquinas = 300,00; inseticida litros = R$ 100,00; fungicida litros = R$ 200,00. Os valores
totais para a formação de cana-de-açúcar correspondem a R$ 1.680,00/hectare.
53
Em termos de benfeitorias nas propriedades rurais todas possuem energia elétrica,
curral, cercas e represa como fonte de água para os animais. Dentre outras benfeitorias,
47,61% possuem depósito para ração, 42,86% estábulo, 28,57% tronco para os animais,
19,04% investiram em silos, 14,28% bezerreiro coletivo, 9,52% tanque de expansão e 0,99%
investiram em sala de ordenha e piquete. Entre os maquinários mais utilizados na produção
leiteira aparecem o arado com 61,90%, a carroça com 42,86%, a picadeira com 23,81% e com
0,99% trator, tanque de leite e balança.
No inventário do rebanho bovino foram detectadas 1903 vacas em lactação, sendo
uma média de 23,2 vacas por agricultor familiar. Destes, 66,68% declararam que o valor
unitário está em torno de R$ 1.500,00, 14,28% em torno de R$ 2.500,00, 9,52% na faixa de
R$ 2.000,00, 4,76% na faixa de R$ 1.800,00 e 4,76% na faixa de R$ 3.000,00.
Todos os produtores possuem pelo menos 01 reprodutor sendo que 38,09% declararam
que o valor é de R$ 2.000,00, 28,59% de R$ 1.500,00, 14,28% de R$ 2.500,00, 14,28% de R$
4.000,00 e 4,76% de R$ 3.500,00.
Em relação ao restante do rebanho a composição era a seguinte: declararam que
possuíam macho até 1 ano, 76,19% com preço médio de R$ 600,00, macho de 1 a 2 anos com
preço médio de R$ 800,00, 28,57%, macho de 2 a 3 anos preço médio de R$ 1.500,00,
14,28%, fêmeas até 1 ano preço médio de R$ 800,00, 33,33%, de 01 a 02 anos preço médio
de R$ 1.000,00, 71,43%, de 02 a 03 anos preço médio de R$ 1.300,00, 42,86% e de 03 a 04
anos, 23,81% com preço médio de R$ 1.500,00.
No que tange aos eqüinos 47,61% declararam que possuíam com um preço médio de
R$ 1.000,00.
Foram descartadas 71 vacas no período pesquisado com um preço médio de R$
1.500,00 cada. Os machos no total de 78 foram vendidos com um valor médio de R$ 600,00 e
as fêmeas foram descartadas 35 a um preço médio de R$ 850,00.
54
4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
4.1 A produção e a eficiência
A teoria neoclássica da produção está baseada na noção de eficiência. De acordo com
os pressupostos teóricos desta corrente, o produto pode ser obtido num processo de produção
através da função de produção ( f ), apresentada abaixo:
Q = f ( X 1 , X 2 ,......, X n ) ,
(1)
aonde que, Q corresponde a quantidade de bens produzidos com a utilização de determinada
quantidade de insumos, sendo estes representados pelas variáveis (X1, X2, ...,Xn).
Segundo Varian (2003) a função de produção é dada pela relação entre a quantidade
máxima de um produto que se pode obter, a partir da utilização de uma determinada
quantidade de fatores de produção, em determinado tempo e mediante a escolha do processo
de produção mais adequado. Para Baídya et. al. (1999) a função de produção é a relação
matemática entre insumos e o produto final. Nesse caso, a relação é tecnológica, em outras
palavras, não econômica, descrevendo uma relação entre a quantidade do produto final dada a
utilização de quantidades de insumos, à dada tecnologia, ou seja, o produtor emprega seus
recursos adequadamente com base em um grau tecnológico disponível obtendo assim o
máximo de produto.
As diversas funções de produção, com as combinações de insumos e tecnologia dada,
podem ser representadas pelas curvas de possibilidades, ou isoquantas, as quais têm como
limite a disponibilidade de insumo. As diversas combinações de insumos definem a curva de
isocusto de produção. O uso de novas tecnologias permitirá redução de custos e, por
conseqüência, o deslocamento da isocusto.
Dessa maneira, a teoria da produção procura analisar a forma como os empresários
combinam os vários insumos disponíveis para obter determinado volume de produção de
forma eficiente. Nesse caso, a teoria pressupõe a eficiência técnica da função de produção. E
portanto, tal fato implica em afirmar que a tecnologia é conhecida e a relação entre insumos e
o resultado final do produto é a melhor combinação possível, garantida pelos pressupostos
neoclássicos, o que leva a afirmar que o empresário não irá operar de forma ineficiente
(VARIAN, 2003).
55
Em estudos econômicos aplicados, utiliza-se a forma funcional tipo Cobb-Douglas para
expressar a relação entre insumos e produto, ou através das entradas (inputs) e saídas
(outputs) de uma empresa. A expressão básica da função de produção tipo Cobb-Douglas tem
para dois insumos e um produto a a seguinte forma matemática:
q = f ( x1 , x 2 ) = Ax α1 x 12−α ,
(2)
em que q = saída ou produto; x1 = entrada ou insumo 1; x2 = entrada ou insumo 2; A e α são
constantes determinadas pela tecnologia empregada. Neste caso, se α + (1- α) = 1, a função de
produção tem retornos constantes à escala. Se α + (1- α) < 1 tem-se retornos decrescentes de
escala, enquanto se α + (1- α) > 1, tem-se retornos crescentes de escala (VARIAN, 2003;
PINDYCK; RUBINFELD, 2002).
Um problema que pode ser associado ao estimar a função de produção do tipo CobbDouglas é o fato de a mesma apresentar-se de forma não linear. Um dos procedimentos
adotados para solucionar tal problema é a linearização da função através do uso de logaritmo.
A função de produção tipo Cobb-Douglas (2) pode ser expressa em termos de logaritmos
naturais das variáveis e se teria a expressão:
log q = β0 + β1 log x1 + β2 log x2 + ε
(3)
em que β são parâmetros a serem estimados, equivalentes a β 0 = log A , β1 = α e β 2 = 1 − α
e ε é um termo de resíduos aleatórios definido como ruído branco.
Por seu turno, a definição de eficiência, do qual faz uso a teoria econômica, não
diverge muito do conceito utilizado nas demais ciências sociais aplicadas. Tanto na
administração, quanto na economia, à eficiência refere-se à otimização dos recursos existentes
para satisfazer as necessidades e os desejos de indivíduos e organização (PINDYCK e
RUBINFELD, 2007).
A noção de eficiência da teoria neoclássica está baseada no estudo desenvolvido por
Farrell (1975) que sugeriu um modelo analítico para medir a eficiência relativa baseada na
teoria da produção. A proposta do autor foi que seria mais adequado medir a eficiência a
partir de uma comparação com a melhor firma - com base em seu desempenho observado.
Neste caso, a fronteira de eficiência seria encontrada a partir dos valores observados dos
insumos e produtos e a identificação dos melhores produtores, ou mais eficientes. Nesse
56
sentido, tem-se uma comparação entre os produtores existentes e os produtores mais
eficientes.
A partir das abordagens da Eficiência Técnica (ET) e Eficiência Alocativa (EA) pode-se
mensurar a eficiência a partir da orientação dos insumos e da obtenção do produto, conforme
Gráfico 6.
Para Farrell (1957), a eficiência econômica pode ser entendida como o conjunto de dois
componentes: técnico e alocativo. Sendo que o componente técnico está associado à
capacidade da firma evitar desperdícios, ou seja, produzir o máximo de produto com uma
dada quantidade de insumos. Enquanto que o componente alocativo refere-se à habilidade de
se combinar os insumos e produtos em quantidades ótimas.
( A)
(B)
Gráfico 6 – Eficiência Econômica com a orientação de insumo e de produto.
Fonte: Gomes e Baptista (2004, p.123)
Dessa forma, as abordagens sobre a análise da eficiência mencionadas na literatura
recorrem a duas maneiras de se estimar a eficiência de uma firma - fronteira estocástica e
fronteira determinística - detalhadas no próximo capítulo.
57
5 METODOLOGIA DA PESQUISA
5.1 Modelo analítico
As abordagens sobre a análise da eficiência são tratadas na literatura a partir da
utilização de modelos que se apóiam na fronteira de eficiência estocástica e fronteira
determinística.
No que se refere ao contexto de fronteiras de produção determinísticas, a mais usual é
a utilização de modelos de Análise de Envoltória de Dados (ou na sigla em inglês, DEA –
Data Envelopment Analysis). Na abordagem DEA, a eficiência é analisada por soluções de
programação linear que por sua vez, funcionam adequadamente quando os desvios em relação
à produção ótima são ocasionados pela ineficiência técnica. Porém, a fronteira estimada pode
conter vieses se os dados utilizados possuírem ruídos estatísticos.
O termo fronteira evidencia que a função tem um limite para o conjunto de
observações possíveis, isto significa, que no caso da função de produção, que nenhuma
observação pode ficar acima da função fronteira de produção determinística. Ela evidencia
apenas desvios não positivos, mostrando que as relações insumo-produto observadas
encontram-se abaixo da fronteira, e de acordo com a tecnologia dada, as firmas não
alcançaram a máxima produção, sendo, portanto, ineficientes. Outro inconveniente na
fronteira de produção determinística, é que as variações que ocorrem no desempenho da firma
referente aos efeitos de erros de medida, outros ruídos estatísticos e choques aleatórios fora do
controle da firma são ignorados.
A principal vantagem da utilização do método de estimação de fronteira determinística
é a facilidade computacional. Além disso, ela permite a mensuração da eficiência para cada
observação. Contudo, tal procedimento inviabiliza a observação dos erros aleatórios e, desta
forma, todos os resíduos passam a ser considerados ineficientes para a unidade de decisão.
Uma alternativa para minimizar tal limitação é a utilização de um modelo de fronteira
estocástica.
Por outro lado, os modelos de fronteira estocástica permitem evidenciar o quantum
dos erros aleatórios e erros de eficiência afetam o nível de produção ótima. No presente
trabalho, optou-se pela abordagem de fronteira estocástica de produção para a análise da
eficiência.
58
5.2 O Modelo com Fronteira Estocástica
A fronteira de produção estocástica desenvolvida originalmente por Aigner, Lovell e
Schmidt (1976) possuía como eixo principal a idéia de que o mecanismo da fronteira de
produção não estaria inteiramente sob o controle da unidade produtora estudada, ou seja,
representa um avanço em relação à fronteira determinística, pois o termo do erro é composto
de duas partes: um captando os erros fora do controle da firma e outro captando os efeitos da
ineficiência em relação à fronteira estocástica.
Nesse sentido, ela se diferencia da fronteira determinística, em especial, ao considerar
um componente adicional de erro. Este mecanismo permite evidenciar a existência de erros
aleatórios de medidas, de tal modo que a ineficiência técnica poderia estar associada aos
choques aleatórios que, ao estar fora de controle das unidades produtoras, poderiam afetar o
produto. Dessa forma, a principal contribuição do modelo de fronteira estocástica está no fato
de que neste modelo se separam os efeitos provenientes da variação na eficiência técnica, ou
melhor, associados aos ruídos aleatórios.
Segundo Silva (2009) a metodologia de fronteira estocástica permite eliminar a
principal limitação dos métodos determinísticos, pois esse modelo considera como
ineficiência técnica qualquer afastamento em relação à fronteira. A partir desta função podese definir uma função fronteira de produção como sendo:
Yi = f ( X ik ; β )exp(ε i )
(4)
em que, Y =ln(y), y sendo a quantidade de leite produzida pelo produtor i; X = ln(x), e Xik são
os insumos (quantidade de terra, mão de obra e capital); o erro aleatório é apresentado por εi,
que por sua vez, estima a fronteira estocástica.
A estimação das fronteiras utiliza tecnologias que admitem um termo de erro εi
dividido em duas partes: a primeira mede a eficiência técnica que tem o controle da firma
representado pelo desvio da produção observada em relação à produção ideal; e, a segunda
capta erros aleatórios que estão fora do controle das firmas, o resíduo aleatório convencional.
Considerando que a estimação da fronteira estocástica permite fazer duas suposições
sobre a distribuição do erro, essas distribuições, medidas pela eficiência técnica que tem
controle da firma e aquela fora do controle da firma, são usualmente consideradas com
distribuição half normal ou exponencial (AIGNER; LOVELL; SCHMIDT, 1976; MENEZES;
59
RENDEIR; VIEIRA, 2006, p. 8), tal que ε i = vi − ui , o termo de erro composto de dois
componentes independentes entre si, vi ~ N (0, σ2v) é o erro aleatório e ui ∼ half normal é o
termo de erro que capta a ineficiência técnica não negativo e truncado em zero.
Valores de ui próximos a zero indicam produtores próximos à fronteira de produção
máxima, dados os insumos. Valores de ui > 0 indicam ineficiências técnicas e o produtor
produz menos devido a essa ineficiência técnica. Conforme Ferreira Junior e Cunha (2004: p.
49-50) pode-se calcular o valor esperado de ui, dado ε i como:
|
| | (5)
em que f e F são, respectivamente, as funções normais padrão de densidade de probabilidade e
/². A estimação de ui permitirá obter as medidas de
de distribuição, com
eficiência técnica de cada produtor (ETi ou, do inglês Technical Efficiency, TEi) pela forma:
ETi = TE i =
Yi
Yi *
(6)
para todo produtor i da amostra. Neste caso, Yi * é a quantidade produzida no nível da
fronteira, ou seja, para ausência de ineficiências técnicas. Portanto, pode-se reescrever (6)
inserindo (4) e obtendo:
ETi = TE i =
f ( X ik ; β ) exp( vi − ui )
f ( X ik ; β ) exp( vi ) ; ou ainda,
TEi = exp(−ui )
(7)
(8)
Destarte, o erro não positivo ui indica que o produto de cada firma está localizado
sobre a fronteira ou abaixo dela. Isso indica que os desvios são resultados de elementos sob o
controle da unidade de decisão, por exemplo, os esforços conjuntos de produtor e seus
trabalhadores.
A fronteira estocástica ainda pode resultar num erro simétrico. Quando ocorre tal fato
numa distribuição normal vi, e erro unilateral, considerando a distribuição half normal ui, a
função de distribuição do erro dual passa a ser definida por:
60
2 / π [1 − F (ελσ − 1) ] exp( −ε 2 / 2σ 2 ), −∞ ≤ ε ≥ +∞
∫ (ε ) =
2
2
(9)
2
A variância será composta por dois termos tal que σ = σu + σv e pode-se definir
λ = σu/σv , e a função de distribuição acumulada da normal padrão F(.) (AIGNER, LOVELL
E SCHMIDT, 1977; SILVA, 2009, p. 69). Todavia, a função logaritmizada da
verossimilhança maximizadora pode ser expressa através da equação apresentada a seguir:
(
)
ln L y β , λ ,σ 2 = N ln
2
π
N
[
(
)]
+ N ln σ −1 + ∑ ln 1 − F ελσ −1 −
i =1
N
1
2σ
2
∑ε
2
(10)
i =1
De modo geral, as fronteiras de produção estocástica half normal podem ser estimadas
tanto por Mínimos Quadrados Corrigidos (COLS), quanto por Máxima Verossimilhança
(Barros, Costa e Sampaio, 2004).4 Segundo Silva (2009), para garantir que a fronteira
estimada envolva todos os produtores e contemple os produtores mais eficientes, o intercepto
estimado pelo método dos Mínimos Quadrados Ordinários deve ser ajustado até que os
resíduos, exceto um, sejam negativos, conforme ilustra o Gráfico 6. Este procedimento é
conhecido como Mínimos Quadrados Corrigidos (COLS).
Gráfico 7 - Fronteira de produção estimada por Mínimos Quadrados Ordinários
(OLS) e Mínimos Quadrados Corrigidos (COLS).
Fonte: Silva (2009, p.63)
4
Silva (2009), Negri (2006), Greene (1980), Richmond (1974).
61
No entanto, o método de Mínimos Quadrados Corrigidos (COLS) nem sempre
funciona em algumas amostras, pelo fato de não ser possível calcular o desvio padrão da
distribuição half normal e ruído branco (white noise). Existem outras formas de estimar,
conforme método proposto por Jondrow, Lovell, Materov e Schmidt (1982), mas neste
trabalho optou-se pelo método de Máxima Verossimilhança do tipo da expressão (10).
Um tópico a ser analisado diz respeito à estimativa das equações de fronteira de
produção e da ineficiência em uma única etapa, comparativamente a um método de duas
etapas (estimando-se primeiro a fronteira de produção e depois a expressão da ineficiência em
função das variáveis Z). Em Karagiannis e Sarris (2002), eles mencionaram Kumbhakar e
Lovell (2000:264), e argumentaram que os estimadores do método de duas etapas eram
tendenciosos. Este é também um argumento em Wang e Schmidt (2002).
O procedimento em duas fases é do tipo: 1) especificação e estimação de uma função
fronteira estocástica de produção (expressão 4); e 2) estimação de um modelo de regressão
onde a variável dependente é a previsão de eficiência técnica da primeira fase e as variáveis
explicativas são um conjunto de fatores exógenos, como apresentado na função abaixo.
TEi = γ 0 + γ k Z ik + ε i
(11)
em que TE é o termo de eficiência obtido a partir de (6), e Z é a matriz de variáveis
explicativas da eficiência.
Este método de duas etapas tem algumas críticas a respeito das estimativas
tendenciosas dos parâmetros, devido à falta de independência dos regressores da segunda
etapa, relacionados com os da primeira fase (Kumbhakar e Lovell, 2000:264). Algumas
variáveis exógenas incluiriam fatores econômicos, demográficos, gerenciais, ambientais,
biológicos e sociais.
O procedimento de uma única etapa é atualmente mais aceitável, e adotado neste
trabalho, estimando-se a fronteira de produção estocástica e a relação entre a ineficiência e os
seus determinantes em uma única etapa. Será formado um sistema de equações (4) e (11)
onde o termo de eficiência é uma função de variáveis exógenas (Karagiannis e Sarris, 2002;
Moreira et al, 2004; Tian e Wan, 2000; Audibert, 1997).
Amara et al (1999) utilizaram um procedimento iterativo incluindo apenas as
observações de erros positivos do passo anterior, até encontrar a fronteira de produção. Então,
a função de eficiência é estimada contra as variáveis determinantes. Este não é um método
62
muito comum e alguns softwares como Frontier, OnFront, Limdep, Stata e outros têm rotinas
já pré-estabelecidas que facilitam a operacionalização.
No presente estudo optou-se pelo software Stata (comando ‘frontier’, conforme
StataCorp, 2009) com a especificação do modelo de fronteira de produção com variáveis
explicativas para a função de variância da ineficiência técnica (ln ).
5.3 Fatores que afetam a fronteira de produção e a ineficiência
Entre os componentes ou variáveis básicos de uma função de produção estão incluídos
a terra, o capital e o trabalho. Na presente seção tratar-se-á apenas das diferenças empíricas
entre os componentes dessa relação.
Karagiannis e Sarris (2002) utilizaram os seguintes insumos: terra, trabalho, insumos
intermediários (fertilizantes, pesticidas, custo de reparação, sementes e eletricidade), e o
estoque de capital (máquinas, edifícios, e ocasionalmente árvores). Tian e Wan (2000) usaram
o trabalho, fertilizantes e outros insumos, a fim de estimar a fronteira com uma forma
funcional translog – transcendental logarítmica. Amara et al (1999) utilizaram variáveis
semelhantes: fertilizante por hectare; trabalho (empregados e familiares) por hectare;
e
capital (medido em poder de máquinas cavalo por hectare).
A terra é, na maioria das vezes, medida em número de hectares. A diferença de
dimensão das explorações geralmente é deixada como determinante da ineficiência. Uma
variável tendência muitas vezes é usada para acomodar a mudança técnica, mas exige série
temporal dos dados (Karagiannis e Sarris, 2002; Tian e Wan, 2000; Moreira et al, 2004).
Estudos com dados seccionais são restritos apenas a essa falta de mudanças técnicas ao longo
do tempo.
A dimensão da fazenda é também uma variável que atrai muita discussão. De um lado
é argumentado que grandes fazendas, explorando economias de escala tendem a ser mais
tecnicamente eficientes do que fazendas menores. Amara et. al. (1999), por outro lado,
sugerem que o aumento no tamanho da fazenda diminui a oportunidade no uso de insumos.
Como resultado torna-se mais difícil para grandes fazendas conduzir suas operações no tempo
ideal e assim, insumos são usados menos eficientemente.
Coelli (1998) lembra que agricultores com operações menores podem ter fontes de
renda alternativas, que são mais importantes e, portanto, colocam menos esforço no plantio
comparado com grandes agricultores;
63
Audibert (1997) por sua vez diferenciou o trabalho da família em relação ao do
assalariado. De acordo com esse autor, na maioria das vezes o trabalho familiar induz à
obtenção de maior eficiência. Por seu turno, o efeito do trabalho assalariado é restrito à
habilidade de controlar o seu trabalho.
Para Karagiannis e Sarris (2002) a parcela da mão de obra familiar aí citada como uma
fração do total da mão de obra utilizada na produção agrícola é uma variável que afeta
positivamente a eficiência técnica. Isso ocorre devido aos fortes incentivos que são dados à
produção eficiente, bem como, a inexistência de monitoramento e rastreamento de esforço
associados ao trabalho contratado.
No que concerne a utilização da variável educação de alto nível para averiguar sua
relação com o nível de eficiência técnica Llewelyn e Williams (1996) detectaram uma relação
direta entre essa variável e a eficiência para as culturas irrigadas na Indonésia. Tian e Wan
(2000) que também utilizaram a educação de alto nível como uma variável no trato com a
questão da eficiência técnica, da mesma forma que Llewelyn e Williams (1996), identificaram
a existência de uma relação positiva com a eficiência de arroz, porém negativa para com o
trigo e milho.
A variável ‘anos de estudo’ foi utilizada no trabalho de Amara et al (1999) onde foi
testada a relação entre nível de educação e eficiência. Os resultados apresentaram relações de
dois tipos, negativa e positiva, dependendo da localidade observada. Por sua vez, Vicente
(2004) enfatiza que os altos níveis de educação conduziram a uma ótima eficiência, devido às
contribuições da educação para um ótimo acesso e habilidade no trabalho com informações
relativas a preços, e ótima apreciação das possibilidades de substituição de insumos na
produção;
Uaiene e Armdt Channing (2007) estimaram a eficiência técnica dos agregados
familiares rurais de Moçambique, utilizando o modelo translog para estimar a fronteira de
produção estocástica através do método de máxima verossimilhança.
Helfand, Moreira e Figueiredo (2011) utilizaram a metodologia semiparamétrica,
considerando uma função fronteira estocástica de lucro e também simulações não
paramétricas com o intuito de identificar os fatores que poderiam explicar as diferenças de
pobreza entre os produtores agrícolas no Brasil. As variáveis que foram utilizadas na função
estocástica, referem-se ao modelo de fluxo, que avalia a eficiência de cada fazenda na
administração dos fluxos financeiros anuais, permitindo a avaliação da eficiência técnica em
curto prazo (Ferreira; Gomes, 2004).
64
A assistência técnica e o controle de pragas e doenças é uma variável importante na
eficiência técnica. Oliveira, Silva e Baptista (2004) argumentam que quanto maior a
assistência técnica e o controle de pragas e doenças por hectare, existe a probabilidade da
propriedade ser mais eficiente na agropecuária;
Na literatura existem outros estudos que visam determinar a eficiência de uma
propriedade agrícola, entre eles, foram revisados Coelli (1998), Amara et al. (1999), Oliveira,
Silva e Baptista (2004), Junior e Vieira (2010), Tupy, Yamaguchi, Martins e Carneiro (2005),
Vicente (2004), Gomes, A.L. (2006):
A idade do produtor, medido em anos, é usada como equivalente da capacidade
empreendedora, experiência e prática, porém, alertam que agricultores mais velhos podem ter
mais experiência no cultivo e ainda assim serem menos tecnicamente ineficientes. Isso ocorre
por serem mais conservadores e menos dispostos a adotarem novas práticas. Em compensação
os agricultores mais novos são mais conscientes das tecnologias atuais e tendem a adquirir
mais facilmente o conhecimento sobre os avanços técnicos. Coelli (1998) esclarece que se os
agricultores jovens não se tornarem mais relativamente eficientes, com a idade, eles poderiam
não ser capazes de competir e seriam forçados a sair dos negócios;
O insumo capital representado pelo número de maquinários e equipamentos
apresentou-se como maior responsável pela perda da eficiência técnica na produção agrícola
dos municípios da Zona da Mata de Minas Gerais, embora os demais insumos também
tenham contribuído com menor grau (Cruz Junior e Vieira, 2010);
Os gastos com concentrados, mão de obra, aluguel de pasto e de vacas para produção
de leite, são registrados com maior segurança, representando aproximadamente 65% do custo
da produção de leite, além disso, os gastos com concentrados, mão de obra, aluguel de pasto e
aluguel de vacas no rebanho são componentes do custo com grande capacidade de refletir
ineficiência custo (Tupy, Yamaguchi, Martins e Carneiro, 2005); e,
As condições climáticas foi outra variável usada para identificar fatores que
influenciam a ineficiência agrícola. Medidas de chuva e temperatura, e a interação delas,
juntamente com o comprimento do período crescente (capturado para a latitude) fornecem
uma medida de precipitação e a diferença de a evaporação potencial e a realizada. A
evaporação realizada é condicionada para precipitação e para acumulo de água no solo pode
ser obtido diretamente do cálculo de balanços hídricos. (Vicente, 2004).
(Gomes, 2006) afirma que quando o estoque de capital é elevado e a produção é pequena, o
que sobra da diferença entre receita e custeio é pouco para pagar o custo do capital investido,
65
fazendo com que a remuneração sobre este capital seja baixa. Além do que, apesar do capital
imobilizado em animais ser de alta liquidez, o capital em benfeitorias e maquinários tem
pouca ou nenhuma liquidez, o que no caso de maquinários significa uma diferença entre o
preço de compra e o preço de venda, com eventual prejuízo para o produtor.
5.4 Dados e variáveis da pesquisa
Das 1888 famílias de agricultores familiares de Rondonópolis-MT, 1020 famílias têm
como atividade principal a pecuária, correspondendo a 54,03% distribuídas em quatro núcleos
rurais: Carimã, Cascata, Aldeinha e Boa Vista. Dentro da pecuária, 42,06% tem como
produção apenas o leite; 36,96% trabalham com leite e corte; e 20,98% apenas a atividade de
corte. Esta pesquisa tem como base apenas os agricultores familiares que tem como atividade
principal a atividade leiteira no total de 429 famílias (tabela 7). O núcleo de Boa vista não
apresentou famílias com produção exclusivamente leiteira sendo, portanto, desconsiderado.
Tabela 76 –
Quantidade de famílias nos núcleos rurais e com atividade exclusiva na
produção leiteira de Rondonópolis-MT
Núcleos Rurais
Quantidade de famílias
Quantidade de famílias
total
somente com atividade leiteira
Carimã
295
100
Cascata
553
284
Aldeinha
345
45
Boa Vista
695
00
Total
1888
429
Fonte: Prefeitura Municipal de Rondonópolis-MT/2010.
Segundo Martins (2001), para a determinação do tamanho da amostra utiliza-se a
técnica considerando a proporção (p) de uma população finita, a qual é representada pela
expressão abaixo:


Z 2 pqN

n =  2
2
 d ( N − 1) + Z pq 
(14)
em que, n é o tamanho da amostra para populações finitas; Z é o intervalo de confiança,
considerando um nível de confiança de 95%; p representa a estimativa da proporção
66
populacional, neste caso, 50%; q é a parcela da população desconsiderada (q = 1 – p=50%); d
é o erro aleatório estimado em 10%; N é considerado o universo dos produtores familiares,
com 429 (quatrocentos e vinte e nove).
Assim, obtém-se o tamanho da amostra de 82 produtores familiares de leite, para isso,
considerando a disponibilidade de recursos financeiros e tempo disponível para aplicar os
questionários. A aplicação dos questionários foi realizada no período de outubro a dezembro
de 2010 e referem-se ao ano produtivo do mesmo ano. A amostra foi distribuída
proporcionalmente em relação ao total de famílias que produzem exclusivamente leite nos
núcleos rurais, ou seja:
1- Núcleo Rural Região Carimã:
19
produtores
2- Núcleo Rural Região Cascata:
54
produtores
9
produtores
82
produtores
3- Núcleo Rural - Região Aldeinha:
Total:
Para obter as estimativas foi utilizado o sistema de equações tipo Cobb-Douglas (ou
seja, todas as variáveis em logaritmos com exceção das variáveis categóricas) com a variável
dependente da fronteira estocástica de produção, QL - a quantidade anual de leite produzido.
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)
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(15)
em que os β e α são parâmetros a serem estimados, TE é o termo da eficiência, e as variáveis
são descritas abaixo:
a) Variáveis da fronteira de produção (expressão de QL):
•
MAQ – Despesas com fluxo de serviços de máquinas e equipamentos, inclusive com a
depreciação anual, sendo que foi utilizado o método de depreciação linear;
•
BENF – Gastos com de serviços de benfeitorias na propriedade para manutenção da
atividade, inclusive a depreciação linear;
•
MO – O total gasto de mão de obra familiar mais a mão de obra contratada envolvida
na atividade;
67
•
ALIM – Despesas relacionadas ao trato da pastagem, ração concentrada, farelos, grãos
e suplementos minerais;
•
MED – Despesas relacionados a compras de medicamentos, vacinas, vermífugos,
carrapaticidas, mosquicidas;
•
ENERG – Despesas relacionado ao consumo de energia elétrica, combustíveis e
lubrificantes.
•
TER – área dedicada à produção de leite em hectares;
b) Variáveis determinantes da ineficiência (expressão de TE):
•
VAC – número de vacas em lactação;
•
IDAD – Idade do produtor;
•
ESC – Escolaridade do produtor;
•
EXPER – Tempo em que é produtor de leite;
•
TPROP – Tempo que ocupa na propriedade rural;
•
ATEC – número de vezes que o técnico visitou a propriedade;
•
ROTP – Se há ou não rotação de pastagens;
•
CONC – Uso ou não de concentrado na alimentação;
•
NORD – número de ordenhas realizadas;
•
GEN – Genética das vacas em lactação;
As variáveis do modelo da fronteira de produção foram operacionalizadas segundo os
seguintes critérios: a) valor da produção (QL) é definido pela quantidade média mensal de
leite (anualizada); b) a variável MAQ é definida pelo valor monetário, em reais, do fluxo de
serviços, bem como, da depreciação anual das máquinas e equipamentos utilizados na
atividade leiteira; c) BENF é definida pelos gastos com manutenção na propriedade para a
atividade leiteira, inclusive a depreciação anual; d) a variável MO é expressa pelo valor
cobrado da mão de obra contratada no período da pesquisa tendo por base o valor do salário
mínimo; e) ALIM são os gastos com trato da pastagem, ração concentrada, farelos, grãos e
suplementos animais, em reais, utilizados na produção leiteira; f) MED são os gastos com
compra de medicamentos, vacinas, vermífugos, carrapaticidas e mosquicidas, utilizados na
produção de leite; g) ENERG são as despesas com consumo de energia elétrica, combustíveis
68
e lubrificantes ocorridas no período analisado; h) TER a variável área dedicada à produção de
leite em hectares sendo definida pela quantidade da área utilizada na produção leiteira;
As variáveis determinantes da ineficiência representadas na expressão de TE foram: a)
VAC é a quantidade de vacas em lactação, fornecedoras da quantidade de leite produzida; b)
IDAD é a idade do produtor e consiste numa variável proxy utilizada para identificar se com o
passar dos anos há um conhecimento adquirido maior do produtor rural na atividade leiteira;
c) ESC é a escolaridade do produtor - tem como objetivo testar se existe uma relação entre o
nível educacional e a eficiência; d) EXPER é o tempo em que o agricultor familiar é produtor
de leite sendo definida para identificar a experiência do produtor como fator determinante na
eficiência; e) TPROP é o tempo que ocupa em sua propriedade tendo como finalidade
identificar as horas gastas exclusivamente na produção do leite; f) ATEC é a quantidade de
vezes que o técnico visitou a propriedade onde procurou identificar se a assistência técnica
continua melhora a eficiência na propriedade rural; g) ROTP procurou identificar se existiu ou
não rotação de pastagens e com isso se houve ganhos significativos na produção do leite; h)
CONC refere-se à utilização ou não do concentrado na alimentação e visa identificar a
necessidade de maior ou menor
quantidade de concentrados
para atender à exigência
nutricional dos animais; i) NORD é o número de ordenhas realizadas e identifica a quantidade
de vezes que o agricultor familiar executa tal atividade; j) GEN é a genética das vacas em
lactação, ou seja, se é definida alguma raça leiteira do animal.
Após a análise da eficiência técnica foram analisados alguns atributos de desempenho
econômico, tais como: receita bruta, custo operacional, margem bruta. Esta comparação foi
utilizada por Magalhães e Campos (2006, p. 702), após constatarem os produtores eficientes e
ineficientes, estabeleceram um parâmetro de análise, sendo o grupo de produtores eficientes
definidos pelas medidas entre 0,9 e 1,0. Neste trabalho os grupos dos eficientes e não
eficientes foram definidos pelos quartis (25% inferiores) e (25% superiores). Tal análise
permite avaliar não só a eficiência técnica de produção constante no modelo apresentado, mas
verificar se os grupos de produtores que foram considerados eficientes tecnicamente na
produção, têm o mesmo desempenho econômico.
Magalhães e Campos (2006) definiram os seguintes indicadores de desempenho
econômico para uma análise específica dos grupos de produtores mais eficientes e dos menos
eficientes, aqui igualmente adotados no trabalho:
•
Renda bruta: receita da venda de leite, expresso em R$/ano;
69
•
Custo operacional efetivo: representa os dispêndios efetivos (desembolsos), ou seja,
considera o somatório de despesas com mão de obra contratada, concentrados,
minerais, medicamentos, energia elétrica, combustíveis e outros itens dessa natureza,
medido em R$/ano;
•
Custo operacional total (medido em R$/ano): é a soma do custo operacional efetivo
com a depreciação de máquinas e benfeitorias e a mão de obra familiar;
•
Margem bruta, medida em R$/ano: é a diferença entre a renda bruta e o custo
operacional efetivo, e indica o fluxo de caixa da empresa, ou seja, receita menos
despesa;
•
Margem líquida, medida em R$/ano, também chamada de lucro operacional: consiste
na diferença entre a renda bruta e o custo operacional total, ou seja, equivale ao saldo
utilizado para remunerar o empresário, a mão de obra familiar, a terra e o capital
investido em benfeitorias, máquinas e animais;
•
Índice de lucratividade anual: é a relação entre a margem líquida e a renda bruta e
indica a taxa disponível de receita após o pagamento de todos os custos operacionais,
inclusive as depreciações e a mão de obra familiar;
•
Custo unitário de produção (R$): é a razão entre custo operacional total e volume de
produção anual; e,
•
Ponto de nivelamento de rendimento: obtido pela razão entre custo total e preço de
venda do produto; é dado em termos de unidades de produto e mostra qual a produção
mínima necessária para cobrir o custo total de determinada produção, dado o preço de
venda unitário do produto da atividade.
No próximo capítulo tem-se a apresentação e a discussão dos resultados do trabalho.
70
6 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados são demonstrados em quatro seções. No primeiro faz-se uma análise da
agricultura familiar comparando os resultados obtidos no Censo Agropecuário de 2006 e da
Pesquisa Municipal de 2009 realizado pelo IBGE, em nível de Brasil, Estado de Mato Grosso
e na região de Rondonópolis. Na segunda, identificam-se os aspectos qualitativos e
quantitativos dos núcleos rurais de Rondonópolis extraídos dos 82 questionários aplicados aos
produtores familiares. Na terceira são analisados os resultados da fronteira estocástica.
Finalmente, analisa-se o desempenho econômico isolado entre grupos de produtores eficientes
e ineficientes.
As despesas no trato de pastagens, ração, medicamentos, vacinas e outros, nos
intervalos de mínimo e de máximo, estão interligados ao tamanho da área e a quantidade de
bovinos em cada propriedade rural. Das variáveis reais o item despesas com energia,
combustíveis e outros apresentou a menor variação no desvio padrão, denotando uma menor
dispersão em relação à média (Tabela 8).
De um total de 3.101 hectares da amostra analisada, 56,30% é utilizadas na produção
leiteira o que corresponde a uma média de 21,59 Ha. O tamanho mínimo das áreas
corresponde a 7 hectares e o máximo de 100 hectares. Como a pesquisa foi direcionada
àqueles produtores que produziam apenas leite, existem 1.355 hectares voltados para a
agricultura ou a criação de outros animais para a sobrevivência ou ociosos.
O número de vacas em lactação indica que os agricultores familiares possuem no
mínimo 08 e no máximo 40 vacas disponíveis para a atividade leiteira. Com uma produção
média de 30.375 mil litros anuais e uma produção mínima de 4.000 litros e máxima de 72.000
mil litros, cada produtor rural produz, em média, 84,38 litros/dia.
A receita média auferida anualmente foi de R$ 17.455,34 e o mínimo estimado foi de
R$ 3.264,00. Do total, R$ 14.191,34 em média é computado como excesso atribuído a
eficiência na obtenção da receita.
As estatísticas descritivas para variáveis selecionadas para análise podem ser
observadas na Tabela 17.
71
Tabela 8 – Estatística descritiva de variáveis utilizadas no modelo elaborado na pesquisa
Unidades
Média
Desvio
padrão
Reais (R$)
1.656,70
Reais (R$)
1.144,36
Reais (R$)
Despesas trato de pastagens,
ração e outros
Variáveis
Mínimo
Máximo
1.574,24
60,00
5.550,00
1.293,89
12,00
9.200,00
5.087,49
820,03 3.010,00
6.600,00
Reais (R$)
3.124,49
953,10 2.100,00
9.870,00
Despesas medicamentos,
vacinas e outros
Reais (R$)
354,45
186,51
134,00
833,00
Despesas Energia,
combustíveis e outros
Reais (R$)
191,00
181,37
121,00
1.800,00
Hectare
21,59
12,70
7,00
100,00
Quantidade
19,08
10,20
8,00
40,00
Anos
50,65
9,22
30,00
75,00
Despesas com fluxo de
serviços de máquinas e
equipamentos
Gastos com serviços de
benfeitorias
Mão de obra familiar e
contratada
Área da produção leiteira
Número de vacas em lactação
Idade do Produtor Rural
Quantidade anual de leite
produzido
Venda de leite (valor da
produção)
Quantidade 30.375,85
20.169,80 4.800,00 72.000,00
Reais (R$)
10.817,55 3.264,00 48.960,00
17.455,34
Fonte: Elaboração própria, 2010.
A idade média do produtor rural está em torno de 50 anos, sendo o mais novo com 30
anos e o mais idoso com 75 anos. O tempo de experiência como produtor de leite está situado
entre 2 e 28 anos, ocasionando um a média de 11,66 anos. Destes 54,88% possuem apenas o
curso primário incompleto, refletindo o baixo nível de escolaridade nos núcleos rurais de
Rondonópolis-MT.
Da amostra analisada 59,76% afirmam que não receberam a visita do técnico no ano
de 2010. Apesar de existirem quatro técnicos agrícolas da Prefeitura Municipal de
Rondonópolis, atendem apenas a 24,39% dos agricultores familiares efetuando uma ou duas
visitas ao ano, em média, na propriedade rural.
Na genética do gado aparece com 67,07% sem padrão definido. A raça holandesa que
tem maior potencial para a produção de leite ou a raça Jersey que possui melhor eficiência
reprodutiva e maior percentagem de sólidos no leite não apareceram na pesquisa. Aliás, os
72
próprios agricultores familiares identificados na amostra tinham dificuldade de informar qual
era a raça do animal de sua propriedade.
6.1 Resultados da estimação de fronteira
A partir do modelo analisado para se estimar os determinantes principais da eficiência
técnica bem como os valores observados nessa análise, por intermédio da utilização das
estimativas da fronteira estocástica, obtiveram-se os resultados que são apresentados na
Tabela 18.
O modelo incluiu originalmente as variáveis descritas na Tabela 15 e sofreu mudanças
devido a retirada de variáveis consideradas irrelevantes ao longo do procedimento, conforme
comparações dos valores pelos critérios de informação dos programas Akaike (AIC) e
Schwarz (BIC ou Bayesian Information Criteria).
O que chamou a atenção foi a irrelevância das variáveis de gastos com máquinas e
equipamentos e, ainda, com a mão de obra, detectadas pelos modelos utilizados. Tal fato se
deve ao pouco uso de máquinas e equipamentos na amostra, assim como, a constatação da
pouca dedicação da mão de obra contratada e familiar na atividade leiteira. Em média o
produtor fica 62% do seu tempo na propriedade, e apenas parte desse tempo é na atividade
leiteira, sendo esporádica a mão de obra contratada.
Os parâmetros associados a gastos com benfeitorias, pastagens e rações (alimentação
dos
animais),
medicamentos,
energia
e
combustíveis
foram
todos
significativos
estatisticamente, a um grau de 90% de confiança, ou seja, rejeita-se a hipótese nula de que os
parâmetros são, individualmente, nulos (Tabela 18). A área destinada para o gado leiteiro é
em média de 21,59 hectares, variando de 7 a 100 hectares, porém, a variável terra (área da
propriedade) não rejeitou a hipótese nula, ficando não significativa para explicar a quantidade
de leite produzido com 10% de aceitação.
O efeito negativo apresentado na variável ALIM no nível de eficiência pode estar
evidenciando que o agricultor familiar, no intuito de aumentar sua produtividade (litros/vaca)
esteja aplicando em excesso os gastos com trato das pastagens, ração concentrada, farelos,
grãos e suplementos minerais. Esse manejo inadequado revela que uma alternativa viável
seria diminuir a quantidade utilizada destes insumos para o aumento da produtividade.
Com relação ao termo da variância da ineficiência, observa-se que as variáveis
explicativas foram todas significativas a 95% de confiança: número de vacas em lactação,
escolaridade do produtor, uso de concentrado e o número de ordenhas diárias (Tabela 18).
73
Todos os parâmetros deste termo tiveram sinais negativos, de acordo com a teoria, uma vez
que o termo modelado é de ineficiência técnica, ou seja, maiores valores destas variáveis
levam a menores ineficiências técnicas.
Tabela 9 – Resultados da estimação da fronteira estocástica pelo modelo Log Log
Equação
q1
Componente do termo
aleatório
Componente do termo de
ineficiência
Variável Coeficiente
Desvio-padrão
Z
P>|z|
benf
alim
med
energ
ter
0,17666
-0,67003
0,43326
0,29667
-0,01389
0,03677
0,23909
0,11046
0,15433
0,09229
4,80
- 2,80
3,92
1,92
- 0,15
0,000
0,005
0,000
0,055
0,880
_cons
10,8985
1,42699
7,64
0,000
_cons
-3,07406
0,30582
-10,05
0,000
vac
esc
conc
nord
-0,92287
- 5,88354
- 2,34745
- 2,00304
0,43975
2.82361
1,00481
0,74620
- 2,10
- 2,08
-2,34
-2,68
0,036
0,037
0,019
0,007
_cons
9,11318
2,5640
3,55
0,000
sigma_v
0,21501
0,03287
Obs
82
LL
-39,9224
G.L.
12
AIC
BIC
103,8448 132,7254
Fonte: dados da pesquisa/2010.
A partir dos resultados do modelo de fronteira estocástica, a previsão da eficiência
técnica é apresentado na Tabela 19, para as 82 observações, conforme é visto abaixo.
74
Tabela 19 – Resultados da estimação da fronteira estocástica – indicadores de eficiência
técnica.
OBS
ET
OBS
ET
OBS
ET
OBS
ET
1
0,09707
22
0,3795
43
0,3801
64
0,9541
2
0,76122
23
0,4726
44
0,7686
65
0,6533
3
0,51553
24
0,7118
45
0,6952
66
0,7710
4
0,97226
25
0,1493
46
0,9732
67
0,9601
5
0,11138
26
0,8084
47
0,9525
68
0,5606
6
0,76770
27
0,5589
48
0,2324
69
0,9637
7
0,68200
28
0,9607
49
0,5997
70
0,8162
8
0,42541
29
0,3187
50
0,6361
71
0,8229
9
0,96007
30
0,8815
51
0,0962
72
0,9571
10
0,9593
31
0,8215
52
0,7524
73
0,9725
11
0,9660
32
0,4404
53
0,4602
74
0,6622
12
0,1924
33
0,9347
54
0,9645
75
0,7035
13
0,6046
34
0,4081
55
0,6714
76
0,9568
14
0,0776
35
0,8697
56
0,7011
77
0,9735
15
0,7889
36
0,8665
57
0,7627
78
0,5537
16
0,8566
37
0,1911
58
0,8165
79
0,9491
17
0,5571
38
0,5158
59
0,5329
80
0,8685
18
0,9716
39
0,5477
60
0,7889
81
0,8617
19
0,4086
40
0,1093
61
0,7255
82
0,8616
20
0,9894
41
0,7890
62
0,9893
21
0,5493
42
Fonte: dados da pesquisa/2010.
0,9567
63
0,6604
75
O gráfico 8 traz o histograma da série de eficiência técnica das propriedades, assim
como estatísticas descritivas e intervalo de confiança de respectivas média e mediana, na
forma como é apresentado abaixo.
Sumário para eficiência técnica
A nderson-D arling N ormality Test
0,2
0,4
0,6
0,8
A -S quared
P -V alue <
2,27
0,005
M ean
S tD ev
V ariance
S kew ness
K urtosis
N
0,68156
0,26346
0,06941
-0,796710
-0,294053
82
M inimum
1st Q uartile
M edian
3rd Q uartile
M aximum
1,0
0,07760
0,52863
0,75680
0,93830
0,98940
95% C onfidence Interv al for M ean
0,62367
0,73945
95% C onfidence Interv al for M edian
0,66162
0,81091
95% C onfidence Interv al for S tD ev
I nte r valos de C onfiança ( 9 5 % )
0,22840
0,31135
Média
Mediana
0,60
0,65
0,70
0,75
0,80
Gráfico 8 – Histograma, intervalos de confiança e estatísticas descritivas da eficiência
técnica.
Fonte: dados da pesquisa/2010.
Foram detectadas 20 propriedades consideradas mais eficientes (eficiência técnica
maior que 0,9383, equivalente ao limite do terceiro quartil, Tabela 20) e as 20 menos
eficientes, ou seja, TE menor que 0,5263 (limite do primeiro quartil, Tabela 21).
Tabela 20 – Amostra dos mais eficientes - (25% superiores)
OBS
79
47
64
42
76
72
10
9
67
28
Fonte: Elaboração própria/2010.
TE
0,949
0,953
0,954
0,957
0,957
0,957
0,959
0,960
0,960
0,961
OBS
69
54
11
18
4
73
46
77
62
20
TE
0,964
0,965
0,966
0,972
0,972
0,973
0,973
0,974
0,989
0,989
76
Tabela 21 - Amostra das menos eficientes - (25% inferiores).
OBS
TE
OBS
TE
14
51
1
40
5
25
37
12
48
29
0,078
0,096
0,097
0,109
0,111
0,149
0,191
0,192
0,232
0,319
22
43
34
19
8
32
53
23
3
38
0,380
0,380
0,408
0,409
0,425
0,440
0,460
0,473
0,516
0,516
Fonte: Elaboração própria/2010.
6.2 Análise das variáveis de desempenho
As variáveis dos indicadores de desempenho identificam relações entre receita e custo
de produção dos produtores rurais mais eficientes localizados no limite do terceiro quartil
superior (25% superiores) e os menos eficientes localizados no limite do primeiro quartil
(25% inferiores).
A receita bruta do produtor de leite é gerada pela venda do leite e de animais. O custo
operacional efetivo (COE) refere-se aos gastos diretos com mão de obra contratada,
concentrados minerais, medicamentos, energia, combustíveis e outros itens dessa natureza.
São gastos de custeio da atividade leiteira. O custo operacional total (COT é composto do
custo operacional efetivo mais os valores correspondentes à mão de obra familiar e à
depreciação de máquinas e benfeitorias). A margem bruta refere-se à diferença entre a receita
bruta e o custo operacional efetivo, ela dá uma idéia do fluxo de caixa dos agricultores
familiares, ou seja, receitas menos despesas. Já a margem liquida é igual à receita bruta menos
o custo operacional total, ela corresponde a um resíduo utilizado para remunerar o empresário
e o capital investido em terra, benfeitorias, máquinas e animais. A taxa de retorno sobre o
capital investido, expressa em porcentagem ao ano, é calculada pela razão entre a margem
liquida e o capital investido em benfeitorias, máquinas e animais (Tabela 22).
77
Tabela 22 – Indicadores de desempenho dos produtores de leite mais e menos
Eficientes nos núcleos rurais do município de Rondonópolis-MT.
Indicadores de
Indicadores de
Eficientes/
Indicadores
Unidades
desempenho desempenho Ineficientes
Eficientes
Ineficientes
Renda Bruta/ Custo
5,81
Ud.
3,05
1,90
Oper. Efetivo – COE
Renda Bruta/ Custo
Operacional Total Ud.
1,77
1,03
1,72
COT
Preço recebido do leite
R$/litro
R$ 0,56
R$ 0,58
0,97
Renda Bruta
Custo Operacional
Efetivo - COE
Custo Operacional
Total - COT
Ponto de nivelamento
de rendimento
Margem Bruta
Margem Liquida
R$/ano
R$ 434.646,00
R$ 198.350,00
2,19
R$/ano
R$ 74.800,85
R$ 65.003,00
1,15
R$/ano
R$ 244.754,00
R$ 191.296,00
1,28
litros
407.923
318.827
1,28
R$/ano
R$ 359.845,15
133.347,00
2,70
R$/ano
R$ 189.892,00
7.054,00
26,92
%
21
1
21,00
%
43
3
14,33
Taxa de retorno sobre
capital investido
Índice de lucratividade
Fonte: dados da pesquisa/2010.
Diante dos cálculos realizados pode-se afirmar que, em média os agricultores
familiares eficientes recebem R$ 0,56 por litro de leite produzido e os não eficientes R$ 0,58
por litro. Os indicadores da receita bruta sobre o custo operacional efetivo indicam que para
cada real de custos efetivamente desembolsados, os agricultores eficientes, obtêm em média
R$ 5,81, de renda. Pode-se dizer ainda, que esse valor é 90% superior aos produtores obtidos
pelos produtos ineficientes.
Ao se adicionar as variáveis de depreciações com máquinas e equipamentos e
benfeitorias, bem como, a mão de obra familiar gera-se um índice de R$ 1,77, resultado esse
que é em 72% superior à dos agricultores familiares ineficientes. Este índice faz com que os
agricultores familiares eficientes cubram os custos operacionais totais e tenham 0,77 por litro,
para remunerar os demais fatores de produção.
Os ineficientes estão trabalhando no limite, indicando um empate técnico entre a
receita bruta e o custo operacional total, ou seja, os custos mão de obra familiar, as
depreciações de benfeitorias, máquinas e outros não estão sendo devidamente remunerados
para um possível investimento.
78
No caso do ponto de nivelamento que indica a produção mínima necessária que o
produtor tem que ter de receitas para cobrir os custos totais equivale a 407.923 unidades/litros
de leite, ou seja, com 52,42% da produção anual o produtor rural atinge este ponto de
equilíbrio. Já os produtores familiares ineficientes precisam atingir um patamar de 96,57% da
produção anual para cobrir os custos totais.
O volume de produção reflete no COT anual que é, em média, de R$ 12.237,70.
Deduzindo as parcelas da mão de obra familiar e depreciações, obtêm-se os gastos de custeio
da atividade COE, que é de R$ 3.740,04 por ano. Isso significa um gasto direto de
aproximadamente R$ 311,67 por mês, caracterizando bem um agricultor de pequeno porte.
A margem bruta dos agricultores familiares de R$ 17.992,26, em média, após cobrir os
custos variáveis, deve remunerar os custos fixos e o capital investido. Em relação à margem
liquida de R$ 9.494,60, em média, deve remunerar a mão de obra familiar e as depreciações
ocorridas, gerando ao agricultor capacidade de investimento empresarial. Em relação aos
agricultores familiares não eficientes possuem de margem bruta R$ 7.843,94 para cobrir os
custos variáveis e os fixos, restando apenas R$ 414,94 para cobrir a mão de obra familiar e as
depreciações, sem nenhuma capacidade de investimento.
Quanto ao retorno sobre o investimento, que é a relação entre a margem liquida e o
capital investido em benfeitorias, máquinas, sem considerar os investimentos em animais, o
retorno é de 21%, portanto, superior aos investimentos obtidos no mercado. Já os agricultores
familiares não eficientes não dispõem de nenhum retorno sobre o capital investido em
maquinários e benfeitorias.
O índice de lucratividade que mostra o percentual médio disponível da renda total
após o pagamento de todos os custos operacionais apresenta-se positivo com 43% e para os
não eficientes apenas 3%.
79
7 CONCLUSÃO
Existe um número inexpressivo de produtores de leite que não calculam seus custos de
produção, basicamente porque não sabem devido ao baixo grau de escolaridade verificado nas
amostras da pesquisa ou acreditam que esse procedimento não se faz necessário. Nos dias
atuais, o controle de custos na produção é indispensável tanto na pecuária leiteira como em
qualquer outra atividade agropecuária, pois, representa um forte subsidio na tomada de
decisão e mostra como deve ser gerida a propriedade em termos de avaliar a eficiência das
unidades produtivas para fins estratégicos e de planejamento.
Em termos regionais, nos últimos dez anos, houve um incremento de 59,59% na
produção leiteira em Mato Grosso, passando de 411.391 para 656.558 mil litros passando a
ocupar o 9º lugar na produção leiteira nacional (IBGE - Pesquisa Pecuária Municipal/2009).
Além da região apresentar vantagens comparativas em relação aos custos de produção, como
por exemplo, a utilização de resíduos da produção regional na alimentação do gado, tais
como, soja, milho e outros, o produtor que conseguir produzir leite com custos mais baixos do
que nas regiões de maior tradição, certamente colocará Mato Grosso, com destaque maior a
longo prazo na pecuária de leite nacional.
Dentro deste contexto, esta pesquisa teve como objetivo identificar e analisar as
variáveis mais importantes que determinam a eficiência técnica dos agricultores familiares
dos núcleos rurais do município de Rondonópolis-MT e dentro dessa perspectiva de
crescimento da produção leiteira quais as variáveis que são sustentáveis e o que pode ser
melhorado em relação aos custos de produção.
As variáveis mais importantes que determinam a eficiência técnica da produção
leiteria foram os gastos com benfeitorias, pastagens, ração concentrado, farelo, grãos e
suplementos minerais, medicamentos, vacinas, energia, combustíveis e lubrificantes, sendo
todos significativos estaticamente a 90% de confiança.
Em relação aos principais determinantes da ineficiência dos agricultores familiares
produtores de leite observa-se que as variáveis explicativas foram todas significativas a 95%
de confiança: número de vacas em lactação, escolaridade do produtor, uso de concentrado e o
número de ordenhas diárias, ou seja, um aumento nestas variáveis provocaria uma diminuição
no grau de ineficiência técnica.
A análise das variáveis de desempenho mostrou que para o grupo total da amostra de
82 agricultores familiares após cobrir os custos operacionais totais, há uma sobre de R$ 0,77
80
para remunerar os demais fatores de produção.
Isto indica que produzindo 52,42% da
produção anual de leite, ou seja, 407.923 unidades/litros o agricultor eficiente passa a ter lucro
em sua atividade leiteira.
O retorno sobre o investimento, excluindo os animais, representa um percentual de
21% ao ano, superior aos investimentos obtidos no mercado, cujo índice de lucratividade
apresenta-se positivo com 43% o que são índices altamente significativos para a produção
leiteira da região de Rondonópolis, e que contribui em muito para com os índices de
produtividade do Estado.
Diante dos dados pesquisados pode-se sob forma de sugestão final fazer as seguintes
observações quanto ao delineamento de políticas públicas:
•
Criação de um centro de recria pela Prefeitura local;
•
Distribuição e inseminação de sêmen de gado de raça leiteiro para os agricultores
familiares, para a melhoria genética do rebanho;
•
Implantação de um laboratório para fazer exames laboratoriais para detectar
doenças no rebanho;
•
Adoção de cursos objetivando aumentar o nível da escolaridade e qualificação
profissional (55% possuem primário incompleto);
•
Aumentar a disponibilidade de técnicos agrícolas, já que 80,49% dos agricultores
familiares não são atendidos pela assistência técnica;
•
Como conseqüência da falta de assistência técnica não utilizam adequadamente: a
cana-de-açúcar, resíduos de soja, algodão, cevada e outros como alimentação
suplementar para vacas em lactação;
•
Políticas de crédito, através da PRONAF, para aquisição de matrizes de gado
leiteiro e melhoria na infraestrutura e posteriormente aquisição de maquinários
para ordenha mecânica;
Acredita-se que com a adoção das medidas elencadas acima, haverá um grande avanço
nos programas de melhoramento da tecnificação da produção leiteira para os núcleos rurais de
Rondonópolis-MT.
81
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LUIZ DISSERTAÇÃO AJUSTADA