ISBN 978-85-64348-00-4
9
788564
348004
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2010
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Prêmio Imprensa Embratel 2010
Patrocínio
Direção e organização
Jurados Nacionais
Jornalistas jurados Regionais
Marcello da Silva Miguel
Alberto Jacob Filho
J. Pedro Corrêa – Curitiba (PR)
Mariana Abreu Carneiro
Angélica Consiglio
Paulo Brandão – Salvador (BA)
Gerusa Rosa Candal Fonseca
Arnaldo Niskier
Priscila Barreto – Porto Alegre (RS)
Claudia Ribeiro Janot de Mattos
Cícero Sandroni
Terezinha Santos – Rio de Janeiro (RJ)
Fernanda Lobão dos Santos
Ethevaldo Siqueira
Edna Araripe – Rio de Janeiro (RJ)
Márcia de Oliveira Maia
Janice Caetano
Giovana Sampaio – Fortaleza (CE)
Angélica Consiglio (Planin)
José Luiz Laranjo
Glaucia Albernaz – Belo Horizonte (MG)
José P. Martinez
Ana Cristina Cavalcanti – Belém (PA)
Maurício Menezes
Marcelo Danil – São Paulo (SP)
Rogério Reis
Paulo Roberto Pereira – Manaus (AM)
Sérgio Murillo de Andrade
Sônia Lopes – Recife (PE)
Zuenir Ventura
Teresa Cristina Machado – Brasília (DF)
Realização
Antonio Oscar de Carvalho
Petersen Filho
Luiz Bressan Filho
Sérgio Baptista de Mello
Branca Heloísa Brito de Souza
Jornalistas da comissão
de pré-seleção
Michelle Cardoso de Correa Marques
Luiz Freitas
Kath Pacheco Batista Lousada
Jorge Luiz Moutinho Lima
Ilza Araújo
Júlia Selma C. Graça
F862p
Freitas, Luiz
Prêmio Imprensa Embratel 2010 / Luiz Freitas, Daniel Pereira,
Fátima Lopes e Kath Lousada. Rio de Janeiro: Instituto Embratel, 2011.
60p.: il.color.
12ª edição
ISBN 978-85-64348-00-4
1.Prêmio Imprensa I. Pereira, Daniel II. Lopes, Fátima III. Lousada, Kath IV. Título
CDU 37.091.53
Ficha Catalográfica elaborada pela Bibliotecária Rosa Maria Romanelli Pereira de Almeida – CRB 7/3121
EDIÇÃO 2010
Pausa para um refresco, 11
Categoria Regional, 14
Região Norte, 14
Região Centro-Oeste, 16
Região Nordeste, 18
Região Sul, 20
Região Sudeste, 22
Categoria Tecnologia da Informação,
Comunicação e Multimídia, 24
Veículo Especializado, 24
Veículo Não-especializado, 26
Categoria Nacional, 28
Reportagem Econômica, 28
Jornalismo Cultural, 30
Reportagem Esportiva, 32
Rádio, 34
Reportagem Fotográfica, 36
Reportagem Cinematográfica, 40
Televisão, 42
Responsabilidade Sócioambiental, 44
Jornal e Revista, 46
Jornalismo Investigativo, 48
Grande Prêmio Barbosa Lima Sobrinho, 50
Jurados, 54
S u m á rio
No turbilhão dos fatos,
o registro fiel de nossos dias, 9
A Responsabilidade Social é, para a Embratel, um de seus valores institucionais.
E o Instituto Embratel, seu braço social, tem como objetivo primordial promover
e colaborar para o desenvolvimento e a execução de projetos e atividades de
natureza cultural, científica, educacional, esportiva e social, com ênfase nos
projetos comunitários.
O Instituto Embratel tem orgulho de ter participado como realizador da
12º edição do Prêmio Imprensa Embratel, uma das premiações de maior
credibilidade e abrangência do jornalismo brasileiro – uma iniciativa da Embratel,
com o importante apoio da Federação Nacional dos Jornalistas, do Sindicato
dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro e da Associação Profissional
dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio de Janeiro.
O resultado deste livro nos leva a refletir o quanto o jornalismo ético é
indispensável à sociedade. Aqui também observamos que a ação do repórter
é social no sentido mais amplo da palavra: político, econômico, histórico,
sociológico, demográfico etc.
Praticar o bem social. Preservar valores. Assim as ações do Instituto Embratel
convergem com as dos jornalistas que fizeram história nesta publicação.
6
No turbilhão dos fatos,
o registro fiel de nossos dias
O ano de 2010 marca a excelência dos trabalhos dos repórteres participantes da 12ª edição do Prêmio Imprensa Embratel
que, além de elevar o nível de uma das mais importantes e consagradas premiações do jornalismo nacional, reflete a integridade
e a responsabilidade social daqueles profissionais. Criado em 1999 como forma de estimular a análise e o debate jornalístico,
o prêmio reconhece as melhores reportagens e trabalhos fotográficos e cinematográficos em 17 categorias, além do
Grande Prêmio Barbosa Lima Sobrinho.
O Prêmio Imprensa Embratel prestigia o jornalismo independente que que focado no interesse social gera, além da informação,
reflexão, denúncia, transparência, justiça e reconhecimento, despertando a atenção para necessidades de interesse público.
Por isso, a premiação, que inicialmente reconhecia os destaques jornalísticos do setor de telecomunicações, tem hoje abrangência
nacional para estimular a produção de reportagens sobre os grandes temas. Com isso, a Embratel é hoje reconhecida como parceira
e incentivadora do jornalismo brasileiro, essencial para o desenvolvimento do Brasil.
Na última edição, foram mais de mil inscrições de reportagens enviadas por renomados jornalistas de todo o país. As categorias
nacionais receberam 842 trabalhos distribuídos nas categorias jornal/revista, televisão, jornalismo investigativo, esportiva, fotográfica,
cinematográfica, rádio, cultural, econômica, responsabilidade socioambiental e tecnologia da informação, comunicações e multimídia.
A categoria regional, com a mídia e temas livres, registrou 181 reportagens.
Esta publicação, com as matérias premiadas e ora distribuídas para bibliotecas públicas, universidades e escolas
de comunicação, coloca em evidência o registro fiel de nossos dias para que se transforme,
sem data de validade, em fonte de pesquisa para jornalistas, estudantes das áreas
de comunicação, sociologia e ciências políticas, entre outros interessados.
Por considerar a relevância dos meios de comunicação para a formação da sociedade
brasileira, o Prêmio Imprensa Embratel reconhece, na brava atitude dos repórteres,
a árdua missão de porta-voz do coletivo.
Pausa para um refresco
(ou: pequena carta aos que gastam sola de sapato fazendo Jornalismo)
Uma das máximas das redações diz que “jornalista não é notícia”. Mas, uma vez por ano, quando
são anunciados os vencedores de prêmios jornalísticos, jornalistas mudam de lado por breves instantes:
viram “notícia”. O locutor-que-vos-fala teve a honra de ser premiado, nesta quarta-feira, com o Prêmio
Embratel de Jornalismo (na categoria TV), pelas entrevistas com os generais Newton Cruz e Leônidas
Pires Gonçalves sobre os bastidores do regime militar.
Sou dos que acreditam que jornalista pode ser, também, uma espécie de arqueólogo – que revira
o passado em busca de novidades. A contradição é apenas aparente: o passado pode nos surpreender
com novidades, sim. Por que não?
Um detalhe me chamou atenção e me deixou feliz ao inspecionar a lista de finalistas do Prêmio
Embratel: o júri selecionou para a grande final, em várias categorias, uma série de reportagens que
mergulhavam no passado em busca de luzes. Lá estavam reportagens sobre A guerrilha do Araguaia
(O Estado de S. Paulo), uma série sobre “Como a censura calou a música brasileira” (Correio Brasiliense),
os arquivos do ex-governador Miguel Arraes (Diário de Pernambuco), “Os espiões que viveram nas
sombras dos anos de chumbo” (Zero Hora).
Fiquei feliz ao ver, premiadas, reportagens que envolveram obviamente um grande esforço de
investigação, como os “diários secretos” – uma equipe da Gazeta do Povo e da RPCTV denunciou
um caminhão de irregularidades na Assembleia Legislativa do Paraná (os repórteres: James Alberti,
Kátia Brembatti, Karlos Kohlbach, Gabriel Tabatcheik).
Ou a denúncia do jornal O Estado de S. Paulo sobre os atos secretos baixados pelo Senado Federal –
esta, a grande vencedora da noite. Os autores: Rosa Costa, Leandro Colon, Rodrigo Rangel. Ou a
reportagem que provocou o cancelamento da prova do Enem (autores: Renata Cafardo e Sérgio Pompeu).
10
“Fazer jornalismo
é produzir memória”
Quando vi autores de reportagens deste calibre vibrando como se fossem iniciantes, pensei, aqui,
Somente assim, o Jornalismo será vívido, interessante, inquieto – não este monstro burocrático, chato
com meus velhos botões: minha tribo é esta. Sou insuspeito para falar porque tenho, obviamente,
e cinzento que nos assusta tanto. Fazer Jornalismo é saber que existirá sempre uma maneira atraente
meus momentos de desilusão com o jornalismo (e de abatimento profissional).
de contar o que se viu e ouviu. Fazer Jornalismo é ter a certeza de que não existe assunto esgotado.
Sempre me lembro de uma história que meu guru Joel Silveira, tido como o maior repórter brasileiro,
Há fatos a explicar sobre 1964, por exemplo; tudo pode ser revirado: a crucificação de Jesus Cristo
gostava de contar. Uma vez, estava datilografando furiosamente um texto numa máquina de escrever,
merece ser investigada. Por que não? Jornalista não pode se deixar vencer pelo tédio destruidor –
na redação. De repente, Nélson Rodrigues estacionou diante de Joel e ficou contemplando a cena em
nunca. Se um estreante perguntasse, eu diria: deixe o tédio em casa. Traga a vida das ruas pra redação.
silêncio durante um bom tempo: lá estava um jornalista escrevendo um mero texto de jornal como
Porque, em noventa e oito por cento dos casos, o que a gente vê na vida real é mais colorido e mais
se fosse mudar o destino da humanidade.
arrebatador do que o que se publica nos jornais ou o que se vê na TV.
Nélson Rodrigues limitou-se a suspirar uma palavra, antes de seguir adiante: “Patético!”. Joel – com
Diria também: não faça jornalismo para jornalista. Faça para o público! Fazer jornalismo é não praticar
quem tive o privilégio de conviver durante vinte anos que valeram por cinquenta de aprendizado –
nunca, jamais, sob hipótese alguma, a patrulhagem ideológica. Ponto. Um general – seja quem for –
ria ao descrever esta cena. Poderia até concordar com o que Nélson Rodrigues dizia – em última
deve ser ouvido com tanta atenção quanto o mais renitente dos guerrilheiros.
instância, somos todos “patéticos” –, mas continuava a teclar devotadamente um texto que estaria
esquecido vinte e quatro horas depois. O que importava, ali, não era a transitoriedade do Jornalismo.
Era a devoção – um traço que, aliás, diferencia um jornalista burocrático de um jornalista “de verdade”.
Lugar de votar é na urna. Não é na redação; (eu disse ao general Newton Cruz:
não quero parecer bom moço, jornalista vive procurando escândalo e
declarações bombásticas, mas, como personagem jornalístico, o senhor
Sou um dos piores oradores que já tiveram a ventura de transitar pelo Cone Sul da América. Ainda
me interessa tanto quanto Luís Carlos Prestes, a quem, aliás,
assim, arrisquei-me a dizer umas palavras ao receber o Prêmio Embratel de telejornalismo. Como
entrevistei algumas vezes).
sempre acontece quando me vejo diante de qualquer plateia, terminei me esquecendo de metade
do que gostaria de dizer.
Por fim: fazer jornalismo é desconfiar, sempre, sempre e sempre.
A lição de um editor inglês vale para todos: toda vez que estiver ouvindo
Agora, mando às favas todos os escrúpulos da auto-referência. Sou um quase dinossauro. Tenho 54
um personagem – seja ele um delegado de polícia, um praticante
anos. Comecei a trabalhar em redação aos dezesseis. Posso dizer que aprendi duas ou três coisas.
de ioga ou um astro da música – pergunte sempre a si mesmo, intimamente:
Em homenagem aos colegas que suam a camisa, gastam sola de sapato na rua, atazanam os poderosos,
“por que será que estes bastardos estão mentindo para mim?”
levantam escândalos e, por fim, vibram quando são reconhecidos, publico o que tentei dizer mas não
disse totalmente na hora da premiação.
Não existe pergunta melhor.
Era algo assim: Toda atividade – seja qual for – precisa de um lema, uma bandeira, um slogan. O meu
poderia ser qualquer outro, mas é: “Fazer jornalismo é produzir memória”. O jornalismo pode ser útil,
Geneton Moraes Neto
então. Pode jogar luzes sobre o passado. Por que não? É preciso ter convicção. Pois bem: posso estar
jornalista vencedor da categoria T V, do Pr ê mio Imprensa E mbratel 2010 ,
errado, mas acredito que fazer jornalismo é olhar o mundo, os fatos, os personagens e as histórias
com os olhos de uma criança que estivesse vendo tudo pela primeira vez.
12
publicado em seu blog e no jornal O Globo
Categoria Regional
Região Norte
BANZEIRO – Criança sem infância
Castelo Branco e Polari l Jornal Repórter (Manaus)
Duas reportagens retratam a realidade cruel das crianças que
moram nas regiões de menor densidade populacional do Amazonas.
Para elas falta tudo – alimentação, educação, assistência médica,
respeito e dignidade –, mas sobra trabalho duro, como cortar lenha,
que as deixa com as mãos calosas e com muitas feridas pelo corpo.
Na floresta encontram os meios para sobreviver, mas muitas
não escapam da exploração praticada pelos traficantes de drogas
e a prostituição.
MUTILADOS
Nyelsen Martins e equipe l TV Record
Mostra o trabalho de adultos, crianças e adolescentes nas fábricas
caseiras no norte do Brasil, atividade que ajuda a sustentar famílias,
mas que cobra um preço cruel. As máquinas rústicas utilizadas para
prensar a argila e moldar os tijolos, conhecidas como marombas,
são responsáveis por graves mutilações nos braços e pernas dos
trabalhadores das pequenas olarias do interior do Pará. Muito
trabalho e perigo a troco de quase nada, quase sempre por um prato
de comida. Crianças com menos de 10 anos chegam a cortar até
mil tijolos por dia.
14
SERRA PELADA – A vingança do ouro
Nyelsen Martins com a equipe da TV Record, de Belém – Rogério Paiva, Thiago Mello Jorge Quemel e Eriercio Furtado –
e os produtores Luiz Malavolta e Eduardo Prestes l TV Record
A série de reportagens conta a história do maior garimpo de ouro a céu aberto do mundo, em uma região que chegou a abrigar 100 mil
famílias e que hoje abriga apenas 6 mil, vivendo em extrema pobreza, em casas de palha ou de madeira, sem saneamento básico
e com doenças se multiplicando, por falta de assistência médica adequada e medicamentos. Por ironia, essas famílias vivem sobre
uma fortuna incalculável de ouro, mas só acessível através de exploração mecanizada e com alta tecnologia. Alguns ainda insistem
em tentar recuperar o muito que já ganharam e perderam. O desafio para eles, agora, é sobreviver.
O repórter Nyelsen Martins acredita que uma sociedade bem informada é aquela que aprende a lutar pelos seus direitos, por uma
qualidade de vida cada vez melhor, por uma melhor distribuição de renda, por menos pobreza, doenças, sofrimento e mais esperança.
“Informação é poder. Jornalismo é sacerdócio. Por isso é tão importante ter faro para a notícia, curiosidade, perseverança, coragem,
ética e amor pela profissão”.
O jornalista contou que o Prêmio Embratel o ajudou a renovar a vontade de ir além, em busca de novos desafios, de novos furos,
de boas histórias. “O reconhecimento de um trabalho é o combustível para seguir adiante e a certeza que podemos sim construir
um Brasil melhor para todos” .
E foi por isso que ele enfrentou fome, sede e diversos tipos de perigos para fazer a reportagem vencedora. “Quando achamos
o presidente da Cooperativa de garimpeiros de Serra Pelada em Imperatriz no Maranhão fomos cercados por capangas armados.
Não conseguimos dormir na cidade. Saímos do local escoltados por pistoleiros. Tivemos de viajar quase mil quilômetros até São Luiz.
Chegamos de madrugada, dormimos apenas três horas”.
“Não conseguimos
dormir na cidade.
Saímos do local
escoltados por
pistoleiros.”
Categoria Regional
Região Centro-Oeste
ONDE ESTÃO ELES – Desaparecidos de Luziânia
Ary Filgueira, Naira Trindade, Daniel Brito, Adriana Bernardes, Renato Alves, Ariadne Sakkis,
Fiego Amorim, Luiz Calcagno e Marcelo Abreu l Jornal Correio Braziliense
FRAUDE – DIPLOMA SEM VALOR
O desaparecimento de jovens na cidade de Luziânia, situada a 66 quilômetros de Brasília, foi o tema dessa série de reportagens.
O drama terminou com a morte de sete jovens e o suicídio do assassino confesso, que ficou conhecido como o maníaco de Luziânia.
Guilherme Goulart, Luísa Medeiros, Rodolfo Borges
e Luiz Calcagno l Jornal Correio Braziliense
As matérias serviram para alertar as autoridades policiais do município goiano sobre a relação dos assassinatos, já que no início
das investigações insistiam em tratar os casos como isolados. Após a publicação da terceira reportagem, quando já eram
cinco os desaparecidos, o assunto ganhou repercussão nacional, fazendo com que a Polícia Federal entrasse no caso.
A série de reportagens denuncia esquema de venda e emissão
de diplomas de conclusão de ensino médio através do Instituto
Latino-Americana de Línguas (ILAL). A escola usava indevidamente
o nome de instituições autorizadas pelas autoridades de educação
para oferecer supletivos e distribuir certificados de forma ilegal.
Pelo menos 800 alunos pagaram até R$ 1 mil pelos certificados
ilegais para garantir vagas na universidade. A matéria alertou a
Polícia Civil, o Procon e a Secretaria de Educação do DF, que aplicaram
multas e interditaram o Ilal.
GOIÁS SOFRE COM APAGÃO
NA INFRAESTRUTURA
Vinicius Jorge Sassine l Jornal O Popular
A série destaca as deficiências do estado de Goiás que o impedem
de acompanhar o crescimento econômico, as intenções de
investimento, a velocidade da indústria e a modernização agrícola.
Mostra como a falta de infraestrutura compromete o crescimento
agrícola e aborda a isenção fiscal concedida às usinas de álcool,
que deixaram de recolher mais de R$ 28 bilhões aos cofres
estaduais, comprometendo os recursos para obras, tais como
distribuição de energia elétrica, saneamento e transporte
ferroviário.
16
Os vencedores acreditam que o jornalismo contribui na batalha para devolver um mínimo de dignidade à sociedade. “Sete mães de
Luziânia tiveram os filhos arrancados do berço de casa. Sete anônimas ignoradas pela pouca instrução escolar ganharam visibilidade
nacional ao ter os problemas retratados numa página de jornal”, contou Naira Trindade. Alertando que o problema isolado dessas
mães não teria sido resolvido sem a persistência dos repórteres em cavar as matérias e brigar para ter mais espaço nas páginas
diárias do jornal.
Naira comentou que o Prêmio Imprensa Embratel valoriza o trabalho suado
de jornalistas “muitas vezes mal remunerados e invisíveis nas editorias
dos jornalões”. Mas a maior gratificação foi ajudar as pobres mães
a saberem do paradeiro dos seus filhos.
“Os lamentos acabaram escutados por uma sociedade
preconceituosa. Ganharam carisma e atenção. E tiveram
os problemas solucionados após meses de pressão. Hoje, muitas
continuam sobrevivendo sem auxílio do Estado. Mas dignas
por terem pelo menos conseguido enterrar os filhos que o Estado
não conseguiu proteger”.
“Os lamentos
acabaram escutados
por uma sociedade
preconceituosa”.
Categoria Regional
Região Nordeste
MÃOS QUE FAZEM HISTÓRIA –
A vida e a obra das artesãs cearenses
Germana Cabral e Cristina Pioner l Jornal Diário do Nordeste
MIGUEL ARRAES – O arquivo do exílio
Andrea Pinheiro l Jornal Diário de Pernambuco
A reportagem conta a história do exílio do líder político brasileiro,
escrita a partir das milhares de páginas produzidas do seu próprio
punho, durante os 14 anos que viveu na Argélia. Arraes saiu do Brasil
em 1965, depois de permanecer preso por um ano e ser solto por
força de habeas corpus. Diante da insegurança e das ameaças
constantes de voltar a ser preso, decidiu se exilar. O trabalho
do repórter resgatou correspondências pessoais, testemunhos
e arquivos que ajudam a entender como pensava o homem que
dizia ter “duas mãos e o sentimento do mundo”.
O SUPLÍCIO DO PELOURINHO
Jorge Gauthier e equipe: Alexandre Lyrio, Bruno Wendel,
Mariana Rios, Felipe Amorim, Oscar Valporto
e Bruno Villa l Jornal Correio (Salvador)
A série teve como objetivo alertar as autoridades para a situação de
abandono e insegurança do Centro Histórico, que atrai milhares
de turistas anualmente. Crack, furtos, pedintes e sujeira foram
as principais mazelas identificadas pelos repórteres. As matérias
mobilizaram as autoridades municipais e estaduais, que tentaram
buscar soluções para os principais problemas da região, a partir da
identificação dos pontos críticos que contribuem para o aumento
da criminalidade.
18
A vida e a obra de 243 mulheres que se destacam na produção artesanal do Ceará, famosa pelo trabalho feito à mão, foram retratadas
em oito cadernos especiais, totalizando 128 páginas. A série mostrou quem são, como vivem e produzem as artesãs cearenses que
trabalham com barro, rendas, tecelagem, boneca de pano, fuxicos e redes de dormir. As repórteres percorreram 11 mil quilômetros,
durante 65 dias, e visitaram 71 cidades em todas as regiões do estado (Serra, Sertão e Litoral), conhecendo Marias, Cíceras, Lourdes,
Raimundas e Franciscas.
Para elaborar a série, foram necessários cerca de 18 meses. E, de acordo com as repórteres, a satisfação pessoal se confundiu com
o prazer profissional. “É uma espécie de recompensa que compartilhamos com as artesãs que ilustraram nossas matérias com
seus exemplos de vida e de amor a uma arte que ainda se faz em lugares tão remotos. Por onde passamos, registramos paisagens
e pessoas, assim como as dificuldades. Ficamos em pousadas sem a mínima infraestrutura, mas também em bons hotéis.
Sentimos frio, a brisa do mar e tentamos nos proteger do sol inclemente do sertão”, disse Germana.
A repórter destacou que foi necessário percorrer os locais mais longínquos, onde muitas vezes o carro da reportagem não conseguia
chegar. “Enfrentamos estradas esburacadas, quase intransitáveis no período das chuvas ou cheias de poeira na estiagem.
Subimos e descemos serras. Pegamos carona em motocicletas, porém nada foi obstáculo para chegarmos às artesãs”, orgulha-se.
Já Cristina Pioner lembrou que nos roteiros, difícil mesmo foi encontrar quem não quisesse puxar uma conversa. “Elas mostraram,
com orgulho, as criações, fizeram queixas da pouca valorização
ainda sentida por quem trabalha essencialmente com
as mãos. Algumas não acreditavam que iríamos,
pensavam que o telefonema era trote.”
“Algumas não
acreditavam que
iríamos, pensavam
que o telefonema
era trote.”
Categoria Regional
Região Sul
INFÂNCIA VIRA FUMAÇA – Uso de crack
por crianças assusta autoridades
Carolina Rocha e Aline Custódio l Jornal Diário Gaúcho
As repórteres relatam casos impressionantes de crianças gaúchas
viciadas, que trocaram o carrinho, a bola e a boneca pelo cachimbo,
o isqueiro e o crack. O vício atinge até menores de 4 anos de idade.
Eles usam a droga nas ruas, praças, sob os viadutos, na frente de
qualquer pessoa. Também é comum encontrar irmãos unidos no
vício, como quatro focados na reportagem, de 14, 12, 10 e 8 anos.
Enquanto é fácil adquirir o vício, o tratamento é muito difícil, pois não
existe leitos suficientes para atender a demanda de crianças viciadas.
RIO GRANDE DE EXTREMOS
Rodrigo Lopes, Roberta Salinet e equipe l TV RBS
Os repórteres percorreram 4 mil quilômetros pelo pampa, campos
de cima da serra e deltas dos rios mais poluídos do Brasil, buscando
respostas para a mudança provocada pelos elementos da natureza
na vida dos gaúchos e também para entender as causas desses
fenômenos. Os resultados obtidos, a partir de entrevistas com
professores, meteorologistas, agricultores, cientistas e empresários,
revelaram controvérsias sobre as causas desses fenômenos, mas
num ponto todos concordam: as condições atuais de vida do homem,
o crescimento das cidades e o mal uso da terra tem esgotado os
recursos naturais do planeta.
20
OS INFILTRADOS – Os espiões que
viveram nas sombras dos anos de chumbo
Carlos Wagner, Carlos Etchichury, Humberto Trezzi e Nilson Mariano l Jornal Zero Hora
A série de reportagens mostra as faces e o que fazem hoje os espiões que viveram nas sombras dos anos de chumbo.
Eles se disfarçavam para se misturar aos opositores do regime militar, vigiá-los e denunciá-los. A prática era comum na época,
principalmente nos movimentos sindicais, estudantis, nos acampamentos dos sem-terra, reuniões de políticos exilados
e até nos grupos guerrilheiros, o que obrigava vários desses segmentos a praticarem a contraespionagem. Protegidos pelo
anonimato,saíram das sombras 25 anos após a redemocratização do Brasil.
“Acho que conseguimos contar um pedaço da história que ainda estava obscuro. Tivemos de
convencer ex-agentes da ditadura militar a relatarem o que fizeram. E posarem para fotos”,
comentou Humberto Trezzi.
Para ele, o jornalismo é decisivo. É a esperança de muita gente. “Quando a Polícia é falha
ou corrupta, quando o Judiciário tarda e quando os políticos só enrolam... as pessoas
recorrem ao jornalismo”, ressalta.
A vitória do Prêmio Imprensa Embratel teve um gosto todo especial para Trezzi.
Em 2004 ele já havia sido finalista, mas acabou não sendo vencedor. “Para mim,
um jornalista não pode desistir nunca. E entre as suas principais característica
estão a ousadia, a honradez e a rapidez”.
“Tivemos de convencer
ex-agentes da ditadura
militar a relatarem
o que fizeram.”
Categoria Regional
Região Sudeste
CIDADANIA – De frente com a verdade
Alex Sampaio e equipe l TV Record
Flagrantes de desrespeito às leis e posturas foram registrados pela
reportagem que procurou identificar os motivos pelos quais o cidadão
transgride as regras da boa convivência em sociedade, em um
verdadeiro teste de cidadania. A reportagem tenta entender por que as
pessoas jogam lixo na rua, param o carro em local proibido ou sobre
as faixas de pedestres, ocupam os espaços destinados a idosos e
deficientes, não recolhem os dejetos dos animais de estimação nas
vias públicas, insistem em beber ao dirigir e não facilitam o acesso
do deficiente, entre outras questões.
LEI SECA NÃO REDUZ NÚMERO DE MORTES
DE JOVENS NO TRÂNSITO
Cláudio Motta e Vera Araújo l Jornal O Globo
Apesar da redução do total do número de vítimas de acidentes no
Rio em 20%, a reportagem destaca que a Lei Seca não conseguiu frear
a mortalidade entre os jovens, na faixa de 15 a 29 anos, que teve um
aumento de 26%, entre janeiro e agosto de 2009. Registra ainda que
o mesmo fenômeno foi verificado com as multas aplicadas, cujo
total caiu em 5%, mas que subiu em 4% para motoristas entre 18
e 30 anos. A explicação dos especialistas está no fato do senso de
julgamento dos jovens ainda estar em formação, que os impede de
perceber, com clareza, os riscos de dirigir em alta velocidade ou
alcoolizados.
22
O DRAMA DE VIDAS ESTILHAÇADAS
Duilo Victor, Luiz Gustavo Schmitt, Rafael D’Angelo e Dandara Tinoco l Jornal O Globo-Niterói
A reportagem classifica abril de 2010 como o mês que jamais será esquecido, diante da tragédia que deixou um saldo de 169 vítimas
fatais no município de Niterói, no estado do Rio de Janeiro. Somente no Morro do Bumba foram registradas de 45 mortes e 11 mil
desabrigados. O temporal que varou a madrugada do dia 5 de abril deixou um rastro de morte e destruição, com deslizamentos
em várias regiões. Destaca ainda o descaso do poder público municipal com comunidades carentes, o que levou o Ministério Público
a instaurar inquérito para identificar possíveis culpados civis e criminais por ação ou omissão do poder público.
A ESCOLA COMO ELA É
Letícia Vieira l Jornal Extra
A reportagem acompanhou no ano de 2009 as mudanças da rede municipal de Educação do Rio. A nova gestão municipal se
comprometeu a acabar com a aprovação automática para os estudantes do 4º ao 9º anos, instituída na gestão anterior. Com o retorno
da possibilidade de reprovação ao final de cada série e a realização das provas bimestrais, muitos alunos foram reprovados, pois já
estavam acomodados com a facilidade da aprovação automática. Já os professores fizeram a sua parte, alertando os jovens sobre
a importância da educação para o futuro.
“Eu e o fotógrafo Fabiano Rocha acompanhamos, durante um ano, nove alunos e oito professores das escolas
municipais do Rio. Percorríamos longas distâncias – já que cada personagem morava em uma região diferente da
cidade –, fizemos muitas amizades e descobrimos histórias de vida fascinantes, como a de uma catadora de lixo
que recolheu livros descartados e formou uma biblioteca para a sua filha com mais de 400 exemplares, dentro
de um barraco de madeira, em Anchieta, Zona Norte do Rio”, contou Letícia Vieira.
Os três cadernos especiais “A escola como ela é” mostraram alguns fatores que afetam a aprendizagem das
crianças, como a dificuldade de interação da família com a escola, a falta de atração que o ensino exerce
sobre os adolescentes e os problemas que afetam o trabalho dos professores. A reportagem revelou
ainda a opinião de pais, alunos e professores sobre o sistema de ciclos, que, no Rio, ganhou a pecha de
“aprovação automática”.
“O jornalista deve ter compromisso com a verdade e com o interesse público. Deve saber
que, sobre cada assunto, há pelo menos dois pontos de vista que não podem ser descartados
em sua apuração”, finalizou.
“fizemos muitas amizades
e descobrimos histórias
de vida fascinantes.”
Categoria Tecnologia da informação,
comunicação e multimídia
Veículo Especializado
A PRÓXIMA DÉCADA DA WEB
Roberta Prescott, Felipe Dreher, Gilberto Pavoni Junior, Vitor
Cavalcanti e Tagil Oliveira Ramos l Revista InformationWeek
A reportagem procura identificar como será a próxima década da Web,
por meio de opiniões de especialistas. A primeira constatação é a de
que o aparecimento de novas tecnologias está alterando a natureza
do trabalho, as fronteiras das empresas, a competição e as
responsabilidades de seus líderes. Some-se a tudo isso, as redes
sociais, a internet das coisas e as diferentes formas de acesso a
web – por meios mais populares e plataformas móveis. Mas nada
que em questão de dias não possa ser profundamente alterado, em
decorrência de, por exemplo, lançamentos que rompam com antigas
formas de pensar, trabalhar, estudar ou interagir.
A VIDA EM 3G
Renata Leal, Carlos Machado e Kátia Arima l Revista Info-Exame
Estar conectado à internet em todos os lugares e a qualquer
momento é o sonho de muita gente, mas está longe de ser realidade
em boa parte do País. Esta é a conclusão da reportagem ao constatar
que, em termos de abrangência, o 3G alcança apenas 12,8% dos
municípios brasileiros, o que representa 64,6% da população. A
tecnologia estreou no Brasil em 2007 e ainda está restrita,
basicamente, a capitais, regiões metropolitanas e municípios com
mais de 200 mil habitantes. Fora deles, a internet móvel engatinha.
Além disso, existe o problema da qualidade dos serviços. Falta sinal e
sobram reclamações, diz a reportagem.
24
É A HORA DO 3D
Renata Leal, Luiz Cruz, Fernanda Ezabella, Juliano Barreto e Eric Costa l Revista Info-Exame
Depois de perder espaço para os computadores como centro de entretenimento nos últimos anos, os aparelhos de TV voltam a ocupar
lugar de destaque nas salas. Estão maiores, cheios de recursos, permitem ver conteúdos da web e assistir a vídeos do YouTube. Segundo a
reportagem, agora é a vez das imagens em três dimensões. Ficaram para trás os tubos e o excesso de peso dos aparelhos convencionais,
com a adoção dos painéis de LCD e da iluminação por LED. O 3D representa um salto tecnológico grande, maior que o da alta definição.
Durante o planejamento da matéria, a repórter Renata Leal pensou na realidade que as imagens em 3D transmitem ao espectador, no
sucesso de bilheteria de filmes recentes no cinema, como Avatar e Alice no País das Maravilhas, e na preocupação com a produção
de conteúdo – fator fundamental para o sucesso do modelo, que já naufragou em tentativas anteriores. “Por isso, era imprescindível
explicar tanto as vantagens quanto as limitações dessa tecnologia. Fazer jornalismo no dia a dia é diferente
da teoria que se aprende na universidade. É mais que informar os leitores, contextualizar os fatos e investigar
histórias. É também ensinar, mostrar tendências, prestar serviço, contribuir com informações de diversos
pontos de vista e auxiliar na formação de opinião”, disse Renata.
Como veículo especializado em tecnologia, a Info testou dentro de seu laboratório, o Infolab, os lançamentos
que o mercado apresentava ao consumidor naquele momento, com as TVs 3D. A maior dificuldade
da reportagem foi conseguir os aparelhos para entender como funcionava na prática a tecnologia.
“Foram muitas horas de conversa com o pessoal de engenharia e de produto das empresas que
emprestaram os produtos para os testes da reportagem. Uma curiosidade durante a apuração
foi a descoberta de que um dos editores da revista não conseguia ver em 3D com os óculos
das TVs, pois tem visão monocular. Isso nos fez procurar um especialista para esclarecer o
fato, o que contribuiu para o resultado final”, contou a repórter. acrescentando que ganhar
o Prêmio Imprensa Embratel foi muito importante para a equipe e funciona como uma
espécie de selo de qualidade para as carreiras de todos os envolvidos.
“Foram muitas horas de
conversa com o pessoal de
engenharia e de produto.”
Categoria Tecnologia da informação,
comunicação e multimídia
Veículo Não-especializado
GOOGLE CRIA ATALHO PARA
PEDOFILIA NA INTERNET
Mahomed Saigg e Ana D’Ângelo l Jornal O Dia
A matéria observa como uma consulta na internet, por meio do
Google, pode sugerir, sem querer, visitas a links de pedofilia e
pornografia infantil. Através de uma nova ferramenta do site, o Google
Suggest, os usuários tem opções de frases que são apresentadas à
medida que ele digita o termo que deseja pesquisar. Por exemplo,
numa busca com a expressão “Meninas do Rio”, os internautas
recebem sugestões como “meninas de 13 anos transando”,
“meninas de calcinhas”, “meninas de 15 anos perdendo a virgindade”
e “meninas de programas”. O assunto foi levado ao conhecimento
do Ministério Público e a CPI da Pedofilia.
TECNOLOGIA – A ÚLTIMA FRONTEIRA
Fred Figueiroa l Jornal Diário de Pernambuco
Aborda o projeto de Tecnologia Social que beneficiará 20 cidades de
Pernambuco, adequando um conjunto de técnicas e metodologias às
atividades produtoras regionais, aplicadas na interação com a
população e apropriadas por ela, de forma que representem soluções
para inclusão social e melhoria da condição de vida. Mostra como
educação, internet, água, energia elétrica, ferramentas, máquinas e
transporte adequados são capazes de demonstrar que agricultores
analfabetos podem ser tão importantes para o desenvolvimento do
País como as pesquisas, os centros de soluções tecnológicas ou
mesmo os parques industriais.
26
O PODER E OS RISCOS DAS REDES SOCIAIS
Alexandre Mansur, Camila Guimarães, Bruno Ferrari, Fabiana Montes, Daniella Cornachione e Paulo Nogueira l Revista Época
Nessa reportagem são abordados os riscos que correm os usuários ao revelar sua vida privada, a dificuldade de identificar amigos
e inimigos e o perigo de a internet se transformar em vício. A matéria destaca ainda que um bilhão de pessoas se encontram,
trabalham, amam e abrigam sites como Orkut, Facebook e Twitter. Procura também identificar que oportunidades eles oferecem
e o quanto expõem as vidas de seus usuários. Mas alerta que teremos que aprender a lidar com esses riscos, porque se desligar
das redes significará, cada vez mais, se exilar da própria sociedade humana.
Para o repórter Alexandre Mansur, a revolução tecnológica que vivemos, principalmente com os avanços
milagrosos nas telecomunicações, nos desafia a evoluir tão rápido quanto as máquinas. Temos
câmeras, celulares, computadores, modens, tablets etc. Eles desafiam nossas noções de tempo,
trabalho, privacidade, responsabilidade e liberdade. “Nossa função é ajudar a sociedade a refletir
sobre o que está acontecendo, criar posicionamento crítico sobre as novidades, para que todos
possam aproveitar o potencial que a tecnologia oferece. E tenham a capacidade de não ser
tragados pelo fluxo dos acontecimentos”, ponderou.
Mansur ressalta que os jornalistas precisam de ética para não ceder às pressões econômicas
ou possíveis vantagens oferecidas por alguns fabricantes, especialmente na área de
tecnologia. E de ética para ter uma relação transparente e respeitosa com o leitor,
principalmente quando ele tem o poder de o desmascarar o tempo todo em
comentários, blogs e Twitter. “Tecnologia é um terreno instável. À medida que a
gente ia preparando o especial, as novidades iam pipocando. O Facebook sofria
questionamentos por privacidade. Alguém lançava uma campanha importante
no Twitter. O Twitter sofria um ataque de hackers.”
“Nossa função é
ajudar a sociedade a
refletir sobre o que
está acontecendo.”
Categoria nacional
Reportagem Econômica
SUA AGENDA, SR. PRESIDENTE
A CLASSE MÉDIA QUE VOCÊ PRECISA CONHECER –
Um mergulho na nova classe média
Marcos Todeschini e Alexa Salomão l Revista Época Negócios
Durante quatro meses, os repórteres conviveram com famílias da classe C paulistana, descobrindo o que as pesquisas de mercado
Vicente Nunes, Ricardo Allan, Vânia Cristino, Letícia Nobre, Liana
Verdini, Deco Boncillon, Karla Mendes, Victor Martins e Luciano
Pires l Jornal Correio Braziliense
ainda não revelam sobre o estilo de vida, os hábitos e os sonhos de consumo dos protagonistas da maior revolução social do Brasil:
a ascensão da classe C. São cerca de 30 milhões de brasileiros responsáveis, em 2009, por R$ 620 bilhões em compras, o que os
qualifica como a clientela mais cobiçada do mercado nacional.
A série de reportagem faz uma abrangente análise dos desafios
nas áreas social, fiscal, monetária, tributária, industrial, agropecuária,
ambiental e de infraestrutura que o Brasil ainda terá de enfrentar
para consolidar a sua posição como a quinta nação mais rica do
mundo. As matérias, publicadas entre dezembro do ano passado
e janeiro deste ano, tiveram a intenção de servir de roteiro para
os debates dos candidatos a presidência da República priorizando
as necessidades de melhorias na educação e na infraestrutura.
Uma das curiosidades dos bastidores é que essa pauta nasceu para ser uma matéria de duas páginas. Foi só na apuração que os
repórteres viram que ali havia uma pauta de relevância, sob um ângulo que não havia ainda sido explorado. “Na primeira vez que fui à
casa de uma das famílias, era num domingo (queríamos saber como acontecem os almoços, o que comiam, quem se reunia ao redor
da mesa). Chegamos às onze horas da manhã, com o fotógrafo, conforme combinado. Batemos na porta e nada de alguém atender.
Até que começamos a gritar e vimos que estava todo mundo ainda dormindo. Os filhos haviam ido à balada e a mãe, para nossa
surpresa, havia ficado até tarde no computador, navegando na internet e falando com amigos no MSN”, contou Marcos Todeschini.
MILAGRE SÓ NÃO BASTA –
Pib de dois dígitos não garantiu
salto do Brasil para posição
de destaque no mundo em 40 anos
Cássia Almeida, Cristina Alves e equipe
de 24 repórteres l Jornal O Globo
Veiculada em nove edições, a série de reportagens abordou
a evolução dos indicadores econômicos do País até os avanços
na indústria e as mudanças nos hábitos de consumo dos brasileiros.
Mostrou que, em quatro décadas, o Brasil passou a crescer menos,
porém acabou com a dívida externa e alcançou a estabilidade
nos preços; reduziu a pobreza, mas continua com desigualdade
de renda, embora quase um terço da população tem conta bancária
e 99% dos lares tem luz elétrica. Hoje o maior desafio, para os
economistas, é a educação.
28
Uma característica desconhecida até então da equipe era que as pessoas da nova classe média fossem tão ligadas à internet, e isso
não só em relação aos jovens, quanto também às pessoas mais velhas. “Naquele
dia, quando ficamos para acompanhar o almoço, também me chamou muito a
atenção que a televisão, antes um item central numa casa, ficara relegada
a segundo plano. As famílias preferem ficar vendo vídeos de música ou de
piadas na internet, pelo YouTube, do que ver TV.”
“As famílias preferem
ficar vendo vídeos
de música ou de
piadas na internet,
pelo YouTube,
do que ver TV.”
Categoria nacional
Jornalismo Cultural
A ATUALIDADE DE JOAQUIM NABUCO
Vandeck Santiago l Jornal Diário de Pernambuco
O caderno especial reconstitui, por meio de pesquisas e entrevistas,
a história do abolicionista, historiador, jornalista, político e diplomata
Joaquim Nabuco. O repórter procura mostrar que a reconstituição
da trajetória do personagem de sua reportagem é essencial para
compreender o Brasil e os brasileiros. A abordagem do tema
considera que essa reconstituição retrata um memorial das
desigualdades do País e que poucos personagens na história
brasileira se prestam tão bem a este papel quanto Joaquim Nabuco,
que foi intérprete do Brasil e militante político engajado na luta
para retirar o País do atraso.
CALEM-SE – Como a censura
silenciou a música brasileira
Leonardo Cavalcanti, Tiago Faria, Carlos Marcelo
e Ulisses Campbell l Jornal Correio Braziliense
A estrutura montada pelo Estado brasileiro para silenciar artistas,
nas décadas de 60, 70 e 80, foi revelada pela série de reportagens
veiculada em abril deste ano. Durante três meses, os repórteres
colheram informações e depoimentos exclusivos de ex-censores,
guardados na sede do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e na
coordenação do órgão em Brasília. Além das letras musicais das
três décadas, foram consultados documentos internos da Divisão
de Censura e correspondências trocadas entre os chefes dos órgãos
com unidades de repressão, como a Divisão de Ordem Política
e Social (Dops), que nunca foram publicadas pela imprensa.
30
INQUISIÇÃO – NO RASTRO DOS AMALDIÇOADOS
Cláudio Ribeiro, Luiz Henrique Campos, Ana Mary C. Cavalcante e Demitri Túlio l Jornal O Povo
Durante seis meses, os repórteres seguiram o rastro dos amaldiçoados pela Inquisição Portuguesa. Nos caminhos percorridos entre
Lisboa, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e São Paulo, constatou-se que, quase dois séculos após o fim da inquisição
lusitana, descendentes dos degredados para as galés de Lisboa e dos assassinados nos porões dos castelos do Reino tentam
recuperar a memória de seus ancestrais. A série, composta de três cadernos, revela as narrativas dos judeus portugueses forçados
à conversão católica, em 1497, e de seus descendentes que viveram na clandestinidade nos sertões do Nordeste brasileiro.
A elaboração da série é uma mostra de persistência por parte dos repórteres. Foram oito meses maturando a ideia após a mesma
matéria ter sido engavetada dois anos antes. O jornal acabou apostando na pauta e resolveu investir pesado na história.
“Ficamos duas semanas em Portugal atrás de documentos sobre os processos de inquiridos referentes ao Ceará. Depois, fomos
buscar histórias na Paraíba, Rio Grande do Norte, grandes focos de perseguidos da Inquisição, em busca de histórias da colonização
judaica e traços dessa permanência até hoje. O interior do Ceará foi percorrido para encontrarmos a herança deixada por esses filhos
de judeus perseguidos, chamados de anoussitas”, disse Cláudio Ribeiro.
Para os vencedores, o reconhecimento do Prêmio Imprensa Embratel
é uma das provas de que valeu a perseverança, o investimento e o garimpo das
histórias. “Mostramos que a história da Inquisição Portuguesa ainda tem
repercussão hoje, três séculos depois. E alertamos que ainda há herdeiros
renegados daquele povo e daquele momento tão distante. Ainda temos
muito a falar a respeito. Esperamos contar mais em breve.”
“Mostramos que
a história da
Inquisição Portuguesa
ainda tem repercussão
hoje, três séculos
depois.”
Categoria nacional
Reportagem Esportiva
UMA ESTRELA A CAMINHO DO OURO
EM 2016 – Jovem campeã não
tem pista para treinar
Daniela Dariano, Amanda Pinheiro, Ricardo Albuquerque,
Tamara Menezes e Maria Luisa Barros l Jornal O Dia
A reportagem conta a história da velocista Bárbara Leôncio,
campeã mirim dos 200 metros rasos e um dos trunfos do Rio
na campanha para sediar os Jogos Olímpicos de 2016, que até o
final do ano passado não tinha uma pista adequada para treinar.
Ela e os colegas de atletismo se espremiam em uma pista
esburacada, nos fundos de uma escola no bairro de Jacarepaguá,
zona oeste do Rio. Após a publicação da matéria, a Prefeitura
carioca liberou a pista da Vila Olímpica para os treinos da atleta,
anunciou o patrocínio a ela e toda a equipe, além de prometer
construir mais três vilas olímpicas.
TORCEDOR DIFERENCIADO / EXEMPLO
PARA TODOS – Série especial
sobre portadores de deficiência
Erich Onida l Jornal Lance
A série de reportagem conta histórias de torcedores diferenciados
dos quatro grande clubes de futebol do Rio de Janeiro. Um rubro-negro
cadeirante, o vascaíno deficiente visual, o tricolor amputado e o
botafoguense com paralisia cerebral. Eles superam suas deficiências,
não perdem os jogos de seus clubes, praticam esporte e servem de
exemplo para uma boa parcela da população brasileira (14%, segundo
o IBGE) que hoje tem algum tipo de deficiência.
32
HOMENAGEM A GABRIEL BUCHMANN
Clayton Conservani e equipe l TV Globo
A reportagem é uma homenagem ao economista brasileiro Gabriel Buchmann, que se perdeu e acabou morrendo quando retornava de uma
trilha que fizera ao Monte Mulanje, localizado em Malauí, sudoeste da África, e conhecido como Monte dos Espíritos. O repórter, com ajuda de
guias, refez a trilha de Buchmann e chegou ao topo do Monte onde, a pedido da família do economista, depositou uma placa com o seu
nome, as datas de nascimento e de falecimento,e a pergunta “Valeu a pena?”, com a resposta “Tudo vale a pena se a alma não é pequena.”
HISTÓRIAS DAS COPAS
Thiago Uberreich l Rádio Jovem Pan
Foram 23 programas levados ao ar antes da realização da Copa do Mundo deste ano. A série conta histórias da competição com
depoimentos de antigos jogadores, narrações e músicas da época. O primeiro programa traz uma reportagem sobre Arakem Patuska,
jogador do Brasil na Copa de 1930, e segue com outras matérias sobre Didi, Domingos da Guia, o craque português Eusébio, Garrincha,
Gilmar, Leônidas da Silva, Pelé, Zagalo, Zizinho e o Marechal da Vitória, Paulo Machado de Carvalho. As reportagens sobre as copas de
1958 e 1962 contêm ainda os textos de Nelson Rodrigues.
“Foram seis meses de muito trabalho. Tive que me dedicar, muitas vezes, fora do meu horário normal de trabalho,
fazendo pesquisas, ouvindo gravações e selecionando o material que seria usado na matéria semanal. Ao mesmo
tempo que informam, as matérias divertem e levam o público a conhecer um pouco dos momentos em que o
futebol era simplesmente um esporte, sem violência e mais romântico... por que não?!”, disse Thiago Uberreich.
Para o repórter, o jornalismo é a base de uma sociedade bem informada e esclarecida. “No momento em que
o governo propõe uma Agência Nacional de Comunicação para regular o conteúdo do rádio e da TV, é preciso
reagir e vetar esse tipo de iniciativa. A democracia de um país passa pelos meios de comunicação,
que devem trabalhar de forma livre e sem cerceamento”, avaliou. “O Prêmio Imprensa Embratel é hoje
o mais importante do gênero, amplo e que abrange todas as mídias. Isso é muito importante.
A carreira de um profissional que tem esse tipo de reconhecimento ganha muito. E serve
também como um incentivo. Não podemos parar nunca, nos acomodarmos.”
“as matérias divertem e levam
o público a conhecer um pouco
dos momentos em que o futebol
era simplesmente um esporte.”
Categoria nacional
Rádio
OS EXILADOS DA DOENÇA
Larissa Bortoni e Rodrigo Resende l Rádio Senado
A reportagem especial conta parte da história do tratamento
da hanseníase no Brasil. Os repórteres entrevistaram ex-pacientes
da colônia Santa Isabel, no município de Betim, Minas Gerais,
que mesmo depois da cura da doença não foram embora, porque
não tinham para onde ir ou porque constituíram famílias, se
profissionalizaram e criaram um novo ambiente social. Explica
também que a hanseníase é hoje uma doença curável, mas que
o preconceito persiste.
SISTEMA PARALELO DE ADOÇÕES
ILEGAIS ESCONDE COMÉRCIO DE BEBÊS
José Renato Ribeiro l Rádio Gazeta AM (Santa Cruz do Sul/RS)
O repórter conta como o sonho de ter filhos alimenta um esquema
ilegal de comercialização de crianças, em que mães biológicas
entregam seus filhos por R$ 50 mil ou até em troca de pagamentos
de contas. Um dos fatores que alimenta essa ilegalidade é a demora
do processo de adoções legais, que pode durar mais de um ano.
Durante três meses, o repórter apurou as atividades de uma rede
que vende crianças imediatamente após os partos, que atua
no sul do País.
34
QUANDO A SOMBRA CAI – A história da tortura no Brasil
Sérgio Vieira l Rádio Senado
A reportagem especial foi ao ar para comemorar o Dia Mundial dos Direitos Humanos e abordou as diversas fases da tortura no Brasil,
desde a época do Império, cometida contra índios e escravos negros, passando pelos regimes autoritários, tendo como vítimas os
presos políticos, até os dias de hoje, quando ainda é praticada. Segundo o repórter, a tortura agora é focada no grupo social formado
por pobres e miseráveis, tendo como cenário delegacias e presídios.
Tudo começou a partir de um questionamento pessoal do repórter Sérgio Vieira sobre o fenômeno da tortura. Para ele, essa é a
manifestação mais insana de crueldade que um ser humano ou sistema pode atingir. Por isso, o trabalho teve enfoques psicológico
e filosófico. “A única frustração que ficou foi o desencontro na entrevista com o jornalista Paulo Markun”, disse Sérgio Vieira.
Como é público, Markun fez parte da triste jornada que culminou no assassinato de Vladimir Herzog pela ditadura em 1975, quando
ambos (junto com outros jornalistas da TV Cultura) foram presos e torturados. Mas por causa da súbita antecipação de um feriado
em Brasília, o repórter ficou impossibilitado de realizar a gravação por telefone no dia combinado.
“O desencontro fez com que ao final eu não tivesse o depoimento, que, tenho certeza, devido à triste
experiência de Markun aliada à sua inteligência, seria um depoimento bom”, lamenta-se.
Outro fator que surpreendeu foi a pesquisa sobre documentos históricos relacionados à tortura no
Brasil, e ao nível de brutalidade e desumanidade. “É evidente que eu já possuía um nível razoável de
informações a respeito desse tema antes de pesquisar com real profundidade, mas, devido à minha
idade, não vivi o período de horror da ditadura militar. O conteúdo deu conta de que a tortura
e o assassinato de pessoas era uma prioridade daquele sistema.Também surpreende
como a tortura é praticada ainda hoje por agentes públicos, como comprova farta
documentação. A diferença é que agora atinge somente pobres e miseráveis.”
“O conteúdo deu conta
de que a tortura e o
assassinato de pessoas
era uma prioridade
daquele sistema.”
Categoria nacional
Reportagem Fotográfica
FAROESTE CARIOCA – Troca de tiros
na Avenida Brasil, em Guadalupe
Alexandre Vieira l Jornal O Dia
O flagrante de uma troca de tiros que envolveu pelo menos
quatro homens, em plena luz do dia, aconteceu em frente a um
supermercado. Um dos criminosos morreu após ser baleado e
pisoteado. Outro, ferido por quatro tiros, foi levado para o hospital.
BATIDA LANÇA MOTOCICLISTA A 30 METROS
Ricardo Medeiros l Jornal Notícia Agora (Vitória)
Flagrante registrou o momento exato em que o carro atinge
a motocicleta de Gildo Oliveira, jogando a vítima para o alto.
O acidente aconteceu na BR-101, no município da Serra, no Espírito
Santo. O motociclista caiu longe do local da colisão, sendo socorrido
por uma ambulância de um hospital particular. Ele sofreu fratura
exposta na perna direita.
36
LUTO NO AFROREGGAE – Menino chora
ao tocar na homenagem a Evandro
Marcos Tristão l Jornal O Globo)
Menino chora ao tocar em homenagem ao coordenador de projetos sociais do Grupo AfroReggae, Evandro João da Silva, morto em um
assalto no Centro do Rio, no dia 18 de outubro do ano passado. Diego Frazão, o Diego do Violino, como era conhecido, tinha 12 anos e sofria
de leucemia, vindo a falecer em abril deste ano. Ele era um dos alunos de música clássica das oficinas do grupo em Parada de Lucas.
Foi um final de semana atípico, no sábado 17 de outubro. O repórter fotográfico havia saído para cobrir
a guerra do Morro dos Macacos, onde ocorreu a queda do helicóptero da Policia Militar. No domingo, nas primeiras horas da manhã,
ele fotografou um acidente de carro que causou a morte de dois jovens na Barra da Tijuca, depois registrou
o rescaldo de um incêndio que tinha destruído o acervo do artista plástico Hélio Oiticica. À tarde,
foi deslocado para cobrir o enterro de Evandro João Silva, coordenador de Projetos Sociais do
AfroReggae, morto durante um assalto no Centro.
Evandro coordenava uma orquestra de violinos. Esta prestava homenagem no cortejo,
e nela vários integrantes choravam, mas um chamava a atenção: Diego Frazão. “Vi naquele
menino toda a dor da perda, nesse momento pude perceber que o AfroReggae é muito mais do
que percussão, ver aqueles meninos tocarem no violino músicas de Johann Sebastian Bach...
O som que saía daqueles pequenos músicos me emocionou muito e acabei chorando com
eles”, revela Tristão, lembrando que “o fato está na sua frente. E o repórter fotográfico
não pode interferir, apenas fotografar, se não for notado, melhor ainda.”
“O som que saía
daqueles pequenos
músicos me emocionou
muito e acabei
chorando com eles.”
Categoria nacional
Reportagem Cinematográfica
MORRO DO BUMBA
Lucas Louis, Julio Aguiar e equipe l TV Globo
As lentes dos repórteres cinematográficos que registraram
a tragédia do Morro do Bumba, em Niterói, em abril deste
ano, quando cem toneladas de terra soterraram casas e
dezenas de moradores, também captaram o salvamento
emocionante de uma das vítimas.
PÂNICO, TIROTEIO E MORTE
NO CENTRO DE BELÉM
Jorge Elias l TV Record
O flagrante foi em uma rua do centro de Belém, às 3 da
tarde. Um assaltante é encurralado pela polícia e usa uma
refém para tentar escapar. A perseguição é dramática
e o bandido acaba acuado e morto. A refém é salva ilesa
e um policial fica ferido.
TRAFICANTES DERRUBAM HELICÓPTERO DA POLÍCIA
Junior Alves e Alex Oliveira l TV SBT
As imagens são exclusivas e registram o momento em que um helicóptero da polícia carioca, atingido por tiros de traficantes, pega
fogo e desaparece em queda livre por trás de um morro em Vila Isabel. O piloto ainda conseguiu evitar que o aparelho caísse sobre
residências. Dois policiais morreram e quatro ficaram feridos.
O Rio de Janeiro tinha acabado de ser eleito para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. Havia um clima de festa no ar. Em meio às
comemorações, explode mais uma guerra na cidade. Os repórteres cinematográficos foram os únicos que conseguiram captar
a imagem que denunciava a afronta dos marginais à sociedade e a insegurança que tomava conta da população naquele instante.
“Sou um caçador de imagem. Estou sempre preparado para registrar tudo. Quem trabalha com isso tem que aproveitar o momento.
Foi o que fiz. Fazemos este tipo de cobertura todos os dias, estamos muito acostumados. Quando peguei o helicóptero pegando fogo,
não me dei conta da grandiosidade da imagem. Pouco tempo depois, alguns colegas começaram a me ligar de outros países dizendo
que só se falava nisso em todas as emissoras. Foi aí que a ficha caiu. Pensei comigo: caramba, vou ferrar o meu País, a minha
cidade... Vai todo mundo falar mal do Rio lá fora. Foi muito difícil lidar com isso”, disse Junior Alves.
No dia seguinte, Júnior fez as imagens da entrevista coletiva do secretário
de Segurança do Rio, que estava visivelmente abatido. “Ele estava com
o semblante baixo e disse que aquele tinha sido o Dia D do estado.
O ambiente estava carregado com um clima de extrema tristeza.
Nunca tinha visto algo tão intenso. Por isso, é fundamental que o jornalista
não crie histórias, não invente nada. Apesar da situação ter mexido
com o meu lado pessoal, minha consciência estava tranquila.
Eu tinha a certeza de que havia feito o melhor. Até mesmo em
países em guerra declarada é difícil ter uma imagem de uma
aeronave abatida.”
“Sou um caçador
de imagem. Estou
sempre preparado
para registrar tudo.”
40
Categoria nacional
Televisão
BIOPIRATARIA: NATUREZA ROUBADA
Roberto Maltchik e equipe l TV Brasil
A reportagem mostra a importância dos recursos medicinais
da Amazônia, que faz com que o Brasil responda, sozinho, por um
quinto da biodiversidade vegetal do planeta. Revela as atividades
de pesquisadores, brasileiros e estrangeiros, responsáveis pela
biopirataria, um dos crimes que mais preocupa as autoridades
ambientais. Aborda o combate ao contrabando de informações
genéticas da fauna e da flora pela Polícia Federal, registrando ainda
a prisão, em 2009, do pesquisador estrangeiro Gunther Klaus Fleck,
e como, a partir daí, se conseguiu identificar como operam os
biopiratas no Brasil.
FRAUDE NO PROUNI
Renata Cafardo e equipe l TV Globo
Duas semanas de investigações revelaram como três estudantes de
Maringá, no norte do Paraná, se beneficiavam de bolsas do Prouni,
o programa federal para universitários carentes. As estudantes,
com alto padrão de vida, estudavam medicina na universidade
Uningá, onde a mensalidade é de R$ 3.200,00, mas não pagavam
nada desde 2008. E ainda recebiam a Bolsa Permanência, no valor
de R$ 300,00 por mês. Um dos requisitos básicos para receber o
benefício é que a renda familiar, por pessoa, seja de até um salário
mínimo e meio, o que não era o caso das três jovens, todas com
parentes na direção da faculdade.
42
OS GENERAIS FALAM
Geneton Moraes Neto e equipe l TV Globo News
O repórter entrevistou dois importantes generais que tiveram presença destacada na ditadura militar instalada no Brasil a partir de
1964: o general Leônidas Pires Gonçalves, que chefiou o DOI-CODI do 1º Exército, no Rio de Janeiro, de março de 1974 a janeiro de
1977, e o general Newton Cruz, ex-chefe da Agência Central do SNI. Nas entrevistas, os dois falaram sobre tortura de presos políticos,
perseguição a adversários do regime e o atentado do Riocentro. As entrevistas foram concedidas para marcar os 25 anos do fim
do regime militar e revelaram os bastidores da repressão política durante a ditadura.
“Fazer jornalismo é não praticar nunca, jamais, sob hipótese alguma, a patrulhagem ideológica. Ponto”, comentou o vencedor.
“Um general – seja quem for – deve ser ouvido com tanta atenção quanto o mais renitente dos guerrilheiros.
Lugar de votar é na urna. Não é na redação. Eu disse ao general Newton Cruz: não quero parecer bom moço,
jornalista vive procurando escândalo e declarações bombásticas, mas, como personagem jornalístico,
o senhor me interessa tanto quanto Luís Carlos Prestes, a quem, aliás, entrevistei algumas vezes.”
Ao se deparar com a lista dos finalistas do Prêmio Imprensa Embratel, Geneton percebeu que o júri
selecionou (em várias categorias) reportagens que mergulhavam no passado em busca de luzes.
“Sou dos que acreditam que jornalista pode ser, também, uma espécie de arqueólogo –
que revira o passado em busca de novidades. A contradição é apenas aparente: o
passado pode nos surpreender com novidades, sim. Por que não? Para mim, fazer
jornalismo é desconfiar, sempre, sempre e sempre. A lição vale para todos: toda vez
que estiver ouvindo um personagem – seja ele um delegado de polícia, um praticante
de ioga ou um astro da música – pergunte sempre a si mesmo, intimamente: por que
será que esses bastardos estão mentindo para mim? Não existe pergunta melhor.”
“Um general – seja quem
for – deve ser ouvido
com tanta atenção
quanto o mais renitente
dos guerrilheiros.”
Categoria nacional
Responsabilidade
Sócioambiental
A VINGANÇA DO SARAPUÍ
Flávia Junqueira l Jornal Extra
Conta a história do rio que nasce em Bangu, bairro da zona oeste
do Rio, e morre na Baixada Fluminense. Com 36 quilômetros de
extensão, há 30 anos o rio vem sendo alvo de despejo de esgoto,
tornando-se um grande valão. No lugar de prosperidade, quando
era utilizado para escoar a produção dos distritos rurais do
médio-fluminense para a então capital do Brasil, hoje só traz doença
e prejuízos para os que vivem às suas margens. São 136 mil
habitantes ribeirinhos, que agora sofrem com o veneno destilado pelo
Sarapui contra o homem que continua poluindo suas águas sujas.
LIXO – Série
Beatriz Castro, Renata Vasconcellos, Beatriz Thielmann,
Roberto Kovalick, Alan Severiano e equipe l TV Globo
A série aborda o trabalho de crianças nos lixões em todo o Brasil,
que acordam antes do sol nascer para garimpar o que sobrou
de comida, vivem longe da escola e são vítimas de violência e
exploração. Além da comida, as roupas e os brinquedos dessas
crianças são tiradas do lixo. Conta as histórias de sonhos frustrados
de mulheres que não conseguiram mudar o seu destino e que agora
levam seus filhos também para o lixão. A reportagem mostra cenas
chocantes do lixão em Maceió, uma disputa degradante entre
adultos, adolescentes e crianças a cada caminhão que chega
para despejar o lixo.
44
À SOMBRA DAS MANGUEIRAS DO VALE
Helen Martins e equipe l TV Globo
A reportagem revela o sonho do educador Tião Rocha, de criar uma sala de aula à sombra de cada árvore. Tudo começou quando
o personagem da matéria, há 10 anos, se perguntou se era possível criar uma escola ao ar livre, debaixo de uma mangueira.
No Vale do Jequitinhonha, o município de Araçuaí, em Minas Gerais, tem escola espalhada por todo canto, através do projeto
Ser Criança. As crianças frequentam o ensino tradicional, mas no período de folga participam do projeto para brincar aprendendo,
por meio de jogos e oficinas, o que vem contribuindo para reduzir os índices de reprovação na região.
“O que menos importa é o jornalista ir ao palco e discursar. Vencer o Prêmio Imprensa Embratel é espetacular para o ego, e emocionante
como raras vezes na profissão. Mas o melhor, no meu caso, é saber que a mensagem foi passada. Que o maravilhoso trabalho realizado
pelo educador Tião Rocha está sendo divulgado para servir de exemplo e inspiração para muita gente”, disse Helen Martins.
A vencedora ressalta que em um país injusto como ainda é o Brasil, o jornalismo precisa não apenas
observar. Pode intervir. Propor. Debater. Incentivar. Transformar. Desenvolver. Tudo dentro da
busca da melhor versão possível dos fatos, exercício básico da função de jornalista.
“Nós nos deparamos com o contexto de pobreza do Vale do Jequitinhonha, a seca,
o êxodo rural, as várias iniciativas que educam, promovem a cidadania e trazem renda
para os agricultores, tudo isso foi se somando à nossa pauta original, o perfil de
Tião Rocha. Conhecemos também uma infinidade de pessoas incríveis, todas elas
merecedoras de um perfil à parte, pessoas a quem Tião chama de pontos luminosos.
Estradas poeirentas, calor, secura, gravações o dia todo e, às vezes, à noite, isso já
faz parte da rotina dos repórteres do Globo Rural. Nem sabemos se estas são
dificuldades porque são o nosso dia a dia”.
“Conhecemos também uma
infinidade de pessoas
incríveis, todas elas
merecedoras de um
perfil à parte.”
Categoria nacional
JornaleRevista
CRACK – A PRAGA QUE CONSOME O PAÍS
Edson Luiz, Alana Rizzo, Renata Mariz, Samanta Sallum,
Guilherme Goulart, Luiz Ribeiro, Marcionília Teixeira,
Ulisses Campbell, Leonardo Augusto, Paulo de Souza,
Danielle Santos e Alfredo Durães l Jornal Correio Braziliense
A reportagem apresenta a nova realidade do tráfego e do consumo
da droga no Brasil, que hoje mata mais jovens que os acidentes de
trânsito. Constata que o Crack é a droga mais agressiva e com maior
poder viciante. Mostra como, barata e fácil de comprar, a droga se
expandiu, saindo da periferia das metrópoles para ganhar municípios
no interior do País, além de migrar das ruas para as abastadas casas
de classes média e alta. Os repórteres percorreram 6.792 km,
passando por todas as regiões brasileiras e também pela Bolívia,
concluindo que há uma verdadeira epidemia instalada no País.
CURIÓ ABRE ARQUIVO E REVELA QUE
EXÉRCITO EXECUTOU 41 NO ARAGUAIA
Leonencio Nossa l Jornal O Estado de São Paulo
O repórter levou sete anos para reconstituir a história da matança
dos guerrilheiros do Araguaia, promovida pela ditadura militar nos
anos 70. Foram ouvidas 340 pessoas para a série de reportagem,
publicada em 18 páginas de 14 edições do jornal e que revelou
41 execuções. Um dos entrevistados foi o Major Curió, que pela
primeira vez admitiu o fuzilamento e a decapitação de prisioneiros.
A reportagem deu uma nova versão a Guerrilha do Araguaia,
ao confirmar a identidade de 178 camponeses que participaram
do conflito.
46
PROVA DO ENEM VAZA E MINISTÉRIO
ANUNCIA CANCELAMENTO DO EXAME
Renata Cafardo e Sergio Pompeu l Jornal O Estado de São Paulo
Reportagem exclusiva revelou o vazamento da prova do Exame Nacional do Ensino Médio – Enem, levando o Ministério da
Educação a cancelar, na madrugada do dia 1º de outubro do ano passado, as provas que seriam aplicadas no fim de semana para
4,1 milhões de candidatos em 1.800 cidades do País. Na véspera da publicação, o jornal foi procurado por um homem que, por
telefone, disse ter as duas provas que seriam aplicadas no sábado e no domingo. Propôs entregá-las em troca de R$ 500 mil,
afirmando: “Isto aqui é muito sério, derruba o ministério.”
De acordo com a repórter Renata Cafardo, o jornalismo funciona como fiscal e como a voz da sociedade, trazendo informações,
denunciando, apontando soluções, debatendo temas importantes, fazendo as críticas que muitas vezes o cidadão comum
não consegue fazer.
“Minha matéria teve vários elementos curiosos. Fui procurada pelos dois homens que queriam vender a prova do Enem para
o jornal. Marcamos um encontro com eles, sem nem saber seus nomes ou como tinham conseguido o exame. Ao folhear o
material, percebi que se tratava realmente do exame e decorei algumas questões. Foram essas questões que
puderam ser confrontadas com a prova que estava no cofre do MEC e, por meio disso, houve a
confirmação de que se tratava do Enem que seria aplicado em quatro dias”, disse. Naquele
momento, o exame se tornava muito importante porque funcionaria, pela primeira vez,
como vestibular para universidades federais.
“Esses mesmos homens me ameaçaram logo depois que a matéria foi publicada, tive
de ficar com proteção policial por semanas. E a matéria foi a primeira a mostrar a
fragilidade do Enem, que pôde ser vista mais uma vez este ano. Ela impediu que
milhões de estudantes participassem de uma prova que havia sido fraudada.”
“a matéria foi a primeira
a mostrar a fragilidade
do Enem, que pôde ser vista
mais uma vez este ano.”
Categoria nacional
Jornalismo
Investigativo
ESCÂNDALO NO DF – Caso Arruda
Matheus Leitão, Rodrigo Haidar, Érika Klingl, Lucas Ferraz,
Fred Raposo, Gustavo Gantois e Priscila Borges l Site IG
Os repórteres publicaram, em primeira mão, o esquema de corrupção no
Governo do Distrito Federal, conhecido como “Caso Arruda”. A série contou
com mais de 100 reportagens, além de divulgar mais de 20 vídeos pela
internet, com imagens comprometedoras do ex-governador José Roberto
Arruda recebendo maço de dinheiro e de parlamentares e empresários
guardando dinheiros nas meias, cuecas, malas e até orando em
agradecimento a Deus pela propina recebida. O esquema funcionava
há 10 anos sem interrupção e movimentou milhões de reais.
OS SEGREDOS DO MENSALÃO DE ARRUDA
Andrei Meireles, Marcelo Rocha e Murilo Ramos l Revista Época
Os repórteres contam a história de chantagens e traições que denunciou
um esquema de corrupção milionário, culminando com o fim da carreira
política do então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda.
O balanço foi devastador para a política local, já que, além, do governador,
o vice, pelo menos 24 deputados distritais de Brasília e a maioria dos
secretários do governo estavam sob suspeição de se beneficiarem de
caixa dois e propinas. A operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal,
também envolveu desembargadores e promotores públicos.
SENADO USOU 300 ATOS SECRETOS PARA
BENEFICIAR AMIGOS – Caso Sarney
Rosa Costa, Leandro Colon, Rodrigo Rangel
e equipe l Jornal O Estado de São Paulo
Nomeação de amigos e parentes de senadores e altos funcionários, criação
de cargos, privilégios e aumento de salários foram encobertos também pelo
Senado Federal, por meio de 300 atos secretos. O esquema foi revelado na
reportagem veiculada em junho de 2009, depois de pesquisa realizada no
sistema interno do Senado. Toda a investigação colocava o então presidente
do Senado, José Sarney, no centro do escândalo. O caso culminou com a
proibição ao jornal de publicar qualquer notícia da investigação da Polícia
Federal sobre o assunto, por meio de liminar do desembargador Dácio Vieira,
do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
48
DIÁRIOS SECRETOS – Assembleia encobre
metade de seus atos em diários suspeitos
James Alberti, Kátia Brembatti, Karlos Kohlbach, Gabriel Tabatcheik e equipe de 11 repórteres l Jornal Gazeta do Povo e RPCTV (Curitiba)
A longa série, que consumiu dois anos de trabalho da equipe de reportagem, revelou como a Assembleia Legislativa do Paraná escondia mais
de 56% de seus atos em diários avulsos, inacessíveis ao público, sem numeração e com datas de publicação aleatórias. Essa prática servia para
encobrir situações irregulares, como contratações ocultas de funcionários. Foram identificados 2.178 atos e 136 portarias não divulgados,
entre janeiro de 2006 e março de 2009. Por ano, a Assembleia Legislativa do Paraná movimenta R$ 319 milhões de dinheiro público.
A equipe responsável pela série contou que houve uma busca incessante, de várias formas e com diversas fontes, para conseguir o acesso
aos diários oficiais: “Conseguimos cópias de muitas das edições publicadas e montamos um acervo próprio. A partir da consulta em mais
de 750 diários, passamos a digitar os registros de movimentação de funcionários. O trabalho resultou em uma planilha de Excel com
aproximadamente 15 mil linhas, conferida cinco vezes para assegurar que erros de digitação não comprometessem a veracidade do material.”
Todo material foi disponibilizado na internet, em um hotsite criado exclusivamente para a série. A página também abriga o banco
de dados usado para as reportagens. Foram mais de 1,5 milhão de acessos e de 300 mil consultas ao banco de dados. Mais de mil
denúncias chegaram à redação desde que o caso foi aberto ao público. O Ministério Público Estadual montou uma força-tarefa com
dez promotores, que abriu 20 inquéritos e já propôs duas ações judiciais. Dezenas de pessoas já foram presas. Os principais diretores
da Assembleia foram demitidos. A Polícia Federal também abriu investigação para apurar fraudes no sistema bancário. E muito já
mudou no Legislativo estadual. O quadro de funcionários passou de 2.457 para 1.814.
Os repórteres que participaram da matéria vencedora afirmam a uma só
voz que “O jornalista não pode perder a capacidade de se indignar.
Situações inaceitáveis, por acontecerem dia após dia, não podem
passar a ser encaradas como práticas que vão se repetir
infinitamente. Então, desvio de dinheiro público, assassinatos
e falta de atendimento médico, por exemplo, não podem ser
vistos como notícias já dadas e banalizadas.”
“Conseguimos cópias
de muitas das
edições publicadas
e montamos um
acervo próprio.”
grande prêmio
barbosa lima
sobrinho
50
SENADO USOU 300 ATOS SECRETOS
PARA BENEFICIAR AMIGOS – Caso Sarney
Rosa Costa, Leandro Colon, Rodrigo Rangel e equipe l Jornal O Estado de São Paulo
Em 10 de junho de 2009, o Estado de S.Paulo revelou que o Senado Federal editara mais de 300 atos secretos para nomear parentes
e amigos de senadores e altos funcionários, criar cargos e privilégios e aumentar salários. O acesso dos repórteres ao material
gravado pela Polícia Federal levou o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, a expedir liminar impedindo
o jornal de publicar qualquer notícia sobre a investigação.
A mesma edição que noticiou a censura revelou laços do desembargador, ex-servidor do Senado, com o círculo social de José Sarney.
Vale registrar o esforço de reportagem que levou à descoberta. O assunto era tratado sob absoluto sigilo na
Mesa Diretora. Para evitar escândalos, baixou-se a ordem: os atos deveriam ser publicados aos
poucos, também na surdina, nos computadores do Senado. Tudo caminhava para que o segredo
dos boletins fosse eternizado.
É justamente aí que começa o trabalho de garimpar os casos que abririam uma das maiores
crises da história do Congresso brasileiro. “Em pesquisas no sistema interno do Senado,
foi possível identificar e colecionar dezenas e dezenas de atos secretos. O passo seguinte foi
descobrir quem eram seus beneficiários”, disse Leandro Colon.
A primeira reportagem já trazia um deles, de sobrenome famoso: João Fernando
Michels Sarney, neto do presidente do Senado, José Sarney. Foi a primeira
de uma série de descobertas que, em semanas, levariam o senador Sarney,
ex-presidente da República, no comando do Senado pela terceira vez, para
o centro do escândalo e a ter questionada sua permanência no cargo.
“Em pesquisas no sistema
interno do Senado, foi
possível identificar e
colecionar dezenas e
dezenas de atos secretos.”
Mais familiares e apadrinhados de Sarney, igualmente nomeados por
ato secreto, participavam do esquema: neto de Sarney agenciou crédito
consignado no Senado; o mordomo a serviço da filha do senador,
a governadora do Maranhão Roseana Sarney, tinha os salários pagos pelo
Senado; Sarney ocultou da Justiça Eleitoral a casa de R$ 4 milhões em que
mora, em Brasília; a Fundação José Sarney, criada pelo senador e mantida
sob seus auspícios, desviou dinheiro recebido da Petrobras.
Em seguida, o Estado revelou interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal,
com autorização da Justiça, no âmbito de investigação que tem como alvo um
dos filhos de Sarney. As gravações mostravam o próprio Sarney na negociação
de um cargo, no Senado, para o namorado da neta. A nomeação se deu dias depois.
Por ato secreto.
ALBERTO JACOB FILHO
ANGÉLICA CONSIGLIO
ARNALDO NISKIER
CÍCERO SANDRONI
ETHEVALDO SIQUEIRA
JANICE CAETANO
Repórter fotográfico, é atualmente (2010) presidente da
Associação Profissional dos
Repórteres Fotográficos e
Cinematográficos do Rio de
Janeiro (ARFOC-RIO), vicepresidente da Associação
Brasileira dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos (ARFOC-Brasil) e diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do
Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), entidade
que já presidiu (1995). Nos últimos dez anos, organizou congressos, exposições fotográficas, painéis
e seminários. É jurado nacional do Prêmio Imprensa Embratel desde 2001. Trabalhou nas revistas
Visão e Veja, nos jornais O Globo e Folha de São
Paulo. Desde 2001 exerce o cargo de coordenador
na empresa municipal de multimeios – MultiRio.
Formada em Comunicação Social/Jornalismo pela Pontifícia
Universidade Católica de
São Paulo (PUC-SP), iniciou
sua carreira como repórter
de mídia especializada em
tec­nologia, como o jornal
Computerworld. Na grande
imprensa, trabalhou durante vários anos na Folha de S. Paulo (editorias de tecnologia, economia, internacional e política). Na sequência, fez parte do time de jornalistas da revista
Exame. Em março de 1993, fundou a agência Planin, da qual é sócia-diretora. De 2002 a 2004, foi
presidente da RBCE – Rede Brasileira de Comunicação Empresarial, grupo composto por 15 agências de assessoria de imprensa. Em 2006, foi
eleita membro do board mundial do Worldcom
Public Relations Group, maior grupo independente
de agências de relações públicas do mundo, com
presença em mais de 40 países.
Professor, jornalista e escritor.
É membro e ex-presidente
da Academia Brasileira de
Letras. Ocupou os cargos de
secretário de Educação e de
Cultura do Governo do Estado do Rio de Janeiro. Exerceu o
magistério superior de História e
Filosofia da Educação da Universidade Estadual
do Rio de Janeiro (UERJ) e participou de inúmeras associações e entidades pedagógicas, literárias e culturais. Arnaldo Niskier é, também, acadêmico correspondente da Academia das Ciências
de Lisboa. Participa do Júri Nacional do Prêmio Imprensa Embratel desde a sua criação, em 1999.
Jornalista e escritor, presidente
da Academia Brasileira de Letras no período 2008/2009,
tendo trabalhado nos principais jornais do Rio de Janeiro
– Tribuna da Imprensa, Diário
de Notícias, Correio da Manhã,
Jornal do Brasil, O Globo e Jornal
do Commercio. Fundou, com Pedro
Penner da Cunha, a Edinova – voltada para o lançamento de obras latino-americanas e do nouveau roman. Em 1965 participou da criação da Interpress Service, sendo seu representante no Brasil.
Em 1974 ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo.
Escritor, consultor e jornalista especializado em
telecomunicações e
tec­­nologia da informa­
ção, com mais de 30
anos de experiência.
Mantém um blog –
News­letter de Ethevaldo Siqueira –, com notícias e comentários sobre esta
área específica, além de escrever uma coluna especializada no jornal O Estado de São Paulo e na
Revista Época. É também comentarista da Rádio
CBN. Foi vencedor de duas versões do Prêmio
Esso de Jornalismo (1968 e 1978) e do Prêmio
Comunique-se 2007 na categoria Jornalista de
Tecnologia.
Jornalista e analista ambiental,
foi repórter de economia dos
jornais Gazeta Mercantil,
Jornal do Brasil e O Estado de São Paulo e assessora chefe de Comunicação do Sistema Firjan.
Há 10 anos, fundou a
Print Comunicação, consultoria especializada na área socioambiental, da
qual é sócia-diretora. É presidente do júri do Prêmio Imprensa Embratel e participou de sua criação. Também foi presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de
Janeiro.
“A democracia não pode subsistir sem a existência de uma comunicação livre. Por isso, todas as
vezes que se coloca em risco a liberdade de expressão, na verdade, é o fato democrático que se
coloca em dúvida. O Prêmio Embratel, hoje, talvez seja o de maior credibilidade do País. Não há
manipulação de resultados, nem o desejo de
agradar a esta ou aquela organização jornalística. Ganha sempre o melhor, no julgamento isento
e sereno do júri, que jamais (posso testemunhar
isso) recebeu qualquer insinuação dos patrocinadores. 2010 foi o ano mais equilibrado. Deu até
vontade de propor prêmios divididos, tamanho o
valor dos finalistas. Muitas matérias eram sobre
problemas ligados à educação brasileira, razão
pela qual tomei a liberdade de propor que se
criasse uma categoria sobre a educação. Seria a
forma de prestigiar uma área indispensável ao
progresso do País, que cresce a olhos vistos,
hoje existindo 60 milhões de estudantes nas escolas brasileiras. ”
“Os trabalhos apresentados no 12° Prêmio de
Jornalismo da Embratel representaram uma
mostra significativa da atuação dos operários da
imprensa em todo o Brasil. Considero-me, e aos
meus colegas, operários, sejam de que ocupação
for, para realçar a dificuldade da profissão do jornalista, numa atuação diuturna na qual não existe hora do dia para começar uma reportagem
nem hora da noite para acabar. O jornalismo exige força de trabalho, capacidade de investigação, talento, cultura, dedicação ao trabalho e
caráter. Foi o que vimos, na extenuante, mas jubilosa função de jurados a examinar reportagens
dos nossos colegas de todo o Brasil, a demonstrar que comparados com as de outros países,
nos mais variados meios de difusão, sejam impressos, de televisão ou de rádio, estamos em
excelente posição, graças não só aos que preparam os trabalhos, mas também aos chefes de
redação, editores, aos que desenharam as páginas. Liberdade é um substantivo que não aceita
adjetivos restritivos. Deve ser total e absoluta,
sem “leis” especiais ou regulamentos de qualquer sorte, e existir na sua função de sustentáculo da democracia, que desejamos plena e socialmente justa, como sempre pregou o titular do
maior entre os prêmios da Embratel, o jornalista
Barbosa Lima Sobrinho.”
“O Prêmio Imprensa Embratel ocupa hoje um papel importante no jornalismo brasileiro. Lembro
bem quando sugerimos ao então presidente da
Embratel, Sr. Dílio Sérgio Penedo, a criação de
um prêmio de abrangência nacional. Passou-se
uma década e, confesso, não imaginávamos
che­gar tão longe. Não só chegamos como nos
tornamos uma referência. Dá muito orgulho participar de uma premiação que sempre teve como
único objetivo reconhecer o jornalista e o bom
jornalismo. Construímos esta credibilidade passo a passo com isenção, ética e respeito.”
JURADOS
“O jornalismo moderno é o ouvido, os olhos e a
boca da sociedade. É através dele que os assuntos de interesses da população são vistos, ouvidos e relatados. Por isso, o bom profissional tem,
entre as suas características, curiosidade, ética
e cultura. E não transforma a notícia em espetáculo. Além de estimular a qualidade das pautas,
o Prêmio Imprensa Embratel faz a captação de
cerca de mil trabalhos por ano, que são doados
ao Centro de Memória dos Jornalistas. Isso permite manter parte da memória do jornalismo
preservada. Pelo critério de escolha dos jurados
e pela metodologia utilizada por eles, o Prêmio
se transformou num sinônimo de qualidade. Não
é necessário nem ganhar para ser reconhecido
no mercado, basta ser um dos finalistas. Este
ano, o que se destacou foi a grande a quantidade/qualidade de reportagens sobre desvio de
dinheiro público.”
“O jornalismo contribui para uma sociedade mais
livre, ética e transparente. Mais do que qualquer
outro poder (Legislativo, Executivo e Judiciário),
ele agiliza a análise de fatos e a apuração de informações, dando direito de manifestação para
todas as partes envolvidas. Sem o jornalismo,
muitos temas importantes para a sociedade seriam esquecidos ou até mesmo negligenciados.
O Prêmio Imprensa Embratel recebe a cada ano
cerca de mil trabalhos jornalísticos. Os melhores
são reconhecidos por meio de uma escolha secreta de cada um dos jurados. Independência,
abrangência e transparência são os principais
destaques. Fiquei surpresa com a preocupação
das mídias em investigar e apurar mais os fatos.
Muitas reportagens mostraram o trabalho na
busca de informações exclusivas. A investigação
foi tanta que gerou até censura por parte das autoridades.”
“O jornalismo livre é o oxigênio da democracia.
Por isso, um bom profissional precisa ter três
compromissos: a verdade, a verdade, a verdade.
Por sua isenção e pelo nível dos trabalhos que
dele participam, o Prêmio Imprensa é, de longe,
o prêmio de maior prestígio do Jornalismo brasileiro. E o nível das matérias apresentadas pelos finalistas de 2010 foi o mais elevado de todas as edições da competição. Não tenho a
menor dúvida de que ele permite aos seus vencedores conquistar não apenas respeito e admiração, mas também novas oportunidades de
ascensão profissional. O ponto que mais impressionou foi a ética das reportagens que falavam de corrupção.”
JOSÉ LUIZ LARANJO
JOSÉ P. MARTINEZ
MAURÍCIO MENEZES
ROGÉRIO REIS
Jornalista, com especialização
em Gestão de Negócios de Instituição de Ensino Superior
pela Universidade Estácio de
Sá e mestrado em Comunicação Social pela Universidade
do Estado do Rio de Janeiro, na
linha de pesquisa de Novas Tecnologias e Cultura. Trabalhou nos
jornais dos Sports, A Notícia e O Dia. É diretor do
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro. Na área acadêmica, foi
diretor do Curso de Jornalismo da Universidade
Estácio de Sá, no Rio, onde, atualmente, é coordenador da área de Conhecimento de Comunicação e Artes.
Jornalista, especializado em Pesquisa do Mercado de Tecnologia de Ponta, é diretor da
publicação Série Estudos
Editora, que realiza prospecções no mercado para
publicações de anuários
es­pecializados. Trabalhou
em vários veículos de projeção nacional, como a revista Veja,
jornal Gazeta Mercantil e o Computerworld. Foi representante, no Brasil (1990), do International Data
Corporation (IDC), empresa líder em inteligência de
mercado, consultoria e conferências nos segmentos de Tecnologia da Informação e Telecomunicações. Atualmente, é o representante brasileiro do
Pierre Audoin Consultants, entidade voltada para
pesquisa de mercado e consultoria estratégica para
a indústria de software e serviços de TI.
Jornalista e apresentador de rádio e televisão. Trabalhou, por
25 anos, na sucursal do Rio
de Janeiro do jornal O Estado
de São Paulo e, durante 29
anos, na Rádio Globo. Foi assessor de imprensa do Tribunal Regional Eleitoral do Rio
de Janeiro e do Clube de Regatas do Flamengo. Em 1991, criou o Plantão de
Notícias, para contar, em forma de apresentações
teatrais, casos de humor da atividade jornalística,
decorrentes de erros de reportagens. Atualmente,
participa como comentarista de um programa
Show da Manhã, da Rádio Tupi AM.
Fotógrafo, trabalhou no Jornal do
Brasil, no O Globo e na revista
Veja. Foi, durante cinco anos,
editor de fotografia do Jornal
do Brasil (91 a 96). Em 1999
recebeu o Prêmio Nacional de
Fotografia da Funarte. Em
2002, sua fotografia de Carlos
Drummond de Andrade na praia
de Copacabana (1982) foi reproduzida em bronze
pelo escultor Léo Santana, em homenagem ao
centenário do poeta. É um dos fundadores da
agência fotográfica Tyba, da qual é editor de projetos especiais.
“O jornalismo são os olhos da sociedade. Ele tem
o dever de fiscalizar, cobrar, denunciar, pressionar os poderes constituídos, em nome da sociedade e dos interesses públicos. O profissional
tem que agir sempre no interesse público, no interesse do seu leitor, do seu ouvinte, do seu telespectador. A principal característica de um bom
profissional é nunca esquecer disso. E o Prêmio
Imprensa Embratel é fundamental para valorizar
esse profissional. Penso que é o que dá mais
condições para que os seus jurados atuem com
total imparcialidade. O nível das matérias é cada
vez melhor. Fala-se muito num ‘jornalismo da era
internet’, que seria de qualidade duvidosa, mas o
que se percebe, na realidade, é que as reportagens inscritas são espetaculares. Como jurado,
muitas vezes fico com várias matérias na frente,
na maior dúvida, por ter que escolher apenas
uma. O que me chama a atenção e preocupa são
as reportagens com denúncias sobre a violência.
Não só Rio e São Paulo são cidades onde a população anda apavorada. As reportagens inscritas
nos mostram que o crack, o tráfico de drogas, as
armas de guerra, as quadrilhas, a insegurança
pública, a desordem política, o envolvimento da
sociedade com o crime, tudo isso está presente
em cidades onde há alguns anos os moradores
se orgulhavam em dizer que podiam dormir de
janela aberta e deixar o carro na rua, com as chaves na ignição.”
“Não dá para imaginar uma sociedade complexa
e multicultural sem o jornalismo. O bom profissional com liberdade de expressão e independência editorial é o melhor parceiro da sociedade. Em sua base está a reflexão da condição
humana sob vários aspectos. Ele esclarece fatos
e produz informações que nos ajudam a compor
uma opinião e a tomar decisões. Por isso, é fundamental ter responsabilidade ética para não
prejudicar inocentes. O Prêmio Imprensa Embratel expõe os vencedores na vitrine do mercado.
Este ano, por exemplo, as categorias Investigativo, Jornal/Revista e TV se destacaram com um
bom conjunto de matérias de denúncia e desvios
de conduta, principalmente na política. Mas a categoria Esportiva foi prejudicada, porque o tema
da Copa do Mundo não foi incluído por conta do
nosso prazo de inscrições. Tivemos boas matérias na área Socioambiental, uma categoria em
franca expansão que nos surpreende pela qualidade das pautas e empreendedorismo social. O
Cultural já traz a tradição dos cadernos especiais, temáticos, com pesquisa, texto e iconografia de um jornalismo com maior tempo de apuração e dedicação. A Fotografia vem provando que
as imagens vão além do mundo aparente e dos
flagrantes. A imagem vencedora é perturbadora
e nos leva a uma profunda reflexão sobre o nosso momento social.”
SÉRGIO MURILLO
DE ANDRADE
Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa
Catarina. Há nove anos trabalha como professor do
curso de Jornalismo do Ielusc, no município catarinense de Joinville. Foi presidente da Federação Nacional
dos Jornalistas (FENAJ) e do
Sindicato dos Jornalistas de Santa
Catarina, por duas gestões. Integra também o Comitê pela Democratização da Comunicação/SC.
Trabalhou no Diário Catarinense e Gazeta Mercantil, foi correspondente do Diário do Sul e atuou
como freelancer de diversas publicações nacionais. Coordenou a comunicação de campanhas
eleitorais em Santa Catarina. Foi assessor de imprensa no serviço público e empresarial. É fundador da Cooperativa dos Jornalistas Catarinenses.
ZUENIR VENTURA
Jornalista e escritor de renome. Em sua trajetória
colaborou com os principais veículos de comunicação impressos
do país. Entre os livros
publicados, 1968 – o
ano que não terminou,
Cidade partida, Inveja –
mal secreto e Chico Mendes – Crime e castigo. É
colunista do jornal O Globo, desde 2003, onde escreve duas vezes por semana, na página de opinião. Ganhou o Prêmio Jabuti em 1995, na categoria reportagem, pelo livro Cidade Partida. Integra
o Júri Nacional do Prêmio Imprensa Embratel desde a sua criação, em 1999.
JURADOS
“Não se conhece uma sociedade que seja forte
sem a presença de um jornalismo eficiente, ético, independente e preocupado com os propósitos de vida das pessoas. O jornalismo colabora
diretamente para a construção de uma sociedade mais esclarecida e atuante. Não é possível
fazer jornalismo sem amor, dedicação e respeito.
Também não se pode esquecer a ética e o cuidado com a apuração. Isso tudo aliado a um jeito
todo especial de perceber o grande momento, a
grande matéria. A maior prova do reconhecimento do Prêmio Imprensa Embratel é que a cada ano
aumenta o número de inscritos. Sem dúvida, ele
fortalece e muito, a vida profissional dos vencedores. É uma marca diferenciada no currículo.
Chamaram-me a atenção este ano as histórias
de vida das pessoas que vencem dificuldades e
derrubam barreiras. Nessa linha, destaque para
a matéria ‘Mãos que fazem história’, que contava
a vida e a obra das artesãs cearenses de um jeito
todo especial.”
“O aspecto talvez mais inovador do Prêmio Imprensa Embratel é juntar um grupo de jornalistas
que tem, em maioria, algumas dezenas de anos
na profissão para avaliar trabalhos voltados
para diferentes meios de comunicação (jornais
diários de grande circulação, revista semanais,
rádio, televisão e agora a Internet, com seus diferentes sabores). A experiência foi absolutamente
fascinante. O desafio foi estar consciente de que
o objetivo não era apenas avaliar o material que
foi entregue. Mas principalmente enquadrá-lo no
contexto do veículo para o qual foi produzido. As
melhores matérias que concorreram em 2010
resvalaram em problemas que, na minha opinião,
impedem o Brasil de ingressar no clube dos países desenvolvidos. Nesta situação, encontra-se,
por motivos óbvios, a corrupção escancarada
que contaminou as instituições públicas brasileiras de ponta a ponta. A grande caixa de ressonância são os grandes escândalos nas esferas
mais altas da República. Mas é uma espécie de
doença que já contaminou órgãos bem menores
na hierarquia pública brasileira, como mostram
matérias que enfocaram assuntos relacionados
ao sistema de ensino, saúde pública, aplicação
de dinheiro em prefeituras e até investimentos
em infra-estrutura relacionadas ao Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC).”
“Defender o interesse público não é mandato
para representar a sociedade. Por isso, a missão básica do jornalismo é informar com o máximo de objetividade e isenção e com a clara
noção de que jamais deve tentar substituir o
próprio cidadão. Dentro desta esfera, creio que
o Prêmio Imprensa Embratel conquistou seu espaço na profissão e na sociedade e hoje é o
maior prêmio jornalístico do País. Destaco a organização, sempre impecável, e a extrema representatividade e liberdade conferida aos jurados. Avaliamos excelentes matérias em todas
as mídias e segmentos. Jornalismo em estado
puro e não apenas em grandes empresas e no
valorizado eixo Rio/SP/DF. ”
“O jornalismo é uma espécie de porta-voz da sociedade e fiscal de todos os poderes e instituições. Cabe a ele informar o que acontece e denunciar eventuais excessos e desmandos das
autoridades e governantes. Além das indispensáveis qualidades técnicas que a profissão exige, o repórter precisa reunir humildade e sentido
ético. Acredito que, ao recompensar todo ano as
melhores produções jornalísticas com reconhecimento simbólico e dinheiro, o Prêmio Embratel
constitui um real estímulo ao bom jornalismo. Ele
é hoje um título que o ganhador se orgulha de
ostentar. Já vi profissionais se apresentarem assinando: ‘Fulano de tal, Prêmio Embratel 2 mil e
Tanto’. A dificuldade de escolher os vencedores
(tantos e tão fortes eram os competidores) dá a
medida do nível de excelência dos candidatos em
2010. Aliás, esse nível tem melhorado a cada
ano. O que mais me chamou a atenção foram o
sentido crítico das matérias e o cuidado com a
apuração. Foi uma safra de grandes exemplos de
jornalismo responsável.”
“O reconhecimento de um trabalho é
o combustível para seguir adiante e a
certeza que podemos sim construir um
Brasil melhor para todos”.
Nyelsen Martins, vencedor da Categoria Regional – Região Norte
Secretaria do Prêmio Imprensa Embratel
Luiz Freitas
coordenação
Fátima Lopes
Daniel Pereira
(Print Comunicação)
Parceiros Institucionais
ARFOC – Associação Profissional dos Repórteres
Fotográficos e Cinematográficos do Rio de Janeiro
SJPMRJ – Sindicato dos Jornalistas Profissionais
do Município do Rio de Janeiro
FENAJ – Federação Nacional
dosJornalistas
ABI – Associação Brasileira de Imprensa
Apoio
Lei de Incentivo Federal
/ Ministério da Cultura (Lei Rouanet)
Lei de Incentivo à Cultura do Estado
do Rio de Janeiro
PLANIN Worldcom
Projeto Gráfico
Cafe Estudio
Fotografia
Gustavo Santos Bressan
Fotos e ilustrações deste livro obtidas a partir
de originais de seus respectivos autores.
ISBN 978-85-64348-00-4
9
788564
348004
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