Universidade de São Paulo Instituto de Física de São Carlos JEISON TALLIS TRIBIOLI Desenvolvimento e avaliação de resina composta odontológica com esmalte bovino como partícula de carga São Carlos – S.P. 2011 JEISON TALLIS TRIBIOLI Desenvolvimento e avaliação de resina composta odontológica com esmalte bovino como partícula de carga . Dissertação apresentada ao Programa Pós Graduação em Física do Instituto Física de São Carlos da Universidade São Paulo, para obtenção do título Mestre em Ciências. Área de concentração: Física Aplicada Orientadora: Profa. Dra. Cristina Kurachi Versão Original São Carlos – S.P. 2011 de de de de AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE. Ficha catalográfica elaborada pelo Serviço de Biblioteca e Informação IFSC/USP Tribioli, Jeison Tallis Desenvolvimento e avaliação de resina composta odontológica com esmalte bovino como partícula de carga./ Jeison Tallis Tribioli; orientadora Cristina Kurachi -- São Carlos, 2011. 76 p. Dissertação (Mestrado – Programa de Pós-Graduação em Física Área de concentração: Física Aplicada – Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo. 1. Resina Experimental. 2. Fotopolimerização. 3. Esmalte Bovino. I. Título. AGRADECIMENTOS A Deus pela misericórdia e graça para com a minha vida Aos meus amados pais, Sr. Orivaldo e Sra. Maria Teresa pelo apoio e incentivo que nunca faltaram nesses anos. A Profa. Cristina Kurachi e Prof Vanderlei Salvador Bagnato pelo apoio, confiança e sábias instruções. Ao meu irmão Jonata juntamente com todos meus familiares que me apoiaram. Ao senhor Otacilo Marques e Amabile Bianchini Tribioli in memoriam, foram avós que sempre incentivaram seus netos a estudar. A minha noiva Renata pela paciência e compreensão durante este tempo. Alessandra Rastelli e Denis Jacomassi companheiros de resinas composta, obrigado pelos ensinamentos e proveitosas discussões. Ao Sebastião e Paulinha que no começo deste trabalho proporcionaram momentos agradáveis, ou seja, muitas risadas. Lilian Moriyama, Natália Inada, Carla Fontana, Juçaíra Giusti, Vitória Maciel, Fernanda, Paula, Larissa, Hilde, Cintia. Aos meus amigos figuras, Clóvis Grecco, Emery Lins, José Dirceu, Gustavo Sabino, Gustavo Nicolodeli, Mardoqueu, Boto (Everton), Ruy, Leandro Minatel, pelo apoio que sempre me deram e por serem sempre companhias tão agradáveis em tantos momentos. A todos os funcionários do IFSC-USP, em especial aos que fazem parte do Grupo de Óptica, pela dedicação, carinho e respeito. Ao Professor Emerito Milton Ferreira de Souza meus sinceros agradecimentos A Profa. Dra Dulcina Ferreira pelas dicas de moagem das partículas e possibilitar o uso do moinho vibratório, Prof. Dr.Victor e ao Zé por possibilitar a utilização da maquina de ensaios mecânicos A FAPESP pelo apoio financeiro Resumo TRIBIOLI, J. T. Desenvolvimento e avaliação de resina composta odontológica com esmalte bovino como partícula de carga. 2011. 76 p. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Física de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos 2011. A utilização de resinas compostas para restaurações em dentes anteriores e posteriores é bastante frequente na odontologia atual, pois suas propriedades mecânicas e estéticas são compatíveis a estrutura dental. O objetivo deste trabalho foi confeccionar e caracterizar uma resina composta para uso odontológico utilizando esmalte bovino como carga de reforço. Para confeccionar a resina composta a mesma matriz orgânica comumente utilizada nas resinas comerciais foi empregada. A carga de reforço foi obtida através da moagem de fragmentos de esmalte bovino, e posteriormente submetida a um tratamento superficial para que tornasse possível a união das partículas com a matriz orgânica. Foram confeccionadas resinas compostas nas concentrações de 60, 70 e 85% em peso de carga. Para fotopolimerização um dispositivo a base de LED com banda de emissão em 470 nm com intensidade e 1000 mW/cm² foi usado. Duas resinas comerciais Filtek Z-250 e Supreme XT (3M ESPE) ambas na cor A2 foram empregadas para comparação. A caracterização das resinas experimentais e comerciais foi realizada através de ensaios de compressão axial e diametral, grau de conversão, teste de dureza Vickers e fluorescência. O teste de fluorescência foi realizado em dentes humanos para comparar com resina experimental e comercial. Baseado nos testes realizados, a resina experimental apresenta propriedades promissoras para em restaurações. Palavras Chave: Resina Experimental. Fotopolimerização. Esmalte Bovino. ABSTRACT TRIBIOLI, J. T. Development and evaluation of a dental composite resin using bovine enamel as reinforcing filler. 2011. 76 p. Dissertação (Mestrado) – Instituto de Física de São Carlos, Universidade de São Paulo, São Carlos 2011. The use of composite resins for restorative procedure at anterior and posterior cavities is highly common in the actual Dentistry because its mechanical and aesthetic properties are compatible with the remanescent dental structure. The aim of this study was the manipulation and characterization of a dental composite resin using bovine enamel as reinforcing filler. The same organic matrix of the commercially available resins was used for this experimental resin. The reinforcing filler was obtained after the gridding of bovine enamel fragments and a superficial treatment was performed to allow the adhesion of the filler particles with the organic matrix. The experimental resin was manipulated at the weight filler concentrations of 60%, 70%, and 85%. A LED-based light source with 1000 mW/cm2 centered at 470 nm was used for photopolimerization. Two commercial resins, Filtek Z-250 and Supreme XT at A2 shade, were used for comparison. The resin characterization was performed with tensile strength and diametral tensile strength tests, conversion degree, Vickers hardness, and fluorescence. The fluorescence test was performed using human teeth to compare the results of the experimental and commercial resins. Based on the investigated tests, the present experimental resin shows promising properties to its use on dental restorations. Keywords: Experimental Resin. Photopolymerization. Bovine Enamel. Lista de Figuras Figura 1 - Esquema de classificação de materiais compósitos (23) 22 Figura 2 - Estrutura química do monômero Bis-GMA 24 Figura 3 - BisEMA – 2,2-Bis[4-(2-metacriloiloxietoxi)-fenil]propano 25 Figura 4 - Estrutura UDMA 25 Figura 5 - TEGDMA – Trietilenoglicol dimetacrilato 26 Figura 6 - Silano γ–metacriloxipropiltrimetoxi 26 Figura 7 - Reação de união do agente de união com a matriz orgânica 29 Figura 8 - a) Resina composta antes da fotopolimerização b) resina 41 composta fotopolimerizada Figura 9 - Ilustração da identação nos corpos-de-prova 43 Figura 10 - a) ensaio de compressão axial, b) ensaio de compressão 44 diametral Figura 11 - Sistema de aquisição de imagem 46 Figura 12 - Distribuição de partículas de esmalte bovino triturado por 47 doze horas no moinho vibratório Figura 13 - Distribuição do diâmetro de partículas de esmalte trituradas 48 no moinho de bola Figura 14 - Resina experimental 60%-(A), 70%-(B) e 85%-(C) 49 concentrações de carga. Resinas comerciais Supreme XT(D) e Z-250-(E). Aumento de 5000 para as cinco imagens as resinas Figura 15 - Intensidade de absorção das partículas de esmalte sem ɣ- 50 MPS e ɣ-MPS Figura 16 - Grau de conversão das resinas compostas comerciais e 50 experimentais Figura 17 - Espectro de absorção da resina experimental 51 Figura 18 - Grau de conversão das resinas compostas comerciais e 52 experimentais Figura 19 - Teste de microdureza nas resinas compostas 53 Figura 20 - Ensaio de compressão axial nas diferentes resinas 55 compostas. Figura 21 - Ensaio de compressão diametral nas diferentes resinas 58 compostas Figura 22 - a) imagem de fluorescência, b) imagem em escala de cinza 59 resina experimental 60% carga em peso Figura 23 - a) imagem de fluorescência, b) imagem em escala de cinza 59 resina experimental 70% carga em peso Figura 24 - a) imagem de fluorescência, b) imagem em escala de cinza 60 resina experimental 85% carga em peso Figura 25 - a) imagem de fluorescência, b) imagem em escala de cinza 60 resina experimental do dente humano Figura 26 - a) imagem de fluorescência, b) imagem em escala de cinza 60 resina comercial Supreme XT Figura 27 - a) imagem de fluorescência, b) imagem em escala de cinza 61 resina comercial Z-250 Figura 28 - Intensidade de fluorescência em escala de cinza das 61 resinas experimentais, comerciais e dente humano Lista de Tabelas Tabela 1 - Características para seleção para aplicação de um 20 biomaterial (17) (alterado). Tabela 2 - Classificação dos compósitos de acordo com o tamanho 27 médio das partículas Tabela 3 - Composição da matriz orgânica da resina 39 Tabela 4 - Composição da resina composta 40 Tabela 5 - Grau de conversão das diferentes quantidades de carga 52 Tabela 6 - Valores médios de compressão axial 55 Tabela 7 - Compressão diametral 57 Tabela 8 - Ensaios mecânicos e intensidade de fluorescência 62 Lista de Abreviaturas ou Siglas BisGMA - bisfenol A-glicidil metacrilato UDMA - uretanodimetacrilato TEGDMA – trietilenoglicoldimetacrilato LED – Light Emission Diode ADA – American Dental Association HV – Hardness Vickers mW – (mili)Watts µm – micrometros nm - nanometros Sumário 1 Introdução ................................................................................ 15 2 Revisão bibliográfica ............................................................... 19 2.1 Biomateriais ....................................................................................... 19 2.2 Materiais Compósitos ........................................................................ 21 2.3 Resina composta ............................................................................... 23 2.3.1 Matriz Orgânica ............................................................................ 24 2.3.2 Partículas de Carga ...................................................................... 26 2.3.3 Agente de União ........................................................................... 28 2.3.4 Sistema Iniciador .......................................................................... 30 2.4 Polimerização em cadeia ................................................................... 31 2.4.1 Cinética de polimerização ............................................................. 32 3 Objetivo .................................................................................... 35 4 Materiais e Métodos ................................................................. 36 4.1 Obtenção das partículas de carga ..................................................... 36 4.2 Caracterização das partículas de carga............................................. 37 4.3 Tratamento superficial ....................................................................... 37 4.4 Matriz de orgânica e fotoiniciador ...................................................... 38 4.5 Preparação da resina experimental ................................................... 39 4.6 Grau de Conversão............................................................................ 41 4.7 Teste de Dureza ................................................................................ 42 4.8 Compressão axial e compressão diametral ....................................... 44 4.9 5 Fluorescência ..................................................................................... 45 Resultados e Discussões ........................................................ 47 5.1 Verificação do diâmetro das partículas de esmalte bovino................. 47 5.2 Avaliação do tratamento superficial .................................................... 49 5.3 Avaliação do Grau de Conversão ....................................................... 51 5.4 Avaliação do teste de dureza ............................................................. 52 5.5 Teste de compressão axial e compressão diametral ......................... 54 5.6 Avaliação da fluorescência ................................................................. 59 6 Conclusão ................................................................................ 63 7 Trabalhos futuros .................................................................... 64 Referências ......................................................................................... 65 Apêndice – Pedido de Patente........................................................... 72 ANEXO – Comitê de Ética .................................................................. 76 15 1 Introdução O desenvolvimento das resinas compostas utilizadas como material restaurador estético, tanto em dentes anteriores como posteriores, é um dos maiores avanços da odontologia estética (1). Desde a introdução do sistema de monômero de Bis-GMA (bisfenol A-glicidil metacrilato) no inicio da década de 60 por Bowen (2), as resinas compostas vêm sofrendo diversas mudanças em sua composição, bem como no sistema de ativação da reação de polimerização, sempre com o intuito de melhorar suas propriedades físicas, químicas e mecânicas, aumentando a longevidade das restaurações (3,4). A adição de partículas de quartzo silanizadas ao Bis-GMA diminuiu radicalmente a contração de polimerização, expansão térmica e adsorção de água, ao mesmo tempo em que aumentou o módulo de elasticidade e dureza superficial (5). No entanto, o desenvolvimento das resinas comerciais sido realizado basicamente na matriz orgânica, pouco interesse nas partículas de reforço, com exceção do tamanho das partículas. Atualmente, no mercado de resinas compostas odontológicas existem diversos tipos disponíveis: híbridas, microhíbridas, micropartículas e mais recentemente as de nanopartículas. A composição desses materiais é basicamente de uma matriz orgânica, partículas inorgânicas, agente de união (silano), sistema fotoiniciador, inibidores e pigmentos corantes (6). O sistema de ativação mais empregado em resinas compostas comerciais é a canforoquinona, o composto químico denominado fotoiniciador, associado a uma amina terciária, o co-iniciador que funciona como doador de elétrons. A concentração desses componentes pode variar de acordo com a necessidade de otimizar o processo de cura (7). A fonte de luz atualmente mais empregada para ativação da canforoquinona é a base de LEDs, com emissão espectral estreita coincidindo com uma região da banda de absorção do fotoiniciador. Na literatura podem ser encontrados diversos estudos com sistemas de fotopolimerização a base de LEDs, tais trabalhos foram realizados para verificar a influência da fotopolimerização nas propriedades dos materiais compósitos dentários (8,9). 16 A principal diferença encontrada nas resinas comerciais atuais é na porcentagem de matriz orgânica e partícula de carga. Uma maior quantidade de matriz orgânica está associada à melhor qualidade estética, mas com inferiores propriedades físicas e mecânicas, como maior contração de polimerização e menor dureza. O tamanho da partícula de carga tem principal influência sobre as propriedades mecânicas, as resinas que apresentam partículas de carga com maiores diâmetros, apresentam melhores propriedades mecânicas. Atualmente, a maioria das resinas compostas comerciais apresenta uma diversificação nos tamanhos de partículas de carga, buscando balancear as propriedades mecânicas e qualidade estética do material. A maioria dos materiais compósitos, empregados na odontologia, utiliza monômeros que são substâncias aromáticas ou diacrilatos alifáticos. O Bis-GMA, o trietilenoglicoldimetacrilato (TEGDMA) e o uretanodimetacrilato (UDMA), são os dimetacrilatos mais comuns empregados nos compósitos dentários (10). A incorporação da carga à matriz resinosa melhora consideravelmente as suas propriedades, porém isso só ocorre quando as cargas estiverem bem aderidas. Para que essa adesão principal ocorra com eficácia é necessário utilização do agente de união ou silano. O aumento da fração de partículas na resina composta melhora algumas propriedades como: resistência a compressão, resistência a tração, módulo de elasticidade e principalmente a resistência a abrasão. Além disso, o aumento da fração de partículas também propicia menor contração de polimerização, uma vez que, a contração de polimerização depende somente da porção orgânica do material (3). As partículas de carga mais comumente utilizadas em resinas compostas dentárias são quartzo, zircônia, sílica. O tamanho das partículas pode variar de 0,04 a 100 µm. O diâmetro da partícula vai depender do processo utilizado para obtenção da mesma. O processo por moagem resulta em partículas com tamanho de grão variando entre 0,1 a 100 µm. Já para obtenção de partículas com granulação menor que 0,1 µm, o processo pirolítico ou por precipitação é utilizado, sendo muito comum para obtenção de partículas de sílica chegando ao tamanho médio de 0,04 µm (11,12). A utilização de diferentes distribuições de tamanho médio das partículas de carga é muito comum, pois utilizando um único tamanho de partículas, mesmo que 17 compactadas, interstícios entre partículas são observados, portanto a utilização de partículas com tamanho médio menor se faz necessário para que esses espaços sejam preenchidos. Fatores como grau volumétrico dessas cargas, seu tamanho, distribuição por tamanho, radiopacidade e sua dureza, influenciam na aplicação clinica (11). Além das propriedades físico-químicas serem semelhantes à estrutura dental, atualmente existe a necessidade dos materiais restauradores apresentarem semelhanças ópticas aos tecidos dentais no intuito de melhorar o quesito estético. Os componentes utilizados para melhorar as propriedades ópticas como, fluorescência e opalescência são terras raras, tais como: európio, cério, itérbio (13,14). As resinas comerciais mais empregadas em restaurações possuem intensidade de fluorescência inferior quando comparado a estrutura dental, o que do ponto de visto estético desfavorece o emprego de tais resinas em restaurações (15). Na aplicação clínica atual, o material restaurador empregado para o preenchimento de uma cavidade preparada é único, ou seja, apresenta as mesmas propriedades físico-químicas. Existe a exceção no caso da restauração de dentes anteriores, quando se emprega uma resina com característica mais opaca, na região central da restauração, e outra mais translúcida no acabamento incisal. No entanto, considerando as propriedades mecânicas, ainda não existe uma utilização de materiais com diferentes características na mesma restauração. Em uma cavidade preparada, o material estará sujeito a diferentes forças e desafios bioquímicos dependendo de sua posição. O material em contato com a dentina preparada deve apresentar alta capacidade de adesão à estrutura dental; o material na parte central da cavidade deve absorver as forças minimizando a transmissão para o remanescente dental; o material na superfície oclusal deve apresentar dureza, resistência ao desgaste físico-químico e ser passível de polimento (16). Com os materiais utilizados para restaurações utilizados atualmente fica difícil confeccionar uma restauração com diferentes propriedades mecânicas no qual possa assemelhar a estrutura dental. Existe a necessidade de manipular novos materiais com características mecânicas distintas em que seja possível combiná-los para obter restaurações com melhores propriedades e maior semelhança aos tecido duros dentais. 18 Com essa principal motivação, buscamos desenvolver e viabilizar uma resina composta dentária, empregando um material biológico como partícula de carga, com variação de algumas propriedades mecânicas, na busca de um material restaurador mais semelhante à estrutura dental. 19 2 Revisão bibliográfica 2.1 Biomateriais A utilização de materiais para substituir partes do corpo humano já vem sendo descrita desde relatos antigos. Antes de materiais serem sintetizados para utilização foram encontrados em múmias egípcias órgãos artificiais como olhos, dentes e nariz (17). Atualmente, com o aumento da expectativa de vida, as pessoas estão mais sujeitas aos desgastes decorrentes do envelhecimento, que podem resultar em ossos frágeis e quebradiços, dentes fraturados e órgãos, como o coração, perdendo sua funcionalidade. Além dos processos de perdas naturais existem perdas ocasionadas por acidentes, o que se faz necessário implantes de tecidos ou de órgãos mutilados, fraturados (18). Com o desenvolvimento dos materiais sintéticos e técnicas cirúrgicas, surgem mais tipos de implantes que podem ser utilizados, tais como: válvula do coração, próteses, dentes a base de cerâmicas, resinas compostas para aplicação dentária. Estima-se que em 1995 foram utilizados 12 bilhões de dólares em propaganda para produtos considerados como biomateriais e esse valor cresce de 7 a 12 % ao ano. Materiais para restauração dentária correspondem por uma parcela significativa, onde um bilhão de dólares foram investidos em propaganda para implantes de dentes sendo que esse valor cresce por volta de 18% ao ano e 2 bilhões de dólares em coroa dental (19). Para que um determinado material possa ser classificado como biocompatível se faz necessário o entendimento global das diversas formas de interação do organismo com o material, dando evidência à interface tecido-material. Uma definição que pode ser utilizada para definir biocompatibilidade está na capacidade do material ser compatível física, química e biologicamente com o hospedeiro (18). A Tabela 1 apresenta características importantes para que o material seja considerado biomaterial. 20 Tabela 1- Características para seleção para aplicação de um biomaterial (17) Fatores Propriedades do Material: Parte 1 Descrição Características químicobiológicas Características mecânicas/estrutural Composição química Módulo elástico Características físicas Compressão Densidade Poisson’s Propriedades do Material: Parte 2 Adesão Função especifica (baseado na aplicação) Biofuncionalidade (adesão de célula), Bioinerte (atóxico não carcinogênico), Bioativo, Bioestável (resistente a corrosão, oxidação), Biodegradação Topologia da superfície (textura e rugosidade) Dureza Forma (sólida, porosa, pó, fibras, filme) Rígido ou Fadiga Geometria Coeficiente de expansão térmica Modulo Flexão Resistência a brasão Resistência ao impacto Condutividade elétrica Cor, estético Índice de refração Opacidade, Translucidez e Fluorescência Processamento e fabricação reprodutibilidade, qualidade, embalagem Características do hospedeiro tecido, órgão, condição de saúde, sistema imunológico Procedimento Cirúrgico período de aplicação/uso Custo Materiais como polímeros, cerâmicas, compósitos, metais ou combinação entre esses materiais podem ser utilizados como biomateriais. O avanço que vem 21 ocorrendo na ciência ao longo dos anos possibilita a utilização de biomateriais em diversas aplicações. O material mais escolhido para prótese tem sido os materiais cerâmicos, pois são mais biocompativeis e apresentam estética satisfatória, contudo são materiais frágeis o que limita a utilização. Os metais apresentam propriedades satisfatórias, mas existe uma quantidade pequena de metais biocompatíveis. Já os compósitos poliméricos podem apresentar combinações de seus constituintes e ser utilizado como material biocompativel, mas a deficiência dos polímeros é apresentar propriedades mecânicas insatisfatórias, além do mais, devido a presença de moléculas de monômero residual, existe uma reação imunológica, com edema resultante (17). Os polímeros podem ser utilizados para substituição de tecidos duros ou moles. Em tecidos duros os polímeros são, geralmente, utilizados para restaurações dentárias, reparação de fratura óssea. Em tecidos moles, os polímeros são, na maioria das vezes, empregados em implantes de tendões, ligamentos (17). 2.2 Materiais Compósitos Os materiais compósitos podem ser definidos como a composição de dois ou mais componentes com uma interface bem definida. Certo cuidado tem que ser tomado com tal conceito, pois engloba um número grande de materiais, comumente não chamado de compósitos, tais com ligas metálicas (18). A combinação de dois ou mais componentes para a formação dos compósitos tem como objetivo combinar as propriedades distintas no intuito de formar um material com propriedade igual ou superior aos componentes individuais. Outro fator que deve ser levado em conta na construção de compósitos é que com a combinação dos componentes individuais forma-se um produto que podea ser economicamente viável (18,20). As partículas de carga utilizadas como enchimento, em materiais compósitos, visam melhores propriedades mecânicas, principalmente aumentando o módulo de 22 elasticidade (tração e flexão) e a resistência mecânica. Tal incorporação confere aos materiais baixos coeficientes de expansão térmica, maior resistência a corrosão, resistência a fadiga entre outras propriedades (21). Os materiais compósitos são formados mediante ao uso de diferentes tipos de reforços (22). Nesses materiais a mistura ou dispersão dos componentes ocorre a nível molecular. As propriedades finais de um material compósito são determinadas predominantemente em função da natureza da interface entre as fases orgânicainorgânica, com a seguinte classificação: Classe 1 – os componentes orgânicos e inorgânicos estão homogeneamente dispersos, ocorrendo apenas ligações fracas entre as fases, ligações de hidrogênio e Van der Waals, e interações hidrofílicas e hidrofóbicas; Classe 2 – os componentes orgânicos e inorgânicos estão fortemente ligados através de ligações químicas covalentes (22). Três grupos principais podem ser utilizados para classificar materiais compósitos: compósitos reforçados com partículas, reforçados com fibras e estruturais; dentro dessa divisão existem subdivisões para cada grupo. A Figura 1 apresenta a classificação dos compósitos (23). Compósitos Reforçado com partículas Partículas Grandes Reforçado por dispersão Reforçado com fibras Contínuas (alinhadas) Estrutural Descontínuas (curtas) Orientadas Laminados Aleatória Figura 1 - Esquema de classificação de materiais compósitos (23). Painéis 23 A diferença entre as subdivisões compósitos de partículas grandes e reforçado por dispersão está no mecanismo de interação matriz-partícula. O compósito de partícula “grande” refere que as interações partícula-matriz que não podem ser tratadas nos níveis moleculares, ou seja, as interações são descritas pela mecânica clássica. Em geral, as partículas são mais duras e rígidas do que a matriz e tensão aplicada é transferida às partículas. A melhora nos comportamentos mecânicos, de compósitos reforçados com partículas “grandes”, depende da forte ligação na interface matriz-partícula. Nos compósitos que são reforçados por dispersão, os diâmetros das partículas variam entre 10 a 100 nm, em geral, o processo que leva o aumento da resistência sucede em nível atômico ou molecular na interação matriz-partícula. Nos compósitos reforçado por dispersão a matriz absorve a maior parte do impacto enquanto as cargas tem o papel de evitar a propagação das discordâncias (23). 2.3 Resina composta Os componentes estruturais de uma resina composta dental podem ser divididos em cinco partes, dos quais são: a matriz que é um material plástico resinoso que forma uma fase contínua e se une a partículas de carga; carga são partículas de reforço e/ou fibras que se encontram dispersas na matriz; agente de união é responsável em promover a adesão entre a carga e a matriz resinosa; sistema iniciador composto por foto-iniciador e co-iniciador são responsáveis por dar inicio a formação de radicais livres e pigmentos proporcionam a reprodução da cor o que resulta em uma aparência mais semelhante a estrutura dental. 24 2.3.1 Matriz Orgânica A matriz orgânica da resina composta dentária é um complexo resinoso constituído de monômeros acrilatos aromáticos ou alifáticos tais como: Bis-GMA, BisEMA, TEGDMA e UDMA. A concentração em peso de cada monômero varia para cada resina. A resina comercial Supreme XTTM (3M ESPE), por exemplo, utiliza BisGMA, BisEMA e TEGDMA (24). O monômero Bis-GMA, é o monômero mais utilizado em resinas compostas dentárias e caracteriza-se por ser uma molécula longa e rígida. A contração de polimerização é menor quando comparado com as resinas acrílicas, também empregadas na odontologia, essa contração menor ocorre devido ao extenso comprimento da cadeia molecular e à estrutura aromática no centro da molécula que confere rigidez ao monômero. Uma maior reatividade no monômero Bis-GMA ocorre por ser um monômero bifuncional com longa separação entre os grupamentos reativos vinílicos presentes, em ambas as extremidades. Por sua vez, o grupo hidroxila promove ligações intermoleculares de hidrogênio (24,25). A Figura 2 mostra a estrutura química do monômero Bis-GMA. Figura 2 - Estrutura química do monômero Bis-GMA. Entretanto, o Bis-GMA apresenta alta viscosidade e sorção de água, conseqüência das ligações intermoleculares de hidrogênio devido a presença de grupos hidroxila (OH). A utilização de diluentes torna-se necessária a fim de permitir a incorporação de uma quantidade elevada de carga. Contudo, quanto menor a massa molar, maior a contração de polimerização ocasionando uma fenda entre a parede da cavidade dentária e o material restaurador (26,27). O peso molecular do Bis-GMA é 512 g/mol e viscosidade de 1200 Pa.s. A estrutura BisEMA (bisfenol A dimetacrilato etoxilado) é outro monômero bifuncional como a estrutura Bis-GMA, possuindo os anéis benzênicos no centro da 25 molécula, o que proporciona rigidez à cadeia. A modificação feita no Bis-GMA para obtenção do BisEMA ocorre através da substituição dos grupos hidroxila por um átomo de hidrogênio. Com essa substituição a viscosidade do BisEMA diminui e a estrutura BisEMA tem mais mobilidade entre as cadeias quando comparado com o Bis-GMA (24). O peso molecular do BisEMA é 540 g/mol e viscosidade 0,9 Pa.s. A Figura 3 mostra a estrutura do BisEMA. Figura 3 - BisEMA – 2,2-Bis[4-(2-metacriloiloxietoxi)-fenil]propano. Outra combinação de dimetacrilatos são dimetacrilatos de uretana alifáticas (UDMA) que foram desenvolvidos inicialmente para apresentar viscosidades mais baixas. Tais monômeros podem ser descritos por uma cadeia principal contendo um ou mais grupos de uretana e dois grupos metacrilatos nas extremidades como pode ser observado na Figura 4. A vantagem do dimetacrilato de uretana é a sua menor viscosidade, o que possibilita a inclusão de uma porcentagem maior de carga inorgânica, sem a necessidade de adicionar diluentes de baixa massa molar. Entretanto os dimetacrilatos de uretana sofrem uma contração de polimerização elevada (6). Figura 4 - Estrutura UDMA. Para reduzir a alta viscosidade do material, monômeros conhecidos como monômeros diluentes são acrescentados na formulação. Esses monômeros reduzem a viscosidade do material o que facilita uma mistura mais homogênea com os constituintes inorgânicos, possibilitando também uma manipulação clínica mais fácil (28). Os diluentes possuem baixa massa molar, o mais encontrado na formulação de resinas compostas dentárias é o TEGDMA (tritilenoglicol), apresentado na Figura 26 5. O peso molecular do TEGDMA é 286,3 g/mol e viscosidade de 1,1. 10-2 Pa.s. O monômero é bifuncional, apresentando dois grupos metacrilatos reativos nas extremidades da molécula, o que aumenta a eficiência de polimerização mas se adicionado em excesso aumenta a contração de polimerização. Contudo, ocorre um aumento de ligações cruzadas dificultando a sorção de água (29) Figura 5 - TEGDMA – Trietilenoglicol dimetacrilato. 2.3.2 Partículas de Carga A incorporação de partículas inorgânicas na matriz orgânica, em geral, proporciona melhoria nas propriedades mecânicas, tais como: resistência a abrasão, módulo de elasticidade, resistência a compressão e dureza superficial, tais propriedades relacionadas com a morfologia das partículas (30). Além das propriedades mecânicas, as propriedades ópticas, térmicas e reológicas são influenciadas pelo tamanho e quantidade de partículas. O tamanho e quantidade das partículas tem influência direta na viscosidade, na facilidade de manuseio e acabamento superficial que contribui para um resultado estético satisfatório, reduz a contração de polimerização, coeficiente de expansão térmica (31). As resinas compostas podem ser classificadas de acordo com o tamanho médio de partículas incorporadas na matriz. Na Tabela 2 pode-se verificar a classificação das resinas compostas para uso odontológico (32). 27 Tabela 2 - Classificação dos compósitos de acordo com o tamanho médio das partículas Categoria Tamanho médio Macropartículas Acima de 15 µm Intermediária média 5 a 15 µm Intermediária pequena 1 a 5 µm Micropartículas 0,01 a 0,1 µm Nanopartículas 1 a 100 nm As nanopartículas foram incorporadas, recentemente, nas formulações de diversas resinas comerciais com a finalidade de modificar ou influenciar as propriedades do material. Esse fato pode ser explicado pelo aumento da área superficial específica, pois com o aumento da área superficial aumenta a interação entre a matriz e as partículas (3,31). Nessa nova classe de material ocorre a formação de dois tipos de carga de nanopartículas: as partículas nanoméricas se aglomeram formando aglomerados denominados nanocluster e as partículas nanométricas monodispersas não-aglomeradas e não-agregadas (4). Propriedades ópticas das resinas composta podem melhorar com a inclusão de partículas com tamanhos pequenos (nanopartículas), pois o diâmetro das partículas é uma fração dos comprimentos de onda da luz no visível (400 a 800 nm), fração essa que os olhos humanos não podem detectar (3). O mascaramento das restaurações depende das condições da luz ambiente. A predominância da luz UV no ambiente pode expor as restaurações estéticas feitas com materiais compósitos com fluorescência diferente apresentada pela estrutura do dente. Dessa maneira, as restaurações podem apresentar-se como claro ou escuro em comparação com a estrutural dental adjacente. A fluorescência contribui para o brilho e proporciona uma aparência semelhante à estrutura do dente. Os componentes da resina composta não apresentam fluorescência na região de maior emissão dos tecidos duros dentais, região verde do espectro eletromagnético, quando expostos a radiação UV. Para obter fluorescência similar a estrutura do dente faz-se necessário a incorporação de elementos luminescente tais como: európio, cério, itérbio (terras raras) (15). 28 2.3.3 Agente de União Para que ocorra a união da carga com a matriz orgânica é necessária a utilização de um agente de união. A matriz de resina que é uma estrutura orgânica não apresenta afinidade química com a fase inorgânica, partículas de carga utilizada para composição da resina composta. O agente de união é utilizado para melhorar as propriedades físicas, mecânicas e produzir uma melhor estabilidade hidrolítica evitando que a água penetre entre a interface carga/matriz de resina (33,34), essa estabilidade é devido ao o aumento das ligações cruzadas da matriz de resina com a carga proporcionada pelo agente de união (35,36). Embora titanatos e zirconatos possam ser utilizados como agente de união, os organosilanos – como o γ–metacriloxipropiltrimetoxi (Figura 6), são empregados mais comumente em partículas de carga para resina composta (37). Em seu estado hidrolisado, o silano contém grupos silânicos que podem aderir aos silanóis na superfície das cargas através da formação de uma adesão silânica (Si-O-Si). Os grupos metacrilatos dos compostos organosilanos formam uma união covalente com a resina quando ela é polimerizada, completando, assim, o processo de união (Figura 7) (35,38). Figura 6 - Silano γ–metacriloxipropiltrimetoxi 29 Figura 7 - Reação de união do agente de união com a matriz orgânica Na Figura 7 (A) pode-se verificar que as moléculas de silano hidrolisadas aproximam-se do grupo OH da superfície de sílica. No instante que isto ocorre, ligações de hidrogênio se desenvolvem entre o grupo de silanol e uma OH pertencente ao grupo da superfície da sílica. O grupo cabonil do silano forma uma ligação com o hidrogênio do grupo OH isolado da superfície da sílica. Na Figura 7 (B) pode-se visualizar a interação entre o grupo silanol do silano e do grupo OH da sílica resultando em uma reação por condensação. Esta reação resulta uma formação de ligação covalente entre as moléculas de silano e a superfície da sílica durante a liberação de uma molécula de água. As ligações de hidrogênio 30 remanescentes orientam as moléculas de silano paralelamente à superfície da sílica. No compósito, contudo, a carga é coberta com várias camadas de silano, fazendo a interface mais complexa do que a representada na Figura 7 (39). 2.3.4 Sistema Iniciador O fotoiniciador é uma molécula geralmente orgânica, empregada sozinha ou em um sistema químico envolvendo duas ou mais moléculas que absorve luz formando espécies reativas para etapa de iniciação da polimerização. As espécies reativas podem ser, por exemplo, radicais livres, cátions ou espécies iônicas. Um elemento que participa na produção de espécie reativa, porém não absorve luz, é o co-iniciador. Para desempenhar um processo reacional eficaz as propriedades fotoquímicas e fotofísicas são extremamente importantes e, devem apresentar algumas características fundamentais, tais como: alta absorção, alto rendimento quântico de formação de radical livre, solúvel no meio reacional, ter baixa degradação química antes e após a reação, ser inodoro, não provocar amarelamento, ser atóxico, de fácil manipulação (40). Os radicais livres que são gerados pelos fotoiniciadores são classificados pelo mecanismo no qual são formados os radicais, divididos em Tipo I e Tipo II. O processo no qual após absorção de luz são formados radicais por fragmentação da molécula é classificado como Tipo I. O fotoiniciador dessa classe é responsável direto por espécie ativa que irá iniciar a polimerização, em um processo unimolecular (41). Para os fotoiniciadores do Tipo II, ocorre a absorção dos fótons e no estado excitado ocorre uma interação com outra molécula, doadora ou aceptora de elétrons, para que a espécie ativa seja obtida. A molécula doadora é denominada de coiniciador. 31 As propriedades que os co-iniciadores devem apresentar são: um alto potencial de oxiredução, alta reatividade na adição do radical à dupla ligação, não absorver luz no mesmo comprimento de onda da irradiação do fotoiniciador e não reagir e/ou interagir com o fotoiniciador e com os monômeros no estado fundamental (40). O iniciador de Tipo II, comumente reage a partir do estado tripleto, estado de mais baixa energia, e sua eficiência depende do cruzamento intersistemas (40). As aminas terciárias são comumente utilizadas na formulação para cura usando luz UV quando usados fotoiniciadores do Tipo II. 2.4 Polimerização em cadeia Os tipos de polimerização em cadeia são: radicular, catiônica, aniônica, por coordenação e aniônica por coordenação. A classificação é feita em função da natureza da espécie que se propaga (40,42,43). Os processos de crescimento das cadeias ocorrem de forma muito rápida nos quais são obtidos polímeros de alta massa molar, essas características podem ser encontradas na polimerização por crescimento em cadeia. A diferença entre a polimerização de crescimento por etapa e crescimento por cadeia está que no primeiro o aumento da massa molar ocorre durante todo o tempo de reação enquanto que no segundo ocorre uma mistura de polímeros e monômeros (40,42,43). Existem dois tipos básicos de reações de fotopolimerização: reações de fotoentrelaçamento, no qual a formação de ligações cruzadas entre os polímeros é motivada pela irradiação, resultando em materiais de maior massa molecular, e polimerização em cadeia fotoiniciadas, processo esse facilmente encontrado nas resinas compostas dentárias. A polimerização em cadeia fotoiniciada pode ser divido em três estágios: iniciação, propagação da cadeia e terminação da cadeia (40,42,43). 32 2.4.1 Cinética de polimerização Nos compósitos odontológicos a polimerização ativada por luz visível se processa por uma reação de adição exotérmica do tipo vinílica desencadeada via radicais livres e gera a formação de uma rede tridimensional através de ligações cruzadas intermoleculares. A abertura das duplas ligações de carbono e seguida ligações de moléculas para formar cadeias poliméricas é chamado de polimerização vinílica (40). Na iniciação da reação ocorre a geração de radicais livres que reagem com o monômero formando um novo radical. Na fotoiniciação acontecem processos que podem ser divididos em unimoleculares, ocorre a formação de radicais livres envolvendo apenas o fotoiniciador, e bimoleculares, onde a produção de radicais livres é da interação entre uma molécula excitada e uma molécula no estado fundamental, tais processos podem advir em poucas etapas ou serem muito complexos (44). A iniciação da reação de polimerização pode ser representada por: C+h*ν . (1) = [] (2) . + → . (3) = [][ . ] (4) Onde C é o fotoiniciador, Kd coeficiente de absorção do fotoinciador, Rd taxa de absorção do fotoiniciador, R• radical livre, M monômero, M• radical primário, Ki coeficiente de iniciação de polimerização e Ri taxa de iniciação de polimerização. 33 A absorção de fótons incidentes nas resinas compostas dentárias, em regra, ocorre na canforoquinona (α dicetona). O pico de maior absorção da canforoquinona ocorre em 470 nm (45). Após a absorção dos fótons, a canforoquinona que se encontra no estado tripleto interage com a amina terciária alifática que se encontra no estado fundamental. Dois radicais livres resulta da interação, o radical amino e o radical cetila (29). Dos radicais resultantes, somente o radical amino é reativo, pois possui um elétron desemparelhado na camada de valência, no carbono secundário se adiciona a uma dupla ligação de um monômero, constituindo um radical iniciador. O radical derivado da canforoquinona, radical cetila, é inativo, pois se liga a outro radical ou a uma cadeia em propagação, podendo assim levar a terminação da cadeia. A etapa de propagação, representado em 5 e 6, é o crescimento do M• por consecutivas moléculas de monômeros M. . . + (5) = [. ][] (6) Onde M•n radical cadeia, n número de monômeros que forma a cadeia, Kp coeficiente de propagação e Rd taxa de propagação. O processo de terminação ocorre por dois processos, recombinação de dois macrorradicais ou por desproporcionamento. O processo de dois macrorradicais pode ser entendido quando duas cadeias longas se combinam resultando uma cadeia maior. O processo em que dois macrorradicais formam dois polímeros inertes é chamado de macrorradicais por desproporcinamento, onde um polímero fica com ligação insaturada e outro com ligação saturada (45). Os processos podem ser representados das seguintes formas: . . + → . . + + (7) (8) 34 Onde Kr e Kd são as constante de velocidade para terminação por recombinação e desproporcionamento. Quando ocorre a formação do polímero, a união de vários monômeros pode ser entendida como um macrorradical disposto em cadeia linear e/ou ligados por ligações cruzadas, na qual um elétron desemparelhado na sua camada de valência forma ligações com outras moléculas no intuito de tornarem estáveis. Na medida em que ocorre a polimerização, as cadeias vão se tornando mais emaranhadas. Nas resinas compostas em que a matriz orgânica é composta por BisGMA, a estrutura vai ficando mais rígida durante a polimerização implicando que o monômero BisGMA fica impossibilitado de mover e expor suas duplas ligações impedindo assim que a reação ocorra, esse impedimento é chamado de impedimento estéreo. Para contornar essa situação faz-se o uso do diluente TEGDMA, que é um monômero mais maleável possibilitando o dobramento e conseqüentemente podendo ter mais reação (44). Na polimerização de monômeros multifuncionais a base de dimetacrilatos a cinética de reação é um processo complexo, nos quais fatores como concentração de fotoiniciador, taxa de produção de radicais, concentração de monômeros, irradiação, tempo de exposição, partículas de carga nos diferentes tamanhos e formas, opacidade e cor, influenciam no processo. Porém possuem características próprias tais como: autoaceleração, autodesacelaração, ciclização, aprisionamento de radicais e conversão final limitada (46-48). 35 3 Objetivo O objetivo desse trabalho foi confeccionar e caracterizar uma resina composta para uso odontológico utilizando partículas de esmalte bovino como carga de reforço. O trabalho foi realizado em três etapas, a primeira etapa consistiu na obtenção das partículas de esmalte bovino, a segunda etapa foi a confecção das resinas experimentais e por ultimo foi realizado a caracterização das resinas experimentais comparando com resinas comerciais. 36 4 Materiais e Métodos 4.1 Obtenção das partículas de carga As partículas de carga foram obtidas a partir de esmalte bovino, extraído de 250 dentes incisivos em boas condições. É sabido que o dente é constituído por esmalte e dentina, porém neste estudo realizado a dentina não foi utilizada, pois 40% de sua constituição é composta por parte orgânica, outro fator considerado foi que morfologicamente a dentina e o esmalte são distintos. O esmalte apresenta em sua constituição 2% de parte orgânica [15,16]. A separação do esmalte e da dentina foi realizada através do seguinte procedimento: os dentes foram colocados sobre uma chapa de cerâmica a uma temperatura de 300ºC. Nessa temperatura o esmalte se separa da dentina ficando fácil de removê-lo. Nenhuma mudança na estrutura cristalina do esmalte ocorre quando é submetido a essa temperatura, pois a primeira transição de fase no esmalte ocorre a 350ºC (49), já na dentina a primeira transição de fase ocorre a 60ºC. Todos os fragmentos de esmalte separados passaram por uma verificação visual no intuito de averiguar se algum resquício de dentina ficou aderido no esmalte. Se fossem encontrados fragmentos de dentina nos pedaços de esmaltes, estes foram tirados com disco diamantado acoplado a um motor de mão em baixa rotação. Depois de separados, o esmalte foi triturado em pistilo de ágata a fim de obtermos seus fragmentos. O tamanho de partícula que foi possível obter utilizando o pistilo de ágata é da ordem de 3,8 mícrons (µm). Os fragmentos de esmalte obtidos do pistilo foram inseridos em uma garrafa contendo esferas de zircônia de um milímetro (mm) de diâmetro. A garrafa foi 37 colocada no moinho de vibratório, que ficou ligado por até 24 horas e por choque mecânico entre as bolas de zircônia e os fragmentos de esmalte. 4.2 Caracterização das partículas de carga Após 12 e 24 horas no moinho vibratório foram utilizadas duas técnicas para caracterizar a forma das partículas e o diâmetro, fundamentais para o calculo da área superficial das partículas de carga. Para a medida do diâmetro utilizou-se o equipamento comercial Bi-FOQELS, Brookhaven Instruments Corporation, com intervalo de medida de tamanho de 0,002 a 2 µm, possibilitando obter uma distribuição das médias do diâmetro das partículas. Após moagem no moinho vibratório as partículas de carga foram inseridas em ependorfes contendo álcool etílico na proporção 1 para 1/4 de partículas de esmalte bovino em peso. Em seguida foi inserido no ultrassom por 10 minutos. Após o término, a solução foi imediatamente inserida em uma cubeta e a medida foi realizada. Foi realizada microscopia eletrônica de varredura MEV para verificar a forma e diâmetro das partículas o equipamento utilizado foi DSM 960 (Zeiss, Jena, Alemanha). 4.3 Tratamento superficial O processo de silanização que foi realizado nesse trabalho foi baseado no trabalho de Jong-Hyuk Lee e colaboradores (31). Para obtenção de uma boa silanização é necessário adicionar a quantidade correta de silano que depende da quantidade de carga a ser utilizada, ou seja, da área superficial da carga em uso. A quantidade de silano foi determinada utilizando a equação (9): 38 = ! " (9) Onde: f – quantidade de partículas a ser silanizadas em gramas (g). A – área superficial da partícula m²/g das partículas. W – superfície de “molhamento” do silano, nesse trabalho foi utilizado o MPS= 315 m²/g. X – quantidade de agente de união em gramas a ser adicionado, necessário para obter uma boa silanização. As quantidades finais estabelecidas foram: para 6 g de partícula de carga, adicionou-se em um béquer, setenta mililitros de água destilada e 30 ml de etanol (Aldrich, Alemanha). Em seguida o agente de união, γ–metacriloxipropiltrimetoxi foi adicionado de acordo com os tamanhos das partículas obtidos. Para manter o pH da solução entre 5 e 6 foi adicionado 25 ml de ácido acético. Em seguida a solução foi homogeneizada em um misturador fabricado na oficina mecânica no IFSC/USP, com velocidade de 5000 rotações por minuto (rpm). A solução permaneceu no misturador por uma hora, e nesse intervalo de tempo a quantidade de carga foi sendo adicionada a um intervalo de quinze minutos. Depois de finalizada a adição da carga, o misturador permaneceu ligado por mais uma hora totalizando duas horas de mistura. A solução foi colocada em uma centrífuga a 3600 rpm por três minutos com a finalidade de separar a solução líquida da carga. Em seguida a carga foi mantida em um a freezer a -80 °C por 24 horas, após esse tempo a solução foi tirada do freezer, e inserida na estufa a 120ºC por duas horas para secar e completar a reação (31). 4.4 Matriz de orgânica e fotoiniciador A formulação da composição da matriz de resina foi baseada em elementos bem estabelecidos na literatura para a confecção da mesma (25,50). Os 39 componentes utilizados podem ser encontrados em resinas compostas odontológicas comerciais com a mesma matriz orgânica. Na Tabela 3 apresentamos os componentes e quantidades utilizados, todos os componentes são da Sigma Aldrich, Alemanha. Tabela 3 - Composição da matriz orgânica da resina. Bis-GMA Porcentagem em massa (%) 60 TEGDMA 30 1,2 1,1 UEDMA 10 0,4 0,36 Componentes Massa (g) Volume (ml) 2,4 2,06 Os monômeros foram inseridos em um pote preto e misturado a 2000 rpm por trinta minutos para homogeneizar a mistura. Em seguida foram acrescentados os componentes de fotoativação: canforoquinona e amina 1,5% em peso e misturados a 2000 rpm por quinze minutos. A matriz de resina foi colocada na estufa a 37ºC para que as bolhas de ar ocasionadas pela movimentação da hélice em alta rotação fossem expelidas. Foi necessário colocar uma tampa no pote preto depois de inserido os componentes de fotoativação protegendo assim a matriz orgânica para que não houvesse cura devido à exposição à luz ambiente. 4.5 Preparação da resina experimental A partir das partículas de esmalte bovino silanizadas e da matriz de resina, a resina composta proposta foi confeccionada. Na Figura 8 apresentamos a resina composta antes de fotocura (a) e após a fotocura (b), a resina contém 70 % de carga. 40 A resina composta foi confeccionada com 60, 70 e 85% em peso de carga, onde dessa porcentagem 80% em peso corresponde a cargas com distribuição de tamanho médio de micrômetro e os outros 20% de cargas com tamanho médio de nanômetros. A variação da proporção carga/matriz foi necessária para que fossem testadas diversas composições e suas propriedades físicas, foi testada resina composta com 100 % de partículas de carga com distribuição nanométrica e variações de 100 % com micrométrica. Variações entre essas composições foram realizadas, na Tabela 4 são apresentados as composições testadas. Tabela 4 - Composição da resina composta Porcentagem de carga na resina composta (%) 85 70 60 Quantidade de carga em peso (g) Distribuição do tamanho médio das partículas em peso (µm) e (nm) Porcentagem em peso das partículas (%) Quantidade de matriz de resina em peso (g) 3,4 2,8 2,4 2,72 e 0,68 2,24 e 0,56 1,92 e 0,48 80 e 20 80 e 20 80 e 20 0,6 1,2 1,6 Os corpos-de-prova foram confeccionados em uma matriz metálica nas seguintes dimensões: 1 milímetro de espessura e 5 milímetros de diâmetro, para os testes de dureza e grau de conversão (Figura 8). A matriz foi colocada sobre uma placa de vidro, e duas fitas de poliéster foram posicionadas no topo e na base para as superfícies ficassem lisas. Uma fita foi utilizada entre a superfície de vidro e a matriz metálica a outra sobre a matriz e um bloco metálico de 500 g foi utilizado para deixar as superfícies planas. Para fotopolimerizar a resina composta utilizou-se uma fonte de luz a LED (Diodo Emissor de Luz) com comprimento de onda centrado em 470 nm região espectral dentro da banda de maior de absorção da canforoquinona (51,52). A intensidade do equipamento é variável podendo chegar a 1000 mW/cm². O sistema foi desenvolvido no Laboratório de Apoio Tecnológico (LAT) do IFSC/USP. A fotopolimerização de cada camada de 1 mm de espessura foi realizada com intensidade luminosa de 1000 mW/cm2 por 60 segundos, convencionalmente empregados para a cura das resinas comerciais. parâmetros 41 Figura 8 - a) Resina composta antes da fotopolimerização b) resina composta fotopolimerizada Para todos os testes realizados foram utilizadas duas resinas comerciais Filtek Z-250™ e Filtek Supreme XT™ para esmalte (3M ESPE) ambas na cor A2, para comparação com a resina experimental. 4.6 Grau de Conversão Para cada concentração de carga 60, 70 e 85 % em peso e as resinas comerciais, cinco corpos-de-prova foram confeccionados e armazenados em ambiente seco e sem exposição de luz por 24 horas antes das medidas. O grau de conversão foi calculado pelo percentual de ligações duplas de carbono utilizadas na reação de polimerização. Para compósitos à base de BisGMA é de 50 a 60%. Isso não implica necessariamente que 40 a 50% de moléculas de monômeros sejam deixadas na resina, porque um ou dois grupo metacrilato por moléculas de dimetacrilato podem ter reagido e ficando com ligações covalentes ligados na resina (53). Nesse trabalho foi utilizado o espectrofotômetro FTIR-640 (VARIAN) para determinar os picos de intensidade de absorção para o calculo do grau de conversão. Foi acoplado um ATR (Atenuação por Reflexão Total), observando as áreas nas regiões de 1637 cm-1 (ligação dupla alifática) e 1608 cm-1 (ligação dupla do grupo aromático C=C) do polímero com Lina de base fixada no software do equipamento, sendo possível verificar e calcular a porcentagem do grau de 42 conversão para os corpos-de-prova de resina composta (54). O grau de conversão (GC%) correspondente foi calculado pela equação 10. %GC = 1 − I pico 1637 c I pico 1608 .100 I pico 1637 nc I pico 1608 (10) Onde I é a intensidade, c: intensidade da resina curada, nc: intensidade da resina não curada. A aquisição do espectro foi realizada 24 horas depois da resina composta ter sido fotopolimerizada para cada corpo-de-prova. A partir do espectro obtido foi realizado o calculo do grau de conversão de cada corpo-de-prova. O resultado apresentado é o valor médio das cinco amostras. Medidas de intensidade de absorção foram realizadas de topo dos corpos-deprova e na superfície de base, isso só foi possível com a utilização do ATR. A espectroscopia por infravermelho, FTIR, permitiu verificar se o agente de união, ɣ-MPS, estava se aderindo as partículas. Como temos uma distribuição de tamanho médio de partículas e a equação 1, para o cálculo da quantidade de silano, leva em conta apenas um valor fixo de diâmetro e não uma distribuição, então diferentes quantidades de ɣ-MPS foram testadas para verificar como o agente de união estava se aderindo as partículas observando as suas bandas de absorção de 1250-1175 cm-1 (55). 4.7 Teste de Dureza As medidas de dureza Vickers, foram realizadas após 24 horas da fotopolimerização dos corpos-de-prova. O corpo-de-prova foi dividido em 4 quadrantes, com o objetivo de orientar a localização das impressões no momento do teste de dureza. As medidas foram realizadas no topo e na base (superfície oposta à fonte de luz) dos corpos-de-prova. Para cada concentração de carga da resina 43 experimental e cada resina composta comercial, cinco corpos-de-prova foram confeccionados. Os corpos-de-prova foram avaliados no aparelho de dureza Leica VMHT Mot (Alemanha), com carga de 50 gf por 30 segundos. Foi realizada uma identação em cada quadrante nas respectivas superfícies avaliadas dos corpos-de-prova, sendo no total 4 impressões por superfície analisada como na Figura 9 (52). Figura 9 - Ilustração da identação nos corpos-de-prova Para a determinação dos valores de dureza foram medidas as duas diagonais (d1 e d2) da impressão em micrometros (µm), e a partir desses valores, o aparelho de dureza fornece o valor em dureza Vickers HV que é dado por (52): #$ = % ! = &.%.'( , )*+° , = 1,845. % , (11) Onde: F é a força aplicada e d a média das duas diagonais O valor de dureza foi calculado para cada impressão e a média de dureza é apresentada para topo e base de cada resina. 44 4.8 Compressão axial e compressão diametral Foram realizados ensaios de compressão e compressão diametral. Os corposde-prova prova foram confeccionados com 4 mm de diâmetro e 6 mm de altura de acordo com a especificação ISO 4049 e ANSI/ADA número 27, (56).. A resina foi inserida em um molde metálico e fotopolimerizadas com incrementos de 1 mm de espessura, espes aferido com paquímetro. Foram confeccionados 5 corpos-de-prova corpos prova para cada resina composta nas diferentes concentrações de carga e resinas composta comerciais. Os corpos-de-prova foram prensado prensad em uma máquina de ensaios universal Instron 5500R com capacidade idade máxima de carga de 25000 kgf kgf com velocidade constante de prensagem nsagem de 1 mm/min. O calculo da tensão máxima de resistência a fratura de ensaios de compressão diametral é dado pela equação 12. σ= &3 456 (12) Onde: F é a força máxima obtida (N), d é o diâmetro (mm) e h é a altura (mm). Para os testes de compressão axial e diametral foram confeccionados cinco corpos-de-prova prova para cada concentração da resina experimental e resinas comerciais. A média dos cinco ensaios para cada situação situação é apresentada. Na Figura 10 apresentamos uma ilustração de como foi realizado o ensaio de compressão axial e compressão diametral. Figura 10 - a) ensaio de compressão axial, b) ensaio de compressão diametral 45 4.9 Fluorescência Para a realização do teste de fluorescência foram selecionados 5 caninos superiores humanos hígidos e recentemente extraídos por razões periodontais obtidos do banco de dentes da Faculdade de Odontologia de Araraquara-FOArUNESP. Previamente às medidas de fluorescência, os dentes foram limpos com pedra pomes e água e permaneceram armazenados em água destilada até a obtenção das medidas de fluorescência para evitar desidratação. A avaliação de fluorescência foi de forma comparativa entre resinas odontológicas comerciais, dente humano e a resina composta experimental proposta. Para realizar o teste de fluorescência foi utilizado o sistema apresentado na Figura 11, composto por uma câmera de CCD (Pixel Fly), quatro LEDs com banda de emissão ao redor de 400 nm, um filtro óptico passa-alta em 475 nm (Schott) para barrar a luz retro-espalhada e um computador para realizar a aquisição das imagens. Dezesseis imagens foram obtidas para cada situação, para diminuir o ruído (57). As imagens de fluorescência foram transformadas em escala de cinza, empregando o software matemático, Matlab, no qual foi possível distinguir de forma qualitativa a intensidade de fluorescência das amostras em estudo. Foram executados preparo cavitários na forma de “U” localizados no terço cervical da face vestibular dos caninos superiores, com ângulo cavo-superficial gengival localizado na junção amelo-cementária, tendo 2 mm de profundidade e extensão mésio-distal correspondendo ao tamanho da face vestibular onde estavam localizados. Para a realização dos preparos foi utilizada fresa carbide número 245 (KG Sorensen) montada em peça de alta rotação (Extra Torque 605-Kavo). O preparo cavitário foi realizado refrigeração sempre abundante. A padronização das medidas dos preparos foi aferida por meio de paquímetro. Anteriormente aos procedimentos restauradores foi realizado a limpeza da cavidade com solução de digluconato de clorexidina a 0,2% com a finalidade de eliminar detritos e impurezas decorrentes da manipulação e preparo das cavidades. Na seqüência, foram realizados os procedimentos restauradores da seguinte forma: 46 1) Aplicação do ácido na forma de gel, durante 15 segundos, sendo 15 s no esmalte e 10 s na dentina; 2) Lavagem abundante da cavidade com água durante 30 segundos; 3) Secagem cuidadosa da cavidade com papel absorvente para que não haja desidratação dentinária o que poderia comprometer a adesão. 4) Aplicação do sistema adesivo convencional de 2 passos Adper Single Bond (3M Espe). De acordo com o protocolo do fabricante o qual recomenda a seguinte técnica de aplicação: aplicação da primeira camada com microbrush, aguardar 20 segundos, leve jato de ar, aplicação da segunda camada, aguardar 20 segundos, leve jato de ar e fotoativar durante 20 s; 5) Inserção da resina composta em três incrementos de forma oblíqua, sendo: inserir primeiro incremento no terço incisal e fotoativado por 40 segundos; segundo incremento no terço cervical do preparo e fotoativado por 40 segundos e último incremento restaurando todo o preparo, tomando-se o cuidado de deixar o material restaurador com pequeno excesso. Os corpos-de-prova foram colocados no plano focal da câmera, a 6 cm. A iluminação na região focal da imagem é de 4 cm². Figura 11 - Sistema de aquisição de imagem 47 5 Resultados e Discussões 5.1 Verificação do diâmetro das partículas de esmalte bovino Na Figura 12 pode-se verificar a distribuição do diâmetro das partículas de esmalte que foram trituradas por doze horas no moinho vibratório, a distribuição está centrada em 519,5 nm, obtida no equipamento Bi-FOQELS. Numero de particulas (unid. arb.) 110 Particulas de esmalte bovino 100 90 80 70 60 50 40 30 20 300 400 500 600 700 800 900 1000 1100 Diâmetro (nm) Figura 12 - Distribuição de partículas de esmalte bovino triturado por doze horas no moinho vibratório. Na Figura 13 verifica-se a distribuição do diâmetro das partículas que foram fragmentadas no moinho vibratório por 24 horas, o pico da distribuição está centrado em 72,3 nm. 48 Numero de particula (unid. arb.) 110 Particulas de esmalte bovino 100 90 80 70 60 50 40 30 20 40 60 80 100 120 140 Diâmetro (nm) Figura 13 - Distribuição do diâmetro de partículas de esmalte trituradas no moinho de bola. De acordo com o fabricante das resinas comerciais a distribuição do diâmetro da Filtek™ Z-250 é de 0,01 a 3,50 µm com tamanho médio de 0,6 µm. A resina Filtek™ Supreme XT tem distribuição de diâmetro de 0,6 a 1,4 µm incorporadas partículas de 20 nm não agregadas. As duas resinas comerciais são compostas por Zircônia e Sílica, o fabricante não descreve as proporções dos elementos. O processo utilizado de moagem não foi eficaz para diminuir o diâmetro e uniformizar a morfologia das partículas. Na Figura 14 pode-se verificar as imagens de microscopia eletrônica de varredura das resinas experimentas nas diferentes concentrações em massa 60, 70 e 85% e das resinas comerciais Supreme XT e Z250. As setas nas imagens mostram os diferentes diâmetros de partículas de esmalte bovino nas resinas experimentais e a não uniformidade partículas de esmalte comparado com as resinas comerciais, que apresentam partículas regulares na morfologia. Como resultado da distribuição dos diâmetros das partículas de carga a manipulação da resina experimental é baseada na porcentagem da carga em peso, sem um controle rigoroso da uniformidade (formato) das partículas 49 B A 4,5 µm C 4,5 µm 4,5 µm D 4,5 µm E 4,5 µm Figura 14 - Resina experimental 60%-(A), 70%-(B) e 85%-(C) concentrações de carga. Resinas comerciais Supreme XT-(D) e Z-250-(E). Aumento de 5000 para as cinco imagens as resinas 5.2 Avaliação do tratamento superficial A partir das distribuições de diâmetro médio das partículas utilizou-se a eq.9 para fazer o cálculo da quantidade de silano a ser utilizado para cada distribuição. Para a distribuição na qual o diâmetro médio das partículas ficou da ordem de 519,3 nm, a área superficial foi de 3,85 m²/g, sendo a quantidade de silano utilizado, de 0,07 g, enquanto que partículas medidas de 72,3 nm a área superficial foi de 27,6 m²/g e quantidade de silano foi utilizada 0,52 g. A Figura 15 apresenta a o espectro de absorção na região de 750 a 3500 cm-1 das partículas de esmalte sem o agente de união e o agente de união. Após o tratamento superficial, descrito no item 4.2, o espectro de absorção no infravermelho das partículas tratadas na região de 1175 a 1250 cm-1 foi obtido, região esta referente à ligação Si-CH2R apresentado na Figura 16. As partículas com área superficial maior apresentam maior intensidade de absorção quando 50 comparado com partículas de área superficial menor Figura 16, isto ocorre devido a quantidade de agente de união utilizada. Como o silano é uma molécula relativamente grande, se faz necessárias quantidades exatas, pois quantidades de silano maiores dificultam a silanização e quantidades pequenas não resultam em recobrimento de toda a área superficial da partícula (55). 0,7 Particulas de esmalte MPS Absorçao (unid. arb) 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0,0 1000 1500 2000 2500 3000 3500 Numero de onda (cm-1) Figura 15 - Intensidade de absorção das partículas de esmalte sem ɣ-MPS e ɣ-MPS 0,30 Particulas de esmalte bovino MPS 3,8 m2/g 27,6 m2/g Absorçao (unid. arb) 0,25 0,20 0,15 0,10 0,05 0,00 1160 1170 1180 1190 1200 1210 1220 1230 1240 1250 1260 Numero de onda (cm-1) Figura 16 - Intensidade de absorção do silano em diferentes área superficial 51 5.3 Avaliação do Grau de Conversão Foi realizado o teste de grau de conversão para verificar se a proporção dos componentes da matriz orgânica utilizada resultava em valores de porcentagem de conversão semelhantes aos encontrados na literatura, pois um valor baixo de conversão pode aumentar os monômeros residuais. A Figura 17 mostra o espectro de absorção da resina composta com 70% de carga. Temos a intensidade de absorção da resina curada e não curada. Figura 17 - Espectro de absorção da resina experimental Na Tabela 5 e Figura 18 pode-se verificar que os valores calculados do grau de conversão das resinas composta comerciais e experimentais com 60, 70 e 85% em peso de carga. Os valores apresentados corroboram com valores encontrados na literatura de resinas compostas a base da matriz orgânica apresentada na Tabela 3 e a partir dos valores obtidos constatamos que as proporções utilizadas para composição da matriz de resina estão satisfatórias, baseado nos valores encontrados na literatura (58,59). 52 RE 70% RE 85% 40 XT-Supreme 50 Z-250 Grau de Conversao (%) 60 RE 60% 70 30 20 10 0 Resinas compostas Figura 18 - Grau de conversão das resinas compostas comerciais e experimentais Tabela 5 - Grau de conversão das diferentes quantidades de carga Resina composta Grau de Conversão (%) Z-250 Supreme XT 60 70 85 56,6 ± 3,3 57,5 ± 1,7 63,4 ± 2,1 58,7 ± 2,6 55,3 ± 1,5 5.4 Avaliação do teste de dureza Na Figura 19 são apresentados os valores de microdureza Vickers das resinas comerciais e das resinas experimentais (RE) nas concentrações de 60, 70 e 85% de partículas de carga de esmalte bovino. 70 XT-Supreme 80 Z-250 53 85% RE 70% RE 50 40 60% RE Dureza (HV) 60 30 20 10 0 Topo Base Topo Base Topo Base Topo Base Topo Base Resinas compostas Figura 19 - Teste de microdureza nas resinas compostas As resinas experimentais apresentam valores médios de dureza que aumentam em função do aumento da concentração de partículas de carga, esse comportamento pode ser observado tanto no topo quanto na base dos corpos-deprova. Nas resinas experimentais com 60 % de partículas de carga os valores médios de microdureza são iguais levando em conta o desvio padrão. Nota-se que com o aumento da concentração de partículas de carga propicia valores de dureza na base inferior quando comparado com o topo na mesma concentração. Esse fato pode ser entendido da seguinte maneira. Com o aumento da concentração de partículas de carga menos luz incidente está chegando à base, pode estar ocorrendo um processo de absorção das partículas de carga, isso proporciona que menos ligações cruzadas sejam formadas resultando uma diminuição do valor em relação ao topo. O aumento das propriedades mecânicas está associado com o aumento das ligações cruzadas (60). Nas resinas comerciais verifica-se que os valores médios de dureza topo e base são similares quando considerado o desvio padrão, esse fato pode estar ocorrendo, pois estas resinas são mais translúcidas do que a resina experimental manipulada neste estudo. Nossa hipótese é a de que nas resinas comerciais, a distribuição da luz no material ocorre de maneira mais uniforme, atingindo intensidade semelhante na base da amostra. No caso da resina experimental, onde devido a maior opacidade e consequentemente maior absorção, a intensidade na superfície base é inferior à do topo. Outro fator que influência as propriedades 54 mecânicas da resina composta é a menor eficiência da adesão do agente de união, silano, na partícula de carga. Se o agente de união não aderir na partícula de carga, a mesma fica dispersa na matriz polimérica em formação, assim durante o processo de polimerização o polímero em formação não se liga a partícula de carga formando uma cadeia polimérica sem partículas de carga. Os valores encontrados de microdureza das resinas experimentais estão abaixo dos valores de dureza encontrados na literatura, onde pode ser encontrados valores de dureza de 45 a 70 Vickers (61). O trabalho de GOMES e colaboradores apresentam o valor da dureza Vickers da resina composta Filtek Supreme 3M ESPE, essa resina composta é constituída aproximadamente da mesma composição de carga de 70 % em peso. O valor encontrado pelo autor é de 66 HV (62), podemos verificar que o valor encontrado na resina proposta com esmalte bovino como carga está abaixo. Usualmente as resinas compostas comerciais apresentam na sua composição 0,5% em peso de CQ e amina, foi feito teste nas resinas experimentais com nesta concentração, mas os valores de microdureza obtidos ficaram em 28 HV para resina experimental com 85% em massa de partícula de carga. Para aumentar a numero de ligações cruzadas e conseqüentemente a dureza, foi triplicado o sistema de fotoativação: canforoquinona e amina para 1,5% em peso. Essa ação foi baseada no artigo de V. Kalliyana e colaboradores (61), no qual foi feito um estudo variando a quantidade do sistema de fotoativação fixando a matriz de resina e constatou-se que fazendo esse aumento pode-se ter um aumento de até 88% do valor de dureza inicial, ou seja, antes do aumento do sistema de fotoativação. 5.5 Teste de compressão axial e compressão diametral Na Tabela 6 são apresentados os valores médios de resistência à fratura no ensaio compressão axial. Na Figura 20 apresenta o comportamento das resinas 55 compostas durante o ensaio de compressão axial, para um copor-de-prova nas diferentes resinas em estudo. Tabela 6 - Valores médios de compressão axial Resina composta Z-250 Supreme XT 60 70 85 Compressão (MPa) 298,8 ± 18,2 342,3 ± 19,4 182,3 ± 13,7 158,8 ± 22,8 107,3 ± 9,1 400 Z-250 XT-Supreme 60% 70% 85% Matriz orgânica fotopolimerizada 350 Compressao (MPa) 300 250 200 150 100 50 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Deformaçao (%) Figura 20 - Ensaio de compressão axial nas diferentes resinas compostas. Para que uma resina composta possa ser utilizada em restauração a ADA (American Dental Association) recomenda que a resina tenha valores de resistência a compressão superiores a 100 MPa, representado na Figura 20 pela linha preta (56). Nos dentes naturais a resistência a compressão do esmalte é aproximadamente de 380 MPa, dentina 300 MPa, no dente molar é de aproximadamente de 300 MPa e pré molar de 250 MPa. Munidos desses valores, a avaliação da resistência a compressão de um novo material para uso em restaurações é importante, pois esta propriedade pode determinar se o material esta apto a suportar os estresses durante o ato de mastigação (63,64). 56 A comparação direta dos valores apresentados na Tabela 5 com valores de resistência a compressão de dentes naturais e resinas compostas encontrados na literatura se faz necessário uma cautela, pois não foi encontrado padronização no formato dos corpos-de-prova. Em dentes naturais existe a dificuldade de padronizar o corpo-de-prova devido a morfologia do mesmo. Os valores de resistência a compressão encontrados nesse trabalho superam o valor exigido pela ADA. As resinas comerciais apresentam os maiores valores, enquanto que as resinas experimentais apresentam valores menores e diminuem com o aumento da porcentagem em massa da partícula de carga. Masouras e colaboradores relatam que o tamanho, a forma e se o agente de união está aderido a partícula de carga interfere nas propriedades mecânicas do material (65). As Figuras 12 e 13 apresentam a distribuição do diâmetro das partículas de carga, pode-se verificar que a distribuição é larga e este fato influência diretamente no cálculo da área superficial que por sua vez determina a quantidade de agente de união a ser utilizado. Se o agente de união não for utilizado na quantidade correta torna-se ineficaz a sua contribuição para que a partícula de carga esteja aderida a estrutura polimérica. A Figura 14 mostra a morfologia das partículas moídas no moinho vibratório, pode-se verificar que as partículas não são exatamente esféricas, e forma da partícula influencia no cálculo para quantidade de agente de união. O aumento da porcentagem em massa de partícula, geralmente aumenta as propriedades mecânicas do material (66). No ensaio de microdureza esse fato foi possível constatar, onde o aumento da porcentagem em massa da resina resultou no aumento da dureza do material. Enquanto que no ensaio de resistência a compressão as resinas experimentais apresentaram valores menores na fratura com o aumento da porcentagem de carga. A diferença de comportamento nos ensaios de microdureza e compressão axial e diametral pode estar relacionada com a diferença do tipo de ensaio mecânico. No ensaio de microdureza o identador atua em uma pequena área do corpo-de-prova o que proporciona no material um deslocamento de uma pequena fração do material, apenas onde o identador esteve em contato. Como a força aplicada é relativamente baixa, o material adjacente àquele que foi deslocado não se desloca. Com o aumento da concentração das partículas de carga, o deslocamento 57 do material onde o identador está em contato torna-se mais difícil, consequentemente, com o aumento da concentração observamos um aumento do valor de microdureza. Para o ensaio de compressão axial e diametral a força aplicada atua sobre toda a área em contato do suporte da máquina de ensaio com o corpo-de-prova. O nosso tratamento de área superficial das partículas (silanização) não está ocorrendo de forma eficaz, desta forma, com o aumento da concentração de partículas existe um aumento da área superficial não ligada à matriz polimérica em formação. Existe o favorecimento da propagação de trincas de forma mais rápida, neste caso a partícula funciona como uma impureza, e, consequentemente, com o aumento da concentração de carga observa-se uma diminuição da resistência à compressão. Na Tabela 7 pode-se verificar a média dos valores de resistência a compressão diametral e o desvio padrão. A Figura 21 apresenta o comportamento das resinas compostas durante a compressão diametral. Tabela 7 - Compressão diametral Resina composta Z-250 Supreme XT 60 70 85 Compressão Diametral (MPa) 50,0 ± 2,7 47,3 ± 1,8 25,9 ± 1,7 23,2 ± 1,9 21,6 ± 1,7 58 55 Z-250 XT-Supreme 60 70 85 50 45 40 σ (MPa) 35 30 25 20 15 10 5 0 0,00 0,05 0,10 0,15 0,20 0,25 0,30 Deformaçao (mm) Figura 21 - Ensaio de compressão diametral nas diferentes resinas compostas Os valores obtidos do ensaio de compressão diametral das resinas comerciais corroboram o valor encontrado na literatura. O ensaio de compressão diametral foi realizado, pois é utilizado para entender o comportamento de materiais resinosos a restaurações anteriores (56). Para as resinas experimentais os valores obtidos foram inferiores aos das resinas comerciais, esse fato pode estar relacionado com o tratamento da área superficial não eficaz, como discutido no ensaio de compressão axial. 59 5.6 Avaliação da fluorescência As imagens de fluorescência foram realizadas para comparar de forma quantitativa a fluorescência das resinas comerciais e experimentais que se assemelham ao tecido dental. a b Figura 22 - a) imagem de fluorescência, b) imagem em escala de cinza resina experimental 60% carga em peso. a b Figura 23 - a) imagem de fluorescência, b) imagem em escala de cinza resina experimental 70% carga em peso. 60 a b Figura 24 - a) imagem de fluorescência, b) imagem em escala de cinza resina experimental 85% carga em peso. a b Figura 25 - a) imagem de fluorescência, b) imagem em escala de cinza resina experimental do dente humano. a b Figura 26 - a) imagem de fluorescência, b) imagem em escala de cinza resina comercial Supreme XT. 61 a b Figura 27 - a) imagem de fluorescência, b) imagem em escala de cinza resina comercial Z-250. As imagens nas Figuras 22 a 27 apresenta em a) a imagem de fluorescência e em b) imagem em escala de cinza das resinas experimentais, dente humano e resinas comerciais. Como pode-se verificar que as resinas experimentais assemelhasse a estrutura dental do que as resinas experimentais utilizadas neste trabalho. Na Figura 28 é apresentado intensidade de fluorescência em escala cinza das resinas experimentais, resinas comerciais e dente humano, o que podemos verificar que as resinas experimentais possuem mais semelhança óptica ao tecido dental do que as resinas comerciais. 50 70% RE 30 15 10 5 XT Supreme 20 60% RE 25 85% RE 35 Dente humano 40 Z-250 Escala de cinza (unid. arb.) 45 0 Figura 28 - Intensidade de fluorescência em escala de cinza das resinas experimentais, comerciais e dente humano. 62 A Tabela 8 apresenta os valores médios dos ensaios mecânicos e intensidade de fluorescência realizados nas resinas comerciais e experimentais. Tabela 8 – Ensaios mecânicos e intensidade de fluorescência Tipo de Resinas Z-250 Supreme XT RE 60 % de carga RE 70 % de carga RE 85 % de carga Dente humano Partículas de Carga Zirconia/Sílica 0,01 a 3,50 µm Zirconia/Sílica 0,6 a 1,40 µm e 20 nm Esmalte bovino 0,04 a 0,13 µm e 0,32 a 1 µm Esmalte bovino 0,04 a 0,13 µm e 0,32 a 1 µm Esmalte bovino 0,04 a 0,13 µm e 0,32 a 1 µm HV Compressão diametral (MPa) Compressão axial (MPa) Fluorescência (escala de cinza) 70,2 298,8 50,0 17,4 66,9 342,3 47,3 18,2 19,5 182,3 25,9 24,6 30,2 158,3 23,2 33,5 43,8 107,3 21,6 34,1 310* 41,4 *o valor de microdureza não pode ser utilizado como comparação, pois o corpo-de-prova confeccionado passa por um tratamento antes do ensaio (67). 63 6 Conclusão Com base nos resultados até o momento apresentados verificou-se que foi confeccionada uma resina composta odontológica com propriedades químicas satisfatórias, ou seja, a matriz resinosa apresenta valores similares aos das resinas comercialmente disponíveis. Para os ensaios mecânicos utilizados a resina experimental apresenta valores inferiores aos das resinas comerciais. No ensaio de compressão axial, a resina experimental apresenta valores acima do exigido pelo ADA. No teste de fluorescência, a resina experimental mostrou-se promissora para uso, pois apresenta fluorescência similar a estrutura dental 64 7 Trabalhos futuros 1. Procurar métodos eficientes para ter um maior controle do diâmetro das partículas. 2. Testar outros agentes de união. 3. Melhorar a homogeneização da partícula de carga na matriz orgânica. 4. Realizar calcinação das partículas de esmalte bovino com zircônia e/ou sílica, na busca de melhorar a propriedades mecânicas. 65 Referências 1 JANDT, K.D.; SIGUSCH, B.W. Future perspectives of resin-based dental materials. Dental Materials, v. 25, n.8, p. 1001-1006, 2009. 2 TAN, Y.; LIU, Y.; GROVER, L.M.; HUANG, B. Wear behavior of light-cured dental composites filled with porous glass-ceramic particles. 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