A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA INTEGRANDO EDUCAÇÃO E SAÚDE NO ATENDIMENTO EDUCACIONAL À CRIANÇA HOSPITALIZADA Rosilene Ferreira Gonçalves Silva 1 - FSCMP/UEPA Grupo de Trabalho – Educação, Saúde e Pedagogia Hospitalar Agência Financiadora: não contou com financiamento Resumo O presente artigo reflete sobre as experiências de um projeto de extensão universitária da Universidade do Estado do Pará (UEPA), que ocorre por meio do desenvolvimento de atividades lúdico-pedagógico-educacionais no ambiente hospitalar da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMP), um hospital referência materno infantil no estado do Pará. Objetiva discutir a importância da extensão universitária, em especial do Projeto de Extensão Pedagogia Hospitalar, como estratégia acadêmica, formadora, didático-pedagógica e articuladora de diferentes sujeitos e instituições no contexto hospitalar. Visa, ainda, refletir sobre a relevância das ações compartilhadas entre a universidade, a instituição hospitalar e a secretaria de educação no atendimento educacional ao escolar em tratamento de saúde. O projeto tem a sustentação teórico-metodológica embasada em autores referência em pedagogia hospitalar, tais como, Fonseca (2003), Matos (2007), Arosa e Shilke (2008), Matos e Mugiatti (2009), Covic e Oliveira (2011), bem como, em autores da área da pedagogia social, tais como Graciani (2014), Freire (1997), Freire (2014), entre outros. A metodologia da pesquisa se baseou na observação participante, análise documental e em relatos de experiências adquiridos ao longo do desenvolvimento do Projeto. Utilizou-se, também, registros de avaliação e de participação do público-alvo. Os resultados nos permitem inferir que as ações extensionistas têm contribuído para fortalecer as ações compartilhadas no hospital, propiciando vivencias e aprendizagens significativas para os educandos enfermos e educadores, contribuindo na resolução de problemas no contexto hospitalar, fortalecendo a formação crítico-reflexiva dos futuros pedagogos, fomentando a realização de pesquisas socialmente relevantes, articulando os atores sociais e, principalmente, se comprometendo com os sonhos e as lutas da comunidade hospitalar. Nesse sentido, as experiências aqui apresentadas poderão estimular a ampliação do debate sobre a relação universidade e sociedade e suas contribuições no âmbito da Pedagogia Hospitalar. 1 Pedagoga. Mestre em Planejamento do Desenvolvimento pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Professora Assistente do Curso de Pedagogia da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e Pedagoga da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMP). Líder do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Saúde – GEPES/FSCMP e Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Pedagogia Social e Empresarial – GEPESE/UEPA. E-mail: [email protected] ISSN 2176-1396 36536 Palavras-chave: Extensão Universitária. Educação e Saúde. Pedagogia Hospitalar. Introdução A relação universidade e sociedade por meio da extensão universitária é considerada uma importante função de responsabilidade social das universidades brasileiras. Todavia, a associação ensino, pesquisa e extensão, previstas na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional em vigor, ainda faz parte de um projeto minoritário de instituições de ensino superior (IES), haja vista sua obrigatoriedade ter ficado restrita às universidades. O desenvolvimento das ações extensionistas nas universidades tem sido marcado por contradições e tensões que refletem os modelos adotados em seu processo de institucionalização, bem como, a forma como ela veio se delineando em seus contextos de implementação. A extensão universitária precisa ser compreendida como possibilidade de reflexão e intervenção nos diferentes espaços e realidades. Não pode ser desenvolvida dissociada da perspectiva do ensino e da pesquisa, visto que sua identidade e ação se fortalecem quando promove uma práxis transformadora da realidade, favorecendo a crítica e análise contextualizada e a produção de conhecimento que tem como objetivo responder aos grandes desafios identificados nos cenários em que se desenvolve. A experiência do desenvolvimento de ações extensionistas no contexto hospitalar com crianças em tratamento de saúde se configura como uma ação desafiadora. O hospital teve durante muito tempo a concepção de que seu único e máximo objetivo era cuidar da atenção à saúde da pessoa doente. A própria concepção de saúde se associava apenas a perspectiva do bem estar físico e biológico. Apenas com a emergência das ciências humanas e sociais é que as reflexões sobre a integralidade do sujeito passam a ser consideradas importantes no processo de produção e promoção da saúde. A implementação de ações educativas no contexto hospitalar surge, então, na perspectiva de contribuir com a atenção integral a criança hospitalizada, bem como, de garantir os seus direitos que vão muito além da atenção à saúde, pois mesmo doente esta tem o direito de estudar e participar de atividades lúdicas, pedagógicas e de escolarização que contribuam para o seu progresso educacional e desenvolvimento integral. 36537 A extensão universitária no ambiente hospitalar se apresenta sob diferentes formas de manifestações, sejam de educação em saúde, integração ensino e serviço e atendimento lúdico, pedagógico e educacional hospitalar. É importante ratificar que independente da ação que se desenvolve por meio da extensão universitária, esta precisa assumir sempre a perspectiva de ação crítica e transformadora da realidade. Como se trata de uma ação privilegiada que possibilita unir diferentes sujeitos e situações de aprendizagem, a interdisciplinaridade precisa ser buscada em todas as ações desenvolvidas. Assim, neste trabalho refletiremos sobre uma experiência de extensão universitária que vem sendo desenvolvida em um hospital referência materno-infantil no estado do Pará e que nasceu das ações desenvolvidas por professores e alunos do curso de Pedagogia da Universidade do Estado do Pará (UEPA). A ação extensionista tem se apresentado, nessa experiência, como uma possibilidade privilegiada de interlocução entre a Universidade, o Hospital e a Secretaria de Educação, na medida em que congrega os atores desses diferentes espaços institucionais para desenvolver uma ação integradora, interdisciplinar e de humanização no ambiente hospitalar, como foco no desenvolvimento integral do educando enfermo. O processo de implementação do projeto extensionista tem propiciado o intercruzamento de vários saberes, fazendo da ação educativa e da ação assistencial à saúde um espaço de aprendizagens significavas, em que o ensinar e o aprender se incorporam no cotidiano das práticas. Percebemos o fortalecimento das ações desenvolvidas, as construções coletivas a respeito das vivências e problemas enfrentados no cotidiano hospitalar, bem como, as possibilidades de transformações nesses cenários sob a ótica da integração dos sujeitos que o fazem, sejam eles, professores, alunos e professores da universidade, professores da classe hospitalar, profissionais da equipe multiprofissional de saúde e/ou crianças e acompanhamentos usuários dos serviços. A Extensão Universitária como processo de aprendizagem e problematização no contexto hospitalar Iniciaremos nossa análise discutindo sobre a extensão universitária e seu processo de institucionalização na universidade, para em seguida refletirmos sobre uma experiência que vem sendo desenvolvida em um hospital referencia na atenção integral a saúde da mulher e da criança no estado do Pará. 36538 Para iniciar o diálogo é importante frisar que a extensão universitária sempre foi muito questionada quanto ao seu papel no contexto da universidade e sua missão em relação à sociedade. Vários estudos já demonstraram que suas bases são frágeis, tanto no âmbito conceitual e institucional, quanto das ações desenvolvidas (FREIRE, 1977; GURGEL, 1986; SANTOS, 1986; DEMO, 2004; CALDERON, 2007; SGUISSARDI, 2009). A extensão universitária nem sempre foi uma atividade inerente à universidade, tendo em vista que esta sobreviveu durante séculos, sem sequer cogitar a possibilidade de inserção da extensão em suas atividades. As universidades nasceram vinculadas à concepção de espaços privilegiados de ensino, com a função de transmissão de conhecimentos e de “formação do homem”. A trajetória histórica nos mostra que a concepção de universidade sofreu mudanças de acordo com os diferentes momentos históricos e, nesses processos de transformações incorporou, inicialmente, a pesquisa e, a posteriori, a extensão como parte de sua identidade institucional. O termo universidade é comumente reportado a conceitos como os de cultura, ciência, ensino superior, pesquisa, extensão, entre outros. Tem sido objeto de vários estudos e ocupado papel central em muitas das grandes mudanças ocorridas em nossa sociedade (SGUISSARDI, 2009). Tem sob sua responsabilidade, não somente a formação de profissionais em diferentes áreas do saber, mas a responsabilidade de contribuir com o desenvolvimento da sociedade, especialmente por meio de suas pesquisas científicas (DEMO, 2004). As universidades brasileiras, em seu processo de institucionalização da extensão universitária tomaram como referência duas vertentes extensionistas: uma desenvolvida nas universidades populares da Europa e outra desenvolvida na América do Norte (GURGEL, 1986). Assim, é possível presenciar na origem das ações extensionistas, em nosso país, contribuições do espírito pragmático americano, associado à ideia de extensão, principalmente como prestação de serviços e como atividade acadêmica e contribuições das universidades populares consubstanciadas na ideia de Extensão como promoção de cursos para resolver os problemas presentes na sociedade e/ou contribuir para elevação de sua conscientização política. No processo de institucionalização da extensão em nosso país é importante destacar a década de 1930, do Governo de Vargas, em que foi criado o Ministério da Educação e da Saúde Pública. Nesse período, foi promulgado o Estatuto das Universidades Brasileiras, que 36539 regulamentou o regime universitário no Brasil, e introduziu pela primeira vez a ideia de extensão universitária, como uma das atividades e serem desenvolvidas pela universidade. A extensão foi então se fortalecendo com a organização do movimento estudantil da década de 1960, a reorganização dos movimentos sociais na década de 1970 e a consolidação da reforma da educação e parte do processo de redemocratização nos anos de 1980. Nesse período ganha força a defesa da universidade sob a perspectiva da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, tornando-se principal bandeira de luta do movimento docente da educação superior, com o apoio dos estudantes e da sociedade civil organizada, resultando na inclusão dessa tríplice função da universidade no artigo 207 da Constituição Federal de 1988 que estabelece que “as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (BRASIL, 1988, p. 193). E importante ressaltar, ainda, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) que estabeleceu em seu artigo 43 a promoção da extensão como uma das finalidades de educação superior: VII - A educação superior tem por finalidade: [...] VII - promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição (BRASIL, 1996). Assim, a extensão universitária vem sendo compreendida como uma ação acadêmica integradora das várias áreas do conhecimento e das atividades de pesquisa e de ensino, nas relações de compromisso social da universidade com outros setores da sociedade. Ela constitui-se em um processo educativo, científico e cultural de interação da universidade com outros setores da sociedade que busca se situar numa perspectiva transformadora, de modo a contribuir, tanto para a formação dos estudantes quanto para o desenvolvimento dos espaços em que se insere. Defendemos uma perspectiva de extensão universitária que considera as dimensões socioeducativa, problematizadora e interdisciplinar dos espaços em que trabalha e que se coloca como prática de transformação da realidade, articulada ao ensino e a pesquisa, cujas ações se desenvolvem comprometidas com os sujeitos do processo educativo. Deve ter, portanto, uma intencionalidade pedagógica construída a partir da problematização da realidade que, em seu processo de realização, é sempre desafiadora e instigante. Paulo Freire destaca que “A educação problematizadora se faz, assim, um esforço permanente através do 36540 qual os homens vão se percebendo criticamente, como estão sendo no mundo com que e em que se acham” (FREIRE, 2014, p. 100). Concordamos com Calderon (2007) quando destaca que a extensão deve contemplar pelo menos sete dimensões, quais sejam: a) a dimensão ética, capaz de exercitar o questionamento crítico sobre os objetivos e rumos da ação universitária; b) dimensão formadora, possibilitando espaços de exercício de valores democráticos e direitos humanos; c) dimensão acadêmica, que possibilite a articulação teoria e prática e a vivencia de experiências de solidariedade, multiculturalidade, pluralidade, diversidade, interdisciplinaridade, problematização e etc.; d) dimensão didático-pedagógica, que gere conhecimentos, produza novos recursos didático-pedagógicos e envolva aspectos participativos, críticos e reflexivos; e) dimensão estratégica, que possibilite a interlocução com diferentes atores sociais; f) dimensão cooperadora, que não compete, nem concorre com o trabalho realizado por outras organizações ou instituições, mas articula e potencializa as forças da sociedade e g) dimensão acolhedora, que possibilita espaços para o acolhimento da diferença, da afetividade, do trabalho cooperativo e da convivência pluralista e multicultural. Nesse sentido, não é mais possível pensar hoje a extensão universitária apenas como transferência de conhecimento e saberes, mas como um espaço privilegiado de interações sociais e construções coletivas que permitam sonhar com realidades mais alegres, justas e humanizadas. Graciani (2014) destaca a coragem, a intuição/percepção e o compromisso social como atributos fundamentais na prática pedagógica do educador. Ao pensar a extensão universitária no ambiente hospitalar, é impossível não destacar a importância da coragem para se chegar até o novo, conhecer um ambiente desconhecido para muitos educadores, conviver com a situação do adoecimento, se envolver na luta constante pela vida de cada criança com a qual se tem contato, entre tantos outros desafios diários. É preciso ter intuição/percepção para tomar decisões que reflitam as verdadeiras necessidades da comunidade atendida e, fundamentalmente, é preciso ter compromisso social que reverbere em projetos de transformação das realidades vividas. Assim: o importante é buscar conhecer o grupo com o qual vai trabalhar no tocante à sua cultura, identidade, valores, histórias e referenciais vividos, lidos ou aprendidos, a fim de haja uma comunicação clara e objetiva, pois há formas diversas de ver o mundo e estar nele. De sonho em sonho vai-se construindo uma realidade social mais justa e igualitária (GRACIANI, 2014, p.32) 36541 A extensão universitária pode favorecer o fortalecimento das relações sociais e a construção de vínculos afetivos e significativos no ambiente hospitalar. Graciani (2014) destaca que “o vínculo estabelecido com o grupo deve ter um caráter libertador permitindo a expressão emocional, a autonomia e espaços para administrar conflitos e questionamentos das várias situações entre os diferentes papéis desempenhados” (p. 32) Assim, acreditamos que a extensão universitária no ambiente hospitalar pode dar conta de todos esses aspectos, propiciando a emergência de vivencias e aprendizagens significativas tanto para educandos quanto para educadores, por meio da problematização da realidade e da construção de projetos que respondam aos anseios de todos os envolvidos no processo educativo. Práticas educativas no atendimento ao educando em tratamento de saúde As práticas educativas no ambiente hospitalar vem ganhando relevo a cada ano. A necessidade do educando em tratamento de saúde ser atendido tanto em suas necessidades de saúde quanto educacionais se inscrevem na perspectiva da garantia dos diretos fundamentais das crianças e dos adolescentes. O direito de continuar se desenvolvendo em todas as dimensões, sejam elas afetivas, sociais, psicomotoras e cognitivas não se inscreve apenas no contexto da escola e da criança sadia, muito pelo contrário, mesmo doente a criança pode ter acesso a oportunidades de aprendizagens significativas críticas que quando desenvolvidas no contexto hospitalar ganham propriedades que vão além da escolarização e desenvolvimento cognitivo, mas podem contribuir para diminuir as tensões e dificuldades do processo de adoecimento, do tratamento de saúde e da internação hospitalar. A educação da criança em tratamento de saúde, não é tão recente. Tem suas raízes em solo europeu, mas especificamente na França por meio do educador e sociólogo francês Henri Sellier que inaugurou em Paris, no ano de 1935, a primeira escola para crianças inadaptadas. Quatro anos depois foi criado nesse mesmo país o Centro Nacional de Estudos e Formação para a Infância Inadaptada (C.N.E.F.I), de Suresnes, com o objetivo de formar professores para atuar em institutos especiais e em hospitais, sendo criado também o cargo de professor hospitalar (AROSA e SCHILKE, 2008) Os autores na área são unanimes em afirmar que ocorrência da segunda guerra mundial se apresentou como marco decisório para a ampliação e fortalecimento das iniciativas educativas em hospitais, em função da necessidade instalada pela ampliação 36542 crianças e adolescentes vítimas da guerra que, além do atendimento de saúde, geraram a necessidade do atendimento educacional como forma de garantir a continuidade do processo de escolarização associado à assistência a saúde. Pensando no contexto brasileiro, Arosa e Schilke (2008) e Matos (2007), afirmam que a primeira ação educativa com crianças hospitalizadas ocorreu nos anos de 1950, no Hospital Municipal Bom Jesus, no Rio de Janeiro, por meio da ação educativa de uma profissional da área da Assistência Social. Existem estudos que demonstram, todavia, que essas ações são bem anteriores, inclusive Barros (2011) aponta a existência de um serviço de escolarização hospitalar presente já no ano de 1902, no Hospício Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro. É interessante destacar que as primeiras ações educativas no ambiente hospitalar eram desenvolvidas por profissionais da área da saúde do próprio hospital, sem vínculos com a pedagogia ou com as secretarias de educação. Esse cenário é importante de ser refletido, porque denota que a preocupação com a integralidade da assistência prestada à pessoa doente conforme estabelecido nos princípios do Sistema Único de Saúde - SUS e das políticas e ele ligados, entre as quais vale destacar a Política Nacional de Humanização - PNH (BRASIL, 2004) que aposta na atenção integral e no protagonismo de cada ator social incluindo trabalhadores, gestores e usuários na produção de saúde. A qualidade da assistência e a resolutividade são bandeiras de luta da PNH que defende a cogestão, a integração de ações e a transversalização de serviços como fundamentais para o desenvolvimento e fortalecimento da rede de atenção a pessoa doente. Várias legislações brasileiras dão conta de defender a importância do atendimento pedagógico no ambiente hospitalar, entre as quais, destacam-se a Constituição Federal Brasileira de 1988; o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei nº 8.069/90; a Política Nacional de Educação Especial de 1994; a Declaração dos Direitos das Crianças e Adolescentes Hospitalizados, Resolução n º41, de 13 de outubro de 1995; a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n° 9394/96; as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, Resolução CNE/CEB nº 02 de 11 de Setembro de 2001; o Documento Classe Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar: Estratégias e Orientações- MEC, 2002; a Política Nacional de Humanização de 2004, entre outras. É importante frisar que o atendimento educacional a criança em tratamento de saúde pode ser desenvolvido sob diferentes possibilidades e objetivos, que vão desde projetos educativos, lúdicos e pedagógicos, até brinquedotecas, classes hospitalares e atendimento pedagógico domiciliar. A oferta dessas ações também envolve diferentes sujeitos que vão 36543 desde secretarias municipais e estaduais de educação, universidades, organizações não governamentais, voluntariados até equipes do próprio hospital. A educação da criança hospitalizada se pauta na compreensão de que o processo de adoecimento não interfere nas capacidades cognitivas e de aprendizagem dos educandos enfermos, muito pelo contrário, o fato de elas terem acesso a ações educativas enquanto estão doentes estimula a adesão ao tratamento e a reação positiva na busca da cura. Assim o trabalho pedagógico-educacional no hospital é importante para possibilitar a inclusão educativa e social, além de favorecer o desenvolvimento integral do educando enfermo (FONSECA, 2003; MATOS, 2007; AROSA E SHILKE, 2008; MATOS E MUGIATTI, 2009; COVIC E OLIVEIRA, 2011). A dinâmica do atendimento pedagógico no hospital deve ser norteada por um planejamento que atenda as necessidades educacionais das crianças hospitalizadas. O professor da escola hospitalar deve ser um mediador das interações da criança com o ambiente hospitalar e precisa ter conhecimento do processo de desenvolvimentoaprendizagem dos educandos enfermos, além de noções dos aspectos psicológicos, políticos, sociais e ideológicos envolvidos na educação da criança hospitalizada. O conhecimento da rotina do hospital facilita o trabalho do pedagogo/professor hospitalar e subsidia o seu planejamento educacional. É importante conhecer as normas regulamentadoras do hospital, os riscos ambientais, as questões pertinentes à segurança do paciente, os horários de atendimento médico e multiprofissional, entre outros. É preciso também compreender que “é a criança ou adolescente doente quem sinaliza quando precisa descansar ou quando se sente enfraquecido. Por outro lado, também sinaliza quando necessita de maior estímulo e novas convocações ao desejo de saber, de aprender e de recuperar-se”. (FONSECA, 1999 apud FONSECA, 2003, p.28) As atividades pedagógicas devem ser planejadas para que possuam início, meio e fim em um único dia, de forma a garantir, segundo Fonseca (2003), efetivo atendimento pedagógico-educacional hospitalar. Caso a criança necessite interromper a atividade antes do previsto, devem ser implementadas estratégias de fechamento da atividade para que o educando tenha a consciência de que finalizou as ações propostas para o dia. O sucesso das ações pedagógicas junto ao educando enfermo depende também da cooperação entre os professores, familiares e profissionais da equipe multiprofissional de saúde e de apoio técnico-operacional do hospital, inclusive no que diz respeito aos ajustes 36544 necessários na rotina e/ou horários do dia-a-dia vivido pelo aluno, de forma que a proposta educativa seja implementada atendendo as necessidades de todos. Assim, as ações pedagógicas desenvolvidas no espaço hospitalar seja através de projetos, brinquedotecas ou classes hospitalares fazem com que o paciente se socialize e encontre a oportunidade de resgatar a linguagem escolar no ambiente hospitalar. Elas proporcionam a criança e ao adolescente hospitalizado uma recuperação mais tranquila, através de atividades variadas e de diversas naturezas, incluindo ações pedagógicas, lúdicas e recreativas, que contribuem para a socialização, a aprendizagem e o desenvolvimento integral da criança. De acordo com Fonseca (2011) o Brasil contava, em 2011, com 128 hospitais com atendimento escolar hospitalar, distribuídos por 19 estados e Distrito Federal, faltando implantar Classes Hospitalares em 07 (sete) estados brasileiros para que esta política alcance minimamente todo o país. Ressalta-se que mesmo nos estados em que existe o atendimento pedagógico educacional ao escolar hospitalizado este não contempla todos os municípios e tampouco todas as unidades de saúde. No estado do Pará, a escolarização hospitalar teve início em 1993 no Hospital Ofir Loyola (HOL), por meio Projeto Prosseguir, um projeto educacional, que tinha como objetivo principal garantir as crianças e adolescentes em tratamento oncológico um espaço acolhedor para o desenvolvimento de ações educativas, na perspectiva da inclusão e da humanização das relações no ambiente hospitalar. Atualmente existem 10 (dez) instituições (hospitais e unidades de acolhimento ao paciente em tratamento de saúde), que garantem a escolarização hospitalar e domiciliar a crianças, adolescentes, jovens e adultos, quais sejam: Hospital Ophir Loyola (HOL); Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMP); Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Viana (FHCGV); Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE); Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB); Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza (HUBFS); Hospital Regional Público do Araguaia – HRPA; Unidade Especial João Paulo II; Núcleo de Acolhimento ao Enfermo Egresso (NAEE) e Espaço Acolher da FSCMP. Na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará o atendimento educacional ao educando enfermo é realizado nas enfermarias e UTIs pediátricas, na Unidade de Terapia Renal Substitutiva Pediátrica, no Ambulatório de Especialidades Pediátricas e no Espaço Acolher. 36545 O hospital vem se fortalecendo como um espaço educativo e como um campo de atuação do pedagogo. Assim, a educação e a saúde estão encontrando suas conexões e possibilidades de interação tendo em vista a garantia desses dois direitos fundamentais, cuja centralidade de ação se volta para o desenvolvimento integral do educando enfermo. A interface Universidade, Hospital e Secretaria de Educação na educação da criança hospitalizada. As ações educativas no ambiente hospitalar ganham força quando são articuladas e produzidas por diferentes instituições e atores sociais. Neste momento, trazemos à discussão a experiência que vem sendo desenvolvida na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMP), um hospital referência na atenção integral a saúde da mulher e da criança no estado do Pará. A FSCMP foi fundada por portugueses há 365 anos e iniciou suas atividades voltadas para a filantropia. Atualmente, a instituição é parte integrante das ações do SUS e está voltada para o atendimento humanizado e de qualidade a toda população do estado do Pará nos seus 144 municípios. O hospital se apresenta como a maior maternidade e unidade de neonatologia da região norte do Brasil, com capacidade instalada de mais de 400 leitos, distribuídos entre obstétricos, neonatais, clínicos, pediátricos e cirúrgicos. É referência na atenção interdisciplinar à saúde da mulher, da criança e do adulto, na atenção à gestante e recémnascido de alto risco, no atendimento às vítimas de escalpelamento, de violência sexual, na atenção ao paciente portador de doença hepática, aborto legal e banco de leite humano. No âmbito do atendimento as necessidades educacionais das crianças e adolescentes hospitalizadas o Hospital propicia ações educativas por meio da brinquedoteca hospitalar, classe hospitalar e projeto de extensão universitária. As primeiras inciativas de atendimento pedagógico educacional no Hospital são registradas por um projeto de extensão universitária da UEPA, no ano de 2004 e por um projeto de Atendimento Pedagógico Educacional desenvolvido pela pedagoga da FSCMP a partir do ano de 2005. No ano de 2006 se registra a construção da primeira Brinquedoteca do Hospital na unidade de pediatria, bem como, o ingresso de um segundo pedagogo na Instituição para se dedicar as atividades lúdico-pedagógicas nas enfermarias e UTIs pediátricas. Vale ressaltar, que essas ações nascem desenvolvidas em parceria com a equipe multiprofissional do Hospital, especialmente os profissionais da área da terapia ocupacional, psicologia e assistência social, além de estagiários das áreas supracitadas. 36546 Em 2009, tem-se a implantação da Classe Hospitalar, por meio de um convênio de cooperação técnica com a Secretaria de Estado de Educação (SEDUC) do Pará. A Classe Hospitalar passa a atender a educação infantil e as séries iniciais do Ensino Fundamental, tanto em sala de aula como no leito, garantindo a hospitalização escolarizada. No ano de 2013, teve inicio as atividades de estágio supervisionado e do Projeto de Extensão em Pedagogia Hospitalar do curso de Pedagogia da Universidade do Estado do Pará, desenvolvidas nas unidades de pediatria, hemodiálise e ambulatório de especialidades pediátricas do Hospital. A Classe Hospitalar, a Brinquedoteca da FSCMPA e o Projeto de Extensão da UEPA atendem alunos de educação infantil, ensino fundamental e EJA em diferentes espaços assistenciais do Hospital, quais sejam: 1. Pediatria – possui aproximadamente 40 crianças em tratamento clínico e cirúrgico, distribuídas nas enfermarias Santa Ludovina, São Francisco e 2 UTIs pediátricas. As principais patologias atendidas na unidade de pediatra são as doenças renais, a colostomia, a genitália ambígüa, queda cavaleiro (trauma genital), entre outras; Ambulatório de Especialidades Pediátricas – que atende aproximadamente 60 crianças ao dia, totalizando mais de 1500 atendimentos ao mês, oferecendo consultas nas seguintes especialidades: Buco-maxilo, Cardiologia pediátrica, Cirurgia Pediátrica, Endocrinologia Infantil ADS, Gastro Pediatria, Genética Clínica ADS, Hepatologia Infantil ADS, Infectologia Infantil, Neurocirurgia, Neurologia Pediátrica, Nutrição Pediatria, Obesidade Infantil, Otorrinolaringologia Pediatria, Pediatria Egressos, Pneumologia Infantil, Psicologia Pediatria, Serviço Social; Centro de Terapia Renal Substitutiva Pediátrica (CTRS) – que atende aproximadamente 24 pacientes renais crônicos oriundos de diversos municípios paraenses; Espaço Acolher – que atende crianças, jovens e adultos vítimas do acidente de escalpelamento (o arranco brusco e acidental do couro cabeludo), bem como seus acompanhantes. Os alunos pacientes são, em sua maioria, originários do interior do estado do Pará e o atendimento é promovido desde o hall até a sala de aula, o leito, a brinquedoteca, garantindo a o processo educativo do educando enfermo. Nesse contexto, três instituições se encontraram para promover o atendimento educacional aos educandos em tratamento de saúde, quais sejam, o Hospital, a Secretaria de Educação e a Universidade. Estas instituições desenvolvem um projeto político pedagógico de 36547 atendimento a criança hospitalizada que nasce da realidade vivida pelas crianças e leva em conta as necessidades sentidas. O trabalho é desenvolvido por meio de projetos interdisciplinares, que rompem com as preocupações de ensino compartimentado, pautado nas especificidades de atividades e áreas de conhecimento. Os protagonistas assumem o compromisso político-pedagógico de ensinar e aprender constantemente. O processo de construção do conhecimento promove um sentido e significado “do que estou fazendo”, “para que/quem estou fazendo”, “porque estou fazendo?” de forma que todos os envolvidos se assumem como sujeitos fazedores de história (FREIRE, 2004). Assim, este trabalho integrado favorece a atenção integral a criança hospitalizada e fortalece as ações desenvolvidas, haja vista que as atividades são planejadas, executadas e avaliadas por alunos e professores da universidade, equipe pedagógica e docente da classe hospitalar da SEDUC e do Hospital, corroborando com o pensamento de Calderon (2007) que destaca que a extensão deve ser uma prática que deve contribuir para articular e potencializar as forças da sociedade, estimulando a cooperação e o aprimoramento de inciativas. O Projeto de Extensão em Pedagogia Hospitalar O Projeto Pedagogia Hospitalar surgiu da necessidade de se implementar ações de natureza pedagógica no ambiente hospitalar, como forma de garantir o direito a educação e favorecer o desenvolvimento integral das crianças internadas e/ou em atendimento ambulatorial. Sua origem ocorre no contexto do desenvolvimento das atividades de estagio supervisionado do curso de Pedagogia da UEPA, uma vez que as vivencias nas atividades de estágio geraram a necessidade de uma participação mais efetiva e constante no ambiente hospitalar. Inicialmente as ações foram voltadas para o atendimento de crianças no Ambulatório de Especialidades Pediátricas, que não possuía atendimento nem de classe hospitalar nem de Brinquedoteca. Com o passar do primeiro ano, houve a necessidade de ampliação do Projeto, que passou a atender também as unidades de Pediatria e Hemodiálise em parceria com a equipe pedagógica da classe hospitalar e brinquedoteca do Hospital. O objetivo principal do Projeto é promover ações lúdico-pedagógico-educacionais no ambiente hospitalar, como estratégia para melhorar o atendimento da criança internada e/ou em atendimento ambulatorial, contribuindo para a humanização e o desenvolvimento integral da criança, bem como, favorecer a formação dos profissionais da educação (pedagogos) na 36548 área da pedagogia hospitalar, ampliando as reflexões e práticas sobre o campo de atuação do pedagogo no ambiente não escolar. As atividades desenvolvidas no projeto, por meio de professores e alunos da UEPA, em parceria com os professores da Classe e do Hospital vêm fortalecendo a proposta educativa desenvolvida com as crianças em tratamento de saúde e potencializando as ações de humanização do Hospital, pois estão assentadas em uma visão que considera o processo educativo como um ato criador, crítico e poético, conforme defendia Paulo Freire, em que as ações educativas são pautadas na curiosidade, nas possibilidades de descoberta, no diálogo e na problematização da realidade. As estratégias educativas buscam garantir as crianças atendidas no ambiente hospitalar os valores essenciais à construção de uma sociedade mais justa e solidária, que se expresse no compromisso profissional, no amor, na solidariedade, na cidadania, na ética e no respeito às diferenças. No desenvolvimento das atividades, o ensino e a pesquisa são articulados nas ações do projeto e fazem com que as atividades implementadas sejam refletidas, analisadas e, se necessário, replanejadas e recriadas para atender as necessidades dos educandos enfermos. O objetivo principal é fazer com que a equipe desenvolva estratégias de reflexão constante sobre a prática, com o objetivo de não ser apenas mais uma atividade de cunho assistencial. Concordamos com Gracianni (2014) quando destaca que a ação educativa deve: constituir-se num processo de criação e recriação do conhecimento que parte da prática, teoriza sobre ela e volta a prática para transformá-la, ou seja, parte do concreto, realiza um processo de abstração e regressa ao concreto, num movimento reflexivo, critico e sistematizador: ação- reflexão-ação (GRACIANI, 2014, p. 43). Graciani (2014) destaca, ainda, que esse processo de construção coletiva do conhecimento “favorece momentos de problematização e sistematização interdisciplinar e transdisciplinar, implementando a proposta pedagógica, na medida em que se originam das necessidades específicas sentidas de cada grupo” (p.43). Nesse sentido, no processo de implementação do projeto o mesmo foi sofrendo novos delineamentos, sempre buscando atender as necessidades dos educandos enfermos e especificidades do ambiente hospitalar. Temos percebido resultados significativos do Projeto podem ser observados sob vários aspectos, que consideramos importante destacar, para que possam servir como objetos de análise e planejamento de novas possibilidades de intervenção. 36549 Percebemos contribuições na vida das crianças atendidas, que no processo de participação nas atividades, interagem, constroem e reconstroem conhecimentos, trazem e trocam experiências vividas e sentidas. No desenvolvimento das ações, percebemos que mundos se encontram, tanto dos educadores quanto dos educandos, e nesses encontros todos saem repletos de experiências que os fazem refletir sobre a vida, os sonhos, os desafios, os projetos de vida. Por isso, não basta dizer que estas práticas educativas contribuem para o desenvolvimento integral da criança, pois é muito mais do que isso, elas propiciam a emergência de sonhos que reverberam em projetos de sociedade mais justa e equânime em que as pessoas são consideradas fazedoras de história. Nesse contexto, o Hospital também ganha uma visão diferenciada para além do ambiente frio e amedrontador passando a ser percebido como um espaço de atendimento humanizado, educativo e promotor do desenvolvimento integral das crianças. A contribuição para a formação acadêmico-profissional dos alunos de Pedagogia também precisa ser destacada, pois estes tem a oportunidade de vivenciar experiências únicas e significativas que os estimulam no processo de ação-reflexão-ação das vivencias e experiências do cotidiano, que se tornam a base para a produção de novos projetos e conhecimentos na área da pedagogia hospitalar. Destaca-se, também, que a parceria da universidade com as demais instituições presentes no Hospital, o que contribui para articular e potencializar as forças da sociedade, fortalecendo o trabalho coletivo, a solidariedade e o aprimorando das práticas, contribuindo para a emergência de novas práticas que respondam as necessidades reais dos educandos enfermos, num processo de diálogo instigante e desafiador. Acreditamos que o Projeto contribui para transformar a realidade das crianças que são atendidas no Hospital, dando a ela novos olhares, sentimentos, gostos, saberes e fazeres. Assim, conseguimos enxergar muito mais que um projeto de extensão da universidade que busca cumprir sua tarefa de responsabilidade social. Percebemos um espaço de construção, trocas e vivencias em que diferentes atores se encontram, realizam, lutam, sonham.... Considerações Finais O encontro e o compartilhamento de experiências da Universidade, com o Hospital e a Secretaria de Educação em prol da educação da criança em tratamento de saúde tem se 36550 apresentado como uma experiência geradora de resultados significativos e singulares no ambiente hospitalar. Os saberes que vêm sendo construídos a partir da atuação desses diferentes sujeitos e instituições agregam os conhecimentos e as experiências das comunidades atendidas, pois se trata de um movimento de constante ação-reflexão-ação, que promove reflexões críticas sobre prática, que se reconstrói, a cada dia, na busca de uma educação significativa e comprometida com os interesses e necessidades de todos os envolvidos no processo educativo. Nesse sentido, não se trata de um único olhar ou de uma intervenção unidirecional, ao contrário, são diferentes instituições e sujeitos pensando possibilidades de práxis educativa com o educando em tratamento de saúde. A extensão universitária se apresenta, nesse contexto, como uma grande possibilidade de agregar pessoas, serviços e saberes, fortalecendo as ações existentes, propiciando vivencias e aprendizagens significativas, contribuindo na resolução de problemas, fomentando a realização de pesquisas socialmente relevantes, articulando os atores sociais e, principalmente, se comprometendo com os sonhos e as lutas da comunidade com a qual atua. Assim, acreditamos que o atendimento educacional da criança, adolescente, jovem ou adulto em tratamento de saúde poderá ser mais rico e significativo se ocorrer a partir do trabalho coletivo e compartilhado de diferentes sujeitos e instituições que constroem espaços significativos de construção do conhecimento e, principalmente fortalecem a emergência de projetos de vida que sonham com realidades mais humanas, justas e felizes. REFERÊNCIAS AROSA, A.C.; SCHILKE,A.L. (Org.). Quando a escola é no hospital: espaço de experiências emancipatórias. 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