Na coluna Contando Nossa História, o aluno da EJA, José Andrade, relata sua trajetória ( página 2 Jornal da Serra Jornal da Serra l Serra do Machado l Julho de 2011 CEBAPM festeja os santos juninos com muita alegria O primeiro semestre do ano letivo no Centro de Educação Básica Auxiliadora Paes Mendonça (CEBAPM) foi encerrado no melhor clima de São João. Para celebrar os santos juninos e o início das férias escolares, diretores, funcionários, professores, pais e alunos reuniramse na quadra da escola para mais um Arraiá do Seu João. A festança foi realizada no dia 17 de junho e contou com apresentações de dança dos alunos da educação infantil e quadrilhas juninas ao som do Trio Tropicais do Forró, barracas de brincadeiras e comidas típicas, além de muito arrasta-pé embalado pela banda Som da Serra. O arraial atraiu toda a comunidade da Serra do Machado e todos celebraram os santos juninos com muita alegria e diversão. (páginas 4 e 5 ( Estudantes esbanjaram desenvoltura durante as quadrilhas juninas, que atraíram toda a comunidade Professor Paulo Roberto Barreto é premiado na 5ª Olimpíada Ambiental de Sergipe ( página 6 ( A psicóloga Alyne Sobral faz alerta sobre a depressão e avisa que a doença tem cura ( página 2 2 Jornal da Serra l Serra do Machado l Julho de 2011 Editorial Contando nossa História Presidente - João Carlos Paes Mendonça Por - José Andrade O emprego sonhado O mercado de trabalho teve que se adaptar aos novos tempos, ao avanço da tecnologia, à aproximação das mais diferentes culturas pela internet e as empresas passaram a exigir do candidato a uma vaga de emprego, além do conhecimento geral, outras características tais como: agilidade, iniciativa, criatividade, aprendizagem contínua e boa comunicação. A procura por emprego é grande, a oferta também tem se ampliado ultimamente, mas ocorre que as empresas vão buscar lá fora, muitas vezes, pessoas capacitadas para desempenhar determinadas funções por falta de qualificação do pessoal que está mais próximo. Essas oportunidades surgem, mas vão embora com a mesma rapidez. E quem não estiver atento às chances que se apresentam pode perder uma boa oportunidade de trabalho. Com a chegada da Fábrica Estrela à Serra do Machado, os jovens e adultos da comunidade têm tido chance de conseguir seu sonhado emprego e, consequentemente, sua melhoria financeira. Mas para que isso ocorra eles precisam estar habilitados, ampliar seus conhecimentos, desenvolver suas habilidades, melhorar a postura no relacionamento com pessoas e a comunicação. A formação escolar e o conhecimento adquirido em sala de aula proporcionarão a cada um de vocês condições de compreensão e desenvolvimento da criatividade e influenciarão positivamente na sua atuação profissional. Quanto ao treinamento para o desenvolvimento da habilidade técnica, ele será decisivo para o acesso à qualquer que seja a vaga. Para os que já conseguiram se credenciar junto a uma empresa, é importante tentar ser um profissional exemplar, ciente dos seus deveres, ético, capaz de obter resultados rápidos na busca de soluções e emocionalmente equilibrado para resolver questões que venham a surgir. Tudo isso se resume em uma qualidade que todo profissional deve ter: comprometimento. Ao deixar a Serra do Machado, ainda criança, com minha família, levei dentro de mim o sentimento firme de vencer. A caminhada não foi fácil. Trabalhei muito, enfrentei grandes desafios, mas, com coragem, determinação e fé em Deus, consegui chegar onde estou perseguindo meus objetivos. Se eu consegui, por que vocês não conseguirão? João Carlos Paes Mendonça é presidente da Fundação Pedro Paes Mendonça Expediente Presidente do Conselho : João Carlos Paes Mendonça Superintendente : Lúcia Pontes Supervisão: Carmen Peixoto Editoria : Ana Paula Caldas, Leonardo Lotti e Bruna Cabral (DRT 2.886) Diretor de Arte : Bruno Falcone Stamford (DRT 2.311) Repórter fotográfico : Jamisson Souza Colaboradores: Carmen Peixoto, irmãs hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus. Antes tarde que nunca Repórter da Serra Vida Ativa em Aracaju Distante da escola por muitos anos, José Andrade redescobriu o prazer de viver dentro da sala de aula alunos foram levados à serra pelos professores João Ricardo Coutinho e Sérgio Fernando Lima para conhecer os projetos da Fundação Pedro Paes Mendonça e a importância desses trabalhos para a vida da comunidade. Foi a maior visita de estudantes registrada em nosso povoado até hoje. Fundação e GBarbosa D isponível há apenas três anos na Serra do Machado, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) está transformando vidas. Uma delas foi a de José Andrade, aluno da 1ª etapa da EJA, que vem gradativamente realizando o sonho de se alfabetizar. A vida estudantil de José teve início aos oito anos de idade, na fazenda Varginha. Lá, em um compartimento da casa que funcionava como sala de aula, a professora Anete ensinava as primeiras letras. Aos nove anos, José Andrade precisou sair da escola para ajudar o pai na lavoura. Como trabalhador rural, teve uma vida difícil. Casou, teve cinco filhos, sendo uma especial. A ela, Seu José dedica toda a atenção e cuidados necessários. No dia 13 de junho deste ano, ele recebeu uma notícia muito esperada. A sua aposentadoria foi aprovada, deixando-o bastante feliz. Depois disso, ele pode cumprir a promessa que tinha feito aos colegas de classe que era comemorar a aposentadoria com todos da sala fazendo uma festa. Para José Andrade, a sala de aula trouxe muitos benefícios. Entre eles, a auto-estima. Antes de frequentar a escola era usuário de antidepressivos e hoje, graças à alegria em voltar a estudar, não precisa mais dos remédios. Segundo ele, a boa convivência e as novas amizades feitas durante todo esse tempo foram importantes até para a sua saúde. Hoje, feliz e de bem com a vida, José Andrade não pensa em parar. Sua pretensão é continuar os estudo para aprender mais e mais a cada dia. 3 Jornal da Serra l Serra do Machado l Julho de 2011 Está em fase de negociação uma importante parceria entre a Fundação Pedro Paes Mendonça e o Instituto G Barbosa (IGB). Representantes da instituição estiveram na Serra do Machado para identificar um produto ideal para ser produzido na Cooperativa da Serra e comercializado em todas as lojas da rede. Em breve, os nossos artesãos estarão contribuindo para diversificar as prateleiras dos supermercados G Barbosa. Alunos do Projeto Vida Ativa estiveram em Aracaju no dia 21 de maio para conhecer alguns pontos turísticos da cidade. O grupo de 30 pessoas, entre jovens, adultos e idosos, visitou o Parque da Cidade, a orla da Atalaia e o Shopping Jardins, onde está localiza a loja da Cooperativa de Artesanato da Serra do Machado. O passeio foi inesquecível, especialmente para aqueles que não conheciam o mar e nunca tinham ido a um shopping. Aula Passeio 1 Sucesso em Aracaju O Coral da Serra do Machado emocionou todos em sua mais recente apresentação na capital sergipana. No dia 29 de maio, o grupo esbanjou talento durante missa celebrada na Catedral Metropolitana de Aracaju. É impressionante perceber o quanto o coral vem crescendo em técnica e qualidade vocal. Motivo de orgulho para a Serra do Machado. Visita O agricultor que começou a trabalhar com nove anos, só agora trocou a enxada pelos livros Antes de visitar alguém não esqueça de avisar. Já aconteceu de você estar em casa super à vontade ou muito ocupado, e, de repente, receber uma visita inesperada? Isso é mais comum do que deveria, porque muita gente acha que tem o direito de entrar e sair da casa alheia sem a menor cerimônia. Independente do motivo, nunca visite alguém sem ser convidado ou sem avisar. Às vezes, as pessoas não estão disponíveis, estão adoentadas, estão prontas para sair e se sentem incomodadas com a chegada do visitante. Portanto, mesmo que a visita seja rápida, mesmo que a pessoa seja da família ou muito amiga, mesmo que você vá entregar um presente, é necessário comunicar antes o que Em abril, a Serra do Machado recebeu a visita de 115 estudantes dos cursos de Administração e Gestão de RH, da Universidade Tiradentes. Os Pura diversão Os alunos da educação infantil do CEBAPM contam com novas opções de lazer. Em maio, a escola adquiriu um escorrego e um balanço para que as crianças divirtam-se durante os intervalos. A diretora, Débora Guerra, já antecipou ao Jornal da Serra que, em breve, pretende equipar o parquinho com outros brinquedos. Os pequenos adoraram a novidade. Olimpíada de Astronomia Sob a coordenação do professor Paulo Roberto Barreto, os estudantes do 3º ao 9º ano do CEBAPM participam da XIV Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), promovida pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Eletrobras Furnas. No dia 13 de maio, 140 alunos realizaram as provas e, agora, aguardam o anúncio de suas classificações. Aqueles que alcançarem as melhores notas nacionalmente ganharão medalhas de ouro, prata ou bronze. A premiação deve acontecer em solenidade realizada em novembro na própria escola, quando todos os participantes receberão certificado emitido pela SAB. Noite dançante Em maio, os alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), viajaram para Canindé do São Francisco, onde visitaram a hidrelétrica de Xingó e o MAX – Museu de Arqueologia de Xingó. No mesmo mês, o grupo também esteve na Serra de Itabaiana para conhecer a biodiversidade da cidade. Os dois passeios foram monitorados pelos professores Sandro Mota (ciências), Maria José Lima (história) e Gecílio Santana (geografia). Aula Passeio 2 Dicas de educação passaram cerca de duas horas conversando com os representantes da comunidade sobre as condições de vida da tribo e puderam perceber que, ao mesmo tempo em que mantém algumas tradições, o índio contemporâneo convive em harmonia com o homem branco e incorpora parte de sua cultura. Todos voltaram encantados com o que aprenderam. Outra atividade que teve boa repercussão entre os alunos do 6º ano do CEBAPM foi a viagem para a Ilha de São Pedro, em Porto da Folha, com o objetivo de conhecer a tribo dos Xocós. A aula foi acompanhada pelos professores Gilton Barreto (matemática), Maria José Lima (história), Neilde Santana (geografia), além da secretária Kátia Mendonça. Durante o passeio, realizado no último dia 12 de maio, os alunos tiveram a oportunidade de conhecer a atual realidade do índio, um pouco da cultura, assim como os aspectos socioeconômicos da tribo. Os estudantes O Dia das Mães foi celebrado pelo CEBAPM com um animado baile. O evento realizado no dia 5 de maio, na quadra da escola, reuniu 105 mães de alunos em torno de um agradável coquetel. Todas se divertiram bastante ao som da banda Som da Serra. No fim da noite, as mamães foram presenteadas pelo CEBAPM com uma bela ecobag produzida pela Cooperativa de Confecção com sobras de tecidos. Nem precisa dizer que elas adoraram a festa do clube da luluzinha! Contra o desperdício No dia 3 de junho, o CEBAPM deu início à campanha De olho no refeitório, com o objetivo de reduzir o desperdício na hora das refeições e conscientizar os alunos sobre a limpeza do ambiente. O pontapé inicial foi a realização de uma oficina de nutrição com 21 alunos. Na oportunidade, os estudantes foram sensibilizados sobre a importância de uma alimentação saudável, conheceram os valores nutricionais dos alimentos e aprenderam a preparar alguns pratos. Durante a atividade, foram eleitos monitores que já estão observando o comportamento dos colegas durante as refeições no CEBAPM. 4 Jornal da Serra l Serra do Machado l Julho de 2011 Jornal da Serra l Serra do Machado l Julho de 2011 E viva os santos juninos! CEBAPM encerrou o primeiro semestre letivo com um animado arraial. De fogueira e canjica a animação de sobra, teve de um tudo na maior festa de São João da Serra do Machado C omidas típicas, brincadeiras, música e forrobodó. O último dia 17 de junho foi de muita diversão no Centro de Educação Básica Auxiliadora Paes Mendonça. Diretoria, funcionários, professores, pais e alunos reuniram-se na quadra da escola para mais um Arraiá do Seu João. Além de celebrar os santos juninos, a festança marcou o final do primeiro semestre de aulas. E não faltou alegria na confraternização matuta. O arraial contou com apresentações de dança dos alunos da educação infantil e quadrilhas juninas ao som do Trio Tropicais do Forró, barracas de brincadeiras e comidas típicas, além de muito arrasta-pé embalado pela banda Som da Serra. Teve até quadrilha improvisada pelos professores, coordenadores e funcionários do CEBAPM e da biblioteca. Para a festa, os pequenos estudaram as músicas de Luiz Gonzaga e ensaiaram coreografias embaladas por canções do rei do baião. A graciosidade dos alunos da educação infantil encantou todos que assistiram às três apresentações, que conEmbalados por taram com os clássicos Cintura fina, Olha pro Gonzagão, até céu e Nem se despediu de mim como trilha soos professores nora. Já os estudantes do dançaram 1º ao 3º ano esbanjaram muito ritmo com a apresentação da quadrilha Arrasta-pé, enquanto os alunos do 4º e 5º anos animaram o público com a Cangaceiros do Sertão. Foi um tal de anarriê, alavantu e balancê que não deixou ninguém parado durante os animados passeios na roça, serrotes e grandes rodas. Enquanto a gente miúda bailava pelo salão, os estudantes do 9º ano comercializavam iguarias típicas, em barracas coloridas, enfeitadas com bandeirolas. Já os pais dos alunos da educação infantil preparavam deliciosos beijus que deixaram todo mundo com água na boca. Entre uma guloseima e outra, a cada pausa do arrasta-pé, os pequenos arriscavam a sorte com as brincadeiras juninas. Alunos do 6º ao 8º e do 1º ao 5º ano organizaram o tiro ao alvo, jogo de argolas e pescaria. Já os mais assanhadinhos enviavam bilhetes românticos pelo Correio do Amor, organizado pelos estudantes do 7º ano. Com tanta alegria e diversão, a noite atraiu toda a comunidade da Serra do Machado ao CEBAPM, onde os alunos celebravam os santos juninos e festejavam o início das férias escolares. Agora é curtir até o dia 20 de julho, quando recomeçam as aulas. Você sabia? * A quadrilha junina, matuta ou caipira é originária de velhas danças populares de áreas rurais da França (Normandia) e da Inglaterra. * A dança foi introduzida no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, possivelmente em 1820, por membros da elite imperial. * Durante o Império, a quadrilha era a dança preferida para abrir os bailes da Corte. Depois popularizou-se saindo dos salões palacianos para as ruas e clubes populares, com o povo assimilando a sua coreografia aristocrática e dando-lhe novas características e nomes regionais. * No sertão do Nordeste, a dança encontrou um colorido especial, associando-se à música, aos fogos de artifícios e à comida da região. * O casamento matuto, hoje associado à quadrilha, é uma sátira maliciosa do casamento e da severidade dos pais. O enredo é quase sempre o mesmo: a noiva fica grávida antes do casamento e os pais obrigam o noivo a casar. * A quadrilha é o baile em comemoração ao casamento. O enredo é desenvolvido em linguagem alegórica e bem-humorada, de preferência, carregando no sotaque do interior. Fonte: Quadrilha junina, de Lúcia Gaspar, bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco. Disponível no site www.fundaj. gov.br. Diretoria, funcionários, professores, pais e alunos reuniram-se na quadra da escola para mais um animado Arraiá do Seu João. Festança contou com comidas típicas, brincadeiras para a criançada , quadrilha e shows 5 6 Jornal da Serra l Serra do Machado l Julho de 2011 CEBAPM brilha na 5ª Olimpíada Ambiental de Sergipe Escola foi agraciada com dois prêmios, entre eles o de melhor projeto de professor N o dia 6 de junho, o Teatro Tobias Barreto, em Aracaju, foi palco da premiação da 5ª Olimpíada Ambiental de Sergipe. O evento, realizado anualmente pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, contou com a participação de alunos e professores de escolas públicas e particulares de todo o Estado. Esse ano, os participantes tiveram que desenvolver trabalhos com a temática Floresta: o futuro do planeta em nossas mãos. Mais uma vez, a comunidade estudantil da Serra do Machado foi representada pelo CEBAPM, que concorreu em quatro modalidades: artes, produção de textos, ciências e projeto de professor. No total, 20 produções foram inscritas pela escola e, como reconhecimento pelo trabalho sério realizado por toda a comunidade pedagógica, o CEBAPM foi premiado em duas categorias. Na modalidade teatro, os alunos do ensino fundamental ganharam medalhas pelo bom desempenho. Em sua primeira participação na olimpíada, os estudantes da educação infantil também fizeram bonito. Matheus Dantas, Kayky Pereira, Gustavo Jefferson, Pedro Henrique, Carlos Augusto, Francisco Gabriel e Adryan Góis venceram a modalidade fotografia e ficaram com a terceira colocação na categoria infantil arte. Em reconhecimento, eles receberam troféus e medalhas. Um dos maiores vencedores da noite foi o professor Paulo Roberto Barreto, que conquistou o primeiro lugar da olimpíada, passando à frente de 58 professores. Seu trabalho foi considerado o melhor entre os projetos inscritos e ele recebeu o prêmio de R$ 1 mil, além de troféu e medalha. “É uma emoção muito forte conquistar esse prêmio, porque mostra o quanto nós estamos indo no caminho certo no que diz respeito à educação ambiental. Com o prêmio poderei investir em livros e quem sabe comprar um computador”, destacou o professor Beto, como é carinhosamente conhecido. Para o mestre, a premiação é um reconhecimento do trabalho de toda a equipe do CEBAPM, que procura sempre engajar seus alunos nas questões ambientais. Considerado o maior evento ambiental do Estado, a 5ª Olimpíada Ambiental de Sergipe reuniu alunos de 285 escolas da capital e do interior, com o número recorde de 4.231 trabalhos inscritos. Um acréscimo de 42% em relação ao ano passado, que teve 2.977 inscrições. A realização da olimpíada contou com o apoio da Secretaria de Estado da Educação (Seed), Secretaria de Educação de Aracaju (Sead), da Federação das Escolas Particulares de Sergipe (Fenen), e teve o patrocínio do Banese, Petrobrás, OI e TV Sergipe. Paulo Roberto Barreto conquistou o primeiro lugar da olimpíada, passando à frente de outros 58 professores 7 Jornal da Serra l Serra do Machado l Julho de 2011 Artigo Atitudes Por Carmen Peixoto Dicas para entrevista de novo emprego Existe um ditado que diz: a primeira impressão é a que fica. Eu não seria tão radical, mas acho que é necessário, além dos conhecimentos exigidos, saber mais sobre etiqueta antes de se submeter a uma entrevista para novo emprego. Ficar ansioso ou apreensivo é normal em situações como essa, pois tudo que você disser ou fizer será avaliado com olhos críticos. A roupa, os acessórios usados, a postura, a maneira de responder as perguntas e de lidar com situações difíceis exercerão um impacto positivo ou negativo sobre sua imagem. O entrevistador terá a vantagem de estar em seu próprio ambiente e avaliar você segundo diretrizes da empresa que ele domina e você desconhece. Como especialista no assunto, a pessoa que conversa com você saberá desenvolver métodos detalhados de avaliação. No entanto pense que se estão lhe dando essa oportunidade é porque precisam de alguém como você, caso contrário não estaria sendo entrevistado. Aqui vão algumas dicas importantes: – Vista-se de acordo com a natureza da atividade que pretende exercer. Mais formal ou informal. Mas fuja dos exageros. Jeans e camisa desbotados, nem pensar. Para os rapazes, o mais indicado é usar uma calça de lã fria ou de microfibra com camisa de cor clara e um blazer por cima. (A gravata é opcional). – Pesquise sobre a empresa antes da entrevista. Procure informações na internet ou converse com pessoas amigas que trabalham lá. Certifique-se da grafia correta do nome da companhia, do ramo de negócio em que atua, se é nacional ou multinacional, do conceito da empresa em relação ao meio ambiente e informe-se ainda sobre as condições de trabalho. – Antes da entrevista, faça uma análise sobre a razão de querer trabalhar na empresa e os benefícios que pode trazer a área onde quer ocupar. – Seja pontual e chegue antes da hora para ter tempo de se recompor. Apresente-se na recepção e aguarde. – Ao chegar no lugar da entrevista, olhe para o entrevistador, sorria e espere que ele indique o lugar onde você deve sentar. Coloque a bolsa e objetos na cadeira ao lado. Deixe os braços soltos para poder gesticular. – Certamente vão lhe perguntar se você tem disposição para viajar, se domina línguas, e se preenche outros requisitos. Esse momento é decisivo. Com relação a viagem diga que está disposto e, se não domina língua estrangeira, seja sincero, pois outras qualidades serão avaliadas em você. – Mesmo que esteja nervoso, procure demonstrar tranquilidade, não friccione uma mão na outra, nem balance tanto a perna. E tenha cuidado com gestos repetitivos, como passar sempre as mãos nos cabelos e tamborilar na mesa com os dedos. – Quando lhe perguntarem sobre a empresa na qual trabalhou, evite falar de eventuais ressentimentos. Não vem ao caso. – E não adianta dizer ao seu entrevistador que dê um jeitinho porque está numa situação financeira difícil. O perfil a ser escolhido seguirá os padrões exigidos pela empresa. – Seja simpático, mas nada de intimidade com o entrevistador. Não chame-o por diminutivos do tipo Sandrinha ou Jorginho. Sucesso!. Carmen Peixoto é jornalista, instrutora de etiqueta e diretora de relações institucionais do Grupo JCPM Romarias dos pés e do coração E m todo o Brasil, julho é caracterizado por diversas romarias e peregrinações populares. Nestes próximos dias, de todo o centro-oeste, milhares de romeiros acorrerão ao santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade, a 30 km de Goiânia para pagar promessas e viver sua fé. No sertão da Bahia, a cada ano, em julho e agosto, as romarias para o Bom Jesus da Lapa recebem um número maior de fiéis. No Nordeste, cada ano, em julho, um grupo de peregrinos, cristãos e cristãs de várias igrejas caminham em peregrinação para orar e para manifestar sua comunhão com o povo empobrecido. Neste mês, este grupo de peregrinos populares vai à região sul de Pernambuco e às cidades de Alagoas, atingidas pelas inundações. Vão orar e manifestar às populações sofridas um testemunho do amor divino. Em diversas religiões e tradições espirituais, as peregrinações continuam atraindo multidões. Os hinduístas correm às nascentes do Rio Ganges. Ao menos uma vez ao ano, uma multidão de muçulmanos se reúne em Meca, na Arábia Saudita. Cristãos peregrinam para Jerusalém, Roma, Santiago de Compostela e Lourdes. No Brasil, Aparecida do Norte, Pirapora do Bom Jesus, Trindade e Juazeiro do Norte veem aumentar sempre mais o número de peregrinos. São pessoas de todas as classes sociais e das mais diversas culturas, vindas do campo e das cidades. Em uma cultura secularizada e crítica, as pessoas podem considerar a peregrinação e outras devoções coletivas como pouco profundas e sem sentido. Alguns círculos espirituais distinguem dois tipos de espiritualidade. A espiritualidade exotérica se chama assim porque é voltada para fora e se compõe de práticas externas como peregrinações, cultos e costumes formais. A este modelo de religião, se costuma contrapor a espiritualidade esotérica, centrada nas meditações e práticas interiores e subjetivas. Uma das críticas, comumente feitas ao Cristianismo, é a de ter desenvolvido mais a dimensão exotérica e insistir menos na contemplação e na concentração interior. Sem dúvida, desde os tempos bíblicos, profetas como Jeremias insistiam que “a verdadeira circuncisão é a do coração”. O profeta Oséias repete que Deus não quer cultos ou sacrifícios e sim misericórdia com o próximo. O salmo 51 reafirma que Deus se agrada da conversão do coração e da renovação interior e não de cultos externos. Hoje, por todo o mundo, se espalha a prática da meditação cristã e da oração de Jesus. É a simples repetição do nome de Jesus para aquietar o coração na paz divina. Seja como for, a espiritualidade esotérica não substitui ou abole a dimensão externa da fé. Esta exerce a função de método para nos ajudar a sair de nós mesmos e viver a intimidade divina não como algo privado e intimista, mas como caminho de comunhão com as outras pessoas que têm a mesma busca. No evangelho, Jesus havia dito: “Onde dois ou três pessoas se reúnem no meu nome, Eu estarei no meio delas” (Mt 18, 18- 20). Rubert Sheldrake, professor e psicólogo inglês, viveu uma experiência profunda. Ainda jovem, deixou a Igreja Metodista e, durante anos, se converteu a um racionalismo crítico que rejeitava qualquer prática religiosa externa. Depois, a partir do contato com várias tradições religiosas e como psicólogo, ele redescobriu a importância de freqüentar Igrejas, repetir cânticos e realizar rituais que ligam a pessoa a uma comunidade de fiéis. Ele começou a sustentar a idéia de que, através destas práticas, se entra em contato com o que Jung chamava de “inconsciente coletivo”. Experimenta-se um progresso interior que não é definido apenas pela razão e sim pelo que ele chama de “ressonância mórfica” (Ver revista Sophia, janeiro 2010, p. 12- 13). Algumas escolas indianas sempre ensinaram a idéia de “memória cósmica” na qual somos integrados. A busca da intimidade com o divino se realiza em uma dimensão íntima e pessoal que é muito necessária, mas ela se enriquece ao se integrar com uma caminhada coletiva e, assim, ultrapassa a dimensão racional da crença. O povo mais simples vive isso com os pés nas romarias e expressa isso com todo o corpo na liturgia.. Marcelo Barros é monge beneditino 8 Jornal da Serra l Serra do Machado l Julho de 2011 Entrevista ( Psicóloga Alyne Sobral Depressão tem cura A ação da família é indispensável para a descoberta e o tratamento da doença. Segundo dados do Ministério da Saúde, aproximadamente 10 milhões de brasileiros sofrem de depressão. Considerada uma doença afetiva que compromete todo o organismo e que atinge pessoas de todas as idades e classes sociais, a depressão tem cura, se tratada adequadamente. Para falar sobre o problema, conhecer os sintomas e os tratamentos, o Jornal da Serra conversou com a psicóloga Alyne Sobral, profissional que atua na Clínica Dona Dudu Mendonça. Confira a entrevista. Jornal da Serra – O que é depressão? Alyne Sobral – Depressão não é apenas uma sensação de tristeza ou de baixo astral. É mais do que se sentir triste ou ficar de luto após uma perda. A depressão é uma doença (assim como o diabetes ou a pressão arterial elevada) que afeta seus pensamentos, seus sentimentos, sua saúde e seu comportamento. Depressão é a vivência da dor profunda, da angústia, da sensação de falta, da pressão de uma culpa não sei do quê, da vontade de desistir de tudo, inclusive da vida. JS – O que causa a depressão? AS – Ela pode ser causada por diversos fatores, como algumas doenças não psiquiátricas, administração de alguns medicamentos e o uso de drogas ou álcool, além dos fatores genéticos. Algumas situações de vida, como estresse ou luto, podem desencadear a depres- JS – Como é o tratamento da depressão? AS – O tratamento tem três caminhos: medicamento antidepressivo, psicoterapia ou ambos. O objetivo é a eliminação dos sintomas da depressão. A continuação desse tratamento por alguns meses, mesmo depois que a pessoa está livre dos sintomas, é importante para evitar que a doença reapareça. O tratamento de manutenção (no qual o medicamento é mantido por um período mais longo durante anos ou até por toda a vida) é indicado nos casos de depressão recorrente, ou seja, quando a pessoa já apresentou três ou mais episódios da doença ao longo da vida. Com o tratamento de manutenção, as chances de a pessoa permanecer bem, sem sintomas, são muito maiores. são ou impedir uma recuperação completa. Mas é importante deixar claro que em algumas pessoas a depressão ocorre mesmo quando tudo está bem. JS – Como identificar a doença? AS – Pessoas que têm depressão apresentam determinados sintomas quase que diariamente. São eles: perda do interesse por coisas que a pessoa costumava apreciar; tristeza, melancolia ou sensação de vazio. O paciente pode apresentar também aumento ou redução de apetite ou de peso; sentimentos de auto-estima baixa ou de culpa; dificuldade para se concentrar, raciocinar, memorizar, ou tomar decisões; insônia ou excesso de sono, entre outros problemas. JS – Algumas pessoas estão mais propensas a desenvolver a doença? AS – A depressão é uma doença comum, que pode acometer qualquer pessoa, embora seja mais frequente em mulheres do que em homens. JS – Ao identificar os primeiros indícios, como o paciente ou a família deve proceder? AS – Muitas vezes as pessoas não procuram tratamento para sua depressão porque não reconhecem os sintomas, têm dificuldade de pedir ajuda, sentem-se culpadas ou não sabem que existem tratamentos para a doença. É importante que a família, ao perceber alguma mudança significativa de comportamento, leve a pessoa ao médico. O profissional de saúde poderá orientar e encaminhar o paciente a um psiquiatra para avaliação complementar e tratamento adequado. O ideal é procurar um psiquiatra ou um ambulatório de saúde mental, caso a família não tenha um médico de confiança. JS – Quais as principais consequências para quem não procura tratamento adequado? AS – Sem o tratamento, um episódio de depressão pode durar de 6 a 12 meses. Apesar de algumas pessoas conseguirem superar um episódio sem tratamento, é muito mais fácil procurar auxílio para aliviar a dor e o sofrimento. Ideias de suicídio são comuns na depressão. E o risco de suicídio só aumenta à medida que os pacientes não são tratados e os episódios depressivos se repetem. Quando o tratamento é eficaz, esses pensamentos desaparecem. JS – Depressão tem cura ou só acompanhamento e controle? AS – O primeiro passo para sair da depressão ou de qualquer situação insatisfatória que se vive é QUERER. Com toda a força do ser. Apostar que é possível, mesmo que a pessoa se sinta dentro de um túnel escuro naquele momento ou numa curva onde não esteja vendo a saída e nem tenha certeza de que está indo na direção correta. O que importa é alimentar a fé e a certeza de que existe uma saída, porque depressão tem cura. Ninguém deseja ficar deprimido. A depressão não é uma fraqueza. É uma doença que pode e deve ser tratada.