Cálculo Diferencial e Integral II – Introdução ao Cálculo Integral 1. Introdução ao Cálculo Integral 1.1 A importância do Cálculo Integral na resolução de problemas. Na maioria dos problemas apresentados no curso de Cálculo Diferencial e Integral I, era dada a função e tínhamos que determinar a taxa de variação instantânea (derivada ou diferencial) dessa função. Já, nos problemas que serão apresentados no Cálculo Diferencial e Integral II, conheceremos apenas a taxa de variação da função e teremos que determinar a própria função. Exemplo 1.1.1 (Eletricidade) Considere um capacitor com tensão vo entre suas placas. Quando um resistor R é conectado a este capacitor, estabelecendo um caminho de condução, a carga armazenada no capacitor se move de uma placa para a outra, produzindo uma corrente i. Dessa forma, a tensão v no capacitor é gradualmente reduzida até zero. Sabendo-se que v = Ri e i = - C. determine: a) A tensão v do capacitor em função do tempo t. b) O tempo necessário para que tensão v se reduza até a fração 1/e da tensão inicial. Exemplo 1.1.2 (Mecânica – Transferência de calor) O cilindro abaixo é isolado nas laterais (o que faz com que o calor flua unicamente ao longo do eixo x) e constituído de um material maciço. Determine a -4 2 temperatura a 60 mm da origem O. Dados: A = 10 m (área por onde flui o calor), Q = - 20 W (taxa de transferência de calor), K = 400/(1 – x) (coeficiente de condutividade térmica) e T(0) = 283 K (temperatura na origem). 1 Prof. Robson Rodrigues e-mail: [email protected] site: www.robson.mat.br 1.2 O cálculo de áreas Enquanto Isaac Newton brigava com os números relativos às leis de Kepler e às descobertas de Galileu, ele percebeu que precisava aprimorar suas “fluxões” (derivadas), e assim, em maio de 1666, inventou o método das “fluxões inversas”, que, graças ao matemático alemão Leibniz, hoje chamamos de cálculo integral. Embora Isaac tivesse de quebrar a cabeça com números bem mais complicados para alcançar o resultado que queria, no fim das contas o cálculo integral não se revelou muito mais difícil que o cálculo diferencial. Como já sabemos, o cálculo diferencial ajudou o Isaac a descobrir as inclinações das curvas nos gráficos. Esse novo cálculo inverso permitiu que ele calculasse a área sob uma curva, o que o ajudaria a fazer cálculos ainda mais extravagantes sobre como a Lua e os planetas se movem (na verdade, veremos mais tarde que se conhecemos a velocidade de um corpo em instante t, através do cálculo integral é possível determinar a sua posição em cada instante). Claro, calcular por calcular não tem sentido, mas para Newton, que queria descobrir como a Lua e os planetas se moviam e, em particular, estudar as Leis de Kleper, conseguir fazer esse tipo de cálculo era fabuloso. “Isaac Newton e sua maça” – Kjartan Poskitt Começaremos o estudo do Cálculo Integral fazendo duas importantes perguntas: a) Como determinar a área sob o gráfico da função y = f(x) no intervalo [a, b]? b) Qual a importância da determinação da área sob o gráfico de uma função? Exemplo 1.2.1. Cinemática 2 Prof. Robson Rodrigues e-mail: [email protected] site: www.robson.mat.br Lembrando que v = S temos S = v. t S = 30.6 = 180 m. t Observe que a área abaixo da curva velocidade fornece o espaço percorrido pelo corpo num determinado intervalo de tempo. O que fazer quando a velocidade não é constante? Exemplo 1.2.2 Eletricidade Considere o gráfico da potência elétrica instantânea absorvida por um resistor. Qual é a energia elétrica consumida pelo resistor entre os instantes t = 4 e t = 10 s? A resposta para essa pergunta está na área abaixo do gráfico da função P = f(t) no intervalo 4 t 10. 1.3 A grande ideia de Newton A maneira mais simples de achar a área sob uma curva é decompô-la em retângulos minúsculos e somá-los. Obviamente, quanto menores os retângulos, melhor o resultado, e é isso que o cálculo integral faz. Dividindo a área procurada em retângulos de base x e altura f(x) temos: A f(xo)x + f(x1)x + ... + f(xn-1)x Agora, observe que quanto maior for o número de retângulos, mais próximos estaremos da área procurada. Assim, fazendo n teremos x 0 e nesse caso 3 Prof. Robson Rodrigues e-mail: [email protected] site: www.robson.mat.br O cálculo da integral anterior (chamada integral definida) é fundamento num famoso Teorema da Matemática, chamado Teorema Fundamental do Cálculo. Esse Teorema relaciona a integral com a derivada e será apresentado na próxima aula. 1.4 O Teorema Fundamental do Cálculo b Seja y = f(x) uma função contínua em [a, b]. Então f (x)dx = F(b) – F(a) onde F é uma função chamada a primitiva de f e é tal que F’(x) = f(x). Exemplo. Determine a área abaixo do gráfico da função f(x) = 2x para 0 x 3. De forma geral como fazer para determinar a primitiva de uma função f ? 4