DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO
DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO
Associação dos Criadores
de Mato Grosso
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO
DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO
VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
MATO GROSSO - 2012
PREFÁCIO
O documento Diretrizes para o desenvolvimento da pecuária de corte de Mato
Grosso – Visão de Universitários e Pecuaristas ora apresentado à sociedade brasileira pela ACRIMAT – Associação dos Criadores de Mato Grosso, representa um passo
à frente em direção ao futuro da bovinocultura de corte no mato Grasso e no Brasil.
Com uma metodologia participativa, envolvendo a academia e o setor produtivo,
a Associação soube mostrar como pode se trabalhar de forma harmônica e democrática para que se possam identificar e transpassar os maiores problemas que afligem
segmentos do setor rural brasileiro.
Esta antevisão de futuro coloca a ACRIMAT e a Academia Matogrossense numa
rota positiva de colaboração na qual cada setor é imprescindível ao outro. Um pela
ciência e o outro pela práxis. A junção dos dois representa uma melhoria no ambiente
de produção podendo resultar em benefícios e externalidades positivas para toda a
sociedade brasileira.
A melhoria do ambiente de negócios, o desafio da harmonização dos elos da cadeia produtiva e a melhoria das relações com o sistema industrial são desafios que
começam a ser transpostos com projetos como este desenvolvido pela ACRIMAT, em
tempo recorde, é bom que se registre.
Honrado pelo convite de prefaciar este trabalho e dele ter participado, sinto que
o Brasil avança a passos largos para atingir seu destino de grande fornecedor de
proteínas animais tanto no plano doméstico quanto no plano internacional, com alta
qualidade, sustentabilidade e longevidade na produção.
Prof. Samuel Ribeiro Giordano, Dr. Sc.
Coordenador Adjunto do PENSA USP
Centro de Conhecimentos em Agronegócios
EXPEDIENTE
Presidente
José João Bernardes
1º Vice-Presidente
Jorge Antônio Pires de Miranda
2º Vice-Presidente
Luciomar Machado Filho
1º Diretor Secretário
Mauricio Campiolo
2º Diretor Secretário
Marco Antônio Dias Jacinto
1º Diretor Tesoureiro
Júlio Cesar Ferraz Rocha
2º Diretor Tesoureiro
Francisco Sales de Manzi
Diretor de Relações Públicas
Mário Roberto Cândia de Figueiredo
Superintendente
Luciano de Souza Vacari
Autores
Amado de Oliveira Filho
Prof. Dr. Samuel Giordano – Grupo Pensa USP
Wilton Rogério Santos Maciel
Equipe
Clarissa dos Santos Rosa
Christiane Fernandes Ribeiro
Criciane de Paula Fernandes Ribeiro
Lais Costa Marques
Rodrigo José Faria Zanuzzo
Revisão
Doralice Jacomazi
Projeto gráfico, capa e diagramação
Neemias Alves
Foto capa
Rafael Manzutti
REPRESENTANTES
REPRESENTANTE
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO
Campus de Cáceres
Profa. Dra. Zulema de Figueiredo
Campus de Pontes e Lacerda
Profa. Dra. Jocilaine Garcia
Campus de Alta Floresta
Prof. Dr. João Massaroto
Campus de Nova Xavantina
Prof. Dr. Gilmar Laforga
Campus de Tangará da Serra
Prof. Dr. José R. Rambo
Campus de Sinop
Prof. Dr. Eduardo Henrique B. de Moraes
SUMÁRIO
Introdução............................................................................................................................................ 7
Metodologia......................................................................................................................................... 7
1 Abrangência geográfica dos workshops .......................................................................................... 9
2 Caracterização da pecuária de corte no Brasil e em Mato Grosso...................................................11
2.1 Pecuária de corte no Brasil . ...................................................................................................13
2.2 Pecuária de corte em Mato Grosso..........................................................................................21
3 Principais conclusões dos encontros por tema discutido.................................................................29
3.1 Cria.........................................................................................................................................31
3.2 Confinamento..........................................................................................................................37
3.3 Integração Lavoura Pecuária (ILP)...........................................................................................43
3.4 Reforma e recuperação de pastagens degradadas..................................................................47
3.5 Sustentabilidade.....................................................................................................................51
4 Matriz de priorização de ações.......................................................................................................54
5 Sugestões de encaminhamentos de ações oriundas das conclusões ..............................................57
5.1 Projetos.................................................................................................................................59
5.2 Ações de políticas públicas....................................................................................................61
5.3 Ações Parlamentares............................................................................................................63
5.4 Ações Educacionais................................................................................................................63
5.5 Ações Institucionais..............................................................................................................65
Referências.........................................................................................................................................66
Anexos................................................................................................................................................67
FOTO: Rafael Manzutti
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Introdução
A pecuária de corte do Brasil e, muito especialmente, a de Mato Grosso, está
vivenciando um momento de grandes transformações e de oportunidades para os
diversos agentes e detentores dos fatores de produção que fazem de Mato Grosso o
Estado que, além de maior produtor do Brasil, produz carne bovina de qualidade.
A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), objetivando conhecer os
entraves da atividade e, ciente de que sem a solução destes entraves seus associados, os pecuaristas, poderão não aproveitar das transformações que estão ocorrendo
e das que ainda irão ocorrer, resolveu identificar nas diversas regiões do Estado de
Mato Grosso que barreiras são estas e como ultrapassá-las.
Para tanto buscou parcerias com as universidades públicas com campus no interior do Estado e realizou eventos denominados Workshops da Pecuária de Corte de
Mato Grosso 2012, com a participação de docentes e discentes da Universidade do
Estado de Mato Grosso (Unemat) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT),
campus de Sinop.
O propósito foi construir uma visão coletiva sobre as soluções viáveis. Estas serão, posteriormente, apresentadas aos diversos níveis interessados, transformandose possivelmente em ações. Todas essas ações visam impulsionar a formação de
uma base de apoio à pecuária de corte respaldada na produção sustentável em todos
os seus aspectos, ou seja, sócio, econômico e ambiental.
Metodologia
A metodologia utilizada foi a do diálogo orientado, com adoção da matriz de priorização de ações que é uma ferramenta de uso prático que visa facilitar o planejamento
estratégico, quando se tem variadas sugestões de ações oriundas de trabalhos feitos
em workshops. Tratando-se de uma sequência de passos coordenados com grupos
de alunos dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia, orientados por
técnico da Acrimat, com o apoio de professores e criadores associados à Acrimat, com
a função de trazer a experiência prática à sala de discussões.
Depois da explanação dos temas a serem trabalhados a plenária se dividiu em cinco
grupos, sendo cada grupo representado por um professor, um pecuarista e oito alunos,
7
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
para que, através da discussão, se pudessem levantar às principais barreiras/obstáculos e possíveis soluções para transpô-las referentes aos cinco temas propostos.
Os temas de discussão que orientaram cada grupo são:
1 - Cria
2 - Reforma e recuperação de pastagens
3 - Confinamento
4 - Integração Lavoura Pecuária (ILP)
5 - Sustentabilidade
Em cada grupo, utilizando-se da matriz de priorização de ações, elencaram-se as
medidas em ordem decrescente, significando que o número um era a que teria o ponto
mais forte e assim sucessivamente.
Antecedendo os trabalhos dos grupos foram eleitos pelos participantes um coordenador e um relator. Após os debates seguiu-se o preenchimento de fichas de
entrada para cada diretriz dos temas acima e todos os grupos de trabalho retornaram
ao plenário inicial, onde cada um apresentou os seus resultados que foram discutidos
por todos os participantes.
Não se estabeleceu na identificação de barreiras ao desenvolvimento da pecuária qual o grau de frequência com que cada uma delas ocorre em cada propriedade
com a atividade de pecuária de corte no Estado de Mato Grosso. Certamente que em
centenas delas nenhuma destas barreiras ocorra, por outro lado, da mesma forma,
é possível que em grande parte delas exista importante frequência de tais barreiras
concorrendo contra o desenvolvimento da atividade.
O trabalho Diretrizes para o desenvolvimento da pecuária de corte de Mato Grosso Visão de Universitários e Pecuáristas, se delimita a atividade da bovinocultura de corte.
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1 Abrangência geográfica dos workshops
ALTA FLORESTA
SINOP
TANGARÁ DA SERRA
PONTES E LACERDA
NOVA XAVANTINA
CUIABÁ
CÁCERES
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FOTO: Rafael Manzutti
2 Caracterização da pecuária de
corte no Brasil e em Mato Grosso
FOTO: Rafael Manzutti
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2.1 Pecuária de corte no Brasil
O Brasil é um país de características continentais. Seu território, de 8,5 milhões
de km², é dividido em cinco grandes regiões, estruturadas sobre 26 estados e o
Distrito Federal. Com 47,8% da área total da América do Sul, figura como o quinto
maior país do mundo, atrás da Rússia, Canadá, Estados Unidos e China. Sua fronteira seca, com 10 países do continente, é de 16,9 mil km, e sua costa percorre 7,5
mil km (FIESP, 2008).
Diante desta vastidão territorial a pecuária de corte iniciou sua produção majoritariamente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil. No entanto, Dias-Filho (2010), em
sua manifestação sobre “Características importantes da pecuária brasileira”, registra o
processo de migração das regiões Sul e Sudeste para as regiões de fronteira agrícola,
receptivas a este processo e verificadas no Centro-Oeste e Norte brasileiros.
Claro que a principal razão dessa migração se deu em função dos elevados custos da qualidade das terras que passaram a gerar elevados custos de oportunidades.
Assim, ainda segundo o autor, este processo migratório possibilitou obter a redução
de custos pretendida, onde o pasto surge como base alimentar da pecuária de corte.
Desta forma a produção da pecuária de corte avança nestas regiões e, em função da grande disponibilidade de terras, inicia-se uma fase de ocupação na qual a
principal característica é a produção extensiva com baixo nível de intensificação e
padrão tecnológico.
Nessa fase também se verifica que as funções planejamento e avaliação eram extremamente deficientes, e os empreendedores tinham baixa visão empresarial. A tudo
isto se associava a baixa produtividade que comprometia a rentabilidade.
A infraestrutura disponível era caracterizada por estradas de péssima qualidade
e a mão de obra na região não possuía qualificação adequada para fazer frente às
demandas da pecuária de corte. Sob o aspecto da propriedade rural, o que se via era
uma insegurança jurídica de toda ordem.
Por outro lado, nessa fase inicial da pecuária de corte, era comum identificar pessoas que exerciam a postura especulativa em relação a esta atividade. Ou seja, buscava-se o lucro via compra e venda de terra e extraía a madeira encontrada. Tratavase de uma visão de pioneirismo e não empresarial.
Ainda segundo Dias-Filho (2010), à época a abundância de terra contribuía para
a diminuição da demanda tecnológica nas regiões de fronteira agrícola brasileiras.
Assim, a escassez de áreas naturais para a expansão da atividade seria um motivador
para a adoção de tecnologias.
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
Desta forma o Brasil viu aumentar sua produção de carne bovina, por ampliação
de suas áreas de pastagens, ou seja, um crescimento horizontal, no qual a produtividade real obtida era muito diferente da produtividade potencial que toda a região de
fronteira agrícola já exibia.
Hodiernamente pode-se afirmar que o Brasil passa a experimentar um novo modelo de desenvolvimento de sua pecuária de corte. O que já se testemunhou nos
grandes estados produtores de carne bovina é um processo que o autor chama de
‘Fase 2’ da pecuária, na qual se pode perceber um “refinamento” da atividade.
Neste estágio de desenvolvimento já é percebida com clareza a adoção do processo de intensificação, ou expansão vertical, da atividade da pecuária de corte.
Sem dúvidas este processo se dá em função de uma conjugação de fatores, como
a escassez da disponibilidade da terra, pressões ambientais e de mercados, somados a uma nova postura do pecuarista e à introdução de elevado profissionalismo.
Assim, verificada a expansão vertical da pecuária, surge a busca do lucro pela comercialização da produção, e também se observa uma visão mais empresarial do
que a “pioneira” da Fase 1.
Outro fator econômico importante é que a terra passa a ser mais valorizada, e se
observa a utilização de tecnologias para aumento da produtividade das pastagens,
inclusive, com novas cultivares de plantas forrageiras. Desta forma se constata menor
distância entre a produtividade real e a produtividade potencial e, ainda, aumento da
produção por meio da intensificação.
É possível que já se esteja vivenciando a Fase 3 da pecuária brasileira. Em especial pelo fato de que todos os estudos apontam que esta atividade deverá se concentrar em áreas de fronteira agrícola do Nordeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil.
Em que pese à grande transferência de áreas de pastagens onde a terra possui
aptidão agrícola, deverá ser fortalecido um modelo produtivo eficiente e sustentável
baseado na produção a pasto. Isto é possível em função da necessidade de se manter
preços competitivos e qualidade elevada.
Entende Dias-Filho (2010) que os altos custos e a relativa demora para o retorno
do capital investido dificultam a adoção de tecnologias de recuperação de pastagens.
No entanto, afirma que a recuperação de pastagens é a principal alternativa para conciliar o crescimento da pecuária na Amazônia com a preservação ambiental.
Mas qual será o tamanho deste negócio? Somados, os empreendimentos da pecuária de corte no Brasil serão do tamanho da demanda do seu mercado. Ou seja, o
tamanho da demanda interna que continuará a ser atendida plenamente, somada à
demanda internacional que se conseguir alcançar em função de nossa capacidade de
produção e inserção de nosso produto em outros mercados.
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
A pecuária de corte é um valioso setor estratégico nacional por ser fornecedor de
alimento construtor de alto valor proteico. Além disso, pelas dimensões dessa atividade, o Brasil é autossuficiente na geração de proteína animal de alta qualidade. O setor
gera externalidades positivas para toda a sociedade brasileira na forma de segurança
alimentar, independência de mercados externos, alimentos acessíveis à população.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) o efetivo de bovinos e bubalinos no ano de 2011 foi de 214,08 milhões de cabeças, o que equivale
a 1,6% de aumento em relação ao registrado em 2010, conforme mostra o gráfico 1.
Este efetivo encontrava-se disperso por todo o Território Nacional, embora seja encontrado em maior número na Região Centro-Oeste do País (33,98%).
As demais regiões apresentam os seguintes percentuais de participação: Norte
(20,58%), Sudeste (18,44%), Nordeste (13,88%) e Sul (13,13%). O Estado de Mato
Grosso apresentou o maior efetivo de bovinos, 13,68%; seguido por Minas Gerais,
com 11,19%; Goiás, com 10,18%; e Mato Grosso do Sul, com 10,08%. Salienta-se
que os dez principais estados detentores do maior rebanho de bovinos e bubalinos
concentram 81% de todo o efetivo nacional (IBGE, 2011).
GRÁFICO 1 - Rebanho bovino brasileiro - 1995 a 2011
230
210
190
170
150
130
Fonte: IBGE
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
Quando se analisa o crescimento do rebanho brasileiro, se verifica um crescimento a uma taxa de 5,72% ao ano de 1961 a 2011, representando um aumento de
286% no plantel, com a produtividade média de 1,28 cabeça por hectare. Constatamse também ganhos em produtividade nos últimos anos, tendo a produção de carne
crescido 11,4% ao ano contra um crescimento nas taxas de abate da ordem de 9,5%
no mesmo período, refletindo uma melhora na taxa de desfrute2 dos animais, que alcançou 19,2% em 2011.
Enquanto a produção de carne bovina no país apresentou um crescimento de 36%
entre 2000 e 2011, os volumes totais exportados passaram de 358,7 mil para 1.097,3
mil toneladas no mesmo período, representando um acréscimo superior a 200% em
volume e 542% em valor.
No gráfico 2 é mostrado o valor da exportação das carnes, quando comparada aos
principais produtos do agronegócio, com dados de 2011 do Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento. As Carnes referem-se à somatória das três carnes: bovina,
aves e suína. O segmento da carne bovina, segundo dados da Secretaria de Comércio
Exterior (Secex), contribuiu com US$ 4,9 bilhões em 2011 na geração de divisas.
Como bem demonstra o gráfico 2, o segmento carnes supera de forma expressiva
segmentos como o de produtos de base florestais, café, fumo e tabaco, além de fibras
e têxteis. Desta forma, ao destacar as exportações de carne bovina de aproximadamente US$ 4,9 bilhões e que a pecuária de corte atende plenamente a demanda
brasileira, surge então a característica desta atividade que cumpre sua função social como grande fornecedora de proteína à população e, ainda, oferece importante
contribuição para a economia em termos da formação dos constantes superávits na
balança comercial brasileira.
A pecuária brasileira, no ano de 2011, foi afetada pelo agravamento da crise de
algumas das mais importantes economias mundiais, sobretudo a europeia. Como reflexo da desaceleração econômica global, no âmbito externo assistiu-se à queda em
volume nas exportações de vários produtos comercializados pelo Brasil, tais como
carnes bovina e suína congeladas, couro e pele.
O gráfico 3 a seguir demonstra o desempenho das exportações de carne bovina brasileira no período compreendido do ano de 2007 até o mês de setembro de
2 Taxa de desfrute dado em %
D=[A+(RTt – RTt-1)]x100/RTt onde
D=Taxa de desfrute
A=Número de animais abatidos no ano
RTt= Rebanho Total num determinado ano
RTt-1= Rebanho Total no ano anterior
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GRÁFICO 2 - Agronegócios: Principais Produtos Exportadores em 2011
US$ Bilhões – Total= US$ 94,6 bilhões (37% do total)
Superávit= US$ 77,5 bilhões
30
25
24,1
20
16,2 15,6
15
10
5
0
9,6
8,7
4,2
2,9
2,8
2,6
2,2
0,9
0,4
0,2
0,2
Fonte: Ministério da Agricultura
______________________________________________________________________________________________________
2012. Interessante destacar que entre os anos de 2009 e 2011 o mercado internacional reduziu as importações, mas o Brasil faturou mais.
Para reverter este quadro, novos mercados fora da rota da crise foram alcançados
pelos produtos brasileiros como alternativa para contornar a situação. No mercado interno, entretanto, observou-se a elevação dos preços da carne bovina, a falta de bois
para abate e, em algum grau, o aumento do descarte de vacas, além da substituição
no consumo da carne bovina pela suína e a de frango (IBGE, 2011).
As pastagens também foram prejudicadas por alguns períodos de estiagem (especialmente no segundo e terceiro trimestres) em parte dos municípios dos Estados do
Rio Grande do Sul, de Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Minas Gerais e do Ceará,
impactando tanto a produção de carne bovina quanto a produção de leite, embora
esta situação tenha se revertido com as chuvas no segundo semestre (IBGE, 2011).
Os aumentos do preço da soja em grão e dos insumos produtivos tiveram reflexos
sobre a atividade pecuária, sobretudo nos preços da ração animal, produto este utili-
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GRÁFICO 3 - Exportação de Carne Bovina – Brasil - 2007 a 2012*
6.000
2.500
Volume (ton)
Valor (US$)
2.000
4.000
1.500
3.000
1.000
2.000
500
1.000
-
2007
Fonte: Secex
Volume (milhões de toneladas)
Valor (milhões de US$)
5.000
2008
2009
2010
2011
2012*
* Ref. exportações até set. 2012
zado como principal ferramenta para intensificação no processo produtivo dos semiconfinamentos e confinamentos.
O agronegócio tem grande influência no crescimento econômico brasileiro, pois é
em grande parte responsável pela geração de divisas internacionais através da exportação de seus produtos agrícolas e pecuários.
As informações relativas à pecuária bovina devem ser analisadas com cautela para evitar erros de interpretação. Ser detentor do maior rebanho mundial de
bovinos não significa, propriamente, ser o maior produtor de carne. Ser o maior
produtor de carne não resulta em maior geração de riqueza e valor, pois depende
do acesso aos melhores mercados consumidores e da capacidade de agregação
de valor ao produto.
18
FOTO: Divulgação
FOTO: Rafael Manzutti
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
2.2 Pecuária de corte em Mato Grosso
Com a criação do Fundo de Apoio à Bovinocultura de Corte (Fabov) foi elaborado o mais completo ‘Diagnóstico da Cadeia Produtiva Agroindustrial da Bovinocultura de Corte do Estado de Mato Grosso’, concluído em outubro de 2007 (MEISTER
E MOURA, 2007).
Diversos foram os aspectos e cenários estudados, à época naquele Diagnóstico
e boa parte do seu conteúdo ainda se encontra parcialmente atualizada. É o caso da
caracterização da Pecuária de Corte em Mato Grosso, cuja atualização basicamente
necessita ser tão somente do tamanho do seu rebanho e da quantidade de pastagens.
Portanto, será utilizado o item 5.3 deste Diagnóstico, ajustando apenas a questão do
rebanho e pastagens.
“A tradição da criação extensiva da pecuária em Mato Grosso, utilizando pastos
naturais do Pantanal e pequenos capões de mata permitiram maior produção de rebanhos, desde o século XVI, quando foi introduzido o gado em terras além-Paraná, por
Aleixo Garcia, buscando os “Caminhos de Peabiru”, até os tempos atuais, quando o
Estado de Mato Grosso conta com mais de 26 milhões de cabeças.
Todavia, a pecuária, de maneira oficial, foi reconhecida no Cerrado mato-grossense no século XVIII, quando houve necessidade de carne para abastecer os
trabalhadores que construíam a estrada que ligava Cuiabá a Vila Boa, de Goiás,
em 1750. Dessa forma, compreende-se que, além da alimentação da população
residente praticante de extrativismo mineral, como principal atividade econômica
da Capitania, a pecuária tinha a função de abastecer os demais moradores (BORGES, 1991).
A introdução da bovinocultura extensiva pode ser, portanto, considerada um marco histórico da atividade econômica em Mato Grosso, ainda no século XVIII, dentro
de um processo de produção descrito com base na derrubada de vegetação para o
plantio de pasto, sendo a carne produto desta atividade destinada ao abastecimento
da população, assim como o couro, que era utilizado na fabricação de material de
transporte, como bruacas, alforjes e silos.
Dessa maneira, a abertura de terras do Cerrado, em torno dos garimpos de ouro,
destinava-se ao abastecimento – seja humano ou animal –, e pode ser identificado nos
diversos trabalhos de historiadores relativos aos períodos que vão desde a fundação
de Cuiabá, em 1719, passando pela manutenção do território mato-grossense durante
os séculos XVIII e XIX, até os anos recentes quando é retomada, considerando-se a
sustentabilidade de diferentes regiões do Estado.
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
A pecuária e seus produtos, em todos os períodos históricos de Mato Grosso, tiveram importante participação na economia, tanto como produtores de bens necessários à alimentação da população quanto como justificativa de uso e manutenção das
terras, bem como reserva de valor (FIGUEIREDO, 1994; ALEIXO, 1995; VOLPATO,
1987; BORGES, 1991).
Quando da decisão governamental de abertura e ocupação do Cerrado, nos anos
de 1970, foram criadas políticas públicas, visando organizar o sistema produtivo em
moldes capitalistas, incorporando-o à economia mato-grossense e articulando-o aos
centros hegemônicos do Centro-Sul. Com isso, houve imensa derrubada de áreas
para transformação em pastagens para o gado de corte.
Durante dezenas de anos a abertura era realizada por técnicas rudimentares e,
de certa maneira, ainda o é. O processo de implantação das pastagens incluía a
derrubada e o fogo. Desse modo, dependendo do período do ano, criavam-se, após
a derrubada, clareiras expostas ao clima. Assim a terra ficava degradada e nasceria
uma vegetação natural, chamada genericamente capoeira, na qual se criava o gado.
A produtividade dessa atividade era bastante baixa, aliada às perdas em transporte em pé para frigoríficos distantes. Essa maneira de produzir ainda é comum em
algumas regiões de Mato Grosso, como no Pantanal; por exemplo, o fogo é utilizado
para “limpar pastos”.
Desnecessário, por evidente que essa forma de limpeza trazia como ainda traz
consequências ambientais danosas, destruindo ou afastando espécies vivas, bem
como queimando cercas, currais e, às vezes, residências e, portanto, gerando novas despesas.
A sustentabilidade da terra passou, portanto, a exigir adequada técnica para a
ocupação e uso do solo, incorporada ao longo dos anos de 1970 e 1980. Isso implicou
no bioma Cerrado a correção do solo com calcário para quebrar a acidez do terreno,
criando-se, dessa maneira, um processo de amansamento do solo em relação às ervas e a consequente formação de capoeiras, bem como a reconstrução produtiva de
algumas terras degradadas.
Com a introdução da agricultura moderna em Mato Grosso, cujo modelo tecnológico passou a propor a neutralização da acidez natural do solo, com o uso de calcário, e
a mecanização do processo produtivo, a pecuária passou a utilizar, também, o espaço
rural em áreas cuja topografia fosse ondulada ou quebrada.
No Cerrado, antecipando a agricultura e os pastos plantados, o plantio de arroz
historicamente permitia “amansar a terra”, ou seja, reduzir ervas daninhas. O exemplo
da agricultura passava a ser utilizado na pecuária: articulada ao desmate, um sistema
que pode ser conhecido como madeira-arroz-pecuária de corte se implantava.
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A atividade de bovinocultura em Mato Grosso responde por diferentes aspectos do
processo histórico e econômico relativo à ocupação do território e sua manutenção,
mesmo considerando as diferentes porções desmembradas, como em Mato Grosso
do Sul e Rondônia, onde continua sendo uma importante atividade.
Essa evidência pode ser ressaltada levando-se em conta que o rebanho, em
1995, ocupava a maior porção de terras do Estado, detendo 21 milhões de hectares
(SEPLAN-MT, 1998). Em 2006, o rebanho foi estimado em 26.172.578 cabeças, das
quais 99,45% foram vacinadas, nas 105.961 unidades com atividade pecuária, das
125.185 propriedades instaladas no Estado (INDEA-MT, 2006).
A principal forma de criação é a extensiva, havendo, todavia, outras técnicas,
como: confinada, semiconfinada, aquela desenvolvida pela “agricultura familiar”, entre
outras. Porém, a mais representativa é a extensiva.
Mais recentemente, na busca pela eficiência, os produtores passaram a modernizar seus processos produtivos com o uso da biomassa, racionalização de pastos
e manejo de raças. Em razão das pressões ambientais, exercidas por legislação do
comércio exterior, os países compradores passaram a exigir o “selo verde” como certificação da origem para fornecimento de carne.
Na mesma direção, o espaço estadual é considerado “livre de aftosa com vacinação”, pela OIE – “Circuito Internacional Epizootias”, instituição ligada à Organização
das Nações Unidas (ONU) para o comércio internacional de produtos de origem animal, unindo-se assim aos estados brasileiros como São Paulo, Paraná, Minas Gerais
e Goiás. Essa certificação permite exportar carne de origem bovina para países da
União Europeia, Estados Unidos e Ásia.
É preciso compreender que as atividades de pecuária em Mato Grosso e, talvez,
as de agricultura, estão condicionadas a um processo de colonização, usualmente
confundido com reforma agrária (IANNI, 1979), que lhes dá características fundiárias,
culturais e infraestruturais específicas de cada região ou zona de planejamento.
A pecuária de corte de Mato Grosso avançou significativamente década após década, se caracteriza como uma atividade praticada por todos os portes de produtores.
O gráfico 4, mostra a introdução da técnica de confinamento na terminação de bovinos, é um indicativo deste cenário.
Observa-se no período compreendido entre os anos de 2005 e 2009 um expressivo crescimento no rebanho bovino confinado. O Estado saiu de aproximadamente 117
mil cabeças para mais de 637 mil cabeças, alcançando aproximadamente 814 mil cabeças em 2011 e em 2012 a expectativa é de que sejam confinadas 740 mil cabeças.
Este cenário de retração do rebanho bovino confinado em 2012 certamente impactará
os preços da carne bovina, que já apresentam viés de alta.
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
GRÁFICO 4 - Rebanho confinado em Mato Grosso – 2005 a 2012
900
813,95
740,42
800
637,98
700
Mil Cabeças
592,83
536,59
600
500
426,51
400
300
200
180,68
117,88
100
0
Fonte: Imea
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012*
Quanto ao abate total de bovinos no Estado no período compreendido entre os
anos de 2003 e 2012, verifica-se uma performance bastante atípica. Enquanto se
constata o abate de 3,10 milhões de cabeças de gado no ano de 2003, houve um
crescimento constante alcançando os 5,37 milhões de cabeças em 2007.
O abate bovino começa a cair a partir do ano de 2008 e inicia uma retomada lenta
até o ano de 2011, ainda um pouco abaixo do número alcançado em 2007. Porém,
a expectativa para o ano de 2012 é que o total de abate de 2007 seja superado em
função do desempenho do abate bovino no último quartil deste ano.
A irregularidade verificada no abate total em Mato Grosso tem ligação com o aspecto da produção de bezerros, que tem o volume de produção comprometido em função da dupla aptidão das fêmeas, que é um bem de capital na produção de bezerros
e um bem de consumo quando encaminhada para o abate. O gráfico 5 mostra o total
de bovinos abatido entre 2003 e 2012.
Outro aspecto importante e que comprova o desempenho positivo da pecuária de corte
em Mato Grosso é a performance das exportações. No gráfico 6, seguindo o mesmo comportamento da pecuária nacional, o Estado exportou 186 mil toneladas no decorrer do ano de
2009, com um faturamento na ordem de US$ 473 milhões, 220 mil toneladas em 2010, alcançando US$ 681 milhões, 195 mil toneladas em 2011 e um faturamento de US$ 790 milhões.
24
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
GRÁFICO 5 - Abate Total de Bovinos em MT – 2003 a 2012*
6,00
5,37
5,50
4,66
4,50
Milhões de cabeças
4,87
5,22
5,00
4,33
4,00
4,12
3,77
4,09
4,18
3,50
3,10
3,00
2,50
2003
Fonte: Indea
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
* Abate considerado até o mês de Set/2012
Analisando o ano de 2007 verifica-se que o Estado exportou mais de 306 mil toneladas, no entanto o faturamento foi de tão somente US$ 591,68 milhões. E, quando
se compara o valor recebido por tonelada de 2007 em relação ao período de 2009 a
2011, constata-se que, de menos de US$ 2,0 mil em 2007, passou-se para mais de
US$ 4,0 mil no ano de 2011.
Desta forma testemunha-se no período de 2007 a 2011 uma grande valorização
da carne exportada pelo Estado de Mato Grosso.
No decorrer de todos os workshops realizados, o tema denominado recuperação ou reforma de pastagens foi um dos que chamaram a atenção dos estudantes
e professores.
Não se discute também que é um dos fatores que impulsionam as transformações
na pecuária mato-grossense, em função de várias nuances, porém duas em especial.
A primeira se trata das proibições da expansão destas áreas por desmatamento. A
segunda pela transferência de áreas de pastagens para a agricultura.
No gráfico 7 a seguir verifica-se uma disparada no crescimento de áreas de
pastagens em Mato Grosso. No ano de 1997 eram 22,1 milhões de hectares de
pastagens, que saltam para 25,8 milhões no ano de 2006 e depois se estabilizam
até o ano de 2012.
Na metodologia deste trabalho não se buscou aferir a frequência que se verifica
nas propriedades rurais das diretrizes para o desenvolvimento da pecuária de corte.
25
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
GRÁFICO 6 - Exportação da pecuária de corte - Mato Grosso
2003 a 2012*
900
350
Volume (ton)
Valor (milhões de US$)
300
800
Volume (mil t)
600
200
500
150
400
Valor (milhões de US$)
700
250
300
100
200
50
100
0
0
Fonte: Imea
*Ref. Exportações até setembro 2012
GRÁFICO 7 - Área de pastagem em Mato Grosso
(em milhões de hectares)
27
Milhões de hectares
25,3
25
24
23
22
23,1
22,1
22,5
21
Fonte: Acrimat/Sinoptica
26
25,8
25,8
26
23,3
23,6
24,0
24,5
25,7
25,8 25,8 25,8 25,8
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
Pode-se perceber que, apesar de aceitar e entender a existência delas em milhares de
propriedades, existem propriedades produtivas que contribuem fortemente para que o
Estado de Mato Grosso possa continuar oferecendo ao Brasil carne bovina de qualidade satisfatória e quantidade necessária para o pleno atendimento da demanda.
27
FOTO: stock.xchng
FOTO: Rafael Manzutti
3 Principais conclusões dos
encontros por tema discutido
A seguir são apresentadas as diretrizes para
cada tema discutido no âmbito dos workshops
realizados.
Estes resultados são fruto de debates verificados entre os membros do grupo composto por
estudantes, professores e pecuaristas no decorrer de aproximadamente oito horas de trabalho
em grupo em cada um dos workshops realizados.
Deve-se destacar que, de acordo com a metodologia utilizada, não se avaliou com que frequência cada uma das barreiras ao desenvolvimento da pecuária de corte ora apresentadas ocorre
nas aproximadamente 110 mil propriedades que
desenvolvem a atividade da pecuária de corte no
Estado de Mato Grosso. Sabe-se, no entanto,
que no Estado existe importante frequência de
propriedades com produção adequada em todos
os temas estudados.
FOTO: Rafael Manzutti
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
3.1 Cria
3.1.1 Diretrizes
ORD.
BARREIRAS
SOLUÇÕES ENCONTRADAS
01
Dotar as propriedades de manejo adequado com oferta
de pastagens em quantidade e qualidade necessárias,
Falta de manejo do rebaatravés da adubação das pastagens, Integração Lavoura
nho provocando degraPecuária (ILP), melhoria das taxas de lotação antecipadas
dação e morte súbita de
de mudanças de conceitualização de extrativismo para suspastagens.
tentabilidade, promover melhor divisão de pastos e utilizar
piquete maternidade com localização estratégica.
02
Falta de investimentos
em melhoramento genético dos rebanhos.
Incentivar a prática de melhoramento genético, promovendo o acesso a financiamento público através dos diversos
programas existentes, objetivando a melhoria do rebanho
que permitirá fazer frente ao investimento realizado.
03
Dificuldades na comercialização e baixo preço
do bezerro.
Garantia de mercado e preço do bezerro através de
contratos envolvendo os setores primário e secundário da
cadeia da bovinocultura de corte tendo como pressuposto
a valorização da qualidade.
04
Desenvolver um programa de capacitação envolvendo o
Falta de capacitação dos
Senar regional, as universidades públicas e buscar parcriadores e acessibilidaceiros de outros setores para a introdução de tecnologias
de às tecnologias.
neste ciclo da produção bovina de corte.
05
Falta de infraestrutura de Propor aos governos a inclusão de obras públicas nas regilogística de transporte.
ões produtoras da bovinocultura de corte.
06
Baixa eficiência
reprodutiva.
Realizar exames andrológicos e ginecológicos; melhorar
a alimentação dos machos e fêmeas ao definir o período
da estação de monta; promover o desmame precoce e a
liberação da matriz à reprodução, descartar as fêmeas com
problemas de fertilidade após a estação de monta.
Deficiência no
manejo sanitário.
Adoção de um plano mínimo de manejo sanitário. Detecção
de causas de aborto ou reabsorção embrionária, manejo
profilático (mesmo quando não obrigatório) e utilização das
práticas de conforto animal (adultos e cria) através do uso
de instalações adequadas, bosques, etc.
Baixa qualidade das
fêmeas e crias.
Critérios de seleção bem definidos com relação à realidade do sistema de produção; acasalamento dirigido de
reprodutores mais adequados para grupos de fêmeas
favorecendo a produção de progênie mais adequada ao
sistema de produção (correção de aprumos, melhoria na
conformação, etc.). Uso de touros provados e adequados
ao conjunto de matrizes.
07
08
31
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
09
10
Falta de planejamento
nutricional.
Vedação de pastagens, estratégias de suplementação
conforme época do ano. Ensilagem, estratégias de suplementação, uso de creep-grazing2 e banco de proteínas e
aproveitamento de agrorresíduos.
Descapitalização
do setor.
Revisão da política fiscal dos governos estadual e federal
em relação aos insumos, máquinas, equipamentos e implementos, além da obtenção de melhores resultados dos
seus negócios na atividade da pecuária de corte. Viabilização de acesso às linhas de créditos com juros favorecidos.
3.1.2 Análise das diretrizes do tema CRIA
Os resultados da análise2 dos Workshops nos campus da Unemat e da UFMT
(Campus Sinop), mostram de forma incisiva que a falta de manejo do rebanho bovino
é um dos componentes que atuam fortemente na degradação e morte de pastagens.
Indicam as modernas técnicas para aumento da produtividade como o uso de
adubação e Integração Lavoura Pecuária (ILP). Porém, é necessária a adoção de
novos conceitos onde o pecuarista deixe de visualizar a pecuária como uma atividade
agroextrativista, buscando a produção sustentável sob todos os aspectos.
Por outro lado, apresentam ainda no tema CRIA a falta de investimentos em melhoramento genético dos rebanhos como uma barreira que leva a atividade a não obter a renda necessária para fazer frente aos investimentos que são demandados, ou
seja, grande parte dos pecuaristas de cria não tem renda porque não tem qualidade e
num caminho inverso não tem qualidade porque não tem renda.
Para que se possa reverter este quadro, as análises indicam a necessidade de incentivo a prática de melhoramento genético. Isto é possível através da promoção do acesso
destes pecuaristas às diversas linhas de crédito com juros que a atividade possa suportar
como os do Fundo Constitucional do Centro Oeste (FCO) e do Programa Agricultura de
Baixo Carbono (ABC), hoje com taxas de 2,5% e 5,0% ao ano, respectivamente.
Outra barreira indicada é a dificuldade de comercialização de bezerros e os preços
baixos praticados no mercado de reposição. Este é um entrave que atinge de forma
diferenciada as diversas regiões do Estado de Mato Grosso, pois na região do Guaporé se verifica a falta de bezerros que é suprida pelo Estado de Rondônia.
2 Creep-grazing é definido como uma forma de suplementar os bezerros ainda em aleitamento, por meio de dispositivos que permitem o acesso exclusivo da cria a áreas contendo forragens de melhor qualidade em relação àquelas onde suas mães são mantidas.
32
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
Destarte, nas regiões onde a oferta de bezerros é maior, se verificam preços baixos para os bezerros. Assim, resolvida a questão da baixa oferta e qualidade de pastagens, indicam como solução a formação de uma parceria entre os setores primário
e secundário da cadeia de bovinocultura de corte, tendo como pressuposto indissociável a melhoria genética e a consequente valorização da qualidade.
Segundo os participantes, a atividade de CRIA no Estado ressente da falta de
capacitação dos criadores, tendo como agravante o fato de que eles não conseguem
acessar as tecnologias. Esta barreira é recorrente em todas as regiões visitadas e se
verifica de forma transversal nos demais temas.
Ainda segundo os participantes, é neste ciclo da pecuária de corte que se define
a qualidade da carne que será ofertada ao mercado. Portanto, sugerem que seja desenvolvido um amplo programa de capacitação envolvendo o Senar Regional de Mato
Grosso, universidades públicas e outros atores para buscar a introdução de tecnologias neste importante ciclo da pecuária.
Na análise dos resultados dos workshops, a logística disponível no Estado de
Mato Grosso surge também como importante obstáculo para o desenvolvimento da
atividade de CRIA na pecuária de corte. Indicam os participantes a necessidade de se
desenvolver um amplo programa governamental que proporcione a inclusão de obras
públicas nas regiões produtoras da bovinocultura de corte.
Outra questão apontada e de elevada relevância para a atividade de CRIA no Estado de Mato Grosso é a ‘baixa eficiência reprodutiva’, que é seguida de forma concatenada pelas barreiras: ‘deficiência no manejo sanitário’; ‘baixa qualidade das fêmeas
e crias’; ‘falta de planejamento nutricional’.
Como obter elevada eficiência reprodutiva se a atividade possui deficiência no
manejo sanitário, baixa qualidade das fêmeas e crias e ainda falta de planejamento
nutricional? Como já abordado, está imperando no segmento de cria a vocação agroextrativista do produtor.
Assim, surge logo na sequência do grupo de trabalho que discutiu o tema CRIA a
barreira seguinte, que nada mais é que a consequência desta impressionante coleção
de problemas a serem resolvidos: a descapitalização do setor que somente será solucionada se resolvidas as barreiras que a antecedem.
Para mitigar em curto prazo e resolver em médio e longo prazos são apresentadas para
a barreira de baixa eficiência reprodutiva a realização de exames andrológicos e ginecológicos e a melhoria da alimentação de machos e fêmeas ao definir a estação de monta.
Em seguida se faz o desmame precoce para se colocar a matriz em novo processo de reprodução. Destaca-se ainda a necessidade de avalição de fêmeas que
apresentaram problemas de fertilidade e promoção do descarte.
33
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
Quanto a questão da falta de manejo sanitário indicada no tema CRIA certamente
promove um forte impacto na produtividade deste segmento. Neste caso as discussões indicam a necessidade de se estabelecer um plano mínimo de manejo sanitário
que deve ser elaborado por profissional capacitado e seguido à risca pelo produtor.
Ainda quanto à questão de manejo sanitário são indicadas medidas como a identificação de causas de aborto e/ou reabsorção embrionária, além da utilização das
práticas e conforto animal.
Já a baixa qualidade de fêmeas e crias é igualmente impactante na atividade. Não
se resolve sem que ocorra a decisão do pecuarista em adotar critérios de seleção,
promoção do acasalamento dirigido e a destinação de reprodutores adequados ao
grupo de fêmeas e, ainda, utilizando-se de touros provados.
Por outro lado, a falta de planejamento nutricional é dentro dos fundamentos da
produção da pecuária uma barreira que vem comprometendo toda a cadeia da pecuária de corte. Uma vez que não há segurança de oferta de alimentos para o rebanho,
também não há segurança em todos os elos dos ciclos que se seguem, além de que
se vê inviabilizada a possibilidade de aumento de renda neste segmento.
Se não resolvidos todos os problemas apresentados pelas barreiras anteriores,
vai-se encontrar um número cada vez maior de pecuaristas em fase de descapitalização ou já descapitalizados. Trata-se de um estágio de difícil solução. Chegando a este
perverso cenário resta ao pecuarista buscar as oportunidades oferecidas pelas linhas
de crédito disponíveis com juros favorecidos.
Por outro lado, o grupo de trabalho indica à Acrimat a necessidade da revisão de
política fiscal dos governos estadual e federal em relação aos insumos, máquinas,
equipamentos e implementos. Essa revisão se faz necessária para a adoção, pelo
segmento, de tecnologias para o aumento da produtividade e produção sustentável.
34
FOTO: Rafael Manzutti
FOTO: Rafael Manzutti
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
3.2 Confinamento
3.2.1 Diretrizes
ORD.
BARREIRAS
SOLUÇÕES ENCONTRADAS
01
Desarmonia e falta de
coordenação entre os
elos da cadeia da pecuária de corte.
Estabelecimento de parcerias e alianças que favoreçam e
criem ambientes de negócios onde as transações possam
ser suportadas por contratos.
02
Dificuldades na aquisição de animais.
Realizar planejamento envolvendo estudos para avaliação
dos custos na aquisição de animais com qualidade genética, logística de transporte em relação à aquisição e abate
dos animais, e observando a situação sanitária do rebanho.
03
Elevados custos com a
atividade.
Planejamento e controle da compra de insumos e utilização de mão de obra envolvida na atividade, bem como dos
custos para a manutenção dos animais confinados.
04
Impacto ambiental da
atividade.
Tratamento e disposição adequada dos resíduos, com a
exploração da geração de bioenergia tendo como base o
gás metano gerado, aumentando a receita da atividade.
05
Associação de produtores para comercialização em escala,
Complexidade na comerbem como utilização de derivativos da BM&F travando
cialização dos animais.
preços no Mercado Futuro.
06
Dificuldade de manejo
dos animais.
Homogeneização dos lotes de animais, adaptando-os às
dietas e praticando adequado manejo de cocho, observando as frequências de fornecimento promovendo a redução
do período de confinamento.
07
Elevada utilização de
caroço do algodão.
Pesquisar e normatizar os níveis aceitáveis deste resíduo para que não comprometa a qualidade e palatabilidade da carne.
08
Falta de mão de obra.
Capacitação e treinamento com cursos especializados na
área abrangendo aspectos de manejo, nutricionais e operacionais para maquinários.
09
Problemas sanitários.
Utilização de vacina contra pneumonia e outros
manejos sanitários.
37
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
3.2.2 Análise das diretrizes do tema Confinamento
Uma das diretrizes apresentadas ao tema confinamento se trata da desarmonia e falta
de coordenação entre os elos da cadeia da pecuária de corte. As soluções desta barreira
certamente são transversais a praticamente todos os setores da pecuária de corte.
A necessidade de resolver a questão da desarmonia na cadeia da pecuária de
corte é uma das ações lembradas por pecuaristas de todos os municípios, inclusive
em outras oportunidades de pesquisas. Tanto que se verificou a desarmonia ora denunciada à montante e à jusante da atividade da pecuária. Ou seja, tanto a indústria
de insumos como a indústria frigorífica impõem preços ao pecuarista.
Desta forma a solução encontrada pelo grupo de trabalho é o estabelecimento de
parcerias e alianças que favoreçam e criem ambientes de negócios onde as transações possam ser suportadas por contratos. Esta solução implica um estreitamento de
relações institucionais entre os setores primário, secundário e terciário da cadeia da
pecuária de corte.
A atividade de confinamento apresentou um forte crescimento no período de 2005
a 2011, saindo de um pouco mais de 100 mil cabeças para mais de 800 mil cabeças
em 2011. Para este ano a expectativa era se aproximar de um milhão de cabeças de
gado bovino confinado. Não ocorreu e deve fechar o ano com 740 mil cabeças de
gado terminado nesta modalidade.
Esta redução se deu em função da escassez de grãos provocada pela forte queda
da produção de soja e milho nos Estados Unidos, que refletiu em todos os países consumidores de grãos na produção de carnes. Para o Brasil e Mato Grosso o impacto foi
forte, já que os países compradores de grãos dos Estados Unidos voltaram seus olhos
para o Brasil e levaram boa parte dos grãos que seriam ofertados no mercado interno.
Destarte, a dificuldade de aquisição de animais que surge como barreira foi levemente arrefecida em 2012 em função da tomada de decisão de reduzir o fechamento
do gado nos confinamentos. Porém, é um problema existente que voltará a recrudescer a partir de 2013 numa eventual normalidade da safra agrícola dos Estados Unidos.
Ao observar a pecuária de corte setorizada e com elevado nível de especialização em seus diversos ciclos, verifica-se que a dificuldade para aquisição de animais
dos confinadores se forma a partir do ciclo de cria. Se não for melhorada a qualidade
do bezerro não haverá bois com qualidade para o confinamento e seus custos serão
sempre crescentes, em função da necessidade de maior tempo para a engorda.
Desta forma, a solução deste problema exige um planejamento prévio pelos confinadores em relação ao custo de aquisição dos animais, à genética, à logística, a
38
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
montante e a jusante do processo produtivo, e, ainda, à situação sanitária do rebanho
que se formará em cada confinamento.
Por outro lado a atividade de confinamento no Estado de Mato Grosso está tendo
a oportunidade de, em função de que ainda é uma atividade que busca sua consolidação, ofertando apenas em torno de 16,0% do abate total do Estado, criar uma ambiência de parcerias e alianças que promovam a oferta de gado para confinamento a
partir da premissa de que a atividade possa remunerar adequadamente o fornecedor
de bois que passará a ofertar gado com a qualidade que esta modalidade de terminação necessita.
Os elevados custos com a atividade foi outra barreira encontrada pelo grupo que
trabalhou o tema Confinamento. Esta é uma característica desta atividade, especialmente quando a oferta mundial de grãos reduz significativamente, como verificado
em 2012.
Entretanto, tomando-se um ano considerado normal, se verá que as margens são
demasiadamente apertadas, especialmente para confinadores que não produzem resíduos agrícolas.
Por isso mesmo que a indicação para a solução dos elevados custos com a atividade necessita de um rigoroso planejamento e controle da compra de insumos e
utilização de mão de obra envolvida na atividade, bem como dos custos para a manutenção dos animais confinados.
Outro entrave identificado é o que se refere ao impacto ambiental que a atividade
gera. Afinal a concentração dos animais provoca a acumulação de resíduos. No entanto, o processo de mitigação deste impacto ambiental é uma verdadeira oportunidade de negócios.
A solução indicada é o tratamento e disposição adequada dos resíduos, com a
exploração da geração de bioenergia tendo como base o gás metano gerado, aumentando a receita da atividade. Certamente que ao se aprofundar nesta questão
outras receitas serão geradas a partir do estrume, como, por exemplo, a produção
de adubo orgânico.
A produção de bioenergia e adubo é importante instrumento de aumento de receita, pois estudos indicam que cada boi produz em média 20 kg de estrume por dia.
Assim, um boi, em 60 dias de confinamento, produzirá 1,2 tonelada de matéria-prima
para utilização como fator de aumento de renda.
A questão da comercialização do animal quando acabado também surge como
uma barreira. De fato, os níveis de concentração promovidos pela indústria frigorífica
provocam insegurança aos confinadores, especialmente no Estado de Mato Grosso,
onde apenas uma empresa detém 48,0% da capacidade de abate.
39
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
A solução indicada foi a associação de produtores para comercialização em escala,
bem como a utilização de derivativos da BM&F travando preços no Mercado Futuro.
Desta forma o grupo de trabalho apresentou duas ferramentas importantes para
assegurar a rentabilidade do segmento de confinadores. No entanto, o gado bovino
confinado tem elevada importância inclusive para a indústria frigorífica que necessita
deste rebanho para a manutenção de suas escalas de abate.
Além disso, os mercados interno e externo necessitam da continuidade da oferta
do gado confinado para o atendimento aos consumidores fidelizados a esta importantíssima fonte de proteína.
Portanto, novamente surge a necessidade do estreitamento das relações institucionais para o aprimoramento da relação comercial de uma atividade que possui
elevado grau de interdependência.
Outra conclusão do grupo de trabalho é que existe dificuldade de manejo dos
animais. Em confinamento este é um fato esperado, pois são juntados num espaço
pequeno, animais de variadas origens e que passaram por diversos procedimentos
de manejo.
A solução indicada para esta barreira exige também um planejamento adequado
onde a homogeneização dos lotes é importante, bem como a formulação e adaptação
de dietas associadas a adequado manejo de cocho. Segundo o grupo é necessário
ainda observar cuidadosamente a frequência do fornecimento da alimentação de forma que se possa reduzir o período de confinamento.
Como o Estado de Mato Grosso é o maior produtor de algodão do Brasil, o caroço
desta cultura é largamente utilizado na ração animal, especialmente de bovinos, e
apresenta excelentes resultados em relação aos custos das dietas.
Surgiu então a barreira em relação à qualidade da carne de gado bovino terminado
em confinamento em função da elevada utilização de caroço de algodão destas dietas.
O encaminhamento de solução para este problema foi realizar pesquisas e normatizar os níveis aceitáveis da utilização de caroço de algodão de forma a não comprometer a qualidade e, em especial, a palatabilidade da carne de bois originários
de confinamentos.
Por outro lado, a Associação Nacional dos Confinadores (Assocon), em parceria
com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), realizaram experimentos com a utilização de caroço de algodão entre 10% e 20% da dieta. Neste caso não foi observado
qualquer desvio de qualidade da carne produzida.
Da mesma forma a ‘Tese Pesce’ (2008), de Domingos Marcelo Cenachi Pesce,
que em tese apresentada à Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos como,
parte dos requisitos para obter o título de doutor em Zootecnia, tratou do ‘Efeito da
40
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
dieta contendo caroço de algodão no desempenho, características quantitativas da
carcaça e qualitativa da carne de novilhos nelore confinados’.
Nesta tese, Pesce testou a utilização de caroço em nível de até 20%, e assim
como a Assocon e o IFTMT não encontrou nenhuma consequência tida como negativa
na alimentação de novilhos nelore confinados.
No entanto, ao aumentar para até 34% da dieta total, já surgem problemas, tanto
em relação à qualidade da carne como em termos de conversão alimentar com severa
perda de ganho de peso dos confinados cujo lote fora objeto da pesquisa.
Concluíram ainda que é necessária a continuidade da pesquisa, pois não é possível apenas em função do que realizaram poder afirmar de forma conclusiva a respeito
da utilização de caroço de algodão em dietas para bovinos de corte.
A mão de obra se apresenta em dois momentos como barreira para a atividade de
confinamento no Estado de Mato Grosso. Num momento em função da quantidade e
noutro em função da qualidade.
Este problema se agrava quando o confinador não é um pecuarista tradicional e precisa dispor de mão de obra para uma atividade que se desenvolve de forma sazonalizada.
Assim, a indicação de solução são a capacitação e treinamento através de cursos especializados na área, abrangendo aspectos de manejo, nutricionais e operacionais para maquinários.
A última e não menos importante barreira do tema Confinamento trata de problemas sanitários, que podem acarretar graves problemas para o confinador. A solução
para este problema é a utilização das vacinas necessárias, precedidas de um bem
elaborado planejamento sanitário e dos manejos necessários.
41
FOTO: Marisa Bastos
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3.3 Integração Lavoura Pecuária (ILP)
3.3.1 Diretrizes
ORD.
BARREIRAS
SOLUÇÕES ENCONTRADAS
01
Dificuldade de o agricultor formar lotes para
confinamento.
Realizar planejamento e parcerias com pecuaristas próximos a sua propriedade e firmar contratos que lhes garantam o fornecimento de animais com a necessária qualidade
para a modalidade de integração lavoura pecuária (ILP).
02
Falta de conhecimento
do agricultor com
a atividade.
Disseminação de informações através de palestras,
workshops, dias de campo, orientações através do Senar e
assistência técnica especializada.
03
Tradicionalismo.
Promover eventos direcionados aos pecuaristas demonstrando as vantagens da terminação de gado de corte em
integração lavoura pecuária (ILP), especialmente diante da
possibilidade da recuperação de pastagens degradadas,
bem como da possibilidade de oferecer pastagens de qualidade pela utilização da técnica a cada 3 anos.
04
Investimento inicial em
máquinas, equipamentos e implementos e
investimento inicial para
adequação da área de
pasto agricultável.
Utilizar-se de parcerias, inclusive a de arrendamento, e
buscar linhas de crédito existentes para financiamento.
05
Dificuldade na readaptação da mão de obra.
Treinamento intensivo e capacitação programada e contínua da mão de obra para o atendimento necessário. Estabelecer políticas de participação nos resultados.
3.3.2 Análise das diretrizes do tema Integração
Lavoura Pecuária (ILP)
Pode-se entender Integração Lavoura Pecuária (ILP) como um sistema produtivo
de grãos, fibras, madeira, carne, leite e agroenergia, implantados na mesma área, em
rotação, consórcio ou em sucessão. A mais comum desta integração é o plantio de
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grãos e a recuperação ou implantação de pastagens (Secretaria de Desenvolvimento
Agropecuário e Cooperativismo – SDC)
Não se trata de uma técnica recente. Desde há muitas décadas já se praticava o
plantio de lavouras para recuperar pastagens degradadas. No entanto, atualmente,
também se pratica a ILP com o objetivo de aumentar a oferta de carne bovina.
Considerando o aumento desta prática, associada à do confinamento, verificase que a primeira barreira para a ILP é a dificuldade de o agricultor formar seus
lotes para confinamento. Isto se dá em função de que a principal atividade que ele
desenvolve é a agricultura.
Por outro lado, entende-se que este é um cenário que deverá deixar de existir,
pois, com a especialização que está chegando à atividade da pecuária de corte, todos
os ciclos deverão conseguir ofertas de todos os insumos e da principal matéria-prima
para terminação: o boi.
Acertadamente a solução indicada é um dos primeiros passos para que se consiga
harmonizar a demanda com a oferta de gado bovino para a integração lavoura pecuária, bem como para confinamento, ou seja, a realização de planejamento e parcerias
com pecuaristas próximos a sua propriedade e firmar contratos que lhes garantam o
fornecimento de animais com a necessária qualidade para a modalidade ILP.
Surge também como obstáculo a falta de conhecimento do agricultor sobre a atividade. Seguramente é um problema, porém, com facilidade será suplantado, através
da disseminação de informações através de palestras, workshops, dias de campo,
orientações através do Senar e assistência técnica especializada.
Quando a ILP é tratada no sentido de o pecuarista ser o agente desta integração,
surge a barreira caracterizada como ‘tradicionalismo’. É uma barreira, porém, de impacto menor sobre a técnica de ILP, pois a primeira avaliação a se fazer é a verificação
da aptidão de suas terras para atividades agrícolas.
Considerando a quantidade de terras que estão sendo transferidas para atividades agrícolas, pode-se estimar que o próximo cenário a se consolidar é o de que não
haverá mais áreas com aptidões agrícolas onde se possa praticar ILP, ou ainda integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).
Destarte, enquanto ocorrer a existência de tais áreas, este cenário pode ser mudado com a promoção de eventos direcionados aos pecuaristas demonstrando as vantagens da terminação de gado de corte em ILP, especialmente diante da possibilidade
da recuperação de pastagens degradadas, bem como da possibilidade de oferecer
pastagens de qualidade pela utilização da técnica a cada três anos.
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Uma séria barreira indicada se refere ao investimento inicial em máquinas,
equipamentos, implementos e investimento inicial para a adequação da área de
pasto agricultável.
Certamente que este pode ser o maior entrave para a adesão do pecuarista à ILP.
Sabe-se a que rentabilidade da pecuária não é algo de que o pecuarista se pode orgulhar e as inversões financeiras são elevadas para esta diversificação.
Entretanto, as soluções encontradas e indicadas são factíveis de se alcançar,
como a utilização de parcerias, inclusive a de arrendamento, e busca de linhas de
crédito existentes para financiamento. Sabe-se que diante de variados fatores macroeconômicos a oferta de linhas de crédito para investimento nesta área tem sido
abundante e com juros favorecidos.
Novamente surge a questão da adaptação da mão de obra a uma atividade sazonal. Isto se dá em função de que se estão testemunhando fortes movimentações
na matriz produtiva do Estado de Mato Grosso, o que se cristaliza nesta atividade de
produção agrícola com integração de pecuária.
A indicação de treinamento intensivo e capacitação programada e contínua da
mão de obra para o atendimento necessário vem como solução adequada, bem como
buscar a implantação de políticas motivacionais.
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FOTO: Rafael Manzutti
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3.4 Reforma e recuperação de pastagens degradadas
3.4.1 Diretrizes
ORD.
BARREIRAS
SOLUÇÕES ENCONTRADAS
Perfil cultural.
Desenvolver projetos demonstrativos através de dias de
campo, nos quais o pecuarista possa conhecer casos de
sucesso envolvendo técnicas e custos, bem como o aumento de renda da propriedade.
02
Elevado custo de
recuperação.
Integração com atividades agrícolas objetivando a redução
de custos; realizar planejamento adequado para recuperar
ou reformar as pastagens mediante a tomada de recursos
de programa como o ABC e/ou através de investimentos
programados, recuperar os pastos menos degradados,
permitindo o aumento da receita da fazenda.
03
Reduzidas pesquisas
de pastagens em
relação à agricultura.
Implementação pelos governos federal e estadual, através de suas instituições de pesquisas e universidades, de
estudos aplicados, regionalizados, que possam oferecer
variedades resistentes a pragas e que ofertam elevados
níveis de proteínas.
04
Visão agroextrativista
do pecuarista.
Desenvolver programas de treinamento que demonstrem
aos pecuaristas que a pastagem é um bem econômico
(bem de produção), devendo, portanto, ser objeto de inversões financeiras.
Falta de manejos
de pastagens.
Dotar as propriedades de manejo adequado com oferta de
pastagens em quantidade e qualidade necessárias, melhorar as taxas de lotação antecipadas, mudar a conceitualização de extrativismo para sustentabilidade, promover melhor
divisão de pastos e adotar a adubação das pastagens.
01
05
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3.4.2 Análise das diretrizes do tema Reforma e recuperação
de pastagens degradadas
A questão das pastagens degradadas no Estado de Mato Grosso se apresenta
como um grande óbice ao desenvolvimento de sua pecuária de corte. Certamente que
este não é um problema somente deste Estado. Por outro lado, sabe-se também que
boa parte dele está diretamente ligada ao perfil cultural do pecuarista.
O combate a esta barreira passa por ações que venham a romper as características do perfil cultural de seus produtores. Neste caso, é necessário romper com
informações como a de que pastagens adubadas não geram renda suficiente ao
seu financiamento.
Por esta razão, uma das alternativas é a realização de dias de campo, seminários
ou workshops, nos quais o pecuarista possa conhecer casos de sucesso que envolva
técnicas, custos, bem como o aumento de renda da propriedade.
Os custos de recuperação ou reforma de pastagens são de fato elevados em relação aos atuais níveis de remuneração dos fatores de produção da pecuária de corte
em Mato Grosso e no Brasil.
Entretanto, se nada for feito para dotar a propriedade rural de pecuária de corte
das condições mínimas para se manter oferta de alimentação a pasto para o rebanho
bovino, a possibilidade da manutenção do proprietário/produtor na atividade será algo
de difícil realização.
Assim, a diretriz indica que é necessário realizar planejamento apropriado tanto
para adequar, recuperar ou reformar as pastagens mediante a utilização de linhas de
financiamento com recursos do Programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC).
A questão de pesquisas nas pastagens é duramente questionada, inclusive sendo objeto de comparação com a agricultura. De fato isto historicamente é verificado. Sem sombras de dúvidas, como já citado, o perfil dos pecuaristas concorre para que isto ocorra.
Portanto é chegada a hora de os governos em todos os seus níveis, instituições
de representação de classe, universidades e outras instituições de pesquisas, atribuírem como maior prioridade o desenvolvimento de variedades e técnicas para que as
pastagens sejam recuperadas ou reformadas.
A visão agroextrativista do pecuarista surge novamente neste tema. Também é
oportuno, pois assim como na integração lavoura pecuária (ILP) este perfil do produtor
e o cenário que se cria em torno dele são verdadeiros. Vários são os fatores que o
levaram a adotar tal comportamento.
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Portanto é necessário o desenvolvimento de programas de treinamento que demonstrem aos pecuaristas que as pastagens são um bem econômico, consequentemente, um bem de produção e assim, como todo bem econômico, para continuar
produtivo necessita ser objeto de reinvestimentos.
A questão da degradação das pastagens tem, na maioria das vezes, a falta de manejo como principal responsável. Desta forma é necessário dotar as propriedades de
manejo adequado para que se possa ofertar aos rebanhos pastagens em quantidade
e qualidade necessárias.
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FOTO: Rafael Manzutti
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3.5 Sustentabilidade
3.5.1 Diretrizes
ORD.
BARREIRAS
SOLUÇÕES ENCONTRADAS
Baixa produtividade
por hectare.
Realizar ações demonstrativas de que é necessário
trabalhar com eficiência e eficácia, mostrando que alta
produtividade pode ser alcançada (produzir mais em uma
região menor), sem afetar o ambiente, evitando expansão
de novas áreas; melhorar as pastagens, minimizar o tempo
de permanência do animal em cada setor, reduzindo assim
a idade ao abate, alcançando assim a sustentabilidade
econômica e ambiental.
Planejamento inadequado das atividades.
Elaborar e executar planejamento com metas e objetivos,
com avaliação de solo, clima, estimativa de produtividade,
tipo de pastagem, manejo de pastagens, cálculo dos índices zootécnicos, planejamento certo da produção, cálculo
de alimentação animal em que o ganho médio de peso seja
mensurado e avaliado possibilitando o aumento de renda
da atividade.
Escassez de profissionais especializados.
Viabilizar a realização de estágios, implantação de projetos
científicos, incentivo, qualificação, oportunidade, melhor
remuneração. Implantar Empresa Júnior na área de Agronomia, implantar curso de Zootecnia contemplando regiões
com elevada produção de gado bovino.
04
Ambiental.
Implantar técnicas agroecológicas, respeitando a legislação
ambiental, adotando práticas sustentáveis como uso racional da água, proteção de nascentes, qualidade da água,
SAFs como base de bem-estar animal (bosque).
05
Social.
Dotar as propriedades de condições adequadas de habitabilidade, educação e trabalho e, em especial, ao cumprimento da legislação trabalhista.
06
Adequação ao novo
Código Florestal.
Preparar os produtores para atenderem as modificações
nas leis ambientais evitando restrições impostas por barreiras ambientais.
Atendimento às imposições ambientais.
Promover a redução da emissão de gases de efeito estufa
através de difusão e prática da produção em Integração
Lavoura Pecuária (ILP), Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), recuperação de áreas degradadas, bem como
a adoção de tecnologias limpas.
01
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03
07
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08
Falta de estímulos para
a sucessão familiar.
‘Exigir políticas públicas para que se viabilize a renda rural
como fator de motivação para que as próximas gerações
tenham incentivo para continuar a produzir proteínas para
a sociedade.
09
Matriz curricular contempla insuficiente carga horária para disciplinas na
área de Zootecnia para
o curso de Agronomia.
Dificuldade de realização
de estágios em propriedades de pecuária
de corte.
Readequar a matriz curricular do curso de Agronomia
aumentando a carga horária para disciplinas da área de
Zootecnia, de forma que a ementa contemple conhecimentos para aplicação na pecuária de corte aos alunos do
curso de Agronomia.
Desenvolver um cadastro de proprietários e alunos com
disposição para formalizar um contrato de estágio.
3.5.2 Análise das diretrizes do tema Sustentabilidade
A questão da produtividade ainda é um forte óbice a ser resolvido pela atividade
de pecuária de corte. Todos os temas tratados vêm apresentando barreiras ao desenvolvimento desta atividade, que culminam por denunciar que algo de grande monta
necessita ser levado a efeito.
Destarte, quando se avalia sustentabilidade na pecuária de corte em que é focada
a variável produtividade como fator de desenvolvimento, sem contar com o tamanho
do rebanho e outras variáveis como aumento do peso do boi abatido, evolução das
pastagens e ampliação da capacidade de apascentamento, poderia se chegar a um
cenário irreal da atividade.
O rebanho do Estado de Mato Grosso continua crescendo numa ordem muito superior ao crescimento das pastagens. Mas também se pode afirmar que as pastagens
estão em seu limite de capacidade de suporte.
Por isso mesmo é que as indicações encontradas para este tema devem ser implementadas, especialmente a de realização de ações demonstrativas em que se possam orientar os pecuaristas de que é necessário trabalhar com eficiência e eficácia,
mostrando que alta produtividade pode ser alcançada, sem que necessariamente seja
afetada a sustentabilidade ambiental.
É necessário nestas ações demonstrativas orientar de que dificilmente será possível o aumento de produção via expansão de novas áreas e que para tanto a melhoria
das pastagens é fundamental. Também deve ficar claro que é preciso reduzir ainda
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
mais a idade média do abate, minimizando o tempo de permanência do animal em
cada setor (ciclo) de produção.
No campus da Unemat, ocorreu também uma importante discussão a respeito da
grade curricular do curso de Agronomia. Os estudantes entendem que carecem de
maior carga horária e professores, para a disciplina de Zootecnia. Afirmam com segurança que estão sendo preparados mais para as atividades agrícolas.
Importante destacar que esta diretriz proposta foi amplamente discutida por estudantes filhos de pecuaristas que conhecem na prática a lide da atividade da pecuária de
corte. Outro registro importante que ocorreu durante os debates foram as dificuldades
que os estudantes estão tendo para fazer estágios na atividade de pecuária de corte.
Uma sugestão para solucionar o problema foi elaborar um banco de dados composto
por pecuaristas e estudantes com disposição para a prática de estágios. As instituições
de classe e as universidades provocariam o encontro dos agentes interessados.
A seguir estão classificadas por função as diretrizes obtidas nos workshops nos
quais se buscou conhecer os procedimentos para o desenvolvimento da pecuária
de Mato Grosso sob a visão de universitários e pecuaristas.
Deve-se observar que algumas diretrizes estão alocadas em mais de uma função
e isto se dá pelo fato de serem atribuições de mais de um nível de governo, ou ainda
pelo aspecto da transversalidade.
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
4 Matriz de priorização de ações
A matriz de priorização de ações é uma ferramenta de uso prático que visa facilitar
o planejamento estratégico, quando se tem muitas sugestões de ações oriundas de
trabalhos feitos em workshops. Este foi o presente caso.
Dentre os cinco temas trabalhados o capítulo 6 elenca as diretrizes sobre as quais
a Acrimat possa ter influência no direcionamento. São elas: Projetos, Ações Educacionais e Ações Institucionais.
As ações de políticas públicas federais, estaduais e municipais e as ações parlamentares, por serem mais complexas e envolverem negociações políticas, não foram
incluídas na matriz.
A matriz estabelece no seu eixo vertical a gravidade da ação, que variará, a partir
do zero, em baixa, média e alta. No eixo horizontal estabelece a urgência da ação,
que variará, a partir do zero, em baixa, média e alta. Na legenda em cores atribuem-se
o padrão preto para projetos muito difíceis e complexos, vermelho para projetos que
representam um bom desafio, e azul para aqueles que são fáceis de implementar.
As curvas separam as ondas de implementação dos projetos em primeira onda e
segunda onda.
Neste caso foram escolhidos três de cada um dos projetos, ações educacionais e
ações institucionais.
PROJETOS:
P1 - Planejamento inadequado das atividades
P2 - Complexidade na comercialização dos animais
P3 - Elevados custos com a atividade confinamento
AÇÕES EDUCACIONAIS:
AE1 - Visão agroextrativista do pecuarista
AE2 - Reduzidas pesquisas de pastagens em relação à agricultura
AE3 - Falta de capacitação dos criadores e acessibilidade às tecnologias
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AÇÕES INSTITUCIONAIS:
AI1 - Adequação ao novo Código Florestal
AI2 - Desarmonia e falta de coordenação entre os elos da cadeia da pecuária de corte
AI3 - Falta de estímulos para a sucessão familiar
GRÁFICO 7 - Priorização das ações por áreas de trabalho
As 3 principais ações foram alocadas no mapa de priorização considerando:
gravidade, urgência e facilidade de implementação
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FOTO: Rafael Manzutti
5 Sugestões de encaminhamentos
de ações oriundas das conclusões
FOTO: Rafael Manzutti
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5.1 Projetos
BARREIRAS
SOLUÇÕES ENCONTRADAS
Dotar as propriedades de manejo adequado com oferta de pastagens
em quantidade e qualidade necessárias, através da adubação das
Falta de manejo do rebanho
pastagens, Integração Lavoura Pecuária (ILP), melhoria das taxas
provocando degradação e
de lotação antecipadas de mudanças de conceitualização de extramorte súbita de pastagens.
tivismo para sustentabilidade, promover melhor divisão de pastos e
utilizar piquete maternidade com localização estratégica.
Baixa produtividade
por hectare.
Realizar ações demonstrativas de que é necessário trabalhar com
eficiência e eficácia, mostrando que alta produtividade pode ser
alcançada (produzir mais em uma região menor), sem afetar o ambiente, evitando expansão de novas áreas; melhorar as pastagens,
minimizar o tempo de permanência do animal em cada setor, reduzindo assim a idade ao abate, alcançando assim a sustentabilidade
econômica e ambiental.
Realizar exames andrológicos e ginecológicos; melhorar a alimentação dos machos e fêmeas ao definir o período da estação de monta;
Baixa eficiência reprodutiva. promover o desmame precoce e a liberação da matriz à reprodução,
descartar as fêmeas com problemas de fertilidade após a estação
de monta.
Dificuldades na aquisição
de animais.
Realizar planejamento envolvendo estudos para avaliação dos custos
na aquisição de animais com qualidade genética, logística de transporte em relação à aquisição e abate dos animais, e observando a
situação sanitária do rebanho.
Elevados custos com
a atividade.
Planejamento e controle da compra de insumos e utilização de mão
de obra envolvida na atividade, bem como dos custos para a manutenção dos animais confinados.
Associação de produtores para comercialização em escala, bem
Complexidade na comerciacomo utilização de derivativos da BM&F travando preços no Mercado
lização dos animais.
Futuro.
Dificuldade de manejo
dos animais.
Homogeneização dos lotes de animais, adaptando-os às dietas e
praticando adequado manejo de cocho, observando as frequências
de fornecimento promovendo a redução do período de confinamento.
Elevada utilização de
caroço do algodão.
Pesquisar e normatizar os níveis aceitáveis deste resíduo para que
não comprometa a qualidade e palatabilidade da carne.
Elevado custo de
recuperação.
Integração com atividades agrícolas objetivando a redução de custos;
realizar planejamento adequado para recuperar ou reformar as pastagens mediante a tomada de recursos de programa como o ABC e/
ou através de investimentos programados recuperar os pastos menos
degradados, permitindo o aumento da receita da fazenda.
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
Reduzidas pesquisas de
pastagens em relação à
agricultura.
Implementação pelos governos federal e estadual, através de suas
instituições de pesquisas e universidades, de estudos aplicados,
regionalizados, que possam oferecer variedades resistentes a pragas
e que ofertam elevados níveis de proteínas.
Falta de manejos de
pastagens.
Dotar as propriedades de manejo adequado com oferta de pastagens em quantidade e qualidade necessárias, melhorar as taxas
de lotação antecipadas, mudar a conceitualização de extrativismo
para sustentabilidade, promover melhor divisão de pastos e adotar a
adubação das pastagens.
Planejamento inadequado
das atividades.
Elaborar e executar planejamento com metas e objetivos, com avaliação de solo, clima, estimativa de produtividade, tipo de pastagem,
manejo de pastagens, cálculo dos índices zootécnicos, planejamento
certo da produção, cálculo de alimentação animal em que o ganho
médio de peso seja mensurado e avaliado possibilitando o aumento
de renda da atividade.
Ambiental.
Implantar técnicas agroecológicas, respeitando a legislação ambiental, adotando práticas sustentáveis como uso racional da água, proteção de nascentes, qualidade da água, SAFs como base de bem-estar
animal (bosque).
Social.
Dotar as propriedades de condições adequadas de habitabilidade, educação e trabalho e, em especial, ao cumprimento da
legislação trabalhista.
Adequação ao novo Código Preparar os produtores para atenderem as modificações nas leis amFlorestal.
bientais evitando restrições impostas por barreiras ambientais.
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5.2 Ações de políticas públicas
5.2.1 Municipais
BARREIRAS
SOLUÇÕES ENCONTRADAS
Impacto ambiental
da atividade.
Tratamento e disposição adequada dos resíduos, com a exploração
da geração de bioenergia tendo como base o gás metano gerado,
aumentando a receita da atividade.
Atendimento às
imposições ambientais.
Promover a redução da emissão de gases de efeito estufa através de
difusão e prática da produção em Integração Lavoura Pecuária (ILP),
Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), recuperação de áreas
degradadas, bem como a adoção de tecnologias limpas.
5.2.2 Estaduais
BARREIRAS
SOLUÇÕES ENCONTRADAS
Falta de infraestrutura de
logística de transporte.
Propor aos governos a inclusão de obras públicas nas regiões produtoras da bovinocultura de corte.
Descapitalização do setor.
Revisão da política fiscal dos governos estadual e federal em relação aos insumos, máquinas, equipamentos e implementos, além da
obtenção de melhores resultados dos seus negócios na atividade da
pecuária de corte. Viabilização de acesso às linhas de créditos com
juros favorecidos.
Deficiência no manejo
sanitário.
Adoção de um plano mínimo de manejo sanitário. Detecção de causas
de aborto ou reabsorção embrionária, manejo profilático (mesmo quando não obrigatório) e utilização das práticas de conforto animal (adultos
e cria) através do uso de instalações adequadas, bosques, etc.
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
Baixa qualidade das
fêmeas e crias.
Critérios de seleção bem definidos com relação à realidade do sistema de produção; acasalamento dirigido de reprodutores mais adequados para grupos de fêmeas favorecendo a produção de progênie mais
adequada ao sistema de produção (correção de aprumos, melhoria
na conformação, etc.). Uso de touros provados e adequados ao conjunto de matrizes.
Falta de planejamento
nutricional.
Vedação de pastagens, estratégias de suplementação conforme época do ano. Ensilagem, estratégias de suplementação, uso de creepgrazing e banco de proteínas e aproveitamento de agrorresíduos.
Problemas sanitários.
Utilização de vacina contra pneumonia e outros manejos sanitários.
Perfil cultural.
Desenvolver projetos demonstrativos através de dias de campo, nos
quais o pecuarista possa conhecer casos de sucesso envolvendo
técnicas e custos, bem como o aumento de renda da propriedade.
5.2.3 Federais
BARREIRAS
SOLUÇÕES ENCONTRADAS
Descapitalização do setor.
Revisão da política fiscal dos governos estadual e federal em relação aos insumos, máquinas, equipamentos e implementos, além da
obtenção de melhores resultados dos seus negócios na atividade da
pecuária de corte. Viabilização de acesso às linhas de créditos com
juros favorecidos.
Falta de infraestrutura de
logística de transporte.
Propor aos governos a inclusão de obras públicas nas regiões produtoras da bovinocultura de corte.
Incentivar a prática de melhoramento genético, promovendo o acesso
Falta de investimentos em
a financiamento público através dos diversos programas existentes,
melhoramento genético dos
objetivando a melhoria do rebanho que permitirá fazer frente ao invesrebanhos.
timento realizado.
Falta de estímulos para a
sucessão familiar.
Exigir políticas públicas para que se viabilize a renda rural como fator
de motivação para que as próximas gerações tenham incentivo para
continuar a produzir proteínas para a sociedade.
Investimento inicial em
máquinas, equipamentos e
Utilizar-se de parcerias, inclusive a de arrendamento, e buscar linhas
implementos e investimento
de crédito existentes para financiamento.
inicial para adequação da
área de pasto agricultável.
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5.3 Ações Parlamentares
BARREIRAS
Descapitalização do setor.
SOLUÇÕES ENCONTRADAS
Revisão da política fiscal dos governos estadual e federal em relação aos insumos, máquinas, equipamentos e implementos, além da
obtenção de melhores resultados dos seus negócios na atividade da
pecuária de corte. Viabilização de acesso às linhas de créditos com
juros favorecidos.
Investimento inicial em
máquinas, equipamentos e
Utilizar-se de parcerias, inclusive a de arrendamento, e buscar linhas
implementos e investimento
de crédito existentes para financiamento.
inicial para adequação da
área de pasto agricultável.
Atendimento às
imposições ambientais.
Promover a redução da emissão de gases de efeito estufa através de
difusão e prática da produção em Integração Lavoura Pecuária (ILP),
Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), recuperação de áreas
degradadas, bem como a adoção de tecnologias limpas.
5.4 Ações Educacionais
BARREIRAS
SOLUÇÕES ENCONTRADAS
Falta de capacitação dos
criadores e acessibilidade
às tecnologias.
Desenvolver um programa de capacitação envolvendo o Senar regional,
as universidades públicas e buscar parceiros de outros setores para a
introdução de tecnologias neste ciclo da produção bovina de corte.
Visão agroextrativista
do pecuarista.
Desenvolver programas de treinamento que demonstrem aos pecuaristas que a pastagem é um bem econômico (bem de produção),
devendo, portanto, ser objeto de inversões financeiras.
Falta de mão de obra.
Capacitação e treinamento com cursos especializados na área
abrangendo aspectos de manejo, nutricionais e operacionais
para maquinários.
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
Falta de conhecimento do
agricultor com a atividade.
Disseminação de informações através de palestras, workshops,
dias de campo, orientações através do Senar e assistência técnica
especializada.
Tradicionalismo.
Promover eventos direcionados aos pecuaristas demonstrando as
vantagens da terminação de gado de corte em integração lavoura
pecuária (ILP), especialmente diante da possibilidade da recuperação
de pastagens degradadas, bem como da possibilidade de oferecer
pastagens de qualidade pela utilização da técnica a cada 3 anos.
Dificuldade na readaptação
da mão de obra.
Treinamento intensivo e capacitação programada e contínua da mão
de obra para o atendimento necessário. Estabelecer políticas de participação nos resultados.
Perfil cultural.
Desenvolver projetos demonstrativos através de dias de campo, nos
quais o pecuarista possa conhecer casos de sucesso envolvendo
técnicas e custos, bem como o aumento de renda da propriedade.
Reduzidas pesquisas de
pastagens em relação à
agricultura.
Implementação pelos governos federal e estadual, através de suas
instituições de pesquisas e universidades, de estudos aplicados,
regionalizados, que possam oferecer variedades resistentes a pragas
e que ofertam elevados níveis de proteínas.
Escassez de profissionais
especializados.
Viabilizar a realização de estágios, implantação de projetos científicos, incentivo, qualificação, oportunidade, melhor remuneração.
Implantar Empresa Júnior na área de Agronomia, implantar curso
de Zootecnia contemplando regiões com elevada produção de
gado bovino.
Atendimento às
imposições ambientais.
Promover a redução da emissão de gases de efeito estufa através de
difusão e prática da produção em Integração Lavoura Pecuária (ILP),
Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), recuperação de áreas
degradadas, bem como a adoção de tecnologias limpas.
Adequação ao novo
Código Florestal.
Preparar os produtores para atenderem as modificações nas leis ambientais evitando restrições impostas por barreiras ambientais.
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5.5 Ações Institucionais
BARREIRAS
SOLUÇÕES ENCONTRADAS
Dificuldades na comercialização e baixo preço do
bezerro.
Garantia de mercado e preço do bezerro através de contratos envolvendo os setores primário e secundário da cadeia da bovinocultura de
corte tendo como pressuposto a valorização da qualidade.
Desarmonia e falta de coordenação entre os elos
da cadeia da pecuária
de corte.
Estabelecimento de parcerias e alianças que favoreçam e criem
ambientes de negócios onde as transações possam ser suportadas
por contratos.
Impacto ambiental
da atividade.
Tratamento e disposição adequada dos resíduos, com a exploração
da geração de bioenergia tendo como base o gás metano gerado,
aumentando a receita da atividade.
Associação de produtores para comercialização em escala, bem
Complexidade na comerciacomo utilização de derivativos da BM&F travando preços no Mercalização dos animais.
do Futuro.
Dificuldade de o agricultor
formar lotes para
confinamento.
Realizar planejamento e parcerias com pecuaristas próximos a sua
propriedade e firmar contratos que lhes garantam o fornecimento de
animais com a necessária qualidade para a modalidade de integração lavoura pecuária (ILP).
Perfil cultural.
Desenvolver projetos demonstrativos através de dias de campo, nos
quais o pecuarista possa conhecer casos de sucesso envolvendo
técnicas e custos, bem como o aumento de renda da propriedade.
Escassez de profissionais
especializados.
Viabilizar a realização de estágios, implantação de projetos científicos, incentivo, qualificação, oportunidade, melhor remuneração.
Implantar Empresa Júnior na área de Agronomia, implantar curso
de Zootecnia contemplando regiões com elevada produção de
gado bovino.
Ambiental.
Implantar técnicas agroecológicas, respeitando a legislação ambiental, adotando práticas sustentáveis como uso racional da água, proteção de nascentes, qualidade da água, SAFs como base de bem-estar
animal (bosque).
Social.
Dotar as propriedades de condições adequadas de habitabilidade,
educação e trabalho e, em especial, ao cumprimento da legislação
trabalhista.
Adequação ao novo
Código Florestal.
Preparar os produtores para atenderem as modificações nas leis ambientais evitando restrições impostas por barreiras ambientais.
Falta de estímulos para a
sucessão familiar.
Exigir políticas públicas para que se viabilize a renda rural como fator
de motivação para que as próximas gerações tenham incentivo para
continuar a produzir proteínas para a sociedade.
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
Referências
1 - Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp). Agronegócio Brasileiro,
2008. Disponível no site: http://www.fiesp.org.br
2 - Moacyr Bernardino Dias-Filho.
Características Importantes da Pecuária Brasileira, 2008. Disponível no site: http://
diasfilho.com/palestras
3 - Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC)
Manual de Integração Lavoura Pecuária. Disponível no site: http://www.agricultura.
gov.br
4 - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Anuário Estatístico do Brasil,
2011. Volume 71.
5 - Borges, F.T.M. Do Extativismo a Pecuária, Algumas Observações.
6 - Luís Carlos Meister e Altair Dias de Moura. Diagnóstico da Cadeia Produtiva Agroindustrial da Bovinocultura de Corte. 2007.
7 - Associação Nacional dos Confinadores do Brasil (Assocon). Uso do caroço de algodão na pecuária e sua Influência no sabor da carne. Disponível no site: http://www.
beefpoint.com.br
8 - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Produção da Pecuária Municipal, 2011. Disponível no site: http://www.ibge.gov.br
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
Anexos
ANEXO 1 - Colaboradores Pontes e Lacerda
Crislaine M de S. Santos
Raquel Joana Trautmann Machado
Dilma Alves da Silva
Elissandra Silva Basílio
Débora Masuti Santana Rosa
Dalila Pereira Soares
Juliana Eloy paixão Oliveira
Noêmia Andreza de A. Paiva
Elizane Andrade Campos
Elói Marcolin
Irineu Chicarolli
Camila de Silva Souza
Andréa M.C. de Almeida
Geisa Carla S. dos Santos
Evaldo M. Parra
Cristiano Alvarenga de Souza
Gabriel Celidonio
Ruth E. Santos
Luiz Eduardo Cantão Veloso
Ednalda Martins de Oliveira
Edimar Barbosa de Oliveira
Pablo Rodrigo Muniz
Diogo Oliveira Rocha
Antonio Carlos Sabino Filho
Erik R. Ferreira
Diego Camargo dos Santos
Ismaily Rezende
Jonas Lobato
Renata Lima
Rodrigo Pacheco
Samara Borges
Cassia Joel Mineto
Helaine Fernanda
Eldania Soares Ferreira
Rafael Anderson
Mariella Alves
Antonio Rolis
Vagner Jean Barbosa Inocencia
Thiago Wilton Kaepp Muniz
Luiz Carlos Monteiro da Silva
Ronan Levy
Ronivaldo Dias Gomes
Kenedy Correa de Moraes
Luiz Juliano V. Geron
Jocilaine garcia
Josemir Piovesan
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DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
ANEXO 2 - Colaboradores Cáceres
Marcus Vinicus Moreira de Melo
Natan Santos Bastos
Jareni Pereira Togo
Eduardo Godoy
Marcus Vinícius Pádua
Nayaro Renero Barbosa
Maria Camila Oliveira Ferreira
Weverton Moraes Leite
Débora S. de Moraes
Sara Macedo
Aline Ellen Venancio
Alanagrand da Silva Muniz
Erick Marinho Samogim
Magnum Nascimento Cuiabano
Raphael Ranzani
Guilherme Santana da Silva
Gabriel Andrade
Guilherme Koch
Vinícius Novaes do Amaral
Nustania dos Santos da Silva
Cassiano Cremom
Cristiane Diniz
Felipe Martini
Fernando Lamon
Daiane Leticia Alves
Thaisa Coutinho Ribeiro
Matheus Hentique Viola
68
Alisson Henrique Braga
Guilherme Duarte
Kamila Mara F. de Lima
Joziane da Cruz Mendonça
Dania Cardoso F. da Silva
Carolina de Paula Ferreira
Milton de Paula Ferreira Jr.
Emanuel Moron Pereira leite
Lucas José Lente
Arthur Pedro dias de Oliveira
Genisllan Toledo
Roberto Fernandes Correa
Nathalia Araújo
Thallita Guimarães
Renan Salomão
Thiago Dias
Renan de Azevedo paula
Lucilene da Silva Castro
Nyellen Costa ferreira
Jonathan E. Nogueira
Jefferson W. da S. Correa
Francielly da Silva de Souza Dias
Wictor Zumack Salles
Daniella Garcia de Oliveira
Valdomiro José Coelho
João Batista de Souza Dias
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
ANEXO 3 - Colaboradores Sinop
Heivanor senh
Douglas Emerick Knupp
Tiago Adriano Simioni
Libini Bendler Rodrigues
Douglas dos Santos Pina
Natália K paiva
Geferson Antonio Fernandes
Leonardo Antonio Botini
Ubiara Henrique G. Teixeira
Diego Cordeiro de Paula
Rafael Soares
Jéssica Coutinho da Silva
Tainara Cristina Reis Verri Urives
Leandro Cazelli Alencar
Kamila Andreatta
Giovane nunes Silva
Lucas Maciel Gomes Olini
Fagner junior Gomes
Rafael Souza Almodovar
Claudio Jonasson Mousquer
Celma Palhani
Wilson A. Martinelli
Claudio V. de A.
Eduardo Henrique Moraes
Helio Stinguel
Adriano Borges Cardoso
Cleber Vanderson Bravo Magalhães
Mircéia Angele Mombach
Alvair Hoffmman
Manuel P. H. Donelles
Josiana Cavalli
Antonio Carlos Buchett
Bruno Henrique R. Gonçalves
Daniel de Meneses
Marcos Demicheli
Giordani Ferraz Marogno
Anna Karolina Santos Silva
Maira lais Both Bourscheudt
Anderson Lange
Marcelo Miguel
ANEXO 4 - Colaboradores Alta Floresta
Vanessa Ferreira de Souza
Soraia Olivastro Teixeira
Ligia Lopes Leandro
Meridiana Canabarro Ritter
Marlon Adriano Arenhardt
Arien Nava
Cristiano da Veiga Ottonelli
Danilo de La Queyffer da Silva Gonçalves
Josivan de Sá da Mascena
Gilberto de Almeida Seba
Maykon Takahasi
Roseane Marinho
Lucas Barella
Robson Henrique da Silva
Carlos José Cardoso
Mariely Lopes dos Santos
Cleverson Meurer Gomes
Bruno Pereira Diniz
Tiago Henrique Pires
Vanessa Bezerra dos Santos
69
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
Eduardo Teixeira Maia
Marlon Anderson Marcondes
Bruna Zonta de Brito
Hugo Fernandes Volpe Bravo
Suelen Vivien de Andrade
Franciande Cazelato Costa
Robson Lima Souza
Pedro Luiz Botaro Mancuzzo
Ary Antunes de Lima Neto
Francisco Rogério Beckmann
Henrique Lehrbach
Isadora Avanci Belido
Nathaly Panassol da Sival
Katia Karolini Mesnerovicz
Bruna Sacchi
Adriano Maltezo da Rocha
Cristian de Paula Nunes
Watson Costa Santos
Maykon A. dos Santos
Pedro Julio Pelegrini
Mauricio Arruda
Elton Douglas R. Mendes
Duilhio da Silva Loures
Humberto Felipe Celanti
Valcleir Nunes
ANEXO 5 - Colaboradores Nova Xavantina
Ana Flavia Gomes e Silva
Jorge Enan Brande Horlenurerger
Juliana Fonseca de Moura
Priscilla Guimarães Dalla Costta
Letícia Bach Dias
Vanessa Nunes de Abreu
Jakeline Pinheiro
Janaina Andrade Viana
Isabella Aires Brito
Naroah Caroline Fonseca
Camila Candida de Jesus
Douglas Ferreira de Souza
Rafael de Almeida Montilli
Amarildo Campos Luz
Renata del Carratore Carneiro
Luiza Aires Brito
Whatilla Moreira de Jesus
Gianni Queiroz Haddad
Eder Reinaldo Leigh Gotz
70
Jessica Morgana Santos
Dieter Gustavo Peter
Larissa Rodrigues Araujo
Arthur Vilela Ribeiro
Geuzimar O. Souza
Neuzilene das Graças Rossi
Arthur Vinicius de Siqueira Souza
Gerson Luis Erpen
Nelci Miranda de Azevedo
Andre Luiz de Barros
Alex Castro Souza
Guilherme G. Vilela
Larissa Alves de Souza
Sonia França Costa
Duana Viana Ramos
Taylaine L. Rodrigues
Cristiane Borges Caetano
Hugo E. da Silva Aguiar
Ana Heloisa Maia
DIRETRIZES PARA O DESENVOLVIMENTO DA PECUÁRIA DE CORTE DE MATO GROSSO - VISÃO DE UNIVERSITÁRIOS E PECUARISTAS
Vinicius O. Silva
Brunno Henrique N. S. da Silva
Vinicius Gabriel Fernandes Boechat
Thiago Sales Silva
Ana Paula Pinheiro Zorotin
ANEXO 6 - Colaboradores Tangará da Serra
José Roberto Rambo
Dydmo Vasconcellos
Kain Daniel Prestes da Silva
Angelica Danieli Furlanetto
Wellington Costa Medrado
Thiago Cugresto C. dos Santos
Alex Michelau Policarpo da Silva
Raul Wilson Andrade
Paulo Cesar Bittencourt de Carvalho
Thais Lohaine Braga dos Santos
Ezequiel Ermita
Esdras da Silva Santos
Joao Paulo Ascari
Ines Roeder Nogueira Mendes
Emily Tayna Alves Simon
Eldo Sá Correa Filho
Fabio da Silva Melo
Jose Renato Meireles
Mirian Simon
Jurandir Ambrosio
Felice Maciel de Azevedo
Adriano Paetzold Marafon
Giovani Junior Bagatini
Luiz Augusto do Amaral
Oliane Cristina de Souza
Nayara Fernanda Fratta
Vinicius Ricardo Eidt
Eugenio Carlos Queiroz Junior
Tulio Martine Santos
Saulo Mendes
Tacyane N. Ramos de Souza
Guilherme Augusto Castelli Vieira
Ronaldo Coutinho Ribeiro
Maria Carolina Vilhena Meirelles
Amanda Viana Campos
Heullon Diogo de Oliveira Ramos
Gean R. Nascimento
Leandro Rafael Fachi
Cleiton Lopes da Silva
Romeria C. Rocha
Ocimar Edson de Oliveira
Weverson de Jesus Lima
Joao Pedro Rigui Trentin
Alex Michellan Policarpo
Eduarda Patricia Moreira Santos
Thomas Edson Fregoneze
Eduardo Souza Costa
Airton Guimaraes Botaro Junior
71
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de Mato Grosso
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