A INTERAÇÃO ENTRE O RURAL E O URBANO VISTA ATRAVÉS DO PROCESSO SUCESSÓRIO NA AGRICULTURA FAMILIAR DO OESTE CATARINENSE E DO LESTE MINEIRO1 Ana Louise de Carvalho Fiúza2 Adriana Maria da Silva Costa3 Maria Helena Furtado Santiago4 Neide Maria de Almeida Pinto5 Sheila Maria Doula6 1 Introdução Historicamente a oposição campo-cidade serviu para essencializar o espaço dentro de modelos cristalizados, opostos e excludentes. Falar de cidades-rurais associando e interrelacionando os espaços só foi possível, muito recentemente, na segunda metade do Século XX, com o desenvolvimento das tecnologias da comunicação e dos meios de transporte paralelamente à globalização da economia, com os seus fenômenos de localismo-globalizado e globalismo-localizado, que reduziram as fronteiras entre os espaços. A característica básica usada tradicionalmente para distinguir o rural e o urbano, segundo Kageyama (2008) foi o critério ocupacional: o mundo rural foi, durante séculos, considerado o mundo das atividades e ocupações agrícolas, realizadas em um ambiente predominantemente natural, com comunidades e densidade populacional menor, bem como menor divisão do trabalho, menor número de contato entre as pessoas e menor possibilidade de mobilidade social. Esta visão de uma nova ruralidade é fruto dos fenômenos de interdependência entre os espaços rurais e os centros urbanos. Pretendemos, neste artigo, explicitar diferentes facetas desta interdependência, a partir da análise desta inter-relação em contextos 1 Trabalho apresentado no VIII Congresso Latinoamericano de Sociologia Rural, Porto de Galinhas, 2010 com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 2 Professora Adjunta do Departamento de Economia Rural – Universidade Federal de Viçosa (UFV) Brasil. Líder do GERAR – Grupo de Estudos Rurais: Agriculturas e Ruralidades. [email protected] 3 Mestranda em Extensão Rural - Departamento de Economia Rural - Universidade Federal de Viçosa(UFV) Brasil. Membro do GERAR – Grupo de Estudos Rurais: Agriculturas e Ruralidades E-mail: [email protected] 4 Mestranda em Extensão Rural - Departamento de Economia Rural – Universidade Federal de Viçosa (UFV) Brasil. Membro do GERAR – Grupo de Estudos Rurais: Agriculturas e Ruralidades Email: [email protected] 5 Doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC/SP. Universidade Federal de Viçosa, Brasil. [email protected] 6 Doutora em Antropologia pela Universidade de São Paulo, USP/SP. Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais – Brasil. [email protected] socioespaciais com dinâmicas campo-cidade diferenciadas. Analisaremos, inicialmente, a relação campo-cidade na Zona da Mata Mineira, em uma região marcada pela tendência ao êxodo, nos anos 2000, contrapondo-a ao cenário do Oeste de Santa Catarina, marcado pelo crescimento da população economicamente ativa no meio rural. Enfocaremos especificamente, os efeitos de tais dinâmicas sobre o processo sucessório no meio rural, em virtude deste processo estar atrelado ao modelo de desenvolvimento que se estabelece em cada região. Modelos de desenvolvimento territorial mais marcados pela intersetorialidade e pela expressividade do capital social configuram um campo de possibilidades de reprodução social das unidades produtivas familiares diferenciado em relação aqueles em que não há uma dinâmica territorial marcada pela proximidade entre os setor primário, secundário e terciário da economia. 2 A relação campo-cidade em Minas Gerais A fim de percebermos de forma mais clara a dinâmica socioeconômica em cidades rurais em Minas Gerais realizamos nossa pesquisa em Leopoldina, cidade situada na Zona da Mata mineira. Esta cidade foi escolhida por apresentar uma forte tradição leiteira mantida pelos agricultores familiares. Leopoldina como tantos outros municípios mineiros até a década de 90 apresentava-se como uma cidade com baixa atratividade urbana, cenário que foi modificado na década seguinte, nos anos 2000. No estudo sobre os impactos socioeconômicos resultantes do fenômeno de migração rural no estado de Minas Gerais realizado por Santiago et al. (2009)7, os dados apontaram que 7 Para realização desta pesquisa sobre o êxodo nos municípios foram utilizados dados secundários do censo demográfico de 1991 e 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA. Em 1991, as cidades com maior tendência ao êxodo encontravam-se nas mesorregiões consideradas mais pobres do estado, como Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri, Vale do Rio Doce e Norte de Minas, estas pessoas partiam do campo para a cidade na expectativa de uma melhoria da qualidade de vida. Para o ano de 2000 o quadro se reverteu, as cidades das mesorregiões citadas anteriormente passaram a se tornar de tendência de permanência no campo. Percebe-se, também, que as cidades em que a população mais cresce são aquelas com alto desenvolvimento econômico: Divinópolis, Governador Valadares, Ipatinga, Juiz de Fora, Montes Claros, dentre outras, que oferecem opções diversificadas de emprego, melhores serviços de saúde e educação. Os rendimentos rurais médios permaneceram inferiores aos rendimentos urbanos, apesar do rendimento rural ter aumentado; menor demanda por mão-de-obra no campo, enquanto na cidade houve aumento; busca de melhoria da qualidade de vida na cidade através do acesso à educação e saúde, mostrando que a baixa remuneração da agricultura, combinada com a atração das cidades está levando ao esvaziamento dos campos. o município de Leopoldina apresentava baixa atratividade urbana, alto desenvolvimento socioeconômico e médio potencial de permanência no campo para o ano de 1991, sendo classificado no grupo de municípios de „Tendência ao campo‟ por possuir um conjunto de variáveis mais favorável a vida no campo que na cidade, em termos de: rendimentos rurais, rendimentos urbanos, expectativa de vida até 60 anos, população residente no meio rural versus Urbano, População Economicamente Ativa Rural versus Urbana, área Plantada, renda per capita, % de alfabetizados de 15 ou mais anos. A seguir apresentamos um quadro com a tipologia criada para classificar os municípios mineiros, segundo o seu grau de tendência ao campo ou a cidade. Tabela 1: Tipologia dos municípios mineiros segundo a tendência ao campo ou a cidade. TIPOS DE MUNICÍPIO INDICADORES DO TIPO DE RELAÇÃO RURAL-URBANO PRESENTES NO MUNICÍPIO Com baixo êxodo Baixa a média atratividade urbana, baixo a alto desenvolvimento socioeconômico e alto potencial de permanência no campo. Com tendência ao campo Baixa a média atratividade urbana, baixo a alto desenvolvimento socioeconômico e médio potencial de permanência no campo. Com tendência ao êxodo Média atratividade urbana, baixo a alto desenvolvimento socioeconômico e médio a baixo potencial de permanência no campo. Com alto êxodo Alta atratividade urbana, médio desenvolvimento socioeconômico, e médio a baixo potencial de permanência no campo. Já em 2001, o município de Leopoldina manteve o seu desenvolvimento socioeconômico, mas o seu potencial de permanência no campo baixou, passando o município a ser classificado como de „Tendência ao êxodo‟, tal como aconteceu em um significativo número de municípios mineiros entre 1990 e 2001, como pode ser visto nos mapas e no quadro que se segue. Figura 1 – Tipologia dos municípios mineiros em 1991, segundo a sua tendência ao campo ou a cidade. Fonte: Resultados da pesquisa, 2009. Figura 2 – Tipologia dos municípios no ano de 2001, segundo a sua tendência ao campo ou a cidade. Fonte: Resultados da pesquisa, 2009. Tabela 2 – Distribuição dos municípios mineiros, em 1991 e 2001 segundo a sua tendência ao campo ou a cidade. ANO BAIXO ÊXODO TENDÊNCIA AO CAMPO TENDÊNCIA AO ÊXODO ALTO ÊXODO 15 420 272 11 1,8% 65,1% 31,9% 1,3% 45 237 425 11 5,3% 27,8% 65,7% 1,3% /SITUAÇÃO 1991 2000 Fonte: Resultados da pesquisa, 2009. Tabela 3: Média de pessoas no campo e na cidade em 1991 e 2000, em Minas Gerais. ANO /SITUAÇÃO 1991 2000 CAMPO CIDADE 5.425 12.843 3.092 15.705. Fonte: Resultados da pesquisa, 2009. Embora observemos nos mapas e quadros anteriormente apresentados que houve um aumento do número de municípios marcados pelo “baixo êxodo” e tenha se mantido estável o número de municípios mineiros com “alto êxodo”, diminuiu acentuadamente o número de municípios com “tendência ao campo”. É neste grupo de municípios com “tendência ao campo” que Leopoldina se encontra. Segundo dados do IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a contagem de 2007 apresentou o Município de Leopoldina com 49.915 habitantes, assim distribuídos: 43.494 na zona urbana e 6.421 na zona rural. Sua localização mostra uma proximidade com centros urbanos de médio porte como: Cataguases, a 22 km; Ubá, a 92 km; Muriaé, a 65 km; e Juiz de Fora, a 115 km. Assim, o escoamento da produção é amplamente favorecido. Figura 3: Mapa político de Minas Gerais com destaque para o município de Leopoldina. O desenvolvimento de Leopoldina esteve ligado, em sua fase inicial, à expansão da cultura cafeeira. Quando os cafezais deixaram áreas apreciáveis de terras cansadas, a escolha quanto a melhor maneira de aproveitá-las foi direcionada para o desenvolvimento da pecuária extensiva. Atualmente, Leopoldina tem na agropecuária, destaque para a atividade leiteira, e na indústria, uma dinâmica marcada pela presença de micro e pequenas empresas. Leopoldina se destacou dos demais municípios da região por produzir o correspondente a 30,9% da quantidade total de leite da microrregião de Cataguases comparada aos demais municípios da região, os quais estão abaixo do patamar de 10%. Esta hegemonia na produção traduz a importância da pecuária de leite como fonte de renda para os produtores do município 8. Interessanos, portanto, nesta pesquisa, analisar a influência dos fatores culturais e econômicos para a continuidade da produção de leite nas unidades produtivas familiares. Recentemente, o turismo rural em Leopoldina tem se desenvolvido. A cidade é sede do Circuito Serras e Cachoeiras mineiras. Mantém no distrito de Piacatuba, o Museu da 8 A sede municipal tem uma altitude de 210 m e com clima dominante tropical, quente e úmido. As chuvas concentram-se no período de outubro a março. A estação seca dura de quatro a cinco meses e coincide com os meses mais frios. A temperatura média anual é de 22,3ºC e a temperatura máxima ultrapassa 35ºC no verão. Eletricidade, próximo à Usina Maurício, com pescaria, lancha e jet ski onde se realizam festivais gastronômicos e de viola. O distrito de Abaiba foi berço do cavalo Mangalarga Marchador ,linhagem Abaíba reconhecido nacionalmente. É tradicional ainda no município de Leopoldina a Feira Regional de Artesanato e a Feira da Paz - FERARPFeira geral de âmbito regional, com cerca de 150 expositores para a divulgação de produtos e/ou serviços do tipo artesanal e de comidas típicas, aberta ao público semanalmente e Exposição agropecuária e industrial com Exposição de Gado e Especializada da Linhagem Abaíba- Exposição setorial de âmbito nacional. A vida citadina de Leopoldina oferece possibilidades de acesso à educação superior em três instituições, sendo duas particulares, que juntas perfazem um total de dez cursos superiores voltados para a área da educação, da saúde, do direito e da administração, e uma unidade do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, CEFET/MG com cinco cursos direcionados ao desenvolvimento industrial. Os jovens do município costumam se deslocar diariamente em busca de outros cursos nas cidades vizinhas como Cataguases e Muriaé. Ressaltamos que somente no inicio de 2010 iniciou um curso ligado às Ciências Agrárias na cidade de Muriaé, oferecido pelo Instituto Federal de Educação Tecnológica IF-Sudeste, o qual está em fase de implantação e outro, na mesma área, em Leopoldina, oferecido por uma Instituição Privada. Ainda em relação à prestação de serviços a população tem acesso à saúde no município em hospitais e clínicas e em Muriaé encontra-se um hospital de tratamento de câncer que é referência nacional. No desenvolvimento da pesquisa em Leopoldina procuramos perceber os efeitos da mudança de configuração, de um município de “tendência ao campo”‟ para um de “tendência ao êxodo” sobre o processo sucessório nas unidades familiares produtoras de leite. Nossa amostra de produtores rurais entrevistados foi formada por gestores familiares na faixa dos 56 anos, os quais assumiram a propriedade na qual vivem por volta dos 29 anos, época em que constituíram família. Como era de se esperar a escolaridade dos filhos dos produtores entrevistados era maior que a deles: os filhos e filhas possuíam escolaridade em nível médio. As esposas, assim como os filhos se envolviam mais com a produção leiteira nos estratos de maior produção que os de menor. A presença dos filhos foi mais significativa do que a da esposa em todos os estratos. O número de filhos vivendo no campo foi menor que na cidade, principalmente, nos estratos de menor produção. No tocante a composição da renda dos agricultores familiares pesquisados, evidenciou a importância da aposentadoria seguida pela renda advinda da pecuária leiteira. A atividade leiteira praticada em Leopoldina utilizava a terra de forma extensiva, o que tornava a terra um valor central e a herança uma estratégia de preservação do patrimônio familiar com um ou dois filhos como gestores. A tecnologia utilizada na produção leiteira era baixa, com animais meio sangue, utilização de monta natural, baixa oferta de volumoso, ausência de suplementação alimentar, aleitamento natural para o bezerro, ordenha manual realizada uma única vez ao dia, ausência de controle zootécnico e de planilha de custo na administração da propriedade. Todos estes indicadores caracterizam uma prática produtiva ainda não marcada pela racionalidade produtiva, com forte preponderância do conhecimento passado de geração para geração. A alteração tecnológica mais significativa na produção de leite ao longo dos anos se deu, segundo os produtores rurais por força da Normativa 51, que aumentou as exigências em torno da qualidade do leite. A Embora os produtores rurais manifestassem uma avaliação negativa da atividade leiteira, a grande maioria dos entrevistados manifestou a disposição em mantê-la ou aumentá-la, em função da sua geração de renda mensal e da possibilidade de poupança para o futuro através da recria de bezerros. No tocante ao significado da unidade produtiva familiar para os possíveis sucessores observou-se que a condição de produtor rural não estava indissoluvelmente ligada a atividade leiteira, mas ao modo de vida camponês e a importância da manutenção do patrimônio familiar. Neste sentido, o baixo nível tecnológico da atividade leiteira não se mostrou como constituindo um fator restritivo a reprodução do modo de vida do agricultor familiar, mesmo porque a renda obtida fora da unidade produtiva familiar se mostrou importante na reprodução das famílias. No que diz respeito a uma possível especificidade da atividade leiteira, a pesquisa demonstrou que a renda mensal e a possibilidade de poupança a longo prazo, através da criação das bezerras se constituía em uma segurança para o agricultor familiar e como uma possibilidade de sustento para a sua família. 2 A dinâmica campo-cidade no Oeste de Santa Catarina e sua influência sobre o processo sucessório Já no que diz respeito à realidade do Oeste de Santa Catarina, a pesquisa foi realizada em três microrregiões rurais: São Miguel do Oeste, Itapiranga e Campo Erê. Tal classificação se deve ao fato das mesmas apresentarem uma densidade demográfica menor que 80 hab/km²9. Dentre as três microrregiões, a maior densidade demográfica foi encontrada em São Miguel do Oeste, 66 hab/km², e a menor em Campo Erê, com 20 hab/km². Itapiranga ficou no meio termo entre as duas, com 43 hab/km². Figura 4. População rural e urbana referente aos anos de 1970 e 2007 nas microrregiões de estudo População Rural População Urbana 35000 30000 25000 20000 15000 10000 5000 0 1970 2007 São Miguel do Oeste 1970 2007 Itapiranga 1970 2007 Campo Erê Fonte: Ipeadata, disponível: http://www.ipeadata.gov.br/ipeaweb.dll/ipeadata?50185328 Em todas as três microrregiões (São Miguel do Oeste, Itapiranga e Campo Erê) a população urbana cresceu e a rural diminuiu, entre as décadas de 1970 e 2007. Entretanto, embora tenha havido este decréscimo da população rural, ao longo destas quatro décadas, a População Economicamente Ativa no meio rural cresceu em todas as três microrregiões, acompanhando a tendência de crescimento do Produto Interno Bruto agropecuário. 9 Já quando observamos o perfil cultural percebemos a forte presença dos descendentes de italianos em São Miguel do Oeste, de alemães em Itapiranga, e de italianos e caboclos em Campo Erê. O catolicismo se mostrou a religião dominante nas três micro-regiões, apesar de haver também uma menor expressividade do protestantismo. Figura 5. População rural e urbana referente aos anos de 1970 e 2007 nas microrregiões de estudo PEA Rural PEA Urbana 18000 16000 14000 12000 10000 8000 6000 4000 2000 0 1970 2007 1970 S ã o Mig uel do Oeste 2007 1970 Ita pira ng a 2007 C a mpo E rê Fonte: Ipeadata, disponível: http://www.ipeadata.gov.br/ipeaweb.dll/ipeadata?50185328 Podemos perceber que embora o PIB agropecuário tenha crescido menos que o Industrial e o de serviços em duas das três microrregiões (São Miguel do Oeste e Itapiranga), ainda assim, ele cresceu ao longo das 3 últimas décadas do Século XX e da primeira do XXI, evidenciando um meio rural economicamente dinâmico. Figura 6- PIB Industrial, Serviço e Agropecuário nos anos de1970 e 2007 nas microrregiões de estudos PIB Indústrial PIB Serviço PIB Agropecuário 180000 160000 140000 120000 100000 80000 60000 40000 20000 0 1970 2007 São Miguel do Oeste 1970 2007 Itapiranga 1970 2007 Campo Erê Fonte: Ipeadata, disponível: http://www.ipeadata.gov.br/ipeaweb.dll/ipeadata?50185328 Também o número de estabelecimentos agrícolas aumentou nas duas microrregiões nas quais a População Economicamente Ativa no meio rural se mostrou maior que a do meio urbano: Itapiranga e Campo Erê. Contudo, mesmo em São Miguel do Oeste o decréscimo no número de estabelecimentos não foi acentuado, fato que se constitui em um indicador do êxito das estratégias reprodutivas adotadas nas unidades produtivas familiares das três microrregiões pesquisadas. Figura 7– Comparação do número de estabelecimentos Agropecuários nas microrregiões de estudo nos anos de 1970 e 2006 Estabelecimentos Agropecuários 4000 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 1970 2006 1970 São Miguel do Oeste 2006 1970 Itapiranga 2006 Campo Erê Fonte: Ipeadata, disponível: http://www.ipeadata.gov.br/ipeaweb.dll/ipeadata?50185328 Saindo do âmbito macro para o microeconômico podemos perceber que a tendência de estabilidade no número de propriedades rurais destas três microrregiões tem se efetivado com a predominância de estabelecimentos com área entre 11 e 50 ha. Tabela 4 - Tamanho das propriedades visitadas nas microrregiões de estudo. Área São Miguel do Oeste Itapiranga Campo Erê 1 a 5 ha 10% 3% 6 a 10 ha 27% 23% 16% 11 a 20 29% 39% 41% 21 a 50 32% 38% 36% Mais de 50% 2% 4% Fonte – Dados da pesquisa de campo, 2009 Estabelecimentos dentro destas dimensões têm viabilizado o desenvolvimento de atividades produtivas que com o emprego de tecnologia, como é o caso da produção leiteira, da suinocultura, da avicultura e do cultivo do fumo. Tais atividades têm sido desenvolvidas de forma combinada, com base em estratégias reprodutivas que ficam a meio-termo entre os benefícios da especialização e os da diversificação produtiva, não adotando nem a exclusividade produtiva, nem a busca de auto-sustentação. A lógica reprodutiva dos agricultores familiares destas microrregiões combina, pois, atividades de rápida e constante rentabilidade com outras de investimento mais longo, mas com maior rentabilidade concentrada. A produção de leite, que tem uma renda regular quinzenal ou mensal, é a atividade que mais se destaca nas três microrregiões. Ela se combina com outras atividades de retorno mais longo, mas mais substancial como a suinocultura, a avicultura e o plantio de fumo. Tabela 5- Principais fonte de renda das famílias das microrregiões Fonte de Renda São Miguel do Oeste Itapiranga Campo Erê Leite 50% 66% 73% Aves 8% 38% 10% Suínos 43% 22% 12% Fumo 16% 18% 18% Soja Não especificada 3 41% Agroindústria Não especificada 10% Não especificada Aposentadoria Não especificada 18% 62%10 Fonte – Dados da pesquisa de campo, 2009 A renda mensal advinda destas atividades tem no estrato dos que auferem entre 3 e 5 salários mínimos sua tendência mais expressiva. Tal patamar de renda explica perfeitamente a proximidade do padrão de consumo da população rural destas microrregiões do oeste catarinense em relação à população de classe média urbana. Os carros, motos e os eletrodomésticos das confortáveis residências desta região atestam o poder aquisitivo da renda obtida por estes agricultores. Tabela 6- Renda das famílias visitadas nas microrregiões Renda São Miguel do Oeste Itapiranga Campo Erê 1 a 2 salários 8% 2% 23% 3a5 63% 65% 48% 6 a 10 24% 30% 21% 11 a 30 5% 3% 8% Fonte – Dados da pesquisa de campo, 2009 10 Chamou a nossa atenção foi à questão da aposentadoria nas famílias, encontramos ao todo 62 aposentados, no entanto quando questionamos se a renda advinda desse benefício estava entre as três principais fontes de renda da família, apenas 10 desses responderam que sim. O que ouvimos desses aposentados na maioria das vezes foi que o valor recebido era muito baixo, sendo que em sua grande maioria recebiam somente um salário mínimo, sendo o mesmo utilizado principalmente em medicamentos. Atesta, também, a proximidade com os padrões urbanos de estilo de vida, a diminuição no número de filhos, o que pode refletir, ainda, a racionalização em termos das terras disponíveis não apenas por parte de cada família, como, também, em âmbito regional e de fronteira agrícola fechada. Tabela 7- Número de filhos por família visitada nas microrregiões N. de filhos São Miguel do Oeste Itapiranga Campo Erê 1a3 58% 63% 62% 4a6 34% 30% 24% 7a9 4% 4% 7% 10 a 12 4% 3% 4% Fonte – Dados da pesquisa de campo, 2009 Quando observamos a idade dos gestores nas três microrregiões notamos, mais uma vez, que não se sobrepõe nenhuma tendência cultural específica, seja dos descendentes de italianos, de alemães ou de caboclos. Há tal como no número de filhos, uma tendência comum a que o processo sucessório se efetive, majoritariamente, quando os novos gestores têm, aproximadamente, quarenta ou cinqüenta e poucos anos, já com filhos adolescentes. Assim, a sucessão, geralmente, se efetiva em uma configuração da unidade produtiva familiar que conta com três gerações residindo juntas: os patriarcas, o filho sucessor, geralmente o mais velho, e seus filhos. Tabela 8- Idade dos atuais gestores que participaram da pesquisa nas microrregiões Idade dos Gestores São Miguel do Oeste Itapiranga Campo Erê 31 a 40 anos 14% 3% 11% 41 a 50 anos 46% 45% 41% 51 a 60 anos 26% 39% 35% 61 a 70 anos 11% 12% 9% Mais de 71 3% 1% 4% Fonte – Dados da pesquisa de campo, 2009 Estes sucessores, geralmente, herdaram a terra seguindo estratégias culturais construídas com base em razões práticas seculares, como a escassez de terras para todos os filhos. Tabela 9- Formas de obtenção de terras segundo os atuais gestores das propriedades visitadas nas microrregiões Formas de obtenção São Miguel do Oeste Itapiranga Campo Erê Compra de terceiros 30,8% 41% 63% Herança 77% 73% 52% Compra de Parentes 10,8% 29% 14% das terras Fonte – Dados da pesquisa de campo, 2009 Assim, de forma velada, mas compreensível e legitimada por todos os membros da família se estabelecem os critérios visando maximizar as possibilidades de reprodução da unidade produtiva familiar. Seja através da compra da terra de forma facilitada pelos “irmãos-não-sucessores” ao “sucessor”, ou mesmo, através do simples costume culturalmente aceito de não se considerar as mulheres como herdeiras de fato, apesar de o serem de direito, é que se estabelecem, através dos costumes, os parâmetros de definição do sucessor ou sucessores. Tabela 10- Distribuição forma de distribuição da herança ocorrida nas famílias dos atuais gestores das microrregiões Recebedores de terra São Miguel do Oeste Itapiranga Campo Erê Homem e Mulher 19,3% 37% 15,3% Mulher não recebeu 57% 31,5% 57% Compensação para 10% 8,2% Não especificada 13,7% 23,3% Não especificada igualmente não herdeiros Sem compensação Fonte – Dados da pesquisa de campo, 2009 O filho considerado como sendo o que tem maior afinidade com a agricultura ou com os pais é aquele que desde criança ouve isto, sendo estimulado a desenvolver habilidades voltadas para tais atividades. Como a sucessão opõe de um lado os costumes e de outro a lei, e também pelo fato de envolver a perspectiva de morte dos pais e mesmo a sua perda de poder na família, este não é um assunto que se fale de forma aberta e sem constrangimentos. Tal afirmação se fortalece com os dados coletados na pesquisa que destacam justamente esta situação de tanto os pais como os filhos afirmarem que ainda não se definiu quem ficará na propriedade dando continuidade ao patrimônio e as raízes da família. Tabela 11- Perspectiva de quem ficará nas propriedades visitadas nas microrregiões, na visão dos pais e dos filhos que permanecem nas propriedades Perspectiva de quem ficará com a propriedade São Miguel do Oeste Pai Filho 9% 15% O filho mais velho O filho mais novo 3% 5% A filha mais velha 1% 3% A filha mais nova O filho mais estudado 1% O filho menos 2% 1% estudado 28% 24% O com maior afinidade com a agricultura O com maior afinidade 20% 18% com os pais Ainda não foi 31% 25% definido Mais de um sucessor 6% 8% Fonte – Dados da pesquisa de campo, 2009 Itapiranga Campo Erê Pai 15% 13% 6% - Filho 13% 14% 3% 6% - Pai 20% 4% 6% 4% Filho 22,1% 7% 2,3% 8,1% 7% 26% 38% 17% 24,4% 10% 10% 14% 4,7% 27% 16% 31% 19,8% 3% - 4% 4,7% Assim, após apresentarmos este retrato do processo sucessório nas unidades produtivas familiares do Oeste de Santa Catarina, retomemos as nossas questões de investigação, aos nossos objetivos de pesquisa e as nossas hipóteses. As questões de investigação que nortearam a nossa pesquisa se referiam a investigar se havia uma conexão entre fatores culturais e a saída dos jovens da unidade produtiva familiar. Ou seja, procurávamos investigar se os jovens deixavam a propriedade paterna em decorrência de: a) das restrições econômicas relativas às limitações das possibilidades de reprodução da unidade produtiva familiar, como área da propriedade, tipo de atividade produtiva, nível tecnológico e número de filhos; b) em decorrência de fatores culturais relativos à inconformação dos jovens face aos costumes camponeses, tais como: a conduta hierárquica e centralizadora dos pais e o forte sexismo discriminatório dos direitos das mulheres no meio rural; e por fim, c) em decorrência dos apelos urbanos de acesso a bens e serviços, bem como a possibilidade de trabalho melhor remunerado e com garantias trabalhistas. Quanto à questão do repúdio dos jovens a cultura camponesa como sendo um fator explicativo para a saída dos jovens do meio rural, nossos dados nos mostram que é falaciosa, para a realidade das três microrregiões pesquisadas no oeste catarinense, a perspectiva de saída dos jovens em geral do meio rural. Os jovens, filhos de agricultores familiares não podem ser vistos como um bloco unívoco. Dentre os filhos de agricultores familiares há aqueles que vão sendo guiados, desde criança a buscarem outras alternativas de trabalho e vida e aquele ou aqueles que serão os sucessores. Quando observamos, a situação das unidades produtivas do oeste catarinense notamos que embora tenha havido redução da população rural, não houve redução do número de propriedades, nas últimas quatro décadas, ou seja, as propriedades continuam a ter gestores da própria família, o que indica o expressivo número de propriedades herdadas. Assim, a saída dos jovens não sucessores da propriedade paterna parece guardar a mesma necessidade de reprodução social das unidades produtivas familiares de gaúchos descendentes de italianos e alemães, que tiveram que mandar parte de seus filhos pelo rio Uruguai, nos anos de 1940 a 1960, para o oeste de Santa Catarina, em busca de outras terras agriculturáveis. Desta forma, também a hipótese relativa à saída dos filhos devido à atratividade do meio urbano pode se colocar como em correspondência a uma nova fronteira de trabalho, que deixou de ser agrícola e passou a ser urbana. Nossos dados mostraram que longe de ser um projeto individual, construído pelo jovem, de forma isolada, aqueles que vão deixar a unidade produtiva familiar o constroem dentro e com a família. Assim, o que podemos constatar é que as estratégias sucessórias das famílias de agricultores do oeste catarinense se configuram de forma processual, imprimindo entre os filhos, desde tenra idade, formas de classificação de sucessores e não sucessores, que vão sendo por eles interiorizadas e assumidas, a partir da aceitação de rotulações tais como: “fulano tem queda para os assuntos agrícolas” e “beltrano já tem jeito para os estudos”. Embora, não deixe de ser verdade que o trabalho urbano e o acesso a bens e serviços se constitua em uma motivação para a saída dos jovens não sucessores, cada vez mais a dinâmica territorial, que aproxima o urbano e o rural, em termos de uma economia intersetorializada, bem como em termos da acessibilidade das pessoas do meio rural aos padrões de consumo e de serviços encontrados no meio urbano, coloca antes em destaque, que a motivação para a saída dos filhos não sucessores está em consonância com o fato de que a unidade produtiva familiar tem se viabilizado economicamente com um ou dois sucessores, seja em função da tecnologia, seja em decorrência de uma unidade produtiva contar geralmente com a força de trabalho de uma família extensa, constituída pelo casal de patriarcas, pelo filho sucessor e sua esposa, e pelos seus filhos, dividindo as tarefas da unidade produtiva familiar. Em fim, nossos dados mostraram que as propriedades das três microrregiões do oeste catarinense não estavam tendo problemas relativo à falta de sucessor: há filhos que saem e há filhos que ficam, e as filhas continuam não sendo herdeiras em potencial. No que diz respeito à consideração do peso dos costumes diferenciados vinculados aos descendentes de italianos, alemães e caboclos, de religião majoritariamente católica, não se evidenciou um traço peculiar em termos de construção de estratégias reprodutivas. Contudo, nossos dados mostraram que dentre as famílias de alemães é que as mulheres encontraram melhor condição em termos da herança da terra. 3 Considerações Finais Ao analisarmos o efeito da dinâmica rural-urbano sobre a sucessão na agricultura familiar na Zona da Mata mineira e no Oeste de Santa Catarina percebemos que a tendência de crescimento da PEA rural no oeste catarinense reflete um ciclo virtuoso de desenvolvimento que abre um campo de possibilidades de obtenção de renda e de estilo de vida próximo ao urbano. Este cenário tem estado associado ao aumento de unidades produtivas familiares na região quando comparamos os dados relativos aos anos 2000 com a década de 70. Diante deste quadro é possível aventarmos a hipótese de que a possibilidade dos agricultores familiares terem acesso ao melhor dos dois mundos, o rural e o urbano, sirva de estímulo para que eles se mantenham como sucessores nas unidades produtivas familiares no oeste catarinense, adotando novas tecnologias e práticas produtivas que tem os possibilitado se manter competitivos no mercado. Em contraposição, o contexto da agricultura familiar na Zona da Mata mineira, o qual tem apresentado uma tendência ao êxodo, tem refletido uma dinâmica tradicional na agricultura familiar e um diferencial da renda quando comparado com o meio urbano. Este cenário diferenciado pode resultar em uma falta de estímulo para a continuidade na unidade produtiva familiar. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAMOVAY, R. CAMARO, A.A . Exodo rural, envelhecimento, e masculinização no Brasil: tendencias recentes. N 2. Set 1997 ABRAMOVAY, R. SILVESTRO, M; CORTINA, N; BALDISSERA, Ivan T; FERRARI D; TESTA, V. M. 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