DIAGNÓSTICO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NO ESTADO DE ALAGOAS
José Fernando Thomé Jucá(1)
Professor do Departamento de Engenharia Civil da UFPE. Doutor pela Universidad Politécnica de
Madrid. Coordenador do Grupo de Resíduos Sólidos – GRS/UFPE. Coordenador do Programa de
Monitoramento dos Aterros da Muribeca-PE. Coordenador dos Estudos para Gestão de Resíduos
Sólidos no Estado de Pernambuco. Coordenador dos Estudos para a Elaboração da Política de
Resíduos Sólidos do Estado de Alagoas.
Maria Odete Holanda Mariano
Engenheira Civil do Instituto Tecnológico do Estado de Pernambuco (ITEP). Coordenadora do
Laboratório de Geotecnia Ambiental do ITEP. Mestre em Engenharia Civil pela UFPE. Especialista
em Geotecnia pelo Centro de Estudos e Experimentações de Obras Públicas (Madrid). Consultora
do Grupo de Resíduos Sólidos GRS/UFPE. Membro da Equipe Executora dos Estudos para a
Elaboração da Política de Resíduos Sólidos do Estado de Alagoas.
Luciana Roberta Sarmento Silva
Mestre em Engenharia Civil. Membro da Equipe Executora dos Estudos para a Elaboração da
Política de Resíduos Sólidos do Estado de Alagoas. Consultora da Fundação Nacional de Saúde.
Endereço(1): Rua José Nunes da Cunha, 678/1101 – Piedade – Jaboatão - PE . CEP: 54.410-280 Brasil –
Tel: (81-3271.8222), Fax: (81-271.8205), Email: [email protected]
RESUMO
O equacionamento da grave problemática nacional relativa à geração de Resíduos Sólidos, com
importantes repercussões sociais, ambientais e econômicas, tem necessariamente que considerar o
processo de gestão integrada. Destaca-se ainda, a existência de milhares de catadores (adultos e
crianças) que vivem nos lixões e do lixo. Assim, para o adequado encaminhamento das soluções
para estes problemas, verifica-se a necessidade de elaboração de Políticas Públicas e,
principalmente, de seus instrumentos legais, administrativos e econômicos; de processos de gestão
da informação e acessibilidade destas aos atores envolvidos; de procedimentos metodológicos de
diagnóstico da problemática dos resíduos em seus variados aspectos; e, finalmente, de soluções
apropriadas do ponto de vista técnico e social, inseridos em princípios de sustentabilidade
econômica e financeira.
No momento, em que o país atravessa dificuldades, internas e externas, e uma exclusão social cada
vez mais perversa, a gestão integrada dos resíduos sólidos pode dar sua parcela de contribuição, na
preservação do meio ambiente, no estímulo a cidadania e na geração de emprego e renda para uma
parcela significativa da sociedade (Jucá, 2000)
O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados obtidos no diagnóstico de resíduos sólidos do
Estado de Alagoas, a partir de estudos técnicos específicos, o qual servirá de base para a
elaboração da Política Estadual de Resíduos Sólidos.
PALAVRAS-CHAVE: Diagnóstico de resíduos sólidos, Estado de Alagoas.
1
1. ASPECTOS GERAIS DO ESTADO DE ALAGOAS
O Estado de Alagoas é formado por 102 municípios e possui uma população urbana de 1.917.388
milhões de habitantes distribuídas em 13 micro-regiões, com características próprias, as quais
foram definidas, de forma a facilitar a implementação de ações governamentais segundo as
necessidades da sociedade.
Como critérios de representatividade estadual, foram escolhidos os municípios com população
urbana superior a 8 mil habitantes (considerando a sede do município e os distritos), totalizando
42 municípios. Este critério abrange 1.684.234 habitantes, o que corresponde a 87,8% da
população urbana e 90,37% do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado.
O Mapa 1 apresentam a localização dos 42 municípios selecionados.
Ibateguara
Marimbondo
Anadia
Mapa 1 – Municípios que serão realizados os diagnósticos
2. DIAGNÓSTICO DE RESÍDUOS SÓLIDOS
A realização de diagnóstico de resíduos sólidos tem como objetivo servir de instrumento para a
gestão, pois assim será conhecida a realidade do município, Região ou Estado, naquele período.
Sendo assim instrumento básico e indispensável para o conhecimento da realidade que se
pretenda atuar.
Independente do tipo de resíduo gerado, o levantamento de dados é a primeira etapa a ser
cumprida para a elaboração de uma política de resíduos sólidos, bem como para a elaboração de
planos de gestão, além de ferramenta para a análise do mercado de reciclável existente baseado
no desenvolvimento local.
O diagnóstico de resíduos sólidos além de contemplar a quantidade, tipo, forma de tratamento e
destinação final, deve considerar a existência de aspectos legais e sociais que regulamente a
questão no âmbito de resíduos, além dos tipos de resíduos (urbano, serviço de saúde, industrial,
especiais, agrotóxicos), bem como os aspectos sócio-econômicos e educacionais.
O levantamento foi iniciado pelas bases de dados existentes no âmbito federal, estadual e
municipal, por meio de homepages, arquivos, projetos, programas, entre outros. No âmbito estadual
este levantamento será realizado junto as instituições sobre os diagnósticos, projetos e ações
sociais realizadas anteriormente (IMA, Secretaria de saúde, ação social, educação, meio ambiente,
fazenda, infra-estrutura ou similares) e após esta coletânea de dados foram realizadas visitas aos
municípios, industrias, rede hospitalar, usinas e aterro industrial para o cadastramento de
informações primárias.
3. RESULTADOS DO DIAGNÓSTICO
Os indicadores de gestão dos serviços de limpeza urbana permitem avaliar a resposta de cada
município, bem como definir políticas de integração, apoio e incentivo ao setor de resíduos sólidos
em todo o Estado.
2
A partir dos levantamentos e cadastros elaborados foram realizadas algumas análises do conjunto
de municípios, procurando-se fazer uma avaliação da situação dos resíduos sólidos com base nos
indicadores apresentados. A seguir são apresentadas algumas considerações gerais sobre o
conjunto dos dados obtidos.
2.1 Recursos Humanos
⇒ Em relação aos recursos humanos das prefeituras, observa-se que a maioria é composta por
garis (87,9%), porém das 42 Prefeituras visitadas, 18 possuem profissionais com nível
superior atuando na área de Limpeza Urbana em seu quadro. O gráfico 1 apresenta a
qualificação profissional dos funcionários da limpeza urbana por faixa populacional.
100%
90%
89,5% 89,7%
85,1%
80%
73,6%
70%
População
População
População
População
Urbana
Urbana
Urbana
Urbana
< 10.000 habitantes
entre 10.000 e 20.000 habitantes
entre 20.000 e 50.000 habitantes
> 50.000 habitantes
60%
50%
40%
30%
24,0%
20%
14,1%
9,9%
10%
9,7%
0,6%
0,6%
0,8%
2,3%
0%
Funcionários com Nível
Básico
Funcionários com Nível
Médio
Funcionários com Nível
Superior
Gráfico 1 – Qualificação profissional por faixa populacional
2.2 Infra-estutrura Física e Operacional
O Quadro 6 apresenta a quantidade de equipamentos utilizados na coleta dos resíduos bem como
a estrutura gerencial existente.
⇒ Observa-se que os municípios com menor população não possuem caminhões
compactadores e que os equipamentos mais utilizados na coleta são caminhões caçamba e
tratores. Este fato se deve ao alto preço do caminhão compactador e também por serem
municípios pequenos, os equipamentos acima citados são suficientes para a realização de
um bom serviço de limpeza urbana;
⇒ No que se refere às instalações físicas existentes, os prédios utilizados para a limpeza urbana
normalmente é o próprio prédio da Prefeitura e as instalações tanto de oficina e garagem,
quando existem, são consideradas insatisfatórias.
2.3 Gestão da Limpeza Urbana
2.3.1. Custos
⇒ O custo de serviço (custo unitário da limpeza urbana (R$/tonelada)) é maior nos municípios de
menor população;
⇒ Os custos do serviço de limpeza urbana (R$/ton) são, em geral, acima dos valores
encontrados no Brasil que variam de R$25/ton a R$60/ton. Observa-se que a maioria dos
municípios ultrapassa esta faixa de variação nacional, apenas 13 prefeituras possuem valores
no intervalo apresentado acima, as demais possuem valores bem mais altos, em muitos casos
superando R$120,00/tonelada, apresentando um valor médio de R$126,00/tonelada;
⇒ O percentual médio orçado para os gastos com limpeza urbana são de 3,48% da dotação
orçamentária do município;
O Quadro 1 apresenta a variação dos custos por faixa populacional dos Municípios
3
Quadro 1 – Variação dos custos por faixa populacional
Faixa Populacional
Número de
Percentual do Orçamento (%)
Municípios
Máx.
População Urbana < 10.000
habitantes
População Urbana entre
10.000 e 20.000 habitantes
População Urbana entre
20.000 e 50.000 habitantes
População Urbana > 50.000
habitantes
Min.
Média
por serviço (R$/tonelada)
Máx.
Min.
Média
10
7,28%
0,9%
3,6%
R$309,89 R$35,69 R$114,84
20
4,99%
1,3%
3,4%
R$194,25 R$31,46
R$93,20
10
6,35%
1,2%
3,4%
R$240,38 R$15,43
R$99,71
2
3,30%
3,3%
3,3%
R$43,22 R$38,13
R$40,68
⇒ Em geral, o custo por funcionário é menor para municípios de maior população, aumentando
para os municípios de menor população;
⇒ Caso o serviço de limpeza urbana fosse cobrado pelas Prefeituras, observa-se que os
municípios com população menor pagariam mais que os municípios com população maior. Os
valores ficariam dentro de intervalo de R$1,51/domic. à R$ 9,89/domic., tendo uma média de
R$ 4,90/domic.
Quadro 2 – Variação dos custos por faixa populacional
Faixa Populacional
Por Funcionário (R$/func)
Por domicílio (R$/domic)
Máx.
Máx.
Min.
Média
Min.
Média
População Urbana < 10.000 habitantes R$780,03 R$138,46 R$318,11 R$9,89
R$1,51
R$5,22
População Urbana entre 10.000 e
20.000 habitantes
R$394,81 R$122,75 R$271,89
R$9,68
R$1,94
R$4,85
População Urbana entre 20.000 e
50.000 habitantes
R$559,81 R$73,30 R$250,17
R$8,92
R$1,37
R$5,57
População Urbana > 50.000 habitantes R$230,86 R$126,00 R$178,43
R$3,94
R$2,76
R$3,35
2.3.2. Produtividade e Geração de Resíduos
⇒ A estimativa de geração per capita dos resíduos (kg/hab/dia) é maior para os municípios de
maior população;
⇒ A estimativa média de geração per capita dos resíduos (kg/hab/dia) é 0,99kg/hab/dia;
⇒ A geração de resíduos é proporcional a população do município;
Quadro 3 – Estimativa da geração de resíduos – faixa populacional
Faixa Populacional
Número de
Municípios
Estimativa de Geração Percapita (kg/hab/dia)
Domiciliar
Máx.
Menor que 10.000 hab.
Entre 10.000 e 20.000 hab.
Entre 20.000 e 50.000 hab.
Maior que 50.000 hab.
Urbano
Mín. Média Máx.
Mín.
Total
Média
Máx.
Mín.
Média
10
20
10
0,75
0,87
0,88
0,40
0,43
0,47
0,57
0,60
0,61
0,63
0,91
0,61
0,04
0,01
0,04
0,30
0,35
0,33
1,16
1,38
1,35
0,54
0,00
0,55
0,87
0,88
0,94
2
0,79
0,62
0,60
0,71
0,29
0,79
1,34
1,07
1,34
4
Quadro 4 –Percentual da geração de resíduos - faixa populacional
Estimativa de geração
de resíduos diária
(tonelada)
Número de
Municípios
Faixa Populacional
Valor
Menor que 10.000 hab.
Entre 10.000 e 20.000 hab.
Entre 20.000 e 50.000 hab.
Maior que 50.000 hab.
10
20
10
2
%
Valor
%
91.361
264.564
381.134
947.175
5,4%
15,7%
22,6%
56,2%
100,00% 1.684.234
100,0%
79,80
248,30
348,48
1225,65
1902,24
TOTAL
População Urbana
4,20%
13,05%
18,32%
64,43%
⇒ A quantidade de funcionários na Limpeza Urbana (relação NF/1000 habitantes) é maior nos
municípios de menor população;
⇒ A produtividade (kg/func/dia) está diretamente relacionada com a quantidade de pessoal
existente na limpeza urbana (Número de funcionários/1000 habitantes), bem como com a
quantidade de resíduo gerado no município e equipamentos utilizados, porém observa-se em
geral, que os municípios que possuem maior relação NF/1000 hab, possuem uma menor
produtividade;
⇒ A quantidade de resíduos gerados per capita é menor nos municípios de menor população,
aumentando para os municípios com maior população;
⇒ A metralha normalmente é reaproveitada no próprio município, não sendo destinado ao lixão;
Quadro 5 – Produtividade e Número de Funcionários/1000 habitantes – faixa populacional
Faixa Populacional
Funcionários
Número de
Municípios
Produtividade (kg/Func/dia)
Mínimo
Menor que 10.000 hab.
Entre 10.000 e 20.000 hab.
10
20
Entre 20.000 e 50.000 hab.
Maior que 50.000 hab.
10
2
Máximo
Média
NF/1000hab
Mínimo Máximo
Média
37,65
89,90
409,38
446,45
211,88
251,58
1,93
2,40
14,25
9,08
5,27
4,24
117,56
591,76
311,20
1,39
7,23
3,43
588,67 1373,87
981,27
0,97
1,83
1,40
2.3.3. Qualidade dos serviços
⇒ A constituição jurídica predominante das entidades prestadoras dos serviços é a
Administração Direta do Poder Público, ou seja a titularidade é da própria Prefeitura, que
executa diretamente o serviço de limpeza urbana, porém em muitas Prefeituras os caminhões
são locados;
⇒ De uma forma geral a qualidade do serviço é considerada satisfatória pela população na
maioria dos municípios. Salienta-se que esta é apenas uma avaliação qualitativa do serviço,
não sendo considerado, portanto os custos;
⇒ A população em geral não considera o aspecto de destinação final quando avalia a qualidade
do serviço, apenas considera a questão de coleta, varrição, pintura de meio fio, podas,
limpeza de praças e logradouros.
2.4 Destinação Final
⇒ A destinação final dos resíduos sólidos no Estado caracteriza-se basicamente por lixões à céu
aberto com potencial de contaminação dos recursos hídricos, do solo e do ar;
5
⇒ Existem apenas 5 aterros controlados e 1 aterro industrial conforme apresentado no Mapa 4;
⇒ Não existe aterro sanitário em operação no Estado de Alagoas (licenciado pelo Instituto do
Meio Ambiente);
⇒ No Estado de Alagoas existem 3 projetos em implantação de aterro sanitário que estão sendo
financiados pelo Fundo Nacional de Meio Ambiente (Coruripe, Rio Largo e Penedo);
⇒ Foi elaborado o projeto denominado de “Plano Diretor Integrado de Resíduos Sólidos dos
Municípios do Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba – CELMM”, resultante de
convênio firmado entre a Secretaria de planejamento do Estado- SEPLAN e o MMA (convênio
SEPLAN/MMA 372/98). O projeto que previa a elaboração de plano diretor e projetos
executivos para o complexo. Os municípios beneficiados foram: Marechal Deodoro, Pilar,
Coqueiro Seco, Santa Luzia do Norte, Satuba e Rio Largo (parcialmente). O resultado do
projeto foi que para Marechal e Pilar foram elaborados para cada um o plano diretor e o
projeto executivo do tratamento e destinação final de lixo por meio de usina de reciclagem e
compostagem com respectivo aterro sanitário. Os municípios de Santa Luzia e Coqueiro Seco
também tiveram os mesmos produtos anteriores só que nesse caso a solução foi consorciada.
Este projeto está em negociação com o Ministério do meio Ambiente para implantação;
⇒ Observa-se que a maioria das áreas utilizadas como Lixões, são de propriedade particular,
geralmente usineiros e plantadores de cana.
Ibateguara
Marimbondo
Anadia
Lixão
Aterro Controlado
Aterro Sanitário
Mapa 2 – Tipo de Destinação Final
4.5 Potencial de Impacto Ambiental
Abaixo segue algumas informações sobre o potencial de impacto dos lixões do Estado Alagoas.
Vale salientar que os mesmos localizam-se, normalmente, dentro de área produtiva, cedida por
uma usina de cana-de-açúcar.
⇒ Observa-se que a maioria das áreas utilizadas como lixões são de alto potencial de impacto
ambiental, conforme Mapa 3.
6
Ibateguara
Marimbondo
Anadia
Alto
Médio
Baixo
Mapa 3 – Potencial de Impacto
2.6 Aspectos Sociais
•
Observa-se que nos municípios não existe uma grande quantidade de catadores e que apenas
em 6 ocorrem presença de crianças nos lixões;
•
Observa-se que 7 municípios existem catadores residentes;
•
Observa-se que 13 municípios não há presença de catadores.
Ibateguara
Marimbondo
Anadia
Não existem Catadores
Catadores Não Residentes
Catadores Residentes
Presença de Crianças
Mapa 4 – Presença de catadores na destinação final
7
2.7 Potencial de recicláveis
⇒ Na maioria dos municípios do Estado observa-se um potencial de reciclável, ou seja, de
resíduos com alguma possibilidade de aproveitamento, de cerca de 17%.
3. RESÍDUOS DE SERVIÇO DE SAÚDE
Em geral, a limpeza urbana dos municípios coleta em conjunto os resíduos de serviço de saúde,
não existindo portanto, nenhuma forma especial de acondicionamento, transporte e destinação final
específica para os resíduos de serviços de saúde. Normalmente, estes resíduos, seguem junto com
a coleta regular dos resíduos urbanos. Devido a este fato, não se pode quantificar a geração de
resíduos de serviços de saúde.
O município de Arapiraca possui coleta de resíduos de serviço de saúde diferenciada e a
destinação é realizada em uma vala séptica.
O município de Maceió gera aproximadamente 4,2 toneladas de resíduos de serviço de saúde por
dia.
A rede hospitalar particular da cidade de Maceió destina seus resíduos de saúde para o aterro
industrial localizado em Marechal Deodoro e de propriedade da Companhia Alagoas Industrial
(CINAL), onde existem 3 valas para a destinação dos resíduos de serviços de saúde, sendo que 2
já estão esgotadas (capacidade de 3.000m3 cada) e 1 está em operação (capacidade de 3.000m3).
Não foi fornecida pela CINAL a listagem de unidades de saúde que destinam seus resíduos
patogênicos para lá. A coleta destes resíduos é realizada pela própria CINAL. A rede pública de
saúde não deposita seus resíduos neste aterro.
4. RESÍDUOS SÓLIDOS INDUSTRIAIS
No Estado de Alagoas existe 01 aterro industrial, localizado no município de Marechal
Deodoro. Este aterro é particular e é denominado de Unidade de Resíduos Sólidos–Companhia
Alagoas Industrial (CINAL)
O Estado de Alagoas, ainda, tem sua economia baseada na cana-de-açúcar onde das 100
(cem) unidades industriais inventariadas temos 28 do setor sucroalcooleiro, assim distribuídas: 15
produtoras de açúcar e álcool, 8 produzem somente açúcar e 5 produzem apenas álcool. Tal
superioridade numérica é legitimada pelos dados de geração de resíduos, conforme Tabela 3, cujo
valor é de 7.747.993,25 T/ano sendo composto basicamente por bagaço (totalmente reaproveitado
como combustível nas caldeiras ou para produção de briquetes), cinzas, torta de filtro e sedimentos
do sistema de decantação (basicamente areia) e 4.110.639,30 m³ de vinhaça, que é utilizada para
fertirrigação.
Ao analisarmos a geração de resíduos sólidos industriais, sem a interferência da indústria
sucroalcooleira evidenciamos a contribuição das indústrias alimentícia, principalmente a base de
côco, cloroquímica (lama de salmoura) e manufatura de materiais plásticos, na geração de resíduos
sólidos industriais.
Quanto a geração de resíduos por classe, é insignificante a quantidades dos resíduos
industriais das classe I e III (juntos perfazem aproximadamente 0,03%), comparadas aos de classe
II (99,969%).
Na destinação final dos resíduos sólidos industriais observamos um domínio do item queima em
caldeira devido a grande geração de bagaço pela indústria sucroalcoleira, ressaltando ainda a
importância da reciclagem/reprocessamento dos materiais, seja externa ou internamente.
Vale salientar que as indústrias alagoanas estão buscando diferenciais de mercado quer seja
em qualidade (5S, ISO 9000) ou gestão ambiental (ISO 14001), e para surpresa e satisfação, as
mais entusiasmadas e atuantes estão sendo as usinas/destilarias, as principais geradoras de
resíduos sólidos em Alagoas.
8
Quadro 6 – Geração total dos resíduos sólidos industriais por tipo e quantidade (m³/ano)
QUANTIDADE
Tipo de Resíduo
(m³/ano)
%
Resíduos de madeira
5460
0,133
Resíduos de materiais não metálicos
732
0,018
Resíduos orgânicos (vinhaça, sebo, gordura..)
TOTAL
4.110.639,30
4.116.831,30
99,849
100
Quadro 7 – Distribuição da geração total dos resíduos por classe e quantidade (T/ano)
Classe
Quantidade (T/ano)
%
I
2.005,72
0,026
II
7.773.273,64
99,969
III
Total
435,20
7.775.714,56
0,005
100
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os indicadores de gestão dos serviços de limpeza urbana permitem avaliar a resposta de cada
município, bem como definir políticas de integração, apoio e incentivo ao setor de resíduos sólidos
em todo o Estado. Os dados referentes as área de saúde, educação, social e industrial contribuirão
para a elaboração da Política Estadual de Resíduos Sólidos.
Neste sentido, segue abaixo algumas considerações sobre a situação atual dos resíduos sólidos no
Estado de Alagoas:
a) Observa-se que a qualificação profissional é muito baixa, sendo 88% de garis;
b) Os equipamentos mais utilizados pelas Prefeituras para a coleta dos resíduos são caminhões
caçambas e tratores com carrocerias;
c) As instalações físicas, em geral, são precárias;
d) O gasto médio coma limpeza urbana é de 3,4% do orçamento das Prefeituras, podendo chegar
a até 6,35%;
e) Os custos dos serviços (R$/tonelada) são maiores nos municípios de menor população, porém
independente da faixa populacional, os mesmos se encontram bem acima do intervalo da
média nacional;
f) A quantidade de funcionários na Limpeza Urbana (relação Nº de funcionários/1000 habitantes)
é maior nos municípios de menor população;
g) Os municípios com maior relação Nº de funcionários/1000 habitantes possuem emor
produtividade (kg/funcinário/dia);
h) A quantidade per capita de resíduos gerados é menor para os municípios de menor população;
i) A estimativa de geração de resíduos é de 0,99kg/hab/dia;
j) A prestação dos serviços de limpeza pública normalmente é executada pela própria Prefeitura;
k) A qualidade dos serviços prestados à população é considerada satisfatória;
l) No Estado existem 05 aterros controlados, nenhum aterro sanitário e 01 aterro industrial. Vale
salientar que existem 04 projetos em execução para a implantação de aterros sanitários;
m) Os lixões localizam-se em áreas particulares cedidas por usinas;
n) O potencial de impactos dos atuais lixões, em maneira geral, é alto;
o) O potencial de recicláveis é em média de 17%.
p) Existem catadores em alguns lixões, incluindo crianças e adolescentes;
q) Apenas o município de Maceió possui balança para pesagem do lixo;
9
r)
s)
t)
u)
v)
w)
Os resíduos de serviços de saúde são coletados juntamente com os resíduos públicos e
domiciliares, com exceção do município de Arapiraca e da rede hospitalar particular de Maceió;
A rede hospitalar particular de Maceió deposita os resíduos na CINAL;
O Estado de Alagoas possui 01 aterro industrial localizado no município de Marechal Deodoro e
de propriedade da Companhia Alagoas Industrial – CINAL;
Ao analisarmos a geração de resíduos sólidos industriais, sem a interferência da indústria
sucroalcooleira evidencia-se a contribuição das indústrias alimentícia, principalmente a base de
côco, cloroquímica (lama de salmoura) e manufatura de materiais plásticos, na geração de
resíduos sólidos industriais;
Quanto a geração de resíduos por classe, é insignificante a quantidades dos resíduos
industriais das classe I e III (juntos perfazem aproximadamente 0,03%), comparadas aos de
classe II (99,969%), sendo esta disparidade fruto da presença da indústria sucroalcooleira na
geração dos resíduos.
Na destinação final dos resíduos sólidos industriais observa-se a predominância do item
queima em caldeira devido a grande geração de bagaço pela indústria sucroalcoleira,
ressaltando ainda a importância da reciclagem/reprocessamento dos materiais.
4. BIBLIOGRAFIA
a) Plano de Trabalho – Política de Resíduos Sólidos para o Estado de Alagoas. José
Fernando Thomé Jucá. Outubro, 2001. Contrato: PNUD/MMA.
b) Diagnóstico de Resíduos Sólidos no Estado de Alagoas – Relatório Final. José Fernando
Thomé Jucá. Março, 2002. Contrato: PNUD/MMA.
c) Diagnóstico de Resíduos Sólidos no Estado de Pernambuco. José Fernando Thomé Jucá,
Maria Odete Holanda Mariano, Ronaldo Câmara Cavalcanti & Alexandrina Sobreira. XXI
Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, Setembro-2001, João Pessoa – PB.
d) Política de Resíduos Sólidos no Estado de Pernambuco. Alexandrina Sobreira, Maria Odete
Holanda Mariano, Ronaldo Câmara Cavalcanti, Sylvana Melo dos Santos & José Fernando
Thomé Jucá. XXI Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental, Setembro-2001,
João Pessoa – PB.
e) Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos no Brasil. José Dantas de Lima. Setembro-2001.
AGRADECIMENTOS
Inicialmente agradecemos a Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)
pelo financiamento deste trabalho. Ao Instituo do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) pela
coordenação geral e aos consultores abaixo listados pela realização dos diagnósticos de
resíduos sólidos.
•
Dilton Brandão de Almeida
•
Iremar Accioly Bayma
•
José Antonio Coelho Soares
•
José Dantas de Lima
•
Karla Maria Cardoso Silva Gomes de Mendonça Vasconcelos
•
Maria Noêmia Rodrigues Staviski
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diagnóstico de resíduos sólidos no estado de alagoas