Mulheres Política e Poder Apresentação A ausência das mulheres, ou pelo menos sua escassa representação, na política institucional tem sido um tema bastante visitado e objeto de inúmeros estudos e pesquisas acadêmicas no Brasil e no exterior. O conjunto de artigos que compõem esta coletânea, intitulada Mulheres, política e poder, tem o propósito de contribuir com esse debate, apresentando um amplo panorama de estudos e análises sobre o tema abrangendo Brasil, Espanha e Canadá. Embora as abordagens e as perspectivas metodológicas adotadas pelos autores dos textos sejam diversificadas, há uma unidade a permear todo o livro, pois os autores, cada um à sua maneira, assumem o desafio de recuperar a história dos avanças obtidos pelas mulheres na sua trajetória de lutas por ampliação de direitos e por uma participação política equânime. Começando pela discussão geral do histórico de discriminação das mulheres, em especial das mulheres negras, com seus reflexos significativos nos vários aspectos da vida social, os autores tratam da opressão da mulher na vida privada, com todas as consequências desse processo no ambiente de trabalho, no reconhecimento social e na participação política das mulheres. Nos últimos tempos, apesar das várias conquistas e avanços, a inserção das mulheres na política ainda se revela um problema a ser superado. Os estudos aqui publicados que tratam de forma específica das ações afirmativas em torno da abertura de vagas para mulheres nos parlamentos revelam que, mesmo que se tenha ampliado a participação das mulheres na política, permanece ainda um grande déficit democrático de gênero. Superar esse déficit exige não só continuar desenvolvendo, no âmbito das ações, novas estratégias de luta para consolidar e ampliar os avanços já obtidos, mas consolidar e qualificar o conhecimento acadêmico sobre o tema. Assim, acreditamos que os estudos reunidos nessa coletânea representam uma contribuição efetiva para a reflexão e o aprofundamento desse debate, favorecendo a consolidação e a disseminação do conhecimento acumulado sobre o tema. Não é supérfluo lembrar que, apesar das chamadas Leis de Cotas, que obrigam os partidos a reservar um percentual de vagas para mulheres, os resultados sistematizados nos estudos aqui reunidos são desanimadores. Em geral, mesmo com essas leis, as mulheres ainda são minoria entre os candidatos de cada partido, têm dificuldades para se eleger e ainda, muitas delas, mesmo eleitas e bem avaliadas, desistem da política após alguns mandatos eletivos. Ou seja, um processo efetivo de inserção das mulheres no âmbito da representação política ainda demanda muita luta, esforço e energia. Com a certeza de que essa publicação pode ampliar o debate, não só no ambiente acadêmico, mas também entre o público leitor em geral, desejamos que seja capaz também de estimular novas pesquisas e publicações semelhantes sobre a temática. Finalmente, registramos nosso agradecimento à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) pelo apoio financeiro que tornou possível a publicação dessa obra. Esta coletânea, que reúne estudos abrangentes sobre a participação das mulheres na política institucional, congrega a contribuição de pesquisadores de diferentes instituições, que apresentam aqui os resultados de suas pesquisas e reflexões. A obra está organizada em oito capítulos nos quais se analisa o histórico dos avanços na questão de gênero, com lugar privilegiado para as discussões sobre a recente inserção das mulheres na política e a evolução de sua participação na disputa pelo poder. Para aprofundar estas questões, os autores tratam de várias dimensões relativas à ampliação da democracia de gênero: a conquista do direito ao voto, os estereótipos veiculados pela mídia, as ações afirmativas e o impacto das leis de cotas, o recrutamento e a seleção de candidaturas femininas, a sub-representação das mulheres nas diferentes esferas da política institucional. O resultado é um painel abrangente, calcado numa cuidadosa análise sobre a reduzida participação das mulheres na política, feita a partir de diferentes perspectivas teóricas e metodológicas. Com base nos fenômenos e dados estatísticos analisados, o leitor pode tirar suas próprias conclusões acerca do cenário apresentado. AUTORES: Denise Paiva - Doutora em Ciência Política pela USP e professora da Universidade Federal de Goiás. Fabiola Mota Consejero - Doutora em Ciência Política pela Universidade Complutense de Madrid e professora da Universidad Autónoma de Madri. Flávia Biroli Doutora em História pela UNICAMP, professora da UnB e pesquisadora do CNPq. Jussara Reis Prá - Doutora em Ciência Política pela USP, professora da UFRGS e pesquisadora do CNPq. Maria Luzia Miranda Álvares - Doutora em Ciência Política pelo IUPERJ e professora da Universidade Federal do Pará. Marlise Matos - Doutora em Sociologia pelo IUPERJ e professora da Universidade Federal de Minas Gerais. Thiago Cortez Costa - Mestre em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE e Analista Legislativo do Senado Federal. Teresa Sacchet - Doutora em Ciência Política pela Universidade de Essex e Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP. Por que as mulheres continuam sub-representadas na arena eleitoral? Qual o impacto da política de cotas na redução do déficit democrático de gênero na política? Como se dá o processo de recrutamento e seleção de candidaturas femininas nos partidos políticos? Como tem sido o desempenho eleitoral das mulheres candidatas? Apresentando ensaios sobre a evolução de direitos das mulheres ao longo dos séculos, e também análises de situações eleitorais concretas, esta coletânea procura responder a algumas dessas perguntas, contribuindo com o debate atual sobre a participação das mulheres na política. Embora apresentem metodologias e abordagens diferentes, os textos se sustentam em sólida base teórica e empírica, constituindo bibliografia de interesse não só para estudiosos do tema, mas também para aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre a inserção feminina na política e o longo caminho a percorrer para que homens e mulheres tenham uma participação mais equânime neste território.