Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus - Edição 05 Dez/2010 ISSN 1980-6930 107 TURISMO DE AVENTURA EM MANAUS: CONHECIMENTO EMPÍRICO E AS NORMAS TÉCNICAS NBR 15285 E NBR 15331 Rafael Falcone Bomfim1 Cláudia Araújo de Menezes Gonçalves Martins2 RESUMO Este artigo tem o intuito de colaborar para a construção de uma base de dados científica no campo do Turismo de Aventura na cidade de Manaus-AM, bem como servir de consulta para pesquisas futuras a respeito da qualificação de mão de obra neste setor. O artigo foi norteado pela abordagem das quatro empresas afiliadas à Associação Brasileira de Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura, ABETA-AMAZONAS, que estão atualmente buscando a certificação de seus produtos turísticos pelas normas da ABNT. Esta abordagem focou a compreensão de como vem ocorrendo o processo de qualificação profissional nestas empresas. A metodologia foi dotada de entrevistas semi estruturadas, pesquisa bibliográfica e documental. Palavras-chave: Turismo de Aventura. Mão de obra. Qualificação. ABSTRACT This article aims to contribute on building a scientific database in the field of adventure tourism in the city of Manaus-AM, as well as serve as a source for future research about manpower qualification in this sector. The article was guided by the approach of the four companies affiliated to the Brazilian Association of Companies of Ecotourism and Adventure Tourism, ABETA-AMAZONAS, which are currently seeking certification of their touristic products by the ABNT. This approach focused on understanding how the process is occurring with the professional qualification in these firms. The methodology has been fitted with semi-structured, search literature and documents. Key-words: Adventure Tourism. Manpower. Qualification 1 Bacharel em Turismo pela Escola Superior de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas. E-mail: [email protected] 2 Mestre em Gestão de Negócios Turísticos e Bacharel em Turismo e professora da UEA. E-mail: [email protected] Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus - Edição 05 Dez/2010 ISSN 1980-6930 108 1 INTRODUÇÃO Manaus, local principal do objeto de estudo deste trabalho, capital do Estado do Amazonas com 1,6 milhão de habitantes, está localizada no meio da maior floresta equatorial do planeta, a floresta Amazônica, na margem esquerda do Rio Negro, principal afluente do rio Amazonas, considerada uma das cidades mais promissoras para o desenvolvimento do turismo no Brasil e no mundo, em virtude de suas belezas naturais, de sua cultura indígena e cabocla, mesclada à cultura européia. A cidade é o principal portão de entrada para o turismo no estado do Amazonas e na própria região Amazônica. A demanda por turismo de aventura cresce à medida que aumenta o nível de estresse da população devido à intensa rotina de trabalho brasileira, e claro, com a visita dos turistas mais ávidos por este tipo de atividade e curiosidade pela região. As pessoas estão cada vez mais interessadas pela prática dos segmentos que envolvem a busca pela emoção e adrenalina em meio à selva, ou até mesmo na zona urbana. Porém, é fundamental a garantia da segurança e qualidade empregadas na realização das atividades, pois estas necessitam de técnicas específicas, planejamento, equipamentos certificados e fundamentalmente de mão-de-obra qualificada e capacitada. Algumas empresas de turismo em Manaus já estão atuando no segmento, vendendo o produto turismo de aventura ou mesmo operando as atividades em locais próximos. O intuito primordial deste trabalho é retratar o processo de implantação das normas técnicas nas empresas atuantes em Manaus que visam a certificação de seus produtos turísticos pela instituição certificadora autorizada pela Associação Brasileira de Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA) que deverá ocorrer nos meses de agosto e novembro de 2010. Com vistas a alcançar este objetivo, utilizou-se uma pesquisa de campo entrevistando as empresas do segmento de aventura cujos dados qualitativos serão apresentados neste trabalho. Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus - Edição 05 Dez/2010 ISSN 1980-6930 109 2 TURISMO DE AVENTURA O tema turismo de aventura ainda hoje não possui estudos em larga escala e bem difundidos. As pesquisas e dados encontrados são na maioria de origem estrangeira. A Nova Zelândia é um dos países que mais contribui para a construção de uma base científica na área. Naquele país são desenvolvidas as mais diversas atividades de turismo de aventura, proporcionadas pela geografia da região. No Brasil, o Ministério do Turismo formatou o seguinte conceito: Segmento do mercado turístico que promove a prática de atividades de aventura e esporte recreacional, em ambientes naturais e espaços urbanos ao ar livre, que envolvam emoções e riscos controlados, exigindo o uso de técnicas e equipamentos específicos, a adoção de procedimentos para garantir a segurança pessoal e de terceiros e o respeito ao patrimônio ambiental e sociocultural. (2005, p. 9). Devido à diversidade de assuntos que envolvem o segmento em discussão, ele merece ser melhor discutido, pois como qualquer atividade turística sua complexa rede de interrelações permite inúmeros olhares sobre um mesmo assunto. Cada indivíduo tem uma visão peculiar sobre o que é aventura, ainda que com diferenças sutis, estas podem representar a divisa entre o sentir, ou não, medo e emoção, logo entende-se que aventura não possui um conceito fechado. Na verdade, conforme Swarbrooke (2003),“a separação das atividades que atendem ou não os requisitos do turismo de aventura é dificultada pela natureza subjetiva da aventura”. A percepção e a tolerância à aventura são completamente pessoais, isto é, o que para algumas pessoas é grande desafio, para outras pode representar um simples passeio. Essa peculiaridade levanta uma questão polêmica entre os autores da área: tudo o que se pensa como uma aventura é turismo de aventura? Para Swarbrooke, esta discussão deve considerar a oferta da indústria do turismo sob dois aspectos: a análise dos ambientes e das atividades praticadas. Se houver a prática de atividade física, esportes, contato com a natureza, contato com outras culturas ao ar livre, selva, localidades remotas singulares, ambientes artificiais, então pode ser considerado turismo de aventura. De acordo com o documento elaborado pelo MTur (2008), estabeleceu-se que o turismo de aventura consiste nos movimentos turísticos constituídos pelos deslocamentos e estadas que envolvem a efetivação de atividades tradicionalmente ditas turísticas (hospedagem, alimentação, transporte, recreação e entretenimento, recepção e condução de turistas, Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus - Edição 05 Dez/2010 ISSN 1980-6930 110 operação e agenciamento), as quais só existem em função da prática de atividades de aventura. Entende-se, portanto, que as atividades de aventura, neste caso, também são consideradas turísticas. O exercício de turismo de aventura é construído em função dos territórios em que são operados, dos equipamentos, habilidades e técnicas exigidas em relação aos riscos que podem envolver e da contínua inovação tecnológica. 2.2 TURISMO DE AVENTURA E SEGURANÇA No ano de 2005, o Ministério do Turismo em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elaborou uma série de normas para diversas atividades praticadas nos diferentes segmentos turísticos, fato que criou condições para que as organizações envolvidas no segmento de turismo de aventura pudessem dar início a um processo de regulamentação de suas atividades. Dentre elas, as normas: NBR 15285 - Turismo de aventura - Condutores - Competência de pessoal e NBR 15331 - Turismo de aventura - Sistema de gestão da segurança - Requisitos. Estas duas normas tratam as questões da segurança, gerenciamento de riscos e competências de pessoal envolvidas nas práticas de turismo de aventura. O quesito da segurança no turismo de aventura abrange pessoas (tanto os clientes quanto os prestadores de serviços, inclusive as organizações públicas), equipamentos, procedimentos e as próprias empresas prestadoras dos serviços. A norma NBR 15285 trata das competências mínimas para os condutores de aventura, não importando qual seja a atividade praticada. As competências envolvem a capacidade de mobilização, desenvolvimento e aplicação de conhecimentos, habilidades e atitudes no desempenho do trabalho e na solução de problemas. Assim, como uma das iniciativas para tratar a questão do turismo de aventura e tendo em conta os diversos fatores envolvidos em sua operação, em particular a garantia da segurança dos turistas, é apropriado que se estabeleçam requisitos focalizados nas competências mínimas consideradas essenciais e necessárias aos profissionais que atuam como condutores de turistas em empreendimentos que oferecem as atividades de turismo de aventura, independentemente de qual atividade esteja sendo oferecida. (ABNT, 2005, p. iv) Dentre os conhecimentos estabelecidos pela NBR 15285, o profissional deve saber interpretar sinais climáticos, técnicas de navegação e orientação (por exemplo, interpretação básica de cartas topográficas, mapas - legenda e simbologia, escala, curva de nível e utilização Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus - Edição 05 Dez/2010 ISSN 1980-6930 111 de bússola, orientação por sinais naturais), procedimentos de primeiros-socorros, técnicas de mínimo impacto ambiental, entre outros. Duas habilidades que o condutor deve apresentar são: ser expressivo na comunicação oral (como, por exemplo, para manter o interesse dos clientes na atividade) e ter capacidade de tomar decisões complexas. A capacidade de persuasão, controle, planejamento, percepção e versatilidade são alguns dos atributos e atitudes considerados pela norma. A NBR 15331 faz uma abordagem sistêmica da segurança no turismo de aventura. De acordo com sua introdução, As organizações envolvidas com as atividades de turismo de aventura vêm procurando sistematizar e controlar as suas atividades, inclusive incorporando práticas de gestão de riscos, de maneira a proverem atividades de turismo de aventura de forma responsável e segura. Por si só essas iniciativas de sistematização e controle podem não ser suficientes para proporcionar a uma organização a garantia de que seu desempenho em termos de segurança não apenas atenda, mas continue a atender, aos requisitos legais e aos de sua política. Para que sejam eficazes, é necessário que estes procedimentos sejam realizados dentro de um sistema de gestão estruturado e integrado às atividades gerais de gestão. (ABNT, 2005, p. v) Infere-se que a norma de gestão da segurança deve servir de referência para toda organização envolvida no ramo de aventura, e usá-la para elaborar o sistema de gestão da segurança e do conjunto de técnicas de gestão de riscos, visando sempre a melhoria contínua das condições de segurança. O comprometimento de todos os níveis e funções na organização, em especial da direção é responsável pelo sucesso de todo o sistema. Para a manutenção do sistema é utilizada a metodologia que envolve o planejamento, implementação, verificação e ação num ciclo contínuo – Plan, Do, Check and Action (PDCA). 2.3 PROGRAMA AVENTURA SEGURA Nesta parte do trabalho destaca-se a idéia do Programa Aventura Segura (www.abeta.com.br) que é uma iniciativa do Ministério do Turismo implementada desde dezembro de 2005 pela ABETA. Em dezembro de 2006 foi assinado um convênio com o SEBRAE Nacional para viabilizar o Projeto de Qualificação e Certificação no Turismo de Aventura, que faz parte do programa. Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus - Edição 05 Dez/2010 ISSN 1980-6930 112 A proposta é criar oportunidades de articulação, relacionamento e conhecimento do meio empresarial e profissional do turismo de aventura em cada região em que for divulgado, envolvendo empreendedores, condutores e a comunidade relacionada. Com ações de fortalecimento, qualificação e certificação, o Programa Aventura Segura abrange palestras por meio de seminários, oficinas e cursos específicos que abordam segurança, associativismo e qualidade nas atividades de turismo de aventura ofertadas em 15 pólos nacionais. Os pólos nacionais que já vem recebendo prioritariamente as ações do programa são: Serra do Cipó (MG), Alto Paraíso (GO), Rio de Janeiro, Fortaleza, Bonito (MS), Chapada Diamantina (BA), Florianópolis, Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira – Petar (SP), Foz do Iguaçu (PR), Serras Gaúchas (RS), Brotas (SP), Serra dos Órgãos (RJ), Lençóis Maranhenses, Manaus e Recife. 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este trabalho adotou a linha de pesquisa qualitativa que proporcionou através da observação assistemática e controlada de determinados elementos ou situações, devidamente selecionadas a partir de entendimentos a respeito do objeto de estudo, a construção de um ponto de vista sobre a natureza dos fatos observados. (DENCKER, 2001). Devido ao baixo grau de difusão das informações que tratam do turismo de aventura, o trabalho assumiu um caráter exploratório. Foram desenvolvidas entrevistas semi estruturadas que funcionaram mais como conversas, buscando-se obter experiências, opiniões, conhecimentos e entendimentos dos entrevistados sobre como vem sendo implantado o processo de qualificação nas empresas visando a certificação pelas normas da ABNT. A entrevista é uma comunicação verbal entre duas ou mais pessoas, com um grau de estruturação previamente definido, cuja finalidade é a obtenção de informações de pesquisa (receber informações relacionadas com a atividade turística, por exemplo). (DENCKER, 2001, p. 137) A duração das entrevistas foi de aproximadamente 45 minutos, algumas delas até pouco mais de uma hora. Foram realizadas no mês de abril e junho de 2010 junto às quatro empresas afiliadas à ABETA regional Amazonas que estão se preparando para a certificação de seus produtos (atividades) que deverá ocorrer em agosto e novembro do ano corrente. Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus - Edição 05 Dez/2010 ISSN 1980-6930 113 Outra técnica utilizada foi a pesquisa bibliográfica e consulta aos dados e materiais divulgados pelas empresas em suas páginas na internet, que atualmente é um dos principais veículos de comunicação, e, muitas vezes, traz ao consumidor um cartão de visita da empresa, influenciando na decisão de compra. 4 RESULTADOS Para não gerar quaisquer problemas junto às empresas entrevistadas, seus nomes serão resguardados e, para este estudo, serão assim chamadas: empresas A, B, C e D. O proprietário e fundador, há 18 anos, da empresa “A”, concedeu entrevista para colaborar com esta pesquisa. Esta empresa é especializada em turismo fluvial e realiza expedições através do rio Negro e rio Solimões que chegam a durar até 30 dias, dependendo do desejo de seus clientes. A empresa “A” pretende certificar um de seus produtos que consiste em um passeio fluvial com duração de doze horas que passa, inclusive, pelo Encontro das Águas, em Manaus, e outros pontos em terra firme. Apesar de oferecer expedições de longa duração, o proprietário optou por um produto de menor duração, já que o processo de levantamento de riscos e elaboração do plano de gestão de segurança para uma expedição a partir de dois ou três dias se torna muito complexo e demanda muito mais disponibilidade de tempo para a toda a equipe envolvida. O processo de qualificação da equipe é encarado como um desafio para a direção da empresa, pois é um processo novo e as responsabilidades e funções de cada membro da equipe devem ser bem definidas e bem esclarecidas, cabendo à direção o domínio de todas elas. O engajamento da diretoria é considerado fundamental. A empresa “B” é uma das afiliadas à ABETA-AM que atua diretamente no ramo de hotelaria (lodge) no município do Rio Preto da Eva, e está trabalhando para certificar sua atividade de trilha na selva. O proprietário comentou que para implantar seu processo de qualificação junto aos seus funcionários e contratados é preciso insistência, pois a aceitação de normas e siglas pelos guias, mateiros e condutores (caboclos da região), muitas vezes, contraria os conhecimentos de longa data que possuem e, de certa forma, absorviam a informação como crítica aos seus modos de trabalho. Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus - Edição 05 Dez/2010 ISSN 1980-6930 114 O entendimento e aceitação das normas técnicas foram um tanto quanto lentos no início, mas acabou por despertar a curiosidade e preocupações com uma variedade de situações que poderiam ocorrer no desempenho da atividade de trilha na selva. Foi ressaltado que um dos pontos mais importantes para os integrantes da equipe era a prática de simulações de resgate com diversas características, por exemplo: no caso de um cliente ser picado por uma cobra, havia a preocupação para a necessidade de identificar a espécie da cobra, o uso do soro correto; uma falha em um equipamento de comunicação; algum tipo de problema com o transporte no resgate. Situações que antes não eram pensadas. Outro apontamento feito trata da percepção e necessidade de um constante controle para a manutenção da qualidade no processo, pela diretoria do empreendimento. A empresa “C” é uma firma familiar que já atua no mercado desde 1965. Foi realizada uma entrevista com um funcionário que já trabalha há mais de dois anos na empresa e é responsável pela gestão do processo que visa a certificação do produto que consiste em um passeio fluvial ao Encontro das Águas em Manaus, com duração de quatro horas. O entrevistado relatou que encontra dificuldades em passar as instruções sobre as normas para alguns funcionários do quadro da empresa por ela não ser considerada hierarquicamente superior e falta de abertura para novos conhecimentos de alguns trabalhadores de mais idade. Para tratar essa questão, contava com o apoio de uma das sócias proprietárias. Por conta desta situação, apontou a importância do envolvimento direto dos dirigentes no processo. Sobre a escolha do passeio fluvial com quatro horas de duração foi apontado que o fato de ser um produto que envolve uma equipe de pessoas menor, uma embarcação menor e também duração menor torna o trabalho de levantamento de riscos mais prático e mais fácil. Fato que colaborou para a mudança de produto a ser certificado, pois anteriormente era pensado o passeio de maior duração, com embarcação maior e grupo de pessoas maior. A quarta empresa pesquisada, a empresa “D”, é uma das mais novas no mercado e opera há quatro anos em Manaus com uma atividade praticamente exclusiva: a escalada recreacional em árvores. O proprietário da empresa, juntamente com sua esposa, são os operadores da atividade. O casal, sempre que possível, freqüenta os cursos oferecidos pela ABETA em Manaus a fim de buscar atualização constante sobre novas técnicas e novos equipamentos e matérias a fim de se preparar para a certificação da escalada recreacional. O fato de a atividade desenvolvida pela empresa ser bem definida – escalada em árvore – acaba facilitando todo o procedimento de gestão da segurança. Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus - Edição 05 Dez/2010 ISSN 1980-6930 115 Todas as empresas consultadas demonstram preocupação relevante no momento da contratação de terceiros para a realização das atividades inseridas nos seus pacotes turísticos. Esta preocupação envolve principalmente o conhecimento sobre a experiência dos profissionais (barqueiros, guias, mateiros, empresas de transporte, etc.) e dão preferência aqueles com trabalho reconhecido na região e que possuam equipamentos de boa qualidade. Em passeios fluviais é comum a contratação de seguro de vida que é incluso no pacote. A maior parte das empresas não possui quadro fixo de funcionários que estão diretamente envolvidos nas atividades, o que dificulta o controle e gerenciamento de competências de pessoal e certificação de equipamentos, no entanto, há uma regularidade na contratação dos freelancers3 configurando uma relação de parceria duradoura que proporciona confiabilidade aos serviços prestados. As empresas que não possuem funcionários fixos estão sujeitas a um risco maior de ocorrerem falhas em seus serviços, pois o acompanhamento da qualificação dos terceirizados é prejudicado. Foi possível identificar uma agência que está realizando o gerenciamento e levantamento de riscos em seus passeios fluviais, bem como o treinamento pertinente aos seus funcionários a fim de ser aprovada no minucioso processo de certificação deste produto. CONCLUSÃO Esta pesquisa proporcionou uma visão sobre como ocorre o processo de qualificação de mão de obra de quatro empresas afiliadas à ABETA regional do Amazonas, que estão programadas para receber o órgão certificador da ABETA nos meses de agosto e novembro de 2010. Foi possível identificar um ponto crítico nesse processo que é o estabelecimento de uma forte relação de confiança no serviço prestado pelos profissionais e empresas terceirizadas. Porém, acredita-se que as empresas não devem pautar-se somente por estas relações de confiança, e sim, por um detalhado e rigoroso sistema de controle. Outro fato relevante destacado foi a relevância do engajamento da direção das empresas na implantação dos processos de normatização técnica. O retrato da atualidade mostra que estas empresas ainda começam a dar os primeiros passos para a formação de parcerias, que ajudam a impulsionar a atividade com valor 3 Profissional autônomo que se auto-emprega em diferentes empresas, podendo ainda captar e atender seus clientes de forma independente. Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus - Edição 05 Dez/2010 ISSN 1980-6930 116 agregado pela busca constante da segurança, qualidade e confiabilidade dos serviços prestados, bem como para levantar os riscos e perigos das atividades, estabelecerem as condutas de atendimento a emergências e a criação das políticas de segurança. Todos os profissionais do segmento de aventura em Manaus devem estar comprometidos com o cumprimento das normas de segurança, pois a capital do Amazonas é o cartão de visita para os atuais e futuros turistas de aventura. Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus - Edição 05 Dez/2010 ISSN 1980-6930 117 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE ECOTURISMO E TURISMO DE AVENTURA. Entenda o Programa Aventura Segura. Disponível em: <http://www.abeta.com.br/aventura-segura/pgn.asp?id_pg=1&nivel=2&n1id=1&n2id=1>. Acesso em: 16 de abril 2010. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15285: Turismo de aventura - Condutores - Competência de pessoal. Rio de Janeiro, 2005. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15331: Turismo de aventura - Sistema de gestão da segurança –Requisitos. Rio de Janeiro, 2005. BRASIL, Ministério do Turismo. Regulamentação, normalização e certificação em turismo de aventura. Relatório diagnóstico. Brasília: Ministério do Turismo, 2005. BRASIL, Ministério do Turismo. Turismo de Aventura: orientações básicas. Brasília: Ministério do Turismo, 2008. DENCKER, Ada de Freitas Manetti. Métodos e técnicas de pesquisa em turismo. 5. ed. São Paulo: Futura, 1998. SWARBROOKE, John... [et. al.], Turismo de aventura: conceitos e estudos de casos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.