Revista Eletrônica Aboré - Publicação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus - Edição 05 Dez/2010
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TURISMO DE AVENTURA EM MANAUS: CONHECIMENTO
EMPÍRICO E AS NORMAS TÉCNICAS NBR 15285 E NBR 15331
Rafael Falcone Bomfim1
Cláudia Araújo de Menezes Gonçalves Martins2
RESUMO
Este artigo tem o intuito de colaborar para a construção de uma base de dados científica no campo do Turismo de Aventura
na cidade de Manaus-AM, bem como servir de consulta para pesquisas futuras a respeito da qualificação de mão de obra
neste setor. O artigo foi norteado pela abordagem das quatro empresas afiliadas à Associação Brasileira de Empresas de
Ecoturismo e Turismo de Aventura, ABETA-AMAZONAS, que estão atualmente buscando a certificação de seus produtos
turísticos pelas normas da ABNT. Esta abordagem focou a compreensão de como vem ocorrendo o processo de qualificação
profissional nestas empresas. A metodologia foi dotada de entrevistas semi estruturadas, pesquisa bibliográfica e documental.
Palavras-chave: Turismo de Aventura. Mão de obra. Qualificação.
ABSTRACT
This article aims to contribute on building a scientific database in the field of adventure tourism in the city of Manaus-AM, as
well as serve as a source for future research about manpower qualification in this sector. The article was guided by the
approach of the four companies affiliated to the Brazilian Association of Companies of Ecotourism and Adventure Tourism,
ABETA-AMAZONAS, which are currently seeking certification of their touristic products by the ABNT. This approach
focused on understanding how the process is occurring with the professional qualification in these firms. The methodology
has been fitted with semi-structured, search literature and documents.
Key-words: Adventure Tourism. Manpower. Qualification
1
Bacharel em Turismo pela Escola Superior de Artes e Turismo da Universidade do Estado do Amazonas.
E-mail: [email protected]
2
Mestre em Gestão de Negócios Turísticos e Bacharel em Turismo e professora da UEA.
E-mail: [email protected]
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1 INTRODUÇÃO
Manaus, local principal do objeto de estudo deste trabalho, capital do Estado do
Amazonas com 1,6 milhão de habitantes, está localizada no meio da maior floresta equatorial
do planeta, a floresta Amazônica, na margem esquerda do Rio Negro, principal afluente do rio
Amazonas, considerada uma das cidades mais promissoras para o desenvolvimento do
turismo no Brasil e no mundo, em virtude de suas belezas naturais, de sua cultura indígena e
cabocla, mesclada à cultura européia. A cidade é o principal portão de entrada para o turismo
no estado do Amazonas e na própria região Amazônica.
A demanda por turismo de aventura cresce à medida que aumenta o nível de estresse da
população devido à intensa rotina de trabalho brasileira, e claro, com a visita dos turistas mais
ávidos por este tipo de atividade e curiosidade pela região. As pessoas estão cada vez mais
interessadas pela prática dos segmentos que envolvem a busca pela emoção e adrenalina em
meio à selva, ou até mesmo na zona urbana. Porém, é fundamental a garantia da segurança e
qualidade empregadas na realização das atividades, pois estas necessitam de técnicas
específicas, planejamento, equipamentos certificados e fundamentalmente de mão-de-obra
qualificada e capacitada.
Algumas empresas de turismo em Manaus já estão atuando no segmento, vendendo o
produto turismo de aventura ou mesmo operando as atividades em locais próximos.
O intuito primordial deste trabalho é retratar o processo de implantação das normas
técnicas nas empresas atuantes em Manaus que visam a certificação de seus produtos
turísticos pela instituição certificadora autorizada pela Associação Brasileira de Empresas de
Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA) que deverá ocorrer nos meses de agosto e
novembro de 2010. Com vistas a alcançar este objetivo, utilizou-se uma pesquisa de campo
entrevistando as empresas do segmento de aventura cujos dados qualitativos serão
apresentados neste trabalho.
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2 TURISMO DE AVENTURA
O tema turismo de aventura ainda hoje não possui estudos em larga escala e bem
difundidos. As pesquisas e dados encontrados são na maioria de origem estrangeira. A Nova
Zelândia é um dos países que mais contribui para a construção de uma base científica na área.
Naquele país são desenvolvidas as mais diversas atividades de turismo de aventura,
proporcionadas pela geografia da região.
No Brasil, o Ministério do Turismo formatou o seguinte conceito:
Segmento do mercado turístico que promove a prática de atividades de aventura e
esporte recreacional, em ambientes naturais e espaços urbanos ao ar livre, que
envolvam emoções e riscos controlados, exigindo o uso de técnicas e equipamentos
específicos, a adoção de procedimentos para garantir a segurança pessoal e de
terceiros e o respeito ao patrimônio ambiental e sociocultural. (2005, p. 9).
Devido à diversidade de assuntos que envolvem o segmento em discussão, ele merece
ser melhor discutido, pois como qualquer atividade turística sua complexa rede de interrelações permite inúmeros olhares sobre um mesmo assunto.
Cada indivíduo tem uma visão peculiar sobre o que é aventura, ainda que com
diferenças sutis, estas podem representar a divisa entre o sentir, ou não, medo e emoção, logo
entende-se que aventura não possui um conceito fechado. Na verdade, conforme Swarbrooke
(2003),“a separação das atividades que atendem ou não os requisitos do turismo de aventura é
dificultada pela natureza subjetiva da aventura”.
A percepção e a tolerância à aventura são completamente pessoais, isto é, o que para
algumas pessoas é grande desafio, para outras pode representar um simples passeio. Essa
peculiaridade levanta uma questão polêmica entre os autores da área: tudo o que se pensa
como uma aventura é turismo de aventura? Para Swarbrooke, esta discussão deve considerar a
oferta da indústria do turismo sob dois aspectos: a análise dos ambientes e das atividades
praticadas. Se houver a prática de atividade física, esportes, contato com a natureza, contato
com outras culturas ao ar livre, selva, localidades remotas singulares, ambientes artificiais,
então pode ser considerado turismo de aventura.
De acordo com o documento elaborado pelo MTur (2008), estabeleceu-se que o turismo
de aventura consiste nos movimentos turísticos constituídos pelos deslocamentos e estadas
que envolvem a efetivação de atividades tradicionalmente ditas turísticas (hospedagem,
alimentação, transporte, recreação e entretenimento, recepção e condução de turistas,
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operação e agenciamento), as quais só existem em função da prática de atividades de
aventura. Entende-se, portanto, que as atividades de aventura, neste caso, também são
consideradas turísticas.
O exercício de turismo de aventura é construído em função dos territórios em que são
operados, dos equipamentos, habilidades e técnicas exigidas em relação aos riscos que podem
envolver e da contínua inovação tecnológica.
2.2 TURISMO DE AVENTURA E SEGURANÇA
No ano de 2005, o Ministério do Turismo em parceria com a Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) elaborou uma série de normas para diversas atividades praticadas
nos diferentes segmentos turísticos, fato que criou condições para que as organizações
envolvidas no segmento de turismo de aventura pudessem dar início a um processo de
regulamentação de suas atividades. Dentre elas, as normas: NBR 15285 - Turismo de aventura
- Condutores - Competência de pessoal e NBR 15331 - Turismo de aventura - Sistema de
gestão da segurança - Requisitos. Estas duas normas tratam as questões da segurança,
gerenciamento de riscos e competências de pessoal envolvidas nas práticas de turismo de
aventura.
O quesito da segurança no turismo de aventura abrange pessoas (tanto os clientes
quanto os prestadores de serviços, inclusive as organizações públicas), equipamentos,
procedimentos e as próprias empresas prestadoras dos serviços.
A norma NBR 15285 trata das competências mínimas para os condutores de aventura,
não importando qual seja a atividade praticada. As competências envolvem a capacidade de
mobilização, desenvolvimento e aplicação de conhecimentos, habilidades e atitudes no
desempenho do trabalho e na solução de problemas.
Assim, como uma das iniciativas para tratar a questão do turismo de aventura e
tendo em conta os diversos fatores envolvidos em sua operação, em particular a
garantia da segurança dos turistas, é apropriado que se estabeleçam requisitos
focalizados nas competências mínimas consideradas essenciais e necessárias aos
profissionais que atuam como condutores de turistas em empreendimentos que
oferecem as atividades de turismo de aventura, independentemente de qual atividade
esteja sendo oferecida. (ABNT, 2005, p. iv)
Dentre os conhecimentos estabelecidos pela NBR 15285, o profissional deve saber
interpretar sinais climáticos, técnicas de navegação e orientação (por exemplo, interpretação
básica de cartas topográficas, mapas - legenda e simbologia, escala, curva de nível e utilização
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de bússola, orientação por sinais naturais), procedimentos de primeiros-socorros, técnicas de
mínimo impacto ambiental, entre outros.
Duas habilidades que o condutor deve apresentar são: ser expressivo na comunicação
oral (como, por exemplo, para manter o interesse dos clientes na atividade) e ter capacidade
de tomar decisões complexas.
A capacidade de persuasão, controle, planejamento, percepção e versatilidade são
alguns dos atributos e atitudes considerados pela norma.
A NBR 15331 faz uma abordagem sistêmica da segurança no turismo de aventura. De
acordo com sua introdução,
As organizações envolvidas com as atividades de turismo de aventura vêm
procurando sistematizar e controlar as suas atividades, inclusive incorporando
práticas de gestão de riscos, de maneira a proverem atividades de turismo de
aventura de forma responsável e segura. Por si só essas iniciativas de sistematização
e controle podem não ser suficientes para proporcionar a uma organização a garantia
de que seu desempenho em termos de segurança não apenas atenda, mas continue a
atender, aos requisitos legais e aos de sua política. Para que sejam eficazes, é
necessário que estes procedimentos sejam realizados dentro de um sistema de gestão
estruturado e integrado às atividades gerais de gestão. (ABNT, 2005, p. v)
Infere-se que a norma de gestão da segurança deve servir de referência para toda
organização envolvida no ramo de aventura, e usá-la para elaborar o sistema de gestão da
segurança e do conjunto de técnicas de gestão de riscos, visando sempre a melhoria contínua
das condições de segurança. O comprometimento de todos os níveis e funções na organização,
em especial da direção é responsável pelo sucesso de todo o sistema.
Para a manutenção do sistema é utilizada a metodologia que envolve o planejamento,
implementação, verificação e ação num ciclo contínuo –
Plan, Do, Check and Action
(PDCA).
2.3 PROGRAMA AVENTURA SEGURA
Nesta parte do trabalho destaca-se a idéia do Programa Aventura Segura
(www.abeta.com.br) que é uma iniciativa do Ministério do Turismo implementada desde
dezembro de 2005 pela ABETA. Em dezembro de 2006 foi assinado um convênio com o
SEBRAE Nacional para viabilizar o Projeto de Qualificação e Certificação no Turismo de
Aventura, que faz parte do programa.
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A proposta é criar oportunidades de articulação, relacionamento e conhecimento do
meio empresarial e profissional do turismo de aventura em cada região em que for divulgado,
envolvendo empreendedores, condutores e a comunidade relacionada.
Com ações de fortalecimento, qualificação e certificação, o Programa Aventura Segura
abrange palestras por meio de seminários, oficinas e cursos específicos que abordam
segurança, associativismo e qualidade nas atividades de turismo de aventura ofertadas em 15
pólos nacionais.
Os pólos nacionais que já vem recebendo prioritariamente as ações do programa são:
Serra do Cipó (MG), Alto Paraíso (GO), Rio de Janeiro, Fortaleza, Bonito (MS), Chapada
Diamantina (BA), Florianópolis, Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira – Petar (SP), Foz
do Iguaçu (PR), Serras Gaúchas (RS), Brotas (SP), Serra dos Órgãos (RJ), Lençóis
Maranhenses, Manaus e Recife.
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Este trabalho adotou a linha de pesquisa qualitativa que proporcionou através da
observação assistemática e controlada de determinados elementos ou situações, devidamente
selecionadas a partir de entendimentos a respeito do objeto de estudo, a construção de um
ponto de vista sobre a natureza dos fatos observados. (DENCKER, 2001). Devido ao baixo
grau de difusão das informações que tratam do turismo de aventura, o trabalho assumiu um
caráter exploratório.
Foram desenvolvidas entrevistas semi estruturadas que funcionaram mais como
conversas, buscando-se obter experiências, opiniões, conhecimentos e entendimentos dos
entrevistados sobre como vem sendo implantado o processo de qualificação nas empresas
visando a certificação pelas normas da ABNT.
A entrevista é uma comunicação verbal entre duas ou mais pessoas, com um grau de
estruturação previamente definido, cuja finalidade é a obtenção de informações de
pesquisa (receber informações relacionadas com a atividade turística, por exemplo).
(DENCKER, 2001, p. 137)
A duração das entrevistas foi de aproximadamente 45 minutos, algumas delas até pouco
mais de uma hora. Foram realizadas no mês de abril e junho de 2010 junto às quatro empresas
afiliadas à ABETA regional Amazonas que estão se preparando para a certificação de seus
produtos (atividades) que deverá ocorrer em agosto e novembro do ano corrente.
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Outra técnica utilizada foi a pesquisa bibliográfica e consulta aos dados e materiais
divulgados pelas empresas em suas páginas na internet, que atualmente é um dos principais
veículos de comunicação, e, muitas vezes, traz ao consumidor um cartão de visita da empresa,
influenciando na decisão de compra.
4 RESULTADOS
Para não gerar quaisquer problemas junto às empresas entrevistadas, seus nomes serão
resguardados e, para este estudo, serão assim chamadas: empresas A, B, C e D.
O proprietário e fundador, há 18 anos, da empresa “A”, concedeu entrevista para
colaborar com esta pesquisa. Esta empresa é especializada em turismo fluvial e realiza
expedições através do rio Negro e rio Solimões que chegam a durar até 30 dias, dependendo
do desejo de seus clientes.
A empresa “A” pretende certificar um de seus produtos que consiste em um passeio
fluvial com duração de doze horas que passa, inclusive, pelo Encontro das Águas, em
Manaus, e outros pontos em terra firme. Apesar de oferecer expedições de longa duração, o
proprietário optou por um produto de menor duração, já que o processo de levantamento de
riscos e elaboração do plano de gestão de segurança para uma expedição a partir de dois ou
três dias se torna muito complexo e demanda muito mais disponibilidade de tempo para a toda
a equipe envolvida.
O processo de qualificação da equipe é encarado como um desafio para a direção da
empresa, pois é um processo novo e as responsabilidades e funções de cada membro da
equipe devem ser bem definidas e bem esclarecidas, cabendo à direção o domínio de todas
elas. O engajamento da diretoria é considerado fundamental.
A empresa “B” é uma das afiliadas à ABETA-AM que atua diretamente no ramo de
hotelaria (lodge) no município do Rio Preto da Eva, e está trabalhando para certificar sua
atividade de trilha na selva.
O proprietário comentou que para implantar seu processo de qualificação junto aos seus
funcionários e contratados é preciso insistência, pois a aceitação de normas e siglas pelos
guias, mateiros e condutores (caboclos da região), muitas vezes, contraria os conhecimentos
de longa data que possuem e, de certa forma, absorviam a informação como crítica aos seus
modos de trabalho.
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O entendimento e aceitação das normas técnicas foram um tanto quanto lentos no início,
mas acabou por despertar a curiosidade e preocupações com uma variedade de situações que
poderiam ocorrer no desempenho da atividade de trilha na selva.
Foi ressaltado que um dos pontos mais importantes para os integrantes da equipe era a
prática de simulações de resgate com diversas características, por exemplo: no caso de um
cliente ser picado por uma cobra, havia a preocupação para a necessidade de identificar a
espécie da cobra, o uso do soro correto; uma falha em um equipamento de comunicação;
algum tipo de problema com o transporte no resgate. Situações que antes não eram pensadas.
Outro apontamento feito trata da percepção e necessidade de um constante controle para
a manutenção da qualidade no processo, pela diretoria do empreendimento.
A empresa “C” é uma firma familiar que já atua no mercado desde 1965. Foi realizada
uma entrevista com um funcionário que já trabalha há mais de dois anos na empresa e é
responsável pela gestão do processo que visa a certificação do produto que consiste em um
passeio fluvial ao Encontro das Águas em Manaus, com duração de quatro horas.
O entrevistado relatou que encontra dificuldades em passar as instruções sobre as
normas para alguns funcionários do quadro da empresa por ela não ser considerada
hierarquicamente superior e falta de abertura para novos conhecimentos de alguns
trabalhadores de mais idade. Para tratar essa questão, contava com o apoio de uma das sócias
proprietárias. Por conta desta situação, apontou a importância do envolvimento direto dos
dirigentes no processo.
Sobre a escolha do passeio fluvial com quatro horas de duração foi apontado que o fato
de ser um produto que envolve uma equipe de pessoas menor, uma embarcação menor e
também duração menor torna o trabalho de levantamento de riscos mais prático e mais fácil.
Fato que colaborou para a mudança de produto a ser certificado, pois anteriormente era
pensado o passeio de maior duração, com embarcação maior e grupo de pessoas maior.
A quarta empresa pesquisada, a empresa “D”, é uma das mais novas no mercado e opera
há quatro anos em Manaus com uma atividade praticamente exclusiva: a escalada recreacional
em árvores. O proprietário da empresa, juntamente com sua esposa, são os operadores da
atividade.
O casal, sempre que possível, freqüenta os cursos oferecidos pela ABETA em Manaus a
fim de buscar atualização constante sobre novas técnicas e novos equipamentos e matérias a
fim de se preparar para a certificação da escalada recreacional.
O fato de a atividade desenvolvida pela empresa ser bem definida – escalada em árvore
– acaba facilitando todo o procedimento de gestão da segurança.
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Todas as empresas consultadas demonstram preocupação relevante no momento da
contratação de terceiros para a realização das atividades inseridas nos seus pacotes turísticos.
Esta preocupação envolve principalmente o conhecimento sobre a experiência dos
profissionais (barqueiros, guias, mateiros, empresas de transporte, etc.) e dão preferência
aqueles com trabalho reconhecido na região e que possuam equipamentos de boa qualidade.
Em passeios fluviais é comum a contratação de seguro de vida que é incluso no pacote.
A maior parte das empresas não possui quadro fixo de funcionários que estão
diretamente envolvidos nas atividades, o que dificulta o controle e gerenciamento de
competências de pessoal e certificação de equipamentos, no entanto, há uma regularidade na
contratação dos freelancers3 configurando uma relação de parceria duradoura que proporciona
confiabilidade aos serviços prestados.
As empresas que não possuem funcionários fixos estão sujeitas a um risco maior de
ocorrerem falhas em seus serviços, pois o acompanhamento da qualificação dos terceirizados
é prejudicado.
Foi possível identificar uma agência que está realizando o gerenciamento e
levantamento de riscos em seus passeios fluviais, bem como o treinamento pertinente aos seus
funcionários a fim de ser aprovada no minucioso processo de certificação deste produto.
CONCLUSÃO
Esta pesquisa proporcionou uma visão sobre como ocorre o processo de qualificação de
mão de obra de quatro empresas afiliadas à ABETA regional do Amazonas, que estão
programadas para receber o órgão certificador da ABETA nos meses de agosto e novembro
de 2010.
Foi possível identificar um ponto crítico nesse processo que é o estabelecimento de uma
forte relação de confiança no serviço prestado pelos profissionais e empresas terceirizadas.
Porém, acredita-se que as empresas não devem pautar-se somente por estas relações de
confiança, e sim, por um detalhado e rigoroso sistema de controle.
Outro fato relevante destacado foi a relevância do engajamento da direção das empresas
na implantação dos processos de normatização técnica.
O retrato da atualidade mostra que estas empresas ainda começam a dar os primeiros
passos para a formação de parcerias, que ajudam a impulsionar a atividade com valor
3
Profissional autônomo que se auto-emprega em diferentes empresas, podendo ainda captar e
atender seus clientes de forma independente.
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agregado pela busca constante da segurança, qualidade e confiabilidade dos serviços
prestados, bem como para levantar os riscos e perigos das atividades, estabelecerem as
condutas de atendimento a emergências e a criação das políticas de segurança.
Todos os profissionais do segmento de aventura em Manaus devem estar
comprometidos com o cumprimento das normas de segurança, pois a capital do Amazonas é o
cartão de visita para os atuais e futuros turistas de aventura.
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REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE ECOTURISMO E TURISMO DE
AVENTURA. Entenda o Programa Aventura Segura. Disponível em:
<http://www.abeta.com.br/aventura-segura/pgn.asp?id_pg=1&nivel=2&n1id=1&n2id=1>.
Acesso em: 16 de abril 2010.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15285: Turismo de aventura
- Condutores - Competência de pessoal. Rio de Janeiro, 2005.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15331: Turismo de aventura
- Sistema de gestão da segurança –Requisitos. Rio de Janeiro, 2005.
BRASIL, Ministério do Turismo. Regulamentação, normalização e certificação em
turismo de aventura. Relatório diagnóstico. Brasília: Ministério do Turismo, 2005.
BRASIL, Ministério do Turismo. Turismo de Aventura: orientações básicas. Brasília:
Ministério do Turismo, 2008.
DENCKER, Ada de Freitas Manetti. Métodos e técnicas de pesquisa em turismo.
5. ed. São Paulo: Futura, 1998.
SWARBROOKE, John... [et. al.], Turismo de aventura: conceitos e estudos de casos.
Rio de Janeiro: Elsevier, 2003.
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