FACULDADE FUNORTE / UNIDADE DE PÓS – GRADUAÇÃO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ORTODONTIA PAULA CRISTINA BACK BUENO USO DO APARELHO PROTRADOR MANDIBULAR EM PACIENTES CLASSE II CASCAVEL/PR 2014 PAULA CRISTINA BACK BUENO USO DO APARELHO PROTRADOR MANDIBULAR EM PACIENTES CLASSE II Monografia apresentada como parte dos requisitos para o Curso de Especialização em Ortodontia da FUNORTE/I. C. S. – Instituto de Ciências da Saúde, para obtenção do título de Especialista em Ortodontia. Professor Orientador: Roberto Bespalez Neto, MS. CASCAVEL/PR 2014 PAULA CRISTINA BACK BUENO USO DO APARELHO PROTRADOR MANDIBULAR EM PACIENTES CLASSE II Trabalho de Monografia apresentado ao Curso de Especialização em Ortodontia, da Faculdade FUNORTE – Unidade de Pós-Graduação, como requisito parcial à obtenção do título de especialista em Ortodontia. COORDENADOR: Prof. João Manoel Pezzini, MS. BANCA EXAMINADORA: ____________________________________________________________________ Prof. João Manoel Pezzini, MS. ____________________________________________________________________ Prof. Roberto Bespalez Neto. ____________________________________________________________________ Prof. Luiz Fernando Zoch Lopes CASCAVEL/PR 2014 4 Dedico o presente trabalho a minha mãe que esteve ao meu lado nas horas que chorei e que sorri, nas horas que me lamentei e nas horas que de uma forma ou de outra demonstrei total alegria... Agradecer pelo seu sorriso diário, pelos meus dias de mal humor que você me acalmou em seu colo. Hoje quero agradecer, porque você fez, faz e sempre fará parte da minha história. 5 AGRADECIMENTOS Expresso meu agradecimento a todos que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho, em especial agradeço: A Deus, por sempre me guiar e me permitir evoluir na caminhada. Ao meu orientador, por sua atenção, compreensão, conselhos valiosos e paciência frente as minhas dificuldades para conclusão deste trabalho. A minha família, que me fez acreditar que realmente tem algo bom no mundo, que me fez acreditar que há uma porta destrancada só esperando para abri-la. Obrigada por me guiarem, apoiarem e dizerem que tudo ficará bem. 6 “Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar...As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito.” Chico Xavier 7 RESUMO O objetivo do estudo foi uma revisão de literatura para avaliar a atuação do Aparelho Protrador Mandibular em tratamento da má oclusão em pacientes Classe II. Mais especificamente avaliar quais os fatores que influenciam diretamente na utilização do Aparelho Protrador Mandibular (APM). Visto que no contexto atual, existem dúvidas sobre os efeitos dentoesqueléticos provocados pelo tratamento com Aparelho Protrador Mandibular. Dessa forma, o estudo mostra a atuação do Aparelho Protrador Mandibular em pacientes Classe II, levando em consideração sua atuação no componente maxilar e mandibular, bem como os fatores que influenciam diretamente na eficácia do dispositivo. Palavras-chave: Aparelho de Protração Mandibular, Tratamento de Classe II, Protrusão Maxilar Ortopédica. 8 ABSTRACT The study was to conduct a literature review aimed to evaluate the effect of treatment on Mandibular Appliance Protrador maloclusion in Class II patients. More specifically evaluate the factors that directly influence the use of Mandibular Appliance Protrador. Since there are doubts about the dento skeletal effects caused by treatment with Mandibular Appliance Protrador the current context. Thus, the study shows the performance of the Appliance Protrador Mandibular Class II patients, taking into consideration their performance in the maxillary and mandibular component as well as the factors that directly influence the effectiveness of the device. Keywords: Mandibular Protraction Appliance, Treatment of Class II, Maxillary Protrusion Orthopaedic. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO................................................................................................................... 10 2 REVISÃO DE LITERAURA............................................................................................... 12 3 DISCUSSÃO....................................................................................................................... 81 4 CONCLUSÃO..................................................................................................................... 84 5 REFERÊNCIAS................................................................................................................... 82 10 1 INTRODUÇÃO No contexto atual, existem dúvidas sobre os efeitos dentoesqueléticos provocados pelo tratamento com Aparelho Protrador Mandibular (APM), sua atuação no componente maxilar e mandibular, bem como os fatores que influenciam diretamente na eficácia do dispositivo. Observa que a má oclusão classe II é um problema ortodôntico e/ou ortopédico geralmente analisado, sendo de grande interesse para o ortodontista, pois a sua correção constitui uma porcentagem significativa dos protocolos no tratamento clínico. ANGLE (1907), discute que a oclusão normal é aquela na qual os primeiros molares superiores estão na “chave de oclusão”, ou seja, a cúspide vestibular do primeiro molar superior oclui no sulco vestibular do primeiro molar inferior. Dessa forma, percebe-se que deve existir essa relação molar e os dentes deverão estar posicionados numa linha de oclusão, com uma curva de Spee suave, então têm - se uma oclusão normal. Portanto a classe II está presente nos casos em que a arcada inferior se encontra em relação distal com a arcada superior. A cúspide mésio - vestibular do primeiro molar superior permanente oclui no espaço entre a cúspide vestibular do primeiro molar inferior permanente e a face distal da cúspide vestibular do segundo pré-molar inferior. Contudo, nota-se que o casos de classe II, podem ainda serem classificados em divisão 1 e divisão 2, quando os incisivos centrais superiores apresentam uma inclinação para vestibular e palatina respectivamente. Podendo ainda ser subdividida em direita e esquerda. FREITAS & SANTOS (2008), várias formas de tratamento são descritas na literatura. Mais recentemente uma nova maneira de tratar essa má oclusão surgiu com o advento de aparelhos Jasper Jumper, Herbst e APM, que têm como objetivo protruir a mandíbula. Todos esses aparelhos promovem, ao fim do tratamento, uma forte compensação 11 dentoalveolar, que torna-se maior à medida que o paciente se encontra fora do surto de crescimento. LOIOLA et al. (2002), neste trabalho, será dado ênfase ao APM, este aparelho foi desenvolvido na década de 80, por um cirurgião dentista chamado de Carlos Martins Coelho Filho, este aparelho sofreu várias modificações até que se chegasse ao APM IV, tornando-se uma aparelho mais estável no movimento de abertura e fechamento de boca. PANCHERZ (1998), ao abordar sobre os APM, duas questões se tornam recorrentes: inclinação excessiva dos incisivos inferiores e consequentes retrações gengivais e problemas na ATM. Apesar de haver muita polêmica sobre esse assunto, atestam que a protrusão dos incisivos não causam retração gengival e que esta terapia pode ser uma alternativa para tratamento não extracionistas. Assim, o estudo foi realizar uma revisão de literatura que teve como objetivo avaliar a atuação do APM em tratamento da má - oclusão em pacientes Classe II com retrusão mandibular. Mais especificamente avaliar quais os fatores que influenciam diretamente na utilização do APM. 12 2 REVISÃO DE LITERAURA COELHO FILHO (1998), afirmou que o APM é um dispositivo de concepção doméstica que pode ser fabricado e instalado pelo próprio ortodontista, gerando uma postura mesial temporária da mandíbula durante o tratamento dos casos de classe II. Discute ainda que, é possível ativá-lo assimetricamente e unilateralmente, permitindo a correção das subdivisões de classe assim como os desvios de linha média. Apesar de seu modo de operação ortopédica, sua proposta primária de ação não é corrigir os desvios da relação maxilomandibular através do estímulo do crescimento da mandíbula, mas sim ajustar a oclusão através de movimento dentoalveolar em massa. Tal hipótese se fundamenta no fato de que no contexto do tempo total de tratamento, a média de uso do aparelho gira em torno de 6 meses, o que não é tempo suficiente para suportar a hipótese de que a correção teria sido feita por crescimento. O APM tem sido modificado constantemente no sentido de aperfeiçoamento mecânico e aumento no conforto do paciente. A filosofia de tratamento permanece inalterada, podendo ser resumida seguinte forma: A mandíbula é posturada mesialmente de modo a compensar uma sobressaliência horizontal existente; O retorno da mandíbula à sua posição original distal por ação da musculatura de suporte gera uma força que é transferida à maxila através do APM, causando a distalização da maxila em massa. A maior preocupação no uso do APM consiste na preservação da inclinação axial dos incisivos inferiores cuja inclinação labial não deve ser permitida. Por outro lado é um 13 meio seguro de mesializar o segmento póstero-inferior sem permitir a lingualização dos incisivos. Casos Clínicos: Caso Clínico 1: Paciente do gênero feminino, portador de má oclusão de classe II, divisão 2, complicada por discrepância dentolaveolar acentuada e mordida cruzada. Tratamento: Extração dos primeiros pré-molares; Emprego do APM; Tempo ativo de tratamento: 30 meses Fig.01 Fase inicial Fonte: COELHO FILHO (1998) Fig. 02 Fase final Fonte: COELHO FILHO (1998) 14 Fig.03 – telerradiografia inicial e telerradiografia final Fonte:COELHO FILHO (1998) Caso Clínico 2: Paciente do gênero feminino, 12 anos de idade, Classe II, divisão 1, Tratamento: APM 2, sem extrações, tempo de tratamento: 28 meses. Fig. 04 Fotografias intraorais iniciais Fonte: COELHO FILHO (1998) Fig. 05 APM instalado Fonte: COELHO FILHO (1998) 15 Fig. 06 Fotografias intraorais finais Fonte: COELHO FILHO (1998) Fig. 07 Telerradiografia lateral (inicial) Fig. 08 Telerradiografia lateral (final) Fonte: COELHO FILHO (1998) Caso Clínico 3: Gênero masculino, 11 anos de idade, classe II, divisão 1. Tratamento: APM 2, sem extrações. Tempo de tratamento: 3 anos. 16 Fig 09. Fotografias iniciais Fonte: COELHO FILHO (1998) Fig. 10 APM instalado Fonte: COELHO FILHO (1998) Fig. 11 Vista intraoral no final do tratamento Fonte: COELHO FILHO (1998) 17 Fig. 12 Telerradiografia lateral (inicial) Fig. 13 Telerradiografia lateral (final) Fonte: COELHO FILHO (1998) COELHO FILHO (2002), propôs a principal modificação do APM IV em relação à versão III foi o redesenho da adaptação do tubo telescópico intermaxilar ao arco superior, que complementou o processo de dar estabilidade ao aparelho. Caso Clínico 1: Paciente RB, gênero feminino, 14 anos de idade, Classe II, divisão 1. Tratamento: APM IV, sem extrações. Duração: 28 meses Fig. 14 Fotografias iniciais Fonte: COELHO FILHO (2002) 18 Fig. 15 APM IV instalado Fonte: COELHO FILHO (2002) Fig.16 Fotografias intraorais finais Fonte: COELHO FILHO (2002) Caso Clínico 2: Paciente FO, gênero masculino, 11 anos de idade, Classe II, divisão 1. Tratamento APM IV, sem extrações. Tempo de tratamento 23 meses. Fig. 17 Fotografias iniciais Fonte: COELHO FILHO (2002) 19 Fig.18 Fotografias intraorais Fonte: COELHO FILHO (2002) Em outro estudo, LOIOLA et al (2002), demonstraram em seu trabalho uma nova versão do APM e tiveram como objetivo apresentar o que foi modificado ao sistema mecânico do APM IV, com a finalidade de proporcionar maior conforto ao paciente, diminuir o índice de quebra de acessórios ortodônticos, evitar a incorporação de dobra de primeira ordem entre caninos e pré-molares inferiores, controlar o giro de molares superiores e facilitar sua construção em série. Este aparelho é composto por um mecanismo telescópico, possuindo acessórios particulares para o arco superior e inferior. Abaixo segue a confecção do APM IV modificado: Dentro das modificações propostas a primeira foi realizada de forma a arquear o tubo telescópico com finalidade de afastar o conjunto mecânico dos acessórios ortodônticos, reduzindo as interferências durante a mastigação. Neste processo de arqueamento, foi introduzido um fio de 1,0mm de aço inoxidável no interior do tubo telescópico, com intuito de evitar deformação. A alça do tubo maxilar, foi construído com fio de 1,0 mm de aço inoxidável, assumindo a forma de ferradura, que foi soldada em uma das extremidades do tubo telescópico previamente arqueado, configurando o tubo maxilar. A trava do tubo molar também foi construída com fio de aço inoxidável 1,0mm e adaptada na alça maxilar, 20 possuindo sua extremidade destemperada para facilitar o travamento do aparelho no tubo do molar superior. Na mesma proporção que o tubo maxilar, a haste mandibular também foi arqueada, permitindo o encaixe de forma passiva. O arco vestibular inferior também foi construído com fio 0,019”x 0,025” de aço inoxidável com torque lingual na região dos incisivos, não sendo mais introduzidas duas alças helicoidais, mas apenas uma que devidamente angulada sobre o fio evita a incorporação de dobras de primeira ordem no arco. A Barra Transpalatina (BTP) com fio de 0,8mm de aço inoxidável é utilizada com a finalidade de controlar melhor a giroversão dos molares e também para controlar eventual expansão do arco superior. Assim ficou configurado o APM modificado com seu conjunto mecânico afastado dos acessórios ortodônticos. Fig. 19 Sequência de arqueamento de tubo telescópico Fonte: LOIOLA et al (2002) Fig. 20 a) Alça maxilar em forma de ferradura b) alça maxilar soldada ao tubo telescópico Fonte: LOIOLA et al (2002) Fig. 21 a) Trava do tubo molar b) trava do tubo molar adaptada à alça maxilar Fonte: LOIOLA et al (2002) 21 Fig. 22 a) Haste mandibular arqueada b)Sistema mecânico do APM Modificado Fonte: LOIOLA et al (2002) Fig. 23 Helicóide simples e angulado b)arco vestibular inferior sem dobra de primeira ordem distal ao canino Fonte: LOIOLA et al (2002) Fig. 24 APM Modificado instalado (A) com seu conjunto mecânico afastado dos acessórios ortodônticos (B) Fonte: LOIOLA et al (2002) 22 Fig. 25 APM IV evidenciando o seu relacionamento com os acessórios ortodônticos Fonte: LOIOLA et al (2002) Fig. 26 Característica arredondada do APM Modificado, tornando o aparelho mais confortável. Fonte: LOIOLA et al (2002) 23 Fig. 27 Detalhe da adaptação do APM Modificado Fonte: LOIOLA et al (2002) ALVES et al (2006), realizaram um estudo cefalométrico, em norma lateral, visando comparar os efeitos esqueléticos, dentários e tegumentares, em pacientes portadores de má oclusão Classe II mandibular, submetidos a tratamento com o Aparelho Herbst e com o APM. A amostra constitui-se de 43 jovens, divididos em três grupos, sendo o grupo I (Herbst) composto de 12 jovens, com idade média de 12 anos e 4 meses, tratados com o Aparelho Herbst por um período médio de 8,7 meses; o grupo II (APM) composto de 15 jovens, com uma idade média de 13 anos e 12 meses, tratados com o APM por um período médio de 8,3 meses; e o grupo I (controle) composto de 16 jovens, com uma idade média de 10 anos e 4 meses, que não se submeteram a nenhum tipo de tratamento e foram acompanhados por um período de 10 meses. Da análise dos resultados, pode-se concluir que: tanto o aparelho Herbst como o APM provocaram um aumento do comprimento mandibular, com um maior aumento no grupo tratado com o APM que no grupo tratado com o aparelho Herbst; uma inclinação vestibular dos incisivos inferiores e uma retrusão do lábio superior. Em relação aos efeitos dentários e tegumentares não foram observados diferenças, estatisticamente significantes, entre os outros grupos tratados. Segundo COSTA & SUGUINO (2006), estudaram uma nova abordagem na confecção do APM, o qual vêm sofrendo pequenas modificações com intuito de cada vez mais aprimorar o seu design a fim de torná-lo resistente aos esforços a que é submetido,reduzindo o índice de quebras e propiciando conforto ao paciente. Propuseram não uma nova versão do APM, mas uma nova abordagem na sua confecção, instalação e a possibilidade de utilizá-la tanto na dentadura permanente (como a 24 preconizada pelo seu autor) como na mista. Outra importante modificação ocorreu na região da trava molar, cuja construção será descrita detalhadamente a seguir: Fig. 28 O APM pode ser utilizado tanto na dentadura permanente como a mista, considerando que não exige a instalação prévia do aparelho ortodôntico fixo (braquetes). Fonte: COSTA & SUGUINO (2006) Fig. 29 a) Arco lingual de Nance modificado b) Barra Palatina Fonte: COSTA & SUGUINO (2006) 25 Fig. 30 Vista lateral direita, oclusal e lateral esquerda do arco lingual de Nance modificado após soldagem dos “braços” vestibulares. Fonte: COSTA & SUGUINO (2006) Fig. 31 Colocação de um segmento de fio 1,0mm entre os primeiros e segundos pré-molares inferiores com reforço, unindo o arco lingual ao braço vestibular. Fonte: COSTA & SUGUINO (2006) Fig. 32 Haste mandibular confeccionada com fio de 1,0mm. Fonte: COSTA & SUGUINO (2006) 26 Fig. 33 a) Barra palatina confeccionada com fio b) Arco lingual de Nance 1,2mm soldada às bandas dos modificado instalado. primeiros molares superiores. Fonte: COSTA & SUGUINO (2006) Fig. 34 Após o avanço da mandíbula adapta-se a trava molar no tubo 0.45” e demarca-se o tubo maxilar no centro da alça mandibular, determinado seu comprimento. Fonte: COSTA & SUGUINO (2006) Fig. 35 a) Adaptação da haste mandibular b) Posição ideal da haste. de vestibular para lingual. Fonte: COSTA & SUGUINO (2006) 27 Fig. 36 Adaptação da haste mandibular no interior do tubo maxilar. Fonte: COSTA & SUGUINO (2006) Fig. 37 Adaptação da trava molar por distal Fonte: COSTA & SUGUINO (2006) Fig. 38 Adaptação da trava molar por mesial Fonte: COSTA & SUGUINO (2006) 28 Fig. 39 O sistema permite conforto e amplo movimento de lateralidade ao paciente. Fonte: COSTA & SUGUINO (2006) COELHO FILHO et al (2006) apresentou um caso clínico onde foi utilizado o APM no fechamento dos espaços dos primeiros molares permanentes ausentes. Paciente do gênero masculino, 36 anos de idade, apresentando oclusão prejudicada pela ausência dos primeiros molares permanentes e comprometimento periodontal. Fig. 40 APM instalado Fonte: COELHO FILHO (2006) 29 Fig. 41 Fotografias finais. Observar o pequeno desvio remanescente da linha média, cuja correção poderia ter sido conseguida pela utilização adicional de APM unilateralmente, o que, porém, foi descartado por cautela, baseada na retração gengival do elemento dentário nº 34. Ademais, esse desvio aparente é decorrente de uma discrepância de Bolton na região dos incisivos, já que tanto os caninos como os molares estão interdigitados corretamente. Fonte: COELHO FILHO (2006) O caso clínico aqui mostrado é uma verdade pertencente à Classe I e o APM foi configurado basicamente para funcionar como dispositivo de ancoragem eficaz na prevenção da inclinação lingual dos incisivos inferiores, enquanto os segundos molares eram mesializados. KAMACHE et al (2006), avaliaram cefalometricamente, os efeitos dentários e esqueléticos provocados pelos aparelhos APM e Jasper Jamper. Metodologia: a amostra consistiu de 34 pacientes, de ambos os gêneros, com idade média de 11 anos e 8 meses, todos em fase de crescimento, com má oclusão de Classe II por retrusão mandibular. Os pacientes foram divididos em 3 grupos: grupo 1 - 14 pacientes tratados com o APM 3; grupo 2 - 10 pacientes tratados com o aparelho Jasper Jumper; e grupo 3 - 10 pacientes de um grupo controle não tratados ortodonticamente. Nos grupos 1 e 2 foram tomadas radiografias cefalométricas antes da instalação de qualquer aparelho e imediatamente após o avanço mandibular. No grupo 3 (controle) os pacientes foram observados por um período de 8 meses e 29 dias. 1) Não ocorreram alterações esqueléticas e dentárias no grupo 1 (APM3) em relação ao grupo 3 (controle). 2) Houve uma maior inclinação para vestibular dos incisivos inferiores do grupo 2 (Jasper Jumper ) em relação ao grupo 3 (controle) e não ocorreram alterações esqueléticas. 3) Apesar de não terem ocorrido diferenças significantes nas alterações dentárias entre os grupos 1 (APM3) e grupo 2 (Jasper Jumper), os incisivos inferiores apresentaram uma maior tendência à inclinação vestibular no grupo 2 (Jasper Jumper) e esqueleticamente não ocorreram diferenças entre os dois grupos estudados. 30 Segundo BICALHO & BICALHO (2007), observou-se no relato de caso clínico que, por meio do APM, foi possível realizar modificações dentárias compensatórias complexas em uma paciente adulta com uma severa má oclusão de classe II, 2 a divisão. Enfatiza- se que a escolha dessa terapia foi tomada por uma paciente braquiocéfala e por possuir uma sínfise que, em teoria, seria capaz de suportar uma inclinação vestibular mais acentuada dos incisivo inferiores. O caso clínico foi de um paciente do gênero feminino, 51 anos de idade, apresentando um sorriso irregular, com 100% de sobremordida, incisivos centrais superiores lingualizados, incisivos laterais superiores vestibularizados e moderada abrasão da face incisal dos incisivos inferiores. Portadora de um padrão II por deficiência mandibular, braquiofacial, relação dentária de Classe II, 2a divisão , 3⁄4 do lado direito e total do lado esquerdo, mordida cruzada dos dentes 27 e 28, overjet de 2mm e overbite de 3⁄3 do incisivo inferior. A análise de modelos revelou uma discrepância de Bolton de 4mm na região anterosuperior. A ativação do APM consiste em levar os incisivos inferiores até uma relação de topo a topo com os incisivos superiores, coincidindo a linha media superior com a inferior. O APM foi trocado pelo FLF Plus Versão IV de espessura 1,0mm e uma nova ativação foi feita. Apesar dessas duas ativações, o lado esquerdo não se relacionou em Classe I e por essa razão uma nova ativação, com o intuito de distalizar o dente 26, foi feita. Para isso o arco superior não foi travado na distal dos molares superiores e no tubo maxilar esquerdo foi colocado um anel de avanço de 2 mm. Ao remover o FLF percebeu-se que a paciente se encontrava em uma relação de Classe I de molares e caninos e que os espaços decorrentes da discrepância de Bolton foram mantidos para futura reabilitação oral. O exame tomográfico da ATM da paciente ao final do tratamento confirmou que os côndilos encontravam-se bem posicionado em suas respectivas cavidades articulares. E analisando o traçado cefalométrico final pode-se notar que as medidas esqueléticas encontram-se semelhantes as do início do tratamento, ressaltando que não houve mudanças no plano mandibular. 31 Fig. 42 Fotos intrabucais Fonte: BICALHO & BICALHO (2007) Fig. 43 Primeira ativação com APM Fonte: BICALHO & BICALHO (2007) Fig. 44 Segunda ativação com FLF Fonte: BICALHO & BICALHO (2007) Fig. 45 Fotos intrabucais finais Fonte: BICALHO & BICALHO (2007) Os autores observaram no caso clinico apresentado que, por meio do APM, foi possível realizar modificações dentárias compensatórias complexas em uma paciente adulta com uma severa má oclusão de Classe II, 2 a divisão. Enfatiza-se que a escolha dessa terapia foi tomada por ser uma paciente braquiocéfala e por possuir uma sínfise que, em teoria, seria capaz de suportar uma inclinação vestibular mais acentuada dos incisivos inferiores. Apesar de estudos sobre os efeitos a longo prazo deste tipo de mecânica em pacientes com idade mais 32 avançada serem raros, acredita-se que essa forma de terapia pode abrir novas perspectivas para o tratamento de pacientes adultos. FREITAS & SANTOS (2008), apresentaram um caso clínico de um paciente do gênero masculino, portador de severa má oclusão de Classe II, divisão 1, e mordida aberta anterior, tratado com APM. O paciente L.S., 13 anos e sete meses, portador de má oclusão de Classe II, 1a divisão, com severa mordida aberta anterior decorrente de postura anterior de língua e uma sobressaliência acentuada. No início do tratamento, o paciente apresentava um ANB de 9 0 decorrente de uma maxila protruída, mandíbula retrognática, incisivos superiores e inferiores protruídos e inclinados para vestibular. O FMA era de 32º representando um crescimento rotacional da mandíbula no sentido horário, fator limitante para um bom resultado referente ao perfil do paciente. Diante desses valores e pela característica da mordida aberta anterior, o tratamento ortodôntico, sem cirurgia ortognática, poderia não ser recomendado. Entretanto, o paciente ainda estava em crescimento ativo e, por isso, optou-se pelo tratamento sem cirurgia. Inicialmente, foi colocado uma grade impedidora de língua soldada nas superfícies linguais das bandas dos molares superiores, o que amenizou a mordida aberta anterior. Entretanto, a postura da língua foi alterada para a posição anterior inferior. No final do nivelamento, foi instalado o APM. Fig. 46 Fotos iniciais mostrando severa Classe II e mordida aberta anterior Fonte: FREITAS & SANTOS (2008) 33 Fig. 47 Instalação do Aparelho de Protração Mandibular (APM) Fonte: FREITAS & SANTOS (2008) O paciente foi tratado durante 36 meses, dos quais 12 meses com o APM. Durante a fase de nivelamento, a medida 1.NA teve grande alteração, ou seja, os incisivos superiores foram lingualizados. Tal lingualização poderia ter sido atribuída ao APM se não tivéssemos feito uma telerradiografia lateral no final da fase de nivelamento para o início do avanço mandibular. O IMPA aumentou de 870 para 960, em decorrência da mudança de postura da língua da região anterior superior para a anterior inferior. As demais medidas apresentadas sofreram pouca alteração nessa fase. Ao final do tratamento com o APM, observamos que a má oclusão de Classe II foi totalmente corrigida, assim como a mordida aberta anterior, sem a necessidade de extrações dentárias. A combinação de efeitos dentoalveolares e ortopédicos concorrem para uma satisfatória relação oclusal, cefalométrica e estética ao final do tratamento. Fig. 48 Fotos após a remoção do aparelho Fonte: FREITAS & SANTOS (2008) FERREIRA et al (2009), avaliaram cefalometricamente as alterações promovidas pelo Aparelho de Protração Mandibular Modificado (APM-3) mensurando e quantificando o comprimento mandibular e maxilar, além do posicionamento ântero-posterior de ambos. 34 A amostra foi constituída de 24 jovens com má oclusão de classe II, 1a divisão por retrusão mandibular. Os jovens estudados apresentam uma variação de idade média inicial muito próxima de 11 anos e 1 mês. Variável SNA SNB ANB Nperp P Nperp A CoA CoGn Dif. CoA/CoGn WITTS Inicial Média D.P. Final Média D.P. 79,54 75,04 4,79 -8,72 1,52 91,65 113,79 22,15 3,24 3,40 1,93 4,25 2,75 4,83 6,00 4,26 78,46 76,00 3,00 -7,75 -2,82 92,04 118,85 26,81 13,21 3,45 1,64 5,24 3,74 5,11 6,20 4,33 Difernça das Médias -1,08 0,96 -1,79 0,97 -1,30 0,40 5,06 4,67 6,47 2,89 0,67 2,82 -5,80 HENRIQUES (2011), avaliou os efeitos do tratamento de má oclusão de Classe II por meio do APM associado ao aparelho ortodôntico fixo. Na seleção da amostra foram excluídos os pacientes que apresentavam má oclusão de Classe II, divisão 2ª, Classe II subdivisão, agenesias, dentes supranumerários, e perda de dentes permanentes. A severidade inicial da má oclusão foi averiguada nos modelos de gesso por meio da relação molar, mas considerou-se como má oclusão de Classe II o caso que além do molar, apresentasse relação dos caninos em Classe II e uma sobressaliência aumentada. A amostra utilizada no presente estudo constituiu-se de 92 telerradiografias em norma lateral de 46 jovens portadores de má oclusão de Classe II divisão 1ª, os quais foram distribuídos em 2 grupos: Grupo APM, composto por 24 pacientes, sendo 12 do gênero masculino e 12 do gênero feminino, idade inicial média de 12,36 anos, tratados com o aparelho ortodôntico fixo conjuntamente ao APM por um período total médio de 2,74 anos. Todos os pacientes foram tratados na Clínica Particular do Prof. Carlos Martins Coelho Filho (São Luís - Maranhão); Grupo Controle, composto por 22 pacientes, 12 do gênero masculino e 10 do feminino, com idade inicial média de 12,67 anos, não submetidos a qualquer tipo de tratamento ortodôntico ou ortopédico funcional, e observados por um período médio de 2,12 35 anos, onde um grupo de jovens era anualmente controlado, obtendo radiografias e modelos de gesso dos mesmos, desde a dentadura decídua até a dentadura permanente completa. Os pacientes estudados no Grupo APM utilizaram o APM I, II e III associados ao aparelho fixo . O avanço mandibular foi feito com relação de topo dos incisivos e o aparelho foi mantido por um período médio de atuação de sete meses. Este mecanismo foi instalado na fase de crescimento e desenvolvimento craniofacial, na tentativa de obter os efeitos ortopédicos e ortodônticos. Após o período ativo do APM (sete meses), os molares apresentavam-se em relação de Classe I, com redução evidente do trespasse horizontal. Fig 49. APM I,II,IV Fonte: HENRIQUES (2011) ARAÚJO et al (2011), apresentou um ensaio clínico não controlado, de uma amostra constituída por 56 telerradiografias em norma lateral (28 telerradiografias iniciais e 28 finais), de 28 pacientes brasileiros portadores de má oclusão de Classe II, 1ª divisão de Angle — 12 do gênero masculino e 16 do gênero feminino, com idade média de 13,06 anos ao início do tratamento , tratados por um período médio de 14,43 meses com APM associado ao aparelho ortodôntico fixo. Os critérios de inclusão adotados foram: má oclusão de Classe II, 1ª divisão de Angle, com retrognatismo mandibular, avaliada por meio de fotografias e modelos de estudo; e telerradiografias com boa visualização das estruturas de interesse. Foram excluídos os pacientes que: apresentavam agenesias, extrações ou perdas de dentes permanentes; 36 utilizaram apenas o APM no tratamento da má oclusão de Classe II, 1ª divisão de Angle; apresentavam trespasse horizontal acentuado. Com relação ao tipo de APM, a amostra, inicialmente, constituiu-se de quatro grupos de pacientes, que correspondiam aos quatro tipos de APM. No entanto, a frequência do grupo que usou o APM dos tipos 1 e 3 era pequena e estatisticamente discrepante em relação à dos grupos 2 e 4. Por isso, os quatro grupos foram agrupados em dois, sendo o Grupo 3 composto pela soma dos pacientes com APM dos tipos 1 e 2 (46,4%) e o Grupo 4, pela soma dos pacientes com APM dos tipos 3 e 4 (53,6%). A variável gênero foi a única que influenciou de forma estatisticamente significativa as medidas cefalométricas antes do tratamento. Os resultados mostram inclinação vestibular dos incisivos inferiores, estatisticamente significativa, relacionada à variável independente idade. A variável independente tipo de APM apresentou-se estatisticamente significativa com relação à maior extrusão de incisivos e molares superiores no grupo que usou o APM 1 ou 2. A utilização do APM no tratamento da má oclusão de Classe II de Angle tem por objetivo corrigir a relação sagital entre a maxila e a mandíbula, principalmente através de alterações dentoalveolares. Com o objetivo de avaliar a influência das variáveis independentes gênero, idade, padrão facial, tipo de APM, arco, técnica e tempo de uso na amostra utilizada, compararam-se as médias das diferenças cefalométricas estatisticamente significativos. Os resultados demonstram que, para a variável gênero, as medidas mostraram-se significativas, sendo maior para o sexo feminino do que o masculino. Apenas a medida 1.NB apresentou mediana estatisticamente significativa com relação à variável idade. Os pacientes da amostra com idade menor que 13,06 anos apresentaram uma maior inclinação vestibular dos incisivos inferiores. Esse resultado provavelmente está relacionado à impossibilidade de bandar os segundos molares inferiores, o que reduz a ancoragem. Além disso, outro fator que provavelmente contribuiu para a menor inclinação dos incisivos inferiores no grupo com idade maior que 13,06 anos foi que nesse grupo houve um componente de crescimento mandibular mais acentuado, levando o ponto B a uma posição mais anterior e corrigindo a discrepância esquelética, provocando,consequentemente, uma menor compensação dentária (inclinação dos incisivos inferiores). No Grupo 4 ( APMs 3 e 4), a variável tipo de APM apresentou as grandezas com médias estatisticamente significativas. Esses resultados ocorreram provavelmente devido ao 37 crescimento e à mecânica extrusiva de alinhamento e nivelamento que antecede o APM. O Grupo 4 apresentou menor extrusão dos incisivos e molares em relação ao plano palatino, provavelmente devido à maior verticalização dos incisivos e à limitação de extrusão do molar superior, relacionadas ao menor índice de quebra nesse grupo. No entanto, a maioria das medidas que avaliaram a posição dos incisivos inferiores demonstrou vestibularização e protrusão significativas desses dentes, com exceção do IMPA que, apesar de ter aumentado, não apresentou significância estatística. O IMPA obteve esse resultado provavelmente porque durante o tratamento existiu aposição óssea no plano mandibular. As medidas relacionadas à avaliação do posicionamento dos molares inferiores denotaram mesialização e extrusão significativas desses dentes. Acredita-se, que a mecânica de alinhamento e nivelamento que antecede o uso do APM contribui na extrusão dos molares inferiores. Apesar de o ângulo nasolabial ter aumentado, não houve diferença estatisticamente significativa. No entanto, avaliando-se o lábio superior evidenciou-se que e foi retraído, acompanhando a retrusão e inclinação lingual dos incisivos superiores. As alterações dentoesqueléticas promovidas pelo uso do APM evidenciam mudanças favoráveis no tecido mole, como a retração do lábio superior, melhorando o perfil tegumentar dos pacientes. Demonstraram a protrusão do lábio inferior decorrente da grande vestibularização e protrusão dos incisivos inferiores ao término do tratamento ortodôntico. No entanto, esses achados não podem ser totalmente conclusivos, devido a limitações desse estudo, dentre as quais o pequeno número da amostra, a ausência de um grupo controle e o fato dos pacientes não terem sido selecionados aleatoriamente. Com base nos métodos empregados e nos resultados obtidos, conclui-se que o tratamento com APM associado ao aparelho ortodôntico fixo para correção da má oclusão de Classe II, 1ª divisão, proporciona mudanças dentoalveolares em grande magnitude, sendo resumidas em: 1. Componente dentoalveolar maxilar: ocorreu retrusão e grande inclinação lingual dos incisivos superiores. 38 2. Componente dentoalveolar mandibular: verificou-se protrusão e vestibularização dos incisivos inferiores, além da mesialização e extrusão dos molares inferiores. 3. Componente tegumentar: as alterações dentoalveolares influenciaram positivamente, de modo significativo, o perfil tegumentar dos pacientes. PRIETO & PRIETO (2011) descreveram o tratamento ortodôntico de um paciente jovem, portador de má oclusão ClasseII, 1a divisão de Angle, com apinhamento moderado na região anterior e retrusão mandibular. A Classe II foi tratada com APM Modificado, associado a aparelhos fixos pela Técnica Lingual. Paciente do gênero masculino, com 14 anos e 7 meses de idade, leucoderma, compareceu para consulta em clínica particular apresentando como queixa principal um apinhamento superior. A análise facial mostrou uma face Padrão II simétrica, com perfil facial convexo e convergência dos eixos horizontais de crescimento. O ângulo nasolabial encontrava-se aberto e o lábio inferior apresentava-se evertido, em resposta ao mau comportamento dos incisivos. Apesar disso, havia normalidade dos tecidos moles e bom selamento labial. O exame clínico intrabucal e a análise dos modelos de estudo mostraram uma relação dentária de Classe II mandibular de grande proporção, com apinhamento superior e suaves rotações na arcada inferior; atresia maxilar e incisivos laterais superiores girados e em linguoversão. Na arcada inferior, os pré-molares encontravam-se girados e os incisivos suavemente desalinhados. As linhas médias estavam centradas com a face e coincidentes entre si. Fig 50. A radiografia panorâmica mostrou que havia normalidade dos tecidos duros, denotando boa saúde periodontal. Estavam presentes os terceiros molares superiores, porém inclusos, e havia agenesia dos inferiores. Fonte: PRIETO & PRIETO (2011) 39 A análise cefalométrica demonstrou uma Classe II esquelética com retrognatismo mandibular. Os incisivos superiores eram retroinclinados e os inferiores suavemente vestibularizados. O diagnóstico foi de uma face com Padrão II associada à má oclusão de Classe II, com atresia maxilar e apinhamento superior. As relações esqueléticas eram devidas a uma deficiência anteroposterior significativa da mandíbula. Após o diagnóstico, estabeleceram-se os objetivos do tratamento. Esses apontavam para a correção da Classe II dentária utilizando-se algum mecanismo que proporcionasse um avanço esquelético da mandíbula. Dessa forma, descartou-se a extração de pré-molares superiores para corrigir o apinhamento superior e a utilização de métodos de distalização na maxila. O estabelecimento da relação de chave de oclusão seria, então, obtido com o avanço mandibular. Para que isso fosse possível, seria necessário o reposicionamento adequado dos incisivos superiores e inferiores, proporcionando um overjet compatível com a necessidade. Para definir essas posições, utilizou-se a cefalometria. Também se fazia necessária uma adequação transversal das bases ósseas, pela expansão da maxila. Assim que a posição dos dentes anteriores inferiores foi definida, iniciou-se o avanço mandibular, realizado por meio de um APM modificado. A modificação consistiu de um segmento bilateral de fio 0,9mm soldado nas bandas dos primeiros molares inferiores e estendido até a região distal dos caninos. Entre os primeiros pré-molares e caninos, foram realizados os helicoides para apoio da haste mandibular do APM. A partir daí, o fio retornava para a distal, em direção às faces oclusais dos segundos pré-molares, onde eram finalizados. Assim que as bandas foram cimentadas, utilizou-se resina acrílica fotopolimerizável para fixar os segmentos de fio nos pré-molares e caninos. O APM foi, então, adaptado aos helicoides inferiores e nos tubos vestibulares soldados nas bandas dos molares superiores. Como consequência das forças reativas ao avanço mandibular que eram descarregadas pelo APM nos molares superiores, esses sofreram uma pequena distalização. Esse movimento foi realizado com alças de protrusão, que auxiliava no ganho do perímetro, vestibularizando os incisivos superiores. Bilateralmente, os espaços resultantes desse mecanismo foram dissipados com a retração dos pré-molares, sendo que ao mesmo tempo uma mola helicoidal 40 deslocava os caninos também para a distal, liberando mais rapidamente o espaço necessário para os incisivos laterais. Esses dentes receberam, inicialmente, forças pendulares e rotacionais para vestibular e para distal, sendo logo a seguir permitida a colagem de seus braquetes correspondentes e a inserção de um arco 0,014” termoativado. Foi necessária apenas uma reativação do APM. Ao término de 8 meses do sua utilização, esse dispositivo foi removido e seguiu-se a estabilização com mecânica de elásticos de Classe II. As alterações cefalométricas foram expressivas, pois se identificou um avanço esquelético real da mandíbula. Os incisivos superiores não mostraram, até esse momento, alterações significativas em suas inclinações; porém, os incisivos inferiores sofreram retroinclinação, expressa nos ângulos /1.NB e IMPA. A Fig. 51 Helicóide inferior para apoio da haste mandibular APM, confeccionado com segmento de fio 0,09mm Fonte: PRIETO & PRIETO (2011) Fig. 52 Estrutura inferior pronta para receber a haste mandibular do APM modificado. Bandas cimentadas e fixação com resina nos caninos e segundos pré-molares Fonte: PRIETO & PRIETO (2011) Fig. 53 APM modificado instalado, proporcionando um avanço próximo a 6,0 mm. Nota-se que nesse momento ainda não se tinha espaço para os laterais superiores. Fonte: PRIETO & PRIETO (2011) 41 Fig. 54 Arco 0,016” com alças de protrusão e a distalização dos pré-molares. Fonte: PRIETO & PRIETO (2011) Fig. 55 Reativação do APM utilizando segmento de tubo telescópico. As setas indicam anéis de reativação Fonte: PRIETO & PRIETO (2011) Fig. 56 Fotografias intrabucais logo após a remoção do APM Fonte: PRIETO & PRIETO (2011) Após a fase de intercuspidação, os aparelhos fixos foram removidos e instalou-se, como contenção, um aparelho tipo Bionator modificado, o qual incorporava um arco vestibular de Hawley. Optou-se por essa contenção para preservar o avanço e a correção da Classe II. 42 Fig. 57 Fotografias extrabucais e intrabucais finais, com incisivos laterais superiores reanatomizados Fonte: PRIETO & PRIETO (2011) O reposicionamento adequado dos incisivos, devido a uma correta relação das bases ósseas, permitiu um melhor comportamento dos lábios, proporcionando o selamento natural e funções ideais da musculatura peribucal, com reflexos positivos principalmente no lábio inferior, o qual se apresentava evertido no início do tratamento. Na documentação final, a radiografia panorâmica revelou pequeno aumento na reabsorção dos incisivos laterais superiores — muito provavelmente em decorrência da característica anatômica de suas raízes, que apresentavam o terço apical muito fino, e também em razão de terem recebido aplicação de forças complexas para correção das rotações e ajustes no torque. A cefalometria comprovou os resultados esperados, os quais sedimentaram a análise intermediária pós-avanço. As medidas finais mostraram redução do ANB em 1,5º, confirmando um melhor comportamento das bases esqueléticas. Os incisivos inferiores mostraram uma ligeira inclinação vestibular, o que é esperado nas mecânicas de protração mandibular. 43 3 DISCUSSÃO O confronto dos resultados obtidos pelos autores no presente estudo elucida os efeitos dentoalveolares e esqueléticos promovidos pelos Aparelhos de Protração Mandibular. O APM apesar de operação ortopédica, sua proposta primária de ação não é corrigir os desvios da ralação maxilo-mandibular através do estímulo do crescimento da mandíbula, mas sim ajustar a oclusão através de movimento dentoalveolar em massa. Isto se fundamenta no fato de que o tempo de uso do APM gira em torno 6 meses, o que não é tempo suficiente para suportar a hipótese de que a correção teria sido feita por crescimento. A mandíbula é posturada mesialmente de modo a compensar uma sobressaliência horizontal existente, o retorno da mandíbula à sua posição original distal por ação da musculatura de suporte gera uma força que é transferida à maxila através do APM, causando distalização da maxila em massa.(COELHO FILHO, 1998; PRIETO & PRIETO, 2011; FREITAS & SANTOS, 2008; HENRIQUES, 2011) O Aparelho de Protração Mandibular mostraram redução do ANB em 1,5 0, confirmando um melhor comportamento das bases esqueléticas. O FMA praticamente não se alterou, porém houve redução no ângulo Y de crescimento e no plano mandibular, o que espelhou o crescimento no sentido horizontal. O ângulo FMA estudado no caso clínico aumentou 1a após o uso do APM, demonstrando que a rotação mandibular no sentido horário foi insignificante. A combinação de efeitos dentoalveolares e ortopédicos concorrem para uma satisfatória relação oclusal. (PRIETO & PRIETO, 2011) O crescimento condilar é influenciado pelo tratamento, evidenciado pelo aumento significante do comprimento mandibular efetivo nesse grupo, promovendo também esse aumento na altura facial posterior, o presente estudo mostrou que as alterações verticais foram, em geral semelhantes, podendo-se concluir que o tratamento com APM não altera significantemente o padrão de crescimento e o componente vertical dos pacientes. (HENRIQUES, 2011). Evidenciaram nos seus estudos que o aparelho APM promoveu uma aumento no comprimento mandibular, contribuindo para correção de Classe II. A variável Co-Gn, que mede linearmente o comprimento anatômico da mandíbula, mostrou-se bastante variável entre os componentes da amostra, houve uma aumento médio estatisticamente significante do 44 comprimento mandibular em 5,06 mm (nível de significância de 1%), o que aponta em certos casos para algum estímulo de crescimento proporcionado pelo uso do APM-3.(ALVES et al, 2006; FERREIRA et al, 2009; COELHO FILHO, 1998). A maior preocupação no uso do APM consiste na proservação da inclinação dos incisivos inferiores cuja inclinação labial não deve ser permitida. Por outro lado é um meio seguro de mesializar o segmento póstero-inferior sem permitir a lingualização dos incisivos. (COELHO FILHO, 1998; BICALHO & BICALHO, 2007) O aparelho de projeção mandibular modificado, a nova versão do APM Modificado trouxe não só uma vantagem de afastar o sistema mecânico dos acessórios ortodônticos durante a mastigação como também de tornar o aparelho mais confortável devido ao formato mais arredondado. No modelo original, este afastamento é realizado pelo conjunto da alça maxilar/trava do tubo molar associado ao duplo helicoide no arco vestibular inferior, trazendo como consequência o aspecto pontiagudo na região posterior do aparelho como também o efeito “off-set” gerado na região entre caninos e pré-molares. (COELHO FILHO, 1998; LOIOLA et al, 2002) Propuseram uma nova versão do APM, mas uma nova abordagem na sua confecção, instalação e a possibilidade de utilizá-la tanto na dentadura permanente como preconizado por COELHO FILHO (1998), como na mista. Esta nova abordagem permite a utilização do APM antes da instalação do aparelho fixo (braquetes) sendo necessário apenas o uso de ancoragens no arco superior e inferior, representadas pela barra palatina e pelo arco lingual de Nance modificado (COELHO FILHO, 1998; COSTA & SUGUINO, 2006). Ao tratarmos Classe II, como por exemplo o APM, necessitamos de nivelamento prévio. Portanto, é imprescindível que sejam feitas telerradiografias cefalométricas em norma lateral, no final do nivelamento, o que coincide com o início da propulsão mandibular. Isso impede que os efeitos da propulsão sejam confundidos com os efeitos do nivelamento inicial que pode variar no seu tempo, tornando os resultados não confiáveis.( FREITAS & SANTOS, 2008; KAMACHE et al, 2006; DIÓGENES et al, 2011). Com relação ao comportamento da mandíbula em relação à base do crânio o APM não provocou diferença significativa desta grandeza cefalométrica entre o período inicial e final. Isto significa que o tratamento com APM não provocou deslocamento anterior da mandíbula em relação à base do crânio. (KAMACHE et al, 2011). 45 A grandeza Ls-Pog’Sn têm demonstrado diferença estatisticamente significativa após o uso do APM. Esse fato provavelmente está relacionado à oposição óssea no pogônio e à posição mais anterior da mandíbula no final do tratamento. (DIÓGENES et. al, 2011). 46 4 CONCLUSÃO Podemos concluir que o grau de satisfação obtido pelo APM têm sido muito satisfatório. A grande vantagem deste aparelho sobre os demais é o baixo custo; Sua confecção é simples, podendo ser feito no próprio consultório, em pouco tempo; Fácil instalação; O APM promove compensação dentoalveolar, tornando-se maior à medida que o paciente encontra-se fora do surto de crescimento, uma vez que não promove o de crescimento da mandíbula; Pode ser utilizado para o fechamento dos espaços dos primeiros molares permanentes ausentes; É possível ativá-lo assimetricamente e unilateralmente, permitindo a correção das subdivisões de classe assim como desvios de linha média. 47 5 REFERÊNCIAS ANGLE, E. H. Maloclusions of the teeth. 7th ed. Philadelphia: S. S. White, 1907. ALVES, P. F. R. et al. Estudo comparativo dos efeitos esqueléticos, dentários e tegumentares, promovidos pelo tratamento da má oclusão Classe II mandibular com o aparelho de Herbst e com o Aparelho de Protração Mandibular. In: Revista Clínica de Ortodontia Dental Press, v. 5, n. 1. Maringá, fev/mar 2006. BICALHO, J. 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