1 Utilização de Energia Solar para o Aquecimento de Água em Habitações com Área Construída entre 36 e 42 Metros Quadrados R. E. Ascurra, Eng. Eletricista, UFMT, e L. F. M. D. Ramos, Arquiteta, SECID-MT Resumo -- Estudar e propor melhorias da eficiência energética dos conjuntos habitacionais populares perante a avaliação da utilização da energia solar no aquecimento de água, através de painéis térmicos solares. Neste artigo será proposto implementações no projeto de uma unidade habitacional popular na faixa de 36m² a 42m², voltada para área de habitação de interesse social. O projeto construtivo baseado neste artigo é fornecido pelo governo federal através do site da Caixa Econômica Federal. É um material sugerido para proposta de habitação popular com o objetivo de integrar questões sócioambientais às práticas de gestão, oferecer à população uma alternativa de moradia com uma preocupação ambiental e condições dignas de habitabilidade. De forma a mostrar a sociedade conceitos como emprego da energia solar, eficiência energética e sustentabilidade, para que atenda as suas necessidades, sem afetar as necessidades das gerações futuras. A abordagem da metodologia foi realizada através da identificação das similaridades de projetos em casas populares com área entre 36m² e 42m², por conseguinte foi realizado o levantamento das potencialidades e implementações com energia solar. Traçados os objetivos do artigo foram feitas as revisões e pesquisas na literatura acerca dos assuntos abordados através de artigos científicos. Em seguida foi feito o apontamento e previsão do projeto do sistema de aquecimento de água para HIS, com dimensionamento e proposta. Palavras-chave: aquecimento solar de água, eficiência energética, energia alternativa, energia solar, energia solar térmica, qualidade de vida, habitação social, habitação sustentável. I. INTRODUÇÃO U MA questão importante para o consumo energético do país é a redução do consumo de energia elétrica em residências, justificado pela sua participação no consumo nacional atual e futuro e associado à redução do déficit habitacional brasileiro. Com crescimento de aproximadamente 30% na segunda metade da década de 1990, as residências mostram ser uma parcela considerável de acordo com o gráfico da Figura 1. Desse modo, a utilização de sistemas de aproveitamento renovável de energia são necessários para a R. E. Ascurra, Mestrando em Engenharia de Edificações e Ambiental, Engenheiro Eletricista, Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho, Rua Estocolmo, n. 300, CEP 78048-095, E-mail: [email protected] L. Ramos, Mestranda em Engenharia de Edificações e Ambiental, Arquiteta e Urbanista, Rua Professora Tereza Lobo, n. 156, CEP 78048-670, Cuiabá-MT, E-mail: [email protected] adoção da criação de medidas de contenção do consumo para a crescente demanda energética. A Lei 10.285 de 2001 (Lei de Eficiência Energética) vem de encontro a estas soluções sustentáveis, o que a torna um marco importante no país, pois estabelece na política nacional, a conservação e uso racional de energia com vistas a incentivar a eficiência energética no país. Figura 1 – Gráfico de consumo de energia em todos os setores. Fonte: BEN (BALANÇO ENERGÉTICO NACIONAL, 2007). Pois bem, o objetivo deste trabalho é compreender primeiramente as necessidades de uma unidade habitacional popular com relação ao consumo de energia elétrica para o aquecimento de água, portanto buscou-se analisar projetos e propostas existentes implantados por meio da Caixa Econômica Federal (CEF), através de programas como “minha casa minha vida”. Foram analisados diversos projetos, inclusive os que a CEF fornece gratuitamente em seu site, pertinentes a diferenciadas regiões do país, alguns destes inclusive abordando eficiência energética e itens acerca de cada particularidade existente de acordo com a sua localização no Brasil. Depois de feito o estudo destes projetos, teve-se inicialmente o interesse da identificação do total da área construída em uma habitação popular, concluindo-se que esta área gira em torno de 40 m², e geralmente o terreno apresenta dimensões na ordem de 200m² (10x20 m). Outro fator que se nota dos projetos é a similaridade da arquitetura e da concepção de sua planta geral, prevendo recintos basicamente iguais em todos os projetos que apresentam este tipo estudado, veja o exemplo utilizado como base deste trabalho na Figura 2. Sendo comumente 2 dormitórios, 1 cozinha, 1 sala de estar, 1 banheiro, e área de serviço externa. Desta forma com este padrão identificado, facilmente a proposta de projeto sugerida irá atender de forma genérica, outras construções similares. Podendo servir até mesmo de projeto básico para futuras implementações, para o atendimento e disponibilização à 2 sociedade e as construtoras interessadas. O objetivo específico deste artigo é o levantamento dos conceitos sobre a utilização da energia solar de forma prática, levando em consideração o padrão arquitetônico envolvido e prever e realizar o levantamento da necessidade energética para o aquecimento de água utilizada no banho. Desta forma, diminuir o consumo de energia elétrica e aliviar a carga em horários de ponta. construção e que ainda encontra-se em fase de divulgação comercial. Além dessas especificações a cartilha do programa estabelece também o “Aquecimento solar/térmico: instalação de kit completo” como uma das características padrão, o qual não está previsto em nenhum dos empreendimentos citados. Em geral essas edificações possuem cobertura com telhado aparente dividido em dois caimentos, o que não contribui para a posterior ampliação da residência, porém é plenamente possível a instalação de sistemas se captação de energia solar. Figura 2 – Exemplo de planta baixa de uma casa popular de 42m² com a identificação dos seus recintos. Fonte: www.caixa.gov.br A abordagem da metodologia foi realizada através da identificação das similaridades de projetos em casas populares com área entre 36m² e 42m², por conseguinte foi realizado o levantamento das potencialidades e implementações com energia solar. Traçados os objetivos do artigo foram feitas as revisões e pesquisas na literatura acerca dos assuntos abordados através de artigos científicos. Em seguida foi feito o apontamento e previsão do projeto do sistema de aquecimento de água para HIS, com dimensionamento e proposta. II. PERFIL ARQUITETÔNICO E FAMILIAR O homem procura por um lugar para se abrigar desde os primórdios da vida humana. Nesta busca ele visa sempre melhorar o espaço e atualmente seu objetivo básico é habitar é um lar aconchegante, calmo e seguro. Com isso, torna-se a cada dia, crescente o número de construções habitacionais. Lançado em 2009 com o objetivo de construir um milhão de casas na primeira fase, o Programa Habitacional MINHA CASA MINHA VIDA (PMCMV) lançado pelo governo federal não só ultrapassou essa marca como lança neste ano a segunda etapa do programa com previsão de 2 milhões de moradias até o ano de 2014. O programa consiste na construção de conjuntos habitacionais populares para várias faixas de renda. Ele estabelece uma tipologia mínima para residências unifamiliares a qual é constituída pela área construída total mínima de 35m², contemplando sala, banheiro, cozinha, dois dormitórios e tanque na área externa. (Caixa Econômica Federal, 2010). Conhecido tais fatos, é possível delinear qual o perfil arquitetônico utilizado para a edificação de uma residência unifamiliar com tal tipologia. Sabe-se, portanto, que os ambientes poderão variar suas dimensões e atingir uma área em média de até 42m². Nas figuras de 3 a 6, são apresentadas algumas plantas de habitações comercializadas em Cuiabá-MT. Estas informações foram levantadas com base em conjuntos habitacionais que foram construídos e já foram entregues, que estão em Figura 3 – Exemplo Residência de 41m² construída em Cuiabá-MT pelo PMCMV no Bairro 1º de Março. Residencial Ilza T. Picoli Pagot. Fonte: arquivo pessoal – Lotufoengenharia.com.br Figura 4 – Exemplo Residência de 36m² em construção em Várzea Grande-MT pelo PMCMV. Residencial Novo Mundo. Fonte: arquivo pessoal – Auroramt.com.br Figura 5 – Residência de 37m² a construir em Cuiabá-MT pelo PMCMV. Residencial Santa Terezinha. Fonte: Lotufo Engenharia 3 (CREDER, 2007), “cada aparelho de utilização consome uma carga específica em watts que o projetista precisa conhecer”. Esta carga possui potência nominal absorvida pelo sistema e é calculada a partir tensão nominal, da corrente nominal e do fator de potência. Devido às dimensões da tipologia adotada por estas casas para os espaços destinados aos cômodos, e a existência de apenas um banheiro, será contemplado neste projeto apenas o aquecimento da água da ducha. IV. HABITAÇÃO SUSTENTÁVEL E A EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Figura 6 – Residência de 37m² a construir em Cuiabá-MT pelo PMCMV. Residencial Santa Terezinha. Fonte: Lotufo Engenharia Com base nas informações visualizadas nas figuras 3 a 6 e de acordo com a divisão dos ambientes internos, é imaginável constatar que as residências constituídas por dois dormitórios são destinadas a uma família nuclear, composta por pai, mãe e dois filhos. Todavia, o conceito de família vai muito além, como salienta Gomes (1988): [...] Um grupo de pessoas, vivendo numa estrutura hierarquizada, que convive com a proposta de uma ligação afetiva duradoura, incluindo uma relação de cuidado entre os adultos e deles para com as crianças e idosos que aparecem nesse contexto. Certamente que a composição da família atual pode variar em gênero e número. E Carvalho (2002) é esclarecedor em afirmar que “Essa concepção foi construída a partir da observação do cotidiano vivido de algumas famílias que diferiam muito quanto à estrutura, história, modos de comunicação e expressão de emoções.”. Ainda segundo o autor, foi possível chegar à concepção de Gomes (1988) através da busca por elementos comum presentes em todas as famílias. Dessa forma, uma família pode ser constituída por ligações afetivas com ou sem laços sanguíneos, por casais homoafetivos, por famílias monoparentais, que segundo a Constituição da República (1988) “entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”, e outras tantas formas. Dessa forma, de maneira geral a residência em questão poderá ser habitada por até quatro pessoas confortavelmente, independentes na composição familiar e do grau de parentesco. III. PERFIL DAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Para a execução do projeto das instalações elétricas, todo projetista necessita de plantas e cortes de arquitetura, saber o fim a que se destina a instalação, os recursos disponíveis, bem como saber as características elétricas da rede, (CREDER, 2007). Neste artigo, o projeto em questão se destina a habitação familiar, com características de rede elétrica em baixa tensão (127V/220V), aquecimento de água e a utilização de eletrodomésticos em geral. Outro item importante é a previsão das cargas dos pontos de utilização. Segundo Nos dias atuais muito se fala sobre o aquecimento global em conseqüência da emissão de poluentes na atmosfera, devido entre outros fatores, a utilização da produção de energia elétrica através da queima de combustíveis fósseis. Segundo Eletrobrás (BRASIL, 2004), no ano de 2004, o consumo de energia elétrica no setor residencial foi de 78,5 TWh, crescendo 3,0% em relação ao consumo de 2003 e atendendo a cerca de 46,8 milhões de consumidores. Neste sentido, estudos para redução do consumo de energia elétrica e o aproveitamento energético de fontes de energia renováveis são exemplos de sustentabilidade no planejamento das construções dos conjuntos habitacionais de interesse social. Araújo (2008) descreve que, “o conceito de moderna construção sustentável baseia-se no desenvolvimento de um modelo que enfrente e proponha soluções aos principais problemas ambientais de sua época, sem renunciar à moderna tecnologia e à criação de edificações que atendam as necessidades de seus usuários.” Estabelece também, o desenvolvimento de vários estudos e pesquisas sobre materiais ecológicos e de baixo custo para moradias, edificações cuja função principal é a de testar, junto ao cotidiano das pessoas, alternativas tecnológicas sustentáveis capazes de preservar o meio ambiente e de, simultaneamente, proporcionar o bem-estar da comunidade. Sendo assim, uma das coisas que as construções sustentáveis buscam no dia-adia, também, na habitação é a maior eficiência energética, que segundo o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LABEEE) visa reduzir o consumo específico de energia em edificações recém construídas e as existentes, através da implantação de novas tecnologias de iluminação, condicionamento de ar e isolamento térmico sem, no entanto, reduzir os níveis de conforto ambiental e habitabilidade da construção, (Figuras 7 e 8). Figura 7 – Protótipo habitacional Casa Alvorada. Local: Prefeitura Municipal de Alvorada, região metropolitana de Porto Alegre/RS, (1997) 4 Figura 8 – Uso de sistema solar para aquecimento de água. Local: Laboratório de Monitoramento Ambiental e Eficiência Energética, SC (2004) demanda por água quente não coincidir, na maioria das aplicações, com o período de insolação. Esta demanda por água quente na habitação ocorre nos horários em que os trabalhadores chegam do serviço e a utilizam para o banho, o consumo de energia elétrica para este sistema ocorre principalmente das 18 às 20 horas, que é considerado horário de ponta pelas concessionárias de energia, ou seja, é mais um item que motiva o estudo do uso da energia solar nestas casas e conjuntos habitacionais. Pois alivia a carga do sistema elétrico, e desta forma determina uma menor demanda de energia e conseqüentemente menor infraestrutura da distribuição, sendo assim, evita e estende o prazo da construção de novos sistemas de geração de energia elétrica. V. PROPOSTA DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM HABITAÇÕES ATRAVÉS DA ENERGIA SOLAR PARA AQUECIMENTO DE ÁGUA A utilização de energia solar com objetivo de se aquecer água em habitações é uma alternativa que se torna pertinente para o Brasil, devido a sua localização geográfica e potencial energético solar. Além de ser uma fonte energética renovável, limpa, ilimitada esta disponível em todo território nacional. O setor residencial responde por 24% do consumo total de energia elétrica no país e, dentro deste setor, tem-se uma participação média de 26% do consumo total atribuído ao aquecimento de água, segundo a PROCEL (BRASIL, 2005). Portanto, conclui-se facilmente que apenas o aquecimento de água para banho em residências brasileiras é responsável por mais de 6,0% de todo o consumo nacional de energia elétrica. Entretanto alguns projetos analisados nesta pesquisa não levam em consideração instalações elétricas para aquecimento da água do chuveiro, entretanto é conhecida que apesar da simplicidade das casas, este aquecimento através do chuveiro elétrico é necessário, pois faz parte dos itens que promovem o conforto do usuário. Portanto será considerado o chuveiro elétrico no aquecimento de água neste trabalho, pois mesmo que não esteja presente nos projetos, a família quando se muda para este tipo de habitação, realiza adequações em suas instalações de acordo com as suas necessidades. Uma das alternativas para diminuir o consumo de energia elétrica para aquecimento de água, responsável pelo alto consumo energético na residência, é popularizar o uso da energia solar para o aquecimento de água. Comercialmente os aquecedores solares começaram a serem difundidos a partir da década de 70, mas teve o seu auge durante a década de 90, como resultado deste crescimento, houve um aumento substancial de aplicações, da qualidade e modelos disponíveis (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE REFRIGERAÇÃO, AR CONDICIONADO, VENTILAÇÃO E AQUECIMENTO – ABRAVA). Os principais países que empregam a tecnologia de aquecimento solar são Israel, Grécia, Áustria, Austrália, Turquia, Estados Unidos, Japão, Dinamarca, Alemanha, etc. São no total 26 países ao todo que representam aproximadamente 50% da população global e cerca de 90% do mercado de aquecimento solar mundial (ABRAVA). O aquecimento de água por meio da energia solar consiste essencialmente no emprego de uma placa coletora solar e um reservatório acoplado à instalação existente, conforme mostra a Figura 9. Este reservatório é necessário devido ao fato da Figura 9 – Esquema básico de funcionamento. Fonte: www.liversol.com.br O coletor é o dispositivo responsável pela captação da energia pelo sol e sua conversão em calor utilizável. Os coletores podem ser divididos em planos e de concentração, Lima (2003). No sistema proposto, o primeiro mecanismo analisado para o atendimento das especificidades do projeto deste aquecimento de água através da energia solar será este coletor. Com sua instalação sobre o telhado da habitação, pois é o local com maior incidência de raios solares. Serão utilizados os coletores do tipo placa plana, pois eles são os mais apropriados às necessidades de geração de água quente para fins residenciais. Segundo Lima (2003), “Este coletor é composto por placa absorvedora, canalizações por onde escoa o fluido a ser aquecido, cobertura transparente e isolamento térmico. A função da placa absorvedora é converter a energia radiante em calor. O calor é então transferido para os tubos, e destes para o fluido.”, como mostra a Figura 10. Figura 10 - Seção típica de um coletor de superfície plana. Fonte: Lima (2003). A cobertura de vidro reduz substancialmente as perdas do calor por meio da radiação e da convecção do coletor solar, armazenando calor em seu interior através do efeito estufa, inclusive algumas placas absorvedoras possuem duplo vidro para aumentar a diminuição dessas perdas. Ao refletir de volta 5 a radiação das ondas longas sobre os dutos pintados na cor preta, que devido à cor escura tende a absorver satisfatoriamente o calor enclausurado, esta transfere e conduz a alta temperatura para o líquido dentro destes tubos. Com relação a inclinação destes painéis sugere-se que ângulo seja igual a latitude do local, acrescido de 10º e nunca inferior a 15º, ou seja para região de Cuiabá a NBR 15569 (ABNT, 2008) indica uma inclinação de 25º, Figura 11 e Figura 12. Segundo a NBR 15569 (ABNT, 2008), os coletores solares devem ser instalados conforme especificações, manual de instalação e projeto. Também aconselha que os coletores sejam apontados para o norte geográfico (Figura 11) com desvio máximo de até 30° desta direção, Figura 13. calor. Recomenda-se a utilização de um reservatório vertical de uma altura que equivale a 2 a 2,5 vezes o seu diâmetro, a fim de assegurar uma boa estratificação da água pré-aquecida. Com a estratificação, a água mais quente se acumula na parte de cima do reservatório, enquanto que a água fria situa-se na parte inferior deste. Segundo Prado et al (2007), em “Tecnologias para construção habitacional mais sustentável Levantamento do estado da arte: Energia solar”: [...] Para a fabricação dos reservatórios, utiliza-se, preferencialmente, aço inoxidável. No entanto, o cobre e o aço esmaltado com ânodo de proteção também podem ser utilizados. Os reservatórios de aço galvanizado são desaconselhados devido a oferecer resistência insuficiente à corrosão, enquanto que os de material sintético podem ser usados apenas quando água é armazenada sem pressão. Outro importante ponto a ser observado é a qualidade do isolamento térmico que reveste o reservatório. Ela deve ser projetada de modo que as perdas de calor para o meio sejam os menores possíveis. É aconselhado sempre optar por fabricantes que possuam a sua linha de produtos etiquetados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial). Principalmente em caso de licitações, pois dessa forma o produto adquirido tem a segurança de qualidade e tem a sua eficiência térmica conhecida. Figura 11: Geometria Solar, condições de Instalação. Fonte: Adaptado, ABRAVA. Segundo (CARDOSO, 2008), em “Dimensionamento e instalação de aquecedor solar” na revista Téchne, edição 136: [...] O dimensionamento é uma das etapas mais importantes no projeto de implantação de um aquecedor solar em uma residência, pois é a partir dele que se chega ao volume de água quente e à área coletora ideal para atender às necessidades diárias de água quente dos usuários e com isso atingir a sua satisfação plena. Figura 12: Inclinação do coletor solar, β = latitude local + 10°. Fonte: ABRAVA. Figura 13: Orientação geográfica dos coletores. Fonte: NBR 15569 (ABNT, 2008). O reservatório térmico é o local aonde vai ser armazenada a água aquecida após o período da ausência de radiação solar, e serve de atendimento para os momentos em que a demanda de água quente supera a capacidade de aquecimento da fonte de Numa instalação típica, o depósito de água quente está situado em posição superior aos coletores, a água quente produzida é naturalmente conduzida para um depósito isolado, por meio do termo sifão, ficando armazenada, pronta para o uso. O dimensionamento deste reservatório consiste na previsão do consumo de água aquecida utilizada pelo usuário durante o banho através da estimativa da sua demanda, levando-se em consideração o número de pessoas que habitam a residência. Neste trabalho somente será considerada a utilização da ducha, do único banheiro da casa. As capacidades disponíveis no mercado brasileiro são normalmente de 100, 150, 200, 250, 300, 350, 400 litros. A NBR 15569 (ABNT, 2008) e vários fabricantes apresentam em seus manuais e catálogos, formas simplificadas de dimensionamento através de tabelas e valores médios de consumo para cada tipo de utilização e necessidade, portanto, neste artigo não serão abordados estudos acerca deste dimensionamento, será apenas considerada a praticidade das recomendações da norma e dos fabricantes. Para a ducha, esta média varia entre 50 a 70 litros de consumo por pessoa, 01 vez ao dia, considerando um banho de 10 minutos. Para dimensionamento de sistemas de aquecimento solar (SAS) de água em residências uni familiares, a NBR 15569 (ABNT, 2008) recomenda o cálculo através da Equação 1, em que se pode prever o volume de consumo para o atendimento. 6 Vconsumo = å (Qpu ´ Tu ´ Frequência _ de _ uso) onde: Vconsumo Tabela 1 – Valor médio de consumo de água quente da ducha por dia. (1) é o volume de água quente consumido diariamente (m³); Qpu é a vazão da peça de utilização, expressa em metros cúbicos por segundo (m³/s); Tu é o tempo médio de uso diário da peça de utilização, expresso em segundos (s); Frequência _ de _ uso é o número total de utilizações da peça por dia. Logo, calcular o volume do sistema de armazenamento, Equação 2: Varmaz = onde: Vconsumo ´ (Tconsumo - Tambiente) (Tarmaz - Tambiente) (2) Varmaz é o sistema de armazenamento do SAS, (m³) ( Varmaz >=75% Vconsumo ); Vconsumo é volume de consumo diário, expresso em metros cúbicos (m³); Tconsumo é a temperatura de consumo de utilização (°C) (sugere-se que seja adotado 40 °C); Tambiente é a temperatura ambiente média anual do local de instalação; Tarmaz é a temperatura de armazenamento da água (°C) ( Tarmaz >= Tconsumo ). Para cálculo da área do coletor solar térmico, a NBR 15569 (ABNT, 2008) recomenda a utilização do cálculo através da Equação 3. Acoletora = onde: ( Eútil + Eperdas ) ´ FCinstal ´ 4,901 PMDEE ´ Ig (3) Acoletora é a área coletora, expressa em metros quadrados (m²); Ig é o valor da irradiação global média anual para o local de instalação (kWh/m² . dia); Eútil é a energia útil, em quilowatts hora por dia (kWh/dia); Eperdas é o somatório das perdas térmicas dos circuitos primário e secundário (kWh/dia), calculada pela soma das perdas ou pela equação: Eperdas = 0,15 x Eútil; FCinstal é o fator de correção para inclinação e orientação do coletor solar; PMDEE é a produção média diária de energia específica do coletor solar (kWh/m²). Foi considerado para dimensionamento do sistema, vazão da ducha de 6,6 litros/min, 10 minutos de banho por pessoa, residência 4 moradores em média. Os valores médios estimados de consumo de água quente são demonstrados através da Tabela 1. Estimado o valor médio de consumo de água quente da residência, agora é necessário o dimensionamento do sistema de armazenamento, estipulado para temperatura de 50 °C, visando um banho com temperatura média de 39-40 °C, Tabela 2. A temperatura ambiente média anual de Cuiabá segundo Pereira (2006) no “Atlas Brasileiro de Energia Solar” é 27 °C. Tipo de Consum o Vazão da Ducha Observações Número de pessoas Volume Total Ducha 6,6 litros/min 01 vez ao dia, banho de 10 a 15 min. 4 264 litros Fonte: Valores calculados com base na NBR 15569 (ABNT, 2008). Tabela 2 – Consumo do sistema de armazenamento para temperatura de armazenamento de 50 °C. Vconsumo (consumo diário da Ducha) Tconsumo (temperatur a de utilização) Tambiente (temperatura média anual de Cuiabá) Tarmaz (temperatua de armazenamen to) Varmaz (volume do sistema de armazenamento ) 264 litros 39 - 40 °C 27 °C 50 °C 149 litros Fonte: Valores calculados com base na NBR 15569 (ABNT, 2008). Finalmente, o cálculo da área do coletor solar térmico deve ser dimensionado com o cálculo da demanda de energia útil, perdas térmicas, fator de correção de inclinação, produção média de energia específica e irradiação solar global média anual de Cuiabá, descritas na NBR 15569 (ABNT, 2008). Outro item analisado nesta residência foi à inclinação do telhado que varia nos projetos estudados entre 15° a 27°, sendo que o ângulo ideal do painel é 25° para Cuiabá, conforme citado anteriormente. Porém os cálculos levam em consideração os projetos que apresentam 15° de inclinação de sua cobertura, pois o painel solar será instalado conforme esta angulação. A orientação foi calculada considerando o pior caso com 30° leste ou oeste, pois a norma cita este valor como ângulo máximo a ser adotado nos projetos. Segundo Pereira (2006) no “Atlas Brasileiro de Energia Solar” a radiação global média anual de cidades como Cuiabá e Sinop gira em torno de 5,25 kWh/m², sendo então adotado este valor para Ig. Os valores e dados estudados para o cálculo são mostrados na Tabela 3: Tabela 3 – Cálculo da área coletora do painél de aquecimento solar. Eútil (demanda de energia útil) Eperdas (perdas térmicas) FCInstal (fator de correção inclinação do coletor) 7,06 kWh/ dia 1,06 kWh/ dia 1,05 PMDEE (produçã o média de energia específic a) 2,72 kWh/ m².dia Ig (radiação solar global média anual de Cuiabá) Acoletor a (área do coletor solar) 5,25 kWh/m² 2,92 Fonte: Valores de acordo coom NBR 15569 (ABNT, 2008) e o Atlas Brasileiro de Energia Solar (2006). Portanto, o sistema de aquecimento solar de uma residência de HIS, de 36m² a 42m², será composto por um volume de armazenamento de 150 a 200 litros de capacidade e uma área coletora total de 3 a 4m² de área. VI. CONSIDERAÇÕES FINAIS As questões ambientais, na utilização ao uso de energia são preocupantes a cada dia, neste sentido a energia solar é uma das alternativas mais viáveis em termos ambientais. É uma energia limpa, de fonte inesgotável, e considerada a melhor alternativa para resolver o problema da emissão de CO2 causada pela queima de combustíveis fósseis na produção de energia elétrica. São muitas as vantagens, tais como: a fácil 7 instalação; disseminação dos equipamentos; baixo custo de operação do sistema; ameniza o pico de consumo no horário de maior demanda. A economia do consumo de energia da HIS, com a utilização do aquecimento de água através da energia solar térmica pode ser estimado através do cálculo de consumo do chuveiro elétrico, Tabela 4, considerou-se o banho diária de 4 habitantes, sendo 10 minutos de duração e 1 vez ao dia. A economia mensal gira em torno de 80 kWh, e a economia anual na faixa dos 960 kWh, ou seja, quase 1 MWh anual por habitação. CENTRE SCIENTIFIQUE ET TECHNIQUE DE LA CONSTRUCTION (CSTC). Code de bonne pratique pour l'installation des chauffe-eau solaires. Bruxelas, 1999. CREDER, Hélio. Instalações Elétricas. 15. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2007. LIMA, J.B.A. Otimização de sistema de aquecimento solar de água em edificações residenciais unifamiliares utilizando o programa TRNSYS. 2003. 123p. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003. VIII. DADOS BIOGRÁFICOS Tabela 4 – Estimativa do consumo do chuveiro elétrico diário, mensal e anual. Equip. Pot. (W) Tempo (cada banho) Número de pessoas (kWh dia) (kWh mês) Consumo (kWh ano) Chuveiro Elétrico 4000 10 min. 4 2,7 80 960 Outro ponto a se debater, é com relação às tarifas aplicáveis pela concessionária, diz a respeito da demanda e consumo desta HIS, que diminuiria consideravelmente com a utilização da energia solar. Podendo inclusive de acordo com a carga elétrica estudada, se enquadrar em conta de energia com tarifa social, com preço de consumo energético (kWh) reduzido. Ou seja, o uso de energia solar para aquecimento de água é uma extraordinária alternativa para suprir o consumo de água quente, melhorar a qualidade de vida e não agravar as prejudicar as gerações futuras com problemas ambientais, como o aquecimento global e o efeito estufa. VII. BIBLIOGRAFIA ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 15569 – Sistema de aquecimentosolar de água em circuito direto – Projeto e instalação – Fevereiro 2008. ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 5410 - Instalações elétricas de baixa tensão - Março 2005. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE REFRIGERAÇÃO, AR CONDICIONADO, VENTILAÇÃO E AQUECIMENTO (ABRAVA). [Homepage Institucional]. Disponível em: <http://www.abrava.com.br>. Acesso em: 20/06/2011. ARAÚJO, M. A. A moderna construção sustentável. AECWEB, Brasil, Portal Conexão AEC, mai. 2008. 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Rodrigo Esteves Ascurra, nascido em 14/12/1981 em Cuiabá (Mato Grosso), é graduado em Engenharia Elétrica, Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho e Mestrando em Engenharia de Edificações e Ambiental pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Trabalha atualmente como Engenheiro Eletricista da UFMT (2009-2012), e já trabalhou nas empresas Teleborba Telecomunicações LTDA (prestadora de serviços EMBRATEL - 2007), Ampér Construções Elétricas LTDA (Construção de Linhas de Transmissão / 2007-2008), Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A - Eletronorte (2007) e Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE-MT / 2001-2006). Lúcia Flávia Milani Dias Ramos, nascida em 02/11/1985 em Cuiabá (Mato Grosso), é graduada em Arquitetura e Urbanismo e Mestranda em Engenharia de Edificações e Ambiental pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Trabalha atualmente como arquiteta na Secretaria das Cidades, Governo do Estado de Mato Grosso.