- Universidade Estadual de Londrina LAÉRCIO JOSÉ GUARIENTE ESTUDO COMPARATIVO DO DESEMPENHO DE UM SISTEMA DE AQUECIMENTO DE ÁGUA POR ENERGIA SOLAR COM CIRCULAÇÃO NATURAL E COM CIRCULAÇÃO FORÇADA LONDRINA-PARANÁ 2005 1 LAÉRCIO JOSÉ GUARIENTE ESTUDO COMPARATIVO DO DESEMPENHO DE UM SISTEMA DE AQUECIMENTO DE ÁGUA POR ENERGIA SOLAR COM CIRCULAÇÃO NATURAL E COM CIRCULAÇÃO FORÇADA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Edificações e Saneamento da Universidade Estadual de Londrina, para obtenção do título de Mestre. Área de Concentração: Sistemas Prediais Linha de Pesquisa: Sistemas Construtivos e Desempenho de Edificações Orientador: Prof. Dr. Aron Lopes Petrucci LONDRINA-PARANÁ 2005 2 LAÉRCIO JOSÉ GUARIENTE ESTUDO COMPARATIVO DO DESEMPENHO DE UM SISTEMA DE AQUECIMENTO DE ÁGUA POR ENERGIA SOLAR COM CIRCULAÇÃO NATURAL E COM CIRCULAÇÃO FORÇADA Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Edificações e Saneamento da Universidade Estadual de Londrina, para obtenção do título de Mestre. Área de Concentração: Sistemas Prediais Linha de Pesquisa: Sistemas Construtivos e Desempenho de Edificações Orientador: Prof. Dr. Aron Lopes Petrucci COMISSÃO EXAMINADORA __________________________________________ __________________________________________ __________________________________________ Londrina, _______ de ___________________de 2005. 3 CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO ELABORADA PELA DIVISÃO DE PROCESSOS TÉCNICOS DA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) G915e Guariente, Laércio José. Estudo comparativo do desempenho térmico de um sistema de aquecimento de água por energia solar com circulação natural e com circulação forçada / Laércio José Guariente. – Londrina, 2005. 158f. : il + apêndices e anexos no final da obra. Orientador : Aron Lopes Petrucci. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Edificações e Saneamento) − Universidade Estadual de Londrina, 2005. Bibliografia: f. 128-134. 1. Energia solar – Teses. 2. Aquecimento solar – Teses. 3. Aquecedores solares de água – Teses. I. Petrucci, Aron Lopes. II. Universidade Estadual de Londrina. III. Título. CDU 620.91 697.7 4 Dedicatória À minha amada esposa, Maria Helena, Helena, que além de incentivadora e coco-orientadora deste trabalho, é a grande inspiração da minha vida. Aos meus filhos Suzana, Vitor e Viviane que foram sempre compreensivos, interessados e preocupados com a minha pesquisa e mais do que isto, foram muitas vezes meus auxiliares. 5 Agradecimentos A Deus Pai e a nossa Mãe celestial, Maria, obrigado por estarem comigo todos os dias da minha vida. Aos meus pais Gerson e Dileta, por me proporcionarem a educação que me trouxe até esta realização. Aos meus sogros Marcio e Diva, pelos muitos momentos em que ajudaram a cuidar de meus filhos na minha ausência. Ao meu orientador e amigo, Prof. Dr. Aron Lopes Petrucci, pela confiança no meu trabalho e principalmente pela humildade de me emprestar seu conhecimento e muitas vezes as suas mãos na montagem do experimento. Ao Eng. Waldomiro Gross Jr., proprietário da Hidrotécnica Ltda, cujo interesse pela ciência possibilitou a execução desta pesquisa com a cessão do equipamento de aquecimento. 6 À Eluma S.A., pela doação dos tubos e conexões utilizados na montagem do sistema de aquecimento. Ao Centro de Tecnologia e Urbanismo da Universidade Estadual de Londrina, pela cessão de materiais, equipamentos e espaço físico no Laboratório de Hidráulica e Saneamento. Ao Departamento de Construção Civil e principalmente aos colegas de área que me substituíram durante a licença. Ao Sr. José Reginaldo dos Santos, funcionário do Laboratório de Hidráulica e Saneamento, que não mediu esforços para me auxiliar no dia a dia dos ensaios. Ao amigo Carlos Augusto Radigonda que contribuiu com seus conhecimentos de computação gráfica para ilustrar este trabalho. E finalmente aos colegas e docentes do Curso de Mestrado que me guiaram e apoiaram durante esta jornada. 7 GUARIENTE, Laércio José. Estudo comparativo do desempenho de um sistema de aquecimento de água por energia solar com circulação natural e com circulação forçada. Londrina, Paraná, 2005. 158f. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Edificações e Saneamento) – Universidade Estadual de Londrina. RESUMO O presente trabalho consiste em um estudo experimental de comparação entre o desempenho de um sistema de aquecimento de água por energia solar operando com circulação natural (termossifão) e operando com circulação forçada (por bombeamento). O parâmetro de comparação de desempenho utilizado foi o tempo que o sistema foi capaz de fornecer água quente, nas condições de temperatura e vazão pré-definidas por um perfil de consumo. Foi instalado um equipamento de aquecimento solar para circulação natural, com reservatório térmico horizontal e coletores planos nas condições recomendadas pela NBR 12269/1992 da ABNT. A circulação forçada foi obtida com a conexão de uma bomba centrifuga em um “by pass” instalado no mesmo sistema. A fonte auxiliar de energia (resistência elétrica) foi mantida desligada. Os primeiros ensaios foram realizados para a obtenção da vazão ótima para operação com circulação forçada. Posteriormente foram efetuados trinta e seis ensaios para a comparação de desempenho entre os dois tipos de circulação. Estes ensaios foram realizados diariamente, operando um dia por termossifão e no dia seguinte por bombeamento a fim de se estabelecer uma homogeneização das condições climáticas entre os ensaios. As variações de temperatura no sistema foram controladas ao longo do dia, por sensores do tipo PT100, posicionados em cinco pontos diferentes do equipamento. Os sinais foram coletados por um sistema de aquisição de dados acoplado a um computador e gerenciados por um programa específico. O desempenho foi medido pela simulação do perfil de consumo no final do dia. Os resultados indicaram um desempenho significativamente melhor do sistema com circulação forçada em relação ao sistema operando com circulação natural. Foi detectada a necessidade de controle do acionamento da bomba durante a operação com circulação forçada, para evitar a perda de calor da água durante a circulação, quando os coletores ficam submetidos a períodos prolongados de sombras proporcionadas por nuvens. Verificou-se também a pouca estratificação de temperatura da água no interior do reservatório, devido ao seu formato horizontal, e que a baixa taxa de vazão durante o bombeamento não interferiu na estratificação. Palavras-Chave: energia solar, aquecimento solar, aquecedores solares de água 8 GUARIENTE, Laércio José. Comparative study of the performance of a solar water heating system with natural circulation and with forced circulation. Londrina, Paraná, 2005. 158f. (Master’s thesis in Building Engineering and Sanitation) – Universidade Estadual de Londrina. ABSTRACT The present work consists an experimental study of comparison between the performance of a solar water heating system operating with natural circulation (thermosiphon) and operating with forced circulation (by pumping). The parameter of comparison was the time that the system was capable to supply hot water in the temperature and flow conditions pre-defined by a consumption profile. One solar water heating system with natural circulation was installed with horizontal thermal tank and plane collectors in the conditions recommended by ABNT-NBR 12269/1992 standard. The forced circulation was obtained by connection of a pump in a by-pass of the same system. The auxiliary source of energy (electrical resistance) was maintained turned off. The initials tests were accomplished to obtain the optimun flow to operate with forced circulation. Thirty-six more tests were made to compare the performance of the two types of circulation. These tests were daily realized, operating one day for thermosiphonic flow and the following day for pumped flow, in order to homogenize the climatic conditions among the tests. The temperature variations in the system were controlled along the day through thermoresistances PT100 that was positioned in five different points from the equipment. The signs were collected by a data acquisition system on line with a computer and managed by a specific program. The performance was measured by simulation of the consumption profile at the end of the day. The results indicated that the forced circulation system had a significantly better performance in comparison with the natural circulation system. The need of automatic control to the pump operation was detected to avoid the water heat loss when the collectors are submitted to periods of shadows caused by clouds. It was also verified a little stratification in the water temperature inside the thermal tank, due his horizontal format. The low flow rates during the forced circulation didn't interfere in the stratification. Key words: solar energy, solar heating, solar water heaters 9 LISTA DE FIGURAS FIGURA 2.1 Sistema ativo indireto de aquecimento solar ........................... 18 FIGURA 2.2 Sistema passivo direto de aquecimento solar ......................... 19 FIGURA 2.3 Sistema ativo direto de aquecimento solar ............................. 21 FIGURA 2.4 Coletor solar plano .................................................................. 25 FIGURA 2.5 Partes constituintes de um reservatório térmico ...................... 27 FIGURA 2.6 Estratificação da água no interior do reservatório térmico ...... 29 FIGURA 2.7 Resistência elétrica no interior do reservatório térmico .......... FIGURA 2.8 Fonte auxiliar de energia instalada em paralelo com os FIGURA 2.9 Fonte auxiliar de energia instalada em série com o 32 coletores solares ...................................................................... 32 aquecimento solar ................................................................... 33 FIGURA 2.10 Área de concentração de uma unidade de radiação em função da latitude local ............................................................ 35 FIGURA 2.11 Inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao eixo ortogonal ao plano de translação ............................................ 37 FIGURA 2.12 Translação e inclinação do eixo de rotação combinadas, determinam as estações climáticas ......................................... 38 FIGURA 2.13 Posição do sol ao meio-dia (zênite) ......................................... 39 FIGURA 2.14 Altura mínima do sol durante o dia (ocaso) ............................. 40 FIGURA 2.15 Verão no hemisfério sul ........................................................... 41 FIGURA 2.16 Radiação solar na atmosfera e superfície terrestre ................. 42 10 FIGURA 2.17 Coletor voltado para o Norte com inclinação igual à latitude local ......................................................................................... 44 FIGURA 2.18 Posição do reservatório térmico em sistema com circulação natural ...................................................................................... 46 FIGURA 3.1 Sistema de aquecimento solar instalado e conectado ao Laboratório de Hidráulica do CTU – UEL ................................ 50 FIGURA 3.2 Medidas usadas na montagem do sistema de aquecimento solar ......................................................................................... 51 FIGURA 3.3 Desenho do esquema de montagem, materiais e equipamentos do sistema utilizado na pesquisa ..................... 52 FIGURA 3.4 Coletor solar usado no experimento......................................... 54 FIGURA 3.5 Reservatório térmico e caixa de água fria ............................... 55 FIGURA 3.6 Saídas de água quente para consumo e de água fria para coletores .................................................................................. 56 FIGURA 3.7 Entrada de água fria para o reservatório e retorno de água quente dos coletores ............................................................... 56 FIGURA 3.8 Bomba centrífuga e hidrômetro para regulagem da vazão da bomba ...................................................................................... 58 FIGURA 3.9 Termo-resistência PT 100 ....................................................... 59 FIGURA 3.10 Termo-resistência conectada na entrada do coletor ............... 60 FIGURA 3.11 Sistema de aquisição de sinais ............................................... 61 FIGURA 3.12 Sistema de aquisição de sinais conectado ao microcomputador ..................................................................... 62 FIGURA 3.13 Cavalete simulador com hidrômetro e PT100 na saída da ducha ....................................................................................... 63 FIGURA 3.14 Pares de temperatura X voltagem do sensor 1 ....................... 67 FIGURA 3.15 Pares de temperatura X voltagem do sensor 2 ....................... 68 11 FIGURA 3.16 Pares de temperatura X voltagem do sensor 3 ....................... 69 FIGURA 3.17 Pares de temperatura X voltagem do sensor 4 ....................... 70 FIGURA 3.18 Pares de temperatura x voltagem do sensor 5 ........................ 71 FIGURA 4.1 Comparação entre os sensores 1-5 (22/05/2005) — Ensaio FIGURA 4.2 Comparação entre os sensores 1-5 (05/03/2005) — Ensaio com vazão de 5,21g/s.m2 ......................................................... 90 com vazão de 3,13 g/s.m2 ....................................................... FIGURA 4.3 Comparação entre os sensores 1-5 (03/03/2005) — Ensaio FIGURA 4.4 Comparação entre os sensores 1-5 (02/03/2005) — Ensaio FIGURA 4.5 Comparação entre os sensores 1-5 (17/02/2005) — Ensaio FIGURA 4.6 Comparação FIGURA 4.7 Comparação entre os sensores 1 - 5 FIGURA 4.8 Comparação entre os sensores 1 - 5 — Variação de FIGURA 4.9 Comparação entre os sensores 1 - 5 — Variação de 90 com vazão de 11,34 g/s.m2 ...................................................... 91 com vazão de 1,81 g/s.m2 ........................................................ 92 com vazão de 9,30 g/s.m2 ........................................................ 93 entre os sensores 1- 5 — Variação de temperatura no ensaio de 28/03/2005 ..................................... 106 — Variação de temperatura no ensaio de 29/03/2005 ..................................... 106 temperatura no ensaio de 12/04/2005 ..................................... 107 FIGURA 4.10 FIGURA 4.11 temperatura no ensaio de 16/04/2005 ..................................... 108 Comparação entre os sensores 1 - 5 — Variação de temperatura no ensaio de 22/04/2005, com perda de calor por volta de 15:50h .................................................................. 109 Comparação entre os sensores 1 - 5 — Variação de temperatura no ensaio de 11/05/2005 ..................................... 110 FIGURA 4.12 Comparação entre os sensores 1 - 5 — Variação de temperatura no ensaio de 12/05/2005 ..................................... 110 12 FIGURA 4.13 Comparação entre os sensores 1 - 5 — Variação de temperatura no ensaio de 13/05/2005 ..................................... — Variação de temperatura no ensaio de 14/05/2005 ..................................... 111 FIGURA 4.14 Comparação entre os sensores 1 - 5 111 FIGURA 4.15 Comparação entre os sensores 1 - 5 — Variação de temperatura no ensaio de 26/05/2005 ..................................... 118 FIGURA 4.16 Comparação entre os sensores 1 - 5 — Variação de temperatura no ensaio de 27/05/2005 ..................................... 118 13 LISTA DE TABELAS TABELA 1.1 Total de consumo de energia (EJ = 10 18 J) por tipo de fonte, 2003 ............................................................................................ 4 TABELA 1.2 Principais fontes de energia elétrica no mundo ......................... 5 TABELA 1. 3 Produção primária de energia no Brasil ..................................... 7 TABELA 1.4 Energia primária — consumo por fonte no Brasil, 2003 ........... 8 TABELA 1.5 Composição setorial do consumo de eletricidade (Unidades: %) ............................................................................. 11 TABELA 3.1 Características da demanda de água quente em cinco apartamentos .............................................................................. 74 TABELA 3.2 Posição do Registro X Vazão de Água Quente (l / min) ............. 79 TABELA 4.1 Ensaios para determinação da vazão ótima ............................... 88 TABELA 4.2 Ensaios para comparação do sistema com circulação natural e com circulação forçada, 2005 ..................................................... 98 TABELA 4.3 Estatísticas como: médias, desvios padrão e números de elementos (n) das variáveis estudadas nos dois grupos (circulação natural e forçada) e Estatísticas do teste t com o respectivo nível descritivo (p) ....................................................... 101 TABELA 4.4 Ensaios que apresentaram influência de sombreamento no desempenho................................................................................ 104 TABELA 4.5 Ensaios realizados em dias com céu limpo ................................ 113 TABELA 4.6 Ensaios realizados nos dias 26/05/2005 e 27/05/2005 .............. 116 TABELA 4.7 Estratificação da água no reservatório térmico em ensaios com circulação natural ....................................................................... 120 TABELA 4.8 Estratificação da água no reservatório térmico em ensaios com circulação forçada ...................................................................... 121 14 LISTA DE SIGLAS ABREVIATURAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas AF Água Fria AQ Água Quente ASHRAE American Society of Heating, Refrigeration and Air-Conditioning Engineers CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CTU Centro de Tecnologia e Urbanismo EUA Estados Unidos da América GLP Gás Liquefeito de Petróleo IAPAR Instituto Agronômico do Paraná IPARDES Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social NBR Norma Brasileira PVC Cloreto de Polivinila REG Registro SAS Sistema de Aquisição de Sinais TRNSYS Transient System Simulation Program UEL Universidade Estadual de Londrina UFPR Universidade Federal do Paraná 15 LISTA DE SÍMBOLOS LETRAS LATINAS 2 Ac Área Útil da Placa Coletora Plana [m ] Fr Fator de Remoção de Calor da Placa Coletora h1 Diferença de Nível Entre os Tubos de Entrada e de Saída de Água dos Coletores [m] h2 Diferença de Nível Entre os Tubos de Saída de Água para os Coletores e de Retorno no Reservatório Térmico [m] INSOL Insolação Diária [h] IT Taxa de Radiação Solar Incidente na Superfície da Placa Coletora [J / m2] NB Número de Banhos q AQ Vazão de Água Quente [l / min] q AF Vazão de Água Fria [l/min] q MIST Vazão de Água Misturada [l / min] RAD Radiação Solar Diária [cal/cm2] T Temperatura [ C] Ta Temperatura Ambiente [oC] T AF Temperatura de Água Fria [oC] T AFi Temperatura da Água Fria Inicial (de manhã) [oC] T AFf Temperatura da Água Fria Final (de noite) [oC] T AQ Temperatura da Água Quente no Início da Simulação do Perfil de Consumo [oC] Tci Temperatura da Água que Entra no Coletor [oC] T MAX Temperatura Máxima Diária [oC] o 16 T MED Temperatura Média Diária [oC] T MIN Temperatura Mínima Diária [ C] T MIST Temperatura de Água Misturada [ C] UL Coeficiente Global de Perdas de Calor do Coletor [W / m . C] U. REL. Umidade Relativa do Ar [%] V Tensão Elétrica [V] o o 2 o LETRAS GREGAS θ Latitude Local [o] α Absortância da Superfície Negra da Placa β o Inclinação do Coletor Solar em Relação a Horizontal [ ] τ Transmitância da Cobertura de Vidro [W / m2. oC] (τα τα) τα e Produto Transmitância – Absortância Efetivo [W / m2. oC] ∆h Distância Entre a Borda Superior dos Coletores e o Fundo do Reservatório Térmico [m] ∆T AF Variação da Temperatura da Água Fria Durante o Dia [oC] ∆T AQ Ganho de Temperatura da Água Durante o Dia [ C] o 17 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................... 1 1.1 Delineamento do Problema ......................................................... 9 1.2 Objetivos ...................................................................................... 14 1.2.1 Objetivo Geral .................................................................... 14 1.2.2 Objetivos Específicos ......................................................... 15 2 SISTEMAS DE AQUECIMENTO DE ÁGUA POR ENERGIA SOLAR ................................................................................ 16 2.1 Tipos de Sistemas ...................................................................... 17 2.2 Componentes do Sistema ........................................................ 22 2.2.1 Coletores ............................................................................ 2.2.2 Fluido Térmico ................................................................... 2.2.3 Reservatório Térmico ........................................................ 2.2.4 Fonte Auxiliar de Energia ............................................. 2.3 Condições de Funcionamento do Sistema ............................ 2.3.1 O Sol na Superfície Terrestre ......................................... 2.3.2 Instalação dos Coletores Planos ..................................... 2.3.3 Instalação do Reservatório Térmico ................................ 22 25 26 30 34 34 43 45 3 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................... 48 3.1 Instalações do Sistema de Aquecimento de Água por Energia Solar ......................................................... 49 3.2 Materiais e Equipamentos do Sistema de Aquecimento de Água ............................................................. 3.2.1 Coletores Solares .............................................................. 52 3.2.2 Reservatório Térmico ........................................................ 53 3.2.3 Tubulações Hidráulicas....................................................... 54 57 18 3.2.4 Reservatório de Água Fria ............................................... 57 3.2.5 Bomba Centrífuga .............................................................. 58 3.3 Instrumentos de Medição e Controle ..................................... 59 3.3.1 Termo-Resistências PT100 .............................................. 59 3.3.2 Sistema de Coleta de Sinais ....................................... 60 3.3.3 Microcomputador ................................................................ 61 3.3.4 Hidrômetro da Bomba ....................................................... 62 3.3.5 Hidrômetro da Ducha ...................................................... 63 3.3.6 Termômetro ........................................................................ 64 3.3.7 Cronômetro ......................................................................... 64 3.4 Calibragem dos Sensores PT100 .......................................... 64 3.5 Simulação do Perfil de Consumo ........................................... 71 3.5.1 Escolha de um Perfil de Consumo de Água Quente ...................................................................... 71 3.5.2 Procedimentos da Simulação do Perfil de Consumo ...................................................................... 76 3.6 Aferição do Volume de Água no Sistema .............................. 80 3.7 Determinação da Vazão Ótima da Bomba Centrífuga para Funcionamento do Sistema Ativo ................................ 3.8 Determinação do Desempenho do Sistema com Circulação Natural (Sistema Passivo) e com Circulação Forçada (Sistema Ativo) .......................................................................... 4 ANÁLISE DE DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ............................................................................. 4.1 Ensaios para a Determinação da Vazão Ótima da Bomba Centrífuga ............................................................... 4.2 Comparação do Desempenho do Sistema Operando com Circulação Natural e Forçada ........................................ 4.3 Estratificação da Água no Reservatório Térmico .................... 82 84 86 87 96 119 19 5 CONCLUSÕES ........................................................................................ 122 6 REFERÊNCIAS ....................................................................................... 128 APÊNDICES Apêndice A – Ficha ensaio ..................................................................... 136 Apêndice B – Demais 25 ensaios realizados para comparação entre circulação natural e forçada................................................ 137 Apêndice C – Monitoramento de temperatura do ensaio de 12/05/2005 .................................................................... 146 ANEXOS Anexo 1 – Dados coletados na estação meteorólogica do IAPAR ............................................................................... 155 20 1 INTRODUÇÃO 1 Na história do ser humano, várias formas de energia foram utilizadas, predominando ainda hoje o uso de fontes primárias de energia, que são aquelas que produzem energia pelo consumo direto de recursos naturais. Com o advento das máquinas a vapor durante a Revolução Industrial do século XIX, o carvão tornou-se a principal fonte de energia, em substituição à lenha, mais utilizada até então. Ainda no final do século XIX, com o aumento sucessivo da exploração de petróleo nos Estados Unidos, surgiu o recurso que permanece como o principal utilizado para produção de energia. Mais prático para o transporte e viável economicamente em virtude de seus subprodutos, o petróleo movimenta boa parcela do mundo. Nesta mesma época foi desenvolvido um tipo de energia secundária, produzida a partir da transformação de energias primárias, que modificaria completamente a maneira de viver da humanidade: a energia elétrica. A comunicação, o transporte, a produção e tudo mais foi radicalmente influenciado como observa Fernandes Filho et al. (2003, p. 1) A eletricidade destacou-se ao longo do século XX devido à sua participação e viabilização de atividades e processos, desde os primórdios da iluminação pública até os atuais controles eletrônicos, destacando-se o advento dos motores elétricos. Contudo a revolução tecnológica que se desenvolveu no século XX, promoveu também um enorme abismo entre países ricos e países pobres. O acesso mais rápido às novas formas de obtenção e utilização de energia dividiu o mundo em países desenvolvidos, em desenvolvimento e subdesenvolvidos. Nos países desenvolvidos a escalada no consumo de energia foi muito rápida, sem que 2 houvesse uma preocupação em relação ao desperdício de energia. Em decorrência disso existe na atualidade uma diferença maior que dez vezes no consumo de energia per capita, entre os países industrializados onde vive 25% da população mundial, e os países em desenvolvimento. Somente EUA e Canadá, que contam com 6% da população mundial, consomem 25% da energia mundial disponível, como pode ser identificado na Tabela 1.1. 3 4 A principal forma de geração de energia elétrica se dá pela queima de combustíveis fósseis, conforme indica a Tabela 1.2 (INTERNATIONAL ENERGY AGENCY apud MATOZZO, 2003, p. 1). TABELA 1.2 – Principais fontes de energia elétrica no mundo. FONTE PARTE DO TOTAL PRODUZIDO (%) Petróleo 7,20 Carvão 38,84 Gás natural 19,00 Energia nuclear 16,49 Outros* 18,47 FONTE: International Energy Agency, dados de 2002. *Combustíveis renováveis e de resíduos (1,55%), energia hidroelétrica (16,59%), geotérmica, solar e eólica (0,33%). A energia elétrica usada maciçamente na vida moderna é, portanto, fruto da exploração de recursos naturais. A partir do momento em que se percebeu a finitude destes recursos o mundo passou a se preocupar, como pode ser verificado em Altmann (2002, p. 1) “A disponibilidade de energia é base importante da existência humana, essencial à satisfação de necessidades básicas tais como alimentação, vestuário, habitação e também a mobilidade e comunicação”. A autora ainda salienta que: 5 A fome de energia parece não ter limites em todo o mundo. Não são apenas os países em desenvolvimento que fazem valer seu legítimo direito ao crescimento econômico. Também nos países altamente industrializados não se consegue vislumbrar um cenário de satisfação plena desta demanda (ALTMANN, 2002, p.1). Este fato se constitui um problema grave, uma vez que as principais fontes geradoras de energia elétrica são consideradas não-renováveis, porque demandam milhares de anos para se formarem na natureza. No Brasil, o desenvolvimento da matriz energética se deu principalmente através de fontes de energia renováveis como a energia hidráulica, devido às características geográficas favoráveis do país. Porém a capacidade de ampliação da produção de energia por hidroeletricidade, embora sendo renovável, é limitada às condições da natureza, e principalmente aos impactos ambientais provocados na construção de hidrelétricas. O Ministério das Minas e Energias (2004) apresenta dados que evidenciam que esta fonte não tem capacidade suficiente para tornar o país auto-suficiente em geração de energia, uma vez que na última década cresceu muito mais a produção de fontes não renováveis, como pode ser observado na Tabela 1.3 (BRASIL, 2004). 6 TABELA 1.3 – Produção primária de energia no Brasil. PRODUÇÃO DE ENERGIA PRIMÁRIA FONTE UNIDADE: 10³ tep 1993 2003 42291 97488 33169 77246 Gás Natural 7301 15675 Carvão Vapor 1784 1784 37 38 0 2745 67373 86388 Energia Hidráulica 20208 26301 Lenha 24803 25990 Produtos da Cana-de-Açúcar 19378 28348 2984 5749 109664 183876 NÃO RENOVÁVEL Petróleo Carvão Metalúrgico Urânio (U3O8) RENOVÁVEL Outras Renováveis TOTAL FONTE: Ministério das Minas e Energia (2004). OBS.: tep (tonelada equivalente de petróleo) Embora o Brasil não esteja enquadrado entre as potências mundiais de maior consumo de energia, identifica-se sua dependência da geração de energia elétrica quando observamos a Tabela 1.4 de consumos por tipo de fonte. 7 TABELA 1.4 – Energia primária — consumo por fonte no Brasil, 2003. FONTE DE ENERGIA PARTICIPAÇÃO (%) Eletricidade 17,5 Óleo diesel 18,3 Lenha e carvão vegetal 12,3 Gasolina 7,4 Óleo combustível 4,3 Carvão mineral 1,7 Álcool 3,4 Outras 35,1 FONTE: Ministério das Minas e Energia (2004) Uma das principais chaves para o desenvolvimento de qualquer país no mundo atual, é portanto sua capacidade de gerar energia elétrica, usando preferencialmente fontes renováveis e de recursos ilimitados. É também fundamental o investimento em tecnologias que possam substituir ou economizar o uso da energia elétrica. Este compromisso com o desenvolvimento sustentável já foi assumido por diversos países como se pode constatar no documento final da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro em 1992 (IPARDES, 2001, p. 18), onde encontra-se Especial atenção deve ser dedicada à demanda de recursos naturais gerada pelo consumo insustentável, bem como ao uso eficiente desses recursos, coerentemente com o objetivo de reduzir ao mínimo o esgotamento desses recursos e de reduzir a poluição. 8 A energia solar insere-se neste cenário como uma das alternativas mais promissoras, tendo sido pesquisada com maior interesse ao longo dos últimos 40 anos. Como possui capacidade de renovação tão longa quanto a vida do próprio planeta, se constitui numa opção bastante viável nas regiões intertropicais, onde a incidência de radiação solar ao longo de todo o ano, atinge excelentes índices. Outra característica favorável da energia solar é a possibilidade de geração no próprio local de consumo, diminuindo assim custos com o transporte da energia ao longo de grandes distâncias e facilitando também a manutenção dos sistemas. 1.1 DELINEAMENTO DO PROBLEMA As tecnologias atuais permitem o uso direto da energia solar de duas formas: como fonte de luz e calor (contribuindo desta forma para economia de energia elétrica) ou para a produção de eletricidade. A produção de energia elétrica é feita utilizando-se painéis com células fotovoltaicas, que ao absorverem luz, produzem corrente elétrica. Os elevados custos de fabricação destas células ainda limitam seu uso a regiões distantes (rurais por exemplo) onde fazer chegar linhas de transmissão de eletricidade se torna muito caro. Na Europa, países como Alemanha, Áustria, Suécia, Holanda, Grécia, Itália e Dinamarca participam de programas para utilização de energia solar, e alguns deles estão promovendo a implantação de telhados com painéis fotovoltaicos em edificações residenciais, para gerar a energia elétrica necessária à edificação e através de um sistema de comutação 9 com a rede pública de energia, complementar automaticamente a demanda quando o consumo exceder a autogeração. Existem ainda projetos para a produção de eletricidade via satélite, captando e convertendo a energia solar por meio de grandes painéis ao redor do planeta, e transmitindo a eletricidade para a Terra por microondas. O outro campo de utilização da energia solar, que vem a ser o interesse principal deste trabalho, é a transformação da radiação do sol em calor. Para este fim são utilizadas placas absorvedoras de radiação, onde estão instalados tubos nos quais circula um fluido térmico. O fluido pode ser a própria água que será consumida, ou um fluido trocador de calor que vai promover o aquecimento esperado. Seu aproveitamento está ligado em maior escala ao aquecimento de água para uso doméstico ou para sistemas de calefação. Países da América do Norte e Europa, conforme artigo de Fisch, Guigas e Dalenbäck (1998), desenvolvem estudos para a utilização da energia solar em grande escala, através de projetos de vilas ou bairros com sistemas coletivos de acumulação de água aquecida. Países como o Brasil possuem no setor residencial o segundo maior consumidor de energia elétrica, perdendo apenas para o setor industrial, conforme se observa na Tabela 1.5. 10 TABELA 1.5 – Composição setorial do consumo de eletricidade (Unidades: %). SETOR 1986 1990 1995 1998 3,40 3,14 3,13 3,14 3,19 3,19 3,54 RESIDENCIAL 19,11 22,36 24,01 25,85 25,84 25,18 23,80 COMERCIAL 10,47 10,94 12,19 13,54 13,85 14,31 14,36 PÚBLICO 7,94 8,33 8,72 8,87 8,81 8,96 9,18 AGROPECUÁRIO 2,67 3,06 3,46 3,78 3,93 4,00 4,25 TRANPORTES 0,62 0,55 0,46 0,38 0,37 0,38 0,41 55,79 51,61 48,02 44,43 44,00 43,98 44,45 CONSUMO FINAL 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 100,00 CONSUMO FINAL (105 TEP*) 149,66 174,13 211,84 245,62 251,76 265,28 247,94 SETOR ENERGÉTICO INDUSTRIAL 1999 2000 2001 FONTE: Ministério das Minas e Energia (2002). * O fator de conversão para tep (tonelada equivalente de petróleo) de hidráulica e eletricidade corresponde à equivalência térmica de geração: 1MWh = 3132 Mcal = 0,29 tep. Importante parcela da energia elétrica consumida nas residências é devido ao aquecimento de água com chuveiros elétricos. Segundo Prado e Gonçalves (1992), em habitações populares a energia elétrica consumida pelo chuveiro chega a 32% do total. Portanto a utilização da energia solar para aquecimento de água neste tipo de habitação pode se tornar uma importante ferramenta de redução de consumo de energia elétrica, bem como proporcionar conseqüente melhoria das condições econômicas da população na medida em que a energia solar é gratuita. As principais barreiras à implantação desta alternativa, têm sido o custo dos equipamentos que constituem o sistema de aquecimento solar, e as 11 limitações arquitetônicas que os sistemas mais comuns exigem das edificações para um funcionamento satisfatório. Pesquisas têm sido desenvolvidas com o objetivo de viabilizar equipamentos com materiais mais baratos, como coletores de polietileno de alta densidade sem cobertura estudados por Costa (2002) ou como Ríspoli (2001) que trabalhou com cinco configurações diferentes para um aquecedor com circulação natural, usando como coletores, desde tubos comuns de polietileno enrolados em forma de caracol, passando por painéis abertos de chapa de aço pintada de preto, até coletores industriais vendidos no comércio. O objetivo de tais trabalhos é atingir um número maior de usuários. Outra linha de trabalho é a que procura melhorar a eficiência dos sistemas existentes, que embora vise incentivar o uso dos sistemas solares de aquecimento de água em habitações coletivas ou unifamiliares de poder aquisitivo melhor, tem sua importância na medida em que, viabiliza a recuperação do investimento feito na implantação do sistema de maneira mais rápida, incentiva a economia de energia elétrica e de combustíveis fósseis, e cria um ciclo de desenvolvimento sustentável capaz de aprimorar tecnologias e torná-las acessíveis a toda a população. Várias destas pesquisas procuram encontrar combinações dos parâmetros intervenientes no processo como a área dos coletores, o volume do reservatório térmico, a potência e a posição da resistência elétrica auxiliar, de forma a melhorar o desempenho do equipamento, através de simulações por programas de computador já existentes, como é o caso do TRNSYS utilizado por 12 Vieira (2001). Outras pesquisas como a de Borges (2000), desenvolveu um modelo matemático que foi convertido em programa de computador com a finalidade de simular o desempenho térmico dos sistemas e assim melhorar o entendimento de todo o processo. Alguns estudos como Siqueira (2003) e Lourenço Júnior (2000) combinaram simulações computacionais com experimentos no sentido de validar seus modelos matemáticos. Nestes trabalhos, e na grande maioria das pesquisas cadastradas no Banco de Teses da CAPES sobre sistemas solares de aquecimento de água, foram estudados sistemas com circulação natural, por ser a configuração de sistema de menor custo, mas que apresenta um conjunto de limitantes físicas para seu perfeito funcionamento, o que muitas vezes inviabiliza a sua utilização. Por outro lado, são escassos os trabalhos sobre sistemas com circulação forçada, isto é, com o uso de uma bomba hidráulica para circular o fluido pelos coletores solares, que embora necessitem de energia auxiliar (geralmente elétrica) para seu funcionamento, tornam possível a instalação de um sistema solar em qualquer configuração arquitetônica. As características de cada um destes sistemas serão expostas no Capítulo 2. A ausência de parâmetros confiáveis para se projetar sistemas com circulação forçada, com certeza têm levado profissionais da área a optar por sistemas de aquecimento movidos por outras fontes de energia quando 13 encontram limitações físicas ao uso de sistemas solares por circulação natural. Estima-se que nestes casos a energia consumida para aquecer a água é muito maior do que aquela que seria necessária para movimentar a água pelos coletores solares, representando portanto um desperdício de energia. Diante deste panorama, esta dissertação se propõe a responder questões como: Qual sistema de aquecimento solar obtém melhor desempenho, o passivo (com circulação natural) utilizado em larga escala no Brasil, ou o sistema ativo (com circulação forçada)? Quais as condições de bombeamento recomendáveis para o funcionamento com circulação forçada? 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 OBJETIVO GERAL Comparar o desempenho de um sistema passivo de aquecimento solar (com circulação natural), com o desempenho do mesmo sistema funcionando de forma ativa (com circulação forçada), mediante um perfil de consumo de água quente pré-definido. 14 1.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Estabelecer orientações confiáveis para o dimensionamento e operação de bombas hidráulicas usadas para promover a circulação forçada em sistemas ativos. Pesquisar as variações de temperatura em um sistema de aquecimento solar, com circulação natural e forçada, ao longo da operação do sistema. Avaliar as condições de temperatura da água no interior do reservatório térmico após a captação de energia solar pelo sistema. 15 2 SISTEMAS DE AQUECIMENTO DE ÁGUA POR ENERGIA SOLAR 16 2.1 TIPOS DE SISTEMAS Basicamente os sistemas de aquecimento de água por energia solar são constituídos por receptores de radiação solar (em instalações residenciais geralmente usam-se coletores planos), reservatórios de acumulação de água aquecida, um sistema de distribuição para os pontos de utilização, e na maioria das situações uma fonte auxiliar de energia para compensar períodos de menor radiação solar ou de consumo acima de estimativas de dimensionamento. A utilização de reservatórios de armazenamento permite que o fluido térmico oriundo dos coletores seja diferente da água consumida, circulando pelo interior do reservatório sem fazer contato direto com a mesma, o que se chama de sistema indireto de aquecimento, representado na Figura 2.1, ou que o fluido térmico seja a própria água a ser consumida, neste caso formando um circuito, saindo do reservatório para os coletores e retornando aquecida para o reservatório, o que se chama de sistema direto de aquecimento, conforme Figura 2.2. O reservatório de acumulação se faz necessário também porque os coletores são fontes de baixa capacidade calorífica, e portanto a vazão da água na passagem pelos coletores deve ser pequena, para que ocorra uma maior transmissão do calor, o que torna inviável o abastecimento direto de pontos de utilização, uma vez que os perfis de consumo residenciais se concentram em determinados horários do dia, exigindo maiores vazões (BUCKLES; KLEIN, 1980). 17 FIGURA 2.1 – Sistema ativo indireto de aquecimento solar. 18 FIGURA 2.2 – Sistema passivo direto de aquecimento solar. Quanto à forma como acontece o processo de circulação do fluido térmico pelos coletores solares existem dois tipos de sistema: o sistema passivo e o sistema ativo. No sistema passivo a circulação pelos coletores solares ocorre devido à diferença de peso específico do fluido térmico nas regiões do reservatório de acumulação e dos coletores. O fluido aquecido nos coletores fica mais leve e tende a subir pelo princípio da convecção, enquanto o fluido que está na região do reservatório, devido a estar mais frio, e portanto mais pesado, tende a descer para os coletores, e assim se estabelece um processo de circulação que permanece acontecendo enquanto houver diferença de temperatura. Esta característica de funcionamento exige rigor quanto ao posicionamento do 19 reservatório de acumulação e dos coletores, devendo sempre o reservatório estar em nível acima dos coletores, como na Figura 2.2, para que se torne possível o fluido aquecido se deslocar de um nível inferior para um nível superior e para dificultar o fluxo reverso, que pode ocorrer no período noturno devido à inversão das temperaturas entre coletores e reservatórios (RUDNICK et al., 1986). A limitação no posicionamento dos componentes, muitas vezes inviabiliza instalações que entram em conflito com características arquitetônicas da edificação, porém possibilita o aquecimento da água e seu deslocamento até o reservatório sem necessidade de consumo externo de energia. O processo de circulação natural da água que ocorre no sistema passivo é conhecido no meio científico por termossifão (HOBSON; NORTON, 1989; KARAGHOULI; ALNASER, 2001; KUDISH; SANTAMAURA; BEAUFORT, 1985; YOUNG; BERGQUAM, 1984). No sistema ativo a circulação do fluido térmico entre os coletores e o reservatório de acumulação é feita com o auxilio de uma bomba hidráulica que transmite energia para o processo. O uso de energia auxiliar permite uma maior versatilidade no posicionamento dos componentes, podendo o reservatório estar colocado em qualquer nível em relação aos coletores, inclusive abaixo destes, conforme se observa na Figura 2.3, recomendando-se nestes casos o uso de válvulas de retenção para se evitar situações de refluxo. O acionamento da bomba pode ser feito por meio de termostatos controladores das temperaturas do sistema, uma vez que promover a circulação do fluido térmico em condições desfavoráveis pode provocar a perda de calor da água ao invés do seu aquecimento. Podem ser usados também timers, para acionamento 20 da bomba em períodos específicos, nos quais a incidência de radiação solar seja mais favorável, e se possa ter maior aproveitamento da energia. FIGURA 2.3 – Sistema ativo direto de aquecimento solar. No Brasil a quase totalidade dos sistemas residenciais de aquecimento de água por energia solar utilizados é do tipo direto passivo, ocorrendo em alguns casos, por imposições arquitetônicas ou por se tratar de sistemas de grande porte, a necessidade de se optar por um sistema direto ativo (SIQUEIRA, 1996). Em países aonde o clima mais frio pode provocar o congelamento da água no interior dos coletores, são usados com mais freqüência sistemas ativos, uma vez que se pode acionar a circulação da água com o objetivo de se evitar os efeitos da baixa temperatura, bem como os sistemas indiretos, utilizando fluidos térmicos com ponto de congelamento inferior ao da água (LIMA, 2003). 21 2.2 COMPONENTES DO SISTEMA 2.2.1 COLETORES Os coletores são os componentes responsáveis por captar a energia solar que será absorvida pelo fluido térmico na forma de calor. Existem coletores que concentram a radiação em pontos de absorção usando refletores ou lentes. Este tipo de coletor tem como característica elevar o fluido térmico a altas temperaturas, porém exige um sistema motorizado capaz de acompanhar o deslocamento do sol de forma a manter sempre o foco concentrado no ponto de absorção. Segundo Lima (2003), embora este coletor seja bastante eficiente, por ser um equipamento caro e de difícil manutenção, não é usado em sistemas residenciais de aquecimento de água. Os coletores mais comumente usados são os coletores planos. A superfície receptora neste tipo de coletor é a mesma que transfere o calor para o fluido térmico. Segundo Hudson e Markell (1985) estes coletores trabalham com temperaturas relativamente baixas se comparado com os o coletores concentradores, ficando abaixo de 93 C, porém exigem condições de instalação e manutenção simples, e possibilitam a utilização da água em temperaturas adequadas aos sistemas prediais de água quente. O coletor plano ideal deve reunir um conjunto de características capazes de absorver a maior quantidade possível de radiação solar e transmitir o máximo de calor para o fluido térmico. 22 O modelo mais tradicionalmente utilizado, cujo esquema está mostrado na Figura 2.4, é formado por uma caixa de superfície retangular, com pequena espessura, geralmente de alumínio para ficar mais leve, tendo ao fundo uma camada de material isolante térmico, que segundo Lima (2003), usa-se com mais freqüência fibra mineral, fibra cerâmica, espuma de vidro, espuma de plástico ou fibra de vidro. Sobre o isolante térmico deve ser colocada uma chapa de material com alta condutividade térmica. Treis (1991), recomenda que se trabalhe com chapas metálicas, de cobre, alumínio, aço galvanizado ou aço inox, sendo os dois primeiros materiais os mais preferidos por sua maior durabilidade. Sobre a chapa absorvedora são instalados os tubos por onde irá circular o fluido térmico, que também devem ser metálicos para facilitar a transmissão de calor, trabalhando-se preferencialmente com tubos de cobre, material bastante utilizado na tubulação que faz a ligação dos coletores com o reservatório térmico, facilitando assim as conexões. Alguns modelos colocam ainda uma segunda chapa metálica sobre o conjunto de tubos de circulação, formando uma espécie de sanduíche, porém pesquisa feita por Rudnick et al. (1986), mostrou ser desfavorável à transmissão de calor para a água este procedimento. Para que os coletores absorvam uma maior quantidade de calor deve-se criar sobre a chapa coletora uma superfície absorvedora de radiação. Segundo Treis (1991, p. 27) Existem dois tipos básicos, as superfícies não-seletivas e as seletivas. As superfícies não-seletivas possuem alta absortância de radiação solar e alta emitância de radiação térmica, o que provoca elevadas perdas de calor por radiação. As superfícies seletivas também possuem alta absortância de radiação solar, mas a emitância de radiação térmica é baixa, produzindo melhores rendimentos. Segundo Lenel e Mudd (1984), nas superfícies não-seletivas utiliza-se tinta preto fosco a base de resina de poliéster, acrílico ou epóxi, pois 23 sua durabilidade é boa, e o custo acessível. Para superfícies seletivas usam-se camadas de um tratamento eletro-químico que confere à placa propriedades óticas que reduzem nela a emissão da radiação mantendo a sua capacidade de absorção tão boa como a da tinta negra, porém os processos de obtenção destas superfícies são ainda muito caros, inviabilizando sua aplicação em coletores para sistemas prediais. Para compensar as perdas radiativas da superfície absorvedora e as perdas convectivas de calor para a atmosfera, é instalada uma superfície transparente ligeiramente acima, fechando a caixa e formando um colchão de ar sobre a região onde circulam os tubos, criando um efeito estufa ao refletir de volta a radiação de ondas longas. O material mais utilizado é o vidro, que conforme Treis (1991), possui alta transmitância de radiação solar, de 83% a 91%, baixa transmitância de radiação térmica, de 0 a 3% e ótima resistência a intempéries. Outros materiais utilizados são acrílico, policarbonato e filme de tedlar, que possuem boas propriedades óticas, mas podem deformar com a temperatura e geralmente estão sujeitos à degradação pela radiação solar, devido à radiação ultravioleta (LENEL; MUDD, 1984). 24 FIGURA 2.4 – Coletor solar plano. 2.2.2 FLUIDO TÉRMICO O fluido térmico é o responsável por transmitir o calor absorvido no coletor solar para a água acumulada no reservatório térmico. Pode fazer isto diretamente, quando a própria água acumulada circula pelo coletor e retorna para o reservatório, ver Figura 2.2, ou indiretamente através de um trocador de calor, como na Figura 2.1. 25 Conforme Treis (1991) o fluido térmico deve possuir como principais características, alta condutividade e capacidade térmica, baixa viscosidade, baixa densidade e coeficiente de expansão, que são características encontradas na água. Os defeitos da água são a possibilidade de congelamento, a formação de vapor em temperaturas ambientes e a formação de incrustações e corrosão em alguns materiais. Por isso são usados recursos como respiros e válvulas drenantes acionadas automaticamente por termostatos em sistemas passivos, e o acionamento automático da bomba de circulação em sistemas ativos, para combater os problemas da água como fluido térmico. Segundo Lima (2003), nos sistemas indiretos são usados como fluido térmico, o etileno-glicol ou o propileno-glicol, que possuem excelentes características de absorção e transmissão térmica. 2.2.3 RESERVATÓRIO TÉRMICO O reservatório térmico tem a função de regular o fornecimento de água quente para o sistema, compensando perfis de consumo com vazões superiores àquelas que ocorrem na circulação pelos coletores solares, ou possibilitando o fornecimento de água quente em períodos que não existe radiação solar para promover o aquecimento, como por exemplo durante a noite ou nas primeiras horas da manhã. Petrucci (1998, p.18), descreve a constituição de um reservatório térmico, e que pode ser verificada na Figura 2.5. 26 O reservatório de água quente geralmente é constituído de um tanque, fundamentalmente cilíndrico, construído em chapa metálica, podendo ser tanto em aço inoxidável, como em aço revestido internamente com camada de material anticorrosivo. Externamente, tais tanques são isolados termicamente por camadas de material de baixa condutibilidade térmica, como a lã de vidro, espuma de poliuretano ou similares, tendo uma capa metálica como acabamento, constituindo-se tal capa, na parede externa do mesmo. FIGURA 2.5 – Partes constituintes de um reservatório térmico. São usados também com bastante freqüência tanques de cobre, material que possui boa resistência à corrosão, é relativamente leve, e facilita a conexão com as tubulações que fazem a circulação com os coletores, que normalmente são do mesmo material. Sua desvantagem em relação ao aço está na alta condutividade térmica, levando a maiores perdas de calor para atmosfera, exigindo portanto, camadas mais espessas do material isolante térmico de envolvimento. Alguns fabricantes têm experimentado a utilização de materiais não metálicos como o polipropileno, polietileno ou fibra de vidro, que 27 são materiais com menor condutividade térmica, mas que apresentam problemas nos pontos de adaptação quando são usados materiais metálicos nas tubulações, e em alguns casos apresentam deteriorações relacionadas às variações constantes de temperatura (RUDNICK et al., 1986). Os reservatórios térmicos quanto à posição, podem ser horizontais ou verticais. A posição do reservatório, bem como a maneira como a água é introduzida no seu interior, seja por recarregamento devido ao consumo, seja pela circulação no processo de aquecimento solar, são importantes para definir a maneira como água se acomoda no interior do reservatório. Petrucci (1998, p. 19) explica que Devido à variação do peso específico da água em função da temperatura, a água que entra no tanque, em temperatura mais baixa que aquela que se encontra em seu interior, tende a se posicionar abaixo desta. A este fenômeno dá-se o nome de estratificação, pois a água se dispõe no interior do tanque como em camadas, segundo suas temperaturas (ou densidades). Segundo pesquisa de Phillips e Dave (1982) em reservatórios verticais a estratificação ocorre com maior definição que nos horizontais, onde acontece equilíbrio de temperatura mais rapidamente entre as camadas por condução térmica, uma vez que a área de contato entre elas é maior, como pode ser observado na Figura 2.6. Conforme Al-Ibrahim et al. (1998), os reservatórios horizontais estão sujeitos também à ocorrência de maior mistura durante a entrada de água. 28 FIGURA 2.6 – Estratificação da água no interior do reservatório térmico. Em sistemas passivos diretos de aquecimento de água por energia solar, a estratificação é importante para facilitar o processo de circulação entre reservatório e coletores. Por isso conforme Morrison e Braun (1985) nestes sistemas os reservatórios verticais são mais eficientes que os horizontais, porém algumas vezes, restrições arquitetônicas dificultam a acomodação do equipamento, e influenciam na escolha do modelo. A necessidade do mercado de atender um maior número de situações de instalação dos sistemas de aquecimento solar, levou as fábricas a produzirem na maioria das vezes reservatórios horizontais. Algumas delas desconhecendo a importância da posição do reservatório no processo de aquecimento, sequer oferecem opção ao consumidor. Em ASHRAE apud LIMA (2003, p.16), ressalta-se que “o projeto e seleção do reservatório térmico tem sido um dos elementos mais negligenciados nos sistemas de aquecimento solar”. 29 2.2.4 FONTE AUXILIAR DE ENERGIA Os sistemas de aquecimento de água por energia solar são sistemas cuja fonte principal de energia altera a sua potência ao longo do tempo, devido às variações da radiação solar durante o ano e das constantes mudanças climáticas. Como conseqüência o dimensionamento do equipamento leva em consideração condições satisfatórias de funcionamento para a maior parte do tempo. Segundo Fisch, Guigas e Dalenbäck (1998), os sistemas solares são projetados para atender entre 50 a 70% da demanda de aquecimento, não sendo viável atender as condições mais desfavoráveis, o que levaria a um superdimensionamento em períodos de maior incidência de radiação e também aumentaria consideravelmente o custo de implantação do equipamento. Os perfis de consumo de sistemas residenciais de água quente também são muito dinâmicos, podendo em diversas situações exigir uma demanda maior que a capacidade do equipamento. Para compensar o desempenho do sistema de aquecimento solar em situações desfavoráveis, os equipamentos são apoiados por fontes auxiliares de energia, normalmente acionadas automaticamente por meio de termostatos instalados no interior do reservatório térmico. Quando a temperatura da água no interior do reservatório atinge valores abaixo do recomendável para a utilização, a fonte auxiliar de energia é acionada complementando o calor necessário até atingir uma temperatura ideal para uso. As principais fontes de energia auxiliar utilizadas são a energia elétrica e a combustão de gás natural, GLP, óleo diesel ou lenha. Os 30 aquecedores auxiliares podem ser instalados no interior do reservatório térmico, como é o caso de resistências elétricas, representados na Figura 2.7, ou fora dele. Na segunda situação, podem ficar em paralelo aos coletores solares, quando por exemplo, se utilizam aquecedores a gás de passagem, ver Figura 2.8, ou ainda podem estar ligados em série após a saída do reservatório térmico, com a opção de se trabalhar com aquecedores de passagem ou de acumulação. O uso de aquecedores de passagem, elétricos ou a gás em série, conforme a Figura 2.9, acaba restringindo a vazão de distribuição e portanto, prejudicando uma das vantagens do sistema solar que é trabalhar por acumulação. Quando se utilizam aquecedores de acumulação ligados em série, elétricos ou a gás, estes recebem a água aquecida do equipamento solar, acionando sua fonte de energia somente quando a temperatura mínima de uso não for atingida. 31 FIGURA 2.7 – Resistência elétrica no interior do reservatório térmico. FIGURA 2.8 – Fonte auxiliar de energia instalada em paralelo com os coletores solares. 32 FIGURA 2.9 – Fonte auxiliar de energia instalada em série com o aquecimento solar. No Brasil a configuração mais usada é a da resistência elétrica no interior do reservatório, por ser a de menor custo e também mais simples para a instalação (VIEIRA, 2001). O uso inadequado da fonte auxiliar de energia pode muitas vezes prejudicar o funcionamento do sistema de aquecimento solar. Hollands e Lightstone (1989) concluíram por exemplo, que água bombeada com elevada vazão entrando no reservatório (possível ocorrência quando usado aquecedor a gás de passagem em paralelo) pode causar importante interferência na estratificação da temperatura no interior do aquecedor, provocando mistura entre as camadas e assim prejudicando a circulação por termossifão entre coletores e 33 reservatório, devido à homogeneização da temperatura. Shariah e Löf (1997) pesquisaram a influência das fontes auxiliares simulando a utilização do aquecimento solar para diferentes perfis de consumo e encontraram situações em que a melhor solução foi a colocação da resistência elétrica auxiliar fora do reservatório do sistema (dentro de um reservatório de apoio ligado em serie), possibilitando assim uma maior participação do aquecimento solar no total da energia utilizada. Em alguns casos como estes pode ocorrer uma inversão de funções, passando a energia solar a funcionar como auxiliar da outra fonte de energia, deturpando o objetivo principal do sistema. 2.3 CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO DO SISTEMA 2.3.1 O SOL NA SUPERFÍCIE TERRESTRE A principal energia utilizada para aquecimento da água em um sistema por energia solar é a energia eletromagnética gerada e irradiada pelo sol. Por isso os coletores planos usados nos sistemas residenciais devem ser instalados de forma a captar a maior quantidade possível de radiação para ser convertida em calor. Instalar os coletores depende portanto de que sejam conhecidas as condições como a radiação solar atinge a superfície terrestre. A radiação sofre, por exemplo, a influência da forma arredondada da Terra. Regiões localizadas próximo à linha do Equador devido ao ângulo de incidência, recebem uma determinada quantidade de radiação concentrada em uma área menor. Na medida em que a latitude de uma região é 34 maior, seja para o norte ou para o sul, aumenta a área de incidência da radiação, diminuindo portanto, sua concentração, como se observa na Figura 2.10. FONTE: Hudson e Markell (1985). FIGURA 2.10 – Área de concentração de uma unidade de radiação em função da latitude local. O movimento de translação da Terra ao redor do Sol, ocorre segundo uma órbita elíptica plana. Já o eixo de rotação da Terra encontra-se com uma inclinação de 23o 27’ em relação ao eixo ortogonal ao plano de translação, como indicado na Figura 2.11. Essa inclinação faz com que cada 35 hemisfério receba quantidades de energia diferentes, dependendo da posição em que a Terra se encontra. É o movimento de translação da Terra, associado a essa inclinação, que determina as estações do ano, primavera, verão, outono e inverno, provocando portanto, períodos de maior e menor captação de radiação durante o ano, representados na Figura 2.12. Quando a Terra passa pelos eixos do maior raio da elipse, duas latitudes no planeta recebem energia máxima. Isto ocorre, em dezembro, na latitude de 23° ao sul do equador, conhecida como Trópico de Capricórnio e, em junho na latitude de 23° ao norte do equador, conhecida como Trópico de Câncer. Quando o Sol se encontra no Trópico de Capricórnio dizemos que é o solstício de verão no hemisfério Sul e de inverno no hemisfério norte. Quando o sol se encontra no Trópico de Câncer é inverno no hemisfério sul e verão no hemisfério norte. Durante março e setembro a Terra se encontra em posições igualmente distantes do sol. Nesta época, a quantidade de energia que incide sobre o planeta é a mesma em todas as latitudes. Esta situação é conhecida como equinócios (UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ, 2003). 36 FIGURA 2.11 – Inclinação do eixo de rotação da Terra em relação ao eixo ortogonal ao plano de translação. 37 FONTE: Hudson e Markell (1985) FIGURA 2.12 – Translação e inclinação do eixo de rotação combinadas, determinam as estações climáticas. A rotação terrestre faz com que a cada hora do dia os raios solares atinjam determinada superfície sob diferentes ângulos. O recebimento de energia em qualquer localidade do planeta depende da posição do sol no céu, independentemente de sua latitude e é esta posição que define a altura do sol em relação aos observadores na superfície da Terra. A altura do sol é máxima quando ela está no centro do céu por volta do meio dia, como se vê na Figura 2.13. Esta posição é conhecida como zênite. Quando o sol está no zênite a energia que atinge a superfície é máxima. A altura do sol é mínima quando ele 38 se põe no horizonte, conforme a Figura 2.14, momento chamado de ocaso. Quando sol está no ocaso a energia que atinge a superfície é mínima. Durante a noite uma face do globo encobre totalmente a outra, impedindo-a de receber radiação (UFPR, 2003). FIGURA 2.13 – Posição do sol ao meio-dia (zênite). 39 FIGURA 2.14 – Altura mínima do sol durante o dia (ocaso). O movimento aparente do sol e a latitude também definem a duração do dia. Os dias são longos no verão e curtos no inverno. Assim, quanto maior o dia, maior é a quantidade de insolação recebida pela superfície e quanto menor o dia menor a quantidade de insolação recebida pela superfície. Por isso o hemisfério de verão recebe mais energia solar que o de inverno. No caso da Figura 2.15, é o hemisfério sul. 40 FIGURA 2.15 – Verão no hemisfério sul. As condições atmosféricas também exercem importante influência sobre a radiação solar. Embora a atmosfera seja muito transparente à radiação solar incidente, somente em torno de 25% penetra diretamente na superfície da Terra sem nenhuma interferência da atmosfera, constituindo a insolação direta. O restante é refletido de volta para o espaço, ou absorvido, ou espalhado em volta, até atingir a superfície da Terra. Aproximadamente 30% da energia solar é refletida de volta para o espaço, pela atmosfera, pelas nuvens e pela superfície terrestre. Embora a radiação solar incida em linha reta, os gases 41 e aerossóis podem causar seu espalhamento, dispersando-a em todas as direções, para cima, para baixo e para os lados. A insolação difusa é constituída de radiação solar que é espalhada ou refletida de volta para a Terra. Esta insolação difusa é responsável pela claridade do céu durante o dia e pela iluminação de áreas que não recebem iluminação direta do sol (UFPR, 2003). Em dias nublados a radiação difusa é normalmente toda a radiação disponível. Segundo Hudson e Markell (1985), em dias claros, 10% da radiação que chega à superfície terrestre é difusa. Este conjunto de situações observa-se na Figura 2.16. FONTE: UFPR (2003) FIGURA 2.16 – Radiação solar na atmosfera e superfície terrestre. 42 2.3.2 INSTALAÇÃO DOS COLETORES PLANOS A posição dos coletores solares planos em um sistema de aquecimento por energia solar deve ser de tal forma que estes recebam a maior quantidade possível de radiação durante o dia. Isto será obtido se os coletores ficarem expostos à insolação por maior período de tempo e de maneira que a incidência dos raios aconteça com ângulo mais favorável nos momentos de maior disponibilidade de energia. Como foi visto na Subseção 2.3.1., a latitude do local de instalação está relacionada com o ângulo de incidência e o hemisfério em que o local está situado vai determinar a direção de inclinação do Sol durante o dia, para o Norte no hemisfério sul ou para o Sul no hemisfério norte. O movimento de rotação da Terra determina que o Sol apareça no horizonte a Leste e desapareça no final do dia a Oeste, portanto posicionar os coletores voltados para uma destas direções ocasionará a formação de sombra do coletor sobre ele próprio em metade do dia, perdendo portanto energia. . Por isso deve-se tomar como base as características de insolação da região em que o equipamento será utilizado. De acordo com a NBR 12269 (ABNT 1992, p.3), temos a seguinte recomendação, ilustrada na Figura 2.17, para instalações no Brasil: Os coletores solares devem ser instalados voltados para o Norte o verdadeiro. Desvios de até 15 desta direção não prejudicam seriamente a eficiência. Instalações executadas nas regiões brasileiras situadas no hemisfério Norte devem ter seus coletores solares voltados para o Sul verdadeiro. A fim de que se obtenha um ângulo de incidência da radiação direta perpendicular à superfície coletora, os coletores planos devem ser 43 instalados com uma inclinação em relação à horizontal equivalente ao ângulo da latitude local, conforme a Figura 2.17. A NBR 12269 (ABNT, 1992, p.3), salienta que, “nos sistemas termossifão, qualquer que seja a latitude, não deve ser o” utilizada uma inclinação inferior a 10 . Isto se deve à necessidade de se provocar uma condição mínima de desnível que possibilite a movimentação devido à diferença de peso específico entre a água aquecida que é mais leve e tende a subir e a água fria que é mais pesada e que portanto tende a descer. θ = FIGURA 2.17 – Coletor voltado para o Norte com inclinação igual à latitude local. Como ocorre ainda uma variação no ângulo do sol em relação ao horizonte durante o ano, devido à combinação do movimento de translação da Terra com a inclinação do eixo de rotação, alguns autores estudaram os efeitos na captação de energia para diferentes inclinações nos coletores solares. Duffie e Beckman (1991) concluíram que se capta a maior quantidade de 44 energia durante todo o ano quando a inclinação dos coletores (θ) é igual à latitude do local, porém se obtém a maior quantidade de energia no inverno (período de maior necessidade de aquecimento) quando θ = latitude + 15o. Arruda (2004), simulou em computador várias inclinações para coletores o instalados na cidade de São Paulo (latitude 23 S), e encontrou que a melhor combinação de ganho de energia no inverno (+ 4,6%) e de perda global no ano (-1,5%) em relação ao obtido para θ = latitude, ocorreu para θ = latitude + 10o. 2.3.3 INSTALAÇÃO DO RESERVATÓRIO TÉRMICO Considerando-se o princípio de que a água aquecida nos coletores planos irá se deslocar para cima, nos sistemas operando sob as condições de termossifão é imprescindível que o reservatório térmico fique localizado em nível superior aos coletores, conforme mostra a Figura 2.18. Durante o dia à medida que os coletores captam energia e transferem calor para a água, ocorre naturalmente o deslocamento da água mais fria da região inferior do reservatório térmico, para os coletores, e da água aquecida nos coletores para o reservatório térmico. Um fator capaz de interferir neste processo, segundo Morrison e Ranatunga (1980), é a perda de pressão causada pelo atrito da água com a tubulação durante o deslocamento, logo se deduz que, quanto menor for o trecho percorrido pela água, dos coletores até o reservatório, melhor para a circulação natural. Por isso recomenda-se que os reservatórios térmicos fiquem imediatamente acima da borda superior dos coletores planos. 45 FIGURA 2.18 – Posição do reservatório térmico em sistema com circulação natural. Existe ainda a possibilidade no período noturno, especialmente nos dias mais frios, de ocorrer fluxo reverso, ou seja, a perda de calor dos coletores para a atmosfera, provoca o deslocamento da água em sentido contrário, ocasionando perda da energia que havia sido acumulada no processo durante o dia. Algumas pesquisas foram feitas procurando identificar as condições para minimizar a possibilidade de ocorrer fluxo reverso sem prejudicar a circulação natural. Norton e Probert (1983) recomendaram uma média de 50cm de distância entre a borda superior dos coletores e o fundo do reservatório térmico (∆h), e Morrison (1986) concluiu que a distância entre a borda superior 46 dos coletores e o fundo do reservatório térmico (∆h), deve variar conforme a diferença de nível entre a posição da saída de água para os coletores e a posição de retorno da água para o reservatório térmico (h2). Para h2 = 0 deve ser utilizado ∆h = 5 cm e para h2 = 1 m deve ser utilizado ∆h = 25 cm. Vaxman e Sokolov (1986) considerando uma instalação convencional com tubo de saída para os coletores posicionado no fundo do reservatório térmico, e tubo de retorno conectado no topo deste, compararam a redução de eficiência do sistema durante o dia no fluxo normal e durante a noite no fluxo reverso, devido ao aumento de perda por atrito causado pelo comprimento de tubulação, e recomendaram um ∆h, entre 30cm e 80cm, para balancear as perdas ocorridas nos dois períodos. A maioria dos fabricantes no Brasil tem recomendado uma distância mínima de 10 a 30cm para esta condição de instalação (CUMULUS AQUECEDORES S.A., 1996; HELIOTEK, 2004; HIDROTECNICA, 2004; SOLETROL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, 2000; TRANSEN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, 1997). Em sistemas ativos, em que o fluxo da água através dos coletores é feito por meio de bombeamento, a posição do reservatório térmico pode ser até em nível inferior ao dos coletores planos, e também distante dos mesmos, devendo nestes casos ser utilizadas válvulas de retenção nas tubulações de ligação entre o reservatório e os coletores a fim de se evitar o fluxo inverso quando a bomba estiver desligada. A bomba e a tubulação devem ser dimensionadas de forma que a vazão ideal para o melhor rendimento dos coletores possa se estabelecer no circuito. 47 3 MATERIAIS E MÉTODOS 48 3.1 INSTALAÇÕES DO SISTEMA DE AQUECIMENTO DE ÁGUA POR ENERGIA SOLAR A pesquisa apresentada nesta dissertação foi do tipo descritiva experimental, tendo sido realizada em terreno anexo ao Laboratório de Hidráulica do Centro de Tecnologia e Urbanismo (CTU), da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A cidade de Londrina está localizada no norte do Estado do Paraná, e possui uma população de 447.065 habitantes, ocupando uma área de 2 o o 1.724 km . Fica na latitude 23 S, longitude 51 O, a uma altitude média de 576m (LONDRINA, 2005). A UEL é uma instituição de ensino superior, mantida pelo Governo do Estado, com 41 cursos de graduação e 32 cursos de pós-graduação Stricto Sensu. O Laboratório de Hidráulica do CTU, conta com um setor onde funciona um laboratório de saneamento, um outro setor de hidráulica geral e fenômenos do transporte, e uma ala destinada a sistemas hidráulicos prediais, cujas instalações serviram de apoio para a montagem do sistema objeto desta pesquisa e também para abrigar o sistema de aquisição de dados. Devido à falta de equipamentos adequados para a coleta de dados de radiação solar, temperatura ambiente, umidade relativa do ar e horas de insolação, foram utilizados os dados coletados na estação meteorológica do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), localizado a 5 km do local da 49 realização dos ensaios, o que para esta pesquisa de caráter comparativo mostrou-se suficiente. As tabelas do IAPAR encontram-se no Anexo A. Na Figura 3.1 pode ser observado o sistema de aquecimento solar instalado ao lado do Laboratório de Hidráulica, e a tubulação por onde passavam os cabos de ligação dos sensores de temperatura com o sistema de aquisição de dados. FIGURA 3.1 – Sistema de aquecimento solar instalado e conectado ao Laboratório de Hidráulica do CTU – UEL. O sistema foi instalado segundo as recomendações da NBR 12269 — Execução de Instalações de Sistemas de Energia Solar, que utilizam coletores solares planos para aquecimento de água (ABNT, 1992). Os coletores solares foram posicionados voltados para o Norte, com uma inclinação de 23o, equivalente à latitude de Londrina. Em um nível 30 cm acima da borda superior dos coletores, foi instalado o reservatório térmico, que era do tipo horizontal, e 30 cm acima da geratriz superior deste, foi posicionado o reservatório de água 50 fria. O equipamento utilizado (reservatório térmico e coletores solares) foi obtido por empréstimo junto a uma empresa que comercializa aquecedores solares na cidade de Londrina. Portanto o equipamento utilizado e as condições de instalação do sistema de aquecimento solar objeto desta pesquisa foram similares àquelas encontradas nos sistemas utilizados nas residências da cidade. Apesar do reservatório térmico possuir uma resistência elétrica instalada como fonte auxiliar de energia, esta foi mantida desligada, a fim de que a energia acumulada pela água fosse somente devido à radiação solar absorvida pelos coletores solares. CX. ÁGUA FRIA RESERVATÓRIO TÉRMICO 0,60m 0,30m COLETOR SOLAR 0,85m 23º 0,50m FIGURA 3.2 – Medidas usadas na montagem do sistema de aquecimento solar. 51 3.2 MATERIAIS E EQUIPAMENTOS DO SISTEMA DE AQUECIMENTO DE ÁGUA FIGURA 3.3 – Desenho do esquema de montagem, materiais e equipamentos do sistema utilizado na pesquisa. 52 3.2.1 COLETORES SOLARES Foram utilizados dois coletores solares planos, do tipo em que a circulação da água é feita através de tubos dispostos paralelamente. Cada unidade é constituída por 7 tubos paralelos, de diâmetro igual a 12,7mm (1/2 polegada). Os tubos são interligados na base por um tubo perpendicular distribuidor e no topo por um tubo perpendicular coletor, ambos com 19mm (3/4 polegada) de diâmetro. O espaçamento entre os tubos paralelos é de 100mm. A grade de tubos é soldada por cima de uma chapa de alumínio de 1mm de espessura. Tubos e chapa são pintados com tinta preta fosca resistente a altas temperaturas. As dimensões de cada coletor são 1,67m de comprimento por 0,72m de largura, totalizando as duas placas uma área de captação de 2,4m2. Este conjunto de tubos e chapa é montado em uma caixa de perfis de alumínio, ficando a região inferior separada do fundo externo por um camada de isolante térmico constituída de 25mm de lã de vidro. A face superior é recoberta por uma lâmina de vidro transparente de 3mm de espessura a uma distância de 15mm da chapa absorvedora. 53 FIGURA 3.4 – Coletor solar usado experimento. 3.2.2 RESERVATÓRIO TÉRMICO O reservatório de água quente é do tipo cilíndrico horizontal, com 0,60m de diâmetro e 1,20m de comprimento externos, confeccionado em chapa de cobre, envolvido por uma camada de 50 mm de espessura de lã de vidro para isolamento térmico, e tendo como acabamento externo uma chapa de aço cromada de 2mm. O volume de acumulação é de 200 litros. 54 FIGURA 3.5 – Reservatório térmico e caixa de água fria. Nas duas faces circulares foram instaladas conexões roscáveis tipo BSP com 1 polegada de diâmetro, ficando em uma face na região inferior a saída de água fria para os coletores e na parte superior a saída de água quente para consumo. Na outra face na região central fica a conexão de retorno de água quente dos coletores e na parte inferior a entrada de água fria oriunda do reservatório de abastecimento. Por se tratar de um modelo de reservatório comercializável, ele possui também na primeira face descrita, na região central, a instalação de uma resistência elétrica auxiliar do aquecimento. 55 FIGURA 3.6 – Saídas de água quente para consumo e de água fria para coletores. FIGURA 3.7 – Entrada de água fria para o reservatório e retorno de água quente dos coletores. 56 3.2.3 TUBULAÇÕES HIDRÁULICAS Na interligação entre o reservatório térmico e os coletores solares foram utilizados tubos de cobre soldáveis com diâmetro externo comercial de 22mm ou 3/4 polegadas, classe E segundo NBR 13206 (ABNT, 2004), conexões de cobre soldáveis e de bronze roscáveis segundo a NBR 11720 (ABNT, 2005), registros de gaveta e válvulas de esfera de bronze com diâmetros compatíveis com a tubulação. Foram utilizados os mesmos materiais no trecho de abastecimento de água quente do cavalete para ducha, acoplado ao aquecedor solar para simulação de perfis de consumo. Todos os trechos de circulação de água quente foram envolvidos com isolamento térmico de espuma de polietileno expandido com 5mm de espessura. As tubulações e conexões de ligação do reservatório de água fria ao reservatório de água quente, e ao cavalete de simulação da ducha, foram executadas em PVC soldável classe 15 conforme a Norma a NBR 5648 (ABNT, 1999). 3.2.4 RESERVATÓRIO DE ÁGUA FRIA Foi utilizada uma caixa de fibrocimento com volume de 500 litros, com base retangular de 1,05m de comprimento por 0,90m de largura e altura de 0,65m. A conexão das tubulações de abastecimento foi executada através da abertura de passagens por meio de furadeira e a utilização de flanges de PVC com vedação de borracha. 57 3.2.5 BOMBA CENTRÍFUGA A escolha da bomba centrífuga levou em consideração a necessidade de variação da vazão para se identificar qual padrão de fluxo seria o ideal para se atingir o melhor desempenho do sistema de aquecimento quando este funcionar como sistema ativo. Então foi selecionada a bomba marca Schneider modelo BCR 2000 com caracol e rotor em bronze para resistir à água quente, motor com potência de ¼ CV, 60Hz e 3450rpm, conexões de entrada e saída de ¾ polegadas. FIGURA 3.8 – Bomba centrífuga e hidrômetro para regulagem da vazão da bomba. 58 3.3 INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO E CONTROLE 3.3.1 TERMO-RESISTÊNCIAS PT100 O controle de temperaturas no sistema de aquecimento solar foi efetuado por 5 termo-resistências PT100 ohms, com cabeçote de proteção de alumínio de 8cm de comprimento, com uma extremidade fechada, preenchido com pó de óxido de magnésio de forma a permitir boa transferência de calor e proteger o sensor de choques mecânicos, e uma extremidade aberta para a passagem dos fios, porém selada com resina epóxi. A ligação do PT100 com a tubulação de água foi executada com conexão roscável BSP ½ polegada soldada na região inferior do cabeçote. A fim de não interferir no fluxo da água durante o processo, o ponto de conexão na tubulação foi ajustado com pedaços de tubo de forma que a extremidade do PT100 ficasse tangenciando uma das geratrizes da tubulação do escoamento. O cabo condutor dos fios até o sistema de aquisição de sinais foi protegido com um espaguete de PVC a fim de evitar problemas de umidade devido à exposição às intempéries. FIGURA 3.9 – Termo-resistência PT 100. 59 FIGURA 3.10 – Termo-resistência conectada na entrada do coletor. 3.3.2 SISTEMA DE COLETA DE SINAIS Os sinais emitidos através das termo-resistências PT100, foram coletados utilizando-se o sistema de aquisição de sinais ADS 2000 da Lynx Tecnologia Eletrônica, equipado com um módulo de entradas 2160 analógicas AI com 16 canais independentes, possuindo cada canal: amplificador de instrumentação na entrada com 5 faixas de ganho selecionados por jumpers, ajuste contínuo do ganho por trimpot, ajuste contínuo do zero de saída por trimpot, filtro para baixas de 2a ordem. A comunicação do módulo de entrada com o microcomputador foi feita através de um módulo controlador modelo AC 2120 por meio de interface paralela. 60 FIGURA 3.11 – Sistema de aquisição de sinais. O gerenciamento dos sinais no microcomputador foi executado pelo programa AQDADOS 5 para Windows (LYNX TECNOLOGIA ELETRÔNICA LTDA., 1993) armazenando-os em arquivos formato TXT. Estes arquivos foram transferidos para o programa Excel da Microsoft aonde foram inseridas as constantes de conversão das medidas em volts para oC , obtidas através da calibração dos PT100. 3.3.3 MICROCOMPUTADOR Para recepcionar os sinais digitalizados pelo sistema de aquisição, foi utilizado um microcomputador Pentium II — MMX 200 MHz, operando com ambiente Windows 98. 61 FIGURA 3.12 – Sistema de aquisição de sinais conectado ao microcomputador. 3.3.4 HIDRÔMETRO DA BOMBA A regulagem da vazão de funcionamento da bomba quando o sistema estava operando ativamente, foi efetuada através da passagem do escoamento por um hidrômetro unijato magnético, marca Arad, de ¾ polegada, com vazão nominal de 1,5m3/h, classe metrológica B, para a medição do volume, e com o auxílio de um cronômetro para controlar o tempo. Como os períodos de funcionamento da bomba foram preestabelecidos e controlados manualmente, ao final de cada ciclo foi possível, através da leitura do relógio do hidrômetro, fazer a averiguação do volume total circulado e obter a vazão média do ciclo. 62 3.3.5 HIDRÔMETRO DA DUCHA A regulagem da vazão de escoamento da ducha quando foi simulado o perfil de consumo, foi efetuada através de um hidrômetro unijato magnético, marca Schlumberger, de ¾ polegada, com vazão nominal de 1,5m3/h, classe metrológica B, para a medição do volume, e com o auxílio de um cronômetro para controlar o tempo. FIGURA 3.13 – Cavalete simulador com hidrômetro e PT100 na saída da ducha. 63 3.3.6 TERMÔMETRO Para a calibragem das termo-resistências PT100, e eventuais checagens de temperatura da água escoada pelo cavalete de simulação dos perfis de consumo, foi utilizado um termômetro de vidro opalino, com bulbo e capilar preenchidos por mercúrio puro, escala de -10oC até 110oC, divisões de 1/10oC, marca Incoterm. 3.3.7 CRONÔMETRO A fim de regular a vazão da bomba centrífuga, quando o sistema funcionava ativamente, e também para ajustar a vazão de escoamento no cavalete de simulação dos perfis de consumo, foi utilizado um cronômetro digital, tipo stop watch, marca MONDAINE. 3.4 CALIBRAGEM DOS SENSORES PT100 As termo-resistências ou termômetros de resistência são sensores de temperatura que operam baseados no princípio da variação da resistividade elétrica de um metal, em função da temperatura. Suas principais características são a alta estabilidade mecânica e térmica, a relação resistência/temperatura praticamente linear e alto sinal elétrico de saída. O elemento primário é um sensor, feito de um fio metálico de alta pureza, encapsulado em vidro ou cerâmica. Os valores de resistência são padronizados 64 o a uma temperatura fixa, no caso do PT100, 100 ohms a 0 C. Como o sinal elétrico de saída ocorre na forma de voltagem, é necessário que seja feita uma calibragem relacionando temperatura com sinal emitido, de forma a se obter a função linear característica de cada sensor. A calibragem foi efetuada, utilizando-se um recipiente de isopor com tampa, um termômetro, um fogareiro, um bule, gelo produzido antecipadamente, um sistema de aquisição de sinais e um microcomputador. Cada sensor PT100 foi conectado a um canal do sistema de aquisição de sinais (SAS), que por sua vez estava interligado ao microcomputador operando o programa específico de recepção dos dados. Inicialmente o recipiente de isopor foi preenchido com água e gelo em quantidade suficiente para estabelecer uma temperatura de 0oC, medida através do termômetro. Os sensores foram mergulhados no recipiente, e por meio de um trimpot em cada canal do SAS foi regulado o ‘0’ dos sinais de saída. Em seguida o recipiente foi esvaziado, e os sensores foram fixados ao recipiente de forma que suas extremidades pudessem ficar imersas somente em contato com a água, e sem que houvesse necessidade de remoção durante a medição. Água foi colocada no bule e aquecida no fogareiro até próximo o de 100 C, e em seguida despejada no recipiente de isopor que foi imediatamente tampado. Com o termômetro imerso no recipiente, foi identificada a temperatura estabilizada, e então acionado o programa para proceder a leitura dos sinais. O programa foi configurado para registrar um sinal por segundo ao 65 longo de 1 minuto, arquivando os resultados em um arquivo de terminação TXT. Portanto para cada sensor foram registrados 60 resultados de sinais relativos a cada medida de temperatura. Estes resultados foram posteriormente transferidos para o programa Excel aonde se obteve a média dos sinais de cada sensor, representativa de cada temperatura. Uma vez registrados os sinais de uma dada temperatura, o recipiente era aberto e era adicionada pequena quantidade de água mais fria para provocar a diminuição de temperatura, o conteúdo era misturado com o auxílio de uma colher e recolocada a tampa no recipiente. Assim que o termômetro indicava uma temperatura estabilizada o programa era acionado. Este processo foi repetido para 32 temperaturas diferentes. Os pares de valores temperatura/voltagem e as curvas resultantes podem ser verificados nas Figuras 3.3, 3.4, 3.5, 3.6 e 3.7. De posse dos 32 pares de voltagem/temperatura de cada sensor, estes dados foram introduzidos no módulo estatístico do programa Excel, aonde foram executadas regressões lineares e obtidas as constantes das funções de cada sensor, que estão indicadas nas Equações 3.1, 3.2, 3.3, 3.4 e 3.5. Desta maneira os sinais obtidos durante a operação dos ensaios do experimento puderam ser convertidos em temperaturas a serem analisadas. ❒ EQUAÇÕES DOS SENSORES: T = - 44 ,7849 .V - 2 ,41658 (EQUAÇÃO 3.1) T = - 44 ,4091 .V - 0 ,13568 (EQUAÇÃO 3.2) 66 T = - 44 ,5115 .V - 0 ,08868 (EQUAÇÃO 3.3) T = - 44 ,7639 .V + 0 ,084090 (EQUAÇÃO 3.4) T = - 44 ,4920 .V + 1 ,07704 (EQUAÇÃO 3.5) SENSOR 1 100 90 80 70 60 50 oC 40 30 20 10 0 -2,2 -2 -1,8 -1,6 -1,4 -1,2 -1 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0 milivolts TEMP 0 3 6 9 12 14 18 20 23 25 29 31 34 37 40 42 VOLT -0,06 -0,14 -0,20 -0,25 -0,32 -0,36 -0,45 -0,50 -0,57 -0,60 -0,68 -0,75 -0,80 -0,88 -0,95 -0,99 TEMP 45 48 51 54 58 64 66 69 71 74 76 78 80 83 86 91 VOLT -1,06 -1,11 -1,18 -1,25 -1,35 -1,48 -1,53 -1,60 -1,64 -1,73 -1,75 -1,80 -1,84 -1,92 -1,98 -2,09 FIGURA 3.14 – Pares de temperatura X voltagem do sensor 1. 67 SENSOR 2 100 90 80 70 60 50 oC 40 30 20 10 0 -2,2 -2 -1,8 -1,6 -1,4 -1,2 -1 -0,8 -0,6 -0,4 -0,2 0 milivolts TEMP 0 4 7 11 16 18 20 23 26 29 31 33 35 37 43 45 VOLT -0,03 -0,11 -0,17 -0,25 -0,35 -0,40 -0,45 -0,53 -0,58 -0,65 -0,69 -0,74 -0,80 -0,83 -0,97 -1,01 TEMP 49 52 54 57 59 63 65 67 69 73 75 77 81 82 88 90 VOLT -1,09 -1,16 -1,21 -1,28 -1,33 -1,42 -1,46 -1,51 -1,56 -1,65 -1,70 -1,74 -1,83 -1,88 -1,98 -2,03 FIGURA 3.15 – Pares de temperatura X voltagem do sensor 2. 68 SENSOR 3 100 90 80 70 60 50 oC 40 30 20 10 0 TEMP -2,2 -2 0 4 -1,8 7 -1,6 11 -1,4 16 -1,2 -1 milivolts 18 20 23 -0,8 26 -0,6 29 -0,4 31 -0,2 33 0 35 37 43 45 VOLT -0,02 -0,11 -0,17 -0,25 -0,35 -0,40 -0,45 -0,53 -0,58 -0,65 -0,69 -0,74 -0,80 -0,83 -0,97 -1,01 TEMP 49 52 54 57 59 63 65 67 69 73 75 77 81 82 88 90 VOLT -1,09 -1,16 -1,20 -1,28 -1,32 -1,41 -1,46 -1,51 -1,56 -1,64 -1,69 -1,73 -1,83 -1,88 -1,98 -2,02 FIGURA 3.16 – Pares de temperatura X voltagem do sensor 3. 69 SENSOR 4 100 90 80 70 60 50 oC 40 30 20 10 0 -2,1 -1,9 -1,7 -1,5 -1,3 -1,1 -0,9 -0,7 -0,5 -0,3 -0,1 0,1 milivolts TEMP VOLT TEMP 0 4 8 10 14 16 18 20 23 26 32 34 36 39 42 44 0,00 -0,08 -0,16 -0,18 -0,30 -0,33 -0,38 -0,42 -0,49 -0,56 -0,71 -0,74 -0,80 -0,86 -0,94 -0,98 46 53 56 59 62 65 67 69 71 73 75 77 80 82 84 89 VOLT -1,02 -1,16 -1,20 -1,28 -1,34 -1,42 -1,48 -1,52 -1,57 -1,62 -1,66 -1,71 -1,75 -1,82 -1,87 -1,99 FIGURA 3.17 – Pares de temperatura X voltagem do sensor 4. 70 SENSOR 5 100 90 80 70 60 50 oC 40 30 20 10 0 -2,2 TEMP VOLT TEMP VOLT 0 -2 -1,8 3 7 -1,6 10 -1,4 13 15 -1,2 -1 milivolts 18 21 -0,8 23 -0,6 26 -0,4 28 -0,2 31 34 0 37 39 41 0,00 -0,05 -0,13 -0,20 -0,28 -0,31 -0,37 -0,45 -0,49 -0,56 -0,59 -0,67 -0,73 -0,80 -0,85 -0,90 43 46 48 54 56 58 63 67 69 71 74 78 80 83 87 90 0,00 -0,05 -0,13 -0,20 -0,28 -0,31 -0,37 -0,45 -0,49 -0,56 -0,59 -0,67 -0,73 -0,80 -0,85 -0,90 FIGURA 3.18 – Pares de temperatura x voltagem do sensor 5. 3.5 SIMULAÇÃO DO PERFIL DE CONSUMO 3.5.1 ESCOLHA DE UM PERFIL DE CONSUMO DE ÁGUA QUENTE O desempenho de um sistema predial de aquecimento de água está diretamente relacionado com as características do consumo da água quente. Ao conjunto destas características chama-se de perfil de consumo, logo para se comparar o desempenho de um sistema solar de aquecimento de água 71 trabalhando de forma passiva, com o mesmo sistema de forma ativa, é necessário que se faça uma definição de perfis de consumo a serem simulados. Como a definição de perfis residenciais de consumo água quente não é o objetivo principal desta pesquisa, recorreu-se ao trabalho de Ilha (1991), que fez extensa revisão bibliográfica do assunto, propôs procedimentos para o levantamento de dados relacionados ao padrão de utilização de água quente em edifícios residenciais, e realizou coleta de dados e medições de parâmetros característicos de consumo de água quente em apartamentos residenciais na cidade de São Paulo. Segundo Ilha (1991, p.58) “a utilização de água quente nos edifícios possui uma marcada variabilidade, uma vez que é determinada pelas atividades dos usuários, influenciada por fatores sociais, culturais, climáticos, etc.”. Inicialmente foi constatado que o uso de sistema de aquecimento de água, com aquecedor e instalação de distribuição de água quente, é uma característica de unidades residenciais de maior porte, já que COMGÁS/TESIS apud Ilha (1991), identificou que em quatorze edifícios na cidade de São Paulo, com apartamentos de 2 dormitórios/1 banheiro, apenas 64% dos apartamentos possuía água quente, sendo que 60% utilizava chuveiro elétrico e apenas 4% possuía um sistema de aquecimento de água. Este fator levou Ilha (1991), a pesquisar padrões de consumo de água quente em 72 apartamentos de 3 dormitórios/2 banheiros aonde com freqüência eram encontrados sistemas de aquecimento de água. Numa primeira etapa de seu trabalho, a pesquisadora aplicou um questionário a 2524 usuários de 686 apartamentos, de onde se destacam os resultados: a) “Média de 3,86 usuários/apartamento com desvio padrão de 1,35 usuários” (ILHA, 1991, p.91). b) “Grande incidência de usuários nas faixas etárias de 0 a 13 anos e de 30 a 40 anos” (ILHA, 1991, p.92). c) “Os horários de utilização do chuveiro mostraram ser bastante variados, ocorrendo, basicamente, dois picos de utilização: um pela manhã das 6:00 às 8:00 horas, e outro mais significativo, entre 18:00 e 21:00 horas” (ILHA, 1991, p.93). d) Considerando-se que o uso da pia da cozinha concentra-se uma hora antes e uma hora após o almoço e o jantar “[...] pode-se evidenciar que o horário de maior solicitação do sistema de água quente ocorre no período da noite e tem uma duração de, aproximadamente, três horas” (ILHA, 1991, p.96), haja vista a coincidência de usos do chuveiro e da pia. A fim de identificar características da demanda de água quente em apartamentos deste porte, Ilha (1991) efetuou também um conjunto de medições em chuveiros, pias de cozinha, lavatórios e aquecedores de um pequeno número de apartamentos (cinco), num total de 23 usuários, uma vez 73 que possuía limitações na quantidade de equipamentos de monitoramento e de tempo para a realização da pesquisa. Na Tabela 3.1 apresenta-se um resumo dos resultados obtidos na pesquisa. TABELA 3.1 – Características da demanda de água quente em cinco apartamentos. CARACTERÍSTICAS Duração média de uso (s) CHUVEIRO PIA DE COZINHA LAVATÓRIO 465 25 32 Vazão água quente + fria (l/s) 0,106 0,086 0,092 Vazão água quente (l/s) 0,064 0,049 0,059 Temperatura água quente + fria (oC) 34 34 34 Temperatura água quente (oC) 45 47 44 0,75 16,18 0,83 No de usos em período de pico por pessoa por hora FONTE: Adaptado de Ilha (1991). O monitoramento nos apartamentos possibilitou também, que a pesquisadora avaliasse o consumo diário per capita de água quente, que embora tenha seu valor estatístico prejudicado devido ao pequeno número de amostras, indicou um valor de 61 l/pessoa/dia. Como forma de corroborar os dados de Ilha (1991) de maior interesse na definição de um perfil de consumo, foram pesquisados mais dois trabalhos cuja característica diferencial foi consultar um grande universo de usuários em sistemas prediais de água quente. Kamata e Ichikawa (1987) realizaram pesquisa no Japão com 825 pessoas, e concluíram que para banho 74 de chuveiro (ducha) a vazão média utilizada estava na faixa de 11 a 12 l/min o (0,18 a 0,20 l/s) e a temperatura média preferida entre 39 e 41 C. Papakostas, Papageorgiou e Sotiropoulos (1995), em pesquisa realizada na Grécia com 330 o pessoas, consideraram 42 C a temperatura média para banho de chuveiro. Não obstante o objeto principal desta pesquisa seja um aquecedor de água por energia solar que na maioria das vezes é instalado em casas, onde o espaço disponível para os coletores solares é compatível com os volumes utilizados, uma vez que o consumo de água quente no Brasil está vinculado a atividades de higiene com aparelhos (chuveiros, lavatórios, pias de cozinha) utilizados dentro das edificações, tornou-se possível considerar que as condições de utilização da água quente em apartamentos e em casas de mesmo porte sejam bastante similares, diferente das condições de consumo de água fria, que levam em consideração também serviços externos. Portanto para a simulação da utilização do sistema solar de aquecimento de água, funcionando por circulação natural ou por circulação forçada, foram considerados hipoteticamente os seguintes parâmetros, a fim de se avaliar o desempenho do equipamento: O local de instalação do equipamento é uma residência unifamiliar com 3 dormitórios / 2 banheiros na cidade de Londrina. O número de usuários do sistema é de 4 pessoas, sendo um casal com faixa etária entre 30 a 40 anos, e duas crianças com faixa etária entre 0 e 13 anos. 75 Como o horário de pico de consumo ocorre das 18:00 às 21:00 horas, foi simulado o perfil abaixo para a diferenciação do desempenho dos sistemas: I) Um número “NB” de banhos de chuveiro em seqüência, cada um com duração de 8 min (480 s) e vazão de água misturada (quente + fria) de 0,11 l/s, mais o uso simultâneo de uma torneira de pia de cozinha com vazão de água misturada (quente + fria) de 0,086 l/s, atingindo uma vazão total de 0,196 l/s (aproximadamente 12 l/min). A temperatura adotada para a água misturada foi de 40oC e o horário de uso dos aparelhos foi considerado entre 18:00 e 21:00 horas. Embora o tempo médio de duração de um uso da pia da cozinha na pesquisa de Ilha (1991) seja de 25 s, percebe-se que ela foi acionada em média 16 vezes ao longo de uma hora, o que leva a suposição da possibilidade de simultaneidade de uso a maior parte do tempo de utilização dos chuveiros. 3.5.2 PROCEDIMENTOS DA SIMULAÇÃO DO PERFIL DE CONSUMO A simulação do perfil de consumo durante os ensaios de determinação do desempenho do sistema, deveria ser capaz de reproduzir na saída da ducha instalada no experimento, as condições de vazão e temperatura definidas na Subseção 3.5.1 item I. Como esta situação exigiria o controle simultâneo de vazão e temperatura da água fria, quente e misturada, e os equipamentos instalados no experimento não eram suficientes para atender estas necessidades, optou-se por operar somente com a água quente e 76 considerar as condições de mistura da água, conforme a Equação 3.6 definida por Petrucci (1998): qAQ = [ (TMIST TAF) ÷ (TAQ TAF) ] × qMIST (EQUAÇÃO 3.6) Considerando vazão de água quente (q AF), vazão de água misturada (qMIST), AQ), temperatura vazão de água fria (q de água quente (TAQ), temperatura de água fria (TAF) e temperatura de água misturada (TMIST). Assim trabalhando com os dados de TAF e TAQ aferidos imediatamente antes do início de cada ensaio, por meio de escoamento passando pelo PT 100 instalado na ducha e pela leitura na tela do computador, gerou-se uma planilha através do programa Excel (previamente alimentada com a Equação de mistura (3.6) e com os valores de temperatura e vazão do perfil pré-definido), onde foram calculadas as variações da vazão de água quente necessárias a obtenção do perfil de consumo e que foram proporcionadas através de manobras no registro de água quente da ducha simuladora, à medida que a TAQ foi diminuindo durante o ensaio (devido à estratificação no interior do reservatório térmico e também por causa da mistura provocada pelo reabastecimento da água fria). Desta forma foi possível simular a contribuição de água quente que estaria sendo utilizada caso os usuários do sistema estivessem efetivamente usando a ducha e promovendo a mistura necessária com água fria, para gerar a vazão e temperatura definidas no perfil. 77 Então a simulação do perfil de consumo durante os ensaios foi obtida mediante os seguintes procedimentos: O controle de temperatura foi efetuado através dos sensores ºs n 5 e 1, que enviaram sinais para o sistema de aquisição de dados simultaneamente acompanhamento das à simulação, variações de possibilitando temperatura o pelo monitor de vídeo do microcomputador. O sensor no 1 acompanhou a temperatura da água quente, na saída do cavalete simulador da ducha, enquanto o sensor no 5 acompanhou as variações de temperatura da água quente na saída do reservatório térmico. A temperatura da água fria (que foi considerada constante durante o ensaio) foi avaliada inicialmente, acionando-se somente o registro de água fria no cavalete simulador e registrando-se o valor através da o leitura dos sinais do sensor n 1. O mesmo procedimento foi efetuado acionando-se somente o registro de água quente para se identificar a temperatura inicial na saída do reservatório térmico (para este procedimento em todos os ensaios padronizou-se a colocação do registro na posição 2 (Tabela 3.2) por um período de 3min, ou seja, consumindo sempre 18 litros de água quente antes do início da simulação). A necessidade do controle da vazão de escoamento exigiu uma calibragem prévia do registro de água quente no cavalete simulador da ducha. Foram marcadas ao redor do volante do registro 8 posições relativas a variações de vazão, 78 possibilitando assim durante o procedimento de simulação do perfil, o aumento da contribuição de água quente pela manobra do registro. As regulagens ocorreram sempre que o se identificou uma diminuição de temperatura no sensor n 1 para valores que exigiam um aumento de vazão de água quente, conforme a planilha gerada no programa Excel. A Tabela 3.2. mostra os números atribuídos a cada posição do registro e a respectiva vazão obtida na saída da ducha. TABELA 3.2 – Posição do registro X Vazão de água quente (l / min). POSIÇÃO REG AQ ENSAIO 1 ENSAIO 2 1 4,0 4,0 4,0 4,0 2 6,0 6,0 6,0 6,0 3 7,5 7,0 7,5 7,3 4 8,5 8,5 8,5 8,5 5 9,5 9,5 9,5 9,5 6 10,5 10,5 10,5 10,5 7 11,5 11,0 11,5 11,3 0 12,0 11,5 12,0 11,8 ENSAIO 3 média A calibragem do volante do registro, bem como a checagem da vazão durante a simulação foi efetuada com o auxílio de um hidrômetro instalado na saída da ducha e de um cronômetro controlador do tempo de funcionamento. O ensaio foi iniciado regulando-se o registro de água quente de forma a se obter a vazão e a temperatura necessárias ao 79 perfil pré-definido na saída do simulador da ducha. À medida que transcorreu o ensaio, a temperatura da água oriunda do reservatório térmico foi acompanhada pelo monitor do vídeo, e o registro de água quente no cavalete simulador foi acionado sempre que se identificou a necessidade de aumento de vazão. O ensaio foi encerrado quando a temperatura da água quente não atingiu mais o valor do perfil (40oC). A leitura do hidrômetro no início e final da simulação, acompanhado do tempo de ensaio registrado no cronômetro, possibilitou que se averiguasse se a vazão média do ensaio esteve de acordo com a vazão média de água quente esperada pela combinação das diferentes vazões obtidas em cada posição do registro e o tempo de funcionamento em cada uma das posições. 3.6 AFERIÇÃO DO VOLUME DE ÁGUA NO SISTEMA A fim de se averiguar qual o volume de água existente no interior do sistema, portanto contido no reservatório térmico, coletores solares e tubulações de interligação do circuito, efetuou-se o enchimento inicial do sistema, abrindo-se o registro de alimentação de água fria e mantendo-se a saída de água quente aberta até que se iniciasse algum escoamento. Em seguida fechou-se a válvula de esfera na saída de água quente de forma que o respiro ficasse totalmente preenchido com água, o que se identificou pelo transbordamento provocado pelo golpe de aríete gerado no fechamento da válvula. Para a retirada de eventuais bolhas de ar na região dos coletores, efetuou-se a abertura do ponto de drenagem dos coletores provocando 80 escoamento de água durante alguns segundos. Fechado o dreno aguardou-se alguns minutos de forma que o sistema ficasse totalmente preenchido e em repouso. Em seguida foi conectado um hidrômetro na saída do dreno dos coletores, por ser o ponto mais baixo do sistema. Para se efetuar a aferição do volume, o registro da tubulação de entrada de água fria no sistema foi fechado, impedindo assim a reposição de água, e a válvula de esfera localizada no dreno dos coletores foi aberta, fazendo com que toda a água contida no interior do sistema saísse passando pelo hidrômetro. O volume total aferido desta forma foi de 244 litros. 81 3.7 DETERMINAÇÃO DA VAZÃO ÓTIMA DA BOMBA CENTRÍFUGA PARA FUNCIONAMENTO DO SISTEMA ATIVO Para encontrar a situação mais eficiente de funcionamento do sistema com circulação forçada (sistema ativo), foi necessário submeter o sistema a diferentes situações de bombeamento. O parâmetro inicial utilizado foi a vazão/área de coletor de 5 g/s.m2 indicada como sendo a mais adequada por Siqueira (1996), que simulou através de programa de computador diferentes condições de funcionamento para um sistema ativo. Baseado na recomendação de Duffie e Beckman (1991) para a utilização de vazões mais baixas (de 2 a 7 g/s.m2) a fim de não prejudicar a estratificação da água no interior do reservatório térmico, e também em Arruda (2004), que realizou ensaios em condições semelhantes às desta pesquisa e concluiu que sistemas forçados devem trabalhar com vazões de 1 a 3 vezes a 2 vazão média do mesmo sistema operando com termossifão (3,2 g/s.m ), foram 2 2 operadas também situações com vazões nas faixas de 2,5 g/s.m e 10 g/s.m . Em todas as situações, optou-se pela operação da bomba sem interrupção no período das 10 até as 16 horas, horário que segundo Siqueira (1996) começa a ocorrer queda da captação de energia. Efetuou-se durante os ensaios, a simulação do perfil de consumo definido na Subseção 3.5.1 item I, considerando-se como melhor desempenho do sistema a situação em que foi possível utilizar o ponto de simulação de ducha por maior período de tempo, atendendo as condições de vazão e temperatura definidas no perfil. 82 A fim de se criar um parâmetro de comparação entre os ensaios, o tempo final de funcionamento do simulador da ducha em cada ensaio, foi dividido por 8min, tempo representativo de um banho no perfil de consumo pré-definido. Considerou-se como melhor desempenho aquele que atingiu maior número de banhos NB. Assim antes do início de cada ensaio desta etapa, no horário entre 7 e 8 horas, quando os coletores estavam recebendo ainda pouca radiação, o sistema foi completamente esvaziado e em seguida preenchido novamente com água fria a fim de se criar uma condição inicial de temperatura uniforme em todo o sistema. A vazão da bomba foi regulada colocando-a em funcionamento durante alguns minutos, variando-se a abertura do registro no recalque e realizando a leitura do volume de passagem pelo hidrômetro em intervalos cronometrados de 1 minuto, até se obter o valor desejado. Para checagem da vazão obtida, a bomba foi acionada pelo menos mais duas vezes durante o período de 1 minuto cada, conferindo-se o volume de passagem no hidrômetro. Os ensaios foram então executados com o acionamento da bomba durante o dia, no período pré-determinado, e efetuando-se a simulação do perfil de consumo sempre após as 18 horas. Os dados referentes às condições de temperatura, vazões, volumes e tempos obtidos durante os ensaios foram registrados em fichas cujo modelo se encontra no Apêndice A. 83 3.8 DETERMINAÇÃO DO DESEMPENHO DO SISTEMA COM CIRCULAÇÃO NATURAL (SISTEMA PASSIVO) E COM CIRCULAÇÃO FORÇADA (SISTEMA ATIVO) Os ensaios para a determinação do desempenho do sistema com circulação natural e com circulação forçada foram realizados sempre durante o período de um dia. É importante frisar que algumas pesquisas como a de Morrison, Gilliaert e Tebaldi (1992), propõe a necessidade de se avaliar o desempenho de sistemas de aquecimento solar em funcionamento a longo prazo, para se detectar a influência de determinadas variáveis como a atuação da fonte de energia auxiliar ou a simulação de diferentes perfis de consumo, porém a impossibilidade de ter dois sistemas instalados lado a lado, as dificuldades de monitorando das variáveis climáticas e a intenção de se trabalhar sem fonte auxiliar de energia, apontaram para a opção de se realizar ensaios diários como a forma viável de se obter resultados confiáveis. No início dos ensaios, no horário entre 7 e 8 horas, quando os coletores ainda estavam recebendo pouca insolação, o sistema foi completamente esvaziado e em seguida preenchido novamente com água fria a fim de se criar uma condição inicial de temperatura uniforme em todo o sistema, e também de minimizar possíveis influências relacionadas à variações de temperatura ambiente durante a noite, ou mesmo da própria água em virtude de resquícios da operação no dia anterior. Em seguida, no horário entre 8 e 9 horas, quando foi ensaiado o sistema com circulação natural, acionou-se o sistema de recepção de sinais com uma programação para receber informações durante 12 horas ininterruptas. 84 Quando foi ensaiado o sistema com circulação forçada, antes de se acionar o sistema de recepção de sinais, foi regulada a vazão da bomba, com procedimento idêntico ao descrito na Seção 3.7, para o valor aproximado de 2 5g/s.m . Para a avaliação do desempenho do sistema (seja com circulação natural ou com circulação forçada) submetido ao perfil de consumo definido na Subseção 3.5.1, no final da tarde, após as 18 horas, procedeu-se a simulação do perfil conforme os procedimentos descritos na Subseção 3.5.2, operando-se durante o período de tempo até que a temperatura da água no simulador da ducha não conseguiu mais atingir o valor definido no perfil de consumo. Este tempo de operação foi então divido por 8 minutos de forma a se obter o desempenho do sistema em número de banhos “NB”. Para se obter condições climáticas (temperatura, umidade relativa, horas de insolação e radiação solar) mais semelhantes, os ensaios com circulação natural e com circulação forçada foram realizados em dias alternados dentro do período de uma semana. Posteriormente os resultados obtidos foram submetidos a um teste estatístico, cujos resultados se encontram na Seção 4.2, para que pudessem ser considerados homogêneos, a fim de se efetuar o estudo comparativo. 85 4 ANÁLISE DE DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS 86 4.1 ENSAIOS PARA A DETERMINAÇÃO DA VAZÃO ÓTIMA DA BOMBA CENTRÍFUGA O período de monitoramento do sistema de aquecimento solar foi iniciado em 14/02/2005 e até a data de 05/03/2005 foram realizados 11 ensaios com o objetivo de determinar a vazão ótima para funcionamento do sistema com circulação forçada. Neste período a coleta de dados não foi efetuada em vários dias por motivo de interferências importantes do clima, como dias com chuva ou com o céu encoberto desde o período matutino e por falhas na operação do sistema durante a regulagem do registro de água quente na simulação do perfil. Dos 11 ensaios realizados, 2 deles tiveram que ser abandonados devido a importantes variações no clima durante o dia do ensaio, isto é, céu claro no início passando a totalmente encoberto durante o dia, prejudicando desta forma os resultados, uma vez que o objetivo era comparar o desempenho do sistema operando para 3 vazões diferentes (Seção 3.7) em dias com condições de radiação semelhantes. Os resultados dos 9 ensaios considerados válidos e as características climáticas de cada dia estão apresentados na Tabela 4.1. 87 . 88 Comparando os melhores desempenhos para as 3 faixas de 2 vazão ensaiadas, observa-se que para a vazão de 5,21 g/s.m (dia 22/02/2005) obteve-se 4,19 NB (número de banhos com duração de 8 minutos cada), para a 2 vazão de 3,13 g/s.m (dia 05/03/2005) obteve-se 3,88 NB e para a vazão de 2 11,34 g/s.m (dia 03/03/2005) obteve-se 3,56 NB. As Figuras 4.1, 4.2 e 4.3 mostram as curvas de temperatura X tempo nas 5 termo-resistências instaladas no experimento, durante estes ensaios. As posições de cada sensor no equipamento eram as seguintes: SENSOR 1 – saída de água na ducha de simulação do perfil. SENSOR 2 – saída de água dos coletores solares. SENSOR 3 – entrada de água nos coletores solares. SENSOR 4 – entrada de água quente no reservatório térmico proveniente dos coletores. SENSOR 5 – saída de água quente do reservatório térmico para a ducha. 89 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 19:27 18:27 17:27 16:27 15:26 14:26 13:26 12:26 11:26 10:26 09:26 SENSOR 5 08:26 T (oC) 70 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 HO R A S FIGURA 4.1 – Comparação entre os sensores 1-5 (22/05/2005) — Ensaio com vazão de 5,21g/s.m2. 65 60 55 50 45 T (oC) 40 35 30 SENSOR 1 25 20 SENSOR 2 15 SENSOR 3 10 SENSOR 4 5 0 19:27 18:27 17:27 16:27 15:27 14:27 13:27 12:27 11:27 10:27 09:26 08:26 SENSOR 5 HORAS FIGURA 4.2 – Comparação entre os sensores 1-5 (05/03/2005) — Ensaio com vazão de 3,13 g/s.m2. 90 60 55 50 45 40 T (oC) 35 SENSOR 1 30 25 SENSOR 2 20 15 SENSOR 3 10 SENSOR 4 5 0 19:59 18:59 17:59 16:59 15:59 14:59 13:59 12:59 11:58 10:58 09:58 08:58 SENSOR 5 HORAS FIGURA 4.3 – Comparação entre os sensores 1-5 (03/03/2005) — Ensaio com 2 vazão de 11,34 g/s.m . As variações bruscas de temperatura, ocorridas nos sensores 1 e 5 no final do ensaio, representam o período em que foram feitas as simulações do perfil de consumo através da ducha. As pequenas depressões de temperatura nos sensores 2 e 4 indicam a passagem de nuvens esparsas durante o dia, sombreando ligeiramente os coletores. Agrupando os ensaios de cada vazão para os dias com clima semelhante (temperatura, umidade relativa, radiação e insolação), obtém-se também o melhor desempenho para a faixa de vazão de 5 g/s.m2 (421 cal/cm2 e 9,0h de insolação) com 4,19 NB (dia 22/02/2005), contra 3,75 NB (dia 02/03/2005) para a faixa de vazão de 2,5 g/s.m2 (440 cal/cm2 e 9,7h de 91 insolação) e 3,5 NB (dia 17/02/2005) para a faixa de vazão de 10 g/s.m2 2 (440cal/cm e 9,9h de insolação). As Figuras 4.4 e 4.5 mostram as curvas de temperatura x tempo para os ensaios de 02/03/2005 e 17/02/2005, sendo que 90 85 80 75 70 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 20:11 19:11 18:11 17:11 16:11 15:11 14:11 13:11 12:11 11:11 10:10 SENSOR 5 09:10 T (oC) Figura 4.1 refere-se ao dia 22/02/2005. HORAS FIGURA 4.4 – Comparação entre os sensores 1-5 (02/03/2005) — Ensaio com vazão de 1,81 g/s.m2. 92 65 60 55 50 45 T (oC) 40 35 30 SENSOR 1 25 20 SENSOR 2 15 SENSOR 3 10 SENSOR 4 5 0 19:59 18:59 17:59 16:59 15:58 14:58 13:58 12:58 11:58 10:58 09:58 08:58 SENSOR 5 HORAS FIGURA 4.5 – Comparação entre os sensores 1-5 (17/02/2005) — 2 com vazão de 9,30 g/s.m . Ensaio A variação de temperatura dos sensores 2 e 4 na Figura 4.4, mostra um fenômeno interessante ocorrendo quando se opera a bomba com vazões muito baixas. Devido à pequena velocidade de escoamento nos coletores, aconteceu maior transferência de calor para água, que chegou a atingir 85oC na saída dos coletores (sensor 2), porém criou-se um fluxo de água concentrado no centro da tubulação que vai para o reservatório térmico, conforme ficou evidenciado pela temperatura bem menor medida no sensor 4. Isto ocorreu porque a posição da extremidade da termo-resistência estava coincidindo com a geratriz mais externa da seção transversal do tubo, de forma a não interferir no escoamento, e a temperatura que acabou captada foi a da camada periférica do escoamento, menor que a temperatura do fluxo central. 93 Apesar de atingir altas temperaturas, o desempenho final deste ensaio não foi melhor porque a vazão muito baixa operada durante 6h, circulou um volume (94 l) bem menor que o total acumulado no sistema (244 l). É necessário compreender também, que neste método proposto para a simulação do perfil pré-definido, a temperatura da água dentro do sistema no início do ensaio (TAF i) é um dos fatores determinantes na quantidade de calor a ser transferida pelo coletor solar para água, bem como que a temperatura da água fria no final do ensaio (TAF f) influencia de maneira inversamente proporcional a vazão de água quente necessária para se atingir a temperatura do perfil (40oC), interferindo portanto, no desempenho final (NB) do ensaio. Por isso era importante que não houvesse grandes diferenças destas temperaturas durantes os ensaios, a fim de não prejudicar a comparação, e sob este ponto de observação, identifica-se na Tabela 4.1 que a variação de TAF i foi pequena entre todos os ensaios (de 22oC a 24oC), bem como a variação de TAF f (de 27 oC a 30 oC). Nos dias com melhor desempenho, 22/02/2005 e 04/03/2005 (que também trabalhou com vazão na faixa de 5 g/s.m2), a TAF i não estava em situação inicial mais vantajosa (23oC e 22oC respectivamente), o mesmo acontecendo com a TAF f (29oC). No dia 14/02/2005 que foi o mais prejudicado nestes fatores (TAF i = 22oC e TAF f = 27oC) operou-se com vazão de 10,78 g/s.m2 e se atingiu o desempenho de 3,00 NB, porém no dia 03/03/2005, que foi o mais favorecido (TAF i = 23oC e TAF f = 30oC), também se trabalhou na faixa de 10 g/s.m2 e o desempenho não foi muito diferente atingindo 3,56 NB, 94 o que sinaliza ter sido a vazão o principal fator de influência no desempenho do sistema nestes ensaios. Baseado nestes resultados definiu-se então a vazão de 5g/s.m 2 para a realização dos ensaios de comparação entre o sistema operando com circulação forçada e com circulação natural. Este valor alinha-se com aqueles obtidos em pesquisas como a de Wuestling, Klein e Duffie (1985) apud Hollands e Lighstone (1989), que encontraram uma vazão mássica ótima para um sistema com circulação forçada na faixa de 2g/s.m 2 e que segundo os autores representava a vazão capaz de circular uma vez todo o volume do reservatório térmico pelos coletores solares no período de insolação de um dia. O sistema objeto desta pesquisa acumulava no total 244 l, que circulados uma vez no tempo pré-determinado de 6 h pela área de 2,4 m2 dos coletores, resultam em uma vazão de 4,7g/s.m2. A recomendação de Arruda (2004), para que se utilize em sistemas ativos vazões da ordem de 1 a 3 vezes a vazão do mesmo sistema funcionando por termossifão, também se confirma, se forem considerados os valores de vazão medidos em sistemas com circulação natural, da ordem de 2,87g/s.m 2 segundo Kudish, Santamaura e Beaufort (1985), de 5,7g/s.m2 segundo Young e Bergquam (1984) e de 3 a 6g/s.m2 conforme Morrison e Braun (1985). 95 4.2 COMPARAÇÃO DO DESEMPENHO DO SISTEMA OPERANDO COM CIRCULAÇÃO NATURAL E FORÇADA Entre os dias 07/03/2005 e 28/05/2005, foram realizados os ensaios para a comparação do desempenho do sistema funcionando com circulação natural e forçada, sendo que 36 ensaios foram considerados em condições válidas para os objetivos desta pesquisa. Destes 36 ensaios, 2 deles não atingiram a temperatura mínima de 40oC definida para a simulação do perfil de consumo e foram então realizados para a temperatura máxima atingida por circulação natural e seus resultados foram analisados à parte no final desta seção. Dos 34 ensaios que ficaram disponíveis para análise, 18 foram realizados com circulação natural e 16 com circulação forçada. O ensaio do dia 19/05/2005, ficou sem o registro do índice de radiação solar diária devido a problemas operacionais ocorridos na estação de meteorologia do IAPAR, responsável pela coleta dos dados climatológicos. Nesta seção foram destacados os gráficos de variação de temperatura ao longo do dia de 11 ensaios importantes, os demais 25 gráficos podem ser consultados no Apêndice B. A título de exemplo o Apêndice C mostra a tabela de dados geradora do gráfico de um destes ensaios. Experimentos com o objetivo de analisar o desempenho de sistemas de aquecimento de água por energia solar através de coletores planos devem levar em consideração as variáveis intervenientes no processo. O modelo matemático usado com freqüência em trabalhos como Uhlemann e Bansal (1985), Treis (1991), Duffie e Beckman (1991), Siqueira (1996), Shariah e 96 Shalabi (1997) e Lima (2003) para expressar o calor útil fornecido por um coletor plano para a água circulante é a equação de Hottel-Whillier-Bliss, Qu = Ac . Fr . [IT . (τα τα) τα e – UL . (Tci – Ta)] (EQUAÇÃO 4.1) onde se encontram os fatores físicos como a Ac área útil da placa coletora plana, o Fr fator de remoção de calor da placa coletora, a τ transmitância da cobertura de vidro, a α absortância da superfície negra da placa, o (τα)e produto transmitância-absortância efetivo, o UL coeficiente global de perdas de calor do coletor e também os fatores climáticos como a IT taxa de radiação solar incidente na superfície da placa coletora com inclinação β a Tci temperatura da água que entra no coletor e a Ta temperatura ambiente, que são responsáveis pelo desempenho deste tipo de aquecedores solares. Os equipamentos disponíveis para realizar esta pesquisa não permitiram a montagem ideal do experimento, isto é, a colocação de um sistema funcionando por termossifão operando lado a lado com um sistema funcionando por bombeamento, com as mesmas características físicas (montagem, coletores solares, reservatório térmico e tubulações) e que neste caso estariam submetidos às mesmas condições climáticas. Foi então instalado um único sistema para circulação natural, com a alternativa de conexão de uma bomba para funcionamento por circulação forçada, o que manteve constantes os fatores físicos e foram efetuados ensaios em dias alternados, um dia com circulação natural e no outro com circulação forçada, a fim de se obter condições homogêneas de temperatura, umidade relativa, radiação e insolação entre as duas formas de se operar o sistema. O conjunto de resultados obtidos nos ensaios encontra-se registrado na Tabela 4.2. 97 98 99 Estes ensaios foram submetidos a uma análise estatística para se verificar a validade dos resultados obtidos. Para tanto foi utilizado o programa Statistica 6.0 (STATSOFT INC, 2001), efetuando-se a análise descritiva dos dados e os testes para amostras independentes, chamados testes t. A verificação da normalidade dos dados e da homogeneidade das variâncias foi realizada para todas as variáveis a fim de assegurar a validade destes testes. Neste caso a hipótese que foi testada é a de que as médias dos grupos, circulação natural e circulação Assim, testes com valor forçada, não diferem significativamente. p < 0,05 (o valor p é chamado nível descritivo do teste, quanto menor este valor maior a indicação contra a hipótese de igualdade entre as médias dos ensaios com circulação natural e forçada) foram considerados significativos, ou seja, foram considerados com resultados diferentes entre suas médias e testes com p > 0,05 foram considerados não significativos, ou seja foram considerados em condições estatisticamente iguais. A Tabela 4.3 apresenta os valores obtidos na análise estatística. 100 101 Para que os ensaios com circulação natural pudessem ser considerados sob as mesmas condições climáticas que os ensaios com circulação forçada seria ideal que o valor p das variáveis T MED, T MAX, T MIN, U. REL., INSOL e RAD fosse maior que 0,05, o que ocorreu com todas elas. O mesmo se esperava das variáveis TAFi e TAFf que representam a temperatura da água fria no início do ensaio e no momento da simulação do perfil de consumo, que também deveriam ser homogêneas entre os dois grupos e acabaram se confirmando pelos valores p obtidos. Já as variáveis TAQ e Tempo, que são relativas ao desempenho dos sistemas, apresentaram diferenças significativas entre os ensaios com circulação natural e forçada, com os níveis descritivos de 0,00322 e 0,01619, respectivamente. O fato dos valores p obtidos serem menores que 0,05 representa que os desempenhos dos grupos apresentaram diferenças estatísticas significativas. Assim pode-se afirmar que o sistema com circulação forçada foi capaz de elevar a temperatura da água no o início da simulação do perfil, em média, até 46,6 C, enquanto o sistema o funcionando com circulação natural atingiu média de 43,3 C. Pode-se verificar ainda, que o ensaio com circulação natural mantém em média, a água na temperatura e vazão do perfil de consumo por 19,14min, com intervalo de confiança de 95% variando entre 16,22 e 22,06min. Já o ensaio com circulação forçada mantém uma média significativamente superior à do grupo natural sendo de 25,31min, com intervalo de confiança de 95% variando entre 20,92 e 29,70min. Na comparação entre os tempos de funcionamento dos dois grupos mantendo as condições pré-definidas para o perfil de consumo, conclui-se que o sistema funcionando com circulação forçada mantém a água na temperatura e 102 vazão do perfil de consumo por um tempo médio de 6,17min a mais que o sistema funcionando com circulação natural. Isto significa que, em média, o sistema funcionando com circulação forçada tem um desempenho 32,26% maior que o sistema funcionando com circulação natural. Além da análise estatística geral, o estudo dos gráficos da variação de temperatura no sistema ao longo do dia, mostrou que alguns ensaios embora tivessem recebido quantidades de radiação importantes, acabaram ficando com seus desempenhos prejudicados devido a nuvens que provocaram sombreamento nos coletores durante horários fundamentais ao processo de transferência de calor para a água. Na Tabela 4.4 são apresentados 4 ensaios em que se pode detectar estas influências. 103 104 Nos dias 28/03/2005 e 29/03/2005 foram realizados ensaios com circulação forçada sob condições climáticas bastante semelhantes e no entanto o desempenho do sistema apresentou resultados significativamente diferentes (tempos iguais a 36min e 28min respectivamente). A análise das Figuras 4.6 e 4.7 mostra períodos de queda de temperatura após as 12 horas nos sensores 2 e 4 que monitoravam a saída do coletor e a entrada do reservatório térmico. Estes períodos representam momentos em que os coletores ficaram sombreados por nuvens, diminuindo a insidência de radiação direta sobre eles. No ensaio do dia 29/03/2005 estes períodos foram mais prolongados fazendo com que em alguns instantes a temperatura na entrada do coletor (sensor 3) ficasse igual à temperatura de saída (sensor 2), portanto diminuindo ou mesmo anulando a transferência de calor. 105 65 60 55 50 45 T (oC) 40 35 30 SENSOR 1 25 SENSOR 2 20 SENSOR 3 15 10 SENSOR 4 5 SENSOR 5 18:54 17:54 16:54 15:54 14:54 13:54 12:53 11:53 10:53 09:53 08:53 0 HORAS FIGURA 4.6 – Comparação entre os sensores 1-5 no ensaio de 28/03/2005. — Variação de temperatura 65 60 55 50 45 T (oC) 40 35 30 SENSOR 1 25 SENSOR 2 20 15 SENSOR 3 10 SENSOR 4 5 SENSOR 5 19:33 18:33 17:33 16:33 15:32 14:32 13:32 12:32 11:32 10:32 09:32 08:32 0 HORAS FIGURA 4.7 – Comparação entre os sensores 1 - 5 no ensaio de 29/03/2005. — Variação de temperatura 106 Nos ensaios com circulação natural realizados nos dias 12/04/2005 e 16/04/2005, também se pode perceber a acentuada diferença de desempenho apesar das características do clima e das temperaturas iniciais da água fria estarem muito próximas nestes dias. Nas Figuras 4.8 e 4.9 pode-se observar os períodos de influência do sombreamento nestes dias, especialmente no dia 16, quando ocorreram períodos com sombra de até 1 hora, fazendo com que a temperatura se igualasse na entrada e saída do coletor, o que para sistemas passivos significa a interrupção do processo de circulação da água. 60 55 50 45 T (oC) 40 35 30 SENSOR 1 25 SENSOR 2 20 SENSOR 3 15 10 SENSOR 4 5 SENSOR 5 18:45 17:45 16:45 15:45 14:45 13:45 12:45 11:45 10:45 09:45 08:44 0 HORAS FIGURA 4.8 – Comparação entre os sensores 1-5 no ensaio de 12/04/2005. — Variação de temperatura 107 55 50 45 40 T (oC) 35 30 25 SENSOR 1 20 SENSOR 2 15 19:07 18:07 17:07 16:07 15:07 14:06 13:06 SENSOR 5 12:06 0 11:06 SENSOR 4 10:06 5 09:06 SENSOR 3 08:06 10 HORAS FIGURA 4.9 – Comparação entre os sensores 1-5 no ensaio de 16/04/2005. — Variação de temperatura A constatação da influência das sombras sobre os coletores no desempenho do sistema, permite que se afirme a necessidade de se fazer um controle do acionamento da bomba em sistemas com circulação forçada, conforme descrito por Arruda (2004), através de sensores automáticos (termostatos) que monitorem a temperatura na entrada e na saída dos coletores, interrompendo o funcionamento sempre que a temperatura na entrada for maior ou igual à temperatura na saída. Como os ensaios realizados nesta pesquisa não possuíam este tipo de controle, em alguns dias chegou a ocorrer perda de calor da água durante a passagem pelos coletores, ocorrendo temperaturas na saída do coletor (sensor 2) inferiores às temperaturas de entrada (sensor 3), como pode ser observado na Figura 4.10 relativa ao ensaio do dia 22/04/2005. 108 60 55 50 45 T (oC) 40 35 30 25 SENSOR 1 20 SENSOR 2 15 SENSOR 3 10 SENSOR 4 5 SENSOR 5 18:51 17:51 16:51 15:51 14:51 13:51 12:50 11:50 10:50 09:50 0 HORAS FIGURA 4.10 – Comparação entre os sensores 1-5 — Variação de temperatura no ensaio de 22/04/2005, com perda de calor por volta de 15:50h. Em sistemas com circulação natural não existe a necessidade deste controle já que no momento em que ocorre equilíbrio de temperaturas na entrada e saída dos coletores, o peso específico da água se iguala interrompendo o processo de termossifão. A análise dos gráficos de temperatura ao longo do dia possibilitou também a identificação dos chamados dias claros, apresentando céu limpo sem nuvens ao longo de todo o período de captação da radiação solar e que segundo Norton e Probert (1984) e Uhlemann e Bansal (1985) são considerados como ideais para a avaliação do desempenho do equipamento. As Figuras 4.11 a 4.14 apresentam uma seqüência de 4 dias de ensaios realizados no mês de maio com céu limpo. 109 60 55 50 45 T (oC) 40 35 30 SENSOR 1 25 20 SENSOR 2 15 SENSOR 3 10 SENSOR 4 5 SENSOR 5 19:11 18:11 17:11 16:11 15:11 14:11 13:11 12:11 11:11 10:11 09:10 0 HORAS FIGURA 4.11 – Comparação entre os sensores 1-5 — Variação de temperatura no ensaio de 11/05/2005. 60 55 50 45 T (oC) 40 35 SENSOR 1 30 25 SENSOR 2 20 SENSOR 3 15 SENSOR 4 10 SENSOR 5 5 18:42 17:41 16:41 15:41 14:41 13:41 12:41 11:41 10:41 09:41 08:41 0 HORAS FIGURA 4.12 – Comparação entre os sensores 1-5 — Variação de temperatura no ensaio de 12/05/2005. 110 55 50 45 40 T (oC) 35 30 25 SENSOR 1 20 SENSOR 2 15 SENSOR 3 10 SENSOR 4 5 SENSOR 5 18:51 17:50 16:50 15:50 14:50 13:50 12:50 11:50 10:50 09:50 08:50 0 HORAS FIGURA 4.13 – Comparação entre os sensores 1-5 — Variação de temperatura no ensaio de 13/05/2005. 55 50 45 40 T (oC) 35 30 25 SENSOR 1 20 SENSOR 2 15 SENSOR 3 10 SENSOR 4 5 SENSOR 5 19:20 18:20 17:20 16:19 15:19 14:19 13:19 12:19 11:19 10:19 09:19 08:19 0 HORAS FIGURA 4.14 – Comparação entre os sensores 1-5 no ensaio de 14/05/2005. — Variação de temperatura 111 Nos dias 11 e 12 os ensaios foram realizados com circulação forçada e nos dias 13 e 14 com circulação natural. Identifica-se nestes ensaios que as curvas de temperatura dos sensores 2 e 4 não sofreram variações bruscas ou picos ao longo de todo o período de insolação, pois os coletores não estiveram submetidos a períodos de sombreamento provocados por nuvens. É possível se visualizar também que todas as curvas apresentam traçado bastante semelhante entre os dias de mesmo tipo de circulação, caracterizando o comportamento da temperatura da água no sistema. A fim de se realizar uma comparação do desempenho do equipamento nestes dias considerados ideais, a Tabela 4.5 apresenta os resultados dos ensaios. 112 113 Comparando-se inicialmente os ensaios com o mesmo tipo de circulação, pode-se dizer que submetido a condições climáticas bastante semelhantes o sistema de aquecimento alcançou resultados também homogêneos. Na circulação forçada, o dia 12/05/2005 que recebeu uma pequena quantidade de radiação a mais que o dia 11/05/2005 (310 cal/cm 2 contra 290 cal/cm2) atingiu um desempenho também ligeiramente maior (22min contra 21min), o mesmo ocorrendo na circulação natural onde o dia 14/05/2005 obteve maior índice de radiação (305 cal/cm2 contra 271 cal/cm2) que o dia 13/05/2005 e teve um tempo de funcionamento nas condições do perfil de consumo de 17,5min contra 15,5min. Uma vez que nestes dias não ocorreram nuvens para interferir nos desempenhos, tornou-se interessante também fazer a comparação entre os resultados alcançados nos dois tipos diferentes de circulação. Emparceirando os dias de circulação forçada com os dias de circulação natural que estiveram submetidos a valores de radiação solar mais aproximados, pode-se comparar o dia 11 com o dia 13, onde o dia 11 para uma quantidade de radiação 7% maior, alcançou um desempenho 35,4% melhor e comparando o dia 12 com o dia 14, para um índice de radiação solar 1,6% superior, obteve-se um desempenho final 25,7% maior no dia 12. Nos dois casos confirma-se o melhor desempenho do sistema com circulação forçada, estando a diferença percentual do desempenho em torno do valor encontrado na comparação dos tempos médios de todos os ensaios efetuados, que foi de 32,26%. 114 No dia 26/05/2005 foi realizado um ensaio com circulação natural e antes de se efetuar a simulação do perfil de consumo pré-definido, durante a medição da temperatura alcançada no interior do reservatório térmico, o encontrou-se 38 C, valor abaixo daquele definido para o perfil de consumo, que o era de 40 C. As características climáticas do dia com temperaturas ambientes baixas, associadas ao período do ano, já se aproximando do solstício de inverno, quando o ângulo de incidência da radiação torna-se mais desfavorável para a captação dos coletores, fez com que diminuísse a eficiência do sistema. Optou-se então por se realizar a simulação, considerando a temperatura de o banho de 38 C, com a vazão do perfil de consumo de 12 l/min. No dia seguinte com o objetivo de se estabelecer um padrão para comparação, realizou-se um ensaio com circulação forçada e efetuou-se a simulação dentro dos mesmos parâmetros ou seja, temperatura de banho de 38 oC com vazão de 12 l/min. Os resultados alcançados nos dois dias estão apresentados na Tabela 4.6. 115 116 Posteriormente, de posse dos dados meteorológicos fornecidos pelo IAPAR (Anexo A), e analisando-se as curvas de temperatura dos dois ensaios, que estão apresentadas nas Figuras 4.15 e 4.16, identificou-se que estes dias também foram dias com céu limpo, e com condições de radiação muito aproximadas, estando então, em boas condições para se efetuar uma comparação de desempenho entre tipos de circulação. O índice de radiação solar dos dois dias foi praticamente idêntico, com diferença de 0,69% (290 cal/cm2 e 288 cal/cm2) entre eles e os resultados de desempenho (12min e 15min) apontaram um valor 25% superior para o ensaio do dia 27, efetuado com circulação forçada. Estes valores são praticamente idênticos aos obtidos na comparação feita anteriormente para os dias 12/05/2005 e 14/05/2005 e sinalizam para uma regularidade na comparação dos desempenhos em condições de simulação diferentes (a temperatura do perfil neste caso), porém com condições climáticas ideais. A confirmação destas afirmações depende da realização de um maior número de ensaios em condições ideais, por longo período de tempo, o que não foi possível realizar nesta pesquisa. 117 50 45 40 35 T (oC) 30 25 SENSOR 1 20 SENSOR 2 15 SENSOR 3 10 SENSOR 4 5 SENSOR 5 18:43 17:42 16:42 15:42 14:42 13:42 12:42 11:42 10:42 09:42 08:41 0 HORAS FIGURA 4.15 – Comparação entre os sensores 1-5 — Variação de temperatura no ensaio de 26/05/2005. 55 50 45 40 T (oC) 35 30 SENSOR 1 25 20 SENSOR 2 15 SENSOR 3 10 SENSOR 4 5 SENSOR 5 18:37 17:37 16:37 15:37 14:37 13:36 12:36 11:36 10:36 09:36 0 HORAS FIGURA 4.16 – Comparação entre os sensores 1-5 no ensaio de 27/05/2005. — Variação de temperatura 118 4.3 ESTRATIFICAÇÃO DA ÁGUA NO RESERVATÓRIO TÉRMICO Embora não tenha sido feito um controle de temperatura em pontos no interior do reservatório térmico, foi possível avaliar a situação da estratificação da água no horário em que se realizaram as simulações do perfil de consumo através da análise das temperaturas e respectivos volumes de água registrados durante os ensaios. A temperatura foi acompanhada através da leitura dos sinais registrados pelo sensor 1 na tela do computador e o tempo registrado pelo cronômetro durante a simulação. Estes valores puderam ser conferidos posteriormente nos arquivos gerados pelo programa gerenciador dos sinais. Os volumes de água relativos a cada temperatura foram calculados multiplicando-se o tempo de permanência da simulação em cada posição do registro no cavalete da ducha, pela respectiva vazão proporcionada por cada posição (Tabela 4.7). A Tabela 4.7 mostra os resultados dos 5 ensaios de melhor desempenho do sistema funcionando por circulação natural. 119 TABELA 4.7 – Estratificação da água no reservatório térmico em ensaios com circulação natural. DIA 10/MAR T (ºC) Volume (l) 26/MAR Volume (l) % Volume (l) % 58,51 94,9 45,67 94,9 45,67 94,9 45,41 124,1 46 87,6 41,91 34 45 8,5 34 44 8,5 43 9,5 12,68 42 209 12/ABR % 47 TOTAL 09/ABR 100 32,06 13/ABR Volume (l) % Volume (l) % 146 72,01 146 72,01 4,25 17 25,5 4,75 4,25 25,5 17 4,75 9,5 8,66 14,25 27,99 14,25 27,99 207,8 100 202,75 100 202,75 100 10,5 9,43 212,1 100 Percebe-se a concentração das maiores quantidades de água em uma ou duas faixas de temperatura, pouco tempo após o térmico da circulação de água entre coletores e reservatório térmico. Isto confirma a afirmação de Phillips e Dave (1982) que em reservatórios horizontais acontece equilíbrio de temperatura mais rapidamente entre as camadas por condução térmica, uma vez que a área de contato entre elas é maior. Na Tabela 4.8 encontram-se os resultados da estratificação da água no interior do reservatório térmico para os 5 melhores desempenhos do sistema funcionando com circulação forçada. Verifica-se que nos ensaios que atingiram maior temperatura ocorreu uma distribuição maior de volumes em até 3 faixas de temperatura (estratificação maior que a ocorrida no sistema passivo), o que mostra a possibilidade de se manter certa estratificação de temperatura em sistemas ativos, quando se trabalha com baixas vazões, conforme afirmaram Hollands e Lightstone (1989). 120 TABELA 4.8 – Estratificação da água no reservatório térmico em ensaios com circulação forçada. DIA 09/MAR Volume % 28/MAR Volume 06/ABR % Volume 11/ABR % Volume 19/ABR % Volume (ºC) (l) 52 42 51 42 50 42 49 36 48 14,6 21,9 21,9 7,3 14,6 47 14,6 14,6 21,9 7,3 17 46 21,9 45 4,25 8,5 4,25 4,25 44 4,25 4,75 4,25 4,25 43 4,75 TOTAL (l) 37,11 132 (l)) (l) 55,28 60 21,9 34,46 22,58 5,85 226,35 100 21,9 8,5 % (l)) 27,13 60 18,34 18,84 126,0 29,2 58,06 33,64 66 7,3 56,97 9,90 4,75 7,54 9,5 8,29 4,75 5,99 238,8 100 217,0 100 221,15 100 162 19 76,20 23,80 0,00 212,6 100 121 5 CONCLUSÕES 122 O objetivo deste trabalho foi comparar o desempenho de um sistema de aquecimento de água por energia solar operando com circulação natural (sistema passivo) com o desempenho do mesmo sistema operando com circulação forçada (sistema ativo). O parâmetro de comparação de desempenho foi o período de tempo em que o sistema foi capaz de fornecer água quente, nas condições de temperatura e vazão pré-definidas para um perfil de consumo. O sistema de aquecimento foi instalado, utilizando equipamentos e materiais que são comercializados por empresas do ramo na cidade de Londrina, Paraná, nas condições recomendadas pela NBR 12269 da ABNT (1992). A circulação forçada foi obtida com a conexão de uma bomba centrifuga em um by pass do sistema preparado para a circulação natural. A fim de garantir que o desempenho do sistema seria proporcionado exclusivamente pela energia solar captada, a fonte auxiliar de energia (resistência elétrica) foi mantida desligada. Para se obter o melhor desempenho possível do sistema operando com circulação forçada, foram realizados ensaios com três faixas diferentes de vazão, baseadas no resultado obtido por simulação computacional no trabalho de Siqueira (1996) e em recomendações de Duffie e Beckman (1991) e Arruda (2004). Concluiu-se que, para o sistema utilizado nesta 2 pesquisa, a vazão mássica de 5,21 g/s.m proporcionou o melhor desempenho. Este resultado mostrou coerência com experimentos realizados por Arruda (2004), que utilizou equipamento com dimensões semelhantes às desta pesquisa, com diferença apenas no modelo do reservatório térmico que era 123 2 vertical, e encontrou melhores resultados para vazões de 3,6 g/s.m a 5,4 2 g/s.m . Para a comparação entre o sistema operando com circulação natural e com circulação forçada, foram realizados ensaios alternando o tipo de circulação de um dia para o outro. Desta forma foi possível se estabelecer uma homogeneização das condições climáticas entre os ensaios com tipos diferentes de circulação. Concluiu-se que nas condições de operação desta pesquisa ocorreu uma diferença significativa de desempenho, ficando o sistema com circulação forçada em média 32,26% mais tempo em funcionamento nas condições de vazão e temperatura do perfil pré-definido. Este resultado indica que sistemas com circulação forçada podem proporcionar uma gama maior de possibilidades de utilização, com vantagem de desempenho em relação ao sistema por circulação natural. Sistemas de pequeno porte que possuem restrições arquitetônicas à montagem de sistemas com circulação natural, podem usar a circulação forçada, compensando o custo de instalação da bomba, com um menor consumo de energia auxiliar para complementar a temperatura em dias de pouca radiação solar, ou mesmo podem, conforme o perfil dos usuários, até utilizar equipamentos de menor porte, baseado neste melhor desempenho. Embora nesta pesquisa não tenha sido foco de atenção a medição da potência necessária para proporcionar o funcionamento da bomba, infere-se pela vazão muito baixa obtida para promover a circulação forçada, que a quantidade de 124 energia necessária para fazer a água circular é muito menor que a quantidade de energia que seria preciso para complementar o aquecimento da água. Nos sistemas de grande porte onde a circulação forçada é obrigatória devido à maior perda de energia provocada pelo comprimento de tubulação nos coletores e também no circuito entre coletores e reservatório térmico, é fundamental que seja efetuado o dimensionamento hidráulico de forma que se atinja a vazão ótima ao longo de todo o sistema. O melhor desempenho pode resultar na redução da área de coletores solares, geralmente um dos problemas para a implantação destes sistemas, devido ao pouco espaço disponível. Conclui-se também que o controle do acionamento da bomba durante o dia, pela diferença de temperaturas na entrada e saída dos coletores, é importante nos sistemas ativos, uma vez que as curvas de temperatura em alguns ensaios mostraram que períodos longos de sombreamento, devido à ocorrência de nuvens no céu, podem provocar um resfriamento dos coletores a ponto de causar perda de calor da água durante a circulação. Recomenda-se o uso de termostatos regulados de forma a interromper o funcionamento da bomba sempre que a temperatura na saída dos coletores se igualar à temperatura na entrada. Confirmando a recomendação de Arruda (2004), o funcionamento da bomba deve ser interrompido quando ocorre a redução do 125 índice de radiação solar no final da tarde, o que aconteceu por volta das 16:00 h durante os ensaios realizados. A análise da estratificação de temperatura no interior do reservatório térmico, efetuada através da medição do volume de água em cada faixa de temperatura durante a simulação do perfil de consumo (entre 18:30h e 19:30h), mostrou que em reservatórios horizontais ocorre uma concentração em 2 ou 3 faixas de temperatura. Isto pode prejudicar o desempenho do sistema, na circulação natural porque quanto menor for a diferença de temperatura entre saída e entrada de água no reservatório menor o efeito de termossifão no processo e na circulação forçada quanto maior a temperatura da água na entrada do coletor menor a troca de calor entre a superfície absorvedora de radiação e a água circulante. Os resultados mostraram também que a baixa vazão de circulação no sistema ativo, não provocou mistura significativa no interior de reservatório, a ponto de interferir na estratificação, uma vez que se encontraram um número maior de faixas com temperaturas diferentes nestes ensaios que naqueles com circulação natural. Reafirma-se então a preferência pela utilização de reservatórios verticais sempre que possível. Espera-se que o método adotado nesta pesquisa de cunho regional, possa ser utilizado em outras regiões, considerando-se as especificidades sociais, culturais e climáticas locais. Recomenda-se que sejam efetuadas pesquisas com equipamentos alternativos de menor custo, como coletores solares e reservatórios térmicos 126 construídos com materiais diferentes dos convencionalmente utilizados, porém funcionando em sistemas com circulação forçada, como forma de melhorar o desempenho e viabilizar o uso destes equipamentos. Recomenda-se ainda que outros trabalhos sejam desenvolvidos considerando sistemas com circulação forçada como pré-aquecimento para sistemas de grande porte, possibilitando assim uma redução no consumo total de energia. Por fim espera-se que os resultados deste trabalho possam contribuir para que novas pesquisas sejam realizadas, considerando sistemas com circulação forçada como uma das principais alternativas para viabilizar a implantação de sistemas solares de aquecimento de água, em substituição a sistemas movidos por energias não renováveis e contribuindo desta forma para que se atinja o desenvolvimento sustentável e a preservação ambiental do planeta. 127 6 REFERÊNCIAS 128 AL-IBRAHIM, A. M. et al. Design procedure for selecting an optimum photovoltaic pumping system in a solar domestic hot water system. Solar Energy, Oxford, v. 64, n. 4/6, p. 227-239, 1998. ALTMANN, G. Opção para uma política energética sustentável no Brasil. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL FONTES ALTERNATIVAS DE ENERGIA E EFICIÊNCIA ENERGÉTICA. Brasília: Coalizão Rios Vivos/Fundação Heinich Boll, 2002. Disponível em: http://www.guiafloripa.com.br/energia/. Acesso em: 1 maio 2003. ARRUDA, L. B. 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SENSOR 5 HORAS FIGURA B2 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (10/03/05). 137 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 18:59 17:59 16:59 15:59 14:58 13:58 12:58 11:58 10:58 09:58 08:58 SENSOR 5 07:58 T (oC) 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 HORAS 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 5 18:38 17:38 16:38 15:38 14:38 13:38 12:37 11:37 10:37 09:37 SENSOR 4 08:37 T (oC) FIGURA B3 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (26/03/05). HORAS FIGURA B4 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (30/03/05). 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 20:11 18:46 17:45 16:45 15:45 14:45 13:45 12:45 11:45 10:45 09:45 08:45 SENSOR 4 SENSOR 5 H OR A S FIGURA B5 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (31/03/05). 138 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 5 18:56 17:56 16:56 15:56 14:56 13:56 12:56 11:56 10:56 09:56 SENSOR 4 08:56 T (oC) 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 HORAS 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 5 18:54 17:54 16:54 15:53 14:53 13:53 12:53 11:53 10:53 09:53 SENSOR 4 08:53 T (oC) FIGURA B6 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (01/04/05). HORAS 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 19:17 18:17 17:17 16:17 15:17 14:17 13:17 12:17 11:17 10:16 09:16 SENSOR 5 08:16 T (oC) FIGURA B7 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (06/04/05). HORAS FIGURA B8 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (07/04/05). 139 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 18:57 17:57 16:57 15:57 14:57 13:57 12:57 11:57 10:57 09:56 SENSOR 5 08:56 T (oC) 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 HORAS 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 19:15 18:14 17:14 16:14 15:14 14:14 13:14 12:14 11:14 10:14 09:14 SENSOR 4 08:13 T (oC) FIGURA B9 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (08/04/05). SENSOR 5 HORAS 70 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 19:05 18:05 17:05 16:05 15:05 14:05 13:05 12:05 11:05 10:04 SENSOR 5 09:04 T (oC) FIGURA B10 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (09/04/05). HORAS FIGURA B11 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (11/04/05). 140 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 18:43 17:43 16:42 15:42 14:42 13:42 12:42 11:42 10:42 09:42 SENSOR 5 08:42 T (oC) 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 HORAS 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 18:46 17:46 16:46 15:46 14:46 13:46 12:46 11:45 10:45 09:45 SENSOR 5 08:45 T (oC) FIGURA B12 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (13/04/05). HORAS 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 18:42 17:41 16:41 15:41 14:41 13:41 12:41 11:41 10:41 09:41 SENSOR 5 08:41 T (oC) FIGURA B13 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (14/04/05). HORAS FIGURA B14 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (19/04/05). 141 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 18:33 17:33 16:33 15:33 14:33 13:33 12:33 11:33 10:33 09:33 SENSOR 5 08:32 T (oC) 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 HORAS 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 19:15 18:15 17:15 16:15 15:15 14:15 13:15 12:15 11:15 10:15 09:14 SENSOR 5 08:14 T (oC) FIGURA B15 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (11/04/05). HORAS 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 19:36 18:36 17:36 16:36 15:36 14:36 13:36 12:36 11:36 10:36 09:35 SENSOR 5 08:35 T (oC) FIGURA B16 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (30/04/05). HORAS FIGURA B17 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (02/05/05). 142 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 18:30 17:30 16:30 15:29 14:29 13:29 12:29 11:29 10:29 09:29 SENSOR 5 08:29 T (oC) 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 HORAS 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 18:13 17:13 16:13 15:13 14:13 13:13 12:13 11:12 10:12 SENSOR 5 09:12 T (oC) FIGURA B18 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (03/05/05). HORAS 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 19:05 18:05 17:05 16:05 15:05 14:05 13:05 12:05 11:05 10:04 09:04 SENSOR 5 08:04 T (oC) FIGURA B19 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (04/05/05). HORAS FIGURA B20 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (05/05/05). 143 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 18:42 17:42 16:42 15:42 14:42 13:42 12:42 11:42 10:42 09:42 SENSOR 5 08:42 T (oC) 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 HORAS 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 18:46 17:46 16:46 15:46 14:46 13:45 12:45 11:45 10:45 09:45 SENSOR 4 08:45 T (oC) FIGURA B21 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (10/05/05). SENSOR 5 HORAS 19:06 18:06 17:06 16:06 15:06 14:06 13:06 12:06 11:06 10:06 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 09:05 T (oC) FIGURA B22 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (17/05/05). SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 SENSOR 5 HORAS FIGURA B23 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (18/05/05). 144 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 18:32 17:32 16:32 15:32 14:32 13:32 12:31 11:31 10:31 09:31 SENSOR 5 08:31 T (oC) 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 HORAS 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0 SENSOR 1 SENSOR 2 SENSOR 3 SENSOR 4 18:42 17:42 16:42 15:42 14:42 13:41 12:41 11:41 10:41 09:41 SENSOR 5 08:41 T (oC) FIGURA B24 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (19/05/05). HORAS FIGURA B25 – Comparação entre os sensores 1 - 5 (20/05/05). 145 APÊNDICE C MONITORAMENTO DE TEMPERATURA DO ENSAIO DE 12/05/2005 DATA 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 12/05/05 HORA SENSOR1 SENSOR2 SENSOR3 SENSOR4 SENSOR5 08:41:05 08:42:05 08:43:05 08:44:05 08:45:06 08:46:06 08:47:06 08:48:06 08:49:06 08:50:06 08:51:06 08:52:06 08:53:06 08:54:06 08:55:07 08:56:07 08:57:07 08:58:07 08:59:07 09:00:07 09:01:07 09:02:07 09:03:07 09:04:07 09:05:08 09:06:08 09:07:08 09:08:08 09:09:08 09:10:08 09:11:08 09:12:08 09:13:08 09:14:08 09:15:09 09:16:09 09:17:09 09:18:09 09:19:09 09:20:09 09:21:09 09:22:09 09:23:09 09:24:09 09:25:09 09:26:09 09:27:10 09:28:10 09:29:10 09:30:10 09:31:10 09:32:10 09:33:10 09:34:10 09:35:10 09:36:10 09:37:11 09:38:11 09:39:11 09:40:11 09:41:11 09:42:11 09:43:11 09:44:11 09:45:11 09:46:11 09:47:11 09:48:12 09:49:12 09:50:12 09:51:12 09:52:12 09:53:12 -5,81E-01 -5,84E-01 -5,84E-01 -5,86E-01 -5,89E-01 -5,91E-01 -5,96E-01 -6,01E-01 -6,01E-01 -6,01E-01 -6,03E-01 -6,08E-01 -6,13E-01 -6,13E-01 -6,13E-01 -6,15E-01 -6,18E-01 -6,20E-01 -6,23E-01 -6,23E-01 -6,25E-01 -6,32E-01 -6,32E-01 -6,40E-01 -6,45E-01 -6,42E-01 -6,42E-01 -6,45E-01 -6,45E-01 -6,47E-01 -6,50E-01 -6,50E-01 -6,57E-01 -6,57E-01 -6,59E-01 -6,62E-01 -6,59E-01 -6,59E-01 -6,64E-01 -6,64E-01 -6,67E-01 -6,72E-01 -6,69E-01 -6,74E-01 -6,76E-01 -6,76E-01 -6,76E-01 -6,74E-01 -6,76E-01 -6,74E-01 -6,76E-01 -6,79E-01 -6,79E-01 -6,76E-01 -6,74E-01 -6,76E-01 -6,76E-01 -6,79E-01 -6,74E-01 -6,79E-01 -6,72E-01 -6,72E-01 -6,72E-01 -6,72E-01 -6,72E-01 -6,74E-01 -6,64E-01 -6,67E-01 -6,64E-01 -6,67E-01 -6,69E-01 -6,62E-01 -6,62E-01 -8,42E-01 -8,35E-01 -8,23E-01 -8,03E-01 -7,86E-01 -7,72E-01 -7,67E-01 -7,72E-01 -7,69E-01 -7,74E-01 -7,77E-01 -7,79E-01 -7,79E-01 -7,79E-01 -7,81E-01 -7,84E-01 -7,84E-01 -7,86E-01 -7,89E-01 -7,91E-01 -7,91E-01 -7,94E-01 -7,96E-01 -7,98E-01 -8,01E-01 -8,03E-01 -8,06E-01 -8,06E-01 -8,06E-01 -8,08E-01 -8,08E-01 -8,11E-01 -8,13E-01 -8,13E-01 -8,13E-01 -8,16E-01 -8,20E-01 -8,18E-01 -8,18E-01 -8,23E-01 -8,23E-01 -8,23E-01 -8,28E-01 -8,28E-01 -8,30E-01 -8,33E-01 -8,33E-01 -8,33E-01 -8,35E-01 -8,35E-01 -8,38E-01 -8,38E-01 -8,38E-01 -8,42E-01 -8,42E-01 -8,42E-01 -8,45E-01 -8,45E-01 -8,45E-01 -8,50E-01 -8,45E-01 -8,50E-01 -8,52E-01 -8,52E-01 -8,52E-01 -8,52E-01 -8,55E-01 -8,57E-01 -8,57E-01 -8,60E-01 -8,64E-01 -8,64E-01 -8,64E-01 -5,84E-01 -5,76E-01 -5,74E-01 -5,71E-01 -5,71E-01 -5,69E-01 -5,71E-01 -5,74E-01 -5,69E-01 -5,71E-01 -5,71E-01 -5,69E-01 -5,71E-01 -5,74E-01 -5,69E-01 -5,69E-01 -5,71E-01 -5,74E-01 -5,71E-01 -5,71E-01 -5,76E-01 -5,74E-01 -5,81E-01 -5,74E-01 -5,74E-01 -5,76E-01 -5,76E-01 -5,74E-01 -5,74E-01 -5,74E-01 -5,74E-01 -5,74E-01 -5,76E-01 -5,71E-01 -5,74E-01 -5,76E-01 -5,74E-01 -5,76E-01 -5,74E-01 -5,71E-01 -5,71E-01 -5,71E-01 -5,76E-01 -5,71E-01 -5,74E-01 -5,74E-01 -5,71E-01 -5,76E-01 -5,74E-01 -5,74E-01 -5,74E-01 -5,74E-01 -5,74E-01 -5,74E-01 -5,79E-01 -5,76E-01 -5,76E-01 -5,76E-01 -5,74E-01 -5,79E-01 -5,79E-01 -5,81E-01 -5,84E-01 -5,81E-01 -5,81E-01 -5,81E-01 -5,81E-01 -5,81E-01 -5,86E-01 -5,79E-01 -5,84E-01 -5,89E-01 -5,86E-01 -7,23E-01 -7,45E-01 -7,52E-01 -7,40E-01 -7,37E-01 -7,25E-01 -7,15E-01 -7,08E-01 -7,03E-01 -7,01E-01 -6,98E-01 -7,13E-01 -7,15E-01 -7,08E-01 -7,06E-01 -7,18E-01 -7,28E-01 -7,25E-01 -7,15E-01 -7,23E-01 -7,18E-01 -7,15E-01 -7,23E-01 -7,23E-01 -7,23E-01 -7,37E-01 -7,28E-01 -7,42E-01 -7,35E-01 -7,35E-01 -7,42E-01 -7,40E-01 -7,35E-01 -7,37E-01 -7,47E-01 -7,52E-01 -7,42E-01 -7,47E-01 -7,50E-01 -7,40E-01 -7,47E-01 -7,67E-01 -7,50E-01 -7,57E-01 -7,55E-01 -7,52E-01 -7,59E-01 -7,69E-01 -7,57E-01 -7,62E-01 -7,64E-01 -7,74E-01 -7,69E-01 -7,69E-01 -7,67E-01 -7,81E-01 -7,79E-01 -7,81E-01 -7,81E-01 -7,81E-01 -7,79E-01 -7,81E-01 -7,79E-01 -7,84E-01 -7,81E-01 -7,86E-01 -7,89E-01 -7,86E-01 -7,91E-01 -7,96E-01 -7,96E-01 -8,03E-01 -8,03E-01 -5,52E-01 -5,52E-01 -5,54E-01 -5,57E-01 -5,59E-01 -5,62E-01 -5,64E-01 -5,69E-01 -5,71E-01 -5,69E-01 -5,71E-01 -5,76E-01 -5,76E-01 -5,76E-01 -5,79E-01 -5,79E-01 -5,84E-01 -5,81E-01 -5,84E-01 -5,84E-01 -5,86E-01 -5,91E-01 -5,96E-01 -6,01E-01 -6,01E-01 -6,01E-01 -5,98E-01 -6,03E-01 -6,03E-01 -6,01E-01 -6,03E-01 -6,06E-01 -6,13E-01 -6,13E-01 -6,15E-01 -6,18E-01 -6,18E-01 -6,18E-01 -6,20E-01 -6,20E-01 -6,20E-01 -6,25E-01 -6,25E-01 -6,28E-01 -6,32E-01 -6,35E-01 -6,32E-01 -6,32E-01 -6,35E-01 -6,35E-01 -6,37E-01 -6,42E-01 -6,42E-01 -6,45E-01 -6,47E-01 -6,47E-01 -6,50E-01 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