SCRIPTA
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Tiragem
1.000 exemplares
ISSN 1516-4039
SCRIPTA
LINGÜÍSTICA E FILOLOGIA
Revista do Programa de
Pós-graduação em Letras
e do CESPUC
Organizada por
Maria Beatriz Nascimento Decat
Vanda de Oliveira Bittencourt
Maria Luiza Braga
SCRIPTA Belo Horizonte
v. 5
n. 9
p. 1-256
2º sem. 2001
Scripta é uma publicação semestral do Departamento de Letras da PUC Minas, do Programa de Pósgraduação em Letras e do Centro de Estudos Luso-afro-brasileiros – CESPUC-MG. A revista publicará números alternados com matéria de Literatura ou de Lingüística e Filologia, o que se indicará no
subtítulo: I – Literatura; II – Lingüística e Filologia.
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Preparada pela Biblioteca da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
Scripta. v. 1, n. 1, 1997 –
1997– .
v.
. – Belo Horizonte: PUC Minas,
ISSN 1516-4039
Semestral
1. Literaturas de Língua Portuguesa. História e crítica. 2. Língua
Portuguesa.
I. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. II. Departamento de Letras da PUC Minas. III. Programa de Pós-graduação em
Letras da PUC Minas. IV. Centro de Estudos Luso-afro-brasileiros –
CESPUC-MG.
CDU 82.03 (05)
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
Maria Beatriz Nascimento Decat
Vanda de Oliveira Bittencourt e
Maria Luiza Braga ....................................................................................... 7
PARTE 1 – ARTIGOS
A gramaticalização e a organização dos enunciados
Maria Helena M. Neves................................................................................ 13
Processos de combinação de orações: enfoques
funcionalistas e gramaticalização
Maria Luiza Braga ....................................................................................... 23
Gramaticalização de conectores no português do Brasil
Maria da Conceição Paiva ............................................................................ 35
A gramaticalização em orações completivas de verbos causativos
Vanda de Oliveira Bittencourt ...................................................................... 47
Vinculação em cláusulas adverbiais: uma análise de cláusulas finais
Mário Eduardo Martelotta ........................................................................... 54
A articulação das cláusulas de finalidade:
uma análise funcionalista
Nilza Barroso Dias ....................................................................................... 67
A articulação de orações através de mecanismos de oposição
Rosane Santos Mauro Monnerat .................................................................. 77
Orações adjetivas em língua portuguesa:
uma abordagem pancrônica
Mariângela Rios de Oliveira ......................................................................... 92
Orações adjetivas explicativas no português brasileiro e no
português europeu: aposição rumo ao ‘desgarramento’
Maria Beatriz Nascimento Decat ................................................................. 104
SCRIPTA Belo Horizonte
v. 5
n. 9
p. 1-256
2º sem. 2001
A estrutura correlativa como operador discursivo
na articulação de cláusulas
Maria Aparecida Lino Pauliukonis .............................................................. 119
Articulação de orações no português escrito no Brasil:
as orações condicionais
Flávia Bezerra de Menezes Hirata-Vale ....................................................... 126
Construções gramaticais e a gramática das construções condicionais
Lilian Vieira Ferrari ..................................................................................... 143
Tipo de oração e expressão do sujeito pronominal
Vera Lúcia Paredes Silva ............................................................................... 151
A (não)realização do sujeito e a integração de orações
Edair Gorski .................................................................................................. 161
Cláusulas encaixadas de verbos causativos e perceptivos:
formas de expressão e correferencialidade de sujeitos
Cristina dos Santos Carvalho ........................................................................ 174
Orações subjetivas e teorias dos protótipos
Sebastião Carlos Leite Gonçalves ................................................................. 183
A prototipicidade das orações predicativas
Angélica Terezinha Carmo Rodrigues .......................................................... 197
As construções com portanto no português europeu e
no português brasileiro
Ana Cristina Macário Lopes
Erotilde Goreti Pezatti
Norma Barbosa Novaes ................................................................................ 203
Valores semânticos e discursivos da conjunção aditiva
Roberto Gomes Camacho ............................................................................. 219
Os conectores reformulativos
Helênio Fonseca de Oliveira ......................................................................... 229
Concessão e conectores
Lúcia Helena Martins Gouvêa ..................................................................... 234
PARTE 2 – QUESTÕES E PROBLEMAS
Sobre o estudo das classes lexicais na escola
Pedro Perini Santos et al. .............................................................................. 243
APRESENTAÇÃO
N
a mesma linha dos números anteriores, 4 e 7, o presente número da revista
Scripta contempla as áreas de Lingüística e Filologia, reunindo, desta vez,
de um modo específico, trabalhos de lingüistas brasileiros que vêm se dedicando ao estudo do processo de combinação e de integração inter-oracional no
português.
Comprometidos com um tratamento teórico de cunho funcionalista, esses
estudiosos partem do princípio de que a gramática das línguas naturais se acha em
constante acomodação, em decorrência de pressões internas, advindas do próprio sistema, bem como de pressões externas, de caráter cognitivo, contextual e comunicativo.
Considerando ora o processo de organização dos enunciados complexos em
si, ora os elementos usados como conectores, os artigos que aqui se apresentam, longe
de se concentrarem num único prisma de análise da pródiga corrente funcionalista, na
verdade, se diversificam, na exploração de diferentes caminhos que ela abriga.
Assim sendo, contamos, primeiramente, com textos como os de Maria Helena M. Neves, Maria Luíza Braga, Maria da Conceição Paiva e Vanda de O. Bittencourt, que examinam o processo de vinculação de orações sob a ótica do paradigma
da Gramaticalização.
Nesses trabalhos são tratadas, respectivamente, questões como:
a) a diferença de estatuto das relações que se verificam entre orações adverbiais relativamente à oração nuclear, de um lado, e as que se verificam
entre orações substantivas relativamente à oração matriz, de outro;
b) a reinterpretação, nos termos da Gramaticalização, de propostas tipológicas de linha funcionalista acerca do processo de vinculação de orações;
c) a transformação, por gramaticalização, do sintagma preposicional por
causa de e da locução conjuntiva por causa (de) que em novos conectores
a que cumpre exprimir a relação interclausular de causalidade;
d) a reanálise, na fase ainda latina, de estruturas causativas complexas de
configuração apositiva como formas (de subjuntivo e de infinitivo) instanciadoras de encaixamento sintático.
Num segundo bloco, temos uma série de artigos, cujos autores, Mário E.
Martelotta, Nilza B. Dias, Rosane S. M. Monnerat, Mariângela R. de Oliveira, Maria
Aparecida L. Pauliukonis, Flávia B. de M. Hirata-Valle e Lilian V. Ferrari, enfocam o
processo da junção interfrástica em tipos variados de sentenças complexas do português. Os estudos que aí se registram propõem-se, respectivamente:
a) demonstrar a maior eficiência de uma abordagem de cunho cognitivo
relativamente às cláusulas adverbiais, uma vez que ela permite revelar,
mais claramente, os diversos aspectos semânticos (dentre os quais, os de
natureza metafórica) que motivam a sua vinculação com a oração-núcleo;
b) mostrar que a articulação de cláusulas de finalidade se realiza em dois
níveis – com a oração-núcleo ou com o ato de fala;
c) revelar, à luz de um enfoque ao mesmo tempo lingüístico e semânticopragmático, o modo como se expressa, no português, o fenômeno da oposição – lato e stricto sensu –, em relações sintático-semânticas;
d) tratar, numa perspectiva pancrônica, a vinculação oracional adjetiva como
um continuum semântico-sintático, que envolve as relações de hipotaxe
e de subordinação;
e) apontar aspectos que justifiquem a forma “desgarrada” que as orações
adjetivas explicativas/apositivas vêm apresentando no português escrito;
f) revelar, sob a concepção de uma semântica do discurso, a disponibilidade da estrutura correlativa como operador do discurso argumentativo;
g) descrever, de um modo mais integrado, as construções condicionais do
português, levando em conta o nível discursivo de realização efetiva das
frases, bem como aspectos sintáticos, semânticos e pragmáticos envolvidos;
h)investigar, com base no modelo da Gramática de Construções, as correlações que se verificam entre aspectos formais das orações condicionais e
certas funções discursivas e interacionais.
Outro conjunto de artigos, de autoria de Vera Lúcia P. Silva, Edair Gorski e
Cristina S. Carvalho, procura investigar uma ligação entre aspectos relativos ao combinado oracional e aspectos concernentes à realização/constituição do sujeito. De
um modo particular, esses trabalhos intentam, respectivamente:
a) relacionar o tipo de oração e a presença/ausência do sujeito;
b) focalizar parâmetros concernentes ao sujeito e o grau de integração interclausular;
c) analisar as orações encaixadas a verbos causativos e perceptivos e sua inter-relação com a forma de expressão e a correferência do constituinte sujeito.
Em busca de respostas satisfatórias para categorias difusas como a das orações complexas, Sebastião Carlos L. Carvalho e Angélica Terezinha C. Rodrigues
defendem uma descrição das mesmas com base na orientação propugnada pela Teoria dos Protótipos, tal como defendida por Taylor (1989). Isso é feito a partir do estudo particular das:
a) orações subjetivas;
b) orações predicativas.
Completando a lista de trabalhos versando o processo de articulação interfrástica, mencionem-se, por fim, os que se centram, de um modo particular, em elementos conectores. Da lavra de Ana Cristina M. Lopes/ Erotilde G. Pezatti/ Norma
B. Novaes, Roberto G. Camacho, Helênio F. de Oliveira e Lúcia Helena M. Gouvêa,
eles têm, respectivamente, como objetivo:
a) identificar os diferentes valores semânticos do operador portanto, nas variantes européia e brasileira da língua portuguesa;
b) demonstrar que a conjunção aditiva na nossa língua, além de atuar no
nível estrutural, também age no nível discursivo;
c) descrever o comportamento dos conectores reformulativos usados pelo
falante para retificar, ratificar, ou parafrasear o seu discurso;
d) mostrar a relevância do enfoque discursivo na análise do processo de
concessão e de sua relação com os conectores concessivos e adversativos.
Num adendo à seção de artigos propriamente dita, contamos com o texto
de Pedro Perini-Santos (e colaboradores), que, encerrando este número, busca contrapor o modo como os manuais de ensino e as gramáticas escolares abordam as classes lexicais ao modo seguido e proposto pelos defensores do ensino da língua em termos estritamente textuais.
Agradecendo a colaboração dos autores, que, de um modo tão rico e avançado, nos prestigiaram com seus estudos, esperamos continuar contando com a sua
participação nesse empreendimento de tornar públicos os resultados de pesquisas
realizadas nas áreas de Lingüística e Filologia.
Belo Horizonte, 2º semestre de 2001
Maria Beatriz Nascimento Decat,
Vanda de Oliveira Bittencourt
Maria Luíza Braga
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Revista Scripta v. 5, nº 9 / 2º semestre de 2001, 256 p.