TECNOLOGIAS DO CUIDADO DE ENFERMAGEM NEONATAL Oliveira, Maria Emilia1 Introdução A incorporação de tecnologias no cuidado de enfermagem ao recém-nascido, principalmente nas Unidades de Internação Neonatal mostra-se de grande utilidade visto tratar-se de uma unidade de cuidados especializados que demanda um cuidado técnico-científico e sensível intensivo e de qualidade. Falar em tecnologia nos remete as idéias de Merhy (2002) amplamente conhecidas pela Enfermagem, que entende tecnologia como um conhecimento organizado e aplicado, que não se aplica exclusivamente a instrumentos ou equipamentos tecnológicos, mas também a saberes e condutas como o vínculo e o acolhimento, e aqui eu gostaria de acrescentar o uso da intuição e da sensibilidade. A tecnologia na Enfermagem compreende o conhecimento humano (científico e empírico) sistematizado. Esta tecnologia se evidencia na presença humana, visando a qualidade de vida e se concretizando no ato de cuidar (MARINELLI, 2004). Compreender o espaço predominante que ocupa a tecnologia em nossa profissão e recuperar os saberes da experiência cotidiana, acompanhando as passagens da vida com sensibilidade e intuição, re-introduzindo a dimensão simbólica do cuidado e conciliando os saberes empíricos com os conhecimentos científicos, mostra-se como uma necessidade emergente para que a enfermagem possa construir com inteligência o seu futuro (COLIÈRE, 2001). A utilização de técnicas e tecnologias duras no cuidado deve ser integrada ao processo relacional. O cuidado deve permear as práticas de saúde, utilizando tecnologias duras e leves, incorporando ao acolhimento, a sensibilidade, a intuição, a escuta atenta e ao relacionamento, as competências e tarefas técnicas (AYRES, 2001). 1 Doutora em Enfermagem, Especialista em Enfermagem Neonatal, Professora do Departamento de Enfermagem da UFSC, Membro do Grupo de Pesquisa em Enfermagem na Saúde da Mulher e do Recém-nascido (GRUPESMUR). VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ A intuição e a sensibilidade como tecnologia leve no cuidado ao recémnascido pré-termo Buscando contribuir para a discussão do uso da tecnologia leve no cuidado de Enfermagem ao recém-nascido pré-termo trago os resultados de minha tese de doutoramento desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Enfermagem da UFSC. A presente tese teve como objetivo geral: Evidenciar a sensibilidade e a intuição na prática diária dos profissionais de uma equipe de Enfermagem de uma Unidade de Internação Neonatal; e como objetivos específicos: identificar em quais momentos do cuidado a intuição e a sensibilidade são expressas; analisar os modos de aplicação da intuição e sensibilidade a partir do imaginário da equipe de Enfermagem da Unidade de Internação Neonatal e construir uma semiologia e uma semiotécnica para a utilização da intuição e da sensibilidade no cuidado prestado ao recém-nascido pré-termo. Utilizei como método a Sóciopoética, sendo que os instrumentos de coleta de dados foram a entrevista e a observação do cuidado prestado. A análise foi realizada utilizando-se o Discurso do Sujeito Coletivo. A entrevista semi-estruturada e individual foi realizada com 20 profissionais de Enfermagem, no local e horário de serviço dos mesmos durando uma média de 30 minutos cada entrevista. Constou de três perguntas, elaboradas de forma que os objetivos, as questões norteadoras e o suporte teórico pudessem emergir nas respostas. As perguntas foram: 1)Você considera que usa a intuição e a sensibilidade no cuidado de enfermagem ao recém-nascido pré-termo e sua família? Como? 2)Você anota este cuidado? Acha importante anotar? Por quê? 3)Como poderíamos anotar o uso da intuição e da sensibilidade? Neste texto, pontuarei os resultados da entrevista e da observação realizada. Pude perceber nas respostas dos entrevistados que a intuição e a sensibilidade encontram-se inseridas no seu processo de ser e fazer e que estes elementos são considerados importantes para o cuidado de enfermagem . O profissional de Enfermagem enquanto ser que se ocupa, sente e se preocupa, refere que busca na diversidade de suas ações cotidianas, cuidar de maneira que o ser que cuida e o ser que é cuidado se coloquem por inteiro na relação, vivendo a prática da Enfermagem. Neste sentido percebem que o cuidado sensível-intutitivo proporciona um olhar diferenciado para o recém-nascido pré-termo e sua família, possibilitando VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ cuida-los em suas singularidades e individualidades, como podemos visualizar em seus discursos Sim, uso a intuição e a sensibilidade o tempo todo no cuidado, Considero muito importante, porque desta forma, você pode ver o bebê de outra forma, consegue prever o que o bebê ou a família necessita, conhece o paciente nas suas particularidades (PE2). Considero que sim, porque com os bebês não se tem uma resposta objetiva, é através do uso da intuição e sensibilidade que posso cuidar de forma personalizada e individual, menos rotinizada (PE3). Uso o tempo todo. E este uso me coloca em sintonia com o bebe, com a família e com a equipe. Cada bebe tem uma particularidade, um jeito próprio de ser e para compreendê-lo precisamos usar a nossa intuição e sensibilidade (PE10). Para Chin e Kramer (1995) é no momento e no contexto da interação que podemos compartilhar a experiência humana. Não se pode ser sensível e intuitivo sem se colocar por inteiro na relação com o outro. A intuição e a sensibilidade no cuidado devem se manifestar pelo engajamento do próprio ser. É por esta razão que Bérgson (1984) refere que a intuição é uma emoção criadora capaz de gerar idéias próprias. O ato de cuidar com intuição e sensibilidade envolve uma sintonia com o ser cuidado de forma direta, imediata, na qual apreende-se as tendências constitutivas do ser (BERGSON, 1950). No caso do recém-nascido pré-termo e sua família permite acompanhar os seus progressos e seus retrocessos, entrando em sincronia com suas demandas, com suas tensões, com suas mudanças comportamentais e fisiológicas, mantendo um processo de atenção e interpretação, percebendo as mensagens que são repassadas e as respostas muitas vezes desconexas. A compreensão e o conhecimento da vida emocional do recém-nascido mostram-se como elementos preciosos para repensarmos a nossa prática de cuidado. Não se trata apenas de olhar o bebê, mas sim como bem afirmam Lacroix e Monmayrat (2005 p. 152) “conhecer, ou seja, nascer no mundo junto com ele”. Estar junto com o recém-nascido é colocar-se numa atitude de receptividade aberta, ou seja, ascender ao mundo das emoções, intuições e sensações (LACROIX, MONMAYRAT, 2005). Importante também salientar o papel que a sensibilidade e a intuição desempenham no cuidado aos familiares. O ambiente da Unidade de Internação Neonatal mostra-se a princípio assustador e gera ansiedade em todos que ali VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ adentram pela primeira vez. A maioria das famílias, quando vivencia o processo do nascimento, não cogita a possibilidade de ter que freqüentar este ambiente e muitas vezes não sabem sequer de sua existência, muito menos de suas especificidades. A vivência do nascimento prematuro mostra-se como um evento de proporções catastróficas para toda a família, sendo que os pais passam por diversas fases que vão da negação à aceitação (MOREIRA, BRAGA E MORSCH, 2005). Neste contexto, a utilização da intuição e da sensibilidade permitirá cuidar destas famílias, compreendendo suas atitudes e comportamentos, possibilitando a sua aceitação e inserção de forma integral na Unidade de Internação Neonatal. Ao considerar que o uso da intuição e da sensibilidade permite reconhecer as singularidades e individualidades de cada ser cuidado, recém-nascido e família, a equipe de Enfermagem se dá conta de que estes elementos são um diferencial no cuidado de Enfermagem, possibilitando a valorização da profissão e o estabelecimento de novas rotinas. Desta forma, se propõe a procurar em conjunto, a melhor forma de explicitá-los. Mandes (2004 p. 139) refere que a compreensão desta singularidade “é tão importante ou porque não dizer até mais importante que o conhecimento técnico”. De acordo com Colliere (2001) é necessário encontrar as vozes da sensibilidade e da intuição que dão a Enfermagem as chaves de seu trabalho, permitindo-lhe se interrogar sobre o que fazem e o que é necessário ao nível da consciente imbricação entre ação e conhecimento. Re-introduzir e reconhecer a dimensão simbólica do cuidado, conciliar o sensível e o intuitivo com os conhecimentos científicos, mostra-se como uma imperiosa necessidade que se coloca aos profissionais de Enfermagem no sentido de viver a prática da Enfermagem, constituindo o seu futuro. De acordo com Kletemberg, Mantovani e Lacerda (s/d p. 97) “[...] viver a prática da Enfermagem se coloca num permanente ir e vir da modernidade a pósmodernidade. É uma luta permanente entre o dever ser e o desejo de ser e estar juntos”. É uma luta entre o que o profissional pratica e o que se espera dele, como podemos ver em seus discursos quando se referem as anotações do cuidado sensível intuitivo [...] não anoto porque não é valorizado, e embora nos últimos anos se tenha buscado uma visão mais sensível pela própria história da ciência, ainda há muitas reticências em relação ao seu uso. O que se valoriza em relação ao VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ profissional da saúde é a técnica bem feita, a rapidez, a liderança. Anota-se as técnicas, mas não as especificidades do cuidado prestado, a atitude do profissional frente ao cliente não é valorizada no cuidado de enfermagem, por esta razão não é anotada. Se a equipe anotasse o cuidado seria favorecido, pois iniciaríamos um processo de valorização destes elementos (PE6) Não anoto, acho que se anotar posso não ser bem interpretada, pois não é muito científico. Se começasse a anotar acho que faria a diferença no cuidado, porque despertaria a atenção dos profissionais de saúde para o cuidado prestado (PE7). A proliferação das ciências e das técnicas, da forma que são entendidas, segundo Silva e Batoca (2005) leva a um horizonte formado de lógicas, onde se valoriza o modo de fazer, a eficácia, a experiência e as distribuições das correlações estatísticas. Esta relação entre a técnica e o sensível, que faz parte do cuidado de Enfermagem, acaba sendo relegada a um segundo plano. As instituições passam então a cobrar a execução das técnicas e rotinas conforme o normatizado, sendo que desta forma a equipe não consegue visualizar a importância do que se oculta por detrás da técnica, e portanto não anotam as atitudes sensíveis intuitivas. O cuidado fica então relegado a um segundo plano, principalmente porque os profissionais de Enfermagem ainda são formados numa cultura parcelada que privilegia o técnico em detrimento de outros valores (HENRIQUES; ACIOLI, 2006). Davis; Billings e Ryland (1994), reforçam este pensamento e referem que pelo fato de terem uma formação voltada para a valorização do técnico, os profissionais de Enfermagem na grande maioria não consegue perceber a importância do uso e do registro dos dados sensíveis e intuitivos. Evidencia-se desta forma a busca de auto-afirmação profissional e a sua legitimação pela cientificidade e tecnicismo do ato de cuidar. No entanto como bem afirma Bérgson (1950), a intuição e a sensibilidade não se contrapõem a cientificidade e a ao tecnicismo, pois é por baixo da realidade técnica, mecânica, dita científica, que se encontra a mais profunda realidade, o que faz com que haja movimento, a continuidade do fluir em conjunto, ao qual só chegamos quando nos utilizamos da intuição e da sensibilidade. Para fluir em conjunto, ou seja, nos colocarmos em sintonia com o recém-nascido pré-termo e sua família, precisamos estar conscientes, e para estarmos conscientes é necessário que abandonemos a superficialidade de nossos atos técnicos e nos demos conta da elevação de nossas VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ metas. Por esta razão é tão difícil considerar e anotar o uso da intuição e da sensibilidade no cuidado de Enfermagem. A competência profissional não depende apenas dos conhecimentos científicos das profissões, mas principalmente da “coragem de se deparar com o espaço liso da perda de domínios e das referências fortemente instituídas” (CECCIN, 2006 p. 269). Neste sentido, a equipe de Enfermagem confrontada com a prática que desenvolve e reconhecendo os elementos intuição e sensibilidade como um diferencial no cuidado de Enfermagem e o papel que os mesmos podem desempenhar na valorização da profissão, percebe-se engajada e com coragem para vivenciar e demonstrar a arte da Enfermagem. De acordo com Waldow (2006 p.131) “a arte e a estética tanto na prática quanto no ensino começam a ter uma nova roupagem, um novo brilho, desvelando a sensibilidade e a espiritualidade”. Os registros de Enfermagem mostram-se como o espaço em que o profissional de Enfermagem pode demonstrar o trabalho executado, sendo que devem ser o reflexo da eficiência e eficácia dos cuidados oferecidos. O registro do sensível e do intuitivo, de acordo com os entrevistados não é uma tarefa fácil, sendo que um treinamento prévio seria interessante. Quando questionada como poderia fazer este registro a equipe apresenta algumas propostas, como podemos ver em extratos de seus discursos Acho que poderia começar pela evolução da enfermeira, sendo que cada uma iria inserindo aos poucos dados sensíveis intuitivos. Depois de um tempo, a equipe avaliaria e veria a possibilidade de inserir uma prescrição específica (PE1). Poderia começar com as observações dos técnicos, chamando a atenção para os pequenos detalhes que a enfermeira colocaria na sua evolução (PE9). Talvez começar pela passagem de plantão e aos poucos ir introduzindo nas observações escritas (PE20). Cicanciarullo (1997 p 59) define registro de Enfermagem como “registro sistematizado elaborado pela equipe de Enfermagem no prontuário do paciente, do tratamento, das alterações subjetivas ou objetivas observadas ou referidas pelo profissional, paciente ou acompanhante”. O registro do profissional de Enfermagem no meu entendimento deve ser objetivo e detalhado, demonstrando o cuidado prestado e não apenas as técnicas VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ executadas e a descrição do tratamento médico prescrito. Deve-se fazer uma fiel anotação dos fatos de forma com que a impressão instantânea captada pela sensibilidade e intuição corresponda à verdadeira substância do observado, como refere Bérgson (1964). Não basta apenas anotar, é preciso perceber, ouvir com o corpo todo, interpretar a prática exercida. Os registros devem permitir a comunicação entre a equipe sobre a evolução do estado de saúde do recém-nascido e expressar a forma como o recém-nascido foi cuidado permitindo a compreensão do que foi feito, como foi feito, por que foi feito, por quem foi feito e quais resultados foram obtidos. Neste sentido, acredito que se a equipe de Enfermagem se engajar procurando a interpretação de sua prática a partir da passagem de plantão, poderá com o tempo, a partir de discussões conjuntas, implementar registros mais sensíveis e intuitivos no seu cotidiano diário, demonstrando como presta o cuidado. Como bem afirma Colliére (2001), é essencial que a equipe de Enfermagem explicite na sua prática cotidiana, bem como em seus registros, a sua identidade e a natureza dos cuidados de Enfermagem, mostrando a sua complexidade legítima para que possa ser conhecida e reconhecida. Para que um indivíduo ou grupo se torne um ator da história da sociedade, é necessário primeiro deixar de aceitar a identidade que lhe transmite o sistema social. Ele não ascende à história e a uma nova identidade a não ser que assuma o seu real papel, rejeitando o status e o papel que a sociedade lhe impõe (TOURAINE, 1974). Importante observar a preocupação da maioria dos profissionais de Enfermagem em que esta seja uma proposta discutida e tomada em conjunto, evidenciando o papel da chefia de Enfermagem neste processo. Acho que deveria ser discutido com toda a equipe no sentido de ver como fazer (PE3). Precisa ser discutido com a equipe, assim acharíamos a melhor maneira. Seria interessante a chefia marcar uma reunião (PE10). Precisa uma cobrança da chefia, a partir da chefia deve ser discutido entre a equipe como fazer (PE14). De acordo com Baradel (2004), para que se estabeleça uma mudança de atitude e de reconhecimento e registro dos elementos sensibilidade e intuição no cuidado de Enfermagem, uma revisão de nossas crenças e atitudes faz-se VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ necessário e este é um trabalho que exige disponibilidade para aprendizados e mudanças. Neste sentido, a conscientização de cada profissional em particular, o comprometimento e o esforço coletivo mostra-se como fundamental, primeiro, porque os seres que cuidam possuem limiares diferentes de sensibilização, e segundo, porque a forma como cada um age está intimamente relacionada com a sua história de vida. Para Bérgson (1974) intuir é mudança na experiência, mudança difícil que implica em esforço coletivo, pois a possibilidade de mudança de experiência não se faz de forma teórica, mas sim de forma prática. “É preciso retomar o olhar para o interior, é preciso entrar em si” (BERGSON, 1974 p.132). A chefia de Enfermagem da Unidade de Internação Neonatal participou da pesquisa e mostrou-se disponível para continuar conscientizando a equipe sobre a importância de evidenciar os elementos intuição e sensibilidade no cuidado de Enfermagem ao recém-nascido pré-termo e sua família, incorporando-os como uma tecnologia de cuidado, bem como a melhor forma de registro destes dados. A equipe de enfermagem refere ainda que para que possa cuidar com intuição e sensibilidade é necessário que seja cuidado da mesma forma pela instituição. Acho que as instituições deveriam trabalhar a equipe, a equipe deve ser cuidada com sensibilidade e intuição para poder utilizar e evidenciar estes elementos no cuidado diário (PE6). Mas acredito também que seja preciso que a instituição também cuide da equipe, pois se não somos cuidados como podemos cuidar do outro?(PE19). As condições de trabalho e o bem-estar dos profissionais de saúde, entre eles o profissional de Enfermagem, vêm sendo relegados a um segundo plano pela grande maioria das instituições, sendo que a dimensão humana destes profissionais não está sendo contemplada. A equipe de Enfermagem necessita de cuidados, não só do ponto de vista emocional, mas também físico intelectual e espiritual. São estes cuidados que contribuirão para que a equipe possa restaurar suas forças, exprimir suas emoções, suas preocupações e enriquecer os seus conhecimentos (COLLIÉRE, 2001). VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ Waldow ( 2006) refere que o cuidado não pode ser privilégio da relação entre o cuidador e ser que cuida. O cuidado deve ser estendido de forma ampla entre todos os membros da equipe de Enfermagem e de saúde. A equipe de Enfermagem deve valorizar e praticar o cuidado entre si, sendo que as chefias devem atuar como modelos e motivadoras de relações de cuidado. Uma equipe que se sente cuidada com intuição e sensibilidade por sua chefia, certamente saberá manifestar estes elementos no seu cuidado diário. Acredito que ao promover um ambiente de trabalho em que a intuição e a sensibilidade se mostrem presentes, com certeza as instituições de saúde, os cuidadores e os seres cuidados serão os maiores beneficiados. Martins (2007) nos fala que para que sejamos mais eficazes na tarefa de cuidar precisamos nos dispor a promover o bem-estar do outro, sem, no entanto nos esquecermos de nós mesmos. Ninguém pode dar ao outro o que não tem, diz um antigo provérbio, por esta razão a Enfermagem deve se preocupar com seriedade em cuidar de seus cuidadores. Espírito Santo; Escudeiro e Chagas Filho (2000 p. 27) referem que “cuidar é um processo que possui uma dimensão essencial e complexa tanto na experiência de quem cuida quanto de quem recebe o cuidado, ou até mesmo de quem ensina a cuidar e de quem está aprendendo a cuidar”. Para finalizar gostaria de salientar que a equipe de Enfermagem compreende que para que a intuição e a sensibilidade aflorem torna-se necessário colocar-se por inteiro na relação de cuidado, fazendo-se presente e presença, sendo espectador daquilo que é visto e sentido ao mesmo tempo. Desta forma, reforça nos seus discursos, que os elementos intuição e sensibilidade no cuidado de Enfermagem, mostram-se como um diferencial que aponta para uma nova visão da Enfermagem, aliando razão e emoção, que uma vez explicitados, contribuirão para uma nova maneira de cuidar e para a valorização do trabalho desenvolvido pela equipe. Assim, passam a questionar a sua prática cotidiana e se comprometem no sentido de prestar um cuidado que não se direcione somente para as condutas técnicas operacionais, mas também para uma tecnologia que ao associar intuição, razão e sensibilidade possibilitem a interação plena com o ser cuidado, percebendo e respeitando suas individualidades e singularidades. VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ O processo de pensar sua prática, buscando evidenciar a compreensão e utilização dos elementos intuição e sensibilidade, despertou o interesse da equipe e a atenção em relação ao cuidado de Enfermagem prestado. De acordo com relato da chefia de Enfermagem da Unidade de Internação Neonatal, após a realização das entrevistas, muitos profissionais vêm se preocupando e enfatizando o cuidado sensível e intuitivo tanto no cuidado propriamente dito, como nos registros. Principalmente nas observações complementares dos técnicos, podem ser observados registros que até então não eram valorizados, como por exemplo: Após os procedimentos fiquei confortando o bebê, durante o procedimento fiz contenção, sucção não nutritiva, observei o bebê muito agitado e reorganizei ele na incubadora. A chefia de Enfermagem mostrou-se também comprometida, no sentido de continuar refletindo com a equipe sobre os elementos intuição e sensibilidade, procurando desta forma, identificar novas possibilidades no cuidado de Enfermagem prestado ao recém-nascido pré-termo e sua família. Neste sentido, algumas atitudes que poderiam ser adotadas pela equipe para a prestação de um cuidado de enfermagem científico, sensível e intuitiv foram pensadas: Reconhecer suas limitações, principalmente no que concerne a vida imaginária e afetiva de si mesmo e do outro; Reservar um tempo maior para ouvir sem intencionalidade o recémnascido e seus familiares; Ter sempre uma palavra amiga e justa evitando considerar a família do recém-nascido como pessoas sem conhecimento; Nunca esquecer a importância da família no cuidado ao recémnascido; Nunca esquecer a cultura da família; Reservar um tempo para ouvir a equipe de saúde; Colocar-se no lugar do outro. Finalmente destaco que os resultados desta tese reafirmam a necessidade de repensarmos a Enfermagem como ciência e arte, aliando razão, intuição e sensibilidade, que contribuirão para uma nova maneira de cuidar. A arte na VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ Enfermagem ajuda a interpretar a realidade, descortina o que se mostra escondido em suas dobras e avisa que o que existe, pode ser diferente. BIBLIOGRAFIA: 1. AYRES, J.R.C.M. Sujeito, intersubjetividade e práticas de saúde. Ciência e Saúde Coletiva, v. 6, n.1, 2001, p. 63-72. 2. BARADEL, A. Os minutos da comunicação no serviço de emergência. In: SILVA, MJP(org) Qual o tempo do cuidado? Humanizando os cuidados de enfermagem. São Paulo:Loyola, 2004. 3. BERGSON, H. Cartas, conferências e outros escritos. São Paulo:Abril Cultural, 1984 (Os Pensadores). 4.______________. Introdução à metafísica. São Paulo:Abril Cultural, 1974. (Os pensadores). 5._____________. L'évolution créatrice. Paris:PUF, 1964 6.________________. La pensée e le mouvant. Paris :PUF, 1950. 7. CECCIN, R.B. Equipe de Saúde: a perspective Entre-Disciplinar na Produção dos Atos terapêuticos. In: PINHEIRO, R; MATTOS, R.A. de. Cuidado: as fronteiras da integralidade. Rio de Janeiro:CEPESC/UERJ/ABRASCO, 2006. 8. CIANCIARULLO, T.I. Teoria e prática em auditoria de cuidados. São Paulo: Icone, 1997. 9.COLLIÉRE, M.F. Soigner... Le premier art de la vie. 2 ed. Paris:Masson, 2001. 10. CHINN, P.L.; KRAMER, M.K. Nursing’s patterns of knowing. In: Theory and nursing: a systematic approach. Missouri: Mosby, 1995. 11.DAVIS, B.D.; BILLINGS, J.R.; RYLAND, R.K. Evaluation of nursing process documentation.JAdvNurs.1994;19:960-8. 12. ESPIRITO SANTO, F. H.; ESCUDEIRO, C.L.; CHAGAS FILHO, G.A.S. O tom do cuidado de enfermagem para alunos de graduação. Rev. Bras. Enf., v. 53, n. 1, p. 23 –29, 2000. 13. HENRIQUES, R.L.M.; ACIOLI, S. 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As tendências na redução da mortalidade neonatal apontam para lento progresso, devido às desigualdades no acesso à assistência de saúde incluindo a assistência primária. As principais causas de morte neonatal incluem infecções (32%), asfixia (29%), prematuridade (24%), malformações congênitas (10%) e outros (7%).1 Dentre as principais causas de morte algumas são consideradas causas diretas, como na maioria dos casos de prematuridade e de baixo peso ao nascer que podem constituir os fatores predisponentes. Calcula-se que aproximadamente 8,7% de recém-nascidos na região da ALC sofre de baixo peso ao nascer. O Baixo peso ao nascer é estreitamente associado à maior morbidade neonatal, e calcula-se que entre 40% e 80% de recém-nascidos que morrem no período neonatal sejam a ele associados. Outras causas indiretas incluem fatores socioeconômicos como a pobreza, a educação deficiente, principalmente a educação materna, a falta de empoderamento, acesso precário e práticas tradicionais.2 No Brasil, o início da década de 1990, a Mortalidade Neonatal passa a ser o principal componente da Mortalidade Infantil, em função, principalmente, da redução proporcional de óbitos pós-neonatais e da manutenção do componente neonatal precoce.2 Essa maior visibilidade dos óbitos neonatais decorre da melhoria dos sistemas de informação, condicionada a inclusão da assistência obstétrica e neonatal, em seus diferentes níveis de complexidade, na agenda de prioridades das políticas de saúde nos três âmbitos de gestão do sistema de saúde.3-6 1 Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta II do Departamento Materno-Infantil da Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Coordenadora do Projeto Atenção à saúde do recém-nascido: conhecimentos e práticas dos profissionais de saúde sobre os cuidados no desenvolvimento e na família. Pesquisadora NUPESC. E-mail: [email protected] VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ Essa redução da morbimortalidade neonatal esta atrelada a uma série de intervenções que buscam a melhoria das condições do pré-natal e da atenção ao parto e nascimento, dentre essas, a implantação de leitos neonatais para atender recém-nascidos de baixo peso, prematuros e/ou gravemente enfermos. Porém o aumento de números de leito não resultou em um impacto positivo na qualidade da assistência perinatal.5-7 Os índices de mortalidade neonatais ainda permanecem elevados. Estima-se que a prevalência de recém-nascido de baixo peso ao nascer no Brasil, em 2004 é de 8.2%. Esta prevalência é maior na Região Sul (8.6%) e Sudeste (9.1%) do que no Nordeste (7.4%), o que acontece com a prevalência de nascimentos pré-termo.8 A configuração epidemiológica da saúde do recém-nascido, principalmente recém-nascido de baixo peso e prematuro, faz com que a atenção à saúde do neonato precise de uso de tecnologias não somente para aumentar a taxa de sobrevida, mas também de prestar um cuidado baseado no desenvolvimento, principalmente do prematuro de extremo baixo peso. O acesso à tecnologia é desigual entre regiões e serviços públicos e privados privilegiando uma parcela da população. 8-10 As unidades de terapia intensiva neonatais representam uma das áreas de saúde de maior desenvolvimento tecnológico. Essa sobrevivência é significativa e progressivamente aumentada em resposta à melhora dos padrões de qualidade de vida, avanços na nutrição, e no crescente desenvolvimento tecnológico em saúde. Todos os avanços tem sido acompanhados por complicações, iatrogenias nos cuidados intensivos, no atraso no desenvolvimento dos neonatos sobreviventes, e dos efeitos da dor a longo prazo. 9-10 Nesse sentido a utilização de tecnologias nas Unidades Neonatais tem levado à progressiva melhora do atendimento com a introdução ampla e intensa de equipamentos, instrumentos, utensílios e artefatos, saberes específicos e procedimentos técnicos. Existem vários conceitos de tecnologia, podendo esta ser classificada de acordo com o seu conteúdo, natureza: econômica política ideologia e social, e emprego. A tecnologia e um processo que envolve diferentes dimensões. A enfermagem neonatal vem acompanhando essa evolução e assumindo o conhecimento da repercussão que a tecnologia leva ás praticas de cuidar e de cuidado do recém-nascido nas unidades neonatais, principalmente na terapia intensiva. As fronteiras da viabilidade fetal estão constantemente se ampliando e 2 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ mantendo a sobrevivência dos recém-nascidos, principalmente os prematuros extremos.9-10 O nascimento do prematuro rompe a progressão do desenvolvimento das estruturas cerebrais e afeta o desenvolvimento dos sistemas sensoriais. Durante o desenvolvimento, neste período critico, as células migram para áreas específicas do cérebro, ocorrendo a sinaptogênese, a mielinização e a própria organização do cérebro. Geralmente esses bebês chegam na UTI e lidam com a dor e estresse. O cérebro não se desenvolveu inteiramente e não tem habilidade para interagir com a dor e o estresse: como excesso de luz, excesso de ruído, excesso de manipulação e repetidas punções venosas. 9-10 A maior parte destes neonatos tão vulneráveis estão sujeitos a inúmeros procedimentos invasivos e a terapias necessárias para sua sobrevivência. Embora muitos progressos tenham sido realizados no campo da dor neonatal estas crianças continuam a serem expostos a repetidos estímulos dolorosos. A avaliação e a gestão da dor e do estresse depende da capacidade da enfermagem em identificar as respostas e as pistas dadas pelos neonatos. Embora alguns profissionais tenham dificuldades em reconhecer os sinais indicadores de dor. Além disso, nem sempre demonstram uma conscientização da atual investigação das pesquisas sobre a dor e o estresse. 11-12 O aprofundamento da investigação nesta área é necessário para descobrir como avaliar e aliviar a dor e o estresse neonatal; e que conhecimentos e atitudes a enfermagem possuem sobre a dor e o estresse neste grupo tão vulnerável. Além disso, a enfermagem necessita praticar no seu dia a dia integrar os resultados da investigação na prática diária. Os serviços de saúde precisam de suporte para o desenvolvimento de mecanismos de aplicar as investigações baseadas nas evidencias cientificas sobre a dor e o estresse, além de discutir medidas para o seu alivio na prática diária e o impacto sobre o desenvolvimento neurobiológico do neonato. A história da civilização demonstra que o cuidar sempre esteve presente nas diferentes dimensões do processo de viver, adoecer e morrer. A denominação de cuidados, tanto pertencem aos cuidados maternais; como atividades de oficio e de profissões: cuidados de enfermagem, cuidados médicos.13:21 O conceito de cuidar/cuidado tem sido bastante discutido por diversas autoras no Brasil, 14-15 e com diferentes dimensões e concepções teórico-filosóficas. 3 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ O cuidar pode ser entendido como um processo que envolve e desenvolve ações, atitudes e comportamentos que se fundamentam no conhecimento científico, técnico, pessoal, cultural, social, econômico, político e psicoespiritual, buscando a promoção, manutenção e ou recuperação da saúde, dignidade e totalidade humana.13-15 Cuidar do recém-nascido não é somente assistir, no sentido confinado ao ato de olhar, de ver, de expectar, mas ter uma visão paradigmática da atenção humanizada ao recém-nascido, a mãe e a família, respeitando-os em suas características e individualidades. O cuidado de enfermagem consiste na essência da profissão e pertence a duas esferas distintas: uma objetiva, que se refere ao desenvolvimento de técnicas e procedimentos, e uma subjetiva, que se baseia em sensibilidade, criatividade e intuição. 14:79 Nesse contexto, a dor aguda ocasionada por procedimentos médicos e de enfermagem se fazem presente no cotidiano da assistência ao recém-nascido nas unidades neonatais. Apesar de existirem tecnologias para a prevenção ou tratamento, nem sempre elas são empregadas sistematicamente durante os cuidados realizados ao recém-nascido. Os Consensos Internacionais e as revisões sistemáticas têm trazido evidencias de que muito se pode fazer para evitar ou minimizar a dor e o estresse desnecessário, pois além das medidas farmacológicas, os profissionais de saúde, principalmente a enfermagem neonatal, pode valer-se de intervenções ambientais e comportamentais para o alívio efetivo da dor e do estresse já que essas medidas influenciam no processo de desenvolvimento. 11 Todos os recém-nascidos experenciam a dor e o estresse na realização de procedimentos médicos e de enfermagem nos primeiros dias após o nascimento, tais como: injeção intramuscular para vitamina K e hepatite B, punção venosa repetidas, punção do calcâneo, retirada de adesivos, dentre outros.12 Na perspectiva de uma assistência voltada para a humanização do cuidado neonatal devendo-se propiciar uma atenção de qualidade diferenciada que inclui tecnologias: leve, leve dura e dura, sob a ótica de que o rn prematuro internado na unidade de terapia intensiva necessita de cuidados baseados em seu nível de desenvolvimento neurológico e de apoio emocional tanto quanto de cuidados para minimizar a dor e o estresse. Nesse sentido, vários são os questionamentos: Como cuidar do recém-nascido prematuro com tecnologias voltadas para o cuidado do desenvolvimento? Mas como utilizar tecnologias leve, leve-dura e dura para 4 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ minimizar a dor do recém-nascido com eficácia, bom senso, e que beneficie a criança ao longo do seu desenvolvimento? A enfermagem tem um papel fundamental neste processo, porque passa a maior parte do tempo interagindo com o neonato no cotidiano das unidades neonatais, iniciando esses cuidados na Sala de Parto, já que é aí que ocorre a adaptação da vida extra-uterina e o processo de desenvolvimento do Rn por meio de adequação do ambiente e das formas de cuidado nas unidades neonatais até a alta e o cuidado no domicilio. O presente estudo tem como objetivo: Refletir sobre os cuidado de enfermagem na utilização de tecnologias no alivio da dor e do estresse neonatal. MARCOS HISTORICOS DA NEONATOLOGIA E OS AVANÇOS TECNOLOGICOS NO CUIDADO AO RECÉM-NASCIDO A tecnologia permeia todo o processo de trabalho em saúde, contribuindo na construção do saber desde a idéia inicial, da elaboração e da implementação do conhecimento, ou seja, ao mesmo tempo processo e produto.16-19 No contexto da historia da neonatologia, a tecnologia medica envolveu produto, cujo resultado marcante foi o advento das incubadoras e as instalações físicas do ambiente do recém-nascido. A tecnologia como processo envolveu os métodos e as técnicas para o controle da temperatura, alimentação, infecção e procedimentos utilizado para o aumento da sobrevivência e da qualidade de vida do recém-nascido.19-23 A evolução da forma de cuidar da saúde do recém-nascido se deu com os conhecimentos: da obstetrícia, pediatria, fisiologia perinatal consolidando a sua assistência. Ate o final do século XIX, o recém-nascido era um ser não valorizado; seu corpo era exibido junto a um equipamento e gerava curiosidade. O conhecimento do corpo biológico do recém-nascido prematuro levou a criação de unidades especializadas para o atendimento de crianças com maior risco de morte. A partir do século XX, as transformações ocorridas na assistência exigiram mudanças no cuidado ao longo do tempo. Predominava um modelo tecnocrático e hospitalocentrico. A enfermagem apresentava uma crescente atração pela tecnicidade. 19-23 O primeiro cuidado institucional de prematuros pode ser atribuída à França em 1880 quando o desenvolvimento da primeira incubadora, por Tarnier-Martin Couvense. A neonatologia é considerada tendo seu inicio com o obstetra francês Pierre Budin, que estendeu sua preocupação com os recém-nascidos além da sala 5 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ de parto, sendo o responsável pelo desenvolvimento dos princípios e métodos que passaram a formar a base da medicina neonatal. 19-23 Em 1907, Budin descreve no seu livro os cuidados com o recém-nascido na maternidade e no domicilio e estabelece normas para o controle da temperatura, alimentação e controle da infecção, dentre outros. Martin O Coney, em 1896, mudou a assistência ao recém-nascido prematuro quando exibiu e divulgou por todo o mundo, por mais de quarenta anos, as incubadoras e os cuidados de enfermagem com os prematuros. O paradigma da neonatologia que envolveu a Exibição de Couney durante quatro décadas (1902 a 1940) foi: a movimentação mínima, a ênfase sobre o domínio e a aplicação de habilidades especiais nos procedimentos de enfermagem, e o acesso limitado aos prematuros. 12 A enfermagem desenvolveu um papel importante na realização de cuidados especializados ao recém-nascido. Um artigo escrito por Julius Hess, refere que os resultados obtidos nos cuidados aos prematuros eram alcançados quando enfermeiras bem treinadas estavam a frente do serviço como supervisoras. 19-23 Em 1923, Julius Hess, cria o primeiro centro de prematuros, com a colaboração da enfermeira Evelyn Lundeeen. As mães eram encorajadas ao aleitamento materno, porem o cuidado por elas ao filho prematuro não era enfatizado. Houve a expansão dos centros de cuidados de prematuros. 19-23 Entre 1960 e 1970, do século passado, a neonatologia foi desenvolvida como uma especialidade na Academia Americana de Pediatria, sendo a tecnologia responsável pelos grandes avanços na assistência aos recém-nascidos prematuros e de alto risco: termoregulação, desenvolvimento de aparelhos de calor radiante, ventiladores com baixa pressão inspiratória e expiratória para os recém-nascidos muito prematuros, nutrição parenteral, terapia intralipídios, uso de cateteres para infusão venosa e o transporte neonatal. 19-23. Em 1980 a ênfase do cuidado retornou para a sofisticação da oxigenação neonatal, foram inventados os monitores de oxigênio transcutâneo e o oxímetro de pulso, ventilação de alta freqüência, surfactante, oxigenação membrana extracorpórea, terapia de oxido nítrico. Paralelamente, houve uma maior incidência de iatrogenias. 19-23 Em 1982, a Dra. Heidelise Als, desenvolveu a teoria do desenvolvimento comportamental de organização sináptica Neste modelo de cuidado de 6 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ desenvolvimento, ela desenvolveu quatro sistemas: a base autonômica, motora, de estado e a parte iterativa. O sub-sistema mais fácil de se reconhecer na vida extrauterina é o autonômico. Autonômico significa a manifestação fisiológica que se ve nos neonatos: alteração da frequência cardíaca (FC), cor da pele, saturação de oxigênio, ou seja, que se correlaciona com a estabilidade do bebê. O segundo subsistema é o motor que envolve atividade e o movimento motor do próprio bebê. O outro subsistema é o estado de percepção e alerta (uma leve excitação do neonato) e o interativo que ocorre quando os profissionais de saúde, principalmente os enfermeiros, interagem com o neonato para mantê-los estáveis. Se todos esses subsistemas estiverem equilibrado, tem se a autorregulação.24. A década de 90 refere-se ao cuidado com a família, os serviços de follow-up, os cuidados com o cérebro e a preocupação com os custos hospitalares. A enfermagem torna-se uma especialidade. O ano 2000 foi marcado pelo centenário dos cuidados hospitalares ao recém-nascido prematuro. Em 2008, houve uma reformulação da Teoria de Als que se chama Universo de Cuidados do Rn, no qual é o centro do que se chama de Universo e os sistemas de funcionamento estão diretamente relacionados a ele. Na periferia estão as técnicas de cuidados que poderíamos implementar. Como todas as teorias novas, esta teoria ainda está em desenvolvimento. 25 O século XXI, marcado pelo desenvolvimento neurocomportamental do recém-nascido. Nas últimas décadas as inovações tecnológicas no campo da neonatologia resultaram em importantes benefícios para o recém-nascido baixo peso ao nascer/ prematuro e sua família com melhoria das condições dos cuidados de saúde e com o avanço da neurociências. A assistência à criança no Brasil no século XX, caracteriza-se por um período de transição quanto a assistência social e filantrópica em favor de uma assistência particular ou publica. Os estudos de Oliveira, 20-23 referem que o Brasil sofreu influencias dos paises mais desenvolvidos, e que a assistência ao recém-nascido iniciava sua organização baseada nos métodos estrangeiros. A década de 40 e marcada por um discurso eugênico através de metas governamentais e nos discursos dos puericultores, refletindo na produção do conhecimento das enfermeiras na assistência a maternidade e a infância. Com a expansão industrial do setor químico, farmacêutico e da medicina, o setor saúde se 7 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ expande. Em 1950 inicia-se a construção de hospitais e aquisição de equipamentos médicos. O modelo de assistência da ênfase a atenção curativa especializada. As enfermeiras sentiam a necessidade de atualização acerca do desenvolvimento cientifico e tecnológico no cenário hospitalar, favorecendo assim a construção do saber da enfermagem na área da pediatria. O século XXI, marcado pelo desenvolvimento neurocomportamental do recém-nascido. No período de 1949 a 1957, os cuidados de enfermagem ressaltavam a incorporação das incubadoras. Foram constatados dois momentos os cuidados diretos com os prematuros na sala de parto: manutenção da temperatura, estabelecimento e manutenção da respiração e controle das infecções. O transporte para o berçário era realizado na incubadora ou na sua ausência com lençóis aquecidos. No berçário os cuidados de enfermagem eram prestados conforme as necessidades e deficiências do prematuro. A incorporação de incubadoras no cotidiano da enfermagem influenciou os cuidados prestados ao prematuro uma vez que existia uma maior especificidade da assistência. Na década de 60 havia uma preocupação com o ambiente do berçário e as técnicas que deveriam ser empregadas para o controle das fontes de infecção em berçário aberto, aquele destinado a receber crianças nascidas fora do hospital. Ainda na década de 70, do século passado, as unidades de terapia intensiva foram implantadas tendo uma rápida difusão. Ocorre a importação de equipamentos visando melhorara na assistência a criança. A dor neonatal até então era pouco valorizada, devido evidencias de que os recém-nascidos não são capazes de sentir. A dor foi negligenciada devido às teorias que se baseavam na maturidade neurobiológica, ausência de memória para experiências dolorosas e incapacidade do recém-nascido de verbalizar emoções e processar cognitivamente os estímulos dolorosos. 12 O processo de cuidar é modificado, pois existia uma preocupação quanto aos cuidados biológicos do corpo do recém-nascido e com os aparelhos sofisticados para a assistência. A produção cientifica da época retrava que as enfermeiras se preocupavam com a assistência respiratória, principalmente no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca infantil; que a enfermeira do berçário deveria estar atenta às complicações: cianose, edema, infecção. As enfermeiras enfatizam pouco 8 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ as complicações dos recém-nascidos, tal como: a prematuridade as infecções respiratórias, a necessidade de observação dos sinais e sintomas e as complicações. O final da década de 80 e o inicio da década de 90, torna-se um marco importante para assegurar os direitos do recém-nascido, a partir da Constituição do Brasil de 1988, Estatuto da Criança e do Adolescente e da Resolução no. 41/95 dos Direitos da Criança e do Adolescente Hospitalizado. No artigo 7, refere que toda criança tem o direito de não sentir dor, quando existe meios para evitá-la. As teorias de enfermagem surgem para sistematizar o cuidado. Começa a existir uma população emergente da pós-terapia intensiva: as crianças dependentes de tecnologia.12 Alem disso, existe um movimento político para a readequação das rotinas visando à humanização no atendimento neonatal ligada ao resgate do parto e do nascimento como momento de grande valor social para a mulher, neonato e família. Bem como nas áreas de terapia intensiva, as normas e os protocolos que regem os cuidados com neonatos gravemente enfermos, necessitam de reavaliação visando minimizar o impacto negativo de intervenções por vezes invasivas e agressivas que podem influenciar no seu processo de desenvolvimento. Torna-se possível falar da experiência brasileira na Atenção Humanizada ao recém-nascido de baixo peso - Método Canguru, disseminada a partir de 1999 por meios de normas e protocolos e de um amplo processo de capacitação dos profissionais de saúde coordenados pelo Ministério da Saúde. Essa experiência se caracteriza principalmente pela mudança na forma do cuidado neonatal, embasada em quatro fundamentos básicos: acolhimento do recém-nascido e sua família, respeito as singularidades, promoção do contato pele a pele, e o envolvimento da mãe nos cuidados com o seu filho. Muito progresso foi feito no domínio do controle da dor e do estresse neonatal nos últimos 20 anos. A habilidade para reconhecer as fontes de dor e estresse da rotina, da utilização de instrumentos para a avaliação da dor deve ajudar a evitar repetidas estímulos dolorosos e aumentar a utilização de intervenções específicas para a redução da dor e do estresse. O século XXI é marcado pelo paradoxo em relação aos modelos de cuidado ao recém-nascido, pois mesmo conhecendo as inúmeras contribuições da tecnologia nos cuidados de enfermagem neonatal que se refere à utilização de equipamentos 9 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ para diagnósticos e terapêutica, não se pode deixar de apontar que o uso de tecnologias aumentou a sobrevida dos prematuros, porém fazendo contraponto com a humanização da assistência, em relação aos profissionais, os objetos ou artefatos com os quais trabalham e o processo de trabalho. Além disso, muitas das tecnologias utilizadas no passado não foram testadas através de estudos controlados, são adaptações de tecnologias usadas em adultos. Aliada as iatrogenias e as síndromes da assistência de enfermagem, aos quais descrevem o conjunto de lesões que podem ser observadas durante a assistência de enfermagem, seja direta ou indireta.12 Pensar na tecnologia do cuidado nos remete à questão da humanização da assistência à saúde, que é uma demanda atual e crescente no contexto brasileiro. Essa humanização pode ser vista sob um prisma multidimensional, requerendo, portanto, atenção a inúmeros aspectos em relação ao cuidado neonatal.12 A humanização representa um conjunto de iniciativas que visa à produção de cuidados em saúde capaz de conciliar a melhor tecnologia disponível com promoção de acolhimento e respeito ético e cultural ao paciente, de espaços de trabalhos favoráveis ao bom exercício técnico e à satisfação dos profissionais de saúde e usuários. 27-28 A humanização do cuidado neonatal preconiza várias ações propostas pelo Método Canguru. Estas ações são voltadas para o respeito às individualidades, à garantia de tecnologia que permita a segurança do recém-nascido, o acolhimento ao neonato e sua família, com ênfase no cuidado voltado para o desenvolvimento e psiquismo, buscando facilitar o vínculo mãe-bebê durante a sua permanência no hospital e após a alta. 9-12 A Atenção Humanizada ao Recém-Nascido de Baixo Peso - Método Canguru é, portanto, uma estratégia de qualificação do cuidado pautado na atitude dos profissionais de saúde diante do bebê e de sua família a partir de um conceito de assistência que não se limita ao conhecimento técnico específico. 9-10 AS TECNOLOGIAS: LEVE, LEVE-DURA E DURA E O CUIDADO DE ENFERMAGEM NEONATAL O avanço tecnológico atual do cuidado neonatal perpassa pela organização e qualificação da assistência neonatal de um modelo de planejamento e de gestão das atividades programáticas mais integradas nos níveis federais, estadual e municipal e a implementação de um plano nacional de desenvolvimento de recursos humanos para o sistema nacional de saúde.9-11 10 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ Na área da saúde as tecnologias foram agrupadas por Mehry et al 29 em três categorias: tecnologias leve, leve-duras e dura. Todas tratam a tecnologia de forma abrangente, mediante análise de todo o processo produtivo, até o produto final. As tecnologias leve são as tecnologias das relações, de acesso, acolhimento, gestão de serviços, produção da comunicação de vínculo com recém-nascido, mãe e família e profissionais de saúde. A adoção das tecnologias leve no trabalho em saúde perpassa os processos de acolhimento, vínculo e atenção integral como gerenciadores das ações de saúde. A tecnologia leve-dura são as que se sustentam nos saberes estruturados de diversas ciências: anatomia, fisiologia, biomecânica, microbiologia, psicologia, bioética, teorias e processo de enfermagem dentre outros, e a Tecnologia dura que corresponde aos recursos materiais, equipamentos tecnológicos, mobiliários tipo permanente ou de consumo, além das normas. A enfermagem neonatal atua com essas três categorias de forma interligada. A humanização do atendimento como tecnologia leve é uma forma de gerenciamento do trabalho nas relações, enquanto a atenção integral é tida como gerenciadora dos processos de trabalho humanizado. Esta tem como ações a promoção da saúde, a prevenção das doenças, a recuperação da saúde e a humanização do atendimento.22 A enfermagem neonatal baseado no Método Canguru permite a integração de abordagem do desenvolvimento e avaliação das características comportamentais do neonato, intervenções do meio ambiente na UTI neonatal e de cuidados e manuseio individualizados e a família abrangendo as tecnologias: leve, leve-dura e dura. OS DESAFIOS PARA O CUIDADO DE ENFERMAGEM NAS UNIDADES NEONATAIS No contexto da incorporação e da utilização de tecnologias na saúde neonatal o alivio da dor e do estresse são um dos grandes desafios enfrentados pela enfermagem. A exposição ao recém-nascido a manipulação excessiva de procedimentos dolorosos por tempo prolongado é considerado um dos fatores mais prejudiciais do ambiente extra-uterinos a saúde do recém-nascido, podendo alterar seu desenvolvimento cerebral em muitos aspectos, além de provocar a diminuição do limiar da dor e um estado de hiperalgesia.30 Outros estudos31-37 reforçam ainda que as características físicas tais como: luminosidade, ruído, posicionamento e a realização de procedimentos dolorosos e estressantes durante a internação do 11 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ neonato tem o potencial de influenciar, tanto positiva como negativamente o processo de desenvolvimento do prematuro, independente de sua condição clinica ou de imaturidade. Se não é possível evitar a dor e o estresse durante a hospitalização do recém-nascido, principalmente do prematuro, então é muito importante tentar minimizar ou aliviar a dor e conseqüentemente melhorar a qualidade da assistência e realizar os cuidados voltados para o seu desenvolvimento. O uso de tecnologias para melhorar a sobrevida do RN tem levantado questões de éticas e bioéticas. O importante é oferecer um tratamento que beneficie a criança ao longo prazo, principalmente quanto ao seu desenvolvimento neuropsicomotor. A dor é conceituada como uma experiência pessoal, complexa, multidimensional, mediada por vários componentes sensoriais, afetivos, cognitivos, sociais e comportamentais. O estresse pode ser considerado como um desequilibro entre o recém-nascido e o seu ambiente. Embora os estudos 30-37 evidenciem que o recém-nascido seja capaz de sentir dor e de responder ao estímulo nociceptivo por meio de alterações orgânicas, fisiológicas e comportamentais, observa-se, de maneira geral, a pouca utilização de analgesia nas unidades de terapia intensiva neonatal. Esse lapso entre o conhecimento e a conduta clínica deve-se a falhas na incorporação dos conhecimentos científicos a respeito da presença, do diagnóstico e do tratamento da dor na prática diária dos profissionais de saúde. Recém-nascidos em unidade de terapia intensiva neonatal experienciam freqüentemente procedimentos invasivos e potencialmente dolorosos. E muitos desses procedimentos são realizados sem analgesia. A dor dos procedimentos médicos e de enfermagem pode ser classificada como dor aguda, pois tem duração relativamente curta, de minutos a algumas semanas, e decorrem de lesões teciduais, processos inflamatórios ou moléstias. A tecnologia leve dentro do Método Canguru pode ser considerada desde o acolhimento da família na unidade neonatal: da internação do neonato a alta hospitalar, além das relações dos profissionais de saúde e o meio ambiente de trabalho. O acolhimento ao neonato e a família durante a realização de procedimentos considerados dolorosos devem ser incorporados como tecnologias necessárias para o alivio da dor. O uso de tecnologias leve no cuidado de enfermagem é importante para que seja enfatizado o envolvimento dos familiares; ensinar a eles como fazer para o correto posicionamento do neonato prematuro. Os prematuros necessitam estar em um ambiente seguro. O toque em prematuros mal 12 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ posicionados pode resultar em queda de saturação e da freqüência cardíaca. Além disso, o contato pele a pele (posição canguru) é importante, pois aumenta a duração da amamentação, melhora a interação com os pais e produz sono mais duradouro. Segundo Merhy et al29 a tecnologia leve esta comprometida com uma gestão mais coletiva dos processos de trabalho dos profissionais de saúde, de uma maneira multiprofissional e interdisciplinar, pautado por resultados em termos de benefícios gerados para essa clientela. Nesse sentido, os recursos tecnológicos com que conta são praticamente inesgotáveis, pois fica centrado no trabalho vivo, que, enquanto tecnologia leve, produz um compromisso permanente com a tarefa de acolher, responsabilizar, resolver.29 Em relação as tecnologia leve-dura os saberes estruturados da anatomia e fisiologia da dor e do estresse em estudos atuais apontam que os tratos nervosos nociceptivos da medula espinhal e do sistema nervoso central sofrem mielinização completa durante o 2º e 3º trimestre de gestação. As vias dolorosas originadas o cérebro e tálamo estão completamente mielinizadas em torno da 30 semanas de gestação. A mielinização se caracteriza pelo revestimento do axônio por varias camadas de células denominadas bainha de mielina, além disso, existe uma imaturidade das fibras inibitórias descendentes ao coro posterior da medula levando a uma maior suscetibilidade ao estimulo doloroso, portanto o desenvolvimento dos componentes anatômicos e funcionais necessários para a percepção dolorosa. No estudo epidemiológico, multicentrico realizado por Carbajal et al37 em treze unidades de terapia intensiva neonatal em Paris, com 430 recém-nascidos entre 24 a 42 semanas de idade gestacional, hospitalizados durante 14 dias. O estudo mostra que os neonatos experenciaram cerca de 60.969 procedimentos dolorosos classificados em dois grupos: 42.413 procedimentos dolorosos e 18.556 procedimentos estressantes. Um dos achados importantes do estudo foi que: 11.546 procedimentos dolorosos foram necessárias varias tentativas para serem concluídos. Dentre os vinte procedimentos dolorosos e estressantes destacam-se: aspiração nasal, aspiração traqueal, punção de calcâneo, remoção de adesivos/fitas, inserção de sonda gástrica; punção venosa, punção arterial, cânula intravenosa, fisioterapia respiratória, remoção de cateter intravenoso. O numero de procedimentos por recém-nascidos foi de 115 procedimentos, com uma media de 16 procedimentos/dia. 37 13 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ O estudo37 refere ainda que em relação ao uso de algum tipo de analgesia 20,8% dos neonatos utilizaram analgesia farmacológica e não farmacológica, enquanto 18% utilizaram apenas medidas não farmacológicas; e apenas 2,1% utilizaram medidas farmacológicas. O estudo mostrou que o numero de procedimentos ainda é elevado, que não avaliamos a dor e o estresse em tempo real, ainda existem muitas limitações no conhecimento sobre a dor e o estresse na pratica. Para a avaliação de dor utilizam-se escalas multidimensionais que incluam ambos os indicadores: fisiológicos e comportamentais. Os indicadores fisiológicos de dor incluem alterações na freqüência cardíaca, freqüência respiratória, pressão arterial, saturação de oxigênio, tônus vagal, sudorese palmar, e concentrações plasmáticas de cortisol e catecolaminas. Os indicadores comportamentais incluem mudanças nas expressões faciais, movimentos corporais e choro, mas estes podem estar ausentes em alguns neonatos que possuem problemas neurológicos ou estão em uso de sedativos. Quando a dor é prolongada, ocorrem mudanças nesses indicadores. Na dor prolongada os recém-nascidos prematuros, podem entrar num estado de passividade, com poucos movimentos corporais, um rosto inexpressivo; diminuição de variabilidade da freqüência cardíaca e respiratória, diminuição do consumo de oxigênio. Lembrando que a dor prolongada ou repetida aumenta a resposta a estímulos dolorosos (hiperalgesia) e até mesmo por estímulos geralmente não doloroso alodinia. Os sinais de estresse podem ser reconhecidos quando os neonatos abrem os dedos das mãos, desviam olhar, e bocejam; são sinais que eles dão dicas de que devemos mudar o procedimento, pois o cuidado não está sendo efetivo. Considerando todos os saberes instituídos na realização de um procedimento como a punção venosa, a fim de evitar as punções venosas repetidas fonte de dor, a enfermeira utiliza de tecnologia leve-dura para planejar e implementar os cuidados com o neonato, desde a comunicação, posicionamento, utilização de escala de dor, a inspeção e a localização de veia periférica, geralmente frágil, uso de dispositivos intravenosos, tipo de medicamentos com risco de para lesão do endotélio levando a extravasamentos graves, alem de medidas não farmacológicas e farmacológicas para alivio da dor e do estresse. O enfermeiro deve treinar sua equipe na utilização de escalas multidimensionais para avaliar dor e estresse em tempo real para cada 14 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ procedimento a ser realizada a beira do leito; o neonato deve ser avaliado de rotina antes e após cada procedimento, a escala de dor deverá ajudar e orientar aos profissionais de saúde na prestação efetiva do alivio da dor e do estresse. A forma mais eficaz de reduzir a dor no neonato é reduzir o número de procedimentos realizados. A dor deve ser avaliada através de exame clínico: História da doença, exame físico, exames laboratoriais, medidas de aferição da dor, localização, qualidade, intensidade, freqüência, natureza, etiologia, duração dos episódios dolorosos. A avaliação de outros fatores, tais como: Estado emocional do recém-nascido, aspectos históricos e familiares relacionados ao parto e nascimento para compreender a expressão e o manejo da dor, conhecer atitudes, crenças e valores dos profissionais de saúde e da família diante do quadro álgico. A anotação da dor no prontuário do recém-nascido através da utilização de uma folha de controle da dor na qual a dor é sistematicamente registrada resultou em um aumento no uso de analgésicos e na redução da dor sentida pelas crianças. As escalas mais utilizadas no período neonatal são: Sistema de Codificação da Atividade Facial Neonatal/ (NFCS): Avalia 8 parâmetros de mímica facial. Considerado presença de dor: ≥ 3, Fronte saliente, Olhos espremidos, Sulco nasolabial aprofundado,Lábios entreabertos, Boca esticada, Lábios franzidos, Língua tensa, Tremor de queixo. Aescala de avaliação de dor \ NIPS composta por seis indicadores de dor: 5 comportamentais e 1 fisiológico: escores de 0 a 7. Considerado, presença de dor: > 3 pontos., Expressão facial, Choro, Movimentos braços , Movimentos pernas, Estado de alerta, Padrão respiratório. O Perfil de Dor no Prematuro\ PIPP, Considerado dor: escore ≤ 6: ausência de dor ou dor mínima; > 12: dor moderada a intensa. Engloba os seguintes parâmetros:, Freqüência cardíaca, Saturação de O2, Testa franzida, Aprofundamento sulco naso-labial, Estado de alerta no momento avaliação, Idade gestacional. O controle e o tratamento da dor no recém-nascido está baseado em três tipos de intervenção: ambiental, comportamental e farmacológicas. Nas medidas ambientais é essencial considerar as interações sociais entre o neonato e seus cuidadores (profissionais e pais). Recomendações simples como: cobrir as pálpebras para diminuir a luminosidade, diminuir a iluminação, ou seja, oferecer uma iluminação individualizada para evitar um excesso de luz para o rn quando possível. Lembrando que o desenvolvimento do ritmo circadiano melhora o ganho ponderal, diminui a FC e aumentam o tempo de sono; deve-se considerar um 15 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ período de silêncio na UTI, evitar bater na incubadora, pois isso amplifica o ruído, que pode chegar até 80 decibéis. Deve-se ajustar o telefone, pois o barulho da campainha pode chegar até 80 decibéis. Evitar deixar cair objetos sobre a incubadora, pois o ruído é amplificado, além disso, se possível, utilizar paredes com materiais acústicos que minimizam o impacto do ruído no ambiente. Em relação aos cuidados comportamentais o posicionamento apropriado para apoiar o desenvolvimento neuromuscular e auxiliar a organização neurocomportamental, deve ser promovido. O posicionamento deve minimizar o achatamento da cabeça. O pescoço deve estar numa posição adequada, mãos disponíveis para o rosto ou a boca, tronco fletido em C quando pernas fletidas. Não se deve limitar o posicionamento do rn em relação ao uso de equipamentos. Em relação ao toque, deve-se estar atento ao toque muito leve que deve ser evitado, por que o neonato geralmente reage negativamente a esse tipo de estimulação. Os prematuros não são capazes de discernir entre um toque que cause prazer e outro que cause desprazer, portanto reagem como se cada toque causasse desprazer e estresse. Muitas vezes esses toques são acompanhados de alterações cardiovasculares. A possibilidade de prematuros terem momentos de recuperação entre os períodos de toque facilita seu melhor desenvolvimento e parâmetros cardiovasculares mais estáveis. A contenção manual consiste na colocação das mãos paradas sem pressão excessiva, de forma elástica, ou seja, cedendo aos movimentos e depois retornando; contendo a cabeça, as nádegas e os membros, podendo ser utilizado tanto pelos profissionais como pelos pais. A utilização de rolos e outros dispositivos nas laterais do corpo, acima da cabeça e abaixo dos pés - e o enrolamento em mantas ou lençóis além de ajudar na manutenção de uma postura fletida proporcionam contenção e limites. Em relação ao uso de medidas não farmacológicas com o objetivo de prevenir ou reduzir a intensidade de um processo doloroso e promover analgesia vários estudos trazem a combinação glicose oral com outros métodos não farmacológicos na redução de dor tais como: sucção não nutritiva e nutritiva, posição canguru ou contato pele a pele, contenção facilitada, enrolamento devem ser utilizadas para pequenos procedimentos de rotina. Em relação à tecnologia dura, quando utilizamos instrumentos e equipamentos, tais como: CPAP nasal, ventilação mecânica, oxímetro de pulso, 16 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ bombas infusoras, todos esses artefatos e equipamentos, torna-se fundamental a observação das reações comportamentais e fisiológicas do neonato. Torna-se prerrogativa essencialmente da enfermagem, possibilitar a utilização de instrumentos básicos para o cuidado: a observação e a intervenção. Esta observação permite identificar que o Rn está com dor, e conseqüentemente, necessita de uma intervenção que possibilite uma mudança de atitude, havendo a retomada de medidas não farmacológicas e farmacológicas no cuidado realizado. O uso rotineiro de medicação contínua de sedativos para o alivio da dor em recém nascidos prematuros ventilados tem sido avaliada. Conclusão Cada unidade neonatal deve desenvolver estratégias para minimizar o número de procedimentos dolorosos ou estressantes e proporcionar efetivo alivio da dor e do estresse utilizando medidas ambientais, comportamentais e farmacológicas. Há, atualmente, uma carência de estudos sobre formas eficazes de conseguir isso, embora existam varias medidas para reduzir o número de procedimentos. A redução do número de procedimentos na beira do leito deve incluir agregação de tecnologias, principalmente em minimizar o número de repetidos procedimentos realizados após tentativas fracassadas, estabelecer um protocolo para a dor e o estresse. Em casos de cirurgias a utilização de medidas multidimensional que deve ser uma prioridade na gestão pré-operatória. A dor e o estresse devem ser rotineiramente avaliados utilizando uma escala, principalmente para dor pós-operatória ou prolongada em recém-nascidos. As medidas não farmacológicas têm-se mostrado útil em recém nascidos prematuros e na redução da dor na punção de calcâneo, punção venosa, injeções subcutâneas. Como parte de um programa abrangente de prevenção da dor, a enfermagem neonatal deve utilizar tecnologias para cuidado realizado ao recém-nascido afim de minimizar o número de procedimentos dolorosos ou estressantes e proporcionar alivio da dor efetivo com uso de medidas ambientais, comportamentais e farmacológicas, pensando na qualidade de vida do neonato e no seu desenvolvimento neurológico. REFERÊNCIAS 1. OPAS. Saúde neonatal no contexto da saúde materna, neonatal e da criança para o cumprimento das metas de desenvolvimento do milênio da declaração do milênio das nações unidas. Washington, D.C., EUA, 25-29 de setembro de 2006 17 VI CONGRESSO BRASILEIRO DE ENFERM AGEM OBSTÉTRICA E NEONATAL _____________________________________________________________________________________________________ 2. 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