CONSIDERAÇÕES SOBRE O ENSAIO DE
ABSORÇÃO DE ÁGUA INICIAL DE BLOCOS
Gabriela Martins da Silva1, Mauro Joel F. dos Santos2, Marcus Daniel F. dos Santos3, Prof. Me. Odilon
Pancaro Cavalheiro4.
1 2,3 Universidade Federal de Santa Maria.
[email protected], [email protected]
1. Introdução
A ascensão de líquidos nos blocos cerâmicos
estruturais, componentes primordiais da alvenaria
estrutural, ocorre por sucção capilar. Esta característica
é adequada para estimar a retirada de água da
argamassa e a aderência do conjunto argamassa-bloco,
justificando desta maneira, o umedecimento ou não dos
blocos durante a elevação das paredes.
O índice de absorção de água inicial, AAI (IRA,
segundo a ASTM [1]) é determinado através de ensaio
previsto pela recente norma brasileira NBR 152703:2005 (Anexo E) [2], caracterizando a capacidade de
sucção inicial pela força capilar durante o primeiro
minuto de contato do bloco com uma lâmina de água
de 3 mm. Seu valor é dado em função da água
absorvida pelo bloco (∆p) e da sua área líquida (área
horizontal), expresso através da seguinte fórmula em
(g/193,55cm²) /min.
Δp
(1)
AAI = 193,55 ×
Área
Observa-se nesta expressão que a área considerada
não compreende a área das faces verticais que
contornam os septos dos blocos. Como os blocos com
vazados verticais têm uma expressiva parcela de área
vertical em contato com a superfície de água durante a
realização do ensaio, o presente trabalho apresenta
resultados de ensaios preliminares, realizados com o
objetivo de verificar a significância da adição desta
nova área na determinação do índice AAI.
Figura II – Faces de assentamento
Tabela I – Valores médios dos índices de absorção de
água inicial dos blocos
AAI
Bloco
ALS
ALT
SP
16,73
13,18
PM
CP
12,15
SP
31,14
19,44
PV
CP
19,94
-
3. Conclusões
Analisados os valores obtidos observa-se que o
AAI dos blocos de paredes vazadas é superior ao dos
blocos com paredes maciças, e sempre maior quando
não são impermeabilizadas as paredes verticais. Isto se
deve ao fato do bloco PV apresentar uma maior área de
faces verticais, fato que pode ser observado na Figura
II. Os cruzamentos de resultados indicam ainda, que os
índices AAI obtidos quando se adota a área ampliada
(ALT) sem impermeabilização, são muito próximos
dos obtidos com o emprego da área líquida, prevista na
norma, e com impermeabilização das áreas verticais.
Desta forma, a inclusão das áreas verticais em contato
com a água, na expressão de cálculo do índice AAI,
parece ser mais representativa que a simples área
líquida indicada pela norma do ensaio.
2. Desenvolvimento
Os ensaios de AAI foram realizados segundo a
norma [2], utilizando-se blocos de duas geometrias,
conforme indicam as Figuras I e II, sendo um com
paredes maciças (PM) e outro de paredes vazadas (PV),
analisados com e sem impermeabilização (CP e SP,
respectivamente), com parafina, nas paredes verticais.
O índice AAI foi calculado através da expressão (1)
utilizando-se a área prevista pela norma, chamada de
ALS. Após calculou-se o índice AAI, adicionando à
área da norma a área das faces verticais, chamada de
ALT.
Os resultados médios obtidos podem ser
visualizados na Tabela I.
4. Referências
[1] AMERICAN STANDARD FOR TESTING AND
MATERIALS. C 67-96; Standard Test Methods for
Sampling and Testing Brick and Structural Clay Tile
(Section 9 Initial Rate of Absorption –Suction). West
Conshohocken, PA, 1997. 18-22p.
[2] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS. NBR 15270-3:2005; Componentes
Cerâmicos - Parte 3: Blocos Cerâmicos para alvenaria
estrutural e vedação- Métodos de ensaio- Comitê
Brasileiro de Construção Civil. Rio de Janeiro, 2005.
17-20p.
Agradecimentos
Ao Laboratório de Materiais de Construção Civil da
Universidade Federal de Santa Maria.
1
Figura I – Geometria dos blocos cerâmicos
Aluna UFSM, bolsista FATEC – RS.
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consideraes sobre o ensaio de absoro de gua inicial de blocos