CLAUDIO DIAS APLICAÇÃO DO PAVIMENTO RÍGIDO NO TRECHO OESTE DO RODOANEL MÁRIO COVAS – SP/21 Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Anhembi Morumbi no âmbito do Curso de Engenharia Civil com ênfase Ambiental. SÃO PAULO 2003 CLAUDIO DIAS APLICAÇÃO DO PAVIMENTO RÍGIDO NO TRECHO OESTE DO RODOANEL MÁRIO COVAS – SP/21 Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Anhembi Morumbi no âmbito do Curso de Engenharia Civil com ênfase Ambiental. Orientador: Prof. Horácio Augusto Figueira SÃO PAULO 2003 AGRADECIMENTOS Ao orientador Prof. Horácio Augusto Figueira pela dedicação, atenção e incentivo. À minha esposa Sophia pela compreensão, estímulo e ajuda. Ao Engº Octavio de Souza Campos, quem me ajudou na seleção do material referente ao tema deste trabalho. Ao Engº Pedro da Silva, gerente de obras da DERSA, que colaborou com informações específicas sobre a execução do Pavimento Rígido no Rodoanel. Ao Técnico de Obras da DERSA o Sr. Celso Luiz Torniero e a todos que direta ou indiretamente colaboraram para elaboração deste trabalho. SUMÁRIO RESUMO....................................................................................................... III ABSTRACT....................................................................................................V LISTA DE FIGURAS .....................................................................................VI LISTA DE FOTOGRAFIAS .........................................................................VIII LISTA DE TABELAS .....................................................................................X 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................ 1 1.1 O Pavimento de Concreto no Mundo....................................................... 1 1.2 O Pavimento de Concreto no Brasil......................................................... 4 2 OBJETIVOS............................................................................................ 6 2.1 Objetivo Geral ............................................................................................ 6 2.2 Objetivo Específico .................................................................................... 6 3 METODOLOGIA DO TRABALHO .......................................................... 7 4 JUSTIFICATIVA...................................................................................... 8 5 PREVISÃO DE TRÁFEGO PARA O RODOANEL ............................... 11 5.1 Volume de Veículos................................................................................. 11 5.2 Caracterização do Tráfego em Termos de Carga ................................ 13 5.3 Conclusões............................................................................................... 19 i 6 ESTUDO DE CASO (TRECHO OESTE DO RODOANEL)................... 20 6.1 Caracterização do Fundo da Placa........................................................ 24 6.2 Características do Concreto ................................................................... 30 6.3 Métodos de Dimensionamento............................................................... 30 6.3.1 Método da PCA ................................................................................ 31 6.3.2 Método da AASHTO ........................................................................ 35 6.3.3 Definição da Estrutura pelo Método PCA ...................................... 40 6.4 Detalhes Técnicos do Plaqueamento e das Juntas da Placa de Concreto Rígido................................................................................................... 41 6.5 Relatório Fotográfico do Acompanhamento da Aplicação do Pavimento Rígido nas Pistas do Trecho Oeste do Rodoanel......................... 46 7 CONCLUSÕES ..................................................................................... 56 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................ 60 APÊNDICE - A ............................................................................................. 62 ANEXO I....................................................................................................... 63 ANEXO II...................................................................................................... 64 ANEXO III..................................................................................................... 66 ANEXO IV .................................................................................................... 68 ANEXO V ..................................................................................................... 77 ii RESUMO Caracterizado como um país que transporta sua economia, prioritariamente, por rodovias, o Brasil depende muito das condições de sua malha viária, sem a qual os setores de produção primária, secundária e terciária não têm como operar e desenvolver-se satisfatoriamente. O uso da tradicional solução do pavimento flexível, que necessita de um trabalho constante de manutenção, aliado à precariedade ou ausência dessa conservação, graças às dificuldades econômicas vividas pelo país nas últimas décadas, gerou a deterioração de boa parte de nossas rodovias. A situação agravou-se ainda mais nos últimos anos, em virtude das constantes elevações de preços dos derivados do petróleo (matéria prima do pavimento flexível) no mercado mundial. Ao mesmo tempo, teve início em todo o Brasil o processo de concessões de administração de rodovias, passando a prevalecer de forma clara a mentalidade de se aproveitar ao máximo à aplicação dos recursos buscando o maior benefício com o menor custo. É exatamente nesse cenário que começa a se destacar a opção dos pavimentos de concreto. Fruto de intensas pesquisas e utilizando-se de novas tecnologias, esse tipo de pavimento apresentou grande evolução, resultando, atualmente, em um produto que oferece ampla gama de vantagens em comparação com o pavimento asfáltico, quando projetado para tráfego pesado e intenso como no caso do RODOANEL, destacando-se a grande durabilidade (maior vida útil, em geral, três vezes maior) e menor custo final. Neste aspecto de buscar um pavimento com custo global competitivo e com durabilidade e segurança, refletindo principalmente nos altos custos dos orçamentos futuros em decorrência das manutenções e recuperações que o iii pavimento flexível necessitará, levando-se em conta as intervenções de manutenção desse pavimento asfáltico para o horizonte de projeto de 30 anos para o Rodoanel, a solução mais adequada para adoção do pavimento para suas pistas, conforme estudos apresentados neste trabalho, foi o pavimento de concreto de cimento Portland. iv ABSTRACT Brazil is a country which conveys its economy mainly by highways, depending excessively on its highways network, otherwise all the production sectors have no conditions to operate and develop satisfactorily. The utilization of the traditional flexible pavement, which demands a constant maintenance work allied to the lack of conservation due to economical difficulties faced by the country in the last decades, caused the deterioration of most of the highways. The situation has become even worse in the last years, because of the cost increase of petroleum (raw material for flexible pavement) in the world market. At the same time, the administration process by concessions took place in Brazil, where it was clear the mentality to utilize the resources, aiming to a higher benefit with a minor cost. It is exactly in this scenario that becomes clear the option of concrete pavements, which is a result of intense researches and new technologies application. This type of pavement has presented a great evolution, resulting now-a-days in a product that offers a wide scale of advantages in comparison with the asphaltic pavement, mainly for its durability (three times longer) and lower final cost. In this aspect seeking a pavement with competitive global cost with durability and safety, mainly reflected in the high costs of future budgets, resulting from the maintenance and conservation costs that the flexible pavement will demand, and taking into consideration the projection of 30 years for the Rodoanel, the most adequate solution for the pavement adoption, according to the studies presented in this report, was the concrete pavement with Portland cement. v LISTA DE FIGURAS Figura 1- Fatores de equivalência de carga em função do tipo de eixo ....... 16 Figura 2- Estruturas analisadas com o programa ILSL2 .............................. 26 Figura 3- Equivalência de estruturas utilizando-se os ábacos propostos pela PCA....................................................................................................... 26 Figura 4- Dimensões da configuração de carga considerada ...................... 27 Figura 5- Configuração geométrica das placas de concreto adotada na análise estrutural do pavimento de concreto......................................... 27 Figura 6- Influência do módulo de elasticidade e da espessura de concreto rolado nas tensões de tração na flexão máximas geradas na placa de concreto ................................................................................................ 27 Figura 7- Influência do módulo de elasticidade e da espessura de concreto rolado nas tensões de tração na flexão máximas geradas na camada de concreto rolado...................................................................................... 28 Figura 8- Influência do módulo de reação do suporte nas tensões de tração na flexão máximas geradas na camada de concreto de cimento Portland................................................................................................. 30 Figura 9- Estrutura do pavimento de concreto de cimento Portland calculada segundo o Método da PCA/84 .............................................................. 33 Figura 10- Estrutura do pavimento de concreto de cimento Portland calculada segundo o método da AASHTO (1993)................................. 38 Figura 11- Sensibilidade do Método da AASHTO a variações no número de solicitações do eixo padrão ................................................................... 39 Figura 12- Sensibilidade do Método da AASHTO a variações na resistência à tração na flexão aos 28 dias.................................................................. 39 Figura 13- Sensibilidade do Método da AASHTO a variações no nível de confiabilidade ........................................................................................ 39 Figura 14- Estrutura do pavimento de concreto de cimento Portland adotada. .............................................................................................................. 40 Figura 15- Desenho esquemático do Plaqueamento nas seções com 3 ou 4 faixas de rolamento das pistas do trecho oeste do Rodoanel ............... 41 vi Figura 16- Detalhes da Armadura Distribuída, Descontínua e da Junta de Expansão .............................................................................................. 42 Figura 17- Detalhes da Junta Transversal e Longitudinal ............................ 43 Figura 18- Detalhes da Barra de Transferência, de ligação e da Armadura Distribuída Descontinua e, dos Reservatórios dos Selantes Serrado e Moldado ................................................................................................ 44 Figura 19- Detalhes de Projeto do Pavimento Tipo I para 4 Faixas de Rolamento ............................................................................................. 45 Figura 20 Curvas de variação dos custos atualizados e a diferença entre eles .............................................................................................................. 58 vii LISTA DE FOTOGRAFIAS Foto 1- Pista Interna com Regularização do Sub-Leito e a Pista Externa com aplicação do BGS (Brita Graduada Simples) com pintura impermeabilizante ................................................................................. 46 Foto 2- Pista Externa parcialmente coberta com C.C.R (Concreto Compactado Rolado) ............................................................................ 46 Foto 3- Continuação da aplicação da camada do C.C.R (Concreto Compactado Rolado) da Pista Externa ................................................. 47 Foto 4- Pista Interna já com a camada BGS (Brita Graduada Simples), faltando a imprimadura e a Pista Externa com BGS e imprimadura ..... 47 Foto 5- Pista Externa já concluído os serviços de aplicação de BGS e C.C.R e no acostamento já aplicado o Pavimento Rígido................................ 48 Foto 6- Pista Externa execução do Pavimento Rígido no Acostamento...... 48 Foto 7- Pista Interna com BGS (Brita Granulada Simples) já imprimida e a Pista Externa já contém o Pavimento Rígido no Acostamento e nas Faixas 1 e 2........................................................................................... 49 Foto 8- Em primeiro plano avistamos a acabadora eletrônica executando o Pavimento Rígido nas Faixas 1 e 2 da Pista Externa e, em segundo plano a “Texturizadora” executa os acabamentos finais com aplicação do aditivo (cooring)................................................................................ 49 Foto 9- Vista do Pavimento recém executado na Pista Externa, recebendo serviços de acabamento, através da desempenadeira, também, conhecida como “Skip”.......................................................................... 50 Foto 10- Betoneira alimentando a acabadora eletrônica”Gomeico ou CMI” .............................................................................................................. 50 Foto 11- Caminhão Basculante em operação a frente da acabadora eletrônica............................................................................................... 51 Foto 12- Vista geral do Pavimento Rígido com as juntas transversais devidamente serradas........................................................................... 51 viii Foto 13- Acabadora eletrônica sendo alimentada com concreto através dos caminhões basculantes, ao fundo a “Texturizadora” executando o acabamento e a direita outra acabadora eletrônica (CMI) em operação. Observa-se no sentido longitudinal, junto aos carros estacionados, os dispositivos da junta transversal através das barras de transferência expostas. ......................................................................... 52 Foto 14- Caminhão basculante alimentando a Acabadora eletrônica ......... 52 Foto 15- Acabadora eletrônica em operação com o compartimento de distribuição armazenado. ...................................................................... 53 Foto 16- Equipe serrando o pavimento com idade de 15 a 18 horas nos sentidos transversais e longitudinais com aplicação de “mastique” nas juntas..................................................................................................... 53 Foto 17- Vista geral do Pavimento em estagio de cura ............................... 54 Foto 18- Operações de serra das juntas e a direita pista em estagio de cura .............................................................................................................. 54 Foto 19- Pista a direita em estagio de cura aguardando serviços de serrar as juntas................................................................................................ 55 Foto 20- Vista geral do Pavimento de Concreto Rígido acabado pronto para operação ............................................................................................... 55 ix LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Previsão dos volumes diários médios (VDM) de caminhões para os dois sentidos do trecho oeste do Rodoanel..................................... 12 Tabela 2 - Postos de pesagens analisados.................................................. 13 Tabela 3 - Influência dos diversos tipos de eixo, considerando-se as cargas máximas permitidas por eixo................................................................. 16 Tabela 4 - Fatores de veículo, considerando-se as cargas máximas por eixo .............................................................................................................. 17 Tabela 5 - Fatores de veículo totais de acordo com o trecho estudado ....... 18 Tabela 6- Taxas de crescimento linear por segmento do Trecho Oeste do Rodoanel, considerados os volumes (VDM) de caminhão para os anos 2000 e 2020 .......................................................................................... 21 Tabela 7 Análise de sensibilidade da espessura da placa ao Método da PCA .............................................................................................................. 34 x 1 INTRODUÇÃO 1.1 O Pavimento de Concreto no Mundo Conforme pesquisa realizada no “site” da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland) www.abcp.com.br, o pavimento rígido apareceu primeiramente nos Estados Unidos, em 1893, de acordo com a American Concrete Pavement Association – ACPA, quando o químico George Bartholomeu desafiou a prefeitura da cidade de Bellefontaine, no Estado de Ohio, a pavimentar a rua em frente à farmácia de seu primo. Propôs pavimentar a rua com recursos próprios utilizando um produto durável e, se o desempenho do trecho fosse satisfatório após cinco anos, a prefeitura deveria ressarcir os custos envolvidos. Dessa parceria, surgiu o primeiro pavimento rígido que se tem notícias no mundo. Esta rua está até hoje em uso, agora como calçada para pedestres, completando 109 anos de vida útil, juntamente com as outras três que compõem o quarteirão. No “site” da NCACPA - Northeast Chapter American Concrete Pavement Association, encontra-se o histórico do início dos pavimentos de concreto nos Estados Unidos, e a seguir estão relacionadas algumas rodovias executadas na época: em 1893 - Court Avenue – Bellefontaine – OH, em 1909 - Wayne Country - First mile, em 1910 - Grand Forks – ND, em 1913 Pine Bluff – AK e 1920 - Marcopa County - AZ. Devido a suas características de resistência, o concreto é largamente utilizado em rodovias nos Estados Unidos e na Europa. Nas Rodovias Interestaduais americanas, o uso do concreto chega a 30% e, nos perímetros urbanos 38% das vias são de concreto. Nas grandes cidades, como New York, Chicago, Dallas e Los Angeles, em função do alto tráfego de caminhões, as Rodovias Interestaduais são construídas e reconstruídas com concreto. Os outros locais de uso são aeroportos e portos que recebem 1 cargas pesadas e as vias arteriais das grandes cidades. A técnica de pavimento rígido (de concreto) executada primeiramente nos Estados Unidos não demorou a se alastrar no mundo. Logo as primeiras experiências surgiram na Europa e seu uso tem-se mantido constante até hoje. Conforme o Report on the 1992 U.S.Tour of European Concrete Highways, relatório resultante de uma missão técnica à Europa de engenheiros de diversas associações e órgãos americanos, relata o histórico dos principais países da Europa que desenvolveram e aplicaram tecnologia de pavimentos de concreto. (DARTER et all ,1992). Na Alemanha, os primeiros pavimentos de concreto datam da década de 20, principalmente executados nas autobans, (rodovias federais) e aeroportos. Apesar da Segunda Grande Guerra Mundial, muitos pavimentos de concreto executados nas décadas de 20 e 30 ainda estão em uso até hoje. Aproximadamente 30% das autobans são construídas com concreto, o que correspondia em 1992 a 4.200 km. Na França, os primeiros pavimentos de concreto são datados de 1939 a 1960 sendo que, neste período poucas rodovias foram executadas. A partir da década de 60, com adaptação dos processos de desenho e cálculo dos Estados Unidos, aconteceu um incremento de construção de pavimentos de concreto. Em 1992, mais de 900 km de rodovias freeways eram em concreto, representando 15% das freeways da França. Em rodovias secundárias e aeroportos também são utilizados concreto, em 1992, 30% das novas freeways construídas na França eram executadas em concreto. A Holanda iniciou a execução de pavimentos de concreto na década de 50 em highways estaduais, freeways e aeroportos. Diferentemente dos outros países, muitas ciclovias são executadas em concreto, já que as bicicletas são a maior forma de transporte da Holanda. 2 Enquanto na Bélgica, a primeira experiência em concreto aconteceu em 1925, ao sul de Bruxelas, e este trecho esta em operação até hoje, aproximadamente 40% das freeways são de concreto. A Áustria começou a executar pavimentos de concreto nos anos 40 e ainda existem pavimentos desta época em uso no país. A estatística de uso do concreto em 1992 era de 46% das grandes rodovias construídas com concreto. Na Suíça com tradição de construção de pavimentos de concreto por mais de 70 anos, continua utilizando-o em suas auto-estradas e desenvolvem programas de aumento da qualidade dos pavimentos de concreto. Na Espanha, segundo JOFRÉ et all (1999), os primeiros pavimentos datam de 1915, mas até a década de 60 poucas obras foram realizadas. Nos anos de 1960 a 1965 começa a construção de alguns trechos de rodovias de pavimentos de concreto com técnicas modernas. A partir de 1970, foram introduzidos os equipamentos de alta produtividade, principalmente as pavimentadoras de fôrma deslizantes, para construção de grandes rodovias, aeroportos e pátios industriais. Em 1985, Portugal iniciou uma grande mudança do perfil das suas rodovias, introduzindo diversas técnicas de pavimentação, entre elas a de pavimento de concreto continuamente armado. A escolha permitiu aumentar a capacidade de carga dos pavimentos, reduzindo as intervenções de conservação. Nos países da América do Sul e da América Central apesar de realizarem pavimentos de concreto em períodos diversos, não conseguiram, salvo raras exceções, manter um nível de desenvolvimento sustentado desta tecnologia, ficando por motivos técnicos, financeiros e políticos alienados deste processo. Somente na metade da década de 90, com a abertura dos mercados mundiais, e principalmente com a estabilidade política de alguns 3 países latinos, a técnica retornou a ser avaliada e usada pelos engenheiros rodoviários. O México iniciou em 1993 varias construções de rodovias com equipamentos de alta produtividade para pavimentação em concreto. Foram executados nos cinco anos seguintes a 1993, mais de 2.500 km de rodovias de concreto no México. Na Bolívia, por ser um país de geografia muito difícil, o pavimento de concreto se desenvolveu primeiramente nos aeroportos, sendo o primeiro construído em 1965. A primeira rodovia em concreto foi construída em 1978, estando em uso até hoje. Em El Salvador, o início de construção de pavimento em concreto se deu em vias urbanas nos anos 30 e 40, em cidades do interior do país. Em 1971 construiu-se a primeira rodovia de concreto, num trecho de 12 km. A partir de 1998, reiniciaram os estudos para construção de vias em concreto, com projetos de 220 km em vias urbanas e rodovias. No Chile, das rodovias pavimentadas, 21% são em concreto, representando até o momento o maior percentual de uso dessa tecnologia na América do Sul. 1.2 O Pavimento de Concreto no Brasil Na verdade, o pavimento de concreto já é utilizado no Brasil desde as primeiras décadas do século passado. O primeiro pavimento registrado no País é a Rodovia Caminho do Mar (conhecida como Estrada Velha de Santos), de 1926. De maneira geral, todas as grandes rodovias e principais avenidas das capitais, construídas antes da década de 50, eram de concreto. 4 Não é exagero dizer que está acontecendo uma retomada do uso dessa técnica, graças a equipamentos de alto rendimento e tecnologia avançada. Outros aspectos favoráveis na utilização do pavimento de concreto é a sua durabilidade sempre muito maior podendo alcançar o triplo da de outros pavimentos, menores custos de manutenção, maior segurança ao usuário proporcionada pela excelente capacidade de reflexão da luz e resistência à derrapagem, são outros fatores que contribuem para a disseminação do uso deste tipo de pavimento. A evolução da tecnologia dos materiais utilizados nos reparos dos pavimentos de concreto tem facilitado os trabalhos. Já existem no mercado diversas argamassas com endurecimento rápido que, permitem a liberação do tráfego rapidamente e reduzem a interferência com os usuários durante as obras. Tais aspectos foram responsáveis pelo significativo aumento da rede viária pavimentada com concreto nos últimos anos. Hoje, a malha rodoviária coberta com concreto já é 15 vezes maior que no início da década, com mais 300 quilômetros em fase de construção e outros três mil em negociações para projetos de rodovias, vias urbanas e aeroportos. O trecho oeste do Rodoanel Mário Covas com 32 quilômetros, tem duas pistas com quatro faixas de rolamento cada, incluindo sessenta viadutos, seis pontes, sete trevos e três túneis duplos. Começou a ser construído em outubro de 1998, sendo que a pavimentação em concreto iniciou efetivamente em julho de 2001, e foi concluído no dia 14 de outubro de 2002. Foram consumidos para a pavimentação desse trecho, cerca de 250.000 m3 de concreto, tendo sido realizados mais de 100 estudos de dosagens de traço realizados pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). 5 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral Apresentar o dimensionamento do pavimento de concreto utilizado no trecho oeste do Rodoanel Mario Covas - SP/21 para o qual, inicialmente elaborouse um estudo de tensões na placa utilizando-se o programa ILSL2 (antigo ILLI-SLAB) for concrete pavements Tabatabaie, A.M., Barenberg, E.J., and Smith, R.E., “Longitudinal Joint Systems in Slip-Formed Rigid Pavements,” Volume II, analysis of Load Transfer Pavements, report Nº FAA-RD-79-4-11, 1979, com o objetivo de analisar a influência da redução de tensões na placa de concreto e determinar um coeficiente de recalque realístico para ser adotado nos métodos de dimensionamento utilizados. O dimensionamento foi feito de acordo com os Métodos da Portland Cement Association (PCA) de 1984 e da American Association of State Highway and Transportation Officials (AASHTO) de 1993. Apresenta-se também uma verificação do dimensionamento do pavimento de concreto utilizando-se conceitos de análise dimensional. 2.2 Objetivo Específico Esclarecer as vantagens do pavimento rígido aplicado no trecho oeste do Rodoanel, enfatizando o seu desempenho, economia, segurança e, principalmente, a sua importância na relação custo/benefício para estabelecer qualidade e conforto para o usuário. 6 3 METODOLOGIA DO TRABALHO Os trabalhos foram desenvolvidos, considerando-se as principais fontes de pesquisa que lidam com o tema, tais como: Dersa-Desenvolvimento Rodoviário S/A, Associação Brasileira de Cimento Portland, Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de São Paulo (DER), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT), e demais instituições públicas e privadas. Dada a importância da obra recém inaugurada, a metodologia de pesquisa para o desenvolvimento deste trabalho concentrou-se na biblioteca e nos arquivos técnicos da empresa DERSA e, nas consultas dirigidas aos técnicos que participaram diretamente no desenvolvimento do projeto e da execução das obras, especificamente no que diz respeito ao tema deste trabalho. Como o tema escolhido refere-se sobre a escolha do Pavimento Rígido para o trecho oeste do Rodoanel, foi consultado, também, a comunidade especializada através dos diversos “sites” na internet, para subsídios conceituais e imparciais quanto à ideologia deste trabalho que é informar sobre as características favoráveis deste pavimento, quando adotado num empreendimento desse porte. 7 4 JUSTIFICATIVA O principal meio de transporte é, sem dúvida, o rodoviário, pela sua abrangência econômica, política e social. As rodovias são as responsáveis pela maior parte do transporte de pessoas e cargas. Os seus custos estão relacionados a vários fatores, sendo que um deles é o custo operacional dos veículos. As más condições das estradas elevam o custo operacional dos veículos através do aumento do consumo de combustível e óleos lubrificantes, do desgaste de peças e pneus, do aumento do tempo de viagem e da redução da vida útil dos veículos. Além de onerar o transporte rodoviário, a situação precária das estradas acarreta a diminuição dos níveis de segurança com acréscimos consideráveis do numero de acidentes. Esses fatos são suficientes para mostrar a necessidade de se manter as estradas permanentemente em boas condições de tráfego e de segurança. Projetos bem elaborados e obras bem executadas, juntamente com políticas eficientes de operação e de conservação, são essenciais para a durabilidade e o bom desempenho de um pavimento ao longo de sua vida útil. Diante das previsões de desenvolvimento do País para os próximos anos, é crescente a preocupação com a infra-estrutura de nossa malha rodoviária que necessita de uma série de investimentos em sua ampliação, restauração e conservação para atender ao aumento de tráfego previsto. Com esse panorama nacional é necessário que se utilize pavimentos com maior durabilidade e com a necessidade de pouca manutenção, em respeito aos usuários dessas rodovias. A análise desse quadro mostra que a utilização do pavimento de concreto é uma solução financeiramente viável. Devido a suas características de resistência, o concreto é largamente utilizado em rodovias nos Estados Unidos e na Europa. Um claro exemplo é 8 a cidade de Bellefontaine, no Estado americano de Ohio, que possui o mais antigo pavimento de concreto no mundo, com mais de 100 anos. A utilização do concreto em rodovias vem ganhando terreno em virtude de sua maior resistência em relação ao asfalto, o que o torna indicado especialmente para vias com intenso tráfego de veículos pesados, justificando a sua utilização, compensado pelos menores custos de manutenção. Depois de perder terreno para o pavimento com asfalto, o concreto volta a ocupar posição de destaque na pavimentação de importantes rodovias do País tais como: o Rodoanel de São Paulo, Rodovia Castello Branco, Via Dutra e Rodovia dos Imigrantes. Neste contexto técnico, o pavimento adotado nas pistas do trecho oeste do Rodoanel Mário Covas-SP/21, foi do tipo rígido que tem como critério fundamental para seu dimensionamento, a resistência à tração do seu componente principal que é o concreto de cimento Portland. Considerou-se, também, o fator operacional da rodovia ao longo dos anos, relativo ao custo/beneficio desse pavimento, dada a freqüência de manutenção e conservação que são baixas, com poucas interrupções de trafego ao longo do tempo. Dessa forma, as pistas projetadas para receber um grande volume de veículos estão naturalmente menos sujeitas a congestionamentos. Os critérios de concepção do pavimento foram adotados conforme estabelecido pela Portland Cement Association/84, aceito pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT). O método em questão é utilizável no cálculo de espessura de pavimentos de concreto simples com barras de transferências, dotadas de sistema artificial de transmissão de cargas, formada por barras de aço postada na meia seção das juntas transversais. 9 Dessa forma, resultou a seguinte estrutura de pavimento: Espessura da placa de 24 cm; Sub-base de 10 cm de concreto rolado de resistência à tração na flexão de 1,5 Mpa; camada de brita graduada simples de 10 cm e com espaçamento de 5 metros para as juntas serradas no sentido transversal. 10 5 PREVISÃO DE TRÁFEGO PARA O RODOANEL Para determinação do carregamento utilizado no dimensionamento da estrutura do pavimento do trecho oeste do Rodoanel Mario Covas – SP/21, baseou-se no estudo de previsão de tráfego e na análise de dados de estações de pesagem localizadas em determinadas rodovias que são conectadas ao Rodoanel. O tratamento do tráfego depende do tipo de pavimento. No caso de pavimentos com revestimentos asfálticos, o tráfego tem sido considerado nos cálculos de dimensionamento da estrutura em função do número de repetições de um eixo padrão de 8,16 tf (80,02 kn), ao passo que no caso de pavimentos com revestimento de concreto de cimento Portland, o tratamento do tráfego depende do método de dimensionamento adotado. Como neste caso o método adotado foi o de dimensionamento da Portland Cement Association (PCA), o tráfego deve ser considerado em termos do número de repetições dos tipos de eixos discriminados em níveis de cargas, enquanto que quando se adota o Método da American Association of State Highway and Transportation Officials (AASHTO), o tráfego é tratado da mesma maneira que em pavimentos de revestimento asfáltico, ou seja, todo o tráfego é transformado em um número de repetições do eixo padrão (número N). 5.1 Volume de Veículos Para o dimensionamento estrutural do pavimento, necessita-se determinar o volume diário médio de veículos comerciais para o primeiro ano de projeto e então aplicar fatores de crescimento, de acordo com estudos de previsão do tráfego, para então se calcular o tráfego de projeto. O método da PCA utiliza o tráfego médio para o período de projeto, enquanto que os métodos do Asphalt Institute (AI) e da AASHTO recomendam a utilização 11 do tráfego previsto para todo o período de projeto. Esses métodos também divergem quanto às taxas de crescimento de tráfego a serem aplicadas. Enquanto a PCA recomenda uma taxa linear, o AI e a AASHTO recomendam uma taxa de crescimento exponencial. A explicação para essa diferença de taxa de crescimento certamente está associada à origem dos métodos: o método da PCA é fundamentado em conceitos mecânicos de análise de tensões e deflexões, ao passo que os métodos do AI e da AASHTO são baseados no conceito empírico de equivalência de carga supondo-se que, os danos causados pelo espectro da carga podem ser transformados no número de passagens de um eixo padrão. De Estrada de Perus Rod. dos Bandeirantes Rod. dos Bandeirantes Via Anhangüera Via Anhangüera Rod. Pres. Castello Branco Rod. Pres. Castello Branco Padroeira Padroeira Rod. Raposo Tavares Rod. Raposo Tavares Rod. Régis Bittencourt Para Rod. Dos Bandeirantes Estrada de Perus Via Anhangüera Rod. Dos Bandeirantes Rod. Pres. Castello Branco Via Anhangüera Padroeira Rod. Pres. Castello Branco Rod. Raposo Tavares Padroeira Rod. Régis Bittencourt Rod. Raposo Tavares 2000 7263 7612 7912 7041 10100 11308 7966 8196 8368 8532 9092 9422 2010 8467 8619 9156 7855 11117 12285 9686 9751 10123 10266 10689 11232 2020 8879 9192 9972 8569 12651 13457 11172 11331 11716 11983 12279 13008 Tabela 1 - Previsão dos volumes diários médios (VDM) de caminhões para os dois sentidos do trecho oeste do Rodoanel. Foram realizados estudos de previsão de tráfego para cada trecho do Rodoanel. Esse estudo se encontra detalhado no arquivo técnico da DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S.A., através do relatório técnico RT-15.00.000-A01/502. Os estudos dos volumes diários médios de automóveis, caminhões e ônibus, foram projetados por trecho estudado para os anos 2000, 2010 e 2020. Os volumes diários médios de caminhões, considerando-se a implantação completa do Rodoanel, podem ser vistos na Tabela 1 para o trecho oeste. Observa-se que o crescimento do volume de caminhões ao longo desses 20 anos não é muito acelerado. Considerando-se então uma 12 taxa de crescimento linear e os volumes médios de caminhões para o ano 2010 e 2000, tem-se uma taxa de crescimento anual média de 1,8%. 5.2 Caracterização do Tráfego em Termos de Carga Foram analisados detalhadamente dados de pesagem dos Sistemas Anhangüera/ Bandeirantes (SAB), Anchieta/Imigrantes (SAI) e Trabalhadores (SIT). Alguns dados referentes aos postos de pesagem analisados podem ser vistos na Tabela 2. Foram analisados os dados de aproximadamente 1 (um) dia de pesagem realizada no mês de maio do ano de 1998. Nas estações de pedágio são registradas as horas que os veículos passam, os tipos dos veículos que são dados em código e o peso em cada eixo. Os diversos tipos de veículos foram então agrupados de acordo com a configuração dos eixos, segundo a Tabela de classificação dos veículos rodoviários adotada pelo DNIT. São vistos, também, nesse anexo os pesos por eixo de cada um dos veículos considerados, de acordo com o seu código. É importante ressaltar que foram desprezados os veículos cujo agrupamento por configuração de eixo resultou em um número menor do que 4 (quatro) e, também aqueles registros de pesagem considerados como erros de leitura. SIT SAI SAB Sistema Rodovia SP 330 – Via Anhangüera SP 330 – Via Anhangüera SP 348 – Rodovia dos Bandeirantes SP 160 – Rodovia dos Imigrantes SP 160 – Rodovia dos Imigrantes SP 70 – Rodovia Ayrton Senna SP 70 – Rodovia Ayrton Senna Km 36,8 109,9 58,3 28,0 56,4 28,7 58,9 Município Cajamar Sumaré Jundiaí Sentido São Paulo – Sumaré Sumaré – São Paulo Campinas – São Paulo S. B. Campo São Paulo – São Vicente Cubatão São Vicente – São Paulo Guarulhos São Paulo – Guararema Guarema Guararema –São Paulo Tabela 2 - Postos de pesagens analisados 13 Depois de separar os veículos de acordo com o tipo de eixo, a caracterização do tráfego agora se diferencia de acordo com o tipo de pavimento. No caso do dimensionamento do pavimento asfáltico, calcularam-se os fatores dos veículos individuais para cada tipo de veículo agrupado, segundo a configuração dos eixos, e então os fatores de veículo totais. Para o cálculo dos fatores de veículos individuais, utilizaram-se as equações de equivalência de carga propostas pelo US Army Corps of Engineers (USACE). Essas equações são apresentadas a seguir: Eixos Dianteiro Simples e Traseiro Simples: Se P ≤ 8 tf (78,45kn): Equação 1 FC = 2,0782 × 10 −4 × P 4 , 0175 Se P > 8 tf (78,45 kn): Equação 2 FC = 1,8320 × 10 −6 × P 6, 2542 Eixo Tandem Duplo: Se P ≤ 11 tf (107,87 kn): Equação 3 FC = 1,592 × 10 −4 × P 3, 472 Se P > 11 tf (107,87 kn): Equação 4 FC = 1,528 × 10 −6 × P 5, 484 Eixo Tandem Triplo: Se P ≤ 18 tf (176,52 kn): 14 Equação 5 FC = 8,0359 × 10 −5 × P 3, 3549 Se P > 11 tf (107,87 kn): Equação 6 FC = 1,3229 × 10 −7 × P 5, 5789 onde, FC é o fator de equivalência de carga e P é o peso sobre o eixo, dado em tf. As cargas máximas legais permitidas nas rodovias brasileiras são dadas a seguir conforme a lei no 7408 de 1985, sendo multado o veículo que ultrapassar 10% desse peso: • Eixo Simples, Roda Simples: 5,25 tf (51,48 kn) • Eixo Simples, Roda Dupla: 10,5 tf (102,97 kn) • Eixo Tandem Duplo: 17,85 tf (175,05 kn) • Eixo Tandem Triplo: 26,70 tf (261,84 kn) Para uma melhor visualização dos fatores de equivalência de carga foi plotada a sua variação em função do tipo de eixo Figura 1. Verifica-se claramente que para um dado nível de carga o fator de equivalência do eixo simples é maior do que os outros, o que se explica pelo fato de esse tipo de eixo ter o menor número de pneus, apenas 4 (quatro) no máximo. Já o eixo triplo possui o menor fator de equivalência de carga o que, se deve ao fato de a carga total sobre o eixo ser sustentado por um maior número de pneus 12 (doze). Entretanto, a influência do tipo de eixo deve ser analisada levando-se em consideração não apenas o fator de equivalência de carga, mas, também, o nível de carga, pois os limites de tolerância de carga são diferentes em virtude do número de pneus de cada configuração de eixo. 15 Fatores de equivalência de carga 80 70 60 50 40 30 20 10 0 0 5 10 15 20 25 30 35 Carga por eixo (em tf) Figura 1- Fatores de equivalência de carga em função do tipo de eixo A Tabela 3 mostra as cargas máximas por tipo de eixo conforme a Legislação de Trânsito – Operação do PPV (Posto de Pesagem de Veículos)-(Fevereiro/96). Utilizando-se esses dados e aplicando-se os fatores de equivalência de carga do Corpo de Engenheiros para esses valores, verifica-se que o tipo de eixo mais crítico é o tandem duplo. Isso pode ser concluído através de uma comparação do aumento no fator de carga em relação ao aumento de carga comparativamente ao eixo padrão de 8.2 tf (80,41 kn). Tipo de Eixo P máx (kn) FC Simples, roda simples Simples, roda dupla Duplo Triplo Padrão 61,78 102,97 175,05 262,62 80,41 0,34 4,46 11,17 12,22 0,95 P/Ppadrão FC/FCpadrão FC/FCpadrão / P/Ppadrão 0,77 1,28 2,18 3,27 1,00 0,36 4,69 11,75 12,85 1,00 0,46 3,67 5,40 3,94 1,00 Tabela 3 - Influência dos diversos tipos de eixo, considerando-se as cargas máximas permitidas por eixo Os fatores de veículo para cada tipo de veículo, classificados segundo a configuração dos eixos, podem ser vistos na Tabela 4. Consideram-se as cargas máximas permitidas por tipo de eixo segundo a Legislação de Trânsito de fevereiro de 1996. Os fatores de veículo individuais foram então calculados utilizando-se o programa Mathcad (7.0). Para cada um dos tipos de veículo, são 16 mostrados as cargas máximas e mínimas e o fator de veículo por tipo de eixo, além do fator de veículo por tipo de veículo, para cada um dos veículos considerados no estudo dos trechos em análise. O fator de veículo total para o trecho em estudo depende então dos fatores de veículo individuais e da percentagem desse tipo de veículo apurado. Os fatores de veículo totais para cada um dos trechos em estudo, podem, também, serem vistos na Tabela 5. Observa-se que o fator de veículo total varia bastante de acordo com o trecho estudado. O trecho que apresentou o maior fator de veículo total foi um trecho da rodovia dos Imigrantes (8,98), ao passo que o menor fator de veículo total foi encontrado para o trecho da rodovia dos Trabalhadores (1,95). O fator de veículo total médio dos trechos estudados é igual a 5,12. Tipo de veículo Fator de veículo Ptotal (kn) Pmáxima admissível (kn) P adm/Ptotal 2C 4,80 164,75 154,45 0,94 3C 11,51 236,83 226,53 0,96 4C 12,56 324,40 314,11 0,97 2S1 9,26 267,72 463,36 1,73 2S2 15,97 339,80 463,36 1,36 2S3 17,02 427,37 463,36 1,08 3S1 15,97 339,80 329,50 0,97 3S2 22,68 411,88 463,36 1,13 3S3 23,73 499,45 463,36 0,93 2C2 13,73 370,69 411,88 1,11 2C3 20,44 442,77 463,36 1,05 3C2 20,44 442,77 463,36 1,05 3C3 27,14 514,85 463,36 0,90 2C2 13,73 370,69 463,36 1,25 3C2 20,44 442,77 463,36 1,05 2C3 18,19 473,66 463,36 0,98 3C3 24,90 545,74 463,36 0,85 Tabela 4 - Fatores de veículo, considerando-se as cargas máximas por eixo 17 Rodovia km FV Total SP 330 – Via Anhangüera 36,8 2,587 SP 330 – Via Anhangüera 109,9 5,503 SP 348 – Rodovia dos Bandeirantes 58,3 5,942 SP 160 – Rodovia dos Imigrantes 28,0 8,978 SP 160 – Rodovia dos Imigrantes 56,4 6,83 SP 70 – Rodovia Ayrton Senna 28,7 1,954 SP 70 – Rodovia Ayrton Senna 58,9 4,018 Fator de veículo médio: 5,116 Tabela 5 - Fatores de veículo totais de acordo com o trecho estudado O fator de veículo médio das balanças analisadas foi tomado apenas para ilustração, pois a contribuição de cada balança nos segmentos do Trecho Oeste não é necessariamente a mesma. Uma abordagem mais representativa da realidade é ponderar a contribuição de cada balança no trecho através de uma simulação de deslocamentos dentro da rede viária de influência do Rodoanel. Essa simulação se encontra detalhada no arquivo técnico da DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S.A., através do Memorial Descritivo MD-15.00.000-P00/502 (ANEXO IV). Essa análise foi feita através de uma filtragem com o seguinte critério lógico: veículos que passaram em alguma das 7 (sete) balanças e passariam em algum dos segmentos do Trecho Oeste do Rodoanel. Isto significa que, não estão contabilizados aqueles veículos que porventura tenham passado em alguma das 7 (sete) balanças e não passariam em nenhum segmento do Trecho Oeste do Rodoanel, ou não passado em nenhuma das 7 (sete) balanças e passariam em algum segmento do Trecho Oeste do Rodoanel, ou ainda, não tenham passado em nenhuma das 7 (sete) balanças e nem em nenhum segmento do Trecho Oeste do Rodoanel. No cálculo do espectro de distribuição de carga por tipo de eixo em cada um dos segmentos do Trecho Oeste, foram desprezadas as contribuições de duas balanças: da rodovia dos Trabalhadores (km 28,7) e da rodovia dos Imigrantes (km 56,4). A balança da rodovia dos Trabalhadores foi 18 desprezada por apresenta um fator de veículo destoante dos outros calculados, enquanto que a balança da rodovia dos Imigrantes foi desprezada por ter tido uma contribuição nula no Trecho Oeste. Com essa contribuição ponderada e com a distribuição de carga por tipo de eixo obtida do estudo dos postos de pesagem, foi possível obter uma distribuição de carga por tipo de eixo para cada um dos segmentos do Trecho Oeste. A contribuição do volume de cada um dos segmentos do Trecho Oeste no volume total foi calculada e, então gerada uma distribuição de carga por tipo de eixo representativo para todo esse trecho. Para o cálculo do fator de veículo para do Trecho Oeste do Rodoanel, foram adotadas as equações de equivalência de carga da USACE (Corpo de Engenheiros do Exército Americano). Essas equações foram aplicadas ao nível de carga média, para o intervalo de carga considerada, para se obterem os fatores de equivalência de carga, que aplicados ao número de solicitações reais de carga fornecem o número de solicitações equivalentes à passagem do eixo padrão. Dividindo -se então esse número de solicitações equivalentes pelo número total de veículos da amostra tem se o fator de veículo cujo valor obtido nessa análise foi 5,66. 5.3 Conclusões Apresentou-se um tratamento do tráfego para o dimensionamento dos pavimentos do Trecho Oeste do Rodoanel. Mostrou-se que a consideração do tráfego no dimensionamento dos pavimentos não pode ser feita apenas em termos de volume. É necessário também conhecer a distribuição de carga por tipo de eixo porque a carga é o parâmetro mais importante no dimensionamento. Por isso foi feito um estudo detalhado da distribuição do carregamento previsto para o trecho em estudo. 19 Amostras de carga de seis postos de pesagem foram analisadas detalhadamente, donde se obteve uma distribuição de carga por tipo de eixo para cada um desses postos de pesagem. Uma simulação de deslocamentos de caminhões na rede de influência do Rodoanel permitiu ponderar a contribuição de cada uma dessas distribuições de carga nos diversos segmentos do Trecho Oeste do Rodoanel. Como se estava interessado em obter uma distribuição de carga única para todo o trecho, ponderaram-se essas distribuições de carga de cada segmento com relação à sua contribuição no volume total do trecho. Com isso obteve-se a distribuição de carga por tipo de eixo para ser utilizada no dimensionamento do pavimento de concreto de cimento Portland. 6 ESTUDO DE CASO (TRECHO OESTE DO RODOANEL) Sabe-se que para o dimensionamento do pavimento de concreto, necessita-se da distribuição de carga por tipo de eixo. Para isso são necessários estudos de peso por eixo dos veículos que provavelmente utilizarão a rodovia a ser dimensionada. Como o Rodoanel é composto pelo tráfego de diversas rodovias, foi feita inicialmente uma análise de dados de pesagem de diversas balanças e então considerada a contribuição de cada uma dessas balanças no Trecho Oeste, visando obter-se uma composição de tráfego única já que o dimensionamento foi feito para todo o trecho e não por segmentos do trecho. A obtenção dessa composição de tráfego única para o Trecho Oeste deu-se através de pesquisas efetuadas em diversos pontos operacionais que, influenciaram direta e indiretamente o tráfego de caminhões do Trecho Oeste do Rodoanel. De posse da composição de carga por tipo de eixo, pode-se distribuir a quantidade de veículos, prevista para todo o período de 20 projeto, e assim obter o número de solicitações previstas por nível de carga e tipo de eixo. Para se obter o número total de veículos para o período de projeto de 30 anos, considerou-se o estudo de volume de caminhões previsto para o 20o ano, resultando na taxa de crescimento média de 1,8 % quando considerada linear, conforme mostrado na Tabela 6. De Para 2000 2020 Taxa (%) Estrada de Perus Rod. dos Bandeirantes Rod. dos Bandeirantes Estrada de Perus 7263 7612 8879 9192 0.018 0.015 Rod. dos Bandeirantes Via Anhangüera Via Anhangüera Rod. dos Bandeirantes 7912 7041 9972 8569 0.017 0.013 Via Anhangüera Rod. Pres. Castello Branco Rod. Pres. Castello Branco Via Anhangüera 10100 11308 12651 13457 0.011 0.010 Rod. Pres. Castello Branco Padroeira Padroeira Rod. Pres. Castello Branco 7966 8196 11172 11331 0.024 0.021 Padroeira Rod. Raposo Tavares Rod. Raposo Tavares Padroeira 8368 8532 11716 11983 0.023 0.023 Rod. Raposo Tavares Rod. Régis Bittencourt Rod. Régis Bittencourt Rod. Raposo Tavares 9092 9422 12279 13008 0.020 0.021 8568 11184 0.018 Média Tabela 6- Taxas de crescimento linear por segmento do Trecho Oeste do Rodoanel, considerados os volumes (VDM) de caminhão para os anos 2000 e 2020 O Trecho Oeste do Rodoanel tem segmentos com 3 e 4 faixas de rolamento em cada sentido. Como a seção transversal do pavimento das pistas principais não varia ao longo do trecho Oeste, resolveu-se adotar o fator de redução de tráfego proposto pela AASHTO (1993) para pavimentos com 3 (três) faixas de rolamento, que é igual a 0,8 do tráfego total. Considerou-se assim, como volume diário médio, para a faixa a ser dimensionada, 80% do número médio de caminhões que é igual a 8.568, previsto no Trecho Oeste para o ano de 2000, estabelecido como data de implantação do Rodoanel. Aplicando-se a taxa de crescimento ao volume diário médio de caminhões e considerando-se um período de projeto de 30 anos, encontra-se o número total de veículos para o período de análise. Essa simulação se encontra detalhada no arquivo técnico da 21 DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S.A., através do Memorial Descritivo MD-15.00.000-P00/502 (ANEXO I). Após aplicar o fator de eixo a essa quantidade de veículos obteve-se o número total de eixos para o período de projeto, bastando apenas distribuí-los de acordo com a percentagem prevista de tráfego por nível de carga e tipo de eixo. O fator de eixo considerado foi obtido através de uma ponderação das balanças analisadas no trecho. Com isso, calculou-se o número de solicitações de eixo por nível de carga e tipo de eixo para o período de projeto. Essa simulação se encontra detalhada no arquivo técnico da DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S.A., através do Memorial Descritivo MD-15.00.000-P00/502 (ANEXO II). No caso do Método da AASHTO, necessitou-se transformar esse tráfego misto em um tráfego padrão dado em função do número de passagens de um eixo simples de roda dupla de 8,16 tf (80,02 kn). Essa transformação do tráfego real em um tráfego padrão imaginário é feita através dos fatores de equivalência de carga que, expressam os efeitos destrutivos devidos à passagem de um a carga qualquer em termos da carga padrão. Esses fatores de equivalência de carga para pavimentos de concreto dependem, além da magnitude da carga e tipo de eixo, da espessura da placa e da condição final de serventia. Dessa forma o projeto é baseado no número de passagens da carga padrão para o período de projeto em análise através da carga por eixo simples equivalente (ESAL) definida como: m ESAL = ∑ Fi n i i =1 Equação 7 onde, ESAL = Equivalent Single Axle Load m = número de grupos de carga; Fi = ESAF para o i -ésimo grupo de carga por eixo; ni = número de passagens do i-ésimo grupo de carga por eixo durante o período de projeto. 22 Os fatores de equivalência de carga obtidos a partir da pista da AASHO podem ser obtidos em tabela fornecida pelo Guia da AASHTO (1993). EALF = Wt18 Wtx Equação 8 onde, EALF = Equivalent Axle Load Factor W tx = número de aplicações da carga por eixo x no final do período t; W 18 = número de aplicações da carga por eixo simples padrão de 18 kips no final do período t; log ( EALF ) = 4.62 log (18 + 1) − 4.62 log ( L x + L 2 ) + 3.28 log L 2 + 4.5 − p f G t = log 4.5 − 15 . . + β x = 100 3.63( L x + L 2 ) Gt βx − Gt β 18 Equação 9 Equação 10 5.20 ( H + 1) 8.46 L 2 3.52 Equação 11 onde, Lx = é a carga por eixo, em kip; L2 = é o código do eixo, sendo 1 para simples, 2 para tandem duplo e 3 para tandem triplo; pf = índice de serventia final; β 18 = valor de β x quando Lx for 18 e L2 for 1; H = espessura da placa. Como visto no ANEXO II do Memorial Descritivo MD-15.00.000-P00/502 que se encontra no arquivo técnico da DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S.A., o número total de eixos solicitantes reais para o período de projeto é igual a 2,28x108. Aplicando-se os fatores de equivalência de carga da AASHTO aos eixos solicitantes distribuídos de acordo com o nível de carga, tem-se o número total de eixos equivalentes que, para o caso analisado é igual a 2,70x108, conforme dispõe no ANEXO III do Memorial Descritivo supracitado. 23 6.1 Caracterização do Fundo da Placa Os principais métodos de dimensionamento utilizados para pavimentos de concreto consideram o suporte da placa de concreto através da modelagem, onde o suporte é caracterizado pelo coeficiente de reação, k. Sendo assim, não há distinção entre as camadas que se localizam sob a placa. No método da PCA (1984), o aumento da capacidade da estrutural devido à adoção de camadas de diferentes espessuras e módulos é levado em consideração através de um aumento do k em função do tipo de material e da espessura dessa camada, utilizando-se para isso ábacos. Uma análise apresentada por Figueroa (1983), mostrou que esses ábacos não apresentam resultados compatíveis com uma análise estrutural feita utilizando-se um programa baseado no método dos elementos finitos. Já no método da AASHTO (1993), é proposto que se determine inicialmente o módulo resiliente do subleito e, então faça uma correção em um ábaco em função do módulo resiliente da camada de sub-base e da sua espessura, para então calcular um módulo de reação composto. No caso a placa ser colocada diretamente sobre o subleito, o método da AASHTO propõe uma equação simplista que correlaciona módulo de reação com módulo resiliente. Esta abordagem de correlacionar o módulo de elasticidade ou módulo resiliente com o módulo de reação não é satisfatória, pois, essa relação depende também das propriedades estruturais da placa de concreto, não existindo uma correlação única e universal entre esses dois parâmetros, como demonstra Ioannides (1991). Uma revisão de literatura feita por Ioannides et alli (1992) indicou haver pelo menos 20 maneiras diferentes de se considerar estruturalmente uma camada entre a placa de concreto e o subleito. Pode-se então verificar que não existe um consenso geral quanto a consideração estrutural dessa camada. Utilizando-se programas baseados no método dos elementos 24 finitos, como o KENSLABS e o ILSL2, pode-se modelar essa camada intermediária de uma maneira mais realística, pois sua contribuição estrutural pode ser considerada como um reforço estrutural da placa de concreto. Essa abordagem é muito importante quando a camada é rígida, tendo em vista sua maior contribuição estrutural ao sistema do pavimento. Nos programas anteriormente mencionados essa camada rígida é modelada como placa, ou seja, as deformações na direção de menor dimensão são desprezadas. Com o objetivo de analisar a influência do módulo e da espessura da camada de rolado na redução de tensões geradas na placa de concreto, apresenta-se uma análise estrutural do pavimento de concreto de cimento Portland. Para isso foram variados os módulos e as espessuras dessa camada (10 e 15 cm). Nesta análise estrutural utilizou-se o programa de elementos finitos ILSL2 que, é a versão de 1994 do programa ILLI-SLAB desenvolvido, originalmente, em 1979 na Universidade de Illinois. A espessura de placa de concreto analisada foi a do projeto básico: 23 cm. A estrutura do pavimento foi então modelada como uma placa de concreto de cimento Portland (CCP), sobre uma camada de concreto rolado (CCR) caracterizado como por seus módulos de elasticidade e coeficientes de Poisson, cujos valores encontram-se na Figura 2. O suporte dessa estrutura de pavimento foi modelado como um líquido denso, sendo o módulo de reação calculado através da correlação entre CBR e módulo de reação proposta pela PCA (1984). Especificando-se o CBR do reforço em pelo menos 10%, o módulo de reação é igual a 54 MPa/m. Como o programa só admite duas camadas sobre a fundação, a camada de BGS (Brita Graduada Simples) deve ser incorporada a ela. Essa incorporação pode ser feita utilizando-se a concepção de incremento do módulo de reação em função do tipo de material e espessura da camada, conforme proposto pela PCA (1984). 25 Utilizando-se essa correlação, tem-se que um módulo de reação de 54 MPa/m passa a ser aproximadamente 60 MPa/m quando se utiliza uma camada de BGS de 10 cm. Essa transformação da camada de BGS e do reforço do subleito em uma camada única caracterizada pelo k pode ser vista na Figura 3. Placa de CCP E=27500 MPa µ = 0.15 23 cm Camada de CR E=variável µ = 0.25 10 e 15 cm k= 60 MPa/m Figura 2- Estruturas analisadas com o programa ILSL2 BGS 10 cm k= 60 MPa /m Reforço do subleito CBR = 10% Figura 3- Equivalência de estruturas utilizando-se os ábacos propostos pela PCA O carregamento considerado foi um eixo simples de rodas duplas. A configuração geométrica adotada para esse eixo pode ser vista na Figura 4. Para uma carga total aplicada de 10 tf (98.07 kN), tem-se uma pressão de contato pneu-pavimento igual a 5.556 kgf/cm2 (0.545 MPa). 26 25 cm 18 cm 12 cm 18 cm 180 cm 132 cm 18 cm 12 cm 18 cm Figura 4- Dimensões da configuração de carga considerada A configuração geométrica das placas de concreto adotadas nesta análise estrutural é semelhante àquela utilizada na concepção do Método da PCA, conforme mostrado por Ioannides et alli (1992), e pode ser vista na Figura 3.6 m 3.0 m 5. 5.0 m 5.0 m 5.0 m máx CCP (MPa) Figura 5- Configuração geométrica das placas de concreto adotada na análise estrutural do pavimento de concreto 1.4 1.2 1.0 0.8 0.6 0.4 0.2 0.0 hCR = 10 cm hCR = 15 cm 15000 20000 25000 Relação de no CCP Módulo de elasticidade do CR (MPa) 1.2 1.1 hCR = 10 cm 1.0 hCR = 15 cm 0.9 15000 20000 25000 Módulo de elasticidade do CR (MPa) Figura 6- Influência do módulo de elasticidade e da espessura de concreto rolado nas tensões de tração na flexão máximas geradas na placa de concreto As tensões foram calculadas na placa de CCP (Concreto de Cimento Portland), na camada de CCR (Camada de Concreto Rolado) e no suporte, para a condição crítica de carregamento com relação às tensões de tração na flexão geradas na placa de concreto. A condição de interface entre o 27 CCP (Concreto de Cimento Portland) e o CCR (Camada de Concreto Rolado) foi considerada não-aderida. O fator de inter travamento entre os agregados (AGG) considerado, foi igual a 690 MPa. Mostra-se nos gráficos da Figura 6, a influência do módulo de elasticidade e da espessura de concreto rolado nas tensões de tração nas flexões máximas geradas na placa de concreto. Observa-se que, uma variação de espessura é mais efetiva na redução de tensões na placa do que, uma variação no módulo da σmáx CR (MPa) camada de concreto rolado. 0,8 0,6 hCR = 10 cm 0,4 hCR = 15 cm 0,2 0,0 15000 20000 25000 Relação de no CR Módulo de elasticidade do CR (MPa) 2.3 2.1 1.9 1.7 1.5 1.3 1.1 0.9 hCR = 10 cm hCR = 15 cm 15000 20000 25000 Módulo de elasticidade do CR (MPa) Figura 7- Influência do módulo de elasticidade e da espessura de concreto rolado nas tensões de tração na flexão máximas geradas na camada de concreto rolado Nos gráficos da Figura 7, mostra a influência do módulo de elasticidade e da espessura de concreto rolado nas tensões de tração na flexão máximas geradas na camada de concreto rolado. Observa-se que a relação entre a tensão de tração na flexão gerada na camada de rolado com módulo de 15000 MPa (0,6 MPa) e a tensão admissível (aproximadamente 2 MPa) é pequena (0,3). Como esse valor é menor do que 0,45 o número de repetições de carga quando se consideram as curvas de fadiga da PCA (1984) tende ao infinito. Certamente os diversos 28 níveis de carga atuantes na estrutura do pavimento, assim como as ações do efeito climático, conduzirão a estrutura de sub-base a um estado de trincamento. Com isso, finos podem passar pelas trincas e causar o descalçamento da placa. Esse fenômeno, juntamente com a ocorrência de deformações permanentes nas camadas subjacentes, pode levar a um defeito muito comum em pavimentos de concreto de cimento Portland que é o escalonamento das placas. Sendo assim, para assegurar a não ocorrência desse defeito, poder-se-ia utilizar uma espessura de concreto rolado de 15 cm. Tal espessura asseguraria uma maior confiabilidade ao desempenho da estrutura do pavimento de concreto. Apesar de se recomendar à obtenção do módulo de reação através da execução de ensaios de placa, esses ensaios não são feitos, pois, seu custo é muito elevado comparado à sua influência no dimensionamento. Sendo assim, obtém-se o parâmetro através de correlação com CBR (California Bearing Ratio). Como dito anteriormente, o Método da PCA também admite um incremento no módulo de reação devido à adoção de uma sub-base, em função do tipo de material e da espessura da camada. Adotando-se então uma curva desenvolvida pela ABCP (Pitta, 1990), temse o incremento do módulo de reação da fundação quando se utiliza uma camada de concreto rolado como sub-base. Utilizando-se essa correlação, a adoção de uma camada de concreto rolado de 10 cm, elevaria o módulo de reação de 60 MPa/m para aproximadamente 165 MPa/m. Visando-se utilizar um valor de coeficiente de reação mais realístico, analisou-se com o programa ILSL2 o mesmo caso utilizado na análise da influência do módulo de elasticidade e da espessura de concreto rolado nas tensões geradas na placas. Neste caso analisou-se a influência do módulo de reação nas tensões geradas na placa de concreto. Observa-se nos gráficos da Figura 6 que para uma espessura de concreto rolado de 10 cm, a tensão gerada na placa de concreto é de 1,2 MPa para todos os módulos de elasticidade analisados. 29 A Figura 8 mostra que esse valor de tensão é obtido quando se utiliza um coeficiente de reação de aproximadamente 80 MPa/m. Com isso mostra-se que, para o caso analisado, a curva de incremento do módulo de reação utilizada superestima a redução de tensão na placa de concreto. Sendo assim, mostra-se ser mais realístico considerar um módulo de 80 MPa/m e máx CCP (MPa) não um de 165 MPa/m. 1.4 1.2 1.0 0.8 0.6 0.4 0.2 0.0 150 120 80 60 Módulo de reação do suporte (MPa/m) Figura 8- Influência do módulo de reação do suporte nas tensões de tração na flexão máximas geradas na camada de concreto de cimento Portland. 6.2 Características do Concreto Adotou-se no cálculo da espessura da placa, uma resistência característica à tração na flexão de pelo menos 4,5 MPa, aos 28 dias, para o concreto de cimento Portland do pavimento. 6.3 Métodos de Dimensionamento Apresentam-se a seguir os métodos de dimensionamento considerados para determinação da espessura da placa de concreto. Escolheram-se os Métodos da Portland Cement Association (PCA) de 1984 e da American Association of State Highway and Transportation Officials (AASHTO) de 1993. 30 6.3.1 Método da PCA Este método é baseado em dois critérios de ruptura a saber: fadiga da placa de concreto e ruína da placa por erosão da sua fundação. Para cálculo do consumo de fadiga, necessita-se das tensões para cada nível de carga e tipo de eixo. Essas tensões foram calculadas utilizando-se as equações da PCA para cálculo das tensões equivalentes que foram apresentadas por Ioannides et alli (1992). No caso do cálculo do consumo de erosão, necessita-se da pressão aplicada ao suporte da placa que por sua vez depende da existência ou não de acostamento e do tipo de transferência de carga (inter travamento dos agregados ou barras de transferência de carga). As equações para o cálculo dessa pressão utilizada no Método da PCA foram fornecidas pelo Professor Anastasios Michael Ioannides e utilizadas neste trabalho. Foram admitidos os seguintes parâmetros de projeto: • período de projeto de 30 anos; • fator de segurança de carga igual a 1,25; • existência de acostamento; • adoção de barras de transferência de carga. A repetição de cargas sobre as estruturas que podem levar ao rompimento do pavimento é fenômeno de fadiga, responsável pela fissuração de revestimentos de bases cimentadas e o acúmulo de deformações plásticas (permanentes) devido à ação das deformações cisalhantes que, ocorrem em camadas granulares e no subleito. Para calcular o consumo da fadiga utilizou-se um algoritmo baseado em equações apresentadas por Ioannides et alli (1992) e em equações propostas por Salsilli (1991) na sua tese de doutorado, que mostrou reproduzir bastante bem as tensões equivalentes da PCA. Esse cálculo foi feito apenas para fins de verificação. Essas equações são baseadas na utilização da análise dimensional para corrigir algumas limitações devidas às hipóteses que Westergaard (1948) adotou na obtenção da fórmula para 31 o cálculo da tensão gerada na placa por uma carga circular na borda, que é a localização crítica da carga com relação à tensão de tração na flexão da placa de concreto. Algumas dessas limitações são: carga circular única, placa infinita, impossibilidade de considerar a influência da transferência de carga, dentre outras. Maiores detalhes sobre este procedimento de cálculo são mostrados no manual técnico da AASHTO. Conforme mostrado no ANEXO IV, utilizando-se o procedimento baseado nas equações da PCA, encontrou-se que: • Caso se adotasse uma espessura de 23 cm, o consumo de resistência à fadiga e à erosão seria igual, respectivamente, a 130% e a 22%; • No caso de se adotar uma espessura de 24 cm, o consumo de resistência à fadiga e à erosão é igual, respectivame nte, a 52% e a 7% . Sendo assim, o critério de ruína limitante é a fadiga, sendo então necessária uma espessura de 24 cm. O ANEXO V o algoritmo baseado nas equações apresentadas por Ioannides et alli (1992) e por Salsilli (1991). Neste caso, obteve-se que: • Caso se adotasse uma espessura de 23 cm, o consumo de resistência à fadiga seria igual 190%; • No caso de se adotar uma espessura de 24 cm, o consumo de resistência à fadiga passa a ser 75%. Sendo assim, utilizando-se o algoritmo proposto é necessária uma espessura de placa igual de pelo menos 24 cm. Observa-se que os dois procedimentos fornecem consumos à fadiga bastante próxima, sendo que quando se utilizam equações da PCA/84, obtém-se um consumo à fadiga um pouco menor. Portanto, conclui -se que a estrutura do pavimento de concreto deve ser dada por : 32 Placa de Concreto de Cimento Portland 24 cm k ≥ 80 MPa/m Figura 9- Estrutura do pavimento de concreto de cimento Portland calculada segundo o Método da PCA/84 Mostra-se a seguir a influência de alguns parâmetros de projeto na determinação da espessura da placa. No dimensionamento feito anteriormente, utilizou-se como volume inicial o número médio de caminhões previsto o ano 2000, para o cálculo do volume total de veículos para o período de projeto de 30 anos. A taxa de crescimento considerada foi à taxa média calculada para o Trecho Oeste, conforme visto na Tabela 6. Quanto ao fator de segurança de carga, resolveu-se adotar um fator de 0,25 já que a PCA (1984) admite que esse fator seja de até 1,30. Esses parâmetros foram então variados para que fossem analisados outros parâmetros de projeto no cálculo da espessura. Os parâmetros analisados foram os seguintes: • Volume inicial (Vo): maior volume de caminhões previsto para os dois sentidos do trecho oeste do Rodoanel (11308 caminhões); • Taxa de crescimento (i): maior taxa dentre aquelas retro analisadas quando considerado um crescimento linear (2,4%); • Fator de segurança da carga (FSC): 1,2. 33 Os cálculos mostrados nos ANEXOS I, II, IV e V foram refeitos para os novos parâmetros considerados e o resultado dessa análise é mostrado na Tabela 7. Vo i (%) FSC 1.20 1.8 1.25 1.30 8568 1.20 2.4 1.25 1.30 1.20 1.8 1.25 1.30 11308 1.20 2.4 1.25 1.30 h (cm) 22 23 23 24 23 24 25 22 23 24 23 24 24 25 22 23 24 23 24 23 24 25 22 23 24 23 24 25 24 25 Equações da PCA Fadiga (%) Erosão (%) 180 34 66 9 130 22 52 7 259 51 97 14 – – 191 36 72 10 – – 139 23 55 8 104 15 43 6 236 45 88 13 – – 171 29 68 10 341 68 128 18 54 7.5 253 48 94 13 – – 183 31 73 10 – – 136 19 57 8 Algoritmo Fadiga (%) 259 95 190 75 389 142 59 277 102 42 203 80 152 63 342 125 52 251 99 513 187 78 365 135 56 268 105 45 200 83 Tabela 7 Análise de sensibilidade da espessura da placa ao Método da PCA Observa-se na Tabela 7 que a espessura varia entre 23 e 25 cm, dependendo da combinação dos parâmetros de projeto. Dentre os parâmetros analisados, aquele que tem a maior influência na espessura é o fator de segurança da carga. Para um fator de segurança de 1,2 a espessura da placa é 23 cm para todas as combinações analisadas, podendo passar para 24 cm quando se utiliza o algoritmo. Quando o fator de segurança é de 1,25 a espessura da placa é 24 cm para todas as combinações analisadas, podendo passar para 25 cm quando se utiliza o 34 algoritmo. Já para um fator de segurança de 1,3 a espessura da placa pode ser 24 ou 25 cm, dependendo da combinação considerada, enquanto se utiliza o algoritmo a espessura é 25 cm para todas as combinações consideradas. Verifica-se também que, quando o consumo de resistência à fadiga, calculada através das equações da PCA, esta próxima de 100%, a espessura da placa é aumentada em 1 centímetro isto é, quando calculada pelo algoritmo. O volume inicial e a taxa de crescimento não têm muita influência na espessura. Tais parâmetros influenciam no tráfego de projeto que aumenta no máximo 41% para a variação de parâmetros considerada: para um volume inicial de 8.568 e uma taxa de 1,8%, o volume total de veículos é 9,47x107, ao passo que, para um volume inicial de 11.308 e uma taxa de 3,3% o volume total de veículos é 1,34x108. 6.3.2 Método da AASHTO Este método é baseado na pista experimental da AASHO, construída próxima a Ottawa, Illinois, nos EUA, onde foram realizados testes acelerados de tráfego entre os anos de 1958 e 1960. Este é um modelo de dimensionamento originalmente empírico baseado nos dados de desempenho e em técnicas de regressão, sendo sua primeira versão publicada em 1961 e a última em 1993. O Método da AASHTO é baseado fundamentalmente no conceito de serventia associado ao conceito de desempenho, procurando com isso projetar um pavimento que obtenha um nível de serventia mínimo determinado no final do período de desempenho, denominado índice de serventia final (pf). Foram adotados os seguintes parâmetros na determinação da espessura da placa pelo Método da AASHTO: 35 • Número de repetições previsto da carga padrão de 8,2 tf (80,41kn): 2,7x108; • Índice de serventia inicial: 4,5; • Índice de serventia final: 2,5; • Resistência média à tração na flexão do concreto aos 28 dias: 5,2 MPa; • Módulo de elasticidade do concreto: 30 GPa; • Coeficiente de reação efetivo da fundação da placa: 80 MPa/m; • Nível de confiabilidade: 60%; • Desvio padrão: 0,3; • Coeficiente de transferência de carga: 2,5; • Coeficiente de drenagem: 1,25. Cabe aqui tecer algumas considerações acerca de alguns parâmetros adotados, consideraram-se os mais otimistas possíveis, em virtude das grandes espessuras das placas encontradas, isso se deve ao elevado tráfego que é maior do que 108. Sabe-se que o nível de confiabilidade deveria ser de pelo menos 90% em virtude da classe da rodovia, entretanto este parâmetro tem uma grande influência na espessura e por isso foi considerado igual a 60%. A determinação da espessura da placa foi calculada através da Equação 12, que forneceu qual deveria ser a espessura da placa para suportar uma determinada quantidade de tráfego, antes da sua deterioração para um determinado nível de serventia final: 36 log 10 W18 ( p i − p f ) log 10 ( 4.5 − 1.5 ) = Z R S o + 7.35 log 10 ( H + 1) − 0.06 + 1.624 ⋅ 10 7 1 + 8. 46 ( H + 1) f ctm 'k ⋅ C d (H 0.75 − 1.132 ) +( 4.22 − 0.32 p f ) ⋅ log 10 0.75 18.42 − 215.63 J H ( E c k ) 0.25 Equação 12 onde, W 18 = nº . previsto de repetições totais da carga padrão de 18 kip (8.2 tf) (80,41 kn); ZR = coeficiente de Student; So = erro padrão associado às estimativas do tráfego e às previs ões de desempenho; H = espessura da placa (in); pf = índice de serventia final (geralmente adota-se 2,0, sendo 2,5 em autoestradas); pi = índice de serventia inicial (geralmente adota-se 4,5); fctm’k = módulo de ruptura do concreto utilizado no projeto (psi); Cd = coeficiente de drenagem; J = coeficiente de transferência de carga. Ec = módulo de elasticidade do concreto (psi); k = módulo de reação da fundação (pci). Utilizando-se a equação acima e os parâmetros citados anteriormente, encontrou-se uma espessura de 26 cm. A estrutura do pavimento de concreto é então a seguinte: 37 Placa de Concreto de Cimento Portland 26 cm k ≥ 80 MPa/m Figura 10- Estrutura do pavimento de concreto de cimento Portland calculada segundo o método da AASHTO (1993) Mostra-se a seguir uma análise de sensibilidade daqueles parâmetros que tem as maiores influências na determinação da espessura da placa, a saber: tráfego Figura 11, resistência à tração na flexão Figura 12, e nível de confiabilidade Figura 13. Observa-se que o Método da AASHTO (1993) exige espessuras maiores do que o da PCA (1984) quando o nível de tráfego é elevado. Mesmo utilizando-se parâmetros altamente otimistas, ainda se obtém uma espessura de 26 cm. Dentre os parâmetros analisados na análise de sensibilidade, o nível de confiabilidade tem a maior influência na espessura, seguido da resistência à tração na flexão do concreto. A Figura 11 mostra que uma espessura de 24 cm suportaria, segundo o Método da AASHTO, um tráfego de até aproximadamente 1,6×108. Já a Figura 12 mostra que caso a espessura fosse de 24 cm, a resistência à tração na flexão da placa de concreto aos 28 dias deveria ser de pelo menos 6 MPa. A Figura 13 mostra a influência do nível de confiabilidade na espessura da placa, donde se observa que essa influência é maior para níveis de confiabilidade maiores. Observa-se que, a espessura da placa pode atingir até 35 cm para um nível de confiabilidade de 100%, mantidos constantes todos os outros parâmetros. 38 30 8 2.7.10 Espessura da placa (cm) 26 25 20 15 10 7 1 10 8 1 10 Tráfego de projeto 9 1 10 Figura 11- Sensibilidade do Método da AASHTO a variações no número de solicitações do eixo padrão 30 Espessura da placa (cm) 29.5 5.2 29 28.5 28 27.5 27 26.5 26 26 25.5 25 24.5 24 4 4.5 5 5.5 6 Rt na flexão aos 28 dias (MPa) Figura 12- Sensibilidade do Método da AASHTO a variações na resistência à tração na flexão aos 28 dias 35 34 60 Espessura da Placa (cm) 33 32 31 30 29 28 27 26 26 25 50 60 70 80 90 100 Nível de confiabilidade Figura 13- Sensibilidade do Método da AASHTO a variações no nível de confiabilidade 39 6.3.3 Definição da Estrutura pelo Método PCA Foram apresentados os dois mais importantes métodos de dimensionamento de pavimento de concreto disponíveis: PCA (1984) e AASHTO (1993). Observou-se que o método da AASHTO exige maiores espessuras para o nível de tráfego de projeto do que o método da PCA: enquanto que para os parâmetros considerados o método da PCA forneceu uma espessura de 24 cm, o método da AASHTO exigiu uma espessura de 26 cm. Conclui-se então que a espessura não pode ser em hipótese nenhuma menor do que 24 cm. Sendo assim, a estrutura de pavimento de concreto de cimento Portland utilizada no trecho oeste do Rodoanel Metropolitano de São Paulo é a apresentada na a Figura 14. Concreto de Cimento Portland fct,k ≥ 4,5 MPa 24 cm Concreto Rolado 10 cm Brita Graduada Simples 10 cm Fundação: CBR ≥ 10% Figura 14- Estrutura do pavimento de concreto de cimento Portland adotada. 40 6.4 Detalhes Técnicos do Plaqueamento e das Juntas da Placa de Concreto Rígido. Figura 15- Desenho esquemático do Plaqueamento nas seções com 3 ou 4 faixas de rolamento das pistas do trecho oeste do Rodoanel 41 Figura 16- Detalhes da Armadura Distribuída, Descontínua e da Junta de Expansão 42 Figura 17- Detalhes da Junta Transversal e Longitudinal 43 Figura 18- Detalhes da Barra de Transferência, de ligação e da Armadura Distribuída Descontinua e, dos Reservatórios dos Selantes Serrado e Moldado 44 Figura 19- Detalhes de Projeto do Pavimento Tipo I para 4 Faixas de Rolamento 45 6.5 Relatório Fotográfico do Acompanhamento da Aplicação do Pavimento Rígido nas Pistas do Trecho Oeste do Rodoanel Foto 1- Pista Interna com Regularização do Sub-Leito e a Pista Externa com aplicação do BGS (Brita Graduada Simples) com pintura impermeabilizante Foto 2- Pista Externa parcialmente coberta com C.C.R (Concreto Compactado Rolado) 46 Foto 3- Continuação da aplicação da camada do C.C.R (Concreto Compactado Rolado) da Pista Externa Foto 4- Pista Interna já com a camada BGS (Brita Graduada Simples), faltando a imprimadura e a Pista Externa com BGS e imprimadura 47 Foto 5- Pista Externa já concluído os serviços de aplicação de BGS e C.C.R e no acostamento já aplicado o Pavimento Rígido Foto 6- Pista Externa execução do Pavimento Rígido no Acostamento 48 Foto 7- Pista Interna com BGS (Brita Granulada Simples) já imprimida e a Pista Externa já contém o Pavimento Rígido no Acostamento e nas Faixas 1 e 2 Foto 8- Em primeiro plano avistamos a acabadora eletrônica executando o Pavimento Rígido nas Faixas 1 e 2 da Pista Externa e, em segundo plano a “Texturizadora” executa os acabamentos finais com aplicação do aditivo (cooring) 49 Foto 9- Vista do Pavimento recém executado na Pista Externa, recebendo serviços de acabamento, através da desempenadeira, também, conhecida como “Skip” Foto 10- Betoneira alimentando a acabadora eletrônica”Gomeico ou CMI” 50 Foto 11- Caminhão Basculante em operação a frente da acabadora eletrônica Foto 12- Vista geral do Pavimento Rígido com as juntas transversais devidamente serradas 51 Foto 13- Acabadora eletrônica sendo alimentada com concreto através dos caminhões basculantes, ao fundo a “Texturizadora” executando o acabamento e a direita outra acabadora eletrônica (CMI) em operação. Observa-se no sentido longitudinal, junto aos carros estacionados, os dispositivos da junta transversal através das barras de transferência expostas. Foto 14- Caminhão basculante alimentando a Acabadora eletrônica 52 Foto 15- Acabadora eletrônica em operação com o compartimento de distribuição armazenado. Foto 16- Equipe serrando o pavimento com idade de 15 a 18 horas nos sentidos transversais e longitudinais com aplicação de “mastique” nas juntas. 53 Foto 17- Vista geral do Pavimento em estagio de cura Foto 18- Operações de serra das juntas e a direita pista em estagio de cura 54 Foto 19- Pista a direita em estagio de cura aguardando serviços de serrar as juntas Foto 20- Vista geral do Pavimento de Concreto Rígido acabado pronto para operação 55 7 CONCLUSÕES O Rodoanel Mário Covas – SP/21 (trecho oeste) tem 32 km em pavimento de concreto com duas pistas de quatro faixas de rolamento cada uma, mais acostamento e canteiro central, suficientes para um tráfego estimado em 250 mil veículos por dia. Segundo técnicos da empresa DERSA – Departamento de Estradas de Rodagem S/A., a obra é um marco para a economia brasileira fato este que é a primeira vez que o governo faz uma escolha baseada na relação custo/ benefício para estabelecer qualidade e conforto para o usuário. Por isso decidiu-se pela escolha do pavimento de concreto em todo o trecho. O objetivo do Rodoanel Mário Covas é que ele funcione como um anel viário, desviando todo o tráfego de caminhões da cidade. A estimativa é que metade do tráfego esperado seja de caminhões. Dessa forma, é possível que o custo do frete venha até a baixar. Porque não teremos mais desgaste dos motoristas e dos veículos com o tráfego de São Paulo, conseqüentemente o tempo de viagem será reduzido. Segundo o estudo do Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá, caminhões podem economizar 11% de combustível rodando em rodovias de concreto. O estudo foi feito comparando veículos que circulam em rodovias asfaltadas e de concreto. A justificativa para o resultado é atribuída a menor resistência que o pavimento de concreto oferece aos caminhões já que as estradas de concreto têm superfície mais rígida, indeformável estável, o que beneficia o rolamento do veículo. Em países de temperatura média elevada, como o Brasil, esse benefício poderia ser até maior, já que, com altas temperaturas o asfalto tende a amolecer o que acaba prendendo mais o veículo pesado. 56 Além da economia de combustível significa redução na emissão de gases poluentes. No caso do Canadá, a economia com combustível, caso as principais rodovias fossem de concreto, seria de quase US$ 70 milhões. Entre as vantagens do pavimento de concreto, podemos citar: o baixo custo com manutenção devido a sua durabilidade, maior segurança, redução da distância de frenagem em até 40% e a economia de cerca de 30% no gasto com energia elétrica na iluminação, devido à superfície clara oferecida pelo concreto. O custo de uma rodovia é composto, também, pelo seu custo de construção (custo inicial) mais custos de manutenção e operacional dos veículos, não se restringindo, portanto apenas ao seu custo inicial. Para cada R$ 1,00 investido em rodovias há uma redução de R$ 3,00 no custo operacional dos veículos. Para o especialista em pavimentação belga Andréas Mozer, que visitou o Rodoanel, “a opção mostra que o Brasil está evoluindo e os governantes brasileiros começam a pensar em longo prazo, em analisar não apenas o custo da construção, mas em todos os benefícios e economias futuras que a obra vai trazer. Na Alemanha, construímos estradas em concreto, porque além de não deformar o pavimento, gera uma economia enorme para o País, sem gastos com manutenção”, afirmou durante sua visita. Das dez rodovias interligadas pelo Rodoanel, cinco se conectam ao trecho oeste: Régis Bittencourt, Raposo Tavares, Castello Branco, Anhangüera e Bandeirantes. Com a entrega do trecho oeste, o percurso de quem chega a São Paulo pela rodovia Régis Bittencourt no sentido das marginais, deve cair de 1h40 para 55 minutos. 57 Essas rodovias absorvem 58% do total de veículos que passam pela região metropolitana significando um total de 250 mil veículos/dia dos quais 34 mil são caminhões. Ao projetar e construir um pavimento, é preciso refletir bastante sobre em quanto estarão sendo onerados os orçamentos futuros em decorrência das manutenções e recuperações que o pavimento necessitará. Um estudo realizado pela empresa DERSA - Desenvolvimento Rodoviário S/A, durante o período de 22 anos (1974/1996), no trecho em pavimento asfáltico compreendido entre o km 10 e o km 40 da Rodovia dos Imigrantes e, contíguo com o pavimento de concreto que se estende até o km 44,. permitiu realizar sob a mesma base o gráfico dos custos acumulados a valor presente (12% a.a.) ocorridos no período analisado. Pelo gráfico verificou-se que a economia global do uso do pavimento de concreto em relação ao flexível, em 22 anos foi de R$ 1.583.015,37, valor básico em novembro de 1996. Custos Atualizados dos Pavimentos 2.500.000,00 R$/ Km 2.000.000,00 1.500.000,00 CBUQ-V.P.(12%a.a) CCP-V.P.(12% a.a) DIFERENÇA 1.000.000,00 500.000,00 23 21 19 17 15 13 11 9 7 5 3 1 0,00 ANO Figura 20 Curvas de variação dos custos atualizados e a diferença entre eles 58 Se partirmos da premissa que, os custos indicados durante a vida útil do pavimento incluem a construção inicial, a manutenção e a reabilitação, o pavimento de concreto resulta entre 14 e 21%, mais econômico no período de 20 a 40 anos, se comparado no mesmo período com o pavimento asfáltico. Quanto a interrupção do trânsito para manutenção das pistas, houve uma diminuição em 18% em relação ao pavimento asfáltico. Nesse sentido, a escolha pelo pavimento de concreto é sem dúvida a mais acertada, com o tráfego de caminhões esperado, sem contar ainda que o asfalto requer manutenção em no mínimo cinco anos, o que levaria a ter que interditar uma faixa do Rodoanel de cinco em cinco anos, ocasionando nesses períodos, em decorrência do alto volume de trafego, grandes congestionamentos, isso teria um custo ainda adicional para a economia brasileira, levando-se em conta a cifra apontada no estudo do Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá. 59 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS DESENVOLVIMENTO RODOVIÁRIO S.A. – Rodoanel Metropolitano de São Paulo – trecho oeste: memorial descritivo. São Paulo: MD15.00.000-P00-503, 1998. (Documento Técnico) DESENVOLVIMENTO RODOVIÁRIO S.A. – Rodoanel Metropolitano de São Paulo – trecho oeste: relatório técnico. São Paulo: RT-15.00.000P00-503, 1999. (Documento Técnico) DNER, 1989. “Manual de Pavimentos Rígidos,” Vol. 02. Pitta, M.R., 1990c. “Projeto de Sub-Bases para Pavimentos de Concreto,” ET-29, 5a edição, publicação da Associação Brasileira de Cimento Portland, São Paulo. Pitta, M.R., 1996. ET-97. “Dimensionamento de Pavimentos Rodoviários pelo Método da PCA/1984,” Publicação da Associação Brasileira de Cimento Portland. AMERICAN ASSOCIATION OF STATE HIGHWAY AND TRANSPORTATION OFFICIALS (AASHTO). Guide for design of pavement structures, Washington, D.C., 1993 Portland Cement Association, 1984. “Thickness Design for Concrete Highway and Street Pavements,” developed by Robert Packard, Skokie, IL. PAVIMENTO RÍGIDO. Fórum Super Estrada. Disponível em http://www.globalsite.com.br/~gg-ltda/pavimento.htm.Acesso em:13 set.2003 60 DEGUSSA CONSTRUCTION CHEMICALS-MTB(BRASIL). Disponível em http://www.masterbuilders.com.br/mbt_viewprojetos.asp. Acesso em: 25 PORTLAND, “O set.2003 ABCP-ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PAVIMENTO RÍGIDO”. Disponível em http://www.abcp.com.br/assoc/tecn inf.: Acesso em 25 set.2003. Ioannides, A. M.,”Dimensional Analysis in NDT rigid Pavement Evaluation,” Transpottation Engineering Journal, American Society of Civil Engineers, Volumje 116, N. TE1, 1990. Westergaard, H.M., “Stresses in Concrete Runways of Airports,” Proceedings, Highway Research Board, Volume 19, 1948. Figueroa, J.L., “Resilient-Based Flexible Pavement Design Procedure for Secondary Roads,” Ph.D. thesis, University of Illinois at Urbana-Champaign, 1983. Darter, M.I., Elliott, R.P., and Hall, K.T., “Revision of AASHTO Pavement Overlay Design Procedures, Appendix: Overlay Design Examples,” NCHRP Project 20-7/Task 39, Final Report, April 1992. De Solminihac H., Salsilli M., Covarrubias J.P., Vidal M. (1999) Performance prediction models for concrete pavements. Transportation Research Record, 1684, 137-146. 61 APÊNDICE - A 62 ANEXO I Cálculo do Número de Veículos para o Período de Projeto (30 anos) NV_Total 0.80 . 8568 (80% do tráfego médio no trecho oeste) NV_Total (tráfego Vo médio diário por faixa para primeiro ano) 3 Vo = 6.854 10 i 1.8 100 t Vf 30 (taxa de crescimento anual do tráfego) (período de projeto, em anos) Vo. ( 1 (t 1 ) . i) (tráfego médio diário por faixa para último ano) 4 Vf = 1.043 10 Vm Vt Vo Vf 2 365 . t. Vm 7 Vt = 9.465 10 (número total de veículos no final do período de projeto) ANEXO II Tráfego Composto para o Trecho Oeste Período de projeto, t: (30 anos) Taxa de crescimento, i (linear): (1.80%) Fator de eixo, FE: (2.41) Número de veículos: (9.47E+07) Número total de eixos: (2.28E+08) Carga por Eixo (tf) Eixo Simples 15 - 16 14 - 15 13 - 14 12 - 13 11 - 12 10 - 11 9 - 10 8-9 7-8 6-7 5-6 4-5 3-4 2-3 1-2 <1 Eixo Duplo 24 - 25 23 - 24 22 - 23 21 - 22 20 - 21 19 - 20 18 - 19 17 - 18 16 - 17 15 - 16 14 - 15 13 - 14 12 - 13 11 - 12 10 - 11 5 - 10 <5 Carga Adotada (tf) % (Total) No. 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0.0002 0.0000 0.0000 0.0002 0.0048 0.0422 0.0532 0.0213 0.0142 0.0157 0.1332 0.1510 0.1031 0.0738 0.0230 0.0000 53930 0 0 35593 1092574 9624589 12144396 4869033 3233295 3584501 30386168 34445515 23522315 16834162 5236155 0 0.0000 0.0000 0.0000 0.0003 0.0000 0.0005 0.0025 0.0298 0.0319 0.0245 0.0168 0.0105 0.0104 0.0099 0.0111 0.0539 0.0054 0 0 0 72262 0 108252 571575 6789975 7269832 5590083 3838582 2386231 2378167 2260820 2525827 12302868 1220807 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 5 Continua 64 Continuação Eixo Triplo 29 - 30 28 - 29 27 - 28 26 - 27 25 - 26 24 - 25 23 - 24 22 - 23 21 - 22 20 - 21 19 - 20 18 - 19 17 - 18 16 - 17 15 - 16 10 - 15 5 - 10 <5 30 29 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 10 5 0.0000 0.0009 0.0062 0.0346 0.0307 0.0174 0.0083 0.0058 0.0065 0.0064 0.0051 0.0023 0.0033 0.0032 0.0028 0.0106 0.0104 0.0022 1.00 0 196159 1410943 7900085 7001308 3967070 1896374 1321812 1492945 1450947 1163743 520292 749405 718988 639623 2418903 2366073 491815 2.28E+08 65 ANEXO III Tráfego Composto para o Trecho Oeste Período de projeto, t: (30 anos) Taxa de crescimento, i (linear): (1.80%) Fator de eixo, FE: (2.41) Número de veículos: (9.47E+07) Número total de eixos: (2.28E+08) Carga por Eixo (tf) Eixo Simples 15 - 16 14 - 15 13 - 14 12 - 13 11 - 12 10 - 11 9 - 10 8-9 7-8 6-7 5-6 4-5 3-4 2-3 1-2 <1 Eixo Duplo 24 - 25 23 - 24 22 - 23 21 - 22 20 - 21 19 - 20 18 - 19 17 - 18 16 - 17 15 - 16 14 - 15 13 - 14 12 - 13 11 - 12 10 - 11 5 - 10 <5 Carga Adotada (tf) % (Total) No. 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0.0002 0.0000 0.0000 0.0002 0.0048 0.0422 0.0532 0.0213 0.0142 0.0157 0.1332 0.1510 0.1031 0.0738 0.0230 0.0000 53930 0 0 35593 1092574 9624589 12144396 4869033 3233295 3584501 30386168 34445515 23522315 16834162 5236155 0 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 5 0.0000 0.0000 0.0000 0.0003 0.0000 0.0005 0.0025 0.0298 0.0319 0.0245 0.0168 0.0105 0.0104 0.0099 0.0111 0.0539 0.0054 0 0 0 72262 0 108252 571575 6789975 7269832 5590083 3838582 2386231 2378167 2260820 2525827 12302868 1220807 Continua 66 Continuação Eixo Triplo 29 - 30 28 - 29 27 - 28 26 - 27 25 - 26 24 - 25 23 - 24 22 - 23 21 - 22 20 - 21 19 - 20 18 - 19 17 - 18 16 - 17 15 - 16 10 - 15 5 - 10 <5 30 29 28 27 26 25 24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 10 5 0.0000 0.0009 0.0062 0.0346 0.0307 0.0174 0.0083 0.0058 0.0065 0.0064 0.0051 0.0023 0.0033 0.0032 0.0028 0.0106 0.0104 0.0022 1.00 0 196159 1410943 7900085 7001308 3967070 1896374 1321812 1492945 1450947 1163743 520292 749405 718988 639623 2418903 2366073 491815 2.28E+08 67 ANEXO IV Dimensionamento do Pavimento de Concreto utilizando-se as Equações de Fadiga e de Erosão da PCA Notas: a) Os eixos tandem triplos foram considerados como 3 eixos simples para cálculo do consumo à fadig a. b) Pavimento possui barras de transferência e acostamento. Parâmetros de projeto k 80 . MPa (módulo de reação da fundação) m Sc 4.5 . MPa C1 0.9 C2 0.94 FSC (resistência à tração na flexão) (sub-base tratada quimicamente) (pavimento com acostamento de concreto) (fator de segurança da carga) 1.25 Características da placa h 24 . cm E 6 4 . 10 . psi µ 0.15 (espessura) 4 E = 2.758 10 MPa (módulo de elasticidade do concreto) (coeficiente de Poisson do concreto) Fatores de correção f1S 18 0.94 . 24 18 24 f1S = 1.017 f1T 36 (eixo simples) 0.94 48 f1T = 1.017 . 48 36 (eixo tandem) 68 (pavimento com acostamento) f2 1 f3 0.894 f4 1 1.235 . 0.85 f4 = 0.953 f1S. f2. f3. f4 FCS FCS = 0.866 FCT (fator de correção para eixo simples) f1S. f2. f3. f4 FCT = 0.866 (fator de correção para eixo tandem) Cálculo do raio de rigidez relativa 1 4 E. h 3 l 12 . k . 1 µ 2 l = 0.798 m Eixo Simples • MS Cálculo do Consumo de Resistência à Fadiga 970.4 1202.6 . log l in 53.587 . l . 0.8742 in 0.01088 . k psi 0.447 . lbf. in in in σS 6 . MS 2 h σS = 1.18 MPa σES FCS . σS σES = 1.022 MPa 69 16 53930 15 0 14 0 13 35593 12 1092574 11 9624589 10 12144396 9 PS . FSC . tf 8 3233295 7 3584501 6 30386168 5 34445515 4 23522315 3 16834162 2 5236155 1 0 σES. σES_Pi RTSi 4869033 NpS PSi 18 . kip σES_Pi Sc NadmS_Fadi 10 . 11.737 12.077RTS i 3.268 4.2577 RTSi if RTSi 0.55 0.4325 if 0.45 < RTSi< 0.55 ∞ otherwise RFS NpS NadmS_Fad sum( RFS) • q . 100 RFS Cálculo do Consumo de Resistência à Erosão 0.018 72.99 323.1 l l in in 2 1620 . psi 3 l in q = 0.019 MPa 70 q. q_Si PSi 18 . kip q_Si psi 268.7 . Poweri 2 h. k 0.73 in pci 14.524 6.777. C1.Power Nadm_Ero_Si 10 i 9.0 0.103 if Poweri. C1 9 ∞ otherwise 100 . C2 . RESi sum( RES) NpS i Nadm_Ero_Si RES Eixo Tandem Duplo • Cálculo do Consumo de Resistência à Fadiga MT 2005.4 1980.9 . log l in 99.008 . l . 0.8742 in 0.01088 . k psi 0.447 . lbf. in in in σT 6 . MT 2 h σT = 1.009 MPa σETD FCT . σT σETD = 0.874 MPa 71 PTD 25 0 24 0 23 0 22 72262 21 0 20 108252 19 571575 18 6789975 17 . FSC . tf NpTD 7269832 16 5590083 15 3838582 14 2386231 13 2378167 12 2260820 11 2525827 10 12302868 5 1220807 σETD. σETD_Pi PTDi 36 . kip σETD_Pi RTTDi Sc NadmTDi 10 . 11.737 12.077RTTD i 4.2577 RTTDi 0.4325 if RTTDi 0.55 3.268 if 0.45 < RTTDi< 0.55 ∞ otherwise RFTD NpTD . 100 NadmTD sum( RFTD) RFTD 72 • Cálculo do Consumo de Resistência à Erosão q 0.0345 146.25 2385.6 2 l l in in 23848 . psi l 3 in q = 0.021 MPa q. q_TDi PTDi 36 . kip q_TDi psi 268.7 . Poweri 2 h. k 0.73 in pci 14.524 6.777. C1.Power Nadm_Ero_Di 10 i 9.0 0.103 if Poweri. C1 9 ∞ otherwise REDi 100 . C2 . NpTDi Nadm_Ero_Di Eixo Tandem Triplo • MS Cálculo do Consumo de Resistência à Fadiga 970.4 1202.6 . log l in 53.587 . l . 0.8742 in 0.01088 . k psi 0.447 . lbf. in in in σS 6 . MS 2 h σS = 1.18 MPa σES FCS . σS σES = 1.022 MPa 73 PTT 30 0 29 196159 28 1410943 27 7900085 26 7001308 25 3967070 24 1896374 23 1321812 22 21 . FSC . tf NpTT 1492945 1450947 20 1163743 19 520292 18 749405 17 718988 16 639623 15 2418903 10 2366073 5 491815 PTTi σES. σES_Pi 3 18 . kip (Dividiu-se a carga por 3) σES_Pi σETT_Pi 3 σETT_Pi RTTTi Sc NadmTTi 10 . 11.737 12.077RTTT i 4.2577 RTTTi 0.4325 if RTTTi 0.55 3.268 if 0.45 < RTTTi< 0.55 ∞ otherwise RFTT NpTT . 100 NadmTT 74 • Cálculo do Consumo de Resistência à Erosão q 0.0345 146.25 2385.6 l l in in 23848 . psi 3 l 2 in q = 0.021 MPa q. q_TTi PTTi 54 . kip q_TTi psi 268.7 . Poweri 2 0.73 h. k in pci PowerTi 1.05 . Poweri 14.524 6.777. C1.PowerT Nadm_Ero_TTi 10 i 9.0 0.103 if PowerTi. C1 9 ∞ otherwise RETi 100 . C2 . NpTTi Nadm_Ero_TTi Resumo • Fadiga sum( RFS) = 51.869 sum( RFTD) = 0 sum( RFTT) = 0 Consumo_Fadiga sum( RFS ) sum( RFTD) sum( RFTT) Consumo_Fadiga= 51.869 • Erosão sum( RES) = 7.032 sum( RED) = 0.256 sum( RET) = 0 Consumo_Erosao sum( RES) sum( RED) sum( RET) Consumo_Erosao = 7.287 75 Resultado Final Consumo_Fadiga= 51.869 Consumo_Erosao = 7.287 Notas. a) Caso se adotasse uma espessura de 23 cm, o consumo de resistência à fadiga e à erosão seria igual, respectivamente, a 130% e a 22%. b) No caso de se adotar uma espessura de 24 cm, o consumo de resistência à fadiga e à erosão é igual, respectivamente, a 52% e a 7% . Sendo assim, o critério de ruína limitante é a fadiga, sendo então necessária uma espessura de 24 cm. 76 ANEXO V Verificação do Dimensionamento do Pavimento de Concreto do Rodoanel, quanto ao critério de Ruptura por Fadiga da Placa de Concreto, utilizando-se um algoritmo baseado na análise dimensional. Parâmetros de projeto k 80 . MPa (módulo de reação da fundação) m Sc 4.5 . MPa C1 0.9 C2 0.94 FSC (resistência à tração na flexão) (sub-base tratada quimicamente) (pavimento com acostamento de concreto) 1.25 (fator de segurança da carga) Características da placa h 24 . cm E 4 6 4 . 10 . psi E = 2.758 10 µ 0.15 (espessura) MPa (módulo de elasticidade do concreto) (coeficiente de Poisson do concreto) Fatores de correção 18 f1S 0.94 . 24 18 24 f1S = 1.017 36 f1T 0.94 48 f1T = 1.017 f2 1 (eixo simples) . 48 36 (eixo tandem) (pavimento com acostamento) 77 f3 0.894 f4 1 1.235 . 0.85 f4 = 0.953 f1S. f2. f3. f4 FCS FCS = 0.866 FCT (fator de correção para eixo simples) f1S. f2. f3. f4 FCT = 0.866 (fator de correção para eixo tandem) Cálculo do raio de rigidez relativa 1 4 E. h 3 l 12 . k . 1 µ 2 l = 0.798 m Correção no raio devido ao espaçamento S entre as rodas duplas (perpendicularmente à borda) S 12 . in a 12 . cm aeqs 0.909 S = 0.305 m 0.339485 . S a + 0.301805 . . a l S a 3 (espaçamento entre rodas duplas) 0.103946 . 0.034664 . a l 0.017881 . 2 S . a a l 2 S 2 a 0.001 . 0.045229 . 2 S .a a l 0.000436 . S a 3 ... . a 3 S .a a l aeqs = 0.197 m Correção na tensão devido ao comprimento D do eixo D D 3 D l 72 . in D = 1.829 m = 0.61 m = 2.291 78 FatorD 1 0.26935303 . 0.15743211 + 0.003486 . l aeqs l 0.357644 . l D 0.0589073 . l D 2 ... if D l 3 3 D 1 otherwise FatorD = 1.054 Correção na tensão devido ao comprimento L da placa 180 . in L L l L = 4.572 m = 5.727 aeqs 0.582282 0.533078. l FatorL L 0.181706. l L 0.019824. l 2 aeqs . L L 0.109051. if 5 l l l 1 otherwise FatorL = 1 Eixo simples PS 16 53930 15 0 14 0 13 35593 12 1092574 11 9624589 10 12144396 9 . 1 . FSC . tf 8 2 NpS 4869033 3233295 7 3584501 6 30386168 5 34445515 4 23522315 3 16834162 2 5236155 1 0 79 aeq aeqs σESi + 0.131. ... . 3 aeq 3 .( 1 µ ) .PSi π.( 3 2 µ ) . ( h) + µ ) . PSi π.( 3 µ ) . ( h) 2 . ln E. h 3 100. k . aeq 3 3 µ 1 1.18 . ( 1 2 µ µ 1 2 4. 1.84 4 100. k . aeq 4. 1.84 4 E.h . ln l 3.( 1 3 2.µ ) . 1.18. ( 1 µ ... if aeq l > 0.5 aeq l 2 .µ ) . aeq l otherwise σESi. FCS . FatorD. FatorL σeqESi • 2 aeq 0.0621. l 1 Correção na tensão devido à transferência de carga por inter travamento dos agregados AGG 25000 . psi AGG = 172.369 MPa AGG k .l AGGkl AGGkl = 2.7 FatorAGG 0.84692 . 1.04284 aeq + 0.63417 . 0.99864 aeq l 2 0.0042 . ln l 0.51237 . + 0.015936 . 0.09299 .ln aeq l 2 AGG k.l 0.0762 .ln aeq . AGG ln l k .l AGG k.l 2 0.06837 . 0.000629 . AGG k.l aeq . l ln AGG ... k.l aeq . AGG ln l k .l 0.00315 . ln AGG k .l if aeq l > 0.5 3 2 ... otherwise 2 FatorAGG = 0.8 σS_AGGi RTSi FatorAGG. σeqESi σS_AGGi Sc NadmS_Fadi 10 . 11.737 12.077RTS i 4.2577 RTSi 0.4325 if RTSi 0.55 3.268 if 0.45 < RTSi< 0.55 ∞ otherwise RFS NpS NadmS_Fad sum( RFS) . 100 RFS 80 sum( RFS) = 83.732 Eixo tandem duplo • t Correção devido ao espaçamento t entre os eixos 50 . in aeqt t = 1.27 m 0.74761 . ln 2.199479 . ln aeqs aeqs l 2 t . ln aeqs aeqs l + 0.486597 . ln aeq t 0.29507 . ln aeqs 3 t 2 t . aeqs ... 0.028116 . ln aeqs aeqs 3 l aeqt 25 0 24 0 23 0 22 72262 21 0 20 108252 19 571575 18 PTD 0.548071 . ln 6789975 .1. 17 2 16 FSC . tf NpTD 7269832 5590083 15 3838582 14 2386231 13 2378167 12 2260820 11 2525827 10 12302868 5 1220807 σETDi 1 0.0621 . + 0.131 . 3 .( 1 π. ( 3 σeqETDi aeq aeq l 2 ... . 3 3 .( 1 µ ) . PTDi π.( 3 µ ) .( h) 2 l µ ) . PTD i. 2 µ ) . ( h) E. h 3 ln 4 100 .k . aeq 1.84 E.h 3 . ln 100 . k . aeq 1 µ 1.18 . ( 1 + 2 4. 3 4 µ µ 1 2 1.84 4. 3 2 .µ ) . 1.18 . ( 1 µ ... if aeq l > 0.5 aeq l 2 .µ ) . aeq l otherwise σETDi. FCT . FatorD. FatorL 81 • Correção na tensão devido à transferência de carga por inter travamento dos agregados AGG 25000 . psi 1 2 8 AGG = 1.724 10 kg m sec AGG k .l AGGkl AGGkl = 2.7 aeq l = 0.66 FatorAGG 1.04284 0.84692. aeq + 0.63417. 0.99864 2 l 0.09299.ln 0.0042. ln l 0.51237. + 0.015936. aeq aeq l AGG k. l 0.0762.ln 2 aeq . AGG ln l k.l AGG k .l 2 0.06837. 0.000629. AGG k .l aeq . l ln AGG ... k .l aeq . AGG ln l k .l 0.00315. ln AGG k .l if aeq l > 0.5 3 2 ... otherwise 2 FatorAGG = 0.72 σTD_AGGi FatorAGG. σeqETDi σTD_AGGi RTTDi Sc NadmTDi 10 . 11.737 12.077RTTD i 4.2577 RTTDi 0.4325 if RTTDi 0.55 3.268 if 0.45 < RTTDi< 0.55 ∞ otherwise RFTD NpTD . 100 NadmTD sum( RFTD) RFTD sum( RFTD) = 0 82 Eixo tandem triplo Nota. Os eixos tandem triplo serão aqui considerados como três eixos simples. Sendo assim, não haverá correção quanto à distância t entre os eixos. aeq PTT aeqs 30 0 29 196159 28 1410943 27 7900085 26 7001308 25 3967070 24 1896374 23 1321812 22 . 1 . 1 . FSC . tf 21 2 3 (Dividiu-se a carga por 3) 1492945 NpTT 1450947 20 1163743 19 520292 18 749405 17 718988 16 639623 15 2418903 10 2366073 5 491815 σETTi 1 0.0621 . + 0.131 . σeqETTi aeq aeq 2 l 3 ... . 3.( 1 µ ) . PTTi π .( 3 µ ) . ( h) 2 l 3 .( 1 µ ) .PTT π. ( 3 µ ) .( h) i. 2 E .h 3 ln 4 100 .k .aeq 1.84 E. h 3 . ln 100 . k . aeq 1 µ + 1.18 .( 1 2 4. 3 4 µ µ 1 2 1.84 4. 3 2.µ ) . 1.18 . ( 1 µ ... if aeq l > 0.5 aeq l 2 .µ ) . aeq l otherwise σETTi. FCT . FatorD. FatorL 83 • Correção na tensão devido à transferência de carga por inter travamento dos agregados AGG 25000 . psi 1 2 8 AGG = 1.724 10 kg m sec AGG k .l AGGkl AGGkl = 2.7 aeq l = 0.25 FatorAGG 1.04284 0.84692 . aeq + 0.63417 . 0.99864 2 l 0.09299 .ln 0.0042 . ln l 0.51237 . + 0.015936 . aeq aeq l AGG k.l 0.0762 .ln 2 aeq . AGG ln l k .l AGG k.l 2 0.06837 . 0.000629 . AGG k.l aeq . l ln AGG ... k.l aeq . AGG ln l k .l 0.00315 . ln AGG k .l if aeq l > 0.5 3 2 ... otherwise 2 FatorAGG = 0.8 σTT_AGGi FatorAGG. σeqETTi σTT_AGGi RTTTi Sc NadmTTi 10 . 11.737 12.077RTTT i 4.2577 RTTTi 0.4325 if RTTTi 0.55 3.268 if 0.45 < RTTTi< 0.55 ∞ otherwise RFTT NpTT . 100 NadmTT sum( RFTT) RFTT Resumo sum( RFS) = 74.713 sum( RFTD) = 0 sum( RFTT) = 0 84 Consumo_Fadiga sum( RFS ) sum( RFTD) sum( RFTT) Consumo_Fadiga= 74.713 Resultado Final Consumo_Fadiga= 74.713 Notas: a) Caso se adotasse uma espessura de 23 cm, o consumo de resistência à fadiga seria igual 190%. b) No caso de se adotar uma espessura de 24 cm, o consumo de resistência à fadiga passa a ser 75%. Sendo assim é necessária uma espessura de placa igual a 24 cm. 85