VANDERLEI OLIVEIRA DOS SANTOS
CAMISETA ESCOLAR:AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE NA REDE PÚBLICA
DE ENSINO
Dissertação apresentada ao Mestrado
Profissional em sistema de Gestão da
Universidade Federal Fluminense do Rio
de Janeiro/Latec como requisito parcial
para obtenção do Grau de mestre em
Sistema de Gestão pela Qualidade Total.
Niterói
2006
VANDERLEI OLIVEIRA DOS SANTOS
CAMISETA ESCOLAR:AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE NA REDE PÚBLICA
DE ENSINO
Dissertação apresentada ao Mestrado
Profissional em sistema de Gestão da
Universidade Federal Fluminense do Rio
de Janeiro/Latec como requisito parcial
para obtenção do Grau de mestre em
Sistema de Gestão pela Qualidade Total.
Aprovada em _____/_____/_____
BANCA EXAMINADORA
_______________________________________________
Prof. Fernando Toledo Ferraz, D.Sc. – orientador
Universidade Federal Fluminense
_______________________________________________
Prof. Eduardo Linhares Qualharini, D.Sc.
Universidade Federal Fluminense
_______________________________________________
Prof. Ricardo Manfredi Naveiro, D.Sc.
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Dedico este trabalho
Às três mulheres da minha vida, Lu, esposa, companheira e amada e as minhas queridas e
adoráveis filhas Gabriela e Larissa.
AGRADECIMENTOS
A UFF/Latec pelos ensinamentos.
A Diretoria da Qualidade do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e
Qualidade Industrial pela oportunidade concedida .
Ao Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil por minha formação e cultura
têxtil.
A Márcia Rosa pela confiança e apoio incondicional.
Aos amigos Leite, Trajano, Carlos Roberto, Ademir, Valdir, Lívia, Andréa, Luiz
Cláudio, José Reinaldo, Alex e aos demais colegas da Divisão de Fiscalização e Verificação
da Conformidade pela paciência, colaboração e incentivo.
As Secretarias de Educação pela cordialidade e presteza no fornecimento das
informações e amostras.
Ao meu orientador Professor Doutor Fernando Ferraz pela confiança depositada no
meu trabalho, sugestões e orientações.
A minha esposa Lu, sempre disponível em me ajudar.
Aos professores e colegas de turma do mestrado, pela valiosa troca de experiências,
em especial ao meu grupo de trabalho Aldoney, Sidney, Júlio e Wagner.
Aos colegas dos Órgãos delegados da Rede Brasileira de Metrologia Legal e
Qualidade - Inmetro pela atenção e disposição em colaborar.
Aos amigos Sérgio Dias, Salomão, Erasmo e Sylvio Napoli da Abit pelas
contribuições úteis.
A Helena Rego e aos demais colegas da biblioteca do Inmetro.
A Deus, pois só Ele para tornar tudo isto possível.
“A camiseta é um dos principais instrumentos de
integração nacional. Usada por todas as classes sociais,
independente de sexo, idade ou raça”
Vitalina Alves de Lima
historiadora
RESUMO
Neste trabalho foram estudados os aspectos de qualidade e os processos de avaliação da
conformidade no recebimento de camisetas, que compõe a maioria dos uniformes dos alunos
da Rede Estadual e Municipal de Ensino do País. Foram destacadas as principais
características das fibras e dos tecidos e, também dos aspectos inerentes à confecção de
camisetas. Nesta dissertação foi evidenciada a importância da especificação técnica com
requisitos de qualidade mínimos, para garantir maior durabilidade e melhor aparência às
camisetas adquiridas pelos Órgãos Públicos, possibilitando também informar, objetivamente,
ao fabricante o que deve ser produzido e quais as tolerâncias aceitáveis para os requisitos
exigidos. Esta pesquisa apresenta recomendações para o estabelecimento de requisitos de
qualidade de camisetas escolares e orienta a avaliação em laboratórios acreditados pelo
Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial - Inmetro das amostras
entregues no processo de licitação e dos lotes fornecidos.
Palavras-chaves: camiseta, produto têxtil, qualidade, requisitos, especificação, avaliação da
conformidade
ABSTRACT
This dissertation is related with the control of quality and requirements for the supply of the
shirts to be used as uniform by the students of the Brazilian State School System; the main
important properties of the fibre and textile as well the recommendations for the proper
manufacturing of those shirts were highlighted. This dissertation shows clearly the need of a
technical specifications, informing the minimum requirements to be complied by
manufacturer in order to guarantee the higher durability and better appeareance for the
referred shirts to be bought by the Brazilian Government, esides that, it also informs how the
shirts shall be furnished and all the acceptable tolerances. Some
recommendations
were
presented in this work, in order to stabilish the quality requirements for the uniform shirts
supply. Those recommendations also works as a “guideline” for the correct analysis of the
shirts samples received by the laboratories accreditated by the National Institute of
Metrology, Standardization and Industrial Quality -
Inmetro during the technical
evaluation stage during a public bid process.
Keywords: t-shirt, textile product, quality, requirements, specifications, conformity
assessment
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Quadro 1
Símbolos de cuidados de conservação de produtos têxteis
38
Quadro 2 -
Detalhamento do questionário utilizado
45
Figura 01
Modelo de itens verificados na etiqueta de um produto têxtil
confeccionado
50
Figura 02
Equipamento para ensaio de solidez da cor à lavagem
54
Figura 03
Perspirômetro – Equipamento para ensaio de solidez da cor ao suor
55
Figura 04
Testador de pilling
57
Figura 05
Aspecto do corpo de prova após ensaio de pilling
67
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 01
Aquisição de camisetas pelas secretarias
58
Gráfico 02
Utilização de especificações pelas secretarias
59
Gráfico 03
Realização de inspeção/ensaios em amostras antes da compra
62
Gráfico 04
Realização de inspeção/ensaios em lotes fornecidos
63
Gráfico 05
Percepção das secretarias da qualidade das camisetas adquiridas
63
Gráfico 06
Conformidade das amostras de camisetas ensaiadas
64
LISTA DE TABELAS
Tabela 01
Camisetas - Medida referencial do corpo humano: tórax –
masculino
Tabela 02
39
Camisetas - Medida referencial do corpo humano: tórax – feminino
39
Tabela 03
Camisetas - Medida referencial do corpo humano: tórax – infantil
39
Tabela 04
Distribuição do envio e recebimento de questionários pelas regiões
do País
46
Tabela 05
Distribuição da coleta de amostras pelas regiões do País
47
Tabela 06
Relação entre reclamações recebidas e ensaios físico/químicos
47
Tabela 07
Comportamento à chama das principais fibras têxteis utilizadas na
fabricação de camisetas
51
Tabela 08
Solubilidade de diversas fibras têxteis
52
Tabela 09
Requisitos de construção e de qualidade das especificações
avaliadas
60
Tabela 10
Uso e abrangência das especificações técnicas avaliadas
61
Tabela 11
Principais problemas relatados nas camisetas adquiridas pelas
Secretarias de Educação
Tabela 12
61
Resumo da avaliação realizada nas Secretarias de Educação que
forneceram amostras para inspeção e ensaios
65
LISTA DE ABREVIATURAS
a.C
Antes de Cristo
B1
Procedimento de lavagem citado na Norma NBR 12597
cm
Centímetro
Ed.
Edição
g
Gramas
G
Tamanho grande
GG
Tamanho extragrande
g/m2
Gramas por metro quadrado
ºC
Graus centígrados
mm
Milímetro
M
Tamanho médio
m2
metro quadrado
n
Tamanho da amostra
Ne
Número inglês
P
Tamanho pequeno
PP
Tamanhoextrapequeno
Pág.
Página
pH
Potencial de hidrogênio
Tex
Unidade internacional para expressar títulos têxteis
%
Porcento
LISTA DE SIGLAS
AATCC
American Association of Textile Chemists and Colorists
Abit
Associação Brasileira da Indústria Têxtil
ABNT
Associação Brasileira de Normas Técnicas
ASTM
American Society for Testing and Materials
BNDES
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
BS
Brithish Standard
CB
Comitê Brasileiro
Cetiqt
Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil
CNPJ
Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas
Comlurb
Companhia Municipal de Limpeza Urbana
Conmetro
Conselho Nacional de Normalização, Metrologia e Qualidade Industrial
Divec
Divisão de Fiscalização e Verificação da Conformidade
Fiec
Federação das Indústrias do Estado do Ceará
GLP
Gás Liquefeito de Petróleo
Idec
Instituto de Defesa do Consumidor
IEC
International Electricaleletronic Community
INEP
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
Inmetro
Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
INPM
Instituto Nacional de Pesos e Medidas
ISO
International Organization for Standardization
MARE
Ministério da Administração e Reforma do Estado
NBR
Norma Brasileira Registrada
RNML
Rede Nacional de Metrologia Legal
RBMLQ-Inmetro
Rede Brasileira de Metrologia Legal e Qualidade-Inmetro
SBAC
Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade
Senai
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
UFF
Universidade Federal Fluminense
Uneef
Unidade de Negócios de Estudos e Ensaios Físicos
Uneeq
Unidade de Negócios de Estudos e Ensaios Químicos
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO
16
1.1
DESCRIÇÃO DO PROBLEMA
16
1.2
OBJETIVOS DA PESQUISA
17
1.3
ROTEIRO DO TRABALHO
17
2
REVISÃO DA LITERATURA
19
2.1
INDÚSTRIA TÊXTIL
19
2.1.1
Histórico
19
2.1.2
Panorama do Setor têxtil
20
2.2
CAMISETA
21
2.2.1
Histórico
21
2.3
NORMALIZAÇÃO
22
2.3.1
Conceitos
22
2.3.2
ABNT
23
2.3.3
Especificações
23
2.3.4
Experiências bem sucedidas no campo da Normalização de Roupas
profissionais
24
2.3.4.1
Forças armadas
24
2.3.4.2
Companhia Municipal de Limpeza Urbana – Comlurb
25
2.4
FIBRAS TÊXTEIS
25
2.4.1
Principais fibras têxteis utilizadas na fabricação de tecidos para
camisetas escolares
25
2.4.1.1
Algodão
26
2.4.1.2
Viscose
27
2.4.1.3
Poliéster
27
2.4.1.4
Poliamida
28
2.4.2
Propriedades das Fibras Têxteis
28
2.4.2.1
Comprimento
29
2.4.2.2
Tipo
29
2.4.2.3
Finura
29
2.4.2.4
Maturidade
30
2.4.2.5
Resistência
30
2.4.2.6
Absorção de umidade
30
2.4.2.7
Resiliência
31
2.5
TECIDOS DE MALHA
31
2.5.1
Composição
31
2.5.2
Tipo de fio
32
2.5.3
Estrutura
32
2.5.4
Título do fio
32
2.5.5
Gramatura
33
2.5.6
Tendência à formação de pilling
33
2.5.7
Alteração dimensional
34
2.5.8
Espiralidade
35
2.5.9
Solidez da Cor
35
2.5.9.1
Solidez da cor à luz
35
2.5.9.2
Solidez da cor à lavagem
36
2.5.9.3
Solidez da cor à fricção
36
2.5.9.4
Solidez da cor ao suor
36
2.5.9.5
Solidez da cor à ação do ferro de passar à quente
36
2.6
PRODUTO CONFECCIONADO
37
2.6.1
Etiquetagem
37
2.6.1.1
Informação da composição do produto
37
2.6.1.2
Informações de conservação do produto
37
2.6.2
Tamanhos
38
2.7
AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE
40
2.7.1
Verificação da Conformidade
40
2.7.2
Fiscalização
41
3
METODOLOGIA
43
3.1
MÉTODO UTILIZADO
43
3.2
LIMITAÇÕES DA PESQUISA
43
3.3
ETAPAS DA PESQUISA
43
3.3.1
Pesquisa de campo
44
3.3.1.1
Questionário
44
3.3.1.2
Pré-testagem do questionário
46
3.3.1.3
Amostragem
46
3.3.2
Coleta de amostras
47
3.3.3
Seleção dos ensaios realizados
48
3.3.4
Metodologia de inspeção/ensaios realizados
49
3.3.4.1
Condições de ambiente para condicionamento e ensaios das amostras
49
3.3.4.2
Verificação de medidas
49
3.3.4.3
Conferência de etiquetagem
50
3.3.4.4
Ensaio de Composição
51
3.3.4.5
Ensaio de Gramatura
52
3.3.4.6
Ensaio de Título do fio
53
3.3.4.7
Ensaio de Solidez da cor à lavagem
53
3.3.4.8
Ensaio de Solidez da cor ao suor
55
3.3.4.9
Ensaio de Torção das costuras após a lavagem
56
3.3.4.10
Ensaio de Estabilidade dimensional
56
3.3.4.11
Ensaio de Tendência à formação de pilling
57
4
APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
58
4.1
CODIFICAÇÃO DAS SECRETARIAS
58
4.2
AQUISIÇÃO DE CAMISETAS PELAS SECRETARIAS – PERGUNTA 1
58
4.3
ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS
59
4.3.1
Utilização de especificações técnicas – Pergunta 6
59
4.3.2
Avaliação das especificações utilizadas pelas secretarias
59
4.4
RECLAMAÇÕES DOS USUÁRIOS - PERGUNTA 2
61
4.5
REALIZAÇÃO DE INSPEÇÃO/ENSAIOS EM AMOSTRAS
62
4.6
62
4.9
REALIZAÇÃO DE INSPEÇÃO/ENSAIOS EM LOTES FORNECIDOS PERGUNTA 8
QUALIDADE DAS CAMISETAS - PERCEPÇÃO DAS SECRETARIAS
– PERGUNTA 5
ABRANGÊNCIA DAS ESPECIFICAÇÕES –PERCEPÇÃO DAS
SECRETARIAS – PERGUNTA 9
INSPEÇÃO/ENSAIOS REALIZADOS NAS CAMISETAS
64
4.9.1
Avaliação dos resultados dos ensaios
67
4.10
CONSIDERAÇÕES GERAIS
70
5
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
71
REFERÊNCIAS
74
APÊNDICE
78
ANEXO
79
4.7
4.8
63
64
16
1 INTRODUÇÃO
A idéia deste trabalho surgiu há alguns anos no exercício das atividades técnicas junto a
Divisão de Fiscalização e Verificação da Conformidade - Divec do Instituto Nacional de
Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial – Inmetro (antiga Divisão Têxtil), quando
eram recebidas consultas sobre problemas de qualidade de uniformes escolares, problemas de
todas as espécies, em linguagem popular definidos como: “o produto encolhe, torce, deforma,
mancha, esgarça, puxa fio, dá bolinha, rasga, é transparente, perde a cor, a cor é diferente,
amarrota, compramos uma coisa e recebemos outra” , etc... E mais algumas dezenas de
relatos de insatisfação de consumidores (Responsáveis pela aquisição de uniformes das
Secretarias de Educação, diretores de escola, pais) com os produtos adquiridos. Na maioria
das vezes a orientação consistia em encaminhar para um laboratório de ensaio para que
pudesse ser feita uma análise no produto.
As situações descritas pelos consumidores, na maioria das vezes, permitiam identificar ações
desonestas de fornecedores que vendiam “gato por lebre”. A inexistência de especificações
técnicas de produto ou a existência de especificações muito vulneráveis, implicam em grande
“dor de cabeça” para os setores envolvidos na compra de produtos. Para minimizar estes
efeitos, os interessados procuram comprar os produtos sempre de um mesmo fornecedor ou
ainda, adotam especificações fornecidas por fabricantes as quais, normalmente, possuem
características que direcionam para o seu próprio produto. Em todas as situações, acabam
sempre pagando um valor muito superior ao real valor do bem.
1.1 DESCRIÇÃO DO PROBLEMA
O uniforme é um produto que democratiza o ambiente escolar. Os alunos precisam ser
tratadas com igualdade. O traje padronizado é uma forma de eliminar as diferenças que
possam inferiorizar alunos com baixo poder aquisitivo, além de melhorar a sua auto-estima,
proporcionando à escola um ambiente saudável para cumprimento dos objetivos pedagógicos.
A camiseta escolar, na maioria dos casos, único item fornecido aos alunos da Rede Pública de
17
Ensino, é um produto têxtil que possui características que podem apresentar falhas, caso não
sejam fabricadas com critérios de atendimento a requisitos de qualidade previamente
estabelecidos.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira –
INEP, em 2005 o número de alunos de educação básica (infantil, fundamental e médio)
matriculados em escolas municipais e estaduais no Brasil totalizam 49.100.307 (quarenta e
nove milhões, cem mil, trezentos e sete). Isto representaria aproximadamente 100 milhões de
camisetas por ano, caso todos os estabelecimentos fornecessem aos alunos duas camisetas
por ano.
Os órgãos responsáveis pela aquisição de uniformes, muitas vezes, encontram dificuldades
para realizar uma avaliação da conformidade no recebimento destes produtos. A falta de uma
especificação ou a utilização de especificações com critérios deficientes, pode conduzir a
aquisição de produtos com qualidade inferior.
1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA
Este trabalho visa avaliar a qualidade e os processos de avaliação da conformidade, no
recebimento de camisetas escolares pelas Secretarias Municipais e Estaduais de Educação
Brasileiras e, a partir da revisão da literatura, propor requisitos mínimos de qualidade para
garantir melhores níveis de durabilidade e aparência às camisetas escolares.
1.3 ROTEIRO DO TRABALHO
O presente trabalho pretende descrever a situação atual no recebimento das camisetas
escolares pelas Secretarias Municipais e Estaduais, explorando os aspectos inerentes à
especificação e sua abrangência, à percepção de qualidade do comprador, à avaliação da
conformidade no recebimento e à efetiva qualidade apresentada através de ensaios realizados
em amostras coletadas.
18
O Capítulo 2 apresenta a revisão da literatura que fornece o embasamento para justificar os
argumentos contidos no escopo deste trabalho. O Capítulo 6 apresenta o registro das
referências bibliográficas utilizadas.
A metodologia da Pesquisa é descrita no capítulo 3, apresenta o método utilizado, as
limitações da pesquisa e as etapas percorridas desde o levantamento das informações até a
realização dos ensaios nos produtos coletados. Os resultados são apresentados e discutidos no
capítulo 4 e as conclusões e recomendações no capítulo seguinte.
19
2 REVISÃO DA LITERATURA
Neste capítulo é realizada uma revisão histórica e uma apresentação dos conceitos teóricos
que tenham relação com o problema, tema desta dissertação.
A camiseta, objeto deste estudo, é um artigo confeccionado que está inserido no segmento
têxtil e de confecção. Nas páginas que se seguem, são apresentados os aspectos que
forneceram embasamento à pesquisa em termos históricos, teóricos e mercadológicos.
•
Segmentos Têxtil e de Confecção - histórico e panorama
•
Camisetas - histórico
•
Normalização - histórico e experiências relevantes
•
Propriedades das fibras têxteis utilizadas na fabricação de camisetas escolares
•
Características físico-químicas dos tecidos utilizados na fabricação de camisetas
escolares
•
Produto confeccionado - Aspectos relacionados à etiquetagem, confecção e
tamanhos
2.1 INDÚSTRIA TÊXTIL
2.1.1 Histórico
A indústria têxtil é considerada uma das mais antigas do mundo. Os homens nos seus
primórdios construíram seus abrigos com varas de madeira entrelaçadas com vime.
Preparavam suas camas entrelaçando o vime. Mais tarde, passaram a usar fibras mais macias
como o algodão, o linho, a lã e outros pêlos de animais. Data do ano 3.000 a.C, o mais antigo
registro do uso de tecido, no antigo império Egípcio. Os fios e tecidos eram obtidos através de
processo manual. Até o século XVIII, a Indústria têxtil manteve esta característica artesanal,
com fuso manual, torno de fiar de mão, torno de fiar de pedal e torno de fiar de Leonardo da
20
Vinci. A partir de 1700, houve grandes desenvolvimentos em equipamentos mecânicos, que
culminaram com a invenção do filatório de anéis por John Thorp. (RIBEIRO, 1984).
O tricô surgiu entre os árabes e as tribos nômades que divulgaram a técnica do Tibet à
Península Ibérica. A técnica utilizava agulhas de ponta virada e a lã dos rebanhos. No século
XVI começaram a ser produzidas malhas de seda. As agulhas passaram a ser retas e de ponta
mais ou menos afinada. Em 1589, William Lee inventou uma máquina para fabricar meias. A
revolução industrial iniciada no século XVIII influiu decididamente no desenvolvimento da
indústria de malharia. A Alemanha destacou-se na produção das máquinas (ANDRADE
FILHO et al. 1987).
2.1.2 Panorama do Setor têxtil
Em 2004, a cadeia produtiva têxtil teve um faturamento de US$ 25,1 bilhões, 5% acima das
vendas de 2003. Este desempenho coloca o Brasil em 5° lugar no ranking dos países
produtores, com uma produção de 7,2 bilhões de peças de vestuário por ano. O Brasil também
é o 5° em produção de confecção, o 3° em malha e o 2º em índigo. Apesar desses indicadores,
o Brasil só exporta 8% da sua produção, enquanto 92% são destinados ao mercado interno. As
vendas internas movimentaram US$ 23 bilhões, em 2004, contra US$ 2,1 bilhões exportados.
Para 2005, segundo a Abit, o setor têxtil, incluindo vestuário, deve exportar US$ 2,2 bilhões.
Um estudo da Abit revela que as exportações têxteis cresceram mais de 69%, entre 2001 e
2004, passando de US$ 1 bilhão para US$ 1,740 bilhão. No mesmo período, as exportações
tiveram um incremento de 24%, passando de US$ 274 milhões, em 2001, para US$ 340
milhões, em 2004 (JORNAL..., 2005).
21
2.2 CAMISETA
2.2.1 Histórico
Segundo Jofilly (1988), as primeiras camisas-de-meia apareceram no Brasil através dos
colonizadores, “era coisa de português”, usada como roupa de baixo, com a finalidade de
poupar a camisa dos efeitos da transpiração ou proteger do frio. No Brasil, em 1880 foi aberta
a primeira empresa no gênero, os irmãos Hermann e Bruno Hering fundaram a Companhia
Hering em Blumenau. A família, proveniente de Chemnitz, na Saxônia, Alemanha, já possuía
uma sólida tradição no ramo e se fixaram na produção de meias e de camisas-de-meia
voltadas para atender aos imigrantes.
Em 1913, a camiseta começou a fazer parte dos desenhos em quadrinhos. DE MASI, 1988,
cita, em seu artigo, o Personagem Pafúncio, que caracterizava um humilde pedreiro que,
mesmo após receber um prêmio nas corridas de cavalo e ficar rico, nunca abandonou os
hábitos de sua vida anterior: aproveitava as folgas para tirar o terno, arriar os suspensórios e
exibir uma surradíssima camiseta de baixo. Outro personagem a eternizar a camiseta foi o
marinheiro Popeye que, desde 1929, come o seu espinafre e desfila com a sua camiseta
listrada.
Frank Capra, (apud AUGUSTO, 1988) cineasta de Hollywood, em seu livro “The name above
the title” relata fatos curiosos como em seu filme “Aconteceu naquela noite” de 1934, em que
o ator principal, Clark Gable, em uma cena romântica, tirava o paletó, depois a gravata, em
seguida a camisa e por fim, a surpresa, estava sem a famosa camisa de baixo, os estúdios da
Columbia receberam inúmeras cartas de fabricantes e vendedores de roupa que protestavam
contra a vertiginosa queda na venda de camisas-de-meia. Em 1951, o cinema se redimiu com
os fabricantes de malha. Marlon Brando, no filme “Uma rua chamada pecado,” ao vestir uma
t-shirt (assim chamada por ter a sua modelagem na forma da vigésima letra do alfabeto)
mostrou seu tórax e braços em uma justíssima camiseta. Depois dele, James Dean e muitos
outros que marcaram época.
Para Muggiati (1988), a camiseta nos anos 60 passou a caracterizar a rebeldia de uma geração.
22
Os jovens ativistas do movimento anti-nuclear, principalmente na Inglaterra, escreviam
palavras de ordem em suas camisetas “Ban the bomb” e nos Estados Unidos “Make love not
war” em protesto contra a guerra do Vietnã. E as camisetas continuam até hoje como aliadas
de movimentos ecológicos, raciais e políticos.
A partir dos anos 70, as camisetas de malha passaram a integrar os uniformes de várias
escolas no país, suas características de elasticidade e seu baixo custo foram determinantes por
proporcionar aos alunos maior conforto e facilitar o acesso para as camadas menos
favorecidas da população.
2.3 NORMALIZAÇÃO
2.3.1 Conceitos
Normalização é uma atividade que estabelece, em relação a problemas existentes ou
potenciais, prescrições destinadas à utilização comum e repetitiva com vistas à
obtenção do grau ótimo de ordem em um dado contexto". O produto da
normalização é a Norma que consiste de "documento estabelecido por consenso e
aprovado por um organismo reconhecido, que fornece, para um uso comum e
repetitivo, regras, diretrizes ou características para atividades ou seus resultados,
visando à obtenção de um grau ótimo de ordenação em um dado contexto.
(ASSOCIAÇÃO..., 1998).
A normalização tem por objetivo reduzir a variedade de produtos, melhorar a troca de
informações entre fornecedor e consumidor, proteger a saúde, proteger os consumidores e
eliminar barreiras técnicas e comerciais. Os benefícios qualitativos gerados pela
Normalização consistem na utilização adequada de recursos, na uniformização da produção,
em recurso para facilitar o treinamento da mão de obra, no registro de conhecimento
tecnológico e para facilitar a contratação ou venda de tecnologia. Em termos quantitativos, os
benefícios permitem reduzir o consumo de materiais, o desperdício e a variedade de produtos,
padronizar componentes e equipamentos, fornecer procedimentos para cálculos e projetos,
aumentar a produtividade e melhorar a qualidade. As normas podem ser de classificação,
terminologia, método de ensaio, padronização, especificação e procedimento. (A ABNT...,
2005).
23
2.3.2 ABNT
Fundada em 1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT é uma Entidade
privada, sem fins lucrativos, reconhecida como Fórum Nacional de Normalização Único
através da Resolução número 07 do Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e
Qualidade Industrial - CONMETRO, de 24 de agosto de 1992. Possui 53 Comitês Brasileiros,
cada comitê possui comissões de estudo que são responsáveis pela elaboração do Plano
Nacional de Normalização Setorial e da elaboração, edição e revisão de Normas Técnicas. O
Comitê Brasileiro responsável pela elaboração de Normas do segmento têxtil é o Comitê
Brasileiro de Têxteis - CB-17.
Para a elaboração de uma Norma é necessário que a sociedade expresse a necessidade de têla. O Comitê Brasileiro faz uma análise do tema, o inclui no seu Programa de Normalização
Setorial e cria uma comissão de estudo com participantes de diversos segmentos da Sociedade
(produtores, consumidores e neutros). A comissão elabora um projeto de norma, que é
submetido à consulta pública. As sugestões obtidas são analisadas pela comissão e o projeto é
então aprovado, homologado e publicado (A ABNT..., 2005).
2.3.3 Especificações
"Documento que estabelece requisitos técnicos a serem atendidos por um produto, processo
ou serviço" (ASSOCIAÇÃO..., 1998). Nos últimos anos tem havido uma grande demanda
para a produção de produtos têxteis a partir de especificações conhecidas. As reconhecidas
vantagens pelo uso das especificações incluem a prevenção de deterioração na qualidade dos
produtos pelo uso de matérias-primas inferiores, o melhor desempenho do produto e a
oportunidade do fabricante produzir exatamente o que é exigido pelo comprador. Neste caso,
presume-se que o comprador realmente sabe o que quer e que possui uma especificação com
critérios corretos. Infelizmente, o comprador nem sempre consegue explicar o que quer em
termos precisos. Isto conduz para especificações vagas com mais de uma interpretação e o
produto fornecido acaba não sendo adequado para o propósito pretendido. Devido à fragilidade
destas especificações, muitos problemas só acabam aparecendo após a compra dos produtos.
24
2.3.4 Experiências no campo da normalização de roupas profissionais
As experiências relatadas abaixo são frutos de entrevistas com profissionais que militam no
campo da normalização, tendo em vista não existir bibliografia disponível sobre o assunto.
2.3.4.1 Forças Armadas
A Normalização é uma atividade bastante antiga nos departamentos responsáveis pelo
suprimento de materiais das Forças Armadas. No passado mais remoto, as normas eram
baseadas em Normas militares estrangeiras, num segundo momento, as especificações
passaram a ser fornecidas pelos fabricantes. No caso de materiais têxteis, em 1982, foi
firmado um convênio entre o Ministério do Exército, o Inmetro e o Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial -Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil - Senai Cetiqt
para a elaboração de Normas Técnicas de uniformes do Exército Brasileiro (Setor de
Normalização- Senai Cetiqt, 2005).
A Marinha do Brasil, na mesma década, também implantou um departamento técnico que,
com o apoio do Senai Cetiqt, elaborou as Normas Técnicas para produtos têxteis. O
departamento possui um eficiente sistema de recebimento de materiais que se baseia em
receber as amostras acompanhadas de um relatório de ensaio, onde é feita uma avaliação para
definir se o produto atende às especificações e, só então, é avaliado o menor preço. Após a
entrega do material, uma amostragem é recolhida e encaminhada para ensaios, os resultados
são confrontados novamente com a especificação e, no caso de conformidade, os lotes são
recebidos. Relatos, inclusive de fabricantes, confirmam a eficiência do sistema, pois houve
uma seleção natural de fornecedores e, apenas fabricantes que possuem condições de produzir
e manter a qualidade exigida na especificação, empenham-se em fornecer tais produtos, tendo
em vista que uma devolução pode acarretar prejuízos incalculáveis para o fabricante (Setor de
Normalização – Senai-Cetiqt, 2005).
25
2.3.4.2 Companhia Municipal de Limpeza Urbana - COMLURB
Em 1976, a Companhia de Limpeza Urbana da Cidade do Rio de Janeiro -Comlurb, que
passava por diversos problemas na aquisição do uniforme de gari, resolveu contratar o SenaiCetiqt para realizar um estudo para a melhoria do tecido, que apresentava problemas de baixa
resistência mecânica e de solidez da cor. Na época, era especificado apenas a marca de um
tecido da qual apenas uma Indústria Têxtil detinha a concessão para a fabricação. Após a
elaboração da especificação, com exigências que garantiram melhor performance do produto,
outros fabricantes puderam participar da licitação e o processo foi expandido para os demais
produtos adquiridos pela Companhia. Hoje, a Comlurb é modelo perante os demais órgãos
municipais no recebimento e controle de materiais. O processo ganhou qualidade, eficiência e
transparência (Departamento de Materiais - Comlurb, 2005).
Este trabalho gerou uma Norma Brasileira a NBR 13917 – Material Têxtil - Tecido plano de
100% algodão para roupas profissionais e uniformes.
2.4 FIBRAS TÊXTEIS
2.4.1 Principais fibras têxteis utilizadas na fabricação de tecidos para camisetas
escolares
As fibras têxteis são unidades de matéria caracterizadas pela flexibilidade, finura e por uma
alta razão de comprimento e espessura (MORTON; HEARLE, 1997, p.3). Para a confecção
de camisetas escolares, são utilizadas, principalmente, fibras de algodão, de viscose, de
poliéster, de poliamida e suas misturas. Fibras de elastano são utilizadas eventualmente no
debrum ou gola. Para efeito deste estudo serão apresentadas apenas as principais
características das fibras relacionadas acima.
26
2.4.1.1 Algodão
O algodão é uma fibra celulósica natural cuja origem é desconhecida. Existem indícios que o
algodão teve sua origem no Egito no ano 12.000 a.C. e foi conhecido na Índia no ano 3.000
a.C..A fibra de algodão, no entanto, não era um produto exclusivo do velho mundo, hoje os
cientistas, têm obtido dados que indicam que os indígenas da América do Norte e do Sul, bem
como os povos da Ásia e da África, já usavam as fibras de algodão para a confecção de fios e
tecidos.(AGUIAR NETO, 1996).
A palavra “algodão” deriva do arábico “qoton” ou “gutum”, o que significa uma planta
encontrada numa terra conquistada. O algodão é classificado na ordem das Malváceas, sob o
nome de “Gossypium”. DE ROYLE (apud AGUIAR NETO, 1996) subdividiu a variedade em
quatro espécies primárias: (1) Gossypium inducum – de flor amarela, fibra curta e pode ser
encontrada no Egito, Ásia Menor, Índia, China e Arábia. (2) Gossypium Arboreum – flor
avermelhada e as sementes são envolvidas por flores amareladas, naturais do Egito, Índia
Ocidental e América do Sul. (3) Gossypium hirsutum - espécie importante, que abrange os
algodões de fibra média, originário dos Estados Unidos da América. (4) Gossypium
barbadense é uma espécie nobre, fibra longa, a eles pertencem os algodões peruanos, egípcios,
alguns do Brasil, da América Central e das Índias Ocidentais.
A fibra do algodão se desenvolve na epiderme, na parede mais externa da semente. Cada fibra
é formada pelo crescimento de uma única célula dessa epiderme, que se alonga inicialmente
até seu crescimento máximo. A parede celular vai engrossando pelo depósito dos anéis nas
camadas internas. Cada anel de celulose consiste na realidade de duas camadas, uma camada
sólida e compacta e uma camada porosa. Este depósito de anéis demora de 65 a 70 dias,
quando ocorre a abertura dos capulhos e o período correto para a colheita.
Após a colheita, a fibra é descaroçada e embalada em fardos. O descaroçamento do algodão
(processo de separação da fibra da semente) até o século XVIII era realizado manualmente,
quando ELI WHITNEY (apud GONZAGA, 1996) inventou um descaroçador mecânico. Tal
equipamento tornou-se um dos fatores preponderantes para o progresso dos Estados Unidos
da América.
27
As Indústrias têxteis recebem as fibras na forma de fardo e as transformam em fios e em
tecidos.
2.4.1.2 Viscose
A viscose é uma fibra artificial obtida através da regeneração da celulose, extraída da polpa da
madeira. Em 1892, C.F. Cross, E. J. Bevan e Beadle descobriram o processo viscose e o
patentearam no mesmo ano. A produção da primeira fibra artificial foi então iniciada em
1905, em Coventry constituindo-se a primeira fibra artificial. Por ser constituída de elementos
naturais, é biodegradável, possui algumas características bem similares as da fibra de algodão,
macia ao toque, excelente porosidade, boa resistência ao calor, não funde, decompõe-se a 170
graus Centígrados e possui boa resistência aos solventes usados para a lavagem a seco. Não é
boa isolante térmica, devido ao elevado grau de absorção de umidade, de baixa resiliência,
possui baixa resistência à umidade e baixa resistência aos ácidos e álcalis concentrados. A
fibra apresenta uma seção transversal irregular e esta irregularidade proporciona a reflexão da
luz e tornam a fibra extremamente brilhante. As fibras são frisadas e cortadas em
comprimentos entre 32 e 38 mm. A frisagem e o corte neste comprimento permitem que as
fibras sejam processadas nas máquinas de fiação de algodão (AGUIAR NETO, 1996).
2.4.1.3 Poliéster
As fibras de poliéster são produzidas pela polimerização do ácido tereftálico, etileno glicol e
aditivos, obtendo-se o polietileno tereftalato. Por extrusão formam-se filamentos; em seguida
esses filamentos são frisados e cortados para obter fibras descontínuas. As fibras de poliéster,
geralmente, são cortadas em comprimentos de 32 a 38 mm para serem misturadas ao algodão
e à viscose (AGUIAR NETO, 1996).
28
2.4.1.4 Poliamida
A poliamida, segundo Aguiar Neto (1996), é conhecida por "Nylon" nos Estados Unidos e por
"Perlon" na Alemanha. É uma fibra manufaturada em que a substância formadora da fibra é
uma poliamida sintética de cadeia longa, em que menos do que 85% das ligações de amida se
acham diretamente ligadas a dois anéis aromáticos. A fibra tem um formato de vareta, dotada
de superfície macia.
Ela é uma fibra de peso leve, com excelente resistência geral e resistência à abrasão, só
ficando 10% mais fraca quando molhada. Possui muito boa elasticidade (habilidade de
aumentar o comprimento ao ser aplicada uma determinada tensão e de, em seguida, retornar
ao comprimento original quando essa tensão cessa) e boa resiliência (habilidade que um
material tem de assumir novamente a sua forma original depois de vincado, torcido ou
distorcido). A fibra tem bom caimento. Pode ser lavada ou limpa a seco (ARAÚJO;
CASTRO, 1984)
Tem como pontos desfavoráveis ser uma fibra hidrófoba (são aquelas que têm dificuldade de
absorver água ou que só são capazes de absorver uma pequena quantidade dela). A
eletricidade estática e o pilling são os seus problemas. Possui resistência deficiente à
prolongada e contínua exposição aos raios solares, o que torna esta fibra não satisfatória para
o uso em estofados, cortinas e móveis que fiquem expostos ao ar livre. (ARAÚJO; CASTRO,
1984)
2.4.2 Propriedades das fibras têxteis
Segundo Aguiar Neto (1996) e Gonzaga (1984), as principais propriedades das fibras
têxteis podem ser assim definidas.
29
2.4.2.1 Comprimento
É a dimensão da fibra em seu estado natural. As fibras de algodão possuem comprimento que
variam, geralmente entre 18 e 40 mm, são classificadas em fibras curtas (entre 18 e 28 mm),
fibras médias (entre 28 e 34 mm) e fibras longas (acima de 40 mm). Fibras de algodão mais
longas, geralmente, são mais finas e mais resistentes, desta forma podem ser utilizadas para a
fiação de fios mais finos.
As fibras artificiais e sintéticas podem ser fabricadas na forma de filamentos contínuos ou na
forma de fibras cortadas (descontínuas). Nesta segunda opção é possível haver mistura dessas
fibras com o algodão. Para isto, elas são cortadas em comprimentos de aproximadamente 40
mm e no processo de abertura dos fardos ou na forma de fitas, elas são misturadas.
2.4.2.2 Tipo
Característica específica da fibra de algodão. O tipo é uma classificação que varia de 1 a 9,
em que o tipo 1 representa o melhor grau de limpeza (praticamente isento de cascas,
sementes, folhas, matérias estranhas) e o tipo 9, o pior grau de limpeza (fabricação de
produtos têxteis de baixa qualidade).
2.4.2.3 Finura
É uma medida que tem relação com o diâmetro da fibra. Fibras muito finas, normalmente, são
mais longas e necessitam de um menor número de fibras na seção transversal do fio e,
também, de um menor número de torções ao serem fiadas, o que proporciona maior
rendimento na produção dos fios.
30
2.4.2.4 Maturidade
Característica específica da fibra de algodão. A maturidade é uma característica definida pela
espessura da parede secundária da fibra; quanto maior a espessura da parede secundária maior
a maturidade. Fibras imaturas são causadoras de diversos problemas no processamento têxtil
tais como: excesso de rupturas, neps e redução do poder de absorção de fios e tecidos.
2.4.2.5 Resistência
A resistência da fibra é a capacidade que a fibra tem de suportar uma carga até romper-se. O
algodão quando úmido apresenta aumento de resistência. A viscose apresenta redução de
resistência à umidade e o poliéster e a poliamida não sofrem alterações significativas com
alterações de umidade.
2.4.2.6 Absorção de umidade
Uma das mais importantes propriedades de uma fibra têxtil estão estritamente relacionadas ao
seu comportamento em várias condições de umidade. Muitas fibras são higroscópicas, isto é,
elas são capazes de fazer trocas com o ambiente na qual elas estão expostas, de absorver
vapor de água em uma atmosfera úmida e de perder água em uma atmosfera mais seca.
Algumas propriedades físicas das fibras são afetadas pela quantidade de água absorvida, as
dimensões, a resistência, a recuperação elástica, a resistência elétrica, rigidez e outras. Devido
a isto, os ensaios físicos, realizados em materiais têxteis, devem ser conduzidos em atmosfera
padrão para ensaios (que é) de (65 ± 2)% de umidade relativa e (20 ± 2)° Centígrados de
temperatura de acordo com a Norma NBR 8428 – Condicionamento de materiais têxteis para
ensaios .
O regain é a quantidade de água que as fibras absorvem a partir do seu estado seco, em
31
condições padrões de umidade e temperatura. As fibras de algodão apresentam regain de
8,5%, a viscose 13%, o poliéster 0,4% e a poliamida 4% .
2.4.2.7 Resiliência
É a propriedade que as fibras apresentam em voltar ao seu estado original tão logo seja
retirada a carga ou a força que as comprimia. O algodão e a viscose não apresentam boa
resiliência, enquanto o poliéster e a poliamida apresentam excelente resiliência.
2.5 TECIDOS DE MALHA
A seguir encontram-se relacionadas algumas propriedades físico-químicas de tecidos de
malha. As informações foram obtidas em Grover (1966), SMITH (1989) e nas Normas de
método de ensaio referente à característica descrita.
2.5.1 Composição
A composição do tecido é uma característica que está relacionada intrinsecamente a sensação
de conforto ao uso do tecido. Segundo a NBR 12744 – Fibras Têxteis, as fibras utilizadas na
fabricação de tecidos são divididas em duas categorias: as naturais, obtidas diretamente da
natureza (algodão, linho, rami, lã, seda, etc...) e as manufaturadas que se subdividem em
artificiais, fabricadas a partir de matérias-primas naturais (viscose, acetato, liocel, etc.). E as
sintéticas, fabricadas a partir da síntese de produtos químicos (poliéster, poliamida, acrílico,
etc..). A NBR 13538 – Material Têxtil – Análise Qualitativa e a NBR 11914 – Análise
quantitativa de materiais têxteis, apresentam os métodos para a determinação da composição
de materiais têxteis.
32
2.5.2 Tipo de fio
Os fios de algodão podem ser fabricados em três processos distintos, o cardado, o penteado e
o open-end. Os fios de melhor qualidade são os obtidos através do sistema penteado, pois,
neste processo, são eliminadas as fibras curtas e os fios apresentam melhor regularidade e
resistência.
2.5.3 Estrutura
Os tecidos podem ser construídos em estruturas planas ou em malhas. Os tecidos planos
caracterizam-se por possuir fios no sentido longitudinal, denominados fios de urdume e fios
no sentido transversal, denominados fios de trama. Tais tecidos possuem estrutura estável
com baixa elasticidade. Os tecidos de malha caracterizam-se por possuir características
maleáveis, elásticas, ideais para a fabricação de roupas com exigências de conforto.
Existem vários tecidos de malha que se diferenciam por sua estrutura, ou seja, a forma de
entrelaçamento ou de arranjo das agulhas nas máquinas de malharia. Dentre as diversas
estruturas encontram-se o jérsei plano (também denominadas meia-malha), interlock, rib ou
sanfona e outras. As camisetas tipo "t-shirt" possuem estrutura em jérsei plano (meia-malha).
As Normas NBR 13460 - Tecido de malha por trama - Determinação da estrutura e NBR
13462 - Tecido de malha por trama - Estruturas fundamentais - Terminologia orientam a
determinação e a descrição desta característica.
2.5.4 Título do fio
O título expressa uma medida de finura ou grossura de um fio. Existem diversos sistemas para
representar esta característica e os mais utilizados para fios de algodão são o Sistema Tex
(Unidade internacional para expressar títulos têxteis) que é definido como a massa de 1000
metros de fio e também no Sistema Inglês (Ne – Número inglês) que é definido como o
33
número necessário de meadas de 840 jardas para pesar 454 gramas. No sistema tex, quanto
mais fino o fio menor o seu título (um fio 30 tex é mais fino do que um fio 40 tex). No caso
do sistema inglês é o inverso, quanto mais fino o fio maior o seu título (um fio 30 Ne é mais
grosso do que um 40 Ne).
Um fio não apresenta ao longo de seu comprimento uma perfeita distribuição de massa.
Existem irregularidades aleatórias que, quando em excesso, afetam significativamente a
aparência futura do tecido onde ele será inserido e é necessário um controle da qualidade do
coeficiente de variação do título do fio para garantir uma boa apresentação do produto final
(GONZAGA, 1984).
Para determinar o título e o coeficiente de variação de fios em amostras retiradas de tecidos
utiliza-se a Norma NBR 13216 – Materiais Têxteis – Determinação do título do fio em
amostras de comprimento reduzido.
2.5.5 Gramatura
A gramatura de um tecido é expressa como a massa por unidade de comprimento e pode ser
representada em termos de gramas por metro quadrado (g/m2) ou gramas/metro linear (g/m).
É uma característica que, quando avaliada em conjunto com o nº de fios por unidade de
comprimento e com o título do fio, permite avaliar a contextura do tecido. A NBR 10591Materiais têxteis – Determinação da gramatura de tecidos descreve a metodologia para a
determinação da gramatura.
2.5.6 Tendência à formação de pilling
Pilling é um defeito caracterizado por pequenas bolinhas de fibras embaraçadas, presas na
superfície do tecido, dando ao produto uma aparência sofrível. O "pilling" é formado durante
o uso e a lavagem pelo entrelaçamento de fibras soltas que se sobressaem da superfície do
tecido. Sob a influência de uma ação de desgaste, as fibras soltas formam uma pequena
34
bolinha e permanecem presas ao tecido devido a algumas poucas fibras não rompidas. O
pilling normalmente ocorre em tecidos que possuem fibras sintéticas misturadas com fibras
naturais e/ou artificiais. As fibras naturais e artificiais são frágeis, facilmente se rompem e
embaraçam, formando o pilling; as fibras sintéticas (tais como o poliéster ou a poliamida) são
muito resistentes e retém o pilling, que vai se acumulando no tecido. Este defeito pode ser
amenizado pelo aumento do fator de torção dos fios, por processos mecânicos de redução de
penugem do tecido e por tratamentos químicos anti-pilling. Para identificar a resistência de
um tecido ao pilling existem vários métodos normalizados. A classificação é feita através da
indicação de um padrão de acordo com a formação menor ou maior de pilling. Este padrão,
segundo o método de ensaio da Brithish Standard – BS 5811 - Determination of fabric
propensity to surface fuzzing and pilling, varia entre 5 (nenhuma formação) e 0 (formação
excessiva).
2.5.7 Alteração dimensional
Os tecidos podem apresentar, após a lavagem, alterações em seu comprimento e/ou sua
largura. Tais alterações são agravadas quando são utilizadas fibras naturais e/ou quando o
tecido, no processo ou no manuseio, é submetido a tensões excessivas ou irregulares.
A recuperação das deformações impostas pelo processo de produção é geralmente
maior quando os ‘tecidos’ são imersos em água, sobretudo se esta for agitada e a sua
temperatura for elevada. Estas mudanças dimensionais são responsáveis pelo
encolhimento. (ARAÚJO; CASTRO, 1984, p. 1422)
Determinadas alterações podem representar em uma peça confeccionada, após a lavagem, até
a mudança de tamanho (por ex. passar do tamanho M para um tamanho P). A norma NBR
10320 – Materiais têxteis – Determinação das alterações dimensionais de tecidos planos e
malhas - Lavagem em máquina doméstica automática - demonstra o método para determinar
estas alterações.
35
2.5.8 Espiralidade
A espiralidade é um problema comum nos tecidos de jérsei plano. Caracteriza-se pela
inclinação da coluna da malha, provocando, principalmente em peças já confeccionadas,
torção nas costuras. Em uma camiseta pode ser percebido pelo entortamento das costuras
laterais, este defeito, geralmente, é acentuado após a lavagem do produto, quando então é
percebido. Segundo Smith (1989), "o grau de espiralidade das colunas acha-se intimamente
associado com o nível de torção viva do fio". Ainda segundo o autor, este defeito pode ser
amenizado pela alternância de torção ou pelo condicionamento do fio. Na confecção, deixar o
tecido aberto, retirar do rolo ou peça antes do corte e deixá-lo por um período de 24 horas,
também reduz acentuadamente este defeito. A Norma NBR 12958 – Confecções de tecidos de
malha – Determinação de torção, descreve o método para a sua determinação.
2.5.9 Solidez da Cor
Os tecidos coloridos podem apresentar alterações de cor motivadas por agentes externos, tais
como: luz solar, lavagem, suor, ferro de passar, cloro, água do mar, água de piscina, fricção e
outros. Da mesma forma, em algumas situações, também podem apresentar migração de cor
quando em contato com tecidos mais claros. Estes problemas são ocasionados por falhas no
processo de tingimento e podem produzir sérios problemas de manchas ou desbote, gerando
prejuízos irreparáveis à aparência do tecido.
A solidez da cor pode ser simulada em laboratório. Segue a descrição de algumas dessas
características que será alvo de estudo neste trabalho.
2.5.9.1 Solidez da cor à luz
A característica que o tecido possui de alterar ou não a sua cor mediante a exposição à luz
solar. A Norma NBR 12997 – Materiais têxteis – Determinação da solidez de cor à luz -
36
iluminação com arco de xenônio, prescreve o método para conduzir a avaliação.
2.5.9.2 Solidez da cor à lavagem
A característica que o tecido possui de alterar ou transferir a sua cor após ser submetido a um
procedimento que simula a ação de cinco lavagens. A Norma NBR 10597 – Materiais têxteis
– Ensaio de solidez de cor à lavagem - método acelerado, orienta a execução do ensaio.
2.5.9.3 Solidez da cor à fricção
A característica que o tecido possui de transferir a sua cor após ser friccionado contra um
tecido branco. O método para a realização do ensaio é descrito na Norma NBR 8432 –
Materiais têxteis – Determinação da solidez de cor à fricção.
2.5.9.4 Solidez da cor ao suor
A característica que o tecido possui de alterar e transferir a sua cor após ser submetido aos
efeitos de soluções que simulam os efeitos de suor, tanto ácido quanto alcalino. O método
para a realização do ensaio é descrito na Norma NBR 8431 – Materiais têxteis –
Determinação da solidez de cor ao suor.
2.5.9.5 Solidez da cor à ação do ferro de passar à quente
A característica que o tecido possui de alterar e transferir a sua cor após ser submetido
ao calor de um ferro de passar. O método para a realização do ensaio é descrito na NBR
10188 – Materiais têxteis – Determinação da solidez de cor à ação do ferro de passar à quente.
37
2.6 PRODUTO CONFECCIONADO
2.6.1 Etiquetagem
A Resolução Conmetro nº 02/2001 dispõe sobre a regulamentação técnica de etiquetagem de
produtos têxteis. Todo produto têxtil deve apresentar uma ou mais etiquetas com as seguintes
informações obrigatórias: nome, razão social ou marca do fabricante, identificação fiscal do
fabricante - CNPJ, País de origem, composição do produto, tratamento de cuidados para a
conservação e uma indicação de tamanho. Tais informações devem ser verídicas e estar em
caracteres facilmente e claramente legíveis, de modo indelével. Todas as informações, exceto
os símbolos de conservação, deverão ter uma altura mínima dos caracteres de 2 mm para
permitir boa visualização.
2.6.1.1 Indicação da composição do produto
A indicação da composição do produto é necessária para garantir ao consumidor o uso de
fibras que não proporcionem reações alérgicas ou na seleção de produtos mais nobres, com
características mais confortáveis ao uso, como é o caso da seda e do linho.
2.6.1.2 Informações de conservação do produto
As informações de cuidado para conservação devem ser fornecidas de acordo com a Norma
NBR 8719 e/ou texto reduzido previsto na Portaria Inmetro nº 172/2003 referindo-se a todos
os tratamentos na ordem de: lavagem, alvejamento a base de cloro, secagem, passadoria e
limpeza a seco. O Quadro 1 descreve os símbolos para a representação dos cuidados a serem
tomados com o produto.
Nota: Em 26 de dezembro de 2005, a Resolução Conmetro nº 02/2001 e a Portaria Inmetro nº
38
172/2003 foram revogadas e entrou em vigor a Resolução Conmetro nº 06/2005 e a Nota
técnica nº 001/2006 da Dqual-Inmetro. As modificações inseridas nos referidos documentos,
entretanto, não contrariam as informações apresentadas nesta dissertação.
SÍMBOLOS
TERMINOLOGIA
Lavagem
Alvejamento à base de cloro
Secagem
Passadoria
Lavagem a seco
Quadro 1 - Símbolos de cuidados de conservação de produtos têxteis
Fonte: NBR 8719 – Símbolos de Cuidados para Conservação de Artigos Têxteis - 1994
2.6.2 Tamanhos
A norma NBR 13377 (ASSOCIAÇÃO..., 1995c) padroniza os tamanhos de artigos do
vestuário, em função das medidas do corpo humano. Os valores especificados visam orientar
os consumidores de artigos do vestuário na escolha dos tamanhos nominais. Para camisetas,
39
são fornecidos valores de circunferência do tórax para os segmentos masculino, feminino e
infantil.
As Tabelas de 1 a 3 fornecem os valores referenciais do tórax humano como base mínima
para orientar a modelagem na confecção de camisetas.
Tabela 1 – Camisetas - Medida referencial do corpo humano: tórax - masculino
Circunferência
do tórax (cm)
Tamanhos
76
80
84
88
92
96
100
104
108
112
38
40
42
44
46
48
50
52
54
56
pp
p
M
G
GG
Fonte: NBR 13377– Medidas do Corpo Humano para vestuário – Padrões Referenciais –1995
Tabela 2– Camisetas - Medida referencial do corpo humano: tórax - feminino
Circunferência
78
82
86
90
94
98
102
106
108
36
38
40
42
44
46
48
50
52
do busto (cm)
Tamanhos
pp
p
M
G
GG
Fonte: NBR 13377– Medidas do Corpo Humano para vestuário – Padrões Referenciais -1995
Tabela 3 - Medida referencial do corpo humano: tórax – infantil
Circunferência
do tórax (cm)
53
57
61
65
69
73
2
4
6
8
10
12
Tamanhos
P
M
G
Fonte: NBR 13377– Medidas do Corpo Humano para vestuário – Padrões Referenciais -1995
A Norma NBR 13377 (ASSOCIAÇÃO..., 1995c) orienta para efetuar a medição
circunferencial, horizontalmente, com a fita métrica, passando sobre as omoplatas, abaixo das
axilas e pela maior saliência do peito.
40
2.7 AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE
A ABNT ISO/IEC guia 2 (ASSOCIAÇÃO..., 1995c) define a avaliação da conformidade
como qualquer atividade com objeto de determinar, direta ou indiretamente, que os requisitos
aplicáveis são atendidos. Alguns exemplos de atividades de avaliação da conformidade são
amostragem, ensaio e inspeção, avaliação, verificação e garantia da conformidade(declaração
do fornecedor, certificação), registro, acreditação e aprovação, bem como suas combinações.
A finalidade é a de assegurar um grau de confiança na qualidade dos produtos, processos ou
serviços. A total responsabilidade pela qualidade do produto, processo ou serviço é do
fornecedor.
A atividade de avaliação da conformidade quanto ao agente, pode ser de primeira parte,
quando é feita pelo fabricante ou fornecedor, de segunda parte quando é feita pelo comprador
e de terceira parte quando é realizada por organização independente em relação ao fabricante
e ao comprador. A avaliação da conformidade pode ser de aplicação voluntária ou
compulsória. Quando o produto, processo ou serviço apresentar riscos à segurança, danos ao
meio ambiente ou ainda, prejuízos econômicos à sociedade, é necessária uma certificação
compulsória. (INSTITUTO..., 2005)
No Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade, o organismo acreditador oficial é o
Inmetro e os programas de avaliação da conformidade obedecem aos requisitos estabelecidos
pela International Organization for Standardization - ISO .
Segundo a Diretoria da Qualidade do Inmetro, os principais mecanismos de avaliação da
conformidade são a certificação, a declaração da conformidade pelo fornecedor, a inspeção, a
etiquetagem e o ensaio.
2.7.1 Verificação da Conformidade
O Inmetro mantém um programa de Verificação da Conformidade cuja finalidade é
acompanhar a conformidade dos produtos e serviços compulsórios no mercado.
41
A Verificação da Conformidade de produtos e serviços, implementada através de programas
específicos, objetiva acompanhar no mercado se os produtos e serviços com a conformidade
avaliada, no âmbito do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade – SBAC, preservam
as características de quando foram avaliados. (Fonte Divec-Inmetro,2005).
2.7.2 Fiscalização
Em 1977, na gestão do Diretor Geral do Instituto Nacional de Pesos e Medidas – INPM, Sr.
Armênio Lobo da Cunha Filho, por força da Lei nº 5956, de 03 de dezembro de 1977, e que
somente um ano após o Decreto Regulamentador nº 75074, de 10 de dezembro de 1974, no
qual dava poderes ao INPM a executar o trabalho de fiscalização previstos nesse documentos
legais, foi criado o Projeto Têxtil. Durante muitos anos, a Seção Têxtil foi responsável pela
fiscalização de produtos têxteis, em nível nacional. Este Projeto foi a semente para o
nascimento da Divisão de Fiscalização e Verificação da Conformidade - Divec.
Com o advento do processo de certificação de produtos, no início da década de 90, surgiu a
necessidade de acompanhamento desses produtos compulsoriamente certificados no entanto e,
apesar de não haver no Instituto um corpo de fiscais para atender a esta demanda, já existia na
Divisão Têxtil uma equipe experiente em fiscalização e era a única unidade do Inmetro, na
Área da Qualidade, ambientada com os órgãos delegados da Rede Brasileira de Metrologia
Legal e Qualidade – RBMLQ-Inmetro.
Através da busca contínua de conhecimentos e capacidade para atuar na fiscalização dos
novos produtos, no final de 1995 foi delegada a essa Divisão, a fiscalização de produtos
certificados, sendo que os primeiros produtos inseridos neste processo, foram os extintores de
incêndio, seguidos pelos preservativos masculinos e recipientes para gás liquefeito de petróleo
- GLP (botijões de gás). Diversos produtos foram incorporados à carteira de fiscalização da
Divec.
Atualmente, são dezenas de produtos fiscalizados e a atuação dos fiscais tem feito com que
esses produtos se ajustem às normas e regulamentos, sendo os índices de irregularidades cada
vez menores, o que é a meta principal do Inmetro. Em 2005, o Inmetro realizou 289,2 mil
42
ações de fiscalização em todo o País. O trabalho envolveu cerca de 68 milhões de produtos,
nos quais o índice de irregularidade foi de 1,46%, o que resultou em interdições, apreensões
ou autos de infração. Foram visitados 80,44 mil estabelecimentos, 1,012 milhão de interdições
e apreensões e lavraram 22,5 mil autos de infração. (Fonte Divec-Inmetro,2005)
43
3 METODOLOGIA
3.1 MÉTODO UTILIZADO
O presente trabalho é de natureza exploratória, os resultados baseiam-se na análise de
questionários, entrevistas, resultados de ensaios em laboratório e pesquisa bibliográfica das
características físicas e químicas das fibras e tecidos utilizados na fabricação de camisetas.
A pesquisa exploratória (VERGARA, 2004) foi utilizada por existir pouco conhecimento
acumulado e sistematizado no campo da normalização de artigos têxteis em geral.
3.2 LIMITAÇÕES DA PESQUISA
Algumas informações levantadas junto às Secretarias foram consideradas as maiores
limitações encontradas no trabalho. Nas visitas realizadas foi percebido que alguns
respondentes se sentiram pouco à vontade em admitir a existência de problemas de qualidade
nos produtos adquiridos. Mostraram-se temerosos em responder e fornecer amostras, alguns
questionários só foram recebidos após diversos contatos.
3.3 ETAPAS DA PESQUISA
Os resultados deste trabalho foram baseados nas seguintes etapas de pesquisa:
a) Pesquisa de campo;
b) coleta de amostras;
c) realização de ensaios nas amostras coletadas;
d) levantamento e análise das referências bibliográficas referentes ao tema; (e)
e) análise e discussão dos resultados.
44
3.3.1 Pesquisa de campo
3.3.1.1 Questionário
Para obter as informações necessárias nas Secretarias de Educação dos Estados e Municípios
foi utilizado o questionário como ferramenta para a coleta de dados. Segundo Bowditch (apud
LUZ, 2003, p. 55) é a técnica mais largamente utilizada para a coleta de informações pela
sociedade contemporânea. Bowditch (apud LUZ, 2003, p.55) aponta alguns pontos fracos nos
questionários, como a possibilidade de indução das respostas e, devido a impessoalidade da
técnica, resultar em muitas respostas em branco. Porém, como vantagens, o questionário
permite a aplicação em larga escala em diversas regiões do país a um custo relativamente
baixo e permite o anonimato dos respondentes.
O questionário foi elaborado com perguntas de conteúdo objetivo sobre a aquisição de
camisetas pelos referidos órgãos. Na maioria das perguntas foram adotadas as respostas
dicotômicas como mais adequadas para os questionamentos propostos. Segundo Mattar
(1994) as principais vantagens das questões dicotômicas são: rapidez e facilidade de
aplicação, processo e análise; facilidade e rapidez no ato de responder; menor risco de
parcialidade do entrevistador; apresentam pouca possibilidade de erros e são altamente
objetivas. A escala tipo Lickert foi utilizada para avaliar a percepção da qualidade dos
entrevistados em relação às camisetas adquiridas. As pessoas foram solicitadas a se posicionar
num contínuo que varia de ótimo a péssimo.
Nas perguntas de múltiplas escolhas (fechadas), foram relacionadas as principais opções de
resposta para evitar um número extenso de acréscimo pelo respondente. O Quadro 4 apresenta
o questionário utilizado e o objetivo de cada questão para o estudo.
45
PERGUNTAS REALIZADAS
1 . Esta secretaria compra camisetas para fornecer aos
alunos?
( ) Sim ( ) Não
Em caso positivo solicitamos o preenchimento abaixo
2 . Existem reclamações dos usuários com relação as
camisetas adquiridas por esta secretaria?
TIPO DE PERGUNTA /OBJETIVOS
•
•
Dicotômica
A pergunta define se o questionário será ou
não respondido
•
•
Dicotômica
O objetivo consiste em verificar se é
significativa a quantidade de secretarias que
tem problemas de qualidade com camisetas.
•
•
Múltipla escolha (fechada)
A pergunta visa detectar a principal fonte de
reclamações das secretarias
Múltipla escolha (fechada)
Através das opções, identificar os problemas
de maior ocorrência para estabelecer quais
características do tecido podem ser
associadas no estabelecimento de requisitos
mínimos de qualidade.
SMITH , 1989 , descreve a maioria das
características associadas aos problemas que
normalmente ocorrem em tecidos de malha.
Escala likert
Através da pergunta avaliar a percepção de
qualidade dos responsáveis pela compra e
recebimento das camisetas escolares quando
comparado com os resultados dos ensaios
nas amostras.
( ) Sim ( ) Não
3. Se ocorrem, as reclamações dizem respeito a:
( ) tecido ( ) confecção ( ) modelo ( ) outros
4 . Quando ocorrem, quais os problemas mais
comuns? Assinale uma ou mais alternativas:
•
•
( ) encolhe ( ) desbota ( ) dá bolotinha
( ) a costura torce ( ) defeitos no fio ( ) tamanho
( ) costuras ( ) outros
•
5. Como você classifica a camiseta atual, considerando apenas o quesito qualidade?
•
•
( ) ótimo ( ) bom ( ) regular ( ) ruim ( ) péssimo
6 . São utilizadas especificações técnicas para a
aquisição do produto?
( ) Sim ( ) Não
•
•
Dicotômica
Verificar o uso de especificações para a
compra de camisetas escolares e solicitar
uma cópia da especificação para fazer uma
análise da abrangência e do grau de
especificidade da mesma.
•
•
Dicotômica
Avaliar o processo de controle de qualidade
na escolha do produto para compra
•
•
Dicotômica
Avaliar o processo de controle de qualidade
no recebimento dos produtos
Dicotômica
Avaliar a percepção dos entrevistados com
relação a qualidade da especificação
Dicotômica
Interesse e disponibilidade em ceder
amostras para ensaios
Em caso afirmativo, solicitamos anexar uma cópia da
especificação ao questionário
7 . As amostras entregues nos processos de licitação
são submetidas a ensaios antes da compra ser
efetuada?
( ) Sim ( ) Não
8 . Após a compra são feitos ensaios nos lotes
fornecidos?
( ) Sim ( ) Não
9 . Você acredita que uma especificação técnica mais
abrangente poderia melhorar a qualidade da camiseta?
( ) Sim ( ) Não
10 . Esta secretaria poderia ceder amostras de
camisetas para a realização de ensaios?
( ) Sim ( ) Não
Quadro 2 - Detalhamento do questionário utilizado
•
•
•
•
46
3.3.1.2 Pré-testagem do questionário
Para avaliar a eficácia e a perfeita compreensão do questionário, foram realizadas três
aplicações de forma coordenada. O aplicador fez a leitura das perguntas e registrou as
dificuldades na compreensão para posterior correção. O questionário também foi distribuído
para cinco profissionais de áreas diversas para que fossem avaliadas a clareza e a abrangência
das perguntas. Nesta etapa houve importantes contribuições para a formulação e acréscimo de
algumas questões.
3.3.1.3 Amostragem
Foram efetivamente enviados 108 questionários através de correspondência registrada para as
vinte e sete Secretarias Estaduais, vinte e seis Secretarias municipais das capitais e para os 55
municípios com mais de duzentos mil habitantes (estabelecidas na Instrução Normativa
MARE nº 09 de 30/12/1998). Além das correspondências enviadas, foram realizadas, para
estas mesmas secretarias, 21 visitas, sendo 16 pelo próprio mestrando e 5 pela Rede Brasileira
de Metrologia Legal e Qualidade – RBMLQ -Inmetro. Das 108 correspondências enviadas,
foram recebidos 48 questionários-resposta (44% de retorno). A tabela 4 apresenta a
distribuição do envio e recebimento de questionários pelas regiões do País.
Tabela 4 – Distribuição do envio e recebimento de questionários pelas regiões do País
Região
Norte
N° de questionários
enviados
14
N° de questionários
recebidos
5
Nordeste
25
10
Centro-oeste
8
3
Sudeste
44
19
Sul
17
6
Questionários recebidos sem
-
5
108
48
identificação de localidade
Total
47
Os questionários foram enviados acompanhados de uma carta de apresentação do mestrando e
da pesquisa. Foi encaminhada aos respondentes, orientação sobre a não obrigatoriedade da
identificação nominal da Secretaria e/ou do responsável pelo preenchimento, para evitar
qualquer constrangimento nas respostas.
3.3.2 Coleta de amostras
A solicitação de camisetas para a realização de ensaios físicos e químicos foi feita
através do questionário. Quando o respondente declarava disponibilidade em ceder as
amostras, imediatamente procedia-se um contato para o envio das mesmas. A maioria das
secretarias não disponibilizou amostras, uma das alegações consistia em não possuir o produto
nesta época do ano (entre abril a agosto de 2005).
Pelo correio, foram recebidas 6 amostras, as demais foram obtidas através de coleta “in loco”,
com a colaboração dos técnicos da Rede Brasileira de Metrologia Legal e Qualidade –
RBMLQ - Inmetro.
Foram coletadas 11 amostras, sendo 5 camisetas por amostra, totalizando 55 camisetas. Essa
quantidade foi necessária para a realização da bateria de ensaios físicos e químicos. A tabela 5
apresenta a distribuição de amostras coletadas pelas regiões do País.
Os ensaios realizados nas amostras tiveram um custo médio de R$ 500,00 (quinhentos reais)
por amostra. Desta forma, não foi possível a coleta de mais amostras, por não haver
disponibilidade financeira para pagamento aos laboratórios.
Tabela 5 – Distribuição da coleta de amostras pelas regiões do País
Região
N° de amostras
Norte
1
Nordeste
2
Centro-oeste
1
Sudeste
6
Sul
1
Total
11
48
3.3.3 Seleção dos ensaios realizados
As amostras coletadas foram encaminhadas para os Laboratórios do Senai-Cetiqt, laboratórios
acreditados pelo Inmetro para a realização de ensaios físicos e químicos.
Para a seleção dos ensaios realizados nas amostras, foram avaliadas as reclamações das
secretarias. A Tabela 6 relaciona todas as reclamações recebidas através dos questionários,
sua freqüência e os ensaios que podem ser associados a cada uma das reclamações.
Tabela 6 - Relação entre reclamações recebidas e ensaios físico/químicos
Reclamações
Frequência
Ensaio associado
recebidas
Tamanho
Documentos
utilizados
18
Conferência de medidas
NBR 12071
NBR 13077
Desbote e
7
manchas
Ensaios de solidez de cor
e conferência da
etiquetagem
Bolotinha
5
Tendência à formação de
pilling
Torção das
5
costuras
NBR 10597
NBR 8431
Resolução Conmetro
02/2001
BS 5811
Torção das costuras
laterais
NBR 12958
Encolhimento
3
Alteração dimensional
NBR 10320
Transparência
2
Gramatura e título do fio
NBR 10591
NBR 13216
Modelo
2
----------
--------
Irregularidade do
2
Nenhum ensaio (relação
Não existe método de
com o processo de
ensaio para avaliar
fabricação do fio, se
esta característica em
cardado ou penteado)
tecidos
fio
A partir da análise das principais reclamações relacionadas pelas Secretarias, foram definidos
os ensaios a serem realizados nas camisetas coletadas. Todas as camisetas, independentes de
49
sua construção, foram submetidas à conferência de medidas, verificação da etiqueta e aos
ensaios de composição, gramatura, título do fio, torção das costuras laterais e encolhimento.
Determinadas camisetas foram encaminhadas para ensaios específicos de acordo com suas
características de construção. As camisetas que apresentavam fibras de poliéster em sua
composição, foram também direcionadas para o ensaio de pilling e camisetas tintas ou com
componentes tintos (gola, debrum, etc..) para os ensaios de solidez da cor.
3.3.4 Metodologia da inspeção/ ensaios realizados
3.3.4.1 Condições de ambiente para condicionamento e ensaios das amostras
As camisetas foram dispostas em uma superfície plana e condicionadas por um período de 24
horas em uma atmosfera de 65% ± 2% de umidade relativa e 20° C ± 2° C de temperatura. Os
ensaios foram realizados nestas mesmas condições conforme preconiza a Norma NBR 8428 Condicionamento de materiais têxteis para ensaios.
3.3.4.2 Verificação de medidas
•
Norma utilizada - Norma NBR 12071- Artigos confeccionados para vestuário –
Determinação das dimensões.
•
Aparelhagem – Régua calibrada com precisão de 0,5 mm
•
Resumo do método - Foi determinada a dimensão do tórax com o uso de régua
calibrada. O posicionamento da régua na peça seguiu os critérios estabelecidos na
Norma NBR 12071- Artigos confeccionados para vestuário – Determinação das
dimensões.
50
3.3.4.3 Conferência de etiquetagem
•
Documentos e Norma utilizada – Resolução Conmetro nº 02/2001 - que dispõe
sobre a etiquetagem de produtos têxteis e Portaria Inmetro nº 172/2003 - que
regulamenta o uso dos símbolos de conservação de produtos têxteis e NBR 8719 –
Símbolos de cuidados para conservação de artigos têxteis.
•
Aparelhagem - Régua calibrada com precisão de 0,5 mm
•
Resumo do método - As etiquetas da peça foram avaliadas para verificar a
conformidade com a Resolução Conmetro nº 02/2001, a Portaria Inmetro nº
172/2003 e com a NBR 8719 – Símbolos de cuidados para conservação de artigos
têxteis, que orienta o formato e a nomenclatura dos símbolos. A figura 1 apresenta
um modelo dos itens verificados na etiqueta.
Figura 1 – Modelo de itens verificados na etiqueta de um produto têxtil confeccionado
Fonte – Material de divulgação da Resolução Conmetro nº 02/2001- Divec-Inmetro
51
3.3.4.4 Ensaio de Composição
•
Normas utilizadas – NBR 13538 e NBR 11914
•
Aparelhagem – Microscópio, balança com precisão de 0,0001g, estufa,
reagentes químicos e aparelhagem de laboratório químico.
•
Resumo do método - O ensaio de composição é realizado através da análise
qualitativa das fibras e de seu teor quantitativo. São utilizados três métodos, o
microscópico, o de combustão e o método da solubilidade.
No método microscópico, as fibras do tecido são submetidas a um exame no microscópio de
sua seção transversal e longitudinal, as imagens visualizadas são comparadas com as
fotografias constantes da Norma NBR 13538 – Material têxtil – Análise qualitativa, então é
feito o registro do nome da fibra que possui a imagem mais aproximada. Tal exame é efetuado
para todas as fibras diferentes que aparecem no tecido.
No método da combustão a fibra é queimada e a partir do cheiro exalado e da análise do
resíduo, é feita a comparação com a tabela 7 que fornece as informações sobre o tipo de
queima e o cheiro característico para cada fibra.
Tabela 7 – Comportamento à chama das principais fibras têxteis utilizadas na fabricação de camisetas
Fibra
Comportamento à
Comportamento fora da
Comportamento
Características das
Odor
chama
chama
ao calor
cinzas
Algodão
Queima sem fundir
Continua a chama sem fusão
Não funde
Clara/sem pérola
Papel queimado
Viscose
Queima sem fundir
Continua a chama sem fusão
Não funde
Clara/sem pérola
Papel queimado
Poliéster
Queima e funde
Continua queima com fusão
Retrai e funde
Escura/pérola dura
Leite queimado
Poliamida
Queima e funde
Continua queima com fusão
Retrai e funde
(c) Clara/pérola dura
Salsa verde
Fonte: Extraído da NBR 13538 – Material têxtil – Análise qualitativa – 1995
No método de solubilidade, a fibra é submetida ao reagente indicado na tabela 8, caso ela seja
solúvel ao produto químico pode-se constatar a sua identificação. A aplicação dos três
métodos possibilita a identificação da(s) fibra(s) componente(s) do tecido. Caso tenha apenas
uma fibra é possível dizer que o produto é 100%, se for encontrada mais de uma fibra é
necessária a determinação do teor quantitativo.
52
Tabela 8 – Solubilidade de diversas fibras têxteis
Ácido Acetona Hipoclorito
Ácido
Ácido Dioxano mCicloDimetilforÁcido
Ácido
acético
de sódio
clorídrico fórmico
xileno hexanona
mamida
sulfúrico sulfúrico
Concentração
(%)
100
100
5
20
85
100
100
100
100
59,5
70
Temperatura
(º C)
20
20
20
20
20
101
139
156
90
20
38
Tempo (min)
5
5
20
10
5
5
5
5
10
20
20
Acetato
Acílico
Algodão e
linho
S
I
I
S
I
I
I
I
I
I
I
I
S
I
I
S
I
I
I
I
I
S
I
I
S
S
I
S
I
I
S
I
S
Poliamida
Polipropileno
e polietileno
I
I
I
I
I
I
S
I
S
I
I
S
I
S
I
S
N
I
S
I
S
I
Poliéster
Viscose
Seda
Elastano
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
S
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
I
S
I
S
S
PS
I
S
S
PS
Lã
I
I
S
I
I
I
I
I
I
I
I
S – solúvel
I – insolúvel
PS – Parcialmente solúvel
N - A poliamida 6 é solúvel, mas a poliamida 6,6 não é
Fonte: Extraído da American Association of Textile Chemists and Colorists-AATCC 20 – Fiber Analysis:
Qualitative - 2002
Para determinar o teor quantitativo a Norma NBR 11914 – Análise quantitativa de materiais
têxteis é utilizada. Um corpo de prova de aproximadamente 5 gramas é pesado em balança
com precisão de 0,001 g, então é feita a dissolução seletiva das fibras na mistura, utilizando os
reagentes adequados. Para exemplificar, se o tecido contém fibras de algodão e poliéster, deve
ser utilizado o ácido sulfúrico em concentração de 70%, para dissolver a fibra de algodão. O
resíduo de poliéster remanescente é pesado e por diferença é determinado o percentual de
fibras na mistura.
3.3.4.5 Ensaio de gramatura
•
Norma utilizada – NBR 10591 – Materiais têxteis – Determinação da
gramatura de tecidos
•
Aparelhagem – régua calibrada com precisão de 1 mm e balança com precisão
de 0,001g
•
Resumo do método -O ensaio de gramatura consiste no corte de cinco corpos
53
de prova com área de um decímetro quadrado, coletados em pontos diferentes
da amostra e pesados com precisão de 0,01g. A média das pesagens é
multiplicada por 100, para a determinação da massa por unidade de área em
gramas por metro quadrado (g/m2).
3.3.4.6 Ensaio de título do fio
•
Norma utilizada – NBR 13216 – Materiais têxteis – Determinação do título de
fios em amostras de comprimento reduzido
•
Aparelhagem – Torcímetro e balança com precisão de 0,001g
•
Resumo do método - O método consiste em retirar 10 pedaços de fio de 25 cm,
determinar a sua massa e calcular o título do fio através das seguintes
fórmulas:
Título tex = 1000 x massa em gramas
2,5 m
Título Ne = 0,59 x 2,5 m
Massa em gramas
3.3.4.7 Ensaio de Solidez da cor à lavagem
•
Norma utilizada – NBR 10597 – Materiais têxteis – Ensaio de solidez de cor à
lavagem - método acelerado
•
Aparelhagem – Testador de Solidez da cor à lavagem
•
Resumo do método - Corpos de prova do tecido a ser testado e de tecido
testemunha (tecidos multifibra com características específicas para avaliação
da transferência de cor) são colocados em um equipamento específico para
produzir uma lavagem com condições de temperatura, volume de detergente,
ph e tempo controlados. A norma prevê oito métodos diferentes, desde uma
54
lavagem manual até uma lavagem mais exigente e a escolha do método
depende da lavagem prevista para a peça. Para as camisetas escolares foi
adotado o método B1 que simula uma lavagem doméstica em máquina. São
utilizadas esferas dentro de um recipiente onde o corpo de prova é colocado,
junto com um volume indicado de detergente, por 45 minutos. É feita um
enxágüe, neutralização, extração e secagem à temperatura ambiente.
A avaliação de alteração da cor é feita através da comparação do corpo de prova lavado e de
um corpo de prova original com uma escala de cinza. A escala de cinza, para alteração de cor,
é formada por cinco pares de amostras, na cor cinza neutra numeradas de 1 a 5. O par 5 é
aquele que apresenta duas amostras de cinza idênticas, o que evidencia nenhuma alteração, o
corpo de prova que receber grau 5 é aquele que não apresentou nenhuma diferença entre a
amostra lavada e a amostra original. Os demais pares de 4 até o 1, são formados de amostras
cinzas sem alteração e amostras cinzas cada vez mais claras. O valor 1 é dado para aquele
corpo de prova que apresentar a maior alteração de cor.
Com a escala de cinza também é realizada a avaliação de transferência de cor. Neste caso, o
par de nº 5 é formado de duas amostras brancas iguais e os pares de 4 a 1 são formados de
uma amostra branca e outra amostra cinza gradativamente mais escura. A comparação é feita
com o tecido testemunha lavado, o tecido testemunha original e a escala de cinza. Quando os
tecidos não apresentam nenhum manchamento é dado o valor 5, quando o tecido apresenta o
mais alto manchamento recebe o valor 1.
Figura 2 - Equipamento para ensaio de solidez da cor à lavagem
Fonte – fotografia do próprio autor do equipamento do Senai-Cetiqt
55
3.3.4.8 Ensaio de Solidez da cor ao suor
•
Norma utilizada – NBR 8431 – Materiais têxteis – Determinação da solidez de
cor ao suor
•
Aparelhagem – Perspirômetro e Estufa
•
Resumo do método - Corpos de prova do tecido a ser testado e de tecido
testemunha (tecido multifibra com características específicas para avaliação da
alteração e de transferência de cor) são submetidos a duas soluções, uma ácida
e outra alcalina, por 30 minutos. Após este tempo os corpos de prova são
retirados, é eliminado o excesso de líquido e cada corpo de prova junto com o
tecido testemunha é introduzido entre duas placas de vidro no Perspirômetro.
O conjunto é colocado na estufa a 37 ± 2° C durante 4 horas. Os corpos de
prova e os tecidos testemunhas são avaliados com a escala de cinza, a
avaliação é realizada da mesma forma que no item 3.3.4.7 para solidez da cor à
lavagem.
Figura 3 - Perspirômetro – Equipamento de ensaio de solidez da cor ao suor
Fonte – fotografia do próprio autor do equipamento do Senai-Cetiqt
56
3.3.4.9 Ensaio de Torção das costuras após a lavagem
•
Norma utilizada – NBR 12958 - Confecções de tecidos de malha –
Determinação de torção
•
Aparelhagem – Lavadora doméstica automática e lavadora doméstica com
tambor rotativo
•
Resumo do método – As peças confeccionadas são lavadas à temperatura de
(40 ± 2)º C, secas em temperatura de (65 ± 2)º C .O comprimento da costura
lateral e a medida
do deslocamento lateral da costura
são medidas e o
percentual de torção é calculado a partir da fórmula:
Torção (%) = Deslocamento lateral x 100
Comprimento da lateral
3.3.4.10 Ensaio de Estabilidade dimensional
•
Norma utilizada – NBR 10320 – Materiais têxteis – Determinação das
alterações dimensionais de tecidos planos e malhas - Lavagem em máquina
doméstica automática
•
Aparelhagem – Lavadora doméstica automática e secadora doméstica com
tambor rotativo
•
Resumo do método – As peças confeccionadas são condicionadas, medidas no
comprimento e na largura e lavadas em condições controladas de temperatura e
tempo. As amostras são secas em secadora, passadas a ferro, para eliminar as
rugas e condicionadas em atmosfera padrão para ensaios. São efetuadas novas
medidas no mesmo ponto das
iniciais. A alteração dimensional é obtida
através do seguinte cálculo:
Encolhimento (%) = Dimensão final – Dimensão inicial x 100
Dimensão inicial
57
3.3.4.11 Ensaio de Tendência à formação de pilling
•
Norma utilizada – BS 5811 - Determination of fabric propensity to surface
fuzzing and pilling
•
Aparelhagem – Testador de Pilling
•
Resumo do método – Quatro corpos de prova são coletados da amostra de
camiseta, são cortados e costurados em uma das extremidades para assumirem
um formato cilíndrico. Através de um dispositivo especial são montados em
tubos de borracha e presos com fita isolante nas extremidades. Os quatro tubos
são colocados em uma mesma caixa em um equipamento composto por caixas
forradas internamente por cortiça. O equipamento (Figura 4) é programado
para fazer girar as caixas por 5 horas.
Figura 4 – Testador de pilling
Fonte – fotografia do próprio autor do equipamento do Senai-Cetiqt
58
4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
4.1 CODIFICAÇÃO DAS SECRETARIAS
Para preservar a identidade das Secretarias que enviaram informações para este trabalho,
aplicou-se uma codificação seqüencial em ordem numérica a partir da chegada das respostas
do questionário. A primeira Secretaria que enviou informações foi chamada de Secretaria 1 e
assim, sucessivamente.
4.2 AQUISIÇÃO DE CAMISETAS PELAS SECRETARIAS – PERGUNTA 1
Foi apurado que 30 secretarias, 62% (± 13,7% a uma confiança de 95% - n = 48) do total de
questionários, responderam afirmativamente quanto à aquisição de camisetas escolares e
forneceram as informações necessárias para esta pesquisa. O gráfico 1 apresenta esta
distribuição.
AQUISIÇÃO DE CAMISETAS PELAS
SECRETARIAS
38%
não
comprador
62%
comprador
Gráfico 1 – Aquisição de camisetas pelas secretarias – Brasil, 2005
59
4.3 ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS
4.3.1 Utilização de especificações técnicas - –Pergunta 6
Foi apurado que 22 secretarias de Educação, 73% (± 15,9% a uma confiança de 95%, n = 30),
do total de respostas, declararam possuir algum tipo de especificação de produto.
UTILIZAÇÃO DE ESPECIFICAÇÕES PELAS
SECRETARIAS
NÃO POSSUI
ESPECIFICAÇÃO
27%
73%
POSSUI ESPECIFICAÇÃO
Gráfico 2 – Utilização de especificações pelas secretarias – Brasil, 2005
4.3.2 Avaliação das especificações utilizadas pelas secretarias
A cada secretaria foi solicitado o envio das especificações utilizadas e foram recebidas 14
especificações de produto das 22 secretarias que declararam possuí-la. A Tabela 9 apresenta
um resumo das características especificadas por cada secretaria. Na primeira metade das
colunas estão relacionadas informações referentes à construção do tecido e, na segunda
metade, dados referentes aos requisitos de qualidade estabelecidos. Para exemplificar,
consultando a tabela 9, a Secretaria 8 possui uma especificação em que é fornecida a
composição do produto, o título e a gramatura, que são características de construção, nenhum
requisito de qualidade é especificado.
60
Tabela 9 - Requisitos de construção e de qualidade das especificações avaliadas – Brasil
Requisitos de construção
Requisitos de qualidade
Secre- Composição Título Gramatura Tipo Solidez Estabilidade
de
tarias
de cor dimensional
fio
Torção
Pilling
Tamanho Tolerâncias
das
costuras
2
6
7
8
13
15
17
18
21
25
27
28
29
30
A tabela 10 apresenta um resumo das respostas obtidas em relação a existência e abrangência
das especificações das camisetas. Deste panorama podemos constatar que 79% (± 21,3% a
uma confiança de 95%, n = 14) das secretarias possuem especificações sem nenhum requisito
de qualidade, 43% (± 25,9% a uma confiança de 95%, n = 14) apresentam apenas as
exigências básicas para a construção do tecido, tais como a fibra componente, o tipo de fio, o
título do fio e a gramatura pretendida. A tabela de medidas que norteia o tamanho final do
produto não aparece em 64% (± 25,1% a uma confiança de 95%, n = 14) das especificações
recebidas.
Outra informação relevante obtida foi que em 71% (± 23,8% a uma confiança de 95%, n = 14)
dos casos não são fornecidas as tolerâncias para limitar as variações no produto. Desta forma,
qualquer variação que o produto apresente numa inspeção laboratorial estará sujeito a um
processo de rejeição, pois neste caso a tolerância é assumida como “zero”.
61
Tabela 10 - Uso e abrangência das especificações técnicas avaliadas – Secretarias de Educação - Brasil
Avaliação das especificações
Freqüência absoluta
Secretarias que enviaram as especificações para análise
14
Secretarias que possuem especificações com informações
completas para a construção do tecido da camiseta
6
Secretarias que utilizam especificações com requisitos de
qualidade
3
Secretarias que possuem especificações com tabela de medidas
5
Secretarias que fornecem especificações com tolerâncias para as
medidas
4
4.4 RECLAMAÇÕES DOS USUÁRIOS – PERGUNTA 2
As secretarias que admitiram ter tido reclamações dos usuários do uniforme representaram
60% (± 17,5% a uma confiança de 95%, n = 30) do total de respostas. Os problemas mais
comuns estão relacionados na tabela 11.
Tabela 11 – Principais problemas relatados nas camisetas adquiridas pelas 30
secretarias de Educação – Pergunta 4 - Brasil
Principais problemas relatados
% de ocorrência
Tamanho
Torção nas costuras
Desbote
Pilling
Encolhimento
Transparência
Defeitos no fio
Manchas
38
17
13
13
10
3
3
3
62
4.5 REALIZAÇÃO DE INSPEÇÃO/ENSAIOS EM AMOSTRAS ANTES DA COMPRA –
PERGUNTA 7
A realização de inspeção/ensaios antes da compra, em amostras apresentadas pelos
fornecedores, é uma prática adotada por 42% (± 17,7% a uma confiança de 95%, n = 30) das
secretarias pesquisadas. Tal procedimento visa verificar se o produto ofertado atende às
exigências do comprador, que geralmente, estão expressas em uma especificação.
REALIZAÇÃO DE INSPEÇÃO/ENSAIOS EM
AMOSTRAS ANTES DA COMPRA
58%
42%
não ensaia
a amostra
ensaia a
amostra
Gráfico 3 – Realização de inspeção/ensaios em amostras antes da compra– Brasil, 2005
4.6 REALIZAÇÃO DE INSPEÇÃO/ENSAIOS EM LOTES FORNECIDOS –PERGUNTA 8
O levantamento permitiu identificar que 88% (± 11,6% a uma confiança de 95%, n = 30) das
secretarias não realizam controle de qualidade no recebimento das camisetas. Desta forma não
é possível garantir, que o produto adquirido, possua as características especificadas ou, que o
mesmo apresente as mesmas qualificações da amostra recebida. O gráfico 4 ilustra esta
informação.
63
REALIZAÇÃO DE ENSAIOS EM LOTES
FORNECIDOS
não
ensaia o
lote
88%
12%
ensaia o
lote
Gráfico 4 – Realização de inspeção/ensaios em lotes fornecidos – Brasil, 2005
4.7 QUALIDADE DAS CAMISETAS - PERCEPÇÃO DAS SECRETARIAS – PERGUNTA 5
O gráfico 5 apresenta a distribuição da avaliação realizada pelas secretarias com
relação a qualidade percebida das camisetas adquiridas. O produto foi avaliado em 81%
(± 14,0% a uma confiança de 95%, n = 30) dos casos como bom e ótimo.
PERCEPÇÃO DA QUALIDADE
60
50
40
51%
30%
30
13%
20
3%
10
0
ótimo
bom
regular
ruim
3%
péssimo
Gráfico 5 – Percepção das secretarias da qualidade das camisetas adquiridas – Brasil, 2005
64
4.8 ABRANGÊNCIA DAS ESPECIFICAÇÕES – PERCEPÇÃO DAS SECRETARIAS –
PERGUNTA 9
A percepção de 83% das secretarias (± 13,4% a uma confiança de 95%, n = 30) foi a de que
uma especificação mais abrangente poderia melhorar a qualidade das camisetas adquiridas.
4.9 INSPEÇÃO/ENSAIOS REALIZADOS NAS CAMISETAS
Foram analisadas 55 peças referentes a 11 amostras de camisetas escolares (5 camisetas por
amostra), a inspeção/ensaios, realizados nos Laboratórios do Senai-Cetiqt, geraram a emissão
dos relatórios de ensaio de número 1401 a 1408/05, 1513 e 1530/05 da Unidade de Negócios
de Estudos e Ensaios Físicos - Uneef e os de número 969 a 978/05 e 986/05 da Unidade
Negócios de Estudos e Ensaios Químicos – Uneeq (APÊNDICE).
A análise dos resultados permitiu identificar que apenas 1 amostra apresentou conformidade
(9% do total), conforme é mostrado no gráfico 6. A tabela 12 apresenta o desempenho em
laboratório do produto, a percepção de qualidade da secretaria, suas principais reclamações, a
utilização de especificações e a realização de inspeção/ensaios nas amostras e no lote.
AVALIAÇÃO DA CONFORMIDADE
Ensaios nas amostras
10
8
6
4
2
0
Não Conforme
Conforme
Gráfico 6 – Conformidade das amostras de camiseta ensaiadas - 2005
65
Tabela 12 – Resumo da avaliação realizada nas secretarias que forneceram amostras para inspeção e ensaios - Brasil
Secretaria Percepção
da
Qualidade
Problemas
Problemas
Especificação Ensaios
alegados pela apresentados na
na
Secretaria
inspeção/ensaios
amostra
2
ÓTIMO
•
nenhum
problema
•
6
BOM
•
•
pilling
tamanho
•
•
nenhum
problema
•
7
BOM
•
•
•
•
8
BOM
•
tamanhos
•
•
9
BOM
•
•
•
encolhimento •
desbote
tamanho
10
RUIM
•
•
encolhimento •
torção
na
costura
•
defeitos no
fio
manchas
•
•
etiqueta
não Possui
especificação
conforme
com aspectos de
construção e de
qualidade, não
apresenta tabela
de medidas. Não
apresenta
tolerâncias para
os valores especificados.
Possui especipilling
ficação com asexcessivo
tamanho menor pectos de consque o previsto trução e tabela
medidas.
na NBR 13377 de
Apresenta
tolerância para
os valores especificados.
Possui especificomposição
cação com aserrada
pectos de consgramatura
trução. Não
menor
tamanho menor apresenta tabela
do valor refe- de medidas e
rencial da NBR não fornece
tolerâncias para
13377
etiqueta
não os valores
especificados.
conforme
Possui especificação com
aspectos de
construção. Não
apresenta tabela
de medidas.
Apresenta
tolerâncias para
os valores
especificados.
torção na cos- Possui especificação, porém
tura
não disponibilizou para o
trabalho
torcão na cos- Não possui
especificação
tura
etiqueta
não
comforme
torção na costura
tamanho menor
que o previsto
na NBR 13377
Ensaios
no lote
SIM
SIM
NÃO
NÃO
NÃO
NÃO
SIM
NÃO
SIM
SIM
NÃO
NÃO
66
continuação
Secretaria
Percepção
da
Qualidade
13
ÓTIMO
Problemas
alegados
pela
Secretaria
•
nenhuma
Problemas
apresentados no
ensaio
•
•
•
15
BOM
•
tamanho
•
•
•
18
BOM
•
•
pilling
tamanho
•
•
•
•
•
21
BOM
•
nenhum
problema
•
27
ÓTIMO
•
tamanho
•
•
•
torção
na
costura
encolhimento
excessivo
gramatura
menor
pilling
excessivo
tamanhos
menores que os
padronizados
na especificação e que o
valor referencial da NBR
13377
etiqueta
não
conforme
Pilling excessivo
composição
errada
torção na costura
alteração de cor
(desbote)
não apresenta
etiqueta
nenhum
problema
título do fio
diferente (24/1
cardado ao invés de 30/1
(penteado)
torção na costura
apresenta pequena tendência a formação
de pilling
Especificação Ensaios Ensaios
na
no lote
amostra
Possui especificação com aspectos
de construção.
Não apresenta
tabela de medidas
e não fornece
tolerância para os
valores especificados.
Possui especificação com aspectos
de construção e
tabela de
medidas. Não
apresenta tolerâncias para as
medidas.
NÃO
NÃO
SIM
SIM
Possui especificação da composição do tecido.
Não apresenta tabela de medidas
ou tolerâncias
para os valores.
NÃO
NÃO
Possui
especificação
contemplando
aspectos de construção e de qualidade. Apresenta
tabela de medidas e expressa as
tolerâncias para
todos os valores
especificados
Possui especificação com aspectos de construção
e tabela de medidas. Não apresenta tolerância para
as medidas.
NÃO
NÃO
(prevê
realização
de
auditorias
no
processo)
SIM
SIM
67
4.9.1 Avaliação dos resultados dos ensaios
A análise dos resultados apresentados na Tabela 12 permite as seguintes constatações:
•
SECRETARIA 2 - PRODUTO NÃO CONFORME. A secretaria 2 não apresentou
nenhum problema em relação aos resultados de ensaios, porém o produto não
apresenta etiqueta com informações para a conservação do produto, o que poderia
gerar processos de lavagem, secagem ou passadoria inadequados. A secretaria
possui especificações com requisitos de construção e de qualidade e realiza ensaios
na amostra e no lote.
•
SECRETARIA 6 - PRODUTO NÃO CONFORME. Os problemas alegados pela
secretaria 6 foram semelhantes aos apresentados no ensaio. A camiseta apresentou
um alto teor de formação de pilling, a figura 5 ilustra a aparência do tecido após o
ensaio. Outro problema foi o tamanho, a especificação apresenta uma tabela que
estabelece valores de largura da camiseta menores que a circunferência do corpo
humano, estabelecidos na NBR 13377ASSOCIAÇÃO..., 1995b). Desta forma os
problemas apresentados são conseqüências de uma especificação incompleta e
com valores incoerentes de medida. Não realiza ensaios na amostra ou no lote.
Figura 5 – Aspecto do corpo de prova após ensaio de pilling
•
SECRETARIA 7 - PRODUTO NÃO CONFORME. A secretaria 7 não relacionou
nenhum problema com o produto. Os ensaios apresentaram a composição diferente
da especificação (100% algodão ao invés de 67% poliéster 33% viscose),
68
gramatura 10% menor e tamanho menor que o estabelecido na NBR 13377. A
especificação apresenta requisitos de construção, não apresenta tabela de medidas
e não fornece tolerâncias para os valores. Não realiza ensaios na amostra ou no
lote.
•
SECRETARIA 8 - PRODUTO NÃO CONFORME. A secretaria 8 manifestou
dificuldades com os tamanhos, cabe ressaltar que sua especificação não estabelece
uma tabela de medidas para a peça. Ao confrontar os resultados da peça com a
NBR 13377, esta apresentou tamanho menor que a mínima circunferência de tórax
estabelecida pela referida norma. Também foi identificada torção nas costuras
laterais. A secretaria realiza ensaios na amostra, porém não faz ensaios no lote
recebido.
•
SECRETARIA 9 - PRODUTO NÃO CONFORME. O ensaio da camiseta
referente a secretaria 9 apresentou valores excessivos de torção nas costuras
laterais. A secretaria não disponibilizou a especificação, o que inviabiliza uma
análise em relação aos quesitos apontados como problema pela pesquisada. A
secretaria realiza ensaios na amostra e no lote.
•
SECRETARIA 10 - PRODUTO NÃO CONFORME. A secretaria 10 apresentou
grande insatisfação com o produto e classificou como ruim, relacionou problemas
de encolhimento, torção, defeitos no fio e manchas. A secretaria não possui
especificação de produto. No ensaio, a camiseta apresentou problemas de torção
nas costuras laterais e, por não apresentar etiqueta com os cuidados para
conservação da peça, está sujeita a apresentar diversos danos devido a
procedimentos impróprios de lavagem, secagem e passadoria. Não realiza ensaios
na amostra ou no lote.
•
SECRETARIA 13 - PRODUTO NÃO CONFORME. Nenhum problema foi
relacionado pela Secretaria 13, que classificou seu produto como ótimo. Os
ensaios apresentaram gramatura 13% menor, torção nas costuras laterais e
encolhimento excessivo. A especificação do produto limita-se a estabelecer os
69
requisitos de construção, sem tolerâncias para os valores. Não realiza ensaios na
amostra ou no lote.
•
SECRETARIA 15 - PRODUTO NÃO CONFORME. A secretaria 15 manifestou
problemas com o tamanho das peças. No ensaio a camiseta apresentou elevada
formação de pilling e não conformidade com os tamanhos. A peça apresenta
medidas menores que as estabelecidas pela especificação e menores que a
circunferência do corpo humano, estabelecidos na NBR 13377. A especificação
não fornece tolerâncias para os valores. Realiza ensaios na amostra e no lote.
•
SECRETARIA 18 - PRODUTO NÃO CONFORME. A especificação da
Secretaria 18 estabelece apenas que o tecido da camiseta deve ser composto de
67% Poliéster 33% viscose, o ensaio atestou que o único item especificado não
atendia a especificação. Além de apresentar elevado teor de pilling, torção nas
costuras laterais, baixa solidez à lavagem e não apresentar etiqueta. Não realiza
ensaios na amostra ou no lote.
•
SECRETARIA 21 - PRODUTO CONFORME. A secretaria 21 não relacionou
nenhum problema com a camiseta, e também não apresentou nenhum problema
em relação aos resultados de ensaios. Possui uma especificação bem abrangente
com requisitos de construção e de qualidade, fornece tolerâncias para os valores
especificados. Não realiza ensaios na amostra ou no lote, porém em sua
especificação prevê auditorias no processo de fabricação.
•
SECRETARIA 27 - PRODUTO NÃO CONFORME. A camiseta escolar da
secretaria 27 foi classificada como ótima, mas essa avaliação (que) não condiz
com os resultados de ensaio. O produto apresentou título de fio diferente do
especificado (24/1 cardado ao invés de 30/1 penteado), torção nas costuras laterais
e moderada formação de pilling. A especificação do produto estabelece apenas
requisitos de construção, fornece tabela de medidas e não apresenta tolerância para
os valores. Realiza ensaios nas amostras e no lote.
70
4.10 CONSIDERAÇÕES GERAIS
Algumas informações levantadas apresentaram significativa visibilidade dos problemas
enfrentados pelas secretarias, tanto pela ausência de especificações quanto pela inexistência
de controle de qualidade nas amostras e no recebimento do lote.
•
83% das secretarias que alegaram problemas não fazem ensaios no lote
•
67% das secretarias que alegaram problemas não fazem ensaios nas amostras
•
100% das secretarias que classificaram a qualidade da camiseta como regular,
ruim ou péssima, não realizam nenhum controle seja na amostra ou no lote.
•
83% das secretarias que classificaram a qualidade da camiseta como regular, ruim
ou péssima, não possuem especificação de produto.
•
75% das amostras de tecido com misturas de poliéster, apresentaram, nos ensaios,
alto teor de formação de pilling
71
5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Do estudo até aqui apresentado foi possível concluir a importância da utilização de
especificações, com requisitos e tolerâncias adequadas de construção e de qualidade, para
apoiar a compra de camisetas escolares pelas Secretarias de Educação. Também foi
comprovada a necessidade da implementação de um programa de ensaios nas amostras
recebidas antes do processo de licitação e de um sistema eficiente de inspeção nos lotes
recebidos para garantir a qualidade do produto utilizado pelos alunos da Rede Pública de
Ensino.
As especificações de produto devem ser elaboradas criteriosamente, para que tanto o
fabricante busque fabricar o produto de forma única e inequívoca, quanto possa conhecer as
exigências na performance da peça confeccionada ao uso, para submeter o produto fabricado
aos tratamentos necessários em atendimento aos índices de qualidade requeridos.
Os critérios de construção básicos: composição, título do fio, gramatura e processo de
fabricação do fio devem ser relacionados na especificação com as suas respectivas tolerâncias
de medidas (Ver Apêndice 1 – Requisitos de construção e qualidade e tolerâncias de medidas
usuais utilizadas no mercado), para garantir que o produto tenha sempre o mesmo aspecto.
Não admitindo variações que possam produzir transparências, aspecto irregular ou
desconforto ao uso.
A utilização de uma etiqueta com as informações de composição e de conservação da peça
atendendo as exigências da Resolução Conmetro nº 02/2001 e da Portaria Inmetro nº
172/2003, permitirá informar corretamente ao usuário do uniforme, os cuidados para proceder
a lavagem, secagem e passadoria.
As tabelas de medidas devem ser desenvolvidas por especialistas em modelagem, podem ser
utilizados os serviços de consultoria de Institutos têxteis do País, para que as Secretarias
possam, ao fazer a compra, efetivamente receber tamanhos coerentes com os padrões de
mercado, e não pagar por um tamanho maior e, na verdade, receber um menor. Esta
padronização permitirá às Secretarias, sobretudo, a possibilidade de realizar uma programação
da grade de tamanhos para a compra, baseada em uma estatística do universo escolar, quando
72
houver esta informação.
Baixos valores de torção nas costuras laterais e de estabilidade dimensional devem ser
exigidos para evitar deformações permanentes na camiseta após a primeira lavagem. Para
tecidos coloridos, índices mínimos devem ser padronizados para a solidez da cor,
principalmente os de lavagem doméstica e suor, mais exigidos em uma camiseta escolar. Para
o estabelecimento de critérios mais rigorosos, a resistência da cor a outros agentes, também
podem ser especificados, tais como: luz solar, ação do ferro de passar à quente, fricção e
lavagem com cloro.
Para camisetas escolares confeccionadas com tecidos mistos que utilizam fibras de poliéster
em suas misturas, é indicada a adoção de um padrão mínimo de tendência à formação de
pilling, para garantir uma boa aparência no produto após diversas lavagens.
A utilização de laboratórios acreditados pela Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaio deve
ser fomentada, tanto para a verificação das características físicas e químicas das amostras
entregues no processo inicial de aquisição, quanto na inspeção/ensaios dos lotes de
fabricação. (para consulta aos laboratórios acreditados acessar www.inmetro.gov.br)
A pesquisa demonstrou que, para a obtenção de um controle efetivo da qualidade de camisetas
escolares, é necessária uma ação integrada, com a elaboração de uma especificação eficiente e
de um processo de verificação pré e pós compra. As comissões de licitação devem exigir que
sejam inicialmente atendidos os critérios técnicos (atendimento a especificação) e, só então,
avaliar a questão preço.
Os custos, para a verificação das características físicas e químicas das camisetas, podem ser
repassados para os próprios fabricantes, desde que seja exigido como requisito para participar
da licitação, relatório de ensaio de laboratório acreditado atestando que a amostra atende aos
requisitos especificados. No contrato de fornecimento com o licitante vencedor pode estar
definido que, no recebimento do lote, amostras aleatoriamente coletadas sejam encaminhadas
para os laboratórios acreditados e os custos com ensaios corram por conta do fabricante. Outra
opção é criar uma comissão para realizar uma auditoria no processo de fabricação do produto.
A partir das informações obtidas neste trabalho, cabe a sugestão para os organismos
73
competentes na implantação de uma comissão de estudos pela ABNT, com a participação de
representantes das Secretarias de Educação, fabricantes, Instituições de Pesquisa, Instituto de
Defesa do Consumidor - Idec e laboratórios acreditados, para promover a elaboração de uma
Norma de especificação com requisitos mínimos para a aceitação/rejeição de camisetas
escolares tendo em vista que nenhum estudo até o momento foi iniciado.
Ao Inmetro, através de seus departamentos competentes, caberia promover estudos para
implantar um programa de avaliação da conformidade em sintonia com a Divec e a RBMLQ –
Inmetro, para a coleta sistemática e verificação das camisetas comercializadas no varejo.
Também poderia ser incluída na Resolução Conmetro 02/2001 a exigência no atendimento a
NBR 13377/1995 – Medidas do Corpo Humano para vestuário – Padrões Referenciais, pois
desta forma, poderia garantir ao consumidor em geral, produtos têxteis confeccionados com
tamanhos coerentes com as medidas do corpo humano. Para isto é adequada a sugestão para a
revisão desta norma, tendo em vista a norma já possuir 11 anos e, desde então, vários estudos
antropométricos já foram realizados .
Como sugestão para futuros trabalhos, proponho estudos para os demais itens de uniformes
escolares já que algumas Secretarias de Educação também fornecem bermudas, agasalhos,
calças, saias, meias, tênis, mochilas, etc.
74
REFERÊNCIAS
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fiber analysis: qualitative. USA: AATCC, 2002
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75
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78
APÊNDICE A - Requisitos de construção, qualidade e tolerâncias de medidas usuais
que podem ser utilizados em especificações de camisetas escolares
REQUISITOS DE CONSTRUÇÃO
VALORES/TOLERÂNCIAS SUGERIDAS
Composição
Conforme Resolução Conmetro
Título do fio
± 5%
Gramatura
Valor mínimo ou ± 5% (NBR 13586)
Processo de fabricação dos fios (no caso de
Penteado
camisetas de algodão)
REQUISITOS DE QUALIDADE
VALORES/TOLERÂNCIAS SUGERIDAS
Tabela de medidas
± 2% para as medidas básicas de construção
Alteração dimensional
± 5% para camisetas de algodão
Torção das costuras laterais
Máximo de 3%
Solidez de cor (camisetas tintas)
Mínimo de 4 (leve alteração de cor)
Tendência à formação de pilling
Mínimo de 4 (leve formação de pilling)
Fonte: Síntese do autor baseada em normas, resoluções, especificações de produtos similares
e de valores praticados normalmente na indústria de malhas.
79
ANEXO A - Relatórios dos ensaios realizados nas camisetas
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VANDERLEI OLIVEIRA DOS SANTOS CAMISETA ESCOLAR