UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDI A INSTITUTO DE GEOGRAFI A P R O GR A MA M ES TR A D O EM “A N Á LISE DE P Ó S - GR A D U AÇ Ã O E P LA N EJ A M EN TO SÓ C IO - AM BIEN TA L ” “A S UNIDADES GEOMORFOLÓGICAS E A E ROSÃO A CELERADA NA B ACIA DO R IBEIRÃO E STIVA . U BERLÂNDIA . MG.” Kátia Gisele de Oliveira Pereira U BER LÂ N D IA , J U N HO DE 2001. Kátia Gisele de Oliveira Pereira “A S UNIDADES G EOMOR FOLÓGICAS NA BACIA DO RIBEIRÃO E A E ROSÃO ACELERADA E STIVA . U BERLÂNDIA . MG.” Diss er taçã o de M estr ado apr es entada ao cur so P ós Gr aduação do I nst itut o de G eogr af ia da Univer s ida de F eder a l de Ub er lândia. Área de Concentração: “Análise e planejament o sócio -ambient al” Orientadora: Profa. Dra. Dallevedove Baccaro. Uberlândia/MG INSTITUTO DE GEOGRAFIA 2001 Claudete Aparecida Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Sistema de Bibliotecas da UFU, MG, Brasil. P436u Pereira, Kátia Gisele de Oliveira, 1968As unidades geomorfológicas e a erosão acelerada na bacia do Ribeirão Estiva. Uberlândia. MG [manuscrito] / Kátia Gisele de Oliveira Pereira. 2011. 120 f.: il. Orientadora: Claudete Aparecida Dallevedove Baccaro. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Uberlândia, Programa de Pós-Graduação em Geografia. Inclui bibliografia. 1. Geografia ambiental – Uberlândia (MG) - Teses. 2. Geomorfologia Uberlândia (MG) - Teses. 3. Erosão - Uberlândia (MG) - Teses. I. Baccaro, Claudete Aparecida Dallevedove. II. Universidade Federal de Uberlândia. Programa de Pós-Graduação em Geografia. III. Título. CDU: 911.9:504(815.1) U NIVERSIDADE F EDERAL DE U BERLÂNDIA K ÁTIA G ISELE DE O LIVEIRA PEREIRA Dedico . Aos meus pais e ir mão s, de onde vim, e ao Zezinho, Pedro, Mar iana e amigos, onde est ou, e aos meus alunos (sement es do fut uro), para onde vou. AGRADECIMENTOS Á minha pro fessora Claudet e, pela amizade, dedicação e or ient ação por todos esses anos de co nvivência geo mor fo lógica, cont r ibuição imprescindível em minha for mação. Aos t écnicos do Laboratório de Geo morfo logia e Erosões de Solo (LAGES), os amigos Rosângela e Malaq uias, pelo co mpanhe ir is mo, paciência e prest eza nas prát icas de laboratório. Aos amigos e co legas de est rada do LAGES, Alt emir, Beat r iz, Car lo s, Zénilso n, Wellingt on, Kar la e Yvone que sempr e souberam est imular e acredit ar, pelos t rabalho s agradáveis que p odemos fazer junt os. Aos t écnicos Car los Macedo, Celso S iqueira e E leuza de Fát ima Lima, pelo car inho e dedicação na cart ografação e geoprocessament o dos mapas. Às amigas Ângela Soares, Sandra Arant es, Co nceição Gianoglou e Adr iana Assis pela ajuda em mo me nt os difíceis de serem superados, e m cujo o mbro amigo sempre pude apo iar - me. Aos meus fa miliares Pa i, Mãe e ir mão. Ao Zezinho, Pedro e Mar iana pelo amor e co mpreensão nas horas de t ant as ausências. Ao Depart ament o de so los da Faculdade de Agrono mia, ULBR A Universidade Lut erana de It umbiar a, na pessoa do s professores Car lo s Henr ique Mar chior i e da Pro fa. Jaqueline Rodr igues pela realização das análises Químicas. Às amigas Neida Junqueir a Mat os a Lilia Mar ia E lo ísa Alpho nse de Francis pelo capr icho, car inho e co mpet ência na revisão dos origina is e do abst ract . A Deus que, co m a rea lização dest e t rabalho, me proporcionou a oport unidade de escrever e de exercer a per sever ança, a t oler ância, a det er minação e a capacidade int elect ual. S U M Á R IO SUMÁRIO LISTA DE FIGURAS LISTA DE GRÁFICOS L I S T A D E T AB E L AS E Q U A D R O S RESUMO A B S TR A C T CAPÍTULO 1 – I N T R O D U Ç Ã O PÁG. 06 07 08 08 09 10 11 CAPÍTULO 2 – REFERENCIAL TEÓRICO 16 CAPÍTULO 3 – P R O C E D I M E N TO S E T É C N I C A S D E P E S Q U I S A 3.1 Materiais e métodos de elaboração dos mapeamentos 3.2 Trabalho de campo 3.3 Materiais e métodos de pesquisa de dados em laboratório 26 28 33 34 CAPÍTULO 4 - A S P E C TO S A M B I E N T A I S D O T R I ÂN G U L O M I N E I R O 4.1 Geologia e solos 4.2 Geomorfologia 4.3 Cli ma 4.4 Hidrografia 4.5 Uso da Terra e Cobertura Vegetal 38 41 48 52 58 59 CAPÍTULO 5 – U N I D A D E S G E O M O R F O L Ó G I C AS E A E R O S Ã O A C E LE R A D A N A B A C I A D O R I B E I R Ã O E S TI V A .MG 5.1 Áreas de ci meira com rupturas escalonadas 5.1.1Borda Escarpada 5.2 Áreas de vertentes com diferentes níveis de rupturas 5.3 Áreas de vertentes suaves com baixas declividades 5.4 Planícies Aluvionares 64 CONSIDERAÇÕES F INAIS 106 BIBLIOGRAFIA 112 L IS TA S DAS F IGU R A S 75 79 84 97 101 Nº 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 F I G URAS Localização da área de estudo........................................................................................................... Perfil topo-geológico do rio Tijuco, ribeirão Estiva, Panga até o rio Uberabinha no topo da chapada de Uberlândia na extrema direita do perfil. A Seqüência mostra as 3 camadas geológicas KM (Formação Marília), JKSG (Basalto) e PCI (Pré-Cambriano). .............................. Esboço Geológico do Triângulo Mineiro......................................................................................... Esboço Geomorfológico do Triângulo Mineiro................................................................................ Hipsometria do Triângulo Mineiro .................................................................................................. Perfil das vertentes demonstrando vales de fundo chato, cobertos de veredas................................. Perfil de vertentes com vales de encaixados..................................................................................... Perfil Longitudinal da Bacia do Ribeirão Estiva.............................................................................. Bacias hidrográficas e as drenagens capturadas da Chapada de Uberlândia. MG............................ Foto do médio vale do ribeirão Estiva durante o Período úmido de verão com vertentes com rupturas e amplo vale em vereda. A vegetação é mais densa e farta................................................ Foto do médio vale do ribeirão Estiva durante o Período seco de inverno com vertentes com rupturas e amplo vale em vereda. A vegetação é rala e escassa....................................................... Esboço Geológico do Ribeirão Estiva. MG...................................................................................... Hipsometria da Bacia do Ribeirão Estiva. MG................................................................................. Esboço Geomorfológico da Bacia do Ribeirão Estiva. MG............................................................. Perfil das vertentes da unidade de cimeira com topos escalonados................................................. Detalhe do solo hidromórfico, na nascente do Ribeirão Estiva. Concentração da água sobre a escarpa e pipings no barranco erodido.............................................................................................. Perfil topomorfológico A – A’ e B – B’............................................................................................ Perfil topomorfológico C – C’ e D – D’........................................................................................... (A) representação tridimensional esquemática das condições de ocorrência da água subsuperficial influenciadas pela presença litológica de baixa permeabilidade e as relações com o relevo e materiais inconsolidados. (B) perfil típico do relevo em áreas de litologias da Formação Marília. Anfiteatro com forte dissecação, revestido de pastagem degradada, vegetação rala e processos erosivos instalados. .......................................................................................................................... Vertente suavemente convexa coberta por pastagem e com voçoroca instalada. Cabeceira reativada em vários dígitos. Perfil das vertentes suavemente convexas e algumas lateríticas Ruptura Laterítica exposta na média encosta, local de retirada de laterita para calçar estradas. Perfil de vertentes suavemente convexas com rupturas e as erosões logo abaixo. Anfiteatro com processo inicial de dissecação, com rupturas expostas e vale de fundo chato com hidromorfia, marca de ravinas e canais de água abaixo da ruptura. Pastagens degradadas e ressecadas, período de estiagem. Vegetação de mata restrita às declividades mais acentuadas. Dutos sobre carapaça ferruginosa na média encosta. Perfil Topomorfológico E – E’ Perfil de Assimetria do vale em vereda, com amplas hidromorfias em vertentes suaves. Laranjal da Cargil S.A. Destaque para a preservação das veredas e ao fundo vertentes levemente convexas. Vale de fundo chato e vertentes cobertas por pastagens ralas. Soleira Rochosa no leito do Ribeirão Estiva – baixo curso, com mata ciliar presente nas margens. Amplas planícies na foz da bacia, vales em veredas, suaves vertentes convexas e início de ravinamento em primeiro plano. PÁG 12 43 45 48 51 61 62 65 67 71 71 72 73 74 80 81 82 83 86 87 87 89 89 93 95 95 96 98 98 100 104 105 List a de Tabelas e Quadros Nº 01 02 03 04 05 06 07 08 Nom e da s T a bel a s T ot a i s m en sa i s e m édi a s de ch uva em Uber l â n di a (1981 – 2000) Resul t a do da s a n ál i ses fí si c o -quí m i ca s - Loca l A Resul t a do da s a n ál i ses fí si c o -quí m i ca s - Loca l A Resul t a do da s a n ál i ses fí si c o -quí m i ca s – Loca l B Resul t a do da s a n ál i ses fí si c o-quí m i ca s – Loca l C Resul t a do da s a n ál i ses fí si c o -quí m i ca s – Loca l D Resul t a do da s a n ál i ses fí si c o -quí m i ca s – Loca l F Qua dr o da s Un i da des Geom or fol ógi ca s da Ba ci a do Ri bei r ã o E st i va Página 53 76 76 90 91 92 102 106 List a de Gráficos Nº 01 02 03 04 05 06 Nome dos Gr áf icos T otal de chu vas em T otal de chu vas em T otal de chu vas em T otal de chu vas em T otal de chu vas em T otal de chu vas em Ub er lâ ndia Ub er lâ ndia Ub er lâ ndia Ub er lâ ndia Ub er lâ ndia Ub er lâ ndia – 1982 – 1983 – 1985 – 1987 –1988 -1990 Página 53 54 54 54 55 55 RESUMO A erosão dos so los pode ser co mpreendida co mo resu lt ado das condicio nant es ambient ais, relevo, so lo e clima, apropr iados pela var iáve l social, cu lt ural expr essa na ocupação e manejo das paisagens. O present e t rabalho pr et ende o ferecer infor mações sobre as caract er íst icas ambient ais relacio nadas aos processos erosivos mais int ensos. Abordou -se nu m pr imeiro mo ment o, os aspect os ambie nt ais regio nais, mo ment o, procurou-se dest acar a Bacia do num segundo Ribeirão Est iva co nt ext ualizando suas for mas e fe ições em Unidades Geo mor fo lógicas classificadas co mo, Áreas de cimei ra com ruptu ras escalonadas , subdivid ida em, borda escarpada, Áreas de vertent es com di ferentes níveis de ruptu ras, Áreas de vert entes suaves com bai xas decl i vidades e Planíci es Aluvionares. Nest as unidades foram ident ificados os processos de erosão acelerada. Esse co nheciment o fo i sist emat izado at ravés da pesqu isa biblio gráfica, dos mapeament os temát icos, dos t rabalho s de campo e de análise de so los visando a definir uma caract er ização ambient al dos processos erosivo s. Est a podendo ser ut ilizada para fut uras propost as de manejo de bacia hidrográfica, ou mesmo co mo fo nt e de pesquisa para os alunos e moradores do Dist r it o de Mir aporanga e da Bacia do r ibeirão Est iva. Palavras-chaves: Geo mor fo logia – Unidades Geo mor fo lógicas – Erosão aceler ada ABSTRACT Soil erosio n can be under st ood as being a result o f enviro nment al condit io ning in addit io n t o soil and climat ic co ndit io ns as well as t aking int o consider at ion socio -cult ural var iables invo lved in it s use. The resear ch conduct ed o ffers infor mat io n pert aining to enviro nment al charact er ist ics associat ed wit h erosio n and regio nal charact er ist ics were init ia lly examined. Subsequent ly, significant charact er ist ics of t he Ribeirão Est iva basin were ident ified, providing a framework for reference of it s cont ours (shape) which wer e classified in t he fo llowing geo morpho logical unit s: Elevations (su mmits) with fi ssu res (in staggered formation) and st eep slopes ; slop es with assort ed levels of fissu res ; gentle slop es and allu vial plains for which t he advancing process o f erosion was ident ified. T he infor mat io n obt ained was classified based o n bibliographic research o f t hemat ic mapping o f field st udies and so il analys is wit h t he goal o f defining environment al processes o f erosio n. T his explanat ion o f erosio n processes may be useful in t he management of hydrographic basins and as a resource for st udent s st udying t his pheno meno n. I n addit io n, it will pro vide useful infor mat io n for resident s o f Mir aporanga Dist r ict and R ibeirão Est iva basin. Wor d- key: G eomor p hology - G eomor p hological Units – Badla nds/Gu lly er os ion 1 CAPÍTULO 1. I NTRODUÇÃO A Área de est udo faz part e de um conjunt o global do relevo deno minado por AB'S ABER (1971), co mo Domínio dos Chapadões Tropicais do Brasil Cent ral e por RADAM, (1983), co mo áreas de “P lanalt os e Chapadas da Bacia S ediment ar do Para ná” e do Domínio do Cerrado, em cuja região, grande part e do t errit ório do Tr iângulo. A nascent e do r ibeir ão Est iva est á no municíp io de Uber aba e sua foz est á lo calizada ao Sul do Munic ípio de Uber lândia, no Tr iângulo Mine iro, ent re as coordenadas geográf icas: 48º10’00”W e 19º20’00”S – 48º32’30”W e 19º10’00”S, confor me se obser va na figur a 1. O est udo part e dessa const at ação regional que é dada pelo Tr iângulo Mineiro para uma invest igação ma is det alhada a nível local. Port anto, nest e t rabalho propõe-se um est udo de compart iment ação geo mor fo lógica dest acando -se os processos de erosão aceler ada na bacia do ribeirão Est iva a fim de se ent ender a int egração dos diversos fat ores ambient ais que est ão envo lvidos na dinâ mica dos processos erosivo s. Co m o objet ivo de co mpreender o cont ext o geomor fo lógico em que se encont ram os processos de erosão acelerada fo i esco lhida a bacia do Ribeirão Est iva, afluent e do rio T ijuco, que é afluent e do rio Paranaíba. 2 Figur a 1 - Localização da área de estudo 3 A esco lha recaiu represent at iva no nest a bacia por cont ext o se regio nal t rat ar de uma área dos processos bast ant e erosivos e co mpart iment ação geo mor fo lógica e por se apresent ar co mo o objet o de análise ideal, po is int egra os diver sos aspect os nat urais e sociais de uma det er minada região. Os t rabalho s ant er iores desenvo lvidos por BACCARO e PEREIR A (1995) const at aram um padrão de comport ament o erosivo em t odo o Tr iângulo Mineiro co m dest aque par a a bacia do r io T ijuco. De acordo co m os result ados de sse est udo, a bacia do r ibeir ão Est iva se encont ra em ár ea classificada de média a alt a vulner abilidade mor fodinâmica devido às suas caract er íst icas mor fo lógicas. Os processos erosivo s o bser vados nessa bacia est ão não só associada co m o avanço erosivo nas cabeceiras de drenagens, erosão ext ensa na méd ia encost a, erosão margina l e ravinament o, como t ambém re lacio nados co m um co mportament o evident ement e nat ural de evo lução da paisagem e às prát icas sócio - econô micas reprodutoras. A bacia do Ribeirão Est iva é um bo m exemplo dessa visão conjunt a, pois as mudanças que vêm ocorrendo podem se dar por causas nat urais (dessecação pela drenagem, efeit os t ect ônicos posit ivo s, em escala geo lógica) ou por agent e acelerador dos processos modificadores, pelo ho mem, por exe mplo, DE PLOEY e GABRIELS (1980) ressalt am a import ância da esco lha da área a ser est udada, devendo est a ser u m exemplo e expressar o car át er regio nal dos processos erosivo s, exigindo para a sua esco lha um conheciment o da mor fo logia e da incidência da erosão na área. Na bacia enco nt ra-se loca lizada a sede do Dist r it o de Miraporanga, o mais ant igo do Município de Uber lândia, que guarda caract er íst icas de import ância hist ór ico -cult ural para a sociedade. E m 1807, uma bandeir a dest inada a conhecer os r io s Paranaíba e Grande cruzou o r ibeirão Est iva e logo após, for mou -se a pr ime ir a Co lônia 4 que passou a se cha mar “Sant a Mar ia”. O seu desenvo lviment o post er ior acont eceu graças ao fat o de est ar às margens da est rada real iniciada pelo s bandeirant es co m dest ino a Go iás e Mat o Grosso, at ravés do t err it ório da Far inha Podre, passage m for çada dos respect ivos viajant es. E m 1864, fo i cr iado o Dist r it o de Paz de Sant a Mar ia, pert encent e à freguesia de Mont e Alegre, no municíp io do Prat a, Província de Minas Gerais. A part ir de 1880 o comérc io de Sant a Mar ia passou a ser considerado o mais import ant e da região. E m 1888, Sant a Mar ia fo i desme mbrada de Mont e Alegre e e levada à fr eguesia de S ão Pedro de Uberabinha, at ual Uber lândia, co mo munic ípio. Co m a ret irada da linha t elegráfica de Goiás, em 1899 ; co m it iner ár io por Sant a Mar ia, e sua t ransfer ência para S ão Pedro de Uberabinha e co m a const rução de out ras est radas para acesso ao int er ior do Triângulo Mine iro, o povoado t em seu t ráfego abandonado, forçando -o ao nat ural co lapso na sua prosper idade, co mo relat am document os present es no Museu Municipal de Uber lândia, sem dat a ou aut ores. Nos iníc io do século XX, o dist r it o de Sant a Mar ia passa a se chamar Dist r it o de MIRAPORANGA. O descaso, a falt a de manut enção e a ausênc ia de int eresses po lít ico s t ransfor maram Miraporanga em um bairro rural co m uma população aproximada de 150 pessoas, a maior ia assalar iada do campo. Algumas out ras caract er íst icas, co mo a de dar co nt inuidade aos est udos de dinâmica da paisagem for am relev ant es durant e o processo de seleção da área, vislumbr ando fut uras aplicações prát icas das infor mações obt idas co m est e t rabalho, cujo s result ados aqui apresent ados poderão ser vir para pro jet os fut uros de ONGs, preocupadas co m o resgat e da import ância hist ó r ica e cult ural de Miraporanga. Acred it a -se na cont r ibuição dest a pesquisa no sent ido de resgat ar valores do ambient e cujas lembranças est ão perdidas no t empo. O objet ivo geral dest e t rabalho é o de analisar as diferent es unidades geo mor fo lógicas na refer ida bac ia ident ificando e car act er izando os difer ent es t ipos de processos de erosão acelerada em cada unidade, levando 5 em consideração a int egração dos diversos fat ores ambient ais e a int er ferência das at ividades hu manas enquant o organização da paisagem. Devido à exigüidade do t empo (2 anos) e co m t ão poucos recursos, fo i-se obr igado a lançar mão de um conjunt o de dados obt idos basicament e at ravés de t rabalhos de campo, int erpret ação de fot ografias aéreas na escala de 1:25.000, mapeament os geo lógico, geo mor fo lógico hipso mét r ico, de declividade na mesma escala. BACCARO (1990). As análises fís ico -químicas, os per fis t opomor fo lógicos e os dados de precipit ação do município foram dados imprescindíveis que qualificaram a caract er ização dos compart iment os, fundamen t ando -os. 6 C A PÍTULO 2 - R EFERENCIAL T EÓRIC O Os níveis de dest ruição desse planet a t êm sido avaliados por t odos os gover nant es em grandes conferências par a discut ir em os rumos sociais dos problemas ambient ais. Nas grandes confe rências t e m-se chamado a at enção para os índ ices de dest ruição do ambient e e alert ado a sociedade par a as so luções que deverão ser pensadas co let ivament e, em escala glo bal, at é que sejam incorporadas, at ravés de legis lação e educação, nas escalas locais. Logo, os est udos locais t endem a co nt r ibuir significat ivament e para a mudança lent a e gr adual co m vist a a pequenas t ransfor mações sociais que reflet ir ão no todo int egrado. A Ciência Geográfica, co mpro met ida com o desenvo lviment o social, polít ico e econô mico da ma ior ia da população, apont am caminho s cont rár ios à exploração excess iva e desordenada do ambient e. E la va i propor uma concepção de apropr iação conscient e do me io, em que haja uma relação de respeit o do funcio nament o das leis da nat ureza, t endo como objet ivo rea l a sat isfação das necessidades ant rópicas, preser vando os recursos para as fut uras ger ações e garant indo um funcio nament o de const ant e equilíbr io ent re as forças envo lvidas na produção da paisagem. 7 O desenvo lviment o econô mico cláss ico da sociedade já demo nst rou inst abilidade at ravés do seu hist órico, port ant o, faz -se necessár ia uma análise abr angent e que cont emple a r elação sociedade e nat ureza adot ando se uma post ura po lít ica respeit adora das diferenças nelas pr esent es, em que possa haver subsídios reais e co ncret os de t ransfor mação da r ealidade próxima. (S ANTOS, 1996). Est e aut or propõe ainda que a ciência geográfica deva se co locar em mo viment o cont rário à dit adura econô mic a impost a pelos plano s est at ais de produção agrária e indust r ial, acredit ando que a t erra deva ser r espeit ada e, para que ocorra essa t ransfor mação, é necessár io que haja do is caminhos a se percorrer: a) o caminho da infor mação do funcio nament o da nat ureza, procurando co mpreender sua apt idão e a lo calização geográfica dos fenô menos e b) a sociedade pr ecisa aprender a respeit ar esses espaços e o seu funcio nament o. Para isso, a educação é a mo la mest ra de t ransformação das relações da produção social. Na quest ão ambient al conferem- se vár ios episódios da míd ia evidenciando drást icas mudança s ambient ais e suas conseqüênc ias para a sociedade e, pr incipalment e, para as sociedades dist ant es dos mecanismo s decisór ios. E ssas mudanças carecem de se (re) organizar a sociedade se m t er o peso tot al na esfer a econô mica. Nest e est udo, enfat izar -se-á o Do mínio do Cerrado, que abr ange grande part e do t err it ório brasileiro. Nas últ imas décadas, essa região vem so frendo um acelerado processo de devast ação de sua veget ação nat iva e de todos os fat ores biót icos e abiót icos que compõem o Bio ma, numa apropr iação conseqüent e da expansão das fro nt eiras agro -past oris, da const rução de est radas e rodovias, do cresciment o desordenado das populações das cidades, enfim, t odas as prát icas est ão relacio nadas co m as polít icas desenvo lviment ist as (BACCARO, 1999). adot adas e incent ivadas pe lo go ver no. 8 Os cerrados brasile iros, co m so los em sua ma ior ia ácidos e co m baixo s t eores de nut rient es, t êm so fr ido o impact o das ino vações t ecno lógicas. Trat a-se de área de expansão agropecuár ia, oport unizada devido a fat ores, como o rele vo pouco dissecado que facilit a a mecanização, a fácil aceit ação da correção do pH e de adubação co m fert ilizant es fosfat ados. O projet o criado em 1975, POLOCENT RO, proposto pelo II PND (P lano Nacio nal de Desenvo lviment o) fo i muit o import ant e na ampli ação das ár eas produt ivas at ravés da moder nização das t écnicas de ocupação dos Cerrados. O programa demarca- se basicament e pela at ribuição de linhas especia is de crédit o para a grande empr esa rural e pela co ncent ração de esforços de pesqu isa e assist ência t écnica. Tal pro jet o recebe uma grande var iedade de cr ít icas, como a falt a de diret r izes e est rat égias que har mo nizasse as pot encialidades e fragilidades desse ecossist ema, co m s ist ema de o cupação ordenada. Alé m disso, DELGADO, (1985) relat a que co m o pa ssar do t empo o custo elevado da produção com mecanização, adubação e correção represent am obst áculo s de grande mo nt a à cont inuidade do r it mo de ocupação econô mica desse espaço agr íco la, ou seja, esse pro jet o privilegiou os grandes propr iet ár ios locais e o grande capit al int eressado em incent ivos fiscais. Co mo conseqüência, as regiões de Cerrado passar am a cont ar co m mecanis mo s de uma agr icult ura mo der na, co m adoção cada vez ma is int ensa da mecanização, adubação, agrotóxicos et c. Segundo BACCARO (1991), ROS A (1995) e SCHNEIDER (1996) essa "moder nização" nem sempre t em sido benéfica ao meio, que mo st ra sina is de co mpact ação do solo, cont aminação de mananciais, diminuição da vida microbiana no so lo e perda da biodiversidade ent re out ros. Por est ar sit uado em uma área muit o import ant e do est ado de Minas Gerais, o Triângulo Mineiro é responsável por 20% do produto econômico do 9 est ado, com sua econo mia baseada predominant ement e na agr icult ura e pecuár ia. E st as e out ras at ividades econômicas, dadas as suas prát ic as, co m o passar dos t empos co mpro met em o equi líbr io dinâmico da paisagem. Os reflexos dest as voçorocament os co ndições e são ravina ment os, const at ados dest ruição pelos da desmat ament os, fauna e da flor a, assoreament os dos r ios, córregos e ribeir ões. Dent re todos, o que mais t em chamado à at enção dos geomor fó logos são as erosões aceleradas, que t ê m at ingido grandes magnit udes e fr eqüência nos frágeis so los da região, associadas às prát icas agressivas. As possibilidades de alt eração do relevo realizadas pelo ho mem são de magnit ude regio nal, const at adament e mais percept íveis e mais significat ivas em escala loca l, e t ambém mais int ensiva que ext ensiva , co mo dest aca DRE W (1994). Dest a for ma, há uma grande necessidade de est udos dos processos geo mór ficos, em um B io ma t ão ext enso e complexo co mo os Cerrados Brasileiros. As pesquisas cient íficas t êm sido ut ilizadas para se chegar à verdade sobre quest ões relevant es que t êm provocado a cur iosidade e necessidades humanas de se conhecer mais sobre o mundo em busca de r espost as par a seus quest io nament os. Para se obt erem essas r espost as são necessár io s procediment os cient íficos seguindo um caminho pré -est abelecido, o mét odo cient ífico, cuja esco lha est á relacio nada co m os objet ivos da pesquisa e co m os recursos dispo níveis. O ho mem sempr e buscou respost as sobre a funcio nalidade d a nat ureza. A part ir daí, foram se est abelecendo relações ent re ho mem e nat ureza em busca de t écnicas que pudessem sat isfazer as necessidades sociais, ut ilizando os recursos nat urais par a o desenvo lviment o “econô mico” e cult ural. O uso que t em sido dado aos result ados das prát icas ant rópicas t em provocado um aproveit a ment o insust ent ável do s recursos nat urais, gerando o seu esgot ament o ou desperdício. 10 Nessa relação ent re ho mem/ nat ureza a Geo morfo logi a assumiu uma import ância relevant e, pois t rat a das quest ões relacio nadas às for mas do relevo e os seus processos associados. E é just ament e so bre o relevo que o ho mem desenvo lve suas at ividades, fazendo uso da super fície para inst alar at ividades produt iva s e reprodut ivas. No Brasil, AB’S ABER (1969), CHRISTOFOLETTI (1977), ABRE U (1982), CRUZ (1985), BACCARO (1990) , CASSETI (1991), ROSS (1991), GUERRA e CUNHA (1995, 1996, 1998 e 1999) t iveram o t rabalho de discut ir, levant ar e reavaliar as t eorias sist êmicas e t écnicas dos processos geo mor fo lógicos, ou aplicá - las aos processos ocorrent es em clima s t ropicais br asile iros. Para buscar essas explicações, o mét odo tem sido a linha de condução das diver sas abordagens geo mor fo lógicas, ent re ela a Teor ia dos S ist emas int roduzida por STRAHLER (1950), apud BACCARO (1990), que afir ma m “um sist ema de dr enagem ajust ado t alvez seja me lhor descr it o co mo sist ema abert o em est ado const ant e”, que aceit a ent rada e saída de energia. Essa idéia fo i apr imorada por HACK (1960), quan do lançou as bases da Teoria do Equilíbr io Dinâmico, e depois por CHORLEY (1962), que afir mou a import ância da abordagem sist êmica em geo mor fo logia. Out ros trabalhos cient íficos cont r ibuír am de for ma significat iva, par a a evo lução dessa idéia: CHORLEY e K ENNEDY (1971), CHORLEY e HAGGET (1975), THORNES e BRUNS DEN (1977), TRICART (1977), ERHART (1976) e out ros. A t eor ia ger al dos sist emas t ambém fo i aplicada nos est udos dos geossist emas. A noção de avaliação geossist êmica de BERTRAND (1971) part e da sugest ão do autor de delimit ação do me io co m uma aproximação das relações geográficas, at ravés da esco lha de sit uações médias, procurando enco nt rar as co mbinações e as relações ent re os event os e fenô menos de convergência, para ent ão, classificar a paisagem at ravé s de 11 t axono mia em função da relação espaço/t empo propost a pela escala. Relacio nado a isso, a classificação de uma paisagem co mo função da escala refer e-se à det er minação do espaço como result ant e da co mbinação dinâmica ent re os element os fís icos, bio lógico s e ant rópicos, cont r ibuindo para a co nst rução de uma base para os est udos de organização do espaço por ser esse co mpat ível co m a escala humana de obser vação. No esquema a baixo NISHIYAMA (1998) most ra a int erdependência ent re os co mponent es do meio fís ico , meio biót ico e me io ant rópico e o fluxo de mat ér ia e energia. Fluxo de matéria e energia fluxo de matéria e energia ecossistemas ocupações solo meio antrópico uso dos recursos naturais rocha meio físico água fluxo de matéria e energia relevo terrestres meio biótico ar ecossistemas aquáticos fluxo de matéria e energia Fonte: NISHIYAMA (1998) Assim sendo, o est udo ambient al, objet ivando compr eender o fluxo de mat ér ia e energia ent re o meio fís ico, biót ico e ant rópico uma condição de sust ent abilidade não pode ser imple ment ado , sem o conheciment o das caract er íst icas do meio ambient e (quant o as suas int er -relações ent re os meios que o co mpõem, aos seus limit es de t o lerância, aos processos 12 geo lógicos e bio lógicos em cur so e, por fim, aos vár io s níve is de infor mações necessár io s). De acordo com CRUZ (1985), a escala de abordagem dos processos geo mor fo lógicos vai var iar de acordo com a relação espaço – t empo. A esco lha do mét odo vai var iar de acordo com a magnit ude e freqüência do s processos geo mór ficos. A refer ida aut ora cit a import ant es aut ores que, desde a década de 60, já discut em a import ância da escala de abordage m dos fenô menos de evo lução das paisag ens. SCHUMM E LICHTY (1965), propõem a diferença na for ma de invest igar os est udos mais lo ngos em ár eas maiores e mais curt os em pequenas áreas. SHIU -HUNG LU K (1982), apud CRUZ (1985) prefere o est udo de áreas pequenas e reco menda a ver ificação das suas var iações espaciais numa escala regio nal. A aut ora pondera, ainda, que as dist âncias e as ár eas são caract er íst icas relevant es no est udo dos processos, nos quais nem sempre as infer ências co nst at adas podem ser ext rapo ladas para pont os adjacent es, uma vez qu e o espaço é mult id imensio nal. Segundo CRUZ (1995), em geo mor fo logia a esco lha do mét odo é uma quest ão de esca la. A esco lha do t ema est á diret ament e relacio nada co m a esco lha da escala de abordagem. O objet o e objet ivo da pesquisa é o est udo geo mor fo lógico da bacia do Ribeir ão Est iva, segundo sua co mpart iment ação geomor fo lógica e os processos de erosão aceler ada present e nas dist int as unidades do relevo. Out ra abordagem import ant e para os est udos geomor fo lógicos fo i elaborada por TRICART (1977) afir mando qu e a d inâmica deve ser o pont o de part ida da avaliação e o guia da classificação do meio, selecio nando a paisagem co mo est ável, int ergrade e fortement e inst ável. No meio est áve l há cert a est abilidade evo lut iva da paisagem, onde os element os se int eragem, pr evalecendo os processos mecânicos que at uam de for ma lent a. Para co mprová- lo s ser ia m necessár ias mensurações difíceis de se 13 evidenciarem modificações. No me io int ergrade há do is cr it ér io s para uma avaliação da dinâ mica da paisagem: um qualit at ivo, onde a m or fogênese pode-se acelerar a pont o de superar a pedogênese co m rapidez, em que o balanço pedo - mor fogenét ico reduz o hor izont e A, expondo o hor izo nt e B e o out ro qualit at ivo, onde a pedogênese leva vant agens, havendo uma mo bilização de mat ér ia sob o efeit o de processos mor fogenét icos que afet am o hú mus e os demais nut r ient es. Nos Meio s fort ement e inst áveis há um predo mínio da mor fogênese sobr e a pedogênese. Dent re os diversos mét odos de abordagem geo mor fo lógica fo i selecio nada a met odologia propost a por AB ’S ABE R (1969), que segundo ABREU (1982), é a que mais se adapt a às condições das áreas t ropicais. AB’S ABE R (1969) deixa est abelecidos t rês níveis de t rat ament o par a as pesquisas geo mor fo lógicas: a co mpart iment ação t opográfica, co m caract er ização e descr içã o das for mas de relevo ; a est rut ura super fic ial da paisagem e a fis io logia da paisagem com o ent endiment o dos processos mor fodinâ micos e co mpr eensão do funcio nament o da paisagem. No pr imeiro nível o aut or apresent a a compart iment ação t opográfic a co mo sendo import ant e para um ent endiment o da compart iment ação regio nal caract er izando e descrevendo as for mas do relevo de cada co mpart iment o, ident ificando -os. No segundo nível, a est rut ura super ficia l da paisagem propõe -se a ident ificar as est rut uras geo lógica s, pedológicas e depósit os correlat ivo s capazes de t razer uma explicação à gênese das for mas. Essa o bser vação da est rut ura super fic ial da pa isagem exige uma co mpr eensão dos processo s evo lut ivos pret ér it os, nos quais a paisagem adquir iu suas feições ant igas e recent es. E mbora num pr imeiro mo ment o, essa ava liação pareça est át ica quando obser vamo s a est rut ura da paisage m, ident ificam - se processo s mor foclimát icos ant igos, responsáve is pela escult uração das for mas. 14 No t erceiro e últ imo níve l de abordagem o auto r exige uma visão do func io nament o da paisagem. Para se obt er essa co ndição é necessár io obser var o conjunt o for mado pelos eleme nt os que co mpõem uma paisagem. Inicia lment e, essa visão de conjunt o requer reconhecer a import ância de cada element o no funcio na ment o da paisagem. At ravés desse reconheciment o procura -se ent ender os processos mor foclimát icos e a pedogênese at ual, obt idos por meio de mensurações do co mport ament o dos element os. Segundo AB’S ABER (1969), é necessár io para a co mpreensão da fis io logia da paisagem da paisagem t er conheciment os a respeit o de sucessão do t empo; da int er fer ência esporádica de event os climát icos não habit uais; da ocorrência de processos t emporár ios; da hidrodinâmica da área e dos processos biogênicos e geoquímico s. Alé m dessa noção, é preciso int egrar a esses a ação degeneradora do ho mem, responsável por modificar o funcio nament o dessa paisagem. E m seu art igo GUE RRA (1995) aborda os processos erosivo s avançados do t ipo voçorocas e ravinas, ressalt ando a import ância de se descr ever o funcio nament o dos processos e a necessidade de mensurar os fat ores cont roladores (erosividade da chuva, erodibilidade dos so los, caract er íst icas das encost as, assim co mo o uso e o t ipo da cobert ura veget al) para diagnost icar a dinâmica erosiva de u ma det er minada paisagem. Segundo DAEE/IPT (1990), as voçorocas correspondem ao est ágio mais avançado e co mplexo de erosão, cujo poder dest rut ivo local é super ior ao das out ras for mas e mais difícil na sua cont enção. Relacio ná - las às infor mações geo mo r fo lógicas o bt idas é fundament al para classificar a dinâmica da paisagem e dest a for ma, para at ingir o t erceiro nível dos pressupost os met odológicos de AB’S ABE R (1969). 15 A apresent ação dessa abordagem met odo lógica garant e que o s est udos geo mor fo lógicos pod em ser út eis para out ras disc iplinas que t enham co mo objet o à organização da paisagem e que possam r est aurar event os que provoquem t ransfor mações. Nest e t rabalho procurou -se analisar o pr imeiro e o segundo níveis da abordagem met odológica. Segundo AB’S ABER (1969), é necessár io ut ilizar-se de vár ias cart as t emát icas, em escala regio nal e elaborar -se out ra na escala local ( bacia do r ibeir ão Est iva), acompanhada de t rabalho s de campo, perfil t opomorfo lógicos, co let a de amost ras de so lo e bibliografia específica sobre o t ema e sobre a área de est udo, confor me esquema met odológico abaixo. O t erceiro nível de abordagem da fis io logia da paisagem co nsist e e m est udos de apenas alguns aspect os, efet uando -se obser vações e mensur ações dos diferent es co mpart iment os mor fo ló gicos. Ent ret ant o, em função do curt o t empo dedicado à obser vação (1999 – 2000) e da dificuldade de se const ruir, inst alar e co let ar dados de inst rument os de medidas procurou-se não excluir esse níve l de abordagem da análise, mas abordá - lo por meio de evidências encont radas e cart ografadas em escala local, arr iscando -se uma avaliação a respeit o de alguns aspect os da dinâmica da paisagem. Os dados obt idos nesse nível de det alhament o são significat ivos para ser e m apresent ados à comunidade, pois que se cons t it uem numa cont r ibuição para a ordenação não predat ória das paisagens. 16 E SQU E M A M E T OD OL ÓGI C O Objetivos Lev ant am ent os de dad o s regi onai s do Etapa 1 T ri ângul o Mi nei ro Escal a Loc al - Det al ham ent o das i nf orm ações m orf ol ógi cas e do s dem ai s el em ent os d a Etapa 2 pai sa gem da Baci a do Ri bei rão Est i v a. Muni cí pi o de Uberl ândi a. MG . Etapa 3 Com part im ent ação geom orf ol ógi ca e a erosã o na baci a do Ri bei rão E st iv a. MG 17 C A PÍTULO 3. P ROCEDIMENTOS E T ÉCNICAS DE T RABALHO . Os aspect os físico s foram levant ados at ravés de mapeament os t emát icos co nsiderando -se que a porção do espaço em est udo é produt o das relações dos aspect os físicos, sociais, po lít icos e econô micos. Para esse est udo procurou -se t rabalhar co m a bacia hidrográfica, unidade que exerce grande influência nos diferent es a spect os nat urais e sociais e é considerado um sist ema abert o, onde ocorre a ent rada e saída de energia. A ent rada de energia se dá pelo clima ou por efeit os t ect ônicos lo cais e passa a ser eliminada pela saída da água, que geralment e t ransport a sediment os. Essa ent rada e saída de energia proporcionam co nst ant es ajust es t ant o nas for mas, co mo nos processos associados. Esses ajust es levam a deduzir que as bacias hidrográficas int egram uma visão conjunt a das condições nat urais e das at ividades humanas aí desen vo lvidas, de mo do que as mudanças significat ivas podem gerar alt erações ou efe it os impact ant es. Além disso, a bac ia de drenagem t em papel fundament al na evo lução do relevo, pois os cursos d’água são import ant es modeladores da paisagem. Consider ando essas p remissas, a opção por t rabalhar co m essa unidade da paisagem t em sido bast ant e empregada nos est udos geo mor fo lógicos. Segundo CRUZ (1985), as t écnicas ut ilizadas para a obser vação dos processos geo mór ficos est ão condicio nadas à escala espaço -t empo dos processos e aos objet ivos. O mapeament o geo morfo lógico obt ido através de fot oint erpret ação co m os níveis geo lógicas, de dissecação t opográficas e de co mpart iment ação da paisagem. do relevo, assim co mo, declividade foram à base infor mações para uma 18 Os processos de erosão aceler ada (ravina, voçoroca e erosão marginal fluvial) for am ident ificados e mapeados pelo s r ecur sos t écnicos acima cit ados e pr incipalment e pelos t rabalhos de campo. Diant e dessa abordagem, buscou -se no mét odo e nas t écnicas a elaboração de infor mações geo mor fo lógicas do meio físico e sua int eração co m a ação ant rópica de uma for ma organizada em co mpart iment os, a fim de melhor co mpreender os processos erosivos na bacia do Ribeirão Est iva. Est e t rabalho fo i divid ido em 3 et apas de execução , de acordo com esquema abaixo, co m o objet ivo de ordenar a seqüência dos t rabalho s desenvo lvidos ao longo da pesquisa. No pr imeiro mo ment o fo i feit o um levant ament o dos dados já exist ent es, map eament os, análise de so los, de cart as t emát icas, empr egados em uma avaliação regio nal. No segundo mo ment o selecio nou -se uma área de pesquisa para det alha ment o da cont ext ualização das unidades geo mor fo lógicas e dos processos erosivos em uma bacia hidrográfica. Na t erceir a et apa, a part ir dessa co mpar t iment ação, fo i fe it a uma análise int egrada da dinâmica ambient al da bacia hidrográfica levant ando as causas relac io nadas co m a erosão acelerada na bacia. Essas infor mações demo nst ram em cada co mpart iment o uma int eração ent re os fat ores ambient ais e a apropr iação ant rópic a. As t écnicas empr egadas fora m divid idas em 3 et apas apr esent adas no quadro abaixo. 19 E SQ U EM A DA S E TA PA S DOS P R O C ED IM EN TO S T ÉC N IC O S I Levantamento e coleta de dados regionais obtidos através de: Carta geomorfológica, geológica e hipsométrica contidas no texto. Uso da Terra e Cobertura Vegetal obtida através de imagem de Satélite. Trabalhos de campo e revisão bibliográfica. II Levantamento e coleta de dados locais (bacia do ribeirão Estiva) obtidos através de: Fotointerpretação dos dados geomorfológicos em escala de 1:25.000 com perfis topomorfológicos Carta de declividade. Cartas hipsométricas e esboço geológico. Uso da terra e cobertura vegetal – imagem de satélite Dados de precipitação. Análises físico-químicas dos solos. Dados de precipitação e perfis geomorfológicos. Trabalhos de campo. Revisão bibliográfica. III 3.1 Análise da Compartimentação geomorfológica e dos processos erosivos. M AT ERI AIS E M ÉT ODOS DE ELABOR AÇ ÃO DOS M APE AME NT OS Para a realização do present e t rabalho, buscamos t odos os recursos e mat er iais dispo níveis para a área est udada e para a região como um t odo, co mo por exemplo, t rabalho s acadêmicos, difer ent es t ipos de mapas, fot ografias aéreas, dados de análise de so los e imagens de sat élit es. 20 Os mapeament os t ivera m a finalidade de cont r ibuir co m infor mações sobre a área de est udo: esboço geo lógico e geo mor fo lógico, hipso mét r ico e declividade. Foram elaboradas na escala de 1: 25.000, ut ilizando -se a int erpret ação de fot ografias aéreas, imagens d e sat élit e disponíveis na escala de 1:100.000 e t rabalhos de campo. A simbo logia cart ográfica fo i bast ant e út il para gar ant ir às cart as uma for ma leve, prát ica e rápida de ler as infor mações, sem que houvesse sobreposição de infor mações ou mesmo excesso, q ue pudesse dificult ar sua leit ura. Foram ut ilizadas co mo fo nt e de referências para os símbo los e cores, o manual de levant ament os geomorfo lógicos do ITC (Int ernat iona l Inst it ut e for Areal S urvey and Eart h S cinces) de VE RSTAPPEN, H. T. & ZUIDAM (1975) e manual de TRICART (1965) que foram adapt ados aos recursos do soft ware gráfico AUTOCAD 14, empregado na cart ografação dos esboços e cart as. Durant e todo o processo de int erpret ação das cart as e execução dest e t rabalho, a referência bibliográfica e o t rabalho de campo const it uír am import ant es fo nt es de infor mações, que foram desenvo lvidas de for ma int egrada e m t odas as fases da pesquisa cient ífica. Os dados obt idos por me io de mapeamentos foram digit a lizados e m AUTOCAD 14, sobrepo ndo -se os dados de dec lividad e da região às demais infor mações. O Uso da Terra fo i at ualizado em campo, uma vez que as fot ografias aéreas são de 1979 e a imagem de sat élit e, de 1992. FOTOINTERP RETAÇÃO No decorrer do trabalho, as fot ografias aéreas const it uíram - se em u m dos mais impor t ant es inst rument os para obt enção de infor mações acerca dos aspect os geomor fo lógicos ent re out ros. Os mapeament os foram realizados co m aplicação de t écnicas de fotoint erpret ação fundament adas 21 em fot ografias aéreas, na escalas de 1: 25.000 do Inst it uto Bras ileiro do Café - IBC (1979) e embasados nas cart as topográficas, em escala 1: 25.000 edit ados e publicados pelo – Depart ament o de Serviços Geográficos e cart ográficos do Minist ér io do Exércit o (1984). Essas cart as t ambém fora m empregadas para a elaboração da cart a de declividade Os mapeament os da refer ida bacia foram feit os na escala de 1: 25.000 e ger ados na escala de 1:50.000. Nos t rabalho s de fot oint erpret ação procurou -se ident ificar t odos os canais de drenagem. As infor mações assim o bt idas foram lançad as e m mapas topográficos de mesma escala (1:25.000), result ando em um mapa de rede de drenagem, co m as respect ivas nascent es e ár eas úmida s (represent adas por hidro mor fia de média encost a). A análise do conjunt o de infor mações r epresent ado no mapa possibil it ou a const at ação de sit uações dist int as quant o à for ma de ocorrência da água super fic ial e subsuper ficia l na área est udada. E m pr imeiro lugar, a ocorrência de nascent es, t ambém e m níve l de t opo, associadas às áreas super ficialment e sat uradas, caract er izando uma sit uação de pequena profundidade do nível d’água. E m seguida, a presença da zona sat urada super ficia lment e em nível de encost a associada a uma quebra negat iva no relevo, sit uação que parece indicar a exist ência de um nível subjacent e mais resist en t e e, ao mesmo t empo, menos per meável (semiper meável) do que a camada so brejacent e, a qual mant ém a água subsuper ficia l numa zona lo calizada acima desse nível. Por fim, a zo na de sat uração super ficia l no fundo de vale, result ant e da presença do subst rat o pouco permeável (arenit o argilo so, lat er it a, arenit o conglo mer át ico, conglo merado ou basalt o), geralment e sit uado em pequena profundidade. Demo nst raram-se alguns símbo los, co mo a hidro mor fia, ident ificada no esboço de duas for mas, uma, correspondent e ao fundo de vale e a out ra, à de média encost a, as áreas de ext ensas planícies co m dr enos foram ident ificas co mo canais art ificia is. Os per fis t opomor fo lógicos e as amost ras est ão ident ificados e ilust rados, além de est arem descr it os nesse 22 esboço e separadament e, no t ext o. As bo rdas escarpadas, rupt uras e limit e da vert ent e convexa côncava são linhas que demarcam as quebr as posit ivas e negat ivas das vert ent es. Nelas ut ilizaram- se símbo lo s definidores dos t ipos de vert ent es côncavas ou convexas. As ravinas e v oçorocas nas fot ografias aéreas foram co nfer idas em campo e suas for mas procura m aco mpanhar o desenho nat ural de cada uma delas. E por fim, as unidades geo mor fo lógicas procuram demo nst rar sua abrangência, seu limit e de for ma cont ext ualizada, capaz de ident ificar as for mas evident es. É necessár io acrescent ar que há diferença de cor em det er minados co mponent es da legenda em r elação ao esboço geomor fo lógico. Para a execução dest e t rabalho fo i fe it o um mosaico de “ overlay ” obt endo -se, assim, uma visualização de toda a bacia co m dest aque par a aspect os como feição e t ipo das vert ent es, for mas dos vales, t ipos de planícies, padrão de drenagem e localização dos processos erosivos. Na confecção dos “overlays” algumas dúvidas sobre a definição e classificação exat a do objet o obser vado só puderam ser confir madas co m uma vis it a a campo. Co mo exemplo podemo s cit ar a dist inção de alguma s erosões já est abilizadas pela veget ação de canais secundár ios, caminhos de gado com ravinas e t ipos de rupt uras. Para a const rução da legenda fo i selecio nado um padrão de símbo lo s sobre os processos, mor fo logia, dr enagens e per fil t opomor fo lógico. Os dados de uso da t erra foram acrescent ados às análises dos co mpart iment os. ESBOÇO GEOMORFOLÒGICO Após a co nclusão dos “o ver lays” fez -se um est udo comparat ivo ent re os element os que const it uem a bacia. Fo i obser vando -se as for mas, a t ext ura, a concent ração, o t ipo e o co mport ament o da drenagem, a concent ração dos processos erosivos, as declividades, a geo logia, o t ipo de 23 ocupação, ent re out ros det alhes, que ajudaram a individualizar os co mpart iment os pelas seme lhanças enco nt radas. Procurou-se int egr ar no esboço geo mor fológico da refer ida bacia a lo calização clar a de processos erosivos, per fis t opomor fo lógicos e est rut urais par a que essa cart a p udesse expressar, não só a morfo logia que co mpõe a paisagem, mas agregar informações que demo nst rassem a dinâmica impuls io nadora dos mo viment os mor fogenét icos de t ransfer ência s de energia present e na bacia, co mo t ambé m a int eração dos aspect os bio lógicos e ant rópicos, que se adapt am e int eragem co m o funcio nament o da mesma. Pret endeu- se organizar a paisagem co m base no comport ament o dinâmico e est rut ural present es nas unidades individualizadas. Tais dinamis mos, cont idos nas part es, são de fundament al import ância para o func io nament o do todo. É necessár io acr escent ar que há diferença de cor em det er minado s co mponent es do esboço geo morfo lógico em função da configuração que se modifica ao se calibr ar o desenho em diferent es plot ers . DADOS DE DECLIVIDADE A cart a de declividade fo i elaborada baseando -se na met odologia de BI ASI (1970), empregada na cr iação de classes de inclinação das vert ent es. Para elaboração da cart a fez -se uma relação ent re a dist ância das cur vas, a escala da cart a e a diferença ent re a máxima e a mínima declividade encont rada na bacia e, dest a for ma, const at aram-se as classes médias exist ent es na bacia. Os result ados das declividades foram agrupados e m classes repr esent at ivas e significat ivas para a bacia em est udo. As classes definidas para o t rabalho foram: menores que 2º, de 2 – 8º, de 15 – 20º e maiores que 20º. No esboço geomor fo lógico foram separados os topos e os fundos de vales encaixados em 2 classes. Os t opos possuem caract er íst icas 24 semelhant es co m declividades de at é 5º e os vales co m rupt ura possue m declividades de 5 – 20º. Essas infor mações foram acrescent adas ao t exto de cada unidade geo mor fo lógica. CART A HIPSOMÉTRI CA A cart a hipso mét ica fo i elaborada agrupando -se as t opografias médias e mais significat ivas da área. Sobre est as fo i sobrepost a à cart a geo mor fo lógica cont endo os co mpart iment amos mor fo ló gicos da bacia co m a fina lidade de se int egr am os co mpart iment os e os element os da mor fo logia dos processos geo mor fo lógicos co m as alt it udes. A bacia fo i classificada co m 4 classes t opográficas ent re 700 – 750m de cor verde, 750 – 800 amarela, 800 – 850m laranja e de 850 – 900m ver me lho. ESBOÇO GEOLÓGI CO O det alhament o da Geo logia lo cal fo i feit o com base nos mapeament os feit os por NISHIYAMA (1998), BACCARO (1990) e RADAM (1983) e por t rabalhos de campo. A devida lo calização dos per fis topomorfo lógicos e os pont os de co let a de amo st ras desempenharam u m papel de suport e para o t rabalho. PERFIS TOPOMORFOLÓGICOS Os result ados dos per fis de seqüência s t opomor fo lógicas foram imprescindíveis para most rar a for ma das vert ent es e as caract er íst icas, além de o ferecerem uma espacialização dos cont at os est rut urais. No esboço geológico ut ilizou -se a legenda par a det er minar os per íodos Geo lógicos e as est rut uras correspondent es, co meçando pela Cenozó ica represent ada pelas planícies aluvio nares, e na seqüência est á o Per íodo Mesozóico represent ado pelos arenit os da For mação Mar ília co m difer ent es co mposições e pelo basalto. A represent ada por arenit os ca lcíferos, lat er it a, For mação Mar ilia est á congl o merado sust ent ador 25 das rupt uras na média vert ent e e por co lúvio for mado por mat er ia l pedogenizado. Ao obser var a presença do colúvio, é necessár io ident ificar que ele corresponde apenas à cobert ura super ficia l e não a uma camada dent ro da encost a co mo rep resent am os per fis t opomorfo lógicos. 3.2 T R ABALH O DE C AMPO Os t rabalhos de campo merecem dest aque devido a sua r elevant e import ância para est e t rabalho, sobret udo na const rução dos mapeament os, na elaboração dos per fis t opomor fo lógicos e nas co let as d e amost ras de so los. Para lo calização dos pont os de colet as de amo st ras e das erosões foram ut ilizadas o GPS (Glo bal Posit ion S ist em), co m o objet ivo de refer enciar os dados na bacia em est udo. Os t rabalhos de campo foram esco lhidos segundo os rot eiros mai s significat ivos, procurando percorrer os diversos co mpart iment os mor fo lógico s det er minados durant e a int erpret ação das imagens e, a part ir de ent ão, foram divididos em duas et apas. A pr ime ir a co mpreendeu t rabalho s de car át er explorat ório seguindo as pr inc ipais rodovias que cort am a área e m est udo. As paradas de obser vação foram feit as em set ores difer enciados quant o à alt it ude e mor fo logia, assina lando as áreas co m ocorrências de voçorocas e r avinas. A segunda et apa realizou -se no s co mpart iment os relacio na ndo -os aos processos erosivos. Durant e est a et apa foram est udados per fis de so lo e colet a de amost ras para análises granulo mét r icas. Nas vis it as às propr iedades fo i possível obt er infor mações a respeit o do hist órico da maior ia das erosões e da hist ór ia da ocupação da região at ravés de ent revist as concedidas por propriet ár ios. Nos t rabalhos de campo cont amos co m a ajuda de t rena 20m, lápis pret o, pincel at ômico, et iquet a, fit a crepe, saco plást ico para acondic io nar amost ras de so lo ; pá; pá co let ora; enxada; t abela de cor MUNSEL SOI L COLOR CHARTS; corda; mart elo ; cadernet a de anot ações; binó culo e máquina fot ográfica. 26 3.3 M AT ERI AIS E M ÉT ODO DE P ESQ UISAS L ABOR AT ORIAIS . ANÁLISES FÍSICO-QUÍMI CAS DO SOLO Co m a fina lidade de co mpr eender melhor as car act er íst ica s dos so los, foram feit as co let as de amo st ras em co mpart iment os bast ant e significat ivos. Apesar de nest a pesquisa não t er como objet ivo uma caract er ização profunda das d iferent es condições dos so los present es na área de est udo, sabemos que as análises fís i co-químicas do so lo fornece m infor mações import ant es, co mo fo nt es de análises da import ânc ia e função desse element o no conjunt o da paisagem, e que nos proporciona m condições de correlacio nar suas caract er íst icas de erodibilidade co m o s avanços erosivo s. Após a int erpret ação do esboço geo morfo lógico da Bacia do Ribeirão Est iva e t rabalho s de ca mpo, foram esco lhidas as ár eas de co let a de amost ras, ident ificadas no Esboço Geomorfo lógico e feit as no sent ido de incorporar em uma t opossequência t odos os diferen t es t ipos de mor fo logias cont idas no vale. Não fo i possíve l colet ar as amost ras em um per fi l cont ínuo que fosse do topo at é o leito do ribeirão devido a alguns imprevist os, como, falt a de acesso devido à densa veget ação e à não aut orização do propriet ár io, apesar de as co let as t erem sido realizadas sempre procurando uma seqüência mor fo lógica. As análises foram feit as at ravés da met odo logia desenvo lvida pelo IAC (Inst it uto Agronô mico de Campinas). ROTEIRO DE ANÁLISES GRANULOMÉ TRICAS e QUÍMI CAS: 27 1) TFS A (Terra Fina S eca ao Ar) secar a amost ra. 2) Passar a amost ra na peneira 2mm par a t irar t orrões e t er uma amo st ra mais ho mogênea. 3) Pesar 10g. de so lo e co locar no copo plást ico. 4) Adic io nar 50 ml de água dest ilada e 5ml de (NaOH) a 1N, agit ar c/ bast ão de vidro e deixar em repouso por uma no it e. Est a solução vai a judar a desprender as part ículas de silt e e argila dos grãos de areia. 5) Agit ar mecanicament e por 24 horas no agit ador mecânico co m velocidade de 180 rot ações por minut o e co locar em um becker at é at ingir 200ml co m água dest ilada. 6) Lavar a amo st ra em peneira 0,210mm com 1000ml. O mat er ial (areia grossa) é ret ir ado com a ar eia fina, que é co locada para secar ; depo is de lavada é seca em est ufa, co m t emper at ura de 110° C por 24 horas. O mat er ial result ado da lavagem das areias fo i co locado em provet as, cont endo o silt e e a argila. 7)Agit ar a provet a durant e 1 segundo com agit ador mecânico e deixar de repouso durant e 3 minut os. 8) P ipet ar 25ml a 10cm (argila e silt e) e deixar repousar por 4 horas. P ipet ar 25ml int roduzindo 5cm da pipet a (argila). Após a secagem são feit os os cálcu los par a obt enção da argila. 9) Peneir ar a areia, separando a areia grossa da fina co m peneira 0,053mm, depo is de pesar cada uma delas. 10) Ret irar da est ufa os cadinho s co m ar gila e silt e, pesando um a um. 11) Digit ar os result ados. 12) Todos os cadinho s usados par a argila , argila -silt e e ar eias são pesados um a um ant es de serem ut ilizados e secos na est ufa. MEDIÇÃO DE PH: 1) pesar 10g. de so lo, adicio nar 25ml de água dest ila da. 2) agit ar por 15 minut os. 3) descansar por 15 minut os. 4) fazer a leit ura co m o auxilio do peagâment ro. 28 Alé m da det er minação do pH as amo st ras de so lo foram ana lisadas quimicament e par a det er minar o t eor de Carbo nat o de cálcio. DADOS DE PRECIPIT AÇÃO Os dados de precipit ação de Uber lândia foram ut ilizados para que se t ivesse uma noção da sua dist r ibuição sazo nal. At ravés de dados obt idos no Laborat ório de C limat ologia e Recurso s Hídr icos do IG - UFU procurouse de mo nst rar co mo, ao lo ngo dos últ imo s 20 anos, as chuvas var iar am no tot al anual e mensal. Os dados de precipit ação são de suma import ância para uma co mpreensão da at ivação da erosão. Os dados foram analisados e t ranspost os em gráficos, co m a finalidade de ilust rar o comport ament o e a var iância d e co mport ament o climát ico. UTILIZAÇÃO DA I MAGEM DE S ATÉLI TE At ravés da emissão de cor, da t ext ura e da tonalidade da imagem de sat élit e T M LANDS AT 5, órbit a 221 pont o 073 C e órbit a 221 pont o 073 D - Bandas 2B 4G 5R de 19/07/93, o relevo, a veget ação e a hidrografia cont r ibuíram par a se elaborarem as refer idas cart as. 29 C A PÍTULO 4 – A SPECTOS A MBIENTAIS BACIA DO RIBEIRÃO DO T RIÂNGULO M INEIRO : A E STIVA . MG. O Tr iângulo Mineiro est á localizado no oest e do Est ado de Minas Gerais, ent re as coordena das geográficas 18º00’ e 20º30’S e 47º30’ e 51º15’W, numa área t ot al de 52.760 km², confor me NISHIYAMA e BACCARO (1989). Sua ár ea est á co mpreendida ent re as bacias do r io Paranaíba a oest e - nort e e o rio Grande limit ando suas t erras ao sul. Toda essa área est á inser ida na bacia do r io Paraná, configurando topos aplainados, co m relevo s t abulifor mes e residuais nas bordas e na área cent ral. As pr inc ipais cidades do Tr iângulo Mineiro são Camp ina Verde, Prat a, Araguar i, Mont e Alegre de Minas, It uiut aba, Uber ab a e Uber lândia. Essa r egião est á lo calizada ent re o est ado de São Paulo, pr incipa l cent ro indust r ial do país e o est ado de Goiás. As vias de acesso co loca m essa área cent ral do Brasil co mo int ermediadora de out ras regiõ es de fundament al import ância, co mo D ist r it o Federal, Tocant ins, Mat o Grosso e out ros est ados da região nort e e cent ro -oest e. Essa posição est rat égica alavancou o cresciment o econô mico da região como pont o de abast eciment o ent re São Paulo e as dema is regiõ es. 30 Segundo BACCARO (1990), durant e o período de 1930/1960 predo minou a for mação co mbinada de lavoura e pecuár ia, per mit indo ao Tr iângulo Mineiro um elevado nível de expansão agropecuár ia, super ior às out ras zonas do est ado. Sua econo mia se dest aca pela cr iação de gado de cort e (a mais pred o minant e na região em função da consider ação inic ial de que as t erras do Cerrado são próprias à pecuár ia ext ensiva) e pelo leit eiro. A ocupação dos Cerrados t eve vár ias causas. gado Ent re elas, a lo calização est rat égica, a baixa densidade demo gráfica, as condições ambient ais adequadas e os incent ivo s fis cais o ferecidos pe lo Gover no, na década de 70, o que fez co m que essa região, ao lo ngo desses 30 anos, apresent asse um elevado nível de desenvolviment o econô mico. Dent re as prát icas mais co muns na região, a pecuár ia ocupa maior quant idade de área. At ualment e, o Brasil t em o maior rebanho bo vino do mundo com 151,2 milhões de cabeça, Minas Gera is possui 21 milhõ es (13,9%) e o Tr iângulo Mine iro possui desse t ot al 799,4 mil cabeças, o que corresponde a 19,52% d o tot al de Minas Gerais. PÉRES (2000). Fo i obser vado de uma for ma det er miníst ica que a for ma do relevo, o embasament o geológico e a declividade est ão condicio nando, em part e, o t ipo de uso da t erra e a cobert ura veget al da região. BACCARO et alii (1996). A cr iação de gado se est ende por todo o Tr iângulo Mineiro, ocupando as vert ent es suavement e convexas. Out ras at ividades predo mina m nas part es mais suaves do relevo. Temos a produção de frut as (abacaxi, mar acujá e lar anja), de grãos (café, so ja e milho) e de madeir a (pinus, eucalipt os e ser ingueiras), as mat as galer ias se encaixa m nas vert ent es est rut uradas em que afloram o basalt o, a hidro mor fia se inst ala nos vales chat os e rasos, enfim, as condições ambie nt ais são favoráveis as at ividades agr íco las. O Tr iâ ngulo M ineiro, sit uado ao nort e da Bacia Sediment ar do Paraná, possui relevos t abular es arenosos co m ca mada de basalt o “int ert rap”. Os ar enit os t êm co mposição e t ext ura var iadas co m for mas 31 t abulares e vert ent es levement e co nvexas. Os so los arenosos são áci dos, co m baixo t eor de mat ér ia orgânica, porosos e apresent am poucas var iações de co mposição e t ext ura ao longo do perfil. Os basalt os vão est ar abaixo dos arenit os, or iginando solos do t ipo lat ossolos roxos bast ant e fért eis e responsáveis pelas so leiras r ochosas seguidas de planícies aluvio nares. Essas est rut uras, quando expost as, vão gerar relevos co m rupt uras lineares bem marcadas, co m dificuldade para a at ividade agr íco la. ( BACCARO e PEREIRA, 1995). A veget ação do Triângulo Mineiro se adapt a as diversa s condições ambient ais da paisagem. As mat as meso fít icas ocupam as encost as úmidas de lat osso los roxos e os fundos de vales. As veredas co m os bur it is (Mauritias f lexuosa ), gramíneas e ciperáceas vão ocupar os vales rasos e enchar cados. Os campos hidro mór f icos aparecem t ambé m em áreas úmidas das várzeas dos r ios ou na média encost a, acima das concreções de ferro ( lat er it as). O cerrado, co m suas var iações de campos limpos, campo cerrado, cerrado e cerradão ocupa as ár eas mais secas e ma is elevadas das vert ent es, var iando, respect ivament e, sua adapt ação ao grau de fert ilidade e às cond ições de umidade do so lo. O Tr iângulo Mine iro possui um r ico pot encial hídr ico e uma grande concent ração de drenagens que cort am a paisagem. Os vales mais encaixados se enco nt ram so bre o basalt o, localizados nos r io s Araguar i, T ijuco, Paranaíba e Grande dent re out ros. Esses r ios são alt ament e aproveit ados para r eservat órios, aliment ando usinas hidrelét r icas, co mo as de São Simão, Água Ver melha, Fur nas, I lha Solt eira, E mborcação, Cachoeira Dourada, Miranda, Nova Pont e e out ras que est ão present es na figura 1. As demais drenagens que est ão sobre os arenit os possuem va les menos encaixados. Essa grande quant idade de corpos d’água o ferece muit a s possibilidades de aprove it ament o e t ambém de desperdício. Toda essa hist ória de desenvo lviment o econô mico est á diret ament e associada co m o per íodo de maior degradação das paisagens. As 32 conseqüências desse modelo de cresciment o unilat eral, que visa apenas à reprodução do capit al, t êm provocado um co njunt o de alt erações no func io nament o da paisagem. O desmat ament o da veget ação nat ural, par a abr ir espaços para at ividades agropecuár ias t em levado a se perder a prot eção nat ural dos so los co nt ra o impacto da água da chuva. Associado a esse processo t em-se o pisot eio de gado, a inst alação da mo nocult ura, a const rução de est radas e caminho s ent re out ras prát icas, que provocam a for mação de canais de concent ração do fluxo super fic ial. Esses canais, co m o passar do t empo, evo luem e for mam ext ensas erosões, d onde se conclui que o cresciment o eco nô mico t em ger ado danos ambient ais facilment e obser vados na região. Do ponto de vist a da degradação, essas at ividades se encont ram associadas ao desmat amento, à erosão e ao post er ior assoreament o/ressecament o dos cursos d’água de for ma bast ant e int ensa, segundo BACCARO et alii (1996). Essa visão de cresciment o regional se t orna bast ant e quest ionável, uma vez que t al “desenvo lviment o” não garant e a int egr idade do meio e m lo ngo prazo, sem falar nas at ividades econô micas ac ima cit adas, que são dispensadoras de mão -de-obra ou exigent es de mão -de-obra t emporár ia e m grandes propriedades, prát icas que precis am ser revist as pe lo grau de danos ambient ais e pelos danos de exclusão social. Essas abordagens regio nais de alguns aspec t os sócio -ambient ais da ocupação ant rópica serão seguidas de uma caract er ização dos element os da paisagem, geo logia e so los, geo mor fo logia, clima, uso e cobert ura veget al. 4.1 G EOLOG I A E S O LOS E m grande part e da região do Triângulo Mineiro, as lit o logias sediment ares e as rochas magmát icas da Bacia Sediment ar do Paraná t ransgr idem so bre unidades ma is ant igas, represent adas pelas rochas met amór ficas dos Grupos Ar axá e Canast ra. 33 A reg ião do Triângu lo Mine iro fo i classificada por BARBOS A (1970), co mo super f íc ies de aplaina ment o ‘Super fície de Ar axá’, correspo ndent e à ‘super fície velha’ de KING (1956), com t opos nivelados das serras de Araxá at é o r io Parana íba, ent re 850 – 1000 m. As o bser vações de campo co mprovam o s ext ensos ap laina ment os, escu lpidos no Cr e t áceo Super ior. Em t odo o Triângulo é possíve l ver essa paisagem mar cada por nive lament os de t opo. Após o cic lo – velhas, a drenagem passa a abr ir inc isões em for mas de vales ra mificados. A figur a 2 mo st ra um per fil da dist r ibuição das est rut uras geo lógica s do Tr iângulo Mine iro. Essa reg ião fo i ident ificada por AB’S ABER (1971), co mo bacia de deposição do Grupo Bauru, na qual vár ias super fícies foram lent ament e degradadas e r ebaixadas por var iação de clima semi -ár ido ou de savana int ercalados co m per íodo s de clima úmido . (Fig. 3 e 4). Durant e o período Terciár io, todo o int er ior do Brasil so freu as conseqüências t ect ônicas decorrent es da moviment ação orogenét ica dos Andes. As reações a essas at ividades foram uma sucessão de basculament os import ant es e que reordenaram t odo o comport ament o mor fogenét ico post erior. BARCELOS (1993) descreve o soerguiment o do arco Canast ra co mo grande responsável pela deposiç ão da Formação Mar ília. Esse co mport ament o crust al posit ivo condic io nou post erior ment e a ordenação da drenagem do Tr iângulo M ineiro em dir eção ao vale do r io Paranaíba, provocando alt eração do níve l de base regio nal, o que mot ivou uma reat ivação erosiva na paisagem. (BARCE LOS, 1995). Por est ar localizada próxima ao limit e NE da bacia S ediment ar do Paraná, a região do Tr iângulo Mineiro possui caract er íst icas est rat igráficas dist int as e co m muit as sit uações ainda em est udos. Segundo BARCE LOS (1993), a dist r ibuição geo lógica, se encont ra co m o embasament o do basa lt o da For mação Serra Ger al; na unidade super ior encont ra – se a For mação Mar ília co m seus membros Pont e Alt a e S erra da Galga, e 34 recobr indo essas camadas do t opo, ao fundo do vale, est á a cobert ura Cenozó ica. A For mação Serra Geral no Tr iângulo Mine iro, assim co mo em boa part e da bac ia do Paraná, encont ra-se car act er izada pelo s basalt os recobert os por arenit os do Grupo Bauru e por sediment os Cenozó icos. Os basalt os, rochas básicas e efusivas aflor am no t alvegue dos pr incipais r io s da região. (Fig. 2, 3 e 4). Font e: NISHIYAMA (1998). Figur a 2 - Perfil topo-geológico do rio Tijuco, ribeirão Estiva, Panga até o rio Uberabinha no topo da chapada de Uberlândia na extrema direita do perfil. A Seqüência mostra as 3 camadas geológicas KM (Formação Marília), JKSG (Basalto) e PCI (Pré-Cambriano). O Rio Tijuco se encontra na extrema esquerda e vale do rio Araguari na extrema direita. (identificar na figura 1) Segundo NISHIYAMA (1989), no munic ípio de Uber lândia o basalt o aflor a no vale dos pr inc ipais r io s e r ibeirões em que as camadas subjacent es são expost as p ela ação erosiva da água. A presença do basalt o nas vert ent es dos r io s favorece a for mação dos lat ossolos roxos, dist int os das áreas de t opo. A idade desses basalt os, segundo FÚLFARO e PETRI (1984) apud NISHI YAMA (1989), obt ida at ravés de mét odo K –Ar e ro cha tot al e em fe ldspat o e biot it a é de 115 – 135 milhões de anos surgindo ent re o Jurássico e o Cret áceo, co m ma is ou menos 20 anos de at ividade vulcânica. Fig. 4 35 Os basalt os no leit o dos t alvegues apresent am suaves sobressalt os em for ma de so leir as rocho sas pr esent es pouco acima da sede do Dist r it o de Mir aporanga e no baixo curso, logo abaixo do Córrego Est ivinha. A For mação Mar ília é co mpost a por arenit os imat uros, co m areias finas e médias, conglo merát ica de cor róseo esbr anquiçado at é o cinza. Out ras vezes, co mport a sediment os conglo merát icos pouco lit ificados. Esses arenit os se desenvo lveram em regime t orrencia l caract er íst ico de leques aluvio nares em clima semi -ár ido, provenient es de arcos marginais. BARCELOS (1994) Os membros Pont e Alt a e S erra da Ga lga são localizados por BARCELOS (1994) co mo membros que aparecem int erdigit ados, sobrepost os ou deposit ados em lent es, não exist indo uma seqüência e m for ma de “camada de bo lo” no Triângulo Mineiro. A t rans ição ent re os dois pode ser em muit os lugares brus ca e descont ínua, podendo for mar elevações no relevo por erosão diferencial. FÚLFARO e BARCELOS (1991). O membro Pont e Alt a da For mação Mar ília é represent ado por arenit os car bonát icos e calcár io conglo mer át ico, porém à medida que se dist ancia da borda da chapada, lo calizada no sent ido N -S ent re as cidades de Uber lândia e Uberaba, a concent ração do calcár io se t orna menor e a For mação Mar ília ma is arenosa em d ir eção ao rio Paranaíba, assim co mo a topografia segundo relat os de BARCE LOS (1994).Fig. 5 Essa obser vação pode ser comprovada em campo, onde algumas rupt uras sust ent adas por calcár ios são maiores, próximas à chapada. Assim, as camadas mais dist ant es são bast ant e fr iáveis sem que haja uma boa ciment ação at é mesmo porque ela já se fo i por lixiviação o u porque a quant idade não era suficient e par a lhes garant ir coesão ent re os grãos. 36 BARCELOS (1993) admit e que esse fat o se relacio ne co m a dist ância da área fo nt e do car bonat o de cálcio, que é a For mação Bambuí, localizada próxima à região da Serra da Cana st ra. A For mação Serra da Ga lga se caract er iza por depósit os flúvio lacust re e arenit os argilo sos deposit ados sob condições de alt o declive associado a leques aluvia is, caract er izados em regimes t orrenciais, co m canais anast omosados e est rat ificação cruzad a. BARCE LOS (1993). 37 Fi gur a 3 - Esboço Geológico do Triângulo Mineiro NISHIYAMA (1989) descreve a cobert ura Cenozó ica co mo uma capa que recobre t oda a ext ensão do munic ípio de Uber lândia, sobrepondo as dema is 38 rochas ar enít icas co nst it uídas de cascalheir as de t amanhos de seixo s e espessura var iada, geralment e apresent am revest iment os de óxidos de ferro. A ciment ação incipient e dos sediment os Cenozó icos arenosos t em levado a região a t er grandes pro blemas co m a erosão aceler ada. Associando a essa cobert ura fr iável soma -se a elevada porosidade e per meabilidade dos so los, a devast ação da cobert ura veget al, o regime de precipit ação e a proximidade do lenço l fr eát ico da super fície que favorece o surgiment o do aqüífero cont r ibu indo pa ra que a erosão dos so los seja um prejuízo urbano e rural. As caract er íst icas dos sediment os Cenozóicos foram cit adas por BACCARO (1991), co m uma const it uição de “(...) material arenoso f ino, sem consi stência e f acilment e carregado pelas chuvas, principa lmente onde o Cerrado está degradado, ou onde as past agens não recobrem total ment e os solos. Esses aspect os f avorecem a f ormação de pequenos canais que vão se aprof undando, f ormando ravinas e que, posteriormente evoluem para processos mais violentos como o voçorocamento”. Essas erosões possuem proporções de 15 – 25 met ros de largura, algumas dezenas de quilô met ros de ext ensão e possuem ent re 5 – 20 met ros de profundidade. Muit as dessas erosões no sul do munic ípio t ivera m sua origem r elacio nada co m a const r ução de ant igas est radas de carro de bo i ou valas divisoras de propr iedade. At ualment e o mane jo inadequado dessas t erras t em provocado muit as erosões e at é mesmo aument ando as que já exist iam. De uma for ma geral, os so los das ár eas mais planas são consider ados, ácidos e co m ba ixa sat uração de bases e e le vado t eor de alumínio e segundo NYSHIYAMA (1998), são result ant es de mat er iais provenient es da 39 For mação Mar ília e da cobert ura det r it o - lat er ít ica de idade Ter ciár ia. Os t ipos d ist róficos diferem do álico pela sua baixa sat uração em alumínio, originados dos mat er ia is arenosos ou argilosos da cobert ura det r it o lat er ít ica. Segundo a EMBRAP A (1999), ocorrem no munic ípio de Uber lândia os seguint es t ipos de so los: Lat osso lo Ve r melho -acr ico e dist roférr ico ; Lat osso lo Amarelo coeso ; e Glei Húmico álico e dist rófico. Os t ipos Gle i Húmico são so los t ípicos de áreas mal drenadas e pouco permeáveis e que co mpreendem as porções de fundo de vales, ou áreas de t opo de chapada, ou média encost a. As hidro mor fias pr edo mina m t ambém nos t opos planos, amplos e ext ensos, co m baixas declividades e na média encost a, sobre as rupt uras lat er ít icas. Essas est rut uras de concreção de ferro for ma m uma base imper meável que pode ser o ferecida pelo s arenit os argilosos ou pelo embas ament o basált ico. NISHIYAMA (1998). Sobre esses so los BACCARO (1991) descreveu alguns processos erosivos em que o ressecament o dessas áreas ocorre devido ao desmat ament o, seguido de fendilhament o dos so los, at é que evo luem co m a ajuda do escoament o super fic ial, se t ransfor mando em ravinas que progridem para voçorocas. Os so los nos sopés ou nas rampas co luvio nadas, que se seguem às bordas escarpadas da chapada e ao topo dos relevos residuais, são so lo s co m um t eor de car bonat o de cálc io ma ior que os out ros so los da região, uma vez que r ecebem at ravés de dissolução, t ais bases so lúveis. E m decorrência de um pH meno s ácido e da presença cont ínua de águas próximas aos cont at os lit o lógicos, a veget ação , que ocorre nos sopés dessas serras, é uma veget ação de mat a exuberant e. PEREIRA (1996) . 40 41 Figura 4 - Esboço Geomorfológico do Triângulo Mineiro 4.1 G EOMORFOLOG I A BACCARO (1990), baseando -se nas for mas ; nas est rut uras geo lógicas e na t opografia propôs uma co mpart iment ação do Triângulo Mineiro em quat ro unidade s geo mor fo lógicas. As unidades apr esent am u m dinamis mo e um funcio na ment o próprios dos pr incipais processos erosivo s, relacio nados co m as est rut uras, as for mas e o clima, que por suas vez, são incorporados pela sociedade e m diver sas at ividades econô micas. Segue abaixo uma descr ição das unidades Geomor fo lógicas e suas pr inc ipais caract er íst icas, aco mpanhadas de sua dist r ibuição, confor me mo st ra a figura 4. - Áreas de relevos intensament e dissecados com alt it udes ent re 700 – 800m, co nfor me figura 5. Corresponde à borda da ext ensa chapada Araguar i-Uber lândia, que vem sendo ent alhada pela drenagem sobre os arenit os da For mação Mar ília, no topo das vert ent es e os basalt os, da For mação Serra Geral do Grupo São Bent o est ão present es na média encost a e no t alvegue de diver sos r ios. No vale do r io Araguar i e Paranaíba afloram as rochas do Grupo Araxá. A unidade é ocupada basicament e por past agens nat urais e art ific iais co m cerrado no topo. Nos pat amares (rampas co luvia is das vert ent es) há o predo mínio de florest as t rop icais subcaducifó lias e cult ura de subsist ência em co nseqüência da espessura e da fert ilidade dos so los. Nesse segment o da vert ent e, uma veget ação inst ala -se exuberant e ou pode ser subst it uída por cult uras t emporár ias. Const atou -se que o uso da Terra em ár ea de ma ior inc linação t em co ndicio nado os processos erosivo s, co mo erosão laminar, ravinament os e voçorocament os. - Área de relevo mediamente dissecado apresent ando topos nivelados ent re 750 – 900m, co m for mas co nvexas e vert ent es ent re 3 – 15º de 42 declividade. Os arenit os da For mação Mar ília do Grupo Bauru predo minam, de acordo com BARCELOS (1991), nas vert ent es. Nos t alvegues dos - pr incipais r ios co mo o Tijuco, Prat a, Patos, Babilô nia, Est iva e out ros aflor am os basalt os. - As fort es chuvas t orrenciais do início do período úmido são na maior part e, int ensificadoras dos processos de erosão, em função da relação so lo frágil, inc linação da vert ent e, co mpr iment o da rampa, desmat ament o e ocupação ant rópica. BACCARO (1990). - Áreas de Relevo s Residuais se caract er iz am por bordas escarpadas erosivas, de declividades que podem at ingir 45º. Est ão sit uadas nas porções mais elevadas em t opos de divisores de água das pr incipais bacias ent re 750 a 800m. E ssas est rut uras se apr esent am int ensament e dissecadas co m for mas co nve xas de anfit eat ros mais expressivo s e escarpas salient es sust ent adas por arenit os Car bonat ados da For mação Mar ília Membro Pont e Alt a, (BARCELOS, 1991). - Áreas E levadas de Cimeira ent re 950 – 1050m, co m t opos planos, amplos e largos. Os vales apresent am pouc as ramificações, são pouco ent alhados e se apresent am e m for ma de veredas. As chapadas são ext ensas e sust ent adas por arenit os da For mação Mar ília e sobr e est es os chamados sediment os inconso lidados do Cenozó ico. Essa mesma área fo i classificada por FERREI RA et alii (2000) co mo sendo part e do Planalt o Dissecado do T ijuco, limit ada por planalt os residuais ao sul, e a lest e por planalt os t abulares. O modelado predominant e é o de topos planos (Dt ) e convexos (Dc), e as for mas de acumulação por (Apf). Segund o os autores nas planícies aparecem so leiras localizadas a mont ant e de rupt uras est rut urais, for madas pe lo basalt o, present es, prat icament e em t oda a bacia, for mando corredeiras e pequenas cachoeir as. Apont am ainda índices de dissecação 43 relat ivament e baixo s, no local em que a super fíc ie vem sendo erodida pela drenagem dos r ios pr incipais, demo nst rando o t rabalho de dissecação realizado pela drenagem, erodindo e t ransport ando todo o sediment ar for mado durant e o Cret áceo represent ado pelos arenit os. pacot e 44 Figur a 5 - Hipsometria do Triângulo Mineiro 45 4.3 C LIM A Por est ar sit uado na porção cent ral do Brasil, o Triângulo Mineiro est á caract er izado pelo do mínio do clima t ropical úmido, co m duas est ações bem definidas: uma chuvosa, no verão e out ra seca, no inver n o. Essa área cent ral do país recebe facilment e a umidade que chega da região amazônic a e do oceano At lânt ico e a Massa Po lar At lânt ica que provoca chuvas front ais, no verão, porém no inver no, a umidade da Amazô nia se ret rai, a massa po lar fort e, seca e fr ia que chega pelo sul, arrast a a est iagem por essas t erras. A est ação chuvosa dur a de out ubro a abr il e a seca vai de maio a set embro, o que sem dúvida, t em correspondido ao fat o de ser o ele ment o climát ico mais import ant e na definição do clima regio nal, s egundo DEL GROSSI (1991). A média pluvio mét r ica da região est á por vo lt a de 1500mm/ano, sendo que desse t ot al 50% precipit am nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, provocando muit as chuvas e de grande int ensidade. Na t abela 01, encont ram- se os dados de precip it ação desde do ano de 1980 at é o ano de 2000. Nesses dados percebe -se uma grande var iação nas médias mensais e anuais. Alguns anos foram selecio nados e t ransfor mados em gráficos, a fi m de evidenciar sit uações de máxima (2000mm/ ano), méd ia (1500m m/ano) e mínima (1100mm/ ano) precip it ação anual capaz de ilust rar a sazonalidade ent re verão e inver no. A t emperat ura média no mesmo per íodo fo i de 22° C, e a umidade relat iva do ar apresent ou um valor médio de 71,2% segundo os dados apresent ados por ROSA (1991). Sobre o assunt o, SIQUEIRA e ROS A (1998) dest aca m que a t emperat ura est á dist r ibuída de for ma crescent e, no sent ido da chapada – lest e do Tr iângulo Mineiro co m médias de 20 – 21ºC em direção ao rio Paranaíba, no sent ido oest e. 46 T a bel a 1 - T ot a i s m en sa i s e m édi a s de Ch uva s de Uber l â n dia (1981 – 2000) Ano/ mê s jan fev ma r abr ma i jun jul ago set out nov dez total 1.981 1.982 * 1.983 * 1.984 256,2 647,4 400,4 191,4 99,1 124,3 231,6 82,2 169 321,6 226,9 233,1 41,1 105,7 89,1 93,6 17 73,6 38,7 43,6 59,9 40 6,1 0 0 19 50,6 0 0,1 42,6 1,2 45,9 0,9 23,7 119,9 36 155,7 188,1 240,8 76,4 273 218,8 234,6 189,6 431,6 402,3 323 286,3 1503,6 2207,1 1962,9 1278,1 1.985 * 570 111,5 291,6 75,4 24,7 0 0 0 23,6 66,5 150,8 263,4 1577,5 1.986 215,3 176,4 164,8 99,8 27,6 0 1,6 50 42 135 107,6 545 1565,1 1.987 * 238,2 201,2 169,3 102,1 28 10 0 0 37,8 59,2 282,5 348,9 1477,2 1.988 * 174,8 285,2 256,4 150,1 43 5,4 0 0 42,3 124,2 116,6 316,5 1514,5 1.989 223,1 248,4 127,5 44,6 3,5 0 55,2 22,2 70,1 34,5 312,3 265,1 1406,5 1.990 * 110,9 150,1 97,6 25,3 68,7 0 43,3 37,8 51,5 103,3 168,4 155,7 1012,6 1.991 383,5 255 469,4 178,7 4,7 0 0 0 39,3 79,3 113,4 258,7 1782 1.992 398,8 383,7 112,8 119,5 46,2 0 0 4,8 80,9 148,7 363,5 310,6 1969,5 1.993 180,9 285 137,8 107,2 30,2 72,2 0 18,8 78 199,8 98,6 433,5 1642 1.994 385,3 142,6 340,6 26,6 35,9 9,4 9,4 0 7,4 135 177,3 351,9 1621,4 1.995 288,2 422,2 239,1 57,1 121,6 3,4 1,6 0 22 65,2 133,5 308,2 1662,1 1.996 279,8 137,6 176,6 39,8 56,1 8,4 6,8 6,9 86,4 46,3 255,6 236,8 1337,1 1.997 268,9 111,6 331,3 107,1 23,4 105,8 0 0 28,2 90,5 305,5 270,7 1643 1.998 120,8 160 99,6 68,5 58,8 33,3 0 63,7 4,2 165 155,1 295,1 1224,1 1.999 2.000 MÉ DI A 287,2 339,4 298 185,1 288,0 189,6 184,7 532,6 234,1 57,4 72,8 83,6 9,2 0,0 39,7 8,8 0,0 19,1 0 14,0 9,9 0 7,6 15,5 69,7 174,7 45,5 45,8 16,7 113,6 258,8 183,7 206,1 226,5 329,7 317,4 1333,2 1959,2 1583,9 Fon t e: La bor a t ór i o de Cl i m a t ol ogi a e Recur s os Hí dr i cos, In st i t ut o de Ge ogr a fi a –UF U. * da dos c om gr á fi c os. Total de chuvas em Uberlândia 2207mm, 1982 700 647,4 600 mm 500 400 402,3 321,6 300 200 100 218,8 188,1 124,3 105,7 73,6 40 19 42,6 23,7 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Gr á fi co 1 47 Total de chuvas em Uberlândia 1962mm, 1983 500 400,4 400 323 300 240,8 234,6 231,6 226,9 200 119,9 89,1 100 50,6 38,7 6,1 1,2 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Gr á fi co 2 Total de chuvas em Uberlândia 1577,5mm, em 1985 600 570 500 400 300 200 291,6 263,4 150,8 111,5 75,4 100 24,7 0 0 0 23,6 66,5 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Gr á fi co 3 mm Total de chuva em Uberlândia 1477mm, em 1987 400 350 300 250 200 150 100 50 0 348,9 282,5 238,2 201,2 169,3 102,1 28 10 37,8 0 59,2 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez 48 Gr á fi co 4 Total de chuvas em Uberândia 1224mm, em 1988 350 316,5 285,2 256,4 300 mm 250 174,8 200 150,1 124,2116,6 150 100 43 50 42,3 5,4 0 0 0 jan fev abr mar mai jun jul ago set out nov dez Gr á fi co 5 Total de chuvas em Uberlândia 1012mm, em 1990 200 168,4 155,7 150,1 150 mm 110,9 103,3 97,6 100 50 68,7 43,3 37,8 51,5 25,3 0 0 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Gr á fi co 6 Fon t e: La bor a t ór i o de Cl i m a t ol ogi a e Re cur sos hí dr i cos – IG –UF U Nos anos 80, co mo most ram os dados e os gráficos, o tot al de chuvas fo i crescendo, co m t emperat uras máximas r egist radas em 1982, co m u m tot al anual de 2.207,1 mm e a mínima anual em, 1984, co m 1278,1mm. Nesses 10 anos a média anua l ficou por vo lt a de 1600mm, confor me os dados da Tabela 1. 49 Nos anos 90, a média anual ficou por vo lt a de 1522,5 mm, sendo que a máxima pr ecipit ação fo i r egist rada em 1992, co m 1969,5mm e o menor tot al anual fo i regist rado em 1990, co m 1012,6mm. Tabela 1 FELT RAN FI LHO (1997) realizou uma análise das condições climát icas das regiões do Tr iângu lo Mineiro e Alt o Paranaíba a part ir de dados obt idos junt o ao 5º Dist r it o de Met eorologia, no per íodo de 1981 a 1995 e chegou às seguint es conclusões: a - as frent es fr ias que conseg uem at ingir o oest e mine iro não produzem lo ngos per ío dos de baixa t emperat ura; b - o mês de julho car act er iza -se co mo o mês mais fr io e no vembro co mo o mais quent e; c - o mês mais seco é o mês de agost o e o mês mais chuvoso, jane iro ; d - as chuvas excepcio nais, regist radas nos tot ais de máximas de 24 horas, ocorrem habit ualment e nos meses co m menores vo lumes de precipit ações (set embro e out ubro), responsáveis pela grande part e da erosão dos so los. BACCARO (1990), ao descrever as caract er íst icas climát icas d o munic ípio de Uber lândia, enfat iza a import ância dos aguaceiros (chuvas torrenciais) que acent uam os processos er osivos. As fort es chuvas ocorrem no fim do per íodo seco e iníc io do per ío do úmido (set embro/out ubro), em que os so los est ão bast ant e ressecado s e sem uma cobert ura verde, para prot egê- los do impact o das got as da chuva, que se caract er izam por apresent arem um grande poder de carreament o de mat er iais super ficia is. No per íodo de est iagem (seca), que predomina de maio a set embro, os índices de chuva ma is baixos foram r egist rados nos meses de junho e julho , numa média anual de 10 – 15 mm de precipit ação. Essa baixa pr ecipit ação reduz a umidade re lat iva do ar, provocando modificações na dinâ mica regio nal. Co m a redução da ent rada de água no sist ema, a paisagem passa por mudanças na veget ação, no solo e no t ipo de processo mor fo e pedogenét ico. As fot os 07 e 08, foram t ir adas no mesmo lugar, não só co m 50 o objet ivo de ilust rar a mor fo logia, mas t ambé m de most rar as modificações que o clima proporciona à pa isagem. No caso em quest ão, os tons e cores são bast ant e influenciados pela pr esença ou ausência de umidade. A veget ação de cerrado, as past agens em ger al se ressecam ou perdem as fo lhas mudando as cores e tons da paisagem. Nos so los a ausência da água pro voca ressecament o e concent ração dos óxidos de ferro. As áreas hidro mór ficas de média encost a, durant e todo o verão, fica m cobert as por veget ação do t ipo her báceo - graminosa, co m seus so lo s enchar cados, ilust radas na figur a 8. No inver no, as áreas hidro mó r ficas que foram desmat adas se resseca m e se fendilha m. BACCARO ( 1990) relat ou que as pr imeiras chuvas, logo após a est iagem, ent ram pelas fendas erodindo e desmant elando os so los hidro mór ficos de média encost a, processo que result a, na maior ia das vezes, em surgime nt o de grandes voçorocas. Out ro aspect o obser vado co m relação à est iagem e as past agens que recobrem os so los diz respeit o à brachiár ia, espécie ma is co mum ut ilizada para revest iment o dos past os e que, com o avanço da est iagem, t orna -se bast ant e degradadas no final da est ação seca. As t ouceiras de capim est ão bem dist ant es umas das out ras e sem a fo lhagem, expo ndo os so los aos impact os das pr ime iras chuvas t orrenciais. 4.4 H IDROGR AFI A A hidrografia fo i sempre ut ilizada co mo uma base para as dema is cart as t emát icas, por est ar associada co m os vár io s ele ment os que co mpõe m a paisagem, co mo mor fo logia, veget ação, clima et c. A definição ext erna dos limit es de Tr iângulo Mineiro é feit a por grandes r ios ao nort e da bacia do Paraná; ao sul est á o ri o Grande que 51 divide os est ados de Minas Gerais e São Paulo; a oest e e no nort e est á a divisa co m o est ado de Go iás fe it a pelo r io Paranaíba. As dema is dr enagens do int er ior do Tr iângulo Mine iro est ão prat icament e par alelas a essa s drenagens front eir iças. O s seus r ios pr incipais, ent re eles o r ibeir ão Est iva, são dispost os em um fort e paralelis mo , condicio nant e o ferecido pelo s mo viment os t ect ônicos e que mo dificou o padrão da drenagem regio na l durant e o Albiano at é o Terciár io, segundo BARCELOS (1995). Fig. 1 As dr enagens, de uma for ma geral, est ão direcio nadas ao r io Paranaíba. Assim, gr ande ma ior ia corre no sent ido SE – NW, demo nst rando a força impressa nas dr enagens após o soerguiment o do arco goiano, que co meça na região da Canast ra, sit uada a SE. A int erpret ação dos padrões de dr enagens de uma bacia hidrográfica pode var iar mu it o dent ro de uma mesma bacia e suas difer enças est ão relacio nadas co m os embasament os geo lógicos e climát icos lo cais. E ssas infor mações são import ant es para int erpr et ar a disposição das camadas e das linhas de falhament o. CUNHA (1995). Os r io s do Tr iângulo Mine ir o que est ão sobre os basalt os, apresent a m sobressalt os ou so leiras rochosas que podem est ar relacio nados co m o basculament o dos blocos ou como sugere NISHIYAMA (1989) relacio nados co m os diferent es níve is de derrames exist ent es na região. Nas margens os so los são fért eis devido à deco mposição do basalt o e esse fat o, associado à presença de água, t ransfor ma os vales em refúgios de mat as e florest as. Os afluent es das drenage ns pr inc ipais do Tr iângulo Mineiro são drenagens ret ilíneas e paralelas for mando ângulos de quase no vent a graus co m a drenagem pr incipal. Segundo CUNHA (1995), essa condição est á associada co m o leit o rochoso ho mogêneo que o ferece igualdade de resist ência à at uação das águas. Nas cabeceias esses r io s se abrem e m 52 for mas dendr ít icas por est arem desenvo lvidas em est rut uras resist ent es e m rochas est rat ificadas. Na reg ião essas drenagens dendr ít icas est ão associadas co m as est rat ificações present es na For mação M ar ília e a s paralelas, co m o aflorament o do basalt o. A grande concent ração de dr enagem dendr ít ica est á associada co m as for mas de relevo dissecado, anfit eat ros co m fort e dissecação na borda da chapada de Uber lândia. São as est rut uras salient es na paisagem e em t oda a área considerada por PEREIRA (1995) , co mo de alt a vulner abilidade mor fodinâ mica, onde se per cebe um maior número de nicho s de nascent es condicio nadas pela est rut ura rochosa, que apresent a fác ies lit o lógicas de difer ent es per meabilidades, co mo p or exemplo, a fácies car bonát ica e arenosa da For mação Mar ília, que sust ent a as serras (residuais) lo calizada s no cent ro e nas chapadas do Tr iângulo Mineiro. Quando há uma bo a ciment ação lit o lógica co mo o calcár io ou concreção ferruginosa, há uma maior dificuldade de haver infilt ração da água, fazendo com que a drenagem t enha maior fac ilidade de esco ament o super fic ial em det r iment o da infilt r ação . 4.5 U SO D A T ERR A E C O BERT UR A V E GET AL De acordo com as condições n at urais da região, a veget ação predo minant e é o Cerrado, at ualment e quase t odo ext int o, dando lugar pr incipalment e, à past agem e à agr icult ura. Segundo RADAM (1983), dent ro dest e domínio mor foclimát ico vamos encont rar uma veget ação bast ant e het erogênea de acordo com a umidade, o relevo, a fert ilidade do so lo e a alt it ude. A veget ação nat ural é um fat or import ant íssimo na prot eção cont ra os agent es erosivo s. Ao ser ret irada a veget ação, todo um equilíbr io pode ser quebrado, co m conseqüências prejudic iais ao meio ambient e. A veget ação influi na inf ilt ração e na int ercept ação da água da chuva evit ando o impact o 53 das got as no so lo, produzindo efeit o s nas var iações de umidade e t emperat ura. O Cerrado const it ui- se de u ma veget ação de ár vores baixas e ar bust os de casca grossa co mo cort iça, raízes profund as, fo lhas co m pêlos que suport am a est iagem. Devido às condições climát icas, a veget ação pode ser chamada de veget ação de cabeça para baixo, po is grande part e de raízes, t roncos e ga lhos per manecem subt errâneos, enquant o a part e aérea se reno va sempre co m o fim da est iage m. GOODLAND e FERRI (1979). Cerca de 24,32% do t errit ório brasile iro são represent ados pelo Domínio Nat ural dos Cerrados, lo calizado na part e cent ral do Brasil e t endo como limit e t odos os principais biomas, em cuja área, o Triângulo Mineiro est á t ot alment e inser ido. Essa região vem sendo at ualment e subst it uída por past agem, cu lt uras t emporár ias e florest ament os. De acordo co m ORTEGA (1996), o Cerrado se encont ra sem a prot eção garant ida pela const it uição de 1988, em função da ma ior preocup ação da legis lação no sent ido de prot eger as mat as e as florest as. O Cerrado, por apresent ar u m t ipo não ho mogêneo com campos e Cerrados, não se adapt a às co ndições arbóreas previst as em lei. Co m isso, os Cerrados vêm sendo ocupados int ensament e, sem que s e discut a a importância desse bio ma na preser vação das condições ambient ais, de quase um quarto do t errit ório nacio nal. Segundo (GOODLAND e FERRI 1979), o fogo, agent e considerado nat ural, é respo nsável pela mort e da part e aérea, assim co mo a lo nga est iagem. Alguns cient ist as descrevem esse fat o co mo responsável pela for ma t ort uosa dos t roncos e galho s dessa veget ação. Suas raízes possue m dezenas de met ros para at ingir o lenço l freát ico, daí sua facilidade e força de rebrot ar após a queimada e de florescer em plena seca. Dessa for ma, o Cerrado possui uma função bast ant e import ant e na garant ia da est abilidade das vert ent es, além de ser uma espécie muit o r ica em espécies, apresent ando ent re 300 – 450 espécies vascular es por hect ares, garant indo uma grande diver sidade de veget ais e, t ambém de animais. 54 Aut ores co mo EITEN (1990), SCHIAI NI e MONTEIRO (1991) descr evem o cerrado como uma veget ação que não é ho mogênea em se t rat ando de cobr ir t oda uma área. Segundo os pesquisadores, o Cerrado divide a paisagem co m o ut ros t ipos fisio nômicos, co mo é o caso das mat as de galer ia/ciliar, ou de encost a, e veredas nos fundos de vales, co m os campos úmidos ( brejo s est acio nais) nas médias encost as ou no t opo dos chapadões, junt ament e co m as veredas ou co m as manchas de mat as que aparecem em área de so los ma is fért eis, como é o caso da proximidade co m o basalt o ou de solos calcár io s. Enfim à med ida que a geo logia, o relevo, o so lo ou a disponibilidade de água var iam, a veget ação t ambém sofr e alt eração. . Fig.6 – Perfil das vertentes demonstrando vales de fundo chato, cobertos de veredas. LEGENDA: 55 Fi gur a – 7 Perfil de vertentes com vales encaixados Os int er flúvio s e áreas de t opo foram consider ados por EITEN (1990), em t odo o Brasil Cent ral pelo fat o de possuir lat osso los co m baixo t eor de ío ns necessár io s par a as plant as. Essa condição é favorecida pela co ndição da região, em que a água age por longo t empo nas part ículas do solo, LEGENDA: lixiviando - as e mudando os miner ais de argila do t ipo mont imor ilo nit a, que ret êm bast ant e ío ns, para o t ipo cao linit a, sesqu ió xidos de ferro e alumínio, que ret êm poucos ío ns. Da mesma for ma, as argilas,sem independent e esca l a da proporção present e nos so los, não significam fert ilidade, ao cont rár io, podem significar apenas maior umid ade, dependendo da maKátia ior Gisele proporção, pois o t ipo de argila encont rada é a cao linit a e ilit a, além dos sesquió xidos de alumínio e ferro com poucos ío ns disponíve is, o que faz co m que a veget ação do Cerrado t enha muit a dificuldade de ret irar nut r ient es do so l o . E m depressões rasas, ou em super fíc ies planas das chapadas, ou em vales rasos, onde os so los per manecem sat urados por vár ios meses, há a ausência de mat er ial lenho so e o predomínio dos campos úmidos. Os campos úmidos vão aparecer nas bordas das veredas, brejos est acio nais co m uma faixa de Mauríti as Fl exuosas (bur it is) ao cent ro. Esses brejos ocorrem so ment e em locais de so los sat urados. Fig06. 56 As manchas de flor est as meso fít icas de int er flúvios ocorrem na área em que enco nt ram so los r icos e bem drenados do Triângulo Mine iro. Esses, por sua vez, aparecem nas margens dos pr incipais r io s, onde aflora o basa lt o e nos sopés das serras, mant idas pelos conglo merados car bonát icos. E m ambo s a fert ilidade é maior, nos sopés, o pH é maior, facilit ando a absorção de nut rient es. Essa veget ação é densa e produz uma boa quant idade de mat ér ia orgânica, co m dossel cont ínuo capaz de prot eger os so los do impact o das got as das chuvas. (Fig. 07) BACCARO (1990) regist rou alguns desses aguaceiros e det ect ou uma grande quant idade de mat er ial e m suspensão. Nos pr imeiros meses de chuva após a est iagem fo i co nst at ado t ambém que a veget ação funcio na co mo prot eção do solo. Por exemplo, na past agem t ipo br achiár ia ‘ brachiaria decubens’, em vert ent es suavement e convexas, fo i regist rado u m alt o índice de escoament o super ficial e de mat er ial em suspensão. Na região co m mat a, arbust os e serrapilheira, os números indicaram uma infilt ração mais significat iva do que a obser vada em out ros t ipos de veget ações. (Fig. 7) E m t odo o Triângulo Mineiro as veredas ocupam os vales de fundo chat o e de embasament o imper meável. Os campos cerrados vão aparecer sob so los rasos ou lat er izados, co m cobert ura her bácea -graminosa e forbes, co m espécies das famílias das cyperacea, iridaceae, gramineae, segundo SCHI AVINI e MONTEIRO (1991). Devido à boa condição de so lo co m t eores alt os de P H, exist e a presença de mat ér ia orgânica nas pr imeiras camadas do so lo, t ais condições melhoram a qualidade do so lo e co m ist o, a veget ação de cerradão, é mais alt a, de port e mais robust o, com copas frondosas, t roncos mais r et os, sendo que as espécies são quase sempr e as mesma encont radas no cerrado t ípico, t ais co mo o ipê ( Tabebuia vellosoi), paineira (Chori si speci osa), aroeira ( Myracrochuion), pau d’ó leo ou copaíba (Copaíf era langslorf i), babaçu (Orbignya speciosa), gamele ira (Ficus sp.), o bur it i ( Mauritia vi níf era mart e Mauriti a f lexuosas ). 57 Capítulo 5 - Compartimentação Geomorfológica e a erosão na Bacia do Ribeirão Estiva. Uberlândia.MG . BACCARO (1991) classifica geo logi cament e a bacia do Ribeirão Est iva co m base nas pesquisas de campo, nas consult as bibliográficas refer ent es à geo logia da região present es no projet o RADAM (1983). Segundo a aut ora, a bac ia em est udo se insere nos chapadões da região do Tr iângulo Mine iro, escult urados em rochas sediment ar es, so bret udo do Grupo Bauru, represent adas pr inc ipalme nt e pelos arenit os das For mações Mar ília e pe los basalt os da For mação Serra Geral, pert encent es ao Grupo São Bent o. Algu mas das suas bordas e os relevos residua is na á r ea cent ra l são mant idos pelo arenit o co m ciment ações car bonát ica e argilosa. De acordo com as análises, essa bacia fo i co mpart iment ada em quat ro unidades geo mor fo lógicas: área de cimeir a co m t opos e esporões co m rupt uras escalo nadas; áreas de vert ent es c o m diferent es níve is de rupt uras ; áreas de vert ent es suaves co m ba ixas declividades e ár eas de planície s aluvio nar es. No esboço geomor fo lógico classificou -se, geo mor fo logicament e a bacia em dest aque, em unidades co m base no cruzament o de uma sér ie de ele me nt os cartografados: t opografia, declividade, est rut ura geológica e geo morfo logia A drenagem pr inc ipal do Ribeirão Est iva se encont ra dispost a paralela às demais dr enagens afluent es do Rio T ijuco. A classificação do s padrões de drenagem para a bacia, basead a na geo met r ia dos canais, é de for ma dendr ít ica nas cabeceiras e paralela, no rest ant e da área. No médio curso, os afluent es da drenagem pr incipal, geralment e de 2ªordem, apresent am- se pouco ramificados, mant endo um espaçament o regular ent re si e se dispõ em paralelos. 58 Confor me se pode ver na figura 08, no baixo cur so, próximas à foz da bacia, o bser vam- se dr enagens co m canais ma is ext ensos que nos out ros casos e separados por amplos int er flúvios co m a drenagem ma is ret ilínea. A relação ent re o co mpr iment o da drenagem e sua a lt imet r ia expr essa o seu per fil lo ngit udinal côncavo co m as maiores declividades em direção à nascent e. Nos cursos d’água, t al mor fo logia é considerada em equilíbr io , havendo uma relação de igualdade ent re a erosão, o t ranspor t e e a deposição, segundo CUNHA (1995). No Ribeirão Est iva esse per fi l apresent a uma for ma mais ret angular, na alt ura do cotovelo est rut ural lo calizado no enco nt ro dos córregos Mat a Burro, Macega e Genipapo, confor me figura 08. Altitude 910m Altitude 700m comprimento da drenagem - 44 Km Fig. 08 – Perfil Longitudinal da Bacia do Ribeirão Estiva s/escala - Kátia Gisele As drenagens pr incipais da bacia do r io Tijuco, como os r ios da Prat a, Babilô nia, Douradinho, Est iva, das Pedras et c est ão dispost as prat icament e paralelas às drenagens dos pr incipais afluent es do r io Paraná, co mo é o caso do rio Grande e part e do rio Paranaíba. Essa disposição demo nst ra um fort e cont role est rut ural, inclusive t odos esses r io s est ão sobre os derrames basált icos dat ados do Cret áceo Super ior, segundo BARCELOS (1995). A níve l regio nal, o Ribeirão Est iva aco mpanha esse alinhament o, porém nas cabeceiras de dr enagens, onde há uma confluência dos r ibeirões Macega, Mat a Burro, Genipapo, o r ibeirão Est iva for ma u m cotovelo. Essa for ma quase r et angu lar da disposição dos canais ident ifica, 59 t ambém, o cont role est rut ural relacio nado co m áreas de capt uras. ( Fig.12 e 31) A bacia do r ibeir ão Est iva est á dent ro do Tr iângulo Mineiro, em uma área em que as cabeceiras de drenagens se encont ram avançando sobre a chapada Uber lândia – Uber aba, apresent ando em suas caract er íst icas mor fo lógicas um elevado índice de dissecação. Obser vando o conjunt o de drenagens adjacent es ao r ibeirão Est iva, percebe-se o avanço da erosão remont ant e em direção à chapada no sent ido lest e, local em que nascem os seus pr incipais afluent es. Essas cabeceiras de drenagens, que for ma m um cot ovelo com ângulo de 90º em direção à chapada, indicam ant igas áreas de capt uras de drenagens obser vadas a part ir da confluência que exist e ent re os córregos Mat a Burro, Macega, Genipapo e Est iva. As dr enagens vão dissecando em direção à borda escarpada, dando a impressão de que no passado a bacia t er minava nela . Ent ret ant o, conclui-se que, graças ao aprofundament o do t alvegue ocorrido, em clima úmido do passado, o ent alhament o rebaixou o nível de base local, at raindo para o r ibeir ão Est iva, drenagens que pert encia m ao ribeirão Bo m Jardim. As margens do r ibeirão Bo m Jardim, vizinhas ao r ibeir ão Est iva, est ão quase sem afluent es e bast ant es próximas, evidenciando a pirat ar ia do lenço l freát ico e dos corpos d’água, como nos mo st ra a figura 09. Esse mesmo fat o é obser vado na margem direit a do rio Uberabinha, que se encont ra sem afluent es nessa mar gem, devido ao mesmo fat or. Tal co mo o modelo de KING (1956) a bo rda escarpada que cont orna as drenagens da cabeceira fo i, ao longo do t empo, pr incipalment e em clima seco, so frendo o recuo paralelo das vert ent es. As erosões e nco nt radas, no alt o da borda escarpada é out ra evidência que ilust ra essa abst ração. A 60 voçoroca que se enco nt ra na margem esquerda do córrego Macega est á suspensa so bre a escarpa, o que inst iga a imaginação de que, no fut uro, Bacias Hid rográficas e as cap tu ras d e drenagen s na Chapad a d e Uberlândia. MG. Fig.09 Bacias hidrográficas e as drenagens capturadas da Chapada de Uberlândia. MG. Font e: SCHINEIDER, 1996. 61 essa erosão se t ransfor mar á em ma is um afluent e do córrego Macega, assi m co mo as erosões present es no córrego Mat a Burro. Ao avaliar essa sit uação pont ual, o olhar se remet e a abst rair esse fat o e obser var o conjunt o geo mór fico da bacia. Esse exercíc io nos leva a ir alé m e chegar à ousadia de imaginar que, no passado, os córregos que for mam as nascent es do r ibeir ão Est iva, co mo os córregos Mat a Burro e seu pr inc ipal afluent e, Macega e o Genipapo foram ant igas er osões que, por meio de evo lução paleoclimát ica ocorr ida no quat ernár io , co m alt er nância de clima seco e úmido, ocasio naram respect ivament e, recuo paralelo de vert ent es e ent alha ment o, assim sucessivament e, at é at ingir o padrão at ual. Obser vou – se um fat o no município de Uber lândia, no t rajet o Uber lândia (950m de alt it ude) at é Mir aporanga (750m de alt it ude), que se r efere à s drenagens paralelas r epresent adas pelo s r ibe irões Babilô nia, Douradinho e Panga, e que são cort adas pela est rada a alguns quilô met ros de suas nascent es. As drenagens de alt it udes ma is elevadas, próximas a Uber lândia, apresent am menor dissecação do que as drenagens localizadas a sul. Essas drenagens possuem vales de fundo chato com veredas cont ornadas por campos úmidos. À medida que os vales vão se t ornando encaixados, pelo níve l de dissecação mais e levado, as veredas passam a co mpart ilhar seu espaço de bur it izais, co m as espécies de mat a meso fít ica. Est e fat o evidencia melhor drenagem dos so los , fat o que implica na subst it uição sucessiva de vale em vereda co m bur it is , para vales co m mat a galer ia. Esse fat o descreve a evo lução das drenagens e a subst it uição da veget ação e m condições específicas a sua adapt ação. Alguns aspect os da mor fo logia da d inâmica hídr ica foram analisados no esboço geo morfo lógico possibilit ando o reconheciment o de sit uações dist int as quant o à for ma de ocorrência da água super fic ial e subsuper ficia l na área est udada, a ocorrência de nascent es, t ambém em nível de t opo, associadas às áreas super ficia lment e sat uradas, caract er iza uma sit uação de pequena pro fundidade do nível d’água. Presença da zona sat urada 62 super ficia lment e em nível de encost a associada a uma quebra negat iva no relevo. Fat o que demo nst ra uma rupt ura no equilíbr io do per fil lo ngit udina l, apo nt ando uma maior capacidade de desgast e das super fícies nas cabeceiras em det r iment o da deposição. As fot os 10 e 11 foram t iradas no mesmo lo cal, represent ando a vast a planície do r ibeirão Est iva e as suas vert ent es co m rupt uras na sua marge m direit a, onde é possíve l o bser var as formas apla inadas das vert ent es co m baixas declividades na margem esquerda, além disso, a dimensão t empo est á present e na dinâmica climát ica descr it as pelas est ações em que fora m t iradas. Na pr ime ir a os t ons past éis da veget ação demo nst ram o per íodo de est iagem. Obser va- se o past o ralo, o gado recebendo aliment o em confinament o, a mat a seca nas rupt uras e as planícies ainda co m veget ação herbácea verde, enquanto na outra foto retrata o período chuvoso em que o pasto, as matas de encosta recobrem todo o solo.. 63 F i g. 1 0 – F ot o d o mé d i o va l e d o r i b e ir ã o e s t i va du r a n t e o p e rí od o s e c o d e i n ve r n o, r e a l ça n d o a s r u p t ur a s e os a mp l os va l e s e m ve r e d a s. A ve ge t a ç ã o s e a p r e s en t a r al a e e s ca s s a. De t a l h e ga d o n o co ch o, p a r a o r e for ç o d e s u a n u t ri ç ão, n e s t a é p oca d o a n o. F i g. 1 1 – F ot o d o mé d i o va l e d o r i b e i r ã o e s ti va d u r a n t e o p e r í od o ú mi d o d e ve r ã o, r e a l ça n d o a s r u p t u r a s e os a mp l os va l e s e m ve r e d a s . A ve ge t a ç ã o s e a p r e s e n t a ma i s i n t e ns a r e cob r i n d o o s ol o. 64 Na carta geológi ca da bacia do Ribeir ão Est iva, a est rut ura represent ada pelo s basalt os aflora nos leit os dos canais fluviais respeit ando um co mport ament o co mum em t odo o Triângulo Mine iro. O basalt o, rocha mais resist ent e que os arenit os, resist e mais a escavação da dr enagem do que as vert ent es sust ent adas pelos arenit os da For mação Mar ília. Os basalt os no t a lvegue apr esent am suaves sobr essalt os em for ma de so leiras rochosas, pouco acima da sede do Dist r it o de Miraporanga e no baixo cur so, logo abaixo do Córrego Est ivinha. A For mação Mar ília est á present e no topo e na média vert ent e de toda a bacia. Sua frágil resist ência se encont ra em co ndições de diferent es graus de ciment ação, pois nas cabeceir as de drenagens de t odo o lado direit o da bacia est ão todas sust ent adas por arenit os co m elevado t eor de car bonat o de cá lcio. Essa concent ração vai diminuindo do topo da escarpa em direção à foz da bacia. Na média encost a exist em as rupt uras lat er ít icas que for mam degraus est rut urais co mo ilust ram os per fis E _____E ’ e a cart a geo lógica do Rib. Est iva. 65 Fi gur a 12 - Esboço Geológico do Ribeirão Estiva. MG 66 Fi gur a 13 - Hipsometria da Bacia do Ribeirão Estiva. MG 67 Fi gur a 14 - Esboço Geomorfológico da Bacia do Ribeirão Estiva. MG 68 5.1 Á RE A D E CIMEIR A DE T O POS E ESPIGÕES COM R UPT UR AS ESCALON AD AS Co mo se obser va na figura 14, a área de est udo se enquadra em co mpart iment os paisagíst icos que mor fo logicament e podem se caract er izar pela ho mogeneidade das for mas das est ruturas. Essa unidade t em elevadas alt it udes, por vo lt a de 900m, co incidind o co m as cabeceiras das nascent es dos Ribeirões Est iva, Macega, Sapat eiro, Genipapo e Mat a Burros. (Figs. 13 e 14). Os t opos das vert ent es desse co mpart iment o são amplos e planos, co m declividades por vo lt a de 2 – 5º . Os int er flúvios possue m em média de 1 a 3 km de lar gura. As cabeceiras de drenagens surgem geralment e e m suaves depressões em for ma de anfit eat ros. As suaves vert ent es são int errompidas por rupt uras de cascalhos, conglo merado ou mat er ial mais argiloso da For mação Mar ília, mas co m rápido embu t iment o dos vales e m direção à borda escarpada. (Fig.14). Segunda a EMBRAP A (1982), essa área possui so los do t ipo Lat osso lo Ver melho - Amar elo e Ver melho -Escuro t ípico de t opos planos e das porções ondu lada da chapada, so bre níve is alt imét r icos super iores a 850 met ros. Out ra caract eríst ica marcant e dessa unidade é dada pela ocorrência, na super fície, de t errenos sediment ares Cenozó icos co nst it uídos de argilas, areias e silt es, já pedogenizados, assent ados sobr e a For mação Mar ília RADAM (1983). Nesse co mpar t iment o a For mação Mar ília recobre predo minant ement e as super fícies co m as fácies argilosas ou silt osas de co loração róseo a esbranquiçado com ocorrência de pequenos seixo s de argila endurecidos, conglo mer ados ferruginosos e lent es calcáreas NISHIYAMA (1989). Segundo SCHNEI DER (1996), esse subst rato deu 69 origem a so los de elevada acidez e baixa fert ilidade nat ural, classificados co mo lat ossolos ver me lho amar elo álico, dist róficos. T a bel a 2 – Loca l A ARGILA 1 2 3 4 5 36,90 19,39 20,10 19,04 14,15 SILTE FINO 1,00 0,96 1,15 0,96 0,90 SILTE GROSSO - AREIA FINA 22,0 33,95 33,35 31,35 29,25 AREIA MÉDIA PH ÁGUA 40,1 45,7 45,40 48,65 55,07 4,6 4,9 4,8 5,0 4,8 Ca mol / dm³ 0,6 0,4 0,6 0,4 0,4 POSIÇÃO DA VERTENTE Topo da Chapada Nascente do Córrego Mata Burro No local em que for am co let adas as amo st ras havia uma ant iga r avina ou uma ant iga repr esa desat ivada, localizada em um past o, na média encost a. As amo st ras foram co let adas nas paredes de uma cavidade de mais de 2 m de pro fundidade. ( Fig .14). Ao descrever o per fil det ect aram- se vár ias marcas de ant igos lençó is freát icos devido à co loração cinza amar elada de algumas faixas concrecio nadas. O result ado das amo st ras apont a um elevado t eor de areia numa média t ot al de 76%, sendo que desse t ot a l, o que preva lece são as areias finas. As areias médias est ão em maior quant idade nos hor izont es super ficia is e vão aument ando enquant o as areias finas vão diminuindo no per fil. As argilas est ão mais preser vadas nas camadas super ficia is e vão decrescendo no per fil. E sses dados dos so los ilust ram, clarament e, a descr ição obser vada no barranco, caract erizando essa faixa da encost a co mo possuidora de um veio subt errâneo de água, capaz de remo ver as part ículas finas em profundidade. T a bel a 03 – Loca l A¹ 1 2 3 ARGILA SILTE FINO SILTE GROSSO 68,04 70,64 75,96 3,46 3,06 2,79 - AREIA FINA 13,35 11,20 8,7 AREIA MÉDIA 15,75 15,10 12,55 PH ÁGUA 4,70 4,40 4,60 Ca mol / dm³ 1,0 0,5 0,4 POSIÇÃO DA VERTENTE Média encosta, na ruptura córrego Mata Burro 70 Essas amo st ras de so los acima apresent am elevados t eores de argila que vão aument ando, no per fil, co m a profundidade. Esses so los no per íodo seco se encont ram bast ant e endurecidos, ressecados. As elevadas t axas de mat er iais fino s e bases são resquíc ios da sup er fície dit a Cenozó ica, ainda bast ant e preser vada. Esses so los são bast ant e ut ilizados pela agr icult ur a moder na. (Fig.14). O padrão de drenagem dessa unidade segue uma seme lhança na disposição paralela das drenagens que avançam co m seus canais de for ma dendr ít ica sobre a área de borda escarpada, ro mpendo sua r ígida resist ência. Os anfit eat ros de nascent e se encont ram em vales em for ma de veredas, em for ma de vales de fundo chat o, possuem so los geralment e hidro mór ficos co m per ió dicas inundações, são recobert os por densa cobert ura her bácea de gra mínea e c iper ácea, co m bur it is ao cent ro. Nas rupt uras escalo nadas, em t oda essa unidade da bacia encont ra -se uma veget ação do t ipo Cerradão/Mat a, for mando um cint urão que é ident ificado pela exist ência de fort es declives, abandonados t ant o para a prát ica de pecuár ia, co mo para a agr icult ura, represent ado mais adiant e na figura 16. As veredas possuem limit es nít idos em toda a unidade devido à presença de campos úmidos que mar cam a abrangência da hidro mor fia. O s so los são mal drenados, co m alt o t eor de mat ér ia orgânica, a água escoa sem um caminho definido, porém quando há uma perenidade no t raçado da drenagem, os bur it is ( Maur it ia flexuosa) , veget ações t ípicas de palmeir a que caract er iza esse ambient e, se inst alam. Esses vales pouco dissecados são rapidament e modificados pela presença das rupt uras e da borda escarpada, perdendo esse aspect o de vereda. As veredas, por sua vez, são áreas co nsideradas co mo subsist emas úmidos do Cerrado, em que o fluxo dos lençó is fr eát icos d esempenha pape l fundament al no cont role hidro lógico dos cursos d’água, const it uindo -se 71 num sist ema ar mazenador de água. A manut enção das condições nat urais desse ambient e é import ant e para a perenização dos córregos e r ibeirões e at é mesmo dos r ios, à jusa nt e desses sist emas, co mo chama a at enção SCHNEIDER, (1996). A preser vação das veredas t em o sent ido de gar ant ir a vazão per manent e dos corpos d’água, ret enção dos sediment os nos campos, ass im co mo de agrotóxicos e de pest icidas. Apesar disso, t oda essa preocupação co m a conser vação não é obser vada nessa bacia, cuja veget ação est á rest r it a às rupt uras e aos fundos de va les. Na nascent e do córrego Mat a Burro, abaixo da pr imeir a rupt ura, encont ra-se na marge m direit a da vereda uma segunda rupt ura mant ida por mat er ial argilo - arenoso, bast ant e co mpact ado de cor róseo e manchas brancas, apresent ando est rat ificação cruzada, um raro exemplo do Membro Serra da Galga. Esse element o que havia sido removido recent ement e para ser vir de mat er ial de at erro para uma peq uena represa próxima, é encont rado rarament e dent ro da Formação Mar ília. Na margem esquerda esse mesmo relevo possui uma co nst it uição difer ent e, for mado por um mat er ial branco em desmant ela ment o em for ma de cascalhos de cao linit a. Graças às suas for mas evident es, esse fo i o único represent ant e desse Membro encont rado na bacia. ( Fig. 16). Nos anos 70, a int rodução da agr icult ura moder na alt ament e t ecnificada, chegou nessa região ocupando os t opos planos e encharcados, invadindo as áreas de veredas amplas. O desmat ament o e a dr enagem dos so los foram prát icas corr ique ir as par a inst alar a at ividade. Nesse co mpart iment o, obser va - se que o processo de concent ração do escoament o super ficia l provocou o ent alhe na vert ent e at ingindo o lenço l freát ico que, por sua vez, se encont ra sobre uma super fície imper meável for mada pelo s ar enit os conglo merát icos da For mação Mar ília ou sobr e camadas de mat er ial argilo so. (Fig. 15 e 16). 72 As voçorocas co meçam nos t opos e t erminam na Borda escarpada, encont rando -se bast ant e lar gas, porém a presença da veget ação t em garant ido sua est abilidade. Quando a incisão at inge a super fíc ie imper meável, passa a ocorrer o recuo paralelo das vert ent es da erosão. Os produtores t êm o hábit o de abandonar essas ár eas, o que facilit a a regeneração da veget ação nat ural pro movendo a est abilização das erosões e a veget ação vem est abilizando as suas lat erais. A voçoroca que exist e no topo do córrego Macega, inst alada na margem esquerda, se encont ra lit eralment e suspensa na escarpa. Os vales são bast ant e encaixados nesses segment os da bacia e suas vert ent es possuem maiores inc linações. Os ar enit os calcíferos, níve is de conglo mer ado e fácies argilosas da Cobert ura Cenozó ica e da For mação Mar ília, for ma m rupt uras escalo nadas. Os per fis A - A’ e E – E’ ide nt ificam essas for mas present es nas figuras 16. 5.1.1 B O R D A E SC AR PA DA For mando um cont orno irregular, o limit e da Chapada é bordejado por paredões de arenit o resist ent e que se est endem nas cabeceir as de nascent es da bacia, co m alt ur a por volt a de 40 – 50m em média. (Fig.14). Obser vando -se a fot ografia aérea, not a -se o bo m delineament o da frent e das escarpas, mais acent uado no sent ido Uberaba – Uber lândia (sul – nort e), onde há uma grande exposição dos paredões que chegam at é 200m de alt ura, const it uídos d e brechas, co nglomerados e depósit os de calcár io pert encent es à For mação Mar ília Membr o Pont e Alt a. Algumas drenagens que saem da chapada for mam cachoeiras ao t ranspor a escarpa. Acima da borda escarpada, na bacia em est udo, obser vou -se a presença do cont ato da água subsuper ficial aflorando e for mando const ant e got ejament o sobre o arenit o resist ent e. As vert ent es, ant es de at ingirem a 73 escarpa, ficam côncavas, sust ent adas por ela, co nst it uindo um pont o onde aflor a o lenço l fr eát ico.(Fig.15). Co m exceção do r ibeir ão Est iva, as demais nascent es da bacia possuem r upt uras seguidas de hidro mor fia, que, mapeada co mo sendo de média encost a, t em exercido um impor t ant e papel na evo lução dessas escarpas, uma vez que a const ant e umidade t em provocado a int emper ização qu ímica da rocha, facilit ando os post eriores processos mecânicos de desgast e. Fi g. 15 – Per fi l da s ver t ent es da un i da de de ci m eir a com t op os e sca l on a dos Os so los nessa unidade, pr incipalment e como obser vado na cabeceia do ribeirão Est iva e córreg o Macega, possuem camadas espessas de mat er ial argiloso e encharcado for mando um pequeno pânt ano de mat er ia l inco nsist ent e, de cor branca recobert o por mant os de so los orgânicos escuros. (Fig. 16). 74 As erosões est ão relacio nadas co m a concent ração do escoam ent o super ficia l que são detonadas por rompiment o da dinâmica hídr ica das vert ent es provocadas por desmat ament o, const rução de est radas, va las para demarcar propr iedades, caminhos dos car ros de bo is, ret irada de mat er ia l de const rução como o calcár io, o ca scalho, as argilas ou out ros. E m função da localização das erosões. Na figur a 16, é possível obser var uma erosão bem próxima à borda escarpada. Suas paredes mo st ram a var iação de cor dos solos, assim co mo os processos de for mação de ‘ pi pes’, car act er izando canais subsuper ficia is. Nas t onalidades do so lo present e na fig ura 16 const at a -se a presença do aflor ament o do lenço l fr eát ico. Ká t i a / Jan 2000 Fi gur a 16 – Det a l h e do s ol o h i dr om ór fi c o, n a n a scen t e do Ri bei r ã o E st i va . Con cen t r a çã o da á gua sobr e a esca r pa e pi pe s n o ba r ran co er odi d o. 75 Fi gur a 17. Per fi l t opom or fol ógi c o A – A` e B – B` 76 Fi gur a 18. Per fi l t opom or fol ógi c o C – C`e D – D` 77 Nas unidades de cimeira e nas de diferent es níve is de rupt uras fora m encont radas erosões causadas pela águas super ficia is e subsuper ficia is definidas por CARSON & KIRKBY (1975) co mo processos básicos. São considerados co mo processos de erosão pela água super ficia l o t ransport e causado pela co lisão das got as da chuva, a erosão por fluxo não concent rado ( laminar) e a erosão po r flu xo concent rado (sulcos). A erosão pela água subsuper fic ial ocorre por carreament o de part ículas no int er ior do so lo (at ravés dos poros ou for mação de vazios dent ro do solo por arrast ament o de part ícu las), processo esse deno minado de piping e por t ransport e em so lução. 5.2 Á RE AS DE V ERT ENT ES COM D IFERENT ES N ÍVE IS DE R UPT UR A A área correspondent e à unidade de predomínio das vert ent es, co m rupt uras abrange o espaço que vai do córrego do Glicér io at é as bordas escarpadas da margem direit a e das bordas esc arpadas do córrego Co lonial, que faz divisa ent re os munic ípio s de Uber lândia e Uberaba, na margem esquerda do r ibeirão Est iva, confor me ilust rou a figura 14. A dec lividade média do topo das vert ent es g ir a em t orno de 2 -5º e pode chegar a ma is de 20º nos fundos de vale. Os vales possuem vár ias super fícies embut idas e são encaixadas como mo st ra os perfis B – B’ e C – C’. (Figs. 17 e 18). O relevo é predo minant e de co linas co m vert ent es levement e convexas e anfit eat ros em processo inic ial de dissecação co m um a caract er íst ica marcant e, que são suas vert ent es co m rupt uras. No geral seus topos est ão por vo lt a de 850m e os fundos dos va les, em t orno de 730 – 740m, a d iferença a lt imét r ica int ercala da por degraus que for mam as rupt uras oferecendo maior resist ência p ara a encost a. Algumas vert ent es, 78 co mo as dos córregos Sant a Mar ia, Campo Feio e Nat ureza possuem at é t rês rupt uras. Os t opos das vert ent es possuem braços em for ma de (pinças de caranguejo) esporões, abr igando as drenagens co m seus anfit eat ros e nicho s de nascent es. Esses t opos planos ent re as drenagens avançam em direção aos fundos de vales, co nst it uindo os divisores de água e são int ercept ados pelas rupt uras na encost a, confor me se pode ver no per fil t opomorfo lógico ilust rando bem a sit uação do segment o. (Fig. 17). Ao obser var os per fis, percebe -se que uma das caract er íst icas mor fo lógicas dessa unidade geo mor fo lógica recai nas nascent es, t odas em anfit eat ros bem marcados pelas descont inuidades dos arenit os da For mação Mar ília. Os anfit eat ros dessas nascent es encont ram a rocha resist ent e e, por conseguint e, não conseguem ser ro mpidos for mando paredão enquant o a erosão desnuda o seu ent orno preservando os topos. As rupt uras est ão diret ament e relacio nadas co m as caract er íst icas geo lógicas da For mação Mar ília p resent es na bacia. Co mo descreveu BARCELOS (1995), essa For mação possui uma gr ande var iedade de co mposição, t ext ura e var iada ciment ação. BACCARO (1990) salient ou ainda a exist ência dos arenit os da For mação Mar ília nas super fícies de t opo e de média vert en t es, const it uídos de leit os de cascalhe iras, de t ermos ora arenosos concrecio nados, ora com cascalho s de t amanho var iado de seixo s rolados de quart zit o, quart zo e calcedônia, sobrepost os por concreçõ es limo nít icas, decorrent es de paleoníve is de hidro mor fia . Esses co mport ament os geomor fo lógicos das vert ent es est ão ilust rados no per fil A__A’, B__B’ e E__E ’ e pelas fot os 22 e 23. 79 Fonte: NISHIYAMA (1998) FIG UR A 19 – (A) representação tridimensional esquemática das condições de ocorrência da água subsuperficial influenciadas pela presença litológica de baixa permeabilidade e as relações com o relevo e materiais inconsolidados. (B) perfil típico do relevo em áreas de litologias da Formação Marília, no qual pode-se distinguir 5 segmentos: a – áreas de topo plano; b – encosta com inclinação moderada e perfil convexo; c – superfície abrupta com perfil convexo; d – superfície com inclinação moderada e perfil côncavo; e – superfície suavemente inclinada a plana (fundo do vale). 80 81 As rupt uras nessa unidade aparecem apresent ando arenit os bem ciment ados co m sobreposição de lat er it a ou cascalhe ir a co m pequenos seixo s cobert os por concreção de ferro, ou ainda o conglo mer ado apresent ado t amanhos var iado de seixo s , mar cas de lat er ização super fic ial. De uma for ma geral, a s rupt uras, nas encost as, pelas lit o logias se mant êm sust ent adas devido às suas caract er íst icas de resist ência freando o avanço erosivo e barrando t ambé m os fluxos subsuper fic iais de água. Est e co mport ament o hidro lógico est á associado ent re a lat er it a e o aflora ment o de água sobre as rupt uras e aparece generalizadament e nessa unidade. A concreção de ferro que se for ma sobre as rupt uras define a imper meabilidade que obr iga a concent ração de água. Ao longo do t empo, esse processo proporciona a deposição dos óxidos de ferro sobre as rupt uras aument ando a inda mais sua imper meabilidade e o ferecendo uma ciment ação à fase do ferro. Na figur a 23, obser va - se a exposição da lat er it a acima do cascalho ( lat er ít ico ou de seixo s de quart zo, quart zit o et c) que é empregad o no revest iment o de est radas e de currais, cuja área de ret irada de mat er ial é ident ificada pela fot o. Segundo a EMBRAP A (1982), ocorrem no munic ípio de Uber lândia, especificament e no sul do munic ípio onde se encont ra o r ibeir ão Est iva, os seguint e s t ipos de solos: Lat osso lo Ver melho -Escuro álico e dist rófico; Lat osso lo Ver melho - Amar elo eut rófico; Lat osso lo Roxo dist rófico e Glei Húmico álico e dist rófico. 82 83 ARGILA 1 2 3 4 5 6 7 24,96 19,10 24,78 23,68 27,50 37,54 32,26 SILTE FINO SILTE GROSSO 0,74 0,45 1,55 2,34 0,58 7,07 0,60 4,84 0,81 1,96 0,34 - T a bel a 4 AMOST RA S AREIA FINA 56,15 53,90 51,10 27,20 50,60 1,45 30,75 AREIA MÉDIA 17,7 25,45 21,2 41,45 16,25 47,45 46,85 PH EM ÁGUA 4,80 5,0 5,10 4,90 4,60 4,5 4,4 Ca mol/dm³ 0,4 0,9 0,5 3,0 0,7 0,3 0,5 POSIÇÃO DA VERTENTE Ruptura na média encosta do córrego Bebedouro Média encosta ravina abaixo da ruptura erodida B As amo st ras foram co let adas na rupt ura da vert ent e da nascent e do afluent e do córrego Olhos d’ água, e que for ma deg raus desest rut urados co m aflor ament o de água em vár ios pont os da vert ent e. O gado t em usado esses degr aus para t ranspor a rupt ura, o que explica a erosão que co meça a se inst alar. Recobr indo as rupt uras, há resquícios de cerrado, confor me se vê na figura 24. Logo abaixo da rupt ura, cerca de 2, 5m da past agem, em u ma vert ent e suavement e convexa há uma ravina de 1,20m de pro fundidade por 2m de co mpr iment o e que vem se for mando com a água que desce da rupt ura. As amo st ras de 1 – 5 foram r et iradas na rupt ura e na part e super ior. As argilas possuem t eores baixo s co m cerca de 2 2%, uma vez que as areia s possuem ent re 66% at é 73% em decréscimo no per fil. Os result ados das areias médias de mo nst ram var iação de t ext ura present e na For mação Mar ília. E mbora o fundo da ravina se enco nt re plenament e seco, as amost ras 6 e 7 foram ret iradas de suas paredes, onde se ident ificaram 2 hor izont es, o pr imeiro, super ficial co m so lo aver melhado de co lúvio e seco e out ro, de tom cinza, co m sinais de hidro mor fia, minando água em ple na seca. Nas ext ensas voçorocas dos córregos Campo Fe io e Nat ureza fo i obser vado os difer ent es níveis de hidro mor fia nas paredes das erosões, 84 assim co mo níve is de conglo merado e cascalheira de seixos de t amanhos pequenos e casca lhos lat er izados. ARGILA 1 9,80 2 10,84 3 13,59 4 12,04 5 24,50 6 11,06 7 12,94 8 25,16 T a bel a 5 SILTE SILTE FINO GROSSO 2,95 4,24 3,12 4,16 345 3,76 3,40 3,08 1,87 3,44 1,25 3,48 1,88 3,70 0,44 AMOST RA S C AREIA FINA 49,9 47,95 45,90 49,15 47,70 61,95 61,80 51,45 AREIA MÉDIA 37,35 33,85 32,90 31,65 22,85 22,30 19,90 19,25 PH EM ÁGUA 5,50 5,40 4,50 5,20 4,70 5,0 5,20 5,0 Ca mol/dm³ 1,50 1,90 0,9 1,80 2,30 2,50 2,0 4,10 POSIÇÃO DA VERTENTE Topo – Média – Sopé da vertente do Córrego Campo Feio Essas amo st ras for am co let adas em um anfit eat ro de nascent e, na super fície, em diferent es po nt os do topo ao fundo de vale, aproveit ando exposição dos so los por degraus e desníveis. Essa área pert ence ao conjunt o de divisores de águas da bacia, r egião que est á so frendo profu ndo ent alha ment o do vale e recuo de cabeceiras. O per fil da vert ent e se encont ra int errompido por vár ias vezes, e m função das rupt uras rochosas e aflor amentos de água que brot am na quebr a posit iva do t opo e logo abaixo, cerca de 2m50cm do topo. A presença das areias fina e média é co mum em t odo o per fil, assim co mo a resist ência do so lo no per fil. O t ot al de areias gira em t orno de 80%, porém do índice do pH e maior co ncent ração de car bonat o de cálcio garant em a ciment ação e resist ência aos so los encont rado s em campo. As var iações de baixo s valor es de pH e Car bonat o de cálcio co mbinam co m as áreas hidro mór ficas, ident ificando ambient e de redução. O t eor de silt e é t ambém um dos mais elevados de t odas as amo st ras co let adas na bacia, co mprovando a preser vação dessas áreas em re lação às demais. As erosões nessa ár ea est ão relacio nadas à gr ande declividade das vert ent es de 15 -20º, à cobert ura veget al rala feit a pelas past agens e em decorrência do aflorament o de água nas desco nt inuidades lit o lógicas. 85 Alguns desses processos erosivos ma is ant igos surgiram ant es mesmo dos desmat ament os segundo relat os dos propriet ár ios, que pro mo veram essas prát icas em suas t erras, eles ficaram surpresos co m o t amanho dos buracos, porém, não há dúvidas quant o ao seu aument o após o de smat e. T a bel a 06 – AMOST RAS Nº A R G I L A 01 02 03 04 05 15, 86 16, 80 17, 60 17, 32 17, 76 SILTE FINO 1, 38 1, 20 1, 28 1, 68 1, 34 D SILT E GRO SSO 0, 46 0, 32 AREI A FIN A 61, 75 27, 40 56, 75 57, 00 57, 00 AREI A MÈDI A 20, 55 54, 60 24, 05 24, 00 23, 90 PH EM ÁGUA 4,70 4,80 4,70 4,70 4,80 Ca mol/dm³ 0,5 0,5 0,3 0,4 0,4 P O S I Ç ÂO N A VERT ENT E T op o da ver t en t e en tr e os c ór r egos Na t ur ez a e Ca m po Fei o Essas amost ras foram r et iradas em área de t opo ent re os córregos Nat ureza e Campo Feio, a co loração do solo é de um ver melho int enso cor 2,5 YR ¾. A área fo i desmat ada e se encont ra abandonada po is a veget ação do Cerrado nasce em me io ao past o degradado. As areias present es nas amost ras gir am em t orno de 80%, correspondendo co m o que fo i enco nt rado em campo, so los fr iáveis em s uper fície e resist ent es ao t rado, em profundidade devido a grande umidade, rest ant e do per íodo chuvoso. BACCARO (1990) descreve t rês t ipos de evo lução das erosões, que t ambém foram enco nt rados na bacia do r ibeir ão Est iva: a) as erosões mais ext ensas na média vert ent e são bast ant e ant igas, conseqüência da exist ência de valas para divisão de propr iedades no início do século XIX. Essas erosões são mapeadas pelo IBGE – 1972, como sendo erosões, ent ret ant o em out ros mapeament os, co mo do DSG (Divisão dos ser viço s cart ográficos) do Exércit o em 1984, as mesmas erosões co m essas caract er íst icas est ão mapeadas co mo canais de drenagem. Ao ver ificar em campo essas valas, t em- se a cert eza de que são erosões e não canais fluviais, apesar da água que aflora em muit as dela s; 86 Fi gur a 24 – Per fi l de ver t en t es sua vem en t e c on vexa s c om r upt ur a s e er osões l og o a ba i xo. b) a canalização do escoament o super ficial co ncent rado provocando alargament o dos canais pluviais. A evo lução das erosões, além do escoament o concent rado, pode cont ar t ambém, co m a fauna at ivando esses processos, co mo o pisot eio do gado for mando sulcos nas margens das erosões, os buracos feit os por t at us, cupins e for migas nos so los arenosos LEGENDA: facilit ando a concent ração subsuper ficia lment e; escoament o e c) da água ro mpiment o canalização das t ant o da super ficia l, hidro mor fia águas pluviais quant o provocado decorrent es por dos sem esca l a desmat ament os que ocorrem a mo nt ant e. Kátia Gisele Obser va-se t ambém out ro t ipo de evo lução, como o desmat ament o nas bordas, co ncent rando a água plu via l co m velo cidade acelerada pelos desníveis provocados por rupt uras ou escarpas, acarret ando em escavação do solo a jusant e na vert ent e. Co m os desmat ament os do Cerrado, a água pluvial não encont ra resist ência, aceler ando sua velocidade e diminuindo a in filt ração, 87 BACCARO (1990). Co mo pode ser o bser vado nos mapeament os, o uso do so lo nest es espaços t em pr edo mínio de past agens co m pouca cult ura anual e poucas áreas preser vadas de Cerrado. O des mat ament o t em pro vocado o resseca ment o e post erior desmant elame nt o desse conjunt o at ravés da concent ração dos fluxos super ficia is per cebidos pe los sulcos deixados no so lo. Sem a prot eção da veget ação, essas est rut uras não suport am os fort es fluxos de água no verão, acelerando a erosão nesses segment os. Algumas erosões se enco nt ram em processo de reat ivação por avanço das cabeceiras de drenagem quando o gado possui acesso aos corpos d’água pisot eando a área, provocando, assim, caminhos que concent ram a velocidade da água desmoronando as margens e causando erosões que junt ament e co m mar cas de ravinas e cana is são obser vados logo a baixo das rupt uras, como aparece na fot o (fig. 25). Segundo RIBEIRO et alii (1997), a pr incipal for ma de dest ruição desse ambient e t em sido o acesso ilimit ado do gado para beber água provocando erosão margina l e post er ior assoreament o. Tal sit uação fo i det ect ada em mu it as drenagens dessa unidade geo mor fo lógica próximas ao s caminho s que t ranspõem os cana is fluviais. As vert ent es são cort adas por córregos e voçorocas com aflor ament o de água e o g ado não possui cocho de água à sua disposição. Sua única opção se t orna chegar at é esses corpos d’água para saciar sua sede, prát ica obser vada em t oda a bacia. E nt ret ant o, nessa unidade, em sua ma ior ia, os caminhos mapeados são feit os pelo gado que provoca marcas significat ivas no so lo. Ao obt er acesso a água, o gado provoca desmoronament o e dest ruição nas margens, for mando sulcos que provocam erosões, assoreament o, assim co mo dest roem a rala veget ação que prot ege os corpos d’água. Obser vou -se que, após o rompiment o das rupt uras cobert as por lat er it a, ocorre t ambé m, o surgiment o de “pipe”, dut os de fluxos subsuper fic iais que t omam proporções var iadas. Est e processo regist rado possui de 1,5 – 2m de diâmet ro abaixo da la je de lat er it a e se enco nt ra no esporão do córrego Campo Feio, co mo most ra a 88 89 FIGURA 27 - PERFIL TOPOMORFOLÓGICO E – E’ 90 5.3 Á RE AS DE VERT ENT ES SUAVES COM BAIX AS DECL I VID ADES Essa unidade geo mor fo lógica se caract eriza por suas vert ent es alo ngadas e suavement e co nvexas, de vales amplos e l evement e encaixados, em for ma de veredas. A declividade média nos vales est á por volt a de 8 – 12º na margem direit a e de 5 – 8º na margem esquerda, confor me a figura 14. A alt it ude média est á ent re 760 – 780m nos t opos e 720 – 730m no s vales. A drenagem nessa unidade segue um padrão ret ilíneo com pequenas bifurcações nas nascent es, uma disposição paralela, afluent es dist ant es e paralelo s ent re si. Nas margens dos có rregos Glicér io e Br inquinho há resquíc ios de pequenas rupt uras, o que garant e as declividade s mais acent uadas desse seguiment o. Nesses vales há uma grande quant idade de mat er iais ent ulhando as amplas planícies, for mando bancos de sediment os em seu meio, nas quais a veget ação começa a se inst alar. As vert ent es são suavement e convexas, de baixa dec lividade at é 5º e possuem segment os alo ngados. Os vales apresent am vert ent es co m declividade de 5 – 8º que acabam em uma vereda de fundo chat o co m grande quant idade de sediment os acumulados. Nas veredas desses segment os, por não possuírem rupt uras co mo na unidade geo mor fo lógica ant er ior, a veget ação é mais pr eser vada e o acesso ao gado é mais rest r it o. Nesse segment o há um número maior de pequenas r epresas. Os vales dos afluent es do r ibeirão Est iva apresent am simet r ia, o que não é obser vado e m sua calha pr inc ipal. Na margem esquerda, as planícies são amplas e de baixa declividade e na mar gem direit a são est reit as co m alguma s cascalhe ir as. Acredit a -se que devido ao fat o de haver cascalheiras na margem esquerda, a planície não consiga se desenvo lver. (Figur as 28 e 29). As rupt uras obser vadas na média vert ent e possuem as mesma s caract er íst icas lit o lógicas apresent adas na unidade descr it a ant er ior ment e, porém ambas, rupt uras e vert ent es são mais suaves e os vales são mais abert os, confor me ilust ra a figur a 17, no per fil D – D’ e na figura 30 . 91 92 No fina l dos anos 70, t oda essa região de cerrado do Triângulo Mineiro se beneficiou dos incent ivo s fisca is propostos pelo governo federal no II PND. Co m esses recur sos, o município de Uber lândia t eve suas t erras desmat adas e imp lant ado o florest ament o de pinus e euca lipt o. Essa unidade geo mor fo lógica é uma das poucas áreas que ainda possue m vest ígios dessa cult ura. Nas fotografias aéreas de 1979, os int er flúvio s dos córregos Br inquinho, Glicér io e Est ivinha, sit uados na margem dir eit a do r ibeir ão Est iva, possuía m o reflorest ament o. Hoje ainda há vest ígio s da subst it uição dos reflor est ament os por past agem. Alé m de algumas áreas que parecem abando nadas desde os anos 80, out ras t iver am as ár vores de pinus e eucalipt os ret ir adas per manecendo apenas as r ebrot as, enquant o out ras se encont ram e m plena subst it uição por past agens plant adas de braquiár ia. Na margem esquerda do r ibeirão Est iva, desse co mpart iment o há u m predo mínio da past agem. Desde os anos 90, a fazenda S ão Vice nt e S. A. vem sendo ut ilizada para o plant io de la ranja par a suco. E m 1995, essas t erras passam para a propr iedade da Cargil, que desde ent ão, ve m adquir indo t erras e plant ando laranja . (Fig.29) Tem- se ent ão, a cit r icult ura em busca de novas áreas par a a e xpansão das lavouras a part ir do pó lo paulist a, cujas e mpresas buscam t erras mais barat as e mecanizáveis. Chegaram no Tr iângulo Mine iro, ocuparam essa unidade geo mor fo lógica em boa part e da margem esquerda, localizados em frent e aos córregos Br inquinho e e st endendo -se at é o córrego Buracão. Na margem esquerda dessa unidade não são encont radas erosões aceleradas. A laranja, pelo fat o de aceit ar em so los menos exigent es, t em so fr ido co m os per íodos de seca, o que t em sid o superado pelo uso de t écnicas, co mo a cobert ura mort a revest indo os solos e o sist ema de irr igação por got ejament o. RIBEIRO et alii (1997). 93 As erosões aceler adas encont radas nos córregos Br inquinho, Glicér io e Est ivinha são muit o ant igas e est abilizadas. Nas fot ografias aéreas essas áreas já exist iam. A explicação para sua or igem pode ser a mesma para t odo o rest ant e da bacia, ou seja, valas de divisa de propr iedade ou mesmo evo lução nat ural da paisagem, erosões mu it o ant igas, aceleradas pelo desmat ament o. Dest as possibilidades, a pr imeir a opção é a ma is prováve l em função da sua grande pro fundidade e ext ensão em local de declividades t ão suaves. As erosões desse segment o são muit o raras, ou quando exist em são pequenas ravinas provocadas por concent ração da água pluvia l em caminho s feit os pelo pisot eio do gado, estradas et c. Hoje, essas erosões são áreas abandonadas e cobert as co m veget ação de cerrado. Apesar da est abilidade das encost a, o acesso do gado para beber água ou mesmo se prot eger do so l, t em erodido algumas de suas paredes de sust ent ação. Não det ect amos, nessa unidade, reat ivação das erosões co mo nas out ras unidades da bacia. 94 Kátia/ Jun 2000 Figura 30 – Vale de fundo chato e vertentes cobertas por pastagens ralas. 5.3 P L AN ÍCIES A L UVION ARES E SOLEI RAS ROCHOSAS A planície aluvio nar do r ibeirão Est iva se encont ra delineada pelo limit e da vert ent e convexa - côncava mapeada no esboço geomor fo lógico. Sua área apresent a hidro mor fia e uma declividade ent re 2 – 5º no médio e baixo cur so. De uma for ma geral, os vales apresent am - se encaixados, mas as planíc ies são bast ant e amplas e planas. Não fo i enco nt rado nenhum nível de t erraço, porém o vale do r ibeirão Est iva se encont ra bast ant e ent ulhado de sediment os em t odos os pontos aver iguados do alt o ao baixo curso. No médio e baixo curso, os vales dos afluent es do r ibeirão Est iva apresent am simet r ia, o que não é obser vado em sua calha pr inc ipal. Na margem esquerda, as planíc ies são amplas e de baixa declividade e na margem direit a são est reit as co m algumas cascalhe iras. Acredit a -se que, devido ao fat o de haver cascalheiras na margem esquerda, a planíc ie não consiga se desenvo lver. Do córrego das Ant as at é sua foz, o vale apresent a se bast ant e assimét r ico. Em frent e aos córregos das Ant as, do Buracão e do Sant a Mar ia há um est rangula ment o da pla níc ie, provocado por alguma 95 alt eração no t alvegue do r ibeirão em decorrência das so leiras rochosas for mando corredeir as muit o suaves.( Figs. 12 e 31). Segundo BACCARO et all, (1998), essa seqüênc ia de planícies fo i encont rada em out ras áreas, mais especific ament e, nas dos r ibeirões Est iva e Panga, drenagens paralelas e afluent es do rio Tijuco. As planícies dessa unidade são mais acent uadas em ext ensão e freqüência do que em out ras áreas do Tr iângulo Mine iro. Sua presença se correlacio na ao aflorament o de so leir as (kni ckpoint s) que pode ser analisado por barrar o avanço da erosão remo nt ant e, t endo como função na paisagem um cont role est rut ural. O alinhament o ent re as drenagens no Tr iângu lo Mine iro e suas caract er íst icas, co mo os cotovelos, as so leiras e as pla níc ies indicam possíveis linhas de falhas evidenciando o efeit o import ant e da t ect ônica na definição da mor fo met r ia dos canais fluvia is. BACCARO (1991) já descr eveu geo logicament e a foz do Ribeir ão Est iva por est ar sobre os basa lt os da For mação Serra Geral per t encent e ao Grupo São Bent o. Algumas das suas margens, próximas a foz, aparece o lat ossolo ver melho férr icos (EMBRAP A, 1992) , or iundo da deco mposição do basalt o, co mo apresent ado no mapa geo lógico, o que oferece maior fert ilidade a esses so los da bacia. No esboço geo lógico da bacia do R ibeir ão Est iva, a est rut ura lit o lógica r epresent ada pelos basalt os aflo ra nos canais fluvia is respeit ando um co mport ament o co mum em t odo o Triângulo Mineiro. O basalt o, sendo menos suscet ível ao desgast e resist e mais à es cavação da drenagem do que as vert ent es sust ent adas pelos arenit os da For mação Mar ília. Não fo i det ect ada nenhuma erosão marginal no r io pr incipal, embora o t enha sido dent ro da planície do r ibeir ão. Onde o canal não se encont ra definido, aparecem vár io s sulcos mo st rando uma reat ivação da drenagem no loca l det ect ados na planície dos córregos Mat a Burro, Est iva (alt o curso) e médio curso ent re os córregos Sant a Mar ia e Campo Feio. 96 Os det r it os encont rados nas planíc ies são bast ant e finos e só fo i possível co let ar mat er ial super ficia l, co m cerca de 50 cm de pro fundidade devido à proximidade do lenço l fr eát ico com a super fície. Na década de 70, as planíc ies do ribeir ão Est iva foram dr enadas par a o plant io do arroz, prát ica incent iva pelo Pro -várzea. Nas amplas planíc ies, em que os afluent es deságuam no r ibeirão Est iva, é possível ver ainda drenos, mapeados co mo canais art ificiais , na foz dos córregos Nat ureza e Campo feio, ho je abando nados co mo área de preser vação per manent e. T a bel a 07 – AMOST RAS F ARGILA 1 2 3 4 5 6 79,30 61,32 51,33 27,09 48,72 42,88 SILTE FINO 11,58 12,76 12,70 7,82 8,12 7,28 SILTE GROSSO 0,47 1,42 1,52 1,14 2,41 2,34 AREIA FINA 7,50 13,20 29,45 63,75 38,85 45,65 AREIA MÉDIA 1,15 11,30 5,0 0,8 1,9 1,85 PH EM ÁGUA 4,30 5,10 4,60 4,30 4,40 4,40 Ca mol/dm³ 5,40 5,30 5,30 2,60 4,20 3,70 POSIÇÃO DA VERTENTE Planície Aluvionar – córrego Campo Feio com o Ribeirão Estiva. Essas amo st ras foram co let adas no barranco de um dreno feit o par a plant ar arroz co m 80cm e os out ros 50cm foram t rad ados at é at ingir o lenço l fr eát ico. As amost ras nessa planíc ie possuem argilas que chegam a 79% na super fície. As areias finas, médias e o silt e grosso vão aument ando co m a profundidade e as argilas vão diminuindo, assim co mo o silt e fino, demo nst rando que a água subsuper ficia l mo biliza os sediment os finos e na super fície, onde não há água correndo não ocorre ret irada dos finos. Os so los da planíc ie são orgânicos, negros e de grande plast icidade, devido à presença da argila e da mat ér ia orgânica. Todos os fino s e as bases t rocáveis foram migrando dos so los das alt as vert ent es at é o fundo do vale e se deposit ando nas p laníc ies. O lenço l freát ico se encont ra muit o próximo da super fíc ie, cerca de 1m30cm de pro fundidade. Os basalt os afloram no médio e no baixo curso. No alt o curso pode se infer ir sua presença no t alvegue devido à sat uração de sediment os present e nos va les, o que se at ribui à resist ência em se escavar a rocha 97 ígnea em clima úmido, como o at ual. Os basalt os no leit o dos t alvegues apresent am suave s so bressalt os em for ma de soleiras rochosas obser vadas pouco acima da sede do Dist r it o de Mir aporanga e no baixo cur so, logo abaixo do Córrego Est ivinha. (Figs12 e 30). Est a cat egoria, apesar de apresent ar cer t a est abilidade, é bast ant e frágil aos processos erosivo s, pr incipalment e quando há uma co ncent ração do fluxo da água super ficia l, o que aco nt ece geralment e co m a ret ir ada da veget ação nat ural e a concent ração da drenagem causada por abert ura de est radas e rodovias, ou associados ao pisot eio do gado. Ao ret irar a cobert ura veget al que auxilia na infilt ração da água, lo go surgirão sulcos, ravinas e voçorocas. Na Fig. 32, é possível ident ificar o iníc io de u m ravinament o em área de past agens nas suaves vert ent es convexas. Nas planícies dos afluent es do r ibe ir ão Est iva são obser vadas vár ias represas, út eis para o abast eciment o no inver no seco. Suas margens geralment e não são reveget adas e o acesso do gado provoca canais que aceler am a veloc idade da água. 98 99 Kátia/jul 2000 Fi g. 33 – Am pla s Pl an í ci es na foz da ba ci a , va l es em ver eda , sua ves ver t en t es c on vexa s e i n í ci o de r a vin am en t o em pr i m eir o pla n o 100 QUADRO 8 - UNIDADES GEOMORFOLÓGICAS DA BACIA DO RIBEIRÃO ESTIVA 106 C ONCLUSÕES O desenvo lviment o dest a pesquisa contou com uma abordage m regio nal dos sist emas geo mór ficos em que o ribeirão Est iva se encont ra lo calizado. Essa visão regional o fereceu uma sér ie de dados que subsidiaram uma co mpreensão maior dos processos de dissecação da paisagem. O r ibe irão Est iva fo i esco lh ido dent ro de um sist ema ma ior, pelo fat o de as caract er íst icas gerais se encont rarem inser idas dent ro de uma escala mais det alhada de abordagem geo morfo lógica. As infor mações levant adas, co mo declividade, hipso met r ia, geo logia, granulo met r ia, geo logia e o ut ras ser viram para a const rução de uma base de dados da dinâmica at ual da paisagem. Os dados obt idos foram cruzados em um único mapeament o que ser viu para obser var e analisar a for ma co mo a paisagem se organiza em unidades geo morfo lógicas. Fo i acrescent ad o aos aspect os físicos, o uso da t erra condicio nado por fat ores ambient ais favoráveis. A met odologia desenvo lvida fo i ext remament e import ant e para abordar o est udo geomor fo lógico local, uma vez que est es se encont ra m cont ext ualizados em escala maior, onde os processos mor fodinâmicos se inserem, assim co mo, os element os que a co mpõem est ão int erconect ados em uma co mplexa t eia int egrada. 107 A ação int egrada dos processos mor fo lógicos represent ados pelo s condicio nant es ambient ais at mosfér icos e da geodinâmica t e rrest re, como sugere CHRISTOFOLETTI (1998), vai gerar fluxo s, ciclos, t ransferênc ia e ar mazenagem de energia e mat ér ia que ger am o co mport ament o dinâmico da paisagem, post er ior ment e result ando no ajust ament o das for mas. Dada a exigü idade do t empo previst o par a est a pesquisa – prazo de 24 meses – algumas d ificuldades foram sent idas na seleção das t écnicas invest igadoras necessár ias quer na esco lha do número de at ividades e m campo, t ipo de qualidade de exper iment o t empo gast o em cada um, quer na alocação de recursos suficient es par a gar ant ir a pesquisa. Não obst ant e as inúmeras dificuldades, fo i possíve l chegar a um result ado sat isfat ór io dos objet ivos propostos, o que se leva a afir mar que est e est udo avançou nas análises da dinâ mica da paisagem proposta no t erceiro níve l de abordage m met odológica de AB’S ABER, (1968). Os mapeament os const ruídos foram imprescindíveis na ilust ração dos element os que co mpõem a paisagem, o ferecendo uma dimensão espacial e t emporal dos fat os e possibilit ando uma caract er ização do s ele ment os, assim co mo uma noção de conjunt os. Esses ele ment os foram acr esc idos de uma sér ie de exper iment os e obser vações em campo, auxiliando na definição da organização das unidades e dos compart iment os morfo lógicos. Uma das pr incipais caract er íst icas que individualizam a unidade de área de cimei ra é a erosão remo nt ant e nas rupt uras escalo nadas, onde os processos erosivo s obser vados são associações ao rebaixament o do nível de base e post er ior inst alação de at ividade agroeconô mica agr avando o desequilíbr io hidro lógico. Assim co mo, as evo luções mor fo lógicas são provocadas lent ament e pela ação fís ico -química da água de t ransport ar e selecio nar ao lo ngo de seu percurso os sediment os do topo para lo nge do lo cal de or igem. 108 Na unidade de área de vertentes com d i ferentes nívei s de ruptu ra obser vou-se que as ant igas erosões est abilizadas pela veget ação no seu int er ior cont inuam a crescer por reat ivação das suas cabeceiras. As erosões aceler adas co ncent ram-se conect adas à drenagem do r ibeir ão Est iva. A área da bacia do córrego Campo Feio possui uma das maior es co ncent rações de voçorocas e o maior número de rupt uras. As erosões que possue m veget ação no seu int er ior, cont udo, suas cabeceiras est ão se ampliando e ramificando em for ma de dígit os. O córrego S ant a Mar ia possui t ambé m uma grande quant idade de voçorocas ant igas est abilizadas e apr esent ando reat ivação nas suas cabeceiras. A ocupação desse córrego vem desde o iníc io do século XIX, co m a cr iação do povoado de Sant a Mar ia. Na unidade de vertentes suaves com dec lividade de 2 – 5º, os processos erosivos est ão em sua ma ior ia est abilizados pela veget ação. O acesso do gado para beber água ou para buscar so mbr a na veget ação present e nessas erosões é que t em provocado o desbarrancament o de suas paredes lat erais. Nessa unidade não foram r egist radas no vas erosões; suas baixas declividades e a proximidade do basa lt o t êm garant ido uma cert a est abilidade aos no vos processos. Fotografias aéreas dat adas de 1979 nos per mit e m o bser var na unidade das p lanícies aluvionares, sulco s de escoament o dent ro das planícies, fat o que sugere a ocorrência de duas sit uações, a reat ivação da drenagem em per ío do seco ou um reent alhament o do canal pr inc ipa l est imulando a drenagem de ár eas próximas. Os fat os de maior relevância nessa unidade são os leques de deposição acelerada, regist rados na fo z dos córregos co m acent uada at ividade erosiva. Esses leques são facilment e det ect ados na fot oint erpret ação, deixando marcas de concent ração de det r it os oriundos de erosões. 109 Os basalt os que afloram no leit o do ribeirão Est iva oferece m resist ência ao ent alhament o da drenagem. Co m isso, as planícies se encont ram co m caract er íst icas meândr icas e em alguns set ores, os vale s ficam anast omosados, ident ificando ambient e de difíc il r emoção de sediment os pelas águas do r ibeirão. Essa dificuldade é amenizada a jusant e em poucos t rechos dest as planícies por corredeir as, ou pequenas cachoeir as for madas pelo basalt o, que provocam r est r ição da largur a da planície, logo retornando à vast idão delas. Essas car act er íst icas d e vales ent ulhados são facilment e o bser vadas nas ár eas adjacent es à bacia do r ibeirão Est iva, cuja fo z deságua numa ampla planície do r io T ijuco, just ificando a dificu ldade de t ransport e de sediment os pelo r ibe irão Est iva, alé m de provocar rebaixament o da super fície. Co mo result ado dessa fase da pesquisa podem-se levant ar algumas considerações apresent adas co mo result ados preliminar es. O uso do so lo em t oda a bacia é fe ito por past agens que, necessar iament e, precisam passar por reformas per iódicas, a fim d e evit ar sua degradação. Os pecuar ist as reclamam do baixo r et orno financeiro obt ido co m a sua at ividade, co m isso, as cifras ut ilizadas co m r efor mas são bast ant e reduzidas. Algumas past agens se dest acam pela degradação das propriedades físicas e químicas d os so los em que se encont ram. Vár ias erosões em past agens foram encont radas em processo de reat ivação das suas cabeceir as e par edes lat erais, sem nenhu m t ipo de cont enção. As dificu ldades de crédit o enfrent adas pelos produtores rurais, o baixo lucro obt ido na at ividade agropecuár ia, a incorporação da t écnica de cr iação de gado int ensiva e a cobrança do ITR (Impost o Territ orial Rural) t êm provocado o abando no dos cuidados co m a preser vação dos so los, obser vados em algumas ár eas de past agem do Tr iângulo M inei ro. Os produtores rurais t êm recla mado da falt a de ver ba para refor mar os past os, o que significa adubar, calar e reforçar as cur vas de níve l. Co m isso, as 110 erosões t êm se amp liado, po is a past agem em quat ro anos se encont ra muit o debilit ada, bast ant e rala sem capacidade de aliment ar o gado, o que acent ua os processos erosivos. O acesso ilimit ado do gado em t odos os corpos d’água provoca sulcos nas margens dos córregos, ident ificados em quase t oda a bacia. Esse co mport ament o se encont ra associado com a conce nt ração do escoament o super ficia l, for mação de sulcos que evoluem para ravinas e voçorocas, pr incipalment e, nas vert ent es suavement e convexas. Sempre que esse fat o ocorre, é possível ident ificar nas fot ografias aéreas uma deposição aceler ada próxima aos cu rsos d’água. O desmat ament o das cabeceiras de drenagens provoca a concent ração dos fluxos super fic iais, pr incipalment e no verão sit uação encont rada em quase t odos os afluent es do Ribeirão Est iva. As so leiras rochosas present es no leit o do Ribeir ão Est iva e st ão sempre associadas às planícies a luvio nares. No alt o e no médio curso fora m ident ificadas algumas linhas de reat ivação das planíc ies aluvio nares. Próximo s aos meandros do ribeirão aparecem vár ias drenagens secundár ias. As cur vas de nível co nst ruídas p róximas às cabeceiras de erosão para barrar a ent rada de água t êm provocado uma grande concent ração da água fora da erosão, porém fo i o bser vado que nas cur vas de níve l há u m avanço da erosão. Esse fat o demonst ra que a concent ração da água pode ser responsá vel pela co ncent ração da lixiviação dos solos nesses lugares, desest rut urando as paredes e provocando o seu desmant elament o. Cons iderando a propost a de SANTOS (1996), visou -se co locar em prát ica essa no va for ma de se pensar os recursos nat urais, procurou -se apresent ar algu mas das sit uações que nos levem a co nsiderar o avanço dos processos erosivos co mo algo que precisa ser co mpreendido, respeit ado e, sobret udo, evit ado pelas co munidades fut uras. 111 B IBLIOGRAFIA AB’S ABE R A.N. - Um co nceit o de Geo morfo log ia a ser viço das pesquisas sobre o Quat ernár io, Geomorf ologia (18), São Paulo. Inst it uto de Geografia. USP.1969. AB’S ABE R A.N – Problemas de mapeamento geomorf ológico no Brasil . São Paulo, Inst it uto de Geografia. USP, 1971. ABREU A. A A. Análi se geomorf ol ógica: ref lexão e aplicação (Uma contri buição ao conhecimento das f ormas do rel evo de Diamanti na. MG) . 1982. (Tese Livr e Docência – IG. DEGEO/FFLCH, USP). BACCARO, C. A.D Est udos geomor fo lógicos do municíp io de Uber lândia. Revista Sociedade & Natureza. Ub erlândi a. EDUFU - Ano 1, nº 4, 1989. BACCARO, C. 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