0 INSTITUTO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE FUNORTE – Faculdades Unidas do Norte de Minas /SOEBRÁS GAPO-GRUPO DE APOIO À PESQUISA ODONTOLÓGICA REGENERAÇÃO ÓSSEA GUIADA (ROG) COM MEMBRANAS ABSORVÍVEIS E NÃO-ABSORVÍVEIS Henrique Pinto Souza Montes Claros – MG. 2010 1 Henrique Pinto Souza REGENERAÇÃO ÓSSEA GUIADA (ROG) COM MEMBRANAS ABSORVÍVEIS E NÃO-ABSORVÍVEIS Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Implantodontia da FUNORTE – Faculdades Unidas do Norte de Minas /SOEBRÁS, GAPO - Grupo de Apoio à Pesquisa, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Implantodontia. Orientadores: Prof. Dr. Rodrigo O.M.Marinho Prof. Dr. Marcelo Cavalcanti Gonçalves Montes Claros – MG. 2010 2 À minha esposa, Samira, sempre ao meu lado, compreendendo-me e ajudando-me a superar todas as dificuldades. À minha mãe, Érika, meu irmão, Diogo, pela força e incentivo que me foram dados por toda vida. A meu pai, Lívio, pelo amor que me dedicou. 3 AGRADECIMENTOS A todos os funcionários e dentistas que estão e àqueles que também estiveram comigo, minha eterna amizade. Aos amigos e mestres Dr. Ricardo Rios Elias, Dr. Rodrigo Marinho, Agnaldo Mendes, Dr. Marcelo Cavalcanti, e colaboradores, minha eterna gratidão pelo meu aprendizado. 4 RESUMO A sequela comum da extração é o colapso da tábua óssea alveolar, aumentando a perda, quando porções são fraturadas ou há avulsão traumática do elemento dentário. Surgem problemas anatômicos que são provocados pela ausência de tecido ósseo de suporte que forneça condições ideais para a reconstrução da arcada dentária e colocação dos implantes osseointegrados. Para a solução desses problemas obteve-se com a regeneração óssea guiada (ROG) previsibilidade e efetividade. Para tanto, foram usadas membranas absorvíveis e não-absorvíveis, que demonstraram repovoamento da área de perda de tecido ósseo Palavras-chave: Regeneração óssea guiada. Membranas absorvíveis - nãoabsorvíveis. 5 ABSTRACT The common extraction sequel is the break-down of alveolar osseous board, increasing the loss when parts are fractured or there is a traumatic avulsion of the dental element. Anatomic problems appear caused by the absence of supporting osseous tissue that gives ideal conditions for the reconstruction of dental arch and for placing osseous integrated implants. The solution of these problems was gotten by guided osseous regeneration (GOR) that gives foreseeability and effectiveness. For this reason absorbable and no absorbable membranes were used, what demonstrated repopulation of the area of loss of osseous tissue loss of osseous tissue. Key words: Guided osser regeneration. Absorbables – inbsorbables membranes. 6 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 Osteônios primário e secundário em osso cortical de eqüino ..... FIGURA 2 Após 6 semanas de cicatrização sem membrana, o defeito está totalmente preenchido por tecido conjuntivo frouxo ............. FIGURA 3 17 21 Secção transversal de uma membrana de e-PTFE projetada para ROG demonstra uma reação de corpo estranho mínima (FBR) ........................................................................................... FIGURA 4 Aumento computadorizado de microscopia eletrônica de varredura ..................................................................................... FIGURA 5 29 Uma membrana de e-PTFE (M) reforçada para fornecer boa resistência às características do abalo ........................................ FIGURA 7 28 Uma membrana de e-PTFE projetada para ROG da crista alveolar ........................................................................................ FIGURA 6 27 30 Membrana de e-PTFE utilizada para tratar um defeito criado cirurgicamente num macaco, mostra uma boa integração tecidual após 3 meses da coloração ........................................... FIGURA 8 31 A porção interna (I) demonstra aderência tecidual mínima e é oclusiva para a proteção do tecido conjuntivo fibroso e invasão bacteriana. [...] ............................................................................ FIGURA 9 32 Três configurações de membranas de e-PTFE formadas por duas partes permitem tratamento para ROG para uma grande amplitude d e defeitos da crista alveolar ..................................... FIGURA 10 Recobrimento localizado da crista utilizando uma membrana de e-PTFE (M) suportada por enxertos ósseos autógenos (G) ... FIGURA 11 33 33 Observe como a membrana foi cortada e sobreposta (seta) para permitir adaptação à curva do arco mandibular .................. 33 FIGURA 12 Remoção clínica de uma membrana de e-PTFE (M) .................. 34 FIGURA 13 Membrana degradável de poliéster utilizada para tratar um defeito periodontal criado cirurgicamente em modelo de cão ..... 34 7 LISTA DE REDUÇÕES eCP(VDF-TrFE)/BT- Cerâmica de titano de bário GTR – Regeneração tecidual guiada Ha-hidroxiapatia, PLA – Ácido polilático PGA – Ácido glicólico PLGA-poli(ácido lático-co-ácido glicólico PTFEe – Plitetrafluoretileno expandido PTFT – Politetrafluoretileno PTFEd – Politetrafluoretileno denso P(YDF-TFe)/BT-poli(vnildeno-trifluretileno ROG – Regeneração óssea guiada 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ............................................................................ 9 1.1 J US TI FI C A TI V A ........................................................................... 11 1.2 O B J E T I V O GE R A L ........................................................................ 12 1.3 O B J E T I V OS E S P E C Í FI C OS ............................................................. 12 2 METODOLOGI A.......................................................................... 14 3 ESTRUTURA ÓSSE A .................................................................. 15 3.1 I N TR O D U Ç Ã O ............................................................................. 15 3.1.1 Composição óssea ................................................................ 15 3.1.2 F OR M A Ç Ã O ÓS S E A ................................................................... 17 4 REGENERAÇ ÃO ÓSSE A ............................................................. 20 4.1 I N TR O D U Ç Ã O ............................................................................. 20 4.1.1 Regeneração óssea: um breve histórico .................................. 22 4.1.2 Reeneração óssea guiada (ROG) ........................................... 23 5 DISCUSS ÃO .............................................................................. 26 5.1 R E QU I S I T OS I N D I S P E N S Á V E I S N O US O DA S M E MB R A NA S ...................... 26 5.2 M E M B R A N A S A B S OR V Í V E I S E M E MB RA NA S NÃ O - A B S ORV Í V E I S : U M E S TU D O COMPARATIVO ............................................................................ 34 6 CONCLUS ÃO ............................................................................. 39 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 40 9 1 INTRODUÇÃO Quando um dente é extraído, inúmeras opções de tratamento podem ser oferecidas aos pacientes no intuito de restaurar a função e a estética perdidas com a ausência do elemento dentário. Dependendo da razão pela qual a extração foi efetuada e a técnica utilizada, a qualidade e quantidade de osso remanescente podem ficar comprometidas. Segundo Lekovic et al (1997), a extração dentária está diretamente ligada a deformidades da crista óssea alveolar, o que pode determinar problemas estéticos e funcionais, especialmente na reabilitação com próteses convencionais ou implanto-suportadas. O osso alveolar perdido ou danificado, em resposta à doença ou trauma, pode causar problemas terapêuticos no tratamento reabilitador. Está bem documentado, na literatura, que a causa primária de um defeito de crista é a perda óssea traumática, ocorrida durante o ato cirúrgico. No entanto, outras etiologias podem também estar associadas, como avançada perda óssea em função da doença periodontal, fratura radicular extensiva lesão cariosa, lesões periapicais, formação de abscessos, injúria traumática e perda de estabilidade do coágulo sanguíneo. Para Atwood (1963), a redução das cristas ósseas alveolares ocorre em duas fases, sendo que, inicialmente, após a extração dentária, há um estreitamento no sentido vestíbulo-lingual e, em seguida, a progressão do processo de reabsorção contínua fazendo com que a crista óssea apresente um aspecto plano ou mesmo desapareça. Os mecanismos biológicos que ocorrem após a extração dentária e que envolvem o reparo tecidual podem ser resumidos como uma cadeia de eventos em que no 4º. dia, após a extração, já é possível verificar a presença de um tecido conjuntivo imaturo, em conjunto com um acelerado processo de epitelização, enquanto que, no 7º. dia, nota-se, na base do alvéolo, um tecido osteóide. Após quatro semanas, pós-extração, dois terços do alvéolo estão preenchidos por um osso imaturo, recém-formado. É comum, após a extração dos dentes anteriores maxilares com a presença de uma tábua óssea vestibular intacta, uma reabsorção residual da crista óssea alveolar, que resulta, principalmente, de fatores locais, como por exemplo, a pressão exercida por próteses e também por fatores sistêmicos. Essa formação óssea, nos alvéolos, acontece de forma centrípeta, das paredes laterais em direção ao centro, ao longo de uma densa rede de fibras de colágeno. A 10 proliferação e invaginação dos tecidos moles resultam em defeito convexo no rebordo, abaixo do nível da crista óssea. Para evitar a formação deste defeito, o isolamento da ferida com membranas pode ser aplicado para impedir a invaginação do epitélio para dentro do alvéolo e favorecer a proliferação de células necessárias para a cicatrização. Este procedimento de utilização de membranas para potencializar a formação óssea é denominada regeneração óssea guiada (ROG). Uma raridade de membranas absorvíveis – colágeno, poligalactina, ácido polilático – e não-absorvíveis – politetrafluoretino (PTFE), PTFE não expandido (PTFEe) com reforço de titânio e malhas de titânio – têm sido aplicada nas cirurgias para preservação de alvéolos, com resultados clínicos satisfatórios. Com a introdução das membranas absorvíveis, o uso das membranas não-absorvíveis tem diminuído. Mesmo assim, as membranas de e-PTFE continuam sendo o padrão de referência em procedimentos de ROG (TRIPLETT, SCHOW. FIELD, 2001). Pereira et al. (2000) compararam o processo de reparação de defeitos tipo deiscência em cães, tratados com membranas absorvíveis de ácido poliláctico e membranas não-absorvíveis de e-PTFE, através de avaliação histológica e histométrica. Os defeitos foram tratados com membrana absorvível (PLA), com membrana não-absorvível (e-PTFE), com desbridamento da área do defeito, tendo alguns defeitos não sido tratados. Após três meses de reparação, os autores puderam concluir que ambas as membranas são efetivas para a formação de novo cemento. Além disso, as membranas absorvíveis promoveram uma maior formação óssea, quando comparada com as membranas não-absorvíveis. Avera et al.(1997) realizaram um estudo comparativo entre membrana absorvível e não absorvível em associação com técnica de levantamento de seio maxilar. Tanto as membranas de ePTFE como as de ácido poli-léctico (PLA) não causaram nenhuma complicação. Embora análises histomorfométricas não tenham sido realizadas, maior infiltração de tecido conjuntivo no material de enxerto foi observada nos casos em que foram usadas as membranas de PLA. A diferença não foi aparente clinicamente. Este aumento de tecido conjuntivo fibroso poderia ser resultante de dissolução precoce da membrana de PLA. Simion et al. (1999) compararam membranas absorvíveis de ácido poliláctico e ácido –glicólico (PLA/PGA) com membranas não-absorvíveis de e-PTFE, no tratamento de defeitos priimplantares, quando da colocação de implante imediato à 11 extração. Depois de seis meses, as membranas de e-PTFE foram consideradas mais efetivas, pois foi observada uma maior densidade e quantidade de osso neoformado. Sob as membranas de PLA/PGA, observou-se neoformação óssea, quando comparada com áreas sem tratamento, mas uma quantidade de osso regenerado pouco significativa, quando comparada com as membranas de e-PTFE. Petite (2000), utilizando membranas de colágeno com enxerto ósseo bovino mineralizado inorgânico, observou um preenchimento ósseo do defeito de 92%, e, quando utilizaram membranas de e-PTFE, o preenchimento ósseo foi reduzido para 78% do defeito. Este trabalho foi desenvolvido, no primeiro momento, com a revisão bilbiográfica sobre o assunto – a partir da prática clínica. No segundo momento, fezse a redação do texto. O trabalho obedeceu à seguinte ordem, por motivos didáticos que o trabalho requer: introdução, justificativa, objetivos (geral e específicos), metodologia. O primeiro capítulo que discorreu sobre a Estrutura Óssea, o segundo constitui na apresentação do método de osseointegração - Regeneração Óssea Guiada (ROG), considerando o método mais importante em implantodontodia e o terceiro capítulo Membrana absorvíveis e não-absorvíveis, além das referências bibliográficas, anexos, lista de reduções e conclusão. 1.1 J UST I FI C AT IV A A reabsorção alveolar, após a realização de cirurgias para extrações dentárias, é uma condição inerente ao processo cicatricial. Ocorre, principalmente, nos primeiros seis meses, seguida por uma remodelação gradual, que inclui, aproximadamente, 40% em altura e 60% em largura. Essa redução da parede alveolar em altura e largura parece ser progressiva e irreversível, o que pode levar a dificuldade na substituição de elementos perdidos por implantes osseointegrados, especialmente, na região anterior da maxila, onde o volume ósseo é importante, tanto por razões funcionais, como por razões estéticas. Assim, inúmeras técnicas são aplicadas para prevenir e corrigir essas alterações, tais como o uso de enxertos e substitutos ósseos e procedimentos regenerativos. A Regeneração Óssea Guiada (ROG) baseia-se no princípio de seletividade celular, utilizando barreiras biológicas para impedir a migração de 12 células epiteliais e guiar a proliferação de células osteogênicas. Classicamente, as membranas, tanto absorvíveis quanto as não-absorvíveis, são os procedimentos da ROG. Ambas são atualmente muito pesquisadas por serem membranas com diferentes porosidades e propriedades modificadas. A ROG é considerada um fenômeno de ósseo-integração, já há mais de 20 anos e está sendo procurada, constantemente, por vários profissionais da área odontológica que estão sempre inovando seus métodos. Dessa forma, optou-se por falar, neste trabalho, desta técnica, fazendo um estudo mais detalhado sobre as membranas não-absorvíveis. 1.2 O BJET IV O GE R AL Promover a formação óssea por proteção contra uma invasão de tecidos competidores não esteogênicos, utilizando barreiras de membranas absorvíveis e não absorvíveis. Vale lembrar que as membranas protegem contra os fibroblastos competidores originários da mucosa gengival e a regeneração das mesmas deve ser de forma previsível, sem a presença de efeitos colaterais, de fácil manutenção, custo acessível e sucesso previsível. 1.3 O BJET IV OS ES PE CÍ FIC OS - Demonstrar, por meio de estudo, que é fundamental, para a regeneração óssea, membranas que sejam biocompatíveis e aceitáveis, uma vez que a interação entre o material e o tecido não deve afetar adversamente o tecido circundante, o resultado que se pretende obter na cicatrização ou na saúde do paciente. - Mostrar que o uso da membrana não-absorvíveis previne a invasão do tecido conjuntivo fibroso, no espaço adjacente ao osso, fornecendo algum grau de proteção à invasão bacteriana, se ocorre a exposição desta ao ambiente oral (propriedades oclusivas aceitáveis). - Mostrar que a membrana deve ser capaz de fornecer um espaço 13 aceitável no qual a regeneração óssea possa ocorrer. - Mostrar que o material de membrana mais utilizado e-PTFE (GoreTex) oferece mais segurança no procedimento ROG, uma vez que a molécula de fluocarbono, politetrafluo-retileno – base química em condições fisiológicas. É preciso que haja uma composição química aceitável e uma estrutura apropriada que permita o crescimento do tecido conjuntivo ou a inserção à membrana durante a cicatrização. - Mostrar que membranas porosas permitem a transferência de nutrientes fluidos e gasosos, clinicamente importantes, podem melhorar o ambiente para a regeneração óssea. 14 2 METODOLOGI A O primeiro procedimento para realizar este trabalho foi de caráter teórico. Foi feita uma revisão bibliográfica a partir de leituras variadas como em livros sobre o assunto, dissertações, artigos monografias, etc. Contribuiu também no desenvolvimento desse trabalho minha experiência clínica. Após a leitura dos textos, foi feita a produção textual. 15 3 ESTRUTURA ÓSSE A 3.1 I NT R O DU ÇÃ O Para compreender regeneração óssea faz-se necessário descrever toda estrutura óssea, sua função e os fatores básicos para que se chegue ao objetivo deste trabalho que é discorrer sobre o processo de regeneração óssea guiada (ROG), utilizando membranas não-absorvíveis. 3.1.1 Composição óssea A estrutura óssea, do ponto de vista macroscópico, compõe-se de ossos longos e ossos curtos. Os ossos longos são subdivididos em regiões denominadas de epífises, metáfises e diáfases. Nas epífises e as metáfises, eles caracterizam-se por uma camada cortical compacta que circunda o corpo de bastonetes quanto em placa. Nas diáfases, o osso cortical torna-se mais fino e as trabéculas são substituídas por uma cavidade medular coesiva. Já em ossos curtos – os ossos das vértebras, o carpo e tarso – não há diáfases, e as metáfises estão unidas. As costelas, a mandíbula e certas partes do esqueleto também são constituídas de osso esponjoso circundados por uma camada cortical (BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 50). A estrutura mineralizada do osso é revestida por envoltórios de periósteo e de endósteo. Os canais vasculares, no interior do osso compacto, são continuações dos envoltórios de periósteo – envoltório endocortical ou harvesiano. Estes envoltórios englobam dois fatores importantes, o potencial osteogênico e a vascularização abundante, permitindo a eles participar das atividades modeladoras e remodeladoras como também no reparo ósseo (BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 50). O periósteo, por sua vez, envolve a superfície externa dos ossos, com exceção das superfícies articulares, do tendão e das inserções ligamentares. Sua estrutura varia desde delicadas lâminas do tecido conjuntivo frouxo a membranas fibrosas densas. As células osteoprogenitoras estão localizadas, em geral, nas vizinhanças dos vãos sanguíneos, perto de uma superfície óssea. As células do 16 endósteo pertencem ao estroma da medula óssea ou são derivadas de osteoblastos latentes, os quais constituem a fonte principal das células basais, nos canais corticais (SCHENK et al., 1992, p. 23-32). De acordo com a estrutura microscópica do osso, tendo como base as fibrilas de colágeno, há três tipos de tecidos: osso embrionário, osso lamelar e um tipo intermediário – o osso primário com fibras paralelas. Esta textura das fibrilas de colágeno foi analisada inicialmente sob a luz polarizada e, posteriormente, por microcospia eletrônica. O osso embrionário é caracterizado por um maior número e maiores osteócitos e por sua alta densidade mineral. Suas fibrilas de colágenos são orientadas de maneira aleatória e amorfa. Ele é formado predominantemente no embrião e em crianças em crescimento e, mais tarde, é substituído por um osso lamelar. No adulto, ele reaparece, quando há formação óssea acelerada (BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 52). O osso lamelar é caracterizado por fibrilas de colágeno, dispostas paralelamente em camadas de 3 a 5 cm de largura. Elas modificam-se de lamela a lamela. O delineamento exato das lamelas, contudo, ainda está em questionamento. Já, o osso primário com fibras paralelas assemelha-se com as propriedades fisiológicas do osso embrionário. Ele é formado nos estágios iniciais da formação óssea e durante a aposição óssea do periósteo. Suas fibrilas de colágeno dispõem paralelamente à superfície, mas são organizadas em moldes lamelares. Quanto a composição química do osso, sabe-se que ele consiste em cerca de 65% de mineral (principalmente hidroxiapatita), 25% de matriz orgânica e 10% de água. O colágeno representa cerca de 90% (peso seco) de fase orgânica, os 10% restantes consistem de proteoglicanos de pequeno peso molecular e proteína não colágenas. Entre estes, é notável a osteocalcina (proteína –Gla) que é específica para o osso. Ela é sintetizada por osteoblasto e sua concentração no soro parece refletir a formação óssea. 17 FIGURA 1 - Osteônios primário e secundário em osso cortical de eqüino. Na luz polarizada, o osteônio secundário (fundo à esquerda) revela um padrão de lamela nitidamente seccionada. A parede do osteônio primário é formada de osso primário com fibras dispostas paralelamente, com menor birrefringência. Aumento de 125 x. Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 52. 3.1.2 F OR M A Ç Ã O ÓS S E A A formação óssea sempre inicia-se por depósito da matriz osteóide que, subsequentemente, mineraliza-se. O osso embrionário é formado mais rapidamente que o osso lamelar, e o intervalo entre o depósito de matriz osteóide e a mineralização é curto. Ele forma pontes ou bastonestes, que estão ao meio ou ao redor de vasos sanguíneos e, portanto, é capaz de crescer rapidamente e cobrir espaços em um período relativamente curto. Sua mineralização é iniciada por visículas de matriz – esféricas, corpos limitados de membrana com diâmetros de 100 a 200mm. Elas são rompidas pelo processo citoplasmático (BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 53). O osso lamelar tem sua formação lenta. O depósito ordenado das fibrilas de colágeno restringe a média linear da produção de matriz osteóide em cerca de 1 a 2 µm/dia. Ela requer uma superfície relativamente plana, sobre a qual as fibras colágenas podem ser depositadas em camadas paralelas e/ou concêntricas. O osso lamelar não é capaz de construir pontes ou feixes. Sua mineralização ocorre ao longo de uma calcificação frontal, nitidamente delineada, separada pela interface osteoblasto – osso formado por uma camada osteóide. Vale lembrar que uma mineralização ativa frontal exibe algumas propriedades de coloração peculiar e, acima de tudo, absorve e liga permanentemente um número de substâncias para o crescimento de cristais de apatita (BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 53). Já, as vesículas de matriz são raramente observadas na mineralização de esteóide lamelar. Até este estágio, nenhum outro elemento estrutural, além do 18 colágeno, foi encontrado para ser capaz de assumir esse papel, uma vez que uma mineralização satisfatória necessita de uma adequada concentração de íons (cálcio e fostato) da presença de uma matriz capaz de se calcificar, de agentes nucleadores e o controle por reguladores, exemplo: ativadores e outros componentes (BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 55). Quanto à reabsorção óssea, os osteoclastos – células gigantes, especializadas em de compor matrizes calcificadas (osso, dentina, esmalte, cartilagem calcificada) aderem-se à superfície óssea e produzem depressões lacunares denominadas de lacunas de Howship. A região marginal do osteoclasto (zona clara, parte seladora), adere-se à superfície mineralizada e sela totalmente a câmara de reabsorção verdadeira. Na parte central, a superfície celular é ampliada por numerosas dobras citoplasmáticas formando uma borda irregular. A superfície dilatada da membrana libera íons de hidrogênio para a produção de ácidos. Após a dissolução do mineral, as fibrilas de colágeno expostas são degradadas por enzimas lisossomais e não- lisossomais. Segundo Buser, Dahlin e Schenk (1996), os osteoclastos desintegram-se e promovem o aumento das células mononucleares de destino e potencial desconhecidos. Finalizando este tópico, não se pode deixar de falar do desenvolvimento e do crescimento ósseos. Para a formação óssea dois pré-requisitos são indispensáveis: o suprimento vascular amplo e o suporte mecânico. Quanto ao suprimento vascular, sabe-se que os osteoblastos exercem suas atividades apenas nas proximidades adjacentes aos vasos sanguíneos. A redução de oxigênio parece alterar o código genético em direção ao tecido fibroso e fibrocartilaginoso. Já, o suporte mecânico diz respeito à elaboração de um tecido ósseo que seja altamente organizado e tenha uma superfície mecanicamente estável e que ele seja depositado em uma base sólida. Na ossificação direta ou intramembranosa, o tecido conjuntivo serve de molde para a deposição óssea. Durante a ossificação indireta ou condral, a cartilagem forma um modelo e, após sua calcificação, serve como base sólida que é, primeiramente, coberta e depois substituída por osso (BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 56). Vale lembrar que, durante o desenvolvimento embrionário, a forma do osso é elaborada, quer diretamente ou via modelo cartilaginoso. Após o período de crescimento fetal e pós-natal, os ossos passam por três alterações: crescimento em largura e diâmetro, refinamento da forma por meio da modelagem por periósteo e 19 endósteo e, finalmente, remodelagem (renovação e substituição do tecido ósseo). Durante estas fases, há uma íntima relação entre células ósseas e vasos sanguíneos, exercendo grande influência no padrão do suprimento vascular. 20 4 REGENERAÇ ÃO ÓSSE A 4.1 I NT R O DU ÇÃ O Sabe-se que, entre os tecidos altamente organizados, o osso é o que apresenta um grande potencial de reconstrução na sua estrutura original. Ele é formado direta ou primariamente, em condições estáveis. Para isso, é necessário que o suprimento sanguíneo e a base sólida para deposição óssea sejam mantidos de forma adequada, como já foi dito no capítulo anterior. Entretanto, nem sempre isto acontece, devido a uma série de fatores relacionados à própria condição que os elementos dentários apresentam, tais como: volume do elemento dentário, posição de rebordo, quantidade e qualidade óssea ao redor do dente, presença de reabsorções das paredes alveolares devido à doença periodontal, presença de fenestrações ósseas, entre outros fatores. Inicialmente, o princípio da regeneração tecidual guiada (GTR) com o intuito de regenerar tecidos periodontais perdidos, resultantes de doença periodontal inflamatória, consistia em excluir células não desejáveis, no repovoamento da área da ferida, por meio das barreiras de membrana, favorecendo a proliferação de células teciduais definidas para obtenção da cicatrização da ferida com um tipo de tecido desejável (DAHLIN, 1996, p. 32). Essa possibilidade permitia uma nova inserção de fibras do tecido conjuntivo e uma neoformação de cemento, pela exclusão da proliferação do epitélio dentogengival e do tecido conjuntivo gengival, na área da ferida adjacente à superfície radicular, criando um espaço entre as superfícies internas a membrana e radicular, o que acarretava o crescimento coronal de células do ligamento periodontal. Isso foi provado ser um sucesso total na regeneração de um novo dispositivo ligamentar (DAHLIN, 1996, p. 33). Essa barreira mecânica, utilizada em cirurgia reconstrutiva e em regeneração neural, data desde 1950. Em 1956 e 1959, Campbell, Bassett e Hurley, respectivamente, usavam filtros de acetato de celulose microporosos para a regeneração de tendão e de nervo. Murray, Tolden e Roachlau, em 1957, também utilizaram técnica do direcionamento ósseo do hospedeiro, no interior de um defeito particular. Para tanto, foram necessárias três condições para o neocrescimento 21 ósseo: a presença do coágulo sanguíneo, osteoblastos preservados e contato com o tecido vital. Já, Melcher e Dreyer (1962), por meio de experiência com um rato, cujo defeito no fêmur fora cicatrizado, após cada coágulo sanguíneo ser protegido por uma cobertura plástica ou orgânica. Eles concluíram que a função desta cobertura é dupla: primeiro, porque protege o hematoma da invasão de estruturas não estogênica e segundo, porque direciona o tamanho do hematoma, prevenindo sua distorção pela pressão dos tecidos adjacentes. Foi ainda demonstrado que a colocação de filtros de acetato de celulose pode melhorar a regeneração de defeitos alveolares em cães. Esses filtros são usados clinicamente como revestimento de estruturas metálicas, preenchidas como osso e medula óssea autógena para a restauração de defeitos na mandíbula (DAHLIN, 1996, p. 36). O uso de meios físicos para o selamento total de um local anatômico – local onde o osso está planejado para ser neoformafo – para prevenir que outros, principalmente o tecido conjuntivo frouxo, interfira na osteogênese, bem como o melhor material de membrana o plotetrafluoretileno expandido (e-PTFE) – Gore-Tex, W.L. Gore, Flagstaff, AZ. Em barreira mecânica de crescimento celular do tecido fibroso, no interior de defeitos ósseos bilateral em suas mandíbulas resultou em reparo ósseo completo, no local testado, como também a grande importância deste obstáculo contra a proliferação do tecido conjuntivo frouxo, durante a cicatrização óssea (DAHLIN, 1996, p. 35). FIGURA 2 - Após 6 semanas de cicatrização sem membrana, o defeito está totalmente preenchido por tecido conjuntivo frouxo. Apenas uma menor aposição de tecido ósseo neoformado foi observada próximo das margens do defeito (setas indicando a margem original do defeito ct = tecido conjuntivo). Coloração por Hematoxilina e Eosina; aumento original, 125 X. Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 37. 22 4.1.1 Regeneração óssea: um breve histórico Diversas pesquisas têm direcionado esforços na busca da regeneração óssea capazes de melhorar a osseointegração e a estabilidade de implantes dentais em regiões anatômicas desfavoráveis. Um defeito ósseo periodontal, que não pode ser reparado/regenerado pelo próprio organismo, necessita de manobras clínicas capazes de devolver a ele a anatomia e as funções perdidas. Várias técnicas regenerativas têm esse objetivo. Elas correspondem a formas de tratamento que visam reproduzir ou reconstruir parte perdida ou injuriada dos tecidos periodontais pela doença periodontal, de tal maneira que a função dessas estruturas seja restabelecida. Entretanto, segundo Dahlin (1996, p. 3) a reconstrução de grandes deficiências esqueléticas representa um problema de desafiante para os profissionais envolvidos nas áreas de cirurgias e ortopedia. Segundo o autor, um dos obstáculos principal para o sucesso do reparo ósseo e para a neoformação óssea é a rápida formação do tecido conjuntivo frouxo. O crescimento de tecido mole pode perturbar ou impedir totalmente a osteogênese em um defeito ou em uma área de reparo. Os mecanismos que atuam na influência do tecido conjuntivo frouxo sobre a osteogênese ainda não estão totalmente conhecidos. Experimentos in vitro demonstraram que os fibroblastos produzem um espaço ou mais fatores solúveis, inibidores da diferenciação de células ósseas e osteogênese. Outro argumento a este respeito é o de que a ocorrência da não-união óssea pode ser devido a uma falha das células que estão presentes para calcificar a matriz, talvez causada pela ausência de crescimento ósseo adequado, derivado dos fatores de crescimento e diferenciação em grandes defeitos ósseos (DAHLIN apud SCHMITZ et al, 2000, p. 199). Há, ainda, uma outra situação problemática que se refere à mandíbula e dentada atrófica. Segundo Dahlin (1996), podem ocorrer problemas significativos, mesmo sabendo que pacientes parcial ou totalmente edentados podem ter sucesso total com próteses ancoradas no osso mandibular. Sabe-se que o uso de implantes orais deve ter como requisito uma quantidade de osso suficiente para cobri-lo totalmente, permitindo que este suporte uma restauração protética fixa. Havendo uma quantidade menor de osso, horizontal ou vertical, é possível que o processo alveolar estreito ou com concavidade por vestibular possa resultar na exposição de 23 roscas na crista alveolar ou fenestração óssea. Se há restrições anatômicas, tal como a cavidade nasal, o seio maxilar e o nervo alveolar inferior, em combinação com pouca quantidade de osso, essas podem resultar em uma fixação de implantes menos vantajosa, comprometendo o resultado final. Dessa forma, mesmo havendo uma série de restrições para a reconstrução óssea oral, vários métodos são ainda utilizados, na tentativa de resolver esses problemas, entre eles, os mais comuns, como a coleta de implantação de osso autógeno fresco, a implantação de osso em pó ou vários enxertos alógenos, os implantes de osso em pó desmineralizado e a regeneração óssea guiada (ROG). Todos usando técnicas da membrana como procedimento regenerador em cicatrização óssea. Este último procedimento, que você vai utilizar as membranas não-absorvíveis é objeto deste estudo. 4.1.2 Reeneração óssea guiada (ROG) Entre estas técnicas regenerativas está a regeneração óssea guiada (ROG). Ela baseia-se na criação de um espaço segregado para invasão de vasos sanguíneos e células osteoprogenitoras, que protegem a reparação óssea contra o crescimento de tecidos não osteogênicos que possuem velocidade de migração maior que as células osteogênicas. As barreiras de membranas devem possuir características que conduzem requisitos biológicos, mecânicos e de uso clínico para serviram como barreira contra a invasão celular indesejável. A aplicação simultânea de barreiras de membrana, em tratamento de defeitos ósseos periimplantares, possibilita uma neoformação óssea com prognóstico significante. É preciso lembrar também que o uso de membranas como um acessório para técnicas de enxerto ósseo promove ainda maior previsibilidade nas reconstruções alveolares e periimplantares. A regeneração óssea guiada (ROG) estabelece que o posicionamento e a estabilização da membrana para separar o tecido mole do tecido ósseo e implante, produzem em espaço que serve de arcabouço, impedindo a infiltração de células do tecido epitelial e do tecido conjuntivo. Isso permite que as células ósseas e outras células, necessárias e presentes, possam repovoar a área, multiplicar-se e preencher a região. 24 Assim, a ação estabilizadora da membrana permite que a ação mecânica, que atua no retalho, seja aplicada na própria membrana, livrando o coágulo dos movimentos (micromovimentos de 10 a 20 (m) – que, durante os estágios iniciais de cicatrização da ferida – são suficientes para desviar a diferença de células mesenquinais em fibroblastos, ao invés de osteoblastos. A membrana deve impedir a infiltração epitelial para a região da deiscência ou fenestração óssea. (SALONEN; PERSSON, 1990, p. 215-21). Na Odontologia, a principal utilização da técnica de RTG compreende as lesões periodontais, entre elas as de comprometimento de furca, as infraósseas e os procedimentos cirúrgicos combinados à cirurgia parendodôntica. Com base no princípio da técnica de RTG , surgiu a regeneração óssea guiada (ROG), que é indicada, principalmente, para fechamento de defeito ósseo alveolar, alargamento ou aumento de rebordo alveolar, deiscência e fenestração ósseas alveolares, associadas a implantes bucais, instalação de implantes imediatos, após a extração de um dente, entre outros. (LUNDGREN et al., 1992, p.257-60; NOVAES; NOVAES JÚNIOR, 2003, p. 266-302). Quanto às vantagens das técnicas regenerativas, sabese que os procedimentos com membranas absorvíveis têm a vantagem que é: o seu uso elimina uma segunda cirurgia – necessária para sua remoção – assim como um trauma para os novos tecidos formados. Em geral, essas membranas são as colágenas, de dura-máter, de copolímeros de glicose e lactose, de ácido polilático e poliuretano (LINDHE, 2005). Já, em implantodontia, em que o segundo momento cirúrgico é necessário, a remoção de uma membrana não-absorvível pode ser viável, sem maiores prejuízos ao leito receptor. Além disso, e membrana não-absorvível pode garantir, de forma mais eficaz, a manutenção do espaço regenerativo e de volume tecidual, já que não é degradado pelo organismo. Apesar das diferenças entre as membranas absorvíveis e não-absorvíveis, alguns estudos não demonstram diferenças significativas entre elas. (CAFESSE et al., 1997, p. 747-52) No entanto, alguns experimentos in vivo permitem conhecer a resposta dos tecidos locais às técnicas regenerativas. Em estudos com animais para verificação da técnica de ROG foram encontrados resultados satisfatórios e não satisfatórios. Segundo Bartee e Carr (1995, p. 88-95), ao avaliarem defeitos transósseos criados cirurgicamente, nos ângulos mandibulares de 12 ratos, tratados com membranas não-absorvíveis de Teflon (PTFE), observaram que houve 25 melhores resultados na utilização desta membrana, após 10 semanas de cicatrização, quando se comparou ao grupo controle. Defeitos ósseos bilaterais, realizados na calvária de ratos, também foram tratados calvária em três diferentes tipos de membranas – politetrafluoretileno expandido (PTFEe); politetrafluoretileno denso (PTFEd) e membrana absorvível de ácido polilático. A análise histológica demonstrou que a membrana de PTFE óssea estava associada a maior neoformação óssea, na segunda semana e a membrana de ácido polilático na quarta semana. Os autores concluíram que a membrana PTFEd permitiu a regeneração óssea, sendo fácil a sua remoção, no pós-cirúrgico, além de ter apresentado baixo custo. Esse tipo de experimentação permitiu também verificar que há uma ligação maior com a aplicação profissional prática, além de ser um passo importante para a validação de materiais potencialmente eficazes clinicamente. (BARTEE; CARR 1995). Todavia, num outro grupo, não foram encontrados nichos de crescimento ósseo relacionado à película empregada. Embora, em ambos experimentos, tenha havido processo inflamatório agudo e crônico generalizado, segundo os autores, os resultados demonstraram biocompatibilidade das membranas. Para eles, um dos problemas relativos ao uso da membrana sozinha é a dificuldade de manter o espaço regenerativo no defeito. A manutenção do espaço é um aspecto particularmente importante nos processos de degeneração tecidual guiada. Para Caton et al (1992, p. 266-7), num estudo no qual se verificou pouca ou nenhuma regeneração periodontal, pouca ou nenhuma regeneração periodontal, deve-se ao colobamento da membrana sobre os defeitos infraósseos criados cirurgicamente. Vale lembrar que a perda de volume tecidual, às vezes, leva ao comprometimento da estética facial, que, por sua vez, pode influenciar até mesmo a parte emocional do paciente. (YURI, 2207, p. 205-15) Segundo o autor, isto pode ocorrer, quando o material enxertado sob a membrana desloca do sítio cirúrgico, por perda da estabilidade, comprometendo a técnica de regeneração óssea guiada (ROG). Enfim, de acordo com a literatura, as características necessárias para uma membrana promover o ROG são a biocompatibilidade, a inerência, a atoxicidade e estrutura e resistência adequadas. Como perspectiva para outros estudos, é imprescindível que haja melhora das propriedades físicas de películas alternativas utilizadas. 26 5 DISCUSS ÃO 5.1 R E QU I S I T OS I N D I S P E N S Á V E I S N O US O DAS M E M BR AN AS Com os implantes osseointegrados, surge uma nova alternativa para reabilitação de áreas edêntulas. Porém, muitos pacientes não possuem quantidade óssea suficiente para a colocação dos implantes, nem posição adequada, o que compromete o aspecto estético e funcional da reabilitação protética. Para resolver estes problemas, a regeneração óssea guiada tem promovido a neoformação óssea pela exclusão de tecido conjuntivo da área do defeito ósseo por meio de membranas absorvíveis ou não-absorvíveis. As membranas devem possuir alguns requisitos indispensáveis para agir como barreira passiva, que são: apresentar biocompatibilidade, apresentar propriedades oclusivas aceitáveis, criar um espaço, haver integração tecidual e ser clinicamente manuseável. No que diz respeito à biocompatibilidade, sabe-se que esta é um requisito fundamental aceitável para qualquer dispositivo implantado na medicina. Para Williams (1981) ela é “[...] a condição da relação existente entre um biomaterial em meio fisiológico, sem afetar contra e significativamente o organismo, ou o ambiente do organismo afetar contra significativamente o material”. Isto quer dizer que os materiais degradáveis são realmente afetados pelo ambiente do organismo, mas que esta degradação não deve promover danos que ela seja segura, pois ela é uma das primeiras funções requisitadas, na categoria de biomateriais. É necessário, ainda, quanto ao requisito biocompatibilidade, verificar o material a ser implantado no paciente. As interações entre biomaterial-hospedeiro desempenham um papel crítico, na capacidade do procedimento realizar sua própria função ou funções. Assim, muitos procedimentos como implantes dentários, ancorados ao osso (osseointegração) e próteses vasculares dependem da interação específica e prévia entre biomaterial-hospedeiro para função a longo prazo. Entretanto, elas não devem interferir no andamento do procedimento para realização de suas funções próprias nem apresentar significante preocupação de segurança ao paciente. Testes padronizados para biocompatibilidade apropriados dependem do tipo de material e da aplicação clínica. Os clínicos devem estar cientes da extensão 27 a aplicabilidade dos mesmos numa estrutura que está disponível para uso clínico (HARDWICK et al, 1996, p. 104). Como já foi dito anteriormente, para os procedimentos em ROG, nos quais o requisito biocompatibilidade é de suma importância, o material mais utilizado é constituído por uma estrutura especialmente formada por politrefluoretileno expandido (e-PTFE; Gore-Tex Augmentation Material; W.L. Gore), cuja molécula de fluocarbono, politetrafluoretileno, não pode ser quebrada quimicamente em condições fisiológicas. Este material, após extensos testes de biocompatibilidade, mostrou muita segurança, daí seu uso efetivo em prótese vascular e de tecido mole. Ainda sobre biocompatibilidade, sabe-se que, no que se refere à resposta imunológica diante de um material estranho, diz respeito à hipersensibilidade direta ou indireta ao material implantado. Respostas antigênicas potentes devem ser consideradas na seleção dos materiais a serem implantados. Vale lembrar que materiais sintéticos, utilizados para implantes, não são normalmente considerados antígenos potentes, entretanto, alguns componentes de certos polímeros, geralmente monômeros residuais, podem provocar rações de hipersensibilidade. (HARWICK et al, 1996, p. 106). Vale lembrar que no tratamento de ROG, a função da membrana é criar um ambiente que permita um processo normal de cicatrização para formação de um osso em uma região definida. Assim, as interações entre biomaterial-hospedeiro não devem interferir na formação óssea nem com a manutenção de um nível clínico significativo. Isto se deve ao nível pelo qual o material pode interferir com a cicatrização óssea que se associa ao nível e à extensão de uma inflamação crônica observada com material particular. Uma membrana para ROG, que permite uma íntima adaptação ao tecido ósseo, irá permitir um preenchimento mais completo do espaço definido pela membrana e a estabilização no interior de todo o sistema. FIGURA 3 - Secção transversal de uma membrana de e-PTFE projetada para ROG demonstra uma reação de corpo estranho mínima (FBR). A FBR mínima garante que a interação hospedeiro-material não irá interferir com a osteogênese e é essencial para a integração tecidual. Coloração por H/E; ampliação original, 40 x. (Amostra clínica, cortesia do Dr. R. Ross). Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 107. 28 Quanto à integração tecidual, a biocompatibilidade é fator de muita importância, uma vez que as membranas utilizadas de ROG necessitam de um nível adequado de integração entre o tecido conjuntivo e a membrana. Para tanto, é necessário que o formato do material forneça uma composição química aceitável e uma estrutura apropriada que permitirá o crescimento do tecido conjuntivo ou a inserção à membrana, durante a cicatrização. FIGURA 4 - Aumento computadorizado de microscopia eletrônica de varredura demonstra fibroblastos (em azul) aderindo-se à superfície de uma membrana de e-PTFE para ROG. Eitrócitos (em vermelho) e leucócitos (em branco) estão também presentes. Aumento original de 4400 x. (Amostra clínica e seu preparo, cortesia dos Drs. P. Mattout e C. Mattout). Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 108. Outro requisito de grande importância para o uso da membrana é a oclusão. Foi a partir de experiência de reconstrução facial óssea (CAMPBELL; BASSETT; HURLEY, 1959) que se constatou que o uso de uma membrana microporosa poderia criar um ambiente para a esteogênese por exclusão de elementos do tecido conjuntivo da região da cicatrização óssea. Além disso, posteriormente (KARRING et al., 1985) concluíram que as células originárias do ligamento periodontal possuíam o potencial para formação de uma nova inserção de tecido conjuntivo – cemento neoformado com inserção de fibras colágenas – fixado a uma superfície da raiz coberta. E mais ainda: que o contato do tecido conjuntivo fibroso com a superfície radicular dos dentes resultou em reabsorção da dentina radicular. Ficou concluído que o uso de membranas foi para impedir tecidos indesejáveis (tecidos conjuntivo, fibroso e epitélio dentogengival) na participação de eventos de cicatrização adjacentes à superfície radicular de dentes. Baseados nestas pesquisas, selecionaram-se membranas ou outras estruturas com propriedades de oclusão celular, indiferente ao tipo de material para regeneração tecidual periodontal e tecidos ósseos orais. Embora estes eventos sejam muito significativos, houve controvérsias entre os autores. Uma necessidade biológica para uma membrana totalmente oclusiva não foi ainda claramente demonstrada, o que impossibilita ser aplicada ao formato de membrana para intensificar a função da 29 membrana para ROG. (DAHLIN, 1996 apud HARDWICK et al., 1996, p.110). No que diz respeito ao requisito criação de espaço, sabe-se que a regeneração óssea necessita, durante o tratamento, um volume específico de espaço, de preferência de geometria específica, que é preenchido com tecido ósseo viável para que seja restaurada a função ou estética. No tratamento por ROG, este espaço e geometria são definidos pelas bordas da matriz óssea pela membrana subjacente. Este espaço e geometria devem ser criados e mantidos por um período de tempo adequado, durante a cicatrização para que se tenham resultados aceitáveis. Além disso, a membrana para ROG não deve apenas suportar seu próprio peso, mas resistir à pressão exercida pelo tecido sobrejacente e as forças externas, como a mastigação, o que define, em parte o uso de uma membrana que tenha capacidade de suportar colapsos. (HARDWICK, et al., 1996, p.124) Uma membrana para ROG, para resistir ao colapso, deve ser determinada pela rigidez do material. Entretanto, a função da criação de espaço (dureza) de uma membrana deve ser equilibrada à capacidade de adaptação de membrana ao contorno do osso adjacente e a diminuição da tendência do material perfurar os tecidos moles delicados da cavidade oral. É preciso que haja lisura e flexibilidade das características da membrana. A membrana mais comum utilizada no tratamento para ROG tem a porção interna relativamente mais rígida que a externa, porção mais flexível. (HARDWICK et al., 1996, p. 125). FIGURA 5 - Uma membrana de e-PTFE projetada para ROG da crista alveolar, composta por duas porções, com diferentes propriedades estruturais (I = porção interna; O = porção externa). Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 123. Sabe-se ainda, quanto ao período da criação do espaço, que a formação de um osso embrionário inicia-se na superfície da matriz óssea e se prolonga em direção ao interior do osso. Esta formação depende da revascularização e do recrutamento de osteoblastos (SCHENK, 1992, pg. 166), mas somente a distância percorrida pela regeneração óssea determinará o tempo em que a membrana deve permanecer no local e funcionalmente intacta. E ainda, a manutenção da integridade 30 mecânica e física da membrana. Assim, material inerte (não degradável) com força suficiente para mantê-las, diante de uma presença mecânica normal, será capaz de manter capacidades totais na criação de um espaço, durante o período de cicatrização. Já os degradáveis, não se degradam instantaneamente, mas por um período de tempo e determinados inúmeros fatores. (SCHENK, 1992 apud BROWER et al., 1992, p. 166). FIGURA 6 - Uma membrana de e-PTFE (M) reforçada para fornecer boa resistência às características do abalo. Observe o defeito original da superfície (D), neoformação óssea (NB) e manutenção, pela membrana, a crista alveolar de forma arqueada. Um mini-parafuso de aço inoxidável foi utilizado para fixar a membrana ao osso (2 meses após a colocação da membrana). Coloração de azul de Toluidina; ampliação original, 2x. (Cortesia da fotomicrografia do Dr. R.K. Schenk). Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 127. O requisito integração tecidual refere-se aos fenômenos de crescimento e adesão superficial de um tecido a um biomaterial que dependem da superfície e da microestrutura para que ocorra a cicatrização. As membranas para ROG, que se integram aos tecidos circundantes, resultam de uma maior estabilidade mecânica ao ambiente de cicatrização da ferida e da capacidade e proteger o espaço preenchido pelo coágulo, caso a membrana esteja exposta, portanto, necessária para seu bom desempenho. Porém, as propriedades químicas e estruturais que promovem a integração tecidual devem estar ao mesmo alcance com os requisitos funcionais para regeneração, por exemplo, a necessidade de propriedades de abuso celular. (HARDWICK et al, 1996, p. 115). Entretanto, quando as fibras gengivocrestais são rompidas por doença, o epitélio – que forma um lacre estável na junção dente-epitélio-fibra gengivocrestais – migra rapidamente sobre o tecido conjuntivo-dente, em nível das fibras de inserção intacta, formando, assim, uma bolsa periodontal (inibição por contato (WINTER, 31 1974, p. 99) Sem a inserção do tecido conjuntivo, há extrusão do material pelo tecido, além de levar este local a uma propensão por invasão bacteriana e infecção devido à falta de uma situação estável e integrada na interface epitélio-tecido conjuntivo-biomaterial. (HARDWICK et al., 1996, p. 115) As membranas de e-PTFE, com porosidades diferentes para determinar a distância entre os poros para integração tecidual, estabilização da ferida e inibição por contato, promoveram melhores resultados, de acordo com estudos de Kon et al. (1991, p. 59). Os autores acharam melhores níveis de neoformação cementária com grupos que utilizaram malha de poliéster. É importante lembrar que qualquer membrana, para função ideal, deve ter características que permitam o estabelecimento de uma junção estável entre epitélio-tecido conjuntivo-membrana, no momento da exposição da membrana. Obtém-se a microestrutura da membrana que favorece o crescimento e a inserção do tecido conjuntivo, resultando na integração orientada do tecido conjuntivo genvival, que inibirá ou retardará a migração epitelial. (HARDWICK et al., 1996, p. 121). FIGURA 7 - Membrana de e-PTFE utilizada para tratar um defeito criado cirurgicamente num macaco, mostra uma boa integração tecidual após 3 meses da coloração. A migração epitelial (E) cessou na margem coronária da estrutura porosa (P), que está crescendo com o tecido conjuntivo. Observe a base do defeito (D) e a regeneração das estruturas periodontais sob a membrana. Coloração por H/E, ampliação original, 2,5x. Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 121. (Inserir figura 4.13, pg. 121) Quanto à cicatrização óssea, por ROG, além da membrana, é preciso incluir aí a manutenção e os eventos para cicatrização relacionados aos tecidos moles. Sem atenção adequada direcionada ao acesso cirúrgico e às interações da membrana com o tecido mole, os resultados podem ser comprometidos ou o procedimento pode falhar. Segundo os autores (CLAFEY et al, 1989, pg. 121) a 32 membrana e-PTFE muito porosa (poros>100µm), que permitiu integração em seus experimentos, forneceu suporte mecânico para os tecidos gengivais, durante a cicatrização de ferida periodontal. A porção externa da membrana tem distâncias internodal de 20 a 25 µm e tem estrutura de superfície que favorece a inserção do tecido conjuntivo. Foram demonstradas também, em experimentos e clínicas, que esta estrutura permite o crescimento do tecido conjuntivo nos interstícios do material e a inserção do material ao tecido conjuntivo. FIGURA 8 - A porção interna (I) demonstra aderência tecidual mínima e é oclusiva para a proteção do tecido conjuntivo fibroso e invasão bacteriana. A porção externa (O) é porosa para permitir a integração tecidual para estabilizar a ferida e limitar a formação de bolsa epitelial, no momento da exposição da membrana. A separação do tecido da porção interna ocorreu durante o processamento histológico devido ao grau mínimo de aderência à estrutura oclusiva. Coloração de tricrômico de Mallory; ampliação original, 10 x. (Cortesia da amostra clínica do Dr. R. Ross). Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 123. Por fim, os requisitos controle e manuseio clínico são procedimentos que são de grande importância no procedimento para ROG. O primeiro é determinado amplamente pela facilidade de manipulação cirúrgica e tratamento pós-operatório, uma vez que o sucesso e a eficácia de um procedimento regenerativo vão também depender deste controle. Já, o manuseio clínico depende de manipulações físicas como cortar, modelar, fixar em locais com suturas e parafusos. Apesar de uma variedade de configurações facilitar a colocação da membrana, cada caso é um caso. Em regra, deve-se cortar a membrana facilmente e esta deve ser manipulada sem atrapalhar o manuseio e sem esfiapar-se ou fragmentar-se. (HARDWICK et al., 1996. p. 128). 33 FIGURA 9 - Três configurações de membranas de e-PTFE formadas por duas partes permitem tratamento para ROG para uma grande amplitude d e defeitos da crista alveolar. Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 131. FIGURA 10 - Recobrimento localizado da crista utilizando uma membrana de ePTFE (M) suportada por enxertos ósseos autógenos (G). Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 131. FIGURA 11 - Observe como a membrana foi cortada e sobreposta (seta) para permitir adaptação à curva do arco mandibular. (Cortesia da fotografia clínica do Dr. D. Buser). Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 131. 34 FIGURA 12 - Remoção clínica de uma membrana de e-PTFE (M). A membrana foi elevada da superfície óssea (B) mas ainda não está completamente removida. A membrana deve ter suficiente integridade estrutural para permitir completa remoção. A facilidade da remoção deve ser comparada ao requisito de integração tecidual. (Cortesia da fotografia clínica do Dr. S. Jovanovic). Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 131. FIGURA 13 - Membrana degradável de poliéster utilizada para tratar um defeito periodontal criado cirurgicamente em modelo de cão. Observe a extensa recessão de tecido mole possivelmente devido à ausência de integração tecidual mole possivelmente devido à ausência de integração tecidual com a estrutura do material (30 dias após a colocação da membrana). Fonte: BUSER; DAHLIN; SCHENK, 1996, p. 131. 5.2 M E M B R A N A S A B S O R V Í V E I S E M E M BRAN AS NÃ O - A BS O RV Í V E I S : UM E S T UD O COM P A R A TI V O Neste tópico, pretende-se descrever e comparar os dois tipos de membranas: as absorvíveis e as não-absorvíveis. Algumas informações já apareceram nos capítulos anteriores, o que não impede de repetí-las, uma vez que o propósito deste tópico é detalhar mais o conteúdo do tema, ora em abordagem. As primeiras membranas aplicadas em RTG eram não-absorvíveis e compostas por celulose (NYMAN et al., 1982) ou pelo polímero de politetrafluoretileno (PTFE) (BECKER et al., 1988). Entretanto, por apresentarem alta estabilidade em sistemas biológicos e não gerarem respostas imunológicas 35 (HÄMMERLE; JUNG, 2003) as membranas de PTFE são as mais utilizadas (DOWELL; MORAN, QUTEISH, 1991). Muitos relatos na literatura têm ratificado a eficácia destes materiais nos procedimentos de RTG (GOTTLOW; NYMAN; KARRING, 1992; LAURELL; GOTTLOW, 1998; WALTERS et.al., 2003; SALATA et al., 2003). Contudo, as membranas não-absorvíveis apresentam algumas desvantagens como necessidade de uma segunda intervenção cirúrgica para sua remoção, elevada taxa de exposição à cavidade oral devido à recessão gengival, desconforto para o paciente, elevado custo e infecções pós-operatórias (ELHARAR et al, 1998; SIMION et al., 1999).Com o objetivo de eliminar a necessidade de um segundo tempo cirúrgico para a remoção da membrana, diversos estudos têm sido conduzidos par a produção de membranas absorvíveis (TRIPLET, SCHOW. FIELD, 2001). Entre as membranas absorvíveis, as compostas de colágeno são reconhecidas por sua biocompatibilidade e influência na atividade celular (OLIVER et al., 1982). Estudos em modelos animais e experimentos clínicos em humanos indicam que as membranas de colágenos são capazes de impedir a migração apical de células epiteliais e, assim, promover e regeneração dos tecidos periondontais (WANG et al, 1994; CHEN et al., 1995; WANG; MACNEIL, 1998). Além disso, o colágeno apresenta alguns aspectos positivos que o torna um excelente material para aplicado e, RTG, como função hemostética (STEINBERG, 1986), quimiotaxia para fibroblastos gengivais e do ligamento periodontal (POSTLETHWAITE; SEYER; KANG, 1978; YAFFE; EHRLICH; SHOSHAN, 1984) e baixa imunogenicidade (COPERMAN; MICHAEL, 1984; SCHLEGEL et al., 1997). Estudos têm demonstrado resultados significantes na redução da profundidade de sondagem e melhora nos níveis de inserção e preenchimento ósseo em defeitos periodontais infra-ósseos e lesões de furca, grau II, tratados com membranas de colágeno (CHUNG et al., 1990; VAN SWOL et al, 1993; AL-ARRAYED et al., 1995; MATTSON; MCLEY; JABRO, 1995; BENQUÉ et al., 1997). Apesar dos resultados favoráveis, as membranas de colágeno apresentam algumas limitações com baixa resistência mecânica e alta de degradação (HOCKERS et al., 1999). Assim, trabalhos têm sido realizados com o intuito de superar essas deficiências de colágeno, como o desenvolvimento de técnicas que promovam aumento do número de ligações cruzadas entre as fibras de colágenos (BUNYARATAVEJ; WANG, 2001). Rothmel et al. (2005) e Shwartz e Boyan (1994) demonstraram que o aumento destas ligações não interferem no 36 processo de integração da membrana aos tecidos adjacentes e são eficazes em retardar a degradação enzimática do colágeno. Estudos em humanos indicaram que membranas de colágeno com ligações cruzadas permaneceram íntegras por mais de seis meses após sua colocação, indicando sua aplicabilidade em RTG (FRIEDMANN et al., 2001; FRIEDMANN et al., 2002). Membranas sintéticas absorvíveis derivadas dos poli (α-hidroxi ácidos), uma classe de poliésteres alifáticos sintéticos da qual fazem parte o poli(ácido glicólico- PGA), o poli (ácido lático –PLA), o poli(ácido lático-co-ácidoglicólicoPLGA), poli(E-caprolactona-PCL) e seus copolímeros, também são amplamente utilizadas em RTG (TATAKIS; PROMSUDTHI; WIKESJO, 1999; BARBANTI; ZAVAGLIA; DUEK, 2005). As membranas sintéticas diferem das membranas de colágeno por seus aspectos físicos-químicos e pela forma de reabsorção. Enquanto os polímeros sintéticos sofrem hidrólise, o colágeno é degradado por atividade enzimática (HUTMACHER; HÜRZELER; SCHLIEPHAKE,1996). Joly et al. (2002) avaliaram, clínica e radiograficamente, o tratamento de defeitos infra-ósseos em caninos e pré-molares com membranas de PLA/PGA em relação à cirurgia convencional. Os autores notaram diferenças clínicas estatisticamente significantes entre os grupos em relação ao nível da margem gengival, profundidade de sondagem e nível do defeito ósseo. Contudo, em relação ao nível clínico de inserção, não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos avaliados. Radiograficamente, também foram observadas alterações na área e na densidade ótica dos defeitos tratados em RTG, quando comparados a cirurgia a retalho convencional. Em estudos com cães, Bogle et al. (1997) testaram a eficácia da membrana de PLA no tratamento de lesões de bifurcação grau II , em comparação à cirurgia convencional. A análise histológica indicou maior formação de cemento radicular e osso nas lesões recobertas com membrana de PLA. No grupo controle, notou-se formação de epitélio juncional longo. Enquanto o grupo experimental apresentou 71% de regeneração periodontal em relação ao defeito original, o grupo controle exibiu apenas 14%, demonstrando assim que o uso da membrana de PLA favorece a regeneração periodontal. Resultados similares foram observados por Hürzeler et al (1997). Neste trabalho, lesões de furca, grau II, foram tratadas com a membrana de PLGA. As lesões recobertas pelo retalho cirúrgico foram utilizadas como controle. 37 Clinicamente, a cicatrização foi semelhante entre dois grupos. Contudo, a análise histológica revelou formação de inserção conjuntiva e regeneração significante de cemento e osso alveolar, apenas em lesões recobertas pela membrana de PLGA. Os autores concluíram que a membrana de PLGA é eficaz no tratamento de leões de furca, grau II. Embora sejam eficazes em regenerar defeitos periodontais, as membranas absorvíveis sintéticas apresentam algumas limitações. Durante o processo de hidrólise, as membranas sintéticas perdem a integridade mecânica e fragmentam-se. A natureza física e a quantidade destes fragmentos podem interferir na resposta tecidual local. Além disso, alguns copolímeros e seus subprodutos desencadeiam reações inflamatórias que pode prejudicar o processo de regeneração (HARDWICK et al, 1996; TATAKIS, PROMSUDTHI, WIKESJO, 1999; TROMBOBELLI, 1999; SCHMITIZ et al.,2000; TRIPLETT, SCHOW. FIELD, 2001). Polimeni et al (2008), utilizando membranas de PLA em defeitos em calvária de ratos, observaram que os produtos de degradação da membrana de PLA produziram reações inflamatórias que interferiram negativamente no processo de regeneração óssea. Neste contexto, materiais compósitos têm sido introduzidos no estudo de RGT com o objetivo de minimizar os efeitos do meio fisiológico sobre as membranas absorvíveis. Estes materiais são, assim, denominados por apresentar uma fase predominante, denominada matriz e, por uma fase secundária, denominada carga (GIMENES, 2004). Elementos utilizados comocarga devem apresentar funções específicas, como, por exemplo, contribuir com o processo de regeneração tecidual, como a sílica, que apresenta efeitos benéficos à formação óssea (MAEDA: KASUGA, 2008) e a prata, por sua atividade antibacteriana (TOKUDA; OBATA; KASUGA, 2008). Outra tendência nesta área é a produção de compósitos polímeroscerâmica, que buscam associar as características mecânicas dos polímeros com a biocompatibilidade das cerâmicas (GIMENES, 2004). IGNATIUS et al (2001) demonstraram que a membrana de PLA, quando exposta ao ambiente fisiológico por 28 semanas, sobre degradação e perda de suas propriedade mecânicas. Por outro lado, as propriedades mecânicas do compósito de PLA/tricálcio-fosfato permaneceram constantes por oito semanas e não foram comprometidas até a 28ª. Liao et al. (2007), em estudo com o compósito de PGLA/colágeno/hidroxiapatita 38 carbonatada, observaram que, após a imersão em saliva artificial por quatro semanas, o material manteve sua integridade física e apresentou uma taxa de degradação mais lenta em relação à membrana de PGLA. Kikuchi et al. (2004) demonstraram que a membrana do compósito tricálcio-fosfato/ácido poli(láticoglicólico-caprolático) foi eficaz na regeneração de defeitos ósseos em mandíbulas da cães e preservar sua termoplasticidade e resistência, após exposição ao ambiente fisiológico por 12 semanas. Sui et al. (2007) demonstraram que a introdução de nonopartículas de hidroxiapatita (HA) no polímero de poli(l-ácido lático – PLLA) melhora consideravelmente suas propriedades mecânicas e aumenta sua área superficial de favorecer a adesão e o crescimento de osteoblastos da linhagem MG63. As cerâmicas de titanato de bário são reconhecidas por sua biocompatibilidade, visto que não geram respostas inflamatórias (reações de corpo estranho) e são capazes de se ligarem ao tecido ósseo (PARK et al, 1977; PARK et al 1981). Recentemente, pesquisadores do Instituto de Química de Araraquara, da Universidade Estadual Paulista, desenvolveram um compósito polímero-cerâmico, a partir da associação entre polímero de poli(vinildeno-trifluretileno) e a cerâmica de titanato de bário (P(VDF-TrFE)/BT) (GIMENES et al., 2004). Estudos iniciais realizados por Beloti et al .(2006) comprovaram a biocompatibilidade da membrana de (P(VDF-TrFE)/BT) em culturas de células osteoblásticas humanas. Contudo, considerando as estruturas que compõem o periodonto e os eventos necessários à sua cicatrização, mais estudos são necessários para avaliar as interações desta membrana com os tecidos envolvidos na regeneração periodontal. 39 6 CONCLUS ÃO A disponibilidade óssea é um fator fundamental no procedimento de implantes dentários em que o resultado protético assume um papel determinante, uma vez que a perda óssea acarreta problemas anatômicos e consequentemente não fornece condições ideais para a reconstrução dentária e colocação de implantes osseointegrados. Em busca de solução para esses problemas, obteve-se com a regeneração óssea guiada previsibilidade e efetividade para a reconstrução desta perda óssea a utilização de membranas não-absorvíveis, empregando o material politetrafluoretileno (PTFE). Para isso, faz-se necessário que esta membrana seja biocompatível e aceitável, pois a interação entre material e tecido não deve afetar adversamente o tecido circundante; que ela seja elemento de prevenção contra a invasão de tecido fibroso no espaço adjacente ao osso; que ela seja elemento de proteção à invasão bacteriana e, finalmente, que seja capaz de fornecer um espaço aceitável onde a regeneração óssea possa ocorrer. 40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AL- ARRAYED, F.; ADAM,S.; MORAN, J.; DOWELL, P. Clinical trial of cross-linked human type I collagen as a barrier material in surgical periodontal reatment. J Clin Periodontol., v. 22, n. 5, p. 371-9 , May.1195 ATWOOD, DM. Postextration changes in the Adult mandible as Illustred by Microradiografs of Mid sagital Sections and Serial. Cwphlometricroentgenograms. J. Prosthed dente, V. B p.810-824, 1963, AVERA, S.P.; STAMPLEY, W.A.; McLLISTER, B.S. 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