REFLETINDO SOBRE POLÍTICA
(julho de 2014)
Como muitos irmãos e irmãs esperam do Arcebispo uma orientação para votar bem,
com modéstia, exponho sucintamente o que me parece importante para o exercício da
cidadania através do voto livre consciente.
O que é voto livre?
É um ato de cidadania, responsável e consciente, na escolha de um cidadão candidato a servir o povo. O cidadão escolhe livremente outro cidadão em vista do Bem
Comum.
Para que votar?
Pelo voto, o eleitor pode escolher o melhor candidato para servir o povo. Pode impedir a ditadura de algum aventureiro, pessoa não preparada para o cargo ou de algum
partido inconveniente.
O que o cidadão deve levar em consideração ao exercer o seu direito de
votar?
Vamos usar uma palavra fácil na linguagem dos candidatos políticos e a partir dela
pontuar o que queremos ver acontecer em nossa sociedade.
A palavra chave é INVESTIMENTO
Investir na pessoa que nasce em uma família. Cultivar os valores família e
pessoa. Revitalizar a família com seus valores humanos de ternura, respeito,
capacitar para o diálogo e o perdão. Investir nos formadores de opinião para
que possam colaborar na formação ética e moral das pessoas. Investir nos
professores e escolas para que sejam parceiros na formação dos cidadãos
ajudando-os a alicerçarem suas convicções em princípios norteadores da vida
e cidadania. Investir na mídia para que comunique valores aos cidadãos e à
família e seja parceira das escolas. Cuidar da saúde da pessoa em todas as
etapas da vida. Investir na mobilidade urbana e nas estradas como instrumentos que facilitem a vida dos cidadãos no seu direito de ir e vir e no aprendizado
constante dos direitos e deveres no trânsito. Investir na segurança do cidadão,
residência, ruas, vilas e estradas.
Uma sociedade que desenvolve valores humanos e cristãos vai conquistando o que tanto deseja: a paz. Para isso precisa de INVESTIMENTO.
A Igreja acredita e ensina que tanto o eleitor quanto o candidato devam ter
como pilares os seguintes princípios:
1. A dignidade do ser humano.
2. A igualdade do ser humano nos seus direitos e deveres.
3. A subsidiariedade.
4. O bem comum.
Na hora de votar você saberá escolher o cidadão candidato que der exemplo de vida
destes princípios e cujo projeto de governo contemple investimentos para realizá-los.
Se o candidato já exerceu algum mandato ou serviço público no passado será aconselhável verificar se ele observou estes quatro princípios fundamentais. Portanto: Por uma Sociedade Justa e Fraterna é absolutamente necessário INVESTIR.
Recomendações
1. A Igreja não tem partido. Isso significa que nenhum candidato pode apresentar-se como representante da Igreja.
2. Os leigos candidatos jamais poderão usar do serviço que a Igreja lhes confiou
para se promoverem politicamente ou fazerem propaganda de seus candidatos.
3. Jamais se utilizem do Culto Litúrgico para promover alguém a algum cargo
político.
4. Não usem emblemas, ou qualquer tipo de propaganda, em favor de algum
candidato no recinto da Igreja.
5. Presbiteros, Díaconos Permanentes e animadores de comunidade não podem
no exercício do serviço ministerial, fazer qualquer propaganda ou apresentar
algum candidato a comunidade fé.
6. O Presbítero, diante da Comunidade Eclesial celebrativa, é homem de comunhão. Tem a missão de unir a todos na mesma fé, presidindo dignamente a
Celebração Litúrgica. Por isso, ele está impedido de assumir qualquer facção
político-partidária.
7. Se o pároco julgar oportuno poderá promover debates no salão paroquial, obedecendo as regras que o Tribunal Eleitoral estabelece. Fora das celebrações,
em particular, qualquer padre, como cidadão livre que é, tem todo direito de
escolher seus candidatos e aconselhar as pessoas que pedirem orientação.
8. Peço aos padres que não entrem em campanhas públicas, como em caminhões e outros veículos em defesa e propaganda de algum político.
9. Tomem cuidado para não se deixar vincular com políticos que contradizem a
nossa pregação dos valores cristãos.
10.Fique claro a todos os irmãos e irmãs: nem os presbíteros, nem os diáconos
poderão se candidatar a algum cargo político em nossa Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo. Qualquer desobediência neste sentido será motivo de
advertência. Insistir na desobediência levará ao impedimento do exercício do
ministério eclesiástico.
11.Os religiosos não clérigos estão sujeitos à legislação de suas respectivas Famílias Religiosas, como também da Arquidiocese.
Deus abençoe a todos e Nossa Senhora das Alegrias, a Virgem da Penha, nos ensine cada dia a vivermos a nossa identidade cristã.
Nos Sagrados Corações,
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Dom Luiz Mancilha Vilela, ss.cc.
Arcebispo Metropolitano
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