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TECNOLOGIA E COMERCIALIZAÇÃO DE SEMENTES FLORESTAIS: ASPECTOS
GERAIS
FLORES, A. V. 1
ATAÍDE, G. M. 1
BORGES, E. E. L. 1
SILVEIRA, B. D da 2
PEREIRA, M. D. 3
Resumo: Estudos sobre a propagação das espécies
florestais nativas são de fundamental importância para
o conhecimento de sua reprodução, possibilitando o
uso e manejo adequados para os mais diversos fins.
As etapas de colheita, secagem, beneficiamento e
armazenamento, se realizadas de forma apropriada,
são fatores primordiais para a obtenção de sementes
florestais de alta qualidade e vigor, de forma a
viabilizar a renovação da vegetação, recuperar áreas
degradadas, estabelecer bancos de germoplasma e em
programas de melhoramento. Dessa forma, o objetivo
deste trabalho foi fazer uma revisão bibliográfica
sobre a tecnologia e comercialização de sementes
florestais, visando elucidar os meios utilizados para
manter maiores períodos de conservação e qualidade
fisiológica das sementes.
Termos para indexação: tecnologia de
sementes, conservação, qualidade fisiológica.
TECHNOLOGY AND MARKETING OF FOREST
SEEDS: GENERAL ASPECTS
abstract: Studies on the propagation of native
tree species are fundamental for the understanding of
its reproduction, allowing the use and management
appropriate for different purposes. The steps of
harvesting, drying, processing and storage, if
performed properly, are fundamental factors for
obtaining high quality tree seeds and place in order
to facilitate the renewal of vegetation, restoration
Universidade Federal de Viçosa – Departamento de Engenharia Florestal, Av.
Peter Henry Rolfs, s/n, 36570-000, Viçosa, MG, Brasil. andressafloressm@
yahoo.com.br; glaucianadam [email protected]; [email protected]
2
Universidade Federal do Pampa – Campus São Gabriel, Av. Antônio Trilha,
1847 , 97300-000, São Gabriel, RS, Brasil. [email protected]
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Informativo
ABRATES
of degraded areas, establish germplasm banks and in
breeding programs. Thus, the objective is to review
existing literature on technology and marketing of forest
seeds, to elucidate the means used to maintain longer
periods of storage and physiological quality of seeds.
Index terms: technology of seeds, conservation,
physiologic quality.
INTRODUÇÃO
Os desmatamentos, tanto para fins
agropecuários como para extração de matériaprima com finalidade de suprir as necessidades
da indústria, têm causado grande pressão sobre
os recursos florestais ao longo dos anos (Sena e
Gariglio, 2008). Esta devastação das florestas tem
gerado uma preocupação com as questões ambientais
e, como resultado desta apreensão, pode-se citar os
plantios com intuito de recuperação de ecossistemas
degradados, recomposição de matas ciliares e
reposição de reserva legal (Fowler e Martins, 2001).
Entretanto, a falta de sementes de boa
qualidade genética, principalmente de espécies
nativas, é um fator limitante para a produção de
mudas e, consequentemente, para a formação de
povoamentos florestais (Silva e Higa, 2006). A
qualidade das sementes produzidas é resultado
dos processos de colheita, secagem, extração,
beneficiamento e armazenamento. Essas etapas
devem ser realizadas de forma cuidadosa, conforme
Universidade do Estado de Minas Gerais – Departamento de Recursos
Naturais, Ciências e Tecnologia Ambientais, Av. Brasília, 1304, 35930314, Bairro Baú, João Monlevade, MG, Brasil. [email protected]
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vol.21, nº.3, 2011
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as particularidades de cada espécie, de maneira
a conferir aos lotes de sementes boa qualidade e
características apropriadas para a comercialização
(Silva et al., 1993; Binotto, 2004).
A produção de sementes de alta qualidade é
importante para qualquer programa de produção de
mudas para plantios comerciais e de reabilitação
de florestas, bem como para a conservação de
recursos genéticos. A produção de sementes de baixa
germinação significa perda de recurso financeiro,
e, sendo assim, as etapas de produção de sementes
devem ser planejadas para obtenção de sementes
com qualidade satisfatória e em quantidade suficiente
(Nogueira, 2002; Nogueira e Medeiros, 2007a).
Existem vários sistemas de colheita, extração,
secagem, beneficiamento e armazenamento de
sementes florestais, e dentre estes, o mais adequado
depende da espécie, da tecnologia disponível e
dos recursos a serem aplicados no processo. Neste
contexto, o objetivo deste trabalho foi realizar
uma revisão bibliográfica sobre os aspectos gerais
da tecnologia e comercialização de sementes de
espécies florestais, fornecendo um panorama sobre
as potencialidades e possibilidades da área.
Principais etapas para a produção de sementes
florestais
Colheita
As espécies arbóreas florestais apresentam seus
frutos maduros por períodos curtos de tempo, caindo
logo ao chão ou, quando deiscentes, liberando suas
sementes. Tais peculiaridades exigem do coletor
de sementes ações rápidas, objetivando a obtenção
da maior quantidade possível de sementes com as
qualidades esperadas (Fowler e Martins, 2001).
O sucesso da colheita depende de uma série de
fatores indispensáveis ao seu bom desempenho, tais
como: escolha da árvore matriz, época de maturação
dos frutos, características de dispersão e condições
climáticas durante o processo de colheita. Além
disso, depende também das condições físicas do
terreno e das características das árvores que irão
implicar na escolha dos materiais e equipamentos a
serem utilizados (Figliolia e Aguiar, 1993).
Os critérios a serem considerados para a escolha das
árvores matrizes estão sujeitos à designação que será
dada às árvores produzidas com as sementes colhidas.
Contudo, seja qual for o caso, a árvore matriz tem que
estar livre de pragas e doenças (Sena e Gariglio, 2008).
Informativo
ABRATES
Segundo Nogueira e Medeiros (2007a), quando
o objetivo é produção de madeira e outros produtos,
selecionam-se as melhores árvores matrizes, ou seja,
aquelas que apresentam características superiores. As
matrizes selecionadas para a produção de madeira
devem apresentar: fuste reto, maior diâmetro e
volume. Entretanto, algumas características são
comuns para todos os objetivos de produção, tais
como: boa condição fitossanitária, vigor e produção
de sementes. No caso da colheita de sementes para fins
de restauração ambiental devem-se considerar apenas
estes aspectos, não importando as características de
fuste, forma de copa e outros aspectos produtivos.
No âmbito da genética, é importante que as
sementes sejam colhidas de várias árvores. O número
de árvores matrizes depende do grupo ecológico da
espécie. Nogueira e Medeiros (2007a) recomendam
colher sementes em 3 a 4 populações, escolhendo ao
acaso 3 a 4 matrizes por população, distanciadas, no
mínimo, 100 m entre si, para as espécies pioneiras com
utilização em projetos de recuperação ambiental. Para
espécies secundárias, os autores sugerem selecionar 1
a 2 populações e escolher de 10 a 20 árvores matrizes
ao acaso em cada população, também distanciadas,
no mínimo, 100 m entre si.
Acolheita de sementes deve ocorrer preferencialmente
em populações naturais não perturbadas. Porém,
quando não for possível, a colheita deve ser realizada
em populações pequenas ou fragmentadas, evitando-se
colher sementes de árvores isoladas.
Também é recomendado evitar a colheita de todas as
sementes produzidas pelas árvores matrizes, permitindo,
assim, que a espécie possa continuar disseminando-se
de forma natural, além de garantir a sobrevivência dos
animais que delas se alimentam, sem alterar o equilíbrio
ecológico (Sena e Gariglio, 2008).
O Artigo 146 do Decreto n° 5.153, de 23 de julho
de 2004, caracteriza como áreas de produção de
sementes: Área Natural de Coleta de Sementes - ACSNS: população vegetal natural, sem necessidade de
marcação individual de matrizes, onde são coletadas
sementes ou outros materiais de propagação; Área
Natural de Coleta de Sementes com Matrizes
Marcadas - ACS-NM: população vegetal natural,
com marcação e registro individual de matrizes, das
quais são coletadas sementes ou outros materiais de
propagação; Área Alterada de Coleta de Sementes
- ACS-AS: população vegetal, nativa ou exótica,
natural antropizada ou plantada, onde são coletadas
sementes ou outros materiais de propagação, sem
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necessidade de marcação e registro individual de
matrizes; Área Alterada de Coleta de Sementes com
Matrizes Marcadas - ACS-AM: população vegetal,
nativa ou exótica, natural antropizada ou plantada,
com marcação e registro individual de matrizes,
das quais são coletadas sementes ou outro material
de propagação; Área de Coleta de Sementes com
Matrizes Selecionadas - ACS-MS: população vegetal,
nativa ou exótica, natural ou plantada, selecionada,
onde são coletadas sementes ou outro material de
propagação, de matrizes selecionadas, devendo-se
informar o critério de seleção; Área de Produção de
Sementes - APS: população vegetal, nativa ou exótica,
natural ou plantada, selecionada, isolada contra pólen
externo, onde são selecionadas matrizes, com desbaste
dos indivíduos indesejáveis e manejo intensivo para
produção de sementes, devendo ser informado o
critério de seleção individual (Brasil, 2004).
Além da escolha adequada das árvores matrizes
e da área de colheita, outro ponto importante no
processo é a época de colheita. A colheita deve
ser realizada quando as sementes atingem a
maturação fisiológica, visto que nesta época elas
apresentam maior porcentagem de germinação,
maior vigor e maior potencial de armazenamento
(Nogueira e Medeiros, 2007a).
A época da colheita varia em função da espécie,
do ano e de árvore para árvore. Por isso, há necessidade
de acompanhar o desenvolvimento das árvores durante
o período de frutificação, para estabelecer o momento
adequado da colheita das sementes. Especialmente para
os frutos deiscentes, com sementes pequenas, a definição
do momento da colheita é muito importante, pois é
necessário colher antes que ocorra a abertura dos mesmos
e consequentemente a dispersão das sementes (Medeiros
e Shimizu, 2005; Nogueira e Medeiros, 2007a).
Os métodos de colheita podem variar desde os
mais simples, como colheita de sementes ou frutos
no chão, aos mais complexos, como com máquinas
para sacudir a árvore, guindaste, material de
escaladas, balão ou helicóptero. A colheita é a etapa
que, geralmente, exige maior investimento financeiro
durante o processo de produção de sementes.
A escolha do método a ser utilizado para colheita
de sementes florestais depende das condições
de sítio, do grau de experiência da equipe, das
características da árvore matriz e principalmente, do
tipo de fruto. O método mais eficiente é aquele que
consegue colher maior quantidade de sementes com
menor custo, sem arriscar na qualidade da semente,
Informativo
ABRATES
na segurança da equipe e sem prejudicar a futura
produção de sementes (Nogueira e Medeiros, 2007a).
Secagem, Extração e Beneficiamento
Após a colheita, as sementes ainda apresentam
excesso de umidade, grande quantidade de impurezas
e, na maioria das espécies florestais as sementes
estão aderidas aos frutos, o que inviabiliza seu uso
imediato (Silva et al., 1993). Dessa forma, nas espécies
florestais são os frutos que são colhidos para obtenção
de sementes e, geralmente, é necessário extrair as
sementes dos frutos (Nogueira e Medeiros, 2007b).
De modo geral, as sementes são extraídas do interior
dos frutos pelo processo de secagem, aplicado logo
após a colheita, para que os frutos abram e liberem as
sementes. Além disso, a secagem tem a finalidade de
reduzir o conteúdo de umidade das sementes a teores
adequados ao seu armazenamento. Este é o processo
empregado para a maioria das espécies florestais,
com exceção daquelas que apresentam sementes
recalcitrantes (Silva et al., 1993; Binotto, 2004).
O método de extração é variável e depende do
tipo de fruto (Leão, 2008). As sementes de frutos
secos deiscentes são extraídas pelo processo de
secagem e revolvimento dos frutos, e as de frutos
secos indeiscentes são extraídas com o auxílio de
ferramentas como faca, tesoura de poda, alicate,
martelo e machadinha, etc. Para extração das sementes
de frutos carnosos, estes necessitam ser despolpados.
Os frutos são imersos em água por período de 12 a
24 horas, para que a polpa amoleça e seja removida
facilmente durante a maceração nas peneiras. Após,
são lavados em água corrente e depositados em
tanque, onde as sementes são separadas por flutuação,
ou seja, as sementes boas afundam e as vazias, ruins e
restos de polpa flutuam (Silva et al., 1993).
O processo de secagem compreende duas fases:
inicialmente há deslocamento da umidade da
superfície do fruto ou da semente para o ar ao seu
redor, seguida da migração da umidade do interior
para a superfície (Silva et al., 1993; Binotto, 2004). A
secagem, além de diminuir a umidade das sementes,
reduz a atividade respiratória e o consumo de reserva.
Além disso, promove uma redução da atividade
microbiana e reprodução de insetos (Leão, 2008).
O período de secagem depende da espécie, da
umidade inicial das sementes, da velocidade de
secagem, do aumento da corrente de ar, da temperatura,
da umidade relativa do ar e do conteúdo de umidade
final desejado (Silva et al., 1993).
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Os métodos de secagem são classificados como
natural e artificial. A secagem natural é aquela em que
os frutos ou sementes são secos pela ação do vento e
da energia do sol. Pode ser processada em terreiros,
bandejas ou lonas. A secagem artificial é aquela em
que a movimentação do ar de secagem se faz por
meio de equipamentos. Consiste em submeter as
sementes à ação de uma corrente de ar quente e seco,
que atravessa sua massa. Existem secadores de carga
empregados para a secagem e separação de sementes
em cones de Pinus, que podem eventualmente
ser utilizados em algumas espécies nativas, como
Cedrela fissilis e outras que apresentem características
semelhantes de frutos (Medeiros e Eira, 2006).
Segundo Medeiros e Eira (2006), no Banco de
Sementes Florestais – BASEMFLOR®, as sementes
e frutos passam por uma secagem preliminar natural
sobre peneiras em local sombreado e ventilado. Em
seguida, o produto é colocado em sacos de ráfia e
levado para secagem artificial em câmara seca
regulada para 10°C e 25% de umidade relativa do
ar. Nessas condições, permanecem até equilíbrio
higroscópico ou até que os frutos abram e liberem
as sementes. Este método tem sido empregado com
sucesso em frutos de Cedrela fissilis, Bauhinia
forficata, Luehea divaricata e em sementes de
outras espécies com características ortodoxas como
Mimosa scabrella, Miconia cabucu, Tibouchina
pulchra, Allophylus edulis, Drimys brasiliensis, Ilex
paraguariensis, Miconia cinnamomifolia, Mimosa
bimucronata, Escallonia montevidensis, Piptadenia
gonoacantha, Schizolobium parahyba, Sebastiania
commersoniana e Senna multijuga, que entram
em equilíbrio higroscópico entre 30 e 40 dias e
secam a teores de água de 5,5 a 7,0% (base úmida),
dependendo da espécie.
Uma vez extraídas as sementes, estas podem conter
impurezas, as quais são separadas durante o processo
de beneficiamento, o que melhora a qualidade do lote
(Nogueira e Medeiros, 2007b). O beneficiamento
é um conjunto de técnicas empregadas para retirar
impurezas, sementes de outras espécies, promovendo
a homogeneização do lote em relação às características
de tamanho, forma e peso de suas sementes, visando
aumentar sua qualidade para comercialização (Silva
et al., 1993). O beneficiamento das sementes tem
por objetivo limpar, purificar, melhorar a qualidade
e homogeneizar o lote de sementes (Leão, 2008).
Segundo o autor, o beneficiamento pode ser manual
com a utilização de equipamentos como peneiras,
Informativo
ABRATES
tabuleiros e tesouras, ou mecânico com o uso de
equipamentos como máquina desaladora, mesa
gravitacional e mesa densimétrica.
O beneficiamento pode ser considerado rudimentar
na área florestal, pois, geralmente executa-se uma
simples separação das impurezas que acompanham
as sementes, sendo este, apenas um dos objetivos do
beneficiamento (Martins et al., 1994).
Martins et al. (1994) realizaram o
beneficiamento em mesa de gravidade com cinco lotes
de bracatinga (Mimosa scabrella var. aspericarpa) e
observaram que o peso de cem sementes e o percentual
de germinação aumentaram significativamente,
com resultados de 8 e 12%, respectivamente, e
recomendam o uso da mesa de gravidade na limpeza
e beneficiamento de lotes de sementes de bracatinga.
Para a maioria das espécies florestais
nativas o beneficiamento é manual, tendo em vista
a dificuldade de se padronizar técnicas adequadas a
cada espécie. O beneficiamento mecânico é utilizado
para poucas espécies, principalmente aquelas que
são de difícil manuseio devido à complexidade dos
diásporos quanto aos aspectos morfológicos, como
o Pinus spp. (Silva et al., 1993).
Armazenamento
Para Medeiros e Eira (2006), armazenamento
significa guardar sementes obtidas numa determinada
ocasião, procurando manter a sua máxima qualidade
fisiológica, física e sanitária, para uso futuro.
Segundo Carneiro e Aguiar (1993), o armazenamento
é importante para garantir a demanda por sementes
de espécies que possuem produção irregular, sendo
abundantes em alguns anos e escassas em outros.
Porém, mesmo sob as melhores condições, apenas a
qualidade da semente pode ser mantida. A velocidade
das transformações degenerativas depende das
condições às quais a semente é submetida no campo,
durante a coleta, beneficiamento e armazenamento,
sendo o principal objetivo do armazenamento de um
lote de sementes a preservação da sua germinação e
vigor (Fowler e Martins, 2001).
A tolerância à dessecação é uma das mais
importantes propriedades da semente. É um
fenômeno necessário ao ciclo de vida da planta, como
estratégia de adaptação que permite a sobrevivência
da semente durante o armazenamento, sob condições
estressantes do ambiente e assegura a disseminação
da espécie. Como este aspecto fisiológico está
relacionado com o grau de tolerância das sementes à
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desidratação, deve-se classificá-las como tolerantes à
dessecação ou ortodoxas; não tolerantes à dessecação
ou recalcitrantes e ainda as intermediárias, cujo
comportamento durante a secagem e armazenamento
apresenta ora características semelhantes às ortodoxas
ora às recalcitrantes (Medeiros e Eira, 2006).
Fator importante no armazenamento das sementes
é a embalagem, que serve para manter separados os
diferentes lotes de sementes, proteger as sementes
contra insetos e animais, facilitar o manejo e
aproveitar melhor o espaço no armazenamento. A
embalagem que deverá ser utilizada vai depender da
natureza da semente, do método de armazenamento
e do tempo em que a semente ficará armazenada
(Medeiros e Eira, 2006).
Em relação à permeabilidade, as embalagens são
classificadas em três tipos: permeáveis - aquelas
que permitem a troca de umidade e não protegem as
sementes contra os insetos, como os sacos de pano, sacos
plásticos perfurados e sacos de papel; semipermeáveis
- aquelas que embora restrinjam a passagem de água,
permitem a troca de vapor d’água, como os sacos
plásticos de 100 a 250 micras; e impermeáveis - são
as embalagens herméticas que não permitem a troca
de vapores de água, como os sacos ou envelopes
trifoliados de polietileno/alumínio/polietileno seláveis
a calor, latas de alumínio, recipientes de alumínio com
tampa rosqueável e anel de borracha para vedação,
recipientes de vidro com anel de borracha para vedação
da tampa (Medeiros e Eira, 2006).
Outro aspecto a ser destacado é a etiqueta
de identificação, que deve vir fora e dentro da
embalagem. Nela devem ser registradas todas as
informações importantes sobre o seu conteúdo, como
o número da embalagem, espécie, data de entrada
e coleta, se as sementes estão tratadas com algum
produto químico, etc. (Medeiros e Eira, 2006).
Segundo Carvalho (1994) diversas sementes
consideradas ortodoxas, como as de Mimosa
scabrella (bracatinga), podem ficar armazenadas,
durante alguns meses em ambiente de sala, quando as
condições ambientais da região em questão estiverem
entre 20 e 25°C, permanecendo viáveis por dois anos,
mesmo quando armazenadas secas.
O armazenamento de sementes com características
ortodoxas, com teor máximo de água de 12% (não
leguminosas) e de 9% (leguminosas), pode ser
realizado por três a cinco anos, a 10°C e 40% de
umidade relativa do ar. Alternativa ao armazenamento
para pequenos lotes de sementes com tolerância à
Informativo
ABRATES
dessecação é colocá-los em geladeira doméstica ou
em freezers domésticos, desde que secos a um grau
entre 5 e 7%, conforme a espécie, e acondicionados
em embalagem hermética, como em vidros muito
bem lacrados (Medeiros e Eira, 2006).
Pouca informação se tem a respeito da conservação
de sementes não tolerantes à dessecação. Recomendase, de modo geral, que seja mantido o elevado grau
de umidade inicial dessas sementes recalcitrantes
e que sejam levadas o mais rápido possível para o
viveiro, visando à semeadura e produção das mudas
(Medeiros e Eira, 2006).
A embalagem e o armazenamento de sementes
florestais dependem, basicamente, da espécie, da
finalidade da conservação e da longevidade desejada.
Condições de armazenamento para sementes das
espécies exóticas mais utilizadas estão estabelecidas.
Sementes de pinus são armazenadas em câmara fria,
acondicionadas em sacos plásticos ou tamboretes
de fibra, mantendo sua qualidade por cinco anos ou
mais. As sementes de eucalipto têm sido armazenadas
em câmara seca, acondicionadas em sacos de pano,
caixas de madeira ou tamboretes de fibra, mantendo
sua viabilidade por dez anos ou mais, dependendo da
espécie (Carneiro e Aguiar, 1993).
Análise e comercialização de sementes
Conforme Sena e Gariglio (2008), as sementes
possuem um tempo de vida que varia de espécie
para espécie e depende das condições em que se
desenvolveram, foram colhidas, beneficiadas e
armazenadas. Os mesmos autores explicam que, para
a comercialização e produção de mudas, é importante
saber quantas sementes de determinado lote ainda
conservam sua capacidade de germinar.
O controle de qualidade de sementes florestais
em laboratório é realizado através de análises, cujo
objetivo principal é determinar o valor das sementes
de um lote após sua extração e beneficiamento
(Fowler e Martins, 2001).
Tanto para o uso próprio quanto para comercialização,
é importante manter o controle de qualidade das
sementes, através da realização de testes de pureza,
germinação e fitossanidade durante o armazenamento.
O teste de pureza é realizado somente uma vez, logo
após o beneficiamento. O teste de germinação deve ser
realizado pelo menos uma vez por ano, ao longo do período
de armazenamento, ou conforme as características de
cada espécie. Além disso, é necessário determinar o
número de sementes/Kg, logo após o beneficiamento.
vol.21, nº.3, 2011
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Periodicamente, análises fitossanitárias com auxílio
de lupas devem ser realizadas para verificar se as
sementes foram atacadas por fungos e insetos.
A análise de sementes é importante, pois, fornece
dados que expressam a qualidade física e fisiológica do
lote de sementes para fins de semeadura, armazenamento
e comercialização. Possibilita, também, estabelecer
comparação entre diferentes lotes, bem como,
estabelecer as condições adequadas de armazenamento
(Figliolia et al., 1993). Entretanto, segundo Wielewicki
et al. (2006), para se proceder a avaliação da qualidade
de sementes de determinado lote, em laboratório, é
necessário dispor de um padrão de germinação de
sementes para cada espécie, pois cada cultura apresenta
sementes com características distintas quanto ao seu
comportamento fisiológico ou germinativo.
A partir de padrões de germinação estabelecidos
para uma espécie, torna-se possível a comercialização,
fiscalização e certificação de lotes. Atualmente, a
única espécie florestal que possui normas específicas
para produção de sementes e mudas no Brasil é a
seringueira (Hevea spp) (In 29 de 05/08/2009 – Brasil,
2009), onde os lotes de sementes para comercialização
devem ter um grau de pureza de no mínimo 98%,
viabilidade de no mínimo 70%, sendo que os testes de
viabilidade são válidos por trinta dias.
As sementes florestais nativas não estão
contempladas nas Regras para Análise de Sementes
(Brasil, 2009) e, além disso, na literatura, as
informações sobre a metodologia de testes de
germinação de sementes florestais são escassas. O
teste de germinação das sementes tem por objetivo
obter informações sobre a sua qualidade, visando
à produção de mudas, e disponibilizar dados que
possam ser utilizados, juntamente com outras
informações, para comparar diferentes lotes de
sementes (Medeiros e Abreu, 2006).
Todavia, a comercialização das sementes deve
atender aos padrões de qualidade estabelecidos
pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA), que são determinados em
laboratórios de análise de sementes credenciados
ou reconhecidos por ele (Sena e Gariglio, 2008).
As espécies florestais nativas ocupam importante
e crescente espaço no mercado de sementes.
Porém, até o momento, existe uma lacuna para
se formalizar as atividades de comercialização
e controle de qualidade com sementes florestais
nativas, tanto por falta de conhecimento do
comportamento biológico de muitas espécies como
Informativo
ABRATES
de padrões estabelecidos para sua comercialização
(Wielewicki et al., 2006).
De acordo com o Decreto n° 5.153 de 23
de julho de 2004 (Brasil, 2004), antes de serem
liberadas para comercialização, as sementes precisam
passar por um exame de qualidade, incluindo itens
como verificação da pureza física, capacidade de
germinação e teor de água.
A comprovação dessa qualidade é orientada por
padrões de sementes, realizados em laboratório de
análise, próprios para cada espécie (Wielewicki et
al., 2006). Com a finalidade de contribuir, os autores
propuseram padrões de germinação, teor de água
e prazo de validade do teste de germinação, para
27 espécies florestais nativas da Mata Atlântica
na região sul do Brasil. Medeiros e Abreu (2006)
reuniram informações sobre testes de germinação de
diversas espécies florestais nativas da Mata Atlântica,
dentre as quais pode-se citar: Allophylus edulis,
Anadenanthera colubrina, Anadenanthera falcata,
Aspidosperma polyneuron, Casearia sylvestris,
Erythrina falcata, Ilex paraguariensis, Maytenus
ilicifolia, Miconia cabucu, Myracrodruon urundeuva,
Podocarpus lambertii, Psidium cattleianum, Schinus
terebinthifolius, Sebastiania commersoniana e
Syagrus romanzoffiana.
A Embrapa utiliza como padrões atuais em termos
de viabilidade de sementes de eucalipto para efeito
de comercialização, no mínimo 455 mil sementes
viáveis por quilograma para Eucalyptus benthamii, e
no mínimo 237 mil sementes viáveis por quilograma
para E. dunnii (Santos et al., 2007). No entanto,
diversas espécies florestais nativas e exóticas ainda
necessitam que seus padrões de campo e laboratório
sejam estabelecidos e regulamentados por lei.
CONCLUSÕES
O conhecimento a respeito da tecnologia de sementes
de espécies florestais torna-se de grande importância
para a conservação dos diversos ecossistemas, uma
vez que as informações obtidas até o momento são na
maioria das vezes insuficientes ou fragmentadas, diante
da grande diversidade de espécies arbóreas brasileiras.
Diante disso, mais estudos sobre a tecnologia de
sementes de espécies nativas podem ser um modelo
efetivo para obtenção de sementes de qualidade
fisiológica superior, com custos reduzidos, viabilizando
sua comercialização.
vol.21, nº.3, 2011
28
BINOTTO, A. F. Beneficiamento de sementes
florestais. In: HOPPE, J. M. (Org.) Produção de
sementes e mudas florestais. Caderno didático. n. 1,
2° Ed. 2004. 402p.
MARTINS, E. G.; BIANCHETTI, A.; RAMOS, A.;
ALVES, V. F. Efeito do beneficiamento em mesa
de gravidade na qualidade de lotes de sementes de
bracatinga (Mimosa scabrella var. aspericarpa).
Boletim de Pesquisa Florestal, Colombo: Embrapa
Florestas, n. 28/29, p.85-88. 1994.
BRASIL. Decreto n° 5.153, de 23 de julho de
2004. Aprova o regulamento da lei nº 10.711, de
05 de agosto de 2003, que dispõe sobre o sistema
nacional de sementes e mudas - SNSM, e dá outras
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06, 26 de jul. 2004. Seção I.
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