Ambiente turístico empreendedor: Estudo da hotelaria de Gramado e Canela Eixo Temático: (4) Empreendedorismo e Inovações no Turismo Larissa Bezerra Costa [email protected] RESUMO através de questionários. Dos resultados pode-se observar que as cidades possuem muitas características histórico-culturais, econômicas e sociais favoráveis ao desenvolvimento do empreendedorismo no turismo. Dentre as diversas características analisadas em relação aos empreendedores locais, podemos dizer que buscam o aperfeiçoamento, dão importância aos valores pessoais e à iniciativa para o gerenciamento da empresa. Em sua maioria, possuem um modelo empreendedor que os inspirou. Suas perspectivas para o futuro são: o crescimento da atividade turística, ecoturismo, sustentabilidade e a Copa de 2014. O turismo tem estreita ligação com a inovação; sua estruturação em forma de cadeia produtiva possibilita impulsionar os demais setores ligados, proporcionando o desenvolvimento local. Muito deste desenvolvimento depende das iniciativas empreendedoras das empresas ligadas ao setor turístico. Para que essas ações empreendedoras aconteçam, é necessário que o ambiente em que estão inseridas as empresas seja favorável. Dessa forma, justifica-se esse trabalho através da importância do aprofundamento teórico dos conceitos de ambiente empreendedor em turismo e da valorização dos indivíduos empreendedores. O objetivo geral do estudo é identificar as características que tornam um ambiente favorável ao empreendedorismo no turismo. Utilizamos como campo de estudo as cidades de Gramado e Canela, no Rio Grande do Sul, por entender-se que é uma região com turismo plenamente desenvolvido, onde é possível observar diversos exemplos de empresas empreendedoras e tipos de empreendedores. Nesse contexto, analisaremos a interface entre turismo e empreendedorismo; o histórico das cidades; sua relação com o empreendedorismo e o turismo. Será verificado também se as cidades de Gramado e Canela constituem um ambiente favorável ao desenvolvimento do empreendedorismo no turismo, (em especial no setor hoteleiro) e quais as características dos diferentes empreendedores empresariais nas localidades estudadas. O trabalho foi realizado através de pesquisa bibliográfica em livros, periódicos e sites, e também através da observação participante. Foram realizadas entrevistas com empreendedores das duas cidades, PALAVRAS-CHAVE: Turismo; Empreendedorismo; Ambiente turístico empreendedor. ABSTRACT Tourism has a close connection with innovation. Its organization made in supply chain format, enables other sectors linked, providing local development. Much of its development depends on the entrepreneurial actions of tourism companies. For these entrepreneurial actions take place, it is necessary that the environment in which they operate is favorable. Thus, this work is justified by the importance of deepening the theoretical concepts of the entrepreneurial environment in tourism and the enhancement of the entrepreneurs. The general purpose of the study is to identify the characteristics that make a propitious environment for entrepreneurship in tourism. As a field of study, we chose the cities of Gramado and Canela, in Rio Grande do Sul, on the understanding that it is a fully developed tourism re- 12 gion, where we observe several examples of entrepreneurial businesses and entrepreneurs. In this context, we analyze the interface between tourism and entrepreneurship; the history of cities; their relationship with entrepreneurship and tourism. It will be observed also if the cities of Gramado and Canela compose a favorable environment for development of entrepreneurship in tourism (especially in the hotel sector) and which are the characteristics of the local entrepreneurs. The work was conducted through literature search of books, periodicals and websites, and through participant observation. Interviews were made with entrepreneurs of the two cities, using questionnaires. From the results, it can be seen that the cities have many historical and cultural characteristics, as well as economic and social conditions which are favorable to the development of entrepreneurship in tourism. Among the various characteristics analyzed in relation to local entrepreneurs, we can say that they seek improvement, giving importance to personal values and initiative to manage their companies. Most of the entrepreneurs had an entrepreneurial model that inspired them. Their perspectives for the future are: the growth of tourism, ecotourism, sustainability and the 2014 World Cup. O autor destaca que essa estratégia só terá força para ser implementada quando o país possuir condições de oferecer serviços de qualidade aos visitantes. Considerando a estreita relação do turismo com o desenvolvimento local, é importante observar as empresas que compõem o setor turístico. Muitas vezes são as principais responsáveis por inovações que promovem a manutenção do turismo em diversas regiões. De acordo com Dornelas (2001), estamos vivendo “a era do empreendedorismo”. Segundo ele: “[...] são os empreendedores que estão eliminando barreiras comerciais e culturais, encurtando distâncias, globalizando e renovando os conceitos econômicos, criando novas relações de trabalho e novos empregos, quebrando paradigmas e gerando riqueza para a sociedade”. (DORNELAS apud PINTO e CEBALLOS, 2006, p. 21). Há diversas características que levam os empreendedores a tomar essas iniciativas e inovarem no seu campo de atuação. Além das características individuais, alguns autores atentam para a importância das redes formais e informais de apoio e suporte (“network”). Relacionado a isso está outro fator: o ambiente em que está inserido o empreendedor. De acordo com Oliveira, “o ambiente em que o indivíduo está inserido, seja no âmbito da cultura de uma sociedade, ou no âmbito familiar, induz a um comportamento empreendedor”. Portanto, quais são as características de um ambiente propício ao empreendedorismo no setor turístico? A partir deste problema, o objetivo geral do estudo é identificar as características que tornam um ambiente favorável ao empreendedorismo no turismo. Os objetivos específicos são: a) Analisar a interface entre turismo e empreendedorismo; b) Verificar o contexto histórico em que estão inseridas as cidades e sua relação com o empreendedorismo e o turismo; c) Verificar se Gramado e Canela constituem um ambiente favorável ao desenvolvimento do empreendedorismo no turismo, em especial no setor hoteleiro; d) Investigar as características dos diferentes empreendedores das localidades estudadas. A pesquisa foi motivada pela observação de empresas empreendedoras no setor hoteleiro de diversas localidades, proporcionada pelo exercício da função de agente de viagens . No entanto, notou-se que os empreendedores dependem de diversos fatores para exercerem ações empreendedoras. KEY WORDS: Tourism; Entrepreneurship; Entrepreneurial Environment INTRODUÇÃO O Turismo é um fenômeno de grande relevância mundial. Dados da Organização Mundial do Turismo (OMT) mostram que, em todo mundo, a chegada de turistas internacionais aumentou aproximadamente 4%, em 2011. No Brasil, o desembarque de passageiros de vôos nacionais em 2011 teve aumento de 16,6% em relação a 2010, apenas entre os meses de Janeiro e Novembro, sendo o principal responsável por esse crescimento, o turismo doméstico , impulsionado por uma nova classe média, com maior poder de consumo (Ministério do Turismo). No setor empresarial, o turismo é constituído por cerca de 90% de Micro e Pequenas Empresas em sua cadeia produtiva. (Termo de referência em turismo 2010 - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE). Conforme Tomazzoni (2007), o turismo seria um setor chave para o Brasil, pois a gestão adequada do seu desenvolvimento pode impulsionar os demais setores ligados. 13 Muitos autores trabalham com os conceitos de empreendedor e empreendedorismo, em diversos campos de estudo. Porém, não há muitos estudos a respeito do ambiente que propicia o desenvolvimento do empreendedorismo, especialmente no turismo. Ao elaborar esse trabalho, pretende-se contribuir para maior destaque às características desse ambiente. O foco no setor hoteleiro de Gramado e Canela é feito por entender-se que é uma região com turismo plenamente desenvolvido, onde é possível observar oferta hoteleira diversificada, que possui grande atratividade. O empreendedorismo é notório em sua administração. Isto é evidente na grande participação de pousadas da região em programas como o Bem Receber ; muitos hotéis e pousadas das pousadas são indicados pelo Guia Quatro Rodas e pela revista Veja. Destaca-se também o prêmio Talentos Empreendedores , concedido à pousada Encantos da Terra na cidade de Canela, no ano de 2007. A importância desse trabalho é construída a partir do papel que o empreendedorismo passou a possuir nas organizações e comunidades da atualidade. Em vista da rapidez e das mudanças na troca de informações, geradas pela globalização, faz-se necessário valorizar as iniciativas que inovam, ajustando setores e localidades a essa nova realidade. Outro fator importante para a efetivação desse trabalho é a sua contribuição para a sociedade através da valorização dos indivíduos empreendedores. A pesquisa é exploratória descritiva, feita a partir de levantamento e análise bibliográficos e estudo das cidades de Gramado e Canela. O estudo foi feito através de trabalho de campo com realização de observação participante durante visita às cidades entre os dias 20 de Maio de 2011 e 22 de Maio de 2011. A pesquisa bibliográfica tem por objetivo formar arcabouço teórico a respeito do empreendedorismo empresarial e do ambiente empreendedor no turismo. Foram realizadas também 5 entrevistas com empreendedores das duas cidades (ver anexo A). DESENVOLVIMENTO 1.1 TURISMO As várias dimensões do Turismo propiciam diversas conceituações. A mais antiga conceituação de turismo é de 1910: “A soma das operações, principalmente de natureza eco- 14 nômica, que estão diretamente relacionadas com a entrada, permanência e deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de um país, cidade ou região” (Herman von Schullern, 1910 apud Beni). Em relação ao turismo como atividade, Andrade (2002) apresenta interessante definição: “turismo é o conjunto de serviços que tem por objetivo o planejamento, a promoção e a execução de viagens, e os serviços de recepção, hospedagem e atendimento aos indivíduos e aos grupos, fora de suas residências habituais”. Não sendo uma indústria, a atividade turística se enquadra no setor de serviços. O SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) utiliza a definição da OMT (Organização Mundial de Turismo), que conceitua o turismo como: “... as atividades que as pessoas realizam durante suas viagens e permanência em lugares distintos dos que vivem, por um período de tempo inferior a um ano consecutivo, com fins de lazer, negócios e outros.” (apud SEBRAE, 2010). No próximo item será abordado o significado do termo empreendedorismo. 1.2 EMPREENDEDORISMO Os termos empreendedor e empreendedorismo têm sua origem nas palavras entrepreneur e entrepreneurship, respectivamente. O primeiro termo originou-se no século XIII, derivando de entreprendeeurs, que significa “aquele que se encarrega e que faz alguma construção ou outra coisa” (Boava e Macedo, 2006). Já o segundo termo, empreendedorismo, “É uma livre tradução que se faz da palavra entrepreneurship, que contém as idéias de iniciativa e inovação. É um termo que implica uma forma de ser, uma concepção de mundo, uma forma de se relacionar.” (Dolabela, 2008). Cantillon e Say são considerados pioneiros no campo do empreendedorismo. A grande contribuição de Cantillon foi diferenciar o empreendedor do capitalista. O primeiro seria a pessoa que assumia riscos, já o segundo, o fornecedor do capital (Dornelas, 2001). Say considerava muito importante a criação de novas empresas para o desenvolvimento econômico das regiões. Ambos “consideravam os empreendedores como pessoas que corriam riscos, basicamente porque investiam seu próprio dinheiro” (Filion, 1999). Schumpeter foi além, associando o empreendedoris- mo à inovação: ele acreditava que o empreendedor era um agente de mudanças, definindo os limites da moderna concepção de empreendedor (Filion 1999). Por isso, ele é considerado aquele que realmente lançou o campo do empreendedorismo. Entende-se que turismo e inovação devem estar sempre integrados, de modo a preservar o patrimônio, e oferecer condições para o desenvolvimento sustentável do turismo. Andrade (2002) ressalta que a falta de modernização ou atualização de equipamentos turísticos dificulta a preservação do patrimônio turístico e demonstra a incapacidade de muitos empresários para atender à demanda turística. Sendo a inovação uma característica fundamental do empreendedorismo, fica evidente a ligação que o turismo e o empreendedorismo necessitam ter, de forma a construir sempre novos caminhos para o que já foi feito, melhorando o atendimento aos clientes e a infra-estrutura dos equipamentos turísticos. No item seguinte serão analisadas as características do ambiente empreendedor. mento territorial; atrativos turísticos e conseqüências do turismo sobre o meio ambiente, preservação da flora, fauna e paisagens, compreendendo todas as funções, variáveis e regras de consistência de cada um desses fatores.” (BENI, 2008). Embora a questão ambiental seja de fundamental importância para qualquer setor na atualidade, esse subsistema não será abordado, pois se acredita que exerce pouca influência sobre o ambiente empreendedor e o comportamento de seus agentes. Para Bygrave (2000): “Empreendedorismo leva a mais empreendedorismo, e o nível da atividade empreendedora é resultado de um processo dinâmico no qual ambiente social é tão importante quanto os fatores econômicos e legais”. Sendo o turismo uma atividade que proporciona o encontro entre pessoas de diferentes países, cidades e regiões, faz-se necessária a observação do papel exercido por diferentes atores sociais para esclarecer sua importância no desenvolvimento e consolidação de um ambiente turístico socialmente favorável à criação de novas empresas e à inovação. Os atores a serem estudados serão: a) Comunidade local/ regional através do envolvimento da comunidade no turismo, lideranças regionais e Cooperação; b) Empreendedores locais, através de suas características pessoais e desenvolvimento do negócio, a ser apresenta do no capítulo 2; c) Parcerias (fornecedores e prestadores de serviço); d) Estado (autoridades que o representam). A segunda dimensão estudada será a econômica. Segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2004, a falta de acesso ao crédito e o excesso de burocracia e impostos são grandes entraves à atividade empreendedora. Bouchikhi (1993) cita legislação fiscal favorável e funcionamento adequado do sistema bancário como fatores ambientais importantes para a criação de novas empresas, a partir do viés econômico. Para analisar quais as condições econômicas o ambiente de Gramado e Canela oferece aos empreendedores, serão analisados os seguintes aspectos: a) legislação fiscal favorável (leis e impostos); b) acesso ao crédito e instituições concedentes; c) funcionamento adequado do sistema bancário – quantidade e qualidade de atendimento; d) burocracia – facilidade e prazos para regularizar documentação. Em relação à dimensão cultural, é importante notar que 1.3 AMBIENTE EMPREENDEDOR De acordo com Oliveira (2010), “o ambiente empreendedor é entendido como a conjunção de fatores sociais, psicológicos, políticos e econômicos, que juntos estimulam a ação empreendedora”. Dolabela (2008) destaca a importância do ambiente da comunidade para o desenvolvimento do empreendedorismo: “É a comunidade local, com todos os seus atores – públicos, privados e do terceiro setor -, que irá fornecer os recursos de toda ordem e, não menos importante, os valores empreendedores que criarão condições favoráveis ao surgimento de idéias e projetos. Entre eles, a dimensão humana da comunidade local surge como um dos elementos mais essenciais.” A visão de Sistur, proposta por Beni (2008), define quatro dimensões ambientais para o Sistema Turístico, são elas: Ecológica, Social, Econômica e Cultural. O subsistema ecológico abrange: “a contemplação e o contato com a natureza; (...) o espaço turístico natural e urbano e seu planeja- 15 o comportamento dos empreendedores é resultado da cultura da sua região e da sua formação educacional. Para Oliveira (2010), a universidade deve fornecer educação empreendedora mais abrangente que a oferecida apenas através de disciplinas optativas. Dolabela (2008) vai além, afirmando que esta deve fazer parte da formação básica de todo cidadão. O GEM (2009) acrescenta que a formação profissional é um dos elementos que favoreceu a diminuição da taxa de mortalidade das empresas nos últimos anos. Portanto, serão analisados, os seguintes fatores: a) educação voltada ao empreendedorismo, na escola básica, cursos técnicos, graduação e pós-graduação; b) histórico das comunidades: fatos importantes da história que tenham relação com o empreendedorismo; c) aspectos marcantes da cultura: festas, eventos e tradições. 2. PERFIL EMPREENDEDOR Fonte: Hornaday (1982); Meredith, Nelson e Neck (1982); Timmons (1978). Apud Filion (1999). Outros autores atentam para mais características empreendedoras. Dornelas (2001) cita: determinação, dinamismo, dedicação, paixão, organização, prezar pelo planejamento, desejar aprender sempre mais e possuir boa rede de relacionamentos. Timons (1994) e Hornaday (1982), citados por Dolabela (2008), apresentam quadro de características do comportamento empreendedor. Ver quadro 2. O empreendedorismo, visto que se dá através da iniciativa dos empreendedores, evidencia a importância desse ator social. Neste capítulo estudaremos o perfil do empreendedor. O empreendedor é um insatisfeito, que assume riscos calculados para transformar suas idéias em realidade e explora a mudança como uma oportunidade. Em relação ao ambiente em que está inserido, o empreendedor é um agente de mudanças, capaz de desencadear processos responsáveis pelo crescimento de uma localidade. Existem diferentes teorias que estudam o empreendedorismo e o comportamento empreendedor. As características psicológicas individuais são consideradas muito importantes no surgimento do empreendedorismo. Acredita-se que os valores pessoais, a criatividade, a aceitação do risco e a necessidade de realização diferenciam os empreendedores dos não-empreendedores, fazendo com que exista maior tendência de agirem de forma empreendedora. (MONTEIRO E SANÁBIO, 2004). Filion (1999) nos apresenta quadro com as características comumente atribuídas aos empreendedores: Um dos grandes mitos descritos por Timmons (1994) , é o de que “os empreendedores não são feitos, nascem.”. Ele esclarece que para se tornar um empreendedor, é preciso acumular habilidades, know-how experiência e contatos. A respeito do processo empreendedor e das características empreendedoras a ele relacionadas, Dornelas (2001) nos diz: “O sucesso é decorrente de uma gama de fatores internos e externos ao negócio, do perfil do empre- 16 endedor e de como ele administra as adversidades que encontra no dia-a-dia de seu empreendimento. Os empreendedores inatos continuam existindo, e continuam sendo referências de sucesso, mas muitos outros podem ser capacitados para a criação de empresas duradouras” (DORNELAS, 2001 pag 23) na região. Para atender a essa demanda foram construídos hotéis e pensões, que na época eram chamadas de “casas de pasto”. Surgiram os primeiros hotéis: Grande Hotel, Hotel Bela Vista e Palace Hotel. O turismo começou na região através dos veranistas, que vinham principalmente da capital do estado em busca dos atrativos naturais do município, como o clima ameno e a gastronomia. Em 1944 foi aberto um cassino em Canela, gerando diversificação da demanda turística, abrangendo cariocas, paulistas, uruguaios e argentinos. Fica claro que o comportamento empreendedor, aliado ao ambiente em que se encontra e seus recursos, é o motor do empreendedorismo, levando à frente ações inovadoras, criando e gerenciando novas empresas. Na seção seguinte, será apresentado o estudo sobre as localidades de Gramado e Canela. 3.2 AMBIENTE EMPREENDEDOR DAS CIDADES O empreendedorismo está evidente na história e na atualidade das cidades. Analisando os quesitos citados no início deste trabalho, chegou-se ao quadro abaixo. 2. AMBIENTE TURÍSTICO EMPREENDEDOR: UMA ANÁLISE DA HOTELARIA EM GRAMADO E CANELA. 3.1 HISTÓRICO DE GRAMADO E CANELA As cidades de Gramado e Canela localizam-se na Região das Hortênsias, no nordeste do estado do Rio Grande do Sul. Com colonização européia, especialmente de alemães e italianos, a população dessas cidades cultiva hábitos e costumes europeus, na gastronomia, música e dança. Possuem setor hoteleiro bem estruturado, baseado em pousadas de gestão familiar – são 66,7% em Gramado e 58,7% em Canela com esse tipo de gestão. A maioria possui menos de 50 unidades habitacionais (UHs): em Gramado são 79,1% e em Canela 86,3%. (CURTIS e HOFFMANN, 2009) No século XVIII, muitos tropeiros e mascates estabeleceram comércio entre diversas regiões do país e também do estado. Eles passavam pela serra de Canela e Gramado, para levarem gado, queijo e couro até cidades como Taquara, São Leopoldo e Porto Alegre. O local para descanso durante a viagem era, muitas vezes, a sombra de uma árvore caneleira, que fica próxima de onde hoje é a Praça João Corrêa, a principal da cidade de Canela. O nome da cidade provém dessa árvore. A região de Gramado tam de 1910, a industrialização da madeira proporcionou o aumento do comércio e do movimento de pessoas. A linha férrea entre Canela e Porto Alegre também incentivou o aumento do fluxo de pessoas Na primeira dimensão analisada, através da observação participante , pudemos perceber o grande envolvimento da comunidade de ambas as cidades estudadas no turismo. Mesmo entre aqueles que não estão envolvidos diretamente com a atividade. 17 Em Canela, existe desde 28 de Dezembro de 1984, o Governo Mirim, uma iniciativa da Secretária de Educação do governo da época, Senhora Berenice Felippetti. Trata-se de um governo formado por crianças e adolescentes do ensino fundamental das diferentes escolas da cidade. Entre as ações do Governo Mirim atual está um programa de prevenção ao uso de drogas entre crianças e adolescentes. Apreendese dessas questões que o projeto estimula na personalidade dessas crianças o surgimento de características necessárias ao empreendedor, como: liderança, dedicação, pró-atividade. Segundo Dolabela, (2001) as relações entre os indivíduos da comunidade “podem se transformar em cooperações que criam projetos, conduzem à solução de problemas e à construção do futuro.” Em relação à cooperação, existem diversos projetos que nos mostram a união da sociedade para alcançar objetivos comuns e positivos para os municípios estudados. A Associação de Assistência e Caridade de Gramado (conhecidas como as “Damas de Caridade”) possuem centro de treinamento, que atualmente presta serviço de orientação jurídica aos habitantes, principalmente os de baixa renda. Nas ocasiões em que são discutidos os detalhes do Evento Natal Luz, o maior da cidade, empresários do setor turístico, entidades representativas, autoridades, imprensa e comunidade de Gramado se reúnem para avaliar as melhores soluções para o evento. Recentemente, os habitantes promoveram uma manifestação em repúdio à estatização do evento. Não sendo nossa intenção avaliar qual seria a alternativa para essa questão, apenas destaca-se a importância da informação e da mobilização popular na cidade. O papel do Estado na caracterização de Gramado e Canela como localidades propícias ao empreendedorismo no turismo é verificado através da atenção que os governos municipais dispensam à atividade. Em Gramado, o prefeito Pedro Henrique Bertolucci foi vencedor da quinta edição do prêmio SEBRAE prefeito empreendedor, em especial por suas iniciativas que favoreceram o turismo. Dentre diversas medidas tomadas para estimular a desburocratização e o desenvolvimento das regiões do município de forma igualitária, que serão abordadas posteriormente, o governo municipal instituiu a certificação ISO 9001 na gestão pública. De acordo com o SEBRAE/RS, possuir essa certificação significa que “a forma como o município trabalha tem método”. A educação voltada ao empreendedorismo é valorizada no município de Gramado. Sobre a educação básica, podemos citar o projeto Tribos, de voluntariado jovem, que atua em três vertentes: cultura, meio ambiente e educação para a paz. Na cidade de Gramado participam 861 jovens, da educação infantil ao ensino médio. O projeto pretende desenvolver lideranças juvenis, estimulando ações voluntárias com a consultoria da ONG. Desde Março de 2009, a Escola Estadual Santos Dumont, situada em Gramado, oferece curso técnico em turismo e hotelaria. Na educação de nível superior existem duas universidades que oferecem o curso de Hotelaria. A Escola Superior de Hotelaria da Universidade de Caxias do Sul possui Núcleo Universitário em Canela, e forma alunos no curso de graduação em Hotelaria na cidade de Canela desde 1985. O Centro de Estudos Turísticos e Hoteleiros - CETH de Canela foi fundado em 1987 e é a instituição mantenedora da Castelli Escola Superior de Hotelaria. Oferece graduação em Hotelaria e diversos cursos de pós-graduação. A disciplina de empreendedorismo está no currículo tanto no bacharelado quanto da pós-graduação. Os históricos de Gramado e Canela evidenciam a importância do empreendedorismo e dos empreendedores para o desenvolvimento dos municípios. A fundação do município de Gramado, por exemplo, foi causada pelos próprios habitantes da cidade. A cidade era distrito de Taquara desde o ano de 1904 e, por conta dessa dependência política, faltavam recursos para investimentos nos setores da cidade que estavam em expansão: turismo, setor moveleiro, indústria e comércio. Os habitantes organizaram-se em comissões pró-emancipação do município e conseguiram organizar um plebiscito em dezembro de 1951. O resultado foi favorável à criação do município, fundado em 15 de dezembro de 1954. (TOMAZZONI, 2007) O desenvolvimento da cidade, em especial do turismo, trouxe novos hotéis e grande fluxo de pessoas. Porém, ainda na década de 1950, Gramado e Canela sofreram uma grande crise que levou à falência muitos empreendimentos. O fluxo turístico direcionou-se para o litoral, causando esvaziamento dos dois municípios. Nesta época, muitos empreendedores destacaram-se, ajudando a reerguer a cidade de Gramado. Leopoldo Rosenfeld criou o Lago Negro e investiu no setor 18 imobiliário; Oscar Knorr iniciou o plantio da hortênsia – flor símbolo da região; Jayme Prawer fundou, em 1975, a primeira fábrica de chocolate caseiro da serra. (Tomazzoni, Dorion e Zottis, 2008) Na história de Canela também é possível verificar a presença de empreendedores. O Coronel João Corrêa Ferreira da Silva, por exemplo, foi o responsável pela construção da estrada de ferro que ligava Canela à cidade de Taquara. A respeito da legislação das cidades estudadas escolhemos como foco central a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, que envolve questões sobre a tributação, desoneração e desburocratização das MPEs brasileiras. A Lei Geral foi sancionada em 14 de Dezembro de 2006 e, apesar de possuir abrangência nacional, deve ser regulamentada em cada município através de lei específica. (SEBRAE/RS). No âmbito tributário, a Lei Geral institui o Simples Geral, que possui tabela de arrecadação mais flexível; regime unificado de apuração e recolhimento dos impostos. A Lei também define a criação de um cadastro unificado que permita desburocratizar e agilizar o processo de abertura e fechamento de empresas. Das cidades estudadas, apenas Gramado possui a Lei Geral regulamentada, pela Lei Ordinária Municipal nº 2.880/10, de 16 de Dezembro de 2010. A Lei institui o alvará provisório, com o objetivo de propiciar ao estabelecimento o início de suas atividades logo após o ato de registro, sem ter de esperar o alvará definitivo. Sobre o funcionamento do sistema bancário, na cidade de Gramado 8 agências bancárias. Em Canela, são 6 agências e 6 Postos de Atendimento Bancário. Não há dados sobre satisfação dos clientes em relação aos bancos das cidades ou do estado. A cultura das cidades estudadas sofreu grande influência dos diferentes povos que as colonizaram. Podem-se observar os costumes italianos e alemães através da gastronomia, com suas chimiers, embutidos feitos de modo artesanal, o famoso apfelstrudel, o fondue e o café colonial. Gramado investiu na promoção de sua imagem através da cultura, valorizando-a através da criação de eventos. São exemplos a Festa das Hortênsias, a Festa da Colônia e o Natal Luz. O primeiro evento que projetou a cidade de Gramado foi a Festa das Hortênsias, criada em 1958, por iniciativa de Oscar Knorr e Walter Bertolucci. O evento aconteceu bianualmente até o ano de 1986, quando se iniciou o Natal Luz, que tomou o seu lugar e passou a ocorrer anualmente. A importância deste evento para a cidade foi por iniciar-se em um momento de crise para o turismo da cidade, já citado anteriormente. Dessa forma, atraiu mais visitantes, diversificando a oferta e atraindo atenção para o município. O Natal Luz é o maior evento da cidade de Gramado. Em sua última edição, foram 20 atrações - entre elas desfile de Natal, teatro de marionetes, show de som e luzes e concertos - em mais de 500 exibições, num total de 74 dias de festa. A Festa da Colônia é baseada na contribuição das culturas Alemã, Italiana e Portuguesa para a cidade de Gramado. Entre suas atrações estão desfiles de carros típicos ornamentados, exposição de produtos artesanais e degustação de comidas típicas. Em Canela, o evento de Natal chama-se Sonho de Natal. Acontece desde 1988 e tem como atrações desfiles, shows e a chegada do Papai Noel. O Festival Internacional de Bonecos de Canela teve sua 23a edição em 2011, com espetáculos nacionais e internacionais. A tradição do teatro de bonecos fez com que uma iniciativa da comunidade fosse reconhecida pelo Estado, criando-se o Ponto de Cultura Bonecos Canela , onde são oferecidas oficinas aos jovens, incentivando o gosto pela cultura do teatro de bonecos. 3.3 PERFIL DOS EMPREENDEDORES O estudo sobre os empreendedores hoteleiros de Gramado e Canela foi realizado através de questionário enviado por e-mail após contato telefônico. Foram enviados 29 questionários para pousadas e hotéis de Canela e 110 para pousadas e hotéis de Gramado. 5 empreendedores responderam ao questionário. Abaixo a análise das respostas encontradas. Iniciamos o questionário com questões relacionadas à família e a formação dos empreendedores. Todos afirmaram ter recebido apoio da família em seus estudos e atividades. Dentre os 5 entrevistados, 3 afirmaram ser filhos ou netos de empreendedores, conforme figura a seguir. Demonstrase assim a importância do modelo empreendedor. 19 Quanto à intuição, 3 entrevistados responderam que é muito importante para o sucesso do negócio e 2 responderam que é pouco importante. Nenhum empreendedor respondeu “Nenhuma importância”. A pergunta seguinte é “Como você descreveria a si próprio como líder da sua companhia?”. A seguir figura 15, com as respostas mais relevantes a respeito dessa questão: Sobre a formação dos empreendedores: 3 possuem pós-graduação completa, enquanto 1 possui ensino médio completo e 1 possui ensino superior completo, conforme figura. A segunda parte do questionário diz respeito às características da personalidade do empreendedor e seu comportamento em relação à empresa. Para a pergunta 2.1, a escala likert foi utilizada, considerando Discordo Totalmente; Discordo Parcialmente; Não concordo nem discordo; Concordo Parcialmente; Concordo Totalmente. Quando questionados sobre as características mais importantes para o gerenciamento de uma empresa, todos os entrevistados consideraram os valores pessoais e a iniciativa como características muito importantes. As demais características foram avaliadas conforme quadro abaixo, onde o número indica quantos empreendedores escolheram cada opção. Dos 5 entrevistados, 3 afirmaram ser líderes democráticos, 3 afirmaram que agem em parceria com sócios e/ou funcionários, 1 afirmou utilizar da inteligência coletiva para liderar o empreendimento e 1 afirmou trabalhar baseado na confiança entre todos funcionários, gestores e clientes. Todos os entrevistados se consideram empreendedores. A quarta parte do questionário trata do início e desenvolvimento do negócio. Apenas 1 dos entrevistados fez um plano de negócios antes de adquirir a empresa. Dentre os outros 4, um não fez nenhum tipo de planejamento. Os outros 3 empreendedores fizeram planejamento financeiro; 2 deles fizeram planejamento de mercado e 1 fez planejamento de marketing, como segue abaixo. Ver figura 5. No que diz respeito à importância das relações internas e externas da empresa: contato com os funcionários foi citado por 3 empreendedores; com clientes e com fornecedores foram citados por 2 entrevistados; as relações com a comunidade, com os sócios e com bancos foram citadas por 1 empreendedor cada uma. 1 empreendedor não especificou. 20 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste trabalho foi realizado um estudo sobre o ambiente turístico empreendedor das cidades de Gramado e Canela, no Rio Grande do Sul. Com o objetivo de identificar as características que tornam um ambiente favorável ao empreendedorismo no turismo, foi feita pesquisa bibliográfica e observação participante nas cidades, entre os dias 20 e 22 de Maio de 2011. A interface entre empreendedorismo e turismo foi considerada muito importante, visto que o turismo depende de inovação e constantes modernizações, criando ou atualizando os atrativos. Foi verificado que o empreendedorismo foi marcante na cultura das cidades em diversos períodos da sua história, inclusive por conta da criação dos eventos da cidade, que diversificam e distribuem a demanda, sendo um recurso para amenizar a sazonalidade própria do turismo. Através da observação participante e da pesquisa bibliográfica pode-se constatar que existem medidas tomadas pela prefeitura de Gramado que facilitam o surgimento de empresas do ponto de vista econômico, embora as respostas obtidas com os questionários tenham evidenciado que muito ainda pode ser feito e que no nível nacional as políticas públicas não estimulam o empreendedorismo. Acreditamos também que a cidade de Canela pode seguir o exemplo de Gramado e colocar em prática ações que favoreçam a desburocratização e facilitem a abertura e desenvolvimento de novas empresas. As dimensões cultural e social das cidades apresentam diversas características que propiciam o desenvolvimento do empreendedorismo, mesmo entre as crianças. No estudo das características dos empreendedores, constatamos a importância do modelo empreendedor, do apoio da família e das redes de relacionamentos articuladas pelos entrevistados. Sobre as características de personalidade, podemos entender que os empreendedores consideram importantes diversas características apontadas no capítulo 2, com variações entre si, não tendo considerado nenhuma delas sem nenhuma importância. Foram encontradas algumas dificuldades ao longo do estudo, por falta de informações sobre o histórico da hotelaria das regiões e pela falta de estudos que contemplem o ambiente empreendedor em turismo. Sobre a pesquisa feita através de questionários, foi uma dificuldade encontrada a falta de respostas de diversos empreendedores que concor- A última parte do questionário é sobre o ambiente em que os empreendimentos estão inseridos. Em relação às políticas públicas de apoio à atividade empreendedora relacionada ao turismo, 1 disse que na cidade elas estimulam a atividade empreendedora, mas no país não. Os outros 4 entrevistados responderam que elas não estimulam o empreendedorismo em nenhuma esfera. As justificativas para essas questões foram: 1 afirmou que as verbas públicas e de incentivo não são bem distribuídas; 1 afirmou que existe falta de prioridades no planejamento de políticas públicas regionais e estaduais; 1 citou a burocracia e os altos impostos; 1 não especificou. Você acredita que as políticas públicas existentes estimulam a atividade empreendedora relacionada ao turismo? Como oportunidades para o futuro, os empreendedores identificaram como no quadro abaixo: 21 daram em participar da pesquisa quando do contato telefônico, porém não enviaram suas respostas, mesmo depois de novos contatos por e-mail e telefone. Verifica-se que o tema deste trabalho não se esgotou e que os resultados obtidos não são definitivos. Assim, apresentamos essas conclusões esperando servirem de inspiração para novos estudos, pois acreditamos que este tema é rico e oferece diversas abordagens, sendo esta apenas uma das possíveis. MPE Brasil – Prêmio de Competitividade para Micro e Pequenas Empresas. Talentos empreendedores agora é MPE Brasil. Publicado em 27 de Maio de 2008. Disponível em <http://www.mbc.org.br/ mpe/index.php/noticias> Acesso em 06 de Dezembro de 2010. OLIVEIRA, Janaina. Ambiente empreendedor na universidade. Disponível em <http://www.redetec.org.br/publique/media/Oral_ Janaina Mendes de Oliveira. pdf>. Acessado em 15 de Outubro 2010. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TURISMO – OMT. UNWTO – Tourism Highlights 2010 Edition. Disponível em <www.unwto. org/facts/eng/highlights.htm>. Acessado em 16 de Outubro 2010. Prefeitura Municipal de Canela. Visitando Canela. Disponível em <www.canela.rs.gov.br> Acessado em 22 de Março de 2011. Prefeitura Municipal de Gramado. Disponível em <http://www. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ANDRADE, José Vicente. Turismo Fundamentos e Dimensões. São Paulo, Ed Ática, 2002. BLOG GOVERNO MIRIM. Disponível em <http://governomirim.blogspot.com/>. Acessado em 23 de Maio de 2011. 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( ) Ensino Superior Incompleto ( ) Pós - Graduação Completa 4.2 Quais as suas perspectivas para o mercado turístico e hoteleiro das cidades de Gramado e Canela? Quais oportunidades de negócios enxerga 2. Comportamento em relação ao negócio: para o futuro? 2.1 Quais as suas características pessoais mais importantes para o gerenciamento da empresa? Atribua uma nota de 1 a 5 sendo: 1 – Discordo Totalmente 3 – Não concordo nem discordo 5 – Concordo Totalmente 2 – Discordo Parcialmente 4 – Concordo Parcialmente ( ) Liderança ( ) Necessidade de realização ( ) Valores pessoais ( ) Autoconfiança ( ) Iniciativa ( ) Criatividade ( ) Perseverança ( ) Foco 2.2 Qual a importância da intuição para o sucesso do seu negócio? ( ) Muita ( ) Pouca ( ) Nenhuma 2.3 Como você descreveria a si próprio como líder da sua companhia? 2.4 Você se considera um empreendedor? 3. Início e desenvolvimento do negócio: 23