PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA ESTÃO APTOS PARA SALVAR VIDAS?
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PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DE
ODONTOLOGIA ESTÃO APTOS PARA
SALVAR VIDAS? *
PROFESSIONALS AND ACADEMICS OF
DENTISTRY ARE APT TO SAVE LIVES?
Clóvis MARZOLA **
Geraldo Luiz GRIZA ***
_______________________________________
* Trabalho apresentado como monografia para conclusão dos créditos do Curso de Especialização
em Cirurgia e Traumatologia BMF promovido pela APCD Regional de Bauru.
** Professor Titular de Cirurgia da FOB-USP aposentado. Professor dos Cursos de Especialização
e Residência em Cirurgia e Traumatologia BMF da APCD Regional de Bauru e da
Associação Hospitalar de Bauru. Orientador da Monografia.
*** Concluinte do Curso e Especialista em Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial.
PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA ESTÃO APTOS PARA SALVAR VIDAS?
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RESUMO
As emergências médicas no consultório dentário são felizmente
pouco citadas e, embora relativamente raros, na rotina do consultório
odontológico podem ocorrer casos em que se faz necessário o uso das Manobras
de Ressuscitação Cardiorrespiratória (MRC). Inúmeros fatores podem contribuir
ou desencadear uma parada cardiorrespiratória e dentre estas ocorrências podem
ser destacadas os acidentes e complicações das anestesias locais, estresse,
pacientes extremamente ansiosos, pacientes cardiopatas e/ou hipertensos, reações
alérgicas, problemas todos estes que podem ser evidentemente eliminados ou
controlados com a execução de uma anamnese de qualidade. Diante destes
aspectos, o presente estudo busca verificar se os profissionais e estudantes de
Odontologia estão preparados, para numa eventualidade, realizarem com
eficiência as MRCs. Embora se reconheça a importância de se confrontar
resultados obtidos, não foi o objetivo desta pesquisa esse procedimento, pois isto
necessitaria uma análise mais apurada da grade curricular dos cursos de
Odontologia que foram pesquisados.
ABSTRACT
The medical emergencies in the dental doctor's office happily are
little cited and, even so relatively rare, in the routine of the dentistry doctor's
office cases can occur where if it makes necessary the use of the Maneuvers of
Cardiorespiratory Resuscitation (MCR). Innumerable factors can contribute or to
unchain a cardiorespiratory stop and amongst these occurrences the accidents and
complications of local anesthesias can be detached, stresses, extremely anxious
patients, patient cardiopates and/or hypertensis, allergic reactions, problems all
these that can evidently be eliminated or controlled with the execution of one
anamnese of quality. Ahead of these aspects, the present study he searches to
verify if the professionals and students of Dentistry are prepared, stop in an
eventuality, to carry through with efficiency the MCRs. Although if it recognizes
the importance of if collating resulted gotten, this procedure was not the objective
of this research therefore this would need a more refined analysis the curricular
grating of the courses of Dentistry that had been searched.
Unitermos: Salvar vidas, manobras; Cardiorrespiratória, Respiração boca a boca.
Uniterms: To save lives, cardio respiratory maneuvers, Breathe mouth the mouth.
INTRODUÇÃO
As emergências médicas no consultório dentário são felizmente
pouco citadas (PETERSON et al., 1996) e, embora relativamente raros, na rotina
do consultório odontológico podem ocorrer casos em que se faz necessário o uso
das Manobras de Ressuscitação Cardiorrespiratória (MCR). Inúmeros fatores
podem contribuir ou desencadear uma parada cardiorrespiratória e dentre estas
ocorrências podem ser destacadas os acidentes e complicações das anestesias
locais, estresse, pacientes extremamente ansiosos, pacientes cardiopatas e/ou
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hipertensos, reações alérgicas, problemas todos estes que podem ser
evidentemente eliminados ou controlados com a execução de uma anamnese de
qualidade.
Ressalta-se que, embora as Manobras de Ressuscitação
Cardiorrespiratória sejam apresentadas aos estudantes de odontologia nas
disciplinas de Cirurgia e Traumatologia Buco maxilo facial (CTBMF), muitos
desses alunos, ainda durante o curso ou no exercício da profissão, não têm a
oportunidade de assimilar o procedimento de forma correta. Estas manobras
necessitam de muita rapidez e conhecimento profundo em toda a sua seqüência e,
mesmo sendo um procedimento relativamente simples, é uma emergência médica
extrema, cujo resultado final, quando não tratada adequadamente poderá tornar-se
uma lesão cerebral irreversível com a morte dentro de minutos. (ERAZO;
PIREZ, 1986).
Atenta-se ainda que a responsabilidade legal (CRO-PR - Lei n°
5.081 de 24 de agosto de 1966) não diferencia especialista e clínico quanto à
responsabilidade de atuar frente a emergências em consultório ou ambulatórios de
Odontologia. Assim, é dever de professores e acadêmicos dedicar-se em
compreender responsavelmente tais manobras (PINHEIRO; SILVA, 1996).
Muitas vezes os profissionais, diante de uma eventual situação em
que se faça necessária a realização da correta seqüência dessa manobra, não
conseguem realizá-la de forma protocolar e, num período de tempo adequado,
resultando, como já mencionado, em lesões cerebrais muitas vezes irreversíveis,
levando ao óbito (MARZOLA, 1999).
Neste sentido, a importância da prevenção, preparação e educação
continuada, no controle de acidentes, está com ampla possibilidade de
recuperação do paciente.
Diante destes aspectos, o presente estudo busca verificar se os
profissionais e estudantes de Odontologia estão preparados, para numa
eventualidade, realizarem com eficiência as MCRs. Embora se reconheça a
importância de se confrontar resultados obtidos, não foi o objetivo desta pesquisa
esse procedimento, pois isto necessitaria uma análise mais apurada da grade
curricular dos cursos de Odontologia que foram pesquisados.
Procurou-se, também, confrontar diferentes trabalhos realizados
acerca das MCRs frente aos resultados a serem obtidos no presente trabalho.
Justifica-se, portanto, a presente investigação, na medida em que se propõe um
alerta à Comunidade Odontológica em geral, a observar com rigor o aprendizado e
o ensino continuado sobre as manobras de ressuscitação cárdio-pulmonar (MCR).
REVISTA DA LITERATURA
Existem várias definições de parada cardíaca e respiratória,
variando de autor para autor, com alguns afirmando mesmo que se trata de
eventos distintos (MAGALHÃES; CANFORTE, 1989). Outros, entretanto
afirmam que a morte clínica poderá ocorrer como resultante primariamente de
uma parada cardíaca ou mesmo respiratória, porém ambas estão estreitamente
relacionadas sendo preferível referir-se à “parada cardiorrespiratória” (CAT;
GIRALDI, 1983). O importante, na verdade, para outros autores é que no enfarto
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agudo do miocárdio, 53% dos pacientes vão a óbito imediatamente
(TIMERMAN et al., 1989 e ALVAREZ, 1993).
Apenas 40% dos pacientes que morrem devido a doenças
coronárias, sobrevivem um tempo relativamente suficiente para chegarem a um
hospital (CORDAY; DODGE, 1977).
Pesquisa envolvendo médicos recém-formados revela que somente
55% deles conseguiam realizar com segurança uma massagem cardíaca e
respiratória em manequins (SKINNER; CAMM; MILES et al., 1985).
Parada cardiorrespiratória pode ser considerada como sendo a
cessação súbita e inesperada da atividade ventricular útil e suficiente num
indivíduo que não tenha moléstia crônica incurável e irreversível
(MURAHOVSCHI, l989 e LANE; ALBARRAN, l993). A parada cardíaca
pode ainda tratar-se de “uma repentina perda da capacidade do coração para
manter a circulação”, sendo reconhecida como de duas ordens, a sistólica e a
fibrilação ventricular (GRAZIANI, l986).
Os sintomas da parada cardíaca, além da dificuldade de respiração,
são a ausência de pulso, cianose, dilatação das pupilas e ausência de reflexo
pupilar, a cessação da hemorragia na ferida cirúrgica e um aspecto relativamente
escuro do sangue.
A terminologia parada cardíaca pode ser conceituada como a
cessação súbita dos batimentos cardíacos e conseqüentemente da circulação
sistêmica, podendo ser causada por diversos fatores isolados ou em associação
(PINHEIRO; SILVA, l996). Portanto, a parada cardiorrespiratória é uma
emergência médica e, como tal deverá ser tratada.
As manobras de ressuscitação cardiorrespiratória devem ser
desenvolvidas em menos de 3 minutos, sendo que a partir desse tempo, o índice
de óbito é elevado (LOPEZ RODRIGUEZ et al., 1985). Recomendam, assim,
um programa de treinamento de manobras de ressuscitação cardiorrespiratória
para a população em um modo geral.
O tratamento é constituído de fases bem definidas, como o
reconhecimento, restituição da função e o tratamento pós-parada. Qualquer que
seja a causa da inadequação respiratória, a conseqüência mais importante sempre
é a perda da consciência por hipóxia e hipercapnéia com seus efeitos secundários,
tais como a obstrução respiratória aguda pela queda para trás da língua e abolição
do reflexo da tosse, além do reflexo palatino (CAT; GIRALDI, l983).
Quando ocorre a parada estão presentes cianose e convulsões
dentro de um minuto e a taquicardia inicial será substituída por bradicardia e
parada cardíaca. Dentro de três minutos todos os esforços respiratórios terão
cessado e dentro de cinco minutos a pressão arterial terá caído a um nível
incompatível com a sobrevida.
Desta maneira, na ressuscitação
cardiorrespiratória devem ter prioridade as medidas para restabelecer a respiração,
porque sem uma oxigenação adequada, nenhum tratamento da diminuição do
débito cardíaco terá sucesso (CAT; GIRALDI, l983).
Deve-se destacar que, a parada cardíaca é um diagnóstico clínico.
Desta maneira, um paciente com palidez e cianose, ausência de esforço
respiratório e de pulsos periféricos e da artéria carótida, com pupilas dilatadas que
não reage à luz, não deve significar de nenhuma maneira que já tenha passado a
fase de auxílio, mas sim que o restabelecimento de suprimento de oxigênio aos
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tecidos, particularmente ao cérebro, deva ser obtido tão rápido quanto possível. A
ausência de pulso carotídeo indica a falta de ejeção grandemente inadequada pelo
coração e a dilatação pupilar que ocorre dentro de 45 segundos, implicando em
isquemia cerebral (CAT; GIRALDI, l983).
Não é propósito deste trabalho adentrar nos pormenores da
ressuscitação cardiorrespiratória como as alterações clínicas e laboratoriais que
ocorrem numa parada cardíaca ou respiratória. Somente, citam-se quais
alterações ocorrem, tais como as alterações no sistema nervoso central, alterações
circulatórias, respiratórias, renais, endócrinas, hepáticas, gástricas, metabólicas,
ácido-básicas e hidroeletrolíticas, além das hematológicas e endotoxemia (CAT;
GIRALDI, l983).
A reanimação é a conjugação da ventilação artificial por insuflação
boca a boca ou suas variantes, além da circulação artificial por massagem cardíaca
externa (MARZOLA, 1999).
Para efetivar-se o tratamento de uma parada cardiorrespiratória é
necessário o conhecimento das manobras de ressuscitação cardiorrespiratória
(MARZOLA, 1999).
A massagem cardíaca externa consiste primeiramente no
posicionamento correto do paciente que deverá estar com o corpo totalmente
apoiado numa superfície firme como, por exemplo, o assoalho e o profissional
deverá ajoelhar-se ao seu lado. Elimina-se toda a prótese ou corpo estranho que
possa ter na boca, colocando-se o colo em hipertensão para permitir boa passagem
do ar. Isto poderá ser feito colocando-se uma mão sobre a fronte para deslocandose o crânio para trás e para baixo e a outra mão embaixo da mandíbula para
levantá-la. Ou ainda, o profissional levanta o pescoço com uma das mãos
colocando imediatamente sua boca sobre a boca do paciente, expirando-se nela,
sem esquecer-se de ocluir as fossas nasais da vítima.
Faz-se também, ao mesmo tempo, massagem cardíaca ao notar-se
que o paciente está sem pulso perceptível colocando-se a palma da mão sobre a
metade inferior do externo e imediatamente a outra mão sobre esta. Os dedos da
mão inferior devem situar-se paralelos às costelas, sem tocá-las e, essa pressão
não deve ser exercida sobre a apófise xifóide.
Manobras de compressão devem ser realizadas à razão de uma vez
por segundo, mediante movimento firme e uniforme, sem características de golpe.
Depois dos primeiros movimentos de compressão o externo poderá ser deslocado
quatro ou cinco centímetros para baixo. Ao final de cada compressão deve
manter-se a pressão durante uma fração de segundo para permitir que o coração se
esvazie, levantando-se rapidamente as mãos. A elasticidade do tórax fará com
que ele se expanda e que o coração se encha novamente. Em crianças usa-se
somente uma mão (MARZOLA, 1999).
Se o profissional estiver só, ao finalizar 15 manobras de
compressão, deve proceder imediatamente à ventilação dos pulmões com duas
expirações profundas, alterando as duas técnicas até poder contar com um
auxiliar. Quando tiver um ajudante, a ventilação deverá ser realizada uma vez a
cada cinco manobras de compressão, até a chegada de socorro, que deverá ser
providenciado imediatamente. Se a massagem e a ventilação forem eficazes, o
profissional poderá obter fluxo de sangue oxigenado de aproximadamente 40-60%
do normal. Foi demonstrado que isto é suficiente para manter-se coração e o
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cérebro vital durante sessenta minutos aproximadamente (PINHEIRO; SILVA,
1996 e MARZOLA, 1999).
O óbito pode ocorrer de uma forma inesperada e instantaneamente,
ou ainda num espaço de tempo de uma hora após o aparecimento dos sinais e
sintomas, numa pessoa com ou sem doença cardíaca preexistente (HARRISSON,
l985).
O tratamento imediato para o sucesso da manobra é o
restabelecimento dos batimentos cardíacos além da oxigenação do cérebro e,
conseguindo-se esse intento, leva-se imediatamente o paciente ao hospital. Caso
não ocorra o retorno dos batimentos cardíacos é necessário que se continue a
massagem cardíaca e ventilação pulmonar mesmo durante o deslocamento para
um hospital (MARZOLA, 1999).
As chances de uma emergência médica desta natureza, ocorrer num
consultório odontológico são elevadas pelas seguintes razões (MALAMED, 1979
e 1985; EDMONSON; FRAMA, 1986; PENA; JORGE, 1989; PINHEIRO;
SILVA, 1996 e MARZOLA, 1999):
1. O grande número de pessoas em diversas faixas etárias e em
condições de saúde variáveis que são atendidas nos consultórios;
2. Os Cirurgiões Dentistas realizam certos procedimentos que
podem resultar em estresse fisiológico e emocional consideráveis;
3. O uso de drogas para realizar uma anestesia local, sedação e
antibióticos, podem ser utilizados e o são, sem os devidos cuidados;
4. A população de faixa etária mais avançada leva a um número
muito maior de pacientes considerados daquele “grupo de risco”;
5. Os modernos avanços da medicina têm levado a um aumento no
número de pessoas portadoras de doenças crônicas, próteses artificiais e
transplantados, o que também leva a um aumento no número de pacientes
considerados do “grupos de risco”.
METODOLOGIA
Este trabalho foi realizado utilizando-se referências bibliográficas
acerca das manobras de ressuscitação cardiorrespiratória, por artigos e livros
especializados no assunto e para a consecução dos objetivos propostos utilizou-se
de coleta de dados primários. Os dados da pesquisa foram obtidos mediante
questionário elaborado para avaliar o nível de conhecimento das manobras de
ressuscitação cardiorrespiratória, através de entrevistas dirigidas aos profissionais
de odontologia da região oeste do Paraná, durante a Sexta Jornada Odontológica
do Oeste do Paraná com 103 entrevistas, além de alunos de Odontologia das
seguintes Universidades paranaenses:
1. Universidade Federal do Paraná (UFPR): sétimo período: trinta e
três alunos (33) e, oitavo período com dezessete alunos (17);
2. Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR): quarto
ano: sessenta e sete alunos (77);
3. Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG): quarto ano:
onze alunos (11);
4. Universidade Tuiuti: quarto ano: dezessete alunos (17);
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5. Universidade Estadual de Londrina (UEL): quarto ano: vinte e
três alunos (23).
Totalizaram-se desta forma, duzentos e setenta e uma entrevistas
(271), com aplicação do questionário (Fig. 1).
Este questionário constava de uma folha de papel, que era entregue
aos alunos ou a profissionais, pedindo-se para que estes a mantivessem na posição
invertida. Os participantes foram orientados a não virar a folha até que lhes fosse
avisado para fazê-lo, em virtude da necessidade de se controlar o tempo para a
resposta da pergunta contida na folha seguinte e, também, para que fosse
explicado o objetivo do questionário e, como seria desenvolvida a presente
pesquisa. O questionário consistiu, assim, de uma série de sete gravuras (EVANS
in JORGENSEN; HAYDEN, 1972 e PINHEIRO; SILVA, 1996) e, montadas
de uma forma desordenada, nas quais se ilustravam as manobras a serem seguidas
durante a realização de uma ressuscitação cárdio-pulmonar. Para a realização do
teste, os participantes dispuseram de um minuto.
Os grupos estudados, tanto de profissionais como de estudantes de
Odontologia, foram de ambos os gêneros.
Os questionários foram aplicados e analisados exclusivamente pelo
executante da pesquisa.
Ressalta-se ainda que as respostas obtidas são apresentadas através
de gráficos que demonstram os resultados através de média percentual,
representando o total de questionários aplicados.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Como os resultados obtidos demonstraram um conhecimento
acerca do assunto extremamente baixo, é necessário que a comunidade
Odontológica tome conhecimento das medidas de prevenção, preparação, além de
uma educação continuada a esse respeito.
Na prevenção o que se pode relatar é que uma compreensão da
freqüência relativa das emergências e o conhecimento daquelas que são capazes
de produzir uma morbidade séria e mortalidade, são muito importantes quando o
Cirurgião-Dentista pode determinar prioridades para as medidas de prevenção.
Num estudo realizado em pacientes em Faculdades de Odontologia revelou que a
hiperventilação, crises convulsivas e hipoglicemia foram as três situações mais
comuns de emergências ocorridas com pacientes antes, durante ou logo após um
tratamento odontológico de rotina (MALAMED, 1985). Estes são seguidos em
freqüência por síncope vasovagal, angina pectoris, hipotensão ortostática e
reações de hipersensibilidade (alérgicas).
A incidência de emergências médicas pode ser maior em pacientes
que recebem tratamento ambulatorial em cirurgia bucal quando comparadas com
aqueles que recebem tratamento não-cirúrgico por três fatores (MALAMED,
1979 e 1985):
1. A cirurgia gera estresse mais freqüentemente;
2. Comumente um grande número e medicamentos são
administrados ao paciente que irá se submeter a uma cirurgia e,
3. Consultas mais longas podem ser necessárias para a execução da
cirurgia.
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Estes fatores são bem conhecidos como responsáveis pelo aumento
da probabilidade de emergências médicas. Outros fatores conhecidos no aumento
do potencial de emergências médicas podem ser a idade do paciente (pacientes
muito jovens e muito idosos são de grande risco), a habilidade da medicina que
atualmente mantém pessoas portadoras de doenças sérias sob controle no
ambulatório, além da crescente variedade das drogas que os Cirurgiões-Dentistas
são capazes de administrar em seus consultórios.
A prevenção das emergências médicas é objetivo fundamental para
o seu manuseio. O primeiro passo é a avaliação do risco, com isto se inicia com
uma cuidadosa avaliação médica que, no consultório odontológico envolve
primariamente a obtenção de uma história médica precisa, incluindo uma revisão
dos sistemas, guiada por respostas positivas pertinentes à história do paciente. Os
sinais vitais devem ser registrados e um exame físico, baseado na história médica
do paciente e do problema atual, deve ser executado. Os resultados da avaliação
médica são assim, usados para determinar uma classificação de estado físico.
Existem alguns sistemas de classificação, contudo, o mais comumente utilizado é
o sistema de classificação de estado físico da Sociedade Americana de
Anestesiologia (ASA – American Society of Anesthesiologists), que apresenta tal
classificação da seguinte maneira:
ASA I – paciente saudável normal;
ASA II – paciente com doença sistêmica moderada ou fator de
risco significante;
ASA III – Paciente com doença sistêmica grave não incapacitante;
ASA IV – Paciente com doença sistêmica grave que é constante
ameaça de vida;
ASA V - Paciente moribundo cuja sobrevivência não é esperada
sem a cirurgia;
ASA VI – Paciente declarado com morte cerebral cujos órgãos
serão removidos com o propósito de doação.
Uma vez que uma categoria ASA de estado físico tenha sido
determinada, o Cirurgião-Dentista poderá decidir se o tratamento necessário pode
ser seguro e rotineiramente executado no consultório odontológico. Se o paciente
não for ASA classe I, o profissional geralmente tem quatro opções:
1. Modificar os planos de tratamento de rotina com redução dos
níveis de ansiedade, técnicas farmacológicas de controle da ansiedade e/ou
monitorização mais cuidadosa do paciente durante o tratamento;
2. Obter auxílio médico para orientar o preparo dos pacientes que
irão se submeter à cirurgia bucal;
3. Recusar-se a tratar o paciente em ambiente ambulatorial, e,
4. Remeter o paciente a um Cirurgião Buco maxilo facial.
Muito embora qualquer paciente possa ter uma emergência médica
a qualquer momento, algumas condições predispõem o paciente a determinadas
emergências médicas no consultório dentário. Essas condições são mais passíveis
de se tornarem uma emergência quando o paciente está psicológica e
emocionalmente estressado.
Uma vez que os pacientes que são propensos a desenvolver
emergências médicas sejam reconhecidos, o Cirurgião-Dentista poderá evitar
PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA ESTÃO APTOS PARA SALVAR VIDAS?
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muitos problemas modificando a maneira como o tratamento é oferecido,
prevenindo-se assim, qualquer problema que possa vir a ocorrer.
A preparação é outro dos fatores mais importantes no controle das
emergências médicas após a prevenção. Essa preparação para o manejo da
emergência deverá incluir (PETERSON et al., l988 e MARZOLA, 1999):
1. Assegurar que a sua própria instrução seja adequada;
2. Possuir uma equipe auxiliar treinada para auxiliar em
emergências médicas;
3. Estabelecer um sistema para ganhar pronto acesso a outros
centros de cuidado de saúde capazes de ajudar durante emergências e,
4. Prover o consultório com equipamentos e medicamentos
necessários para tratar os pacientes que apresentem problemas sérios.
O Cirurgião-Dentista deve ter recebido treinamento na faculdade de
tal modo a poder avaliar o risco do paciente, além de possuir condições para vir a
tratar emergências médicas. Contudo, devido à raridade destes problemas, os
profissionais da Odontologia devem sempre procurar educação continuada nesta
área, não apenas para relembrar seus conhecimentos como também para aprender
novas idéias a respeito da avaliação e controle médico das emergências
(MARZOLA, 1999).
Um ponto importante da educação continuada deve ser o
certificado em Suporte Básico de Vida (SBV). Muitos têm recomendado que a
educação continuada no controle de emergências médicas deva ser garantida
através do certificado de SBV que os Cirurgiões-Dentistas devem obter duas
vezes por ano. Cirurgiões-Dentistas que utilizam sedativos parenterais como
óxido nitroso devem ser treinados em Suporte Avançado Cardíaco de Vida
(SACV), além de possuírem o equipamento necessário para SACV de modo
acessível (PETERSON et al., l988).
Aproximadamente 60% das mortes súbitas são de origem
cardiovascular (PENA; JORGE, 1989), e atenção durante os primeiros minutos
deve ser realizada com participantes da comunidade sendo chamada “resposta
inicial”. Posteriormente se levam a cabo etapas progressivas realizadas por
pessoal treinado que é o “suporte vital básico cardíaco” e o “suporte vital
avançado do coração” nas unidades de cuidados intensivos. O manejo a médio e
longo prazo compreende a reabilitação do paciente se necessário, além da
prevenção do desenvolvimento de futuros eventos.
Na verdade, toda esta educação tem seu início na formação
universitária, e, como se observou, deverá ser continuada no decorrer da vida
profissional.
Para tanto, esta pesquisa revelou que 23% do total dos
entrevistados emitiu respostas consideradas corretas, quando da realização da
pesquisa, frente a 77% de respostas erradas (Gráfico 1).
Num estudo comparativo e individualizado de cada grupo
participante da pesquisa, pode-se notar que o maior índice de acertos foi
alcançado pelos acadêmicos do 8º período da UFPR, com 47% de respostas
corretas (Gráfico 2). Em seguida por aqueles do 7º período desta mesma
instituição com 27% de acertos (Gráfico 3). Respectivamente, aparecem ainda
26% junto à UEL (Gráfico 4), 25% para os acadêmicos da PUC (Gráfico 5) e,
12% junto à Universidade TUIUTI (Gráfico 6).
PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA ESTÃO APTOS PARA SALVAR VIDAS?
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Um dado que chama a atenção, alarmante mesmo, junto às
instituições de ensino foi aquele obtido junto a UFPG, com 0% de acertos por
parte dos acadêmicos entrevistados (Gráfico 7). Com relação à Jornada
Odontológica do Oeste do Paraná (JOOP), observou-se um percentual de acertos
de 19% (Gráfico 8).
Gráfico 1 - 23% do total dos entrevistados emitiram respostas consideradas corretas, quando da
realização da pesquisa, frente a 77% de respostas erradas.
CERTAS
23%
CERTAS
ERRADAS
ERRADAS
77%
Gráfico 2 - 47% do total dos alunos entrevistados do 8 P da UFPR emitiram respostas
consideradas corretas, contra 53% erradas.
17
20
15
8
9
U FPR - 8P
10
5
0
CERTA
ERRADA
TOTAL
PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA ESTÃO APTOS PARA SALVAR VIDAS?
290
GRÁFICO 3 - 27% do total dos alunos entrevistados do 7 P da UFPR emitiram respostas
consideradas corretas, contra 73% erradas.
33
35
24
30
25
20
15
U FPR - 7 P
9
10
5
0
C ER T A ER R AD A
T O T AL
Gráfico 4 – 26% dos entrevistados da Universidade Estadual de Londrina emitiram respostas
corretas e 74%, erradas.
23
25
17
20
15
10
UEL
6
5
0
CERTA
ERRADA
TOTAL
PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA ESTÃO APTOS PARA SALVAR VIDAS?
Gráfico 5 – 25% dos entrevistados pela PUC-PR emitiram respostas corretas e 75% erradas.
67
80
50
60
40
PUC
17
20
0
CERTA
ERRADA
TOTAL
Gráfico 6 – 12% dos entrevistados pela Tuiuti-PR emitiram respostas corretas e 88% erradas.
17
20
15
15
T U IU T I
10
5
2
0
CERTA
ERRADA
TOTAL
291
PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA ESTÃO APTOS PARA SALVAR VIDAS?
292
Gráfico 7 – 0,0% dos entrevistados da UEPG-PR emitiram respostas certas e 100,0% erradas.
11
15
11
10
UEPG
0
5
0
CERTA
ERRADA
TOTAL
Gráfico 8 – 19% dos profissionais entrevistados da Jornada Odontológica do Oeste do Paraná
emitiram respostas consideradas corretas e 81% erradas.
150
103
83
100
20
50
0
CERTA
ERRADA
TOTAL
O presente estudo buscava, também, confrontar os resultados
obtidos na pesquisa com trabalhos já realizados por outros autores, exibindo assim
um panorama do ensino desse tipo de treinamento.
Assim, no estudo de TOAPANTA et al., (1995) em Cuba, com o
objetivo de determinar os conhecimentos sobre reanimação cárdio-pulmonar
básica e avançada, constatou-se que somente 2,28% dos entrevistados
responderam corretamente o questionário básico. Podem-se notar, comparando
esses dados com a presente investigação, que os mesmos se encontram bem
próximos da realidade.
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293
Faz-se menção também ao trabalho realizado na Universidade
Federal de Pernambuco, onde 4,3% dos participantes acertaram as respostas do
questionário (PINHEIRO; SILVA, 1996), sendo que nesta pesquisa foi utilizado
o mesmo modelo de figuras, tempo e outras características do citado projeto.
Podem-se notar, também, os achados bastante semelhantes entre as respostas
encontradas, evidenciando sempre o baixo índice de treinamento neste tipo de
manobra.
- O que pode estar ocorrendo, nas universidades e nos próprios
Consultórios Odontológicos que explique o alto grau de desconhecimento no trato
de emergências? (GRIZA, 1998).
- Como pode ser revista esta questão por parte dos ministrantes
desta disciplina ou de outras que podem estar relacionadas?
O que pode e deve ser realizado são os constantes tipos de
treinamentos tanto em faculdades quanto em serviços públicos, tendo sempre
como objetivo principal a elevação do ser humano, pois se praticando este tipo de
manobra pode-se estar salvando vidas, que é o principal escopo do ensino
universitário na área da saúde.
Este estudo deixa um alerta muito significativo que mostra o quão
despreparados estão os profissionais da área Odontológica, evidenciando,
também, que deve existir uma maior dedicação dos alunos em assimilarem os
ensinamentos propostos na sua grade curricular além de também dos professores
em dedicarem-se mais no ensino destas manobras para que possam salvar vidas
em seus consultórios, hospitais e essencialmente na comunidade (GRIZA, 1998).
Nos estudos comparativos com outras localidades notou-se que o
despreparo é geral. É importante relembrar que em torno de 60% dos indivíduos
que são acometidos de parada cardiorrespiratória súbita irão a óbito. Também,
ressalta-se que os três primeiros minutos são extremamente importantes no
processo de reparação dos órgãos vitais envolvidos. Para tanto, é de extrema
necessidade que as manobras de ressuscitação cardiorrespiratória estejam sempre
vivas na memória do profissional, bem como deveriam estar também vivas na
memória da população em geral, pois esta é uma manobra de primeiros socorros
(GRIZA, 1998).
Convém sinalizar para o pequeno número de estudos relativos a
esta área que leva a pensar no porquê não são realizados.
- Será por que estas emergências são raras em consultório
Odontológico?
- Será por que estas emergências só acontecerão com os outros e
nunca no “meu ambiente de serviço”?
- Será por que isso não é da competência do ser humano em geral,
nem da competência do Cirurgião-Dentista e sim da competência exclusiva do
médico?
Independente de quem seja a competência, os profissionais da área
da saúde têm obrigação de conhecer tais manobras além de também de terem
obrigação de reciclarem-se a respeito do assunto, até porque assim evitam-se
transtornos maiores com a ética, com o juramento prestado e com a justiça.
Com todo este quadro exposto nesta pesquisa, sinaliza-se para uma
maior dedicação da comunidade às manobras de ressuscitação cardiorrespiratória,
principalmente porque os profissionais de Odontologia devem estar sempre bem
PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA ESTÃO APTOS PARA SALVAR VIDAS?
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preparados técnica e cientificamente para resolverem com qualidade as questões
relativas ao seu universo.
Também, se faz necessário que a técnica de ressuscitação
cardiorrespiratória seja de conhecimento da população em geral, e que
treinamentos sejam realizados rotineiramente para que se obtenha uma completa
integração, entre a comunidade leiga e a científica, preservando-se assim o bem
maior do ser humano que é o direito à vida (GRIZA, 1998).
CONCLUSÕES
Pelos resultados obtidos parece lícito poder-se concluir que:
1. Os profissionais e os alunos da área de Odontologia estão
completamente despreparados para enfrentarem tão grave problema dentro dos
consultórios odontológicos ou em hospitais, devendo existir maior dedicação
principalmente dos alunos em assimilarem os ensinamentos propostos na sua
grade curricular.
2. Os professores devem dedicar-se mais ao ensino dessas
manobras para que possam salvar vidas em seus consultórios, hospitais e
principalmente numa comunidade.
3. Dos 271 profissionais e acadêmicos entrevistados no presente
estudo, 23% responderam acertadamente e 77% de maneira incorreta.
4. Os acadêmicos do oitavo período (17) da faculdade de
odontologia da Universidade Federal do Paraná responderam 47% corretamente e
53% e modo incorreto.
5. Os acadêmicos do sétimo período (33) da Faculdade de
Odontologia da Universidade Federal do Paraná responderam 27% corretamente e
73% e modo incorreto.
6. Os acadêmicos do quarto ano (23) da Faculdade de Odontologia
da Universidade Estadual de Londrina no Paraná, responderam 26% corretamente
e 74% e modo incorreto.
7. Os acadêmicos do quarto ano (67) da Faculdade de Odontologia
da Pontifícia Universidade Católica do Paraná responderam 25% corretamente e
75% e modo incorreto.
8. Os acadêmicos do quarto ano (17) da Faculdade de Odontologia
da Universidade Tuiuti no Paraná, responderam 12% corretamente e 88% e modo
incorreto.
9. Os acadêmicos do quarto ano (11) da Faculdade de Odontologia
da Universidade Estadual de Ponta Grossa no Paraná responderam 0%
corretamente e 100% e modo incorreto.
10. Os profissionais de Odontologia da Região Oeste do Paraná
(103), durante a Sexta Jornada Odontológica do Oeste do Paraná responderam
19% corretamente e 81% e modo incorreto.
11. Os profissionais e acadêmicos da área da saúde têm obrigação
de conhecer tais manobras, reciclando-se a respeito do assunto, até porque assim,
evitam-se maiores transtornos tanto com a ética quanto com a justiça, fazendo
valer nosso célebre juramento prestado no dia de nossa formatura.
PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA ESTÃO APTOS PARA SALVAR VIDAS?
A
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B
C
D
E
F
G
Fig. 1. – (A, B, C, D, E, F e G) A ficha que era entregue aos profissionais e acadêmicos para ser
colocada em ordem de acordo com os passos corretos da manobra.
PROFISSIONAIS E ACADÊMICOS DE ODONTOLOGIA ESTÃO APTOS PARA SALVAR VIDAS?
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