2032
X Salão de
Iniciação Científica
PUCRS
Salvar a Terra: a contribuição da Teologia para a ética do cuidado
na ecologia
Renan Dall’ Agnol (bolsista da FAPERGS), Dr. Leomar Antônio Brustolin (orientador)
Faculdade de Teologia, PUCRS.
Resumo
A vinculação
da crise ecológica
ao
paradigma da
“dominação” suscita
questionamentos à fé judaico-cristã. Há acusações que pretendem culpar essas tradições
religiosas de terem fomentado a exploração descontrolada da natureza. A expressão do
Gênesis “dominai a terra” é que teria sustentado tal postura. Cabe a esta pesquisa verificar
como esse versículo bíblico possibilita tanto a ética do cuidado, quanto a exploração natural.
Objetiva-se apresentar os aspectos teológicos que promovam a ética do cuidado,
indispensável perante os problemas ecológicos. Neste sentido, a teologia busca restituir o
simbolismo exegético do relato da criação para propor o cuidado pelo cosmos, no qual o ser
humano não é dono e sim criatura verdadeiramente livre e responsável pelo mesmo.
Introdução
A compreensão antropocêntrica da natureza pode ser fundamentada biblicamente?
Quais são as razões para associar o início do Livro do Gênesis como modelo à soberania
humana sobre o cosmos? Esta pesquisa, então, busca manifestar o sentido teológico da criação
em seu contexto histórico, por meio dos apontamentos exegéticos. Assim realizado o estudo
direcionar-se-á para o contexto da pós-modernidade. É perceptível que ainda não há uma
mudança efetiva na superação da violência ao ambiente natural, não obstante a cultura
promova uma consciência ecológica. Por que o paradoxo? A crise ecológica expressa a
fragmentação do indivíduo pós-moderno. É possível a salvação do cosmos, no qual está
presente o ser humano? O conceito de salvação é intrínseco às religiões, por isso resgata-se
essa expressão para um novo paradigma em relação ao cosmos. Perante esses
questionamentos, a pesquisa quer manifestar como a teologia pode colaborar. A pesquisa
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prosseguirá comparando as teorias exegéticas com as práticas comunitárias de preservação do
ambiente.
Metodologia
Levantamento de material bibliográfico; estudo acerca da problemática indicada pela
pesquisa; reflexão teológica em consonância com outras áreas científicas; pesquisa e estudo
de experiências cristãs das comunidades gaúchas que desenvolvem atividades de preservação
do meio ambiente local e de defesa da vida; produção de textos.
Discussão
Uma tendência corrente na sociedade é relegar o desequilíbrio ambiental a uma
problemática meramente tecnológica, ou seja, somente alternativas deste campo gnosiológico
poderiam intrinsecamente diminuir a poluição ambiental e resolver o problema ecológico.
Apesar da imprescindibilidade do desenvolvimento científico e de suas inovações que
procuram amenizar o impacto ambiental, é preciso compreender a orientação paradigmática
que o angaria. Neste sentido, não é possível uma neutralidade objetiva da tecnologia. Todo
conhecimento ancora-se num determinado interesse. Assim, também a teologia busca
contribuir na edificação de um novo modelo ético que valorize a natureza.
Assumindo para si a ruptura entre fé e ciência, a teologia, na modernidade, considerou
a necessidade da crença na criação sem buscar compreendê-la. Nesta possível conclusão, a
exegese bíblica proporcionou uma elucidação simbólica do Livro do Gênesis. Vinculando a
criação à escatologia, a teologia renova os modelos antropológicos que promovem a relação
de dominação entre ser humano e natureza em vistas de um final feliz. Na fragmentação da
pessoa humana, a pesquisa busca resignificar a protologia e a escatologia para propor uma
ética do cuidado, necessária ao atual contexto da crise ecológica.
Conclusão
No atual processo da pesquisa, os estudos permitem constatar que a justiça social não
pode ser alcançada sem uma justiça natural. Percebendo esta interdependência, vê-se que toda
dominação natural repercute numa dominação humana. Por isso, é preciso, sem protelar,
refletir sobre a crise ecológica em sua base paradigmática para salvar a vida. Por outro lado, a
pesquisa deverá aprofundar a vinculação do paradigma de dominação ao versículo do Gênesis
“dominai a terra”, confrontando-se com a crítica da civilização ocidental que acusa a tradição
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judaico-cristã de potencializar a exploração da natureza, para assim propor novas orientações
à ética do cuidado.
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