Trabalho 131
A PARTICIPAÇÃO DO ACADÊMICO DE ENFERMAGEM NA ATENÇÃO PRÉNATAL: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Everton Ferreira Lemos1
Aline Amorim da Silveira2
Dilane Silveira de Jesus2
Thaiana Tássia Correa Celestino 2
Sandra Luzinete Félix de Freitas3
Maria Auxiliadora de Souza Gerk4
Introdução: O relato apresenta a experiência de acadêmicos de enfermagem na atenção pré-natal de risco
normal durante o desenvolvimento de atividades práticas e estágio obrigatório no ambulatório de
Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Universitário. O enfermeiro possui embasamento teórico-científico
e respaldo legal1, garantido pela Lei do Exercício Profissional nº 7.498, de 25 de junho de 1986,
regulamentada pelo Decreto nº 94.406/87, para realizar as consultas de pré-natal de risco normal. Sabe-se
que durante a gravidez transcorrem inúmeras modificações físicas e emocionais que podem gerar dúvidas
e inseguranças às gestantes2. Nessa perspectiva, o Manual Técnico de Assistência ao Pré-Natal do
Ministério da Saúde descreve a importância da realização de um trabalho voltado para ações educativas e
humanizadas e propõe ao enfermeiro as seguintes ações que tenham por objetivo a boa qualidade no
atendimento e uma visão holística a esta clientela3. Objetivo: Descrever a participação dos acadêmicos na
consulta de enfermagem à gestante de risco normal. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo, do
tipo relato de experiência. As experiências obtidas foram durante as consultas realizadas pelos
acadêmicos com a enfermeira tutora, no consultório de enfermagem do Ambulatório de Ginecologia e
Obstetrícia do Núcleo de Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, no
período das atividades práticas das disciplinas Enfermagem Ginecológica e Obstétrica (EGO) e Estágio
Obrigatório em EGO no ano de 2010. O estágio Obrigatório em EGO apresentava como objetivo geral
realizar a aplicação de conhecimentos, atitudes e habilidades, de forma fundamentada e sistematizada, na
assistência de enfermagem à gestante, à parturiente, ao binômio mãe-filho e à mulher em todos os níveis
de atenção à saúde. Durante as consultas eram contempladas todas as etapas do Processo de Enfermagem
(PE) que, segundo a Resolução COFEN 358/2009 é obrigatório em todos os ambientes, públicos ou
privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, garantindo a autonomia da profissão,
1
Acadêmico do 7º semestre do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – Email: [email protected]
2
Acadêmica do 7º semestre do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
3
Enfermeira Obstetra. Mestre em Saúde e Desenvolvimento da Região Centro Oeste pela UFMS. Docente no Curso de
Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul – E-mail: [email protected]
4
Enfermeira obstetra. Doutora em Ciências da Saúde pela UNIFESP-EPM. Docente no curso de graduação em Enfermagem
da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
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possibilitando um atendimento focado na excelência do cuidado 4. Para o histórico de enfermagem foi
utilizado um instrumento próprio, baseado nas Necessidades Humanas Básicas de Wanda Aguiar Horta,
elaborado por docentes da disciplina. Para os diagnósticos de enfermagem foram adotadas as taxonomias
da NANDA (North American Nursing Diagnosis Association) e da CIPE (Classificação Internacional de
Práticas de Enfermagem) versão 1.0. A prescrição de enfermagem foi baseada em literatura específica5,6,7
referente aos últimos dez anos e no Manual técnico do Ministério da Saúde8. Resultados e Discussão: As
Diretrizes Curriculares do Curso de Graduação em Enfermagem destacam que na formação do
Enfermeiro, além dos conteúdos teóricos e práticos desenvolvidos ao longo de sua formação, ficam os
cursos obrigados a incluir no currículo o estágio supervisionado em hospitais gerais e especializados,
ambulatórios, rede básica de serviços de saúde e comunidades9. A participação dos acadêmicos de
enfermagem na atenção pré-natal de risco normal possibilitou a correlação entre o conhecimento teórico e
a prática, a agregação de valores éticos e o desenvolvimento de postura e de habilidades técnicas
necessárias para a assistência à gestante uma vez que a as atividades realizadas incluíam as seguintes
ações propostas pelo Ministério da Saúde: acolhimento da gestante, orientações para a gestante e família
sobre a importância do pré-natal, amamentação, vacinação, preparo para o parto e cuidados com o recémnascido; realização da consulta de pré-natal de gestação de risco normal; solicitação de exames de rotina e
orientações sobre o tratamento, conforme protocolo do serviço; atualização do cartão de gestante em cada
consulta, realização da coleta de material para o exame de Papanicolaou, desenvolvimento de atividades
com grupos de gestantes e, encaminhamento das gestantes identificadas como de risco para o médico 3. Na
primeira consulta realizava-se o histórico de enfermagem que é a coleta de dados e dele fazem parte a
entrevista e o exame físico. Esta coleta de dados direcionava o atendimento, garantindo o foco na
qualidade assistencial e subsidiando as outras etapas da consulta: a identificação dos diagnósticos de
enfermagem, a prescrição de enfermagem e registro no prontuário 2, garantindo-se assim a continuidade
do processo de cuidar, considerando que são os diagnósticos que permitem a determinação das
prescrições de enfermagem, que por sua vez fornecem os meios para a avaliação dos resultados. Após a
entrevista era explicado à gestante como seria realizado o exame físico e sua importância, tranquilizandoa quanto ao procedimento que se divide em exame físico geral e exame obstétrico. A gestante era
orientada vestir avental próprio do serviço e esvaziar a bexiga. Na primeira consulta de pré-natal o exame
físico era completo, constando de avaliação de cabeça e pescoço, tórax, abdômen, membros e inspeção de
pele e mucosas, exame ginecológico e obstétrico. Ainda na primeira consulta eram solicitados os exames
recomendados pelo Ministério da Saúde e prescrevia-se ácido fólico e sulfato ferroso, conforme
protocolo8. A entrevista das consultas subsequentes era sucinta, abordando aspectos do bem-estar materno
e fetal, queixas e dúvidas e ansiedades da gestante. A gestante era questionada quanto os hábitos intestinal
e urinário, alimentação, percepção dos movimentos fetais, presença de corrimentos ou outras perdas
vaginais2. Entendemos que para a assistência pré-natal de boa qualidade, é necessário um trabalho em
conjunto, que garanta a sua continuidade em todos os níveis de complexidade do sistema de saúde
dispondo de recursos humanos com conhecimento teórico-científico, área física adequada, equipamento e
instrumental mínimos, apoio laboratorial, instrumentos de registro e processamento e análise dos dados
disponíveis, cartão da gestante devidamente preenchido pelos profissionais e medicamentos essenciais
acessíveis a esta gestante. Conclusão: A participação do acadêmico na consulta pré-natal possibilitou
agregar conhecimentos técnico-científicos, vivenciar as práticas assistenciais às gestantes, estimular o
raciocínio diagnóstico e terapêutico por meio da implementação do Processo de Enfermagem durante a
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Consulta de Enfermagem, bem como desenvolver o exercício crítico e reflexivo tão necessários ao
desenvolvimento de ações de saúde em toda a dimensão do cuidar e compreender a importância do
processo de aprendizagem no contexto teórico-prático, pois no atendimento a esta clientela nos
deparamos com situações que necessitam da interpretação binominal, respeitando as peculiaridades do
atendimento à gestante e ao filho, ainda em período fetal. Concluiu-se que, na consulta de enfermagem,
assim como em todas outras atividades que envolvem o enfermeiro, é fundamental a realização das etapas
do PE, no entanto convém ratificar que os aspectos científicos e de humanização da assistência
desenvolvem-se por meio deste processo, que é atividade privativa do enfermeiro assegurada por lei.
Palavras-chave: Enfermagem. Cuidado pré-natal. Assistência à saúde.
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privados, em que ocorre o cuidado profissional de Enfermagem, e dá outras providências. Portal COFEN
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em 29 de mar. 2011). Disponível em < http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/Enf.pdf>.
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