Patrimônio cultural e globalização. Espaços urbanos históricos entre a
mercantilização e a articulação do típico
Gerhard Vinken
Tradução: Fabio M. Said
Em todo o mundo, cresce a atenção dada a tudo que é histórico, ao próprio passado e a monumentos instituidores de identidade. Parece razoável querer ver esse fenômeno no contexto
da globalização – ou, grosso modo, entendê-lo como um movimento de compensação. A
sensação de perda de identidade, associada à globalização, gera uma nova consciência das
próprias raízes, do próprio legado histórico – um interesse que ultimamente tem-se voltado
também, de forma explícita, a bens “imateriais” como costumes, formas de dança etc. Nesse
contexto, o patrimônio cultural é como um laço que confere sustentação e identidade a um
grupo conectado e cada vez mais complexo – laço que se firma, com suas tentações, como
algo permanente, original e único no fluxo transformador do mercado internacional.
Na era da globalização, porém, o patrimônio cultural – sobretudo o patrimônio arquitetônico,
que será objeto das reflexões a seguir – tem uma condição de total ambivalência. Por um
lado, o chamado heritage (patrimônio histórico) é visto como um contrapeso à globalização e
suas tendências niveladoras. Ele é o elemento típico, local, que oferece proteção contra as
imposições do mercado internacional e da uniformidade de imagens e produtos distribuídos
mundialmente. Por outro lado, é indisfarçável que o patrimônio cultural faz parte, ele próprio, das dinâmicas da globalização; talvez o maior sinal disso seja o título de patrimônio
cultural da humanidade, que é verdadeiramente internacional. Afinal, essa condição e os
códigos de conduta internacionalmente válidos a ela associados (dever de proteção etc.)
significam que o “típico” é qualificável e hierarquizável segundo regras uniformes e, mais que
isso, concorre a um público, simpatia e recursos em um mercado das atenções.
Patrimônio histórico, como legado, sugere que algo é passado adiante a outros indivíduos.
Muitas vezes, porém, a condição de monumento histórico e sobretudo o ingresso na exclusiva lista dos sítios tombados pela UNESCO como patrimônio cultural da humanidade são ponto de partida para drásticas alterações no patrimônio protegido; e uma testemunha eloquente desse fenômeno é o centro histórico de Salvador. Maior conjunto arquitetônico residencial
proveniente da época colonial, a parte protegida do centro histórico foi submetida, nas últimas décadas, a medidas radicais de reabilitação, com consequências que não deixam de ser
problemáticas para os espaços urbanos e seu uso (Craanen 1998). Esse patrimônio histórico
tem todos os indícios de não ter sido “legado” na forma reabilitada, mas sim moldado e concebido segundo visões e interesses contemporâneos. Após estas considerações preliminares,
minhas reflexões sobre espaços urbanos históricos como patrimônio cultural em tempos de
globalização ficarão concentradas nas seguintes problemáticas e teses:
– Definirei o patrimônio cultural em sua precária relação com a globalização, isto é, como
algo que, de um lado, posicione os elementos específicos e locais contra as tendências nive-
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ladoras dos mercados e normas internacionais e, ao mesmo tempo, que possa ser compreendido como parte do próprio maquinário de normatização.
– Demonstrarei que prédios históricos e sobretudo espaços urbanos históricos não podem ser
preservados nem protegidos como bens do patrimônio cultural, mas sim concebidos e (em
um sentido muito amplo) “pensados” como tais. O patrimônio cultural não é uma “testemunha” autêntica; em vez disso, conforme demonstrarei adiante, ele pode ser interpretado, em
sua estrutura e forma, como expressão de determinados interesses econômicos e políticos e
de preferências estéticas variáveis.
– Finalmente, tentarei fazer uma análise das técnicas que geram e influenciam nossos centros históricos. O objetivo dessa tentativa é determinar de que forma os elementos locais e
específicos de uma cidade podem ser protegidos por lei contra o uso homogeneizador de
imagens mercantilizadas. Como escapar da armadilha de considerar o patrimônio histórico
como um caso particular da máquina da globalização? Como atender às novas exigências de
construções mentais de identidades cada vez mais complexas? Com essas questões decisivas
para a sustentabilidade da ideia de patrimônio cultural, espero ser inspirado pelas experiências locais em Salvador – até porque, nas sociedades pós-coloniais, é evidente o potencial de
conflito de questões que dizem respeito à identidade ou ao legado histórico.
1. Patrimônio cultural e globalização
O patrimônio cultural é uma invenção da modernidade. À primeira vista, legado histórico e
modernidade são duas ideias aparentemente opostas: em uma época em que se consagrou
ao progresso, o passado torna-se eternamente anacrônico, ultrapassado, desatualizado. A
imagem de si da modernidade tem sua raiz no funcionalismo e racionalismo – e, portanto, na
ideia de valores absolutos e universais, de um internacionalismo que não deixa mais lugar
para o local e o específico. Essa ruptura intencional com a tradição é explicitada na exigência
da vanguarda radical de incendiar os museus. Mas esse é apenas um dos lados da moeda,
pois o museu também é uma invenção moderna. É somente no fluxo avassalador da história
que surge a necessidade de guardar, classificar, preservar. Para quem tem como norma o
presente, o passado se transforma em legado – como o foi para o filósofo alemão Georg
Friedrich Wilhelm Hegel. Nesse sentido, a manutenção do legado histórico é um fenômeno
complementar da crença no progresso. Perpetuação e recordação são o avesso da dependência da modernidade em relação ao futuro. E o acaloramento dos debates sobre o conceito
de heritage na era da globalização é mais um indício dessa construção mental essencialmente dialética sobre legado histórico e futuro (ver Choay 1997, pp. 131-152).
Quanto mais se intensificava a transformação das cidades e paisagens, mais forte se tornava
o peso compensatório do culto ao passado (Fig. 1 a-c). A rápida transformação, sobretudo
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das cidades, contribuiu significativamente para que houvesse um primeiro florescimento das
medidas de conservação de monumentos. Isso se percebe bem nos antigos portões de cidades europeias. Durante a industrialização, as cidades tiveram crescimento desenfreado. As
antigas muralhas e sistemas de fossos há muito já haviam perdido sua importância militar e
agora prejudicavam um crescimento organizado; além disso, impediam a ligação das cidades
às estradas de ferro, que já eram então de importância vital. Mas a demolição das muralhas
e o aplanamento dos portões de entrada alteraram para sempre a estrutura espacial das
cidades, que havia levado séculos para se desenvolver. Houve oposição sobretudo contra a
demolição dos portões das cidades, e as sociedades protetoras das tradições locais, entidades que logo se proliferariam por todos os cantos, conseguiram salvar muitos dos portões de
entrada medievais. Atualmente, eles são, muitas vezes, símbolos com grande valor para o
reconhecimento da identidade das cidades, e isso se revela em sua divulgação como tais.
Esse legado histórico urbano também nos é apresentado como algo que foi salvo da destruição, duramente protegido contra a ação do tempo, como testemunha de uma época. Mas em
qualquer caso pode-se perceber que os monumentos históricos não são autênticos, mas sim
produtos de complexos processos de seleção e concepção. E que eles dizem, no mínimo,
tanto sobre a época em que foram “restaurados”, “reformados” ou “reabilitados” quanto
sobre a época de sua construção. São belos exemplos disso os portões da cidade de Basileia,
na Suíça (ver detalhes em Vinken 2005, 2008). Ali também, com a construção da estação
ferroviária, a partir de 1861, foram demolidas as muralhas e aplanados os fossos, a fim de
abrir espaço para ampliações. No lugar da muralha, foi construída – segundo o modelo de
Viena – um calçadão anelar. Depois de longas discussões, decidiu-se preservar alguns dos
portões da cidade que originalmente estavam previstos para demolição. Quando se observa
essa reforma mais de perto, fica evidente o caráter de construção mental dos processos usados (Fig. 2 a, b). Nesse caso, reforma não é preservação, mas sim concepção. Além do mais,
ela é voltada não para o restabelecimento de uma condição antiga e concreta, mas sim para
uma composição pictórica: as construções passam a ganhar coroamento com ameias e merlões, pináculo e um novo anexo neogótico totalmente inventado para servir de posto de sentinela. O objetivo era simbolizar o grandioso passado de Basileia como cidade imperial e comercial através da forma enfaticamente defensiva e imponente que os portões da cidade
passaram a adquirir. O efeito dos portões históricos foi maximizado com sua inclusão como
mirantes nas recém-criadas áreas verdes. Dessa forma, o antigo caráter funcional das construções de defesa e proteção recuou em favor do caráter memorial. Isolados e concebidos
simbolicamente, é somente como monumentos históricos que essas construções passam a
ser plenamente carregadas de importância.
Aliás, hoje, o portão Albanstor tem quase a mesma aparência que antigamente. O responsável pela nova transformação foi sobretudo a mudança de gosto. Nos anos 1970, os pináculos
históricos na forma de capacetes eram considerados “feios”, e logo se acumularam sugestões
de restauração à forma original. O resultado é uma expressiva mistura: a forma geral alinha-
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se ao modelo histórico, mas o anexo neogótico permaneceu inalterado. No preparo e edificação da alvenaria e detalhes, como, por exemplo, dos nove relógios, pode-se perceber uma
“modernização” intencional cuja fonte são as reservas estéticas contra o historicismo. Na
livre complementação dos portões da cidade ou dos portões corrediços, que haviam sido
retirados em 1870, articula-se uma preferência por completude e reconstrução que até hoje
persiste nas medidas de conservação de monumentos históricos.
2. O centro histórico como legado
O patrimônio histórico não nos é legado, mas, em uma comparação um tanto exagerada,
somos nós que o fazemos. Isso vale, conforme será demonstrado adiante, não só para o
historicismo nem apenas para os prédios históricos. Vale também para a atualidade – e para
conjuntos arquitetônicos inteiros, isto é, para aqueles mesmos centros históricos e ilhas de
tradição em Berna ou Salvador que são divulgados como parte do patrimônio cultural da
humanidade.1 Como são feitos os centros históricos? No “tratamento” especial de bairros
históricos, passou-se a adotar de modo generalizado o conceito de “reabilitação”. Na Europa,
a reabilitação dos chamados “bairros miseráveis” localizados nos centros das cidades começa
nos anos 1920/30 – em um movimento, aliás, marcadamente internacional, com inúmeros
pareceres técnico-científicos, comissões de especialistas e publicações em todo o mundo (ver
Düwel/Gutschow 2001, pp. 106-110). Esse fenômeno é expressão de uma primeira crise da
cidade, deflagrada pela industrialização e crescimento descontrolado e sobretudo por uma
densidade populacional excessiva em bairros frequentemente dilapidados nos centros das
cidades, onde as casas mais antigas costumam ter as piores condições de moradia. Ainda
por volta da virada do século XX, muitas cidades europeias, como Hamburgo, Paris e Basileia, foram atingidas por epidemias de tifo ou cólera – e isso não causa surpresa face às condições de higiene que imperavam nesses locais (Fig. 3).
Inicialmente, os trabalhos de reabilitação visavam a modernizar – no sentido de “revitalizar”
– esses bairros. Procurou-se implantar determinados padrões higiênicos, reduzir a criminalidade ou estabelecer a segurança (“reabilitação social”) e finalmente o mais importante: “reintegrar os bairros no ciclo econômico”, conforme se afirmou em relatos da época, ou seja,
gerar lucro oportuno (ver Vinken 2006). A reabilitação, contudo, diferenciava-se de outras
técnicas de modernização em um aspecto decisivo. Nas áreas centrais das cidades não incluídas nos mecanismos de formação de centros comerciais, o objetivo era a modernização da
imagem da cidade velha. Isto é, não a demolição e construção de novos prédios em formas
modernas, conforme exigência dos principais teóricos defensores de “medidas cirúrgicas” (Le
Corbusier 1929, p. 213), mas uma “revitalização” dessas áreas. Para isso, foram designadas
ilhas de tradição ou áreas a reabilitar: zonas especiais, com determinadas restrições à cons-
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Essa é a tese de minha monografia a ser publicada em breve pela editora Deutscher Kunstverlag, com o título Zone Heimat. Altstadt im modernen Städtebau (Berlim/Munique, 2010).
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trução, nas quais se procurou restabelecer o “caráter histórico” dos respectivos bairros. Esse
processo também é indisfarçavelmente uma cria da modernidade. O chamado zoning (zoneamento) é o processo de ordenamento territorial da moderna teoria do urbanismo por excelência. Nesse processo, em vez da cidade histórica como estrutura mista heterogênea, procurou-se criar, nas cidades modernas zonas espacialmente divididas para moradia, trabalho
e sossego. Além disso, nesse sentido, podem-se ver nossas ilhas de tradição como zonas
especiais: zonas pouco funcionais, mas ricas em importância, que são incluídas nos espaços
funcionalmente determinados, mas pobres de importância, da cidade moderna. Isto é, de
certa forma, como uma “zona patriótica”, cuja função é resgatar a história, incentivar a memória, instituir importância, explicitar o patrimônio cultural (Vinken 2010). Aliás, é impressionante perceber como a história da reabilitação desde os anos 1930/40 até os dias de hoje
é fortemente marcada por continuidades. São indisfarçáveis sobretudo os paralelos com as
campanhas realizadas em Salvador desde os anos 1980. Em Salvador, o objetivo também
era a reabilitação de bairros miseráveis. Os quarteirões centrais, declarados como “patrimônio cultural da humanidade”, foram alvo de medidas de higiene sanitária e social de grande
radicalidade. A “desocupação” de prédios que estavam de fato calamitosamente superlotados
foi declarada como pré-requisito para um novo uso da área que parecia ser o único que fazia
jus à condição de patrimônio cultural da humanidade: a erradicação da criminalidade e especialmente da prostituição abriria um novo caminho para o uso turístico daquela área (Craanen 1998).
A concepção de centros históricos tradicionais na prática foi objeto de uma investigação que
empreendi em diversas cidades europeias (Vinken 2010; estudos preliminares: Vinken 2005
e 2006). No caso de Basileia – para ficar no exemplo que mencionei acima – pode-se demonstrar bem que a reabilitação higiênica de drásticas proporções foi acompanhada por uma
padronização formal não menos radical, uma homogeneização estética e explicitação fundamentalmente contrárias aos ideais de proteção da modernidade. As próprias medidas com
motivação higiênica em Basileia tiveram como consequência uma grande perda do patrimônio construído e, ao mesmo tempo, estimularam a remodelação formal – por exemplo, através da redistribuição dos espaços no interior das edificações, sendo que, via de regra, as
casas residenciais antigas foram transformadas em edifícios de apartamentos, bem como, de
um modo geral, através da alteração das plantas das edificações (por exemplo, para construção de banheiros, cozinhas etc. como novo padrão higiênico). Outro impacto não menos
importante foi sobre a grande quantidade de prédios históricos – inclusive medievais – que
foram sacrificados com a chamada desnucleação, isto é, a demolição de edifícios deixando
expostos seus pátios internos (Fig. 4). Mas a dimensão das alterações efetuadas não se deve
apenas a considerações sobre funcionalidade ou higiene. Em vez disso, ela baseia-se em
determinadas preferências estéticas e no desejo de criar um centro histórico que tenha um
caráter o mais uniforme e preciso possível.
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É por isso, por exemplo, que as fachadas foram submetidas a alterações invasivas. O objetivo era purificar, criar e completar uma imagem homogênea. Para isso, toma-se uma série de
medidas que se repetem ainda hoje, em todos os cantos do mundo, de formas muito semelhantes: remoção dos elementos incômodos, tais como outdoors, bem como de todos os
elementos arquitetônicos e formas de ornamento que não se encaixem no horizonte temporal do modelo declarado. São sobretudo as formas há muito odiadas do historicismo, que,
como encarnação do falso, devem ceder lugar às formas “verdadeiras” de um centro histórico. Porém, as alterações arquitetônicas e a remodelação do centro histórico vão além de
demolições parciais, remoção de ornamentos e reornamentação. Elas abrangem também
demolições totais e construção de novos prédios em um estilo adaptado historicizante que se
acomoda mais ou menos discretamente ao modelo. Em parte, nesses processos, são utilizados fragmentos remanescentes de edificações demolidas em novas construções adaptadas, a
fim de completar a imagem de “genuíno” prédio do centro histórico.
Todas essas medidas são marcadas por um duplo – e muitas vezes inconfesso – interesse,
que é o de obter lucro econômico com a remodelação da área e ao mesmo tempo suscitar a
imagem de um conjunto arquitetônico sem fins lucrativos, típico da cidade e pré-industrial
(Fig. 5). E isso acaba revelando claramente outro fenômeno: por um lado, reúnem-se todos
os apelos principais de um centro histórico “autêntico” (lojas de madeira, janelas em forma
de cruz, bordas de pedra de cantaria e insuspeitas crenças). A remoção dos símbolos de uma
hesitante comercialização (vitrines da época original, propaganda) é acompanhada por drásticas alterações arquitetônicas para aumento da lucratividade econômica – por exemplo, com
a instalação de passagens com lojas nos andares térreos e expansão dos andares superiores
para ampliação da área residencial. O aumento dos lucros e a homogeneização estética são o
duplo objetivo de toda “modernização” da imagem de uma cidade.
Reconstrução – Simulação
Com essas medidas que continuam em vigor há muitas décadas e que são esteticamente
comprometidas com o estilo patriótico, o que se faz é mais um cultivo da paisagem urbana
que uma proteção de monumentos históricos no sentido de preservação de prédios. O resultado disso são zonas quase sempre estética e socialmente homogêneas, com características
precisas e visualmente impressionantes. Elas ganham simpatia tanto dos habitantes locais
quanto dos turistas, mas apresentam, a meu ver, um decisivo estigma: o coração da cidade
designado como “patrimônio cultural” está vinculado a uma mensagem extremamente problemática. Os elementos típicos da cidade são apresentados pictoricamente de forma unívoca
e sem contradições; o presente cada vez mais colorido, complexo e rico em conflitos é contraposto a um projeto “mais bonito” e pobre em complexidade de uma “época saudosa” cuja
localização na história é imprecisa. Quanto mais claro se torna o caráter harmonizador dessas medidas, mais se enfraquece o patrimônio cultural como fonte que se pode investigar e
interpretar diferentemente conforme as diversas condições e necessidades de cada época.
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Como local produtor de imagens mais ou menos mercantilizadas, o centro histórico passa a
fazer parte de uma enxurrada de imagens cujo alvo é um mercado globalizado (Brandt/Meier
2008).
Nos últimos tempos, porém, o patrimônio cultural e os centros históricos têm enfrentado
cada vez mais uma concorrência da qual não conseguirão mais ganhar no longo prazo. Trata-se de estilos de arquitetura e conjuntos arquitetônicos pseudo-históricos que superam os
centros históricos em termos de univocidade, precisão e ausência de contradições, além de
serem mais lucrativos. Hoje em dia, os centros históricos “genuínos” concorrem cada vez
mais com todo tipo de (re) construção e simulação (Sigel/Klein 2006). Na Alemanha, há um
verdadeiro boom de projetos de reconstrução financiados por grande parcela do poder público e que têm recebido a aprovação de muitos técnicos (Sulzer 2008). Nesse quesito, a cidade de Dresden talvez seja o exemplo mais conhecido (Just 2002, Lupfer 2008). A Igreja de
Nossa Senhora, que desde os bombardeios de 1945 era uma pilha de lixo, foi reconstruída
com “fidelidade ao original” em um processo bastante dispendioso (Fig. 6 1-b). Os argumentos em favor desse projeto financiado substancialmente por patrocinadores particulares baseavam-se, como era de se esperar, na criação de uma imagem perfeitamente completa.
Queria-se restabelecer a famosa “vista de Canaletto”, e para isso era preciso sobretudo reconstruir a abóbada da igreja. Mas depois de erguida a imponente construção, isolada em
um enorme terreno abandonado e parcialmente envolta por edifícios de concreto préfabricado, era quase obrigatório querer restaurar a antiga Praça Neumarkt, que havia sido
igualmente destruída por completo em 1945. Meio século após a destruição, foi restaurada a
fileira de prédios em torno da praça: como construções de concreto com fachadas em estilo
pseudobarroco, em parte na forma de cópias de edificações destruídas (Fig. 7). Construiu-se
a simulação de uma praça barroca – que, diga-se de passagem, nunca existiu antes da destruição, pois Dresden, divulgada com riqueza de imagens como “cidade barroca”, antes da
guerra era marcada em grande parte pelo boom econômico do final do século XIX e início do
século XX.
As edificações em torno da atual Praça Neumarkt são concebidas visando a grandes lucros,
oferecendo ao atrativo turístico, que é a Igreja de Nossa Senhora, um cenário adequado, que
ganha a admiração do público. Na percepção da opinião pública, é aqui que a Dresden “barroca” tem seu centro – isto é, nas imitações produzidas no século XXI –, ainda que o sucesso
inicial da empreitada já esteja diminuindo visivelmente.
Em Frankfurt, que incluo aqui como exemplo atual, acaba de ser publicado o edital de licitação de um grande projeto de construção para reurbanizar o quarteirão central do centro
histórico, localizado entre a Römerberg (praça da prefeitura) e a catedral. Trata-se de um
conjunto arquitetônico bastante heterogêneo que se desenvolveu em diversas camadas após
extensa destruição em guerras, através, por exemplo, da reconstrução da fileira de casas
localizadas na Römerberg, antigo mercado e praça principal da cidade, ou da construção de
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novos prédios modernos e pós-modernos, como o museu de arquitetura e o salão de exposições (conhecido como “Schirn”). Recentemente, foi decidido que a Technisches Rathaus, um
moderno bloco de concreto que é sede da administração de engenharia da cidade, deve ser
demolida e substituída por construções mais ou menos “com características de centro histórico”. Se for verdade o que diz a imprensa, os cidadãos de Frankfurt preferem uma reconstrução o mais fiel possível do local como ele era antes da guerra, conforme a imagem apresentada em uma maquete virtual. Um folheto do Partido Democrata-Cristão vincula a arquitetura historicizante a uma imagem de paz social e um estilo de vida harmônico (Fig. 8 a-b).
Segundo as normas da oferta pública do projeto, os edifícios de contorno do novo conjunto
arquitetônico deverão ser reconstruídos como cópias com base em fotos. O resto das construções deverá basear-se na dimensão e outros parâmetros dessas reconstruções. Teme-se
que essas regras enfraqueçam enormemente a qualidade das soluções participantes da licitação. Ao que parece, até agora as imagens sintéticas da maquete virtual do centro histórico, estranhamente sem vida e assépticas, já influenciaram enormemente a concepção do
que é certo e errado para o local.
No caso da Technisches Rathaus vê-se que o anseio por imagens belas e harmônicas tem
investidas antimodernas. Isso fica claro também no primeiro megaprojeto desse tipo na Alemanha: a reconstrução da Knochenhaueramtshaus (edifício da corporação dos açougueiros)
e reurbanização da praça da Praça Marktplatz, na cidade de Hildesheim (Falser 2008). Hildesheim, que já foi famosa como cidade das casas em estilo enxaimel, foi destruída pouco antes do fim da guerra em um incêndio incontrolável deflagrado por ataques aéreos. Para a
reconstrução, foram escolhidas formas modernas e sóbrias. Em 1984, o Hotel Rose foi demolido e a famosa Knochenhauerhaus foi reconstruída, 40 anos após sua destruição. Depois
disso, foi construída, com grandes esforços dos trabalhadores envolvidos, uma praça pseudomedieval com casas em estilo enxaimel, completando novamente a paisagem da cidade
(Fig. 9). Essa ilha de tradição tem um caráter de imitação que só fica claro em imagens aéreas.
Na Alemanha, a ruptura radical com estilos arquitetônicos urbanos transmitidos de geração a
geração, causada igualmente pelas destruições da guerra e pela prática da reconstrução,
pode ter gerado um contra-ataque especialmente forte, preparando terreno para um anseio
por imagens patrióticas e espaços urbanos de fundo emocional.
Nos debates nacionais, subestima-se, a meu ver, que este é um fenômeno global. Um fenômeno que existe atualmente no mundo todo é que, além da massa uniforme de complexos
residenciais indiferenciáveis e arquitetura funcional, são criadas também estruturas cujo
objetivo é apelar para sentimentos: de um lado, ícones ou signature buildings, e de outro
lado, toda uma variedade da chamada arquitetura temática. Isso não se resume à imitação
de Veneza em Las Vegas; hoje em dia, já há uma crescente oferta de estilos arquitetônicos
“tradicionais” ou “patrióticos” sob medida para o setor imobiliário que atende às camadas
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ricas da população. Na Europa, o arquiteto Leon Krier foi um dos precursores que, na Inglaterra, criaram do nada, com o apoio do Príncipe Charles, a cidade de “Poundbury”, construída no antigo estilo inglês (Fig. 10 a-b); na Holanda, projetaram uma cidade dos canais; e na
Itália, uma típica piazza. Esses são espaços urbanos nascidos na prancheta e que, lançando
mão de certo repertório de formas, acabam simulando uma “pátria” (Krier 1998; Mitchell
2006).
Se esses clones urbanos homogêneos ainda enfrentam a concorrência de cidades verdadeiras, o aparato de formas de cunho patriótico já se livrou de promessas de autenticidade e
circula como fator de bem-estar e exclusividade livremente disponível. Essas formas de arquitetura temática têm florescido especialmente na China. Nas proximidades de Xangai, por
exemplo, estão sendo construídos nove complexos urbanos projetados uniformemente com
um estilo estereotípico, mais ou menos como as imagens típicas dos complexos construídos
na Holanda ou em Veneza, coerentes e harmônicos até na cópia da catedral (Hassenpflug
2008). Esses estilos arquitetônicos são produtos artificiais de design de mundos vividos calculados que, com suas com formas emprestadas, se servem astutamente das qualidades
emocionais redescobertas da arquitetura histórica. Seria interessante investigar quais os
exatos motivos que levam alguém a comprar apartamentos e casas nesses locais.
Dresden pode ser incluída sem reservas entre as cidades com arquitetura temática, com a
diferença de que ali, ao contrário da China, a confusão do produto de design com o patrimônio cultural é aceita ou até mesmo conscientemente buscada. O limite com a simulação é
caprichosamente nublado; patrimônio histórico e imagem se confundem; a autenticidade
simulada torna-se parte indissociável do marketing da cidade. Making the City: o patrimônio
histórico e seu substituto há muito são um fator na concorrência global. Nessa configuração,
os genuínos potenciais do patrimônio cultural são decisivamente enfraquecidos enquanto as
medidas dos responsáveis pela conservação de monumentos e reabilitação da cidade voltadas para o cultivo da paisagem urbana fabricarem imagens mercantilizadas e seguirem princípios e concorrências mercantis em nível global. Contudo, o potencial de uma ideia de patrimônio histórico sustentável consiste exatamente em oferecer uma permanente antítese à
uniformidade do mundo único, em contrapor a experiência da perda de importância do local
e do regional a uma visão alternativa que tem o direito de seguir outros princípios.
Global e típico
Finalizo acrescentando um último aspecto. Hoje em dia, a representação dos elementos típicos de uma cidade ganha novas implicações; pois, em um mundo marcado cada vez mais
por intensos contatos culturais, migração e pós-colonialismo, a questão do legado cultural
terá complexidade sempre crescente. As imagens cada vez mais homogêneas se contrapõem
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a um mundo cuja receptividade se torna cada vez mais imprevisível (Fig. 11). O tradicional
consolo dos prédios históricos, que, em uma modernidade sujeita a rápidas transformações,
oferecia apoio emocional na forma de imagens “originais” e “autênticas” de uma “época saudosa” caminha possivelmente para a irrelevância. As questões sobre quem somos nós e o
que queremos transmitir às próximas gerações estão fragmentadas sob diversos pontos de
vista, inclusive na Europa. Quem é esse “nós”? A depender da origem e biografia, tem-se
uma perspectiva diferente sobre uma mesma coisa (Fig. 12). A Fig. 12 mostra duas moças,
aparentemente com histórico de migração, diante da fileira de prédios reconstruídos na Praça Römerberg, em Frankfurt, observando uma imagem da mesma praça ainda em destroços
pós-guerra. A foto das duas moças confunde e questiona permanentemente a minha própria
imagem de Frankfurt como uma cidade devastada, restaurada e reconstruída. Diferente de
mim, essas moças talvez tenham crescido na cidade, tomaram sorvete naquela praça, receberam documentos emitidos na Technisches Rathaus, que fica perto dali; o que sabem elas
sobre a destruição e recuperação da praça? O que é “típico da cidade” para elas? Ao mesmo
tempo, como visualizar o patrimônio histórico dessas moças em relação ao meu? Ou, reformulando a pergunta em termos mais gerais: como usar a complexidade e contradições da
história e seus legados materiais como fonte que seja adequada à heterogeneidade dos habitantes das cidades e aos interesses e práticas divergentes de seus usuários? Como o patrimônio cultural pode contribuir para criar espaços urbanos que sejam significativos, habitáveis, diversos e, ao mesmo tempo, resistentes? Nesse quesito, espero ser inspirado pelas
experiências locais em Salvador e em uma sociedade pós-colonial tradicionalmente acostumada a lidar com outras complexidades na questão das identidades.
Seria interessante saber como o centro histórico de Salvador funciona nesse sentido (Fig.
13). O objetivo das dispendiosas medidas de reabilitação em Salvador foi transformar os
bairros miseráveis do centro em uma zona turística. A substituição de grande parte dos moradores (“desocupação”) e a desintegração de uma favela que em grande medida era socialmente uniforme, propiciando o surgimento de uma diversificada gama de serviços, foram
descritas por alguns autores como forma de heterogeneização social (Craanen 1998, p. 3).
Mas como isso se dá no lado material? De que forma as medidas de reabilitação do centro
histórico soteropolitano são imbuídas, elas também, de preferências por determinadas camadas de tempo e, portanto, de desejos de purificação?
Qual é a importância desse distrito colonial, onde supostamente 80% dos visitantes são brasileiros? Ele oferece uma figura de consenso, representando um legado comum? Imagino que
o período colonial varie bastante entre os mais diversos grupos populacionais, a depender da
história familiar e situação social e racial, despertando associações diversas: conquista e
colonização, riqueza e servidão; glória e miséria. Até mesmo a igreja jesuíta, a casa da câmara e sobretudo a senzala ou o pelourinho que ainda hoje dá nome ao distrito central da
cidade têm, nesse sentido, codificações aparentemente bastante diversas. A heterogeneidade das construções mentais sobre o que é patrimônio – tencionadas ou não – tem algum
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reflexo sobre a concepção do centro histórico? Há subtextos heterogêneos e contraditórios?
Os prédios falam apenas de glória ou será que também falam de miséria? Haveria talvez
discrepâncias entre as referências locais e nacionais? Recorrendo a uma tese de José Lezama
Lima: é possível detectar em Salvador uma autonomia na apropriação e nas formas do culto
ao patrimônio histórico? Ou tudo se resume a fachadas coloridas, clichês de cidade colonial,
imagens harmônicas e globalmente aproveitáveis?
Finalizando, gostaria de tentar resumir em algumas proposições à guisa de teses sobre como
o patrimônio cultural na era da globalização pode existir como uma ideia produtiva.2
– Um bem do patrimônio cultural da humanidade, independente de poder ser voltado para
uma realidade nacional ou global, tem seu valor no conjunto de suas referências locais e em
seu posicionamento espacial. Todas as medidas deveriam ser derivadas dessas referências
locais específicas – ou, como diríamos em Darmstadt, derivadas de sua lógica própria (ver
Berking/Löw 2008).
– Proteção inclui necessariamente concepção. Todo uso de um bem do patrimônio cultural é
uma apropriação. Mas é preciso pesar uma contra a outra duas funções genuínas do patrimônio cultural. De um lado, a inteligibilidade e a acessibilidade, isto é, a capacidade de induzir emoções e transmitir conhecimentos, pois disso depende diretamente o sucesso das construções mentais sobre o conceito de patrimônio histórico. De outro lado, o respeito à mais
profunda estranheza, à alteridade do prédio histórico (Meier 2008, Vinken 2008).
– Em particular, a sustentabilidade de centros históricos só pode ser garantida quando sua
fragilidade material for alvo da devida atenção. Os prédios históricos não são um patrimônio
do qual se possa dispor livremente. Toda interpretação dos registros históricos materiais é, a
rigor, uma reescrita. Toda intervenção ou escolha destrói partes do texto, prejudicando sua
riqueza e diversidade.
– Concretamente, isso significa que se devem recusar todas as medidas que se concentrem
em uma única imagem, uma única leitura, um único modelo. Em vez de clareza, univocidade
e ausência de contradições, é preciso tematizar, na concepção dos conjuntos arquitetônicos
urbanos, a diversidade de vozes, a heterogeneidade e também as contradições dessas edificações; é preciso fazer valer a multiplicidade não só das camadas históricas como também
dos usos atuais.
– A importância central do patrimônio cultural reside em escapar tanto das pretensões de
uso normatizadas globalmente como de leituras instituídas ou mercantilizadas. É exatamente
na diferença e dissidência do elemento histórico que está a base do “valor da causa” (Dolff-
2
Ver também 10 Thesen zur Denkmalpflege der Gegenwart. Die “Dresdner Erklärung” vom
8.11.2005 (reproduzido em Scheurmann/Meier, pp. 232-235).
11
Bonekämper 2001) dos centros históricos: essa diferença e dissidência nos oferecem a oportunidade de sempre chegar a novas conclusões sobre quem somos nós e o que queremos
transmitir às próximas gerações.
12
Referências bibliográficas
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histórico de Basileia, Museu Kleines Klingental, 23/09-31/10/1945 – Catálogo de exposições,
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14
Wohlleben 2008: Marion Wohlleben (org.), Fremd, vertraut oder anders? Beiträge zu einem
denkmaltheoretischen Diskurs. Berlim, 2008.
15
Legendas das ilustrações
1 a-c: Dinâmica da transformação: a transformação da paisagem conforme descrita em “Alle
Jahre wieder saust der Preßlufthammer nieder”, livro de Jörg Müller, 1973
2 a-b: Conservação como concepção: o St. Albantor, portão da cidade de Basileia, antes e
depois da reforma de 1871
3. Reabilitação de bairros miseráveis: silhueta de Basileia às margens do rio Birsig, c. 1900
4 a-b: Reabilitação como desnucleação: projetos para a praça Spalenberg, em Basileia, 1945
(centro histórico hoje e amanhã)
5: Reabilitação como homogeneização: o distrito de Spalen, em Basileia, em 1957 e 1984
6 a-b: Reconstrução: a Igreja de Nossa Senhora em Dresden, em 1950 e 2000.
7. Simulações: a praça Neumarkt, em Dresden
8. Mundos intactos: maquete virtual do centro histórico de Frankfurt (prospecto do partido
da União Democrata-Cristã)
9. Falso idílio em enxaimel: o edifício da corporação dos açougueiros em Hildesheim
10. A serviço de Sua Majestade: uma nova “velha” Inglaterra em Poundbury
11. Identidades múltiplas: Danica Dakic, El Dorado, 2007
12. Novos olhares: a praça Römerberg, em Frankfurt
13. Salvador, Bahia: idílio pós-colonial?
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1 Patrimônio cultural e globalização. Espaços urbanos históricos