FGV DIREITO RIO:
UM PROJETO EM CONSTRUÇÃO
AUTORES: JOAQUIM FALCÃO E PEDRO DELFINO
COLABORAÇÃO: DANIEL OLIVEIRA, FERNANDA ALMEIDA FERNANDES OLIVEIRA
E EDUARDO CAVALIERE
GRADUAÇÃO
2015.2
Sumário
FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
APRESENTAÇÃO DO CURSO..................................................................................................................................... 3
BLOCO I — IDEIAS E DADOS POR TRÁS DO PROJETO..................................................................................................... 8
Aula 01: Uma palavra dos Founding Fathers......................................................................................... 8
Aula 02: “In God We Trust, All Others Must Bring Data”..................................................................... 11
Aula 03: Evaluation of FGV DIREITO RIO...................................................................................... 13
BLOCO II — EDUCAÇÃO NO MUNDO........................................................................................................................ 15
Aula 04: The MIT School of Law...................................................................................................... 15
Aula 05: Educação no Mundo........................................................................................................... 18
Aula 06: Pedagogia empírica quantitativa.......................................................................................... 36
FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
APRESENTAÇÃO DO CURSO
INTRODUÇÃO
Observação: foi feito um vídeo de divulgação e explicação do curso, ele pode
ser encontrado no link: https://www.youtube.com/watch?v=mcGygDBgjRM&fea
ture=youtu.be.
A Escola de Direito da FGV — Rio de Janeiro surgiu em 2002 para formar juristas que não fossem apenas aplicadores do Direito ou operadores do
Direito, mas “arquitetos do Direito”. A Escola nasce, portanto, como uma
antítese ao ensino jurídico tradicional, conceituado pelos nossos Founding
Fathers como um ensino em crise1.
O exercício da criatividade institucional exige uma formação jurídica distinta do que se observa normalmente nos cursos de Direito do Brasil. No lugar de disciplinas de caráter informativo e enciclopédico, entram disciplinas
focadas no desenvolvimento de estruturas de pensamento e de um raciocínio
lógico-analítico2. Em outras palavras, em vez de existir uma preocupação em
se com colocar informações no HD, o foco do nosso projeto pedagógico está
em tornar o Processador mais potente.
O jurista que cria instituições precisa, sobretudo, de três skills (competências): a sensibilidade para identificar um problema, o raciocínio lógico-analítico para decompor e estruturar esse problema e a criatividade para desenhar
um arranjo que resolva esse problema. É justamente nessas competências que
está o grande objetivo deste curso: nosso foco é fazer com que os alunos apliquem as competências fomentadas na nossa Escola em um laboratório, que
será a própria FGV DIREITO RIO.
Ora, se o objetivo do nosso projeto pedagógico, no longo prazo, é formar
pessoas que irão repensar e redesenhar instituições como o STF ou institutos
jurídicos como a Falência, por que não incentivar nossos alunos para, desde
hoje, identificar os problemas da nossa faculdade e propor arranjos que redesenhem nossa Escola?
No plano micro que nosso laboratório representa é possível desenvolver
as habilidades que serão exigidas no longo prazo. É a partir desse norte que
criamos o conceito do Aluno Diretor-Coordenador-Professor, isto é, do indivíduo que apesar de ser um aluno, pensa como Diretor-Coordenador-Professor, sendo ele mesmo o autor de sua própria formação.
Este aluno reflete sobre sua educação não apenas como destinatário, mas
como co-criador. Ele possui o mesmo mindset3 do cidadão que não se vê
apenas como destinatário da Constituição, mas como seu co-criador em potencial.
1
Ver texto da aula 1.
Wikipedia: O pensamento analítico é
uma forma de pensamento com objetivo de explicar determinado fenômeno
por meio da decomposição em partes
mais simples, que são mais facilmente
explicadas ou solucionadas, e uma vez
entendidas tornam possível o entendimento do todo. O comportamento do
todo é assim explicado pelo comportamento das partes.
2
3
Wikipedia: In decision theory and general systems theory, a mindset is a set
of assumptions, methods, or notations
held by one or more people or groups
of people that is so established that it
creates a powerful incentive within
these people or groups to continue to
adopt or accept prior behaviors, choices, or tools .[citation needed] This
phenomenon is also sometimes described as mental inertia, “groupthink”, or
a “paradigm”, and it is often difficult to
counteract its effects upon analysis and
decision making processes.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
PRÉ-REQUISITO
O domínio da língua inglesa é fundamental para a total compreensão do
material didático do curso.
FORMATO
O curso terá 7 encontros no total. Seis encontros são destinados para a
discussão e o último encontro será reservado para a avaliação.
DELIMITAÇÃO DO CONTEÚDO DA DISCIPLINA
O estudo do curso será dividido em dois blocos, com 3 aulas cada. O
primeiro bloco “Ideias e dados por trás do projeto” possui uma perspectiva
interna de modo que possamos compreender melhor nossa própria Escola.
Assim, na primeira aula do curso iremos discutir o nosso texto fundador,
explicitando as premissas argumentativas e os fundamentos teóricos que embasam o projeto pedagógico da nossa Escola.
No segundo encontro iremos trazer à tona os mais variados dados que
sugerem como o projeto está sendo executado, de modo os alunos possam
compreender quantitativamente e empiricamente a educação em nossa Escola. E, por fim, como fechamento do primeiro bloco, iremos discutir a crítica
do professor Henry Steiner, professor de Harvard, à FGV DIREITO RIO.
O segundo bloco, por sua vez, denominado “Educação no mundo”, é
composto por outras 3 aulas que, diferentemente da abordagem das primeiras aulas, extrapola as fronteiras de nossa Escola, voltando os olhares para
experiências vanguardistas em educação no mundo. Na 1° aula do segundo
bloco, estudaremos o que será o futuro do Direito para alguns e nos debruçaremos sobre um modelo de currículo alinhado com esse contexto. Em seguida, iremos estudar as experiências educacionais mais vanguardistas que já
estão em operação e que vem colhendo bons resultados. Por fim, haverá uma
última aula sobre estudos empíricos quantitativos de pedagogia americana.
METODOLOGIA DAS AULAS
Cada aula terá como ponto de partida o texto indicado. A ideia é que
usemos os argumentos colocados pelos autores em um plano teórico para
discuti-los no contexto dos problemas da nossa Escola. É extremamente re-
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
comendado que os alunos leiam, antes das aulas, a bibliografia indicada, que
não irá ultrapassar o limite de 30/40 páginas por encontro.
AVALIAÇÃO
A forma de avaliação está diretamente relacionada com as competências
que queremos desenvolver e que foram citadas acima. Além disso, o método
avaliativo caminha no sentido do que vem sendo feito nas Universidades
mais vanguardistas do mundo, que tem substituído as provas por projetos com
perfil hands on action.
Desse modo, as métricas que usaremos para mensurar a desenvoltura nas
competências desejadas são concretizadas em dois projetos: um relatório e
um pitch no formato das apresentações de startups para investidores.
RELATÓRIO
Os alunos deverão elaborar um relatório em que identificam um problema
da nossa Escola, estruturam de forma analítica esse problema e dão uma sugestão de arranjo institucional para que esse problema seja resolvido. No final
da apostila existe um exemplo do tipo de frame problema/solução desejado
no relatório.
É extremamente recomendado que o relatório possua uma linguagem direta, objetiva e científica. Especificamente na avaliação da sugestão de arranjo, será extremamente valorizado a iniciativa de alunos que consigam, antes
do final do semestre, prototipar a sua ideia menor escala e que consigam
mostrar os resultados da experiência com o protótipo criado. Isso torna uma
sugestão de arranjo mais robusta, uma vez que sua premissas já terão sido
validadas na prática.
Cabe aqui citar um exemplo de prototipagem de uma ideia, apenas de
forma ilustrativa. Se um aluno identifica que existe uma lacuna na grade
curricular e que determinada disciplina deveria ser ensinada, ele pode pensar
em uma forma simplificada de validar as hipóteses de que parte. Assim, se
ele deseja que uma nova disciplina seja criada e inserida, ele poderia, antes,
criar um grupo de estudos sobre o tema dessa disciplina para que seja possível
mensurar, entre outros fatores, o interesse da comunidade no assunto e o preparo de professores que já fazem parte da instituição para ministrarem aulas
sobre o tema. Trata-se, portanto, de uma forma barata e em pequena escala
de testar uma ideia. No caso, 2 hipóteses seriam a validadas: o interesse dos
alunos e o preparo dos professores na área.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Sobre o conteúdo do relatório cabe dizer que ele não precisa discorrer
apenas sobre um único problema da Escola, sendo ilimitado o número de
problemas que poderão ser abordados. No entanto, todo problema identificado deve ser acompanhado de uma sugestão de arranjo para resolvê-lo. Além
disso, deve-se respeitar o limite de 5 páginas, com fonte Times New Roman
12. A nota do relatório representa 50% da nota do curso e ele será avaliado
pelos professores da disciplina.
Os critérios para avaliação do relatório são:
- O texto deve ser conciso;
- A sugestão de resolução do problema deve ser factível e precisa respeitar a regulação do MEC e da OAB (a equipe da Coordenação
poderá ajudar os alunos a verificarem a viabilidade regulatória de
suas ideias);
- A sensibilidade para a identificação do problema; e
- O poder de análise e de decomposição para o correto diagnóstico
do problema.
PITCH (APRESENTAÇÃO)
Os alunos deverão elaborar um pitch, isto é, uma apresentação com no
máximo 5 minutos de duração na qual apresentam o problema identificado,
a estrutura desse problema e uma solução de arranjo para resolvê-lo. Apesar
de ser inevitável que a apresentação seja um reflexo do que foi escrito no
relatório, deve existir uma preocupação em desenvolver uma apresentação
sedutora, cativante e instigante, não sendo mera leitura do relatório. A apresentação não precisa versar sobre tudo o que foi colocado no relatório.
Essa apresentação será feita para uma banca de avaliadores e para todos
que desejarem assisti-la no hall do 8° andar, sendo que toda a comunidade
acadêmica será convidada para o evento. A banca terá 10 minutos para arguir
o candidato. É proposital que o tempo de arguição sej superior ao tempo de
apresentação.
Os alunos presentes na apresentação e que não estiverem matriculados na
disciplina poderão votar na melhor apresentação. O candidato mais votado
pelo público presente receberá 1 voto que terá o mesmo peso do voto de um
membro da banca avaliadora. O candidato que na soma total obtiver mais
votos, incluindo o voto do público presente e os votos dos membros da banca, receberá um dos prêmios descritos abaixo.
Recomenda-se que os alunos assistam ao Demoday da Aceleradora de
Startups da Fundação Lemann. Trata-se de um evento em que 6 startups
brasileiras fizeram apresentações de 5 minutos sobre suas empresas (todas as
empresas são do setor de educação).
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Recomenda-se também que os alunos tentem fazer apresentações capazes
de envolver os interlocutores, utilizando slides claros, focados no problema e
na solução, além de um discurso atrativo. Nesse sentido, destaca-se de imediato as apresentações de Miguel Andorfft do “Me Salva” e de Daniel Liebert
do “Stoodi”. Link para os vídeos do Demoday da Fundação Lemann:
https://www.youtube.com/watch?v=J6nqTDuILHI&index=2&list=PLi
RvxKpahS156PFj9kSG7H_HLfTXNBfOm
Critérios para avaliação do Pitch:
-Persuasão;
- A sugestão precisa ser factível e deve respeitar a regulação do MEC
e da OAB;
- Criatividade na solução de arranjo desenvolvida;
- Objetividade; e
-Clareza.
PREMIAÇÃO
O melhor relatório receberá o Prêmio Warren Buffett, uma homenagem
para um gênio na interpretação de relatórios financeiros. O melhor pitch, por
sua vez, receberá o Prêmio Steve Jobs4, uma homenagem para um dos maiores vendedores da história.
BIBLIOGRAFIA
Todas as aulas possuem leitura obrigatória, sendo que os textos acadêmicos necessários para o curso já estão incluídos na Apostila Anexa.
Sugere-se fortemente que os alunos assistam à apresentação do
Steve Jobs do primeiro iPhone em
2007
https://www.youtube.com/
watch?v=9ou608QQRq8. Trata-se de
uma aula de como fazer uma apresentação.
4
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
BLOCO I — IDEIAS E DADOS POR TRÁS DO PROJETO
AULA 01: UMA PALAVRA DOS FOUNDING FATHERS
I. INTRODUÇÃO
É sabido pela grande maioria das pessoas de nossa comunidade que a FGV
DIREITO RIO possui um projeto pedagógico próprio. No entanto, a maior
parte das pessoas têm uma compreensão intuitiva e fragmentada do projeto
da Escola, sendo que muitos nunca leram os textos escritos pelos fundadores.
Por certo, a ausência de compreensão dos fundamentos econômicos, políticos, pedagógicos e sociais da nossa Escola compromete o correto entendimento das bases teóricas de nosso projeto.
Assim, o marco zero do nosso curso será a leitura do texto de Joaquim Falcão e Caio Farah, juntamente com o texto de Mangabeira Unger, presentes
no Volume 1 dos Cadernos FGV DIREITO RIO. Espera-se que com essa
leitura, o debate que irá envolver todo o restante do curso esteja minimamente qualificado.
Os textos fundadores e o projeto pedagógico da Escola não devem ser
tratados como uma lenda ou um mito vindo dos deuses e disseminados por
meio da oralidade em torno de “fogueiras” nos corredores. Os textos fundadores estão escritos, disponíveis na internet e devem ser tratados com o
devido rigor acadêmico e científico. Além disso, não podem haver dúvidas
quanto a sua importância política na cultura institucional da FGV DIREITO RIO: a leitura do projeto representa a decodificação de grande parte do
DNA da nossa Escola.
Há de ser ressaltado que o projeto não deve ser entendido como um dogma religioso ou um axioma matemático, sendo passível de críticas. Apenas
para manter uma metodologia científica na condução do debate sobre os
problemas da Escola, esclarece-se desde o início que todas as críticas em torno do projeto e toda a discussão em torno dos problemas da Escola devem
obrigatoriamente girar dentro de duas dimensões, sendo interessante que os
alunos se posicionem a partir desta estrutura:
i) A crítica ao projeto da Escola pode ser feita a partir de uma análise
de meios e fins. Nessa dimensão o interlocutor concorda com as
premissas e os valores em torno do projeto e, consequentemente,
converge sobre o fim a ser buscado, discordando apenas do meio desenhado para se chegar ao fim pretendido.5 Um exemplo de crítica
nesse sentido seria:
Repare que esse modelo de raciocínio
não deve ser uma novidade para você.
Ao longo do curso, especificamente na
disciplina de Introdução ao Estudo do
Direito II, os alunos foram apresentados
à ideia da dupla função do operador
do direito. Afinal, um jurista não deve
se restringir a interpretar normas, mas
deve ser um engenheiro de estruturas
normativas capazes de alinhar os interesses a serem promovidos com os
mecanismos utilizados para melhor
alcançá-los. Essa é uma boa hora para
refrescar e consolidar o que foi estudado através do texto de Henry M. Hart
e Albert M. Sacks, “Observação Sobre
a Função do Profissional do Direito e
a Relação entre o Direito e as Outras
Ciências Sociais” traduzido pela própria
FGV DIREITO RIO. Disponível em http://
direitorio.fgv.br/sites/direitorio.fgv.br/
files/u100/introducao-ao-estudo-do-direito-ii-2014.2.pdf.
5
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
A meritocracia e a ética são valores da nossa Escola, fundamentais para o desenvolvimento intelectual de nossos alunos. Assim, é preciso aprimorar os atuais
mecanismos institucionais de repressão a fraudes em provas, de modo a manter
legítima e justa a atual distribuição de oportunidades de acordo com o desempenho acadêmico. Os mecanismos atuais de fiscalização são falhos e as colas são
alarmantes, corrompendo toda a lógica meritocrática de distribuição de oportunidades acadêmicas. — Crítica meramente ilustrativa na dimensão de uma
análise de meios e fins.
ii) Pode-se ainda desenvolver a crítica de forma mais arrojada, refutando as premissas argumentativas mais básicas das quais partem os
nossos Founding Fathers. Um exemplo seria:
Diversos estudos empíricos já indicaram que a meritocracia, concretizada no
ranqueamento de alunos, cria incentivos de comportamentos que não contribuem
para o aprendizado e que incentivam uma cultura institucional agressiva e opressora. Assim, sugere-se que a Escola pare de usar o rendimento acadêmico como
critério de distribuição de oportunidades acadêmicas, por exemplo, ao distribuir
bolsas de estudo, passando a adotar apenas o critério da necessidade financeira
conciliado com um desempenho acadêmico minimamente razoável. — Este é
um exemplo de crítica que discorda das premissas e dos valores que embasam
o projeto fundador. Os riscos de críticas nessa dimensão são maiores, já que
exigem maior esforço argumentativo no plano axiológico, isto é, no plano de
valores e de princípios.
II. Questões para discussão
Ao longo da leitura dos textos indicados, é interessante que os alunos reflitam sobre as seguintes questões:
1- O que é a crise do ensino jurídico tradicional e quais são as suas
consequências?
2- Qual a diferença fundamental entre o projeto pedagógico da FGV
DIREITO RIO e a educação jurídica tradicional do Brasil?
3- Passados 10 anos da publicação do volume I dos Cadernos da FGV
DIREITO RIO, em que medida nos aproximamos dos objetivos
pretendidos?
4- Em quais pontos estamos mais distantes dos valores traçados?
5- Temos evidências em nosso dia-a-dia ou a partir de sinalizações
do mercado de trabalho ou mesmo a partir da literatura científica
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
pedagógica de que deveríamos discordar de algumas premissas das
quais partem o nosso projeto pedagógico?
Essas são apenas algumas das perguntas que devem orientar a leitura dos
textos.
III. LEITURA OBRIGATÓRIA
Leitura na íntegra do Volume I dos Cadernos FGV DIREITO RIO — Educação e Direito, que inclui os dois textos abaixo:
O PROJETO DA ESCOLA DE DIREITO DO RIO DE JANEIRO DA
FGV — Caio Farah Rodriguez e Joaquim Falcão
UMA NOVA FACULDADE DE DIREITO NO BRASIL — Roberto
Mangabeira Unger
Link: http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/10397/
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
AULA 02: “IN GOD WE TRUST, ALL OTHERS MUST BRING DATA”
I. INTRODUÇÃO
O objetivo final do curso é fazer com que os alunos apliquem as habilidades para resolver problemas, desenvolvidas ao longo da graduação, aos problemas de sua própria Escola. Dessa forma, se estamos falando de discutir e
de entender problemas, os dados são fundamentais para uma compreensão
quantitativa e para a validação de hipóteses. A estatística é uma ferramenta
que nos permite compreender melhor e com maior rigor científico os fenômenos do mundo, dando maior legitimidade para nossas conclusões fáticas.
Assim, a leitura indicada para essa aula passa pela análise de diversos dados fornecidos pela Coordenação de nossa Escola e pelo Centro Acadêmico
Mário Machado. O professor Thiago Bottino será convidado para fazer uma
pequena apresentação sobre os dados mais relevantes e que dão indicações
dos problemas mais graves da nossa Escola. Um representante do CAMM
também será convidado para falar brevemente sobre os dados fornecidos.
No acervo de dados disponibilizado no Anexo, destaca-se ainda, além dos
dados do CAMM e da Coordenação, um documento histórico: uma apresentação de PowerPoint elaborada em 2001 com o planejamento estratégico
da Escola e com diversos dados de diagnóstico de alunos interessados em
fazer Direito no início dos anos 2000.
Por fim, cabe dizer que, além de analisar e discutir os dados disponibilizados, outro ponto importante dessa aula será uma reflexão metodológica sobre
as métricas que nossa Escola tem usado para medir sua performance.
II. QUESTÕES PARA DISCUSSÃO
Sobre as métricas que utilizamos e os dados apresentados, cabe refletir
criticamente sobre as seguintes questões:
1 - A Escola possui indicadores objetivos para todos os fins que o projeto pedagógico deseja promover?
2 - A Escola possui indicadores para fins que o projeto pedagógico não
deseja promover?
3 - Todos os valores que gostaríamos de promover possuem métricas e
indicadores?
4 - Os dados fornecidos sugerem algo que, a partir das premissas do
projeto pedagógico, poderiam ser considerados um problema grave?
5 - Os dados apresentados validam alguma hipótese de problema discutido na aula anterior?
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
6 - Quais dados você gostaria de ter acesso para o problema que você
quer resolver?
III. LEITURA OBRIGATÓRIA
Dados compilados no Anexo.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
AULA 03: EVALUATION OF FGV DIREITO RIO
I. INTRODUÇÃO
Nosso objetivo com esse curso não é autopromover nossa Escola e muito
menos tratar o projeto pedagógico como um dogma religioso ou um axioma
matemático. Nós queremos aplicar o raciocínio crítico e analítico fomentado na graduação no desenho institucional de nossa própria Escola. Assim,
ficaremos felizes em discutir problemas e ouvir críticas trazidas pelos alunos.
No entanto, essa crítica precisa ser bem fundamentada, estruturada e é imprescindível que ela seja acompanhada de uma compreensão sólida de porquê
a FGV DIREITO RIO foi criada. Nesse sentido, o texto da 3° aula de nosso
curso é um belo exemplo de como fazer uma avaliação rigorosa.
Em 2011, o professor de Harvard Henry Steiner esteve em nossa Escola
e passou 7 dias úteis assistindo aulas, conversando com professores, alunos e
membros da Coordenação e da Direção de nossa Escola. Ao final desse período, Steiner elaborou um relatório avaliativo sobre a FGV DIREITO RIO.
O professor Steiner conhecia a história de nossa Escola, tendo tido contato pessoalmente com o histórico CEPED na década de 1960. Além disso,
Steiner está familiarizado com as discussões em torno da chamada Crise da
Educação Jurídica brasileira, tendo inclusive lido textos de San Tiago Dantas.
Além de ter no texto de Steiner um exemplo de avaliação, gostaríamos de nos
debruçar sobre os comentários positivos e negativos que ele fez.
Por fim, ressalta-se a importância deste documento. Até o dia 24 de Julho
de 2015 a avaliação de Steiner era tratada como secreta e sigilosa, sendo que
apenas Carlos Ivan Simonsen e Joaquim Falcão tinham tido lido o texto.
Divirtam-se.
II. QUESTÕES PARA DISCUSSÃO:
As perguntas para essa aula foram sugeridas por uma das pessoas entrevistadas por Steiner na época de sua avaliação, o professor Diego Werneck Arguelhes:
1 - O contexto de elaboração do texto mudou deste então? Houve alguma mudança institucional significativa que possa ter mudado as
premissas nas quais a análise do texto se assenta? (Ex.: A proporção
de horistas/professores full time/parciais mudou muito desde então?)
2 - Quais os principais indicadores que o autor usou para defender
os pontos fundamentais de sua análise? Vocês concordam com a
leitura desses indicadores como feita pelo texto? Esses indicadores
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
teriam mudado de lá para cá? Se mudaram, como mudaram? Isso
afeta a análise?
3 - O texto faz algumas previsões de curto e médio prazo, sendo que
cinco anos se passaram desde então. As previsões estão se cumprindo ou não?
4 - Quais as preocupações que o autor considera centrais e que vocês
não necessariamente levariam em conta (antes de ler o texto) se
tivessem que fazer uma análise desse tipo? Ex.: Diversidade de gênero.
5 — Quais foram os riscos e as dificuldades apontados pelo relatório
para o desenvolvimento da Escola? Eles foram superados? Quais
problemas e desafios ele não viu?
6 - Steiner diz que saiu das aulas com a impressão de que todos os
alunos faziam as leituras antes das aulas. O que você acha disso? O
que você acha que seus colegas diriam — (i) se pudessem dizer isso
anonimamente e (ii) se o tema fosse discutido em nossa aula?
III. LEITURA OBRIGATÓRIA
Evaluation of FGV DIREITO RIO — Henry J. Steiner.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
BLOCO II — EDUCAÇÃO NO MUNDO
AULA 04: THE MIT SCHOOL OF LAW
I. INTRODUÇÃO
A educação precisa estar conectada com o presente e, mais do que isso,
deve preparar os alunos para o futuro. Nos EUA e na Inglaterra o mercado
jurídico tem sofrido mudanças drásticas nos últimos anos, o que para muitos
autores evidenciou a fragilidade do ensino jurídico tradicional em preparar
os alunos para o século XXI.
O professor de Oxford Richard Susskind, um dos principais autores na
discussão das mudanças provocadas pela tecnologia no mercado jurídico, escreveu dois livros nos últimos 10 anos que todo jovem estudante de Direito
deveria ler: The End of Lawyers? e Tomorrow’s Lawyers. Um dos principais
pontos discutidos nos textos e que merece ser ressaltado são os 3 fatores que
irão impulsionar mudanças severas na forma de organização do trabalho jurídico:
- O avanço das Tecnologias da Informação e Comunicação;
- A pressão dos clientes para que os serviços jurídicos sejam mais rápidos, baratos e que tenham melhor qualidade técnica; e
- A desregulamentação dos serviços jurídicos.
Podemos encontrar a manifestação de cada um desses fatores nos últimos
anos no Brasil e no mundo. Em relação ao avanço das TICs observamos o
surgimento das legal tech startups, isto é, empresas de tecnologia com modelos
de negócios escaláveis voltadas para o mercado jurídico. Nos EUA já existem
empresas desse tipo desde 2001, sendo que algumas têm ações listadas em
bolsa, como o Legal Zoom, que fez seu IPO em 2008. No Brasil observamos
nos últimos anos o surgimento de startups desse tipo, sobretudo nas áreas
de automação documental e de gestão processual. Com a entrada das novas
tecnologias, muitos serviços antes feitos por advogados serão feitos, em parte
ou no todo, por softwares.
Em relação a desregulamentação, tem maior destaque o Legal Services Act,
elaborado em 2007 no Reino Unido. Ele representa a desregulamentação de
certas atividades que deixaram de ser restritas a advogados. No Brasil, um dos
maiores sinais desse vetor de mudança nos últimos anos foi a manifestação do
desejo, por parte de alguns parlamentares, de extinguir a prova da OAB, sinalizando um enfraquecimento da regulação da prestação de serviços no setor.
Outro evento no sentido de desregulamentação foi a votação no Congresso
sobre a criação, em 2014, da figura do paralegal no mercado brasileiro.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Por fim, cabe mencionar o terceiro e último vetor: a pressão que os compradores dos serviços jurídicos exercem no mercado. Para Richard Susskind
esse será o principal vetor de mudança na alocação do trabalho no mundo
jurídico nos próximos anos. Em sua análise, o autor recorre a conceitos de
microeconomia e define o mercado jurídico como um buyer’s market. Assim,
nesse tipo de mercado, diferentemente de um seller’s market (mercado de vendedores), o comprador ou tomador de serviço é quem tem o maior poder de
barganha na transação. No mercado jurídico, os buyers são em geral grandes
empresas privadas.
Dessa forma, o autor mostra evidências de que, sobretudo após a crise
de 2008, houve grande pressão do empresariado pedindo mudanças, entre
outros exemplos, no modelo de precificação. Para os compradores, a precificação dos serviços advocatícios calculada por horas de trabalho (billable hour)
a preços absurdos passaram a não ser suportáveis em um contexto de recessão
econômica, preferindo, por exemplo, a cobrança por meio de preços fixos
fechados a priori.
É preciso compreender esse mundo novo do setor de serviços que se apresenta diante de nós. Além disso, é fundamental que haja uma reflexão sobre
qual educação irá preparar os alunos para este contexto. Nesse sentido, a
leitura indicada para esta aula é providencial.
O texto indicado para nossa 4° aula é de autoria de Daniel Katz, professor
da Universidade de Michigan. Ele nos oferece um quadro global do que está
acontecendo com o mercado jurídico e faz um rascunho do que seria a escola
ideal para esse cenário. O título do artigo, por si só, já é um atrativo: “The
MIT School of Law?”.
Trata-se de uma brincadeira, uma vez que o MIT se notabiliza mundo afora por ser a principal escola de Tecnologia do mundo e por nunca ter tido em
sua história um curso de Direito. Para o autor, é justamente em um centro de
tecnologia e de computação que deveriam nascer as bases do ensino jurídico
adaptado para o século XXI.
Em relação às mudanças que provavelmente irão ocorrer no mercado de
trabalho é preciso fazer uma ressalva importante. Os vetores de mudança
apontados acima podem até a prima facie parecer restritos ao mercado jurídico privado. Contudo, quando a palavra mercado é usada ela se refere a todo
o mercado de trabalho, o que inclui carreiras jurídicas da área pública.
Dessa forma, é claro que tanto o avanço da tecnologia como a desregulamentação podem afetar juízes, promotores, defensores e analistas do judiciário. Aliás, apesar de Susskind não entrar nesse ponto, podemos extrapolar e
fazer algumas provocações olhando para o contexto brasileiro.
Se resta claro o provável impacto do avanço da tecnologia e da desregulamentação nas carreiras públicas, o vetor de mudança da pressão do mercado
parece não se aplicar, uma vez que servidores não estão prestando serviços a
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
empresários. Contudo, é possível identificar um vetor análogo à pressão dos
buyers para a área pública. Para isso, basta olharmos para o Governo como
um buyer. Em um cenário de recessão, de reformas institucionais e de corte
de gastos, é provável que o Estado se comporte em relação aos concursados
de forma análoga aos empresários: desejando que os serviços jurídicos dentro
do Estado sejam feitos mais rapidamente, com menores custos e com melhor
qualidade técnica.
Por fim, é importante de dizer que todas as mudanças citadas não devem
ser vistas apenas como uma ameaça. A leitura mais inteligente é considerar o
cenário que está construindo a nossa frente como um momento de grandes
oportunidades. Tanto na área privada, como na área pública, os juristas terão
terreno fértil para estruturar os problemas de formas nunca antes pensadas e
de criar soluções inovadoras.
II. QUESTÕES PARA DISCUSSÃO
Durante sua leitura do texto recomendado, reflita criticamente sobre as
seguintes questões:
1 - Qual é o cenário de mudanças no mercado jurídico americano que
o autor descreve?
2 - O que temos na nossa Escola que prepara os alunos para esse cenário?
3 - O que não temos na nossa Escola e que deveríamos ter para preparar os alunos para essa realidade?
4 - Como preparar os alunos para cargos que ainda não existem ou que
ninguém nunca ouviu falar?
5 - A partir da sugestão do autor da Escola hipotética do MIT, o que
poderíamos alterar em nossa grade curricular?
III. LEITURA OBRIGATÓRIA
The MIT School Of Law? A perspective on legal Education in the 21st Century.
Daniel Martin Katz.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
AULA 05: EDUCAÇÃO NO MUNDO
I. INTRODUÇÃO
Na aula anterior, estudamos o que seria o futuro do Direito e um esboço
de projeto pedagógico alinhado com esse cenário, a MIT School Of Law. Para
a 5° aula, estudaremos um pouco do que existe de mais vanguardista em educação no mundo e que já está sendo testado.
Há de ser ressaltado que, ao escolhermos as iniciativas que iríamos discutir em sala, optamos por não focar em projetos de educação que, apesar de
inovadores, ainda estivessem na fase piloto. Nossas discussões versarão apenas
sobre projetos já implementados e já testados de modo a evitar que entremos
em discussões etéreas. Assim, iremos estudar alguns casos de inovação em
educação no cenário mundial e, em seguida, iremos discutir como seria possível trazer algumas dessas inovações e dos insights por trás dessas inovações
para a nossa Escola.
O material de preparação para essa aula são dois TED talks sobre MOOCs,
textos curtos sobre o projeto da Universidade Minerva e um bate-papo com
o aluno Guilherme Nazareth, o único aluno brasileiro da primeira turma da
Minerva.
Nessa aula, serão estudados os seguintes cases de inovação:
-Coursera;
- EdX; e
-Minerva.
II. VÍDEOS
Anant Agarwal: Why massively open online courses (still) matter — https://
www.youtube.com/watch?v=rYwTA5RA9eU — (destaque para o ensino híbrido — vídeo de 15 minutos de duração)
Daphne Koller: What we’re learning from online education — https://www.
youtube.com/watch?v=U6FvJ6jMGHU — (destaque para o que os MOOCs
representam para a educação — 20 minutos muito bem gastos do seu tempo)
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
III. TRECHOS DO SITE DO MINERVA, DA REVISTA EXAME E DA WIKIPEDIA
A faculdade startup que quer revolucionar o ensino superior — Reportagem Revista
Exame
São Paulo — No prédio de número 1145 da Market Street, quase ao
lado da prefeitura de São Francisco, na Califórnia, três dezenas de jovens de
várias partes do mundo dividem-se em várias tarefas: alguns trabalham em
seu computador, outros conversam por meio de webcam, pequenos grupos
tentam solucionar um problema e uma turma bate papo no refeitório.
O prédio poderia ser mais um dos que abrigam as startups que povoam o
Vale do Silício. Ali, porém, está instalada uma universidade criada em 2012 e
que tem a ambição de revolucionar mais de 350 anos de ensino superior nos
Estados Unidos.
A Universidade Minerva não tem um campus tradicional, composto de
salas de aulas, bibliotecas e laboratórios. A única estrutura física é o prédio
onde os estudantes moram. As aulas — nas áreas de ciências da computação,
ciências sociais, ciências naturais, artes e humanidades — são todas por videoconferência.
Professores e estudantes, em grupos pequenos, conectam-se a uma plataforma de vídeo parecida com um bate-papo online em que todos interagem
pela internet — mesmo estando separados pelas paredes dos dormitórios. O
primeiro ano do curso é feito em São Francisco. Nos três anos seguintes, a
cada semestre os alunos moram em um país diferente.
A primeira turma da Minerva, que ingressou no segundo semestre do ano
passado, irá para Berlim e, na sequência, Buenos Aires, Seul, Bangalore, Londres e Istambul — a ideia era que São Paulo fosse a sede latino-americana,
mas os altos valores dos aluguéis fizeram a direção desistir.
A proposta que mistura aulas online com intensa vivência internacional
acabou chamando tanto a atenção que o processo de seleção para a segunda
turma, cujas aulas começam em setembro, recebeu 11 000 inscrições para
apenas 125 vagas. O índice de aprovação de cerca de 1% torna a instituição
uma das mais concorridas — nas universidades americanas Harvard e Stanford são aprovados 6% dos inscritos.
A inspiração para criar a Minerva veio da experiência acadêmica de seu
fundador, Ben Nelson, ex-presidente do serviço de impressão de fotos Snapfish, com passagens pelas multinacionais Disney e HP. Quando estudava
em Wharton, a escola de negócios da Universidade da Pensilvânia, Nelson se
incomodava com as aulas para plateias formadas por centenas de alunos. “As
aulas-palestras são uma ótima forma de ensinar, mas uma péssima maneira
de aprender”, diz Nelson.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Decidido a investir num projeto de educação diferente, ele procurou em
2010 o neurocientista Stephen Kosslyn, um dos maiores especialistas em psicologia cognitiva do mundo. Ex-diretor do Centro de Ciências Sociais de
Harvard e do Centro de Estudos Comportamentais de Stanford, Kosslyn
aceitou a tarefa de montar uma universidade em um ambiente virtual e criar
uma nova dinâmica de ensino.
O modelo de aula-palestra foi abandonado e, em seu lugar, entrou outro
chamado flip­ped classroom (em português, algo como “sala de aula virada”).
Criado nos anos 90 nos Estados Unidos, o flipped class­room pressupõe que
os estudantes falem mais do que o professor. Com duração de 1 hora e meia,
as aulas são gravadas e servem para que os professores avaliem o desempenho
de cada aluno.
As notas são dadas com base na qualidade das intervenções — a tática “o
importante é participar” não funciona. “Queremos formar as pessoas que vão
dirigir as principais instituições do mundo, não queremos formar o próximo
grande advogado tributarista”, diz Nelson.
Com pouco tempo de existência — a turma pioneira acabou de terminar
o primeiro ano do curso —, a Minerva é, por enquanto, apenas um experimento ousado e ambicioso. Mas Nelson e Kosslyn não estão sós. Entre os
conselheiros da universidade está Larry Summers, ex-secretário do Tesouro
americano e ex-reitor da Universidade Harvard.
O fundo Benchmark, que investiu em empresas como eBay, Twitter e
Uber quando estavam em estágio inicial, também colocou dinheiro na Minerva. Ao todo, a universidade levantou 95 milhões de dólares em três anos.
Seus investidores apostam que a plataforma é replicável e lucrativa.
Preço competitivo
Para os alunos, um dos principais atrativos da Minerva é o baixo custo.
Enquanto um ano acadêmico nas universidades Yale ou de Princeton varia
de 63 000 a 68 000 dólares, a anuidade da Minerva é de 28 000 dólares — os
gastos com moradia e alimentação estão incluídos nesse valor. O preço baixo
é decorrência da inexistência de um campus e da utilização de material didático gratuito, como os cursos em vídeo distribuídos pela internet por diversas
fundações e universidades.
“Não existe motivo para os estudantes pagarem por algo que eles têm de
graça na internet ou em livros”, explica Alex Cobo, responsável pela divulgação da Minerva na América Latina. Para a alegria dos alunos, há indícios de
que, mesmo com seu pouco tempo de vida, a nova instituição já esteja sendo
valorizada pelo mercado.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Guilherme Nazareth, único brasileiro a participar da primeira turma, está
atualmente fazendo estágio no Learn Capital, um dos principais fundos que
investem em startups de educação no mundo.
“Tenho amigos da faculdade que conseguiram estágios no serviço de
transporte Uber, na rede social Facebook e em outras empresas de tecnologia
do Vale do Silício”, diz o jovem gaúcho, que largou o curso de economia na
Universidade Federal do Rio Grande do Sul ainda no primeiro semestre, decepcionado com a qualidade do ensino. Em setembro, outros três brasileiros
farão parte da segunda turma.
Com sua proposta arrojada, a Minerva acabou virando alvo de críticas
nos Estados Unidos. “Não acredito que devamos abrir mão do formato mais
tradicional de aulas, como faz a Minerva”, diz Lin Goodwin, vice-reitora da
Escola de Professores da Universidade Colúmbia, de Nova York.
A falta de um campus pode gerar economia, mas também é um ponto
polêmico. Diversos estudos indicam que uma infraestrutura física adequada
é importante para atingir bons resultados acadêmicos. Por fim, a Minerva,
com sua estrutura física enxuta e política de preços baixos, pouco investe em
pesquisa — área que consome muitos recursos nas universidades de ponta.
Os fundadores da Minerva afirmam que há espaço para as instituições
tradicionais e também para experiências novas como a que propõem. A inspiração é claramente o ambiente de inovação da região de São Francisco,
onde fica a universidade. Como muitas start­ups de tecnologia, a Minerva está
empenhada em criar um modelo disruptivo.
Se der certo, deve ganhar escala, garantir polpudos lucros a seus investidores e, quem sabe, entrar para a história como a universidade que revolucionou
o modo como as pessoas aprendem. Caso dê errado, vai apenas engordar a
longa lista de experiências excêntricas das startups do Vale do Silício.
Minerva Project — Wikipedia
The Minerva Project is a for-profit educational organization that provides
technology, infrastructure and support services for the Minerva Schools at
KGI, a four-year undergraduate program created by the Minerva Project and
Keck Graduate Institute. According to its founder, Ben Nelson, the Minerva
Project provides “a reinvented university experience for bright and motivated
students.”
History — Wikipedia
The Minerva Project was founded by CEO and Chairman Ben Nelson in
2011 and received a $25 million seed investment from Benchmark CapiFGV DIREITO RIO 21
FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
tal in 2012 — which was, at the time, the largest seed-stage funding in the
venture capital firm’s history. The Minerva Project announced a partnership
with Keck Graduate Institute to form the Minerva Schools at KGI in 2013.
Institucional
A pedagogia da Universidade Minerva:
At Minerva, we focus on teaching students the skills and key knowledge
they need in order to become leaders, innovators, broad thinkers, and global citizens. Our rigorous academic environment centers on intellectual and
social development, from a set of overarching competencies to mastery of
specific subject matter. By reinforcing “foundational concepts” — knowledge
students can build on for the rest of their lives — and “habits of mind” —
mental skills that become automatic — we create a strong base from which
students can launch their careers and build their lives.
Based on decades of research in the science of learning, our pedagogy is
intentionally designed to engage students in active learning. Active learning
— actually being engaged in material, not passively listening to information
about it — helps students master a set of adaptable skills and fundamental
knowledge. We focus on mastery to the point where the material becomes
intuitive.
In addition to these central learning objectives, we also emphasize both
breadth of understanding — across disciplines and cultures — and depth in
the areas you are most passionate about. Through a mix of interdisciplinary
exploration and more concentrated study, you gain a diverse knowledge base
as well as expertise in your selected field.
Our academic philosophy is student-oriented and focuses on preparing
you for success in any career you pursue — even those that don’t yet exist.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Sobre os objetivos estratégicos:
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Estrutura Curricular:
In the first year, we introduce key habits of mind and foundational concepts. We then apply and reinforce these skills and knowledge across all subsequent courses, which leads students to develop critical thinking, creative
thinking, effective communication, and effective interaction skills.
The curriculum is designed to emphasize both broad understanding of
many fields and deep expertise in at least one area of knowledge.
In the first year, four Cornerstone courses provide a comprehensive foundation for study across disciplines. This shared academic experience is the
basis for your continued intellectual growth.
In the second year, you take core courses from different majors, critically
evaluating them and selecting a major. Having selected a major, you then select a concentration and begin to prepare for it by completing prerequisites.
The following years balance focused work in your selected major and concentration with breadth and elective courses in the others.
In your junior and senior years, the Capstone project allows you to synthesize your studies and create something new. The project is your own vision — a work with practical application in the world that will serve as your
bridge to professional life. This experience is complemented by the Oxford-style Senior Tutorials, which hinges on a deep exploration of a subject of
your choosing — in a very small seminar (2 other students and a professor).
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Whether entrepreneurship or academia, social justice or global affairs, a
Minerva education gives you the tools to thrive — and it provides you with
the skills to adapt as the world changes.
Sobre as matérias do primeiro ano:
Your first-year academics are devoted to the four Cornerstone courses.
Collectively, the courses focus on developing the habits of mind and foundational concepts that underlie four core competencies—thinking critically,
thinking creatively, communicating effectively, and interacting effectively—
that are fundamental to your Minerva education.
Formal Analyses focuses on thinking critically. You receive deep training in advanced deductive and inductive logic, rational thought, statistics,
computational thinking, and formal systems.
Empirical Analyses focuses on thinking creatively. You acquire the ability to use the scientific method to frame problems, test hypotheses and engage in informed conjecture.
Multimodal Communications focuses on communicating effectively. You
learn effective reading and writing at a very high level, visual communication, public speaking, roles of art and music in communication.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Complex Systems focuses on interacting effectively. You will understand how humans function as members of multiple different complex systems (ranging from legal and medical to economic and political), the concepts
of multiple causality and multi-factor interactions, and will learn group project collaboration, negotiation, leadership, and formal debate.
Although each of the Cornerstone courses focuses on a single competence, not all of the material relevant to that competence is necessarily presented
there. Depending on relevance, each of the Cornerstones sometimes presents
material that pertains to each of the competencies. Moreover, as soon as material is introduced in one Cornerstone course, it typically is drawn upon in
the other courses.
These broad, interdisciplinary courses are the common basis for your continued intellectual development.
Sobre a dinâmica das aulas:
All classes are taught as small discussion-based seminars, with no more
than 19 students, using the proprietary Active Learning Forum™ technology
platform. Professors conduct each session via live video, where you and your
fellow students are active participants in the discourse. Each seminar engages
you in the lively exchange of ideas at the center of active learning.
Advanced interactive features let you move flexibly from group discussion
into other instruction modes, including collaborative breakout clusters, debates, quizzes and polls, dynamic document creation, and real-time simulations. Every class is both intellectually stimulating and academically rigorous.
The Active Learning Forum is designed to improve instruction by allowing your professors to provide frequent, detailed evaluation of your performance. This individualized feedback is based on data collected continuously
during each seminar. As you and your classmates participate, your professors
gain deep insight into your strengths, level of understanding, and areas for
improvement.
In addition to seminars, the Active Learning Forum provides tools to augment your studies outside of class. With enriched faculty office hours and a
robust learning management system, you review your in-class activities, track
your progress across courses, and effectively direct your academic development.
As the platform for all your coursework, the Active Learning Forum
enhances your intellectual growth by providing tools and enabling experiences not possible in a traditional academic setting.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
O primeiro ano da graduação em São Francisco:
San Francisco is the ideal location for the start of your Minerva experience. A cosmopolitan global hub, the city has a long history of innovation in
literature, music, the arts, and more recently, revolutionary technologies. A
diversity of close-knit, iconic neighborhoods like Chinatown, Union Square
and North Beach are steps away from the centrally located residence halls.
Within this rich cultural context you and your classmates will explore
a broad range of sites and subjects. You will engage in numerous exciting
social, extracurricular and co-curricular activities, as a complement to your
rigorous coursework.
Your first year academics comprise the Cornerstone courses. From the
study of complex systems to investigations into the principles of rhetoric and
modes of artistic expression, the Cornerstones provide an integrated survey
of the core curriculum. These four courses are the common intellectual platform from which you and your classmates will develop the skills required
for future success.
O Segundo ano:
In the fall term of your sophomore year, you will travel with one of two
cohorts, either to Buenos Aires, Argentina or Berlin, Germany. This first semester is a time to continue your interdisciplinary studies, while considering
your primary area of focus.
In the spring term, as the two cohorts exchange cities, you will set the
course for your continuing intellectual growth. Working closely with your
faculty advisor, follow your passion to choose both your major and one of
four concentrations within it. Each major and concentration is conceived to
provide an understanding of the broad academic field — arts and humanities, computational sciences, natural sciences, and social sciences — as well
as expertise in a specific area of knowledge.
Both cities offer an astounding array of scientific, artistic, cultural, and
educational opportunities. From the historic Berlin wall and the scientifically
significant Museum für Naturkunde to the expansive collection in the Museo Nacional de Bellas Artes, these world capitals complement a diversity of
interests and areas of study.
Throughout year two, both cohorts will maintain close contact with each
other. During the live interactive seminars, through social media and in-person activities, you will continue to strengthen relationships that will last
a lifetime.
O terceiro ano na Ásia:
The third year is a time to deepen your knowledge while broadening your
worldview. As you continue your global residential experience, you will live
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
in Hong Kong, China and Mumbai, India — two of the fastest developing
regions on the planet. Though intensely distinct culturally, linguistically and
historically, both megacities present a range of possibilities for rich engagement with the people and perspectives that make each place unique.
While proceeding with work within your major and concentration, you
will also explore subjects outside your area of focus, including an innovation
course and non-major electives. Then, in the second semester you will begin
your Capstone project, the culmination of your undergraduate experience
and a bridge to your post-graduate career.
Through structured exploration and independent study, you and your faculty advisor will hone the framework for your Capstone project, refining its
premise and developing a suitable process for completion. By continuing to
expand the breadth and depth of your knowledge and skills, you are preparing for the culmination of your undergraduate experience.
O quarto ano:
During your final year, you will live in two undisputed global centers of
culture and commerce, London and New York. These storied cities are the
backdrop for the summation of your coursework and cultural experiences.
The energy and diversity surrounding you will inspire new ideas and inform
your intellectual progress.
For the senior Capstone project, you will use the capabilities you have
attained — critical thinking, creative problem solving and effective communication — to develop your personal vision. Whether the concept for a new
business, an innovative product idea, a disruptive economic theory, or an
experimental approach to storytelling, the Capstone is an original work of
your own creation.
Work on your project entails independent research and analysis, structured experimentation, divergent and convergent thinking, prototype creation, as well as frequent input from your faculty advisor. Through a series of
investigations, critiques, revisions and refinements, you shape your project
into a practical application of your passion, skills and deep knowledge. The
final work must be both relevant to your field and completed to the highest
professional standards.
As the apex of your undergraduate experience, the senior Capstone project draws on all your learning to propel you into the next stage of your life.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Sobre a orientação professional e o planejamento de carreira
Life long career support:
Our student focus extends to the practicalities of life after college. We are
committed to providing the tools, connections and guidance to help you
excel throughout your professional journey. In addition to global internship
support during your undergraduate years, we also provide placement, advisory, networking and publicity services after graduation.
From one-on-one sessions with our career specialists to ongoing promotion of your personal accomplishments, you will have unlimited access to
the people, tools and services to help you amplify your potential. Whether
beginning your own venture or joining an existing organization, you benefit
from expert advice and powerful allies.
As a Minerva graduate you also become part of a global network of innovators, entrepreneurs, accomplished academics, and social, political and
business leaders. These influential connections can help with business development, fundraising, research and development, as well as personal access
and influence.
By serving as a personal talent agency, our career services team and support network positions you for a lifetime of success.
Sobre os “cursos”:
Social Sciences Major
The social sciences apply the methods of science to understand the way
people think and act — individually, in groups, and in societies — and the
way that biology and the environment interact to make each of us unique.
Research findings from the social sciences inform public policies on a
wide range of issues, such as reducing crime, designing effective political
campaigns, helping people overcome addictions, crafting economic/labor
policies, and convincing people to conserve resources.
Computational Sciences Major
Computational sciences provide the scientific foundations for making
sense of natural, human-mediated and social phenomena through analytics,
computational methods and modeling.
In an age of ubiquitous — often overwhelming — data, the ability to harness that data to reflect, reach out and make better decisions is increasingly
crucial. The Computational Sciences major prepares students to be analytics-driven and logical decision makers, innovators, and leaders.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Natural Sciences Major
Natural sciences provide the foundations for understanding the natural
world and for using that knowledge to solve practical problems. Scientists
and engineers use theories and findings of the physical and chemical sciences
as well as the biological and biomedical sciences to develop new technologies,
improving the lives of millions of people around the world.
Effective decision making in many technology-oriented organizations requires a deep understanding of the natural sciences; the Natural Sciences major gives students the practical knowledge to become leaders and innovators
in science and technology-based organizations.
Arts and Humanities Major
The arts and humanities take the history of human creative thought and
expression and apply it to understanding and contextualizing events, ideas, policies, and human relationships. They foster an appreciation for other
ideas, other times and other cultures, as well as new ways of looking at the
world.
Arts and humanities scholarship produces better-informed leaders, innovators and global citizens with a social conscience, who are able to express
their views persuasively and through different media and forms.
Business Major
Private enterprise is the world’s primary driver of wealth, employment, technological advancements, and cures for social ailments. Minerva’s business
major will focus on corporate and market dynamics, the strategy and mechanics behind transactions, and the operational complexity involved with
taking a concept from ideation to global availability.
What makes Minerva different:
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Rigorous curriculum based on the science of learning
Accomplished faculty focused on student instruction
Four-years of global cultural immersion
Only small seminars with fewer than 19 students
Advanced interactive learning environment
Lifelong career support services
Merit-based admissions for all qualified students
Accessible and affordable with tuition $10,000/year
Vídeos institucionais no Youtube:
Minerva Schools — Introduction
watch?v=n201cHf88O4 — 3 minutos
—
https://www.youtube.com/
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Global Immersion: San Francisco: https://youtu.be/ItPWbHJ8Gzo — 3 minutos
Minerva — Active Learning Forum
watch?v=WEv8g80lcjo — 2 minutos
https://www.youtube.com/
Ben Nelson, CEO do Minerva — TEDxSF — Taking on the Ivy League
https://www.youtube.com/watch?v=WEv8g80lcjo — 14 minutos
IV. NOTÍCIAS SOBRE O MINERVA
A) This For-Profit College Wants to Compete With the Ivies. And It’s a Brilliant Business Idea.
By Jordan Weissmann
Here’s a rule of thumb about colleges: They’re only as good as the students
they admit. While there’s certainly evidence that, all things being equal, some
institutions of higher education are better investments than others, schools
that admit smart, wealthy 18-year-olds tend to graduate smart and soon-to-be-successful 22-year-olds.
That’s partly why the Minerva Project, a startup profiled by Graeme
Wood in this month’s Atlantic, is an intriguing business idea. Minerva is an
accredited, for-profit college with stated ambitions to become the first elite
American liberal arts institution founded in about a century. Of course, the
words “for-profit” and “elite” are generally considered to be oil and water in
education circles. But that’s partly because the corporate sector has preyed
on students at the low end of the market. They made their money charging
students exorbitant sums for mediocre educations they tend never to finish.
Minerva, backed with a good hunk of Silicon Valley venture capital money, is different. Its CEO, Ben Nelson, is a brash tech-type who sold the photo-printing company Snapfish to Hewlett-Packard for $300 million some
years ago and has zero experience in higher ed beyond his college days. But
he’s poached some academic stars to help bring his concept to life. For instance, the first hire, and founding dean, was neuroscientist Stephen Kosslyn,
a former Harvard University dean who has apparently scoured the academic
literature on the psychology of education to design a curriculum.
Everything about Minerva is, according to its pitch, designed to deliver
the maximum amount of learning for the minimum cost. So while it does
have an office in downtown San Francisco, it doesn’t have a leafy campus. It
doesn’t even really have classrooms. Instead, students take intensive seminars
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
via an online platform. Introductory courses and lectures aren’t part of the
deal. Undergrads are expected to learn the basics of subjects on their own,
possibly via the free, open courses offered on sites like Coursera and EdX.
The startup works from the precept that content is free. Minerva is there to
teach students how to think.
As for collegiate community, the first class of 33 students, which started
class this month, are living in dorms in San Francisco. But in the coming
years, as the student body theoretically grows, Minerva expects to open up
locations in global metropolises like Berlin, Buenos Aires, Hong Kong, and
New York, so that students will be able to hop from city to city and gain
some cosmopolitan polish during the journey. If all goes right, they’ll be
groomed for the Davos circuit by their early 20s. And for the privilege, they’ll
pay just $28,000 per year, tuition, room, and board included.
All this may tickle your B.S. detector. Minerva’s plan raises all sorts of
questions, which Wood ably explores in his Atlantic piece. On the one hand,
most top-tier universities don’t put nearly the emphasis on teaching that they
should, and it’s at least interesting to see someone attempting a radical alternative that tries to drag Ivy-style education into the Internet age (all without accepting any federal aid). On the other hand, you’re talking about a
for-profit enterprise boasting a pretty untested pedagogical approach that
will mostly appeal to students with a serious autodidactic streak. Who else
is going to mind teaching themselves Psych 101 so they can enjoy plugging
themselves into all those advanced, online seminars?
But then, that might be part of Minerva’s genius, at least as a business
concept. Its entire design is geared toward a self-selecting group of students
who are already probably predisposed to do well for themselves once they
leave campus, just by virtue of their willingness to learn by their lonesome
(not to mention their parents’ ability to pay tuition). No one can say for sure
how gifted Minerva’s inaugural class is, in part because it doesn’t accept SAT
scores. (Its rationale there is that rich students have a big SAT advantage.)
However, Wood interviews a few of the students for his piece, and at the very
least they come off as well-spoken and precocious.
Aside from self-selection, Minerva has something else important going for
it: The school isn’t really catering to Americans, for the most part. As of now,
about one-fifth of its class is from the United States. In the future, it expects
that number to drop to one-tenth, even while the number of students enrolled
grows exponentially. This was something that Nelson spent a great deal of time
emphasizing to me when I interviewed him two years ago. Wealthy and well-to-do parents in China and India are desperate to send their children to American-style schools. But elite U.S. institutions aren’t expanding their class sizes to accommodate all of those well-schooled, multilingual international students. And
so, as Nelson put it, the global education economy is suffering from “lockjaw.”
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
Whatever noise Minerva may make about changing education in the
U.S., its real first order of business is to pick up bright students who are
being shut out by the education establishment. Conceptually, it sounds like
a clever exercise in brand-building: Its plan is to market itself on the strength
of academics like Kosslyn and on its U.S. pedigree, while scouring the entire
world for the handful of kids who are smart enough to make it look good.
B) This University Teaches You No Skills—Just a New Way to Think
BEN NELSON SAYS the primary purpose of a university isn’t to prepare
students for a career. It’s to prepare them for life. And he now has $70 million
to prove his point.
Nelson is the founder and CEO of a new experiment in higher education
called Minerva Project. He says when it comes to learning, job training is the
easy part. With the emergence of online courses, it’s easier and cheaper than
ever to acquire the hard skills you need to land a job. “Why would you spend
a quarter of a million dollars and four years to learn to code in Python?” he
says. “If that’s the role of universities, you’d have to be insane to go to universities.”
But that doesn’t mean Nelson believes the country’s liberal arts colleges are
doing a particularly terrific job either. He argues most schools do little more
than teach students a core canon of information, a practice he says is archaic,
given how much information people have access to these days. “Today, it’s
absurd to say you need to know this information and without this information, you’re not an informed person,” he says.
Students don’t need universities to teach them history, chemistry, and
political science, Nelson says. They need universities to teach them how to
think. At Minerva, he says, students learn just that.
How You Think, Not What You Know
Minerva is a four-year, for-profit college housed within Keck Graduate
Institute in Claremont, California. Its students all live together on a traditional residential campus, but that’s about the only way in which Minerva is
traditional. For starters, it’s highly exclusive, boasting a 2.8 percent acceptance rate, which is lower than even Harvard or Stanford. Its students take all
their classes online, and after their first year in California, they spend each
semester in a new country of their choosing. What’s more, tuition is just
$10,000 a year. This fall, Minerva admitted its first class of 29 students and
recently landed $70 million in funding, enough to offer the founding class
of students full scholarships through graduation.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
But while there are many things that make Minerva unusual, the curriculum is what makes it truly unique. Minerva toys with the notion that in a
world where information is never more than a click away, what matters most
is not what you know off the top of your head, but how you analyze and
interpret everything you learn. And so, the school takes a hard stance against
teaching hard skills. You won’t find any of the typical gen-ed courses in its
freshman curriculum. Instead, freshmen take esoteric-sounding courses like
“Empirical Analysis” and “Multimodal Communication.” The entire first
year at Minerva is dedicated to teaching three things and three things only:
critical thinking, creative thinking, and effective communication.
“It’s basically like brain hacking. We’re changing the way you perceive the
world around you,” Nelson says.
The New New Education
In this way, Minerva is not only an extreme departure from traditional
universities. It’s an extreme departure from its fellow education innovators.
The last few years have seen a boom in edtech startups, like Coursera, Udacity, andCodecademy, all of which focus heavily on teaching students the skills
they need to land or switch jobs. Nelson isn’t opposed to these platforms.
In fact, he expects most Minerva students will use them to teach themselves
hard skills outside of class. But, he says, those skills are worth a lot more with
the fundamental critical thinking abilities to back them up.
“We didn’t want them to be trained just for some profession or particular
kind of academic niche,” says Dr. Stephen Kosslyn, Minerva’s founding dean
and a former Harvard and Stanford professor. “We wanted them to have the
intellectual tools to succeed at jobs that don’t even exist yet.”
Teaching students how to think is a fuzzy, amorphous idea. And so, Nelson and Dr. Kosslyn crafted an exhaustive list of what they call “habits of
mind and foundational concepts” that they want every student to learn in
their first year. There are 129 of them, and attempting to understand them
all can be a bit dizzying, so here’s a concrete example:
If a doctor wants to prescribe you a new medication, one of the first questions he’ll ask you is what other medications you’re taking. In medicine, we’re
constantly on the lookout for adverse interactions. But ask someone whether
they support a given law, and they’re likely to go with their gut, without stopping to think about all the other laws that interact with that law. Minerva
would like to make that type of analytical thinking a “habit of mind,” which
its students apply to all their judgment calls.
“The way you teach that is not by teaching medicine,” Nelson says. “Instead, you teach the very concept of interactions.”
Minerva does teach students practical things, of course. Freshmen learn statistics and historical analysis, but only within those much broader courses. “Usually
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schools teach you English and chemistry and hope you’ll pick up critical thinking
and communication,” Dr. Kosslyn says. “We’ve flipped it on its ear.”
Special Specializations
After freshman year, students also choose a major and take more specialized courses. But all of the classes are interdisciplinary, such as “Art for
Political and Social Change” or “Natural Resources and Environmental Economics.” Finally, during their last two years, they’re tasked with “creating
something novel” within their given concentration. This is more than just a
thesis presentation. If they’re studying politics, for instance, they might draft
a law and try to get it passed.
“It’s intended to be a bridge from college to the real world,” says Dr. Kosslyn.
For all its pedagogical complexity, of course, it’s possible that the corporate world just won’t buy Minerva’s little experiment in education. It could
be that society is already pre-programmed to hire for tangible, rather than
intangible, skills. And in order for a model like this to take off, universities
across the country would have to adopt it too. According to Dr. Kosslyn, that
could take some time.
“The main reaction I’ve gotten from academics is almost envy. They recognize the utility and value of what were trying to do and appreciate the
effort, but also understand it’d be extremely difficult for them to revise their
curriculum to do what we’re trying to do,” he says. “There’s a lot of legacy,
which makes things hard to change.”
V. BATE-PAPO COM GABRIEL NAZARETH
Conheça um pouco da história do Gabriel antes de fazermos o bate papo:
http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/08/brasileiro-fara-parte-da-1-turma-de-universidade-cursada-em-seis-paises.html
VI. QUESTÕES PARA DISCUSSÃO
A partir de tudo que foi lido e visto, ficam as seguintes questões:
1- Em que medida nossa Escola está inserida no que existe de mais
vanguarda de educação no mundo?
2- Em quais pontos estamos defasados?
3- Quais práticas poderiam ser incorporadas?
4- Alguma dessas inovações vai de encontro às premissas do projeto
pedagógico de nossa escola?
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
AULA 06: PEDAGOGIA EMPÍRICA QUANTITATIVA
I. INTRODUÇÃO
Pedagogia, de acordo com a Wikipédia, é a ciência que tem como objeto
de estudo a educação, o processo de ensino e a aprendizagem. No Brasil, a pedagogia é historicamente estudada por uma perspectiva qualitativa e teórica,
muitas vezes dialogando com a ciência política, a filosofia e as ciências sociais.
Nos EUA, por sua vez, a pedagogia tem forte interseção com a estatística e
a neurociência. Assim, existe toda uma bibliografia consolidada e sedimentada na literatura científica americana em torno de algumas questões de como
o cérebro funciona no processo de aprendizagem e de quais são as técnicas de
aprendizagem que tem maior eficácia.
O objetivo da última aula do curso é mostrar o quão distante pode estar a
educação que recebemos do que é recomendado pela ciência. Assim, espera-se que os alunos passem a perceber a organização da grade curricular, das
aulas, dos métodos de avaliação e até mesmo o volume das indicações de
leitura de forma crítica e embasada cientificamente.
No mesmo sentido, é fundamental que os arranjos pensados também estejam atentos aos pontos mais básicos e elementares do funcionamento do
cérebro humano no processo de aprendizagem.
Por fim, resta dizer que essa aula talvez seja uma das mais interessantes
para a vida do aluno em um horizonte temporal de longo prazo. Ao aprender
qual é a melhor forma de aprender, os alunos do curso podem aplicar em suas
próprias rotinas de estudo os princípios e conceitos aprendidos.
II. MATERIAL DIDÁTICO
Na plataforma do Coursera existe um MOOC (Massive Open Online
Course) de pedagogia chamado Learning How to Learn. Trata-se de um curso
de cerca de 7-10 horas de duração e que, se feito na modalidade paga (cerca
de $ 29), pode ser convertido em horas de ATC na FGV DIREITO RIO,
sendo a nota do curso incorporada ao Coeficiente de Rendimento acadêmico.
Recomenda-se fortemente que todos os alunos façam este curso. Os alunos que já fizeram afirmam entusiasticamente que a performance nos estudos
foi significativamente aprimorada com as lições e as técnicas aprendidas no
curso Learning How to Learn.
No entanto, como sabemos que dificilmente todos os alunos serão engajados o suficiente para dedicar 7-10 horas apenas para essa aula, selecionamos
como material didático obrigatório a leitura do trecho do livro “A mind for
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
numbers”, de autoria da professora Barbara Oackley, responsável pelo MOOC
Learning How to Learn. O trecho selecionado está disponível no material
anexo. O curso completo do Learning How to Learn é apenas bibliografia
complementar.
Apesar do título ser “A mind for numbers” e de ter sido pensado para que
alunos de ciências exatas melhorassem suas técnicas de estudo, as lições passadas são perfeitamente aplicáveis ao estudo do Direito.
III. QUESTÕES PARA DISCUSSÃO
Reflita sobre os seguintes pontos:
1 - Você possui hábitos de estudos recomendados pela ciência?
2 - A forma de organização da nossa Escola reforça os princípios e as
recomendações discutidas no texto?
3 - A forma de organização da nossa Escola está distante dos princípios
e das recomendações discutidas no texto?
4 - A sua sugestão de arranjo para resolver um problema na Escola passa
por buscar maximizar o aprendizado? Em caso afirmativo, sua ideia
tem embasamento na literatura empírica quantitativa pedagógica?
5 - Algo te surpreendeu na leitura do texto?
6 - Os cases de inovação que estudamos nas aulas anteriores reforçam
ou refutam as afirmações de Barbara Oackley?
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
JOAQUIM FALCÃO
Doutor em Educação pela Université de Génève. LL.M. pela Harvard Law
School. Bacharel em Direito pela PUC-RJ. Foi conselheiro do Conselho
Nacional de Justiça de junho de 2005 a junho de 2009. Diretor da FGV
DIREITO RIO.
PEDRO DELFINO
Graduando em Direito pela FGV DIREITO RIO e co-founder do NetLex.
COLABORADORES
Colaboraram na revisão dessa apostila: Daniel Oliveira, Fernanda Almeida Fernandes Oliveira e Eduardo Cavaliere.
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FGV DIREITO RIO: Um Projeto em Construção
FICHA TÉCNICA
Fundação Getulio Vargas
Carlos Ivan Simonsen Leal
PRESIDENTE
FGV DIREITO RIO
Joaquim Falcão
DIRETOR
Sérgio Guerra
VICE-DIRETOR DE ENSINO, PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
Rodrigo Vianna
VICE-DIRETOR ADMINISTRATIVO
Thiago Bottino do Amaral
COORDENADOR DA GRADUAÇÃO
Andre Pacheco Mendes
COORDENADOR DO NÚCLEO DE PRÁTICA JURÍDICA — CLÍNICAS
Cristina Nacif Alves
COORDENADORA DE ENSINO
Marília Araújo
COORDENADORA EXECUTIVA DA GRADUAÇÃO
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