Mara Regina Gularte Villalba¹
“Não tenho paredes só tenho horizontes”²
 Infância
“Minha meta é olhar para
frente e ser feliz, ver além das
paredes de minha casa e de
minha alma, olhar e seguir até
o infinito horizonte”.
Neste momento fico pensando como começar a escrever esse memorial, como
será a melhor maneira de falar sobre a minha vida, minhas escolhas, pois às vezes é
fácil dialogar cara a cara com uma pessoa, mas escrever se torna tão difícil.
Começarei então me apresentando, para que todos conheçam mesmo que por
palavras um pouquinho de mim. Meu nome é Mara, e quando digo Mara é Mara
mesmo, porque muitas pessoas acham que é apelido, nasci no dia 19 de abril do ano
de 1989, então hoje tenho 24 anos e 11 dias (momento em que comecei a escrever
esse memorial), sou a terceira filha de meu pai e a sexta de minha mãe, porém sou a
mais nova, ah nasci na cidade de Foz do Iguaçu no PR. Quando tinha 4 anos nasceu
meu primeiro sobrinho, e com 5 a minha primeira sobrinha (só para deixar aqui
registrado hoje em dia tenho 11 sobrinhos), que sempre foram uma alegria para
minha vida pois, eu como ainda era criança amava brincar com eles.
Como toda criança eu brincava muito, pulava, gritava e chorava também, mas
entre todas as brincadeiras a que mais eu gostava era brincar de escolinha, e sempre
eu queria ser “A professora”. Gostava de brincar porque achava um máximo escrever
no quadro, falar mais alto e é claro porque achava um barato ensinar outra pessoa o
que eu sabia.
Lembro-me ainda como um grande exemplo para toda a minha vida, da minha
primeira professora do pré, a Prof.ª Cecília. Uma pessoa doce, paciente, animada, bem
humorada e acima de tudo de bem com ela mesma. Essa posso dizer que permanece
até hoje em minha vaga lembrança dessa época, ela com toda certeza é um exemplo
a ser seguido. Como acredito muito em Deus, acredito que foi ele que pós ela em
minha vida, para que eu pudesse ter um bom olhar do “ser professora”, para também
desejar ser uma.
“Na paz, na moral, na humildade busco só sabedoria
Aprendendo todo dia, me espelho em vocꔳ
Durante toda minha vida escolar, lembro-me que fui muito parceira de todos os
meus professores, às vezes tinha um ou outro que eram mais rudes, mas com o tempo
consegui entender, que nem sempre aquele que não fica sorrindo a todo instante, seja
um mau professor, e que sim às vezes esse professor é simplesmente mais reservado.
Mas desses professores que às vezes fui mais cobrada, posso dizer que também por
consequência aprendi mais, pois, foram eles que diversas vezes cobraram mais de
mim porque acreditavam em meu potencial. Com todos posso dizer que aprendi, a
tentar mesmo sem ter certeza se ia dar certo ou não e é claro de nunca desistir dos
meus sonhos.
Posso dizer que sempre amei o ambiente escolar, as amizades que duram por
curto prazo, mas que permanecerão eternamente em minha lembrança. Os
professores que sempre me ensinaram e expiraram a minha futura profissão e
realização profissional.
Acadêmica de Pedagogia do Centro Universitário de Brusque – UNIFEBE. Bolsista do Programa Institucional de
Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID.
² Frase de Mario Quintana
³ Frase da música: Senhor do Tempo do compositor Charlie Brown.
Minha adolescência
“Você ganha força, coragem e confiança em toda
experiência em que você encara o seu medo.
Você deve fazer aquilo que pensa que não pode fazer.”
Sempre fui uma pessoa que desde muito nova pensava em trabalhar, estudar e
poder comprar minhas coisas, pensamento esse que adquiri com meus amados pais,
que sempre me ensinaram que para ter as coisas, era preciso batalhar por elas. Porém
minha amada cidade natal era uma cidade de poucas oportunidades de trabalho, o
que após completar os meus esperados 16 anos me deixou em completo desanimo,
digo 16 anos porque era a idade mínima para se começar a trabalhar.
Com essa dificuldade para começar a trabalhar, a vontade de entrar para uma
faculdade estava bem distante de minha realidade, fato que acabou fazendo com que
eu já nem pensasse mais em meu sonho.
Depois de algum tempo arrumei meu primeiro emprego, que na verdade era um
estágio na qual recebia uma pequena quantia mensal, na verdade mal dava para
comprar hoje uma calça jeans. Trabalhava no período da manhã e estudava a noite no
2º ano do ensino médio, a remuneração era pequena, porém, lá aprendi muito. Minha
função era de secretária, mas fazia um pouco de tudo: atendia telefone, vendia peças
de informática, limpava o chão, fazia café, e tudo mais que me pedissem. Era feliz
porque trabalhava.
Meu primeiro emprego de carteira assinada foi em um quiosque que vendia
vários doces feitos com chocolate que tinha em vários mercados e Shopping de Foz do
Iguaçu. Lá eu tinha a função de atendente folguista, esse nome se dava pelo fato de
que eu trabalhava nas folgas das outras meninas, porém, o salário que eu ganhava
também estava longe de ser aquele que iria me possibilitar pagar uma faculdade.
Com isso o tempo foi passando e minha vontade de achar uma formula para
revolucionar a minha vida só aumentava, e com isso sempre vivia me lamentando e
também pensando em diversas possibilidades para que isso fosse possível.
O caminho percorrido para realização dos meus sonhos
“Sempre
antes de realizar um sonho, a
Alma do Mundo resolve testar
tudo aquilo que foi aprendido
na caminhada”.
Paulo
Coelho.
No ano de 2007, foi o ano em que tudo mudou. Nesse ano no mês de agosto,
minha mãe de tanto ouvir eu e meu pai se lamentar por não conseguir emprego,
resolveu pedir a conta do serviço e vir morar para Brusque, pois, aqui em Brusque
morava naquele tempo meu irmão mais velho, que sempre ligava para ela e dizia que
era uma cidade boa de morar e que não faltava emprego.
Foi só o tempo das papeladas da rescisão de trabalho da minha mãe ficarem
prontas, que nós partimos para Brusque em busca de novos sonhos, no meu caso
realizar o ou “os” meus sonhos, de uma nova vida, uma nova realidade.
Porém na chegada a nova cidade, me deparei com outros obstáculos, que me
tiraram muitas noites de sono e muitas lágrimas de saudades. Saudades de todos que
tinha deixado em Foz, minhas irmãs e sobrinhos, amigos, vizinhos e até a estrutura da
cidade, que após conhecer a nova cidade que iria morar, me deixou muita saudade.
Como todo lugar novo, demorei muito para me adaptar, pois encontrei muitas
dificuldades para me locomover, para procurar emprego, pois, a cidade disponibilizava
poucos horários de ônibus e uma difícil estrutura para um recém-chegado. Com alguns
dias indo atrás de emprego, consegui então o meu primeiro que foi em fábrica têxtil,
com a função de auxiliar de talhação. O salário já era bem melhor do que cheguei a
ganhar em Foz, porém, não era meu perfil ficar trancada em um local escuro, quente e
sem contato com novas pessoas. Fazendo que com minha insatisfação eu pedisse a
conta.
Depois de muito percorrer a procura do emprego desejado, passei por vários
lugares, pedi a conta deles por descobrir que não era o ideal para minha vida, porém a
cada passo que dava aprendia um pouco mais, aprendia as técnicas dos lugares,
aprendia a me comunicar e também me expor, mas o que mais aprendi é desejar cada
vez mais sem ter medo de tentar, sempre seguindo em busca da minha realização
pessoal.
No ano de 2009 arrumei emprego em uma Clinica de Terapia, que atendia
crianças de 0 a 4 anos de idade, lá era feito o teste do pezinho e da orelhinha,
acompanhamentos de 3 em 3 meses e também atendiam crianças nas salas de
Estimulação Essencial com atrasos: na linguagem, comportamento, deficiências
mentais e motoras, Síndromes, entre outras. Tinha a função de secretária, exercia um
cargo de extrema responsabilidade, pois, era o braço direito da coordenadora. Lá
comecei a admirar o trabalho das professoras que ali trabalhavam. Admirava a garra
que tinham com aquelas crianças que exigiam muito empenho, dedicação e carinho
pela função. Foi ali que comecei mais uma vez a pensar que era realmente aquela
amada profissão que deveria seguir.
O tempo foi passando e a vontade só aumentava de estar dentro de uma sala
de aula, ajudando aquelas crianças que iriam me dar satisfação em ensiná-las e ajudálas. E com a experiência da clinica, só aumentou dentro de mim o meu espírito de
solidariedade, colaboração, aquela vontade de querer ser útil para o mundo, de querer
ter aquela profissão que eu muito admirava e achava prazerosa. Esse foi o ponto de
partida para a minha nova batalha: SER PROFESSORA.
No ano de 2012, logo no inicio do ano procurei a UNIFEBE para me informar
sobre o curso de Pedagogia, pesquisei o valor da mensalidade, e acabei tendo a
informação que eu poderia financiar 100% da faculdade, o que fez com que uma luz
brilhasse forte na minha vida. Como meu namorado amado e companheiro de todas
as horas estava comigo, já consegui naquele momento demonstrar minha total
satisfação e realização pela noticia, dessa forma pedi para que ele fosse meu avalista.
No outro dia fomos atrás da papelada na caixa e em poucos dias já estava tudo certo
para que eu começasse a estudar novamente.
Com um grande ar de realização comecei a estudar, voltando a brotar dentro de
mim, aquela vontade de crescer pessoalmente, de querer fazer a diferença no mundo,
nem que fosse uma pequena contribuição, pois, acredito que se cada um fizer um
pouquinho por um mundo melhor, essas ações juntas farão a diferença.
Já estudando, e agora como acadêmica de Pedagogia, outra coisa me deixava
inquieta, era a vontade de querer atuar na área. No mês de abril do mesmo ano, abriu
uma vaga para atuar na clinica logo eu com toda a minha vontade, fui conversar com
a coordenadora, como todos sempre me deram força para seguir os meus sonhos,
achei justo pedir uma chance para começar a minha carreira ali, que era um lugar
onde eu já estava três anos. Para minha tristeza, a coordenadora disse que não iria
dar, pois, eu era muito inexperiente e que mal tinha começado a faculdade, fiquei
naquele momento arrasada, mas, não desisti.
No mesmo mês abriu o edital da prefeitura para professores e monitores, ao
qual sem pensar me escrevi para professor da educação infantil e anos iniciais, porém
no dia de validação dos documentos, o senhor que me atendeu também me inscreveu
para a educação especial. No dia 27 de abril de 2012, eu estava trabalhando em
minha mesa quando tocou meu celular, era da prefeitura me oferecendo uma vaga de
professora da educação especial com carga horária de 40 horas. Naquele instante
nem sei definir a sensação que senti, senti alegria, medo, insegurança, dor por estar
deixando meu trabalho aquele que me inspirou profundamente para o caminho da
Pedagogia, porém vinha sempre em minha cabeça uma frase: “Não tenho paredes, só
tenho horizontes”, e tinha a certeza que eu deveria no ato dizer sim eu quero e foi o
que eu fiz, como naquele momento a coordenadora tinha saído mais cedo, não
consegui falar com ela, mas mesmo assim compartilhei com todas as minhas colegas
de trabalho a minha alegria e realização, tendo total apoio e um desejo de boa sorte
de todas.
No dia 1 de maio, passei na Clinica para conversar com minha ainda
coordenadora, e pedir a conta, pois, já iria começar na minha mais nova função no dia
seguinte.
Início da minha amada profissão
“Faça o que ama, e não
trabalhará um só dia de
sua vida”.
Já na faculdade e com um emprego na área, minha vida era só alegria. A
escolha do curso foi motivada por vários momentos marcantes: à vontade e
admiração por ajudar as pessoas, a minha admiração pelas minhas professoras no
tempo de escola e também a minha vivência com as crianças especiais. Tudo me
levava para o meio educacional, e em mim aquela vontade só crescia cada vez mais.
Nascia em mim um sentimento novo, o de SATISFAÇÂO.
No dia 2 de maio de 2012, foi meu primeiro dia na função de professora da
educação especial, meu coração parecia que ia saltar pela boca. Era medo, alegria,
dúvidas, mas ao mesmo a realização de um sonho.
Primeiro fui apresentada para todos os funcionários da escola, depois a fase de
conhecer meus alunos e saber de seus diagnósticos. No período da manhã eu iria
revezar em duas turmas, uma era 1º ano com um aluno autista e outro com paralisia
cerebral, a outra turma era um 5º ano, com 3 alunos: um com déficit de atenção, o
outro com hiperatividade e outro que não tinha laudo mas que precisava de
acompanhamento. O maior desafio para mim foi saber que eu teria um aluno,
cadeirante e com Mielomeningocele, que mesmo estando no 6º ano ainda não estava
alfabetizado, e seus conteúdos eram de 1º ano.
Os primeiros dias foram bem difíceis, pois, ainda precisava me adaptar naquele
novo ambiente, com os professores que teriam que me passar os conteúdos
planejados para cada turma, para que eu adaptasse da melhor maneira para cada
aluno. Aos poucos fui perdendo o medo, pois a cada dúvida, eu ai até a sala
multifuncional conversar com a professora responsável pelos atendimentos da
educação especial, conversava com os coordenadores, nunca ficando com dúvidas,
sempre fui atrás de saber mais, para ajudar mais e mais. Muitas vezes me senti
incapaz, mas, todos sempre me diziam que se agisse com força de vontade,
respeitando os limites dos alunos, eu iria sempre ter resultados positivos, e que muitas
vezes esses resultados seriam lentos, mas, que tudo que eu fizesse para ajudar seria
mais cedo ou mais tarde recompensado.
Neste ano de 2013, minha vontade era conseguir pegar uma vaga como
professora da educação infantil ou anos iniciais, mas, como ainda não sou formada
acabo ficando em uma coloção ruim, porém, consegui novamente vaga na educação
especial e para minha alegria, na mesma escola do ano passado, conseguindo
continuar o meu trabalho com os mesmos alunos, podendo assim dar uma
continuidade ao trabalho realizado e aprendendo mais ainda com eles, pois, não é só
os alunos que aprendem comigo e sim eu aprendo ainda mais com eles.
Só tenho cada dia mais a agradecer, pois amo o que faço, e tenho paixão por
todos os meus alunos. Com todos, acredito que pelo menos um pouco consegui
realizar um bom trabalho, tendo sempre além de uma posição de professora também
um papel de amiga para brincar, rir, fazer cócegas e simplesmente sorrir, pois só de
presenciar um olhar carinhoso em minha direção já vale apenas batalhar para ajudalos cada vez mais e mais.
PIBID em minha vida
Lembro-me como se fosse ontem a professora Claudia indo a nossa sala para
divulgar as bolsas do PIBID. Naquele momento sem muito pensar, senti que aquela
experiência eu não poderia perder, pois, sempre tive a meta de cada vez saber e
crescer mais, e ali eu teria como relacionar a teoria com a prática, aprendendo cada
vez mais.
Com o PIBID posso dizer que minha vida ficou ainda mais corrida, pois, além de
trabalhar e estudar todos os dias, ainda tinha e tem os encontros do PIBID aos
sábados e as ações que temos que realizar no CEI, porém, por outro lado os ganhos
foram imensos, pois, com as experiências adquiridas, pude relacionar as observações
e as ações com as minhas atuais práticas. Além de que adquiri muitos conhecimentos
em leituras, estudos e discussões em grupo.
Com os estudos e observações foi possível relacionar autores com as nossas
ações; Criar materias para serem utilizados com as crianças que muitas vezes estão
ali, sem que seja pensado no ambiente propicio a elas como também atividades
pedagógicas que estimulem desde cedo o desenvolvimento físico e motor, que é
necessário estar presente no dia a dia da educação infantil.
As ações aplicadas foram muito proveitosas e prazerosas, pois foi possível
vivenciar o dia a dia de um CEI, sua estrutura e didática, criar e aplicar materiais
diferenciados e práticos para o ambiente da Educação Infantil; materiais que
estimulam as crianças e lhes incentivam a brincar, criar e inventar situações, tornando
a primeira infância um lugar de prazer e aprendizado, sendo esse aprendizado
aplicado de uma maneira lúdica, divertida e harmoniosa, contribui significativamente
para o desenvolvimento das crianças.
Posso dizer que nesse um ano, de tudo que vimos, lemos, observamos e
dialogamos no grupo, foi possível aprender muito e tirar muitos exemplos bons a
serem seguidos na vida acadêmica e profissional. Tenho somente a agradecer a
professora Cintia que é nossa coordenadora do PIBID, pois foi ela que sempre nos
auxiliou, orientou e nos deu sempre muita força para sempre seguir em frente. E é
claro espero que com a renovação do PIBID para mais dois anos seja possível
realizarmos mais ações e com certeza, isso irá construir cada vez mais para um futuro
promissor, de aprendizado e boas experiências.
Conclusões deste memorial, porém não de minha história...
Posso concluir dizendo que sou realizada tanto pessoalmente como
profissionalmente, faço essa separação somente como esclarecimento, pois, para mim
o pessoal e o profissional andam juntos.
Meus planos é nunca parar, estudar cada vez mais, terminar a faculdade, fazer
pós, mestrado, doutorado... E nunca parar. Ter sempre ânimo para a vida, sempre
vontade de ajudar ao próximo, de partilhar o pouco que eu sei, de amar e viver
intensamente.
Daqui para frente eu quero sempre mais que ontem e mais ainda que hoje;
aprender, conhecer diferentes situações, encara-las, vive-las, e se um dia cair, sem
medo nenhum quero levantar e tentar novamente. Quero poder sim, fazer a diferença
para todos que são meus alunos e também para aqueles que vierem a ser um dia.
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