Chave Geral - O que os eletricitários
podem esperar da renovação do ACT
este ano?
Jairo – A palavra de ordem
é intensificar a luta. Há muitos motivos para entrarmos de
cabeça nesta Campanha Salarial.
Temos uma gestão em fim de
mandato, mas a Andrade Gutierrez vai continuar na empresa,
onde o seu principal interesse é
obter mais lucro e impor menos
conquistas para os trabalhadores.
O corpo gerencial da Cemig de
hoje é todo voltado para garantir privilégios. A maioria dos
gerentes e superintendentes tem
privilégios na PLR, e os acionistas levam todo o lucro da Cemig.
CG – A Cemig só marcou a primeira reunião de negociação nesta
semana, há mais de 30 dias após a
entrega da pauta de reivindicações.
Há no ar, mais uma vez, cheiro de
enrolação?
Jairo – Foi marcada reunião
de negociação no próximo dia
14, sexta-feira, às 10 horas.
A única coisa que podemos
afirmar é que foi agendada a
reunião, não sabemos se vai ter
negociação de fato. A pauta foi
entregue no dia 10 de outubro e
a primeira reunião foi agendada
35 dias depois da entrega. E
novamente a empresa escalou
uma consultoria paulista para
a negociação. Ou seja, mais
uma vez terceiriza a negociação.
Perguntamos: qual o interesse?
Quanto vai custar a consultoria?
100 mil, 200 mil reais?
CG – Este ano a categoria definiu
uma pauta ampla e com reivindicações também por locais de trabalho.
Ou seja, fez diferente de anos anteriores. Por que?
Jairo – As reivindicações
refletem as demandas e expectativas dos eletricitários ao longo
dos últimos 12 anos, que foram
Temos muitos
motivos para
entrar de
cabeça nesta
Campanha...
Para o Sindieletro, todo cuidado é pouco na hora das
negociações para renovação do nosso Acordo Coletivo
de Trabalho (ACT 2014/2015). Na entrevista abaixo, do
coordenador geral do Sindieletro, Jairo Nogueira Filho,
avalia a realidade que se coloca para a nossa Campanha
Salarial, destacando que o enfrentamento se dará, mais
uma vez, com muita luta e bastante mobilização.
duramente frustradas pela direção da empresa. Uma direção
que fez uma gestão de pessoal
restrita e de ataques aos direitos
dos trabalhadores. A participação da categoria, nas reuniões
setoriais e assembleias foi fundamental para a construção de uma
pauta que cobra, acima de tudo,
a valorização e o respeito.
Fizemos diferente porque
também incluímos reivindicações por locais de trabalho, muitas delas demandas dos trabalhadores que há anos as gerências
ignoram.
Toda a nossa pauta é importante. Podemos conquistar
aumento real justo e viável. Um
novo PCR sem privilégios, mobilidade interna sem restrições
gerenciais, fim das demissões
aos 55 anos, mais contratação
por concurso público, redução
e flexibilização da jornada de
trabalho e o fim definitivo da
privatização da Cemig e Gasmig.
CG – Na sua avaliação, por que os
gestores frustraram tanto as expectativas da categoria?
Jairo – Notamos que ao longo da última década os gestores
e o RH da Cemig ficaram cada
vez mais distante da categoria,
porque só enxergaram na frente
uma gestão pelo lucro, custe o
que custar. Não temos há 12
anos uma política de RH para
o trabalhador, mas contra o
eletricitário, sem diálogo e sem
transparência.
O RH desistiu do PCR e quer
implantar um novo PCR este
ano sem nenhum diálogo. Eles
podem até inventar nome bonito
para o novo PCR, mas sabemos
que a cabeça dos gestores da
empresa é fazer política restrita
de pessoal. Mais um motivo para
termos uma posição firme na
campanha, inclusive com greve,
se for preciso.
Continua na página 8.
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Quem financia as
campanhas política$?
Sistema político
brasileiro de hoje
é “um convite à
corrupção”, como
diz o cientista
político, João Pereira
Coutinho, e custa
caro para eleitor
Rua Mucuri, 271 - Floresta
Belo Horizonte/MG - CEP: 30.150-190
O debate sobre a reforma política que, segundo o presidente nacional da OAB, Marcus
Vinicius Furtado Coelho, não é do governo
nem da oposição, mas da sociedade, coloca
em pauta assuntos importantes e nunca antes bem debatidos, como o financiamento das
campanhas políticas. Essa discussão avança
no Senado e enfrenta manobras no STF.
No Senado, um projeto proibindo as doações empresariais foi aprovado e agora segue
para a Câmara dos Deputados. O substitutivo
de autoria do senador Roberto Requião (PMDB-PR) altera dispositivos da Lei das Eleições
e do projeto de lei (PLS 60/2012) da senadora
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que proi-
bia apenas a doação por empresas a dirigentes
condenados em instância final da Justiça por
corrupção ativa. O novo projeto em votação
quer reduzir a influência do poder econômico sobre os mandatos, proibindo doação de
qualquer empresa, o que instituiria o financiamento de campanhas apenas por recursos
públicos e de pessoa física. Mas entidades populares e de classe defendem o financiamento
exclusivamente público de campanhas, acabando com doações privadas.
Em abril, a Revista Carta Capital denunciou a manobra do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para
adiar o fim da doação das empresas para can-
Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais - Sindieletro-MG
Telefone: (31) 3238.5000 Fax: (31) 3238.5049 E-mail: [email protected]
Diretor responsável: Arcângelo Queiroz - Edição: Mariângela Castro- Redação: Benedito Maia, Mariângela Castro, Rosana Zica e Vinícius Avelar - Fotografia: Benedito Maia - Diagramação: Vinícius Avelar - Cartunista: Nilson Azevedo
Central de Informações: Nízio Fernandes Impressão: Gráfica Millenium Tiragem: 11.500 exemplares
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didatos. A maioria dos ministros do STF já
havia se pronunciado pelo fim das doações,
mas o ministro adiou a decisão final ao fazer
um pedido de vista. Um abaixo assinado mobiliza apoios na internet para cobrar de Gilmar Mendes que a proposta seja colocada em
votação. Você pode votar acessando o link
http://goo.gl/4ldMYT.
Para a OAB, autora da ação julgada pelo
STF que proíbe a contribuição eleitoral de
empresas, a doação empresarial prejudica o
regime democrático, permitindo, como diz o
colunista Paulo Moreira Leite, “alugar o poder
político a quem tem mais dinheiro”.
Custo e benefício
No debate sobre o fim de doações de empresários para campanhas, algumas pessoas
temem que, sem dinheiro das empresas, candidatos passem a gastar recurso público para
custear as eleições brasileiras que estão entre
as mais caras do mundo. O que não é divulgado é que o custo da eleição já é pago pelos
cidadãos de duas formas diretas: pelo fundo
partidário, verba que serve para as legendas
bancarem suas atividades, incluindo as propagandas. Além do fundo, o horário eleitoral,
que é chamado de gratuito, é pago pelo governo e, no final das contas, pelo cidadão. A
Justiça Eleitoral calcula o valor que cada emis-
sora receberá com base no valor pago pelos
anunciantes no mesmo horário e este dinheiro
chega às tevês por meio de isenções de impostos.
Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o custo do voto para eleger um deputado federal no Brasil, por exemplo, aumentou
de R$ 2,37 por eleitor para R$ 9,68, em 2010. A
Consultoria Legislativa do Senado apresenta sistemas de financiamento de campanhas usados
em outros países que conseguiram baratear custos eleitorais. A França optou pelo financiamento público de campanha, proibindo qualquer
doação. Nos E.U.A, após o escândalo, em 2002,
da Enron, gigante de energia que usou esquemas
contábeis fraudulentos para ocultar prejuízos, há
limites rígidos de doações de pessoas físicas e
jurídicas. Na Alemanha, o sistema de financiamento eleitoral protege candidatos da influência
de grandes financiadores.
Para o deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ),
o debate moralista sobre a corrupção que é
feito pela imprensa tradicional oculta que o
único antídoto para a corrupção no Brasil é
a reforma política. O parlamentar também é
defensor do financiamento exclusivamente
público de campanha. “Se você é financiado
pelas empreiteiras, você vai administrar uma
cidade como o Rio de Janeiro com quem?”,
questiona Freixo.
No Brasil e em Minas,
todos pela reforma política
Apesar de a mídia tradicional ter escondido o plebiscito
popular pela Constituinte Exclusiva para a reforma política,
que teve 7,7 milhões de votos
a favor da mudança no sistema político, e tentar boicotar
o debate, a mobilização nacional já apresenta resultados.
Na semana passada, lideranças
conseguiram 185 assinaturas
no Congresso Nacional e pro-
tocolaram o projeto de decreto
legislativo para convocar uma
Constituinte Exclusiva sobre a
Reforma do Sistema Político.
No último dia 4, representantes dos movimentos
sociais, populares, sindicais e
políticos de Minas Gerais lotaram o auditório do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, em apoio ao
Plebiscito Popular pela Cons-
tituinte Exclusiva da Reforma
do Sistema Político. O coordenador geral do Sindieletro e
secretário da CUT, Jairo Nogueira Filho participou do encontro que reuniu, também,
parlamentares e dirigentes da
OAB-MG. O encontro, promovido pela CUT Minas, preparou o ato público que será
realizado dia 13 de novembro,
às 17 horas, na Praça Sete.
Fala, trabalhador:
O que você acha do fim das
doações de empresários
para campanhas políticas?
“
A reforma é importante para
discutir, por exemplo, a reeleição e
a disputa eleitoral cara que ocorre a
cada dois anos, parando o país. Nessa
eleição, por exemplo, se tivesse voto
também para prefeito e vereador, não
alimentaria tanto essa indústria da
eleição. Sou contra a doação de empresas para campanhas, pois já existe o
Fundo Partidário e fora dele, quando o
candidato recebe doações de empresa,
fica de rabo preso. Mas, por parte dos
políticos não existe interesse em esclarecer a população. Querem apenas usar
o eleitor como massa de manobra.”
Éder José de Souza, eletricista, São Gabriel.
“
É óbvio que não pode continuar sendo feito por empresa,
pois, depois a empresa cobra a
fatura. Se continuar com doação
de pessoa física, muda pouca coisa. Os interesses continuam e vão
selecionar candidatos com classe
mais elevada, prejudicando candidato de classe mais baixa. Tem
que ser financiamento público,
porque fica mais fácil controlar
gastos de campanhas e vai equilibrar recursos entre candidatos.
Marco Aurélio Cristo, eletricista de
distribuição, Plantão Anel Rodoviário.
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RISCO À SAÚDE
PELO LUCRO, PELA ECONOMI
REDUZIR TÉCNICOS DE PROJ
Gestores da Cemig estão
por tomar uma decisão para
a área de projetos e orçamentos que, mais uma vez, virá
de cima para baixo, sem diálogo com os trabalhadores e
com grandes riscos de piorar
a saúde e segurança dos eletricitários envolvidos com o
trabalho de levantamento de
campo para soluções de projeto da rede elétrica.
Os técnicos de projetos
foram avisados que a empresa
vai retirar a maioria deles da
rotina de trabalho de levanta-
mento de campo e concentrar
um grupo pequeno de trabalhadores para a tarefa. O número de técnicos que passará
a fazer o trabalho de levantamento de campo seria em torno de 14, para atender todo o
Estado, sendo oito na Grande
BH e seis para o interior. Hoje,
aproximadamente 120 trabalhadores do quadro próprio
são responsáveis pelos projetos e orçamentos da Cemig
nos 853 municípios mineiros. Ao retirar a grande
maioria dos profis-
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sionais do trabalho de campo,
a Cemig deixa de pagar para
o grupo de “excluídos” o adicional de periculosidade.
A pergunta que não quer
calar é: de onde os gestores
tiraram o número 14 como
quantidade necessária de trabalhadores para fazer o levantamento de campo, deixando a
maioria dos técnicos de fora, e
quem está lucrando com isso?
Para os técnicos da empresa, a lista dos prejuízos
para os trabalhadores e consu-
midores é grande. De quebra,
haverá sobrecarga de trabalho
para os técnicos credenciados
e como consequência a terceirização dos serviços que
ultrapassarem a capacidade
de produção da equipe. Outra
questão que é importante citar
será à necessidade de deslocamentos constantes, com viagens de centenas de quilômetros e pagamento de diárias.
Resultado: além da queda na
qualidade dos serviços, os riscos à saúde e segurança no trabalho serão maiores. Ainda, a
Cemig estará abrindo mão do
conhecimento e experiência
da equipe de técnicos e transferindo o know-how adquirido ao longo de décadas para
a terceirização.
E E SEGURANÇA
IA, CEMIG PODE
JETOS EM CAMPO
Cemig e consumidor também perdem
De acordo com os trabalhadores, os projetos e
orçamentos feitos pela empreiteira contratada oneram
os consumidores e a própria
Cemig, uma vez que a filosofia de otimização de recursos
utilizados para as soluções
de projetos está em conflito
com os critérios que definem
o calculo da remuneração das
empreiteiras que fazem projeto e obras. Ou seja, um projeto otimizado demanda mais
treinamento, conhecimento e
experiência, o que viabilizará
uma obra segura, adequada
e funcional. Um projeto de
baixa qualidade significa uma
obra inadequada, insegura
e dispendiosa, mas também
favorece a empreiteira, pois
gera uma quantidade maior de
US’s (Unidades de Serviços ),
que é o que define o valor da
remuneração das empreiteiras
de projeto e obras.
Além disso, as análises
de cargas feitas pela empreiteira nas redes da Cemig
apresentam, muitas vezes,
equívocos, gerando uma série de problemas que afetam
a qualidade dos serviços e
prejudicam a rotina dos trabalhadores da Cemig. No
dia a dia, os técnicos acabam
sendo obrigados a realizar
grande quantidade de retrabalho, devido a falhas da
empreiteira, que não se preocupa em manter um corpo
técnico treinado e qualificado, no intuito de abaixar
ainda mais seus custos operacionais. Além disso, há a
quarterização de projetos,
utilizando-se para isso uma
grande quantidade técnicos
aposentados da própria Cemig, que prestam esse serviço sem nenhum vínculo
empregatício, baixa remuneração, correndo os riscos da
atividade por conta própria,
sem segurança ou quaisquer
outras garantias trabalhistas, em total desacordo com
compromisso da Cemig para
com a sociedade, seus consumidores e até mesmo para
com os seus acionistas.
Para a empreiteira tanto
fez, tanto faz, visto que receberá pelas US’s, independente se houver retrabalho.
Retrabalho esse que, segundo os técnicos, é constante. A contratada ganha para
tudo, como análise de carga,
orçamento estimado, levantamento de campo, elaboração
de projetos, atualização de cadastro, entre outros serviços. A
fiscalização sobre os serviços
das empreiteiras é praticamente
inexistente, gerando impunidade para os seus erros e prejuízos
para empresa e consumidores.
Por sua vez, a empreiteira tem
conseguido se desvencilhar das
multas contratuais, alegando seguidamente que a quantidade de
US’s tem superado o limite mensal do contrato, e que estaria além
da sua capacidade.
Outra consequência: economia com retirada da periculosidade
Com a redução de técnicos em
trabalho de campo, a Cemig estaria
fazendo uma manobra com a retirada do adicional de periculosidade da
maioria dos profissionais. O Sindieletro avalia que os gestores da empresa,
mais uma vez, só estão enxergando o
lado econômico, sem se importar se o
trabalhador está sobrecarregado e em
mais risco de adoecimento e acidente
de trabalho. Os técnicos de projeto
sempre correram atrás de seus direitos, foram os primeiros a entrarem
na Justiça pela periculosidade sobre
a remuneração. Para o Sindieletro, redução do pessoal do projeto é também uma retaliação a aqueles que têm
consciência de seus direitos.
O Sindieletro também vê como
retaliação o fato das avaliações de desempenho desde 2011 terem classificado os técnicos do Núcleo de Proje-
tos da Região Metropolitana – unidade
Itambé - com nota insuficiente para
que eles tivessem a garantia de valorização com a verba do PCR.
A direção do Sindieletro não
mede esforço para impedir que a
decisão de mudar todo o sistema de
trabalho da área de projetos seja viabilizada. Para isso, diretores sindicais
têm se reunido com gerentes e superintendente de RH.
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Cemig joga fora décadas de
conhecimento técnico e economia
O desmonte de setores da Cemig após
as eleições é real. Entre as vítimas, estão os
eletricitários da oficina de transformadores
instalada há décadas no
Quarteirão 14, o pessoal
próprio e terceirizados.
Logo após a divulgação
do resultado das eleições
do segundo turno, eles
foram comunicados de
que a oficina vai fechar
as portas, sem que a
empresa, mais uma vez,
considerasse a opinião
dos trabalhadores.
A direção da Cemig não quis nem
saber que é mais
econômico manter
a equipe técnica
para a manutenção
dos equipamentos
e que sem a oficina
a empresa fica nas
mãos dos fornecedores, com risco de
faltar
transformadores novos e sujei-
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ta a preços de mercado.
Além disso, a empresa
novamente despreza o
know- how consolidado
ao longo de décadas para
a manutenção/recuperação de transformadores.
A decisão dos gestores é usar apenas
equipamentos
novos.
Os que derem defeitos
serão vendidos em leilões, como sucata. Os
eletricitários que trabalham com a manutenção de transformadores
serão remanejados para
outras oficinas.
A falta do equipamento no mercado já aconteceu, há cerca de dois
anos. Fortes chuvas causaram estragos de transformadores em várias
cidades do Estado. Os
fornecedores não deram
conta de garantir tantos
equipamentos solicitados
e a solução foi reforçar
os serviços da oficina,
que trabalhou dia e noi-
te para recuperar dezenas de transformadores.
Deu muito certo, e quem
mais ganhou foi o consumidor. Em grande parte
dos casos, a manutenção
fica mais barata do que
comprar novos transformadores, contribuindo
para economia e lucro
para a empresa.
Para o Sindieletro, é
mais um absurdo e descaso dos atuais gestores
da Cemig. Sucatear setores e equipamentos que
podem ser recuperados
com custo menor representa má gestão e desprezo pelo dinheiro público. O Sindicato, como
em todos os outros casos
que estão ocorrendo, de
desmonte, tenta reverter
as decisões autoritárias,
cobrando reuniões com
gerentes, superintendentes e diretores da Cemig,
para argumentar sobre
os absurdos que estão
sendo cometidos.
Cemig repassará
R$ 1,1 bi de lucro
extra para acionistas
antes do Natal
Enquanto entra com recurso no Tribunal Superior
do Trabalho (TST) para adiar
o pagamento de 3% de aumento real que a Justiça garantiu para os trabalhadores,
a Cemig anuncia que vai pagar R$ 1,1 bilhão de dividendos extraordinários para seus
acionistas. Em comunicado,
a direção da empresa diz que
usará a reserva de lucros para
fazer lançamentos automáticos na conta dos acionistas,
até o dia 19 de dezembro.
Somando o repasse extra
com os dividendos já distribuídos em 2014, a Cemig
repassará R$ 3,35 bilhões de
dividendos, o que, em termos percentuais, representa
a transferência de 108,2% do
lucro obtido pela estatal no
ano passado.
Depois dessa notícia, a reunião de negociação do Acordo
Coletivo de Trabalho, marcada para o próximo dia 14, promete muito debate e polêmicas. Para o Sindieletro, é uma
contradição a direção anunciar
o maior repasse de lucros da
história da empresa justamente quando a Cemig questiona
o aumento real decidido pelo
TST e anuncia a venda de prédios da estatal e o fechamento
de unidades em várias cidades.
Sindieletro, amigo do peito e da próstata
Com o Sindieletro é assim,
o ano inteiro ligado nas lutas
e na defesa dos interesses dos
trabalhadores, mas também
preocupado com a saúde dos
eletricitários e eletricitárias. A
entidade apóia as campanhas
de prevenção contra o câncer
de mama e de próstata.
No mês passado foi o Outubro Rosa, que buscou conscientizar as mulheres sobre a
prevenção do câncer de mama.
Agora, é a vez de prevenir o
câncer de próstata nos homens, com a campanha Novembro Azul, um toque pela
vida, um drible no preconceito.
Estima-se que em 2014 serão
diagnosticados 69 mil novos
casos de câncer de próstata em
todo o mundo.
A próstata é uma glândula
do sistema reprodutor mascu-
lino, que produz e armazena
parte do sêmem. O câncer
de próstata é o tumor mais
comum em homens acima de
50 anos. Os fatores de risco
incluem histórico familiar,
fatores hormonais e ambientais, dieta rica em gorduras
e pobre em verduras, vegetais
e frutas, sedentarismo e excesso de peso.
Diagnóstico
O câncer de próstata pode ser
diagnosticado por meio do exame
de sangue (PSA) e do toque retal,
a partir dos 45 anos de idade. Caso
sejam constatados aumento
da glândula ou PSA elevado, deve ser realizada biópsia
para averiguar se o tumor é
maligno ou benigno.
Sintomas
A maioria dos cânceres de
próstata cresce lentamente e
não causa sintomas. Tumores
em estágio mais avançado podem ocasionar dificuldade para
urinar, sensação de não conseguir esvaziar a bexiga, dor na
região das costas e presença de
sangue na urina, sinais de que
a doença evoluiu para um grau
de maior gravidade.
Chave Geral - Número 764 - De 11/11/2014 a 17/11/2014 - Página 7
...e conquistar o que merecemos
CG – Exemplos de medidas tomadas
pela Cemig contra os trabalhadores
têm muitos. Poderia citar alguns?
Jairo – A verba do PCR de
0,4% não foi aplicada em 2014.
Reivindicamos na nossa pauta
para que seja distribuída para
todos os trabalhadores, mas a
empresa, de forma unilateral e
com desrespeito, quer distribuir
para quem já foi contemplado
anteriormente. A própria seleção
interna é escabrosa, não existe
transparência, não sabemos onde
estão as vagas, quem pode participar. Onde não há transparência
fica a impressão de que é jogo
de cartas marcadas; além disso,
no caso da seleção interna o que
tem ficado para os trabalhadores
é uma imensa frustração com a
falta de expectativa e oportunidade de crescimento profissional.
Outro exemplo: a questão da
periculosidade. A posição da empresa em relação a esse adicional
mostra que sempre atua contra
os eletricitários. Nesta edição do
Chave Geral está sendo publicada uma matéria sobre os técnicos de projeto. Em mais uma
decisão unilateral, a empresa pretende retirar 80% dos técnicos
do trabalho de campo. São 120
profissionais em todo o Estado.
Retirando-os de campo a empresa acaba com a periculosidade
deles. E já ouvimos falar que a
Cemig pretende também tirar a
periculosidade dos trabalhadores
de outras áreas. É contra essas
coisas, na essência, a retirada
de direitos, que devemos reunir
mais forças para ir à luta.
CG – A Nova sede da Cemig está
prevista para ser inaugurada este
ano e já se fala que há cheiro de mais
centralização no ar. É isso mesmo?
Jairo – Sim, e eis mais outro
motivo para ir à luta. A nova
sede vai abrigar cerca de três mil
trabalhadores. A atual sede vai
continuar funcionando. Para nós,
significa que a empresa pretende fazer uma centralização mais
agressiva. De um lado a gente vê
a Cemig realizando um saldão
geral, vendas de prédios próprios,
às pressas. A conseqüência? O
fechamento de localidades e
centralização. Nossa Campanha
Salarial é o principal período que
temos para nos mobilizar e conquistar. A luta contra a centralização também faz parte da nossa
Campanha. O saldo de maldades
e prejuízos para trabalhadores e
consumidores é enorme. Não dá
para assistir de camarote. Nós
somos responsáveis por construir
uma nova Cemig, essa responsabilidade é a luta.
CG – Outra reivindicação fundamental é o fim das demissões aos 55
anos. É uma luta de todos, não é?
Jairo – Sim. Muitos trabalhadores perguntaram ao Sindieletro
se as demissões por idade vão
parar. Por fim às demissões arbitrárias é nossa prioridade. Entendemos que é mais um grande
motivo para a gente colocar mais
força nas mobilizações. Pelo
perfil dos atuais gestores, eles se
sentem livres para fazer o que
quiser, incluindo as demissões.
Então, vamos para a luta!
Além do fim das demissões, cobramos a contratação
imediata de 1.500 trabalhadores que passaram no último
concurso público. O prazo de
validade do concurso termina
em fevereiro de 2015.
CG – O ACT específico da PLR termina
este ano. É outra questão que exige
mais mobilização. Qual a expectativa
para a PLR?
Jairo - O Acordo da PLR é do
período de 2013/2014, queremos negociar um novo acordo
até março de 2015. Negociar um
acordo melhor, com avanços.
Nada virá de graça. Temos que
conquistar também a PLR extra
de R$6.400 para cada trabalhador.
CG - Concessões das usinas...outro pepino para resolver. Como é a atuação
do Sindieletro em defesa das usinas?
Jairo – Esse é outro ponto
para nos mobilizarmos ainda
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mais. Sempre defendemos que as
usinas fiquem com a Cemig. A
gente precisa resolver do ponto
de vista dos trabalhadores. A
empresa optou por não renovar
suas 21 usinas e a gente está
firme e forte para que todas essas
usinas continuem na Cemig o
mais rápido possível. Vamos,
inclusive, realizar um seminário
sobre a renovação das concessões
em Uberlândia, entre o dia 21 ou
22 de novembro. Chamaremos os
trabalhadores para esse debate.
CG – A Campanha se dá com o ACT
2012 ainda em discussão jurídica no
TST, por culpa da Cemig. Qual a sua
avaliação?
Jairo – A Cemig insiste em
enfraquecer a organização sindical dos eletricitários. Depois
da sentença ao dissídio coletivo
do ACT 2012, a empresa não
desiste de nos atacar, ao invés
de pagar logo o que o Tribunal
decidiu. Com recurso, a Cemig insiste em querer o fim
da liberação e estabilidade dos
dirigentes sindicais, demonstra
não ter limites para as maldades
e ataques à organização. Protela
o aumento real de 3%, enquanto
o correto seria chamar logo as
entidades sindicais para acertar o
pagamento, inclusive do retroativo, no salário e nos benefícios,
como o vale-alimentação.
A título de informe, o valor
retroativo do aumento real
deverá dar um salário para cada
trabalhador. E vai ter impacto
também na Forluz e na Cemig
Saúde. Entendemos que os
trabalhadores que saíram da
empresa após novembro
de 2012 terão que receber.
Os novatos que chegaram a partir de novembro de 2012 também
terão que receber, visto
que a tabela salarial de
admissão da época não foi
atualizada com os 3%.
“
...n participação
da categoria, nas
reuniões setoriais
e assembleias foi
fundamental para a
construção de uma
pauta que cobra,
acima de tudo, a
valorização e o
respeito.
...não temos
há 12 anos uma
política de RH para
o trabalhador, mas
contra o eletricitário,
sem diálogo e sem
transparência.
”
Jairo Nogueira Filho,
coordenador Geral do
Sindieletro-MG.
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Temos muitos motivos para entrar de cabeça nesta Campanha