Chave Geral - O que os eletricitários podem esperar da renovação do ACT este ano? Jairo – A palavra de ordem é intensificar a luta. Há muitos motivos para entrarmos de cabeça nesta Campanha Salarial. Temos uma gestão em fim de mandato, mas a Andrade Gutierrez vai continuar na empresa, onde o seu principal interesse é obter mais lucro e impor menos conquistas para os trabalhadores. O corpo gerencial da Cemig de hoje é todo voltado para garantir privilégios. A maioria dos gerentes e superintendentes tem privilégios na PLR, e os acionistas levam todo o lucro da Cemig. CG – A Cemig só marcou a primeira reunião de negociação nesta semana, há mais de 30 dias após a entrega da pauta de reivindicações. Há no ar, mais uma vez, cheiro de enrolação? Jairo – Foi marcada reunião de negociação no próximo dia 14, sexta-feira, às 10 horas. A única coisa que podemos afirmar é que foi agendada a reunião, não sabemos se vai ter negociação de fato. A pauta foi entregue no dia 10 de outubro e a primeira reunião foi agendada 35 dias depois da entrega. E novamente a empresa escalou uma consultoria paulista para a negociação. Ou seja, mais uma vez terceiriza a negociação. Perguntamos: qual o interesse? Quanto vai custar a consultoria? 100 mil, 200 mil reais? CG – Este ano a categoria definiu uma pauta ampla e com reivindicações também por locais de trabalho. Ou seja, fez diferente de anos anteriores. Por que? Jairo – As reivindicações refletem as demandas e expectativas dos eletricitários ao longo dos últimos 12 anos, que foram Temos muitos motivos para entrar de cabeça nesta Campanha... Para o Sindieletro, todo cuidado é pouco na hora das negociações para renovação do nosso Acordo Coletivo de Trabalho (ACT 2014/2015). Na entrevista abaixo, do coordenador geral do Sindieletro, Jairo Nogueira Filho, avalia a realidade que se coloca para a nossa Campanha Salarial, destacando que o enfrentamento se dará, mais uma vez, com muita luta e bastante mobilização. duramente frustradas pela direção da empresa. Uma direção que fez uma gestão de pessoal restrita e de ataques aos direitos dos trabalhadores. A participação da categoria, nas reuniões setoriais e assembleias foi fundamental para a construção de uma pauta que cobra, acima de tudo, a valorização e o respeito. Fizemos diferente porque também incluímos reivindicações por locais de trabalho, muitas delas demandas dos trabalhadores que há anos as gerências ignoram. Toda a nossa pauta é importante. Podemos conquistar aumento real justo e viável. Um novo PCR sem privilégios, mobilidade interna sem restrições gerenciais, fim das demissões aos 55 anos, mais contratação por concurso público, redução e flexibilização da jornada de trabalho e o fim definitivo da privatização da Cemig e Gasmig. CG – Na sua avaliação, por que os gestores frustraram tanto as expectativas da categoria? Jairo – Notamos que ao longo da última década os gestores e o RH da Cemig ficaram cada vez mais distante da categoria, porque só enxergaram na frente uma gestão pelo lucro, custe o que custar. Não temos há 12 anos uma política de RH para o trabalhador, mas contra o eletricitário, sem diálogo e sem transparência. O RH desistiu do PCR e quer implantar um novo PCR este ano sem nenhum diálogo. Eles podem até inventar nome bonito para o novo PCR, mas sabemos que a cabeça dos gestores da empresa é fazer política restrita de pessoal. Mais um motivo para termos uma posição firme na campanha, inclusive com greve, se for preciso. Continua na página 8. Chave Geral - Número 764 - De 11/11/2014 a 17/11/2014 - Página 1 Quem financia as campanhas política$? Sistema político brasileiro de hoje é “um convite à corrupção”, como diz o cientista político, João Pereira Coutinho, e custa caro para eleitor Rua Mucuri, 271 - Floresta Belo Horizonte/MG - CEP: 30.150-190 O debate sobre a reforma política que, segundo o presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coelho, não é do governo nem da oposição, mas da sociedade, coloca em pauta assuntos importantes e nunca antes bem debatidos, como o financiamento das campanhas políticas. Essa discussão avança no Senado e enfrenta manobras no STF. No Senado, um projeto proibindo as doações empresariais foi aprovado e agora segue para a Câmara dos Deputados. O substitutivo de autoria do senador Roberto Requião (PMDB-PR) altera dispositivos da Lei das Eleições e do projeto de lei (PLS 60/2012) da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que proi- bia apenas a doação por empresas a dirigentes condenados em instância final da Justiça por corrupção ativa. O novo projeto em votação quer reduzir a influência do poder econômico sobre os mandatos, proibindo doação de qualquer empresa, o que instituiria o financiamento de campanhas apenas por recursos públicos e de pessoa física. Mas entidades populares e de classe defendem o financiamento exclusivamente público de campanhas, acabando com doações privadas. Em abril, a Revista Carta Capital denunciou a manobra do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, para adiar o fim da doação das empresas para can- Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais - Sindieletro-MG Telefone: (31) 3238.5000 Fax: (31) 3238.5049 E-mail: [email protected] Diretor responsável: Arcângelo Queiroz - Edição: Mariângela Castro- Redação: Benedito Maia, Mariângela Castro, Rosana Zica e Vinícius Avelar - Fotografia: Benedito Maia - Diagramação: Vinícius Avelar - Cartunista: Nilson Azevedo Central de Informações: Nízio Fernandes Impressão: Gráfica Millenium Tiragem: 11.500 exemplares Chave Geral - Número 764 - De 11/11/2014 a 17/11/2014 - Página 2 didatos. A maioria dos ministros do STF já havia se pronunciado pelo fim das doações, mas o ministro adiou a decisão final ao fazer um pedido de vista. Um abaixo assinado mobiliza apoios na internet para cobrar de Gilmar Mendes que a proposta seja colocada em votação. Você pode votar acessando o link http://goo.gl/4ldMYT. Para a OAB, autora da ação julgada pelo STF que proíbe a contribuição eleitoral de empresas, a doação empresarial prejudica o regime democrático, permitindo, como diz o colunista Paulo Moreira Leite, “alugar o poder político a quem tem mais dinheiro”. Custo e benefício No debate sobre o fim de doações de empresários para campanhas, algumas pessoas temem que, sem dinheiro das empresas, candidatos passem a gastar recurso público para custear as eleições brasileiras que estão entre as mais caras do mundo. O que não é divulgado é que o custo da eleição já é pago pelos cidadãos de duas formas diretas: pelo fundo partidário, verba que serve para as legendas bancarem suas atividades, incluindo as propagandas. Além do fundo, o horário eleitoral, que é chamado de gratuito, é pago pelo governo e, no final das contas, pelo cidadão. A Justiça Eleitoral calcula o valor que cada emis- sora receberá com base no valor pago pelos anunciantes no mesmo horário e este dinheiro chega às tevês por meio de isenções de impostos. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o custo do voto para eleger um deputado federal no Brasil, por exemplo, aumentou de R$ 2,37 por eleitor para R$ 9,68, em 2010. A Consultoria Legislativa do Senado apresenta sistemas de financiamento de campanhas usados em outros países que conseguiram baratear custos eleitorais. A França optou pelo financiamento público de campanha, proibindo qualquer doação. Nos E.U.A, após o escândalo, em 2002, da Enron, gigante de energia que usou esquemas contábeis fraudulentos para ocultar prejuízos, há limites rígidos de doações de pessoas físicas e jurídicas. Na Alemanha, o sistema de financiamento eleitoral protege candidatos da influência de grandes financiadores. Para o deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ), o debate moralista sobre a corrupção que é feito pela imprensa tradicional oculta que o único antídoto para a corrupção no Brasil é a reforma política. O parlamentar também é defensor do financiamento exclusivamente público de campanha. “Se você é financiado pelas empreiteiras, você vai administrar uma cidade como o Rio de Janeiro com quem?”, questiona Freixo. No Brasil e em Minas, todos pela reforma política Apesar de a mídia tradicional ter escondido o plebiscito popular pela Constituinte Exclusiva para a reforma política, que teve 7,7 milhões de votos a favor da mudança no sistema político, e tentar boicotar o debate, a mobilização nacional já apresenta resultados. Na semana passada, lideranças conseguiram 185 assinaturas no Congresso Nacional e pro- tocolaram o projeto de decreto legislativo para convocar uma Constituinte Exclusiva sobre a Reforma do Sistema Político. No último dia 4, representantes dos movimentos sociais, populares, sindicais e políticos de Minas Gerais lotaram o auditório do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, em apoio ao Plebiscito Popular pela Cons- tituinte Exclusiva da Reforma do Sistema Político. O coordenador geral do Sindieletro e secretário da CUT, Jairo Nogueira Filho participou do encontro que reuniu, também, parlamentares e dirigentes da OAB-MG. O encontro, promovido pela CUT Minas, preparou o ato público que será realizado dia 13 de novembro, às 17 horas, na Praça Sete. Fala, trabalhador: O que você acha do fim das doações de empresários para campanhas políticas? “ A reforma é importante para discutir, por exemplo, a reeleição e a disputa eleitoral cara que ocorre a cada dois anos, parando o país. Nessa eleição, por exemplo, se tivesse voto também para prefeito e vereador, não alimentaria tanto essa indústria da eleição. Sou contra a doação de empresas para campanhas, pois já existe o Fundo Partidário e fora dele, quando o candidato recebe doações de empresa, fica de rabo preso. Mas, por parte dos políticos não existe interesse em esclarecer a população. Querem apenas usar o eleitor como massa de manobra.” Éder José de Souza, eletricista, São Gabriel. “ É óbvio que não pode continuar sendo feito por empresa, pois, depois a empresa cobra a fatura. Se continuar com doação de pessoa física, muda pouca coisa. Os interesses continuam e vão selecionar candidatos com classe mais elevada, prejudicando candidato de classe mais baixa. Tem que ser financiamento público, porque fica mais fácil controlar gastos de campanhas e vai equilibrar recursos entre candidatos. Marco Aurélio Cristo, eletricista de distribuição, Plantão Anel Rodoviário. Chave Geral - Número 764 - De 11/11/2014 a 17/11/2014 - Página 3 RISCO À SAÚDE PELO LUCRO, PELA ECONOMI REDUZIR TÉCNICOS DE PROJ Gestores da Cemig estão por tomar uma decisão para a área de projetos e orçamentos que, mais uma vez, virá de cima para baixo, sem diálogo com os trabalhadores e com grandes riscos de piorar a saúde e segurança dos eletricitários envolvidos com o trabalho de levantamento de campo para soluções de projeto da rede elétrica. Os técnicos de projetos foram avisados que a empresa vai retirar a maioria deles da rotina de trabalho de levanta- mento de campo e concentrar um grupo pequeno de trabalhadores para a tarefa. O número de técnicos que passará a fazer o trabalho de levantamento de campo seria em torno de 14, para atender todo o Estado, sendo oito na Grande BH e seis para o interior. Hoje, aproximadamente 120 trabalhadores do quadro próprio são responsáveis pelos projetos e orçamentos da Cemig nos 853 municípios mineiros. Ao retirar a grande maioria dos profis- Chave Geral - Número 764 - De 11/11/2014 a 17/11/2014 - Página 4 sionais do trabalho de campo, a Cemig deixa de pagar para o grupo de “excluídos” o adicional de periculosidade. A pergunta que não quer calar é: de onde os gestores tiraram o número 14 como quantidade necessária de trabalhadores para fazer o levantamento de campo, deixando a maioria dos técnicos de fora, e quem está lucrando com isso? Para os técnicos da empresa, a lista dos prejuízos para os trabalhadores e consu- midores é grande. De quebra, haverá sobrecarga de trabalho para os técnicos credenciados e como consequência a terceirização dos serviços que ultrapassarem a capacidade de produção da equipe. Outra questão que é importante citar será à necessidade de deslocamentos constantes, com viagens de centenas de quilômetros e pagamento de diárias. Resultado: além da queda na qualidade dos serviços, os riscos à saúde e segurança no trabalho serão maiores. Ainda, a Cemig estará abrindo mão do conhecimento e experiência da equipe de técnicos e transferindo o know-how adquirido ao longo de décadas para a terceirização. E E SEGURANÇA IA, CEMIG PODE JETOS EM CAMPO Cemig e consumidor também perdem De acordo com os trabalhadores, os projetos e orçamentos feitos pela empreiteira contratada oneram os consumidores e a própria Cemig, uma vez que a filosofia de otimização de recursos utilizados para as soluções de projetos está em conflito com os critérios que definem o calculo da remuneração das empreiteiras que fazem projeto e obras. Ou seja, um projeto otimizado demanda mais treinamento, conhecimento e experiência, o que viabilizará uma obra segura, adequada e funcional. Um projeto de baixa qualidade significa uma obra inadequada, insegura e dispendiosa, mas também favorece a empreiteira, pois gera uma quantidade maior de US’s (Unidades de Serviços ), que é o que define o valor da remuneração das empreiteiras de projeto e obras. Além disso, as análises de cargas feitas pela empreiteira nas redes da Cemig apresentam, muitas vezes, equívocos, gerando uma série de problemas que afetam a qualidade dos serviços e prejudicam a rotina dos trabalhadores da Cemig. No dia a dia, os técnicos acabam sendo obrigados a realizar grande quantidade de retrabalho, devido a falhas da empreiteira, que não se preocupa em manter um corpo técnico treinado e qualificado, no intuito de abaixar ainda mais seus custos operacionais. Além disso, há a quarterização de projetos, utilizando-se para isso uma grande quantidade técnicos aposentados da própria Cemig, que prestam esse serviço sem nenhum vínculo empregatício, baixa remuneração, correndo os riscos da atividade por conta própria, sem segurança ou quaisquer outras garantias trabalhistas, em total desacordo com compromisso da Cemig para com a sociedade, seus consumidores e até mesmo para com os seus acionistas. Para a empreiteira tanto fez, tanto faz, visto que receberá pelas US’s, independente se houver retrabalho. Retrabalho esse que, segundo os técnicos, é constante. A contratada ganha para tudo, como análise de carga, orçamento estimado, levantamento de campo, elaboração de projetos, atualização de cadastro, entre outros serviços. A fiscalização sobre os serviços das empreiteiras é praticamente inexistente, gerando impunidade para os seus erros e prejuízos para empresa e consumidores. Por sua vez, a empreiteira tem conseguido se desvencilhar das multas contratuais, alegando seguidamente que a quantidade de US’s tem superado o limite mensal do contrato, e que estaria além da sua capacidade. Outra consequência: economia com retirada da periculosidade Com a redução de técnicos em trabalho de campo, a Cemig estaria fazendo uma manobra com a retirada do adicional de periculosidade da maioria dos profissionais. O Sindieletro avalia que os gestores da empresa, mais uma vez, só estão enxergando o lado econômico, sem se importar se o trabalhador está sobrecarregado e em mais risco de adoecimento e acidente de trabalho. Os técnicos de projeto sempre correram atrás de seus direitos, foram os primeiros a entrarem na Justiça pela periculosidade sobre a remuneração. Para o Sindieletro, redução do pessoal do projeto é também uma retaliação a aqueles que têm consciência de seus direitos. O Sindieletro também vê como retaliação o fato das avaliações de desempenho desde 2011 terem classificado os técnicos do Núcleo de Proje- tos da Região Metropolitana – unidade Itambé - com nota insuficiente para que eles tivessem a garantia de valorização com a verba do PCR. A direção do Sindieletro não mede esforço para impedir que a decisão de mudar todo o sistema de trabalho da área de projetos seja viabilizada. Para isso, diretores sindicais têm se reunido com gerentes e superintendente de RH. Chave Geral - Número 764 - De 11/11/2014 a 17/11/2014 - Página 5 Cemig joga fora décadas de conhecimento técnico e economia O desmonte de setores da Cemig após as eleições é real. Entre as vítimas, estão os eletricitários da oficina de transformadores instalada há décadas no Quarteirão 14, o pessoal próprio e terceirizados. Logo após a divulgação do resultado das eleições do segundo turno, eles foram comunicados de que a oficina vai fechar as portas, sem que a empresa, mais uma vez, considerasse a opinião dos trabalhadores. A direção da Cemig não quis nem saber que é mais econômico manter a equipe técnica para a manutenção dos equipamentos e que sem a oficina a empresa fica nas mãos dos fornecedores, com risco de faltar transformadores novos e sujei- Chave Geral - Número 764 - De 11/11/2014 a 17/11/2014 - Página 6 ta a preços de mercado. Além disso, a empresa novamente despreza o know- how consolidado ao longo de décadas para a manutenção/recuperação de transformadores. A decisão dos gestores é usar apenas equipamentos novos. Os que derem defeitos serão vendidos em leilões, como sucata. Os eletricitários que trabalham com a manutenção de transformadores serão remanejados para outras oficinas. A falta do equipamento no mercado já aconteceu, há cerca de dois anos. Fortes chuvas causaram estragos de transformadores em várias cidades do Estado. Os fornecedores não deram conta de garantir tantos equipamentos solicitados e a solução foi reforçar os serviços da oficina, que trabalhou dia e noi- te para recuperar dezenas de transformadores. Deu muito certo, e quem mais ganhou foi o consumidor. Em grande parte dos casos, a manutenção fica mais barata do que comprar novos transformadores, contribuindo para economia e lucro para a empresa. Para o Sindieletro, é mais um absurdo e descaso dos atuais gestores da Cemig. Sucatear setores e equipamentos que podem ser recuperados com custo menor representa má gestão e desprezo pelo dinheiro público. O Sindicato, como em todos os outros casos que estão ocorrendo, de desmonte, tenta reverter as decisões autoritárias, cobrando reuniões com gerentes, superintendentes e diretores da Cemig, para argumentar sobre os absurdos que estão sendo cometidos. Cemig repassará R$ 1,1 bi de lucro extra para acionistas antes do Natal Enquanto entra com recurso no Tribunal Superior do Trabalho (TST) para adiar o pagamento de 3% de aumento real que a Justiça garantiu para os trabalhadores, a Cemig anuncia que vai pagar R$ 1,1 bilhão de dividendos extraordinários para seus acionistas. Em comunicado, a direção da empresa diz que usará a reserva de lucros para fazer lançamentos automáticos na conta dos acionistas, até o dia 19 de dezembro. Somando o repasse extra com os dividendos já distribuídos em 2014, a Cemig repassará R$ 3,35 bilhões de dividendos, o que, em termos percentuais, representa a transferência de 108,2% do lucro obtido pela estatal no ano passado. Depois dessa notícia, a reunião de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho, marcada para o próximo dia 14, promete muito debate e polêmicas. Para o Sindieletro, é uma contradição a direção anunciar o maior repasse de lucros da história da empresa justamente quando a Cemig questiona o aumento real decidido pelo TST e anuncia a venda de prédios da estatal e o fechamento de unidades em várias cidades. Sindieletro, amigo do peito e da próstata Com o Sindieletro é assim, o ano inteiro ligado nas lutas e na defesa dos interesses dos trabalhadores, mas também preocupado com a saúde dos eletricitários e eletricitárias. A entidade apóia as campanhas de prevenção contra o câncer de mama e de próstata. No mês passado foi o Outubro Rosa, que buscou conscientizar as mulheres sobre a prevenção do câncer de mama. Agora, é a vez de prevenir o câncer de próstata nos homens, com a campanha Novembro Azul, um toque pela vida, um drible no preconceito. Estima-se que em 2014 serão diagnosticados 69 mil novos casos de câncer de próstata em todo o mundo. A próstata é uma glândula do sistema reprodutor mascu- lino, que produz e armazena parte do sêmem. O câncer de próstata é o tumor mais comum em homens acima de 50 anos. Os fatores de risco incluem histórico familiar, fatores hormonais e ambientais, dieta rica em gorduras e pobre em verduras, vegetais e frutas, sedentarismo e excesso de peso. Diagnóstico O câncer de próstata pode ser diagnosticado por meio do exame de sangue (PSA) e do toque retal, a partir dos 45 anos de idade. Caso sejam constatados aumento da glândula ou PSA elevado, deve ser realizada biópsia para averiguar se o tumor é maligno ou benigno. Sintomas A maioria dos cânceres de próstata cresce lentamente e não causa sintomas. Tumores em estágio mais avançado podem ocasionar dificuldade para urinar, sensação de não conseguir esvaziar a bexiga, dor na região das costas e presença de sangue na urina, sinais de que a doença evoluiu para um grau de maior gravidade. Chave Geral - Número 764 - De 11/11/2014 a 17/11/2014 - Página 7 ...e conquistar o que merecemos CG – Exemplos de medidas tomadas pela Cemig contra os trabalhadores têm muitos. Poderia citar alguns? Jairo – A verba do PCR de 0,4% não foi aplicada em 2014. Reivindicamos na nossa pauta para que seja distribuída para todos os trabalhadores, mas a empresa, de forma unilateral e com desrespeito, quer distribuir para quem já foi contemplado anteriormente. A própria seleção interna é escabrosa, não existe transparência, não sabemos onde estão as vagas, quem pode participar. Onde não há transparência fica a impressão de que é jogo de cartas marcadas; além disso, no caso da seleção interna o que tem ficado para os trabalhadores é uma imensa frustração com a falta de expectativa e oportunidade de crescimento profissional. Outro exemplo: a questão da periculosidade. A posição da empresa em relação a esse adicional mostra que sempre atua contra os eletricitários. Nesta edição do Chave Geral está sendo publicada uma matéria sobre os técnicos de projeto. Em mais uma decisão unilateral, a empresa pretende retirar 80% dos técnicos do trabalho de campo. São 120 profissionais em todo o Estado. Retirando-os de campo a empresa acaba com a periculosidade deles. E já ouvimos falar que a Cemig pretende também tirar a periculosidade dos trabalhadores de outras áreas. É contra essas coisas, na essência, a retirada de direitos, que devemos reunir mais forças para ir à luta. CG – A Nova sede da Cemig está prevista para ser inaugurada este ano e já se fala que há cheiro de mais centralização no ar. É isso mesmo? Jairo – Sim, e eis mais outro motivo para ir à luta. A nova sede vai abrigar cerca de três mil trabalhadores. A atual sede vai continuar funcionando. Para nós, significa que a empresa pretende fazer uma centralização mais agressiva. De um lado a gente vê a Cemig realizando um saldão geral, vendas de prédios próprios, às pressas. A conseqüência? O fechamento de localidades e centralização. Nossa Campanha Salarial é o principal período que temos para nos mobilizar e conquistar. A luta contra a centralização também faz parte da nossa Campanha. O saldo de maldades e prejuízos para trabalhadores e consumidores é enorme. Não dá para assistir de camarote. Nós somos responsáveis por construir uma nova Cemig, essa responsabilidade é a luta. CG – Outra reivindicação fundamental é o fim das demissões aos 55 anos. É uma luta de todos, não é? Jairo – Sim. Muitos trabalhadores perguntaram ao Sindieletro se as demissões por idade vão parar. Por fim às demissões arbitrárias é nossa prioridade. Entendemos que é mais um grande motivo para a gente colocar mais força nas mobilizações. Pelo perfil dos atuais gestores, eles se sentem livres para fazer o que quiser, incluindo as demissões. Então, vamos para a luta! Além do fim das demissões, cobramos a contratação imediata de 1.500 trabalhadores que passaram no último concurso público. O prazo de validade do concurso termina em fevereiro de 2015. CG – O ACT específico da PLR termina este ano. É outra questão que exige mais mobilização. Qual a expectativa para a PLR? Jairo - O Acordo da PLR é do período de 2013/2014, queremos negociar um novo acordo até março de 2015. Negociar um acordo melhor, com avanços. Nada virá de graça. Temos que conquistar também a PLR extra de R$6.400 para cada trabalhador. CG - Concessões das usinas...outro pepino para resolver. Como é a atuação do Sindieletro em defesa das usinas? Jairo – Esse é outro ponto para nos mobilizarmos ainda Chave Geral - Número 764 - De 11/11/2014 a 17/11/2014 - Página 8 mais. Sempre defendemos que as usinas fiquem com a Cemig. A gente precisa resolver do ponto de vista dos trabalhadores. A empresa optou por não renovar suas 21 usinas e a gente está firme e forte para que todas essas usinas continuem na Cemig o mais rápido possível. Vamos, inclusive, realizar um seminário sobre a renovação das concessões em Uberlândia, entre o dia 21 ou 22 de novembro. Chamaremos os trabalhadores para esse debate. CG – A Campanha se dá com o ACT 2012 ainda em discussão jurídica no TST, por culpa da Cemig. Qual a sua avaliação? Jairo – A Cemig insiste em enfraquecer a organização sindical dos eletricitários. Depois da sentença ao dissídio coletivo do ACT 2012, a empresa não desiste de nos atacar, ao invés de pagar logo o que o Tribunal decidiu. Com recurso, a Cemig insiste em querer o fim da liberação e estabilidade dos dirigentes sindicais, demonstra não ter limites para as maldades e ataques à organização. Protela o aumento real de 3%, enquanto o correto seria chamar logo as entidades sindicais para acertar o pagamento, inclusive do retroativo, no salário e nos benefícios, como o vale-alimentação. A título de informe, o valor retroativo do aumento real deverá dar um salário para cada trabalhador. E vai ter impacto também na Forluz e na Cemig Saúde. Entendemos que os trabalhadores que saíram da empresa após novembro de 2012 terão que receber. Os novatos que chegaram a partir de novembro de 2012 também terão que receber, visto que a tabela salarial de admissão da época não foi atualizada com os 3%. “ ...n participação da categoria, nas reuniões setoriais e assembleias foi fundamental para a construção de uma pauta que cobra, acima de tudo, a valorização e o respeito. ...não temos há 12 anos uma política de RH para o trabalhador, mas contra o eletricitário, sem diálogo e sem transparência. ” Jairo Nogueira Filho, coordenador Geral do Sindieletro-MG.