UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DOUTORADO EM ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA MODELO DE COMUNIDADE DE INQUIRIÇÃO: A PRESENÇA SOCIAL MEDIADA PELA PRÁTICA DA TUTORIA EM UMA DISCIPLINA ON-LINE JANE GARCIA DE CARVALHO Orientador: Prof. Dr. Carlos Fernando de Araújo Júnior Tese apresentada ao Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática, da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Doutora em Ensino de Ciências e Matemática. SÃO PAULO 2014 AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE. FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL C324m Carvalho, Jane Garcia de. Modelo de comunidade de inquirição: a presença social mediada pela prática da tutoria em uma disciplina on-line / Jane Garcia de Carvalho. -- São Paulo; SP: [s.n], 2014. 181 p. : il. ; 30 cm. Orientador: Carlos Fernando de Araújo Júnior. Tese (doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática, Universidade Cruzeiro do Sul. 1. Educação a distância 2. Processo de ensino-aprendizagem 3. Ambiente virtual de aprendizagem 4. Pesquisa-ação I. Araújo Júnior, Carlos Fernando de. II. Universidade Cruzeiro do Sul. Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática. III. Título. CDU: 37.018.43(043.2) UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO MODELO DE COMUNIDADE DE INQUIRIÇÃO: A PRESENÇA SOCIAL MEDIADA PELA PRÁTICA DA TUTORIA EM UMA DISCIPLINA ON-LINE JANE GARCIA DE CARVALHO Tese de doutorado defendida e aprovada pela Banca Examinadora em 14/03/2014. BANCA EXAMINADORA: Prof. Dr. Carlos Fernando de Araújo Júnior Universidade Cruzeiro Do Sul Presidente Prof. Dr. Rômulo Pereira Nascimento Universidade Cruzeiro Do Sul Prof. Dr. Juliano Schimiguel Universidade Cruzeiro Do Sul Profa. Dra. Rita Maria Lino Tarcia Universidade Federal de São Paulo Profa. Dra. Vilma Silva Lima Universidade Cidade de São Paulo Dedico esta conquista à minha filha Laura E aos meus pais Irene e Zarzur AGRADECIMENTOS Muitos colaboraram para que eu pudesse chegar até aqui. Agradeço a Deus pelas oportunidades que tive que me fizeram chegar até aqui. Agradeço aos meus pais, pelo amor que partilham comigo durante toda minha vida. À minha filha Laura, meu incentivo maior para prosseguir e amiga de todas as horas. Ao Fábio Peppe, pelo cuidado e incentivo em todos esses anos. À Peperix, companheira inseparável das madrugadas, manhãs, tardes e noites. Ao meu orientador Prof. Dr. Carlos Fernando de Araújo Jr. Aos membros da Banca, pelas contribuições valiosas, Profa. Dra. Rita Maria Lino Tárcia, Profa. Dra. Vilma Silva Lima, Prof. Dr. Juliano Schimiguel e Prof. Dr. Rômulo Pereira Nascimento. À minha amiga Gisele Fernandes, com quem partilhei muitos momentos desta pesquisa. À Angélica Martins e à Vera Cicaroni, que, de formas diferentes, contribuíram para que esta pesquisa fosse concluída. Aos meus colegas de trabalho que no percurso da pesquisa sempre me auxiliaram. A todos os professores do Programa, pelas inúmeras contribuições. Aos alunos que contribuíram para que a pesquisa se realizasse. À Universidade Cruzeiro do Sul, pelo auxílio no financiamento da pesquisa. Obrigada! Eu prefiro ser Essa metamorfose ambulante Do que ter aquela velha opinião Formada sobre tudo Raul Seixas CARVALHO J. G. Modelo de comunidade de inquirição: a presença social mediada pela prática da tutoria em uma disciplina on-line. 2014. 181 f. Tese (Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática)-Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2014. RESUMO A Educação a Distância, hoje, é uma realidade para muitos estudantes; até mesmo cursos presenciais oferecem disciplinas a distância e estas devem favorecer o processo de ensino e aprendizagem. A pesquisa que ora se apresenta tem base teórica nos trabalhos de Garrison, Anderson e Archer (2010), que apresentam as presenças de ensino, cognitiva e social como elementos essenciais para a aprendizagem em cursos a distância. O seu ponto de partida foi a pesquisa realizada por Bonici (2011), na mesma instituição de ensino em que esta se realizou, que encontrou poucos indícios da presença social. O objetivo central desta pesquisa foi verificar se a atuação do professor-tutor pode auxiliar, ou não, a intensificação da presença social. Além disso, buscou-se, nas participações dos alunos em dois fóruns de discussão, por meio da análise de conteúdo, verificar a incidência de expressões que revelassem a existência das diferentes categorias e dos indicadores da presença social apontados por Rourke et al. (2003). A coleta de dados para esta pesquisa foi realizada com 119 alunos dos cursos presenciais de licenciatura em Química, Ciências Biológicas e Matemática que cursaram a disciplina oferecida online Psicologia da Educação Esta pesquisadora participou desse processo como professora-tutora e a pesquisa configurou-se como pesquisa-ação. Nessa investigação, identificou-se o aumento da incidência de algumas categorias que indicam a presença social após algumas ações pedagógicas praticadas pela professora-tutora, o que faz crer que algumas ações educativas tomadas pelo tutor podem aumentar consideravelmente a incidência de presença social. Nesse sentido, é possível afirmar que o professor-tutor tem papel essencial no processo de aprendizagem. Os resultados apontados nesta pesquisa poderão nortear novas propostas de capacitação para o professor-tutor que atua em cursos ou disciplinas que sejam ofertados na modalidade a distância. Palavras-chave: Educação a distância, Presença social, Professor-tutor. CARVALHO J. G. Inquisition society model: the social presence mediated by tutorage practice in an online subject. 2014. 181 f. Tese (Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática)-Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2014. ABSTRACT Online Education is, nowadays, a reality for many students; even in site courses have been offering online subjects that are supposed to facilitate the teaching and learning process. This research is based on Garrison’s, Anderson’s and Archer’s (2010) theoretical works, which present the cognitive and social teaching presences as mandatory elements for the successful learning process in online courses. Its starting point has been Bonici’s (2011) research, that took place in the same Academic Institution used for this current paper, and that provided few evidences of such social presence. Our main objective for this research is to verify if the tutorteacher´s acting can contribute, or not, to improve this social presence. Besides that, we´ve searched, through the observation of students participation in two forums and analyses of the material provided by them, to verify the occurrence of expressions that could denote the existence of the different categories and social presence indicators as listed by Rourke et al. (2003). The data for this research was obtained through the observation of 119 students from the in site courses of Chemistry, Biological Sciences and Mathematics, that have attended to the online subject of Education Psychology. The researcher has acted as their tutor-teacher and, therefore, the action-research model has been applied. In such investigation it was possible to identify the increasing number of some categories that indicated the social presence after some pedagogical procedures adopted by the tutor-teacher. These results lead us to consider that educational actions handled by the tutorteacher are directly connected to the increase of the social presence. Therefore it´s possible to infer that the tutor-teacher´s role is not optional within this learning process. Results obtained in this research may be helpful to redesign capacitating proposals for tutor-teachers that presently act in online courses or subjects. Key words: Online education, Social presence, Tutor-teacher. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Quadro 1 Funcionalidades do AVA ................................................................... 40 Quadro 2 Relação carga horária e unidades de conteúdo .............................. 44 Quadro 3 Princípios da Aprendizagem Colaborativa ...................................... 55 Quadro 4 Sugestões para o professor-tutor..................................................... 57 Quadro 5 Categorias e indicadores da presença social .................................. 64 Quadro 6 Avaliação da Presença Social – Categoria Afetivo ......................... 66 Quadro 7 Avaliação da Presença Social – Categoria Interativo ..................... 66 Quadro 8 Avaliação da Presença Social – Categoria Coeso........................... 67 Quadro 9 Características da Pesquisa Qualitativa .......................................... 72 Quadro 10 Análise de conteúdo – Categorias .................................................... 79 Quadro 11 Unidades da disciplina Psicologia da Educação ............................ 88 Quadro 12 Análise dos Fóruns de Discussão .................................................. 109 Quadro 13 Percepção da Presença Social ....................................................... 130 Quadro 14 A percepção da Presença Cognitiva .............................................. 133 Quadro 15 A percepção Presença de Ensino ................................................... 138 Quadro 16 Resultados – Aprendizagem Colaborativa ..................................... 144 Quadro 17 Resultados da Impressão dos alunos sobre a disciplina ............. 157 Figura 1 Unidade de Ambientação .................................................................. 45 Figura 2 Aviso da disciplina ............................................................................. 48 Figura 3 Informações sobre a disciplina ......................................................... 48 Figura 4 Recursos Digitais ............................................................................... 49 Figura 5 Guia de Estudos ................................................................................. 49 Figura 6 Tutoriais .............................................................................................. 50 Figura 7 Material Didático................................................................................. 50 Figura 8 PowerPoint Narrado ........................................................................... 51 Figura 9 Videoaula ............................................................................................ 51 Figura 10 Esquema Gráfico ................................................................................ 52 Figura 11 Flipbook .............................................................................................. 52 Figura 12 Apresentação da unidade .................................................................. 53 Figura 13 Elementos da experiência educacional............................................ 59 Figura 14 Modelo Prático de Investigação ........................................................ 61 Figura 15 Software Nvivo ................................................................................... 81 Figura 16 Aviso fechamento de unidade .......................................................... 90 Figura 17 Participação do professor-tutor no fórum ....................................... 90 Figura 18 Orientações para participação no Fórum de Discussão da Unidade IV .......................................................................................................... 91 Figura 19 Orientações para participação no Fórum de Discussão da Unidade VI .......................................................................................................... 93 Gráfico 1 Evolução número de disciplinas....................................................... 74 Gráfico 2 Evolução das matrículas ................................................................... 75 Gráfico 3 Formação Ensino Médio .................................................................... 84 Gráfico 4 Formação Ensino Superior ............................................................... 84 Gráfico 5 Fontes de Informação ........................................................................ 85 Gráfico 6 Utilização da Internet ......................................................................... 85 Gráfico 7 Utilização do computador em casa .................................................. 86 Gráfico 8 Finalidade do uso do computador .................................................... 86 Gráfico 9 Redes Sociais ..................................................................................... 87 Gráfico 10 Participação no Fórum de Discussão da unidade IV ...................... 92 Gráfico 11 Participação no Fórum de Discussão da unidade VI ...................... 94 Gráfico 12 Panorama das Participações no Fórum da unidade IV ................... 94 Gráfico 13 Panorama das Participações no Fórum da unidade VI ................... 95 Gráfico 14 Comparativo da Análise dos Fóruns de Discussão ...................... 109 Gráfico 15 Presença Social - Questão 3 ........................................................... 116 Gráfico 16 Presença Social – Questão 6 .......................................................... 117 Gráfico 17 Presença Social – Questão 9 .......................................................... 118 Gráfico 18 Presença Social – Questão 11 ........................................................ 119 Gráfico 19 Presença Social – Questão 18 ........................................................ 119 Gráfico 20 Presença Social – Questão 19 ........................................................ 120 Gráfico 21 Presença Social - Questão 20 ......................................................... 121 Gráfico 22 Presença Social - Questão 21 ......................................................... 122 Gráfico 23 Presença Social - Questão 23 ......................................................... 122 Gráfico 24 Presença Social – Questão 24 ........................................................ 123 Gráfico 25 Presença Social – Questão 29 ........................................................ 124 Gráfico 26 Presença Social – Questão 31 ........................................................ 125 Gráfico 27 Presença Social – Questão 33 ........................................................ 126 Gráfico 28 Presença Social – Questão 39 ........................................................ 126 Gráfico 29 Presença Social – Questão 41 ........................................................ 127 Gráfico 30 Presença Social – Questão 47 ........................................................ 128 Gráfico 31 Presença Social - Questão 49 ......................................................... 128 Gráfico 32 Presença Cognitiva – Questão 15 ................................................... 131 Gráfico 33 Presença Cognitiva – Questão 17 ................................................... 132 Gráfico 34 Presença Cognitiva - Questão 45.................................................... 133 Gráfico 35 Presença de Ensino - Questão 30 ................................................... 135 Gráfico 36 Presença de Ensino - Questão 36 ................................................... 136 Gráfico 37 Presença de Ensino – Questão 38 .................................................. 136 Gráfico 38 Presença de Ensino - Questão 42 ................................................... 137 Gráfico 39 Aprendizagem Colaborativa – Questão 7....................................... 139 Gráfico 40 Aprendizagem Colaborativa – Questão 8....................................... 139 Gráfico 41 Aprendizagem Colaborativa – Questão 13..................................... 140 Gráfico 42 Aprendizagem Colaborativa – Questão 27..................................... 141 Gráfico 43 Aprendizagem Colaborativa – Questão 28..................................... 141 Gráfico 44 Aprendizagem Colaborativa – Questão 35..................................... 142 Gráfico 45 Aprendizagem Colaborativa – Questão 40..................................... 142 Gráfico 46 Aprendizagem colaborativa - Questão 43 ...................................... 143 Gráfico 47 Impressão a respeito da disciplina – Questão 1 ........................... 145 Gráfico 48 Impressão a respeito da disciplina – Questão 2 ........................... 146 Gráfico 49 Impressão a respeito da disciplina – Questão 4 ........................... 146 Gráfico 50 Impressão a respeito da disciplina – Questão 5 ........................... 147 Gráfico 51 Impressão a respeito da disciplina – Questão 10 ......................... 148 Gráfico 52 Impressão a respeito da disciplina – Questão 12 ......................... 148 Gráfico 53 Impressão a respeito da disciplina – Questão 14 ......................... 149 Gráfico 54 Impressão a respeito da disciplina – Questão 16 ......................... 150 Gráfico 55 Impressão a respeito da disciplina – Questão 22 ......................... 150 Gráfico 56 Impressão a respeito da disciplina – Questão 25 ......................... 151 Gráfico 57 Impressão a respeito da disciplina – Questão 26 ......................... 151 Gráfico 58 Impressão a respeito da disciplina – Questão 32 ......................... 152 Gráfico 59 Impressão a respeito da disciplina – Questão 34 ......................... 153 Gráfico 60 Impressão a respeito da disciplina – Questão 37 ......................... 153 Gráfico 61 Impressão a respeito da disciplina – Questão 44 ......................... 154 Gráfico 62 Impressão a respeito da disciplina – Questão 46 ......................... 155 Gráfico 63 Impressão a respeito da disciplina – Questão 48 ......................... 155 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS AIM PROJETO DE MÍDIA DE INSTRUÇÃO ARTICULADA AP ATIVIDADE DE APROFUNDAMENTO AS ATIVIDADE DE SISTEMATIZAÇÃO AVA AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM CES CÂMARA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR CNE CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO COI MODELO DE SOCIEDADE DE INQUIRIÇÃO EAD EDUACAÇÃO A DISTÂNCIA ENEM EXAME NACIONAL DO ENSINO MÉDIO EUA ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA FAQ FREQUÊNCIA DE ACERTO DE QUESTÕES IES INSTITUIÇAO DE ENSINO SUPERIOR NIAD NÚCLEO DE INFORMÁTICA APLICADA A EDUCAÇÃO PNE PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO TIC TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO SUMÁRIO INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 17 CAPÍTULO 1 - A FORMAÇÃO DO PROFESSOR NAS LICENCIATURAS: HISTÓRICO, CONVERGÊNCIAS E ESPECIFICIDADES. ....................................... 25 1.1 O ensino superior no Brasil .............................................................. 25 1.2 A formação do professor especialista nas Licenciaturas nas áreas de Ciências e Matemática .................................................................. 27 1.3 A Psicologia da Educação na formação do professor .................... 33 CAPÍTULO 2 - EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E AS DISCIPLINAS ON-LINE............. 35 2.1 Conceituando a EAD .......................................................................... 35 2.2 Ambiente virtual de aprendizagem e suas especificidades ........... 39 2.3 Disciplina on-line - protótipo pedagógico ........................................ 42 2.4 Aprendizagem Colaborativa nas disciplinas on-line....................... 53 2.5 Aluno e professor-tutor nas disciplinas on-line .............................. 55 CAPÍTULO 3 - AS PRESENÇAS COGNITIVA, DE ENSINO E SOCIAL ................. 59 3.1 A presença cognitiva ......................................................................... 60 3.2 A presença de ensino ........................................................................ 62 3.3 A presença social ............................................................................... 63 CAPÍTULO 4 – PRESENÇA SOCIAL: CAMINHOS DA PESQUISA ....................... 71 4.1 Metodologia qualitativa ..................................................................... 71 4.1.1 Pesquisa-Ação ................................................................................... 73 4.2 Cenário da pesquisa .......................................................................... 73 4.3 Coleta de dados.................................................................................. 75 4.3.1 Questionário 1 .................................................................................... 75 4.3.2 Análise de conteúdo .......................................................................... 76 4.3.2.1 Análise do conteúdo - software Nvivo ............................................. 80 4.3.3 Questionário II .................................................................................... 81 CAPÍTULO 5 – ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ....... 83 5.1 Perfil sociodemográfico .................................................................... 83 5.1.1 Considerações sobre o Perfil Sociodemográfico............................ 87 5.2 O Contexto da análise do conteúdo ................................................. 88 5.2.1 Ações pedagógicas do professor-tutor ........................................... 89 5.2.2 Considerações: fórum de discussão da unidade IV ....................... 91 5.2.3 Novas ações pedagógicas do professor-tutor ................................ 92 5.2.4 Considerações: fórum de discussão da unidade VI ....................... 93 5.2.5 Análise do conteúdo: categoria afetividade .................................... 95 5.2.5.1 Uso de humor ..................................................................................... 96 5.2.5.2 Expressão de emoções ..................................................................... 97 5.2.5.3 Autorrevelação ................................................................................... 99 5.2.5.4 Considerações sobre a categoria afetividade ............................... 100 5.2.6 Análise de conteúdo - categoria interação .................................... 101 5.2.6.1 Realização de perguntas a outros participantes ........................... 101 5.2.6.2 Citação de mensagem do outro ...................................................... 103 5.2.6.3 Referência à mensagem do outro ................................................... 103 5.2.6.4 Considerações sobre a categoria Interação .................................. 104 5.2.7 Análise de conteúdo: categoria coesão ......................................... 105 5.2.7.1 Uso de pronome inclusivo .............................................................. 105 5.2.7.2 Recursos fáticos e saudações ........................................................ 106 5.2.7.3 Expressão de apreço e concordância ............................................ 107 5.2.7.4 Vocativos .......................................................................................... 108 5.2.7.5 Considerações sobre a categoria coesão ...................................... 108 5.2.8 Considerações sobre a análise de conteúdo ................................ 109 5.2.9 Participação da professora-tutora nos fóruns de discussão ....... 110 5.2.9.1 Mensagens com indicadores de presença social ......................... 111 5.2.9.2 Mensagens com indicadores de presença de ensino ................... 112 5.2.9.3 Mensagens com indicadores de presença cognitiva .................... 114 5.2.9.4 Considerações sobre as participações da professora-tutora nos fóruns ................................................................................................ 115 5.3 Análise do questionário “A percepção do aluno sobre a disciplina on-line”.............................................................................................. 116 5.3.1 Resultados relativos à presença social ......................................... 116 5.3.2 Resultados relativos à presença cognitiva .................................... 131 5.3.3 Resultados relativos a presença de ensino ................................... 134 5.3.4 Resultados Relativos à Aprendizagem Colaborativa .................... 138 5.3.5 Resultados Relativos à impressão dos alunos a respeito da disciplina........................................................................................... 145 5.4 Considerações sobre análise dos dados e sugestões ................. 157 CONCLUSÕES ....................................................................................................... 161 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 165 APÊNDICES ........................................................................................................... 173 17 INTRODUÇÃO Não é novidade que as novas tecnologias provocaram grande impacto sobre a vida na sociedade contemporânea. A revolução trazida pela rede mundial de computadores possibilita que a informação produzida em qualquer lugar do mundo esteja rapidamente disponível a qualquer indivíduo. A globalização do conhecimento e a simultaneidade da informação são ganhos inestimáveis para a humanidade. A Internet tem colaborado intensamente para uma total alteração nas práticas de comunicação e, consequentemente, a educação não poderia ficar à parte de toda essa revolução. Na leitura, na forma de escrever, na pesquisa e até como instrumento complementar em sala de aula ou como estratégia de divulgar a informação, as novas tecnologias estão presentes. A educação desenvolvida nesse novo cenário cria novas formas de aprendizado, disseminação do conhecimento e, especialmente, novas relações entre professor e aluno. A inclusão da escola no mundo das tecnologias conectadas é uma abertura importante para preparar a comunidade escolar, como um todo, para o mundo atual, para uma sociedade complexa, que exige domínio das linguagens e recursos digitais. A incorporação das tecnologias à educação como um todo tem trazido maiores oportunidades e dinamismo aos atos de ensinar e aprender. Para a educação a distância, em especial, as funcionalidades permitidas pelas novas tecnologias são ainda mais presentes e necessárias. As Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), nessa modalidade de estudo, possibilitam maior interação entre os alunos e entre esses e seus tutores. Esses recursos contribuem, assim, para o desenvolvimento dos relacionamentos, colaborando, também, para a retenção do aluno no ambiente. Com o interesse despertado por esse cenário, esta pesquisa apresenta, com fundamento nos estudos desenvolvidos por Garrison, Anderson e Archer (2010), Rourke et al. (2003), Aragon (2003), Sérgio (2007), Tu (1999) e Bonici (2013), caminhos para a intensificação da presença social em ambientes de aprendizagem virtual que podem contribuir para uma experiência educacional efetiva. 18 O interesse e a motivação para a efetivação desta pesquisa ocorreu a partir de diferentes experiências acadêmicas e profissionais realizadas por esta pesquisadora anteriormente ao curso de doutorado, entre as quais se incluem as atividades relacionadas a seguir. Pedagoga, professora da Rede Estadual do Estado de São Paulo do Ensino Fundamental I há mais de 20 anos. O ingresso no Mestrado de Ensino de Ciências e Matemática e a pesquisa realizada com professoras que ensinavam matemática para as séries iniciais possibilitaram a minha inserção como profissional do Ensino Superior, atuando como docente do curso de Pedagogia. Em 2009, a Instituição de Ensino na qual desenvolvi a pesquisa que embasa este trabalho iniciou um novo projeto institucional: a implementação das disciplinas oferecidas a distância como parte de um curso presencial. Esse novo modelo, regulamentado pela portaria 4.059, de 10 de dezembro de 2004, autorizava as universidades e centros universitários a modificar o projeto pedagógico de cada curso para oferecer até 20% das disciplinas em modalidade que, no todo ou em parte, utilizasse métodos não presenciais desenvolvidos por meio de multimídia. Diante da nova realidade, coordenadores indicaram as disciplinas que seriam ofertadas na modalidade a distância. Para os cursos de Matemática, Ciências e Química, foram indicadas disciplinas como Didática, Legislação da Educação Básica e Políticas Públicas, Psicologia da Educação, entre outras. Na época, o Campus Virtual foi o departamento responsável pela institucionalização das disciplinas online; hoje o Campus Virtual é parte da Pró-Reitoria de Educação a Distância (EaD). Minha primeira experiência com as especificidades da Educação a Distância foi produzir materiais didáticos para disciplinas on-line ofertadas para os alunos da graduação presencial e, posteriormente, produzir materiais para Pós-graduação na modalidade EaD. Em conjunto com a proposta para produção de material, também houve o convite para atuar como professora-tutora da graduação e da pósgraduação. Nesse contexto, nos últimos anos, passei a atuar não só como professoratutora mas também na orientação pedagógica e no acompanhamento da produção de materiais didáticos para as disciplinas oferecidas on-line e as dos cursos EaD. 19 Nesse caminho, pude vivenciar experiências profissionais que aguçaram meu interesse por essa modalidade de ensino. Como discente do programa de doutorado em Ensino de Ciências e Matemática, a minha experiência na tutoria das disciplinas on-line assim como na orientação para produção de material didático dessas disciplinas e também minhas convicções sobre a aprendizagem a distância mediada pelas tecnologias e sobre as possibilidades de aprendizado efetivo levaram-me a escolher, dentro do programa, a linha de pesquisa com foco nas tecnologias. A hipótese da pesquisa, explicada a seguir, deriva dessa trajetória, de ações, de vivências e, evidentemente, de fundamentações bibliográficas consultadas durante todo o processo. Bonici (2013) realizou sua pesquisa de doutorado fundamentada no modelo de Sociedade de Inquirição (COI) de Garrison, Anderson e Archer (2010). No ano de 2011, a autora apresentou alguns dados de sua pesquisa que indicavam que a presença social nas disciplinas on-line era baixa, diferentemente do que acorria com a presença cognitiva e a presença de ensino. Diante disso, surgiu a problematização desta pesquisa e o desafio de, como professora-tutora e pesquisadora, investigar a articulação de propostas e intervenções que pudessem gerar presença social entre os alunos das disciplinas on-line. A autora afirma: Os dados relativos à presença social mostraram haver lacunas na organização da disciplina e na tutoria. Os estudantes relataram dificuldades em se expressar emocionalmente e se relacionar com os colegas da turma. Eles não se comunicam abertamente, mostrando-se desconfortáveis no ambiente on-line, em participar dos fóruns de discussão e em interagir com os colegas (BONICI, 2013, p. 201). A pesquisa desenvolvida por Bonici (2013), que resultou em sua tese de doutorado, suscitou alguns questionamentos sobre ações que poderiam ser desenvolvidas pelo professor-tutor com a finalidade de desencadear a incidência de presença social dentro do ambiente de aprendizagem. A partir dessa motivação inicial, comecei a investigar, antes e durante a coleta de dados, indicadores que levassem à incidência de presença social entre os alunos que cursavam a disciplina Psicologia da Educação. 20 No segundo semestre de 2012, a disciplina Psicologia da Educação foi oferecida a distância como parte dos cursos de Licenciatura em Matemática, Ciências Biológicas e Química e, durante a oferta da disciplina, assumi a posição de professora-tutora. Durante todo o processo de tutoria, busquei pautar-me nos ensinamentos de autores como: Palloff ePratt (2004); Mackeye Freyberg (2010), que orientam que os Ambientes Virtuais de Ensino e Aprendizagem devem gerar ações que favoreçam o “estar junto” virtual e o sentimento de pertença. Voltando a Garrison, Anderson e Archer (2010), a interação entre os alunos e entre estes com seus tutores resulta em maior motivação e experiências de aprendizagem mais produtivas. Segundo os pressupostos desses autores, a presença social em Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) acontece em um emaranhado de ações e reações que podem provocar a expressão de emoções, comunicação aberta e coesão do grupo. A hipótese inicial desta pesquisa foi de que o incentivo do professor-tutor aos alunos e a potencialização de determinadas ações poderiam provocar a presença social no desenvolvimento da disciplina. A substituição de atividades realizadas individualmente por fóruns de discussão com grupos de até 30 alunos, a participação ativa do professor-tutor nos fóruns e a indicação de parâmetros para participação dos alunos nesses fóruns seriam ações que poderiam auxiliar o surgimento da presença social em uma disciplina oferecida a distância, ou seja, o professor-tutor, através da intervenção pedagógica e da mudança das propostas de atividades (presença de ensino), seria o elemento desencadeador do processo gerador da presença social. A pesquisa foi dividida em três momentos: o primeiro, com caráter de pesquisa bibliográfica, debruçou-se sobre a formação inicial dos professores nas áreas de ciências e matemática, sobre as especificidades de disciplinas oferecidas a distância e sobre a Comunidade de Inquirição, que apresenta a interação entre as presenças de ensino, cognitiva e social como resultado da aprendizagem. No segundo momento, no qual atuei com professora-tutora da disciplina Psicologia da Educação, foram propostas duas atividades de fóruns de discussão, 21 seguindo alguns parâmetros para participação dos alunos. Foram, ainda, aplicados dois questionários que visavam conhecer, respectivamente, o perfil dos alunos e as suas perspectivas sobre as presenças de ensino, cognitiva e social. O terceiro momento foi de análise dos dados, realizada com base na Análise do Conteúdo, de Bardin (2011). Foram analisadas mil e doze mensagens. O software Nvivo foi a ferramenta utilizada para a codificação das categorias da presença social: coesão, interação e afetividade. A partir das análises iniciais levantadas com base nas premissas orientadoras, foi possível identificar os objetivos da pesquisa, que são apresentados a seguir. O objetivo geral deste estudo é, por meio da análise de conteúdo, verificar a incidência de expressões que exprimam as diferentes categorias e os indicadores da presença social, apontados por Rourke et al. (2003), nas participações dos alunos em dois fóruns de discussão realizados em uma disciplina oferecida a distância, e também verificar como a atuação do professor-tutor pode auxiliar, ou não, na intensificação da presença social. Os objetivos específicos são: 2. caracterizar a formação inicial dos professores em cursos nas áreas de ensino de Ciências e Matemática; 3. conceituar a educação a distância e discutir o papel dos atores dessa educação e os espaços onde ela se desenvolve; 4. explicitar as principais características das presenças cognitiva, de ensino e social; 5. reconhecer as categorias e os indicadores da presença social; 6. propor ações educativas procurando, assim, aumentar a presença social, apontada como frágil por Bonici; 7. conhecer a percepção dos estudantes sobre as presenças de ensino, cognitiva e social e sobre a aprendizagem significativa. 8. contribuir para a criação de parâmetros necessários para auxiliar os alunos em suas participações nas disciplinas oferecidas a distância, com o propósito de desencadear o aumento da presença social. 22 Ao tratarmos de ensino e aprendizagem em ambientes virtuais, é importante salientar que há estratégias pedagógicas específicas que atendem a essa modalidade de educação. Para Pretti (1996), a EaD diverge da modalidade presencial por ser um sistema tecnológico de comunicação bidirecional que pode ser de massa e que substitui a interação pessoal entre professor e aluno pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos. Isso posto, pode-se concluir que não é adequado, simplesmente, transportar as experiências da educação presencial tradicional para a educação a distância (EaD). Sendo assim, a discussão sobre as especificidades da EaD é fundamental na busca do melhor caminho para se atingir uma aprendizagem mais eficaz. As estratégias pedagógicas em ambientes virtuais de aprendizagem são potencializadas pelas possibilidades que a internet oferece. Este tipo de ensino tem características diferenciadas, como a não limitação de tempo e espaço, a facilidade de interação, o planejamento antecipado do material a que o aluno terá acesso, entre outras. Pesquisas realizadas por Garrison, Anderson e Archer (2010) indicam que a aprendizagem em ambientes virtuais ocorre mediante a interação entre três elementos: a presença cognitiva, a presença de ensino e a presença social. A experiência educativa, segundo esses autores, só ocorre plenamente a partir da interação dos três elementos, uma vez que esses constituem-se como eixos básicos e essenciais de uma comunidade de aprendizagem. Esta tese está organizada em cinco capítulos. No capítulo 1, são abordados a formação do professor nos cursos de licenciatura, o Ensino Superior no Brasil e aspectos legais sobre a formação do professor em um contexto histórico. Este capítulo ainda trata da formação do professor especialista nas licenciaturas das áreas de Ciências e Matemática e de algumas especificidades dessa formação além de discutir a disciplina Psicologia da Educação como parte da formação do professor especialista nas áreas de Ciências e Matemática. O capítulo 2 discorre sobre a Educação a Distância e as disciplinas on-line. Inicia conceituando a EaD e traçando um breve histórico da modalidade. Apresenta 23 características dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem e, em seguida, aborda o Protótipo Pedagógico das disciplinas on-line. A aprendizagem colaborativa e os conceitos sobre os papéis de professores e alunos no contexto das disciplinas online também são examinados neste capítulo. O capítulo 3 é dedicado a conceituar o modelo de Comunidade de Inquirição, destacando a presença de ensino, a presença cognitiva e a presença social, com ênfase nas características e nos indicadores desta. No capítulo 4 encontram-se a definição da metodologia da pesquisa e as especificidades da pesquisa qualitativa e da pesquisa-ação. Ele apresenta os sujeitos, conceitua o método da Análise de Conteúdo e explica a utilização de um software como ferramenta de auxílio dessa análise. Também define o cenário da pesquisa, descreve a coleta de dados e, por fim, apresenta as características que fizeram parte da aplicação e da análise de um questionário disponibilizado via internet. O capítulo 5 apresenta a análise dos dados da pesquisa, os resultados obtidos e é seguido pelas conclusões. 25 CAPÍTULO 1 - LICENCIATURAS: A FORMAÇÃO DO HISTÓRICO, PROFESSOR NAS CONVERGÊNCIAS E ESPECIFICIDADES. Este capítulo abordará a formação inicial do professor em cursos de Licenciatura, especificamente, nas áreas de Ciências e Matemática. Assim sendo, discutirá o ensino superior no Brasil, apontando algumas mudanças na legislação que repercutiram na forma como esses cursos são ofertados e também colocará em pauta as especificidades da formação do professor especialista, construída com base no contexto histórico brasileiro. Ainda a respeito da formação do professor, fará parte dessa discussão a importância da disciplina Psicologia da Educação na formação do professor, uma vez que a pesquisa em que se apoia este estudo foi realizada com alunos que cursavam essa disciplina. 1.1 O ensino superior no Brasil O ensino superior no Brasil é formado por instituições de Ensino Superior (IES) públicas e privadas. A maior flexibilização de oferta dada ao Ensino Superior veio com a lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), e com a regulamentação estabelecida pelo Decreto n° 2.306/97, do Presidente da República. Essa legislação tornou possível a existência de organizações diferenciadas, como universidades, centros universitários, faculdades integradas, faculdades e institutos ou escolas superiores. Barreyro (2008) afirma que a organização das IES, estabelecida pelo Decreto n° 2.306/97, deu aos Centros Universitários autonomia para a implementação de novos cursos sem a exigência, feita às Universidades, da necessidade de desenvolver as funções indissociáveis de ensino, pesquisa e extensão. A autora enfatiza que, a partir da nova forma de gestão das IES, criou-se uma forma de reconhecimento dos cursos oferecidos: a avaliação. Hoje as instituições são avaliadas por meio do desempenho de seus alunos no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), que é parte integrante do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), e que tem por 26 finalidade a avaliação das instituições de Ensino Superior e dos cursos por elas oferecidos. As IES podem oferecer diversos tipos de cursos de graduação destinados a estudantes que concluíram o Ensino Médio e foram aprovados no processo seletivo da instituição em que desejam estudar. Os cursos oferecidos podem ser de licenciatura, bacharelado e formação tecnológica. Diante dos novos formatos dos cursos de Graduação oferecidos pelas Instituições de Ensino Superior (IES), é possível encontrar uma nova realidade, a semipresencialidade, instituída com base no art. 81, da Lei n. 9.394, de 1.996. A portaria nº 4.059, de 10 de dezembro de 2004, do Ministério da Educação, regulamenta a oferta de 20% da carga horária dos cursos presenciais de graduação em uma modalidade chamada de semipresencial. Assim, cabe aos professores criar ambientes de aprendizagem que sejam favoráveis à formação acadêmica e ao desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à formação do cidadão. Com isso, um novo desafio é proposto: professores perdem a posição de únicos transmissores do saber, e alunos necessitam de uma nova postura diante da realidade apresentada; a construção dos saberes toma um novo rumo diante dessa realidade. A instituição de Ensino também é desafiada a criar situações de aprendizagem, em ambientes adequados à Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC), que possam favorecer alunos e professores tutores. Cabe, ainda, às IES decidir se as disciplinas serão oferecidas integral ou parcialmente. Ainda de acordo com a Portaria nº 4.059, de 10 de dezembro de 2004, no artigo 1º, parágrafo 2º, lemos: “§ 2o. Poderão ser ofertadas as disciplinas referidas no caput, integral ou parcialmente, desde que esta oferta não ultrapasse 20 % (vinte por cento) da carga horária total do curso” (BRASIL, 2004)1. A implementação dos 20% permite usar parte da carga horária dos cursos ou disciplinas presenciais com práticas educativas planejadas para esse fim, 1 PORTARIA nº 4.059, artigo 1º, parágrafo 2º. 27 permitindo, assim, que professores e alunos trabalhem em tempo e espaço diferentes. Segundo Perdigão-Nass (2012), as mudanças advindas da implementação de disciplinas a distância em cursos oferecidos presencialmente incentivaram muitas instituições à criação de cursos totalmente a distância. Ao tratar da EaD no Brasil, Perdigão-Nass afirma: O Ministério da Educação mostra preocupações com os problemas iniciais da EaD ao promover uma série de medidas regulamentadoras, como os decretos 5622, de 19 de dezembro de 2005; 5773, de 9 de maio de 2006; 6303, de 12 de dezembro de 2007 (que altera os dois anteriores), e a Portaria normativa nº 40, de 12 de dezembro de 2007, empreendendo um sistema de avaliação que pretendia corrigir as fragilidades detectadas nessa trajetória (p. 30, 2012). Segundo o autor, o decreto 5622, de 19 de dezembro de 2005, é frequentemente citado por quem deseja caracterizar a visão da Educação a Distância no Brasil. O artigo 1º desse decreto caracteriza a EaD como modalidade vinculada à utilização de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) para mediação didático-pedagógica. Outro artigo destacado pelo autor é o artigo 3º do parágrafo 1º, que se refere à duração dos cursos a distância, definindo que estes precisam ter a mesma duração que os cursos presenciais. Para o autor, foi o decreto 5622/ 2005 que deixou bastante claros os objetivos da EaD no Brasil. 1.2 A formação do professor especialista nas Licenciaturas nas áreas de Ciências e Matemática Conforme afirma Barcelos (2013), a formação do professor especialista se dá por área de conhecimento, diferentemente do que ocorre com o professor das séries iniciais, que tem uma formação generalista. A preocupação com a formação de professores especialistas, no Brasil, começou no início do século XX com a criação de cursos regulares e específicos para esse fim. O decreto-lei 1.190, de 4 de abril de 1939, organizou a Faculdade Nacional de Filosofia, a qual passou a oferecer cursos de Bacharelado e o curso complementar de Didática, que era direcionado àqueles que tinham a pretensão de atuar como docentes. Nesse momento, instituiuse o que Barcelos nomeia como “3+1”, três anos de estudos nas áreas específicas 28 (Física, História, Química, etc.) e um ano de estudo complementar de Didática, para obter a licenciatura. A primeira lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961, estabeleceu que a formação para docência no Ensino Secundário seria feita em nível superior. Segundo o parecer do Conselho Federal de Educação nº 292, de 1962, deveriam ser acrescidas à formação do Bacharel, para concluir a formação de professores de nível secundário, as seguintes disciplinas: Psicologia da Educação, Elementos de Administração Escolar, Didática e Prática de Ensino, a qual englobava o estágio supervisionado. Essas disciplinas deveriam constituir, no mínimo, um oitavo da carga horária geral do curso, devendo ser distribuídas ao longo de quatro anos, que era a duração mínima dos cursos de bacharelado (BARCELOS, 2013). A Lei de Diretrizes e Bases nº 5.692, de 1971, implementou a licenciatura curta em Ciências, que substituiria a licenciatura plena em Química, Física e Biologia. Após discussões com representantes da comunidade acadêmica e Universidades, os cursos de licenciatura plena em Matemática, Física, Biologia e Química continuaram a ser oferecidos, assim como o de licenciatura curta em Ciências (BARCELOS, 2013). Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) nº 9394, nos artigos 62, 67 e 87, definiu que os cursos de licenciatura constituíam um projeto próprio, não se confundindo com o bacharelado. Os cursos de licenciatura passaram a se diferenciar do de bacharelado pela especificidade da formação pedagógica, ou seja, aqueles visavam à formação voltada para a qualificação do profissional na carreira do magistério. Os profissionais que atuassem nos últimos anos do Ensino Fundamental e no Ensino Médio necessitariam de formação específica na área de atuação, a qual deveria ser conseguida por meio da formação em licenciatura plena. O Parecer CNE/CP nº 28/2001 e a Resolução CNE/CP n° 2/2002 apresentaram as Diretrizes Curriculares para a formação de professores da Educação Básica, em nível superior, nos cursos de licenciatura de graduação plena. As mudanças para adequação das licenciaturas começaram a partir da publicação 29 das Diretrizes Curriculares. Os cursos deveriam ser constituídos de, no mínimo, 2800 (duas mil e oitocentas) horas de trabalho acadêmico, que deveriam ser divididas conforme indica o artigo 1º da Resolução CNE/CP n° 2/2002: [...] nas quais a articulação teoria-prática garanta, nos termos dos seus projetos pedagógicos, as seguintes dimensões dos componentes comuns: I - 400 (quatrocentas) horas de prática como componente curricular, vivenciadas ao longo do curso; II - 400 (quatrocentas) horas de estágio curricular supervisionado a partir do início da segunda metade do curso; III - 1800 (mil e oitocentas) horas de aulas para os conteúdos curriculares de natureza científico-cultural; IV - 200 (duzentas) horas para outras formas de atividades acadêmicocientífico-culturais. O Parecer trouxe uma nova configuração aos cursos de Licenciatura, evidenciando aspectos importantes para a formação do futuro professor, como a articulação entre teoria e prática e o estágio curricular supervisionado obrigatório a partir da segunda metade do curso. Isso possibilitou a articulação entre as experiências vivenciadas pelos alunos e as especificidades de cada área de conhecimento e, ainda, criou a obrigatoriedade do cumprimento da carga horária destinada às atividades acadêmico-científico-culturais. O Parecer CNE/CES nº 1.302/2001 tratou das Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Matemática, Bacharelado e Licenciatura. Ao tratar da Licenciatura, estabeleceu que deveriam ser consideradas as Diretrizes Curriculares para formação do professor tanto para a Educação Básica quanto para o Ensino Médio. Também estabeleceu que o licenciado deveria ter familiaridade com o uso do computador, uma vez que essa tecnologia pode contribuir para o Ensino da Matemática, e salientou a importância da criatividade na ação pedagógica. Além disso, colocou o estágio como fator essencial na formação do licenciado. A mesma linha foi seguida pelo parecer CNE/CES nº 1.301/2001, que tratou das Diretrizes Curriculares para os Cursos de Ciências Biológicas. No Plano Nacional de Educação (PNE), para o decênio 2001-2010, Lei nº 10.172/2001, há a afirmação de que, para um país ser desenvolvido, é necessária a existência de um forte sistema de educação superior. Sabe-se que, no Brasil, a 30 ampliação desse sistema, na última década, deve-se, em grande parte, às IES privadas, que têm garantido o acesso de muitos cidadãos ao Ensino Superior. O Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020, Lei nº 8035 /2010 prevê a expansão da Educação Superior valendo-se de algumas estratégias, como a utilização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para acesso à Educação Superior, a expansão da oferta de financiamento estudantil, a ampliação da oferta de vagas, a adoção de políticas para acesso de grupos historicamente desfavorecidos, entre outras. Diante das metas audaciosas de expansão do Ensino Superior, acredita-se que a Educação a Distância seja um dos caminhos seguidos para que as metas de expansão do Ensino Superior do decênio sejam alcançadas. O PNE alerta para a responsabilidade das IES na formação do profissional do Magistério, ou seja, daquele que atuará na formação dos indivíduos na Educação Básica. A formação pedagógica nas Licenciaturas de Ciências e Matemática é assunto relevante, pois essa formação determinará o desempenho do futuro professor na docência. É preciso, ainda, salientar a importância das disciplinas pedagógicas por seu foco estar nas práticas de ensinar e aprender. Catapan et al. (2004) chamam atenção para a importância da articulação entre conhecimentos específicos das áreas e os conhecimentos pedagógicos. A competência e formação adequada de um professor é uma síntese articulada e refletida de conhecimentos específicos da área do curso, de conhecimentos pedagógicos e conhecimentos gerais (cultura geral). A presença descomedida destes componentes não pode mais ser aceita na formação profissional do educador, pois depõe contra si e contra os educandos (CATAPAN et al., 2004, p.6). Segundo os autores, algumas disciplinas que constituem a formação pedagógica dos futuros professores nos cursos de licenciatura tratam de determinados fundamentos epistêmicos, como Filosofia da Educação, Sociologia da Educação e Psicologia da Educação, abordando um movimento conceitual. Já a Didática é uma disciplina que trata do processo pedagógico-metodológico e deve construir um referencial teórico-metodológico coerente para subsidiar as práticas do futuro professor. 31 A formação pedagógica do futuro profissional da educação, durante muito tempo, privilegiou a formação específica na sua área de atuação, sem articulação entre as disciplinas chamadas pedagógicas e as demais. D’ Ambrósio (1996) alerta para a interdependência existente entre disciplinas pedagógicas, como Didática, Psicologia, Prática de Ensino e outras, e as específicas da área de atuação, como Cálculo e Geometria; essa interdependência favorece o entendimento da formação do professor. Ao tratar do estágio supervisionado e da disciplina Prática de Ensino, Curi (2006) salienta que ambos têm por finalidade desenvolver competências de ordem prática. Sabe-se que não basta, para o professor, conhecer apenas aspectos teóricos; é necessária uma relação intrínseca entre teoria e prática. O Estágio Supervisionado dá ao estudante a oportunidade de aprender a prática de sua profissão em um local semelhante àquele em que ele atuará no futuro. Outro ponto interessante é a discussão posterior, que, segundo a autora, deve ocorrer nas aulas de Prática de Ensino e que, certamente, ajudará a reflexão sobre a prática escolar vivenciada durante o estágio e, sobretudo, a formação pedagógica desse futuro profissional. Ponte (2002) alerta que a formação inicial do professor precisa englobar vários aspectos, como a formação pessoal, social e cultural do indivíduo, ou seja, a forma como ele se constitui como pessoa e cidadão dentro de uma sociedade. O autor afirma que essa formação “[...] pode favorecer o desenvolvimento de capacidades de reflexão, autonomia, cooperação e participação, a interiorização de valores de ontológicos, as capacidades de percepção de princípios” (PONTE, 2002). Em primeiro lugar, o autor chama atenção para fato de que esses aspectos da formação do professor, muitas vezes, são ignorados, por essa responsabilidade ser atribuída à formação geral do ser humano; na verdade, a exigência de cumprimento de atividades acadêmico-científico-culturais pode contribuir, em parte, para essa formação. Outro ponto abordado pelo autor é a formação científica, tecnológica, técnica ou artística na respectiva especialidade, que seria o domínio dos conteúdos que, supostamente, irá ensinar. Uma terceira questão sobre a formação do professor é a formação no âmbito educacional, as contribuições das reflexões sobre problemáticas 32 educacionais, investigações sobre a didática, elementos que constituem a profissão docente. As competências de ordem prática são colocadas por Ponte como outra característica da formação do professor; elas abrangem a capacidade de articulação entre os elementos teóricos e as situações concretas, a qual deve ser desenvolvida na formação inicial e fortalecida pela experiência no decorrer da carreira docente. Por último, o autor chama a atenção para as capacidades e atitudes de análise crítica, de inovação e de investigação pedagógica. O professor deve estar capacitado para identificar problemas que podem surgir na sua atuação e encontrar soluções. Para tanto, é necessário que esse profissional domine a situação, promovendo, assim, possibilidades de análise crítica das circunstâncias que envolvem o momento de criação de um novo conhecimento. A formação desse profissional deve levar em conta a integração com o sistema educacional, trabalhando situações que integrem o estudante à sua futura realidade de trabalho; em outras palavras, a formação inicial do profissional da educação deve caminhar para a inserção desse profissional na escola e na cultura que a realidade lhe oferece e não naquela, muitas vezes, idealizada. Segundo o autor, o reconhecimento dessas características tem contribuído para o movimento da profissionalização do magistério, definindo padrões de competências para a formação de professores, assim como os que existem em outras profissões, como as de advogados e de engenheiros. Tardif (2007), ao tratar da formação docente, chama a atenção para o fato de que, embora todos, ao ingressarem na Universidade, já possuam grande vivência no ambiente escolar, isso não é suficiente para que o sujeito esteja preparado para a prática docente. Em trabalhos de Tardif, Lessard e Lahaye (1991), os autores afirmam que os saberes profissionais caracterizam-se como fios condutores a partir dos quais se constroem os saberes docentes. Os seis fios condutores apontados pelos autores são: 1 – saber e trabalho: o saber do professor deve ser compreendido em íntima relação com a escola e a sala de aula; 33 2 – diversidade do saber: o saber do professor é plural e composto, heterogêneo, por envolver, no próprio exercício da ação docente, conhecimentos e um saber-fazer bastante variados e, normalmente, de naturezas diferentes; 3 – temporalidade do saber: o saber dos professores é reconhecido como temporal, uma vez que é adquirido num contexto de uma história de vida e de uma carreira profissional; 4 – experiência de trabalho enquanto fundamento do saber: focaliza os saberes oriundos da experiência do trabalho cotidiano como alicerce da prática e da competência profissional; 5 – saberes humanos a respeito de saberes humanos: expressa a ideia de trabalho interativo, em que o trabalhador se relaciona com seu objeto de trabalho fundamentalmente por meio da interação humana; 6 – saberes e formação profissional: é decorrente dos anteriores, ou seja, expressa a necessidade de repensar a formação para o magistério, levando em conta os saberes, os saberes dos professores e as realidades específicas de seu trabalho. (TARDIF; LESSARD; LAHAYE, 1991, p. 221). Para os autores, a valorização desses fios condutores é essencial para a formação docente, pois, por meio deles, o profissional será capaz de articular saberes disciplinares específicos, curriculares, da formação profissional e da experiência. Dessa forma, cada sujeito tem uma formação única e pessoal, pois ela ocorre individualmente mediante a articulação desses fios. A discussão sobre a formação de professores tem sido frequente e pode-se afirmar que, assim como evidenciam Tardif, Lessard e Lahaye (1991), a formação inicial é apenas parte do processo de formação. Espera-se que o futuro profissional encontre nela a fundamentação básica necessária para começar a sua prática profissional e que, a partir daí, dê continuidade a seu processo de formação durante sua carreira profissional. 1.3 A Psicologia da Educação na formação do professor A disciplina Psicologia da Educação faz parte da formação pedagógica do professor. Para Almeida (2007), os conhecimentos de que a Psicologia dispõe constituem saberes necessários para a docência. A perspectiva da autora acompanha o pensamento de Tardif (2007), que aponta o professor como sujeito do conhecimento e produtor dos seus próprios saberes. 34 Guerra (2004) alerta para a necessidade de articulação entre a teoria e os momentos que envolvem a formação profissional, uma vez que essa articulação entre o conhecimento teórico e as práticas educativas ajudam a construir, de forma significativa, uma prática profissional futura. No caso de uma disciplina ofertada a distância, a reflexão, em um fórum de discussão, sobre situações que envolvam prática e teoria pode suscitar situações de aprendizagem. A disciplina Psicologia da Educação, na formação do professor, tem como uma das suas finalidades subsidiar a atuação docente, na medida em que propicia a ele a aquisição de conhecimentos sobre os processos de aprendizagem e de desenvolvimento humano. As diversas abordagens psicológicas do desenvolvimento humano, segundo Guerra (2004), trouxeram, para o entendimento do processo de aprendizagem, contribuições que não podem ser desconsideradas. Entre os objetivos da disciplina Psicologia da Educação no curso de licenciatura está o de levar o aluno a: conhecer as principais escolas da Psicologia; conhecer os processos psicológicos e as relações psicossociais que se manifestam na atividade de ensino-aprendizagem; conhecer as contribuições da Psicologia da Educação para a compreensão da educação; conhecer as repercussões das pesquisas em Psicologia e Psicologia da Educação nas atividades escolares, em especial no processo de ensino e aprendizagem. A pesquisa realizada para a investigação desta tese está inserida no contexto da Educação a Distância, tendo em vista a oferta da disciplina Psicologia da Educação, como uma disciplina on-line, para os cursos presenciais de licenciatura em Matemática, Química e Ciências Biológicas. 35 CAPÍTULO 2 - EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E AS DISCIPLINAS ONLINE Este capítulo apresenta a conceituação de Educação a Distância (EaD) fazendo um breve histórico sobre essa modalidade de educação. Ao tratar de disciplinas on-line, faz-se necessário conhecer algumas funcionalidades de ferramentas em Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) que auxiliam o processo de ensino e aprendizagem. Para apresentação de uma disciplina no AVA, é necessário um planejamento elaborado com base no Protótipo Pedagógico da instituição. Esse será um assunto abordado em uma das seções deste capítulo. A aprendizagem colaborativa assim como o papel de tutores e alunos também farão parte deste capítulo. A compreensão desses aspectos é importante, visto que o processo de ensino e aprendizagem acontece por meio de uma disciplina on-line oferecida a distância aos alunos. 2.1 Conceituando a EaD Todo referencial construído sobre educação e sala de aula teve como fundamento a vivência com alunos no ensino presencial, portanto compreender a dinâmica do ensino a distância torna-se um desafio para a maioria dos educadores. Nesta modalidade de educação, alunos e professores são separados geográfica e temporalmente, cabendo, assim, à tecnologia da informação e comunicação (TIC) criar situações que possam minimizar essa distância vivenciada por ambos. Moore e Kearsley (2007) caracterizam tal ação como sendo: [...] o aprendizado planejado que ocorre normalmente em um lugar diferente do local de ensino, exigindo técnicas especiais de criação do curso e de instrução, comunicação por meio de várias tecnologias e disposições organizacionais e administrativas especiais (MOORE; KEARSLEY, 2007, p.2). Os autores, ao descreverem a EaD, dividem o seu processo histórico em Gerações. A chamada “Primeira Geração” da Educação a Distância, segundo Moore e Kearsley (2007), começou com o uso da correspondência e da mídia impressa. 36 Esse tipo de educação teve início com a finalidade de beneficiar aqueles que, de outra maneira, não conseguiriam ter acesso às instituições educacionais formais. A “Segunda Geração” surgiu com as tecnologias de rádio e televisão, nos Estados Unidos, no início do século XX. No Brasil, tomou forma especialmente com o Projeto Minerva, em 1970, que utilizava o rádio como mídia para a Educação de Jovens e Adultos, e, posteriormente, em 1978, o popular Telecurso 2º Grau fez uso da televisão como veículo de formação. A Abordagem Sistêmica constituiu a “Terceira Geração” da EaD, que passou a articular várias tecnologias para auxiliar a aprendizagem do estudante, entre as quais: guias de estudos e orientação impressas e encaminhadas pelo correio; transmissão de rádio e televisão; conferências por telefone; plantão de dúvidas; kits para realização de experiências; encontros nas universidades durante os período de férias para uso de laboratórios e discussões em grupos. Essa abordagem iniciou-se com o projeto direcionado a alunos não universitários, financiado pela Carnegie ofWisconsin (EUA), de 1964 a 1968, denominado Projeto de Mídia de Instrução Articulada (AIM – ArticulatedInstructional Media Project). O AIM foi um marco da educação a distância. A partir dessa experiência, surgiu a primeira Universidade Aberta na Grã-Bretanha (1969), uma instituição formulada especialmente para atender à Educação a Distância. No Brasil, a primeira Universidade Aberta foi fundada em 2005. A Teleconferência é a “Quarta Geração” descrita por Moore e Kearsley (2007) e surgiu nos Estados Unidos, no início de 1980, com a audioconferência 2. Por se tratar de uma aproximação da “aula tradicional”, na qual o professor se comunica com os alunos e consegue obter respostas em tempo real, este tipo de mídia atraiu número maior de educadores, ao contrário dos modelos por correspondência, que caracterizavam uma aprendizagem solitária, ou seja, aquela em que os alunos estudavam sem interações com seus pares. As aulas virtuais baseadas em computador e na Internet compõem a “Quinta Geração” apontada pelos autores, que surgiu em 1980 e perdura até os dias de hoje. Na década de 1990, Universidades Americanas ofereceram os primeiros 2 Interações bidirecionadas entre um aluno e o professor, o que permitia a comunicação em tempo real. 37 cursos baseados na Web. As características dessas tecnologias trouxeram novas possibilidades para a Educação a Distância, pois, em uma única plataforma de comunicação, mídias como texto, áudio e vídeo podem ser utilizadas. Nesse contexto, a teoria construtivista de aprendizado colaborativo passou a ser foco de discussão entre educadores e pesquisadores. Para Otto Peters (2009), a EaD, nas décadas de 1960 e 1970, possuía características industriais, modelo conhecido como Fordismo. Esse modelo de ensino tinha como principais características a mecanização e a padronização, uma produção tipicamente de massa. Essas características advinham de um modelo industrial dominante no século XX que propunha a produção em massa com baixa inovação dos produtos e dos processos de trabalho e também baixa responsabilidade. O pós-fordismo apareceu trazendo os princípios de “justiça e democracia” para educação. Nesse sentido, criaram-se novas possibilidades, como inovação na produção, variedade nos processos e facilidade de personalização dos cursos. Peters afirma o seguinte: Em lugar do desenvolvimento e produção na base da divisão do trabalho e sob controle central, seriam formados muitos pequenos grupos de trabalho descentralizados, com responsabilidade própria pelo desenvolvimento de suas propostas específicas de ensino, sendo, por isso, dotados de maior autonomia [...] Conceitos como estudo autônomo, trabalho autônomo no ambiente de aprendizagem digital, teleconferência, aconselhamento pessoal intensivo, estudo por contrato e combinação com a integração de formas do ensino com a presença indicam em que direção poderia ir o desenvolvimento. Isso equivaleria a uma revolução (PETERS, 2001, p. 208). A flexibilização de currículos, tempo e lugar foi apresentada, nesse modelo, como substituição a uma padronização estática de ensino. O professor passou a ter um novo papel que, antes, no Fordismo, não tinha; tornou-se construtor do material que seria utilizado, procurando, assim, articular os interesses dos alunos e a aprendizagem. Peters (2009) afirma que, nos anos de 1970 e 1980, a Educação a distância auxiliou o processo de formação de estudantes que não haviam completado o Ensino Médio, possibilitando, assim, a entrada desses estudantes no Ensino 38 Superior. Outro aspecto característico dessa época foi a utilização de meios de comunicação em massa, como o rádio e a televisão e, posteriormente, o vídeo e as fitas cassetes. A partir da década de 1990, a EaD foi marcada pela utilização de ambientes informatizados de aprendizagem. Com a difusão da internet, essa modalidade de educação ganhou importância, e o aprendizado passou a ser baseado em um novo modelo, que contava com relacionamentos virtuais em ambientes virtualizados. Moore e Kearsley, ao tratarem da internet e da utilização de computadores, afirmam: O uso de redes de computadores para educação a distância teve grande impulso com o surgimento da World Wide Web, um sistema aparentemente mágico que permitia o acesso a documento por computadores diferentes separados por qualquer distância, utilizando software e sistemas operacionais diferentes e resoluções de tela diferentes (2007, p. 46). Com a utilização do computador e da internet para fins educacionais, algumas tecnologias evoluíram, possibilitando o desenvolvimento de ambientes virtuais de aprendizagem que contam com recursos diversificados para atender às necessidades educacionais dessa modalidade de ensino. Segundo Moore e Kearsley (2007), o aumento no número de alunos nos cursos oferecidos a distância levou à intensificação das discussões sobre o papel do professor no processo de ensino e aprendizagem na EaD. Ao abordar o papel do professor e do aluno na educação a distância, Anderson e Dron (2011) destacam que os modelos construtivista e socioconstrutivista apresentam os seguintes aspectos: a importância da construção de novos conhecimentos com base nos conhecimentos existentes; a aprendizagem como um processo ativo; a linguagem como ferramenta fundamental no processo de desenvolvimento; o aluno como centro do processo educativo; a importância de situar-se como sujeito real dentro do processo de aprendizagem; o professor como um mediador da aprendizagem do aluno nesse processo. Nesse novo panorama, cabe aos professores criar situações de aprendizagem nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem que sejam favoráveis à 39 formação acadêmica e ao desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à formação do cidadão. A tecnologia, por meio da internet, tem sido uma aliada no processo de interação entre aluno e professor-tutor, com a utilização de ferramentas síncronas, como chat e bate-papos. Dessa forma, alunos e professores conseguem comunicarse em tempo real. Fóruns e e-mails são ferramentas assíncronas também importantes nesse processo. Tarcia e Costa (2010) alertam para a nova dimensão que a EaD assume no processo de desenvolvimento dos alunos, tornando-os mais autônomos e responsáveis pela sua aprendizagem. As autoras chamam a atenção para o fato de que a educação presencial e a EaD não são concorrentes, mas, sim, modalidades de ensino que privilegiam determinados alunos que têm características próprias e diferenciadas. Conhecer as particularidades da EaD é fundamental para alunos e professores. Conforme já foi mencionado, para que a aprendizagem ocorra em disciplinas on-line, faz-se necessário que os alunos e professores-tutores tenham acesso a um ambiente adequado de aprendizagem que disponibilize conteúdos elaborados para esse fim e situações que oportunizem interações entre educando e professor-tutor. 2.2 Ambiente virtual de aprendizagem e suas especificidades A internet oferece uma diversidade de possibilidades para os cursos a distância e os cursos presenciais que oferecem disciplinas a distância. Os ambientes virtuais de aprendizagem são locais que possibilitam a interação entre professortutor e alunos, e a comunicação e a interatividade são características presentes nesses ambientes, aspectos que diferenciam a EaD mediada pela internet das demais. O ambiente virtual de aprendizagem (AVA) são softwares educacionais, disponibilizados via internet, que são utilizados, normalmente, para facilitar o processo de ensino e aprendizagem. Para Barbosa e Mendes (2010), as principais funcionalidades que um ambiente de aprendizagem pode oferecer são divididas em: 40 ferramentas do professor, ferramentas dos alunos e ferramentas de interação, conforme quadro a seguir: Ferramentas para o professor - gerenciamento de recursos Ferramentas para o aluno Ferramentas de Interação - gerenciamento de recursos - As ferramentas de interação (elaboração e inserção de em relação à navegação, de comunicação assíncrona e conteúdos e multimídias), elaboração e postagem de comunicação síncrona recursos de armazenamento; conteúdo, inserção e incluem e-mail, avisos, troca - gerenciamento de alunos execução de multimídias; de arquivos, grupos, blogs, em relação ao - gerenciamento e wikis, interação com redes armazenamento e à visualização de informações sociais, chat, visualização de informações de autoria pessoal do aluno; videoconferência e sobre eles; - gerenciamento de ensino, teleconferência. - gerenciamento de cursos, acesso a calendários, adição de recursos, ferramentas de elaboração de atividade, autoavaliação e criação de realização de avaliação, grupos de discussão. criação de grupos de discussão. Quadro 1 - Funcionalidades do AVA Fonte – Adaptado de Barbosa e Mendes (2010) Barbosa e Mendes (2010) apontam o fórum de discussão como uma das ferramentas disponíveis no AVA que possibilitam a interação entre os participantes por meio de uma comunicação assíncrona. Outra ferramenta que também pode suscitar um trabalho conjunto e de interação é o chat, comunicação síncrona estabelecida entre os participantes do AVA. Esse meio de comunicação pode estar disponível em tempo integral ou pode ser usado com horário estabelecido pelo professor-tutor, o que, geralmente, acontece para que os alunos possam tirar dúvidas. O Wiki é uma ferramenta assíncrona de construção de texto coletivo por meio da qual os participantes modificam as versões anteriores da produção. O moderador do grupo poderá recuperar uma versão anterior, caso seja necessário. 41 No caso de um curso a distância, permite que o moderador saiba exatamente qual foi a contribuição de cada um dos participantes (BARBOSA; MENDES, 2010). O Mural é uma ferramenta de comunicação que se assemelha aos murais de avisos presentes nas instituições presenciais; sua finalidade é essencialmente a transmissão de informação, sem a possibilidade de troca de mensagens. O mural pode ser utilizado para postagem de avisos específicos das disciplinas ou de outros assuntos de interesse geral (BARBOSA; MENDES, 2010). O Fórum de Discussão, o Chat e o Wiki são ferramentas que, segundo Correa (2007), promovem, dentro do AVA, a cooperação e a interação. A autora classifica as ferramentas como: Diário de Bordo, ferramenta pessoal de anotações do aluno, não monitorada; Portfólio, conjunto das atividades executadas pelo aluno; e Mapas Conceituais, representação gráfica da ideia textual, como ferramentas específicas de trabalho. As ferramentas de Coordenação são divididas em: Estrutura, as que apresentam a proposta do curso, os objetivos, tempo, duração, formas de avaliação, ou seja, todas as informações de que o aluno necessita para situar-se no curso; Material de Apoio, sugestões de materiais que possam auxiliar o estudante no processo de aprendizagem; FAQs (Frequentlyaskedquestions), que consistem em uma listagem de respostas a dúvidas que fica disponível; Guia do aluno e Guia do Tutor, materiais produzidos para auxiliar estudantes e tutores no ambiente, tutoriais e outros. Existem ferramentas de Monitoramento que auxiliam o tutor e coordenadores a obterem informações sobre a movimentação do estudante e dos tutores no ambiente, permitindo monitorar horários e atividades realizadas pelo usuário. As informações obtidas com essas ferramentas podem auxiliar o processo de gestão dos cursos no que se refere à atuação tanto do professor-tutor quanto do aluno. Muitos Ambientes Virtuais de Aprendizagem são desenvolvidos pelas próprias Instituições de Ensino e outros são comerciais. Este é o caso do software utilizado pela Universidade em que foi desenvolvida a pesquisa para esta tese: o Blackboard (AVA). Trata-se de um software que necessita ser instalado mediante a 42 aquisição de licença e pode ser adaptado às necessidades e aos estilos de aprendizagem de alunos e professores; dispõe de ferramentas de apoio, como glossário, caderno virtual, informações sobre o corpo docente, entre outras. Para facilitar as discussões assíncronas, ele dispõe do fórum de discussão; a sala virtual permite discussões síncronas (em tempo real). Oferece também a possibilidade de criação de grupos, cujos integrantes podem interagir em fóruns e mediante troca de arquivos e de e-mail. O boletim de notas possibilita ao aluno conhecer seu desempenho e os registros do processo avaliativo. Para o professor, é disponibilizado o Painel de Controle do Desempenho do Aluno, com ferramentas de acesso a atividades realizadas, a relatórios e a estatísticas do desempenho individual dos alunos. Segundo Mattar (2012), outra tendência, no Brasil e no mundo, é a utilização de Ambientes Virtuais de Aprendizagem gratuitos. O mais conhecido no Brasil é o Moodle, porém existem outros AVAs com código aberto, como: Sakai, TelEduc, Redu, entre outros. Mattar (2002), ao tratar da WEB 2.0, chama a atenção para quatro pontos importantes que estão na rede: 1) usuário autor: possibilita a reconstrução de conteúdos. O usuário acessa os conteúdos; a partir daí, produz; essa produção pode retornar à rede, até que outro usuário percorra o mesmo caminho; 2) computação na nuvem: não é necessária mais a utilização de um computador para armazenamento; isso é feito através de processadores on-line. Para produzir um texto, por exemplo, não há necessidade de um editor de texto; o Google Docs é um exemplo de editor textual que não necessita de um processador para gravar os arquivos; 3) colaboração: é possível trabalhar on-line de várias maneiras: construindo textos coletivos no Google Docs, participando de jogos. As redes sociais também são ferramentas colaborativas da WEB 2.0; 4) custo zero: a rede oferece muitas opções sem custo, como acesso a plataformas, ferramentas e materiais. Pode-se perceber que os pontos apresentados por Mattar sobre a WEB 2.0 são fundamentais para o desenvolvimento de softwares para Ambientes Virtuais de Aprendizagem. 2.3 Disciplina on-line - protótipo pedagógico 43 Na instituição em que a pesquisa que fundamenta esta tese foi realizada, as disciplinas oferecidas para modalidade EaD são produzidas seguindo um protótipo pedagógico que foi construído com base em pressupostos teóricos explicitados por Cabral (2009). Ao tratar do Protótipo Pedagógico de uma disciplina oferecida a distância, Moore e Kerarsley afirmam que é importante seguir alguns princípios: (1) Boa estrutura. A organização do curso e seus componentes precisam ser bem definidos e compreensíveis para o aluno [...] (2) Objetivos claros. Somente quando um curso tem objetivos de aprendizado – afirmativas sem ambiguidade, daquilo que o aluno deve mostrar como prova de haver aprendido -, os profissionais que criam a instrução podem identificar as experiências de aprendizado mais adequadas [...] (3) Unidades pequenas. O conteúdo do curso deve ser desmembrado em unidades pequenas [...] (4) Participação Planejada. [...] A participação tem de ser estruturada. Perguntas e tarefas precisam ser preparadas para assegurar que cada aluno interaja com o instrutor, com os outros alunos e com a própria disciplina [...] (5) Integridade. Os materiais do curso constituem mais do que um livro didático ou um website informativo e devem conter comentários sobre o conteúdo, atividades e ilustrações similares às que são oferecidas [...] (6) Repetição. Ao contrário de outras aplicações de mídia, no ensino é aceitável que o texto, o áudio, o vídeo ou o sistema baseado na informática, às vezes, repitam ideias e informações importantes [...] (7) Síntese. As ideias importantes expressas nos materiais ou fornecidas pelos alunos devem ser interligadas (especialmente nos resumos) [...] (8) Simulação e variedade. Por meio da utilização de formatos, conteúdos ou convidados, os materiais do curso precisam captar a atenção do aluno [...] (9) Modularidade. Tarefas, exemplos e problemas devem ser, sempre que possível, modulares, a fim de permitir que os alunos adaptem o conteúdo aos seus próprios interesses ou situações. (10) Feedback e avaliação. Os alunos devem receber feedback constante de suas tarefas e do progresso geral do curso [...] (MOORE; KERARSLEY, 2007, p. 134,135). Seguindo os pressupostos de Moore e Kerarsley (2007), a equipe multidisciplinar que construiu o protótipo pedagógico das disciplinas oferecidas a distância, entre as quais a que é objeto desta investigação, levou em consideração as especificidades de cada uma delas. Outra preocupação foi planejá-las tendo em vista o Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), o Blackboard. 44 Cabral (2009) afirma que o protótipo pedagógico tem, ainda, como característica a possibilidade de reuso: cada unidade de conteúdo deve ser independente, ou seja, pode ser utilizada em outras combinações na organização de outras disciplinas. Seguindo os parâmetros estabelecidos por Cabral (2009), a instituição em que a pesquisa foi desenvolvida, através da Equipe Muldisciplinar3, estabeleceu orientações gerais para a produção dos itens que compõem uma unidade de conteúdo. Estabeleceu-se que a disciplina, de acordo com a carga horária, teria determinado número de unidades mais uma unidade de revisão. O quadro a seguir apresenta a relação entre carga horária e unidades de conteúdo. Relação carga horária e unidades de conteúdo Carga Horária 40h Unidades 1 unidade de ambientação 4 unidades de conteúdo 1 unidade de revisão 60h 1 unidade de ambientação 5 unidades de conteúdo 1 unidade de revisão 80h 1 unidade de ambientação 6 unidades de conteúdo 1 unidade de revisão Quadro 2 - Relação carga horária e unidades de conteúdo Fonte - Material de Orientação para produção de Conteúdo As unidades de conteúdo são disponibilizadas no AVA seguindo as datas estabelecidas no calendário disponível para os alunos, no qual também são estabelecidos os prazos para entrega de atividades e para a devolução das correções feitas pelos professores-tutores. A primeira unidade do curso é a Unidade de Ambientação, que é oferecida aos alunos, a cada início de semestre, para que possam ambientar-se com a estrutura da disciplina. A figura 1 ilustra essa unidade, por meio da qual o aluno fica 3 Equipe composta por profissionais de diversas áreas responsável pela implementação e adequação do protótipo pedagógico da Instituição. 45 conhecendo as funcionalidades do Blackboard assim como a estrutura da disciplina que irá cursar. Nela, um fórum de discussão sobre assuntos ligados à EaD também é proposto. Figura 1 – Unidade de Ambientação Fonte – Dados da Pesquisa Blackboard A produção do material didático é feita por profissionais contratados para esse fim. Seguindo as orientações4 estabelecidas pela Equipe Multidisciplinar, o professor-autor produz nove elementos que compõem as unidades. São eles: (1) aviso, (2) orientação de estudo, (3) esquema gráfico, (4) contextualização, (5) material teórico de autoria, (6) atividade de aprofundamento, (7) atividades de sistematização, (8) material complementar e (9) avaliação. Além dos elementos relacionados acima, são gravados um PowerPoint narrado e uma videoaula por unidade. A seguir, a descrição de cada um dos elementos de acordo com as orientações para produção de material didático da instituição pesquisada. (1) Aviso: o aviso apresenta uma breve saudação ao estudante, destaca o tema central da unidade e solicita que os alunos explorem os outros materiais da unidade e participem das atividades propostas. 4 A elaboração dos elementos que constituem cada unidade segue as orientações para produção de material didático. 46 (2) Orientações de Estudo: as orientações de estudo têm por finalidade sinalizar ao aluno todas as atividades que ele realizará na unidade, apresentando detalhes importantes e motivando o aluno para o estudo do tema em pauta. (3) Esquema Gráfico: o esquema gráfico tem o objetivo de apresentar as principais ideias discutidas no conteúdo teórico em forma de representação gráfica. (4) Contextualização: para a contextualização, o professor-autor deve identificar situações referentes ao cotidiano ou à futura prática profissional que ressaltem a importância do tema a ser abordado no Material Teórico. Dependendo da especificidade da disciplina, há sugestões para inserção de mídias, poesias, músicas e tirinhas. (5) Material Teórico de autoria: para este material, o professor-autor deve produzir um texto de sua autoria, seguindo as normas de publicação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ao final do texto, devem constar as referências bibliográficas. Cabe salientar que o parâmetro de extensão estabelecido para esse texto é de 12 a 20 páginas. Referindo-se à produção de texto para EaD, Cabral e Cavalcante (2011) destacam a importância de uma linguagem simples e clara, a fim de evitar desencontros de compreensão. Quando a utilização de termos técnicos é necessária e importante, é preciso que o autor se preocupe em explicá-los, facilitando, assim, o entendimento por parte do aluno. (6) Atividade de Sistematização (AS): a atividade de sistematização consta de questões fechadas e pontuadas que possibilitam a correção pelo próprio sistema. Solicita-se que o professor produza questões que possibilitem a reflexão sobre o que foi apresentado no Material Teórico. (7) Atividade de Aprofundamento (AP): as atividades de aprofundamento são divididas em três categorias: a. fórum de discussão, uma proposta de discussão coletiva assíncrona, promovendo ampla discussão sobre o tema estudado na unidade; b. atividade reflexiva, proposta de atividade envolvendo produção de texto individual, que pode vir a ser um resumo, resenha, texto argumentativo, relatório descritivo e outros. encaminhada para avaliação do professor-tutor; Esta atividade é 47 c. atividade de aplicação, proposta de atividade individual que envolve a aplicação de conceitos trabalhados na unidade em questão. Nas disciplinas de 80h, que é o caso da disciplina Psicologia da Educação, foco da pesquisa realizada, nas unidades I, III e V, são apresentadas propostas de fórum, como atividade não pontuada, e, nas unidades II, IV e VI, são propostas atividades reflexivas e/ou de aplicação. (8) Material complementar: apresenta sugestões de leitura de livros, reportagens e artigos, indicação de filmes e músicas, entre outros, que podem aprofundar os conhecimentos sobre o assunto em estudo. Como o próprio nome sugere, a leitura desse material é optativa. (9) Questões para avaliação: essas questões são produzidas para as avaliações presenciais. Sendo assim, elas não são utilizadas no AVA e seguem parâmetros institucionais, com a obrigatoriedade de 5 alternativas de resposta e apresentação da justificativa para alternativa correta. Solicita-se ao professor-autor que, ao produzir esta atividade, elabore questões que possibilitem a reflexão sobre o conteúdo estudado. Em cada unidade de conteúdo, encontra-se, também, a gravação de um PowerPoint narrado, que tem como objetivo fazer uma síntese do material de autoria da unidade. A videoaula é outro item que compõe a unidade de conteúdo. Para essa gravação, sugere-se que o professor busque exemplos para a explicação de conceitos apresentados no material escrito. A unidade de revisão é composta de uma apresentação de PowerPoint, com uma síntese dos conteúdos das unidades, um aviso e 10 questões seguindo os parâmetros para Atividade de Sistematização. Esta unidade não possui atividades pontuadas. A figura 2 apresenta um modelo de aviso, disponibilizado no Blackboardem que a disciplina é oferecida. 48 Figura 2 – Aviso da disciplina Fonte – Dados da Pesquisa Blackboard Em outras telas, o aluno tem acesso a informações gerais sobre a disciplina, como calendário, tutoriais, avaliações, guia do estudante e recursos digitais. As figuras 3, 4, 5 e 6 exemplificam essas situações. Figura 3 – Informações sobre a disciplina Fonte - Dados da Pesquisa Blackboard 49 Figura 4 – Recursos Digitais Fonte – Dados da Pesquisa Blackboard Figura 5 – Guia de Estudos Fonte – Dados da Pesquisa Blackboard 50 Figura 6 – Tutoriais Fonte – Dados da Pesquisa Blackboard As unidades de conteúdo são apresentadas conforme ilustra figura 7. Figura 7 – Material Didático Fonte – Dados da Pesquisa Blackboard As figuras de 8 a 10 ilustram o PowerPoint narrado, a videoaula e o esquema gráfico. 51 Figura 8 - PowerPoint Narrado Fonte – Dados da Pesquisa Blackboard Figura 9 – Videoaula Fonte – Dados da Pesquisa Blackboard 52 Figura 10 - Esquema Gráfico Fonte – Dados da Pesquisa Blackboard Para garantir a acessibilidade ao material através de dispositivos móveis, ele também é disponibilizado em Flipbook, que possibilita ao leitor a mudança de página como se estivesse folheando um livro. Figura 11 Flipbook Fonte – Dados da Pesquisa Blackboard 53 Figura 12 – Apresentação da unidade Fonte – Dados da Pesquisa Blackboard Nas disciplinas oferecidas a distância, a comunicação entre professor-tutor e aluno é realizada através da ferramenta “mensagem”. O professor-tutor tem a possibilidade de encaminhar e-mails para a turma toda ou individualmente a cada aluno. Quando um aviso é postado na disciplina, também é possível enviar a notificação para todos os alunos por e-mail. O “Fórum de Dúvidas” é o canal para o aluno tirar suas dúvidas a respeito do conteúdo da unidade e também sobre o funcionamento do AVA. O professor-tutor tem até 48 horas para responder à dúvida do seu aluno, o que é considerado um tempo longo. Aragon (2003), em suas pesquisas, alerta sobre a importância do feedback e a necessidade de que ele ocorra em até 24h. Ao término de cada unidade, há um “Fórum de Fechamento da Unidade”, no qual o professor-tutor disponibiliza comentários sobre a resolução das atividades propostas, inclusive apresentando os parâmetros utilizados para avaliação. 2.4 Aprendizagem Colaborativa nas disciplinas on-line As propostas de trabalho desenvolvidas pelo professor-tutor, durante a realização da pesquisa que complementa este estudo, foram pautadas em princípios da Aprendizagem Colaborativa. A Educação a Distância mediada pela internet traz possibilidades para uma aprendizagem colaborativa. 54 A aprendizagem colaborativa, segundo Palloff e Pratt (2002), insere o aluno em uma perspectiva de trabalho grupal e não mais de trabalho individual; o sujeito passa de um trabalho independente para um trabalho colaborativo. Assim, quando os alunos trabalham nessa perspectiva, deixam de ser independentes para se tornarem interdependentes. Behrens (2002) afirma que a internet disponibiliza instrumentos significativos para criação de ambientes interativos, colaborativos e motivadores. A autora chama a atenção para a necessidade do planejamento das atividades colaborativas assim como acontece com outros aspectos que apresentam um curso on-line. Para Andreoli (2011), a aprendizagem colaborativa acontece em uma perspectiva construtivista de ensino e aprendizagem a partir da criação de estratégias de ensino nas quais a participação dos estudantes é encorajada. Sendo assim, é necessária a participação efetiva dos professores nesse processo. Cabe ressaltar que, em cursos on-line, para que ocorra a aprendizagem, faz-se necessária a comunicação entre os participantes; a troca de informações e opiniões entre estudantes e professores é essencial para o aprendizado. Na pesquisa aqui apresentada, a Aprendizagem colaborativa é entendida levando em consideração pressupostos apresentados por Torres (2002). Para que ocorra a aprendizagem colaborativa, segundo a autora, é necessário o encorajamento do estudante durante o processo de aprendizagem, o que torna o processo ativo e afetivo. O quadro a seguir apresenta os princípios pedagógicos apontados pela autora para uma aprendizagem colaborativa. Princípios para Aprendizagem Colaborativa Participação ativa do aluno no processo de aprendizagem. Mediação da aprendizagem feita por professores e tutores. Construção coletiva do conhecimento, que emerge da troca entre pares, das atividades práticas dos alunos, de suas reflexões, de seus debates e questionamentos. Interatividade entre os diversos atores que atuam no processo. Estimulação dos processos de expressão e comunicação. Flexibilização dos papéis no processo das comunicações e das relações a 55 fim de permitir a construção coletiva do saber. Sistematização do planejamento, do desenvolvimento e da avaliação das atividades. Aceitação das diversidades e diferenças entre alunos. Desenvolvimento da autonomia do aluno no processo ensino-aprendizagem. Valorização da liberdade com responsabilidade. Comprometimento com a autoria. Valorização do processo e não do produto. Quadro 3 - Princípios da Aprendizagem Colaborativa Fonte – Torres (2002, p. 45) Os princípios apresentados por Torres (2002) orientaram as práticas pedagógicas da pesquisadora, procurando estabelecer, dessa maneira, a Aprendizagem Colaborativa entre os participantes de uma disciplina ofertada a distância mediada pela internet. 2.5 Aluno e professor-tutor nas disciplinas on-line Segundo Moore e Kearsley (2007), é importante que o aluno da Educação a Distância tenha clareza sobre a responsabilidade e o comprometimento que são exigidos nessa modalidade de Ensino e que não fique esperando que o instrutor ou o orientador o conduza. Programas de orientação poderão ajudar a posicionar os alunos dentro das expectativas estabelecidas. Em suas pesquisas, Palloff e Pratt (2004) constataram que as instruções podem auxiliar o processo de ensino e aprendizagem em Ambientes Virtuais de Aprendizagem e destacaram ações que podem viabilizar o sucesso do aluno em seus estudos. São elas: i. Deixar claros, nas diretrizes da disciplina ou do curso, as datas e os horários para o envio de propostas de trabalho; ii. Ser explícito quanto ao que se espera do aluno em relação à sua participação nas discussões propostas, inclusive indicando o número mínimo de vezes que ele terá de participar das discussões; iii. Orientar sobre os conteúdos das mensagens, salientando que estas devem contribuir para a discussão; 56 iv. Esclarecer o processo de avaliação do curso e como o aluno será avaliado por sua participação nas discussões e nas entregas de trabalhos; v. Dar atenção à participação dos alunos e possíveis ausências. A gestão sobre a participação dos alunos e a identificação da sua ausência em um curso poderão minimizar a evasão. Os autores salientam que a criação de áreas de convívio social, com envio de mensagens de boas-vindas e disponibilização de perfis e bibliografia, leva os alunos a sentirem-se mais à vontade no ambiente de aprendizagem virtual, localizando-se como sujeitos e não somente como mais um nome integrante da lista de alunos. De acordo com Behar et al. (2013), o domínio de algumas competências é necessário para os participantes de um curso de EaD. As autoras consideram competências o conjunto de elementos composto pelos conhecimentos, habilidades e atitudes do indivíduo. Apresentam um conjunto de competências que estão relacionadas ao uso das tecnologias. Para Behar et al. (2013) a primeira competência é o “letramento digital”, que se relaciona com a pesquisa e a visão crítica que o aluno tem sobre as informações disponíveis na internet; outra é a “cooperação”, competência que gera formas de relacionamento por meio do trabalho em equipe; a “autonomia”, nesse contexto, é a competência associada à tomada de decisão sobre o uso da tecnologia em prol da aprendizagem; a “organização” estabelece-se pela ordenação entre o tempo e os conteúdos e materiais disponíveis; a “comunicação” está ligada à linguagem escrita utilizada na comunicação dentro do ambiente de aprendizagem; e, por último, a “presença social”, que se refere às sensações que o sujeito tem de si mesmo e à forma como pode se projetar como participante em uma comunidade de aprendizagem. Esta última, em especial, será tratada no capítulo 3. O quadro a seguir apresenta alguns pontos, sugeridos por Alves e Nova (2003), para o professor-tutor, os quais poderão facilitar seu trabalho e o aprendizado dos alunos. 57 Habilidades e Competências Necessárias para a Tutoria deDisciplinas On-line Conhecer a fundamentação pedagógica. Determinar sua filosofia de ensino-aprendizagem. Desenvolver habilidades para o ensino on-line. Conhecer seus aprendizes. Aprender os recursos tecnológicos. Criar múltiplos espaços de trabalho, de interação e de socialização. Criar relacionamentos pessoais on-line. Desenvolver comunidades de aprendizagem. Definir as regras vigentes para as aulas on-line. Esclarecer suas expectativas sobre os papéis dos aprendizes. Quadro 4 - Sugestões para o professor-tutor Fonte – Alves e Nova (2004) Segundo as autoras, o professor-tutor enfrenta um grande desafio visando à aprendizagem efetiva de seus alunos. A formação acadêmica, o domínio do conteúdo, a habilidade de planejar, acompanhar, avaliar e motivar os alunos são tarefas desempenhadas por esse profissional. Scherer (2009) classifica os alunos e professores em três categorias distintas: habitantes, visitantes e transeuntes. Na perspectiva da autora, esse processo ocorre dentro dos ambientes virtuais de aprendizagem (AVA). Como ela afirma, o processo de ensino e aprendizagem acontece em mão dupla, ou seja, tanto professores quanto alunos podem ensinar e aprender. Observar situações que sejam motivos de desafios para futuras aprendizagens é comum no ambiente virtual assim como no ensino presencial. Segundo Scherer, tanto alunos quanto professores podem estar posicionados de diferentes formas nos ambientes de aprendizagem. A primeira delas, e a mais significativa, é a posição de Habitante, quando eles se responsabilizam pela posição de parceiros, buscando entendimento mútuo; o habitante é parte do cenário, no sentido dinâmico. É encontrado sempre no ambiente, postando mensagens, refletindo sobre as considerações feitas pelos demais, questionando, produzindo, sugerindo. Sobre alunos ou professores Visitantes, a autora afirma que eles participam dos ambientes de aprendizagem com a intenção de visitar; apenas observam o que está acontecendo, não se responsabilizando pela construção coletiva; são parte do ambiente em alguns 58 momentos, porém não continuamente, ou seja, não habitam o lugar. Os alunos e professores Transeuntes simplesmente passam pelo ambiente, sem parar, sem se responsabilizar, sem colaborar ou cooperar; são alheios ao grupo. Para Moraes (2003, p. 128): É a integração entre o sentir e o pensar que permitirá ao professor educar visando à restauração da incerteza no sentido de colaborar para a construção do ser humano como templo da inteireza, onde pensamentos, emoções e sentimentos estejam em constante diálogo. Para que o professor consiga conhecer a inteireza do outro, é necessário ser um habitante no espaço virtual, atentando para a leitura das falas, para as interações entre os pares e entre o conhecimento, responsabilizando-se pelo processo que se instaura dentro do Ambiente Virtual de Aprendizagem. Dessa forma, ele poderá possibilitar interações que possam fazer com que alunos visitantes e transeuntes também se tornem alunos habitantes nesse espaço de aprendizagem. Tendo em vista que a pesquisa realizada para este trabalho levou em consideração alunos e professor-tutor de uma disciplina oferecida a distância, conhecer as características e especificidades abordadas nas pesquisas de Moore e Kearsley (2007), Palloff e Pratt (2004), Behar et al. (2013), Alves e Nova (2003), Scherer (2009) e Moraes (2003) foi um grande auxílio para a compreensão do processo e a construção das intervenções pedagógicas realizadas durante a pesquisa em questão. 59 CAPÍTULO 3 - AS PRESENÇAS COGNITIVA, DE ENSINO E SOCIAL Este capítulo discorre sobre a Comunidade de Inquirição proposta por Garrison, Anderson e Archer (2000), que, ao tratarem da Educação a Distância mediada por computador, sugerem a participação abundante de todos os integrantes dessa comunidade, alunos e professores. O modelo supõe que, nessa comunidade, o aprendizado ocorra através da interação de três componentes: presença cognitiva, presença de ensino e presença social. A relação entre a presença social, a presença de ensino e a presença cognitiva é a responsável pela aprendizagem dos alunos em uma comunidade de aprendizagem, conforme demonstra a representação a seguir (figura 13): Figura 13 - Elementos da experiência educacional Fonte: Garrison, Anderson e Archer (2000, p. 88 , tradução nossa). 60 De acordo com Garrison, Anderson e Archer (2000), somente na relação entre a presença social, presença de ensino e presença cognitiva acontece a aprendizagem efetiva. 3.1 A presença cognitiva A presença cognitiva, um dos componentes da Comunidade de Inquirição apontados por Garrison, Anderson e Archer (2000), é definida como “a extensão a qual os participantes, em qualquer configuração específica de uma comunidade de inquirição, são capazes de construir o significado através de comunicação constante”. Esse componente ajuda o indivíduo a desenvolver seu pensamento crítico sobre determinado assunto estudado. Segundo os autores, algumas características presentes na EaD são essenciais para a geração da presença cognitiva: “Evento Gerador”, que suscita a sensação de curiosidade; “Exploração e Integração”, ou seja, a troca de informações e a conexão de ideias; e “Resolução”, que é responsável pelas aplicações dessas novas ideias. A presença cognitiva, segundo Garrison, Anderson e Archer (2004), acontece em consequência de um pensamento crítico, resultado de um contexto educacional. Segundo os autores, as ferramentas de uma comunidade de aprendizagem mediada pelo computador poderão facilitar a reflexão e, por conseguinte, a aprendizagem. A problematização da situação pedagógica é essencial para o desenrolar do processo cognitivo. Os autores têm como base a teoria de Dewey (1959), que valoriza a experiência do indivíduo através de situações significativas. A reflexão, neste contexto, acontece entre o pessoal e o compartilhado. Garrison, Anderson e Archer (2004) apresentam um “Modelo Prático de Investigação” (Figura 14). 61 Figura 14 - Modelo Prático de Investigação Fonte - Garrison, Anderson e Archer (2004, p. 22) Como se pode observar, no quadrado inferior esquerdo dessa representação, está o “evento desencadeador”, que é a primeira etapa para que a presença cognitiva aconteça de fato. Esse evento é motivador e mobiliza o sujeito dentro de uma problematização. Essa motivação deve estar ligada a situações do contexto do estudante, ou seja, a conhecimentos prévios que ele tenha sobre o assunto. No quadrado superior esquerdo, encontra-se o que os autores chamam de “exploração”. É o momento em que o aluno, utilizando-se ainda de conhecimentos que já possui, explora o problema de maneira individual e colaborativa. Essa situação favorece a troca de ideias sobre o assunto em questão. O quadrado superior direito apresenta o que Garrison, Anderson e Archer chamam de “Interação”. Essa é a fase em que o aluno constrói significados a partir das ideias advindas da exploração; é essencial que, neste momento, exista, dentro da situação, uma forte presença de ensino, criando, assim, possibilidades para o desenvolvimento de processos cognitivos mais complexos. A “resolução” apresentada no quadrado inferior direito é o momento em que o aluno consegue resolver a situação proposta, ou seja, chegar ao resultado final da situação apresentada no evento desencadeador. 62 3.2 A presença de ensino Outro componente apresentado por Garrison, Anderson e Archer (2000) é a presença de ensino, que consiste no gerenciamento da sequência de aprendizado, facilitando, assim, o aprendizado ativo do aluno. A presença de ensino começa antes do início do curso, quando o material é elaborado, e continua quando o professor-tutor dá instruções sobre o conteúdo, facilitando, assim, o aprendizado. Normalmente, um curso ou disciplina oferecido na modalidade de educação a distância consiste em algo muito além do diálogo entre professor e alunos, e inclui leituras do curso, explorações web, exercícios e projetos individuais e colaborativos. Anderson et al. (2001) apresentam três categorias para a presença de ensino: i. Design e Organização - Como em muitas formas de educação a distância, o processo de concepção e planejamento de um curso ou de uma disciplina online é, geralmente, mais extenso e demorado do que é o mesmo processo do ensino presencial. Construir um curso em formato digital obriga os professores e demais envolvidos no processo a refletirem sobre componentes como estrutura, avaliação e interação do curso. A tarefa do professor é criar caminhos através da instrução mediada e da atividade definida de tal forma que os alunos estejam conscientes dos objetivos e das atividades explícitas e implícitas de aprendizagem de que participam. ii. Facilitação do Discurso– facilitar o discurso em um curso ou disciplina on-line é fundamental para manter o interesse e a motivação dos alunos. No entanto, o papel do professor-tutor é mais exigente do que o de outros participantes e traz consigo níveis mais elevados de responsabilidade, pois é ele que vai estabelecer e manter o discurso que cria e sustenta a presença social. O professor-tutor, nesse sentido, apoia e incentiva a participação dos alunos, comentando as respostas, reforçando conceitos, concordando com e discordando das discusões e alertando para ligações congruentes quando duas opiniões, aparentemente contrárias, estão sendo expressadas. Da mesma forma, ajuda os alunos a articularem o consenso e o entendimento compartilhado. iii. Instrução Direta - o professor-tutor, como conhecedor do conteúdo, deve partilhar seus conhecimentos com os alunos. O papel do professor, em 63 qualquer contexto, envolve a instrução direta utilizando conhecimentos e experiência pedagógica. Esse especialista no assunto deve fornecer instruções por meio de comentários ou mesmo organizando atividades que permitam que os alunos construam conhecimento a partir do próprio entendimento sobre determinado assunto. Cabe ao professor-tutor, também, fornecer o foco para a discussão, dirigindo a atenção para determinados conceitos ou informações que são necessários para a aprendizagem do aluno. A instrução direta também assume a forma de declarações que confirmam o entendimento por meio de avaliação e feedback explicativo aos alunos. Diagnóstico de equívocos é outra tarefa importante do professor-tutor. Muitas vezes, os estudantes realizam equívocos que prejudicam sua capacidade de construir concepções mais corretas e esquemas mentais. O design de atividades eficazes de aprendizagem cria oportunidades para que os próprios estudantes descubram esses equívocos, mas os comentários e perguntas feitas pelo professor-tutor são insubstituíveis. 3.3 A presença social O último componente definido por Garrison, Anderson e Archer (2000) é a presença social, que é “a habilidade dos aprendizes em projetar-se socialmente e emocinalmente em uma comunidade de inquirição”. Rourke et al. (2003, p. 1) apontam que esse elemento dá suporte a objetivos afetivos, fazendo com que a interação entre os sujeitos da aprendizagem (alunos e professor-tutor) se torne atraente e interessante. São apresentadas categorias como: “Expressão Emocional”, o sujeito expressa suas emoções a respeito de determinado assunto; “Comunicação Aberta”, o sujeito se comunica com o grupo de forma espontânea; “Coesão do grupo”, compartilha-se com os demais participantes um significado pessoal sobre o assunto em questão, promovendo, assim, a colaboração. Segundo Tu (1999), estudos da Psicologia Social demonstram que fatores, como a expressão facial, a entonação de voz e gestos, podem gerar a presença social entre os participantes de determinada conversa ou aula presencial. Nesse sentido, para comunicações que utilizam o computador e a internet como meios de comunicação, pode-se indicar a utilização de emoticons, a fim de expressar sinais 64 não verbais, recurso bastante comum em discussões assíncronas que acontecem em um fórum de discussão, por exemplo. Essa forma de linguagem simbólica facilita a proximidade entre envolvidos em uma comunicação mediada por computador. A expressão das emoções, dos sentimentos e do humor é característica que define a presença social, como descrito por Garrison, Anderson e Archer (2000). Alguns atributos, como proximidade, cordialidade, filiação, atração, abertura, são atribuídos tanto à presença social como ao imediatismo do professor. De acordo com Garrison, Anderson e Archer (2000), o humor é um convite para interação entre os participantes de uma comunidade de aprendizagem, tornando os sujeitos mais próximos. Quanto mais o indivíduo mostra de si mesmo, maior a probabilidade de estabelecer vínculos de confiança, reduzindo a sensação de isolamento social. Expressões de apreço também são um ponto importante. O professor-tutor é visto como mais um, podendo, assim, intermediar as situações, comentando e incentivando os alunos a interagirem, prolongando, dessa forma, os contatos e mediando situações. Para análise e codificação da presença social em um AVA mediado por computadores, Rourke et al. (2003) apresentam três categorias e 12 indicadores. Categorias Afetivo Indicadores Expressa emoções, usa o humor, faz autorrevelações. Continua a mensagem de outro, cita mensagens de outros, refere-se explicitamente a mensagens de outros, faz perguntas aos outros participantes, expressa concordância com outros, expressa apreço aos outros. Dirige-se ao outro pelo nome, dirige-se Coeso ao grupo como “nós” ou “nosso”, saúda os demais participantes antes de se colocar. Quadro 5 – Categorias e indicadores da presença social Interativo Fonte: Rourke et al. (2003, tradução nossa) 65 Segundo Sérgio (2007), a colaboração é imprescindível em Ambientes Virtuais de Aprendizagem mediados por computador. Assim, o fórum de discussão é uma das ferramentas pedagógicas que propicia um ambiente colaborativo entre os participantes de um curso nessa modalidade. A autora afirma que a percepção da presença social está relacionada à satisfação dos alunos em relação a aspectos como: sentimento de inclusão em relação ao curso; relações estabelecidas entre os participantes do curso; e percepção do aluno sobre o envolvimento do professor, o qual fica evidenciado pela participação do professor nas discussões, pelo incentivo a participações dos alunos nas atividades propostas e pelos feedbacks rápidos dados às dúvidas apresentadas pelos alunos. Na comunidade do modelo de inquirição, professores e alunos participam de situações de aprendizagem que envolvem reflexão e criticidade, o que remete a teorias construtivistas de aprendizagem. Por isso, nessa comunidade, a presença social é considerada uma função de ambos: alunos e professores. Os quadros a seguir apresentam cadegorias, indicadores, definições e exemplos para avaliação da presença social. CATEGORIA INDICADORES DEFINIÇÃO EXEMPLO AFETIVO Expressão de emoções Expressões convencionais de emoção ou expressões nãoconvencionais de emoções; pontuação repetida; letra maiúscula óbvia; emoticons. “eu Provocação; bajulação; ironia; narrações incompletas; sarcasmo. A plantação de bananas em Edmonton parece boa este ano. Apresentação de detalhes da vida fora da classe, ou expressão de “Onde eu trabalho, é Uso do humor Autorrevelação não aguento quando...” NINGUÉM LÁ! isto que fazemos...” não entendo esta 66 vulnerabilidade pergunta. Quadro 6 – Avaliação da Presença Social – Categoria Afetivo Fonte: Rourke et al. ( 2003, p. 10, tradução nossa) Como descrito por Garrison, Anderson e Archer (2000), situações que envolvem afetividade suscitam a presença social. Em um AVA, a proximidade, a cordialidade, a filiação, a atração e a abertura favorecem a interação afetiva. Os autores recomendam a troca de informações pessoais para reduzir a sensação de isolamento social e, assim, contribuir para a formação de impressões individualizadas entre os interlocutores. CATEGORIA INDICADORES DEFINIÇÃO EXEMPLO INTERATIVO Continuação de uma ameaça. Usar características de resposta de um software, em vez de começar uma nova ameaça. Software dependente, ex.: “assunto: Re” ou “filial de” Citação de mensagens de outros. Usar características de software para citar uma mensagem inteira ou cortar e colar seleções de mensagens de outros. Software dependente: Marta escreve ou envia uma mensagem que inicia com o símbolo de “menor que”. Referência explicita a mensagens de outros. Perguntas Referências diretas aos conteúdos das postagens de outros. Alunos fazem perguntas de outros alunos ou do moderador. “na sua mensagem você falou sobre a distinção de Moore entre...” “mais alguém teve experiência com WEBCT?” Quadro 7 – Avaliação da Presença Social – Categoria Interativo Fonte: Rourke et al. (2003, p. 10) 67 A categoria interativo apresenta indicadores como: continuidade de assunto, citação e refêrencias a mensagens de outros alunos ou professores-tutores e, ainda, os questionamentos que ocorrem entre os participantes de determinada situação dentro do AVA. Em uma discussão em um fórum, situações envolvendo esta categoria são geralmente motivadas pelo professor-tutor. CATEGORIA INDICADORES DEFINIÇÃO EXEMPLO COESO Cumprimento, expressão de apreço, expressão de concordância. Cumprimentar outros ou usar conteúdos de outras mensagens. “eu realmente gosto da sua interpretação da leitura”. Vocativos. Dirigir-se ou referir-se ao aluno pelo nome. “acho que John fez uma grande coisa”; ”John, o que você acha?” Uso de pronomes inclusivos ao dirigirse ou referir-se ao grupo. Dirigir-se ao grupo como “nós”, “nosso”, “nos” “nosso livro texto refere-se a...”; “eu acho que desviamos do caminho”. Comunicação que serve a uma função puramente social; cumprimentos, fechamentos. “Olá para todos”; “isto Fáticos e saudações. é para agora”; “está o clima mais lindo aqui”. Quadro 8 – Avaliação da Presença Social – Categoria Coeso Fonte: Rourke et al. ( 2003, p. 10) A coesão do grupo pode ser percebida pela forma como uns se dirigem aos outros. Um indicador importante são as saudações antes de participar de uma discussão de fórum ou o fato de dirigir-se ao outro pelo nome ou, ainda, o colocar-se como participante efetivo do grupo, utilizando expressões como “nós” e “nosso”. O uso de vocativos, ou seja, chamar os participantes pelo nome, também é uma importante expressão de coesão. Aragon (2003) trata da satisfação tanto do professor-tutor quanto do aluno que estuda em um ambiente virtual de aprendizagem e alerta sobre a importância da interação social para que o sujeito se integre em determinado contexto social. Para 68 exemplificar, parte de uma situação cotidiana: quando um indivíduo se insere em um grupo que não conhece, procura semelhanças que o aproximem das pessoas, como a profissão, a maneira de vestir, o cargo que ocupa ou o nível sociocultural. Essas ligações facilitam o entrosamento social que os sujeitos estabelecem. O grande desafio em um ambiente on-line é facilitar o grau do contato interpessoal que é estabelecido entre os participantes. Quando se pensa em uma situação de aprendizagem presencial, o contato que se estabelece com o outro impulsiona o indivíduo e motiva-o a continuar; as relações estabelecidas estão intimamente ligadas à motivação para o envolvimento em determinada situação de aprendizagem. O objetivo da presença social em qualquer ambiente de aprendizagem é o nível de conforto que ela proporciona às pessoas. Aragon (2003) apresenta estratégias para estabelecer a presença social em ambientes virtuais de aprendizagem, professores-tutores e alunos. envolvendo três dimensões: design, Quanto ao design do curso, segundo o autor, o desenvolvimento de mensagens de boas-vindas, vídeos gravados pelo professortutor ou mesmo a imagem do professor através de uma foto facilitam a criação da presença social. O autor afirma, ainda, que incluir perfis dos estudantes, com experiências profissionais e culturais, também proporciona o envolvimento dos participantes. O número de alunos é um dos facilitadores da discussão. Aragon estabelece que a quantidade de participantes dos grupos de alunos não deve passar de 30, para que se estabeleça a discussão. A participação do professor-tutor é fundamental, podendo, durante o desenvolvimento do fórum, estabelecer níveis de ajuda aos estudantes. A resposta aos e-mails dos alunos é de fundamental importância para estabelecer a presença social. O prazo máximo para que essa resposta ocorra é de 24 horas. O feedback é necessário em um curso on-line; usar o nome do aluno traz a sensação de reconhecimento do outro; o humor também ajuda a estabelecer ligações entre os participantes, pois reduz a distância social; o uso deemoticons é uma estratégia que tenta recriar, por meio de pontuação e\ou do desenho, as expressões faciais que não estão presentes em um curso a distância. Hoje as redes sociais utilizam amplamente essa forma de linguagem. 69 Como já referido, o foco desta investigação é a proposição, pelo professortutor, de situações que aumentem a presença social entre os participantes da disciplina. A partir dos pressupostos apresentados sobre a presença social e os princípios da aprendizagem colaborativa, abordada no capítulo 2, a pesquisadora planejou suas ações como professora-tutora da disciplina Psicologia da Educação, procurando promover a presença social entre os participantes da disciplina. 71 CAPÍTULO 4 – PRESENÇA SOCIAL: CAMINHOS DA PESQUISA Este capítulo descreverá a metodologia utilizada nesta pesquisa assim como os fundamentos teóricos que a alicerçam. Serão apresentados o contexto em que a pesquisa está inserida, a forma como ocorreu a coleta de dados, os instrumentos utilizados na coleta e a análise dos dados A pesquisa desenvolvida por Bonici e Araújo (2011) aponta para a fragilidade da presença social em disciplinas on-line. Essa fragilidade suscitou alguns questionamentos sobre ações que poderiam ser desenvolvidas pelo professor-tutor com a finalidade de desencadear a incidência de presença social dentro do ambiente de aprendizagem. Sendo assim, o foco desta pesquisa é a presença social no ambiente virtual de aprendizagem. 4.1 Metodologia qualitativa As pesquisas qualitativas, segundo Bogdan e Bikle (1991), apresentam, geralmente, cinco características, no entanto isso não significa que as pesquisas qualitativas sempre tenham que apresentar todas as características. Elas são: (1) A fonte direta de dados é o ambiente e o investigador é o instrumento principal da pesquisa. Geralmente é necessária grande dedicação de tempo para este tipo de pesquisa. É comum os pesquisadores frequentarem os locais do estudo; o contexto é de fundamental importância para que se possa entender e analisar determinada situação. (2) Na investigação qualitativa, os dados recolhidos estão em forma de palavras e imagens e não de números; a análise dos dados é feita levando em consideração todas as formas de registro; a escrita assume papel importante; a descrição é uma maneira de garantir que nenhuma informação se perca. (3) O processo é mais importante que o produto. Muitas vezes o detalhamento do envolvimento dos sujeitos em determinadas situações pode suscitar análise de aspectos que não poderiam ser verificados por meio de uma coleta que não fosse detalhada. 72 (4) A análise dos dados costuma acontecer indutivamente. O pesquisador não tem por objetivo inicial confirmar hipóteses construídas previamente; a construção destas acontece à medida que se recolhem os dados da pesquisa. (5) O significado é de suma importância; conhecer as perspectivas dos sujeitos da pesquisa e as possíveis interpretações sobre determinados assuntos é fundamental. Outro ponto que os autores destacam é o estabelecimento do diálogo entre pesquisador e sujeito. O quadro que segue apresenta um paralelo entre as cinco características de uma pesquisa qualitativa apontadas por Bogdan e Bikle (1991) e as especificidades deste estudo. Características apontadas pelos autores Fonte direta de dados é o ambiente e o investigador é o instrumento principal da pesquisa. Os dados recolhidos estão em forma de palavras e imagens. Características da Pesquisa A pesquisa aconteceu em uma disciplina cuja tutora foi a própria pesquisadora. Como a pesquisa aconteceu em um Ambiente Virtual de Aprendizagem, as participações dos alunos em fóruns de discussão estabelecem-se como principal fonte de registro para análise. O processo é mais importante Como a pesquisa foi desenvolvida com alunos de uma que o produto. disciplina on-line, o processo de ensino e aprendizagem vivenciado por alunos e professor-tutor foi essencial para a coleta dos dados. A análise dos dados costuma O cenário da pesquisa estabeleceu-se a partir da coleta acontecer indutivamente. dos dados e da relação entre pesquisador e alunos. O significado é de suma As análises dos fóruns de discussão demonstraram, importância. implicitamente, a perspectiva dos participantes. Foi possível conhecer de forma explícita a percepção dos alunos através de um questionário. Quadro 9 - Características da Pesquisa Qualitativa Fonte – Dados da Pesquisa 73 4.1.1 Pesquisa-Ação Para Tripp (2005), pesquisa-ação é o nome que se dá a uma investigação na qual se aprimora a prática a partir da ação no âmbito da pesquisa, ou seja, no decorrer do processo, planeja-se, descreve-se, avalia-se se são necessárias mudanças para melhoria da prática e da própria pesquisa. Para Tripp, “a pesquisaação é uma forma de investigação-ação que utiliza técnicas consagradas para informar a ação que se decide tomar para melhorar a prática” (2005, p. 447). O autor salienta a importância de o pesquisador conhecer o que está fazendo e o porquê de estar fazendo. Tripp (2005) chama a atenção para duas questões primordiais para estabelecer se uma pesquisa pode ser determinada como pesquisa-ação: a primeira é se o processo de mudança está sendo conduzido por meio de análise e interpretação de dados válidos e confiáveis; e a segunda é se o alvo principal da atividade é a criação de conhecimento teórico ou aprimoramento da prática. Define a pesquisa-ação prática como aquela em que: [...] o pesquisador escolhe ou projeta as mudanças feitas. Nesse caso, as duas características distintas são: primeiro, é mais como a prática de um ofício – o artífice pode receber uma ordem, mas o modo como alcança o resultado desejado fica mais por conta de sua experiência e de suas ideias, e segundo, porque o tipo de decisões que ele toma sobre o quê, como e quando fazer são informadas (sic) pelas concepções profissionais que tem sobre o que será melhor para seu grupo [...] o que significa que serão feitas mudanças para melhorar a aprendizagem e a autoestima de seus alunos, para aumentar interesse, autonomia ou cooperação e assim por diante. (TRIPP, 2005, p.257) A partir das características apontadas por Tripp (2005), a pesquisa insere-se em uma abordagem qualitativa como uma pesquisa-ação, tendo em vista o caráter de aprimoramento da prática pedagógica a partir do conhecimento já validado em outras pesquisas, e as mudanças têm como alvo a criação de conhecimento teórico para a melhoria da prática. 4.2 Cenário da pesquisa A pesquisa base para este trabalho foi realizada em uma IES da cidade de São Paulo e teve como sujeitos 119 alunos dos cursos de Licenciatura em Matemática, Licenciatura em Ciências Biológicas e Licenciatura em Química que 74 cursavam a disciplina Psicologia da Educação, disponível on-line e que foi oferecida no segundo semestre de 2012, na modalidade EaD, para os Cursos de Licenciatura presenciais. Nos anos de 2007 e 2008, a IES começou a utilizar algumas das ferramentas comuns ao EaD para a oferta de 20% da carga horária de disciplinas da graduação presencial como atividades on-line a serem administradas pelo próprio professor no Ambiente Virtual de Aprendizagem Blackboard. Em 2009, a IES passou por uma reestruturação e algumas disciplinas foram elencadas para oferta on-line. As disciplinas oferecidas equivaliam a 20% da carga horária total do curso. Os coordenadores de curso foram incumbidos de indicar as disciplinas que seriam disponibilizadas on-line, e materiais próprios foram desenvolvidos. Abaixo, o gráfico demonstra a evolução no número de disciplinas produzidas de 2009 a 2012. Evolução no número de disciplinas 160 140 120 100 80 60 40 20 0 132 136 145 152 62 17 2009.1 2009.2 2010.1 2010.2 2011.1 2012.1 Gráfico 1 – Evolução número de disciplinas Fonte – Pró-reitoria de EaD Como se pode observar, o número de disciplinas produzidas aumentou consideravelmente entre os anos de 2009 e 2012. A quantidade de alunos matriculados nas disciplinas on-line também teve um aumento significativo; passou de seis mil, em 2009, para trinta e dois mil, quinhentos e trinta e dois alunos em 2012. 75 Evolução das matrículas 40000 32532 30000 29000 20000 18000 12000 10000 6000 0 2009.1 6000 2009.2 2010.1 2010.2 2011.1 2012.1 Gráfico 2 – Evolução das matrículas Fonte – Pró-reitoria de EaD Nesse contexto, algumas disciplinas buscam atender a vários cursos, como é o caso da disciplina Psicologia da Educação, que é ofertada como disciplina online para todos os cursos de licenciatura da Instituição. 4.3 Coleta de dados A coleta de dados ocorreu no período de agosto a dezembro de 2012, em uma disciplina on-line. A pesquisadora e também professora-tutora participou da pesquisa com o intuito de promover situações que pudessem aumentar a presença social,mas, como professora-tutora, suas ações pedagógicas tinham como objetivo o desenvolvimento e o aprendizado do alunos. Para a coleta de dados foram utilizados três instrumentos: um deles consistiu nas participações dos alunos em dois fóruns, e os outros constituíram-se de dois questionários disponibilizados on-line para que os alunos respondessem sem que fossem identificados. Para garantir o anonimato dos alunos, em todas as transcrições, foram suprimidos os nomes e substituídos por reticências entre parênteses - (...). 4.3.1 Questionário 1 Como instrumento inicial da pesquisa e com o objetivo de conhecer o perfil dos alunos matriculados na disciplina Psicologia da Educação, foi utilizado um questionário fechado. As questões foram variadas e abrangeram a idade e estado 76 civil dos alunos, tipo de habitação, situação de trabalho, formação, formas de lazer, entre outros aspectos. Solicitou-se que os alunos respondessem ao questionário por e-mail e pelo mural de aviso da disciplina. O questionário, que recebeu o título de “Perfil do Estudante” (apêndice 1), ficou disponível durante vinte dias no início do segundo semestre de 2012. Responderam ao questionário 69 alunos, o que correspondeu a, aproximadamente, 58% da amostra investigada. 4.3.2 Análise de conteúdo Realizou-se a análise de conteúdo do material produzido pelos alunos em sua participação em dois fóruns de discussão. Estes foram realizados no Blackboard, em datas distintas, e tiveram a duração de dez dias cada um. O primeiro fórum dizia respeito à unidade IV e o segundo referia-se à unidade VI. Vale ressaltar que os dois fóruns foram pontuados. Para essa análise, foram estabelecidas, a priori, as categorias utilizadas em pesquisa realizada por Rourke et al. (2003) para reconhecer a presença social. Foram codificadas1012 mensagens, com o auxílio do software Nvivo, e classificadas em três categorias e dez subcategorias. A análise dos dados dos fóruns de discussão foi realizada com fundamento na análise de conteúdo definida por Bardin como: O conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores [...] que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção [...] dessas mensagens (BARDIN, 2011.p. 48). Para a autora, a análise de conteúdo é um método empírico, que depende da fonte a ser analisada e do tipo da interpretação que se tem como objetivo. Sendo assim, para a análise de conteúdo não há regras prontas, mas, sim, alguns indicadores que servem como base para esse tipo de análise. 77 Franco (2008) afirma que a análise de conteúdo requer que as descobertas tenham relevância teórica. A relação entre informação e características do emissor é fundamental. Nesse sentido, toda análise de conteúdo implica em comparações contextuais; não havendo regras para os tipos de comparação, torna-se fundamental que elas sejam realizadas a partir da intencionalidade e da competência teórica do pesquisador. A mensagem, seja ela verbal ou escrita, expressa um significado que não pode ser considerado isoladamente; considerar a condições contextuais dos produtores da mensagem é essencial. Essas condições contextuais variam de acordo com o contexto econômico e social em que o sujeito está inserido. Segundo Franco (2008), toda mensagem falada ou escrita contém grande quantidade de informação sobre seu autor: suas concepções de mundo, filiações, interesses sociais, motivações, expectativas, entre outras. Esse autor faz uma “seleção” não arbitrária da forma como usar o código linguístico para participar de determinada situação. Rourke et al. (2003) salienta que um dos problemas enfrentados pelos pesquisadores que utilizam a análise de conteúdo é o trabalho necessário para registrar, com precisão e em tempo real, as interações que ocorrem em um contato pessoal. Pesquisadores têm sido atraídos para esta técnica por causa do software dos ambientes virtuais de aprendizagem, que registram, automática e fielmente, todas as interações on-line em um formato legível por máquina. Isso supera os problemas apontados. Para que qualquer tipo de material seja analisado, é necessário que o pesquisador considere as Unidades de Registro e as Unidades de Contexto. As Unidades de Registro podem ser a palavra, o tema, o personagem ou o item. Franco (2008) descreve as unidades de registro da seguinte maneira: (1) a palavra – é a menor unidade de registro usada na Análise de Conteúdo em pesquisas que objetivam detectar a frequência de determinada palavra dentro de um contexto; 78 (2) o tema – é uma asserção sobre determinado assunto; pode ser uma simples sentença, um conjunto delas ou um parágrafo. O tema é considerado a mais útil unidade de registro; (3) os personagens – referem-se a pessoas particulares que serão classificadas de acordo com diferentes indicadores: nível social, sexo, etnia, educação, etc. (4) o item – é a atribuição de atributos definidores, como, por exemplo, um assunto que é tratado em um livro. Cada estudo poderá utilizar uma ou mais unidades de registro, inclusive podendo combiná-las, compartilhá-las e inter-relacioná-las para análises mais amplas que levem em conta variadas situações. Segundo a autora, as Unidades de Contexto podem ser consideradas como “pano de fundo” que dá significado às Unidades de Registro. A unidade de contexto é a parte mais ampla do conteúdo analisado, auxiliando o entendimento da mensagem. Após a definição das unidades de contexto e de registro, passa-se ao que se chama de pré-análise. Segundo Bardin (2011), esta fase possui três incumbências: escolha dos documentos, formulação de hipóteses e\ou objetivos e elaboração de indicadores. A autora define algumas atividades como atividades de pré-análise. A leitura “flutuante” é a primeira. Nesta fase, estabelecem-se os primeiros contatos com os documentos a serem analisados. Outra etapa da análise de conteúdo é a categorização, que consiste em um longo processo, implicando em idas e vindas à teoria e ao material de análise, e pressupõe a elaboração de várias versões. Para a elaboração de categorias, existem dois caminhos: o primeiro leva em consideração categorias criadas a priori, caso em que as categorias são pré-determinadas em função da busca de uma resposta específica do pesquisador; o segundo tem por base as categorias não definidas a priori, que emergem da fala, do conteúdo analisado. Esta pesquisa apoiou-se em categorias criadas a priori e testadas em pesquisas de Rourke et al. (2003). Os dados foram analisados a partir de três categorias indicadas também em estudos de Garrison, Anderson e Archer (2000): 79 interatividade, afetividade e coesão. Cada uma dessas categorias apresenta, pelo menos, três indicadores. Sendo assim, a análise realizada nesta pesquisa pautou-se nas categorias e nas subcategorias apresentados no quadro 10. Análise de Conteúdo – Categorias Categorias Subcategorias Interatividade Cita mensagens de outros. Faz perguntas sobre o assunto. Refere-se explicitamente à resposta do outro. Coesão Dirige-se ou refere-se ao grupo usando pronomes inclusivos Utiliza elementos fáticos e saudações. Cumprimenta, expressa apreço, expressa concordância. Utiliza vocativos. Afetividade Utiliza o humor. Faz autorrevelações. Expressa emoções. Quadro 10 – Análise de conteúdo – categorias Fonte – Rourke et al. (2003) A pesquisa realizada por Rourke et al. (2003) difere, em alguns aspectos, da pesquisa realizada para este estudo. Na investigação de Rourke et al., a análise foi realizada a partir das mensagens trocadas entre 25 alunos de dois cursos de extensão com duração de dois meses; foram analisadas 134 mensagens trocadas pelos participantes. Cabe ressaltar que a análise do conteúdo das participações dos alunos nos fóruns de discussão foi pautada nas categorias apresentadas por Rourke et al. (2003) porque o objetivo, aqui, não era criar novas outras categorias de análise, mas sim, por meio da pesquisa-ação, promover situações que alterassem a incidência da presença social nos fóruns de discussão. Seguindo os parâmetros apontados por Bardin (2011) sobre a análise de conteúdo e descritos anteriormente, será apresentada, também, a análise da 80 participação da professora-tutora nos fóruns, considerando as presenças de ensino, cognitiva e social. Foram analisados dois fóruns de discussão com um total de 1012 mensagens dos alunos e 142 mensagens da professora-tutora. 4.3.2.1 Análise do conteúdo - software Nvivo O Nvivo é um software utilizado para análise de dados qualitativos, os quais, durante o processo de análise, são armazenados em um banco de dados. É possível que o pesquisador crie pastas para sua organização. Os dados de um projeto podem ser salvos em um pen drive ou CD caso seja necessário transportálos. Segundo Lage, Entre as principais estruturas de um projeto NVivo estão os Nodes ou nós, que podem ser do tipo Free Node (um nó isolado) ou Tree Node (uma árvore de nós). Um nó é uma estrutura para armazenamento de informações codificadas e pode assumir significados diferentes, dependendo da abordagem metodológica utilizada na pesquisa. Por exemplo, se for utilizada análise de conteúdo, os nós irão receber os códigos (fragmentos de textos) formando categorias de informação. Se essas categorias tiverem subcategorias, então será utilizada uma estrutura de árvore de nós (LAGE, 2011, p. 206). Para a pesquisa, como descrito anteriormente, foram criados três Tree nodes, com dez subcategorias (figura 15). Após a coleta de dados, as participações dos alunos nos dois fóruns foram importadas, em documento Word, para o programa Nvivo. As mensagens foram decodificadas a partir dos nós e\ou categorias estabelecidas a priori. O programa ainda permite a criação de esquemas gráficos e relatórios que poderão ser exportados para um documento Excel. 81 Figura 15 - Software Nvivo Fonte - Arquivo gerado pela autora 4.3.3 Questionário II Um segundo questionário intitulado “Percepção do Aluno sobre a Disciplina On-line” foi disponibilizado on-line (Apêndice B), no final de novembro de 2012, ficando disponível aos alunos por vinte dias. Esse questionário é parte da pesquisa de Sérgio (2007), elaborado com base no modelo de Comunidade de Inquirição (COI) proposto por Garrison, Anderson e Archer (2003). Sérgio (2007) afirma que a percepção da Presença Social está relacionada à satisfação dos alunos em relação a aspectos como sentimento de inclusão em relação ao curso, relações estabelecidas entre os participantes do curso e percepção do aluno sobre o envolvimento do professor, evidenciado pelas participações do professor nas discussões, pelo incentivo a participações dos alunos nas atividades propostas e pelos feedbacks rápidos dados às dúvidas apresentadas pelos alunos. Nesse sentido, procurou-se, nesta investigação, por meio de um questionário, conhecer a percepção dos alunos sobre as presenças cognitiva, de ensino e social e também sobre a Aprendizagem Colaborativa assim como suas impressões sobre a aprendizagem on-line. O questionário pretendeu avaliar a presença social (questões 3,6,9,11,18, 1920,21,23, 24, 29, 31,33,39, 41, 47 e 49), a 82 presença cognitiva (questões 15, 17 e 45), a presença de ensino (questões 30, 36, 38 e 42), a aprendizagem colaborativa (questões 7,8,13,27, 28,35,40 e 43) e a impressão dos alunos a respeito da disciplina (questões 1,2,4,5,10,12,14, 16,22,25,26,32,34,37,44,46,48). Para cada questão foi utilizada a escala Likert de cinco pontos, segundo Rea e Parker (2002). Nesse tipo de escala, a resposta do entrevistado é medida em uma escala que vai de altamente favorável até altamente desfavorável e vice-versa, com número igual de possibilidades positivas e negativas e uma categoria média neutra. Para a escala, foram atribuídos os seguintes itens: Concordo plenamente (5), Concordo (4), Nem concordo, nem discordo (3), Discordo (2) e Discordo plenamente (1). 83 CAPÍTULO 5 – ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Este capítulo apresenta a Análise dos Dados coletados em dois fóruns de discussão. Para isso, foi utilizado o método de análise do conteúdo de Bardin (2011). Esse estudo levou em consideração as categorias de presença social apontadas por Rourke et al. (2003): coesão, interatividade e afetividade e suas subcategorias. Esta seção traz, também, os resultados de dois questionários: o primeiro buscou traçar o perfil sociodemográfico do aluno e o segundo teve como objetivo conhecer a percepção dos alunos sobre a presença cognitiva, a presença de ensino, a presença social, a aprendizagem colaborativa e sobre outros aspectos ligados diretamente à disciplina. Por fim, ainda será apresentada, aqui, a análise das participações do professor-tutor nos fóruns de discussão. 5.1 Perfil sociodemográfico Os sujeitos da pesquisa são 119 alunos matriculados nos cursos presenciais de licenciatura em Química (40 alunos), Ciências Biológicas (37 alunos) e Matemática (42 alunos). Os cursos presenciais da IES em que a pesquisa se realizou oferecem 20% da carga horária na modalidade EaD, caso da disciplina Psicologia da Educação, que é obrigatória e exige dos alunos participação em atividades pontuadas. As informações destacadas a seguir, que são relevantes para a pesquisa, foram obtidas por meio de questionário a que os alunos responderam on-line. A seguir estão expostos os resultados obtidos com as respostas dadas às questões apresentadas. 84 Em que tipo de escola você cursou o Ensino Médio? Gráfico 3 – Formação Ensino Médio Fonte – Dados da Pesquisa Ao responderem sobre o tipo de escola em que cursaram o Ensino Médio, 84% dos alunos indicaram a escola pública; 8% indicaram que o maior tempo foi na escola particular; aproximadamente 4% indicaram que o maior tempo foi na escola particular com bolsa de estudo; 2% indicaram terem cursado integralmente o Ensino Médio em escola particular e 2%, a maior parte em escola pública. Você iniciou algum curso superior além desse que está cursando? Gráfico 4 – Formação Ensino Superior Fonte – Dados da Pesquisa 85 De acordo com as respostas sobre outra graduação, 67% dos alunos estão cursando a primeira graduação; 22% já começaram outra graduação, porém não a finalizaram; e 11% estão cursando a segunda graduação. Qual sua principal fonte de informações sobre acontecimentos atuais? Gráfico 5 – Fontes de Informação Fonte – Dados da Pesquisa As respostas encontradas sobre sua principal fonte de informação mostraram que 66% dos alunos informaram que a principal fonte para obter informações é a internet; 21% apontaram os telejornais; e 14% apontaram mídias, como jornal escrito, rádio e revista. Com que frequência você utiliza a internet? Gráfico 6 – Utilização da Internet Fonte – Dados da Pesquisa 86 Dos alunos que responderam ao questionário, 64% utilizam sempre a internet; 26% utilizam-na com frequência e 10% o fazem somente às vezes. Existe computador em sua casa? Gráfico 7 – Utilização do computador em casa Fonte: Dados da Pesquisa Nas respostas a esta questão, 78% dos alunos confirmaram a existência do computador em sua residência e o uso frequente; 13% dos alunos, apesar de possuírem computador em casa, não o utilizam com frequência; 2% utilizam o computador somente fora de casa; e 7% utilizam outras formas de acesso à internet; Em quais situações você mais utiliza o computador? Gráfico 8 – Finalidade do uso do computador Fonte – Dados da Pesquisa 87 Sobre a finalidade da utilização do computador, 53% dos alunos utilizam-no para realização de trabalhos escolares; 17% utilizam-no profissionalmente; 13%, para entretenimento; 10%, para busca de informações; e 7%, para comunicação via e-mail. Quais redes sociais você utiliza? Gráfico 9 – Redes Sociais Fonte – Dados da Pesquisa Cerca de 75% dos alunos utilizam o facebook como rede social; 34% não utilizam redes sociais; e 2% utilizam outras redes sociais. 5.1.1 Considerações sobre o Perfil Sociodemográfico Considerando o questionário a que os alunos responderam no início do segundo semestre de 2012, verifica-se que 84% dos alunos vieram de escolas públicas e que a maioria deles está cursando sua primeira graduação; apenas 11% já são graduados. A internet é a principal fonte de informações e o computador é utilizado por mais de 53% dos alunos para fazer trabalhos escolares e para fins ligados à área profissional. As redes sociais também são utilizadas pela maioria dos alunos. Esses são fatores importantes, uma vez que esta investigação foca a oferta de uma disciplina a distância mediada por computador. Para Anderson e Dron (2011), é muito provável que os alunos, ao tornaremse mais hábeis em utilizar ferramentas de comunicação, principalmente as móveis, 88 apresentem maior facilidade para quebrar as barreiras associadas à falta de presença social. Cada vez mais as tecnologias chamadas imersivas, como o Secondlife, que permitem gestos, trajes, entonação de voz, afirmam-se como possibilidade de, no futuro, propiciar aprimoramento da presença social. 5.2 O Contexto da análise do conteúdo Os dados que foram submetidos à análise de conteúdo foram colhidos no segundo semestre de 2012, em dois fóruns de discussão, pontuados, que integravam a disciplina Psicologia da Educação, e seguem os mesmos parâmetros apresentados no Protótipo Pedagógico no capítulo 2. A disciplina em questão tem carga horária de 80h, divididas em seis temas principais, os quais nomeiam cada uma das unidades. Além dessas, há também uma unidade de revisão. As unidades de conteúdo, além do texto teórico, contam também com atividades de sistematização, que são questões fechadas e corrigidas automaticamente pelo sistema; atividades individuais de produção textual; atividades de discussão em fóruns; e, ainda, um PowerPoint narrado e a videoaula, que procuram resgatar e exemplificar questões tratadas no conteúdo teórico. O quadro a seguir apresenta os temas tratados em cada uma das seis unidades que compõem a disciplina. Disciplina Psicologia da Educação – Unidades de Conteúdo Unidade 1 Psicologia como Ciência: Evolução Histórica Unidade 2 A Importância da Psicologia para a Educação Unidade 3 Matrizes do Conhecimento e a Psicologia da Educação Unidade 4 A Matriz Sócio interacionista e a educação Unidade 5 A Identidade Pedagógica Unidade 6 Relações Humanas na Escola e na Sala de Aula Quadro 11 – Unidades da disciplina Psicologia da Educação Fonte: Dados da Pesquisa Nas quatro primeiras unidades da disciplina, são tratados assuntos que envolvem temas como: a evolução da Psicologia como Ciência; a importância do estudo da Psicologia para o professor e as principais abordagens teóricas da Psicologia, entre as quais destacam-se as teorias de Piaget, Vygotsky e Wallon. Na unidade cinco, o tema abordado é a identidade do professor, utilizando como base 89 teórica os pressupostos de Paulo Freire. Sendo assim, o conteúdo abordado nessa unidade assim como as atividades propostas sugerem que os alunos reflitam sobre a identidade individual e a identidade coletiva do sujeito. Por fim, a última unidade da disciplina, apoiando-se na discussão das teorias de Wallon e Vygotsky, tem como tema “As relações humanas na escola e na sala de aula”. Os fóruns analisados fazem parte das unidades IV e VI. A unidade de revisão é constituída de um PowerPoint com o resumo das seis unidades e 10 questões que são corrigidas pelo sistema. Nessa unidade as atividades não são pontuadas. 5.2.1 Ações pedagógicas do professor-tutor Procurando estabelecer a interação entre alunos e professor-tutor, sugeriuse, para o desenvolvimento da disciplina Psicologia da Educação, a substituição, nas unidades IV e VI, das atividades de aprofundamento, que constavam de produção individual baseada em reflexão, pontuadas, por atividades de fórum e discussão também pontuadas. A partir dessas alterações, as unidades quatro e seis passaram a apresentar propostas de fóruns pontuados, discussão que buscavam articular a dialética entre teoria e prática por meio da participação dos alunos e da professora-tutora. Segundo Palloff e Pratt (2004), os fóruns de discussão trazem a possibilidade de estabelecer alianças e relações entre os participantes e, ainda, de receber feedbacks decolegas e professores. Geralmente, em um fórum de discussão, há oportunidade de reflexão antes da participação, o que auxilia no processo de aprendizagem. Seguindo as orientações de Aragon (2003), algumas ações foram tomadas por esta pesquisadora, como professora-tutora da disciplina Psicologia da Educação, com o objetivo de favorecer o aumento da presença social. Uma das ações foi incentivar, através dos avisos da disciplina, a participação dos alunos nas atividades, procurando destacar a importância dessa conduta. A figura 16 mostra um exemplo. O acompanhamento individualizado do acesso dos estudantes à plataforma de ensino Blackboard foi importante para identificar os 90 alunos que ficavam sem acessar o ambiente por mais de cinco dias. Diante dessa informação, mensagens de incentivo eram encaminhadas. Figura 16 - Aviso fechamento de unidade Fonte - Blackboard Para fortalecer a presença social, a disciplina disponibiliza um minicurrículo da professora-tutora, porém o Blackboard, no momento em que transcorria esta pesquisa, não dispunha ainda de uma ferramenta específica para que os alunos fizessem o mesmo. Em se tratando de suscitar a presença social, Aragon (2003) afirma que, para que uma discussão em grupo gere situações positivas de presença social e cognitiva, o número de alunos não deve ultrapassar trinta. A solução encontrada para a turma de alunos da disciplina estudada foi dividi-la em sete grupos para discussão nos fóruns propostos. Nos fóruns de discussão, a utilização do humor e mesmo de emoticons, como se pode ver na figura 17, era uma forma de reforçar essa presença social. Figura 17 - Participação do professor-tutor no fórum Fonte - Blackboard O mesmo autor salienta que as instruções e os parâmetros são fundamentais para o bom desempenho do aluno em uma disciplina a distância. A fim 91 de estabelecer parâmetros, que serviriam tanto para orientar sobre a participação dos alunos nos fóruns quanto para avaliação posterior, no fórum da unidade IV foram dadas as seguintes orientações, conforme se observa na figura 18. Figura 18 - Orientações para participação no Fórum de Discussão da Unidade IV Fonte: Blackboard O primeiro fórum analisado fez parte da unidade IV da disciplina Psicologia da Educação. A proposta do fórum foi a seguinte: “Levando em consideração os teóricos Piaget, Vygotsky e Wallon, estudados na unidade, participe do fórum procurando estabelecer as semelhanças e as diferenças entre os teóricos e as suas contribuições para a prática pedagógica como futuro professor. Comente as contribuições dos seus colegas”. 5.2.2 Considerações: fórum de discussão da unidade IV A partir da proposta, solicitou-se aos alunos que participassem do fórum no mínimo três vezes; a primeira participação tinha como objetivo responder aos questionamentos e, nas demais, os alunos deveriam comentar as intervenções dos colegas. Respostas como “concordo”, “discordo”, “achei legal” não seriam válidas. Dos 119 alunos matriculados na disciplina, 27 alunos não participaram do fórum, ou seja, 23% dos alunos não atenderam à proposta. 92 23% Participaram do fórum Não participaram do fórum 77% Gráfico 10 - Participação no Fórum de Discussão da unidade IV Fonte - Dados da Pesquisa. 5.2.3 Novas ações pedagógicas do professor-tutor Por tratar-se de uma pesquisa-ação, após a participação dos grupos no fórum de discussão da unidade IV da disciplina Psicologia da Educação, percebeuse que alguns parâmetros necessitavam de acertos, questão que será discutida, mais tarde, na Análise dos Resultados. A figura 19 apresenta os parâmetros dados aos alunos para participação no fórum de discussão da unidade VI. 93 Figura 19 - Orientações para participação no Fórum de Discussão da Unidade VI Fonte - Blackboard O fórum da unidade VI da disciplina Psicologia da Educação apresentou a seguinte proposta: “Na primeira participação do fórum do seu grupo, compartilhe uma experiência positiva que você vivenciou, em algum momento de sua vida escolar, e que guardará na lembrança por toda a sua vida, entre você e um(a) professor(a). Depois de compartilhar sua experiência, convido você a interagir com seus colegas comentando as situações vivenciadas”. Os alunos foram orientados a participar do fórum, pelo menos, cinco vezes, em três momentos distintos, nos quais deveriam responder ao questionamento proposto e interagir com os colegas e com o professor-tutor. Novamente as respostas como “concordo”, “discordo”, “gostei” não seriam consideradas como participação. 5.2.4 Considerações: fórum de discussão da unidade VI Dos 119 matriculados na disciplina, 109 participaram do fórum de discussão, ou seja, 92% do total dos alunos (gráfico 11). 94 8% Participaram do fórum Não Participaram do fórum 92% Gráfico 11 - Participação no Fórum de Discussão da unidade VI Fonte - Dados da Pesquisa. Como descrito, as orientações para o segundo fórum foram alteradas, já que se constatou que três participações dos alunos no fórum foram insuficientes para estabelecer a presença social. Sentiu-se a necessidade de uma proposta de participação em horários e/ou datas alternadas. Como demonstra o gráfico 10, no fórum da unidade IV, 41% dos alunos participaram em um único dia e em um período de tempo entre 20 e 30 minutos. Participaram em um único dia 36% 41% Não paticiparam do fórum Participaram efetivamente do fórum 23% Gráfico 12 - Panorama das Participações no Fórum da unidade IV Fonte - Dados da Pesquisa. 95 No fórum da unidade VI, foi possível verificar uma mudança significativa na participação dos alunos. Aragon (2003) alerta sobre a importância de o professortutor estabelecer as expectativas para a participação dos alunos em determinada atividade e orientá-los sobre a forma como esta deve acontecer; organizar situações a partir das experiências vivenciadas, segundo o autor, pode contribuir para melhorar a experiência educacional do estudante. 14% 8% Participação em um único dia Não paticiparam do fórum Participações em dias alternado 78% Gráfico 13 – Panorama das Participações no Fórum da unidade VI Fonte: Dados da Pesquisa. Dos 109 participantes do fórum de discussão, 93 alunos participaram em dias alternados, o que representa 78% do total de alunos matriculados na disciplina. Cabe salientar que, entre a primeira e a última participação, a média de tempo foi de oito dias (atividade ficou disponível 10 dias), com três participações, em média, em datas distintas, o que possibilitou um comprometimento maior com a discussão e a interação entre os pares. As seções a seguir apresentam os resultados da análise separados por categorias e fóruns de discussão. 5.2.5 Análise do conteúdo: categoria afetividade Esta categoria trata de expressões que, de alguma maneira, traduzem sentimentos e o temperamento dos sujeitos. A proximidade, cordialidade, atração, 96 abertura apontam para interação afetiva. Na categoria afetividade, destacam-se três subcategorias: expressão de emoções, uso de humor e autorrevelação. 5.2.5.1 Uso de humor A subcategoria “uso de humor”, que integra a categoria afetividade, está presente em uma unidade de contexto e uma unidade de registro nas participações do fórum da unidade IV, quando o aluno utiliza a simbologia “rs” para corrigir a colega que citou seu nome de maneira errada. Abaixo, transcrição da unidade de contexto em questão: 5 [...] (...) agradeço a compreenção e tudo o que fazemos aqui neste forum é para um ajudar o outro, espero que continuemos assim. Outra coisa não me 6 leve a mal mas meu nome é Ariovaldo e não Ariosvaldors [...] i A mesma subcategoria, na análise do fórum da unidade VI, aparece em 18 unidades de contexto e 20 unidades de registro. Na unidade de contexto transcrita a seguir, o aluno, de forma descontraída, “brincou” com os colegas a respeito de uma música da banda Legião Urbana que faz menção negativa à disciplina de Química. [...] Olá (...), (...) e (...): Acredito que para podermos chamar a atenção dos alunos para nossas disciplinas precisamos entender como esta geração se comunica. Vejo que para atingir o aluno e despertar o interesse deles para o estudo vai além de dominar os meios de comunicação e novas tecnologias. As vezes vejo que estou distante desta faixa etária e, assim, não consigo uma comunicação eficiente. Vejam, a Alessandra falou da dificuldade da Matemática. Imagine eu com a Química que até música "contra" existe: "Não saco nada de Física Literatura ou Gramática Só gosto de Educação Sexual E eu odeio Química! Química! Química!" Legião Urbana [...] Rourke et al. (2003) afirma que o uso de humor em conversar “informais”, em discussões assíncronas, pode facilitar a construção da coesão do grupo. Esse tipo de “brincadeira”, segundo os autores, cria uma espécie de atração social entre os participantes do grupo. As unidades de contexto, a seguir, são exemplos de como os alunos utilizaram o humor em suas comunicações de fórum, no qual discutiam sobre práticas pedagógicas para o ensino e aprendizagem. 5 Como já mencionado no Capítulo IV, para manter garantir o anonimato dos participantes, os nomes foram substituídos por reticências entre parênteses – (,,,). 6 Nesta tese, todas as transcrições das mensagens encontradas nas participações dos alunos no fórum são fiéis ao texto original, ou seja, são mantidas a ortografia e a redação empregadas pelos alunos. 97 [...] Usa-se um exemplo prático e que todos estão acostumados, por que quem não gosta de um bom toddy??. Kkk [...] [...] kkkkkvc achou mesmo: D É que o jeito que o professor falou marcou muito....nossa nunca vou esquecer.[...] O uso de códigos para transmitir sentimentos como concordância, satisfação, alegria, tristeza pode potencializá-los; quando se trata de uma disciplina a distância, alunos e professores utilizam esses recursos. Sérgio (2007) alerta que, muitas vezes, esses códigos corrompem a ortografia, como é o caso de expressões usuais em conversas mediadas pelo computador e pela internet, como “muitoooooobommmmm”, “hummmmm”, “kkkkk”, “hahahahahaha” e outras, porém, mesmo com a distorção ortográfica, eles conseguem transmitir sentimentos que o texto formal não consegue. Em 15, das 18 unidades de contexto em que a subcategoria humor aparece, as unidades de registro emergem da utilização de códigos para expressão do humor. Nas outras três, os alunos apresentam essa característica por meio da construção de seus textos, como é o caso do aluno que citou a música da banda Legião Urbana. Observa-se que esta subcategoria não é frequente na comunicação dos alunos, pois, das 1012 participações, somente foram identificadas 19 referências de indicação de humor nas mensagens, aproximadamente 1,9% do total de participações. 5.2.5.2 Expressão de emoções A subcategoria “expressão de emoções” é um indicador da categoria afetividade e tem como principal característica o uso de adjetivos que expressam a proximidade entre os participantes de uma discussão mediada pelo computador e pela internet. Garrison, Anderson e Archer (2000) alertam que algumas expressões e os emoticonspodem revelar proximidade, atração, parceria, franqueza, entre outros sentimentos, o que leva a uma interação afetiva entre os participantes de uma discussão on-line, seja ela assíncrona ou síncrona. 98 O fórum de discussão da unidade IV apresenta uma unidade de contexto e uma unidade de registro com a utilização de expressões de concordância, como “gostei muito de seu discurso”, nas quais há indicação de emoções. [...] Oi (...). Nossa gostei muito de seu discurso, e concordo plenamente com você. Isso é muito bom para a nossa educação pessoas com idéias iguais as suas só tem a contribuir para o futuro dos nosso alunos. [...] Na análise das mensagens do fórum da unidade VI, são encontradas 107 ocorrências da subcategoria “expressão de emoções”. A característica presente nas unidades de contexto é o uso de expressões de elogio aos colegas e ao professortutor. [...] Sabe o seu sacrifício em chamar a atenção esta dando certo, pois eu aprendi muitas coisas neste e no outro fórum, não desista e continue tentando chamar a atenção, quem sabe vc consiga mais alguns alunos pois este aqui vc já conseguiu. Não sei se este será o ultimo, acho que deste semestre sim, mas espero que tenhamos mas no próximo semestre e que possamos aprender mais e mais. Obrigado. [...] Na unidade de contexto acima, observa-se que o aluno manifestou uma carga de emoções ao se dirigir à professora-tutora. Neste caso, a unidade de contexto e a unidade de registro misturam-se, pois as emoções não se evidenciam especificamente por meio de palavras ou de caracteres, mas, sim, pela construção do texto. [...] boa tarde professora (...) ... gostei muito de participar deste fórum pois estes assunto dificilmente, conversaríamos em sala de aula ou na faculdade, pude compartilhar muita coisa com os colegas de outros cursos e com os de minha própria sala de aula, e muito satisfatório aos assuntos abordados o modo como cada um expôs suas experiências, e o que espera, quando se tornar professor [...] Outra aluna expressou seus sentimentos a respeito da disciplina. Assim como no caso anterior analisado, essa unidade de contexto acima reflete emoções positivas relacionadas ao fato de estar participando de uma disciplina a distância. A seguir, outra unidade de contexto em que uma das alunas encoraja o colega. Nesta unidade de contexto, observa-se o uso de caracteres que podem representar emoções, como “!!!” e =). 99 [...] ola (...)i!!! isso é verdade, toda vez que conto para alguem que serei professora e quais são meus planos debocham de mim e dizem que o ensino não tem mais jeito. Mas creio eu que toda profissão tem seus defeitos, e o desafio de inovar torna nossa futura profissão mais atrativa. Nós temos o futuro de nosso pais em nossas mãos pois acredito que o que o brasil precisa para evoluir é a melhoria no ensino. Então não desanime, continue sempre com pensamentos positivos =) [...] Setenta e sete unidades de contextos apresentam características muito semelhantes, que expressam elogios aos outros participantes do fórum de discussão, o que, segundo Garrison, Anderson e Archer (2000), é primordial para a interação afetiva entre os participantes de uma discussão mediada por computador. Das 1012 mensagens do fórum, foram categorizadas 78 unidades de contexto e de registro, o que equivale a 7,7 % do total de participações. 5.2.5.3 Autorrevelação Tu (2000) alerta para a importância da criação de espaço na apresentação da disciplina, no qual os alunos e professores possam apresentar suas características pessoais, seus gostos, hobbys, medos, incertezas, ou seja, um espaço que possibilite a autorrevelação. No fórum da unidade IV, encontram-se seis unidades de registro e seis unidades de contexto. [...] Olá (...), sou mãe há dois meses e devo te dizer que realmente a teorias desses três psicólogos ajudam também na educação de nossos filhos. E como professores exercemos esse papel de educadores, que é muito importante e deve sim ser efetuado por meio da teoria, das interações e da afetividade recíproca. Concordo com todas suas colocações.[...] A unidade de registro apresentada - “sou mãe há dois meses” - coloca uma informação pessoal não solicitada, que revela fato da vida “fora” do ambiente escolar, que seria o AVA. Mais uma vez verificou-se que o fórum da unidade IV apresentou pouca ou muito pouca incidência da categoria afetividade. Ao categorizar o fórum da unidade VI, verificou-se a existência de 27 unidades de contexto, o que também é uma indicação de que esta subcategoria não está presente nas interações entre os alunos, pois a análise dos dois fóruns juntos revela que, do total de 1012 mensagens, apenas 3,15% apresentam a subcategoria autorrevelação. 100 Sérgio (2007), ao tratar desta questão, salienta que esse tipo de “revelação”, no ponto de vista dos alunos, pode estar relacionado com a invasão de privacidade. No fórum VI, especificamente, os alunos compartilharam muitas experiências vividas com seus professores, porém, para esta análise, tomou-se o cuidado de categorizar como autorrevelação somente aquelas que revelavam particularidades que ultrapassavam a discussão proposta. Vale salientar que o aluno poderia fazer uma autorrevelação sem, necessariamente, sair do tema de discussão proposto, simplesmente vinculando a questão da discussão a exemplos da sua vida pessoal. [...] Legal (..): Estou fazendo estágio supervisionado em duas escolas e não consigo encontrar professores com a mesma dedicação e preocupação. [...] [...] Pessoal: Este negócio da idade criou uma certa polêmica. Sim, somos "velhos". A experiência é importante, a vivencia em sala de aula, etc. Mas quando contei a minha história acho que não passei bem a minha ideia. Na minha opinião o que ocorre é que passaram-se os anos e pouco se avançou em sala de aula. Principalmente no ensino médio e fundamental. Temos novas tecnologias, novas pesquisas educacionais, maior penetração e alcance da psicologia na educação, mas pouco se evoluiu na sala de aula. A minha experiência reflete a abnegação de alguns profissionais que, seja por dom, seja por paixão, fazem a diferença. Eram poucos no passado, são poucos no presente e espero que sejam muitos no futuro. [...] [...] Ola na semana passada fui eventual em uma sala .dei aula de ciências, que minha paixão,então ao terminar a aula recebi uma cartinha de uma aluna que falava, ter adorado a aula, nossa fiquei super feliz. e mais uma vez pude firmar dentro de mim minha convicção da escolha profissional. bjs [...] Nas transcrições acima, as unidades de contexto revelam que, apesar de o tema do fórum solicitar o compartilhamento de “experiências pessoais”, os participantes fizeram outras revelações que fogem do contexto da vida escolar, ao colocarem comentários sobre o fato de estarem fazendo estágio, sobre a idade e a experiência e a felicidade ao receber uma carinha de elogio de uma aluna durante uma experiência como professora eventual. 5.2.5.4 Considerações sobre a categoria afetividade No confronto entre os fóruns das unidades IV e VI, foi possível perceber um considerável aumento da presença da categoria afetividade, que passou de seis unidades de contexto e seis unidades de registro para 152 unidades de contexto e 152 unidades de registro. Porém, em uma comparação entre o número total de 101 mensagens dos fóruns e a incidência de elementos que indicam a categoria afetividade, verificou-se que esta categoria está presente em apenas 15,6% das mensagens. Ao tratar das subcategorias expressão de emoções, uso de humor e autorrevelação, Aragon (2003) salienta que algumas ações podem auxiliar no aumento da afetividade. Uma delas são fóruns de discussão que apresentam temas de interesse dos participantes da turma, como, por exemplo, um cyber café em que se compartilhem experiências ligadas a áreas de interesse dos estudantes de cursos de licenciatura, por exemplo. Nesse fórum, poderiam ser compartilhados vídeos interessantes disponíveis na rede, vagas de estágio, possibilidades de emprego. É importante salientar que o professor-tutor tem o papel de incentivador do espaço compartilhado, porém todos são atores nesse processo. Outra sugestão é a disponibilização de uma pequena descrição com fotos dos participantes da turma. No modelo da instituição investigada neste estudo, somente o professor-tutor tem essa oportunidade, mas, se, por exemplo, as fotos dos alunos acompanhassem suas participações no fórum de discussão, poderiam suscitar uma sensação de proximidade. O autor afirma que, quando o professor utiliza, em suas mensagens, características textuais que ajudam a compartilhar emoções, como caracteres repetidos e emoticons, ajuda seus alunos a aprenderem a se comunicar dessa maneira, já que nem todos têm experiências que envolvem esse tipo de comunicação. 5.2.6 Análise de conteúdo - categoria interação A categoria interação apresenta indicadores que, para esta pesquisa, são considerados subcategorias. Os fóruns de discussão foram analisados atentando para estas três subcategorias de interação: a realização de pergunta aos outros participantes, a citação de mensagem de outros e a referência explícita à mensagem de outro participante. 5.2.6.1 Realização de perguntas a outros participantes 102 A subcategoria “realização de perguntas” é um indicador de presença social, já que o questionamento possibilita a interação entre os participantes de um grupo. De acordo com Sérgio (2007), a interação em um fórum de discussão depende de vários fatores; um deles são os moderadores, fator importante no progresso de uma discussão mediada pelo computador. No Fórum de Discussão da unidade IV, encontram-se três unidades de registro e três unidades de contexto. Abaixo, uma delas: [...] Ola (...) concordo com você a participação do (...) foi de grande valia, eu me sinto com uma grande responsabilidade como futura professora, e que tipo de método de trabalho pedagógico seguir, mas confesso que após estudar a unidade IV me esclareceu muito, e você o que acha? [...] Observa-se, na transcrição acima, a existência de outras categorias, porém, em se tratando da subcategoria em questão, é possível apontar como unidade de registro a seguinte expressão: “e você o que acha?”. No fórum da unidade VI, são encontradas vinte e uma referências que indicam a subcategoria “realização de perguntas”. [...] Olá Profª (...) Diante dos depoimentos, podemos notar varios professores de Biologia, Filosofia, Historia, Portugues e outros, todos desenvolveram metodos de lecionar seus conteudos de maneira diferenciada, e que levaram atrer um dialogo com seus alunos. Então seria correto afirmarmos que os futuros Professores deve ser um inovador? [...] [...] Olá (...), Que legal você só ter momentos inesquecíveis, isso mostra o quanto seus professores souberam colocar em pratica as experiencias que eles tiveram quanto aluno e isso é bom ,mas nos conte uns desses momentos inesquecíveis pelo qual você passou? Talvez nos sirva de exemplo para aplicar ao nossos alunos. [...] A realização de questionamentos entre os pares promove a interação e, nesse sentido, o professor-tutor tem um papel importante, pois ele pode iniciar os questionamentos, incentivando, assim, a participação de todos. A habilidade de interagir do aluno pode levar a uma performance melhor dentro de um curso ou disciplina EaD. Esta unidade de contexto foi encontrada em 2,5% das 1012 participações do Fórum. 103 5.2.6.2 Citação de mensagem do outro Alguns softwares de computador copiam a mensagem do outro com quem se quer interagir, tornando, assim, para o leitor, o entendimento mais claro, mas, segundo Rourke et al. (2003), quando um software faz automaticamente esse tipo de “cópia da mensagem do outro”, esta não pode ser considerada presença social. Neste contexto, é importante salientar que, no Blackboard, não há possibilidade de citação automática de resposta, motivo pelo qual foram consideradas, para análise desta categoria, as citações feitas com referência à mensagem do outro. No fórum da unidade IV, foram encontradas quatro unidades de registro e quatro unidades de contexto que revelam essa subcategoria. No exemplo a seguir, o aluno usa aspas para salientar a escrita do colega: [...] E concordo também quando você diz que "o professor tem que analisar seus alunos", pois realmente, o professor tem que procurar interagir com sua sala , sabendo como são os alunos , para que sua aula renda , e que o aprendizado seja passado !!! [...] O fórum da unidade VI, após análise, apresentou seis unidades de contexto e seis unidades de registro com indicadores dessa subcategoria. Verificou-se que a citação da mensagem do outro está presente em apenas 0,8% das mensagens analisadas, o que demonstra que essa não é uma prática dos alunos. As citações das mensagens são feitas pelos alunos como comentários e não por meio de cópia literal da mensagem. 5.2.6.3 Referência à mensagem do outro Esta subcategoria “referência à mensagem do outro” aparece com maior frequência do que as demais. No fórum da unidade IV, estão presentes 62 unidades de contexto e 62 unidades de registro. A seguir, algumas unidades de contexto com referências à mensagem do outro. [...] Concordo com (...) quando coloca sobre a tarefa do professor em auxiliar na interação dos alunos fazendo assim um ambiente escolar agradável de conviver, pois a troca de conhecimento entre os alunos são de grande valia para enriquecer o conhecimento.[...] 104 [...] Então (...) quando eu falo de 50 alunos, eu me refiro de salas aonde nem metade está interessado, e quando você fala de salas de faculdades com 100 alunos, entende-se que estes estão interessados no curso que estão fazendo. E realmente, isso não deve fazer com que nós mudemos de ideia,[...] [...] Concordo com o exposto pela profª (...), que aborda que cada teoria é completa, explicando o desenvolvimento humano de formas diferentes, pois analisando o escrito sobre os teóricos no material complementar da revista Escola, cada teórico tem um papel importante para o processo de aprendizagem, trazendo ao professor uma forma mais ampla no entendimento dos alunos.[...] O fórum de discussão da unidade VI apresenta 236 unidades de contexto e 236 unidades de registro desta subcategoria. Observou-se, durante a análise, que os alunos construíram um ambiente agradável. Palloff e Pratt (2009) consideram que a aprendizagem ocorre com maior facilidade quando existe um ambiente social amigável. [...] Quem falou tudo agora foi você (...), para mim ele é com certeza um Herói, o meu herói, a minha maior fonte de inspiração. É nele em quem eu me espelho, quero ter a mesma dedicação que ele teve comigo e tem até hoje [...] [...] Concordo com vc (...) pois eu também sempre gostei de estudar e também tinha uma grande respeito dos meus professores, na minha primeira participação ao fórum disertei dizendo de um professor que sempre trabalhou com debates em salas de aulas, então hoje dou aula e também me insperei nele para dar aulas, mas infelizmente a educação está a merce dos politicose dependemos de todos para que podemos ensinar e ao mesmo tempo aprendendo dentro de sala de aula [...] Esta subcategoria está presente em 29,4% das 1012 mensagens trocadas pelos alunos durante os dois fóruns de discussão. 5.2.6.4 Considerações sobre a categoria Interação A interação é um fator importante em um ambiente de aprendizagem on-line, porém, para Tu (2000), a presença social é muito mais do que interação. Segundo o autor, a frequência da participação nem sempre resulta em presença social; o que se deve levar em conta é a qualidade das interações on-line. Esta categoria interação está presente em 33% das participações dos fóruns. 105 O aumento do número de participações no fórum e, por conseguinte, o aumento de indicadores de presença social da categoria interação pode ser atribuído às alterações realizadas nas orientações dadas aos estudantes. Rourke et al. (2003) e Tu (2000) destacam que a orientação é essencial no processo de construção da presença social, pois esta não acontece por magia; a presença social deve ser incentivada e cultivada por meio de processos como o de instrução do professor ao aluno sobre a sua participação em atividades assíncronas, como é o caso de um fórum de discussão. Sendo assim, pode-se afirmar que aspectos relacionados ao design do curso que estão diretamente ligados a presença de ensino poderão aguçar a presença social. 5.2.7 Análise de conteúdo: categoria coesão A categoria “coesão” evidencia-se pela forma de tratamento adotada pelos integrantes de uma discussão on-line. Nesta categoria estão elencadas quatro subcategorias: o uso de pronome inclusivo para dirigir-se ao grupo; emprego de recursos fáticos e saudações; expressão de apreço e concordância; e, por último, o uso de vocativos. 5.2.7.1 Uso de pronome inclusivo Esta subcategoria, quando utilizada por participantes de uma discussão online, demonstra que o aluno se percebe como parte integrante da comunidade de aprendizagem; o estudante insere-se no grupo fazendo uso de pronomes inclusivos, como nós e nosso. No fórum da unidade IV, estão relacionadas quatro unidades de contexto e quatro unidades de registro, nas quais os alunos se colocam como parte integrante de um grupo. [...] (...), para nos futuros professores temos que ter a consciência, temos que motivar e não ser levado a desmotivação, seja qual for o motivo, a motivação é o motor (o Prepulsor) de tudo. No fórum da unidade VI, verifica-se esta subcategoria em apenas sete unidades de contexto e de conteúdo. Assim, observa-se que, entre as mensagens 106 dos estudantes dessa disciplina oferecida a distância, apenas 1,1% do total apresenta esta subcategoria. A seguir, outra unidade de contexto, em cuja mensagem o aluno, apesar de não utilizar pronomes indicativos de inclusão, situa-se como futuro educador. [...] Olá (...), vamos então nos agarrar aos exemplos positivos, a vida como educador não é fácil, mas temos nesse fórum diversos exemplos de que são muitos os profissionais que fazem toda a diferença, tanto que alguns até foram inspirações para a formação de muitos aqui... Vamos sempre nos dedicar, aprender para podermos ensinar de forma que os alunos abracem a causa e percebam a necessidade de estudar para construir e realizar seus objetivos. Um grande abraço.[..] 5.2.7.2 Recursos fáticos e saudações Segundo Rourke et al. (2003), linguagem fática é definida como comunicação usada para compartilhar sentimentos ou para estabelecer um estado de espírito de sociabilidade, ou seja, sem a intenção de comunicar informações ou ideias. Além de cumprimentos, como “bom dia”, “boa tarde”, “olá”, o uso de expressões como “que calor!”, “será que vai chover?” é um recurso que procura manter aberto o canal de comunicação entre os interlocutores. Esta subcategoria, no fórum da unidade IV, é encontrada em 12 unidades de contexto e de conteúdo. Em todos os casos, foram utilizados cumprimentos para iniciar o assunto específico. [...] Olá pessoal, As três teorias se completam e serão fundamentais na minha prática pedagógica, porque por exemplo com a Teoria de Piaget poderei entender e trabalhar melhor com cada faixa etária entendendo, a existência dos quatro estágios de desenvolvimento cognitivo do ser humano, ou seja, tendo uma possibilidade maior de explorar a capacidade do aluno naquilo que efetivamente ele tem condições de realizar da melhor forma, entendo suas limitações a cada período. [...] No fórum da unidade VI, aparecem 46 unidades de contexto e de conteúdo, que, como no fórum anterior, apresentam, como característica da maioria das mensagens, o uso de expressões de cumprimento. A seguir, algumas unidades de contexto: [...] Boa noite, Mas será que também permitir um aluno a defender as suas opiniões com unhas e dentes, não é uma forma de tornar esse aluno mais forte para lá na frente defender seus ideais?? [...] 107 [...] Bom dia As vezes me pergunto justamente isso, será que é dom , a arte de lecionar, pois ja tive professores com ótima desenvoltura, e outros quase sem nenhuma. [...] [...] Sabe galera esse fórum me fez refletir e bastante, no quanto um professor pode marcar vida de um aluno. Já que nós deixamos marcas em nossos alunos por que não deixar marcar boas??? Não é mesmo??? Por isso é importante que nós estejamos bem preparados. Não sei você mais se eu fosse professora e visse meu aluno depois de formado falando bem de mim ou que aprendeu algo comigo ficaria muito feliz e realizada, então farei o possível para que no futuro isso aconteça!!! =) [...] As unidades de registro das transcrições acima são “bom dia”, “boa noite” e “Sabe galera”. Esta subcategoria é encontrada em 5,3% do total de mensagens dos fóruns. 5.2.7.3 Expressão de apreço e concordância O emprego de expressões de apreço e de concordância com a mensagem de outro participante, de elogios, agradecimentos e outras indica a existência desta subcategoria na comunicação. O fórum da unidade IV apresenta 33 unidades de contexto e de registro com essas características. [..] Também concordo com você (...)i, pois é de uma relação baseada na compreensão e respeito que se pode construir o conhecimento e não apenas passá-lo para a frente![...] [...] Olá (...). Gostei da sua análise, ela é muito importante sob o ponto de vista pedagógico, através do seu resumo fica fácil identificar, o que os pensadores diziam e como nós futuros professores temos que trabalhar com as crianças, em cada idade especifica delas.[...] No fórum da unidade VI, são 66 unidades de contexto e de registro relacionadas a esta subcategoria. [...] Realmente (...), concordo com você, muitas vezes, vemos e ouvimos professores que estão atuando, que nos desmotivam quando dizem que não aguentam mais e que deveriam ter seguido outra carreira, penso as vezes, será que vai valer apena? será que vou conseguir?[...] [...] Olá (...) Muito boa sua experiência, e todos nós devemos nos inspirar em seus professores, sair um pouco do giz e lousa. Diferenciar as aulas para despertar o interesse dos alunos.[...] O incentivo mútuo entre os participantes de uma discussão on-line, destacando os aspectos positivos das participações dos colegas, exerce um impacto 108 positivo para o estabelecimento da presença social, pois auxilia na criação de um clima agradável e favorável. Vale ressaltar que, mesmo não havendo concordância com a ideia do outro em determinado assunto, a abordagem positiva é sempre bemvinda na promoção da presença social. 5.2.7.4 Vocativos A última subcategoria diz respeito à utilização de vocativos, ou seja, o uso do nome para abordar os participantes. Esta é também uma importante expressão de coesão. Rourke et al. (2003) aponta o vocativo como uma forma de facilitar a presença social. No fórum da unidade IV, foram encontradas 76 unidades de contexto e registro com vocativos. [..] Ola (...) (...) e (...) Também concordo com vocês, mas não é só na área da educação que falta profissionalismo, em qualquer área é assim,nãoha mais profissionalismo.Hoje em dia o mais importante é o dinheiro,não existem amor pela profissão e sim amor pelo dinheiro.[...] No fórum da unidade VI, observam-se 368 unidades de contexto e de registro. Na análise dessas mensagens pôde-se perceber que esta subcategoria somente não é utilizada na resposta ao questionamento inicial e quando substituída por uma saudação. [...] Sabe (...) e, não é entregar a idade, acho que vc esta enganada, acho que é sim a experiência, não é só a ditadura que vimos, tem muitas outra coisa que vi e vivi, por exemplo, vi o Pelé jogar bola, fui a espetáculos com Elis Regina, Luiz Gonzaga, etc. Vi (pela tv) o homem pisar na lua, é por isso que tenho orgulho da experiência que tenho.[...] [...] Quem falou tudo agora foi você (...), para mim ele é com certeza um Herói, o meu herói, a minha maior fonte de inspiração. É nele em quem eu me espelho, quero ter a mesma dedicação que ele teve comigo e tem até hoje [...] A incidência de unidades de contexto de registro desta subcategoria é bastante expressiva; 43% das mensagens contêm indicadores de vocativos. 5.2.7.5 Considerações sobre a categoria coesão Algumas situações do próprio ambiente de aprendizagem fazem com que a presença desta categoria seja tão expressiva. Uma delas é o fato de o fórum de 109 discussão ficar disponível no sistema para que todas as publicações coletadas por meio de uma seleção sejam lidas. Ao responder ou comentar uma mensagem, se o nome do aluno a quem se deseja referir não for destacado, essa mensagem de resposta ou comentário pode se perder entre as outras. 5.2.8 Considerações sobre a análise de conteúdo A participação dos alunos foi consideravelmente maior no segundo fórum de discussão proposto, assim como a incidência das categorias que indicam presença social, fato que pode ser observado no quadro 12 Fórum de Discussão Unidade IV Fórum de Discussão Unidade VI Categorias Categorias Unidades de Contexto e Registro Unidades de Contexto e Registro Afetividade Interação Coesão Afetividade Interação Coesão 06 71 124 152 263 483 201 unidades de contexto e registro 898 unidades de contexto e registro Quadro 12 – Análise dos Fóruns de Discussão Fonte: Dados da Pesquisa 600 500 400 300 200 100 0 Afetividade Fórum IV Afetividade Fórum VI Interação Fórum IV Interação Fórum VI Coesão Fórum Coesão Fórum IV VI Gráfico 14 – Comparativo da Análise dos Fóruns de Discussão Fonte: Dados da Pesquisa. 110 Uma vez que a disciplina Psicologia da Educação contava com o mesmo número de alunos nos dois momentos em que aconteceram os fóruns, esse aumento observado tanto no número de participações como na incidência das categorias que indicam presença social comprova o que afirmam Palloff e Pratt (2004) sobre a importância de se estabelecer parâmetros não só para a avaliação das atividades, mas também para orientar os alunos sobre número de participações que se espera deles em um fórum de discussão, por exemplo, sobre como a sua participação deve acontecer no ambiente virtual de aprendizagem ou sobre as especificidades da comunicação escrita. Além do estabelecimento de parâmetros, é muito importante também a participação do professor-tutor no sentido de encorajar, nos alunos, o uso de novas formas de comunicação, como, por exemplo, a utilização de emoticons, que pode gerar um clima favorável em uma discussão. Cabe salientar que, nesta pesquisa, o aumento da presença social aconteceu devido a uma ferramenta importante em qualquer situação de ensino a distância: “o fórum de discussão”. Sabe-se que outras situações também podem suscitar a presença social, como, por exemplo, o design do curso (TU, 2000), porém a presença social tem seu ápice quando os sujeitos do processo, professorestutores e alunos, têm oportunidade de conviver em ambientes que propiciem a interação, o diálogo, a autorrevelação, o humor, entre outros. 5.2.9 Participação da professora-tutora nos fóruns de discussão A análise da participação da professora-tutora foi realizada considerando os indicadores de presença social, presença de ensino e presença cognitiva, descritos no capítulo 3. Para os fóruns, a turma foi dividida em sete grupos de até trinta alunos, para que houvesse facilitação da discussão e maior probabilidade de presença social (ARAGON, 2003). Assim, a professora-tutora participou das discussões em todos os grupos durante os fóruns da unidade IV (56 participações) e da unidade VI (86 participações), totalizando 142 participações. A análise dos conteúdos das participações da professora-tutora nos fóruns das unidades IV e VI apontou que os indicadores de presença social - cumprimentos 111 e vocativos - ligados à categoria coesão estão presentes em todas as mensagens postadas por ela aos alunos nesses fóruns. Com base nessa constatação da análise inicial, não foram levados em consideração os indicadores acima citados para a determinação de mensagens com indicadores de presença social. Sendo assim, entende-se como (1) mensagens com indicadores de presença social, aquelas participações em que a professora-tutora faz elogios a participações do aluno, incentiva-os e usa humor; (2) mensagens com indicadores de presença de ensino, aquelas das quais a professora-tutora, de alguma maneira, retoma aspectos ligados ao tema discutido e nas quais faz inferências e perguntas; (3) mensagens com indicadores de presença cognitiva, aquelas em que a professora-tutora, por meio da exploração, troca informações com os participantes, que, por sua vez, retomam a discussão em busca de um entendimento. 5.2.9.1 Mensagens com indicadores de presença social No fórum de discussão da unidade IV, encontram-se 21 unidades de contexto e 21 unidades de registro. A seguir, alguns exemplos de participações que foram categorizadas como mensagens com indicadores de presença social. Comentário realizado após a participação de dois alunos que discutiram entre eles sobre o tema proposto: Muito bem (...) e (...), Esse é objetivo do fórum: a discussão... a troca de ideias...assim fica mais fácil o aprendizado...abraços. Comentários realizados sobre a explanação das semelhanças e diferenças entre os teóricos estudados: Olá (...), Parabéns pela resposta, você analisa muito bem os teóricos e suas semelhanças e diferenças... Adoreiiiii... Abraços. Olá (...), Gostei de ver!!! Você justifica muito bem sua escolha... Abraços O comentário que se relaciona à participação de uma aluna que 112 justifica sua mudança de opinião sobre o assunto tratado no fórum: Olá (...), Sem problemas, o bom do fórum é isso, podemos rever o que escrevemos, ler o que os outros escreveram e assim crescemos intelectualmente...Abraços No fórum da unidade VI, são encontradas 49 unidades de contexto e 49 unidades de registro. A seguir, alguns exemplos de participações que foram categorizadas como mensagens com indicadores de presença social. Olá (...) e colegas, Vocês ficam falando de ditadura ... isso entrega nossa idade (rs) Quem viveu situações de opressão sabe o quanto é importante o diálogo em sala de aula. Abraços!!!! Olá (...), Eu aqui na disciplina on-line tenho tentado chamar a atenção de vocês com essas discussões (rs) Escrever e enviar para o professor talvez seja mais fácil, mas com certeza quem participa das discussões aqui...tem aprendido muito mais... Abraços Pessoal, Estou muito feliz com a participação do grupo!!!! :) Muito boa (...) Eu canto essa música!!! Faltou um bom professor de Química... na minha vida! (rssss) Realmente temos que tentar entender essa geração, propor atividades que tenham significado para alunos e professores. Abraços Portanto, em relação aos indicadores de presença social, ou seja, aquelas participações em que a professora elogia, usa humor e incentiva a participação dos alunos, é considerável o número de mensagens com esses indicadores. No fórum da unidade IV, em média, 37% das mensagens trocadas têm essa característica e, no fórum da unidade VI, em média, 57% das mensagens têm indicadores de presença social. Cabe lembrar que a utilização de vocativos e despedidas nas mensagens não foi levada em consideração para essa análise. 5.2.9.2 Mensagens com indicadores de presença de ensino O fórum da unidade IV apresenta, entre as 54 participações da professoratutora, 37 unidades de registro e 37 unidades de contexto com indicadores de presença de ensino. Seguem alguns exemplos dessas participações: 113 Você descreve de forma clara algumas características das teorias estudadas, vou chamar atenção para a expressão que você utiliza... ensinoaprendizagem... hoje utilizamos ensino e aprendizagem, por serem independentes entre si...apesar de dependentes...deu para entender? (rs) Pelo contrário, acredito que seus comentários são pertinentes, a área de atuação não é o mais importante nesta discussão e sim a atuação docente de forma geral ... assim podemos compartilhar sobre realidades diferentes o que causará maior reflexão. Muito interessante sua representação das diferenças e semelhanças sobre os teóricos; concordo com você que o tempo reduzido das aulas poderá prejudicar o conhecimento do nosso aluno, assim impossibilitando muitas vezes intervenções mais pontuais. No Fórum de discussão da unidade VI, encontram-se 51 unidades de registro e 51 unidades de contexto que apresentam indicadores de presença de ensino. A seguir, alguns desses exemplos. Olá (...), Você lembra o nome do professor? E algo que ele ensinou que você nunca esqueceu? Você acredita que metodologia que adotamos como professores é determinante do sucesso dos nossos alunos? Abraços Olá (...) e (...), Concordo com vocês quanto a aprendermos com nossos colegas; realmente muitas vezes não conseguimos entender algo que um de nossos professores explicaram. E rapidamente aprendemos com a explicação de um colega. O professor deve articular situações que promovam o aprendizado e que estas situações possam contar com a troca entre colegas...Alguém mais teve uma experiência parecida? Olá (...) e (...), os depoimentos de vocês nos fazem refletir sobre a importância do professor na formação do sujeito e como somos influenciados pelos nossos mestres...muito booommm!!! Olá (...) A preocupação com as dificuldades individuais dos alunos não é tarefa fácil e muitas vezes é o que o aluno precisa para progredir em sua aprendizagem. Abraços Das mensagens trocadas nos fóruns de discussão com os alunos, aproximadamente 67% possuem indicadores de presença de ensino. O grande número de mensagens com essa característica é explicado pelo fato de que a professora-tutora mediava uma discussão que envolvia conceitos teóricos e posturas pedagógicas e sua intervenção era primordial para o desenvolvimento da atividade. Nesse sentido, cabe ressaltar que, mesmo a presença de ensino não sendo o objeto maior de estudo desta pesquisa, não há como desvinculá-la do processo de ensino e aprendizagem. 114 5.2.9.3 Mensagens com indicadores de presença cognitiva Para análise dos indicadores de presença cognitiva, o contexto em que as participações da professora-tutora se inserem é mais relevante do que as mensagens escritas por ela, pois a presença cognitiva acontece, geralmente, a partir de um evento gerador, que dá ao aluno a sensação de curiosidade, depois do qual o aluno passa pela exploração, que é o momento em que ele vai, a partir da pesquisa e da troca de ideias com outros colegas e com o professor, conhecer mais sobre o assunto. Outro momento antes da experiência cognitiva de aprendizagem é aquele em que o aluno consegue fazer ligações com outros conceitos e, por fim, resolver ou aplicar o conhecimento construído (GARRISON; ANDERSON; ARCHER, 2010). No fórum de discussão da unidade IV, existem 15 unidades de registro e 15 de contexto. Abaixo, dois exemplos que contêm tanto a participação do aluno quanto da professora-tutora. Olá (...), Realmente com salas lotadas às vezes fica complicado o trabalho mais individualizado, por este motivo o professor deve criar mecanismos que o ajudem a estabelecer um contato maior com a sala. O trabalho em grupos e um deles...o que acha? Realmente professora, o trabalho em grupo é sim muito importante, é sem dúvida a melhor ferramenta que o professor pode dispor para interagir com os alunos. Não é uma tarefa muito simples, nem todas as salas de aulas colaboram para que isso ocorra, mas é claro que desistir não é, ou pelo menos no meu ponto de vista não deveria ser, uma das alternativas do professor! Os três teóricos apresentam teorias que se completam entre si, pois uma realça as etapas de desenvolvimento da criança, e em todas essas etapas o resultado é a aprendizagem gradativa e a acumulação do conhecimento adquirido na etapa anterior, sendo que, já há no indivíduo estruturas prédesenvolvidas que facilitarão a aprendizagem; a segunda dá importância para o meio sócio/cultural em que a criança está inserida, priorizando a aprendizagem para poder obter o conhecimento, dando ênfase ao papel do professor, o qual distribuirá o conhecimento de acordo com as necessidades e capacidades de cada aluno; e por último a teoria que prioriza a afetividade no processo de ensino-aprendizagem, dizendo que a aprendizagem se dá pela relação professor-aluno, na qual haverá uma troca de conhecimentos, e dizendo também que o professor deve confiar e acreditar na capacidade de desenvolvimento do aluno. Olá (...) Como você escreve, as teorias se completam, porém podemos afirmar que elas são completas e não dependem uma da outra? O que acha? Abraços Concordo! Elas são completas isoladamente e não dependem uma da outra, pois foram elaboradas com conceitos diferentes. Porém, para se ter 115 um ensino com qualidade superior, seria interessante a transformação das três teorias em um único método de ensino. No fórum de discussão da unidade VI, aparecem 27 unidades de contexto e 27 unidades de registro com características de presença cognitiva. O exemplo a seguir ilustra uma das unidades de registro. Olá (...) pensando sobre o que escreveu, você acredita que a questão afetiva na relação com o professor é importante? Realmente professora, meus outros professores me encheram de críticas, tentaram de todas as formas me fazer desistir, ele foi o único que me apoiou, me encorajou e me ajudou! Por isso que sou muito grata a ele. A presença cognitiva apresenta indicadores que requerem uma análise intensa da situação em que está inserida. Procurou-se encontrar, a partir da participação da professora-tutora, as relações existentes nos fóruns que apresentassem os indicadores de presença cognitiva. Das mensagens trocadas pela professora-tutora nos fóruns de discussão, aproximadamente 23% apresentam indicadores de presença cognitiva. 5.2.9.4 Considerações sobre as participações da professora-tutora nos fóruns As participações da professora-tutora nos dois fóruns de discussão apresentaram indicadores das presenças de ensino, social e cognitiva. Considerando as três presenças, conclui-se que a presença de ensino é a categoria mais presente na participação da professora-tutora nos fóruns das unidades IV e VI. Pode-se afirmar que grande parte da responsabilidade pela presença de ensino em um AVA é do professor. Ao descreverem as categorias e indicadores da presença de ensino, Garrison, Anderson e Archer (2010) apontam essa responsabilidade quando se faz necessário que o professor-tutor partilhe conhecimento com seus alunos, problematize situações e intervenha direcionando uma situação. Nesse sentido, por meio das participações da professora-tutora nos fóruns de discussão e pela análise das mensagens no contexto dos fóruns, é possível constatar a presença social, a presença de ensino e, de forma um pouco mais tímida, a presença cognitiva. 116 5.3 Análise do questionário “A percepção do aluno sobre a disciplina on-line” O questionário foi disponibilizado aos alunos por meio de link por cerca de 20 dias. Dos 119 alunos matriculados na disciplina, 75 responderam ao questionário, portanto, aproximadamente, 63% do total de alunos. Uma das preocupações, nesse momento da pesquisa, foi a garantia do anonimato do aluno. Serão abordados, nesta seção, os resultados do questionário que teve como objetivo não só conhecer a percepção dos alunos sobre a presença cognitiva, a presença de ensino e a presença social e sobre questões a respeito da aprendizagem colaborativa, como também verificar a impressão dos alunos em relação à disciplina (SERGIO, 2007). Os resultados serão apresentados a partir dos agrupamentos apresentados na seção que trata da metodologia. 5.3.1 Resultados relativos à presença social As questões apresentadas a seguir tiveram o objetivo de analisar a percepção dos alunos sobre a presença social. Sinto que conheço os colegas de curso, mesmo que não os tenha visto pessoalmente. Gráfico 15 - Presença Social - Questão 3 Fonte – Dados da Pesquisa Nesta questão, 26% dos alunos apresentaram concordância com o sentimento de conhecer seus colegas mesmo que não presencialmente, mas 48% não concordaram com a afirmação e 27% não discordaram nem concordaram com a 117 afirmação. A participação do aluno a seguir é um exemplo de situações que envolveram o sentimento de conhecimento do outro. Olá (...), assim como você eu a cada dia tenho certeza da minha escolha, acredito que o professor tem a melhor e mais bonita profissão, pois ate o medico antes de ser medico teve quem o ensina-se (professor), O papel e a atuação do professor já não é há muito tempo a mesma do passado. Antes ele apenas passava todo seu conhecimento para seus alunos, ou seja aquilo que havia estudado Sinto-me mais à vontade ao usar o estilo mais informal com o professor. Gráfico 16 – Presença Social – Questão 6 Fonte: Dados da Pesquisa Sobre a utilização de um estilo informal na comunicação com o professor; 44% dos alunos apontaram que se sentem à vontade com essa forma de comunicação; 29% não discordaram nem concordaram; e 27% discordaram da afirmação. Em um dos fóruns, o aluno, ao dar uma resposta à professora-tutora, expressou-se da seguinte forma: “rsrsrs a gente sabe que a Sra. quer o nosso bem! Boa semana professora”. 118 Inicio as minhas mensagens cumprimentando sempre as pessoas a quem elas se dirigem. Gráfico 17 – Presença Social – Questão 9 Fonte: Dados da Pesquisa Dos alunos que responderam ao questionário, 71% concordaram ou concordaram plenamente com a afirmação; 17% não concordaram nem discordaram da afirmação; e apenas 12% discordaram ou discordaram plenamente. Nos fóruns de discussão, esta foi uma característica presente. Abaixo estão algumas participações que confirmam a indicação dos alunos. Boa noite pessoal. Primeiramente gostaria de dizer que fiquei muito contente ao ver a atividade proposta para essa unidade, por ser um tema muito interessante. Boa tarde (...)! Compartilho da sua opinião. Acredito que o contexto deve ser levado em consideração de modo geral. Não apenas a sala de aula em si. Mas toda a sociedade deve ser enquadrada em um projeto sério de reformulação do sistema educacional. Olá (...) . Boa tarde. Concordo com você, gostei muito das suas explicações sobre o desenvolvimento cognitivo das crianças, em cada faixa etária, você explica muito bem, a fase em que elas adquirem o controle motor, o conhecimento do lado intelectual, a desenvolverem a fala, e a fase dos porquês. 119 Uso frequentemente o humor nas minhas mensagens. Gráfico 18– Presença Social – Questão 11 Fonte: Dados da Pesquisa Quanto ao uso do humor em suas mensagens, 38% dos alunos nem concordaram nem discordaram da afirmação; 37% discordaram ou discordaram plenamente; e 25% afirmaram que utilizam humor em suas mensagens. A seguir um exemplo do uso de humor: É (...), a vida não está fácil pra nenhum professor. Tem que realmente amar o ofício, porque as barreiras são grandes, salário baixo, distância, tempo, alunos mau educados, alunos sem interesse, alunos sedentos do saber, materiais didáticos sem conteúdo, etc. Também não sei se vou conseguir seguir essa profissão. Gosto muito de lecionar, mas já me perguntei várias vezes... Meu Deus, o que faço aqui???? Eu quero a minha mãe!!!!!! Sinto que passo despercebido no grupo. Gráfico 19 – Presença Social – Questão 18 Fonte: Dados da Pesquisa 120 Em relação a sentir-se não percebido dentro do grupo, 49% afirmaram que discordam ou discordam totalmente da afirmação; 42% nem concordaram nem discordaram; e 9% concordaram ou concordaram plenamente com a afirmação. Nas minhas mensagens, uso pontuação múltipla, cores variadas e diferentes tamanhos de letra. Gráfico 20 – Presença Social – Questão 19 Fone: Dados da Pesquisa A utilização de símbolos e letras diferenciadas não foi observada com frequência nos fóruns e, ao responderem ao questionário, apenas 6% concordaram ou concordaram plenamente com essa questão; 25% não discordaram nem concordaram; e 69% discordaram ou discordaram totalmente da afirmação. A seguir, um exemplo do uso de pontuação repetida. Meu amado pai e professor (...), onde quer que esteja, sei que esta me ouvindo, por isto, gostaria de dizer que serei professora e me esforçarei ao máximo a me dedicar e por em prática tudo que aprendi com você. Saudades!!!!!!!!! Pessoal, me desculpem a mensagem longa, mas foi uma homenagem que este fórum me fez escrever e por que não compartilhá-las com vocês...estou muito emocionada!!!!!!!! 121 Já enviei mensagens que revelam a minha maneira de ser e o meu temperamento. Gráfico 21 –Presença Social - Questão 20 Fonte: Dados da Pesquisa Ao responderem sobre revelar-se em uma atividade como o fórum de discussão, 36% dos alunos concordaram ou concordaram plenamente com a afirmação; 29% nem concordaram nem discordaram; e 35% discordaram ou discordaram plenamente. Várias participações dos alunos remetem a essa afirmação; uma delas vem exemplificada a seguir. Olá (...), olha as perspectivas que tenho para mim, é poder passar o melhor para classe, poder alcançar o privilegio de uma ótima educadora, e saber ajudar a cada um de meus alunos, tentando, assim como aprendi com essa minha professora, conhecer a dificuldade de cada um, pois eu penso que um professor pode ser um amigo, tenho pra mim que lecionar é algo maravilhoso, quero poder ensinar, e não apenas ter uma classe olhando pra mim fingindo entender e sim uma classe contagiosa, onde a aula se torne prestativa e gostosa, porem, não esquecendo dos impasses que podem ocorrer, pois cada sala será uma sala, e acredito, que nós como educadores, teremos que sabe driblar isso, e saber o jeitinho de como agir em cada situação . 122 Sinto que tenho visibilidade para os meus colegas. Gráfico 22 –- Presença Social - Questão 21 Fonte: Dados da Pesquisa Dos alunos que responderam ao questionário, 38% revelaram que sentem que têm visibilidade diante de seus colegas; 42% não concordaram nem discordaram da afirmação; e 20% discordaram ou discordaram plenamente. Pode-se perceber que a maioria se sente visível entre o restante do grupo, já que somente 20% discordaram da afirmação. Aprecio a utilização de humor na mensagem dos meus colegas. Gráfico 23 – Presença Social - Questão 23 Fonte: Dados da Pesquisa 123 A utilização de humor nas trocas de mensagens dos alunos é importante para 56% dos alunos; 36% não concordaram nem discordaram da afirmação; e 8% discordaram ou discordaram plenamente. Os elogios dos meus colegas influenciam a quantidade de mensagens que envio. Gráfico 24 – Presença Social – Questão 24 Fonte: Dados da Pesquisa Dos alunos que responderam ao questionário, 36% afirmaram influenciar-se pelos elogios recebidos dos colegas; 37% nem discordaram nem concordaram com a afirmação; e 28% afirmaram não se influenciar com as mensagens de elogios dos colegas. A seguir, um exemplo deste tipo de mensagem trocada pelos participantes do fórum de discussão. Ola (...), Boa Tarde! Nossa gostei muito de sua experiência, realmente pessoas assim que fazem a diferença, pois a força de vontade de chegar ao seu objetivo, o levou a chegar mais longe, e isso me fez lembrar, que umas semanas atrás falei com essa minha professora na qual citei nesse fórum, e ela me disse que as vezes se sente desmotivada dando aula pois não é a mesma coisa, porem o que ela me disse a seguir foi " mesmo que eu fique desmotivada ou desanimada. 124 Nas minhas mensagens frequentemente surgem referências à minha vida pessoal e ao meu quotidiano (família, profissão, lazer...). Gráfico 25 - Presença Social – Questão 29 Fonte: Dados da Pesquisa A afirmativa refere-se a situações que o aluno revela ao citar pessoas de fora do ambiente virtual de aprendizagem. Neste caso, 39% concordaram ou concordaram plenamente com a afirmação; 31% nem concordaram nem discordaram; e 30% discordaram ou discordaram plenamente. A seguir, um exemplo de participação no fórum de discussão em que o participante se refere à sua vida pessoal. Então (...), hoje atualmente eu tenho vivido uma experiência bem legal nesse sentido discutido no fórum com a minha atual professora de inglês. Ela nasceu na China em Shangai e morou 15 anos na Austrália, e apesar de estar aqui no Brasil um país considerado menos desenvolvido em vários aspectos em relação a Austrália ela esta muito feliz em conhecer novas pessoas e de ser professora, pois ela sempre exerceu a profissão de contadora e agora como professora esta muito satisfeita com os alunos e com o modo de ser de muitos de nós brasileiros. Eu te encorajo a viajar e conhecer novas pessoas e novas culturas, pois ao conhecer essa minha professora também pude conhecer a cultura de outros dois países nesse caso a China e a Austrália. 125 Sinto-me à vontade em usar um estilo mais informal com os meus colegas. Gráfico 26 – Presença Social – Questão 31 Fonte: Dados da Pesquisa Ao responderem sobre o uso de um estilo mais informal com os colegas, 47% dos alunos concordaram ou concordaram plenamente com a afirmação; 35% nem concordaram nem discordaram; e 18% discordaram ou discordaram plenamente. Durante as participações nos fóruns de discussão, verificou-se a facilidade que alguns alunos tinham em utilizar o estilo informal. A seguir, um exemplo retirado de um dos fóruns. Boa tarde! (...); é ai sim; tirar as notas melhores da sala; essa recordação não da pra esquecer; rsrsrs; .... Isso mostra o quanto você se dedicou em aprender; e mostra que o seu professor reconheceu seu potencial! Isso é muito bom! 126 Num curso on-line o trabalho de grupo é inútil. Gráfico 27 – Presença Social – Questão 33 Fonte: Dados da Pesquisa Apenas 18% dos alunos acreditam ser inútil o trabalho em grupo em uma disciplina on-line; 22% nem concordaram nem discordaram; e 59% discordaram da afirmação de que o trabalho em grupo é inútil. Quando aprecio a mensagem de um colega, elogio-o. Gráfico 28 – Presença Social – Questão 39 Fonte: Dados da Pesquisa 127 Dos alunos que responderam ao questionário, 66% concordaram ou concordaram plenamente com a afirmação de que elogiam o colega quando apreciam sua mensagem; 27% não discordaram nem concordaram; e 7% discordaram. Já aconteceu sentir-me muito contente com mensagens de colegas. Gráfico 29 – Presença Social – Questão 41 Fonte: Dados da Pesquisa Dos alunos que responderam ao questionário; 48% já se sentiram contentes com comentários de seus colegas; 31% nem discordaram nem concordaram com a afirmação; e 21% discordaram da afirmação. 128 Não gosto de mostrar os meus sentimentos on-line. Gráfico 30– Presença Social – Questão 47 Fonte: Dados da Pesquisa Quanto à questão de demonstrar seus sentimentos on-line, 45% afirmaram que não gostam de demonstrar seus sentimentos; 28% nem discordaram nem concordaram, e 26% discordaram ou discordaram plenamente da afirmação. Finalizo sempre as minhas mensagens com beijinhos e abraços ou outras expressões de afeto. Gráfico 31 – Presença Social - Questão 49 Fonte: Dados da Pesquisa Somente 13% dos participantes terminam suas participações com expressões de afeto; 27% nem discordaram e nem concordaram com a afirmação, e 129 60% dos participantes discordaram ou discordaram plenamente da afirmação. Segue, abaixo, um exemplo da participação de um aluno no fórum. Olá (...), Faço biologia também, e devo dizer que talvez nosso amor pela matéria, nos ajude a gostar mais ainda do professor. Também tive um ótimo professor no ensino médio, e é tão bom lembrar com carinho uma pessoa que nos ensina a matéria que tanto amamos. Beijos! O quadro a seguir traz a porcentagem de respostas positivas para cada questão. Assim é possível observar, com maior clareza, a percepção dos alunos sobre a presença social. Questões Respostas Positivas Respostas Negativas Não Opinaram Sinto que conheço os colegas de curso, mesmo que 26% não os tenha visto pessoalmente. 27% 48% Sinto-me mais a vontade de usar o estilo mais informal com o professor. 44% 29% 27% Inicio as minhas mensagens, cumprimentando sempre as pessoas a quem elas se dirigem. 71% 12% 17% Uso frequentemente o humor nas minhas mensagens. 25% 38% 37% Sinto que passo despercebido no grupo. 49% 9% 42% Nas minhas mensagens, uso pontuação múltipla, 6% cores variadas e diferentes tamanhos de letra. 25% 69% Já enviei mensagens que revelam a minha maneira 36% de ser e o meu temperamento. 35% 29% Sinto que tenho visibilidade para os meus colegas. 38% 20% 42% Aprecio a utilização de humor na mensagem dos meus colegas 56% 36% 8% Os elogios dos meus colegas influenciam a 36% quantidade de mensagens que envio. 28% 37% Nas minhas mensagens frequentemente surgem referências à minha vida pessoal e ao meu quotidiano (família, profissão, lazer...). 39% 30% 31% Sinto-me à vontade em usar um estilo mais informal com os meus colegas. 47% 18% 35% Num curso on-line o trabalho de grupo e inútil. 18% 60% 22% 130 Quando aprecio a mensagem de um colega, elogioo. 66% 7% 27% Já aconteceu sentir-me muito contente com mensagens de colegas. 48% 21% 31% Não gosto de mostrar os meus sentimentos on-line. 45% 26% 28% Finalizo sempre as minhas mensagens com beijinhos e abraços ou outras expressões de afeto. 13% 60% 27% Quadro 13 - Percepção da Presença Social Fonte: Dados da Pesquisa Tratando da presença social em uma disciplina on-line, pode-se perceber que os alunos apontam algumas características presentes e outras nem tanto. Nesse sentido, o questionário ratifica alguns resultados advindos da análise do conteúdo dos fóruns de discussão. A característica de presença social mais evidente na análise do questionário é aquela em que os alunos afirmam que suas mensagens se dirigem ao outro para dar continuidade à discussão. Quanto à característica mais frágil, evidenciou-se o uso de grafias e símbolos próprios da web para a comunicação entre os participantes. O vínculo afetivo é bastante valorizado, porém os participantes não utilizam expressões de afeto para finalizar as mensagens trocadas. Um dos aspectos abordados por Tu (2000) é a questão da privacidade no AVA. O autor relata que a preocupação que os participantes têm com a visão de seus pares sobre suas mensagens pessoais pode intimidar a participação em um grupo de discussão. Ficou claro que, ao responderem ao questionário, 47% dos alunos concordaram com o fato de que não gostam de mostrar os seus sentimentos on-line. Em média, 41% dos alunos que responderam ao questionário concordaram ou concordaram plenamente com as afirmações que apresentam referências positivas à presença social em uma disciplina oferecida a distância, e, em média, 26% discordaram ou discordaram plenamente dessas afirmações. É importante ressaltar que, em média, 33% dos alunos não opinaram sobre as questões apresentadas. 131 5.3.2 Resultados relativos à presença cognitiva Esta seção apresenta o resultado das três questões que envolvem afirmações sobre aspectos da presença cognitiva. Penso que as mensagens do Fórum de Discussão despertam mais a minha curiosidade e estimulam-me a defender melhor os meus pontos de vista. Gráfico 32 – Presença Cognitiva – Questão 15 Fonte: Dados da Pesquisa Ao tratar das mensagens do fórum de discussão e de como elas estimulam o aluno a defender seus pontos de vista, 55% concordaram ou concordaram plenamente com a afirmação; 38% nem concordaram nem discordaram e 17% discordaram ou discordaram plenamente. Nos fóruns de discussão da disciplina, há exemplos que confirmam o que a maioria dos alunos apontou. Olá (...), também acho que é importante o professor deve adquirir posturas diferentes a cada fase do aprendizado. Além disso, acredito que o professor deve também conhecer o aluno à quem ele dará aula. É importante que ele tenha pelo menos uma noção do que o aluno já conhece, com o que ele tem contato no dia-a-dia pois isso facilitará para que o professor saiba como trabalhar determinados assuntos em uma sala e ajudar assim o aluno a se desenvolver cada vez mais. Oi (...), Concordo em partes com você acredito que a Psicologia com estes três pensadores (pesquisadores) que falamos neste Fórum, tem uma linha de raciocínio um pouco divergente eles tem a mesma ideia que é o melhor método de educar, porém cada um tem uma forma de citar como utilizar as ferramentas para o estudo. Inclusive Piajet é o que mais foge da linha ele acredita que deve-se fazer a criança somente decorar as atividades que estão sendo postas e não acredita que deve-se atribuir uma atividade 132 prática para que ela possa entender melhor. E concordo plenamente contigo em que os pensadores citam que cada um tem uma forma de aprender e que temos agora formas variadas para educar. Um abraço. Nas citações, é possível perceber que, tomando por base a participação do outro, o aluno defende seu ponto de vista. A riqueza da situação constrói-se a partir da interação com o outro no fórum de discussão. Noto que consideram os meus comentários relevantes. Gráfico 33 - Presença Cognitiva – Questão 17 Fonte: Dados da Pesquisa Quanto à afirmação “Noto que consideram os meus comentários relevantes”, 35% dos alunos concordaram ou concordaram plenamente com a afirmação; 47% nem concordaram nem discordaram; e 18% discordaram ou discordaram plenamente. Encontra-se, abaixo, um exemplo de aceitação de comentários do outro no fórum de discussão. (...) eu concordo com você quanto a influência negativa do meio no desenvolvimento do conhecimento e aprendizagem dos jovens alunos. É algo que realmente na maioria das vezes mais o prejudica do que o auxilia, pois agregar a eles valores que não condizem com nenhum ambiente propicia ao seu desenvolvimento cognitivo. Acredito ser uma solução a interação entre a escola e os pais dos educandos, a fim de identificar como as influências que os meios em que as crianças estão inseridas as afetam, visando o desenvolvimento do discernimento dos educandos quanto as suas ações e como elas afetam seus colegas, pais e professores. Na minha opinião esse é uma missão árdua que requer o trabalho conjunto da escola, pais e comunidade. 133 As diferentes ideias apresentadas pelos colegas no fórum afastaram-me, por vezes, do que era essencial. Gráfico 34 – Presença Cognitiva - Questão 45 Fonte: Dados da Pesquisa Sobre os comentários dos colegas afastarem a discussão do que era essencial, 43% nem concordaram nem discordaram; 16% concordaram com a afirmação; e 41% discordaram ou discordaram totalmente. Questões Respostas Positivas Penso que as mensagens do fórum de discussão 55% despertam mais a minha curiosidade e estimulamme a defender melhor os meus pontos de vista. Noto que consideram os meus comentários 35% relevantes. As diferentes ideias apresentadas pelos colegas no 16% fórum afastaram-me, por vezes, do que era essencial. Respostas Negativas 38% Não Opinaram 17% 47% 18% 43% 41% Quadro 14 – A percepção da Presença Cognitiva Fonte: Dados da Pesquisa Sobre a presença cognitiva, constata-se que, em média, 45% dos alunos que responderam ao questionário percebem características da presença cognitiva 134 em seu curso, porém um número significativo de alunos, em média 32%, respondeu ao questionário indicando que as situações de ensino e aprendizagem não se enquadram ao que se espera para configurar-se como presença cognitiva. Cerca de 26% dos alunos não opinaram sobre as questões relacionadas à presença cognitiva. A presença cognitiva, segundo Anderson (2004), é construída por meio de vários fatores que são desencadeados por um evento inicial. Esse evento acontece quando o aluno se depara com alguma questão que desperte sua curiosidade e que exija a procura por uma explicação. Através da troca com os demais alunos, podese, de forma colaborativa, explorar as situações que incentivem a discussão entre professores e alunos, possibilitando, assim, a resolução da questão inicial por intermédio da contribuição entre os participantes de um fórum, por exemplo. Em relação às participações dos alunos nos dois fóruns de discussão, das 1012 participações dos alunos, 283 não trocavam informações específicas sobre as questões apresentadas. Sendo assim, aproximadamente 72% das mensagens trocadas pelos alunos podem ser consideradas como situações desencadeadoras para resolução de questões apresentadas inicialmente, o que Anderson (2004) chama de evento inicial. 5.3.3 Resultados relativos a presença de ensino As quatro questões apresentadas aos alunos sobre a presença de ensino têm como foco a atuação do professor-tutor. 135 Quando tenho alguma dúvida, questiono diretamente o professor. Gráfico 35 – Presença de Ensino - Questão 30 Fonte: Dados da Pesquisa Ao responderem à questão, 59% dos alunos concordaram ou concordaram plenamente, afirmando que, quando têm alguma dúvida, questionam diretamente o professor; 28% nem concordaram nem discordaram da afirmação e 13% discordaram ou discordaram plenamente. No fórum de dúvidas da disciplina, encontram-se algumas participações. O exemplo a seguir apresenta um diálogo entre a professora-tutora e um dos alunos. [...] como que eu faço pra participar do fórum: Atividade de Aprofundamento VI 7 ou não damais ? é um dos que valem nota... tenho que ler lol. Olá Henrique, Anexa a explicação Abraços nah, num era bem isso... devo ter me expressado errado, a atividade de aprofundamento IV 7 já passou da data ? porque no link "grupo" ta o dela e o da VI 3, e no dela não da pra entrar saka ?! 136 De forma geral, a professora desta disciplina on-line excedeu as minhas expectativas iniciais. Gráfico 36 - Presença de Ensino - Questão 36 Fonte: Dados da Pesquisa Quanto à professora-tutora exceder suas expectativas, 51% dos alunos concordaram ou concordaram plenamente com a afirmação; 40% nem discordaram nem concordaram; e apenas 9% dos alunos discordaram ou discordaram plenamente. Nunca desanimo porque sinto que o professor está sempre presente, quando tenho alguma dúvida. Gráfico 37 - Presença de Ensino – Questão 38 Fonte – Dados da Pesquisa 137 Dos alunos que responderam ao questionário, 18% discordaram ou discordaram plenamente da afirmação de que nunca desanimam, pois o professor está sempre presente; 27% nem discordaram nem concordaram com a afirmação; e 55% concordaram ou concordaram plenamente. A motivação e o incentivo imprimidos pelo professor foram elevados. Gráfico 38 – Presença de Ensino - Questão 42 Fonte: Dados da Pesquisa A respeito da motivação e dos incentivos promovidos pelo professor, a porcentagem de concordância foi elevada, pois atingiu 52% dos alunos; 37% nem concordaram nem discordaram da afirmação e 11% discordaram ou discordaram plenamente. 138 Respostas Positivas Respostas Negativas Não Opinaram questiono 59% 28% 13% De forma geral, a professora desta disciplina on-line 51% excedeu as minhas expectativas iniciais. 40% 9% Nunca desanimo porque sinto que o professor está 55% sempre presente, quando tenho alguma dúvida. 27% 18% A motivação e o incentivo imprimidos pelo professor 52% foram elevados. 37% 11% Questões Quando tenho alguma diretamente o professor. dúvida Quadro 15 – A percepção Presença de Ensino Fonte: Dados da Pesquisa Em média, 54% dos alunos que responderam ao questionário concordaram com as afirmações que envolviam a presença de ensino; 33% dos alunos não opinaram; e apenas 13% não concordaram com as afirmações sobre a presença de ensino na disciplina. A presença de ensino, segundo Anderson (2004), envolvem situações que, geralmente, são articuladas por um professor e podem ocorrer tanto na produção do conteúdo como também no gerenciamento das atividades em um Ambiente Virtual de Aprendizagem. Nessa perspectiva, acredita-se que várias ações desencadeadas pela professora-tutora geraram a presença de ensino na disciplina Psicologia da Educação. A análise da participação da professora-tutora será apresentada neste trabalho. 5.3.4 Resultados Relativos à Aprendizagem Colaborativa Abaixo estão apresentados os resultados do questionário referente à Aprendizagem Colaborativa. 139 Questiono os colegas quando tenho alguma dúvida, porque me sinto à vontade. Gráfico 39 – Aprendizagem Colaborativa – Questão 7 Fonte: Dados da Pesquisa Dos alunos que responderam ao questionário, 50% sentem-se à vontade para questionar os colegas; 27% nem discordaram nem concordaram com a afirmação e 23% discordaram ou discordaram plenamente. Penso que a aprendizagem em grupo, através da colaboração on-line, facilitou a construção de conhecimento. Gráfico 40 – Aprendizagem Colaborativa – Questão 8 Fonte: Dados da Pesquisa Diante da afirmação de que a aprendizagem em grupo on-line facilita a construção do conhecimento, 35% dos alunos concordaram ou concordaram 140 plenamente com ela; 19% nem concordaram nem discordaram; e 36% discordaram ou discordaram plenamente. Reparo que, mesmo os mais tímidos, participam com empenho das discussões on-line. Gráfico 41 – Aprendizagem Colaborativa – Questão 13 Fonte: Dados da Pesquisa Dos alunos que responderam ao questionário, 55% concordaram ou concordaram plenamente com a afirmação de que, mesmo os mais tímidos, participam das discussões on-line; 31% nem concordaram nem discordaram da afirmação; e 14% discordaram sobre a participação dos alunos nas discussões. 141 Ao resolver uma tarefa, costumo sempre ler primeiro as mensagens dos colegas. Gráfico 42 – Aprendizagem Colaborativa – Questão 27 Fonte: Dados da Pesquisa Diante da afirmação “Ao resolver uma tarefa, costumo sempre ler primeiro as mensagens dos colegas”, 66% dos alunos concordaram com ela; 17% nem concordaram nem discordaram; e 17% discordaram. Perante uma tarefa proposta, prefiro responder estritamente o necessário, dirigindome diretamente ao professor. Gráfico 43 – Aprendizagem Colaborativa – Questão 28 Fonte: Dados da Pesquisa 142 Sobre responder estritamente o necessário dirigindo-se ao professor, 23% discordaram da afirmação; 31% nem discordaram nem concordaram; e 46% concordaram ou concordaram plenamente com a afirmação. Quando tenho uma dúvida, prefiro investigar sozinho(a) até compreender. Gráfico 44 - Aprendizagem Colaborativa – Questão 35 Fonte: Dados da Pesquisa Entre os alunos que responderam ao questionário, 49% preferem investigar sozinhos para sanar suas dúvidas; 23% nem concordaram nem discordaram da afirmação; e 28% discordaram ou discordaram plenamente. Sinto que pertenço a um grupo cujos elementos partilham objetivos parecidos. Gráfico 45 – Aprendizagem Colaborativa – Questão 40 Fonte: Dados da Pesquisa 143 Com a afirmação de que o grupo partilha objetivos parecidos, 42% concordaram ou concordaram plenamente; 47% nem concordaram nem discordaram; e 11% discordaram. As tarefas de grupo on-line permitiram que aprendesse mais eficientemente. Gráfico 46 – Aprendizagem colaborativa - Questão 43 Fonte: Dados da Pesquisa Ao tratar da aprendizagem por meio da EaD, 53% dos alunos concordaram ou concordaram plenamente com a eficácia da aprendizagem em uma disciplina a distância; 25% nem concordaram e nem discordaram; e 22% discordaram ou discordaram plenamente da afirmação. Respostas Negativas Não Opinaram As tarefas de grupo on-line permitiram que 53% aprendesse mais eficientemente. 25% 22% Questiono os colegas quando tenho alguma dúvida, 50% porque me sinto à vontade. 27% 23% Penso que a aprendizagem em grupo, através da 35% colaboração on-line, facilitou a construção de conhecimento. 19% 36% Reparo que mesmo os mais tímidos participam com 55% 31% 14% Questões Respostas Positivas 144 empenho nas discussões on-line. Ao resolver uma tarefa, costumo sempre ler 66% primeiro as mensagens dos colegas. 17% 17% Perante uma tarefa proposta, prefiro responder 46% estritamente o necessário, dirigindo-me diretamente ao professor. 31% 46% Quando tenho uma dúvida, prefiro investigar 49% sozinho(a) até compreender. 23% 28% Sinto que pertenço a um grupo cujos elementos 42% partilham objetivos parecidos. 47% 11% Quadro 16 – Resultados – Aprendizagem Colaborativa Fonte: Dados da Pesquisa Em relação às questões ligadas à aprendizagem colaborativa, em média, 48% dos alunos concordaram ou concordaram plenamente com as afirmações que indicam a existência da aprendizagem colaborativa. Em média, 28% dos alunos que responderam ao questionário discordaram ou discordaram plenamente dessas afirmações, e 24% não opinaram. Segundo Palloff e Pratt (2002), a construção de vínculos em um ambiente virtual de aprendizagem é mais complexo por não envolver aspectos presentes em uma aula presencial, como expressões faciais, entonação de voz e linguagem corporal, por exemplo. A proposta de um trabalho colaborativo, segundo os autores, também é um desafio para professores-tutores e alunos. Nesse sentido, o fórum de discussão aumenta as possibilidades de proximidade com o outro assim como de construção do conhecimento coletivamente. Ao responderem ao questionário, 66% dos alunos afirmaram ler as mensagens de seus colegas antes de participar da atividade. Essa a leitura do outro possibilita a reflexão e a construção do conhecimento coletivamente. Cavalari (2012), em sua pesquisa de doutorado, analisou a participação de estudantes em um Ambiente Virtual de Aprendizagem e afirmou que, em turmas em que professores-tutores são mais atuantes, os alunos participam com maior empenho de atividades e tendem a ser mais colaborativos. A inserção de ferramentas diferenciadas, como web conferências, chats e videoaulas, também demonstraram ser eficientes no processo de ensino e aprendizagem. 145 Chama a atenção a porcentagem (53%) de alunos que apontaram que a aprendizagem on-line permitiu um aprendizado mais eficiente, levando-se em consideração que o restante do curso é feito presencialmente. Tem-se que concordar com Torres (2002), quando afirma que a aprendizagem colaborativa emerge da troca entre pares, na mediação feita pelos professores-tutores como também na valorização do processo de aprendizagem. 5.3.5 Resultados Relativos à impressão dos alunos a respeito da disciplina Quando estou no curso, trabalhando na plataforma, desligo do mundo à minha volta. Gráfico 47 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 1 Fonte: Dados da Pesquisa Ao responderem sobre a afirmação “Quando estou no curso, trabalhando na plataforma, desligo do mundo a minha volta”, 54% dos alunos concordaram ou concordaram plenamente; 27% nem concordaram nem discordaram; e 19% discordaram da afirmação. 146 As discussões on-line parecem mais democráticas do que as discussões em sala de aula. Gráfico 48 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 2 Fonte: Dados da Pesquisa Sobre as discussões on-line serem mais democráticas do que as discussões em sala de aula, 52% dos alunos concordaram ou concordaram plenamente; 17% nem concordaram nem discordaram; e 31% discordaram ou discordaram plenamente. Acho que a interação informal nas discussões me afasta do principal objetivo do curso, que é aprender. Gráfico 49 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 4 Fonte: Dados da Pesquisa 147 Em relação ao fato de as interações afastá-los do principal objetivo do curso, que é aprender, 22% dos alunos concordaram com a afirmação; 27% nem concordaram nem discordaram; e 51% discordaram ou discordaram plenamente. Acho difícil participar das discussões on-line, devido à falta dos elementos normais da comunicação face a face (linguagem corporal, entonação da voz). Gráfico 50 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 5 Fonte: Dados da Pesquisa Sobre a dificuldade em realizar atividades on-line por não haver o contado visual com o outro, 36% concordaram ou concordaram plenamente com a afirmação; 17% nem concordaram nem discordaram; e 47% dos alunos discordaram da afirmação. 148 Acho que a minha interação social na disciplina on-line foi melhorando ao longo do curso. Gráfico 51 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 10 Fonte: Dados da Pesquisa Quanto à melhora na interação social durante o desenvolvimento da disciplina on-line, 72% dos alunos concordaram ou concordaram plenamente; 15% nem concordaram nem discordaram; e 13% discordaram ou discordaram plenamente. Já me senti inibido ao participar da discussão por não conhecer quem iria ler as minhas mensagens. Gráfico 52 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 12 Fonte: Dados da Pesquisa 149 Dos alunos que responderam ao questionário, 29% apontaram sentir-se inibidos para a comunicação em um fórum de discussão; 17% nem concordaram nem discordaram; e 52% não concordaram ou discordaram totalmente. Quando estou na disciplina on-line, tenho a sensação de que interajo mais com o computador do que colaboro com as outras pessoas. Gráfico 53 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 14 Fonte: Dados da Pesquisa Quanto a ter a sensação de interagir mais com o computador do que colaborar com as pessoas, 36% concordaram com a afirmação; 19% nem concordaram e nem discordaram; e 45% discordaram ou discordaram plenamente. 150 Já me senti irritado ou magoado com uma mensagem de um colega. Gráfico 54 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 16 Fonte: Dados da Pesquisa Diante da afirmação de sentir-se magoado com a resposta de algum colega, 8% concordaram; 19% nem concordaram nem discordaram; e 74% discordaram da afirmação. Os mais extrovertidos, por vezes, exageram no número de mensagens que enviam. Gráfico 55 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 22 Fonte: Dados da Pesquisa Sobre a afirmação “Os mais extrovertidos por vezes exageram no número de mensagens que enviam”, 33% manifestaram-se concordando ou concordando 151 plenamente; 25% nem concordaram nem discordaram; e 42% discordaram ou discordaram plenamente. Trabalho mais facilmente com um grupo on-line do que com um grupo presencial. Gráfico 56 - Impressão a respeito da disciplina – Questão 25 Fonte: Dados da Pesquisa Dos alunos que responderam ao questionário; 27% afirmaram que trabalham melhor no grupo on-line do que no presencial; 22% não concordaram nem discordaram; e 53% discordaram ou discordaram plenamente. Às vezes não concordo com as opiniões dos colegas, mas não digo nada para evitar o confronto. Gráfico 57 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 26 Fonte: Dados da Pesquisa 152 Dos alunos que responderam ao questionário; 32% afirmaram que, muitas vezes, não concordam com a posição do seu colega, porém preferem não se manifestar para evitar o confronto; 31% nem concordaram nem discordaram e 27% não concordaram com a afirmação. Sinto-me mais desinibido(a) para fazer comentários (que não faria face a face). Gráfico 58 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 32 Fonte: Dados da Pesquisa Quanto à afirmação “Sinto-me mais desinibido(a) para fazer comentários (que não faria face a face)”, 25% dos alunos concordaram; 28% não concordaram nem discordaram da afirmação; e 47% discordaram ou discordaram plenamente. 153 Por vezes, sinto-me tão envolvido(a) numa tarefa on-line que perco a noção do tempo. Gráfico 59 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 34 Fonte: Dados da Pesquisa Sobre perder a noção do tempo quando estão em uma disciplina on-line; 33% concordaram com a afirmação; 19% nem concordaram nem discordaram; e 38% discordaram ou discordaram totalmente. Os elementos de um grupo de trabalho on-line parece que "estão mais à mão". Gráfico 60 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 37 Fonte: Dados da Pesquisa 154 Quanto à afirmação “Os elementos de um grupo de trabalho on-line parece que estão mais à mão”, 31% dos alunos concordaram ou concordaram plenamente, 59% nem concordaram nem discordaram e 10% discordaram da afirmação. O rápido feedback do professor é o mais importante. Gráfico 61 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 44 Fonte: Dados da Pesquisa O rápido feedback do professor é mais importante para 59% dos alunos; 34% nem concordaram nem discordaram; e 5% discordaram ou discordaram plenamente. 155 Quando trabalho num grupo on-line, sinto que a participação é mais democrática do que num grupo presencial. Gráfico 62 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 46 Fonte: Dados da Pesquisa Ao comparar a discussão on-line com a presencial, 35% acreditam que a discussão on-line seja mais democrática; 33% nem concordaram nem discordaram com a afirmação; e 32% discordaram e discordaram plenamente. As disciplinas on-line são um excelente meio para a interação entre todos. Gráfico 63 – Impressão a respeito da disciplina – Questão 48 Fonte: Dados da Pesquisa 156 Sobre a afirmação “As disciplinas on-line são um excelente meio para a interação entre todos”, 44% concordaram ou concordaram plenamente; 27% nem concordaram e nem discordaram; e 27% discordaram ou discordaram plenamente. Questões Respostas Positivas Respostas Negativas Não Opinaram Quando estou no curso, trabalhando na plataforma, desligo do mundo à minha volta. 54% 19% 27% As discussões on-line parecem mais democráticas do que as discussões em sala de aula 52% 31% 17% Acho que a interação informal nas discussões me afasta do principal objetivo do curso, que é aprender. 22% 51% 27% Acho difícil participar das discussões on-line, devido à falta dos elementos normais da comunicação face a face (linguagem corporal, entonação da voz). 35% 47% 17% Acho que a minha interação social na disciplina online foi melhorando ao longo do curso. 72% 13% 15% Já me senti inibido ao participar da discussão por não conhecer quem iria ler as minhas mensagens. 29% 52% 17% Os mais extrovertidos, por vezes, exageram no número de mensagens que enviam. 33% 42% 25% Trabalho mais facilmente com um grupo on-line do que com um grupo presencial. 27% 53% 22% Às vezes não concordo com as opiniões dos colegas, mas não digo nada para evitar o confronto. 32% 27% 31% Sinto-me mais desinibido(a) para fazer comentários (que não faria face a face). 25% 47% 28% Por vezes, sinto-me tão envolvido(a) numa tarefa on-line que perco a noção do tempo. 33% 38% 19% Os elementos de um grupo de trabalho on-line parece que "estão mais a mão". 31% 10% 59% O rápido feedback do professor é o mais importante. 59% 5% 34% Quando trabalho num grupo on-line, sinto que a participação é mais democrática do que num grupo presencial. 32% 33% 35% 157 As disciplinas on-line são um excelente meio para a interação entre todos 44% 27% 27% Quadro 17 - Resultados da Impressão dos alunos sobre a disciplina Fonte: Dados da Pesquisa Tratando da percepção dos alunos sobre a disciplina on-line, verificou-se que 72% deles acreditam que seu desempenho melhorou no decorrer da disciplina. Behar et al. (2013) alerta para o fato de cursos com duração mais longa poderem desencadear um processo de ensino e aprendizagem de melhor qualidade, o que confirma a impressão dos alunos, que percebem que seu desempenho melhorou durante o andamento do curso. O feedback é apontado por, aproximadamente, 60% dos alunos como importante. Essa importância foi destacada por Aragon (2003) em sua pesquisa. Aspecto importante destacado pelos alunos, com 44% de respostas positivas, são as possibilidades que um curso on-line oferece para discussão. Nesta pesquisa em especial, o fórum de discussão foi a ferramenta utilizada para as interações com o grupo, porém sabe-se que outras ferramentas também podem auxiliar o processo de ensino e aprendizagem em Ambientes Virtuais de Aprendizagem. 5.4 Considerações sobre análise dos dados e sugestões A análise dos dados da presente pesquisa deu-se mediante três instrumentos: o primeiro, um questionário, que visava conhecer o perfil dos alunos que cursaram a disciplina Psicologia da Educação on-line; o segundo, o conteúdo construído a partir de dois fóruns de discussão, que foi analisado seguindo os pressupostos de Bardin (2011); e, por fim, outro questionário, que tinha por objetivo conhecer a percepção dos alunos sobre as presenças social, de ensino e cognitiva além da percepção sobre a aprendizagem colaborativa. Esses instrumentos nortearam a professora-tutora na construção de sua prática, inserida também como pesquisadora no que se configurou como uma pesquisa-ação. Após a análise do conteúdo produzido pelos alunos nos fóruns, observou-se que houve uma significativa alteração nas participações do fórum da unidade VI em 158 relação às do fórum da unidade IV. É possível afirmar que a mudança aconteceu em decorrência da modificação dos parâmetros estabelecidos para a participação dos alunos no fórum. A necessidade de alterações nos parâmetros ocorreu a partir da inserção da pesquisadora no contexto da pesquisa-ação (TRIPP, 2005). Verificouse, também, o aumento das ocorrências das seguintes categorias de presença social: coesão, interação e afetividade. Sendo assim, pode-se concluir que as ações do professor-tutor foram efetivas para o aumento da presença social. Esse contexto conduz a algumas recomendações que poderão auxiliar na adequação do Protótipo Pedagógico das disciplinas on-line7 assim como na orientação dos professores-tutores: (1) Conversão das atividades de produção textual individual em fóruns de discussão, levando em consideração que, nesta situação, o aluno poderá construir conceitos coletivamente, o que é fundamental para a ocorrência da presença cognitiva. (2) Construção de parâmetros para participação dos alunos nos fóruns de discussão. Entre esses parâmetros sugere-se a indicação do número esperado de participações para aquela atividade e do espaço de tempo em que essas participações devem acontecer. Também são importantes “dicas”, ou sugestões, para participação dos alunos nos fóruns, como, por exemplo, a forma como abordar e comentar as participações dos colegas, a importância da utilização do nome do amigo, entre outras. Esses parâmetros auxiliarão o professor-tutor na avaliação da atividade realizada e também proporcionarão ao aluno melhor compreensão sobre os critérios aplicados em sua avaliação (PALLOFF; PRATT, 2004). (3) Inserção de fotos, que, agora, na nova versão do Blackboard, se torna possível e elas aparecem na barra de rolagem dos fóruns. Incentivar os alunos a utilizarem essa ferramenta é uma forma de fazer com que haja um aumento da presença social, pois, em uma conversa no fórum, alunos e professores poderão ter referências mais concretas sobre os demais participantes (TU, 2000). 7 Cabe ressaltar que há disciplinas com especificidades que necessitariam de uma análise apurada antes da mudança do protótipo pedagógico, porém as disciplinas on-line ofertadas para as licenciaturas apresentam as mesmas características da disciplina Psicologia da Educação. 159 (4) Orientação aos professores-tutores sobre a comunidade de Inquirição (COI) e sobre ações que possam incidir no aumento tanto da presença social quanto nas presenças de ensino e cognitiva. Para análise das participações da professora-tutora no fórum de discussão, foram retomadas as três presenças indicadas por Garrison, Anderson e Archer (2010) como essenciais em uma comunidade de aprendizagem. Nos fóruns de discussão analisados, verificou-se que os indicadores de presença de ensino são os que aparecem com maior evidência. O fato explica-se pela posição da professora como mediadora da discussão. Porém, também se observou um número elevado de indicadores de presença social. A presença cognitiva foi analisada considerando um contexto maior de troca de mensagens entre os participantes e, apesar de menos frequente que as outras, foram encontrados indicadores de presença cognitiva nos fóruns de discussão analisados. Os resultados obtidos com as respostas ao questionário apontam que, em média, 45% dos alunos perceberam indicadores de presença social contidos nas questões, 54% perceberam a presença de Ensino e 48%, a presença cognitiva. Ao analisar os dados do questionário quanto às três presenças, verificou-se que, em média, 30% dos alunos não responderam aos questionamentos nem afirmativa nem negativamente, o que diminuiu consideravelmente o número de respostas negativas quanto às presenças social, de ensino e cognitiva, que atingiram, em média, os índices de 25%, 15% e 23% respectivamente. Em relação à aprendizagem colaborativa, as indicações positivas dadas pelos estudantes chegaram, em média, a 48%; também se observou que, em média, 24% dos alunos não opinaram. Na exposição da análise do questionário, as situações questionadas foram exemplificadas com participações dos alunos no desenrolar dos trabalhos desenvolvidos com a disciplina. 161 CONCLUSÕES A motivação inicial desta pesquisa emergiu dos resultados da pesquisa de Bonici (2011), que indicavam uma baixa incidência da presença social em uma disciplina on-line. Sendo assim, a presente investigação teve o objetivo de verificar se a atuação do professor-tutor pode auxiliar, ou não, na intensificação da presença social. Além disso, por meio da análise de conteúdo, buscou-se verificar a incidência de expressões que exprimissem as diferentes categorias e os indicadores da presença social, apontados por Rourke et al. (2003), nas participações dos alunos em dois fóruns de discussão realizados em uma disciplina oferecida a distância. Os dados da pesquisa corroboram a hipótese inicial de que o incentivo do professor-tutor aos alunos e a potencialização de determinadas ações podem provocar o aumento da presença social no decorrer da disciplina. Para o processo de verificação da hipótese, várias ações foram implementadas no intuito de averiguar o aumento da presença social. Contudo é importante registrar que as ações desencadeadas pela professora-tutora não deixaram de fomentar, também, o aumento da presença de ensino e da presença cognitiva. Garrison, Anderson e Archer (2010) afirmam que a presença social é elemento indispensável ao processo de ensino e aprendizagem e, junto das presenças de ensino e cognitiva, contribui para uma experiência de aprendizagem verdadeira em cursos a distância. Podemos, assim, afirmar que esses elementos são indissociáveis, ou seja, ao promover situações que procuram aumentar a presença social, indiretamente promovemos situações que fomentam a presença de ensino e a presença cognitiva. Na análise dos conteúdos produzidos pelos alunos nos fóruns, verificou-se um aumento considerável tanto do número de mensagens quanto das incidências de indicadores de presença social após as mudanças dos parâmetros realizadas e implementadas no segundo fórum analisado. Sendo assim, podemos concluir que os objetivos gerais da pesquisa foram alcançados no que diz respeito à presença social. 162 Assim, acreditamos que alguns aspectos foram responsáveis pelo aumento dos indicadores de presença social na disciplina. São eles: ações de incentivo por parte da professora-tutora; atividades a serem desenvolvidas em um fórum de discussão que possibilitem a reflexão e a troca entre os participantes; a explicitação de parâmetros para participação no fórum. Esta é uma ação que auxilia os alunos a realizarem a atividade e também facilita a avaliação posterior da participação do aluno, tornando o processo mais transparente, no sentido de que o aluno sabe exatamente o que se espera dele na realização da atividade. Dessa forma, sugerimos a criação de parâmetros para a participação dos alunos nas atividades da disciplina, entre eles a indicação do número esperado de participações para tal atividade e do espaço de tempo em que essas participações devem acontecer, no caso de um fórum de discussão. Na análise das participações da professora-tutora, foram levados em consideração os indicadores de presença de ensino, presença social e presença cognitiva (GARRISON; ANDERSON; ARCHER, 2010). Todas as categorias foram encontradas nas participações da professora-tutora, porém constatou-se que a presença de ensino foi a categoria mais presente nas suas participações. Justificase o grande número de mensagens com indicadores de presença de ensino pelo fato de a professora-tutora ter a tarefa de mediar a discussão entre os participantes de um fórum. Um dos objetivos específicos desta pesquisa foi procurar conhecer a perspectiva dos alunos sobre a presença social, cognitiva e de ensino e, ainda, sobre a aprendizagem colaborativa. Em relação à presença social, podemos afirmar que ela é sentida pelos alunos, uma vez que as respostas às questões propostas no questionário vieram confirmar os resultados obtidos na análise do conteúdo produzido pelos alunos em suas participações no fórum. Da mesma maneira, a presença de ensino e a presença cognitiva, que foram encontradas nos fóruns de discussão, foram também apontadas por um número significativo de alunos como presentes na disciplina que cursam. Um dado importante é que, tanto no questionário quanto na análise dos fóruns, evidenciou-se a baixa frequência do “uso de humor”, integrante da categoria afetividade, fato que poderá ser tema de outras investigações. 163 As questões sobre a presença de ensino estão diretamente relacionadas à professora-tutora e sua atuação. Um número considerável de alunos não respondeu ao questionamento. Sendo assim a porcentagem de alunos que afirmaram não reconhecer a presença de ensino na disciplina não passou de 25%; o mesmo aconteceu com a presença cognitiva. Defendemos que as atividades realizadas a partir de um fórum de discussão possam contribuir para as interações e reflexões, uma vez que não há como construir um ambiente colaborativo quando a proposta de atividade é individual. Portanto, acreditamos que a alteração da proposta de atividades nessas unidades estudadas possibilitou a reflexão e a discussão entre os alunos e, por conseguinte, a percepção de um ambiente que permite a Aprendizagem Colaborativa. Deixamos, aqui, a sugestão de substituir as atividades de entrega individual por atividades de fóruns ou mesmo de Wiki, levando em consideração as especificidades das disciplinas oferecidas. As atividades individuais não colaboram para o desenvolvimento das práticas educativas da Comunidade de Inquirição. É importante que o professor-tutor conheça as bases teóricas da Comunidade de Inquirição, tendo assim claras as dimensões que envolvem o processo de ensino e aprendizagem. Esses conhecimentos possibilitaram à professora-tutora uma atuação efetiva e crítica diante das situações apresentadas. Sendo assim, propomos a ampla divulgação desses pressupostos aos professorestutores. Ao término desta investigação, fica-nos a sensação de que ainda temos muito a conhecer sobre os aspectos que envolvem o desenvolvimento e a aprendizagem do sujeito em ambientes virtuais de aprendizagem. Esta tese procurou trazer contribuições significativas, com propostas simples, práticas e possíveis que podem alterar positivamente situações complexas e importantes no processo da aprendizagem efetiva do sujeito. Esta reflexão não termina aqui, pois está claro que ainda temos muito que compreender sobre ensinar e aprender. Para terminar, tomamos emprestadas as palavras de Fernando Sabino: 164 De tudo ficam três coisas: A certeza de que estamos sempre começando... A certeza de que precisamos continuar... A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar... Portanto, devemos: fazer da interrupção, um caminho novo... Da queda, um passo de dança... Do medo, uma escada...Do sonho, uma ponte...Da procura, um encontro... Fernando Sabino 165 REFERÊNCIAS ALMEIDA, C. A. A. Formação do professor e os conhecimentos da psicologia. Educação Temática Digital, Campinas, v. 8, n. 2, p. 236-248, jun. 2007. Disponível em: <http://www.fae.unicamp.br/revista/index.php/etd/article/view/1775/1617>. Acesso em: 03 mar. 2013. ALVES, Lynn; NOVA, Cristiane. Educação a distância: uma nova concepção de aprendizagem e interatividade. São Paulo: Futura, 2003. ANDERSON, T. Teaching in an online learning context. In: ______.Theory and practice of online learning. Canadá: Athabasca University. 2004. 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Acesso em: 19 set. 2013. 173 APÊNDICES Apêndice A - Questionário – Perfil do Estudante Prezado Aluno, Estamos desenvolvendo uma pesquisa com as disciplinas Online. Para que possamos descrever, compreender e analisar as condições que envolvem esta pesquisa necessitamos de sua colaboração, respondendo a este questionário com atenção e sinceridade. Lembro que em nenhum momento a sua identidade será divulgada. Curso _____________________________________________semestre___ Data de Nascimento ________________________ Sexo ( ) F ( ) M Bairro em que reside ___________________________ Cidade __________ 1- Qual o seu estado civil? a- Solteiro b- Casado c- Separado Desquitado Divorciado d- Viúvo e- Outros 2- Quantos filhos você tem? a- Nenhum b- Um c- Dois d- Três e- Quatro ou mais 3- Como você se considera? a- Branco (a) b- Negro (a) c- Parda (o) Mulato (a) d- Amarelo (a) (de origem oriental) e- Indígena ou caboclo 4- Em que faixa você calcula estar a soma da renda mensal da sua família que moram em sua casa? a- Até é R$ 620,00 b- De R$ 620,00 a R$ 1800,00 c- De R$ 1801,00 a R$ 3600,00 d- De R$ 3601,00 a R$ 9000,00 e- Mais de R$ 90000,00 174 5- Quantas pessoas, inclusive você próprio, vivem com esta renda mensal familiar? a- Uma b- Duas c- Três d- Quatro e- Cinco ou mais 6- Quantos cômodos (exceto banheiros e cozinha) tem sua casa? a- Um b- Dois c- Três d- Quatro e- Cinco ou mais 7- Você trabalha? a- Sim b- Não Se você respondeu afirmativa a pergunta 7, responda as questões 8 a 12, caso contrário passe para questão 13. 8- Seu trabalho é remunerado? a- Sim b- Não 9- Qual a sua carga horária de trabalho? a- Menos de quatro horas diárias b- Quatro horas diárias c- Seis horas diárias d- Oito horas diárias e- Mas de oito horas diárias 10- Há quanto tempo você está trabalhando? a- Há menos de um ano b- Entre um e dois anos c- Há dois anos d- Entre dois e quatro anos e- Quatro anos ou mais 11- Você exerce atualmente atividade acadêmica remunerada? a- Não b- Sim, bolsa de iniciação científica c- Sim, monitoria d- Sim, estágio e- Sim, outro projeto 12- Sua contribuição para renda familiar é de aproximadamente a- Até 20% da sua renda b- Mais de 20% a 50% da sua renda c- 50% ou mais da sua renda d- Toda sua renda e- Não contribui para renda familiar 13- Qual o grau de escolaridade do seu pai? a- Nenhuma escolaridade b- Ensino Fundamental incompleto c- Ensino Fundamental completo 175 d- Ensino Médio completo e- Ensino Superior 14- Qual o grau de escolaridade da sua mãe? a- Nenhuma escolaridade b- Ensino Fundamental incompleto c- Ensino Fundamental completo d- Ensino Médio completo e- Ensino Superior 15- Que tipo de Ensino Médio você cursou a- Padrão b- Padrão e Técnico c- Supletivo d- Outros 16- Em que ano você concluiu o Ensino Médio? _________________________________________________________ 17- Em que tipo de escola você cursou o Ensino Médio a- Integralmente em Escola Pública b- Maior parte em Escola Pública c- Integralmente em Escola Particular d- Maior parte em Escola Particular sem bolsa e- Maior parte em Escola Particular com bolsa 18- Você frequentou cursinho Pré-vestibular? a- Sim b- Não 19- Você prestou vestibular em mais de uma Instituição de Ensino Superior? a- Sim b- Não 20- Você iniciou algum curso superior além desse que está cursando? a- Não b- Sim, mas abandonou c- Sim e ainda está cursando d- Sim, mas trancou e- Sim e já concluiu 21- Excluindo livros escolares obrigatórios, que tipo de livro você lê (assinale apenas uma alternativa) a- Literatura de Ficção (romances, contos, poesias) b- Literatura de não-ficção (ensaios, biografias, ciências, etc.) c- Ambos d- Nenhum 22- Quantos livros aproximadamente existem na sua casa? __________________________________________ 23- Quantos livros aproximadamente você leu em 2011? a- Nenhum b- Um. c- Dois d- Mais de dois 24- Qual sua principal fonte de informações de acontecimentos atuais? a- Internet b- Jornal escrito c- Telejornal 176 d- Rádio e- Revista 25- Com que frequência você busca estas informações? a- Diariamente b- Mas de uma vez por dia c- Semanalmente d- Ocasionalmente e- Nunca Julgue o seu nível de interesse em relação aos seguintes tipos de informação Nenhum Pouco Médio Alto Muito Alto 26- Política 27- Economia e Negócios 28- Notícias locais e Nacionais 29- Notícias Internacionais 30- Notícias Políticas 31- Cultura e Lazer 32- Esporte 33- Veículo 34- Informática Responda se você leu ou não, este ano, cada um dos tipos de material dentre os que apresentamos a seguir. Sim Não 35- Revistas em quadrinhos 36- Romances 37- Livros sobre educação 38- Outros livros 39- Jornais ou revistas de Informação geral 40- Revistas sobre esportes, música, automóveis, etc. 41- Revistas especializadas da sua área 42- Revistas de atualidades sociais e televisivas 43- Outros Com que frequência você participa das seguintes atividades Nunca 44- Artísticas \ culturais 45- Física \ esportivas 46- Religiosa 47- Político-partidários Rara Mente Às vezes Frequen te mente Sempre 177 48- Movimento Estudantil 49- Sociedades Científicas 50- Movimentos Ecológicos 51- Movimentos sociais e ou comunitários 52- Trabalho voluntário e ou comunitário Com que frequência você realiza as seguintes atividades Nunca Rara Mente Às vezes Frequen te mente Sempre 53- Assistir televisão 54- Ouvir música 55- Ir ao teatro, shows e concertos 56- Ir ao cinema 57- Assistir competições esportivas 58- Sair para dançar 59- Encontrar amigos 60- Utilizar a Internet 61- Ir a Biblioteca 62- Visitar exposições 63- Existe computador em sua casa? a- Sim, e eu utilizo bastante b- Sim, mas eu pouco utilizo c- Sim, mas eu nunca utilizo d- Não, mas eu utilizo fora da minha casa e- Não, mas utilizo outras formas de acesso a internet 64- Em quais situações abaixo você mais utiliza o computador ? a- Entretenimento b- Trabalhos escolares c- Profissionalmente d- Busca de Informação na Internet e- Comunicação via e-mail 65- A partir de que equipamento você acessa com mais frequência a internet? a- Desktop \Notebook \ Netbook b- Tablet 178 c- Celular d- Ipod e- Consoles (Wii, PS3, PSP) 66- Quais redes sociais você utiliza? a- Não utilizo b- Facebook c- Orkut d- Twitter e- Outra Obrigada pela colaboração! Caso deseje fazer algum comentário utilize o espaço abaixo ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _______________________________________________ 179 Apêndice B - Questionário “Percepção do Aluno sobre a disciplina On-line” 1- Quando estou no curso, trabalhando na plataforma, desligo do mundo a minha volta. 2- As discussões online parecem mais democráticas do que as discussões em sala de aula. 3 - Sinto que conheço os colegas de curso, mesmo que não os tenha visto pessoalmente. 4 - Acho que a interação informal nas discussões me afasta do principal objetivo do curso, que e aprender. 5- Acho difícil participar das discussões online, devido a falta dos elementos normais da comunicação face a face (linguagem corporal, entonação da voz) 6- Sinto- me a vontade em usar um estilo mais informal com o professor. 7- Questiono os colegas quando tenho alguma duvida, porque me sinto a vontade 8- Penso que a aprendizagem em grupo, através da colaboração online, facilitou a construção de conhecimento. 9- Inicio as minhas mensagens, cumprimentando sempre as pessoas a quem aquelas se dirigem. 10- Acho que a minha interação social na disciplina Online foi melhorando ao longo do curso. 11- Uso frequentemente o humor nas minhas mensagens. 12- Já me senti inibido ao participar na discussão por não conhecer quem iria ler as minhas mensagens. 13- Reparo que mesmo os mais tímidos participam com empenho nas discussões online 14.Quando estou no curso online tenho a sensação que interajo mais com o computador do que colaboro com as outras pessoas. 15.Penso que as mensagens do Fórum de Discussão despertam mais a minha curiosidade e estimularam-me a defender melhor os meus pontos de vista. 16.Já me senti irritado ou magoado com uma mensagem de um colega 17.Noto que consideram os meus comentários relevantes. 180 18.Sinto que passo despercebido no grupo. 19. Nas minhas mensagens uso pontuação múltipla, varias cores e/ou diferentes tamanhos de letra. 20.Já enviei mensagens que revelam a minha maneira de ser e o meu temperamento. 21.Sinto que tenho visibilidade para os meus colegas. 22.Os mais extrovertidos por vezes exageram no número de mensagens que enviam. 23.Aprecio a utilização de humor nas mensagens dos colegas. 24.Os elogios dos meus colegas influenciam a quantidade de mensagens que envio. 25.Trabalho mais facilmente com um grupo online do que com um grupo presencial. 26. As vezes não concordo com as opiniões dos colegas, mas não digo nada para evitar o confronto. 27.Ao resolver uma tarefa, costumo sempre ler primeiro as mensagens dos colegas. 28.Perante uma tarefa proposta, prefiro responder estritamente ao necessário dirigindo-me diretamente ao professor. 29.Nas minhas mensagens frequentemente surgem referencias a minha vida pessoal e ao meu quotidiano(família, profissão, lazer...). 30.Quando tenho alguma duvida questiono diretamente o professor. 31.Sinto-me a vontade em usar um estilo mais informal com os meus colegas. 32.Sinto- me mais desinibido para fazer comentários(que não faria face a face) pelo fato de ninguém me conhecer pessoalmente. 33.Num curso online o trabalho de grupo e inútil. 34.Por vezes, sinto-me tão envolvido numa tarefa online que perco a noção do tempo. 35.Quando tenho uma duvida prefiro investigar sozinho até compreender. 36.De forma geral os professores deste curso online excederam as minhas expectativas iniciais. 37.Os elementos de um grupo de trabalho online parece que "estão mais a 181 mão". 38.Nunca desanimo porque sinto que o professor esta sempre presente, quando tenho alguma duvida. 39.Quando aprecio a mensagem de um colega, elogio-o. 40.Sinto que pertenço a um grupo, cujos os elementos partilham objetivos parecidos 41.Já aconteceu sentir-me muito contente com mensagens de colegas. 42.A motivação e o incentivo imprimido pelo professor foram elevados. 43.As tarefas de grupo online permitiram que aprendesse mais eficientemente. 44.O rápido feedback do professor é o mais importante. 45. As diferentes ideias apresentadas pelos colegas no fórum, afastaram-me, por vezes, do que era essencial. 46. Quando trabalho num grupo online, sinto que a participação e mais democrática, do que num grupo presencial. 47. Não gosto de mostrar os seus sentiremos online. 48. Os cursos em modalidade EaD são um excelente meio para a interação entre todos. 49. Finalizo sempre as minhas mensagens com beijinhos e abraços, ou outras expressões de afeto. Concordo Plenamente Concordo Nem discordo nem Discordo discordo Discordo Plenamente