GEOGRAFIA
MATERIAL DE APOIO
2ª SÉRIE
DO ENSINO MÉDIO
VOL 1 e 2
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Prefácio
Em nossa caminhada, precisamos de
OBJETIVOS; TEMPO para planejar e se
possível realizar; e muito AMOR no que
fazemos, pois, com OBJETIVOS podemos
traçar metas a serem cumpridas, com
TEMPO podemos esboçar nossas ideias e
ideais a fim de, se possível transformar em
realidade nossos quereres, ou não, pois,
nossas ideias e ideais muitas vezes não são
compartilhadas com nossos semelhantes. E
com muito AMOR doar o melhor de nós
mesmos aos nossos iguais, sem a intenção
de reconhecimento, apenas aprendendo a
aprender que nosso principal OBJETIVO é
termos TEMPO para o AMOR.
(Maurilio Gabaldi Lopes)
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Introdução
O principal objetivo deste e-book é além de
enfatizar
o
concepções
conceito
do
e
tempo
as
&
diferentes
espaço
formas
e
geográfico,
é
disponibilizar para o aluno um material de apoio das
atividades encontradas no caderno do aluno.
Foi elaborado tendo como modelo “A Proposta
Curricular do Estado de São Paulo na área de Ciências
Humanas
e
suas
Tecnologias
na
disciplina
de
Geografia”, sem objetivar lucro, pois, grande parte do
mesmo foi retirado da rede mundial de computadores,
pelo qual o autor serviu-se de muitas imagens, links de
domínio público.
O autor usou como metodologia de ensino o uso
de recursos tecnológicos a fim de atrair os alunos para
“Era Digital”.
Editor, arte finalista e autor:
Professor: Maurilio Gabaldi Lopes
Formação: Estudos Sociais, Geografia, História,
Letras e Técnico de Informática.
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AGRADECIMENTO:
AGRADEÇO A DEUS POR TODA SUA
PACIÊNCIA E ENLEVO PRESENTEADOS
PARA COM SEU FILHO.
AGRADEÇO A HUMILDADE E A VIDA.
E PRINCIPALMENTE MINHA FAMÍLIA E AS
PESSOAS QUE ME CERCAM!
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ÍNDICE
Volume 1
Situações de Aprendizagens
01 - A gênese geoeconômica do território brasileiro 06
02 – A gênese das fronteiras brasileiras 21
0 3 – Território brasileiro: do “arquipélago” ao“continente” 31
04 – O Brasil e a economia global: mercados internacionais 44
05 – Os circuitos da produção (I): o espaço industrial 52
06 – Os circuitos da produção (II): o espaço agropecuário 75
07 – Redes e hierarquias urbanas 87
08 – A revolução da informação e as cidades 94
Volume 2
Situações de Aprendizagens
01 – Matrizes culturais do Brasil 105
02 – A dinâmica demográfica 117
03 – O trabalho e o mercado de trabalho 127
04 – A segregação socioespacial e a exclusão social 132
05 – A tectônica de placas e o relevo brasileiro 138
06 – As formas de relevo brasileiro e as funções das
classificações 150
07 – Águas no Brasil: gestão e intervenções 156
08 – Gestão dos recursos naturais: o “estado da arte” no
Brasil 165
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SITUACAO DE APRENDIZAGEM 1
A GENESE GEOECONOMICA DO TERRITORIO
BRASILEIRO
Entender a formação geoeconômica do território
brasileiro
é
um
ponto
de
partida
para
o
desenvolvimento de outros conteúdos da Geografia do
Brasil. Trata-se, assim, de abordar os processos que
levaram à constituição do chamado “arquipélago
econômico” no decorrer da economia colonial. Isso
contribui para que percebamos, em seguida e no
compasso do tempo social, os diversos períodos,
assim como as características de integração entre as
regiões brasileiras ocorridas no século XX e ainda em
curso
na
atualidade.
A
Geografia
histórica
e
econômica, sem dúvida, têm muito a oferecer a esse
propósito, contribuindo com noções-chave muitas
vezes angariadas de outras áreas do conhecimento,
mas que, tomadas desde uma perspectiva geográfica,
ajudam a esclarecer a paulatina organização espacial e
a dinâmica dos processos de povoamento e alocação
de infraestruturas no território brasileiro de ontem e de
hoje.
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A FORMAÇÃO DA CIDADE DE MARÍLIA
No início a economia de Marília era baseada no cultivo de
café que com o tempo foi sendo substituído pelo algodão.
Graças ao algodão, em 1934 e 1935 foram instaladas as duas
primeiras indústrias no município (duas fábricas de óleo). Com
a expansão da industrialização ao interior paulista, houve um
aumento da malha ferroviária e rodoviária, com isso Marília
ligou-se a várias regiões do estado de São Paulo e ao norte do
Paraná.
Na década de 1940 o município se firmou como polo de
desenvolvimento do Oeste Paulista, quando se verificou um
grande crescimento urbano e populacional. conhecida como
“Capital Nacional do Alimento”.
A partir da década de 70, houve um novo ciclo industrial
no
município
com
a
instalação
de
novas
indústrias,
principalmente na área alimentícia e metalúrgica. Com a
posterior instalação de vários cursos universitários, Marília
pode atrair vários jovens a região o que ajudou no
desenvolvimento do comércio do município.
Hoje Marília conta com aproximadamente 50 indústrias na
área alimentícia. Sendo conhecida como “Capital Nacional do
Alimento”.
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Leitura e análise de mapa
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ANALISE DOS MAPAS
TÍTULOS E LEGENDAS
Os assuntos relacionados nos títulos são economia e
território. As legendas exprimem essa relação tanto em função
das atividades econômicas indicadas como por meio dos eixos
de transportes (pecuária e ferrovias, por exemplo).
ATIVIDADES ECONÔMICAS QUE SE DESTACARAM NO
SÉCULO XVI E DESCREVA COMO ELAS EVOLUÍRAM ATÉ O
SÉCULO XIX.
As atividades que se destacam no mapa do século XVI são a
extração do pau-brasil, o cultivo da cana-de-açúcar e a
pecuária. No mapa do século XVII, nota-se um aumento da área
ocupada com o cultivo da cana-de-açúcar e com a pecuária
(que começou a se expandir para o interior do território
brasileiro),
além
do
surgimento
de
outras
atividades
econômicas, em especial, aquelas ligadas às drogas do sertão.
A atividade de exploração do ouro, bastante restrita no século
XVII, é muito ampliada no século XVIII, incluindo também a
mineração de diamantes. Nesse século, não houve expansão
das atividades canavieiras e das drogas do sertão, ao contrário
do que se observa com a pecuária, que avança cada vez mais
para o interior do país. No século XIX, as áreas de plantio de
cana-de-açúcar diminuem, a pecuária se expande para outras
regiões do interior do país e a diversidade de culturas aumenta.
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EVOLUÇÃO DAS CIDADES E VILAS NO SÉCULO XVII E XVIII
Nos mapas Brasil: a economia e o território no século XVII e
Brasil: a economia e o território no século XVIII, nota-se, no
intervalo de tempo em questão, um aumento do número de
cidades e vilas; de modo geral, acompanhando o traçado dos
eixos de transporte e o avanço da pecuária, além da atividade
mineradora na área correspondente ao atual Estado de Minas
Gerais.
TERRITÓRIO BRASILEIRO UMA ORGANIZAÇÃO EM “ILHAS” E
“ARQUIPÉLAGOS” ECONÔMICOS
Arquipélago econômico é um conjunto de espaços
geográficos não determinados que são independentes do país
e normalmente são polos industriais. Fabricam e exportam
para o exterior, sem ter nenhuma relação nacional. Isso existe
pelo fato de não conseguirem organizar seus próprios países.
Os arquipélagos econômicos existem há anos, desde
quando colônias faziam pacto colonial com seu colonizador,
dessa forma mantinham um espécie de relação com o exterior,
e afastada da nacional.
Podemos citar como exemplos o nordeste cafeeiro, o
sudeste açucareiro e a Amazônia na sua produção de borracha,
até os anos de 1930.
Arquipélago econômico significa grupo de cidades com
economias isoladas.Podemos definir a economia brasileira no
periodo colonial como um arquipelago economico,pois so
havia economia com Portugal.
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CARACTERÍSTICAS ATUAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO
O estudo da história territorial de nosso país pode nos
ajudar a compreender as características atuais do território
brasileiro
pode-se
considerar
por
exemplo
que
o
funcionamento da economia colonial ocorreu de acordo com a
lógica
do
comércio
triangular
atlântico,
submetida
ao
monopólio mercantil e controle metropolitano. No caso do
Brasil, isso fez que no Período colonial (de 1500-1534 até 18081822) as cidades tenham se concentrado na franja costeira com
adensamentos em algumas áreas (como o Saliente Nordestino
e os Recôncavos das Baías de Todos os Santos e da
Guanabara e em estuários e baixadas costeiras, como é o
exemplo da Santista).
Outros fatos como a mineração de metais e pedras
preciosas foi responsável pela interiorização do fato urbano
nas Minas Gerais e em Goiás; a extração das drogas do sertão,
por sua vez, promoveu esporádico assentamento urbano na
Bacia Amazônica e no Golfão Maranhense.O caso do avanço
do complexo cafeeiro paulista no século XIX e início do XX,
considerado o principal motor do processo de interiorização do
crescimento urbano que avançou pelo Planalto Paulista ao
longo do traçado das ferrovias que abriam terras e escoavam o
café para o porto de Santos, entre outros fatos.
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TIPO DE COLONIZAÇÃO
Como em outros territórios da América, África e Ásia,
nesses territórios ocorreu a implantação da colonização de
exploração. A organização da produção, da economia ou do
sistema produtivo foi realizada com base no abastecimento do
mercado externo. A introdução da grande propriedade agrícola
– o latifúndio ou plantation – e da monocultura ocorreu com o
objetivo de abastecer o mercado europeu de produtos tropicais
e de matérias-primas.
“ESPAÇOS EXTROVERTIDOS”
A expressão “espaços extrovertidos” refere-se aos espaços
geográficos produzidos e organizados para atender o mercado
externo. No período colonial, os exemplos mais importantes
são o espaço da agroindústria da cana-de-açúcar (séculos XVI
e XVII), o espaço da mineração (século XVIII), o espaço do café
(séculos XIX e XX), entre outros.
“ARQUIPÉLAGO ECONÔMICO”
O uso da expressão “arquipélago econômico” procura
indicar a falta de integração entre as economias regionais que
se constituíram como espaços relativamente autônomos de
produção e de consumo, guardando relações mais estreitas
com os mercados externos do que entre si.
Aplica-se à economia e à configuração geoeconômica do
território brasileiro no início do século XX, marcadas pela
fragmentação em “ilhas” regionais, resultantes em grande
parte da economia colonial.
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PASSADO COLONIAL DO PAÍS E CARACTERÍSTICAS ATUAIS
O povoamento mais adensado do litoral, as redes de
cidades, a concentração fundiária e a monopolização do
acesso à terra, o poder político das elites locais, entre outros,
servem como exemplo da origem do passado colonial do país
ECONOMIA BRASILEIRA QUADRO-SÍNTESE
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“CICLOS ECONÔMICOS”
O ciclo da cana-de-açúcar ocorreu nos Séculos XVI e XVII,
suas principais áreas de ocorrência foram no Litoral do
Nordeste, nos atuais Estados de Pernambuco, Paraíba ,Sergipe
e Bahia, além de pequenas áreas no litoral do Estado do Rio de
Janeiro e de São Paulo,cuja a produção era destinada para o
Mercado europeu, comercializado via Portugal devido ao Pacto
Colonial.
O ciclo da mineração ocorreu no século XVIII, suas
principais áreas de ocorrência foram nos Estados de Minas
Gerais, Mato Grosso e Goiás ,cuja a produção era destinada
para
Portugal,
mas,
como
consequência
de
acordos
comerciais, o ouro brasileiro teve, em grande parte, como
destino final a Inglaterra.
O ciclo do café ocorreu Segunda metade do século XIX ao
início do século XX, suas Principais áreas de ocorrência foram
nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, sul de Minas Gerais
e Espírito Santo, posteriormente se expandiu para o norte do
Paraná e Mato Grosso ,cuja a produção era destinada para
Europa e Estados Unidos.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
VOCÊ APRENDEU?
NOÇÃO DE “ARQUIPÉLAGO ECONÔMICO”
[...] a colonização não se orientara no sentido de constituir uma
base econômica sólida e orgânica, isto é, a exploração racional
e coerente dos recursos do território para a satisfação das
necessidades materiais da população que nela habita. Daí a
sua
instabilidade,
com
seus
reflexos
no
povoamento,
determinando nele uma mobilidade superior ainda à normal
dos países novos.
PRADO JR., Caio. Formação do Brasil contemporâneo [1942]. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 75.
Os mapas retratam a configuração geoeconômica do território
brasileiro
entre
os
séculos
XVI
e
XIX,
destacando
a
espacialidade das principais atividades econômicas e das
correntes de povoamento associadas. Por intermédio do
estudo realizado sobre os ciclos econômicos no quadro da
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divisão internacional da produção e a consequente produção
de espaços geográficos extrovertidos durante a economia
colonial, os alunos poderão identificar a complementaridade de
informações entre os mapas e o texto de Caio Prado Júnior,
pois que este último ressalta a instabilidade do povoamento
em virtude de atividades econômicas organizadas em função
do exterior e não dirigidas para a consolidação do mercado
interno. Além disso, por alguma razão, ocorria o declínio ou
decadência econômica de uma área de atração populacional,
ou de certo espaço geográfico em construção, estes acabavam
repelindo a população, justificando o termo “instabilidade”
empregado no texto do historiador e geógrafo paulista. Disso
resultou a fragmentação do território em “ilhas” regionais ou
espaços relativamente autônomos de produção e de consumo,
guardando relações mais estreitas com os mercados externos
do que entre si, o que explica a expressão “arquipélago
econômico”.
ATIVIDADE
Fuvest 2001 – Quanto à formação do território brasileiro,
podemos afirmar que:
a) a mineração, no século XVIII, foi importante na integração do
território devido às relações com o Sul, provedor de charque e
mulas, e com o Rio de Janeiro, por onde escoava o ouro.
b) a pecuária no Rio São Francisco, desenvolvida a partir das
numerosas vilas da Zona da Mata, foi um elemento importante
na integração do território nacional.
c) a economia no século XVI, baseada na exploração das
drogas do sertão, integrou a porção centro-oeste à região Sul.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
d) a economia açucareira do Nordeste brasileiro, baseada no
binômio plantation e escravidão, foi a responsável pela
incorporação, ao Brasil, de territórios pertencentes à Espanha.
e) a extração do pau-brasil, promovida pelos paulistas por meio
das entradas e bandeiras, foi importante na expansão das
fronteiras do território brasileiro.
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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2
A GÊNESE DAS FRONTEIRAS BRASILEIRAS
Leitura e análise de mapa
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ANALISE DO MAPA
O mapa retrata os Conflitos fronteiriços entre países
da América Latina e o conflito existente entre Grã-Bretanha
e Argentina pela posse do arquipélago das Malvinas.
O que o mapa revela sobre o Brasil a gênese das
fronteiras nacionais do Brasil em um contexto regional
mais amplo. A delimitação territorial do país é resultado de
um processo histórico que o diferencia dos países
vizinhos.
O Brasil não consta da lista de conflitos atuais,pois, é
o único país na América que resultou da colonização
portuguesa e que não se fragmentou em vários outros
países, como ocorreu com as antigas colônias espanholas.
Os conflitos fronteiriços entre o Brasil e seus vizinhos
ocorreram em outros momentos, como na Guerra do
Paraguai e na formação do Estado do Acre, como também
aconteceu com os litígios negociados pacificamente –
como o da fronteira com a Guiana Francesa, resolvido em
1897, com a arbitragem da Suíça, sendo a defesa realizada
pelo Barão de Rio Branco. Porém, desde a assinatura do
Tratado de Petrópolis (1909), o país vive uma situação
relativamente estável com relação às suas fronteiras
terrestres.
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LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO
Não há necessidade mais imperiosa para um Estado do que ter
fronteiras certas e reconhecidas, e foi a essa tarefa que Rio
Branco deu o melhor de sua vida, retomando em vários casos
os trabalhos (...) de seu pai, por quem tinha admiração
extraordinária. No caso do Acre criou uma nova fronteira, na
maior
incorporação
territorial
de
nossa
vida
de
país
independente, nos outros manteve as divisas que achávamos
ser as nossas. Fez mais, mas o que fica para a história são os
tratados de limites. Não é exagero dizer que uma obra dessa
magnitude e valorizada moralmente por ter sido feita sem
guerras é sem par nos anais da diplomacia universal. Por isso
Rio Branco tem o prestígio que nenhum outro diplomata tem,
em nenhum outro país.
Num livro recente, com o bonito título de O corpo da pátria, o
geógrafo
Demétrio
Magnoli
diz
que,
diferente
do
que
geralmente se afirma apenas 17% de nossas fronteiras vêm
dos tempos coloniais (o Rio Guaporé, por exemplo), a maior
parte, 51%, foi estabelecida no período imperial (como a divisa
no Pantanal), e 32% devem-se exclusivamente a Rio Branco (os
limites do Acre) para falar nos três trechos da fronteira
boliviana. Preferimos ficar com a opinião tradicional, que julga
ter sido o grande feito da Colônia o estabelecimento das
fronteiras do Brasil. Como diz o historiador de nossos dias
Francisco Iglésias: “o mapa da América do Sul, quanto ao
Brasil, foi fixado no principal ainda no período português.
Só acertos mínimos se fizeram depois”.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Na verdade o que há são camadas que se sobrepõem, de
precisão cada vez mais nítida. Madri e Santo Ildefonso são a
grande mancha colonial: afinal, o primeiro mapa que apresenta
o Brasil, como um triângulo, ocupando metade do triângulo da
América do Sul, é o Mapa das Cortes, de 1750. No
Império tentou-se fixar bilateralmente todo o contorno terrestre
do Brasil e muito se conseguiu; mas ainda sobraram para a
República trechos em aberto, e seu fechamento, vimos, é a
grande obra do Barão. Podemos até aceitar os números de
Magnoli, admitindo como definitivos os acordos prévios.
Desde Tordesilhas...
Rio Branco assinou tratados de limites com nove dos 11
vizinhos do Brasil (hoje são 10, o Equador tinha então a
aspiração a chegar ao Amazonas). Com a Venezuela, tínhamos
já o acordo de 1859 e, com o Paraguai, as fronteiras haviam
sido estabelecidas, aliás, pelo Visconde de Rio Branco, em
1871. O Paraguai é exceção curiosa, porque era uma das
especialidades de Rio Branco: as clássicas páginas que
Nabuco dedica à Guerra do Paraguai em seu Um estadista da
República (que se constituíram em livro isolado, em espanhol)
muito incorporam das opiniões do Barão.
Como exemplo de variação de acordos, lembremos que a linha
de limites do Brasil de certa forma se interrompeu quando o
Peru cedeu, em 1922, a soberania sobre o trecho TabatingaApapóris à Colômbia (o chamado Trapézio de Letícia). Só em
1928, na gestão profícua de Octávio Man25 gabeira no
Itamaraty, a Colômbia voltou a aceitar a linha de 1909, que era a
mesma do tratado de 1851, com o Peru. Muito importante, aliás,
por ser o primeiro do Império e por estabelecer a doutrina do
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uti possidetis, que, sob certas condições, vigorou até Rio
Branco.
Então, pode-se dizer que Rio Branco acabou com os problemas
de fronteiras do Brasil? De certa forma, sim: depois dele, o que
pode haver são problemas “na” fronteira, mas não problemas
“de” fronteira, estes já resolvidos definitivamente por acordos
bilaterais. Uma ilha que muda de lugar em relação ao talvegue
do rio, um marco mal colocado, um trecho não bem
caracterizado no tratado de limites, até, como vimos, a
mudança de soberania sobre um trecho lindeiro; tudo isso
pode acontecer.
Será preciso, então, resolver esses problemas práticos, mas
sem mexer na teoria, incorporada aos acordos. Guimarães
Rosa, durante muitos anos Chefe da Divisão de Fronteiras do
Itamaraty, nos momentos de trabalho mais intenso, dizia com
humor: “Só aceitei esse lugar porque me garantiram
que o Barão já havia demarcado todas as fronteiras do
Brasil...”.
GOES FILHO, Synesio Sampaio. Fronteiras: o estilo negociador do Barão do Rio Branco como paradigma da política
exterior do Brasil. In: CARDIM, Carlos Henrique; ALMINO, João (Org.). Rio Branco, a América do Sul e a modernização
do Brasil. Rio de Janeiro: EMC, 2002. p. 123-125. Disponível em: <http://www.funag.gov.br/biblioteca/index.
php?option=com_docman&task=doc_details&gid=364&Itemid=41>. Acesso em: 31 jul. 2013.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
ETAPAS USUAIS DO ESTABELECIMENTO DAS FRONTEIRAS
POLÍTICAS INTERNACIONAIS
 Definição: operação conceitual na qual é travado um acordo
sobre os princípios gerais para a produção dos limites.
 Delimitação: consiste na fixação dos limites por meio de
tratados internacionais.
 Demarcação: corresponde à implantação física dos limites
por meio da construção de marcos em pontos determinados.
 Densificação ou caracterização: etapa na qual se realiza o
aperfeiçoamento sistemático da materialização da linha
divisória, mediante intercalação de novos marcos, com o
objetivo de torná-los mais facilmente perceptíveis para os
dois lados.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
“ERA RIO BRANCO”
Diferente de outros países da América Latina, o Brasil não
possui
atualmente
conflitos
fronteiriços
relacionados
à
delimitação e fixação de seus limites territoriais.
A maior parte das fronteiras brasileiras foram criadas no
período Imperial e na “era Rio Branco”. A menoria emergiu do
período colonial. A “era Rio Branco” constitui um período
marcado pela figura do Barão do Rio Branco, responsável pela
política externa durante o início do período republicano
brasileiro. A sua obra de fronteiras definiu grande parte das
delimitações do território brasileiro. Defendeu o Brasil nos
Arbitramentos internacionais, que era um modo de resolver os
conflitos fronteiriços, por meio da escolha de um Terceiro
Estado, neutro, que resolvia o problema. O seu principal feito
foi a “questão do Acre”. Na época o Acre pertencia a Bolívia.
Mas com a “corrida da borracha” inúmeros seringueiros
brasileiros foram para o local. Chegaram até mesmo a
conseguir uma efêmera independência. Para contra-atacar, a
Bolívia assinou um acordo com um cartel de empresas norteamericanas, dando a elas o direito de exploração do Acre. Os
seringueiros se revoltaram. O exército boliviano foi posto de
prontidão. É nesse período que entra a figura do barão do Rio
Branco,
onde
por
meio
de
negociações
diplomáticas,
conseguiu tomar o Acre para o Brasil, através do tratado de
Petrópolis. Em troca, o Brasil pagaria uma certa quantia e
construiria
a
ferrovia
madeira-mamoré,
que
escoaria
a
exportação boliviana para as partes navegáveis dos rios
amazônicos.
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BIOGRAFIA DE BARÃO DO RIO BRANCO
Barão do Rio Branco (1845-1912) foi diplomata, advogado,
geógrafo e historiador brasileiro. Formou-se em Direito pela
Faculdade de Direito do Recife. Foi Ministro das Relações
Exteriores durante os mandatos dos presidentes Rodrigues
Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca. Foi
promotor público em Nova Friburgo e deputado por Mato
Grosso, ainda na época do Império. Foi Consul Geral do Brasil
em Liverpool. Resolveu questões de fronteiras entre o Amapá e
a Guiana Francesa, entre Santa Catarina e Paraná contra a
Argentina e entre o Acre e a Bolívia. Foi o segundo ocupante
da Cadeira nº34 da Academia Brasileira de Letras.
Barão do Rio Branco (1845-1912) nasceu no Rio de
Janeiro no dia 20 de abril de 1845, filho de José Maria da Silva
Paranhos o Visconde do Rio Branco. Acompanhou seu pai em
trabalhos no Uruguai, servindo-o como secretário. Ingressou
na Faculdade de Direito de São Paulo, transferindo-se para o
Recife, onde concluiu seus estudos. Foi Promotor Público em
Nova Friburgo, e Deputado Geral pela Província de Mato
Grosso, ainda na época do Império.
Em 1876 foi cônsul geral do Brasil em Liverpool. Logo
depois da Proclamação da República do Brasil, ele foi
nomeado
superintendente
na
Europa,
dos
serviços
de
emigração para o nosso país. Era Ministro do Brasil em Berlim
quando foi convidado pelo Presidente Rodrigues Alves para
dirigir a Pasta das Relações Exteriores. Permaneceu nesta
função durante o mandato de 4 presidentes.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Barão do Rio Branco atuou ativamente nas questões de
fronteiras. Em 1894 defendeu os interesses brasileiros entre
Santa Catarina e Paraná, contra a Argentina. Em 1900 resolveu
a pendência entre o Brasil e a Guiana Francesa sobre a região
do Amapá, recebendo o título de Barão, pela causa. Em 1902
esteve a frente das negociações entre o Acre e a Bolívia.
O Barão do Rio Branco foi professor substituto no
Colégio Pedro II em 1868. Foi presidente do Instituto Histórico
e Geográfico Brasileiro. Escreveu diversas obras entre elas:
Memória Brasileiras, História Militar do Brasil, Efemérides
Brasileiras e Episódios da Guerra do Prata. Foi eleito, em 1 de
outubro de 1898, para a Academia Brasileira de Letras, sendo o
segundo ocupante da Cadeira nº34.
José Maria da Silva Paranhos Júnior, sofrendo de
problemas renais, morreu no dia 10 de fevereiro de 1912, na
cidade do Rio de Janeiro.
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VOCÊ APRENDEU?
No que diz respeito às fronteiras e aos limites atuais do
território brasileiro, assinale a alternativa correta sobre fatos
relativos à sua demarcação e consolidação.
a) Antes mesmo de o país ser uma nação soberana, o território
brasileiro já estava completamente delimitado. Para tanto,
muito contribuiu a assinatura do Tratado de Madri (1750) e do
Tratado de Santo Ildefonso (1777), que separaram as terras
espanholas das terras portuguesas na América.
b) Pela arbitragem ou pelo acordo direto, sem conflitos
armados acirrados que resultaram em grande número de
mortes, até o final do século XVII os diplomatas brasileiros
estabeleceram as fronteiras atuais do território do Brasil, com
base em documentação cartográfica, na história e no princípio
do uti possidetis, ou direito de posse, consagrado no Tratado
de Madri.
c) O trabalho de delimitação foi concluído no século XIX e
contou com a participação ativa de vários diplomatas
brasileiros, notadamente o Visconde do Rio Branco. Nos
primeiros anos do século XX, os graves problemas de limites
ainda pendentes foram solucionados pela ação direta do Barão
do Rio Branco.
d) Com uma fronteira marítima de 7 367 quilômetros, o Brasil
tem limites terrestres com 11 países da América do Sul:
Equador, Chile, Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru,
Colômbia,
Venezuela,
Guiana
e
Suriname,
e
com
o
Departamento Ultramarino Francês da Guiana, em uma
extensão da ordem de 16 886 quilômetros.
30
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3
TERRITÓRIO BRASILEIRO: DO “ARQUIPÉLAGO”
AO “CONTINENTE”
31
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Observando a localização do Distrito Federal nos três
mapas. Podemos relacionar sua localização em 1940 e a atual
com a abrangência dos espaços realmente integrados à
economia nacional.
A
construção
e
a
localização
de
Brasília
(1961)
promoveram um avanço dos espaços realmente integrados à
economia nacional, antes restritos às áreas de influência das
capitais dos Estados do Nordeste ou São Paulo e Rio de
Janeiro (antiga capital federal).
Os grandes eixos rodoviários indicados no mapa c Anos
1990 auxiliam essa consideração, permitindo não somente a
visualização como também a explicação de uma das razões
fundamentais da integração territorial ocorrida no Brasil nas
últimas quatro décadas do século XX.
Analisando a evolução do “tamanho” das capitais e das
suas respectivas zonas de influência nos três mapas estão
associadas à expansão dos espaços realmente integrados à
economia
nacional
com
a
importância
econômica
e
populacional das capitais dos Estados brasileiros estão
relacionadas à magnitude de São Paulo e do Rio de Janeiro na
década de 1990 (e, ainda, atualmente) diante de outras capitais
tanto em função de sua importância econômica no passado,
como também da centralidade política exercida pelo Rio até a
mudança da capital federal para Brasília, na década de 1960.
No mapa relativo aos anos 1890, o sentido da principal
corrente migratória parte dos Estados do Nordeste brasileiro
(em particular, do Ceará) em direção ao Estado do Amazonas e
outros da Grande Região Norte. Consultando o mapa da Figura
4 (Situação de Aprendizagem 1), podemos identificar que a
32
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
busca por drogas do sertão e o surto da borracha consistiram
nas principais atividades econômicas que impulsionaram esse
fluxo migratório.
No mapa referente aos anos 1940, os Estados que
estavam realmente integrados à economia nacional eram São
Paulo,
Rio
de
Janeiro,
Espírito
Santo,
Minas
Gerais
e,parcialmente,Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e áreas
próximas ao litoral de Estados do Nordeste (com exceção do
Ceará, do Piauí e do Maranhão).
33
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
O MEIO NATURAL E MEIO TÉCNICO
O meio natural é aquele regulado pelas dinâmicas da
natureza, ainda que nele as técnicas também estejam
presentes. Devem perceber, ainda, que as transformações do
meio natural ocorrem lentamente, ao contrário das que
ocorrem no meio técnico, que se dão rapidamente devido ao
uso das máquinas.
Na
coleção
de mapas,
Brasil: do
arquipélago
ao
continente percebe-se o povoamento concentrado no litoral e
ao longo dos rios, dada a importância dessas áreas para o
transporte e dos recursos naturais nelas existentes para a
subsistência das populações (nas áreas mais distantes da
costa – o sertão –, uma população dispersa se ocupava da
criação extensiva de gado e culturas de subsistência, sendo
que as comunicações eram difíceis). No mapa referente aos
anos 1890, a ausência de integração é outra característica que
pode ser associada ao meio natural: nota-se que as áreas
econômicas mais ativas e densamente povoadas estavam
isoladas umas das outras, comunicando-se apenas por via
marítima (influência do meio natural). O meio técnico surge
quando o ser humano começa a se sobrepor em relação ao
“império da natureza” por intermédio da construção de
sistemas técnicos. Os mapas Brasil: do arquipélago ao
continente (anos 1890 e 1940) correspondem a períodos nos
quais os sistemas técnicos foram adensados no território
brasileiro por meio da incorporação das máquinas (telégrafos,
ferrovias, portos etc.) de forma seletiva. A emergência do meio
técnico esteve na origem das desigualdades regionais. No
século XIX, por exemplo, com o desenvolvimento da economia
34
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
cafeeira no Sudeste, verifica-se uma nova inflexão no processo
de valorização do território brasileiro (o que também coincide
com a transição entre o meio natural e o meio técnico). Suas
principais características foram:
 A construção de sistemas técnicos, com o surgimento de
setores comerciais e bancários, associados às novas
condições de transportes e comunicações (estrada de ferro,
telégrafo e cabo submarino);
 A relativa integração do território que, no início do século
XX, era constatada em torno do Rio de Janeiro e de São
Paulo, mas que, no entanto, não era efetiva nas demais
regiões do país, que mantinham com esses centros relações
tênues e esporádicas;
 A
industrialização,
cujo
desenvolvimento
ocorreu
intensamente em São Paulo e arredores, permitindo que a
cidade e o Estado adquirissem papel central na vida
econômica do país;
 A ocupação produtiva do território que, na década de 1950,
foi favorecida em virtude da ampliação dos esforços para
equipar o espaço nacional com vias de circulação e
infraestrutura, fortalecendo as relações entre o Sudeste e as
demais regiões;
 A construção de Brasília, a nova capital do país, durante o
governo Juscelino Kubitschek (1956-1961), foi o marco
representativo do processo de interiorização, expandindo-o
em direção ao Centro-Oeste e à Amazônia;
 E, por último, esse conjunto de processos ajudou a
consolidar uma configuração territorial que favoreceu o
Estado de São Paulo, cuja capital firmou-se como a
35
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
metrópole
econômica
do
país
(aspecto
claramente
representado nos mapas relativos aos anos 1940 e 1990).
O conceito de meio técnico-científico-informacional referese ao meio geográfico atual, cujo surgimento ocorreu a partir
da década de 1970. Sua técnica é a fusão das tecnologias da
informação com as telecomunicações, gerando as novas
tecnologias
da
informação.
No
que
diz
respeito
às
transformações no território brasileiro decorrentes do meio
técnico-científico-informacional, podemos destacar:
Aspectos relacionados à infraestrutura e à integração
nacional,
como:
aproveitamento
das
principais
bacias
hidrográficas para a produção de eletricidade; modernização
dos portos; construção de ferrovias orientadas para produtos
especializados; desenvolvimento da rede rodoviária com a
construção de autopistas nos principais eixos de circulação e
de estradas vicinais (principalmente nas áreas de maior
densidade econômica);instalação de rede de telecomunicações
de alcance em todos os municípios, viabilizando o contato dos
lugares com o restante do mundo;
Aspectos associados à diversificação econômica e à
desconcentração industrial: ou seja, a partir das bases do
desenvolvimento criadas anteriormente (sucessivos meios
técnicos),
a
indústria
tornou-se
diversificada,
inclusive
iniciando sua desconcentração; a agricultura, por sua vez, se
modernizou no Sul e no Sudeste e em outras regiões, nas
quais se destacam os Estados do Mato Grosso do Sul, Mato
Grosso, Goiás e Bahia;
Aspectos relacionados à nova fase de urbanização: se, por
um lado, nos primeiros 450 anos da história do Brasil, o
36
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
povoamento e a urbanização foram praticamente litorâneos,
atualmente constata-se um país com uma taxa de urbanização
superior a 75% e diversos níveis e tipos de cidade. Fatos
semelhantes expressam que o país passa por uma nova fase
de organização do espaço e de urbanização, fundada em uma
vida de relações mais extensas e mais intensas. Desde a
década de 1970, constata-se a difusão do fenômeno urbano em
todas
as
regiões
(urbanização
do
território),
com
a
multiplicação do número de cidades locais, a criação de
numerosas cidades médias em todos os Estados. Ao mesmo
tempo, há o surgimento de novas grandes cidades;
Aspectos relacionados à região concentrada, que representa
a
expressão
mais
intensa
do
meio
técnico-científico-
informacional, pois essa é a área onde se verificam de modo
contínuo os acréscimos de ciência e tecnologia ao território.
Embora sinais de modernização sejam constatados em todo o
território, essa região é formada pelos Estados do Sul e do
Sudeste. Reúne o essencial da atividade econômica do país,
com São Paulo mantendo o papel de metrópole nacional,
baseado em sua condição de centro informacional e de
serviços, e não mais apenas como centro industrial.
Atualmente
a
presença
do
meio
técnico-científico-
informacional no espaço brasileiro fazem parte do cotidiano de
muitos
brasileiros
como,
por
exemplo,
os
produtos
industrializados relacionados aos meios de comunicação e de
informação
(telefones
celulares,
TV,
internet),
além
da
facilidade de obter informações sobre fatos de outras regiões
ou países pelo acesso às redes de informação.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Bye, Bye, Brasil - Chico Buarque
Oi, coração
Não dá pra falar muito não
Espera passar o avião
Assim que o inverno passar
Eu acho que vou te buscar
Aqui tá fazendo calor
Deu pane no ventilador
Já tem fliperama em Macau
Tomei a costeira em Belém do
Pará
Puseram uma usina no mar
Talvez fique ruim pra pescar
Meu amor
Bom mesmo é ter um caminhão
Meu amor
Baby, bye bye
Abraços na mãe e no pai
Eu acho que vou desligar
As fichas já vão terminar
Eu vou me mandar de trenó
Pra Rua do Sol, Maceió
Peguei uma doença em Ilhéus
Mas já tô quase bom
Em março vou pro Ceará
Com a benção do meu orixá
Eu acho bauxita por lá
Meu amor
No Tocantins
O chefe dos parintintins
Vidrou na minha calça Lee
Eu vi uns patins pra você
Eu vi um Brasil na tevê
Capaz de cair um toró
Estou me sentindo tão só
Oh, tenha dó de mim
Pintou uma chance legal
Um lance lá na capital
Nem tem que ter ginasial
Meu amor
Bye bye, Brasil
A última ficha caiu
Eu penso em vocês night and day
Explica que tá tudo okay
Eu só ando dentro da lei
Eu quero voltar, podes crer
Eu vi um Brasil na tevê
Peguei uma doença em Belém
Agora já tá tudo bem
Mas a ligação tá no fim
Tem um japonês trás de mim
Aquela aquarela mudou
Na estrada peguei uma cor
Capaz de cair um toró
Estou me sentindo um jiló
Eu tenho tesão é no mar
Assim que o inverno passar
Bateu uma saudade de ti
Tô a fim de encarar um siri
Com a benção de Nosso Senhor
O sol nunca mais vai se pôr
No Tabariz
O som é que nem os Bee Gees
Dancei com uma dona infeliz
Que tem um tufão nos quadris
Tem um japonês trás de mim
Eu vou dar um pulo em Manaus
Aqui tá quarenta e dois graus
O sol nunca mais vai se pôr
Eu tenho saudades da nossa
canção
Saudades de roça e sertão
Composição:
Menescal
38
Chico
Buarque
/
Roberto
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
ANALISE DA LETRA: BYE, BYE, BRASIL
A letra da música, escrita em 1979, é uma espécie de
“prenúncio” da nova configuração do Brasil, cada vez mais
integrado pela rede urbana e pelos circuitos produtivos, cujo
centro de gravidade econômica gira em torno do eixo Rio de
Janeiro - São Paulo. Dessa forma, Bye, Bye, Brasil pode ser
considerada, ao mesmo tempo, um “adeus” ao país que tinha
como base o padrão espacial do pós-guerra e “boas-vindas” à
nova configuração territorial.
A melodia apresenta diferenças sutis (às vezes, apenas
uma nota entre frases aparentemente iguais) e harmonia
sugestiva com sucessão de acordes improvisados, além de
ritmo e andamento dinâmicos.
O arranjo relaciona esse aspecto com a construção de um
mapa
afetivo
da
nação
brasileira
e
a
percepção
das
transformações pelas quais passava o Brasil nas duas décadas
que antecederam 1979, com a modernização da sociedade.
39
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO - PAC
DEFINIÇÃO
PAC é a sigla para Programa de Aceleração do Crescimento.
É um plano do governo federal que visa estimular o crescimento da
economia brasileira, através do investimento em obras de
infraestrutura (portos, rodovias, aeroportos, redes de esgoto,
geração de energia, hidrovias, ferrovias, etc.).
LANÇAMENTO E OBJETIVOS
O PAC foi lançado pelo governo Lula no dia 28 de janeiro
de 2007, prevendo investimentos da ordem de 503,9 bilhões de
reais até o ano de 2010.
O capital utilizado no PAC é originário das seguintes
fontes principais: recursos da União (orçamento do governo
federal), capitais de investimentos de empresas estatais
(exemplo: Petrobrás) e investimentos privados com estímulos
de investimentos públicos e parcerias.
Ao lançar o PAC, o governo federal anunciou uma série
de
medidas
cujo
principal
objetivo
é
favorecer
a
implementação dos projetos. Entre estas medidas, podemos
citar a desoneração tributária para alguns setores, medidas na
área ambiental para dinamizar o marco regulatório, estimulo ao
financiamento e crédito, medidas de longo prazo na área fiscal.
Em fevereiro de 2009, o governo federal anunciou um
aporte de 142 bilhões de reais para as obras do PAC. Estes
recursos extras foram usados para gerar mais empregos no
país, diminuindo o impacto da crise mundial na economia
brasileira.
40
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
PAC 2
Em 2011 foi lançada a segunda fase do programa pelo
governo Dilma. O PAC 2, com os mesmos objetivos do anterior,
teve aporte de novos recursos, aumentando a parceria com
estados e municípios. Entre os anos de 2011 e 2014, o governo
espera fazer investimentos, através do PAC 2, da ordem de R$
955 bilhões. Estes investimentos tem sido de fundamental
importância para aumentar o nível de emprego no país,
melhorar a infraestrutura e garantir o desenvolvimento
econômico em todas as regiões do Brasil.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
VOCÊ APRENDEU?
Observe o mapa e assinale a alternativa correta sobre o
critério utilizado na regionalização do Brasil.
Regiões brasileiras
a) O mapa retrata a nova divisão regional do Brasil proposta pelo IBGE
em 2007, tendo por base a densidade demográfica e a expansão
industrial.
b) O mapa reflete a divisão regional do Brasil por regiões geoeconômicas,
subdividindo-o em três complexos regionais. Formulada pelo geógrafo
Pedro Pinchas Geiger, sua primeira versão é de 1967 e, no plano especial,
espelha os resultados da integração promovida pela concentração
industrial no Sudeste, além de levar em consideração o grau de
polarização econômica em cada uma das regiões. Os principais critérios
para essa regionalização foram a história da ocupação do espaço
geográfico e as diferenças socioeconômicas.
42
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
c) O mapa retrata a tradicional divisão regional do Brasil formulada pelo
IBGE a partir de 1969. O Brasil é dividido em macrorregiões homogêneas,
agrupando Estados com características comuns por critérios naturais,
econômicos e demográficos. Para sua delimitação foram utilizados
critérios como a análise de população, formas de ocupação do solo,
aspectos culturais, hábitos e tradições e também o estágio de
desenvolvimento de cada região.
d) O mapa organiza uma síntese das regionalizações do Brasil segundo
critérios como formas de ocupação do solo, aspectos culturais, hábitos e
tradições das populações dos Estados brasileiros.
e) O mapa representa a proposta do geógrafo Milton Santos, divulgada
em 2001. Diante de outras divisões regionais do Brasil, determina um
novo conjunto regional que se estende de Minas Gerais ao Rio Grande do
Sul, tendo por núcleo o Estado de São Paulo. Essa divisão regional
baseia-se no impacto da revolução técnico-científica na vida de relações
do território brasileiro, acompanhada pela densidade dos fluxos de
capital, mercadorias, pessoas e informações.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4
O BRASIL E A ECONOMIA GLOBAL:
MERCADOS INTERNACIONAIS
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
ANALISANDO O MAPA E A TABELA
BALANÇA COMERCIAL, SUPERÁVIT E DÉFICIT
“Balança comercial” é o termo utilizado para representar
as importações e exportações de um país. Quando o saldo da
balança comercial é positivo, significa que as exportações são
maiores que as importações e, portanto, há superávit; quando
o saldo da balança comercial é negativo, há déficit.
Há correspondência entre o título e a legenda do mapa.
Nele, estão demonstrados os principais mercados para os
quais o Brasil exporta seus produtos e os principais mercados
dos quais o Brasil importa produtos.
Analisando o mapa, identificamos que os Estados Unidos,
Argentina, México, países europeus, Japão, China, Coreia do
Sul, Índia e Nigéria mantém intensas relações comerciais com
o Brasil.
Observando no mapa as semicircunferências notamos
que os Estados Unidos e a China têm grande participação no
comércio exterior brasileiro com destaque às exportações para
a China e as importações para a Nigéria.
Comparando o mapa e as tabelas percebemos que a
China, Estados Unidos, Argentina e Alemanha foram os quatro
países que mais exportaram para o Brasil em 2012.
No caso da China e da Argentina, o saldo comercial é
positivo, ou seja, o volume da exportação de produtos
brasileiros é maior do que o volume de produtos importados.
Com relação à Alemanha e aos EUA, o saldo da balança
comercial é negativo porque o Brasil importa mais produtos do
que exporta.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
A China foi o país que mais importou produtos brasileiros
em 2012.O volume das exportações brasileiras para a China de
2011 para 2012 caiu em 7%. Ainda assim, a China manteve-se
como o principal país comprador do Brasil.
G-3 OU FÓRUM IBAS
G-3 ou Fórum Ibas (Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África
do Sul).O Ibas foi estabelecido em 6 de junho de 2003,
mediante a “Declaração de Brasília”. Suas metas principais são
aproximar
as posições dos três países em instâncias
multilaterais, desenvolver a cooperação comercial, científica e
cultural no âmbito Sul-Sul e democratizar a tomada de decisão
internacional no âmbito de fóruns e organismos internacionais.
Os países do Ibas buscam interesses convergentes, como
reformar o Conselho de Segurança das Nações Unidas e mudar
a política de subsídios agrícolas praticada pelos países
desenvolvidos.
Em função desses objetivos comuns, defendem uma
ordem internacional multipolar, estruturada com maior atenção
aos países em desenvolvimento.
O QUE É O G-20
O G-20 foi criado em Cancún, no México, em 2003, sob a
liderança do Brasil. Consiste em um grupo formado por cerca
de
20
países,
tanto
desenvolvidos
como
também,
e
principalmente, emergentes e em desenvolvimento, que lutam
por ampliar suas participações no comércio global.
Junto à OMC, o G-20 busca a redução dos subsídios
agrícolas que os países desenvolvidos concedem aos seus
47
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
produtores rurais, de forma a ampliar a participação dos países
emergentes no comércio mundial de alimentos.
“A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA E A
COOPERAÇÃO SUL-SUL”.
Cooperação Sul-Sul é a modalidade de cooperação
técnica internacional que se dá entre países em
desenvolvimento, que compartilham desafios e experiências
semelhantes. Ela difere da tradicional Cooperação Norte-Sul
(onde países desenvolvidos do Hemisfério Norte colaboram
com países em desenvolvimento do Hemisfério Sul).
A Cooperação Sul-Sul é uma das prioridades da política
externa brasileira. Na última década, o Brasil tem investido
esforços e recursos em programas voltados para países da
América Latina e Caribe, África e Ásia, através da Agência
Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Ministério das
Relações Exteriores. Por essa razão, o Brasil foi o primeiro país
a ter Cooperação Sul-Sul como parte integrante do Programa
de País do UNFPA acordado com o Governo.
Desde 2002, o UNFPA Brasil desenvolve iniciativas de
Cooperação Sul-Sul. Tal Cooperação está baseada nas
capacidades de indivíduos e instituições brasileiras e visa
maximizar
a
troca
de
boas
práticas
para
atender
às
necessidades de países parceiros.
- O UNFPA Brasil e o Governo Brasileiro financiam
conjuntamente as iniciativas Sul-Sul em população.
48
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
- A Agência Brasileira de Cooperação/Ministério das
Relações Exteriores e o UNFPA articulam necessidades
concretas e pareceiros potenciais para atendê-las.
Na área de Cooperação Sul-Sul, o UNFPA apoiou a
cooperação entre países no que se refere a análises
demográficas,
serviços
de
saúde
sexual
e
reprodutiva
amigáveis para jovens, questões de gênero, incluindo atenção
às mulheres em situação de violência, e saúde dos homens.
Durante o último Programa de País (2007/2011), iniciativas de
Cooperação Sul-Sul com o Brasil beneficiaram 15 países da
América Latina e Caribe, África e Ásia.
No atual Programa de País, o objetivo em Cooperação
Sul-Sul é ampliar a capacidade das instituições nacionais em
implementar iniciativas que promovam o Programa de Ação da
Conferência Internacional de População e Desenvolvimento por
meio dessa modalidade de cooperação, em parceria com o
UNFPA. Isso será alcançado através de:
a)
produzir,
Fortalecimento
analisar
e
das
capacidades
disseminar
dados
nacionais
para
populacionais
e
indicadores que contribuam para as políticas, planos e
programas em nível nacional e internacional;
b) Construção e expansão de parcerias com instituições
nacionais para desenvolver habilidades para os esforços de
Cooperação Sul-Sul em questões relacionadas com o Plano de
Ação da CIPD; e
49
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
c) Construção de estratégias e ferramentas para gestão
do conhecimento em Cooperação Sul-Sul a fim de garantir a
qualidade das iniciativas de cooperação, bem como para
identificação e documentação de boas práticas.
VOCÊ APRENDEU?
Uma das características do setor agropecuário, na
atualidade, é a alta especialização produtiva, que reforça a
necessidade de circulação de alimentos pelo planeta. Como,
todavia, os custos de produção são muito distintos nas
diferentes porções do globo, políticas de subsídios agrícolas e
de barreiras protecionistas foram e continuam sendo adotadas
por alguns Estados, no sentido de proteger seus produtores
rurais. Sobre políticas de subsídios agrícolas e barreiras
protecionistas:
Os Estados Unidos (EUA) e os países da União Europeia
(UE) poderão ser citados pelos alunos como os que utilizam
subsídios agrícolas. Entre outros produtos, os EUA subsidiam
milho, trigo, soja e suco de laranja. A UE, por sua vez, subsidia
principalmente cereais, como trigo e milho, além de carne e
leite,
erguendo
barreiras
fitossanitárias
para
impedir
a
importação, comprometendo inclusive as exportações de carne
brasileira. Na UE, desde a década de 1960, a existência da PAC
(Política Agrícola Comum) garante subsídios agropecuários
para todos os países-membros. No interior da UE, a França se
destaca
como
um
dos
países
manutenção dos subsídios.
50
que
mais
defendem
a
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Existem vários exemplos dos resultados alcançados pela
ação brasileira contra os subsídios, como a vitória do Brasil
junto à OMC (Organização Mundial de Comércio) contra os
subsídios estadunidenses para o aço e o algodão. Nos últimos
anos, o governo brasileiro fortaleceu seu compromisso com a
defesa
de
um
comércio
mais
igualitário
entre
países
desenvolvidos e subdesenvolvidos. entendimento do espaço
industrial brasileiro.
Aliam-se ao trabalho conceitual a perspectiva histórica e a
abordagem sobre a atual distribuição espacial da atividade
industrial no território nacional e, em particular, no Estado de
São Paulo. Além do auxílio de registros culturais diversos,
esse conteúdo é problematizado recorrendo-se à leitura,
interpretação e comparação de mapas distintos.
51
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 5
OS CIRCUITOS DA PRODUÇÃO (I):
ESPAÇO INDUSTRIAL
52
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
ANALISE DA LETRA DA CANÇÃO TRÊS APITOS, DE
NOEL ROSA, E OBSERVE A REPRODUÇÃO DA OBRA
OPERÁRIOS, DE TARSILA DO AMARAL
A letra da canção refere-se ao ritmo de trabalho nas
fábricas de tecidos, pioneiras do processo de industrialização
brasileira, cuja implantação em grande escala teve início nas
primeiras
décadas
do
século
XX.
A
tela
representa
pictoricamente a formação do operariado industrial, ocorrida
na mesma época.
Na década de 1930, o Brasil vivia um surto de
industrialização sem precedentes na história, alavancado pela
política
desenvolvimentista
e
cujo
fundamento
era
a
construção de um parque industrial que contemplasse todas as
etapas do processo produtivo, incluindo-se indústrias de base,
de bens intermediários e de bens de consumo.
O material analisado fornece pistas importantes sobre o
cotidiano do operariado de origem rural e sobre sua
diversidade étnica, intensificada com a imigração, direcionada
para as cidades em processo de industrialização. Além disso,
houve a transformação da paisagem urbana resultante da
construção de fábricas e moradias, principalmente no Rio de
Janeiro e em São Paulo.
53
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
VARGAS E AS BASES DO DESENVOLVIMENTO
[...] Em seus 19 anos de governo, e especialmente no
último mandato, Getúlio promovera a criação de uma série de
agências para estudar, formular e implementar políticas de
desenvolvimento, sempre dentro de uma ótica que valorizava a
ação do Estado, a iniciativa local e o nacionalismo. Entre esses
empreendimentos
Desenvolvimento
figuravam
Econômico
o
Banco
(BNDE,
Nacional
hoje
BNDES)
de
e
a
Petrobras, e ainda vários outros, de caráter setorial ou
regional,
como
o
Plano
Nacional
do
Carvão,
a
Superintendência do Plano de Valorização Econômica da
Amazônia, o Banco do Nordeste, que visavam o mesmo
objetivo de promover o desenvolvimento econômico a partir do
dirigismo estatal.
Grande
parte
desse
trabalho
de
planejamento
foi
elaborada pela Assessoria Econômica da Presidência da
República criada por Getúlio em 1951 e comandada por
técnicos de recorte nacionalista [...].Uma das tarefas desse
grupo foi exatamente a de planejar a instalação de uma
indústria automobilística para o país, o que se tornaria uma das
marcas registradas da administração de JK. A exemplo de
Vargas, JK incentivou a formação de comissões técnicas que
deram
continuidade
a
estudos
em
andamento.
Essas
comissões ou grupos de trabalho tinham sido amplamente
acionadas por Vargas como instrumentos para contornar a
tradição clientelística do Brasil e facilitar a formação de
bolsões de excelência capazes de lidar com questões de
planejamento que exigissem decisões rápidas [...].
54
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JK beneficiou-se de um aparelho de Estado já montado,
com capacidade de planejar, taxar, executar, financiar e cobrar,
para pôr em marcha um plano de governo que lhe daria
notoriedade. Valeu- se do planejamento, que já era uma marca
registrada no país desde os anos 30, e dos corpos técnicos
que o Brasil havia formado. A par de tudo isso, soube dar
legitimidade política às suas ações prestigiando as instituições
representativas
e
domesticando
os
descontentamentos
militares. Maximizou os recursos que o país tinha e criou fatos
novos (como a construção de Brasília), sempre orientado pela
visão estadocêntrica de desenvolvimento, tão predominante na
época [...].
O Brasil que Vargas deixou. In: Os anos JK. Rio de Janeiro: CPDOC/FGV. Disponível em:
<http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/OBrasilQueVargasDeixou/BasesDesenvolvimento>. Acesso
em: 31 jul. 2013
55
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
ANALISE DE TEXTO E IMAGEM
A Companhia Siderúrgica Nacional foi um marco no
desenvolvimento da indústria de base no Brasil, produzindo
lâminas
de
aço
e
chapas
semiprocessadas,
insumos
fundamentais para o abastecimento das indústrias de bens de
consumo. Construída durante a Segunda Guerra Mundial (19411945) e inaugurada em 1946, a fábrica cumpriu um papel
estratégico para a economia nacional, uma vez que os países
centrais interromperam a exportação desses bens.
De acordo com o texto, Além de inúmeras estatais
fundamentais para o desenvolvimento nacional, tais como a
Petrobras e o BNDES, Juscelino Kubitschek herdou da Era
Vargas um corpo técnico e administrativo organizado sob a
ótica da intervenção direta do Estado na economia.
Segundo o texto, Juscelino Kubitschek manteve uma
“visão estadocêntrica de desenvolvimento” ao assumir a
Presidência da República, porque, no governo do presidente
JK, as ações estatais e o planejamento se mantiveram como
motores do desenvolvimento do país. Assim, os planos de
investimentos
do
Estado
se
tornaram
dinamização econômica e de desenvolvimento.
56
estratégias
de
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
A industrialização fazia parte do Plano Nacional de
Desenvolvimento, elaborado em 1955 pela equipe de
governo de Juscelino Kubitschek. Com o lema “crescer
50
anos
em
5”,
esse
plano
ficou
conhecido
simplesmente por Plano de Metas. Leia mais sobre ele
no texto a seguir.
57
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
ANALISE DE TEXTO E IMAGEM
O período de maior investimento foi o do segundo e
terceiro anos de mandato (1958 e 1959). Na perspectiva de JK e
sua equipe, esse grande volume de investimentos geraria um
maior dinamismo econômico ao país.
De acordo com o texto, energia, transporte e indústria de
base foram os setores considerados prioritários para os
investimentos no Plano de Metas.
A indústria de base era considerada fundamental para a
aceleração do processo de industrialização brasileira,porque
esse setor industrial é responsável pelo fornecimento de
insumos e máquinas necessários para o funcionamento da
indústria de bens de consumo.
58
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A INDUSTRIALIZAÇÃO DO BRASIL
DE 1930 A 1945 E DE 1951 A 1954, COM A POLÍTICA
NACIONALISTA DA ERA VARGAS
Vargas criou a Justiça do Trabalho (1939), instituiu o
salário mínimo, a Consolidação das Leis do Trabalho, também
conhecida por CLT. Os direitos trabalhistas também são frutos
de seu governo: carteira profissional, semana de trabalho de 48
horas e as férias remuneradas.
GV investiu muito na área de infraestrutura, criando a
Companhia Siderúrgica Nacional (1940), a Vale do Rio Doce
(1942), e a Hidrelétrica do Vale do São Francisco (1945). Em
1938, criou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística). Saiu do governo em 1945, após um golpe militar.
O SEGUNDO MANDATO
Em 1950, Vargas voltou ao poder através de eleições
democráticas. Neste governo continuou com uma política
nacionalista. Criou a campanha do " Petróleo é Nosso" que
resultaria na criação da Petrobrás.
DE 1956 A 1961, COM O PLANO DE METAS DO GOVERNO JK
O Plano de Metas foi um importante programa de
industrialização e modernização levado a cabo na presidência
de Juscelino Kubitschek, na forma de um "ambicioso conjunto
de objetivos setoriais", que "daria continuidade ao processo de
substituição de importações que se vinha desenrolando nos
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
dois
decênios
anteriores.Bandeira
importante
de
sua
campanha eleitoral, "constituiu o mais completo e coerente
conjunto de investimentos até então planejados na economia
luxemburguense
.
O
plano,
que
contemplou
apenas
marginalmente o setor industrial, continha metas tanto para o
setor público como para o privado, e foi consideravelmente
mal-sucedido, impulsionando um período de crescimento
econômico acelerado, às custas de um alto endividamento
público. Apesar de ter sido realizada na presidência de
Juscelino, o plano teve consequências em administrações
futuras.
DE 1964 A MEADOS DE 1980, PLANOS ECONÔMICOS DO
BRASIL - REGIME MILITAR
Os governos militares, que se sucederam no poder por 21
anos após a derrubada do Presidente João Goulart, realizaram
reformas constitucionais visando recuperar o dinamismo
econômico do país. Tais reformas contribuíram para a forte
desaceleração do ritmo inflacionário, mas extrapolaram para
um quadro recessivo, que acarretou elevado custo social. Em
1965 foi criado o Banco Central do Brasil, em substituição à
antiga Superintendência da Moeda e do Crédito – SUMOC,
absorvendo igualmente funções normativas e executivas antes
a cargo do Banco do Brasil. No período 1968-1973, o país
viverá o chamado milagre econômico, registrando altas taxas
de crescimento, em função da ampla disponibilidade de
recursos financeiros provenientes dos países desenvolvidos,
mas essa estabilidade econômica é interrompida pela crise
60
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
mundial do petróleo. No governo Geisel foi lançado o Plano
Nacional de Desenvolvimento, para reajustar a economia em
face da escassez mundial de petróleo, acelerando-se o
processo de substituição das importações, com ênfase nos
bens de capital e na eletrônica pesada. No início da década de
1980, verifica-se a desaceleração do processo de crescimento
econômico e a expansão de tendências inflacionárias, num
quadro de distensão política que iria culminar na campanha
das Diretas Já, que exigia o retorno ao estado democrático.
1 cruzeiro novo, Tesouro Nacional, 1967
O período conheceu grandes alterações dos padrões
monetários, com mudanças nos nomes e valores das moedas.
Em 1965, o governo de Castelo Branco decreta nova reforma
monetária, criando o cruzeiro novo, simbolizado por NCr$ e
equivalente a 1.000 cruzeiros antigos, que passou a vigorar a
partir de 1967. Foi aposto um carimbo nas cédulas de 10.000,
5.000, 1.000, 500, 100, 50 e 10 cruzeiros, que passaram a valer,
respectivamente, 10, 5, 1 cruzeiros novos, e 50, 10, 5 e 1
centavos. Porém, antes da entrada em circulação das cédulas
do cruzeiro novo, uma resolução do Conselho Monetário
Nacional, em 1970, determina o retorno à designação cruzeiro,
mantendo-se a equivalência de valores com o extinto cruzeiro
novo e voltando à representação Cr$. Por essa época, a Casa
61
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
da Moeda foi reequipada, passando a dispor de condições
técnicas para fabricar todo o nosso meio circulante.
Organizou-se um concurso para o desenho das novas
cédulas, tendo saído vencedor o designer Aloísio Magalhães. O
projeto constituiu verdadeira renovação na área, apresentando
cédulas com cores e tamanhos diferenciados, aumentando
conforme o valor nominal.
500 cruzeiros, Banco Central do Brasil,estampa A, 1972
Em
1972,
comemorando
o
sesquicentenário
da
Independência, foram colocadas em circulação as cédulas de
500 cruzeiros e, em 1978, as de 1.000 cruzeiros, que ficaram
conhecidas como barão, por trazerem a efígie do Barão do Rio
Branco. Essa nota antecipava o aparecimento de nova família
de cédulas, igualmente idealizadas por Aloísio Magalhães,
cujos demais valores – 5.000, 500, 200 e 100 – entraram em
circulação em 1981. Apresentavam a característica de permitir
a leitura das efígies, valores e legendas em qualquer sentido.
Até 1985, ainda foram lançadas cédulas de 100.000, 50.000 e
10.000 cruzeiros (a primeira com a imagem de Juscelino
Kubitschek, refletindo a abertura política da época), idealizadas
em conjunto pela Casa da Moeda e pelo Banco Central do
Brasil.
62
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
1000 cruzeiros, Banco Central do Brasil, estampa A, 1978
No que diz respeito às moedas, foram lançadas, a partir
de 1967, peças de 50 centavos de níquel, cuproníquel ou aço
inoxidável; 20 e 10 centavos em cuproníquel; e 5, 2 e 1
centavos em aço inoxidável, cunhadas pela Casa da Moeda do
Rio de Janeiro. em 1972, ainda em comemoração ao
sesquicentenário da Independência, foram cunhadas moedas
de 1 cruzeiro em níquel, 20 cruzeiros em prata e 300 cruzeiros
em ouro, todas com as efígies do imperador D. Pedro I e do
Presidente Médici. Entre 1975 e 1978, as moedas de 5, 2 e 1
centavos, então de aço inoxidável, tiveram suas características
alteradas para relacioná-las com a campanha Alimentos Para
Todos, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação
e a Agricultura – FAO. Em 1975, em comemoração do 10°
aniversário do Banco Central, acontece o lançamento da
moeda de 10 cruzeiros, em prata. Em 1979, foram cunhadas
moedas de aço inoxidável, de módulo e peso menores, nos
valores de 10, 5 e 1 cruzeiros e de 1 centavo. Em 1981,
completando essa série, emitiram-se as de 50 e 20 cruzeiros.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
As moedas de 500, 200 e 100 cruzeiros, cunhadas em
1985 e 1986, circularam por pouco tempo, perdendo seu valor
nesse último ano.
A partir de 1945, o Banco do Brasil passa a dividir com a
recém-criada Superintendência da Moeda e do Crédito –
SUMOC as funções de autoridade monetária nacional; suas
atividades conjugadas equivaliam às de um banco central.
Quanto às moedas, em 1956, as divisionárias de bronzealumínio de 2 e 1 cruzeiros e 50 centavos sofreram reduções de
módulo (diâmetro) e passaram a estampar as armas da
República. A elevação extraordinária do preço dos metais à
época leva em seguida o governo a empregar apenas o
alumínio na fabricação dessas moedas e bem assim nas de 20
e 10 centavos. Em 1962, a cunhagem de centavos foi suspensa
e, em 1964, finalmente extinta.
Em 1961, a Casa da Moeda do Brasil, num projeto
inteiramente desenvolvido e executado no país, na tentativa de
nacionalizar a produção de nosso papel-moeda, lança a nota de
5 cruzeiros, que ficou popularmente conhecida como a cédula
do índio, por trazer em um dos lados o perfil de um aborígine e,
no outro, uma reprodução da vitória-régia. Em 1962, o
crescimento da inflação determinou o lançamento da cédula de
5.000 cruzeiros.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
A CHAMADA "DÉCADA PERDIDA"(1980)
A década perdida é uma referência à estagnação
econômica vivida pela América Latina durante a década de
1980, quando se verificou uma forte retração da produção
industrial e um menor crescimento da economia como um
todo. Para a maioria dos países, a década de 80 é sinônimo de
crises econômicas, volatilidade de mercados, problemas de
solvência externa e baixo crescimento do PIB ou no caso do
Brasil houve inclusive queda.
No Brasil, a década de 80 trouxe o final do ciclo de
expansão
vivido
nos
anos
70
(milagre
econômico).
Possui por características grande desemprego, estagnação da
economia e índices de inflação extremamente elevadas. Houve
também, na década perdida, perda do poder de consumo da
população. Na década perdida há um aumento da dívida
externa fazendo que aumente o déficit fiscal.E descreveria os
dez anos de colapso da economia japonesa enfrentou na
década de 1990, mais precisamente dos anos de 1991 até o ano
2000 sendo que no Japão ficou conhecida também por A
década perdida.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
A DÉCADA DE 1990, O NEOLIBERALISMO E A
GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA
A década de 1990, o neoliberalismo e a globalização da
economia em um período marcado pela abertura econômica e
pela política de privatizações.
O neoliberalismo começou em 1979 e 1980 com a dupla
Reagan e Thatcher – EUA e Inglaterra – (alguns dizem que
experimentaram alguns anos antes no Chile de Pinochet).O
Brasil não havia adotado o neoliberalismo, por isso, os
chamados “entreguistas” deveriam correr...Nosso FHC chamou
alguns de seus amigos economistas, entre eles, o famoso
Daniel Dantas, para criar um plano que, ao mesmo tempo que
fosse digerível para o povo, abrisse as portas do nosso país.
Era o nascimento do Plano Real.Pensou em entregar para o
Collor. Faria isso em troca de um ministério, que lhe serviria de
trampolim para eleger-se presidente.Porém, o governo Collor já
estava desgastado, por isso o FHC resolveu esperar. FHC deu
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
o plano a Itamar em troca do cargo de ministro da Fazenda.
Estava tudo resolvido, o plano foi um sucesso, FHC certamente
seria eleito presidente. O caminho para que Fernando Henrique
chegasse à presidência estava aberto, agora eles precisavam
abrir caminho para que o neoliberalismo chegasse de vez ao
Brasil. Uma das coisas a se fazer era mudar as leis, achar
brechas, criar outras...Veja o parecer da AGU (Advocacia Geral
da União) de 1994/98, que dá direito ao estrangeiro para que
possa comprar nosso território, e numa quantidade ilimitada.
Já compraram muito mais que o estado do Rio de Janeiro.
Outra foi à lei do Petróleo, se não erro, de 1997, onde o Brasil
joga fora de 60 a 100% do petróleo produzido. Esta lei foi
assinada pelo próprio FHC.A Vale foi vendida pelo dinheiro que
lucrava em seis mesesO Protógenes, quando falada do Dantas
(aquele amigo do FHC), dizia que só havia pego os tentáculos,
que ele estava atrás era da cabeça do polvo... falava de FHC e
da Divida Externa.Enfim, se o governo atual tivesse continuado
na onda do neoliberalismo, a crise econômica não seria esta
marolinha que estamos vendo. Seria sim aquele tsunami que
os mesmos entreguistas tanto esperaram.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DA ATIVIDADE
INDUSTRIAL NO BRASIL, EM 2009
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DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DOS PRINCIPAIS SETORES
INDUSTRIAIS BRASILEIROS
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ANALISE DE MAPA
A distribuição espacial da atividade industrial no
Brasil,
em
2009,
o
mapa
revela
a
acentuada
concentração da indústria brasileira no Centro-Sul do
país, especialmente nos Estados de São Paulo, Rio de
Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais (neste
último, especialmente na porção sul), Rio Grande do
Sul,
Espírito
Santo
e
Goiás
(encontra-se
uma
concentração na capital, Goiânia).Existem polos de
concentração de empresas industriais fora dessa
região: é o caso, por exemplo, de Pernambuco e Bahia.
No Ceará também existe uma concentração importante,
localizada na capital, Fortaleza.
Com a distribuição espacial dos principais setores
industriais
podemos
brasileiros,
afirmar
que
representada
as
nos
atividades
mapas,
industriais
concentram-se nas regiões Sudeste e Sul, com
destaque para os Estados de São Paulo, Rio de
Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio
Grande do Sul. Isso ocorre porque esse fenômeno é
particularmente intenso no caso das indústrias de
elevado conteúdo tecnológico, que agregam mais valor
a seus produtos. Na região Norte, podemos apontar a
expansão do setor madeireiro e mobiliário; e na região
Nordeste, setor de minerais não metálicos.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
EXPANSÃO DA INDÚSTRIA NO ESTADO DE
SÃO PAULO
São José do Rio Preto
Ribeirão Preto
Campinas
São José dos Campos
Presidente Prudente
São Paulo
Expansão da indústria do Estado de São Paulo deu-se
principalmente no eixo que segue da capital até Campinas e
Ribeirão Preto e no eixo do Vale do Paraíba.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
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VOCÊ APRENDEU?
BRASIL PAÍS DE INDUSTRIALIZAÇÃO TARDIA
A
expressão
industrialização
retardatária
ou
tardia
designa o fato de que a industrialização brasileira somente foi
iniciada no fim do século XIX, no momento em que o
capitalismo passava da fase competitiva para a monopolista.
De maneira associada, é desejável que reconheçam que essa
situação:
a) teve sérias implicações no desenvolvimento industrial
brasileiro como, por exemplo, o fato de o Brasil ter realizado
com mais de cem anos de atraso sua Primeira e Segunda
Revoluções Industriais em relação aos centros mundiais do
capitalismo;
b) contribuiu para a atual dependência do Brasil em
relação ao exterior, principalmente na área científica e
tecnológica, mantendo-o defasado quanto às inovações do
período atual caracterizado como Terceira Revolução Industrial
ou Tecnológica.
ASSINALE O QUE FOR CORRETO EM RELAÇÃO AO
DESENVOLVIMENTO, À EXPANSÃO E AOS PROBLEMAS DA
INDÚSTRIA BRASILEIRA:
a) A queda no crescimento dos tradicionais centros
industriais brasileiros, como São Paulo e Rio de Janeiro,
devido ao processo de descentralização do parque industrial,
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
significou a perda de sua importância no comando da nossa
industrialização.
b) As grandes reservas de carvão existentes na região
Sudeste, particularmente em São Paulo, foram o principal fator
de localização das indústrias nessa região.
c) Em sua fase inicial, caracterizada pela substituição das
importações (governos Vargas e JK), a industrialização
brasileira não contou com a iniciativa estatal, uma vez que o
interesse prioritário do Estado era manter a política de
exportação do café.
d) Pouca oferta de mão de obra qualificada e deficiência
nos diferentes níveis de educação formal são alguns dos
vários obstáculos que se colocam para uma inserção plena do
Brasil na Terceira Revolução Industrial ou Tecnológica.
e) No Estado de São Paulo, as maiores concentrações
industriais ocorrem nos eixos rodoviários, principalmente no
centro-norte, noroeste e oeste do Estado, nas regiões de São
José do Rio Preto, Araçatuba e Presidente Prudente.
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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 6
OS CIRCUITOS DA PRODUÇÃO (II): O ESPAÇO
AGROPECUÁRIO
OBSERVE A MANCHETE DE JORNAL, A FOTOGRAFIA
E A TABELA A SEGUIR:
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A ESTRUTURA FUNDIÁRIA
A estrutura fundiária corresponde ao modo como as
propriedades rurais estão dispersas pelo território e seus
respectivos
tamanhos,
que
facilita
a
compreensão
das
desigualdades que acontecem no campo.
A desigualdade estrutural fundiária brasileira configura
como um dos principais problemas do meio rural, isso por que
interfere diretamente na quantidade de postos de trabalho,
valor de salários e, automaticamente, nas condições de
trabalho e o modo de vida dos trabalhadores rurais. A
fotografia
e
a
tabela
apontam
diferentes
formas
de
representação de um mesmo problema: a injusta estrutura
fundiária brasileira
No caso específico do Brasil, uma grande parte das terras
do país se encontra nas mãos de uma pequena parcela da
população, essas pessoas são conhecidas como latifundiários.
Já os minifundiários são proprietários de milhares de
pequenas propriedades rurais espalhadas pelo país, algumas
são tão pequenas que muitas vezes não conseguem produzir
renda e a própria subsistência familiar suficiente.
Diante das informações, fica evidente que no Brasil
ocorre uma discrepância em relação à distribuição de terras,
uma vez que alguns detêm uma elevada quantidade de terras e
outros
possuem
pouca
ou
nenhuma,
esses
aspectos
caracterizam a concentração fundiária brasileira.
É importante conhecer os números que revelam quantas
são as propriedades rurais e suas extensões: existem pelo
menos 50.566 estabelecimentos rurais inferior a 1 hectare,
essas juntas ocupam no país uma área de 25.827 hectares, há
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
também propriedades de tamanho superior a 100 mil hectares
que juntas ocupam uma área de 24.047.669 hectares.
Outra forma de concentração de terras no Brasil é
proveniente também da expropriação, isso significa a venda de
pequenas propriedades rurais para grandes latifundiários com
intuito de pagar dívidas geralmente geradas em empréstimos
bancários, como são muito pequenas e o nível tecnológico é
restrito diversas vezes não alcançam uma boa produtividade e
os custos são elevados, dessa forma, não conseguem competir
no mercado, ou seja, não obtêm lucros. Esse processo
favorece o sistema migratório do campo para a cidade,
chamado de êxodo rural.
A problemática referente à distribuição da terra no Brasil
é produto histórico, resultado do modo como no passado
ocorreu à posse de terras ou como foram concedidas.
A distribuição teve início ainda no período colonial com a
criação das capitanias hereditárias e sesmarias, caracterizada
pela entrega da terra pelo dono da capitania a quem fosse de
seu interesse ou vontade, em suma, como no passado a
divisão de terras foi desigual os reflexos são percebidos na
atualidade e é uma questão extremamente polêmica e que
divide opiniões.
ALGUMAS DEFINIÇÕES:
 Latifúndio corresponde a grandes propriedades dedicadas a
uma produção voltada para o mercado interno ou externo,
nas quais a produção é realizada por uma força de trabalho
que pode ser classificada em cinco tipos (o morador ou
agregado, o parceiro, o trabalhador assalariado, o diarista
ou boia-fria e o arrendatário);
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
 A unidade familiar produtora de mercadorias corresponde à
utilização da terra realizada por pequenos proprietários e
arrendatários
(como,
hortifrutigranjeira
por
nos
exemplo,
arredores
de
a
grandes
produção
centros
urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro);
 A
unidade
familiar
de
subsistência
corresponde
à
exploração da terra realizada por pequenos proprietários
(minifundiários ou não), arrendatários, parceiros ou, ainda,
posseiros. O trabalho empregado é familiar e a produção
visa,
principalmente,
a
atender
às
necessidades
de
subsistência, embora nessas unidades, quando maiores em
extensão, encontra-se a associação de culturas de mercado
com as de subsistência;
 Empresa agropecuária capitalista, marcada pelas relações
assalariadas de trabalho ou de produção.
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POLO JUAZEIRO-PETROLINA
O complexo agroindustrial Juazeiro-Petrolina, situado no
semiárido nordestino, no submédio São Francisco, tem
apresentado acelerado crescimento da produção agrícola
irrigada.
Exporta frutas para países e regiões situadas no
Hemisfério Norte, especialmente Estados Unidos, Europa e
parte da Ásia, durante o período de inverno, a fim de aproveitar
a ociosidade da infraestrutura atacadista do destino das
exportações. Devido à sua maior proximidade do mercado
estadunidense e do europeu, apresenta uma vantagem de até
seis dias de transporte marítimo, em comparação com as
cargas que partem dos portos da região Sudeste.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
LEITURA E ANALISE DE TEXTO
O uso da terra no Brasil tem sido objeto de debate, uma
vez que envolve, entre outros interesses, a produção de
alimentos e de produtos agrícolas destinados à exportação. Em
8 de março de 2006, como ato comemorativo do Dia
Internacional da Mulher, representantes dos movimentos da
Via Campesina Brasil, organizados pelo Movimento de
Mulheres Camponesas, fizeram uma ação de protesto no
canteiro de produção de mudas da Aracruz Celulose,
localizado em Barra do Ribeiro (RS). Segundo os manifestantes
– que, infelizmente, se excederam, praticando alguns atos de
vandalismo –, a ação expressou a defesa da produção de
alimentos e a insatisfação com o uso indiscriminado de terras
brasileiras para expansão da monocultura do eucalipto.
De acordo com o texto, o plantio de eucalipto é altamente
impactante, uma vez que: aprofunda o nível de base do lençol
freático, secando-o; provoca degradação dos solos; e contribui
para a contaminação química. Além disso, o cultivo de
eucalipto utiliza intensamente os recursos hídricos e impede o
desenvolvimento de outras espécies vegetais, diminuindo a
biodiversidade.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
LEITURA E ANALISE DE MAPA
Conflito terra no Brasil, 1988-2004
A pressão realizada pelos movimentos sociais do campo
em defesa da reforma agrária, com a ocupação dos latifúndios,
tem como resposta, por parte do governo, a realização de uma
política de assentamentos rurais como forma de frear o avanço
destes movimentos no campo.
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LEITURA E ANALISE DE MAPA E TEXTO
O intenso processo de expansão da soja no Brasil
ocorreu,
nesse
período,
particularmente
em
direção
à
Amazônia e aos cerrados nordestinos.
A expansão da monocultura da soja na Amazônia e no cerrado
O cultivo de soja nas áreas que circundam o Parque
Indígena do Xingu vem sendo ampliado. Isso é particularmente
grave porque essas áreas abrigam as nascentes do Rio Xingu,
base de sobrevivência das comunidades indígenas locais.
83
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BRASIL: USO DA TERRA NOS
ESTABELECIMENTOS AGROPECUÁRIOS, 2006
BRASIL PELOS ESTABELECIMENTOS
AGROPECUÁRIOS
22%
29%
Lavoura
Pastagens
Matas e florestas
49%
De acordo com o gráfico, quase a metade das terras
cadastradas como estabelecimentos agropecuários no Brasil é
utilizada para a pastagem, enquanto que perto de 30% das
terras são reservadas para matas e florestas. As terras para as
lavouras ocupam o terceiro lugar.
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VOCÊ APRENDEU?
A MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA BRASILEIRA
Nas
últimas
décadas
modificou
a
organização
da
produção e as relações de trabalho no campo. A fruticultura e a
soja, por exemplo, são cultivos que sofreram transformações
nesse
processo,
apesar
de
conservarem
diferenças
importantes em seus respectivos sistemas produtivos.
A cultura da soja exige, na maioria dos casos, grandes
propriedades, intensa mecanização e pouca mão de obra. Em
contrapartida, o enunciado da questão também solicita que
reconheçam que a fruticultura se desenvolve, geralmente, em
propriedades médias e pequenas, com o emprego de máquinas
mais leves e maior número de trabalhadores ou mão de obra.
Os estabelecimentos rurais onde ocorre a produção da
soja requerem investimentos mais elevados de capital quando
comparados às unidades produtivas da fruticultura, em razão
da relação entre investimento e mão de obra ocupada, os
empregos diretos gerados pela cultura da soja têm custo mais
alto que os da fruticultura e, para ser lucrativa, ao contrário da
fruticultura, a soja requer grande escala de produção, o que em
parte explica sua expansão por vastos espaços do país.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Tema polêmico e que compõe a pauta de discussões
entre governo, trabalhadores sem terra e grandes proprietários,
a reforma agrária no Brasil guarda relações diretas com a
concentração fundiária do país e com um dos aspectos mais
perversos do processo de produção do espaço nacional: a
transformação da terra em um bem que pode gerar renda
mesmo sem ser utilizada, sendo essa uma das bases da
concentração fundiária. A tabela a seguir retrata a estrutura
fundiária brasileira.
De acordo com a interpretação dos dados informados,
podemos afirmar que os imóveis com área:
a) de até 50 ha ocupam menos de 10% da área e representam
mais de 60% dos imóveis.
b) de 50 ha até 500 ha ocupam menos de 35% da área e
representam mais de 35% dos imóveis.
c) de 500 ha até 1 000 ha ocupam menos de 24% da área e
representam mais de 15% dos imóveis.
d) de 500 ha até 2 000 ha ocupam menos de 25% da área e
representam menos de 3% dos imóveis.
e) a partir de 500 ha ocupam mais de 50% da área e
representam mais de 5% dos imóveis.
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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 7
REDES E HIERARQUIAS URBANAS
LEITURA E ANALISE DE MAPA INFOGRAFICO
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A concentração da rede urbana brasileira no centro-sul à
faixa costeira do país, onde se localiza a maior parte das
metrópoles. São Paulo ocupa a posição de maior centralidade
na rede urbana brasileira, ou seja, é a principal metrópole do
país.
Metrópole em função da importância e da densidade da
influência que uma cidade exerce sobre o território. De acordo
com o mapa Brasil: rede urbana, 2007, São Paulo é
considerada uma grande metrópole nacional, Rio de Janeiro e
Brasília, metrópoles nacionais, e Recife e Porto Alegre, entre
outras, metrópoles, cujas redes de conexões são relativamente
mais limitadas em relação à influência que exercem.
As aglomerações urbanas mantêm e reforçam laços
interdependentes tanto entre si como também com as regiões
que elas polarizam dentro de um determinado território, o que
dá a ideia de polarização. Muitos exemplos de relações de
interdependência entre as cidades da Baixada Santista (com
destaque para Santos), do Vale do Paraíba (com destaque para
São José dos Campos) ou entre São Paulo, Campinas e
Sorocaba. Entre eles, destacam-se o fato de que parte da
população se desloca diariamente de um centro a outro para
trabalhar, o compartilhamento de redes de infraestrutura e a
integração entre os sistemas de transporte.
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LEITURA E ANALISE DE TEXTO E MAPA
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
As cidades brasileiras desempenharam importantes
funções no processo de ocupação e organização do território.
Servindo como sítios de suporte ao povoamento, surgiram
como centros de controle político e de armazenamento da
produção agroextrativa, núcleos de conexão com os circuitos
mercantis, polos de crescimento industrial e nós das redes
financeira e informacional.
LEITURA E ANALISE DE ESQUEMA
O esquema clássico estabelece uma hierarquia de
relações entre as diferentes cidades, na qual as cidades
interagem com as cidades imediatamente inferiores ou
superiores. No esquema atual, as relações concretas entre as
cidades contemporâneas não seguem a hierarquia do modelo
clássico de rede urbana. Em função do desenvolvimento
tecnológico, da evolução no sistema de transportes e de
comunicação, as interações entre as cidades têm sido
alteradas, permitindo a quebra na hierarquia urbana e
mudanças
expressivas
nas
formas
relacionarem entre si.
91
de
as
cidades
se
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
LEITURA E ANALISE DE TEXTO
92
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Regiões
metropolitanas
São
espaços
urbanizados,
atualmente delimitados pelos governos estaduais, que se
estendem para além dos limites de um município e se
caracterizam pela densidade da ocupação e pela concentração
de atividades econômicas e intensos fluxos e relações no seu
interior.
Elas foram criadas para permitir o planejamento conjunto
dos sistemas de transporte, saneamento, abastecimento,
saúde e coleta de lixo (entre outros), já que os municípios que
a compõem apresentam forte interdependência em termos de
infraestrutura.
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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 8
A REVOLUÇÃO DA INFORMAÇÃO E AS CIDADES
Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade
satirizar ,por meio de uma caricatura, relatar algum
acontecimento atual com um ou mais personagens envolvidos.
A palavra é de origem francesa e significa carga, ou seja,
exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo
burlesco.
Muito utilizadas em críticas políticas no Brasil. Apesar de
ser confundido com cartoon (ou cartum), que é uma palavra de
origem inglesa, ao contrário da charge, que sempre é uma
crítica contundente ligada a temporalidade, o cartoon retrata
situações mais corriqueiras do dia-a-dia da sociedade.
O contraste existente nas cidades brasileiras entre a
disseminação de inovações da sociedade da informação e o
aumento da pobreza e da precarização das condições de vida
de parcelas significativas da população.
A importância dos estudos urbanos e da sociedade da
informação para a compreensão da Geografia, considerando
que mais da metade da população mundial vive em cidades e
que as tecnologias de informação definem o meio geográfico
contemporâneo.
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LEITURA E ANALISE DE MAPA E TEXTO
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
A maior parte das cidades globais está localizada nos
países ricos, especialmente nos Estados Unidos, na Europa e
no Sudeste da Ásia.
Com base no texto de Mônica Carvalho, a frase a As
cidades globais, que funcionam como “nós” dos fluxos
econômicos internacionais, não apresentam problemas ligados
à segregação ou à exclusão socioeconômica.
A autora não concorda com essa ideia, pois, de acordo
com a autora, as cidades tornadas globais apresentam novas
formas de desigualdades sociais e segregação urbana.
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LEITURA E ANALISE DE TEXTO
É preciso diversificar. Tornar o centro da cidade uma
miscelânea de classes sociais, de usos como comércio,
habitação e diversão. É necessário que os conjuntos
habitacionais populares não contribuam para levar os pobres
para ainda mais longe. E é importante que os condomínios
fechados se abram para o mundo que São Paulo abriga.
O receituário, pronunciado em forma de mantra por
especialistas em urbanismo e habitação, reflete a preocupação
com a segregação entre áreas ricas e pobres que, dizem eles,
acomete hoje a cidade e pode intensificar-se nos próximos 20
anos. [...]
Os espaços para a classe média também deverão rarear.
E, apesar de suas habitações ganharem mais cômodos ou um
pouco mais de tamanho, a tendência é o preço do imóvel
tornar-se cada vez mais alto, principalmente por causa do
marketing sobre a segurança feito pelo mercado imobiliário,
que constrói prédios e casas em condomínios fechados,
criando espaços artificiais de lazer.
Para especialistas, a habitação na cidade, se não houver
mudanças, caminha para a convivência entre iguais, com
todos os prejuízos que isso acarreta, como o desaparecimento
do espaço público e o aumento da intolerância, do preconceito
e da tensão social. [...]
Os prognósticos não são fruto de “achismo”. Estão
baseados em fatos históricos e na realidade
atual. [...]
Para urbanistas, isolamento da elite em condomínios fechados acirra tensão social. Chico de Gois e Simone
Iwasso. Folha de S.Paulo,
24 jan. 2004. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u89030.shtml>. Acesso em:
31 jul. 2013.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
DESIGUALDADE SOCIAL
A desigualdade social e a pobreza são problemas sociais
que afetam a maioria dos países na atualidade. A pobreza
existe em todos os países,
pobres ou ricos, mas a
desigualdade social é um fenômeno que ocorre principalmente
em países não desenvolvidos.
O conceito de desigualdade social é um guarda-chuva
que compreende diversos tipos de desigualdades, desde
desigualdade
de
oportunidade,
resultado,
etc.,
até
desigualdade de escolaridade, de renda, de gênero, etc. De
modo geral, a desigualdade econômica – a mais conhecida – é
chamada imprecisamente de desigualdade social, dada pela
distribuição desigual de renda. No Brasil, a desigualdade social
tem sido um cartão de visita para o mundo, pois é um dos
países mais desiguais. Segundo dados da ONU, em 2005 o
Brasil era a 8º nação mais desigual do mundo. O índice Gini,
que mede a desigualdade de renda, divulgou em 2009 que a do
Brasil caiu de 0,58 para 0,52 (quanto mais próximo de 1, maior
a desigualdade), porém esta ainda é gritante.
http://www.brasilescola.com/sociologia/classes-sociais.htm
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL
É um movimento de separação das classes sociais e
funções, num determinado espaço urbano. Por exemplo: no
Rio de Janeiro, temos a Zona Sul e a Baixada Fluminense, dois
"mundos"
bem
diferentes.
Já
exclusão
social,
é
a
marginalização de um determinado grupo por parte da
sociedade, que são discriminados, isolados ou excluídos.
As cidades brasileiras, independentemente de seu porte,
possuem características cada vez mais semelhantes, ditadas
por padrões de consumo (como das redes de fast-food ou de
lojas de marcas famosas) e pela divisão entre os diferentes,
separados pelos muros dos condomínios fechados. Uma forma
de controlar esse espaço é o desenvolvimento de sistemas de
segurança, que vigiam 24 horas por dia o movimento das
pessoas por meio de vídeos e câmeras monitoradas.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
PARA SABER MAIS
Filmes
Desmundo. Direção: Alain Fresnot. Brasil, 2003. 101 min. 14 anos.
Ambientado em 1570, o filme retrata a época em que os portugueses
enviavam órfãs ao Brasil para se casar com os colonizadores.
O objetivo era minimizar o nascimento dos filhos com as mulheres
indígenas, além de tentar assegurar casamentos cristãos. Ao narrar o
caso de Oribela, uma dessas jovens que acaba se casando obrigada com
Francisco de Albuquerque, o filme proporciona um ótimo contato com
aspectos interessantes sobre os modos de vida e a cultura do Brasil
colônia.
�� O Barão. Direção: Eduardo Escorel. Brasil, 1995. 25 min. Em virtude da
solução diplomática das questões limítrofes ao longo de suas fronteiras,
o Brasil apresenta mais de 120 anos de paz ininterrupta com seus dez
países vizinhos. O documentário (produzido por Itaú cultural, “perfis e
personalidades”) traça o perfil e conta a história da atuação do principal
responsável por esse feito: José Maria da Silva Paranhos Júnior (18451912), mais conhecido como Barão do Rio Branco.
�� Cabra marcado para morrer. Direção: Eduardo Coutinho. Brasil, 1984.
119 min. O filme, que estava sendo rodado em 1963, sobre a vida e a
morte de João Pedro Teixeira, líder e fundador da liga camponesa de
Sapé (PB), foi interrompido pelo movimento militar de 1964.
Após dezessete anos, o diretor Eduardo Coutinho retorna ao Nordeste
para completá-lo, passando a contar a história de sua interrupção,
apresentando depoimentos dos camponeses participantes do filme, a luta
das Ligas Camponesas de Sapé e Galileia e o destino de Elizabeth
Teixeira, viúva do líder.
�� Terra para Rose. Direção: Tetê Morais. Brasil, 1987. 84 min. No período
da Nova República, em 1985, mais de mil famílias ocuparam a Fazenda
Anoni, no Rio Grande do Sul. Esse filme enfoca a luta dos sem-terra,
retratando seu cotidiano em busca de terra para plantar.
O filme não deixa também de apresentar os outros participantes
envolvidos no mesmo processo: o governo e o proprietário.
Livros
�� ADAS, Melhem. Fome: crise ou escândalo? São Paulo: Moderna, 2004.
(Coleção Polêmica). Após conceituar o que é fome e quais os seus tipos,
o autor examina as suas causas. Refuta as teses conservadoras segundo
as quais a fome resultaria do crescimento populacional, a produção de
alimentos não seria suficiente para atender a todos ou, ainda, a fome
seria decorrente de causas naturais, como a adversidade do meio físico.
A partir da história e de dados estatísticos diversos, demonstra que a 75
��
100
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
fome é fruto de um modelo político-econômico excludente que não tem
sido capaz de criar justiça social. O desenvolvimento do capitalismo com
base no colonialismo, no neocolonialismo e na divisão internacional da
produção determinada pelos países centrais, ao estimular o
desenvolvimento da agricultura comercial e de exportação em
substituição à agricultura de produtos alimentares nas colônias (herança
histórica que se faz ainda bastante presente nos países periféricos), tem
um peso significativo na existência da fome.
�� AMARAL LAPA, José Roberto do. A economia cafeeira. 4. ed. São
Paulo: Brasiliense, 1987.
(Col. Tudo é História, 72). Em linguagem clara e acessível, o autor
apresenta o contexto histórico da economia cafeeira no Brasil, na
passagem do século XIX ao XX, abordando as transformações no espaço
geográfico decorrentes dessa atividade econômica e seus efeitos para o
processo de industrialização do país.
�� ANDRADE, Manuel Correia de; ANDRADE, Sandra Maria Correia de. A
Federação brasileira: uma análise geopolítica e geossocial. São Paulo:
Contexto, 1999. (Col. Repensando a Geografia). Os autores discutem
como o Brasil foi organizado em uma única Federação de Estados e
territórios, ao passo que outros vizinhos hispano-americanos dividiramse em numerosos Estados nacionais. Além de oferecerem uma visão de
conjunto bem organizada sobre a conquista territorial e as atividades
econômicas ao longo da história brasileira, abordam o povoamento e a
territorialização nos séculos XIX e XX e as desigualdades regionais no
país.
�� FURTADO, Junia Ferreira. Cultura e sociedade no Brasil colônia. São
Paulo: Atual, 2000. (Col. Discutindo a História do Brasil). De forma
didática, a autora percorre vários aspectos da vida cotidiana no Brasil
Colônia, descrevendo e analisando a vida religiosa, o contato entre
europeus e indígenas e a vida familiar. De particular interesse, no capítulo
3 é tratada a questão das “Frotas e caminhos”, onde somos levados a
compreender um pouco melhor o povoamento e a precariedade das
comunicações no território colonial brasileiro.
�� GEIGER, Pedro Pinchas. As formas do espaço brasileiro. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar, 2003. (Col. Descobrindo o Brasil). De maneira
didática e fluente, o livro aborda a localização geográfica e as
transformações no espaço brasileiro sob a perspectiva das mudanças em
sua configuração social e cultural. Desse modo, analisa a espacialidade
do território brasileiro, em conexão com sua história e a conformação de
sua sociedade.
�� MAGNOLI, Demétrio; ARAÚJO, Regina. O projeto da Alca: hemisfério
americano e MERCOSUL na ótica do Brasil. São Paulo: Moderna, 2003.
(Col. Polêmica). O livro aborda com rigor conceitual e didatismo as
questões geopolíticas e geoeconômicas relacionadas à formação de
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
blocos econômicos no continente americano, privilegiando a análise
sobre o lugar ocupado pelo Brasil diante de diferentes projetos de
integração como também perante a globalização.
�� STÉDILE, João Pedro. Questão agrária no Brasil. São Paulo: Atual,
1997. De caráter introdutório, esse livro demonstra como poucas
sociedades passaram, nas últimas décadas, por 76 tão profundas e
rápidas transformações como a sociedade brasileira. Aborda os temas da
passagem da sociedade agrária para a urbano-industrial e os graves
problemas decorrentes; é suficientemente abrangente para subsidiar as
discussões em sala de aula, ajudando você a destacar as diversas
correntes de opinião acerca da questão agrária no Brasil.
Sites
Brasil. República Federativa do Brasil – Ministérios. Disponível em:
<http://www.brasil.gov.
br>. Acesso em: 31 jul. 2013. Página com links para os sites dos
ministérios da República
Federativa do Brasil. Consultando-se o Ministério dos Transportes, da
Integração Nacional e das Comunicações, por exemplo, podem ser
obtidas informações sobre o território nacional e projetos de
desenvolvimento em curso.
�� IBGE
Teen.
Disponível
em:
<http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/index.htm>. Acesso em: 31 jul.
2013. Site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística com seções e
páginas sobre temas de interesse para a Geografia do Brasil. Sugerimos
acessar a seção “Brasil: 500 anos de povoamento”, que disponibiliza
conteúdo bem organizado sobre a construção do território e o
povoamento.
�� Mercosul. Disponível em: <http://www.mercosul.gov.br>. Acesso em: 1
ago. 2013. Site do Ministério das Relações Exteriores do Brasil sobre o
Mercosul, com informações sobre os principais temas da agenda do
bloco econômico.
�� Instituto
Rio
Branco.
Disponível
em:
<http://www.institutoriobranco.mre.gov.br/pt-br/>.
Acesso em: 1 ago. 2013. Site do órgão do Ministério das Relações
Exteriores responsável por recrutar, selecionar, formar e treinar
diplomatas brasileiros. Recomendamos, em particular, a leitura do texto
“Um personagem da República”, de autoria de Rubens Ricupero, a
respeito do Barão do Rio Branco, José Maria da Silva Paranhos Júnior.
�� Organização
Mundial do Comércio – OMC. Disponível em:
<http://www.wto.org> (em inglês). Acesso em: 1 ago. 2013. Site da OMC
��
102
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
com informes, textos e publicações sobre os temas de interesse
comercial, como a Rodada Doha.
�� Revista
Pangea.
Disponível
em:
<http://www.clubemundo.com.br/pages/default.aspx>.
Acesso em: 20 nov. 2013. Geografia e política internacional são os temas
do site, que oferece material de excelente qualidade, inclusive sobre
temas da Geografia brasileira, com textos críticos produzidos por autores
conceituados. Possibilita o acesso a todas as edições anteriores, que
podem ser consultadas para pesquisas escolares.
�� Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores.
Disponível em: <http://www.dc.itamaraty.gov.br/imagens-e-textos/temasbrasileiros-1/portugues>. Acesso em: 1 ago.2013. Disponibiliza material
de excelente qualidade visual e de conteúdo sobre diversos temas, como
indústria, energia e direitos humanos no Brasil.
�� Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Disponível em:
<http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 1 ago. 2013. O portal do IBGE
disponibiliza um relatório completo sobre o perfil dos municípios
brasileiros organizado em mais de 20 temas.
�� Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea. Disponível em:
<http://www.ipea.gov.br>.
Acesso em: 1 ago. 2013. O Ipea é subordinado ao Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão e seu portal apresenta um vasto e
confiável material, resultante de pesquisas realizadas pelo instituto. Na
seção publicações, estão disponíveis inúmeros textos para discussão e
documentos sobre as questões da urbanização e do espaço rural, entre
outros assuntos relacionados. Na seção Temas especiais, encontra-se
disponível também o Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil.
�� Revista Consciência.net. Disponível em:<http://www.consciencia.net>.
Acesso em: 1 ago. 2013. A página dessa revista eletrônica coloca à
disposição, na seção Questão Agrária, material sobre a questão fundiária
no Brasil. Apresenta também outros textos de excelente qualidade,
escritos por renomados estudiosos nos cenários nacional e internacional.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
MATERIAL DE APOIO
2º ANO DO ENSINO MÉDIO
VOLUME 2
104
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1
MATRIZES CULTURAIS DO BRASIL
Leitura e análise de imagem e texto
O Monumento às nações indígenas é uma das mais
expressivas obras do artista plástico Siron Franco. Criado em
1992 e construído em Aparecida de Goiânia (GO), quando visto
do alto mostra a silhueta do mapa do Brasil. O artista faz
referência ao fato de que os indígenas ocupavam o território do
atual Brasil antes da chegada dos portugueses. Portanto, a
posse da terra era dos indígenas antes que os colonizadores
tomassem essas terras, praticamente dizimando os nativos.
Esse monumento é composto por 500 totens
quadrangulares ou triangulares, com imagens da iconografia
indígena em baixo-relevo em suas faces laterais, além de
esculturas de objetos, utensílios ou rituais sagrados de
diferentes
povos
indígenas,
todos
reproduzidos
minuciosamente em concreto pelo artista, a partir de peças
datadas da época pré-cabralina. A intenção do artista ao
produzir esse monumento foi de
criar
a
reprodução
minuciosa de elementos da vida dos povos indígenas
comprova o quanto eram ricas as culturas desses povos antes
da chegada dos colonizadores.
105
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
A imagem Navio de emigrantes, observa-se que o olhar do
pintor está situado na ponte de comando do navio, projetandoo sobre a proa, conferindo destaque para as famílias de
emigrantes. Embora, ao que tudo indica, o instante escolhido
pelo artista é o da tristeza do desterro, o navio parece erguerse, maior e mais forte que os obstáculos naturais (o mar) em
direção a seu porto de destino. Além desses aspectos, nota-se
o valor atribuído pelo artista aos seres anônimos que, egressos
de diferentes países, contribuíram para a formação e a
diversidade étnica do Brasil contemporâneo.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Afro-brasileiro
Thaíde e DJ Hum
[...]
Vamos sentar aqui no chão, colocar o boxe do lado e ouvir o som do GOG
Mano bem pesado, Câmbio Negro e Racionais, meu irmão
Afinal, o que é bom tem que ser provado
Tanta coisa boa e você aí parado, acuado, é por isso que insisto
Sou preto atrevido e gosto quando me chamam de macumbeiro
Toco atabaque em rodas de capoeira, e toco direito
Minha cultura primeiro, o meu orgulho é ser um negro verdadeiro afro-brasileiro
Sabe quem eu sou? Afro-brasileiro
me diga quem é (4 vezes)
Somos descendentes de Zumbi
Grande guerreiro.
© Editora Brava Gente (Dueto Edições Musicais).
A letra da canção pretende chamar a atenção para a
presença dos afrodescendentes na população brasileira.
Mais que isso, busca reafirmar a valorização do movimento
negro em nosso país, a partir das décadas de 1980 e 1990, não
somente por intermédio de sua organização e mobilização
político-social como também de sua expressão pela dança,
música e poesia. É o caso, entre outros, do RAP (Rhythm and
Poetry; Ritmo e Poesia) e do Movimento Hip-Hop. Essas
expressões
artísticas
contribuem
para
o
processo
de
reconstrução de identidades nas sociedades em que elas estão
presentes, dando origem à constituição de um novo patamar
urbano de organização social que leva em consideração as
pluralidades, as diferenças e as dicotomias que caracterizam
os processos de construção de uma verdadeira sociedade
democrática e igualitária. No Brasil, especificamente, essas
expressões artísticas se tornaram gradativamente as mais
recentes etapas de um processo de resistência que há mais de
séculos
vem
sendo
desenvolvida
por
sua
população
afrodescendente, em um processo contínuo de constituição de
uma identidade negra.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Direitos Humanos
Sobre o mito da “democracia racial” no Brasil
Ao celebrarmos no 21 de novembro o Dia Nacional da
Consciência Negra, cabe aqui uma reflexão acerca do mito da
“democracia racial” que o Brasil faz questão de ostentar.
O Brasil figura como uma das nações com o maior
contingente de população negra do Ocidente. O tráfico
negreiro floresceu como uma lucrativa e próspera indústria de
morte e escravidão de negros(as) trazidos da África e
submetidos a trabalhos forçados na lavoura, na extração
mineral e todo tipo de trabalho no país.
Foi também no Brasil que o regime escravocrata mais
durou. Foram trezentos anos de uma economia, cuja produção
era baseada principalmente na mão de obra escrava. Esses
três séculos de trabalho escravo arraigaram na sociedade um
profundo sentimento de desprezo pelo trabalho e, em especial,
pelos(as) negros(as).
A assinatura da Lei Áurea não significou para os(as)
negros(as) a liberdade com acesso ao trabalho e aos meios de
produção! Pelo contrário, a assinatura concomitante da Lei das
Terras Devolutas negou a essa população o acesso à
propriedade da terra.
A conformação social que passa a existir a partir de então
estabeleceu o trabalho assalariado semi-escravo e o abandono
da população negra por parte do Estado, que continuou
atrelado aos interesses das elites dominantes que, por sua vez,
sempre alimentaram o desprezo pelo trabalho e pelo(a)
negro(a).
Os processos migratórios de trabalhadores europeus que
passaram a dar uma nova configuração à sociedade brasileira
acentuaram ainda mais estas duas características das elites
locais.
Os
estrangeiros
passaram
à
condição
de
“semiescravos” brancos. E nesse contexto, a população negra,
que servia para trabalhar de graça, passa a não ter serventia,
uma evidente concepção racista, uma vez que impõe a fome e a
pobreza extrema através da exclusão do acesso ao trabalho.
Aos que trabalhavam, as funções sempre correspondiam ao
desempenho de tarefas humilhantes e extremamente mal
remuneradas.
Outro aspecto extremamente racista consiste no
impedimento do acesso da população negra à educação,
condenando-a a se perpetuar na condição de miséria.
Com o passar dos anos, a ideologia dominante sempre tentou,
108
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de todas as formas, passar a impressão de que o Brasil,
principalmente pela intensificação da miscigenação através
dos grandes fluxos migratórios europeus, vive uma
“democracia racial”.
E talvez o conceito de “democracia racial” da forma como
se aplica nos discursos proferidos pelos representantes de
nossas elites seja a melhor forma de se conceituar o que essas
elites entendem por “democracia”: qual seja, uma sociedade
dominada por poucos que concentram muitíssimo às custas da
superexploração do trabalho de muitos. A perpetuação deste
modelo no Brasil revela uma face cruel de uma sociedade que
abandona milhões de seus filhos à miséria, ao abandono, ao
descaso. Na base da pirâmide social que aí se forma, a
população negra tem sido e é alicerce sobre o qual se ergue
uma nação riquíssima que não reparte suas riquezas, pois
abomina a igualdade e se sustenta sobre um modelo elitista,
excludente e de profundas características racistas.
O aparato ideológico constantemente utilizado pelas
elites para tentar passar a ideia de “democracia racial” conta
com poderosas formas de persuasão. A principal delas aponta
para o exotismo na referência aos(às) negros(as), utilizando-se
para tanto de suas culturas e tradições. Há ainda os aspectos
da sensualidade, da moda, da dança, do esporte etc. No
entanto, esses exemplos acentuam o aspecto da desigualdade,
uma vez que pouquíssimos(as) negros(as) se destacam nessas
áreas. Quando o fazem, parece que são exemplares de uma
concessão garantida pela “bondade” branca tupiniquim.
No entanto o racismo brasileiro é evidente. A falsa idéia
de “democracia racial” ainda massacra mais ao mascarar o
racismo existente nas relações sociais, uma vez que não o
oficializa, o que amortece consciências e impede uma maior
organização da população negra na luta por igualdade e
respeito.
Não é racista uma sociedade na qual a grande maioria de
seus pobres é formada por negros? Não é racista uma
sociedade que negou por séculos o acesso dos negros à
educação de qualidade? Não é racista uma sociedade que
nunca se preocupou em ressarcir uma imensa parcela de sua
população por séculos de políticas onde imperavam o trabalho
escravo, a negação da identidade, os estupros sistemáticos, o
desrespeito à dignidade e à vida? Não é racista uma sociedade
que destina a seus cidadãos e cidadãs negros(as) os piores
empregos, os piores salários, as piores condições de vida?
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Não é racista e hipócrita uma sociedade que se assenhora
de raras exceções, tentando apresentá-las como regras que
atestem uma pseudo “democracia racial”?
A recente celeuma acerca das cotas para negros(as) em
universidades públicas ou outras formas de políticas
reparadoras escancarou de vez o profundo senso de
desigualdade no país. Um universo praticamente exclusivo de
brancos (conta-se aqui ou ali um afrodescendente ocupando
vaga de aluno ou professor nas universidades brasileiras)
corre de repente o risco de ser dividido com aqueles(as) que,
pela própria tradição, não deveriam estar ali, a não ser na
condição invisível de serviçais mal remunerados(as). As
reações as mais diversas mostram a preponderância de uma
concepção que ainda considera a universidade um espaço
reservado aos mais bem aquinhoados, ou seja, aos
brancos(as) e seus filhos e filhas.
As contribuições da população negra ao desenvolvimento
econômico e à riqueza cultural e humana do Brasil são
incontestáveis. No entanto, em momento algum se pode
esquecer que esses(as) negros(as) não vieram para cá
participando de qualquer “fluxo migratório”. Eles(as) vieram
sob correntes, foram arrancados(as) de sua terra, de suas
famílias, de suas entranhas. De homens e mulheres livres
passaram à condição de animais destinados ao trabalho não
remunerado.
Foram
açoitados(as),
assassinados(as),
estuprados(as),
vilipendiados
em
sua
identidade,
extorquidos(as) de seu direito à nacionalidade, religião, cultura
e valores. E o pior de tudo. Enquanto construíam com
humilhação e sangue a riqueza de uma nação, nunca
participaram dessas riquezas, nunca foram tratados(as) com
respeito, nunca receberam sequer um agradecimento por todo
esse trabalho. E nunca receberam qualquer pedido de
desculpas pelo genocídio que a nação branca impingiu a seu
povo.
Não dá para falar em democracia racial com uma história
de escravidão, sangue, humilhação, desterro e condenação à
miséria pesando sobre as costas de um país que não faz
questão
de
recontá-la.
Edilson Lenk, jornalista
http://www.piratininga.org.br/
110
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[...] No século XVIII, a cor da pele foi considerada como um critério fundamental e divisor
d’água entre as chamadas raças. [...]
No século XIX, acrescentou-se ao critério da cor outros critérios morfológicos como a
forma do nariz, dos lábios, do queixo, do formato do crânio, o ângulo facial etc. para aperfeiçoar
a classificação. [...]
No século XX, descobriu-se, graças aos progressos da Genética Humana, que havia no
sangue critérios químicos mais determinantes para consagrar definitivamente a divisão da
humanidade em raças estanques. Grupos de sangue, certas doenças hereditárias e outros
fatores na hemoglobina eram encontrados com mais frequência e incidência em algumas raças
do que em outras, podendo configurar o que os próprios geneticistas chamaram de marcadores
genéticos.
O cruzamento de todos os critérios possíveis (o critério da cor da pele, os critérios
morfológicos e químicos) deu origem a dezenas de raças, sub-raças e subsub-raças. As
pesquisas comparativas levaram também à conclusão de que os patrimônios genéticos de dois
indivíduos pertencentes a uma mesma raça podem ser mais distantes que os pertencentes a
raças diferentes; um marcador genético característico de uma raça pode, embora com menos
incidência, ser encontrado em outra raça. Assim, um senegalês pode, geneticamente, ser mais
próximo de um norueguês e mais distante de um congolês, da mesma maneira que raros casos
de anemia falciforme podem ser encontrados na Europa etc. Combinando todos esses
desencontros com os progressos realizados na própria ciência biológica (genética humana,
biologia molecular, bioquímica), os estudiosos desse campo de conhecimento chegaram à
conclusão de que a raça não é uma realidade biológica, mas sim apenas um conceito, aliás
cientificamente inoperante, para explicar a diversidade humana e para dividi-la em raças
estanques. Ou seja, biológica e cientificamente, as raças não existem.
A invalidação científica do conceito de raça não significa que todos os indivíduos ou
todas as populações sejam geneticamente semelhantes. Os patrimônios genéticos são
diferentes, mas essas diferenças não são suficientes para classificá-las em raças. O maior
problema não está nem na classificação como tal, nem na inoperacionalidade científica do
conceito de raça. Se os naturalistas dos séculos XVIII-XIX tivessem limitado seus trabalhos
somente à classificação dos grupos humanos em função das características físicas, eles não
teriam certamente causado nenhum problema à humanidade. Suas classificações teriam sido
mantidas ou rejeitadas como sempre aconteceu na história do conhecimento científico.
Infelizmente, desde o início, eles se deram o direito de hierarquizar, isto é, de estabelecer uma
escala de valores entre as chamadas raças.
O fizeram erigindo uma relação intrínseca entre o biológico (cor da pele, traços
morfológicos) e as qualidades psicológicas, morais, intelectuais e culturais. Assim, os
indivíduos da raça “branca” foram decretados coletivamente superiores aos das raças “negra” e
“amarela”, em função de suas características físicas hereditárias, tais como a cor clara da pele,
o formato do crânio (dolicocefalia), a forma dos lábios, do nariz, do queixo etc. que, segundo
pensavam, os tornam mais bonitos, mais inteligentes, mais honestos, mais inventivos etc. e
consequentemente mais aptos para dirigir e dominar as outras raças, principalmente a negra,
mais escura de todas, e consequentemente considerada como a mais estúpida, mais emocional,
menos honesta, menos inteligente e, portanto, a mais sujeita à escravidão e a todas as formas
de dominação. [...]
Podemos observar que o conceito de raça, tal como o empregamos hoje, nada tem de
biológico.
É um conceito carregado de ideologia, pois como todas as ideologias, ele esconde uma
coisa não proclamada: a relação de poder e de dominação. [...]
MUNANGA, Kabengele. Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. Palestra proferida no 3o
Seminário Nacional
Relações Raciais e Educação – PENESB – RJ, 5/11/03. Disponível em: <https://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=59>.
Acesso em: 26 nov. 2013.
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Os critérios utilizados pelos naturalistas europeus no
século XIX para estabelecer o conceito de raça foram: cor da
pele e critérios morfológicos como formato do nariz, dos
lábios, do queixo, do crânio, o ângulo facial etc.
Não é possível dividir a humanidade em raças, pois a
complexidade da diferenciação genética não permite que a
humanidade seja cientificamente dividida em raças. Assim, o
conceito de raça não tem validade biológica.
O autor afirma que o conceito de raça é carregado de
ideologia, pois, de acordo com o texto, ao se considerar
elementos culturais, psicológicos e intelectuais para classificar
raças, cria-se uma hierarquia valorativa por meio da qual é
possível estabelecer quem é “melhor” ou “pior”, “superior” ou
“inferior” que outros. Se geneticistas consideram raça um
conceito biologicamente ultrapassado, a sociedade deve
romper com classificações criadas com o intuito de gerar
hierarquias, responsáveis por justificar formas de dominação
de um povo sobre outros. As sociedades devem, portanto,
respeitar-se, compreendendo que as diferenças entre os povos
manifestam-se pela diversidade cultural e que cada indivíduo é
único e como tal deve ser compreendido como mais um
membro da espécie humana, dentro do contexto
socioeconômico e cultural em que vive.
LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO
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Comparando os dados de 1999 com os de 2009, qual é a
grande mudança na distribuição étnico-racial da população
brasileira, observa-se que há diminuição no número de
brancos e aumento significativo do número de pardos. Os
dados de 2009 demonstram que mais pessoas em nosso país
estão assumindo sua cor de pele, abrindo mão, assim, de uma
ideologia de cunho racista que as fazia desvalorizar a própria
cor. Em parte, isso ocorre na nossa sociedade em um contexto
histórico de fortalecimento do movimento negro e de uma
transformação positiva da imagem pública das pessoas desse
grupo, que sofrem preconceito ainda hoje. Podem surgir
respostas que justifiquem essa mudança na distribuição
étnico-racial pelo aumento da miscigenação entre negros e
brancos.
LIÇÃO DE CASA
O gráfico da Figura 4 apresenta os efeitos da expansão
educacional no Brasil, mas importantes disparidades podem
ainda ser observadas. A proporção de jovens estudantes
brancos de 18 a 24 anos de idade que frequentavam o Ensino
Médio diminuiu; em contrapartida, os jovens estudantes pretos
ou pardos na mesma faixa etária mantêm a frequência nesse
nível. Também pode se observar o aumento da frequência no
ensino superior dos jovens pretos ou pardos. Porém, espera-se
que os alunos relacionem a discriminação racial e a
desigualdade social como fatores que influenciam o acesso
dos brasileiros à educação.
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No Brasil, negros e mulheres ficam mais tempo desempregados, diz
estudo
Negros e mulheres são os grupos que ficam mais tempo
desempregados no Brasil, segundo pesquisa feita pelo Dieese
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). [...]
O desemprego subiu para 6% em junho, maior nível desde abril de
2012, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
De acordo com o Dieese, 53,9% dos trabalhadores que procuram
emprego há menos de um ano são mulheres e 53,3%, negros. A taxa
aumenta entre os desempregados há mais de um ano: nesta situação,
63,2% são mulheres e 60,6%, negros.
Ainda conforme a pesquisa, trabalhadores com ensino médio
completo ou superior incompleto são a maior parcela dos que estão
desempregados há muito tempo, representando 46,2% do total.
Nota: O segmento de negros é composto por pretos e pardos e o de
não negros engloba brancos e amarelos.
Fonte: Portal de notícias Uol. Disponível em: <http://economia.uol.com.br/empregos-ecarreiras/noticias/redacao/2013/08/19/no-brasilnegrose-mulheres-ficam-mais-tempo-desempregados-diz-estudo.htm>. Acesso em: 13 dez. 2013.
A miscigenação das etnias não permite afirmar a
existência de uma “democracia racial” no Brasil, pois, o fato de
haver uma forte miscigenação entre brancos e não brancos no
Brasil não garante que exista uma verdadeira democracia. O
contraste entre brancos e não brancos estende-se para outras
informações – relativas às etnias e sua condição social (por
exemplo, homens brancos são os que ganham salários mais
elevados em todas as faixas etárias, homens negros são as
maiores vítimas da violência urbana e homens pardos de 30 a
59 anos representam maior número de analfabetos) –, nota-se
que a democracia, no que diz respeito à cor da pele, somente
poderá ser construída por meio de mudanças socioeconômicas
e culturais profundas.
Em outras palavras, para deixar de ser um mito e passar a
ser realidade, a democracia exige que os não brancos
adquiram igualdade de condições no mercado de trabalho,
nível de escolaridade, acesso à renda, entre outros,
compatíveis com aqueles observados para os brancos. Há,
ainda, a necessidade de deixarem de ser vistos socialmente
por meio de estereótipos e preconceitos.
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VOCÊ APRENDEU?
Com base nos mapas das próximas páginas e em seus
conhecimentos, responda à questão a seguir.
Segundo o critério da cor da pele adotado pelo IBGE, a
distribuição da população brasileira pode ser compreendida se
forem considerados também os processos de povoamento e
ocupação do território nacional. Assinale a alternativa que
expressa essa relação corretamente.
a) A maior concentração de população preta está no
Nordeste e a de pardos, no Norte e no Nordeste, legado de uma
intensa concentração escravagista africana que, desde meados
do século XVI, predominou nas duas regiões devido à antiga
cultura canavieira.
b) No Centro-Oeste há certo equilíbrio entre as
populações branca e parda por causa dos descendentes de
povos europeus e orientais que se dirigiram à região ao longo
do século XX, para se dedicar à colonização de novas terras.
c) A porcentagem de população preta no Sul do país é
expressiva perante as demais regiões e reflete um processo de
colonização e povoamento similar ao de outras regiões
brasileiras, principalmente com a presença de negros.
d) Os brancos são maioria nas regiões Sul e Sudeste,
devido à grande concentração de descendentes de europeus
(principalmente italianos e alemães) ou de outros povos de cor
branca (por exemplo, árabes).
e) A maior parcela das populações indígena e parda está
no Norte, o que se deve à intensa mestiçagem ocorrida a partir
da construção da Rodovia Transamazônica.
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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2
A DINÂMICA DEMOGRÁFICA
CARTOGRAFIA PESSOAL
Eu nasci na cidade de Marilia /SP – Brasil.
Meu pai nasceu na cidade de Marilia /SP – Brasil.
Minha mãe nasceu na cidade Marilia /SP – Brasil.
Meu avô paterno nasceu na cidade de Barcelona / Espanha .
Meu avô materno nasceu na cidade de Marilia /SP – Brasil.
Minha avó paterna nasceu na cidade Barcelona / Espanha .
Minha avó materna nasceu na cidade de Marilia /SP – Brasil.
Meu avô materno teve sete irmãos.
Meu avô paterno teve oito irmãos.
Minha avó materna teve cinco irmãos.
Minha avó paterna teve nove irmãos.
Minha mãe teve dois irmãos.
Meu pai teve oito irmãos.
Eu tenho um irmãos.
Pretendo ter dois filhos
Houve movimentos migratórios de uma geração para
outra por parte de meus avós paternais que imigraram da
Espanha para o Brasil em meados do século XX.
O número de filhos diminuiu de uma geração para outra,
devido ao planejamento, cuja preocupação dos pais era de
proporcionar a seus filhos melhores condições de vida.
LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO E TABELA
Com base nos dados do gráfico, não é possível afirmar
que a população brasileira está passando por uma explosão
demográfica, pois, o gráfico mostra que o elevado crescimento
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ocorreu na década de 1890. E entre as décadas de 1940 e 1960
houve um período de aumento da taxa de crescimento
populacional em decorrência da queda da mortalidade
resultante dos avanços da medicina, como o surgimento dos
antibióticos e a popularização de formas de prevenção com as
vacinações em massa. A partir da década de 1960, com a
redução da natalidade, iniciou-se um declínio do crescimento
populacional brasileiro mostrado pelas quedas percentuais de
27,7%, em 1980, para 12,3%, em 2010. De acordo com
projeções do IBGE entre 2010 e 2020 o crescimento
populacional brasileiro deverá atingir 13,6%; somente em 2043
a população voltará a diminuir.
Na “cartografia” da turma, a variação do número de filhos
de uma geração para outra reflete, de certa forma, a situação
do crescimento populacional brasileiro representada no
gráfico, devido a diminuição no crescimento populacional
brasileiro representado no gráfico. Caso essa tendência não se
confirme, é importante discutir fatores sociais e econômicos
locais que possam ter influenciado o resultado.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
As variáveis são utilizadas para determinar o crescimento
natural ou vegetativo da população de um país são: as taxas de
natalidade e de mortalidade.
O crescimento vegetativo é o resultado da diferença entre
as taxas de natalidade e de mortalidade a cada mil habitantes.
Por exemplo, no período 1872-1890, o crescimento vegetativo
era de 16,3 (46,5 de natalidade por mil e 30,2 de mortalidade por
mil).
A taxa de mortalidade expressa a proporção entre o
número de óbitos e a população absoluta de um lugar, em
determinado intervalo de tempo. A taxa de natalidade expressa
a proporção entre o número de nascimentos e a população
absoluta de um lugar, em determinado intervalo de tempo.
O crescimento da população brasileira no final do século
XIX (1890) e início do século XX foi impactado pelo ingresso de
imigrantes.
No início dos anos 1930, poucos meses depois de
assumir o poder, o presidente Getúlio Vargas baixou um
decreto limitando a entrada de estrangeiros no Brasil e, a partir
de 1934, a chegada de imigrantes ao Brasil diminuiu
significativamente, em consequência de diversos fatores.
Em primeiro lugar, a crise cafeeira provocou sérios danos
à economia brasileira no final dos anos 1920, gerando
desemprego e tensão social, ampliados pelas instabilidades
causadas pelas revoluções de 1930 e 1932.
Em 1934, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas,
foi assinada a Lei de Cotas de Imigração, que permitia o
ingresso de apenas 2% do total de imigrantes que haviam
entrado no Brasil nos últimos 50 anos (exceção feita aos
portugueses). Tais fatores explicam a redução do incremento
populacional ocorrida entre as décadas de 1920 e 1930.
LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
O período de grande crescimento vegetativo ocorreu
entre as décadas de 1940 e 1960, quando as taxas de
natalidade aumentaram e houve redução acentuada nas taxas
de mortalidade, gerando, em consequência, grande
crescimento vegetativo ou natural da população brasileira. Tais
fatores resultaram da revolução da tecnologia bioquímica, do
aumento do número de pessoas com acesso à rede médicohospitalar, às vacinações em massa e à melhoria das
condições sanitárias que contribuíram de forma significativa
para a queda acentuada das taxas de mortalidade.
Essa queda e a permanência de elevadas taxas de
natalidade, entre 1940 e 1960, explicam o elevado crescimento
vegetativo verificado no período.
O número de filhos por mulher diminuiu de 6,2, em 1940,
para 1,8 filho por mulher em 2013. No geral, o gráfico
Crescimento populacional brasileiro entre 1890 e 2010 e
projeção para 2020 mostra uma diminuição contínua no
crescimento populacional, a partir da década de 1960.
Ressaltando que em 1960 houve um pequeno aumento na taxa
de fecundidade e um aumento no crescimento populacional em
comparação à década anterior. Segundo o IBGE, uma taxa de
fecundidade inferior a 2,0 filhos por mulher não garante a
reposição da população atual, demonstrando uma tendência de
120
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
que o número de habitantes poderá diminuir em números
absolutos.
O gráfico demonstra como as taxas de fecundidade
diminuem sensivelmente conforme aumentam os anos de
estudo das mulheres. Percebe-se que as regiões Norte, CentroOeste e Nordeste apresentam as maiores taxas de fecundidade
nas mulheres sem instrução e Fundamental incompleto, ou
seja, as mulheres de menor escolaridade apresentam as
maiores taxas de fecundidade. O mesmo pode ser verificado
nas taxas de fecundidade em outras regiões do Brasil. Uma
variável socioeconômica relacionada à fecundidade refere-se à
escolaridade da mulher. De modo geral, as diferentes taxas de
fecundidade entre as regiões brasileiras são explicadas pelas
diferenças regionais de desenvolvimento econômico, o que
implica maior nível educacional da população.
A redução nas taxas de fecundidade é explicada pelo
aumento da urbanização e, portanto, pelo maior acesso aos
meios contraceptivos, pela melhoria no nível educacional da
população, pela significativa presença da mulher no mercado
de trabalho, entre outros fatores.
A redução do número médio de filhos por mulher vem
ocorrendo em todo o mundo. Particularmente no Brasil,
iniciou-se com as mulheres das classes média e alta dos
centros urbanos do Sul e do Sudeste – que apresentavam
maior taxa de escolarização e tinham mais acesso às
informações – e, pouco a pouco, atingiu as demais classes
sociais e regiões (estendendo- se, atualmente, pelas áreas
rurais).
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO E MAPA
A expressão “transição demográfica” pode ser definida
como a transição entre um modelo demográfico marcado pela
alta natalidade e mortalidade para outro, caracterizado pela
baixa natalidade e mortalidade.
Na Fase I da Transição Demográfica, ocorre a redução
das taxas de mortalidade e registra-se um elevado crescimento
vegetativo da população. Na Fase II, ocorre uma redução das
taxas de natalidade, e, consequentemente, do crescimento
vegetativo. Por último, na Fase III, período pós-transicional,
característico de um regime demográfico moderno, as taxas de
mortalidade e de natalidade apresentam-se reduzidas.
Países que já concluíram sua transição demográfica, que
se encontram na Fase III: Japão, países europeus, Estados
Unidos da América, Canadá etc. Fase II, caracterizada por
crescimento populacional lento: os países latino-americanos,
com exceção de Bolívia, Belize, Guatemala, Honduras,
Nicarágua (todos na Fase I), e Uruguai e Cuba que estão na
Fase III. Na Fase I encontram-se grande parte dos países
africanos e do Oriente Médio. Também na Ásia temos Iêmen,
Afeganistão, Nepal, Butão, Bangladesh, Camboja e Laos.
Em geral a Fase III ocorre em países onde há
desenvolvimento econômico ou em nações antigas e também
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os atuais e ex-países socialistas, que priorizaram ações
voltadas para a educação, saúde e mesmo planejamento
familiar. Os países que se encontram na Fase I são pobres, em
sua maioria com população predominantemente rural, com
pouca infraestrutura e ações concretas em termos
educacionais e de assistência à saúde.
Os fatores são responsáveis pela manutenção de vários
países africanos na Fase I, cuja, situação de pobreza como um
dos fatores das altas taxas de natalidade e de mortalidade,
além da falta de infraestrutura e os conflitos armados, comuns
nessa região. São necessárias várias ações, como
investimentos em saneamento básico, saúde, educação etc.
O Brasil está caminhando para a última fase, que se
caracteriza pela diminuição acentuada das taxas de natalidade
e de fecundidade e, consequentemente, pelo crescimento
populacional moderado. Segundo estimativas, nos próximos
anos a taxa de natalidade deverá ser inferior a 20%, e a de
fecundidade deverá declinar ainda mais.
LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO
Com base nas semelhanças visuais das estruturas etárias
das pirâmides do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da
África do Sul, apresentadas na Figura 12, podem ser
distribuídas em cinco países em dois grupos.
Grupo 1 - Brasil, Índia e África do Sul – Características da
estrutura etária = Base larga, corpo médio e topo estreito. No
Brasil verifica-se o aumento de adultos e uma leve diminuição
no número de jovens.
Grupo 2 - Rússia e China - Características da estrutura
etária = China e Rússia apresentam base menor que o corpo da
pirâmide, resultado de baixas taxas de natalidade, e com
número significativo de idosos. As pirâmides da Rússia e da
China mostram uma estrutura etária mais envelhecida,
contrastando com a estrutura jovem da Índia. A pirâmide russa
apresenta maior quantidade de mulheres do que de homens,
principalmente nas faixas acima dos 65 anos, em virtude dos
vários conflitos internos e das guerras pelos quais o país
passou em sua história, o que afetou diretamente o
contingente masculino.
123
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
A análise do comportamento da pirâmide brasileira
evidencia uma diminuição da base e um maior alargamento do
contingente de população em idade adulta, o que sinaliza a
passagem da Fase II para a Fase III da transição demográfica.
Deve-se também considerar que as quedas dos níveis de
fecundidade e mortalidade nos últimos 40 anos evidenciam
essa fase de transição, fazendo que o desenho de sua pirâmide
etária apresente mudanças ao longo do tempo, passando de
uma estrutura jovem nas décadas de 1960, 1970 e 1980, para
uma menos jovem apresentada em 2010. Ressalta-se que a
dinâmica demográfica brasileira influi diretamente nas políticas
públicas de planejamento e de atendimento social.
A análise da pirâmide etária oferece diversas informações
sobre a população de um país, como a quantidade e a
distribuição de habitantes por faixa etária, a proporção por
sexo e a porcentagem de pessoas em idade produtiva (ou seja,
as que se encontram entre 10 e 65 anos) no total da população.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
LIÇÃO DE CASA
O processo de transição demográfica, que ocorre
aceleradamente no Brasil, além de ser determinante no
tamanho populacional, também altera a estrutura por idade da
população.
Esse processo se dá de forma generalizada em cada uma
das regiões brasileiras, mas ainda se mantêm diferenciais
regionais, que refletem suas desigualdades socioeconômicas.
As regiões Sudeste e Sul, que se encontram mais adiantadas
no processo de transição demográfica, apresentam os maiores
índices. Os valores mais baixos nas regiões Norte e CentroOeste refletem a influência das migrações, atraindo pessoas
em idades jovens, muitas vezes acompanhadas de seus filhos.
Assim as transformações nos movimentos migratórios também
têm grande influência nas mudanças demográficas, com
impacto tanto nas populações de origem quanto nas de
destino. Além disso, a Região Norte apresenta taxa de
fecundidade superior à média nacional, o que ajuda a explicar
o índice. Quanto ao Índice de Envelhecimento, ele contribui
para entender as tendências da dinâmica demográfica e
acompanhar a evolução do ritmo de envelhecimento da
população, comparativamente entre regiões geográficas, e
subsidiar a formulação, gestão e avaliação de políticas
públicas nas áreas de saúde e previdência social.
125
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
VOCÊ APRENDEU?
A dinâmica demográfica brasileira modificou-se ao longo do tempo.
Interprete o gráfico a seguir, relativo ao período de 1872 a 2010.
Avalie as afirmativas em relação às mudanças representadas no
gráfico.
I. Considerando-se o período de 1970 a 2010, pode-se afirmar que
houve uma redução no crescimento vegetativo do país, processo em
grande parte relacionado ao acesso da população aos métodos
contraceptivos, à urbanização e à maior participação da mulher no
mercado de trabalho.
II. A partir da crise da década de 1980, amplas políticas
governamentais de controle da natalidade resultaram na queda do
crescimento vegetativo e no ingresso do país na fase mais avançada da
transição demográfica.
III. Considerando o período de 1970 a 2010, verifica-se que ocorreu
um desequilíbrio entre as taxas de natalidade e de mortalidade,
provocando um elevado aumento populacional, em virtude dos avanços
da medicina, do aumento da taxa de fecundidade e da maior participação
da mulher no mercado de trabalho.
IV. Em meados do século XX, a redistribuição espacial da
população, pelo crescimento da migração campo-cidade, e a aceleração
do processo de urbanização foram fatores que contribuíram de maneira
expressiva para a redução das taxas de natalidade. Além disso, sobretudo
a partir de 1970, as maiores taxas de escolarização e a inserção da mulher
no mercado de trabalho contribuíram para maior redução das taxas de
fecundidade.
As afirmativas corretas são indicadas pela opção:
a) I e II.
b) III e IV.
c) I e IV.
d) II , III e IV.
e) I , II, III e IV.
126
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3
O TRABALHO E O MERCADO DE TRABALHO
Para começo de conversa
É cada vez maior o número de brasileiras que também
trabalha fora de casa, aumentando o orçamento familiar ou
sendo elas mesmas chefes de suas famílias.
LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO, MAPA E TEXTO
127
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
De acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada), ao longo dos últimos anos (1999-2009), aumentou o
número de famílias formadas por casais com filhos e chefiadas
por mulheres, existiam 4,1 milhões de famílias chefiadas por
mulheres, o que as torna protagonistas nos últimos anos de
uma grande mudança em curso no mercado de trabalho
brasileiro. Os dados apresentados no mapa e no texto revelam
uma mudança histórica nas relações familiares até então
patriarcais, em que o homem era considerado o grande
provedor, para uma nova realidade, na qual o papel da mulher
torna-se cada vez mais reconhecido como participante na
renda familiar e provedora individual de grande parte das
famílias. O aumento da proporção de famílias chefiadas por
mulheres é um fenômeno tipicamente urbano. Além das
mudanças nas relações familiares, o processo de migração
campo-cidade (êxodo rural), o consecutivo aumento da
população urbana, onde o custo de vida é mais alto, o que
contribui para a entrada da mulher no mercado de trabalho
para auferir uma renda familiar maior, muitas passam também
por “dupla jornada” de trabalho, uma fora de casa, e outra
quando retornam ao lar e ainda se dedicam aos afazeres
domésticos, enfrentam a desvalorização salarial e até mesmo o
desemprego.
128
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO
De acordo com o IBGE, denomina-se População
Economicamente Ativa (PEA) o conjunto da população em
idade produtiva, entre 10 e 65 anos, e que trabalha em
atividades remuneradas, considerando-se tanto indivíduos
ocupados (com trabalho) quanto desocupados (sem trabalho,
mas que tomam alguma providência efetiva no sentido de
procurar trabalho).
Essa definição do IBGE pode ser discutida, pois, a
Constituição brasileira não permite o trabalho infantil. A
Constituição determina a idade mínima de l4 anos para a
admissão ao trabalho e proíbe qualquer trabalho a menores de
14 anos, salvo na condição de aprendiz.
O setor primário inclui a agricultura, a pecuária, a caça, a
pesca e as explorações florestais; o setor secundário abrange
a atividade industrial, incluindo as indústrias de transformação
de bens de consumo e de produção e a de construção civil, e a
extração mineral; o setor terciário agrupa as atividades
relacionadas à prestação de serviços (bancos, transporte,
saúde, educação, profissões liberais, funcionalismo público
etc.) e ao comércio.
Entre as décadas de 1940 e 1960 a população brasileira
era predominantemente rural, concentrada no setor primário.
Com a aceleração da industrialização, principalmente a partir
da década de 1970, associada à mecanização agrícola, ao
êxodo rural, à urbanização, à permanência de uma estrutura
fundiária concentrada e ao difícil acesso à terra, esse perfil se
129
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
alterou. Houve, então, um crescimento dos setores secundário
e terciário e uma diminuição da população no setor primário.
Após a década de 1980, a automação industrial provocou
novas alterações na distribuição da população pelos setores
da economia. A partir daí, a concentração tornou-se ainda
maior no setor terciário, que absorveu a mão de obra egressa
das indústrias. Além disso, surgiram novos serviços
resultantes das tecnologias da informação e novas formas de
administração alocadas no setor terciário.
O gráfico mostra os percentuais de participação de
homens e mulheres nos grupos de atividade, em relação à
população ocupada do grupamento. Observa-se a elevada
participação das mulheres na administração pública e,
sobretudo, nos serviços domésticos. Comparado com os
índices de 2003, os crescimentos mais relevantes nas
participações das mulheres ocorreram no comércio, nos
serviços prestados a empresas e nos outros serviços. Nas
atividades em que historicamente há predomínio, seja de
homens ou de mulheres, praticamente não ocorreram
alterações, como na construção, com os homens, e nos
serviços domésticos, com as mulheres.
A situação das mulheres no mercado de trabalho ainda é
desigual quando comparada com a dos homens. De maneira
geral, as mulheres enfrentam grandes dificuldades no mercado
de trabalho, em muitos casos com rendimentos menores do
que o dos homens. O mercado de trabalho ainda é
discriminatório em relação às mulheres por vários motivos,
como: tendência em pagar salários menores às mulheres em
130
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
comparação aos homens que ocupam o mesmo cargo;
dificuldade de aceitar a participação feminina em cargos ou
funções
executivas,
de
alta
administração ou
de
gerenciamento; reação negativa ao acúmulo de funções
familiares e de trabalho; afastamento do posto de trabalho
devido às licenças-maternidade.
VOCÊ APRENDEU?
Em 1970, o trabalho feminino correspondia a 21% da
População Economicamente Ativa (PEA) brasileira. Em 2011,
segundo dados da Pesquisa Mensal do Emprego – 2003-2011,
realizada pelo IBGE, esse percentual saltou para 46,1%. Entre
outros fatores, o aumento significativo das mulheres no
mercado de trabalho se deve:
a) à igualdade profissional conquistada pelas mulheres
perante os homens no mercado de trabalho, com acentuada
redução das disparidades dos ganhos salariais entre eles.
b) ao aumento da industrialização brasileira e à
consequente expansão das oportunidades de trabalho no setor
secundário, com melhor remuneração para as mulheres.
c) ao maior nível de escolarização da população feminina
no período, o que favorece sua ocupação em atividades mais
qualificadas e mais bem remuneradas, tanto para as brancas
como para as demais categorias segundo a cor da pele nos
dados do IBGE.
d) à necessidade de a mulher trabalhar fora de casa para
aumentar o orçamento familiar e pelo fato de muitas famílias
serem chefiadas exclusivamente por mulheres.
e) à maior escolaridade das mulheres quando comparada
à dos homens e à queda da taxa de fecundidade, fatores que
evitam a situação de desemprego como ocorre com grande
parcela das mulheres negras.
131
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4
A SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL E A EXCLUSÃO SOCIAL
LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO
Desenvolvimento Humano
[...]
O crescimento econômico de uma sociedade não se traduz
automaticamente em qualidade de vida e, muitas vezes, o que se
observa é o reforço das desigualdades. É preciso que este crescimento
seja transformado em conquistas concretas para as pessoas: crianças
mais saudáveis, educação universal e de qualidade, ampliação da
participação política dos cidadãos, preservação ambiental, equilíbrio
da renda e das oportunidades entre toda a população, maior liberdade
de expressão, entre outras. Assim, ao colocar as pessoas no centro da
análise do bem- estar, a abordagem de desenvolvimento humano
redefine a maneira com que pensamos sobre e lidamos com o
desenvolvimento – nacional e localmente.
O conceito de desenvolvimento humano, bem como sua medida,
o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, foram apresentados em
1990, no primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa
das Nações Unidas para o Desenvolvimento, idealizado pelo
economista paquistanês Mahbub ul Haq e com a colaboração e
inspiração no pensamento do economista Amartya Sen.
A popularização da abordagem de desenvolvimento humano se
deu com a criação e adoção do IDH como medida do grau de
desenvolvimento humano de um país, em alternativa ao Produto
Interno Bruto, hegemônico à época como medida de desenvolvimento.
O IDH reúne três dos requisitos mais importantes para a
expansão das liberdades das pessoas: a oportunidade de se levar uma
vida longa e saudável – saúde –, ter acesso ao conhecimento –
educação - e poder desfrutar de um padrão de vida digno – renda.
[...]
Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil 2013.
Disponível em: <http://atlasbrasil.org.br/2013/pt/o_atlas/desenvolvimento_humano>. Acesso em: 10 mar.
2014.
132
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o Índice de
Desenvolvimento Humano ajustado à desigualdade (IDHAD)
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ponto central do
Relatório de Desenvolvimento Humano que é elaborado, desde 1990,
pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD),
surgiu como uma proposta de se qualificar o desenvolvimento das
nações a partir de índices que superavam, do ponto de vista dos
criadores do IDH (Mahbub ul Haq e Amartya Sen), a qualificação das
nações a partir da noção simplista de Produto Interno Bruto (PIB) per
capita. Como vimos no texto anterior, esses índices referem-se a uma
vida longa e saudável (saúde), acesso ao conhecimento (educação) e
padrão de vida (renda) medido pela Renda Nacional Bruta (RNB). A
partir da junção desses três índices, chega-se ao valor do IDH, que é
medido na escala entre 0 e 1, e que classifica as nações em quatro
grupos: IDH muito elevado, IDH elevado, IDH médio e IDH baixo.
Em 2011, considerando-se as críticas de que o IDH também tendia
a uma análise simplista das nações, o PNUD trouxe novas variáveis ao
Relatório de Desenvolvimento Humano, que são consolidadas no Índice
de Desenvolvimento Humano ajustado à desigualdade (IDHAD). Nesse
índice, considera-se a desigualdade de renda que ocorre internamente
ao território das nações, a mortalidade infantil e a pobreza de
rendimentos. O Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à
Desigualdade (IDHAD) tem o objetivo de estudar a distribuição do nível
médio do desenvolvimento humano em relação à esperança de vida, ao
nível de escolaridade e ao controle sobre os recursos. A maior diferença
entre o IDH e o IDHAD indica a existência de desigualdades.
Com o IDHAD, as nações por ele avaliadas ganham classificação
paralela à classificação do IDH. Por exemplo, de acordo com o Relatório
de Desenvolvimento Humano 2013, com um IDH de 0,730, o Brasil
alcançou a 85a posição entre os 188 países analisados pelo PNUD,
ficando dentro do grupo dos países com IDH elevado. No entanto,
quando avaliado do ponto de vista do IDHAD, o Brasil alcançou a
pontuação de 0,531, ficando atrás de países como Jordânia, China,
Gabão, Moldávia e Uzbequistão, que possuem IDH inferior ao do Brasil e
pertencentes ao grupo de IDH médio.
Referência
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 –
Ascensão do Sul: Progresso
Humano num Mundo Diversificado. Disponível em: <http://hdr.undp.org/en/2013-report>. Acesso em: 23 abr.
2014.
Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola.
133
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Existe desenvolvimento humano com desigualdade social profunda?
O Brasil melhorou no IDH, mas ainda está longe de ocupar uma
posição próxima à sua proeminência como sexta maior economia do
mundo.
Por Jorge Abrahão*
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano
(Pnud) divulgou, no último dia 24 de julho, o relatório sobre o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDH) 2014, relativo ao ano de 2013.
Aplicado pela primeira vez em 1990, o IDH mede o nível de bemestar mínimo da população de 187 países, por meio de três critérios:
expectativa de vida; média de anos de estudo; e renda nacional bruta per
capita. O IDH varia de 0 a 1 e, quanto mais perto do 1, melhor é o
desenvolvimento humano do país. Dessa forma, o Pnud conseguiu
encontrar um parâmetro de comparação entre as condições de vida das
populações fora dos indicadores econômicos tradicionais e, com isso,
fazer com que as discussões sobre combate à pobreza, redução das
desigualdades e equilíbrio ambiental entrassem constantemente na pauta
de trabalhos dos diversos organismos da ONU e também na agenda
internacional.
Não é possível comparar os dados do início dos anos 2000 com os
atuais, porque a metodologia utilizada pelo Pnud para coleta de dados
mudou a partir de 2010. Naquele ano, foram introduzidos indicadores
complementares para aferição de desigualdades de renda, de gênero,
enfim, de disparidades entre a população.
Essa mudança foi feita porque, ao longo dos anos, o Pnud verificou
uma sensível melhora no IDH dos países, principalmente dos mais
pobres. Mas percebeu um ritmo mais lento desse crescimento a partir da
crise financeira de 2008. Então, introduziu mudanças para verificar como
ficava a desigualdade na sociedade, mesmo perante um quadro de
melhoria do desenvolvimento humano no país. Pois havia concluído,
acertadamente, que a desigualdade crônica restringe o progresso social.
Desigualdade interfere no desenvolvimento humano
A edição de 2014 – com dados referentes a 2013 – é o primeiro em
que foi possível verificar o impacto da crise. E a conclusão do Pnud é que
os fatos de 2008 tiveram impacto direto no desenvolvimento humano. Dos
187 países analisados, 144 tiveram um crescimento baixo no IDH,
inclusive o Brasil, e a tendência é de desaceleração em todos os países e
em todos os indicadores – expectativa de vida, educação e renda per
capita. O Pnud apurou, inclusive, que os menores aumentos no índice
ocorreram nos países europeus e, analisando cada indicador em
separado, o recuo de renda também foi maior na Europa, bem como nos
países árabes e na Ásia Central (Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão,
Turcomenistão, Uzbequistão e parte do Irã, da China, do Afeganistão, da
Índia, do Paquistão e da Rússia).
134
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Os países que mais incrementaram o IDH em 2013/2014 foram os
que apresentam os mais baixos níveis de desenvolvimento humano,
como Burundi, Burkina Fasso e Afeganistão, e aqueles que mantiveram
políticas econômicas e fiscais que não sacrificam o emprego e a renda,
como boa parte da América Latina, a Alemanha e a Polônia.
Mesmo com essa desaceleração, o ranking do IDH não sofreu
profundas alterações nesta rodada. A liderança continua sendo da
Noruega, com IDH de 0,944; em segundo lugar está a Austrália, com
0,933; em terceiro, a Suíça, com 0,917; em quarto lugar, os Países Baixos,
com 0,915; e, em quinto, os EUA, com 0,914.
Se esses índices fossem ajustados pela desigualdade, que o Pnud
mede pela distância da renda entre ricos e pobres, os EUA despencariam
23 posições, passando a ocupar o 28º lugar. O México, que está em 71º
lugar, iria para o 84º. Já a Alemanha, que está em sexto lugar, subiria para
o quinto. E a Sérvia iria do 77º lugar para o 55º.
E o Brasil?
As políticas públicas de compensação de renda, de recuperação do
salário mínimo e de emprego utilizadas pelo país foram novamente
bastante elogiadas pelo Pnud. Mas o órgão argumentou que a
desigualdade ainda é muito grande.
O IDH do Brasil foi de 0,744, número que dá ao país o 79º lugar
entre as 187 nações avaliadas. Ajustado pela desigualdade, nosso índice
cairia para o 95º lugar. Ainda frequentaríamos o ranking dos países de
desenvolvimento humano “elevado”, mas na incômoda posição de
estarmos quase no limite de regredirmos ao “desenvolvimento médio”.
Houve uma certa polêmica colocada pelo governo a respeito dos
dados utilizados pelo Pnud para realizar o cálculo do IDH brasileiro, os
quais foram considerados muito antigos. Mas o que importa é que todos
nós sabemos que a desigualdade em nosso país ainda é enorme e precisa
ser enfrentada.
Não é à toa que um grupo de entidades, entre as quais o Instituto
Ethos, está elaborando a Agenda Brasil Sustentável, cujo conteúdo já
vem sendo comentado por nós aqui neste espaço. O foco dessa agenda
é, justamente, combater a desigualdade por meio da construção de uma
economia inclusiva, verde e responsável e de uma sociedade cada vez
mais democrática, com espaço institucional de participação cidadã nas
decisões.
É a cidadania que precisa encontrar as respostas para perguntas
que se colocam. Estamos melhorando a qualidade de vida na velocidade
que queremos? E a desigualdade de renda? Querer um carro novo (que
está sendo subsidiado) implica atraso em outras políticas públicas mais
importantes, que atendam o coletivo, como as de saúde e educação?
Quanto mais precisamos aprofundar as mudanças estruturais, como
política fiscal com juros mais baixos, para dividir mais e melhor a riqueza
que todos estamos produzindo?
* Jorge Abrahão é diretor-presidente do Instituto Ethos.
25/7/2014
http://www3.ethos.org.br/cedoc/existe-desenvolvimento-humano-com-desigualdade-socialprofunda/#.VXDVJU1FCUk
135
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
LEITURA E ANÁLISE DE IMAGEM
FORMAS DE SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL ENCONTRADAS
NAS CIDADES BRASILEIRAS.
Segregação socioespacial
Nem todos os citadinos têm boas condições de vida toda
cidade tem um espaço urbano fragmentado e com
diferenciação em sua forma e função. Em muitas cidades,
principalmente os grandes centros urbanos, existem diversos
“centros” dentro de um mesmo espaço urbano: comerciais,
industriais, de lazer, de moradia, etc. Dessa maneira, o espaço
urbano vai se fragmentando cada vez mais.
Mas não só no aspecto econômico a cidade vai se
fragmentando. No aspecto social também. Na verdade, o social
e o econômico estarão sempre unidos. O poder público tem
grande responsabilidade por essa fragmentação urbana. Em
vez de buscar manter certa homogeneidade entre os espaços
da cidade, ele faz o contrário.
Assim, determinados espaços da cidade possuem
melhores condições de infraestrutura e outros não. Algumas
partes da cidade recebem bom tratamento de esgoto, rede de
água, iluminação pública e transporte coletivo de qualidade.
136
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Em outras partes, a população residente não tem asfalto, coleta
de lixo, tratamento de esgoto, água encanada, etc.
Logicamente, os bairros e os lugares com melhores
condições de infraestrutura serão mais valorizados
economicamente e se localizarão próximos ao centro da
cidade. A população mais pobre não consegue residir nesses
locais por não conseguir comprar ou mesmo alugar uma casa
nesse bairro valorizado. Espacialmente, os bairros menos
valorizados estão localizados na periferia da cidade, lugares
distantes do centro (onde se encontra a maior parte dos
serviços e comércio).
Ocorre ainda outro processo complementar: além de ser
obrigada a morar em lugares distantes, a população ainda
sofre com a dificuldade de acesso a equipamentos públicos de
lazer ou administrativos, tais como parques ou áreas verdes,
hospitais, escolas, creches, praças, etc.
Esse conjunto de fatores é denominado segregação
socioespacial. Ou seja, camadas de população são levadas a
morar em lugares distantes, com dificuldades de deslocamento
a lugares centrais, seja comércio ou local de trabalho, além de
serem desprovidas de equipamentos públicos.
A segregação vai estar ligada, portanto, ao uso e ao preço
do solo urbano, fazendo com que a população de camadas
sociais mais baixas more em lugares longínquos do centro.
Assim, existe a dificuldade de acesso aos bens e serviços do
espaço urbano.
Esse fenômeno é facilmente perceptível na paisagem
urbana. Olhe para sua cidade e veja como está ocorrendo a
segregação socioespacial.
Uma forma de combater essa segregação é a sociedade civil se
organizar e reivindicar seus direitos, previstos na Constituição
Federal. Do contrário, esse processo só tende a se agravar.
Por Regis Rodrigues de Almeida
http://www.alunosonline.com.br/geografia/segregacaosocioespacial.html
137
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
VOCÊ APRENDEU?
1. Unicamp 2002 – “Recentemente o shopping center RioSul – o primeiro a ser construído na cidade do Rio de Janeiro –
foi invadido por um grupo de 130 pessoas formado por semteto, favelados, estudantes e punks. Os manifestantes, com
esta invasão pacífica, inauguraram uma forma nova de
protesto.” (Adaptado de Folha de S. Paulo, 05/08/2000.)
a) Relacione essa manifestação ao exercício da cidadania
e
às
formas
de
organização
espacial
das
cidades
contemporâneas.
a)
A
cidade
contemporânea
segrega
de
forma
socioeconômica as camadas mais empobrecidas da sociedade.
Essas camadas vivem a margem da sociedade, discriminadas
no exercício da sua cidadania, em áreas sem infra-estrutura
onde o acesso à melhoria de vida e aos locais de consumo e
lazer é dificultado.
b) Além do shopping center, cite outro exemplo de
segregação socioespacial no meio urbano. Justifique sua
resposta.
b) Os conjuntos habitacionais para grupos de baixa
renda, como o Cingapura ou COHABs, onde a população é
confinada. Em habitações de baixo padrão em uma arquitetura
monótona onde os locais de lazer, como parques, praças,
centros esportivos, culturais e de consumo são precários.
138
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 5
A TECTÔNICA DE PLACAS E O RELEVO BRASILEIRO
LEITURA E ANÁLISE DE TABELA E QUADRO
139
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Por que é raro ocorrer terremotos no Brasil?
(a ilustração indica, com as setas vermelhas, o sentido de movimento das placas).
Tremores de terra ou abalos causados pela liberação de
energia acumulada no interior da crosta terrestre não são
raridades aqui. Ao contrário: o território nacional sofre cerca
de 90 tremores todos os anos.
Incomuns, na verdade, são os sismos de grande
magnitude porque o país está em uma zona intraplacas
tectônicas, com maior estabilidade, afastado das zonas de
contato ou de separação de plataformas .
Essas áreas de contato são muito instáveis, como é o
caso do arquipélago japonês, que sofre com abalos fortes. Mas
grandes terremotos já foram registrados aqui.
Em 1955, em uma área desabitada no litoral do Espírito
Santo, um sismo atingiu 6,2 graus na escala Richter. Ele teria
sido devastador se tivesse ocorrido em uma área mais
povoada.
Diferentemente do terremoto ocorrido em uma área
desabitada no litoral do Espírito Santo, em 1955, o terremoto de
L’Aquila atingiu uma área urbana de grande concentração
populacional. Além disso, que, em L’Aquila, parte da área
afetada foi edificada ainda na Idade Média – e que, portanto, a
estrutura da cidade era desprovida de materiais e técnicas
resistentes aos abalos sísmicos. Esses elementos podem ser
indícios relevantes para explicar o número de vítimas na Itália.
140
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO, MAPA E QUADRO
A instabilidade da crosta terrestre
O interior da Terra guarda mistérios que sempre excitaram a
imaginação do ser humano, entre outras razões, porque uma série
de eventos que têm origem nessa parte do planeta manifesta-se na
superfície e nos atinge, como é o caso dos terremotos e das
erupções vulcânicas. Além da imensa produção fantasiosa, foram
muitas as teorias que pretenderam explicar os processos que
ocorrem no interior da Terra.
Uma grande dificuldade empírica e concreta impõe-se de
início. O interior do planeta é diretamente inatingível, e todas as
informações de que se dispõem são indiretas e difíceis de analisar.
Nos últimos tempos, a pesquisa do interior de nosso planeta passou
a ser feita pela interpretação de ondas sísmicas que se propagam até
a superfície terrestre – pois têm comportamentos distintos ao
atravessarem diferentes materiais – e, também, pelo estudo do
vulcanismo e dos terremotos.
A conclusão a que se chegou é que a crosta terrestre é
dinâmica, vem se transformando ao longo do tempo da natureza, e
essa transformação pode ser explicada com base na teoria das
placas tectônicas. A crosta terrestre é uma fina casca sólida sobre o
magma, mas não contínua; ao contrário, trata-se de uma
justaposição de placas que se movimentam sobre o magma, e essa
movimentação explica grande parte da fisionomia atual da superfície
terrestre.
Uma referência-chave para essa interpretação teórica nos leva
para um passado de mais de 250 milhões de anos, quando os blocos
continentais atuais (Eurásia, África, América, Austrália e Antártida)
formavam um único e gigantesco bloco: a Pangeia (ou seja, “toda a
Terra”). De lá para cá, esse bloco foi se fragmentando e dando
origem aos continentes atuais. Nesse processo, os intervalos que
surgiram entre os fragmentos continentais foram preenchidos pelas
águas, e aí se encontra a origem dos oceanos. Por que a Pangeia se
fragmentou? Porque a crosta terrestre é formada de placas que se
movimentam. Assim, a estabilidade da crosta é apenas aparente.
Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o São Paulo faz escola.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
O autor afirma que uma série de eventos que ocorrem no
interior da Terra manifesta-se externamente. Os exemplos
citados são: os Terremotos e as erupções vulcânicas.
O autor afirma que o interior da Terra guarda mistérios
que sempre instigaram a imaginação do ser humano e que há
uma enorme dificuldade em se obter respostas para essas
inquietações. Isso ocorre porque, o interior do planeta é
inatingível fisicamente, e todas as informações de que se
dispõe são indiretas e difíceis de interpretar.
Considerando a evolução dos estudos geológicos, os
cientistas chegaram à conclusão que a crosta terrestre é
dinâmica e vem-se transformando ao longo do tempo da
natureza, e essa transformação pode ser explicada com base
na Teoria da Tectônica de Placas.
De acordo com o texto, a referência-chave para chegar a
essa interpretação baseia-se na Teoria da Tectônica de Placas.
De acordo com essa teoria, há mais de 250 milhões de anos, os
blocos continentais atuais (Eurásia, África, América do Norte,
América do Sul, Austrália e Antártida) compunham um único e
gigantesco bloco: a Pangeia (ou seja, “toda a Terra”). Desse
ponto do passado para cá, esse bloco foi-se fragmentando,
dando origem aos continentes atuais. Nesse processo, os
intervalos que surgiram entre os fragmentos continentais
foram preenchidos pelas águas, o que resultou no que
denominamos oceanos: Pacífico, Atlântico, Índico, Ártico e
Antártico.
A fragmentação da Pangeia é resultado do movimento das
placas tectônicas, impulsionadas pelas correntes convectivas.
IDENTIFICAÇÃO DAS PLACAS QUE ATUAM EM CONTATO
COM A PLACA SUL-AMERICANA
A oeste, a Placa Sul-americana encontra-se limítrofe à
Placa de Nazca; ao norte, faz contato com a Placa Caribenha; a
leste, com a Placa Africana; ao sul, com a Placa Scotia; a
sudoeste, com a Placa Antártica; e à sudeste, com a Placa
Australiana.
142
E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
• Terremoto, novembro de 2007, em São Paulo: seu
epicentro foi no Chile (se necessário, deve ser usado um mapamúndi de divisão política) e pode-se notar que esse ponto se
encontra na área de contato da Placa Sul-americana com a
Placa Nazca.
• Terremoto, dezembro de 2007, em Itacarambi (MG):
como o epicentro foi no próprio local, percebe-se que ele se
deu quase no meio da Placa Sul-americana.
• Terremoto, abril de 2008, ocorreu no Oceano Atlântico, a
270 quilômetros de São Paulo, na costa brasileira, e seu
epicentro se deu no limite externo entre a plataforma
continental e a crosta oceânica (ambas componentes da Placa
Sul-americana).
143
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As áreas de maior risco de ocorrência de terremotos na
América do Sul estão na região subandina, próxima à costa do
Pacífico, na porção extremo oeste do continente, área de
contato da Placa de Nazca com a borda ocidental da Placa Sulamericana.
As áreas próximas às bordas de contato das placas
tectônicas são as mais suscetíveis a terremotos. Conforme se
verifica, são essas as regiões de maior incidência de
terremotos na América do Sul.
O terremoto mais provável de ocorrer foi o terremoto de
novembro de 2007, com epicentro no Chile e com repercussão
em São Paulo. A probabilidade de novas ocorrências no local
explica-se em virtude do movimento convergente nos limites
entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-americana. Em geral, o
choque resultante desse movimento provoca terremotos de
grande magnitude, como o ocorrido em janeiro de 2010.
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O movimento das placas, podem acontecer três situações
nas áreas de contato:
• As placas se encontrarem e se chocarem (movimento
convergente).
• As placas se afastarem (movimento divergente).
• As placas não se encontrarem nem se afastarem, porque
fazem movimentos paralelos (movimentos transcorrente e/ou
conservativo).
LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO E GRÁFICO
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A formação da América do Sul resulta da fragmentação do
continente Gondwana, iniciado há 135 milhões de anos,
durante o Jurássico. O processo contínuo de separação
ampliou-se no cretáceo (65 milhões de anos) e ainda perdura
até nossos dias. Além da América do Sul, a fragmentação de
Gondwana deu origem à África, ao Oceano Atlântico, à
Austrália, à Antártica e à Índia.
A região da Placa Sul-americana onde se localiza o atual Brasil não
sofreu alguma alteração , pois o território brasileiro localiza-se na
porção central da placa. As alterações substanciais no
continente ocorreram na porção oeste, quando do encontro da
Placa Sul-americana com a Placa de Nazca, que deu origem à
Cordilheira dos Andes.
O texto ressalta interpretações que procuram explicar que
a formação dos Andes teria repercutido em todo o conjunto da
Placa Sul-americana. Trata-se de uma repercussão desigual,
visto que algumas áreas de rochas menos resistentes foram
mais soerguidas do que outras, estas constituídas de rochas
mais resistentes. Hipóteses indicam que foi neste momento
que teriam ocorrido movimentos orogenéticos que deram
origem à Serra do Mar e à Serra da Mantiqueira. No entanto, há
pesquisas que revelam indícios de que o relevo da costa leste
do Brasil, especialmente na região Sudeste, não teria uma
relação tão direta com o soerguimento dos Andes. Portanto, o
assunto é controverso. Logo, o território brasileiro, assim
como suas formas de relevo atuais, tem, no processo erosivo,
a sua principal força dinâmica.
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LEITURA E ANÁLISE DE MAPA E GRÁFICO
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As principais estruturas do Brasil são os crátons (áreas
cratônicas), os dobramentos antigos e as bacias sedimentares.
• Crátons (Amazônico, São Francisco e Sul-riograndense): são considerados os terrenos mais antigos do
Brasil, formados no Pré-cambriano (entre 4,5 bilhões e 1 bilhão
de anos). Apresentam base cristalina e são recobertos por
rochas metamórficas bastante erodidas.
• Dobramentos antigos (Brasília, Paraguai-Araguaia e
Atlântico) formados entre 4 bilhões e 1 bilhão de anos, são
áreas que sofreram soerguimento orogenético pré-cambriano.
• Bacias sedimentares (Amazônica; do Maranhão e do
Paraná): terrenos de formação geológica mais recente (era
Cenozoica), compostos de rochas sedimentares.
As bacias sedimentares representam 64% do território
brasileiro, enquanto as áreas cratônicas e de dobramentos
antigos recobrem os 36% restantes. A explicação para essa
predominância reside na acumulação de sedimentos resultante
do processo erosivo que atuou sobre o território brasileiro no
decorrer do tempo geológico.
Os minerais metálicos correspondem às maiores riquezas
minerais do Brasil e ocorrem em áreas cratônicas de formação
proterozoica. Nessas áreas encontram-se minerais metálicos,
como ferro, manganês, bauxita e ouro.
LIÇÃO DE CASA
O geofísico Marcelo Assumpção, da Universidade de São
Paulo (USP), está mapeando a estrutura da placa sob o Brasil
(a Sul-americana). Já descobriu que ela é mais fina e frágil em
algumas regiões, como no Nordeste. Esse fato, somado à
provável presença de uma falha tectônica, faz desta a região
com mais riscos sísmicos do país.
A atividade do interior da Terra chega até a superfície nas
áreas descontínuas da crosta terrestre, como as zonas de
contato das placas tectônicas. Por essa razão, os terremotos e
o vulcanismo são mais intensos nessas áreas. Mas a atividade
interna pode se fazer sentir também em pontos frágeis no
interior das placas, que é o caso mencionado da Placa Sulamericana, frágil no segmento de crosta oceânica, devido a
uma falha geológica.
148
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VOCÊ APRENDEU?
Com relação à estrutura tectônica do território brasileiro,
é correto dizer que:
a) a costa Leste, por se encontrar na borda da Placa Sulamericana, possui as montanhas mais elevadas do Brasil.
b) a fronteira Oeste do Brasil está livre de eventos como
tremores por causa da imensa distância da Cordilheira dos
Andes.
c) a posição do Brasil no interior da Placa Sul-americana
explica a baixa ocorrência de eventos sísmicos nos últimos 60
milhões de anos.
d) ao Sul do Brasil, as áreas de serras resultam de
dobramentos que ocorreram nos últimos 60 milhões de anos e
que deram origem também aos Andes.
e) o Brasil é instável em termos tectônicos em função das
várias fissuras e falhas existentes na Placa Sul-americana, que
sustenta a América do Sul.
No Brasil, não houve eventos sísmicos importantes nos
últimos 60 milhões de anos, diferentemente do que ocorre nos
países da borda Oeste da Placa Sul-americana, como o Chile, o
Peru etc.
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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 6
AS FORMAS DE RELEVO BRASILEIRO E AS FUNÇÕES
DAS CLASSIFICAÇÕES
Para começo de conversa
Significado dos seguintes termos:
• Relevo: forma da superfície da Terra, modelado, que
resulta da interação das forças internas (tectônica) e das forças
externas (erosão no sentido amplo).
• Modelado: considerado um sinônimo informal de relevo,
é a forma da superfície da Terra.
• Geomorfologia: trata-se de uma das áreas que compõem
a Geografia Física, ao lado da Climatologia, Hidrografia e
Biogeografia. Seu objeto de estudo é o relevo, tanto dos blocos
continentais quanto do fundo oceânico. Seus objetivos são
medir, descrever as formas e explicar as origens e a evolução
do relevo.
• Topografia: localização e medição de objetos
geográficos, tanto naturais como artificiais. As cartas
topográficas são uma forma de representação gráfica da
topografia.
LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO
150
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De acordo com o texto, as forças tectônicas, o clima e a
erosão. Portanto, a configuração das montanhas resulta da
interação entre os processos tectônicos (agentes internos),
climáticos e erosivos (agentes externos).
Os geólogos chegaram concluíram que a erosão foi a
principal força que configurou as cadeias montanhosas tal
como as observamos atualmente. Minúsculas gotas de chuva
foram responsáveis por boa parte da fisionomia e da altura das
cadeias montanhosas antigas.
Os agentes internos e externos podem ser responsáveis
tanto pela construção quanto pela destruição do relevo. No
encontro da Placa Sul-americana com a de Nazca, fala-se em
destruição da borda da placa, mas também pode-se falar em
construção de relevo, mais propriamente da Cordilheira dos
Andes. Na área de divergência das Placas Sul-americana e
Africana, há emissão de magma para a superfície, que, ao se
solidificar, tem efeito construtivo: faz crescer as duas placas,
ampliando a crosta oceânica, e origina cadeias montanhosas
no fundo do Oceano Atlântico, como a Dorsal Meso-Atlântica.
Nesse caso, constrói-se placa e constrói-se relevo submarino.
Na superfície terrestre, a erosão é uma força destrutiva de
relevo, podendo, ao longo de milhões ou bilhões de anos,
arrasar uma cadeia montanhosa completamente. Mas, se
estivermos pensando apenas nas formas de relevo, a erosão
pode ser considerada uma escultora que desenha formas; ao
mesmo tempo que destrói, constrói outros relevos.
Essa é a causa da deposição de sedimentos em áreas
mais baixas, dando origem a planícies, por exemplo. Em
síntese, a erosão remove; desgasta; transporta os resíduos e
os deposita em outras localidades mais baixas.
151
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No Brasil, não existem mais altas cadeias montanhosas,
pois foram quase integralmente erodidas (aqui existem apenas
testemunhos de dobramentos antigos na estrutura geológica),
apenas as outras três macroformas estão presentes no
território brasileiro: planícies, planaltos e depressões.
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LEITURA E ANÁLISE DE MAPA
Com base no mapa, as principais formas de relevo
encontradas no Brasil, predominam os planaltos (de 1 a 11), as
depressões (de 12 a 22) e as planícies (de 23 a 28).
Principais formas de relevo encontradas no Brasil
Planaltos: superfícies elevadas, mais ou menos planas,
delimitadas por escarpas, onde o processo de erosão supera o
de sedimentação. Em geral, são formas residuais, isto é,
relevos que restaram de formações antigas, divididos em
quatro tipos.
Depressões: apresentam tipos bem diversificados, sendo
definidas como um modelado de relevo que se apresenta mais
baixo do que as áreas vizinhas. Em seu trabalho, Ross
reconhece um total de 11 espalhadas pelo Brasil.
Planícies: áreas, em geral, planas, constituídas por
deposição de sedimentos de origem marinha, lacustre ou
fluvial. Esses terrenos, onde predomina a sedimentação, são
encontrados em seis porções do território brasileiro.
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LEITURA E ANÁLISE DE MAPA
DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS BRASILEIROS
As formas de relevo podem ser trabalhadas em
combinação com outros elementos da paisagem, como as
formações vegetais e as condições climáticas. Esse é o caso
da classificação criada pelo geógrafo Aziz Ab’Saber,
denominada Domínios Morfoclimáticos, na qual estão
associados relevo, clima e vegetação. Trata-se também de uma
representação qualitativa que diferencia compartimentos. Os
alunos também poderão examinar a representação anterior,
identificando semelhanças e diferenças (inclusive nos critérios
utilizados).
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LIÇÃO DE CASA
1. Todas as macroformas do relevo estão, de modo geral,
presentes no território brasileiro? Explique.
Não. No Brasil existem planaltos, depressões e planícies,
mas já não se encontram elevadas cadeias montanhosas, pois
as anteriormente existentes foram muito erodidas durante um
tempo longuíssimo e hoje são classificadas como planaltos.
2. Se a altitude for tomada como único parâmetro, o que
pode ser dito a respeito do relevo brasileiro?
Predominam as baixas altitudes de forma quase total.
Cerca de 99% do território é formado por altitudes inferiores a
1 200 metros. A princípio, isso se deve à não ocorrência
recente de eventos tectônicos importantes e, também, ao longo
processo erosivo de milhões e milhões de anos sobre as
formas anteriores. Isso serve para atestar a força da erosão
como processo fundamental na configuração do relevo.
VOCÊ APRENDEU?
Considerando o processo de erosão e sua relação com as
formas de relevo, é correto dizer que:
a) as planícies são formas de relevo, em geral planas,
produto do trabalho de deposição de sedimentos.
b) os planaltos são formas baixas e planas de relevo,
resultado da deposição de sedimentos erodidos em zonas mais
altas.
c) a erosão é a principal força formadora das grandes
cadeias montanhosas, que nada mais são do que planaltos
entrecortados e esculpidos.
d) as planícies são formas planas e altas no topo das
cadeias montanhosas, resultado da deposição sedimentar.
e) planaltos são terras mais baixas que as vizinhas,
resultantes do trabalho de erosão eólica e fluvial em áreas mais
elevadas.
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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 7
ÁGUAS NO BRASIL: GESTÃO E INTERVENÇÕES
Para começo de conversa
LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO
Conforme o texto, o Brasil enfrenta problemas com o
abastecimento de água para o consumo da população e para
as atividades econômicas que exigem o uso da água, contudo,
a questão da gestão e do uso de recursos naturais está sempre
cercada de muita complexidade, pois são vários os fatores que
interferem e, por vezes, o fato de um país ter boa
disponibilidade de um dado recurso não garante que seja bem
utilizado ou que não venha a faltar.
Bacias hidrográficas são sistemas naturais de drenagem
das águas que, obrigadas pelos divisores de águas do relevo,
escoam numa direção descendente. O escoamento conduzido
pela força gravitacional acaba dando uma estrutura
padronizada às bacias hidrográficas, sempre compostas de um
rio principal e de seus afluentes. As principais bacias
hidrográficas do Brasil são: Bacia Amazônica, Bacia São
franciscana, Grande Bacia Platina e Bacias Litorâneas. A bacia
hidrográfica é um recorte territorial que pode ser considerado
um importante elemento no planejamento e na gestão dos
recursos hídricos.
LEITURA E ANÁLISE DE MAPA E TABELA
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A respeito da distribuição geográfica da água no Brasil,
pode ser dito que, o primeiro mapa apresenta as regiões
hidrográficas do Brasil e traz uma ideia da abundância de água
no território. Já o segundo mapa permite relacionar a
disponibilidade e a demanda por água dentro de cada bacia
hidrográfica. O Brasil possui um elevado potencial hídrico, mas
que a distribuição geográfica desse recurso é desigual sobre a
superfície. Para tanto, devem analisar a relação entre a
disponibilidade do potencial hídrico e a demanda por água nas
diferentes regiões brasileiras. Nesse sentido, embora a maior
vazão média ocorra na região hidrográfica da Amazônia, essa
região possui pouca demanda por água, pois possui uma das
menores densidades demográficas do Brasil. Por outro lado,
embora a região Sudeste seja abastecida por mais de uma
região hidrográfica – como se observa no mapa –, o que
representa a segunda vazão média do país, tal volume de água
não é suficiente para atender à significativa demanda
econômica e da população, que é a maior do Brasil, com a
maior densidade demográfica; tal situação permite concluir
que essa região está mais vulnerável a problemas de
158
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abastecimento do que
disponibilidade hídrica.
outras
regiões
com
menor
Com base na tabela, em ordem decrescente as maiores
vazões médias encontradas no território brasileiro são:
Amazônica (1ª), Tocantins-Araguaia (2ª), Paraná (3ª), Uruguai
(4ª), Atlântico Sul (5ª), Atlântico Sudeste (6ª), São Francisco
(7ª), Atlântico Nordeste Ocidental (8ª), Paraguai (9ª), Atlântico
Leste (10ª), Atlântico Nordeste Oriental (11ª) e Parnaíba (12ª).
Leitura e análise de texto
Com base nessas informações, os problemas que
ocorrem em seu na cidade de São Paulo, capital do Estado, são
relativos ao uso da água como recurso natural, como por
exemplo, os problemas relativos ao uso da água, dificuldades
resultantes da pressão demográfica, ocupação e degradação
das áreas de mananciais; custo de captação, tratamento e
distribuição, problemas relativos à poluição das águas e ao
desperdício; além das condições climáticas. Na escala local,
as condições hídricas locais, assim como, informações
recentes acerca das condições geográficas econômicas e
ambientais de disponibilidade e do uso e do tratamento de
água no município, incluindo ações que visem à tomada de
posição e conscientização diante de diferentes situações
responsáveis por formas predatórias de uso dos recursos
hídricos, evolvendo a multiplicidade de problemas que
envolvem o uso da água como recurso natural. Uma melhor
disponibilidade de água garante o abastecimento justo e
sustentável desse recurso em benefício de toda a população;
portanto, tal disponibilidade não dispensa a necessidade de
uma gestão inteligente desse recurso.
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O RIO TIETÊ
�� O Rio Tietê nasce na região metropolitana de São Paulo, logo,
esse é o segmento onde ele possui menos água, ao mesmo tempo que é
nessa área que ele recebe a maior sobrecarga de poluentes e objetos
sólidos de todos os tipos. Em direção ao interior, a sobrecarga diminui e
o volume de água aumenta. Isso explica porque o rio está praticamente
morto na metrópole, mas adquire vida no interior. Esse também é o caso
do Rio Sena, na França; no entanto, obras de desvios de outros rios para
o Rio Sena na área metropolitana de Paris aumentaram seu volume de
água, ajudando a melhorar as condições de suas águas.
�� O Rio Tietê sofre uma imensa sobrecarga, não por ser muito
usado, mas por ser usado de uma única maneira na área metropolitana, o
que inviabiliza outros usos:
– As águas do Tietê não podem ser usadas para beber nem para
irrigar plantações. A cidade tem de captar água no Alto Tietê, região
menos poluída, sendo que o segmento que corta a cidade não pode
contribuir para o seu abastecimento.
– O Rio Tietê não é fonte de alimentação; não há peixes em um rio
poluído.
– A navegação na área metropolitana poderia ser ao menos
utilizada como transporte e lazer, e isso, nas condições atuais, é
impossível. – Suas águas poluídas dificultam o seu uso para a geração de
energia.
– O rio não se apresenta como uma área de lazer e suas várzeas
não são valorizadas, em razão da imensa poluição. Suas várzeas são
usadas também para escoar uma frota automobilística gigantesca.
– O Rio Tietê não pertence positivamente à paisagem da cidade de
São Paulo, que, em geral, procura ignorá-lo, sem deixar de usá-lo da
forma inadequada como faz.
Assim, pode-se dizer que houve uma opção por um uso limitado do
Rio Tietê e, desse modo, ele está sendo muito deteriorado.
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O rio São Francisco é um importante curso de água que percorre 2.830
km no território brasileiro, é popularmente chamado de Velho Chico.
Esse rio brasileiro nasce no estado de Minas Gerais, na Serra da
Canastra, e sua nascente está situada a uma altitude de 1.200 metros. Em sua
extensão, corta o estado da Bahia. Ao norte do território baiano, o rio serve de
fronteira natural com Pernambuco, além de estabelecer limites entre os
territórios de Sergipe e Alagoas.
O rio, em seu percurso, corta áreas influenciadas por diferentes climas,
vegetações e relevos, sendo utilizado com fonte hídrica para a geração de
energia em cinco usinas hidrelétricas.
Nas áreas próximas às nascentes e à foz, as chuvas são relativamente
abundantes, já nos outros pontos, o clima é muito seco.
O Velho Chico percorre regiões semiáridas, com pouca chuva e afluentes
temporários, mesmo assim é perene (não seca em nenhum período do ano), isso
porque seu volume é mantido por afluentes (perenes) no centro do estado de
Minas Gerais.
Em toda sua extensão, conta com um total de 168 afluentes, sendo 90 na
margem direita do rio e 78 na margem esquerda. O rio possui uma enorme
importância econômica, social e cultural para os estados cortados por ele.
Em diversos trechos, o São Francisco oferece condições de navegação,
desse modo, as principais cargas transportadas são de cimento, sal, açúcar,
arroz, soja, madeira e gipsita, incluindo o transporte de pessoas, sobretudo de
turistas.
Suas águas são usadas para o turismo, lazer, irrigação, transporte, entre outros,
desempenhando um importante papel socioeconômico para os estados e,
principalmente, para as cidades em sua margem.
Por Eduardo de Freitas
Graduado em Geografia
Equipe Brasil Escola
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LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO
Gestão Integrada dos Recursos Hídricos
A Lei federal no 9.433/97 instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos que se baseia
nos seguintes fundamentos: a água é um recurso limitado de domínio público dotado de valor
econômico, a unidade de planejamento e gerenciamento deve ser o limite das bacias
hidrográficas e a sua gestão deve ser feita de forma descentralizada e contar com a
participação do poder público, dos usuários e da comunidade.
Criado também pela Lei no 9.433/97 o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos
Hídricos (SNGRH) possui uma estrutura institucional composta por entidades de gestão
propositoras e executivas. Por se tratar de um sistema nacional, conta com entidades federais
e estaduais, tendo os seguintes objetivos: coordenar a gestão integrada das águas; administrar
os conflitos relacionados aos usos dos Recursos Hídricos; implementar a Política Nacional dos
Recursos Hídricos; planejar, regular e controlar o uso, a preservação e a recuperação;
promover a cobrança pelo uso da água (o que pagamos na conta é o tratamento e a distribuição
e coleta de esgoto).
Para que esses objetivos sejam alcançados, integram o SNGRH: Conselho Nacional de
Recursos Hídricos – CNRH – Órgão máximo do sistema nacional de recursos hídricos, tem
caráter normativo e deliberativo. É composto por representantes do Poder Executivo Federal –
Ministério do Meio Ambiente e Secretaria da Presidência da República, dos Conselhos
Estaduais de Recursos Hídricos, dos usuários e das organizações civis de recursos hídricos.
O CNRH é responsável por administrar os conflitos de uso dos recursos hídricos em
última instância e subsidiar a formação da política nacional de recursos hídricos. Também é de
sua responsabilidade a criação de Comitês de bacias de domínio federal, além de determinar os
valores de cobrança pelo uso da água. A Agência Nacional de Águas – ANA – é uma autarquia
federal, possui autonomia administrativa e financeira. Exerce o papel de uma agência
reguladora e é responsável pela utilização dos rios de domínio da União. Atua também como
uma agência executiva responsável pela implementação do sistema nacional de recursos
hídricos.
A ANA também gerencia os recursos provenientes da cobrança pelo uso da água em
rios de domínio da União e fiscaliza e concede a outorga de direito de uso dos recursos
hídricos. Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos – São os fóruns máximos no âmbito
Estadual das discussões e deliberações sobre as bacias hidrográficas que estão sob seu
domínio.
Têm a responsabilidade de elaborar o Plano Estadual de Recursos Hídricos, dando
subsídios para a implantação da Política Estadual de Recursos Hídricos, representando o
Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Comitês de Bacias Hidrográficas – A Política
Nacional dos Recursos Hídricos tem como um de seus fundamentos a gestão descentralizada e
participativa.
Os comitês de bacias contam com a participação de representantes dos poderes
públicos, dos setores usuários de águas e da sociedade civil organizada, sendo tripartite, ou
seja, todos os segmentos têm direito a voto na mesma proporção. É competência do Comitê de
Bacias Hidrográficas: arbitrar conflitos e usos de recursos hídricos, aprovar e acompanhar a
execução do Plano de Recursos Hídricos da bacia hidrográfica, propor aos conselhos nacional
e estadual os usos dos recursos e propor valores e estabelecer mecanismos para a cobrança
pelo uso da água. Agências de Águas – Devem atuar como uma Secretaria Executiva do seu
respectivo comitê, gerenciando os recursos obtidos pela cobrança do uso da água, além de
outros recursos destinados. Deve ainda manter cadastro de usuários e balanço da
disponibilidade hídrica, elaborar o Plano de Recursos Hídricos para a aprovação do comitê,
realizar estudos, planos e projetos a ser executados com o recurso proveniente da cobrança do
uso da água. Órgãos e poderes públicos de todos os níveis que se relacionam com a gestão de
recursos hídricos, como exemplo as secretarias de Meio Ambiente.
Referência
Palácio do Planalto – Presidência da República. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9433.HTM>.
Acesso em: 25 abr. 2014.
Elaborado por Sergio Damiati especialmente para o São Paulo faz escola.
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E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES
Os principais fundamentos da Política Nacional de
Recursos Hídricos são: a água é um recurso limitado de
domínio público dotado de valor econômico, a unidade de
planejamento e gerenciamento deve ser o limite das bacias
hidrografias e a sua gestão deve ser feita de forma
descentralizada e contar com a participação do poder público,
dos usuários e da comunidade.
Uma política de gestão integrada é importante para
resolver os diversos conflitos com relação aos usos múltiplos
da água, como exemplo, o abastecimento público, a irrigação e
o uso para geração de energia elétrica.
LIÇÃO DE CASA
Os instrumentos da Política Nacional de Recursos
Hídricos, Lei 9.433, de 8 de janeiro de 1997, visão assegurar
água de boa qualidade à atual e às futuras gerações. Para
tanto, existe a necessidade de uma articulação sistemática
entre os mesmos, de forma a garantir a efetiva aplicação da
Política. Assim, existe a necessidade do uso de instrumentos
de gestão com, por exemplo, modelos matemáticos e Sistemas
de Suporte a Decisão (SSD). Neste trabalho é apresentado o
SSD RB que surge, pioneiramente, como uma ferramenta que
viabiliza a articulação de todos os instrumentos da Política.
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VOCÊ APRENDEU?
1. Sobre o Rio São Francisco, é correto afirmar que:
a) o principal esforço das autoridades governamentais é o
de recuperá-lo, de modo a garantir que suas águas abasteçam
todo o semiárido nordestino.
b) ele está sendo objeto de obra cuja meta é fazer migrar
parte de suas águas para zonas do semiárido de relevo
desnivelado em relação ao leito natural do rio.
c) ele está sendo desviado para uma área do Nordeste
que compõe o agreste de Pernambuco, na qual se desenvolve
o cultivo de soja para fins comerciais.
d) ele está sendo revitalizado, com a retirada das
barragens do médio curso, e esse é o sentido principal da
expressão “transposição do São Francisco”.
e) as obras atuais visam abrir canais para atrair, das
partes mais altas do semiárido nordestino, águas para
revitalizar o rio.
2. Qual é a situação dos recursos hídricos brasileiros nos
grandes centros urbanos?
As grandes cidades brasileiras apresentam problemas no
que diz respeito ao abastecimento de recursos hídricos. Vamos
dar o exemplo de São Paulo: mananciais poluídos, bairros
clandestinos com grande densidade demográfica instalados
nas áreas desses mananciais; água captada em lugares
distantes, o que encarece o abastecimento; tratamento
excessivamente custoso; rede de distribuição interna precária,
com grande volume de desperdício; rios demasiadamente
poluídos, destruídos e subaproveitados pelas grandes cidades.
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SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 8
GESTÃO DOS RECURSOS NATURAIS: O “ESTADO DA
ARTE” NO BRASIL
Para começo de conversa
O que significa desenvolvimento sustentável?
O conceito foi criado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente
e Desenvolvimento, da Organização das Nações Unidas. De acordo com o
documento, desenvolvimento sustentável é aquele capaz de suprir as
necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade de
atender às necessidades das gerações futuras. Porém, parcela da
comunidade científica questiona a validade desse conceito,
considerando-o utópico, pois pressupõe a diminuição e/ou a interrupção
da retirada dos recursos não renováveis pela geração atual, com vistas a
não colocar em risco às gerações futuras. Como o modelo econômico
predominante
na sociedade contemporânea é
o capitalista,
estruturalmente voltado para o consumo, discute-se em que medida
haverá redução ou interrupção do uso desses recursos. Há ainda uma
parcela de especialistas que defende a mudança do modelo econômico,
buscando alterar o cenário futuro, transformando, dessa forma, a utopia
em realidade.
LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO
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Como ponto básico para a implementação das estratégias
propostas, são estabelecidas as seguintes premissas:
�� participação;
�� disseminação e acesso à informação;
�� descentralização das ações;
�� desenvolvimento da capacidade institucional;
�� interdisciplinaridade da abordagem da gestão de
recursos naturais, promovendo a inserção ambiental nas
políticas setoriais.
Os recursos naturais são bens que têm uma dimensão
pública, e que devem ser tratados assim; por isso, a
proposição da máxima participação dos cidadãos.
As condições necessárias para a criação de políticas de
gestão dos recursos naturais são:
�� Conhecimento específico sobre os fatores naturais
como recursos potenciais inseridos em um ecossistema.
�� Conhecimento específico quanto ao estado (natural
ou transformado) desses fatores.
�� Definição precisa de unidades de análise e, dentro
destas, das inter-relações e sinergias que ocorrem entre os
fatores bióticos e abióticos.
Conforme os princípios da sustentabilidade, recursos
naturais são bens públicos e devem ser tratados como tal.
Além disso, o conhecimento do meio natural e as interações
entre os meios abióticos (domínios naturais = litosfera +
hidrosfera + atmosfera) e o meio biótico (meio ambiente =
domínios naturais + vida).
LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO
É possível afirmar que a Constituição de 1988, em seu
artigo 225, incorpora a ideia de sustentabilidade, porque o
texto constitucional enfatiza o dever do poder público e da
coletividade em garantir a defesa e a preservação do meio
ambiente para as gerações presentes e futuras.
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recursos naturais
�� Os recursos do solo: no Brasil, o uso predominante
do solo é na agropecuária. No entanto, mais de ⅓ (35,3%) do
território é inadequado para as atividades agrícolas e para a
pecuária. Apenas 4,2% são solos profundos, bem drenados,
predominantemente de textura média ou argilosa, com
fertilidade natural. São 35 milhões de hectares nessas
condições.
No Brasil, os solos não são bem tratados, perdas
importantes são notadas, e áreas com solo em estado crítico
são muito comuns. O conhecimento sobre a dinâmica dos
solos e sobre as formas de conservação é crescente, mas a
legislação e a fiscalização de proteção são frágeis.
�� Os recursos hídricos: já foram tema da Situação de
Aprendizagem 7, mas a pesquisa pode ser bem mais ampla; há
muito o que saber e informar sobre águas subterrâneas (por
exemplo, mais de 60% dos municípios brasileiros são
abastecidos por águas subterrâneas) e sobre as políticas de
proteção a esse recurso.
�� Os recursos oceânicos e das zonas costeiras:
representam, enquanto paisagem, recursos turísticos, mas são
também fontes de alimentação e áreas de mineração, como a
extração de petróleo nas plataformas continentais. O Brasil
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possui uma costa imensa (7 367 km) com várias metrópoles
litorâneas e grandes preocupações com a poluição dessas
áreas. Nelas, nota-se intensa ameaça à fauna marítima, além de
outros prejuízos graves a esse manancial de recursos.
�� Os recursos biológicos (da diversidade biológica): as
espécies vegetais desconhecidas podem beneficiar a
humanidade de diversas formas, com aplicações na indústria
farmacêutica, na culinária etc. Além disso, vale aqui o princípio
ético de respeito à vida das outras espécies. Políticas de
preservação e de gestão de recursos já existem (as Unidades
de Conservação), mas, no Brasil, a implementação encontra
grande resistência, pois não se enxerga aproveitamento
econômico nas florestas, nem se vê sentido em preservar as
formações por motivos éticos.
VOCÊ APRENDEU?
Retome as anotações realizadas em sala de aula após a
apresentação de cada um dos grupos de trabalho da Pesquisa
em grupo e, em seu caderno, elabore um texto argumentativo
com o seguinte tema: Principais ameaças aos recursos
naturais no Brasil.
Sobre os recursos naturais, é correto dizer que:
a) eles estão praticamente esgotados, pois são os
mesmos desde a origem das sociedades humanas e são
intensamente usados.
b) os diferentes grupos sociais usam distintos recursos
naturais, com finalidades diversas; logo, relacionam-se de
formas diferentes com a natureza.
c) aqueles de origem abiótica (inorgânica) são os que
resistem mais ao uso humano, devido à sua capacidade de
recuperação, como é o caso da água.
d) aqueles de origem biótica são os mais utilizados pelo
ser humano, pois são cultivados por ele, evitando seu uso no
estado natural.
e) a maioria dos mananciais de recursos naturais no
Brasil é alvo de políticas de conservação bastante adequadas,
uma vez que eles são uma das nossas principais riquezas.
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História da Terra
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PARA SABER MAIS...
Filme
�� O inferno de Dante (Dante’s Peak). Direção: Roger
Donaldson. EUA, 1997. 108 min. 12 anos. Harry Dalton (Pierce
Brosnan), um vulcanologista (perito em fenômenos
vulcânicos), e Rachel Wando (Linda Hamilton), a prefeita da
pequena cidade de Dante, tentam convencer o conselho dos
cidadãos e outros geólogos a declarar estado de alerta, pois
um vulcão muito próximo, que está inativo há vários séculos,
entrará em erupção. Mas interesses econômicos são
contrariados com a notícia: o alerta pode afastar um grande
empresário que pretende fazer investimentos e gerar 800
empregos diretos na cidade.
�� Áreas de risco: informação para prevenção. 12 min.
Vídeo elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT)
que orienta para prevenção de riscos. Traz informações para
identificação de riscos e prevenção de acidentes. Disponível
em:
<http://www.youtube.com/
watch?v=bhKWHx08jFA>.
Acesso em: 22 jan. 2014.
Sites
��
Folha
Online.
Disponível
em:
<http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u9306.
shtml>. Acesso em: 26 nov. 2013. Animação da Folha Online de
um vulcão e mapa da ocorrência de vulcões na Terra.
�� Instituto Geofísico – EPN. Disponível em:
<http://www.igepn.edu.ec>. Acesso em: 26 nov. 2013. Portal do
Instituto Geofísico do Equador, país que tem vários vulcões e
sofre abalos sísmicos. Em espanhol.
�� Instituto Geológico do Estado de São Paulo.
Disponível em: <http://www.igeologico.sp.gov.br/>. Acesso em:
22 jan. 2014.
��Star
news.
Disponível
em:
<http://www.starnews2001.com.br/vulcao.html>. Acesso em: 26
nov. 2013. Informações e imagens de vulcões
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