GEOGRAFIA MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE DO ENSINO MÉDIO VOL 1 e 2 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Prefácio Em nossa caminhada, precisamos de OBJETIVOS; TEMPO para planejar e se possível realizar; e muito AMOR no que fazemos, pois, com OBJETIVOS podemos traçar metas a serem cumpridas, com TEMPO podemos esboçar nossas ideias e ideais a fim de, se possível transformar em realidade nossos quereres, ou não, pois, nossas ideias e ideais muitas vezes não são compartilhadas com nossos semelhantes. E com muito AMOR doar o melhor de nós mesmos aos nossos iguais, sem a intenção de reconhecimento, apenas aprendendo a aprender que nosso principal OBJETIVO é termos TEMPO para o AMOR. (Maurilio Gabaldi Lopes) 2 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Introdução O principal objetivo deste e-book é além de enfatizar o concepções conceito do e tempo as & diferentes espaço formas e geográfico, é disponibilizar para o aluno um material de apoio das atividades encontradas no caderno do aluno. Foi elaborado tendo como modelo “A Proposta Curricular do Estado de São Paulo na área de Ciências Humanas e suas Tecnologias na disciplina de Geografia”, sem objetivar lucro, pois, grande parte do mesmo foi retirado da rede mundial de computadores, pelo qual o autor serviu-se de muitas imagens, links de domínio público. O autor usou como metodologia de ensino o uso de recursos tecnológicos a fim de atrair os alunos para “Era Digital”. Editor, arte finalista e autor: Professor: Maurilio Gabaldi Lopes Formação: Estudos Sociais, Geografia, História, Letras e Técnico de Informática. 3 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES AGRADECIMENTO: AGRADEÇO A DEUS POR TODA SUA PACIÊNCIA E ENLEVO PRESENTEADOS PARA COM SEU FILHO. AGRADEÇO A HUMILDADE E A VIDA. E PRINCIPALMENTE MINHA FAMÍLIA E AS PESSOAS QUE ME CERCAM! 4 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES ÍNDICE Volume 1 Situações de Aprendizagens 01 - A gênese geoeconômica do território brasileiro 06 02 – A gênese das fronteiras brasileiras 21 0 3 – Território brasileiro: do “arquipélago” ao“continente” 31 04 – O Brasil e a economia global: mercados internacionais 44 05 – Os circuitos da produção (I): o espaço industrial 52 06 – Os circuitos da produção (II): o espaço agropecuário 75 07 – Redes e hierarquias urbanas 87 08 – A revolução da informação e as cidades 94 Volume 2 Situações de Aprendizagens 01 – Matrizes culturais do Brasil 105 02 – A dinâmica demográfica 117 03 – O trabalho e o mercado de trabalho 127 04 – A segregação socioespacial e a exclusão social 132 05 – A tectônica de placas e o relevo brasileiro 138 06 – As formas de relevo brasileiro e as funções das classificações 150 07 – Águas no Brasil: gestão e intervenções 156 08 – Gestão dos recursos naturais: o “estado da arte” no Brasil 165 5 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUACAO DE APRENDIZAGEM 1 A GENESE GEOECONOMICA DO TERRITORIO BRASILEIRO Entender a formação geoeconômica do território brasileiro é um ponto de partida para o desenvolvimento de outros conteúdos da Geografia do Brasil. Trata-se, assim, de abordar os processos que levaram à constituição do chamado “arquipélago econômico” no decorrer da economia colonial. Isso contribui para que percebamos, em seguida e no compasso do tempo social, os diversos períodos, assim como as características de integração entre as regiões brasileiras ocorridas no século XX e ainda em curso na atualidade. A Geografia histórica e econômica, sem dúvida, têm muito a oferecer a esse propósito, contribuindo com noções-chave muitas vezes angariadas de outras áreas do conhecimento, mas que, tomadas desde uma perspectiva geográfica, ajudam a esclarecer a paulatina organização espacial e a dinâmica dos processos de povoamento e alocação de infraestruturas no território brasileiro de ontem e de hoje. 6 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A FORMAÇÃO DA CIDADE DE MARÍLIA No início a economia de Marília era baseada no cultivo de café que com o tempo foi sendo substituído pelo algodão. Graças ao algodão, em 1934 e 1935 foram instaladas as duas primeiras indústrias no município (duas fábricas de óleo). Com a expansão da industrialização ao interior paulista, houve um aumento da malha ferroviária e rodoviária, com isso Marília ligou-se a várias regiões do estado de São Paulo e ao norte do Paraná. Na década de 1940 o município se firmou como polo de desenvolvimento do Oeste Paulista, quando se verificou um grande crescimento urbano e populacional. conhecida como “Capital Nacional do Alimento”. A partir da década de 70, houve um novo ciclo industrial no município com a instalação de novas indústrias, principalmente na área alimentícia e metalúrgica. Com a posterior instalação de vários cursos universitários, Marília pode atrair vários jovens a região o que ajudou no desenvolvimento do comércio do município. Hoje Marília conta com aproximadamente 50 indústrias na área alimentícia. Sendo conhecida como “Capital Nacional do Alimento”. 7 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Leitura e análise de mapa 8 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 9 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 10 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 11 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES ANALISE DOS MAPAS TÍTULOS E LEGENDAS Os assuntos relacionados nos títulos são economia e território. As legendas exprimem essa relação tanto em função das atividades econômicas indicadas como por meio dos eixos de transportes (pecuária e ferrovias, por exemplo). ATIVIDADES ECONÔMICAS QUE SE DESTACARAM NO SÉCULO XVI E DESCREVA COMO ELAS EVOLUÍRAM ATÉ O SÉCULO XIX. As atividades que se destacam no mapa do século XVI são a extração do pau-brasil, o cultivo da cana-de-açúcar e a pecuária. No mapa do século XVII, nota-se um aumento da área ocupada com o cultivo da cana-de-açúcar e com a pecuária (que começou a se expandir para o interior do território brasileiro), além do surgimento de outras atividades econômicas, em especial, aquelas ligadas às drogas do sertão. A atividade de exploração do ouro, bastante restrita no século XVII, é muito ampliada no século XVIII, incluindo também a mineração de diamantes. Nesse século, não houve expansão das atividades canavieiras e das drogas do sertão, ao contrário do que se observa com a pecuária, que avança cada vez mais para o interior do país. No século XIX, as áreas de plantio de cana-de-açúcar diminuem, a pecuária se expande para outras regiões do interior do país e a diversidade de culturas aumenta. 12 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES EVOLUÇÃO DAS CIDADES E VILAS NO SÉCULO XVII E XVIII Nos mapas Brasil: a economia e o território no século XVII e Brasil: a economia e o território no século XVIII, nota-se, no intervalo de tempo em questão, um aumento do número de cidades e vilas; de modo geral, acompanhando o traçado dos eixos de transporte e o avanço da pecuária, além da atividade mineradora na área correspondente ao atual Estado de Minas Gerais. TERRITÓRIO BRASILEIRO UMA ORGANIZAÇÃO EM “ILHAS” E “ARQUIPÉLAGOS” ECONÔMICOS Arquipélago econômico é um conjunto de espaços geográficos não determinados que são independentes do país e normalmente são polos industriais. Fabricam e exportam para o exterior, sem ter nenhuma relação nacional. Isso existe pelo fato de não conseguirem organizar seus próprios países. Os arquipélagos econômicos existem há anos, desde quando colônias faziam pacto colonial com seu colonizador, dessa forma mantinham um espécie de relação com o exterior, e afastada da nacional. Podemos citar como exemplos o nordeste cafeeiro, o sudeste açucareiro e a Amazônia na sua produção de borracha, até os anos de 1930. Arquipélago econômico significa grupo de cidades com economias isoladas.Podemos definir a economia brasileira no periodo colonial como um arquipelago economico,pois so havia economia com Portugal. 13 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES CARACTERÍSTICAS ATUAIS DO TERRITÓRIO BRASILEIRO O estudo da história territorial de nosso país pode nos ajudar a compreender as características atuais do território brasileiro pode-se considerar por exemplo que o funcionamento da economia colonial ocorreu de acordo com a lógica do comércio triangular atlântico, submetida ao monopólio mercantil e controle metropolitano. No caso do Brasil, isso fez que no Período colonial (de 1500-1534 até 18081822) as cidades tenham se concentrado na franja costeira com adensamentos em algumas áreas (como o Saliente Nordestino e os Recôncavos das Baías de Todos os Santos e da Guanabara e em estuários e baixadas costeiras, como é o exemplo da Santista). Outros fatos como a mineração de metais e pedras preciosas foi responsável pela interiorização do fato urbano nas Minas Gerais e em Goiás; a extração das drogas do sertão, por sua vez, promoveu esporádico assentamento urbano na Bacia Amazônica e no Golfão Maranhense.O caso do avanço do complexo cafeeiro paulista no século XIX e início do XX, considerado o principal motor do processo de interiorização do crescimento urbano que avançou pelo Planalto Paulista ao longo do traçado das ferrovias que abriam terras e escoavam o café para o porto de Santos, entre outros fatos. 14 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES TIPO DE COLONIZAÇÃO Como em outros territórios da América, África e Ásia, nesses territórios ocorreu a implantação da colonização de exploração. A organização da produção, da economia ou do sistema produtivo foi realizada com base no abastecimento do mercado externo. A introdução da grande propriedade agrícola – o latifúndio ou plantation – e da monocultura ocorreu com o objetivo de abastecer o mercado europeu de produtos tropicais e de matérias-primas. “ESPAÇOS EXTROVERTIDOS” A expressão “espaços extrovertidos” refere-se aos espaços geográficos produzidos e organizados para atender o mercado externo. No período colonial, os exemplos mais importantes são o espaço da agroindústria da cana-de-açúcar (séculos XVI e XVII), o espaço da mineração (século XVIII), o espaço do café (séculos XIX e XX), entre outros. “ARQUIPÉLAGO ECONÔMICO” O uso da expressão “arquipélago econômico” procura indicar a falta de integração entre as economias regionais que se constituíram como espaços relativamente autônomos de produção e de consumo, guardando relações mais estreitas com os mercados externos do que entre si. Aplica-se à economia e à configuração geoeconômica do território brasileiro no início do século XX, marcadas pela fragmentação em “ilhas” regionais, resultantes em grande parte da economia colonial. 15 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES PASSADO COLONIAL DO PAÍS E CARACTERÍSTICAS ATUAIS O povoamento mais adensado do litoral, as redes de cidades, a concentração fundiária e a monopolização do acesso à terra, o poder político das elites locais, entre outros, servem como exemplo da origem do passado colonial do país ECONOMIA BRASILEIRA QUADRO-SÍNTESE 16 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES “CICLOS ECONÔMICOS” O ciclo da cana-de-açúcar ocorreu nos Séculos XVI e XVII, suas principais áreas de ocorrência foram no Litoral do Nordeste, nos atuais Estados de Pernambuco, Paraíba ,Sergipe e Bahia, além de pequenas áreas no litoral do Estado do Rio de Janeiro e de São Paulo,cuja a produção era destinada para o Mercado europeu, comercializado via Portugal devido ao Pacto Colonial. O ciclo da mineração ocorreu no século XVIII, suas principais áreas de ocorrência foram nos Estados de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás ,cuja a produção era destinada para Portugal, mas, como consequência de acordos comerciais, o ouro brasileiro teve, em grande parte, como destino final a Inglaterra. O ciclo do café ocorreu Segunda metade do século XIX ao início do século XX, suas Principais áreas de ocorrência foram nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, sul de Minas Gerais e Espírito Santo, posteriormente se expandiu para o norte do Paraná e Mato Grosso ,cuja a produção era destinada para Europa e Estados Unidos. 17 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES VOCÊ APRENDEU? NOÇÃO DE “ARQUIPÉLAGO ECONÔMICO” [...] a colonização não se orientara no sentido de constituir uma base econômica sólida e orgânica, isto é, a exploração racional e coerente dos recursos do território para a satisfação das necessidades materiais da população que nela habita. Daí a sua instabilidade, com seus reflexos no povoamento, determinando nele uma mobilidade superior ainda à normal dos países novos. PRADO JR., Caio. Formação do Brasil contemporâneo [1942]. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 75. Os mapas retratam a configuração geoeconômica do território brasileiro entre os séculos XVI e XIX, destacando a espacialidade das principais atividades econômicas e das correntes de povoamento associadas. Por intermédio do estudo realizado sobre os ciclos econômicos no quadro da 18 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES divisão internacional da produção e a consequente produção de espaços geográficos extrovertidos durante a economia colonial, os alunos poderão identificar a complementaridade de informações entre os mapas e o texto de Caio Prado Júnior, pois que este último ressalta a instabilidade do povoamento em virtude de atividades econômicas organizadas em função do exterior e não dirigidas para a consolidação do mercado interno. Além disso, por alguma razão, ocorria o declínio ou decadência econômica de uma área de atração populacional, ou de certo espaço geográfico em construção, estes acabavam repelindo a população, justificando o termo “instabilidade” empregado no texto do historiador e geógrafo paulista. Disso resultou a fragmentação do território em “ilhas” regionais ou espaços relativamente autônomos de produção e de consumo, guardando relações mais estreitas com os mercados externos do que entre si, o que explica a expressão “arquipélago econômico”. ATIVIDADE Fuvest 2001 – Quanto à formação do território brasileiro, podemos afirmar que: a) a mineração, no século XVIII, foi importante na integração do território devido às relações com o Sul, provedor de charque e mulas, e com o Rio de Janeiro, por onde escoava o ouro. b) a pecuária no Rio São Francisco, desenvolvida a partir das numerosas vilas da Zona da Mata, foi um elemento importante na integração do território nacional. c) a economia no século XVI, baseada na exploração das drogas do sertão, integrou a porção centro-oeste à região Sul. 19 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES d) a economia açucareira do Nordeste brasileiro, baseada no binômio plantation e escravidão, foi a responsável pela incorporação, ao Brasil, de territórios pertencentes à Espanha. e) a extração do pau-brasil, promovida pelos paulistas por meio das entradas e bandeiras, foi importante na expansão das fronteiras do território brasileiro. 20 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2 A GÊNESE DAS FRONTEIRAS BRASILEIRAS Leitura e análise de mapa 21 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES ANALISE DO MAPA O mapa retrata os Conflitos fronteiriços entre países da América Latina e o conflito existente entre Grã-Bretanha e Argentina pela posse do arquipélago das Malvinas. O que o mapa revela sobre o Brasil a gênese das fronteiras nacionais do Brasil em um contexto regional mais amplo. A delimitação territorial do país é resultado de um processo histórico que o diferencia dos países vizinhos. O Brasil não consta da lista de conflitos atuais,pois, é o único país na América que resultou da colonização portuguesa e que não se fragmentou em vários outros países, como ocorreu com as antigas colônias espanholas. Os conflitos fronteiriços entre o Brasil e seus vizinhos ocorreram em outros momentos, como na Guerra do Paraguai e na formação do Estado do Acre, como também aconteceu com os litígios negociados pacificamente – como o da fronteira com a Guiana Francesa, resolvido em 1897, com a arbitragem da Suíça, sendo a defesa realizada pelo Barão de Rio Branco. Porém, desde a assinatura do Tratado de Petrópolis (1909), o país vive uma situação relativamente estável com relação às suas fronteiras terrestres. 22 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO Não há necessidade mais imperiosa para um Estado do que ter fronteiras certas e reconhecidas, e foi a essa tarefa que Rio Branco deu o melhor de sua vida, retomando em vários casos os trabalhos (...) de seu pai, por quem tinha admiração extraordinária. No caso do Acre criou uma nova fronteira, na maior incorporação territorial de nossa vida de país independente, nos outros manteve as divisas que achávamos ser as nossas. Fez mais, mas o que fica para a história são os tratados de limites. Não é exagero dizer que uma obra dessa magnitude e valorizada moralmente por ter sido feita sem guerras é sem par nos anais da diplomacia universal. Por isso Rio Branco tem o prestígio que nenhum outro diplomata tem, em nenhum outro país. Num livro recente, com o bonito título de O corpo da pátria, o geógrafo Demétrio Magnoli diz que, diferente do que geralmente se afirma apenas 17% de nossas fronteiras vêm dos tempos coloniais (o Rio Guaporé, por exemplo), a maior parte, 51%, foi estabelecida no período imperial (como a divisa no Pantanal), e 32% devem-se exclusivamente a Rio Branco (os limites do Acre) para falar nos três trechos da fronteira boliviana. Preferimos ficar com a opinião tradicional, que julga ter sido o grande feito da Colônia o estabelecimento das fronteiras do Brasil. Como diz o historiador de nossos dias Francisco Iglésias: “o mapa da América do Sul, quanto ao Brasil, foi fixado no principal ainda no período português. Só acertos mínimos se fizeram depois”. 23 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Na verdade o que há são camadas que se sobrepõem, de precisão cada vez mais nítida. Madri e Santo Ildefonso são a grande mancha colonial: afinal, o primeiro mapa que apresenta o Brasil, como um triângulo, ocupando metade do triângulo da América do Sul, é o Mapa das Cortes, de 1750. No Império tentou-se fixar bilateralmente todo o contorno terrestre do Brasil e muito se conseguiu; mas ainda sobraram para a República trechos em aberto, e seu fechamento, vimos, é a grande obra do Barão. Podemos até aceitar os números de Magnoli, admitindo como definitivos os acordos prévios. Desde Tordesilhas... Rio Branco assinou tratados de limites com nove dos 11 vizinhos do Brasil (hoje são 10, o Equador tinha então a aspiração a chegar ao Amazonas). Com a Venezuela, tínhamos já o acordo de 1859 e, com o Paraguai, as fronteiras haviam sido estabelecidas, aliás, pelo Visconde de Rio Branco, em 1871. O Paraguai é exceção curiosa, porque era uma das especialidades de Rio Branco: as clássicas páginas que Nabuco dedica à Guerra do Paraguai em seu Um estadista da República (que se constituíram em livro isolado, em espanhol) muito incorporam das opiniões do Barão. Como exemplo de variação de acordos, lembremos que a linha de limites do Brasil de certa forma se interrompeu quando o Peru cedeu, em 1922, a soberania sobre o trecho TabatingaApapóris à Colômbia (o chamado Trapézio de Letícia). Só em 1928, na gestão profícua de Octávio Man25 gabeira no Itamaraty, a Colômbia voltou a aceitar a linha de 1909, que era a mesma do tratado de 1851, com o Peru. Muito importante, aliás, por ser o primeiro do Império e por estabelecer a doutrina do 24 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES uti possidetis, que, sob certas condições, vigorou até Rio Branco. Então, pode-se dizer que Rio Branco acabou com os problemas de fronteiras do Brasil? De certa forma, sim: depois dele, o que pode haver são problemas “na” fronteira, mas não problemas “de” fronteira, estes já resolvidos definitivamente por acordos bilaterais. Uma ilha que muda de lugar em relação ao talvegue do rio, um marco mal colocado, um trecho não bem caracterizado no tratado de limites, até, como vimos, a mudança de soberania sobre um trecho lindeiro; tudo isso pode acontecer. Será preciso, então, resolver esses problemas práticos, mas sem mexer na teoria, incorporada aos acordos. Guimarães Rosa, durante muitos anos Chefe da Divisão de Fronteiras do Itamaraty, nos momentos de trabalho mais intenso, dizia com humor: “Só aceitei esse lugar porque me garantiram que o Barão já havia demarcado todas as fronteiras do Brasil...”. GOES FILHO, Synesio Sampaio. Fronteiras: o estilo negociador do Barão do Rio Branco como paradigma da política exterior do Brasil. In: CARDIM, Carlos Henrique; ALMINO, João (Org.). Rio Branco, a América do Sul e a modernização do Brasil. Rio de Janeiro: EMC, 2002. p. 123-125. Disponível em: <http://www.funag.gov.br/biblioteca/index. php?option=com_docman&task=doc_details&gid=364&Itemid=41>. Acesso em: 31 jul. 2013. 25 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES ETAPAS USUAIS DO ESTABELECIMENTO DAS FRONTEIRAS POLÍTICAS INTERNACIONAIS Definição: operação conceitual na qual é travado um acordo sobre os princípios gerais para a produção dos limites. Delimitação: consiste na fixação dos limites por meio de tratados internacionais. Demarcação: corresponde à implantação física dos limites por meio da construção de marcos em pontos determinados. Densificação ou caracterização: etapa na qual se realiza o aperfeiçoamento sistemático da materialização da linha divisória, mediante intercalação de novos marcos, com o objetivo de torná-los mais facilmente perceptíveis para os dois lados. 26 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES “ERA RIO BRANCO” Diferente de outros países da América Latina, o Brasil não possui atualmente conflitos fronteiriços relacionados à delimitação e fixação de seus limites territoriais. A maior parte das fronteiras brasileiras foram criadas no período Imperial e na “era Rio Branco”. A menoria emergiu do período colonial. A “era Rio Branco” constitui um período marcado pela figura do Barão do Rio Branco, responsável pela política externa durante o início do período republicano brasileiro. A sua obra de fronteiras definiu grande parte das delimitações do território brasileiro. Defendeu o Brasil nos Arbitramentos internacionais, que era um modo de resolver os conflitos fronteiriços, por meio da escolha de um Terceiro Estado, neutro, que resolvia o problema. O seu principal feito foi a “questão do Acre”. Na época o Acre pertencia a Bolívia. Mas com a “corrida da borracha” inúmeros seringueiros brasileiros foram para o local. Chegaram até mesmo a conseguir uma efêmera independência. Para contra-atacar, a Bolívia assinou um acordo com um cartel de empresas norteamericanas, dando a elas o direito de exploração do Acre. Os seringueiros se revoltaram. O exército boliviano foi posto de prontidão. É nesse período que entra a figura do barão do Rio Branco, onde por meio de negociações diplomáticas, conseguiu tomar o Acre para o Brasil, através do tratado de Petrópolis. Em troca, o Brasil pagaria uma certa quantia e construiria a ferrovia madeira-mamoré, que escoaria a exportação boliviana para as partes navegáveis dos rios amazônicos. 27 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES BIOGRAFIA DE BARÃO DO RIO BRANCO Barão do Rio Branco (1845-1912) foi diplomata, advogado, geógrafo e historiador brasileiro. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife. Foi Ministro das Relações Exteriores durante os mandatos dos presidentes Rodrigues Alves, Afonso Pena, Nilo Peçanha e Hermes da Fonseca. Foi promotor público em Nova Friburgo e deputado por Mato Grosso, ainda na época do Império. Foi Consul Geral do Brasil em Liverpool. Resolveu questões de fronteiras entre o Amapá e a Guiana Francesa, entre Santa Catarina e Paraná contra a Argentina e entre o Acre e a Bolívia. Foi o segundo ocupante da Cadeira nº34 da Academia Brasileira de Letras. Barão do Rio Branco (1845-1912) nasceu no Rio de Janeiro no dia 20 de abril de 1845, filho de José Maria da Silva Paranhos o Visconde do Rio Branco. Acompanhou seu pai em trabalhos no Uruguai, servindo-o como secretário. Ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo, transferindo-se para o Recife, onde concluiu seus estudos. Foi Promotor Público em Nova Friburgo, e Deputado Geral pela Província de Mato Grosso, ainda na época do Império. Em 1876 foi cônsul geral do Brasil em Liverpool. Logo depois da Proclamação da República do Brasil, ele foi nomeado superintendente na Europa, dos serviços de emigração para o nosso país. Era Ministro do Brasil em Berlim quando foi convidado pelo Presidente Rodrigues Alves para dirigir a Pasta das Relações Exteriores. Permaneceu nesta função durante o mandato de 4 presidentes. 28 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Barão do Rio Branco atuou ativamente nas questões de fronteiras. Em 1894 defendeu os interesses brasileiros entre Santa Catarina e Paraná, contra a Argentina. Em 1900 resolveu a pendência entre o Brasil e a Guiana Francesa sobre a região do Amapá, recebendo o título de Barão, pela causa. Em 1902 esteve a frente das negociações entre o Acre e a Bolívia. O Barão do Rio Branco foi professor substituto no Colégio Pedro II em 1868. Foi presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Escreveu diversas obras entre elas: Memória Brasileiras, História Militar do Brasil, Efemérides Brasileiras e Episódios da Guerra do Prata. Foi eleito, em 1 de outubro de 1898, para a Academia Brasileira de Letras, sendo o segundo ocupante da Cadeira nº34. José Maria da Silva Paranhos Júnior, sofrendo de problemas renais, morreu no dia 10 de fevereiro de 1912, na cidade do Rio de Janeiro. 29 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES VOCÊ APRENDEU? No que diz respeito às fronteiras e aos limites atuais do território brasileiro, assinale a alternativa correta sobre fatos relativos à sua demarcação e consolidação. a) Antes mesmo de o país ser uma nação soberana, o território brasileiro já estava completamente delimitado. Para tanto, muito contribuiu a assinatura do Tratado de Madri (1750) e do Tratado de Santo Ildefonso (1777), que separaram as terras espanholas das terras portuguesas na América. b) Pela arbitragem ou pelo acordo direto, sem conflitos armados acirrados que resultaram em grande número de mortes, até o final do século XVII os diplomatas brasileiros estabeleceram as fronteiras atuais do território do Brasil, com base em documentação cartográfica, na história e no princípio do uti possidetis, ou direito de posse, consagrado no Tratado de Madri. c) O trabalho de delimitação foi concluído no século XIX e contou com a participação ativa de vários diplomatas brasileiros, notadamente o Visconde do Rio Branco. Nos primeiros anos do século XX, os graves problemas de limites ainda pendentes foram solucionados pela ação direta do Barão do Rio Branco. d) Com uma fronteira marítima de 7 367 quilômetros, o Brasil tem limites terrestres com 11 países da América do Sul: Equador, Chile, Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname, e com o Departamento Ultramarino Francês da Guiana, em uma extensão da ordem de 16 886 quilômetros. 30 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3 TERRITÓRIO BRASILEIRO: DO “ARQUIPÉLAGO” AO “CONTINENTE” 31 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Observando a localização do Distrito Federal nos três mapas. Podemos relacionar sua localização em 1940 e a atual com a abrangência dos espaços realmente integrados à economia nacional. A construção e a localização de Brasília (1961) promoveram um avanço dos espaços realmente integrados à economia nacional, antes restritos às áreas de influência das capitais dos Estados do Nordeste ou São Paulo e Rio de Janeiro (antiga capital federal). Os grandes eixos rodoviários indicados no mapa c Anos 1990 auxiliam essa consideração, permitindo não somente a visualização como também a explicação de uma das razões fundamentais da integração territorial ocorrida no Brasil nas últimas quatro décadas do século XX. Analisando a evolução do “tamanho” das capitais e das suas respectivas zonas de influência nos três mapas estão associadas à expansão dos espaços realmente integrados à economia nacional com a importância econômica e populacional das capitais dos Estados brasileiros estão relacionadas à magnitude de São Paulo e do Rio de Janeiro na década de 1990 (e, ainda, atualmente) diante de outras capitais tanto em função de sua importância econômica no passado, como também da centralidade política exercida pelo Rio até a mudança da capital federal para Brasília, na década de 1960. No mapa relativo aos anos 1890, o sentido da principal corrente migratória parte dos Estados do Nordeste brasileiro (em particular, do Ceará) em direção ao Estado do Amazonas e outros da Grande Região Norte. Consultando o mapa da Figura 4 (Situação de Aprendizagem 1), podemos identificar que a 32 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES busca por drogas do sertão e o surto da borracha consistiram nas principais atividades econômicas que impulsionaram esse fluxo migratório. No mapa referente aos anos 1940, os Estados que estavam realmente integrados à economia nacional eram São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e,parcialmente,Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e áreas próximas ao litoral de Estados do Nordeste (com exceção do Ceará, do Piauí e do Maranhão). 33 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES O MEIO NATURAL E MEIO TÉCNICO O meio natural é aquele regulado pelas dinâmicas da natureza, ainda que nele as técnicas também estejam presentes. Devem perceber, ainda, que as transformações do meio natural ocorrem lentamente, ao contrário das que ocorrem no meio técnico, que se dão rapidamente devido ao uso das máquinas. Na coleção de mapas, Brasil: do arquipélago ao continente percebe-se o povoamento concentrado no litoral e ao longo dos rios, dada a importância dessas áreas para o transporte e dos recursos naturais nelas existentes para a subsistência das populações (nas áreas mais distantes da costa – o sertão –, uma população dispersa se ocupava da criação extensiva de gado e culturas de subsistência, sendo que as comunicações eram difíceis). No mapa referente aos anos 1890, a ausência de integração é outra característica que pode ser associada ao meio natural: nota-se que as áreas econômicas mais ativas e densamente povoadas estavam isoladas umas das outras, comunicando-se apenas por via marítima (influência do meio natural). O meio técnico surge quando o ser humano começa a se sobrepor em relação ao “império da natureza” por intermédio da construção de sistemas técnicos. Os mapas Brasil: do arquipélago ao continente (anos 1890 e 1940) correspondem a períodos nos quais os sistemas técnicos foram adensados no território brasileiro por meio da incorporação das máquinas (telégrafos, ferrovias, portos etc.) de forma seletiva. A emergência do meio técnico esteve na origem das desigualdades regionais. No século XIX, por exemplo, com o desenvolvimento da economia 34 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES cafeeira no Sudeste, verifica-se uma nova inflexão no processo de valorização do território brasileiro (o que também coincide com a transição entre o meio natural e o meio técnico). Suas principais características foram: A construção de sistemas técnicos, com o surgimento de setores comerciais e bancários, associados às novas condições de transportes e comunicações (estrada de ferro, telégrafo e cabo submarino); A relativa integração do território que, no início do século XX, era constatada em torno do Rio de Janeiro e de São Paulo, mas que, no entanto, não era efetiva nas demais regiões do país, que mantinham com esses centros relações tênues e esporádicas; A industrialização, cujo desenvolvimento ocorreu intensamente em São Paulo e arredores, permitindo que a cidade e o Estado adquirissem papel central na vida econômica do país; A ocupação produtiva do território que, na década de 1950, foi favorecida em virtude da ampliação dos esforços para equipar o espaço nacional com vias de circulação e infraestrutura, fortalecendo as relações entre o Sudeste e as demais regiões; A construção de Brasília, a nova capital do país, durante o governo Juscelino Kubitschek (1956-1961), foi o marco representativo do processo de interiorização, expandindo-o em direção ao Centro-Oeste e à Amazônia; E, por último, esse conjunto de processos ajudou a consolidar uma configuração territorial que favoreceu o Estado de São Paulo, cuja capital firmou-se como a 35 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES metrópole econômica do país (aspecto claramente representado nos mapas relativos aos anos 1940 e 1990). O conceito de meio técnico-científico-informacional referese ao meio geográfico atual, cujo surgimento ocorreu a partir da década de 1970. Sua técnica é a fusão das tecnologias da informação com as telecomunicações, gerando as novas tecnologias da informação. No que diz respeito às transformações no território brasileiro decorrentes do meio técnico-científico-informacional, podemos destacar: Aspectos relacionados à infraestrutura e à integração nacional, como: aproveitamento das principais bacias hidrográficas para a produção de eletricidade; modernização dos portos; construção de ferrovias orientadas para produtos especializados; desenvolvimento da rede rodoviária com a construção de autopistas nos principais eixos de circulação e de estradas vicinais (principalmente nas áreas de maior densidade econômica);instalação de rede de telecomunicações de alcance em todos os municípios, viabilizando o contato dos lugares com o restante do mundo; Aspectos associados à diversificação econômica e à desconcentração industrial: ou seja, a partir das bases do desenvolvimento criadas anteriormente (sucessivos meios técnicos), a indústria tornou-se diversificada, inclusive iniciando sua desconcentração; a agricultura, por sua vez, se modernizou no Sul e no Sudeste e em outras regiões, nas quais se destacam os Estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Bahia; Aspectos relacionados à nova fase de urbanização: se, por um lado, nos primeiros 450 anos da história do Brasil, o 36 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES povoamento e a urbanização foram praticamente litorâneos, atualmente constata-se um país com uma taxa de urbanização superior a 75% e diversos níveis e tipos de cidade. Fatos semelhantes expressam que o país passa por uma nova fase de organização do espaço e de urbanização, fundada em uma vida de relações mais extensas e mais intensas. Desde a década de 1970, constata-se a difusão do fenômeno urbano em todas as regiões (urbanização do território), com a multiplicação do número de cidades locais, a criação de numerosas cidades médias em todos os Estados. Ao mesmo tempo, há o surgimento de novas grandes cidades; Aspectos relacionados à região concentrada, que representa a expressão mais intensa do meio técnico-científico- informacional, pois essa é a área onde se verificam de modo contínuo os acréscimos de ciência e tecnologia ao território. Embora sinais de modernização sejam constatados em todo o território, essa região é formada pelos Estados do Sul e do Sudeste. Reúne o essencial da atividade econômica do país, com São Paulo mantendo o papel de metrópole nacional, baseado em sua condição de centro informacional e de serviços, e não mais apenas como centro industrial. Atualmente a presença do meio técnico-científico- informacional no espaço brasileiro fazem parte do cotidiano de muitos brasileiros como, por exemplo, os produtos industrializados relacionados aos meios de comunicação e de informação (telefones celulares, TV, internet), além da facilidade de obter informações sobre fatos de outras regiões ou países pelo acesso às redes de informação. 37 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Bye, Bye, Brasil - Chico Buarque Oi, coração Não dá pra falar muito não Espera passar o avião Assim que o inverno passar Eu acho que vou te buscar Aqui tá fazendo calor Deu pane no ventilador Já tem fliperama em Macau Tomei a costeira em Belém do Pará Puseram uma usina no mar Talvez fique ruim pra pescar Meu amor Bom mesmo é ter um caminhão Meu amor Baby, bye bye Abraços na mãe e no pai Eu acho que vou desligar As fichas já vão terminar Eu vou me mandar de trenó Pra Rua do Sol, Maceió Peguei uma doença em Ilhéus Mas já tô quase bom Em março vou pro Ceará Com a benção do meu orixá Eu acho bauxita por lá Meu amor No Tocantins O chefe dos parintintins Vidrou na minha calça Lee Eu vi uns patins pra você Eu vi um Brasil na tevê Capaz de cair um toró Estou me sentindo tão só Oh, tenha dó de mim Pintou uma chance legal Um lance lá na capital Nem tem que ter ginasial Meu amor Bye bye, Brasil A última ficha caiu Eu penso em vocês night and day Explica que tá tudo okay Eu só ando dentro da lei Eu quero voltar, podes crer Eu vi um Brasil na tevê Peguei uma doença em Belém Agora já tá tudo bem Mas a ligação tá no fim Tem um japonês trás de mim Aquela aquarela mudou Na estrada peguei uma cor Capaz de cair um toró Estou me sentindo um jiló Eu tenho tesão é no mar Assim que o inverno passar Bateu uma saudade de ti Tô a fim de encarar um siri Com a benção de Nosso Senhor O sol nunca mais vai se pôr No Tabariz O som é que nem os Bee Gees Dancei com uma dona infeliz Que tem um tufão nos quadris Tem um japonês trás de mim Eu vou dar um pulo em Manaus Aqui tá quarenta e dois graus O sol nunca mais vai se pôr Eu tenho saudades da nossa canção Saudades de roça e sertão Composição: Menescal 38 Chico Buarque / Roberto E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES ANALISE DA LETRA: BYE, BYE, BRASIL A letra da música, escrita em 1979, é uma espécie de “prenúncio” da nova configuração do Brasil, cada vez mais integrado pela rede urbana e pelos circuitos produtivos, cujo centro de gravidade econômica gira em torno do eixo Rio de Janeiro - São Paulo. Dessa forma, Bye, Bye, Brasil pode ser considerada, ao mesmo tempo, um “adeus” ao país que tinha como base o padrão espacial do pós-guerra e “boas-vindas” à nova configuração territorial. A melodia apresenta diferenças sutis (às vezes, apenas uma nota entre frases aparentemente iguais) e harmonia sugestiva com sucessão de acordes improvisados, além de ritmo e andamento dinâmicos. O arranjo relaciona esse aspecto com a construção de um mapa afetivo da nação brasileira e a percepção das transformações pelas quais passava o Brasil nas duas décadas que antecederam 1979, com a modernização da sociedade. 39 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO - PAC DEFINIÇÃO PAC é a sigla para Programa de Aceleração do Crescimento. É um plano do governo federal que visa estimular o crescimento da economia brasileira, através do investimento em obras de infraestrutura (portos, rodovias, aeroportos, redes de esgoto, geração de energia, hidrovias, ferrovias, etc.). LANÇAMENTO E OBJETIVOS O PAC foi lançado pelo governo Lula no dia 28 de janeiro de 2007, prevendo investimentos da ordem de 503,9 bilhões de reais até o ano de 2010. O capital utilizado no PAC é originário das seguintes fontes principais: recursos da União (orçamento do governo federal), capitais de investimentos de empresas estatais (exemplo: Petrobrás) e investimentos privados com estímulos de investimentos públicos e parcerias. Ao lançar o PAC, o governo federal anunciou uma série de medidas cujo principal objetivo é favorecer a implementação dos projetos. Entre estas medidas, podemos citar a desoneração tributária para alguns setores, medidas na área ambiental para dinamizar o marco regulatório, estimulo ao financiamento e crédito, medidas de longo prazo na área fiscal. Em fevereiro de 2009, o governo federal anunciou um aporte de 142 bilhões de reais para as obras do PAC. Estes recursos extras foram usados para gerar mais empregos no país, diminuindo o impacto da crise mundial na economia brasileira. 40 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES PAC 2 Em 2011 foi lançada a segunda fase do programa pelo governo Dilma. O PAC 2, com os mesmos objetivos do anterior, teve aporte de novos recursos, aumentando a parceria com estados e municípios. Entre os anos de 2011 e 2014, o governo espera fazer investimentos, através do PAC 2, da ordem de R$ 955 bilhões. Estes investimentos tem sido de fundamental importância para aumentar o nível de emprego no país, melhorar a infraestrutura e garantir o desenvolvimento econômico em todas as regiões do Brasil. 41 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES VOCÊ APRENDEU? Observe o mapa e assinale a alternativa correta sobre o critério utilizado na regionalização do Brasil. Regiões brasileiras a) O mapa retrata a nova divisão regional do Brasil proposta pelo IBGE em 2007, tendo por base a densidade demográfica e a expansão industrial. b) O mapa reflete a divisão regional do Brasil por regiões geoeconômicas, subdividindo-o em três complexos regionais. Formulada pelo geógrafo Pedro Pinchas Geiger, sua primeira versão é de 1967 e, no plano especial, espelha os resultados da integração promovida pela concentração industrial no Sudeste, além de levar em consideração o grau de polarização econômica em cada uma das regiões. Os principais critérios para essa regionalização foram a história da ocupação do espaço geográfico e as diferenças socioeconômicas. 42 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES c) O mapa retrata a tradicional divisão regional do Brasil formulada pelo IBGE a partir de 1969. O Brasil é dividido em macrorregiões homogêneas, agrupando Estados com características comuns por critérios naturais, econômicos e demográficos. Para sua delimitação foram utilizados critérios como a análise de população, formas de ocupação do solo, aspectos culturais, hábitos e tradições e também o estágio de desenvolvimento de cada região. d) O mapa organiza uma síntese das regionalizações do Brasil segundo critérios como formas de ocupação do solo, aspectos culturais, hábitos e tradições das populações dos Estados brasileiros. e) O mapa representa a proposta do geógrafo Milton Santos, divulgada em 2001. Diante de outras divisões regionais do Brasil, determina um novo conjunto regional que se estende de Minas Gerais ao Rio Grande do Sul, tendo por núcleo o Estado de São Paulo. Essa divisão regional baseia-se no impacto da revolução técnico-científica na vida de relações do território brasileiro, acompanhada pela densidade dos fluxos de capital, mercadorias, pessoas e informações. 43 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4 O BRASIL E A ECONOMIA GLOBAL: MERCADOS INTERNACIONAIS 44 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 45 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES ANALISANDO O MAPA E A TABELA BALANÇA COMERCIAL, SUPERÁVIT E DÉFICIT “Balança comercial” é o termo utilizado para representar as importações e exportações de um país. Quando o saldo da balança comercial é positivo, significa que as exportações são maiores que as importações e, portanto, há superávit; quando o saldo da balança comercial é negativo, há déficit. Há correspondência entre o título e a legenda do mapa. Nele, estão demonstrados os principais mercados para os quais o Brasil exporta seus produtos e os principais mercados dos quais o Brasil importa produtos. Analisando o mapa, identificamos que os Estados Unidos, Argentina, México, países europeus, Japão, China, Coreia do Sul, Índia e Nigéria mantém intensas relações comerciais com o Brasil. Observando no mapa as semicircunferências notamos que os Estados Unidos e a China têm grande participação no comércio exterior brasileiro com destaque às exportações para a China e as importações para a Nigéria. Comparando o mapa e as tabelas percebemos que a China, Estados Unidos, Argentina e Alemanha foram os quatro países que mais exportaram para o Brasil em 2012. No caso da China e da Argentina, o saldo comercial é positivo, ou seja, o volume da exportação de produtos brasileiros é maior do que o volume de produtos importados. Com relação à Alemanha e aos EUA, o saldo da balança comercial é negativo porque o Brasil importa mais produtos do que exporta. 46 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A China foi o país que mais importou produtos brasileiros em 2012.O volume das exportações brasileiras para a China de 2011 para 2012 caiu em 7%. Ainda assim, a China manteve-se como o principal país comprador do Brasil. G-3 OU FÓRUM IBAS G-3 ou Fórum Ibas (Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul).O Ibas foi estabelecido em 6 de junho de 2003, mediante a “Declaração de Brasília”. Suas metas principais são aproximar as posições dos três países em instâncias multilaterais, desenvolver a cooperação comercial, científica e cultural no âmbito Sul-Sul e democratizar a tomada de decisão internacional no âmbito de fóruns e organismos internacionais. Os países do Ibas buscam interesses convergentes, como reformar o Conselho de Segurança das Nações Unidas e mudar a política de subsídios agrícolas praticada pelos países desenvolvidos. Em função desses objetivos comuns, defendem uma ordem internacional multipolar, estruturada com maior atenção aos países em desenvolvimento. O QUE É O G-20 O G-20 foi criado em Cancún, no México, em 2003, sob a liderança do Brasil. Consiste em um grupo formado por cerca de 20 países, tanto desenvolvidos como também, e principalmente, emergentes e em desenvolvimento, que lutam por ampliar suas participações no comércio global. Junto à OMC, o G-20 busca a redução dos subsídios agrícolas que os países desenvolvidos concedem aos seus 47 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES produtores rurais, de forma a ampliar a participação dos países emergentes no comércio mundial de alimentos. “A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA E A COOPERAÇÃO SUL-SUL”. Cooperação Sul-Sul é a modalidade de cooperação técnica internacional que se dá entre países em desenvolvimento, que compartilham desafios e experiências semelhantes. Ela difere da tradicional Cooperação Norte-Sul (onde países desenvolvidos do Hemisfério Norte colaboram com países em desenvolvimento do Hemisfério Sul). A Cooperação Sul-Sul é uma das prioridades da política externa brasileira. Na última década, o Brasil tem investido esforços e recursos em programas voltados para países da América Latina e Caribe, África e Ásia, através da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Ministério das Relações Exteriores. Por essa razão, o Brasil foi o primeiro país a ter Cooperação Sul-Sul como parte integrante do Programa de País do UNFPA acordado com o Governo. Desde 2002, o UNFPA Brasil desenvolve iniciativas de Cooperação Sul-Sul. Tal Cooperação está baseada nas capacidades de indivíduos e instituições brasileiras e visa maximizar a troca de boas práticas para atender às necessidades de países parceiros. - O UNFPA Brasil e o Governo Brasileiro financiam conjuntamente as iniciativas Sul-Sul em população. 48 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES - A Agência Brasileira de Cooperação/Ministério das Relações Exteriores e o UNFPA articulam necessidades concretas e pareceiros potenciais para atendê-las. Na área de Cooperação Sul-Sul, o UNFPA apoiou a cooperação entre países no que se refere a análises demográficas, serviços de saúde sexual e reprodutiva amigáveis para jovens, questões de gênero, incluindo atenção às mulheres em situação de violência, e saúde dos homens. Durante o último Programa de País (2007/2011), iniciativas de Cooperação Sul-Sul com o Brasil beneficiaram 15 países da América Latina e Caribe, África e Ásia. No atual Programa de País, o objetivo em Cooperação Sul-Sul é ampliar a capacidade das instituições nacionais em implementar iniciativas que promovam o Programa de Ação da Conferência Internacional de População e Desenvolvimento por meio dessa modalidade de cooperação, em parceria com o UNFPA. Isso será alcançado através de: a) produzir, Fortalecimento analisar e das capacidades disseminar dados nacionais para populacionais e indicadores que contribuam para as políticas, planos e programas em nível nacional e internacional; b) Construção e expansão de parcerias com instituições nacionais para desenvolver habilidades para os esforços de Cooperação Sul-Sul em questões relacionadas com o Plano de Ação da CIPD; e 49 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES c) Construção de estratégias e ferramentas para gestão do conhecimento em Cooperação Sul-Sul a fim de garantir a qualidade das iniciativas de cooperação, bem como para identificação e documentação de boas práticas. VOCÊ APRENDEU? Uma das características do setor agropecuário, na atualidade, é a alta especialização produtiva, que reforça a necessidade de circulação de alimentos pelo planeta. Como, todavia, os custos de produção são muito distintos nas diferentes porções do globo, políticas de subsídios agrícolas e de barreiras protecionistas foram e continuam sendo adotadas por alguns Estados, no sentido de proteger seus produtores rurais. Sobre políticas de subsídios agrícolas e barreiras protecionistas: Os Estados Unidos (EUA) e os países da União Europeia (UE) poderão ser citados pelos alunos como os que utilizam subsídios agrícolas. Entre outros produtos, os EUA subsidiam milho, trigo, soja e suco de laranja. A UE, por sua vez, subsidia principalmente cereais, como trigo e milho, além de carne e leite, erguendo barreiras fitossanitárias para impedir a importação, comprometendo inclusive as exportações de carne brasileira. Na UE, desde a década de 1960, a existência da PAC (Política Agrícola Comum) garante subsídios agropecuários para todos os países-membros. No interior da UE, a França se destaca como um dos países manutenção dos subsídios. 50 que mais defendem a E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Existem vários exemplos dos resultados alcançados pela ação brasileira contra os subsídios, como a vitória do Brasil junto à OMC (Organização Mundial de Comércio) contra os subsídios estadunidenses para o aço e o algodão. Nos últimos anos, o governo brasileiro fortaleceu seu compromisso com a defesa de um comércio mais igualitário entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos. entendimento do espaço industrial brasileiro. Aliam-se ao trabalho conceitual a perspectiva histórica e a abordagem sobre a atual distribuição espacial da atividade industrial no território nacional e, em particular, no Estado de São Paulo. Além do auxílio de registros culturais diversos, esse conteúdo é problematizado recorrendo-se à leitura, interpretação e comparação de mapas distintos. 51 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 5 OS CIRCUITOS DA PRODUÇÃO (I): ESPAÇO INDUSTRIAL 52 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES ANALISE DA LETRA DA CANÇÃO TRÊS APITOS, DE NOEL ROSA, E OBSERVE A REPRODUÇÃO DA OBRA OPERÁRIOS, DE TARSILA DO AMARAL A letra da canção refere-se ao ritmo de trabalho nas fábricas de tecidos, pioneiras do processo de industrialização brasileira, cuja implantação em grande escala teve início nas primeiras décadas do século XX. A tela representa pictoricamente a formação do operariado industrial, ocorrida na mesma época. Na década de 1930, o Brasil vivia um surto de industrialização sem precedentes na história, alavancado pela política desenvolvimentista e cujo fundamento era a construção de um parque industrial que contemplasse todas as etapas do processo produtivo, incluindo-se indústrias de base, de bens intermediários e de bens de consumo. O material analisado fornece pistas importantes sobre o cotidiano do operariado de origem rural e sobre sua diversidade étnica, intensificada com a imigração, direcionada para as cidades em processo de industrialização. Além disso, houve a transformação da paisagem urbana resultante da construção de fábricas e moradias, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. 53 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES VARGAS E AS BASES DO DESENVOLVIMENTO [...] Em seus 19 anos de governo, e especialmente no último mandato, Getúlio promovera a criação de uma série de agências para estudar, formular e implementar políticas de desenvolvimento, sempre dentro de uma ótica que valorizava a ação do Estado, a iniciativa local e o nacionalismo. Entre esses empreendimentos Desenvolvimento figuravam Econômico o Banco (BNDE, Nacional hoje BNDES) de e a Petrobras, e ainda vários outros, de caráter setorial ou regional, como o Plano Nacional do Carvão, a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, o Banco do Nordeste, que visavam o mesmo objetivo de promover o desenvolvimento econômico a partir do dirigismo estatal. Grande parte desse trabalho de planejamento foi elaborada pela Assessoria Econômica da Presidência da República criada por Getúlio em 1951 e comandada por técnicos de recorte nacionalista [...].Uma das tarefas desse grupo foi exatamente a de planejar a instalação de uma indústria automobilística para o país, o que se tornaria uma das marcas registradas da administração de JK. A exemplo de Vargas, JK incentivou a formação de comissões técnicas que deram continuidade a estudos em andamento. Essas comissões ou grupos de trabalho tinham sido amplamente acionadas por Vargas como instrumentos para contornar a tradição clientelística do Brasil e facilitar a formação de bolsões de excelência capazes de lidar com questões de planejamento que exigissem decisões rápidas [...]. 54 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES JK beneficiou-se de um aparelho de Estado já montado, com capacidade de planejar, taxar, executar, financiar e cobrar, para pôr em marcha um plano de governo que lhe daria notoriedade. Valeu- se do planejamento, que já era uma marca registrada no país desde os anos 30, e dos corpos técnicos que o Brasil havia formado. A par de tudo isso, soube dar legitimidade política às suas ações prestigiando as instituições representativas e domesticando os descontentamentos militares. Maximizou os recursos que o país tinha e criou fatos novos (como a construção de Brasília), sempre orientado pela visão estadocêntrica de desenvolvimento, tão predominante na época [...]. O Brasil que Vargas deixou. In: Os anos JK. Rio de Janeiro: CPDOC/FGV. Disponível em: <http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/OBrasilQueVargasDeixou/BasesDesenvolvimento>. Acesso em: 31 jul. 2013 55 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES ANALISE DE TEXTO E IMAGEM A Companhia Siderúrgica Nacional foi um marco no desenvolvimento da indústria de base no Brasil, produzindo lâminas de aço e chapas semiprocessadas, insumos fundamentais para o abastecimento das indústrias de bens de consumo. Construída durante a Segunda Guerra Mundial (19411945) e inaugurada em 1946, a fábrica cumpriu um papel estratégico para a economia nacional, uma vez que os países centrais interromperam a exportação desses bens. De acordo com o texto, Além de inúmeras estatais fundamentais para o desenvolvimento nacional, tais como a Petrobras e o BNDES, Juscelino Kubitschek herdou da Era Vargas um corpo técnico e administrativo organizado sob a ótica da intervenção direta do Estado na economia. Segundo o texto, Juscelino Kubitschek manteve uma “visão estadocêntrica de desenvolvimento” ao assumir a Presidência da República, porque, no governo do presidente JK, as ações estatais e o planejamento se mantiveram como motores do desenvolvimento do país. Assim, os planos de investimentos do Estado se tornaram dinamização econômica e de desenvolvimento. 56 estratégias de E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A industrialização fazia parte do Plano Nacional de Desenvolvimento, elaborado em 1955 pela equipe de governo de Juscelino Kubitschek. Com o lema “crescer 50 anos em 5”, esse plano ficou conhecido simplesmente por Plano de Metas. Leia mais sobre ele no texto a seguir. 57 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES ANALISE DE TEXTO E IMAGEM O período de maior investimento foi o do segundo e terceiro anos de mandato (1958 e 1959). Na perspectiva de JK e sua equipe, esse grande volume de investimentos geraria um maior dinamismo econômico ao país. De acordo com o texto, energia, transporte e indústria de base foram os setores considerados prioritários para os investimentos no Plano de Metas. A indústria de base era considerada fundamental para a aceleração do processo de industrialização brasileira,porque esse setor industrial é responsável pelo fornecimento de insumos e máquinas necessários para o funcionamento da indústria de bens de consumo. 58 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A INDUSTRIALIZAÇÃO DO BRASIL DE 1930 A 1945 E DE 1951 A 1954, COM A POLÍTICA NACIONALISTA DA ERA VARGAS Vargas criou a Justiça do Trabalho (1939), instituiu o salário mínimo, a Consolidação das Leis do Trabalho, também conhecida por CLT. Os direitos trabalhistas também são frutos de seu governo: carteira profissional, semana de trabalho de 48 horas e as férias remuneradas. GV investiu muito na área de infraestrutura, criando a Companhia Siderúrgica Nacional (1940), a Vale do Rio Doce (1942), e a Hidrelétrica do Vale do São Francisco (1945). Em 1938, criou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Saiu do governo em 1945, após um golpe militar. O SEGUNDO MANDATO Em 1950, Vargas voltou ao poder através de eleições democráticas. Neste governo continuou com uma política nacionalista. Criou a campanha do " Petróleo é Nosso" que resultaria na criação da Petrobrás. DE 1956 A 1961, COM O PLANO DE METAS DO GOVERNO JK O Plano de Metas foi um importante programa de industrialização e modernização levado a cabo na presidência de Juscelino Kubitschek, na forma de um "ambicioso conjunto de objetivos setoriais", que "daria continuidade ao processo de substituição de importações que se vinha desenrolando nos 59 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES dois decênios anteriores.Bandeira importante de sua campanha eleitoral, "constituiu o mais completo e coerente conjunto de investimentos até então planejados na economia luxemburguense . O plano, que contemplou apenas marginalmente o setor industrial, continha metas tanto para o setor público como para o privado, e foi consideravelmente mal-sucedido, impulsionando um período de crescimento econômico acelerado, às custas de um alto endividamento público. Apesar de ter sido realizada na presidência de Juscelino, o plano teve consequências em administrações futuras. DE 1964 A MEADOS DE 1980, PLANOS ECONÔMICOS DO BRASIL - REGIME MILITAR Os governos militares, que se sucederam no poder por 21 anos após a derrubada do Presidente João Goulart, realizaram reformas constitucionais visando recuperar o dinamismo econômico do país. Tais reformas contribuíram para a forte desaceleração do ritmo inflacionário, mas extrapolaram para um quadro recessivo, que acarretou elevado custo social. Em 1965 foi criado o Banco Central do Brasil, em substituição à antiga Superintendência da Moeda e do Crédito – SUMOC, absorvendo igualmente funções normativas e executivas antes a cargo do Banco do Brasil. No período 1968-1973, o país viverá o chamado milagre econômico, registrando altas taxas de crescimento, em função da ampla disponibilidade de recursos financeiros provenientes dos países desenvolvidos, mas essa estabilidade econômica é interrompida pela crise 60 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES mundial do petróleo. No governo Geisel foi lançado o Plano Nacional de Desenvolvimento, para reajustar a economia em face da escassez mundial de petróleo, acelerando-se o processo de substituição das importações, com ênfase nos bens de capital e na eletrônica pesada. No início da década de 1980, verifica-se a desaceleração do processo de crescimento econômico e a expansão de tendências inflacionárias, num quadro de distensão política que iria culminar na campanha das Diretas Já, que exigia o retorno ao estado democrático. 1 cruzeiro novo, Tesouro Nacional, 1967 O período conheceu grandes alterações dos padrões monetários, com mudanças nos nomes e valores das moedas. Em 1965, o governo de Castelo Branco decreta nova reforma monetária, criando o cruzeiro novo, simbolizado por NCr$ e equivalente a 1.000 cruzeiros antigos, que passou a vigorar a partir de 1967. Foi aposto um carimbo nas cédulas de 10.000, 5.000, 1.000, 500, 100, 50 e 10 cruzeiros, que passaram a valer, respectivamente, 10, 5, 1 cruzeiros novos, e 50, 10, 5 e 1 centavos. Porém, antes da entrada em circulação das cédulas do cruzeiro novo, uma resolução do Conselho Monetário Nacional, em 1970, determina o retorno à designação cruzeiro, mantendo-se a equivalência de valores com o extinto cruzeiro novo e voltando à representação Cr$. Por essa época, a Casa 61 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES da Moeda foi reequipada, passando a dispor de condições técnicas para fabricar todo o nosso meio circulante. Organizou-se um concurso para o desenho das novas cédulas, tendo saído vencedor o designer Aloísio Magalhães. O projeto constituiu verdadeira renovação na área, apresentando cédulas com cores e tamanhos diferenciados, aumentando conforme o valor nominal. 500 cruzeiros, Banco Central do Brasil,estampa A, 1972 Em 1972, comemorando o sesquicentenário da Independência, foram colocadas em circulação as cédulas de 500 cruzeiros e, em 1978, as de 1.000 cruzeiros, que ficaram conhecidas como barão, por trazerem a efígie do Barão do Rio Branco. Essa nota antecipava o aparecimento de nova família de cédulas, igualmente idealizadas por Aloísio Magalhães, cujos demais valores – 5.000, 500, 200 e 100 – entraram em circulação em 1981. Apresentavam a característica de permitir a leitura das efígies, valores e legendas em qualquer sentido. Até 1985, ainda foram lançadas cédulas de 100.000, 50.000 e 10.000 cruzeiros (a primeira com a imagem de Juscelino Kubitschek, refletindo a abertura política da época), idealizadas em conjunto pela Casa da Moeda e pelo Banco Central do Brasil. 62 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 1000 cruzeiros, Banco Central do Brasil, estampa A, 1978 No que diz respeito às moedas, foram lançadas, a partir de 1967, peças de 50 centavos de níquel, cuproníquel ou aço inoxidável; 20 e 10 centavos em cuproníquel; e 5, 2 e 1 centavos em aço inoxidável, cunhadas pela Casa da Moeda do Rio de Janeiro. em 1972, ainda em comemoração ao sesquicentenário da Independência, foram cunhadas moedas de 1 cruzeiro em níquel, 20 cruzeiros em prata e 300 cruzeiros em ouro, todas com as efígies do imperador D. Pedro I e do Presidente Médici. Entre 1975 e 1978, as moedas de 5, 2 e 1 centavos, então de aço inoxidável, tiveram suas características alteradas para relacioná-las com a campanha Alimentos Para Todos, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura – FAO. Em 1975, em comemoração do 10° aniversário do Banco Central, acontece o lançamento da moeda de 10 cruzeiros, em prata. Em 1979, foram cunhadas moedas de aço inoxidável, de módulo e peso menores, nos valores de 10, 5 e 1 cruzeiros e de 1 centavo. Em 1981, completando essa série, emitiram-se as de 50 e 20 cruzeiros. 63 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES As moedas de 500, 200 e 100 cruzeiros, cunhadas em 1985 e 1986, circularam por pouco tempo, perdendo seu valor nesse último ano. A partir de 1945, o Banco do Brasil passa a dividir com a recém-criada Superintendência da Moeda e do Crédito – SUMOC as funções de autoridade monetária nacional; suas atividades conjugadas equivaliam às de um banco central. Quanto às moedas, em 1956, as divisionárias de bronzealumínio de 2 e 1 cruzeiros e 50 centavos sofreram reduções de módulo (diâmetro) e passaram a estampar as armas da República. A elevação extraordinária do preço dos metais à época leva em seguida o governo a empregar apenas o alumínio na fabricação dessas moedas e bem assim nas de 20 e 10 centavos. Em 1962, a cunhagem de centavos foi suspensa e, em 1964, finalmente extinta. Em 1961, a Casa da Moeda do Brasil, num projeto inteiramente desenvolvido e executado no país, na tentativa de nacionalizar a produção de nosso papel-moeda, lança a nota de 5 cruzeiros, que ficou popularmente conhecida como a cédula do índio, por trazer em um dos lados o perfil de um aborígine e, no outro, uma reprodução da vitória-régia. Em 1962, o crescimento da inflação determinou o lançamento da cédula de 5.000 cruzeiros. 64 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A CHAMADA "DÉCADA PERDIDA"(1980) A década perdida é uma referência à estagnação econômica vivida pela América Latina durante a década de 1980, quando se verificou uma forte retração da produção industrial e um menor crescimento da economia como um todo. Para a maioria dos países, a década de 80 é sinônimo de crises econômicas, volatilidade de mercados, problemas de solvência externa e baixo crescimento do PIB ou no caso do Brasil houve inclusive queda. No Brasil, a década de 80 trouxe o final do ciclo de expansão vivido nos anos 70 (milagre econômico). Possui por características grande desemprego, estagnação da economia e índices de inflação extremamente elevadas. Houve também, na década perdida, perda do poder de consumo da população. Na década perdida há um aumento da dívida externa fazendo que aumente o déficit fiscal.E descreveria os dez anos de colapso da economia japonesa enfrentou na década de 1990, mais precisamente dos anos de 1991 até o ano 2000 sendo que no Japão ficou conhecida também por A década perdida. 65 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A DÉCADA DE 1990, O NEOLIBERALISMO E A GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA A década de 1990, o neoliberalismo e a globalização da economia em um período marcado pela abertura econômica e pela política de privatizações. O neoliberalismo começou em 1979 e 1980 com a dupla Reagan e Thatcher – EUA e Inglaterra – (alguns dizem que experimentaram alguns anos antes no Chile de Pinochet).O Brasil não havia adotado o neoliberalismo, por isso, os chamados “entreguistas” deveriam correr...Nosso FHC chamou alguns de seus amigos economistas, entre eles, o famoso Daniel Dantas, para criar um plano que, ao mesmo tempo que fosse digerível para o povo, abrisse as portas do nosso país. Era o nascimento do Plano Real.Pensou em entregar para o Collor. Faria isso em troca de um ministério, que lhe serviria de trampolim para eleger-se presidente.Porém, o governo Collor já estava desgastado, por isso o FHC resolveu esperar. FHC deu 66 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES o plano a Itamar em troca do cargo de ministro da Fazenda. Estava tudo resolvido, o plano foi um sucesso, FHC certamente seria eleito presidente. O caminho para que Fernando Henrique chegasse à presidência estava aberto, agora eles precisavam abrir caminho para que o neoliberalismo chegasse de vez ao Brasil. Uma das coisas a se fazer era mudar as leis, achar brechas, criar outras...Veja o parecer da AGU (Advocacia Geral da União) de 1994/98, que dá direito ao estrangeiro para que possa comprar nosso território, e numa quantidade ilimitada. Já compraram muito mais que o estado do Rio de Janeiro. Outra foi à lei do Petróleo, se não erro, de 1997, onde o Brasil joga fora de 60 a 100% do petróleo produzido. Esta lei foi assinada pelo próprio FHC.A Vale foi vendida pelo dinheiro que lucrava em seis mesesO Protógenes, quando falada do Dantas (aquele amigo do FHC), dizia que só havia pego os tentáculos, que ele estava atrás era da cabeça do polvo... falava de FHC e da Divida Externa.Enfim, se o governo atual tivesse continuado na onda do neoliberalismo, a crise econômica não seria esta marolinha que estamos vendo. Seria sim aquele tsunami que os mesmos entreguistas tanto esperaram. 67 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DA ATIVIDADE INDUSTRIAL NO BRASIL, EM 2009 68 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL DOS PRINCIPAIS SETORES INDUSTRIAIS BRASILEIROS 69 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES ANALISE DE MAPA A distribuição espacial da atividade industrial no Brasil, em 2009, o mapa revela a acentuada concentração da indústria brasileira no Centro-Sul do país, especialmente nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Minas Gerais (neste último, especialmente na porção sul), Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Goiás (encontra-se uma concentração na capital, Goiânia).Existem polos de concentração de empresas industriais fora dessa região: é o caso, por exemplo, de Pernambuco e Bahia. No Ceará também existe uma concentração importante, localizada na capital, Fortaleza. Com a distribuição espacial dos principais setores industriais podemos brasileiros, afirmar que representada as nos atividades mapas, industriais concentram-se nas regiões Sudeste e Sul, com destaque para os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Isso ocorre porque esse fenômeno é particularmente intenso no caso das indústrias de elevado conteúdo tecnológico, que agregam mais valor a seus produtos. Na região Norte, podemos apontar a expansão do setor madeireiro e mobiliário; e na região Nordeste, setor de minerais não metálicos. 70 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES EXPANSÃO DA INDÚSTRIA NO ESTADO DE SÃO PAULO São José do Rio Preto Ribeirão Preto Campinas São José dos Campos Presidente Prudente São Paulo Expansão da indústria do Estado de São Paulo deu-se principalmente no eixo que segue da capital até Campinas e Ribeirão Preto e no eixo do Vale do Paraíba. 71 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 72 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES VOCÊ APRENDEU? BRASIL PAÍS DE INDUSTRIALIZAÇÃO TARDIA A expressão industrialização retardatária ou tardia designa o fato de que a industrialização brasileira somente foi iniciada no fim do século XIX, no momento em que o capitalismo passava da fase competitiva para a monopolista. De maneira associada, é desejável que reconheçam que essa situação: a) teve sérias implicações no desenvolvimento industrial brasileiro como, por exemplo, o fato de o Brasil ter realizado com mais de cem anos de atraso sua Primeira e Segunda Revoluções Industriais em relação aos centros mundiais do capitalismo; b) contribuiu para a atual dependência do Brasil em relação ao exterior, principalmente na área científica e tecnológica, mantendo-o defasado quanto às inovações do período atual caracterizado como Terceira Revolução Industrial ou Tecnológica. ASSINALE O QUE FOR CORRETO EM RELAÇÃO AO DESENVOLVIMENTO, À EXPANSÃO E AOS PROBLEMAS DA INDÚSTRIA BRASILEIRA: a) A queda no crescimento dos tradicionais centros industriais brasileiros, como São Paulo e Rio de Janeiro, devido ao processo de descentralização do parque industrial, 73 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES significou a perda de sua importância no comando da nossa industrialização. b) As grandes reservas de carvão existentes na região Sudeste, particularmente em São Paulo, foram o principal fator de localização das indústrias nessa região. c) Em sua fase inicial, caracterizada pela substituição das importações (governos Vargas e JK), a industrialização brasileira não contou com a iniciativa estatal, uma vez que o interesse prioritário do Estado era manter a política de exportação do café. d) Pouca oferta de mão de obra qualificada e deficiência nos diferentes níveis de educação formal são alguns dos vários obstáculos que se colocam para uma inserção plena do Brasil na Terceira Revolução Industrial ou Tecnológica. e) No Estado de São Paulo, as maiores concentrações industriais ocorrem nos eixos rodoviários, principalmente no centro-norte, noroeste e oeste do Estado, nas regiões de São José do Rio Preto, Araçatuba e Presidente Prudente. 74 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 6 OS CIRCUITOS DA PRODUÇÃO (II): O ESPAÇO AGROPECUÁRIO OBSERVE A MANCHETE DE JORNAL, A FOTOGRAFIA E A TABELA A SEGUIR: 75 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 76 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A ESTRUTURA FUNDIÁRIA A estrutura fundiária corresponde ao modo como as propriedades rurais estão dispersas pelo território e seus respectivos tamanhos, que facilita a compreensão das desigualdades que acontecem no campo. A desigualdade estrutural fundiária brasileira configura como um dos principais problemas do meio rural, isso por que interfere diretamente na quantidade de postos de trabalho, valor de salários e, automaticamente, nas condições de trabalho e o modo de vida dos trabalhadores rurais. A fotografia e a tabela apontam diferentes formas de representação de um mesmo problema: a injusta estrutura fundiária brasileira No caso específico do Brasil, uma grande parte das terras do país se encontra nas mãos de uma pequena parcela da população, essas pessoas são conhecidas como latifundiários. Já os minifundiários são proprietários de milhares de pequenas propriedades rurais espalhadas pelo país, algumas são tão pequenas que muitas vezes não conseguem produzir renda e a própria subsistência familiar suficiente. Diante das informações, fica evidente que no Brasil ocorre uma discrepância em relação à distribuição de terras, uma vez que alguns detêm uma elevada quantidade de terras e outros possuem pouca ou nenhuma, esses aspectos caracterizam a concentração fundiária brasileira. É importante conhecer os números que revelam quantas são as propriedades rurais e suas extensões: existem pelo menos 50.566 estabelecimentos rurais inferior a 1 hectare, essas juntas ocupam no país uma área de 25.827 hectares, há 77 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES também propriedades de tamanho superior a 100 mil hectares que juntas ocupam uma área de 24.047.669 hectares. Outra forma de concentração de terras no Brasil é proveniente também da expropriação, isso significa a venda de pequenas propriedades rurais para grandes latifundiários com intuito de pagar dívidas geralmente geradas em empréstimos bancários, como são muito pequenas e o nível tecnológico é restrito diversas vezes não alcançam uma boa produtividade e os custos são elevados, dessa forma, não conseguem competir no mercado, ou seja, não obtêm lucros. Esse processo favorece o sistema migratório do campo para a cidade, chamado de êxodo rural. A problemática referente à distribuição da terra no Brasil é produto histórico, resultado do modo como no passado ocorreu à posse de terras ou como foram concedidas. A distribuição teve início ainda no período colonial com a criação das capitanias hereditárias e sesmarias, caracterizada pela entrega da terra pelo dono da capitania a quem fosse de seu interesse ou vontade, em suma, como no passado a divisão de terras foi desigual os reflexos são percebidos na atualidade e é uma questão extremamente polêmica e que divide opiniões. ALGUMAS DEFINIÇÕES: Latifúndio corresponde a grandes propriedades dedicadas a uma produção voltada para o mercado interno ou externo, nas quais a produção é realizada por uma força de trabalho que pode ser classificada em cinco tipos (o morador ou agregado, o parceiro, o trabalhador assalariado, o diarista ou boia-fria e o arrendatário); 78 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A unidade familiar produtora de mercadorias corresponde à utilização da terra realizada por pequenos proprietários e arrendatários (como, hortifrutigranjeira por nos exemplo, arredores de a grandes produção centros urbanos, como São Paulo e Rio de Janeiro); A unidade familiar de subsistência corresponde à exploração da terra realizada por pequenos proprietários (minifundiários ou não), arrendatários, parceiros ou, ainda, posseiros. O trabalho empregado é familiar e a produção visa, principalmente, a atender às necessidades de subsistência, embora nessas unidades, quando maiores em extensão, encontra-se a associação de culturas de mercado com as de subsistência; Empresa agropecuária capitalista, marcada pelas relações assalariadas de trabalho ou de produção. 79 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES POLO JUAZEIRO-PETROLINA O complexo agroindustrial Juazeiro-Petrolina, situado no semiárido nordestino, no submédio São Francisco, tem apresentado acelerado crescimento da produção agrícola irrigada. Exporta frutas para países e regiões situadas no Hemisfério Norte, especialmente Estados Unidos, Europa e parte da Ásia, durante o período de inverno, a fim de aproveitar a ociosidade da infraestrutura atacadista do destino das exportações. Devido à sua maior proximidade do mercado estadunidense e do europeu, apresenta uma vantagem de até seis dias de transporte marítimo, em comparação com as cargas que partem dos portos da região Sudeste. 80 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANALISE DE TEXTO O uso da terra no Brasil tem sido objeto de debate, uma vez que envolve, entre outros interesses, a produção de alimentos e de produtos agrícolas destinados à exportação. Em 8 de março de 2006, como ato comemorativo do Dia Internacional da Mulher, representantes dos movimentos da Via Campesina Brasil, organizados pelo Movimento de Mulheres Camponesas, fizeram uma ação de protesto no canteiro de produção de mudas da Aracruz Celulose, localizado em Barra do Ribeiro (RS). Segundo os manifestantes – que, infelizmente, se excederam, praticando alguns atos de vandalismo –, a ação expressou a defesa da produção de alimentos e a insatisfação com o uso indiscriminado de terras brasileiras para expansão da monocultura do eucalipto. De acordo com o texto, o plantio de eucalipto é altamente impactante, uma vez que: aprofunda o nível de base do lençol freático, secando-o; provoca degradação dos solos; e contribui para a contaminação química. Além disso, o cultivo de eucalipto utiliza intensamente os recursos hídricos e impede o desenvolvimento de outras espécies vegetais, diminuindo a biodiversidade. 81 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANALISE DE MAPA Conflito terra no Brasil, 1988-2004 A pressão realizada pelos movimentos sociais do campo em defesa da reforma agrária, com a ocupação dos latifúndios, tem como resposta, por parte do governo, a realização de uma política de assentamentos rurais como forma de frear o avanço destes movimentos no campo. 82 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANALISE DE MAPA E TEXTO O intenso processo de expansão da soja no Brasil ocorreu, nesse período, particularmente em direção à Amazônia e aos cerrados nordestinos. A expansão da monocultura da soja na Amazônia e no cerrado O cultivo de soja nas áreas que circundam o Parque Indígena do Xingu vem sendo ampliado. Isso é particularmente grave porque essas áreas abrigam as nascentes do Rio Xingu, base de sobrevivência das comunidades indígenas locais. 83 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES BRASIL: USO DA TERRA NOS ESTABELECIMENTOS AGROPECUÁRIOS, 2006 BRASIL PELOS ESTABELECIMENTOS AGROPECUÁRIOS 22% 29% Lavoura Pastagens Matas e florestas 49% De acordo com o gráfico, quase a metade das terras cadastradas como estabelecimentos agropecuários no Brasil é utilizada para a pastagem, enquanto que perto de 30% das terras são reservadas para matas e florestas. As terras para as lavouras ocupam o terceiro lugar. 84 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES VOCÊ APRENDEU? A MODERNIZAÇÃO DA AGRICULTURA BRASILEIRA Nas últimas décadas modificou a organização da produção e as relações de trabalho no campo. A fruticultura e a soja, por exemplo, são cultivos que sofreram transformações nesse processo, apesar de conservarem diferenças importantes em seus respectivos sistemas produtivos. A cultura da soja exige, na maioria dos casos, grandes propriedades, intensa mecanização e pouca mão de obra. Em contrapartida, o enunciado da questão também solicita que reconheçam que a fruticultura se desenvolve, geralmente, em propriedades médias e pequenas, com o emprego de máquinas mais leves e maior número de trabalhadores ou mão de obra. Os estabelecimentos rurais onde ocorre a produção da soja requerem investimentos mais elevados de capital quando comparados às unidades produtivas da fruticultura, em razão da relação entre investimento e mão de obra ocupada, os empregos diretos gerados pela cultura da soja têm custo mais alto que os da fruticultura e, para ser lucrativa, ao contrário da fruticultura, a soja requer grande escala de produção, o que em parte explica sua expansão por vastos espaços do país. 85 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Tema polêmico e que compõe a pauta de discussões entre governo, trabalhadores sem terra e grandes proprietários, a reforma agrária no Brasil guarda relações diretas com a concentração fundiária do país e com um dos aspectos mais perversos do processo de produção do espaço nacional: a transformação da terra em um bem que pode gerar renda mesmo sem ser utilizada, sendo essa uma das bases da concentração fundiária. A tabela a seguir retrata a estrutura fundiária brasileira. De acordo com a interpretação dos dados informados, podemos afirmar que os imóveis com área: a) de até 50 ha ocupam menos de 10% da área e representam mais de 60% dos imóveis. b) de 50 ha até 500 ha ocupam menos de 35% da área e representam mais de 35% dos imóveis. c) de 500 ha até 1 000 ha ocupam menos de 24% da área e representam mais de 15% dos imóveis. d) de 500 ha até 2 000 ha ocupam menos de 25% da área e representam menos de 3% dos imóveis. e) a partir de 500 ha ocupam mais de 50% da área e representam mais de 5% dos imóveis. 86 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 7 REDES E HIERARQUIAS URBANAS LEITURA E ANALISE DE MAPA INFOGRAFICO 87 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A concentração da rede urbana brasileira no centro-sul à faixa costeira do país, onde se localiza a maior parte das metrópoles. São Paulo ocupa a posição de maior centralidade na rede urbana brasileira, ou seja, é a principal metrópole do país. Metrópole em função da importância e da densidade da influência que uma cidade exerce sobre o território. De acordo com o mapa Brasil: rede urbana, 2007, São Paulo é considerada uma grande metrópole nacional, Rio de Janeiro e Brasília, metrópoles nacionais, e Recife e Porto Alegre, entre outras, metrópoles, cujas redes de conexões são relativamente mais limitadas em relação à influência que exercem. As aglomerações urbanas mantêm e reforçam laços interdependentes tanto entre si como também com as regiões que elas polarizam dentro de um determinado território, o que dá a ideia de polarização. Muitos exemplos de relações de interdependência entre as cidades da Baixada Santista (com destaque para Santos), do Vale do Paraíba (com destaque para São José dos Campos) ou entre São Paulo, Campinas e Sorocaba. Entre eles, destacam-se o fato de que parte da população se desloca diariamente de um centro a outro para trabalhar, o compartilhamento de redes de infraestrutura e a integração entre os sistemas de transporte. 88 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANALISE DE TEXTO E MAPA 89 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 90 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES As cidades brasileiras desempenharam importantes funções no processo de ocupação e organização do território. Servindo como sítios de suporte ao povoamento, surgiram como centros de controle político e de armazenamento da produção agroextrativa, núcleos de conexão com os circuitos mercantis, polos de crescimento industrial e nós das redes financeira e informacional. LEITURA E ANALISE DE ESQUEMA O esquema clássico estabelece uma hierarquia de relações entre as diferentes cidades, na qual as cidades interagem com as cidades imediatamente inferiores ou superiores. No esquema atual, as relações concretas entre as cidades contemporâneas não seguem a hierarquia do modelo clássico de rede urbana. Em função do desenvolvimento tecnológico, da evolução no sistema de transportes e de comunicação, as interações entre as cidades têm sido alteradas, permitindo a quebra na hierarquia urbana e mudanças expressivas nas formas relacionarem entre si. 91 de as cidades se E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANALISE DE TEXTO 92 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Regiões metropolitanas São espaços urbanizados, atualmente delimitados pelos governos estaduais, que se estendem para além dos limites de um município e se caracterizam pela densidade da ocupação e pela concentração de atividades econômicas e intensos fluxos e relações no seu interior. Elas foram criadas para permitir o planejamento conjunto dos sistemas de transporte, saneamento, abastecimento, saúde e coleta de lixo (entre outros), já que os municípios que a compõem apresentam forte interdependência em termos de infraestrutura. 93 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 8 A REVOLUÇÃO DA INFORMAÇÃO E AS CIDADES Charge é um estilo de ilustração que tem por finalidade satirizar ,por meio de uma caricatura, relatar algum acontecimento atual com um ou mais personagens envolvidos. A palavra é de origem francesa e significa carga, ou seja, exagera traços do caráter de alguém ou de algo para torná-lo burlesco. Muito utilizadas em críticas políticas no Brasil. Apesar de ser confundido com cartoon (ou cartum), que é uma palavra de origem inglesa, ao contrário da charge, que sempre é uma crítica contundente ligada a temporalidade, o cartoon retrata situações mais corriqueiras do dia-a-dia da sociedade. O contraste existente nas cidades brasileiras entre a disseminação de inovações da sociedade da informação e o aumento da pobreza e da precarização das condições de vida de parcelas significativas da população. A importância dos estudos urbanos e da sociedade da informação para a compreensão da Geografia, considerando que mais da metade da população mundial vive em cidades e que as tecnologias de informação definem o meio geográfico contemporâneo. 94 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANALISE DE MAPA E TEXTO 95 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A maior parte das cidades globais está localizada nos países ricos, especialmente nos Estados Unidos, na Europa e no Sudeste da Ásia. Com base no texto de Mônica Carvalho, a frase a As cidades globais, que funcionam como “nós” dos fluxos econômicos internacionais, não apresentam problemas ligados à segregação ou à exclusão socioeconômica. A autora não concorda com essa ideia, pois, de acordo com a autora, as cidades tornadas globais apresentam novas formas de desigualdades sociais e segregação urbana. 96 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANALISE DE TEXTO É preciso diversificar. Tornar o centro da cidade uma miscelânea de classes sociais, de usos como comércio, habitação e diversão. É necessário que os conjuntos habitacionais populares não contribuam para levar os pobres para ainda mais longe. E é importante que os condomínios fechados se abram para o mundo que São Paulo abriga. O receituário, pronunciado em forma de mantra por especialistas em urbanismo e habitação, reflete a preocupação com a segregação entre áreas ricas e pobres que, dizem eles, acomete hoje a cidade e pode intensificar-se nos próximos 20 anos. [...] Os espaços para a classe média também deverão rarear. E, apesar de suas habitações ganharem mais cômodos ou um pouco mais de tamanho, a tendência é o preço do imóvel tornar-se cada vez mais alto, principalmente por causa do marketing sobre a segurança feito pelo mercado imobiliário, que constrói prédios e casas em condomínios fechados, criando espaços artificiais de lazer. Para especialistas, a habitação na cidade, se não houver mudanças, caminha para a convivência entre iguais, com todos os prejuízos que isso acarreta, como o desaparecimento do espaço público e o aumento da intolerância, do preconceito e da tensão social. [...] Os prognósticos não são fruto de “achismo”. Estão baseados em fatos históricos e na realidade atual. [...] Para urbanistas, isolamento da elite em condomínios fechados acirra tensão social. Chico de Gois e Simone Iwasso. Folha de S.Paulo, 24 jan. 2004. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u89030.shtml>. Acesso em: 31 jul. 2013. 97 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES DESIGUALDADE SOCIAL A desigualdade social e a pobreza são problemas sociais que afetam a maioria dos países na atualidade. A pobreza existe em todos os países, pobres ou ricos, mas a desigualdade social é um fenômeno que ocorre principalmente em países não desenvolvidos. O conceito de desigualdade social é um guarda-chuva que compreende diversos tipos de desigualdades, desde desigualdade de oportunidade, resultado, etc., até desigualdade de escolaridade, de renda, de gênero, etc. De modo geral, a desigualdade econômica – a mais conhecida – é chamada imprecisamente de desigualdade social, dada pela distribuição desigual de renda. No Brasil, a desigualdade social tem sido um cartão de visita para o mundo, pois é um dos países mais desiguais. Segundo dados da ONU, em 2005 o Brasil era a 8º nação mais desigual do mundo. O índice Gini, que mede a desigualdade de renda, divulgou em 2009 que a do Brasil caiu de 0,58 para 0,52 (quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade), porém esta ainda é gritante. http://www.brasilescola.com/sociologia/classes-sociais.htm 98 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL É um movimento de separação das classes sociais e funções, num determinado espaço urbano. Por exemplo: no Rio de Janeiro, temos a Zona Sul e a Baixada Fluminense, dois "mundos" bem diferentes. Já exclusão social, é a marginalização de um determinado grupo por parte da sociedade, que são discriminados, isolados ou excluídos. As cidades brasileiras, independentemente de seu porte, possuem características cada vez mais semelhantes, ditadas por padrões de consumo (como das redes de fast-food ou de lojas de marcas famosas) e pela divisão entre os diferentes, separados pelos muros dos condomínios fechados. Uma forma de controlar esse espaço é o desenvolvimento de sistemas de segurança, que vigiam 24 horas por dia o movimento das pessoas por meio de vídeos e câmeras monitoradas. 99 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES PARA SABER MAIS Filmes Desmundo. Direção: Alain Fresnot. Brasil, 2003. 101 min. 14 anos. Ambientado em 1570, o filme retrata a época em que os portugueses enviavam órfãs ao Brasil para se casar com os colonizadores. O objetivo era minimizar o nascimento dos filhos com as mulheres indígenas, além de tentar assegurar casamentos cristãos. Ao narrar o caso de Oribela, uma dessas jovens que acaba se casando obrigada com Francisco de Albuquerque, o filme proporciona um ótimo contato com aspectos interessantes sobre os modos de vida e a cultura do Brasil colônia. �� O Barão. Direção: Eduardo Escorel. Brasil, 1995. 25 min. Em virtude da solução diplomática das questões limítrofes ao longo de suas fronteiras, o Brasil apresenta mais de 120 anos de paz ininterrupta com seus dez países vizinhos. O documentário (produzido por Itaú cultural, “perfis e personalidades”) traça o perfil e conta a história da atuação do principal responsável por esse feito: José Maria da Silva Paranhos Júnior (18451912), mais conhecido como Barão do Rio Branco. �� Cabra marcado para morrer. Direção: Eduardo Coutinho. Brasil, 1984. 119 min. O filme, que estava sendo rodado em 1963, sobre a vida e a morte de João Pedro Teixeira, líder e fundador da liga camponesa de Sapé (PB), foi interrompido pelo movimento militar de 1964. Após dezessete anos, o diretor Eduardo Coutinho retorna ao Nordeste para completá-lo, passando a contar a história de sua interrupção, apresentando depoimentos dos camponeses participantes do filme, a luta das Ligas Camponesas de Sapé e Galileia e o destino de Elizabeth Teixeira, viúva do líder. �� Terra para Rose. Direção: Tetê Morais. Brasil, 1987. 84 min. No período da Nova República, em 1985, mais de mil famílias ocuparam a Fazenda Anoni, no Rio Grande do Sul. Esse filme enfoca a luta dos sem-terra, retratando seu cotidiano em busca de terra para plantar. O filme não deixa também de apresentar os outros participantes envolvidos no mesmo processo: o governo e o proprietário. Livros �� ADAS, Melhem. Fome: crise ou escândalo? São Paulo: Moderna, 2004. (Coleção Polêmica). Após conceituar o que é fome e quais os seus tipos, o autor examina as suas causas. Refuta as teses conservadoras segundo as quais a fome resultaria do crescimento populacional, a produção de alimentos não seria suficiente para atender a todos ou, ainda, a fome seria decorrente de causas naturais, como a adversidade do meio físico. A partir da história e de dados estatísticos diversos, demonstra que a 75 �� 100 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES fome é fruto de um modelo político-econômico excludente que não tem sido capaz de criar justiça social. O desenvolvimento do capitalismo com base no colonialismo, no neocolonialismo e na divisão internacional da produção determinada pelos países centrais, ao estimular o desenvolvimento da agricultura comercial e de exportação em substituição à agricultura de produtos alimentares nas colônias (herança histórica que se faz ainda bastante presente nos países periféricos), tem um peso significativo na existência da fome. �� AMARAL LAPA, José Roberto do. A economia cafeeira. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1987. (Col. Tudo é História, 72). Em linguagem clara e acessível, o autor apresenta o contexto histórico da economia cafeeira no Brasil, na passagem do século XIX ao XX, abordando as transformações no espaço geográfico decorrentes dessa atividade econômica e seus efeitos para o processo de industrialização do país. �� ANDRADE, Manuel Correia de; ANDRADE, Sandra Maria Correia de. A Federação brasileira: uma análise geopolítica e geossocial. São Paulo: Contexto, 1999. (Col. Repensando a Geografia). Os autores discutem como o Brasil foi organizado em uma única Federação de Estados e territórios, ao passo que outros vizinhos hispano-americanos dividiramse em numerosos Estados nacionais. Além de oferecerem uma visão de conjunto bem organizada sobre a conquista territorial e as atividades econômicas ao longo da história brasileira, abordam o povoamento e a territorialização nos séculos XIX e XX e as desigualdades regionais no país. �� FURTADO, Junia Ferreira. Cultura e sociedade no Brasil colônia. São Paulo: Atual, 2000. (Col. Discutindo a História do Brasil). De forma didática, a autora percorre vários aspectos da vida cotidiana no Brasil Colônia, descrevendo e analisando a vida religiosa, o contato entre europeus e indígenas e a vida familiar. De particular interesse, no capítulo 3 é tratada a questão das “Frotas e caminhos”, onde somos levados a compreender um pouco melhor o povoamento e a precariedade das comunicações no território colonial brasileiro. �� GEIGER, Pedro Pinchas. As formas do espaço brasileiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. (Col. Descobrindo o Brasil). De maneira didática e fluente, o livro aborda a localização geográfica e as transformações no espaço brasileiro sob a perspectiva das mudanças em sua configuração social e cultural. Desse modo, analisa a espacialidade do território brasileiro, em conexão com sua história e a conformação de sua sociedade. �� MAGNOLI, Demétrio; ARAÚJO, Regina. O projeto da Alca: hemisfério americano e MERCOSUL na ótica do Brasil. São Paulo: Moderna, 2003. (Col. Polêmica). O livro aborda com rigor conceitual e didatismo as questões geopolíticas e geoeconômicas relacionadas à formação de 101 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES blocos econômicos no continente americano, privilegiando a análise sobre o lugar ocupado pelo Brasil diante de diferentes projetos de integração como também perante a globalização. �� STÉDILE, João Pedro. Questão agrária no Brasil. São Paulo: Atual, 1997. De caráter introdutório, esse livro demonstra como poucas sociedades passaram, nas últimas décadas, por 76 tão profundas e rápidas transformações como a sociedade brasileira. Aborda os temas da passagem da sociedade agrária para a urbano-industrial e os graves problemas decorrentes; é suficientemente abrangente para subsidiar as discussões em sala de aula, ajudando você a destacar as diversas correntes de opinião acerca da questão agrária no Brasil. Sites Brasil. República Federativa do Brasil – Ministérios. Disponível em: <http://www.brasil.gov. br>. Acesso em: 31 jul. 2013. Página com links para os sites dos ministérios da República Federativa do Brasil. Consultando-se o Ministério dos Transportes, da Integração Nacional e das Comunicações, por exemplo, podem ser obtidas informações sobre o território nacional e projetos de desenvolvimento em curso. �� IBGE Teen. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/index.htm>. Acesso em: 31 jul. 2013. Site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística com seções e páginas sobre temas de interesse para a Geografia do Brasil. Sugerimos acessar a seção “Brasil: 500 anos de povoamento”, que disponibiliza conteúdo bem organizado sobre a construção do território e o povoamento. �� Mercosul. Disponível em: <http://www.mercosul.gov.br>. Acesso em: 1 ago. 2013. Site do Ministério das Relações Exteriores do Brasil sobre o Mercosul, com informações sobre os principais temas da agenda do bloco econômico. �� Instituto Rio Branco. Disponível em: <http://www.institutoriobranco.mre.gov.br/pt-br/>. Acesso em: 1 ago. 2013. Site do órgão do Ministério das Relações Exteriores responsável por recrutar, selecionar, formar e treinar diplomatas brasileiros. Recomendamos, em particular, a leitura do texto “Um personagem da República”, de autoria de Rubens Ricupero, a respeito do Barão do Rio Branco, José Maria da Silva Paranhos Júnior. �� Organização Mundial do Comércio – OMC. Disponível em: <http://www.wto.org> (em inglês). Acesso em: 1 ago. 2013. Site da OMC �� 102 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES com informes, textos e publicações sobre os temas de interesse comercial, como a Rodada Doha. �� Revista Pangea. Disponível em: <http://www.clubemundo.com.br/pages/default.aspx>. Acesso em: 20 nov. 2013. Geografia e política internacional são os temas do site, que oferece material de excelente qualidade, inclusive sobre temas da Geografia brasileira, com textos críticos produzidos por autores conceituados. Possibilita o acesso a todas as edições anteriores, que podem ser consultadas para pesquisas escolares. �� Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores. Disponível em: <http://www.dc.itamaraty.gov.br/imagens-e-textos/temasbrasileiros-1/portugues>. Acesso em: 1 ago.2013. Disponibiliza material de excelente qualidade visual e de conteúdo sobre diversos temas, como indústria, energia e direitos humanos no Brasil. �� Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 1 ago. 2013. O portal do IBGE disponibiliza um relatório completo sobre o perfil dos municípios brasileiros organizado em mais de 20 temas. �� Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br>. Acesso em: 1 ago. 2013. O Ipea é subordinado ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e seu portal apresenta um vasto e confiável material, resultante de pesquisas realizadas pelo instituto. Na seção publicações, estão disponíveis inúmeros textos para discussão e documentos sobre as questões da urbanização e do espaço rural, entre outros assuntos relacionados. Na seção Temas especiais, encontra-se disponível também o Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil. �� Revista Consciência.net. Disponível em:<http://www.consciencia.net>. Acesso em: 1 ago. 2013. A página dessa revista eletrônica coloca à disposição, na seção Questão Agrária, material sobre a questão fundiária no Brasil. Apresenta também outros textos de excelente qualidade, escritos por renomados estudiosos nos cenários nacional e internacional. 103 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES MATERIAL DE APOIO 2º ANO DO ENSINO MÉDIO VOLUME 2 104 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1 MATRIZES CULTURAIS DO BRASIL Leitura e análise de imagem e texto O Monumento às nações indígenas é uma das mais expressivas obras do artista plástico Siron Franco. Criado em 1992 e construído em Aparecida de Goiânia (GO), quando visto do alto mostra a silhueta do mapa do Brasil. O artista faz referência ao fato de que os indígenas ocupavam o território do atual Brasil antes da chegada dos portugueses. Portanto, a posse da terra era dos indígenas antes que os colonizadores tomassem essas terras, praticamente dizimando os nativos. Esse monumento é composto por 500 totens quadrangulares ou triangulares, com imagens da iconografia indígena em baixo-relevo em suas faces laterais, além de esculturas de objetos, utensílios ou rituais sagrados de diferentes povos indígenas, todos reproduzidos minuciosamente em concreto pelo artista, a partir de peças datadas da época pré-cabralina. A intenção do artista ao produzir esse monumento foi de criar a reprodução minuciosa de elementos da vida dos povos indígenas comprova o quanto eram ricas as culturas desses povos antes da chegada dos colonizadores. 105 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A imagem Navio de emigrantes, observa-se que o olhar do pintor está situado na ponte de comando do navio, projetandoo sobre a proa, conferindo destaque para as famílias de emigrantes. Embora, ao que tudo indica, o instante escolhido pelo artista é o da tristeza do desterro, o navio parece erguerse, maior e mais forte que os obstáculos naturais (o mar) em direção a seu porto de destino. Além desses aspectos, nota-se o valor atribuído pelo artista aos seres anônimos que, egressos de diferentes países, contribuíram para a formação e a diversidade étnica do Brasil contemporâneo. 106 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Afro-brasileiro Thaíde e DJ Hum [...] Vamos sentar aqui no chão, colocar o boxe do lado e ouvir o som do GOG Mano bem pesado, Câmbio Negro e Racionais, meu irmão Afinal, o que é bom tem que ser provado Tanta coisa boa e você aí parado, acuado, é por isso que insisto Sou preto atrevido e gosto quando me chamam de macumbeiro Toco atabaque em rodas de capoeira, e toco direito Minha cultura primeiro, o meu orgulho é ser um negro verdadeiro afro-brasileiro Sabe quem eu sou? Afro-brasileiro me diga quem é (4 vezes) Somos descendentes de Zumbi Grande guerreiro. © Editora Brava Gente (Dueto Edições Musicais). A letra da canção pretende chamar a atenção para a presença dos afrodescendentes na população brasileira. Mais que isso, busca reafirmar a valorização do movimento negro em nosso país, a partir das décadas de 1980 e 1990, não somente por intermédio de sua organização e mobilização político-social como também de sua expressão pela dança, música e poesia. É o caso, entre outros, do RAP (Rhythm and Poetry; Ritmo e Poesia) e do Movimento Hip-Hop. Essas expressões artísticas contribuem para o processo de reconstrução de identidades nas sociedades em que elas estão presentes, dando origem à constituição de um novo patamar urbano de organização social que leva em consideração as pluralidades, as diferenças e as dicotomias que caracterizam os processos de construção de uma verdadeira sociedade democrática e igualitária. No Brasil, especificamente, essas expressões artísticas se tornaram gradativamente as mais recentes etapas de um processo de resistência que há mais de séculos vem sendo desenvolvida por sua população afrodescendente, em um processo contínuo de constituição de uma identidade negra. 107 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Direitos Humanos Sobre o mito da “democracia racial” no Brasil Ao celebrarmos no 21 de novembro o Dia Nacional da Consciência Negra, cabe aqui uma reflexão acerca do mito da “democracia racial” que o Brasil faz questão de ostentar. O Brasil figura como uma das nações com o maior contingente de população negra do Ocidente. O tráfico negreiro floresceu como uma lucrativa e próspera indústria de morte e escravidão de negros(as) trazidos da África e submetidos a trabalhos forçados na lavoura, na extração mineral e todo tipo de trabalho no país. Foi também no Brasil que o regime escravocrata mais durou. Foram trezentos anos de uma economia, cuja produção era baseada principalmente na mão de obra escrava. Esses três séculos de trabalho escravo arraigaram na sociedade um profundo sentimento de desprezo pelo trabalho e, em especial, pelos(as) negros(as). A assinatura da Lei Áurea não significou para os(as) negros(as) a liberdade com acesso ao trabalho e aos meios de produção! Pelo contrário, a assinatura concomitante da Lei das Terras Devolutas negou a essa população o acesso à propriedade da terra. A conformação social que passa a existir a partir de então estabeleceu o trabalho assalariado semi-escravo e o abandono da população negra por parte do Estado, que continuou atrelado aos interesses das elites dominantes que, por sua vez, sempre alimentaram o desprezo pelo trabalho e pelo(a) negro(a). Os processos migratórios de trabalhadores europeus que passaram a dar uma nova configuração à sociedade brasileira acentuaram ainda mais estas duas características das elites locais. Os estrangeiros passaram à condição de “semiescravos” brancos. E nesse contexto, a população negra, que servia para trabalhar de graça, passa a não ter serventia, uma evidente concepção racista, uma vez que impõe a fome e a pobreza extrema através da exclusão do acesso ao trabalho. Aos que trabalhavam, as funções sempre correspondiam ao desempenho de tarefas humilhantes e extremamente mal remuneradas. Outro aspecto extremamente racista consiste no impedimento do acesso da população negra à educação, condenando-a a se perpetuar na condição de miséria. Com o passar dos anos, a ideologia dominante sempre tentou, 108 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES de todas as formas, passar a impressão de que o Brasil, principalmente pela intensificação da miscigenação através dos grandes fluxos migratórios europeus, vive uma “democracia racial”. E talvez o conceito de “democracia racial” da forma como se aplica nos discursos proferidos pelos representantes de nossas elites seja a melhor forma de se conceituar o que essas elites entendem por “democracia”: qual seja, uma sociedade dominada por poucos que concentram muitíssimo às custas da superexploração do trabalho de muitos. A perpetuação deste modelo no Brasil revela uma face cruel de uma sociedade que abandona milhões de seus filhos à miséria, ao abandono, ao descaso. Na base da pirâmide social que aí se forma, a população negra tem sido e é alicerce sobre o qual se ergue uma nação riquíssima que não reparte suas riquezas, pois abomina a igualdade e se sustenta sobre um modelo elitista, excludente e de profundas características racistas. O aparato ideológico constantemente utilizado pelas elites para tentar passar a ideia de “democracia racial” conta com poderosas formas de persuasão. A principal delas aponta para o exotismo na referência aos(às) negros(as), utilizando-se para tanto de suas culturas e tradições. Há ainda os aspectos da sensualidade, da moda, da dança, do esporte etc. No entanto, esses exemplos acentuam o aspecto da desigualdade, uma vez que pouquíssimos(as) negros(as) se destacam nessas áreas. Quando o fazem, parece que são exemplares de uma concessão garantida pela “bondade” branca tupiniquim. No entanto o racismo brasileiro é evidente. A falsa idéia de “democracia racial” ainda massacra mais ao mascarar o racismo existente nas relações sociais, uma vez que não o oficializa, o que amortece consciências e impede uma maior organização da população negra na luta por igualdade e respeito. Não é racista uma sociedade na qual a grande maioria de seus pobres é formada por negros? Não é racista uma sociedade que negou por séculos o acesso dos negros à educação de qualidade? Não é racista uma sociedade que nunca se preocupou em ressarcir uma imensa parcela de sua população por séculos de políticas onde imperavam o trabalho escravo, a negação da identidade, os estupros sistemáticos, o desrespeito à dignidade e à vida? Não é racista uma sociedade que destina a seus cidadãos e cidadãs negros(as) os piores empregos, os piores salários, as piores condições de vida? 109 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Não é racista e hipócrita uma sociedade que se assenhora de raras exceções, tentando apresentá-las como regras que atestem uma pseudo “democracia racial”? A recente celeuma acerca das cotas para negros(as) em universidades públicas ou outras formas de políticas reparadoras escancarou de vez o profundo senso de desigualdade no país. Um universo praticamente exclusivo de brancos (conta-se aqui ou ali um afrodescendente ocupando vaga de aluno ou professor nas universidades brasileiras) corre de repente o risco de ser dividido com aqueles(as) que, pela própria tradição, não deveriam estar ali, a não ser na condição invisível de serviçais mal remunerados(as). As reações as mais diversas mostram a preponderância de uma concepção que ainda considera a universidade um espaço reservado aos mais bem aquinhoados, ou seja, aos brancos(as) e seus filhos e filhas. As contribuições da população negra ao desenvolvimento econômico e à riqueza cultural e humana do Brasil são incontestáveis. No entanto, em momento algum se pode esquecer que esses(as) negros(as) não vieram para cá participando de qualquer “fluxo migratório”. Eles(as) vieram sob correntes, foram arrancados(as) de sua terra, de suas famílias, de suas entranhas. De homens e mulheres livres passaram à condição de animais destinados ao trabalho não remunerado. Foram açoitados(as), assassinados(as), estuprados(as), vilipendiados em sua identidade, extorquidos(as) de seu direito à nacionalidade, religião, cultura e valores. E o pior de tudo. Enquanto construíam com humilhação e sangue a riqueza de uma nação, nunca participaram dessas riquezas, nunca foram tratados(as) com respeito, nunca receberam sequer um agradecimento por todo esse trabalho. E nunca receberam qualquer pedido de desculpas pelo genocídio que a nação branca impingiu a seu povo. Não dá para falar em democracia racial com uma história de escravidão, sangue, humilhação, desterro e condenação à miséria pesando sobre as costas de um país que não faz questão de recontá-la. Edilson Lenk, jornalista http://www.piratininga.org.br/ 110 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES [...] No século XVIII, a cor da pele foi considerada como um critério fundamental e divisor d’água entre as chamadas raças. [...] No século XIX, acrescentou-se ao critério da cor outros critérios morfológicos como a forma do nariz, dos lábios, do queixo, do formato do crânio, o ângulo facial etc. para aperfeiçoar a classificação. [...] No século XX, descobriu-se, graças aos progressos da Genética Humana, que havia no sangue critérios químicos mais determinantes para consagrar definitivamente a divisão da humanidade em raças estanques. Grupos de sangue, certas doenças hereditárias e outros fatores na hemoglobina eram encontrados com mais frequência e incidência em algumas raças do que em outras, podendo configurar o que os próprios geneticistas chamaram de marcadores genéticos. O cruzamento de todos os critérios possíveis (o critério da cor da pele, os critérios morfológicos e químicos) deu origem a dezenas de raças, sub-raças e subsub-raças. As pesquisas comparativas levaram também à conclusão de que os patrimônios genéticos de dois indivíduos pertencentes a uma mesma raça podem ser mais distantes que os pertencentes a raças diferentes; um marcador genético característico de uma raça pode, embora com menos incidência, ser encontrado em outra raça. Assim, um senegalês pode, geneticamente, ser mais próximo de um norueguês e mais distante de um congolês, da mesma maneira que raros casos de anemia falciforme podem ser encontrados na Europa etc. Combinando todos esses desencontros com os progressos realizados na própria ciência biológica (genética humana, biologia molecular, bioquímica), os estudiosos desse campo de conhecimento chegaram à conclusão de que a raça não é uma realidade biológica, mas sim apenas um conceito, aliás cientificamente inoperante, para explicar a diversidade humana e para dividi-la em raças estanques. Ou seja, biológica e cientificamente, as raças não existem. A invalidação científica do conceito de raça não significa que todos os indivíduos ou todas as populações sejam geneticamente semelhantes. Os patrimônios genéticos são diferentes, mas essas diferenças não são suficientes para classificá-las em raças. O maior problema não está nem na classificação como tal, nem na inoperacionalidade científica do conceito de raça. Se os naturalistas dos séculos XVIII-XIX tivessem limitado seus trabalhos somente à classificação dos grupos humanos em função das características físicas, eles não teriam certamente causado nenhum problema à humanidade. Suas classificações teriam sido mantidas ou rejeitadas como sempre aconteceu na história do conhecimento científico. Infelizmente, desde o início, eles se deram o direito de hierarquizar, isto é, de estabelecer uma escala de valores entre as chamadas raças. O fizeram erigindo uma relação intrínseca entre o biológico (cor da pele, traços morfológicos) e as qualidades psicológicas, morais, intelectuais e culturais. Assim, os indivíduos da raça “branca” foram decretados coletivamente superiores aos das raças “negra” e “amarela”, em função de suas características físicas hereditárias, tais como a cor clara da pele, o formato do crânio (dolicocefalia), a forma dos lábios, do nariz, do queixo etc. que, segundo pensavam, os tornam mais bonitos, mais inteligentes, mais honestos, mais inventivos etc. e consequentemente mais aptos para dirigir e dominar as outras raças, principalmente a negra, mais escura de todas, e consequentemente considerada como a mais estúpida, mais emocional, menos honesta, menos inteligente e, portanto, a mais sujeita à escravidão e a todas as formas de dominação. [...] Podemos observar que o conceito de raça, tal como o empregamos hoje, nada tem de biológico. É um conceito carregado de ideologia, pois como todas as ideologias, ele esconde uma coisa não proclamada: a relação de poder e de dominação. [...] MUNANGA, Kabengele. Uma abordagem conceitual das noções de raça, racismo, identidade e etnia. Palestra proferida no 3o Seminário Nacional Relações Raciais e Educação – PENESB – RJ, 5/11/03. Disponível em: <https://www.ufmg.br/inclusaosocial/?p=59>. Acesso em: 26 nov. 2013. 111 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Os critérios utilizados pelos naturalistas europeus no século XIX para estabelecer o conceito de raça foram: cor da pele e critérios morfológicos como formato do nariz, dos lábios, do queixo, do crânio, o ângulo facial etc. Não é possível dividir a humanidade em raças, pois a complexidade da diferenciação genética não permite que a humanidade seja cientificamente dividida em raças. Assim, o conceito de raça não tem validade biológica. O autor afirma que o conceito de raça é carregado de ideologia, pois, de acordo com o texto, ao se considerar elementos culturais, psicológicos e intelectuais para classificar raças, cria-se uma hierarquia valorativa por meio da qual é possível estabelecer quem é “melhor” ou “pior”, “superior” ou “inferior” que outros. Se geneticistas consideram raça um conceito biologicamente ultrapassado, a sociedade deve romper com classificações criadas com o intuito de gerar hierarquias, responsáveis por justificar formas de dominação de um povo sobre outros. As sociedades devem, portanto, respeitar-se, compreendendo que as diferenças entre os povos manifestam-se pela diversidade cultural e que cada indivíduo é único e como tal deve ser compreendido como mais um membro da espécie humana, dentro do contexto socioeconômico e cultural em que vive. LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO 112 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Comparando os dados de 1999 com os de 2009, qual é a grande mudança na distribuição étnico-racial da população brasileira, observa-se que há diminuição no número de brancos e aumento significativo do número de pardos. Os dados de 2009 demonstram que mais pessoas em nosso país estão assumindo sua cor de pele, abrindo mão, assim, de uma ideologia de cunho racista que as fazia desvalorizar a própria cor. Em parte, isso ocorre na nossa sociedade em um contexto histórico de fortalecimento do movimento negro e de uma transformação positiva da imagem pública das pessoas desse grupo, que sofrem preconceito ainda hoje. Podem surgir respostas que justifiquem essa mudança na distribuição étnico-racial pelo aumento da miscigenação entre negros e brancos. LIÇÃO DE CASA O gráfico da Figura 4 apresenta os efeitos da expansão educacional no Brasil, mas importantes disparidades podem ainda ser observadas. A proporção de jovens estudantes brancos de 18 a 24 anos de idade que frequentavam o Ensino Médio diminuiu; em contrapartida, os jovens estudantes pretos ou pardos na mesma faixa etária mantêm a frequência nesse nível. Também pode se observar o aumento da frequência no ensino superior dos jovens pretos ou pardos. Porém, espera-se que os alunos relacionem a discriminação racial e a desigualdade social como fatores que influenciam o acesso dos brasileiros à educação. 113 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES No Brasil, negros e mulheres ficam mais tempo desempregados, diz estudo Negros e mulheres são os grupos que ficam mais tempo desempregados no Brasil, segundo pesquisa feita pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). [...] O desemprego subiu para 6% em junho, maior nível desde abril de 2012, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De acordo com o Dieese, 53,9% dos trabalhadores que procuram emprego há menos de um ano são mulheres e 53,3%, negros. A taxa aumenta entre os desempregados há mais de um ano: nesta situação, 63,2% são mulheres e 60,6%, negros. Ainda conforme a pesquisa, trabalhadores com ensino médio completo ou superior incompleto são a maior parcela dos que estão desempregados há muito tempo, representando 46,2% do total. Nota: O segmento de negros é composto por pretos e pardos e o de não negros engloba brancos e amarelos. Fonte: Portal de notícias Uol. Disponível em: <http://economia.uol.com.br/empregos-ecarreiras/noticias/redacao/2013/08/19/no-brasilnegrose-mulheres-ficam-mais-tempo-desempregados-diz-estudo.htm>. Acesso em: 13 dez. 2013. A miscigenação das etnias não permite afirmar a existência de uma “democracia racial” no Brasil, pois, o fato de haver uma forte miscigenação entre brancos e não brancos no Brasil não garante que exista uma verdadeira democracia. O contraste entre brancos e não brancos estende-se para outras informações – relativas às etnias e sua condição social (por exemplo, homens brancos são os que ganham salários mais elevados em todas as faixas etárias, homens negros são as maiores vítimas da violência urbana e homens pardos de 30 a 59 anos representam maior número de analfabetos) –, nota-se que a democracia, no que diz respeito à cor da pele, somente poderá ser construída por meio de mudanças socioeconômicas e culturais profundas. Em outras palavras, para deixar de ser um mito e passar a ser realidade, a democracia exige que os não brancos adquiram igualdade de condições no mercado de trabalho, nível de escolaridade, acesso à renda, entre outros, compatíveis com aqueles observados para os brancos. Há, ainda, a necessidade de deixarem de ser vistos socialmente por meio de estereótipos e preconceitos. 114 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES VOCÊ APRENDEU? Com base nos mapas das próximas páginas e em seus conhecimentos, responda à questão a seguir. Segundo o critério da cor da pele adotado pelo IBGE, a distribuição da população brasileira pode ser compreendida se forem considerados também os processos de povoamento e ocupação do território nacional. Assinale a alternativa que expressa essa relação corretamente. a) A maior concentração de população preta está no Nordeste e a de pardos, no Norte e no Nordeste, legado de uma intensa concentração escravagista africana que, desde meados do século XVI, predominou nas duas regiões devido à antiga cultura canavieira. b) No Centro-Oeste há certo equilíbrio entre as populações branca e parda por causa dos descendentes de povos europeus e orientais que se dirigiram à região ao longo do século XX, para se dedicar à colonização de novas terras. c) A porcentagem de população preta no Sul do país é expressiva perante as demais regiões e reflete um processo de colonização e povoamento similar ao de outras regiões brasileiras, principalmente com a presença de negros. d) Os brancos são maioria nas regiões Sul e Sudeste, devido à grande concentração de descendentes de europeus (principalmente italianos e alemães) ou de outros povos de cor branca (por exemplo, árabes). e) A maior parcela das populações indígena e parda está no Norte, o que se deve à intensa mestiçagem ocorrida a partir da construção da Rodovia Transamazônica. 115 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 116 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2 A DINÂMICA DEMOGRÁFICA CARTOGRAFIA PESSOAL Eu nasci na cidade de Marilia /SP – Brasil. Meu pai nasceu na cidade de Marilia /SP – Brasil. Minha mãe nasceu na cidade Marilia /SP – Brasil. Meu avô paterno nasceu na cidade de Barcelona / Espanha . Meu avô materno nasceu na cidade de Marilia /SP – Brasil. Minha avó paterna nasceu na cidade Barcelona / Espanha . Minha avó materna nasceu na cidade de Marilia /SP – Brasil. Meu avô materno teve sete irmãos. Meu avô paterno teve oito irmãos. Minha avó materna teve cinco irmãos. Minha avó paterna teve nove irmãos. Minha mãe teve dois irmãos. Meu pai teve oito irmãos. Eu tenho um irmãos. Pretendo ter dois filhos Houve movimentos migratórios de uma geração para outra por parte de meus avós paternais que imigraram da Espanha para o Brasil em meados do século XX. O número de filhos diminuiu de uma geração para outra, devido ao planejamento, cuja preocupação dos pais era de proporcionar a seus filhos melhores condições de vida. LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO E TABELA Com base nos dados do gráfico, não é possível afirmar que a população brasileira está passando por uma explosão demográfica, pois, o gráfico mostra que o elevado crescimento 117 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES ocorreu na década de 1890. E entre as décadas de 1940 e 1960 houve um período de aumento da taxa de crescimento populacional em decorrência da queda da mortalidade resultante dos avanços da medicina, como o surgimento dos antibióticos e a popularização de formas de prevenção com as vacinações em massa. A partir da década de 1960, com a redução da natalidade, iniciou-se um declínio do crescimento populacional brasileiro mostrado pelas quedas percentuais de 27,7%, em 1980, para 12,3%, em 2010. De acordo com projeções do IBGE entre 2010 e 2020 o crescimento populacional brasileiro deverá atingir 13,6%; somente em 2043 a população voltará a diminuir. Na “cartografia” da turma, a variação do número de filhos de uma geração para outra reflete, de certa forma, a situação do crescimento populacional brasileiro representada no gráfico, devido a diminuição no crescimento populacional brasileiro representado no gráfico. Caso essa tendência não se confirme, é importante discutir fatores sociais e econômicos locais que possam ter influenciado o resultado. 118 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES As variáveis são utilizadas para determinar o crescimento natural ou vegetativo da população de um país são: as taxas de natalidade e de mortalidade. O crescimento vegetativo é o resultado da diferença entre as taxas de natalidade e de mortalidade a cada mil habitantes. Por exemplo, no período 1872-1890, o crescimento vegetativo era de 16,3 (46,5 de natalidade por mil e 30,2 de mortalidade por mil). A taxa de mortalidade expressa a proporção entre o número de óbitos e a população absoluta de um lugar, em determinado intervalo de tempo. A taxa de natalidade expressa a proporção entre o número de nascimentos e a população absoluta de um lugar, em determinado intervalo de tempo. O crescimento da população brasileira no final do século XIX (1890) e início do século XX foi impactado pelo ingresso de imigrantes. No início dos anos 1930, poucos meses depois de assumir o poder, o presidente Getúlio Vargas baixou um decreto limitando a entrada de estrangeiros no Brasil e, a partir de 1934, a chegada de imigrantes ao Brasil diminuiu significativamente, em consequência de diversos fatores. Em primeiro lugar, a crise cafeeira provocou sérios danos à economia brasileira no final dos anos 1920, gerando desemprego e tensão social, ampliados pelas instabilidades causadas pelas revoluções de 1930 e 1932. Em 1934, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas, foi assinada a Lei de Cotas de Imigração, que permitia o ingresso de apenas 2% do total de imigrantes que haviam entrado no Brasil nos últimos 50 anos (exceção feita aos portugueses). Tais fatores explicam a redução do incremento populacional ocorrida entre as décadas de 1920 e 1930. LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO 119 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES O período de grande crescimento vegetativo ocorreu entre as décadas de 1940 e 1960, quando as taxas de natalidade aumentaram e houve redução acentuada nas taxas de mortalidade, gerando, em consequência, grande crescimento vegetativo ou natural da população brasileira. Tais fatores resultaram da revolução da tecnologia bioquímica, do aumento do número de pessoas com acesso à rede médicohospitalar, às vacinações em massa e à melhoria das condições sanitárias que contribuíram de forma significativa para a queda acentuada das taxas de mortalidade. Essa queda e a permanência de elevadas taxas de natalidade, entre 1940 e 1960, explicam o elevado crescimento vegetativo verificado no período. O número de filhos por mulher diminuiu de 6,2, em 1940, para 1,8 filho por mulher em 2013. No geral, o gráfico Crescimento populacional brasileiro entre 1890 e 2010 e projeção para 2020 mostra uma diminuição contínua no crescimento populacional, a partir da década de 1960. Ressaltando que em 1960 houve um pequeno aumento na taxa de fecundidade e um aumento no crescimento populacional em comparação à década anterior. Segundo o IBGE, uma taxa de fecundidade inferior a 2,0 filhos por mulher não garante a reposição da população atual, demonstrando uma tendência de 120 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES que o número de habitantes poderá diminuir em números absolutos. O gráfico demonstra como as taxas de fecundidade diminuem sensivelmente conforme aumentam os anos de estudo das mulheres. Percebe-se que as regiões Norte, CentroOeste e Nordeste apresentam as maiores taxas de fecundidade nas mulheres sem instrução e Fundamental incompleto, ou seja, as mulheres de menor escolaridade apresentam as maiores taxas de fecundidade. O mesmo pode ser verificado nas taxas de fecundidade em outras regiões do Brasil. Uma variável socioeconômica relacionada à fecundidade refere-se à escolaridade da mulher. De modo geral, as diferentes taxas de fecundidade entre as regiões brasileiras são explicadas pelas diferenças regionais de desenvolvimento econômico, o que implica maior nível educacional da população. A redução nas taxas de fecundidade é explicada pelo aumento da urbanização e, portanto, pelo maior acesso aos meios contraceptivos, pela melhoria no nível educacional da população, pela significativa presença da mulher no mercado de trabalho, entre outros fatores. A redução do número médio de filhos por mulher vem ocorrendo em todo o mundo. Particularmente no Brasil, iniciou-se com as mulheres das classes média e alta dos centros urbanos do Sul e do Sudeste – que apresentavam maior taxa de escolarização e tinham mais acesso às informações – e, pouco a pouco, atingiu as demais classes sociais e regiões (estendendo- se, atualmente, pelas áreas rurais). 121 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO E MAPA A expressão “transição demográfica” pode ser definida como a transição entre um modelo demográfico marcado pela alta natalidade e mortalidade para outro, caracterizado pela baixa natalidade e mortalidade. Na Fase I da Transição Demográfica, ocorre a redução das taxas de mortalidade e registra-se um elevado crescimento vegetativo da população. Na Fase II, ocorre uma redução das taxas de natalidade, e, consequentemente, do crescimento vegetativo. Por último, na Fase III, período pós-transicional, característico de um regime demográfico moderno, as taxas de mortalidade e de natalidade apresentam-se reduzidas. Países que já concluíram sua transição demográfica, que se encontram na Fase III: Japão, países europeus, Estados Unidos da América, Canadá etc. Fase II, caracterizada por crescimento populacional lento: os países latino-americanos, com exceção de Bolívia, Belize, Guatemala, Honduras, Nicarágua (todos na Fase I), e Uruguai e Cuba que estão na Fase III. Na Fase I encontram-se grande parte dos países africanos e do Oriente Médio. Também na Ásia temos Iêmen, Afeganistão, Nepal, Butão, Bangladesh, Camboja e Laos. Em geral a Fase III ocorre em países onde há desenvolvimento econômico ou em nações antigas e também 122 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES os atuais e ex-países socialistas, que priorizaram ações voltadas para a educação, saúde e mesmo planejamento familiar. Os países que se encontram na Fase I são pobres, em sua maioria com população predominantemente rural, com pouca infraestrutura e ações concretas em termos educacionais e de assistência à saúde. Os fatores são responsáveis pela manutenção de vários países africanos na Fase I, cuja, situação de pobreza como um dos fatores das altas taxas de natalidade e de mortalidade, além da falta de infraestrutura e os conflitos armados, comuns nessa região. São necessárias várias ações, como investimentos em saneamento básico, saúde, educação etc. O Brasil está caminhando para a última fase, que se caracteriza pela diminuição acentuada das taxas de natalidade e de fecundidade e, consequentemente, pelo crescimento populacional moderado. Segundo estimativas, nos próximos anos a taxa de natalidade deverá ser inferior a 20%, e a de fecundidade deverá declinar ainda mais. LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO Com base nas semelhanças visuais das estruturas etárias das pirâmides do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul, apresentadas na Figura 12, podem ser distribuídas em cinco países em dois grupos. Grupo 1 - Brasil, Índia e África do Sul – Características da estrutura etária = Base larga, corpo médio e topo estreito. No Brasil verifica-se o aumento de adultos e uma leve diminuição no número de jovens. Grupo 2 - Rússia e China - Características da estrutura etária = China e Rússia apresentam base menor que o corpo da pirâmide, resultado de baixas taxas de natalidade, e com número significativo de idosos. As pirâmides da Rússia e da China mostram uma estrutura etária mais envelhecida, contrastando com a estrutura jovem da Índia. A pirâmide russa apresenta maior quantidade de mulheres do que de homens, principalmente nas faixas acima dos 65 anos, em virtude dos vários conflitos internos e das guerras pelos quais o país passou em sua história, o que afetou diretamente o contingente masculino. 123 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A análise do comportamento da pirâmide brasileira evidencia uma diminuição da base e um maior alargamento do contingente de população em idade adulta, o que sinaliza a passagem da Fase II para a Fase III da transição demográfica. Deve-se também considerar que as quedas dos níveis de fecundidade e mortalidade nos últimos 40 anos evidenciam essa fase de transição, fazendo que o desenho de sua pirâmide etária apresente mudanças ao longo do tempo, passando de uma estrutura jovem nas décadas de 1960, 1970 e 1980, para uma menos jovem apresentada em 2010. Ressalta-se que a dinâmica demográfica brasileira influi diretamente nas políticas públicas de planejamento e de atendimento social. A análise da pirâmide etária oferece diversas informações sobre a população de um país, como a quantidade e a distribuição de habitantes por faixa etária, a proporção por sexo e a porcentagem de pessoas em idade produtiva (ou seja, as que se encontram entre 10 e 65 anos) no total da população. 124 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LIÇÃO DE CASA O processo de transição demográfica, que ocorre aceleradamente no Brasil, além de ser determinante no tamanho populacional, também altera a estrutura por idade da população. Esse processo se dá de forma generalizada em cada uma das regiões brasileiras, mas ainda se mantêm diferenciais regionais, que refletem suas desigualdades socioeconômicas. As regiões Sudeste e Sul, que se encontram mais adiantadas no processo de transição demográfica, apresentam os maiores índices. Os valores mais baixos nas regiões Norte e CentroOeste refletem a influência das migrações, atraindo pessoas em idades jovens, muitas vezes acompanhadas de seus filhos. Assim as transformações nos movimentos migratórios também têm grande influência nas mudanças demográficas, com impacto tanto nas populações de origem quanto nas de destino. Além disso, a Região Norte apresenta taxa de fecundidade superior à média nacional, o que ajuda a explicar o índice. Quanto ao Índice de Envelhecimento, ele contribui para entender as tendências da dinâmica demográfica e acompanhar a evolução do ritmo de envelhecimento da população, comparativamente entre regiões geográficas, e subsidiar a formulação, gestão e avaliação de políticas públicas nas áreas de saúde e previdência social. 125 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES VOCÊ APRENDEU? A dinâmica demográfica brasileira modificou-se ao longo do tempo. Interprete o gráfico a seguir, relativo ao período de 1872 a 2010. Avalie as afirmativas em relação às mudanças representadas no gráfico. I. Considerando-se o período de 1970 a 2010, pode-se afirmar que houve uma redução no crescimento vegetativo do país, processo em grande parte relacionado ao acesso da população aos métodos contraceptivos, à urbanização e à maior participação da mulher no mercado de trabalho. II. A partir da crise da década de 1980, amplas políticas governamentais de controle da natalidade resultaram na queda do crescimento vegetativo e no ingresso do país na fase mais avançada da transição demográfica. III. Considerando o período de 1970 a 2010, verifica-se que ocorreu um desequilíbrio entre as taxas de natalidade e de mortalidade, provocando um elevado aumento populacional, em virtude dos avanços da medicina, do aumento da taxa de fecundidade e da maior participação da mulher no mercado de trabalho. IV. Em meados do século XX, a redistribuição espacial da população, pelo crescimento da migração campo-cidade, e a aceleração do processo de urbanização foram fatores que contribuíram de maneira expressiva para a redução das taxas de natalidade. Além disso, sobretudo a partir de 1970, as maiores taxas de escolarização e a inserção da mulher no mercado de trabalho contribuíram para maior redução das taxas de fecundidade. As afirmativas corretas são indicadas pela opção: a) I e II. b) III e IV. c) I e IV. d) II , III e IV. e) I , II, III e IV. 126 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3 O TRABALHO E O MERCADO DE TRABALHO Para começo de conversa É cada vez maior o número de brasileiras que também trabalha fora de casa, aumentando o orçamento familiar ou sendo elas mesmas chefes de suas famílias. LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO, MAPA E TEXTO 127 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES De acordo com o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), ao longo dos últimos anos (1999-2009), aumentou o número de famílias formadas por casais com filhos e chefiadas por mulheres, existiam 4,1 milhões de famílias chefiadas por mulheres, o que as torna protagonistas nos últimos anos de uma grande mudança em curso no mercado de trabalho brasileiro. Os dados apresentados no mapa e no texto revelam uma mudança histórica nas relações familiares até então patriarcais, em que o homem era considerado o grande provedor, para uma nova realidade, na qual o papel da mulher torna-se cada vez mais reconhecido como participante na renda familiar e provedora individual de grande parte das famílias. O aumento da proporção de famílias chefiadas por mulheres é um fenômeno tipicamente urbano. Além das mudanças nas relações familiares, o processo de migração campo-cidade (êxodo rural), o consecutivo aumento da população urbana, onde o custo de vida é mais alto, o que contribui para a entrada da mulher no mercado de trabalho para auferir uma renda familiar maior, muitas passam também por “dupla jornada” de trabalho, uma fora de casa, e outra quando retornam ao lar e ainda se dedicam aos afazeres domésticos, enfrentam a desvalorização salarial e até mesmo o desemprego. 128 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANÁLISE DE GRÁFICO De acordo com o IBGE, denomina-se População Economicamente Ativa (PEA) o conjunto da população em idade produtiva, entre 10 e 65 anos, e que trabalha em atividades remuneradas, considerando-se tanto indivíduos ocupados (com trabalho) quanto desocupados (sem trabalho, mas que tomam alguma providência efetiva no sentido de procurar trabalho). Essa definição do IBGE pode ser discutida, pois, a Constituição brasileira não permite o trabalho infantil. A Constituição determina a idade mínima de l4 anos para a admissão ao trabalho e proíbe qualquer trabalho a menores de 14 anos, salvo na condição de aprendiz. O setor primário inclui a agricultura, a pecuária, a caça, a pesca e as explorações florestais; o setor secundário abrange a atividade industrial, incluindo as indústrias de transformação de bens de consumo e de produção e a de construção civil, e a extração mineral; o setor terciário agrupa as atividades relacionadas à prestação de serviços (bancos, transporte, saúde, educação, profissões liberais, funcionalismo público etc.) e ao comércio. Entre as décadas de 1940 e 1960 a população brasileira era predominantemente rural, concentrada no setor primário. Com a aceleração da industrialização, principalmente a partir da década de 1970, associada à mecanização agrícola, ao êxodo rural, à urbanização, à permanência de uma estrutura fundiária concentrada e ao difícil acesso à terra, esse perfil se 129 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES alterou. Houve, então, um crescimento dos setores secundário e terciário e uma diminuição da população no setor primário. Após a década de 1980, a automação industrial provocou novas alterações na distribuição da população pelos setores da economia. A partir daí, a concentração tornou-se ainda maior no setor terciário, que absorveu a mão de obra egressa das indústrias. Além disso, surgiram novos serviços resultantes das tecnologias da informação e novas formas de administração alocadas no setor terciário. O gráfico mostra os percentuais de participação de homens e mulheres nos grupos de atividade, em relação à população ocupada do grupamento. Observa-se a elevada participação das mulheres na administração pública e, sobretudo, nos serviços domésticos. Comparado com os índices de 2003, os crescimentos mais relevantes nas participações das mulheres ocorreram no comércio, nos serviços prestados a empresas e nos outros serviços. Nas atividades em que historicamente há predomínio, seja de homens ou de mulheres, praticamente não ocorreram alterações, como na construção, com os homens, e nos serviços domésticos, com as mulheres. A situação das mulheres no mercado de trabalho ainda é desigual quando comparada com a dos homens. De maneira geral, as mulheres enfrentam grandes dificuldades no mercado de trabalho, em muitos casos com rendimentos menores do que o dos homens. O mercado de trabalho ainda é discriminatório em relação às mulheres por vários motivos, como: tendência em pagar salários menores às mulheres em 130 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES comparação aos homens que ocupam o mesmo cargo; dificuldade de aceitar a participação feminina em cargos ou funções executivas, de alta administração ou de gerenciamento; reação negativa ao acúmulo de funções familiares e de trabalho; afastamento do posto de trabalho devido às licenças-maternidade. VOCÊ APRENDEU? Em 1970, o trabalho feminino correspondia a 21% da População Economicamente Ativa (PEA) brasileira. Em 2011, segundo dados da Pesquisa Mensal do Emprego – 2003-2011, realizada pelo IBGE, esse percentual saltou para 46,1%. Entre outros fatores, o aumento significativo das mulheres no mercado de trabalho se deve: a) à igualdade profissional conquistada pelas mulheres perante os homens no mercado de trabalho, com acentuada redução das disparidades dos ganhos salariais entre eles. b) ao aumento da industrialização brasileira e à consequente expansão das oportunidades de trabalho no setor secundário, com melhor remuneração para as mulheres. c) ao maior nível de escolarização da população feminina no período, o que favorece sua ocupação em atividades mais qualificadas e mais bem remuneradas, tanto para as brancas como para as demais categorias segundo a cor da pele nos dados do IBGE. d) à necessidade de a mulher trabalhar fora de casa para aumentar o orçamento familiar e pelo fato de muitas famílias serem chefiadas exclusivamente por mulheres. e) à maior escolaridade das mulheres quando comparada à dos homens e à queda da taxa de fecundidade, fatores que evitam a situação de desemprego como ocorre com grande parcela das mulheres negras. 131 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4 A SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL E A EXCLUSÃO SOCIAL LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO Desenvolvimento Humano [...] O crescimento econômico de uma sociedade não se traduz automaticamente em qualidade de vida e, muitas vezes, o que se observa é o reforço das desigualdades. É preciso que este crescimento seja transformado em conquistas concretas para as pessoas: crianças mais saudáveis, educação universal e de qualidade, ampliação da participação política dos cidadãos, preservação ambiental, equilíbrio da renda e das oportunidades entre toda a população, maior liberdade de expressão, entre outras. Assim, ao colocar as pessoas no centro da análise do bem- estar, a abordagem de desenvolvimento humano redefine a maneira com que pensamos sobre e lidamos com o desenvolvimento – nacional e localmente. O conceito de desenvolvimento humano, bem como sua medida, o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH, foram apresentados em 1990, no primeiro Relatório de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, idealizado pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq e com a colaboração e inspiração no pensamento do economista Amartya Sen. A popularização da abordagem de desenvolvimento humano se deu com a criação e adoção do IDH como medida do grau de desenvolvimento humano de um país, em alternativa ao Produto Interno Bruto, hegemônico à época como medida de desenvolvimento. O IDH reúne três dos requisitos mais importantes para a expansão das liberdades das pessoas: a oportunidade de se levar uma vida longa e saudável – saúde –, ter acesso ao conhecimento – educação - e poder desfrutar de um padrão de vida digno – renda. [...] Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil 2013. Disponível em: <http://atlasbrasil.org.br/2013/pt/o_atlas/desenvolvimento_humano>. Acesso em: 10 mar. 2014. 132 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à desigualdade (IDHAD) O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ponto central do Relatório de Desenvolvimento Humano que é elaborado, desde 1990, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), surgiu como uma proposta de se qualificar o desenvolvimento das nações a partir de índices que superavam, do ponto de vista dos criadores do IDH (Mahbub ul Haq e Amartya Sen), a qualificação das nações a partir da noção simplista de Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Como vimos no texto anterior, esses índices referem-se a uma vida longa e saudável (saúde), acesso ao conhecimento (educação) e padrão de vida (renda) medido pela Renda Nacional Bruta (RNB). A partir da junção desses três índices, chega-se ao valor do IDH, que é medido na escala entre 0 e 1, e que classifica as nações em quatro grupos: IDH muito elevado, IDH elevado, IDH médio e IDH baixo. Em 2011, considerando-se as críticas de que o IDH também tendia a uma análise simplista das nações, o PNUD trouxe novas variáveis ao Relatório de Desenvolvimento Humano, que são consolidadas no Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à desigualdade (IDHAD). Nesse índice, considera-se a desigualdade de renda que ocorre internamente ao território das nações, a mortalidade infantil e a pobreza de rendimentos. O Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à Desigualdade (IDHAD) tem o objetivo de estudar a distribuição do nível médio do desenvolvimento humano em relação à esperança de vida, ao nível de escolaridade e ao controle sobre os recursos. A maior diferença entre o IDH e o IDHAD indica a existência de desigualdades. Com o IDHAD, as nações por ele avaliadas ganham classificação paralela à classificação do IDH. Por exemplo, de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano 2013, com um IDH de 0,730, o Brasil alcançou a 85a posição entre os 188 países analisados pelo PNUD, ficando dentro do grupo dos países com IDH elevado. No entanto, quando avaliado do ponto de vista do IDHAD, o Brasil alcançou a pontuação de 0,531, ficando atrás de países como Jordânia, China, Gabão, Moldávia e Uzbequistão, que possuem IDH inferior ao do Brasil e pertencentes ao grupo de IDH médio. Referência Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 – Ascensão do Sul: Progresso Humano num Mundo Diversificado. Disponível em: <http://hdr.undp.org/en/2013-report>. Acesso em: 23 abr. 2014. Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola. 133 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Existe desenvolvimento humano com desigualdade social profunda? O Brasil melhorou no IDH, mas ainda está longe de ocupar uma posição próxima à sua proeminência como sexta maior economia do mundo. Por Jorge Abrahão* O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (Pnud) divulgou, no último dia 24 de julho, o relatório sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 2014, relativo ao ano de 2013. Aplicado pela primeira vez em 1990, o IDH mede o nível de bemestar mínimo da população de 187 países, por meio de três critérios: expectativa de vida; média de anos de estudo; e renda nacional bruta per capita. O IDH varia de 0 a 1 e, quanto mais perto do 1, melhor é o desenvolvimento humano do país. Dessa forma, o Pnud conseguiu encontrar um parâmetro de comparação entre as condições de vida das populações fora dos indicadores econômicos tradicionais e, com isso, fazer com que as discussões sobre combate à pobreza, redução das desigualdades e equilíbrio ambiental entrassem constantemente na pauta de trabalhos dos diversos organismos da ONU e também na agenda internacional. Não é possível comparar os dados do início dos anos 2000 com os atuais, porque a metodologia utilizada pelo Pnud para coleta de dados mudou a partir de 2010. Naquele ano, foram introduzidos indicadores complementares para aferição de desigualdades de renda, de gênero, enfim, de disparidades entre a população. Essa mudança foi feita porque, ao longo dos anos, o Pnud verificou uma sensível melhora no IDH dos países, principalmente dos mais pobres. Mas percebeu um ritmo mais lento desse crescimento a partir da crise financeira de 2008. Então, introduziu mudanças para verificar como ficava a desigualdade na sociedade, mesmo perante um quadro de melhoria do desenvolvimento humano no país. Pois havia concluído, acertadamente, que a desigualdade crônica restringe o progresso social. Desigualdade interfere no desenvolvimento humano A edição de 2014 – com dados referentes a 2013 – é o primeiro em que foi possível verificar o impacto da crise. E a conclusão do Pnud é que os fatos de 2008 tiveram impacto direto no desenvolvimento humano. Dos 187 países analisados, 144 tiveram um crescimento baixo no IDH, inclusive o Brasil, e a tendência é de desaceleração em todos os países e em todos os indicadores – expectativa de vida, educação e renda per capita. O Pnud apurou, inclusive, que os menores aumentos no índice ocorreram nos países europeus e, analisando cada indicador em separado, o recuo de renda também foi maior na Europa, bem como nos países árabes e na Ásia Central (Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão, Uzbequistão e parte do Irã, da China, do Afeganistão, da Índia, do Paquistão e da Rússia). 134 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Os países que mais incrementaram o IDH em 2013/2014 foram os que apresentam os mais baixos níveis de desenvolvimento humano, como Burundi, Burkina Fasso e Afeganistão, e aqueles que mantiveram políticas econômicas e fiscais que não sacrificam o emprego e a renda, como boa parte da América Latina, a Alemanha e a Polônia. Mesmo com essa desaceleração, o ranking do IDH não sofreu profundas alterações nesta rodada. A liderança continua sendo da Noruega, com IDH de 0,944; em segundo lugar está a Austrália, com 0,933; em terceiro, a Suíça, com 0,917; em quarto lugar, os Países Baixos, com 0,915; e, em quinto, os EUA, com 0,914. Se esses índices fossem ajustados pela desigualdade, que o Pnud mede pela distância da renda entre ricos e pobres, os EUA despencariam 23 posições, passando a ocupar o 28º lugar. O México, que está em 71º lugar, iria para o 84º. Já a Alemanha, que está em sexto lugar, subiria para o quinto. E a Sérvia iria do 77º lugar para o 55º. E o Brasil? As políticas públicas de compensação de renda, de recuperação do salário mínimo e de emprego utilizadas pelo país foram novamente bastante elogiadas pelo Pnud. Mas o órgão argumentou que a desigualdade ainda é muito grande. O IDH do Brasil foi de 0,744, número que dá ao país o 79º lugar entre as 187 nações avaliadas. Ajustado pela desigualdade, nosso índice cairia para o 95º lugar. Ainda frequentaríamos o ranking dos países de desenvolvimento humano “elevado”, mas na incômoda posição de estarmos quase no limite de regredirmos ao “desenvolvimento médio”. Houve uma certa polêmica colocada pelo governo a respeito dos dados utilizados pelo Pnud para realizar o cálculo do IDH brasileiro, os quais foram considerados muito antigos. Mas o que importa é que todos nós sabemos que a desigualdade em nosso país ainda é enorme e precisa ser enfrentada. Não é à toa que um grupo de entidades, entre as quais o Instituto Ethos, está elaborando a Agenda Brasil Sustentável, cujo conteúdo já vem sendo comentado por nós aqui neste espaço. O foco dessa agenda é, justamente, combater a desigualdade por meio da construção de uma economia inclusiva, verde e responsável e de uma sociedade cada vez mais democrática, com espaço institucional de participação cidadã nas decisões. É a cidadania que precisa encontrar as respostas para perguntas que se colocam. Estamos melhorando a qualidade de vida na velocidade que queremos? E a desigualdade de renda? Querer um carro novo (que está sendo subsidiado) implica atraso em outras políticas públicas mais importantes, que atendam o coletivo, como as de saúde e educação? Quanto mais precisamos aprofundar as mudanças estruturais, como política fiscal com juros mais baixos, para dividir mais e melhor a riqueza que todos estamos produzindo? * Jorge Abrahão é diretor-presidente do Instituto Ethos. 25/7/2014 http://www3.ethos.org.br/cedoc/existe-desenvolvimento-humano-com-desigualdade-socialprofunda/#.VXDVJU1FCUk 135 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANÁLISE DE IMAGEM FORMAS DE SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL ENCONTRADAS NAS CIDADES BRASILEIRAS. Segregação socioespacial Nem todos os citadinos têm boas condições de vida toda cidade tem um espaço urbano fragmentado e com diferenciação em sua forma e função. Em muitas cidades, principalmente os grandes centros urbanos, existem diversos “centros” dentro de um mesmo espaço urbano: comerciais, industriais, de lazer, de moradia, etc. Dessa maneira, o espaço urbano vai se fragmentando cada vez mais. Mas não só no aspecto econômico a cidade vai se fragmentando. No aspecto social também. Na verdade, o social e o econômico estarão sempre unidos. O poder público tem grande responsabilidade por essa fragmentação urbana. Em vez de buscar manter certa homogeneidade entre os espaços da cidade, ele faz o contrário. Assim, determinados espaços da cidade possuem melhores condições de infraestrutura e outros não. Algumas partes da cidade recebem bom tratamento de esgoto, rede de água, iluminação pública e transporte coletivo de qualidade. 136 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Em outras partes, a população residente não tem asfalto, coleta de lixo, tratamento de esgoto, água encanada, etc. Logicamente, os bairros e os lugares com melhores condições de infraestrutura serão mais valorizados economicamente e se localizarão próximos ao centro da cidade. A população mais pobre não consegue residir nesses locais por não conseguir comprar ou mesmo alugar uma casa nesse bairro valorizado. Espacialmente, os bairros menos valorizados estão localizados na periferia da cidade, lugares distantes do centro (onde se encontra a maior parte dos serviços e comércio). Ocorre ainda outro processo complementar: além de ser obrigada a morar em lugares distantes, a população ainda sofre com a dificuldade de acesso a equipamentos públicos de lazer ou administrativos, tais como parques ou áreas verdes, hospitais, escolas, creches, praças, etc. Esse conjunto de fatores é denominado segregação socioespacial. Ou seja, camadas de população são levadas a morar em lugares distantes, com dificuldades de deslocamento a lugares centrais, seja comércio ou local de trabalho, além de serem desprovidas de equipamentos públicos. A segregação vai estar ligada, portanto, ao uso e ao preço do solo urbano, fazendo com que a população de camadas sociais mais baixas more em lugares longínquos do centro. Assim, existe a dificuldade de acesso aos bens e serviços do espaço urbano. Esse fenômeno é facilmente perceptível na paisagem urbana. Olhe para sua cidade e veja como está ocorrendo a segregação socioespacial. Uma forma de combater essa segregação é a sociedade civil se organizar e reivindicar seus direitos, previstos na Constituição Federal. Do contrário, esse processo só tende a se agravar. Por Regis Rodrigues de Almeida http://www.alunosonline.com.br/geografia/segregacaosocioespacial.html 137 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES VOCÊ APRENDEU? 1. Unicamp 2002 – “Recentemente o shopping center RioSul – o primeiro a ser construído na cidade do Rio de Janeiro – foi invadido por um grupo de 130 pessoas formado por semteto, favelados, estudantes e punks. Os manifestantes, com esta invasão pacífica, inauguraram uma forma nova de protesto.” (Adaptado de Folha de S. Paulo, 05/08/2000.) a) Relacione essa manifestação ao exercício da cidadania e às formas de organização espacial das cidades contemporâneas. a) A cidade contemporânea segrega de forma socioeconômica as camadas mais empobrecidas da sociedade. Essas camadas vivem a margem da sociedade, discriminadas no exercício da sua cidadania, em áreas sem infra-estrutura onde o acesso à melhoria de vida e aos locais de consumo e lazer é dificultado. b) Além do shopping center, cite outro exemplo de segregação socioespacial no meio urbano. Justifique sua resposta. b) Os conjuntos habitacionais para grupos de baixa renda, como o Cingapura ou COHABs, onde a população é confinada. Em habitações de baixo padrão em uma arquitetura monótona onde os locais de lazer, como parques, praças, centros esportivos, culturais e de consumo são precários. 138 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 5 A TECTÔNICA DE PLACAS E O RELEVO BRASILEIRO LEITURA E ANÁLISE DE TABELA E QUADRO 139 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Por que é raro ocorrer terremotos no Brasil? (a ilustração indica, com as setas vermelhas, o sentido de movimento das placas). Tremores de terra ou abalos causados pela liberação de energia acumulada no interior da crosta terrestre não são raridades aqui. Ao contrário: o território nacional sofre cerca de 90 tremores todos os anos. Incomuns, na verdade, são os sismos de grande magnitude porque o país está em uma zona intraplacas tectônicas, com maior estabilidade, afastado das zonas de contato ou de separação de plataformas . Essas áreas de contato são muito instáveis, como é o caso do arquipélago japonês, que sofre com abalos fortes. Mas grandes terremotos já foram registrados aqui. Em 1955, em uma área desabitada no litoral do Espírito Santo, um sismo atingiu 6,2 graus na escala Richter. Ele teria sido devastador se tivesse ocorrido em uma área mais povoada. Diferentemente do terremoto ocorrido em uma área desabitada no litoral do Espírito Santo, em 1955, o terremoto de L’Aquila atingiu uma área urbana de grande concentração populacional. Além disso, que, em L’Aquila, parte da área afetada foi edificada ainda na Idade Média – e que, portanto, a estrutura da cidade era desprovida de materiais e técnicas resistentes aos abalos sísmicos. Esses elementos podem ser indícios relevantes para explicar o número de vítimas na Itália. 140 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO, MAPA E QUADRO A instabilidade da crosta terrestre O interior da Terra guarda mistérios que sempre excitaram a imaginação do ser humano, entre outras razões, porque uma série de eventos que têm origem nessa parte do planeta manifesta-se na superfície e nos atinge, como é o caso dos terremotos e das erupções vulcânicas. Além da imensa produção fantasiosa, foram muitas as teorias que pretenderam explicar os processos que ocorrem no interior da Terra. Uma grande dificuldade empírica e concreta impõe-se de início. O interior do planeta é diretamente inatingível, e todas as informações de que se dispõem são indiretas e difíceis de analisar. Nos últimos tempos, a pesquisa do interior de nosso planeta passou a ser feita pela interpretação de ondas sísmicas que se propagam até a superfície terrestre – pois têm comportamentos distintos ao atravessarem diferentes materiais – e, também, pelo estudo do vulcanismo e dos terremotos. A conclusão a que se chegou é que a crosta terrestre é dinâmica, vem se transformando ao longo do tempo da natureza, e essa transformação pode ser explicada com base na teoria das placas tectônicas. A crosta terrestre é uma fina casca sólida sobre o magma, mas não contínua; ao contrário, trata-se de uma justaposição de placas que se movimentam sobre o magma, e essa movimentação explica grande parte da fisionomia atual da superfície terrestre. Uma referência-chave para essa interpretação teórica nos leva para um passado de mais de 250 milhões de anos, quando os blocos continentais atuais (Eurásia, África, América, Austrália e Antártida) formavam um único e gigantesco bloco: a Pangeia (ou seja, “toda a Terra”). De lá para cá, esse bloco foi se fragmentando e dando origem aos continentes atuais. Nesse processo, os intervalos que surgiram entre os fragmentos continentais foram preenchidos pelas águas, e aí se encontra a origem dos oceanos. Por que a Pangeia se fragmentou? Porque a crosta terrestre é formada de placas que se movimentam. Assim, a estabilidade da crosta é apenas aparente. Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o São Paulo faz escola. 141 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES O autor afirma que uma série de eventos que ocorrem no interior da Terra manifesta-se externamente. Os exemplos citados são: os Terremotos e as erupções vulcânicas. O autor afirma que o interior da Terra guarda mistérios que sempre instigaram a imaginação do ser humano e que há uma enorme dificuldade em se obter respostas para essas inquietações. Isso ocorre porque, o interior do planeta é inatingível fisicamente, e todas as informações de que se dispõe são indiretas e difíceis de interpretar. Considerando a evolução dos estudos geológicos, os cientistas chegaram à conclusão que a crosta terrestre é dinâmica e vem-se transformando ao longo do tempo da natureza, e essa transformação pode ser explicada com base na Teoria da Tectônica de Placas. De acordo com o texto, a referência-chave para chegar a essa interpretação baseia-se na Teoria da Tectônica de Placas. De acordo com essa teoria, há mais de 250 milhões de anos, os blocos continentais atuais (Eurásia, África, América do Norte, América do Sul, Austrália e Antártida) compunham um único e gigantesco bloco: a Pangeia (ou seja, “toda a Terra”). Desse ponto do passado para cá, esse bloco foi-se fragmentando, dando origem aos continentes atuais. Nesse processo, os intervalos que surgiram entre os fragmentos continentais foram preenchidos pelas águas, o que resultou no que denominamos oceanos: Pacífico, Atlântico, Índico, Ártico e Antártico. A fragmentação da Pangeia é resultado do movimento das placas tectônicas, impulsionadas pelas correntes convectivas. IDENTIFICAÇÃO DAS PLACAS QUE ATUAM EM CONTATO COM A PLACA SUL-AMERICANA A oeste, a Placa Sul-americana encontra-se limítrofe à Placa de Nazca; ao norte, faz contato com a Placa Caribenha; a leste, com a Placa Africana; ao sul, com a Placa Scotia; a sudoeste, com a Placa Antártica; e à sudeste, com a Placa Australiana. 142 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES • Terremoto, novembro de 2007, em São Paulo: seu epicentro foi no Chile (se necessário, deve ser usado um mapamúndi de divisão política) e pode-se notar que esse ponto se encontra na área de contato da Placa Sul-americana com a Placa Nazca. • Terremoto, dezembro de 2007, em Itacarambi (MG): como o epicentro foi no próprio local, percebe-se que ele se deu quase no meio da Placa Sul-americana. • Terremoto, abril de 2008, ocorreu no Oceano Atlântico, a 270 quilômetros de São Paulo, na costa brasileira, e seu epicentro se deu no limite externo entre a plataforma continental e a crosta oceânica (ambas componentes da Placa Sul-americana). 143 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES As áreas de maior risco de ocorrência de terremotos na América do Sul estão na região subandina, próxima à costa do Pacífico, na porção extremo oeste do continente, área de contato da Placa de Nazca com a borda ocidental da Placa Sulamericana. As áreas próximas às bordas de contato das placas tectônicas são as mais suscetíveis a terremotos. Conforme se verifica, são essas as regiões de maior incidência de terremotos na América do Sul. O terremoto mais provável de ocorrer foi o terremoto de novembro de 2007, com epicentro no Chile e com repercussão em São Paulo. A probabilidade de novas ocorrências no local explica-se em virtude do movimento convergente nos limites entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-americana. Em geral, o choque resultante desse movimento provoca terremotos de grande magnitude, como o ocorrido em janeiro de 2010. 144 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES O movimento das placas, podem acontecer três situações nas áreas de contato: • As placas se encontrarem e se chocarem (movimento convergente). • As placas se afastarem (movimento divergente). • As placas não se encontrarem nem se afastarem, porque fazem movimentos paralelos (movimentos transcorrente e/ou conservativo). LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO E GRÁFICO 145 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A formação da América do Sul resulta da fragmentação do continente Gondwana, iniciado há 135 milhões de anos, durante o Jurássico. O processo contínuo de separação ampliou-se no cretáceo (65 milhões de anos) e ainda perdura até nossos dias. Além da América do Sul, a fragmentação de Gondwana deu origem à África, ao Oceano Atlântico, à Austrália, à Antártica e à Índia. A região da Placa Sul-americana onde se localiza o atual Brasil não sofreu alguma alteração , pois o território brasileiro localiza-se na porção central da placa. As alterações substanciais no continente ocorreram na porção oeste, quando do encontro da Placa Sul-americana com a Placa de Nazca, que deu origem à Cordilheira dos Andes. O texto ressalta interpretações que procuram explicar que a formação dos Andes teria repercutido em todo o conjunto da Placa Sul-americana. Trata-se de uma repercussão desigual, visto que algumas áreas de rochas menos resistentes foram mais soerguidas do que outras, estas constituídas de rochas mais resistentes. Hipóteses indicam que foi neste momento que teriam ocorrido movimentos orogenéticos que deram origem à Serra do Mar e à Serra da Mantiqueira. No entanto, há pesquisas que revelam indícios de que o relevo da costa leste do Brasil, especialmente na região Sudeste, não teria uma relação tão direta com o soerguimento dos Andes. Portanto, o assunto é controverso. Logo, o território brasileiro, assim como suas formas de relevo atuais, tem, no processo erosivo, a sua principal força dinâmica. 146 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANÁLISE DE MAPA E GRÁFICO 147 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES As principais estruturas do Brasil são os crátons (áreas cratônicas), os dobramentos antigos e as bacias sedimentares. • Crátons (Amazônico, São Francisco e Sul-riograndense): são considerados os terrenos mais antigos do Brasil, formados no Pré-cambriano (entre 4,5 bilhões e 1 bilhão de anos). Apresentam base cristalina e são recobertos por rochas metamórficas bastante erodidas. • Dobramentos antigos (Brasília, Paraguai-Araguaia e Atlântico) formados entre 4 bilhões e 1 bilhão de anos, são áreas que sofreram soerguimento orogenético pré-cambriano. • Bacias sedimentares (Amazônica; do Maranhão e do Paraná): terrenos de formação geológica mais recente (era Cenozoica), compostos de rochas sedimentares. As bacias sedimentares representam 64% do território brasileiro, enquanto as áreas cratônicas e de dobramentos antigos recobrem os 36% restantes. A explicação para essa predominância reside na acumulação de sedimentos resultante do processo erosivo que atuou sobre o território brasileiro no decorrer do tempo geológico. Os minerais metálicos correspondem às maiores riquezas minerais do Brasil e ocorrem em áreas cratônicas de formação proterozoica. Nessas áreas encontram-se minerais metálicos, como ferro, manganês, bauxita e ouro. LIÇÃO DE CASA O geofísico Marcelo Assumpção, da Universidade de São Paulo (USP), está mapeando a estrutura da placa sob o Brasil (a Sul-americana). Já descobriu que ela é mais fina e frágil em algumas regiões, como no Nordeste. Esse fato, somado à provável presença de uma falha tectônica, faz desta a região com mais riscos sísmicos do país. A atividade do interior da Terra chega até a superfície nas áreas descontínuas da crosta terrestre, como as zonas de contato das placas tectônicas. Por essa razão, os terremotos e o vulcanismo são mais intensos nessas áreas. Mas a atividade interna pode se fazer sentir também em pontos frágeis no interior das placas, que é o caso mencionado da Placa Sulamericana, frágil no segmento de crosta oceânica, devido a uma falha geológica. 148 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES VOCÊ APRENDEU? Com relação à estrutura tectônica do território brasileiro, é correto dizer que: a) a costa Leste, por se encontrar na borda da Placa Sulamericana, possui as montanhas mais elevadas do Brasil. b) a fronteira Oeste do Brasil está livre de eventos como tremores por causa da imensa distância da Cordilheira dos Andes. c) a posição do Brasil no interior da Placa Sul-americana explica a baixa ocorrência de eventos sísmicos nos últimos 60 milhões de anos. d) ao Sul do Brasil, as áreas de serras resultam de dobramentos que ocorreram nos últimos 60 milhões de anos e que deram origem também aos Andes. e) o Brasil é instável em termos tectônicos em função das várias fissuras e falhas existentes na Placa Sul-americana, que sustenta a América do Sul. No Brasil, não houve eventos sísmicos importantes nos últimos 60 milhões de anos, diferentemente do que ocorre nos países da borda Oeste da Placa Sul-americana, como o Chile, o Peru etc. 149 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 6 AS FORMAS DE RELEVO BRASILEIRO E AS FUNÇÕES DAS CLASSIFICAÇÕES Para começo de conversa Significado dos seguintes termos: • Relevo: forma da superfície da Terra, modelado, que resulta da interação das forças internas (tectônica) e das forças externas (erosão no sentido amplo). • Modelado: considerado um sinônimo informal de relevo, é a forma da superfície da Terra. • Geomorfologia: trata-se de uma das áreas que compõem a Geografia Física, ao lado da Climatologia, Hidrografia e Biogeografia. Seu objeto de estudo é o relevo, tanto dos blocos continentais quanto do fundo oceânico. Seus objetivos são medir, descrever as formas e explicar as origens e a evolução do relevo. • Topografia: localização e medição de objetos geográficos, tanto naturais como artificiais. As cartas topográficas são uma forma de representação gráfica da topografia. LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO 150 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES De acordo com o texto, as forças tectônicas, o clima e a erosão. Portanto, a configuração das montanhas resulta da interação entre os processos tectônicos (agentes internos), climáticos e erosivos (agentes externos). Os geólogos chegaram concluíram que a erosão foi a principal força que configurou as cadeias montanhosas tal como as observamos atualmente. Minúsculas gotas de chuva foram responsáveis por boa parte da fisionomia e da altura das cadeias montanhosas antigas. Os agentes internos e externos podem ser responsáveis tanto pela construção quanto pela destruição do relevo. No encontro da Placa Sul-americana com a de Nazca, fala-se em destruição da borda da placa, mas também pode-se falar em construção de relevo, mais propriamente da Cordilheira dos Andes. Na área de divergência das Placas Sul-americana e Africana, há emissão de magma para a superfície, que, ao se solidificar, tem efeito construtivo: faz crescer as duas placas, ampliando a crosta oceânica, e origina cadeias montanhosas no fundo do Oceano Atlântico, como a Dorsal Meso-Atlântica. Nesse caso, constrói-se placa e constrói-se relevo submarino. Na superfície terrestre, a erosão é uma força destrutiva de relevo, podendo, ao longo de milhões ou bilhões de anos, arrasar uma cadeia montanhosa completamente. Mas, se estivermos pensando apenas nas formas de relevo, a erosão pode ser considerada uma escultora que desenha formas; ao mesmo tempo que destrói, constrói outros relevos. Essa é a causa da deposição de sedimentos em áreas mais baixas, dando origem a planícies, por exemplo. Em síntese, a erosão remove; desgasta; transporta os resíduos e os deposita em outras localidades mais baixas. 151 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES No Brasil, não existem mais altas cadeias montanhosas, pois foram quase integralmente erodidas (aqui existem apenas testemunhos de dobramentos antigos na estrutura geológica), apenas as outras três macroformas estão presentes no território brasileiro: planícies, planaltos e depressões. 152 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANÁLISE DE MAPA Com base no mapa, as principais formas de relevo encontradas no Brasil, predominam os planaltos (de 1 a 11), as depressões (de 12 a 22) e as planícies (de 23 a 28). Principais formas de relevo encontradas no Brasil Planaltos: superfícies elevadas, mais ou menos planas, delimitadas por escarpas, onde o processo de erosão supera o de sedimentação. Em geral, são formas residuais, isto é, relevos que restaram de formações antigas, divididos em quatro tipos. Depressões: apresentam tipos bem diversificados, sendo definidas como um modelado de relevo que se apresenta mais baixo do que as áreas vizinhas. Em seu trabalho, Ross reconhece um total de 11 espalhadas pelo Brasil. Planícies: áreas, em geral, planas, constituídas por deposição de sedimentos de origem marinha, lacustre ou fluvial. Esses terrenos, onde predomina a sedimentação, são encontrados em seis porções do território brasileiro. 153 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANÁLISE DE MAPA DOMÍNIOS MORFOCLIMÁTICOS BRASILEIROS As formas de relevo podem ser trabalhadas em combinação com outros elementos da paisagem, como as formações vegetais e as condições climáticas. Esse é o caso da classificação criada pelo geógrafo Aziz Ab’Saber, denominada Domínios Morfoclimáticos, na qual estão associados relevo, clima e vegetação. Trata-se também de uma representação qualitativa que diferencia compartimentos. Os alunos também poderão examinar a representação anterior, identificando semelhanças e diferenças (inclusive nos critérios utilizados). 154 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LIÇÃO DE CASA 1. Todas as macroformas do relevo estão, de modo geral, presentes no território brasileiro? Explique. Não. No Brasil existem planaltos, depressões e planícies, mas já não se encontram elevadas cadeias montanhosas, pois as anteriormente existentes foram muito erodidas durante um tempo longuíssimo e hoje são classificadas como planaltos. 2. Se a altitude for tomada como único parâmetro, o que pode ser dito a respeito do relevo brasileiro? Predominam as baixas altitudes de forma quase total. Cerca de 99% do território é formado por altitudes inferiores a 1 200 metros. A princípio, isso se deve à não ocorrência recente de eventos tectônicos importantes e, também, ao longo processo erosivo de milhões e milhões de anos sobre as formas anteriores. Isso serve para atestar a força da erosão como processo fundamental na configuração do relevo. VOCÊ APRENDEU? Considerando o processo de erosão e sua relação com as formas de relevo, é correto dizer que: a) as planícies são formas de relevo, em geral planas, produto do trabalho de deposição de sedimentos. b) os planaltos são formas baixas e planas de relevo, resultado da deposição de sedimentos erodidos em zonas mais altas. c) a erosão é a principal força formadora das grandes cadeias montanhosas, que nada mais são do que planaltos entrecortados e esculpidos. d) as planícies são formas planas e altas no topo das cadeias montanhosas, resultado da deposição sedimentar. e) planaltos são terras mais baixas que as vizinhas, resultantes do trabalho de erosão eólica e fluvial em áreas mais elevadas. 155 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 7 ÁGUAS NO BRASIL: GESTÃO E INTERVENÇÕES Para começo de conversa LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO Conforme o texto, o Brasil enfrenta problemas com o abastecimento de água para o consumo da população e para as atividades econômicas que exigem o uso da água, contudo, a questão da gestão e do uso de recursos naturais está sempre cercada de muita complexidade, pois são vários os fatores que interferem e, por vezes, o fato de um país ter boa disponibilidade de um dado recurso não garante que seja bem utilizado ou que não venha a faltar. Bacias hidrográficas são sistemas naturais de drenagem das águas que, obrigadas pelos divisores de águas do relevo, escoam numa direção descendente. O escoamento conduzido pela força gravitacional acaba dando uma estrutura padronizada às bacias hidrográficas, sempre compostas de um rio principal e de seus afluentes. As principais bacias hidrográficas do Brasil são: Bacia Amazônica, Bacia São franciscana, Grande Bacia Platina e Bacias Litorâneas. A bacia hidrográfica é um recorte territorial que pode ser considerado um importante elemento no planejamento e na gestão dos recursos hídricos. LEITURA E ANÁLISE DE MAPA E TABELA 156 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 157 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES A respeito da distribuição geográfica da água no Brasil, pode ser dito que, o primeiro mapa apresenta as regiões hidrográficas do Brasil e traz uma ideia da abundância de água no território. Já o segundo mapa permite relacionar a disponibilidade e a demanda por água dentro de cada bacia hidrográfica. O Brasil possui um elevado potencial hídrico, mas que a distribuição geográfica desse recurso é desigual sobre a superfície. Para tanto, devem analisar a relação entre a disponibilidade do potencial hídrico e a demanda por água nas diferentes regiões brasileiras. Nesse sentido, embora a maior vazão média ocorra na região hidrográfica da Amazônia, essa região possui pouca demanda por água, pois possui uma das menores densidades demográficas do Brasil. Por outro lado, embora a região Sudeste seja abastecida por mais de uma região hidrográfica – como se observa no mapa –, o que representa a segunda vazão média do país, tal volume de água não é suficiente para atender à significativa demanda econômica e da população, que é a maior do Brasil, com a maior densidade demográfica; tal situação permite concluir que essa região está mais vulnerável a problemas de 158 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES abastecimento do que disponibilidade hídrica. outras regiões com menor Com base na tabela, em ordem decrescente as maiores vazões médias encontradas no território brasileiro são: Amazônica (1ª), Tocantins-Araguaia (2ª), Paraná (3ª), Uruguai (4ª), Atlântico Sul (5ª), Atlântico Sudeste (6ª), São Francisco (7ª), Atlântico Nordeste Ocidental (8ª), Paraguai (9ª), Atlântico Leste (10ª), Atlântico Nordeste Oriental (11ª) e Parnaíba (12ª). Leitura e análise de texto Com base nessas informações, os problemas que ocorrem em seu na cidade de São Paulo, capital do Estado, são relativos ao uso da água como recurso natural, como por exemplo, os problemas relativos ao uso da água, dificuldades resultantes da pressão demográfica, ocupação e degradação das áreas de mananciais; custo de captação, tratamento e distribuição, problemas relativos à poluição das águas e ao desperdício; além das condições climáticas. Na escala local, as condições hídricas locais, assim como, informações recentes acerca das condições geográficas econômicas e ambientais de disponibilidade e do uso e do tratamento de água no município, incluindo ações que visem à tomada de posição e conscientização diante de diferentes situações responsáveis por formas predatórias de uso dos recursos hídricos, evolvendo a multiplicidade de problemas que envolvem o uso da água como recurso natural. Uma melhor disponibilidade de água garante o abastecimento justo e sustentável desse recurso em benefício de toda a população; portanto, tal disponibilidade não dispensa a necessidade de uma gestão inteligente desse recurso. 159 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES O RIO TIETÊ �� O Rio Tietê nasce na região metropolitana de São Paulo, logo, esse é o segmento onde ele possui menos água, ao mesmo tempo que é nessa área que ele recebe a maior sobrecarga de poluentes e objetos sólidos de todos os tipos. Em direção ao interior, a sobrecarga diminui e o volume de água aumenta. Isso explica porque o rio está praticamente morto na metrópole, mas adquire vida no interior. Esse também é o caso do Rio Sena, na França; no entanto, obras de desvios de outros rios para o Rio Sena na área metropolitana de Paris aumentaram seu volume de água, ajudando a melhorar as condições de suas águas. �� O Rio Tietê sofre uma imensa sobrecarga, não por ser muito usado, mas por ser usado de uma única maneira na área metropolitana, o que inviabiliza outros usos: – As águas do Tietê não podem ser usadas para beber nem para irrigar plantações. A cidade tem de captar água no Alto Tietê, região menos poluída, sendo que o segmento que corta a cidade não pode contribuir para o seu abastecimento. – O Rio Tietê não é fonte de alimentação; não há peixes em um rio poluído. – A navegação na área metropolitana poderia ser ao menos utilizada como transporte e lazer, e isso, nas condições atuais, é impossível. – Suas águas poluídas dificultam o seu uso para a geração de energia. – O rio não se apresenta como uma área de lazer e suas várzeas não são valorizadas, em razão da imensa poluição. Suas várzeas são usadas também para escoar uma frota automobilística gigantesca. – O Rio Tietê não pertence positivamente à paisagem da cidade de São Paulo, que, em geral, procura ignorá-lo, sem deixar de usá-lo da forma inadequada como faz. Assim, pode-se dizer que houve uma opção por um uso limitado do Rio Tietê e, desse modo, ele está sendo muito deteriorado. 160 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES O rio São Francisco é um importante curso de água que percorre 2.830 km no território brasileiro, é popularmente chamado de Velho Chico. Esse rio brasileiro nasce no estado de Minas Gerais, na Serra da Canastra, e sua nascente está situada a uma altitude de 1.200 metros. Em sua extensão, corta o estado da Bahia. Ao norte do território baiano, o rio serve de fronteira natural com Pernambuco, além de estabelecer limites entre os territórios de Sergipe e Alagoas. O rio, em seu percurso, corta áreas influenciadas por diferentes climas, vegetações e relevos, sendo utilizado com fonte hídrica para a geração de energia em cinco usinas hidrelétricas. Nas áreas próximas às nascentes e à foz, as chuvas são relativamente abundantes, já nos outros pontos, o clima é muito seco. O Velho Chico percorre regiões semiáridas, com pouca chuva e afluentes temporários, mesmo assim é perene (não seca em nenhum período do ano), isso porque seu volume é mantido por afluentes (perenes) no centro do estado de Minas Gerais. Em toda sua extensão, conta com um total de 168 afluentes, sendo 90 na margem direita do rio e 78 na margem esquerda. O rio possui uma enorme importância econômica, social e cultural para os estados cortados por ele. Em diversos trechos, o São Francisco oferece condições de navegação, desse modo, as principais cargas transportadas são de cimento, sal, açúcar, arroz, soja, madeira e gipsita, incluindo o transporte de pessoas, sobretudo de turistas. Suas águas são usadas para o turismo, lazer, irrigação, transporte, entre outros, desempenhando um importante papel socioeconômico para os estados e, principalmente, para as cidades em sua margem. Por Eduardo de Freitas Graduado em Geografia Equipe Brasil Escola 161 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO Gestão Integrada dos Recursos Hídricos A Lei federal no 9.433/97 instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos que se baseia nos seguintes fundamentos: a água é um recurso limitado de domínio público dotado de valor econômico, a unidade de planejamento e gerenciamento deve ser o limite das bacias hidrográficas e a sua gestão deve ser feita de forma descentralizada e contar com a participação do poder público, dos usuários e da comunidade. Criado também pela Lei no 9.433/97 o Sistema Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos (SNGRH) possui uma estrutura institucional composta por entidades de gestão propositoras e executivas. Por se tratar de um sistema nacional, conta com entidades federais e estaduais, tendo os seguintes objetivos: coordenar a gestão integrada das águas; administrar os conflitos relacionados aos usos dos Recursos Hídricos; implementar a Política Nacional dos Recursos Hídricos; planejar, regular e controlar o uso, a preservação e a recuperação; promover a cobrança pelo uso da água (o que pagamos na conta é o tratamento e a distribuição e coleta de esgoto). Para que esses objetivos sejam alcançados, integram o SNGRH: Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH – Órgão máximo do sistema nacional de recursos hídricos, tem caráter normativo e deliberativo. É composto por representantes do Poder Executivo Federal – Ministério do Meio Ambiente e Secretaria da Presidência da República, dos Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos, dos usuários e das organizações civis de recursos hídricos. O CNRH é responsável por administrar os conflitos de uso dos recursos hídricos em última instância e subsidiar a formação da política nacional de recursos hídricos. Também é de sua responsabilidade a criação de Comitês de bacias de domínio federal, além de determinar os valores de cobrança pelo uso da água. A Agência Nacional de Águas – ANA – é uma autarquia federal, possui autonomia administrativa e financeira. Exerce o papel de uma agência reguladora e é responsável pela utilização dos rios de domínio da União. Atua também como uma agência executiva responsável pela implementação do sistema nacional de recursos hídricos. A ANA também gerencia os recursos provenientes da cobrança pelo uso da água em rios de domínio da União e fiscaliza e concede a outorga de direito de uso dos recursos hídricos. Conselhos Estaduais de Recursos Hídricos – São os fóruns máximos no âmbito Estadual das discussões e deliberações sobre as bacias hidrográficas que estão sob seu domínio. Têm a responsabilidade de elaborar o Plano Estadual de Recursos Hídricos, dando subsídios para a implantação da Política Estadual de Recursos Hídricos, representando o Conselho Nacional de Recursos Hídricos. Comitês de Bacias Hidrográficas – A Política Nacional dos Recursos Hídricos tem como um de seus fundamentos a gestão descentralizada e participativa. Os comitês de bacias contam com a participação de representantes dos poderes públicos, dos setores usuários de águas e da sociedade civil organizada, sendo tripartite, ou seja, todos os segmentos têm direito a voto na mesma proporção. É competência do Comitê de Bacias Hidrográficas: arbitrar conflitos e usos de recursos hídricos, aprovar e acompanhar a execução do Plano de Recursos Hídricos da bacia hidrográfica, propor aos conselhos nacional e estadual os usos dos recursos e propor valores e estabelecer mecanismos para a cobrança pelo uso da água. Agências de Águas – Devem atuar como uma Secretaria Executiva do seu respectivo comitê, gerenciando os recursos obtidos pela cobrança do uso da água, além de outros recursos destinados. Deve ainda manter cadastro de usuários e balanço da disponibilidade hídrica, elaborar o Plano de Recursos Hídricos para a aprovação do comitê, realizar estudos, planos e projetos a ser executados com o recurso proveniente da cobrança do uso da água. Órgãos e poderes públicos de todos os níveis que se relacionam com a gestão de recursos hídricos, como exemplo as secretarias de Meio Ambiente. Referência Palácio do Planalto – Presidência da República. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9433.HTM>. Acesso em: 25 abr. 2014. Elaborado por Sergio Damiati especialmente para o São Paulo faz escola. 162 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Os principais fundamentos da Política Nacional de Recursos Hídricos são: a água é um recurso limitado de domínio público dotado de valor econômico, a unidade de planejamento e gerenciamento deve ser o limite das bacias hidrografias e a sua gestão deve ser feita de forma descentralizada e contar com a participação do poder público, dos usuários e da comunidade. Uma política de gestão integrada é importante para resolver os diversos conflitos com relação aos usos múltiplos da água, como exemplo, o abastecimento público, a irrigação e o uso para geração de energia elétrica. LIÇÃO DE CASA Os instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos, Lei 9.433, de 8 de janeiro de 1997, visão assegurar água de boa qualidade à atual e às futuras gerações. Para tanto, existe a necessidade de uma articulação sistemática entre os mesmos, de forma a garantir a efetiva aplicação da Política. Assim, existe a necessidade do uso de instrumentos de gestão com, por exemplo, modelos matemáticos e Sistemas de Suporte a Decisão (SSD). Neste trabalho é apresentado o SSD RB que surge, pioneiramente, como uma ferramenta que viabiliza a articulação de todos os instrumentos da Política. 163 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES VOCÊ APRENDEU? 1. Sobre o Rio São Francisco, é correto afirmar que: a) o principal esforço das autoridades governamentais é o de recuperá-lo, de modo a garantir que suas águas abasteçam todo o semiárido nordestino. b) ele está sendo objeto de obra cuja meta é fazer migrar parte de suas águas para zonas do semiárido de relevo desnivelado em relação ao leito natural do rio. c) ele está sendo desviado para uma área do Nordeste que compõe o agreste de Pernambuco, na qual se desenvolve o cultivo de soja para fins comerciais. d) ele está sendo revitalizado, com a retirada das barragens do médio curso, e esse é o sentido principal da expressão “transposição do São Francisco”. e) as obras atuais visam abrir canais para atrair, das partes mais altas do semiárido nordestino, águas para revitalizar o rio. 2. Qual é a situação dos recursos hídricos brasileiros nos grandes centros urbanos? As grandes cidades brasileiras apresentam problemas no que diz respeito ao abastecimento de recursos hídricos. Vamos dar o exemplo de São Paulo: mananciais poluídos, bairros clandestinos com grande densidade demográfica instalados nas áreas desses mananciais; água captada em lugares distantes, o que encarece o abastecimento; tratamento excessivamente custoso; rede de distribuição interna precária, com grande volume de desperdício; rios demasiadamente poluídos, destruídos e subaproveitados pelas grandes cidades. 164 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 8 GESTÃO DOS RECURSOS NATURAIS: O “ESTADO DA ARTE” NO BRASIL Para começo de conversa O que significa desenvolvimento sustentável? O conceito foi criado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, da Organização das Nações Unidas. De acordo com o documento, desenvolvimento sustentável é aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer a capacidade de atender às necessidades das gerações futuras. Porém, parcela da comunidade científica questiona a validade desse conceito, considerando-o utópico, pois pressupõe a diminuição e/ou a interrupção da retirada dos recursos não renováveis pela geração atual, com vistas a não colocar em risco às gerações futuras. Como o modelo econômico predominante na sociedade contemporânea é o capitalista, estruturalmente voltado para o consumo, discute-se em que medida haverá redução ou interrupção do uso desses recursos. Há ainda uma parcela de especialistas que defende a mudança do modelo econômico, buscando alterar o cenário futuro, transformando, dessa forma, a utopia em realidade. LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO 165 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES Como ponto básico para a implementação das estratégias propostas, são estabelecidas as seguintes premissas: �� participação; �� disseminação e acesso à informação; �� descentralização das ações; �� desenvolvimento da capacidade institucional; �� interdisciplinaridade da abordagem da gestão de recursos naturais, promovendo a inserção ambiental nas políticas setoriais. Os recursos naturais são bens que têm uma dimensão pública, e que devem ser tratados assim; por isso, a proposição da máxima participação dos cidadãos. As condições necessárias para a criação de políticas de gestão dos recursos naturais são: �� Conhecimento específico sobre os fatores naturais como recursos potenciais inseridos em um ecossistema. �� Conhecimento específico quanto ao estado (natural ou transformado) desses fatores. �� Definição precisa de unidades de análise e, dentro destas, das inter-relações e sinergias que ocorrem entre os fatores bióticos e abióticos. Conforme os princípios da sustentabilidade, recursos naturais são bens públicos e devem ser tratados como tal. Além disso, o conhecimento do meio natural e as interações entre os meios abióticos (domínios naturais = litosfera + hidrosfera + atmosfera) e o meio biótico (meio ambiente = domínios naturais + vida). LEITURA E ANÁLISE DE TEXTO É possível afirmar que a Constituição de 1988, em seu artigo 225, incorpora a ideia de sustentabilidade, porque o texto constitucional enfatiza o dever do poder público e da coletividade em garantir a defesa e a preservação do meio ambiente para as gerações presentes e futuras. 166 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES recursos naturais �� Os recursos do solo: no Brasil, o uso predominante do solo é na agropecuária. No entanto, mais de ⅓ (35,3%) do território é inadequado para as atividades agrícolas e para a pecuária. Apenas 4,2% são solos profundos, bem drenados, predominantemente de textura média ou argilosa, com fertilidade natural. São 35 milhões de hectares nessas condições. No Brasil, os solos não são bem tratados, perdas importantes são notadas, e áreas com solo em estado crítico são muito comuns. O conhecimento sobre a dinâmica dos solos e sobre as formas de conservação é crescente, mas a legislação e a fiscalização de proteção são frágeis. �� Os recursos hídricos: já foram tema da Situação de Aprendizagem 7, mas a pesquisa pode ser bem mais ampla; há muito o que saber e informar sobre águas subterrâneas (por exemplo, mais de 60% dos municípios brasileiros são abastecidos por águas subterrâneas) e sobre as políticas de proteção a esse recurso. �� Os recursos oceânicos e das zonas costeiras: representam, enquanto paisagem, recursos turísticos, mas são também fontes de alimentação e áreas de mineração, como a extração de petróleo nas plataformas continentais. O Brasil 167 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES possui uma costa imensa (7 367 km) com várias metrópoles litorâneas e grandes preocupações com a poluição dessas áreas. Nelas, nota-se intensa ameaça à fauna marítima, além de outros prejuízos graves a esse manancial de recursos. �� Os recursos biológicos (da diversidade biológica): as espécies vegetais desconhecidas podem beneficiar a humanidade de diversas formas, com aplicações na indústria farmacêutica, na culinária etc. Além disso, vale aqui o princípio ético de respeito à vida das outras espécies. Políticas de preservação e de gestão de recursos já existem (as Unidades de Conservação), mas, no Brasil, a implementação encontra grande resistência, pois não se enxerga aproveitamento econômico nas florestas, nem se vê sentido em preservar as formações por motivos éticos. VOCÊ APRENDEU? Retome as anotações realizadas em sala de aula após a apresentação de cada um dos grupos de trabalho da Pesquisa em grupo e, em seu caderno, elabore um texto argumentativo com o seguinte tema: Principais ameaças aos recursos naturais no Brasil. Sobre os recursos naturais, é correto dizer que: a) eles estão praticamente esgotados, pois são os mesmos desde a origem das sociedades humanas e são intensamente usados. b) os diferentes grupos sociais usam distintos recursos naturais, com finalidades diversas; logo, relacionam-se de formas diferentes com a natureza. c) aqueles de origem abiótica (inorgânica) são os que resistem mais ao uso humano, devido à sua capacidade de recuperação, como é o caso da água. d) aqueles de origem biótica são os mais utilizados pelo ser humano, pois são cultivados por ele, evitando seu uso no estado natural. e) a maioria dos mananciais de recursos naturais no Brasil é alvo de políticas de conservação bastante adequadas, uma vez que eles são uma das nossas principais riquezas. 168 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES História da Terra 169 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 170 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 171 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 172 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 173 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 174 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES 175 E-BOOK - MATERIAL DE APOIO 2ª SÉRIE ENSINO MÉDIO – AUTOR: PROFESSOR MAURILIO GABALDI LOPES PARA SABER MAIS... Filme �� O inferno de Dante (Dante’s Peak). Direção: Roger Donaldson. EUA, 1997. 108 min. 12 anos. Harry Dalton (Pierce Brosnan), um vulcanologista (perito em fenômenos vulcânicos), e Rachel Wando (Linda Hamilton), a prefeita da pequena cidade de Dante, tentam convencer o conselho dos cidadãos e outros geólogos a declarar estado de alerta, pois um vulcão muito próximo, que está inativo há vários séculos, entrará em erupção. Mas interesses econômicos são contrariados com a notícia: o alerta pode afastar um grande empresário que pretende fazer investimentos e gerar 800 empregos diretos na cidade. �� Áreas de risco: informação para prevenção. 12 min. Vídeo elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) que orienta para prevenção de riscos. Traz informações para identificação de riscos e prevenção de acidentes. Disponível em: <http://www.youtube.com/ watch?v=bhKWHx08jFA>. Acesso em: 22 jan. 2014. Sites �� Folha Online. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u9306. shtml>. Acesso em: 26 nov. 2013. Animação da Folha Online de um vulcão e mapa da ocorrência de vulcões na Terra. �� Instituto Geofísico – EPN. Disponível em: <http://www.igepn.edu.ec>. Acesso em: 26 nov. 2013. Portal do Instituto Geofísico do Equador, país que tem vários vulcões e sofre abalos sísmicos. Em espanhol. �� Instituto Geológico do Estado de São Paulo. Disponível em: <http://www.igeologico.sp.gov.br/>. Acesso em: 22 jan. 2014. ��Star news. Disponível em: <http://www.starnews2001.com.br/vulcao.html>. Acesso em: 26 nov. 2013. Informações e imagens de vulcões 176