Revista de Biologia e Ciências da Terra ISSN: 1519-5228 [email protected] Universidade Estadual da Paraíba Brasil Xavier Costa, Fabiana; A. de Lucena, Amanda Micheline; Tresena, Nubenia de L.; S. Guimarães, Fabiana; B. Guimarães, Márcia Maria; P. da Silva, Monica Maria; Carvallo Guerra, Hugo O. Estudo qualitativo e quantitativo dos resíduos sólidos do Campus I da Universidade Estadual da Paraíba Revista de Biologia e Ciências da Terra, vol. 6, núm. 1, primer semestre, 2006, p. 0 Universidade Estadual da Paraíba Paraíba, Brasil Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=50060102 Como citar este artigo Número completo Mais artigos Home da revista no Redalyc Sistema de Informação Científica Rede de Revistas Científicas da América Latina, Caribe , Espanha e Portugal Projeto acadêmico sem fins lucrativos desenvolvido no âmbito da iniciativa Acesso Aberto REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 Volume 4- Número 2 - 2º Semestre 2004 Estudo qualitativo e quantitativo dos resíduos sólidos do Campus I da Universidade Estadual da Paraíba Fabiana Xavier Costa1; Amanda Micheline A. de Lucena1 ; Nubenia de L. Tresena1; Fabiana S. Guimarães2 ; Márcia Maria B. Guimarães1 ; Monica Maria P. da Silva3 & Hugo O. Carvallo Guerra1 Resumo O trabalho objetivou caracterizar os resíduos sólidos produzidos na Universidade Estadual da Paraíba, observar o destino final destes, sensibilizar a comunidade acadêmica sobre a problemática ambiental e contribuir para a implantação da coleta seletiva. O trabalho foi executado em três momentos: No primeiro foi feita uma caracterização dos resíduos sólidos. No segundo foi observado o destino final dos resíduos sólidos e no terceiro momento foi realizado um trabalho de sensibilização com a comunidade acadêmica. De acordo com os dados obtidos verificou-se que o resíduo mais produzido na UEPB é o orgânico totalizando uma produção de 441 kg/semana, correspondendo a um percentual de 82,3% do total dos resíduos sólidos. O destino final dado aos resíduos sólidos gerados diverge das normas ecológicas exigidas pela constituição em seu Art. 225/parágrafo 1º. A Universidade transfere problemas, conduzindo os resíduos para o Lixão da cidade, gerando, assim, outro problema para o meio ambiente e saúde da população. Os resultados revelam que é fundamental a implantação da coleta seletiva neste Campus, a qual deverá se estender aos demais, porém é prioritária a realização de uma Educação Ambiental de forma contínua e permanente. Palavras chave: resíduos sólidos, meio ambiente, educação ambiental, coleta seletiva. Abstract The work aimed to characterize de solid waste produced at the State University of Paraíba, observe the final destination of them , sensibly the community on the global waste problems and contribute to the selective collect implementation. It was executed in three steps: The first a characterization of all the wastes founded on the Campus. In second place it was identified the final destination of the solids waste and in the third step it was conducted an educational process aiming the sensibilization of the community. According with the results it was found that the most common residue was organic waste with a total production of 441 kg/week, corresponding to a total of 82,3% of the total residues collected at the Campus. It also was observed that the deposition of the wastes does not agree with the ecological rules established by the Art.225, Paragraph 10 of the Brazilian Federal Constitution. The results showed that is quite necessary the implementation of a selective collect. This sort of collect will have to be extended to the rest of the community, however it is necessary the execution of an constant and permanent Ecological Education Process. Key words: solid wastes, environment, environmental education, selective collect. 1 - INTRODUÇÃO O interesse com as questões ambientais parece acontecer em ondas sucessivas e na contingência da conjuntura vigente: forças políticas e pressões econômicas e ideológicas. Os recursos naturais têm sido explorados no planeta de forma muito errônea e a conseqüência disso, é o desequilíbrio ambiental, onde um dos grandes problemas é a produção crescente de resíduos sólidos. De acordo com Nunesmaia (1997), os resíduos urbanos constituem uma das grandes preocupações das sociedades contemporâneas. Eles contribuem de forma dilaceradora com a destruição do meio ambiente, pois seus efeitos poluidores são responsáveis pela poluição visual, poluição das águas, rios, mar e oceanos, sem falar nas doenças que acometem o homem. De fato, a humanidade está perdida em seu papel de preservação do meio ambiente. É preciso fazer uma reflexão ambiental e tentar solucionar o problema na fonte geradora antes que nosso tão ameaçado meio ambiente entre em colapso (Carvalho, et al. 2000). Para isso é necessário fiscalização para o cumprimento das leis, educação ambiental, ações ambientalistas e pressão sobre as autoridades administrativas para a criação de políticas ambientais adequadas à realidade brasileira. De acordo com a Constituição Federal, Art. 225, do Meio Ambiente “Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (Brasil, 2000). A problemática do lixo urbano envolve basicamente dois fatos importantes: por um lado, a ausência de uma política de gestão por parte do poder público e, por outro, o crescente aumento na produção de lixo pela sociedade. Sabe-se que esse problema não poderá ser resolvido apenas com a proposição de uma política de planejamento de coleta, transporte e destino final do lixo pelas autoridades competentes, ao final de contas as cidades brasileiras que tratam o lixo urbano e lhe dão destino final correto são raras. A população também deve assumir sua responsabilidade e desempenhar ações relativas ao lixo por ela própria gerado. E isso só será possível através de seu envolvimento num processo de educação ambiental (Nunesmaia apud Dias, 1993). A educação ambiental é um instrumento fundamental na sensibilização da população para qualquer trabalho ou projeto voltado para o meio ambiente. De acordo com Matos (1998) é a avaliação, percepção e conscientização ecológica de uma população ou comunidade. Os resíduos sólidos são classificados de acordo com sua natureza e qualidade. Sua classificação se dá da seguinte maneira: Urbanos, Industriais, Radioativos, dos serviços de saúde e agrícolas. A composição do lixo urbano é influenciada por diversos fatores, dentre as quais, condições sócio-econômicas e hábitos da população de cada comunidade, desenvolvimento industrial, população flutuante (turismo) e sazonalidade. No Brasil ainda são escassos os dados disponíveis sobre a composição do lixo urbano nas cidades. Entretanto, segundo dados recentes, os resíduos domésticos brasileiros apresentam uma composição média de 50% de matéria orgânica, 30% de materiais descartáveis e 20% de materiais com potencial de reciclagem (Neto & Lima, 1993, citado por Nunesmaia, 1997). Das medidas existentes para um adequado destino final dos resíduos sólidos a mais recente e ecológica é a coleta seletiva, que consiste em separar os resíduos de acordo com sua natureza e conduzi-los a uma usina de reciclagem para transformar esses resíduos em matéria prima e encaminhar para as indústrias. De acordo com Carvalho et al. (2000) reduzir a quantidade de resíduos produzidos, eliminar a produção de resíduos tóxicos, reutilizar o que for possível, reciclar o que for reciclável são metas que os ambientalistas podem ajudar a alcançar. O presente estudo teve como objetivos: Identificar e caracterizar os resíduos sólidos gerados no Campus I da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB); observar o destino dado aos resíduos, sensibilizar a comunidade universitária sobre a problemática dos resíduos sólidos e contribuir para a implantação da coleta seletiva dos mesmos nessa universidade. 2 - MATERIAL E MÉTODOS 2.1 - Localização da pesquisa O trabalho foi desenvolvido de maio a dezembro de 2003, no Campus I da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) localizado no Bairro de Bodocongó em Campina Grande – PB - Brasil. O Campus compreende 304 professores, 78 funcionários e 2.945 alunos, totalizando 3.327 pessoas. O projeto envolveu os cursos de Estatística, Física, Matemática, Química, Ciências Biológicas, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Odontologia e Psicologia. Além dos cursos trabalhados, o projeto envolveu o Restaurante Universitário (RU), (800 pessoas/dia), Biblioteca (270 pessoas/dia), Reitoria do Campus (30 pessoas/dia), Praça da Alimentação (900 pessoas/dia) e PROEG (Pró-Reitoria de Ensino e Graduação) (86 pessoas/dia). 2.2 - Momentos da pesquisa a) Caracterização dos resíduos sólidos Para saber a qualidade e quantidade dos resíduos sólidos gerados na UEPB foi preciso fazer uma caracterização dos resíduos, de acordo com sua natureza (orgânica, inorgânica, patogênico e aterro (lixo não reciclável ou inerte) Isto, segundo Vilhena (1999) permite estruturar melhor todas as etapas do projeto. Em pontos estratégicos de cada local trabalhado foram colocados cestos com a cor padrão da coleta seletiva, de acordo com o tipo de resíduo, ou seja, papel, plástico, vidro, metal, lixo orgânico, lixo patogênico e aterro. Para o lixo patogênico foi utilizado um cesto branco, por ser um lixo hospitalar. E para o aterro foi utilizado um cesto cinza. Para o papel azul, para o plástico vermelho, para o metal amarelo, para o vidro verde e para o lixo orgânico cor de rosa. A caracterização e pesagem dos resíduos sólidos foram realizadas diariamente, sempre no final da noite, no Laboratório de Saneamento Ambiental da UEPB. A caracterização dos resíduos foi feita de acordo com o número de freqüência de pessoas em cada setor trabalhado, obtendo-se assim, uma produção per cápita dos resíduos sólidos produzidos. b) Estudo do destino dos resíduos sólidos A observação do destino dado aos resíduos sólidos no Campus I da UEPB foi realizada através de visitas aos locais de geração, acondicionamento e destino final dos resíduos sólidos. c) Educação ambiental: Um processo de sensibilização foi desenvolvido no sentido de obter uma mudança de comportamento da comunidade universitária (professores, funcionários e alunos) com relação aos resíduos sólidos. A metodologia utilizada incluiu palestras mostrando a problemática do lixo, soluções para evitar os problemas e noções sobre o meio ambiente. Para isto foram utilizados álbuns seriados, cartazes, folhetos informativos, cestos coloridos e sacos plásticos. 3 - RESULTADOS E DISCUSSÃO a) Caracterização dos resíduos sólidos As caracterizações qualitativas e quantitativas dos resíduos sólidos gerados no Centro de Ciências e Tecnologia (CCT) encontram-se na Tabela 01. Tabela 01: Caracterização qualitativa e quantitativa dos resíduos sólidos gerados no CCT. Parâmetro Aterro Lixo orgânico Lixo patogênico Papel Plástico Vidro Metal TOTAL Kg/semana Porcentagem Pessoas/dia 16,27 49,6 7,61 23,2 - - - 4,16 3,15 1,09 0,50 32,78 12,7 9,6 3,4 1,5 100,0 900 900 De acordo com os dados apresentados na Tabela 01 o resíduo mais produzido no CCT é o aterro, compreendendo um percentual de 49,6%, seguido pelo lixo orgânico com um 23,2%. De acordo com Nunesmaia (1997), o lixo denominado aterro é definido como a fração não re-aproveitável nem reciclável (ainda não valorizada), como por exemplo: papel carbono, com gordura, stencil, copos descartáveis, canudos, fraldas descartáveis, papel higiênico usado. O resíduo menos produzido é o metal, com um percentual de 1,5%, já que o CCT lida com o resíduo químico, esse é um dos motivos da pouca geração de metal. O lixo patogênico por sua vez, não é produzido por não existir clínicas nem laboratórios. A caracterização dos resíduos sólidos gerados no Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), são mostrados na Tabela 02. Tabela 02- Caracterização dos resíduos sólidos gerados no CCBS. Parâmetro kg/semana Porcentagem Pessoas/dia (%) Aterro 19,57 35,3 Lixo orgânico 12,39 22,4 6,07 Lixo 6,22 patogênico 7,40 Papel 0,60 Plástico 3,15 Vidro 11,0 11,2 13,4 2.418 1,0 5,7 Metal TOTAL 55,40 100 2.418 Verifica-se que, assim, como no CCT, no CCBS o resíduo mais gerado foi o aterro, com uma percentagem de 35,3%. A quantidade de pessoas que freqüentam o CCBS é muito grande, motivo pelo qual gera-se muito papel higiênico, copos descartáveis e papéis com gordura. De igual forma, o lixo orgânico ocupou o segundo lugar com 22,40%. O vidro foi o resíduo menos gerado, com uma percentagem de 1%. Esse percentual pequeno decorre do fato que os laboratórios e clínicas, do CCBS reutilizam seus vidros. Em relação ao lixo patogênico o percentual de 11,00% resulta da existência de numerosas clínicas e laboratórios, fato que não acontece nos demais setores trabalhados. De acordo com Souza (1998), os resíduos dos serviços de saúde provenientes dos hospitais, postos de enfermagem, postos de saúde, clínicas veterinárias e clínicas em geral de saúde, bem como farmácias devem ser incineradas em muflas com circulação dos gases, onde as substâncias tóxicas como furanos e dioxinas são destruídas. Isto não é feito na UEPB. Aqui o lixo patogênico tem o mesmo acondicionamento e destino dos demais. Na Tabela 03, estão apresentados os dados relacionados aos resíduos sólidos gerados na Reitoria do Campus. Tabela 03: Produção de resíduos sólidos gerados na Reitoria do Campus. Parâmetro kg/semana Aterro Lixo orgânico Lixo patogênico Papel Plástico Vidro Metal TOTAL 1,44 0,66 0,40 0,54 1,03 2,22 Porcentagem (%) 22,9 10,5 6,4 8,5 16,4 35,3 6,29 100 Pessoas/dia 30 30 Analisando os dados da Tabela 03, constata-se que na Reitoria do Campus encontra-se o maior percentual de metal, 35,3%. Isso ocorre devido à que dentro da Reitoria existe uma oficina que trabalha na fabricação e manutenção de móveis de metal. Segundo Reinfield (1994), os metais e principalmente o alumínio devem ser coletados separadamente, já que este metal é, de fato, o material reciclável perfeito para a fabricação de latas de bebidas. A reciclagem economiza até 95% da energia usada na conversão da bauxita. Considere que os quase 2,2 milhões de toneladas de alumínio recicladas desde 1986 economizaram cerca de 8 milhões de toneladas de bauxita, 4 milhões de toneladas de produtos químicos e 30 bilhões de quilowatts-hora de eletricidade. Na Tabela 04 são apontados os resultados referentes à caracterização dos resíduos sólidos produzidos no Centro de Pós-Graduação da UEPB. Tabela 04: Produção de resíduos sólidos gerados no Centro de Pós-graduação. 2,56 0,20 1,35 0,35 Porcentagem Pessoas/dia (%) 57,4 4,5 30,3 86 7,8 4,46 100 Parâmetro kg/semana Aterro Lixo orgânico Lixo patogênico Papel Plástico Vidro Metal TOTAL 86 Observa-se que, da mesma forma como acontece no Centro de Ciências e Tecnologia e no Centro de Ciências Básicas da Saúde, no Centro de Pós Graduação gera-se o maior percentual de aterro, 57,4%. Plásticos e vidro não são produzidos, pois o local é pouco freqüentado, conforme mostra a Tabela 04, gerando, assim poucos resíduos. Na Tabela 05 encontra-se a caracterização dos resíduos sólidos da Biblioteca. Tabela 05: Produção de resíduos sólidos gerados na biblioteca: Parâmetro kg/semana Aterro Lixo orgânico Lixo patogênico Papel Plástico Vidro Metal TOTAL 4,74 5,16 0,42 0,21 Porcentagem Pessoas/dia (%) 45,0 49,0 270 4 2 10,53 100 270 Constata-se que na Biblioteca do Campus, por ser um local específico para estudo e consulta de referências não existe lixo orgânico, vidro nem patogênico. O papel limpo lidera com um percentual de 49%, comparado com os outros locais trabalhados. Isto é resultado dos livros e revistas descartados periodicamente, que segundo os funcionários, não servem mais como referências. Em segundo lugar tem-se o aterro com um percentual de 45% que também inclui papel. Segundo Reinfeld (1994), o papel é o maior componente dos aterros sanitários de uma comunidade, podendo representar até 50% do total dos aterros sanitários. Além de economizar árvores, a reciclagem do papel reduz a poluição da água em até 35% e a do ar em 65%. Para Reinfeld (1994), o papel limpo com fibras longas consegue os preços mais elevados; já o papel sujo pode não ter valor. Daí a importância da separação na fonte do papel. Na Tabela 06, são apresentados os dados decorrentes da caracterização dos resíduos sólidos gerados no Restaurante Universitário e na Praça da Alimentação. Examinando os dados da Tabela percebe-se que estes locais por serem áreas designadas para a alimentação da comunidade acadêmica são os locais que mais geram resíduos sólidos orgânicos com um percentual de 97,21%, equivalente a 450,77 kg/semana de lixo orgânico. O pouco plástico produzido (0,26%) deve-se ao fato de que os refrigerantes vendidos vêm em latas ou em garrafas de vidro. Os plásticos provem dos sacos de arroz, feijão, macarrão, café e outros alimentos os quais não servem para serem reciclados, pois não obedecem as normas da reciclagem. Não são resistentes, ou seja, não são da categoria tereftalato de polietileno (PETE), nem polietileno de alta densidade (HDPE) conhecida como os principais plásticos recicláveis segundo Reinfeld (1994). O metal é produzido, em decorrência dos enlatados. Por ser uma área designada unicamente para alimentação, não foi encontrado lixo patogênico. Tabela 06: Produção de resíduos sólidos gerados no Restaurante Universitário (R.U.) e na Praça da Alimentação: Porcentagem Pessoas/dia (%) 1,32 6,12 Aterro 450,77 97,21 Lixo orgânico 0,51 2,35 Lixo 1700 0,36 patogênico 1,66 0,09 0,42 Papel 0,51 2,38 Plástico Vidro Metal TOTAL 463,7 100 1700 Parâmetro kg/semana Na Tabela 07 estão resumidos os dados referentes a caracterização dos resíduos sólidos em todo Campus I da UEPB. Tabela 07: Produção total dos resíduos sólidos gerados em todo o Campus I da UEPB. Parâmetro kg/semana Aterro Lixo orgânico Lixo patogênico Papel Plástico Vidro Metal TOTAL 50,70 471,63 6,07 19,64 13,17 3,14 8,81 573,16 Porcentagem Pessoas/dia (%) 8,8 82,3 1,1 3,4 5.404 2,3 0,6 1,5 100 5.404 Os locais que mais geram lixo são o Restaurante Universitário, produzindo 471,63 kg/semana de lixo orgânico, tendo uma freqüência de 800 pessoas por dia e o Centro de Ciências e Tecnologia (CCT), produzindo 16,27 kg/semana de aterro, com uma freqüência de 900 pessoas por dia. De acordo com os dados expostos na Tabela 07 conclui-se que a UEPB produz mais de meia tonelada de resíduos sólidos por semana. Entre os resíduos sólidos produzidos, o maior percentual corresponde ao lixo orgânico, com um percentual de 82,3% representando assim quase meia tonelada por semana. Para Nunesmaia (1997), a fração orgânica contida no lixo é a grande responsável pela produção de chorume. O chorume, é definido pela NBR 8419 (Brasil/ABNT, 1984) como sendo o líquido produzido pela decomposição de substâncias contidas nos resíduos sólidos, que tem como características a cor escura, o mau cheiro e a elevada Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). O segundo tipo de resíduo sólido mais produzido na UEPB foi o aterro, com um percentual correspondente a 8,8%, uma quantidade significativa. Outros materiais gerados como vidro plástico e metal poderão facilmente ser reaproveitados por terceiros. Embora em pouca proporção (1,1%) o lixo patogênico é um resíduo que não pode deixar de ser considerado. b) Estudo do destino final dos resíduos sólidos Constatou-se que todo os resíduos sólidos gerados no Campus I da UEPB são levados pela Prefeitura da Cidade de Campina Grande para o Lixão, local de despejo localizado a uns 10 Km da cidade. De acordo com Santos (1995), o descaso das autoridades quanto à gestão dos resíduos sólidos, vulnera a disponibilidade dos recursos hídricos para o homem manifestado isto principalmente através da contaminação das águas de sub-superfície pela infiltração do chorume no solo, que possa atingir o nível do lençol freático. Dentre outros danos, o descarte de lixo em áreas vizinhas a cursos de água acelera seu assoreamento e, dependendo da vazão, pode interferir aumentando a Demanda Biológica de Oxigênio (DBO) e a Demanda Química de Oxigênio (DQO) do meio. No que diz respeito ao lixo patogênico um problema grave constatado através deste trabalho, pois o mesmo chega ao lixão misturado aos ambiente e para saúde da população. O lixo patogênico é descartado livremente no Lixão, onde seringas, luvas, agulhas, algodão e outros materiais curativos ficam expostos causando sérios riscos às mais de 70 famílias que ali vivem. c) Educação ambiental: Os resultados demonstram que é necessária a implantação da coleta seletiva no Campus I da UEPB, podendo ser extensivo aos demais Campus, seguindo o exemplo de outras universidades brasileiras como PUC (Rio Grande do Sul) e UEFS (Bahia). Os resultados obtidos apontam também para a necessidade da implantação urgente de uma usina de compostagem, a qual permitirá aproveitar esse tipo de lixo na condição de composto orgânico, onde o mesmo poderia ser utilizado como adubo nos jardins e demais áreas verdes do Campus. Vale salientar que esta usina de compostagem trará diversos benefícios à comunidade universitária principalmente ao meio ambiente, diminuindo sensivelmente os impactos ambientais negativos provocados em decorrência do destino inadequado dos resíduos sólidos orgânicos. Além disso, a implantação de uma usina de compostagem representa a construção de um laboratório vivo de estudos para os alunos dos diversos cursos da UEPB, como também para os alunos dos outros níveis de ensino. Para atingir estes objetivos foi fundamental a realização de Educação Ambiental de forma contínua e permanente, cumprindo o que determina o artigo 225 da Constituição Federal e a Lei 9795/99 que institui a política nacional de educação ambiental. De acordo com Souza (1998) isto é um grande desafio, já que o paradigma reducionista, disciplinar ainda é predominantemente na educação superior. 4 - CONLUSÕES E SUGESTÕES Os resultados da pesquisa mostram que dos resíduos sólidos produzidos pela comunidade acadêmica, a maior quantidade é de matéria orgânica, a qual pode ser perfeitamente aproveitada. Em segundo lugar tem-se o aterro, que por ser um lixo não reciclável pode ser encaminhado para o lixo da cidade. O lixo patogênico deve ser bem acondicionado e incinerado com os devidos cuidados. Os outros materiais como o vidro, plástico e o metal poderiam ser transferidos para a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), pois lá existe um grupo que trabalha com reciclagem destes. Foi constatados a necessidade da implantação da coleta seletiva do lixo e o estabelecimento de uma Usina de Compostagem para o aproveitamento do lixo orgânico. A coleta seletiva com toda certeza contribuirá para amenizar diversos problemas detectados: desperdício de recursos naturais, falta de sensibilização da comunidade acadêmica, acondicionamento e destinos inadequados dos resíduos sólidos, limpeza do Campus, quantidade de resíduos sólidos produzidos e outros impactos ambientais. Para atingir estas metas é fundamental não esquecer que a participação da comunidade acadêmica é imprescindível, sendo necessário continuar com o processo de educação ambiental, iniciado neste trabalho, de forma contínua e permanente em todos os conteúdos e disciplinas. O trabalho de Educação Ambiental foi um veículo importantíssimo na execução e realização dessa pesquisa, atribuindo-se a este o grande êxito dos resultados. 5 - REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.NBR 8419: Apresentação de projeto de aterros sanitários de resíduos sólidos urbanos. Procedimentos. Rio de Janeiro, 1984. 13 p. BRASIL. 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Coleta Seletiva de Lixo: Uma alternativa ecológica no manejointegrado dos resíduos sólidos urbanos. Dissertação de Mestrado apresentada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. São Paulo, 102 p. 1995. SILVA, Monica Maria Pereira da. Educação Ambiental Integrada a Coleta Seletiva de Lixo. Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Educação Ambiental da UEPB. Paraíba, 93 p. 1995. SILVA, Monica Maria Pereira da. Estratégias em Educação Ambiental. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa Regional de Pós-graduação de Desenvolvimento e Meio Ambiente – PRODEMA/UFPB/UEPB. João Pessoa, 115 p. 2000. SOUZA, José Luiz de. Projeto: Central de Tratamento de Resíduos Sólidos de Campina Grande. Projeto apresentado a Prefeitura Municipal de Campina Grande: Secretaria de Agricultura, Recursos Hídricos e Meio ambiente. Campina Grande – PB, 120 p. 1998. VILHENA, André. Guia de Coleta de Lixo. São Paulo: CEMPRE, 1999. [1] - Biólogas bacharéis, licenciadas e mestras em Engenharia Agrícola / Departamento de Engenharia Agrícola/ CCT/UFCG. [3] - Professores orientadores Dr. em meio ambiente e física do solo, respectivamente: Departamento de Biologia/CCBS/UEPB Departamento de Engenharia Agrícola/ CCT/UFCG.