Revista de Biologia e Ciências da Terra
ISSN: 1519-5228
[email protected]
Universidade Estadual da Paraíba
Brasil
Xavier Costa, Fabiana; A. de Lucena, Amanda Micheline; Tresena, Nubenia de L.; S. Guimarães,
Fabiana; B. Guimarães, Márcia Maria; P. da Silva, Monica Maria; Carvallo Guerra, Hugo O.
Estudo qualitativo e quantitativo dos resíduos sólidos do Campus I da Universidade Estadual da
Paraíba
Revista de Biologia e Ciências da Terra, vol. 6, núm. 1, primer semestre, 2006, p. 0
Universidade Estadual da Paraíba
Paraíba, Brasil
Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=50060102
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REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA
ISSN 1519-5228
Volume 4- Número 2 - 2º Semestre 2004
Estudo qualitativo e quantitativo dos resíduos sólidos do Campus I da
Universidade Estadual da Paraíba
Fabiana Xavier Costa1; Amanda Micheline A. de Lucena1 ; Nubenia de L. Tresena1; Fabiana S. Guimarães2
; Márcia Maria B. Guimarães1 ; Monica Maria P. da Silva3 & Hugo O. Carvallo Guerra1
Resumo
O trabalho objetivou caracterizar os resíduos sólidos produzidos na Universidade Estadual
da Paraíba, observar o destino final destes, sensibilizar a comunidade acadêmica sobre a
problemática ambiental e contribuir para a implantação da coleta seletiva. O trabalho foi
executado em três momentos: No primeiro foi feita uma caracterização dos resíduos
sólidos. No segundo foi observado o destino final dos resíduos sólidos e no terceiro
momento foi realizado um trabalho de sensibilização com a comunidade acadêmica. De
acordo com os dados obtidos verificou-se que o resíduo mais produzido na UEPB é o
orgânico totalizando uma produção de 441 kg/semana, correspondendo a um percentual
de 82,3% do total dos resíduos sólidos. O destino final dado aos resíduos sólidos gerados
diverge das normas ecológicas exigidas pela constituição em seu Art. 225/parágrafo 1º. A
Universidade transfere problemas, conduzindo os resíduos para o Lixão da cidade,
gerando, assim, outro problema para o meio ambiente e saúde da população. Os
resultados revelam que é fundamental a implantação da coleta seletiva neste Campus, a
qual deverá se estender aos demais, porém é prioritária a realização de uma Educação
Ambiental de forma contínua e permanente.
Palavras chave: resíduos sólidos, meio ambiente, educação ambiental, coleta seletiva.
Abstract
The work aimed to characterize de solid waste produced at the State University of
Paraíba, observe the final destination of them , sensibly the community on the global
waste problems and contribute to the selective collect implementation. It was executed in
three steps: The first a characterization of all the wastes founded on the Campus. In
second place it was identified the final destination of the solids waste and in the third step
it was conducted an educational process aiming the sensibilization of the community.
According with the results it was found that the most common residue was organic waste
with a total production of 441 kg/week, corresponding to a total of 82,3% of the total
residues collected at the Campus. It also was observed that the deposition of the wastes
does not agree with the ecological rules established by the Art.225, Paragraph 10 of the
Brazilian Federal Constitution. The results showed that is quite necessary the
implementation of a selective collect. This sort of collect will have to be extended to the
rest of the community, however it is necessary the execution of an constant and
permanent Ecological Education Process.
Key words: solid wastes, environment, environmental education, selective collect.
1 - INTRODUÇÃO
O interesse com as questões ambientais parece acontecer em ondas sucessivas e na
contingência da conjuntura vigente: forças políticas e pressões econômicas e ideológicas.
Os recursos naturais têm sido explorados no planeta de forma muito errônea e a
conseqüência disso, é o desequilíbrio ambiental, onde um dos grandes problemas é a
produção crescente de resíduos sólidos. De acordo com Nunesmaia (1997), os resíduos
urbanos constituem uma das grandes preocupações das sociedades contemporâneas.
Eles contribuem de forma dilaceradora com a destruição do meio ambiente, pois seus
efeitos poluidores são responsáveis pela poluição visual, poluição das águas, rios, mar e
oceanos, sem falar nas doenças que acometem o homem. De fato, a humanidade está
perdida em seu papel de preservação do meio ambiente. É preciso fazer uma reflexão
ambiental e tentar solucionar o problema na fonte geradora antes que nosso tão
ameaçado meio ambiente entre em colapso (Carvalho, et al. 2000). Para isso é
necessário fiscalização para o cumprimento das leis, educação ambiental, ações
ambientalistas e pressão sobre as autoridades administrativas para a criação de políticas
ambientais adequadas à realidade brasileira. De acordo com a Constituição Federal, Art.
225, do Meio Ambiente “Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
bem de uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder
público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras
gerações” (Brasil, 2000).
A problemática do lixo urbano envolve basicamente dois fatos importantes: por um lado, a
ausência de uma política de gestão por parte do poder público e, por outro, o crescente
aumento na produção de lixo pela sociedade. Sabe-se que esse problema não poderá
ser resolvido apenas com a proposição de uma política de planejamento de coleta,
transporte e destino final do lixo pelas autoridades competentes, ao final de contas as
cidades brasileiras que tratam o lixo urbano e lhe dão destino final correto são raras. A
população também deve assumir sua responsabilidade e desempenhar ações relativas ao
lixo por ela própria gerado. E isso só será possível através de seu envolvimento num
processo de educação ambiental (Nunesmaia apud Dias, 1993). A educação ambiental é
um instrumento fundamental na sensibilização da população para qualquer trabalho ou
projeto voltado para o meio ambiente. De acordo com Matos (1998) é a avaliação,
percepção e conscientização ecológica de uma população ou comunidade.
Os resíduos sólidos são classificados de acordo com sua natureza e qualidade. Sua
classificação se dá da seguinte maneira: Urbanos, Industriais, Radioativos, dos serviços
de saúde e agrícolas. A composição do lixo urbano é influenciada por diversos fatores,
dentre as quais, condições sócio-econômicas e hábitos da população de cada
comunidade, desenvolvimento industrial, população flutuante (turismo) e sazonalidade.
No Brasil ainda são escassos os dados disponíveis sobre a composição do lixo urbano
nas cidades. Entretanto, segundo dados recentes, os resíduos domésticos brasileiros
apresentam uma composição média de 50% de matéria orgânica, 30% de materiais
descartáveis e 20% de materiais com potencial de reciclagem (Neto & Lima, 1993, citado
por Nunesmaia, 1997).
Das medidas existentes para um adequado destino final dos resíduos sólidos a mais
recente e ecológica é a coleta seletiva, que consiste em separar os resíduos de acordo
com sua natureza e conduzi-los a uma usina de reciclagem para transformar esses
resíduos em matéria prima e encaminhar para as indústrias. De acordo com Carvalho et
al. (2000) reduzir a quantidade de resíduos produzidos, eliminar a produção de resíduos
tóxicos, reutilizar o que for possível, reciclar o que for reciclável são metas que os
ambientalistas podem ajudar a alcançar.
O presente estudo teve como objetivos: Identificar e caracterizar os resíduos sólidos
gerados no Campus I da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB); observar o destino
dado aos resíduos, sensibilizar a comunidade universitária sobre a problemática dos
resíduos sólidos e contribuir para a implantação da coleta seletiva dos mesmos nessa
universidade.
2 - MATERIAL E MÉTODOS
2.1 - Localização da pesquisa
O trabalho foi desenvolvido de maio a dezembro de 2003, no Campus I da
Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) localizado no Bairro de Bodocongó em
Campina Grande – PB - Brasil. O Campus compreende 304 professores, 78
funcionários e 2.945 alunos, totalizando 3.327 pessoas. O projeto envolveu os
cursos
de Estatística, Física, Matemática, Química, Ciências Biológicas,
Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Odontologia e Psicologia.
Além dos cursos trabalhados, o projeto envolveu o Restaurante Universitário
(RU), (800 pessoas/dia), Biblioteca (270 pessoas/dia), Reitoria do Campus (30
pessoas/dia), Praça da Alimentação (900 pessoas/dia) e PROEG (Pró-Reitoria de
Ensino e Graduação) (86 pessoas/dia).
2.2 - Momentos da pesquisa
a) Caracterização dos resíduos sólidos
Para saber a qualidade e quantidade dos resíduos sólidos gerados na UEPB
foi preciso fazer uma caracterização dos resíduos, de acordo com sua
natureza (orgânica, inorgânica, patogênico e aterro (lixo não reciclável ou
inerte) Isto, segundo Vilhena (1999) permite estruturar melhor todas as etapas
do projeto.
Em pontos estratégicos de cada local trabalhado foram colocados cestos com
a cor padrão da coleta seletiva, de acordo com o tipo de resíduo, ou seja,
papel, plástico, vidro, metal, lixo orgânico, lixo patogênico e aterro. Para o lixo
patogênico foi utilizado um cesto branco, por ser um lixo hospitalar. E para o
aterro foi utilizado um cesto cinza. Para o papel azul, para o plástico vermelho,
para o metal amarelo, para o vidro verde e para o lixo orgânico cor de rosa.
A caracterização e pesagem dos resíduos sólidos foram realizadas
diariamente, sempre no final da noite, no Laboratório de Saneamento
Ambiental da UEPB. A caracterização dos resíduos foi feita de acordo com o
número de freqüência de pessoas em cada setor trabalhado, obtendo-se
assim, uma produção per cápita dos resíduos sólidos produzidos.
b) Estudo do destino dos resíduos sólidos
A observação do destino dado aos resíduos sólidos no Campus I da UEPB foi
realizada através de visitas aos locais de geração, acondicionamento e
destino final dos resíduos sólidos.
c) Educação ambiental:
Um processo de sensibilização foi desenvolvido no sentido de obter uma
mudança de comportamento da comunidade universitária (professores,
funcionários e alunos) com relação aos resíduos sólidos. A metodologia
utilizada incluiu palestras mostrando a problemática do lixo, soluções para
evitar os problemas e noções sobre o meio ambiente. Para isto foram
utilizados álbuns seriados, cartazes, folhetos informativos, cestos coloridos e
sacos plásticos.
3 - RESULTADOS E DISCUSSÃO
a) Caracterização dos resíduos sólidos
As caracterizações qualitativas e quantitativas dos resíduos sólidos gerados no
Centro de Ciências e Tecnologia (CCT) encontram-se na Tabela 01.
Tabela 01: Caracterização qualitativa e quantitativa dos resíduos sólidos gerados no CCT.
Parâmetro
Aterro
Lixo
orgânico
Lixo
patogênico
Papel
Plástico
Vidro
Metal
TOTAL
Kg/semana Porcentagem Pessoas/dia
16,27
49,6
7,61
23,2
-
-
-
4,16
3,15
1,09
0,50
32,78
12,7
9,6
3,4
1,5
100,0
900
900
De acordo com os dados apresentados na Tabela 01 o resíduo mais produzido no
CCT é o aterro, compreendendo um percentual de 49,6%, seguido pelo lixo
orgânico com um 23,2%. De acordo com Nunesmaia (1997), o lixo denominado
aterro é definido como a fração não re-aproveitável nem reciclável (ainda não
valorizada), como por exemplo: papel carbono, com gordura, stencil, copos
descartáveis, canudos, fraldas descartáveis, papel higiênico usado. O resíduo
menos produzido é o metal, com um percentual de 1,5%, já que o CCT lida com o
resíduo químico, esse é um dos motivos da pouca geração de metal. O lixo
patogênico por sua vez, não é produzido por não existir clínicas nem laboratórios.
A caracterização dos resíduos sólidos gerados no Centro de Ciências Biológicas e
da Saúde (CCBS), são mostrados na Tabela 02.
Tabela 02- Caracterização dos resíduos sólidos gerados no CCBS.
Parâmetro kg/semana
Porcentagem
Pessoas/dia
(%)
Aterro
19,57
35,3
Lixo
orgânico
12,39
22,4
6,07
Lixo
6,22
patogênico
7,40
Papel
0,60
Plástico
3,15
Vidro
11,0
11,2
13,4
2.418
1,0
5,7
Metal
TOTAL
55,40
100
2.418
Verifica-se que, assim, como no CCT, no CCBS o resíduo mais gerado foi o aterro,
com uma percentagem de 35,3%. A quantidade de pessoas que freqüentam o
CCBS é muito grande, motivo pelo qual gera-se muito papel higiênico, copos
descartáveis e papéis com gordura. De igual forma, o lixo orgânico ocupou o
segundo lugar com 22,40%. O vidro foi o resíduo menos gerado, com uma
percentagem de 1%. Esse percentual pequeno decorre do fato que os laboratórios
e clínicas, do CCBS reutilizam seus vidros.
Em relação ao lixo patogênico o percentual de 11,00% resulta da existência de
numerosas clínicas e laboratórios, fato que não acontece nos demais setores
trabalhados. De acordo com Souza (1998), os resíduos dos serviços de saúde
provenientes dos hospitais, postos de enfermagem, postos de saúde, clínicas
veterinárias e clínicas em geral de saúde, bem como farmácias devem ser
incineradas em muflas com circulação dos gases, onde as substâncias tóxicas
como furanos e dioxinas são destruídas. Isto não é feito na UEPB. Aqui o lixo
patogênico tem o mesmo acondicionamento e destino dos demais.
Na Tabela 03, estão apresentados os dados relacionados aos resíduos sólidos
gerados na Reitoria do Campus.
Tabela 03: Produção de resíduos sólidos gerados na Reitoria do Campus.
Parâmetro
kg/semana
Aterro
Lixo orgânico
Lixo
patogênico
Papel
Plástico
Vidro
Metal
TOTAL
1,44
0,66
0,40
0,54
1,03
2,22
Porcentagem
(%)
22,9
10,5
6,4
8,5
16,4
35,3
6,29
100
Pessoas/dia
30
30
Analisando os dados da Tabela 03, constata-se que na Reitoria do Campus
encontra-se o maior percentual de metal, 35,3%. Isso ocorre devido à que dentro
da Reitoria existe uma oficina que trabalha na fabricação e manutenção de móveis
de metal. Segundo Reinfield (1994), os metais e principalmente o alumínio devem
ser coletados separadamente, já que este metal é, de fato, o material reciclável
perfeito para a fabricação de latas de bebidas. A reciclagem economiza até 95% da
energia usada na conversão da bauxita. Considere que os quase 2,2 milhões de
toneladas de alumínio recicladas desde 1986 economizaram cerca de 8 milhões de
toneladas de bauxita, 4 milhões de toneladas de produtos químicos e 30 bilhões de
quilowatts-hora de eletricidade.
Na Tabela 04 são apontados os resultados referentes à caracterização dos
resíduos sólidos produzidos no Centro de Pós-Graduação da UEPB.
Tabela 04: Produção de resíduos sólidos gerados no Centro de Pós-graduação.
2,56
0,20
1,35
0,35
Porcentagem
Pessoas/dia
(%)
57,4
4,5
30,3
86
7,8
4,46
100
Parâmetro kg/semana
Aterro
Lixo
orgânico
Lixo
patogênico
Papel
Plástico
Vidro
Metal
TOTAL
86
Observa-se que, da mesma forma como acontece no Centro de Ciências e
Tecnologia e no Centro de Ciências Básicas da Saúde, no Centro de Pós
Graduação gera-se o maior percentual de aterro, 57,4%. Plásticos e vidro não são
produzidos, pois o local é pouco freqüentado, conforme mostra a Tabela 04,
gerando, assim poucos resíduos.
Na Tabela 05 encontra-se a caracterização dos resíduos sólidos da Biblioteca.
Tabela 05: Produção de resíduos sólidos gerados na biblioteca:
Parâmetro
kg/semana
Aterro
Lixo
orgânico
Lixo
patogênico
Papel
Plástico
Vidro
Metal
TOTAL
4,74
5,16
0,42
0,21
Porcentagem
Pessoas/dia
(%)
45,0
49,0
270
4
2
10,53
100
270
Constata-se que na Biblioteca do Campus, por ser um local específico para estudo
e consulta de referências não existe lixo orgânico, vidro nem patogênico. O papel
limpo lidera com um percentual de 49%, comparado com os outros locais
trabalhados. Isto é resultado dos livros e revistas descartados periodicamente, que
segundo os funcionários, não servem mais como referências. Em segundo lugar
tem-se o aterro com um percentual de 45% que também inclui papel. Segundo
Reinfeld (1994), o papel é o maior componente dos aterros sanitários de uma
comunidade, podendo representar até 50% do total dos aterros sanitários. Além de
economizar árvores, a reciclagem do papel reduz a poluição da água em até 35% e
a do ar em 65%. Para Reinfeld (1994), o papel limpo com fibras longas consegue
os preços mais elevados; já o papel sujo pode não ter valor. Daí a importância da
separação na fonte do papel.
Na Tabela 06, são apresentados os dados decorrentes da caracterização dos
resíduos sólidos gerados no Restaurante Universitário e na Praça da Alimentação.
Examinando os dados da Tabela percebe-se que estes locais por serem áreas
designadas para a alimentação da comunidade acadêmica são os locais que mais
geram resíduos sólidos orgânicos com um percentual de 97,21%, equivalente a
450,77 kg/semana de lixo orgânico. O pouco plástico produzido (0,26%) deve-se
ao fato de que os refrigerantes vendidos vêm em latas ou em garrafas de vidro. Os
plásticos provem dos sacos de arroz, feijão, macarrão, café e outros alimentos os
quais não servem para serem reciclados, pois não obedecem as normas da
reciclagem. Não são resistentes, ou seja, não são da categoria tereftalato de
polietileno (PETE), nem polietileno de alta densidade (HDPE) conhecida como os
principais plásticos recicláveis segundo Reinfeld (1994). O metal é produzido, em
decorrência dos enlatados. Por ser uma área designada unicamente para
alimentação, não foi encontrado lixo patogênico.
Tabela 06: Produção de resíduos sólidos gerados no Restaurante Universitário (R.U.) e na Praça da
Alimentação:
Porcentagem
Pessoas/dia
(%)
1,32
6,12
Aterro
450,77 97,21
Lixo
orgânico
0,51
2,35
Lixo
1700
0,36
patogênico 1,66
0,09
0,42
Papel
0,51
2,38
Plástico
Vidro
Metal
TOTAL
463,7
100
1700
Parâmetro kg/semana
Na Tabela 07 estão resumidos os dados referentes a caracterização dos resíduos
sólidos em todo Campus I da UEPB.
Tabela 07: Produção total dos resíduos sólidos gerados em todo o Campus I da UEPB.
Parâmetro kg/semana
Aterro
Lixo
orgânico
Lixo
patogênico
Papel
Plástico
Vidro
Metal
TOTAL
50,70
471,63
6,07
19,64
13,17
3,14
8,81
573,16
Porcentagem
Pessoas/dia
(%)
8,8
82,3
1,1
3,4
5.404
2,3
0,6
1,5
100
5.404
Os locais que mais geram lixo são o Restaurante Universitário, produzindo 471,63
kg/semana de lixo orgânico, tendo uma freqüência de 800 pessoas por dia e o
Centro de Ciências e Tecnologia (CCT), produzindo 16,27 kg/semana de aterro,
com uma freqüência de 900 pessoas por dia.
De acordo com os dados expostos na Tabela 07 conclui-se que a UEPB produz
mais de meia tonelada de resíduos sólidos por semana. Entre os resíduos sólidos
produzidos, o maior percentual corresponde ao lixo orgânico, com um percentual
de 82,3% representando assim quase meia tonelada por semana. Para Nunesmaia
(1997), a fração orgânica contida no lixo é a grande responsável pela produção de
chorume. O chorume, é definido pela NBR 8419 (Brasil/ABNT, 1984) como sendo o
líquido produzido pela decomposição de substâncias contidas nos resíduos sólidos,
que tem como características a cor escura, o mau cheiro e a elevada Demanda
Bioquímica de Oxigênio (DBO).
O segundo tipo de resíduo sólido mais produzido na UEPB foi o aterro, com um
percentual correspondente a 8,8%, uma quantidade significativa.
Outros materiais gerados como vidro plástico e metal poderão facilmente ser
reaproveitados por terceiros. Embora em pouca proporção (1,1%) o lixo patogênico
é um resíduo que não pode deixar de ser considerado.
b) Estudo do destino final dos resíduos sólidos
Constatou-se que todo os resíduos sólidos gerados no Campus I da UEPB são
levados pela Prefeitura da Cidade de Campina Grande para o Lixão, local de
despejo localizado a uns 10 Km da cidade. De acordo com Santos (1995), o
descaso das autoridades quanto à gestão dos resíduos sólidos, vulnera a
disponibilidade dos recursos hídricos para o homem manifestado isto
principalmente através da contaminação das águas de sub-superfície pela
infiltração do chorume no solo, que possa atingir o nível do lençol freático.
Dentre outros danos, o descarte de lixo em áreas vizinhas a cursos de água
acelera seu assoreamento e, dependendo da vazão, pode interferir aumentando
a Demanda Biológica de Oxigênio (DBO) e a Demanda Química de Oxigênio
(DQO) do meio. No que diz respeito ao lixo patogênico um problema grave
constatado através deste trabalho, pois o mesmo chega ao lixão misturado aos
ambiente e para saúde da população. O lixo patogênico é descartado
livremente no Lixão, onde seringas, luvas, agulhas, algodão e outros materiais
curativos ficam expostos causando sérios riscos às mais de 70 famílias que ali
vivem.
c) Educação ambiental:
Os resultados demonstram que é necessária a implantação da coleta seletiva
no Campus I da UEPB, podendo ser extensivo aos demais Campus, seguindo o
exemplo de outras universidades brasileiras como PUC (Rio Grande do Sul) e
UEFS (Bahia). Os resultados obtidos apontam também para a necessidade da
implantação urgente de uma usina de compostagem, a qual permitirá aproveitar
esse tipo de lixo na condição de composto orgânico, onde o mesmo poderia ser
utilizado como adubo nos jardins e demais áreas verdes do Campus. Vale
salientar que esta usina de compostagem trará diversos benefícios à
comunidade universitária principalmente ao meio ambiente, diminuindo
sensivelmente os impactos ambientais negativos provocados em decorrência
do destino inadequado dos resíduos sólidos orgânicos. Além disso, a
implantação de uma usina de compostagem representa a construção de um
laboratório vivo de estudos para os alunos dos diversos cursos da UEPB, como
também para os alunos dos outros níveis de ensino.
Para atingir estes objetivos foi fundamental a realização de Educação Ambiental
de forma contínua e permanente, cumprindo o que determina o artigo 225 da
Constituição Federal e a Lei 9795/99 que institui a política nacional de
educação ambiental. De acordo com Souza (1998) isto é um grande desafio, já
que o paradigma reducionista, disciplinar ainda é predominantemente na
educação superior.
4 - CONLUSÕES E SUGESTÕES
Os resultados da pesquisa mostram que dos resíduos sólidos produzidos pela
comunidade acadêmica, a maior quantidade é de matéria orgânica, a qual pode ser
perfeitamente aproveitada.
Em segundo lugar tem-se o aterro, que por ser um lixo não reciclável pode ser
encaminhado para o lixo da cidade. O lixo patogênico deve ser bem acondicionado e
incinerado com os devidos cuidados.
Os outros materiais como o vidro, plástico e o metal poderiam ser transferidos para a
Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), pois lá existe um grupo que
trabalha com reciclagem destes.
Foi constatados a necessidade da implantação da coleta seletiva do lixo e o
estabelecimento de uma Usina de Compostagem para o aproveitamento do lixo
orgânico. A coleta seletiva com toda certeza contribuirá para amenizar diversos
problemas detectados: desperdício de recursos naturais, falta de sensibilização da
comunidade acadêmica, acondicionamento e destinos inadequados dos resíduos
sólidos, limpeza do Campus, quantidade de resíduos sólidos produzidos e outros
impactos ambientais.
Para atingir estas metas é fundamental não esquecer que a participação da
comunidade acadêmica é imprescindível, sendo necessário continuar com o processo
de educação ambiental, iniciado neste trabalho, de forma contínua e permanente em
todos os conteúdos e disciplinas. O trabalho de Educação Ambiental foi um veículo
importantíssimo na execução e realização dessa pesquisa, atribuindo-se a este o
grande êxito dos resultados.
5 - REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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VILHENA, André. Guia de Coleta de Lixo. São Paulo: CEMPRE, 1999.
[1] - Biólogas bacharéis, licenciadas e mestras em Engenharia Agrícola / Departamento
de Engenharia Agrícola/ CCT/UFCG.
[3] - Professores orientadores Dr. em meio ambiente e física do solo, respectivamente:
Departamento de Biologia/CCBS/UEPB
Departamento de Engenharia Agrícola/
CCT/UFCG.
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