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©2014 Mônica Maria Farid Rahme; Marco Antônio Melo Franco; Luciana Crivellari Dulci (Orgs.)
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gravação, etc., sem a permissão da editora e/ou autor.
R1479 Rahme, Mônica Maria Farid; Franco, Marco Antônio Melo; Dulci, Luciana Crivellari.
Formação e políticas públicas na educação: tecnologias, aprendizagem, diversidade e
inclusão/Mônica Maria Farid Rahme; Marco Antônio Melo Franco; Luciana Crivellari
Dulci. Jundiaí, Paco Editorial: 2014.
304 p. Inclui bibliografia, inclui figuras, inclui tabelas.
ISBN: 978-85-8148-707-6
1. Políticas Públicas 2. Aprendizado 3. Diversidade 4. Desafios. I. Mariano, Mônica Maria
Farid Rahme; Marco Antônio Melo Franco; Luciana Crivellari Dulci.
CDD: 370
Índices para catálogo sistemático:
Educação – Pedagogia
Escola – Métodos de Ensino Pedagogia. A Escola – Política Escolar
IMPRESSO NO BRASIL
PRINTED IN BRAZIL
Foi feito Depósito Legal
370
371
Sumário
Prefácio.........................................................................................................5
Miguel G. Arroyo
Apresentação.............................................................................................9
Mônica Maria Farid Rahme; Marco Antônio Melo Franco; Luciana Crivellari Dulci
Capítulo 1
Antecedentes y Perspectivas del Futuro para la Formación de
Profesores en Latinoamérica................................................................15
Aracely Forero Romero
Capítulo 2
As Políticas de Expansão do Atendimento do Ensino Técnico e
suas Contraditórias Consequências....................................................45
Celso João Ferretti
Capítulo 3
A Formação para Gestão no Curso de Pedagogia: O Projeto
Pedagógico e a Formação do Pedagogo na Percepção dos/as
Alunos/as.....................................................................................................65
Celia Maria Fernandes Nunes; Regina Magna Bonifácio Araújo
Capítulo 4
Currículo: Traços da Produção Contemporânea no Brasil..........87
Cláudio Lúcio Mendes; Gabriela Pereira da Cunha Lima
Capítulo 5
Teses sobre Gênero e Desempenho Escolar: A Contribuição da
Psicologia..................................................................................................109
Marília Pinto de Carvalho
Capítulo 6
Diversidade e Inclusão Educacional no Ensino Superior: Um
Estudo sobre os Currículos dos Cursos da Ufop...........................135
Mônica Maria Farid Rahme; Margareth Diniz; Eliana do Nascimento Libanio Maia
Capítulo 7
Transformações no Ofício de Mestre e os Desafios da Tutoria
Virtual como Docência na Educação a Distância..........................167
Daniel Mill; Maria do Socorro Ribeiro Gonçalves
Capítulo 8
Tecnologia Assistiva: Mapeando a Área..........................................191
Alzino Furtado de Mendonça; Edna Lúcia Flores; Francisco Ramos de Melo;
Ricardo Antonio Gonçalves Teixeira; Renato de Sousa Gomide; Luiz Fernando Batista Loja
Capítulo 9
Educação Inclusiva: Considerações sobre Políticas Públicas e
Formação de Professores.....................................................................211
Marcilene Magalhães da Silva; Adilson Pereira dos Santos
Capítulo 10
Um Conflito na História da Educação de Pessoas com
Deficiência no Brasil..............................................................................231
Ubiratan Garcia Vieira
Capítulo 11
Das Práticas Discursivas às Práticas Docentes: Significados
Produzidos e Produzindo Fazeres Pedagógicos em Situações de
Inclusão.....................................................................................................257
Marco Antônio Melo Franco
Capítulo 12
Práticas de Letramento no Ciclo de Alfabetização: A Construção
da Leitura e da Produção de Textos no Fluxo das Interações em
Sala de Aula..............................................................................................281
Maria do Socorro Alencar Nunes Macedo
Prefácio
Miguel G. Arroyo1
Deixemo-nos interrogar
Os textos desta coletânea têm o mérito de colocar-nos questões
instigantes ao pensamento e à prática pedagógica. Sua leitura aponta
com destaque para dois campos de indagações: a formação docente e a
diversidade. A formação dos profissionais da docência e da pedagogia
está em questão não tanto porque novas teorias e novas tendências pedagógicas redefinem os currículos de formação, mas porque os próprios
docentes-educadores/as no fazer pedagógico nas escolas estão sendo
obrigados a redefinir e reinventar a docência. Obrigados a aprender,
produzir saberes docentes e pedagógicos nem sempre aprendidos nos
currículos de formação.
Mas por que nesta coletânea se articulam análises sobre formação
docente e a diversidade de gênero, etnia, raça, classe, deficiência? Poderíamos levantar a hipótese de que aumenta a consciência nas análises sobre a formação docente de que os docentes-educadores/as são
diversos, Outros, pressionados/as a repensar e reinventar sua docência
porque estão chegando às escolas, às salas de aula, infâncias-adolescências, jovens-adultos que nunca antes chegaram: os Outros. Com corpos
precarizados, socializados no trabalho pela sobrevivência, vivendo em
espaços sub-humanos, atolados em um viver-sobreviver provisório no
presente sem horizontes do futuro. A diversidade está posta nas escolas.
Diversos alunos/as e diversos mestres. Os currículos de formação poderão continuar sendo os mesmos?
Dos convívios tensos com essas infâncias-adolescências, chegam
as indagações mais desestruturantes para a docência, a pedagogia,
para as concepções de formação e de currículo. Indagações que de1. Professor Titular Emérito da Faculdade de Educação da UFMG. Doutor em Educação
pela Stanford University.
5
Mônica Maria Farid Rahme; Marco Antônio Melo Franco; Luciana Crivellari Dulci (Orgs.)
sestruturam protótipos do docente, de pedagogo que orientaram as
propostas, os currículos e os ideários até progressistas de formação. É
esperançador que indagações vividas pelos profissionais nas escolas,
públicas, sobretudo, cheguem aos debates sobre currículos de formação. Os diversos que chegam às escolas indagam modos hegemônicos
de pensá-los e de pensar-nos.
Os textos reconhecem que os currículos de formação estão em disputas que vêm dos sujeitos da prática pedagógica: dos Outros docentes-educadores/as que se reinventam para acompanhar infâncias-adolescências também Outras.
Há textos que encontram interrogações para os currículos de formação vindas de estarmos na dita sociedade do conhecimento, da informação, das novas tecnologias. Mas somos obrigados a perguntar-nos a
partir da diversidade se essas realidades mudam as formas de construir
o conhecimento e os processos humanos de aprender até dos subalternizados e marginalizados. Questões sérias, postas aos currículos pela
dita sociedade do conhecimento e da informação, mas que têm de ser
confrontadas com os padrões sociais-políticos de apropriação-expropriação-segregação do conhecimento, da informação e das tecnologias.
Sobretudo, exige realismo sobre em que essa dita sociedade do conhecimento altera os processos de viver, aprender, ler o mundo e se
ler e entender dos milhões de crianças-adolescentes, jovens-adultos na
pobreza extrema (17 milhões chegam às escolas cada dia), no trabalho
por sobreviver que chegam às escolas e com quem exercem a docência os
profissionais formados nos cursos de formação. Aí está um dos núcleos
tensos de disputa nos currículos.
Uma questão, ainda, que os docentes-educadores/as dessas infâncias-adolescências se colocam: que conhecimentos são legitimados pela
sociedade do conhecimento e das tecnologias de informação e que outros conhecimentos são marginalizados como não conhecimentos, e que
outros coletivos humanos não são reconhecidos produtores de conhecimentos. Questões a serem enfrentadas nas teorias dos currículos.
Articular análises sobre currículo, formação e diversidade nos leva
a reconhecer que as disputas por currículos de formação vêm da condição, do trabalho e das novas identidades docentes-educadoras que
inventam saberes, práticas para educar, ensinar as Outras infâncias-adolescências que chegam à educação básica. Questões que os textos
em sua diversidade apontam.
6
Formação e políticas públicas na educação: tecnologias, aprendizagem, diversidade e inclusão
Uma questão é se não é urgente rever uma velha tendência a configurar os currículos de formação a partir do alto, das leis, das diretrizes,
das tendências pedagógicas ou de um ideal de protótipo de docente-pedagogo até progressista a ser formado para intervir nas escolas. Se
o caminho não deverá ser partir da condição docente, do trabalho, das
identidades docentes e da realidade dos educandos/as para equacionar
que protótipo – não único, mas diverso – de docente-educador formar
para essa diversidade de infâncias e adolescências e de docentes. Que
identidades profissionais vem construindo o movimento docente ao reconhecer-se trabalhadores na educação? Esses saberes-identidades têm
lugar nos currículos de formação?
A tendência persistente a privilegiar nas análises sobre currículo de
formação um olhar do alto tem levado a um distanciamento entre os
ideários, os protótipos idealizados de professor-pedagogo a ser formado
e a condição, o trabalho docente real. Esse distanciamento se vem agravando nas últimas décadas com o avanço da democratização do acesso
das infâncias-adolescências e jovens-adultos populares. De sua diversidade e da precariedade de seu viver-sobreviver vem a urgência de descer
do alto das leis, das diretrizes, das tendências pedagógicas generalistas,
criticá-las a partir da infância-adolescência, jovens-adultos reais na concretude tensa de articular tempos de trabalho-sobrevivência e tempos
de escola, de articular os saberes, valores, identidades, culturas, socializações aprendidas nesse precário e provisório viver com os saberes,
valores, leituras dos currículos e das lições dos mestres.
Essas infâncias-adolescências em sua diversidade obrigam as teorias
do currículo e da formação a superar concepções únicas, supostamente
universais, de conhecimento, de currículo e de formação. A superar protótipos únicos de docente-pedagogo-educador. O território de currículo
passou a ser um território de disputas epistemológicas, de concepções de
conhecimento e de formação.2 Disputas por reconhecimento dos Outros, dos diversos, seus saberes, suas concepções, leituras de si e de mundo, como legítimos modos de pensar, de aprender. Reconhecimento dos
diversos como sujeitos históricos de produção de conhecimentos.
Articular currículos, formação e diversidade, tarefa que os textos
desta coletânea se propõem, nos leva a uma questão primeira: como
pensar os diversos? A tendência compassiva tem sido pensá-los como
2. Arroyo, Miguel. Currículo, território em disputa. Petrópolis: Vozes, 2011.
7
Mônica Maria Farid Rahme; Marco Antônio Melo Franco; Luciana Crivellari Dulci (Orgs.)
excluídos dos bens da Cultura, do Conhecimento, da Racionalidade
hegemônicas, únicas, produzidas e sistematizadas nas cidadelas dos
currículos. Logo políticas, currículos, inclusivos. Mas inclusivos na cidadela fechada dos currículos – gradeados – desde que consigam atestados de desempenhos ou se não forem reprovados. Nessas lógicas tem
sido equacionada a relação entre os diversos – excluídos – e os currículos
inclusivos. Os textos apontam para a urgência de superar essa visão dos
diversos como excluídos e essa benévola visão dos currículos inclusivos.
A tarefa nada fácil de tentar articular currículos, formação e diversidade exigirá uma questão prévia: como pensar os coletivos produzidos em nossa história como desiguais porque diversos?3 Paulo Freire na década de 1960 já usava um adjetivo mais político, mais radical:
oprimidos, subalternizados, pensados como sub-humanos, inexistentes,
logo inincluíveis, ineducáveis. Processos estruturais, políticos, sociais
e culturais que vão além do respeito à singularidade de cada um e que
complexificam a relação entre diversidade, currículos e formação.
Um caminho para entender os diversos será aproximar as análises da
visão que eles mesmos afirmam em seus movimentos e ações afirmativas. Têm consciência dos processos brutais, históricos de sua segregação, de pensá-los e alocá-los como sem direito a ter direitos à terra, teto,
trabalho, renda, justiça, sem direito a suas culturas, memórias, identidades, modos de pensar, de saber... Lutam pelo direito a que sua história
seja reconhecida nos currículos e na formação de professores.
Os textos desta coletânea ao atrever-se a articular currículos, formação docente e pedagógica e diversidade provocam com sua leitura
essas e outras interrogações tão desestruturantes do pensamento e das
tendências pedagógicas.
3. Reflito sobre essa questão em “Políticas educacionais e desigualdades: a procura de
novos significados”. Educação & Sociedade, Campinas, v. 113, 2010. Também em Outros
Sujeitos, Outras Pedagogias. Petrópolis: Vozes, 2010.
8
Apresentação
Mônica Maria Farid Rahme
Marco Antônio Melo Franco
Luciana Crivellari Dulci4
O Simpósio de Formação e Profissão Docente – SIMPOED – é um
evento científico, de caráter nacional, realizado desde 2003 por iniciativa
do Departamento de Educação da Universidade Federal de Ouro Preto
(DEEDU/UFOP). Atualmente, o SIMPOED é organizado e realizado
pelo DEEDU e pelo Programa de Pós-Graduação – Mestrado em Educação (PPGE/UFOP). O evento articula ensino, pesquisa e extensão,
reunindo profissionais da educação básica, ensino superior e sociedade
civil, bem como estudantes dos cursos de graduação e pós-graduação. O
SIMPOED tem como objetivo socializar e discutir trabalhos produzidos no campo educacional, com especial destaque para as temáticas de
formação de professores, profissionalização e trabalho docente.
Em 2013, o SIMPOED completou dez anos de atividade, realizando sua nona edição comemorativa, que teve como tema Formação de professores e Políticas públicas. Além da temática geral, oito eixos específicos
orientaram toda a dinâmica de construção do evento, foram eles: Identidade, profissão e condição docente; Formação de professores e as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs); Políticas de formação
docente inicial e continuada; Avaliação educacional; Gestão da educação; Aprendizagem e prática docente; Educação quilombola, do campo,
indígena, de Jovens e Adultos, Profissional; Educação inclusiva: pessoas
com deficiência, em situação de vulnerabilidade, gênero e sexualidade.
Na edição comemorativa, realizada na cidade de Ouro Preto (MG),
vivenciamos duas novas experiências, pois compartilhamos parte da
programação do evento com o VII Seminario Taller Internacional Vendimia – organizado pelo Centro de Investigación Vendimia e vinculado à
Red Del Doctorado Ciencias de La Educación de RUDECOLOMBIA – e
com o IV Encontro do Núcleo de Educação Inclusiva (NEI/UFOP).
4. Professores do Departamento de Educação – Universidade Federal de Ouro Preto.
Integrantes da Comissão de Organização do IX SIMPOED.
9
Mônica Maria Farid Rahme; Marco Antônio Melo Franco; Luciana Crivellari Dulci (Orgs.)
A parceria de trabalho com o Centro de Investigación Vendimia – que
agrega pesquisadores de língua espanhola em torno do tema docência –
favoreceu uma troca de saberes e de produções brasileiras e latino-americanas, expandindo laços de trabalho e possibilitando a articulação de
um intercâmbio acadêmico entre a UFOP e a RUDECOLOMBIA –
uma rede colombiana que agrega dez universidades nas áreas da educação, engenharias, medicina, dentre outras. Integrantes do Centro de
Investigación Vendimia participaram da programação do IX SIMPOED
e tiveram também seus momentos de discussão específica, mas aberta a
todo o público interessado.
A parceria com o NEI/UFOP na programação do IX SIMPOED possibilitou o aprofundamento de discussões sobre a inserção de
estudantes com deficiência no ensino superior, bem como a circulação
de tecnologias voltadas para esse propósito, permitindo que os participantes tivessem um contato próximo com recursos tecnológicos diversificados da área da Educação Especial. É importante destacar, ainda,
a presença ativa de professores e estudantes com deficiência no evento.
Os trabalhos apresentados no IX SIMPOED, no formato de comunicação oral e poster, foram registrados nos Anais eletrônicos do evento,
em CD-ROM. Entretanto, um conjunto relevante de discussões não
havia entrado nesse registro e merecia ser socializado junto à comunidade acadêmica. Diante disso, a Comissão de organização estruturou duas publicações destinadas aos oito eixos temáticos abordados no
evento, envolvendo, para tanto, profissionais que participaram de mesas
e oficinas, integrantes do Comitê Científico, professores e discentes da
UFOP, em especial do Mestrado em Educação.
As duas publicações que ora apresentamos – Formação e políticas públicas na educação: profissão e condição docente e Formação e políticas públicas
na educação: tecnologias, aprendizagem, diversidade e inclusão – materializam a riqueza temática que experimentamos durante a realização do IX
SIMPOED, e transmitem o clima propício a interlocuções e troca de
ideias, movimentos que marcaram de forma singular toda a programação dessa edição comemorativa.
Este volume é composto por doze capítulos, que problematizam o
tema da formação docente e das políticas públicas, a partir de discussões
sobre tecnologias, aprendizagem, diversidade e inclusão.
No primeiro capítulo, “Antecedentes y perspectivas del futuro para
la formación de profesores en latinoamérica”, Aracely Forero Romero
10
Formação e políticas públicas na educação: tecnologias, aprendizagem, diversidade e inclusão
(Universidad Pedagogica y Tecnologica de Colombia – UPTC) revisa elementos fundamentais de uma formação docente conectada aos
desafios de nosso tempo, quando as Tecnologias da Informação e da
Comunicação (TICs) transformam a prática educativa. Para tanto,
a autora reflete sobre as particularidades da história da educação no
contexto da América Latina, que se diferencia da europeia e da norte-americana; apresenta uma reflexão sobre a educação mediada pelas
TICs; e, por fim, analisa algumas iniciativas que incorporam essas
mudanças na formação docente.
No segundo capítulo, “As políticas de expansão do atendimento
do ensino técnico e suas contraditórias consequências”, Celso Ferretti
(UTFPR) discorre sobre as políticas de expansão do ensino técnico
brasileiro, que aparecem na segunda metade da década de 2000,
por intermédio do Plano de Desenvolvimento da Educação e que se
materializam com a criação dos Institutos Federais de Educação,
Ciência e Tecnologia (IFs). Em uma cuidadosa exposição de dados,
trata das motivações geradoras destas políticas, como elevar o nível de
escolaridade da população e incluir grupos historicamente excluídos
da educação básica, bem como ajudar a resolver a situação do grande
desemprego juvenil no Brasil. Contudo, o autor questiona a qualidade
da educação ofertada e aponta para uma outra questão a ser considerada,
diferentemente do que indicam os discursos oficiais, que seria a produção
instrumental de uma mão de obra adequada às necessidades do capital
e à economia vigente no país.
No terceiro capítulo, “A formação para gestão no curso de Pedagogia: o projeto pedagógico e a formação do pedagogo na percepção dos/
as alunos/as”, Célia Maria Fernandes Nunes (UFOP) e Regina Magna
Bonifácio Araújo (UFOP) analisam as relações estabelecidas entre o
pedagogo, em formação, e o currículo do seu curso, que tem como base
as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Pedagogia-Licenciatura, instituído em 2006. O objetivo do trabalho é compreender
o profissional que está sendo formado hoje, diante do atual currículo,
conhecer as expectativas que os alunos têm em relação à formação do
pedagogo e em que medida o atual currículo contempla a formação
para a gestão.
No quarto capítulo, “Currículo: traços da produção contemporânea
no Brasil”, Cláudio Lúcio Mendes (UFOP) e Gabriela Pereira da Cunha
11
Mônica Maria Farid Rahme; Marco Antônio Melo Franco; Luciana Crivellari Dulci (Orgs.)
Lima (UFOP) discutem a lógica que estrutura diferentes abordagens
sobre o currículo no Brasil, problematizando seus sentidos, fundamentações e jogos de verdade. Para tanto, trabalham com “traços da produção
contemporânea brasileira” representada pelos seguintes estudiosos: Paulo
Freire, Demerval Saviani, Tomaz Tadeu da Silva e Alfredo Veiga-Neto.
Os autores destacam as relações de poder presentes no currículo, indicando que, se por um lado, essas relações se concretizam pelas desigualdades que criam, por outro lado, as relações de poder se materializam no
currículo justamente pela alternância de poder que as concretiza.
No quinto capítulo, “Teses sobre gênero e desempenho escolar: a
contribuição da psicologia”, Marília Pinto de Carvalho (USP) apresenta
um levantamento de teses e dissertações produzidas em programas de
pós-graduação, no Brasil, no período compreendido entre os anos de
1993 e 2007. A produção apresentada pela autora aborda as interfaces
entre as relações de gênero e desempenho escolar. São analisadas produções realizadas em programas de psicologia ou trabalhos provenientes
de outros campos de conhecimento que tenham a abordagem psicológica como principal referência.
No sexto capítulo, “Diversidade e inclusão educacional no ensino
superior: um estudo sobre os currículos dos cursos da UFOP”, Mônica Maria Farid Rahme (UFOP), Margareth Diniz (UFOP) e Eliana
do Nascimento Libanio Maia (UFOP) apresentam resultados de uma
investigação de iniciação científica sobre a questão da diversidade e da
inclusão educacional nos currículos dos cursos presenciais de graduação
da UFOP (licenciatura e bacharelado). As autoras realizaram um levantamento das ementas, programas de disciplina e projetos dos 37 cursos
de graduação localizados nos três campi da UFOP, situados nas cidades
de Mariana, Ouro Preto e João Monlevade, verificando a presença ou
não dos temas deficiência, etnia, gênero e sexualidade nesse material.
A partir dos dados sistematizados, desenvolvem uma discussão bastante
atual sobre currículo, ensino superior e diversidade.
No sétimo capítulo, “Transformações no ofício de mestre e os desafios da tutoria virtual como docência na educação a distância”, Daniel
Mill (UFSCar) e Maria do Socorro Ribeiro Gonçalves (UNIMONTES) discutem a constituição da docência virtual, a partir da tutoria no
contexto da Educação a Distância (EaD), considerando as novas configurações do fazer pedagógico, as mudanças do seu perfil e as transfor12
Formação e políticas públicas na educação: tecnologias, aprendizagem, diversidade e inclusão
mações pelas quais a profissão docente vem passando nos últimos anos,
em decorrência da expansão da EaD. Essa discussão abrange, ainda,
uma investigação sobre os modelos pedagógicos empregados no ensino à
distância e uma comparação com o modelo típico à docência presencial.
No oitavo capítulo, “Tecnologia assistiva: mapeando a área”, Alzino Furtado de Mendonça (IFG), Edna Lúcia Flores (UFU), Francisco
Ramos de Melo (UEG), Ricardo Antonio Gonçalves Teixeira (UFG),
Renato de Sousa Gomide (IFG) e Luiz Fernando Batista Loja (IFG)
buscam traçar uma visão panorâmica sobre a Tecnologia Assistiva como
área de conhecimento. Ao longo do texto, os autores discutem os diferentes aspectos que envolvem esse campo de conhecimento, como a sua
semântica, a perspectiva da inovação tecnológica, os contextos social e
político e, por fim, a finalidade da tecnologia. A discussão tem o propósito de aproximar o leitor dos conhecimentos produzidos na área da
tecnologia assistiva.
No nono capítulo, “Educação inclusiva: considerações sobre políticas públicas e formação de professores”, Marcilene Magalhães da Silva
(UFOP) e Adilson Pereira dos Santos (UFOP) abordam a importância
de se criar uma cultura inclusiva nos sistemas institucionais, sobretudo
no escolar. Focalizando a educação de pessoas com deficiência, destacam a necessidade de conciliar a garantia do direito à educação ao
avanço acadêmico dos sujeitos. Os autores apresentam políticas públicas
em educação inclusiva, evidenciando a importância de uma formação
inicial de professores que dialogue com os desafios existentes na realidade das instituições educacionais.
No décimo capítulo, “Um conflito na história da educação de pessoas com deficiência no Brasil”, Ubiratan Garcia Vieira (UFOP) discute as representações da inclusão e da exclusão educacional em conflito
no atual contexto da educação voltada para pessoas com deficiência no
Brasil. O autor analisa o conflito jurídico desencadeado entre a Federação Nacional das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (FENAPAE) e o Ministério Público Federal, ocorrido em 2004 e 2005,
como caso ilustrativo do referido contexto. Considerando a história da
educação de pessoas com deficiência no Brasil, a abordagem proposta
analisa a força do passado sobre o presente na busca de descontinuidades das práticas e representações sobre inclusão e exclusão educacional
de pessoas com deficiência nesse embate. O conflito na história revela
13
Mônica Maria Farid Rahme; Marco Antônio Melo Franco; Luciana Crivellari Dulci (Orgs.)
descontinuidades na representação da inclusão educacional diferenciada
e normalizadora focada no indivíduo. Outra descontinuidade apontada
é a não problematização da educação como uma instituição social.
No décimo primeiro capítulo, “Das práticas discursivas às práticas
docentes: significados produzidos e produzindo fazeres pedagógicos em
situações de inclusão”, Marco Antônio Melo Franco (UFOP) aborda as
práticas pedagógicas desenvolvidas nos contextos de inclusão. O autor
discute a influência que o discurso médico exerce na constituição e elaboração de determinadas ações práticas pedagógicas, por professores,
nas atividades docentes em sala de aula e propõe uma reflexão sobre os
significados que esse discurso produz no interior da escola em relação
ao aprender e ao não aprender dos alunos, podendo gerar tanto contextos inclusivos como excludentes.
No capítulo 12, Maria do Socorro Alencar Nunes Macedo (UFSJ
e UFPE) analisa as práticas de letramento desenvolvidas em uma turma de primeiro ciclo do ensino fundamental. A discussão tem como
foco as interações constituídas nas práticas de letramento a partir de
um trabalho desenvolvido pela professora que utiliza como metodologia
a Pedagogia de Projetos. Ao longo do texto, a autora busca responder
como a dialogia no processo de leitura e escrita se constitui na sala de
aula considerando o contexto metodológico.
Desejamos aos leitores e leitoras que desfrutem de cada capítulo desta coletânea, e que essa leitura possa contribuir para um maior
aprofundamento de nossas visões sobre tantos temas que atravessam a
realidade educacional!
14
Capítulo 1
Antecedentes y Perspectivas del Futuro
para la Formación de Profesores en
Latinoamérica
Aracely Forero Romero1
Introducción
Este documento busca superar la descripción de acontecimientos. El
análisis crítico y de reflexión se han orientado a explorar los acontecimientos y perspectivas que se entretejen en la manera como los profesores vienen apropiando las TIC en la educación.
Revisar la tarea de un análisis del presente y una previsión del futuro, a la manera de Saussure (1946), las estructuras se presentan dentro
de un proceso diacrónico donde se aceptan que los hechos están insertos
en el tránsito desde la historia, hasta la prospectiva en una dinámica de
estados, evoluciones, rupturas, tensiones y realizaciones, entre otras.
La cultura del hombre en postrimerías del siglo XXI se distingue
por el uso de los dispositivos tecnológicos (Smith y Marx, 1994) de
manera intensiva en la mayoría acciones humanas. Esta práctica viene
cambiando el modo en que vivimos, nos comunicamos y realizamos
nuestras labores (Castells, 2001). La Educación no se abstrae de estos aconteceres que representan un continuo de retos para los profe1. Doctora en Multimedia Educativa de la Universidad de Barcelona. Ms. En Tecnologías
de la Información y la Comunicación Aplicadas a la Educación. Universidad Pedagógica
Nacional. Profesora de tiempo completo de la Universidad Pedagógica y Tecnológica de
Colombia. Grupos de Investigación: HISULA (participante). SÍMILES (directora). E-mail: [email protected].
15
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Capítulo 1 - Paco Editorial