MANUAL DE INTRODUÇÃO A TEOLOGIA BÍBLICA 2
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Introdução:
Neste manual tentei de forma breve, introduzir alguns dos temas fundamentais para
nosso estudo da Teologia Bíblica. Desejo que possa motivar nossas lideranças a buscar
mais, descobrir caminhos na construção do nosso pensar teológico. Que possamos, cada
vez mais, fazer teologia para incluir, e não excluir; curar, e não ferir; pacificar, e não
guerrear; encorajar, e não desanimar; libertar, e não aprisionar; incentivar a liberdade e
criatividade de pensamento. Para nós teologia, é e sempre foi instrumento de libertação.
Assim, que em nosso labor como clérigos e leigos possamos comunicar eficazmente o
Evangelho da Radical Inclusão.
Rev. Cristiano Valério Moreira
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MANUAL DE INTRODUÇÃO A TEOLOGIA BÍBLICA 3
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Índice dos temas:
1) O que é Teologia?
2) Evolução do Termo.
3) Teologia Bíblica.
4) Objetivos da Teologia Bíblica.
5) Limites naturais da Teologia Bíblica.
6) Teologia Bíblica, uma Disciplina Crítica.
7) Teologia Bíblica e suas divisões.
8) O que é essencial na Teologia Bíblica?
9) A Confissão de fé é o símbolo da fé, o essencial da fé.
10) Bibliografia
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1- O que é Teologia?
A palavra "teologia" vem de duas palavras gregas que significam
θεóς, (transliteração: theos) = "divindade" + λóγος, (logos) = "palavra", (por extensão,
"estudo, análise, consideração, discurso, questionamento sobre alguma coisa ou algo"),
no sentido literal, é o estudo sobre a divindade. Combinadas, temos a palavra "teologia",
que significa "Discurso sobre Deus". Assim como psicologia é um estudo sobre a alma,
sociologia um estudo sobre a sociedade.
O importante e característico da Teologia é que nosso estudo sobre a alma é baseado na
experiência, a sociologia também é baseada em experiência da vida social. Mas teologia
não é baseada na nossa experiência de Deus, porque não temos uma experiência direta
com Deus, não vemos Deus, não tocamos Deus. Portanto o discurso da teologia é um
“discurso indireto”. Falamos de Deus a partir de nossa experiência com a natureza, com a
sociedade, com a humanidade e com o mundo.
Aristoteles dizia que todo nosso conhecimento vem dos sentidos, assim nosso
conhecimento sobre Deus também deve estar baseado na experiência. Falamos sobre
Deus a partir de homens e mulheres que experimentaram Deus no intimo do seu coração
e movidos pelo Espirito Santo, nos transmitiram em linguagem poética, em linguagem
icônica, em linguagem metafórica a sua percepção de Deus, percepção esta que não é
clara, mas é verdadeira como são verdadeiros os poemas dos grandes poetas.
2- Evolução do termo
O teólogo cristão-protestante suíço Karl Barth definiu a Teologia como um "falar a partir
de Deus". O termo "teologia" foi usado pela primeira vez por Platão, no diálogo "A
República", para referir-se à compreensão da natureza divina de forma racional, em
oposição à compreensão literária própria da poesia, tal como era conduzida pelos seus
conterrâneos. Mais tarde, Aristóteles empregou o termo em numerosas ocasiões, com
dois significados:
Teologia como o ramo fundamental da filosofia, também chamada "filosofia primeira" ou
"ciência dos primeiros princípios", mais tarde chamada de metafísica por seus seguidores;
Teologia como denominação do pensamento mitológico imediatamente anterior à filosofia,
com uma conotação pejorativa e, sobretudo, utilizada para referir-se aos pensadores
antigos não filósofos (como Hesíodo e Ferécides de Siro).
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Santo Agostinho tomou o conceito de teologia natural da obra “Antiquitates rerum
humanarum et divinarum”, de M. Terêncio Varrão, como única teologia verdadeira dentre
as três apresentadas por Varrão: a mítica, a política e a natural. Acima desta, situou a
Teologia Sobrenatural (theologia supernaturalis), baseada nos dados da revelação e,
portanto, considerada superior. A teologia sobrenatural, situada fora do campo de ação da
Filosofia, não estava subordinada, mas sim acima da última, considerada como uma
serva (ancilla theologiae) que ajudaria a primeira na compreensão de Deus.
Teodiceia, termo empregado atualmente como sinônimo de "teologia natural", foi criado
no século XVIII por Leibniz, como título de uma de suas obras (chamada "Ensaio de
Teodiceia. Sobre a bondade de Deus, a liberdade do ser humano e a origem do mal"),
embora Leibniz utilize tal termo para referir-se a qualquer investigação cujo fim seja
explicar a existência do mal e justificar a bondade de Deus.
Na tradição cristã (de matriz agostiniana), a teologia é organizada segundo os dados da
revelação e da experiência humana. Esses dados são organizados no que se conhece
como teologia sistemática ou teologia dogmática.
3- Teologia Bíblica
A Teologia Bíblica ou exegética
se ocupa diretamente com o
estudo dos textos que foram
canonizados pela Igreja. Cânon
bíblico é o inventário ou lista de
escritos ou livros considerados
pela Igreja Católica e aceita
posteriormente pelas demais
Igrejas Cristãs, como tendo
evidências
de
Inspiração
Divina.
Dado o fato de que a Bíblia foi
escrita por diferentes autores
em diferentes épocas, línguas
e lugares, surgiu o que alguns estudiosos costumam chamar de "fenômeno de
distanciamento". Os últimos textos do Novo Testamento, por exemplo, datam
provavelmente do final do primeiro século da era Cristã. Cerca de dois milênios separam
a atual Igreja Cristã dos autores do Novo Testamento. Esta distância aumenta ainda mais
se comparada aos textos do Antigo Testamento. Assim, para tentar compreender o que
os autores dos textos bíblicos pretenderam dizer, a Teologia Bíblica se vale de várias
técnicas e disciplinas auxiliares como, por exemplo, o auxílio da exegese, da
hermenêutica e da história.
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Além da distância cronológica dos textos bíblicos, nota-se também o fato de que não há
textos originais. Sobre o Novo Testamento, por exemplo, o biblista Oscar Cullmann,
observou que "Os manuscritos completos mais
antigos que possuímos não remontam além do
século IV". Isto significa que os textos que
foram conservados são cópias, das cópias dos
textos originais. Há ainda aqueles casos em
que os autores bíblicos não tiveram a
preocupação de descrever com maiores
detalhes sobre assuntos como, por exemplo, o
aspecto cultural, social e político da época.
Dessa forma, para compreender algumas
passagens da Bíblia, o/a pesquisador/a da
área bíblica investiga também documentos
extra bíblico. Estas pesquisas geralmente são
realizadas com o auxílio das ciências da
história, da Arqueologia e da Antropologia.
Toda a teologia é baseada naquilo que chamamos “autores sagrados”. A bíblia é a
expressão da vivencia desses autores, que foi posta por escrito desde o ano 1.000 AC. A
nossa teologia é a reflexão, o testemunho consignado na bíblia e em particular, no caso
do cristianismo, o testemunho de Jesus.
A Teologia Cristã é uma reflexão sobre Deus a partir de Jesus. Contudo, não é uma
experiência direta com Jesus e sim através dos seus primeiros seguidores.
4- Objetivos da Teologia Bíblica.
A tarefa da teologia bíblica é recuperar o sentido histórico do texto bíblico, o sentido
pretendido pelos autores (às vezes conhecido como sentido literal ou histórico do texto).
Enquanto o fundamentalista interpreta literalmente o texto, o teólogo bíblico ou exegeta
procura descobrir o sentido pretendido pelo autor. Assim, enquanto o primeiro vê a
história do diluvio em Gênesis 6-9 como relato de um evento histórico real, o segundo o
considera um mito ou história que ilustra o poder destrutivo do pecado. Para chegar ao
sentido histórico do texto, o teólogo bíblico adota diversos métodos de pesquisa históricos
e literários:
a) A Crítica histórica investiga o contexto histórico em que o texto foi produzido, sua
Sitz im Leben ou situação vital. Nesse aspecto, diversas ciências históricas
(história, arqueologia, antropologia, linguística comparativa, e assim por diante) são
de grande valia para o exegeta.
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b) A Critica da forma é uma ciência literária que procura identificar as várias formas
literárias presentes na bíblia e chegar a origem das formas especificas, passando
pelos diversos níveis da tradição, com o objetivo de descobrir sua situação vital
original. As duas formas literárias básicas são a prosa e a poesia. As formas
poéticas do Antigo Testamento incluem poemas épicos, líricos e didáticos, hinos de
louvor e lamentações. As formas prosaicas abrangem narrativas, como mitos
populares, lendas patriarcais, sagas nacionais romanceadas, relatos históricos de
cortes reais, e também códigos legais, provérbios, oráculos proféticos, contos,
histórias de amor e visões apocalípticas.
c) A Crítica da fonte procura identificar os materiais sobre os quais um autor pode ter
se baseado. Por exemplo, o evangelho de Marcos é fonte para grande parte dos
evangelhos de Mateus e Lucas.
d) A Crítica da redação é a ciência literária que procura descobrir a teologia especifica
e o ponto de vista de um autor, analisando como esse autor modifica uma tradição
recebida, estrutura uma obra ou enfatiza temas específicos. Assim, no relato das
aparições de Jesus, Marcos e Lucas usam o termo “reino” ou “reino de Deus”,
Mateus geralmente adota “reino do céu” e João emprega com mais frequência a
expressão “vida eterna”.
e) A Critica textual procura determinar o texto ou a versão original de uma obra
literária. Ele foi inicialmente escrito em hebraico ou grego? Em que ponto um
determinado evangelho termina originalmente? Tanto o evangelho de Marcos como
o de João contêm apêndices que foram acrescentados em data posterior.
5- Limites Naturais da Teologia
“Tudo o que dizemos do infinito, dizemos com um instrumento finito. Tudo o que
dizemos do absoluto, dizemos com um instrumento relativo. Tudo o que dizemos
do Self é dito pelo Ego. Tudo o que sabemos sobre Deus, foi um ser humano que
disse. Esta visão de Deus ou esta visão do infinito, do sem limites, tem os limites
do instrumento que a recebe. Assim não podemos absolutizar nenhuma
representação. Porque será sempre uma representação finita do infinito. Pois temos
um conhecimento relativo do absoluto.” Jean Yves Leloup
Quando discursamos sobre Deus, existe muito mais de nós nesta descrição. Seriamos
capazes de perceber Deus objetivamente? “Ninguém jamais viu a Deus...” diz João 1:18
Deus habita em “luz inacessível a quem ninguém viu nem pode ver” (Timóteo 6:16)
“Deus esta além de Deus”, disse Paul Tillich. Deus é espirito e os seres humanos
pensam, elaboram, especulam e meditam com categorias materiais. Deus sempre nos
escapa, nos surpreende.
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Ricardo Gondim em seu livro “Pra começo de conversa” pagina 94, comenta: “Teologia
não estuda anatomia espiritual. Não há raciocínio que conseguisse torna-lo
compreensível. Nenhuma estrutura do conhecimento o revela nem o torna palatável. Um
Deus concebível pela mente humana seria menor do que a própria mente, já que
conseguiu abarca-lo. Esse deus seria, portanto, o resultado dos raciocínios, ou seja, um
ídolo.”
“O que se conhece de Deus será sempre provisório. Não porque Ele seja mutável, mas as
pessoas são.”
Deus ultrapassa infinitamente tudo o que se possa dizer dele, como exprime este hino de
Gregório de Nazianzo: “Ó tu, para lá de tudo”. É, de fato, o mistério de Deus que inspira
esta reverencia, este respeito. Como disse Deus a Moisés quando este lhe perguntou o
seu nome: “Eu sou aquele que sou” (Ex 3, 14), noutros termos, Deus é o Todo-Outro que
Moisés não podia ver face a face, mas que, ao mesmo tempo, lhe disse: “Eu sou o Deus
de Abraão, de Isaac e de Jacob”, ou seja, o Deus dos seus pais, o Deus próximo. Ora,
para nós, Deus aproximou-se o mais possível em Jesus Cristo, que é a sua imagem viva.
Também Deus se exprime essencialmente para nós, sob a forma de humildade.
6- Teologia Bíblica, uma Disciplina Crítica.
Como outras ciências, a teologia é uma disciplina crítica e como tal são múltiplas suas
tarefas. Uma delas é a desconstrução dos paradigmas religiosos que oprimem, sejam
estes expressões oficiais da fé das Igrejas Cristã ou crenças populares.
Como diz o Rev. Marcio Retamero, em seu livro “Pode a Bíblia Incluir?”:
“...Não há outro, para uma leitura inclusiva da Bíblia, senão o víeis ou método históricocrítico de analise dos textos que compõem a Bíblia. A leitura inclusiva da Bíblia pressupõe
que o leitor ou o pregador bíblico assuma a tarefa – nem sempre fácil – desconstrução do
pensar teológico, inclusive o dogmático, para, a partir dai, construir este novo edifício que
chamamos de “Teologia Inclusiva”.”
Outra tarefa crítica da teologia é reinterpretar a linguagem da Igreja para que possa refletir
sempre adequadamente a fé que tem por missão expressar, pois toda “expressão da
revelação” é historicamente condicionada, e portanto, limitada.
7- A Teologia Bíblica e Suas Divisões
Teologia Bíblica das Escrituras Hebraicas ou Teologia do Antigo Testamento.
Teologia Bíblica das Escrituras Gregas ou Teologia do Novo Testamento.
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Não há uma Teologia Bíblica unificada, o que há são diversas teologias das tradições
bíblicas. Mesmo no Antigo Testamento, encontram-se as teologias dos livros históricos, e
estas ainda se subdividem em outras teologias de acordo com o método de pesquisa
empregado, também encontram-se a teologia dos escritos proféticos e dos escritos
sapienciais. No Novo Testamento há a teologia de Mateus, de João (Jo, 1Jo, 2Jo, 3Jo,
Ap), de Paulo (Cartas Paulinas), de Lucas (Lc e At). O teólogo alemão Hans-Joachim
Kraus aborda no livro Die Biblische Theologie esta problemática da múltiplas tradições e
teologias bíblicas.
A tentativa de organizar as variadas ideias (discursos) da religião cristã (e os vários
tópicos e temas de diversos textos da Bíblia) em um sistema simples, coerente e bemordenado é uma tarefa relativamente recente. Na ortodoxia oriental, um exemplo antigo é
a Exposição da Fé Ortodoxa, de João de Damasco (feita no século VIII), na qual se tenta
organizar, e demonstrar a coerência, a teologia de textos clássicos da tradição teológica
oriental.
No Ocidente, as Sentenças de Pedro Lombardo (no século XII), em que é coletada uma
grande série de citações dos Pais da Igreja, tornou-se a base para a tradição de
comentário temático e explanação da escolástica medieval - cujo grande exemplo é a
Suma Teológica de Tomás de Aquino. A tradição protestante de exposição temática e
ordenada de toda a teologia cristã (ortodoxia protestante) surgiu no século XVI, com os
Loci Communes de Filipe Melanchton e as Institutas da Religião Cristã de João Calvino.
No século XIX, especialmente em círculos protestantes, um novo modelo de teologia
sistemática surgiu: uma tentativa de demonstrar que a doutrina cristã formava um sistema
coerente baseado em alguns axiomas (“princípios infalíveis”) centrais. Alguns teólogos se
envolveram, então, numa drástica reinterpretação da fé tradicional com o fim de torná-la
coerente com estes axiomas. Friedrich Schleiermacher, por exemplo, produziu Der
christliche Glaube nach den Grundsatzen der evangelischen Kirche, na década de 1820,
onde a ideia central é a presença universal em meio à humanidade (algumas vezes mais
oculta, outras, mais explícita) de um sentimento ou consciência de "absoluta
dependência"; todos os temas teológicos são reinterpretados como descrições ou
expressões de modificações deste sentimento.
Teologia Própria é o estudo de Deus o Pai. Cristologia é o estudo de Deus o Filho, o
Senhor Jesus Cristo. Pneumatologia é o estudo de Deus o Espírito Santo. Bibliologia é o
estudo da Bíblia. Soteriologia é o estudo da salvação. Eclesiologia é o estudo da igreja.
Escatologia é o estudo do fim dos tempos. Angelologia é o estudo dos anjos.
Demonologia Cristã é o estudo dos demônios sob uma perspectiva cristã. Antropologia
Cristã é o estudo da humanidade. Hamartiologia é o estudo do pecado.
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Teologia Bíblica é estudar um certo livro (ou livros) da Bíblia e enfatizar os diferentes
aspectos da Teologia que ele focaliza. Por exemplo, o Evangelho de João é muito
Cristológico, pois focaliza muito na divindade de Cristo (João 1:1,14; 8:58; 10:30; 20:28).
A Teologia Histórica é o estudo das doutrinas e como elas se desenvolveram através dos
séculos da igreja cristã. A Teologia Dogmática é um estudo das doutrinas de certos
grupos cristãos que possuem doutrinas sistematizadas, por exemplo a Teologia Calvinista
e Dispensacional. A Teologia Feminista, que se propõe a estudar a Bíblia do ponto de
vista feminino e evitar que as pessoas enxerguem apenas as características masculinas
de Deus. A Teologia da Libertação que se propõe estudar a bíblia a partir da ótica dos
oprimidos/as. A Teologia Inclusiva que propõe estudar a bíblia com foco na valorização
das diversidades, sexual, religiosa, cultural e etc. A Teologia Contemporânea é o estudo
das doutrinas que se desenvolveram ou têm estado em foco recentemente. A Teologia
Sistemática é uma ferramenta que se propõe ajudar a compreender e ensinar a Bíblia de
uma forma.
Conforme Nelson Kilpp, "O termo Teologia Bíblica pode ser definido de diversas
maneiras, dependendo do contexto em que for usado e da noção a que for contraposto".
Durante a Idade Média, por exemplo, "a teologia da Bíblia foi usada apenas para reforçar
os ensinos dogmáticos da Igreja, os quais eram fundamentados na Bíblia e na tradição da
Igreja". Em contrapartida, os reformadores insistiram que a teologia dogmática (conhecida
hoje como Sistemática) deveria estar fundamentada apenas na Bíblia. Em certo sentido,
"a origem da teologia bíblica já reside no protesto da reforma. Afinal, esta já questionou
radicalmente a autoridade da tradição eclesiástica, na proporção em que ela contrariava,
ou parecia contrariar a Bíblia".
Já no período pós-reforma, surgiram outros movimentos que, em certo sentido, tiveram
grande importância para o desenvolvimento da Teologia Bíblica, como por exemplo: o
pietismo alemão e o racionalismo moderno . Sendo um "movimento de renovação", o
pietismo surgiu na Alemanha como reação à exegese dogmática do período escolástico
protestante. Philip Jakob Spener (1635-1705), considerado o líder do re-avivamento
pietísta, viu a Teologia Bíblica como uma espécie de "reforma" da teologia dogmática e da
igreja, a partir da Bíblia.
Na verdade, a Teologia Bíblica como disciplina distinta no campo teológico é um produto
do impacto do Iluminismo sobre os estudos bíblicos.
Contudo, o principal responsável para o surgimento da Teologia Bíblica foi, talvez, o
teólogo alemão Johann Philip Gabler (1753-1826). Gabler foi o primeiro teólogo a propor
uma separação entre a Teologia Dogmática (sistemática) e a Teologia Bíblica.
Entretanto, Johann P. Gabler não foi o único teólogo que começou um trabalho em
direção a Teologia Bíblica, houve outros além dele. Contudo, embora outros teólogos
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tenham feito algo parecido, pode-se afirmar que Gabler foi o primeiro a apresentar de
forma explícita a separação da Teologia Bíblica da Teologia Dogmática.
Dentro de um ponto de vista cada vez mais racionalista, outros teólogos da área bíblica
passaram a executar os princípios metodológicos apresentados por Gabler. Georg Lorenz
Bauer (1755-1806), por exemplo, fez uma "ruptura" entre o Antigo e o Novo Testamento.
Com sua obra sob o titulo "Teologia do Antigo Testamento ou esboço dos conceitos
religiosos dos antigos hebreus desde os tempos mais remotos até o começo da era
cristã", Bauer foi apontado como um dos primeiros teólogos a elaborar uma Teologia do
Antigo Testamento . "Desde então, a teologia do Antigo Testamento e a teologia do Novo
Testamento foram tratadas em separado, formando disciplinas separadas".
Diante desse panorama, a Teologia bíblica hoje tem se ocupado principalmente com a
relação dos dois testamentos bíblicos. Em um sentido técnico dentro dos estudos
teológicos, a Teologia Bíblica é uma categoria maior que contém tanto a Teologia do
Antigo Testamento como a Teologia do Novo Testamento.
O principal problema de toda teologia bíblica é a insistência em forçar uma relação entre o
Antigo e o Novo testamento. De forma que deve ser levado em consideração que essa
questão levantada naturalmente só se transforma em problema a partir de uma
perspectiva cristã. A partir da perspectiva judaica, Deus revelou definitivamente na história
com o seu povo. Vista a partir de si própria, a Bíblia judaica de forma alguma foi
elaborada com o intuito de ter continuidade no Novo Testamento.
8- O que é Essencial na Teologia Bíblica?
“Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos
antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio
do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o
universo. O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser,
sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa.” Hebreus 1:1-3
O que existe de central, essencial no testemunho que Jesus dá sobre Deus? Esse esforço
em discutir o que é essencial no cristianismo é um empenho clássico que vem desde o
cristianismo primitivo. Vemos isso nas construções das confissões de fé, que são sempre
um discurso sobre o Pai, o Filho e o Espirito Santo, ou seja, como dizemos hoje um
discurso trinitário. Como vemos no final do Evangelho de Mateus, cuja autenticidade não
é mais discutida de que os apóstolos são enviados a pregar e batizar em nome do Pai,
Filho e Espirito Santo. Esse é o símbolo da fé em que se baseiam os primeiros cristãos.
No século IV foi enriquecida com considerações filosóficas sobre a igualdade do Pai e do
Filho ou a consubstancialidade e cinquenta anos mais tarde em Constantinopla
enriquecido com considerações sobre a vida de Jesus com discursos mais amplos.
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Também neste tempo reconheceu-se que o Espirito Santo deve ser adorado como o Pai e
o Filho.
9- A Confissão de fé é o símbolo da fé, o essencial da fé.
Na idade média foram elaboradas algumas tentativas de sistematização do
discurso cristão ou teologia cristã. No século XVI por iniciativa de Martinho
Lutero, o grande reformador, escreveram os Catecismos, onde por meio de
perguntas e respostas, o fiel era esclarecido sobre o que era essencial na
fé cristã. Não demorou muito até a ICAR (Igreja Católica Apostólica
Romana) imitar Lutero, depois de algumas tentativas de catecismos nos
século XVI o Concilio de Trento determinou a publicação do Catecismo
Católico de 1566.
Confissão de fé nas Igrejas da Comunidade Metropolitana do Brasil
As Igrejas da Comunidade Metropolitana do Brasil adota desde 2010 a confissão de fé da
Indonésia:
Creio em Deus, Pai de todos, que deu a terra a todos os povos e a todos ama sem
distinção. Creio em Jesus Cristo, que veio para nos dar coragem, para nos curar do
pecado e libertar de toda a opressão. Creio no Espírito Santo, Deus vivo que está entre
nós e age em todo o homem e em toda a mulher de boa vontade. Creio na Igreja, posta
como um farol para todas as nações, e guiada pelo Espírito Santo a servir todos os povos.
Creio nos direitos humanos, na solidariedade entre os povos, na força da não-violência.
Creio que todos os homens e mulheres são igualmente humanos. Creio que só existe um
direito igual para todos os seres humanos, e que eu não sou livre enquanto uma pessoa
permanecer escrava. Creio na beleza, na simplicidade, no amor que abre os braços a
todos, na paz sobre a terra. Creio, sempre e apesar de tudo, numa nova humanidade e
que Deus criará um novo céu e uma nova terra, onde florescerão o amor, a paz e a
justiça. Amém.
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10- Bibliografia:
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FIORENZA, Francis S. & GALVIN, John P. (org.). Teologia Sistemática. 2 vols. Trad.
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NICODEMUS, Augustus. A Bíblia e seus interpretes. São Paulo: Cultura Cristã, 2007.
RICOEUR, Paul. A hermenêutica bíblica. São Paulo: Loyola, 2007.
ROSEL, Martin. Panorama do Antigo Testamento: História, contexto, teologia. São
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ênfase em gêneros literários. Canoas: ULBRA, 2006.
Retamero, Márcio. Pode a Bíblia Incluir? : por um olhar inclusivo sobre as sagradas
Escrituras. Editora Metanoia, 2010
KAISER, Walter; SILVA, Moises. Introdução a Hermenêutica Bíblica. São Paulo: Cultura
Cristã, [i 2002].
KORTNER, Ulrich. Introdução à hermenêutica Teológica. São Leopoldo: Sinodal, 2009.
WEGNER, Uwe. Exegese do Novo Testamento: manual de metodologia. São Leopoldo:
Sinodal, 1998.
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