UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE AQUIDAUANA
PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA
DESENVOLVIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE
EUCALIPTO IRRIGADO EM AQUIDAUANA-MS
Acadêmico: Gabriel Queiroz de Oliveira
AQUIDAUANA – MS
FEVEREIRO DE 2012
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL
UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE AQUIDAUANA
PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA
DESENVOLVIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE
EUCALIPTO IRRIGADO EM AQUIDAUANA-MS
Acadêmico: Gabriel Queiroz de Oliveira
Orientador: Prof. Dr. Adriano da Silva Lopes
“Dissertação apresentada ao programa de pósgraduação em Agronomia, área de concentração em
Produção Vegetal, da Universidade Estadual de
Mato Grosso do Sul, como parte das exigências para
a obtenção do título de Mestre em Agronomia
(Produção Vegetal)”.
AQUIDAUANA – MS
FEVEREIRO DE 2012
O47d
Oliveira, Gabriel Queiroz de
Desenvolvimento inicial de plantas de eucalipto irrigado em
Aquidauana-MS / Gabriel Queiroz de Oliveira. Aquidauana,
MS: UEMS, 2012.
31p.; 30cm.
Dissertação (Mestrado) – Agronomia (Produção Vegetal) –
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, 2012.
Orientador: Prof. Dr. Adriano da Silva Lopes
1. Irrigação 2. Eucalipto – Híbridos 3. Evapotranspiração I.
Título.
CDD 20.ed. 631.587
iv
“Trate bem a terra.
Ela não foi doada a você pelos seus pais.
Ela foi emprestada a você pelos seus filhos.”
Provérbio do Quênia
v
Ao Senhor DEUS, por ter criado o acaso;
à minha mãe, Maria Helena Queiroz de Oliveira e;
ao meu pai, Nilton Elias de Oliveira,
sempre ao meu lado na jornada da vida;
ao meu filho, Guilherme Martins de Oliveira,
filho maravilhoso “Te Amo”;
ao meu irmão, Daniel Queiroz de Oliveira;
à minha irmã, Izabel Queiroz de Oliveira
Dedico
vi
AGRADECIMENTOS
Aos meus pais, Nilton e Maria Helena pelo amor e compreensão
nos momentos de fraqueza.
Ao meu filho, que nos momentos difíceis me exprimia força e fazia
lembrar que é preciso continuar superando os obstáculos da vida.
A meus irmãos Daniel e Izabel, que sempre me acompanharam e
apoiaram na busca de meus sonhos.
Ao Prof. Dr. Adriano da Silva Lopes, pela amizade, confiança,
ensinamentos, encorajamento e orientação neste trabalho.
Ao Prof. Dr. Norton Hayd Rego, por todos os esclarecimentos e
auxílio na execução deste trabalho.
Aos companheiros Leandro Jung, Jean Carlos, Dreyfus Bertoli e
Eder Fanaya pela ajuda durante o experimento, na coleta de dados e na
aplicação de toda a metodologia, o meu muito obrigado.
À Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e ao Cnpq, pelo
auxílio técnico e oportunidade de bolsa.
Aos professores Alfredo Raúl Abot, Carlos Lasaro de Melo,
Edílson Costa, Etenaldo Felipe Santiago, Elói Panachuki, Jolimar Antonio
Schiavo e Marcos Antonio Camacho da Silva, do curso de Pós-Graduação
em Agronomia (Produção Vegetal), pelos ensinamentos.
Aos professores do curso de Agronomia da Unidade Universitária
de Aquidauana – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul.
Aos colegas e amigos Samanta Martins, Mario Marcio, Marcos
Vinicius, Lidiane Vieira, Luiz Fernando, Pedro Nagel, Martios Ecco e
Roberta Feitosa pelo apoio e amizade.
Aos funcionários da Unidade Universitária de Aquidauana –
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul que ajudaram na realização
deste trabalho.
vii
A todos que acompanharam minha caminhada e, de uma forma ou
de outra, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste
trabalho.
viii
SUMÁRIO
Página
RESUMO ........................................................................................................................x
PALAVRAS-CHAVE ....................................................................................................x
ABSTRACT....................................................................................................................xi
KEYWORDS ..................................................................................................................xi
CAPÍTULO 1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS .............................................................1
1.1 IMPORTÂNCIA DO CULTIVO DE EUCALIPTO NO BRASIL ..........................1
1.2 RELAÇÕES HÍDRICAS NO DESENVOLVIMENTO DE PLANTAS .................3
1.3 USO DA ÁGUA PELO EUCALIPTO .....................................................................5
1.4 REFERÊNCIAS........................................................................................................7
CAPÍTULO 2 – DESENVOLVIMENTO INICIAL DE DOIS HÍBRIDOS DE
EUCALIPTO SUBMETIDOS À IRRIGAÇÃO.............................................................13
RESUMO ........................................................................................................................13
PALAVRAS-CHAVE ....................................................................................................13
ABSTRACT....................................................................................................................13
KEYWORDS ..................................................................................................................14
2.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................14
2.2 MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................................15
2.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO ..............................................................................21
2.4 CONCLUSÕES ........................................................................................................28
2.5 AGRADECIMENTOS .............................................................................................28
2.6 REFERÊNCIAS........................................................................................................28
ix
RESUMO
A lavoura e a pecuária sempre estiveram muito presente na economia do país. Contanto,
com a crescente demanda de produtos provenientes de madeira, deve-se pensar na
silvicultura como a terceira fonte na economia no país. Com a necessidade pelo
aumento de produtividade das culturas e resultados financeiros das atividades
econômicas, o uso da irrigação passa ser fundamental na segurança da produção e na
busca pela eficiência produtiva. Todavia, o manejo da irrigação tem sido realizado, na
maioria das vezes, sem critérios e, ainda, são escassos os estudos em relação à produção
de eucalipto irrigado a campo. O objetivo deste trabalho foi avaliar dois híbridos de
eucalipto (Grancam e Urograndis), com e sem irrigação aos 90, 120, 150 e 180 dias
após transplante (DAT). O experimento foi instalado na área experimental de irrigação
da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, no município de Aquidauana-MS. O
delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, em parcelas
subdivididas, com quatro blocos e duas replicações dentro de cada bloco, sendo que as
parcelas foram compostas pelos tratamentos de irrigados (gotejamento e microaspersão)
e sem irrigação (sequeiro) e as subparcelas pelos híbridos (Grancam e Urograndis). Foi
avaliada a altura de plantas, diâmetro do caule e da copa, área basal do caule, relação
entre altura e diâmetro do caule, relação entre altura e diâmetro da copa e volume do
caule. Os dados foram submetidos à análise de variância e comparados pelo teste Tukey
no nível de 5% de probabilidade. Os sistemas de irrigação por gotejamento e
microaspersão propiciam maior altura de plantas, diâmetro do caule, diâmetro da copa,
área basal do caule e volume de caule.
PALAVRAS-CHAVE:
Eucaliptus
spp.,
microaspersão,
gotejamento,
evapotranspiração.
x
ABSTRACT
The crop and livestock have always been very present in the economy, provided with
the growing demand for products from wood, should be considered in forestry as the
third source in the economy in the country. With the need for increased crop
productivity and financial results of economic activities, the use of irrigation shall be
instrumental in the production and security in the pursuit of productive efficiency.
However, the irrigation management has been carried out mostly without criteria and
there are few studies on the production of irrigated eucalyptus in the field. The aim of
this study was to evaluate two hybrid eucalyptus (Grancam and Urograndis), and drip
irrigated and dry land at 90, 120, 150 and 180 days after transplanting (DAT). The
experiment was installed in the area of irrigation and experimental demonstration of the
Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul in Aquidauana, Mato Grosso do Sul
State, Brazil. The experimental design was a randomized complete block split plot with
four blocks and two replications in each block, and the plots were composed by
irrigation treatments (drip and micro sprinkler) and no irrigation (rainfed) and the
subplots hybrids (Grancam and Urograndis). The total area of the experiment had 3
hectares (ha), where each plot consisted of 1 ha. We evaluated the plant height (cm),
stem diameter and canopy (cm), stem basal area (cm2), the relationship between height
and stem diameter, height and relationship between crown diameter and stem volume
(cm3). The data were subjected to analysis of variance and compared by Tukey test at
5% probability. Using the systems and drip irrigation provides greater plant height, stem
diameter, crown diameter, basal area of the stem and stem volume.
KEYWORDS: Eucaliptus spp., sprayer, drip irrigation, evapotranspiration.
xi
CAPÍTULO 1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS
1.1 IMPORTÂNCIA DO CULTIVO DE EUCALIPTO NO BRASIL
O eucalipto é uma planta originária da Austrália, onde existem mais de 600
espécies. A partir do início do século 20, o eucalipto teve seu plantio intensificado no
Brasil, sendo usado durante algum tempo nas ferrovias, como dormentes e lenha para as
locomotivas e mais tarde como poste para eletrificação das linhas (MARCHIORI;
SOBRAL, 1997).
A partir da década de 1980, questões relativas às mudanças climáticas, ao
aquecimento global e ao efeito-estufa passaram a ser destaques como ameaças
ambientais que colocam em risco a sobrevivência dos seres humanos. Tais questões
ganharam importância mundial, culminando na criação da Convenção Quadro das
Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas Globais (SILVA et al., 2008). Nesse
contexto, o Brasil passa beneficiar-se e assumir posição privilegiada perante os países
que buscam reverter o processo de mudança climática, tanto do ponto de vista de
reduções das emissões quanto em projetos de sequestro de carbono, principalmente com
implantação de floresta de eucalipto utilizando tecnologias que o difere dos demais
países (ROCHA, 2002).
O gênero Eucalyptus tem sido muito utilizado e a sua produção tem atendido
os setores da indústria de celulose e papel, madeira processada e energia. Por exemplo,
o carvão vegetal, originado de eucaliptos, pode substituir o óleo combustível em
caldeiras. A utilização do eucalipto para serraria ainda é incipiente no Brasil, devido à
exploração (muitas vezes ilegal) de madeira de espécies nativas da Amazônia, por
exemplo. Com as novas exigências do mercado consumidor, preocupado com a
produção sustentada e a manutenção de florestas nativas, o consumo dos produtos
florestais procedentes de florestas plantadas tem aumentado (FREITAG, 2007).
Para Baesso et al. (2010), o eucalipto oferece diversas vantagens em
comparação a outras espécies florestais, inclusive as nativas. Graças ao clima favorável
do Brasil e ao avanço alcançado pelas pesquisas e tecnologia florestal, o eucalipto pode
ser colhido num prazo de 5 a 7 anos para a produção de celulose, quando atinge até 35
metros de altura e produtividade que supera 50 m3 ha-1 ano-1.
1
Para atender à demanda mundial de papel, a indústria de celulose vem obtendo
incrementos expressivos de produção, o que faz que haja aumento da demanda de
matéria-prima (ARRUDA et al., 2011). A necessidade de aumento de produção tem
feito que as empresas do setor busquem alternativas de manejo que aumentem a
produtividade florestal (ALMEIDA, 2008).
A alta produtividade de volume de madeira do eucalipto também oferece a
vantagem de contribuir para o alívio da demanda crescente de madeira, favorecendo a
preservação das florestas nativas remanescentes (MARCHIORI; SOBRAL, 1997).
Segundo Shimizu (2006), no final dos anos 20, as siderúrgicas começaram a
aproveitar a madeira do eucalipto, transformando-o em carvão vegetal utilizado no
processo de fabricação de ferro-gusa. A partir daí, novas aplicações foram
desenvolvidas, principalmente para produção de papel e celulose, matéria-prima mais
requisitada atualmente para exportação.
Contudo, Cordeiro et al. (2010) evidenciam que a participação dos pequenos e
médios produtores rurais é de fundamental importância para a atividade florestal
integrada ao consumo industrial, como condição indispensável ao desenvolvimento
socioeconômico das comunidades regionais e a sustentabilidade dos empreendimentos
florestais e industriais.
Outro aspecto abordado no Brasil são os reflorestamentos com eucalipto, nos
quais apresentam viabilidade técnica e econômica, mostrando-se muito promissora
(SOARES et al., 2003). Essa espécie pode ampliar significativamente sua participação
na composição da renda agropecuária, com vantagens adicionais sob a visão social e
ambiental (CORDEIRO et al., 2010).
Na cultura do eucalipto no seu estágio inicial de desenvolvimento, um dos
grandes problemas enfrentados são as plantas daninhas, cujo manejo assume papel de
destaque entre os tratos culturais, apresentando reflexos diretos no rendimento e nos
custos de produção (MACHADO et al., 2010).
Para a implantação de reflorestamento de eucalipto, é muito importante a
escolha da espécie que se adapte ao local e aos objetivos pretendidos, como por
exemplo, para lenha e carvão são utilizadas espécies que geram grande quantidade de
madeira em prazo curto como Eucaliptus grandis, E. urophylla, E. torilliana; para a
produção de papel e celulose utiliza-se espécies que apresentem cerne branco e macio
como E. grandis, E. saligna, E. urophylla (MARCHIORI; SOBRAL, 1997). Já, para
postes, moirões, dormentes e estacas, as espécies com cerne duro (para resistir às
2
intempéries) como E. citriodora, E. robusta, E. globulus são as mais indicadas e, para a
serraria, as espécies de madeira firme, em que não ocorram rachaduras como o E.
dunnii, E. viminalis, E. grandis são os atualmente mais indicados (PAIVA et al., 2001).
Dessa forma, entende-se que para que se tenha retorno financeiro com o cultivo
de eucalipto, a formação de mudas vigorosas, que passa pelo processo de germinação ou
enraizamento, fase de crescimento e fase de rustificação é essencial, sendo que, a fase
de rustificação é de grande importância para a adaptação das mudas a campo (SILVA,
2003).
Uma forma de se obter mudas de boa qualidade é utilização de irrigação em
viveiros de mudas, sendo que essa técnica tem comprovada eficiência, propiciando altas
taxas de sobrevivência das mesmas, minimizando as perdas de mudas a campo (PAIVA
et al., 2001).
1.2 RELAÇÕES HÍDRICAS NO DESENVOLVIMENTO DE PLANTAS
A água é um recurso natural valioso e certamente o elemento mais importante
para a vida dos animais e vegetais, pois é necessária à maioria das funções vitais,
reações e rotas metabólicas (CARLESSO; ZIMMERMANN, 2000), sendo o principal
constituinte do tecido vegetal, representando 50% da massa fresca nas plantas lenhosas
e cerca de 80 a 95% nas plantas herbáceas, atuando como reagente no metabolismo
vegetal, transporte e translocação de solutos, na turgescência celular, na abertura e
fechamento dos estômatos e na penetração do sistema radicular (TAIZ; ZEIGER, 2004).
Segundo Inoue e Ribeiro (1988), a transpiração é um fenômeno bastante
influenciado pelas condições do ambiente, principalmente a temperatura e a saturação
de vapor de água. Sob condições idênticas, diferenças na transpiração podem indicar um
mecanismo estomático com maior ou menor eficiência, implicando na economicidade
de água pela planta. A transpiração é um processo fisiológico conhecido como um “mal
inevitável”. Mal, porque por meio de uma perda relativamente grande de água, na forma
de vapor para o ambiente, pode resultar em uma diminuição do crescimento e pode
também, em casos extremos, provocar a morte da planta por dessecação. É inevitável,
devido às características estruturais das folhas, pois são indispensáveis as trocas de CO2
e O2 entre a folha e o ar atmosférico, nos processos de fotossíntese e respiração.
3
Como os vegetais superiores estão fixos no solo e a um determinado ambiente,
seus processos metabólicos vão variar de acordo com as variações ambientais.
Variações durante o dia mudam de uma região para outra e durante as diferentes
estações. Como exemplo, num dia típico de verão, considerando-se os fatores
intensidade de luz solar, as temperaturas do solo e do ar e a pressão de vapor de água,
vão variar durante as 24 horas do dia. Estudos de eficiência de uso da água mostram que
a produção de matéria seca total é linearmente proporcional à quantidade de água usada.
Ao longo da evolução, tem sido desenvolvida alteração no metabolismo e tem
aumentado a capacidade da planta para resistir a um suprimento de água limitante,
particularmente na fotossíntese (KRAMER; BOYER, 1995).
Segundo Araújo (1995), a análise de crescimento vem sendo utilizada para
investigar a adaptação de culturas a novos ambientes, a competição entre espécies e
variedades, o efeito de manejo e tratos culturais e a identificação da capacidade
produtiva de genótipos. Sua aplicação estende-se a estudos sobre eficiência
fotossintética, absorção e utilização de nutrientes, análise de componentes da produção
e em modelos de previsão do crescimento vegetal, obtidos através de coletas
sequenciais para descrever mudanças na produção vegetal em função do tempo, por
meio de cálculo das taxas de crescimento. Para vários autores, a análise de crescimento,
é um método que descreve as condições morfológicas da planta em diferentes intervalos
de tempo, entre duas amostragens sucessivas, e se propõe a acompanhar a dinâmica da
produção fotossintética, analisada através da acumulação de matéria seca. Dentre os
parâmetros ambientais associados com as alterações do crescimento das plantas, a
radiação solar, temperatura, suprimento de água e nutrientes tem sido os mais
estudados.
De acordo com Benincasa et al. (1976), a área foliar é, em geral, um excelente
indicador da capacidade fotossintética de uma planta e sua determinação é muito
importante em estudos de nutrição, competição e relações solo-água-planta. Além disso,
é importante como índice de crescimento da planta e está estreitamente correlacionada
com o acúmulo de matéria seca, metabolismo, produção, maturação e qualidade da
cultura.
O ciclo hidrológico em ambientes florestais depende da precipitação,
interceptação da água pelo dossel, do escoamento lateral, da drenagem profunda e
transpiração (ALMEIDA; SOARES, 2003). A crescente pressão por uma política
4
florestal, ambientalmente sustentável, requer melhor entendimento quanto à fisiologia
do crescimento e as relações hídricas das espécies florestais (LIMA, 1996).
1.3 USO DA ÁGUA PELO EUCALIPTO
Para um melhor desenvolvimento das atividades humanas ligadas ao uso
racional da água, é importante o desenvolvimento de sistemas de irrigação cada vez
mais eficientes evitando o desperdício da mesma (NASCIMENTO et al., 2009). A
irrigação localizada apresenta-se em destaque, no qual, seus emissores aplicam água em
pequenas vazões a alta frequência, produzindo pequena área molhada e mantendo a
umidade do solo sempre próxima à capacidade de campo (KELLER; KARMELI, 1974).
Por se tratar de um sistema de irrigação tecnicamente eficiente e econômico
com relação ao consumo de água e energia, a irrigação localizada tem recebido especial
atenção por parte de agricultores irrigantes e pesquisadores, pois apresenta diversas
vantagens comparativas em relação a outros, como economia de água, facilidade e
eficiência na injeção de fertilizantes, menor exigência de mão-de-obra e redução dos
riscos de contaminação de alimentos por organismos patogênicos (PATERNIANI et al.,
1994 apud RIBEIRO et al., 2005). Os problemas essenciais para sua implantação estão
relacionados à qualidade da água a ser utilizada (MANTOVANI et al., 2006).
Silva et al. (2011) destacaram que, normalmente, os plantios florestais
encontram-se inseridos em ecossistemas sensíveis às perturbações antrópicas em função
de razões como o relevo acidentado, solos com baixa fertilidade natural e antigas áreas
agrícolas degradadas. Estes fatores associados às operações de manejo, colheita
mecanizada da madeira, construção e manutenção de estradas florestais e ao potencial
erosivo da região são os principais responsáveis pela perda da capacidade produtiva dos
solos sob florestas plantadas e alteração da quantidade e qualidade da água em subbacias, decorrentes da erosão hídrica. Em média, cerca de 30% dos sedimentos perdidos
por erosão hídrica chegam aos mananciais, podendo comprometer a qualidade da água e
causar assoreamento (HERNANI et al., 2002).
Segundo Carneiro et al (2008), os reflorestamentos com árvores de eucalipto
ainda são um assunto de polêmica no que diz respeito ao consumo de água e sua relação
com a produtividade. O conhecimento das interações que ocorrem entre as condições
5
ambientais e as trocas gasosas no dossel vegetal é essencial na determinação da
quantidade de água transpirada por essas florestas.
Sobre os aspectos hidrológicos, a cultura do eucalipto sempre foi apontada
como “vilão” que seca o solo, sendo essa uma questão polêmica (LIMA, 2006 apud
LOPES et al., 2010). Atualmente, a preocupação está também voltada em racionalizar o
consumo de água nas várias etapas da produção florestal e, nesse sentido, os polímeros
sintéticos vêm sendo empregados em várias culturas desde a década de 60, por
melhorarem as propriedades físico-químicas dos solos, possibilitando a redução do
número de irrigações e as perdas de nutrientes e diminuindo os custos no
desenvolvimento das culturas (OLIVEIRA et al., 2004) sendo que, no eucalipto, são
empregados no plantio das mudas.
A produção de uma floresta é determinada pela quantidade de radiação solar
interceptada pela copa e pela eficiência de conversão dessa radiação em biomassa. Essa
eficiência é principalmente influenciada pela disponibilidade de água e de nutrientes
(SANTANA et al., 2008).
As perdas de água por transpiração das plantas de eucalipto, assim como de
outras plantas, são determinadas principalmente por: variações climáticas, que é a
resultante das relações entre a radiação e déficit de saturação de vapor da atmosfera,
temperatura e velocidade do vento e; mecanismos fisiológicos como a resposta
estomática a fatores ambientais, como estrutura da copa, particularmente pelo índice de
área foliar e disponibilidade de água no solo (LIMA, 1996). Além disso, deve-se atentar
a competição por umidade no solo por outras plantas. Silva et al. (2000) ressaltaram que
algumas espécies de forrageiras, independentemente do nível de água no solo,
demonstraram ser competitivas em relação ao crescimento inicial de E. cidriodora e E.
grandis.
Em relação à produção das mudas, a quantificação da necessidade hídrica na
sua formação é extremamente importante, pois a falta ou excesso pode limitar o
desenvolvimento das mesmas. A falta de água leva ao estresse hídrico, além da
diminuição na absorção de nutrientes. O excesso pode favorecer a lixiviação dos
nutrientes e também proporcionar um micro-clima favorável ao desenvolvimento de
doenças, além das questões sócio-ambientais relativas à economia de água e o acúmulo
de lixiviados no solo (LOPES et al., 2005).
De acordo com Chaves et al. (2004), mudas de eucalipto colocadas sob déficit
hídrico apresentam, de alguma maneira, aumento na taxa fotossintética líquida após a
6
reirrigação. No entanto, os mesmos autores salientaram a necessidade de estudar o
eucalipto em estádios mais avançados de desenvolvimento, de modo a identificar outras
características que indicam adaptação a ambientes com disponibilidade variável de água
no solo.
A relação entre a disponibilidade hídrica e a produtividade florestal é
concernente aos efeitos diretos e indiretos da deficiência de água no crescimento das
árvores Os ganhos são constituídos, basicamente, pela precipitação pluvial, enquanto as
perdas são provenientes de evapotranspiração, percolação profunda e escoamentos
superficial e subsuperficial de saída. O volume de solo é definido pela profundidade
efetiva do sistema radicular, onde se observa a absorção de água pelas raízes (SOUZA
et al., 2006).
Em estudo realizado por Martins et al. (2008), com intuito de detectar a
influência do déficit hídrico no solo sobre espécies de eucalipto, verificaram que os
valores de fração de água transpirável para as espécies de eucalipto (E. grandis e E.
saligna) foram maiores do que os da maioria das culturas anuais e perenes estudadas,
indicando boa adaptação dessas espécies à deficiência hídrica no solo.
No entanto, com a pressão pelo aumento de produtividade das culturas e
resultados financeiros das atividades econômicas, o uso da irrigação passa ser
fundamental na segurança da produção em busca pela eficiência produtiva. Nesta
situação, o uso eficiente da água passa a ser fundamental para a conciliação entre custos
de produção, oferta de água e resultados financeiros, já sendo percebidas as vantagens
da irrigação para diversas culturas.
Todavia, o manejo da irrigação tem sido realizado na maioria das vezes sem
critérios. Ao mesmo tempo, são escassos os estudos em relação à produção de eucalipto
irrigado a campo. Diante desses aspectos, o objetivo desta revisão foi evidenciar que o
eucalipto tem amplo aspecto econômico e, ainda, que as informações existentes sobre as
necessidades hídricas e do cultivo de eucalipto irrigado são escassos e controversos.
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CAPÍTULO 2 – DESENVOLVIMENTO INICIAL DE DOIS HÍBRIDOS DE
EUCALIPTO SUBMETIDOS À IRRIGAÇÃO
DESENVOLVIMENTO INICIAL DE DOIS HÍBRIDOS DE EUCALIPTO
SUBMETIDOS À IRRIGAÇÃO
RESUMO: O objetivo deste trabalho foi avaliar dois híbridos de eucalipto (Grancam e
Urograndis), sem irrigação e irrigados por gotejamento e microaspersão, aos 90, 120,
150 e 180 dias após transplante (DAT). O experimento foi instalado na área
experimental de irrigação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, no
município de Aquidauana-MS. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos
casualizados, em parcelas subdivididas, com quatro blocos e duas replicações dentro de
cada bloco, sendo que as parcelas foram compostas pelos tratamentos de irrigação
(gotejamento, microaspersão e sequeiro) e as subparcelas pelos híbridos (Grancam e
Urograndis). Foi avaliada a altura de plantas, diâmetro do caule e da copa, área basal do
caule, relação entre altura e diâmetro do caule, relação entre altura e diâmetro da copa e
volume do caule. Os dados foram submetidos à análise de variância e comparadas pelo
teste Tukey no nível de 5% de probabilidade. Os sistemas de irrigação por gotejamento
e microaspersão propiciam maior altura de plantas, diâmetro do caule, diâmetro da
copa, área basal do caule e volume de caule.
PALAVRAS-CHAVE:
Eucaliptus
spp.,
microaspersão,
gotejamento,
evapotranspiração.
INITIAL DEVELOPMENT OF TWO EUCALYPTUS HYBRID SUBJECTED
TO IRRIGATION
ABSTRACT: The objective of this study was to evaluate two hybrid eucalyptus
(Grancam and Urograndis), and drip irrigated and dry land at 90, 120, 150 and 180 days
after transplanting (DAT). The experiment was installed in the area of irrigation and
experimental demonstration of the Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul in
Aquidauana, Mato Grosso do Sul State, Brazil. The experimental design was a
13
randomized block, split plot with four blocks and two replications in each block, and the
plots were composed by the irrigation treatments (drip, micro and dry) and the subplots
clones (Grancam and Urograndis). The total area of the experiment had 3 hectares (ha),
where each plot consisted of 1 ha. We evaluated the plant height (cm), stem diameter
and canopy (cm), stem basal area (cm2), the relationship between height and stem
diameter, height and relationship between crown diameter and stem volume (cm3). The
data were subjected to analysis of variance and compared by Tukey test at 5%
probability. Using the systems and drip irrigation provides greater plant height, stem
diameter, crown diameter, basal area of the stem and stem volume.
KEYWORDS: Eucaliptus spp., sprayer, drip irrigation, evapotranspiration.
2.1 INTRODUÇÃO
Desde 1908 até os dias atuais, 3,5 milhões de hectares das terras brasileiras
vêm sendo recobertos por florestas cultivadas com eucalipto. Como outros vegetais
exóticos, à exemplo do café, da cana-de-açucar e da soja, algumas espécies de eucalipto
encontraram no solo e no clima brasileiro as condições ideais para produção em escala,
de tal modo que, praticamente, todas as grandes indústrias de celulose e madeira do
mundo estão presentes no Brasil. Aliado à preservação das florestas nativas, absorvem
196 milhões de toneladas de carbono, contribuindo para a redução do efeito estufa
(QUEIROZ; BARRICHELO, 2007).
De acordo com o relatório da Associação Brasileira de Produtores de Florestas
Plantadas – ABRAF (2009), o Brasil conta com 6,5 milhões de ha de florestas
plantadas, entre áreas com pinus (28,4%), eucalipto (64,7%) e outras espécies (6,9%).
Da área total plantada no país, o Estado de Minas Gerais detém a maior área individual
com florestas plantadas, compreendendo 1,4 milhões de ha (9,8% com pinus e 90,2%
com eucaliptos), seguido pelos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Bahia.
Segundo Almeida e Soares (2003), a hidrologia florestal trata do movimento da
água em ambientes de floresta, sejam naturais ou de plantações de espécies de
crescimento rápido. O balanço de água nestes ambientes depende da precipitação, da
interceptação de água pelo dossel, do escoamento lateral, drenagem profunda e da
evapotranspiração. Com exceção da precipitação, os demais processos são bastante
14
influenciados pela densidade de plantas, pelo tipo de solo, pelo comportamento
fisiológico da planta e pela estrutura e arquitetura do dossel.
A cultura do eucalipto encontra-se cultivada por quase todo o território
nacional, sendo que grande parte, em função de estresse hídrico, apresenta limitações ao
desenvolvimento das plantas (VELLINI et al., 2008). De acordo com Alves (2009), por
diversas razões, entre elas sua rusticidade, alto custo envolvido na implantação de
sistemas de irrigação em função das dimensões das áreas de plantio e, ainda, por ser
uma cultura tradicionalmente de sequeiro, são poucas as informações existentes sobre as
necessidades hídricas da cultura do eucalipto, sendo explicado pelo fato, que o uso da
irrigação em florestas plantadas está sendo uma prática bastante utilizada e fundamental
para garantir um alto índice de sobrevivência das mudas, sendo utilizada com base em
experiências das próprias empresas florestais, que vêm testando e aplicando métodos
que apresentem resultados mais satisfatórios em seus testes.
Segundo Souza et al. (2003), os sistemas de irrigação localizada têm sido
utilizados na irrigação de fruteiras por proporcionarem uso mais eficiente da água e,
dependendo das características dos emissores, eles proporcionam diferentes
porcentagens de área molhada (PAM). Sendo assim, é importante os estudos de
aplicações de água utilizando diferentes sistemas de irrigação, pois podem afetar de
forma diferenciada o comportamento da cultura, como crescimento e desenvolvimento
da planta. Portanto, Bernardo et al. (2006) relatam que a PAM e o perfil de molhamento
do solo variam em função do tipo de solo, do tipo de emissor, do espaçamento entre
emissores e da vazão do emissor, do tempo de aplicação de água e da lâmina de água
aplicada.
O objetivo deste trabalho foi avaliar dois híbridos de eucalipto (Grancam e
Urograndis) no estágio inicial de desenvolvimento, sem irrigação e irrigados pelos
sistemas de gotejamento e microaspersão, em Aquidauana-MS.
2.2 MATERIAL E MÉTODOS
A pesquisa foi conduzida na área experimental de agricultura irrigada da
Unidade Universitária de Aquidauana - Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
(UUA/UEMS), localizada no município de Aquidauana - MS, com coordenadas
geográficas 20°20‟ Sul, 55°48‟ Oeste e altitude média de 174 metros. O clima da região,
15
segundo a classificação de Köppen, foi descrita como Aw, definido como clima tropical
quente sub-úmido, com estação chuvosa no verão e seca no inverno e precipitação
média anual de 1200 mm. O solo da área, segundo normas da Embrapa (2006), é
classificado como Argissolo Vermelho-Amarelo distrófico.
Os dados climáticos foram obtidos por meio da estação climatológica do
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) localizada no município de AquidauanaMS, consistindo de dados diários de precipitação pluvial, temperatura máxima, mínima,
umidade relativa do ar, radiação solar global e velocidade do vento, entre 20 de abril e
20 de outubro de 2011 (Tabela 1).
Tabela 1. Dados médios de temperatura máxima, mínima e média (Tmax, Tmin e Tmed),
umidade relativa do ar (UR), radiação solar global (Rs), velocidade do vento
a 2 metros de altura (U2) e precipitação pluviômétrica (mm) referentes ao
período 20 de abril de 2011 a 20 de outubro de 2011 em Aquidauana-MS.
Tmax
Tmin
Tmed
UR
Rs
U2 Precipitação
DAT*
----------------ºC--------------%
MJ m2 dia-1 m s-1
mm
1 a 30
29,34
17,24
23,29 71,58
16,69
0,74
52,00
31 a 60
29,98
15,30
22,64 65,71
14,55
1,02
8,00
61 a 90
29,09
14,08
21,59 65,58
16,12
1,18
16,40
91 a 120
29,95
15,96
22,95 60,43
16,33
1,43
30,40
121 a 150
33,65
17,93
25,79 53,42
20,09
1,54
37,20
151 a 180
33,69
20,49
27,09 61,58
21,60
1,60
130,60
*Dias após transplante.
A adubação nitrogenada, potássica e fosfatada, no plantio das mudas, foi
realizada a partir da análise química do solo (Tabela 2) e de acordo com as
recomendações de Andrade (2004), correspondendo a 0, 30 e 40 kg ha-1 de N, P2O5 e
K2O, respectivamente.
Tabela 2. Caracterização química do solo.
P
M.O
K
Ca Mg Al H+Al
S
T
V
Profundidade
*pH
(m)
mg dm-3 %
cmolc dm-3
%
0,0 – 0,2
6,5
16,6
2,2 0,66 3,7 0,9 0,0
2,2
5,26 7,46 71
0,2 – 0,4
6,3
12,6
1,3 0,28 3,4 0,7 0,0
2,2
4,38 6,58 67
0,4 – 0,6
6,2
7,3
0,9 0,16 2,6 0,6 0,0
2,0
3,36 5,36 63
*pH em água 1:2,5.
No dia 19 de abril de 2011 foram feitas as covas, onde o formulado 04-20-20
foi misturado ao solo na quantia de 115 g por planta (127,78 kg ha-1).
16
Antes da implantação do experimento, a área foi previamente gradeada e
realizada o controle de plantas invasoras, no qual foram dessecadas com a aplicação do
herbicida glyphosate na dose de 4 L ha-1 do produto comercial contendo 360 g i.a. L-1.
O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com parcelas
subdivididas, utilizando quatro blocos e duas replicações dentro de cada bloco
(BANZATTO;
KRONKA,
1989).
Os
tratamentos
empregados
nas
parcelas
corresponderam a dois sistemas de irrigação (microaspersão e gotejamento) e uma área
de sequeiro. Nas subparcelas, os tratamentos foram os híbridos de eucalipto, sendo o
Urograndis, clone I224 (Eucaliptus urophilla x Eucaliptus grandis) e Grancam, clone
1277 (Eucaliptus grandis x Eucaliptus camaldulensis).
A área experimental possuía 3 hectares (ha), sendo 1 ha com sistema de
irrigação por gotejamento, 1 ha com sistema de irrigação por microaspersão e 1 ha sem
irrigação. As mudas de eucalipto foram transplantadas a campo no dia 20 de abril de
2011, quando as mesmas possuíam altura média de 30 cm, espaçadas em 2,25 x 4,00 m.
A
área
irrigada
por
gotejamento
foi
composto
de
gotejadores
autocompensantes, com vazão de 2,4 L h-1, espaçamento de 0,5 m entre emissores e
pressão de serviço de 10 m c.a. Já, na microaspersão, utilizou-se de microaspersores
com vazão unitária de 48 L h-1, raio de alcance de 1,5 m e pressão de serviço de 40 m
c.a. instalados a 30 cm de cada planta. As linhas laterais de cada tratamento de irrigação
continha 86 m.
Cada subparcela continha duas unidades experimentais (área útil) com dez
plantas, cujas áreas das unidades experimentais compreendiam duas linhas de plantas
com 11,25 m de comprimento cada linha, correspondendo a 90 m2.
O manejo de irrigação foi baseado na estimativa da evapotranspiração de
referência (ETo) a partir da equação (1) de Penman-Monteith (ALLEN et al., 1998):
o
0,408
900
n
1
0,34
2
273
es ea
2
Em que:
ETo - evapotranspiração de referência, mm dia-1;
Rn - saldo de radiação, MJ m-2 dia-1;
G - fluxo de calor no solo, MJ m-2 dia-1;
17
 - declinação da curva de saturação do vapor da água, kPa ºC-1;
 - constante psicrométrica, kPa ºC-1;
U2 - velocidade média do vento a 2 m acima da superfície do solo, m s-1;
T - temperatura média do ar, ºC;
es - pressão de saturação de vapor, kPa;
ea - pressão atual de vapor, kPa.
A Evapotranspiração da cultura (ETc) foi estimada de acordo com a equação 2,
seguida de adaptações para irrigação localizada calculada de acordo com equação 3
(BERNARDO et al. 2006):
c
o c
(2)
Em que:
kc – coeficiente de cultura (0,70 – 0,82) estimado diariamente para o eucalipto
(ALVES, 2009).
oc
c
(3)
Em que:
ETcLoc - evapotranspiração da cultura conforme o método de irrigação localizada, mm
dia-1;
kL – fator de correção conforme o método de irrigação localizada, estimado de acordo
com a equação 4 (KELLER; BLIESNER, 1990).
0,1
(4)
Em que:
PAM – Porcentagem da área molhada calculada de acordo com BERNARDO et al.
(2006).
Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão obtiveram valores de
PAM de 52,0% e 78,5%, respectivamente. Para o cálculo da lâmina de irrigação
18
utilizou-se como critério a água facilmente disponível para irrigação localizada
(AFDLoc), sendo calculada conforme a equação 5.
oc
cc
pmp
p
100
5
Em que,
cc
- umidade do solo na capacidade de campo (potencial mátrico de -10 kPa, m3 m-3);
pmp
- umidade do solo no ponto de murcha permanente (potencial mátrico de -1500
kPa, m3 m-3);
Z – profundidade do sistema radicular, 970 mm (REIS et al., 2006);
p – fator de depleção de água no solo para coníferas (0,7) recomendado por Allen et al.
(1998).
A AFDLoc foi de 38,9 e 58,8 mm para o gotejamento e microaspersão. No
entanto, a irrigação foi sempre efetuada quando a somatória da ETcLoc foi igual ou
maior que 9 mm.
As lâminas totais (irrigação + precipitação) aplicadas durante o experimento
foram de 518,13; 448,38 e 270,60 mm para os manejos com sistema de irrigação por
microaspersão, gotejamento e sequeiro, respectivamente, sendo que a precipitação
pluviométrica correspondeu a 270,6 mm (Tabela 3). Observou-se que, neste período, a
lâmina total (LT) para o eucalipto irrigado por microaspersão foi de 13,46% maior que
o irrigado por gotejamento e 47,77% maior que o de sequeiro e, a LT do eucalipto
irrigado por gotejamento foi 39,65% superior ao eucalipto de sequeiro.
Tabela 3. Estimativa da evapotranspiração máxima, média, mínima e acumulada (ETc)
da cultura do eucalipto, lâmina de irrigação (LI), lâmina total (LT) e turno de
rega médio (TR) durante os 180 DAT, em Aquidauana-MS.
ETcacum
LI
LT1
TR
Sistemas de ETcmax ETcmed ETcmin
irrigação
mm dia-1
mm
dias
Gotejamento
3,63
1,79
0,49
320,89 177,78 448,38
5
Microaspersão 4,74
2,21
0,60
397,95 247,53 518,13
4
Sequeiro
270,60
1
Lâmina de irrigação + chuva.
19
A evapotranspiração acumulada da cultura (ETc) para o sistema de
microaspersão e gotejamento foi de 397,95 e 320,89 mm, respectivamente. A máxima
ETc para o sistema de microaspersão (4,74 mm) e gotejamento (3,63 mm) foram
encontrados aos 137 DAT. No entanto, a média da ETc até o período avaliado (180
DAT) foi de 19,00% maior para o sistema de irrigação de microaspersão em relação ao
gotejamento (Tabela 3).
Verifica-se, na Figura 1, a precipitação pluviométrica e a média decendial da
evapotranspiração de cultura com sistema de microaspersão (ETcmic) no decorrer do
período avaliado, que mostra que a ETcmic ficou sempre acima da evapotranspiração de
cultura com sistema de gotejamento (ETcgot). Isso pode ser explicado pelo fato que
porcentagem da área molhada (PAM) no sistema de microaspersão é maior (78,5%) e,
com isso, o processo de perda de água por evaporação na superfície do solo é mais
pronunciado que no sistema de gotejamento, uma vez que a PAM da área irrigada por
gotejamento foi de 52%.
Figura 1. Precipitação pluviométrica, evapotranspiração de referência (ETo),
evapotranspiração da cultura do eucalipto irrigada por gotejamento
(ETcgot) e evapotranspiração da cultura do eucalipto irrigada por
microaspersão (ETcmic) em Aquidauana-MS, 2011.
A coleta de dados iniciou-se aos 90 DAT (19 de julho de 2011), sendo
realizada a cada 30 dias até os 180 DAT, no qual era mensurada a altura de plantas
(ALT), diâmetro do caule (DC) (10 cm da superfície do solo) e diâmetro da copa (DCo).
20
A ALT e o DCo foram mensurados com auxílio de uma trena e convencionados a
unidade de medida em centímetros (cm). O DC foi mensurado com paquímetro digital,
com unidade em milímetros mm e convertidos para “cm”. Com esses parâmetros, foi
possível quantificar a área basal do caule (ABC), a relação entre ALT e DC, a relação
entre ALT e DCo e o volume de caule (VC), que foi estimado conforme a equação 6.
0,5
(6)
Em que,
VC – volume de caule, cm3;
ABC – área basal do caule a 10 cm da superfície do solo, cm2;
ALT – altura de planta, cm;
0,5 – fator de forma de eucalipto (VILAS BÔAS et al., 2009).
De posse dos dados, foi realizada a análise de variância para cada parâmetro.
Para aqueles que mostraram efeito significativo dos tratamentos pelo teste F, procedeuse o teste de comparações de médias Tukey a 5%, usando o software Statistical Analysis
Systems (SAS, 1999).
2.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Tabela 4, encontra-se o resumo da análise de variância com os quadrados
médios e seus respectivos níveis de significância, os índices de variação para cada
parâmetro do eucalipto avaliado aos 90, 120, 150 e 180 DAT. Verifica-se, aos 90 DAT,
que o eucalipto foi influenciado pelos tratamentos de irrigação no nível de 1% de
probabilidade pelo teste F, para os parâmetros: altura de plantas (ALT), diâmetro do
caule (DC), diâmetro da copa (DCo) e área basal do caule (ABC). O parâmetro volume
do caule (VC) foi influenciado no nível de 5% de probabilidade pelo teste F e, os
parâmetros de relação entre ALT e DC (RADC) e relação entre ALT e DCo (RADCo)
não apresentaram efeito significativo nos níveis testados.
21
Tabela 4. Quadrado médio e índice de variação (IV) da altura de planta (ALT), diâmetro
do caule (DC), diâmetro da copa (DCo), área basal do caule (ABC), relação
entre a altura e diâmetro do caule (RADC), relação entre a altura e diâmetro
da copa (RADCo) e volume do caule (VC) de eucalipto em desenvolvimento
inicial em Aquidauana-MS, 2011.
FV
GL
Bloco
3
ALT
DC
DCo
ABC
174,061
0,043
171,599
RADC
RADCo
VC
0,0107
262,229
90 dias após transplante
0,1049
14,454
ns
Irrigação (I)
2
591,654**
0,111**
669,905**
0,158**
34,139
Residuo(a)
18
49,257
0,0136
57,396
0,0236
51,735
0,0234
65,216
4,65
5,82
5,90
12,82
3,31
IV (%)
358,622*
4,46
22,19
ns
Híbrido (H)
1
0,984**
214,98
0,240**
1810,002**
IxH
2
10,955ns
0,001ns
88,964ns
0,0107ns
37,146ns
0,071ns
78,312ns
Residuo(b)
21
78,114
0,028
83,534
0,051
105,087
0,0269
121,374
5,86
8,32
7,12
18,89
4,71
4,79
30,27
0,0213
1495,909
IV (%)
-
-
Bloco
3
Irrigação (I)
2
Residuo(a)
18
IV (%)
Híbrido (H)
1
3249,72*** 0,724*** 3783,02***
0,067
ns
120 dias após transplante
297,641
0,2092
83,431
0,5682
765,558** 0,1757** 637,5319** 0,4605**
372,8239
56,582
ns
0,023
ns
1527,917**
90,353
0,0227
98,156
0,0612
50,303
0,0322
227,689
5,28
5,83
6,26
12,18
3,55
5,57
20,12
8749,35*** 1,629*** 2460,86*** 3,6445*** 1,1041
ns
0,0730ns
375,8109ns
Residuo(b)
21
125,859
0,0312
105,067
0,0912
62,6679
0,0244
350,444
IV (%)
-
6,24
6,82
6,47
14,87
3,96
4,84
24,96
-
-
Bloco
3
209,773
0,2491
7822,273
ns
ns
18
7,9979
0,446** 10566,959***
ns
21,616
Residuo(a)
0,0478
ns
2
2
153,489
ns
IxH
Irrigação (I)
0,0079
ns
ns
150 dias após transplante
525,617
0,3366
1262,163** 0,3909*
336,290
652,764
ns
1,7795
1,6956*
51,316
0,144
7846,141*
184,638
0,0698
340,101
0,3049
33,3795
0,2457
1419,504
6,16
7,57
10,00
14,67
3,15
13,78
21,85
IV (%)
-
Híbrido (H)
1
IxH
2
14,1087ns
0,0149ns
783,753*
0,0187ns
52,564ns 0,7843*
1038,411ns
Residuo(b)
21
199,951
0,0784
190,823
0,3857
46,725
0,1769
1999,2861
IV (%)
-
6,41
8,02
7,49
16,50
3,73
11,70
25,93
-
-
11537,9*** 3,457*** 1943,122** 13,620*** 156,753ns 0,420ns 52749,771***
180 dias após transplante
Bloco
3
1901,5204
Irrigação (I)
2
2337,292** 0,5361** 2204,266**
Residuo(a)
18
176,057
0,0546
IV (%)
-
4,86
5,04
Híbrido (H)
1
0,5057
827,912
4,2023
15,2246
0,0249
30793,839
3,682**
8,1302ns
0,030ns
25329,912**
168,3149
0,3528
9,9399
0,0102
2147,3094
5,61
9,24
1,89
3,02
13,00
14589,1*** 3,533*** 7598,72*** 24,071*** 32,8278
ns
IxH
2
26,1383
Residuo(b)
21
390,306
0,0165
ns
0,1294
184,4537
ns
200,777
0,1741
ns
0,872
3,1258
ns
ns
12,437
0,0603* 153072,71***
0,0051ns
2740,135ns
0,0133
5668,736
IV (%)
7,23
7,76
6,13
14,52
2,11
3,45
21,12
*significativo a 5% de probabilidade; ** significativo a 1% de probabilidade; *** significativo a 0,01%
de probabilidade; ns não significativo.
22
Aos 90 DAT, não houve interação significativa entre as fontes de variação,
irrigação e híbrido, para todos os parâmetros avaliados (Tabela 4). No entanto, observase que os parâmetros ALT, DC e DCo foram influenciados significativamente no nível
de 0,01% de probabilidade, mostrando que esses parâmetros são fortemente ligados ao
híbrido de eucalipto.
Aos 120 DAT, verifica-se que o fator irrigação não influenciou
significativamente os parâmetros RADC e RADCo. Não houve interação significativa
entre a irrigação e o híbrido aos 120 DAT e, para os híbridos, observa-se que apenas o
parâmetro RADC não foi influenciado significativamente pelo teste F (Tabela 4).
Aos 150 DAT, o fator de estudo irrigação influenciou o parâmetro de eucalipto
ALT no nível de 1% de probabilidade e os parâmetros DC, ABC e VC a 5% de
probabilidade. Para o fator híbrido observa-se que, aos 120 DAT, não houve efeito
significativo para a RADC e RADCo aos 150 DAT. Verifica-se, na Tabela 4, que houve
interação significativa para os parâmetros DCo e RADCo.
Pode-se notar que, aos 180 DAT, os tratamentos de irrigação apresentaram
forte influência para ALT, DC, DCo, ABC e VC, sendo significativos a 1% de
probabilidade. Os parâmetros de eucalipto ALT, DC, DCo ABC e VC foram
influenciados significativamente a 0,01% de probabilidade e a RADC a 5% de
probabilidade para os tratamentos de híbridos aos 180 DAT. Não houve interação da
irrigação e híbridos aos 180 DAT para os parâmetros avaliados.
Observa-se que os índices de variação (IV) do VC, obtiveram uma diminuição
expressiva de 90 DAT a 180 DAT para os fatores de irrigação e híbrido, passando de
22,19% para 13,00% e, 30,27% a 21,12%, respectivamente (Tabela 4). Entende-se que,
conforme aumenta do VC no decorrer do DAT, há tendência que reduza a variação da
média de cada parcela (tratamento) em relação a média geral, pois o incremento de VC
depende da ABC e ALT. Segundo PIMENTEL-GOMES (1991), a aplicação do IV
como parâmetro de avaliação da precisão do experimento é justificável uma vez que, em
pesquisas florestais, as parcelas são evidentemente muito maiores do que em ensaios
com plantas pequenas, sendo que a experimentação e a teoria demonstram que, na quase
totalidade dos casos, o coeficiente de variação decresce quando aumenta o tamanho das
parcelas.
Houve influência dos sistemas de irrigação sobre os parâmetros avaliados do
eucalipto aos 90, 120, 150 e 180 DAT em Aquidauana-MS (Tabela 5). A ALT, aos 90
DAT, com o sistema de irrigação de gotejamento e microaspersão, obteve médias de
23
55,00 e 58,75 cm, respectivamente, onde os mesmos não diferiram entre si, porém
ambos diferiram do sequeiro (46,29 cm). Aos 120 e 150 DAT observou-se que o
tratamento de microaspersão alcançou a maior média de ALT com valores de 70,27 e
85,87 cm respectivamente, porém os mesmos não diferiram do gotejamento que, por sua
vez, não diferiu do tratamento de sequeiro.
Observou-se, também, que a ALT aos 180 DAT apresentou o mesmo
comportamento dos tratamentos de irrigação aos 90 DAT (Tabela 5). Os híbridos de
eucalipto irrigado por gotejamento e microaspersão e, sequeiro, obtiveram diferença de
crescimento de 46,91, 46,38 e 36,48 cm respectivamente, dos 90 aos 180 DAT. De
maneira geral, os tratamentos de irrigação mostraram ser fundamental para que a ALT
dos eucaliptos nos estágios iniciais tenham desenvolvimento significativamente superior
ao eucalipto não irrigado para os períodos avaliados.
Tabela 5. Altura de planta (ALT), diâmetro do caule (DC), diâmetro da copa (DCo),
área basal do caule (ABC), relação entre ALT e DC (RADC), relação entre
ALT e DCo (RADCo) e volume do caule (VC) de eucaliptos para os sistemas
de irrigação em Aquidauana-MS, 2011.
ALT
DC
DCo
ABC
VC
RADC RADCo
Sistemas de
(cm)
(cm)
(cm)
(cm2)
(cm3)
irrigação
90 dias após transplante
Gotejamento
55,00a 0,726a 48,34a 0,433ab 76,30a 1,173a 12,84ab
Microaspersão
58,75a 0,782a 50,17a
0,521a 76,01a 1,177a
17,71a
Sequeiro
46,29b 0,613b 37,69b
0,318b 78,45a 1,173a
8,06b
DMS
6,369
0,106
6,875
0,140
7,329
120 dias após transplante
Gotejamento
64,05ab 0,894ab 58,34a
0,675b 72,64a 1,096a 24,31ab
Microaspersão
70,27a 1,029a 60,79a
0,905a 68,92a 1,156a
37,21a
Sequeiro
56,46b 0,823b 48,85b
0,573b 70,27a 1,167a 18,04b
DMS
8,626
0,137
8,991
0,224
13,694
150 dias após transplante
Gotejamento
79,59ab 1,233ab 68,87a 1,285ab 65,86a 1,187a 56,92ab
Microaspersão
85,87a 1,392a 68,93a
1,677a 62,72a 1,375a
84,86a
Sequeiro
68,335b 1,079b 57,84a
1,031b 65,79a 1,252a 41,13b
DMS
12,331
0,240
0,501
34,191
180 dias após transplante
Gotejamento
101,91a 1,711a 90,38a
2,440a 59,63a 1,131a 138,24a
Microaspersão 105,13a 1,778a 86,44a
2,649a 58,97a 1,201a 158,32a
Sequeiro
82,77b 1,432b 68,37b
1,733b 58,20a 1,211a 81,60b
DMS
12,041
0,212 11,774
0,539
42,053
Médias seguidas de letras diferentes nas colunas diferem entre si no nível de 5% de probabilidade pelo
teste Tukey.
24
Sasse e Sands (1996) relataram que, um mecanismo que as plantas utilizam
para minimizar o efeito de estresse hídrico que seja capaz de prejudicar o crescimento
em condições de campo, é a exploração de grandes volumes de solo a maiores
profundidades, ou seja, muitas vezes o crescimento do sistema radicular em
profundidade é uma forma de defesa da planta ao estresse hídrico (TATAGIBA et al.,
2007). Em trabalho conduzido por Reis et al. (2006), que avaliaram o comportamento
de clones de híbridos de Eucalyptus grandis x E. urophylla e de E. camaldulensis x E.
spp., submetidos a dois regimes de irrigação no campo, observou-se que o crescimento
em altura, de eucalipto adulto, não variou significativamente entre os tratamentos de
irrigação, enquanto que, em diâmetro e volume, foram significativamente superiores nas
plantas do tratamento irrigado em relação ao não irrigado.
Os valores de DC para os períodos de 90 e 180 DAT foram superiores com a
utilização do sistema de irrigação de gotejamento e microaspersão em relação ao
eucalipto não irrigado. Para os períodos avaliados de 120 e 150 DAT, o DC foi maior
com a microaspersão quando comparado com o sequeiro que, por sua vez, não diferiu
do sistema de gotejamento (Tabela 5). Em estudo de Vellini et al. (2008), constatou-se
que o crescimento em altura foi, proporcionalmente, menos afetado que o crescimento
em diâmetro quando a disponibilidade hídrica diminuiu para as plantas.
Apenas no período de 150 DAT não houve diferença significativa para o DCo
em relação aos tratamentos de irrigação. Verificou-se que o DCo para o período de 90,
120 e 180 DAT foi superior com os sistemas de irrigação quando comparados com o
tratamento de sequeiro. O monitoramento da evolução do DCo é muito importante para
o planejamento de plantas irrigadas, principalmente em estágios inicias de
desenvolvimento, pois a mesma minimiza o efeito da evaporação da água próximo ao
caule, onde a maior parte da irrigação localizada é aplicada.
Na Tabela 5 pode-se verificar-se que, aos 90 DAT, a ABC foi maior com o
sistema de irrigação de microaspersão e menor com o eucalipto de sequeiro. Contudo, o
sistema de irrigação por gotejamento não diferiu de ambos os outros tratamentos.
Porém, para o mesmo parâmetro, vale ressaltar que os sistemas de irrigação, aos 180
DAT, foram significativamente superiores em relação ao eucalipto não irrigado e, dessa
forma, entende-se que a reposição de água em relação à evapotranspiração da cultura é
25
necessária para que se possa obter melhores resultados e expressar seu máximo
potencial produtivo.
Muitas vezes, a sobrevivência das plantas de eucalipto abaixo do ponto de
murcha permanente só é possível devido seu ajuste osmótico, que se desenvolve
lentamente em resposta à desidratação do tecido causado pelo déficit hídrico (TAIZ;
ZEIGER, 2004).
O VC aos 90 DAT apresentou valores na ordem de 17,709 cm3, alcançado com
sistema de irrigação por microaspersão, sendo que o gotejamento (12,841 cm3) não
diferiu do tratamento de microaspersão e sequeiro (8,055 cm3). Na Tabela 5 verifica-se
que o VC aos 120 e 150 DAT teve mesmo comportamento estatístico ao período
anterior. Aos 180 DAT, o VC, assim como os parâmetros ALT, DC, DCo e ABC,
obtiveram os melhores resultados com uso de ambos os sistemas de irrigação, com
diferença do VC em relação ao eucalipto de sequeiro da ordem de 76,72 e 56,64 cm3
para o sistema de microaspersão e gotejamento, respectivamente.
Na Tabela 6 encontra-se ALT, DC, DCo, ABC, RADC, RADCo e VC para os
híbridos de eucalipto aos 90, 120, 150 e 180 DAT em Aquidauana-MS. Observa-se que,
para todos os períodos avaliados, a ALT, DC, DCo, ABC e VC do híbrido Grancam foi
significativamente maior que o Urograndis. Esses resultados indicam que os parâmetros
avaliados estão fortemente ligados a caráter de ordem genética.
Reis et al. (2006), estudando os híbridos Grancam e Urograndis irrigados e não
irrigados, não observaram interação significativa entre clones e níveis de irrigação,
destacando que o híbrido Grancam apresentou tendência de maior altura, diâmetro e
volume no tratamento não-irrigado, comportamento diferenciado em relação aos híbrido
de Urograndis, cujo crescimento tendeu ser mais elevado no tratamento irrigado. No
entanto, esses mesmos autores justificaram o seu maior crescimento sob estresse
hídrico, ao fato que, o híbrido Grancam possui profundidade de raízes (0,97 m) e a
maior proporção de biomassa alocada no sistema radicular (25,94%).
Segundo Reichardt e Tim (2004), a quantidade de água absorvida do solo pelas
plantas não é somente função do seu potencial mas, também, da habilidade das raízes
em absorver a água do solo com que estão em contato, bem como das propriedades do
solo no fornecimento e na transmissão dessa água às raízes, em uma proporção que
satisfaça as exigências da transpiração.
26
Tabela 6. Altura de planta (ALT), diâmetro do caule (DC), diâmetro da copa (DCo),
área basal do caule (ABC), relação entre ALT e DC (RADC), relação entre
ALT e DCo (RADCo) e volume do caule (VC) para os híbridos de eucalipto
em Aquidauana-MS, 2011.
ALT
DC
DCo
ABC
VC
RADC RADCo
2
3
(cm)
(cm)
(cm)
(cm
)
(cm
)
Híbrido
90 dias após transplante
Grancam
61,88a
0,8328a 54,612a
0,570a 74,900a 1,140b 19,093a
Urograndis 44,82b
0,5811b 36,188b
0,279b 78,935a 1,286a 6,644b
120 dias após transplante
Grancam
77,10a
1,0992a 63,159a
0,993a 70,761a 1,236a 41,358a
Urograndis 50,09b
0,7308b 48,838b
0,442b 70,458a 1,043b 11,684b
150 dias após transplante
Grancam
93,43a
1,5031a 71,573a
1,864a 62,982a 1,365a 94,12a
Urograndis 62,43b
0,9663b 58,848b
0,799b 66,596a 1,178a 27,82b
180 dias após transplante
Grancam
114,04a 1,9110a 94,312a
2,982a 59,762a 1,2165a 182,52a
Urograndis 79,17b
1,3690b 69,148b
1,566b 58,108a 1,1456b 69,58b
Médias seguidas de letras diferentes nas colunas diferem entre si pelo teste F. Grancam = Eucaliptus
grandis x E. camaldulensis; Urograndis = E. urophilla x E. Grandis.
As médias da RADC (Tabela 6), em todos os períodos, não apresentaram
diferença e, a RADCo não obteve efeito significativo no período de 150 DAT. Já, aos
180 DAT, o híbrido Grancam (1,2165) superou significativamente a média do
Urograndis (1,1456).
A interação entre o fator irrigação e híbrido foi constatado somente para a o
DCo e RADCo aos 150 DAT (Tabela 7). Observa-se que para DC, o híbrido Grancam
foi maior que o Urograndis quando os mesmos foram submetidos à irrigação, tanto por
gotejamento quanto para microaspersão e, ainda, não houve diferença quando os
mesmos não foram irrigados. A irrigação dentro das subparcelas influenciou somente o
DCo do híbrido Grancam, evidenciando que os sistemas de irrigação foram superiores
ao sequeiro.
Foi observado que o desdobramento da RADCo para os tratamentos de
irrigação não diferiu entre si com o híbrido Grancam. No entanto, com o híbrido
Urograndis verificou-se que a microaspersão proporcionou maior RADCo (1,517).
Com irrigação por gotejamento e sequeiro observou-se que a RADCo do
híbrido Grancam foi significativamente superior ao Urograndis. Já, com a irrigação por
microaspersão, o RACDo foi maior com Urograndis (Tabela 7).
27
Tabela 7. Desdobramento das médias de diâmetro da copa (DCo) e relação entre altura
de plantas e diâmetro de copa (RADCo) dos fatores de sistemas de irrigação e
híbridos de eucalipto aos 150 dias após transplante em Aquidauana-MS,
2011.
Híbridos
Sistemas de
Grancam
Urograndis
Grancam
Urograndis
irrigação
DCo (cm)
RADCo
Gotejamento
76,602aA
61,129aB
1,3143aA
1,0612bB
Microaspersão
81,503aA
56,358aB
1,232aB
1,517aA
Sequeiro
56,613bA
59,056aA
1,5489aA
0,9557bB
Médias seguidas de letras diferentes, minúsculas nas colunas e maiúsculas na linha, diferem entre si no
nível de 5% de probabilidade pelo teste Tukey. Grancam = Eucaliptus grandis x E. camaldulensis;
Urograndis = E. urophilla x E. Grandis.
2.4 CONCLUSÕES
A aplicação de água para o eucalipto em desenvolvimento inicial em
Aquidauana-MS, utilizando os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão
propicia maior altura de plantas, diâmetro do caule, diâmetro da copa, área basal e
volume de caule.
O híbrido Grancam em estágio inicial de desenvolvimento apresenta
parâmetros dendométricos superiores ao Urograndis.
2.5 AGRADECIMENTOS
Ao CNPq pela concessão da bolsa e ao Fundect pelo financiamento dessa pesquisa.
2.6 REFERÊNCIAS
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guidelines for computing crop requirements. Roma: FAO, 1998. 301 p.
28
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Eucalyptus grandis e floresta ombrófila densa (Mata Atlântica) na costa leste do Brasil.
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eucalipto. 2009. 136 f. Tese (Doutorado em Meteorologia Agrícola) - Universidade
Federal de Viçosa, Viçosa, 2009.
ANDRADE, L.R.M. Corretivos e fertilizantes para culturas perenes e semiperenes. In:
SOUSA, D. M. G.; LOBATO, E. Cerrado, correção do solo e adubação. 2. ed.
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1989. 247 p.
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Solos/Embrapa Solos, 2006. 306 p.
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29
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desenvolvimento inicial de plantas de eucalipto irrigado em