UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE AQUIDAUANA PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA DESENVOLVIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE EUCALIPTO IRRIGADO EM AQUIDAUANA-MS Acadêmico: Gabriel Queiroz de Oliveira AQUIDAUANA – MS FEVEREIRO DE 2012 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MATO GROSSO DO SUL UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE AQUIDAUANA PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONOMIA DESENVOLVIMENTO INICIAL DE PLANTAS DE EUCALIPTO IRRIGADO EM AQUIDAUANA-MS Acadêmico: Gabriel Queiroz de Oliveira Orientador: Prof. Dr. Adriano da Silva Lopes “Dissertação apresentada ao programa de pósgraduação em Agronomia, área de concentração em Produção Vegetal, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, como parte das exigências para a obtenção do título de Mestre em Agronomia (Produção Vegetal)”. AQUIDAUANA – MS FEVEREIRO DE 2012 O47d Oliveira, Gabriel Queiroz de Desenvolvimento inicial de plantas de eucalipto irrigado em Aquidauana-MS / Gabriel Queiroz de Oliveira. Aquidauana, MS: UEMS, 2012. 31p.; 30cm. Dissertação (Mestrado) – Agronomia (Produção Vegetal) – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, 2012. Orientador: Prof. Dr. Adriano da Silva Lopes 1. Irrigação 2. Eucalipto – Híbridos 3. Evapotranspiração I. Título. CDD 20.ed. 631.587 iv “Trate bem a terra. Ela não foi doada a você pelos seus pais. Ela foi emprestada a você pelos seus filhos.” Provérbio do Quênia v Ao Senhor DEUS, por ter criado o acaso; à minha mãe, Maria Helena Queiroz de Oliveira e; ao meu pai, Nilton Elias de Oliveira, sempre ao meu lado na jornada da vida; ao meu filho, Guilherme Martins de Oliveira, filho maravilhoso “Te Amo”; ao meu irmão, Daniel Queiroz de Oliveira; à minha irmã, Izabel Queiroz de Oliveira Dedico vi AGRADECIMENTOS Aos meus pais, Nilton e Maria Helena pelo amor e compreensão nos momentos de fraqueza. Ao meu filho, que nos momentos difíceis me exprimia força e fazia lembrar que é preciso continuar superando os obstáculos da vida. A meus irmãos Daniel e Izabel, que sempre me acompanharam e apoiaram na busca de meus sonhos. Ao Prof. Dr. Adriano da Silva Lopes, pela amizade, confiança, ensinamentos, encorajamento e orientação neste trabalho. Ao Prof. Dr. Norton Hayd Rego, por todos os esclarecimentos e auxílio na execução deste trabalho. Aos companheiros Leandro Jung, Jean Carlos, Dreyfus Bertoli e Eder Fanaya pela ajuda durante o experimento, na coleta de dados e na aplicação de toda a metodologia, o meu muito obrigado. À Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul e ao Cnpq, pelo auxílio técnico e oportunidade de bolsa. Aos professores Alfredo Raúl Abot, Carlos Lasaro de Melo, Edílson Costa, Etenaldo Felipe Santiago, Elói Panachuki, Jolimar Antonio Schiavo e Marcos Antonio Camacho da Silva, do curso de Pós-Graduação em Agronomia (Produção Vegetal), pelos ensinamentos. Aos professores do curso de Agronomia da Unidade Universitária de Aquidauana – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Aos colegas e amigos Samanta Martins, Mario Marcio, Marcos Vinicius, Lidiane Vieira, Luiz Fernando, Pedro Nagel, Martios Ecco e Roberta Feitosa pelo apoio e amizade. Aos funcionários da Unidade Universitária de Aquidauana – Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul que ajudaram na realização deste trabalho. vii A todos que acompanharam minha caminhada e, de uma forma ou de outra, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho. viii SUMÁRIO Página RESUMO ........................................................................................................................x PALAVRAS-CHAVE ....................................................................................................x ABSTRACT....................................................................................................................xi KEYWORDS ..................................................................................................................xi CAPÍTULO 1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS .............................................................1 1.1 IMPORTÂNCIA DO CULTIVO DE EUCALIPTO NO BRASIL ..........................1 1.2 RELAÇÕES HÍDRICAS NO DESENVOLVIMENTO DE PLANTAS .................3 1.3 USO DA ÁGUA PELO EUCALIPTO .....................................................................5 1.4 REFERÊNCIAS........................................................................................................7 CAPÍTULO 2 – DESENVOLVIMENTO INICIAL DE DOIS HÍBRIDOS DE EUCALIPTO SUBMETIDOS À IRRIGAÇÃO.............................................................13 RESUMO ........................................................................................................................13 PALAVRAS-CHAVE ....................................................................................................13 ABSTRACT....................................................................................................................13 KEYWORDS ..................................................................................................................14 2.1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................14 2.2 MATERIAL E MÉTODOS ......................................................................................15 2.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO ..............................................................................21 2.4 CONCLUSÕES ........................................................................................................28 2.5 AGRADECIMENTOS .............................................................................................28 2.6 REFERÊNCIAS........................................................................................................28 ix RESUMO A lavoura e a pecuária sempre estiveram muito presente na economia do país. Contanto, com a crescente demanda de produtos provenientes de madeira, deve-se pensar na silvicultura como a terceira fonte na economia no país. Com a necessidade pelo aumento de produtividade das culturas e resultados financeiros das atividades econômicas, o uso da irrigação passa ser fundamental na segurança da produção e na busca pela eficiência produtiva. Todavia, o manejo da irrigação tem sido realizado, na maioria das vezes, sem critérios e, ainda, são escassos os estudos em relação à produção de eucalipto irrigado a campo. O objetivo deste trabalho foi avaliar dois híbridos de eucalipto (Grancam e Urograndis), com e sem irrigação aos 90, 120, 150 e 180 dias após transplante (DAT). O experimento foi instalado na área experimental de irrigação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, no município de Aquidauana-MS. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, em parcelas subdivididas, com quatro blocos e duas replicações dentro de cada bloco, sendo que as parcelas foram compostas pelos tratamentos de irrigados (gotejamento e microaspersão) e sem irrigação (sequeiro) e as subparcelas pelos híbridos (Grancam e Urograndis). Foi avaliada a altura de plantas, diâmetro do caule e da copa, área basal do caule, relação entre altura e diâmetro do caule, relação entre altura e diâmetro da copa e volume do caule. Os dados foram submetidos à análise de variância e comparados pelo teste Tukey no nível de 5% de probabilidade. Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão propiciam maior altura de plantas, diâmetro do caule, diâmetro da copa, área basal do caule e volume de caule. PALAVRAS-CHAVE: Eucaliptus spp., microaspersão, gotejamento, evapotranspiração. x ABSTRACT The crop and livestock have always been very present in the economy, provided with the growing demand for products from wood, should be considered in forestry as the third source in the economy in the country. With the need for increased crop productivity and financial results of economic activities, the use of irrigation shall be instrumental in the production and security in the pursuit of productive efficiency. However, the irrigation management has been carried out mostly without criteria and there are few studies on the production of irrigated eucalyptus in the field. The aim of this study was to evaluate two hybrid eucalyptus (Grancam and Urograndis), and drip irrigated and dry land at 90, 120, 150 and 180 days after transplanting (DAT). The experiment was installed in the area of irrigation and experimental demonstration of the Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul in Aquidauana, Mato Grosso do Sul State, Brazil. The experimental design was a randomized complete block split plot with four blocks and two replications in each block, and the plots were composed by irrigation treatments (drip and micro sprinkler) and no irrigation (rainfed) and the subplots hybrids (Grancam and Urograndis). The total area of the experiment had 3 hectares (ha), where each plot consisted of 1 ha. We evaluated the plant height (cm), stem diameter and canopy (cm), stem basal area (cm2), the relationship between height and stem diameter, height and relationship between crown diameter and stem volume (cm3). The data were subjected to analysis of variance and compared by Tukey test at 5% probability. Using the systems and drip irrigation provides greater plant height, stem diameter, crown diameter, basal area of the stem and stem volume. KEYWORDS: Eucaliptus spp., sprayer, drip irrigation, evapotranspiration. xi CAPÍTULO 1 – CONSIDERAÇÕES GERAIS 1.1 IMPORTÂNCIA DO CULTIVO DE EUCALIPTO NO BRASIL O eucalipto é uma planta originária da Austrália, onde existem mais de 600 espécies. A partir do início do século 20, o eucalipto teve seu plantio intensificado no Brasil, sendo usado durante algum tempo nas ferrovias, como dormentes e lenha para as locomotivas e mais tarde como poste para eletrificação das linhas (MARCHIORI; SOBRAL, 1997). A partir da década de 1980, questões relativas às mudanças climáticas, ao aquecimento global e ao efeito-estufa passaram a ser destaques como ameaças ambientais que colocam em risco a sobrevivência dos seres humanos. Tais questões ganharam importância mundial, culminando na criação da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas Globais (SILVA et al., 2008). Nesse contexto, o Brasil passa beneficiar-se e assumir posição privilegiada perante os países que buscam reverter o processo de mudança climática, tanto do ponto de vista de reduções das emissões quanto em projetos de sequestro de carbono, principalmente com implantação de floresta de eucalipto utilizando tecnologias que o difere dos demais países (ROCHA, 2002). O gênero Eucalyptus tem sido muito utilizado e a sua produção tem atendido os setores da indústria de celulose e papel, madeira processada e energia. Por exemplo, o carvão vegetal, originado de eucaliptos, pode substituir o óleo combustível em caldeiras. A utilização do eucalipto para serraria ainda é incipiente no Brasil, devido à exploração (muitas vezes ilegal) de madeira de espécies nativas da Amazônia, por exemplo. Com as novas exigências do mercado consumidor, preocupado com a produção sustentada e a manutenção de florestas nativas, o consumo dos produtos florestais procedentes de florestas plantadas tem aumentado (FREITAG, 2007). Para Baesso et al. (2010), o eucalipto oferece diversas vantagens em comparação a outras espécies florestais, inclusive as nativas. Graças ao clima favorável do Brasil e ao avanço alcançado pelas pesquisas e tecnologia florestal, o eucalipto pode ser colhido num prazo de 5 a 7 anos para a produção de celulose, quando atinge até 35 metros de altura e produtividade que supera 50 m3 ha-1 ano-1. 1 Para atender à demanda mundial de papel, a indústria de celulose vem obtendo incrementos expressivos de produção, o que faz que haja aumento da demanda de matéria-prima (ARRUDA et al., 2011). A necessidade de aumento de produção tem feito que as empresas do setor busquem alternativas de manejo que aumentem a produtividade florestal (ALMEIDA, 2008). A alta produtividade de volume de madeira do eucalipto também oferece a vantagem de contribuir para o alívio da demanda crescente de madeira, favorecendo a preservação das florestas nativas remanescentes (MARCHIORI; SOBRAL, 1997). Segundo Shimizu (2006), no final dos anos 20, as siderúrgicas começaram a aproveitar a madeira do eucalipto, transformando-o em carvão vegetal utilizado no processo de fabricação de ferro-gusa. A partir daí, novas aplicações foram desenvolvidas, principalmente para produção de papel e celulose, matéria-prima mais requisitada atualmente para exportação. Contudo, Cordeiro et al. (2010) evidenciam que a participação dos pequenos e médios produtores rurais é de fundamental importância para a atividade florestal integrada ao consumo industrial, como condição indispensável ao desenvolvimento socioeconômico das comunidades regionais e a sustentabilidade dos empreendimentos florestais e industriais. Outro aspecto abordado no Brasil são os reflorestamentos com eucalipto, nos quais apresentam viabilidade técnica e econômica, mostrando-se muito promissora (SOARES et al., 2003). Essa espécie pode ampliar significativamente sua participação na composição da renda agropecuária, com vantagens adicionais sob a visão social e ambiental (CORDEIRO et al., 2010). Na cultura do eucalipto no seu estágio inicial de desenvolvimento, um dos grandes problemas enfrentados são as plantas daninhas, cujo manejo assume papel de destaque entre os tratos culturais, apresentando reflexos diretos no rendimento e nos custos de produção (MACHADO et al., 2010). Para a implantação de reflorestamento de eucalipto, é muito importante a escolha da espécie que se adapte ao local e aos objetivos pretendidos, como por exemplo, para lenha e carvão são utilizadas espécies que geram grande quantidade de madeira em prazo curto como Eucaliptus grandis, E. urophylla, E. torilliana; para a produção de papel e celulose utiliza-se espécies que apresentem cerne branco e macio como E. grandis, E. saligna, E. urophylla (MARCHIORI; SOBRAL, 1997). Já, para postes, moirões, dormentes e estacas, as espécies com cerne duro (para resistir às 2 intempéries) como E. citriodora, E. robusta, E. globulus são as mais indicadas e, para a serraria, as espécies de madeira firme, em que não ocorram rachaduras como o E. dunnii, E. viminalis, E. grandis são os atualmente mais indicados (PAIVA et al., 2001). Dessa forma, entende-se que para que se tenha retorno financeiro com o cultivo de eucalipto, a formação de mudas vigorosas, que passa pelo processo de germinação ou enraizamento, fase de crescimento e fase de rustificação é essencial, sendo que, a fase de rustificação é de grande importância para a adaptação das mudas a campo (SILVA, 2003). Uma forma de se obter mudas de boa qualidade é utilização de irrigação em viveiros de mudas, sendo que essa técnica tem comprovada eficiência, propiciando altas taxas de sobrevivência das mesmas, minimizando as perdas de mudas a campo (PAIVA et al., 2001). 1.2 RELAÇÕES HÍDRICAS NO DESENVOLVIMENTO DE PLANTAS A água é um recurso natural valioso e certamente o elemento mais importante para a vida dos animais e vegetais, pois é necessária à maioria das funções vitais, reações e rotas metabólicas (CARLESSO; ZIMMERMANN, 2000), sendo o principal constituinte do tecido vegetal, representando 50% da massa fresca nas plantas lenhosas e cerca de 80 a 95% nas plantas herbáceas, atuando como reagente no metabolismo vegetal, transporte e translocação de solutos, na turgescência celular, na abertura e fechamento dos estômatos e na penetração do sistema radicular (TAIZ; ZEIGER, 2004). Segundo Inoue e Ribeiro (1988), a transpiração é um fenômeno bastante influenciado pelas condições do ambiente, principalmente a temperatura e a saturação de vapor de água. Sob condições idênticas, diferenças na transpiração podem indicar um mecanismo estomático com maior ou menor eficiência, implicando na economicidade de água pela planta. A transpiração é um processo fisiológico conhecido como um “mal inevitável”. Mal, porque por meio de uma perda relativamente grande de água, na forma de vapor para o ambiente, pode resultar em uma diminuição do crescimento e pode também, em casos extremos, provocar a morte da planta por dessecação. É inevitável, devido às características estruturais das folhas, pois são indispensáveis as trocas de CO2 e O2 entre a folha e o ar atmosférico, nos processos de fotossíntese e respiração. 3 Como os vegetais superiores estão fixos no solo e a um determinado ambiente, seus processos metabólicos vão variar de acordo com as variações ambientais. Variações durante o dia mudam de uma região para outra e durante as diferentes estações. Como exemplo, num dia típico de verão, considerando-se os fatores intensidade de luz solar, as temperaturas do solo e do ar e a pressão de vapor de água, vão variar durante as 24 horas do dia. Estudos de eficiência de uso da água mostram que a produção de matéria seca total é linearmente proporcional à quantidade de água usada. Ao longo da evolução, tem sido desenvolvida alteração no metabolismo e tem aumentado a capacidade da planta para resistir a um suprimento de água limitante, particularmente na fotossíntese (KRAMER; BOYER, 1995). Segundo Araújo (1995), a análise de crescimento vem sendo utilizada para investigar a adaptação de culturas a novos ambientes, a competição entre espécies e variedades, o efeito de manejo e tratos culturais e a identificação da capacidade produtiva de genótipos. Sua aplicação estende-se a estudos sobre eficiência fotossintética, absorção e utilização de nutrientes, análise de componentes da produção e em modelos de previsão do crescimento vegetal, obtidos através de coletas sequenciais para descrever mudanças na produção vegetal em função do tempo, por meio de cálculo das taxas de crescimento. Para vários autores, a análise de crescimento, é um método que descreve as condições morfológicas da planta em diferentes intervalos de tempo, entre duas amostragens sucessivas, e se propõe a acompanhar a dinâmica da produção fotossintética, analisada através da acumulação de matéria seca. Dentre os parâmetros ambientais associados com as alterações do crescimento das plantas, a radiação solar, temperatura, suprimento de água e nutrientes tem sido os mais estudados. De acordo com Benincasa et al. (1976), a área foliar é, em geral, um excelente indicador da capacidade fotossintética de uma planta e sua determinação é muito importante em estudos de nutrição, competição e relações solo-água-planta. Além disso, é importante como índice de crescimento da planta e está estreitamente correlacionada com o acúmulo de matéria seca, metabolismo, produção, maturação e qualidade da cultura. O ciclo hidrológico em ambientes florestais depende da precipitação, interceptação da água pelo dossel, do escoamento lateral, da drenagem profunda e transpiração (ALMEIDA; SOARES, 2003). A crescente pressão por uma política 4 florestal, ambientalmente sustentável, requer melhor entendimento quanto à fisiologia do crescimento e as relações hídricas das espécies florestais (LIMA, 1996). 1.3 USO DA ÁGUA PELO EUCALIPTO Para um melhor desenvolvimento das atividades humanas ligadas ao uso racional da água, é importante o desenvolvimento de sistemas de irrigação cada vez mais eficientes evitando o desperdício da mesma (NASCIMENTO et al., 2009). A irrigação localizada apresenta-se em destaque, no qual, seus emissores aplicam água em pequenas vazões a alta frequência, produzindo pequena área molhada e mantendo a umidade do solo sempre próxima à capacidade de campo (KELLER; KARMELI, 1974). Por se tratar de um sistema de irrigação tecnicamente eficiente e econômico com relação ao consumo de água e energia, a irrigação localizada tem recebido especial atenção por parte de agricultores irrigantes e pesquisadores, pois apresenta diversas vantagens comparativas em relação a outros, como economia de água, facilidade e eficiência na injeção de fertilizantes, menor exigência de mão-de-obra e redução dos riscos de contaminação de alimentos por organismos patogênicos (PATERNIANI et al., 1994 apud RIBEIRO et al., 2005). Os problemas essenciais para sua implantação estão relacionados à qualidade da água a ser utilizada (MANTOVANI et al., 2006). Silva et al. (2011) destacaram que, normalmente, os plantios florestais encontram-se inseridos em ecossistemas sensíveis às perturbações antrópicas em função de razões como o relevo acidentado, solos com baixa fertilidade natural e antigas áreas agrícolas degradadas. Estes fatores associados às operações de manejo, colheita mecanizada da madeira, construção e manutenção de estradas florestais e ao potencial erosivo da região são os principais responsáveis pela perda da capacidade produtiva dos solos sob florestas plantadas e alteração da quantidade e qualidade da água em subbacias, decorrentes da erosão hídrica. Em média, cerca de 30% dos sedimentos perdidos por erosão hídrica chegam aos mananciais, podendo comprometer a qualidade da água e causar assoreamento (HERNANI et al., 2002). Segundo Carneiro et al (2008), os reflorestamentos com árvores de eucalipto ainda são um assunto de polêmica no que diz respeito ao consumo de água e sua relação com a produtividade. O conhecimento das interações que ocorrem entre as condições 5 ambientais e as trocas gasosas no dossel vegetal é essencial na determinação da quantidade de água transpirada por essas florestas. Sobre os aspectos hidrológicos, a cultura do eucalipto sempre foi apontada como “vilão” que seca o solo, sendo essa uma questão polêmica (LIMA, 2006 apud LOPES et al., 2010). Atualmente, a preocupação está também voltada em racionalizar o consumo de água nas várias etapas da produção florestal e, nesse sentido, os polímeros sintéticos vêm sendo empregados em várias culturas desde a década de 60, por melhorarem as propriedades físico-químicas dos solos, possibilitando a redução do número de irrigações e as perdas de nutrientes e diminuindo os custos no desenvolvimento das culturas (OLIVEIRA et al., 2004) sendo que, no eucalipto, são empregados no plantio das mudas. A produção de uma floresta é determinada pela quantidade de radiação solar interceptada pela copa e pela eficiência de conversão dessa radiação em biomassa. Essa eficiência é principalmente influenciada pela disponibilidade de água e de nutrientes (SANTANA et al., 2008). As perdas de água por transpiração das plantas de eucalipto, assim como de outras plantas, são determinadas principalmente por: variações climáticas, que é a resultante das relações entre a radiação e déficit de saturação de vapor da atmosfera, temperatura e velocidade do vento e; mecanismos fisiológicos como a resposta estomática a fatores ambientais, como estrutura da copa, particularmente pelo índice de área foliar e disponibilidade de água no solo (LIMA, 1996). Além disso, deve-se atentar a competição por umidade no solo por outras plantas. Silva et al. (2000) ressaltaram que algumas espécies de forrageiras, independentemente do nível de água no solo, demonstraram ser competitivas em relação ao crescimento inicial de E. cidriodora e E. grandis. Em relação à produção das mudas, a quantificação da necessidade hídrica na sua formação é extremamente importante, pois a falta ou excesso pode limitar o desenvolvimento das mesmas. A falta de água leva ao estresse hídrico, além da diminuição na absorção de nutrientes. O excesso pode favorecer a lixiviação dos nutrientes e também proporcionar um micro-clima favorável ao desenvolvimento de doenças, além das questões sócio-ambientais relativas à economia de água e o acúmulo de lixiviados no solo (LOPES et al., 2005). De acordo com Chaves et al. (2004), mudas de eucalipto colocadas sob déficit hídrico apresentam, de alguma maneira, aumento na taxa fotossintética líquida após a 6 reirrigação. No entanto, os mesmos autores salientaram a necessidade de estudar o eucalipto em estádios mais avançados de desenvolvimento, de modo a identificar outras características que indicam adaptação a ambientes com disponibilidade variável de água no solo. A relação entre a disponibilidade hídrica e a produtividade florestal é concernente aos efeitos diretos e indiretos da deficiência de água no crescimento das árvores Os ganhos são constituídos, basicamente, pela precipitação pluvial, enquanto as perdas são provenientes de evapotranspiração, percolação profunda e escoamentos superficial e subsuperficial de saída. O volume de solo é definido pela profundidade efetiva do sistema radicular, onde se observa a absorção de água pelas raízes (SOUZA et al., 2006). Em estudo realizado por Martins et al. (2008), com intuito de detectar a influência do déficit hídrico no solo sobre espécies de eucalipto, verificaram que os valores de fração de água transpirável para as espécies de eucalipto (E. grandis e E. saligna) foram maiores do que os da maioria das culturas anuais e perenes estudadas, indicando boa adaptação dessas espécies à deficiência hídrica no solo. No entanto, com a pressão pelo aumento de produtividade das culturas e resultados financeiros das atividades econômicas, o uso da irrigação passa ser fundamental na segurança da produção em busca pela eficiência produtiva. Nesta situação, o uso eficiente da água passa a ser fundamental para a conciliação entre custos de produção, oferta de água e resultados financeiros, já sendo percebidas as vantagens da irrigação para diversas culturas. Todavia, o manejo da irrigação tem sido realizado na maioria das vezes sem critérios. Ao mesmo tempo, são escassos os estudos em relação à produção de eucalipto irrigado a campo. Diante desses aspectos, o objetivo desta revisão foi evidenciar que o eucalipto tem amplo aspecto econômico e, ainda, que as informações existentes sobre as necessidades hídricas e do cultivo de eucalipto irrigado são escassos e controversos. 1.4 REFERÊNCIAS ALMEIDA, A.C.; SOARES, J.V. Comparação entre o uso da água em plantações de Eucalyptus grandis e floresta ombrófila densa (Mata Atlântica) na costa leste de Brasil. Revista Árvore, Viçosa, v.27, n.2, p.159-170, 2003. 7 ALMEIDA, I.C.C. Atributos físicos do solo em resposta à adição de efluente tratado de indústria de celulose. 2008. 68f. Dissertação (Mestrado em solos e nutrição de plantas) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa. 2008. ARRUDA, O.G.; TARSITANO, M.A.A.; ALVES, M.C.; GIÁCOMO, R.G. Comparação de custos de implantação de eucalipto com resíduo celulósico em substituição ao fertilizante mineral. Revista Ceres, Viçosa, v. 58, n.5, p. 576-583, 2011. ARAÚJO, A.P. A análise de variância em experimentos de analise de crescimento vegetal: um estudo de caso. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA DO SOLO, 25,1995, Viçosa. Anais...Viçosa: Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, Universidade Federal de Viçosa, 1995. v.3, p. 1311-3. BAESSO, R.C.E.; RIBEIRO, A. SILVA, M.P. Impacto das mudanças climáticas na produtividade do eucalipto na região norte do Espírito Santo e sul da Bahia. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 20, n. 2, p. 335-344, 2010. BENINCASA, M.M.P.; BENINCASA, M.; LATANZE, R.J.T, JUNQUETTI, M.T.G. Método não destrutivo para estimativa da área foliar de Phaseolus vulgaris L. (feijoeiro). Científica, Jaboticabal, v.4, p.43-8, 1976. CARLESSO, R.; ZIMMERMANN, L.F. Água no solo: parâmetros para dimensionamento de sistemas de irrigação. Santa Maria, Imprensa Universitária, 2000. 88p. CARNEIRO, R.L.C.; RIBEIRO, A.; HUAMAN, C.AM.; LEITE, F.P.; SEDIYAMA, G.C.; NEVES, J.C.L. Consumo de água em plantios de eucalipto: Parte 2 Modelagem da resistência estomática e estimativa da transpiração em tratamentos irrigados e nãoirrigados. Revista Árvore, Viçosa, v.32, n.1, p.11-18, 2008. CHAVES, J.H.; REIS, G.G.; REIS, M.G.F.; NEVES, J.C.L.; PEZZOPANE, J.E.M.; POLLI, H.Q. Seleção precoce de clones de eucalipto para ambientes com 8 disponibilidade diferenciada de água no solo: relações hídricas de plantas em tubetes. Revista Árvore, Viçosa, v.28, n.3, p. 333-341, 2004. CORDEIRO, S.A.; SILVA, M.L.; JACOVINE, L.A.G.; VALVERDE, S.R.; SOARES, N.S. Contribuição do fomento do órgão florestal de minas gerais na lucratividade e na redução de riscos para produtores rurais. Revista Árvore, Viçosa, v.34, n.2, p.367-376, 2010. FREITAG, A.S. Freqüências de irrigação para Eucalyptus grandis e Pinus elliotti em viveiro. 2007. 60f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Agrícola) - Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2007. HERNANI, L.C.; FREITAS, P.L.; PRUSKI, F.F.; MARIA, I.C.; CASTRO. A. erosão e seu impacto. In: MANZATTO, C.V.; FREITAS JUNIOR, E.; PERES, J.R.R. (Ed.). Uso agrícola dos solos brasileiros. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2002. p. 47-60. KELLER, J.; KARMELI, D. Trickle irrigation design parameters. Transactions of the ASAE, Saint Joseph, v. 17, n. 4, p. 678-684, 1974. KRAMER, P.J., BOYER, J.S. Function and properties of water. In: _____. Water relations of plant and soils. San Diego – California: Academic Press, 1995. p.16-41. INOUE, M.T., RIBEIRO, F.A. Fotossíntese e transpiração de clones de Eucalyptus sp e E. saligna. Revista do IPEF, Piracicaba, v.40, p.15-20, 1988. LIMA, W. P. Impactos ambientais do eucalipto. 2.ed. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1996. 301p. LOPES, J.L.W.; GUERRINI, I.A.; SAAD, J.C.C.; SILVA, M.R. Efeitos da irrigação na sobrevivência, transpiração e no teor relativo de água na folha em mudas de Eucalyptus grandis em diferentes substratos. Scientia Forestalis, Piracicaba, n. 68, p.97-106, 2005. 9 LOPES, J.L.W.; SILVA, M.R.; SAAD, J.C.C.; ANGÉLICO, T.S. Uso de hidrogel na sobrevivência de mudas de Eucalyptus urograndis produzidas com diferentes substratos e manejos hídricos. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 20, n. 2, p. 217-224, 2010. MACHADO, A.F.L.; FERREIRA, L.R.; SANTOS, L.D.T.; FERREIRA, F.A.; VIANA, R.G.; MACHADO, M.S.; FREITAS, F.C.L. Eficiência fotossintética e uso da água em plantas de eucalipto pulverizadas com glyphosate. Planta Daninha, Viçosa, v. 28, n. 2, p. 319-327, 2010. MANTOVANI, E.C.; BERNARDO, S.; PALARETTI, L.F. Irrigação: princípio e métodos, Viçosa: Ed. UFV, 2006, 318p. MARCHIORI, J. N. C.; SOBRAL, M. Dendrologia das Angiospermas: Myrtales. Santa Maria. Ed. da UFSM, 1997. 304p. MARTINS, F.B.; STRECK, N.A.; SILVA, J.C.; MORAIS, W.W.; SUSIN, F.; NAVROSKI, M.C.; VIVIAN, M.A. Deficiência hídrica no solo e seu efeito sobre transpiração, crescimento e desenvolvimento de mudas de duas espécies de eucalipto. Revista Brasileira de Ciência do Solo, Viçosa, v. 32, p. 1297-1306, 2008. NASCIMENTO, J.M.S.; LIMA, L.A.; CARARO, D.C.; CASTRO, E.M. SILVA, M.V.G. Avaliação da uniformidade de aplicação de água em um sistema de gotejamento para pequenas propriedades. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 33, p. 1728 -1733, 2009. OLIVEIRA, R.A.; REZENDE, L.S.; MARTINEZ, M.A.; MIRANDA, M.G. Influência de um polímero hidroabsorvente sobre e a retenção de água no solo. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v. 8, n. 1, p. 160-163, 2004. PAIVA, H.N.; JACOVINE, L.A.G.; RIBEIRO, G.T.; TRINDADE, C. Cultivo de eucalipto em propriedades rurais. Viçosa. Ed. Aprenda Fácil, 2001, 138p. RIBEIRO, T.A.P.; AIROLDI, R.P.S.; PATERNIANI, J.E.S.; SILVA, M.J.M. Variação dos parâmetros físicos, químicos e biológicos da água em um sistema de irrigação 10 localizada. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v.9, n.3, p.295-301, 2005. ROCHA, M. T. O aquecimento global e os instrumentos de mercado para a solução do problema. In: SANQUETTA, C. R. (Ed). As florestas e o carbono. Curitiba: 2002. p.134. SANTANA, R.C.; BARROS, N.F.; LEITE, H.G.; COMERFORD, N.B.; NOVAIS, R.F. Estimativa de biomassa de plantios de eucalipto no Brasil. Revista Árvore, Viçosa, v.32, n.4, p.697-706, 2008. SHIMIZU, J. Y. Eucalyptus na Silvicultura Brasileira, Colombo: Embrapa Florestas. 2006. SILVA, M.A.; SILVA, M.L.N.; CURI, N.; AVANZI, J.C.; LEITE, F.P. Sistemas de manejo em plantios florestais de eucalipto e perdas de solo e água na região do Vale do Rio Doce, MG. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 21, n. 4, p. 765-776, 2011. SILVA, M. R., Efeitos do Manejo Hídrico e da Aplicação de Potássio na Qualidade de Mudas de Eucalyptus grandis W. (Hill ex. Maiden). 2003. 116 p. Tese (Doutorado em Agronomia) – Universidade Estadual de São Paulo, Botucatu, 2003. SILVA, W.; FERREIRA, L.R.; SILVA, A.A.; FIRMINO, L.E. Taxa transpiratória de mudas de eucalipto em resposta a níveis de água no solo e a convivência com braquiária. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 35, n. 5, p. 923-928, 2000. SILVA, R.F.; SOARES, C.P.B.; JACOVINE, L.A.G.; SILVA, M.L.; LEITE, H.G.; SILVA, G.F. Projeção do estoque de carbono e análise da geração de créditos em povoamentos de eucalipto. Revista Árvore, Viçosa, v.32, n.6, p.979-992, 2008. SOARES, T. S.; CARVALHO, R.M.M.A.; VALE, A.B. Avaliação econômica de um povoamento de Eucalyptus grandis destinado a multiprodutos. Revista Árvore, Viçosa,v.27, n.5, p.689-694, 2003. 11 SOUZA, M.J.H.; RIBEIRO, A.; LEITE, H.G.; LEITE, F.P.; MINUZZI, R.B. disponibilidade hídrica do solo e produtividade do eucalipto em três regiões da Bacia do Rio Doce. Revista Árvore, Viçosa, v.30, n.3, p.399-410, 2006. TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. 719p 12 CAPÍTULO 2 – DESENVOLVIMENTO INICIAL DE DOIS HÍBRIDOS DE EUCALIPTO SUBMETIDOS À IRRIGAÇÃO DESENVOLVIMENTO INICIAL DE DOIS HÍBRIDOS DE EUCALIPTO SUBMETIDOS À IRRIGAÇÃO RESUMO: O objetivo deste trabalho foi avaliar dois híbridos de eucalipto (Grancam e Urograndis), sem irrigação e irrigados por gotejamento e microaspersão, aos 90, 120, 150 e 180 dias após transplante (DAT). O experimento foi instalado na área experimental de irrigação da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, no município de Aquidauana-MS. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, em parcelas subdivididas, com quatro blocos e duas replicações dentro de cada bloco, sendo que as parcelas foram compostas pelos tratamentos de irrigação (gotejamento, microaspersão e sequeiro) e as subparcelas pelos híbridos (Grancam e Urograndis). Foi avaliada a altura de plantas, diâmetro do caule e da copa, área basal do caule, relação entre altura e diâmetro do caule, relação entre altura e diâmetro da copa e volume do caule. Os dados foram submetidos à análise de variância e comparadas pelo teste Tukey no nível de 5% de probabilidade. Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão propiciam maior altura de plantas, diâmetro do caule, diâmetro da copa, área basal do caule e volume de caule. PALAVRAS-CHAVE: Eucaliptus spp., microaspersão, gotejamento, evapotranspiração. INITIAL DEVELOPMENT OF TWO EUCALYPTUS HYBRID SUBJECTED TO IRRIGATION ABSTRACT: The objective of this study was to evaluate two hybrid eucalyptus (Grancam and Urograndis), and drip irrigated and dry land at 90, 120, 150 and 180 days after transplanting (DAT). The experiment was installed in the area of irrigation and experimental demonstration of the Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul in Aquidauana, Mato Grosso do Sul State, Brazil. The experimental design was a 13 randomized block, split plot with four blocks and two replications in each block, and the plots were composed by the irrigation treatments (drip, micro and dry) and the subplots clones (Grancam and Urograndis). The total area of the experiment had 3 hectares (ha), where each plot consisted of 1 ha. We evaluated the plant height (cm), stem diameter and canopy (cm), stem basal area (cm2), the relationship between height and stem diameter, height and relationship between crown diameter and stem volume (cm3). The data were subjected to analysis of variance and compared by Tukey test at 5% probability. Using the systems and drip irrigation provides greater plant height, stem diameter, crown diameter, basal area of the stem and stem volume. KEYWORDS: Eucaliptus spp., sprayer, drip irrigation, evapotranspiration. 2.1 INTRODUÇÃO Desde 1908 até os dias atuais, 3,5 milhões de hectares das terras brasileiras vêm sendo recobertos por florestas cultivadas com eucalipto. Como outros vegetais exóticos, à exemplo do café, da cana-de-açucar e da soja, algumas espécies de eucalipto encontraram no solo e no clima brasileiro as condições ideais para produção em escala, de tal modo que, praticamente, todas as grandes indústrias de celulose e madeira do mundo estão presentes no Brasil. Aliado à preservação das florestas nativas, absorvem 196 milhões de toneladas de carbono, contribuindo para a redução do efeito estufa (QUEIROZ; BARRICHELO, 2007). De acordo com o relatório da Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas – ABRAF (2009), o Brasil conta com 6,5 milhões de ha de florestas plantadas, entre áreas com pinus (28,4%), eucalipto (64,7%) e outras espécies (6,9%). Da área total plantada no país, o Estado de Minas Gerais detém a maior área individual com florestas plantadas, compreendendo 1,4 milhões de ha (9,8% com pinus e 90,2% com eucaliptos), seguido pelos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Bahia. Segundo Almeida e Soares (2003), a hidrologia florestal trata do movimento da água em ambientes de floresta, sejam naturais ou de plantações de espécies de crescimento rápido. O balanço de água nestes ambientes depende da precipitação, da interceptação de água pelo dossel, do escoamento lateral, drenagem profunda e da evapotranspiração. Com exceção da precipitação, os demais processos são bastante 14 influenciados pela densidade de plantas, pelo tipo de solo, pelo comportamento fisiológico da planta e pela estrutura e arquitetura do dossel. A cultura do eucalipto encontra-se cultivada por quase todo o território nacional, sendo que grande parte, em função de estresse hídrico, apresenta limitações ao desenvolvimento das plantas (VELLINI et al., 2008). De acordo com Alves (2009), por diversas razões, entre elas sua rusticidade, alto custo envolvido na implantação de sistemas de irrigação em função das dimensões das áreas de plantio e, ainda, por ser uma cultura tradicionalmente de sequeiro, são poucas as informações existentes sobre as necessidades hídricas da cultura do eucalipto, sendo explicado pelo fato, que o uso da irrigação em florestas plantadas está sendo uma prática bastante utilizada e fundamental para garantir um alto índice de sobrevivência das mudas, sendo utilizada com base em experiências das próprias empresas florestais, que vêm testando e aplicando métodos que apresentem resultados mais satisfatórios em seus testes. Segundo Souza et al. (2003), os sistemas de irrigação localizada têm sido utilizados na irrigação de fruteiras por proporcionarem uso mais eficiente da água e, dependendo das características dos emissores, eles proporcionam diferentes porcentagens de área molhada (PAM). Sendo assim, é importante os estudos de aplicações de água utilizando diferentes sistemas de irrigação, pois podem afetar de forma diferenciada o comportamento da cultura, como crescimento e desenvolvimento da planta. Portanto, Bernardo et al. (2006) relatam que a PAM e o perfil de molhamento do solo variam em função do tipo de solo, do tipo de emissor, do espaçamento entre emissores e da vazão do emissor, do tempo de aplicação de água e da lâmina de água aplicada. O objetivo deste trabalho foi avaliar dois híbridos de eucalipto (Grancam e Urograndis) no estágio inicial de desenvolvimento, sem irrigação e irrigados pelos sistemas de gotejamento e microaspersão, em Aquidauana-MS. 2.2 MATERIAL E MÉTODOS A pesquisa foi conduzida na área experimental de agricultura irrigada da Unidade Universitária de Aquidauana - Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UUA/UEMS), localizada no município de Aquidauana - MS, com coordenadas geográficas 20°20‟ Sul, 55°48‟ Oeste e altitude média de 174 metros. O clima da região, 15 segundo a classificação de Köppen, foi descrita como Aw, definido como clima tropical quente sub-úmido, com estação chuvosa no verão e seca no inverno e precipitação média anual de 1200 mm. O solo da área, segundo normas da Embrapa (2006), é classificado como Argissolo Vermelho-Amarelo distrófico. Os dados climáticos foram obtidos por meio da estação climatológica do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) localizada no município de AquidauanaMS, consistindo de dados diários de precipitação pluvial, temperatura máxima, mínima, umidade relativa do ar, radiação solar global e velocidade do vento, entre 20 de abril e 20 de outubro de 2011 (Tabela 1). Tabela 1. Dados médios de temperatura máxima, mínima e média (Tmax, Tmin e Tmed), umidade relativa do ar (UR), radiação solar global (Rs), velocidade do vento a 2 metros de altura (U2) e precipitação pluviômétrica (mm) referentes ao período 20 de abril de 2011 a 20 de outubro de 2011 em Aquidauana-MS. Tmax Tmin Tmed UR Rs U2 Precipitação DAT* ----------------ºC--------------% MJ m2 dia-1 m s-1 mm 1 a 30 29,34 17,24 23,29 71,58 16,69 0,74 52,00 31 a 60 29,98 15,30 22,64 65,71 14,55 1,02 8,00 61 a 90 29,09 14,08 21,59 65,58 16,12 1,18 16,40 91 a 120 29,95 15,96 22,95 60,43 16,33 1,43 30,40 121 a 150 33,65 17,93 25,79 53,42 20,09 1,54 37,20 151 a 180 33,69 20,49 27,09 61,58 21,60 1,60 130,60 *Dias após transplante. A adubação nitrogenada, potássica e fosfatada, no plantio das mudas, foi realizada a partir da análise química do solo (Tabela 2) e de acordo com as recomendações de Andrade (2004), correspondendo a 0, 30 e 40 kg ha-1 de N, P2O5 e K2O, respectivamente. Tabela 2. Caracterização química do solo. P M.O K Ca Mg Al H+Al S T V Profundidade *pH (m) mg dm-3 % cmolc dm-3 % 0,0 – 0,2 6,5 16,6 2,2 0,66 3,7 0,9 0,0 2,2 5,26 7,46 71 0,2 – 0,4 6,3 12,6 1,3 0,28 3,4 0,7 0,0 2,2 4,38 6,58 67 0,4 – 0,6 6,2 7,3 0,9 0,16 2,6 0,6 0,0 2,0 3,36 5,36 63 *pH em água 1:2,5. No dia 19 de abril de 2011 foram feitas as covas, onde o formulado 04-20-20 foi misturado ao solo na quantia de 115 g por planta (127,78 kg ha-1). 16 Antes da implantação do experimento, a área foi previamente gradeada e realizada o controle de plantas invasoras, no qual foram dessecadas com a aplicação do herbicida glyphosate na dose de 4 L ha-1 do produto comercial contendo 360 g i.a. L-1. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, com parcelas subdivididas, utilizando quatro blocos e duas replicações dentro de cada bloco (BANZATTO; KRONKA, 1989). Os tratamentos empregados nas parcelas corresponderam a dois sistemas de irrigação (microaspersão e gotejamento) e uma área de sequeiro. Nas subparcelas, os tratamentos foram os híbridos de eucalipto, sendo o Urograndis, clone I224 (Eucaliptus urophilla x Eucaliptus grandis) e Grancam, clone 1277 (Eucaliptus grandis x Eucaliptus camaldulensis). A área experimental possuía 3 hectares (ha), sendo 1 ha com sistema de irrigação por gotejamento, 1 ha com sistema de irrigação por microaspersão e 1 ha sem irrigação. As mudas de eucalipto foram transplantadas a campo no dia 20 de abril de 2011, quando as mesmas possuíam altura média de 30 cm, espaçadas em 2,25 x 4,00 m. A área irrigada por gotejamento foi composto de gotejadores autocompensantes, com vazão de 2,4 L h-1, espaçamento de 0,5 m entre emissores e pressão de serviço de 10 m c.a. Já, na microaspersão, utilizou-se de microaspersores com vazão unitária de 48 L h-1, raio de alcance de 1,5 m e pressão de serviço de 40 m c.a. instalados a 30 cm de cada planta. As linhas laterais de cada tratamento de irrigação continha 86 m. Cada subparcela continha duas unidades experimentais (área útil) com dez plantas, cujas áreas das unidades experimentais compreendiam duas linhas de plantas com 11,25 m de comprimento cada linha, correspondendo a 90 m2. O manejo de irrigação foi baseado na estimativa da evapotranspiração de referência (ETo) a partir da equação (1) de Penman-Monteith (ALLEN et al., 1998): o 0,408 900 n 1 0,34 2 273 es ea 2 Em que: ETo - evapotranspiração de referência, mm dia-1; Rn - saldo de radiação, MJ m-2 dia-1; G - fluxo de calor no solo, MJ m-2 dia-1; 17 - declinação da curva de saturação do vapor da água, kPa ºC-1; - constante psicrométrica, kPa ºC-1; U2 - velocidade média do vento a 2 m acima da superfície do solo, m s-1; T - temperatura média do ar, ºC; es - pressão de saturação de vapor, kPa; ea - pressão atual de vapor, kPa. A Evapotranspiração da cultura (ETc) foi estimada de acordo com a equação 2, seguida de adaptações para irrigação localizada calculada de acordo com equação 3 (BERNARDO et al. 2006): c o c (2) Em que: kc – coeficiente de cultura (0,70 – 0,82) estimado diariamente para o eucalipto (ALVES, 2009). oc c (3) Em que: ETcLoc - evapotranspiração da cultura conforme o método de irrigação localizada, mm dia-1; kL – fator de correção conforme o método de irrigação localizada, estimado de acordo com a equação 4 (KELLER; BLIESNER, 1990). 0,1 (4) Em que: PAM – Porcentagem da área molhada calculada de acordo com BERNARDO et al. (2006). Os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão obtiveram valores de PAM de 52,0% e 78,5%, respectivamente. Para o cálculo da lâmina de irrigação 18 utilizou-se como critério a água facilmente disponível para irrigação localizada (AFDLoc), sendo calculada conforme a equação 5. oc cc pmp p 100 5 Em que, cc - umidade do solo na capacidade de campo (potencial mátrico de -10 kPa, m3 m-3); pmp - umidade do solo no ponto de murcha permanente (potencial mátrico de -1500 kPa, m3 m-3); Z – profundidade do sistema radicular, 970 mm (REIS et al., 2006); p – fator de depleção de água no solo para coníferas (0,7) recomendado por Allen et al. (1998). A AFDLoc foi de 38,9 e 58,8 mm para o gotejamento e microaspersão. No entanto, a irrigação foi sempre efetuada quando a somatória da ETcLoc foi igual ou maior que 9 mm. As lâminas totais (irrigação + precipitação) aplicadas durante o experimento foram de 518,13; 448,38 e 270,60 mm para os manejos com sistema de irrigação por microaspersão, gotejamento e sequeiro, respectivamente, sendo que a precipitação pluviométrica correspondeu a 270,6 mm (Tabela 3). Observou-se que, neste período, a lâmina total (LT) para o eucalipto irrigado por microaspersão foi de 13,46% maior que o irrigado por gotejamento e 47,77% maior que o de sequeiro e, a LT do eucalipto irrigado por gotejamento foi 39,65% superior ao eucalipto de sequeiro. Tabela 3. Estimativa da evapotranspiração máxima, média, mínima e acumulada (ETc) da cultura do eucalipto, lâmina de irrigação (LI), lâmina total (LT) e turno de rega médio (TR) durante os 180 DAT, em Aquidauana-MS. ETcacum LI LT1 TR Sistemas de ETcmax ETcmed ETcmin irrigação mm dia-1 mm dias Gotejamento 3,63 1,79 0,49 320,89 177,78 448,38 5 Microaspersão 4,74 2,21 0,60 397,95 247,53 518,13 4 Sequeiro 270,60 1 Lâmina de irrigação + chuva. 19 A evapotranspiração acumulada da cultura (ETc) para o sistema de microaspersão e gotejamento foi de 397,95 e 320,89 mm, respectivamente. A máxima ETc para o sistema de microaspersão (4,74 mm) e gotejamento (3,63 mm) foram encontrados aos 137 DAT. No entanto, a média da ETc até o período avaliado (180 DAT) foi de 19,00% maior para o sistema de irrigação de microaspersão em relação ao gotejamento (Tabela 3). Verifica-se, na Figura 1, a precipitação pluviométrica e a média decendial da evapotranspiração de cultura com sistema de microaspersão (ETcmic) no decorrer do período avaliado, que mostra que a ETcmic ficou sempre acima da evapotranspiração de cultura com sistema de gotejamento (ETcgot). Isso pode ser explicado pelo fato que porcentagem da área molhada (PAM) no sistema de microaspersão é maior (78,5%) e, com isso, o processo de perda de água por evaporação na superfície do solo é mais pronunciado que no sistema de gotejamento, uma vez que a PAM da área irrigada por gotejamento foi de 52%. Figura 1. Precipitação pluviométrica, evapotranspiração de referência (ETo), evapotranspiração da cultura do eucalipto irrigada por gotejamento (ETcgot) e evapotranspiração da cultura do eucalipto irrigada por microaspersão (ETcmic) em Aquidauana-MS, 2011. A coleta de dados iniciou-se aos 90 DAT (19 de julho de 2011), sendo realizada a cada 30 dias até os 180 DAT, no qual era mensurada a altura de plantas (ALT), diâmetro do caule (DC) (10 cm da superfície do solo) e diâmetro da copa (DCo). 20 A ALT e o DCo foram mensurados com auxílio de uma trena e convencionados a unidade de medida em centímetros (cm). O DC foi mensurado com paquímetro digital, com unidade em milímetros mm e convertidos para “cm”. Com esses parâmetros, foi possível quantificar a área basal do caule (ABC), a relação entre ALT e DC, a relação entre ALT e DCo e o volume de caule (VC), que foi estimado conforme a equação 6. 0,5 (6) Em que, VC – volume de caule, cm3; ABC – área basal do caule a 10 cm da superfície do solo, cm2; ALT – altura de planta, cm; 0,5 – fator de forma de eucalipto (VILAS BÔAS et al., 2009). De posse dos dados, foi realizada a análise de variância para cada parâmetro. Para aqueles que mostraram efeito significativo dos tratamentos pelo teste F, procedeuse o teste de comparações de médias Tukey a 5%, usando o software Statistical Analysis Systems (SAS, 1999). 2.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Na Tabela 4, encontra-se o resumo da análise de variância com os quadrados médios e seus respectivos níveis de significância, os índices de variação para cada parâmetro do eucalipto avaliado aos 90, 120, 150 e 180 DAT. Verifica-se, aos 90 DAT, que o eucalipto foi influenciado pelos tratamentos de irrigação no nível de 1% de probabilidade pelo teste F, para os parâmetros: altura de plantas (ALT), diâmetro do caule (DC), diâmetro da copa (DCo) e área basal do caule (ABC). O parâmetro volume do caule (VC) foi influenciado no nível de 5% de probabilidade pelo teste F e, os parâmetros de relação entre ALT e DC (RADC) e relação entre ALT e DCo (RADCo) não apresentaram efeito significativo nos níveis testados. 21 Tabela 4. Quadrado médio e índice de variação (IV) da altura de planta (ALT), diâmetro do caule (DC), diâmetro da copa (DCo), área basal do caule (ABC), relação entre a altura e diâmetro do caule (RADC), relação entre a altura e diâmetro da copa (RADCo) e volume do caule (VC) de eucalipto em desenvolvimento inicial em Aquidauana-MS, 2011. FV GL Bloco 3 ALT DC DCo ABC 174,061 0,043 171,599 RADC RADCo VC 0,0107 262,229 90 dias após transplante 0,1049 14,454 ns Irrigação (I) 2 591,654** 0,111** 669,905** 0,158** 34,139 Residuo(a) 18 49,257 0,0136 57,396 0,0236 51,735 0,0234 65,216 4,65 5,82 5,90 12,82 3,31 IV (%) 358,622* 4,46 22,19 ns Híbrido (H) 1 0,984** 214,98 0,240** 1810,002** IxH 2 10,955ns 0,001ns 88,964ns 0,0107ns 37,146ns 0,071ns 78,312ns Residuo(b) 21 78,114 0,028 83,534 0,051 105,087 0,0269 121,374 5,86 8,32 7,12 18,89 4,71 4,79 30,27 0,0213 1495,909 IV (%) - - Bloco 3 Irrigação (I) 2 Residuo(a) 18 IV (%) Híbrido (H) 1 3249,72*** 0,724*** 3783,02*** 0,067 ns 120 dias após transplante 297,641 0,2092 83,431 0,5682 765,558** 0,1757** 637,5319** 0,4605** 372,8239 56,582 ns 0,023 ns 1527,917** 90,353 0,0227 98,156 0,0612 50,303 0,0322 227,689 5,28 5,83 6,26 12,18 3,55 5,57 20,12 8749,35*** 1,629*** 2460,86*** 3,6445*** 1,1041 ns 0,0730ns 375,8109ns Residuo(b) 21 125,859 0,0312 105,067 0,0912 62,6679 0,0244 350,444 IV (%) - 6,24 6,82 6,47 14,87 3,96 4,84 24,96 - - Bloco 3 209,773 0,2491 7822,273 ns ns 18 7,9979 0,446** 10566,959*** ns 21,616 Residuo(a) 0,0478 ns 2 2 153,489 ns IxH Irrigação (I) 0,0079 ns ns 150 dias após transplante 525,617 0,3366 1262,163** 0,3909* 336,290 652,764 ns 1,7795 1,6956* 51,316 0,144 7846,141* 184,638 0,0698 340,101 0,3049 33,3795 0,2457 1419,504 6,16 7,57 10,00 14,67 3,15 13,78 21,85 IV (%) - Híbrido (H) 1 IxH 2 14,1087ns 0,0149ns 783,753* 0,0187ns 52,564ns 0,7843* 1038,411ns Residuo(b) 21 199,951 0,0784 190,823 0,3857 46,725 0,1769 1999,2861 IV (%) - 6,41 8,02 7,49 16,50 3,73 11,70 25,93 - - 11537,9*** 3,457*** 1943,122** 13,620*** 156,753ns 0,420ns 52749,771*** 180 dias após transplante Bloco 3 1901,5204 Irrigação (I) 2 2337,292** 0,5361** 2204,266** Residuo(a) 18 176,057 0,0546 IV (%) - 4,86 5,04 Híbrido (H) 1 0,5057 827,912 4,2023 15,2246 0,0249 30793,839 3,682** 8,1302ns 0,030ns 25329,912** 168,3149 0,3528 9,9399 0,0102 2147,3094 5,61 9,24 1,89 3,02 13,00 14589,1*** 3,533*** 7598,72*** 24,071*** 32,8278 ns IxH 2 26,1383 Residuo(b) 21 390,306 0,0165 ns 0,1294 184,4537 ns 200,777 0,1741 ns 0,872 3,1258 ns ns 12,437 0,0603* 153072,71*** 0,0051ns 2740,135ns 0,0133 5668,736 IV (%) 7,23 7,76 6,13 14,52 2,11 3,45 21,12 *significativo a 5% de probabilidade; ** significativo a 1% de probabilidade; *** significativo a 0,01% de probabilidade; ns não significativo. 22 Aos 90 DAT, não houve interação significativa entre as fontes de variação, irrigação e híbrido, para todos os parâmetros avaliados (Tabela 4). No entanto, observase que os parâmetros ALT, DC e DCo foram influenciados significativamente no nível de 0,01% de probabilidade, mostrando que esses parâmetros são fortemente ligados ao híbrido de eucalipto. Aos 120 DAT, verifica-se que o fator irrigação não influenciou significativamente os parâmetros RADC e RADCo. Não houve interação significativa entre a irrigação e o híbrido aos 120 DAT e, para os híbridos, observa-se que apenas o parâmetro RADC não foi influenciado significativamente pelo teste F (Tabela 4). Aos 150 DAT, o fator de estudo irrigação influenciou o parâmetro de eucalipto ALT no nível de 1% de probabilidade e os parâmetros DC, ABC e VC a 5% de probabilidade. Para o fator híbrido observa-se que, aos 120 DAT, não houve efeito significativo para a RADC e RADCo aos 150 DAT. Verifica-se, na Tabela 4, que houve interação significativa para os parâmetros DCo e RADCo. Pode-se notar que, aos 180 DAT, os tratamentos de irrigação apresentaram forte influência para ALT, DC, DCo, ABC e VC, sendo significativos a 1% de probabilidade. Os parâmetros de eucalipto ALT, DC, DCo ABC e VC foram influenciados significativamente a 0,01% de probabilidade e a RADC a 5% de probabilidade para os tratamentos de híbridos aos 180 DAT. Não houve interação da irrigação e híbridos aos 180 DAT para os parâmetros avaliados. Observa-se que os índices de variação (IV) do VC, obtiveram uma diminuição expressiva de 90 DAT a 180 DAT para os fatores de irrigação e híbrido, passando de 22,19% para 13,00% e, 30,27% a 21,12%, respectivamente (Tabela 4). Entende-se que, conforme aumenta do VC no decorrer do DAT, há tendência que reduza a variação da média de cada parcela (tratamento) em relação a média geral, pois o incremento de VC depende da ABC e ALT. Segundo PIMENTEL-GOMES (1991), a aplicação do IV como parâmetro de avaliação da precisão do experimento é justificável uma vez que, em pesquisas florestais, as parcelas são evidentemente muito maiores do que em ensaios com plantas pequenas, sendo que a experimentação e a teoria demonstram que, na quase totalidade dos casos, o coeficiente de variação decresce quando aumenta o tamanho das parcelas. Houve influência dos sistemas de irrigação sobre os parâmetros avaliados do eucalipto aos 90, 120, 150 e 180 DAT em Aquidauana-MS (Tabela 5). A ALT, aos 90 DAT, com o sistema de irrigação de gotejamento e microaspersão, obteve médias de 23 55,00 e 58,75 cm, respectivamente, onde os mesmos não diferiram entre si, porém ambos diferiram do sequeiro (46,29 cm). Aos 120 e 150 DAT observou-se que o tratamento de microaspersão alcançou a maior média de ALT com valores de 70,27 e 85,87 cm respectivamente, porém os mesmos não diferiram do gotejamento que, por sua vez, não diferiu do tratamento de sequeiro. Observou-se, também, que a ALT aos 180 DAT apresentou o mesmo comportamento dos tratamentos de irrigação aos 90 DAT (Tabela 5). Os híbridos de eucalipto irrigado por gotejamento e microaspersão e, sequeiro, obtiveram diferença de crescimento de 46,91, 46,38 e 36,48 cm respectivamente, dos 90 aos 180 DAT. De maneira geral, os tratamentos de irrigação mostraram ser fundamental para que a ALT dos eucaliptos nos estágios iniciais tenham desenvolvimento significativamente superior ao eucalipto não irrigado para os períodos avaliados. Tabela 5. Altura de planta (ALT), diâmetro do caule (DC), diâmetro da copa (DCo), área basal do caule (ABC), relação entre ALT e DC (RADC), relação entre ALT e DCo (RADCo) e volume do caule (VC) de eucaliptos para os sistemas de irrigação em Aquidauana-MS, 2011. ALT DC DCo ABC VC RADC RADCo Sistemas de (cm) (cm) (cm) (cm2) (cm3) irrigação 90 dias após transplante Gotejamento 55,00a 0,726a 48,34a 0,433ab 76,30a 1,173a 12,84ab Microaspersão 58,75a 0,782a 50,17a 0,521a 76,01a 1,177a 17,71a Sequeiro 46,29b 0,613b 37,69b 0,318b 78,45a 1,173a 8,06b DMS 6,369 0,106 6,875 0,140 7,329 120 dias após transplante Gotejamento 64,05ab 0,894ab 58,34a 0,675b 72,64a 1,096a 24,31ab Microaspersão 70,27a 1,029a 60,79a 0,905a 68,92a 1,156a 37,21a Sequeiro 56,46b 0,823b 48,85b 0,573b 70,27a 1,167a 18,04b DMS 8,626 0,137 8,991 0,224 13,694 150 dias após transplante Gotejamento 79,59ab 1,233ab 68,87a 1,285ab 65,86a 1,187a 56,92ab Microaspersão 85,87a 1,392a 68,93a 1,677a 62,72a 1,375a 84,86a Sequeiro 68,335b 1,079b 57,84a 1,031b 65,79a 1,252a 41,13b DMS 12,331 0,240 0,501 34,191 180 dias após transplante Gotejamento 101,91a 1,711a 90,38a 2,440a 59,63a 1,131a 138,24a Microaspersão 105,13a 1,778a 86,44a 2,649a 58,97a 1,201a 158,32a Sequeiro 82,77b 1,432b 68,37b 1,733b 58,20a 1,211a 81,60b DMS 12,041 0,212 11,774 0,539 42,053 Médias seguidas de letras diferentes nas colunas diferem entre si no nível de 5% de probabilidade pelo teste Tukey. 24 Sasse e Sands (1996) relataram que, um mecanismo que as plantas utilizam para minimizar o efeito de estresse hídrico que seja capaz de prejudicar o crescimento em condições de campo, é a exploração de grandes volumes de solo a maiores profundidades, ou seja, muitas vezes o crescimento do sistema radicular em profundidade é uma forma de defesa da planta ao estresse hídrico (TATAGIBA et al., 2007). Em trabalho conduzido por Reis et al. (2006), que avaliaram o comportamento de clones de híbridos de Eucalyptus grandis x E. urophylla e de E. camaldulensis x E. spp., submetidos a dois regimes de irrigação no campo, observou-se que o crescimento em altura, de eucalipto adulto, não variou significativamente entre os tratamentos de irrigação, enquanto que, em diâmetro e volume, foram significativamente superiores nas plantas do tratamento irrigado em relação ao não irrigado. Os valores de DC para os períodos de 90 e 180 DAT foram superiores com a utilização do sistema de irrigação de gotejamento e microaspersão em relação ao eucalipto não irrigado. Para os períodos avaliados de 120 e 150 DAT, o DC foi maior com a microaspersão quando comparado com o sequeiro que, por sua vez, não diferiu do sistema de gotejamento (Tabela 5). Em estudo de Vellini et al. (2008), constatou-se que o crescimento em altura foi, proporcionalmente, menos afetado que o crescimento em diâmetro quando a disponibilidade hídrica diminuiu para as plantas. Apenas no período de 150 DAT não houve diferença significativa para o DCo em relação aos tratamentos de irrigação. Verificou-se que o DCo para o período de 90, 120 e 180 DAT foi superior com os sistemas de irrigação quando comparados com o tratamento de sequeiro. O monitoramento da evolução do DCo é muito importante para o planejamento de plantas irrigadas, principalmente em estágios inicias de desenvolvimento, pois a mesma minimiza o efeito da evaporação da água próximo ao caule, onde a maior parte da irrigação localizada é aplicada. Na Tabela 5 pode-se verificar-se que, aos 90 DAT, a ABC foi maior com o sistema de irrigação de microaspersão e menor com o eucalipto de sequeiro. Contudo, o sistema de irrigação por gotejamento não diferiu de ambos os outros tratamentos. Porém, para o mesmo parâmetro, vale ressaltar que os sistemas de irrigação, aos 180 DAT, foram significativamente superiores em relação ao eucalipto não irrigado e, dessa forma, entende-se que a reposição de água em relação à evapotranspiração da cultura é 25 necessária para que se possa obter melhores resultados e expressar seu máximo potencial produtivo. Muitas vezes, a sobrevivência das plantas de eucalipto abaixo do ponto de murcha permanente só é possível devido seu ajuste osmótico, que se desenvolve lentamente em resposta à desidratação do tecido causado pelo déficit hídrico (TAIZ; ZEIGER, 2004). O VC aos 90 DAT apresentou valores na ordem de 17,709 cm3, alcançado com sistema de irrigação por microaspersão, sendo que o gotejamento (12,841 cm3) não diferiu do tratamento de microaspersão e sequeiro (8,055 cm3). Na Tabela 5 verifica-se que o VC aos 120 e 150 DAT teve mesmo comportamento estatístico ao período anterior. Aos 180 DAT, o VC, assim como os parâmetros ALT, DC, DCo e ABC, obtiveram os melhores resultados com uso de ambos os sistemas de irrigação, com diferença do VC em relação ao eucalipto de sequeiro da ordem de 76,72 e 56,64 cm3 para o sistema de microaspersão e gotejamento, respectivamente. Na Tabela 6 encontra-se ALT, DC, DCo, ABC, RADC, RADCo e VC para os híbridos de eucalipto aos 90, 120, 150 e 180 DAT em Aquidauana-MS. Observa-se que, para todos os períodos avaliados, a ALT, DC, DCo, ABC e VC do híbrido Grancam foi significativamente maior que o Urograndis. Esses resultados indicam que os parâmetros avaliados estão fortemente ligados a caráter de ordem genética. Reis et al. (2006), estudando os híbridos Grancam e Urograndis irrigados e não irrigados, não observaram interação significativa entre clones e níveis de irrigação, destacando que o híbrido Grancam apresentou tendência de maior altura, diâmetro e volume no tratamento não-irrigado, comportamento diferenciado em relação aos híbrido de Urograndis, cujo crescimento tendeu ser mais elevado no tratamento irrigado. No entanto, esses mesmos autores justificaram o seu maior crescimento sob estresse hídrico, ao fato que, o híbrido Grancam possui profundidade de raízes (0,97 m) e a maior proporção de biomassa alocada no sistema radicular (25,94%). Segundo Reichardt e Tim (2004), a quantidade de água absorvida do solo pelas plantas não é somente função do seu potencial mas, também, da habilidade das raízes em absorver a água do solo com que estão em contato, bem como das propriedades do solo no fornecimento e na transmissão dessa água às raízes, em uma proporção que satisfaça as exigências da transpiração. 26 Tabela 6. Altura de planta (ALT), diâmetro do caule (DC), diâmetro da copa (DCo), área basal do caule (ABC), relação entre ALT e DC (RADC), relação entre ALT e DCo (RADCo) e volume do caule (VC) para os híbridos de eucalipto em Aquidauana-MS, 2011. ALT DC DCo ABC VC RADC RADCo 2 3 (cm) (cm) (cm) (cm ) (cm ) Híbrido 90 dias após transplante Grancam 61,88a 0,8328a 54,612a 0,570a 74,900a 1,140b 19,093a Urograndis 44,82b 0,5811b 36,188b 0,279b 78,935a 1,286a 6,644b 120 dias após transplante Grancam 77,10a 1,0992a 63,159a 0,993a 70,761a 1,236a 41,358a Urograndis 50,09b 0,7308b 48,838b 0,442b 70,458a 1,043b 11,684b 150 dias após transplante Grancam 93,43a 1,5031a 71,573a 1,864a 62,982a 1,365a 94,12a Urograndis 62,43b 0,9663b 58,848b 0,799b 66,596a 1,178a 27,82b 180 dias após transplante Grancam 114,04a 1,9110a 94,312a 2,982a 59,762a 1,2165a 182,52a Urograndis 79,17b 1,3690b 69,148b 1,566b 58,108a 1,1456b 69,58b Médias seguidas de letras diferentes nas colunas diferem entre si pelo teste F. Grancam = Eucaliptus grandis x E. camaldulensis; Urograndis = E. urophilla x E. Grandis. As médias da RADC (Tabela 6), em todos os períodos, não apresentaram diferença e, a RADCo não obteve efeito significativo no período de 150 DAT. Já, aos 180 DAT, o híbrido Grancam (1,2165) superou significativamente a média do Urograndis (1,1456). A interação entre o fator irrigação e híbrido foi constatado somente para a o DCo e RADCo aos 150 DAT (Tabela 7). Observa-se que para DC, o híbrido Grancam foi maior que o Urograndis quando os mesmos foram submetidos à irrigação, tanto por gotejamento quanto para microaspersão e, ainda, não houve diferença quando os mesmos não foram irrigados. A irrigação dentro das subparcelas influenciou somente o DCo do híbrido Grancam, evidenciando que os sistemas de irrigação foram superiores ao sequeiro. Foi observado que o desdobramento da RADCo para os tratamentos de irrigação não diferiu entre si com o híbrido Grancam. No entanto, com o híbrido Urograndis verificou-se que a microaspersão proporcionou maior RADCo (1,517). Com irrigação por gotejamento e sequeiro observou-se que a RADCo do híbrido Grancam foi significativamente superior ao Urograndis. Já, com a irrigação por microaspersão, o RACDo foi maior com Urograndis (Tabela 7). 27 Tabela 7. Desdobramento das médias de diâmetro da copa (DCo) e relação entre altura de plantas e diâmetro de copa (RADCo) dos fatores de sistemas de irrigação e híbridos de eucalipto aos 150 dias após transplante em Aquidauana-MS, 2011. Híbridos Sistemas de Grancam Urograndis Grancam Urograndis irrigação DCo (cm) RADCo Gotejamento 76,602aA 61,129aB 1,3143aA 1,0612bB Microaspersão 81,503aA 56,358aB 1,232aB 1,517aA Sequeiro 56,613bA 59,056aA 1,5489aA 0,9557bB Médias seguidas de letras diferentes, minúsculas nas colunas e maiúsculas na linha, diferem entre si no nível de 5% de probabilidade pelo teste Tukey. Grancam = Eucaliptus grandis x E. camaldulensis; Urograndis = E. urophilla x E. Grandis. 2.4 CONCLUSÕES A aplicação de água para o eucalipto em desenvolvimento inicial em Aquidauana-MS, utilizando os sistemas de irrigação por gotejamento e microaspersão propicia maior altura de plantas, diâmetro do caule, diâmetro da copa, área basal e volume de caule. O híbrido Grancam em estágio inicial de desenvolvimento apresenta parâmetros dendométricos superiores ao Urograndis. 2.5 AGRADECIMENTOS Ao CNPq pela concessão da bolsa e ao Fundect pelo financiamento dessa pesquisa. 2.6 REFERÊNCIAS ALLEN, R. G.; PEREIRA, L. S.; RAES, D.; SMITH, M. Crop Evapotranspiration: guidelines for computing crop requirements. Roma: FAO, 1998. 301 p. 28 ALMEIDA, A.C.; SOARES, J.V. Comparação entre uso de água em plantações de Eucalyptus grandis e floresta ombrófila densa (Mata Atlântica) na costa leste do Brasil. Revista Árvore, Viçosa, v.27, n.2, p.159-170, 2003. ALVES, M.E.B. Disponibilidade e demanda hídrica na produtividade da cultura do eucalipto. 2009. 136 f. Tese (Doutorado em Meteorologia Agrícola) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 2009. ANDRADE, L.R.M. Corretivos e fertilizantes para culturas perenes e semiperenes. In: SOUSA, D. M. G.; LOBATO, E. Cerrado, correção do solo e adubação. 2. ed. Brasília: EMBRAPA, 2004. p. 317-366. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PRODUTORES DE FLORESTAS PLANTADAS – ABRAF. Anuário estatístico da ABRAF 2009: ano base 2008. Brasília, 2009. 120 p. BANZATTO, D.A.; KRONKA, S.N. Experimentação Agrícola. Jaboticabal: FUNEP, 1989. 247 p. BERNARDO, S.; SOARES, A.A.; MANTOVANI, E.C. Manual de irrigação. 8.ed.Viçosa: UFV, 2006. 625 p. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA - EMBRAPA. Sistema brasileiro de classificação de solos. Rio de Janeiro: Centro Nacional de Pesquisa de Solos/Embrapa Solos, 2006. 306 p. KELLER, J.; BLIESNER, R.D. Sprinkle and trickle irrigation. New York: Van Nostrand Reinold, 1990. 652p. PIMENEL-GOMES, F. O índice de variação, um substituto vantajoso do coeficiente de variação. Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais-IPEF. 5p. 1991. (Circular técnica nº 178). QUEIROZ, L. R. S.; BARRICHELO, L. E. G. O eucalipto – Um século no Brasil. 1ª ed. Neoband Soluções Gráficas, São Paulo, 2007. 127 p. 29 REICHARDT, K.; TIMM, L.C. Solo, planta e atmosfera - conceitos, processos e aplicações. Barueri: Manole, 2004. 478 p. REIS, G.G.; REIS, M.G.F.; FORTAN, I.C.I.; MONTE, M.A.; GOMES, A.N.; OLIVEIRA, C.H.R. Crescimento de raízes e da parte aérea de clones de híbridos de Eucalyptus grandis X Eucalyptus urophylla e de Eucalyptus camaldulensis X Eucalyptus spp submetidos a dois regimes de irrigação no campo. Revista Árvore, Viçosa, v.30, n.6, p.921-931, 2006. SAS INSTITUTE. SAS/STAT. User s Guide: Version 8. Cary :SAS Institute Inc., 1999. 3809 p. SASSE, J.; SANDS, R. Comparative responses of cottungs and seedlings of Eucaliptus globulus to water stress. Tree Physiology, Victoria, v.16, n. 1/2, p. 287-294, 1996. SOUZA, M.J.H.; RAMOS, M.M.; SIQUEIRA, D.L.; COSTA, L.C.; LHAMAS, A.J.M.; MANTOVANI, E.C.; CECON, P.R.; SALOMÃO, L.C.C. Produção e qualidade dos frutos da limeira ácida „ ahiti‟ submetida a diferentes porcentagens de área molhada Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande, v.7, n.2, p.245-250, 2003. TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. 719p. TATAGIBA, S.D.; PEZZOPANE, J.E.M.; REIS, E.F. Avaliação do crescimento e produção de clones de Eucaliptus submetidos a diferentes manejos de irrigação. Cerne, Lavras, v. 13, n. 1, p. 1-9, 2007. VELLINI, A.L.T.T.; PAULA, N.F.; ALVES, P.L.C.A.; PAVANI, L.C.; BONINE, C.A.V.; SCARPINATI, E.A.; PAULA, R.C. Respostas fisiológicas de diferentes clones de eucalipto sob diferentes regimes de irrigação Revista Árvore, Viçosa, v.32, n.4, p.651-663, 2008. 30 VILAS BÔAS, O.; MAX, J.C.M.; MELO, A.C.G. Crescimento comparativo de espécies de Eucalyptus e Corymbia no município de Marília, SP. Revista do Instituto Florestal, São Paulo, v. 21, n. 1, p. 63-72, 2009. 31