1 Universidade Federal do Triângulo Mineiro Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas Élia Cláudia de Souza Almeida Uberaba – MG Junho/ 2011 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 2 Élia Cláudia de Souza Almeida ESTUDO ESTRUTURAL DO EPITÉLIO DA CAVIDADE ORAL DE INDIVÍDUOS HIV POSITIVOS SUBMETIDOS AO EXAME DE NECROPSIA EM HOSPITAL DE CLÍNICAS Tese apresentada ao Curso de Pós-graduação em Patologia, área de concentração Patologia Geral, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor Orientador: Profª Drª Maria das Graças Reis Co–orientador: Prof. Dr. Vicente de Paula A.Teixeira Uberaba MG Junho/2011 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 3 Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) (Biblioteca Frei Eugênio, Universidade Federal do Triângulo Mineiro, MG, Brasil) A447e Almeida, Élia Cláudia de Souza, 1969. Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de pacientes HIV positivos ou HIV negativos submetidos ao exame de necrópsia/Élia Cláudia de Souza Almeida. -- 2011. 135 f.: il.; 30cm Tese (Doutorado em Ciências) – Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Uberaba, 2011. Orientadora: Profa. Dra. Maria das Graças Reis. Co-Orientador: Prof. Dr. Vicente de Paula Antunes Teixeira. 1. Síndrome de Imunodeficiência Adquirida. 2. Autopsia. 3. Boca. 4. Epitélio. 5. Mucosa bucal. I. Reis, Maria das Graças. II. Teixeira, Vicente de Paula Antunes. III. Universidade Federal do Triângulo Mineiro. III. Título. CDU 616.311 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 4 Élia Cláudia de Souza Almeida ESTUDO ESTRUTURAL DO EPITÉLIO DA CAVIDADE ORAL DE INDIVÍDUOS HIV POSITIVOS SUBMETIDOS AO EXAME DE NECROPSIA EM HOSPITAL DE CLÍNICAS Esta tese foi submetida ao processo de avaliação da Banca Examinadora para obtenção do título de: DOUTOR EM CIÊNCIAS – PATOLOGIA GERAL e aprovada na sua versão final em 28 de junho de 2011, atendendo as normas de legislação vigente da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Curso de Pós graduação em Patologia, área de concentração Patologia Geral. ________________________________________ Prof. Dr. Eddie Fernando Cândido Murta Coordenador do CPGP/UFTM Banca Examinadora __________________________________ Profª Drª Maria das Graças Reis - OrientadoraUniversidade Federal do Triângulo Mineiro/UFTM ____________________________ Prof. Dr. Daniel Ferreira da Cunha Universidade Federal do Triângulo Mineiro/UFTM _____________________________ Profª Drª Marlene Antônia dos Reis Universidade Federal do Triângulo Mineiro/UFTM _____________________________ Profª Drª Eloísa Amália Vieira Ferro Universidade Federal de Uberlândia/UFU _____________________________ Prof. Dr. Paulo Rogério Faria Universidade Federal de Uberlândia/UFU Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 5 DEDICATÓRIA A todas as pessoas que como sujeitos de pesquisa, participaram do presente estudo, bem como, aos familiares de cada um deles por permitirem sua participação. A todas as demais pessoas com as quais eu convivi e trabalhei durante a execução desta pesquisa. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 6 AGRADECIMENTOS ESPECIAIS A Deus Que me abençoou com uma família que me ama; Que me concedeu fé para poder lutar pelas próprias conquistas; Que me presenteou com a persistência para prosseguir em minha caminhada; Que me deu a compreensão de que as oportunidades existem para serem conquistadas; Que me agraciou com o entendimento de que as vitórias são meritocráticas. Aos meus familiares Agradeço pelo amor, apoio, compreensão, por crerem em minha capacidade, por me acompanharem durante esta jornada e por compartilharem de meus sonhos. À minha mãe Pelo seu amor, apoio e carinho. Ao Marcos Companheiro, marido, parceiro, incentivador e melhor amigo, com quem tenho compartilhado estes últimos 22 anos de nossa história, agradeço por acreditar no meu potencial, por aceitar minhas ausências, suportar minhas tensões e ainda assim me oferecer seu sorriso e seu ombro amigo. Sem o seu apoio, estímulo e resignação, este sonho jamais teria sido concretizado. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 7 AGRADECIMENTOS À minha orientadora, Profª Drª Maria das Graças Reis, orientadora por ocasião e amiga por vocação, agradeço por sua generosidade em compartilhar comigo seus ensinamentos, pela serenidade com que conduziu nossa pesquisa. Pela amizade construída sobre alicerces sólidos que hão de superar o tempo. Ao meu co-orientador, Prof. Dr. Vicente de Paula Antunes Teixeira, por sua presteza em me auxiliar e compartilhar comigo sua experiência e conhecimento. À Profª Drª Maria Laura Rodrigues Pinto, por compartilhar sua experiência, conhecimentos e amizade. Por suas relevantes contribuições que germinaram bons frutos neste trabalho de pesquisa. À Profª Drª Marlene Antônia dos Reis, Por ser sempre modelo de profissionalismo. Por suas sábias palavras e inestimáveis contribuições na realização do presente estudo. Ao Prof. Dr. Roberto Silva Costa, do Departamento de Patologia e Medicina Legal da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP, por me acolher em seu Departamento e permitir o desenvolvimento de parte desta pesquisa. À Profª Drª Eumênia Costa da Cunha Castro, que apesar da distância teve um papel relevante no desenvolvimento desta pesquisa. Ao Prof. Dr. Benito André Silveira Miranzi, por suas contribuições no percurso estatístico da presente pesquisa e por me guiar neste trajeto tortuoso de análises matemáticas. Ao Prof Dr Luiz Antônio Justulin Júnior, por sua presteza em me auxiliar sempre. Profª Drª Renata Margarida Etchebehere pelo seu papel fundamental em algumas etapas Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 8 desta pesquisa, por sua atenção e presteza. Pelos breves, porém inestimáveis momentos passados juntas. Aos professores das disciplinas de Patologia Cirúrgica e Especial, Profª Drª Adilha Ruas Micheletti Misson, Prof. Dr. Antônio Carlos de Oliveira Menezes, Prof. João Carlos Saldanha, Profª Drª Renata Margarida Etchebehere, Profª Drª Scheila Jorge Adad e Dr. Thales Parenti Silveira, pela participação nos exames de necrópsia. Aos professores do Departamento de Patologia e do Serviço de Patologia (SERPAT) do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Prof. Dr. Alfredo Ribeiro da Silva, Prof. Dr. Edson Garcia Soares, Prof. Dr. Fernando Silva Ramalho, Prof. Dr. Fernando Chaud, Profª Dra. Mônica Tentest Pastorello Baruffi e Prof. Dra. Simone Gusmão Ramos. Aos colegas de Pós–graduação, Ana Paula Espíndola, Camila Cavellani Laurencini, Cláudia Renata Bibiano Borges, Débora Tavares de Resende e Silva Abate, Giltânia Severino Paula, Humberto Faria, Janaínna Grazielle Pacheco Olegário, Laura Penna Rocha, Luciana Santos Ramalho, Luis Gustavo Sabino Borges e Nazaré Pellizzetti Szymaniak. A Pós–graduação é um tempo que se vive só, cada um no seu Universo, com sua gama de atividades a serem desenvolvidas, problemas a serem solucionados, mas entre nós, agimos como uma galáxia, cada um no seu ritmo, na sua órbita, contribuindo para o equilíbrio do nosso “Cosmo”. Assim caminhamos, trocando experiências, habilidades, lágrimas, sorrisos e aprendizado. Em especial agradeço às colegas: Janaínna Grazielle Pacheco Olegário, por suas incontáveis contribuições no desenvolver das planilhas do “Excel” e da imunohistoquímica. À Giltânia Severino Paula, por me alegrar com seu enorme sorriso. Aos alunos da Iniciação Científica, Gabriela Dal Moro Jeronimo e Lucas Daniel Sanches, Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 9 por seu compromisso, responsabilidade e comprometimento no desenvolvimento da pesquisa científica. Aos funcionários do Instituto de Ciências Biológicas e Naturais da UFTM, Creusa Maria Vieira, Lúcia Versiani Castro e Nilson Campos, pelo bons momentos passados juntos. Aos funcionários da disciplina de Histologia, Ana Lúcia Ribeiro Gonçalves, João Nolberto Oliveira, José Henrique Cruvinel pela ajuda na produção do material técnico, bem como pela convivência agradável. Em especial à Aparecida Oliveira Tito e Luzia Maria Eugênia pelas ternas palavras. Aos técnicos de necropsia e funcionários da Patologia Geral, Aloísio Costa, Edson Aparecido dos Santos, Lourimar José de Moraes, Maria Helena Soares Costa Batista, Pedro Henrique de Oliveira Ramalho, Vandair Gonçalves Pereira e Sônia Maria Sobrinho, bem como aos da Patologia Cirúrgica e Especial, Daniel de Oliveira Marini, João Avelino Barros, Marcelo Batista, Odival Seabra, Renildo Marques Fernandes , pelo auxílio antes, durante e depois dos exames de necrópsia. Aos Funcionários do Departamento de Patologia, Medicina Legal e Serviço de Patologia (SERPAT) da USP – Ribeirão Preto, Abel Dorigan Neto, Ana Maria Anselmi Dorigan, Ana Maria Marçola P. dos Santos, Regina Célia Laporti, Rose Fátima Rehder, Antônio Carlos Martins, Edson de Oliveira, Fábio Luiz da Silva e José Aparecido Tozzato. À Universidade Federal do Triângulo Mineiro, por me acolher e permitir que eu pudesse desenvolver meu trabalho de pesquisa vinculado a tão honrosa Instituição. À Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Minas Gerais – FAPEMIG, pelo apoio e fomento do presente estudo. À Fundação de Ensino e Pesquisa de Uberaba – FUNEPU, pelo incentivo ao desenvolvimento das atividades de pesquisa. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 10 Nossa Mensagem Iniciar este projeto de Pós-graduação foi uma ousadia! À medida que a pesquisa se delineava, maiores precisaram de ser as doses de persistência e perseverança. Entrar e participar de um exame de necrópsia não foi nem por uma única vez uma tarefa fácil, somente a plena consciência da necessidade de prosseguir serviu como mola propulsora para continuar esta escalada. Desde o início sabíamos que nos arriscaríamos a errar, mas ainda assim optamos por tentar, ao invés da inércia de nada fazer. Até porque temos plena convicção de que as dificuldades existem para serem superadas, os desafios para serem vencidos e os obstáculos para serem transpostos. Élia Cláudia E como bem dizia o poeta “... Vem vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora não espera acontecer”. Geraldo Vandré Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 11 Lista de abreviaturas AIDS: Síndrome da imunodeficiência adquirida ANOVA: Teste de análise de variância AZT: Azitotimidina – medicação antirretroviral B+: Bochecha positivo B-: Bochecha negativo BF+: Bochecha feminino positivo BF-: Bochecha feminino negativo BM+: Bochecha masculino positivo BM-: Bochecha masculino negativo CD1a: Anticorpo específico para células de Langerhans CDC: Centro de controle de doenças CEP: Comitê de ética em pesquisa DAB: Peroxidase diaminobenzidina DP: Desmoplakinas DSC: Desmocolinas DSG: Desmogleínas F+: Feminino positivo F-: Feminino negativo G+: Gengiva positivo G-: Gengiva negativo GF+: Gengiva feminino positivo GF-: Gengiva feminino negativo Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 12 GM+: Gengiva masculino positivo GM-: Gengiva masculino negativo IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística L+: Língua positivo L-: Língua negativo LF+: Língua feminino positivo LF-: Língua feminino negativo LM+: Língua masculino positivo LM-: Língua masculino negativo M+: Masculino positivo M-: Masculino negativo Max: Máximo Med: Mediana MET: Microscopia eletrônica de transmissão Min .: Mínimo ML: Microscopia de luz nm: nanômetro PBS: Phosphate buffered saline PG: Plakoglobinas PKP: Placofilinas DST: Doenças sexualmente transmissíveis EEPQ: Epitélio estratificado pavimentoso queratinizado EEPñQ: Epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado FMRP: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 13 HAART : Terapia antirretroviral HC: Hospital de clínicas HE: Hematoxilina e eosina HIV: Vírus da imunodeficiência humana IMC: Índice de massa corporal ONU: Organização das Nações Unidas SIDA: Síndrome da imunodeficiência adquirida SINAN: Sistema de informação de agravos de notificação SMF: Sistema mononuclear fagocitário t: Teste de “t” de Student UFTM: Universidade Federal do Triângulo Mineiro UNAIDS: United nations programme on HIV/AIDS USP: Universidade de São Paulo µm: micrômetro X2: Qui-quadrado Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 14 Lista de quadros e tabelas Quadro1. Principais características das camadas que compõem os diferente tipos de epitélio da cavidade oral .................................................................................................19 Tabela 1. Caracterização amostral dos sujeitos HIV positivos ou HIV negativos necropsiados no HC/UFTM ou FMRP/USP no período de 2007 a 2010.......................45 Tabela 2. Comparação do número de cristas epiteliais entre sujeitos com ou sem HIV e sexo necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010..................54 Tabela 3. Análise da presença ou ausência de hiperplasia da camada basal entre sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010.................................................................................................................................54 Tabela 4. Análise da presença ou ausência de exocitose de células inflamatórias na bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010........................................................................55 Tabela 5. Frequência dos eventos de acantose glicogênica, espongiose e balonização, quanto à intensidade e extensão no epitélio da bochecha de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010..........................56 Tabela 6. Frequência dos eventos de acantose glicogênica, espongiose e balonização, quanto à intensidade e extensão no epitélio da gengiva de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010..........................57 Tabela 7. Frequência dos eventos de acantose glicogênica, espongiose e balonização, quanto à intensidade e extensão no epitélio da língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010..........................58 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 15 Tabela 8. Comparação da espessura, número de camadas celulares e tamanho médio das células dos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010..........................61 Tabela 9. Quantificação dos desmossomos em ML/ MET e tamanho médio desmossomos nos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010.................................................................................................................................61 Tabela 10 - Comparação da quantidade de células de Langerhans no grupo bochecha, gengiva e língua entre presença ou ausência de HIV de sujeitos necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010.....................................................73 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 16 Lista de figuras Figura 1. Estimativa mundial de número de adultos e crianças vivendo com AIDS em 2010 ................................................................................................................................08 Figura 2. Localização dos diferentes tipos de mucosa oral ............................................11 Figura 3. Camadas que compõem o epitélio oral............................................................20 Figura 4. Representação esquemática dos principais componentes dos desmossomos..22 Figura 5. Distribuição das desmogleínas na pele e nas mucosas.....................................24 Figura 6. Localização regional dos fragmentos de mucosa de revestimento e especializada ...................................................................................................................33 Figura 7. Identificação regional do periodonto de proteção e localização regional do fragmento de mucosa mastigatória..................................................................................33 Figura 8. Mensuração do epitélio oral através do sistema analisador de imagens Image J de sujeitos necropsiados, no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010.................................................................................................................................36 Figura 9 A e B. Quantificação dos desmossomos através do sistema analisador de imagens Image J de sujeitos necropsiados, no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010.................................................................................................................................37 Figura 10. Medida da densidade dos desmossomos por célula, por meio do sistema analisador de imagens Image J de sujeitos necropsiados, no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010...................................................................................................41 Figura 11. Medida linear dos desmossomos por meio do sistema analisador de imagens Image J de sujeitos necropsiados, no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010.................................................................................................................................42 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 17 Lista de pranchas Prancha 1. Análise morfológica dos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010......................................................................................................................................50 Prancha 1.1 Identificação dos eventos de acantose, balonização e espongiose nos fragmentos de bochecha e gengiva em sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010 .......................................................50a Prancha 1.2 Identificação dos eventos de acantose, balonização e espongiose no fragmento de língua. Identificação de papilas linguais e exocitose de células inflamatórias em sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010....................................................................................................................................50b Prancha 2. Imuno-histoquímica para desmogleína nos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010 ....................................................................................................................64 Prancha 3. Imuno-histoquímica para desmogleína nos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010.....................................................................................................................69 Prancha 4. Quantificação dos desmossomos utilizando a MET nos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010...............................................................................70 Prancha 5. Medida dos desmossomos utilizando a MET nos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010...................................................................................................72 Prancha 6. Quantificação das células de Langerhans por meio de imunomarcação para CD1a, nos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010......................................................................................................................................75 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 18 RESUMO Palavras chaves: Síndrome da imunodeficiência adquirida; necropsia; epitélio oral; humano; mucosa bucal. Introdução e objetivos: A Aids é uma doença caracterizada pela destruição do sistema imune do indivíduo afetado pelo vírus HIV. A princípio era restrita a grupos populacionais específicos, mas atualmente tornou-se uma pandemia mundial que causa forte impacto social, demográfico e econômico para as populações. A cavidade oral é sede de manifestações da doença, utilizadas como indicadores da imunossupressão em pacientes HIV positivos. Esta pesquisa investigou o epitélio da cavidade oral nos diferentes tipos de mucosa: revestimento, mastigatória e especializada de sujeitos HIV positivos ou negativos submetidos ao exame de necropsia no período de 2007 a 2010 em Hospital de Clínicas. Metodologia: As informações relativas a idade, sexo, raça, causa de morte e IMC foram obtidas a partir dos prontuários clínicos e/ ou dos laudos de necropsia. Foram retirados fragmentos das mucosas de 24 sujeitos, processados para microscopia de luz, microscopia eletrônica e imuno-histoquímica para os anticorpos desmogleína 3 e CD1a. As imagens foram analisadas pelo sistema Image J. As análises morfológicas foram realizadas a partir da observação das características dos epitélios, cristas epiteliais, presença ou ausência de queratina nas mucosas mastigatória e especializada. Nas células foram observados o citoplasma, o núcleo, os desmossomos, presença de hiperplasia da camada basal, acantose glicogênica, espongiose, balonização celular, e exocitose de células inflamatórias. A análise morfométrica enfocou a espessura dos epitélios, o número de camadas celulares, o diâmetro médio das células, a quantidade e o tamanho dos desmossomos. A imunohistoquímica verificou a expressão da desmogleína nas células epiteliais e do CD1a nas células de Langerhans. Resultados: A faixa etária encontrada foi maior no grupo HIV positivo. Quando separados por sexo o grupo feminino obteve os maiores índices. O IMC foi maior no grupo sem HIV, o grupo feminino mostrou maiores índices. Na análise morfológica o grupo HIV positivo mostrou alterações na interface epitélio e conjuntivo, com cristas mais rasas e em menor quantidade quando comparados com HIV negativo. Na mucosa especializada houve perda de papilas linguais e a mucosa mastigatória apresentou perda da camada queratinizada. As células epiteliais, na maioria dos casos, apresentaram núcleos picnóticos, em outros com baixa afinidade tintorial. A relação núcleocitoplasma mostrou-se desproporcional. O citoplasma das células apresentou acantose nas camadas mais superiores do epitélio e balonização celular e espongiose que foram mais evidentes no grupo HIV positivo. Na análise morfométrica, o grupo soropositivo mostrou maior espessura (348,6µm) e maior diâmetro médio das células (13,97µm), enquanto o grupo HIV negativo teve maior número de camadas (28,16). O grupo HIV negativo apresentou maior quantidade de desmossomos por célula no estrato espinhoso (37,9). Considerando o sexo, o grupo masculino HIV negativo apresentou o maior tamanho de desmossomos (394.385nm), enquanto o feminino as maiores quantidades (43,52). Na análise imunohistoquímica, tanto a desmogleína quanto o CD1a apresentaram maior expressão no grupo HIV negativo. Considerando as regiões, o grupo língua apresentou a menor expressão. Conclusão: Os resultados obtidos nesta pesquisa demonstraram a influência da infecção pelo HIV no epitélio da cavidade oral levando ao aumento da espessura, diminuição das papilas linguais, aumento do diâmetro celular, acúmulo de substância no interior da célula e interstício, diminuição da quantidade e do tamanho dos desmossomos, bem como, da expressão da desmogleína nas células epiteliais e CD1a nas células de Langerhans. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 19 ABSTRACT Keywords: Acquired immuno-deficiency syndrome; necropsy; oral epithelium; human; oral mucosa. Introduction and Objectives: Aids is a disease characterised by the destruction of the immune system of the individual infected with the HIV virus. To begin with, it was restricted to specific groups of the population, but currently it is worldwide pandemic with a harsh social, demographical and economical impact. The oral cavity is the centre of manifestations of the disease, which are utilised as indicators of immuno-suppression in HIV positive patients. This investigation researched the epithelium of the oral cavity in different types of mucosa: lining, masticatory and specialised, from HIV positive or negative patients who underwent necropsy between 2007 and 2010 at the clinical hospital. Methodology: Information relating to age, sex, race, cause of death, and BMI were obtained from the patients’ charts and/or from the coroner’s report. Samples of the mucosa of 24 patients were taken, processed for optic and electron microscopies, immunohistochemistry for desmoglein antibodies and CD1a. The images were analysed using the Image J system. The morphological analyses were carried out via observation of the characteristics of the epithelia, epithelial ridges, presence or absence of keratin in the masticatory and specialised mucosas. Observations were made in the cells for the cytoplasm, nucleus, and the desmosomes, the presence of basal hiperplasia, acanthosis, spongiosis, cellular ballooning, exocytosis of the inflammatory cells. The morphometric analysis focussed on the thickness of the epithelia, the number of cell layers, the average diameter of the cells, the number and size of the desposomes. The immuno-histochemistry verified the expression of desmoglein in the epithelial cells and of CD1a in the Langerhans cells. Results: The age range was wider in the group of HIV positive patients. When separated by sex, the female group had the highest indexes in the aforementioned categories. The BMI was higher in the HIV negative group, the female group showing the highest scores. In the morphological analysis, the HIV positive group showed alterations in the epithelial interface – conjunctiva, with shallower ridges and in fewer numbers when compared to the HIV negative group. In the specialised mucosa, there was a loss of taste buds and the masticatory mucosa presented a loss of the keratinised layer. The epithelial cells in most cases presented pycnotic nuclei, in others there was a low dye response. The cytoplasm-nucleus ratio was disproportional. The cytoplasm of the cells presented acanthosis in the upper-most levels of the epithelium, cellular ballooning and spongiosis were most evident in the HIV positive group. In the morphometric analysis, the HIV positive group showed higher cell thickness (348.6µm) and higher average cell diameter (13.97µm), whilst the HIV negative group had a higher number of layers (28.16). The HIV negative group presented a higher number of desmosomes per cell in the spinosum extract (37.9). Regarding the sex of the patients, the HIV negative male group presented the largest desmosomes (394,385nm), whilst the female group presented higher quantities (43.52). In the immuno-histochemistry analysis, both the desmoglein and the CD1a Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 20 presented a higher expression in the HIV negative group. With regards to the regions of the body, in the tongue presented the lowest expression. Conclusion: The results obtained in this investigation demonstrate the influence of the infection caused by HIV in the epithelium of the oral cavity, leading to an increase in thickness, reduction of taste buds, increase in cellular diameter, accumulation of substance in the interior of cells and interstice, decrease in the number and size of the desmosomes, as well as the expression of desmoglein in the epithelial cells and CD1a in the Langerhans cells. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 21 Sumário Lista de quadros e tabelas Lista de gráficos Lista de abreviaturas Lista de anexos Resumo Abstract Agradecimentos 1 – Introdução 2 - Delineamento do problema de pesquisa 2.1 Aspectos históricos e epidemiológicos da Aids 2.2 Cavidade e Mucosa oral 2.3 Tecido Epitelial 2.4 Trinômio: Epitélio – HIV/Aids – Mucosa oral 3. Justificativa 4. Hipótese 5. Objetivos 6. Material e método 7. Resultados 8. Discussão 9. Conclusões 10. Considerações Finais 11. Referências Bibliográficas 12. Anexos 1 3 3 10 15 25 26 26 29 31 44 74 85 88 90 101 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 22 1 Introdução ______________________________________________________________________ ... Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar... Toquinho/ Vinícius de Moraes/ G. Morra/ M. Fabrízio Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 23 O início da década de 80 foi marcado pela descoberta da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA1), uma doença cuja característica era a imunodepressão do sistema imune do indivíduo afetado, com subsequente morte. A princípio ela era restrita a grupos populacionais específicos, tais como os homossexuais, prostitutas, usuários de drogas injetáveis e hemofílicos. Esta limitação permitiu que, apesar da gravidade da doença, ela não fosse encarada como uma ameaça real à população mundial. O reflexo deste comportamento é o de que, 30 anos depois, ela adquiriu um ritmo epidêmico e se apresenta como uma pandemia mundial, que provoca forte impacto social, demográfico e econômico para as populações (BRASIL, 2010). A Aids é uma doença infecciosa na qual o agente etiológico é o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), identificado em 1983, por Luc Montagnier, no Instituto Pasteur e cujas formas de contágio se dão através do contato com sangue, sêmen, secreção vaginal e leite materno. É sabido que outras epidemias igualmente devastadoras atingiram a humanidade em outras épocas, tais como a gripe espanhola, a sífilis e outras doenças bacterianas, antes da descoberta da penicilina; contudo a virulência desta doença não encontrou paralelo na história da humanidade e, apesar de todo avanço tecnológico e científico retratado pelo uso dos medicamentos antirretrovirais, a cura para esta doença ainda parece ser um futuro longínquo (MONTAGNIER, 2002). O HIV é um vírus, do gênero Lentivírus, pertencente ao grupo dos retrovírus citopáticos não oncogênicos, o qual tem como características: ser relacionado com doenças de longa duração e com longos períodos de incubação, além de apresentar um genoma constituído apenas pelo RNA (Ácido Ribonucleico). Por este motivo ele necessita realizar 1 Em idioma inglês é denominada Acquired Immunodeficiency Syndrome, cuja sigla tornou-se mundialmente reconhecida: Aids. Devido ao seu extenso uso e sonoridade, neste estudo optaremos por usar esta sigla ao invés de SIDA. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 24 a conversão de RNA em DNA (Ácido Desoxirribonucleico) seguida de integração ao genoma celular com subsequente replicação (BRASIL, 2002; WAIN, et. al., 2007). Além disso, o longo período de incubação do vírus antes do surgimento dos sintomas da doença parece ser um agravante que pode mascarar a disseminação da doença. Isto porque a janela imunológica2 pode durar de duas a doze semanas; entretanto, o indivíduo pode permanecer assintomático por até dez anos, embora seja HIV positivo (BRASIL, 2010d). Tendo em vista o contexto mundial da doença, bem como os avanços da medicina nesta área, vários estudos acerca do grupo de indivíduos HIV positivos estão sendo desenvolvidos ao longo dos anos. Considerando a cavidade oral como sede de uma ampla variedade de manifestações da Aids, utilizadas como marco da imunossupressão em sujeitos soropositivos (BRASIL, 2010c; NARANI, EPSTEIN, 2001; GREENSPAN, GREENSPAN, 1996; UNITED NATIONS PROGRAMME ON HIV/AIDS, 2009), nos propomos a realizar uma investigação acerca do epitélio da cavidade oral. Desta forma, serão abordados aspectos da Aids, da cavidade oral e finalmente do epitélio oral, foco precípuo deste estudo. Esta pesquisa foi realizada com a participação e colaboração de muitos atores sociais e somente por motivos circunstanciais assume autoria individual; assim sendo, a partir deste momento adotaremos os tempos verbais no pretérito perfeito, com associação pronominal em terceira pessoa. 2 Janela imunológica é o intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus da Aids e a produção de anticorpos anti-HIV no sangue; os exames para detecção de Aids identificam a presença dos anticorpos anti-HIV e então é confirmada a infecção pelo vírus (BRASIL, 2010d). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 25 2 Delineamento do problema de pesquisa ______________________________________________________________________ ... Começar de novo e contar comigo Vai valer a pena ter amanhecido... Ivan Lins/Vitor Martins Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 26 2.1 Aspectos históricos e epidemiológicos da Aids A Aids foi identificada por volta de 1981 quando um grupo de jovens apresentou sinais e sintomas de pneumonia por Pneumocystis carinii e de sarcoma de Kaposi, um tipo raro de tumor, que posteriormente foram correlacionados com indivíduos imunocomprometidos pelos membros do Center for Disease Control and Prevention (CDC). A doença é caracterizada pela diminuição progressiva da imunidade celular3 com consequente aparecimento de infecções oportunistas e/ou neoplasias malignas. Para os autores Bastos e Szwarcwald (2000), Noce et al. (2009), trata-se de uma epidemia associada ao perfil socioeconômico, sendo mais comum entre grupos com menor índice de escolaridade, com acesso limitado aos serviços de prevenção, a cuidados médicos e consequentemente apresentando menor adesão à terapia antiretroviral, indicando uma tendência de pauperização da epidemia. Contudo, para Brito, Castilho e Szwarcwald (2000) e Rodrigues Jr, Castilho (2004) o perfil epidemiológico está sofrendo uma transição que passa também pela heterossexualização e feminização da doença, sendo este último ainda circunscrito aos campos científico e político institucional em organizações governamentais e não governamentais, sem, contudo, atingir a massa que poderia veicular a questão da vulnerabilidade feminina em relação à infecção pelo HIV. Segundo Barata, (2007, p. 513), cabe aqui uma ressalva em relação ao risco: “Como as proporções não medem riscos e sim composição relativa do total de casos segundo o modo de transmissão, o aumento relativo de um grupo resulta inevitavelmente na redução proporcional dos demais, sem que 3 O vírus do HIV penetra nas células do hospedeiro onde se reproduz; ele ataca os linfócitos T, levando à diminuição da imunidade celular. Sua principal característica é a presença da enzima transcriptase reversa, capaz de produzir moléculas de DNA, através do RNA, e integrar-se ao genoma do hospedeiro. As principais células infectadas são aquelas possuidoras da molécula de CD4 em sua superfície, que são principalmente linfócitos CD4, macrófagos e células dendríticas (MONTAGNIER, 2002). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 27 isto signifique redução ou aumento de risco” (grifo nosso). Quanto às novas nomenclaturas tais como: pauperização, heterossexualização, feminização, até mesmo racialização, são indicadoras de tendências da síndrome e não significam que o aumento em um determinado grupo possa excluir os demais, mas sim que um deles se destacou em termos da incidência (CAMARGO JR, 2007). Considerando-se as modificações ocorridas no quadro epidemiológico da Aids, há que se contemplar também a transição geográfica da doença. No Brasil, o Sul e o Sudeste são as regiões com maior número de notificações, desde o início da epidemia, entretanto, parece haver uma estabilização destas taxas desde 2001, o que não ocorre em outras regiões do país onde as taxas têm aumentado, demonstrando o fenômeno de interiorização da doença. Cabe aqui um recorte no qual há que se considerar a questão do acesso aos serviços médicos, bem como a notificação da doença e o registro dos dados no SINAN (Sistema de informação de agravos de notificação) (BRASIL, 2002; MOREIRA, 2010). Além do mais, deve-se considerar ser esta uma doença estigmatizante, até por sua evolução clínica, uma vez que, inicialmente e até meados da década de 90 o diagnóstico de Aids era significado de morte eminente. Porém com o advento da terapia antiretroviral este quadro se revolucionou e a doença adquiriu ares de doença crônica. O histórico de desenvolvimento da doença esconde questões importantes, pois inicialmente as pessoas evitavam realizar o exame diagnóstico, como uma forma de ignorar a doença, sendo esta uma forma cruel de disseminação. Por outro lado, o uso e o sucesso da terapia antiretroviral trouxe a banalização para a questão do autocuidado. No Brasil, inicialmente, a doença apresentou características mais elitistas, acometendo pessoas de alto padrão social, nos quais o vírus tinha características americanas e européias, ao contrário do encontrado no continente africano (FRY et al., Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 28 2007). Historicamente, a primeira notificação brasileira ocorreu em 1982, em São Paulo. Posteriormente, em 1984, foi implantado o primeiro programa de controle de Aids no estado de São Paulo e em 1986 foi criado o Programa Nacional de DST e Aids. Neste mesmo ano a Aids foi incluída na relação de doenças e agravos de notificação compulsória, por meio da Portaria 542. Em 1987, com apoio da ONU, foi instituído o dia 1º de dezembro como o dia mundial da luta contra a Aids; no mesmo ano foi iniciada a pesquisa para a produção de medicação capaz de inibir a transcriptase reversa; o primeiro medicamento a ser testado foi o AZT (Azidotimidina) (BRASIL, 2004; MONTAGNIER, 2010). Cerca de 10 anos após a descoberta da Aids, com o engajamento de vários segmentos da sociedade com poder de vocalização e após a morte de pessoas reconhecidas nacionalmente, foi iniciada a distribuição gratuita de antirretrovirais4. Naquele momento no Brasil já havia 11.805 casos notificados. Desde 1996 o coquetel antiaids é distribuído a todos que possuem esta necessidade (BRASIL, 2009). O Brasil passou a produzir o AZT no ano de 1993. Tendo em vista o crescimento da epidemia entre a população feminina, o Ministério da Saúde estabeleceu a prevenção da transmissão vertical5 como uma das prioridades do Programa Nacional de DST/Aids através de publicação de norma específica em 1995 (BRASIL, 1997). Segundo Montagnier (2010) nesse mesmo ano foi comprovada a diminuição deste tipo de transmissão com a utilização do AZT. A lei 9.313 de novembro de 1996 estabeleceu o direito ao recebimento de medicação gratuita para tratamento de Aids. Concomitantemente foi criado um programa 4 5 Antirretrovirais – Medicamentos que dificultam a multiplicação do vírus HIV. Quando o HIV é transmitido de mãe para filho durante a gestação, parto ou amamentação. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 29 conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids – UNAIDS, com a finalidade de estimular as ações em resposta à epidemia de HIV/Aids. No ano seguinte este programa foi implantado no Brasil. Iniciou-se o monitoramento de sujeitos em tratamento com a realização de exames de carga viral e contagem de células CD4, por meio da Rede Nacional de Laboratórios (BRASIL, 1996; UNITED NATIONS PROGRAMME ON HIV/AIDS, 2010a). Em 1998 foi instituída a legislação que tratou da obrigatoriedade da cobertura das despesas hospitalares pelo sistema contratado/conveniado, contudo não se assegurava o tratamento antirretroviral. No mesmo ano também foi feita mais uma modificação nos critérios diagnósticos de Aids, quando ficou instituído que a contagem de linfócitos T CD4+ menor que 350 células/mm3 seria um marcador laboratorial de imunossupressão (BRASIL, 2004). Em 1999 houve a diminuição da mortalidade em torno de 50%, com consequente aumento da qualidade de vida dos portadores de HIV. Em 2000, na 13ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada na África, foi exposto ao mundo a alta taxa de mortandade naquele continente: 17 milhões. Naquele mesmo ano, ocorreu a realização do primeiro Fórum em HIV/Aids e DST no Brasil. O ano 2001 trouxe consigo números alarmantes: o país acumulou 220.000 casos notificados de Aids (BRASIL, 2010b). Em 2002 foi criado o Fundo Global para Combate da Aids, Tuberculose e Malária, visando a auxiliar os países em desenvolvimento no controle das três doenças infecciosas de maior mortalidade no mundo. Naquele ano o número de brasileiros infectados já alcançava a cifra de 258.000 (BRASIL, 2002). Em 2006 o programa nacional de tratamento de doenças sexualmente transmissíveis e Aids atingiu as três esferas de governo (nos níveis federal, estadual e Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 30 municipal) do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse ano o país apresentou uma redução de 50% do número de casos de transmissão vertical. Contudo, os registros de Aids ultrapassaram os 433.000 (BRASIL, 2006). Após vários anos, os medicamentos antirretrovirais sofreram uma redução de custos da ordem de 50%, o que representou uma economia de vários milhões por ano. O ano de 2008 foi de vitórias, pois foi concluído o processo de nacionalização de um teste capaz de identificar o HIV em 15 minutos, fabricado pela Fiocruz. Contudo, em nível mundial, estima-se que em 2008 tenham ocorrido 2,7 milhões de novas infecções por HIV. Ressalte-se que estes números, embora alarmantes, foram 30% menores do que aqueles de 1997, quando a disseminação da epidemia aparentemente atingiu seu auge (UNITED NATIONS PROGRAMME ON HIV/AIDS, 2010a). O ano de 2009 trouxe consigo a transformação do Programa Nacional de DST/ Aids em Departamento da Secretaria de Vigilância à Saúde; na ocasião já haviam sido notificados 544.846 casos de Aids no Brasil. Na América Central e do Sul foi estimado que 92.000 pessoas tivessem sido infectadas naquele ano (BRASIL, 2010; UNITED NATIONS PROGRAMME ON HIV/AIDS, 2009). No relatório de 2009 emitido pela UNAIDS, as mortes relacionadas com a Aids entre indivíduos sem adesão à terapia HAART, em nível mundial, alcançou, em 2008, aproximadamente 2 milhões e 600 mil pessoas e entre aqueles em tratamento estes números apresentaram-se na casa de 1 milhão e 900 mil pessoas. Na América Latina o número de mortes relacionadas com a Aids no mesmo ano foi de 77 mil indivíduos. Segundo a estimativa desse relatório, existiam 33,4 milhões de pessoas vivendo com Aids no mundo e a taxa de prevalência girava em torno 0,6%, com incidência de 18,2 casos para cada 100 mil, conforme a figura 1 (UNITED NATIONS PROGRAMME ON HIV/AIDS, Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 31 2010b). Em 2010 o Brasil fez uma parceria com a África visando à distribuição gratuita de 30 mil camisinhas e panfletos sobre prevenção da Aids e outras DST durante a Copa do Mundo de Futebol. O país também lançou a campanha de distribuição gratuita de preservativos nas escolas do ensino médio (BRASIL, 2010b). Sul e Sudeste da Ásia 4.1 milhões América do Norte 1.5 milhões Caribe 240.000 América Latina 1.4 milhão Europa Ocidental e central 820.000 Europa Oriental & Ásia Central 1.4 milhão Ásia Oriental & África do Norte & Pacífico Oriente Médio 770. 000 460.000 África SubSaariana 22.5 milhões Austrália e Nova Zelândia 57.000 Total: ±33 milhões (30 – 36 milhões) Fonte: UNAIDS/WHO, 2010 Fig. 1 - Estimativa mundial de número de adultos e crianças vivendo com Aids em 2010 (UNITED NATIONS PROGRAMME ON HIV/AIDS, 2010b)6. O boletim epidemiológico emitido pelo Ministério da Saúde brasileiro em 2010 mostrou que houve redução 44,4%, na incidência de Aids entre menores de cinco anos, quando comparados entre os anos de 1999 e 2009, o que vem consolidar a eficácia da política de redução da transmissão vertical do HIV. Os dados atualizados até junho 2010 eram de 592.914 casos registrados desde 1980 (BRASIL, 2010a). Nessa mesma linha, o relatório emitido pela UNAIDS em 2010 apontou para a diminuição na incidência dos casos de Aids, bem como para a diminuição de mortes por esta causa entre a população mais jovem, baseado na ampliação dos serviços de prevenção 6 Adaptação dos valores do relatório de 2010 à figura publicada em 2009. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 32 e no acesso ao tratamento. A estimativa acerca do número de pessoas vivendo com Aids caiu para 32,8 milhões (UNITED NATIONS PROGRAMME ON HIV/AIDS, 2009; 2010b). O relatório em questão informou que mais da metade da população (52%) de pessoas vivendo com HIV são do sexo feminino. Visando modificar esse quadro, foram instituídas várias ações governamentais tais como as que criaram o Plano Integrado de Enfrentamento da Feminização da Epidemia da Aids e outras DST, juntamente com o UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o UNIFEM (Fundo das Nações Unidas para a Mulher) voltado para implantar ações de promoção à saúde, aos direitos da área reprodutiva e sexual nas três esferas de governo (BRASIL, 2009; UNITED NATIONS PROGRAMME ON HIV/AIDS, 2010b). Estimativas da UNAIDS apontam que no ano 2022 a Aids vai matar 70 milhões de pessoas no mundo (UNITED NATIONS PROGRAMME ON HIV/AIDS, 2010a). A alta taxa de mortalidade está diretamente relacionada com a incidência de infecções oportunistas e/ou neoplasias malignas que configuram o quadro desta doença. Dentre elas se encontram as manifestações orais e periorais que podem ser de origem fúngica, virótica ou neoplásica. Algumas dessas entidades nosológicas tornaram-se definidoras da doença, devido à frequência e à facilidade de identificação clínica, tais como candidíase (que é a mais frequente), leucoplasia pilosa, doenças periodontais, sarcoma de Kaposi e linfoma não Hodgkin. Coogan, Greenspan e Challacombe (2005) acrescentam a essas o eritema gengival, a gengivite ulcerativa necrosante e a periodontite ulcerativa necrosante (BRASIL, 2004; DIAS, et al., 1998; GREENSPAN, 1996; MONTAGNIER, 2010; NOCE, et al., 2005). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 33 Considerando-se que tais doenças se manifestam na cavidade oral, passar-se-á à abordagem dela, posteriormente à da mucosa oral e finalmente à do epitélio oral, foco precípuo deste estudo. 2.2 Cavidade e Mucosa Oral A cavidade oral é delimitada pelos lábios superior e inferior, sendo o seu interior constituído por gengivas, vestíbulo, língua, alvéolos, bochechas, palato duro, palato mole, soalho bucal e dentes. É revestida pela mucosa oral, constituindo a interface entre o organismo e o meio ambiente, que, de maneira análoga à pele, representa a primeira linha de defesa contra a agressão de agentes externos (FIGÚN & GARINO, 2003; KANITAKIS, 2002). A mucosa oral é constituída pelo epitélio oral e pela lâmina própria ou cório, os quais são correlatos da pele para epiderme e derme. O epitélio oral é um tecido dinâmico, no qual as células mortas são perdidas na superfície e repostas através da atividade mitótica pelo estrato basal. Ao longo da migração celular ocorrem alterações contínuas na adesão e maturação das células, as quais são importantes para possibilitar os movimentos morfogenéticos, além de auxiliar na maior síntese de proteínas estruturais (BRAGULLA, HOMBERGER, 2009; ISHII, GREEN, 2001). O epitélio de revestimento da mucosa oral apresenta diferenças morfológicas e bioquímicas do ponto de vista histológico, de acordo com a demanda locorregional onde é encontrado, indicando um complexo padrão de diferenciação deste tecido. Ele é do tipo estratificado pavimentoso, sendo em algumas regiões, queratinizado, e em outras, não queratinizado. De acordo com suas características topográficas e funcionais, ele pode ser Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 34 classificado em mucosa de revestimento, mucosa especializada ou mucosa mastigatória, conforme a figura 2 (CATE, 2008; DALE, SALONEN, JONES, 1990; OVALLE, NAHIRNEY, 2008). A lâmina própria é o tecido conjuntivo que dá suporte ao epitélio oral; por conseguinte, constituída por células, fibras conjuntivas, elementos neurais e vasos sanguíneos, imersos na substância fundamental amorfa (CATE, 2008; KATCHBURIAN, ARANA, 2004). Mucosa especializada Mucosa mastigatória Mucosa de revestimento Região de transição da mucosa especializada para mucosa de revestimento Fig. 2 – Localização dos diferentes tipos de mucosa oral (RAUTAVA et al., 2007). A união entre epitélio e conjuntivo apresenta-se como uma interface ondulada, na qual se inserem, papilas conjuntivas e cristas epiteliais. A quantidade e a profundidade de papilas e cristas parecem estar correlacionadas às forças de cisalhamento às quais este tecido é submetido (GARANT, 2003). 2.2.1 Mucosa de revestimento Na superfície interna dos lábios, bochechas, mucosa alveolar, palato mole, soalho Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 35 bucal e superfície ventral da língua é encontrada a mucosa de revestimento constituída por Epitélio Estratificado Pavimentoso não Queratinizado (EEPñQ). Este apresenta queratinócitos menores na camada basal, além de menor quantidade de desmossomos no estrato espinhoso e não apresenta estrato granuloso e nem córneo. Trata-se de uma mucosa flexível e capaz de suportar o estiramento. Acima do estrato espinhoso são observados os estratos intermédio e superficial. Sua interface com o tecido conjuntivo tende a ser mais plana do que nas regiões sujeitas ao atrito e à abrasão. No limite entre o epitélio e o conjuntivo podem ser identificadas cristas epiteliais e conjuntivas, sendo que a altura e a espessura são similares nas diferentes regiões, com número de papilas variando em função da superfície oral (CATE, 2008; KATCHBURIAN, ARANA, 2004; WINNING, TOWNSEND, 2000). A mucosa labial e a jugal (bochecha) possuem um dos epitélios mais espessos da cavidade oral, com intervalo de renovação celular é cerca de 10-12 dias. As células da camada basal levam em média 5-7 dias para alcançar a camada superficial, onde permanecem até a descamação. O lábio é constituído de uma face externa de pele fina, a zona de transição ou borda vermelha do lábio e face interna, que é a mucosa propriamente dita (KATCHBURIAN, ARANA, 2004; WINNING, TOWNSEND, 2000). A mucosa alveolar reveste a região do vestíbulo, constituindo a transição entre as mucosas jugal e labial com a gengival. Trata-se de uma região de grande flexibilidade e seu epitélio possui menor quantidade de camadas no estrato espinhoso (KATCHBURIAN, ARANA, 2004). A mucosa do palato mole apresenta–se em continuidade com o palato duro. Em seu epitélio são encontrados alguns botões gustativos, principalmente na região mais Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 36 próxima ao palato duro. Enquanto que a mucosa do soalho bucal reveste o fundo do sulco lingual e a porção ventral da língua, com epitélio fino, permeável e flexível. A característica de flexibilidade desta mucosa está relacionada com uma submucosa frouxa e geralmente rica em fibras elásticas (CATE, 2008; KATCHBURIAN, ARANA, 2004). 2.2.2 Mucosa especializada A mucosa especializada da cavidade oral se restringe à face dorsal da língua e palato mole; caracteristicamente é constituída por Epitélio Estratificado Pavimentoso Queratinizado (EEPQ), por numerosas papilas linguais e pelos botões gustativos. Algumas destas papilas apresentam função mecânica, enquanto outras contêm estruturas neurossensoriais, os botões gustativos, que estão relacionadas com a função palatável. As papilas linguais são classificadas em filiformes, fungiformes, foliadas e circunvaladas. As papilas filiformes estão presentes em todo o dorso lingual, - sendo estas as mais numerosas - conferindo à superfície dorsal a característica aveludada. Anatomicamente são estruturas cuneiformes, altamente queratinizadas e não possuem botões gustativos (KATCHBURIAN, ARANA, 2004; GARTNER, HIATT, 2007). As papilas fungiformes por sua vez são em menor número, se distinguem morfologicamente por possuírem base mais estreita, ápice dilatado e liso, de modo que se assemelham a cogumelos. São menos queratinizadas, apresentam eixo de conjuntivo intensamente vascularizado, o que lhes confere uma coloração mais avermelhada, tornando–as visíveis macroscopicamente. Normalmente encontram-se isoladas e ocorrem com maior frequência na ponta da língua (JUNQUEIRA, CARNEIRO, 2004; GARTNER, Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 37 HIATT, 2007). Em humanos, as papilas foliadas, são pouco desenvolvidas, se apresentam como dobras paralelas na mucosa lateral da porção posterior da língua, são revestidas superiormente por EEPQ e na face lateral por EEPñQ, onde se encontram botões gustativos (CATE, 2008; MISTRETA, LIU, 2006). As papilas circunvaladas também denominadas de valadas ou caliciformes são encontradas na região mais posterior da língua formando o “V” lingual, imediatamente à frente do sulco terminal. Geralmente ocorrem em número de 7–12. Morfologicamente apresentam-se como estruturas circulares, grandes, circundadas por um sulco ou vallum, onde se abrem os ductos das glândulas de von Ebner. Botões gustativos são encontrados em sua parede lateral que está revestida superiormente por EEPQ e lateralmente por EEPñQ (NETTER, 2008). 2.2.3 Mucosa mastigatória Este tipo de mucosa é caracterizado pela presença de epitélio estratificado pavimentoso sendo encontrada nas regiões de maior abrasividade, tais como da gengiva e do palato duro. O epitélio da mucosa mastigatória é relativamente espesso, sendo classificado como queratinizado no palato e paraqueratinizado na gengiva. Apresenta papilas conjuntivas numerosas e profundas, que estão correlacionadas não só com a abrasão sofrida por este tecido bem como com a inserção da mucosa ao periósteo (CATE, 2008; KATCHBURIAN, ARANA, 2004; ROSS et. al., 1995; WORAWONGVASU, 2007). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 38 O epitélio queratinizado pode ser subdividido em: a) ortoqueratinizado, quando as células das camadas mais externas foram completamente preenchidas pela queratina, promovendo a autólise das organelas intracelulares inclusive do núcleo, que não é mais observado nas células da camada córnea; e b) paraqueratinizado quando o epitélio sofre queratinização incompleta, portanto as células das camadas mais superficiais apresentam núcleo picnótico, achatado, retraído, embora os queratinócitos apresentem características acidófilas devido ao acúmulo de queratina. No epitélio não queratinizado não há diferenciação da queratina e todas as células superficiais são classificadas como células vivas (KRAUSE, CUTTS 1994; WINNING, TOWNSEND, 2000). 2.3 Tecido Epitelial O tecido epitelial reveste a superfície externa e interna do corpo e se apresenta de duas maneiras básicas: como lâminas de células contínuas (epitélio de revestimento) ou como um aglomerado de células com função secretora formando as glândulas; desta maneira constitui o epitélio glandular. No presente estudo o enfoque visa abordar o epitélio de revestimento. As lâminas de células contínuas de epitélio podem ser formadas por uma única camada de células, neste caso denominado de epitélio simples (formado por uma camada de células) ou estratificado (quando é constituído por várias camadas ou estratos de células), as quais se encontram firmemente aderidas entre si devido à presença de complexos unitivos (BRAGULLA, HOMBERGER, 2009; PRESLAND, DALE, 2000). 2.3.1 Diferenciação do epitélio oral Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 39 A diferenciação e a proliferação do epitélio oral ocorrem ainda no período de vida intrauterina, de modo que por volta da 23ª semana de vida os diferentes tipos de mucosa já mostram características do epitélio adulto, incluindo a expressão das queratinas presentes no tecido epitelial. De maneira geral, nos epitélios orais estratificados são encontradas as citoqueratinas 2, 5, 9, 14 e 15, contudo, sabe-se que elas variam nos epitélios queratinizados (1, 6, 10 e 16) e não queratinizados (4, 13, 19) (KIRFELL, MAGIN, REICHELT, 2003; RAUTAVA et al., 2007; WINNING, TOWNSEND, 2000). É válido ressaltar que de acordo com Dale, Salonen e Jones (1990) foram evidenciadas diferentes queratinas em diferentes regiões do mesmo tipo de mucosa considerando, por exemplo, a gengiva marginal e a inserida, a língua na região interpapilar e nas papilas propriamente ditas. O epitélio oral é constituído por uma população variada de células tais como os queratinócitos e os não queratinócitos: células de Langerhans, células de Merckel e melanócitos (KATCHBURIAN, ARANA, 2004). 2.3.2. Células do Epitélio Oral 2.3.2.1 Células de Langerhans São originárias da medula óssea, constituem de 2 a 8% da população de não queratinócitos e estão localizadas no estrato espinhoso do epitélio oral; são mais numerosas no epitélio não queratinizado. De acordo com Barret et al., (1996), elas são capazes de migrar do epitélio para os linfonodos mais próximos, desencadeando assim a resposta imune. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 40 Do ponto de vista morfológico apresentam-se como células arredondadas, com longos prolongamentos que atravessam outras camadas, possuem uma indentação nuclear e grânulos de Birbeck os quais permitem reconhecê-las. Em cortes histológicos da pele e do epitélio oral, corados por hematoxilina e eosina (HE) as células de Langerhans, bem como os outros não queratinócitos, aparecem como células claras ou com espaço claro ao redor por não compartilharem desmossomos com os queratinócitos vizinhos; este é um artefato gerado devido à ausência de tonofilamentos e desmossomos. Sua individualização dos outros não queratinócitos pode ocorrer por não apresentarem tonofilamentos, desmossomos e melanossomos (KATCHBURIAN, ARANA, 2004). Essas células pertencem ao sistema mononuclear fagocitário (SMF), atuando como componentes periféricos do sistema imune e expressam o antígeno CD1a na superfície celular (BARRET, et al., 1996). De acordo com Ross e Pawlina (2008); Ovalle e Nahirney (2008), as células de Langerhans parecem ser mais resistentes aos efeitos do vírus HIV, podendo servir como depósito para o vírus. Em estudo com espécimes de pele foram identificados traços virais no citoplasma dessas células. 2.3.2.2 Melanócitos São células oriundas da crista neural ectodérmica, que surgem por volta da 11ª semana de gestação, têm aspecto arredondado com longos prolongamentos que se estendem através das camadas de queratinócitos, são responsáveis pela síntese de melanina (que por sua vez é armazenada em vacúolos denominados de melanossomos), são responsáveis pela pigmentação da pele e das mucosas e são restritas à camada basal do Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 41 epitélio. Normalmente pessoas com diferentes colorações de pele e de gengivas apresentam o mesmo número de melanócitos; as diferenças de cor resultam da atividade dos melanócitos. Eles são mais numerosos em áreas comumente expostas a luz UV (BARRET, et al., 1996; YONG, et al., 2007). 2.3.2.3 Células de Merckel Estão localizadas no estrato basal do epitélio oral fazendo limite com o conjuntivo adjacente, de onde provêm as terminações nervosas livres. Apresentam morfologia nuclear com invaginação profunda e sem prolongamentos dendríticos e estão unidas aos queratinócitos por meio de desmossomos. As células de Merckel encontram-se principalmente na gengiva, lábios e palato, são mecanorreceptores que estão correlacionados com a sensibilidade epitelial (MARICICH, et al., 2009; OVALLE, NAHIRNEY, 2008). 2.3.2.4 Queratinócitos Os queratinócitos representam a maior população de células da mucosa oral (cerca de 90 a 95%), possuem alta taxa proliferativa, o que lhes confere a característica de intensa renovação celular, bem como rápido restabelecimento de sua integridade. Podem ser dividos em duas populações funcionais: a) uma população progenitora e b) outra em maturação. Nesta, as células sofrem continuamente um processo de diferenciação ou maturação no qual ocorrem alterações morfológicas e bioquímicas, até formar a camada mais superficial. Existem diferenças regionais nos padrões de maturação celular, por Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 42 exemplo: o epitélio não queratinizado da mucosa jugal renova-se mais rapidamente do que o queratinizado da mucosa mastigatória. O queratinizado é constituído por células dispostas em camadas sucessivas denominadas de basal, espinhosa, granulosa, lúcida e córnea, enquanto o não queratinizado é formado pelas camadas: basal, espinhosa, intermédia e superficial. Quadro 1 (RAUTAVA et al., 2007; WINNING, TOWNSEND, 2000). Epitélio Queratinizado Camada Características profunda, com células a colunares baixas, tonofibrilas e outras região de proliferação Epitélio Não Queratinizado Camada Características Basal Células cuboidais a colunares baixas, contendo tonofibrilas e outras organelas; região de proliferação celular Basal É a mais cuboidais contendo organelas; celular Espinhosa Células poliédricas contendo feixes de tonofibrilas tipo filamento intermediário; pontes celulares – desmossomos Espinhosa Células poliédricas maiores contendo feixes de tonofibrilas dispersos, os filamentos tornam-se numerosos. Granulosa Células achatadas, presença de grânulos de querato-hialina; espessamento da membrana interna Intermédia Células poliédricas, levemente achatadas, contendo muitos tonofilamentos Queratinizada Células pavimentosas e desidratadas; ausência de organelas; na paraqueratinização os núcleos estão picnóticos. Superficial Células levemente achatadas (pavimentosas); organelas presentes e persistência nuclear; células viáveis Quadro 1 - Principais características das camadas que compõem os diferentes tipos de epitélios da cavidade oral (KATCHBURIAN, ARANA, 2004; CATE, 2008). As células da camada basal são também classificadas como células mitoticamente ativas, portanto as progenitoras. Nelas também são encontrados os hemidesmossomos, que promovem a ancoragem entre o epitélio e o conjuntivo subjacente. Ao serem formadas, as novas células empurram a camada anterior em direção à superfície para unir-se à nova camada, a espinhosa (fig. 3). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 43 As células do estrato intermédio apresentam-se mais achatadas, nucleadas, com alguns tonofilamentos e começam a acumular glicogênio, causando a fraca coloração deste grupo de células, diferentes das do estrato córneo do epitélio ortoqueratinizado (KATCHBURIAN, 2004, p. 90; GARTNER, HIATT, 2007; ZHANG, 2001). De maneira geral, as células epiteliais apresentam dentre seus elementos constituintes uma rede de proteínas que conferem o arcabouço de sustentação das células, o citoesqueleto, o qual será abordado a seguir. 2.3.2.4.1 Citoesqueleto Os queratinócitos da mucosa oral apresentam, como todas as demais células animais, o citoesqueleto, que é formado por uma rede de proteínas, que conferem sustentação estrutural às células. É constituído pelos microtúbulos, filamentos finos e filamentos intermediários. No presente estudo o enfoque recairá sobre os filamentos intermediários, os quais, devido à característica de se encontrarem inseridos nos desmossomos, permitem manter as células fortemente aderidas umas às outras, formando junções celulares, de maneira a promover não somente uma integração mecânica entre células vizinhas, como no tecido como um todo. Estas junções celulares podem ser identificadas; em especial, as do tipo desmossomo ou hemidesmossomo, são mais evidentes nas camadas espinhosa e basal, respectivamente (CATE, 2008; DUSEK, et al., 2007; REICHELT, 2007). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 44 jijiji jijiji jijiji Fig. 3 - Camadas que compõem o epitélio oral (KIRFELL, MAGIN, REICHELT, 2003). 2.3.2.4.1.1 Filamentos Intermediários Os filamentos intermediários recebem esta nomenclatura devido à sua espessura que gira em torno de 8 a 10 nm. Estes filamentos são abundantes em células que estão sujeitas ao atrito, como as do epitélio de revestimento. São constituídos por vários grupos de proteínas, tais como a queratina ou citoqueratina, (as quais constituem uma extensa família de proteínas relacionadas com o tecido epitelial e seus derivados), a vimentina presente no tecido conjuntivo, a desmina relacionada com o tecido muscular, a proteína ácida fibrilar da glia e a proteína dos neurofilamentos no tecido nervoso (ALBERTS, 2002; BRAY, 1992; KREIS, VALE, 1993). Estes filamentos são essenciais para a estrutura e a função celular, por serem responsáveis pela sustentação estrutural da célula, formar as junções célula – célula, resistir às forças de tração, compor o arcabouço tridimensional subjacente à membrana celular, Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 45 além de outras funções que ainda não estão completamente esclarecidas, como sua participação na sinalização celular, mecanismos de apoptose, transporte de substâncias e participação no arranjo cromatínico durante a divisão celular. Estes filamentos são os mais resistentes dos constituintes do citoesqueleto e por isto os últimos a sofrerem deformações (KIERSZENBAUM, 2004; PEKNY, LANE, 2007; SZEVERENVI, et al., 2008). Sua responsabilidade pela integridade tecidual foi realçada por experimentos realizados na década de 90, além disso, estudos posteriores relataram sua correlação com as doenças bolhosas epiteliais de maneira geral, além de outras, devido à incapacidade de suportar o stress mecânico a que a célula é submetida (COULOMBE, WONG, 2004; OSHIMA, 2007). Nas células epiteliais os filamentos intermediários estão ancorados nos desmossomos, formando um elo de sustentação entre várias células contíguas, o que confere maior resistência às forças de tração, assim sendo, o desmossomo é considerado responsável pela distribuição das forças de tração, evitando a ruptura do epitélio (ALBERTS, 2002; MCGRATH, 2005). 2.3.2.4.2 Desmossomo O desmossomo é uma estrutura juncional, formado por duas placas de adesão em forma de disco, constituído por várias proteínas de ancoramento intracelular, as quais são responsáveis pela conexão do citoesqueleto às proteínas de adesão transmembranais. Estruturalmente é constituído pela membrana lateral de duas células contíguas e tem como função promover a adesão entre células vizinhas. Na região do desmossomo as membranas celulares parecem se afastar, deixando entre elas um espaço de aproximadamente 30 nm, Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 46 formando as placas de adesão, conforme a figura 4 (FAWCETT, BLOOM, 1986; JUNQUEIRA, CARNEIRO, 2000; STAEHELIN, 1974). Fig. 4 - Representação esquemática dos principais componentes dos desmossomos: a) Diagrama representativo da interação molecular das proteínas e b) representação eletrônica com superposição do esquema constituído das principais famílias de proteínas que constituem a placa desmossomal. As caderinas desmossomais, (DSG) e (DSC) ligam-se às plakoglobinas (PG), que por sua vez ancoram-se à família das plakinas, desmoplakinas (DP) e plakofilinas (PKP). A placa citoplasmática é estabilizada lateralmente pelas interações entre estas proteínas e os filamentos intermediários do citoesqueleto (GREEN, SIMPSON, 2007). Essas placas são simétricas e separadas apenas por uma zona elétron-densa. Cada placa possui duas regiões: a placa densa externa, com 15 a 20 nanômetros de espessura, e a placa densa interna, separada por uma zona elétron-densa de aproximadamente 8 nanômetros. Estas placas possuem componentes proteicos, incluindo as desmoplaquinas I e II, as placoglobinas, placofilinas, as caderinas desmossomais e outros, em menor Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 47 quantidade, como as IFAP300, as pininas, as desmocalminas e as piriplaquinas (ALBERTS, 2002; KOCH, 1992; KOTTKE, et al., 2006). De acordo com Grenn e Gaudry (2000), com o avanço tecnológico os desmossomos reaparecem como estruturas muito mais complexas e com amplo potencial para participar de outras funções específicas e sinalizadoras, na recepção e transdução de sinais, porque para as autoras a complexidade funcional dos desmossomos está apenas começando a ser investigada, levando-se em consideração que são estruturas dinâmicas que sofrem alterações durante a jornada dos queratinócitos em direção à superfície da pele ou da mucosa. Nesta mesma linha de investigação outros autores aventam a hipótese da participação dos desmossomos, bem como das proteínas que o constituem, na morfogênese, homeostase, posicionamento celular e arquitetura tecidual (BONNÉ, et al., 2003; GARROD, MERRITT, NIE, 2002; GREEN, JONES, 1996). Dentre as caderinas desmossomais, encontram-se as desmocolinas (DSC) e as desmogleínas (DSG), as quais constituem as glicoproteínas transmembranais que participam da adesão; elas, juntamente com as plakoglobinas, representam os componentes mínimos necessários para ocorrer a ligação entre filamentos intermediários do citoesqueleto, a membrana celular e os desmossomos, conforme a figura 5 (GARROD, et al., 2002; ISHII, et. al., 2001; YAMAOKA et al., 1999; WITCHER, et. al., 1996). Segundo Windoffer, Borchert-Stuhlträger e Leube (2002), as caderinas são componentes essenciais e exclusivos dos desmossomos. Para vários autores, as desmogleínas desempenham um papel muito mais importante do que fazer parte da adesão celular; eles suscitam a hipótese de as desmogleínas participarem da orquestração da diferenciação celular que ocorre nas Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 48 camadas mais superficiais. Contudo, existe uma diferença no padrão de expressão destas proteínas nas diferentes camadas do epitélio. As desmogleínas 1 e 3 são expressas em todas as camadas na mucosa oral, sendo a 3 com maior expressão, conforme a figura 5 (GARROD, MERRITT, NIE, 2002; NORTH et al.,1999). Os desmossomos são extraordinariamente abundantes nos epitélios estratificados tais como os da pele, da cérvix, da cavidade oral e do miocárdio, onde normalmente são submetidos ao atrito e às forças de cisalhamento (FAWCETT, 1981; FRANKE, 2009; KOTTKE, 2006). Fig. 5 - Distribuição das desmogleínas na pele e nas mucosas (ISHII, GREEN, 2001). 2.4 Trinômio: Epitélio – HIV/Aids – Cavidade oral Estudos epidemiológicos revelam que indivíduos portadores de HIV têm quatro vezes mais chances de apresentar lesões bucais do que os não portadores; esta infecção pode acarretar alterações que se refletem na cavidade oral. As mais prevalentes são as de origem fúngica, bacterianas e virais, além das neoplasias (ADUROGBANGBA, 2004; Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 49 DIAS, et.al., 1998; GREENSPAN, 1997). Pompermayer (2009) estudou células da mucosa jugal e lingual, obtidas por meio de citologia exfoliativa de portadores de HIV, nas quais foram analisadas as relações entre área citoplasmática e área nuclear, encontrando alterações significativas. Existem vários estudos correlacionando HIV/Aids com alterações no trato grastrointestinal; a maioria analisa fragmentos de esôfago, estômago e intestino. As investigações utilizando a cavidade oral como sítio de pesquisa, são feitas por meio de abordagens clínicas e/ou citologia exfoliativa de diferentes regiões da cavidade oral. Contudo, em extenso trabalho de revisão bibliográfica, detectou-se a escassez de estudos do ponto de vista histológico para a cavidade oral, não sendo encontrados estudos que abordassem os três tipos de mucosa oral (EYESON, et al., 2000; GREENSPAN, et al., 2004; HAMZA, et al., 2006; PATTON, et al., 2002; PINHEIRO, et al., 2004; RAMIREZ – AMADOR, et al., 2003; RAMÍREZ – AMADOR, et al., 2007; SOUZA, et al., 2000; TAIWO, HASSAN, 2010; WORAWONGWASU, 2007). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 50 3 Justificativa e Hipótese ______________________________________________________________________ ... Vou deixar a vida me levar Pra onde ela quiser Seguir a direção De uma estrela qualquer... Samuel Rosa/ Chico Amaral Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 51 3 JUSTIFICATIVA Considerando-se a cavidade oral como sítio de manifestações de sinais da Aids, que podem indicar o grau de imunocomprometimento do sujeito, a boca como porta de entrada para agentes infecciosos, bem como a mucosa oral como barreira mecânica e imunológica à penetração de tais agentes, pretende-se caracterizar o epitélio oral do ponto de vista morfológico e morfométrico, bem como os aspectos imunológicos relacionados com as células de Langerhans em sujeitos portadores de HIV. 4 HIPÓTESE Devido ao imunocomprometimento comum nas pessoas doentes de Aids ocorrem alterações dos padrões morfométricos da mucosa oral, em relação à espessura do epitélio, número de camadas e diâmetro médio das células, além de alterações dos padrões morfológicos celulares, das junções celulares, bem como do número de células de Langerhans. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 52 5 Objetivos ______________________________________________________________________ ... Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa Tudo sempre passará... Lulu Santos/ Nelson Motta Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 53 Objetivo Geral Analisar o epitélio nos diferentes tipos de mucosa oral - mucosa de revestimento, mastigatória e especializada - sob os aspectos morfológicos, morfométricos e imunohistoquímicos de indivíduos com ou sem Aids. Objetivos Específicos 1. Descrever as características morfológicas dos epitélios; 2. Mensurar a espessura, o número de camadas celulares e o tamanho médio das células dos epitélios; 3. Identificar os desmossomos no estrato espinhoso dos epitélios; 4. Quantificar o número de desmossomos nas células dos epitélios; 5. Analisar os desmossomos dos epitélios dos diferentes tipos de mucosa oral sob os aspectos morfométricos; 6. Quantificar as células de Langerhans dos epitélios. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 54 Materiais e Métodos ______________________________________________________________________ ... Devia ter arriscado mais E até errado mais... ... Devia ter complicado menos ... Devia ter me importado menos Com problemas pequenos... Sergio Britto Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 55 6.1 Aspectos Éticos Esta pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (CEP/UFTM), sob o protocolo nº 879, e recebeu parecer favorável em 16 de março de 2007 (Anexo A). 6.2 Tipo de pesquisa Trata-se de um estudo transversal, ex post facto de caráter descritivo. 6.3 Dados gerais da amostra Fizeram parte desta pesquisa 37 sujeitos que foram necropsiados no Hospital de Clínicas da UFTM (HC/UFTM) no período de abril de 2007 a julho de 2010 e no Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto7 (FMRP/USP) no período de abril/2010 a julho/2010. Os dados relativos à cor, idade, sexo, IMC (índice de massa corpórea), diagnóstico positivo ou não para Aids e causa de morte foram obtidos a partir de dados dos prontuários clínicos, bem como dos laudos de necropsia (Anexo B). Foram construídos dois grupos relacionados ao sexo e dentro destes mais dois relacionados com o diagnóstico para Aids (positivo ou negativo). Os critérios adotados para inclusão na pesquisa foram: idade entre 18 e 55 anos, de ambos os sexos, soropositivos ou soronegativos para Aids, possuir dentes (pelo menos na região de onde seria removida a gengiva inserida) e não apresentar lesões e/ou 7 Devido à dificuldade de obtenção de material humano, foi necessário realizar uma parceria com o Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP), a fim de compor a amostra deste estudo. O período de coleta naquela Instituição foi de abril a julho/2010. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 56 ulcerações nas regiões de onde foram removidas as amostras. A amostra foi caracterizada pela idade, causa de morte e IMC. Dos 37, apenas 24 atenderam aos critérios de inclusão. O IMC foi calculado pela relação entre peso e o quadrado da altura, sendo classificados como subnutridos aqueles com valores abaixo de 18,5 Kg/m2; normonutridos para os que apresentaram índices entre 18,5 e 25 Kg/m2 e acima do peso os que apresentaram valores acima de 25 Kg/m2. Esse dado foi utilizado a fim de buscar associações com possíveis alterações epiteliais decorrentes do estado nutricional (NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH, 1998). 6.4 Coleta do material Foram retirados fragmentos de mucosa oral das diferentes regiões da cavidade oral - bochecha, gengiva e língua -, mucosa de revestimento, mastigatória e especializada, respectivamente, Os fragmentos apresentaram em média 5 a 10 mm de extensão. A porção da bochecha foi removida na altura dos pré-molares, acima da linha mastigatória (fig. 6). No caso da gengiva, a porção obtida foi de gengiva inserida, que é composta por uma estreita faixa entre a gengiva marginal, papilar e a mucosa alveolar (fig.7). O fragmento de língua foi removido do terço anterior e o fragmento da bochecha da porção próxima à altura dos pré-molares superiores, acima da linha mastigatória (fig. 6). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 57 www.unifran.br/blog/odo Fig. 6 - Localização regional dos fragmentos das mucosas de revestimento e especializada. 1 2 4 3 Legenda: 1 – Mucosa alveolar 2 – Gengiva inserida 3 – Gengiva marginal 4 – Gengiva papilar HTTP://goianiaolx.com.br/Salomão-afiune-instituto Fig. 7 - Identificação regional do periodonto de proteção e localização regional do fragmento de mucosa mastigatória. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 58 6.5 Processamento do material biológico Os fragmentos foram fixados em solução de Carnoy, desidratados em álcool absoluto, diafanizados em álcool-xilol e em xilol absoluto, infiltrados e incluídos em parafina. Foram obtidos cortes histológicos de 4 - 5 µm. Os cortes histológicos foram desparafinados em xilol, hidratados em álcool absoluto, coradas com Hematoxilina– Eosina, montadas com Entelan e analisadas em microscópio de campo claro (Zeiss Axiophot). a. Microscopia de luz de campo claro 6.6.1 Análise Morfológica A análise morfológica foi realizada considerando-se aspectos de queratinização nas mucosas mastigatória e especializada, cristas epiteliais, papilas linguais, hiperplasia da camada basal, exocitose de células inflamatórias, acúmulo de substâncias no interstício e no citoplasma, além de descrição das características nucleares, bem como sua proporção em relação ao citoplasma. Os cortes histológicos de língua, bochecha e gengiva corados por hematoxilina e eosina, foram analisados por dois observadores simultaneamente em microscópio de luz comum (Olympus BX 41), em 400x. Buscou-se avaliar a presença ou não de queratinização nos cortes de gengiva e língua, além de presença ou ausência de papilas linguais. Nas três regiões avaliadas buscou-se a presença ou ausência de hiperplasia da camada basal, exocitose de células inflamatórias. As cristas epiteliais foram quantificadas na região onde houve maior quantidade de cristas. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 59 O acúmulo de substâncias no espaço intercelular e citoplasma (espongiose, acantose e balonização) foi avaliado quanto a extensão e intensidade. Foram classificados em: ausente; leve – quando ocupou até um terço do fragmento; moderado – quando ocupou até dois terços do fragmento; Extenso – quando ocupou mais de dois terços do fragmento em extensão. Quanto a intensidade foram classificados em: ausente; leve – quando ocupava até um terço do fragmento; moderado – quando ocupou até dois terços do fragmento e Intenso – quando ocupou mais de dois terços da espessura do epitélio. Tanto a extensão quanto a intensidade, foram categorizadas posteriormente, para análise estatística em fraco (ausente e leve) e forte (moderado e extenso) ou (moderado e intenso). 6.6.2 Análise Morfométrica A análise morfométrica consistiu na mensuração das dimensões teciduais ou celulares, com a utilização de princípios matemáticos e ferramentas específicas tais como oculares milimetradas ou programa analisador de imagem específico. Foram utilizadas lâminas coradas por Hematoxilina e Eosina (HE). As imagens de todos os fragmentos foram capturadas e mensuradas em toda a extensão do corte, utilizando-se os aumentos de 5, 10 e 20x, cujos aumentos finais obtidos foram 200x, 400x e 800x, respectivamente. A captura das imagens ocorreu por meio de uma câmera de vídeo acoplada a um microscópio de luz comum, instalado em um microcomputador com sistema KS-300 (Kontron-Zeiss) e as mensurações foram realizadas utilizando-se o sistema analisador de imagens Image J. A medida da espessura do epitélio foi expressa em µm (micrômetros) e a quantificação das camadas celulares ocorreu da seguinte maneira: foram traçadas cinco Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 60 retas por campo, que partiam da camada basal até a camada mais superficial. Na sequência foram contados todos os núcleos dos queratinócitos encontrados sob cada reta a fim de obter o número de camadas epiteliais. O diâmetro médio das células foi obtido pelo cálculo matemático da espessura dividida pelo número de núcleos (fig. 8). Fig. 8 - Mensuração do epitélio oral através do sistema analisador de imagens Image J de sujeitos necropsiados, no período de 2007 a 2010. Fragmento de língua de sujeito do sexo feminino soropositiva – HE 200x. A análise morfométrica dos desmossomos foi realizada a fim de se quantificar os desmossomos nos cortes semifinos, o dimensionamento das amostras foi realizado por meio de estudo piloto com três células em cada grupo. Utilizou-se o software estatístico Biostat 5.0, utilizando-se o teste ANOVA, com poder de teste 0.80 e nível α = 0,05. Foram utilizadas lâminas coradas por azul de toluidina em cortes semifinos de 0,5 µm de espessura. Esta metodologia foi usada a fim de que se pudesse certificar de que tal contagem seria restrita ao estrato espinhoso. A seleção dos campos foi realizada por Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 61 processo aleatório, adotando-se como critério que eles tivessem qualidade e quantidade suficiente de epitélio que permitisse a localização do referido estrato, com consequente identificação e quantificação das junções celulares. As imagens foram capturadas por meio de uma câmera de vídeo acoplada a um microscópio de luz comum, instalado em um microcomputador com sistema KS-300 (Kontron-Zeiss) e as mensurações foram realizadas utilizando-se o sistema analisador de imagens – Image J, utilizando-se o pluggin: “cell – counter” (fig. 9a e b). 6.6.3 Análise Imuno-histoquímica 6.6.3.1 Desmogleína 3 Para a análise imuno-histoquímica dos desmossomos foi utilizado o anticorpo anti–human desmoglein–3 (R&D Systems ®). Os cortes (4 µm) foram fixados em lâminas previamente preparadas com poli-L-lisina®. Posteriormente foram desparafinados e hidratados em concentrações decrescentes de álcool (90, 80, 70%) até chegar à água destilada. O Steamer foi utilizado na recuperação antigênica e a solução tampão foi Tris EDTA – pH 8, durante 15 minutos. A seguir foram resfriados em temperatura ambiente por igual período. As lâminas foram lavadas com tampão PBS 0,05M e Triton X 100 – 0,05%. A inibição da perodoxidase endógena foi realizada por peróxido de hidrogênio 0,03% e na sequência utilizou-se o anticorpo primário por 90 minutos em câmara úmida, lavou-se o material novamente e colocou-se o anticorpo secundário que reagiu por 30 minutos. A seguir adicionou-se o complexo estreptoavidina-biotina (Kit LSAB-DAKO®), que reagiu durante 30 minutos. Posteriormente o material foi incubado com o substrato da peroxidase Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 62 diaminobenzidina (DAB) por dois minutos. As lâminas foram lavadas em água destilada, coradas em hematoxilina e montadas com Entelan. A B Fig. 9 – Contagem dos desmossomos através do analisador de imagens Image J. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 63 As imagens foram capturadas utilizando-se câmera de vídeo acoplada a um microscópio de luz - Axiophot, em 400x e 1000x e digitalizadas. 6.6.3.2 CD1a Para a análise imuno-histoquímica das células de Langerhans foi utilizado o anticorpo anti CD1a (Cell Marque®). Os cortes (4 µm) foram fixados em lâminas previamente preparadas com poli-L-lisina®. Posteriormente foram desparafinados e hidratados em concentrações decrescentes de álcool (90, 80, 70%) até chegar à água destilada. O Steamer foi utilizado na recuperação antigênica e a solução foi tampão citrato – pH 6, durante 15 minutos; a seguir foram resfriados em temperatura ambiente por igual período. As lâminas foram lavadas com tampão PBS 0,05M e Triton X 100 – 0,05%. A inibição da perodoxidase endógena foi realizada por peróxido de hidrogênio 0,03% e na sequência utilizou-se o anticorpo primário por 90 minutos em câmara úmida; lavou-se o material novamente e colocou-se o anticorpo secundário que reagiu por 30 minutos. A seguir adicionou-se o complexo estreptoavidina-biotina (Kit LSAB-DAKO®), que reagiu durante 30 minutos. Posteriormente o material foi incubado com o substrato da peroxidase diaminobenzidina (DAB) por três minutos. As lâminas foram lavadas em água destilada, coradas em hematoxilina e montadas com Entelan. As imagens foram capturadas utilizando-se câmera de vídeo acoplada a um microcópio de luz comum, instalada em um microcomputador com sistema de captura Q Win (Leica), em 40x com aumento final 1600x. Todos os cortes foram analisados e as células de Langerhans com marcação positiva foram quantificadas ao longo de todo fragmento. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 64 6.7 Microscopia Eletrônica de Transmissão Os fragmentos de 1 mm3 obtidos da ressecção foram fixados em solução glutaraldeído 2,5% em tampão fosfato, por três a quatro horas, lavados em solução de fosfato de Sorensen a 0,1 M, pH 7,2. A seguir a pós-fixação foi realizada em solução de partes iguais de tetróxido de ósmio a 2% e Fosfato de Sorensen a 0,2 M por 2 horas a 4o C. A desidratação foi feita por imersão em concentrações crescentes de álcool (50%, 70%, 90%, 95% e 100%) e três vezes em óxido de propileno por 20 minutos cada. A infiltração do material foi em resina Epon, over night, à temperatura ambiente e a inclusão em resina pura. Após a polimerização, os cortes semifinos de 0,5 µm dos blocos de resina foram obtidos com navalha de vidro e corados com azul de toluidina. Através da análise destes cortes ao microscópio de luz comum, por meio do processo aleatório de seleção, foram selecionadas as áreas adequadas de cada fragmento, contendo o epitélio e, então, os blocos foram reaparados. Os cortes ultrafinos de 50 a 70 nm de espessura foram feitos com navalha de diamante, montados em grades de cobre, contrastados com acetato de uranila a 4% e com citrato de chumbo por dez minutos. As grades foram lavadas com água Milli-Q e deixadas para secar por duas horas em temperatura ambiente. O material foi examinado em microscópio eletrônico de transmissão Zeiss EM-109. 6.7.1 Análise Morfométrica Foram confeccionados cinco blocos por região de mucosa, destes, um foi selecionado aleatoriamente, seguindo-se o critério de possuir epitélio em qualidade e quantidade suficientes que permitisse uma análise satisfatória. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 65 Para medir a densidade dos desmossomos foram documentados cinco campos aleatórios de cada região de mucosa por necropsia, com aumento de 3.000X, o suficiente para identificação dos desmossomos (fig. 10). Fig. 10 - Medida da densidade dos demossomos por célula por meio do sistema analisador de imagens Image J de sujeitos necropsiados, no período de 2007 a 2010. Fragmento de gengiva de sujeito do sexo feminino soronegativa – MET 3000x. Para a medida linear dos desmossomos, de cada bloco foram documentados sete campos aleatórios com 30.000X, aumento suficiente para a observação da estrutura desmossomal. As áreas documentadas foram dispersadas aleatoriamente através de todo o corte do material, assim cada subamostra foi representativa da amostragem investigada, segundo WEIBEL (1969). Para essas análises as imagens das telas foram obtidas por meio do sistema de captura de imagens digitalizadas MEGAVIEW 3 acoplada ao Microscópio Eletrônico de Transmissão (MET) Zeiss EM 109 (fig. 11). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 66 As mensurações foram realizadas utilizando-se o sistema analisador de imagens Image J, onde foram medidos os comprimentos lineares dos desmossomos. A calibração foi realizada utilizando-se a barra de valor conhecido de 500nm, para então realizar-se a medição (fig. 11). Fig. 11 - Medida linear dos desmossomos por meio do sistema analisador de imagens Image J de sujeitos necropsiados, no período de 2007 a 2010. Fragmento de gengiva de sujeito soropositivo – MET 30000x. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 67 7. Análise Estatística Para a análise estatística foram utilizadas abordagens qualitativas e quantitativas (sexo, idade, causa de morte, IMC, cor, espessura do epitélio, número de células, densidade e tamanho de desmossomos e densidade de células de Langerhans). Foram elaboradas várias planilhas do Excel. Os dados obtidos foram analisados por meio do programa eletrônico BIOSTAT versão 5.0®; quando os dados se apresentaram normais, foi utilizada a correlação de Pearson e teste t de Student. A relação entre presença ou ausência de Aids foi avaliada em relação aos diversos parâmetros anteriormente citados. Para as variáveis idade e IMC foi aplicado o teste t. Em razão do tamanho da amostra, optou-se por utilizar o teste exato de Fisher para as variáveis sexo e causa de morte, e o teste X2 foi aplicado para analisar as variáveis cor e presença ou não de HIV. Quando a análise foi direcionada para a associação entre gêneros com ou sem HIV, optou-se por utilizar o teste Phi; nas análises dos aspectos morfométricos também foram utilizados o teste ANOVA one way ou two way e foram consideradas significativas as diferenças com p menores que 0,05. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 68 8 Resultados ______________________________________________________________________ ... Você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui... ... A vida ensina e o tempo traz o tom pra nascer uma canção Com a fé do dia a dia encontro a solução... Toni Garrido/Lazão/ Da Gama/ Bino Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 69 8.1 Casuística Para a construção do grupo de pesquisa, os critérios de inclusão foram idade entre 18 a 55 anos, possuir dentes naturais (pelo menos na região onde seria removido o fragmento de gengiva), não possuir nenhum ferimento, nem lacerações, tampouco evidências de lesões como candidíase, leucoplasia pilosa, eritema gengival, gengivite ulcerativa necrosante, periodontite ulcerativa necrosante, sarcoma de Kaposi ou linfoma não Hodgkin, nas regiões da bochecha, gengiva e língua de onde foram removidos os fragmentos, sem distinção de sexo, cor e positividade ou não para o diagnóstico de Aids. Assim, a amostra foi constituída de 24 sujeitos, sendo 12 mulheres e 12 homens, para cada um destes grupos, seis soropositivos e seis soronegativos. 8.2 Caracterização da amostra e inferência estatística A caracterização da amostra quanto à idade, causa de morte, IMC e cor foi apresentada na tabela 1. Tabela 1. Caracterização amostral dos sujeitos HIV positivos ou HIV negativos necropsiados no HC/UFTM ou FMRP/USP no período de 2007 a 2010 (p = 0.02). Características N Idade * Causa de morte por doença infecciosa IMC Cor NB:B HIV positivo 12 41,7 ± 6,5 anos 7 22, 4 Kg/m2 2:1 Controle 12 34,2 ± 8,8 anos 6 23,9 Kg/m2 1:1 Observou-se existirem diferenças significativas entre as idades dos sujeitos com HIV ou sem HIV, sendo que o grupo com HIV apresentou maior média de idade, com 41,7 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 70 (± 6,5) anos, enquanto que o grupo sem HIV apresentou média de 34,2 (± 8,8) anos. Quando foram separados por sexo, considerando o grupo HIV positivo, o grupo feminino apresentou maior média de idade (44 ± 5,7 anos). A análise da associação entre as variáveis HIV e morte causada por doença infecciosa ou não, evidenciou não haver diferenças significativas. Quando foram separados por sexo, o grupo masculino HIV positivo apresentou maior número de mortes por doença infecciosa (66%). A fim de caracterizar a amostra por meio do Índice de Massa corporal (IMC) foram comparados os Índices de Massa Corporal dos sujeitos com HIV ou sem HIV. Observou-se que o IMC dos sujeitos sem HIV foi maior (23,98 Kg/m2) do que os com a doença (22.38 Kg/m2). Não foi identificada significância estatística para todo o grupo, tampouco quando eles foram separados por sexo e presença ou ausência de doença. No grupo masculino, independente da doença, 66% enquadraram-se no grupo de desnutridos, sendo dois deles com subclassificação tipo marasmática. No grupo feminino soronegativo todas eram normonutridas, enquanto que no grupo HIV positivo duas delas apresentaram subnutrição marasmática. Na associação entre cor e presença ou não de HIV, observou-se maior número de sujeitos não brancos infectados por HIV, na proporção de dois para um. Quando foi aplicado o teste X2 para homens ou mulheres com ou sem HIV e brancos ou não brancos, encontrou-se maior número de sujeitos masculinos entre os não brancos. Verificou-se não haver significância entre as associações. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 71 8.3 Análise Morfológica e Morfométrica A fim de caracterizar o epitélio nos diferentes tipos de mucosas foram realizadas análises morfológicas considerando a presença ou ausência de queratina, quantificação das cristas epiteliais, presença ou ausência das papilas linguais, hiperplasia da camada basal, exocitose de células inflamatórias, classificação das áreas de acantose, espongiose e balonização em fraco e forte, bem como, dos aspectos nucleares e citoplasmáticos. Também foram considerados a espessura do epitélio, a quantidade de camadas celulares, o diâmetro médio das células epiteliais, a densidade e os tamanhos lineares dos desmossomos. Estas análises sofreram variações em seu número devido a perda de material durante o processamento, desta forma os grupos bochechas e língua foram compostos por onze sujeitos HIV positivos e doze sujeitos HIV negativos, enquanto o gengiva foi composto por nove sujeitos HIV positivos e dez sujeitos HIV negativos. 8.3.1 Análise Morfológica a. Soronegativos a.1 Bochecha Na análise deste fragmento, em ambos os sexos, percebeu-se que a invaginação das cristas epiteliais no conjuntivo subjacente, embora rasas, eram mais frequentes do que no grupo soropositivo. A interface entre epitélio e conjuntivo nessa região apresenta características mais retilíneas. Comparado com o grupo soropositivo, esse aspecto tornouse mais evidente. Na observação celular percebeu-se o núcleo bem corado, heterocromatina visível e identificável e nucléolos evidentes. O núcleo apresentou-se com Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 72 aspecto arredondado e algumas vezes “ovalado”; característica esta variando em relação à morfologia celular. A relação nucleocitoplasmática apresentou proporcionalidade coerente. As células mantiveram morfologia compatível com suas respectivas camadas, os limites celulares estiveram bem evidentes, indicativo de espongiose8. Foi comum encontrar o aspecto de balonização celular e acantose glicogênica em todos os grupos, independente de sexo ou da doença, ou mesmo da região analisada. Entretanto houve variação na quantidade desses aspectos; o grupo soronegativo, de maneira geral, apresentou menores quantidades de células com tais características, conforme pode ser visualizado na prancha 1, figura A. a.2 Gengiva Os cortes de gengiva mostraram a camada paraqueratinizada preservada, na maioria dos casos, a interface entre epitélio e conjuntivo apresentou proeminente invaginação das cristas epiteliais no conjuntivo subjacente, com maior quantidade e profundidade de cristas. Os núcleos apresentaram-se arredondados, outras vezes “ovalados” seguindo a morfologia celular, nucléolos evidentes, heterocromatina em grumos finos e organizados. O citoplasma apresentou eosinofilia homogênea por toda a célula, indicando que a trama proteica que constitui o citoesqueleto provavelmente manteve-se preservada, mostrando um arranjo característico de normalidade. A relação nucleocitoplasmática manteve a proporcionalidade, as células mantiveram morfologia compatível com suas respectivas camadas, em algumas regiões os limites celulares 8 Espongiose é o acúmulo de líquido no espaço extracelular na pele ou mucosa que resulta na separação das células epiteliais. Quando este evento é muito pronunciado pode levar à ruptura dos desmossomos com subsequente formação de bolhas (ELDER, et al., 1997). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 73 estiveram bem evidentes, deixando visíveis as pontes intercelulares, denotando a presença de espongiose leve, conforme pode ser identificado pela prancha 1, figura C. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 74 Prancha1 Análise morfológica dos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM ou FMRP/USP no período de 2007 a 2010. A- Bochecha de indivíduo HIV negativo, 400x, HE. B- Bochecha de indivíduo HIV positivo, 200x, HE. C- Gengiva de indivíduo HIV negativo, 200x, HE. D- Gengiva de indivíduo HIV positivo, 800x, HE. E- Língua de indivíduo HIV negativo, 400x, HE. F- Língua de indivíduo HIV positivo, 200x, HE. Prancha 1.1 Identificação dos eventos de acantose, balonização e espongiose nos fragmentos de bochecha e gengiva em sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM ou FMRP/USP no período de 2007 a 2010. A- Acantose glicogênica na bochecha de indivíduo HIV positivo, 400x imersão. B- Balonização na bochecha de indivíduo HIV positivo, 400x, imersão. C- Espongiose na bochecha de indivíduo HIV positivo, 400x, imersão. D- Acantose glicogênica na gengiva de indivíduo HIV positivo, 400x, imersão. E- Balonização na gengiva de indivíduo HIV positivo, 400x, imersão. F- Espongiose na gengiva de indivíduo HIV positivo, 400x, imersão. Prancha 1.2 Identificação dos eventos de acantose, balonização e espongiose fragmento de língua em sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM FMRP/USP no período de 2007 a 2010. Identificação de papilas linguais e exocitose células inflamatórias em sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM FMRP/USP no período de 2007 a 2010. no ou de ou A- Acantose glicogênica na língua de indivíduo HIV positivo, 400x, imersão. B- Balonização na língua de indivíduo HIV positivo, 400x, imersão. C- Espongiose na língua de indivíduo HIV positivo, 400x, imersão. D- Papilas linguais, tipo filiforme em indivíduo HIV positivo, 400x, imersão. E- Exocitose de células inflamatórias na gengiva de indivíduo HIV positivo, 400x, imersão. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 75 Prancha 1 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 76 Prancha 1.1 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 77 Prancha 1.2 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 78 a. 3 Língua Na análise do corte de língua percebeu-se epitélio paraqueratinizado, característico nas papilas fungiformes e ortoqueratinizado nas papilas filiformes, as cristas epiteliais e conjuntivas evidentes. No cômputo geral, nesse grupo foi possível identificar facilmente o tipo de papila; estas papilas foram mais frequentes quando comparados com o grupo HIV positivo. Na observação celular o núcleo apresentou heterocromatina organizada, nucléolos evidentes, coerência na relação nucleocitoplasma. O aspecto citoplasmático apresentou-se homogêneo mostrando um arranjo característico de normalidade, embora fosse possível encontrar células com aspecto de balonização celular e com acantose glicogênica. Apenas algumas regiões apresentaram menor afinidade tintorial, os limites celulares deixaram visíveis as pontes intercelulares entre células vizinhas, denotando espongiose, conforme pode ser visualizado na prancha 1, figura E. b. Soropositivos b.1 Bochecha Do ponto de vista morfológico o grupo bochecha soropositivo mostrou, para ambos os sexos, cristas epiteliais e conjuntivas menos pronunciadas, com aspecto mais retilíneo. O núcleo apresentou-se diminuído, algumas vezes picnótico, com baixa afinidade tintorial, morfologia externa do núcleo com aspecto amendoado, o citoplasma mostrou-se pouco corado, com aspecto de diluição dos componentes intracitoplasmáticos algumas vezes mais evidente ao redor do núcleo, outras vezes disperso por todo o citoplasma, conferindo o aspecto de desorganização citoplasmática. Os eventos de balonização celular estiveram presentes, bem como acantose glicogênica. Algumas células tiveram tamanho Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 79 bastante aumentado; o aspecto poliédrico foi parcialmente comprometido tendendo a características mais arredondadas – característico de acantose glicogênica, a relação nucleocitoplasma mostrou-se desproporcional e os limites celulares estiveram evidentes, como pode ser visto na prancha 1, figura B. b.2 Gengiva Na análise dos cortes de gengiva houve descamação da camada paraqueratinizada em algumas regiões. Em ambos os sexos, a invaginação das cristas epiteliais para o conjuntivo subjacente estava diminuída em quantidade e em profundidade, como ilustrado na prancha 1, figura D. O núcleo mostrou-se picnótico, cuja cromatina pareceu desorganizada, com menor afinidade tintorial. O citoplasma mostrou características indicativas de provável espalhamento do conteúdo, como se a rede proteica que compõe o arcabouço intracitoplasmático e todo o material ficasse restrito à periferia da célula. Em algumas regiões as células mostraram-se aumentadas de tamanho, com menor afinidade tintorial. A relação nucleocitoplasma ficou desproporcional e os limites celulares embora identificáveis, ficaram pouco evidentes. b.3 Língua Na observação do epitélio desta região pôde-se perceber em ambos os sexos, a presença de epitélio paraqueratinizado nas papilas fungiformes e ortoqueratinizado nas papilas filiformes, com redução da espessura de ambos visivelmente evidentes. As cristas epiteliais e conjuntivas apresentaram menor profundidade e quantidade. Em todas as Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 80 amostras houve menor frequência das papilas linguais, sendo que em alguns casos elas praticamente desapareceram. Em relação ao grupo feminino, as papilas apresentaram-se diferentes, porque em alguns casos, embora estivessem diminuídas em relação ao grupo soronegativo, foi possível identificar o tipo de papila lingual. Considerando-se os grupos HIV positivo ou HIV negativo, as papilas linguais foram visualizadas em 100% dos casos HIV negativo e em 84% dos casos HIV positivo. Ressalte-se que nenhum dos sujeitos nos quais não foram visualizadas as papilas linguais era marasmático. Os demais aspectos celulares foram comuns: núcleo picnótico com aspecto desorganizado, menor afinidade tintorial, citoplasma menos corado, com características desorganizadas, com conteúdo restrito à periferia da célula. Outras células mostraram relação desproporcional entre núcleo e citoplasma; apresentaram-se aumentadas, menos coradas, com limite celular pouco evidente, conforme pode ser visualizado na prancha 1, figura F. A quantificação das cristas epiteliais (tabela 2), presença ou ausência de hiperplasia da camada basal (tabela 3), de exocitose de células inflamatórias (tabela 4) e a quantificação de acantose glicogênica, espongiose e balonização (tabela 5) foram quantificados e apresentados em tabelas separadas. Tabela 2 – Comparação do número de cristas epiteliais entre sujeitos com ou sem HIV e sexo necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010. Grupos Feminino Masculino Bochecha p = 0,8 X2 = 0,07 Cristas B+ Cristas B3,3 4,1 4 4,1 Gengiva p = 0,5 X2 = 0,4 Cristas G+ Cristas G4 4,5 4,4 2,5 Língua p = 1 X2 = 0,001 Cristas L+ Cristas L4,3 4,5 4,6 4,7 Quanto ao número de cristas no corte de bochecha, o grupo bochecha negativo, (B-), apresentou maior média, no corte de gengiva, o grupo gengiva positivo (G+) Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 81 apresentou maior média e no grupo língua foi o língua negativo (L-). Considerando os fragmentos isoladamente o grupo língua teve a maior média de cristas epiteliais quando comparado com os outros fragmentos. Foram identificados somente dois casos de presença de hiperplasia basal. Ambos no grupo língua, sem distinção da presença ou ausência da infecção, conforme apresentado na tabela 3. Tabela 3 – Análise da presença ou ausência de hiperplasia da camada basal entre pacientes com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010. Bochecha Grupos Presente Ausente Hiperpl B+ 0 11 Gengiva Hiperpl B0 12 Hiperpl G+ 0 9 Hiperpl G0 10 Língua p= 1 X2 = 0,04 Hiperpl Hiperpl LL+ 1 1 10 11 Considerando cada fragmento, a exocitose de células inflamatórias (tabela 4) foi menos freqüente na bochecha, com maior manifestação entre o grupo HIVpositivo, entretanto não foi identificada diferença estatística. Na gengiva a exocitose de células inflamatórias foi mais comum, sendo estatisticamente diferente, e mais presente no grupo HIV positivo. Quanto ao grupo língua a exocitose de células inflamatórias não se manifestou no grupo HIV negativo e no grupo HIV positivo apenas metade dos pacientes apresentaram células inflamatórias atravessando o epitélio. Tabela 4 – Análise da presença ou ausência de exocitose de células inflamatórias na bochecha, gengiva e língua de pacientes com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 82 Grupos Presente Ausente Bochecha p= 0,5 X2 = 0,3 Exoc B+ Exoc B5 4 6 8 Gengiva p= 0,03 X2 = 8,9 Exoc G+ Exoc G7 1 2 9 Língua p= 0,02 X2 = 8,8 Exoc L+ Exoc L6 0 5 12 Os aspectos relacionados a acantose glicogênica, espongiose e balonização foram apresentados na tabela 5, para bochecha, 6 para gengiva e 7 para língua. A análise da acantose glicogênica, espongiose e balonização celular na bochecha mostrou que em relação à intensidade entre paciente HIV positivo e HIV negativo não houve diferença estatística, sendo que o grupo HIV positivo apresentou maior intensidade e extensão considerada a freqüência de ocorrência nos grupos “fraco e forte”. A espongiose foi mais intensa no grupo HIV positivo e mais extensa no grupo HIV negativo. A balonização foi tanto intensa, quanto extensa em ambos os grupos. Na gengiva a acantose glicogênica não foi significativa entre os grupos HIV positivo ou HIV negativo e foi classificada em “fraca” tanto em intensidade, quanto em extensão. A espongiose na gengiva foi mais presente e de maior intensidade e extensão no grupo HIVpositivo. Já a balonização foi mais intensa e mais extensa no grupo HIV negativo. Quanto a língua a acantose glicogência não mostrou diferença significativa, sendo mais intensa e mais extensa no grupo HIV negativo, entretanto em ambas as análises a classificação “fraca” foi a mais freqüente. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 83 A espongiose não foi significante na língua considerando a intensidade e foi mais extensa no grupo HIV positivo. A balonização foi mais intensa e mais extensa no grupo HIV negativo, porém não houve significância. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 84 Tabela 5 – Frequência dos eventos de acantose glicogênica, espongiose e balonização, quanto à intensidade e extensão no epitélio da bochecha de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM ou FMRP/USP no período de 2007 a 2010. Grupos N Acantose glicogênica Espongiose Balonização Intensidade Extensão Intensidade Extensão Intensidade Extensão p= 0,05 X2 = 3,7 p= 0,05 X2 = 3,6 p= 0,2 X2 = 1,1 p= 0,5 X2 = 0,4 p= 0,9 X2 = 0,09 p= 0,3 X2 = 0,9 Intens+ Intens- Exten+ Exten- Intens+ Intens- Exten+ Exten - Intens+ Intens - Exten+ Exten - Fraco 8 12 5 10 7 10 4 6 2 2 0 1 Forte 3 0 6 2 4 2 7 6 9 10 11 11 *Esta análise foi constituída por doze pacientes do sexo feminino e onze do sexo masculino. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 85 Tabela 6 – Frequência dos eventos de acantose glicogênica, espongiose e balonização, quanto à intensidade e extensão no epitélio da gengiva de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010. Grupos N Acantose glicogênica Intensidade Intens+ Espongiose Extensão Balonização Intensidade Extensão Intensidade Extensão p= <0,05 X2 = 15.3 p= 0,07 X2 = 3,2 p= 0,9 X2 = 0,02 p= 0,6 X2 = 0,3 Intens- Exten+ Exten- Intens+ Intens- Exten+ Exten - Intens+ Intens - Exten+ Exten - Fraco 9 10 9 10 1 10 0 3 6 7 1 2 Forte 0 0 0 0 8 0 9 7 3 3 8 8 *Esta análise foi constituída por oito pacientes do sexo feminino e onze do sexo masculino. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 86 Tabela 7 – Frequência dos eventos de acantose glicogênica, espongiose e balonização, quanto à intensidade e extensão no epitélio da língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010. Grupos N Acantose glicogênica Espongiose Intensidade Extensão p= 0,7 X2 = 0,2 p= 0,9 X2 = 0,009 Intens+ Intensidade Balonização Extensão Intensidade Extensão p= 0,05 X2 = 7,7 p= 0,5 X2 = 0,5 p= 0,9 X2 = 0,04 Intens- Exten+ Exten- Intens+ Intens- Exten+ Exten - Intens+ Intens - Exten+ Exten - Fraco 9 9 9 10 11 12 4 11 2 1 1 1 Forte 2 3 2 2 0 0 7 1 9 11 10 11 *Esta análise foi constituída por doze sujeitos do sexo feminino e onze do sexo masculino Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 87 8.3.2 Análise Morfométrica 8.3.2.1 Espessura A espessura do epitélio oral foi analisada considerando os fragmentos por região de mucosa, bem como presença ou ausência de HIV, sendo que os fragmentos foram assim denominados: bochecha HIV positivo (B+); bochecha HIV negativo (B-); Gengiva HIV positivo (G+); Gengiva HIV negativo (G-); língua HIV positivo (L); língua HIV negativo (L-). Quando foram separados por sexo, foram acrescentadas as iniciais F para o grupo feminino e M para o grupo masculino. Os dados foram considerados em média Gaussianos, foram comparados entre todos os grupos considerando feminino e masculino com HIV ou sem HIV, feminino com ou sem e masculino com e sem a infecção (F+/M+; F-/M-; F+/F-; M+/M-) e apresentados na tabela 8. Na análise média a média as maiores espessuras foram encontradas no grupo bochecha masculino positivo, seguidos do grupo bochecha feminino negativo; houve diferenças significantes tanto entre o sexo quanto entre presença ou ausência da infecção com p<0,01. Quando foi comparado o grupo gengiva entre sexo, presença ou não de Aids, foram encontradas diferenças significativas, sendo o grupo GM+ foi o mais espesso, seguido do grupo GF+. A análise da espessura para o grupo língua mostrou diferenças significativas, sendo o grupo LF+ o mais espesso. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 88 Tabela 8 – Comparação entre espessura do epitélio, número de camadas e tamanho médio das células dos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM ou FMRP/USP no período de 2007 a 2010. Grupos HIV positivo N HIV negativo Feminino Masculino Feminino Masculino 6 6 6 6 Bochecha Gengiva Língua Bochecha Gengiva Língua Bochecha Gengiva Língua Bochecha Gengiva Língua Espessura (µm) 271,5* 297,7 351,0 348,6* 307,3 313,7 342,5* 256,8 310,1 290,8* 211,2 261,6 Número de ca- 22,4 26 25,1 27,4 26,2 23,1 28,1 21,7 23,7 25,4 16,1 21.9 11,4 14 12,7 11,7 13,6 12,2 11,8 13 11,5 13 12 madas Diâmetro médio 12,1 das células (µm) *p < 0.01 (O grupo gengiva feminino foi composto por 4 pacientes em cada grupo) Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 89 8.3.2.2 Número de Camadas Celulares Os dados relativos ao número de camadas celulares foram considerados em média Gaussianos, com diferenças significantes (tabela 8). No grupo bochecha, o BF- apresentou maior quantidade de camadas celulares, apesar de não ser a mais espessa. Indicando que a espessura está correlacionada não só com o número de células, mas também com o tamanho delas. O grupo GM- apresentou o menor número de camadas celulares. O grupo língua mostrou-se intermediário em relação ao número de camadas, apesar de LF+ ter obtido a maior espessura do grupo e de todos os fragmentos em conjunto. A associação entre número de células e espessura epitelial e número de camadas celulares mostrou que a LF+ teve maior espessura, enquanto que a BF- apresentou maior número de células. Na gengiva, o GM- mostrou o menor número de camadas celulares. 8.3.2.3 Diâmetro das células A associação entre número médio de camadas celulares e espessura epitelial permitiu inferir o diâmetro médio das células nos diferentes tipos de epitélios, dividindo-se a espessura pelo número de camadas celulares, conforme tabela 8. Quanto ao diâmetro da célula, associado com a presença ou ausência da doença, percebeu-se que do ponto de vista morfométrico, os dados foram significantes, nos grupos bochecha e língua, sendo que LF+ apresentou o maior diâmetro médio, seguido da LM+. A comparação dos números absolutos sugere que o grupo HIV positivo teve maior Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 90 diâmetro das células, exceto no grupo gengiva. 8.4.4 Morfometria dos desmossomos A análise dos cortes semifinos permitiu a identificação e quantificação do estrato espinhoso e dos desmossomos. A identificação foi confirmada pela utilização da reação de imuno-histoquímica, utilizando-se o anticorpo desmogleína 3 e a quantificação dos desmossomos foi expressa na tabela 9. A reação de imuno-histoquímica foi demonstrada na prancha 2. O grupo HIV negativo está distribuído nas figuras superiores e o HIV positivo nas figuras inferiores, assim identificados: bochecha - figuras A e B, gengiva – figuras C e D e língua E e F. O grupo HIV negativo, em todos os fragmentos, expressou maior quantidade de desmogleína do que os HIV positivo (prancha 2). Nos aumentos de 1000x é possível identificar o aspecto puntiforme dos desmossomos (prancha 3). Em relação à quantificação dos desmossomos, considerando a presença ou ausência da doença, os dados denotam que não houve significância em relação à doença, somente as comparações entre os grupos BF-/BM- foram significativas no grupo bochecha. Nenhuma comparação foi significante no grupo gengiva. Os dados denotaram significância para o grupo língua, porém devido a suas variações não foi possível identificar a influência nem do sexo e nem da doença (LM+/LM- e LF-/LM-). Numa análise geral o grupo HIV positivo apresentou proporcionalmente maiores quantidades de desmossomos. Quando separados por sexo, identificou-se a tendência do grupo feminino apresentar maiores quantidades. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 91 Prancha 2 Imuno-histoquímica para desmogleína nos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010 A - Bochecha de indivíduo HIV negativo, 400x. B - Bochecha de indivíduo HIV positivo, 400x. C - Gengiva de indivíduo HIV negativo, 400x. D - Gengiva de indivíduo HIV positivo, 400x. E - Língua de indivíduo HIV negativo, 400x. F - Língua de indivíduo HIV positivo, 400x. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 92 Prancha 2 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 93 Tabela 9 – Quantificação dos desmossomos em ML e MET e tamanho médio dos desmossomos nos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010. Grupos HIV positivo N HIV negativo Feminino Masculino Feminino Masculino 6 6 6 6 Bochecha Gengiva Língua Bochecha Gengiva Língua Bochecha Gengiva Língua Bochecha Gengiva Língua Nº desmossomos 34,5 38,6 35,1 35,4 36 30 40,7 33,7 30,7 33,8 37,9 35,7 30,8 43,5 22 20,9 26 23,8 25 27 34 20 28,3 31,8 277 288,4 331,3 338,4 346,9 329,7 289 359 312,3 328,4 394,4 341,9 ML Nº desmossomos MET Tamanho médio dos desmossomos (nm) (p< 0,05) Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 94 Semelhantes comparações foram realizadas para o grupo número de desmossomos na MET. Não foram identificadas significâncias estatísticas, entretanto, denotam a tendência de influência do sexo, pois o grupo feminino mostrou-se na maioria das vezes com maior quantidade de desmossomos. Comparando os achados entre a análise pela ML e pela MET, percebeu-se que os números foram maiores na ML. Este resultado pode ser explicado pelo tamanho do campo microscópico, que na ML é maior, permitindo a localização média do estranho espinhoso com segurança. Na MET a quantificação dos desmossomos teve limitações, tais como a impossibilidade de identificar a região média do estrato espinhoso com segurança, o tamanho do campo, a região da junção localizar-se sobre as hastes da tela, (impossibilitando a contagem) além da presença de artefatos que eventualmente impossibilitaram a quantificação. Em relação à medida dos demossomos, a média dos grupos foi apresentada na tabela 9 (p < 0,05). A prancha 4 ilustra a análise dos desmossomos quanto ao tamanho e à quantidade; as imagens superiores são do grupo HIV negativo e as inferiores do grupo HIV positivo. Nesta análise, considerando-se a presença ou a ausência da doença, o grupo gengiva negativo apresentou o maior tamanho de desmossomo. Quando separados por sexo o grupo GM- obteve o maior valor, seguido da GF-, tendência esta seguida pelo grupo GM+. No grupo bochecha o maior tamanho foi encontrado no grupo BM+ e no grupo língua foi LM-. Os dados denotam a tendência de sujeitos HIV negativos apresentarem maior tamanho de desmossomos. Quando foram comparados grupo a grupo, as análises mostraram-se significativas para os grupos BF+ / BM+; GF+/GF-; GF+/GM-; LF-/LM-. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 95 Prancha 3 Imuno-histoquímica para desmogleína nos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010 A - Bochecha de indivíduo HIV negativo, 1000x. B - Bochecha de indivíduo HIV positivo, 1000x. C - Gengiva de indivíduo HIV negativo, 1000x. D - Gengiva de indivíduo HIV positivo, 1000x. E - Língua de indivíduo HIV negativo, 1000x. F - Língua de indivíduo HIV positivo, 1000x. Prancha 4 Quantificação dos desmossomos utilizando a MET nos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010 A - Bochecha de indivíduo HIV negativo, 3000x. B - Bochecha de indivíduo HIV negativo, 3000x. C - Gengiva de indivíduo HIV negativo, 3000x. D - Gengiva de indivíduo HIV negativo, 3000x. E - Língua de indivíduo HIV negativo, 3000x. F - Língua de indivíduo HIV negativo, 3000x. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 96 Prancha 3 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 97 Prancha 4 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 98 Prancha 5 Medida dos desmossomos utilizando a MET nos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010. A - Bochecha de indivíduo HIV negativo, 30000x. B - Bochecha de indivíduo HIV positivo, 30000x. C - Gengiva de indivíduo HIV negativo, 300000x. D - Gengiva de indivíduo HIV positivo, 30000x. E - Língua de indivíduo HIV negativo, 30000x. F - Língua de indivíduo HIV positivo, 30000x. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 99 Prancha 5 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 100 8.5 Análise Imuno-histoquímica 8.5.1 Desmogleína A identificação dos desmossomos em parafina foi realizada por meio da técnica de imuno-histoquímica utilizando-se a proteína desmogleína 3. Na observação das imagens pôde-se perceber que o grupo HIV negativo (fig. A, C, E) teve maior expressão da desmogleína quando comparado com o grupo HIV positivo (fig. B, D, F); esta tendência foi seguida em todos os fragmentos, conforme foi visualizado pela prancha 2. No aumento de 1000x é possível identificar o aspecto puntiforme dos desmossomos nos limites celulares, identificado nos diferentes fragmentos da prancha 3. 8.5.2 Células de Langerhans A abordagem das células de Langerhans foi realizada por meio da técnica de imuno-histoquímica, quando foram identificadas e quantificadas as células de Langerhans nos fragmentos das diferentes mucosas. Os dados relativos ao número de células de Langerhans foram analisados entre os grupos HIV positivos e HIV negativos em cada fragmento (tabela 10). Do ponto de vista topográfico as células de Langerhans encontraram-se próximas às cristas. Em todas as análises, independente do fragmento, não foram encontradas diferenças estatísticas em nenhum dos grupos, embora os grupos HIV negativos tenham apresentado maior quantidade de células Langerhans em relação aos grupos HIV positivos. Devido à presença de outliers, optou-se por apresentar também os dados em gráfico (1) para esta análise. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 101 Tabela 10 - Comparação da quantidade de células de Langerhans no grupo bochecha, gengiva e língua entre presença ou ausência de HIV de sujeitos necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010. Bochecha Gengiva Língua Med. (Mín. – Máx.) HIV positivos 12 (0-96) 1 (0-129) 6,5 (0-66) HIV negativos 22 (3-106) 10 (0 – 40) 19 (2-55) Gráfico 1 – Comparação da quantidade de células de Langerhans nos grupos bochecha, gengiva e língua entre sujeitos HIV positivo ou HIV negativo necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010. Nas imagens da prancha 6, os sujeitos HIV negativos podem ser identificados pelas letras A, C e E. Os HIV positivos pelas letras B, D e F. Na observação das imagens pôdese perceber que no grupo HIV negativo houve maior expressão da proteína em comparação Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 102 com o grupo HIV positivo. Em relação às regiões investigadas de maneira geral, o grupo gengiva reagiu mais intensamente do que o grupo língua, embora tenha apresentado menor quantidade de fragmentos (quatro em cada grupo feminino). Não foram identificadas diferenças estatísticas, quando foram separados por sexo, embora no grupo bochecha e língua, os sujeitos do sexo feminino apresentaram maior quantidade do que o grupo masculino e na gengiva foram os do sexo masculino. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 103 Prancha 6 Quantificação das células de Langerhans por meio de imunomarcação para CD1a, nos fragmentos de bochecha, gengiva e língua de sujeitos com ou sem HIV necropsiados no HC/UFTM e FMRP/USP no período de 2007 a 2010. Imunohistoquímica – CD1a - 1600x. A - Bochecha de indivíduo HIV negativo, 1600x. B - Bochecha de indivíduo HIV positivo, 1600x. C - Gengiva de indivíduo HIV negativo, 1600x. D - Gengiva de indivíduo HIV positivo, 1600x. E - Língua de indivíduo HIV negativo, 1600x. F - Língua de indivíduo HIV positivo, 1600x. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 104 Prancha 6 Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 105 9 Discussão ______________________________________________________________________ ... É preciso ter sonho sempre Quem traz na pele esta marca Possui a estranha mania De ter fé na vida... Milton Nascimento/ Fernando Brant Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 106 A média de idade dos sujeitos com sorologia positiva para HIV, no presente estudo foi de 41.7 (6,5) anos, bem abaixo da expectativa média de vida da população brasileira em geral que é de 73, 1 anos (GABE, ALMEIDA , SIQUEIRA, 2009). Quando foram comparadas as idades dos grupos feminino e masculino com sorologia positiva ou negativa, verificou-se não haver diferença estatisticamente significante entre idade, sexo, presença ou não de HIV(p=0.06). Contudo, a média de idade no grupo feminino soropositivo esteve em consonância com outros estudos (CAVELLANI, 2009; SILVA, 2009; ROCHA, 2010). Cabe aqui ressaltar que a expectativa de vida no grupo soropositivo depende da idade em que houve a contaminação, quando foi iniciada a sintomatologia, se o sujeito estava ou não em tratamento com a terapia antiretroviral. Um estudo realizado em países desenvolvidos mostrou que os pacientes diagnosticados por volta dos 25 anos que usavam a terapia teriam expectativa de vida próxima de 77,7 anos, diferença de cinco meses para a expectativa de vida da população em geral. No Brasil, de modo geral, a expectativa de vida de um indivíduo acometido pela Aids, que esteja em tratamento antiretroviral e que tenha sido diagnosticado mais cedo, tende a ser semelhante ao das pessoas com sorologia negativa (KAHN REUTERS, 2008). Todavia, vale a pena lembrar que o ganho, em termos de anos de vida, obtido pelo grupo soropositivo, deve-se também aos esforços envidados de organizações governamentais e não governamentais no intuito de ampliar o acesso aos métodos preventivos, melhorar a qualidade, bem como aumentar a expectativa de vida neste grupo populacional. De forma que mais pessoas tiveram e continuam tendo acesso à terapia antiretroviral de maneira continuada, com maior facilidade, o que estimula a adesão Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 107 ao tratamento. Consequentemente os números tendem a convergir para melhores resultados. Vale lembrar que ao final dos anos 1980 a expectativa de vida após o diagnóstico de Aids era em média 5,1 meses de vida; na metade da década de 90 esses números subiram para aproximadamente 5 anos de sobrevida. Ressalte-se que naquele período o tratamento para Aids ainda era bastante incipiente (MARINS et. al, 2003). Quando a análise da idade foi separada por sexo e sorologia positiva ou não para HIV, percebeu-se que embora a média de idade feminina se mantivesse mais alta do que a masculina, ainda é muito baixa em relação à expectativa de vida da população em geral, que segundo dados do IBGE alcançou 73,1 anos. O grupo feminino tem expectativa de vida ao nascer de 77 anos, enquanto que os homens, 69,4 anos; entretanto não foram encontradas diferenças significantes (GAIER, 2010). Porém é válido ressaltar que a média de idade no grupo soropositivo tem sofrido alterações ao longo dos anos; nos anos 1980 a faixa etária variou de 20 a 49 anos; na década de 90 observou-se não só o aumento da faixa etária, que atingiu 30 a 39 anos, bem como aumento da transmissão entre heterossexuais e também no grupo feminino. Houve ainda notável aumento da incidência de sorologias positivas entre homens na faixa etária de 40–59 anos neste período. O grupo feminino mais intensamente afetado tinha entre 25 e 39 anos, entretanto houve aumento do número de casos em todas as faixas etárias, atingindo recentemente mediana de 35 anos (FONSECA & BASTOS, 2007). A média de idade encontrada no presente estudo esteve pouco acima da média de outros estudos realizados em necropsias de pacientes com sorologia positiva ou negativa para HIV em nossa região (CAVELLANI, 2009; ROCHA, 2010, SILVA, 2009). Quando foi considerado o gênero e a causa de morte percebeu-se que não há Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 108 diferenças significativas. Entretanto, acredita-se que esta falta de significância seja justificada pelo número de pessoas em cada grupo. Houve uma tendência de predomínio da causa de morte infecciosa no grupo soropositivo. Outros estudos mostraram ser esta causa, de fato, importante para este grupo, como mostrou Guimarães (2010) numa revisão que correlacionou várias pesquisas acerca das causas de morte associadas a pacientes HIV positivos. Na análise do IMC os sujeitos soronegativos alcançaram maior IMC (23.98 Kg/m2) do que os soropositivos (22.38 Kg/m2), concordando com outros estudos na mesma linha de investigação, entretanto os testes bilaterais não mostraram significância estatística (ROCHA, 2010). Há que se considerar que apesar de não haver uma significância estatística entre os indivíduos com ou sem HIV, a Imunodeficiência Adquirida tem como consequências deficiências nos mecanismos de percepção da fome e alimentação, oriundas de alterações ao longo do trato digestório, que poderiam culminar em subnutrição (MONTEIRO et al., 2000). De maneira geral a desnutrição pode ocorrer por deficiência de transporte, de aporte ou ainda pela não utilização dos nutrientes. De acordo com Cunha et al. (1998), Kotler (2000) a desnutrição9 é a complicação mais comum no HIV/Aids, até por sua característica multifatorial que pode contribuir para o aumento da morbidade e da mortalidade. Os dados do presente estudo indicaram que na maioria dos casos os sujeitos 9 De acordo com a AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION, desnutrição é um estado de anormalidade bioquímica, funcional e/ou anatômica do organismo, causada pela pouca alimentação ou alimentação excessiva com inadequado aproveitamento de nutrientes essenciais (2003). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 109 encontravam-se normonutridos. Entretanto, há que se considerar esse dado com parcimônia, uma vez que se classificou unicamente com base na relação entre peso e altura, quando sabe-se que a avaliação nutricional envolve um conjunto de parâmetros, tais como pregas cutâneas, medidas circuferenciais do braço, exame de bioimpedância, indicadores bioquímicos, além de exame físico, história nutricional, socioeconômica e clínica. Nesta pesquisa, acredita-se que a associação com outras infecções possa ter desencadeado fenômenos edemaciantes, que podem ter mascarado a subnutrição no grupo HIV positivo. A subnutrição é um tipo de desnutrição que pode ser classificada em subnutrição proteicoenergética do tipo marasmo ou do tipo kwashiokor, sendo a primeira relacionada à desnutrição crônica e a segunda relacionada com a síndrome da resposta de fase aguda, com edema, além de outras causas infecciosas e ou traumáticas. Ao ser estabelecida a correlação entre idade e IMC, percebeu-se que, embora não exista necessariamente uma linearidade entre IMC e idade, esperava-se encontrar uma tendência positiva com o aumento da idade, pelo ganho de peso decorrente do aumento da massa gorda, contudo os dados sugerem, para esse grupo, uma tendência oposta. No presente estudo esta tendência só foi positiva quando foi analisado o IMC no grupo HIV positivo, que confere com os estudos de Rego et al., 2007. Para a análise da variável cor, devido às dificuldades de categorização, bem como das variáveis epidemiológicas relacionadas com a cor, optou-se por uma classificação genérica. Isto porque em concordância com as afirmações de Ayres (2007), não há uma uniformidade acerca desta questão, uma vez que estão implícitos no conceito cor aspectos determinados socioculturalmente, além da dificuldade de se estabelecer um consenso Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 110 acerca de qual categoria selecionar (cor, raça, etnia, negro, preto ou afrodescente), origem da classificação (auto ou heteroidentificação), faz-se necessário ainda, considerar a fragilidade dos registros desse tipo de dados, bem como os aspectos de estratificação social implícitos. Por este motivo optamos por utilizar o parâmetro branco e não branco (CHOR, 2007; DREW, 2007; PAIXÃO, LOPES, 2007; TRAVASSOS, 2007). A análise entre cor e presença ou ausência de HIV não se revelou significativa, embora 33,3% dos sujeitos tenham sido incluídos no grupo “não brancos e HIV positivos”. Neste momento torna-se cabível interpor uma reflexão acerca da associação entre a epidemia e a população não branca, haja vista que para alguns pesquisadores esta associação reflete os padrões de desigualdade social vigente no país, oriunda de contextos sociopolíticos que permearam toda a história de desenvolvimento deste país. Além do mais, há que se interpretar com bastante parcimônia a veracidade dos dados quantitativos quando não são analisadas as influências sociopolíticas do contexto social onde eles foram produzidos como defendido por Fry et. al, 2007. Compete neste momento estabelecer uma reflexão, erigida da observação dessa pandemia no país e em outras localidades: a associação com a cor não poderia transcrever um viés que viria contaminado pelas injustiças sociais, pelo contexto sociopolítico e econômico onde as pessoas negras estão inseridas? (BARATA, 2007). Ressalte-se que no presente estudo não foi encontrada associação com a origem étnica, além do mais, a questão da racialização da Aids tem sido interpretada como um elemento novo e preocupante na dinâmica sociopolítica da epidemia. Quando foi incluída a variável sexo nesta associação não foram observados valores significativos. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 111 Análise Morfológica Nesta análise foram encontradas características condizentes com a literatura, em todos os grupos. No grupo HIV negativo os dados mostraram que no grupo bochecha, o epitélio encontrado foi não queratinizado. Na gengiva a camada paraqueratinizada manteve-se presente, embora houvesse descamação desta camada no grupo HIV positivo. A paraqueratinização é marcada pela transição incompleta dos componentes intracelulares com lise parcial das organelas intracitoplasmáticas, bastante comum no epitélio gengival (CATE, 2008; MACKENZIE, BINNIE, 1983). A interface entre epitélio e conjuntivo subjacente mostrou um aspecto mais retilíneo, sem formação de cristas profundas no grupo bochecha. A quantificação das cristas não mostrou diferenças significativas entre todos os grupos. Com relação a profundidade, a gengiva mostrou cristas mais profundas. Na língua foi encontrada paraqueratinização nas papilas fungiformes e ortoqueratinização nas papilas filiformes (KATCHBURIAN, ARANA, 2004). Segundo Emory et al., (2000), normalmente a camada basal é constituída por uma a três camadas de células. A excessiva proliferação da camada basal ocorre a fim de compensar o aumento da perda celular na superfície, tornando esta camada hiperplásica. Considera-se hiperplasia da camada basal quando esta passa a ocupar uma porção superior a 15% da espessura do epitélio. Esta hiperplasia é comum em epitélio estratificado do esôfago, em resposta a agressões, principalmente no refluxo gastroesofágico. Neste estudo apenas dois casos se enquadraram nesta característica (FENOGLIO – PREISER, 1998; STERNBERGER, 1997). A exocitose de células inflamatórias é caracterizada pela migração de células Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 112 inflamatórias no epitélio. A gengiva foi o grupo que apresentou maior freqüência deste evento, porém associada a presença de inflamação no conjuntivo subjacente (FENOGLIO – PREISER, 1998). De acordo com Sternberg (1997) eventos como acantose, espongiose e balonização celular são respostas celulares inespecíficas a agressões e/ ou inflamações. A acantose pode ocorrer por acúmulo de glicogênio ou outro fluido no citoplasma, levando ao aumento da espessura epitelial as custas de edema celular. Para Odze et al. (2003) a acantose glicogênica representa um espessamento focal do epitélio estratificado devido ao acúmulo de glicogênio intracitoplasmático. A espongiose segundo Cohen et al. (1997) é o acúmulo de fluido no espaço extracelular que pode resultar na separação das células epiteliais e o epitélio adquire o aspecto de esponja do ponto de vista microscópico. Morfologicamente trata-se de edema intercelular, caracterizado pela ocorrência de espaços entre as células epiteliais. A balonização celular, presente em todas as regiões analisadas em nosso estudo, foi descrita por Dias et al. (2000) na língua como sendo encontrado em epitélios com características clinicamente normais, sem associação com alterações nucleares e/ou hiperparaqueratose. No esôfago a balonização celular, denominada por Jessurum et al. (1988) de células em balão ou balonizadas é um achado característico e decorre de acúmulo de proteínas plasmáticas. Para estes autores a balonização celular é um achado comum decorrente de agressões inespecíficas. As células apresentaram coerência morfológica em suas respectivas camadas, com aumento do tamanho em direção a superfície (KATCHBURIAN, ARANA, 2004; ZHANG, 2001). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 113 Análise de alterações nucleares e citoplasmáticas também foi descrita por Dias (1998) em estudos onde foram pesquisadas características histológicas e citológicas do epitélio da cavidade oral. Dias et al (2000) analisaram alterações nucleares e citoplasmáticas encontradas na língua de pacientes necropsiados. Os achados descritos pelos autores são semelhantes aos observados em nosso estudo. No grupo soropositivo as alterações citoplasmáticas de baixa afinidade tintorial, podem, em parte, se relacionarem ao aumento volumétrico celular excessivo devido ao efeito citopático do vírus, pois o desequilíbrio iônico tenderia a atrair água para o interior da célula, acarretando tal alteração (VOSS et al., 1996). Análise Morfométrica Vários estudos têm utilizado a morfometria desde a década de 1950 como um importante colaborador na análise celular, intracelular e tecidual. A partir do final da década de 1980 foi inserida a morfometria computadorizada como uma ferramenta de pesquisa, desde então as técnicas de análise de imagens conquistaram sua cadeira cativa no cenário da pesquisa científica (GOLDSBY, STAATS, 1963; OGDEN, COWPE, WIGHT, 1997; SILVERMAN, BECKS, FARBER, 1958; COWPE, LONGMORE, GREEN, 1985). Nesta pesquisa a morfometria foi utilizada a fim de quantificar a espessura epitelial, número de células, tamanho de células, o número e tamanho dos desmossomos e das células de Langerhans. Quanto à espessura epitelial, os grupos bochecha e língua foram os mais espessos, entretanto estes achados, em sua maioria, se encontraram no grupo HIV positivo. O epité- Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 114 lio destas regiões é classificado como dos mais espessos de maneira geral (ZHANG, 2001; KATCHBURIAN, ARANA, 2004; GUIMARÃES, et al., 2007). Entretanto, a maior espessura do epitélio encontrada no grupo HIV positivo em nosso estudo diverge de outros autores, inclusive em estudos realizados em nossa região (CAVELLANI, 2009; ROCHA, 2010). Ressalte-se que mesmo no grupo gengiva os cortes mais espessos encontraram – se no grupo HIV positivo. Os dados mostram que o grupo masculino, na maioria das comparações mostrou-se mais espesso. Em relação ao número de camadas celulares o grupo HIV positivo apresentou maior número de camadas em todos os cortes, exceto no BF-. Quando se buscou a associação entre espessura epitelial e número de camadas celulares, o grupo BF- teve maior número de camadas, mas não a maior espessura, indicando uma tendência de que a espessura não necessariamente estaria relacionada com o aumento do número de camadas, ou seja, com a hiperplasia e sim com o tamanho das células como colocado por Silva (2009). Na análise morfológica não foi identificada a presença de hiperplasia da camada basal. O grupo GM- teve o menor número de camadas. No que tange ao diâmetro médio celular, no presente estudo, a maioria as células do grupo HIV positivo mostraram-se maiores, embora não tenha sido identificada diferença estatística entre os tais valores. De acordo com a literatura, este aumento ocorreu em razão das características próprias da doença, que está associada à entrada de íons K+ e Na+ nas células infectadas. O aumento do fluxo iônico permite maior entrada de água a fim de equilibrar a osmolaridade celular, culminando com o aumento do tamanho celular (CHOIN, et al., 1998; VOSS, et al., 1996). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 115 Pesquisas em epitélios de outras regiões (colo uterino, esôfago e pele) que buscaram analisar a relação de alterações epiteliais com a AIDS encontraram maior número de camadas celulares no grupo HIV negativo (CAVELLANI, 2009; ROCHA, 2010). A análise dos cortes semifinos permitiu a identificação e a quantificação de estruturas juncionais no limite celular entre células contíguas, pois a espessura do corte é suficientemente delgada, proporcionando resolução de imagem suficiente para identificar as junções epiteliais de células da mucosa oral. A aplicação da proteína desmogleína 3, que é uma das proteínas da placa dos desmossomos, veio ratificar a identificação de tais junções. A literatura identifica a desmogleína 3 como uma das principais caderinas da placa desmossomal, bem como sua expressão nas células da mucosa oral (BONÉ, et al., 2003; GARROD, MERRITT, NIE, 2002; GREEN, GAUDRY, 2000; CLAUSEN et al., 1986). A observação dos cortes mostrou um aspecto retilíneo da desmogleína no limite celular. De acordo com Chitaev et al. (1998) a característica deve-se ao fato de ser esta uma proteína da placa desmossomal. Além do fato de existir uma grande quantidade de desmossomos por célula. Em relação à quantificação dos desmossomos na ML, considerando a presença ou ausência da doença, o grupo HIV negativo apresentou proporcionalmente maiores quantidades de desmossomos em suas células, em relação ao HIV positivo. Quando foram separados por sexo, sem considerar a infecção, houve uma tendência de os indivíduos do sexo feminino apresentarem maiores quantidades em relação ao masculino. Na análise morfométrica com a utilização da microscopia eletrônica a influência do gênero foi confirmada, pois, o sexo feminino teve maiores quantidades de desmossomos do que o masculino em todas as análises. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 116 Quando foi analisado o tamanho dos desmossomos percebeu-se na maioria dos casos que o grupo HIV negativo apresentou os maiores desmossomos. O grupo gengiva de maneira geral apresentou-se com os maiores valores. Provavelmente esteja correlacionado com aspecto funcional, uma vez que esta é uma mucosa mastigatória sujeita a abrasão frequente. Esse padrão foi seguido pela língua, provavelmente por suas características locorregionais e de exposição a agentes físicos, químicos e térmicos. A bochecha obteve valores menores, provavelmente também decorrentes de características locais como a flexibilidade, extensibilidade e menor intensidade de atrito. Quando foram separados por sexo, percebeu-se diferença significante no grupo masculino tanto para soropositivos quanto para soronegativos, sendo que o maior tamanho foi encontrado no grupo masculino HIV negativo. Quando foram comparados considerando presença ou ausência de HIV, bem como a região, o grupo GM- obteve o maior valor. Os tamanhos dos desmossomos foram classificados segundo Ghadially et al. (1995) em: normal, grandes e gigantes, sendo normais aqueles que apresentam até 500 nm, grandes aqueles que variam de 500 a 1000 nm e gigantes são aqueles maiores que 1000 nm. As variações de tamanho encontradas no presente estudo estiveram, em todos os cortes, dentro dos padrões de normalidade em concordância com a classificação de Ghadially (1995). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 117 Análise Imuno-histoquímica Em relação às células de Langerhans, a positividade para CD1a foi mais intensa na gengiva, independente de qualquer variável, enquanto a língua teve a menor expressão, independente das variáveis. Quando foi considerada a presença ou ausência do HIV, os dados mostraram que o grupo HIV positivo apresentou significativamente menor expressão de CD1a por fragmento. Estes dados se mantiveram nas três regiões analisadas. O grupo feminino apresentou maior positividade para CD1a, indicando maior quantidade de células de Langerhans, particularmente as soronegativas. Cabe lembrar que nos casos HIV positivo, a subnutrição é uma complicação freqüente, que pode diminuir a capacidade do sistema imune e justificar a diminuição das células de Langerhans neste grupo. Além do mais, a própria célula de Langerhans pode ser afetada pelo vírus HIV. Pesquisas em epitélios de outras regiões também obtiveram resultados semelhantes no que diz respeito a quantidade de células de Langerhans (AMBUS, AMBUS Jr, 2004; CAVELLANI, 2009; ROCHA, 2010). Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 118 10 Conclusões ______________________________________________________________________ ... E assim chegar e partir São só dois lados da mesma viagem O trem que chega É o mesmo trem da partida A hora do encontro É também despedida... Milton Nascimento/ Fernando Brant Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 119 A infecção por HIV/AIDS associou-se a alterações morfológicas nos epitélios da bochecha, gengiva e língua, tais como, diminuição do tamanho do núcleo, desorganização dos constituintes citoplasmáticos, alteração das cristas epiteliais e conjuntivas em profundidade e em quantidade das epiteliais, além de alterações da queratinização das mucosas mastigatória e especializada e diminuição das papilas linguais. Além de causar o acúmulo de substância no epitélio, tanto no interior das células – acantose glicogênica e balonização, quanto no intertício – espongiose. Em sujeitos HIV positivo foi constatado o aumento da espessura epitelial, sendo que o grupo masculino apresentou maior espessura. Os sujeitos HIV positivo mostraram aumento do número de camadas celulares, mas não houve diferença significativa entre os sexos. Aumento do diâmetro celular foi observado nos sujeitos HIV positivo, em especial na língua e na bochecha, além de maior quantidade de acantose e espongiose. O grupo HIV negativo apresentou maior quantidade de desmossomos, sugerindo que a doença pode influenciar na diminuição do número de desmossomos. Além disso, sexo feminino mostrou maiores quantidades de desmossomos tanto nas análises com ML quanto com MET. Os dados morfométricos revelaram correlação com a expressão da desmogleína tanto nas análises com ML quanto com MET. Em relação ao tamanho dos desmossomos a presença da infecção associa-se a diminuição do tamanho dos mesmos. O sexo influenciou no tamanho e na quantidade de desmossomos, pois o grupo Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 120 masculino apresentou os maiores tamanhos e o feminino as maiores quantidades. A expressão de CD1a nas células de Langerhans foi significativamente menor no grupo com HIV/Aids. Quando foi considerado o sexo, na maioria dos casos as mulheres apresentaram maior expressão de CD1a. Ao considerar o tipo de mucosa, a bochecha, mucosa de revestimento, apresentou maior quantidade de células de Langerhans. A positividade para CD1a foi menor na língua e maior na gengiva. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 121 11 Considerações Finais ______________________________________________________________________ ... Um dia a gente chega E no outro vai embora Cada um de nós compõe a sua história, cada ser em si Carrega o dom de ser capaz, e ser feliz... ... Ando devagar porque já tive pressa E levo este sorriso... Almir Sater Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 122 O presente estudo analisou vários aspectos do epitélio da cavidade oral em três regiões de sujeitos HIV positivo ou negativo submetidos a necropsia, permitindo a caracterização dos diferentes tipos de mucosa – revestimento, mastigatória e especializada – e avaliando a arquitetura geral, alterações nucleares, citoplasmáticas e intersticiais nos dois grupos, buscando identificar alterações que poderiam estar associadas a infecção pelo HIV. Acredita-se que os resultados obtidos possam fornecer bases científicas para compreensão das características locorregionais da cavidade oral de pacientes com sorologia positiva ou negativa para HIV, contudo, são necessárias pesquisas futuras que possam ampliar e aprofundar os achados de pesquisa aqui apresentados. Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 123 12 Referências ______________________________________________________________________ ... Então tá tudo dito E é tão bonito E eu acredito num claro futuro... Peninha Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 124 1. ADUROGBANGBA, M.I., et al. Orofacial lesions and CD4 counts associated with HIV/AIDS in na adult population in Oyo State, Nigeria. 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Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 134 13 Anexos ______________________________________________________________________ ... Sorri quando tudo terminar Quando nada mais restar Do teu sonho encantador Sorri... Charles Chaplin/ G. Parson/ J. Turner Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 135 necrópsia N-0908 N-1008 N-1108 N-0610 Gênero Idade M 48 M 33 M 32 M 44 HIV HIV+ HIV+ HIV+ HIV+ N-4262 N-4286 N-2309 M M M 35 HIV+ 45 HIV+ 43 HIV - 20 NB 29.3 B 15.4 B N-0710 N-242 N-247 N-285 N-286 M M M M M 33 34 42 28 42 HIV HIV HIV HIVHIV - 19.4 30.1 13.4 N-4253 N-4254 N-1208 F F F 54 HIV+ 39 HIV + 46 HIV + 32.9 29.6 22.3 B B NB N-3808 N-1609 N-2810 N-4250 N-4255 N-4268 F F F F F F 39 45 41 25 34 35 18.1 17.6 24.6 37.3 36.6 NB B NB NB NB 28 B HIV HIV HIV HIV HIV HIV + + + - IMC 22.5 17.4 18.8 15.5 Cor NB NB NB NB B NB NB 24 NB 40.4 B Causa morte Insuficiência respiratória Infecções múltiplas Provável arritmia Meningite Pneumonia conial aspirativa e encefalopatia desmielinizante Pneumopatia bilateral Choque séptico Síndrome da angústia respiratória do adulto SARA Leucemia; edema cerebral Micobacteriose e paracococidioidomicose Choque séptico Choque hipovolêmico Classificação Broncopneumonite aguda Choque séptico Coagulação intravascular disseminada - CIVD Broncopneumonia abscedada Insuficiência respiratória Trombose encefálica Metástase pulmonar Doença hipertensiva arterial sistêmica - DAS Choque séptico Infecciosa Infecciosa Infecciosa Infecciosa Infecciosa Infecciosa Infecciosa Infecciosa Infecciosa Infecciosa Infecciosa Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM 136 N-4270 N-261 N-267 F F F 49 HIV 28 HIV 18 HIV - 26.1 32.3 27.5 B NB B Linfoma encefálico Choque séptico Choque séptico Infecciosa Infecciosa Almeida, ECS - “Estudo estrutural do epitélio da cavidade oral de indivíduos HIV positivos submetidos ao exame de necropsia em Hospital de Clínicas”– Tese de Doutorado - UFTM